CIDADE (IN)VISÍVEL: OS CARNAVAIS DE GUAÍBA/RS COMO PRÁTICA DE SOCIABILIDADE URBANA DO CENTRO PARA OS BAIRROS, DURANTE A DÉCADA DE 70
RICARDO FIGUEIRÓ CRUZ*
INTRODUÇÃO O Carnaval é considerado uma das maiores festas do Brasil. Caracterizada pela multiplicidade de suas manifestações, trata-se de um evento nacional, mobilizando comunidades de Norte a Sul do país. Inserida em meados do século XVII no Brasil, as comemorações agitam desde os centros urbanos às pequenas vilas com diversas formas de manifestações culturais. Guaíba, cidade da região metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, esta imbricada nessa e por essas manifestações. O carnaval do município na década de 70 vai ser um espaço de sociabilidade, onde pode-se pensar em um carnaval de rua e de clube, com uma ritualização, interação e dinâmica, entre os indivíduos que circulavam por esses espaços. Com essa interação entre carnaval de rua e clube, vamos enunciar dentro dessa narrativa os principais clubes que esperavam e se preparavam para a receber parte dessa festa, e dessa forma sendo espaços importantes para a manutenção do carnaval no município. O aporte teórico metodológico para a construção dessa discussão se dará a partir da História Cultural (PESAVENTO, 2005), Memória e Identidade (CANDAU, 2011), História Oral (FERREIRA, 2002) (ALBERTI, 2013), e os pressupostos da Antropologia Urbana (VELHO, 2011). Este artigo tem por objetivo geral analisar os carnavais como prática de sociabilidade urbana do centro para o bairro, através de percursos, jornais e relatos, durante a década de 70. Tendo em vista que o carnaval é um espaço ritualístico de Esta analise está dividida em três partes: ‘Guaíba/RS e seus carnavais’, objetivando apresentar a relação da cidade com o Carnaval; na sequência apresentamos ‘Carnavais: do Mestrando em Processos e Manifestações Culturais – Universidade FEEVALE/RS, sob orientação da professora Dra. Ana Luiza Carvalho da Rocha. Bolsista: Concessão de Incentivo Interno FEEVALE. *
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centro para o bairro’, com a intencionalidade de mostrar como se da o carnaval na dinâmica urbana, quando se desloca do centro para o bairro.
1. GUAÍBA/RS E SEUS CARNAVAIS Para observarmos a dinâmica da cidade de Guaíba, podemos elucidar uma breve e rápida história do município, pois está localizada as margens oeste do Rio Guaíba, e a vinte e cinco quilômetros da cidade e capital do estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. A cidade pertence como distrito da capital, conquistando sua emancipação somente no ano de 1926. Desta forma essa cidade vai estar influenciada com a sua relação com a capital.
Figura 1 - Mapa da localização de Guaíba
Os lugares de memória de uma cidade são também lugares de história. História e memória são, ambas, narrativas do passado que presentificam uma ausência, reconfigurando uma temporalidade escoada. (PESAVENTO, 2008, p. 4)
Ao abordarmos a cidade como sendo lugar de história, apresentaremos uma breve localização e história da cidade, como forma de enunciar e introduzir essa cidade como narrativa, se faz necessário, pois a cidade é um espaço de memória, e os indivíduos que estão ligados a este espaço fazem parte dessa memória coletiva, pois o sujeito para Halbwachs (1990) é um sujeito atrelado ao coletivo, logo não há memórias individuais, mas coletivas. “As cidades fascinam”, como mostra Pesavento (2007, p. 11), pois a cidade esta entrelaçada por uma dinâmica e uma articulação social, que serve como propulsora da construção de uma memória e identidade.
3 [...] memória e identidade se entrecruzam indissociáveis, se reforçam mutuamente desde o momento de sua emergência até sua inevitável dissolução. Não há busca identitária sem memória e, inversamente, a busca memorial é sempre acompanhada de um sentimento identidade, pelo menos individualizado. (CANDAU, 2011, p.19)
Neste sentindo a formação da memória e identidade desta cidade está impregnada com sua história, que vai se constituir do centro para o bairro. Podemos pensar a formação de diversas entidades ligadas ao carnaval, e essas entidades vão ser importantes para a manutenção das relações sociais do carnaval. TABELA 1 – INVENTÁRIO DE BLOCOS E CORDÕES CARNAVALESCO BLOCO OU CORDÃO
FUNDAÇÃO
1
APACHES
1954
2
AZ DE OUROS
3
CARA DE PAU
4
CARA SUJA
5
COMANCHES
6
CUSTOU MAIS SAIU
JANEIRO/1975
7
DÁ NO PÉ
JANEIRO/1956
ITAPUÍ
CENTRO
8
GENTE BEM
9
JACARÉ TE ABRAÇA
DÉCADA DE 50
VETERANOS
ERMO
10
MADUREIRA
MADUREIRA
VILA NOVA
11
MANDA CHUVA DA FOLIA
12
MANDINS
MANDINS
CENTRO
13
NAQUELA BASE
14
OS BATUTAS
15
OS GAMADOS
16
OS INVASORES
17
OS PIRATAS
18
PILANTRAS
19
PRISIONEIROS
1967
20
ÚLTIMA HORA
DÉCADA DE 50
VETERANOS
ERMO
21
UNIDOS DO MORRO
22
VAI QUEM QUER
23
ZUERA
DEZEMBRO/1974
COMÉRCIO
CENTRO
Fonte: o Autor.
DÉCADA DE 40
CLUBE
BAIRRO
VETERANOS
ERMO
VETERANOS
ERMO
OBSERVAÇÃO
CENTRO
VETERANOS
PARA CASAIS
4
A discussão aqui não é historicizar cada entidade, mas sim apresentar a existência das existentes que consegui ter acesso (Tabela 1). Sendo assim, podemos perceber que temos a relação de alguns bairros, onde as entidades se formam, com isso percebemos a presença de clubes sociais (que será apresentado logo abaixo). Com isso observamos abaixo (Tabela 2), um inventário das Escolas de Samba, que se dará de forma semelhante aos dos Blocos e Cordões Carnavalescos. Neste inventário, destaco a agremiação Império Serrano, que é a única da década de 70, em atividade no contexto atual. TABELA 2 – INVENTÁRIO DE ESCOLAS DE SAMBA ESCOLAS DE SAMBA
FUNDAÇÃO
BAIRRO
DESFILES
TÍTULOS
OBSERVAÇÃO
9 DESFILES
7 TÍTULOS
EM ATIVIDADE
1
ADMIRADORES DO RITMO
2
COHAB/SANTA RITA
DEZEMBRO/2008
COHAB/STA RITA
3
ESTADO MAIOR DA COLINA
MAIO/1993
COLINA
4
FAMÍLIA REAL
5
FIGUEIRA
6
IMPÉRIO SERRANO
NOVEMBRO/1971
ERMO
7
INTEGRAÇÃO
8
SAI DA FRENTE
MAIO/1982
CENTRO
9
TRADIÇÃO
1989
FATIMA
10
TREVO DE OURO
11
UNIÃO DA VILA
12
UNIDOS DA COLINA
EM ATIVIDADE
23 TÍTULOS
EM ATIVIDADE
Fonte: o Autor.
A partir desta análise podemos perceber o quanto blocos ou cordões carnavalescos, e Escolas de Samba, estão entendidas dentro do contexto social urbano, que são atravessadas por trajetórias, e não por apenas uma instituição diferente. Por isso abarcamos dentro da Antropologia Urbana, onde podemos entender alguns deslocamentos dentro da cidade, e com isso traços aí deixados por pessoas que freqüentaram e compuseram o carnaval e a memória dos seus frequentadores. [...] apreender a cidade como matéria moldada pelas trajetórias humanas, e não apenas como mero traçado do deslocamento indiferente de um corpo no espaço, o antropólogo precisa recompor os traços aí deixados por homens e mulheres. (ROCHA e ECKERT, 2003)
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2. CARNAVAIS: DO CENTRO PARA O BAIRRO A concentração, desfile e disputa dos carnavais aconteciam na Rua São José, localizada no centro da cidade. Este espaço tinha uma relação muito forte com o espaço urbano, devido a sua localização na zona de comercial.
Figura 2 - Rua São José (vermelho)
Sendo assim, para Selau (2004) a técnica de história oral como metodologia contribui para o desenvolvimento de uma série de técnicas e procedimentos metodológicos que auxiliam a produção do conhecimento em história. A concentração era na ‘7 setembro’ e os blocos subiam a ‘São José’ até a ‘Cônego’. Na esquina da ‘Cônego’ com a ‘São José’, ficava o palanque com as autoridades e os jurados. Era a subir, eles escolhiam ali porque era a região com o comércio. (CRUZ, Rubem – 30/06/2017)
Ao trazer a entrevista evidenciamos a relação da cidade com o carnaval, onde a rua, o centro da cidade é o grande palco da apresentação. Assim como podemos evidenciar nos jornais do período. Como uma das formas de análise e metodologia desse estudo, é a utilização de jornais como fonte de investigação. Sendo assim, como nos mostra Luca (2005), na qual os periódicos são analisados e interpretados levando em consideração o maior número de elementos possíveis.
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O estudo da fonte jornalística permitiu ampliar os horizontes para novas reflexões e problemáticas nos conhecimentos sobre as sociedades do passado. Segundo Capelato (1988, p.21): A imprensa oferece amplas possibilidades para isso. A vida cotidiana nela registrada em seus múltiplos aspectos, permite compreender como viveram nossos antepassados – não só os “ilustres” mas também os sujeitos anônimos. O Jornal, como afirma Wilhelm Bauer, é uma verdadeira mina de conhecimento: fonte de sua própria história e das situações mais diversas; meio de expressão de idéias e depósito de cultura. Nele encontramos dados sobre a sociedade, seus usos e costumes, informes sobre questões econômicas e políticas.
Com isso percebe-se que a impressa de Guaíba apresentava esse lugar como palco da festa, e de outras formas de sociabilidade que vai ser esperadas no desfile de carnaval. O fragmento retirado do livro abaixo exemplifica essa questão.
MISTÉRIO VAI TERMINAR NA SÃO JOSÉ Hoje à noite, o público terá oportunidade de tirar todas as suas duvidas. Durante mais de um mês as guerras se sucederam. As vezes em surdina, noutras quase fazendo explodir um verdadeiro caldeirão. É o carnaval que inicia, e que mostrará se o Dá No Pé está ou não quebrado, sem condições de reprisar os antigos primeiros lugares; o bloco da São José vem sendo o mais comentado, inclusive recebendo acusações – algumas veladas, outras bem diretas e abertas – de que estaria trazendo três alas de uma escola de Porto Alegre que desfilaria sob sua bandeira engrossando o contingente. Além disso, as acusações chegam mais longe. Elementos do bloco e sua diretoria teriam sido vistos em São Jerônimo contatando a vinda de carros alegóricos, que seriam trazidos altas horas da noite para a sede do Itapuí de forma a não despertar suspeitas. Para os demais blocos, o fato – se comprova – desvirtua o carnaval da cidade fazendo valer a lei do dinheiro contra a verdade do trabalho. Seus concorrentes ameaçam pedir a anulação da participação do Dá No Pé se isso acontecer. Por seu lado, outro que desgostou muita gente foi o Manda Chuva da Folia. As escolas do Ermo ficaram queixosas com o presidente Valdir Soares que conseguiu arregimentar mais de 30 bateristas entre os do Império, Admiradores e Figueira. De última hora, o Império levou um elemento da bateria novamente para sua casa. Enfim, haveriam muitas histórias para contar mas tudo isso o público poderá conferir de pertinho hoje e segunda, a partir das 21 horas. Amanhã, domingo, o embalo ficará por conta de três blocos de fora: Bafo da Onça, de Barra do Ribeiro; Diplomatas do Samba, de Alvorada e Tribo Carnavalesca Os Aymorés. (JORNAL O GUAÍBA, 24/02/1979 – nº 250 – grifo do autor)
Quando o carnaval findava na rua, ele era “transferido” para o clube, onde a festa continuava. Podemos perceber isso na fala do Sr. Rubem, que ele relata os passos que eram dados após terminar o desfile de rua. Quando terminava o Carnaval na ‘São José’ íamos para algum Clube, alguns Blocos eram de Clubes, como o Dá No Pé, era o dos ricos, eles eram do Itapuí. O nosso era
7 o Custou, não éramos ligados a Clube, mas íamos para o Clube da Celupa. (CRUZ, Rubem – 30/06/2017)
Para DaMatta (1997), o “carnaval de rua”, é uma oposição ou um contraste com um “carnaval de clube”. Na rua, o carnaval assume um encontro aberto, dominado no Rio de Janeiro, pelo desfile das escolas de samba, e um contraponto é os carnavais de clubes, pois se trata de um ambiente mais marcado, pois o próprio espaço físico é privado. Mas essa ideia não pode ser levada de forma engessada, ainda segundo o autor, os desfiles de escolas de samba ou de blocos provocam um fechamento do espaço carnavalesco, já que temos associações de pessoas que se reúnem para promover os desfiles. Pela mesma lógica, no “carnaval de clube” o fechamento é muito relativo. Primeiro porque os ingressos são sempre comprados, como é típico do carnaval, já que os clubes fechados e exclusivos deixam de reunir-se por meio de convites que seguem a mesma lógica política social moral para serem dominados pelo plano econômico que, no carnaval, se torna abertamente abrangente. (DAMATTA, 1997, p. 109)
Essa relação de continuidade do carnaval no clube, também era representada no jornal, pois a sociabilidade¹*da cidade se mantêm nos espaços privados, e isso era um fator importante para a disputa do publico pelos clubes, como apresenta dos jornais. SABA A única nota destoante nos da SABA foi dada mesmo pelo conjunto, muito longe de ser o que o grande público esperava. A impressão é de que todos pensam que, quem vai a um baile de carnaval só pensa em pular, não se importante com o som. O que não é verdade. No mais, na SABA, um grande público, muita garota bonita, cerveja e uísque. (JORNAL O GUAÍBA, 06/03/1976 – nº 105) MADUREIRA A Sociedade da Cel. Nassuca, o Madureira, realizou um grande carnaval. Foram três bailes coroados de êxito e a alegria imperou. Os Admiradores do Ritmo e o Império Serrano brincaram no Madureira e o Império como vencedor do carnval da cidade, mostrou, no Clube, que não é bom só para o povo ver. (JORNAL O GUAÍBA, 06/03/1976 – nº 105)
¹*Uma cidade é sempre, sobretudo, sociabilidade, pois não é possível pensá-la sem atores, sem relações sociais, sem interação. A cidade é sempre obra de homens e só se realiza na coletividade. (PESAVENTO, 2004)
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Figura 3 - Mapa com a relação dos Clubes da cidade
Os clubes estão alocados em diferentes bairros e vai ser para onde os foliões vão migrar. Ao pensar nesses clubes, hoje, temos somente dois em funcionamento, mas não realizam mais bailes de carnaval, que é o Clube Veteranos, e o Clube Itapuí. O Clube do Comércio é a atual sede do poder legislativo do município, e os demais não existe mais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS Após a análise deste trabalho podemos perceber a importância do centro da cidade nesse cenário carnavalesco, pois a organização do carnaval vai estar extremamente relacionada ao comércio, ou seja, localizado no centro da cidade. O interessante para pensar, é a dinâmica do deslocamento da festa após o término do carnaval de rua, onde se concentra maior publico para os demais espaços privados. Dentro desse cenário podemos pensar a relação do Centro sendo a parte visível da cidade, onde a competitividade estava evidenciada pela imprensa, público, autoridades e jurados, desta forma podem definir a relação do carnaval visível, sendo o competitivo de rua. Por outro lado, temos o carnaval de clube, que é para onde migravam os foliões quando se
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terminava o carnaval de rua, os componentes saiam de um ambiente publico e iam para um ambiente privado, tornando o carnaval invisível para determinados seguimentos da população.
REFERÊNCIAS ALBERTI, Verena. Manual de História Oral. Rio de Janeiro: FGV, 2013. CANDAU, Joel. Memória e Identidade. São Paulo: Contexto, 2011. CAPELATO, Maria Helena. Imprensa e História do Brasil. São Paulo: Contexto/EDUSP, 1988. DAMATTA, Roberto. Carnavais, malandros e heróis. Rio de Janeiro: Rocco, 1997. FERREIRA, Marieta de Moraes. História, tempo presente e história oral. Topoi. Rio de Janeiro: p. 314-332, dezembro de 2002. HALBWACHS, Maurice. A Memória Coletiva. São Paulo: Vértice, Editora Revista dos Tribunais, 1990. LUCA, Tânia Regina. A história dos, nos e por meio dos periódicos. In.: PINSKY, Carla Bassanezi (Org.). Fontes Históricas. São Paulo: Contexto, 2005. PESAVENTO, Sandra Jatahy. História & História Cultural. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. _________________. Cidades visíveis, cidades sensíveis, cidades imagináveis. Revista Brasileira de História, vol. 27, nº 53, 2007. _________________. História, memória e centralidade urbana. Revista Mosaico, v.1, n.1, p.3-12, jan./jun., 2008. _________________. A construção de uma Porto Alegre imaginária - uma cidade entre a memória e a história. In.: GRIJÓ, Luiz Alberto; KUHN, Fábio; GUAZZELLI, Cesár Augusto Barcellos; NEUMANN, Eduardo. (Orgs.). Capítulos de História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: UFRGS, 2004. ROCHA, Ana Luiza CArvalho da; ECKERT, Cornelia. Etnografia de rua: estudo de antropologia urbana. Iluminuras. v. 4. nº 7. 2003. SELAU, Maurício da Silva. História Oral: uma metodologia para o trabalho com fontes orais. Esboços. Florianópolis: v. 11, nº 11, p. 219-228, 2004. VELHO, Gilberto. Antropologia Urbana: encontro de tradições e novas perspectivas. Sociologia, problemas e práticas, n.º 59, 2009, pp.11-18
10
_________________. Antropologia conhecimento. Mana. 2011
Urbana:
interdisciplinaridade
e
fronteiras
do
Jornais: O GUAÍBA, 15/02/1975 – nº 84 O GUAÍBA, 06/03/1976 – nº 105 O GUAÍBA, 24/02/1979 – nº 250 Zero Hora , 16 de março de 1972
Entrevistas: Rubem José Souza Cruz – realizada por Ricardo Figueiró Cruz, no dia 30 de junho de 2017, em sua residência.