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Vida e morte das pequenas escolas de samba - Uma aproximação histórica e antropológica das escolas d

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VIDA E MORTE DAS PEQUENAS ESCOLAS DE SAMBA UMA APROXIMAÇÃO HISTÓRICA E ANTROPOLÓGICA DAS ESCOLAS DOS GRUPOS DE ACESSO “C”, “D” E “E” DO RIO DE JANEIRO Eugênio Araújo

O artigo se debruça sobre alguns processos de criação, evolução e organização das pequenas escolas de samba do carnaval do Rio de Janeiro. Escola de Samba, Dinâmica Cultural, Carnaval

ARAÚJO, Eugênio. Vida e morte das pequenas escolas de samba: uma aproximação histórica e antropológica das escolas dos grupos de acesso “C”, “D” e “E” do Rio de Janeiro. Textos escolhidos de cultura e arte populares, Rio de Janeiro, v.6, n.1, p. 51-66, 2009. ARAÚJO, Eugênio. Vida e morte das pequenas escolas de samba.

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Tenho observado, nos últimos anos, processos de retração e extinção de muitos grupos sambistas em cidades brasileiras do Norte e Nordeste, em especial São Luís, Belém, Teresina e Fortaleza, onde havia muitas escolas de samba (ARAÚJO, 2001). A opção de fazer um estudo mais detalhado sobre as escolas de samba coirmãs cariocas, traduz um esforço de investigação sobre a manifestação em seu próprio berço, na cidade que criou e divulgou o modelo de “escola de samba” como é conhecido.1 Investigo alguns aspectos históricos, baseado em documentos, publicações e notícias jornalísticas, bem como efetuo uma abordagem antropológica dialogando diretamente com alguns agentes envolvidos na administração das agremiações e da Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro (AESCRJ)2. Em alguns momentos aciono informações relativas ao Grupo Especial, considerando uma análise relacional do mundo do samba carioca, do qual participam tanto as grandes quanto as pequenas escolas, em relações legais e informais de cooperação, competição, inclusão e exclusão. A cidade do Rio de Janeiro possui hoje cerca de 80 escolas de samba organizadas em grupos por ordem hierárquica: 12 no Grupo Especial, mais ou menos 60 distribuídas entre o Grupo de Acesso, Grupos Rio de Janeiro 1, 2, 3 e 4 e as escolas mirins. O Grupo Especial, que desfila na Avenida Marquês de Sapucaí, é regido pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), entidade fundada em 1984 pelas maiores escolas de samba (com orçamentos de vários milhões de reais). O Grupo de Acesso, congrega atualmente 12 escolas e é administrado pela Liga das Escolas de Samba do Grupo de Acesso (Lesga), criada em 2008 por algumas escolas integrantes do antigo Grupo de Acesso A3. Os Grupos Rio de Janeiro 1, 2, 3 e 4 (antigos Grupos de Acesso B, C, D e E) estão sujeitos legalmente à AESCRJ. O Grupo de Acesso e o Grupo Rio de Janeiro 1 também desfilam na Sapucaí com subvenções maiores. Os Grupos Rio de Janeiro 2, 3 e 4, com subvenções bem menores repassadas pela AESCRJ, desfilam na avenida Intendente Magalhães, em Campinho (bairro próximo a Madureira). Embora haja um esforço no sentido da harmonia entre elas, a simples existência de três entidades representativas já coloca a possibilidade de conflitos (efetivamente, em meados da década de 1990 houve uma crise envolvendo a Liesa e a AESCRJ), como será visto adiante; mais recentemente, a criação da Lesga também acirrou os ânimos. Além do mais, o poder de barganha com órgãos da iniciativa pública e privada é notavelmente diferenciado4. A atuação da Liesa está diretamente relacionada com as políticas públicas de atração de turismo, atividade econômica à qual a cidade do Rio de Janeiro deve muito de sua fama e receita; possui também comunicação com o poder paralelo, o mundo da contravenção do jogo do bicho e do crime organizado. (CHINELLI & MACHADO, 1993; CAVALCANTI, 1994) A atuação da Associação dá-se mais em nível organizacional, de manutenção e administração hierárquica dos grupos sambistas subalternos, filtrando o grau de excelência que permite a ascensão das escolas menores aos Grupos Rio de Janeiro 1, de Acesso e Especial, com direito ao desfile na Marquês de Sapucaí, principal vitrine da festa carioca. Isso pode ser verificado através da rigidez dos critérios de julgamento que perfa-

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zem uma curva ascendente, na medida em que as escolas sobem do Grupo Rio de Janeiro 4 para o Especial: No Grupo de Acesso A são exigidas cinco alegorias; no Grupo B, quatro; no Grupo C, três e nos Grupos D e E, só uma. Nos Grupos A e B nós adotamos em 2004, quatro jurados para cada quesito; para chegar a uma média eliminamos a maior e a menor nota, ficando com as duas intermediárias [...] Procuramos sempre orientar os nossos jurados para não usarem como referência as escolas do Grupo Especial, que primam pelo luxo e pela riqueza, por conta dos recursos. (Entrevista com diretor da AESCRJ, Rio de Janeiro, 2004) Assim, como percebeu Da Matta (1990) em fins de 1970, o mundo do carnaval mostra-se rigidamente hierarquizado e, dentro dele, operam várias estratégias de seleção, diferenciação e elitização. O campo do carnaval é caracterizado pela competição, uma guerra mais ou menos declarada pela tomada das posições de poder, o que envolve não apenas artistas, mas investidores, patrocinadores e públicos. Sugiro uma interpretação agonística do “mundo do carnaval carioca”. (LEOPOLDI, 1977; CUNHA, 2001) Configura-se um campo esquemático que coloca as escolas do Grupo Especial como pertencentes à “elite” do carnaval e as escolas menores como pleiteantes a tomarem parte nela. Por parte dos sambistas, há muita reclamação sobre os concursos, que acabariam reafirmando posições já estabelecidas, já que as regras aparentemente “democráticas” seriam manipuladas em favor daqueles que mantêm posições privilegiadas, atualizando, no Rio contemporâneo, relações de apadrinhamento típicas dos círculos cortesãos e da política mais tradicional. Mas há estratégias “legais” que facilitam e/ou promovem a ascendência: apresentar um espetáculo visualmente rico (característico dos grupos que detêm mais poder econômico), um “profissionalismo maior” ou “uma administração mais eficiente”, parece fazer parte dos critérios hoje observados, enfatizando a importância de uma abordagem cada vez mais racionalista da administração e mais técnica dos desfiles. Tem muita escola mal administrada que fica só esperando pelo dinheiro do poder público, sem fazer nada o ano inteiro. Assim não dá mais! Nós achamos que as escolas têm que aprender a andar com as próprias pernas, manter a quadra ativa durante todo o ano, ir em busca de parcerias. Estamos organizando oficinas específicas para o pessoal administrativo, pra cuidar melhor do patrimônio dessas escolas [...] Faltam quadros capacitados pra fazer isso. Por isso muitas escolas consideradas grandes e tradicionais estão em decadência há vários anos, por falta de maior administração. (Entrevista com diretor da AESCRJ, Rio de Janeiro, 2004) Verifica-se uma espécie de esforço pelo afunilamento do campo, que já estaria esgarçado, prejudicando a exploração comercial da festa. Há mesmo a clara intenção, por parte dos administradores e gestores do carnaval carioca (Liesa, AESCRJ, Prefeitura, Estado) de diminuir o número de escolas, hoje considerado alto, “eliminar gordura”, como diz o presidente da Liesa: Já vimos que o desfile está ficando cansativo no fim. É grande demais. E existem escolas que estão se perpetuando naquela faixa das últimas colocadas. É ARAÚJO, Eugênio. Vida e morte das pequenas escolas de samba.

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uma gordura que precisa ser lipoaspirada. As escolas que investem estão disputando sempre. Não se pode prejudicar a festa. Ou a escola cresce ou desce. (Entrevista com Ailton Guimarães, presidente da Liesa)5 “Já temos escolas demais!” tornou-se uma frase comum entre os gestores do carnaval, quase sempre seguida por justificativas que começam com “Essas escolinhas são muito mal administradas”. Tal diminutivo tem toda a ambiguidade desta forma nominativa: muitas vezes usado de forma carinhosa, traduzindo a atenção e o afeto diferenciados que merecem as coisas pequenas, em outras, é sacado para realçar a desimportância6. Na verdade, ninguém quer ser “escolinha”; uma prerrogativa desejável na trajetória de uma escola de samba é o seu crescimento. Mesmo nascendo “pequena” – como nascem quase todas e quase tudo – ela deve crescer, desenvolver-se, ganhar adeptos, angariar simpatias, relacionar-se bem com suas coirmãs e, preferencialmente, ir vencendo os desfiles e passando dos grupos menores para os maiores, até chegar ao Grupo Especial (meta ideal), onde já estão estabelecidas as escolas “adultas”, grandes, ricas e influentes, que podem ditar as regras e modas do carnaval sambista carioca e por extensão, do país. Na prática, a grande maioria permanece com status de “pequena escola”, sendo mais fácil diminuir ou estagnar que crescer. Esta trajetória ideal rumo ao sucesso só se torna possível para uma minoria dentro do universo de tantas escolas. Grande parte delas sequer almeja tanto, esforçando-se apenas para continuar existindo, mantendo sua colocação no grupo ao qual pertence. É o chamado “carnaval de manutenção”, que na atual conjuntura, já significa um esforço considerável. O Quadro 1 apresenta um esboço do campo do carnaval carioca até 2007. Pela colocação das pequenas agremiações, observa-se que seu papel vem sendo contestado e contrastado a partir do restabelecimento de outros modelos de carnaval: o surgimento ou ressurgimento de pequenos carnavais de bairros, blocos de rua, desfiles improvisados etc. Há ainda as famosas bandas da zona sul, como a de Ipanema, que estabelecem circuitos temporários nos dias em que saem às ruas. As bandas mais tradicionais já originaram uma plêiade de descendentes, criados nos últimos anos em contraponto à hegemonia das escolas de samba. Os foliões da Zona Sul carioca parecem ter feito opção por outro modelo de carnaval mais afeito ao que é chamado de “carnaval de rua”, com acentuação dionisíaca. A multiplicidade de referências musicais também dá o tom nestes encontros: os jovens preferem ouvir pagode, axé music ou funk. Há uma grande variedade de manifestações com perfil, localização e públicos próprios, cada uma satisfazendo diferentes tipos de anseios carnavalescos, que têm recebido especial atenção não só da mídia como dos estudiosos. Um mesmo carnaval, como por exemplo, o do Rio de Janeiro, está longe de poder ser definido como uma manifestação única. A festa carioca abrange eventos tão diversos quanto o grande desfile das escolas de samba, os blocos e as bandas que ocupam ruas da cidade e os grupos de clóvis, mais presentes em áreas de forte passado rural. Faz-se necessário desse modo, a construção de um conceito que possa relacionar essas festas dentro de uma mesma questão e que não se satisfaça com explicações gerais. (FERREIRA, 2005, p. 316-317).

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Quadro 1: O CAMPO DO CARNAVAL CARIOCA – 2005/2007 LIESA/JOGO DO BICHO (2005) Presidência: Capitão Guimarães 1987-1993/ 2001-2007 Ex-presidentes mais influentes: Castor de Andrade, Anísio Abrão David, Luizinho Drumond faturamento.: R$ 70,9 milhões

PODER PÚBLICO Prefeitura: investimento: R$15,5 milhões/ faturamento: R$5,5 milhões Marco mais recente: Brizola 1984 – Sambódromo

MANIFESTAÇÕES CARNAVALESCAS Maior visibilidade, investimentos e mídia GRUPO ESPECIAL LIESA Investimento da LIESA em 2005: R$ 28 milhões Investimento do Governo do Estado em 2006: R$ 4 milhões.

Visibilidade crescente nos últimos 10 anos CARNAVAL DE RUA: blocos de Empolgação, bandas tradicionais (Ipanema, Bola Preta), bandas novas, circuitos de rua (Presidente Vargas, Rio Branco, Cinelândia,Santa Tereza, Madureira), Blocos de Clóvis

Visibilidade média: ESCOLAS DE SAMBA MIRINS/LIESA: 12 escolas agregadas às grandes Investimento (2005): R$ 500 mil 2º maior público do sambódromo Individualmente, orçamento maior que o das escolas dos Grupos de Acesso C, D e E. GRUPOS de Acesso A e B/AESCRJ (24 escolas) Menor visibilidade, investimentos e mídia ESCOLAS DOS GRUPOS DE ACESSO C, D e E/AESCRJ Mais de 30 escolas desfilam na Intendente Magalhães OUTRAS MANIFESTAÇOES Desfiles de fantasias, Blocos de enredo. Festas dos Grandes Clubes Nossas as observações em São Luís, Belém e Teresina identificaram muitos grupos que tentaram transpor o modelo carioca para suas cidades e quedaram desanimados diante de uma sensação de “insuficiência estética”, frustrando a classe média investidora e o público em geral – por conta disso, estes agentes resolveram optar por outro modelo de brincadeira carnavalesca, com destaque para o carnaval de trio elétrico. No Nordeste, a distância geográfica em relação ao Rio, a proximidade com as cidades onde foram forjados outros modelos positivos da festa – em especial Salvador, Recife e Olinda –, a satisfação com os processos de transposição desses modelos, além da influência de certa ideologia regionalista, têm determinado o andamento das mudanças. O modelo de “carnaval de rua”, cujas principais atrações são os vários tipos de blocos, e que se estabelece atraARAÚJO, Eugênio. Vida e morte das pequenas escolas de samba.

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vés da delimitação de “circuitos carnavalescos” no espaço urbano, vem se fortalecendo e determinando a substituição de alguns tipos de brincadeiras por outras mais adequadas a tal modelo. Nesse processo, as escolas de samba vêm perdendo espaço. Observando os desfiles das pequenas escolas cariocas e conversando com seus mantenedores, constatei que na própria “cidade do samba” a sensação de insuficiência também está presente. Para eles também, apesar de tão próximo, o desfile do Grupo Especial é uma utopia, um ponto inatingível. A impossibilidade de fazê-lo deve-se a inúmeros fatores – e o econômico não é o único nem o principal. Um problema importante e frequentemente encontrado surge da concentração da discussão na desigualdade de rendas como o foco primário de atenção na análise da desigualdade. A extensão da desigualdade real de oportunidades com que as pessoas se defrontam não pode ser prontamente deduzida da magnitude da desigualdade de rendas, pois o que podemos ou não fazer, podemos ou não realizar, não depende somente de nossas rendas, mas também de uma variedade de características físicas e sociais que afetam nossas vidas e fazem de nós o que somos. (SEN, 2001, p. 60).

Grupos de Acesso: um pouco de história O processo de criação e desaparecimento das escolas de samba foi até hoje pouco estudado. Mídia e pesquisadores se interessam mais pela manifestação quando está no “auge”, quando uma escola cresce e ganha notoriedade. A fundação dos grupos costuma ser acionada através da tradição oral dos agentes comunitários mais velhos; mesmo no site da AESCRJ (www.aescrj.com.br) as informações sobre a fundação das agremiações são escassas. Quanto ao desaparecimento, menos ainda. As escolas de samba costumam ser lembradas apenas através dos seus desfiles anuais. Deixar de participar do rito é começar a ser esquecida. Se a ausência se prolonga por muitos anos, a extinção do grupo é quase certa, mesmo que, em alguns casos, a comunidade guarde a memória, parte do patrimônio e a vontade de voltar a “botar a escola na rua”, o que poucas vezes se concretiza. De certo modo, é mais fácil fundar uma nova escola, livre de dívidas e de antigas relações personalistas que atravancam o crescimento das agremiações. Tentei captar parte dessa dinâmica na cidade do Rio de Janeiro, onde o surgimento de novas escolas tem relação direta com a estrutura dos Grupos de Acesso e com os blocos de enredo, visto que para vir a ser escola é preciso passar por um desfile teste, realizado no Grupo Rio de Janeiro 4, o último da hierarquia. Como é possível acompanhar, através do Quadro 2, entre 1960 a 1978 as escolas de samba cariocas estavam divididas em apenas três grupos (1, 2 e 3), em escala descendente de antiguidade, tradição e excelência de desfile – eram então cerca de 40 a 50 escolas de samba7. A partir de 1979 a denominação muda e o universo cresce: agora são quatro grupos, denominados 1A, 1B, 2A e 2B, seguindo a mesma lógica, o número de escolas se mantém, apenas mais bem divididas. Em 1989 aparece pela primeira vez a denominação “Grupos de Acesso” para indicar aquelas agremiações “recém-formadas, aspirantes a participarem oficialmente dos desfiles”. (RIOTUR, 1991)

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QUADRO 02 – Evolução da nomeclatura hierárquica e número de escolas ANO

Grupo 1

Grupo 2

Grupo 3

TOTAL

1960

12

19

17

48

1962

10

15

25

50

1964

10

13

28

51

1966

10

15

28

53

1968

10

14

22

46

1970

10

16

16

42

1972

12

17

11

40

1974

10

16

18

44

1976

14

20

10

44

1978

10

16

18

Grupo 1A

Grupo 1B

Grupo 2A

Grupo 2B

1979

8

8

14

14

44

1982

12

12

12

8

44

1984

14

12

11

6

43

1986

15

9

12

9

45

44

Grupo 1

Grupo 2

Grupo 3

Grupo 4

1987

12

9

12

10

Acesso

1989

18

10

11

7

9

Especial

Grupo 1

Grupo 2

Grupo 3

Acesso

1990

16

10

12

10

9

57

1994

16

16

12

12

3

59

43 55

Especial

Acesso A

Acesso B

Acesso C

Acesso D

Acesso E

1996

18

10

12

12

12

6

70

2004

14

12

12

12

12

10

72

2005

14

13

12

14

14

08

75

2006

12

12

13

14

14

06

71

2007

12

12

12

14

14

07

71

2008

12

12

12

14

14

10

74

Especial

Acesso

RJ 1

RJ 2

RJ 3

RJ 4

12

10

13

14

14

08

2009

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Em 1990 a nomenclatura volta a mudar: é criado o Grupo Especial, seguido pelos Grupos 1, 2 , 3 e mais o Grupo de Acesso, por enquanto um grupo genérico que reunia as escolas aspirantes, como definia o manual da Riotur. Já eram então cinco grupos hierarquizados. Em 1996, formatou-se outra configuração: Grupo Especial e mais os cinco GruARAÚJO, Eugênio. Vida e morte das pequenas escolas de samba.

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pos de Acesso (A, B, C, D e E), perfazendo um total de seis grupos hierarquizados – esta organização perdurou até 2008, quando se opera mais uma mudança estrutural: as escolas do antigo Grupo de Acesso A desligam-se da AESCRJ, fundando sua própria entidade representativa, a Lesga. Elas formam hoje o “Grupo de Acesso”, devido à sua proximidade estratégica com o Grupo Especial, enquanto as restantes ficaram divididas nos Grupos Rio de Janeiro 1, 2, 3 e 4. Entre 1968, quando desfilaram 46 escolas e os anos 2000, quando desfilam mais de 70, observa-se um aumento considerável do número de escolas de samba na cidade do Rio de Janeiro. Até 1987 o número de escolas se manteve mais ou menos estável, oscilando entre 40 e 50 agremiações. A partir de 1990, observa-se um fenômeno curioso: várias das antigas escolas ficam inativas ou desaparecem, enquanto muitas outras são criadas. Entre 1988 e 1999 surgem nada menos que 16 novas escolas, o que dá uma média de quase duas escolas por ano, como demonstra o Quadro 3, acionando a origem de alguns grupos, quando isso foi possível. Tais dados surpreendem, pois a década de 1990 representa o auge daquilo que já identifiquei como “processo de retração” das agremiações sambistas em algumas cidades do Brasil. O Rio, no entanto, parecia ir na contramão. Mas uma crise entre Liesa e AESCRJ neste período, ajuda a entender melhor o ocorrido, como conta um diretor: Por volta de 1996 houve um racha na Associação. Houve vários problemas sérios com a Santa Cruz, a Tradição, eles estavam muito insatisfeitos, se juntaram com Paulo Almeida – que era presidente da Liesa na época – e fundaram a Liesga (Liga Independente das Escolas de Samba dos Grupos de Acesso). Fizeram promessas de aumento de verbas e quase todas as escolas se debandaram para essa liga. Ficou meia dúzia de gatos pingados aqui. Nós fizemos dois carnavais sem subsídio, não recebemos nada, mas mantivemos a tradição da Avenida Rio Branco. As despesas da Associação eram pagas todas pelos membros da diretoria. Mas quando o Paulo saiu da Liesa e assumiu o Jorge Castanheira, ele disse que só fazia acesso e descenso com a AESCRJ, dando força para a Associação. Aí as escolas voltaram todas para cá e houve o problema do inchaço. Ficaram muitas escolas, mas já eliminamos algumas. Havia bairro com três escolas. Já conseguimos acabar com isso. (Entrevista com diretor da AESCRJ. Rio de Janeiro, 2008) Se em outros estados, a década de 1990 representou uma “retração” da manifestação escola de samba, no Rio observa-se uma “ampliação” às avessas, determinada por uma crise institucional, envolvendo as entidades representativas. A criação de escolas configura-se então como parte de uma estratégia para fortalecer a AESCRJ. Neste caso, o aumento do número de pequenas escolas pode não traduzir exatamente as aspirações organizatórias das comunidades, são escolas sem “condição ou vontade” como acentua um diretor da AESCRJ: Tivemos que chamar vários blocos para virar escola de samba e fortalecer a Associação – muitos deles não estavam preparados nem queriam virar escola, mas nós tivemos que fazer isso. Por isso você vê muitas escolas sendo criadas na década de 1990. Mas agora acabou: não aceitamos mais tantas escolas, es-

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