Subjetividade e samba: encontros político-estéticos Drª Tânia Maia Barcelos /Campus Catalão-UFG taniab@triang.com.br Eixo do XIV Encontro em que se insere o trabalho: Outros
Resumo
Este texto, resultante de apresentação na mesa-redonda “Psicologia, subjetividade e clínica: diálogos políticos e estéticos”, apresenta e discute alguns aspectos da pesquisa de doutorado: “Re-quebros da subjetividade e o poder transformador do samba” (concluída em 2006, no Programa de Estudos Pós-graduados em Psicologia Clínica da PUC-SP). Tal pesquisa busca problematizar a subjetividade, a partir de uma aliança com o samba - gênero musical brasileiro -, tendo em vista a criação de estratégias de existência na contramão dos ritmos de vida dominantes e da política de mercantilização dos afetos vigentes no regime capitalista contemporâneo. Busca-se, nessa pesquisa, possibilidades de resistência e atualização do vetor ético da marca antropofágica da cultura produzida no país, o qual coloca em xeque tanto o princípio identitário da sociedade disciplinar, ainda em curso no Brasil, quanto o princípio de flexibilidade e experimentação da sociedade de controle em vias de implantação. A pesquisa sugere um “devir-samba” da subjetividade brasileira que a atravessa e a potencializa com uma capacidade extraordinária de se colocar à escuta do corpo como lugar de inscrição dos impasses experimentados e de fazer com eles, jogos e brincadeiras em prol da criação de inusitadas formas lúdicas de vida.
Palavras chave: Subjetividade. Samba. Devir. Cultura.
Na mesa-redonda “Psicologia, subjetividade e clínica: diálogos políticos e estéticos”1, realizada no XIV Encontro Nacional da ABRAPSO, focamos alguns encontros éticos, estéticos e políticos da subjetividade, a partir de pesquisas que buscam problematizá-la na perspectiva da invenção e da resistência. Nesses encontros, procuramos apreender movimentos de criação da vida e explorar a dimensão estética da subjetividade,
que
nos
últimos
anos
vem
experimentando
vários
tipos
desterritorialização, vividos de diversas maneiras: ora evitando-os, ora embarcando neles como finalidade em si. Buscamos afirmar outros modos de existência e outras concepções de subjetividade, vislumbrando novas formas de produção do conhecimento em Psicologia, cada vez mais, forçada a fazer deslocamentos, habitar campos fronteiriços e propor referências teórico-práticas mais atentas e mais conectados às demandas apresentadas nos contextos culturais emergentes. Uma das pesquisas apresentadas na referida mesa-redonda foi “Re-quebros da subjetividade e o poder transformador do samba”, a qual parte da seguinte hipótese: as forças que perpassam o samba, sejam de alegria, de resistência ou criação, podem ser fortes aliadas na luta da subjetividade2 contemporânea brasileira por novas possibilidades de vida. Este gênero musical - que emergiu nas primeiras décadas do século XX, passou a ser considerado símbolo nacional nos anos 30 e hoje é capaz de arrastar multidões - pode potencializar esta subjetividade, não somente na perspectiva da invenção, mas, também, na perspectiva da resistência. Na primeira parte da pesquisa apresento algumas escolhas políticometodológicas e os interlocutores principais que me auxiliam nesta empreitada errante e ardilosa junto ao samba. Empreitada que exige, desde o início, alguns aprendizados/desaprendizados fundamentais, os quais colocam em xeque os estilos convencionais de pensar, escrever e pesquisar. Ainda na primeira parte, faço um corpo a corpo com o samba e percebo, na pele, que os processos de aprendizado ocorrem numa zona fronteiriça - entre as formas visíveis do samba e da subjetividade e os fluxos quase imperceptíveis que os percorrem. Estes processos geram uma estranha cadência que
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A mesa foi composta por: Ms. Bruno Vasconcelos de Almeida (PUC-Minas), Drª Tânia Maia Barcelos (Campus Catalão/UFG) e Dr. Ricardo Wagner M. da Silveira (Campus Catalão/UFG). 2 A concepção de subjetividade utilizada na pesquisa desloca-se da noção de sujeito, tradicionalmente, associada a uma suposta natureza humana, a ser preenchida como um recipiente em que se colocam coisas a serem interiorizadas. A subjetividade não é concebida como algo interno, centrado no indivíduo. Refere-se aos modos de existência construídos historicamente e vividos por indivíduos em suas existências particulares. São provisórios e abertos às linhas de fuga, as quais possibilitam novas configurações existenciais. Cf. Guattari & Rolnik (1986).
demanda cautela e esforço do corpo e do pensamento, não acostumados a funcionar na perspectiva que escolhi para a pesquisa: ética, estética e política. Na esteira de autores que sustentam essa perspectiva do pensamento - como Deleuze, Guattari, Rolnik, Pelbart, Kastrup e Dias -, tento explorar as experimentações que realizo junto ao samba e as interlocuções com alguns sambistas e estudiosos deste gênero musical. Nestes encontros, privilegio, sobretudo, os aspectos intensivos3 que estranham o corpo e a subjetividade. As escolhas e as experimentações iniciais me lançam para “o meio do samba,” lugar-mestiço onde exercito alguns passos básicos da dança e estabeleço algumas alianças necessárias com os autores que pesquisam este gênero musical. Isso ocorre na segunda parte do trabalho, na qual aponto uma inquietação diante do termo síncope ou síncopa, muito utilizado entre os sambistas e pesquisadores da música brasileira. Na verdade, o que me surpreende são as variações desse termo e o que elas possibilitam sugerir: o recurso da “sincopação” como uma potência da cultura brasileira - de deslocar ritmos e inventar jogos e brincadeiras com a língua, com o corpo e com os afetos. Potência, também, da subjetividade, que apresenta, virtualmente, “ginga” para modificar certas políticas rítmicas e afetivas. Paradoxalmente, esta mesma potência facilita a subjetividade a identificar-se acriticamente com a forma de subjetividade implicada no regime contemporâneo do capitalismo, a se confundir com ela, anulando assim a força de resistência de que seria portadora. Atenta a esta potência paradoxal, aproximo-me do samba malandro, mais especificamente, do samba de breque, que, além de promover um estranho “efeitobreque” em nossos corpos, exacerba os deslocamentos rítmicos, sem abrir mão da potência de resistir. Por meio de jogos e brincadeiras diversos, o samba de breque dribla algumas imposições do sistema dominante e sugere uma “sincopação” da língua e do ritmo, sem perder de vista a malícia e a sutileza da força de resistência. O jogo e a brincadeira com os ritmos estão presentes, também, nas letras de samba que compõem diversos tipos de velocidades e lentidões e produzem desacelerações intensivas do tempo, na contramão das propostas predominantes, geralmente, apelativas e focadas em manuais que ensinam como lentificar os modos de
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A dimensão intensiva é a potência da diferenciação que não se anula no aspecto extenso ou quantitativo e não pode ser sentida do ponto de vista do exercício empírico. Ela é o limite da sensibilidade. Cf. Deleuze (1998).
viver, instrumentalizando tal lentidão para a indústria do lazer que a esvazia de sua densidade vital. Não sou eu quem me navega/ Quem me navega é o mar É ele quem me carrega/ Como nem fosse levar (...) Meu velho um dia falou/ Com seu jeito de avisar: - Olha, o mar não tem cabelos/ Que a gente possa agarrar Timoneiro nunca fui/ Que eu não sou de velejar O leme de minha vida/ Deus é quem faz governar E quando alguém me pergunta/ Como se faz pra nadar Explico que eu não navego/ Quem me navega é o mar4.
No encontro com Paulinho da Viola - por meio de suas composições e do filme “Meu tempo é hoje”5 -, problematizo as políticas do tempo presente. A postura do compositor oferece pistas estéticas fundamentais na reflexão sobre as formas de se viver o presente: sem mania de passado e sem querer ficar do lado de quem não quer navegar. Outras possibilidades de se viver o tempo presente ganham visibilidade no encontro com esse grande compositor, que sugere uma estranha política do presente, a qual não exclui o novo, mas também, não adere à estética do novo pelo novo. Nesta política, o presente é denso e acolhedor da variação rítmica da vida, na contramão das propostas mercadológicas do tempo, que tentam nos convencer de que é preciso viver intensamente o presente, direcionar o olhar para o futuro e impedir que o passado atrapalhe nossos planos.6 Na esteira de autores de inspiração Nietzschiana, afirmo que a alegria trágica produzida por este gênero musical é composta por um misto de afetos e destoa das formas de alegria hegemônicas, vinculadas a um ideal de felicidade e, supostamente, livres de dissabores e desassossegos. No encontro com o samba, essa alegria é, também, experimentada como uma possibilidade de ampliação dos movimentos do corpo, forçado a dançar para além de si mesmo; assim como a subjetividade, que improvisa outros modos de existência e se deixa contagiar pela vivacidade de uma língua malandra – a qual toca os problemas de forma direta e espontânea.
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Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho. Timoneiro. Cd Bebadachama. São Paulo: BMG, 1997. 5 O filme é dirigido por Izabel Jaguaribe, com roteiro do jornalista Zuenir Ventura. Foi produzido por Videolar, Indústria Brasileira, sob licença de Videofilmes Produções Artísticas LTDA. 2003. 6 Tais argumentos estão presentes na literatura de auto-ajuda, bastante consumida pela população nas últimas décadas.
A alegria paradoxal do samba me remete à dor. Chamo a atenção para o modo como o sambista trata a dor, sobretudo, no contexto atual, em que ela vem sendo anulada ou evitada de várias maneiras. A dor no samba não é concebida como um argumento contra a vida, mas como um meio de fortalecê-la. Tal postura problematiza nossa relação com a dor e nos ajuda a pensar outras maneiras de experimentá-la. Quando o poeta Se encontra sozinho num canto qualquer do seu mundo Vibram acordes, surgem imagens/ Soam palavras, formam-se frases/ Mágoas/ Tudo passa com o tempo Lágrimas/ São as pedras preciosas da ilusão Quando surge a luz da criação no pensamento Ele trata com ternura o sofrimento/ E afasta a solidão.7
Outro estranhamento fundamental que esta pesquisa aponta é resistência - força que perpassa, explícita e implicitamente, a história do samba, a postura dos sambistas e diversas composições cantadas, tocadas e dançadas em diferentes contextos. Em tempos difíceis de resistência como os nossos, sobretudo, nos últimos anos, talvez seja preciso aprender com esta tradição cultural do samba, a agir com sutileza e inventar outras modalidades de resistir: mais leves, mais efetivas e mais contagiantes. Na última parte do trabalho, sugiro pensar o samba como possibilidade de atualização da potência antropofágica da cultura brasileira, tanto no vetor negativo como no vetor positivo. Acredito que, se este gênero musical está a serviço da sustentação de representações estereotipadas do Brasil e do brasileiro, ele, também, favorece a subjetividade a driblar o princípio identitário, e com isso colocar-se à altura dos ares de nosso tempo em que tal regime, próprio do capitalismo industrial, foi suplantado pela flexibilidade do capitalismo financeiro. Conforme Rolnik (2000), a ética antropofágica não visa sustentar uma imagem ou uma representação identitária da cultura brasileira. Ao contrário, ela opera um deslocamento nesta concepção e propõe um outro princípio de produção cultural no Brasil. Princípio que consiste em um jogo de cintura para inventar linguagens e compor territórios, aceitando o efêmero e o disperso como condição da existência. Tal princípio implica misturar o que tiver disponível e dessacralizar as culturas erudita e acadêmica.
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Paulinho da Viola. Quando bate uma saudade. Cd Eu canto samba. BMG, 1989.
No domínio da subjetividade, o princípio antropofágico consiste em Engolir o outro, sobretudo, o outro admirado, de forma que partículas do universo desse outro se misturem às que já povoam a subjetividade do antropófago e na invisível química dessa mistura, se produza uma verdadeira transmutaçãp. Constituídos por esse princípio, os brasileiros seriam, em última instância, aquilo que os separa incessantemente de si mesmos. Em suma, a antropofagia é todo o contrário de uma imagem identitária (ROLNIK, 2000).
Nesse sentido, a marca antropofágica, nos modos de subjetivação brasileiros, possibilita plasticidade e liberdade para misturar o que tiver disponível e improvisar linguagens. Isso interpõe dificuldade para sua adesão a qualquer sistema de referência. A devoração do outro favorece os processos de desterritorialização/territorialização e faz com que a subjetividade brasileira tenha “know-how de gestão”, ou seja, certo “estado de corpo” que tolera, com mais facilidade, os estranhamentos e as improvisações de novas formas de vida. Essa marca é uma espécie de “potencialidade de mutação”, que nos deixa mais à vontade para enfrentar os processos de mudança, principalmente, nos últimos anos, em que é preciso ter muito jogo de cintura para experimentar inúmeros vazios de sentidos em um curto período de tempo. É como se, no Brasil, pudéssemos suportar melhor os efeitos da globalização, a qual mistura mundos diferentes e modifica, drasticamente, nossas vidas em todos os aspectos. É por isso que o princípio antropofágico é considerado uma possibilidade de resistência à política de subjetivação identitária, sustentada pelo capitalismo industrial, como também à política das subjetividades flexíveis, produzidas pelo capitalismo cultural. Para Rolnik, a marca antropofágica é paradoxal e gera efeitos nefastos na subjetividade. Sim, pois a liberdade e a flexibilidade para experimentar mestiçagens levam-na a aderir, facilmente, a qualquer tipo de representação que promete algum retorno narcísico. O efeito paradoxal da marca antropofágica facilita a subjetividade brasileira a descolar-se dos modelos tradicionais de existência, mas também, a tornar-se mais vulnerável para incorporar qualquer modelo veiculado pelo capitalismo cultural, já que ela não se sente tão ameaçada pelos estranhamentos produzidos a partir da escuta do corpo vibrátil. Afinal, o que não falta no território brasileiro é capital subjetivo e ginga dos corpos para agirem como “manda o figurino”, ou seja, como atletas da flexibilidade para adequar às demandas do capitalismo emergente.
A generosidade da aliança com o samba me faz sugerir um “devir-samba” da subjetividade brasileira. Devir lúdico, contagioso, convidativo, resistente e malandro. Esse devir nos potencializa na dança do mundo contemporâneo, que exige muita malandragem da subjetividade para driblar as estratégias predominantes de existência. Neste samba do “crioulo doido”, é preciso muita ludicidade para inventar outros afetos e outros ritmos. Muito desejo de fazer um violento encontrão com o “devir-samba“ que nos atravessa e nos contagia com uma vontade ilimitada de vida. Afirmar o “devir-samba” da subjetividade brasileira pode significar uma adaptação acrítica a este novo sistema, mas também, resistência ao mesmo: um corpo aberto à alteridade, com afetos e ritmos próprios, favorecedor de uma subjetividade que se constrói na relação com o outro. Se o samba é capturado pelo modelo identitário ou pelo modelo flexível do capitalismo cultural, também escapa de suas armadilhas - como a subjetividade. Malandragem é o que não lhe falta para transitar entre diferentes meios e compor suas formas musicais. Mas não podemos falar em aliança com este gênero da música brasileira, a não ser como virtualidade, nos bastidores da relação formal com a subjetividade. Como bem lembra Deleuze (1998), “o movimento acontece sempre nas costas do pensador, ou no momento em que ele pisca” (p. 09). Só no nível molecular é que experimentamos os efeitos sutis desta aliança: quando somos tomados pela potência extraordinária do “devir-samba” que promove estranhos “encontrões” entre os corpos e gera um delicioso desejo lúdico de vida. Neste nível de ludicidade, quase imperceptível a olho nu, nos expomos ao outro, sem nos submeter aos “violentos encontrões” formais para sentir sua presença viva ou sua diferença disruptiva. Como se a violência fosse necessária para os corpos se afetarem. A violência do encontro com o samba é de outra espécie: é molecular, veloz e potencializadora. Sua força se expressa na contaminação com seus ritornelos que nos territorializam, nos desterritorializam e nos territorializam, infinitamente. Sentimo-nos em casa, e somos lançados fora dela. Voltamos para casa, mas não a encontramos mais. Novos “em casa” são construídos: sambando se goza nesse mundo!8 Proponho chamar esta ludicidade vital de malandragem, não para adquirir facilidade para driblar o jogo dominante e se adaptar a ele com competência e/ou sem arranhões, o que atualizaria o vetor negativo da marca antropofágica, mas como uma
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Verso de Synval Silva. Adeus batucada. Cd Ney Matogrosso: Batuque. São Paulo: Universal Music, 2001.
possibilidade de resistência sutil a este jogo, o que convocaria o vetor positivo da antropofagia. Um modo inventivo de atualizar uma língua que escuta os apelos do corpo e os afetos excluídos por uma política de subjetividade que não suporta a estética do trágico. Pouco tolera as alegrias que não coincidem com prazer e os sofrimentos que não sejam vividos como argumento contra a vida. Contagiar-se pelo “devir-samba” é propiciar intimidade com esta malandragem, imprescindível à subjetividade brasileira contemporânea, marcada pelo vetor ético do princípio antropofágico e pelo seu vetor perverso, surdo às virtualidades que dignificam a vida. “Devir-samba” implica driblar as formas hegemônicas de vida, sem aderir acriticamente ao mercado, acreditando em uma inclusão possível nas imagens quiméricas de mundos paradisíacos - deslumbramento - e livres da globalização. Este devir potencializa a subjetividade diante do desconforto experimentado neste lugar “sem lugar” em que ela se encontra: descontente com as roupagens modernas tradicionais e pouco à vontade com os trajes contemporâneos. Driblar este desconforto não significa neutralizá-lo, nem fazer de conta que ele não existe, mas atualizar linguagens, ritmos, afetos e formas de vida que problematizem as políticas que aprisionam a subjetividade nas perspectivas tradicional e atual. Driblar exige conquistar sutileza para resistir, sem abrir mão da força inventiva que nos arranca de nós mesmos e nos convoca a sermos outros continuamente. Assim termino a pesquisa de doutorado: apontando os devires da aliança com o samba que possibilitam pequenas frestas de aprendizado. Breves intervalos de revigoração da alma que busca outras atitudes diante da vida: mais lúdicas e mais livres dos aprisionamentos que minguam a potência dos corpos. Não tenho dúvidas de que, se não fiz uma tese nos moldes convencionais, com certeza, fiz um “bom encontro” com o samba. Agarrada pelo pescoço por um conjunto de impossibilidades (DELEUZE, 1992), vislumbrei outras possibilidades de vida. E isso não é pouca coisa.
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Referências bibliográficas BARCELOS, T.M. Re-quebros da subjetividade e o poder transformador do samba. Tese de doutorado. Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica. PUC-SP, 2006. DELEUZE, G & PARNET.C. Diálogos. Tradução de Peter Pál Pelbart. São Paulo: Escuta, 1998. ___________. Conversações. Tradução de Peter Pál Pelbart. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992. GUATTARI, F.& ROLNIK, S. Micropolítica: Cartografias do desejo. Petrópolis-RJ: Vozes, 1986. ROLNIK, S. Esquizoanálise e antropofagia. In: ALLIEZ, E. (org.). Gilles Deleuze: uma vida filosófica. São Paulo: Editora 34, 2000.