O CARNAVAL DAS TRIBOS DE ÍNDIOS EM NATAL (RN) UMA REFLEXÃO GEOGRÁFICA Valdemiro Severiano Filho (UFRN) Alessandro Dozena (UFRN)
O carnaval em Natal nos remete ao século XIX, tendo passado por alterações que acompanharam os sucessivos momentos históricos. Neste ínterim, as tribos de índios surgidas há mais de 90 anos na cidade de Natal representam manifestação cultural que atua como contrarracionalidade diante da ordem hegemônica, produzindo identidades e territorialidades no contexto urbano natalense. Território; Identidade; Cultura, Tribo de Índios, Natal.
SEVERIANO FILHO, Valdemiro e DOZENA, Alessandro. O carnaval das tribos de índios em Natal (RN): uma reflexão geográfica. Textos escolhidos de cultura e arte populares, Rio de Janeiro, v.9, n.1, p. 169-179, mai. 2012. SEVERIANO FILHO, Valdemiro e DOZENA, Alessandro. O carnaval das tribos de índios...
169
THE CARNAVAL OF INDIANS TRIBES IN NATAL, State of Rio grande do Norte, Brazil A GEOGRAPHICAL REFLECTION Valdemiro Severiano Filho (UFRN) Alessandro Dozena (UFRN)
The carnival in Natal sends us back to the nineteenth century, having gone through changes that accompanied successive historical moments. Meanwhile, the Indian tribes founded more than 90 years ago in Natal represent a cultural event that acts as counter-rationality face the hegemonic order, producing identities and territoriality in the urban context of Natal. Territory, Identity, Culture, Indian Tribes, Natal/RN.
SEVERIANO FILHO, Valdemiro e DOZENA, Alessandro. O carnaval das tribos de índios em Natal (RN): uma reflexão geográfica. Textos escolhidos de cultura e arte populares, Rio de Janeiro, v.9, n.1, p. 169-179, mai. 2012. 170
Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares, v. 9. n. 1, mai. 2012
INTRODUÇÃO Vislumbra-se, na contemporaneidade, um momento de transformações nas relações sociais, potencializadas pelas redes de sociabilidade e pelas dinâmicas culturais, de onde emergem discursos e práticas que valorizam as diversidades culturais e se contrapõem à ideia de homogeneização cultural. Muitos desses discursos e práticas existem há tempos, aguardando o interesse acadêmico para ser estudados. Na geografia, a partir da renovação iniciada pelas abordagens culturais nas últimas décadas do século passado, houve a descoberta do carnaval como um importante tema para a compreensão do espaço geográfico e das relações sociais nele presentes, com base nos usos territoriais e nas territorialidades criadoras de laços identitários. Nesse cenário, encontram-se as tribos de índios no carnaval de Natal, RN, cujas dinâmicas socioespaciais configuram dimensões econômicas, políticas e simbólicas, que serão analisadas no presente artigo. Ressaltamos, no entanto, que não nos submeteremos a colonialismo intelectual, já tradicional na academia, especificamente no caso brasileiro, em que alguns objetos de estudo são considerados propriedades de algumas disciplinas específicas. É importante ultrapassarmos algumas dimensões totalitárias dos paradigmas científicos e disciplinares, que, por vezes, adotam postura despótica, uma tirania paradigmática (amorim filho, 2007). A utilização de modo dogmático de uma corrente epistemológica traz danos para a própria evolução da ciência e limita a pesquisa à reprodução dos conhecimentos existentes, “sem que tenham [os pesquisadores] tomado consciência das possibilidades que teriam de produzir, por si mesmos, elementos de um saber novo” (lacoste, 2006, p. 86). Nas abordagens culturais em geografia, é imprescindível superar as barreiras epistemológicas preocupadas com a visão material, posto que os espaços construídos revelam códigos e sentidos no bojo da interação social, transcendendo sua materialidade e sua temporalidade; remetendo-se à memória que extrapola o momento atual além de suplantar gerações (scarlato, 2004). Dada a complexidade da realidade fragmentada e diversificada presente nas sociedades, torna-se imperiosa a prudência na descrição e na análise desta realidade. E uma descrição simples impossibilita a verificação dos significados e práticas sociais (gomes, 1997). É, assim, imprescindível uma thick description – “descrição densa”, conforme a proposição de Geertz (1973), que nos permite a leitura da realidade como um texto (claval, 2001b) e “como uma hermenêutica SEVERIANO FILHO, Valdemiro e DOZENA, Alessandro. O carnaval das tribos de índios...
171
cuja tarefa seria conseguir exibir a estratificação complexa dessas culturas/ textos” (mondada e söderström, 2004, p. 141-142). Neste artigo, buscamos compreender as territorialidades das tribos de índios numa intrínseca relação entre o concreto e o simbólico. Primeiramente, ilustramos alguns aspectos das abordagens culturais em geografia, de modo a trazer algumas compreensões sobre os conceitos de cultura e identidade em sua relação com o território. Posteriormente, adentraremos a pesquisa em andamento, de modo a proporcionar breve reflexão sobre as tribos carnavalescas e as suas identidades territoriais em Natal.
REFLETINDO SOBRE AS ABORDAGENS CULTURAIS EM GEOGRAFIA A cultura, hodiernamente, é bastante debatida na seara acadêmica, não se restringindo à antropologia. Ainda no século XIX, a geografia já compreendia a importância dos fatos culturais na análise da sociedade. Todavia, congelavase na materialidade e no estudo dicotômico do homem-meio. Isso se evidencia, por exemplo, em Carl Sauer (1998). Ao abordar a paisagem cultural o autor a compreende como formas engendradas a partir de obras humanas e completa afirmando que: “em geografia, não nos preocupamos com a energia, os costumes ou as crenças do homem, mas sim com as marcas do homem na paisagem” (p. 57). Os geógrafos alemães, franceses e americanos das primeiras décadas do século XX compreendiam a cultura em seu aspecto material, como “um conjunto de artefatos utilizados pelos homens em sua relação com o espaço” (claval, 2001b, p. 22). Essa noção reificada internalizava procedimento homogêneo de encarar os agrupamentos sociais mediante perspectiva global e estática. Tal abordagem supraorgânica da cultura não mais se enquadra em nossa realidade, visto que nela coexistem diversificadas línguas, etnias, gêneros, posições políticas, econômicas, etc. Assim, verificamos a “passagem da descrição de lugares e momentos para uma interpretação de espacialidades e temporalidades que exige a observação sensível e crítica do(s) sítio(s) onde o grupo humano constrói sua existência” (ratts, 2003, p. 41). Devemos não só reconhecer a relevante contribuição daqueles teóricos dos séculos XIX e XX, mas considerar a análise dos papéis da sociedade no mundo urbano e industrial. “Faz-se necessário executar estudos mais refinados: a descrição dos papéis permite isto” (claval, 2001a, p. 51). Essa descrição dos papéis que cada pessoa ou grupo exerce na sociedade nos permite 172
Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares, v. 9. n. 1, mai. 2012
compreender e analisar o conjunto das teias de significados existentes no meio social. A cultura é uma realidade mutável, “concebida como o conjunto daquilo que os homens recebem de herança ou que inventam (...); ela é feita de tudo aquilo que é transmissível” (claval, 2002, p. 141). Segundo Raymond Williams (1980), a cultura consiste num sistema de signos que transmite, reproduz, experimenta e explora uma ordem social, encontrando-se presente em todos os sistemas sociais e nos campos discursivos dos grupos que compõem a sociedade. Esses traços culturais podem ser aceitos, rejeitados ou modificados. Portanto, a cultura “não é vivenciada passivamente por aqueles que a recebem como herança” (claval, 2001a, p. 13), podendo assumir novas significações conforme a atividade inventiva do ser humano na elaboração de elementos novos. Por outro lado, o espaço carrega a marca da cultura e serve de matriz cultural, contribuindo “para a transferência, de uma geração para outra, dos saberes, crenças, sonhos e atitudes sociais” (claval, 2002, p. 146); além de carregar marcas funcionais e simbólicas de culturas passadas, transmitindo valores e permitindo leituras das obras humanas preexistentes. Nesse sentido, a paisagem é uma dessas marcas, pois expressa uma civilização, mas é também matriz porque participa dos esquemas de percepção, de concepção e de ação, ou seja, da cultura, “que canalizam, em certo sentido, a relação de uma sociedade com o espaço e com a natureza” (berque, 1998, p. 85). É, portanto, nessa relação da sociedade no e com o espaço que compreendemos a dinâmica das tribos de índios no carnaval de Natal, RN a partir da indissociabilidade existente entre o território e a identidade, configurada por processos inconscientes em permanente construção (hall, 2003).
CONTEXTUALIZANDO A TEMÁTICA: OS FATOS ANTECEDENTES As tribos de índios vêm participando do carnaval de Natal, RN há mais de 90 anos, tendo como incentivador inicial Augusto Brasil, morador do bairro da Ribeira e fundador da Tribo de Índios Potiguares. Segundo Raimundo Brasil, filho do precursor das tribos de índios carnavalescas e atual pajé dos Potiguares, a origem se deu impulsionada pelas SEVERIANO FILHO, Valdemiro e DOZENA, Alessandro. O carnaval das tribos de índios...
173
conversas de seu pai com o historiador e folclorista Câmara Cascudo, também morador do bairro portuário da Ribeira. Relata Raimundo: “Câmara Cascudo conversou com meu pai e deu a ideia das tribos indígenas como uma forma de homenagear o Estado do Rio Grande do Norte” (Raimundo Brasil, entrevista concedida em 19.06.2011). Na primeira metade do século XX, essa manifestação carnavalesca teve seu surgimento em meio aos entrudos, já existentes na capital potiguar desde o século XIX, tendo sido bem aceita pela população natalense. Esse folguedo é marcado pelo som ritmado, lento e expressivo, bem como pela dança e representação teatral; constituindo manifestação pública que ritualiza a cultura indígena nas ruas. Junto com os cordões, ranchos e blocos, os desfiles das tribos de índios trazem à população local relevante momento de lazer e cultura. Segundo Raimundo, o político Djalma Maranhão, prefeito de Natal entre nas décadas de 1950 e 1960, contribuiu bastante para essa manifestação: Na época não faltava nada, ele dava tudo: comprava roupa, dava roupa, tinha o boi-calemba, tinha chegança, fandango, tinha tudo, era uma maravilha (...) Ele andava muito comigo, para todo canto (...) Só que mataram o Djalma Maranhão e acabou o folclore aqui de Natal (Raimundo Brasil, entrevista concedida em 19.06.2011). 1 Em meados do século passado, a cultura e o folclore natalense eram muito expressivos, o que fica explícito no depoimento de Seu Gaspar, pajé da Tribo de Índios Tupinambás: Antigamente tinha chegança, fandango, boi do rei, pastoril, hoje não tem nada (...) Teve um tempo em que existia um desfile nas Rocas e no Alecrim (...) Hoje é só aqui na Ribeira; se gasta tanto para só um local de desfiles (Gaspar, entrevista concedida em 19.06.2011).1 O carnaval em Natal sofreu declínio em virtude de vários fatores, sendo dois deles preponderantes: a tragédia do Baldo e a chegada dos trios elétricos. A tragédia do Baldo, como ficou conhecido o atropelamento por um ônibus, no Carnaval de 1984, vitimou 19 e feriu outras dezenas de pessoas que brincavam e acompanhavam o Bloco Puxa-Saco. Em 2005, essa tragédia foi apresentada pelo programa televisivo Linha Direta, da Rede Globo de Televisão. Aliada à tragédia, que teve como consequência o medo das pessoas em brincar o carnaval de rua, a chegada dos trios elétricos ao Rio Grande do Norte, na década de 1980, iniciou nova fase carnavalesca.
174
Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares, v. 9. n. 1, mai. 2012
O ATUAL CARNAVAL DE TRIBOS DE ÍNDIOS EM NATAL O carnaval de tribos de índios que ocorre em Natal está em seu nonagésimo primeiro ano, ressignificando a cultura indígena ainda presente no contexto urbano. Malgrado a existência há quase um século, esses blocos ainda não conseguiram lograr êxito, sobretudo pelo fato de as manifestações carnavalescas estarem predominantemente voltadas para os trios elétricos e a axé music, sendo muito difundidas pelos meios de comunicação. Tanto que as tribos de índios não possuem barracões próprios, e o local dos desfiles é improvisado na Avenida Duque de Caxias, no bairro da Ribeira. É, portanto, na contramão do carnaval frenético e espetacularizado, cuja receita de sucesso atrai milhares de pessoas e investimentos públicos e privados para o carnaval, que se insere o desfile de tribos de índios no carnaval tradicional natalense; organizado anualmente pelo Núcleo de Eventos Especiais da Fundação Cultural Capitania das Artes − Funcarte. No último carnaval, foram identificadas 11 tribos. Sete são de bairros periféricos da capital, e outras quatro de três municípios da Região Metropolitana de Natal: duas de Ceará-Mirim, uma de São Gonçalo do Amarante e uma de São José de Mipibu. Entre as localizadas na capital, temos: Potiguares e Guarani no bairro das Rocas, Guaracis em Mãe Luiza, Tupinambá em Brasília Teimosa, Tapuias na Redinha, Tabajara em Felipe Camarão e Gaviões-Amarelo em Igapó. No município de Ceará-Mirim estão as tribos Apache e Comanche; em São Gonçalo do Amarante, a Tupi-Guarani; e, finalmente, em São José de Mipibu, a Mobralino Mapabu. É importante frisar que, diante da escassez de recursos, essas tribos carnavalescas podem ou não participar do carnaval no ano subsequente. A falta de recursos lhes é problema constante, e a subvenção da Prefeitura Municipal de Natal nem sempre cobre os gastos. Conforme Seu Raimundo, além do baixo valor de repasse pelo poder público municipal, é alto o preço da matéria-prima para a confecção das fantasias: O dinheiro que temos não dá pra nada (...) Ele mesmo, Seu Gaspar, está devendo um dinheirão (...) É, todos devem (...) Nas escolas de samba também, todos devem (...) Tá difícil, a Prefeitura ainda não pagou a premiação do último ano (...) A gente compra aquelas penas, a gente compra pensando que dá, aí não dá e temos que comSEVERIANO FILHO, Valdemiro e DOZENA, Alessandro. O carnaval das tribos de índios...
175
prar mais, o dinheiro não dá pra pagar, quando vai pedir o dinheiro, o dinheiro não dá pra pagar, e a gente bota do próprio bolso, é fogo, rapaz, é fogo (...) Um quilo da pluma, aquela pena de pluma, é mil reais (...) De besteira a gente gasta 300, 400, 500 reais, depende do tamanho (Raimundo Brasil, entrevista concedida em 19.06.2011). Provavelmente, a baixa qualidade estética das tribos de índios do carnaval de Natal e os trios elétricos presentes nas praias do litoral e nos municípios do interior potiguar são motivos que levam a seu baixo prestígio junto à população e à iniciativa privada; o que se reflete diretamente na própria produção carnavalesca.
O COTIDIANO DAS TRIBOS DE ÍNDIOS NO CARNAVAL NATALENSE O desfile das tribos de índios, institucionalizado pela Prefeitura Municipal de Natal, alterou sobremaneira a dinâmica dessas agremiações, embora ainda se verifique certa espontaneidade na produção do desfile. As tribos promovem ensaios, seja nas ruas dos bairros ou nas quadras, proporcionando novos usos aos espaços públicos, o que nos permite compreender a dinâmica espacial estabelecida. Para além da dominação territorial, em uma perspectiva material, percebemos também a apropriação simbólica propiciada pelas territorialidades que ultrapassam a dimensão concreta. Assim sendo, edificam-se identidades no forjar de um sentimento de pertencimento territorial estabelecido pelas relações vivenciadas no cotidiano. Desde seu início, o carnaval de tribos de índios de Natal esteve muito presente no cotidiano da população pobre. Apesar da escassez dos investimentos e da reduzida subvenção do poder público, a contratação temporária de pessoas para a confecção das fantasias e dos carros alegóricos é fato comum nas tribos de índios, conforme se verifica no depoimento de Seu Raimundo: Esse aqui (referindo-se a Seu Gaspar), gastou dinheiro que não foi brincadeira, gastou muito dinheiro (...) Ele botou um rapaz pra trabalhar pra ele, o rapaz era muito exigente, cabra bom, legal, mas era muito exigente (...) Quando queria uma coisa, era aquela coisa ali mesmo, tinha que comprar, foi comprando, foi comprando (...) O dinheiro dele mesmo que era só pra pagar os custos do
176
Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares, v. 9. n. 1, mai. 2012
trabalho desse rapaz (Raimundo Brasil, entrevista concedida em 19.06.2011). Essas contratações revelam uma relação horizontal, tendo em vista as relações de parentesco e de vizinhança existentes. Pelos laços afetivos se elegem aqueles que irão trabalhar remuneradamente, a exemplo da contratação informal da filha do pajé da tribo Tupinambá, Seu Gaspar, na confecção das fantasias (fato recorrente a cada ano). É nesse contexto que as tribos de índios se inserem no modo de produção capitalista. Não podemos conceber a organização produtiva (ainda que realizada pelos “de baixo”) destituída de certa racionalidade, tendo em vista a existência de negociações com os atores hegemônicos. Essas relações de negociação são apreendidas na inserção das tribos carnavalescas no circuito superior da economia urbana, à medida que a subvenção estatal cria uma rede que interliga o circuito inferior – presente nas contratações informais e nas compras realizadas nos estabelecimentos dos bairros das agremiações – e o circuito superior marginal – quando o capital serve para a compra de matéria-prima nas lojas de atacado e varejo de Natal. Nessa rede configurada entre os circuitos da economia urbana, verificamos complementaridade entre os circuitos, bem como divisão territorial e social do trabalho. Apesar da existência de identidades vinculadas à lógica do trabalho e do consumo, no interior dessas tribos do carnaval seus participantes criam laços afetivos e de afinidade que possibilitam o surgimento de outras identidades, mais locais, voltadas para as relações sociais de contiguidade e de proximidade. As tribos de índios carnavalescas criam redes de sociabilidade e uma consciência de seu espaço de vida, tecendo múltiplos processos de identificação, resguardando seus espaços de convivência e territorializando seus simbolismos. Mantêm-se assim suas necessidades relacionais em uma trama de lugares hierarquizados e interdependentes.
CONSIDERAÇÕES FINAIS Na perspectiva adotada pelo presente artigo, as tribos de índios do carnaval de Natal constituem manifestação popular engendrada nas zonas opacas e não racionalizadas do espaço urbano natalense produzindo racionalidades paralelas e contraespaços. Esses contraespaços instituem, de maneira criativa, novas relações horizontalizadas, utilizando-se solidariamente do território e produzindo SEVERIANO FILHO, Valdemiro e DOZENA, Alessandro. O carnaval das tribos de índios...
177
territorialidades na experiência do cotidiano, das relações de vizinhança, da contiguidade e da sociabilidade. Nesses espaços, o tempo dos lentos vem acompanhado da construção de identidades territoriais. No presente artigo, não tivemos o objetivo de esgotar as possibilidades da temática, mas de compreender alguns aspectos da dinâmica espacial das tribos de índios carnavalescas de Natal. Esperamos que as questões suscitadas sirvam para provocar reflexões relevantes à construção de novas perspectivas para o estudo geográfico das dinâmicas carnavalescas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMORIM FILHO, Oswaldo B. A pluralidade da geografia e a necessidade das abordagens culturais. In: KOZEL, Salete; SILVA, Josué C.; GIL FILHO, Sylvio F. Da percepção e cognição à representação: reconstruções teóricas da geografia cultural e humanista. São Paulo: Terceira Margem, 2007. BERQUE, Augustin. Paisagem-marca, paisagem-matriz: elementos da problemática para uma geografia cultural. In: ROSENDAHL, Zeny; CORRÊA, Roberto Lobato. Paisagem, tempo e cultura. Rio de Janeiro: EdUerj, 1998. CLAVAL, Paul. A geografia cultural. 2 ed. Trad. Luiz Fugazzola Pimenta et al. Florianópolis: EdUFSC, 2001a. _________. O papel da nova geografia cultural na compreensão da ação humana. In: ROSENDAHL, Zeny; CORRÊA, Roberto Lobato. Matrizes da geografia cultural. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2001b. _________. Campos e perspectivas da geografia cultural. In: ROSENDAHL, Zeny; CORRÊA, Roberto Lobato. Geografia Cultural: um século (3). Rio de Janeiro: EdUERJ, 2002. GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Zahar, 1973. GOMES, Paulo César da Costa. Geografia fin-de-siècle: o discurso sobre a ordem espacial do mundo e o fim das ilusões. In: CASTRO, Iná Elias de. et al. (orgs.). Explorações geográficas: percursos no fim do século. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1997. HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2003. LACOSTE, Yves. A pesquisa e o trabalho de campo: um problema político para os pesquisadores, estudantes e cidadãos. Boletim Paulista de Geografia, n. 84, São Paulo, 2006. MONDADA, Lorenza; SÖDERSTRÖM, Ola. Do texto à interação: percurso através da geografia cultural contemporânea. In: ROSENDAHL, Zeny; CORRÊA, Roberto Lobato. Paisagens, textos e identidade. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2004.
178
Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares, v. 9. n. 1, mai. 2012
RATTS, Alecsandro JP. A geografia entre as aldeias e os quilombos: territórios etnicamente diferenciados. In: ALMEIDA, Maria Geralda de; RATTS, Alecsandro JP. Geografia: leituras culturais. Goiânia: Alternativa, 2003. SAUER, Carl O. Morfologia da paisagem. In: ROSENDAHL, Zeny; CORRÊA, Roberto Lobato. Paisagem, tempo e cultura. Rio de Janeiro: EdUerj, 1998. SCARLATO, Francisco Capuano. Busca do centro: o reencontro com a cidade. In: CARLOS, Ana F.A.C. Geografias de São Paulo: representação e crise da metrópole. São Paulo: Contexto, 2004. p. 247-270. WILLIAMS, Raymond. Marxismo y literatura. Barcelona: Editorial Península, 1980.
NOTA 1 Entrevista concedida a Valdemiro Severiano Filho, em trabalho de campo realizado no dia 19.06.2011, na residência do entrevistado no bairro de Brasília Teimosa, Zona Leste de Natal, RN. Valdemiro Severiano Filho é bacharel em ciências sociais, bacharel em direito e discente do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Alessandro Dozena é bacharel e licenciado em geografia pela Universidade Estadual Paulista, mestre em geografia humana e doutor em geografia humana pela Universidade de São Paulo, professor adjunto do Departamento de Geografia da e docente do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
SEVERIANO FILHO, Valdemiro e DOZENA, Alessandro. O carnaval das tribos de índios...
179
180
Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares, v. 9. n. 1, mai. 2012