III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO 3E/UNIRIO Engenharia e Arte: Reflexos das Engenharias nas Artes e Vice-Versa
III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO
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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO
O público dos desfiles dos blocos de enredo do Rio de Janeiro Júlio César Valente Ferreira Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca – CEFET/RJ
Resumo O objetivo deste artigo é mostrar os resultados de uma pesquisa realizada com o público que assiste os desfiles dos blocos de enredo do carnaval da cidade do Rio de Janeiro. Apesar da importância desta manifestação cultural para o carnaval, desfilando em várias partes da cidade e reunindo expressivo contingente de pessoas, não existem dados sobre a percepção do público. Com isso, a pesquisa buscou construir uma base inicial de dados que possa auxiliar o poder público e a entidade organizadora dos blocos de enredo no planejamento e execução destes desfiles.
Palavras-chave: Carnaval. Blocos de Enredo. Rio de Janeiro. Abstract The objective of this article is to show the results of a survey of the audience watching the blocos de enredo parede of the city of Rio de Janeiro. Despite the importance of this cultural event for the carnival, occurring in various parts of the city and bringing significant contingent of people, there are no data on the perception of the public. Thus, the research aimed to create an initial database that may assist the government and the organizer of the blocos de enredo in the planning and execution of these shows.
Keywords: Carnival. Blocos de Enredo. Rio de Janeiro.
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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO 1.
Introdução
O carnaval da cidade do Rio de Janeiro não se resume aos desfiles das grandes escolas de samba. DaMatta (1997) constatou que muitos outros grupos (na época da primeira edição da publicação) compartilhavam o espaço carnavalesco. Destes, o único grupo diferente das escolas de samba que mantêm na atualidade seu aspecto de competição é o relativo aos blocos de enredo. Atualmente, os blocos que desfilam na cidade do Rio de Janeiro são de três tipos. Os blocos de rua desfilam no formato de procissão, sem o uso de fantasia obrigatória e sem necessariamente estarem filiados a ligas, associações ou federações de qualquer natureza. Os blocos de embalo (também conhecidos como blocos de empolgação) desfilam no formato de parada, sem alegorias ou enredos, mas com todas as fantasias iguais. Os blocos de enredo possuem estrutura competitiva e estética semelhante às escolas de samba, portanto desfilando no formato de parada. Sobre os blocos, generalizando suas considerações para todos os tipos desta manifestação, DaMatta (1997) pontua a questão que consideramos a mais importante na demarcação de suas identidades em oposição àquelas associadas às escolas de samba. O fato de estarem organizados de modo muito mais simples do que as escolas faz com os blocos acreditem que as escolas “não são mais obedientes tradi ão carnavalesca”, estão “miscigenadas” isto , cheias de gente de fora: de outros bairros e segmentos sociais) (...) Enquanto as escolas representam esses aspectos, os blocos seriam expressões de valores carnavalescos muito mais puros, voltados (...) para a ritualização da solidariedade dos bairros de onde provêm. Desse modo, os blocos se colocam como reforçadores do bairrismo e da vizinhança, fenômenos que tendemos a tomar como irrelevantes na nossa apreciação do mundo urbano moderno. (...) Na visão dos participantes dos blocos, as escolas seriam muito mais universalistas e voltadas para fora, enquanto eles seriam o oposto: particularistas e voltados para a tradição e para o bairro. (DAMATTA, 1997: 128-129; grifo nosso)
Desde 1965, os blocos que participam de desfiles competitivos reúnem-se na Federação dos Blocos Carnavalescos do Estado do Rio de Janeiro (FBCERJ). Antes de existirem como escolas de samba, muitas agremiações existiram como blocos de enredo. A força de
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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO penetração destas entidades carnavalescas persiste em muitos locais, mesmo onde já existam escolas de samba. “Os blocos carnavalescos [de enredo], subdivididos em diversos grupos, contribuem para o engrandecimento do carnaval carioca, passando a desfilar nos subúrbios, oferecendo ao público novas alternativas do carnaval.” RIOTUR, 1991: 99 . 35
Apesar da importância dos blocos de enredo para o carnaval do Rio de Janeiro, sendo força viva do carnaval carioca com desfiles realizados em vários pontos da cidade e reunindo expressivo contingente de foliões, não existem dados sobre a percepção do público sobre este tipo de manifestação. Desta forma, no intuito de constituir uma base inicial de dados que possa auxiliar o poder público e a FBCERJ no planejamento e execução dos desfiles dos blocos de enredo projetou-se a pesquisa descrita neste trabalho. 2.
Referencial teórico
Ferreira (2014) atesta que os poucos trabalhos os quais citam os blocos de enredo do Rio de Janeiro não aprofundam as questões relativas a esta manifestação carnavalesca. Basicamente, encontram-se breves referências sobre o fato de existirem e o paralelismo estético e musical destas em relação às escolas de samba. O material mais extenso sobre este assunto é encontrado em Riotur (1991), onde se situam informações sobre os locais de desfiles, resultados dos concursos e nomes, endereços, datas de fundação e cores das agremiações. Mesmo em trabalhos específicos direcionados aos blocos, não há menção aos blocos de enredo (FERREIRA, 2014). Aliado a esta pouca produção bibliográfica, soma-se o fato de produções acadêmicas sobre os blocos de rua (terminologia atual para os blocos de sujos) imputarem aos mesmos a responsabilidade pelo pseudo-renascimento do carnaval de rua a partir do período compreendido entre as décadas de 1980 e 1990 (BARROS, 2013; LEOPOLDI, 2010; SAPIA E ESTEVÃO, 2012), invisibilizando a existência e a atuação dos blocos de enredo no carnaval carioca. Este pseudo-renascimento pode ser facilmente contestado inicialmente a partir das informações obtidas em Riotur (1991). Por exemplo, em 1987, 149 blocos de enredo e 50 blocos de empolgação desfilaram em pistas espalhadas na cidade pelos bairros das Zonas Norte, Oeste e Leopoldina, além da região central; não incluindo neste levantamento os blocos de rua que sempre desfilaram, principalmente nas zonas suburbanas da cidade.
III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO Mesmo com o decréscimo no número de blocos filiadas, merece o destaque o fato de que, hoje, a FBCERJ é a única entidade gestora de desfiles carnavalescos na cidade do Rio de Janeiro que organiza suas apresentações em três locais diferentes ao mesmo tempo. Atualmente, as escolas de samba organizam-se em três entidades gestoras diferentes; e cada uma organiza seus desfiles em apenas uma pista em mais de um dia. (FERREIRA, 2014: 11)
3.
Percepção do público sobre os desfiles
Conforme mostra o Quadro 1, atualmente todos os desfiles dos grupos dos blocos de enredo ocorrem no sábado de carnaval. A pesquisa contou com nove questões sobre as características do público que frequentou estes desfiles no carnaval de 2013 e suas percepções sobre os mesmos e as agremiações em questão. Para esta pesquisa, não houve a possibilidade de se estabelecer a população e a amostra, pois não existem dados sobre a quantidade de público presente nos desfiles dos blocos de enredo. Quadro 1 – Divisões hierárquicas, locais e dias de desfiles dos blocos de enredo em 2013 Grupo
Local
Bairro
Dia do desfile
Grupo 1
Avenida Rio Branco
Centro
Sábado
Grupo 2
Estrada Intendente Magalhães
Campinho
Sábado
Grupo 3
Rua Cardoso de Moraes
Bonsucesso
Sábado
Grupo 4
Rua Cardoso de Moraes
Bonsucesso
Sábado
Fonte: FERREIRA, 2014
O Quadro 2 mostra a quantidade de questionários aplicados nesta pesquisa. Além da limitação temporal dos questionários poderem ser aplicados somente na noite de desfiles, outros fatores limitantes foram a iluminação insuficiente para este tipo de trabalho das pistas de apresentação e das áreas destinadas ao público, o que obrigou os entrevistadores a lerem as perguntas e as opções de resposta, e o ruído das apresentações dos blocos de enredo, que limitava a aplicação dos questionários somente nos intervalos entre os desfiles.
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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO Quadro 2 – Quantidade de questionários aplicados Grupo 1 Grupo 2 Grupos 3 e 4 35
79
30 37
Fonte: Elaboração própria
3.1. Idade Os dados sobre a faixa etária dos entrevistados encontra-se no Quadro 3. Os mesmos indicam uma dispersão entre as faixas etárias fora das extremidades. Desta forma, não se pode estabelecer qualquer tipo de conclusão relacionando os desfiles de blocos de enredo com uma faixa etária específica. Quadro 3 – Distribuição percentual da faixa etária do público Grupo 1 Grupo 2 Grupos 3 e 4 Até 19 anos
1,3
5,7
6,7
Entre 20 e 29 anos
26,6
14,3
30,0
Entre 30 e 39 anos
20,2
14,3
30,0
Entre 40 e 49 anos
17,7
37,1
20,0
Entre 50 e 59 anos
20,2
11,4
10,0
Entre 60 e 69 anos
12,7
14,3
3,3
Entre 70 ou mais anos
1,3
2,9
0,0
Fonte: Elaboração própria
3.2. Local de moradia do público Os Quadros 4, 5 e 6 mostram a quantidade de pessoas que responderam morar em um determinado bairro da cidade do Rio de Janeiro ou em outro município, estado ou país. Desta forma, pretendeu-se verificar o alcance de atração destes desfiles e sua correspondência com os locais onde são realizados. Os dados revelam que o desfile realizado na região central da cidade (Grupo 1) possui uma comunicação diferente, pois este é o local de primazia dos festejos carnavalescos, onde os
III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO discursos são potencialmente mais audíveis e reverberáveis (FERREIRA, 2008). A região central representa esta possibilidade, incluindo públicos de diversos bairros da cidade, municípios da região metropolitana e turistas brasileiros e estrangeiros, diferenciando-se completamente do público que frequenta os desfiles dos Grupos 2, 3 e 4, basicamente formados por moradores da própria localidade e dos bairros vizinhos. Quadro 4 – Local de moradia do público do desfile do Grupo 1 Qtd. 01
Local de moradia Copacabana, Vicente de Carvalho, Vaz Lobo, Cordovil, Jacaré, Benfica, Rio Comprido, Saúde, Grajaú, Alto da Boa Vista, Vila Isabel, Andaraí, Piedade, Costa Barros, Rocha Miranda, Recreio dos Bandeirantes e Vargem Grande
02
Tijuca, Laranjeiras, Barra da Tijuca, Bangu, Campo Grande, Ilha e Outros Países
03
Centro, Santa Teresa e Rocinha
04
Bonsucesso
05
Jacarepaguá e Outros Estados
25
Outros Municípios Fonte: Elaboração própria
Quadro 5 – Local de moradia do público do desfile do Grupo 2 Qtd.
Local de moradia
01
Cascadura, Engenho da Rainha e Campo Grande
02
Guadalupe, Jabour, Irajá, Taquara e Méier
03
Realengo e Outros Municípios
04
Oswaldo Cruz
05
Madureira
07
Campinho Fonte: Elaboração própria
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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO Quadro 6 – Local de moradia do público do desfile dos Grupos 3 e 4 Qtd.
Local de moradia
01
Olaria, Penha, Engenho da Rainha, Manguinhos e Del Castilho
02
Ramos e Outros Municípios
03
Benfica
18
Bonsucesso
39
Fonte: Elaboração própria
3.3. Caracterização do desfile Nesta questão, cujos dados encontram-se postos no Quadro 7, buscou-se avaliar o nível de afinidade do público com o tipo de agremiação carnavalesca que se apresentava. Quadro 7 – Distribuição percentual sobre a classificação do desfile Grupo 1 Grupo 2 Grupos 3 e 4 Blocos
34,2
60,0
36,7
Blocos de enredo
30,4
17,1
20,0
Blocos de embalo
6,3
2,9
0,0
Escolas de samba
12,7
11,4
0,0
Não soube responder
16,4
8,6
43,3
Fonte: Elaboração própria
Os resultados mostram que, em todos os grupos, a maior parte dos entrevistados identifica estas agremiações como blocos. Porém, mesmo com todas as limitações no que tange à divulgação, ainda temos um contingente (particularmente expressivo no Grupo 1) que identifica estas agremiações como blocos de enredo, a qual é uma terminologia muito específica e, atualmente, praticamente eliminada do vocabulário carnavalesco do Rio de Janeiro. Nos Grupos 1 e 2, o percentual de entrevistados que identificaram as agremiações como escolas de samba justifica-se pois a Avenida Rio Branco foi durante décadas palco de
III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO apresentação das escolas de samba, ainda povoando o imaginário popular, e a Estrada Intendente Magalhães é a pista de desfiles dos Grupos de Acesso B, C e D. Para os Grupos 1 e 2, a circularidade das pessoas por vários dias nos mesmos locais com apresentações de diferentes tipos de agremiações carnavalescas pode ser lida como justificativa para o percentual que alegou desconhecer o tipo de desfile. Para esta mesma resposta, nos Grupos 3 e 4, a própria situação de liminaridade, por serem iniciantes ou por estarem em decadência, dos blocos de enredo nestes grupos explica este desconhecimento,. 3.4. Motivação para assistir O Quadro 8 apresenta os dados sobre a principal motivação das pessoas para assistirem os desfiles. Aqui, mais uma vez, os resultados para o Grupo 1 apresentam características diferentes em relação aos demais. Quadro 8 – Distribuição percentual sobre a motivação para assistir o desfile Grupo 1 Grupo 2 Grupos 3 e 4 Já estar no local
41,8
5,7
40,0
Morar perto
10,1
77,1
60,0
Ser de graça
24,1
14,3
0,0
Torcer por alguma agremiação
24,1
2,9
0,0
Fonte: Elaboração própria
No Grupo 1, pelo fato do desfile ser na região central da cidade, as pessoas são de outras localidades e acabam circulando mais por esta região. Por outro lado, este grupo possui expressivo percentual de torcedores de agremiações em relação aos demais. Os blocos de enredo são bem estruturados e estão na principal divisão hierárquica, o que motiva um contingente maior de pessoas do local de origem destas agremiações a acompanharem com mais afinco, além de levá-las a um território onde se comunicarão com pessoas de outros bairros, municípios, estados e países. No caso dos demais grupos, a questão da proximidade com o local de moradia é preponderante para o público, reforçando a tese de que este aspecto potencializa a dispersão
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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO das celebrações carnavalescas pelos bairros da cidade do Rio de Janeiro, democratizando o acesso aos eventos momescos também em formato de parada. 3.5. Tempo de acompanhamento O Quadro 9 mostra os dados relativos à quantidade de anos em que o entrevistado assiste o desfile naquele local. Verifica-se em todos os grupos um indicativo de um público estabilizado e com tendências à fidelização na frequência. Quadro 9 – Distribuição percentual do período de acompanhamento dos desfiles no local Grupo 1 Grupo 2 Grupos 3 e 4 Primeira vez
39,2
31,4
40,0
Menos de cinco anos
15,2
25,7
23,3
Mais de cinco anos
45,6
42,9
36,7
Fonte: Elaboração própria
A importância destes dados está no fato de que se mostra a construção de um público cativo dos desfiles de bloco de enredo, apesar da praticamente inexistente divulgação destas apresentações por parte da mídia e do poder público. 3.6. Infraestrutura O Quadro 10 mostra a avaliação do público sobre a infraestrutura encontrada nos locais de desfiles. Estes resultados devem ser lidos tendo em consideração a utilização destas pistas de desfiles ao longo do carnaval. Os resultados no Grupo 1 resultam no fato dos blocos de enredo desfilarem no mesmo dia que o Cordão da Bola Preta, o qual reúne gigantesco contingente de foliões, não havendo tempo disponível para a recuperação da infraestrutura da Avenida Rio Branco. No Grupo 2, a avaliação positiva deriva do fato da Estrada Intendente Magalhães ser preparada também para os desfiles de escolas de samba, os quais ocorrem nos dias posteriores. Com isso, o público dos blocos de enredo encontra uma infraestrutura ainda preservada. Nos Grupos 3 e 4, a situação da Rua Cardoso Moraes é semelhante ao do Grupo 2, porém sem uso posterior por parte de escolas de samba e sem arquibancadas para acomodação do público.
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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO Quadro 10 – Distribuição percentual sobre a avaliação da infraestrutura do local de desfile Grupo 1 Grupo 2 Grupos 3 e 4 Péssima
13,9
2,9
0,0
Ruim
11,4
0,0
0,0
Regular
34,2
17,1
20,0
Boa
35,4
48,6
73,3
Ótima
5,1
31,4
6,7
Fonte: Elaboração própria
3.7. Qualidade O Quadro 11 mostra a avaliação do público com relação à qualidade do desfile. Pelos dados mostrados, verifica-se que o desfile é bem avaliado nos Grupos II, III e IV. A equiparação entre os índices regular e bom no desfile no Grupo I pode ser lida como consequência dos problemas de infraestrutura que a Avenida Rio Branco sofre após a passagem do Cordão da Bola Preta. Quadro 11 – Distribuição percentual sobre a avaliação da qualidade do desfile Grupo 1 Grupo 2 Grupos 3 e 4 Péssima
13,9
2,9
0,0
Ruim
11,4
0,0
0,0
Regular
34,2
17,1
20,0
Boa
35,4
48,6
73,3
Ótima
5,1
31,4
6,7
Fonte: Elaboração própria
No que tange à qualidade das apresentações dos blocos de enredo do Grupo I, Ferreira (2014) destaca que os blocos de enredo que planejam se tornar escolas de samba utilizam em seus desfiles elementos particulares deste tipo de manifestação carnavalesca, como a utilização de comissão de frente, a qual não é avaliada no julgamento da FBCERJ. Além disso, nos últimos
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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO três carnavais do último grupo hierárquico das escolas de samba, em duas oportunidades sagrou-se campeã uma agremiação estreante oriunda do Grupo I dos blocos de enredo. 3.8. Apreciação O Quadro 12 descreve os resultados relativos ao aspecto mais apreciado pelo público no desfile. Nos Grupos 1 e 2, o resultado expressivo do aspecto referente à movimentação em geral revela tão somente que as pessoas apreciam circular pelo local de desfile, não podendo ser utilizado como justificativa para eliminar os incentivos financeiros aos desfiles no formato de parada. Nos Grupos 3 e 4, o equilíbrio com os sambas e alegorias e fantasias é maior. Quadro 12 – Distribuição percentual sobre o aspecto mais apreciado no desfile Grupo 1 Grupo 2 Grupos 3 e 4 Sambas
16,5
20,0
23,3
Alegorias e fantasias
20,3
28,6
33,3
Movimentação em geral
63,2
51,4
43,4
Fonte: Elaboração própria
3.9. Aspecto faltante O Quadro 13 mostra os dados relativos à opinião do público sobre o aspecto em falta mais perceptível nos blocos de enredo. Em todos os grupos, a questão da falta de apoio financeiro surge de forma preponderante. Outro dado importante é relativo à organização, pois aqui transparece a insatisfação com relação ao atraso no início dos desfiles. Por fim, no Grupo 1, os problemas na infraestrutura refletiram na indicação sobre o aspecto da organização. 4.
Conclusões
Apesar de ser um primeiro levantamento sobre os blocos de enredo do Rio de Janeiro, sem a possibilidade de comparação com outras referências bibliográficas, os resultados obtidos já sinalizam conclusões que podem auxiliar no planejamento e execução destes desfiles. Com relação aos locais de desfile, a manutenção do Grupo 1 na região central da cidade é importante, pois permite que os blocos de enredo tenham a oportunidade de estarem no local de primazia dos festejos carnavalescos, então valorizando a ascensão das agremiações nas
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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO divisões hierárquicas em prol deste objetivo. Ao lado desta manutenção, a dispersão dos demais grupos pelos bairros do subúrbio da cidade também é importante para a democratização geográfica das festividades carnavalescas, criando outros locais fixos de celebração e de encontro; completando desta forma o carnaval de rua, o qual possui nos blocos de rua seu formato de procissão, sem estabelecer territorialidades estáticas. Quadro 13 – Distribuição percentual sobre o aspecto que mais falta nas agremiações Grupo I Grupo 2 Grupos 3 e 4 Apoio Financeiro
62,0
60,0
50,0
Honestidade
1,3
8,6
13,3
Organização
25,3
17,1
23,4
Profissionais do Carnaval
5,1
11,4
13,3
Sambistas Interessados
6,3
2,9
0,0
Fonte: Elaboração própria
Os dados mostram que o público conhece e reconhece os desfiles dos blocos de enredo como uma possibilidade de se festejar o carnaval, apesar da divulgação praticamente nula destas apresentações, valorizando os locais de desfiles e demandando mais investimentos nestas agremiações carnavalescas e na infraestrutura dos locais de apresentação. Referências BARROS, Maria Teresa Guilhom. Blocos: vozes e percursos da reestruturação do carnaval de rua do Rio de Janeiro. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais) – Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, 2013. DAMATTA, Roberto. Carnavais, malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro. 6ª ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1997. FERREIRA, Antônio Eugênio Araújo. Valorizando a batucada: um estudo sobre as escolas de samba dos grupos de acesso C, D e E do Rio de Janeiro. Tese (Programa de PósGraduação em Artes Visuais) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008. FERREIRA, Júlio César Valente. (Re)conhecendo os blocos de enredo do Rio de Janeiro. In: CONGRESSO INTERNACIONAL ARTES, PATRIMÔNIO E MUSEOLOGIA, 2014, Parnaíba, Anais..., Parnaíba: Programa de Pós-Graduação em Artes, Patrimônio e Museologia da UFPI, 2014. LEOPOLDI, José Sávio. Escolas de samba, blocos e o renascimento da carnavalização. In: Textos escolhidos de cultura e arte populares, v. 7, n. 2, 2010, p. 27-44.
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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO SAPIA, Jorge Edgardo; ESTEVÃO, Andréa Almeida de Moura. Considerações a respeito da retomada carnavalesca: o carnaval de rua do Rio de Janeiro. In: Textos escolhidos de cultura e arte populares, v. 9, n. 1, 2012, p. 57-76. RIOTUR. Memória do carnaval. Rio de Janeiro: Oficina do Livro, 1991. 45