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Reflexões sobre empreendimentos da economia criativa em territórios populares - o caso da Mangueira,

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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO 3E/UNIRIO Engenharia e Arte: Reflexos das Engenharias nas Artes e Vice-Versa


III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO

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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO

Reflexões sobre empreendimentos da economia criativa em territórios populares o caso da Mangueira, Rio de Janeiro Cristine Carvalho Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ

Rita de Cassia Monteiro Afonso Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ

Dália Maimon Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ

Resumo O presente artigo tem como objetivo verificar as condições de crescimento das atividades criativas em favelas, utilizando teorias da economia criativa e da administração da produção sobre os resultados da pesquisa “Territórios criativos e inclusão produtiva – Um estudo de caso do entorno do Maracanã”, LARES/IE-UFRJ/ MINC-CNPq, 2014. O empreendedorismo criativo integra o cenário da sociedade pós-industrial uma nova cadeia de valor onde aspectos intangíveis da cultura se unem à insumos tangíveis e às estruturas físicas da produção. Para compreender as organizações é considerado o mercado, mas também a delimitação dos sistemas sociais onde estão inseridas. Ainda que haja uma cartilha de processos aos quais toda organização deve considerar perseguir para seu o sucesso, há modelos híbridos criados na ausência de conhecimentos técnicos e acadêmicos que produzem riquezas do ponto de vista cultural e empreendedor.

Palavras-chave: Economia Criativa. Gestão em Favelas. Favela da Mangueira. Abstract This article aims to check the growing conditions of creative activities in slums, using theories of the creative economy and the administration of production on the research results "Creative territories and productive inclusion - A case study around the Maracanã," LARES / IE-UFRJ / MINC-CNPq, 2014. The creative entrepreneurship is part of the scenario of post-industrial society, a new value chain where intangible aspects of culture come together to tangible inputs and physical structures of production. To understand the organizations is considered the market but also the delimitation of social systems in

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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO which they operate. While there are processes to which every organization should consider pursuing for its success, there are hybrid models created in the absence of technical and academic knowledge to produce wealth from a cultural point of view and entrepreneur.

Keywords: Creative Economy. Management and Slums. Favela da Mangueira.

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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO 1.

Introdução

O empreendedorismo criativo integra o cenário da sociedade pós-industrial fazendo uso de novas estruturas de produção e consumo: tecnologias informacionais, novas mídias, conexões em redes globais, e novas formas de trabalho. Trata-se de uma nova cadeia de valor onde aspectos intangíveis da cultura e da experimentação se unem à insumos tangíveis e às estruturas físicas da produção. O volume de empregos e a movimentação econômica que as atividades da chamada Economia Criativa - EC, tais como teatro, moda e publicidade, tem gerado em cidades e países nas últimas décadas chama a atenção de governos e institutos de pesquisa para suas novas dinâmicas produtivas. Este artigo tem como objetivo verificar as condições de crescimento das atividades criativas em favelas, utilizando teorias da economia criativa e da administração da produção sobre os resultados da pesquisa “Territórios criativos e inclusão produtiva – Um estudo de caso do entorno do Maracanã”, realizada em 2014 pelo Laboratório de Responsabilidade Social – LARES, do Instituto de Economia da UFRJ, com recursos do Ministério da Cultura e do CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. A pesquisa verificou a hipótese de oportunidades advindas dos megaeventos programados para a região a partir de 2014. Na Mangueira/RJ foram realizadas visitas técnicas e entrevistas a 21 empreendimentos onde foi reconhecida a cadeia produtiva e levantadas as demandas infraestruturais e de formação/capacitação. 2.

Fundamentação teórica

“A criatividade não

uma novidade e nem a economia o , mas a natureza e a extensão da

relação entre elas e a forma como combinam para criar extraordinário valor e riqueza são novidades”, afirma Howkins 2007 i. No Brasil, Celso Furtado (1988) já considerava a diversidade cultural e a capacidade criativa voltada às atividades econômicas o reflexo da "aptidão de seus membros para formular hipóteses, solucionar problemas, tomar decisões em face da incerteza ... e aos desafios do modelo capitalista tradicional”. Segundo Schumpeter (1961), empreender é introduzir uma inovação. As atividades associadas aos setores da EC são reconhecidas a partir dos ciclos de criação, produção, distribuição e consumo de produtos criativos (MINC, 2012; UNCTAD, 2010). A identificação de cadeia produtiva e das atividades presentes nos setores núcleo e nos setores

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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO associados levaram aos primeiros dados sobre o desempenho da economia criativa no Brasil. Segundo o IPEA (2013), com base nos dados referentes ao ano de 2010 levantados pelo IBGE e RAES, os setores criativos respondiam a 2,84% do PIB, seu núcleo criativo empregava formalmente 1,96% dos trabalhadores e nas atividades associadas ao núcleo, 54%. Para cada emprego gerado no núcleo dos setores criativos há um efeito multiplicador para os outros segmentos econômicos da cadeia produtiva. Maior ainda se considerados o trabalho voluntário ou não remunerado, as ocupações ainda não codificadas, a informalidade e o fato de que muitos trabalhadores criativos exercem mais de uma ocupação. A definição dos setores criativos de cada país está associado tanto à cultura como a economia local. Na Austrália, políticas públicas implementadas a partir de 1994 buscaram resguardar o potencial cultural local frente aos investimentos em atrações turísticas e na chamada “indústria cultural”. Na Inglaterra, a política "New Labour", implementada em 1997, orientou as prioridades de investimentos públicos para as indústrias criativa, reconhecendo o potencial do país para o setor e estruturando seu crescimento. Por envolver aspectos da cultura e tradição local à dinâmicas de mercado, a UNCTAD e a UNESCO tem encomendado pesquisas e mediado encontros onde defendem a EC com uma estratégia de desenvolvimento econômico e social para diferentes países e condições, recomendando ações institucionais multi stakeholders. No Brasil, em 2012, tendo como referência estes órgãos e a iniciativa de outros governos, foi criada a Secretaria de Economia Criativa – SEC, no Ministério da Cultura. Uma das primeiras atividades da SEC foi a construção do Plano Nacional de Economia Criativa onde foram definidos os setores e diversos pensadores brasileiros contribuíram com seu entendimento sobre as características e oportunidades das atividades do setores criativos para o desenvolvimento do país. O Plano delineava os próximos passos de investimentos públicos envolvendo múltiplas instâncias políticas nacionais. A literatura utilizada como referência para o entendimento sobre a EC apontam as características dos setores e as condições de seu crescimento, tanto do ponto de vista dos recursos humanos como das infraestruturas territoriais. Florida (2011) afirma que a classe criativa é um "segmento da força de trabalho que cresce rapidamente, altamente educado e bem pago, de cujos esforços o lucro das corporações e o crescimento econômico dependem cada vez mais". Segundo Howkins 2007 , são jovens que “não querem trabalhar em f bricas

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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO ou no campo, como seus pais e avós. Querem lucrar usando seus cérebros. (...) não precisa de capital ou terra para ser designer ou pintor. H menos barreiras de entrada”. Florida (2011) afirma que cidades criativas crescem economicamente a partir da presença de talento, tecnologia e tolerância: o talento dirige o crescimento, e a tecnologia e a tolerância são necessárias para atrair a classe criativa. Logo, lugares que abrigam um grande número de indivíduos da classe criativa são reconhecidosii como centros de criatividade, incubadoras de inovação e de alta tecnologia. São portanto, locais onde o empreendedorismo criativo avança e apresenta bons resultados. Estudiosos do assunto, Alencar (2005), De Masi (2002) e Florida (2011) julgam serem as condições necessárias para que um contexto possa ser considerado incentivador da criatividade:(a) acesso à infraestrutura e materiais necessários; (b) acesso ao patrimônio cultural; (c) abertura e tolerância à diversidade; (d) interesse por diferentes pontos de vista; (e) reconhecimento social da criatividade; (f) possibilidade de interação entre pessoas de uma mesma área; (g) influência e trocas recíprocas; (h) busca do aprendizado, da inovação, da vitalidade e do sucesso; (i) atenção às ideias e sugestões dos outros; (j) sensação de pertencer; (k) aceitação de abordagens múltiplas e excêntricas na resolução de problemas; (l) agilidade, relações informais, espontaneidade; (m) riqueza de experiências. A fim de compreender a relação do empreendimento criativo com a abordagem empreendedora, utilizaremos as teorias de empreendedorismo de Schumpeter (1961), autor que destaca a necessidade de análise do desenvolvimento econômico a partir dos elos causais que ligam os dados econômicos aos não econômicos. Segundo o autor, os períodos econômicos passados orientam a atividade de empreender, mas seu significado é sempre a satisfação de necessidades, sendo seu propósito a criação de coisas úteis ou objetos de consumo (SILVA, 2006). Derivado do conceito de empreendedorismo cultural, como lembra o relatório do IPEA (2013), o ato de empreender se refere a formação de estratégia, de design, de estrutura organizacional e de liderança em um contexto criativo. Schumpeter (1961) explica que empreender é introduzir uma inovação: ação de combinar diferentemente os materiais e forças produtivas a fim de viabilizar a produção de novos produtos. Empreendedorismo, neste sentido, é descrito como uma nova forma de pensar e uma nova atitude, em busca de

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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO oportunidades no contexto cultural e, por extensão, criativo. Conforme Souza Neto, Bartholo & Delamaro (2005) o campo de atuação do empreendedorismo é aquele onde se constata como a atividade empreendedora é exercida e quais são seus impactos sociais e econômicos. Neste campo existem racionalidades que são construídas socialmente, sendo necessário à análise de empreendimentos considerando a sua contextualização social. Assim para compreendermos as organizações devemos não só considerar como sendo o ponto central o mercado, mas compreender a delimitação dos sistemas sociais onde as organizações estão inseridas. Em "Desenvolvimento como liberdade", Sen (2002) afirma que o êxito das políticas de desenvolvimento em uma dada sociedade é verificada a partir da ampliação da capacidade individual em tomar suas próprias decisões de modo consciente, o que inclui o direito universal de acesso à educação, saúde, habitação e saneamento. Compreender o desenvolvimento como expansão das liberdades individuais recoloca o foco de atenção sobre os fins e não apenas os meios, o processo. Paes e Barros (2015) indica a "preocupação, entre os mais pobres, do grupo de jovens com baixíssima escolaridade e que, a despeito dos programas sociais, não conseguem vaga no mercado". No contexto brasileiro, o empreendedorismo por necessidade, do tipo "virador", segundo o pesquisador ezamat de Souza Neto 2008 , a resposta a necessidade de “se virar” em busca de sustento, diante da dificuldade em estar empregado formalmente. Reis (2008) defende como um dos fatores de desenvolvimento de uma cidade criativa a experiência de uma crise econômica e social (motivada por violência, estagnação econômica, desesperança, baixa auto estima etc.). A consciência dos problemas, aliada à determinação em superá-los e também à valorização dos traços distintivos de uma dada região, funcionam como uma mola propulsora de empreendedorismo e inovações. 3.

Ciclos da economia criativa e resultados encontrados na Mangueira

3.1. Criação e definição dos objetivos estratégicos Os produtos criativos mapeados na Mangueira apresentam conteúdos criativos tangíveis artefatos artístico-culturais expostos em museus e vestuário e acessórios; e intangíveis, como a memória do samba, a tradição da Escola de Samba Estação Primeira da Mangueira, a moda

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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO feita a partir do reaproveitamento de material descartado, entre outros. Estes conteúdos foram criados por integrantes de organizações locais, cuja motivação por instalar-se na localidade está no pertencimento local ou buscam ali seu público alvo (MAIMON, AFONSO, CARVALHO, 2014). Quando tem origem local, a classe criativa na Mangueira está vinculada às tradições e aos processos criativos ligados às demandas de mercado locais, às características da paisagem e à infraestrutura disponível. Quando não são organiza ões maiores e melhor estruturadas que oferecem espa o para desenvolvimento de talentos, a família, amigos e o meio em que vivem são os principais espa os de aprendizado. A abrangência de atua ão e os vínculos formados junto aos parceiros são iniciados muitas vezes na inf ncia, em projetos sociaisiii. Durante os processos de cria ão são reconhecidos os valores e talentos individuais, artísticos e culturais, tal qual versam as teorias sobre classes criativas. Quanto às iniciativas vem de "fora" da comunidade, como projetos sociais e de capacitação, alguns procuram adaptar a sua metodologia ao contexto local, como a organização Arte de Educar (2015), e outras oferecem cursos buscando o interesse do público-alvo. A FAETEC (2015) oferece capacitação técnica em indumentária carnavalesca e na língua inglesa voltada ao turismo, por exemplo. As grandes organiza ões indicam seus objetivos: a FAETE tem o compromisso de “ampliar as oportunidades de qualifica ão

popula ão bem como elevar os índices de

empregabilidade”; a Mangueira 2015 tem por objetivo "a pesquisa e o enriquecimento do folclore nacional, atrav s do desenvolvimento cultural e artístico do Samba, assim como a presta ão de servi os beneficentes de natureza filantrópica ... reuniões educativas de modo a incentivar o aperfei oamento moral e intelectual de seus associados ... "; e o entro ultural artola 2015 visa “promover a inser ão do indivíduo na sociedade atrav s da cultura, da prepara ão profissional e do resgate da dignidade, de forma a contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos menos favorecidos e para a redu ão das desigualdades sociais, buscando sempre no exemplo de

artola a referência para a constru ão da cidadania pela

arte.”. Os pequenos empreendedores indicam como objetivos a promo ão de cidadania integrantes de ONGs , empregabilidade, resgate e valoriza ão da cultura.

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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO 3.2. Produção O layout da produ ão

imprecisa nos empreendimentos mapeados na Mangueira. Músicos e

dan arinas ensaiam em espa os próprios ou nas sedes de grandes organiza ões locais. Ainda que não seja o local mais adequado

produ ão, estes profissionais “se viram” para realizar a

produ ão em suas próprias casas, por exemplo. H sessão de espa os atrav s de troca de favores junto

organiza ões maiores ou o aluguel de espa os apropriados para grava ão

musical no entro da cidade, onde estão estúdios com bons pre os. O maior empreendimento de economia criativa na Mangueira

a Escola de Samba, dada a

dimensão de seu impacto na comunidade e sua representatividade para o país, sendo internacionalmente reconhecida como uma marca da cidade do Rio de Janeiro. Uma das poucas escolas de samba que ainda possui quadra e raízes na própria comunidade de origem, o carnaval da Mangueira

uma verdadeira indústria cujos processos se desenvolvem

ininterruptamente ao longo do anoiv e tem seu auge - entrega do produto final, no arnaval. 3.3. Distribuição/Circulação/Difusão Organiza ões de m dio ou grande porte, como a Escola de Samba, formalizadas e estruturadas, ora públicas ou da sociedade civil organizada, estão em contato direto com pequenos empreendedores individuais, grande maioria informais, voltados tamb m

música,

moda, gastronomia, fotografia e artes pl sticas – muitos deles diretamente atuantes junto Escola, formatando uma importante rede social; estes vínculos são expostos em eventos e acarretam o aumento do turismo local. (MAIMON, AFONSO, CARVALHO, 2014). A passagem pela organização oferece aos empreendedores conhecimentos e desenvolve suas habilidades. Diante desta rede de parcerias, observa-se que o fator de concentra ão de pessoas em um ambiente não

tanto uma questão de número de pessoas, mas sim da densidade de intera ão

entre elas. Eventos locais, venda de produtos e serviços, apresentações dentro e fora da localidade (e por vezes em outros Estados, ou do país, no caso da Escola de Samba) são formas de manifestação da economia criativa da Mangueira. A quadra abriga festas, shows onde são apresentados os integrantes da Escola que participarão do próximo desfile no Carnaval.

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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO Nestes eventos grande número de visitantes, brasileiros e estrangeiros, consomem o ingresso, bebidas, alimentos e souvenires. Mas principalmente, conhecem o samba enredo e vestem a camisa da escola. As características informacionais e sensoriais são intransferíveis de uma pessoa ou região e conferem ao produto criativo um valor agregado singular e único, irredutíveis e intransferíveis, não propriamente econômico. No caso, o samba da Mangueira e as atividades associadas à este patrimônio cultural detém um reconhecível valor intrínseco ao produto. A instabilidade da demanda

outra característica de consumo no mbito da E . Seus

produtos nem sempre se beneficiam de experiências anteriores. Os produtores e gestores de produtos culturais têm uma capacidade limitada de prever o sucesso comercial que terão AVES, 2000 . Por outro lado, a demanda dos consumidores por novidades

ilimitada,

for ando as firmas a uma espiral inovativa que pode não ter retorno financeiro. 4.

Conclusões

Conteúdos associados à música, dança e moda, consumidos como entretenimento ou como promoção de cidadania, possuem a propriedade da perenidade, pois em sua maioria não são exauridos quando consumidos e os benefícios criados são usufruídos durante longo período de tempo. O surgimento de novos instrumentos de criação e produção, bem como de modelos micro e macroeconômicos exige uma adaptação do perfil de capacitação das profissões tradicionais (pensamento flexível, familiaridade com as novas tecnologias, valorização do intangível e, fundamentalmente, raciocínio crítico que habilite a tomada de decisões conscientes) e originam novas profissões. A abrangência e a multissetorialidade da economia criativa também exige trabalhadores capazes de estabelecer conexões entre diferentes setores e de construir pontes entre os agentes públicos, privado e do terceiro setor. A condução de negócios da economia criativa, como todo processo produtivo, é impulsionada por capacidades de gestão tanto quanto por capacidades técnicas associadas ao produto principal. Ainda que os teóricos da administração da produção acreditem que há uma cartilha de processos aos quais toda organização deve considerar perseguir para seu o sucesso, há modelos híbridos criados na ausência de conhecimentos técnicos e acadêmicos que produzem riquezas do ponto de vista cultural e empreendedor.

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III ENCONTRO DE ENGENHARIA NO ENTRETENIMENTO – 3E/UNIRIO As teorias das classes e cidades criativas que pressupõem a necessidade de acesso à alta tecnologia, à elevados níveis educacionais e a polos de empresas criativas para o crescimento de setor também se deparam com uma nova realidade nas favelas, onde o substrato simbólico é forte e repleto de conteúdo passado intergerações ou de experiências em projetos sociais onde princípios de cidadania e pertencimento são estimulados. O contexto das favelas conta com redes de compartilhamento dentro e fora da comunidade, políticas públicas e estímulos de empresas, além dos consumidores locais. O modelo de uma grande organização que envolve, estimula e oferece conhecimentos para crianças e jovens que irão empreender mais tarde tem indicado a geração de inovações incrementais (contextuais a nível de território). A hipótese está sendo testada na comunidade da Maré pela equipe do LARES, de maneira a comparar seus resultados à Mangueira. A importância do capital social para a geração de novos formatos de gestão, as habilidades dos indivíduos envolvidos (suas histórias de vida, sonhos e valores) e a infraestrutura específica do território são questões importantes na definição de metodologias de intervenção econômica em favelas, assim como os indicadores de verificação da extensão dos seus impactos na qualidade de vida local. Diante de características específicas de empreendedorismo criativo em contextos territoriais é interessante identificar modelos de processos produtivos inovadores buscando provocar sua escala e inspirando novos negócios e novas demandas, movimentando o mercado. Referências ALENCAR, E. M. L .S. A gerência da criatividade. São Paulo: Makron Books. 2005. DE MASI, D. Criatividade e grupos criativos, Vol. 2: fantasia e concretude. Rio de Janeiro: Sextante, 2002. CAVES, R. Creative Industries. Harvard: Harvard University Press, 2000. FAETEC - Fundação de Apoio à Escola Técnica. Apresentação Faetec. Disponível em www.faetec.rj.gov.br/, acesso em Janeiro de 2015. FURTADO, Celso. Prefácio. In: Fundação João Pinheiro. Economia da cultura: reflexões sobre as indústrias culturais no Brasil. Brasília, IPC/Secretaria de apoio à Produção Cultural. MinC, 1988. FLORIDA, Richard. A Ascensão da Classe Criativa – e seu papel na transformação do trabalho, do lazer, da comunidade do cotidiano. Porto Alegre: L&PM Editores, 2011. G.R.E.S.Estação

Primeira

da

Mangueira.

Estatuto

Social.

Disponível

em

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Tradução disponibilizada no relatório UNCTAD (2010), p.8.

ii Através de significativas correlações estatísticas que comparam locais da classe criativa com número de patentes e atividades de alta tecnologia (Florida, 2011). iii A Escola administra o projeto Mangueira do Amanhã, onde as crianças aprendem a tocar percussão, a desenhar figurinos de carnaval e a dançar. iv A produção do desfile da escola de samba ocorre em etapas ao longo do ano inteiro, dividida entre a quadra da escola para música, dança e eventos; e o barracão na Cidade do Samba para fantasias e alegorias, onde emprega mão de obra de todo o Estado. Quando não estão preparando o desfile anual, a Mangueira atende à demandas específicas e temporais para shows privados. É reconhecido o alto grau de customização de seus produtos e serviços (tipos de shows, tempo, local), que podem ser escolhidos por seus clientes de maneira rápida e prática.

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