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O Processo de Trabalho e os Riscos a Saúde do Trabalhador na Indústria do Carnaval na Cid. do Samba

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1 O Processo de Trabalho e os Riscos a Saúde do Trabalhador na Indústria do Carnaval na Cidade do Samba-RJ. Alexandre Gonçalves Doutorando em Enfermagem Escola de Enfermagem Ana Neri – UFRJ, Professor do curso de Enfermagem da FAETEC-RJ RESUMO Há muito que o carnaval brasileiro, sobretudo, o carioca, desperta o interesse acadêmico. E seguindo esta linha de raciocínio e também para diminuir a lacuna existente sobre esta temática foi confeccionado o presente artigo que apresenta como objetivo buscar uma maior compreensão do processo de trabalho para confecção de um desfile de escola de samba, em especial o processo de trabalho realizado nos barracões das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e os riscos a qual esses trabalhadores estão ou são expostos. Para a elaboração da presente revisão, algumas etapas foram percorridas: estabelecimento dos objetivos da revisão integrativa; estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão de artigos (seleção da amostra); definição das informações a serem extraídas dos artigos selecionados; análise dos resultados; discussão e apresentação dos resultados e a última etapa consistiu na apresentação da revisão. Em função do objetivo do estudo, utilizou-se uma abordagem qualitativa de pesquisa por meio de um estudo exploratório. No presente revisão integrativa, analisou-se oito (08) artigos que atenderam aos critérios de inclusão previamente estabelecidos, na qual dentre os artigos incluídos na revisão integrativa, as autorias são de variadas áreas, sendo uma (01) tese de doutorado de psicologia na área das ciências sociais e um (01) artigo na mesma área, três (03) artigos na área de gestão, um (01) artigo na área da estatística do IBGE, um (01) artigo na área das artes e um (01) artigo na área da saúde. No tocante a origem do periódico publicado, três (03) foi publicada em revistas de gestão, um (01) em revistas de ciências sociais, um (01) em revista de ciências humanas na área da psicologia, um (01) em revistas do IBGE, um (01) em revistas de artes. Após a reflexão sobre os resultados percebe-se que se nos dias atuais estes trabalhadores confeccionam um espetáculo que é responsável por 13% do PIB da


2 cidade do Rio de janeiro, o que poderia ocorrer se estes profissionais fossem respeitados em suas respectivas profissões e atividades, como indica a legislação trabalhista brasileira assim como respeitados e implementados os mecanismos de proteção e prevenção a saúde do trabalhador de uma escola de samba. Descritores: Saúde, Trabalho, Escola de samba. INTRODUÇÃO Há muito que o carnaval brasileiro, sobretudo, o carioca, desperta o interesse acadêmico. A trama de complexas relações sociais e de atores que interagem em torno da produção do espetáculo do carnaval, revela ao longo da sua evolução histórica uma série de transformações no padrão cultural dos desfiles de escola de samba e nas interações sociais presentes em seu interior.¹ Hoje os desfiles de escolas de samba da cidade do Rio de Janeiro, são assistidos por turistas brasileiros e estrangeiros, e transmitido para espectadores no mundo inteiro.² A forma como esse desfile se desenvolve e se transforma está diretamente relacionada às origens da formação do Brasil enquanto nação.¹ O carnaval é sem sombra de dúvidas uma das formas de manifestação da cultura popular que mais dá vida à rua e se apropria do espaço da cidade, transformando-o em palco de festas e fantasias. A ambiguidade presente na sociedade brasileira, como apontado por Da Matta (1997), é refletida no ritual do desfile carnavalesco, onde hierarquia e princípios igualitários se embaralham na Passarela do Samba, homogeneizando indivíduos que se tornam um todo no momento da apresentação da escola de samba. Porém, hoje o carnaval carioca é uma festa que já extrapola a noção de manifestação popular, cultura e tradição, e assumi ao longo dos anos um importante papel na geração de recursos para a cidade do Rio de Janeiro, além de gerar milhares de postos de trabalho para os cidadãos cariocas que participam direta ou indiretamente na produção de um desfile de escola de samba.¹’² O Carnaval, segundo dados de 2009 apresentados no texto “A cadeira produtiva do Carnaval”, movimenta 685 milhões de reais e, só no tocante às Escolas de Samba, proporciona a criação de 470,3 mil postos de trabalho. As agremiações carnavalescas


3 encontram-se no centro de uma grande cadeira produtiva composta, sobretudo, pelas indústrias que fornecem a matéria-prima para a execução dos desfiles, os profissionais que transformam os materiais em fantasias e alegorias; além dos organismos na distribuição e divulgação do evento. O trabalho desenvolvido no interior dos galpões das Escolas de samba, também chamados e conhecido como Indústria do Carnaval, localizados na Cidade do samba Gamboa-RJ, apresentam um processo de produção semelhantes as linhas de montagem para produção em série das indústrias automobilísticas. ³’² Assim,

a

fábrica

moderna,

na

sua

universalidade

abstrata,

torna-se

emblemática, mais uma vez, nas formas de organização do trabalho coletivo, apesar das peculiaridades das práticas de trabalho em um barracão de escola de samba. ³’² O presente artigo tem como objetivo buscar uma maior compreensão do processo de trabalho para confecção de um desfile de escola de samba, em especial o processo de trabalho realizado nos barracões das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e os riscos a qual esses trabalhadores estão ou são expostos.

Método Para a elaboração da presente revisão integrativa as seguintes etapas foram percorridas: estabelecimento dos objetivos da revisão integrativa; estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão de artigos (seleção da amostra); definição das informações a serem extraídas dos artigos selecionados; análise dos resultados; discussão e apresentação dos resultados e a última etapa consistiu na apresentação da revisão. Em função do objetivo do estudo, utilizou-se uma abordagem qualitativa de pesquisa por meio de um estudo exploratório. Para descrever o conceito de pesquisa exploratória, da forma como é tradicionalmente entendida, podemos utilizar Theodorson e Theodorson

4

que o

descreve da seguinte maneira: "Exploratory study. A preliminary study the major purpose of which is to become familiar with a phenomenon that is to investigate, so that the major study to follow may be designed with greater understanding and precision. The exploratory study (which may use any of a variety of techniques, usually with a small sample) permits


4 the investigator to define his research problem and formulate his hypothesis more accurately. It also enables him to choose the most suitable techniques for his research and to decide on the questions most in need of emphasis and detailed investigation, and it may alert him to potential difficulties, sensitivities, and areas of resistance." Já para Ross e Rosser

4

os estudos exploratórios podem ajudar a resolver

algumas dificuldades em pesquisa. Uma delas é a que se refere ao desenvolvimento de programas, na concepção de que a população constitui um recipiente vazio ("empty vessel") e que a tarefa educativa se resumiria em preenchê-lo. Por outro lado, a pesquisa exploratória também pode ser definida como parte integrante da pesquisa principal, como o estudo preliminar realizado com a finalidade de melhor adequar o instrumento de medida à realidade que se pretende conhecer. Em outras palavras, a pesquisa exploratória, ou estudo exploratório, tem por objetivo conhecer a variável de estudo tal como se apresenta, seu significado e o contexto onde ela se insere. Para guiar a revisão integrativa, foi formulada a seguinte questão: Qual a organização e o processo de trabalho existente no processo de confecção de um desfile de escola de samba na industria do carnaval? Para a seleção dos artigos foram utilizadas três bases de dados, a saber: o LILACS (literatura científica e técnica da América Latina e Caribe) e o MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrieval Sistem on-line) e o site Google Acadêmico. Dessa forma, procurou-se ampliar o âmbito da pesquisa, minimizando possíveis vieses nessa etapa do processo de elaboração da revisão integrativa. Como toda pesquisa, esta apresenta seu marco temporal obedecendo alguns acontecimentos como a inauguração da cidade do samba datada de 17 de setembro de 2006, sendo que o corte neste item ocorreu em 2007, pois somente a partir desse ano, podemos observar trabalhos realizados, sendo assim o marco temporal se deu de 2007 – 2014. Para a construção do estudo foi realizado o movimento de busca na Biblioteca Virtual de Saúde – BVS através da inserção da denominação SAMBA/CARNAVAL, descrição de assunto e a fonte de dados LILACS ou MEDLINE, após estas escolhas se iniciou o processo de refinamento da pesquisa na qual optou-se por uma busca a


5 artigos, em seguida buscou-se por textos na integra, seguido de assunto principal tendo como o idioma o português, feito isso se passa para o recorte temporal que se dá de 2007 a 2014 aonde selecionamos o ano e em seguida artigos na integra. Após a realização de tal movimento foram encontrados 213 artigos sendo 24 na integra e 5 na Língua Portuguesa, nenhum dos artigos se referem ao objeto em sua integra, sendo assim os artigos desta fonte de dados foram descartados. Desta forma foi realizada nova busca, agora na base Google Acadêmico, Onde foram encontrados 10128 artigos e outros tipos de trabalhos como teses, dissertações e outros. Seguindo as leituras dos resumos após a aplicação dos mesmos quesitos aplicados nas bases de dados anteriores foram destacados 16 trabalhos que tratam da temática.

RESULTADOS E DISCUSSÃO Na presente revisão integrativa, analisou-se oito (08) artigos que atenderam aos critérios de inclusão previamente estabelecidos e, a seguir, apresentar-se-á um panorama geral dos artigos avaliados. Dentre os artigos incluídos na revisão integrativa, as autorias são de variadas áreas, sendo uma (01) tese de doutorado de psicologia na área das ciências sociais e um (01) artigo na mesma área, três (03) artigos na área de gestão, um (01) artigo na área da estatística do IBGE, um (01) artigo na área das artes e um (01) artigo na área da saúde. Em relação ao tipo de revista nas quais foram publicados os artigos incluídos na revisão, três (03) foram publicados em revistas de gestão, um (01) em revistas de ciências sociais, um (01) em revista de ciências humanas na área da psicologia, um (01) em revistas do IBGE, um (01) em revistas de artes.

Tabela 1 - Apresentação da síntese de artigos incluídos na revisão integrativa Nome do artigo

Autor

Uma História do Carnaval: O Processo de Mercantilização Da Folia Bem-estar dos

MACIEL, Guilherme Estevão de Lima COSTA, Sérgio

Ano/Loca l 2011/RJ

2011/BH

Objetivos

Avaliar

Resultados

a Os resultados


6 trabalhadores de Henrique escola de samba: Barroca realidade ou fantasia?.

existência de bem-estar dos trabalhadores de uma escola de samba do Rio de Janeiro.

Rompendo BLASS, Leila fronteiras Maria da Silva A Cidade do Samba no Rio de Janeiro.

2010/RJ

Escolas de samba MAGALHÃES, cariocas: a busca Mirian Martins da vitória nos da Motta desfiles e na comunicação

2010/RJ

Carnaval ciência:

2012/RJ

e MAIA, Eline uma Deccache;

Identificar os múltiplos aspectos que envolvem a construção da Cidade do Samba no Rio de Janeiro. Analisa a importância da comunicação, mais precisamente da boa comunicação face a face que ocorre nas interações entre os diferentes atores que compõem as agremiações carnavalescas do Grupo Especial do Rio de Janeiro.

evidenciaram que, apesar das deficiências, os trabalhadores vivenciam bem-estar no contexto de trabalho caracterizado pelo significado da atividade de trabalho, da identificação institucional e do reconhecime nto dos trabalhadores .

A pesquisa identificou como pontochave para a organização do desfile carnavalesco o discurso dos diferentes agentes, o que nem sempre é compreendid o da forma desejada. Os ruídos são decorrentes da interação de atores com diferentes formações e com bases socioeconômicas e culturais também bastante diversificadas . Demonstrar, Este artigo por meio de apresentou os


7 proposta ctsa a MESSEDER, partir da Jorge Cardoso vivência no barracão do G.R.E.S. Beijaflor de Nilópolis

material didático, utilizando como cenário o barracão da escola de samba BeijaFlor, que a ciência está em toda parte Apresentar a relação entre os benefícios oferecidos pelo uso dos conceitos científicos da administração e os resultados alcançados nas Escolas de Samba dos Grupos 1 e 2.

Administração LOPES, Carla em Escolas de Alves Samba: os bastidores do sucesso do Carnaval carioca

2009/RJ

A Economia FILHO, Luiz Criativa do Carlos Prestes Carnaval

2009/RJ

Destacar como que o carnaval deixou de ser somente a festa da desordem, do desregrament o como regra.

Samba,

2010/RJ

Traçar

Suor

e VICTORIO,

um

resultados da primeira fase da pesquisa “Quem não gosta de ciência bom sujeito não é: ciência no Barracão” A finalidade foi a obtenção de subsídios importantes que expliquem o grande sucesso do Carnaval e evidenciem alguns fatores como a visão estratégica, o comprometim ento da administração em todos os seus segmentos e a estrutura logística, além de ressaltar sua importância para a economia do estado do Rio de Janeiro. Considerando que nesta década a festa gerou todo ano 264,5 mil postos de trabalho, para a execução de 470,3 mil tarefas, verificamos que o Carnaval é um segmento econômico que merece um acompanham ento técnico aprimorado. A pesquisa


8 Trabalho: Uma Larissa de Breve Análise Souza Oliveira dos Desfiles de Escola de Samba do Rio de Janeiro

panorama inicial a respeito da estrutura de produção de um barracão de escola de Samba.

tem, um aspecto qualitativo, no que diz respeito à análise descritiva dos dados e à observação sistemática do objeto e servirá de subsídio para uma pesquisa mais profunda sobre o funcionament o das escolas de samba cariocas.

Em relação ao objetivo desta revisão, ou seja, a busca por uma maior compreensão do processo de trabalho para confecção de um desfile de escola de samba, em especial o processo de trabalho realizado nos barracões das Escolas de Samba do Rio de Janeiro assim os riscos a qual estão expostos estes trabalhadores, observou-se nos artigos que compõem a amostra que só o carnaval cria 500 mil postos de trabalho, formais e informais, diretamente ligados às agremiações carnavalescas ou não, representando para muitos indivíduos a principal fonte de renda. Ainda que os números apontem a grandiosidade e a relevância do evento para a economia local, sua maior expressão, ou pelo menos a mais conhecida, o desfile das escolas de samba do Grupo Especial, guarda modelo organizacional bastante simples e especial em muitos aspectos. A gestão do carnaval conjuga elementos originários do trabalho ordinário com outros, encontrados apenas nos modelos culturais, tornando-se campo bastante fértil e pouco explorado ainda pela pesquisa acadêmica na área da saúde. Nos institutos universitários da área das ciências humanas, em especial na antropologia e na sociologia, e também na área das artes, o carnaval é assunto muito mais presente nos trabalhos científicos do que no campo da saúde. Para os especialistas na área da gestão, o desfile carnavalesco promovido pelas escolas de samba do Grupo Especial é o principal evento da cidade do Rio de Janeiro.


9 Junto com o Réveillon, o carnaval carioca é responsável por 13% do PIB da cidade proveniente da renda gerada pelo fluxo de turistas que essas duas grandes festas mobilizam. Para que o desfile das escolas de samba se tornasse um grande espetáculo que sensibiliza milhões de pessoas mundo afora, foi necessária a interação de inúmeros profissionais de diferentes formações e competências que, em conjunto com um bom modelo de gestão, dá ao evento toda a sua suntuosidade. Com relação ao mercado de trabalho, segundo a Secretaria Estadual de Trabalho do Estado do Rio de Janeiro (2011), cerca de 80% dos postos de trabalho gerados pelas Escolas de Samba são de caráter temporário, ou seja, sazonal e informal. Para os dirigentes das agremiações carnavalescas, as produções artísticas dos desfiles carnavalescos nos dias atuais se assemelham ao modelo fabril. Contudo, são as linhas de montagem para produção em série das indústrias automobilísticas que tomam como referência histórica. Assim,

a

fábrica

moderna,

na

sua

universalidade

abstrata,

torna-se

emblemática, mais uma vez, das formas de organização do trabalho coletivo, apesar das peculiaridades das práticas de trabalho no barracão. Nesse sentido, assim como em uma empresa, um desfile de escola de samba – como qualquer grande projeto – tem começo, meio e fim. Ele é monitorado e controlado dentro de uma rígida estrutura organizacional clássica, cujas ações convergem unicamente para os objetivos a serem alcançados. Esta concepção artística está intimamente ligada à construção da equipe de profissionais que irão juntos preparar o espetáculo, a equipe de trabalho, é constituída por profissionais que possuem especialização como ferreiros, marceneiros, carpinteiros,

escultores,

eletricistas,

iluminadores,

desenhistas,

cenógrafos,

figurinistas, aderecistas, costureiras, bordadeiras, vidraceiros, pintores, ceramistas e decoradores. Partindo desta estrutura organizacional, o trabalho é subdividido por setores de produção como marcenaria, decoração, costura, adereço, ferragem, iluminação,


10 esculturas (isopor) ou (fibra) ou (espuma), pintura artística, placas de acetato e quantos mais forem necessário. Cada um desses setores é chefiado por um profissional com experiência naquela área que se estabelece como um verdadeiro mestre de oficina apoiado por artesãos reunidos e controlados por ele. Funcionando como verdadeiros espaços de trocas, esses ateliês representam importantes lugares de incorporação de saberes popular. Apesar de alguns mestres e aprendizes não serem necessariamente provenientes das camadas desassistidas da população, tendo, muitas vezes, formação acadêmica ou técnica, a transmissão dos saberes se dá através do contato direto e da prática diária do ofício, fazendo com que os objetos criados nesses ateliês possam, muitas vezes, ser considerados como legítima arte popular. O primeiro setor na linha de produção é aquele controlado pelo ferreiro e sua função é construir os chassis e as estruturas básicas – geralmente feitas em tubos e vergalhões de ferro – das alegorias. Somente a partir dos últimos dez anos é que começaram a ser feitos, de forma mais regular, cálculos estruturais de carga, em razão do aumento do tamanho das alegorias e da presença cada vez maior de grupos de componentes desfilando sobre elas. Neste setor como em qualquer serralheria este profissionais estão diretamente expostos a risco acidentes relacionados à utilização nas soldas elétricas e também pela longa jornada de trabalho em certos momentos. Este grupo também se apresenta exposto ao risco físico, relacionado a continua exposição a vibrações, emitidas pelas ferragens, tubos de ferro em geral e a própria vibração das soldas em espaço aberto e alto, e também ao risco ergonômico relacionado ao transporte das ferragens até o local de preparo das alegorias. O segundo setor a ser acionado no processo de produção é a carpintaria. Sua principal função é dar a forma básica da alegoria, cobrindo, quando for o caso, a estrutura de ferro. Neste setor como em qualquer marcenaria este profissional está diretamente exposto aos riscos ergonômico, de acidentes e físico, assim como o primeiro setor de trabalho. O terceiro setor, paralelamente à carpintaria, desenvolve-se o trabalho da equipe

de

escultura.

Responsável

pela

produção

dos

principais

elementos


11 tridimensionais das alegorias; neste setor o trabalhador estará diretamente manuseando substancias toxicas como o tiner, podendo inalar partículas de isopor ou de fibra de vidro além de poder de cortar ou realizar algum acidente perfuro-cortante com os estiletes ou as facas que fazem uso. Desta forma percebe-se a exposição direta desses trabalhadores aos riscos químico devido ao manuseio do tiner, produto toxico, e a inalação de poeira e nevoa originada do isopor e/ou da fibra de vidro, e ao risco de acidente relacionado a utilização de instrumentos perfuro cortante. O quarto setor inicia-se após o trabalho da carpintaria e da escultura, entra em ação a chamada pintura de arte que irá recobrir com tinta os elementos de madeira e as esculturas devidamente “empasteladas”. Os pintores de arte criam a ilusão visual dos diferentes materiais que revestem a alegoria, tais como mármore, pedra, madeira, pele etc. Para este trabalho são utilizadas substâncias toxicas como tintas em lata e em aerossol, tiner, solventes e demais produtos que poderão fazer parte desse processo como anililas. Este trabalhador, tem uma grande exposição a inalação de vapores, gazes e cheiros fortes, assim como também fungos, muitas vezes existentes nas latas de tinta e sobretudo expostos a uma iluminação precária para o tipo de trabalho que será realizado que necessitaria de uma iluminação mais incandescente devido ao trabalho detalhista que será realizado, pelo exposto este trabalhador fica diretamente exposto aos riscos químico, biológicos e de acidentes.

Já o quinto setor, é destinado ao detalhamento e ao revestimento final da alegoria e são realizados pela equipe de adereçaria, que se encarrega dos detalhes, berloques e brilhos que dão o acabamento ao carro ou, em alguns casos, às fantasias. A variedade de materiais e de soluções necessárias ao trabalho do aderecista faz com que esse setor seja considerado um dos grandes vilões de um barracão, uma vez que seus trabalhadores fazem uso de instrumentos como tesoura, agulha, estilete, faca e qualquer instrumento perfuro-cortante que possa utilizar; faz uso também de tecidos, cola de contato (chamada de cola fria), cola em bastão (cola quente), tinta, espelhos, vidros, purpurina e demais materiais para revestimento e brilho.


12 Este trabalhador muitas vezes são os que apresentam a menor escolaridade também o que dificulta e muito a compreensão da utilização dos Equipamentos de Proteção Individual – EPI, mesmo estando exposto aos riscos de acidente, químico e ergonômico. Na última década, incorporou-se, oficialmente, um novo profissional a esse processo produtivo: o iluminador. A fase de criação e montagem da iluminação dos carros alegóricos ainda está se adaptando ao processo setorizado de produção de alegorias. Realizado normalmente após a fase de adereçaria, este profissional muitas vezes oriundo de teatros ou demais trabalhos de iluminação estão pouco exposto aos riscos, pois apresenta, na grande maioria, uma preocupação com a utilização de EPI mais ainda assim apresentam-se expostos ao risco de acidente e físico. Paralelamente ao processo de produção das alegorias, acontece a confecção das fantasias. Partindo do desenho de um figurino – chama também de “risco” – são executados modelos de todas as fantasias – conhecidos como “protótipos” – que servirão de base para a reprodução das roupas pelas alas comerciais e para a produção das fantasias das “alas de comunidade” pelo setor de costura. Este setor que se estende ao longo de quase todo o processo apresenta o manuseio direto em maquinário perfuro–cortante além do manuseio de tesouras, estiletes e agulhas assim como tecidos, matérias sintéticos e metalizados. Na grande maioria estes profissionais são compostos por mulheres que estão alojadas em atelieres com pouca iluminação, pouca ventilação e expostas em certos momentos a temperaturas elevadas perfazendo uma grande exposição a riscos de acidente, físico e ergonômico. Para um melhor entendimento foi confeccionado um quadro de riscos de exposição do profissional. PROFISSIONAL

Setor 01 - Ferragem Setor 02 – Carpintaria Setor 03 – Escultura Setor 04 - Pintura

RISCOS

GRAU

Acidente Físico Ergonômico Acidente Físico Ergonômico Químico Acidentes Químico Biológico

III III II III III II III III III III


13 Setor 05 – Adereço Setor 06 – Iluminação Setor 07 – Costura

Acidentes Químico Ergonômico Acidentes Acidente Físico Acidente Físico Ergonômico

III I III II II II II III III

O quadro acima apresenta não apenas o grupo de profissionais que compõem esta cadeia profissional das escolas de samba mais também os riscos que estes estão expostos e seus graus de exposição. CONCLUSÃO O longo e complexo processo de organização, criação e produção do desfile de uma escola de samba apresenta-se, como um excelente exemplo da intrincada rede de relações estabelecida através de diálogos e disputas envolvendo múltiplas escalas de questões. Uma dessas questões se trata justamente não apenas da qualificação mais da atenção à saúde deste trabalhador e sua exposição aos riscos oriundos de suas atividades laborais e consequentemente a qualidade de saúde deste que irá automaticamente refletir na qualidade do trabalho apresentado. Os autores utilizados nesta revisão, não apresentam qualquer descrição ao tocante da saúde física do trabalhador, segundo a tese de doutorado de Costa, os trabalhadores dos barracões de escola de samba apesar das precárias condições de trabalho e da desvalorização profissional que vivenciam, ainda assim, apresentam um grande bem estar em ver seu trabalho “triunfar” nos desfile, mesmo que muitas vezes eles só o veem na televisão, muito se quer ganham convite para o espetáculo. Apesar desta relação profissional de desvalorização o processo de bem estar deste profissional continua em alta, o mesmo não podendo ser dito para o processo saúde relacionado a exposição aos riscos laborais onde se percebe a exposição a todos os riscos, como Acidentes, Físico, Químico, Biológico e Ergonômico e todos em graus variados. Entende-se que apesar do sucesso deste nicho da indústria cultural, que pode ser mensurado através da movimentação financeira que atrai grandes nomes e marcas, além da geração de empregos, espera-se que estes profissionais que são os reais


14 idealizadores, produtores, construtores, executores de toda essa magnitude que é exportada para todo o mundo como um de nossos maiores produtos e que nos trazem tantas divisas, fossem realmente tratados como trabalhadores e respeitados em sua plenitude e que os direitos relacionados nas NRs 5, 6, 7, 9, 11, 12, 17, 23 e 26. Após a reflexão sobre os resultados percebe-se que se nos dias atuais estes trabalhadores confeccionam um espetáculo que é responsável por 13% do PIB da cidade do Rio de janeiro, o que poderia ocorrer se estes profissionais fossem respeitados em suas respectivas profissões e atividades, como indica a legislação trabalhista brasileira assim como respeitados e implementados os mecanismos de proteção e prevenção a saúde do trabalhador de uma escola de samba.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. VICTORIO, Larissa de Souza Oliveira. Samba, Suor e Trabalho: Uma Breve Análise dos desfiles de escola de samba do Rio de janeiro. 2. FILHO, Luiz Carlos Prestes. A Economia Criativa do Carnaval 3. BLASS, Leila Maria da Silva. Rompendo fronteiras - A Cidade do Samba no Rio de Janeiro. Revista brasileira 80 de ciências sociais – RBCS,Vol. 23, nº. 66 fevereiro/2010. 4. PIOVESAN,

Armando;

TEMPORINI,

Edméa

Rita.

Pesquisa

exploratória:

procedimento metodológico para o estudo de fatores humanos no campo da saúde pública. Rev. Saúde Pública vol.29 no.4 São Paulo Aug. 1995. 5. COSTA, Sérgio Henrique Barroca. Bem-estar dos trabalhadores de escola de samba: realidade ou fantasia?. Gestão e sociedade: Belo horizonte, volume 5 número 11, p. 137-154, maio/agosto 2011. 6. LOPES, Carla Alves; MALAIA, Maria Cecilia Bezerra Tavares; VINHAIS, José Carlos. Administração em Escolas de Samba: os bastidores do sucesso do Carnaval carioca. SEGeT – Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia. 2009. 7. MAGALHÃES, Mirian Martins da Motta. Escolas de samba cariocas: a busca da vitória nos desfiles e na comunicação. Textos escolhidos de cultura e arte populares, Rio de Janeiro, v.7, n.2, p. 127-138, nov. 2010.


15 8. MAIA, Eline Deccache; MESSEDER, Jorge Cardoso. Carnaval e ciência: uma proposta ctsa a partir da vivência no barracão do g.r.e.s. Beija-flor de Nilópolis. III Encontro Nacional de Ensino de Ciências da Saúde e do Ambiente Niterói/RJ, 2012. 9. SANTOS, Nilton Silva dos. "Carnaval é isso aí. A gente faz para ser destruído!": carnavalesco, individualidade e mediação cultural. Tese de Doutorado. Rio de Janeiro: UFRJ/IFCS/PPGSA. 2006.


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