CARNAVAL, CULTURA E MARKETING: UMA ABORDAGEM SEMIÓTICA
Osmar Basílio
Rosália Maria Netto Prados
DRUMMOND (SP) / UBC (SP)
UNICASTELO (SP) / UBC (SP)
RESUMO
Este estudo, segundo linguagens, saberes compartilhados e processos discursivos, inerentes ao Carnaval Paulistano, trata dos discursos subjacentes aos sambas-enredo e respectivos valores socioculturais. Fundamenta-se na semiótica protagonizada por Greimas. Propomos analisar e descrever os sistemas de valores veiculados no processo discursivo manifestado no Carnaval, especificamente no desfile de uma Escola de Samba; analisar a narrativa dos sambas enredo, bem como o percurso de adesão de um discurso de marketing. É um evento popular de origens europeias que se tropicalizou e no Brasil tornou-se disseminador da cultura e costumes brasileiros. Procuramos identificar como os aportes financeiros, cada vez mais significativos, propiciam estratégias de Marketing, patrocínios e captação de recursos para a realização dos desfiles e sobrevivência de Escolas de Samba.
PALAVRAS-CHAVE: Discursos; Festa Popular; Análise de Discurso.
CARNIVAL, CULTURE AND MARKETING: A SEMIOTIC APPROACH
ABSTRACT
the semiotics of Greimas protagonists. We analyze and describe the sistems of the samba plot Brazilian Cultural Studies, Vol. 1 (1), p. 1-17, 2010.
Page
inherent to the São Paulo’s Carnival, with their subjacent socio-cultural values. Is based on
1
This study of second language, shared knowledge and discursive processes, inherent
speech, as well as it relationship with marketing approaches. It is a popular event, with European origins, that has became tropical and in Brazil, where it is a source for diffusion of Brazilian culture and customs. Using the semiotic analysis of the story-samba, we tried to recognize inside it the marketing strategies and consequently the need for financial supports that are becoming even more expressive and indispensable for the accomplishment of the Carnival Parade and the survival of the Samba Schools.
Page
2
KEYWORDS: Discourses; Popular Party; Discourses Analysis.
Brazilian Cultural Studies, Vol. 1 (1), p. 1-17, 2010.
INTRODUÇÃO O tema desta pesquisa, Carnaval, da cultura ao Marketing: abordagem semiótica trata do estudo das diferentes linguagens, saberes compartilhados e processos discursivos presentes no Carnaval Paulistano. O presente trabalho objetiva abordar, sob a luz da semiótica, os discursos manifestados no evento CARNAVAL, especificamente na apresentação do desfile da Escola de Samba Gaviões da Fiel Torcida, apresentando a sinopse do Tema do Carnaval, o Samba-enredo, a caracterização do projeto e o coroamento com a performance apresentada na passarela do Samba. A escolha do corpus, Grêmio da Gaviões da Fiel Torcida, primeiramente, se deu porque, como torcedor e sócio do Sport Club Corinthians Paulista há mais de meio século, temos simpatia pela maior e mais representativa Torcida Organizada do Clube. Foi natural esta escolha, uma vez que não temos a intenção de analisar o carnaval de São Paulo como um evento, para chegarmos a conclusões gerais ou comparativas, mas sim analisar semioticamente os discursos subjacentes no texto de sambas enredo que, como gênero discursivo, apresentam valores sócio-culturais paulistanos. É significativa nossa atuação nessa agremiação, em princípio apenas respeito e admiração que foi se intensificando. Agregamo-nos à Comunidade da Escola de Samba e desde 1998 participamos da vida da Escola e de seus desfiles carnavalescos. Portanto pareceunos interessante incluí-la neste trabalho de pesquisa, pois acreditamos que as conclusões poderão ser úteis como colaboração para outras pesquisas sobre discursos carnavalescos, possibilitando que introduza melhorias em seus procedimentos e consequentemente em sua performance. Pode parecer, em primeira leitura, que o assunto CARNAVAL seja supérfluo e de pouca relevância científica, porém, ao nos aprofundarmos percebemos a relevância do tema, em função da significativa importância para a população brasileira, como um todo, e sua comunidade “acadêmica” em particular, principalmente, ao enfocarmos os aspectos culturais e sua influência na Educação.
CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS SOBRE SEMIÓTICA DA CULTURA
protagonizada por Algirdas Juliem Greimas e alguns de seus mais importantes discípulos,
3
dentre outros, Rastier, Courtés, Coquet, Parret e Landowsk, com estrutura científica baseada
Page
O presente artigo fundamenta-se nos princípios teóricos da semiótica Greimasiana,
Brazilian Cultural Studies, Vol. 1 (1), p. 1-17, 2010.
na linha sugerida, por Hjelmslev. Sob essa ótica, caracterizamos o Carnaval, como um evento sincrético, uma vez, que as Semióticas Sincréticas são consideradas complexas, pois, no tratamento da informação há mais de cem tipos de sistemas ou linguagem operando no discurso, como por exemplo, o Teatro, o Cinema e a Televisão. Segundo Prados (2008, p. 51), a Semiótica greimasiana desenvolveu uma metodologia para dar conta do “significado”, no sentido amplo. O “plano da manifestação” no processo discursivo, que reúne uma expressão e um conteúdo, não poderia abrigar um nível de análise sem que se tomasse o significado e o significante, assim como na análise lingüística, e se ultrapassasse esse nível para analisar as unidades mais profundas e menores de cada um desses níveis, para a reconstrução do sentido nesse processo enunciativo. Dessa maneira, pressupõe-se um nível que é a narrativa do discurso, ou seja, nível sintáxico, porque são consideradas as funções dos actantes do discurso, na dimensão da ação, como também uma semântica narrativa e a generalização de uma dimensão semio-narrativa, das estruturas modais e passionais, para o reconhecimento das principais articulações da seqüência discursiva. No texto enunciado aparecem as marcas da enunciação e nesse nível da superfície, com a intervenção do enunciador, aparecem os atores, o tema e as figuras; determinam-se o tempo e o espaço. No processo discursivo, a estrutura narrativa passa a receber um investimento semântico de superfície, pois na ordem lógica e formal são projetadas a visão do enunciador, a temporalização, por meio de marcadores temporais, e a espacialização, por meio de marcadores espaciais, para produzir efeitos de sentido de verdade (veridicção) ou verossimilhança. A estrutura discursiva corresponde ao nível superficial do percurso gerativo da significação, quando as estruturas narrativas recebem o investimento semântico. Na semântica profunda, são descritos os valores discursivos com base nos resultados da análise da narrativa dos discursos, como a relação lógica dos sujeitos, objetos de valor, programas narrativos; da estrutura discursiva, como as relações intersubjetivas e espaçotemporais, figuras e temas. A partir dessas análises foi desenvolvido um modelo baseado no quadrado lógico de Aristóteles, para descrever os valores dessa estrutura hiper-profunda. Por sua vez, Metassemiótica representa a intertextualidade, sendo a semiótica sobre outra semiótica, é o que ocorre quando escrevemos, por exemplo, uma peça de teatro, com base em outra peça, geralmente, famosa e conhecida do grande público.
octógono semiótico, que são modelos de análise semiótica. O Quadrado Semiótico é um
4
modelo baseado no quadrado lógico de Aristóteles, que se sustenta na relação de oposição,
Page
A partir do quadrado lógico aristotélico, foi desenvolvido o hexágono semiótico e o
Brazilian Cultural Studies, Vol. 1 (1), p. 1-17, 2010.
dentro de uma lógica formal, do verdadeiro/falso. Na Lógica Dialética, apresenta-se uma dinâmica, em que os elementos ocupam suas respectivas posições, ou seja, podem mudar de posição, resultando nos percursos dialéticos. O Hexágono Semiótico é um modelo estendido de Greimas, enriquecido pelos percursos dialéticos entre os termos. É construído pela combinação dos termos “simples” dois a dois. A combinação entre dois contrários define a tensão dialética. (Prados 2008, pág. 82). O Octógono Semiótico é um modelo de análise semiótica, que pode descrever os sistemas de valores na Semântica profunda, presentes no texto, seja literário ou não, Pais (1993) utiliza as modalidades aléticas, ser/parecer (do verbo verdadeiro/falso), no modelo dinâmico da lógica dialética. Os termos, ou melhor, metatermos, pois são instrumentos de análise de uma metalinguagem operacional, contrários e subcontrários, relacionam-se, dois a dois com os contraditórios correspondentes. Há também o percurso dialético entre o Parecer e ~ Parecer, que explica o deixar de parecer, na busca da verdade, como, por exemplo, no discurso científico, os fenômenos estão no parecer até o momento do ser verdadeiro. (PRADOS, 2008, pág. 82). Todo discurso é ideológico, pois um sistema de valores o subjaz, ou seja, está escondido. Daí a necessidade de uma análise semiótica mais profunda para sua identificação.
CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA Primeiramente, de acordo com Sebe (1986) apenas para citar uma vertente, podemos considerar a proposta, na qual a palavra carnaval viria do baixo latim carnelevamen, que significaria “adeus à carne”, numa alusão à terça-feira gorda, o último dia do calendário cristão em que era permitido comer carne. Temos ainda outras línguas e dialetos que transmitem significados semelhantes, assim temos que os pisanos usavam carnelevare, os sicilianos karniliveri, enquanto os napaolitanos preferiam karnolevare. Alguns etimólogos, por sua vez optam por carnelevamen, que, segundo eles, significaria “o prazer da carne”. Temos ainda muitos historiadores, que defendem a hipótese de Carnaval ter se
ao Deus Dionísio (Deus da Farra).
Brazilian Cultural Studies, Vol. 1 (1), p. 1-17, 2010.
Page
imenso tonel, que servia vinho ao povo, na Roma antiga, na festa dionisíaca, em homenagem
5
originado da junção de duas palavras: carrus navalis que caracteriza um carro, carregando um
De uma forma geral, podemos considerar que o Carnaval europeu tomou formas mais consistentes na Itália, sendo que em Roma teria contornos mais populares e em Veneza uma forma mais eletizada, de onde a festa de máscaras teria se difundido para a França e a Bélgica. Quanto ao Carnaval Brasileiro, Queiroz (1999) apresenta que “na verdade, a festa carnavalesca chegou ao continente Sul-americano nas caravelas marcada por contribuições culturais sucessivas provenientes da Europa”. O Rio de Janeiro é um pólo irradiador do Carnaval e é possível estabelecer a ligação do Carnaval Europeu, principalmente Portugal, com o Carnaval Carioca. O antigo Carnaval português chamava-se Entrudo, cujo termo significa Entrada, sendo celebrado para festejar a entrada da primavera. A influência italiana de celebrar o Carnaval aparece marcante em Portugal, tanto no baile de máscaras, como no Entrudo, que por sua vez não só assimilou algumas características carnavalescas italianas, como as difundiu por suas colônias, dentre elas o Brasil, onde foram aceitas e incorporadas a seus usos e costumes. Não são poucos os historiadores que defendem a hipótese do Carnaval representar uma celebração cristã, incluída no calendário da Igreja com o objetivo de contrapor-se ao tempo da austeridade, do rigor espiritual (intensificação das orações) e do físico (jejum e penitências). De acordo com essa hipótese, o Carnaval seria a transformação da secularização da festa sacra. Evidentemente, esta linha de pensamento não interfere e tão pouco contesta a real possibilidade do Entrudo ter se difundido, através de Portugal, para suas colônias. (SEBE, 1986, pág. 35). Não podemos nos esquecer de que no Século XVI as transações, não só comerciais, como artísticas eram expressivas entre Lisboa, Roma e Veneza o que, sem dúvida facilitou a influência italiana no Entrudo português e, por conseguinte no Carnaval Brasileiro. Ainda, segundo Sebe (1986, pág.37), também, no contexto religioso, não podemos desprezar as características dos bailes de máscaras francesas, como componente da matriz inicial do Carnaval migrado para o Brasil, assim como não podemos nos esquecer do costume religioso da procissão, comum tanto na Itália, como em Portugal, que alguns historiadores acreditam guardar semelhanças com as estruturas básicas dos atuais desfiles das Escolas de Samba. O que podemos afirmar, com significativa segurança, é que qualquer que seja a origem, a forma, ou os objetivos iniciais da criação do Carnaval, o Carnaval Brasileiro tem
Com relação ao Entrudo, a forma carnavalesca dos lusitanos se divertirem,
6
apresentava-se, no Brasil-Colônia, enraizado em princípios imperialistas de dominação, ou
Page
seus pilares basilares estruturados em bases européias.
Brazilian Cultural Studies, Vol. 1 (1), p. 1-17, 2010.
seja, os senhores colonizadores e os colonizados (escravos) saiam às ruas, para participarem das brincadeiras e se divertirem, porém, com papéis distintos e bem definidos: o senhorcolonizador com seringas de água e atirando frutas como limões e laranjas de cheiro, enquanto os colonizados-escravos carregando bandejas com a dita munição e vasilhas de água, para as seringas e não raras vezes servindo de alvo, para as “brincadeiras” dos senhorescolonizadores, sem reagir, é claro. Os escravos tinham “liberdade” também para brincarem entre si, porém em horários distintos dos senhores, isto é, logo ao amanhecer quando os colonizadores ainda estavam dormindo ou à noite quando os senhores já haviam se recolhido.
O CARNAVAL PAULISTA O Carnaval chegou a São Paulo, por volta de 1870 e, segundo Von Simson (2007), caminhou junto com a expansão da atividade cafeeira do Rio de Janeiro, passando pelo Vale do Parnaíba, chegando à Capital e atingindo o Oeste do Estado. Nesse percurso, provocou alterações nas várias camadas sociais e proporcionou melhores ganhos econômicos e, em decorrência disso, fez surgir camadas de classes mais privilegiadas que passaram a copiar o estilo de vida burguesa, nos moldes europeus. Acompanhando o desenvolvimento dos centros urbanos, a forma de divertimento apresenta uma dicotomia, em que os mais ricos e proeminentes adotam os modismos europeus, importando objetos, roupas, móveis, jóias e materiais diversos que suas novas condições econômicas lhes possibilitava usufruir, mas sem valorizar as especificidades locais e as necessidades de inovação. Já os menos favorecidos financeiramente, na impossibilidade de importações, viram-se induzidos à necessidade de serem mais criativos e construírem maneiras diversificadas e inéditas de divertimento. (VON SIMSON, 2007). Estávamos ainda vivenciando o Carnaval burguês copiado da Itália e França que se consistia em luxuosos bailes de máscaras realizados em hotéis e teatros, desfiles de carruagens, ricamente enfeitadas, sobre as quais exibiam-se os novos afortunados, enquanto os membros das camadas populares participavam, exclusivamente, como espectadores. Mais uma vez o Rio de Janeiro trouxe uma nova dinâmica para o Carnaval, criando, nessa mesma época, uma alternativa para os mais pobres apresentarem o Carnaval. Segundo Von Simson, (2007), apareceram então os Zé-pereiras, os Ranchos e os Blocos. Os Ranchos, embora mantivessem a forma profissional de desfile, não mantinham o
do cortejo, que se desenvolvia ao som de música exclusiva, composta em consonância com o
7
tema do Rancho. Os Ranchos eram organizados, totalmente, por suas comunidades, incluindo
Page
mesmo padrão da elite, adotando para cada rancho um tema único, contextualizado à evolução
Brazilian Cultural Studies, Vol. 1 (1), p. 1-17, 2010.
a escolha do tema, a composição da música, etc, ao passo que os burgueses contratavam artistas, artesões, e toda espécie de mão de obra, para confeccionarem suas roupas e carros alegóricos, cujos desfiles eram abrilhantados por bandas militares. A partir de 1930, com a crescente popularização dos novos meios de comunicação, em particular o rádio, percebeu-se que as manifestações culturais poderiam transformar-se em importante fonte de recursos financeiros, ou seja, eram eventos possíveis de serem comercializados. Em São Paulo os Cordões e Blocos Carnavalescos, passam, a partir de 1960 a observar a maneira carioca de brincar Carnaval, que desde a década de 30 já adotava a formatação de Escola de Samba originária nos morros cariocas e agora um evento já aceito como manifestação Cultural, valorizado pela sociedade e difundido para todo o território nacional e também junto a turistas estrangeiros. (Von Simson, 2007).
RECURSOS FINANCEIROS Os recursos financeiros, sempre se constituíram em dificuldade adicional e um obstáculo a mais a ser superado, para a manutenção dos folguedos populares e não foi diferente, no tocante aos desfiles carnavalescos. Existentes desde os primórdios, mais especificamente nos desfiles populares, permanecem como um fantasma a assombrar as atuais Escolas de Samba. Evidentemente, a forma de captação de recursos foi se modificando com o passar o tempo e ampliando sua abrangência. Ao definirmos os contornos de nosso Artigo englobando o Carnaval Paulistano e mais, particularmente, O Grêmio Esportivo e Recreativo Gaviões da Fiel Torcida, imaginávamos que o Marketing aqui entendido como um conjunto de ações,, com o objetivo de suprir as necessidades financeiras da Escola, apresentariam evolução e aprimoramento, análogos à organização, aos meios tecnológicos, à infra-estrutura, dos materiais e figurinos das fantasias, da riqueza de detalhes, etc. No entanto, não foi desta maneira que caminhou, pelos 34 anos de existência da Gaviões. Ao compararmos essas fontes de recursos financeiros, com aquelas existentes na década de 30, não encontramos diferenças significativas, pois, continuamos, basicamente, a depender dos subsídios do Governo e da Comunidade da Escola de Samba o que nos leva a compreender, no caso da Gaviões, que as oportunidades de Marketing não são bem
dispostos a investir no produto “Gaviões”. Brazilian Cultural Studies, Vol. 1 (1), p. 1-17, 2010.
Page
estrutura, uma Diretoria de Marketing, a qual caberiam as ações em busca de patrocinadores
8
aproveitadas e mesmo com toda a pujança e exposição do Carnaval não constituiu, na sua
Somente em 1999, com o enredo: O Príncipe Encoberto ou a Busca de Dom Sebastião na Ilha de São Luiz do Maranhão, oportunidade em que o Samba enredo e todo o desenvolvimento da Escola divulgou o Estado do Maranhão e em 2008, com o enredo: Nas Asas dos Gaviões, Rumo ao Portal dos Sertões, quando foi a vez da Cidade de Santana do Parnaíba ser cantada e exaltada na passarela do Samba é que o Marketing se fez presente com eficiência, sendo que em 1999 a Gaviões subiu ao ponto mais alto do pódio e só não repetindo o feito em 2008, por distinções internas, que repercutiram, negativamente, na apresentação da Escola.
ANÁLISE DA ESTRUTURA NARRATIVA DO TEMA-ENREDO Escolhemos o Samba-enredo de 1977, Gaviões no Reino da Assombração, por ser este um ano muito importante para todos os Corinthianos, inclusive e principalmente para o Grêmio Gaviões da Fiel Torcida, pois, foi o ano em que o Corinthians foi Campeão Paulista, quebrando um jejum que já durava longos 23 anos. Continua sendo uma das datas mais lembradas e comemoradas pela Nação Corinthiana. Lembramos que neste ano a Gaviões, ainda desfilava como Bloco e foi Campeã, tendo alcançado nota máxima também na letra do samba-enredo.
Dá licença abre alas Vão passar os Gaviões Transformando em alegria Lendas e assombrações Causando grande euforia Vem na frente da folia É crendice popular Olá, Olá, Olha o Saci Perere Olha a Mula-sem-cabeça Quem é valente não pode correr Iara, mãe d’água rainha do mar Com seus encantos ela veio desfilar O famoso boitatá Olá, Olá, Olha o Saci Perere Olha a Mula-sem-cabeça Quem é valente não pode correr
Page
Autores: Cerqueira, Nelson de Almeida, Pereira, Dióceles, das Neves, José Pereira
9
Iara, mãe d’água rainha do mar Com seus encantos ela veio desfilar Mas tudo isto é brincadeira Não queremos abusar São figuras do folclore
Brazilian Cultural Studies, Vol. 1 (1), p. 1-17, 2010.
Com foco nas estruturas narrativas, teremos no percurso sociossemiótico do Destinador (Dor), do Destinatário (Dário)/Sujeito (S1) e o Objeto de Valor (Ov). O Destinador (Dor) – é através do “Samba-enredo” que o Destinatário (Dário)/ Sujeito (S1) pode alcançar seu Objeto de Valor (Ov) que é “vencer” o Carnaval. O Destinador (Dor) – “Compositor”, propõe ao Destinatário (Dário) – “Comunidade da Gaviões da Fiel” – um contrato de entendimentos para “vencer” o Carnaval. O Destinatário (Dário) – “Comunidade da Gaviões da Fiel” – ao aceitar o contrato, passa a ser o sujeito (S1). O Sujeito (S1) – “Comunidade da Gaviões da Fiel” – é que, em última análise, possui como Objeto de Valor (Ov ) “vencer o carnaval”. Adjuvantes (Ad), ou seja, aqueles que auxiliam o Sujeito (S1) a atingir seu Objeto de Valor (Ov): Comunidade; Torcida; Lendas e Assombrações; a Estrutura da Escola; os Sambistas e os demais componentes da Escola, Patrocinadores (diversos e anônimos). Oponentes (Op), ou seja, constituem-se em obstáculos para que o Sujeito (S1) alcance seu Objeto de Valor (Ov): Outras Escolas; o Júri do Carnaval; a falta de recursos financeiros. Desta forma, dentro do percurso narrativo, temos:
Destinatário (Dário) (“Comunidade da Escola”)
Destinador (Dor) (“Compositor”/Cultura popular)
Adjuvantes (Ad) Patrocinadores Diversos Torcida/Comunidade Lendas e Assombrações A Estrutura da Escola A Escola de Samba e seus Componentes Sujeito(S1) (“Comunidade da Escola”)
Objeto de Valor (Ov) Oponentes (Op) Outras Escolas Júri do Carnaval Falta de Recursos Financeiros (provisão financeira)
(“Vencer o Carnaval”)
Page
10
Figura 1. Estrutura Narrativa – Carnaval de 1977
Brazilian Cultural Studies, Vol. 1 (1), p. 1-17, 2010.
Ao analisarmos o percurso narrativo, verificamos que as possibilidades de êxito, isto é, de conquistar o Objeto de Valor (Ov) são razoáveis, dependendo, quase que exclusivamente, da Estrutura da Escola e de seus componentes, que atuam como fortes Adjuvantes. A dificuldade aparece com maior intensidade, quando sabemos que as outras Escolas contam com recursos análogos, o que os torna Oponentes (Op) de respeitável peso, o que de certa forma é a razão de ser da disputa. Temos ainda a considerar os recursos financeiros, que aparecem tanto como Adjuvantes, como Oponentes, sendo um obstáculo importante a ser transposto, pois, de seu equacionamento, emergirá um dos pilares basilares de sustentação da estrutura carnavalesca, para o desfile, podendo, inclusive, ser um fator decisivo, para atingir-se o objetivo maior, de ser Campeã do Carnaval. Interessante notar que a necessidade de recursos financeiros é um Oponente significativo, mas, uma vez suprida essa necessidade, temos um Adjuvante capaz de constituir-se em diferencial para a conquista da vitória. A seguir analisamos o Samba enredo de 2008, por tratar-se de um período recente e que inclui em sua letra exaltação à Cidade de Santana do Parnaíba, como contra-partida ao aporte de recursos financeiros que esta Cidade proporcionou à Gaviões da Fiel Torcida, fazendo com que, nesse ano, a Escola não tivesse restrições financeiras para compor o desfile. Neste desfile a Escola não teve uma boa performance, ficando apenas em 11º lugar, em função de problemas em sua harmonia, evolução e até no quesito fantasias e alegorias, e tinha a obrigação de tirar notas máximas, pois, dispunha de razoáveis recursos financeiros. O Samba enredo, no entanto, foi bem com 02 (duas) notas 10 (dez) e uma nota 9,75 (nove virgula setenta e cinco), ficando próximo da perfeição. Voei com bravura e coragem Rumo ao portal do meu Brasil Anhanguera em árdua trajetória Foi em busca de riquezas Desbravando o sertão Ouro, prata, pedras preciosas Esperança reluzindo no olhar Aventuras entre rios e cascatas Magias e batalhas O futuro a conquistar
Brazilian Cultural Studies, Vol. 1 (1), p. 1-17, 2010.
Page
Arquitetura herança cultural Patrimônio nacional Buscando a sabedoria O povo de fé trilha o caminho do sol
11
A energia pioneira brasileira ... veio de lá! Usina condutora do progresso Fez o bonde caminhar... Celebração em comunhão Meu samba é a alma viva da nação Dona do meu coração
São Jorge peço a sua proteção do Parnaíba é divina inspiração. Vou viajar nessa paixão Vou mergulhar nesta história Como amor e devoção Sou fiel, sou gavião. Autores: Do Cavaco, Fabinho
Aqui teremos o percurso sociossemiótico análogo ou anterior, com relação ao Destinador (Dor), ao Destinatário (Dário) /Sujeito (S1) e o Objeto de Valor (Ov), diferindo, no entanto, significativamente, no que se refere aos Adjuvantes (Ad) e aos Oponentes (Op), pois, no estudo anterior (item 4.2) o patrocínio aparece diluído entre vários patrocinadores, que não interferem na letra do Samba-enredo, ao passo, que no texto musical de 2008 a figura do patrocinador assumiu lugar de destaque, participando, explicitamente. Adjuvantes (Ad) – aqui o patrocinador (A Cidade de Santana do Parnaíba), praticamente, supre a necessidade financeira. Oponentes (Op) – O patrocinador aparece também como oponente, pois, estabelece-se à necessidade de “vender” o patrocinador, ou seja, incluir o “produto” do patrocinador na letra do Samba-enredo, o que se constitui em limitações e dificuldades adicionais, que, em alguns casos, pode comprometer a qualidade do Samba-enredo e a performance da Escola. Por outro lado, deixamos de ter a “provisão financeira” como Oponente, pois, foi suprida pelo patrocinador.
Destinatário (Dário) (“Comunidade da Escola”)
Destinador (Dor) (“Compositor”/ Marketing)
Adjuvantes (Ad) Patrocinador Torcida/Comunidade A Estrutura da Escola A Escola de Samba e seus Componentes Sujeito(S1) Oponentes (Op) Patrocinador Outras Escolas Júri do Carnaval
(“Vencer o Carnaval”)
Page
Figura 2. Estrutura Narrativa – Carnaval de 2008
12
(“Comunidade da Escola”)
Objeto de Valor (Ov)
Brazilian Cultural Studies, Vol. 1 (1), p. 1-17, 2010.
O percurso narrativo nos indica, que temos, praticamente, um único Oponente forte, representado pelas Escolas de Samba concorrentes, pois, o Juri é um Oponente relativo, pois, de certa forma deverá ser exigente e rigoroso de forma análoga, em relação a todas as Escolas participantes. O Oponente Patrocinador, na verdade tem influência apenas na composição do enredo e do Samba-enredo, em que, em função da necessidade de enaltecer o Patrocinador os compositores, devem considerar mais esta premissa, por ocasião da criação de suas letras. Já os Adjuvantes ganham força com o Patrocinador, pois, a disponibilização de maior volume de recursos financeiros, melhora a Estrutura da Escola de Samba, aumentando, significativamente, suas chances de vitória no Carnaval. No caso presente, a Escola não teve uma boa performance no Carnaval, ficando na 11ª colocação, o que nos remete a considerar que os recursos financeiros, embora, sejam muito interessantes e necessários, não foram suficientes para uma boa apresentação, pois, representa um dos pilares de sustentação da Estrutura e depende dos outros para uma base sólida e consistente, possibilitando uma boa performance e dentro de condições favoráveis até a obtenção do título, que é seu Objeto de Valor.
CONCLUSÃO Ao longo do desenvolvimento do trabalho, identificamos que algumas formas de angariar recursos financeiros, para o desfile da Escola, foram abandonadas, como o “Livro de Ouro”, no qual representantes da Comunidade, geralmente comerciantes e empresários, assinavam indicando ao lado a quantia doada, ou ainda, as incursões pelas Ruas do Bairro e por vezes no Centro da Cidade, com a bandeira da Escola servindo de receptáculo, onde os simpatizantes jogavam suas oferendas (geralmente dinheiro), enquanto outros foram inseridos, a exemplo do significativo patrocínio da Prefeitura da Cidade de São Paulo, em que se inclui a verba da televisão e da bilheteria do Sambódromo. Além disso, há comprometimento dos artistas e figuras de destaque da mídia, a exemplo das Rainhas da Bateria, com a busca de patrocínio para a Escola. Ao mesmo tempo, parcela importante dos recursos origina-se de ações tradicionais que se mantiveram, praticamente, inalteradas ao longo dos anos, ou seja, a realização de bailes e shows, doações de membros da Comunidade, venda de camisetas, fantasias, “souvenires”, etc. O Carnaval Paulistano continua não sendo auto-sustentável, embora o subsídio da
Carnaval, esta apresenta um vetor restritivo que, por vezes, impede que a Escola de Samba
13
obtenha outros patrocínios, pois, a verba da Prefeitura engloba os valores pagos pela televisão
Page
Prefeitura represente uma ajuda importante para a viabilidade econômica dos Desfiles de
Brazilian Cultural Studies, Vol. 1 (1), p. 1-17, 2010.
e está por sua vez impede qualquer publicidade explícita nos desfiles, justamente para valorizar suas cotas de propaganda. Esta restrição atinge, inclusive as letras dos sambas enredo e se constitui em um obstáculo a mais para as Escolas, principalmente, para os Carnavalescos e compositores. O Marketing através dos sambas enredo mantém-se, ao longo do tempo, como uma opção interessante, sendo mais constante no Carnaval Carioca, sem, no entanto, deixar de existir no Carnaval Paulistano, e neste ano de 2009 a Escola de Samba Mancha Verde exaltou o Estado de Pernambuco, a exemplo do que fizera a Gaviões nos anos de 2008 com o Samba enredo: Nas Asas dos Gaviões, Rumo ao Portal dos Sertões, oportunidade em que divulgou a Cidade de Santana do Parnaíba e em 1999 com: O Príncipe Encoberto ou a busca de Dom Sebastião na Ilha de São Luiz do Maranhão, quando cantou e enalteceu o Estado do Maranhão (neste ano a Gaviões foi Campeã do Grupo Especial) e outras Escolas, ao longo do tempo. Foi-nos possível, ainda, perceber que o Marketing, ou seja, a satisfação das necessidades financeiras não é fator determinante (necessário e suficiente) para uma boa performance na passarela do Samba, pois, em diversas oportunidades a gestão dos recursos não é desenvolvida com a necessária competência e em alguns casos nem mesmo com o devido comprometimento, com os destinos da Agremiação, mas, inegavelmente, constitui-se em importante aliado, na busca de uma performance vitoriosa. A análise das estruturas narrativas dos Sambas-enredo, tanto através do percurso narrativo, como pela formalização da Semântica profunda, sob a ótica da Semiótica Greimasiana, bem como dos papéis potenciais e suas relações com os atores, além de nos confirmarem a caracterização do sincretismo do Desfile, demonstram que o trânsito do Marketing através de suas letras e melodias, não lhe tira a essência de difusores da Cultura e Educação. Ao analisarmos a estrutura narrativa dos Sambas-enredo, verificamos que o Marketing, através da obtenção de Patrocínio, ao satisfazer as necessidades financeiras da Escola, aparece como um Adjuvante de fundamental importância, na busca do Objeto de Valor da Comunidade da Escola, ou seja, a vitória nos Desfiles Carnavalescos. Ainda no que se refere, especificamente, aos sambas enredo, a despeito do temor de que sejam privatizados, permitindo ao patrocinador fazer exigências, transformando o desfile num comercial de 65 minutos na televisão, não foi o que nos proporcionou o desenvolvimento da pesquisa, pois, o engajamento com a Comunidade, o compromisso com um desfile de qualidade e os profundos laços históricos com a cultura, aliados à criatividade dos
Page
discurso de um grande evento Cultural do Brasil.
14
compositores, blinda qualquer possibilidade de corrosão da essência do Carnaval, como um
Brazilian Cultural Studies, Vol. 1 (1), p. 1-17, 2010.
REFERÊNCIAS BERTRAND, Denis. Caminhos da Semiótica Literária. Bauru: Editora da Universidade do Sagrado Coração, 2000. MATTA, Roberto da. Carnavais, Malandros e Heróis: Para uma Sociologia do Dilema Brasileiro. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1983. ORTIZ, Renato. A Mundialização e a Cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994.
PAIS, Cidmar Teodoro. Semiótica do direito e semiótica das culturas. In: 13º Congress of the International Association of Semiotic of Law/13º Colóquio Internacional de Semiótica do Direito - Direito formal, contracultura e semiótica do Direito. (18 a 2l de agosto de 1997). (São Paulo, Faculdade de Direito da USP), p. 325-335, 1997d. ______.Um estudo da estrutura discursiva do discurso jornalístico. Revista Brasileira de Lingüística. SBPL, Ed. Plêiade, São Paulo, vol. 10, p. 169-177, 1999. ______.Da Axiologia do Discurso Jornalístico: um estudo sociossemiótico. XIII Seminário do CELLIP, Centro de Estudos Lingüísticos e Literários do Paraná - A Linguagem e novos paradigmas. Compact Disc - UEM, Universidade Estadual de Maringá. Maringá, PR, 2000a. ______.Uma análise da interdiscursividade no universo de discurso jornalístico. Acta Semiotica et Linguistica. SBPL São Paulo, Plêiade, vol. 8, p. 423- 441, 2000b. ______.Dos sistemas de valores e visão de mundo do brasileiro: análise de um texto sobre educação e desenvolvimento cultural. Revista Brasileira de Lingüística. SBPL. São Paulo, Ed. Terceira Margem / Plêiade, Vol. 11, p. 205-214, 2001. ______.Aspectos da interdiscursividade e da intradiscursividade. Acta Semiotica. SBPL.. São Paulo, Ed. Terceira Margem. Vol. 09, p. 176-185, 2002. ______.O discurso pedagógico: “um estudo da transversalidade”. Revista Brasileira de Lingüística. São Paulo: Terceira Margem. Vol. 12, p. 279-285, 2003.
Brazilian Cultural Studies, Vol. 1 (1), p. 1-17, 2010.
Page
______.Os discursos político-educacionais contemporâneos: uma perspectiva sociossemiática. Revista Brasileira de Lingüística. São Paulo/Mogi das Cruzes, p. 109-116, 2006.
15
______.Discurso político-educacional: a construção do sujeito professor. Revista Brasileira de Lingüística. São Paulo - SP, v. 13, n. 1, p. 173-182, 2005. ISSN - 0102-6798.
______.Análise sociossemiótica dos discursos político-educacionais contemporâneos. Acta semiotica et linguistica. São Paulo, v. 11, p. 167-186, 2006. ISSN - O I 02-6798. PAIS, Cidmar Teodoro e BARBOSA, Maria Aparecida. Tradition orale, littérature populaire et discours ethno-littéraire: approche sémantique et lexicale. Textures Cahiers Du Cemia, Lyon França, v. 10, p. 11-25, 2003a. PRADOS, Rosália Maria Netto. A temática da cidadania na imprensa escrita de São Paulo: análise lexical e sociossemiótica. Tese de Doutorado apresentada ao Curso de PósGraduação da Universidade de São Paulo, Área de Lingüística Geral e Semiótica do Departamento de Lingüística. (Tomo I, II e III). USP, 2000. ______.Um estudo da estrutura discursiva do discurso jornalístico. Revista Brasileira de Lingüística. SBPL, Ed. Plêiade, São Paulo, vol. 10, p. 169- 177, 1999. ______.Da Axiologia do Discurso Jornalístico: um estudo sociossemiótico. XIII Seminário do CELLIP, Centro de Estudos Lingüísticos e Literários do Paraná - A Linguagem e novos paradigmas. Compact Disc - UEM, Universidade Estadual de Maringá. Maringá, PR, 2000a. ______.Uma análise da interdiscursividade no universo de discurso jornalístico. Acta Semiotica et Linguistica. SBPL São Paulo, Plêiade, vol. 8, p. 423- 441, 2000b. ______.Dos sistemas de valores e visão de mundo do brasileiro: análise de um texto sobre educação e desenvolvimento cultural. Revista Brasileira de Lingüística. SBPL. São Paulo, Ed. Terceira Margem / Plêiade, Vol. 11, p. 205-214, 2001. ______.Aspectos da interdiscursividade e da intradiscursividade. Acta Semiotica. SBPL.. São Paulo, Ed. Terceira Margem. Vol. 09, p. 176-185, 2002. ______.O discurso pedagógico: “um estudo da transversalidade”. Revista Brasileira de Lingüística. São Paulo: Terceira Margem. Vol. 12, p. 279-285, 2003.
Page
______.Discurso político-educacional: a construção do sujeito professor. Revista Brasileira de Lingüística. São Paulo - SP, v. 13, n. 1, p. 173-182, 2005.
16
______.Sistemas de valores, sistemas de crenças, imaginário coletivo: investigações semióticas. In: I Encontro Mestrado em Semiótica, Tecnologias de Informação e Educação. UBC, 19 de novembro de 2004.
Brazilian Cultural Studies, Vol. 1 (1), p. 1-17, 2010.
______.Os discursos político-educacionais contemporâneos: uma perspectiva sociossemiática. Revista Brasileira de Lingüística. São Paulo/Mogi das Cruzes, p. 109-116, 2006. ______.Análise sociossemiótica dos discursos político-educacionais contemporâneos. Acta semiotica et linguistica. São Paulo, v. 11, p. 167-186, 2006. PRADOS, Rosália Maria Neto e BONINI, Luci Mendes de Melo. (Orgs.) A Teia do Saber. Um novo olhar sobre a formação do professor. São Paulo: Oriom, 2004. QUEIROZ, Maria Isaura Pereira de. Carnaval Brasileiro: O Vivido e o Mito. São Paulo: Brasiliense, 1999.
SEBE, José Carlos. Carnaval, Carnavais. São Paulo: Ática, 1986. SIMSON, Olga Rodrigues de Moraes Von. Carnaval em Branco e Negro. São Paulo: Editora Unicamp, 2007. VON SIMSON, Olga Rodrigues. Carnaval em Branco e Preto. São Paulo:Imprensa Oficial. 2007. WILCKEN, Patrick. Império à Deriva – A Corte Portuguesa no Rio de Janeiro 1808 – 1821. São Paulo: Objetiva, 2005. Recebido em 29/07/2009 Aprovado em 01/03/2010 Sobre dos Autores: Osmar Basílio: Mestre em Semiótica, Tecnologias da Informação e Educação, pela Universidade Braz Cubas de Mogi das Cruzes (SP); graduado em engenharia mecânica, pelo Instituto Mauá de Tecnologia (SP) e Matemática, pela Faculdade de Ciências e Letras Tereza Martin (SP). Atua como diretor da Faculdade Carlos Drummond de Andrade (SP). e-mail: drummond@drummond.com.br Rosália Maria Netto Prados: Pós-doutora em Ciências da Comunicação, pela Escola de Comunicação e Artes, da Universidade de São Paulo; doutora em Semiótica e Lingüística Geral, pela Universidade de São Paulo; Tem experiência na área de Letras e Lingüística, com ênfase em Semiótica e Análise do Discurso. Atua como docente na Universidade Camilo Castelo Branco e no Programa de Mestrado em Semiótica, Tecnologias de Informação e Educação, da Universidade Braz Cubas. Desenvolve pesquisas na linha: Linguagens, Tecnologias e Cultura.
Page
17
e-mail: rosalia.prados@gmail.com
Brazilian Cultural Studies, Vol. 1 (1), p. 1-17, 2010.