Anais do VI ENABET - Encontro da Associação Brasileira de Etnomusicologia
Do samba paulista e da narrativa que defende sua singularidade: apontamentos sobre os aspectos textuais e musicológicos desse discurso Lígia Nassif Conti ligianconti@usp.br FFLCH/USP Resumo: As reflexões que orientam este trabalho têm como ponto de partida o discurso em torno da defesa de uma particularidade para o samba na cidade de São Paulo em comparação ao samba do Rio de Janeiro. Em uma série de depoimentos e entrevistas, nota-se que um grupo de sambistas de São Paulo, especialmente na segunda metade do século XX, argumenta em favor de que o samba paulista é diferente do samba carioca em razão de sua origem diversa: os batuques que acompanhavam os festejos religiosos acontecidos no interior do Estado. A proposta desta apresentação é investigar as bases que fundamentam essa narrativa em torno do samba paulista. Para tanto, buscar-se-á analisar alguns sambas compostos pelos sambistas que defendem essa peculiaridade regional para o samba de São Paulo, e verificar se há distanciamento, e em que medida, entre os parâmetros rítmicos do samba paulista e do samba carioca. O intento da comparação é antes entender a construção dessa narrativa em torno de um gênero musical que buscar afirmar ou refutar a constatação de que o samba paulista é mesmo peculiar. A análise comparativa dos padrões rítmicos desses sambas tem como objetivo fundamentar social e musicologicamente os discursos em torno da pretensa diferença do samba paulista com relação ao carioca. Palavras-chave: samba, São Paulo, padrões rítmicos Abstract: The reflections which determine the nature of this study have as their starting point, the argument which concerns the defense of a particularity of the samba from the City of São Paulo in comparison with the samba from the City of Rio de Janeiro. In a series of testimonies and interviews, it was noted that a group of samba dancers from Sao Paulo, especially in the second half of the 20th century, argued in favor of the Sao Paulo samba as being different from the Rio samba because of the diversity of its origins: the hammering away at drums (batuques) that were part of the religious festivals that happened in the small villages and countryside of the state. The proposal of this presentation is to investigate the grassroots activities that prove these accounts about the Sao Paulo samba. Thus an analysis was made of some samba compositions by samba musicians that defend this regional peculiarity of the Sao Paulo samba, followed by a verification of the possibility of a distancing and if so, of what length between the rhythmic parameters of the Sao Paulo and Rio sambas. The intention of the comparison is first to understand the construction of this account concerning musical genre that seeks to affirm or refute the conclusion that the Sao Paulo samba is really peculiar. The comparative analysis of the rhythmic standards of these sambas has as its aim to prove socially and musically the arguments around the supposed difference of the Sao Paulo samba in relation to the Rio one. Keywords: samba, São Paulo, rhythmic patterns
Há entre certo grupo de sambistas e entusiastas do samba de São Paulo uma ideia bastante recorrente de que o samba urbano de São Paulo tem (ou teria tido num passado recente)
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uma peculiaridade que o diferencia do gênero carioca. O sambista Geraldo Filme, por exemplo, já havia feito uma jocosa provocação nos versos do seu primeiro samba composto em 1938, aos 10/11 anos de idade, dizendo, entre outros versos, ―eu vou mostrar que o povo paulista também sabe sambar‖. Mais especificamente sobre as diferenças entre o samba paulista e o carioca, em depoimento, Geraldo afirma: ―O nosso samba não tem nada a ver com o samba do Rio, é tão diferente em tudo, nos tipos de manifestação da gente, no andamento. O nosso vem mesmo daqueles batuques, daquelas festas que eram dadas aos escravos quando tinham boas colheitas de café‖ (depoimento extraído do documentário História do Samba Paulista, Mello, 2007, 12‘50). Em artigo publicado no jornal Folha de São Paulo de 13 de fevereiro de 1977, o dramaturgo Plínio Marcos, que foi, segundo Osvaldinho da Cuíca, ―um grande incentivador do samba paulista‖ (2009, p. 137), declara, de maneira em muitos aspectos similar ao depoimento de Geraldo Filme, suas impressões a respeito da diferença entre os sambas paulista e carioca: O samba paulista é diferente do samba baiano que se instalou no Rio de Janeiro a partir da casa das "tias". O samba paulista é mais puxado ao batuque, ao samba de trabalho. Do toco, durão. O samba paulista vem das fazendas de café. O crioulo vindo do interior ia se instalando perto dos locais de trabalho: Jardim da Luz, Barra Funda, Largo da Banana, Praça Marechal, Alameda Glete, Bexiga, Rua Direita, Praça da Sé (Marcos, 1977).
Osvaldinho da Cuíca é outro sambista emblemático nessa construção discursiva em torno do samba paulista. Osvaldinho procura fundamentar a defesa da peculiaridade do samba de São Paulo tanto em argumentos históricos quanto em argumentos mais propriamente musicais. Do ponto de vista mais especificamente musical Osvaldinho faz uma série de referências a características particulares do samba de São Paulo, que vão desde a características como o andamento ou a estrutura rìtmica, até a instrumentação, como o ―maior peso do batuque, feito com muito surdo e bumbo e pouca miudeza (pandeiro, cuíca, frigideira, chique-chique...)‖, e conclui: ―A influência dos batuques caboclos de Pirapora e do interior do estado era, evidentemente, a razão desse peso.‖ (Cuìca, Domingues, 2009, p. 53) Não é consenso, no entanto, entre os sambistas, a afirmação de que o samba de São Paulo apresenta diferenças com relação ao samba do Rio de Janeiro. Entre os sambistas mais emblemáticos dessa defesa da peculiaridade do samba paulista, destacam-se: Geraldo Filme, Toniquinho Batuqueiro e Osvaldinho da Cuíca. Mas essa narrativa que defende uma singularidade paulista na maneira de fazer samba ganhou uma força muito grande na segunda metade do século XX e ainda hoje ecoa nos discursos de sambistas e entusiastas do gênero. Diante disso, importa mencionar que esse mesmo discurso identificado nos depoimentos desses sambistas está também presente em numerosos projetos culturais recentes de revitalização do samba de São Paulo. Nesses movimentos recentes (em vigor especialmente a partir dos anos 1990) é possível notar que, para além de defender para São Paulo um samba peculiar, o que se propõe é o resgate, a preservação e a difusão desse samba típico paulista. A ideia de um samba regional paulista que se difere do carioca pontua-se, de modo geral, em alguns argumentos bastante repetidos. Um desses argumentos busca fundamentar essa diferença a partir de uma justificativa propriamente musical, que se daria no aspecto ―pesado‖ do samba de São Paulo, peso esse definido por sua instrumentação percussiva. Essa
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instrumentação era a mesma utilizada nos desfiles dos cordões de São Paulo – agrupamentos carnavalescos que percorriam as ruas da cidade na forma de um cortejo – e foi mantida nos desfiles das escolas de samba no período que antecede o ano de 1968. Esse instrumental era também a marca do chamado ―samba-rural‖, ambientado em cidades do interior do Estado de São Paulo desde o século XIX e associado à parte profana de festividades religiosas como a Festa de Bom Jesus de Pirapora. Buscando fundamentar a ideia da divergência rítmica entre os sambas do Rio e de São Paulo, alguns sambistas enfatizam a existência de uma particularidade na execução do samba paulista, mas o fazem muitas vezes de maneira vaga, sem precisar elementos propriamente musicais ou apontar em quê consiste sua diferente batida. Assim, por exemplo, Toniquinho Batuqueiro, ao contar de suas passagens pelo Rio de Janeiro em 1945 e novamente em 1950, para trabalhar numa demolição, comenta a respeito de sua participação em rodas de samba: Não, no Rio sou devagar. Eu não ia entrar na roda, no embalo daqueles caras. Eles tinham um embalo diferente. [...] Não sabia o que estava acontecendo, queria pegar o sistema de lá. É o mesmo samba, mas a batida do Rio era diferente de São Paulo (depoimento concedido a Gomes, 2010, p. 61).
O sambista nota uma diferença, mas não indica precisamente as razões que o levam a destacá-la, e esse caráter intuitivo está constantemente presente na fala de Toniquinho em todas as diversas ocasiões e registros consultados. Em outro momento, por exemplo, Toniquinho retoma a questão e novamente menciona de maneira pouco elucidativa as bases para essa suposta diferença regional: ―O nosso samba daqui fica mais bonito que o samba deles [cariocas]. Eu acho, sempre preguei... Não só acho como preguei que o samba é regional‖ (depoimento extraído do documentário Toniquinho Batuqueiro, Histórias do Samba Paulista, 2010, 8‘05). Já o sambista Geraldo Filme é mais específico na diferenciação que afirma perceber entre os dois modelos de samba. Ele procura fundamentar a diferença musical entre o samba paulista e o carioca partindo da instrumentação comumente utilizada em um e em outro, e que garantiria ao samba paulista o seu ―peso‖ caracterìstico em contraste com o samba ―leve‖ carioca. Quando lhe perguntam sobre a bateria nos desfiles carnavalescos paulistanos, assim ele diz: Ô, uma bateria pesada. A bateria... é a razão do samba de São Paulo sê pesado. O samba de São Paulo tinha muito surdo, muita caixa, chocalho, aquelas coisa toda, entendeu? Caixa de guerra, taró, era muito pesado. Era um samba pesado. [...] E ainda digo a eles sempre que não adianta a gente querer mudar, querer passar praquele esquema do samba balançado do Rio, porque o nosso é diferente. O nosso é mais valente. Ele é mais valente, ele levanta o povo. (depoimento concedido em 1978. Acervo do LAHO/CMU)
Além dessa impressão muito comumente relatada de que o samba que ambientava os desfiles de São Paulo era um samba mais ―pesado‖, há nas palavras de Geraldo Filme a reprovação a que elementos importados do Rio de Janeiro sejam incorporados pelo samba de São Paulo. E esse é outra ideia bastante difundida por esse grupo de sambistas, a da ―descaracterização‖ e da gradual suplantação que esse samba regional paulistano teria sofrido após o contato com o modelo carioca. Para o sambista Osvaldinho da Cuíca: ―A afirmação
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mais justa é que esses modelos se influenciaram mutuamente em São Paulo, conviveram por um certo tempo, mas, num determinado momento, o carioca prevaleceu e relegou o paulista ao esquecimento‖. (Cuíca, Domingues, 2009, p. 65). Esse processo de padronização do samba, pautado então no modelo carioca, é referido não apenas pelos sambistas e entusiastas do samba paulistano. Também pesquisadores e acadêmicos denotam a paulatina suplantação do estilo regional do samba paulistano pelo modelo carioca, num processo que se inicia já nos anos 1930. Assim, nas palavras do historiador José Geraldo Vinci de Moraes: O samba regional paulistano não resistiu, nem conseguiu transformar suas tradições no novo espaço urbano que definia o futuro da metrópole; tampouco ingressou nos meios de comunicação como elemento preponderante. No mesmo período [anos 30], o samba urbano carioca ocupava e consolidava com muita força seu espaço na radiofonia brasileira, impondo-se como padrão nacional (Moraes, 2000, p. 283).
José Geraldo Vinci menciona o momento em que esse processo começou, datando-o dos anos 1930. Entretanto, alguns elementos desse tipo regional de samba, ainda que tenham perdido força e expressão, sobreviverão em algumas manifestações como o carnaval ou encontros nas casas de sambistas ao longo das décadas de 1950 e 60, para só então perderem definitivamente seus espaços diante da hegemonia do modelo carioca. Nesse sentido, a socióloga Ieda Marques Britto, se referindo ao final da década de 1960 e anos 1970, diz que ―pouca coisa ficou dos tempos do samba de bumbo e dos antigos cordões‖ (1986, p. 25). Menciona, no entanto, a permanência do bumbo, instrumento determinante do ―ritmo mais pesado do samba paulista‖, mas mostra como sua presença já convive com os instrumentos mais leves, ―como o jogo de tarol e a resposta do surdo, uma influência carioca‖. (1986, p. 25). Da mesma maneira, é possível avaliar como, na memória desses sambistas, as décadas de 1950 e 60 representaram a derrocada final do tipo regional de samba em São Paulo. Osvaldinho da Cuíca, por exemplo, assim se refere à tiririca e a outras formas de manifestação desse samba regional que desapareceram da cidade nesse entremeio: Aliás, a tiririca também sumiu, lá por volta dos anos 50 e 60, época em que o padrão de samba do Rio de Janeiro se tornou dominante em São Paulo, deixando a cultura paulista com uma lamentável lacuna. E com ela, sumiram o sambano-pé paulista, as rodas nas esquinas, os bambas da Barra Funda, da Sé, do Bixiga (Cuíca, Domingues, 2009, p. 86).
É, portanto, amplamente aceita a constatação de que o samba regional paulista tenha sucumbido diante do padrão carioca. Mesmo Geraldo Filme, Toniquinho Batuqueiro e Osvaldinho da Cuíca, sambistas que ocupam lugar central na defesa de um samba típico paulista, em um ou outro momento deixam entrever sua lamentação diante desse processo que suplantou o antigo estilo do samba de São Paulo no entorno dos anos 1950 e 60. No entanto, seguem defendendo uma diferença entre ambos os padrões. A partir da transcrição de claves rítmicas do acompanhamento percussivo e das linhas melódicas de sambas compostos por esses três sambistas, a proposta deste trabalho é avaliar se há alguma proximidade, e em que medida, do padrão do samba urbano carioca. Para es-
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sa comparação, buscamos parâmetros no trabalho do musicólogo Carlos Sandroni, Feitiço Decente, transformações do samba no Rio de Janeiro (1917-1933). Analisando a estrutura melódica dos sambas do Estácio, cujo paradigma se tornou referência nacional após os anos 1930, Sandroni encontra um padrão rítmico, que já havia sido apontado por Kazadi wa Mukuna em seu livro Contribuição Bantu na Música Popular Brasileira: perspectivas etnomusicológicas, padrão esse que Mukuna reconheceu como o ciclo rìtmico ―frequentemente dado pelo tamborim na orquestração de percussão, ou pelo cavaquinho na orquestração com instrumentos de corda‖ e ―que no inìcio foi confinado ao samba urbano em sua forma popular‖ (2006, p. 92). Quando analisa os sambas gravados por Francisco Alves entre 1927 e 1933, Carlos Sandroni compara o ritmo da melodia com o padrão rítmico do samba do Estácio, uma vez que, ao transcrever as melodias dos sambas a serem estudados, notou que ―eram construídas usando o arcabouço rìtmico do paradigma do Estácio‖ (2001: p. 201). Com essa comparação, concluiu que ―o ritmo contido na articulação silábica sugere o da batucada, e tanto quanto esta contribui para caracterizar o estilo novo‖ (2001, p. 202). Partindo dessa mesma proposta, avaliamos, por exemplo, o samba São Paulo Menino Grande, samba da década de 1960 e cuja gravação disponível é a do álbum Memória, de 1980, composto e interpretado por Geraldo Filme. Nele encontramos a seguinte correspondência entre a linha melódica e o padrão rítmico do tamborim que caracterizou o ―paradigma do Estácio‖: Exemplo musical 1: 307
Os pontos de articulação da melodia coincidem amplamente com o modelo do estilo novo carioca. A própria clave geral que está presente na condução do instrumental percussivo – extraída a partir da batida do tamborim, especialmente, mas considerando também a marcação presente na execução do cavaquinho – aproxima-se do padrão rítmico do paradigma do Estácio. Estruturado em torno de dezesseis semicolcheias, a clave geral executada pelos instrumentos em São Paulo Menino Grande é a seguinte: Exemplo musical 2: Clave Geral:
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Avaliando os sambas urbanos de São Paulo, nota-se que essa é uma clave que se encontra com alguma frequência. Essa mesma célula rítmica se encontra na clave executada pelo pandeiro na gravação de 1980 do samba Tradição, de Geraldo Filme, apenas com o acréscimo de uma colcheia invés da pausa no segundo tempo: Exemplo musical 3:
Também algumas variações dessa clave ocorrem em muitos dos sambas analisados, como por exemplo: Exemplo musical 4:
No samba Na Barra Funda, de Osvaldinho da Cuíca, esse padrão rítmico foi identificado como clave geral que orienta a execução dos instrumentos, clave que foi transcrita a partir de uma célula implícita no ―balanço‖ dos sambas. Além disso, essa célula é recorrente na execução do tamborim nesse mesmo samba. Outra variação desse mesmo padrão rítmico está na execução do agogô do samba Bolo de Fubá, de Toniquinho Batuqueiro, em que as pausas são suprimidas tanto na entrada do primeiro quanto do segundo tempo da célula. Exemplo musical 5:
Esses padrões rìtmicos constituem uma variante do ―ciclo rìtmico do samba‖ identificado por Mukuna como um ciclo de 16 pulsações básicas. Numa comparação esquemática entre o padrão rítmico identificado por Mukuna e três das claves rítmicas que mais frequentemente se ouviu nas gravações dos sambas urbanos de São Paulo, teríamos, à primeira vista, uma incompatibilidade entre esse padrão e os padrões encontrados nos sambas de São Paulo: Tabela 1
No entanto, após um olhar mais atento, nota-se que as claves dos sambas de São Paulo correspondem em larga medida ao padrão rítmico que Mukuna atribui ao samba urbano carioca, considerando-se que se trata de um ciclo. Assim, se transportarmos o ponto inicial do
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ciclo, realizando dentro dele uma inversão, é possível visualizar a correspondência entre os padrões rítmicos: Tabela 2
Além disso, as antecipações nas frases melódicas ao final dos compassos, provocando síncopes entre compassos, denunciam também uma já aproximação do modelo carioca do Estácio. Assim como acontece no samba São Paulo Menino Grande, de Geraldo Filme, a presença de um padrão rítmico correspondente ao padrão que caracterizou o samba urbano carioca está presente em muitos outros sambas paulistas. Importa, com isso, partir de alguns vieses especificamente musicais para entender um pouco mais dessa construção discursiva em torno do samba da cidade, tendo em vista que essa defesa de um samba típico paulista ultrapassa questões propriamente musicais e se respalda no próprio discurso histórico da cidade de São Paulo como uma resposta à narrativa oficial da cidade do trabalho e do progresso. Quando defendem que o samba de São Paulo é distinto do samba carioca, modelo por excelência do samba nacional, esses sambistas, além de tomarem parte das narrativas que buscam para a cidade sua peculiaridade regional, apresentam uma espécie de ―resposta‖ a uma imagem de trabalho, crescimento e progresso a que se associou São Paulo. Em outras palavras, e para evocar os versos de um samba de Geraldo Filme, é dizer que ―o povo paulista também sabe sambar‖ ou que ―na Barra Funda [um dos bairros operários da cidade] também tem gente bamba‖. A proposta de uma análise comparativa entre padrões rítmicos, formas musicais e instrumentação do samba paulista e do carioca busca, para além de descrições musicológicas, compreender uma narrativa que se construiu para o samba paulista – entendido como um tipo particular de manifestação cultural regional –, narrativa que, em certa medida, escreve também outro capítulo para a história da cidade do trabalho e do progresso. DISCOGRAFIA Geraldo Filme, Geraldo Filme, Memória. Eldorado, s/l: s/n. 12 faixas: digital, estéreo, 1980. Osvaldinho da Cuíca. Em referência ao samba paulista. Selo Rio Oito Fonográfico, 13 faixas: digital, estéreo, 2006. Toniquinho Batuqueiro. Memória do Samba Paulista. São Paulo: Sambatá-Associação Música e Cultura; Grêmio Recreativo Kolombolo Diá Piratininga (org.). 1 disco compacto: digital, estéreo. SAM 010-2, 2009.
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