curadoria Antonio da Mata
curadoria Antonio da Mata
Amaury Menezes o espírito de um fundador. “A educação é como uma árvore: plantamos uma semente e nascem muitos galhos. Que a gratidão do povo que se educa seja árvore protetora, nas tempestades e nas chuvas, dos homens que hoje lhe fazem tanto bem. Quem planta escolas, recolherá homens.” José Martí, Obras Completas, Tomo 6
Sempre gostei de enfocar o ofício de Historiadora da Arte desde duas extremidades, que em algumas ocasiões são complementárias, já em outras divergentes, quando estudamos os processos artísticos: me rero à vida e à obra do artista. Muitas vezes, de maneira frívola, damos por certo que estes dois âmbitos sempre se relacionam de maneira orgânica, mas na prática, quando se analisa, esta nos demonstra que isto não necessariamente acontece. São vários os fatores que contribuem com essa formação especíca de relacionamento do artista como indivíduo e o resultado de sua trajetória criativa: intrínsecos fatores ao universo da arte e da cultura, como as técnicas e os recursos materiais, a informação e a tecnologia ao alcance; e fatores extra-artísticos que procedem do social, do político e do econômico e, em especial, dos sistemas de conexão entre estes âmbitos, através das instituições, ou mercado da arte e os paradigmas do statement cultural de cada momento histórico. E é esta pesquisa das verdades que estão por detrás das imagens e dos conceitos expressados, o que é sempre apaixonante para mim; sobretudo, quando ao nal descobrimos uma motivação sincera e coerente, como resultado de uma sintonia entre a vida e a obra. Há muitas formas de reconhecer e nomear isso. De onde venho, a mais corriqueira é dizer que “ese artista tiene bomba”, ou seja, ele tem verdade, sinceridade e coração. Então, não importa do que trata o seu discurso, nem quem
seja o seu público, para que de algum modo todos sintamos a emoção de sua arte. Pelo caminho vão cando muitas obras complacentes, panetos políticos ou decoração de festas que passam despercebidos na construção dos relatos da história. Mas são os primeiros os que se erigem em símbolo e referência, aqueles mestres que fundam escolas, que traçam caminhos e deixam suas marcas duradouras e sobretudo, no caso da América Latina, que dão corpo às nossas recentes identidades culturais, ainda em construção. Em Goiânia, Brasil, Amaury Menezes é desses artistas incomparáveis que não só nos oferece um universo sincero e transparente, de profunda coerência entre a sua vida e a sua obra; sempre interessado nos temas ontológicos, no ser humano e seu relacionamento com o progresso e suas repercussões na sociedade, no ecossistema e na própria vida, além do mais, ele soube, desde os tempos de fundação de sua cidade, ser não somente aluno dos primeiros mestres, mas também ser um pioneiro, professor, fundador, com a sua obra e com a sua ação como intelectual, pesquisador e promotor cultural, numa época em que era necessário inventar uma nova memória a partir do zero. Como estrangeira, posso interpretar com certo distanciamento e comparar a história da arte goiana, e esta exceção, sem compromissos locais,
Amaury Menezes el espíritu de un fundador. “La educación es como un árbol: se siembra una semilla y se abre en muchas ramas. Sea la gratitud del pueblo que se educa árbol protector, en las tempestades y las lluvias, de los hombres que hoy le hacen tanto bien. Hombre recogerá quien siembre escuelas” José Martí, Obras Completas, Tomo 6
me permite exaltar os nomes daqueles que carão para sempre na linha do tempo. Sempre digo que adoraria escrever a tese da semiologia das artes visuais contemporâneas de Goiás, desde um enfoque sociológico. Sobre a minha mesa de trabalho, antes em Havana e agora em Miami, me acompanha o Dicionário das Artes Plásticas em Goiás, Da Caverna ao Museu, do professor Amaury Menezes, presente de um amigo em uma das minhas primeiras viagens a Goiânia. Daqui, declaro o meu mais profundo respeito e admiração por este homem culto, de sorriso doce e olhar profundo, que com paciência e humildade nos recebeu em seu atelier, a mim e a um grupo de artistas cubanos, há alguns anos; e que apesar de sua idade, compareceu na nossa exposição de Arte Cubana no MAG, e como um cavalheiro nos parabenizou, compartilhando conosco a sua erudição e a sua experiência.
Hoje o Museu de Arte de Goiânia homenageia Amaury Menezes, Diretor Fundador do MAG, cujo acervo foi construido com peças integrantes da exposição comemorativa do Congresso Nacional de Intelectuais, que aconteceu em Goiânia, de 14 a 21 de fevereiro de 1954, patrocinado pelo governo de Pedro Ludovico Teixeira, por iniciativa do proprio Amaury Menezes, naquele momento, artista plástico e professor da Universidade Católica de Goiás, realizando um ato de reconhecimento à própria historia desta cidade e desta região do Brasil.
Na memória sempre permanecerão os traços certeiros de Amaury Menezes, o seu desenho preciso, as suas pinceladas soltas e sinceras, como de quem deixa uir todo o seu espírito em cada paisagem, em cada retrato, em cada cantinho da cidade antiga, em cada or, em cada muro, em cada pedra do caminho. E em nossa lembrança permanecerá também a sua essência de professor e fundador deste Museu, que é também cátedra para a preservação e trasmissão para as novas gerações, da memória coletiva e a identidade cultural do Estado de Goiás, tanto para os tempos presentes, como para os futuros. Honrar o seu nome é um ato de agradecimento. Dayalis González Perdomo Hialeah Gardens, Miami, 9 de dezembro de 2018.
Sempre gostei de enfocar o ofício de Historiadora da Arte desde duas extremidades, que em algumas ocasiões são complementárias, já em outras divergentes, quando estudamos os processos artísticos: me rero à vida e à obra do artista. Muitas vezes, de maneira frívola, damos por certo que estes dois âmbitos sempre se relacionam de maneira orgânica, mas na prática, quando se analisa, esta nos demonstra que isto não necessariamente acontece. São vários os fatores que contribuem com essa formação especíca de relacionamento do artista como indivíduo e o resultado de sua trajetória criativa: intrínsecos fatores ao universo da arte e da cultura, como as técnicas e os recursos materiais, a informação e a tecnologia ao alcance; e fatores extraartísticos que procedem do social, do político e do econômico e, em especial, dos sistemas de conexão entre estes âmbitos, através das instituições, ou mercado da arte e os paradigmas do statement cultural de cada momento histórico. E é esta pesquisa das verdades que estão por detrás das imagens e dos conceitos expressados, o que é sempre apaixonante para mim; sobretudo, quando ao nal descobrimos uma motivação sincera e coerente, como resultado de uma sintonia entre a vida e a obra. Há muitas formas de reconhecer e nomear isso. De onde venho, a mais corriqueira é dizer que “ese artista tiene bomba”, ou seja, ele tem verdade, sinceridade e coração. Então, não importa do que trata o seu discurso, nem quem seja o seu público, para que de algum modo todos sintamos a emoção de sua arte. Pelo caminho vão cando muitas obras complacentes, panetos políticos ou
decoração de festas que passam despercebidos na construção dos relatos da história. Mas são os primeiros os que se erigem em símbolo e referência, aqueles mestres que fundam escolas, que traçam caminhos e deixam suas marcas duradouras e sobretudo, no caso da América Latina, que dão corpo às nossas recentes identidades culturais, ainda em construção. Em Goiânia, Brasil, Amaury Menezes é desses artistas incomparáveis que não só nos oferece um universo sincero e transparente, de profunda coerência entre a sua vida e a sua obra; sempre interessado nos temas ontológicos, no ser humano e seu relacionamento com o progresso e suas repercussões na sociedade, no ecossistema e na própria vida, além do mais, ele soube, desde os tempos de fundação de sua cidade, ser não somente aluno dos primeiros mestres, mas também ser um pioneiro, professor, fundador, com a sua obra e com a sua ação como intelectual, pesquisador e promotor cultural, numa época em que era necessário inventar uma nova memória a partir do zero. Como estrangeira, posso interpretar com certo distanciamento e comparar a história da arte goiana, e esta exceção, sem compromissos locais, me permite exaltar os nomes daqueles que carão para sempre na linha do tempo. Sempre digo que adoraria escrever a tese da semiologia das artes visuais contemporâneas de Goiás, desde um enfoque sociológico. Sobre a minha mesa de
trabalho, antes em Havana e agora em Miami, me acompanha o Dicionário das Artes Plásticas em Goiás, Da Caverna ao Museu, do professor Amaury Menezes, presente de um amigo em uma das minhas primeiras viagens a Goiânia. Daqui, declaro o meu mais profundo respeito e admiração por este homem culto, de sorriso doce e olhar profundo, que com paciência e humildade nos recebeu em seu atelier, a mim e a um grupo de artistas cubanos, há alguns anos; e que apesar de sua idade, compareceu na nossa exposição de Arte Cubana no MAG, e como um cavalheiro nos parabenizou, compartilhando conosco a sua erudição e a sua experiência.
Hoje o Museu de Arte de Goiânia homenageia Amaury Menezes, Diretor Fundador do MAG, cujo acervo foi construido com peças integrantes da exposição comemorativa do Congresso Nacional de Intelectuais, que aconteceu em Goiânia, de 14 a 21 de fevereiro de 1954, patrocinado pelo governo de Pedro Ludovico Teixeira, por iniciativa do proprio Amaury Menezes, naquele momento, artista plástico e professor da Universidade Católica de Goiás, realizando um ato de reconhecimento à própria história desta cidade e desta região do Brasil. Na memória sempre permanecerão os traços certeiros de Amaury Menezes, o seu desenho preciso, as suas pinceladas soltas e sinceras, como de quem deixa uir todo o seu espírito em
cada paisagem, em cada retrato, em cada cantinho da cidade antiga, em cada or, em cada muro, em cada pedra do caminho. E em nossa lembrança permanecerá também a sua essência de professor e fundador deste Museu, que é também cátedra para a preser vação e transmissão para as novas gerações, da memória coletiva e a identidade cultural do Estado de Goiás, tanto para os tempos presentes, como para os futuros. Honrar o seu nome é um ato de agradecimento. Dayalis González Perdomo Hialeah Gardens, Miami, 9 de dezembro de 2018.
Amaury Menezes José Amaury de Menezes, lho de Plínio Moreira de Menezes e Maria Elizabeth de Araújo Menezes, nasceu em 25 de julho de 1930 na cidade de Luziânia/Goiás. Chegou a Goiânia no início de 1936, sendo, portanto, um dos pioneiros da nova capital, onde testemunhou o crescimento da cidade e sua evolução cultural. Foi aluno do Grupo Escolar Modelo, Ateneu Dom Bosco e Liceu de Goiânia. Ainda na juventude residiu em Vitória/ES, Salvador/BA e Blumenau/SC, voltando denitivamente a Goiânia em 1944. Cursou a Escola Goiana de Belas Artes da Universidade Católica de Goiás, sob a orientação dos professores Frei Confaloni, Dj Oliveira, Gustav Ritter e Luiz Curado. A partir de 1961 foi professor na mesma Escola de Belas Artes nas cadeiras de Desenho e Plástica e, em 1968 foi um dos fundadores e o primeiro diretor do Departamento de Artes e Arquitetura da UCG. Exerceu o magistério até 1986, quando, em solenidade no Teatro Goiânia, foi homenageado pela UCG e Ministério da Educação com o “Título de Notório Saber”. Homenageado pela Construtora Encol com o lançamento do edifício “Residencial Amaury Menezes” na Rua 9, Setor Oeste, Em Goiânia. Homenageado em 1988, com a inauguração da “Rua Amaury Menezes” no Setor Goiânia II. É pintor e dedica a essa atividade prossional todo o seu tempo, tendo participado de inúmeras exposições no Brasil e no exterior. Autor do livro “Da Caverna ao Museu – Dicionário das Artes Plásticas em Goiás” editado pela Agência Goiana de Cultura, em sua 2ª edição. É membro efetivo da cadeira nº 25 do Instituto Histórico e Geográco de Goiás e membro efetivo da cadeira nº 13 da Academia de Letras e Artes do Planalto. Até o ano de 2009 foi membro Titular do Conselho Estadual de Cultura de Goiás. Em 2005 recebeu do Governo do Estado de Goiás o título de “Comendador da Ordem do Mérito Anhanguera”. Recebeu, em 2007, da Câmara Municipal de Luziânia o título de “Comendador de Santa Luzia”. Em 2009 recebeu do Governo de Goiás a “Medalha do Mérito Cultural” do Conselho Estadual de Cultura, pela contribuição no campo da cultura. Em 2010, homenageado pela Prefeitura de Goiânia, teve seus trabalhos ilustrando a capa de 136 livros, lançados simultaneamente pelo programa editorial “Goiânia em Prosa e Verso”. Em 2014 recebeu, do Governo do Estado de Goiás, o Troféu Jaburu, a mais importante outorga conferida pelo Conselho Estadual de Cultura.
Exposição Amaury Menezes ANTONIO DAMATA Curadoria DAYALIS GONZÁLES PÉRDOMO Texto MALU DA CUNHA Coordenação KAHENA FOGAÇA Produção Museu de Arte de Goiânia
Assessoria Administrativa ANTONIO DA MATA
Catálogo MAURÍCIO MOTA Projeto Gráco VALDEMY TEIXEIRA E Fotograa GRÁFICA E EDITORA TALENTO Impressão e acabamento editorial