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‘PODEMOS TER QUE USAR MÁSCARA ATÉ 2022’, EXPLICA INFECTOLOGISTA
fonte: www.correio24horas.com.br/noticia/nid/podemos-ter-que-usar-mascara-ate-2022-explica-infectologista/
Edmilson Migowski foi entrevistado do programa Saúde e Bem Estar. “Acho que o álcool chegou pra ficar”, declara o infectologista Edmilson Migowski, entrevistado desta terça-feira (26) no programa Saúde e Bem Estar, do CORREIO, que é apresentado pelo jornalista Jorge Gauthier pelo Instagram. Diante das polêmicas e da desinformação sobre o processo de vacinação contra o coronavírus, o infectologista tirou algumas dúvidas sobre a vacinação e falou sobre possibilidades para os momentos após a cobertura vacinal. Afinal, o que é mito e o que é verdade? O médico faz questão de deixar clara a sua posição sobre a vacinação desde o primeiro momento. “Sou favorável à ciência”, explicou Migowski. De acordo com ele, a produção de uma vacina eficaz contra o coronavírus foi feita de forma rápida, mas com vasto conhecimento prévio. O pesquisador e professor da UFRJ relembra os estudos de outras doenças e até mesmo dos outros tipos de Covid para reafirmar a segurança das vacinas. Ele ainda desmente boatos sobre as vacinas causarem qualquer tipo de mutação aos pacientes. “É extremamente improvável que uma vacina provoque algum tipo de mutação”, garante Migowski. Ele relembra que todas as vacinas em desenvolvimento são vacinas inativadas - ou seja, contém apenas agentes mortos, alterados, ou partículas deles - não promovendo nenhum risco para à população. Prognósticos Migowski também discutiu sobre o futuro. Ao tirar algu-
mas dúvidas dos leitores, o infectologista acabou pensando em alguns possíveis cenários sobre o resultado do processo de imunização. O primeiro ponto que ele toca é a manutenção dos protocolos sanitários que devem, sim, continuar após a vacinação. Ou seja, é mito que não devemos usar álcool após a vacina. O uso de álcool em gel, por exemplo, é uma das atitudes que ele acredita serem adotados para o dia a dia. Além disso, o médico também acredita que a máscara pode se tornar um acessório de proteção para quadros virais e respiratórios após a pandemia. Migowski vê o surgimento “novas etiquetas” e protocolos sociais entre as pessoas. Ao ser questionado sobre a perspectiva do uso de máscaras até 2022, ele afirma que é uma possibilidade, mas que tudo “depende da cobertura vacinal’’, mas declara que “podemos ter que usar máscara até 2022”. Sobre a volta da normalidade no país, ele acredita que esse momento só vai surgir quando o país atingir uma alta porcentagem do processo de vacinação. “Uma cobertura de 70%, 80% da segunda dose garante uma volta da normalidade”, projeta o professor. Ele também comenta sobre a possibilidade de uma vacinação anual para Covid, mas afirma que isso depende da resposta da vacinação. Dúvidas dos leitores Uma das informações que ainda confunde a população quanto ao coronavírus é o fator exposição. O infectologista afirma que não se sabe de nenhuma compro-
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vação a qual faça entender que o contato prévio crie resistência ao vírus. Ele diz que ter tido a doença ou trabalhar na linha de frente da Covid-19, não garante resistência ao mesmo. Ou seja, é mito que todo médico está imune. Migowski conclui explicando que “a vacina provoca uma resposta imune melhor do que a própria doença na promoção de prevenção (da mesma).” Outra discussão recorrente é sobre a resposta do corpo. O infectologista explica que os protocolos de vacinação devem ser seguidos. Ou seja, se as vacinas requerem uma segunda dose, isso precisa ser feito para garantir sua eficácia. Por isso, a resposta imune só poderá ser percebida a partir da vacinação - no caso do coronavírus, após a segunda dose. O professor responde que a população estará “melhor protegida depois da segunda dose.” Migowski ainda comentou sobre a situação da vacina Sputnik, que ainda não recebeu o aval da Anvisa para poder ser usada aqui no Brasil. Ele explica que a agência tem seus protocolos próprios de segurança que priorizam a saúde da população. O médico ainda explica que a Sputnik encontra maiores dificuldades por nunca terem feitos testes no país para poder pedir uma licença emergencial. Ele levanta a possibilidade de uma possível negociação mediante a entrega dos resultados da vacina nos países vizinhos, como a Argentina.
Politização da vacina Migowski também discute os problemas da politização da vacina. O médico lamenta a má conduta de políticos ao usarem a vacina como barganha para seus embates e promoções pessoais. Ele também pontua a falta de ética profissional de alguns trabalhadores da área de saúde ao declarem que não tomarão a vacina. “Quando um profissional de saúde afirma que não vai vacinar alegando motivos ideológicos, é, no mínimo, absurdo”, defende o professor. Ele afirma que “a vacina é a ferramenta mais segura e eficaz” no combate a essa e outras doenças. Migowski se preocupa com o movimento de descrença das vacinas por conta da desinformação. “O medo que eu tenho é que doenças que estavam sob controle, retomem”, pontua o infectologista. Ele reafirma que “a vacina é a ferramenta mais segura e eficaz” no combate ao coronavírus. O professor também diz que não deve existir preferência por vacina A ou B. “A melhor vacina é a que estiver disponível no momento”, afirma o médico. Ele ainda defende espaços que promovam a conscientização sobre a importância das vacinas de forma geral - incluindo a da Covid-19. “Promover saúde é promover conhecimento. Quem sabe mais, adoece menos”, conclui Migowski.
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71,5% DOS BRASILEIROS PODEM SER INFECTADOS PELO CORONAVÍRUS EM 2022 Estudo do Grupo Ação Covid-19 elaborou diferentes cenários para o próximo ano e serve de alerta para o perigo do fim das medidas de distanciamento social Fonte: exame.com/ciencia O pior cenário seria numa cidade como Olinda (PE), com alta densidade populacional, baixo IPC e proteção conferida pela vacina mais breve, de um ano. Nesta situação, até 71,5% da população pode apresentar diagnóstico positivo ao longo da pandemia já no começo de 2022.
Um novo estudo do Grupo de Pesquisa Interdisciplinar Ação Covid-19 desenvolveu possíveis cenários para pandemia em 2022. Os pesquisadores concluíram que a porcentagem de brasileiros infectados pelo Sars-CoV-2 pode chegar a 71,5% da população em áreas com alta densidade populacional e baixa qualidade de vida. Criado em maio de 2020, o Ação Covid-19 reúne cientistas e pesquisadores de diversas áreas para estudar o desenvolvimento da pandemia no Brasil. A pesquisa avaliou três possíveis variáveis: se a imunidade da vacina vai durar um ano ou um ano e meio, se a região tem alta densidade populacional e qual o Índice de Proteção à Covid-19 (IPC, um medidor de qualidade de vida considerando a infraestrutura urbana). Em relação à imunidade da vacina, os pesquisadores levaram em consideração a vacinação em carrossel, ou seja, à medida que a imunidade na população for diminuindo ela vai sendo reposta por novas doses. Os pesquisadores encontraram o cenário mais positivo em uma cidade como São Paulo, com densidade populacional baixa e alto IPC, e a vacina garantindo proteção por um ano e meio. Nesse caso, 36,1% da população será infectada pelo vírus causador da Covid-19 no meio de 2022. O número vale para pessoas com diagnósticos positivos desde janeiro de 2020.
Dependendo da duração da imunidade obtida com as vacinas, um novo pico de infecções pode ocorrer já em abril do próximo ano. Embora um eventual novo pico não seria tão alto quanto o último, em abril deste ano, quando atingiu mais de 4 mil mortes diárias, ainda poderia provocar a perda de muitas vidas, passando de 0,25% da população em algumas cidades. Para a coordenadora do Ação Covid, Patrícia Magalhães, o estudo serve como alerta: — O objetivo é mostrar que ainda que toda população seja vacinada não há passaporte infinito. O vírus continua circulando e as pessoas vão continuar tendo contato com ele. Pode parecer um cenário catastrófico, e acho que é preocupante, mas serve de alerta sobre o risco de abandonar totalmente o distanciamento social. O estudo não avaliou quantas dessas pessoas infectadas ficariam, de fato, doentes, ou como seria o desenrolar da enfermidade. Mas, segundo Magalhães, quanto mais gente infectada, maior o risco de que surjam novas variantes. A autora da pesquisa também sublinha o diferente impacto da pandemia na população. — A questão da desigualdade fica muito evidente. O estudo mostra como as pessoas de IPC baixo precisam de aporte da política pública e continuam sendo as mais infectadas — diz Magalhães. Para a coordenadora, é necessário também que os governos atuem mais fortemente na vigilância epidemiológica, para atestar, com mais certeza, quando a imunidade das vacinas está caindo na prática.
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