RELACIONAMENTO
“Mulheres Malqueridas”, Mariela Michelena, Editora Saberes, 360 páginas, R$ 39,90.
Anexo D – Podemos afirmar que esses relacionamentos são construídos realmente com base no amor? É ou não é amor, como a senhora mesma questiona no livro? Mariela – Insisto que não se trata de falta de amor, pode ser que haja muito amor, mas um amor mal entendido. Quando falo de síndrome de Cinderela, por exemplo, me refiro a essas mulheres que são capazes de se transformar em outra pessoa para fazer servir o sapato de cristal que o seu parceiro insiste que ela calce.
Em “Mulheres Malqueridas”, Mariela Michelena conta os dilemas enfrentados pelas mulheres que atendeu em seu consultório
Anexo D – Quando elas se tornam mulheres malqueridas? E os homens, por que muitos, mesmo sabendo que a companheira sofre ao lado dele, não querem abrir mão daquela mulher, continuam a ligar e tentar reatar quando percebem que elas podem seguir com a vida sem eles? Mariela – Quando elas deixam de ser elas mesmas, deixam de sentir-se cômodas em sua vida e se vêm obrigadas a comportar-se de uma ou outra forma para ser complacente ao outro. Mas o parceiro não a ama? Sim. A ama muito!, mas não o que ela é, se não o que tem na cabeça como “mulher ideal”. A quer muito, mas não a quer bem... Anexo D – Quando ou como o véu começa a cair e ela finalmente enxerga que está em um relacionamento fadado ao fracasso? Como essas mulheres podem resgatar o amor-próprio? Mariela – O primeiro é saber que estamos imersos em uma relação doente. Esquecer as desculpas e enfrentar a cruel realidade. Com frequência, nossas amigas têm o diagnóstico perfeito para o nosso estado de “saúde” (ou de “enfermidade”) de nossa relação, nos veem sofrer anos após anos, nos veem suportar situações de humilhação, nos veem perdoar traições... Se elas sofrem nos vendo assim, por que suportamos? Uma vez que reconhecemos o problema, é preciso remediar. Conversar, impor limites, recuperar a nós mesmas, recuperar o amorpróprio e a autonomia, nos fazer ser respeitadas. Não se trata de jogar para o outro todas as culpas, mas sim dominar a situação e não permitir mais nenhum mau-trato. Se isso não for suficiente, e não é fácil, a mulher sempre pode procurar um especialista e, em último caso, o melhor é romper a relação infeliz, custe o que custar. O último livro que acabei de publicar se chama “Me Custa Muito te Esquecer”, em tradução livre, foi escrito para todas as mulheres malqueridas que se veem obrigadas a romper com relações de mau-trato e atravessam a dor da separação, mas estão dispostas a reconstituir suas vidas de outra maneira. Anexo D – Como é o processo de reconstrução da vida dessa mulher? Como ela pode enfrentar o estigma de um mau amor? Mariela – Todos os excessos são perigosos. Amar incondicionalmente não é saudável, a menos que se trate de um filho... e até certa idade! Estar disposto a pagar qualquer preço para manter uma relação é sempre um preço muito alto. Em algum momento, é preciso dizer “não gosto disso”, “quero isso”, colocar sobre a mesa nossos desejos, nossas exigências, nossas necessidades, nossa própria humanidade com os limites próprios de cada um. Isso inclui também reconhecer o espaço do outro, suas virtudes, seus defeitos e suas limitações.
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