Manual de NEUROPSICOLOGIA
Coordenação
D�ana Duro
Mauro Paul�no
Com prefác�o de Alexandre Castro Caldas e posfác�o de Manuela Guerre�ro





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Coordenação
Com prefác�o de Alexandre Castro Caldas e posfác�o de Manuela Guerre�ro






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ISBN edição impressa: 978-989-693-198-8 1.ª edição impressa: março de 2026
Paginação: Carlos Mendes
Impressão e acabamento: Tipografia Lousanense, Lda. – Lousã
Depósito Legal n.º 560700/26
Capa: José Manuel Reis
Imagem de capa: © Auraclicks / Adobe Stock Photo
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Demência Frontotemporal
Corpos
Doença de Parkinson e Parkinsonismos Atípicos
Inês Matos-Pina, Cláudia Ferreira, Mariana Moura-Ramos e Diana Duro
Doenças Cerebrovasculares
Doença Desmielinizante
Patologia
Ana Rita Silva, Salomé Caldeira e Bruna Silveira
Patologia
Patologia
Diana Duro e Carolina Miranda
de Leitura de Palavras Irregulares
Baterias de avaliação neuropsicológica: atenção e funções executivas, memória, linguagem e velocidade de processamento
Computorizada de Testes Neuropsicológicos de
Escala de Avaliação da Demência...........................................................................
de Memória de Wechsler – Terceira Edição
Verbal Learning
de Avaliação da Linguagem e da Afasia em Português
Nomeação por confrontação: Subteste da Bateria de Avaliação Psicolinguística das Afasias e de outros Distúrbios da Linguagem para a População Portuguesa
Bateria de Avaliação Neuropsicológica de Coimbra: Caracterização, Interpretação, Protocolo e Investigações Futuras
Mário R. Simões, Cristina P. Albuquerque, M. Salomé Pinho, Manuela Vilar, Marcelino Pereira, Ana Filipa Lopes, Maria João Seabra-Santos, Isabel Alberto e Octávio Moura
Instrumentos de Avaliação Não Cognitiva e Sua Relevância no Diagnóstico Diferencial
Luís Pires, Bruna Silveira e Salomé Caldeira
Reserva
Joana
Doenças
Inês
Défice Cognitivo na Oncologia
Questões Especiais no Âmbito do Direito: Contributo da Avaliação
Neuropsicológica na Capacidade de Tomada de Decisão
Diana Duro, Mauro Paulino e Mário R. Simões
Estimulação Cognitiva e Multidimensional na Perturbação Neurocognitiva
Maria Vânia Silva Nunes, Gabriela Álvares Pereira e Isabel Sousa
Perspetivas Futuras nas Aplicações e Técnicas de Reabilitação Neuropsicológica
Ana
Diana Duro
Psicóloga clínica e da saúde, com especialidade avançada em Neuropsicologia. Técnica superior do Serviço de Psicologia Clínica da Unidade Local de Saúde de Coimbra, EPE. Membro integrado do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Investigação Cognitivo-Comportamental da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Professora auxiliar convidada da Universidade Europeia (área da Neuropsicologia e Psicologia Forense). Doutorada em Envelhecimento e Doenças Crónicas pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e pela NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas da Universidade NOVA de Lisboa. Concluiu o Curso de Especialização em Medicina Legal e Ciências Forenses, organizado pelo Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses e pela Polícia Judiciária. Detém Pós-Graduação em Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais pelo Instituto CRIAP e Especialização Avançada Pós-Universitária em Psico-Oncologia pelo Instituto Português de Psicologia e outras Ciências (INSPSIC). Possui diversas formações nas áreas das Doenças Neurodegenerativas, do Direito da Medicina, da Avaliação Psicológica Forense e da Psico-oncologia.
Mauro Paulino
Psicólogo, com especialidade avançada em Psicologia da Justiça e em Neuropsicologia pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Coordenador da Mind | Instituto de Psicologia Clínica e Forense. Professor auxiliar da Universidade Europeia, onde é coordenador da Pós-Graduação em Psicologia Forense. Membro integrado do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental e do Laboratório de Avaliação Psicológica e Psicometria (PsyAssessmentLab) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Doutorado em Psicologia, especialidade de Psicologia Forense, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, mestre em Medicina Legal e Ciências Forenses pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e pós-graduado em Análise de Dados em Ciências Sociais pelo Iscte – Instituto Universitário. Especialização avançada em Linguística Forense pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Autores
Ana Filipa Lopes
Neuropsicóloga do Serviço de Psicologia e do Centro de Desenvolvimento da Criança Torrado da Silva da Unidade Local de Saúde de Almada-Seixal, EPE. Membro do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental e do Laboratório de Avaliação Psicológica e Psicometria (PsyAssessmentLab) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Doutorada em
Neuropsicologia e mestre em Avaliação Psicológica pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Ana Rita Ferreira
Psicóloga, especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e em Neuropsicologia pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Professora auxiliar do Departamento de Neurociências Clínicas e Saúde Mental da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Investigadora integrada do RISE-Health, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Doutorada em Investigação Clínica e Serviços de Saúde pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
Ana Rita Silva
Professora auxiliar da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, na área da Reabilitação Neuropsicológica e Psicogerontologia Clínica, onde é investigadora integrada do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental, sendo coordenadora do grupo de investigação Neuropsychological Assessment and Interventions, e neuropsicóloga clínica do Centro de Prestação de Serviços à Comunidade. Doutorada em Psicologia, com especialidade em Neuropsicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Bianca Gerardo
Neuropsicóloga clínica da Otomed Clínica Médica e do Centro de Medicina Integrativa de Évora. Professora auxiliar da Universidade Europeia, Lisboa. Membro integrado do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental e do Laboratório de Avaliação Psicológica e Psicometria (PsyAssessmentLab) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Doutorada em Neuropsicologia e mestre em Psicologia, com especialização em Psicogerontologia Clínica, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Bruna Silveira
Psicóloga clínica, com intervenção na área das perturbações aditivas. Mestre em Neuropsicologia Clínica: Avaliação e Reabilitação pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Bruno Faustino
Psicólogo clínico e da saúde, neuropsicólogo e psicoterapeuta. Professor auxiliar e investigador. Codiretor do Mestrado de Psicologia Clínica e da Saúde da Escola de Psicologia e Ciências da Vida da Universidade Lusófona – Centro Universitário de Lisboa. Professor auxiliar convidado da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. Formador do Instituto CRIAP.
Carolina Maruta
Neuropsicóloga clínica, com especialidade avançada pela Ordem dos Psicólogos Portugueses, e investigadora do Laboratório de Estudos de Linguagem do Centro de Estudos Egas Moniz da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Professora auxiliar convidada de Psicologia da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, onde também é membro do Conselho de Direção do Católica Research
Centre for Psychological, Family and Social Wellbeing e cocoordenadora da Pós-Graduação em Psicologia do Sono. Doutorada em Ciências Biomédicas, ramo de Neurociências, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
Carolina Miranda
Psicóloga. Mestre em Neuropsicologia Clínica: Avaliação e Reabilitação e licenciada em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Catarina Bettencourt
Psicóloga. Membro do grupo de investigação Neuropsychological Assessment and Interventions do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Docente convidada da Universidade Europeia. Doutoranda em Neuropsicologia e mestre em Psicogerontologia Clínica pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Catarina Cunha
Psicóloga clínica, especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e em Neuropsicologia pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Diretora clínica de Clinical Science da empresa Clario, eCOA Neuroscience. Doutoranda em Neuropsicologia da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e mestre em Psicologia Clínica e Psicopatologia.
Cláudia Ferreira
Professora associada da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, onde é coordenadora do Mestrado em Intervenções Cognitivo-Comportamentais em Psicologia Clínica e da Saúde. Psicoterapeuta. Supervisora e membro do Conselho Executivo da Unidade de Psicologia Clínica Cognitivo-Comportamental da Universidade de Coimbra. Investigadora e membro integrado do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Cláudia Sousa
Psicóloga clínica e da saúde, com especialidade avançada em Neuropsicologia. Coordenadora da Unidade de Neuropsicologia do Serviço de Psicologia da Unidade Local de Saúde de São João, EPE. Psicóloga do Serviço de Psicologia, com foco na área da avaliação neuropsicológica e intervenção cognitiva na Consulta de Doenças Desmielinizantes, da Unidade Local de Saúde de São João, EPE. Doutorada em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.
Cristina P. Albuquerque
Investigadora do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental e do Laboratório de Avaliação Psicológica e Psicometria (PsyAssessmentLab) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Doutorada em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, onde foi professora auxiliar e responsável pela lecionação de unidades curriculares nos domínios das Necessidades Especiais, das Perturbações do Neurodesenvolvimento e da Neuropsicologia.
Daniela Sistelo
Psicóloga. Especialização Avançada em Terapias Cognitivo-Comportamentais com Adultos e formação avançada em Reabilitação Neuropsicológica. Doutoranda em Neurociências da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Mestre em Neuropsicologia Clínica: Avaliação e Reabilitação pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Filipa Júlio
Psicóloga, especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e em Neuropsicologia pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Gestora de Projetos da European Huntington Association. Membro da Direção da Associação Portuguesa dos Doentes de Huntington e da European Huntington Association. Doutorada em Neuropsicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação Universidade de Coimbra e licenciada em Psicologia, ramo de Psicologia Clínica e da Saúde, pela Escola de Psicologia da Universidade do Minho.
Francisco Forte
Psicólogo clínico do PIN – Partners in Neuroscience, Consulta da Perturbação de Ansiedade e das Perturbações da Personalidade do Adulto. Mestre em Neuropsicologia Clínica e Experimental pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Gabriela Álvares Pereira
Psicóloga clínica e da saúde, com especialidade avançada em Psicogerontologia e Neuropsicologia pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Responsável pela Consulta de Neuropsicologia do Hospital Júlio de Matos da Unidade Local de Saúde de São José, EPE. Psicóloga da equipa de reabilitação da Unidade de Saúde Belas | Sintra – Irmãs Hospitaleiras, da Rede Nacional de Cuidados Continuados. Professora auxiliar convidada da Faculdade de Ciências Humanas e investigadora do Católica Research Centre for Psychological, Family and Social Wellbeing da Universidade Católica Portuguesa. Doutorada em Ciências da Cognição, Linguagem e Neurociências pela Universidade Católica Portuguesa.
Helena Pereira
Psicóloga. Professora auxiliar convidada da Universidade Portucalense Infante D. Henrique. Investigadora doutorada do Centro de Investigação RISE-Health/Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Coordenadora do Departamento de Ciência do Comportamento e Investigação em Inteligência Artificial Aplicada à Saúde Mental da empresa Visual Thinking. Doutorada em Cuidados Paliativos pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
Inês Matos-Pina
Psicóloga clínica e da saúde. Investigadora (bolseira de doutoramento) do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Doutoranda em Psicologia Clínica da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e mestre em Psicologia Clínica e da Saúde, subárea de especialização
em Intervenções Cognitivo-Comportamentais nas Perturbações Psicológicas e Saúde, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Inês Saraiva Ferreira
Psicóloga clínica e neuropsicóloga. Professora auxiliar da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. Investigadora do Centro de Investigação em Ciência Psicológica da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, e do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental e do Laboratório de Avaliação Psicológica e Psicometria (PsyAssessmentLab) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Doutorada em Avaliação Psicológica pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Irina Santos
Doutoranda em Psicologia, ramo da Neuropsicologia, da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Mestre em Psicologia, subárea de especialização em Psicogerontologia Clínica pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Isabel Alberto
Professora auxiliar da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Doutorada em Psicologia, área de Avaliação Psicológica, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Isabel Barahona da Fonseca
Psicóloga clínica. Professora auxiliar da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, na área das Neurociências, responsável pelas Unidades Curriculares de Neuropsicologia e de Psicofisiologia. Doutorada em Psicologia e Psicofisiologia.
Isabel Figueiredo Santos
Psicóloga clínica, especialista em Psicologia Clínica e da Saúde. Professora auxiliar da Universidade Lusófona – Centro Universitário de Lisboa, onde é membro da direção do Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde. Investigadora integrada do HEI-Lab Digital Human-environment Interaction Lab. Doutorada em Psicologia pelo Iscte – Instituto Universitário e mestre em Terapias Comportamentais e Cognitivas.
Isabel Manica
Neuropsicóloga. Investigadora do Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde da Universidade Católica Portuguesa, em colaboração com a Fundação Champalimaud. Doutoranda em Ciências da Cognição, Linguagem e Neurociências da Universidade Católica Portuguesa, onde desenvolve a sua investigação com o apoio de uma bolsa de doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Mestre em Neuropsicologia pela Universidade Católica Portuguesa e licenciada em Psicologia pela Universidade da Madeira.
Isabel Sousa
Psicóloga clínica, com especialidade avançada em Neuropsicologia e Psicogerontologia pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Psicóloga do Hospital CUF Descobertas, do Projeto Home 360+ da Casa de Saúde do Telhal – Instituto São João de Deus e da Rede Cafés Memória da Associação Alzheimer Portugal. Mestre em Neuropsicologia Aplicada
pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Formadora da Associação Alzheimer Portugal.
Joana Almeida
Psicóloga clínica e da saúde, com especialidade avançada em Neuropsicologia e em Necessidades Educativas Especiais pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Psicóloga clínica e da saúde do Serviço de Psicologia Clínica do Departamento de Saúde Mental da Unidade Local de Saúde de Coimbra, EPE, encontrando-se a exercer funções no Centro de Desenvolvimento da Criança – Departamento Pediátrico. Membro do Centro de Referência de Epilepsia Refratária e do Centro de Referência de Doenças Hereditárias do Metabolismo da Unidade Local de Saúde de Coimbra, EPE. Psicóloga do Centro Pediátrico e Juvenil de Coimbra. Mestre em Psicologia da Educação, Desenvolvimento e Aconselhamento e licenciada em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Joana Nogueira
Neuropsicóloga da Clínica Dear Mind – (Neuro)Psicologia. Docente de Neuropsicologia do Ispa – Instituto Universitário. Membro do Neuropsychological Assessment and Ageing Processes do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental e membro colaborador do Laboratório de Avaliação Psicológica e Psicometria (PsyAssessmentLab) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Formadora do Instituto CRIAP. Doutorada em Neuropsicologia e mestre em Psicologia, com especialização em Psicogerontologia Clínica, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Joana Rato
Psicóloga da educação, com especialização avançada em Neuropsicologia pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Professora associada da Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem da Universidade Católica Portuguesa. Investigadora integrada do Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde da Universidade Católica Portuguesa. Doutorada em Ciências da Saúde.
Joana Sayal
Psicóloga. Investigadora (bolseira de doutoramento) do Proaction Lab e do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Assistente convidada da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Mestre em Neuropsicologia Clínica e Experimental pela Universidade de Coimbra, Universidade do Minho e Universidade de Lisboa.
José Luís Alves
Assistente hospitalar graduado do Serviço de Neurocirurgia da Unidade Local de Saúde de Coimbra, EPE. Consultor de Neurocirurgia do Instituto Português de Oncologia de Coimbra Francisco Gentil, EPE. Perito da Delegação do Centro do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses. Professor auxiliar convidado da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, onde é responsável pela Unidade Curricular de Neurocirurgia. Doutorado em Ciências Médicas.
Luís Pires
Psicólogo. Professor auxiliar da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, nas áreas da Neuropsicologia e da Avaliação Neuropsicológica. Membro doutorado do grupo de investigação Neuropsychological Assessment and Interventions do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Doutorado em Psicologia, especialidade de Neuropsicologia, e mestre em Psicologia Clínica e da Saúde, especialidade de Psicogerontologia Clínica, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
M. Salomé Pinho
Professora auxiliar da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Membro do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental e do Laboratório de Avaliação Psicológica e Psicometria (PsyAssessmentLab) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Manuela Vilar
Professora auxiliar da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Membro do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental e do Laboratório de Avaliação Psicológica e Psicometria (PsyAssessmentLab) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Marcelino Pereira
Psicólogo, com especialização avançada em Neuropsicologia e em Necessidades Educativas Especiais. Professor associado da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Membro do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental e do Laboratório de Avaliação Psicológica e Psicometria (PsyAssessmentLab) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Maria João Seabra-Santos
Psicóloga. Professora associada com agregação da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Membro do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental e do Laboratório de Avaliação Psicológica e Psicometria (PsyAssessmentLab) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Maria Vânia da Silva Nunes
Especialista em Neuropsicologia e Psicogerontologia. Professora associada de Neuropsicologia e Neurociências da Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem da Universidade Católica Portuguesa. Investigadora integrada do Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde da Universidade Católica Portuguesa. Doutorada em Ciências Biomédicas e mestre em Neurociências pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
Mariana Luís
Psicóloga clínica, exercendo na área clínica e comunitária. Está também inserida em projetos relacionados com a participação política dos jovens. Tem participado em investigação que explora temas relacionados com o trauma e as neurociências afetivas.
Mariana Moniz
Psicóloga clínica e forense da Mind | Instituto de Psicologia Clínica e Forense. Membro do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental e do Laboratório de Avaliação Psicológica e Psicometria (PsyAssessmentLab) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Doutoranda em Psicologia Forense da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde, área de especialização em Psicologia Forense, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Mariana Moura-Ramos
Psicóloga clínica e da saúde e psicoterapeuta cognitivo-comportamental certificada. Diretora do Serviço de Psicologia Clínica da Unidade Local de Saúde de Coimbra, EPE. Investigadora integrada do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental. Doutorada em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Coordenadora do Special Interest Group e membro do Ethics Committee da European Society of Human Reproduction and Embryology.
Mário R. Simões
Psicólogo, especialista em Neuropsicologia e Psicologia da Justiça pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Professor catedrático da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Diretor do Laboratório de Avaliação Psicológica e Psicometria (PsyAssessmentLab) e membro integrado do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Diretor da Consulta de Avaliação Neuropsicológica do Centro de Prestação de Serviços à Comunidade da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Matheus Silva Nascimento
Psicólogo. Mestre em Neuropsicologia pela Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem da Universidade Católica Portuguesa e licenciado em Psicologia pela Universidade Autónoma de Lisboa.
Octávio Moura
Neuropsicólogo, com especialidade avançada em Neuropsicologia e em Necessidades Educativas Especiais pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Investigador doutorado integrado do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental e membro do Laboratório de Avaliação Psicológica e Psicometria (PsyAssessmentLab) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Doutorado em Neuropsicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e mestre em Consulta Psicológica
Familiar pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.
Raquel Lemos
Neuropsicóloga, com especialidade avançada pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Professora auxiliar do Ispa – Instituto Universitário. Cocoordenadora do Mestrado em Neuropsicologia do Neuroconsortium (Universidade Católica Portuguesa/Ispa – Instituto Universitário). Investigadora de pós-doutoramento da Fundação Champalimaud. Doutorada em Psicologia, especialidade de Neuropsicologia, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Salomé Caldeira
Psicóloga clínica e da saúde do Serviço de Psicologia Clínica da Unidade Local de Saúde de Coimbra, EPE. Especialidades avançadas em Neuropsicologia, Psicogerontologia e Psicologia da Justiça pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Membro colaborador do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Membro integrado do CIBIT – Coimbra Institute for Biomedical Imaging and Translational Research. Doutorada e mestre em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Sandra Freitas
Diretora clínica e científica da SimplesMente – Centro Clínico de Reabilitação. Assessora técnica multidisciplinar da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados da Equipa de Coordenação Regional do Centro. Investigadora doutorada do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental e do Laboratório de Avaliação Psicológica e Psicometria (PsyAssessmentLab) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Doutorada em Neuropsicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Sandra Guerreiro
Psicóloga clínica e da saúde, com especialidade avançada em Neuropsicologia e em Psicoterapia pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Técnica superior consultora do CRPG – Centro de Reabilitação Profissional, onde coordena o Programa de Reabilitação Neuropsicológica. Professora convidada em diferentes cursos de Mestrado em Neuropsicologia. Investigadora integrada do Centro de Investigação em Reabilitação da Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto. Membro dos órgãos sociais da Sociedade Portuguesa de Neuropsicologia. Doutorada em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.
A neuropsicologia, enquanto domínio científico autónomo, assim designado, terá nascido na primeira metade do século xx. Tanto quanto consta, foi William Osler, eminente médico nascido e formado no Canadá e posteriormente fixado nos Estados Unidos da América que, numa conferência neste país, terá utilizado este nome para falar das funções mentais do cérebro, não sendo, contudo, este o domínio em que se celebrizou na ciência médica. Na sua forma escrita, aparece no livro de Donald Hebb de 1949, cientista também canadiano, desta feita mais conhecido pelo seu trabalho desenvolvido na compreensão da biologia ao serviço das funções mentais. Enquanto ciência clínica, parece ser justo reconhecer a utilização do termo por Luria e Vigotsky, na Rússia, o primeiro estudando pessoas com lesões cerebrais e o segundo interessado sobretudo na educação das crianças.
A neuropsicologia, sendo uma disciplina relativamente recente, está, todavia, plasmada na preocupação em compreender a mente humana e na forma como ela se articula com o corpo, que está registada na História da Humanidade há milénios. Conhece-se melhor o que se passou no antigo Egito, onde alguns filósofos gregos foram buscar inspiração. Suspeito que a ideia de Aristóteles sobre as funções do coração e o desrespeito pelo cérebro vem da tradição egípcia que fazia com que, no processo de mumificação, o cérebro fosse retirado do crânio e o coração guardado em vaso próprio. O coração era pesado no tribunal de Osíris para avaliar as obras da vida. É também a partir do Egito que se desenvolveu o conceito de alma imortal e, bem assim, o conceito de dualismo mente-corpo que tanto estimulou a discussão filosófica. No entanto, se atentarmos ao que vem relatado nos papiros de Edwin Smith, lá estão descritos casos em que se registaram alterações da linguagem depois de lesões do cérebro. Aristóteles não teria tido acesso a esta informação. Podemos destacar, desses tempos antigos que tanto nos influenciaram, as ideias de Galeno que tratou as feridas dos gladiadores de Roma e observou os seus efeitos, tendo desenvolvido uma proposta de fisiologia do cérebro, baseada no líquido contido nos ventrículos, teoria esta que se manteve credível até ao século xvii. Também Hipócrates reconhecia funções mentais relacionadas com a função do cérebro.
O pensamento de Descartes constitui um marco importante deste percurso. Quando li pela primeira vez o Discurso do Método, refleti muito sobre uma advertência que o autor deixou na sua introdução: o texto deve ser lido mais do que uma vez, para que seja bem compreendido. Haveria alguma mensagem encriptada que necessitasse de revelação? Mas passei a ter perante os textos de Descartes a desconfiança de que alguma coisa haveria a mais para compreender. Descartes ficou conhecido pela sua posição racionalista, mas é também considerado mentor do modelo dualista a que já fiz referência a propósito do Egito. No entanto, bem se preocupou em compreender o corpo, nomeadamente o cérebro. Sabemos que fez múltiplas dissecações do cérebro de animais, procurando a olho nu compreender a função do órgão, desenvolvendo uma proposta um tanto fantasiosa do papel da glândula pineal, única estrutura que sendo singular no cérebro poderia centrar o resultado das funções dos órgãos pares, unificando a mente. Embora afirme claramente que a res cogitans (mente) se distingue ontologicamente da res extensa (corpo), é por vezes ambíguo ao considerar a diferença das coisas. Não podemos esquecer-nos de que Descartes conhecia bem o que tinha acontecido com Galileu ao contrariar o que estava tomado como verdade. Não admitir
a diferença era contrariar não só Platão, mas sobretudo a Igreja Católica. E isto quase se percebe nas entrelinhas.
Thomas Willis de Oxford, contemporâneo de Descartes, mas olhando para o mundo com olhos mais empiristas do que racionalistas, estudou a anatomia do cérebro, deixando o seu nome ligado ao círculo de Willis, e falou pela primeira vez em lobos e em hemisférios cerebrais. Muito antes de Darwin ter estudado a origem das espécies, Willis considerou que havia atividade mental nas espécies não humanas e que esta atividade estava também representada nas estruturas do cérebro humano, nas regiões subcorticais, criando uma hierarquia de complexidade de processos, desde a profundidade dos hemisférios até ao córtex cerebral. É bem possível que tenha sido este o modelo que influenciou mais tarde Hughlings Jackson, de que falarei mais adiante. É também nos textos deste autor que se encontram as designações de “neurologia” e “psicologia” e a sugestão de aproximação dos dois saberes.
O marco histórico que me interessa de seguida assinalar constitui um capítulo que me tem interessado particularmente e que justificou até o título de um pequeno manual que publiquei há muitos anos: trata-se da frenologia. Este tema, considerado por muitos, na época, como uma pseudociência, nasceu do pensamento de Franz Joseph Gall, nascido um século após a morte de Descartes. Nesta época, eram ainda as lições de Galeno que andavam pelas escolas médicas, já que as propostas de Descartes sobre a função cerebral estavam confinadas à discussão filosófica. Os ventrículos cerebrais, com os respetivos conteúdos, continuavam a ser considerados como a sede da mente.
O que Gall trouxe de novo foi falar em localizações cerebrais. O cérebro seria constituído por múltiplos órgãos, cada um com uma função específica, e esses órgãos estavam na superfície dos hemisférios, sendo idênticos para todas as pessoas. Gall tinha estudado bem a anatomia do cérebro humano e tem um manual com gravuras fidedignas. Os pressupostos da teoria são, na verdade, inaceitáveis, tal como não se compreende a comercialização da teoria que se desenvolveu sobretudo nos Estados Unidos da América através dos irmãos Fowler, mas a semente da ideia ficou de tal forma inscrita nas nossas memórias que, no início do uso das novas técnicas de imagiologia funcional do cérebro, todos fomos um pouco frenologistas.
Importa, então, compreender o impacto destas ideias no episódio mais saliente da teoria das localizações cerebrais. Embora Paul Broca tenha tido o cuidado de afirmar que a frenologia não explicava os seus achados, a verdade é que, ao observar uma pessoa que na sequência de uma lesão cerebral tinha ficado com alterações da linguagem, pensou que se justificava estudar o cérebro para ver em que região se encontrava a lesão. E a lesão estava no lobo frontal, região em que os frenologistas localizavam a linguagem. O contributo de Broca para o conhecimento da função cerebral foi, contudo, mais importante ao afirmar que “falamos com o hemisfério esquerdo”, abrindo a porta ao conceito de dominância cerebral. Os trabalhos que se seguiram tanto em França com Déjérine, que estudou as alterações de leitura relacionadas com as lesões cerebrais, como na Alemanha através de Wernicke, Liepmann e Freud na Escola de Breslau, chamaram a atenção para a importância das conexões entre as várias regiões do cérebro para o suporte das funções, afastando-se, desta forma, do conceito modular lançado pela frenologia. Em simultâneo com estes avanços do conhecimento do cérebro, é importante não esquecer o trabalho desenvolvido em Inglaterra por Hughlings Jackson, que, interessado no estudo da epilepsia e, como foi referido
anteriormente, influenciado pelo trabalho de Willis, concebeu um modelo funcional do cérebro muito mais completo, definindo funções subcorticais e corticais e compreendendo a forma como a atividade elétrica das crises epiléticas percorria as diferentes regiões.
É importante assinalar ainda duas contribuições fundamentais para compreender a genética desta área do conhecimento. A primeira é, sem dúvida, o trabalho de Santiago Ramon y Cajal em Espanha sobre o neurónio e as suas características funcionais, que lhe deu o Prémio Nobel da Medicina e Fisiologia em 1906. A segunda é a de Korbinian Brodmann na Alemanha, que dividiu a superfície do córtex cerebral em 52 regiões distintas. O mapa foi desenhado com base no estudo de quatro cérebros humanos considerados isentos de patologia, que foram estudados em milhares de lamelas de microscópio no que respeita à estrutura das células e à sua arrumação em camadas de cada região. O mapa desenhado a partir deste estudo ainda hoje serve de referência para a descrição topográfica do córtex.
Foi na primeira metade do século xx que se multiplicaram os estudos da função cerebral com base nos resultados das lesões cerebrais. Esta metodologia de estudo constituía o cerne da neuropsicologia, que, assim, se veio a consolidar na perspetiva multidisciplinar, primeiro, da neurologia com a psicologia e a psiquiatria e, logo a seguir, com as ciências básicas relacionadas com a função do sistema nervoso, elas próprias de cariz multidisciplinar r que vieram a chamar-se neurociências.
O interesse crescente na investigação e o apoio por programas de investigação em múltiplos países fizeram crescer a comunidade científica e, naturalmente, deram origem à criação de associações e sociedades onde os resultados se discutem e as parcerias se estimulam. Julgo que a primeira iniciativa foi proposta por Oliver Zangwill de Londres, em homenagem ao trabalho desenvolvido por Henry Hécaen de Paris, autor de vasta obra científica e de manuais destinados ao ensino da neuropsicologia e que desenvolveu o Groupe de Neuropsychologie et de Neurolinguistique em Paris, por onde passaram múltiplos discípulos que vieram a enriquecer o património científico europeu. Formou-se, então, o International Neuropsychological Symposium, um grupo relativamente restrito de membros que se reúne ainda, anualmente, desde 1951. A última reunião foi em Itália, com a participação de 59 membros e 21 convidados, e, posso acrescentar, que tive também a oportunidade de trazer este grupo a Sintra em 1987, altura em que os temas dominantes de discussão foram o olfato, a anomia e a memória autobiográfica.
Algum tempo depois, em 1967, por iniciativa de Karl Pribam, organizou-se a European Society of Neuropsicology, que, em 1971, se rebatizou como International Neuropsychological Society, tendo sido Arthur Benton o primeiro presidente. Merece menção particular o papel de Norman Geschwind, que também presidiu a esta Sociedade, na divulgação, nos Estados Unidos de América, dos conhecimentos gerados ao longo do século xix na Europa, os quais não tinham atravessado o Atlântico. O seu longo artigo publicado na revista Brain, com o título “Disconnection syndromes in animals and man”, constitui um marco histórico influenciador do desenvolvimento da investigação neste domínio, nomeadamente no volumoso conjunto de estudos sobre a secção do corpo caloso. Importa ainda referir que a International Neuropsychological Society veio a Lisboa pela primeira vez em 1983, depois foi ao Funchal em 1993 e, em 2024, participou no Global Meeting no Porto, onde estiveram outras associações afins.
A última década do século xx foi marcada pelo impulso gerado pelo programa da Década do Cérebro, altura em que se foram desenvolvendo as modernas técnicas de estudo da função cerebral, passando para segundo plano o modelo lesional até então considerado com base do conhecimento.
Abriu-se já o difícil capítulo da ligação da chamada inteligência artificial às técnicas de reabilitação das disfunções resultantes de lesões cerebrais. O papel da neuropsicologia é, hoje, fundamental no desenho dos programas de estimulação e, por isso, deve ser parceiro dominante orientador deste importante projeto.
O conhecimento gerado pelos milhares de intervenientes nesta história, aqui brevemente resumida, é o que está registado nos múltiplos capítulos deste livro. Saúdo a iniciativa dos organizadores e dos autores, pois é bom que os estudantes tenham acesso a esta informação através de autores que cultivam estas matérias no nosso país e sobre elas fazem a sua própria reflexão.
Este livro deve passar a fazer parte do acervo bibliográfico da formação de todos os psicólogos, mesmo daqueles que queiram seguir especialidades diferentes da neuropsicologia.
Alexandre Castro Caldas Professor de Neurologia
■ Défices no funcionamento adaptativo que comprometem a obtenção de padrões de independência pessoal e responsabilidade social em um ou mais aspetos da vida diária, incluindo comunicação, participação social, funcionamento académico ou profissional e independência pessoal em casa, na escola, no local de trabalho ou na comunidade;
■ Início dos défices durante o período do desenvolvimento (infância ou adolescência).
Os níveis de gravidade da PDI não são definidos de acordo com os resultados obtidos nos testes de avaliação de Quociente de Inteligência (QI), mas de acordo com os seguintes domínios de funcionamento adaptativo: conceptual (envolve a linguagem, a leitura, a escrita, a matemática, o raciocínio, o conhecimento e a memória); social (engloba a empatia, o julgamento social, a comunicação interpessoal, a capacidade de fazer e manter amigos); e prático (por exemplo, o cuidado pessoal, a responsabilidade laboral, a gestão do dinheiro, o lazer e a organização de tarefas escolares e de trabalho) (Tabela 6.1).
Tabela 6.1 – Níveis de gravidade da PDI
Nível de gravidade Domínio conceptual Domínio social Domínio prático
Ligeira ■ Pré-escolar – sem diferenças evidentes
■ Escolar e vida adulta:
Dificuldades na aprendizagem – leitura, escrita, matemática, abordagem concreta dos problemas, pensamento abstrato, funções executivas e memória a curto prazo comprometidas Pode precisar de ajuda em tarefas complexas
Moderada ■ Atraso marcado das capacidades conceptuais em comparação com os pares
■ Pré-escolar – a linguagem e as competências pré-escolares desenvolvem-se de forma lenta
■ Idade escolar – progresso lento nas aprendizagens (leitura, escrita, matemática, compreensão do tempo e do dinheiro), com limitações marcadas em comparação com os pares
■ Adulto – competências académicas de nível elementar
■ Imaturidade social
■ Dificuldades na regulação emocional e no julgamento social
■ A linguagem utilizada é menos complexa
■ Interações sociais mais simples
■ Dificuldades em interpretar pistas sociais e normas
■ O julgamento social e a capacidade de tomar decisões são limitados
■ Necessidade de apoio social e de comunicação significativo para o sucesso nos locais de trabalho
■ Capaz de realizar atividades da vida diária com supervisão mínima
■ Pode necessitar de apoio em tarefas mais exigentes
■ Adultos – apoio na tomada de decisões relacionadas com saúde e questões legais e para escolha de vocação profissional
■ Necessita de apoio regular para o cuidado pessoal e tarefas do quotidiano
■ Empregabilidade possível em ambientes estruturados e com supervisão
(continua)
(continuação)
Nível de gravidade Domínio conceptual Domínio social Domínio prático
Grave ■ Aquisição limitada das capacidades conceptuais
■ Comunicação verbal limitada
■ Compreensão básica da linguagem escrita e dos conceitos matemáticos
■ Os cuidadores fornecem apoios para a resolução de problemas
Profunda ■ Capacidade mínima de compreensão simbólica
■ Comunicação muito limitada
■ Uso dos objetos orientados para o autoconceito, o trabalho ou o lazer
■ Linguagem expressiva bastante limitada (vocabulário e gramática)
■ Interação social muito simples
■ Dependente de apoio interpessoal constante
■ Dependente de ajuda contínua para a maioria das atividades da vida diária
■ Incapacidade para tomar decisões responsáveis
■ Compreensão de sinais não verbais, com algumas instruções e gestos simples
■ A expressão de emoções e desejos é realizada através da comunicação não verbal
■ Total dependência de cuidadores para todos os aspetos da vida diária, de saúde e de segurança, embora possa ser capaz de participar nelas
■ Requer supervisão constante
O objetivo dos níveis de gravidade consiste em direcionar o tipo de suporte necessário ao longo da vida, orientando o nível de apoio essencial para promover a autonomia e a inclusão. A gravidade pode variar ao longo do tempo, dependendo do seguimento e da intervenção multidisciplinar efetuada (acesso a cuidados, educação e suporte psicossocial).
Em termos de etiologia da PDI, esta é multifatorial, incluindo causas genéticas (síndrome de Down, síndrome do X frágil, etc.), pré-natais (infeções congénitas, exposições tóxicas, entre outras), perinatais (por exemplo, hipoxia) e pós-natais (traumatismos, desnutrição grave, etc.) (Schalock et al., 2010). Estima-se que a PDI afete cerca de 1-3% da população geral (Patel, 2023; WHO, 2019). A meta-análise de McKenzie e colaboradores (2016) estima uma prevalência de 10,37/1000 indivíduos (aproximadamente, 1,04%) em 52 estudos populacionais. Os valores de prevalência variam com a idade, mas 85% dos casos são classificados como ligeiros (McKenzie et al., 2016). As formas moderadas correspondem a 10% dos casos, 4% a um nível grave e apenas 1% a um nível de gravidade profunda (McKenzie et al., 2016). Em crianças/adolescentes, a prevalência varia de 0,22-1,55%, ao passo que, em adultos, varia entre 0,05-0,8%, sendo mais prevalente em países com baixo nível socioeconómico (McKenzie et al., 2016). Em Portugal, estudos clínicos apontam uma prevalência semelhante, com maior incidência em contextos de vulnerabilidade social e acesso limitado a cuidados de saúde (Pereira et al., 2017).
As perturbações da comunicação afetam significativamente a aquisição e o uso funcional da linguagem, tanto oral como escrita, podendo comprometer a interação social, o aproveitamento académico e o desenvolvimento emocional da criança (APA, 2013). Segundo o DSM-5 (APA, 2013), são reconhecidos cinco subtipos principais:
■ PL – dificuldades persistentes no desenvolvimento e no uso da linguagem, incluindo vocabulário, gramática e discurso;
Tabela 14.2 – Constituição das baterias neuropsicológicas na esclerose múltipla validadas à população portuguesa
BRBN-T (provas) BICAMS (provas) Domínio cognitivo
SRT CVLT-II
SPART
BVMT-R
SDMT SDMT
PASAT –
COWAT –
Memória verbal seletiva
Memória visuoespacial
Velocidade de processamento de in-formação/Atenção sustentada
Velocidade de processamento de in-formação/Atenção sustentada
Fluência verbal
CVLT-II – Teste de Aprendizagem Verbal da Califórnia – Segunda Edição (do inglês California Verbal Learning Test –Second Edition); BVMT-R – Brief Visuospatial Memory Test – Revised
A BRBN-T (Rao & Cognitive Function Study Group of the National Multiple Sclerosis Society, 1990) é uma bateria composta por cinco testes, cuidadosamente selecionados para avaliar a maioria das funções cognitivas com o mínimo de sobreposição. Esta bateria tem as grandes vantagens de ser uma medida breve (cerca de 30-40 minutos) (Amato et al., 2006) e de ser sensível ao comprometimento cognitivo nos estádios iniciais de todos os subtipos de esclerose múltipla, até mesmo na síndrome clinicamente isolada (Potagas et al., 2008). A sensibilidade da BRBN-T é de 71% e a sua especificidade é de 94% (Rao et al., 1991). A bateria tem de ser aplicada por profissionais treinados. Embora os outros elementos da BRBN-T sejam bem aceites pelos pacientes (Solari et al., 2002), como se tem verificado, considera-se que o PASAT é bastante difícil de executar e desencadeia níveis de ansiedade (Aupperle et al., 2002). Para minimizar os efeitos da prática, a BRBN-T original está disponível em duas versões. Como a função executiva do lobo frontal está sub-representada na BRBN-T, o Teste de Stroop de Cores e Palavras (SCWT, do inglês Stroop Color and Word Test; Stroop, 1935) pode ser adicionado.
A disfunção cognitiva avaliada pela BRBN-T é definida quando ocorre comprometimento em pelo menos dois domínios cognitivos avaliados pelas provas que compõem a bateria. A falha no teste foi definida como uma pontuação igual ou inferior ao percentil 5, quando ponderado, de acordo com a idade, o sexo e as normas portuguesas ajustadas à educação (Sousa et al., 2018a, 2021).
O SRT (Buschke & Fuld, 1974; Neves et al., 2018) é um teste de memória que avalia a aprendizagem verbal por meio de uma tarefa de aprendizagem num paradigma de múltiplas tentativas. A lista inclui 12 palavras, cada uma lida durante dois segundos pelo examinador. O participante é instruído a recordar todas essas 12 palavras. Em cada tentativa consecutiva, apenas as palavras que faltam na anterior são repetidas ao participante. Após 15 minutos, o participante é solicitado a recordar a lista das 12 palavras. O teste foi pontuado de acordo com as regras dos procedimentos de Buschke e Fuld (1974) e permite a distinção entre
ansiedade no funcionamento cognitivo, especialmente antes da realização do tratamento cirúrgico (Bonares et al., 2014).
Quando um aneurisma rompe, provocando uma hemorragia subaracnoídea, os sintomas cognitivos podem ser mais pronunciados (Nasra et al., 2022). Após a rutura, os indivíduos podem experienciar confusão, desorientação e problemas de atenção e concentração e, nos casos severos, podem entrar em coma devido à resposta do cérebro à hemorragia. De ressalvar que, mesmo que o aneurisma não cause lesão direta ao tecido cerebral, a resposta cerebral à hemorragia e à inflamação subsequente pode originar défices cognitivos extensos devido à disrupção das redes neuronais (Jin et al., 2022; Khey et al., 2020). A avaliação neuropsicológica pode ajudar a identificar estes défices, permitindo o estabelecimento de estratégias de reabilitação dirigidas às dificuldades específicas do indivíduo baseadas na localização e nos efeitos do aneurisma (Abdelgadir et al., 2024; Kim et al., 2022).
A recuperação de um aneurisma cerebral roto, particularmente de uma hemorragia subaracnoídea, pode ser um processo complexo e desafiante. Compreende vários estádios e fatores que influenciam o outcome do indivíduo (por exemplo, Tawk et al., 2021), como:
1. Fase aguda – inicia-se com a emergência médica imediata causada pela rutura. O foco está na estabilização do indivíduo, no controlo da hemorragia e na prevenção de dano futuro, o que habitualmente envolve cirurgia (clipagem do aneurisma) ou procedimentos endovasculares para travar a hemorragia e prevenir o ressangramento.
2. Hospitalização e cuidados críticos – após a fase aguda, os indivíduos frequentemente passam algum tempo numa unidade de cuidados intensivos, onde são monitorizados. Durante este tempo, podem ser iniciados tratamentos para lidar com complicações, prevenir vasospasmo (isto é, estreitamento dos vasos sanguíneos) e abordar quaisquer défices neurológicos evidentes.
3. Fase de reabilitação – uma vez estabilizado, dá-se início à reabilitação do indivíduo. Esta fase pode englobar fisioterapia, terapia ocupacional, terapia da fala e eventualmente reabilitação neuropsicológica, para abordar défices cognitivos. O objetivo da reabilitação consiste em recuperar funções perdidas, melhorar a força, a coordenação e o balanço/equilíbrio, bem como por reaprender capacidades afetadas pela hemorragia subaracnoídea.
4. Recuperação cognitiva – os défices cognitivos resultantes da hemorragia subaracnoídea podem persistir e requerer terapia continuada e estratégias para lidar com as sequelas. A reabilitação cognitiva ajuda os indivíduos a reaprender capacidades, compensar défices e melhorar o funcionamento cognitivo global.
5. Recuperação emocional e psicológica – a rutura de um aneurisma pode ter um impacto emocional e psicológico profundo nos indivíduos e nas suas famílias. Lidar com o medo, a ansiedade, a depressão ou o stress pós-traumático é um aspeto importante da recuperação e pode incluir aconselhamento especializado ou grupos de apoio.
6. Follow-up a longo prazo – indivíduos que experienciaram a rutura de um aneurisma requerem monitorização a longo prazo para determinar o risco de complicações, incluindo o potencial para recorrência do problema, desenvolvimento de outros aneurismas ou questões relacionadas com o tratamento cirúrgico.
A extensão e a velocidade da recuperação podem variar significativamente entre os indivíduos e dependem de fatores já mencionados (severidade da hemorragia inicial, localização do aneurisma, saúde geral do indivíduo, idade e comorbilidades). Alguns indivíduos podem experienciar melhorias significativas, enquanto outros podem ter défices ou desafios persistentes, que requerem gestão e apoio contínuos. Follow-ups regulares, adesão à terapêutica instituída, alterações ao estilo de vida (por exemplo, controlo da HTA) e participação nas terapias recomendadas e nos programas de reabilitação são aspetos fundamentais para uma recuperação ótima e minimização do risco de complicações (Tawk et al., 2021; Toth & Cerejo, 2018).
A avaliação neuropsicológica de indivíduos com patologia neurocirúrgica pode ajudar a caracterizar as funções cognitivas de forma global, bem como a identificar défices específicos. Enquanto nos casos de patologia aguda (isto é, TCE ou hemorragia subaracnoídea) o principal objetivo é o de determinação da(s) área(s) afetada(s) para estimar a incapacidade e elaboração de planos de intervenção/reabilitação, nos tumores cerebrais a abordagem pode ser mais complexa. Nos doentes com tumores cerebrais, o cenário ideal será o da realização de uma avaliação pré e pós-cirúrgica para melhor esclarecimento do impacto cognitivo (e funcional) do tumor, assim como das eventuais sequelas do tratamento (cirúrgico ou outro) (Noll et al., 2018). O planeamento cirúrgico, como foi referido anteriormente, também pode ser significativamente beneficiado com este tipo de abordagem, que permite uma melhor definição de eventuais défices cognitivos insuspeitos (entre outros, Jahangiri et al., 2021; Pertichetti et al., 2023). A investigação mais recente tem demonstrado ainda que um agravamento no desempenho cognitivo tende a preceder o agravamento imagiológico em doentes com tumores cerebrais (Dharia et al., 2024), o que sustenta o potencial benefício de realizar o controlo neuropsicológico a par do controlo imagiológico.
A escolha dos testes depende frequentemente das áreas de disfunção suspeitas e do estado de cada indivíduo, mas existem testes comuns com utilidade na generalidade dos casos:
■ Mini-Mental State Examination (MMSE) – teste breve de rastreio cognitivo utilizado para avaliar a capacidade cognitiva global, incluindo a avaliação da orientação, da memória, da atenção, da linguagem e da capacidade visuoconstrutiva/percetiva (Folstein et al., 1975; Guerreiro, 1998);
■ Montreal Cognitive Assessment (MoCA) – à semelhança do MMSE, o MoCA avalia diferentes domínios cognitivos, mas é mais sensível na deteção de défice cognitivo ligeiro devido ao grau de dificuldade aumentado das suas tarefas e ao facto de incluir a avaliação das funções executivas (Nasreddine et al., 2005; Simões et al., 2008);
■ Trail Making Test (TMT) – mede a atenção visual, a velocidade de processamento e as funções executivas. A parte A mede a atenção, enquanto a parte B envolve a
O TDR (Goodglass & Kaplan, 1983) tem sido utilizado como instrumento de rastreio cognitivo breve da demência. É considerado uma medida multifacetada e multidimensional, que permite analisar uma ampla rede de capacidades cognitivas e percetivas. Trata-se de uma prova que apresenta uma relativa independência de capacidades verbais, facto que torna este instrumento especialmente útil no exame de pessoas com afasia (Duro et al., 2012).
O TDR parte de uma única instrução verbal – “Gostaria que desenhasse um relógio redondo, com todos os números. No final, marque as 11 horas e 10 minutos” –, que tem sido evidenciada por vários autores (Goodglass & Kaplan, 1983). Apresenta como vantagem a colocação de uma mão em cada hemiespaço.
O TDR foi originalmente desenvolvido para avaliar de forma simples e ecológica a capacidade visuopercetiva, tendo sido usado como medida da heminegligência e das capacidades visuoespaciais (Strauss et al., 2006). No entanto, a prova tem demonstrado correlação com outras medidas cognitivas, nomeadamente a representação grafomotora e simbólica, a linguagem, a hemiatenção, a memória semântica, as capacidades conceptuais e as funções executivas (organização, planeamento e processamento paralelo) (Shulman, 2000; Strauss et al., 2006).
O TDR tem apresentado vários sistemas de cotação e interpretação ao longos dos últimos anos (Shulman, 2000). A cotação de 18 pontos de Babins e colaboradores (2008) apresenta boa consistência interna em relação aos sistemas de cotação de Rouleau e colaboradores (1992) e de Cahn e colaboradores (1996) (Santana et al., 2013). Apesar de avaliar vários domínios cognitivos, o TDR é um instrumento de rastreio bastante útil na deteção de défices executivos na demência (Santana et al., 2013). A sua aplicação tem sido sugerida em complementaridade com outras provas, como o MMSE, de modo a aumentar a precisão diagnóstica, uma vez que revela apenas capacidade discriminatória suficiente para detetar DCL (Duro et al., 2015).
O TDR mostra igualmente influência da escolaridade e da linguagem, não sendo recomendada a sua aplicação a pessoas analfabetas (Lourenço et al., 2008).
O Montreal Cognitive Assessment (MoCA; Nasreddine et al., 2005) é um teste de rastreio cognitivo especificamente desenvolvido para a avaliação das formas mais ligeiras de declínio
Relatório breve
Um relatório breve contém igualmente a maior parte do tipo de informação de um relatório narrativo mais extenso/compreensivo, mas reduz substancialmente a descrição dos resultados obtidos nos testes (Axelrod, 2000; Ownby & Wallbrown, 1986). Este tipo de relatório exige que o técnico seja mais organizado e que foque apenas o conteúdo mais relevante, organizando-o de forma resumida, em vez de proporcionar um relato compreensivo e detalhado de todos os dados qualitativos e quantitativos recolhidos (Baum et al., 2018).
Este tipo de relatório é mais utilizado na comunicação dos resultados da avaliação neuropsicológica a profissionais de saúde, uma vez que discute brevemente a informação e as conclusões, centrando-se maioritariamente nas recomendações orientadas para a intervenção. A literatura indica que este tipo de relatório tem uma extensão de pelo menos duas páginas (Donders, 1999).
O relatório narrativo/expositivo, mais extenso, é o mais comum dos formatos de relatórios neuropsicológicos. Neste, toda a informação sobre o funcionamento neuropsicológico da pessoa (nomeadamente, descrição dos testes e seus resultados) e as conclusões e as recomendações são pormenorizadamente apresentadas ao leitor (Axelrod, 2000). Este estilo de relatório é frequente em avaliações neuropsicológicas forenses, sendo também muito adotado por profissionais que procuram uma descrição mais exaustiva/pormenorizada do caso, incluindo métodos, instrumentos, resultados, formulações e conclusões.
A extensão do relatório neuropsicológico narrativo é variável, dependendo do contexto e das finalidades do documento, mas é mais vasto do que os modelos anteriores (isto é, um modelo de mais páginas, com descrições mais exaustivas das secções com maior relevo para o caso particular).
O conteúdo do relatório neuropsicológico é mais bem compreendido pelo leitor quando o material é apresentado de forma organizada. Assim, não obstante a inexistência de regras rígidas no que diz respeito às secções a incluir, a literatura tem sugerido as seguintes secções como fundamentais (Axelrod, 2000; Baron, 2018; Donders & Strong, 2016; Zimmerman, 2018):
■ Informação identificativa – inclui o nome do examinado, a data de nascimento, a idade, o nível de escolaridade, a(s) data(s) da avaliação e de fecho/emissão do relatório, entre outros dados relevantes;
■ Motivo do pedido – todos os relatórios deverão identificar a fonte do pedido, seja esta o próprio sujeito, os seus pais, outros familiares, médicos, magistrados, etc. De igual modo, os relatórios são mais úteis para o leitor quando respondem às questões inicialmente colocadas que motivaram a avaliação (queixas clínicas, preocupações acerca
do funcionamento cognitivo, suspeitas de demência, psicopatologia, entre outras), pelo que estas deverão ser bem explicitadas no documento;
■ Informação histórica – integra informação relativa à história de desenvolvimento do indivíduo, ao histórico familiar, médico e educacional, assim como ao acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico e neurológico prévios;
■ Procedimentos de avaliação/testes administrados – refere-se à indicação de técnicas utilizadas, como a(s) entrevista(s), bem como à descrição dos testes, devidamente identificados e desejavelmente organizados por categoria de função (por exemplo, funcionamento intelectual, funções neurocognitivas, personalidade e funcionamento emocional). A seleção da bateria de avaliação depende do motivo do pedido, que serve per se de explicação justificativa para a escolha dos instrumentos;
■ Observação do comportamento – remete para as observações feitas no momento da avaliação e dizem respeito à orientação e à atenção do sujeito, ao humor e ao afeto, à aparência e aos comportamentos observados, à cooperação e a outras atitudes na realização das tarefas e no desempenho;
■ Resultados e interpretação dos testes – a interpretação dos testes deverá ser compreensível e incluir, de forma organizada, os achados. Os resultados podem ser apresentados por secções de acordo com o domínio (inteligência, funções executivas, atenção, linguagem, personalidade, etc.) ou em consonância com os principais achados, remetendo para a condição avaliada. O recurso a tabelas de testes e respetivos resultados (a colocar em anexo) poderá ser útil, uma vez que permite facilitar a compreensão quantitativa e qualitativa dos resultados e economizar espaço no corpo principal do relatório;
■ Impressões/Conclusões – nesta secção, o neuropsicólogo não deverá reproduzir os resultados apresentados na secção dos testes, mas sumariá-los e realçar os dados mais relevantes que apoiem as hipóteses e as conclusões acerca do funcionamento neuropsicológico do sujeito (possível etiologia e diagnóstico diferencial, cronicidade e gravidade de sintomas, padrões difusos ou focais, perfil estável ou progressivo, implicações para intervenção, entre outros). Aqui, importa integrar os dados dos testes com a informação obtida a partir de entrevistas (por exemplo, história clínica) e da observação;
■ Recomendações – esta secção deverá ser inserida no final do relatório e diz respeito a recomendações de intervenção, que têm em conta o pedido de avaliação e a capacidade de o sujeito participar nestas decisões. Podem referir o encaminhamento para outros profissionais de saúde (neurologistas, psicólogos, psiquiatras, etc.) ou sugerir reavaliações posteriores para avaliar a evolução do processo. Por vezes, não são necessárias recomendações, designadamente quando a avaliação é feita por solicitação judicial (por exemplo, avaliação médico-legal).
É importante que o técnico assegure o uso de uma linguagem clara para que o relatório seja legível para o leitor, muitas vezes não familiarizado com a área da neuropsicologia (por exemplo, Ordem dos Psicólogos Portugueses, 2024).
Questões Especiais no Âmbito do Direito: Contributo da Avaliação Neuropsicológica na Capacidade de Tomada de Decisão
motoras básicas e processos mnésicos procedimentais (comer com os talheres sem entornar a comida, deslocar-se dentro ou próximo de casa sem perder o equilíbrio ou cair, etc.).
Comparativamente mais complexas e exigentes do ponto de vista cognitivo, as atividades instrumentais de vida diária são necessárias para o funcionamento adaptativo em casa e na comunidade, mobilizando a memória procedimental, as funções executivas e um processamento controlado/consciente. Mais especificamente, as atividades instrumentais de vida diária familiares englobam competências em tarefas como preparar refeições, cuidar da casa e lembrar-se onde estão objetos importantes como chaves, documentos e dinheiro. Por fim, as atividades instrumentais de vida diária avançadas requerem aptidões e níveis superiores de organização cognitiva e envolvem tarefas como conduzir, gerir finanças e medicação e utilizar o multibanco.
A avaliação da incapacidade funcional na demência (Disability Assessment for Dementia [DAD]; Gélinas et al., 1999; Leitão, 2008) é uma escala de avaliação funcional que avalia 10 atividades de vida diária: i) higiene; ii) vestir; iii) controlo de esfíncteres; iv) alimentação; v) preparação de refeições; vi) utilização do telefone; vii) sair à rua; viii) finanças e correspondência; ix) medicação; e x) lazer e trabalho doméstico. Cada atividade é pontuada de acordo com três parâmetros: i) iniciativa; ii) planeamento e organização; e iii) eficácia de execução. A DAD é preenchida sob a forma de entrevista a um informador/familiar do doente, sendo atribuída a pontuação de 0 (tarefa não realizada nas últimas semanas por incapacidade), 1 (tarefa realizada adequadamente nas 2 últimas semanas) ou “não aplicável” (tarefa não tentada nas 2 últimas semanas). O resultado é posteriormente convertido numa percentagem de funcionalidade global.
A avaliação clínica da demência (CDR; Hughes et al., 1982; Morris, 1993) é uma entrevista semiestruturada de estadiamento clínico (ou seja, permite a classificação da severidade do declínio cognitivo) utilizada na avaliação de quadros suspeitos de doença neurodegenerativa, particularmente doença de Alzheimer, com comprovada utilidade na avaliação de outras formas de demência. Consiste em duas entrevistas independentes (com o doente e um informador) e tem o objetivo de recolher informação acerca das seguintes categorias: i) “memória”; ii) “orientação”; iii) “crítica e resolução de problemas”; iv) “atividades na comunidade”; v) “casa e passatempos”; e vi) “cuidado pessoal”. Cada uma destas categorias é avaliada separadamente numa escala de severidade/declínio: 0 (nenhum declínio); 0,5 (declínio questionável ou muito ligeiro); 1 (declínio ligeiro); 2 (declínio moderado); e 3 (declínio severo). A pontuação global corresponde depois a uma escala ordinal – 0 (ausência de demência), 0,5 (suspeita de demência ou declínio cognitivo ligeiro), 1 (demência ligeira), 2 (demência moderada) ou 3 (demência severa) –, calculada de acordo com um algoritmo de decisão disponível na própria escala (Santana et al., 2015).
O IACFin (Sousa et al., 2013, 2014, 2015, 2017) foi desenvolvido para providenciar uma resposta específica ao sistema legal na avaliação das aptidões funcionais envolvidas na capacidade financeira. Segundo estes autores, quando inserido num protocolo de avaliação psicológica compreensivo e integrativo, o IACFin possibilitará uma avaliação objetiva da capacidade financeira, permitindo uma resposta clínica especializada ao sistema legal português, particularmente nos processos de maior acompanhado, bem como na formalização
de doações ou na disposição de património (Sousa et al., 2013, 2014, 2015, 2017). A versão final do instrumento possui três módulos (Sousa et al., 2013):
■ Rastreio – engloba avaliação da orientação e rastreio sensorial, motor, da atenção e da consciência, da leitura e da linguagem oral;
■ Capacidade financeira geral – abarca oito domínios:
Valores (por exemplo, poupanças) e preferências;
Aptidões monetárias básicas (como valor do dinheiro);
Compras (preços, troco, etc.);
Pagamento de contas (nomeadamente, compreensão das faturas);
Negócio bancário (cartão multibanco, entre outros aspetos);
Tomada de decisão (por exemplo, almoço no restaurante);
Avaliação do risco de crime patrimonial (assinatura de documentos, etc.);
Instrumentos de suprimento da vontade (procuração, entre outros).
■ Disposição de património – compreende determinação do património, doações e testamentos.
O Instrumento de Avaliação da Capacidade – Saúde (IAC-S; Amaral et al., 2023) pretende examinar o direito de a pessoa decidir sobre o seu corpo no que diz respeito à realização de exames complementares de diagnóstico ou à escolha, à recusa ou ao consentimento para tratamentos. Foi desenvolvido com base no modelo de Appelbaum e Grisso (1988), que refere quatro aptidões/competências implicadas na tomada de decisão em relação à saúde: i) compreensão; ii) avaliação; iii) raciocínio; e iv) comunicação de uma escolha. Constituído por uma vinheta na sua versão final, o IAC-S discrimina respostas de grupos com declínio cognitivo ligeiro e doença de Alzheimer e corrobora o modelo dos quatro fatores (de primeira ordem), que representam as aptidões funcionais implicadas na tomada de decisão em saúde, e um fator de segunda ordem, que representa corresponde à capacidade de decisão em saúde (Amaral et al., 2023, 2024).
A presença de sintomatologia psicopatológica ou de perturbação emocional ativa não tem como consequência necessária uma condição de capacidade diminuída. Contudo, a presença de sintomatologia severa pode originar circunstâncias de incapacidade temporária, pelo que esta sintomatologia psicopatológica/emocional deve ser ponderada nos protocolos de avaliação (American Psychological Association & American Board Association, 2008). Neste domínio particular, são de considerar os instrumentos que a seguir se descrevem.
A Escala de Depressão Geriátrica-30 (GDS-30, do inglês Geriatric Depression Scale-30; Simões & Firmino, 2013; Yesavage et al., 1982), desenvolvida para o rastreio de sintomatologia depressiva na idade adulta avançada, é composta por 30 itens referentes às
Agradeço aos coordenadores, Professora Doutora Diana Duro e Professor Doutor Mauro Paulino, a confiança demonstrada ao convidarem-me para contribuir com estas considerações finais. Congratulo-os pelo contributo que esta obra representa para a consolidação científica e profissional da Neuropsicologia no espaço lusófono, sendo uma referência essencial para quem procura uma base conceptual sólida no estudo e na prática da Neuropsicologia, sejam investigadores, clínicos ou estudantes.
Este manual surge numa altura em que a produção científica em Neurociências e Neuropsicologia é abundante, mas escasseiam obras em língua portuguesa que sistematizem o conhecimento de modo claro, coerente e direcionado para a prática clínica.
O conhecimento sobre o cérebro humano é vasto e em constante evolução, mas reconhecidamente inacabado. A Neurociência e a Neuropsicologia têm evoluído graças aos avanços em técnicas de neuroimagem, a paradigmas cognitivos mais sofisticados e a novas abordagens terapêuticas. Cada avanço amplia o conhecimento existente, mas, por sua vez, gera novas questões teóricas e clínicas, sendo esta relação entre descoberta e dúvida inerente ao progresso científico. Neste contexto, o presente manual inclui ferramentas teóricas e metodológicas que facilitam a compreensão, a contextualização e a avaliação integrada dos desenvolvimentos mais recentes, estabelecendo o diálogo entre os fundamentos da Neurociência e a aplicabilidade clínica da Neuropsicologia.
Com uma abordagem interdisciplinar, o manual está estruturado em 30 capítulos, organizados em cinco partes. Esta organização proporciona uma visão global sobre o modo como o cérebro sustenta o comportamento, a emoção e a cognição, assim como aborda as alterações resultantes de lesões ou disfunções cerebrais. São explorados princípios gerais da estrutura e do funcionamento do cérebro e do sistema nervoso central, sistemas afetivos neurobiológicos, síndromes neuropsicológicas, caracterização neuropsicológica de quadros clínicos mais frequentes na infância e no adulto consequentes de doenças do neurodesenvolvimento, degenerativas do sistema nervoso central, cerebrovasculares. desmielinizante, patologias neuropsiquiátricas e neurocirúrgicas. De destacar a sistematização dos critérios diagnósticos, dos protocolos de avaliação neuropsicológica e dos modelos de intervenção e reabilitação, com integração dos dados clínicos. Os instrumentos de avaliação neuropsicológica abrangem desde medidas breves de rastreio cognitivo, até baterias extensas e testes individuais de avaliação de funções cognitivas específicas, incluindo orientações para a elaboração de diferentes tipos de relatórios em contextos escolares, clínicos e forenses e também para a avaliação da capacidade de decisão em contextos jurídicos. A abordagem à reabilitação neuropsicológica e à estimulação cognitiva fundamenta-se nos princípios da plasticidade cerebral, referindo modelos holísticos e estratégias baseadas na evidência para a reabilitação. Esta perspetiva permite uma visão abrangente e atualizada sobre os processos de recuperação e adaptação. A articulação com a Neuropsiquiatria, especialmente na análise de quadros onde coexistem alterações cognitivas, emocionais e comportamentais, como nas perturbações do espectro frontal, nos distúrbios funcionais e nas síndromes neurocomportamentais pós-lesão, evidencia o caráter interdisciplinar deste manual e a sua relevância translacional.
Pela sua amplitude temática, esta obra revela-se um recurso valioso para a formação académica e para a prática clínica especializada. A estrutura organizada dos conteúdos permite uma progressão conceptual desde os fundamentos neurobiológicos até à aplicação clínica, facilitando a compreensão e a análise dos fenómenos neuropsicológicos, bem como promovendo a tomada de decisão clínica informada e baseada na evidência.
Para os estudantes, este manual constitui um referencial estruturado, orientando a aquisição de conhecimento pautada pelo rigor científico. Para os clínicos, representa um recurso para a reflexão, o esclarecimento e a promoção de boas-práticas. Em qualquer dos casos, esta obra ultrapassa a mera transmissão de informação, promovendo uma abordagem crítica e estruturada ao pensamento neuropsicológico.
É minha expectativa que este manual se torne um recurso essencial e permanente para estudantes de cursos de Psicologia, em particular nas áreas de Neuropsicologia e Neurociência Cognitiva. Ademais, acredito que a sua relevância se estende à Neurologia, à Psiquiatria, à Reabilitação e demais disciplinas que, direta ou indiretamente, beneficiam de uma compreensão aprofundada das bases neuropsicológicas. Desta forma, este livro posiciona-se como uma ferramenta de referência transversal, indispensável tanto para a formação como para a prática clínica e de investigação nestes domínios. Espero que esta obra não seja apenas objeto de leitura e discussão, mas que se consolide como um guia indispensável na rotina dos profissionais de Neuropsicologia, inspirando práticas cada vez mais alicerçadas no conhecimento científico, orientadas pelo rigor metodológico e pela responsabilidade ética.
Manuela Guerreiro
Investigadora aposentada da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa

ISBN 978-989-693-198-8

