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Enfermagem Urgência Emergência Pediatria 97898975259740

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Direção da coleção:

Manuela Néné

Carlos Sequeira

Lidel Enfermagem

Emergência Enfermagem de Urgênc ia e em Pediatria

Coordenação:

Francisco Vaz I Rute Trigo

Ana Rita Gomes I Carla Trindade

Enfermagem de Urgência e Emergência em Pediatria

COORDENAÇÃO

Ana Rita Gomes

Carla Trindade

Francisco Vaz

Rute Trigo

Lidel – edições técnicas, lda. www.lidel.pt

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Edição E distribuição

Lidel – Edições Técnicas, Lda.

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Tel: +351 213 511 448 lidel@lidel.pt

Projetos de edição: editoriais@lidel.pt www.lidel.pt

Livraria

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Tel.: +351 213 541 418 livraria@lidel.pt

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ISBN edição impressa: 978-989-752-974-0 1.ª edição impressa: junho 2026

Paginação: Mónica Gonçalves

Impressão e acabamento: Tipografia Lousanense, Lda. – Lousã Dep. Legal n.º ??

Capa: José Manuel Reis

Foto da capa: © Herjua / Adobe Stock Photo

Direção de coleção: Manuela Néné e Carlos Sequeira

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I II GESTÃO E ORGANIZAÇÃO DE UM SERVIÇO DE URGÊNCIA PEDIÁTRICA

2.

3.

Patrícia Pombo Sousa Tavares

III URGÊNCIA/EMERGÊNCIA EM PEDIATRIA

14. a criança/JOvem gravemente dOente ...................................................................................................................

Márcia Martins/José Manuel Lopes 15. urgênciaS

Sofia Guimarães/Lurdes Teixeira/Paula Moreira

16.

17.

Cláudia Alfarrobinha

Deolinda Marques/Jéssica Castanho/Mara Pereira/Maria

Angélica Campos/Rita Santos 19.

Acácio Campos/Sofia

Alfarrobinha/Pedro Vasconcelos

Fátima Prior/Francisco Vaz/Solange Português

24.

Isabel Pena/Lucília Diogo/Marta Bastos 25.

Almeida

Mónica Costa/Fátima Prior/Ana Sartóris

IV ESPECIFICIDADES EM CONTEXTO DE URGÊNCIA PEDIÁTRICA

27. criança/JOvem vítima

Inês Serôdio

28. cuidadOS PaliativOS PediátricOS

Joana Mendes

29. lutO: a mOrte ineSPerada

Lurdes Martins/Sílvia Ramos/Tânia Afonso

30. ética aPlicada aO cuidar da criança em cOntextO de urgência.........................................................................

Lucília Nunes

31. direitO aPlicadO aO cuidar da criança em cOntextO de urgência .....................................................................

Sérgio Deodato

Índice Remissivo .................................................................................................................................................................

COORDENADORES/AUTORES

Ana Rita Gomes

Pós-Graduação em Cuidados Paliativos Pediátricos; Pós-Graduação em Criança, Adolescente e o Ambiente Seguro; Mestre em Enfermagem; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica na Unidade de Urgência Pediátrica e na Equipa Intra-Hospitalar de Suporte em Cuidados Paliativos Pediátricos da Unidade Local de Saúde da Arrábida (ULSA), EPE.

Carla Trindade

Pós-Graduação em Gestão e Inovação em Saúde; Pós-Graduação em Saúde Sexual – Reprodutiva (Mutilação Genital Feminina); Mestre em Enfermagem; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica na Unidade de Urgência Pediátrica da ULSA, EPE; Especialista do Ensino Superior; Professora Adjunta Convidada na Escola Superior de Saúde (ESS) do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS).

Francisco Vaz

Licenciado em Investigação Social Aplicada; Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Enfermeiro Gestor da Unidade de Urgência Pediátrica da ULSA, EPE; Especialista do Ensino Superior; Professor Adjunto Convidado na ESS-IPS.

Rute Trigo

Doutoranda em Enfermagem; Licenciada em Gestão da Distribuição e da Logística; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Especialista do Ensino Superior; Professora Adjunta Convidada na ESS do Instituto Politécnico de Beja (IPB).

AUTORES

Acácio Campos

Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação na Unidade de Atendimento Urgente Pediátrico do Hospital Lusíadas, Lisboa.

Ana Cristina Martins

Mestre em Ciências da Enfermagem; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Professora Adjunta na ESS do IPB.

Ana Correia

Pós-Graduação em Sono na Infância e Adolescência; Mestre e Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica no Atendimento Urgente de Pediatria do Hospital da Luz, Lisboa.

Ana Lúcia Ramos

Doutora em Enfermagem; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Professora Coordenadora do Departamento de Enfermagem da ESS do IPS.

Ana Paula Nunes

Doutora em Bioética; Pós-Graduação em Direito Internacional Humanitário, em Missões Humanitárias, Catástrofes e Conflitos e em Inteligência Artificial; Mestre em Psicopatologia e Psicologia Clínica; Licenciada em Psicologia Clínica e em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Professora Adjunta na Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa (ESSCVP).

©Lidel – Edições Técnicas, Lda. VII

Ana Sartóris

Doutoranda em Psicologia na Universidade do Minho; Mestre em Enfermagem e em Psicologia Clínica; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica na Unidade de Cuidados Especiais Neonatais do Centro Materno-Infantil do Norte da ULS de Santo António, EPE; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Investigadora no Centro de Investigação em Psicologia da Universidade do Minho (CIPsi).

Angélica Campos

Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica na ULS de Coimbra, EPE.

António Nabais

Doutor em Enfermagem; Mestre em Sociologia; Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica.

Bruno Ricardo Gomes

Mestre em Enfermagem; Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Enfermeiro na Unidade de Infecciologia do Hospital Dona Estefânia da ULS de São José, EPE; Assistente Convidado na Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Lisboa (ESEUL); Investigador no Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR) da ESEUL.

Cláudia Alfarrobinha

Pós-Graduação em Gestão em Saúde e Enfermagem; Mestre em Enfermagem na área de Especialização à Pessoa em Situação Crítica; Enfermeira Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica na Unidade de Urgência Pediátrica da ULSA, EPE.

Deolinda Marques

Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Enfermeira Gestora do Serviço de Pediatria da ULS do Arco Ribeirinho, EPE.

Dulce Almeida

Mestre em Gestão e Economia da Saúde; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica na Urgência Pediátrica da ULS de Coimbra, EPE.

Fátima Prior

Doutoranda em Enfermagem; Pós-Graduação em Coordenação de Unidades de Saúde; Mestre em Enfermagem; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica da Unidade de Neonatologia, Cuidados Especiais Neonatais e Cuidados Intermédios Pediátricos do Hospital de Cascais; Investigadora do CIDNUR da ESEUL; Formadora em SBV-DAE e SBV Pediátrico.

Idalina Bordalo

Doutoranda em Ciências e Tecnologias da Saúde e Bem-estar; Pós-Graduação em Qualidade e Segurança do Doente; Mestre em Gestão dos Serviços de Saúde; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Gestora da Unidade de Internamento de Pediatria Médica, Nefrologia, Gastroenterologia e Infecciologia da ULS Santa Maria, EPE; Investigadora do Comprehensive Health Research Centre.

©Lidel – Edições Técnicas, Lda.

Autores

Inês Serôdio

Mestre em Enfermagem; MBA em Gestão Hospitalar e Serviços de Saúde; Pós-Graduação em Sociologia da Família; Formanda em Terapia Familiar Sistémica; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica na Equipa Comunitária de Saúde Mental da Psiquiatria da Infância e Adolescência da ULSA, EPE; Assistente Convidada na ESEUL; integrante do Núcleo Hospitalar de Apoio às Crianças e Jovens em Risco da ULSA, EPE.

Isabel Pena

Pós-Graduação em Anestesiologia e Controlo da Dor e em Gestão de Saúde; Mestre em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Enfermeira Especialista em Saúde Infantil e Pediátrica no Hospital São Bernardo da ULSA, EPE.

Jéssica Castanho

Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica da Urgência Pediátrica na ULS do Arco Ribeirinho, EPE.

Joana Marques

Doutora em Enfermagem; Mestre em Enfermagem Avançada e em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Reabilitação; Pós-Graduação em Psicologia do Sono; Coordenadora da Pós-Graduação em Sono na Criança, Jovem e Família; Professora Adjunta na Escola Superior de Saúde Atlântica.

Joana Mendes

Doutora em Bioética; Professora Adjunta na ESEUL; Membro do Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento da ESEUL.

João Grade

Mestre em Enfermagem; Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Professor Adjunto na ESS do Instituto Jean Piaget do Algarve.

José Manuel Lopes

Mestre em Enfermagem com Especialização em Enfermagem Médico-Cirúrgica na área da Pessoa em Situação Crítica no Instituto Nacional de Emergência Médica.

José Vilelas

Doutor em Nuevos Contextos de Intervención Psicológica en Education, Salud y Calidad; Mestre em Saúde Escolar; Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Professor Coordenador na ESSCVP Lisboa; Coordenador do Mestrado em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Presidente da Mesa do Colégio da Especialidade de Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica da Ordem dos Enfermeiros; Investigador no RISE-Health da Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto.

Josefina Lopes

Mestre em Enfermagem; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados do Pinhal Novo da ULSA, EPE; Conselheira em Aleitamento Materno.

©Lidel – Edições Técnicas, Lda. IX

Juliana Torres

Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica na Urgência de Pediatria da ULS de São João, EPE.

Leonor Marques

Pós-Graduação em Gestão na Saúde; Mestre em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica na Unidade de Atendimento Urgente Pediátrico do Hospital Lusíadas, Lisboa.

Leonardo Trancoso

Mestrando em Gestão na Saúde; Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica na Unidade de Pediatria do Hospital Lusíadas, Lisboa.

Lucília Diogo

Mestre em Enfermagem; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Enfermeira em funções de Gestão no Serviço de Cirurgia Pediátrica e Unidade de Pneumologia Pediátrica da ULS de Santa Maria, EPE.

Lucília Nunes

Doutora em Filosofia, com títulos de agregação em Filosofia, Especialidade Ética, e em Enfermagem; Professora Coordenadora Principal na ESS do IPS; Presidente da Comissão de Ética do IPS; Vice-Presidente do Conselho Nacional de Saúde; Membro do Conselho de Ética do Conselho Superior de Magistratura, do Conselho de Ética da Universidade do Minho, da Comissão de Ética d’A Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (CE_ASPESM) e da Comissão de Ética da ULS de Almada-Seixal, EPE.

Lurdes Martins

Enfermeira Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica; Professora Auxiliar na Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem da Universidade Católica Portuguesa; Conselheira no Conselho Nacional de Ética e Ciências da Vida (CNECV).

Lurdes Teixeira

Mestre e Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Enfermeira Gestora do Serviço de Urgência e de Medicina Intensiva Pediátrica no Hospital de São João, ULS de São João, EPE.

Mara Abrantes

Enfermeira na Consulta de Diabetes Pediátrica/Sistemas de Perfusão Subcutânea Contínua de Insulina na ULS do Arco Ribeirinho, EPE.

Márcia Martins

Mestre em Enfermagem; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Clinical Nurse Specialist no King Abdullah Specialist Children’s Hospital, Jeddah, Arábia Saudita.

Maria Antónia Chora

Doutora em Sociologia; Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Professora Coordenadora do Departamento de Enfermagem da Universidade de Évora.

©Lidel – Edições Técnicas, Lda. X

Autores

Maria João Felício

Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica, com competências acrescidas avançadas em Supervisão Clínica e em Gestão; Enfermeira Chefe de Equipa na Urgência Pediátrica da ULS do Arco Ribeirinho, EPE.

Mário André Macedo

Mestre em Saúde Pública; Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Administrador Hospitalar; Coordenador da Unidade de Epidemiologia e Saúde Pública Hospitalar da Urgência Pediátrica da ULS de Amadora/Sintra, EPE (2022-2025); Coordenador da Unidade de Consumo Clínico e Ajudas Técnicas | Serviço de Gestão de Compras da ULS de Lisboa Ocidental, EPE.

Margarida Pimenta

Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica, com funções de Gestão, na Urgência Pediátrica da ULS de Coimbra, EPE.

Marta Bastos

Mestre em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Responsável pela área de Cirurgia Pediátrica do Bloco Operatório do Hospital de São Bernardo da ULSA, EPE.

Marta Catarino

Doutoranda em Enfermagem Avançada na Faculdade de Ciências de Saúde e Enfermagem da Universidade Católica Portuguesa; Mestre em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Professora Adjunta na Universidade de Évora.

Mónica Costa

Doutoranda em Enfermagem; Mestre em Enfermagem; Pós-Graduação em Psicologia da Gravidez e Parentalidade; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Professora Adjunta na ESS do IPS.

Nuno Delicado

Enfermeiro no Instituto Nacional de Emergência Médica; Docente Convidado no Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração (ISCIA) e no Instituto Politécnico de Leiria.

Patrícia Cabrita

Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Responsável pela Unidade de Urgência Pediátrica do Hospital Nossa Senhora do Rosário, ULS do Arco Ribeirinho, EPE.

Patrícia Pombo Tavares

Mestre em Ciências de Enfermagem; Pós-Graduação em Cuidados Paliativos Pediátricos; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica em funções de Gestão no Serviço de Pediatria do Hospital Divino Espírito Santo (HDES) em São Miguel, Açores; Coordenadora de Enfermagem da Equipa Intra-Hospitalar de Suporte em Cuidados Paliativos Pediátricos no HDES; Título de Especialista do Ensino Superior para a área de Enfermagem; Assistente Convidada da ESS da Universidade dos Açores.

©Lidel – Edições Técnicas, Lda. XI

Paula Moreira

Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica no Serviço de Urgência da ULS de São João, EPE.

Pedro Vasconcelos

Mestre em Enfermagem na área de Enfermagem à Pessoa em Situação Crítica; Pós-Graduação em Intervenção Humanitária e Catástrofe e em Gestão de Serviços de Saúde, com Competência Acrescida Diferenciada em Emergência Extra-Hospitalar e Competência Acrescida Avançada em Supervisão Clínica e em Gestão pela Ordem dos Enfermeiros; Enfermeiro Gestor no Instituto Nacional de Emergência Médica; Formador de Suporte Avançado de Vida, International Trauma Life Support, Prehospital Trauma Life Support, Abordagem, Transporte e Segurança do Doente Crítico e Curso Avançado de Trauma Pediátrico.

Rita Flor

Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica na Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos da ULS de Santa Maria, EPE; Coordenadora de Enfermagem da Equipa de Transporte Inter-Hospitalar Pediátrico Sul da ULS de Santa Maria, EPE.

Rita Santos

Enfermeira no Serviço de Urgência do Hospital Pediátrico de Coimbra, ULS de Coimbra, EPE.

Sérgio Almeida

Pós-Graduação em Emergência e Trauma e em Intervenção à Pessoa em Situação Crítica; Enfermeiro Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica na área de Enfermagem à Pessoa em Situação Crítica no Serviço de Urgência Pediátrica Polivalente do Hospital Dona Estefânia e na Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) da ULS de São José, EPE.

Sérgio Deodato

Doutor em Enfermagem; Mestre em Bioética; Licenciado em Enfermagem e em Direito; Especialista em Direito e Ciência Jurídica na área dos Direitos Fundamentais; Professor Associado na Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem da Universidade Católica Portuguesa (UCP); Investigador integrado no Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde (CIIS) da UCP.

Sílvia Ramos

Doutora em Enfermagem; Mestre em Cuidados Paliativos; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica e em Enfermagem Médico-Cirúrgica na área de Enfermagem à Pessoa em Situação Paliativa; Professora Adjunta na Escola Superior de Enfermagem S. Francisco das Misericórdias; Investigadora Convidada do Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde (CIIS) da Universidade Católica Portuguesa.

Sofia Guimarães

Mestre em Enfermagem; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica no Serviço de Urgência de Pediatria da ULS São João, EPE.

Sofia Santos

Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica na Unidade Atendimento Urgente Pediátrico no Hospital Lusíadas, Lisboa.

©Lidel – Edições Técnicas, Lda.

Solange Português

Enfermeira Gestora na ULSA, EPE.

Susana Figueiredo

Mestre e Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica no Hospital da Luz, Lisboa.

Susana Ramos

Mestre em Infeção em Cuidados de Saúde; Pós-Graduação em Segurança do Doente e Especialização em Administração Hospitalar; Enfermeira Gestora e Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Enfermeira Diretora na ULS de São José, EPE.

Susana Silva

Mestre em Enfermagem; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica; Membro do Grupo de Trabalho da Dor em Pediatria do Grupo HPA Saúde.

Tânia Afonso

Doutora; Enfermeira Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica na área de Enfermagem à Pessoa em Situação Paliativa, em Enfermagem Médico-Cirúrgica na área de Enfermagem à Pessoa em Situação Crónica e em Enfermagem Médico-Cirúrgica; Professora Auxiliar na Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem da Universidade Católica Portuguesa; Membro do Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde (CIIS); Diretora Executiva do Observatório Português dos Cuidados Paliativos.

©Lidel – Edições Técnicas, Lda. XIII

Autores

Começo por saudar os coordenadores desta obra, Ana Rita Gomes, Carla Trindade, Francisco Vaz e Rute Trigo, bem como todos os autores que nela colaboram. O trabalho que apresentam é rigoroso e de grande utilidade. Reúne conhecimento, experiência e visão prática num dos contextos mais exigentes dos cuidados de saúde, a urgência e emergência da criança e do jovem. Ao mesmo tempo, afirma a maturidade científica da enfermagem portuguesa e o seu contributo para a qualidade e segurança dos cuidados.

A obra oferece-nos uma visão estruturada e abrangente da urgência pediátrica. Aborda a organização funcional dos serviços, a triagem, a comunicação, o transporte inter-hospitalar e a resposta em situação de catástrofe. Desenvolve dimensões centrais do cuidar, como a dor, a analgesia, a sedação, a amamentação, o sono e a humanização. Percorre ainda as grandes áreas clínicas da urgência e emergência em pediatria e integra temas de elevada exigência ética e humana, como os maus-tratos, os cuidados paliativos, o luto e as questões ético-jurídicas do cuidado. Esta construção dá ao livro coerência pedagógica e utilidade prática.

A publicação recorda-nos também a evidência de que a qualidade não depende só da resposta clínica. Depende da organização, da preparação das equipas, da clareza dos circuitos, da capacidade de decisão e das condições que sustentam uma prática segura. Mostra, com clareza, que a dotação e qualificação dos enfermeiros são determinantes para a segurança e eficiência da urgência pediátrica.

Há ainda outro mérito importante. Esta obra ajuda a compreender a urgência pediátrica como um espaço de responsabilidade partilhada entre profissionais, instituições e sociedade. Ao chamar a atenção para o uso excessivo e inadequado destes serviços, sublinha um problema que influencia a resposta às situações verdadeiramente graves. E, ao valorizar a literacia em saúde e o papel dos pais e cuidadores, aponta caminhos concretos para uma utilização mais adequada dos recursos e para maior segurança das crianças e dos jovens.

A grande força deste livro está também em nunca perder de vista a criança, o jovem e a família. Num ambiente de grande pressão, o acolhimento e a humanização são uma parte integrante dos cuidados.

Estamos, por isso, perante uma obra de referência, que é útil para enfermeiros, outros profissionais de saúde, gestores e todos os que procuram compreender melhor o que significa cuidar em urgência pediátrica. Constitui um contributo bastante relevante para uma cultura de qualidade, segurança e humanização nos serviços de urgência pediátrica em Portugal.

Cabe ainda agradecer à Editora LIDEL por continuar a investir em obras dedicadas à Enfermagem, contribuindo para a divulgação do conhecimento e qualificação da prática profissional.

Luís Filipe Barreira

Bastonário da Ordem dos Enfermeiros

©Lidel – Edições Técnicas, Lda. XV

Nas últimas décadas, houve uma melhoria das condições socioeconómicas da população o que conduziu a um aumento da procura de cuidados de saúde diferenciados. Esta melhoria foi o resultado da redução das barreiras geográficas, da valorização da saúde, da prevenção da doença e do crescimento abrupto do acesso à informação. Em Portugal, esta evolução obteve reflexos, nomeadamente nos serviços de urgência pediátrica (SUP).

Os SUP têm como finalidade o atendimento urgente e emergente de crianças doentes desde o nascimento até aos 17 anos e 364 dias de idade de acordo com a legislação em vigor, despacho n.º 10319/2014.

As crianças são seres com características únicas e particulares em constante desenvolvimento, pelo que os enfermeiros que cuidam em contexto de urgência/emergência pediátrica, norteiam a sua conduta profissional no cuidar com qualidade e segurança, de modo a promover a saúde e prevenir complicações da doença. Os enfermeiros, nesta área específica, têm desenvolvido conhecimentos e habilidades no cuidar de urgência/emergência em pediatria.

Trata-se da primeira obra sobre enfermagem em contexto de Urgência Pediátrica em Portugal, construída tendo por base a evidência atual produzida mundialmente. Ao longo da mesma, o leitor poderá aprofundar conhecimento sobre as áreas especificas e as situações mais comuns nos SUP.

A obra está organizada em quatro grandes áreas (Gestão e organização de um serviço de urgência pediátrica; Cuidar em contexto de urgência pediátrica; Urgência/Emergência em pediatria e Especificidades em contexto de urgência pediátrica) perspetivando uma panorâmica global das temáticas nucleares da urgência/emergência da enfermagem pediátrica. Cada capítulo evolui através de enfoques temáticos específicos da área da enfermagem relativamente às quais são identificadas e problematizados fenómenos dinâmicos e de interesse técnico científico no campo da saúde. O modelo de organização interna dos capítulos revela-se particularmente didático e facilitador do respetivo uso.

Os coordenadores, delinearam toda a obra com base nas premissas, do cuidar em urgência/ emergência num SUP e na interligação entre a experiência dos enfermeiros especialistas dos contextos da prática clínica, bem com o conhecimento dos docentes na área da saúde infantil e pediátrica das Escolas de Enfermagem do Ensino Superior, de todo o país.

Acreditamos que esta obra possa traduzir-se num instrumento de consulta dos enfermeiros que exercem a sua prática clínica nos SUP, estudantes da licenciatura e estudantes da especialidade de saúde infantil e pediátrica, pois o cuidar num SUP exige empenho, rigor e conhecimento específico de modo a prestar cuidados diferenciados.

Ana Rita Gomes, Carla Trindade, Francisco Vaz e Rute Trigo (Coordenadores)

©Lidel – Edições Técnicas, Lda. XVII

1 Organização Funcional de um Serviço de Urgência Pediátrica

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

X Apresentar a estrutura física de um serviço de urgência pediátrica (SUP);

X Evidenciar a organização da equipa de enfermagem relativamente à qualificação e dotação, tendo em conta orientações regulamentares;

X Realçar a importância dos sistemas de informação para a tomada de decisão clínica em enfermagem;

X Evidenciar a importância de equipamentos específicos, medicamentos e materiais.

NOTA INTRODUTÓRIA

Os serviços de urgência (SU) são unidades onde se prestam cuidados de saúde a pessoas em risco de vida. Estes cuidados têm de ser prestados de forma eficaz, eficiente e dentro do tempo considerado adequado à manutenção de vida e prevenção de sequelas.

Define-se urgência como um processo que exige intervenção de avaliação e/ou correção em curto espaço de tempo, sendo a emergência um processo para o qual existe um risco de perda de vida ou de função orgânica[1]

Os SU foram criados pelo Despacho Normativo n.o 11/2002[2], enquanto serviço de ação médica hospitalar, tendo sido nas últimas décadas publicados vários despachos relativamente à organização da rede de urgência e emergência, tendo-se ainda assistido à criação de comissões de avaliação e reestruturação.

Através do Despacho n.o 13377/2011[3], de 6 de outubro, foi criada a Comissão para a Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência (CRRNEU), com a missão de avaliar o estado de implementação daquela rede (nomeadamente a distribuição territorial existente,

as condições de acesso e a composição das respostas existentes), propor alterações à rede e sugestões para a sua evolução, bem como propor a estratégia de desenvolvimento da resposta de emergência pré-hospitalar e da rede de urgência, as necessidades de formação e recursos profissionais, a contratualização, a gestão e a sustentabilidade dos SU.

O Despacho n.o 10319/2014[4], de 11 de agosto, artigo 1.o, determina a estrutura do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) ao nível da responsabilidade hospitalar e da articulação com o pré-hospitalar, define os níveis de responsabilidade dos SU, a sua estrutura, recursos humanos, formação, critérios e indicadores de qualidade, assim como a sua monitorização e avaliação. Definem-se três níveis de urgência: serviço de urgência básica (SUB), serviço de urgência médico-cirúrgica (SUMC) e serviço de urgência polivalente. O serviço de urgência polivalente é o nível mais diferenciado de resposta às situações de urgência e emergência e deve oferecer resposta de proximidade à população da sua área.

Especificamente na área pediátrica, no mesmo despacho, o atendimento urgente a crianças/ /jovens deve estar disponível em SUB, SUMC, serviço de urgência polivalente e em serviço de urgência polivalente pediátrica (SUPP). São consideradas crianças/jovens todos os utentes até aos 17 anos e 364 dias de vida.

“O atendimento em Urgências Pediátricas deve abranger todas as crianças independentemente da patologia apresentada (...). As Urgências Pediátricas devem funcionar como primeiro ponto de atendimento pediátrico especializado na Rede, sendo para estas urgências que deve ser efetuado o transporte primário de crianças identificadas pela Coordenação da Emergência pré-hospitalar como situações urgentes e emergentes, com base numa lógica de proximidade

©Lidel – Edições Técnicas, Lda. 3

para promover cuidados de qualidade e experiências positivas, com base nos modelos de cuidados de enfermagem de saúde infantil e pediátrica, em contextos de urgência e emergência pediátricos, para que esta fragmentação não seja sentida pelas crianças/jovens e família.

Serviço de Urgência

Exterior

quadro 3.2

Figura 3.3

Sala de espera:

Salas de espera

Área de admissão de registo

Áreas de triagem Áreas de avaliação

clínica

Sala de tratamentos

Sala de reanimação

Áreas de informação e comunicação com familiares

Área de internamento de curta duração e observação

Representação do espaço físico de um SU e os vários encami nhamentos que podem ser realizados.

Estratégias para as diferentes áreas deste contexto com base nos modelos de cuidados de enfermagem de saúde infantil e pediátrica

X Criar ambiente apropriado para crianças/jovens e família

X Ter disponíveis cadeiras e espaço suficientes para acomodar crianças/jovens e família

X Integrar sinalização cultural e linguisticamente apropriada

X Providenciar espaços potenciadores de atividades diversas e seguras, promotoras de distração

X Ter espaço adequado para cuidar da criança/jovem (por exemplo: zona de mudança de fraldas, zona mais privada para amamentação e zona própria de alimentação infantil) e para os adultos e cuidadores

X Possuir brinquedos, livros e/ou materiais digitais seguros, higienizáveis e apropriados a crianças/jovens (continua)

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recorrem-se a protocolos de triagem. Na secção seguinte, serão discutidos os dois protocolos utilizados nos SUP portugueses.

PROTOCOLOS UTILIZADOS EM TRIAGEM PEDIÁTRICA

Os protocolos de triagem existentes baseiam-se em consensos de grupos de especialistas e são ferramentas que auxiliam o enfermeiro triador no processo de tomada de decisão. Estes foram sendo desenvolvidos em todo o mundo e têm como principal objetivo distinguir quem precisa de cuidados urgentes daqueles que têm condições para aguardar. Os níveis de priorização têm sofrido uma evolução ao longo do tempo, sendo os mais utilizados os de cinco níveis, pois evidenciaram maior fiabilidade, sensibilidade e especificidade[3].

Com a utilização destes protocolos, a decisão de triagem deixa de ser aleatória ou subjetiva, passando a ser baseada em critérios estabelecidos [18], sendo assim possível atingir a necessária homogeneização, melhoria da qualidade e segurança dos cuidados prestados.

Um protocolo de triagem, além de cumprir a sua função de categorizar e priorizar os clientes presentes no SU, também consegue ser um instrumento preditivo dos recursos necessários para dar resposta às necessidades de saúde. Diferenças nacionais, ou mesmo regionais, na forma como a prestação de cuidados é organizada, seja a nível de recursos humanos, definição dos papéis sociais, qualificações dos profissionais, sem esquecer as políticas e financiamento dos sistemas de saúde, alteram a forma e a quantidade da alocação de recursos. Embora haja evidência desta capacidade dos protocolos em contexto de triagem de adultos, na pediatria a realidade é mais complexa. De facto, a maior parte dos protocolos de triagem pediátrica tem apresentado dificuldades enquanto instrumentos preditores do consumo de recursos, sejam exames complementares de diagnóstico, medicação ou

internamentos[19]. A exceção aparenta ser o Emergency Severity Index, que, devido às suas características intrínsecas, tem demonstrado uma boa capacidade preditiva de utilização de recursos na urgência pediátrica[20].

A Direção-Geral da Saúde (DGS), na sua norma de março de 2015[3], define a utilização dos sistemas de triagem nas urgências pediátricas, considerando que estas devem implementar o Sistema de Triagem de Manchester (STM) ou a Canadian Paediatric Triage and Acuity Scale (CPTAS), que serão apresentados nas secções seguintes.

canadian paediaTric Triage and acuiT y scale

A CPTAS surgiu da adaptação da Canadian Triage and Acuity Scale (CTAS), esta última utilizada em adultos desde 1997 e desenvolvida pela Canadian Association of Emergency Physicans (CAEP) e pela NENA. Em 2001, em colaboração com a Canadian Paediatric Society, foi então criada a versão pediátrica, que tem vindo a sofrer atualizações, sendo a sua última versão de 2013. Em Portugal, esta começou a ser utilizada em 2008 no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e no Centro Hospitalar e Universitário de São João, estando este último na fase final de aplicação da sua última versão. Atualmente, esta encontra-se a ser utilizada em três das 14 urgências pediátricas portuguesas[21]

Esta escala demonstrou ser uma ferramenta válida para a triagem de crianças/jovens, mostrando uma forte associação entre o nível de triagem e a admissão aos cuidados intensivos, probabilidade de abandono e demora média, apresentando uma confiabilidade moderada[3].

Na Europa, ainda existem poucos estudos sobre esta escala; em Portugal, foi recentemente publicado um estudo retrospetivo, que decorreu entre 2014 e 2019, que estudou a associação entre os níveis de triagem atribuídos e os critérios de gravidade, e concluiu que esta escala é altamente válida neste contexto[21]

©Lidel

Perda de autonomia

Medo da morte

Principais

fatores

stressores

Lesão corporal

Figura 13.1

Separação dos pais

Medo do desconhecido

Perda de controlo

Influenciados por:

Idade e estádio de desenvolvimento da criança/jovem

Rede de apoio

Experiências de saúde anteriores

Capacidade de confronto inata e adquirida

Gravidade da situação atual

Principais fatores stressores da criança/jovem hospitalizada[2,12].

se se minimizarem os elementos desconhecidos, ir-se-á certamente reduzir o medo[10,12,13]. Desta forma, as crianças/jovens poderão direcionar as suas forças para os aspetos realmente stressantes da experiência de estarem hospitalizadas, podendo daí potenciá-la positivamente[10,12,13]. Num SUP, tendo em conta a situação de doença aguda, muitas vezes grave, a incerteza da situação e das intervenções a que poderão ser sujeitas por profissionais de saúde que as crianças/jovens não conhecem traduz-se num sem número de elementos desconhecidos para a criança/jovem e família, pelo que será essencial a minimização desses elementos através da disponibilização de informação pertinente e fidedigna, de forma a minimizar a ansiedade dos intervenientes. A informação objetiva e concreta acerca das situações potencialmente stressantes facilita o confronto da criança/jovem com as mesmas,

pois permite a compreensão e interpretação da experiência. Sabendo que a criança/jovem apresenta mecanismos de coping limitados para lidar com os diversos fatores stressores que influenciam a hospitalização nas diferentes idades, é essencial o apoio externo, como família, amigos e profissionais de saúde, de forma a conseguir ultrapassar a referida crise[3]

O atendimento de uma criança/jovem num SUP prevê o acompanhamento de um dos pais ou pessoa significativa em todo o circuito de atendimento. Estes, como já referimos anteriormente, têm o direito de ser informados acerca da situação clínica da criança/jovem, de forma a serem parceiros ativos no processo de decisão, sempre que possível[7,10]. Para os pais, ter um filho doente num serviço de urgência (SU) é um fator de grande vulnerabilidade e de elevado fator ansiogénico, influenciado pela

©Lidel – Edições Técnicas, Lda. 165

18 Urgências Gastrenterológicas

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

X Descrever as urgências médicas gastrenterológicas mais frequentes em idade pediátrica;

X Identificar os cuidados de enfermagem associados;

X Prevenir complicações com base na identificação precoce das diferentes urgências gastrenterológicas.

NOTA INTRODUTÓRIA

As doenças gastroenterológicas são frequentes e importantes na criança desde o nascimento até à adolescência, levando a população pediátrica a recorrer aos serviços de saúde. A rápida identificação da sua gravidade e resposta eficaz das equipas de urgência são fundamentais para a sua resolução.

Estas patologias caracterizam-se por patologia malformativa, inflamatória, lesões iatrogénicas secundárias à ingestão de cáusticos, corpos estranhos (CE) ou fármacos e lesões tumorais[1]. Neste capítulo, pretende-se não só identificar as principais patologias e sinais/ /sintomas gastroenterológicos mais frequentes em idade pediátrica e que motivam a ida aos serviços de urgência (SU), mas principalmente de que forma traduzem os focos de atenção dos cuidados de enfermagem prestados às crianças/jovens e família.

HEMORRAGIA DIGESTIVA

A hemorragia digestiva é uma entidade rara em pediatria, pode ter uma apresentação clínica variável de sangramento e, normalmente, é autolimitada. Existem poucos dados sobre a sua incidência em pediatria, mas um estudo populacional recente realizado em França descreveu uma incidência de hemorragia digestiva alta (HDA) 1-2 de 10 000 crianças/jovens por ano[2].

A hemorragia digestiva baixa (HDB) significa sangramento de um local distal ao ângulo de Treitz, e em pediatria é cinco vezes mais frequente do que a HDA, sendo na maior parte das vezes uma situação benigna[3,4]. A HDA advém principalmente do esófago, estômago ou duodeno, sendo diminuta a ocorrência de sangramento no sistema biliar e no pâncreas. Já a HDB é decorrente principalmente de patologias associadas ao cólon e ao intestino delgado.

A Sociedad Chilena de Pediatría (SCP) clarifica alguns conceitos relativamente à hemorragia digestiva[2]:

X Hematémese: sangue vermelho-vivo eliminado pela boca na forma de vómito ou vómito de “borra de café” de cor mais escura, do sangue que passou algum tempo exposto ao ácido gástrico;

X Melena: sangue eliminado pelo ânus na forma de fezes de cheiro fétido, tipo alcatrão preto, geralmente vindo do trato digestivo superior. Não indica necessariamente hemorragia atual e pode ser produzida em baixos volumes;

X Retorragia: eliminação de sangue fresco e vermelho do ânus, sendo geralmente causada por hemorragia no cólon distal e reto;

X Hematoquezia: é definida como a expulsão de sangue vermelho ou escuro pelo ânus, às vezes com coágulos e misturado com fezes, indicando como provável origem o intestino delgado ou cólon proximal. No entanto, em condições de hemorragia intensa proximal ao Treitz, em conjunto com um trânsito intestinal acelerado, também pode ser uma manifestação de HDA;

X Hemorragia digestiva oculta: não é macroscopicamente visível, mas é detetada através de testes de laboratório;

X Hemorragia de origem obscura: sem etiologia identificada, apesar de investigação diagnóstica extensa.

de Urgência e Emergência em Pediatria

A criança/jovem, quando está num contexto de urgência e emergência, necessita de cuidados específicos e especializados, que atendam tanto à complexidade da situação crítica como às suas particularidades individuais.

A prática clínica diária exige a identificação de situações complexas e uma tomada de decisão fundamentada no conhecimento científico atual e rigoroso, por forma a garantir os melhores resultados em saúde. Para responder a esse desafio, autores de diferentes regiões do país e instituições, com conhecimento diferenciado em diversas subespecialidades, contribuíram para a concretização deste livro com a sua experiência profissional especializada.

Destaques:

A organização funcional dos serviços, a triagem, a comunicação, o transporte inter-hospitalar e a resposta em situação de catástrofe

A dor, a analgesia, a sedação, a amamentação, o sono e a humanização

Destinada a estudantes de enfermagem, enfermeiros generalistas e enfermeiros especialistas, esta obra tem como objetivo proporcionar ao leitor a oportunidade de aprofundar conhecimentos específicos na área da urgência pediátrica, visando a promoção de cuidados atraumáticos e centrados na criança/jovem e família, estabelecendo uma parceria terapêutica orientada para a recuperação da saúde infantil. Estruturada de forma harmoniosa e acessível, conduz o leitor por diferentes temáticas com as respetivas intervenções de enfermagem, incentivando à reflexão crítica e à consolidação do conhecimento.

As grandes áreas clínicas da urgência e emergência em pediatria

Os maus-tratos, os cuidados paliativos, o luto e as questões ético-jurídicas do cuidado

Prefácio de Luís Filipe Barreira , Bastonário da Ordem dos Enfermeiros

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