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Histórias do Mundo

Ficheiros áudio www.lidel.pt/pt/download‑conteudos/

Ana Sousa Martins

Ana Paula Gonçalves

Ilustrações:

Sofia Alcântara

1. O pedinte e a gazela

2. O galo que provocou a guerra entre duas cidades

3. A velha e o médico

4. O pássaro de fogo, o cavalo e a princesa Vassilissa

5.

6. O Quebra‑Nozes e o Rei Rato

Introdução

“A leitura extensiva é uma parte essencial de um curso de línguas.”, Paul Nation1

Este volume encerra a coleção Histórias do Mundo, composta por livros de leitura extensiva adaptados para diferentes níveis de proficiência: A1, A2 e B1.

Depois dos últimos três volumes, dedicados ao nível A1 e nível A2, chega agora o momento de dar lugar a um registo um pouco mais complexo, com histórias mais longas e linguisticamente mais ricas.

Em Histórias do Mundo B1 – Livro com Áudio , o leitor encontrará narrativas tradicionais de várias partes do mundo, cuidadosamente retextualizadas para aprendentes de Português Língua Não Materna e Língua Estrangeira (PLNM/PLE), projetadas para o nível B1. Tal como nos volumes anteriores, a adaptação respeita o espírito e o encanto das versões originais, mas é pensada para que o leitor possa progredir em grau de dificuldade e alargar o seu domínio da língua portuguesa.

Nesta etapa da aprendizagem, o aprendente já possui uma base sólida de vocabulário e estrutura frásica, o que lhe permite lidar com novos desafios linguísticos e discursivos. Assim, este volume: amplia o léxico de base para além das 2000 palavras mais fre quentes do português, incluindo vocabulário de registo mais literário, expressões idiomáticas e metáforas comuns na língua falada e escrita; diversifica as estruturas gramaticais, incorporando orações relativas, consecutivas, comparativas, condicionais e participiais, bem como formas verbais do pretérito mais-que-perfeito e do conjuntivo, quando o contexto narrativo o exige; mantém frases claras e fluentes, mas já com variação estilística e sintática muito próxima do português autêntico;

1 Nation, P. (2013). Learning Vocabulary in Another Language (2.ª ed.). Cambridge University Press.

Histórias do Mundo B1

contém glosas laterais, em texto ou ilustração, que continuam a apoiar o leitor, esclarecendo-o sobre o significado contextualizado de palavras ou expressões potencialmente difíceis. A sua função é promover a autonomia da leitura, sem necessidade de recorrer constantemente ao dicionário. No final do livro, o leitor encontra um glossário alfabético com todas as palavras e expressões glosadas.

Para cada história apresentam-se atividades de compreensão e de aquisição de vocabulário novo. Estas atividades contemplam tarefas de reconhecimento e reformulação, bem como exercícios que requerem inferência e reflexão sobre aspetos linguísticos e culturais. As soluções são apresentadas no final do volume, permitindo o trabalho autónomo. Como sabemos, a audição complementa a leitura, reforçando a compreensão do oral e a pronúncia, e oferecendo uma experiência imersiva na língua portuguesa. Nesse sentido, e tal como nos volumes anteriores, o livro inclui faixas áudio integrais de todos os contos, bem como de alguns exercícios de compreensão do oral, lidas por uma locutora profissional. A disponibilização das faixas áudio é feita através de códigos QR. Quanto aos pequenos áudios referentes aos exercícios de compreensão oral, além dos respetivos códigos QR, eles estão também disponíveis para download, no site da Lidel, em https://www.lidel. pt/pt/download-conteudos/. No final do livro, podem ser encontradas as transcrições destes exercícios.

O objetivo principal da coleção Histórias do Mundo mantém-se: estimular a proficiência linguística e o prazer da leitura em português, através de narrativas que cruzam culturas, valores e imaginários universais.

Professores e aprendentes encontrarão nestas páginas um recurso versátil — tanto para a leitura individual e autónoma como para a exploração didática em sala de aula, através de atividades centradas na aquisição de vocabulário e automatização de aspetos gramaticais.

As histórias que compõem este volume B1 — de origem africana, oriental e europeia — desafiam o leitor a mergulhar em mundos onde a inteligência, a coragem e a solidariedade vencem a adversidade, a arrogância e maldade. São contos que fazem pensar, rir e avivar a imaginação, e que convidam a continuar a viagem pelos caminhos da língua portuguesa.

Boas leituras!

1. O pedinte e a gazela

Era uma vez um homem que esbanjou1 todo o dinheiro que tinha em festas e farras2 e ficou na miséria. Chegou a tal ponto que tinha de se alimentar de alguns grãos de milho depois de esgaravatar3, como uma galinha, no meio dos montes de lixo. E, quando nem isso conseguia, punha-se à beira da estrada a pedir. Num dia, homem rico; noutro dia, pedinte.

Numa ocasião, estava ele, como de costume, à procura de alguma comida num monte de lixo à beira da estrada, quando viu ali, a brilhar, uma moedinha de prata, chamada oitavo. Num ápice4 a meteu ao bolso.

“Agora é que vou ter uma refeição como deve ser!”, pensou o pedinte. E pôs-se a caminho do centro da vila. 1

1 Esbanjar: gastar muito dinheiro de uma forma irresponsável.

2 Farra: grande festa.

3 Esgaravatar: mexer ou escavar algo com as mãos (ou algum instrumento).

4 Num ápice: num instante.

5 Jaula (feita de paus e ramos)

6 Gazela

Quando caminhava pela estrada, viu um homem vir em sua direção, carregando uma jaula feita de paus e ramos5.

– Eh lá, homem! – gritou o pedinte. – O que trazes na jaula?

– Gazelas6 – respondeu o homem.

– Deixa ver – disse o pedinte.

Iam, nesse momento, a passar naquela estrada uns homens da vila que conheciam o pedinte. Viram o seu interesse pelas gazelas e riram-se, dizendo ao comerciante das gazelas:

7 Escarafunchar: investigar ou remexer em algo de forma intensa.

8 Hesitar: ter dúvidas antes de decidir fazer uma coisa.

9 Abordar (alguém): falar com uma pessoa, propondo-lhe algo ou questionando-a.

– Tem cuidado com o negócio que fazes com este pobre diabo. Ele não tem onde cair morto. Passa a vida a escarafunchar 7 no lixo para arranjar alguma coisa que comer. Se mal consegue arranjar comida para ele, como é que vai arranjar comida para uma gazela?

Mas o homem da jaula respondeu, sem hesitar8:

– Saí da minha casinha há mais de um mês e durante todo este tempo já fui abordado9 por, pelo menos, umas 50 pessoas. E pensam que alguém me comprou alguma gazela? Ninguém! Por isso, nunca se sabe em que canto do mundo se pode encontrar um comprador. Quem sabe se não é aqui mesmo!

10 Inquirir: perguntar.

Vendo o pedinte que o homem estava na disposição de lhe vender uma gazela, inquiriu10:

– Quanto estás a pedir pelas gazelas? Deixas-me ficar com uma por uma moeda de um oitavo?

6. O Quebra‑Nozes e o Rei Rato

Par te I

É noite de Natal. Marie e Fritz Stahlbaum estão sentados no sofá de uma pequena sala da sua casa. Estão aborrecidos, sem nada para fazer. Os pais proibiram-nos de ir à sala de jantar. É lá que estão a decorrer os preparativos1 para a ceia de Natal. Mas Fritz não se conforma e põe-se a espreitar pela fresta da porta2. Vê chegar o padrinho, Drosselmeyer, com um grande embrulho debaixo do braço.

1 Preparativos: organização de uma festa ou acontecimento.

2 Fresta da porta

80 | Histórias do Mundo B1

– Não sabes quem chegou! – disse Fritz a Marie.

– Quem? – perguntou a irmã, saltando do sofá.

– O padrinho!

Marie espreitou também.

– Ah! É uma prenda! O que será? – exclamou, batendo as palmas de alegria.

O padrinho Drosselmeyer era um homem pequeno e magro, com o rosto cheio de rugas e quase careca.

3 Peruca: cabelo falso usado para cobrir a cabeça.

4 Pala preta

5 Habilidoso: que tem habilidade; que tem jeito para fazer uma coisa.

6 Relojoeiro: pessoa que faz ou conserta relógios.

7 Engenhoca: máquina de construção complexa.

8 Miniautómato: pequeno autómato. Autómato: máquina que imita os movimentos de um ser vivo.

Usava uma peruca3 branca por isso mesmo. Também tinha perdido um olho e usava uma pala preta4. Não sendo muito elegante, era, porém, muito inteligente e habilidoso5. Relojoeiro6 de profissão; inventor por passatempo. Era capaz de inventar as engenhocas7 mecânicas mais incríveis e construir os brinquedos articulados mais fenomenais.

Quando ia de visita a casa dos Stahlbaum, o padrinho levava sempre algum pequeno brinquedo mecânico, por exemplo, um miniautómato8, uma caixa com um pássaro metálico e outras coisas do género.

9 De par em par: completamente.

10 Arregalados (olhos): muito abertos.

De repente, tocam os sinos – dlin‑dlão, dlin‑dlão, dlin ‑dlão! As portas da salinha abrem-se de par em par9, e o senhor e a senhora Stahlbaum vêm finalmente chamar as crianças para a sala de jantar.

Ao entrarem na sala, os dois irmãos ficaram de boca aberta e olhos arregalados10. Marie só dizia “Que bonito! Que bonito!” e Fritz dava pulos de alegria. Imponente e majestoso, o pinheiro de Natal dominava a sala de jantar. Era o pinheiro mais esplendoroso de todos os

8. O ratinho bom

1 Proporcionar: oferecer; fornecer.

2 Frontal: da frente; principal.

3 Contagioso: que se espalha facilmente.

4 Taberneiro: dono de uma taberna (bar).

5 Azedar: tornar-se ácido ou azedo.

Era uma vez um rei e uma rainha que se amavam muito. O que o rei mais queria era proporcionar1 a maior felicidade à rainha e vice-versa. E pode dizer-se que um e outro cumpriam plenamente este objetivo. Este era o casal mais feliz que alguma vez houve. Todos os dias de manhã, os dois apareciam à varanda frontal2 do palácio, de mão dada, sorridentes, para saudarem o povo. Como a alegria é contagiosa 3 , neste reino, ninguém se zangava e todos se ajudavam uns aos outros. Se o padeiro deixava queimar o pão, os clientes agradeciam - lhe por lhes ter vendido um produto tão especial; se o taberneiro 4 deixava azedar 5 o vinho na

Exercícios

1. Havia uma velha que vivia numa aldeia. Preenche os espaços com as palavras abaixo. Usa uma palavra apenas para cada espaço. Atenção: há cinco palavras a mais.

pouco muito cem pobre rica

boi gato três duas elétrica

a) A velha trabalhava

b) A velha não era .

c) A velha tinha várias galinhas, um e um cão.

d) A casa da velha tinha camas.

e) A casa da velha era muito bem decorada, mas não tinha luz .

2. O que fazia a velha todas as noites?

3. Passado algum tempo, a velha começou a ter um problema. Assinala a frase que traduz esse problema.

a) A velha não sabia bordar desenhos perfeitos.

b) A velha sabia bordar, mas já tremia muito das mãos.

c) A velha tinha dores de cabeça por causa do barulho do boi e do cão.

d) De repente, a velha ficou cega.

e) Ao longo do tempo, a velha foi deixando de ver as coisas e os animais.

4. De que forma a velha tentou resolver o seu problema?

5. Ouve o texto e realiza o exercício. 6

114 | Histórias do Mundo B1

f) Após ouvir o relato do relojoeiro, o irmão ofereceu-lhe a noz inquebrável.

g) A solução era a princesa comer uma noz Krakatuk, partida com os dentes de um jovem sem barba e sem botas.

h) O astrólogo descobriu o nome Krakatuk gravado na casca da noz.

i) Chegado à sua terra, o relojoeiro foi visitar o irmão e contou-lhe por que motivo tinha estado ausente tanto tempo.

j) Depois de estudar o horóscopo durante a noite, o astrólogo descobriu que o rapaz capaz de partir a noz com os dentes era o sobrinho do relojoeiro.

10. Ouve o texto e responde à pergunta.

11. O rei mandou pôr um anúncio em todo o reino. Preenche os espaços com as palavras em falta. Usa uma palavra apenas para cada espaço.

Anúncio

Solicito a presença no (1) de um rapaz que nunca tenha feito a (2) nem calçado (3) para partir a (4)

Krakatuk com os (5) e dar o miolo à ____________ (6). Depois, deverá dar (7) passos para trás com os olhos (8). Darei a mão da minha filha ao (9) que, com a sua ação, conseguir ajudá-la a recuperar a sua (10).

O Rei

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