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Vozes dum

Português Pluricêntrico

Coordenação

Susete Albino João Paulo Pereira Direção

Maria José Grosso

www.lidel.pt


Índice Índices

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Lista de Autores

11

Acrónimos e Siglas Utilizadas

15

Nota Prévia

17

Maria José Grosso

Prefácio

19

Ana Maria Martinho

Introdução

23

Capítulo 1 1. A Escrita de Poesia Plurilingue como Tarefa Reflexiva para Estudantes Universitários de Português como Língua Não Materna

25 26

Sílvia Melo-Pfeifer 1.1 Introdução

26

1.2 Métodos Artísticos na Investigação e no Ensino-Aprendizagem

27

1.3 A Poesia Plurilingue como Método Artístico na Investigação e na Formação em Línguas

29

1.4 O Estudo Empírico

30

1.5 Resultados

32

1.6 Conclusão

36

1.7 Referências Bibliográficas

38

Capítulo 2 2. Os Materiais Didáticos de Português como Língua Estrangeira como Agentes de Mudança: Algumas Reflexões e Contributos

41 42

João Paulo Pereira 2.1 Introdução

42

2.2 Pressupostos Teóricos dos Materiais a Apresentar

44

2.3 Apresentação de Materiais Didáticos: Contributos para a Mudança e Inclusão

46

2.4 Conclusão

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2.5 Referências Bibliográficas

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Vozes dum Português Pluricêntrico

Capítulo 3 3. Adaptação de um Teste de Habilidades Metalinguísticas a Alunos de Português como Língua Estrangeira: Estudo Exploratório

63 64

Ana Alexandra Silva 3.1 Introdução

64

3.2 Enquadramento

65

3.3 Metodologia

68

3.4 Perfil dos Alunos

71

3.5 Instrumento de Recolha de Dados

71

3.6 Análise e Discussão dos Dados

71

3.7 Conclusão

83

3.8 Referências Bibliográficas

84

Capítulo 4 4. Aprendizagem da Preposição “a” através de Concordâncias

87 88

Carla Araújo 4.1 Introdução

88

4.2 Preposição “a”

89

4.3 Potencialidades do Uso de Tecnologias Digitais na Aula de Português como Língua Não Materna

96

4.4 Proposta de Ensino e Aprendizagem da Preposição “a” através de Concordâncias

97

4.5 Conclusão 106 4.6 Referências Bibliográficas 107

Capítulo 5 5. A Aprendizagem Baseada em Projetos na Aquisição de Competências de Português e de Tradução por Estudantes Chineses

109 110

Fausto Caels Flávia Coelho Catarina Castro 5.1 Introdução 110 5.2 Descrição da Prática Pedagógica 113 5.3 Resultados 115 5.4 Conclusão 119 5.5 Referências Bibliográficas 120

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Índice

Capítulo 6 6. Quem és tu? O Papel da Escola no Acolhimento da Diversidade Linguística e Cultural

123 124

Ângela Pereira Isabel Agostinho Diniz Vanda Magarreiro 6.1 Introdução 124 6.2 O Crescente Aumento de Residentes Estrangeiros no Nosso País e o seu Acesso 125 à Disciplina de Português como Língua Não Materna: Portugal em Números 6.3 Das Políticas Linguísticas Europeias ao Enquadramento Legal no Ensino 129 e Aprendizagem de Português como Língua Não Materna 6.4 Inclusão de Alunos Migrantes no Meio Educativo Português – Áreas de Atuação? 132 6.5 Cultura – Meio Privilegiado para a Inclusão dos Alunos Recém-Chegados 134 ao Território Nacional 6.6 Conclusão 140 6.7 Referências Bibliográficas 140

Capítulo 7 145 7. Análise das Necessidades Formativas em Português Língua Não 146 Materna e Português Língua de Acolhimento Susete Albino João Paulo Pereira 7.1 Introdução 146 7.2 Enquadramento Teórico 147 7.3 Metodologia 152 7.4 O Curso Português Língua Não Materna e Língua de Acolhimento: 153 da Teoria à Prática 7.5 Apresentação e Discussão de Resultados 153 7.6 Conclusão 159 7.7 Referências Bibliográficas 160

Capítulo 8 8. História dos Avós – Análise do Manual de Língua Portuguesa da 4.a Classe do Ensino Básico da Guiné-Bissau

163 164

Fátima Candé 8.1 Introdução 164 8.2 Descrição Estrutural 166 8.3 Análise em Função das Intenções Educativas 168 8.4 Análise em Função dos Requisitos para a Aprendizagem 169 8.5 Análise em Função dos Aspetos Socioculturais 172

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Vozes dum Português Pluricêntrico

8.6 Análise em Função da Atenção à Diversidade 173 8.7 Conclusão 174 8.8 Referências Bibliográficas 175

Capítulo 9 9. Lisboa em O Canto da Moreia, de Luísa Semedo, e Luanda, Lisboa, Paraíso, de Djaimilia Pereira de Almeida: Representações de uma Cidade Pós‑Colonial

177 178

Susete Albino 9.1 Introdução 178 9.2 Espaço, Lugar e Pós-Colonialidade 178 9.3 Lisboa como Personagem e Experiência Pós-Colonial 180 9.4 Margens, Periferias e Fragmentação Urbana e Identitária 186 9.5 Conclusão 187 9.6 Referências Bibliográficas 188

Capítulo 10 10. Maria Firmina dos Reis e Paulina Chiziane: da Escrita à Opinião

191 192

Inês Guarda 10.1 Introdução 192 10.2 Maria Firmina dos Reis 193 10.3 Paulina Chiziane 198 10.4 Conclusão 201 10.5 Referências Bibliográficas 202

Capítulo 11 11. Máscaras: Interseções Literárias

205 206

Beatriz Francisco 11.1 Introdução 206 11.2 O Poder e a Literatura 207 11.3 Os Mascarados Transmontanos 207 11.4 O Tchiloli 212 11.5 O Nturudu 217 11.6 Conclusão 220 11.7 Referências Bibliográficas 221

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Lista de Autores COORDENADORES/AUTORES Susete Albino

Doutorada em Estudos Portugueses, na especialidade de Ensino do Português, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCSH). Professora Auxiliar Convidada na NOVA FCSH e na Universidade de Leiria e Oeste (ULO), sendo igualmente Investigadora Integrada do EDUNOVA. ISPA – Centro de Investigação Interdisciplinar em Educação. A sua atividade científica centra-se na didática do português como língua não materna, nas políticas públicas de educação e nas litera turas dos países de expressão portuguesa. É autora de diversos artigos científicos e coautora e revisora científica de vários manuais destinados ao ensino do português como segunda língua. Entre os seus trabalhos mais recentes destacam-se, em coautoria, Inclusão linguística e curricular de alunos migrantes e Testes de posicionamento em Português Língua Não Materna, publicados pela Direção-Geral da Educação, em 2025. Paralelamente à investigação, possui vasta experiência docente no ensino superior, lecionando unidades curriculares em cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento. Desenvolve igualmente atividade como formadora acreditada e consultora em processos de avaliação e atualização curricular. João Paulo Pereira

Doutorado em Didática das Línguas – Multilinguismo e Educação para a Cidadania Global pela Universidade Aberta e Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCSH). É Investigador Integrado do CHAM – Centro de Humanidades da NOVA FCSH. Conta com uma vasta experiência de ensino na Europa – tendo lecionado na Suíça, na Rede do Ensino Português no Estrangeiro –, em África – onde trabalhou como Agente da Cooperação na Guiné-Bissau e em São Tomé e Príncipe – e na Ásia – com experiências de trabalho em Macau, nomeadamente no Instituto Português do Oriente, na Universidade de Macau e na Universidade de São José. Tem vários artigos científicos publicados, assim como materiais didáticos para o ensino do português como língua estrangeira. A par do ensino e da investigação, tem desenvolvido atividade na área da formação de professores. AUTORES Ana Alexandra Silva

Doutorada em Linguística pela Universidade de Évora. É Professora Auxiliar na mesma instituição e investigadora integrada do Centro de Estudos em Letras. A sua atividade científica centra-se, sobretudo, na área do Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda, desenvolvendo investigação sobre o ensino e a aprendizagem do português em diferentes contextos. É Diretora do Programa de Doutoramento em Linguística da Universidade de Évora, onde desempenha igualmente funções de docência e acompanhamento de estudantes de pós-graduação.

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Vozes dum Português Pluricêntrico

Ângela Pereira

Professora de Português como Língua Estrangeira para empresas, em Madrid (Espanha). Fundadora do podcast Learning Portuguese is Fun. Mestre em Ensino de Português no 3.º ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário, e de Espanhol nos Ensinos Básico e Secundário, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Doutoranda em Didática das Línguas – Multilinguismo e Educação para a Cidadania Global (especialidade em Ensino de Português Língua Não Materna) na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCSH), em associação com a Universidade Aberta. Investigadora na área do Ensino do Português Língua Segunda/Língua Estrangeira no CHAM – Centro de Humanidades da NOVA FCSH. Beatriz Francisco

Professora de Português no 3.º ciclo do ensino básico e no ensino secundário e licenciada em Estudos Portugueses pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCSH). Mestre em Ensino do Português no 3.º ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário pela NOVA FCSH. Antiga bolseira da Gulbenkian no âmbito das Bolsas Gulbenkian Novos Talentos, onde realizou investigação centrada na relação entre diversas performances e literatura. Carla Sofia Araújo

Professora Adjunta do Departamento de Português da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Bragança. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, concluiu a parte escolar do Mestrado em Ensino da Língua e da Literatura Portuguesas na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e é doutorada em Ciências da Linguagem (especialização em Linguística Aplicada) pela UTAD. A semântica lexical, a linguística de corpus e o ensino do português como língua materna e não materna constituem as suas principais áreas de investigação. É Investigadora Integrada do Centro de Investigação Transdisciplinar em Educação e Desenvolvimento do Instituto Politécnico de Bragança. Catarina Castro

Professora Auxiliar na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais da Universidade de Leiria e Oeste e Investigadora Integrada no Centre for English, Translation and Anglo-Portuguese Studies (CETAPS) na Universidade NOVA de Lisboa. Doutorada em Didática das Línguas Estrangeiras pela Universidade NOVA de Lisboa. Exerceu funções como Leitora de Língua e Cultura Portuguesas do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., na Universidade Nacional de Timor-Leste, nas Universidades Humboldt e Livre de Berlim e, como Professora Visitante, na Universidade Autónoma de Barcelona. As suas áreas de interesse centram-se em abordagens para o ensino e aprendizagem de segundas línguas, educação intercultural e elaboração de materiais didáticos.

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Lista de Autores

Fátima Candé

Professora de Língua Portuguesa e membro do Centre for Language Study na Universidade de Southampton, no Reino Unido. Foi Professora e Coordenadora de Língua Portuguesa na Universidade de Birmingham, no Reino Unido. Trabalhou como formadora em programas de formação de professores na Guiné-Bissau e Moçambique. Foi Professora de Português e Francês no Ensino Secundário e Centro de Formação de adultos em Portugal. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, Ensino de Português e Francês pela Universidade de Aveiro, em Portugal. Mestre em Ensino de Português como Língua Segunda e Estrangeira, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa, em Portugal. Fausto Caels

Professor Auxiliar na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais da Universidade de Leiria e Oeste e Investigador Integrado do Centro de Estudos de Linguística Geral e Aplicada da Universidade de Coimbra. Participou em vários projetos na área do português como língua não materna, tendo colaborado com órgãos como a Fundação Calouste Gulbenkian, o Ministério da Educação ou o Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas. A sua pesquisa atual centra-se no uso do Português enquanto veículo de saberes escolares. É co-autor do Portal dos Géneros Escolares e Académicos, que visa a caracterização da língua portuguesa em diferentes áreas e níveis de ensino, bem como a criação e divulgação de materiais e estratégias para o ensino integrado de língua e conteúdo. Flávia Coelho

Professora Auxiliar Convidada na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais da Universidade de Leiria e Oeste e Investigadora Integrada no Centre for English, Translation and Anglo-Portuguese Studies (CETAPS) na Universidade NOVA de Lisboa. Doutorada em Línguas Modernas: Culturas, Literaturas e Tradução, ramo de estudos de Tradução, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Licenciada em Tradução e Interpretação Português-Chinês e Chinês-Português pela Universidade de Leiria e Oeste. As suas áreas de interesse centram-se na tradução como ferramenta de aprendizagem de línguas estrangeiras; a relação entre pragmática, contexto e aspetos culturais na tradução e interpretação; as abordagens multimodais baseadas na tradução; e as abordagens de ensino comunicativo de línguas. Inês Guarda

Investigadora de pós-doutoramento no projeto MATERIA no King’s College London. Desenvolveu projetos de investigação em Londres, nos Estados Unidos da América e em Portugal. É Investigadora Correspondente do CHAM – Centro de Humanidades da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa e esteve como Leitora do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., na Universidade de Hankuk de Estudos Estrangeiros, em Seul, na Coreia do Sul (2023-2025).

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Vozes dum Português Pluricêntrico

Isabel Agostinho Diniz

Professora do quadro de nomeação definitiva no agrupamento de escolas Ibn Mucana, Cascais, Grupo 300. Licenciada em Português-História pela Universidade Aberta (UAb), pós-graduada em Estudos Portugueses Multidisciplinares pela UAb e mestre em Português Língua Estrangeira e Língua Segunda pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Doutoranda em Didática das Línguas – Multilinguismo e Educação para a Cidadania Global (especialidade em Ensino de Português Língua Estrangeira/Língua Segunda) na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCSH), em associação com a UAb. Investigadora do CHAM – Centro de Humanidades da NOVA FCSH. Sílvia Melo-Pfeifer

Doutorada pela Universidade de Aveiro e Professora de Didática de Línguas Românicas (Espanhol e Francês), na Faculdade de Ciências da Educação, da Universidade de Hamburgo (Alemanha). É Investigadora do Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF), da Universidade de Aveiro, e de Literacy in Diversity Settings (LIDS), da Universidade de Hamburgo. Vanda Magarreiro

Professora de Português Língua Materna e Língua Não Materna, no Ministério da Educação, e de Português Língua Estrangeira (PLE), no Centro de Línguas e Cultura (CliC) do Instituto Politéc­nico de Lisboa. Licenciada em Ensino de Português e Inglês, pela Universidade de Évora, e Mestre em Ensino de Português como Língua Segunda e Estrangeira, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa. Investigadora no CHAM – Centro de Humanidades da NOVA FCSH. Desenvolve investigação no âmbito da cultura, do ensino de português para fins específicos e da criação de material didático. Coautora da obra Português Ativo (Magarreiro, 2022), manual de PLE para fins profissionais e de negócios. A par do trabalho empreendido na área da investigação, conta com mais de duas décadas dedicadas ao ensino de português. AUTORA DO PREFÁCIO Ana Maria Martinho

Professora Associada com Agregação Aposentada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCSH). Investigadora Integrada do CHAM – Centro de Humanidades da NOVA FCSH e Investigadora Associada do Centre de Recherches sur les Pays Lusophones (CREPAL). Professora Visitante e conferencista convidada em diversas universidades em África, Europa e Estados Unidos. É também membro correspondente da Academia Angolana de Letras e integra a Cátedra de Língua Portuguesa da Universidade Católica de Angola, pertencendo a outras organizações académicas nacionais e internacionais. Tem coordenado e criado seminários e cursos em todos os níveis de docência, e orientado teses académicas e projetos de investigação avançada em Portugal e no estrangeiro. Tem-se dedicado, desde o início da sua carreira, à divulgação das literaturas e culturas em língua portuguesa e do português como língua não materna, sendo destas áreas a sua obra publicada. 14

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Nota Prévia O livro Vozes dum Português Pluricêntrico, coordenado por Susete Albino e João

Paulo Pereira, apresenta uma investigação polifacetada em português sobre o ensino e a aprendizagem da língua, com foco na inovação e na diversidade temática. A ideia subjacente do português enquanto língua pluricêntrica constitui um marco fundamental para a superação de visões monocêntricas e homogéneas, fazendo emergir a existência de diversas culturas e de múltiplos centros normativos do português. A obra em apreço adota esta premissa como um princípio axiológico que legitima a variação e promove o respeito pela alteridade linguística e cultural. Numa sociedade contemporânea marcada pela mutabilidade constante, a língua e o seu ensino são orientados pela ação e pela diversidade, e a inclusão de vozes diferenciadas na poesia plurilingue funciona como um catalisador desta premissa. A diversidade dos estudos aqui presentes, com apelo à reflexão, concentra-se em pontos vitais do ensino e da aprendizagem de uma língua, como as dificuldades dos alunos, as necessidades formativas dos professores, as metodologias ativas baseadas na aprendizagem por projetos e a importância dos materiais como agentes de mudança. O texto literário e a criação poética demonstram que a inovação pode residir na diferença e consolidam uma visão abrangente sobre a cultura e o pluricentrismo dos falantes. A diversidade dos estudos, aliada à inovação pedagógica, é um dos focos importantes desta obra. Espera-se, em alinhamento com os autores, que estas vozes pluricêntricas atuem efetivamente como vozes de mudança, capazes de capacitar os falantes para uma comunicação global assente na tolerância, na flexibilidade e na inovação.

Maria José Grosso Diretora da Coleção

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Prefácio O presente volume, cocoordenado por Susete Albino e João Paulo Pereira, apre-

senta-se à comunidade educativa e académica como um excelente exemplo do valor de contributos multidisciplinares quando falamos de Língua Portuguesa (LP), do seu estudo e ensino. Temos feito um longo caminho de construção de pontes pedagógicas e de valorização de modelos de aprendizagem do Português como Língua Não Materna (PLNM) em torno de um pluricentrismo que os campos de ação linguística ajudam a enquadrar e definir. Muitos investigadores de diferentes gerações, professores, responsáveis de variadas instituições, vêm mobilizando os seus recursos para tornar este lugar de debate e práticas efetivo e eficaz na resposta aos desafios do momento. E esses desafios são marcados pela mobilidade constante de realidades sociais e linguísticas, bem como pela exigência de respostas rápidas aos imperativos didático e teórico. Cabe-nos a todos participar nesse processo e construir as respetivas respostas. Esta edição tem a propor-nos dez textos que são bem demonstrativos de dinâmicas de pesquisa cooperativa, assente em trabalhos de investigação-ação, a par da análise de materiais, documentos orientadores, textos literários e realidades culturais. Apresentam‑se, pois, de acordo com diversos eixos temáticos, dos quais destacamos metodologias, experiências pedagógicas, textualidades, expressões. A abrir o volume, Sílvia Melo-Pfeifer propõe-nos a interpelação de métodos de investigação logocêntricos, na procura de formas reflexivas sobre o que designa por “plurilinguismo individual” e que tão bem enquadra a oportunidade de utilização de métodos artísticos na definição de identidades linguísticas dos alunos de português como L2. Ao distanciar-se das representações convencionais e uniformes de modelos de aprendizagem, deixa-nos o importante destaque do valor de uma escrita de poesia plurilingue mobilizadora de estratégias centradas em cada aluno em particular e com resultados dissemináveis e conformes a critérios inovadores. Trata-se também de um projeto concebido em associação com o Erasmus+ Blended Intensive Programme. Segue-se o texto de João Paulo Pereira sobre materiais de Português como Língua Estrangeira (PLE) e o potencial de mudança que podem suscitar. Defende-se aqui também a necessidade de reagir a todas as formas de discriminação através da identificação e desenvolvimento de diferentes estilos de aprendizagem, ideia que pode ser libertadora se gerida num quadro de modelos adaptados de forma apropriada a contextos e circunstâncias particulares. Segue para tal a análise de experiências conduzidas por si próprio na Guiné-Bissau e em Macau. Os objetivos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, atinentes aos princípios de uma educação para todos, são referidos como uma inspiração para os materiais didáticos Livro de Exercícios para Aprendentes Crioulófonos Guineenses do Portu‑ guês Língua Não Materna, o manual Dar à Língua e a plataforma digital Português

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Vozes dum Português Pluricêntrico

à Vista. Focam-se em grupos sociais pouco ou nada representados nos materiais em geral e seguindo princípios de defesa de valores universais. Ana Alexandra Silva traz-nos um estudo exploratório que resulta de um teste de habilidades metalinguísticas a alunos de PLE. Partindo da premissa de que o desenvolvimento da consciência linguística em língua estrangeira se pode basear nos mesmos pressupostos que se utilizam para a aquisição da Língua Materna (LM), elabora sobre o modo como as diferentes operações por parte dos estudantes, neste caso universitários, podem ocorrer e originar modalidades autónomas de estudo e de “desenvolvimento de uma consciência contrastiva” em contexto de imersão linguística. Ao mesmo tempo, procura resposta para a hipótese de que estratégias pedagógicas que incluem exercícios de análise metalinguística permitem mais adequado domínio de usos linguísticos. Centrando-se na aprendizagem de preposições, em particular “a”, Carla Araújo apresenta uma resenha de estudos que apontam este uso como especialmente desafiador para os estudantes de PLNM. Partindo do Corpus Internacional do Português, propõe um modelo pedagógico, Data Driven Language Learning, conducente ao desenvolvimento das competências lexicais e em ambiente de uso de tecnologias digitais, com especial destaque para o valor das concordâncias na resolução dos problemas identificados. Procura assim contribuir para a aprendizagem dessa preposição nas aulas de PLNM, que identifica como área crítica no quadro de aquisições gramaticais e comunicativas fundamentais. Fausto Caels, Flávia Coelho e Catarina Castro centram-se na realidade de estudantes de LM chinesa a frequentar a Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria1, partindo da identificação das suas dificuldades no acesso à informação disponível sobre avaliação e regulamentos internos. O seu contributo neste volume faz a apresentação de um projeto premiado na segunda edição do Concurso de Incentivo a Projetos de Inovação Pedagógica do Instituto Politécnico de Leiria em 2023 e “procura aliar a aprendizagem de PLE e a tradução multimodal português-chinês à metodologia de Projeto”. Para os autores, a aprendizagem basea­ da em projetos constitui uma resposta eficaz a dificuldades desta ordem, dado que facilita não só as competências interpessoais como comunicativas e pragmáticas. Foram para o efeito produzidos vídeos de enquadramento tutorial, em cooperação com docentes e técnicos. Também partindo da preocupação em identificar e contribuir para o acolhimento adequado de estudantes estrangeiros no nosso país, Ângela Pereira, Isabel Agostinho Diniz e Vanda Magarreiro retomam o quadro legislativo e oficial passado e atual, elabo­rando sobre as suas virtudes e insuficiências. Avançam igualmente a identificação dos domínios a ter em conta na consolidação de estratégias, com foco particular nas parcerias com estruturas de proximidade familiar ou comunitária. As autonomias das 1  O Decreto-Lei n.º 135/2026, de 9 de julho, criou a Universidade de Leiria e Oeste, que sucedeu ao Instituto Politécnico de Leiria. Embora o

diploma tenha entrado em vigor em 24 de julho de 2026, a sucessão institucional produziu efeitos em 7 de agosto de 2026, com o início do regime de instalação da Universidade. Atendendo à data de produção dos textos que integram a presente obra, mantém-se, ao longo do livro, a designação “Instituto Politécnico de Leiria”.

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Prefácio

escolas em muitas das decisões neste contexto permitem que se leve ainda mais longe o uso da alteridade e a hospitalidade como marcadores de valorização das culturas e línguas de origem. Susete Albino e João Paulo Pereira centram-se na análise das necessidades formativas no domínio do PLNM e do Português como Língua de Acolhimento, num contexto marcado pelo crescimento dos fluxos migratórios e pela crescente diversidade­linguística e cultural nas escolas portuguesas. Partindo da experiência de uma ação de formação dirigida a docentes e formadores, os autores apresentam um estudo sustentado em dados recolhidos por questionário e entrevista que identifica as principais dificuldades sentidas pelos profissionais que trabalham nestas áreas. O texto evidencia lacunas ao nível da formação específica, da produção de materiais didáticos e da operacionalização do enquadramento legal existente, e sublinha a importância de reforçar a formação inicial e contínua de professores e de consolidar respostas educativas capazes de promover a inclusão linguística e social dos novos públicos aprendentes. No seu texto, Fátima Candé relata o quadro de dificuldades de produção e acesso a materiais didáticos na Guiné-Bissau e faz a análise do manual de LP para a 4.a classe História dos Avós. A situação linguística e educativa do país apresenta, en­tre outros desafios, uma realidade de uso da LP em contexto educativo sem corres­ pondência a usos quotidianos generalizados e com acesso limitado a materiais de estudo. Embora se trate de um recurso que apresenta novidades em relação a outros materiais, reconhece-se a necessidade de um caminho melhorado de ajustamento e adaptação linguística, assim como as necessidades de aprendizagem. Susete Albino faz a leitura comparada de O Canto da Moreia, de Luísa Semedo, e Luanda, Lisboa, Paraíso, de Djaimilia Pereira de Almeida, na pesquisa de modelos de apresentação da cidade em contexto pós-colonial. Trata-se de “(re)pensar a relação de Portugal com as antigas colónias” e para isso faz a revisitação de histórias de encontro e desencontro no quadro das diásporas cabo-verdiana e angolana. Todo o lugar é palco de circulação de ideias, linguagens, narrativas da experiência, e daí parte muito do que se apresenta como constitutivo de leituras contemporâneas, provisórias, das identidades. Também de escritoras e de narrativas silenciadas nos fala Inês Guarda, ao propor que consideremos as histórias de vida e de escrita de Maria Firmina dos Reis e de Paulina Chiziane. Ambas rejeitaram modelos sociais impostos e ambas se posicionaram de modo público contra o fatalismo das existências femininas impostas social ou politicamente. Úrsula e O Alegre Canto da Perdiz são os textos que convocam o nosso olhar para percursos de resistência, pela escrita em português contra o apagamento e o silêncio. O trabalho que fecha esta edição é de Beatriz Francisco e centra-se no estudo comparado da máscara como objeto cultural a partir de três modelos performativos: os mascarados transmontanos (Portugal); o Tchiloli (São Tomé e Príncipe); e o Nturudu (Guiné-Bissau). Apesar das diferenças que apresentam, estes eventos e rituais têm em comum uma dimensão pública participativa que atualiza significados a

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Vozes dum Português Pluricêntrico

partir de textualidades complexas tributárias da história oral e da validação linguística­ de arquivos coletivos. As máscaras apresentam-se como objetos de mediação expressiva, cultural e antropológica. Por tudo o que anteriormente se refere, pelo valor dos contributos apresentados, reiteramos o nosso entendimento de que estamos perante uma obra que em muito acrescentará ao estudo da LP nas suas múltiplas dimensões e que seguramente será inspiradora para futuros estudos e práticas pedagógicas.

Ana Maria Martinho Professora Associada com Agregação Aposentada da NOVA FCSH. Investigadora Integrada do CHAM e Investigadora Associada do CREPAL.

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Introdução Pensar o português como língua pluricêntrica implica reconhecer que nenhuma

língua se esgota numa norma, num território ou numa memória única. Pela sua história, pela sua circulação e pelas comunidades que a falam, ensinam, aprendem e reinventam, a língua portuguesa constitui hoje um campo de encontro, tensão, negociação e transformação. É nesse horizonte, simultaneamente linguístico, cultural, pedagógico e simbólico, que se inscreve o presente volume. Vozes dum Português Pluricêntrico reúne contributos que partem de diferentes lugares de observação, mas que convergem numa preocupação comum: compreender de que modo o ensino, a aprendizagem e a representação da língua portuguesa podem responder à heterogeneidade dos seus sujeitos e contextos. A noção de pluricentrismo que aqui se convoca não é entendida apenas como categoria descritiva da variação linguística, mas como princípio de leitura crítica das práticas educativas, dos materiais didáticos, das políticas linguísticas, dos textos literários e das experiências culturais que dão forma ao português enquanto língua de pertença, de acolhimento, de herança, de criação e de mediação. Neste quadro, ensinar e aprender português em contextos marcados por mobilidades, migrações, contactos linguísticos e desigualdades de acesso exige mais do que a transmissão de conteúdos gramaticais ou comunicativos. Exige reconhecer os repertórios dos aprendentes, valorizar as suas experiências e construir práticas pedagógicas capazes de transformar a diferença em recurso. Sob esta perspetiva, o português deixa de ser concebido como objeto homogéneo e estabilizado para ser entendido como realidade dinâmica, atravessada por memórias, saberes e formas diversas de estar no mundo. Os estudos reunidos neste livro evidenciam essa complexidade. Alguns centram­‑se nas práticas de ensino e aprendizagem do português como língua não materna, língua estrangeira ou língua de acolhimento, problematizando metodologias, necessida­des formativas, instrumentos de diagnóstico, materiais didáticos e estratégias de inclusão. Outros deslocam o olhar para a literatura e para as manifestações culturais, mostrando como os textos, as cidades, as personagens, as máscaras e as narrativas silenciadas permitem interrogar criticamente a história, a memória, a identidade e os legados coloniais e pós­‑coloniais. Em conjunto, estes contributos propõem uma leitura ampla da língua portuguesa, não circunscrita à sala de aula, nem separada dos contextos sociais, políticos e culturais em que é usada e significada. A diversidade temática do volume não deve, por isso, ser entendida como dispersão, mas como expressão da própria natureza do português. A língua que aqui se observa manifesta­‑se nos desafios enfrentados por docentes e aprendentes, na necessidade de materiais mais inclusivos e contextualizados, na urgência de políticas educativas mais sensíveis à heterogeneidade dos públicos, mas também na literatura que destapa zonas de invisibilidade, nos imaginários urbanos que reconfiguram pertenças e nas práticas culturais que preservam e atualizam arquivos coletivos.

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Vozes dum Português Pluricêntrico

Importa, ainda, sublinhar que o pluricentrismo não se reduz ao reconhecimento formal da existência de diferentes variedades do português; ele implica uma atitude epistemológica e pedagógica que questiona hierarquias, desloca centros e permite escutar aquilo que, durante demasiado tempo, permaneceu na margem dos discursos dominantes. Falar de um português pluricêntrico é, assim, falar de uma língua em movimento, construída na relação entre sujeitos, territórios e histórias; uma língua que se afirma tanto pela sua dimensão comum como pela pluralidade das suas realizações. Este volume nasce da convicção de que a reflexão sobre a língua portuguesa deve acompanhar as transformações dos seus contextos de uso e dos seus públicos. Num tempo em que as sociedades se tornam cada vez mais linguisticamente hetero­ géneas e em que as instituições educativas são chamadas a responder a desafios de inclusão, equidade e qualidade, torna­‑se fundamental produzir conhecimento que articule investigação, prática pedagógica e leitura crítica da realidade. Os textos aqui reunidos procuram contribuir para esse debate, oferecendo perspetivas que não encerram a discussão, antes a alargam. Ao convocar diferentes olhares, este livro pretende afirmar o português como lugar de pluralidade e de diálogo.

Susete Albino João Paulo Pereira Coordenadores

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CAPÍTULO 2 Os Materiais Didáticos de Português como Língua Estrangeira como Agentes de Mudança: Algumas Reflexões e Contributos


Vozes dum Português Pluricêntrico

2.  Os Materiais Didáticos de Português como Língua Estrangeira como Agentes de Mudança: Algumas Reflexões e Contributos João Paulo Pereira

“Devemos deixar para trás a discriminação, porque é mesquinha e ignorante, recusa o contacto e o carinho, e corrói a crença da humanidade na possibilidade de melhorarmos.” (Weiwei, 2021, p. 11)

2.1  Introdução

Os materiais didáticos constituem um elemento intrínseco do processo educa-

tivo, desempenhando um papel central no ensino e aprendizagem de uma língua (Garton & Graves, 2014, p. 1). A utilização dos materiais, ao longo dos tempos, é testemunha da evolução dos suportes, decorrente dos avanços tecnológicos, assim como das teorias de aprendizagem e propostas pedagógicas que determinam as características e as funções que vão assumindo. Mas é também através dos materiais didáticos que são veiculados valores, normas e políticas assentes num modelo de desenvolvimento baseado na inclusão, na valorização da diversidade linguística e cultural e na participação ativa num mundo cada vez mais global e interdependente. É consciente das implicações educativas, mas também ideológicas dos materiais didáticos, que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) tem promovido um conjunto de orientações e recomendações baseadas em princípios universais, como a Educação para Todos1, e nos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio2, para a revisão e produção de materiais, sobretudo no que diz respeito ao manual (UNESCO, 2002, 2009). Trata­‑se, no fundo, de adotar uma abordagem centrada nos direitos humanos e no combate a todas as formas de preconceito, discriminação e intolerância: “Inherent to a rights­‑based approach to textbook development, therefore, is a commitment to eliminating all forms of bias, intolerance and stereotyping which threaten to undermine human rights and foster negative attitudes and violent behaviors.” (UNESCO, 2005, p. 16)

1  Princípio adotado na World Conference on Education for All: Meeting Basic Learning Needs, que teve lugar em Jomtien, na Tailândia, em

1990 (Montagnes, 2001, p. 4). 2  Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram adotados pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2015, prevendo­‑se o seu

cumprimento até 2030. A prioridade dada à educação e às questões da inclusão constituem a matéria de dois dos 17 ODS, nomeadamente o quarto ODS, Educação para Todos, e o quinto ODS, Igualdade de Género (United Nations General Assembly, 2015).

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Excerto 3: Meu exercício favorito foi o segundo com os poemas, diverti­‑me muito. Quando vivia com o meu namorado em Lisboa, mudámos a língua muito. (...) Acho que é uma lembrança para activar os conhecimentos linguísticos que temos individualmente. Quando escrevia, pensei muito nas diferentes e nos significados das palavras nas línguas diferentes, comparei­‑os. Acho que o exercício foi melhor quando se sabe mais línguas. Aprender uma língua pode ser frustrado quando não sabemos todo mas com este exercício, ficamos motivados com todos os conhecimentos pessoais (Aluno de Português na Alemanha, Línguas, 2022). O estudante menciona que este exercício de escrita poética serve como uma “lembrança para ativar os conhecimentos linguísticos que temos individualmente”. Isso implica que o exercício o ajudou a relembrar e a utilizar os conhecimentos prévios em várias línguas. O estudante refere, ainda, que “o exercício foi melhor quando se sabe mais línguas”. Esta afirmação sugere que a atividade é particularmente benéfica para os estudantes que têm mais línguas nos seus repertórios plurilingues (ao contrário do pressuposto inicial, transmitido pela docente, de que todos os participantes são plurilingues), proporcionando uma oportunidade de aprofundar e consolidar esse conhecimento. Finalmente, e referindo­‑se à dimensão emocional do ensino­‑aprendizagem de línguas, o estudante reconhece que aprender uma língua pode ser frustrante devido à incompletude do conhecimento, mas ressalta que este exercício, ao valorizar os conhecimentos pessoais existentes, aumenta a motivação dos aprendentes.

1.5.2  Acerca da escrita poética plurilingue no ensino­‑aprendizagem de línguas

O Excerto 4 sublinha a importância das emoções humanas na aprendizagem da língua, conforme já referido na secção teórica, e destaca o papel da arte como meio eficaz para quebrar barreiras culturais e linguísticas. Ao afirmar que “aprender uma língua é saber usá­‑la”, a estudante enfatiza a aplicação prática da língua em contextos reais de comunicação, que vão além da simples aquisição de competências linguísticas, incluindo a expressão de sentimentos e a apreciação da diversidade cultural. Excerto 4: (...) As emoções humanas são partilhadas e a arte é uma forma de quebrar as barreiras, e certamente ajuda muito no processo de aprendizagem de uma língua. Aprender uma língua é saber usá­‑lo. Usa­‑se a comunicar com as pessoas, a expressar sentimentos pessoais, a sentir a diversidade cultural, etc. Não se focamos apenas na comunicação linguística, mas também vale a pena desenvolvemos a compreensão cultural e intercultural que contêm os

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6. “A professora espirrou o carro."

a. QL: “Esta frase pode ser dita assim?” Resposta: “sim” ou “não”. 55,6% dos alunos consideraram que a resposta linguística seria “não”, enquanto 44,4% disseram que “sim”.

b. QML: "Pode explicar a resposta dada em 5 e em 6?"

RML: • “E os dois.” • “a oração não está completo, não mostra informação o que? Ou seja não existe o complemento direto.” • “A professora necessita muito um carro.” • “A segunda frase està escrita corretamente mas não faz sentido.” • “Eu acho que o primeiro seria o verbo suspirar e o segundo a aspirar.” • “A primeira frase é correta porque temos o verbo que não necessita a outra palavra depois, mas a segunda frase não é lógica porque temos a palavra que não tem lógica nesta frase.” • “Porque é um verbo sensorial.” • “A Professora espirro dentro do carro.”

Figura 3.6 – Atividade 6 (avaliação da aceitabilidade linguística)

As RML obtidas mostram que as duas frases podem ter gerado algumas dificuldades aos alunos. Mesmo na QL, em que o aluno teria de optar pela aceitabilidade, ou não, das duas frases, reconhece­‑se a indecisão: na frase 5, apenas 70% consideraram que a mesma era aceitável, porém, na frase 6, 55,6% acham que “A professora espirrou o carro” é aceitável, para uma menor percentagem (44,4%) que considera que a frase não se pode dizer da forma apresentada (Quadro 3.4). Nível 0

Nível 1

Nível 2

Pré­‑analítico

Análise pertinente, mas insuficiente

Análise pertinente e exaustiva/completa

• “E os dois.” •  “A professora necessita muito um carro.” •  “Eu acho que o primeiro seria o verbo suspirar e o segundo a aspirar.” •  “Porque é um verbo sensorial.” •  “A Professora espirro dentro do carro.”

•  “a oração não está completo, não mostra informação o que? ou seja não existe o complemento directo.” •  “A segunda frase [6] està escrita corretamente mas não faz sentido.”

“A primeira frase [5] é correta porque temos o verbo que não necessita a outra palavra depois, mas a segunda frase não é lógica porque temos a palavra que não tem lógica nesta frase.”

5 respostas

2 respostas

1 resposta

Quadro 3.4 – Respostas às atividades 5 e 6 78

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Máscaras: Intersecções Literárias

11.2  O Poder e a Literatura

A literatura está presente nas três manifestações culturais em estudo (apresentadas e exploradas na secção 11.3), sendo de tipos e temáticas muito distintas: novas composições em verso são feitas a cada ano, nos mascarados transmontanos; o Tchiloli baseia­‑se num texto dramático originalmente em verso, mas já alvo de diver­ sas alterações; no Nturudu, as composições que circulam são, na sua maioria, em verso. Há máscaras e há literatura a circular nas três performances, mas tanto a literatura como as máscaras são muito diversas umas das outras. Então, qual é o ponto de contacto? O poder enquanto temática literária pode ser o elo. É um tema vasto com subtemas comuns identificáveis: o poder do sagrado; o poder de ser; o poder da justiça. O poder do sagrado prende­‑se com o catolicismo, mas também com cultos locais e/ou ancestrais (Carlos, 1991). Está presente tanto na literatura como nas performances em causa. Aquilo que se denomina por poder de ser corresponde à celebração que as comunidades fazem da sua identidade coletiva, que se reflete nas identidades individuais (sendo reflexo delas). Estas identidades estão no centro dos casos aqui analisados. O poder da justiça relaciona‑se com a sua aplicação, que pode ser feita de formas muito distintas, estando o seu exercício associado ao poder (em última análise, ao poder de decidir). No âmbito das manifestações culturais em análise, interessam sobretudo as reflexões em torno da aplicação das leis e da justiça popular. Os três subtemas serão explorados em cada um dos casos. 11.3  Os Mascarados Transmontanos

Aqui apresentados em conjunto, os mascarados transmontanos são celebrados de forma distinta de localidade para localidade. Em Portugal, existem 26 celebrações com mascarados, a maior parte em Trás­‑os­‑Montes. Por isso, o foco de análise prender­‑se­‑á nesta região geográfica, incluindo os mascarados de Lazarim, devido à semelhança dos rituais. A maior parte das performances dos mascarados transmontanos está inserida nos ritos festivos do Ciclo de Inverno, que se inicia no mês de novembro e termina no Entrudo (Cordeiro, 2016, p.13). Este ciclo relaciona­‑se com o tempo frio e chuvoso, que marca a saída dos mascarados às ruas. Assim, em muitas localidades, os rituais começam no dia 1 de novembro, que é, também, o Dia de Todos os Santos. Iniciados em novembro, é em dezembro, durante o solstício de inverno, ou seja, no Natal, que ocorrem os mais importantes rituais de passagem associados aos jovens rapazes. Estes rituais, que são de (re)começo, divergem de aldeia para aldeia, apesar de existirem pontos em comum. O culminar das festividades, rituais e performances mais importantes acontece no Entrudo, momento em que os mascarados, durante alguns dias, saem às ruas para encerrar o Ciclo de Inverno e marcar a entrada nas © LIDEL EDIÇÕES TÉCNICAS

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