MAIS SOBRE A CAPOEIRAGEM EM MINAS GERAIS
LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO MARANHÃO ACADEMIA LUDOVICENSE DE LETRAS ACADEMIA POÉTICA BRASILEIRA CENTRO ESPORTIVO VIRTUAL PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA; MESTRE EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
Mal publiquei “Cada quá no seu cada quá: quando a Capoeiragem começou...” e já tenho que fazer algumas modificações. Na leitura dos meus próprios artigos sobre o inicio da Capoeirgem nos diversos estados, ‘perdi’ nos mais de 420 artigos registrados, “’Capoeiras’ nas Gerais”... E lá vamosa nós, fazer um cotejo entre os dois artigos, para uma melhor identificação de quando a Capoeiragem inicou naquele Estado brasileiro: “CAPOEIRAS” NAS GERAIS foi especialmente preparado para o I CONGRESSO MINEIRO DE CAPOEIRA ON-LINE A história da capoeira de Minas Gerais é, muitas vezes, retratada de forma indireta. Vários estudos contemplam os capoeiras mineiros que atuaram em outros estados brasileiros, auxiliando as reflexões sobre a capoeira em Minas Gerais no final do século XIX e início do XX, e também sobre sua trajetória na contemporaneidade. Temos, por exemplo, as histórias e vivências do célebre capoeira mineiro Pedro José Vieira, cujo apelido era Pedro Mineiro, que viveu em Salvador, na Bahia, no início do século XX. Existe também a identificação de capoeiras mineiros na Casa de Detenção do Rio de Janeiro, na década de 1880, e nos Livros de Registros de Presos da Casa de Detenção da Corte e do Distrito Federal, no período de 15 de novembro de 1889 a 13 de maio de 1899. http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Mapeamento_da_capoeira_de_minas_ge rais.pdf De acordo com a historiadora Ilka Boaventura Leite, motivos econômicos fizeram com que muitos viajantes europeus estivessem em terras mineiras para registrar sua visão sobre aquele “novo mundo‟. E o que mais chama atenção nos diferentes relatos dos mais diversos viajantes foi que “todos os viajantes que passaram por Minas Gerais, no século XIX, foram unânimes em destacar a dança e a música como traços característicos e marcantes da cultura dos negros africanos e seus descendentes” (LEITE, 1996, p. 149)1. O naturalista alemão George Wilhelm Freyreiss[1] em viagem a Minas Gerais em 1814 -1815, em companhia do barão de Eschwege [2], assistiu e registrou um batuque, e ao descrever a dança, fala da umbigada [punga]: “Os dançadores formam roda e ao compasso de uma guitarra (viola), move-se o dançador no centro, avança, e bate com a barriga na barriga de outro da roda (do outro sexo). No começo o compasso é lento, depois pouco a pouco aumenta e o dançador do centro é substituído cada vez que dá uma umbigada. Assim passam a noite inteira. Não se pode imaginar uma dança mais lasciva do que esta. Razão pela qual tinha muitos inimigos, principalmente os padres.” [3] (Grifos nossos)
1
LEITE, I. B. Antropologia da Viagem: escravos e libertos em Minas Gerais no século XIX. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1996. Citada por Palhares, Leandro Ribeiro Capoeira mineira brasileira: uma introdução aos fundamentos históricos da capoeira, disponível em http://acervo.ufvjm.edu.br/jspui/bitstream/1/1058/4/capoeira_mineira_brasileira.pdf