Revista n.º 58 julho 2021
Revista online
Mikrós |Vencedora|1.º lugar| Teresa Pessoa
ISSN 2183-993X
Entrevista
Nini Andrade Silva
No rasto de
Elisa Silva
Leia FF n.º 58| Índice
Ficha Técnica
N.º 58 julho 2021
ISSN 2183-993X Direção: Mestre António Pires Coordenação: Prof.ª Isabel Lucas Prof.ª Maria do Rosário Antunes Revisão: Prof.ª Maria do Rosário Antunes Design e Página Web Prof.ª Isabel Lucas Redação: Prof.ª Maria do Rosário Antunes Colaboração: Comunidade Educativa Colaboração Especial: Nini Andrade Silva Elisa Silva Fotografia: Comunidade Educativa Tratamento Fotográfico: Prof.ª Isabel Lucas Capa: Aluna Teresa Pessoa , 11.º 14, do Curso de Artes Visuais. Contactos: Escola Secundária de Francisco Franco, Rua João de Deus, n.º 9 9054-527 Funchal Email geral: esffranco@madeira-edu.pt Email da Revista Leia FF: leiasff@esffranco.edu.pt Telefone: 291 202 820 Fax: 291 230 342 2
Nesta Edição Editorial
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Carreiras
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No rasto de...
Elisa Silva - trilho que o coração conhece
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Clubes e Projetos
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Aconteceu
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Textos livres dos professores
No Olhar de...
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Vemos e escrevemos
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Mestre António Pires - Presidente do Conselho Executivo
Entrevista - Nini Andrade Silva
Atividades dos Clubes
Mundo tecnológico e digital: Olhar o futuro
Textos livres dos alunos
Sugestões
Exposições
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Leia FF n.º 58 |Editorial
Editorial
Presidente do Conselho Executivo O final do ano letivo é sempre tempo de balanço, de avaliação e de reflexão sobre o que foi acontecendo desde setembro passado. Este foi, em muitos aspetos, um ano atípico que a todos pôs à prova, exigindo uma capacidade excecional de adaptação e de superação. Chegados, entretanto, ao fim, podemos dizer que a escola no seu todo foi capaz de se adaptar, de se organizar de uma forma diferente, de corresponder aos desafios, inovando e sendo criativa. Para isso, pudemos contar com a colaboração de todos, que souberam dar o melhor de si para que o ano letivo decorresse com “normalidade”, continuando a escola a ser um espaço privilegiado de ensino e de aprendizagem, de educação, formação cívica e humanista, apesar das contingências e das limitações vividas. Fazer com que tudo isto continuasse a acontecer num ambiente de serenidade e respeito pelas normas foi o desafio superado. Agora, fazendo o balanço dos resultados escolares, mais uma vez a escola superou de forma significativa os do ano anterior, situação que já vem acontecendo todos os anos desde 2014, primeiro ano em que os prémios de mérito foram instituídos. São a tradução do empenho, Organização: Conselho Executivo dedicação e trabalho dos nossos professores e alunos que, numa escola organizada (Texto: Mestre António Pires/Imagem) para potenciar esses bons resultados, vêem assim premiado o seu esforço. Porque sabemos que uma sólida formação científica/académica, alicerçada em valores de cidadania ativa e formação ética e humana, é garantia não só de uma sociedade melhor, mas também de sucesso académico, profissional e pessoal, é que nós consideramos assim tão importante esta aposta na qualidade da educação e formação. É este o melhor investimento que podemos fazer no nosso futuro coletivo e no futuro dos nossos alunos. Por outro lado, apesar de estarmos numa ilha, tal circunstância em nada nos limita, podendo hoje competir com as melhores escolas públicas do país na preparação dos nossos alunos, num clima escolar que potencia as aprendizagens, formando cidadãos aptos para competir e ter sucesso num mundo global. E se é para este mundo global que preparamos os nossos alunos, esta revista apresenta-nos exemplos de madeirenses que foram capazes de se afirmar lá fora, mostrando que o talento, as qualificações, a sólida formação são garantia de sucesso. É esta a escola que queremos continuar a construir, fomentando o desabrochar de talentos, criando condições para que todos possam voar até aos limites dos seus sonhos e ambições, oferecendo a todos uma grande diversidade de atividades, desafios e experiências nas mais distintas áreas, quer relacionadas com o currículo quer como seu complemento, permitindo aos alunos que passam pela Francisco Franco o contacto com as mais variadas dimensões da cultura e do conhecimento, para que daqui saiam cidadãos autónomos, assertivos, inovadores, críticos e solidários. E porque o sucesso da escola depende do contributo de todos os que a constituem, nunca é demais realçar o verdadeiro espírito de entrega à causa da educação de tantos profissionais que assumem na perfeição a nobre missão de educar, realizando-se naquilo que fazem e tornando o ambiente escolar potenciador de aprendizagem, conhecimento, formação e educação, e que são a razão do sucesso da escola neste ano tão difícil e garantia de um futuro promissor para todos os que escolherem a Francisco Franco para estudar. António Pires 3
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Entrevista a Nini Andrade Silva (Texto/Imagem: cedidas por NAS)
Nini Andrade Silva, de seu nome completo Isabel Maria Andrade Silva, é uma prestigiada designer de interiores madeirense, cujo trabalho é reconhecido e valorizado em todo o mundo. O Funchal é a sua cidade-berço, tendo iniciado a sua formação superior em Lisboa, no Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing (IADE), na área do Design. Daí, partiu para outras grandes metrópoles em países como os EUA, França, Reino Unido, África do Sul e Dinamarca, onde complementou a sua formação e desenvolveu a sua atividade profissional. A sua marca está espalhada um pouco por todo o globo, destacando-se não só no design de mobiliário, como ainda na pintura. A carreira de Nini foi já distinguida com dezenas de prémios nacionais e internacionais, relativos especialmente a projetos que realiza em espaços hoteleiros.
REVISTA LEIA FF | Hoje, é uma designer de interiores muito conceituada, trabalhando dentro e fora de portas. Quais eram as aspirações da Nini «menina»? Já sonhava com a vida da Nini mulher / presente? NINI ANDRADE SILVA | Sim, sempre soube que faria algo diferente. Sempre quis destacar-me na área criativa. Quando era miúda, já fazia as minhas próprias peças, tinha uma criatividade e imaginação que já se destacavam. A minha mãe dizia que até o meu nome, “Nini”, eu escolhi. RL | Após concluir a sua formação académica no IADE, começou logo a trabalhar em design de interiores? O que se seguiu? NAS| Sempre fiz muita coisa em paralelo, desde a organização de eventos, aos projetos de design, à pintura. Enquanto estudava, dedicava-me a imensas coisas, produzia peças de roupa, arte, design e decoração. Tudo aconteceu de forma natural e uma coisa levou à outra. Abri uma loja de decoração e design e os projetos começaram a surgir. Daqui até à criação do meu próprio atelier, foi um processo interligado. 5
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RL| Consegue identificar a altura ou projeto que foi o «ponto de viragem», aquele que lhe deu uma maior visibilidade? NAS| Sim, eu penso que há dois projetos que marcaram pontos de viragem na minha carreira. Um deles foi a minha casa no Garajau, que pude projetar exatamente como idealizava e que me deu entrada direta para o Guia Internacional do Design de Interiores, do grande Andrew Martin. O segundo projeto foi, sem dúvida, o design de interiores do Aquapura Douro Valley Hotel & Spa, um projeto incrível que me colocou nas bocas do mundo do design. RL| Durante todos estes anos em que a sua carreira se tornou internacional, tem visitado muitos países, onde desenvolve diversos projetos. Qual a experiência mais gratificante? NAS| Sinceramente, não consigo escolher uma. Sou grata pelas experiências que tive e com todas pude aprender. Quem me conhece sabe que sou apaixonada pelo Oriente e a Tailândia vive no meu coração. Já do outro lado do globo, o meu coração vive na Colômbia, onde tive a sorte de poder projetar nove hotéis e aprender muito. Apaixonei-me pela cultura, pelas pessoas e pelo país. Mas poderia enumerar tantas outras experiências gratificantes, como o Brasil, a Malásia, a Polónia, a China, a Rússia. Todas fazem parte do que sou hoje, uma cidadã do Mundo! RL| O que mais a atrai nessas saídas para o estrangeiro? NAS| A bagagem afetiva com que regresso. RL| O que significa “voltar a casa”, depois dessas viagens? Voltar a casa significa isso mesmo, 6
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o voltar ao meu porto de abrigo, ao sítio onde tudo tem início, onde faço um preâmbulo e recarrego baterias. RL| Onde procura inspiração para os seus projetos? Há referências orgânicas/naturais e um elemento de eleição? Porquê? NAS| Na realidade, as minhas referências surgem das coisas mais inusitadas. Por vezes, encontro fontes de inspiração em elementos com os quais mais ninguém se identifica e que, através de um processo criativo, transformo em ambientes e/ou peças de design. Quem conhece bem o meu trabalho sabe que os calhaus das praias da Madeira são uma das minhas principais referências inspiracionais. Muitas das minhas peças nasceram das suas formas orgânicas. RL | Ao selecionar os materiais para os variados projetos, tem alguma preocupação ambiental? NAS| Cada vez mais. Houve uma altura em que essas preocupações ainda não eram uma presença marcante nos meus projetos, mas hoje estamos a transformar isso e a minha equipa está muito sensibilizada para as questões ambientais. Cada decisão é hoje muito refletida. RL| O que mais a apaixona na sua profissão? NAS| O processo criativo e a liberdade que o mesmo me dá. RL | Tendo em conta a sua experiência, quais foram os fatores decisivos para chegar onde chegou? NAS| Foram a determinação, a coragem e o acreditar. Nunca me deixei afetar por críticas menos positivas ou pelo pensamento do que está certo ou errado. Acredito que o caminho de cada um deve ser alicerçado nestes fatores e reforço sempre estas questões aos jovens que estão para entrar, em breve, no mercado de trabalho. RL | Há algum projeto que tenha desenvolvido e do qual se tenha arrependido de aceitar? Porquê? NAS| Não. Aprendi com todos e isso é o mais importante. RL | O que significa, para si, ser ilhéu, viver numa ilha, como a Madeira? NAS| Significa uma bênção enorme. Todos os dias agradeço por este paraíso onde vivo. Ser ilhéu representa, a meu ver, o coração aberto para o Mundo. RL | Como caracteriza a identidade madeirense? Faz questão que ela esteja nos trabalhos que realiza ou procura cingir-se às referências locais? NAS| Muito projetos que desenvolvi são homenagens sinceras à Madeira. São tributos às suas idiossincrasias, à sua natureza e riqueza cultural. São estas influências de uma infância feliz que, vezes sem conta, já transformei em design. 7
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RL| Qual seria um projeto de sonho que aceitaria sem pensar duas vezes? NAS| Há um projeto que gostava muito de desenvolver e que tem a ver com desenhar um espaço todo interativo, cuja decoração poderia mudar regularmente e dependendo das ocasiões. Um projeto cru, absolutamente minimal, cujos elementos decorativos surgiriam no recurso à tecnologia, como, por exemplo, através de projeções e iluminação. RL| O que representa para si a associação «Garouta do Calhau»? NAS| A «Garouta do Calhau» é uma homenagem a todas as crianças menos favorecidas do Mundo. Nasceu de uma reminiscência do passado não longínquo da Madeira, relacionada com os jovens
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que antigamente percorriam as praias de calhau da ilha, exibindo aos turistas a arte da Mergulhança (termo pelo qual se conhecia a atividade lúdica de muitos jovens na baía do Funchal, que mergulhavam junto aos navios, para apanhar moedas que os turistas lançavam ao mar). Eu adotei esta designação com o objetivo de a transformar num símbolo de arte, cultura, beleza e generosidade. RL| Na sua opinião, qual o papel que a escola tem para uma carreira de sucesso? NAS| Sem escola não há igualdade. Sem a escola não há justiça. A educação é a base de tudo e também de uma carreira de sucesso. RL| Que palavras poderia dirigir aos alunos que gostariam de seguir cursos ou profissões relacionadas com a arte, mas que têm receio das poucas saídas profissionais? NAS| Acreditar, trabalhar e confiar, são as palavras-chave para o sucesso. 9
FICHA TÉCNICA NOME: Elisa Silva IDADE: 22 anos PERÍODO FREQUENTADO NA FF: 2014-2017 HABILITAÇÃO: Licenciatura em Jazz (Escola Superior de Música de Lisboa − a frequentar)
ELISA SILVA Leia FF n.º 58| No rasto de...
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Música: o trilho que o coração conhece O percurso
Organização: Revista Leia FF (Texto/Imagem: cedidas por Elisa Silva)
A
n u a l m e n t e , passam centenas e centenas de jovens pelas salas de aula da Francisco Franco. Ao longo dos seus 131 anos de história, a nossa Escola já viu «crescer» pessoas que se destacaram nas mais variadas áreas, dentro e fora da Região e do país, e que vamos dando a conhecer na secção «Carreiras». Todavia, por onde andam os mais novos? O que é feito dos alunos que nos deixaram há apenas alguns anos? É o que tentaremos saber, neste espaço. Hoje, estaremos no rasto de... Elisa Silva. 11
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Para começar a escrever este testemunho, tive de andar pela memory lane. A minha mente encheu-se de boas recordações e de uma Elisa diferente, que nunca pensaria que, passados seis anos, iria estar a escrever este texto, a falar do seu percurso e de como foi a experiência na FF. Comecemos pelo início então, não aquele início chato em que digo como comecei a cantar, mas sim o início do meu secundário. Sou da Ponta do Sol, e não foi por necessidade que decidi ir para o Funchal estudar, até porque vivia a 5 minutos da escola da Ponta do Sol. Decidi ir, porque esse pequeno passo seria já uma forma de me preparar para o que viria depois. Tenho de admitir que acordar às 6h da manhã para estar na escola às 8h não era o que mais me entusiasmava, e custou muito no primeiro e no último ano. Escolhi a área de Línguas e Humanidades, mas o meu coração estava mais inclinado para as Artes. Ainda assim, não me arrependo do curso que escolhi e a melhor memória que tenho é da minha turma do 10.º e 11.º anos e da nossa diretora de turma. Ainda preservo as amizades que fiz e orgulho-me de ver todos os passos dados pelos meus ex-colegas. Não sei se consigo falar sobre os três anos em separado, para mim a experiência na Francisco Franco foi um acumular de momentos, pessoas, experiências e aprendizagens que não se podem separar por anos. Passei os três anos a questionar-me sobre como seria a vida depois do 12.º ano. E admito que fugia da ideia de ser “adulta”, ter de escolher um curso numa universidade e “ditar” o meu futuro, dependendo daquela escolha que era feita “em cima do joelho”. Até ao 12.º ano, disse a mim própria que iria para Jornalismo. Gostava de escrever, era algo que (talvez) tinha saída e, naquela altura, nem pensava se era realmente o que me iria encher a alma. Não o pensava, mas sabia que não seria suficiente. Durante todo o secundário, mantive a música, os espetáculos e aulas de canto. Por vezes, ensaiava até à 1h da manhã, para no dia seguinte estar fresca que nem uma alface às 8h na escola. E, surpreendam-se, não tinha assim tão más notas. Com organização, força de vontade e apoio familiar/amigos, consegue-se tudo! Não era a melhor da turma, mas também não era a “baldas”. Ia a todas as aulas, até porque sempre gostei de todos os meus professores e (mais uma vez) adorava a minha turma. Nunca parava, se não eram a escola e testes, era a música, concertos ou concursos. E assim foi até ao final do 12.º ano. Decidi ficar mais um ano na ilha, fui para o Conservatório e fiz um curso de Jazz, confiante de que iria entrar no Curso de Jazz, na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML). Fiz a prova e não entrei. Nessa altura, pensei em desistir da música, estava 12
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a ver os meus amigos a entrar já para o 2.º ano do curso superior e eu nem conseguia fazer o primeiro ano no curso que queria. Fui para a Faculdade de Letras, entrei no curso de Estudos Artísticos e até passei um bom ano, mas a vontade de cantar e fazer música crescia. Nem vou começar a falar da adaptação à grande cidade em relação à ilha, senão não saímos daqui hoje. Digamos apenas que foi como todas as outras adaptações de estudantes que tiveram de sair da sua zona de conforto, foi difícil no início, mas depois vemos os frutos e agradecemos a nós próprios pela coragem. “Primeiro estranha-se, depois entranha-se.” Determinada a não baixar os braços, decidi fazer outra prova para entrar na ESML, mas desta vez não contei a ninguém, talvez por achar que não iria conseguir. Para meu espanto, consegui. E, a partir daí, foi como um dominó. Fui parar ao Great Dane Studios (onde gravo as minhas músicas e onde tenho o meu management), depois apareceu o Festival da Canção… E o resto ainda está a acontecer. O facto de ter passado pela FF deu-me força para não desistir, ensinou-me mais do que esperava e deu-me uma boa dose de histórias para contar. Que este testemunho de uma ex-aluna vos inspire a fazer mais e melhor, a aproveitar todos os momentos enquanto estão no secundário e a acreditar que, se querem mesmo algo, então irão conseguir.
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Levada da Achada Grande – Ribeira dos Moinhos − Levada Grande
Saída de campo/Visita de Estudo Organização: Clube de Ecologia Barbusano (Texto/Imagem)
O
Clube de Ecologia Barbusano realizou, no passado dia 22 de maio, a Saída de Campo “Levada da Achada Grande – Ribeira dos Moinhos − Levada Grande”. A jusante do vale da Ribeira do Porco, na freguesia da Boaventura, em direção ao Lombo do Urzal, encontramos a Falca de Baixo, um dos pequenos aglomerados localizados ao longo dos quatro quilómetros do vale. Logo de seguida, para montante, numa posição altaneira, surge a Achada Grande, área aplanada no meio da vertente declivosa da margem esquerda da Ribeira do Porco, correspondente a uma terra bastante fértil que guarda um aglomerado populacional muito reduzido. Uma estreita e curta vereda liga-nos à Levada da Achada Grande ou Levada Nova, assim chamada por ter entrado em funcionamento em 1960. Esta vai buscar água à Ribeira dos Moinhos e atravessa terras férteis do povoado principal da Boaventura, permitindo a irrigação até à Achada da Madeira, lá para os lados do Lombo do Urzal. Iniciámos o nosso percurso a pé, no sentido contrário ao das águas, avistando a oriente o aglomerado da Fajã do Penedo, o Pico do Arco de S. Jorge, facilmente identificável pelo retransmissor de televisão, e o miradouro das Voltas a 850 metros de altitude. Rapidamente contornámos o sítio do Pastel e, aos poucos, mergulhámos em núcleos de espécies da antiga Laurissilva, envolvidos por espécies introduzidas tais como pinheiros, incenseiros (Austrália) e bananilhas (Himalaias). Estas últimas assumem cada vez mais um carácter infestante. Os exóticos brincos de princesa, do género científico Fuchsia, originários do Chile e do Peru, de flores vermelhas, adornam os taludes sobranceiros à levada. Ao chegarmos à madre de água, no Curral Ganhão, temos a sensação de chegar a um paraíso. Aqui, a água brota da ribeira e de uma cascata por entre uma floresta densa dominada por tis, loureiros, vinháticos e seixeiros. Um pouco antes da origem da levada, uma vereda na margem direita da Ribeira dos Moinhos conduz-nos para jusante até encontrarmos a madre de água da Levada Grande. Esta surpreende-nos com a sua bonita cascata. Com pouco mais de 2 km de comprimento, a levada corta a cabeceira ocidental da Ribeira dos Moinhos por entre poios cultivados nos lombos soalheiros e floresta indígena nos vales mais fechados. Ao longe, no topo do interflúvio da vertente oriental da Ribeira dos Moinhos destaca-se, à volta da Igreja dedicada a Santa Quitéria, o principal núcleo habitacional da Boaventura. Após contornar a Achada do Castanheiro, passámos pelo sítio da Levada de Cima e chegamos às antenas parabólicas da Telecom, 14
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perto do tanque que recebe a água da levada, para posterior distribuição pelas terras agrícolas bordadas de vinhas da Lombadinha. No miradouro da Lombadinha, vislumbrámos, aos nossos pés, a grande fajã projetada no mar, a Ponta Delgada, onde se destaca o templo que, desde o século XVI, é dedicado ao Senhor Bom Jesus e as antigas piscinas municipais, atualmente recuperadas.
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Ribeira da Tabua − Levada Nova da Ponta do Sol – Levada do Moinho – Lombada Saída de campo/Visita de Estudo Organização: Clube de Ecologia Barbusano (Texto/Imagem)
O
Clube de Ecologia Barbusano realizou, no passado dia 19 de junho, a Saída de Campo “Ribeira da Tabua − Levada Nova da Ponta do Sol – Levada do Moinho – Lombada”. Iniciámos o percurso no leito da Ribeira da Tabua, junto à capela dedicada a Nossa Senhora da Saúde. Aqui, passa a Levada Nova, oriunda da Ribeira da Ponta do Sol e construída nos anos 60, para abastecer as terras agrícolas, da Ponta do Sol à Apresentação, ricas em culturas da cana-de-açúcar e bananeira, exigentes em água. Foi exatamente aqui que, no dia 11 de março de 1988, um grupo de 50 sócios do Clube de Ecologia Barbusano iniciou o seu primeiro percurso a pé. Percorremos a esplanada da levada no sentido inverso ao das águas, em direção à Candelária, sítio da freguesia da Tabua, onde existe um pequeno templo em honra de Nossa Senhora das Candeias, cuja festa é comemorada a 2 de fevereiro. Ao longo da levada, aos 400 m de altitude, há poios cultivados e outros há bastante tempo abandonados. Aqui e nos taludes rochosos, proliferam espécies do 1.º e do 2.º andar fito climático, tais como murtas, malfuradas, ensaiões, faias das ilhas, figueiras do inferno, sumagres, tabaibeiras, alguns loureiros e barbusanos. No lombo a Norte do percurso, avistámos algumas casas e palheiros. É o sítio do Barbusano, assim batizado por nele ser abundante esta espécie da família das lauráceas. Contudo, a sua grande utilização, para fabrico de estacas para a vinha e de ramagens para o gado, fez dizimar muito esta espécie. Já no vale da Ribeira da Caixa, que desagua no Lugar de Baixo, penetrámos em terras da Ponta do Sol. Ao longe, avistámos a Lombada da Ponta do Sol, cujas terras terão pertencido 16
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a um dos filhos de João Gonçalves Zarco. Em 1498, terão passado para a posse do flamengo João Esmeraldo, amigo de Cristóvão Colombo, que mandou construir uma das maiores casas solarengas, “O Solar dos Esmeraldos”, e a capela dedicada ao Espírito Santo. O templo atual é uma reedificação da 1.ª metade do séc. XVIII. Dedicada a Nossa Senhora da Conceição, é hoje a capela em talha barroca mais elegante e rica da diocese. A Levada Nova percorre agora a vertente oriental da Ribeira da Ponta do Sol, atravessando terrenos de cultivo, que aos poucos dão lugar às espécies indígenas. Do outro lado, na vertente direita da ribeira, ainda é visível o traçado da desativada Levada do Coronel. A um quilómetro da madre de água, há um túnel com cerca de 200 m. À saída, na direção da nascente da levada, chegámos ao Ribeiro Frio, afluente da margem esquerda da Ribeira da Ponta do Sol, onde podemos observar lindíssimas marmitas (depressões de fundo de vale), semelhantes a outras observadas em área da Laurissilva, onde se precipitam volumosas e belas quedas de água. Seixeiros, salgueiros chorões, vimieiros, choupos e maçarocos acompanham-nos e emprestam ao fundo do vale um atrativo quadro natural. A 500 m da nascente e a 80 m a nível mais baixo, surge a madre de água, “cabo” da Levada dos Moinhos ou da Levada Velha da Ponta do Sol, onde, no fatídico dia 21 de agosto de 1962, as forças de polícia, em número desproporcionado face às populações da Lombada que defendiam as suas águas, dispararam vários tiros, retirando a vida à jovem estudante “Sãozinha”, de 17 anos de idade, que é lembrada, nos dias de hoje, como símbolo da resistência. Agora, percorrendo a esplanada da levada, rapidamente chegamos à capela da Lombada e ao velho moinho que aguarda as suas águas.
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Lombo Grande – Levada do Castelejo – Achada (Porto da Cruz) Saída de campo/Visita de Estudo Organização: Clube de Ecologia Barbusano (Texto/Imagem)
O Clube de Ecologia Barbusano realizará, no próximo dia 17 de julho, a sua última Saída de Campo do presente ano letivo. O destino será “Lombo Grande – Levada do Castelejo – Achada (Porto da Cruz)”.
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“70D0S JUN70S PELA €UR0PA”
Conferência com a Professora Doutora Isabel Maria Freitas Valente Organização: Clube Europeu (Texto/Imagem)
Conferência Professora Doutora Isabel Maria Freitas Valente Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX - Universidade de Coimbra “70D0S JUN70S PELA €UR0PA” SABIA QUE A 1NT€GRAÇÃO €UROPEIA COMEÇOU EM PARIS? “70 anos de vitalidade…que futuro?” Local: Sala de Sessões ESFF Dia: 12 de maio de 2021 Hora: 19h00 às 20h30 Público: EFA da ESFF
Reflexão sobre a Conferência Organização: Clube Europeu (Texto: formanda do curso EFA, Mariana Afonso/Imagem)
E
u achei a palestra realizada pela professora Doutora Isabel muito interessante e esta mudou o meu ponto de vista acerca da União Europeia, pois não tinha noção do seu impacto na história e paz no continente europeu. Antes disto, nunca tinha estudado, de forma aprofundada, o tema da história e origem da União Europeia e como esta funciona. Após a palestra, ganhei uma nova ideia acerca da União Europeia e acho que Portugal fez bem em aproveitar a oportunidade de aí entrar, ganhando muitos benefícios. Na minha opinião, acho que o tema da União Europeia e as ações que esta toma é importante e relevante, devendo ser mais discutido e explorado. 20
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União Europeia e os seus 70 anos Organização: Clube Europeu (Texto: formando EFA, Francisco Sousa /Imagem)
No dia 12 de maio, fomos participar numa palestra na Escola Secundária de Francisco Franco, proferida pela Doutora Isabel Valente. Os motivos da criação da União Europeia são: promover a paz, os seus valores e o bem-estar dos seus cidadãos, garantir a liberdade, a segurança e a justiça, sem fronteiras internas, lutar contra a exclusão social e a discriminação, promover o progresso científico e tecnológico e reforçar a coesão económica, social e territorial e a solidariedade entre os países da UE. Na minha opinião, é sempre importante mantermo-nos informados sobre novos assuntos e novas informações mundiais.
Aprender ou ouvir nunca é demais, tive “alguma” dificuldade em entender certas palavras usadas pela Doutora Isabel, sem dúvida que é uma pessoa com uma cultura acima da média. Mas gostei muito de a ouvir falar e aprendi um pouco mais sobre como funciona a União Europeia. Desse modo, agradeço em nome da escola o prazer de poder participar nessa palestra.
União Europeia e os seus 70 anos Organização: Clube Europeu (Texto: formando EFA, Nelson Velosa /Imagem)
No dia 12 de maio de 2021, a Doutora Isabel Valente teve a amabilidade de se deslocar à Escola Secundária de Francisco Franco, para nos fazer entender melhor o que representa a União Europeia, os motivos da sua criação e que futuro se prevê para a sua continuidade. De início, começou por informar o objetivo da criação da União Europeia, que consiste em unir os países, tendo começado pela forma económica e política e, com isso, vindo trazer uma paz douradora entre os mesmos países que fazem parte da União Europeia. Essa paz já persiste há mais de 70 anos e essa é a verdadeira razão da implementação da União Europeia. Em termos de futuro, referiu que devemos dar continuidade à educação tecnológica e digital, pois será certamente um dos pilares da nossa sociedade, mais ainda com as novas formas de teletrabalho a que tivemos de nos adaptar devido à pandemia, que ainda persiste. Salientou, também, que essa educação não deveria passar somente pelos jovens, mas igualmente pelos adultos, para que possam ser mais dinâmicos no seu presente e futuro, pois dentro de algum tempo certas funções laborais irão deixar de existir e, com isso, será necessária uma reformulação no mercado de trabalho para essas pessoas mais “maduras” e experientes. Julgo que a sua visita foi produtiva, no sentido de nos informar sobre as verdadeiras razões pelas quais foi criada a União Europeia, sendo muito interessante ver alguém verdadeiramente apaixonada pelo tema «União Europeia» e ser sua defensora com toda a sua paixão e conhecimento. 21
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3D FUN ART MUSEUM Visita de estudo
Organização: professoras Genoveva Correia eTeresa Sousa, responsáveis do Projeto Conhecer o Funchal (Texto/Imagem)
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o passado dia 24 de maio, os alunos das turmas do 10.º 26 e do 11.º 9 realizaram uma visita de estudo ao 3D FUN ART MUSEUM, no âmbito do Projeto Conhecer o Funchal. Este é um museu diferente do habitual, uma vez que alia a arte e a perceção visual à diversão e à magia da ilusão, de forma descontraída, para que os visitantes possam usufruir de bons momentos e ficar com boas memórias da visita. O 3D FUN ART MUSEUM dispõe de cerca de 40 cenários diferentes, entre imagens 3D e ilusões óticas, que permitem aos visitantes entrar no mundo da fantasia, da imaginação e acreditar que tudo é possível. No museu, os alunos puderam encarnar o médico do pintor Van Gogh, aventurar-se num safari, deleitar-se numa praia de areia paradisíaca, deambular pelo Funchal durante o final do século XIX, conduzir um carro de rally na zona norte da Madeira, lutar com o Zorro ou até ter um dinossauro como animal de estimação. Puderam também ver o seu mundo completamente ao contrário, a sua cabeça a ser servida numa mesa de refeição, ganhar asas e voar no cosmos e ainda beber um vinho servido por Deus n’A Criação de Adão, de Miguel Ângelo. Os alunos tiveram uma agradável surpresa, acharam que a experiência valeu a pena e as fotografias, que ficarão para a memória, retratam momentos hilariantes vividos pelos alunos. 22
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Projeto de escrita criativa Palavras com alma
Organização: professoras Ana Ferreira, Margarida Marques Corujeira e Vera Carvalho, do grupo de Português (Texto/Imagem)
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alavras com alma é um projeto de escrita criativa que pretende viabilizar a escrita a quem gosta de o fazer, mediante desafios semanais, e possibilitar a criação de textos aos que julgam não ter criatividade. Assim, este projeto procura alcançar o aperfeiçoamento da escrita, o desenvolvimento da criatividade e contribuir para o prazer da leitura e da criação literária. Os desafios são enviados semanalmente para as turmas cujos elementos interessados realizam e enviam os escritos para posterior correção. No entanto, os alunos podem remeter textos da sua autoria (através do correio eletrónico das professoras que dinamizam o projeto), mesmo que não digam respeito aos desafios, de forma espontânea e com a regularidade que desejarem. Seguem-se algumas produções escritas pelos alunos que responderam ao nosso repto. 23
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A pequena joaninha
(Texto: Joana Verónica Fernandes Quintal, 11.° 25/Ilustração: Andreia Valente, 11.º 13_ 2019-2020)
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uma bela manhã, no jardim da árvore resplandecente, nasceu, de entre centenas de ovos amarelos, uma pequena joaninha que ficou conhecida por ter uma asa mais pequena que a outra. Como ainda era uma criança, não viu isso como sendo um problema, mas, com o passar do tempo, o seu pensamento mudou. Certo dia, lembrou-se de uma lenda que lhe havia sido contada pelo seu avô. Falava de uma sábia lagarta que vivia entre muitas árvores e nos mais escondidos arbustos, capaz de concretizar os mais profundos desejos. Então, a pequena joaninha pôs-se a caminho em busca da lagarta, tentando ignorar os murmúrios que ouvia de todas as outras joaninhas que conseguiam voar – “Ela deve estar doida se acredita na lenda”, − dizia uma. “Será que a lagarta existe, mesmo? Ah! Eu acho que não.” – afirmava outra. No seu percurso, ela andou e andou, até que encontrou uma flor que despertou a sua atenção. Observou-a com receio e, ao olhar sobre uma das pétalas, estava uma lagarta que lhe disse: − Pressenti que te seria útil, dizme, do que precisas? − Preciso que me dês umas asas iguais às de todas as outras joaninhas! – respondeu. A lagarta então deu-lhe uma poção que ela bebeu e, poucos segundos depois, pediu que ela visse o seu reflexo no rio que por ali passava. 24
Assim fez a joaninha. Mas, ao ver-se, sentiu-se enganada. Ambas as suas asas estavam grandes, mas estava preta com pintas vermelhas. Ao virar-se, a lagarta e a flor já lá não estavam. Fechou e abriu os olhos, repetidamente, com esperança de que tudo não passasse de um sonho. Naquele momento, apercebeu-se de que tinha cometido um erro e voltou muito triste para a sua árvore, para junto das centenas de joaninhas, com receio de que fosse motivo de chacota. Porém, quando lá chegou, as suas amigas ficaram tão contentes por ela já poder voar que nem ligaram para o facto de ela ter outra cor. O que importava, mesmo, era a amizade que as unia. Desde esse dia, ela estava apta para todas as brincadeiras, mesmo sendo diferente das amigas. Na verdade, o mais importante é a cor do coração, que são todos da mesma cor.
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Chegou o outono, e agora? (Texto: Matilde Brazão, 11.º 24/Ilustração: Natacha Sampaio, 11.º 13_2019-2020)
Chegava àquela altura do ano em que as árvores começavam a abanar muito. Os dias arrefeciam tanto, que os seus troncos viam as pessoas a passar com mangas cada vez mais compridas e as montras das lojas exibiam toda a variedade de aquecedores. Os ramos, coitados, eram os que mais sofriam, pois eram empurrados, sem parar, de um lado para o outro. As folhas, naturalmente furiosas com a situação, começavam a choramingar, sempre que tremiam devido a uma rajada de vento: − Ai, que horror! Eu não aguento isto, nem mais um minuto… O principal assunto do dia deixara de ser o novo jardineiro e tornara-se o outono. A luta contra a incrível força do vento era constante e deixava as folhas extremamente cansadas. Só havia uma que, por muito que estremecesse, nunca se queixava. Chamava-se Clara. − Eu não preciso de me preocupar! Ainda nem mudei de cor… − gabava-se ela. − Porque é que eu já estou da cor da terra? − perguntou a folha Alice. Ninguém lhe respondeu. A Alice ouvia os lamentos das folhas que falavam, a toda a hora, de uma coisa chamada “outono”, com um certo medo, mas não compreendia o que era aquilo… e ninguém lhe queria explicar. Porquê? O que é que esse “outono” tinha de tão assustador? A folha não conseguia chegar a nenhuma conclusão... Só ao fim de dois dias, após muito insistir, quando todas as folhas já se tinham pintado em tons de amarelo e laranja, Alice convenceu a Clara a esclarecer-lhe todas as dúvidas. − O que é o outono? − É uma estação do ano. Cada estação tem um clima especial. No caso do outono, que vem depois do verão, fica mais frio e os dias são mais curtos… − E o verão não volta? − Não. O verão vai para outros jardins, no outro lado do mundo. As aves vão-se embora com ele, para lhe guiar o caminho…
− Então, vocês não gostam do outono, porque têm saudades do verão… − Também, Alice, mas quando chega o outono, as folhas mudam de cor, visto que as árvores não captam tanto sol. Além disso, como as árvores precisam de arranjar uma maneira de se aquecer, nós ficamos cada vez mais frágeis. − Porque é que nós é que ficamos frágeis e não o tronco? Que injustiça! Só continuo sem perceber uma coisa… O que é que acontece quando as folhas mudam de cor e enfraquecem? Mais uma vez, Alice não obteve resposta… ou, talvez, sim. De súbito, a Clara caiu. Assim, naquela tarde, enquanto o sol ardente se escondia no horizonte, uma folha laranja deixava de combater o vento e, como numa dança, juntava-se a ele.
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Companheiras
(Texto: Matilde Brazão, 11.º 24/Imagem: Ana Pires, 11.º 13)
A
barcávamos, com força, os pés do Ademir. Com a ausência de quaisquer atacadores, era-nos extremamente difícil acompanhar o passo desajeitado dele, sem ficar para trás. A guerra civil eclodira, na Síria, e o conforto da sua casa dera lugar a uma cordilheira de escombros. A janela do seu quarto emoldurava inocentes, caos, ruínas, desespero… e fora nesta urgência de viver que a pobre criança aprendera a caminhar, na busca incessante de um refúgio. Os primeiros raios da manhã davam claridade ao novo dia, que se revelava, como habitualmente, esgotante e demorado… nada de invulgar se insinuava, e nós, cobertas de poeira, deixávamos marcas no trilho que o Ademir percorria, sem destino certo. Já pisáramos, juntos, relva seca, saltáramos de pedra em pedra, num riacho, e ficáramos, também, imóveis, dentro de um barco frágil. Nunca tínhamos dado um passo atrás. De facto, quem se sujeita a estas batalhas, como o Ademir, é resiliente ao ponto de, jamais, recuar, até porque, na verdade, não tem outra alternativa. Após caminharmos várias horas, começámos a reparar numa outra sombra, que se tinha tornado cada vez maior, aos nossos olhos, e foi neste momento que o Ademir se virou. Apenas conseguíamos ver dois pés, maiores que os dele. Uma sensação de desassossego invadiu-nos e, com esforço, tentávamos compreender a conversa entre os dois. O homem que nos perseguia falava uma língua que nos era estranha e, eventualmente, segurou no Ademir e entrámos numa viatura. Já na última luz do dia, chegámos, finalmente, ao destino. Mal abandonámos o carro, inúmeras botas militares passaram, aceleradamente, pelos nossos olhos. Vimos, ainda, as lágrimas de Ademir, que tombavam na terra, por estar, certamente, perturbado. Imediatamente, fomos conduzidos a um espaço coberto, onde, de súbito, nos separaram dele e nos jogaram, bruscamente, para um caixote, com muitas outras sapatilhas, que foi, posteriormente, selado com uma fita-cola resistente. Escutávamos a voz do menino, que, entre soluços, vociferava, incansavelmente. Pensámos que nunca mais o ouviríamos… O tempo em que ali permanecemos foi deveras agonizante. Enfim, anos depois, que pareceram séculos, o caixote foi, novamente, aberto. A própria luz nos incomodou, ao princípio, visto que estávamos acostumadas ao negro daquele recipiente. Todas as sapatilhas foram retiradas da caixa, exceto nós, pois não tínhamos atacadores, de modo que não éramos úteis. Uma sensação avassaladora de impotência consumiu-nos... Contudo, quando já estávamos descartadas, no exterior do caixote, vimos, outra vez, dois pés, cujo andar nos era familiar. Assim que esse indivíduo nos pegou, reconhecemos logo quem era, uma vez que o modo como nos tocava era inconfundível. Sem dúvida, era o mesmo Ademir de sempre… ainda que mais alto e corpulento, era o rapaz dos olhos encovados e ternurentos, e da cicatriz peculiar, que cruzava a sua testa. Este homem, outrora criança indefesa, contounos todas as peripécias por que passara, nos anos anteriores. Relatou a solidão dos dias, o desejo de fugir e, sobretudo, o receio dos adultos com que se deparou, no começo. Todavia, o Ademir acabou por entender a verdadeira intenção daqueles homens, que eram, somente, voluntários que o queriam acudir. Assim, anos mais tarde, ele próprio tornouse um deles. Por fim, o Ademir colocou-nos atacadores novos e, sem que nos pudéssemos despedir brevemente dele, fomos entregues a outra criança. Hoje, desejamos que esta menina siga os passos de Ademir, que caminharam para um recomeço, apesar das adversidades. 26
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Devolver a literatura ao mundo (Texto: Matilde Brazão, 11.º 24/Ilustração: Teresa Mesquita, 11.º 14)
Os restauradores estavam exaustos. O volume de livros, nos Cuidados Intensivos, aumentava, de dia para dia, a uma velocidade incontrolável, e os amantes da literatura começavam a recorrer a outros meios para “curar a alma”. A “Praga do Papel”, que destruía todos os livros do mundo, não parecia cessar, tão cedo. Após muito investigar, descobri, na primeira manhã de julho, o responsável por esta doença. Fui ao seu encontro. Os seus cabelos compridos escondiam um olhar impenetrável, e as suas unhas roídas denunciavam a sua fraqueza. Imediatamente, o jovem explicou que o fizera por raiva, já que os seus pais o proibiram de jogar videojogos, para estudar, para uma ficha de verificação de leitura. Acrescentou que se inspirara num jogo de computador e que não sabia como reverter a situação. Nessa mesma manhã, começámos a seguir os passos do jogo. O primeiro destino obrigou-nos a abandonar a cidade. Ao fim de duas horas, chegámos. À nossa frente, os montes pintavam-se de louro e, perante aquela tranquilidade, o tempo parecia abrandar… Porém, reparei, de súbito, que uma avestruz por ali caminhava, tal como no jogo. Esta poderia indicar-nos uma solução para o nosso problema. Assim que a chamámos, todavia, enfiou a cabeça no solo e ignorou-nos, completamente. O rapaz procurou, desesperadamente, no videojogo, como atrair a atenção dela e descobriu que teria de tocar uma música. Contudo, com a praga, todas as partituras estavam desfeitas… Subitamente, um rouxinol pousou no meu ombro e começou a cantar. Como se tivesse sido hipnotizada, a avestruz foi até nós. − Não desesperem! Há um mocho que come as palavras, antes de serem destruídas, impedindo a sua total exterminação. – Murmurou a avestruz, sem nos deixar falar. – Ele está na livraria mais antiga do país e apenas surge perante a luz… sim, perante a luz. Regressámos, então, à cidade, enquanto o sol desaparecia no horizonte. Na livraria deserta, o silêncio preenchia o vazio das prateleiras. Com uma lanterna, percorremos os corredores. Inesperadamente, surgiu um mocho, em frente aos nossos olhos. − Podes ajudar-nos? – Perguntei. − Levem uma pena minha – retorquiu. − Nela, estão contidas todas as palavras do mundo, escritas por todas as gerações da Humanidade. Queimem-na e terão os livros de volta! O jovem rapaz, covardemente, recusouse a arrancar a pena. Então, eu tirei-a e coloquei, finalmente, a pena do mocho na lareira dessa livraria. A noite amanheceu com aquela explosão. Em breves instantes, a pena desfez-se em cinzas que se propagaram pelo globo e deram forma aos livros, aos sonhos escritos. Foi, deste modo, que conseguimos salvar o mundo da “Praga do Papel”. 27
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Joaninha Bela Vela
(Texto: Maria Helena Mendonça/Ilustração: Andreia Valente, 11.º 13_ 2019-2020)
E
ra uma vez, uma aldeia de joaninhas. A aldeia situava-se numa floresta cheia de pássaros coloridos e outros bicharocos. Nessa aldeia, viviam muitas joaninhas amigas e alegres. Cada uma vivia num cogumelo que tinha uma pequena varanda com vista para o mar. Todas as joaninhas tinham um nome próprio baseado num talento ou qualidade. Certa noite, uma tempestade surgiu. Folhas e flores voavam com o soprar do vento. Muitas joaninhas perderam as suas casas. Uma das vítimas dessa destruição foi uma joaninha que ainda não tinha nome. Coitadinha! Tinha nascido há tão pouco tempo. Estava tão assustada que, da aldeia, a pequena joaninha foi arrastada pelo vento. Ela acabou por ser levada para a praia onde um pequeno barco naufragava. Após a noite turbulenta, a pequena joaninha foi viver com uma das suas amigas, a Joaninha Pasteleira. Para animar a joaninha, a Joaninha Pasteleira ensinou-a a fazer deliciosos bolos. Na hora dos preparativos, não é que a Joaninha Pasteleira deu um grito quando viu que a pequena joaninha tinha as asas rasgadas? A pobre joaninha apanhou um desgosto! Com as asas naquele estado, nunca mais poderia voar. As amigas da joaninha ficaram logo preocupadas e tentaram arranjar uma solução. A Joaninha Engenhocas pensou numas asas artificiais. A Joaninha Amistosa pensou em pedir ajuda às suas amigas abelhas, que poderiam carregar a joaninha quando 28
ela precisasse de voar. A Joaninha Pasteleira e a Joaninha Mágica pensaram em fazer bolos que davam o poder de saltar muito alto. Estavam todas indecisas de como ajudar a joaninha. De repente, a Joaninha Costureira apareceu e deu uma sugestão. Ela estava a usar o tecido das velas do barco que dera à costa para fazer peças de roupa e pensou que, também, o poderia usar para fazer umas asas novas para a joaninha. Todas concordaram. No dia seguinte, a joaninha foi à loja de roupa da Joaninha Costureira. A Joaninha Costureira tinha nas patas um tecido da vela bordado a ouro. Ela usou uma agulha para coser as partes danificadas. Após uma hora de trabalho árduo, as novas asas ficaram concluídas. Depois de agradecer à sua amiga, a joaninha foi experimentar as asas. Começou logo a voar! Todas as joaninhas ficaram espantadas com a sua agilidade e beleza das asas. Desde esse momento, a joaninha ficou conhecida como a Joaninha Bela Vela.
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O sonho de Carla (Texto: Francisco Barbosa)
Era uma vez, uma linda flor chamada Carla, que vivia num pequeno bosque mesmo ao lado do rio Gaspar, perto de uma aldeia. Carla era uma linda margarida e, como todas as flores, quando chegasse a primavera, iria desabrochar e perfumar este novo mundo que para ela começava ali, com aquele simples abrir de pétalas. O tempo foi passando e a tão aguardada primavera chegou, trazendo todo um novo mundo de cor, alegria e perfume. Passado tanto tempo depois de ter sido semeada, Carla, finalmente, podia ver com os seus próprios olhos o sol, sentir o vento a bater-lhe nas pétalas e, quem sabe, conhecer o mundo. Eis que chegou a hora e Carla não podia estar mais radiante. Quando viu a primeira luz do sol, foi o vislumbrar de uma nova realidade. Naquele momento, sentiu-se grata e percebeu que toda aquela espera tinha valido a pena. Os dias foram passando, e Carla já começava a sentir-se cansada daquela rotina de abrir com o sol e fechar quando este se punha. Queria conhecer o resto do mundo, não queria viver ali plantada para sempre. Certo dia, uma abelha chamada Vera decidiu fazer uma visita a Carla. Quando esta se deparou com Vera, começou a questioná-la: – Amiga, porque não posso sair daqui? Porque não me é permitido conhecer o resto do mundo enquanto posso? Porque não tenho asas e não voo pelos céus à procura do desconhecido, como tu? A abelhinha, com tantas perguntas e sem saber como lhe responder, apenas lhe disse que a vida é mesmo assim, por vezes um pouco injusta, mas que com força de vontade e dedicação tudo é possível. Vera explicou-lhe que, por ser uma planta, nunca poderia voar nem sair do mesmo lugar, a natureza fizera-a assim, e ela não conseguiria mudar isso. Mas uma coisa ela nunca poderia perder, que era a força do querer, com ela é que se consegue realizar os nossos sonhos. Carla ficou bastante triste ao saber desta novidade, não queria estar todos os dias a acordar e a deitar-se sempre para o mesmo lado, ver constantemente as mesmas árvores, as mesmas flores, os mesmos pássaros, até mesmo o lindo rio Gaspar, que ficava à sua frente a correr com a água tão limpa e brilhante. Perante tal insatisfação, ela tinha de tomar uma atitude. Foi, então, que pôs a imaginação a trabalhar. Esteve dias e dias a pensar numa possível solução, mas nada lhe chegava. Nem a inteligência e imaginação de Vera, que a vinha visitar regularmente, a conseguiu ajudar com a elaboração de algum plano. Carla já estava prestes a desistir desta ideia de conhecer o mundo quando, de repente, num lindo dia de sol, eis que chega à margem do rio, onde se encontrava Carla, uma linda rapariga com a sua mãe. Esta menina chamava-se Ana e veio passear junto àquele curso de água, a ver se apanhava alguma flor para dar mais luz ao seu jardim. Foi aqui que apareceu a grande oportunidade que Carla tanto desejava, seria preciso muita sorte para que entre tantas, lindas e maravilhosas flores ela fosse a escolhida. Carla teve de se esforçar muito, esticou o seu comprido e lindo caule o máximo que podia, abriu as suas lindas pétalas de modo que brilhassem com o sol, e eis que a sorte lhe bateu “à porta”. Carla foi a flor que Ana escolheu. Sua mãe, com muito cuidado, transpôs Carla da terra para um vaso e levou-a para casa. No caminho, Carla sentiu que por muito injusta que a vida pudesse ser recompensou-a. Quantas flores dariam tudo para estar no lugar dela. Durante a viagem, aproveitou aquele momento único e foi apreciando cada detalhe, desde o carro da mãe de Ana até aos pequenos pormenores do percurso. Carla sentia-se mais feliz do que nunca e, finalmente, ia para um sítio diferente. Assim, tudo o que ela mais queria nesta vida, poder viajar e conhecer o mundo, estava a acontecer. Por muito incerto que fosse o lugar para onde ia, só o privilégio que tinha, em poder sair do lugar onde nascera e ir para um completamente diferente, valia mais que tudo, afinal, eram estas pequenas particularidades que faziam e fazem a diferença. Quando chegaram a casa de Ana, Carla foi posta no alpendre ao lado de outras tantas flores, um verdadeiro ninho de diversidade, cor e perfume. Aí, Carla conheceu tantas amigas novas, que não eram da sua espécie, e pôde sentir-se única, não sendo mais uma entre tantas. Foi regada e sempre bem tratada, quer pela mãe de Ana, como pela avó, que vivia com elas. A avó de Ana passava grande parte dos dias a cuidar das flores, falando e dando sempre muito amor a cada uma. Um lugar melhor do que este Carla nunca imaginou para passar o resto dos seus dias. Carla percebeu que os sonhos podem tornar-se realidade, basta nunca perder a esperança, a força e acreditar para se ser feliz! 29
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A aventura das tartarugas (Texto: Júlia C. Encarnação, 11.º 25/Ilustração: Maria Helena Gomes, 11.º 13_ 2019-2020)
A
tartaruga Luna seguia o caminho habitual da migração anual, juntamente com outros da sua espécie. A dado momento, ela e a sua amiga Thalia afastaram-se do grupo, para olhar uns lindos corais que havia por aquela zona. Distraídas, continuaram a passear pelos corais, até que notaram uma parte dos recifes esbranquiçada e com uma aparência doentia. − Porque é que os corais estão assim!? Sem cor!? – perguntou Luna − Ai, ai, ai... − respondeu Thalia, abanando a cabeça − Luna, não estivestes atenta nas aulas!? Isto aconteceu por causa dos humanos! − Os humanos!? O que é que eles fizeram? - perguntou Luna, confusa. − Olha, pelo que eu entendi, eles provocaram uma coisa chamada aquecimento global, o que fez com que a água aquecesse e os recifes adoecessem! − Porque é que eles fariam isso!? Isso prejudica não só a nós, mas também a eles!!! − disse Luna sem entender. − Isso eu não sei, talvez a professora Rute saiba! − Hey!!! ... Espera aí, − chamou Luna, olhando à volta − onde estão todos!? As duas amigas andaram para onde o grupo estava antes, mas não viram ninguém. − Onde estão todos? − perguntaram-se as amigas. Nadaram e chamaram o grupo, mas ninguém aparecia! De repente, algo puxou a cauda de Thalia. Luna tentou agarrá-la, mas foi também puxada. − O que é isto? − questionou Luna. − É uma corrente marítima. Mas não me lembro de ela passar por aqui!! − dizia, enquanto continuavam a ser puxadas para algum lugar desconhecido. − Deixa-me adivinhar, também é por causa dos humanos!? − gritava Luna, para se fazer ouvir. − Provavelmente!!! − gritou Thalia no mesmo tom. Passado um bom tempo sendo levadas pela corrente, finalmente chegaram ao fim dela. − Ufa... finalmenteee!!! − disse Luna aliviada. − Onde estamos!? − perguntou Thalia. − Não sei!!! − respondeu Luna. À sua volta, havia grandes blocos de gelo espesso e branco. − Já sei!! Estamos na casa do Pai Natal!!! − No Polo Norte!? Onde vivem os ursos-polares!? − perguntou Luna com medo. − Sim. Anda, vamos explorar! − respondeu Thalia muito entusiasmada. Elas exploraram todos os cantinhos, até que viram um urso a passear com o seu filho. − Hey!!! Senhores ursos!!! Podem ajudar-nos? Estamos perdidas! − pediu Thalia. − Claro! − respondeu o urso mais velho. Depois de o urso as ajudar a sair da água, convidou-as para comer na casa deles. Elas decidiram parar para comer algo e descansar. Chegando à toca dos ursos, sentiram um cheiro delicioso. “A mamã ursa cozinhou algo muito bom”, pensaram todos! Depois de comerem até encherem a barriga, de descansarem perto da lareira e de pedirem direções, as duas amigas despediram-se e continuaram a viagem. A certa altura, Luna diz: − Estou aborrecida Thalia!!! 30
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− O que queres que te diga? − Conta-me algo novo! − Sobre o quê!? − Hmmm − pensou Luna − Já sei! Conta-me curiosidades sobre os ursos-polares!! − Deixa cá ver... − pensava Thalia − Sabias que os ursos, apesar de terem pelos brancos, têm pele negra!? − Wooow, não sabia disso!! Mais, mais! − disse Luna animada. − Eles são os reis do Ártico! − Ártico...!? − perguntou Luna, meio perdida. − Sim, é o mesmo que Polo Norte. − Ahhh... Tens algo mais para contar!? − perguntou Luna. − Hmmm... sabias que tem havido cada vez menos ursos!? − Porquê!? − Por causa do aquecimento global, o gelo derrete, fazendo com que os ursos não tenham mais casa − disse Thalia. − Os humanos outra vez!? Se isto continuar assim, eles vão destruir tudo! − Olha, nos já tentámos avisar, mas eles continuam, não me admiro se eles se destruírem a si mesmos! − disse Thalia. − Pois é... Mal Luna acabou de falar, avistaram o grupo de tartarugas. − Hey, Thalia, encontrámos o grupo! − Vamos, vamos − disse alegremente Thalia − vamos contar aos nossos amigos a aventura que tivemos! E, assim, as amigas voltaram para a sua rota de migração, acompanhadas por várias perguntas dos amigos e sermões dos pais, por se terem afastado do grupo, com a promessa de muitas futuras aventuras.
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Mudar é a solução!
(Texto: Francisco Barbosa/Ilustração: Natacha Sampaio, 11.º 13_ 2019-2020)
T
odos nós, ao longo da nossa rotina, deparamo-nos com tantos problemas e, por vezes, sentimo-nos incapazes de os solucionar. Problemas como o aquecimento global ou até o constante aumento de plástico nos oceanos que, ano após ano, não tem parado de aumentar, que põem em risco todo o tipo de espécies e até o futuro do Homem. Posto isto, vou contar a história de um urso polar que, infelizmente, tem sofrido muito com o aquecimento global. Chama-se Henrique. Nasceu há cerca de 70 anos, tendo já passado por tantas adversidades e dilemas ao longo da sua vida. É considerado o mais velhinho entre todos os seus fiéis companheiros. Quando era novo, a sua casa, o Polo Norte, era bem diferente. Nunca teve um sítio próprio onde ficar, considerava-se um verdadeiro aventureiro. Gostava, preferencialmente, de ir ao sabor do vento, correndo riscos, pois adorava, sobretudo, a sensação de adrenalina e de liberdade. Sempre fora muito descontraído sem muitas preocupações. Nunca se interessou muito em conseguir arranjar uma mulher para partilhar uma vida e juntos construírem uma família. Apreciava muito a sua independência, pois, se já passava grande parte da sua vida em hibernação sem poder experienciar e viver mais e melhor, tinha medo de que uma família lhe tirasse ainda mais tempo. Ao longo da sua vida, não foi de fazer muitos amigos, até porque estavam sempre todos mais preocupados em seguir um padrão e ser aquilo que todos devem ser do que autoconhecerem-se e apreciarem as coisas simples da vida. No entanto, teve poucos, mas bons, sendo de destacar Alberto, seu grande companheiro. Este conheceu Henrique numa caçada para conseguir uma boa refeição. Podia ter sido egoísta e, quando alcançou o seu alimento, que ambos tinham em mira, tê-lo comido sozinho, mas viu o quão esfomeado Henrique estava e preferiu partilhar a sua refeição. Alberto era diferente dos restantes ursos. Naquela situação, um urso normal nem teria deixado Henrique chegar perto, quanto mais partilhar. Foi graças a este acontecimento que nasceu a forte amizade entre eles. Desde início, este tivera uma maneira de pensar muito semelhante à de Henrique, era aventureiro, generoso, determinado, com uma perspetiva de vida totalmente diferente, o que fez estes dois ursos unirem-se tanto e preservarem a sua amizade para sempre. A partilha, a sensibilidade, a ponderação e a sinceridade foram a base da amizade entre Henrique e Alberto, dois ursos que a vida, por mera coincidência, uniu. Em novos, nunca passaram dificuldade alguma, mas com o passar dos anos a situação mudou, drasticamente. O gelo, o seu bem mais precioso, por vezes mais importante que o próprio alimento, começou a desaparecer. Em determinada altura, Henrique perguntara-se para onde iria todo aquele gelo que se fazia desaparecer do seu doce lar. Será que eles estariam a fazer algo de errado, para tamanhas quantidades de gelo desaparecerem de uma forma exorbitante? Era o gelo que lhe proporcionava o chão onde podiam caçar com muita facilidade. Desaparecendo, este fica só em pequenos fragmentos espalhados pelo mar, onde a caça, sua única forma de sustento, se torna bem mais exaustiva, com uma menor eficácia e muito pouco rentável. Os anos passaram, e na altura de inverno a situação melhorava ligeiramente, mas no verão a situação tornava-se bem mais difícil, levando estes dois amigos ao extremo. Precisavam de engordar, só que o alimento parecia cada vez mais difícil de capturar e as reservas de gordura que seriam o sustento para o inverno eram quase inexistentes. Em novo, Henrique era um urso formoso, elegante, forte, saudável, mas com a idade e o degelo constante a sua aparência mudou. Para além da idade já começar a pesar, a fome era algo bem pior pela qual ninguém deveria passar. Henrique gostava tanto de poder fazer algo para mudar isto. Já não se tratava só de si nem do seu grande amigo Alberto, mas todos os seus companheiros de espécie passavam por esta situação, fazendo diminuir, em grande quantidade, o seu número. 32
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O Henrique não pode fazer nada, mas cabe a nós, seres Humanos, inverter esta situação, rapidamente. Ainda nada está perdido, basta haver força de vontade e dedicação e, todos juntos, conseguiremos dar um resto de bem-estar ao Henrique e assegurar a continuação dos seus companheiros. Este pobre e inocente urso polar não tem culpa do que lhe está a suceder, mas nós devemos sentir o seu sofrimento. Não é por “os outros” não estarem a fazer nada para evitar esta situação, que também vamos cruzar os braços. Se todos procederem assim, este problema nunca terá fim e o inevitável vai acontecer. Temos de mudar e incentivar os outros a fazê-lo também. Só desta forma, vamos poder resolver este problema, fruto do aquecimento global. Apostar num planeta verde e numa maior gestão é o mais importante. São as pequenas coisas que vão fazer a diferença para o nosso futuro e para o Henrique e todos aqueles que passam por uma igual destruição do seu habitat.
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Ser filha de Presidente (Texto: Francisco Gomes, 12.º/Ilustração: Maria Andrade, 11.º 14)
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ra mais um dia normal na vida de Sofia. Como sempre, levantou-se cedo, comeu, foi para a escola e voltou para casa no final do dia. A menina pouco saía de casa, pois o seu pai era Vice-Presidente do Estados Unidos da América e os Serviços Secretos passavam vinte e quatro horas a proteger a família. Quando saía com amigos, vinte agentes tinham de ir com ela, o mesmo acontecia na escola e em todos os sítios onde ia, lá estavam equipas de segurança para a proteger. A vida tornou-se chata e parada. A menina mal podia esperar pelo fim do segundo mandato do pai. Quando chegou o dia do discurso do Presidente ao Parlamento, o seu pai estava numa viagem pela Ásia, por isso não ia assisti-lo ao vivo. O Presidente Albert começou a falar pelas nove da noite. No seu discurso, falava da saúde, economia, direitos humanos e da segurança externa do país. Meia hora havia passado, quando foram ouvidos tiros na Câmara dos Representantes, provocados por um homem vindo da bancada dos deputados, que disparava contra o Presidente, acertando-lhe no peito. A televisão desligou-se, e um grupo de agentes entrou disparado na sala, levando Sofia, a mãe e os irmãos para um abrigo secreto. O Vice-Presidente chegou a Washington um dia depois e, quando pisou o solo americano, esperavam por si, junto da sua família, membros do Governo que se prepararam para dar a notícia que mudaria a vida daquela família para sempre. O Secretário de Estado, Bill Carter, confirmou ao pai de Sofia a morte do Presidente, e ali foi realizada a cerimónia de tomada de posse. Fernando tornava-se o primeiro filho de portugueses a assumir o cargo mais poderoso do mundo, no entanto, não era o melhor momento para governar. O país estava em choque, com medo, e, mais uma vez, o orgulho americano tinha sido abalado, pois o povo americano tinha testemunhado a morte do homem que, um ano e meio antes, tinha sido reeleito com todos os votos do Colégio Eleitoral. Pelas oito da manhã, entraram na Casa Branca e começou uma vida completamente nova para Sofia. Fez viagens com a mãe a todo o mundo, viu a pobreza e a riqueza e participou em viagens de Estado com o pai. De todos os líderes mundiais que conheceu, foi o Papa que a fez encontrar a sua luta na Terra. Começou a ter aulas em casa e iniciou a construção da sua própria fundação, que tinha como objetivos acabar com a pobreza, respeitar e defender os direitos humanos, ajudar pessoas com HIV e lutar pela igualdade entre as pessoas. Desde aí, nunca mais a sua vida foi uma seca, nunca mais ficou aborrecida, os dias deixaram de ser iguais e passaram a ter um novo início, dando-lhe novas oportunidades para fazer algo novo.
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Ufa! Já não aguento (Texto: Diana Garanito/Imagem: Amelie Shumann 11.º13)
Bem-vindos, amigos, eu sou a sapatilha do lado direito e hoje vou contar a história da minha vida. Tudo começou numa fábrica. Entre formas de sapatilhas, tecido e atilhos, saí eu. Sempre me achei diferente de todas as outras. Eu era uma sapatilha muito colorida, tinha o arco-íris espalhado pelo meu corpo, sola branca e atilhos azul-claros. Havia algumas irmãs muito parecidas comigo, mas existiam, também, milhares de outras diferentes, das mais variadas cores, até de sola preta existia. Depois de alguns dias enfiada numa caixa, saí à rua. Estava agora num espaço completamente diferente, sozinha, pois o meu par não viera. Parte de mim, estava agora numa pequena prateleira de uma loja, também ela, pequena. Estava rodeada por outras sapatilhas, também, sem par. Sentia-me exposta com tantas luzes e pessoas ao meu redor. Os dias passaram, talvez meses… Para ser sincera, perdi a conta. Ninguém me tocava ou olhava para mim. Comecei a duvidar de que era bonita, até que, um dia, acordei da minha sesta com umas mãos suaves a segurarem-me, como se eu fosse algo precioso. Parecia feliz por me ver, tocava-me com espanto. Era exatamente isso de que precisava, uma dona. A senhora parecia ter os seus setenta anos e estava acompanhada da sua neta, que parecia tão amável quanto a minha suposta nova dona. Em pouco tempo, estava eu outra vez com a minha cara-metade, o meu par. Estávamos na mesma caixa apertadinha da qual tinha memória. Vi luz novamente, num espaço que pensei ser a casa da nossa dona. Era acolhedora e, tal como eu, era cheia de cor e vida. Nunca me esquecerei do dia em que fomos calçadas pela primeira vez. Como esquecer? Foi um momento mágico. Finalmente, tínhamos algum propósito. Poucos minutos depois, já conhecia a casa toda. Sim! Infelizmente, também conhecia a casa de banho e os seus odores misteriosos. Tudo corria maravilhosamente bem no início. Estava a descobrir um novo mundo, mais pessoas, árvores, nós até fizemos um novo amigo, um ser de quatro patas extremamente fofo, que acariciou a sapatilha do lado esquerdo com o seu nariz pequeno. Confesso que fiquei ciumenta, no início, mas o meu par acalmou-me rapidamente. Realmente, não havia motivos para ter ciúmes, nós éramos um par, para o resto da nossa vida. Depois de infinitos passos, chegámos ao que, durante dias, ouvira as outras sapatilhas coscuvilhar, um salão de dança. Ali, tudo era diferente do que tinham descrito, era muito melhor. Era amplo, estava muito bem iluminado e a música de bela qualidade ecoava pela sala toda. A nossa dona parecia radiante de felicidade, agarrando-se a um senhor, que pensei ter a mesma idade da humilde senhora. Talvez fosse o seu par, como a sapatilha esquerda é para mim. Pelo tempo que se seguiu, a mulher não podia ter setenta anos. Ela não se cansava. Perna para lá, perna para cá, depois subia uma, baixava outra, e os braços abanavam em sintonia. Parecia que estávamos lá há uma eternidade − Já não aguento! – pensei. Para piorar a situação, a pobre da sapatilha esquerda já fora pisada inúmeras vezes pelo acompanhante da nossa dona que, até então, não a largou nem por um segundo. Depois de horas, a nossa dona decidiu, finalmente, abandonar o sítio, ao qual, provavelmente, iríamos voltar muitas mais vezes. Mas adivinhem o que aconteceu depois. A mulher decidiu ir a pé para casa. Saudades daqueles dias em que ficávamos em casa a descansar, enquanto ela usava as nossas novas amigas, as sapatilhas azul-escuras. Estávamos finalmente a poucos passos de casa, quando algo terrível aconteceu. Eu fui obrigada, pela minha dona distraída, a pisar cocó, obra daquele ser de quatro patas. Ele era fofinho, mas aquele cheiro era exatamente o oposto. Quando a senhora se apercebeu começou a raspar-me na berma da estrada. Não vou mentir, foi uma experiência traumática, mas graças à santa das sapatilhas, sobrevivi. Eu e o meu par passámos por muito, em apenas um dia. Já em casa, fui limpa com uma toalha que cheirava a rosas. E foi com aquele incidente desastroso que aprendi que, às vezes, acontecem coisas más para dar lugar a coisas boas. Também aprendi que andar muito pode custar, mas isso é viver. Por isso, daqui em diante, vou tentar não reclamar tanto e aproveitar mais o que tenho visto, porque nunca se sabe quando irá acabar. 35
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Uma conversa à superfície (Texto: Júlia Castro Encarnação, 11.º 25/Ilustração: Júlia Cunha, 11.º 14)
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ançava entre os corais, cantarolando a nova música que a Dione tinha lançado, estava em alta! De repente, caiu um pouco mais à frente alguma coisa. Aproximei− me mais e vi um objeto a brilhar, era um colar! Nadei até a superfície e vi ao longe uma humana sentada numa pedra. Aproximei− me mais dela: − Olá!!! − disse eu − Aaaah!!! − gritou a humana. − Calma, calma!! Não vou fazer-te mal, e para de gritar! Doem-me os ouvidos! − Oh ... desculpa, desculpa − diz rapidamente, ainda surpresa. − Vamos começar de novo. Olá, o meu nome é Arista, a quinta filha de Tritão. E tu? − Olá, chamo−me Flora e sou filha de..., bem... de humanos! kkk! Engatámos numa conversa animada, até que me lembrei da história do tio Akira e da tia Évora. − Ei, queres ouvir a história da minha tia Évora e do meu tio Akira? Eles são cavalos−marinhos! − Conta, conta! Estou muito curiosa! − Tudo começou no restaurante da tia Berta. O polvo Joaquim estava a importunar a minha tia Évora, quando o meu tio Akira entrou no restaurante. Ele mandou o Joaquim deixar a minha tia em paz, e este tinha perguntado o porquê dele o fazer. Então, o meu tio disse “Porque ela é a minha mulher!”. O Joaquim, evidentemente, largou a minha tia. Só que, como consequência, a minha tia ficou zangada pela mentira de Akira. “Não tinhas nada que dizer isso” − disse ela. A partir daí, foi uma grande zaragata, o meu tio Akira trabalhou muito duro para conquistar a minha tia Évora, inclusive, aceitou levar umas bofetadas só para amenizar a raiva da minha tia! − Oww! Que casal mais fofo e louco! − Pois é, mas eu adoroos! Hoje tenho montes de priminhos!! − Ah! Conta mais coisas, vou adorar saber. − Fica para outro dia. Hoje estou a tentar resolver um problema. Despedimo-nos e fomos cada uma para o seu lado, combinando encontrarmo-nos no dia seguinte. 36
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Uma lição de Ciências Naturais (Texto: Carolina Ferraz, 11.º 25/Ilustrção: Lara Timoteo, 11.º14 )
Era uma manhã amena de primavera. Maia e a sua avó Fernanda passeavam pelo vasto prado de flores silvestres da propriedade da família. O espaço, extremamente agradável, oferecia uma grande paz e conforto, para não falar do contacto com a natureza, que era importantíssimo para crianças da idade de Maia. A avó, preocupada, justamente, com o desenvolvimento saudável da neta, levava-a em passeios regulares e aproveitava para se exercitar e apanhar um pouco de sol. Ao que tudo indicava, seria mais um passeio normal, em que Maia correria atrás de borboletas, esconder-se-ia entre as árvores e rolaria pela vegetação rasa, enquanto a avó tentaria acompanhá-la. Mas Maia parecia muito mais calada do que o habitual. Fernanda, que observava atentamente a neta, estranhou a quietude e aproximou-se da pequena. Qual não foi o seu espanto, ao ver que a menina estava a tentar alcançar uma colmeia de abelhas: − Desce daí devagar, Maia! Para de tentar incomodar as abelhas. Elas vão picar-te, se estragares a casa delas − disse a avó, tentando parecer calma, para evitar que a neta fizesse movimentos bruscos. Maia já sabia que não podia ser barulhenta nem espalhafatosa perto de abelhas, então, saiu de perto da colmeia, silenciosa e calmamente. Enquanto se aproximava da avó, que estava visivelmente zangada, começou a falar: − Desculpa avó… Em Estudo do Meio, a professora está a falar sobre as abelhas. Ela mostrou-nos vídeos e imagens sobre a estrutura social delas. Sabias que elas dançam para se comunicarem? E que os bebés estão nos favos? E que há a abelha-rainha, as operárias e os zangões? Sabias que elas fazem reservas de mel e camadas de resina chamadas de própolis, que reforçam a colmeia? Oh! E sabias que o mel é o cuspo do pólen da boca das abelhas? É nojento, eu sei. A avó estava muito surpresa com o conhecimento da neta e, apesar do susto, não escondeu a sua felicidade. Aproveitou e tentou ver o quanto Maia sabia sobre as abelhas: − Hm, então estavas a tentar ver se conseguias observar tudo isso de perto. Maia acenou com a cabeça. A manhã passou a correr e, quando se aperceberam, já passava da hora do almoço. Voltaram para casa decididas a ajudar o planeta. Não foi mais um passeio agitado como os de costume. As duas sentaram-se encostadas a uma árvore, enquanto falavam sobre as abelhas. Maia aprendeu muita coisa sobre como as abelhas são importantes para a polonização das flores e aprendeu que, sem elas, ficaríamos com uma variedade muito reduzida de alimentos. Aprendeu sobre como os agroquímicos e agrotóxicos estão a matar as abelhas e aprendeu sobre como a própria produção de mel é horrível e tortuosa para elas, que trabalham durante toda a vida para produzirem o seu alimento (uma colher de sopa de mel equivale ao trabalho da vida inteira de 8 abelhas) e acabam por vê-lo ser roubado e por ver os seus próprios bebés a morrerem no processo. Ela entendeu o porquê de a avó nunca comprar mel e de usar melado de cana, calda de agave, néctar de coco e xarope de ácer em vez do mel. Alguns destes “substitutos” são até mais saudáveis, porque o mel contém muito açúcar e é das principais causas do aparecimento de cáries em crianças e pode, também, contribuir para o desenvolvimento de diabetes tipo II. Ao ver que as abelhas são vítimas da poluição ambiental, Maia começou a preocuparse muito mais com o tema e a avó ajudou-a, com prazer. Agora, Maia agradece às abelhas por polonizarem as plantas e por aumentarem o oxigénio e a variedade de cor no seu prato. Ambas, neta e avó, tornaram-se ainda mais apaixonadas pela natureza e faziam tudo ao seu alcance para ajudar o planeta terra. Escusado será dizer que, na aula de Estudo do Meio, depois daquele passeio, Maia deu uma lição à turma sobre as suas novas amigas. As preciosas abelhas! 37
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A pandemia contada ao meu filho (Texto: Marta Aguiar, 11.º 26 /Ilustrção: Lara Caires, 11.º14 )
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oje, dia 20 de abril de 2035, estava na sala à conversa com o Matias, o meu filho, e ele perguntou-me qual tinha sido o momento mais triste da minha vida. Principiei por lhe dizer que começou no dia em que estava na sala com os seus avós e soubemos de uma doença que estava a matar milhares de pessoas na China, e aproveitei para lhe dizer que as coisas não têm de acontecer perto de nós para termos empatia. De seguida, disse-lhe que durante as aulas achámos estranha a ideia de usarmos máscara, e alguns até gozaram com isso, mas o nosso dia chegou. O dia em que apareceu, na Madeira, o primeiro caso importado. Todos ficámos apavorados e, a partir desse dia, estipulou-se a regra de usarmos máscara na rua. Era um verão quente. Tentei explicar-lhe a frustração que sentíamos por não podermos ir à praia com amigos, vermos as festas serem todas canceladas e os bares e restaurantes estarem fechados. Ele não quis acreditar quando pensou em como seria se ficasse duas semanas sem jantar fora, ou sem tomar um pequeno-almoço na padaria que ele tanto gosta. Todavia, o regresso às aulas foi o pior e o mais assustador. Os casos positivos eram absurdos, mas sentíamos saudades dos nossos amigos e queríamos estar juntos. Então, regressámos à escola, depois de nos fazerem uns testes que consistiam em nos meterem uma espécie de cotonete gigante no nariz e na garganta para detetar se tínhamos o vírus ou não. Se tivéssemos, teríamos de ficar em casa 14 dias, se não, íamos para a escola, mas sempre de máscara e com cuidado. Porém, esse controlo faltou a muita gente e, por isso, foi implementado o recolher obrigatório, o qual não nos permitia sair à noite. Expliquei-lhe que foram momentos difíceis, como era chato estar sempre em casa e não podermos ver a família que não vivia connosco, mas mostreilhe o lado positivo: o facto de estar eu, o seu tio, o seu avô e avó, todos juntos, na sala a ver um programa para passar o tempo, termos valorizado mais o tempo passado com os nossos e trocar laços. Com o passar dos dias, muitas pessoas não cumpriram as regras estipuladas e, se não apanharam covid, foi sorte… Finalmente, aproveitei para lhe demonstrar uma lição para a vida, disse-lhe que era naqueles momentos que tinha de ter amor-próprio e não se deixar guiar pelas ações dos outros e fazer sempre o que achasse que estava correto. Rematei a conversa dizendo que o amava muito e que, se um dia passasse por um momento assim, eu iria estar ao lado dele. Dei-lhe um enorme beijinho na testa e levei-o ao colo até ao quarto, onde o embalei e o deixei a descansar.
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A Lição do Jasmim
(Texto:Anita Afonso, 11.º 25/Ilustração: Gabriela Moreno, 11.º 12_ 2019-2020)
Quando estava a passear pelo jardim de papoulas da avó Rita, naquela manhã solarenga, reparei no jasmim que estava perto da ribeira. Era tão formoso e perfumado que não resisti e aproximei-me, na esperança de que o pudesse levar para casa e o pudesse colocar ao pé do meu caprichado espelho. No momento em que o ia arrancar da terra, este começou a falar comigo, dizendo-me: − Ainda bem que me vais tirar daqui! Já não aguento sentir-me assim tão tristonho, rodeado de papoulas tão requintadas! E eu, aqui, pareço uma folha de alface, sem graça alguma! Fiquei pasmada com o que ouvi, mas ganhei coragem e respondi de volta: − Como é que tu falas? Sempre me disseram que as flores não falam! − Ora, informaram-te mal! As flores falam com quem lhes desperta interesse, e tu despertaste o meu! − Fico contente por tal! Mas, voltando àquilo que me disseste antes, como assim, achas que não tens graça nenhuma? Tu és a mais bonita daqui, a que mais desperta a atenção! − Claro que não! Eu sou diferente delas! Não tenho as mesmas cores vívidas, não uso o mesmo perfume nem gosto de brincar com as abelhas. − E por não gostares do mesmo já não és bonita? É por seres diferente e te distinguires que ganhas o teu próprio brilho! − Talvez tenhas razão, mas sempre me senti mal ao me comparar com as outras flores... − Não sintas! Não é por não veres a tua própria beleza que não a tens! Haverá sempre alguém que nos valoriza, nos respeita e gosta de nós como nós somos! − Eh, se calhar, vou começar a valorizar-me mais, obrigada! Saí do jardim da avó feliz, não só por ter ajudado uma flor, como também por perceber que os conselhos que dei ao jasmim serviam para mim que, por vezes, me comparo a outras raparigas e acabo por não me valorizar. O que realmente importa são os valores, os princípios que cada um de nós tem. Não devemos ser feitos de aparências nem de opiniões, mas sim de atitudes.
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Nova Atividade do Clube de Física e Química Montra de Ficção Científica Organização: Clube de Física e Química (CFQ) (Texto/Imagem)
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Clube de Física e Química (CFQ), constituído por um conjunto de professores do Grupo 510, nasceu no ano letivo de 2019/2020 e está a caminhar à velocidade que a pandemia permite! Continuamos a seguir uma trajetória sólida e diversificada, orientada pelo lema do Projeto Educativo da Escola “Ensino de qualidade, respostas educativas diversificadas”. Seguimos convictos de que podemos influenciar o processo de ensino e aprendizagem, propiciando a compreensão e interpretação de fenómenos fundamentais no futuro das novas gerações, promovendo o pensamento criativo e desenvolvendo competências significativas para o exercício de uma cidadania crítica e responsável. Este ano letivo, estamos a promover, entre outras, uma atividade designada por “Montra de Ficção Científica”, dirigida à Comunidade Educativa em geral, com especial destaque para os amantes da leitura e da ficção científica. Com esta atividade pretendemos divulgar obras de arte de ficção científica (FC) ou seus derivados. Algumas das obras que exploram o futuro da humanidade, em verdadeiras epopeias interestelares, analisando a expansão e encontros com espécies inteligentes (ou pouco inteligentes), e outras que permanecem em cenários terrestres, tentando perceber como as nossas vidas são afetadas/alteradas com o avançar da ciência/tecnologia, encontram-se disponíveis na 40
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Biblioteca da nossa Escola. A primeira sugestão da “Montra de Ficção Científica” foi uma dessas distopias: Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, tendo-se-lhe seguido As Atribulações de Jacques Bonhomme, de Telmo Marçal, e, mais recentemente, uma saga de livros de Isaac Asimov, cujo nome é Fundação, que é também o título do primeiro de três livros. A todos aqueles que, por qualquer razão, ainda não tiveram oportunidade de disfrutar destas maravilhas, deixamos o link para a página do CFQ, onde podem consultar estas e outras atividades do clube. Também podem aceder através da página da escola, na área de Clubes/Projetos. O CFQ continua a colaborar com o PNC da nossa Escola, sugerindo alguns filmes e documentários de divulgação científica que cultivam o espírito crítico de pesquisa e investigação, sensibilizando para a prática de atitudes e valores que conduzam ao exercício de uma cidadania responsável. Link para a página do Clube de Física Química (CFQ)
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Projeto PODENGO Os direitos dos animais Organização: professoras dinamizadoras: Fátima Góis, Sílvia Carreira e Sílvia Castro (Texto/Imagem)
Breve historial (Texto/Imagem)
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projeto Podengo nasceu há 6 anos, na Escola Francisco Franco, pelas mãos da Professora Sílvia Castro. Este projeto visa essencialmente ajudar no resgate, esterilização e tratamento de animais de rua e de famílias carenciadas, no sentido de promover a saúde animal e ambiental. Por forma a cumprir os objetivos definidos, o Projeto tem vindo a desenvolver, ao longo dos anos, um conjunto de iniciativas, das quais se destacam: - alimentação de animais domésticos de famílias carenciadas; - atividades de recolha de alimentos em supermercados; - jantares de convívio e viagens de angariação de receitas; - feiras solidárias, onde se vendem artigos doados (roupas, acessórios, objetos de decoração, entre outros). A receita obtida através destas iniciativas é reencaminhada para apoiar animais. Estas diferentes atividades possibilitam, ainda, a participação de alunos da escola, envolvendo-os numa causa solidária que promove o bem-comum.
Sabias que... Podengo é o nome dado a uma das raças mais antigas de cães. É caraterizado por ter as orelhas eretas, a cauda em forma de foice e a cabeça tem a forma piramidal quadrangular. Os podengos podem ter porte pequeno, médio e grande. Quanto ao pelo, existem 2 variedades: pelo liso, mais comum no norte de Portugal, uma vez que o pelo liso seca mais facilmente; e pelo cerdoso, variedade encontrada 42
nas zonas mais secas, onde pelo protege a pele dos raios de sol e do frio no inverno. O Podengo é um cão alegre, inteligente, enérgico e muito sociável. É também muito carinhoso com os donos e protetor das crianças.
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Este ano letivo, apenas foi possível realizar uma sessão de recolha de alimentos, nos dias 24 e 25 de outubro de 2020, no supermercado Continente Madalenas (Sto. António). Uma vez mais, a ação decorreu em colaboração com a associação ANIMALIFE e contou com a participação voluntária de professores e alunos da escola. Os alunos foram ainda incentivados a escrever sobre a temática da proteção dos animais. Este ano, com a problemática pandémica, as questões da proteção e abandono estão, ainda mais, na ordem do dia e merecem uma atenção redobrada. A Professora Fátima Góis com alunos, numa sessão de recolha de alimentos.
Os animais sofrem com a pandemia (Texto: Laura Isabel Rodrigues da Silva, turma 10.º 28/Imagem)
Os animais têm vindo a sofrer cada vez mais com a pandemia. Sofrem cada vez mais abandono! Muitas vezes, por os donos não terem capacidade financeira e outras por desgosto… E, para outras pessoas, aquelas de bom coração, os animais são uma companhia e dependem delas. Todos nós sabemos que abandonar um ser, seja qual for, é crime! Pois eles são como nós, têm vida, têm sentimentos, têm amor e merecem muito mais, pois estão sempre lá para nós, mesmo quando são maltratados. Pessoas cruéis, com um coração malicioso, que colocam animais em sacos do lixo, jogam em lotes ou em casas de adoção… se não têm condições de ter um animal, para quê tê-los?! Os animais são muito dependentes de nós, se não lhes dermos comida e não cuidarmos deles, vão adoecer e morrer. Então, antes de fazer qualquer coisa a um animal, temos de pensar em nós e colocarmo-nos no lugar deles e pensar: «será que eu ia gostar que me fizessem aquilo?». Se não iria gostar, é obvio que o animal também não vai gostar, vai ter medo e vai sofrer. Para concluir, todo o ser vivo tem direito a VIVER com todo o amor e aproveitando a vida a cada segundo. 43
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MIKRÓS
O Concurso à medida de todos Organização: Revista Leia FF (Texto: prof.ª Rosário Antunes/Imagem: Mikros)
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uitas poderão ser as palavras que cada um de nós pode escolher para descrever o ano letivo que agora termina. Se foi uma espécie de repetição do ano transato, a verdade é que o desgaste já estava instalado, ainda que, por outro lado, já estivéssemos preparados (porque não era uma novidade) para lidar com confinamentos, isolamentos, distanciamentos. Ora, pensando exatamente na necessidade de nos (re)aproximarmos uns dos outros, mas também de nos evadirmos do atual ambiente de pandemia, promovendo a possibilidade de viajar através da imaginação, mas também a confiança de responder eficazmente a um desafio, a revista Leia FF lançou o MIKRÓS, um concurso de escrita e ilustração, dirigido a alunos, professores e funcionários, que frequentem ou exerçam funções em estabelecimentos de ensino secundário da RAM. O desafio era igualmente para nós, coordenadoras da revista, não só pela tipologia da competição, mas porque a altura tanto podia vir a ser excelente como desastrosa. Se estávamos confiantes de que o facto de se destinar a três públicos-alvo distintos representava um ponto positivo, tal como coexistirem as modalidades de micronarrativa e ilustração, abrangendo um leque mais alargado de preferências (há sempre quem goste mais de escrever ou de desenhar), sabíamos que criar algo desta natureza é sempre incógnita e demora a cativar adeptos, sem falar da disposição dos possíveis participantes ou mesmo do cansaço que «mais um concurso» ou «mais um trabalho» pode gerar, especialmente quando a divulgação é feita de forma tão impessoal, como aquela que é possível através dos canais digitais. Ainda assim, pesando prós e contras, ainda com os contactos com possíveis parceiros (que patrocinassem os prémios) em vias de se concretizar, decidimos avançar. Findo o prazo, responderam ao repto cerca de cinquenta participantes (a esmagadora maioria pertence à nossa escola), mas a 2.ª fase (que pressupunha que o mote fossem os trabalhos vencedores da 1.ª fase) teve um número muito limitado de inscritos, pelo que não se efetivou. Ainda assim, deixamos aqui, a par dos trabalhos vencedores, a micronarrativa criada tendo por base a ilustração vencedora da referida 1.ª fase. As regras foram (e são) simples: o concorrente cria e envia uma micronarrativa com, no máximo, 121 palavras e/ou uma ilustração com a dimensão de 21cm x 21cm. Em qualquer um dos casos, o tema é livre, aquando da 1.ª fase. Os elementos do Júri de Ilustração foram os artistas plásticos Helena Jardim, Miguel Sobral e Rafaela Rodrigues. O Júri de Escrita foi composto pelos professores de Português Ana Salgueiro e Eduardo Pires. Houve ainda o «voto do público», através do Instagram da revista Leia FF. Ainda que esta iniciativa não seja «a última Coca-Cola do deserto», estamos esperançosas de que se lhe aplique o slogan que Fernando Pessoa criou para aquela marca de refrigerante: «Primeiro, estranha-se. Depois, entranha-se». 44
Mikrós|vencedores
Ilustração: 1.º lugar| Teresa Pessoa, 11.º 14
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Que história é contada pela ilustração? Texto| Laura Vieira Teixeira, 12.º 11
A Rosa, as Petúnias e as Hortências congregavam-se para maldizer. No jardim das flores, os Amores-Perfeitos, plantados no outrora regador favorito da dona, esticavam os caules, abanavam as pétalas… – tudo para se destacarem. – Madame Rosa, já ouviu a mais recente? No jardim ao lado, os Lírios plantam-se junto aos Malmequeres… consegue imaginar? Que escândalo! Cansado do boato matinal, o cão da velha guarda, Bóris, aproxima-se sorrateiro, olhos fixos nos Amores da dona. Já era tempo de alguém ensinar uma lição aos intriguistas! Com pata de veludo, Bóris envolveu a boca entre os verdes ciúmes e, num único movimento, arrancou-os de uma só vez. Com as raízes à vista, naquele dia, descobriu-se que os Amores não são tão perfeitos assim. 45
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Mikrós|vencedores Texto: 1.º lugar| Pedro Lopes, 11.º 13
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ntre os arbustos, maria encontrou um pássaro – pequeno, frágil, chilreando suavemente. por idiossincrasia, acolheu-o no colo da sua saia. levou-o até à sua cabana, resguardada pela densa floresta, e poisou o passarinho numa gaiola de prata, onde ambicionava cuidar dele. três luas passaram dois sóis nasceram e o desespero de maria crescia. os seus dedos, calejados, trémulos, tracejam letras garrafais, gravadas no papel amarelado de um livro-ancião. maria olha para a gaiola prateada, de coração a bater desenfreadamente ao se aperceber que sim finalmente do pobre pássaro nada restava, se não flores murchas. um rugido gutural sai de si. finalmente recuperarei o meu poder. tirando o animal da gaiola, maria leva uma pétala à boca. apavorado, o mundo treme.
Categoria docentes|Micronarrativa
Texto: 1.º lugar do júri e do público|prof.ª Teresa Pereira/ Ilustração: Teresa Mesquita, 11.º 14
Galinhas Na capoeira, as galinhas bicavam o chão, devoravam minhocas e grão. Com as patas, raspavam o solo e afastavam o que não lhes apetecia. Um dia levantaram os olhos e viram-se. Descobriram-se brancas, amarelas, pretas, castanhas, matizadas. Uma delas, porém, tinha o pescoço pelado. As galinhas aproximaram-se. Uma, timidamente, bicou-lhe o pescoço. Depois, mais confiante, bicou novamente. A galinha fugiu. Mas a outra apanhou-a e, outra vez, a bicou. Veio outra e uma outra e todas a bicaram. A galinha de pescoço pelado encolheu-se e já não fugiu. Todas, à vez, a bicavam. A galinha morreu. E as galinhas bicaram-na, bicaram-na. Mais tarde, com as patas, rasparam o solo e os seus dedos finos afastaram o que não lhes apeteceu. 46
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Categoria alunos|Micronarrativa Texto: Prémio do Público| Anita Afonso Borges, 11.º 25
Prisioneira? Mentira! Acordei sobressaltada com um som estridente de uma sirene à porta da minha casa. Levantei-me apressadamente para ver o que se passava e, ao ir abrir a porta do meu quarto, reparei que tinha as mãos cobertas de sangue. Fui à casa de banho para as lavar, sem entender o porquê de estarem com aquela cor avermelhada. Depois de limpa, segui o som da sirene, que me levou a um conjunto de polícias armados. - Bom dia! O que se passa? – perguntei eu. - Verónica, você está presa pelo homicídio do seu pai. – disse o polícia.
Categoria alunos|Ilustração
Ilustração: Prémio do Público|Daniela Fernandes, 11.º 14
No momento em que aquelas palavras entraram pelos meus ouvidos, não consegui controlar as lágrimas. Como poderia o meu pai estar morto?
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Categoria alunos|Micronarrativa O ecoar do meu renascer
Texto: Menção Honrosa| Mariana do Carmo Marques Castro, 11.º 24
A
quele som, aquela paleta cromática que passava, constantemente, no limiar do meu olhar. As vozes que ecoavam na minha mente, gritos exorbitantes que ouvia. A soberania daquela voz que chegava a liderar todos os meus atos. Uma infância atormentada pela insanidade, um pesadelo real ecoava no meu ser. Queria gritar, mas não podia, as minhas vísceras não me permitiam. Aliás, desejava mais, esperava cair e nunca mais me levantar, permanecer inerte, até que alguém me despertasse. Um dia, algo, inesperadamente, tocou-me na alma e fez-me desadormecer. Até hoje não sei o que foi e, possivelmente, nunca virei a saber. Um alvor de uma madrugada, precisava o reinício da minha existência.
Lobo em pele de Cordeiro Texto: Menção Honrosa| Ângela Ferreira, 11.24
Aquele som, aquela paleta cromática que passava, constantemente, no limiar do meu olhar. As vozes que ecoavam na minha Em cada canto um pranto feito de memórias desagradáveis e constantes. Lobo que é lobo caça a sua presa sem piedade. O ardor no seu peito não é de amor, mas sim de malícia, vontade de satisfazer todos os seus desejos magoando os outros. Poderia ser uma raposa, por ser um ser manhoso e traiçoeiro, mas decerto é lobo pela sua força e determinação. Ao princípio parecia um cordeiro, trazia-lhe flores, era alguém romântico, de boa figura, com boas intenções. Pobre criatura, tão inocente… Aquele cordeiro não passava de um lobo! No entanto, deixou-lhe marcas para uma vida toda, algo que nunca irá sarar, e por sorte não a matou! A denúncia salvou-a.
Categoria alunos|Ilustração
Ilustração: Menção Honrosa | Sónia Abreu, 11.º 14 e Ana Sofia Gonçalves, 11.º 13
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@revistaleiaff Revista Leia FF
Organização: Revista Leia FF (Texto: prof.ª Rosário Antunes/Imagem: @revistaleiaff)
A revista Leia FF aproxima-se do seu 20.º aniversário, tendo sido, desde 2001, testemunha de grandes momentos da nossa escola, dando «voz» a muitos alunos, servindo de «montra» a todos aqueles que quiseram partilhar com a comunidade educativa um pouco de si, fosse na forma de notícias, ilustrações, reflexões ou textos livres. As edições em papel deram lugar à versão digital, naquilo que foi uma contingência económica, mas que também foi um acompanhar das tendências tecnológicas, permitindo que qualquer pessoa com um dispositivo ligado à internet pudesse ler, onde e quando quisesse, gratuitamente, a revista da ESFF. Os anos vão passando, a sociedade vai avançando na sua caminhada, havendo cada vez mais evoluções no mundo virtual. Tendo isso em consideração, e também porque a revista pretende ser um meio de divulgação o mais amplo possível (pois só assim faz sentido o seu papel), no presente ano letivo inaugurou-se um novo formato, através do Instagram. A conta @revistaleiaff nasceu exatamente para chegar ao público mais jovem, aproximando-o do que vai acontecendo na escola, mas abrindo portas a outros conteúdos, como dar a conhecer a obra de artistas plásticos e escritores, assinalar efemérides, esclarecer dúvidas de língua portuguesa, entre outros. Então, neste ano ainda marcado pela pandemia, pelo distanciamento e pelo confinamento, o surgimento da @revistaleiaff foi mais uma tentativa de mantermos a comunidade escolar conectada, próxima entre si, nem que fosse na segurança da casa de cada um. Visitem-nos e, se gostarem do ambiente, deixem por lá ficar a vossa marca!
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Núcleo de Música, uma escola dentro da escola Já lá vão 31 anos Organização: Núcleo de Música (Texto/Imagem: Núcleo de Música)
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Núcleo de Música nasceu, no ano letivo 1989-90, em ambiente propiciado pelo formato de estágio de professores em vigor — a profissionalização em exercício —, pela filosofia de Escola Cultural e pela circunstância muito específica e feliz de haver no grupo de docentes da Escola Secundária de Francisco Franco elementos sonhadores, dinâmicos e conhecedores no mundo das artes, nas suas várias formas de expressão, incluindo a música. A escola fervilhava em atividades culturais, muitas das quais passavam para além das suas paredes e se repercutiam pela comunidade. Podemos referir, por exemplo, as várias edições das 12 horas de música (1984-85 a 1988-89) dinamizadas pelo professor António Rodrigues, a Semana da Alemanha (1983-84) ou a Semana Cultural dos Estados Unidos (1986-87) e dinamizadas pelo grupo de Inglês, com coordenação das professoras Ana Lomelino e Carmo Marques, todas estas atividades precursoras da fundação do NM, que nasceria, então, em 1989, sob a direção dos professores Jorge Borges e Mário André Rosado. Ao longo dos anos, a colaboração do NM com os vários grupos disciplinares era frequente, muito em particular com o grupo de Inglês, com o qual viria a manter um elo especial que se manteria por mais de vinte anos, nas denominadas Quinzenas do escritor inglês, a primeira em 1987-88 e a última em 2008-2009. Ficou como registo físico deste trabalho conjunto o CD de originais Das histórias se fez música (2008), no seguimento do livro 20 anos de Histórias (2007), uma compilação de textos e ilustrações produzidos, por alunos e professores, no âmbito das Quinzenas do escritor. Uma outra parceria extremamente rica, também relacionada com a referida atividade do grupo disciplinar de Inglês, foi a que se estabeleceu com o Clube de Teatro, orientado pela professora Teresa Jardim. A par do clube de ecologia O Barbusano, o Núcleo de Música, agora a cumprir o seu 31.º aniversário, é o mais antigo espaço pedagógico dedicado às atividades de complemento curricular desta instituição. Como o seu nome deixa antever, o catalisador que faz convergir para ele os alunos é a música, expressão de arte crucial para os jovens, pois nela encontram respostas para as suas ansiedades, cumplicidade para os seus sentimentos, revoltas, sonhos e dúvidas. Alguns chegam em busca de um sonho de carreira musical, que em muitos casos se confirma e é com orgulho que vemos hoje em músicos de carreira firmada os meninos que um dia partilharam connosco aquele espaço. Para outros, o Núcleo de Música foi a satisfação breve do devaneio de ser estrela e ponto de partida para desafios e realização em outras áreas. Todos os que se inscrevem — alunos, professores e funcionários — fazem-no de forma voluntária. Não há registo de presenças que obrigue a cumprir um horário, mas quase todos chegam antes da hora e querem continuar quando é tempo de fechar a porta. Se é um facto que um dos principais objetivos do NM é alargar horizontes a nível da expressão musical e a possibilidade 50
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de aprendizagem de um instrumento, há tantas outras formas de enriquecimento pessoal e crescimento socioemocional que ali se potenciam: o companheirismo; a importância do trabalho conjunto, no qual o bom desempenho de cada um influencia o resultado final; o respeito e a aceitação dos limites próprios e os dos outros; detalhes de conduta social; a responsabilidade de aceitar um comprometimento, que implica horas de dedicação, de persistência, de ensaio repetido à exaustão para um momento de glória conjunta e, às vezes, para um fracasso, que há que ultrapassar. E também isso se aprende. O Núcleo de Música é uma escola dentro da escola. O seu valor é reconhecido por todos os que por ele passaram e que disso nos dão, bastas vezes, testemunho em afetuosas mensagens. Tem sido um projeto acarinhado pelos vários órgãos diretivos da escola. É também um ambiente facilitador de relacionamento entre Concerto do Amor e da Amizade docentes e discentes que contribui para a harmonia global do meio escolar. A sua presença projeta-se para além da escola. Ao longo dos anos, têm sido 2019 vários os músicos e formações musicais que ali tiveram a sua génese e que hoje estão presentes no meio musical da ilha ou espalhados pelo país e pelo mundo, assim como várias e globalmente boas as prestações em concursos regionais, como o atestam as classificações obtidas. Oficialmente, o NM mereceu reconhecimento com a atribuição do Prémio Educação Artística 2010, atribuído no I Congresso Regional de Educação. Orgulho-me de ter pertencido, desde o seu dealbar, a este projeto no qual artes e gerações se cruzam num ambiente de trabalho, mas também de descontração e liberdade, e é com a alegria que o vejo continuar, hoje, sob a coordenação das professoras Humberta Correia — também há muito parte do NM —, Anabela Machado e Rosário Antunes e colaboração das docentes Marta Sousa e Verónica Neves, que melhor vos saberão contar sobre o seu presente. Que encontrem motivação para prosseguir com o bom trabalho. Ao Núcleo de Música, parabéns e votos de longa vida. Celebrações do Dia da Europa 2021 Maria do Carmo Marques
Colaboração com o Grupo de História
Concurso de Vozes 51
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Já lá vão 31 anos
Organização: Núcleo de Música (Texto: Coordenadora Geral do NM, Humberta Correia/Imagem: Núcleo de Música)
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, respondendo ao apelo da Música, seguimos o percurso daqueles que nos antecederam, permitindo aos participantes do Núcleo de Música, de há três anos a esta parte, a realização de sonhos, a integração num grupo-família, o enriquecimento social e cultural. Os diversos convites dos Coordenadores de vários clubes, núcleos e projetos, a par do nosso Programa de Atividades, possibilitaram diálogos multidisciplinares e interculturais. Tem sido um privilégio participar nas atividades do programa EPAS – Escola Embaixadora do Parlamento Europeu e Clube Europeu ESFF, do projeto Por onde Viajam as Palavras – percursos de Língua, Literatura e Cultura (POVAP), do Clube de História e do Grupo Disciplinar de História, do Clube de Dança da ESFF e, ainda, na Semana das Línguas da Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco e no Concurso de Vozes a nível regional, promovido pela equipa coordenadora da Escola Básica e Secundária da Calheta e no programa Madeira Viva, da RTP Madeira. A concretização dos objetivos do NM tem sido cabal e trazido à equipa coordenadora a satisfação de um trabalho realizado com rigor e prazer, com a exceção do ano letivo em curso, um ano atípico, devido às condicionantes de uma pandemia com as limitações sobejamente conhecidas e vividas por todos nós. Humberta Correia Coordenadora Geral do NM
Concerto de Natal 2019
Semana das Línguas Gonçalves Zarco 2019 52
Concerto de Natal 2019
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Participação do NM na Semana das Línguas da Escola Gonçalves Zarco 2019
Concerto do Amor e da Amizade
Concerto de Natal 2020
Parceria com o Clube Europeu 53
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Projeto Wild FF Plantação do jardim de plantas endémicas Organização: prof.ª Teresa Jardim, grupo de Inglês (Texto/Imagem: prof.ª Teresa Jardim e Isabel Lucas)
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o início de maio, o Projeto Wild FF deu início à plantação do jardim de plantas endémicas, com o permacultor Nuno a orientar os trabalhos. A Engenheira Maria João Dragovic esteve presente, tendo acrescentado algumas sugestões muito úteis sobre o posicionamento de algumas plantas. Recebemos também a visita de Rodrigo Camacho, um antigo aluno do Curso de Ciências da ESFF, acompanhado pela Sara, autores de um projeto de agrofloresta nas serras do Barroso (Portugal continental). Algumas plantas receberam nomes, atribuídos pelos alunos que as plantaram: o Chico é um echium nervosum (maçaroco), plantado pelo aluno Francisco Góis; há a Maria, uma lavandula pinnata muito simpática, e o cheirolophus massonianus é a Vénus. Falta ainda atribuir nomes a muitas outras e ainda há muitas por plantar. Nesta sessão, plantámos as seguintes: 7 matthiolas maderensis (goivosda-rocha); 7 calendulas maderensis (calêndula-da-madeira); 2 monizia edulis (cenoura-da-rocha); 1 jasminum azoricum (jasmineiro-branco) que, a despeito do nome, não tem nada a ver com os Açores, pois é exclusivo da Madeira; 7 autonoe maderensis (scillas; cila-da-madeira); 1 argyranthemum dissectum (estreleira); 3 argyranthemums pinnatifidum, subsp. succulentum (estreleiras da Ponta-de-São Lourenço); 1 cheirolophus massonianus. Entre as conversas empolgantes que brotaram deste encontro e as tarefas da plantação, sobrou pouco tempo para a documentação do evento. Ficam aqui registos fotográficos de dois momentos da plantação de uma calendula maderensis e de alguns espécimes da autonoe maderensis (scilla). Numa feliz coincidência, a Sofia e o João Pedro vestem as cores da escola. Estamos muito gratos aos viveiros do IFCN, à Engenheira Maria João Dragovic e à Engenheira Fátima Freitas, pela generosa oferta das plantas, à arquiteta Sara Costa, à professora de Desenho, Isabel Lucas, aos alunos que elaboraram os projetos, ao Nuno pela dádiva do seu engenho e partilha de conhecimento sobre as artes da plantação e manutenção do jardim e, é claro, ao CE, por nos ter cedido este espaço no jardim nobre da ESFF. 54
Imagem: estudo paisagístico_João Pedro Coelho 11.º 13
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Imagem: estudo paisagístico_Teresa Mesquita_11.º14
Imagem: estudo paisagístico_Sofia Gonçalves, 11.º 13
Imagem: Plantação_7 de maio_calendula maderensis._ Sofia Gonçalves e João Pedro Coelho, 11.º 13
Imagem: Plantação_7 maio_autonoe maderensis_ scilla_permacultor Nuno
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As Nossas Árvores na FF Desenvolvimento Sustentável Organização: Banco dos Afetos em parceria com o projeto Equilíbrio (Texto: prof.ª Cristina Pestana/Imagem)
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Banco dos Afetos em parceria com o projeto Equilíbrio – projeto de ativismo social e ambiental - organizaram duas sessões sobre as árvores, “As Nossas Árvores na FF”, sobre o Desenvolvimento Sustentável e inserido na atividade anual de Inglês “Be Eco-friendly – Look After the Next Generation”. Assim, na disciplina de Inglês, como preparação para as referidas sessões, os alunos realizaram um conjunto de atividades sobre a temática, desde a escrita criativa, narração de história e desenho livre. Estes textos exemplificam a beleza das memórias que os alunos guardam sobre as suas Árvores.
The Lemon Tree (Texto: Petra Sousa, 11.º20/Imagem)
A tree is something just a tree, but not in this case. This is my sweet lemon tree, you’ll find it hiding in its silence in front of the kitchen window of a small countryside cottage in Pazos de Borben, Spain. Picture this, a sweet newlywed couple, Monolo and Cinda, planted a little lemon tree together in the early 70s, as its branches grew and grew, so did Monolo and Cinda’s love - getting bigger and bigger each day. The Lemon Tree was still young when it met the couple’s little lemon drop, Monólito, a baby boy that it would look over until the day its roots couldn’t hold it up any longer. As Monólito grew, the Lemon Tree kept him safe, looking over him while he played in the garden and kept him shaded while he napped under its leaves. You may be thinking, why is this tree important to me? Monolo is my grandfather’s brother, he’s kind of a second grandfather to me. I loved the years when we’d travel to Spain to see him and hated the days we’d have to leave, some of my favourite memories were made there, like getting up on my grandfather´s shoulders to pick the lemons, lying under its branches just staring at the clouds going by. I love the Lemon Tree and everything around it. It’s been a long time since I last saw my sweet Lemon tree, I hope it is okay. I long for the day that I can see it again. 56
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The Lemon Tree (Texto/Imagem: Júlia Rodrigues, 11.º 20)
Next to my bus stop, there’s a beautiful tree that I really like. When I first had to start going to that place in September, the tree didn’t really catch my attention specifically. It was just a plain tree that blended with all of the other many trees around. However, a few months went by and when its flowers bloomed they had a very vivid shade of pink, making it stand out beautifully. Now, when I’m tired from school and finally reach my stop, that tree is the very first thing I look at, and that routine has made me associate seeing that tree with coming home after a long day. That tree is very special because I know that if I ever, in a few years, pass through the same street or even see a picture of it, it will instantly remind me of these school days and how they felt to me.
My childhood tree
(Texto: Maria Gomes Ribeiro, 11º20/Ilustração:|Beatriz Lourenço, 11.º 13)
When I was young there was this tree that I planted with my parents and my brother. I was about five years old when it reached my height and we have been growing together ever since. It was really important to me because it taught me how to take care of others. I was small but I had something to take care of. There was something bigger depending on me. I would wake up every day and run to the yard to water my tree and every time I would go on vacation I made sure someone did it for me. Unfortunately, I don’t live there anymore but every time I pass by my childhood home I make sure my tree is there, bigger and happier than ever.
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Leia FF n.º 58| AconteceuGaleria de Arte
Mundo tecnológico e digital: Olhar o futuro Atividade Integradora EFA Organização: formadores e formandos dos Cursos EFA (Texto/Imagem)
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omo vem sendo hábito ao longo dos anos, as turmas EFA da ESFF (ensino noturno) realizaram, no decorrer do ano letivo que agora finda, a Atividade Integradora (AI), disseminada em várias sessões, com o propósito de mostrar os seus trabalhos e o seu empenho no desenvolvimento de matérias relevantes, que vão ao encontro ao tema aglutinador da escola (“Cidadania digital, olhar o futuro”), intitulada “Mundo Tecnológico e digital: olhar o futuro”. Com início no dia 3 de fevereiro, com o debate sobre “Lixo Eletrónico”, mais precisamente o “Lixo Espacial”, organizado pela turma 1.º 2 EFA Escolar Tipo B e Tipo C, as diversas palestras foram-se desenrolando e abordando temas como “Ciberbullying: na escola estou seguro?” (questão lançada pelas turmas 1.º 5 e 2.º 4 – Técnico de Informática e Sistemas, a 11 de fevereiro), “Carro Elétrico: vantagens e desvantagens” (sessão organizada pela turma 2.º 3 – Técnico de Instalações Elétricas, em março), “Teletrabalho” e “Teletrabalho: impacto ambiental” (dinamizadas, respetivamente, pelas turmas 1.º 3 e 2.º 2 – Técnico de Apoio à Gestão, em abril). Sob a coordenação das mediadoras Marta Sousa, Paula Coelho e Sofia Vieira, as sessões revelaram-se (como se esperava) desafiantes, sendo os temas pertinentes e atuais, permitindo aos formandos da Comunidade EFA que desenvolvessem e aprofundassem as suas competências e enriquecessem as suas aprendizagens. Esta AI foi distribuída ao longo dos 2.º e 3.º períodos, no intuito de se conseguir realizar algumas discussões de forma não presencial e outras presencialmente, mas as medidas de contingência acabaram por ditar que todas elas ocorressem à distância. 58
Organização: 12 B/C Lixo Eletrónico Fevereiro Organização: 23 TIE Carro Elétrico – vantagens e desvantagens Março
Organização: 13 TAG Teletrabalho 28 de abril
Organização: 15 e 24 TIS Cyberbullying: na escola estou seguro? 11 de fevereiro
Organização: 22 TAG Teletrabalho: impacto ambiental Abril
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“Ciberbullying: na escola estou seguro?” Texto: Turmas EFA 1.º 5 e 2.º 4, Técnico de Informática e Sistemas
As turmas EFA 1.º 5 e 2.º 4, de Técnico de Informática e Sistemas, colocaram a questão, tão pertinente neste contexto de pandemia, confinamento e aulas não presenciais, com o uso massivo da internet em todas as vertentes, sejam elas sociais, familiares, profissionais e educacionais. Qual é o pai, o encarregado de educação e o aluno/formando que não se preocupa com este dilema? Qual a escola que não tenta assegurar e defender a segurança digital de toda a comunidade educativa? Para responder à questão inicial, bem como a outras, nada melhor do que “jogar em casa”, uma vez que as oradoras convidadas, a Dra. Carol Aguiar e a Dra. Sandra Sousa, docentes de Informática da ESFF, têm desempenhado um trabalho exemplar na sensibilização para as boas práticas no uso da internet e na divulgação de programas regionais sobre o tema, nesta escola. Com esta sessão, coordenada pela mediadora Ana Paula Coelho, desejou-se conceder ferramentas e processos de navegação na internet a toda a Comunidade EFA, estimulando o seu uso de forma segura e correta, contribuindo assim para uma cidadania digital mais responsável e adequada.
Lixo eletrónico Texto: Turma EFA 1.º 2, BC
A turma EFA 1.º 2 BC escolheu o «lixo eletrónico» como objeto de análise e, para haver um maior entendimento sobre o assunto, foi convidado o professor doutor Laurindo Sobrinho, licenciado em Física e doutorado em Matemática (especialidade de Física/Matemática), pela Universidade da Madeira. Atualmente, é Professor Auxiliar do Departamento de Matemática da Uma e foi membro fundador do Grupo de Astronomia da Universidade da Madeira (GAUMa), no ano 2000, sendo coordenador do mesmo desde o ano 2010. É ainda investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, da Universidade de Lisboa. O seu principal campo de investigação é Buracos Negros Primordiais e a sua relação com as ondas gravitacionais e a matéria escura. Esta ação de sensibilização sobre o lixo espacial, organizada pela professora Cândida Rodrigues, foi bastante elucidativa e interessante, mostrando qual o impacto, na Terra, de todo o lixo que circula pelo espaço.
Carro Elétrico
Texto: Turma EFA 2.º 3, Técnico de Instalações Elétricas
Dentro de um contexto de grandes preocupações ambientais, esta temática é deveras interessante, uma vez que existe atualmente uma maior consciência por parte dos condutores em realizar uma condução dita «verde», preocupada com a diminuição de emissões de poluentes, redução de custos financeiros, autonomia e conectividade, etc. Os formandos da turma EFA 2.º 3 − Técnico de Instalações Elétricas, sob a coordenação da mediadora Sofia Vieira, pretenderam, com esta atividade, defender diferentes pontos de vista, argumentar e mostrar os diferentes impactos que o carro elétrico pode vir a ter nas nossas vidas, bem como na vida do nosso planeta. 59
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O Teletrabalho – impacto económico e social Texto: Turma EFA 1.º 3, Técnico(a) de Apoio à Gestão (TAG)
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sta apresentação esteve a cargo da turma EFA 1.º 3 TAG, Técnico(a) de Apoio à Gestão, tendo sido coordenada pela mediadora Marta Sousa e pelos formadores da equipa pedagógica. A atividade teve início com o palestrante convidado, o professor Manuel Ângelo Lopes, que fez uma breve apresentação sobre a história do teletrabalho. Seguiram-se os formandos da turma, que partilharam o resultado das pesquisas e dos estudos efetuados, no sentido de perceber o impacto económico e social do teletrabalho na sociedade, em geral, e na vida dos teletrabalhadores, em particular. Com a evolução do mercado de trabalho e, presentemente, com a pandemia do COVID 19, muitas foram as alterações e inovações introduzidas, que permitiram que algumas pessoas começassem a dedicar-se, cada vez mais, ao teletrabalho. Assim, com esta atividade, pretendeu-se evidenciar as vantagens e as desvantagens do teletrabalho, quer para os empregadores, quer para os colaboradores. Outro objetivo foi responder a questões, como: «Que apoios são dados aos teletrabalhadores e respetivas empresas?» e «Qual o impacto do teletrabalho nas relações pessoais, profissionais e sociais?»
Teletrabalho – impacto ambiental Texto: Turma EFA 2.º 2 , Técnico(a) de Apoio à Gestão (TAG)
Nesta sessão, os formandos da turma EFA 2.º 2 – Técnico de Apoio à Gestão, coordenados pela mediadora Sofia Vieira, apresentaram o resumo do estudo e das pesquisas que efetuaram, de forma a explanar as consequências que o teletrabalho pode ter a nível ambiental, bem como na vida quotidiana de todos nós. Com esta atividade, a turma pretendeu demonstrar que o impacto do teletrabalho não traz só «prós» para as nossas vidas, havendo a considerar outros aspetos, quer a nível de socialização, quer a nível de aparecimento de outros gastos energéticos, entre outros fatores. Na realidade em que nos encontramos, é deveras pertinente falar-se sobre este assunto, pois além de fazer parte daquilo que vivenciamos, faz parte também da herança que iremos deixar às gerações vindouras, pelo que é urgente falarmos de novos meios de transporte, de horários flexíveis quer para trabalho quer para ensino, de meios que possam facilitar a vida de todos nós, face a novas realidades até em eras pandémicas. (Clique na imagem: fonte)
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SOS Livrarias
Iniciativa do grupo de Português Organização: grupo de Português (Texto: prof. Alcino Nunes/Imagem: Horace Peverell Grimm)
Há quase ano e meio, foram abaladas as nossas vidas. Como se um sismo viesse lembrar a fragilidade da vida e das obras humanas. O medo via-se nas ruas. A ameaça do vírus pairava e as ondas de choque sentiam-se violentamente nas estruturas económicas, sociais e culturais. Multiplicaram-se medidas políticas próprias duma situação de guerra. Implementaram-se logo apoios aos agentes económicos e reforçaram-se dinâmicas de apoio social. O setor da produção cultural, esse teve de esperar mais e mostrar ao poder que também era gente. Neste setor incluía-se o mercado dos livros, que tinha de manter as portas tradicionais fechadas, à espera. Vozes surgiam que tentavam fazer ver o problema, não só através de palavras, firmes ou exaltadas, mas também por ações de dramatismo mais evidente. Esperava-se… e desesperava-se e temia-se que tragédias saíssem dos livros para as vidas dos que faziam deles a sua vida. Amante dos livros e apercebendo-se, angustiado, das dificuldades vividas pelas livrarias, o professor Valentim Remédios lançou um desafio a que chamou SOS Livrarias. Na sua mensagem, lembrava a responsabilidade cultural que a profissão docente acarreta, fazia notar a situação de privilégio dos professores quando comparada com outras áreas em que grassava a destruição de empregos. Como os professores conseguiam manter o seu nível económico em contraste com o crescente aumento da pobreza e da fome e a ameaça da «devastadora hipótese do desaparecimento acelerado das nossas livrarias», propunha que cada professor, num gesto modesto, mas simbólico, adquirisse um livro, ajudando assim as livrarias, e o oferecesse à biblioteca da escola, contribuindo para o seu enriquecimento e atualização. Logo, os professores de Português, cientes do problema, porque empenhados diariamente em incutir nos jovens o gosto pela leitura, aderiram ao projeto. Foi feita a divulgação da ideia também junto de toda a população docente da Francisco Franco e, posteriormente, dos professores de Português das outras escolas da região. O número de livros oferecidos pelos professores de Português ter-se-á aproximado das três dezenas. Não está feito o apuramento do efeito real desta iniciativa junto dos restantes docentes da nossa escola nem das outras escolas. O que é certo, no entanto, é a clara afirmação, através desta louvável iniciativa, de que a cultura e os livros são bens de primeira necessidade para a formação dos jovens e para a sobrevivência e a pujança cultural de qualquer comunidade humana. 61
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‘Francisco Franco’ arrecada 4 prémios no CriaPOESIA vencedores
Organização: CriaPOESIA /CRIAMAR (Texto: prof.ª Rosário Antunes/Imagem: CriaPOESIA)
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ais uma vez, a Escola Secundária de Francisco Franco timbra a ouro a sua participação no CriaPOESIA – Encontro Juvenil do Atlântico, vencendo quatro prémios na categoria de Poesia Visual – Secundário. Participante desde a 1.ª edição deste concurso de Poesia e Poesia Visual, direcionado às escolas de 3.º ciclo e secundário dos arquipélagos da Madeira, Açores, Cabo Verde e Canárias, promovido pela CRIAMAR − Associação de Solidariedade Social para o Desenvolvimento e Apoio a Crianças e Jovens, a Escola Secundária de Francisco Franco tem vindo a somar distinções ao longo das sete edições com que conta o referido concurso. Dado o atual panorama de pandemia, a habitual cerimónia de entrega de prémios (que, este ano, deveria ter ocorrido nos Açores) não pôde realizar-se (à semelhança do ano transato), pelo que os vencedores foram dados a conhecer pela Organização do evento, no passado dia 8 de maio, através do YouTube. Os parabéns às quatro alunas da FF, que viram os seus trabalhos distinguidos:
1.º Prémio - PoesiaVisual_Secundário_ESFF Inês Lopes Rodrigues. 62
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2.º Prémio_PoesiaVisual_Secundário_ESFF Catarina Pestana
Menção Honrosa _PoesiaVisual_Secundário_ESFF Laura Isabel Nóbrega Jardim − Inês Lopes Rodrigues, 1.º Prémio e Representante do Arquipélago − Catarina Isabel Abreu Pestana, 2.º Prémio − Ana Isabel Pinto Oliveira, Menção Honrosa − Laura Isabel Nóbrega Jardim, Menção Honrosa
No presente ano letivo, registaram-se cerca de 565 inscrições no CriaPOESIA, provenientes das várias ilhas dos arquipélagos a concurso, tendo a ESFF participado com aproximadamente 100 trabalhos, nas categorias de Poesia e Poesia Visual.
Menção Honrosa _ PoesiaVisual_Secundário_ESFF Ana Oliveira 63
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Atividade Inclusiva de Edução Física
Organização: professores Carla Pestana e Pedro Pereira, grupo de Educação Física (Texto/Imagem: grupo de Educação Física)
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s professores Carla Pestana e Pedro Pereira, do Grupo de Educação Física, realizaram, no passado mês de fevereiro, a “Atividade Inclusiva”, com a participação de 10 turmas (dos Cursos de Educação e Formação e Cursos Profissionais) da Escola Secundária de Francisco Franco. A atividade teve como objetivo central proporcionar aos discentes o contacto com três modalidades desportivas adaptadas: Goalball, Boccia e Vólei adaptado. Para esclarecimento inicial sobre estas modalidades, os responsáveis pela dinamização da atividade contaram com a presença dos docentes Sara Michelle e Hélder Vasconcelos, da Direção de Serviços de Desporto Escola - AMA (Atividades Motoras Adaptadas). Planeada para o turno da manhã, os alunos puderam “experimentar” cada uma das atividades usualmente praticadas por alunos/desportistas com graus específicos de incapacidade motora, sensorial e cognitiva. Para além das regras e dificuldades inerentes à prática de cada modalidade, os discentes constataram algo fundamental para o sucesso nestas práticas desportivas: o espírito de equipa e de entreajuda. Todos os membros de cada equipa sabem que o trabalho a realizar exigirá sempre a articulação e a cooperação entre todos, pelo que todos serão protagonistas. Não obstante as circunstâncias que atravessamos, fruto de todos os condicionalismos inerentes ao combate à pandemia do COVID-19, todas as normas de higiene e segurança foram respeitadas, ressalvando-se não só a responsabilidade, mas também a adesão demonstrada por todos os alunos participantes na atividade. A “Atividade Inclusiva” foi mais uma etapa que cimenta a escola que se deseja e que tem vindo a ser uma realidade na ESFF: a “Escola Inclusiva”. 64
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(Des)Igualdade de género Cidadania e Desenvolvimento Organização: prof.ª Vera Carvalho, grupo de Português (Texto: Ana Carolina Gomes, Olga Freitas, 12.º 24/Imagem: clique na imagem)
Nos dias de hoje, somos confrontados com questões que nos levam a refletir sobre situações existentes no mundo, sendo uma delas a igualdade de género, ou melhor, a falta dela. Não nos restam dúvidas de que vivemos num mundo onde não existe igualdade em nenhum sentido, essencialmente no que diz respeito à existência de direitos iguais entre um homem e uma mulher. Estamos fartos de ouvir falar neste tema, de expor a nossa opinião e, no entanto, nunca nos debruçamos acerca desta problemática de forma a mudarmos a nossa própria mentalidade. A falta de igualdade existe maioritariamente por não termos capacidade de mudar crenças limitantes e estúpidas, que nos levam a acreditar vivamente que o género do ser humano é suficientemente forte para determinar o seu valor, e o que pode ou está proibido de fazer. Vivemos num mundo onde existe a tendência de que a mulher tem a obrigação de tal coisa, apenas por ser mulher... Como se essa justificação pudesse ser levada em conta, como se essa frase fosse aceitável, e a mulher passasse a ser vista como um ser que tem o dever de cumprir com determinadas regras dirigidas somente a ela, para que seja bem vista e aceite numa sociedade altamente machista e desequilibrada. Estamos, deste modo, enquadrados numa sociedade onde, desde muito cedo, houve a preocupação de ensinar às mulheres o que elas devem ou não vestir, quais os seus limites, a forma como estas não se devem sentar, de forma a não provocar qualquer tipo de reação aos olhos dos homens, e utilizar mil vezes a frase típica “dessa maneira nenhum rapaz te vai querer”. E é por todos esses ensinamentos doentios que existem mulheres a serem altamente agredidas diariamente, assassinadas por mostrarem que têm voz, estupradas porque aquela roupa colada ao corpo não era a mais apropriada, é por isso que uma mulher não denuncia quando está a ser vítima de assédio, até porque um comentário invasivo nos dias de hoje é romantizado e, caso a vítima se sinta desconfortável, ela é que é mal-educada e nunca soube aceitar “elogios”.
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xiste, sim, violência contra o homem, este sofre, também, de assédio, mas nunca em parâmetros elevadíssimos como as mulheres (e ainda bem!). O género feminino em muitos países ainda é explorado e confrontado com desigualdade a nível de salário, as mulheres ainda são subestimadas inúmeras vezes. Os homens não passam por este tipo de situações, não apenas por serem homens, mas sim por serem vistos como seres superiores, e a culpa também é nossa, a partir do momento em que olhamos para os outros com diferença, estamos a criar minorias. Infelizmente, nós, mulheres, ainda somos vistas como essa minoria, mas é importante termos a noção de que sermos vistas não é sinónimo de realmente o sermos. Como forma de podermos contribuir para uma sociedade mais equitativa, consideramos que a educação é um elemento fundamental e talvez a resolução mais eficaz para esta problemática, pois, se educarmos as crianças de forma que tenham assente a ideia de que nenhum género é “maior” ou mais importante do que o outro, e que não há roupa nem cor específica para cada género, haverá, sem dúvida alguma, um equilíbrio entre ambos os sexos. Outro fator importante que deve ser mudado é a falta de empatia, porque, se nos colocarmos no lugar do outro, teremos atitudes diferentes e, de certa forma, faremos com que o próximo se sinta bem em fazer o que o faz feliz, sem se preocupar com a opinião dos de fora. Lutamos pelos nossos direitos, não porque queremos ser maiores que o outro, mas porque queremos alcançar um equilíbrio que ainda falta ser estabelecido. Lutamos porque, a partir do momento em que os nossos direitos estão a ser infringidos, nós temos de tomar uma atitude, porque somos mulheres e porque nos sensibilizamos com a história de tantas outras. Desta forma, talvez se nos olhássemos como seres humanos e não como homens e mulheres, vivêssemos num mundo melhor… talvez…
Igualdade de Género Érica Sofia Freitas Teixeira e Sara Maria Ornelas Barros, 12.º 24
A igualdade de género é um assunto muito discutido ao longo de vários anos, prolongando-se até aos dias de hoje. A grande questão é: existe ou não existe igualdade de género? Pensando bem, nos dias de hoje, já vemos acontecimentos que antigamente não podiam concretizar-se: a mulher já pode votar e utilizar roupas mais curtas, ou seja, comparando à nossa situação atual, houve melhorias e começou a haver mais igualdade. Porém, ainda não existe na totalidade, como, por exemplo, no simples facto de a mulher poder utilizar roupa mais masculina, mas o homem já não poder vestir certas roupas (ex.: saias ou vestidos). Para combater a desigualdade ainda hoje verificada, algumas mudanças devem ser feitas: não incentivar a associação de cores só para rapazes ou raparigas; ter em atenção algumas atitudes demonstradas pelas crianças ligadas a este tema e erradicá-las logo de início; nos locais de trabalho, não devem permitir que haja escolhas só por causa do seu género, não é por ser mulher que não terá os mesmos direitos ou não é capaz de executar as mesmas tarefas que um homem; as tarefas domésticas não devem ser particularizadas apenas para as mulheres, e os casos de abusos ou agressões não devem ser normalizados, mas sim discutidos e feitas as respetivas concertações. A mente da nossa sociedade tem de ser reconstruída e bem atualizada, estamos numa época de poder ter alguma voz e fazer sentir a realidade nos outros. Concluindo, é preciso garra e uma grande força de vontade para que ocorra uma grande mudança ou até mesmo o fim de desigualdades. (clique na imagem:fonte) 66
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Desigualdade de Género Ana Sofia, Diana Baeta, 12.º 24/Imagem: Clique na imagem)
Desigualdade de género é algo que sempre existiu. Nos dias de hoje, ainda está presente, mas não com tanta intensidade como antigamente. Outrora, as mulheres eram privadas de várias coisas, como por exemplo: usar o vestuário curto, eram mal vistas se fumassem e se fossem vistas à noite num um bar/café, entre outros. Querendo ou não, os homens também eram proibidos de muitas coisas e tinham obrigações, como, por exemplo, ir para o exército, tinham de fazer trabalhos pesados, porque as mulheres estavam proibidas de os fazer, eram obrigados a seguir os padrões masculinos da altura, entre outros. Na atualidade, as mulheres alcançaram grandes conquistas, deixando de “depender” dos homens, podendo usar as roupas que quiserem, podem votar, podem ter os mesmos trabalhos que os homens, podem divorciar-se, entre outros. Em relação aos homens, ainda existe um tabu em relação a usar “coisas mais femininas”, como saias e vestidos, maquilhagem, bolsas, cabelo comprido ou pintar as unhas. No entanto, a mulher já não é tão mal vista se usar roupas “masculinas”. Podemos observar, também, desigualdade de género no mundo do trabalho, pois é muito comum os homens ganharem mais que as mulheres e serem vistos como mais capacitados, fortes e competentes que as mulheres, o que na realidade não se aplica em todos os casos. Em muitos trabalhos, os trabalhadores são obrigados a usar uniforme. Noutros, o homem usa calças, camisa, blazer e sapatos sociais e a mulher usa saia, blusa, blazer e saltos altos, o que, muitas vezes, leva a mulher ser assediada e a sentir-se desconfortável, sendo vista como um “objeto sexual”. No futuro, queremos ensinar a nossa família (filhos, sobrinhos, netos, entre outros), que jamais devemos assediar e sexualizar alguém pela forma de se vestir ou agir, que a roupa não tem género e que cada um deve usar o que quiser sem ser julgado ou criticado. Não se deve “desmerecer” o trabalho de alguém por ser homem ou mulher e devemos respeitar sempre os outros, independente da sua cultura, religião, orientação sexual, estilo, etnia ou trabalho.
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Igualdade de género, ou melhor, a falta dela Ana Carolina Gomes e Olga Freitas, 12.º 24
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os dias de hoje, somos confrontados com questões que nos levam a refletir sobre situações existentes no mundo, sendo uma delas, a igualdade de género, ou melhor, a falta dela. Não nos restam dúvidas de que vivemos num mundo onde não existe igualdade em nenhum sentido, essencialmente, no que diz respeito à existência de direitos iguais entre um homem e uma mulher. Estamos fartos de ouvir falar neste tema, de expor a nossa opinião e, no entanto, nunca nos debruçamos acerca desta problemática de forma a mudarmos a nossa própria mentalidade. A falta de igualdade existe maioritariamente por não termos capacidade de mudar crenças limitantes e estúpidas que nos levam a acreditar vivamente que o género do ser humano é suficientemente forte para determinar o seu valor, e o que este pode ou está proibido de fazer. Vivemos num mundo onde existe a tendência de que a mulher tem a obrigação de tal coisa, apenas por ser mulher... como se essa justificação pudesse ser levada em conta, como se essa frase fosse aceitável, e a mulher passasse a ser vista como um ser que tem o dever de cumprir com determinadas regras dirigidas somente a ela, para que seja bem vista e aceite numa sociedade altamente machista e desequilibrada Estamos, deste modo, enquadrados numa sociedade onde, desde muito cedo, houve a preocupação de ensinar às mulheres o que elas devem ou não vestir, quais os seus limites, a forma como estas não se devem sentar, de forma a não provocar qualquer tipo de reação aos olhos dos homens, e utilizar mil vezes a frase típica de que “dessa maneira nenhum rapaz vai te querer”. E é por todo esses ensinamentos doentios que existem mulheres a serem altamente agredidas diariamente, assassinadas por mostrarem que têm voz, estupradas porque aquela roupa colada ao corpo não era a mais apropriada, é por isso que uma mulher não denuncia quando está a ser vítima de assédio, até porque um comentário invasivo nos dias de hoje é romantizado e, caso a vítima se sinta desconfortável, ela é que é mal-educada e nunca soube aceitar “elogios”. Existe, sim, violência contra o homem, este sofre, também, de assédio, mas nunca em parâmetros elevadíssimos como as mulheres (e ainda bem!). O género feminino em muitos países ainda é explorado, confrontado com desigualdade a nível de salário, as mulheres ainda são subestimadas inúmeras vezes. Os homens não passam por este tipo de situações, apenas por serem homens, mas sim por serem vistos como seres superiores, e a culpa também é nossa, a partir do momento em que olhamos para os outros com diferença, estamos a criar minorias. Infelizmente, nós mulheres, ainda somos vistas como essa minoria, mas é importante termos a noção de que sermos vistas não é sinónimo de realmente o sermos. Como forma de podermos contribuir para uma sociedade mais equitativa, consideramos que a educação é um elemento fundamental e talvez a resolução mais eficaz para esta problemática, pois, se educarmos as crianças de forma a que tenham assente a ideia de que nenhum género é “maior” ou mais importante do que o outro, e que não há roupa nem cor específica para cada género, haverá, sem dúvida alguma, um equilíbrio entre ambos os sexos. Outro factor importante que deve ser mudado é a falta de empatia porque, se nos colocarmos no lugar do outro, teremos atitudes diferentes e, de certa forma, faremos com que o próximo se sinta bem em fazer o que o faz feliz, sem se preocupar com a opinião dos de fora. Lutamos pelos nossos direitos, não porque queremos ser maiores que o outro, mas porque queremos alcançar um equilíbrio que ainda falta ser estabelecido. Lutamos porque, a partir do momento em que os nossos direitos estão a ser infringidos, nós temos de tomar uma atitude, porque somos mulheres e porque nos sensibilizamos com a história de tantas outras. Desta forma, talvez se nos olhássemos como seres humanos e não como homens e mulheres, vivêssemos num mundo melhor… talvez.. 68
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Existe ou não igualdade de género? Érica Sofia Freitas Teixeira e Sara Maria Ornelas Barros, 12.º 24/Ilustração: Pedro Lopes, 11.º13
A igualdade de género é um assunto muito discutido ao longo de vários anos, prolongando-se até aos dias de hoje. A grande questão é: existe ou não existe igualdade de género? Pensando bem, nos dias de hoje, já vemos acontecimentos que antigamente não podiam concretizar-se: a mulher já pode votar e utilizar roupas mais curtas, ou seja, comparando à nossa situação atual, houve melhorias e começou a haver mais igualdade. Porém, ainda não existe na totalidade, como, por exemplo, no simples facto de a mulher poder utilizar roupa mais masculina, mas o homem já não poder vestir certas roupas (ex.: saias ou vestidos). Para combater a desigualdade ainda hoje verificada, algumas mudanças devem ser feitas: não incentivar a associação de cores só para rapazes ou raparigas; ter em atenção algumas atitudes demonstradas pelas crianças ligadas a este tema e erradicá-las logo de início; nos locais de trabalho, não devem permitir que haja escolhas só por causa do seu género, não é por ser mulher que não terá os mesmos direitos ou não é capaz de executar as mesmas tarefas que um homem; as tarefas domésticas não devem ser particularizadas apenas para as mulheres, e os casos de abusos ou agressões não devem ser normalizados, mas sim discutidos e feitas as respetivas concertações. A mente da nossa sociedade tem de ser reconstruída e bem atualizada, estamos numa época de poder ter alguma voz e fazer sentir a realidade nos outros. Concluindo, é preciso garra e uma grande força de vontade para que ocorra uma grande mudança ou até mesmo o fim de desigualdades.
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Desigualdade de género sempre existiu? Diana Baeta e Ana Sofia, 12.º 24/Ilustração: Verónica Gonçalves, 11.º14
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esigualdade de género é algo que sempre existiu. Nos dias de hoje ainda está presente, mas não com tanta intensidade como antigamente. Outrora, as mulheres eram privadas de várias coisas, como por exemplo: usar o vestuário curto, eram mal vistas se fumassem e se fossem vistas à noite num um bar/café, entre outros. Querendo ou não, os homens também eram proibidos de muitas coisas e tinham obrigações, como por exemplo, ir para o exército, tinham de fazer trabalhos pesados porque as mulheres estavam proibidas de os fazer, eram obrigados a seguir os padrões masculinos da altura, entre outros. Na atualidade, as mulheres alcançaram grandes conquistas, deixando de “depender” dos homens, podendo usar as roupas que quiserem, podem votar, podem ter os mesmos trabalhos que os homens, podem divorciar-se, entre outros. Em relação aos homens, ainda existe um tabu em relação a usar “coisas mais femininas”, como por exemplo, saias e vestidos, maquilhagem, bolsas, pintar as unhas, cabelo comprido, entre outos. No entanto, a mulher já não é tão mal vista a usar roupas “masculinas”. Podemos observar, também, desigualdade de género no mundo do trabalho, pois é muito comum os homens ganharem mais que as mulheres e serem vistos como mais capacitados, fortes e competentes que as mulheres, o que na realidade não se aplica em todos os casos. Em muitos trabalhos, os trabalhadores são obrigados a usar uniforme. Noutros, o homem usa calças, camisa, blazer e sapatos sociais e a mulher usa saia, blusa, blazer e saltos altos, o que, muitas vezes, leva a mulher ser assediada e a sentir-se desconfortável, sendo vista como um “objeto sexual”. No futuro queremos ensinar a nossa família (filhos, sobrinhos, netos, entre outros), que jamais devemos assediar e sexualizar alguém pela forma de se vestir ou agir, que a roupa não tem género e que cada um deve usar o que quiser sem ser julgado ou criticado. Não se deve “desmerecer” o trabalho de alguém por ser homem ou mulher e devemos respeitar sempre os outros, independente da sua cultura, religião, orientação sexual, estilo, etnia ou trabalho. 70
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Reportagem da visita de estudo ao Campo de Educação Ambiental Quinta Eva e Américo Durão
Organização: prof.ª Maria Dora de Freitas Agrela (Texto: Afonso Camacho, Beatriz Freitas, Ema Sousa, Nicole Silva, Oriana Jardim, Rodrigo Filipe e Sara Mendonça/Imagem)
A nossa turma – 11.º 23, do curso de Línguas e Humanidades – trabalhou, no corrente ano letivo, o tema da Educação Ambiental, no âmbito do projeto da “Cidadania e Desenvolvimento”. E, no final do 3.º período, acompanhada pelos docentes Dora Agrela, André Sousa e Sofia Vieira, das disciplinas de Geografia, Filosofia e Inglês (respetivamente), foi conhecer a “Quinta Eva e Américo Durão”, localizada no Sítio das Casas Próximas, freguesia de Santo António da Serra, no concelho de Santa Cruz. Uma visita que teve como finalidades: reconhecer a importância do Campo de Educação Ambiental; ter um contacto direto com peritos na área ambiental, nomeadamente com o doutor Raimundo (autor de várias publicações nas áreas da Ecologia, Biogeografia e Educação Ambiental); identificar problemas ambientais e, depois, alertar a nossa comunidade educativa para a importância da preservação ambiental. A “Quinta Eva e Américo Durão” possui uma área de 8,7 hectares e foi, inteligentemente, doada à Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal pela D. Eva, a 09 de abril de 2019, com o objetivo de ser vocacionada para a conservação da Natureza. “Inteligentemente”, porque foi o sentimento que acompanhou o grupo, desde o início ao fim da visita: a Quinta está em “boas mãos” e a honrar a memória da sua doadora e do seu marido, o ilustre médico Américo Durão. À chegada, fomos recebidos pelo Sr. Emanuel Rocha, um dos amigos/ associados do Parque Ecológico do Funchal e um estudioso do mundo dos fungos, que nos fez companhia (até explicou brevemente o espaço a visitar e, também, “viajou” no tempo para recordar a sua ligação como aluno a uma das nossas professoras), pousou para a foto de grupo e, depois, passou a palavra ao nosso ilustre guia, o doutor Raimundo Quintal. Ao longo da visita, o doutor Raimundo entusiasmou-nos com os seus conhecimentos e histórias: contou-nos como recuperaram a antiga casa e propriedade em geral; falou-nos da dificuldade
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para abrir caminhos e desbravar matas para evitar os incêndios; explicou a necessidade de se cortar eucaliptos para criar uma floresta mista povoada, sobretudo, por espécies da Laurissilva que florescem todo o ano e, ainda, por plantas dos “quatro” cantos do mundo; explicou-nos que trituraram os troncos das árvores, removeram as plantas invasoras e “criaram” novos espaços na Quinta, como pontes e áreas para meditação, entre outros. Enfim… criaram um santuário natural, não só de espécies vegetais, mas, também, de insetos e de aves nativas e outras visitantes. té experienciámos um pequeno momento de reflexão e meditação, conduzido pelo nosso guia, num dos lugares preferidos da antiga proprietária, e conhecemos o “memorial” criado em sua honra, um canteiro de flores, situado num ponto estratégico, como se, daquele lugar, continuasse a “olhar” por toda a quinta. Neste canteiro, carregado de simbolismo, ergue-se uma árvore chamada Ginkgo Biloba que para os japoneses significa a eternidade e a paz, pois foi esta espécie que sobreviveu à bomba de Hiroshima. As cinzas da D. Eva encontramse nas raízes desta árvore. Sentimos que passávamos, também, a fazer parte da história da quinta e que estávamos a praticar a cidadania, quando nos foi dado o privilégio de plantar uma árvore, um “Castanheiro da India” (Aesculus hippocastanum): alguns alunos e os docentes, orientados pelo doutor Raimundo Quintal, ajudaram o Sr. Emanuel Rocha e outro voluntário (dois dos “jardineiros” do Campo de Educação Ambiental) a cavar a “pia” onde a “nossa” árvore foi plantada.
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Conhecemos, ainda, o interior da casa, agora transformada numa biblioteca, cujo acervo inclui a história da “Quinta Eva e Américo Durão” e outras obras ligadas ao ambiente. Para concluir a atividade, foi feito um discurso de agradecimento, pela aluna Beatriz Freitas, ao doutor Raimundo Quintal e ao Sr. Emanuel, em nome da turma e professores envolvidos na atividade: salientou a importância daquela manhã, na vida de cada um de nós, porquanto sensibilizou para o contributo que, individualmente e/ou ligados a associações, podemos dar na defesa do ambiente em geral e do nosso património natural e paisagístico em particular. Bem hajam! Um bem-haja, também, à empresa de transportes Rodoeste, na pessoa do seu administrador, Exmo. Sr. Fernando Lopes, que nos facultou o autocarro e as condições para, neste contexto de pandemia, concretizarmos a nossa atividade com a máxima segurança. 73
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Associação de Surdos Visita de estudo à exploração de agricultura biológica Organização: prof.ª Elsa Araújo com a turma 12..º 33 – CEF Técnico de Controlo de Qualidade Alimentar, no âmbito da disciplina de Análises Microbiológicas (Texto/Imagem)
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endo como objetivo o conhecimento mais aprofundado sobre a agricultura biológica e a sua importância em termos da qualidade e segurança alimentar, a turma realizou três atividades em parceria com a Divisão de Agricultura Biológica da Direção de Serviços de Desenvolvimento Agronómico e com a Associação de Surdos, Pais, Familiares e Amigos da Madeira. No mês de março, realizou-se na nossa escola uma ação de sensibilização sobre Agricultura Biológica, cujas oradoras foram as engenheiras Lénia Jardim e Rosa Gonçalves a quem, mais uma vez, agradecemos a sua atenção e disponibilidade. No mês de abril, fez-se uma visita de estudo a uma exploração de agricultura biológica da Associação de Surdos, Pais, Familiares e Amigos da Madeira, visita guiada pelas engenheiras Lénia Jardim e Rosa Gonçalves. Igualmente, agradecemos à Associação, que sempre nos recebe de braços abertos. Muito obrigada. No mês de maio, foi realizada uma visita de estudo ao mercado de agricultura biológica, situado em frente à Loja do Cidadão. Aproveitou-se esta visita para questionar os agricultores, de modo a termos uma ideia mais precisa deste modo de produção agrícola, no que diz respeito às técnicas utilizadas, plantas cultivadas, mão de obra necessária, apoios ao setor e expectativas, entre outros aspetos. Da análise a esses inquéritos, resultou a informação seguinte. Os agricultores inquiridos, por nós no mercado de agricultura biológica, têm as suas explorações em 6 concelhos da ilha da Madeira, nomeadamente, Porto Moniz, Ponta do Sol, Santana, Câmara de Lobos, Santa Cruz e Funchal, com dimensões que variam entre os 2000 e os 20000 m2. As plantas cultivadas vão desde as hortícolas, passando pelas frutícolas e plantas aromáticas. As árvores de fruto cultivadas dependem da localização da exploração e englobam fruteiras de clima temperado, como as nogueiras, cerejeiras, macieiras e castanheiros, e fruteiras tropicais, como papaieiras, pitangueiras, maracujaleiros, entre outras.
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Quando questionámos os agricultores a propósito da metodologia de controlo de pragas (ratos, caracóis, etc.) e doenças que adotam, percebemos que as técnicas em questão são amigas do ambiente, na medida em que, pelo facto de não serem usados produtos tóxicos, o meio ambiente é protegido, para além de que os produtos cultivados são também mais saudáveis. Algumas técnicas para combate e controlo de pragas passam pela utilização de armadilhas, cinzas, cascas de ovos e de moluscos esmagadas, as quais impedem o acesso de lesmas e de caracóis às culturas. No sentido do controlo e combate às doenças, pratica-se a consociação (cultivo de diferentes plantas na mesma parcela para controlar algumas doenças) e são também utilizados alguns produtos químicos não tóxicos, como o cobre (calda bordalesa) e o enxofre. O modo de fertilização dos solos é também extraordinariamente benéfico para o meio ambiente, na medida em que o mesmo se baseia na utilização de produtos naturais como o composto, as leguminosas e o chorume (calda de urtigas), os quais enriquecem o solo em nutrientes e matéria orgânica, para além de fomentarem a biodiversidade do solo. A consociação e a rotação de culturas impedem o esgotamento do solo em determinados nutrientes. Quando questionámos os agricultores sobre as principais dificuldades com que se deparam, os mesmos referiram alguns problemas ao nível do escoamento dos produtos, devido à sua não valorização, a falta de mão de obra, as condições climatéricas e a orografia da ilha. É um facto que a imprevisibilidade das condições climatéricas, a orografia da ilha que condiciona o uso de maquinaria e os custos associados a uma maior necessidade de mão de obra aumentam os custos de produção, pelo que estes produtos são ligeiramente mais caros que os convencionais. Quando lhes perguntámos o porquê da opção pela agricultura biológica, a maior parte respondeu que tinha que ver com o facto de estes produtos serem mais saudáveis e que também contribuía para o equilíbrio da Natureza. Responderam-nos igualmente que esta prática agrícola é rentável, na medida em que lhe é reconhecida qualidade. No que diz respeito aos apoios a este modo de produção, disseram-nos que já foi maior no passado e que deveria ser mais estimulado, o que passa por uma aposta na sensibilização relativamente aos benefícios da agricultura biológica ao nível da saúde e da preservação do meio ambiente. Quando questionámos os agricultores sobre os locais de venda dos seus produtos, responderam-nos que podem ser adquiridos de diversas formas. No mercado biológico, em frente à Loja do Cidadão, no Mercado abastecedor de São Martinho, no Mercado da Ponta do Sol, nos sites e contactos telefónicos da empresa/agricultor, no próprio terreno, havendo inclusivamente agricultores que fazem entrega ao domicílio. Reconhecendo nós que o modo de produção biológico é extraordinariamente benéfico para o ambiente e para a nossa saúde, recomendamos aos nossos leitores que optem por estes produtos. É importante que se relembre que a preservação do meio ambiente é algo que diz respeito a todos nós e que a saúde é um bem valioso.
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Desempenho dos alunos da Francisco Franco em concursos Organização: Conselho Executivo (Texto:Dr.Cristóvão Pereira/Imagem)
1. Suplemento ‘Ponto e Vírgula’ [reúne participação de 15 escolas] Prémio + Criatividade 1. Margarida Brazão 2. João David Pestana 3. Matilde Brazão 2. Concurso ‘Grande Ideia’ [reúne participação de 15 escolas] 1.º lugar • Categoria de Fotografia: Laura Jardim • Categoria de Vídeo: Afonso Camacho; Daniel Vieira e Margarida Costa 2.º lugar • Categoria de Conto: Ana Beatriz Góis • Categoria de Reportagem: Maria Inês Santos • Categoria de Poesia: Matilde Brazão 3. Concurso Literário ‘Um Conto de Natal 2020’, da Biblioteca Escolar José Gustavo 2.º lugar • Anita Afonso 4. Concurso ‘Reduzindo diferenças, somando oportunidades’ Menção honrosa • Maria Inês Santos 5. Concurso ‘CriaPOESIA’ [reúne participação de 47 escolas] Menção Honrosa – Poesia Visual • Ana Oliveira • Laura Jardim 1.º lugar – Poesia Visual • Inês Rodrigues 2.º lugar – Poesia Visual • Catarina Pestana 76
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6. Concurso ‘Mikrós’ - Escrita e ilustração [escolas secundárias da RAM] 1.º lugar • Categoria Alunos | Micronarrativa: Pedro Lopes • Categoria Alunos | Ilustração: Teresa Pessoa • Categoria Docentes | Micronarrativa: Teresa Pereira Menções Honrosas • Categoria Alunos | Micronarrativa: Ângela Ferreira, Mariana Castro • Categoria Alunos | Ilustração: Ana Sofia Gonçalves, Sónia Abreu 7. Aluno selecionado para as Olimpíadas Internacionais da Física João Roberto Nóbrega 8. Concurso Europe Calling Uma parceria entre o Gabinete da Eurodeputada Sara Cerdas, a Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, através da Direção Regional com a tutela da Juventude e o Centro de Informação Europe Direct Madeira. O tema: Fake News. 1.º lugar – Aida Rodrigues, Beatriz Rebelo, Gabriela Moreno; Júlia Sobral, Inês Faria; Inês Silva e Daniel Vieira.
9. 10.ª Edição de Madeira Curtas Menção Honrosa Madeira Curtas – Escola Secundária Francisco Franco com as curtas: • “Mesmo à distância”, de Beatriz Rebelo, Gabriela Moreno, Inês Faria e participação de João Teles 11.º12 (2019-2020). • “Brilho no interior”, de Ana Loreto, Giulia Giordano, Giulia Nunes, Laura Jardim, Natacha Sampaio e Teresa Caldeira, 11.º 13 (2019-2020). • “Ouvido do Piano”, de Júlia Cunha, Teresa Pessoa e Teresa Mesquita do
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Curta|“Brilho no interior” 2020. 11.º14 (2020-2021) 10. Galardões ‘Selo Escola eTwinning 2021-2022’ Certificado de Excelência – Classificação A [Escola Educamedia] 11. Concurso “Conhecer o Mar da Madeira para o preservar” Promovido pela DRM e apoiado pela Delta Cafés (RAM). Curso Cientifico Humanístico - Artes Visuais - Ana Isabel Loreto
Ilustração|Ana Isabel Loreto
Curta| “Ouvido do Piano” 2021.
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Uma Aventura... Literária 2021
O dia em que a música me encontrou Organização: prof. João Carlos Costa, em concurso para a Edição 2021 da Editoral Caminho (Texto: Maria Antónia de Abreu Dinis, 10.º 27)
Aprendi um dia que a maior alegria está nas pequenas coisas da nossa vida. Foi com a escrita que pude sobreviver nos meus piores momentos, mas, quando a música me encontrou, tornei-me diferente. Lembro-me tão bem dos dias na casa dos meus avós em que eu passava a tarde toda a ouvir música no gira-discos. Aquelas tardes em que o tempo se desvanecia de tão longas que eram. Tão longas e tão calmas que até os Beatles irrompiam a alegria das suas músicas naquele ambiente solitário daquela sala triste, vazia e oculta. E esta ficava mais leda, mais vívida, sentindo a presença daquele espírito otimista que a possuía lentamente. Naqueles momentos daquelas longas tardes, a sala tinha um significado para mim porque a música me fazia sentir radiante naquele lugar melancólico e sereno. Quando foi imposta a quarentena na ilha, não pude ficar com os meus avós porque eu era um risco para eles. Tive de abandonar o meu gira-discos, a música que me fizera sorrir. Após quatro meses, quando regressei para o ouvir, tinha deixado de tocar. Não funcionava e senti-me triste por o ter deixado. Mas não podia ter ficado com os meus avós. Contudo, se eu soubesse do destino, teria aproveitado cada segundo do gira-discos como se fosse o último. Teve uma vida efémera desde o tempo em que vivera na Inglaterra até quando eu nasci. A partir daí nunca mais lhe deram importância. Fora uma peça quase esquecida, mas não totalmente quando eu o liguei pela primeira vez. Agora que estava fora de serviço, tornou-se inútil, apesar de continuar ali bem arrumado, e a sala voltou ao desânimo que era desde sempre. Não obstante isto, eu tinha começado a aprender a tocar viola. Foi uma questão de prática e de persistência dura para evoluir bastante até hoje. A minha guitarra era uma clássica muito pequena, parecia um brinquedo com o seu corpo singelo e tocava docemente. Foi o meu melhor amigo que tocara nela e me dera inspiração suficiente para tentar sozinha. Em apenas um dia aprendi os meus primeiros quatro acordes de uma música que eu quisera tocar. E desde então nunca parei. A cada dia era uma nova música que eu aprendia, estava sempre com dúvidas e queria sempre saber mais. Passados quatro meses já sabia tanto como o que os iniciantes só aprendem em apenas um ano. E continuei a tentar tocar sozinha. Eu tinha evoluído tanto que o meu pai recompensou o meu sucesso e esforço comprando comigo uma nova guitarra. Fiquei tão feliz com ela que resolvi dar-lhe um nome: “Vou chamá-la de Freddie como o vocalista dos Queen”. O Freddie era uma acústica eletrificada amarela com uma certa particularidade: tinha a cabeça de uma guitarra elétrica, sendo que eu a pedira tanto ao meu pai porque queria aprender a tocar solos. Embora a minha vontade fosse grande, a minha dificuldade era sempre maior, pois ainda não consegui tocar completamente um único solo. Após tudo isto, compreendi que tinha descoberto um novo talento, uma nova maneira de libertar toda a angústia, opressão e revolta dentro de mim. A música nunca me tinha feito sentir tão livre, tranquila, persistente, autónoma e resiliente. Ambas as guitarras que tenho faziam-me ver que nada podia derrubar a minha alma, que a música estava sempre lá para me consolar e libertar-me dos meus medos e receios. Nunca pensei que tocar um instrumento me fizesse tão feliz, mas quando decidi tocar guitarra pela primeira vez nunca mais tive de chorar para um papel. O dia em que eu aprendi a tocar Let it be, dos Beatles, foi o dia em que a música me encontrou. Nessa altura, também me compraram um gira-discos novo com colunas e muitos vinis, para juntar a alguns que trouxera também da casa dos meus avós. Agora eu passo os dias inteiros a ouvir o gira-discos. A minha sala de estar é como um salão de festas, sendo que a música é para toda a família. E esse salão de festas notava-se mais quando ouvíamos o crepitar da agulha no velho vinil do Elvis Presley que cantava como se estivéssemos num espetáculo. Se calhar, o seu objetivo era esse: festejar alegremente a vida sempre e a qualquer momento.
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até ao horizonte
Exposição da disciplina de Geometria Descritiva Organização: grupo de Geometria Descritiva (GD) (Texto: prof.ª Teresa Mafalda Gonçalves, Delegada de GD/Imagem: profssoras Teresa Mafalda Gonçalves, Graça Berimbau e Silvia Pimenta)
“A Geometria está ao centro do processo criativo e é omnipresente, desde os estágios iniciais do desenho de solução até à construção de objetos ou edifícios.” Alexandra Paio
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Geometria Descritiva estuda as representações no plano de formas tridimensionais e dos espaços, a sistematização de diferentes métodos de representação gráfica rigorosa e desenvolve a perceção do aluno, através de uma disciplina mental e altera a atitude e o entendimento do meio envolvente. A exposição da disciplina de Geometria Descritiva denominada até ao horizonte decorre a partir do mês junho, instalada no corredor junto às salas onde é lecionada, criando uma relação de proximidade e familiaridade com os alunos que a frequentam e com a comunidade educativa, na vivência dos espaços físicos e vivenciais da escola. O trabalho exposto decorre do desenvolvimento de uma atividade programada, ao longo do 3.º Período do ano letivo 2020/21 − Projeto Criativo, como componente letiva (trabalho individual; desenvolvimento dos conteúdos lecionados; resolução de um problema criado por cada aluno). A exposição tem como objetivos dinamizar um período de reflexão, sensibilizar e motivar os alunos, tomar consciência dos conteúdos ministrados e colmatar algumas das dificuldades sentidas nas aulas à distância e nas aulas presenciais. Os objetivos e as metodologias aplicadas, durante este período de pandemia, tiveram como finalidade o cumprimento integral das linhas gerais do programa, que, 80
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devido às atuais condicionantes, sofreram adaptações. Os processos e as metodologias desenvolvidas, durante o final do ano letivo anterior e ao longo deste ano letivo, foram diferenciados, de forma a proporcionar uma adaptação por parte dos alunos. Apesar disso, nem todos os alunos tiveram as mesmas condições para o desenvolvimento das suas aprendizagens, motivo pelo qual o trabalho de projeto individual tem extrema importância. O Projeto Criativo tem também como objetivo fazer e aplicar conhecimentos, proporcionando uma experiência de aprendizagem; a intervenção e prática expressiva, tendo em conta o conhecimento do aluno; a exploração e manipulação de técnicas e materiais. Grupo Disciplinar de Geometria Descritiva – Departamento das Expressões Coordenação científica e pedagógica: Prof. Mafalda Gonçalves, Prof. Duarte Sousa, Prof. Pedro Berenguer, Prof. Sofia Fernandes, Prof. Sílvia Pimenta. Alunos envolvidos: 10.º 9, 10.º 10, 10.º 11, 10.º 12, 10.º 13, 10.º 14, 10.º 15, 11.º 10, 11.º 11, 11.º 13, 11.º 14, 11.º 15 e 11.º 35.
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Arte Respira
Exposição coletiva de Desenho A 10.º e 11.º Ano Organização: grupo de Desenho A e Oficinas de Artes (Texto: prof.ª Graça Berimbau, Delegada de Desenho A e Oficinas de Artes/Imagem: professoas Graça Berimbau e Sílvia Pimenta)
Arte Respira é o título da exposição coletiva de Desenho, dos alunos do 10.º e 11.º anos, do curso de Artes Visuais, que, a partir do dia 15 de junho, está patente nos corredores do 2.º e 4.º pisos do edifício principal da Escola Secundária de Francisco Franco. A mostra é constituída por representações gráficas resultantes das diferentes unidades de trabalho, conciliadoras dos conteúdos programáticos da disciplina de Desenho A, sendo apresentados desenhos de observação e análise e de transformação gráfica e invenção, sob várias temáticas, e realizados com experimentação e aplicação de diferentes materiais e técnicas, como grafite, lápis de cor, aguarela, marcadores, tinta da China, técnicas mistas, entre outros. Os trabalhos foram desenvolvidos pelas sete turmas durante o presente ano letivo, quer no período de ensino presencial, quer na modalidade de ensino à distância, que as condições de saúde pública vieram impor. É também complementada por trabalhos dos alunos do 11.º ano, do ano letivo transato, cuja exposição à data ficou impedida de se realizar. O trabalho desenvolvido ao longo do ano letivo, a conceção, organização e montagem da exposição tem orientação científica e pedagógica das docentes de Artes Visuais, Lília Pimenta Diogo, Isabel Lucas, Sílvia Pimenta e Raquel Peres.
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Prova de Geocaching Atividade Interna
Organização: professores Dalila Trindade e José Carlos Fagundes, grupo de Educação Física (Texto: prof.ª Dalila Trindade/Imagem)
Na sequência da Atividade Interna, e com os objetivos de formar pessoas ativas e dinâmicas numa sociedade exigente; incentivar uma cultura de atitudes e valores conducentes ao exercício de uma cidadania responsável; desenvolver processos de ensino/aprendizagem diferenciados e flexíveis, maximizando o potencial dos alunos; formar cidadãos com competências de liderança, comunicação e trabalho em equipa, preparados para um mundo globalizado e incentivar a prática da atividade física, os professores Dalila Trindade e José Carlos Fagundes organizaram, no dia 16 de junho, durante a manhã, uma prova de Geocaching. Participaram na atividade 126 alunos dos 10.º e 11.º anos.
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Tomada de Posse da nova equipa do Conselho Executivo Organização: Conselho Executivo (Texto: prof.ª Ana Paula Jardim/Imagem: Conselho Executivo)
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o passado dia 22 de junho, pelas 15h00, na Sala de Sessões, na sequência do ato eleitoral de 8 de junho de 2021, realizou-se a cerimónia de tomada de posse da nova equipa do Conselho Executivo, na presença de alguns docentes e não docentes. Antes do início da tomada de posse, a Presidente do Concelho da Comunidade Educativa, professora Ana Paula Jardim, agradeceu à equipa cessante todo o trabalho realizado no quadriénio que agora finda e que permitiu que a Escola Secundária de Francisco Franco atingisse o patamar de excelência em que agora se encontra. No agradecimento à equipa cessante, foi referida a saída do professor Francisco Nunes, que se aposentará em breve, e a entrada da professora Natércia Rodrigues.
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No passado dia 22 de junho, pelas 15h00, na Sala de Sessões, na sequência do ato eleitoral de 8 de junho de 2021, realizouse a cerimónia de tomada de posse da nova equipa do Conselho Executivo, na presença de alguns docentes e não docentes. Antes do início da tomada de posse, a Presidente do Concelho da Comunidade Educativa, professora Ana Paula Jardim, agradeceu à equipa cessante todo o trabalho realizado no quadriénio que agora finda e que permitiu que a Escola Secundária de Francisco Franco atingisse o patamar de excelência em que agora se encontra. No agradecimento à equipa cessante, foi referida a saída do professor Francisco Nunes, que se aposentará em breve, e a entrada da professora Natércia Rodrigues. O Presidente do Conselho Executivo, professor António Pires, expressou o seu agradecimento à comunidade educativa em geral e, em particular, aos professores, por considerar que sem a qualidade do trabalho realizado na sala de aula não seria possível alcançar o presente nível de excelência. Reiterou os agradecimentos à equipa cessante, referindo que foi uma equipa coesa e que trabalhou com o objetivo comum de manter o nível de qualidade que a escola atualmente possui. Agradeceu, ainda, todo o trabalho realizado pelo professor Francisco Nunes nestes anos de trabalho em comum, presenteando-o com uma pequena lembrança, em reconhecimento pela sua dedicação à escola. O presidente do Conselho Executivo, que agora toma posse, apresentou a professora Natércia Rodrigues, que ocupará um dos cargos da Vice-presidência, no quadriénio 2021/2025. Na apresentação do novo elemento, o Presidente referiu que embora não fizesse parte da equipa anterior, a professora Natércia Rodrigues foi um elemento importante na informatização de alguns serviços da escola, nomeadamente a justificação de faltas dos alunos, a solicitação da Ficha ENES e os registos da informação para os Diretores de turma, permitindo a agilização destes processos. Foi ainda responsável pelas formações na ferramenta Google Classroom e na utilização dos painéis multimédia. A concluir, a Presidente do Conselho da Comunidade Educativa, professora Ana Paula Jardim, chamou cada um dos elementos da nova equipa para a tomada de posse.
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Pontes Entrelinhas Exposição coletiva dos alunos finalistas de Artes Visuais Organização: Conselho Executivo (Texto: prof.ª Graça Berimbau, Delegada de Desenho A e Oficinas de Artes/Imagem: Graça Berimbau)
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ontes Entrelinhas foi o título encontrado para designar a exposição coletiva dos alunos finalistas de Artes Visuais que, a partir do dia 24 de junho, está patente nos espaços de circulação do edifício principal da Escola Secundária de Francisco Franco, desde o átrio de entrada ao quarto piso. É uma mostra que coabita com as exposições dos alunos do 10.º e 11.º anos, criando, in situ, uma amostragem da natureza do Curso de Artes Visuais, processos de ensino-aprendizagem gerais e específicos e parte do trabalho resultante das atividades programadas e desenvolvidas. Os trabalhos realizados nas disciplinas de Desenho A e de Oficina de Artes foram desenvolvidos por três turmas (12, 13 e 14), durante o presente ano letivo, e três turmas do ano letivo transato (10, 11 e 12), concretizados quer no período de ensino presencial, quer na modalidade de ensino à distância, circunstância que as condições de saúde pública vieram impor desde o ano letivo 2019/20. Ao conceber uma exposição de dois anos letivos, o ano letivo de 2020/21 e o ano letivo de 2019/20, impedido pelas circunstâncias de terminar o seu percurso escolar com a habitual exposição, houve que estabelecer pontes e abrir narrativas que ultrapassaram em exigência, criatividade e inventiva aquilo que era já uma prática instituída. Uma responsabilidade enorme, mas aliciante para alunos e professores. Resultando de unidades de trabalho desenvolvidas ao longo do ano letivo, há ainda referências, em jeito de homenagem, à artista Lourdes de Castro. ++ O trabalho desenvolvido ao longo do ano letivo, a conceção, organização e montagem da exposição têm orientação científica e pedagógica dos docentes de Artes Visuais que lecionam a disciplina de Desenho A, Teresa Jardim, Graça Berimbau e Nélio Cabral, e da disciplina de Oficina de Artes, Nélio Cabral e Rui Venâncio. 90
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A importância da Ciência Política Reflexão sobre a disciplina (Texto: prof. Miguel Alexandre Palma Costa, grupo de Filosfia/ Imagem: clique na imagem-fonte)
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em pouco menos de 2400 anos que Aristóteles afirmou que “o Homem é por natureza um animal político” (anthropos physei politikon zoon), declaração que confidencia que somos um ser eminentemente social onde se incorpora, entre outros, o elemento político, pois não se pode falar de sociedade sem que se fale da sua organização, regulamentação, coordenação, em suma, ordem. Ora, logo nas primeiras semanas em que foi decretada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a pandemia da Covid-19 (e no primeiro confinamento), houve um intenso debate sobre a influência/papel do poder político (Estado) no combate à propagação do novo coronavírus (SARS-COV-2). De um dia para o outro, vários Governos mandaram (quase) toda a gente para casa, “fecharam” as escolas, as economias, pagaram salários, ‘seguraram’ créditos, criaram novos apoios sociais, controlaram – de forma mais ou menos intimidatória – os movimentos dos cidadãos, encerraram fronteiras… e, após a primeira vaga, planearam e decidiram como e quando “reabrir” as diversas atividades económicas. Por outras palavras, o ressurgimento de um Estado mais musculado, que por força das circunstâncias interrompeu alguns dos nossos mais elementares (e contemporâneos) direitos civis, políticos e sociais, fez rapidamente perceber aos cidadãos mais distraídos o quanto a política infere (e pode deixar marcas) nas nossas vidas, saúde e até morte. Para as mais jovens gerações, hoje a política é tida como uma atividade desinteressante, vista como qualquer coisa distante, geradora de desconfiança, desagradável, “obscura”, onde impera o secretismo e a corrupção, e o modo como os políticos comunicam não os atrai – nem incentiva – a participarem na discussão (e resolução) dos problemas da comunidade onde vivem. Atenta a esta atual realidade, a Escola Secundária de Francisco Franco, instituição que tem um posicionamento de grande abertura à inovação tecnológica e pedagógica, apostou, desde o ano letivo 2019-2020, na introdução da opção, no 12.º ano, da disciplina de Ciência Política, na Componente de Formação Específica dos Cursos Científico-Humanísticos. Esta disciplina, como o próprio nome 94
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indica, não propõe o início de uma qualquer carreira política, mas atendendo ao seu carácter introdutório, visa simplesmente a formação para o exercício da cidadania e o alargamento dos conhecimentos – e de competências nos jovens e no seu leque de opções para prosseguimento de estudos – numa relevante área do conhecimento, a do estudo dos fenómenos políticos (e seus reflexos nas sociedades), produzidos pelas diferentes formas de manifestação do Poder, quer a nível nacional quer internacional. Enquanto ciência antiga (à qual muitos estudiosos se dedicaram desde a antiguidade clássica, tais como Hesíodo, Platão, Aristóteles, Cícero…) e ciência nova, que cada vez ganha mais adeptos e emerge em diversos cursos de licenciatura, pósgraduação e mesmo cursos de Ciência Política com os diferentes graus académicos neste ramo do saber, esta, ao nível do ensino secundário, propõe aos jovens alunos um interessante trabalho de pesquisa e de reflexão crítica, mas também lhes solicita que tenham um papel ativo e interventivo nas aulas, de modo a adquirirem competências para assumirem uma atitude igualmente ativa e interventiva na sociedade. Foi isso que se procurou fazer nestes dois últimos anos e, em particular, com a participação dos alunos na 3.ª edição do Orçamento Participativo do Funchal (2020), para além de outras atividades realizadas. A multiplicidade de temas estudados pela Ciência Política é enorme: vão desde as funções e poderes do Estado, as eleições, as diferentes ideologias políticas, o grau de participação dos cidadãos na vida política, finanças públicas, políticas públicas (na saúde, na educação, no desporto, entre outras), as instituições políticas nacionais e internacionais, guerra e paz, simplificando, um conjunto muito alargado de matérias estudadas pelos vulgarmente apelidados “politicólogos”. Articulando-se com outras ciências ou disciplinas, onde se destacam, por exemplo, a Economia, o Direito, a História, a Filosofia, a Psicologia, a Estatística, a Geografia e a Sociologia, a Ciência Política é, então, um saber que permite aos alunos familiarizarem-se com os grandes problemas políticos, económicos e sociais do ‘nosso’ tempo, informarem-se sobre os mesmos e adquirirem uma visão (ou perspetiva crítica) que lhes permita aferir os diferentes interesses em jogo e adquirir autonomia para refletirem (e decidirem) por si próprios. Abreviando, esta é uma disciplina que aposta na estratégia de tentar envolver os jovens nas questões da cidadania e que parte da ideia de que é possível tornar a política mais atraente para a ‘geração Z’, aquela que cresce assombrada pelo desemprego, pelas alterações climáticas (e seus efeitos), por mais uma crise económica e social e que começa agora a votar. 95
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Entrevista ao primeiro grande dramaturgo português, Gil Vicente O Auto de Inês Pereira Organização: prof. João Carlos Costa, Literatura Portuguesa 10.º Ano (Texto: Inês Perdigão, 10.º 25/Ilustração: Designer Rui F. Rodrigues)
Nesta entrevista, o autor fala-nos, com mais pormenor, sobre uma das suas obras mais conhecidas, o Auto de Inês Pereira. Entrevistadora: No ano 1523, no Convento de Tomar, foi apresentada, pela primeira vez, a peça o Auto de Inês Pereira, encenada por Gil Vicente. Em primeiro lugar, o que sentiu quando estava a assistir à peça que encenou? Gil Vicente – Senti um grande orgulho, não só do meu trabalho, mas também de toda a equipa. E, ainda, um sentimento de como se mais uma etapa tivesse sido alcançada e bem conseguida. E| O que o levou a escrever esta obra? GV|Bem, eu era acusado de plagiar obras do teatro espanhol de Juan del Encina. Então, pedi àqueles que me acusavam que me dessem um tema para eu escrever uma peça e, assim, eles veriam que eu não plagiei nada. E|E, então, qual foi esse tema? GV| Deram-me um ditado popular que é este: “mais quero asno que me leve, que cavalo que me derrube”. E|Foi difícil de pegar nesse ditado e torná-lo numa história? GV| A verdade é que foi um desafio como todas as minhas outras obras, mas também muito interessante e cativante. E| Esta farsa é considerada, por muitos, a peça mais divertida e humanista da sua autoria. Qual é a razão que acha que levou as pessoas a afirmarem isso? GV| Talvez pelo facto de a protagonista trair o marido e não receber nenhuma punição ou censura por isso, o que é diferente das personagens do Auto da Barca do Inferno ou de outras obras que eu já tenha escrito. E| Para si, qual é a sua personagem favorita? GV| Eu gosto de todas elas, já que todas têm as suas particularidades e a sua maneira de ser. Mas, se é para escolher uma… talvez a própria Inês! E| E porquê? 97
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GV| Apesar de Inês ser um pouco rebelde e trocista, ela também é uma rapariga determinada e decidida, que sabe bem o que quer para a sua vida e, para mim, isso é o que mais gosto nela e o que a torna diferente das outras personagens. E| Para concluir esta entrevista, como é que vai ficar guardada esta incrível peça na sua memória? GV|(Risos) Acho que vai ficar guardada como a peça que provou e mostrou realmente o que eu sei fazer melhor. E| Muito obrigada, Gil Vicente, e que venham muitas mais obras da sua autoria! GV| Obrigado eu, e prometo que essas obras virão!
Regresso ao teatro medieval com Gil Vicente Entrevista
Organização: prof. João Carlos Costa, Literatura Portuguesa 10.º Ano (Texto: Maria Antónia Abreu Dinis, 10.º 27/Imagem)
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amoso dramaturgo português dos séculos XV e XVI, Gil Vicente destaca-se como um dos maiores protagonistas da literatura portuguesa no teatro medieval. Hoje, este nobre escritor concedeu-nos uma entrevista para nos falar de uma das suas farsas mais cativantes - o Auto de Inês Pereira - e de alguns pormenores e factos interessantes da mesma.
E| Como explica a origem desta obra? O que o motivou sobretudo para a escrever? GV| Bom… tudo isto começou quando recebi críticas no que tocava à originalidade das minhas obras por parte de alguns portugueses. Achavam que eu, Gil Vicente, plagiava as minhas próprias obras a partir de outras, como se eu nunca tivesse tido uma imaginação fértil! E afirmavam isto, apesar de eu ainda ter conseguido a aprovação da minha rainha D. Leonor para representar as minhas peças dramáticas na corte! A inveja e a cobiça eram muito frequentes naquela altura por parte dos nobres! Até que houve um dia em que me encomendaram um tema previamente escolhido por eles, para que eu comprovasse a minha originalidade artística e cultural. E| É daí que o senhor faz nascer a famosa expressão que se destaca neste auto: “mais quero asno que me leve, que cavalo me derrube”. Mas falando agora de um modo geral nas suas obras literárias, o que é que pretende no fundo realçar da sociedade portuguesa medieval? GV| Eu pretendia em todas as minhas obras criticar os defeitos da sociedade portuguesa! Vivíamos tempos muito “sujos” naquela época: os vícios e abusos do clero e da nobreza eram constantes, o desejo de riqueza, de autonomia, a falsidade das pessoas, a traição, o ódio. Vivíamos numa decadência brutal dos valores morais e aquilo remexia constantemente a minha 98
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alma. Por isso, não pude evitar escrever sobre os tempos loucos que passávamos naquela altura, com o intuito de fazer rir e tornar aquilo no “ridículo” que as pessoas gostam tanto que a sociedade represente. E| Falemos agora de Inês Pereira! Qual é a característica que mais sobressai para si nesta personagem? GV| Inês é uma personagem-tipo que representa as jovens da época que queriam casar prematuramente. Ela tem uma personalidade já bem definida nesta obra! Ela é exigente, mimada, arrogante, insolente com a mãe. No fundo, ela é um exemplo de como as jovens adolescentes desejam alcançar a autonomia, a independência na sua vida e tentam conquistar isso de todas as maneiras possíveis. Neste caso, Inês pretende casar para se libertar da sua “vida cativa”. E| o que acha dos pretendentes de Inês Pereira? Qual é a relação misteriosa que existe por trás do Escudeiro e de Pêro Marques? GV|Acho os pretendentes adequados à história, tendo em conta a lição de moral que pretendo transmitir. Não há nenhuma relação entre eles. Pelo contrário, um é o oposto do outro. Pêro Marques é um popular, filho de um lavrador rico. É um simples camponês de boa alma. É honesto, fiel, leal, apesar do seu desleixo e modo atrapalhado e desajeitado nas suas ações. Brás da Mata, o Escudeiro, é aquele pretendente interesseiro e mentiroso que se aproveita da sua condição social para se ostentar. Quis casar com Inês para conseguir dela alguma riqueza e não por amor. E| E, de seguida, Inês acaba então por aprender a lição de moral desta história! Acha que esta obra transmitiu bem o significado que o senhor Gil Vicente pretendeu desde sempre? GV| As minhas obras tentam sempre seguir esse ideal. Muitas delas têm alguma reflexão religiosa, filosófica e social. A minha intenção com a Farsa de Inês Pereira era passar aquela mensagem tradicional de não julgarmos pelas aparências. Eu não considero isso como um erro do ser humano, mas sim um feitio. Julgamos depressa quando algo simplesmente não faz sentido para nós, não é interessante ou sobretudo quando algo é tratado como o “desconhecido”. De certa forma, acho que esta obra conseguiu transmitir bem essa mensagem, visto que a vida de Inês vai desenvolvendo peripécias que a tornam mais emocionante e vivaz. E| Muito obrigada por esta sessão, Gil Vicente! Que as suas obras continuem no auge dos melhores textos dramáticos medievais da língua portuguesa!
Minha rosa poema
Organização: prof. João Carlos Costa, Literatura Portuguesa 10.º Ano (Texto: Nicole Pontes Coelho, 10.º 25/Imagem)
As estrelas que se apaguem, O mar que seque, A lua que fuja, O sol que desapareça, O mundo que acabe, Porque não há maior dor que possa vir Do que não ser amado por ti.
Amar-te-ei com tal paixão que ainda ninguém viu. Dar-te-ei todos os meus sorrisos, Todas as minhas lágrimas, todo o meu ser. Amar-te-ei com toda a minha alma, Com toda a minha vida.
Minha rosa, eu sempre te amei. Meu amor por ti nunca murchará. Eu amar-te-ei até ao fim dos tempos. Amar-te-ei puramente, livremente, lealmente. 99
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A minha Utopia onde livremente posso viajar
Estudo da obra Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto Organização: prof. João Carlos Costa, Literatura Portuguesa 10.º Ano (Texto: Sara Freitas, 10.º 25/Ilustração: Teresa Mesquita, 11.º 14)
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um mundo em que predominam guerras pelos mais variados motivos, fome, doenças e contrastes, quer a nível político quer num nível económico, é nas viagens que podemos encontrar um local de refúgio, onde tudo isto não passa de uma mera realidade, aconchegando-nos num sonho, mesmo que perdure apenas por segundos, como é o caso das viagens que realizamos pela nossa mente até chegar ao nosso local ideal, as
nossas Utopias. É deveras interessante viajar no que toca principalmente a viagens em que possamos sonhar, sorrir, divertir-nos e, principalmente, criar memórias com as mais diversas pessoas. Pelos quatro países onde já andei (Portugal, mais propriamente continental e ainda um pouco pelos dois arquipélagos, França, Espanha e Inglaterra), nenhum se equipara àquelas viagens que realizo até ao meu mundo ideal, à minha Utopia. Recordo muitas viagens apenas de um modo vago, mas se foram as que perduraram na memória, de certo modo concluo que sejam as que ficaram guardadas nos diversos compartimentos que o nosso cérebro possui. Sem esperar, encontro-me na imensidão da minha cama que, para além de ser o meu refúgio, é o meu ponto de partida para as muitas viagens que faço a este meu mundo Utópico. Este mundo, infinito e aconchegante, onde estão albergadas as mais diversas sociedades com os mais diversos costumes, religiões e histórias por contar e a mais variada gastronomia que se pode experimentar, é onde, sempre que posso, me vou aventurar. Neste lugar muito especial, onde até o mais pequeno pormenor foi idealizado, podemos conhecer povos desde os mais antigos, como os egípcios e os astecas, entre outros, até à nossa sociedade atual, que difere das restantes pelo facto de ser crítica e possuir uma mente pouco aberta a novos ideais, algo que muda com a aculturação e os conhecimentos transmitidos pelas outras. Ao nível dos locais, e afastando-me da realidade, já viajei um pouco por todo o mundo, algo que ainda não passou de uma pretensão nesta nossa realidade, mas que irá deixar de o ser assim que for possível. Paris, África do Sul, Polónia, Itália são alguns exemplos de locais pelos quais passei e que muito me motivam, pelo facto de possuírem histórias cativantes, mesmo que nem todas tenham acabado bem, como tudo na vida, é claro. Das que mais me marcaram, destaco aquela que realizei ao Egipto, na qual conheci Cleópatra e pedi que ensinasse a esta nossa sociedade portuguesa do séc. XXI a desenvolver um espírito e uma mente um pouco mais abertos a estas novas realidades e ideais que vão surgindo, algo que é urgentemente necessário. No que toca à fantástica gastronomia, sempre optei pela italiana, que sempre teve a sua grande fama, com os seus sabores que despertaram em mim os mais diversos sentimentos, como o amor, a felicidade e a curiosidade por conhecer um pouco mais como a mesma era confecionada e preparada. Cheias de conhecimentos e de diferentes perspetivas de lidar com o mundo, estas tribos e sociedades vivem todas num 100
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clima mais sereno, onde predomina a paz e onde os conflitos não passam de um pesadelo bem longínquo. Porém, nem sempre as viagens até lá ocorrem com a serenidade desejada, pois tal como nas viagens feitas nos diferentes meios de transporte, o estado de espírito da pessoa desempenha um papel importante para que a mesma possa ser desfrutada. No que toca às viagens pela mente, para esta Utopia, a mente controla tudo e a comunicação nunca pode ser escassa. É verdade que nem sempre é possível realizar esta viagem pelo facto de a mente estar mais cansada, mas, sempre que possível, irei realizá-la com a finalidade de aumentar os meus conhecimentos, aqueles que fazem de mim quem eu sou. Com estas viagens, as quais realizo desde que me lembro de existir, muito aprendi e algo eu transmiti: com as tribos mais antigas, aprendi que devemos ser mais tolerantes e aceitar as novas realidades. Já com a sociedade da Idade Média, valorizar a religiosidade é algo que levo como um ensinamento. Do Renascimento, levo a ideia de que a «experiência é a madre das cousas», como proferiu Duarte Pacheco Pereira, e que o Homem possui mais capacidades e sabedorias que deveriam ser aplicadas nas sociedades do séc. XXI, como por exemplo, como anteriormente proferido, a capacidade de aceitação, numa tentativa de acabar com o pessimismo que em nada favorece a compreensão entre todas as etnias e povos. Se fosse possível, nunca sairia de lá, para não ter de lidar com certas atitudes tristes e incompreensíveis e certos atos realizados que não são de louvar. Mas a vida é assim, e é nestas viagens que consigo obter um tempo só para mim e a possibilidade de aumentar as minhas ambições e expectativas de que as mesmas sejam um meio para melhorar a realidade em que vivemos e mudar muitas mentalidades.
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A viagem da minha vida Organização: prof. João Carlos Costa, Literatura Portuguesa 10.º Ano (Texto: Inês Perdigão, 10.º 25/Imagem)
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á há muito tempo tinha o desejo de ir a Paris e esse desejo realizou-se em setembro de 2019. Passei os meses inteiros de julho e agosto a pesquisar locais para visitar, os meios de transporte a utilizar, entre outras informações. Então, eu e os meus pais, numa manhã, fomos de avião para Lisboa, seguidamente para o aeroporto de Orly, em França, e, por último, de carro para o centro de Paris. Durante uma semana, andámos pela cidade, tentando não perder nada. Queríamos ver tudo e ainda mais. Começámos por visitar a Torre Eiffel. Subimos de escadas, o que foi cansativo, mas valeu a pena à medida que chegávamos a cada um dos andares. A vista era magnífica, parecia que estava num sonho de que eu não queria acordar. Andámos pelos arredores da Torre Eiffel e vimos a filmagem de um filme. Uau! Senti-me no mundo do espetáculo! Bem, depois do almoço, apanhámos um autocarro em direção ao Parc des Princes, isto é, Parque dos Príncipes, o estádio da equipa de futebol Paris SaintGermain. Foi interessante espreitar os bastidores do estádio de uma equipa tão conhecida. E, para terminar o primeiro dia, andámos de barco no rio Sena à noite. Foi lindo ver a Torre Eiffel iluminada e passar pela Catedral de Notre Dame, apesar de ela estar em construção devido ao incêndio. Foi maravilhoso! Os dois dias seguintes é que foram, sem dúvida, a realização de um sonho, dado que fomos à Disneyland Paris. Aquele lugar é um mundo cheio de diversão e de aventura com as personagens que fizerem parte da nossa infância. O que mais gostei foi de ver as paradas musicais. Foi muito divertido e ainda tive oportunidade de tirar uma foto com a Margarida. Nos dias seguintes, fomos ao grande Palácio de Versalhes. Visitámos tantas salas do palácio, como o quarto de Luís XIV, o quarto de Maria Antonieta e vimos a entrada da sua passagem secreta na parede, que ela usou para fugir da população de Paris em 1789, e visitámos a lindíssima sala dos espelhos. Ainda explorámos o enorme jardim do palácio e andámos de canoa no lago do mesmo. Fomos também ao Museu do Louvre, onde contemplámos a obra de arte Mona Lisa, esculturas egípcias, entre outras. E eram tantas, mas tantas obras de arte naquele edifício que eu e os meus pais nos perdemos lá dentro. Nós tínhamos um mapa, mas chegou uma altura em que já não sabíamos por onde ir. Depois de nos conseguirmos orientar e acabarmos de explorar todo o museu, cada um de nós comeu um macaron à saída do museu. É mesmo delicioso! Saímos do museu, tirámos algumas fotografias para mais tarde recordar e andámos uma “maratona” sempre em frente até chegarmos ao Arco do Triunfo. Quando cheguei perto dele, percebi que era maior do que eu pensava. Além do Arco do Triunfo, fomos a Montmartre, um lugar mais alto na cidade. Lá, encontrámos a Basílica de Sacré Coeur, sentámo-nos nas escadas que se encontram à sua frente e, enquanto almoçávamos, contemplámos a cidade de Paris. Para terminar a viagem, fomos ao Museu de Grévin, que é um museu de cera. Este foi um dos lugares que mais gostei de visitar, já que, aqui, pude tirar fotografias com imensas celebridades, como a Angelina Jolie, Lady Gaga, Katy Perry, Michael Jackson, Albert Einstein, entre muitos outros. Eu sei que eles eram de cera, mas foi inesquecível andar pelo mundo da representação, do saber, da música, da moda, da história, do desporto, dos desenhos animados, da culinária e da política. Desta viagem posso dizer que troquei sorrisos com pessoas muito simpáticas, como a guia turística que nos acompanhou na subida à Torre Eiffel e também com uma portuguesa que estava a trabalhar na entrada do Palácio de Versalhes. Pelas ruas da cidade, pude encontrar pessoas de diferentes nacionalidades. Eu e os meus pais frequentámos algumas hamburguerias e pizzarias muito boas e com muita variedade e ainda saboreámos gelados em forma de flor. O dia do regresso foi um pouco triste, visto que não queria voltar. Queria ficar mais algum tempo naquela cidade que me deu tanto. Tenho muitas saudades e pretendo lá voltar daqui a algum tempo, para me aventurar novamente naquelas ruas. Concluindo, esta viagem ensinou-me a apreciar as coisas mínimas. Passei aquela semana a apreciar tudo o que via. Parecia que estava noutro mundo e as coisas que existem lá não existem cá. É uma cidade que admiro imenso pela sua beleza e, por isso, tudo o que via era motivo para parar e contemplar o brilho daquela mínima coisa. Esta viagem foi, sem dúvida, a realização de um sonho! 102
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Atividade de escrita (re)criativa Versos & impressões à moda dos heterónimos pessoanos Organização: prof.ª Paula Vasconcelos, grupo de Português (Texto/Imagem)
Vivências em confinamento/aulas à distância/tempo chuvoso e plúmbeo – versos & impressões à moda dos heterónimos pessoanos
Os adultos não se agitavam Os adultos não se agitavam Perante a presença de adolescentes, Nem faziam alarido da sua existência porque eram apenas pessoas e simples jovens. Tentemos então passar sem ruído Não infringindo as leis Que nos são destinadas, E não querendo mais da vida Do que aquilo que ela nos pode dar. Não somos tão grandes quanto parecíamos! Salvo nós, nada no mundo nos deu importância Não nos salvou o orgulho, a vaidade e a vingança Nem riqueza nos quis servir. Se hoje o abismo do vírus nos persegue, Que seremos de nós se a natureza não se renovar? Que faremos nós agora se o tempo Não nos acudir e a vacina não nos salvar. João Dâmaso Ponte, n.º 9 - 12.º 23 Ilustração, Claúdia B. Lucas 103
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Dias de hoje A vida passa muito rápido por estes dias Sem haver, nunca, um rasto de prazer… Antes esquecer do mundo à minha volta Do que não poder experienciar a vida como ela é.
Oh! Neste vazio me deito Oh! Neste vazio me deito, Neste vazio me levanto. Na esperança que amanhã seja melhor E a realidade aumenta o meu pranto.
É o Destino, é como é, Maldição de Hades Que corrompeu a realidade E que nos fechou neste quarto escuro.
Enquanto milhares lutam pela vida, Outros milhares perdem a sua. Um medo constante vagueia O mundo é proibido de sair à rua.
Verdadeiramente, já estou morto; Só posso aceitar isso Sem esperança de criança: Estou seco como uma flor de canto, seco!
Quem me dera entrar na máquina do tempo E voltar a andar no carrossel que encantava os meus dias infantis!
José Pedro Dinis, n.º 12 - 12.º 23
Sofia Ferreira, n.º 23 -12.º23
Esta chuva só me mata Esta chuva só me mata Estas nuvens só me abafam Sinto-me perdido… Sinto saudade, Saudade do que já foi um verão caloroso! Sei que tenho de acordar Sei que tenho de respirar Mas estas nuvens... Estas nuvens querem me afogar! Ai! Parem, gotas atrevidas a pingar! Ai! Dói-me a cabeça, quero gritar! Rodrigo Leão, n.º 21 - 12.º23
Dias de hoje Dias de hoje Nos dias de hoje Temos de estar separados Nas alturas em que deviamos estar juntos Nos dias de hoje Não podemos fazer festas de Natal Se o fizessemos sofríamos um destino fatal Não podemos aproveitar as nossas vidas ao máximo Nos dias de hoje O sossego não é uma realidade A realidade dos dias de hoje É a adversidade. José Leonardo Balelo, n.º 11 - 12.º 23
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Sinto o calor humano
Batem os dedos nas teclas...
Sinto o calor humano No escuro e atribulado e ruidoso clima A chuva e o granizo caem como pedras Os relâmpagos vão iluminando o céu E atribulando a calma já quase extinta Cheiro a relva molhada Ouço a trovoada Enquanto vejo e sinto e ouço o calor e o crepitar da lareira
Batem os dedos nas teclas Todos os dias, cada vez mais rápido. Uma vibração na mesa zzz-zzz, Uma luz que se acende. Procuram-me! Antes a agitação da cidade trazia-me exaltação. Euforia de ver a vida ser. Bum! Portas fechadas, chaves viradas, E dentro das quatro paredes as únicas a trabalhar São a máquina de café e a mente.
Não estou sozinho O meu pensamento diz-me que sim Mas vou sentindo o calor das pessoas Sinto-o por isso sei que estão ali
Batem os dedos nas teclas E sinto em cada palavra que escrevo A hipocrisia por ter dito: Que alegria ter tanta tecnologia!
O vento, levando tudo o que vai apanhando Mas este calor é chama eterna Que aquece as almas Calor que vejo, sinto e ouço
Mas basta! Café atrás de café é o que me aquece Dado que um simples abraço está quase proibido. E não só, Cada vez mais parecidos a Jano Com complexo de Deus e com duas caras, Sufocados pela máscara sem qual não se pode sair!
Sinto o calor humano Onda que queima e cobre o coração Alberto Caeiro (Afonso Câmara, n.º 1 do 12.º23)
Julianna Farraiz-Csanády, n.° 13 do 12.º23
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Celebração É Dezembro, Altura em que todo o país começa a celebrar E em que todos se juntam e esperam que o próximo nos traga mais... Altura do ano em que o materialismo aumenta, Altura em que devíamos querer saber de tudo menos dos nossos bens... Mas em vez disso, a felicidade que a sociedade sente nesta altura foi destruída, A solidão e a abulia que sentia propagou-se que nem um/o vírus pelo resto do país, As crianças do país não terão um Natal agora como aqueles que eu tive outrora... em tempos melhores. Pedro Gonçalo Balelo, n.º 19 - 12.º 23
A lua e a estrela A lua e a estrela navegam pelo espaço Naquele grande lençol azulado e puro Elas tentam sempre aproximar-se, Mas são afastadas pelo escuro. É noite e o céu brilha como diamantes Na rádio ouve-se uma canção antiga Volta o sentimento de nostalgia, Embalado por aquela brisa amiga.
Uma manhã de Natal Sinto o calor humano No escUma manhã de Natal Ouço a chuva cair intensamente Um frio que me entra na alma O granizo que aparece A trovoada que se sente Numa manta me enrolo, como na macia relva, Sinto o calor e a felicidade Ouço a voz do Natural Olho para fora Cheiro os pinheiros molhados Vejo crianças a brincarem Tudo está calmo Os pinheiros a balançarem Vejo, ouço, sinto este inverno Com leveza e saudade Sorrio de alegria Pelo dia que me é dado Continuo a ser solidário O Natal chegou! Ana Beatriz Sousa, n.º 2 - 12.º 23
A cidade está quase deserta As pessoas estão no calor de seus lares Existem alguns sem-abrigo na rua; Bebem garrafas de vinho aos pares. E enquanto tudo isto acontece A amizade da lua e da estrela cintila mais fortemente, Havendo uma união irrefutável, Porque existe naturalmente! José Pedro Gouveia Dinis, n.º 12 - 12.º 23 106
Ilustração: Júlia Sobral
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Escola Azul
Comemoração do Dia da Escola Azul Organização: prof.ª Ana Cristina Freitas, grupo de Português (Texto/Imagem)
No dia 19 de maio de 2021, os alunos da turma 11.º 33, do Curso Profissional de Técnico de Turismo Rural e Ambiental, declamaram poesias alusivas ao tema da Escola Azul, realizadas na disciplina de Português, com a orientação da professora Cristina Freitas, aquando da Comemoração do Dia da Escola Azul. Movimento das ondas Agitação Rei do mundo Tradição Universal Rico Importante Sazonal Momentos O´cio
Mar Mar, ai como tu estás, agitado, perigoso e refrescante, és o porquê da libertação das coisas, o que torna o mundo mais interessante. Neste lado do Ocidente, passando tradições e costumes, serás sempre um confidente, acompanhado pelo sol como lume.
Turismo submerso O mar é vida Que transparece riqueza Aos olhos de quem o enxerga. O turista vagueia em busca de suas águas, Águas agitadas Que transmitem liberdade A quem os rodeia O mar arrasta Pessoas, seres e histórias Histórias essas que carregam Vidas de uma ponta a outra. As límpidas águas refrescam As almas dos visitantes Que por ali passam E de lá as memórias levam Jéssica Milho
O mar com as suas riquezas fornece-nos experiências, tesouros de imensa grandeza e de infinita beleza. Azul e brilhante cheio de espécies fascinantes, transmite-nos paz e aventura mesmo na noite obscura. Dário e Luciana 107
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Turistas exploradores cheios de curiosidade daquilo que os difere das restantes realidades. Estes vêm em busca da cultura, do nosso ser e viver. E encontra no mar uma forma de explorar vidas marinhas de encantar. Perdem-se nos recifes e nas águas cheias de vida. Para nós és uma forma de vida, ó mar, subsistência e sustento. Para eles és vida, conhecimentos e aventura. Beatriz, Jéssica Milho e Mónica
Venha conhecer a nossa ilha! Em todos os cantos sente-se a maresia. Sol, praia, mar e areia fina até parece uma cortesia. Aqui vêm os turistas aproveitar e observar e como recordação um escaldão levar. Jéssica Matos e Pedro
Mar com caminhos desconhecidos Sem trajetos, sem destinos, A tua paz e a tua liberdade Traz à minha alma tranquilidade! Navegando nas tuas correntes e conhecendo novos instintos, Encantas quem te procura sedento de aventura, com as tuas espécies marinhas, promovendo a nossa cultura. Gonçalo, Francisco e David
Mar, ó mar Lugares nos podes mostrar, águas ainda por explorar e outras por mergulhar. Nas tuas águas de encantar podemos navegar e o mar desbravar! Mar que nos oferece cultura e nos traz liberdade, Mar que nos oferece história E conhecimento de verdade. Mar azul, mar livre Que nos traz alimento E faz a economia prosperar. Laura Cristina e Joana
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O Mar Salgado Ao início do dia navegamos num barco, pela baía tranquila transformada num arco. Observamos penhascos e espécies marinhas, deliciamo-nos com petiscos tradicionais, saboreando o momento, convivendo com os locais. Prosseguimos a aventura e no fundo do mar exploramos navios outrora naufragados. Por fim regressamos com memórias infindáveis das aventuras que passámos. O mar, a cultura, a tradição, a pesca, a exploração, tudo nas ondas agitadas do teu sal. Maria Beatriz e Daniella
O mar é lindo, o turista torna-o mais cheio de peixes, recifes e baías, como estes não há iguais. O mar atrai, o país recebe; sem ele cai e com ele rejuvenesce
Mar, trazes vida ao mundo com essa beleza cristalina, sendo produtor do sal e da vasta vida marinha. És motivo de muitas brincadeiras, inesquecíveis e divertidas, no entanto, com essa força derradeira deixas montanhas esculpidas. É nesses rochedos que podemos nos aventurar, entrar em grutas e realizar caminhadas, aproveitando a nossa luz solar, sejam elas a solo ou acompanhadas. Ao finalizar as levadas, já avistamos a grande cidade. Cheia de movimento e pessoas Que atendem com a nossa amabilidade. Entrando num cruzeiro já se sente o cheiro da maresia, Partindo ao aviso do homem sinaleiro Para fotografar melodiosa poesia. Golfinhos voazes aproximam-se do barco de atitude curiosa e brincalhona, entretendo os turistas, quando saltam à tona. És grandioso e pareces interminável, mas para não te tornares póstumo temos de continuar com uma atitude sustentável. Percebemos isso, quando em ti navegamos! Laura Isabel
O mergulho é algo a não perder, ao visitar a Madeira tem de conhecer. A Madeira é bela e ninguém pode negar Desde a sua biodiversidade ao seu único mar. Rodrigo e Cristina 109
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Bullying
nas escolas e na Internet Organização: prof.ª Ana José da Silva Ferreira, Literatura Portuguesa (Texto: Francisco Bernardo, 11.º 24/Ilustração: Sara Silva, 11.º 13)
O
bullying é um comportamento que pode ser encontrado com muita frequência nas escolas e na Internet. É um assunto sério que muitos adolescentes sofrem e praticam, e que muita gente tenta resolver. O bullying, na maioria dos casos, é físico com agressões à vítima. Também existe o psicológico, que acontece com base em insultos, para baixar a moral da vítima. Além desses, existe o cyberbullying, o mais recente tipo, que acontece nas redes sociais, ao espalhar mentiras com o intuito de degradar a imagem daquele que sofre o bullying. Isto pode levar a vítima, no pior dos casos, ao suicídio, após um determinado tempo sofrendo com o bullying. O mais aconselhável a fazer é contar aos professores e encarregados de educação, para que fiquem a par da situação antes que evolva para um caso pior. Será, também, conveniente saber o motivo do “porquê” dos bullies fazerem isto. Do porquê serem bullies. Talvez o sejam devido a negligência parental ou problemas com a família em casa. Para terem uma sensação de superioridade e felicidade, por terem uma vida difícil ou simplesmente por inveja, pois acredita-se que ninguém é bully sem motivo aparente. Mas, às vezes, é uma coisa simples como “Eu faço porque não gosto dele”. E o motivo de não gostar, muitas das vezes, nem sequer é justificado já que, sendo crianças, muito provavelmente fazem isso à toa, só por diversão própria. De qualquer das formas, o bullying deve ser combatido, para que a escola e a Internet se tornem lugares mais seguros e agradáveis para as crianças e adolescentes. Lugares onde podem cooperar uns com os outros e não ter rancor nenhum. Devemos começar por ajudar as vítimas de bullying, assim como os bullies, que possam estar a passar por dificuldades na vida. Também uma conversa entre a vítima e o bully não seria mau, para os dois verem o que têm em comum, os seus gostos e a visão de um e do outro. Deste modo, a relação poderia mudar para o lado positivo. Pois, quem sabe, ainda poderiam tornar-se amigos. O bullying é uma coisa que não deve ser praticada, nem mesmo como brincadeira, porque, assim, poderemos ser a causa do mal-estar de alguém e, às vezes, a causa da sua morte. Então, desejo que todos os jovens saibam respeitar-se mutuamente e aprender que todos têm os seus defeitos e qualidades, às vezes, até em comum, e que, por isso, não há razão para gozar com alguém, mas, ao invés disso, fazer uma nova amizade. 110
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Nothing is Impossible Clichê
Organização: prof.ª Cristina Pestana, grupo de Inglês (Texto: João Pedro Martins Gomes n. º9, 11.º 05/Ilustração: Ana Sofia Ferreira, 11.º14)
Nowadays we find a lot of clichê statements, saying things that everyone already knows. Although, there are some statements or expressions that I believe we should think about and there’s one that is always in my mind: “Nothing is Impossible”. I think that the word “impossible” is a word that you shouldn’t say, such as the word “never”, also. People said that it was impossible for Cristiano Ronaldo to be a professional football player back in the days because he was too skinny or that Messi would never be the best football player in the world because he is too short; look at them now. Have we ever believed that the man could go to the moon one hundred years before happening? No, people said it was impossible. Does it continue to be impossible? What I’m trying to say is that, despite the fact that something looks impossible, it doesn’t mean it really is. In my view, the word “impossible” can really motivate you and help you overcome some barriers that can appear in your life. Concluding, I believe that nothing is impossible and the word “impossible” is the wood in the fire of your ambition, because when someone says it to you, you have that need to show the person that he/she is wrong. Quoting Tricia Cunningham: “The individual who says it is
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Pulmão de papel. (Livro em construção) Exposição de TeresaJardim Organização: Capela da Boa Viagem, Funchal (Texto/Imagem: prof. Ana Salgueiro)
“
Pulmão de papel’ é um poema visual work in progress, um livro inacabado − uma exposição com livros, que busca a natureza de livro e que, para se reinventar, expõe a sua própria desmaterialização.” Teresa Jardim, 2021 A exposição “Pulmão de papel. (Livro em construção)” (inc.), da autoria da artista Teresa Jardim, pode ser visitada entre as 08h30 e as 19h00, do dia 06 de junho até 28 de agosto, na Capela da Boa Viagem, Funchal.
Mestre Anjos Teixeira
Exposição
Organização: Galeria Anjos Teixeira- Projeto Expositivo de David Francisco. (Texto/Clique na imagem: fonte)
A exposição “Mestre Anjos Teixeira” é um projeto expositivo do fotógrafo David Francisco, que recolheu diversas peças, desde pinturas a medalhas, junto de pessoas que privaram com o escultor enquanto residiu na ilha da Madeira. Esta mostra, composta por cerca de 30 peças, é um espaço temporário de homenagem ao mestre Escultor, numa iniciativa da Galeria Anjos Teixeira, que pode ser visitada entre as 09h00 e as 21h00, no Salão Nobre do Teatro Municipal Baltazar Dias. A exposição estará patente até ao dia 20 de agosto. 112
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Delimitando Estremas Exposição de Hélder Folgado Organização: Casa da Cultura de Santa Cruz |Quinta do Revoredo (Texto/Clique na imagem: fonte)
A exposição “Delimitando Estremas”, da autoria do artista Hélder Folgado, pode ser visitada entre as 09h00 e as 18h00, do dia 9 de julho até 11 de setembro, na Casa da Cultura de Santa Cruz | Quinta do Revoredo.
Jardim das cores Exposição das turmas 13 e 14 do 11.º ano. Curso das Artes Visuais FF Organização: prof. Isabel Lucas, Desenho A em parceria Átrio CMF (Texto: prof. Isabel Lucas/imagem)
“Jardim das cores” foi o título encontrado para designar esta exposição coletiva dos alunos das turmas 13 e 14, do décimo primeiro ano, do Curso de Artes Visuais, da Escola Secundária Francisco Franco, que estará patente entre os dias 12 e 26 de julho, no Átrio da Câmara Municipal do Funchal. O trabalho desenvolvido ao longo do ano letivo, a conceção, organização e montagem da exposição têm orientação científica e pedagógica da docente de Artes Visuais, Isabel Lucas, que leciona a disciplina de Desenho A. 113
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