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Revista leiasff n.º 26

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Distribuição Gratuita

Número 26 Abril/ Junho 2008


nestaedição FICHA TÉCNICA Nr. 26 - Abril/ Junho 2008

Directora:

Dra. Dina Jardim

Coordenação: Dr. Gualter Rodrigues (600) Dr. Jorge Pereira (300) Dra. Tânia Viveiros (330)

Colaboração: Gilberto Basílio Clube Barbusano ISAVE S.A.J. Dr. António Lopes Fonseca Dra. Cristina Simões Dra. Fátima Abreu Dr. Jorge Capela Dra. Magda Santos Dra. Rita Rodrigues Dr. Sérgio Cunha

Patrocinadores: O Liberal Porto Editora Cartonada

Aconteceu: Recriações

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Histórias Impossíveis no Teatro Baltazar Dias

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XIII Olimpíadas do Ambiente

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Clubes & Projectos: Semana da Informática

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Mecânica a Quatro Tempos

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Um dia Dedicado aos CEF

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Opinião: 26 Em Torno do Património Barroco da Cidade do Funchal 29

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Impressão; O Liberal, Empresa de Artes Gráficas, Lda

Tiragem: 500 Exemplares

Do Antigo à Actualidade

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A Instalação do Ensino Técnico Profissional no Funchal 35 A simbologia da Cidade do Funchal 50

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Leitura 55 Poesia 56

CAPA: Composição, Funchal Passado e Presente, com o logótipo das comemorações Funchal 500 Anos e de um trabalho a acrílico, preto e branco, sobre platex, dos arquitectos Duarte Câmara, Nuno Oliveira, Ricardo Oliveira, Bruno Martins e Ricardo Faria, ex-alunos da Escola Secundária de Francisco Franco, datado de 1997

Artes Plásticas

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Passatempos

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Dr.ª Dina Jardim Presidente do Conselho Executivo

Eis-nos chegados ao fim de mais um ano lectivo. O ano lectivo de 2007-2008 foi um ano que marcou de forma vincada a vida da Escola Secundária Francisco Franco. Em termos físicos, entrou em funcionamento o novo pavilhão gimnodesportivo bem como a nova área de aulas, com os laboratórios da física e da química. Foram também disponibilizados novos meios informáticos e audiovisuais que, apesar de serem manifestamente insuficientes para as necessidades reais de uma escola da nossa dimensão, significam também um grande esforço da escola em dotar-se de mais e melhores estruturas, perante o cenário de contenção que vivemos na actualidade. Em termos de vida da escola, este foi mais um ano de grandes conquistas individuais e colectivas, com a escola a colocar-se no centro da vida social e cultural da cidade, fazendo jus à sua tradição e localização. A colaboração permanente e activa nas comemorações dos 500 anos da Cidade do Funchal, através de trabalhos dos seus docentes e discentes, bem como a colaboração nas mais variadas actividades organizadas pela Comissão Funchal 500 anos, demonstram o respeito que o trabalho desenvolvido pela escola ao longo destes anos goza junto da comunidade que nos acolhe e um reflexo do empenho da nossa comunidade. Em termos individuais, mais uma vez os nossos alunos se esforçaram e trabalharam para atingir os objectivos que definiram, quer fosse a entrada na universidade, a obtenção de um grau académico ou a simples passagem de ano. Para aqueles que ainda não atingiram o seu objectivo, resta aproveitar da melhor maneira a experiência e transformar esta contrariedade em algo que possam aproveitar no próximo ano lectivo: a escola continua a estar cá para vos ajudar em tudo o que lhe for possível. Também para todos os que trabalham na escola este foi um ano marcante. Em termos de pessoal auxiliar, novamente as restrições orçamentais e o aumento físico do espaço escolar implicou um esforço adicional a todo o pessoal auxiliar, cujo contributo, sempre discreto, é fundamental para o bom funcionamento da escola. Por fim, os professores, cujas dificuldades sentidas em todo o país, com as questões que rodeiam a carreira docente e toda a problemática que se fez sentir ao longo do ano, não deixaram que isso afectasse o seu desempenho. Este foi um ano em que a escola acolheu, novamente, estágios, com diversos professores, das mais variadas valências, a atingirem a sua profissionalização. Por outro lado, foram desenvolvidas as mais variadas actividades ao longo do ano em toda a escola. Só nos resta agradecer a todos o empenho e trabalho desenvolvido e desejar um bom descanso para que no próximo ano possamos desenvolver um trabalho tão significativo como o foi ao longo deste ano.

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Recriações Dr.ª Patrícia Oliveira Dr.ª Isabel Lucas Professoras de Artes

Vanessa Castro 12º 13

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exposição intitulada Recriações, foi uma mostra que reflectiu o trabalho desenvolvido no 1º período do presente ano lectivo, pelos alunos das turmas 10 e 13 do 12º ano do Curso Científico Humanístico de Artes Visuais, realizado no âmbito da disciplina de Oficina de Artes. Neste sentido é notória a presença das noções de “ofício” e de carácter experimental que lhe são inerentes, pelo que foi colocada ênfase tanto nos produtos finais, como no processo de trabalho que deu origem a esses resultados, sejam pinturas, desenhos, objectos plástico-artísticos ou objectos de design. O trabalho apresentado pelas duas turmas teve como objectivo comum a recriação formal, tanto de um objecto (garrafa), no caso da turma 10, como de imagens (aproximação à História da Arte), no que diz respeito à turma 13. As peças foram concretizadas sob diferentes níveis de experimentação e adequação às intenções, utilizando uma grande variedade de suportes, materiais, técnicas e formas de expressão. É visível um processo criativo que passa pelo âmbito da História da Arte, das Artes Plásticas e do Design. O domínio técnico-expressivo remete para a aplicação e aprofundamento de técnicas mistas e a criação no domínio bi-tridimensional. A turma 10 do 12º ano recriou o objecto, garrafa de plástico, retirando-a do seu contexto original, de contentor para água, e desenvolveu um processo criativo de transformação plástica que culminou na re-invenção de peças funcionais ou com fins meramente estéticas. A turma 13 do 12º ano, a partir do estudo de alguns artísticos do sec. XX, apropriou-se de algumas das suas características retiradas do seu contexto original, redimensionando desta forma essas obras, conferindo-lhes uma carga de intemporalidade através de um cunho pessoal aliado ao seu quotidiano. Houve também a preocupação de reflectir sobre algumas questões, nomeadamente sobre outras realidades culturais, como é manifesto na temática “África”. Nesta mostra, as diferentes formas de comunicação e expressão adaptadas pelos alunos, através da recriação formal, concorrem para um registo de diferentes leituras e de interpretações da realidade.

África

My black cold feet Bloody and barefoot Touch the dirty roads As I seek: Colour Rhythm Feelings Adventures. I must not give up This drum will be heard Sing Africa Sing! Put your guns down! Take away the pain And violence! Sing Africa Sing! This drum will be heard All the way through the ocean And through the fire.

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Exposição Diário de Isabella de França No início dos anos trinta, o coleccionador madeirense, Frederico Augusto de Freitas, descobriu em Londres um manuscrito que falava da ilha e adquiriu-o. Esse documento era composto por 342 páginas em papel de linho azul, a que se juntavam 24 aguarelas, ilustrando o texto escrito em Inglês. O alfarrabista colocara no resguardo da capa a seguinte informação: "Journal of a visit to Madeira and Portugal". Não tinha no frontispício, nem em parte alguma se declarava explicitamente o nome do autor, que veio a descobrir-se ser Isabella de França, esposa do morgado José Henrique de França, senhor de numerosas propriedades vinculadas na Ilha da Madeira. A estadia prolongada de Isabella de França na Ilha da Madeira permitiu-lhe anotar todos os pormenores da sua viagem, dando vida a um manuscrito que podemos considerar um contributo importante para o estudo dos hábitos e costumes madeirenses em meados do século XIX. Foram esses escritos que deram origem à exposição Diário de Isabella de França, uma actividade das turmas 10º 13, 14 e 15, sob a orientação da professora de Inglês, Carmo Marques, e os professores de Artes, Nélio Cabral e Rui Venâncio. Esta mostra de trabalhos esteve patente na Galeria Francisco Franco, durante o mês de Abril, e surgiu no âmbito das comemorações dos 500 anos do Funchal, com o propósito de dar a conhecer uma outra visão da nossa cidade de outros tempos. Aqui ficam algumas das impressões dos alunos.

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Histórias Impossíveis no Teatro Municipal Baltazar Dias No passado dia 21 de Maio, a Oficina de Teatro Corpus da ESFF apresentou Histórias Impossíveis no Teatro Municipal Baltazar Dias. Esta exibição inseriu-se num certame de teatro que reuniu grupos de teatro de várias escolas da Região, evento este promovido pela Comissão “Funchal 500 Anos”.

“Achei a experiência fantástica. Sentir aquela energia toda a invadir os nossos corpos, dá-nos outra forma de estar em palco! Espero voltar a repeti-la, pois actuar num palco onde muitos actores profissionais actuam é, sem dúvida, um orgulho.” Valéria Jesus 10º 20

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Visita da Escola Básica do 2º e 3º Ciclos do Caniço Dr.ª Cristina Simões Psicóloga

Observamos a Exposição das fotos das actividades desenvolvidas pelo Clube Barbusano (de uma saída de campo), pelo Núcleo de Fotografia e pelo Núcleo de Desenho e Artes Plásticas. Deste último, contemplamos alguns trabalhos expostos. Esta acção permitiu referir a existência dos outros Clubes e Núcleos Escolares, bem como a indicação das salas que ocupam. Na Galeria de Arte Francisco Franco, na companhia do Professor Gualter Rodrigues, pudemos apreciar (em suporte de papel), a fauna e a flora da Madeira. Esta Galeria foi indicada como um espaço a ser utilizado para exposição de futuros trabalhos destes alunos. De visita aos laboratórios, foi possível observar uma exposição de conchas, insectos e aracnídeos, a qual foi gentilmente orientada pela Professora Mécia Teixeira e pelo Professor Ricardo Macedo, a quem agradecemos a disponibilidade e o sentido educativo em recebernos. Estando a decorrer os jogos relativos à Festa do Desporto Escolar, no Pavilhão da nossa escola, o grupo assistiu, por breves momentos, ao torneio de badminton dos escalões juvenis. Para descansar um pouco, sentamo-nos todos na Praça da Alegria. Como última actividade desta visita, o grupo assistiu a uma apresentação realizada pela Psicóloga Cristina Simões, sobre os cursos da nossa escola, de modo a que cada um desses alunos pudesse ter a oportunidade de, a seu modo, apropriar-se dos espaços da escola e imaginar-se já como fazendo parte dela.

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o dia 7 de Maio, no âmbito da Semana de Orientação Escolar e Profissional da ESFF, visitaram a nossa escola 41 alunos do 9º ano da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos do Caniço, Pretendia-se com esta visita que os alunos conhecessem as instalações da nossa escola, os serviços e seu funcionamento, assim como os diversos cursos ministrados. Esta intenção deveu-se ao facto de serem alunos que estão interessados em frequentar, no próximo ano lectivo, o ensino secundário, aqui na Escola secundária de Francisco Franco. Juntamente com os alunos, vieram a Psicóloga Márcia Rodrigues, a Professora Elma Domingues e a Técnica de Serviço Social, Ana Raimundo. O grupo foi recebido pela psicóloga Cristina Simões, da nossa escola, que os orientou na visita. As instalações e os respectivos serviços (Biblioteca, Serviços Administrativos, Pavilhão, Galeria de Arte, Reprografia, Papelaria, Cantina, Salas para Eventos, Laboratórios…), foram visitados, chamando-se a atenção para as suas possíveis utilizações. Na visita à Biblioteca, o grupo foi recebido pelo Professor Eduardo Paulino, que nos orientou de um modo pedagógico e agradável. No final da visita, um pequeno grupo subiu à Biblioteca para se despedir, agradecendo o acolhimento.

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XIII Olimpíadas do Ambiente

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o impacto da poluição nos ecossistemas e a dificuldade de conservação de espécies na área protegida. Depois de retemperar as forças com um piquenique no CISE, visitaram os museus do Pão e do Brinquedo e assistiram a uma palestra sobre a recuperação de aves e de comportamentos humanos que os colocam em risco. No final da sessão libertaram dois peneireiros comuns e duas corujas-do-mato. Após o jantar, decorreram as provas orais, em grupo, que consistiram na defesa dos temas ambientais actuais, em que foi premiada a criatividade, a capacidade de argumentação, a postura e os conhecimentos. No Domingo, os finalistas, após realizarem a prova escrita, participaram em diversas experiências, onde tiveram a oportunidade de conhecer o processo de formação da chuva, a possibilidade de avaliar a qualidade da água através das espécies da fauna que nela habita, entre outras. O fim-de-semana terminou com a presença dos encarregados de educação e de professores que, em conjunto, assistiram a uma palestra sobre áreas protegidas e sensibilização ambiental, proferida pela Arquitecta Maria Paz Moura, do Parque Natural da Serra da Estrela. No encerramento foram divulgados os vencedores das XIII Olimpíadas do Ambiente (OA) e entregues os respectivos prémios, destacando-se Ricardo Sousa do 10º 1, da nossa escola.

icardo Sousa, aluno do 10º 1 da Escola Secundária de Francisco Franco, arrecada o 20º lugar nas XIII Olimpíadas do Ambiente (OA), relativas ao escalão B, para alunos do 10º ao 12º ano, na Serra da Estrela, no primeiro fim-de-semana de Maio. As Olimpíadas do Ambiente (OA) são um concurso de problemas e questões direccionado a alunos do 7º ao 12º ano de escolaridade do ensino público, privado e do ensino particular e cooperativo do território continental e ilhas. A iniciativa é coordenada por um grupo multidisciplinar composto por elementos da Escola de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza e do Zoomarine – Mundo Aquático SA. Este ano contou com a colaboração da Câmara Municipal de Seia. Na XIII final Nacional participaram 72 jovens alunos de todas as regiões do país, acompanhados por professores, pondo à prova os seus conhecimentos sobre o Ambiente, no fim-de-semana mais esperado do ano, na Serra da Estrela. No Sábado, altura em que muitos alunos pisaram pela primeira vez a neve, foram percorridos trilhos interpretativos, ao longo dos quais foram abordados temas como o efeito da última glaciação na paisagem,

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Visita de Estudo Núcleo Histórico de Santa Maria religiosa maneirista, que apresenta uma inscrição de “1683”. Está encerrada ao culto desde o primeiro quartel do século XX e foi legada à Câmara em 1988, tendo sido recuperada. A segunda foi no nº 88, no “Passo Processional” de 1733. Este é um elemento de arquitectura religiosa tardo-maneirista e rococó, esculpido em cantaria cinzenta com arco pleno. Possui porta de madeira, que era aberta na altura da Procissão dos Passos, na Semana Santa, nos séculos XVII e XVIII. Através do átrio de entrada do Sindicato dos Enfermeiros, sedeado neste edifício, visualizamos, no interior do “Paço”, as cantarias pintadas com cenas alusivas ao martírio de Cristo (Fig. 1). Subimos a Rua dos Barreiros para observar, no nº 31, a porta com lintel de recorte manuelino. Visitámos depois a Capela do Corpo Santo, obra da Confraria dos pescadores e marítimos, de meados ou finais do século XV, dedicada a São Pedro Telmo, padroeiro dos marítimos, posteriormente reconstruída e alterada. Hoje apresenta apenas edificações dos séculos XVII, XVIII e XIX. A sua arquitectura é gótica e maneirista e possui no seu interior (Fig. 2) importantes elementos artísticos dos séculos XVI, XVII e XVIII. Dirigimo-nos, de seguida, para a Igreja de Santa Maria Maior. Esta foi construída, entre 1751 e 1768, em substituição da primitiva igreja, originária do voto camarário de 1523, por ocasião da epidemia de peste (entre 1521 e 1523), tendo S. Tiago Menor sido eleito padroeiro da cidade. Posteriormente, aquando do sismo de 1748, aquele templo ficou destruído. A igreja de Santa Maria Maior possui grande valor patrimonial devido ao espólio artístico de talha dourada, pintura, prataria e ourivesaria e à sua arquitectura barroca. Depois visitámos a Fortaleza de Santiago, onde a Dra.ª Márcia guiou o grupo (Fig. 3). A construção desta fortaleza é do século XVII, com a função de defesa da baía do Funchal, numa época de maior perigo de ataque de corsários e das rivalidades entre potências europeias pelo domínio dos mares. Foi ampliada em meados do século XVIII e, no século XIX, manteve funções de aquartelamento militar até 1922, altura em que foi cedida ao Governo Regional para ali serem desenvolvidas actividades de carácter cultural, encontrando-se actualmente ocupada pelo Museu de Arte Contemporânea. De regresso à Escola, atravessámos os jardins do Hotel Porto Santa Maria, onde observámos vestígios da antiga muralha da cidade. Prosseguimos pela Rua de D. Carlos I e passámos pelo Jardim do Almirante Reis, que abriu ao público em Novembro de 2001. Nesta visita de estudo descobrimos alguns exemplos importantes do património edificado que, ao longo dos séculos, mantêm a memória da acção humana nos pormenores e traços arquitectónicos que persistem no

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o dia 12 de Março de 2008, pelas 15 horas, o Clube de Ecologia Barbusano efectuou uma visita de estudo ao Núcleo Histórico de Santa Maria, a qual contou com 30 participantes. Esta actividade iniciou-se no átrio da Escola, onde a Dr.ª Natividade de Jesus fez uma introdução à visita, salientando alguns aspectos, tais como: • A cidade como um organismo vivo e dinâmico, que evolui no espaço e no tempo; • As principais fases de expansão ligadas aos diferentes ciclos económicos: do açúcar (séculos XV e XVI), do vinho (séculos XVII e XVIII) e do turismo (séculos XIX e XX); • Os períodos críticos associados aos sismos, aluviões, epidemias e assaltos de piratas e corsários; • As consequências da expansão e das crises. Em seguida foi distribuído aos participantes um documento com um mapa do percurso a efectuar e informação relativa ao Primitivo Povoado de Santa Maria do Calhau, com o intuito de apoiar a explicação relativa a um breve enquadramento histórico. Neste contexto, referiu-se à sua génese, entre 1425 e 1430, como um povoado de artesãos e homens do mar, com características medievais, em que se destacavam a Igreja de Santa Maria do Calhau (edificada cerca de 1430), o pequeno Hospital e, depois, a Misericórdia. Desse primitivo aglomerado, restam apenas uma porta manuelina e a Capela do Corpo Santo. O Núcleo de Santa Maria foi uma das primeiras áreas a ser povoada e desde cedo assumiu um papel preponderante no desenvolvimento da vila e posteriormente cidade do Funchal. Com o desenvolvimento associado à economia do açúcar, do vinho e à fixação de comerciantes estrangeiros, as pequenas casas modificaram-se. Surge uma nova arquitectura, da qual restam, dos séculos XVII a XIX, alguns interessantes pormenores arquitectónicos, que encontrámos ao longo do percurso. Destacam-se os remates dos telhados, os beirais, as varandas, as janelas, as portas, os batentes, as gárgulas, as chaminés, os fornos das casas e os “azulejos foreiros” da Misericórdia. Após esta introdução, saímos da Escola e dirigimonos ao Larguinho da Feira. Aqui foi feita a localização do primitivo núcleo na margem esquerda da Ribeira de João Gomes e perto do calhau. Observámos a escultura de bronze “Corsa” da autoria de Anjos Teixeira, de 1994, e o Largo do Poço e respectivo chafariz, em cantaria. No início da Rua de Santa Maria fizemos duas paragens. A primeira foi junto à Capela de Nossa Senhora da Redenção e Mercês, conhecida como Capela da Boa Viagem. Trata-se de um exemplar de arquitectura

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“Núcleo Histórico de Santa Maria”, classificado como Conjunto Arquitectónico de Valor Regional, pelo DRL. 21/86/M, de 2 de Outubro, com o nome de “Zona Velha”, alterado posteriormente. Constatámos também que esta área está em transformação e que a restauração e a hotelaria, bem como a fixação de outros serviços têm-lhe dado algum dinamismo.

1 - Interior do Passo Processional

A localização da Residência de Estudantes de Santa Maria, a inaugurar brevemente, trará também maisvalias. Contudo, existem muitos edifícios degradados (Fig. 4) que é urgente recuperar, criando-se incentivos, para a fixação de população jovem e revitalizando-se esta área da cidade.

3 - Grupo à entrada da Fortaleza de Santiago

2 - Interior da Capela do Corpo Santo

4 - Património degradado

Funchal: a génese da cidade

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como o principal centro populacional, assumindo uma posição dominante em todo o processo socio-económico, centralizando os serviços e a ligação ao exterior. O orador salientou o interesse da Coroa pela Madeira, particularmente o rei D. Duarte, que doou as ilhas do Arquipélago ao Infante D. Henrique. Este, por sua vez, passou-as para o seu sobrinho D. Fernando. São os filhos deste último que passam a donos da Madeira, sendo o mais importante o duque D. Manuel, D. Manuel I, que elevou a vila do Funchal à categoria de cidade em 1508.

o dia 13 de Março de 2008, pelas 10:00 horas, o Professor Doutor Nelson Veríssimo esteve nesta escola a convite do clube de Ecologia Barbusano, a fim de proferir uma conferência sobre o tema “Funchal: a génese da cidade”. Partindo de citações de vários cronistas como Cadamosto, Gomes Eanes de Zurara, Gaspar Frutuoso, Jerónimo Dias Leite e Isabella de França, entre outros, o conferencista procurou provar as condições socioeconómicas e o contexto histórico que tornaram possível o nascimento da cidade. A elevada fertilidade dos solos, a disponibilidade dos recursos hídricos e o empenho dos primeiros colonos madeirenses, sob as ordens dos capitães e/ou dos clérigos, criaram as condições internas favoráveis ao desenvolvimento do sector produtivo e foram apoiados por incentivos ao comércio externo. De grande valor comercial nas trocas externas com o Reino e a Europa, destacam-se: - As plantas tintureiras: dragoeiro, urzela, pastel e sumagre; - As madeiras de elevada qualidade, provenientes do aderno, do barbusano, do cedro, do pau-branco, do teixo, do til e do vinhático; - O açúcar, resultado de uma economia açucareira em expansão desde meados do século XV; - O vinho, destacando-se o famoso malvasia. Todas estas riquezas levaram ao interesse pelo povoamento e o Funchal evidencia-se, desde o início,

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Semana da informática gramação dos mesmos, uma vez que o objectivo primordial desta actividade era percorrer um labirinto, que foi amavelmente construído por um funcionário da escola, o Senhor Salvador. Paralelamente, procedeu-se à uma actividade que visava a demonstração da performance do robô Lego TriBot, pertencente ao Clube de Informática. Os alunos tiveram a oportunidade de programar e observar os diferentes os diversos outputs por parte do robô. É de salientar que esta actividade promovida pelo Clube de Informática (CLINFO), teve uma enorme adesão por parte dos alunos, principalmente no que concerne aos alunos do curso tecnológico de informática. Na terça-feira, na parte da manhã, decorreu no pavilhão gimnodesportivo da escola um workshop sobre robótica, organizado pelo professor Jorge Monteiro. O orador foi o Dr. Fernando Ribeiro da Universidade do Minho, que gentilmente trouxe vários robôs, previamente programados para executar diversas tarefas, inclusive para participar em competições internacionais da especialidade. Por parte da Universidade da Madeira contámos com a presença do Dr. Filipe Santos que realizou várias demonstrações com os robôs desenvolvidos na referida instituição. Ainda na terça-feira, na parte da manhã, decorreu o concurso de montagem de uma rede de computadores. Os alunos do 11º26, sob a orientação do professor Pedro Vieira, procederam à montagem da rede, no hall de entrada do bloco, no piso de informática, utilizando o material informático disponibilizado pela escola.

Dr.ªAlexandrina Martins Dr.ª Carol Aguiar Professoras de Informática

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a semana de 14 a 18 de Abril do corrente ano lectivo, decorreu na nossa escola, a Semana da Informática. Este evento foi organizado pelo grupo de informática, sendo os docentes do grupo, os mentores das actividades promovidas. Os professores responsáveis pela organização distribuíram as actividades pelos vários dias da semana, de forma a não haver coincidências, tendo em conta a necessidade da gestão da ocupação dos espaços necessários à realização das mesmas. As diversas actividades foram pensadas de forma a mostrar à comunidade escolar a aplicação prática da informática nos dias de hoje, visando abranger as mais diversas áreas leccionadas nos cursos de informática. As actividades promovidas, passaram pela organização de conferências, concursos, visualização de filmes, workshops e actividades práticas, como a montagem de hardware e redes de computadores, e ainda a montagem e programação de robôs. O primeiro dia da semana (Segunda-feira, 14) começou com uma conferência sobre a Biometria, cujo orador, professor Pedro Nóbrega, demonstrou como podem ser utilizadas as nossas características físicas em sistemas informáticos, como, por exemplo, em sistemas de segurança. A segunda actividade deste mesmo dia foi o concurso de montagem de hardware, direccionada aos alunos e organizado pelos professores Jorge Monteiro e Abel Rodrigues, cujo objectivo era a montagem de um PC com o hardware fundamental (básicos) ao seu funcionamento no menor espaço de tempo, respeitando as regras de higiene e segurança no trabalho. O vencedor deste concurso foi o aluno Ricardo Barbeito da turma 12º23. Durante a tarde decorreu no pátio interior, a exposição, montagem e programação dos robôs da Lego, pertencentes ao Departamento de Matemáticas e Engenharias da Universidade da Madeira. Esta actividade tinha como público-alvo os alunos e visava a construção de dois tipos de robôs (tanque e todo-terreno) e pro-

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Durante a tarde deste dia, decorreu a projecção do filme “Matrix 3”, direccionada a toda a comunidade escolar, actividade esta, organizada pelo Clube de Informática.

co-matemático dos alunos. A adesão foi elevada, sendo necessário efectuar várias eliminatórias para apurar os vencedores, os quais passamos a enumerar: 1º Classificado (Prémio: Impressora): Rúben Moura, 11º 26 2º Classificado (Prémio: Pendrive 4 GB): Paulo Correia, 10º 32 3º Classificado (Prémio: Pendrive 2 GB): Fábio Baptista, 10º 33 4º Classificado (Prémio: Pack 10 DVD): Tiago Pereira, 10º 33 5º Classificado (Prémio: Teclado): Fábio Rúben Pereira, 11º 26 6º Classificado (Prémio: Rato óptico): Luís Escórcio, 10º 32. A entrega de prémios foi realizada na quinta-feira, dia 17, na sala de sessões, e contou com a participação de um membro da Direcção Executiva, Dr. António Pires. Na quinta-feira, na parte da manhã, foi projectado o filme Transformers, na sala de sessões, direccionado a toda a comunidade escolar. Esta actividade foi organizada pelo Clube de Informática.

Às 15h do mesmo dia, decorreu a conferência O mercado de trabalho na área da informática, organizada pelo professor Rui André Esteves. Os oradores desta conferência foram: o Eng.º Lino Henriques, a Dr.ª. Cristina Paquete e o Eng.º David Santos, sendo que todos eles encontram-se integrados no mercado de trabalho madeirense. O contributo dos referidos oradores foram uma mais-valia para esta conferência, uma vez que trouxeram a sua experiência laboral na área da informática e destacaram as principais saídas profissionais nesta área. Para finalizar as actividades deste dia, foi dinamizada uma conferência alusiva ao tema O processo de Bolonha e as Engenharias da Universidade da Madeira, organizada pelo professor Nélio Ramos. A conferência teve a presença do Prof. Doutor Luís Gomes, Prof. Doutor Gonçalo Gouveia e Prof. Doutor Josef van Leewen, docentes do Departamento de Matemática e Engenharias da Universidade da Madeira. Estes docentes demonstraram a estrutura dos cursos do seu departamento e explicaram em que consiste o Processo de Bolonha e qual o seu objectivo. Na quartafeira, dia 16, foi organizado pelo Clube de Informática um concurso de jogos de lógica, designado por BrainFitness, visando incentivar o desenvolvimento do raciocínio lógi-

Durante a parte da tarde, deste dia, foi promovida a conferência A procura activa de emprego, tendo como público-alvo os alunos finalistas, uma vez que estes irão realizar um estágio profissional, na área de estudos em que se encontram integrados. Esta conferência teve como oradores a Dr.ª Cristina Simões, o Dr. Maurílio Caíres e o Eng.º Adelino Gonçalves, e teve por objectivo alertar os alunos para as necessidades do mercado de trabalho actual. Esta actividade contou ainda com a participação de dois antigos alunos dos cursos tecnológicos, Edgar Gouveia e Daniel Aguiar, os quais relataram as suas experiências durante o estágio. Na sexta-feira, dia 18, foi organizado um concurso, com o tema Funchal 500 anos, propondo-se ir ao encontro do tema do Pro-

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vez que salientaram a importância da segurança nos sistemas informáticos actuais. A actividade que encerrou a Semana da Informática foi organizada pelo Clube de Informática. Devido à grande adesão que teve por parte dos alunos na actividade de Segunda-feira, o clube decidiu repetir a actividade da demonstração, montagem e programação dos robôs da Lego.

jecto Educativo de Escola no presente ano lectivo. Este concurso foi organizado pelos professores: Rosa Silva, Roberto Henriques, Pedro Nóbrega e Luís Lima e foi direccionado a todos

os alunos da escola. Após a divulgação do concurso a toda a comunidade escolar, os alunos procederam à organização de equipas e efectuaram a respectiva inscrição no concurso. É de notar que este concurso foi muito competitivo e como tal teve uma grande adesão por parte dos alunos. Após as várias fases do concurso foram apurados os seguintes vencedores: 1º Classificado (Prémio: 3 viagens ao Porto Santo): Milton Abreu (11º6), Vanessa Catarina (11º6) e Luís Mendonça (10º7). 2º Classificado (Prémio: 3 impressoras laser): André Silva, Paulo Correia e Pedro Baptista (da turma 10º32). 3º Classificado (Prémio: 3 refeições no restaurante Tahiti): Luís Abreu, Alexandre Abreu e Roberto Alves (da turma 11º26).

Após a realização da Semana da Informática foi possível tirarmos algumas ilações que consideramos serem bastante positivas, uma vez que os objectivos propostos foram alcançados com sucesso e por conseguinte as actividades decorreram na mais perfeita harmonia. Outro aspecto que em nossa opinião nos parece ser de suma importância foi o facto dos alunos terem aderido em grande massa e de revelarem a vontade de ver implementada no próximo ano lectivo a Semana da Informática. Para finalizar, queremos ainda agradecer as todas as pessoas envolvidas nas actividades, desde a organização, o Conselho Executivo da escola, as empresas que patrocinaram a semana, os oradores e dinamizadores das várias actividades e, ainda, aos colegas que se disponibilizaram a participar com as suas turmas no decorrer da semana.

Durante a tarde, deste mesmo dia, decorreu a conferência Segurança informática para todos, organizada pelo professor Abel Rodrigues, direccionada a toda a comunidade escolar. É de notar que os oradores da referida conferência são pessoas experientes na área da informática e como tal enriqueceram a conferência, uma

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“Ser Pontual FF”, uma ideia, um exemplo Ana Filipa de Abreu Rodrigues Sara Filipa Marques Gouveia, 12º 8

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dando asas a muitas imaginações, e que continue por muitos anos, na escola onde fomos estudantes do Ensino Secundário, um projecto de uma turma que pôs o sol a dar horas.

disciplina de Área de Projecto é essencial no Ensino Secundário, na medida em que valoriza os ideais dos jovens estudantes e ajuda-os a saber desenvolvê-los, preparando-os para um futuro em que terão de exercitar a mente na procura de novos projectos. Este ano lectivo (2007/08), a nossa turma, 12º8, do curso de Ciências e Tecnologias, decidiu desenvolver uma grande ideia, a realização de um projecto, de seu nome “Ser Pontual FF”. Consistiu na construção de um relógio de sol e reconstrução da sua base, promovendo a criação de um site e de um diário de bordo. Tem como objectivo sensibilizar a população escolar para, de uma forma ecológica, utilizar uma fonte de energia renovável, a energia solar. Com a indispensável ajuda da Dr. Aldina Abreu, que nos ajudou no percurso deste projecto ao longo do ano e, que se tratou, indiscutivelmente, de uma orientação preciosa, bem como com a participação de diversas pessoas exteriores à escola que contribuíram para a realização do mesmo, foi possível desenvolver e finalizar o nosso projecto. Enquanto alunas de uma Comunidade Educativa, deixamos aqui, na nossa escola, juntamente com os restantes elementos, um exemplo de uma ideia que se tornou num projecto e que, através de esforço, dedicação e desempenho, se transformou em realidade. Foi, para nós, o início de um futuro promissor e de muitas mais ideias que nos possam surgir, esperando que se realizem. Foi, sem dúvida, uma prova das capacidades juvenis e um incentivo para todos os que querem e ambicionam. Temos a plena consciência de que todos somos capazes. Ao sermos alunas do 12º ano de escolaridade, desejamos que a disciplina de Área de Projecto prevaleça,

Visto que se trata de um projecto colectivo, eis os nomes dos participantes: • • • • • • • • • • •

Ana Silva Ana Rodrigues Bianca Velosa Carlos Gomes Cátia Vieira César Jardim Cláudia Freitas Diogo Marques Élvio Abreu Emanuel Pereira Filipe Pacheco

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Gonçalo França Gustavo Martins João Fernandes Joaquim Reynolds Márcio Oliveira Michael Abreu Pedro Valente Roberto Jesus Ronaldo Santos Rúben Santos Sara Gouveia

Agradecimentos por participação no projecto: • Sr. José, Ferro Ideias • Sr. José, professor da Quinta do Leme • Sr. Mendes, Frezal • Sr. Armânio, gravação • Sr. Sidónio, Grafimadeira • Sr. Renato, pastilhas para a reconstituição da base do relógio • Professora Susana, orientadora no desenho da equação do tempo (base) • Sr. Jorge Jardim, reconstrução da base • Casa de Santo António • Ferreira’s

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Núcleo de Música

Núcleo de Música da nossa escola apresentou, este ano lectivo, variados espectáculos musicais que muito animaram a escola: Espectáculo de Natal, São Valentim, Walking After Noon e Turning Sixteen. Felicitamos todo o grupo pelo entusiasmo com que sempre se entregam aos seus projectos e pelos momentos especiais que têm oferecido. O mais recente espectáculo apresentado pelo núcleo foi concebido a partir de um conto estudado nas aulas de Inglês, Turning Sixteen (da autoria de Ron Butlin - escritor do ano). Este musical contou com a participação do grupo de teatro, que encenou toda a dramatização que acompanhou o espectáculo e, ainda, com a especial presença de um bailarino do Conservatório que abrilhantou ainda mais toda a actividade.

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Mecânica a Quatro Tempos

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mos, a procura foi imensa, pena foi não poder prolongar a actividade pelo turno da tarde. Experimentar conduzir e estacionar é, para quem o faz pela primeira vez, algo muito aliciante. No dia 23 não foram as ‘máquinas‘ actuais que vieram à rua, melhor dizendo ao pátio mas em seu lugar surgiram os motores de veículos que hoje já não circulam nas nossas vias, como o do velhinho Fiat 900, uma relíquia que brilhou entre várias outras peças e ferramentas que constituem parte do espólio das nossas oficinas de Mecânica. Esta exposição contribuiu para que o passado e o presente desta Escola se entrecruzassem, num encontro de tradição, actualidade e futuro do ensino nela ministrado. Em suma, este projecto ‘Mecânica a Quatro Tempos’, concretizado pelos alunos finalistas do Curso de Mecatrónica, demonstrou que ‘os homens passam, mas as obras ficam’, sendo a Escola aquilo que ano após ano, professores e alunos, vão construindo.

om o objectivo primordial de deixarem a marca da sua passagem por esta Escola, a Turma do 12º25-CEF – Mecatrónica levou a cabo, nos dias 21, 22 e 23 de Abril passado, três actividades que sobressaíram no quotidiano escolar. No dia 21, organizaram uma palestra sobre Prevenção Rodoviária, que teve lugar na Sala de Sessões. Foi orador convidado o Comissário Luís Teixeira, do Comando Regional da PSP. Esta actividade revelouse de enorme importância, pois todos sabemos que as nossas estradas são palco, diariamente, de inúmeros acidentes. No dia seguinte, pela manhã, o campo maior da Escola transformou-se num pequeno ‘circuito citadino’, pois a Escola de Condução Infante colocou à disposição dos nossos alunos vários veículos ligeiros, cujos instrutores ajudavam quem se quis intrometer, pela primeira vez, no mundo da condução automóvel. Como prevía-

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Clube de Ecologia Barbusano Saída de Campo / Visita de Estudo 12 de Abril de 2008

FUNCHAL – LEVADA DOS PIORNAIS – ENGENHO VELHO – CÂMARA DE LOBOS Do Funchal a Câmara de Lobos. à levada. Calmamente, contornamos pelo norte toda a área dominada pelos grandes blocos de apartamento e de hotéis.Não podemos deixar de referir que há muitos anos havia vários moinhos de água e lavadouros públicos ao longo desta levada, os quais, aos poucos e poucos foram sendo abandonados. Já depois do Caminho do Amparo, sobranceiro à Praia Formosa, passamos por uma área onde a agricultura teima em persistir e uma vegetação espontânea de espécies indígenas e exóticas embelezam a paisagem. Depois da via rápida, a levada corre paralela ao vale da Ribeira dos Socorridos em direcção ao sítio do Engenho Velho. Aqui temos consciência do contraste entre a beleza que este vale nos apresentava e a ocupação actual, que, por necessidades ditas imperiosas, faz crescer a nova zona industrial, mutilando continuamente para montante a ribeira e esquecendo o seu regime torrencial e o seu passado. Nas terras do Engenho Velho, assiste-se ao fim das bananeiras. Abandonando a levada, descemos ao fundo do vale e atravessamos a ribeira. Já na vertente direita, percorremos o caminho que nos levou ao centro da Cidade de Câmara de Lobos. Esperamos que este percurso o faça pensar quanto é difícil compreender o diálogo entre o homem e a natureza.

Comemorar os 500 Anos da Cidade do Funchal levou o Clube de Ecologia Barbusano a dar a conhecer uma das mais antigas levadas da cidade – a Levada dos Piornais. Construída no séc. XVI, tem a sua madre d’água no leito da Ribeira dos Socorridos, no sítio da Fajã do Poio. Percorre a vertente esquerda do vale da ribeira, contornando, a uma altitude de 150m, as terras baixas de Santo António e São Martinho a sul do Pico da Cruz, até desaguar no Ribeiro Seco, a Oeste da Cidade. Assim, desde muito cedo, as suas águas eram preciosas para regar a cana-de-açúcar, actualmente as bananeiras e outras culturas de regadio, apesar da força com que o cimento avança, dando lugar a um crescimento urbano e residencial, infelizmente desordenado. Importa referir que o nosso percurso a pé se iniciaou junto ao portão norte da escola. Aos poucos percorremos as ruas de Elias Garcia, Netos, Mercês, Capuchinhos, Cabouqueira e Ilhéus. Esta última apresenta ainda muitas das quintas que a meados do século passado aí se localizaram, fruto da expansão urbana. Entrámos na levada junto à Avenida Luís Camões e contornamos o vale do Ribeiro Seco, no qual é visível o crescimento rápido da nova ligação rodoviária entre o porto do Funchal e o centro de São Martinho. Deixando a levada, passamos pela área urbana que envolve o Estádio dos Barreiros para logo depois regressarmos

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FraNet

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Clube de Informática: Semana da Informática Dr. Jorge Capela Coordenador do Clube de Informática – CLINFO

tos que deram o seu melhor nos 8 jogos do concurso. O conceito Brainfitness está relacionado com o processo de exercitar o cerebro, e os jogos apelavam à memória e raciocínio dos participantes. Todos os inscritos tiveram direito a um tapete para o rato e os 6 primeiros classificados foram premiados com uma impressora, 2 pens usb, um pack de dvds, um teclado e um rato óptico. No dia seguinte realizámos a entrega dos prémios do concurso na sala de sessões. Esta entrega teve a colaboração do Vice-presidente do Conselho Executivo, Dr. António Pires, a quem agradecemos a sua disponibilidade. Seguidamente, pelas 10h00 iniciou-se a projecção do filme «Transformers», lançado em 2007 e recheado de efeitos especiais espectaculares. Esta sessão de cinema teve lotação esgotada. No último dia da semana, voltámos a realizar a montagem e programação de Robôs Lego. Mais uma vez os alunos montaram diversos tipos de robôs e efectuaram a sua programação. Houve ainda oportunidade para os alunos colocaram questões sobre o robô, o processo de montagem e programação. As fotografias de todos os eventos realizados durante a Semana da Informática estão disponíveis no site da escola www.esffranco.edu.pt.

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semana da Informática teve início no dia 14 de Abril. A equipa do CLINFO, que conta com mais um elemento, a professora Carol Aguiar, organizou diversas actividades que se prolongaram durante toda esta semana. Na segundafeira, das 15h15 às 18h30, o clube proporcionou a montagem e programação de Robôs Lego. Os alunos montaram diversos tipos de robôs (tanque, todo-o-terreno) e efectuaram a sua programação de modo a que os robôs fossem capazes de percorrer um labirinto. Paralelamente, os alunos efectuaram também a programação do robô «TriBot». Na terça-feira, pelas 14h00, foi projectado na sala 408 o filme «Matrix Revolutions» realizado pelos irmãos Wachowski. O terceiro e último filme da trilogia «Matrix» contou com uma plateia bastante composta que acompanhou atentamente o desfecho da saga. No dia 16 de Abril, quarta-feira, pelas 08h15, realizou-se o concurso «Jogos Brainfitness». Tivemos cerca de 30 alunos inscri-

Até final do ano lectivo, e no âmbito das actividades de encerramento dos Clubes/Núcleos/Projectos, o Clube de Informática irá organizar no dia 3 de Junho a última sessão de cinema (filme ainda a designar) e no dia 4 de Junho um peddy-paper «Informática com Fronteiras». Desde já convidamos toda a comunidade escolar a comparecer e participar nas actividades. A Tecnologia em destaque Nesta edição damos a conhecer as últimas notícias sobre a actualidade informática. À procura de ouro no telemóvel O aumento do preço de materiais nobres como o ouro, prata e cobre estão a originar uma nova tendência: a prospecção

urbana. Esta actividade centra-se na reciclagem de produtos electrónicos, nomeadamente, telemóveis onde se

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procura metais como o ouro e o irídio. Os metais recuperados são reutilizados em novos componentes electrónicos. O ouro e outros metais preciosos podem ser derretidos e vendidos como lingotes para joalheiros e investidores, ou de volta aos fabricantes que os utilizam nas placas de circuitos de telemóveis, pois o ouro é melhor condutor que o cobre. Uma tonelada de minério extraída de uma mina de ouro produz em média apenas 5 gramas do metal, enquanto uma tonelada de telemóveis descartados pode render 150 gramas ou mais, de acordo com estudo da Yokohama Metal, uma empresa japonesa de reciclagem de metais. O mesmo volume de telemóveis descartados contém, também, cerca de 100 quilos de cobre e três quilos de prata, entre outros metais. A reciclagem está a ganhar importância à medida que os preços dos metais atingem recordes históricos. O ouro está a ser negociado a cerca de 569 euros a onça, depois de estabelecer um recorde histórico em Março, com a cotação de 608 euros. Cobre e estanho também estão perto dos seus recordes de alta, e os preços da prata superam em muito as médias de longo prazo. Por isso, da próxima vez que estiver a pensar mandar o seu telemóvel para o lixo, pense duas vezes.

a consola da Nintendo pretende transformar os jogadores em gestores de um império de brinquedos. No início, a loja está decadente e o jogador tem de criar novos e divertidos brinquedos, dinamizar o negócio, controlar o stock, atender os clientes e

vender os brinquedos. «Toy Shop combina uma vertente criativa na produção dos brinquedos com a vertente de gestão da loja, dando aos jogadores uma pequena amostra de como funciona na realidade o exigente, mas compensador, negócio dos brinquedos», disse John Merchant, marketing manager da Majesco Europe, empresa que desenvolveu o jogo com a Gameinvest. Com a evolução do jogo, festas e efemérides vão atrair novos clientes, desbloqueando novas lojas em outros locais da cidade. O jogo contempla a criação de ursos de peluche, bonecos e jogos de tabuleiro. Ainda não foram divulgados preços para o mercado nacional. Robôs vão jogar futebol com humanos em 2050

Coldplay oferecem nova música na net

Os participantes na RoboCup na Alemanha acreditam que em 2050 vai ser possível um desafio entre humanos e máquinas. Ainda há muito para afinar, mas já se fizeram muitos progressos. Na RoboCup, há robôs de todos os tipos, desde os mais pequenos até gigantes. A sétima edição da prova conta com 850 máquinas, de 350 estudantes universitários de 14 países. Em paralelo, há uma competição entre estudantes do ensino secundário, revela a Associated Press. A iniciativa é organizada pelo Instituto Fraunhoffer de Intelligent Analysis and Information Systems. Ansgar Bredenfeld, responsável pelo Instituto, revela que os robôs «já abrem portas, reconhecem rostos e podem agarrar objectos (…) o objectivo é competir com humanos, num desafio de futebol, em 2050. Ainda estamos longe, mas temos bastante tempo para aperfeiçoar».

O novo single da banda britânica, Violet Hill, começará a ser disponibilizado de forma gratuita no site oficial dos Coldplay. O anúncio foi tornado público na mesma altura em que a banda de Chris Martin divulgou as datas para dois espectáculos, também gratuitos e de entrada livre, destinados à apresentação do seu novo álbum Viva La Vida, cujo lançamento decorreu no dia 12 de Junho. Os concertos decorreram em Londres e em Nova Iorque a 16 e 23 de Junho, respectivamente. O novo single dos Coldplay pode ser descarregado directamente a partir do endereço www.coldplay.com DS

Toy Shop, o jogo português para a Nintendo

O Toy Shop é um jogo feito em parceria pela portuguesa Gameinvest e pela Majesco. O novo jogo para

Fonte: http://www.exameinformatica.pt

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ÁREA de PROJECTO Dr.ª Isabel Hernandez Professora de Física e Química

O grupo com o tema Mecânica Cardíaca fez a sua apresentação no dia 7 de Maio às 10h30, na Sala de Sessões, tendo como convidado o Dr. Rui Almeida (médico de família do Centro de Saúde da Nazaré) que falou sobre as doenças cardiovasculares e como preveni-las. Nesta sessão os alunos apresentaram o vídeo da construção do modelo anatómico e justificaram a escolha deste tema tendo em conta as suas vocações profissionais.

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o âmbito da disciplina de Área Projecto, os alunos do 12º ano, turma 7, colocaram os seus trabalhos em exposição na Galeria de Arte da escola na semana de 5 a 9 de Maio. Os alunos escolheram temas diversos, tais como Velas Artesanais, Mecânica Cardíaca, Parque Natural da Madeira e Complexo Polidesportivo. Na exposição foi possível ver as velas feitas pelos alunos em laboratório, um modelo anatómico do coração e sistema circulatório, uma maqueta da ilha da Madeira construída em gesso, assim como várias fotografias das diversas Reservas Naturais da nossa ilha e uma maqueta de um complexo polidesportivo.

No dia 14 de Maio, o grupo do tema Parque Natural da Madeira organizou uma palestra na Sala de Sessões com a Engenheira Sara Freitas do Parque Natural que veio apresentar e explicar as diversas Reservas Naturais da Região Autónoma da Madeira. Também, por iniciativa deste grupo, foram feitas duas visitas de estudo. Uma ao Jardim Botânico, no dia 5 de Dezembro, e outra à Reserva Natural Parcial do Garajau, no dia 13 de Maio. O objectivo destas visitas foi conhecer estas zonas e a sua fauna e flora.

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Construção de veículos O grupo formado por Fábio Camacho, Ludovic Brito, Maurício Gouveia e Ruben Abreu optou pela construção de um kart, ao qual adaptaram vários elementos, tais como o motor de uma mota, uma buzina, uma matrícula, etc. O projecto foi baptizado Kingo kart.

Os alunos do 12º ano, turma 6, fizeram a apresentação dos seus projectos no dia 29 de Maio no campo de futebol da escola. Esta turma, tendo em conta as suas vocações académicas e profissionais, optou por trabalhar na construção de veículos. Os quatro grupos de trabalho optaram por construções diferentes tendo em conta o ramo de engenharia que têm preferência. O grupo constituído por Luís Vieira, Miguel Antero, Roberto Faria, Vasco Nóbrega e Vítor Sousa optou pela construção de um catamaran telecomandado, cujo objectivo seria a recolha de detritos marítimos e que foi “baptizado” com o nome True Byna.

Finalmente, o grupo do João Pedro, Mário Samuel, Pedro Miguel e Pedro Marcelo optou pela construção de uma chopper, através da remodelação de uma bicicleta normal. Esta foi nomeada Dark Chopper.

Os projectos desta turma foram concluídos graças ao apoio e dedicação do professor de mecânica Dr. António Matos que esteve sempre disponível para ajudar e guiar os alunos. Por isso, deixo aqui o meu especial agradecimento pela sua participação, pois sem ela não seria possível a execução destes projectos.

O grupo de alunos Décio Ferreira, Hugo Gouveia, João Sousa, Leonel Nunes e Vanessa Oliveira escolheu a construção de um kart nomeado F – kart 50.

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Um dia dedicado aos CEF

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feita pelos docentes da componente tecnológica das respectivas áreas, que ao longo da apresentação foram realçando uma directriz fundamental no funcionamento destes cursos: “Learning by doing”. Seguiu-se o testemunho dos antigos alunos e a apresentação, por parte dos representantes das empresas presentes, dos estágios a realizar no ano lectivo 2008/2009 e da assinatura dos respectivos protocolos. Para além das empresas presentes: Tabuada e Barros, GestLeader, Indutora, MCI, ECAM, é de salientar que também vão colaborar as seguintes: Jovical, VSA, LiderFisco e Welsh&Aguiar. Após a sessão, teve lugar no bar da escola um convívio com todos os presentes. Foi com grande satisfação que os dinamizadores desta iniciativa, bem como o corpo docente dos CEF, reconheceram a reacção bastante positiva por parte dos presentes. As expectativas foram superadas e será um dia repetir!

o dia 29 de Maio teve lugar na sala de sessões da escola, a partir das 14 horas, uma sessão de divulgação dos cursos CEF – Cursos de Educação e Formação. Nesta iniciativa estiveram presentes, para além do representante do Conselho Executivo da Escola e do corpo docente dos CEF, individualidades oficiais, nomeadamente o Dr. Rui Anacleto da Secretária Regional da Educação. A sessão contou ainda com a participação de representantes das empresas receptoras dos estagiários dos cursos CEF, bem como com o relato de alguns alunos que concluíram, no ano lectivo transacto, o curso de Instalação e Manutenção de Sistemas Informáticos. A sessão iniciou-se com a apresentação geral dos novos cursos CEF que a escola irá ministrar, nomeadamente: Técnico de Contabilidade, Técnico de Apoio à Gestão; Técnico de Assistente Administrativo, Técnico de Informática, Técnico Instalador e Reparador e Técnico de Electrónica Industrial. Esta abordagem foi

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Isave

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hectares, na Póvoa de Lanhoso, em pleno Minho, a 10 minutos de Braga, o Campus Académico do ISAVE anuncia um novo tempo de educação. Está adaptado para o futuro, para as próximas décadas e queremos manter esta inovação sempre à frente no tempo. Hoje, com seis anos, fazemos a ponte com instituições de ensino, com associações, sejam locais ou nacionais, protocolos de cooperação com as mais diferentes entidades, com centros de investigação, hospitais, lares, centros de saúde. Editamos a Ser Saúde, revista trimestral de ciência e investigação em saúde. A Ser Saúde é única, cria um espaço multidisciplinar de edição de ciência e investigação em saúde. A Ser Saúde marca o futuro da interdisciplinaridade das diferentes ciências para o desenvolvimento harmonioso de uma saúde integrada e integradora. Hoje, com seis anos, editamos o Jornal ISAVE, um meio da Instituição estar em contacto com o meio académico e ser uma fonte de aproximação de ideias de futuro para o caminho do ISAVE. O Jornal ISAVE também está aberto à Vossa Escola. Temos a Temática, uma revista anual de trabalhos de investigação e reflexão de docentes do ISAVE. Hoje, com seis anos, o ISAVE é uma imagem que cresce diariamente, é um espaço de descoberta, de pontes entre Portugal Continental e Insular e o mundo Lusófono. Nós estamos prontos para vos receber. E é esta aproximação que nos une a todos, à história. Descobrimos em cada momento que existe sempre mais a descobrir e a desvendar. Faremos história convosco. E, embora o passado deixe sempre as marcas e os espaços de aprendizagem, é convosco que queremos construir o futuro. Por isso, estamos perto e mantemos esta vontade de nos aproximarmos ainda mais. O ISAVE quer fazer parte da Vossa história… de vida.

mbora o ISAVE, Instituto Superior de Saúde do Alto Ave, não tenha o peso histórico da Madeira, do Funchal, nem tantos anos de vida – Imaginem! o ISAVE só tem seis anos! – sentimos que temos criado laços com a Vossa Instituição de Ensino que, mais do que o tempo, marcam o nosso carinho pela Vossa Instituição. O ISAVE, em pouco mais de seis anos, criou pontes com o Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique e, em Portugal, cria sabedoria em diferentes cidades, assumindo projectos de desenvolvimento regional e nacional fundamentais para criação de sociedades mais justas e equilibradas. Futuramente, o tempo o dirá, podemos estar na Madeira, em qualquer parte do mundo. É este nosso querer, esta vontade de doarmos a nossa sabedoria na aprendizagem e na prática em saúde que nos levam, como descobridores, a acentuar o desejo de um ensino criado em valores humanos, de saber e prática. Hoje, com seis anos, sentimos que temos o passado de vida dos 500 anos do Funchal. Formamos todos os anos pessoas, cidadãos capazes de levar essa humildade do saber, a humildade da descoberta. Acompanhamos todos os nossos alunos ao longo da vida profissional, estamos com eles e fazemos parte do desenvolvimento de cada um deles. Hoje, com seis anos, o ISAVE tem todos os cursos adequados a Bolonha. Enfermagem, com quatro anos, e todas as outras licenciaturas com três anos (Fisioterapia, Terapia da fala, Radiologia, Farmácia, Prótese Dentária, Higiene Oral e Análises Clínicas e Saúde Pública). Hoje, com seis anos, temos um espaço de ensino único no país. Construído de raiz numa quinta de 17

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A História das Drogas: Consumos e Problemáticas Dr. Sérgio Cunha Psicólogo do Serviço Regional de Prevenção da Toxicodependência

Somente no século XVI aparecem as bebidas destiladas, com a contribuição da ilha da Madeira e mais tarde da América, que fornecem a matéria-prima para o aparecimento da aguardente de cana. Na Madeira, a partir de 1846 quase todas as localidades possuíam fábricas para a produção de aguardente. Somente em 1918 se assistiu ao encerramento dessas fábricas, como medida preventiva face ao alcoolismo emergente. No caso do tabaco, o mesmo foi trazido para a Europa pelos espanhóis no início do século XVI, embora outras versões afirmem que foi um português, Luís de Góis, que o trouxe em 1550, enquanto que na Inglaterra foi o corsário, Sir Francis Drake, que introduziu esta substância em 1585. No entanto, no século XVII começaram a surgir preocupações por causa dos malefícios provocados à saúde pelo tabaco que, para além disso, era viciante. Em 1604, Jaime I, Rei de Inglaterra, escreveu anonimamente um livro condenando o seu uso, Counterblaste to Tobacco, impondo ao mesmo tempo um forte imposto sobre esse produto, que estaria sendo consumido “com excesso, (…) por uma série de pessoas meio selvagens e ingovernáveis de baixa e desprezível condição social, as quais (...) gastam a maior parte do seu tempo nesta vã ocupação, dando mau exemplo e pervertendo a outros e malgastando nisso inclusive os salários com os quais deveriam sustentar suas famílias” (Heckscher, 1943, p.734). No caso da cocaína, a folha de coca é usada desde 2500 AC pelos povos da América do Sul, inclusive pelos Incas e outros povos dos Andes. Os espanhóis do novo mundo usavam-nas e foram eles que a levaram para a Europa em 1580, mas somente em 1860, o alcalóide cocaína foi isolado das folhas de coca por Niemann. Entre os diversos produtos que tiveram esta substância na sua composição, destacamos a Coca-Cola, que desde a sua invenção em 1886 até aos primeiros anos do século XX, incluiu cocaína nos seus ingredientes, substituindo-a depois por cafeína. A cocaína, também foi utilizada no tratamento da dependência de morfina. Sigmund Freud, o médico

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s drogas são substâncias psicoactivas que provocam diversos problemas de saúde, familiares, sociais, criminais, monetários entre outros, além de tornar as pessoas dependentes, dificultando o tratamento. No entanto, ao longo dos séculos o homem consumiu drogas por diversos motivos e inclusive existem diversas referências aos malefícios provenientes do seu consumo, revelando que desde o início as pessoas observavam e tinham consciência dos problemas que estas substâncias causavam. Já há sensivelmente 2400 anos atrás, Hipócrates (nascido em 460 AC) e Galeno (nascido em 131 DC), médicos gregos considerados os pais da medicina, definiam a droga como sendo uma substância que em vez de ser “vencida pelo corpo”, assimilada como simples nutriente, “vencia” o organismo provocando grandes alterações orgânicas, anímicas ou de ambos os tipos. No que diz respeito às diferentes drogas, existem referências muito antigas da sua utilização. Uma das mais antigas diz respeito à plantação do Cânhamo (variedade da planta Cannabis) que em 4000 AC aparece referenciado na China. Num tratado chinês do século I, afirma-se que “o cânhamo tomado em excesso faz ver monstros, mas se usado muito tempo pode comunicar com os espíritos e aligeirar o corpo”. Quanto ao álcool, existem vestígios de que em 2200 AC, a cerveja era utilizada como tónico. Está referenciada em diversos papiros egípcios, entre eles um que afirma: “Eu, teu superior, proíbo-te de ir a tabernas. Ficas degradado como as bestas”. Na Grécia antiga, as escolas filosóficas discutiam se o vinho fora concedido aos humanos para o seu bem ou para os enlouquecer. Mais tarde, durante o auge da cidade de Roma, capital do Império Romano, cada cidadão consumia diariamente perto de meio litro de vinho, contabilizando 180 milhões de litros anualmente, numa população de cerca de um milhão de pessoas.

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criador da psicanálise, experimentou-a em pacientes, publicando inclusivamente um livro Über Coca, contudo acabou por se desiludir com a dependência a que foram reduzidos vários dos seus amigos. Apesar do entusiasmo inicial, os efeitos negativos da cocaína acabaram por ser descobertos. A forte dependência e os graves problemas que provoca na saúde fizeram com que o consumo de cocaína começasse a ser proibido no princípio do século XX. Também a papoila (planta originária do ópio e da heroína), a partir de 3000 AC era cultivada na Ásia Menor. O ópio foi consumido ao longo dos tempos, chegando a gerar uma guerra entra a China e a Inglaterra no século XIX. Quanto à heroína foi registada pela farmacêutica alemã Bayer e foi utilizada como fármaco de 1898 até 1910, ironicamente como substituto não causador de dependência para a morfina e antitússico para crianças. A heroína foi proibida nos países ocidentais no início do século XX, devido aos comportamentos violentos que estimulava nos seus consumidores. Quanto ao Ecstasy, tem uma história mais recente, foi sintetizado em 1912 pelo químico alemão Anton Kollisch. Tinha a finalidade de ser usado como um redutor do apetite, mas nunca foi usado com esse propósito. Nos anos 60 foi redescoberto, sendo indicado como elevador do estado de ânimo e complemento nas psicoterapias. O seu uso recreativo surgiu nos anos 70. Em 1977 foi proibido no Reino Unido e somente em 1985 nos EUA, devido aos graves problemas que provoca. A relação do homem com as drogas provém de há muitos séculos, causando ao longo da história

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humana prejuízos incalculáveis na vida das pessoas. Importa reflectir nesses prejuízos, para que possamos aprender com os erros daqueles que, infelizmente, foram prejudicados por um vício que não conseguiram combater eficazmente. A única forma de não sermos dependentes é optando por não experimentarmos substâncias que nos podem vir a controlar.

Bibliografia: • • • •

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Stoppard, M. (2004). A Verdade Acerca das Drogas. Porto: Livraria Civilização Editora. Escohotado, A. (2004). História Elementar das Drogas. Lisboa: Antígona. Pereira, E. (1989). As Ilhas de Zargo. Funchal: Câmara Municipal do Funchal. Carneiro, H. “Bebidas alcoólicas e outras drogas na época moderna. Economia e embriaguez do século XVI ao XVIII”; www.neip.info. Disponível em: http://www.neiphenrique_historia.pdf. Consultado a 21/05/2008. http://pt.wikipedia.org/wiki/Coca%C3%ADna. Consultado a 20/05/2008. http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecstasy. Consultado a 21/05/2008. http://pt.wikipedia.org/wiki/Tabaco. Consultado a 21/05/2008. http://pt.wikipedia.org/wiki/Heroina. Consultado a 21/05/2008.

contacto srpt.sras@gov-madeira.pt


Há 500 anos… como era a alimentação na Idade Média? A COMIDA DOS CAMPONESES: A carne, valiosa e escassa, é considerada sinónimo de prosperidade e abundância. Os animais domésticos servem para trabalhar nos campos e não para comer. Consomem-se cereais como o centeio e o trigo, em forma de pães. O pão está presente em todas as refeições, sendo de vários tipos: cevada, centeio ou mesmo de castanha… A cor do pão indica a pertença a uma classe social. O pão dos pobres era feito de mistura de farinhas de vários cereais e também legumes. Nos tempos de fome procurava-se fazer pão até com palha, ou qualquer coisa que se transformasse numa espécie de farinha. O pão dos mais ricos era branco e feito com trigo de qualidade. O vinho é muito consumido: dá nutrientes, alegria e pode ser utilizado como um anestésico. A mesa de quem vivia dos produtos da terra previa também a presença de verduras e legumes. As ervas aromáticas, como o alecrim e o manjericão, assim como o azeite enriqueciam as simples refeições que estavam na base da alimentação do camponês.

Dr.ª Sónia Xavier Nutricionista Serviço de Atendimento ao Jovem Centro de Saúde do Bom Jesus

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Idade Média foi um período intermédio numa divisão esquemática da história da Europa, em quatro “eras”: a Idade Antiga, a Idade Média, a Idade Moderna e a Idade Contemporânea. A transição da Idade Média para a Era Moderna está relacionada a grandes transformações, como: • A ascensão das monarquias nacionais europeias; • O início da recuperação demográfica e económica após a Peste Negra; • O movimento da redescoberta da cultura clássica, por volta do séc. XV; • A reforma protestante, a partir de 1517. OS DESCOBRIMENTOS MARÍTIMOS: Durante o reinado de D.João I e sob o comando do Infante D.Henrique dá-se o redescobrimento da Ilha do Porto Santo por João Gonçalves Zarco (1418) e mais tarde da Ilha da Madeira, por Tristão Vaz Teixeira. Eram ilhas desabitadas que, pelo seu clima, ofereciam possibilidades de povoamento aos portugueses e reuniam condições para a exploração agrícola. Em 1424 inicia-se a colonização da Madeira. Inicialmente a Madeira exportava cedro, teixo, sanguede-dragão, anil e outros materiais tintureiros. A a partir de 1450 tornou-se um centro produtor de cereais. Com a queda na produção cerealífera o Infante D.Henrique resolve mandar plantar na Ilha da Madeira a cana-de-açúcar (rara na Europa e por isso considerada uma especiaria). Mais tarde, cerca do séc. XVII, a cultura da cana-de-açúcar iria ser promovida no Brasil, passando a Madeira a investir na exploração do vinho.

A COMIDA DOS NOBRES - O BANQUETE: Uma das representações típicas da sociedade senhoril medieval era o momento do banquete. Uma mesa cheia de comida, com diversas qualidades de carne assada, eram as refeições preferidas pelos ricos. A abstenção era sinal de humilhação e perda de valor social. A cadeira do Senhor era a mais elevada; todos os outros sentavam-se em banquinhos e eram servidos em bandejas de prata e taças de ouro. As verduras e legumes eram relegados por serem consideradas pouco digeríveis para os estômagos nobres. O mel, como adoçante, era consumido à vontade. As especiarias, raras e caras, tais como a nozmoscada, a canela a pimenta do reino, tinham uma presença importante à mesa dos nobres. Elas conservavam as carnes por mais tempo, davam maior maciez e enriqueciam o sabor dos alimentos.

A ALIMENTAÇÃO: Nestes tempos, às curtas fases de abundância seguiam-se grandes períodos de carência. A grande insegurança, precariedade e medo que cerca esta fase histórica, cria uma atitude muito particular em relação à comida. A comida é vista como um símbolo de status. Quem come tem poder e comer para quem é faminto significa acções exageradas e vorazes. Os religiosos podem comer, mas são sujeitos a auto-penitências, segundo a doutrina cristã que estigmatiza a gula entre os pecados.

A COMIDA DOS RELIGIOSOS O jejum é sinónimo de espiritualidade e misticismo. Na cultura medieval, o corpo impede a elevação para Deus, segurando os homens aos desejos e pulsões que mortificavam as almas. A carne era o primeiro alimento a ser afastado. Comer para os monges era um momento de colectividade. O almoço, rigorosamente ao meio-dia, continha legumes e sopa de verduras e mais um terceiro prato, composto, em dias alternados, por ovos, peixes e

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nobres começam a criair combinações mais lógicas e digeríveis.

queijos. Nos dias festivos faziam duas refeições. Vinho e pão nunca faltavam.

ETIQUETA MEDIEVAL: As regras para participar num banquete eram várias: • Não cuspir na mesa; • Manter as unhas cortadas e limpas; • Após espirrar limpar as mãos na própria roupa e nunca na mesa!

PEIXE: A chegada do peixe às cidades, normalmente à sexta-feira, era uma festa. Por lei, todo o peixe que sobrava era entregue aos pobres, para evitar que fosse vendido aos nobres peixe estragado. SAL: Veneza tornou-se a cidade mais rica do mundo no séc. XV quando a principal actividade dos venezianos era a exploração das salinas e o sal utilizado como moeda. O sal exaltava o sabor dos alimentos, permitia a conservação das carnes e dos peixes e era considerado um revigorante.

O GARFO: O garfo chegou à Europa através da nobreza italiana. Em 1600 era conhecido na Inglaterra, embora sendo visto como uma “afectação italiana”. Os poucos garfos existentes eram feitos de metais preciosos e serviam como objectos de luxo e ostentação. No início chamado “bi-dente”, começou por ser utilizado por mulheres, pois para os homens era um sinal de fraqueza. O sexo forte comia com as mãos e depois das refeições limpava-se em água de rosas, ou então, os cães lambiam os restos de comida que ficavam nas roupas!

CULINÁRIA: As pessoas adoravam perfumes e sabores, misturando azedos, doces e salgados. No séc. XIV, com a chegada dos primeiros livros de receitas, as famílias

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Do antigo à actualidade Carina Pinto Tãnia Sá 10º 20

Situada no cruzamento das duas avenidas, Zarco e Arriaga, na cidade do Funchal, a estátua é uma homenagem ao navegador português do século XV, João Gonçalves Zarco. A ele deveu-se a descoberta da ilha e um importante desempenho nos descobrimentos portugueses. É uma obra do escultor Francisco Franco.

História do Funchal O arquipélago da Madeira foi descoberto em 1419 e o seu povoamento surgiu nos descobrimentos do século XV. Ensaiadas culturas que imediatamente deram lucros consideráveis, como logo de início o trigo e, depois, a cana sacarina, este modelo veio a ser exportado para as novas terras atlânticas. Nos finais do século XV, com base na exploração do açúcar, a Madeira constitui-se como um centro internacional de negócios, por aqui passando uma vaga de forasteiros internacionais. A produção e distribuição do açúcar madeirense foram uma das bases de formação do capitalismo mercantil internacional da época moderna. O porto do Funchal conheceu desde logo um enorme incremento, por aí passando os interesses e os agentes económicos da nova sociedade mercantil, como foi o caso do aventureiro Cristóvão Colombo. A importância do porto do Funchal no contexto insular levou a que o pequeno burgo medieval fosse objecto de uma muito especial atenção da coroa do rei D. Manuel. Em 1486, então somente como duque de Beja, dava ordens para se construir um núcleo administrativo central. Para isso cedeu o “seu” Campo do Duque, mandando aí construir uma Câmara, com Paço e uma “Igreja Grande”, que pouco tempo depois mandou transformar em Sé, para sede do futuro Bispado. A cidade do Funchal, na Região Autónoma da Madeira, contará, a partir de Agosto de 2008, 500 anos de instituição como cidade pela coroa Portuguesa, a primeira a ser instituída nos vastos domínios dos Descobrimentos. A sua instituição atendia ao desenvolvimento operado com a florescente cultura açucareira e tinha ainda em vista separar o vasto território descoberto pelos portugueses da Ordem de Cristo.

Igreja do Colégio

Avenida Arriaga

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Esta igreja foi fundada pelos Jesuítas em 1574. É uma típica igreja jesuíta de estilo maneirista, de planta em cruz latina do século XVII. A construção da Igreja de São João Evangelista está ligada à carta de dotação e doação passada por D. Sebastião, a 20 de Agosto de 1569, à Companhia de Jesus. Por este diploma é permitida a fixação de uma comunidade Jesuíta na Madeira que deveria proceder à edificação de um Colégio, levantado em 1599, cujas instalações deveriam ser adequadas ao seu alojamento, ao ensino e a prática das funções religiosas. O Colégio e a igreja de São João Evangelista constituem o maior conjunto edificado no Funchal até ao século XIX.

Largo do Chafariz

Palácio de São Lourenço

O Largo do Chafariz, onde se pode observar os carris onde circulava o “Carro Americano” 1897-1915.

A denominação “Palácio de São Lourenço” reportase a um conjunto monumental que compreende a Fortaleza, iniciada na primeira metade do século XVI. Hoje, afecta ao Comando da Zona Militar da Madeira, é o Palácio residência Oficial do Ministro da República para a Região Autónoma da Madeira.

O hoje Largo do Chafariz, no centro do Funchal, foi conhecido antes como Largo de São Sebastião, havendo ali também uma rua do mesmo nome, nome esse dado em virtude de, naquele espaço, ter sido construída uma das mais antigas capelas da Madeira, dedicada a São Sebastião, a que os moradores do Funchal, durante quatro séculos, prestaram a mais profunda e respeitosa devoção.

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Sé Catedral

Largo da Forca. Aqui começaram por funcionar a primeira Alfândega do Funchal e as primeiras feitorias comerciais. No centro do actual Largo, de 1989, encontra-se o Pelourinho do Funchal de 1486.

Este é o ponto mais central da cidade. Foi construída entre 1493 e 1514 por Gil Eanes, possuindo um dos mais belos tectos de Portugal feito em madeira da Ilha. A beleza arquitectónica desta catedral está associada às suas linhas hispano-árabes e romano-góticas. Câmara Municipal do Funchal

O cadeiral da capela-mor, baseada no estilo flamengo, a porta principal, com linhas góticas e as peças de talha dourada do séc. XVII evidenciam algumas das características arquitectónicas do período manuelino.

Pelourinho O Pelourinho do Funchal data 1471. Aí exercia-se a execução da justiça relativa a penas menores, por açoites. A pena Capital praticava-se por enforcamento, num local afastado da cidade, situado a nordeste da Igreja do Socorro ou de S. Tiago, ainda hoje conhecido pelo

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Bazar do Povo

O Bazar do Povo nasceu em 1920. Pode dizer-se que este foi o primeiro centro comercial existente na Madeira.

Este edifício foi construído no século XVII por D. Joana de Carvalhal, passando a albergar a sede do município a partir do final do século XIX. Este edifício barroco tem uma forma quadrangular, apresentando um pátio interior e uma decoração rococó na fachada. Na fachada norte podemos observar um baixo-relevo da autoria de António Duarte, que representa o padroeiro da capital madeirense, Santiago Menor. Teatro Baltazar Dias O Teatro Baltazar Dias é a homenagem ao poeta cego da ilha da Madeira – Baltazar Dias – autor teatral da segunda metade do séc. XIX. Construído em 1888, o Teatro Municipal foi palco das mais importantes manifestações culturais na Madeira, quer em cena, quer no ecrã, já que durante muito tempo a sala foi a única a exibir filmes na Madeira.

Apesar da concorrência dos novos centros comerciais, ainda hoje o Bazar do Povo é uma referência para os madeirenses como local de compras. Banco de Portugal

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Rotunda do Infante

Este edifício, sede do Banco de Portugal na Madeira, inaugurado em 1940, foi projectado pelo arquitecto Edmundo Tavares. Porto do Funchal

Cais do Funchal

Nos finais do século XV, com base na exploração do açúcar, a Madeira constitui-se como um centro internacional de negócios e o porto do Funchal conheceu um enorme incremento. Por aí passavam os interesses e os agentes económicos da nova sociedade mercantil. A importância estratégica do porto do Funchal era reconhecida pelo almirantado Britânico nos meados do século XVIII, levando a constantes levantamentos geohidrográficos e posteriormente a duas ocupações.

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A instalação do Ensino Técnico e Profissional no Funchal lectual […] de acordo e em harmonia com a importante missão que elas são chamadas a representar na sociedade moderna. Àquele segue-se outro decreto, datado de 3 de Janeiro de 1884, da responsabilidade do ministro António Augusto de Aguiar. Os diferentes ritmos de crescimento económico e cultural nas diversas partes do nosso território condicionaram a instalação de estabelecimentos de ensino. Isso explica o tempo decorrido entre esses decretos e o momento em que o ministro, Emídio Júlio Navarro, cria, em 10 de Janeiro de 1889, a escola do Funchal com o fim de ministrar o ensino de desenho, com aplicação à indústria ou indústrias predominantes na localidade. As Escolas de Desenho Industrial tal como foram criadas estavam vocacionadas, como informa o Diário de Notícias, para o aperfeiçoamento das artes e industrias [e] progressos na produção de artefactos e do comércio correlativo. As Escolas Industriais e as de Desenho Industrial, que se diferenciam pelo conjunto de matérias dos currículos nelas ministrados, são tuteladas pela Direcção Geral de Comércio e Indústria do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria que se subdivide em duas Circunscrições: a do norte e a do sul. A Madeira integra a Circunscrição do sul. A esta Direcção Geral superintende um Inspector, entidade a quem os directores destas escolas se dirigem com mais frequência para tratar dos assuntos que dizem respeito à administração e gestão escolar. Por esta época, nas zonas urbanas em expansão, escolas há que merecem edifícios de raiz mas, em zonas de menores possibilidades económicas, condição em que se encontra a maior parte do país, as instituições escolares ocupam prédios urbanos com alguma dimensão, que o governo arrenda, geralmente a famílias nobres. Segundo o Diário de Notícias a iniciativa e o esforço de abrir uma escola de ensino industrial no Funchal deve-se a D. João de Alarcão Osório, Governador Civil deste distrito que, conhecendo a situação económico--social local, deu importância à implementação deste novo projecto de instrução na Madeira. São da sua responsabilidade, entre 5 e 13 de Janeiro de 1889, os anúncios do mesmo matutino que, coincidentes com a data do decreto de criação, tornam pública a necessidade de ser arrendada uma casa para a instalação da Escola de desenho industrial e descreve as condições de acomodação que a mesma deve apresentar (Fig. 2). Os proprietários de casas disponíveis, com as condi

Dr.ª Fátima Abreu Professora de História

D

uas razões me conduziram a uma abordagem deste tema neste número da leiasff: a primeira foi ter-me vindo ter às mãos, em fotocópia, uma documentação referente ao período da instalação do ensino industrial no Funchal1 e a segunda, a onda de comemoração dos 500 anos da elevação do Funchal a cidade. Faz sentido associá-las: o ensino técnico e profissional tal como o ensino liceal foram factores de crescimento e modernização económica e social, contribuindo para o desenvolvimento da cidade e da Região. A primeira escola vocacionada para o ensino industrial no Funchal é criada por decreto de 10 de Janeiro de 1889. A interessante documentação, atrás referida, ainda na posse da Escola Secundária Francisco Franco2, dá-nos a conhecer os primeiros anos da instituição do ensino industrial no Funchal. São dois livros de Correspondência Expedida, registos de ofícios, da última década do século XIX e início do XX, que abarcam os primeiros catorze anos lectivos -1889/1890 a 1902/03 e o primeiro período do seguinte. Estes ofícios, ordenados por assuntos, permitem conhecer o quotidiano da escola profissional aqui criada, que muitas vezes teve o seu destino incerto e estava afastada de Lisboa, grande centro de decisão. O primeiro destes livros cobre um espaço de tempo que vai de 11 de Setembro de 1889 a 25 de Agosto de 1898. Foi iniciado pelo primeiro director Cândido Pereira (Fig. 1) que, ainda muito jovem e em início de carreira, veio de Lisboa, sem garantias de permanência no lugar que vinha ocupar, com a incumbência de instalar e dirigir, pelo menos nesse primeiro momento, a Escola de Desenho Industrial, no Funchal, designada Josefa de Óbidos. O segundo livro acaba em 14 de Agosto de 1903 e o final abrange o início da direcção do professor Vitorino José dos Santos, que o seguiu. Na segunda metade do século XIX todos os governos, em Portugal e no resto da Europa, encaravam o ensino industrial como uma necessidade para o desenvolvimento das classes industriais. No país estas preocupações passaram a decreto em 1852, com o ministro Fontes Pereira de Melo. Em Janeiro de 1865, o ministro e Secretário de Estado desta pasta, defendia que as classes industriais, careciam de instrução moral e inte-

1 - Estou agradecida à professora, colega e amiga Zelinda Mendonça, que me deu a conhecer este documento. 2 - Antiga Escola Industrial e Comercial António Augusto de Aguiar. Em 1978 Liceus e Escolas Técnicas passam à designação única de Escolas Secundárias. Em 1979 o Governo da República determina que as designações das escolas secundárias das ilhas sejam fixadas pelos respectivos governos. É ainda nesse ano que o Governo Regional decide que, na região, se usassem para esse fim nomes de vultos madeirenses, pelo que cada escola deveria escolher o seu patrono. Esta escola escolheu para esse efeito o escultor madeirense Francisco Franco.

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conhecimento do ministro, foi desenhada uma planta por Joaquim António de Carvalho, Engenheiro Director das Obras Públicas do distrito do Funchal. Este prédio tem, para além do piso térreo em que estão as lojas e seis divisões, outros cinco andares tendo o primeiro oito divisões, o segundo cinco, o terceiro duas, o quarto três e o último, uma torre com mirante, segundo nos informa o inspector no seu relatório. As escolas públicas, como instituições que são, criam-se, crescem, transformam-se, mudam de lugar, de nome… Esta escola, vocacionada para o desenho, começa por chamar-se Josefa de Óbidos, em memória da célebre pintora portuguesa Josefa de Ayalla, mais conhecida pelo nome da vila de onde era natural mas, no ano lectivo de 1891/1892, já se designa António Augusto de Aguiar, nome do ministro responsável pela importante legislação do ensino industrial de 1884. A instituição e adequação das escolas depende de medidas governamentais e da força e poder de negociação dos seus responsáveis que procuram moldá-las às necessidades dos núcleos populacionais que servem. A Escola de Desenho Industrial criada no Funchal, na sequência de anteriores esforços, nasce do cruzamento dessas duas forças: do poder político que a institui e das particularidades da população que o primeiro director Cândido Pereira, já no Funchal a 24 de Agosto do ano de 1889 para proceder aos trabalhos de instalação, se esforça por dar voz. Esta escola tem um arranque difícil: por dificuldades económicas que impedem o governo central de investir com arrojo nas reformas que o próprio julga imprescindíveis ao desenvolvimento do país e por razões económicas e sociais locais que não permitem uma forte procura das aprendizagens contidas nos seus currículos. No dia 31 de Agosto de 1889 o Diário de Notícias anuncia que estão abertas as matrículas a partir do dia 10 de Setembro e informa que a escola abre no dia 1 de Outubro, o tipo de cursos ministrados e as idades que poderiam ter os alunos (Fig. 3). Assina este anúncio o mesmo inspector. O director a 11 de Setembro, através de ofício à Inspecção, informa, entre outras assuntos, que o número de alunos matriculados nessa data é de vinte e quatro. A 18 do mesmo mês anuncia novo aumento de inscritos. O mesmo matutino em 17 de Setembro salienta que já se acham matriculados na aula de Desenho alguns dos nossos artistas. É exemplo a ser seguido pelos demais, aproveitando assim o benefício que aquela instituição deve dar no futuro. No dia 26 do mesmo mês, anuncia ainda que o número de alunos excede já a lotação da escola e que os ilustrados professores resolvem em cada dia de aula dividir os alunos em dois grupos para todos poderem beneficiar das aprendizagens que vão ali receber.

Fig.1

ções indicadas, deviam apresentar as suas propostas de arrendamento até ao dia 3 de Fevereiro seguinte, na secretaria do Governo Civil. O diário nada mais informa sobre este concurso. Mas o inspector da circunscrição do sul, Francisco da Fonseca Benevides3, no seu relatório anual, diz-nos ter sido graças às diligências de Silvano Freitas Branco, residente no Funchal, pessoa considerada no Funchal, que foi encontrada a casa adequada. A nova escola é instalada na rua de Santa Maria, conforme nos informa o Diário de Notícias de 28 de Setembro que, a 3 de Outubro, em artigo de fundo sobre a inauguração, precisa a sua localização no n.º 45, porta que é hoje o n.º 73. Aquele matutino adianta ainda que fica aí provisoriamente. De facto, sabe-se, ter havido a expectativa de vir a construir-se uma escola de raiz de que se conhece plano datado de 14 de Março de 1889. A primeira escritura de arrendamento do prédio da rua de Santa Maria, com os números de polícia 44 a 46, realiza-se a 8 de Maio de 1889. A proprietária é D. Helena Abreu Acciaioly e outros com os quais é estabelecido contrato, por três anos, iniciados em Maio de 1889, com pagamento de renda semestral sendo 320$000rs anuais. Deste edifício espaçoso, provavelmente para

3. Francisco Fonseca Benevides (1836-1911). Foi professor de Física e de Hidrografia no Instituto Industrial de Lisboa, da Mecânica de Artilharia na Escola Naval de Lisboa. Em 1854 foi nomeado, por concurso, Regente da cadeira de Física do Instituto de Lisboa e Lente de Matemática e Artilharia da Escola Naval. Fez parte das Comissões encarregadas de estudar as exposições Internacional do Porto (1856) e Universal de Paris (1867). Fonseca Benevides fundou o Museu Tecnológico do Instituto Industrial de Lisboa. Em 1866 foi admitido na Academia das Ciências. Foi nomeado inspector das Escolas Industriais de Portugal em 1884, lugar que ocupou até 23 de Outubro de 1891, data em que foi exonerado a seu pedido.

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O Diário de Notícias mostra-se empenhado na promoção do ensino técnico, teórico e prático, que era objectivo da nova escola, dedicando espaço e artigos de fundo que explicam o interesse de o frequentar. A 28 de Setembro salienta o considerável número de alunos e congratula-se com esta adesão, considerando que os artistas funchalenses tomam na devida consideração um dos mais importantes elementos da sua cultura intelectual e profissional a que mais tarde deverão todos os seus triunfos no campo da arte e consequentemente o seu bem-estar social. Apesar da adesão inicial que obrigou a desdobrar os cursos de desenho em três turnos, os números referentes a matrículas, nos primeiros quinze anos de existência deste ensino no Funchal, demonstram oscilações.

cluindo a importância anteriormente recebida da Inspecção, que foi de 159$010rs. A escola é inaugurada no dia 1 de Outubro e a cerimónia merece cuidados da parte do seu responsável que, a 23 de Setembro informa à entidade tutelar ser impossível apresentar o guarda da escola devidamente uniformizado no dia da inauguração […] por não ter sido ainda recebido de Lisboa o respectivo uniforme [e] participando estar feita a lista dos convidados […]. Mas não é apenas esse o pormenor de que cuida. No destaque dado ao acontecimento, pelo Diário de Notícias de 3 de Outubro de 1889 que lhe dedica seis colunas e meia da sua primeira página, ficamos a saber que a entrada do edifício estava elegantemente adornada com escolhidas plantas e variadas flores, que muito realçavam aquele recinto. Na sala principal estava colocado um estrado aonde tomaram lugar as mais importantes entidades locais: o governador civil do distrito, o prelado diocesano e o comandante militar e outras figuras públicas do meio. A sessão é aberta, à 1h da tarde, pelo governador civil do distrito, que faz um elegantíssimo discurso, muito aplaudido, que o diário publica na íntegra. Segue-se o Director Cândido Pereira que, na intenção de não se alongar no discurso, agradece a presença do governador civil afirmando dever-se-lhe a criação dum estabelecimento de tal ordem no Funchal e mostrando-se disponível para dinamizar aquele projecto desta nova escola, com o mesmo sucesso demonstrado noutras do país. Discursa ainda o comendador Luís Ribeiro de Mendonça, secretário-geral interino do distrito, exaltando também a criação desta escola e o seu promotor. No dia 6 de Outubro o Diário de Notícias ocupa novamente algum espaço, na sua primeira página, com este assunto e descreve os modelos e demais material, no qual inclui mobiliário, com que está equipada a Escola Josefa de Óbidos, que abre as suas portas, com insuficiências mas com o possível para iniciar o seu papel na cidade do Funchal.

Alunos matriculados no ensino industrial Escola Josefa de Óbidos/Escola António Augusto de Aguiar Ano lectivo N.º de alunos 1889/1890 260 1890/1891 142* 1891/1892 72 1892/1893 45 1893/1894 148 1894/1895 123 1895/1896 123 1896/1897 118 1897/1898 70 1898/1899 66 1899/1900 55 1900/1901 77 1901/1902 76 1902/1903 88 1903/1904 112 *não corresponde ao número de alunos matriculados – 162, indicados no Relatório do mesmo ano, do inspector Francisco da Fonseca Benevides que é de 162. Escola Industrial e Comercial de António Augusto de Aguiar, Anuário do Ano Lectivo de 1944 – 1945, Tipografia Minerva, Funchal, 1945.

No dia 29 de Setembro de 1889, outro anúncio chama todos os alunos matriculados até ao dia 20 a comparecerem no dia 30, pelas 11h, na secretaria da escola a fim de receberem os bilhetes de admissão para a abertura da Escola. O edifício arrendado careceu preparação para a finalidade a que se destinava. Isso mesmo se deduz de dois ofícios do director Cândido Pereira, em resposta à Inspecção: o primeiro datado de 11 de Setembro, participando o começo dos trabalhos de reparação e o segundo, de 14 de Outubro, em que remete a conta da despesa total feita com a instalação da escola in-

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Fig. 2 – Diário de Notícias de 5 de Janeiro de 1889.

Fig. 3 – Diário de Notícias de 31 de Agosto de 1889, Anúncio.


Este trabalho que teve a finalidade de lembrar a importância da instituição do ensino industrial na nossa cidade serve também para dar a conhecer um pouco do trabalho deste primeiro director da Escola de Desenho Industrial do Funchal, de quem pouco se tem falado e de quem se sabe muito pouco. O director Cândido Pereira (1889-1903), para além do seu trabalho em prol da instituição e afirmação deste ensino, na Madeira, deixou-nos um auto-retrato a carvão, assinado, datado e com dedicatória: Cdo Pereira/ Nbro 1930 / À minha antiga e saudosa Escola, na pessoa do seu actual e ilustre director, meu querido amigo Major J. Reis Gomes, outro dos directores da Escola Industrial e Comercial desta cidade. Trabalho artístico de qualidade, que pertence ao espólio desta escola, que urge dignificar e preservar.

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Em torno do património barroco da cidade do Funchal: O Martírio de Santa Úrsula e as Onze Mil Virgens

Dra. Rita Rodrigues Professora de História da Arte

O

espírito das comemorações do Funchal 500 Anos reportou-nos para os séculos XVII e XVIII e para o corpus artístico da Cidade do Funchal, com particular ênfase para o seu património pictórico de índole religiosa que se encontra, ainda, nos locais de origem, como na Sé, no Colégio de São João Evangelista, no Convento de Santa Clara, no Recolhimento do Bom Jesus, nas igrejas de S. Pedro, do Carmo, do Socorro, do Corpo Santo, de Stª. Luzia, e em algumas capelas privadas integradas em quintas. Ressalve-se, no entanto, que muitas das obras que enriquecem as igrejas e capelas da cidade foram provenientes dos conventos extintos ou destruídos (S. Francisco, Mercês, Encarnação) e da Misericórdia. O Museu de Arte Sacra do Funchal possui, também, um excelente acervo deste período. O desenvolvimento económico ocorrido no século XVII na Ilha da Madeira, assente essencialmente na produção vinícola, e o aumento populacional possibilitaram a edificação de quintas com as suas capelas, conventos, igrejas, ermidas, altares e oratórios. As famílias nobres, detentoras de poder económico, foram as responsáveis directas pela ornamentação de tais espaços, mas também a Diocese apoiada pelas confrarias. Assim, os locais sagrados foram privilegiados por uma arte orientada pelo pathos e arte total1, sempre sob a égide da Igreja e respeitando as determinações

tridentinas no que concerne aos conceitos de decência, honestidade decoro das imagens. Este núcleo de clientela revelou-se de gosto apurado e conhecedor do moderno que se produzia nas oficinas nacionais. Para melhor compreendermos as palavras aqui escritas, observaremos o retábulo Martírio de Santa Úrsula e as onze mil virgens, obra assinada por Martim Conrado2 em 1653, hoje no Museu de Arte Sacra do Funchal3. Esta pintura é oriunda da capela da mesma invocação do Colégio, instituída pelo capitão e mercador Simão Nunes Machado e sua mulher, D. Joana Telo4. Observando as figuras representadas no Martírio

1 - Citaremos como exemplos nobres de arte total as Igrejas do Colégio e de S. Pedro e a capela das Angústias. 2 - O pintor Martim Conrado pertenceu à geração proto-barroca portuguesa da qual foram mentores Domingos da Cunha, o Cabrinha, Domingos Vieira Serrão, o Escuro, André Reinoso, Baltazar Gomes Figueira e José do Avelar Rebelo. Contemporâneo de Marcos da Cruz, Josefa D´Ayala (de Óbidos) e Bento Coelho da Silveira, por exemplo, esteve presente no tempo moderno da pintura nacional. Toda a sua obra, assinada e identificada, revela uma aprendizagem, directa ou indirecta, da pintura sevilhana. Martim Conrado trabalhou para uma larga clientela madeirense, destacando-se a família Berenguer e os padres jesuítas, entre 1640 e 1653. Estão identificadas na Madeira seis obras assinadas e pelo menos catorze atribuídas com segurança. A primeira referência a este pintor, como “insigne Pintor estrangeiro” e autor do “vistozo Retábulo” do altar mór do convento de Nª. Srª. das Mercês do Funchal (hoje desaparecido), data de 1722 e foi escrita por Henrique Henriques de Noronha, Memórias Seculares e Eclesiásticas para a composição da História da Diocese do Funchal na Ilha da Madeira (1722), Funchal, S.R.T.C. / C.E.H.A., 1996, p. 284. No entanto, a referência documental mais antiga sobre a sua actividade artística foi descoberta pelo investigador e historiador de arte Vitor Serrão, em 1999, que localizou o contrato de empreitada para a capela do Santíssimo Sacramento do claustro da Sé de Lisboa, datada de 1647: “Ao pintor Martim Comrrado de fazer oito paineis e dous quadros mais piquenos sincoenta e dous mil rs”. Arquivo da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Sé de Lisboa, Livro de Receita e Despesa de 1642-1672, fl. 38 Vº. 3 - Algumas obras do núcleo de arte portuguesa do Museu de Arte Sacra do Funchal podem ser visionadas em http://www.museuartesacrafunchal.org/intro.html. 4- Simão Nunes Machado era descendente de mercadores e casou em Machico, a 7 de Fevereiro de 1624, com D. Joana Telo de Menezes, filha de Filipe Moniz Barata (homem da governança de Machico e fidalgo escudeiro) e de D. Maria Mendonça. Do seu matrimónio nasceram três filhos: António Nunes Machado, Francisco Manuel Moniz e Maria Machado, todos menores à data do seu falecimento, por isso, a sua mulher foi obrigada a pedir autorização para assumir o papel de tutora dos filhos. Ouvidas várias testemunhas, todas abonaram a favor de D. Joana Telo por ser “molher de mtª. calidade [sic] (...) pode dar boa criassão e bom governo aos dittos filhos” (A.R.M., J.O., “Treslado do Testamento de Simão Nunes Machado”, in Inventário de Simão Nunes Machado, Cx. 9, 1645). Simão Nunes Machado faleceu a 13 de Outubro de 1645 e no seu testamento podemos ler que o casal desejava que seus corpos fossem “sepultados na capella das onze mil Virgens do Colégio da Companhia de Jesus” com as insígnias da Stª. Cª. da Misericórdia da qual eram irmãos (A.R.M., Documentos Avulso, Cx. 92, Prº. 8, fl. 3). D. Joana Telo afirmou que a

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desejados para transmitir a força de uma mensagem - conteúdo, ideia, intenção, discurso. Se por um lado, o naturalismo, essa nova forma de representar, fugindo das ambiguidades da maniera serviu um ideário religioso da igreja tridentina e contrareformada, por outro, foi a clientela, religiosa e profana, que legitimou o gosto e a novidade. A pintura passou a ser representada do natural através dos efeitos de luz de modo a captar as sensações tácteis e visuais coadunando-se com os propósitos persuasivos e propagandísticos da Igreja. O Naturalismo-realismo, de profunda inter-relação e dificilmente inteligíveis separadamente, assumiu na pintura o papel de facilitador de comunicação através do concreto e do verosímil. O realismo buscava a identidade dos corpos, dos objectos, dos materiais, não como princípio estruturante mas de visualização de uma realidade. É uma oposição às teorias que caminharam lado a lado com o humanismo e que tendiam para uma erudição: restituição intelectual e pedagógica da Antiguidade (Michel Morineau). Paralelamente, o naturalismo-tenebrismo, binómio explicativo para o combate dos excessos anti-naturalistas do Maneirismo, triunfou em Espanha com os pintores influenciados por Caravaggio, como Orazio Borgiani e Bartolomeu Cavarozzi, mas foi nas obras de Juan de Roelas, Juan Battista Maino, Juan del Castillo, Antonio Mohedano, Juan de Uceda, Francisco Varela, Ribera, Pablo Lego, Francisco de Herrera, El Viejo, Zurbarán e de Murillo que mais se evidenciou, enquanto que na pintura portuguesa surgiu na segunda década de seiscentos através da obra de Domingos da Cunha, "grande imitador do natural" (Félix da Costa Meesen, 1696). Segundo Luís de Moura Sobral, no nosso país o tenebrismo será "tímido e nunca levará às últimas consequências plásticas e ideológicas a lógica inerente à sua razão de ser: o desenho acentuará os contornos das formas e das figuras, a luz será um tanto crua como crus e vigorosos serão os traços das personagens, os fundos tendem a desaparecer"8. Ao tenebrismo está directamente conotado o tratamento de claro-escuro como marcação no suporte bidimensional de planos de luz e sombra aproximando a

Santa Úrsula e as onze mil virgens (as santas mártires, o papa5, os hunos e a própria santa Úrsula), quer ao nível do desenho, quer da representação pictórica, como no tratamento da luz, verificámos que a realidade concreta, observável e palpável, interessou à geração protobarroca, e continuará a ser prática plástica dos artistas barrocos, no que concerne à fuga dos propósitos estéticos maneiristas, demasiados intelectualizados e conceptualizados (Severo Sarduy). Assim, o naturalismo, enquanto processo e modo de representar, apresentou-se como um elemento caracterizador da pintura de seiscentos e prolongar-se-á na produção estética de setecentos. Tratou-se de uma consciência teórica, expressas já em Vicente Carducho6 e Francisco Pacheco7 e, na prática pictural, assumiu os contornos

capela estava “começada ao entrar à mão esquerda da Igreja” (16 de Junho de 1645, A.R.M., Documentos Avulso, Cx. 92, Prº. 8, fl. 13). Na verdade, a talha, a pintura e os azulejos desta capela são de uma data posterior (cerca de dez anos). O retábulo de Martim Conrado é assinado em 1653, enquanto os azulejos apresentam o ano de 1654. O Inventário do Juíz dos Orfãos confirma que o capitão Simão Nunes Machado era um homem abastado possuindo moços, escravos e vasto património. A sua actividade económica e social está bem documentada no Arquivo da Santa Casa da Misericórdia do Funchal (onde teve o cargo de Mordomo de Fora e da capela, como “irmão da primeira condição”, em 1630) e nas Vereações da Câmara Municipal do Funchal. 5 - Na cidade de Roma, Stª. Úrsula foi recebida pelo Papa Ciríaco, o qual acompanhou a comitiva na viagem de regresso a Colónia. Segundo Maria José Palla, o lugar ocupado por este papa na lenda é uma invenção tardia. A palavra e a Imagem-Ensaios sobre Gil Vicente e a pintura quinhentista, Lisboa, Editorial Estampa, 1996. Aqui, o papa encontra-se no meio de uma densa multidão e está identificado pela coroa papal (tiara tripla ou triregnum), de forma cónica e alongada na parte superior, composta por três coroas (representação dos três poderes ou três virtudes teológicas). Cfr. Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, Dicionário de Símbolos: mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números, Lisboa, Ed. Teorema, 1994, p. 645. 6 - Especialmente através da sua obra Dialogos de la Pintura (1633). Vicente Carducho (c.1568-1638) nasceu em Florença mas foi em Espanha que desenvolveu a sua arte, onde foi pintor do rei entre 1609 e 1638. 7 - A sua obra El Arte de la pintura, concluída em 1638 e publicada em 1649-póstuma, embora o pedido de edição date de 1641, influenciou as gerações protobarrocas e barrocas europeias. Francisco Pacheco nasceu em Sanlúcar de Barrameda, em 1564, e faleceu em Sevilha no ano de 1644. 8 - Luís de Moura Sobral, “Tenebrismo”, in Dicionário da arte barroca em Portugal , Lisboa, Editorial Presença, 1989, p. 479.

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representação ao (objecto) natural, por isso, enquanto técnica pictural procurava diferenciar e acentuar os contrastes de luz reforçando a solidez formal dos corpos e objectos, através do efeito de modelação lumínica. O efeito ilusório da aproximação da pintura à linguagem tridimensional da escultura é característico do realismo. Esta técnica permitiu às gerações protobarrocas e barrocas (XVII e XVIII) a realização de experiências, muito inovadoras, na captação de sensações perceptivas através da visão e do tacto. Teve a sua origem na Itália do Norte, ainda em ambientes maneiristas, sob a influência de Caravaggio, como já referimos, cujas obras circulavam no mercado espanhol como Valência, Sevilha, Madrid e Toledo, centros onde o tenebrismo encontrou um espaço fértil e aberto à sua inovação. Não podemos falar de naturalismo, realismo e tenebrismo sem referir a técnica do claro-escuro, processo utilizado pelos pintores que permitia a representação/ interpretação do fenómeno da passagem da sombra à luz (e vice-versa), cuja prática exigia a recorrência a uma modelação suavizada ou a um violento contraste de valores, por vezes, agressivo e duro. Leonardo da Vinci já tinha referido a importância da passagem da luz à sombra, mas este aspecto técnico, como meio de atingir um propósito estético barroco, foi abordado pela primeira vez por Galileu (na sua carta ao pintor L. Cigoli, 1612). O claro-escuro protoganizou as ambiências com luz directa ou indirecta, natural (exteriores), artificial, da qual foi mestre Caravaggio (velas, candeias, archotes) e sobrenatural (nos ambientes espirituais e místicos). Se o claro-escuro é o recurso técnico de representação, modelador de valores, volumes e espaços, a luz apresenta-se como elemento construtivo, de elaboração, de luz-sombra-penumbra. O claro-escuro permitiu a exploração vincada do naturalismo-realismo-tenebrismo e contribuiu para a execução de imagens decorosas, honestas, decentes. Estas intenções estilísticas estão patentes no Martírio de Santa Úrsula e as onze mil virgens de Martim Conrado, que se encontrava no local de origem (Igreja do Colégio) rematado por uma tela da Virgem e o Menino, atribuída ao mesmo pintor. Este retábulo enqua-

dra-se no espírito da Igreja da Contra-Reforma, não só pelo tema do martírio, perfeitamente adequado à piedade barroca, tratado pelo contraste entre as figuras possantes dos hunos e a fragilidade e resignação dos mártires, mas pela forma como é plasticamente trabalhado: variação modeladora de claro-escuro de modo a clarificar a vertente naturalista-tenebrista, com alguns laivos de realismo; as nuances de cromatismos “manchados”, de gosto barroquista; os sfumatos, observáveis especialmente nos fundos; os efeitos lumínicos modeladores de "profundidade"; o desenho cuidado (embora "endurecido” - ora como definidor de formas e volumes, ora mais esbatido e expressivo nas figuras do fundo que formam uma massa homogénea no quadro). Nesta tela está bem marcada a paleta de Martim Conrado: vermelhos, azuís, violáceos, acompanhados de tons e matizes suaves, cálidos e desmaiados, numa experiência cromática (e formal) de influência florentina ("reformada"). Apesar de seguir fielmente (sem invenção) a gravura de Joahannes Sadeler I segundo Peter Candid (século XVI)9, Conrado mostra, nesta pintura, conhecer bem a obra de José do Avelar Rebelo10 e do pintor florentino Giovan Battista Paggi (1554-1627)11. A lenda de Santa Úrsula e as onze mil virgens, uma extraordinária criação da hagiografia medieval, foi retomada pela igreja contra-reformada, empolgando os relatos dos martírios e promovendo o culto das relíquias pela sua acção de afectação e emoção junto dos fiéis. As histórias da vida dos santos mártires enobreciam o heroismo em prol da religião católica. A veneração e o culto de Santa Úrsula iniciou-se entre os séculos IX e XI, data que consta a atribuição nominal às santas virgens12. No entanto, remonta ao século IV a lenda do martírio desta santa e das suas companheiras. Julga-se que até ao século VIII fossem consideradas apenas as 11 virgens mártires, daí que seja quase uma incógnita o aparecimento da lenda das onze mil virgens. A atribuição, mais aceitável e plausível, do número onze mil encontra-se na leitura ou escrita de algum manuscrito onde à numeração romana onze (XI) fosse acrescentado o traço horizontal

9 - A pintura de imaginária recorreu muitas vezes a modelos gravados, no sentido de seguir esquemas iconográficos, composições e figuras. As gravuras ora pertenciam à clientela esclarecida que tinha acesso a gravados, impondo, assim, modelos aos artistas, embora estes tivessem um espaço de liberdade no que concerne às variações interpretativas e à “colagem” de imagens - recorrência a pormemores (mãos, rostos, arquitecturas) ou a mais do que uma estampa procedendo à composição de várias figuras, como à introdução de elementos novos consoante a temática do quadro-, ora às oficinas e pintores. Seguir uma estampa fielmente levantou alguns problemas aos pintores, pois muitos artistas defenderam a invenção como permissa primordial de um imaginário e remeteram para um segundo plano os que “só copiam estampas diferentes, sem adicionar nada para além das cores” (Félix da Costa). No entanto, a passagem de um desenho gravado, basicamente linear e estrutural, para uma pintura a óleo, exigia do pintor perícia e capacidades técnicas para resolver problemas na modelação de valores de forma a atingir a tridimensionalização formal (realismo e naturalismo). 10 - José do Avelar Rebelo, activo entre 1630 e 1657 (Lisboa), foi considerado “o melhor pintor que havia então em Lisboa” (1639). Pertenceu à geração protobarroca e foi pintor régio de D. João IV. 11 - Giovan Battista Paggi (1554-1627), florentino estabelecido em Génova, pertence ao grupo de pintores que contribuiu no processo de superação do Maneirismo “reformado” e na utilização de fórmulas naturalistas renovadores seguindo os pintores do final do século XVI, como Cígoli, Passignano e Sorri. 12 - As outras santas mártires são identificadas por Auta, Marta, Brittula, Gregória, Saturnina, Sambatia, Pinnosa, Sentia, Palladia, Saturia. Mais tarde acrescentaram os nomes de Clementia e Grata, aumentado para treze os nomes das santas e dificultando ainda mais o entendimento desta lenda. “Onze Mil Virgens”, In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol. XIX, Lisboa / Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia Limitada, s/d, pp. 480, 481. Outros autores indicam as santas Juliana,

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que exprime os múltiplos de mil, ou ainda, a leitura da abreviatura de mártir, representada pela letra "M" fosse interpretada por mil, cuja escrita abreviada é de igual representação. Resume-se, assim, a história de santa Úrsula:“Filha de um rei cristão da Bretanha, Úrsula é prometida em casamento a um princípe pagão. Pede três anos para reflectir e licença de peregrinação a Roma mas acompanhada por dez donzelas nobres, cada uma delas com um séquito de mil virgens. As peregrinas viajam por rio e mar, numa deriva por vezes geograficamente confusa mas cheia de piedosas peripécias, arrastando consigo bispos e dignatários, o noivo e a corte, o próprio papa Ciríaco e a sua cúria. Aportam por fim a Colónia, sendo todos massacrados pelos Hunos que sitiavam a cidade

e tinham natural sanha contra peregrinos cristãos”13. No século XII (1105-1106) e durante uns trabalhos de fortificação na cidade de Colónia, perto da Igreja de S. Cuniberto, foi encontrado um antigo cemitério romano (Ager Ursulannus) cujo número elevado de ossadas fez crer tratar-se do martírio das onze mil virgens. No entanto, dessas ossadas constavam esqueletos masculinos, o que veio a dificultar qualquer explicação hipotética do massacre de tão elevado número de santas. As ossadas masculinas foram mais tarde consideradas como pertencentes ao papa e aos condutores espirituais das virgens14. Abril de 2008

Babila e Vitória, filhas de Stª. Gerasina (prima de Santa Úrsula) e de Quinciano, rei da Sicília, como possíveis figuras deste martírio. É comum aos vários autores a figura de Stª. Auta. 13 - José Alberto Seabra Carvalho e Mª. João Vilhena Carvalho, A Espada e o Deserto, Lisboa, M.N.A.A., Abril-Setembro de 2002, p. 26 (Catálogo). Maria José Palla indica a origem da Lenda das Onze Mil Virgens num texto do final do século IX, FUIT TEMPORE PERVETUSTO, cujos episódios foram acrescentados na HISTORICA REGNUM BRITANNIAE de Geoffroy de Monmouth, embelezada por Hermann Joseph e pela abadessa Elizabeth de Schonau e tendo diversas variações como a de Jacques de Voragine em LEGENDA AUREA. Maria José Palla, ob.cit. 14 - Indica-se, por vezes, o próprio papa, que acompanharia a caravana. Jorge Campos Tavares, Dicionário de Santos - Hagiográfico, iconográfico, de atributos, de artes e profissões, de padroados, de compositores de música religiosa, Porto, Lello & Irmãos Editores, 1990, p.142.

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Emanuel Ribeiro: professor e investigador Dr.ª Rita Rodrigues Professora de História da Arte

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manuel Ribeiro foi professor na Escola Industrial António Augusto de Aguiar, hoje Escola Secundária Francisco Franco, e, por isso, deixamos aqui, num espaço próprio como é a Revista leiaSFF, um pequeno contributo para motivar futuros estudos e divulgação dos mestres, professores, artífices ou antigos alunos da nossa escola. Como docente conhecemos a sua actividade na Escola Industrial Faria de Guimarães1 , na Escola Normal para o ensino de Desenho, em Lisboa2 , e na Escola Industrial António Augusto de Aguiar, no Funchal, entre 1914 e 19173 , onde o seu nome figura documentado nos Livros de Exames como presidente de júri e como vogal nos anos lectivos que ali leccionou (1914-1915, 1915-1916 e 1916-1917)4. Emanuel Ribeiro, nome com que assina as suas obras plásticas (desenho, gravura)5 e publicações, é Emanuel Paulo Vitorino Ribeiro. Nasceu no ano de 1884, a 23 de Março, na cidade de Paris, e faleceu em 1972, com a provecta idade de 88 anos. Era filho do pintor portuense Joaquim Vitorino Ribeiro6, irmão do crítico e historiador de arte Pedro Vitorino Ribeiro7 e marido da escultora Alice de Azevedo Ribeiro8. Emanuel Ribeiro desenvolveu um conjunto de actividades em prol da investigação e divulgação da arte. Assim, encontramos diversos registos e publicações na área da poesia, etnografia, arqueologia, estudos e critica de arte, como apontamentos sobre história, desenhos e gravados. Sabemos, pela diversa informação

recolhida, que era um grande coleccionador, seguindo as caminhadas do pai, e amante das viagens culturais sobre as quais deixou algumas crónicas e relatos. A arquitectura foi a sua formação académica cujos estudos realizou na Academia Portuense de Belas Artes. A curta estada na Madeira, como docente na nossa escola, motivou a escrita de vários artigos sobre a ilha, publicados em jornais do Norte, entre 1914 e 1917, e depois copilados e editados após o seu regresso ao Continente: Palavras do Arquipélago da Madeira, Porto, Ed. Maranus, 1929 O cadeirado da Sé do Funchal, Porto, Emp. Indust.

1 - Emanuel Ribeiro foi director da Escola Industrial Faria de Guimarães tendo sido homenageado pelos professores e mestres deste estabelecimento (hoje Escola Soares dos Reis, Porto). A foto deste evento pode ser visionada em http://anjosmendes49sreis.blogspot.com/. Era director desta escola em 1929, segundo as afirmações de Cláudio de Basto (Viana do Castelo, 2 de Janeiro de 1929), preâmbulo do livro Palavras do Arquipélago da Madeira, Porto, Ed. Maranus, 1929, p. 8, nota 1. 2 - A informação sobre a docência na Escola Industrial Faria de Guimarães (Porto) e Escola Normal para o Ensino do Desenho (Lisboa) é dada por Maria Proença, “Um arquitecto da memória” – prefácio da reedição de O doce nunca amargou: Doçaria Portuguesa. História. Decoração. Receituário, Sintra, Colares Ed., 1997. Em 1920 J. Leite de Vasconcelos refere-se a Emanuel Ribeiro como “distinto Professor de uma Escola Industrial de Lisboa”, citado por Cláudio Basto no preâmbulo de Palavras do Arquipélago da Madeira. Emanuel Ribeiro em 1926 ainda está na Escola Normal para o ensino de Desenho em Lisboa, pois a publicação do seu livro Onde se leem algumas palavras de conselho, censura e estímulo aos nossos trabalhadores dos metais nobres e muito principalmente áqueles que ora se iniciam na arte indica-o como docente neste estabelecimento. 3 - http://www.ceha-madeira.net/elucidario/e/esc9.htm, 15/04/2008, 18:43h. 4 - Livros de Exames nº.s 2, 3 e 4 dos anos lectivos 1914 a 1917. A sua última assinatura data de 20/07/1917. Estas informações foram gentilmente facultadas pela nossa colega Drª. Fátima Abreu, docente de História na Escola Secundária Francisco Franco, a quem deixamos o registo do nosso agradecimento. 5 - Nas obras plásticas assina ER dentro de um rectângulo. 6 - Joaquim Vitorino Ribeiro (1849-1928), pintor portuense, foi discípulo de João Correia e Alexandre Cabanel. Segundo Fernando Pamplona foi um “Artista de boa técnica e de grande probidade, era talvez um tanto frio de expressão como se vê na sua grande tela “O martir” que se encontra actualmente no Museu Nacional Soares dos Reis (Porto). “Ribeiro, Joaquim Vitorino” in Dicionário de pintores e escultores portugueses, Vol. V, 4ª. Ed., Barcelos, Civilização Ed., 2000, p. 55. Joaquim Vitorino Ribeiro estudou em Paris, encontrando-se nesta cidade quando seu filho Emanuel Ribeiro nasceu em 1884, e as suas obras estão integradas nos acervos do Museu de Arte Contemporânea, no Museu Militar, no Palácio da Praia e Monforte (Lisboa), na Misericórdia do Porto e no Museu Nacional Soares dos Reis no núcleo da pintura portuguesa do Romantismo e Pré-Naturalismo. Esteve representado na Exposição da Academia Portuense de Belas Artes, na Sociedade Nacional de Belas Artes (Lisboa) e na Exposição de Arte no Porto, no ano de 1887. Na cidade invícta está situada a Casa Museu Vitorino Ribeiro na rua com o seu nome. 7 - De entre várias obras de Pedro Vitorino Ribeiro (1882-1944) conta-se uma dedicada a seu pai, O pintor Joaquim Vitorino Ribeiro – estudos e esbocetos I (Porto, Emp. Ind. Gráfica, 1934) mas deixamos aqui outros títulos de interesse: Litografias de João Baptista Ribeiro (1940), Engenheiros e arquitectos, desenhadores de antigas plantas do Porto (1939), Escultura Portuguesa Medieval: Nª. Srª. de Campanhã e Nª. Srª. do Rosário de Campanhã (1942), Inscrições das muralhas do Porto (1942), Os Santos patrocinadores: médicos e cirurgiões (1942). 8 - Até ao momento não foi possível situar informações sobre a actividade artística de Alice de Azevedo Ribeiro, apenas localizamos um desenho seu no livro de Emanuel Ribeiro, Considerações sobre a arte da caricatura, Porto, Estampa 1 (caricatura).

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Gráfica, 1930 Terra Nossa – Madeira, Porto, Ed. Maranus, 1936 O primeiro contacto que tivemos com Emanuel Ribeiro remonta a alguns anos quando comprámos, numa feira, um pequeno, mas delicioso, livrinho intitulado Palavras do Arquipélago da Madeira. Antes de ser impresso em forma de opúsculo, os apontamentos sobre as formas de falar madeirense foram publicados na Folha de Viana (Viana do Castelo), com o título “Em Terra Nossa”, nos números 568, 571, 580, 585 e 590, a 17 de Maio, 7 de Junho, 9 de Agosto, 13 de Setembro e 18 de Outubro, de 1916, com a concordância do seu director João da Rocha, e do redactor principal, Cláudio Basto. Foram também publicados por J. Leite de Vasconcelos na Revista Lusitana (vol. 23, 1920), depois de revistos e corrigidos. Emanuel Ribeiro testemunha que “todos os vocábulos aqui mencionados não se encontram no dicionário de Cândido de Figueiredo, edição de 1913”9, por isso, e pelo valor lexical do trabalho daquele professor, Cláudio de Basto remeteu a lista de vocábulos madeirenses directamente ao autor do Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Cândido de Figueiredo, que aproveitou o trabalho mas omitiu a sua verdadeira autoria. Assim, no preâmbulo das Palavras do Arquipélago da Madeira ficou uma advertência: “Bom será, todavia, que os dicionários futuros, no caso de se seguirem pelo dicionário de Figueiredo, não deixem de confrontar, no que diz respeito às expressões madeirenses (...) pois devido a má revisão ou a desatenção, não são raros os deslizes que no dito dicionário se topam”10. Emanuel Ribeiro explica a motivação que o levou a recolher directamente da boca do povo tais vocábulos: “Desde o primeiro dia em que desembarquei na Madeira resolvi tomar notas dos diversos e variadíssimos vocábulos que têm uso aqui e, para mim, forasteiro, formavam uma linguagem estranha e extravagante. (...) Convém confessar que êste trabalho foi levado a cabo por simples curiosidade de humilde observador que vai registando na carteira tudo aquilo que o abala com interêsse e onde encontra motivo para uns momentos de estudo agradável”11. Outra publicação de Emanuel Ribeiro é O cadeirado da Sé do Funchal, em 1930, pela Empresa Industrial Gráfica do Porto, em forma de opúsculo, depois de o ter publicado nos artigos de Terra Nossa e num capítulo do livro Terra Nossa – Madeira. O cadeirado da Sé do Funchal é ilustrado com de-

senhos do autor que coloca em análise gráfica a anatomia de cada figura individual do respectivo cadeirado, com ênfase para o borracheiro, o vilão, o cavador, e alguns animais como o cordeiro, a pomba, o veado, o dromedário, etc. Acompanha os desenhos um texto de estudo etnográfico: “(Vilão) não lhe faltando o barrete ainda em uso em 1821 e que vem representado no livro “A History of Madeira” (...) (borracheiro). Na figura observa-se perfeitamente a bota rasa, de capado, ainda presentemente em usança pela gente do campo e que tam característica é. Veste blusa prêsa à cintura tal qual alguns vinhateiros franceses do século XV, como nos é revelado pelos documentos da Colecção Gaignières”12. Por fim, Terra Nossa - Madeira, também com desenhos do autor, foi publicada pela Ed. Maranus, no Porto, em 1936. Emanuel Ribeiro, homem curioso e imbuído pelo gosto da descoberta e do estudo, descreveu estilisticamente a Catedral do Funchal, sempre com sentido crítico e observador, como conhecedor das linguagens técnicas e estéticas da arquitectura e das artes plásticas, embora carregue nas suas palavras uma crítica de pendor romântico: “Na Sé do Funchal há mais de cinquenta panos e tábuas onde o pincel do artista fêz, e, em alguns dêles, belamente, vibrar as gamas iridescentes das côres. Dos fundos escurecidos aparece-nos, por vezes, o recorte puro de figuras tocadas dum tal sentimento e vida, animadas duma tal pureza e ternura, que apenas parecem quedar-se numa estática e mística contemplação”13. Fazia, no entanto, algum secretismo dos seus achados. Referindo-se às tábuas que ornam o altar mór da Sé, afirmou que “Em uma delas julguei encontrar o soberano perfil duma personagem ilustre. Guardo, porém, para um próximo trabalho algumas detalhadas, elucidativas referências

9 - “Terra Nossa”, in Folha de Viana, nº. 568, 17 de Maio de 1916. 10 - Cláudio de Basto, preâmbulo de Palavras do Arquipélago da Madeira, Porto, Ed. Maranus, 1929, p. 12. 11 - Idem, op. cit., pp. 10-11. 12 - Emanuel Ribeiro, O cadeirado da Sé do Funchal, Porto, Emp. Indust. Gráfica, 1930, p.8. Sobre este cadeirado Cfr. Fernando Augusto da Silva (padre), A Sé Catedral do Funchal – Breve notícia histórica e descritiva, Separata do livro A Diocese do Funchal, Funchal, Ed. do Autor, Oficinas “O Jornal”, 1936; Luíza Clode, “O cadeirado da Sé do Funchal”, in Das Artes e da História da Madeira, Vol. 6, nº. 30, 1960, pp. 33-44; e Manuel Juvenal Pita Ferreira (padre), A Sé do Funchal, Funchal, Ed. da Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, 1963. 13 - Idem, Terra Nossa – Madeira, Porto, E. Maranus, 1936, 93-94.

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a êsse painel”14. Em 1936, o padre Fernando Augusto da Silva lamentava que o autor não tivesse revelado a sua dedução e que “Infelizmente não apareceu ainda a público este trabalho”15. Ainda hoje não sabemos a quem se referia o autor. Em Terra Nossa – Madeira, e nos vários capítulos dedicados à ilha, descreve as montanhas, as vegetações, os sítios, as gentes, as romarias, as tradições, os vilões e as viloas, etc., expressando uma visão peculiar sobre as realidades e vivências dos ilhéus na sua ruralidade e urbanidade próprias. Destacamos neste livro os seus desenhos16, a engraçada descrição da festa (o Natal)17 e do abalo sentido a 3 de Dezembro de 1916. Mas outras obras merecem referência. Deixamos aqui alguns exemplos: Onde se leem algumas palavras de conselho, censura e estímulo aos nossos trabalhadores dos metais nobres e muito principalmente áqueles que ora se iniciam na arte, obra editada pela Tip. Sequeira, no Porto em 1926, é um texto perfeitamente datado no que concerne à conceptualização de arte e de produção artística, mas onde as referências às obras de Émile Bayard, Baudelaire, Lalique, entre outros, indicam conhecimento sobre alguns apostolados, iniciados nos finais de XIX, que perspectivaram as problemáticas da arte moderna. Publicado pela Empresa Industrial Gráfica do Porto, o Livro íntimo – o pintor Joaquim Vitorino Ribeiro: notas de arte e amor18 é uma obra de cariz pessoal e quase intimista, pois é uma visão sobre a produção artística de seu pai onde deixa transparecer emoções, saudades, sentimentos, no entanto, o autor consigna alguns dos seus princípios acerca dos processos de representação e expressão do desenho e da pintura, sempre através da construção idílica de uma imagem: “O croquis tem a propriedade de conservar a graça anímica da improvisação e o aroma ténue daquelas frases murmuradas que valem epopeias e ultrapassam em emoção os compassos mais requintados do nosso sentimento... Todos nós possuímos meios diferentes de expressão. E, muitas vezes, cantamos, choramos, rezamos, sem música, sem lágrimas e sem palavras. E o artista pintor é nesses simples ritmos que manifesta as suas mais sentidas, profundas e íntimas evocações. (...) O croquis é o registo da fulguração que iluminou por um instante a alma de um artista. Linguagem expressiva e breve que contém a imagem relampagueante que

lhe impressionou o cérebro e que a sua mão firmou com firmeza e expontaneidade admiráveis. São dêsses improvisos os desenhos que ilustram êste “Livro íntimo”19. Quinze desenhos e pinturas da autoria de Joaquim Vitorino Ribeiro elucidam a forma representativa dos seus formalismos técnicos e preceitos estéticos. Destacamos os dois retratos de Emanuel Ribeiro, datados de 1890, quando tinha apenas seis anos: um desenho executado com aparo vulgar e tinta de escrever, muito expressivo e espontâneo, e uma pintura a óleo, mais austera e rigorosa, com laivos de certo romantismo observáveis no olhar introspectivo da criança, dentro do gosto do Naturalismo português. Este livro não tem data de impressão, mas pela leitura do texto inicial trata-se de uma homenagem ao pintor Joaquim Vitorino Ribeiro, pai do autor, que faleceu em 1928. Em O homem e a arte, (Porto, Tip. Sequeira, 1929), Emanuel Ribeiro deambula pelos conceitos que permeiam a arquitectura e a engenharia, revelando a herança do ensino (e da sua formação pessoal) das antigas academias de Belas Artes, onde a “arquitectura artística” era de evidente preocupação formal e estética no que se refere à harmonia, equilíbrio, decoração e conjugação de materiais, enquanto aos engenheiros, formados nas Escolas Politécnicas e mais pragmáticos, caberia a árdua tarefa de resolução de problemas práticos e funcionais. Deixamos aqui a visão do autor: “(...) O arquitecto, não! Trabalha mais com o coração, vive mais da luxúria da forma e os seus olhos gosam a musicalidade dos ritmos, a consonância das linhas marcadas em compassos de belesa, que não são mais que formas estáticas e sólidas. (...). Uma é pensada, a outra é sentida, e Jean-Jacques Rousseau diz-nos que “quando se começa a pensar deixa-se de sentir (...) A obra de um arquitecto é uma obra de emoção e de sentimento”20. No livro Como os nossos avós aprenderam uma profissão, Emanuel Ribeiro surge como autor da Associação dos Arqueólogos Portugueses, cuja publicação foi da responsabilidade da Ed. Apolino, Gaia, em 1930, sob a égide do Instituto de Coimbra. Esta obra, perfeitamente datada, como toda a sua bibliografia, expressa a relação entre o saber e o fazer, entre a arte e o artesanato, entre o artista e o artesão. Como já dissemos não temos a pretensão de realizar

14 - Emanuel Ribeiro, “A Catedral”, in Terra Nossa - Madeira, Porto, Edições Maranus, 1936, p. 94. 15- Fernando Augusto da Silva (padre), A Sé Catedral do Funchal – Breve notícia histórica e descritiva, Separata do livro A Diocese do Funchal, Funchal, Ed. do Autor, Oficinas “O Jornal”, 1936, p. 24. 16 - Destacamos dois desenhos: O Arco dos Varadouros (Funchal), cuja data de construção é do século XVII (1689), que foi destruído em Abril de 1911 sob pretexto de um melhoramento local. Cfr. http://www.ceha-madeira.net/elucidario/n/nos68.htm (15/04/2008, 10:18h). Emanuel Ribeiro executou o desenho possivelmente através de uma fotografia; e a Casa de Colombo. 17- Emanuel Ribeiro, Terra Nossa – Madeira, Porto, Ed. Maranus, 1936, pp. 47 e 61. 18 - Esta obra teve uma tiragem de 200 exemplares numerados, dos quais foram postos à venda os números 101 a 200. 19 - Idem, Livro íntimo – o pintor Joaquim Vitorino Ribeiro: notas de arte e amor, Porto, Emp. Ind. Gráfica, s.d, p. 8. 20 - Idem, O homem e a arte, Porto, Tip. Sequeira, 1929, pp. 16-17.

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um texto crítico sobre este autor e a sua produção artística e bibliográfica, mas o texto desta obra denuncia uma consciência social e pedagógica sobre as aprendizagens e as profissões que merece atenção. Emanuel Ribeiro refere a situação dos aprendizes, os segredos das oficinas e dos mestres, os regimentos, a extinção da “Casa dos vinte e quatro” (decreto de 7 de Maio de 1834), revelando conhecimento e reflexão (critica) sobre os procedimentos do ensino profissional: “A vida de aprendiz era servil, de humilante sujeição. Os patrões ou mestres de certas profissões tratavam-nos, por vezes, como animais. O pão que comiam era positivamente ganho com o suor do rosto. Prevalecia nêles, porém, a falsa humildade, o simulado respeito, a dissimulação e a covardia. Os mestres faziam, no entanto, o que lhes tinham já feito. Torturavam porque tinham sido torturados também; obrigavam-nos aos trabalhos penosos porque igualmente tinham calcorriado a mesma estrada do sacrifício. Porém, desta aprendizagem resultavam atrofias tenebrosas” 21. Acusa mesmo que “Certas profissões eram verdadeiros títulos de nobreza, aos quais nem a todos era dado aspirar”22, e para melhor fundamentar esta afirmação recorre ao Livro dos Regimentos dos Officiaes Mecanicos da mui nobre e sempre leal cidade de Lisboa (1572), publicado por Vergílio Correia: “Que nenhum ourives de ouro seia tam ousado que nesta cidade e seu termo ensine a escravo algum preto, nem branco, nem indio o dito oficio, nem os tenham em suas tendas, etc”23. Nas Considerações sobre a arte da caricatura, Porto, Empresa Industrial Gráfica, 1937, Emanuel Ribeiro, dentro da simplicidade e modéstia que caracterizam a sua obra, alerta logo ao leitor, na explicação prévia, que o presente texto “Não é, pois uma doutrina ou tratado, mas sòmente uma palestra leve e despretensiosa”. Constantando a falta de um estudo específico sobre a caricatura, enquanto forma de comunicar e expressar, o autor propõe algumas definições para o tema em estudo subjacente aos meios de formar, afirmando que “O caricaturista é um amplificador das anormalidades, dos grotescos, do que o indíviduo tem de marcante e pessoalista. (...) Deforma a deformação e conforma-se

com a deformidade. (...) A caricatura tende sempre para uma simplificação. Pode-se quási dizer que é um esquema fisionómico do indivíduo ou mesmo o indivíduo observado em síntese – mencionado num gráfico de estigmas de semelhança (...)”24. Aqui ficam outros títulos da autoria de Emanuel Ribeiro com as informações mais completas que conseguimos25: Literatura / Poesia: Linho (1904; esgotado), Humanos (1906), Terra! Terra! (colaboração com Feliciano Soares; esgotado), Fumo da Lareira (ilustrado com desenhos do autor, Porto, Tip. Sequeira), De Taipa e Colmo (Porto, Tip. Sequeira, s.d.). Literatura/ Prosa: Serguilha e Tormentos (crónicas ou retalhos de prosa; Porto, Tip. Sequeira, s.d). Etnografia e arte: O doce nunca amargou: alguns motivos ornamentais da doçaria portuguesa, 1923 (reeditado em 1928 com o subtítulo Doçaria Portuguesa. História. Decoração. Receituário pela Imp. da Univ. de Coimbra, e novamente em 1997 em edição póstuma, Sintra, Colares Ed., 1997, com prefácio de Maria Proença), Água fresca (apontamentos sobre olaria nacional; Porto, Tip. Sequeira, s.d.), Anatomia da cerâmica portuguesa (Coimbra, Imp. da Univ., 1927; reeditada pelo Museu de Ovar em 1985), Colectânea de notas sobre arte, La vertu de l´Osier et du Genêt (Coimbra, Imp. da Universidade, 1930), Uma notável obra de ferro forjado do século XII, Grande Seara: problemas de Arte (Porto, Emp. Ind. Gráfica, 1934), Em terra nossa (ed. ilustrada da Livraria Portugália), Periscópio (notas de arte com colaboração de seu irmão Pedro Vitorino Ribeiro), A virtude do vime e da giesta (estudo etnol. dos gigos, cestas, etc.), Idealismo e Misticismo26, A arte do papel recortado em Portugal (Coimbra, Imprensa da Universidade, 193227). Desenho e gravura: Xilogravuras (obra gravada de sua autoria), Porto, Papelaria Progresso, 1932, Da tarde de ontem à manhã de hoje – bosquejo de arte, Porto, Tip. Sequeira, 1926 (gravuras em madeira do autor). Ilustração: O querido tio Gustavo, de Maria Francisca Tereza (livro para crianças), Lisboa, Lvª. Ed. Guimarães & Cª., e desenhos de Emanuel Ribeiro (pp. 17, 40, 89, 105, 125), Em casa da avó na Ilha da Madeira, de Maria Francisca Tereza (livro para crianças), com gravuras de Emanuel Ribeiro, Lisboa, Lvª. Clássica Ed., 1922.

Abril de 2008

21 - Idem, Como os nossos avós aprenderam uma profissão, Gaia, Ed. Apolino, 1930 p. 12-13. 22 - Idem, op. cit., p.13. 23 - Este regimento foi publicado por Vergílio Correia, em 1926, editado pela Imp. da Univ de Coimbra, p. 8. 24 - Idem, Considerações sobre a arte da caricatura, Porto, Emp. Ind. Gráfica, 1937, pp. 11-12. 25 - Estas obras foram consultadas na Biblioteca Nacional de Lisboa, Biblioteca de Arte – Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e Biblioteca Pública Regional da Madeira (que apenas possuí dois títulos deste autor - Terra Nossa e a Saudade da Colina, este último publicado em Vila Verde, 1ª. Ed., 1993, logo póstuma, mas que ainda não tivémos oportunidade de consultar). 26 - Não consultamos esta obra. 27 - Conta esta edição com a tiragem de 100 exemplares, em papel de linho, numerados e rubricados. Está organizado por cidades.

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Cumpli(cidade)s Dr.ª Magda Santos Professora de Português

Não, nunca fui aluna desta escola, mas há muito que ela marca presença no meu coração. Quando pequena, pela mão dos meus pais, era aqui que, em domingo assinalado, muito solenemente, os acompanhava no depósito do voto, coisa diferente de votar (mas isso são contas de outro rosário!). Por seus enormes corredores e imensas salas, respirava-se a imposição do respeito. A saída, obrigatória pela porta principal, levava-me lenta e confiantemente, sob os abraços dos jacarandás, até à Lisbel, onde se namoravam os últimos “gritos da moda”. Dobrando a esquina, acompanhando a ribeira pelo ‘tratuário’ coberto de plátanos, descia-se até a Fernão de Ornelas, onde desde a Modelo ao Mercado se cobiçavam: sapatos, chitas, terylenes, louças, mobílias, cafés, amendoins e tudo o que de variado e mais actual as montras deixavam seduzir. Se era Verão, impunha-se a ida a um sorvete ao Sunny Bar, se era Inverno a gulosa Bola de Berlim do Apolo era mais desejada. No primeiro, sentavamo-nos na esplanada da placa central, ladeados de carros, sabendo-nos tanto o sabor do sorvete como as perícias do empregado com a bandeja no ar, atravessando a rua para chegar às mesas, ou ainda como a pachorrenta marcha dos carros de bois que iam empatando o trânsito. No Apolo, era diferente! Com sorte conseguiríamos uma mesa mais para os fundos, distante do fumo que os carros estacionados ali mesmo à porta iam deixando escapar para as primeiras mesas. Mas, fosse como fosse, aquela Bola de Berlim era sempre incomparável. Posteriormente, em passeio pelo cais tão lento quanto o dos carros de bois, apreciava-se as ondas a baterem impiedosamente nos dois lados da construção, até atingirem os muros da Avenida, de onde fustigavam alguns

casais de namorados mais distraídos. Concluída a quarta classe na Escola da Pena, e com o final da Admissão, o destino era o Ciclo Preparatório, novidade do regime, uma nova escola – a Gonçalves Zarco. Não, não ficava nos Barreiros. Nem casa própria tinha! Meninas, para o Liceu Nacional do Funchal; meninos para a Escola Industrial e Comercial do Funchal – Lesmas e Especiarias, sem qualquer possibilidade de escolha. Aos dez anos, a partir de um de Outubro, descer a Pena não oferecia qualquer perigo, mesmo sem passadeiras. Assim, entre as sete e meia e um quarto para as oito, desde o final da íngreme rua, de becos e de travessas, começava a engrossar o caudal de batas brancas das meninas e das roupas asseadas de meninos bem penteados, mais tarde substituídas pelas mini-saias atrevidas delas e pelos cabelos “à Beatles” deles. Rapazes e raparigas, apesar de juntos, formavam grupos que só esporadicamente se misturavam. Trocavam sim, clandestinamente, olhares e bilhetinhos, com alguma cumplicidade ou inveja de alguma das colegas. Rua abaixo, fizesse sol, chuva ou vento traiçoeiro, nos largos e ondulantes passeios de calçada da Pena, sem veículos sobre eles, apressava-se o passo, quase em corrida. – Cinco para as oito! No relógio pontual e frio

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Torre da Industrial. – Faz-se tarde! Os “borrachos” ficam por ali. – Até logo, à uma! Mais uns risos, mais comentários, apenas perturbados pelos assobios e piropos dos trabalhadores da novinha Fábrica das Cervejas. Atravessar a Veiga Pestana, a João de Deus ou o Campo da Barca, mesmo sem semáforos, não atrapalhava ninguém, apesar do trânsito se fazer nos dois sentidos. O perigo maior estava na escorregadia descida do Jardim. Mais um pouco, e uma rua, que se estreitava no final, permitia chegar rapidamente ao Liceu. – Uf! Oito horas em ponto na porta da sala! À uma – o rio nasce no mar – Pena acima, agora sem grandes pressas, nem se repara na Torre, o ritmo é marcado pelo reencontro ou apenas pelo estômago. Agora, as tipuanas de um verde frondoso têm tempo para ouvir segredos, abraçar declarações ou oferecer as suas rodopiantes “borboletas” em tempo de paixão primaveril. Mas nada de muitas conversas a sós, que os poucos autocarros da SAM, de São Gonçalo ou do Negus, um Datsun, um Taunus ou um Sinca, transportam sempre um olhar moralista, sempre pronto a denunciar à mãe ou ao pai o namorico da filha. É Verão! Três meses de férias, três meses de praia! Em tempo de autonomismo, a Barreirinha é a mais próxima, a mais apetecida e desejada. E mais uma vez, Pena abaixo, furando e sentindo o tapete fofo amarelo das flores das tipuanas, o relógio da Industrial não está

de férias, colabora agora no encontro ou na “combinação” – Às nove em ponto! No “banho”, embalados pelo som de “Já arranjei muito bem …” ou pelo “Calhambeque” ou por um outra música qualquer que 1$00 comprava, mergulhos e empurrões, fizesse maré cheia ou vazia, ou até nas levadias de Agosto, tudo servia para desfilar o biquini de nylon, última novidade conseguida. - Uma hora! Está na hora de arrancar! - De quando em vez, mais um 1$00 garantia um sorvete de morango. Agora, corpos quentes e ainda salgados impunham um ritmo mais lento à subida. Embora com hora marcada para chegar, atrasava-se a subida pela frente da Industrial, sem o olhar atento do relógio, pelo tapete lilás dos jacarandás arrastava-se o passo, sem túneis nem viadutos, até o imponente Prédio da Caixa. Aí, as conversas com os amigos que por lá ficavam, permitiam o folgo para trepar a Pena, diariamente, até 30 de Setembro. Hoje, o relógio da Torre, por vezes parado pelo cansaço da idade, continua a marcar o ritmo do meu coração no encontro diário de professora desta Escola. Na entrada frontal, apesar do meu carro reclamar o incómodo do mel, das flores e das “borboletas”, eu confio plenamente na sombra cúmplice dos jacarandás e tipuanas que se cruzam no meu viver e nas cores da minha cidade.

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O TURISMO E A MUDANÇA DE MENTALIDADE DOS FUNCHALENSES tes e depois desta palestra, podemos concluir que tudo decorreu superlativamente melhor do que aquilo que nós, docentes de Psicologia, perspectivamos aquando da preparação desta acção que inserimos no plano de formação da escola. Tanto da parte dos professores presentes como dos alunos - sobretudo estes - o agrado foi uma realidade evidente, devendo-se tudo isto ao tema em si, mas, sobretudo, à personalidade cativante do palestrador. Ninguém arredou pé até que se deu por terminada a sessão e todos os que acorreram a este acto formativo-lúdico, deram-se por satisfeitos pelo que ouviram e presenciaram. As ideias chave que nós consideramos mais relevantes desta acção resumem-se a estas: “sem o turismo a mentalidade dos povos não se abre”; “as culturas dos outros povos enriquecem a nossa mente, tornando-a universal e aberta”; “a existência de preconceitos são um obstáculo à abertura da mentalidade”; “Os madeirenses chegaram ao mundo antes do resto do país”; “a Madeira é um universo mental aberto ao mundo”; “a mudança de mentalidade reside na necessidade de contactar com os outros”. Este conjunto de afirmações que são perfeitamente constatáveis nas nossas gentes da capital madeirense, levam-nos a reflectir naquilo que devemos e queremos ser e, sobretudo, na forma como devemos preparar os nossos jovens para que, livres de preconceitos ou mentalidades obtusas, se perfilem nesta aldeia global em que vivemos de uma forma mais aberta e predisposta à assimilação do muito que há de bom nas outras formas culturais deste planeta que nos coube viver.

Dr. António Lopes Fonseca Professor de Psicologia

A

efeméride dos 500 anos da cidade do Funchal perspectivou, nos docentes de Psicologia da Escola Secundária de Francisco Franco, a realização de uma palestra com uma personalidade incontornável como é, obviamente, a do ExSecretário Regional do Turismo e Cultura que, pelo seu contributo e uma longa experiência no sector do turismo e cultura da nossa Região, já figura na consciência colectiva do nosso povo. Perguntar-se-á pelas razões que nortearam a nossa escolha pelo tema da “influência do turismo na mudança das mentalidades funchalenses na segunda metade do século XX”. Na realidade é inquestionável o facto de, na Madeira e, mais recentemente, no Porto Santo, o turismo ser um factor essencial que tem vindo a condicionar a forma de ser e de estar das nossas gentes. Sendo o Funchal o centro nevrálgico das formas de pensar de todo o arquipélago, uma eventual mudança de mentalidade dos funchalenses, por influência do turismo, tem, consequentemente, repercussões em todo o povo da nossa Região. Aliás, este tema é um manancial de oportunidades para que, no futuro próximo, se façam estudos no sentido de apurar o quanto o turismo tem feito pela abertura da mentalidade das nossas gentes! Analisando à distância as expectativas criadas an-

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A simbologia da cidade do Funchal marca da cidade, até agora conhecida, existe num selo, incluído num livro da Misericórdia do Funchal, datado de 1547, que nos fala do açúcar, tornado base da sua economia. Como podemos perceber isso? Porque os elementos estilizados e ordenados, no campo do escudo são: o açúcar, representado por cinco pães-de-açúcar e a planta que o produz, representada por duas plantas de cana-sacarina. Como se vê a importância desse produto para a economia da cidade e da ilha marcou de forma indelével a simbologia da cidade onde está duplamente representado: pela planta, a partir da qual é produzido e pelo pão, que é o produto final, a verdadeira riqueza que atraiu tantos estrangeiros ao negócio, alguns dos quais permaneceram na ilha. O pão-de-açúcar, forma como o produto era exportado, resultava da cristalização e purificação conseguida por um processo industrial rudimentar de esprema em que o suco da cana era deitado em formas cónicas de barro, com um pequeno orifício no vértice, por onde vertia toda a humidade.

Dr.ª Urânia Maria Pita Gaspar Dr.ª Maria de Fátima Vieira de Abreu Professoras de História

Brazão/ Bandeira da cidade do Funchal, 1936

As comemorações dos 500 anos do Funchal como cidade motivam uma chamada de atenção para os seus símbolos: o brasão e a bandeira. Os grupos humanos tiveram desde tempos muito recuados necessidade de uma identificação que procuraram entre os aspectos caracterizadores da personalidade colectiva. No início do século XV, o povoado formado no lugar que recebeu o nome de Funchal, tornado vila em 1451 e cidade em 1508, no curso da sua organização sentiu igualmente essa necessidade. A identificação e representação de personalidades singulares ou colectivas dependeu do poder régio e foi regulada, primeiro, por D. João I, sendo em tempo de D. Afonso V criada uma nova função, o rei-de-armas “Portugal”, encarregado de ordenar os brasões de família e de cidades e vilas. A Heráldica, área do saber que se ocupa dos símbolos ou marcas, classifica de brasão a representação simplificada e simbólica dos elementos caracterizadores dos aglomerados populacionais ou de famílias, ordenados num plano delimitado designado escudo. Estes símbolos são fontes de história porque as representações iconográficas têm um determinado significado sócio-económico, político, religioso ou outros. O escudo é, num conjunto heráldico, a parte onde se colocam os elementos representativos de maior relevo, na família ou colectividade que representam.

Forma e Pão-de-açúcar CMF, Núcleo Museológico do Açúcar

As representações das armas da cidade identificadas entre 1547 e a actualidade permitem definir dois períodos distintos na sua evolução: o das armas antigas e o das armas novas. O primeiro período estende-se durante vários séculos, do XVI às primeiras décadas do XX. Num tempo tão longo seria impossível não haver mudanças. Reunidas cronologicamente muitas representações permitiram identificar no brasão da cidade as características que se tornam permanentes em cada um destes séculos. Assim no século XVI o escudo é simples e contém cinco pães-de-açúcar em cruz e duas canas entremeadas.

O Funchal teve, desde cedo os seus símbolos, concedidos com os seus forais e privilégios, mas não chegaram até nós os dos primeiros tempos. A mais recuada

O século XVII é caracterizado por alguma confusão na representação das formas cónicas que, de vértice

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para cima significam pão-de-açúcar e, de vértice para baixo, a forma em que ele é produzido. As armas da cidade no século XVIII têm os cinco pães-de-açúcar em cruz no campo do escudo, tal como no século XVI, mas as duas canas passam para o exterior, ladeando-o e, em meados do século, quando o vinho se Selo de chapa, 1574 ARM, Misericórdia Funchal. L.º 40 torna um a base da economia da ilha, dá-se a substituição de uma das canas por uma vide com parras e uvas.

Salva de Prata, início do século XVII. CMF, Núcleo Museológico do Açúcar

Pedra de Armas, 1758. CMF, Núcleo Museológico do Açúcar

aceite e aprovado pela Comissão Administrativa da Câmara Municipal, em 6 de Fevereiro de 1936, foi fixado na Portaria n.º 8:392, de 24 de Março de 1936 que define a nova simbologia do município:

do

Do século XIX às primeiras décadas do XX o período é de estabilidade. Os brasões são rematados por coroas de nobreza e ladeando o escudo, à direita ou à esquerda, vinha e cana. A forma dos escudos podia variar dentro das regras estabelecidas.

Varanda em ferro, 1844. Quinta do Vale Formoso

Armas: de verde, com cinco pães-de-açúcar de ouro realçados em espiral e com base de púrpura, postos em cruz, acantonados por quatro cachos de uvas de ouro sustidos e folhados do mesmo metal, cada cacho carregado por uma quina de azul carregada de cinco besantes de prata, em aspa. Coroa Mural de prata de cinco torres. Listel branco com os dizeres: “Cidade do Funchal”, de negro. Bandeira: quarteada de quatro peças de amarelo e quatro de púrpura. Cordões e borlas de ouro e de púrpura. Lança e haste douradas. Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres “Câmara Municipal do Funchal”

As armas novas resultaram das orientações da Circular do Ministério do Interior, de 14 de Abril de 1930, do Estado Novo portanto, que dão determinações precisas sobre os diversos esforços a realizar pelas autarquias do país, no sentido de serem recolhidas todas as informações existentes sobre as armas antigas de cada município, seguindo opinião emitida pela Secção de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses sobre a desorganização existente no país, nesta matéria. Aquela entidade foi encarregada de elaborar parecer detalhado e realizar o novo projecto. Este processo não foi logo realizado. Verifica-se um espaço de cerca de cinco anos entre o seguimento dado pela Câmara Municipal do Funchal às determinações daquela circular e a recepção do novo projecto que, depois de

leiaSFF 51


O autor do projecto e parecer esclarece o significado das cores. Como as peças das armas são de ouro e de púrpura, a bandeira é de amarelo que corresponde ao ouro e de púrpura. (...) O campo das armas é de verde, esmalte que na heráldica simboliza a água do mar, sendo portanto a cor própria para o campo das armas da capital de uma ilha. O verde, em heráldica, significa a fé e a esperança. O ouro dos pães-de-açúcar, dos cachos e do sustido e folhado dos mesmos, significa heraldicamente nobreza, fidelidade, constância e poder. A púrpura da base dos pães e do realçado em espiral do mesmo, denota heraldicamente opulência riqueza. O azul das quinas significa zelo, lealdade e caridade e a prata dos besantes, humildade e riqueza1.

rificara nas épocas anteriores, mas é a partir da década de trinta do século XX que as armas novas da cidade, realizadas em suportes diversos: pedra, ferro, metais nobres, madeira, cerâmica, couro e outros materiais aparecem em maior profusão.

As bandeiras da cidade não foram sempre como a conhecemos hoje. Tal como os brasões, as bandeiras também passaram por mudanças ocasionadas por razões políticas. Não conhecemos as primeiras bandeiras da cidade, apenas temos conhecimento das que existiram a partir do século XIX. A primeira, da monarquia absoluta, por uma representação em pintura, era branca, com o brasão da cidade, as outras três, por existirem ainda exemplares na Câmara Municipal do Funchal. A azul e branca da monarquia constitucional, usada a partir de 1834, apresenta de um lado as armas municipais e do outro as nacionais, a verde e vermelha da república, com as armas da cidade, usada em 1910 e outra branca, também tem pintadas nas duas faces apenas as armas da cidade, foi usada do 1919 a 1936.

As armas da cidade aparecem, também, muitas vezes associadas à imagem de entidades privadas, sobretudo funchalenses, mas não só. São vários os exemplos ou referências deste facto, a Associação Co-

A regularização dos símbolos trouxe uma nova bandeira que foi içada nos Paços do Concelho e em todos os edifícios municipais, em sessão solene de comemoração dos dez anos da revolução do 28 de Maio2, que instituiu a ditadura no país. A Câmara Municipal do Funchal, na reunião ordinária de 31 de Julho de 1986, decidiu reintegrar, no listel branco, os títulos honoríficos A NOBRE e LEAL desaparecidos na grande alteração de 1930, que produziu as novas armas da cidade com o argumento de que teriam sido retirados numa atitude de retaliação do governo de Salazar, pela revolta da Madeira de 4 de Abril de 1931. Estes argumentos não foram até agora sustentados por documentos.

Timbre da CMF, após 1986

Pedra de armas, 1945 Torre da Câmara Municipal do Funchal

mercial e Industrial do Funchal, a Aliança Madeirense, Companhia Seguradora, a Olaria Funchalense e a Fosforeira Portugueza, entre muitos outros nos quais se incluem várias marcas de vinhos. Para finalizar deixamos como desafio aos que lerem este trabalho a busca pela cidade das muitas representações das armas da cidade do Funchal.

As armas da cidade estão presentes por toda a parte no espaço urbano. As antigas e as novas. Elas foram usadas pelo próprio município em organismos e edifícios públicos na sua dependência, definindo a pertença de instalações e equipamentos de serviços municipais, em algum mobiliário da cidade e constituem uma forma de sinalização, de afirmação, autoria e posse da edilidade e do poder autárquico. Esta necessidade já se ve-

Caixa de Fósforos

1 - Parecer de Afonso de Dornelas, SHAAP, Acta n.º 12, 20 de Dezembro de 1935, fl. 12. 2 - CMF, Lº 22, Vereações (1936), 14 de Maio de 1936, fl. 99ª.

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A adolescência na cidade importância fundamental. É nesta fase que, devido ao desenvolvimento de estruturas afectivas e cognitivas, se estabelecem relações muito para além da família (com amigos, com o emprego e formação…), e se procura descobrir e aperfeiçoar talentos. O modo como se manifestam estes movimentos é um indicador de saúde mental. Assim, a intervenção do psicólogo com adolescentes envolve a avaliação dos vários domínios da vida destes, tais como as formas como ocupa os espaços públicos, os locais preferidos para estar com os amigos, o tipo de relações que estabelece, a sua participação social e política, ou seja, a sua ligação com as pessoas e com as infra-estruturas da comunidade. Todavia, esta avaliação baseia-se nos discursos que o adolescente nos faz sobre as suas experiências de vida. Quando um adolescente nos fala, por exemplo, da sua vizinhança – a cidade não é a mesma para todos - não diz respeito ao psicólogo avaliar se a narrativa de vida corresponde fielmente à realidade, se ele está a ser sincero ou não (é também isto que nos distingue dos sociólogos). Trata-se de ajudar o adolescente a compreender o outro, o significado das relações que com ele estabelece e a importância que lhes atribui. Este processo de consciência de si e do ambiente, assim como o desenvolvimento dos talentos, é melhor conseguido à medida que se pertence a vários grupos e se desempenha diferentes papéis, em diversos contextos (de amigo, do desporto, de Caminheiro nos Escoteiros…). São exemplos, experiências de se estar a tomar o jeito em tocar um instrumento musical numa sociedade de bairro e descobrir-se que se gosta pouco, ou se não é suficientemente competente noutra actividade qualquer, em outro contexto. Assim, o adolescente pode ir sabendo quem é e o que lhe convém. Esta procura de um sentido para a existência, minimamente coerente, faz-se tendo à sua disposição uma rede de infra-estruturas (de saúde, desportivas, culturais…), de apoio aos jovens e às suas famílias, com vista ao adolescente realizar o eu desejável. Porém, se os adolescentes são diferentes uns dos outros pela sua personalidade, separa-os também o acesso aos recursos económicos, sociais e culturais que a cidade apresenta. Também é tarefa do psicólogo conhecer esses recursos e ajudar o adolescente a usufruir deles, de acordo com a pessoa que é e as necessidades que tem, de modo a contribuir para que as diferenças pessoais, dentro do possível, não se manifestem em desigualdades sociais.

Dr.ª Cristina Simões Psicóloga

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uando se avista do Miradouro do Pináculo, a cidade do Funchal parece suspensa entre o ar e a água. Há um manto difuso que a cobre. Seguindo pelo velho caminho em direcção ao centro, o colorido ténue da paisagem dá lugar ao negrume e à aspereza do basalto, cortado pela suavidade da cal das fachadas das casas. De súbito, sob o sol, cola-se-nos à pele uma película fina de água morna. O corpo dilata-se e arrefece, num recanto mais sombrio. Mas a humidade na pele, agora fria, permanece. A ser o nosso lugar, aquando do regresso desejado, a cidade do Funchal tem o poder de ligar as partes fragmentadas da vida. Tal como todos os amores têm essa capacidade de unir tudo e dar-lhes sentido. Um pedaço de rua, um canto de um parque, os muros da Avenida do Mar ainda hoje escolhidos por grupos de jovens estão marcados pela memória, pelo afecto. Ou talvez não. Depende do modo como cada um vive a cidade e se identifica com os espaços e com as pessoas. Mas em qualquer situação, o lugar onde vivemos, tem o poder de determinar a nossa vida, as nossas rotinas, as pessoas com quem nos relacionamos, os serviços que usufruímos. No fundo, uma série de condições que todos escolheram para viver uma cidade, esperando encontrar - um modo de viver bem e de realizar aspirações. Para a Psicologia estas questões da organização da cidade são importantes, tal como qualquer outra localidade que o indivíduo habite, porque este constrói a sua personalidade na interacção com os recursos que o ambiente oferece. Surpreendentemente, para muitos, foi um psicanalista de formação freudiana, Erik Erikson, que fez a ligação entre o modo como cada um de nós pensa, sente e age, e os contextos sociais em que estamos inseridos. Na sua teoria do desenvolvimento psicossocial, introduz pela primeira vez, na década de 50, nas ciências humanas, o conceito de identidade, situando-o na adolescência. Sendo de difícil descrição, a identidade pode ser entendida como o conjunto de características que nos definem como o homem ou mulher que somos, ou que pretendemos ser. É, por isso, resultante de um processo contínuo que se estrutura em permanente relação com os outros e com as instituições, mas é na adolescência que tem uma

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A acção humana e o valor de uma consciência ecológica Dr. Carlos N. Santos Professor de Filosofia

tats de vida humana, animal e vegetal. A O.N.U., a UNESCO e muitos Estados, procuram dizer que estão sensibilizados para a possibilidade real de o Planeta e muitas das suas condições de vida estarem em causa neste momento. Desenrolam-se iniciativas para contribuir para um triénio com lemas como, “Ano Internacional de Alerta Para Defesa do Planeta”. O grupo de Filosofia coincidiu com esta dinâmica de sensibilização, contribuindo na semana entre 21 a 24 de Abril, com a projecção do filme “ Uma Verdade Inconveniente” de Davis Guggenheim e com Al Gore, com a divulgação de alguma informação e dados estatísticos sobre este tema e, finalmente, com uma palestra, por Hélder Spínola, presidente nacional da associação ambiental “Quercus”. Parece que o tempo futuro, em termos de sinais visíveis e negativos, não está para se fazer esperar. Os dados já recolhidos e estudados, por parte da comunidade científica, assim o alertam e informam. As próprias pessoas, em todo o Planeta, começam a senti-lo. A defesa do Planeta parece que se irá tornar um desafio de todos e para todos. Será e é um exemplo da possibilidade de uma consciência não só individual, mas universal de humanidade e da vida no seu todo. Está aí, necessariamente, a Causa Verde, Ambiental.

Actualmente, pode-se pensar a acção humana sem se reconhecer o valor de uma consciência ecológica, ambiental? O planeta, o seu ecossistema, o seu equilíbrio em termos de natureza, não está a ser posto em risco pelos efeitos, pelas consequências da poluição que contribui para o aquecimento global (a emissão de gases, como o CO2, com o respectivo “efeito estufa”), pela desflorestação desmedida (15 milhões de hectares/ano), por um crescimento exponencial da população humana (1950-2.556 mil milhões; actualmente, 6.649 mil milhões; previsão para 2025, de 9.346 mil milhões), e a consequente necessidade de mais recursos naturais para a manter e a sustentar? Não é surpreendente que exista uma lista com 29.372 espécies de animais e 12.043 de plantas em risco? Deste total, 16.306 estão ameaçadas de extinção e que haja 65 espécies que só se pode encontrar em cativeiro ou cultivadas? Estes são alguns dados/referência importantes para um desafio à nossa inteligência racional, na nossa relação com a vida do planeta, quer presente, quer futura. Começamos a ficar impressionados com a real possibilidade de estarmos a contribuir decisivamente para uma alteração do clima, das estações do ano tal como as conhecemos, numa eliminação de certas condições essenciais para haver habi-

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Em período de comemoração dos 500 anos do Funchal, a leiaSFF sugere obras inspiradas na nossa cidade.

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A minha cidade - Funchal Sandrina Sardinha CEF - Técnico de Contabilidade, 11º29

Ema Vanessa Sargo Correia CEF - Técnico de Contabilidade, 11º29

À minha volta está tudo tão mudado, Nem senti o tempo a passar. Como a minha cidade está tão bonita, É aqui que quero estar.

Oh! Minha cidade! Já passaram 500 anos após a tua descoberta És a minha preciosidade E continuas esbelta.

Olhando para esta magnífica paisagem, Sinto-me leve, como este fresco ar. Barcos grandes, barcos pequenos, Vêm um pouco de todo o mundo para este lugar.

Oh! Minha cidade! A tua paisagem tão linda É verde e variada Cada espaço me encanta De verdade E deixas as visitas Maravilhadas!

Há pessoas que têm inveja de mim, Por morar numa ilha pequena e acolhedora, Onde há uma natureza encantadora, Que me acolhe com toda a ternura.

Oh! Minha cidade! Deram-te o nome de Funchal Porque havia muito funcho divinal És a cidade do momento E estarás sempre no meu pensamento...

Laura Sousa CEF - Técnico de Contabilidade, 11º29

Cidade, Feliz Aniversário! Completaste os teus 500 anos, Neles muito nos ofereceste, Do teu interior e exterior. Cidade, a liberdade que nos dás! Percorrê-la ponta a ponta, Oh, não é nenhum cansaço, É, antes de mais, um prazer Viajar nesta grande cidade! Cidade! Brilham os teus sítios, Tua paisagem, teus monumentos, Tuas cores, teu espaço. E, assim, és observada... Sentada num banco no fundo do cais, Vejo a minha linda cidade Olhando para trás E vejo diferença do meu antigo cais.

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A cidade do Funchal Manuel Gonçalves, O Feiticeiro do Norte

A entrada da cidade onde fizeram o cais, à direita está o Pilar onde botam os sinais. À frente vai o caminho do porto atravessado, que vai ter direito à praça, ao açougue e ao mercado. À esquerda ‘sta linda obra (‘sta feita à vontade minha) basta ela ter o nome praça da nossa Rainha. Avante tem cinco fontes mesmo pela natureza; em cima delas está Palácio da Fortaleza. Está muito bem construído com as suas bocas ao mar; é aqui a residência do Comando Militar. À direita as Obras Públicas onde há senhores de bem, mas trabalhos do Estado bem poucos o Norte tem. Mais avante está o Passeio colocado mesmo em frente, onde se vê a passear muita pessoa decente. À esquerda está o jardim que é o recreio do Funchal, foi feito pela Senhora Câmara Municipal. Na frente tem o Teatro na mesma localidade, é um edifício bonito que dá importância à cidade. À direita está a Sé, a casa da oração, onde a gente vai orar p´ra tratar da salvação. A igreja é nossa mãe na portuguesa nação. Está em frente do Passeio esta bela Catedral, mais adiante se encontra o Banco de Portugal… Entre as casas do Estado e da Câmara Municipal, há outras mais importantes do comércio do Funchal O primeiro negociante que é homem muito feliz, tem a sua casa em frente do Largo do Chafariz. O nome deste senhor, deste nobre cidadão,

está escrito em sua casa num renque de guarnição. Sabemos na nossa ilha, sabem todos em geral, que é a “Casa Portuguesa” a “Grandela” do Funchal. Nos seus enormes depósitos tem força de capitais, de fazendas estrangeiras e também nacionais, desde o pano cru do pobre até aos finos diagonais. E quem comprar nesta casa pode ter toda a certeza que encontra fazenda fina de extrema baratesa; é p´lo pessoal tratado com toda a delicadeza, quer seja pessoa nobre ou quer seja camponesa. É por isso que esta casa com enorme freguesia, armazéns e pessoal aumenta de dia a dia. E então centos d´adelos, que correm a ilha inteira, fornecem-se n´esta casa, a primeira da Madeira. Temos o “Bazar do Povo”, poucos passos adiante… loja de quinquilherias é esta a mais importante. Entrar no estab´lecimento tão belamente sortido é, sim, da gente ficar mesmo com queixo caído. E pela escada-caracol, quem subir ao outro andar é que vê maquinismos tudo ali a funcionar: máquinas de tirar retratos, outras máquinas de cortar, umas de imprimir livros e outras de perfurar. Artigos ali em depósito não se pode numerar. P´ra se poder descrever o que ali vai em cabedal era preciso um bom livro muito maior c’ um missal. É, assim, o “Bazar do Povo” o que mais fregueses tem porque vende mais barato servindo a todos bem. Nunca havíamos de pensar dentro da nossa cidade haver iluminação por meio d´electricidade, que hoje está funcionando com rica claridade!

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Até o povo do Norte está todo mais contente, devido à Senhora Câmara e ao ilustre presidente. Câmaras assim, meus senhores, com boa administração, tendo bons vereadores importância à ilha dão e ganho aos trabalhadores. E as freguesias visinhas ficam com maior valor; São Pedro e Santa Luzia e Santa Maria Maior e as outras freguesias que lhe ficam ao redor… E ainda não falámos num jardim de maravilha, que é a floresta do Monte a Sintra da nossa ilha; o Monte está num jardim, tem ali belos recreios com calçadinhas bem feitas, com bancadas e passeios. Até o largo da Fonte, onde está Nossa Senhora, foi transformada de novo, ficando mais belo agora. Mas a esta freguesia o que lhe dá maior valor é a simpática companhia do Comboio-Elevador. Meus senhores, na verdade, aquilo é um grande invento! Estar a gente na cidade e ir ao Monte num momento! Foi p´ra nossa ilha inteira um grande melhoramento! Tem toda a nossa Madeira muito encanto e boniteza tanto em muitas obras d’ arte como nas da Natureza. Medidas pelos antigos, por gente de entendimento: tem nove léguas de largo, dezoito de comprimento. Eu quero lá explicar; os senhores notem bem: freguesias quarenta e oito que a nossa Madeira tem; todas as quarenta e oito por elas eu já passei; o norte apenas tem doze e o Sul tem trinta e seis. O mais alto desta ilha é a montanha mui forte, é o alto do Pico Ruivo que divide o Sul do Norte. Agora vou terminar que julgo não ser preciso dizer mais, p´ra demonstrar, que a Madeira é um paraíso.


Curso Tecnológico de Multimédia 10º ano, Disciplina de Desenho B

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Palavras Cruzadas Horizontais: 3. Águas passadas não os movem. 5. Quem bebe e canta o seu espanta. 6. Está guardado para quem o há-de comer. 7. A cavalo dado não se olha a ele. 10. Quem os tem de vidro não deve atirar pedras aos do vizinho. 12. O gato tem sete. 13. A mostarda chegou ao dele. 15. A vindima é até ao lavar deles. 17. Faz a tua a tua seara onde ela canta. 18. Por morrer uma não acaba a Primavera. 19. Pô-lo à frente dos bois. 21. Confirma a regra. 25. As do mundo eram sete. 27. Quem brinca com ele, queima-se. 29. É assim o dia na loja quando o patrão está fora. 30. Por ela morre o peixe. Verticais: 1. Pior que o soneto. 2. À noite são todos pardos. 4. É melhor do que mal acompanhado. 8. Quem semeia ventos, colhe-as. 9. Não há fome que não dê nela. 11. Para bom entendedor, meia basta. 14. Tarde ou nunca se endireita quem assim nasce. 16. Não é com ele que se apanham moscas. 20. Eles são-no para as ocasiões. 22. Vozes de burro não chegam aí. 23. Grão a grão enche a galinha. 24. Em terra de cegos, quem o tem é rei. 26. É fogo que arde sem se ver. 28. Quem o não quer ser, não lhe veste a pele.

Adivinhas Nunca sou o que pareço Sou sempre pretensiosa Faço pensar e confesso Gosto de ser misteriosa!... Eu sou a rosa sem cheiro E também não tenho Espinhos Existo no mundo inteiro Para ajudar os caminhos!... Logo desde o seu nascer Come bem e muito corre Mas se lhe dão de beber Logo num instante morre!... Entre tudo o que conhece Procure ter a certeza Pensando o que lhe parece Qual a coisa que mais pesa?...

Só a tenho quando a tiro Não tenho sem a tirar Tiro-a quando prefiro Para com ela ficar!... Não se apanha nem se vê Mas ouve-se e até se sente Às vezes não sei porquê Incomoda muita gente Diga sem ser muito esperto Nem se armar em caracol Quantos lados tem ao certo Uma bola de futebol

Soluções: 1. Adivinha; 2. Rosa dos ventos; 3. Fogo; 4. Balança; 5. Fotografia; 6. Vento; 7.Dois, o de dentro e o de fora.

Sudoku

http://www.lusilinha.com/LazerAdivinhas.htm

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