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LIVRO - Pelos caminhos da vida (mod. 05 - final)

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Ivo Andrez Horta Fonseca

Pelos caminhos

da vida Pequena história do Ivo: profissional, do Andrez: familiar, do Véio: íntimos, tio Dedê: sobrinhos e do Vovô Ivo: netos


INDICE Prefácio ..........................................................................................................5 Capítulo 1. A Decisão ....................................................................................7 Capítulo 2.ComoTudo Aconteceu................................................................10 Capítulo 3.OTratamento..............................................................................13 Capítulo 4.Minha Origem............................................................................17 Capítulo 5.A Vida nas Fazendas.....................................................................20 Capítulo 6.A Vida no Interior.........................................................................27 Capítulo 7.A Mudança para BH.....................................................................38 Capítulo 8.O Primeiro Emprego...................................................................41 Capítulo 9. A Faculdade..............................................................................43 Capítulo 10.A Vida na Cidade Grande ..........................................................46 Capítulo 11. Uma Longa História no BDMG....................................50 Capítulo 12. Do Namoro ao Casamento.................................................54 Capítulo 13. Lua de Mel ............................................................................57 Capítulo 14.A Vida a dois..............................................................................59 Capítulo 15.Os Filhos...................................................................................62 Capítulo 16.Os Netos ....................................................................................67 Capítulo 17.A Casa em Lagoa Santa .............................................................70 Capítulo 18. Conhecendo um pouco deste Mundão................................74 Capítulo 19. A Aposentadoria.....................................................................79 Capítulo 20. Os Percalços da Vida ..................................................................82 Capítulo 21. A Pandemia Mundial.........................................................88 Capítulo 22.Surpresa e o Sentimento de Gratidão e Saudade..........................91 Capítulo 23. Meu Galo – Não poderia esquecer.....................................94 Capítulo 24.Neste Mundo“Malouco”,todo cuidado é Pouco............................98

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PELOS CAMINHOS DA VIDA

Prefácio 4


PREFÁCIO

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o dia que recebi a notícia do diagnóstico do meu pai, me senti no dever de lhe escrever algumas palavras que refletissem um pouco do que estava sentindo naquele momento. Na minha breve mensagem para ele, enviada pelo celular, recordo de dizer que que sentia confiança. Sentia valentia. E sentia gratidão. Confiança de que tudo que ele estava enfrentando não passaria de um susto. Uma voz que vinha de dentro, proveniente do meu espírito, me dizia que nada de mal aconteceria com ele. Me senti valente. Pensava que, se fosse a vontade de Deus e de suas Leis, eu deveria enfrentar tudo com cabeça erguida, afinal como filho mais velho eu teria uma missão pela frente na família. E junto a tudo isso, senti muita gratidão por tudo que já havíamos vivido juntos. Pensava que, se ele partisse, eu não teria nada para me arrepender, pois desfrutei e desfruto muito da sua companhia, da sua amizade e seu do amor. Então só me restariam as lembranças boas, e meu pai continuaria vivendo nelas… E o que podemos extrair dessa experiência? Estou aprendendo que nada nesta vida é por acaso. Deus fala conosco o tempo todo, através das suas leis e da sua Criação. Precisamos tentar entender o que Deus está querendo nos dizer. Se eu pudesse tentar adivinhar o que Deus está querendo lhe dizer, Pai, seria mais ou menos o seguinte: - Curta os seus próximos vinte anos como se fossem os primeiros vinte… - Desfrute muito da companhia dos filhos, dos netos e da família… - Viaje, conheça lugares novos… - Curta Lagoa Santa sem pressa de ir embora… - Se permita tomar um vinho ou uma cervejinha numa segunda-feira, se der vontade… - Viva a vida de forma leve, sem muita cobrança… - Não existe nada caro; caro é aquilo que não conseguimos comprar ou que não damos valor… - Faça atividade física, ouça música, dance se der vontade. - Tenha fé, em Deus e em si mesmo, seja valente, e seja grato por tudo que construiu nessa vida - E por fim, aproveite o seu tempo livre para escrever um livro com suas memórias. E aqui está o livro! Um presente do “seu Ivo”, “Andrez”, “Dedê”, ou apenas “véio”, para os íntimos. Um presente para que as futuras gerações possam

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PELOS CAMINHOS DA VIDA

conhecer um pouco da história desse homem simples, honesto, que criou uma família linda e que deixa estampado nestas páginas um legado de bem para os seus filhos, netos e todas as pessoas que tiveram e têm o prazer de conviver com ele.” Frederico A. Fonseca

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Capítulo 1

A Decisão

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PELOS CAMINHOS DA VIDA

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ideia de relatar a minha história de vida em um livro surgiu no dia 31 de outubro de 2021, depois de completar 77 anos e passar por mais um susto em relação à minha saúde. Nesta mesma época, estava relendo o livro “Confesso que Vivi” - Memórias, de Pablo Neruda, o que me inspirou ainda mais. Estava só, fazendo bicicleta e ouvindo músicas no meu radinho de pilha (eterno companheiro nos jogos do Galo), enquanto aguardava o noticiário esportivo da Itatiaia, e uma delas me chamou a atenção. A música era “Sujeito de Sorte”, de Belchior: “Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte Porque apesar de (muito moço), me sinto são e salvo e forte E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do meu lado...”

Quando eu percebi que a vida, de uma hora para outra, poderia deixar de existir, tomei a decisão de relatar um pouco da minha passagem por este mundo. A minha intenção era dar conhecimento aos meus familiares, sobretudo aos meus netos e netas, bisnetos e amigos, de quem eu fui, como vivi e o que construí, mas a minha ideia maior foi ocupar um pouco o meu tempo com algo útil que me fizesse desviar o foco da doença que acabara de descobrir. Como dizem: “a vida é uma passagem e feita de muitos ciclos”. Basta estar vivo e tudo pode acontecer. A vida e a morte não nos pertencem. Não sabemos quando, onde e como. Só sabemos que um dia vamos partir. Mas para onde? Infelizmente ninguém sabe responder. Por isso que o Gonzaguinha dizia: “ninguém quer a morte, só saúde e sorte”. Então temos que valorizar a vida, pois ela “é bonita, é bonita e é bonita”! Então temos que “viver e não ter vergonha de ser feliz”. Viver a vida e as novas experiências. A vida apresenta para a gente momentos inesperados, que fogem ao nosso controle, e temos que ter força para superá-los. Já superei vários. Não será uma doença dessas que vai me derrubar. Esta luta será mais uma que vencerei, pois ainda tenho muito a realizar, aproveitar, contribuir e participar. Nossa Senhora do Belo Ramo está sempre me protegendo, nunca me abandonou. Dizem que tenho um bom coração, e homens de bom coração Deus não tem pressa de levar (e eu também não tenho pressa de ir embora). Iniciei em novembro de 2021 o tratamento de um câncer no intestino, já retirado por meio de uma bem-sucedida cirurgia. O meu avô Gabriel Fonseca

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CAPÍTULO 1 - A DECISÃO

foi o primeiro a ter essa doença e, como naquela época a medicina ainda não era tão avançada, ele faleceu com a “doença da barriga”, como diziam na época. Depois o meu pai também contraiu a mesma doença, operou e só veio a falecer aos 85 anos, mas por outro motivo. Para ser sincero, por esta eu não esperava. Notícia dura, mas fazer o quê? Nunca pensei e nem imaginei que um dia teria essa doença, mesmo com a questão da hereditariedade, pois tenho sempre cuidado da saúde. Quando era mais jovem tinha um enorme medo da doença. Até passei a contribuir para Hospital Mario Penna e depois para o Hospital da Baleia e também com O Instituto Mineiro de Prevenção e Assistência ao Câncer, além de outras instituições sociais para as quais contribuo até hoje. Mas agora, mais maduro, aceitei com tranquilidade. Faz parte, assim é a vida.

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Capítulo 2

Como tudo aconteceu 10


CAPÍTULO 2 - COMO TUDO ACONTECEU

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onsidero-me muito cuidadoso com a saúde. Sempre fiz os meus check-ups conforme prescreve o meu plano de saúde. Tenho tudo controlado em meu computador, em um arquivo com o nome “Saúde”, onde salvo todos os exames, dados de cirurgias e os resultados das “ias”: endoscopias, colonoscopias, ultrassonografias, tomografias, cintilografias, ecografias, radiografias, etc. Ao longo dos últimos anos, venho sempre reclamado do excesso de gases. Fiz a primeira colonoscopia em 2010 e, em seguida, 2015 e 2020, esta última em 18 de dezembro. Também fiz endoscopia em 2009 que acusou uma gastrite, repetida em 2020 acusando o mesmo resultado. Esta gastrite, em parte, explicava os excessos dos desconfortos intestinais. Mas nos últimos anos a coisa foi se agravando e em 2021 passei a sentir dores abdominais que foram se intensificando, mas que também eram justificadas pelos médicos pelos tais gases. Os exames todos realizados em uma empresa especializada na área, indicada pelo meu plano de saúde. Na oportunidade, fiz um alerta a eles de que no primeiro exame realizado em outro local o médico me disse da dificuldade em realizá-lo devido às aderências já existentes na minha parede abdominal (fiz uma cirurgia exploratória em 1989). Mas, segundo eles, isto não era problema. No último exame realizado, no final de 2020, o resultado mais uma vez não apresentou nada significativo, mas com a alegação de que o intestino estava em condições de preparo insuficientes, porém não impeditivas para sua realização. Na minha avaliação deveriam ter recomendado repetir o exame ao invés de concluir pela não existência de nada maligno. Infelizmente, não foi assim. Em meados de 2021, decidi procurar médicos especializados na área. O primeiro me deu antibióticos, ou seja, buscava tratar a gastrite. Isto em função do resultado da colonoscopia que não acusou anormalidades. O segundo também me deu remédio para a gastrite. O terceiro decidiu pedir uma bateria de exames de sangue. Como o resultado do hemograma apresentou uma leve anemia, segundo ele eu poderia estar perdendo sangue. Então decidiu pedir o exame de sangue oculto. Não deu outra! Resultado positivo. Dei continuidade aos meus exames e em uma tomografia realizada veio o resultado que ninguém desejava: suspeita de câncer de intestino. Decidi imediatamente fazer nova colonoscopia, com um especialista na área e indicado pelo meu genro Bruno, o Dr. Breno Xaia. E o resultado foi confirmado: neoplasia maligna do cólon. Mas, não me assustei; fiquei tranquilo e parti logo para a solução. Imediatamente, depois de conversar com o médico, decidi fazer a

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cirurgia pela via robótica, por ser menos invasiva. A cirurgia foi feita no dia 21/10/2021, uma quinta-feira, com início às 14 horas. Tudo durou umas 8 horas, fora o período de preparo que também foi demorado. Só cheguei ao apartamento no dia seguinte, ainda meio tonto e com dificuldade de achar posição na cama. Apesar de menos invasiva, a cirurgia robótica me deu cinco novas perfurações de 2 cm cada em minha barriga, do lado esquerdo, e um corte de 7 cm bem abaixo do umbigo, para introdução das pinças do robô e retirada de parte do intestino. No entanto, tive uma excelente recuperação. Nem eu estava acreditando. Já no domingo fui autorizado a voltar para casa. A colectomia, ou seja, a remoção parcial do intestino grosso (cólon) e tecidos próximos comprometidos e linfadenectomia (retirada dos linfonodos próximos para serem investigados) foram realizadas retirando um segmento do intestino medindo 22,5 cm de comprimento e 6,5 cm de maior diâmetro ao nível do ceco. O adenocarcinoma foi localizado no cólon direito, medindo 2,8 x 2,0 cm. Depois da cirurgia me foi recomendada a aplicação de 30 injeções de anticoagulante, que eu mesmo apliquei, ora na perna e ora na barriga. É importante destacar que no Hospital Orizonti, onde operei, tive uma excelente recepção e uma atenção que ainda não tinha visto em outros hospitais, por onde já havia passado. Pelo que notei os enfermeiros (as) e outros atendentes dão aos internos uma atenção especial, com muita dedicação e carinho.Destacando, ainda, que o hospital é extremamente moderno, bem equipado e conta com uma equipe nova e também com profissionais experientes. Mas não foi só este o contratempo que eu e a Angela, minha esposa, tivemos. Durante a nossa vida muitas adversidades surgiram, como poderão ver mais à frente. Felizmente, nos saímos bem em todas elas. Não perdemos nenhuma luta, sempre saímos vencedores. E assim continuaremos, pois quem planta o bem colhe o bem.

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Capítulo 3

O Tratamento 13


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ntes de iniciar o tratamento, tive que consultar um oncologista, o Dr. Alexandre, indicado pelo Dr. Breno, que me pediu uma série de exames. Após avaliação do meu quadro, decidiu-se pelo tratamento de quimioterapia adjuvante com o esquema FOLFOX (cada duas aplicações conta-se um ciclo); foram seis ciclos a cada quatorze dias (ou seja, doze aplicações), em razão de tratar-se de um adenocarcinoma classificado como de estágio III. O estágio do câncer é a descrição de quanto ele já espalhou pelo corpo (geralmente de I a IV). Todas as aplicações foram precedidas de uma rápida avaliação médica, após examinar o resultado dos exames. Foi-me recomendada ainda a colocação de um cateter (tubo fino colocado na veia) para facilitar o tratamento, pois a medicação era aplicada por meio dele. De volta ao Orizonti, no dia 12 de novembro de 2021, o cateter foi implantado no meu peito. Além da avaliação médica, durante todo o tratamento recebia também a visita de nutricionistas que me apresentaram o Plano de Cuidado Nutricional, com orientações gerais sobre os alimentos que deveriam ser consumidos e evitados de forma a se manter uma boa alimentação e reduzir os efeitos colaterais. Realizei a primeira sessão de quimio no dia 16/11/21, vinte e cinco dias depois da realização da cirurgia, na Clínica Oncomed, no Barro Preto. Fiquei impressionado com a quantidade de pessoas em tratamento, de todas as idades, raças e credos, e também com o tratamento afetuoso dos médicos, enfermeiros e outros atendentes a todos ali presentes. Tive que ter muita paciência, pois as sessões eram demoradas. Inicialmente chegava ao local por volta de 9:30 horas e saía normalmente às 14:30 horas. Depois passei a chegar às 12:30 horas e sair às 18 horas. E ainda continuava o tratamento em casa. Por quarenta e seis horas tinha que usar uma pequena bolsa na altura da cintura, onde havia um dispositivo descartável (infusor) que permitia a administração do medicamento em domicílio. Depois de concluída a medicação, voltava à clínica para retirar a bolsa. A quimio tem muitos efeitos colaterais. Na primeira semana após receber a medicação sentia muita fraqueza, cansaço, perda do apetite e do paladar. Tinha dificuldade principalmente com tudo gelado e, sobretudo tonturas com as vistas escurecendo e a sensação de desmaio ou perda do equilíbrio. Tinha que me apoiar nas paredes para não cair. Tinha que beber de dois a três litros de líquidos diariamente, para ajudar na eliminação dos medicamentos. O corpo só pedia cama. Além disso, os

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CAPÍTULO 3 - O TRATAMENTO

remédios alteravam até a minha voz, tinha dificuldades para falar. De vez em quando a voz falhava. A minha língua também era afetada e ficava esbranquiçada, dolorida, e com muito desconforto ao engolir. Para complicar, não conseguia dormir direito porque o medicamento provocava formigamento, dormência e sensação de choque nas mãos, o que tecnicamente denominam neuropatia periférica. Era um dorme e acorda durante quase toda à noite. A diarreia era uma constante, sobretudo nas primeiras aplicações, estabilizando somente depois da sexta sessão. O tratamento é muito agressivo e cansativo. Depois que passei a tomar um medicamento para eliminar o fungo que apareceu em minha língua o problema nas mãos passou a ser constante. Não podia ter contato nem com a água que incomodava. Gelado então era pior. Incomodava demais. Certo dia, depois da 8ª aplicação, acordei caído no corredor e com a Angela tentando me levantar. Não sei o que aconteceu. Não me vi levantando da cama e nem caindo. Acho que estava meio sonolento ou dormindo e levantei para ir ao banheiro. Desmaiei e cai. Não vi nada. Perdi totalmente a consciência. Levantei meio tonto e fui dormir novamente. No outro dia notei um “galo” na cabeça e que quando sentava doía o “bumbum”, ou seja, cai de bunda. Na 9ª aplicação, após realizar os exames, foi detectado o baixo número de plaquetas no sangue, o que fez com que o médico adiasse por mais sete dias o tratamento. No exame de sangue seguinte foi a redução dos leucócitos que, mais uma vez, provocou o adiamento da aplicação. Com a imunidade baixa, não podia ficar saindo de casa, pois qualquer gripe e/ou infecção poderiam agravar a minha situação. Com isto, fiquei praticamente durante todo o tratamento sem sair de casa, a não ser para ir para Lagoa Santa. Lá também não saía. No dia 04/04 concretizei mais uma etapa, com redução da dosagem de um dos medicamentos, o mais agressivo. Os sintomas foram menores. O médico continuou reduzindo a dosagem do medicamento e passei a sentir menos alguns dos seus efeitos. Para a 10ª sessão, o Dr. Alexandre pediu exames de CEA e o de C19. 9, o primeiro para verificar se ainda existia o câncer e o segundo para identificar se havia metástase em algum órgão no corpo. O primeiro tinha dado 35 ng/mL e neste exame o resultado foi de 2,1ng/mL. O segundo repetiu o resultado feito anteriormente, igual a 4 U/ml, cofirmando mais uma vez que não existe metástase. Ou seja, resultados excelentes. As duas últimas aplicações seguiram os protocolos anteriores até chegar o

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tão esperado dia – 23 de maio de 2022. Ufa!!! Que satisfação e que alegria. Foi um dia muito importante. Era o final de mais uma etapa vencida. Por isso, lá na clínica os pacientes que terminam o tratamento tocam um sino para anunciar a todos a sua vitória! Comigo não foi diferente. Emocionado, fiz o agradecimento a todos que direta ou indiretamente tiveram participação na minha recuperação. Presenteei a todos com uma pequena recordação pela atenção e pelo carinho com que me trataram. Bati o sino, recebi aplausos de todos os presentes e dei por encerrado mais este capítulo da minha história. Considero-me um vitorioso e agora sinto que é o momento de comemorar, agradecer a Deus e aproveitar ainda mais a vida, tomando minhas cervejinhas e cachacinhas, acompanhadas de uma linguiçinha com mandioca e “torresmo de barriga” nos finais de semana em Lagoa Santa com a família e os amigos. Agradeço a todos estes que também tiveram papel importante na minha recuperação, me ligando, passando mensagens e/ou orando para me dar força para vencer mais esta batalha. Mas estão pensando que terminou? Nada!!! Agora tenho que fazer o acompanhamento mensal e, depois, trimestral e semestral, passando para um controle anual até concluir os cinco anos. O lado bom dessa experiência está agora estampado, em forma de recordação, nas páginas deste livro que deixo de presente para todos que, de uma forma ou de outra, fizeram e ainda fazem parte da minha vida. Sem dúvida o incentivo do meu filho mais velho e o principalmente com o apoio de Deus e de todos que fazem parte de minha vida foram fundamentais para despertar a minha a consciência e a minha memória para transcrever parte da minha pequena história até aqui vivida com muita alegria.

“Os mais fortes são aqueles que enfrentam as partes mais sombrias de suas vidas com coragem, aceitação, amorosidade e entrega. E experimentam a vida florescendo de maneira esplêndida. Enfrente os seus medos, e tudo valerá a pena”. Autor desconhecido

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Capítulo 4

Minha Origem 17


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eu pai, Sinval Fonseca, nasceu no Serro, em 23/11/1916, filho de Gabriel e Julita, a “Dinha”, para os mais novos da família. Meu pai estudou no Serro, mas fez apenas o curso primário. Deu um duro danado na vida. Trabalhou bastante e fez de tudo um pouco: foi fazendeiro, motorista de taxi, vendedor de carros, vendedor de material esmaltado, montou uma fábrica de sandálias havaianas, foi dono de um botequim na Rua dos Carijós e, finalmente, criador de canários do reino ou belga (Canaril Fonseca), participando de diversos concursos e ganhando muitos prêmios. Faleceu com 85 anos, depois de uma queda, onde conseguiu se recuperar em parte, mas depois foi contaminado por uma infecção hospitalar e não resistiu. Minha mãe, também nascida no Serro, em 04/08/1919, estudou o primário na cidade natal e fez magistratura na cidade de Barbacena. Lecionou pouco tempo no Serro e depois foi ser fazendeira e dona de casa. Nisso ela se deu muito bem, pois era muito criteriosa, exigente, muito exigente mesmo. Era muito boa na produção das quitandas (biscoitos de polvilho e rosquinhas, etc.) e em fazer doces (goiabada, laranja, figo e de leite). Cuidou, com muito carinho, e orientou os filhos e depois as filhas. Sempre acompanhando tudo de perto. Em agosto de 2021, completou 102 anos e continuava fazendo sozinha todas as atividades diárias. Evidentemente que a cabeça já não era boa, mas era impressionante a sua vitalidade. Mas com a ajuda dela e das família consegui montar esta minha árvore genealógica:

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Bisavós: Gabriel Fonseca

Bisavós: Júlia Araujo Fonseca

Avós: Gabriel Araujo Fonseca

Bisavós: Francisco Antonio Vieira

Avós: Julita Vieira Fonseca

Pai: Sinval Fonseca

Bisavós: Julita Damasceno Vieira

Bisavós: Genuína Vieira Horta

IVO ANDREZ HORTA FONSECA

Bisavós: José Rocha Freire

Avós: Levindo Silveira Horta

Bisavós: Joaquina Nunes

Avós: Doralice Nunes Horta

Mãe: Maria Alaíde Nunes Horta

Bisavós: José Nunes Ávila e Silva


PELOS CAMINHOS DA VIDA

Capítulo 5

A Vida nas Fazendas 20


CAPÍTULO 5 - A VIDA NAS FAZENDAS

5.1. Fazenda do Rosado – Um mundo longe de tudo e de todos

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asci no dia 1º de outubro de 1944, exatamente ao meio dia, segundo a minha mãe, na fazenda do Rosado, quando ela estava fazendo suas tradicionais quitandas. Segundo ela, quando a parteira chegou, eu já havia nascido. Fui registrado e também batizado no distrito de Santo Antonio do Rio do Peixe, hoje Alvorada de Minas, bem próximo à cidade do Serro. Foi ali, numa enorme fazenda, pertencente ao meu avô Gabriel, que comecei a minha caminhada pela vida. Fiquei ali até próximo dos cinco ou seis anos, quando a fazenda foi vendida e tivemos que mudar para outro local. Lembro-me muito bem do enorme casarão, estilo colonial, como era antigamente, do enorme curral principal logo em frente à varanda, com cinco coqueiros enfileirados (um deles já quebrado). O curral principal é onde ficava toda a boiada para distribuir nos pastos, onde havia as pastagens para o gado comer. Ao lado esquerdo da casa havia uma porteira de chegada do Serro ou de Alvorada, e outra porteira de saída para a fazenda do tio Nenrod. Logo à frente uma porteira para outro pasto e uma terceira à direita, que dava acesso à casa do Teobaldo e de sua mulher Terezinha, local aonde íamos, de vez em quando, passear e buscar mexerica. Teobaldo era o principal ajudante do meu pai, gente boa para “caramba”. Viveu muitos anos. A última vez que o vi foi na casa da Dinha em BH, já bem velhinho. Na casa tinham uns seis ou oito quartos, não me lembro do número certo. A cozinha com fogão à lenha e logo abaixo o forno de barro, onde minha mãe fazia suas quitandas. A horta era próxima à cozinha e tinha uma enorme variedade de hortaliças. Tudo cultivado de maneira orgânica. Um enorme pomar com muitos pés de laranja, mexerica, goiaba, figo, jambo, araçá, dentre outras. Não me lembro se tinha manga e jabuticaba. Logo na entrada da fazenda vindo do Serro ou Alvorada havia uma enorme plantação de bananas, que era utilizada para a nossa alimentação, fabricação de doces e também para tratar dos porcos. A vida na fazenda era dura, muito difícil e trabalhosa. Uma rotina danada. De vez em quando nascia um bezerro ou morria uma vaca. E as atividades começavam sempre muito cedo: lá pelas cinco da manhã as vacas eram recolhidas para se tirar o leite, ou seja, fazer a ordenha. O processo era todo manual. O leite era colhido nos baldes e colocado nos tambores

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para coalhar e depois colocavam a massa nas formas para fazer o queijo. Em seguida, salgavam (sal grosso em cima do queijo) e, alguns dias depois tiravam da forma e colocava para curar. Quando o pessoal estava tirando leite eu gostava de tomá-lo quentinho saindo diretamente da fonte. Mas o primeiro leite tirado era sempre para consumo diário. Ia diretamente para o fogão à lenha, para ferver. Daí era só colocar algo para complementar; farinha, para fazer o mingau e depois rapadura e/ou queijo picado para fazer a primeira refeição do dia. Era o nosso café da manhã. Além disso, para variar, tinham ainda as gemadas. Não podia esquecer os remédios: Biotônico Fontoura e Emulsão Scott. Este era ruim demais. Mas tinha que tomar à força. As vacas, depois da ordenha, eram soltas nos pastos e todos os dias à tardinha os bezerros eram recolhidos para não mamar o leite produzido durante a noite. Tinha ainda que tratar de todos os animais, bois, vacas, cavalos, porcos e galinhas. Tudo isto era feito à luz do dia. Naquela época não havia luz elétrica e nem água encanada, apenas luz de lamparina a querosene e água em uma bica próxima. Na fazenda plantava-se de tudo: milho, arroz, feijão, mandioca, banana, entre outros, pois para adquirir os produtos tinha que ir à cidade para comprá-los. Para transportar a produção eram utilizados os carros de boi, com dois, quatro ou até seis deles atrelados. Para tudo isso, meu pai contava com os ajudantes, pessoas muito simples que moravam em pequenas casas de barro e sapé em diversos locais na fazenda. Foi no curral, em frente ao casarão, que sofri o meu primeiro acidente. Ainda criança, talvez 5 anos, fui ajudar o meu pai a separar os bezerros e um deles foi tentar passar por mim e tentei impedi-lo. Resultado: ele me derrubou e ainda pisou no meu olho, que ficou todo roxo. Como não havia médico na região meus pais colocaram picumã (acúmulo de fuligem da cinza na chaminé do fogão à lenha) sobre ele para desinflamar. E não é que deu certo? Melhorou! Lembro ainda que quando íamos visitar o tio Nenrod passávamos a cavalo em uma mata onde havia muitos macacos, que davam medo, pois começavam a gritar e a nos seguir. Mas, felizmente, não atacavam. Já ia me esquecendo, na fazenda tinham muitos cachorros, que meu pai falava que eram da raça americana. Os cachorros além de protegerem a casa eram utilizados nas caçadas, que meu pai fazia todos os domingos, para matar veados, somente para tirar o couro e deixá-los comer a carne. E

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CAPÍTULO 5 - A VIDA NAS FAZENDAS

como tinha couro sobre os colchões! Quando chegava sempre falava que tinha matado dois ou três e deixava os cachorros comerem. 5.2. Fazenda do Nonô 5.2.1. Quase Tudo Muito Igual Quando o meu avô vendeu a fazenda do Rosado, segundo soube, para fazer o casamento de minha tia mais nova, tia Lucy, meu pai teve que mudar do local para entregá-la. A alternativa foi arranjar uma fazenda próxima para transferir tudo. Foi quando ele alugou a fazenda do Nonô de Duzita, bem próxima a Alvorada de Minas. Quando nos mudamos, acho que eu tinha seis anos. A fazenda era muito parecida com a outra, mas acho que um pouco menor e com uma parreira em toda a varanda. Na frente do curral principal, um pouco íngreme, e na entrada à esquerda, no alto, um grande paiol, onde se guardava o milho (e como tinha rato). No local onde se tirava o leite, tinha um cocho para tratar dos porcos. Quando queríamos pescar, sujávamos a água do córrego que passava dentro do chiqueiro e lá colocávamos um jequi (peça apropriada para pescar) com canjiquinha para atrair os peixes. Quando o tirávamos da água estava cheio de lambaris e também de mandis. Aí era só limpar, fritar e comer. Além da casa principal tinha um enorme engenho onde se moía a cana de açúcar para fazer a rapadura, num enorme tacho sobre a fornalha à lenha, na parte mais baixa. Neste local, o canarinho chapinha (para nós eram os cabeçinha de fogo) gostavam de fazer os seus ninhos. Apaixonei por estes bichinhos e fazia tudo para pegá-los e colocar na gaiola. Cheguei a criá-los no viveiro e a soltar ou dar para amigos. Hoje as cidades já estão cheias deles. Acho um barato. Mas o mais gostoso no engenho era na época da moagem da cana, tomar aquele copão de garapa (caldo de cana) e provar o melaço que dá o ponto da rapadura. Que delícia! E olha só, muitas vezes era a gente que mexia a pá no tacho com o melaço borbulhando e tirava o ponto da rapadura. Um enorme perigo, mas enfim, o perigo sempre fez parte de nossa vida enquanto crianças. À frente do curral principal, na saída para Alvorada de Minas tinha um moinho, onde se fazia o fubá e a canjiquinha. Vivia cheio de canarinhos chapinhas. E como tinha canarinhos! E também papa capins, pois ali era farta a comida. Quando abríamos a porta voavam para todos os lados. Lembro-me de ter matado um papa capim que estava chocando num pé de araçá, mas foi sem querer. Toquei-o do ninho e joguei uma pedra só

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para assustar, mas a pedra pegou nele e o bichinho caiu morto e, o pior, tinha dois ou três ovinhos no ninho. Fiquei arrependido, mas já era tarde. Uma das porteiras da fazenda dava saída para a fazendinha do Dalvo (filho do Nonô), onde havia um pequeno riacho, onde costumávamos também brincar e onde meu pai, de vez em quando, pescava umas traíras. Os pastos eram separados por cercas de arame. Ao passar debaixo de uma delas cortei a cabeça e a marca ficou para sempre. Foi também descendo uma pequena escada para o local onde minha mãe fazia suas quitandas, logo abaixo da cozinha, que escorreguei e bati a testa na madeira que sustentava o forno de barro e, como consequência, mais uma marca na testa. Nessa fazenda, a atividade principal continuava sendo a fabricação de queijo. Os queijos produzidos eram acumulados até serem levados de caminhão para o Serro e depois, juntamente com o de outros produtores, eram vendidos para os comerciantes do mercado central de Belo Horizonte. Lá também não havia luz elétrica. Eram usadas lamparinas, mas já havia algo mais moderno, ou seja, um lampião da marca Aladim, com camisinha de náilon, que queimava com certa facilidade se não controlasse o calor. Já para ter acesso às notícias meu pai comprou um rádio daqueles grandes, com uma enorme bateria e uma longa antena. É por ele que acessávamos a rádio Nacional para escutar primeiro a novela de Jerônimo, o herói do sertão e, depois, as notícias do país. Nas duas fazendas tinham galinheiros bem grandes para proteger as galinhas contra as raposas, que de vez em quando apareciam. Eram muitas galinhas e galos. Estes de vez em quando se pegavam e se não os separasse brigavam até a morte, pois eram da raça índia. De vez em quando apareciam galinhas com um bando de pintinhos, pois botavam e chocavam no mato. Sempre ficava atento quando as galinhas cacarejavam após botar os ovos, pois gostava de pegar o ovo quentinho, furar um pequeno buraco na casca e tomá-lo cru. Gosto meio esquisito, mas tomei o primeiro, gostei e continuei tomando. Nas fazendas não havia banheiros. O banho era na bica ou na bacia. O vaso sanitário era de madeira no formato de um quadrado com um buraco no meio e ficava em uma casinha próxima, com a água da bica passando por baixo. Nunca tivemos, eu e meu irmão Ivan, muitos brinquedos. Também

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CAPÍTULO 5 - A VIDA NAS FAZENDAS

não tinha ano novo nem ano velho. Por lá nunca passou o tal de Papai Noel. Acho que era longe demais. Lembro apenas de um velocípede e de uma galinha que botava ovos. A brincadeira era com sabugo de milho e/ ou chuchu, quebrando o sabugo e fazendo deles bois, vacas e bezerros ou colocando pés e chifres nos chuchus. Outra brincadeira era andar de cavalo de pau; tiravam os cabos das vassouras para serem nossos animais. De vez em quando brincávamos até com escorpiões. Certa vez apareceu um tatu perto do paiol. Achamos que ele caiu do barranco ao lado e passamos a cuidar dele. Fez o seu buraco no barranco e foi ficando por ali. Quando queríamos vê-lo, e brincar com ele, puxávamos ele pelo rabo. Era muito difícil tirá-lo de lá. Mas de vez em quando conseguíamos. Não lembro o que foi feito dele. Acho que o soltamos. A fazenda até hoje pertence aos filhos do Nonô que frequentam constantemente o Serro e estão sempre presentes por lá. 5.2.2. O Início da Convivência Social Como a fazenda era bem próxima a Alvorada de Minas, minha mãe nos matriculou no grupo local. Para chegar até o grupo era uma distância de 30 km. Íamos diariamente, montados em nossos cavalos e quase sempre com os meninos dos agregados nos acompanhando a pé. Eu no Alazão e Ivan no Macaco. Deixávamos os cavalos na casa do “Butica”, um conhecido do meu pai, até o final das aulas. De lá íamos a pé até a escola – era perto e na mesma rua. Quando íamos pelo rio deixávamos na pensão que havia na parte baixa da cidade e subíamos o morro até a escola. Lembro-me bem da escola, tudo muito simples. As cadeiras de madeira onde podiam sentar até dois alunos, com local para colocar os lápis e o tinteiro (naquela época havia somente caneta que se molhava na tinta). Minha professora era a Dona Neuza. Tinha uma filha que eu achava linda e a considerava minha namorada. Cheguei até brigar por ela com um colega. Saímos aos socos e aos pontapés. Imagina!!! Tinha só sete anos. Para chegar até lá, tínhamos duas alternativas, pela ponte onde não havia risco, ou atravessando o próprio rio do peixe, que era mais perto, mas era muito perigoso, pois tinha duas partes bem fundas (na entrada e na saída). Mas à medida que íamos crescendo a opção era quase sempre pelo rio, pois íamos perdendo o medo. E então, quando o rio estava cheio, tínhamos a “manha” de sair em um ponto mais acima para chegarmos do outro lado no mesmo lugar de sempre, pois os cavalos além de nadar eram arrastados pela água, Para não molhar os pés, subíamos na cela e segurava

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PELOS CAMINHOS DA VIDA

na sua cabeceira; ficávamos tipo agachados. Olha só o perigo! Crianças são irresponsáveis. Não sabem avaliar os riscos. No meu entender era muito perigoso e por isso a gente não contava em casa. Graças ao nosso Espírito Santo, nenhum acidente ocorreu no rio, mas por outro lado, mais uma vez fui premiado. Um dia, quando estávamos voltando, havíamos trocado os cavalos, pois o Macaco era mais esperto e nós dois gostávamos de andar com ele. Acontece que eu estava na frente e o Macaco tomou um susto com algum animal que se moveu no mato e me derrubou; como o Ivan vinha logo atrás não teve tempo para desviar e o Alazão pisou em minha cabeça. Mas foi só um susto e uma cicatriz a mais na cabeça. Lembro-me também que um dia voltando para casa e quando passava por perto de um pé de “assa peixe”, nome dado a uma pequena árvore, puxei um dos seus galhos e fiquei com o corpo todo tomado pelo carrapatinho. Quando cheguei em casa minha mãe teve que me dar um banho na bacia e até colocar álcool na água para matar os bichinhos. E como tinha carrapatinho. Ah, o cigarro. O meu pai fumava e a gente para imitá-lo fazia cigarro de talo de chuchu e palha de milho. Depois vimos que era mais fácil utilizar as “guimbas” que ele jogava fora. Meu pai fumava Minister. Ele fumava apenas metade do cigarro e jogava o resto fora. Aí a gente saia despistadamente e o pegava. Foi a partir daí que experimentamos o verdadeiro cigarro e quando mais velhos começamos realmente a fumar.

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Capítulo 6

A Vida no Interior


PELOS CAMINHOS DA VIDA

6.1. Em Conceição do Mato Dentro

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oram quatro anos indo e voltando à escola em Alvorada de Minas até que nossos pais decidiram nos internar no colégio dos jesuítas, em Conceição do Mato Dentro. Eu ainda usava calças curtas e fui fazer o 4º ano primário e, simultaneamente, a preparação para entrar no ginásio – chamava-se admissão. Era o mais novo do colégio. Conceição do Mato Dentro é uma cidade típica do interior de Minas Gerais. É também pequena e bem próxima ao Serro, apenas 30 km. Na cidade destaca-se a igreja matriz de Nossa Senhora de Conceição do Mato Dentro e o Santuário de Bom Jesus de Matozinhos, localizado no ponto alto da cidade. Hoje é considerada a capital mineira do ecoturismo por abrigar inúmeras belezas naturais, principalmente cachoeiras. A cidade vem passando por uma grande transformação em razão da exploração de minério de ferro pela Anglo América, sendo a sua principal fonte de renda e de emprego. O local onde fomos estudar tinha uma estrutura gigantesca, com muitas salas de aula, dormitórios, refeitórios, santuário, campos de futebol, uma cachoeira e uma represa que era utilizada como piscina. Havia ainda uma área externa muito grande com eucaliptos enormes. Tudo muito bem cuidado pelos padres. Foi aí que pela primeira vez conheci a luz elétrica, uma luz ainda fraquinha, mas muito melhor do que as lamparinas e os lampiões a gás. Esta estrutura existe até hoje, mas segundo soube foi vendida. Foi aí que comecei a aprender a nadar e a dar os primeiros chutes na bola. Na represa havia diversos pontos de várias alturas para se pular na água. Era uma competição enorme para ver quem saltava do lugar mais alto e com acrobacias variadas. Tinha um colega que era imbatível, mas não me lembro do nome. Tinha também um bom campo de futebol e quase todas as tardes batíamos uma bolinha. Foi aí que comecei a descobrir o futebol e os times existentes no país. Saíamos muito pouco, só aos domingos para ir ao cinema, à tardinha. Logo em seguida, retornávamos para o colégio. No ginásio, muitos alunos, entre eles eu, tínhamos o hábito de criar pequenas cobras, não venenosas, que andavam sempre dentro de caixas ou nos nossos bolsos. Coisa estranha né? Mas era a onda naquela época no colégio. Quando internei tinha apenas nove anos e foi aí que comecei a me despertar para a vida e a conviver com uma grande quantidade de pessoas e a fazer as primeiras amizades.

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CAPÍTULO 6 - A VIDA NO INTERIOR

Não fui bem nos estudos; não tinha uma boa base, mas mesmo assim os padres me passaram de ano e desta forma pude me matricular no primeiro ano ginasial. 6.2. No Serro 6.2.1. Hotel do Alcindo Ficamos apenas um ano em Conceição, pois no ano seguinte meu pai decidiu nos transferir para o Serro, acredito que por ser mais perto da fazenda e para facilitar o contato com a gente. Uma das mais antigas cidades de Minas Gerais, o Serro é uma pequena cidade histórica, tricentenária, localizada no vale do Jequitinhonha, distante aproximadamente 300 km de Belo Horizonte. Conhecida pelo seu rico patrimônio histórico e cultural e pelas largas tradições religiosas, com destaque para suas diversas igrejas Matriz de Nossa Senhora da Conceição, do Carmo, do Rosário, além da Capela de Santa Rita. Depois da mineração e extração de ouro e diamantes a cidade ganhou notoriedade pela fabricação do famoso “queijo do Serro”, uma das variedades mais conhecidas do queijo mineiro. As fazendas locais, dentre elas a que meu pai viveu, tiveram uma grande contribuição para elevar a qualidade do queijo produzido em Minas Gerais. Tradicionalmente, a cidade realiza todos os anos a festa de Nossa Senhora do Rosário, com os desfiles dos Cablocos, Marujos e Catopés. A cidade recebe a visita de muita gente e a festança é muito animada. Vale a pena conhecer. Próximo ao Serro tem o distrito de Milho Verde, local muito bonito para quem deseja tranquilidade. No Serro, fomos morar no hotel do Seu Alcindo, bem no centro da cidade e bem próximo ao local onde estava funcionando o colégio, no prédio da prefeitura, pois o colégio Edmundo Lins encontrava-se em reforma. Seu Alcindo tinha cinco ou seis filhos, dentre eles o Pimbo, a Fafá e o Fabinho, mais próximos da nossa idade. Ô vida boa sô! Ficávamos em um quarto na parte superior bem próximo ao banheiro. Café da manhã, almoço e jantar à vontade. Logo, passamos a conhecer muita gente, pois por ser no centrão da cidade, ao lado da Praça João Pinheiro, quase todo mundo circulava pelo local. Além do mais tínhamos nossos primos na cidade, tanto da família Horta como da Fonseca. Havia dois bares logo em frente ao hotel onde, em um deles, havia muitas mesas de sinuca e bilhar. Aprendemos logo a jogar. E em qualquer folga lá estávamos gastando nosso dinheirinho jogando uma partida. Ficamos

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viciados. O Ivan, dificilmente perdia uma partida, pois não parava de jogar. Além da sinuca, toda a tarde descíamos para a praça de esportes. As aulas eram pela manhã. Acabavam as aulas íamos almoçar e, logo em seguida, uma sinuca e depois bola. Ficávamos por lá até escurecer. Só voltávamos para o hotel para tomar banho e jantar. Isto acontecia todos os dias. E os estudos? Nada de estudar. Resultado: Bomba! Lembro que tomei bomba em quase todas as matérias, pois nunca tive uma boa base. Consequência: a primeira surra para valer do meu pai, com correia e tudo. Minhas pernas ficaram todas marcadas e minha mãe teve até que fazer curativos. Como doeu! Nunca mais tomei bomba. Outras duas surras, foram totalmente desnecessárias e por isso não esqueço. Tinha acabado de almoçar e minha mãe colocou doce de leite para mim. Disse que não queria. Meu pai mandou comer. Eu disse novamente que não queria. Ele disse: come! Eu coloquei na boca e cuspi. E aí o couro comeu. Injustamente, mas comeu. No outro caso, quando saia do colégio um primo da minha mãe começou a encher o meu “saco” e eu dei uns socos nele. Quando cheguei em casa o meu pai já sabia pois o pai dele ligou reclamando porque ele era cardíaco. De novo o pau comeu. Saco sô!!! 6.2.2. Em Casa Com os resultados fracos nos boletins, minha mãe decidiu se mudar para o Serro para acompanhar nossos estudos mais de perto. Primeiramente, meu pai alugou uma casa no começo do bairro chamado Gambá. Era a primeira casa do bairro; logo depois de um lote vago e um galpão. Acostumados com tudo grande, inclusive o hotel, a casa para mim era muito pequena, mas ficamos por lá entre um e dois anos. Logo à frente, havia uma praça com um cruzeiro, local onde a gente brincava bastante soltando papagaios, aqui conhecidas como pipas. Tudo era feito por nós mesmos. Neste local, distraidamente, um dia escorreguei e caí de uma boa altura na rua de baixo que ia para o campo de futebol. Caí dentro da rede de água pluvial, feita em concreto armado, e arranhei toda a minha perna. Custou a sarar. No Serro circulávamos a pé por toda a cidade. Não havia transporte local. Quantas vezes subi e desci as escadarias de pedra da Igreja de Santa Rita (ciquenta e sete degraus com um bom espaçamento de 2,5 a 3m entre eles), curiosamente conhecida por escadinha. Uma das paisagens coloniais mais bonitas que já vi. Numa destas subidas, logo depois da aula, vi um fio solto num poste e imediatamente fui pegá-lo. Que susto, e que choque! Fui

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CAPÍTULO 6 - A VIDA NO INTERIOR

jogado longe e ainda queimei minha mão. Meu pai continuou indo e voltando para a fazenda. Algum tempo depois decidiu vender tudo que tinha lá e mudar definitivamente para o Serro. Comprou uma casa bem grande estilo colonial, como em toda a cidade, bem em frente aos correios. Local muito bom. Um primo, o Decinho, morava também logo em frente. Dos lados dois conhecidos da família e amigos do meu pai. A casa com seis janelas e uma porta era muito grande: uma sala de visitas, outra sala, cinco quartos, uma sala de jantar enorme e uma cozinha também grande, com fogão à lenha, banheiro e quarto de empregada. No porão meu pai decidiu criar umas galinhas que durante o dia ficavam no quintal, também grande e com uma boa variedade de frutas. Logo em frente, o armazém do seu Geraldinho Mamá, onde comprávamos quase tudo, com anotações em uma caderneta pequena e tudo era pago no final do mês. Além disso, tinha o grupo escolar também próximo, em estilo totalmente moderno, contrastando com o estilo da cidade e, por isso, chamava bastante a atenção. Também tinha a cadeia, com umas grades de ferro bem grossas. Dificilmente alguém tinha condições de sair de lá. Mas tinham poucos presos. Naquela época não havia crimes nem roubos. Lembro só que um homem atirou na mulher na porta do hotel. Ela não morreu. Era muito tranquila a cidade. Foi ali que nasceu a minha primeira irmã, Alaíde Maria, a Lalaide , branquinha e muito loura. Loiríssima e com uma diferença de idade de mais de dez anos para mim. Minha mãe sempre falou que havia perdido três filhos, depois que eu nasci. Dois nasceram prematuros e um, segundo ela, por falha médica (houve atraso para se fazer o parto e o neném nasceu morto). Por isso, foi realizar o parto dela em BH. Cinco anos depois veio a segunda filha. Nasceu Regina, a Rê , totalmente diferente, pois era morena. Foi a Regina ainda pequena que nos apelidou de VV (Vevê) e DD (Dedê), acho que porque era mais fácil de pronunciar. A “fábrica” fechou e ficamos em quatro. A partir de então, as filhas mulheres passaram a dominar as atenções totalmente e, nós ficamos um pouco esquecidos, não totalmente, mas ficamos mais livres. Também, pela idade, já tínhamos um pouco de responsabilidade e sabíamos das nossas obrigações. Nos estudos, nossa dedicação passou a ser maior, mas nossa mãe estava sempre atenta e todo mês pedia para ver o boletim. O Diretor do colégio era o Sr. Pedro Generoso, que se casou com uma italiana muito bonita. Ela era a nossa professora de latim. Que dificuldade! Tinha uma pronuncia misturando italiano e português. Era difícil de entender. Acho até que ela acabou

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me passando e todos os colegas de sala. Sempre fui muito tímido; melhorei um pouco, mas até hoje continuo tímido. Acho até que pela minha origem, sempre tive um pouco de dificuldade na convivência. Nas escolas por onde passei sempre tentava esconder atrás dos colegas para não ser chamado ao quadro negro ou para responder alguma pergunta do professor. E ainda, quando era indicado para fazer qualquer apresentação não dormia. Sempre me saia muito bem, mas como sofria! Apesar disso, quase sempre estava aprontando, uma vez decidimos quebrar as lâmpadas dos postes, e logo alguém viu, e mandou avisar em todas as casas. Felizmente, desta vez só fui repreendido, nada de surra. Felizmente. Ficamos, ao todo, cinco anos no Serro. Além dos estudos sempre tínhamos um tempinho para jogar uma bola, ora no adro da igreja de Santa Rita, ora na praça de esportes. Foi ai que aprendemos a andar de bicicleta; tinha um senhor que alugava as “bikes”. Depois que construíram o campo de futebol passamos a jogar bola lá também. Só que o campo era todo de terra e sujávamos bastante. O campo foi construído logo que mudamos para o Serro. Na saída para BH, pela estrada de terra, foram feitos dois cortes imensos sobre um grande barranco, para ficar em um nível melhor. De vez em quando, enquanto os mais velhos jogavam no campo, fazíamos uma pelada na parte de cima. Foi quando, fui correr atrás da bola e o barranco cedeu. Caí de uma altura de uns dez metros. Cai sentado, mas perdi até a voz de tanta dor. Mas logo depois já estava recuperado. A praça de esportes continuava sendo a nossa predileção. Além de jogar, foi lá que aprendemos efetivamente a nadar. Quando deixávamos a praça, na época das jabuticabas, sempre íamos para a Chácara do Barão. Na época o proprietário era o Seu Stécio. E como tinha jabuticaba! Mais de mil pés. Desde o portão principal até a casa, cerca de uns mil metros de pés de jabuticabas centenárias. A chácara pertenceu a um comerciante de diamantes conhecido como Barão do Serro. Em 1975, foi adquirida pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e foi totalmente reformada. Ia me esquecendo, a casa tem dois longos túneis que sempre entravamos mas tínhamos medo de continuar, pois ficava escuro demais e tinha muita teia de aranha. Acho que foi construído pelos escravos para tentar suas fugas. A nossa preferência era pelo futebol de salão. Formamos um time quase imbatível. O goleiro era o Toninho de Lili Sales, eu e o Geraldo da Guidinha na defesa e o Ivan e o Morcego ou Carlos Freire no ataque. No futebol de campo a concorrência também era muito acirrada.

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Além do futebol, aprendemos e sempre participamos de todas as principais brincadeiras da época, com destaque para o jogo de bola de gude, de bente altas e andar em cavalo de pau e soltar papagaio (pipa) sempre com a participação dos amigos que fizemos, dentre eles: Betinho (Carlos Alberto Ávila, já falecido), Toninho, Walmir, Luizinho do tio Maíco, Afonso e Geraldo, nossos vizinhos. Tinha também os nossos primos, Gilberto, Juju e Celinho, filhos da tia Dasdores. Só que os dois primeiros estudavam no Caraça e só apareciam nas férias. Outros que também tínhamos um bom relacionamento, sobretudo no colégio: Toca, Du e Dedé filhos do Oswaldo Miranda, Adelmo e Toca Tolentino, Adão Ventura, um preto inteligente e que virou poeta, Adelmo Lessa, entre outros. Lembro ainda do Zé Mateus, também muito inteligente; o pai era advogado na cidade; quando estudava direito em BH, foi presidente do DCE – Diretório Central dos Estudantes. Depois da venda dos bens da fazenda meu pai decidiu trabalhar como motorista de taxi. Primeiro comprou um jipe Willys e como o negócio prosperou decidiu comprar mais dois e contratou os motoristas para dirigi-los. Com isso, substituiu os ganhos da fazenda pelos do transporte de passageiros. Deu certo enquanto ficamos lá. Minha mãe tinha uma empregada, a Maria, que fazia quase tudo. Quando viemos para BH ela também veio e ficou muitos anos com a gente. Hoje já falecida. Tinha problemas cardíacos. A vida social era igual a de todas as pequenas cidades do interior. O Serro tinha um bom clube para realizar as horas dançantes e eventualmente casamentos. O clube, em estilo mais moderno era grande e bem localizado. A Praça João Pinheiro era o local de encontro da cidade. Às noites na praça havia o “footing”, com os rapazes andando para um lado e as meninas do outro, e os bate-papos entre os amigos, para contarem as novidades do dia. Possuía diversos bancos e um jardim muito bem cuidado. Nestas idas e vindas pela praça comecei a namorar a Maria Eleonora, irmã do Adelmo Tolentino, outro colega de ginásio. Namorar naquela época significava olhar firme, flertar, andar de mãos dadas, sentar nos bancos da praça e nada mais. E olhe lá, tudo isso só depois de muito tempo de namoro. Mas gostava de namorar e depois da Eleonora namorei a sua irmã mais nova, a Márcia. Esta já era mais para frente e foi com ela que dei o meu primeiro beijo, na porta do colégio, em uma das noites em que encontramos. Mas nunca passou disto. Acho que tinha o gene do namoro. Gostava sempre de estar namorando. Era doido com a Terezinha do Hermes, mas os pais

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dela não a deixavam ir à praça. Aliás, a casa dela era de frente para a praça. Só depois que mudei para BH que soube que ela ligou me procurando. Aí eu já tinha outra. Foi no Serro, na casa de Cirilo e seu irmão Rui, da mesma idade nossa, que começamos a aprender a dançar. Toda semana reuníamos para dar os primeiros passos. Quem nos ensinava eram as duas irmãs mais velhas deles. Levávamos até os discos para colocar na vitrola. Era só bolero. De vez em quando um samba e uma valsa. Não passava de um passo para lá, outro para cá. Raramente vínhamos a BH. Mas todas as vezes que meu pai decidia matar a saudade da mãe dávamos um pulo rápido na capital. Lembro-me que em todas elas a minha mãe nunca deixou de visitar a tia Lourdinha, lá no bairro Sagrada Família. Recentemente, estive na cidade, depois de mais de 40 anos e fiquei bem impressionado. A cidade está uma beleza. As casas todas pintadas, as ruas bem limpas, dando uma aparência de cidade muito bem conservada. Algumas mudanças em relação à minha época ficaram bem visíveis. O calçamento foi trocado, tirando o tradicional pé de moleque e colocando pedras lascadas, como em Diamantina. No adro da igreja de Santa Rita não tem mais o coreto. O colégio das meninas virou unidade da PUC-Minas. O internato antigo foi transformado em local de acolhimento de velhos e idosos. A Chácara do Barão foi reformada e hoje serve para eventos artísticos e culturais. Surgiram diversas pousadas. A nossa casa foi transformada em república de estudantes. Restaurantes novos surgiram. A cidade cresceu muito, tendo inclusive unidades do BNH em diversos locais. Na minha avaliação a cidade além de crescer melhorou muito. Parabéns para os prefeitos (Adelmo Lessa, Geraldo Magalhães, nossos colegas da época) e outros que realizaram estas transformações. 6.3. Em Diamantina 6.3.1. No Colégio Depois que terminamos o curso ginasial nosso pai nos internou, desta vez no Colégio Diamantinense, na época pertencente à Mitra Arquidiocesana de Diamantina, distante cerca de uns 90 km do Serro. Diamantina é também uma das tradicionais cidades mineiras e ficou muito conhecida pela extração de ouro no vale do rio Tijuco e depois de diamantes, tudo na era colonial. A cidade sempre conservou suas referências culturais do período colonial, também com um rico acervo arquitetônico e

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urbanístico. Conhecida também por ser a terra onde morou Chica da Silva e onde nasceu o presidente Juscelino Kubistchek. Recentemente ficou ainda mais conhecida pela realização das tradicionais serenatas, com o pessoal local tocando e cantando nas janelas das casas em frente à igreja Matriz. O colégio estava localizado em frente ao prédio da faculdade de Odontologia, na divisa com o colégio das mulheres, logo acima, na mesma Rua da Glória. Mais recentemente, depois da parceria com o Pitágoras o colégio hoje mantém parceria com o Sistema de Ensino Bernoulli. Como meu irmão sempre esteve um ano à minha frente, foi primeiro para o internato. Tradicionalmente, no colégio todos eram apelidados. Como o Ivan é muito branco e vermelho recebeu o apelido de Peru e eu quando cheguei passei a ser o Peruzinho. Quando cheguei, a primeira coisa que me perguntaram é se eu sabia jogar bola. Fui ao primeiro treino de futsal do colégio e nunca mais saí do time. No primeiro jogo que fizemos pelo torneio da cidade ganhamos de 4 a 1 do Peixe Vivo, um dos principais times locais. Um dos gols foi meu. Lembro que quando chegamos ao dormitório todos estavam nos esperando para saber o resultado e foi difícil acreditarem que ganhamos de goleada. No torneio ficamos com o vice-campeonato. Depois fui convidado a treinar no time de futebol de campo do Peixe Vivo; comecei a treinar, mas o técnico só me colocava na ponta esquerda; não era a minha, mas ele me colocava um bom tempo só batendo na bola com a perna esquerda. Jogamos com o júnior ao América e perdemos de 3 x 0. Infelizmente não participei do jogo neste dia. Como não tinha condições de me dedicar à atividade, logo larguei a ideia de jogar, primeiro porque meu pai não queria que nos tornássemos jogadores. Queria somente que dedicássemos aos estudos. E assim foi feito. A vantagem de jogar é que tínhamos algumas regalias nos horários, que eram muito rigorosos no colégio. Nos finais de semana podíamos ir ao cinema. Assistimos a tantos filmes que cheguei a fazer a anotações deles em uma caderneta. Passou de cem. Depois não sei o que fiz com ela. Acostumado com as regalias, eu e mais uns colegas aproveitávamos o horário noturno de descanso na porta do colégio para ir para a cidade, sem comunicar aos regentes (tomadores de conta). Logo, fomos denunciados e numa destas escapadas um dos nossos colegas foi pego e todos nós tivemos que nos entregar para ele não ser penalizado. O comunicado foi feito na capela logo após a reza antes de dormir. Como consequência, ficamos quase toda à noite de pé na porta do dormitório, de castigo. Dias depois o meu

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pai apareceu no colégio dizendo que recebeu uma carta pedindo para que eu não ficasse mais internado. Achei que ele fosse dar a maior bronca, mas não. Saímos para procurar um local para ficar e fomos para uma pensão na Rua do Amparo. Lá já havia uns cinco colegas nossos, o que facilitou bastante para a gente. Lembro que o Itamar cedeu o quarto onde estava e passou a ficar junto com outro colega. O lado ruim é que ficamos no porão, mas, na verdade, muito melhor do que ficar internado. Era um pouco longe do colégio e tínhamos que acordar cedo e ir a pé. O estudo no colégio era muito puxado. Os professores exigiam mesmo. Tinha que estudar ou então colar como fazia o Ivan, um dos que mais colava, segundo seus colegas. Só tirava notas boas. Tudo muito difícil, sobretudo física, e também química e matemática. No colégio tinha gente de todo o interior de Minas Gerais. Gente de norte a sul. Conheci e fiz amizade com muitos. Ainda mais porque jogava bola e jogava relativamente bem. Numa destas peladas, mais um acidente. O Betona foi dar uma bicicleta e eu fui cabecear. Tirei a bola e o tênis dele pegou o meu olho. Resultado: um grande derrame no olho. Ficou totalmente inchado por muitos dias. Nada de médico e, no final, tudo voltou ao normal. Quanto às “minas”, posso dizer que namorei pouco, pois no começo ficava muito preso; só podíamos sair uma ou duas vezes para ir ao cinema e logo depois retornar. Mesmo assim, namorei a Mércia, irmã do Tuíca, colega na escola. Depois engatei um namoro de mais de um ano com a Eliana, uma loura muito bonita, mas só encontrávamos durante as aulas. Ela estudava em outro colégio, mas depois que nos conhecemos ela fez a transferência para o colégio Diamantinense. Morava na fábrica de tecidos do pai, em Beribéri. Só saía de lá para ir à aula e depois retornar. Tinha motorista à disposição. Cheguei a gostar dela, mas ficou nisso, pois o nosso diferencial ($$) era muito grande. Depois que vim para BH, estive na casa dela na Rua Paracatu, mas depois disso não a vi mais. Só depois de muito tempo de casado a encontrei em uma missa de 7º dia e depois, em Lagoa Santa, com a irmã (Maria Tereza), que se casou com o cunhado do Zé Luiz, meu amigo de banco. 6.3.2. Servindo o Exercito Quando fiz dezoito anos, além de estudar tive que servir o exército, o Tiro de Guerra. Foi um período difícil, pois eles exigiam demais. Tinha

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muito exercício físico e exercício com as armas. Tinha que ser ágil para montar e desmontar um fuzil. Segundo nossos superiores nós éramos superiores ao tempo; com chuva ou com sol forte tínhamos que dar sequência às atividades. Nada de parar. Acampamentos noturnos, uns descansando e outros vigiando. Ficávamos de pé em sentinela e só fazia o revezamento de hora em hora. Nada de dormir. Havia também simulação em campo, no meio do mato, de ataque e defesa, de dia e de noite, com armamento leve e pesado. E um canhão que tínhamos que saber atirar. Revezamento, com uns atirando e outros colocando os projéteis. Foi um período duro, mas valeu! Não tinha como fugir.

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PELOS CAMINHOS DA VIDA

Capítulo 7

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A Mudança para BH


CAPÍTULO 7 - A MUDANÇA PARA BH

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o final do curso, voltamos para o Serro e logo no começo do ano de 1964 fomos para BH, com a finalidade de trabalhar e dar continuidade aos estudos. Fomos morar primeiramente na casa da minha avó Julita, na Rua dos Guajajaras, no Barro Preto. Uma “vovozona”, pois lá também já moravam minha tia Aneta com toda a sua família (o marido Gualter e os filhos Heleninha, Marilene, Beto, Marisa e Sandra. Também morava a tia Inah e uma irmã dela, a Celina). Evidentemente, que meu pai pagava uma pensão mensal para ela. A casa era muito grande e tinha uma boa estrutura na parte de trás onde ficavam a tia Aneta e a família. Tinha também um bom espaço entre as estruturas, com dois grandes canteiros nas laterais e um bom espaço no meio onde a gente sempre batia uma bolinha (eu, meu primo Beto e o Ivan). A Dinha não gostava nada por causa dos canteiros ao lado, pois a bola sempre ia parar lá e sempre tinha algum produto de horta plantado. O local era privilegiado: tinha tudo muito perto. Além disso, naquela época podia-se andar a pé por toda a cidade. Íamos e voltávamos para o centro, passando pela Praça Raul Soares, na maior tranquilidade e totalmente despreocupados. Não havia assaltos, não havia roubos. Era tudo muito tranquilo. BH ainda era muito pequena em relação à hoje. Tinha menos de 1,0 milhão de habitantes (hoje são mais de 2,5 milhões). Como não tínhamos transporte próprio a alternativa era de andar a pé por todos os lados. De vez em quando pegávamos o Trolleybus (ônibus elétrico que saia da praça 7 e ia até o cine Amazonas) ou o Pradinho vermelho (micro-ônibus que ia para o bairro do Prado). Foi em BH que pela primeira vez conheci a TV ainda em preto e branco. Quem adquiriu primeiro foi o meu tio Villas, que morava no Gutierrez. De vez em quando íamos para lá assistir algum programa ou jogo de futebol. Era muito longe e mesmo assim íamos caminhado até lá passando pelo brejo que existia logo depois da Av. Amazonas. A casa ficava em frente à sede/campo do Cruzeiro, estádio JK. Como lá tinha campo de futebol e salão e era só atravessar a rua, adivinha o que eu fazia quase o dia inteiro? Assistia aos treinos do Cruzeiro, sobretudo do júnior (hoje Sub-20), dirigidos pelo Crispim, e acabei fazendo amizade com quase todos os jogadores (Pedro Paulo, Batista, Natal, Geraldino e outros). Durante os jogos deles, no final de semana, lá estava eu. E todos sabiam que eu era atleticano, mas nessa categoria torcia para eles. Como sempre tinha que ter um acidente comigo, numa pelada de futsal, em dia de chuva, escorreguei e bati a cabeça no cimento. Quando acordei

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estava tontinho de tudo, sentado na arquibancada. Aos poucos fui melhorando. Os jogadores (acho que foi o Piazza e o Raul) sabiam que eu morava em frente e me levaram para casa. Conhecia a maioria deles (Natal, Dirceu Lopes, William, Hilton Oliveira, etc.). Pouco tempo depois, em 1966, meu pai e minha mãe vieram para BH. Inicialmente, fomos morar na Rua Contria, na Barroca. Depois de um tempo mudamos para a Rua Nepomuceno, no Prado e, definitivamente, em apartamento próprio, para a Rua Xavier de Gouveia, 88/101, no Grajaú, onde minha mãe morou até março deste ano.

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Capítulo 8

O Primeiro Emprego

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moleza durou pouco. Atendendo a um pedido do meu pai, o tio Antonio (Batista), casado com a minha tia Vanda, arranjou o meu primeiro emprego, na Bemoreira (vendia utilidades domésticas). Comecei em julho de 1964 e fui trabalhar na área administrativa, como auxiliar de escritório, juntamente com o Hélio Campos, de Sabinópolis, bem perto do Serro. Ficamos grandes amigos. Como auxiliar, ajudava a fazer a folha de pagamento, fazer registros nas carteiras de trabalho, etc. Em 1965, o Hélio se desligou e foi trabalhar no BDMG, pois havia feito um concurso. Fiquei só e responsável pela área. Dias depois de iniciar no Banco ele me ligou dizendo que estavam procurando novos funcionários para a área administrativa. Imediatamente, procurei o Banco e fui recebido pelo professor Aristóteles, responsável pela área. Perguntou-me se sabia datilografia e me pediu para copiar um texto. Em seguida, me perguntou se poderia começar imediatamente. Disse-lhe que estava trabalhando e que precisava primeiramente me desligar do serviço. À noite, pensando com mais calma, decidi ligar no dia seguinte e dizer que poderia começar imediatamente.Assim, passei a dar um expediente na Bemoreira e outro no Banco. Sabia que uma hora ia dar zebra. Então, resolvi falar com o meu tio que apoiou a minha decisão. Para mim era fundamental trabalhar só um expediente, pois precisava dar continuidade aos estudos. Com a influência do meu tio, não houve grandes problemas, mas levei uma bronca daquelas do meu supervisor.

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Capítulo 9

A Faculdade 43


PELOS CAMINHOS DA VIDA

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epois de perder um ano, após a minha formatura e com tempo disponível e “dindin” no bolso, resolvi entrar para um cursinho para tentar o vestibular. A minha ideia sempre foi fazer medicina, mas ao avaliar a situação cheguei à conclusão de que não tinha condições de me dedicar e “enfrentar a onça”. Então, resolvi me matricular no cursinho de economia, com aulas dadas por alunos e professores da própria escola, que funcionava no colégio Arnaldo. Trabalhava à tarde no banco e à noite ia diretamente para o cursinho, chegando em casa próximo de meia noite todos os dias. Vida dura, mas era a única alternativa se quisesse entrar para a faculdade. Não deu outra, no primeiro vestibular consegui passar e em 1966 me matriculei e iniciei os estudos. E olha só, naquela época além da prova escrita tinha também a oral. Não era nada fácil. A faculdade de Ciências Econômicas ficava localizada na esquina das ruas Curitiba e Tamoios. Era uma turma grande, mais de 100 alunos, e tiveram que a dividir em três salas. Comecei inicialmente na A e depois fui para a B. À medida que fomos nos conhecendo, formamos um grupo bom para estudar. Estudávamos na biblioteca da escola e também no apartamento de uma colega, na Rua da Bahia. Quando ficávamos até mais tarde na escola frequentávamos o barzinho Boteco (Rua São Paulo quase esquina de Tamoios e Amazonas), onde o Milton Nascimento começou a cantar suas primeiras músicas. Sempre estava presente. Cantava geralmente às quintas-feiras. Também íamos muito ao mercado central, que ficava próximo da escola, para tomar uma gelada e comer fígado acebolado, em um boteco com esta especialidade. Ficávamos todos assentados nos engradados de cerveja, pois não havia nem mesa e nem cadeiras no local. Foi um período duro, de muito esforço e dedicação. Estudava pela manhã e trabalhava à tarde. De vez em quando estudava no próprio banco. Os professores eram legais, só a Maria da Conceição Tavares é que era radical, cobrava mesmo e não olhava a cara, dava notas ruins mesmo e até bomba (tinha que repetir a matéria). Era difícil tirar notas boas com ela. Prova sempre muito difícil. Tinha também funcionários do banco que lecionavam na escola. A turma da faculdade era muito animada. Formamos um grupo para jogar pelada aos finais de semana. Depois dos jogos íamos tomar cerveja. Era uma farra das boas. Jogamos em diversos campos da várzea de BH. De vez em quanto fazíamos umas loucuras; estávamos assentados no bar tomando umas e, numa sugestão de um ou de outro, combinávamos e

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CAPÍTULO 9 - A FACULDADE

saíamos dali diretamente para a praia de Guarapari ou para Ouro Preto. Ir para Guarapari era difícil, pois a estrada tinha grande parte de terra e de vez em quando o carro atolava e era difícil tirá-lo. Mas geralmente nos atoleiros sempre tinha alguém com um burro ou um boi esperando para puxar o carro e ganhar uns trocados. O período em que estivemos na faculdade coincidiu com o da ditadura. A turma da faculdade era super manjada, pois quase todos eram de esquerda. Consequência, o pau comia quase sempre, ora nas ruas e também na porta da faculdade. Os protestos parava o centro da cidade, na luta entre os militares e os alunos. Chegamos a ficar presos, com os policiais nos fiscalizando, por mais de três dias. Ninguém entrava e ninguém saia. Verdadeira guerra. Para alimentar jogávamos dinheiro para pessoas na rua comprar comida para a gente. Foram dias difíceis. Depois de formado, passamos a nos encontrar de cinco em cinco anos. Depois fomos aos poucos nos distanciando e só em 2018 fizemos um grande encontro no Minas Tênis Clube, com quase todos presentes. Foi um sucesso. Depois combinamos de nos encontrar de dois em dois anos. Mas aí veio a pandemia... Hoje, a turma mantém contato pelo Whatsapp. Faço parte do grupo, mas não sou ativo. Começou a haver desentendimentos por causa da política e decidi me afastar.

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Capítulo 10

A Vida em BH 46


CAPÍTULO 10 - A VIDA EM BH

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epois que comecei a ganhar meu dinheirinho as coisas começaram a ficar mais fáceis, pois podia variar as minhas alternativas de aproveitar a vida. Deixei de ficar só assistindo a treinos e jogos do Cruzeiro e comecei a dar voos mais altos. O Beto, meu primo, estudava e trabalhava no colégio Santo Agostinho. Ficava o dia inteiro ocupado. À noite geralmente ia treinar basquete no Atlético. Passei a ir com ele algumas vezes. Lá fiquei conhecendo alguns de seus amigos, dentre eles o Oberdan. Como ele morava na Rua Paracatu, perto de nossa casa, sempre encontrávamos para ir para frente do cine Roxi, na Av. Augusto de Lima, dar umas paqueradas nas meninas que iam ao cinema. De vez em quando íamos para a casa dele tomar umas “biritas” do pai dele que tinha uma verdadeira coleção de bebidas. Com o dinheiro que comecei a ganhar no BDMG comprei o meu primeiro carro: um fusquinha branco, ano 1961. Acho que foi em 1967. Este carro me deu autonomia para rodar por BH. No final de semana não parávamos. Sempre juntos, passamos a frequentar diversos botecos, principalmente o Beb´s, onde vendiam caipiríssimas variadas, e a girar por lugares nunca antes vistos. Tinha também o Ted´s, Sacy e o Tip Top, mas sempre terminávamos no botequim do seu João, na Rua Araguari quase esquina com Amazonas. Ali que sempre comíamos o nosso PF – prato feito da madrugada. O garçom era sempre o Paninho que já conhecia os nossos pedidos. Era só chegar e dizer o mesmo de sempre e logo estava na mesa. De vez em quando, para variar, íamos também à Espaguetelândia, na Praça Raul Soares. Também fazíamos algumas viagens ao Rio de Janeiro. Ficávamos o dia inteiro na praia de Copacabana, comendo sanduíches, tomando chope e jogando bola. À noite sempre arranjávamos algum programa para assistir, quase sempre no Canecão. Foi uma fase muito boa. Como já disse, fui muito à praia; principalmente em Guarapari, considerada a praia dos mineiros. E como tinha mineiros, sobretudo na praia central de Castanheiras ou na praia do Morro. Perdi até a conta de quantas vezes estive lá. Quase todas as férias. Também fui a Meaípe e Sepetiba, todas bem próximas. Cansei de comer a moqueca capixaba e camarão. Comprei uma cota do clube campestre do Cruzeiro e também uma cota do Minas Tênis Clube. Aos finais de semana, não perdíamos as horas dançantes. Ora no Cruzeiro, no Barroca, no DCE da Ciências Econômicas, de Direito, e de vez em quando de outras faculdades (medicina, veterinária, odontologia, etc). Gosto muito de música, música boa, mas nunca fui muito ligado em guardar as letras. Mas cantores estrangeiros bons para mim foram o Frank Sinatra,

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PELOS CAMINHOS DA VIDA

Tony Bennet, Freddie Mercury, Elvis Presley, Ray Charles, Ray Connif, Julio Iglesias, Steve Wonder, Nat King Cole, Beatles e mais recentemente Bruno Mars e Andrea Bocelli, além de outros. A música “She” cantada por Charles Aznavour, gosto muito, acho muito linda. Lindíssima. Fez parte inclusive das músicas tocadas em meu casamento. No Brasil, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Elis Regina, Jair Rodrigues (show de alegria), Milton Nascimento, Fafá de Belém, Rita Lee, Marisa Monte, Jorge Ben e outros. É evidente que tem muitos mais cantores bons, mas foram estes que lembrei no momento. Um sambazinho bem tocado também é muito bom, não é? Mas vocês podem perguntar: e o Caetano Veloso e o Chico Buarque? Gosto deles como compositores. Mas não aguento a “bicheza” do Caetano e a “metideza” do Chico, sobretudo depois que ficaram ricos. Hoje em dia nada presta, para mim. Só Funk e Pagode. E quem aguenta esta tal de Anitta. Coisa horrível. Só gosta de mostrar o bumbum. Em BH acompanhei o surgimento e o crescimento da Jovem Guarda, todos os sábados pela TV. Gostava de ver, era a novidade da época. Tinha muita gente boa. Também não perdia os programas do Chacrinha, que deu oportunidade para muita gente. Depois os concursos de novos talentos, na TV Globo (Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Wanderley Cardoso e Jerry Adriane e muitos outros). Depois vieram os novos sertanejos: Zezé de Camargo e Luciano, Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo, Bruno e Marrone. Mais recentemente, Luan Santana, Paula Fernandes e, mais recentemente a Bruna Viola, que conheci na casa do Ivan. É bonita, toca bem e canta bem. Aliás as duas são lindas. Gosto muito desta turma. Da velha guarda gosto do Sergio Reis e do Almir Sater. Mas tem muita gente boa espalhada por aí. Mas, para mim, quem revolucionou a música mundial, na forma de se apresentar, tocar e vestir foi realmente o Elvis Presley. Sensacional!!!. Não perdia um filme dele. Depois dele é que todos passaram a vestir roupas mais coloridas. Antes somente preto, cinza, branco e azul. Também nunca fui de ir ao teatro e shows, embora tenha visto alguns muito bons. Leitura, gosto muito mais de livros que retratam a realidade do que de romances, principalmente de ficção. Por exemplo, “Dedique-se de Coração, de Howard Schultz, sobre a Starbucks Coffee”, muito bom, já li pela segunda vez. Também gostava muito de ir ao cinema. Como em Diamantina a gente ia até três vezes por semana, comprei um caderno pequeno e passei a anotar

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CAPÍTULO 10 - A VIDA EM BH

todos os filmes que assistia. Cheguei a anotar mais de cem, mas depois não sei onde o deixei. Também no Serro não perdia nenhum faroeste ou filmes do Tarzan. Aqui, fui a todos eles: Cine Roxi, Candelária, Brasil, Acaiaca, Metrópole e Palladium. Já aos domingos era no Mineirão. Compramos nossas cadeiras cativas e não perdíamos os jogos do galo. Todos os finais de semana lá estávamos nós torcendo. O objetivo era aproveitar a vida. Quase sempre arranjávamos uma namorada, mas que durava pouco. Tudo sempre sem compromisso, pois já na outra semana já arrumávamos outra e esquecia a anterior ou acumulava duas e até três. No final, tudo terminava em pizza. E a vida foi passando, até que o Beto começou a se firmar com uma das namoradas e a coisa foi ficando mais séria. Eu e o Oberdan começamos a ficar sem a sua companhia. O Oberdan também começou a engatar um namoro que foi ganhando corpo. Passamos a encontrar menos, mas a amizade permanecia.

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Capítulo 11

Uma Longa Vida no BDMG 50


CAPÍTULO 11 - UMA LONGA VIDA NO BDMG

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niciei no BDMG informalmente, no dia 31 de março de 1965. Fui trabalhar como datilógrafo no Departamento Jurídico. Era responsável por datilografar todos os contratos de financiamento e fazer a distribuição das cópias. De tanto repetir esta atividade cheguei a decorar todas as cláusulas contratuais, o que facilitava o meu trabalho. Mas tinha que tirar várias cópias, tudo no papel carbono, então não podia errar, porque ficava difícil limpar cada uma. O BDMG, nesta época, estava localizado no prédio do BEMGE, Banco do Estado de Minas Gerais, na esquina entre a Av. Amazonas e Rua Rio de Janeiro. Ocupava apenas dois andares. Tinha cerca de uns 30 funcionários. Tempos depois as atividades do banco foram crescendo e foi necessária sua transferência para uma área maior. Fomos para a Av. Carandaí. Lá passamos a ocupar quatro andares e como continuou crescendo a parte da área financeira foi para o térreo, na esquina de Afonso Pena com Carandaí. Nesta época, já estava na faculdade de economia e um colega estudava direito. Foi quando fizemos a troca, eu fui para o departamento de Planejamento e ele foi para o meu lugar no Jurídico. No DEP – Departamento de Estudos e Planejamento tinha uma equipe altamente qualificada e que foi responsável pela elaboração do 1º Diagnóstico da Economia Mineira, estudo que despertou as pessoas públicas por iniciar uma grande transformação na economia mineira. O idealizador do estudo, Dr. Fernando Reis, assumiu a Secretaria da Fazenda e iniciou uma verdadeira revolução em Minas Gerais. Depois foi transferido para a CVRD onde também iniciou uma grande revolução na empresa. A partir daí o BDMG também deu um grande salto na sua participação nos grandes negócios e empreendimentos instalados em Minas Gerais e também apoiando os pequenos e médios negócios. Para continuar dando o apoio que lhe era exigido o Banco teve também que se preparar. Daí iniciou a construção de sua sede na Rua da Bahia, 1600, onde funciona até hoje. Conforme mencionei, iniciei no banco em 30/3/1965, mas fui nomeado interinamente em 07/07/1965. Em 01/09/1970, após concluir o meu curso de economia fui contratado pelo banco como economista. Iniciei minhas atividades na área no DCA – Departamento de Controle das Aplicações e viajava constantemente pelo interior do Estado visitando e controlando os recursos liberados. O Banco pagava uma boa diária e quilômetros rodados e com isso dava para fazer uma boa economia, complementando o salário mensal. Também recebíamos gratificações trimestrais, o que nos possibilitava fazer um bom pé de meia.

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PELOS CAMINHOS DA VIDA

Foi quando comecei a investir, conciliando os investimentos com o prazer. Comprei um lote no Condomínio Morro do Chapéu, um dos melhores loteamentos da região metropolitana de BH. Frequentamos o local por um longo período, sempre aos finais de semana. Quando já tinha o projeto para construir minha casa no local, recebi uma proposta irrecusável e vendi o terreno. Depois de longa experiência no DCA fui transferido para a área operacional onde, tempos depois, passei a exercer atividades como gerente de projetos e depois como gerente de departamento, em diversas áreas, com destaque para as de siderurgia e não metálicos e a de agroindústria. Agora as viagens deixaram de ser para o interior e passaram a ser para as capitais, principalmente Rio de Janeiro, sede do BNDES e São Paulo, onde havia muitos clientes. Reconheço que o Banco foi mais que uma escola para mim. Como aprendi trabalhando em conjunto com os colegas. Sempre tive uma equipe técnica muito competente e também um apoio administrativo muito dedicado. Além de aprender fiz muitas amizades e algumas perduram até hoje. Afinal, foram 35 anos dedicados ao Banco. Uma vida. Mas valeu! Não poderia esquecer de que participei e fiz parte da criação da AFBDMG – Associação de Funcionários e da DESBAN, nossa fundação de seguridade social e que nos garante boa parte de nossa aposentadoria. Tive também a satisfação de ser um dos seus dirigentes. No início de 1999, fui designado para exercer o cargo de diretor financeiro, onde fiquei até o final de 2000. Aprendi muito, mas também dei a minha contribuição, sobretudo no sentido de tornar mais transparente todas as operações realizadas. Contei sempre com a contribuição de todos. Foi mais um período que considero muito bom na minha carreira profissional. A AFBDMG administrou por muitos anos o clube campestre do Banco, onde eram constantes as atividades esportivas, principalmente de futebol e peteca. Foram diversos torneios e quase todos participavam e as disputas eram acirradas. Todos os sábados e domingos lá estávamos com os filhos sempre presentes. A turma que ficava debaixo de uma árvore, onde nos reuníamos para jogar conversa fora e tomar umas e outras foi apelidada de “a turma da árvore”. Sempre presentes, Teodomiro, Fernando Pena, Eu, José Luiz, Otto, Wagner, Ney, Zé Tadeu e muitos outros. Quem nos servia de um bom tira-gosto era a Dona Margarida, e uma que nos servia na mesa (esqueci o nome), muito tranquila e paciente com as crianças. Além das farras no clube, fizemos muitas viagens de férias juntos, sobre-

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CAPÍTULO 11 - UMA LONGA VIDA NO BDMG

tudo para Cabo Frio onde as crianças aproveitavam para valer e nós também. Tempo bom! Em 1974 fiz um acordo judicial com o Banco, deixando de ser celetista e fazendo opção pelo FGTS. Recebi um bom “dindin” que me possibilitou fazer alguns negócios extras. Perdi e ganhei, mas mais ganhei do que perdi.

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Capítulo 12

Do Namoro ao Casamento 54


CAPÍTULO 12 - DO NAMORO AO CASAMENTO

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epois de “saracutiar” (namorar umas e outras, sem compromisso) por um longo período, e depois de meus dois principais amigos se comprometerem,comecei a ficar sozinho. As saídas passaram a ser com meus colegas de escola. Em dezembro de 1969, depois de passar por um dos DCE´s, um dos colegas de escola me convidou para darmos uma passada na hora dançante do Círculo Militar, na Av. Raja Gabaglia. E lá fomos nós. Ficamos observando o ambiente e tentando “fisgar” alguma menina, enquanto isso tomávamos um drink (gin com crush ou fanta). Numa destas rodadas pelo salão notei duas amigas me observando e, uma delas me chamou a atenção. Imediatamente a tirei para dançar. De perto ainda mais bonita. Bonita até hoje. Ficamos dançando e conversando por um longo tempo e, como sempre, pedi o seu telefone. Coincidentemente uma das meninas (Celina) com quem estava saindo na época, também apareceu no local e me viu dançando com ela. Consequência, me pediu para não a procurar mais. E olha que esta era uma das meninas mais para frente que namorei. Morava no conjunto IAPI e gostava de beijar e dar uns “agarros”. Quando telefonei para a Angela, não notei muito entusiasmo nela, mas marcamos um encontro na casa dela (Rua Cura D´Ars, 641). Em poucos minutos me dispensou, pois, os pais não permitiam conversar com estranhos na porta do prédio. Dias depois liguei novamente e dessa vez tinha uma amiga com ela. Fiquei pouco tempo e fui embora. Da terceira ou quarta vez entrei no prédio, mas fomos para o AP de sua avó (Dona Valéria), tempo suficiente para um cafezinho e ir embora. Pensei comigo, quem sabe pedindo a ela para namorar as coisas melhorariam. Nada disso, mas pelo menos, os pais me receberam no apartamento, mas sempre com alguém presente. Mas, segundo ela, os pais só permitiriam o namoro para encontrar apenas um dia da semana (sábado ou domingo). Então passamos a nos encontrar todos os sábados até às 10 hs. Para mim estava até bom. Por quê? Porque depois daquele horário encontrava com o Oberdan e/ou com o Beto e outro (s) colega (s) e saíamos para a gandaia. Ficavam até com o meu carro e depois me pegavam lá. Foi assim por um tempão. Cheguei até encontrar com o Dedé, seu irmão, numa balada, e ele não me dedurou. Encontrei também com o Anor. Este eu não sei se falou ou não. Acho até que falou. Uma das tias (a Lourdinha) é quem amarrava tudo. Quadrada ao extremo falava para os pais não deixarem sair sozinha e ficar de olho na filha. Mas com

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PELOS CAMINHOS DA VIDA

o passar dos tempos a D. Valéria que desde o começo demonstrou que gostava de mim, também, ao contrário, pedia para não fazer tantas proibições. Sempre que podia chamava a gente para a sua casa para fazer algum agrado. Mas, mesmo assim, sair sozinhos de maneira nenhuma. Apenas permitiram encontrarmos mais dias na semana. Ir ao cinema só acompanhado, jantar idem, ir ao Xodó tomar milk-shake, e em outros lugares, também. Nessa época já havia trocado o meu primeiro fusquinha por outro, só que agora verde e mais novo. Com o passar do tempo cheguei a pensar em acabar com o namoro, tendo até comentado com o Oberdan a minha intenção. A família era muito quadrada, quadrada ao extremo, e a Angela não os contrariava. Seguia fielmente as determinações. Mas acho que não terminei porque já estava gostando dela, mesmo sem ganhar um beijinho sequer. Mas depois que começamos mesmo a namorar, com a autorização dos pais, as coisas começaram a melhorar. Acho que eles notaram que eu era um bom partido e que tinha boas intenções e resolveram consentir com o namoro. A partir daí já encontrávamos mais vezes na semana. Viajamos juntos com eles para o Rio de Janeiro, na casa do Dr. Homero, irmão do Lico, depois para Teresópolis onde tinha também um sítio, bem grande, o Aladim. Depois fizemos viagens juntos para Cabo Frio. Daí para frente, o namoro ganhou definitivamente o apoio dos pais. O namoro não era só dentro de casa. Quando ia me despedir ficávamos muito tempo na parte externa do apartamento. E aí, depois de muitos meses de namoro, veio o primeiro beijo. Acho que a partir daí também ela começou a gostar mais de mim e passamos a dar nossos agarros. Mas só isso. Com a aceitação e aprovação da família as coisas foram acontecendo. E do namoro, ao noivado, e daí, ao casamento, foram três longos anos. Em 22 de dezembro de 1972, na igreja de Santo Agostinho foi realizado o nosso casamento, com a presença dos familiares e alguns amigos. A recepção foi na casa dos pais. Não prepararam direito e até eu tive que me tornar garçom, ficando responsável por servir as bebidas. No final, tudo deu certo. Mas quando saí para ir para o hotel, veio a surpresa: meu carro todo borrado de batom e com latas de cervejas amarradas aos montes em sua traseira. Fui limpar o para brisas e a coisa só piorou.

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Capítulo 13

Lua de Mel 57


PELOS CAMINHOS DA VIDA

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o dia seguinte, antes de viajar, passei no posto do sogro, na Av. Amazonas, próximo a Magnesita, para fazer uma limpeza no carro, um corcel novinho, cor verde, e seguir em frente. De BH fomos para Poços de Caldas, onde passamos a noite. No outro dia cedinho partimos para Curitiba, tudo sem reservas. Aí encontramos um hotel pequeno, mas novinho. Parecia que tinha acabado de ser inaugurado. Muito bom. Depois, continuamos descendo, bem próximo ao mar. Lembro-me que quando fui cortar um caminhão na estrada meu carro começou a falhar e se não fosse à ajuda do caminhoneiro que se afastou para me deixar passar, provavelmente teríamos envolvido em um acidente grave. Já pensou? Logo na lua de mel. De Curitiba fomos para Florianópolis; ficamos na ilha, também em um hotel pequeno, mas também muito bom. Linda vista da Ponte Hercílio Luz. Daí rumo ao sul, passando por Torres e depois Gramado e Canela. No dia do natal, chegamos a Porto Alegre e ficamos em um hotel bem próximo ao porto do rio Guaíba, onde na comemoração os barcos e navios começaram a buzinar.Deixamos o carro em um estacionamento próximo, pegamos um “busão” e fomos para Punta del Leste. A viagem foi longa, mas passamos por lugares muito bonitos, com destaque para uma plantação de girassol, toda florida. Uma maravilha. Ficamos ali dois ou três dias; fomos ao cassino, jogamos e perdemos. Pouco, claro. Fomos a um restaurante e pedimos arroz com mariscos. Horrível. Tinha polvo demais e não desceu bem. De Punta fomos de avião para Buenos Aires. Naquela época, a cidade era muito linda, não havia pobreza e nos tratavam muito bem.Rodamos por todos os lados. Fomos até o bairro “La Bombonera” conhecer o estádio do Boca Juniors. Ficamos ali três ou quatro dias e depois retornamos para Porto Alegre, mais uma vez, de ônibus. Já bastante cansados, retornamos a BH, passando por diversas outras cidades (Blumenau, Joinville, etc). Foram, ao todo, 5 mil km rodados.

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Capítulo 14

A Vida a Dois 59


PELOS CAMINHOS DA VIDA

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ogo antes de casar, alugamos o apartamento que o Hélio tinha, na Serra, à Rua Capivari, e o deixamos pronto para ser habitado. Acho que moramos lá por uns dois anos. Como havíamos programado não ter filhos, a Angela resolveu continuar os estudos e foi fazer o curso de inglês no ICBEU - Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos. Também aprendeu a dirigir, para facilitar as coisas. Como a mãe dela havia ganhado mais uma filha (a Valéria), totalizando sete filhos, ela sempre ia para o nosso apartamento e ficava com a gente, fazendo companhia para a minha esposa. Como ficamos longe da família e já tendo um dinheirinho a mais, decorrente de um acordo que fiz com o Banco, decidi por comprar meu primeiro AP, ainda em fase construção, pela Construtora Rio Negro. Não pesquisei muito. Sabia que dois conhecidos haviam também comprado lá. Todos também recém-casados. Antes de terminar o acabamento do prédio a construtora faliu e nos deixou na mão. Não terminou a escadaria, a portaria e um muro de arrimo. Tivemos que acabar nós mesmos. Em meados de 1975, nasceu o Fred (14/07/75). Totalmente inexperientes, apanhamos à beça. Eram noites sem dormir. Qualquer barulhinho nos preocupava. Afinal éramos marinheiros de primeira viagem. Ainda mais depois que ele teve uma desidratação e teve que ser internado para recuperação. Em 30/03/1978 nasceu a Pat. Agora já eram dois para nos preocupar. Tivemos que arranjar uma empregada e também um babá para nos ajudar. Nessa época já havia mais crianças no prédio, quase todas da mesma idade, e como o prédio não possuía nenhuma estrutura para elas, a alternativa era brincar na garagem. Por descuido, nasceu o Leo, em 18/06/1979. Agora eram três e as coisas começaram a complicar. A casa começou a ficar pequena. Em uma reunião de condomínio, propus ao vizinho comprar a parte da cobertura em cima do meu apartamento, pois na escritura toda a cobertura pertencia ao apartamento. Além disso, como não tinha cobertura no telhado, sempre tínhamos problemas com infiltrações e vazamentos. Com a negociação realizada, contratamos um construtor para realizar a obra. Tudo pago por mim, conforme a nossa negociação. O apartamento dobrou de tamanho com a incorporação do terraço. Tinha mais uma sala grande, um barzinho e um bom espaço externo, onde colocamos uma piscina para a meninada. O local passou a ser um ponto de encontro e de farra da família. Era muito bom, mas dava um trabalho danado. Mesmo impermeabilizando tudo sempre apareciam vazamentos e isso foi nos desgastando e só trazendo aborrecimentos, pois de ano em ano, no período das chuvas, tínha-

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CAPÍTULO 14 - A VIDA A DOIS

mos que arrumar a cobertura. Gostávamos sempre de viajar com os filhos nas férias. Quando não era para a praia íamos ao sul de Minas. Poços de Caldas, São Lourenço, Caxambu e Cambuquira foram alguns dos lugares onde estivemos com eles. Certa vez quando voltávamos de um passeio no Rio de Janeiro e estava quase chegando ao viaduto das almas, chovia muito, tentei cortar um ônibus e houve uma “aquaplanagem”. Foi um sufoco, tentei segurar o volante com firmeza e o carro foi derrapando de lado até bater no barranco do outro lado. Cheguei até a fechar o olho por que viam dois carros de frente que acabaram desviando do meu. Um deles parou e foi me dar socorro; só que o carro não teve danos e seguimos em frente. Vim de lá até BH tremendo os braços e as pernas. Que dureza! Os meninos estavam todos dormindo no banco de trás e acordaram assustados. Não era para menos. Ao invés de ir para casa fomos direto à igreja agradecer por não ter havido nada de sério. Em 1982, depois de vender o lote do Morro do Chapéu, apareceu a oportunidade para comprarmos um apartamento devolvido para a Líder Construtora por um comprador que não honrava os pagamentos. Quem nos avisou foi a Marisa, minha prima, casada com o Kangussu, que morava no apartamento ao lado. Foi uma negociação demorada, mas finalmente, em dezembro de 1982, adquirimos o apartamento onde residimos até hoje, que possui uma área útil de 170 m². Era e continua sendo um dos bons apartamentos construídos pela empresa. Os condôminos continuam sempre investindo no prédio que permanece conservado até hoje. O local é muito tranquilo, com uma enorme mata ao lado, pertencente ao Mosteiro de Nossa Senhora das Graças, tudo muito bem conservado pela irmandade. Outra atividade que desenvolvemos em conjunto foi a nossa participação no Encontro de Casais com Cristo – ECC. Fomos convidados pelo Kanga e Mariza. Acho que foi o segundo em nossa região e foi realizado no Noviciado da Santíssima Trindade, aqui próximo de casa. Depois disso, participamos como coadjuvantes por um longo período até que resolvemos dar oportunidade para outros. Depois disso o Padre Danilo nos convidou para integrar o grupo de apoio formado por ele para construção da igreja do bairro. Fiquei responsável pela área financeira. Foram muitas atividades visando a arrecadar recursos, festas, churrascos, e uma série de outras atividades. No final, lá estava ela que, contou com o apoio do dono do Pitágoras para concluir a obra. Foi uma luta, mas finalmente concluída com êxito. Recebeu o nome de Paróquia Nossa Senhora Mãe da Igreja.

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Capítulo 15

Os Filhos


CAPÍTULO 15 - OS FILHOS

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, aos poucos, a família foi crescendo. Inicialmente, éramos dois. Depois cinco. E agora já somos quinze. Acho que deve ficar só nisto. Se vier mais será surpresa. E neste caso, a surpresa será bem-vinda. Aos poucos os filhos foram crescendo. Não cheguei a participar como gostaria, pois, trabalhava dois horários no Banco, assim ficava difícil participar ativamente das brincadeiras e, sobretudo das atividades escolares. A Angela acompanhou de perto e deu conta do recado. Foi uma mãezona, mas quando precisava, lá estava eu para ajudar. Aos finais de semana, sempre acompanhavam a gente para onde íamos. No clube do Minas, aproveitavam. No do Banco, nem se fala. Mas foram crescendo, crescendo, e tudo foi mudando. Mas antes disto vale lembrar algumas passagens deles: a) O Fred começou a fazer natação no Minas, mas a coisa foi apertando; as exigências eram grandes; tinha que nadar muito mesmo, quase a manhã ou tarde inteira. Desistiu e mudou para o judô; também ficou algum tempo e também desistiu. Gostava mesmo era da Xuxa. Assistia sempre ao programa, mas somente ficou satisfeito depois que foi pessoalmente participar de um dos seus programas de auditório no Rio, juntamente com um colega do prédio. Este foi o que me deu mais trabalho; era superexigente, só gostava de roupas de grife e coisas novas; continua do mesmo jeito até hoje; b) Já a Paty gostava mesmo era de cantar. Adorava a Madona e sabia todas as suas músicas. Decorou o seu quarto com os quadros dela e ficava sempre cantando na frente do espelho. Certa vez, uma empresa do Rio passou a selecionar cantores (as) e não é que a Paty deu em cima da mãe até a levar para o concurso de seleção? Até que foi bem, mas quando a coisa começou a ficar mais séria ela foi desclassificada; mas pelo menos realizou o seu sonho; c) O Leo gostava era de jogar bola; numa das peneiradas do Minas no Pitágoras ele foi escolhido para ir para o futsal; logo depois que chegou, assumiu a titularidade do time e disputou diversos campeonatos; sendo em um deles o artilheiro do time.Como passou a sobressair, atraiu a atenção dos times de futebol; primeiramente do Cruzeiro que fez contato comigo pedindo para levá-lo para treinar; depois foi o América. Como o galo não o convidou, jogou mais algum tempo e depois abandonou a carreia. Vieram as primeiras festas. Ficavam até tarde e eu muitas vezes levantava de madrugada para ir buscá-los. O horário era sempre definido para a volta. Vieram os primeiros namoros. O tempo foi passando, veio o tempo da universidade e cada um seguiu o curso que escolheram. O Fred fez Direito e a Pat e Leo Administração. Em seguida, vieram as pós-graduações. Cada

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PELOS CAMINHOS DA VIDA

um seguindo o seu caminho. Para todos sempre procurei dar o primeiro empurrão, arranjando um local para o primeiro emprego. Como tinha um bom relacionamento não foi difícil. Depois disso, cada um seguiu a sua escolha. O Fred especializou-se em direito tributário, A Pat e o Leo na área financeira. Acho que todos fizeram a escolha certa porque todos estão muito bem profissionalmente e, o mais importante, estão felizes com o que estão fazendo. 15.1. O Casamento dos Filhos E a idade foi passando e logo veio o primeiro casamento. A Pat foi a primeira. Foi em 2004. O casório foi realizado na igreja de Lourdes. Fizemos uma boa festa, no Imperador, com a presença de todos os familiares e amigos. Na avaliação de todos foi um sucesso. Depois foram morar no apartamento que ajudei a comprar, no bairro Buritis. De repente o marido foi transferido para Salvador. Trabalhava em uma montadora de veículos. Com a sua transferência a Pat também conseguiu a sua para uma agência do Bradesco local. Estivemos algumas vezes em Salvador para visitá-los, mas não participávamos da vida deles e, de uma hora para outra, um desentendimento e a separação. Para nós foi um choque. Nunca imaginamos que isto aconteceria. Mas afinal, os tempos mudaram. Logo voltou para BH e ficou morando com a gente. Felizmente tudo resolvido na paz. Separação amigável. E, ainda bem que não tiveram filhos. Pat ganhou um cachorrinho, o Thor, que ficou com a gente quando foi morar em Salvador. Foram anos e anos descendo com ele. Ficou velho e chato; de vez em quando atacava alguém. Até nós mesmos. Até que adoeceu, depois de 14 anos e acabou falecendo. Até hoje a Angela sente saudades dele e sempre fala em ter outro. De forma alguma vou concordar, pois sempre sobra para mim. 15.2. O Segundo Casamento Tempos depois, em 2006, foi o Fred que já namorava a Mariana há algum tempo. Primeiro também procurou garantir um local para morar. Escolheu um apartamento muito bem localizado, em Lourdes, muito bom e, portanto, muito caro. Logo, o pedido para o pai ajudar. Como ajudei a Pat, fiz a minha contribuição na mesma proporção da ajuda anterior. Como não foi suficiente, o pai da noiva também teve que dar a sua participação. Excelente apartamento, com toda a modernidade existente; salão de festas, espaço gourmet, piscina coberta e com água quente, academia e muito mais.

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CAPÍTULO 15 - OS FILHOS

O casamento foi um sucesso total. Com o bom relacionamento do Alvimar e Marly, o número de convidados foi muito grande (mais de 800 pessoas) e a festa teve que ser realizada em um salão muito grande, na saída para o Rio de Janeiro (Niágara Eventos), com música ao vivo do conjunto Blitz, do Evandro Mesquita. Como ambos são logósofos, não houve casamento na igreja. Apenas perante o juiz de direito que compareceu ao evento. Depois da manifestação dos pais e em seguida festa até o dia raiar. No dia seguinte, foram dar uma volta pelo exterior. Curtir a lua de mel. Tempos depois voltaram ao exterior e sempre que possível vão para lá, segundo eles para dar uma descansada. Além disso, foram as idas e vindas ao apartamento de Miami, que infelizmente foi vendido recentemente. Moraram no primeiro apartamento por pouco tempo. O apartamento era pequeno, com dois quartos. Eles permaneceram por lá apenas dois anos, acho. Logo em seguida trocou por outro bem maior, também em Lourdes, próxima a Praça Marília de Dirceu. Também ficou pouco tempo por lá; vendeu e em seguida comprou um enorme apartamento no bairro funcionários, bem mais próximo aos escritórios de ambos e da escola das meninas. Se o outro já era grande, este é enorme. Alto padrão. Excelente! Isto tudo é resultado do sucesso profissional de ambos. 15.3. O Terceiro Casamento Em 2008, foi a vez do Leo. O casamento com a Natália foi realizado na Igreja de Lourdes e, logo em seguida, todos os presentes foram comemorar o evento no Imperador. Também havia muita gente, pois, a família da Nat é muito grande e todos têm também um grande relacionamento e a festa foi até o dia amanhecer. Estava tudo muito bom; muita alegria no ambiente. Todos os amigos estavam presentes. No dia seguinte, embarcaram para o exterior. Antes do casório o Leo também procurou definir o local onde morar. Depois de muito procurar, escolheu um bom apartamento no bairro Buritis, onde também dei a minha contribuição para ele fechar o negócio. Um AP também moderno e com toda a infraestrutura hoje existente nos bons apartamentos. Mas a necessidade de adequar à moradia a proximidade do local de trabalho tomou a decisão de alugar o seu apartamento e alugar outro, de um conhecido, próximo ao local onde trabalha a Nat, no Gutierrez. Também um excelente apartamento, com tudo de bom, hoje existente nos apartamentos modernos. Atualmente, está avaliando a possibilidade de venda do seu AP para fazer a compra em definitivo de outro. Também estão muito bem realizados; Nat gerenciando a área financeira da

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PELOS CAMINHOS DA VIDA

empresa da família e o Leo, também na área financeira, onde tem longa experiência, sobretudo em transações na bolsa de valores, administrando um grande fundo de investimentos. 15.4. O Quarto Casamento Foi em 2011, o segundo casamento da Pat. Depois de conhecer o Bruno, o “Agostinho, da Grande Família”, como o chamamos, o casamento não demorou. Desta vez, apenas com a presença dos familiares e dos amigos mais íntimos, o casório foi realizado na sede do nosso Condomínio, em Lagoa Santa. Com o local de tamanho reduzido, a presença foi de aproximadamente 250 pessoas. Mas foi uma festa muita bem organizada por uma moradora local, com atuação nesta área, e muito boa. Aproveitamos. Todos os presentes aproveitaram muito, tenho certeza, pois foi tudo do bom e do melhor. Como sempre só terminou no outro dia pela manhã. A Pat e o Bruno foram para um bom hotel na cidade e no outro dia voaram para o exterior. Aí vocês podem me perguntar. Porque Agostinho? Porque ele parece muito com o Agostinho do Programa Grande Família, da Globo. Folgado, Manso! Tranquilo e Engraçado. Topa tudo. Gente boa pra caramba! Para uns deixou de ser o Agostinho e passou a ser o Mandioca. Desta vez, podemos dizer que a Pat acertou em cheio. Temos uma excelente convivência. É sempre o meu companheiro para os goles em Lagoa. E viva o Agostinho ou o Mandioca. Também, ambos muito bem realizados. A Pat, sócia de uma empresa que administra os recursos para a XP Investimentos em BH gerencia uma equipe de captadores de recursos. O Bruno, que antes trabalhou, desde muito cedo, em uma das empresas da família do Alvimar, muito antes de conhecer a Pat, acumulou experiência e hoje está trabalhando numa das maiores empresas do setor de mineração do Brasil e do mundo.

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Capítulo 16

Os Netos


PELOS CAMINHOS DA VIDA

V

ocês nem imaginam como são lindos os meus netos. Como diz Raquel de Queiroz, “o neto é, realmente, o sangue do seu sangue.....É um filho seu que é devolvido”. E olha só as coincidências: os dois homens (Fred e Leo) são pais de meninas. O Fred tem três bonecas e o Leo mais duas. A Pat tem dois meninos. Até no nome deles e delas são lindos (as): • Júlia, Elisa e Gabriela são do Fred e da Mariana; • Bruno Andrez e João Lucas: da Pat e do Bruno; • Maria Eduarda e Maria Luiza: do Leo e da Nat. Olha só as idades das fofuras: • Júlia ( Juju): a mais velha, tem 8 anos, nasceu em 2013, no dia 14 de agosto; • Elisa (Isa): nasceu no dia 22/12/2016 – hoje com cinco anos; • Gabriela (Gabi): a rapa do tacho tem apenas3 anos; nasceu em 11/04/2019; • Bruno Andrez (Bruninho): tem sete anos e nasceu no dia 02/02/2015; • João Lucas (Janjão): nasceu no mesmo dia da mãe, em 30/03/2016, tem seis anos; • Maria Eduarda (Duda): nasceu em 29/10/2014; tem hoje sete anos; e • Maria Luiza (Malu): nasceu no dia 07/06/2018 e está com quatro aninhos. Como é de costume, geralmente as filhas sempre buscam o socorro das mães. Aqui na nossa família não fugimos à regra. Praticamente, todos os finais de semana, o Fred e a Mariana vão com as filhas para o Alphaville, onde mora a Marly e Alvimar. Quase não sobra para a gente. De vez em quando aparece aqui em casa ou no Amendoeiras. O Leo e a Nat, são mais assíduos em Lagoa Santa, mesmo porque seu sogro também tem casa na cidade. Semana sim semana não, estão conosco. Já a Pat nos entregou os dois baixinhos desde que nasceram. Todos os dias entre 8 e 9 horas chegam os dois aqui em casa. Ficam com a gente, almoçam e depois os levamos para a escola, que fica aqui perto. À noite ela os pega na escola. Quando viajam, lá vem os dois. Ficam tranquilamente e dormem com a avó. São apaixonados por ela. É uma verdadeira “vovozona”. E quando essa turminha vai toda para Lagoa. Imaginem. Tem menino no pula-pula, na piscina, no balanço, na casinha da árvore, no galinheiro quebrando os ovos. Mas é muito bom ver a turma aproveitando e se relacionando. Mas aí é que mora o problema. Sempre umas briguinhas entre o Bruninho e o João contra a Júlia e a Duda. Mas faz parte. Logo em seguida já estão de novo brincando juntos. É aí que entra a vovó criando e inventando diversas brincadeiras para distrair a meninada. E eles adoram. Enquanto isso, nós vamos curtindo a nossa farrinha. O Bruno fazendo os tira-gostos, a Karina fritando e a Paty arrumando as cadeiras e as mesas. Bom

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CAPÍTULO 16 - OS NETOS

demais! É vida que segue. No ano que vem, iremos comemorar 50 anos de casamento e vamos fazer uma grande comemoração. A ideia é mais uma viagem, todos juntos, para conhecer alguns lugares a mais. Ah, estava me esquecendo: mais uma vez, no Natal deste ano fui o papai Noel, mas a meninada mais velha já sabe que é o vovô Noel. Mas a farra é boa, pois todos ficam numa alegria incrível. É papel sendo rasgado para todo lado. Todos querendo ver os presentes. Uma senhora bagunça. Mas é muito divertido ver a meninada distraindo e mostrando os presentes para todo mundo. Vale à pena a farra. No ano que vem tem mais, se Deus quiser. Mas o que desejo é tudo de bom para os meus netinhos e netinhas. Que sejam felizes e aproveitem a vida que Deus lhes deu.

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PELOS CAMINHOS DA VIDA

Capítulo 17

A Casa em Lagoa Santa

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CAPÍTULO 17 - A CASA EM LAGOA SANTA

17.1. Da Fazenda para a Casa

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compra da casa em Lagoa Santa, em 1985, ocorreu por um acaso. Como o meu pai sempre foi e sempre gostou de fazendas, sempre tive a intenção de adquirir uma propriedade destas e deixar que ele administrasse para mim. Aos finais de semana, sempre que possível, saímos para visitar algumas destas propriedades que se encontravam à venda. Difícil encontrar algo que nos agradasse num entorno próximo ao Belo Horizonte. Tudo muito caro e ruim. Foram diversas idas e vindas e nada. A última que visitamos, em São José da Varginha, foi a que mais nos agradou. Tinha estilo de fazenda (casa em dois andares com varanda), mas a área era pequena e apenas parte da fazenda tinha as terras de melhor qualidade. O restante tinha muito pedregulho. Mas mesmo assim decidimos fazer uma oferta. Quando estava tudo se encaminhando, meu sogro descobriu que seu vizinho de rua estava vendendo sua propriedade em Itatiauçu, onde plantava batatas. Visitamos, gostamos e fizemos a contraproposta e ela aceitou. Só que nunca decidia formalizar a negociação. Enquanto isso, um dia no clube do Banco o Zé Luiz, meu amigo, me disse que havia comprado uma casa num condomínio em Lagoa Santa e que havia outras à venda. Era no condomínio Estâncias das Amendoeiras, lançado pelo Dr. Sabino, dono da Tratex e do Banco Rural. Combinamos e lá fomos nós. A casa que estava à venda tinha apenas a área de lazer; a casa principal ainda não estava construída. Era uma casa, com sala grande, uma suíte enorme, dois vestiários grandes e uma varanda enorme. Além de piscina e quadra de peteca. Um terreno de 5.000 m² todo gramado e com plantação de frutas (laranjas, mexericas, figo, romã, dentre outras). A Angela gostou demais do que viu e passou a fazer muita força para que eu fechasse o negócio. Contato realizado e pronto; casa adquirida em uma semana. Esta casa do condomínio acabou me satisfazendo como fazenda, sitio e casa de campo. Daí para frente Lagoa Santa passou a ser o nosso ponto de encontro todos os finais de semana. Meu sogro Adail (Lico) adorava o local; sempre era o primeiro a chegar. Geralmente, à noite ficávamos até altas noites cozinhando no fogão de lenha ou fazendo churrasco e, como ninguém é de ferro, tomando umas e outras. Com a aquisição da casa diminuímos as idas ao clube do banco e passamos a planejar a sua expansão, pois não cabiam todos que queriam ir para lá. Como não gostamos do projeto original, decidimos ir por etapas. Primeiramente, arranjar lo-

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PELOS CAMINHOS DA VIDA

cal para os meninos ficarem. Construímos mais dois quartos, um em cima do outro, e diminuímos o tamanho da varanda, fazendo uma sala para TV. Daí para frente não paramos mais de investir no local. Fizemos a frente da casa, com mais uma sala e uma varanda. Depois acabamos com a varanda e fizemos garagem. Construímos a área de lazer. E daí em diante, foram reformas, ampliações e mais ampliações. Ao todo foram oito intervenções. A casa deixou de ser estilo colonial e passou a ser mais moderna. Toda em madeira de lei e cerâmica. Hoje a casa principal tem três suítes e uma semi-suíte. Uma sala grande, uma sala de TV, um quarto/escritório, cozinha, despensa, lavabo, um deque e uma garagem coberta para dois carros. Do outro lado, a área de lazer, com cozinha, dois banheiros, uma sala e uma suíte bem grande em cima. Ligando as duas estruturas existe uma área enorme com ambiente de jantar e sala de estar, esta última construída recentemente (2019/20). Tem ainda, uma estrutura para dar suporte ao caseiro, uma horta, galinheiro e canil. Por falar em canil, tivemos vários cachorros lá. Primeiro a Honey, pincher, adorava o Leo e, por um acaso, quando estava saindo de carro, a atropelou e ela veio a falecer. Chorou demais. Depois uma leva: a Lunica, o Tico e o Pirata, seu filho. Até hoje tem filhos do Tico no condomínio. Sempre a Lunica tinha ninhadas de 5 a 6 cachorrinhos e tínhamos que distribuí-los. Hoje ainda temos um vira-lata, o Bily. O condomínio Estâncias das Amendoeiras, inicialmente com poucas casas , hoje está quase que totalmente construído e habitado. Cada vez mais moderno e muito bem administrado e protegido. Tudo isto fez com que ele tivesse uma valorização enorme e é hoje considerado um dos melhores da região da grande BH. É aí que, de vez em quando, nos reunimos para fazer algumas das nossas comemorações. 17.2. O Repolho Nervoso Nome estranho, não? Não me lembro mais, mas o nome surgiu de repente. Não me lembro mais quem deu o nome, mais foi um dos integrantes do Repolho. E como tudo aconteceu? Quando passamos a frequentar mais assiduamente o Amendoeiras, começamos a fazer amizades. Uma das primeiras foi com o Dominguinhos, que gostava de ir à minha casa, principalmente para encontrar-se com o meu sogro (Lico). Os dois adoravam tomar uma pinga juntos. Até a mãe dele, quando vinha do Rio de Janeiro, ia lá em casa para ver o Lico. Sempre aparecia ele com alguma carne (de preferência a dobradinha, costelinha, entre outras) já temperada na panela, para ser feita. Era o tira gosto para a farra do dia. O começo foi no clube, com ele sempre fazendo algo. Um dia dobradinha, outro dia uma feijoada, outro dia uma carne cozida com mandioca. Todo final de

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CAPÍTULO 17 - A CASA EM LAGOA SANTA

semana variava o cardápio. Aos poucos foram aparecendo outros moradores. O time foi aumentado. Certo dia, fomos convidados para uma farra, na casa do Walfrido. A casa, recém-construída, tinha uma área de lazer imensa e com tudo que se pode imaginar; fogão lenha, fogão a gás, churrasqueira, defumadeira, máquina de música, adega subterrânea, com muito vinho, sauna, etc. Como era sócio-proprietário de uma grande distribuidora da Antártica, o que não faltava era chope e cerveja gelada. Para melhor administrar a farra certo dia foi criada a turma do Repolho Nervoso, tendo com um presidente (benemérito) o Zé Luiz e como vice o Fernando Lanna. A farra todos os finais de semana foi ganhando adeptos, principalmente porque quase tudo era de graça. E foi aparecendo gente e mais gente, a maioria sempre acompanhada da família. De vez em quando alguém levava algum tira gosto, mas para dizer a verdade tudo era bancado pela casa. Vez ou outra se fazia uma reunião na casa de algum participante, para variar um pouco. Farra todos os finais de semana; começava já na sexta e terminava no domingo pela manhã, depois da caminhada. Tínhamos um grupo muito assíduo: Walfrido, Eliel, Fernando, Nelson, Zé Luiz, Eu, Guido, Gallo, Dominguinhos, Carlinhos Pescoço, Totó, Nestor, Helinho, Sérgio Lima dentre outros. Quem mais aproveitava era a meninada. Quase todos tinham suas motocicletas e rodavam de cima a baixo, mas eram proibidos de sair para a cidade. No primeiro carnaval foi criado o bloco das Amendoetes. Todos vestidos de mulher. Só saíamos para o desfile depois de tomar todas. O desfile era na cidade, em um carro muito bem decorado e em carros particulares também preparados para o evento. Depois voltávamos para o clube para dar continuidade à farra. Não é que a coisa foi ganhando corpo e até surgiu uma certa rivalidade entre as Amendoetes e as Peruas do Condado, do condomínio vizinho (Condados da Lagoa). A coisa foi ganhando corpo e virou até atração na cidade na época do carnaval. Mas tudo que nasce, cresce, chega ao auge, começa sempre a criar ciúmes, vêm os primeiros desentendimentos e outros problemas e acaba terminando. E foi assim que aconteceu. E tudo terminou. E, na minha avaliação, se não tivesse terminado muitos de nós já teríamos partido para outro mundo. Ninguém aguentaria aquela farra por muito tempo. Alguns até já se foram e deixaram muita saudade. Como digo, a vida é assim mesmo, cheia de momentos bons e de contratempos. É vida que segue. Tempos atrás, tentaram reabilitar o Repolho. Fizeram um encontro, mas pelo que sei, não teve ibope. Hoje tem um pequeníssimo grupo que se comunica no WhatsApp. Mais nada do que isto.

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Capítulo 18

Conhecendo um Pouco deste Mundão


CAPÍTULO 18 - CONHECENDO UM POUCO DESTE MUNDÃO

Conforme verão a seguir demos alguns giros por este mundão afora.

Q

18.1. Indonésia (Jakarta) e Outros Lugares Lindos uando o meu diretor no BDMG me chamou e me disse que eu havia sido escolhido para representar o Banco num evento internacional, fiquei alegre, mas me deu um medo danado, pois seria esta a minha primeira viagem internacional. O evento era do setor sucroalcooleiro e seria realizado em Jacarta, na Indonésia. Quando cheguei em casa e falei com a Angela se ela toparia ir comigo, ela imediatamente topou. Foram 20 dias no Congresso e mais 7 por conta própria. Primeiramente estivemos em São Francisco/USA, onde aproveitamos para conhecer a cidade. No dia seguinte embarcamos para o Havaí e ficamos em Honolulu (uma das cidades mais lindas do mundo). Dali, voamos para o Congresso.Tudo muito bem organizado e com muita gente conhecida participando. Terminado o evento eu e a Angela saímos com destino a Singapura, onde ficamos por quatro dias (era tão bom que não dava vontade de ir embora). Mas decidimos ir para Tóquio, a cidade mais iluminada que já vi. Uma maravilha. No dia seguinte, saímos para conhecer um pouco da cidade. Nunca vi tanta gente na vida, andando a pé e de bicicleta no passeio. Uma confusão danada, mas organizada. De Tóquio fomos para Los Angeles, onde visitamos Hollywood, Berverly Hills e outros lugares. 18.2. Ainda nos EUA Nos Estados Unidos estivermos ainda, juntos com a Marisa e o Kangussu, em Nova York, por mais de uma semana e visitamos todos s lugares programados. Aproveitamos e curtimos bastante. Uma linda cidade. Outra vez, juntos com a Paty e o Bruno, fomos até Orlando e visitamos a Disney. Não imaginava que era aquela maravilha toda. Como é grande tudo aquilo; fomos dois dias e não percorremos nem a metade do local. Mas aproveitamos bastante e voltamos a ser crianças; andamos em diversos brinquedos que julgávamos perigosos e não sofremos tanto. Que dá medo dá; mas enfrentamos vários deles. Valeu muito. Mas, além dos lindos lugares que vi e curti, um foi especial. A vista do apartamento de Miami, do Fred e do seu sogro Alvimar. Estive lá umas quatro ou cinco vezes. O apartamento, além de bem localizado, tinha uma linda vista para o mar, onde havia uma pequena ilha, bem no meio, aonde as pessoas iam aos finais de semana em pequenos barcos e em jet-skis fazer churrasco e descansar no local. Como o apartamento era no 14º andar a visão era total, era bom estar lá em cima observando tudo.

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PELOS CAMINHOS DA VIDA

Para mim era como estar no céu, pela linda visão que nos proporcionava. 18.3. Tour pela Europa 18.3.1. Portugal – Porto/Lisboa/etc Em 2018, em companhia de minha irmã Regina e do Buda (Marcio Roberto), seu marido, resolvemos dar uma volta pela Europa. Partimos para a cidade do Porto, onde estava nos esperando um amigo dele (Antônio), que prestou serviços para a CCR. Descansamos um pouco e logo em seguida fomos à luta. Fomos até Gaia, visitar as caves e degustar um bom vinho português. No dia seguinte, o Antônio nos levou a Ponte de Lima, para deliciar o arroz de sarrabulho (tipo molho pardo), feito com sangue e miúdos do porco. Adorei. Muito bom. Na volta fomos a Viana do Castelo, cidade histórica, linda, muito conservada e muito florida. No dia seguinte fomos para Lisboa passando pela cidade de Aveiro e em seguida fomos a Fátima, onde visitamos a capela e a Catedral. No final da tarde chegamos a Lisboa. À noite fomos ao Solar dos Presuntos tomar um chopinho e um vinho e nos deliciar com a comida portuguesa. No outro dia contratamos um motorista para nos levar a Sintra, Cascais e Estoril. Valeu a pena. Tudo muito bonito e conservado. No outro dia visitamos diversos locais na cidade (Mosteiro dos Jerônimos, Padrão dos Descobrimentos, dentre outros). 18.3.2. Barcelona Logo que chegamos fomos procurar o Passeo de Gracia e as Ramblas, local onde estão localizados os barzinhos com seus pratos típicos: muitas tapas (petiscos variados, servidos com molho e pão) e sangria; tudo muito bom (para não dizer que foi e.x.c.e.l.e.n.t.e), muita gente, muitos bares e cafés. Bebemos e comemos à vontade. No dia seguinte, fizemos um tour pela cidade; visitamos uma série de pontos turísticos com destaque para a Catedral da Sagrada Família, obra de Galdi, sempre inacabada, e também fomos ao Camp Nou, estádio do Barcelona. 18.3.3. Cidade Luz: Paris A viagem para Paris foi rápida.Fomos para o hotel Sofitel – localizado perto da Champs Elisées e da Torre Eiffel. Fomos a pé ao Arco do Triunfo e, em seguida, à Galeria Lafayette (quanto luxo e quanta mulher bonita); à noite, na Champs Elisées, numa brasserie, comemoramos o meu aniversário, regado a champagne e deliciosos frutos do mar. No dia seguinte, visitamos a catedral de Notre Dame (maravilhosa), Inválidos (hospital onde ficavam os mutilados de guerra) e onde está o túmulo do Napoleão; finalmente, subimos na Torre Eiffel, onde se tem uma vista maravilhosa de Paris. No

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CAPÍTULO 18 - CONHECENDO UM POUCO DESTE MUNDÃO

outro dia, fomos ao Louvre: muito bonito, mas muito cheio; à tarde fomos ao Valle D’Europe, no Outlet e no último dia fomos para Versailles. 18.3.4. Amsterdam No dia seguinte pegamos o TGV para Amsterdam; viagem tranquila e muito gostosa, tomando vinho e comendo tudo de bom; belas paisagens dos campos. Passamos por várias cidades ao norte da França e depois já na Holanda, em Bruxelas, Roterdam, Doo Haag, etc. Amsterdam foi a grande surpresa da viagem: a cidade é maravilhosa, tudo muito limpo, os canais e suas pontes em forma de arco (1.300 pontes na cidade), com os olmos plantados em volta, dão um it diferente à cidade. No dia seguinte, fomos dar um passeio de barco pelos canais da cidade; no passeio nos foram sendo apresentados os principais monumentos da cidade: casa de Anne Frank, casa do anjo azul (Anjo Gabriel – 1843), a igreja de São Nicolas, porto de Amsterdam; cópia do barco pirata, utilizado para a 1ª viagem às Índias (1704), etc. 18.4. Viagem aos Bálcãs – Antiga Iugoslávia Não estava nos nossos planos fazer esta viagem, mas apareceu o convite do meu amigo e vizinho Kanga (Carlos Alberto) e da Marisa, e resolvemos encarar o desafio. Foi muito bom. Tudo muito diferente. Afinal, viajar e conhecer outros lugares é tudo de bom. Como é tudo muito perto fizemos todo o tour de ônibus. Foi em 2013, em uma excursão muito bem organizada e com alguns conhecidos visitamos Zagreb, capital da Croácia e estivemos ainda em Split e em Dubrovinik, onde fizemos um passeio pela cidade, considerada a pérola do Adriático. No dia seguinte, excursionamos o dia inteiro por Montenegro, onde visitamos a cidade de Risan e Perast, visitamos uma das duas ilhas da baía e conhecemos a igreja de Nossa Senhora das Pedras. Em Kotor, desfrutamos de uma das mais bem preservadas cidades muradas medievais do Adriático. Lindo demais; valeu à pena. No dia seguinte partimos para Mostar, cidade das pontes, localizada na Bosnia-Herzegovina. Depois, fomos para Saravejo onde fizemos um city tour. Pela manhã seguimos para Osijek, a maior cidade do leste da Croácia e depois para Vukovar, maior porto croata do rio localizado na confluência do rio Vuka, no Danúbio, uma cidade também conhecida como símbolo da guerra croata pela independência. A cidade foi reconstruída, mas ainda existem muitas ruínas. 18.5. Cruzeiro pelas Ilhas Gregas 18.5.1. Atenas Em 2015 nosso destino foi Atenas. À tarde, visitamos o Cabo Sounion,

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PELOS CAMINHOS DA VIDA

passando pelos belíssimos balneários de Glyfada, Vouliagmeni e Varkiza. Chegamos ao Cabo e visitamos o templo de Poseidon, construído em colunas de mármore, numa linda paisagem. No dia seguinte, visitamos a Acrópole e aos principais pontos: Acrópole, Teatro de Dionísio, Arco de Adriano, Templo de Zeus Olímpico, Estádio Olímpico, Palácio Real, Academia, Universidade e Biblioteca Nacional; à noite, fomos jantar em tradicional taberna da cidade, com show e dança grega. No outro dia, visitamos Corinto, Micenas e Epidauro, onde vimos o canal construído ligando o mar Mediterrâneo ao mar Egeu. Em Micenas, visitamos as ruínas, incluindo a Porta dos Leões, a Tumba de Agamenonn e o Palácio. Em seguida, fomos para Argolis, passando por Nafplio; depois seguimos para Epidauro, onde visitamos o famoso teatro, conhecido pela sua excepcional acústica. 18.5.2. Ilhas Gregas Iniciamos o cruzeiro pelas ilhas gregas e turcas, a bordo do navio Louis Cristal, com embarque pelo porto de Piraeus. Chegamos a Mykonos. Foi a minha primeira experiência em alto mar. Quando fui dormir estava tudo balançando e, a princípio custei a pegar no sono. Mas fui acostumando e passei a gostar do balanço. Viajávamos à noite, para no dia seguinte estar no lugar previsto. De Mykonos, uma cidade pequenina, mas linda demais, fomos para Kusadasi, na Turquia, onde chegamos bem cedo; desembarcamos e visitamos a casa, hoje uma pequena capela, onde se acredita que a Virgem Maria tenha permanecido seus últimos anos; no local foi onde também morou São João Evangelista, que morreu aos 94 anos de idade. Em seguida, fomos conhecer a antiga cidade de Éfeso, onde conhecemos o Oden (sala de concertos), a Fonte de Trajan, Termas (aquecimento a vapor), o Templo de Adriano, a biblioteca e o grande teatro, com capacidade para 24 mil lugares, onde São Paulo fazia suas pregações. Depois fomos para Patnos onde desembarcamos e visitamos,na vila de Chora,o Mosteiro de São João, construído há 900 anos, dentro das muralhas de uma fortificação. Como sempre se fazia, saímos à noite e chegamos à Santorini bem cedo (que lugar lindo, já sabia disso, mas não imaginava que era tanto), onde desembarcamos e subimos pelo teleférico e depois fomos para Oia, vilarejo local, muito lindo, lindo mesmo, para não dizer maravilhoso. No dia seguinte saímos para Delfos, passando pelas cidades de Tebas, Livadia, Arakova, famosa por suas almofadas tecidas em cores vivas. Chagamos a Delfos, centro do mundo antigo, onde visitamos o tesouro dos atenienses,Templo de Apolo e o museu local. Toda viagem é boa, mas desta não vamos esquecer nunca. Além da boa companhia e das farras no navio aproveitamos para valer. Foi maravilhosa! Recomendo que a façam, vale a pena!

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Capítulo 19

A Aposentadoria 79


PELOS CAMINHOS DA VIDA

E

m 2000 o BDMG lançou o seu Programa de Aposentadoria Voluntária, época em que eu estava na Diretoria financeira da Desban. Era muito atrativa a proposta para aposentarmos. Tinha apenas 56 anos e achei que não poderia perder a oportunidade. Fiz o acordo e no final de 2000, depois de quase 36 anos de trabalho dedicados ao BDMG e à administração da DESBAN, me aposentei, merecidamente, tenho certeza. Durante todo este tempo tive a oportunidade de conhecer e conviver com diversas pessoas (infelizmente alguns já se foram), profissionais altamente competentes, qualificados e dedicados a casa, fazer boas amizades, viver bons momentos, trabalhar em diversas áreas, num ambiente agradável, de boa convivência e de ter feito parte de uma equipe que sempre se orgulhou de se dedicar ao Banco e ao Estado de MG. Aprendi bastante com todos e saí satisfeito de ter dado a minha contribuição. Posso dizer-lhes que valeu a pena. Foi muito bom! Mas não pendurei as chuteiras. 19.1.A Consultoria – JLR Em meados de 2001 recebi um telefonema do meu ex-colega de Banco, Ney Santiago, e que naquele momento estava trabalhando na JLR Consultoria. Perguntou-me se não queria voltar à atividade. Ele estava me indicando para integrar o grupo de profissionais da empresa. Fizemos uma primeira reunião e logo em seguida lá estávamos em atividade novamente. Formamos um bom grupo de trabalho, coordenado pelo Dr. José Luiz Rocha. Nosso primeiro trabalho foi em uma cooperativa de crédito no Espírito Santo, que atuava na área de educação e que se encontrava em dificuldades. Com o resultado do trabalho lá realizado fomos contratados para a realização de um outro bem mais amplo sobre todas as cooperativas. Mais à frente o governo federal se interessou pelo assunto e o trabalho foi ampliado, com a participação financeira do Sebrae. Com isto, novos colaboradores foram incorporados ao grupo. Foi um período longo de execução do trabalho, com viagens sempre a Brasília para avaliação de direcionamento das atividades. No final, foram produzidos diversos volumes, contando sobre a evolução do cooperativismo no Brasil, seu desenvolvimento e a situação em que se encontrava com sugestão e propostas para sua correção e o crescimento da atividade.

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CAPÍTULO 19 - A APOSENTADORIA

Depois disso, seguiu-se uma série de trabalhos de consultoria, a maioria de governança e reestruturação e apoio a gestão. Nosso trabalho envolvia primeiramente uma avaliação, ou seja, um diagnóstico completo das empresas, em todos os seus aspectos, ou seja, evolução, situação gerencial, econômica, financeira e perspectivas, que era chamado de relatório de chegada. Os trabalhos eram sempre iniciados com uma entrevista dos principais executivos indicados por eles mesmos. Em seguida era feito a tabulação dos dados e os resultados apresentados à empresa. Em seguida era feito um detalhado diagnóstico da situação operacional retrospectiva, gerencial, econômico-financeira e até tecnológica, quando o caso requeria, com as devidas conclusões e recomendações. Quando contratados, acompanhávamos temporariamente também a gestão do negócio. Em 2015, já cansados, decidimos em conjunto encerrarmos as atividades da empresa e finalmente nos aposentar. 19.2. A Vida depois da Aposentadoria Lá se vão seis anos. De um lado foi bom, pois como viram aproveitei bastante para descansar, viajar e curtir os meus netos. De outro, certa frustração, pois achava que ainda poderia continuar contribuindo com as empresas e os empresários com as nossas participação e orientações. Custei a entender que uma hora teria que pendurar definitivamente as chuteiras. Inicialmente foi difícil aceitar, mas aos poucos depois fui aceitando e acabei me acostumando. Afinal, ficar à toa também faz parte da vida. De vez em quando leio ou releio um livro. Tenho que voltar a ter o hábito de ler. No computador leio as notícias. Depois faço os meus joguinhos: FreeCel e Paciência Spider, os preferidos. No Netflix vejo alguns filmes indicados por amigos ou pelos filhos. Como tenho dois netinhos que ficam todas as manhãs com a gente para depois levá-los para a escola, de certa forma, ocupam parte das nossas vidas. E ainda, tenho Lagoa Santa, que como não paro de fazer algum investimento, quase sempre estou envolvido com as melhorias lá realizadas. Tinha também uma parte do dia ocupada pela ida a academia, mas com a pandemia fui obrigado a deixar de frequentar. Mas, em casa, com atividade em uma bicicleta, vou tentando manter o corpo firme e forte. E assim, vou levando a vida.

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PELOS CAMINHOS DA VIDA

Capítulo 20

Os Percalços da Vida 82


CAPÍTULO 20 - OS PERCALÇOS DA VIDA

A

vida da gente não é feita só de coisas boas e de vez em quando aparecem também algumas adversidades. Nestas horas, temos que ter forças para vencê-las. Mas como dizem: “faz parte do jogo da vida”. E vejam que, o que não faltou na nossa vida foram problemas. Vou relatar resumidamente alguns, porque senão ficam muito longas as descrições. 20.1. O Primeiro Não me lembro quando (acho que foi nos anos 80), mas passei por um aperto quando apareceu uma infecção em meu olho direito. Acho que foi aquele mesmo que o bezerro me atingiu e também o chute do colega. Busquei tratamento e nada. Tomei diversas injeções e nada. Um dia o Kanga me falou para procurar um colega dele, o Dr. Renato Laender. E não é que um dia subindo a Rua Rio de Janeiro decidi entrar no Sindicato dos Bancários, local onde ele trabalhava. Fui atendido, e me recomendou refazer novamente os exames antialérgicos. O resultado deu igual ao antigo, mas ele me perguntou se eu estava disposto a fazer um tratamento contra o bacilo de Kock. Segundo ele o formato da infecção era muito parecido com a do bacilo. Topei, fiz o tratamento por um ano ou mais e a infecção desapareceu. Graças a Deus. Infelizmente, perdi grande parte da visão do lado direito, pois a infecção atingiu a mácula. Mas dos males, o menor. O pouco que enxergo com ele tem sido o suficiente. Sempre renovo as minhas carteiras de trânsito sem necessidade de usar óculos. 20.2. O Segundo. E que Susto! Quando havíamos decido fechar a fábrica, pois três filhos era um número que achávamos suficiente, veio uma surpresa e um enorme susto. Difícil a decisão. Na época a Angela fazia um tratamento de psoríase, doença que também apareceu inesperadamente. Uma pequena mancha no joelho, notada quando estávamos na praia em Recife. Outra, mais outra, logo depois, uma no cotovelo e quanto mais se procurava uma solução mais as manchas se espalhavam pelo corpo. Procuramos todos os especialistas e todo tipo de tratamento existente, e nada. Foram pomadas e mais pomadas. Tratamento à base de PUVA (radiação de ultravioleta em cabine apropriada). Mas nada de solução. Continuava só aumentando pelo corpo. Aí, alguém sugeriu a importação de um medicamento que poderia talvez

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PELOS CAPÍTULO CAMINHOS 20 - OSDA PERCALÇOS VIDA DA VIDA

resolver o problema. Corremos atrás e conseguimos trazê-lo. Começou a usar e uma leve melhora foi notada. Como a medicação era do tipo teratogênico, ela não poderia engravidar. Foi quando o seu médico, depois de importar um equipamento que realizava a cirurgia das trompas de forma menos invasiva, decidiu realizá-la na Angela para dar mais tranquilidade. Não é que deu tudo errado? A cirurgia foi mal realizada e as trompas continuaram funcionando do mesmo jeito. Resultado: a Angela engravidou novamente. E agora? Como resolver? Decidimos pressionar o médico, mas ele somente se desculpou e a esta altura o fato já estava consumado. Mas ele disse que ela definitivamente não poderia dar continuidade à gravidez, pois era de alto risco. Então, qual a solução?. Como vamos resolver? Ele sugeriu que se fizesse a cirurgia de aborto e nos indicou um médico da faculdade de medicina, com quem ele já havia conversado e que se dispôs a realizá-la. Achamos que ele simplesmente transferiu o problema para a gente. Nós é que deveríamos tomar a decisão. E que solução difícil. Primeiramente, achávamos que não deveríamos fazer e sim enfrentar a situação; principalmente a Angela. Mas foi grande a pressão para que se fizesse a interrupção. Foram dias e dias de sofrimento. Quantas noites de sono perdido. Finalmente, fomos convencidos e partimos para a solução. A cirurgia foi realizada. A Angela apresentou alguns problemas de infecção, mas graças a Deus tudo solucionado. Mas ficou para sempre uma dor. Difícil, muito difícil, quando lembro; dói até hoje. Mas é a vida. Faz parte. Nem tudo são flores. É vida que segue. 20.3. O Terceiro Em um dia, quando cheguei do trabalho, a Angela me disse que estava notando um caroçinho no seio. Quando toquei também achei algo estanho, muito pequenino, mas tinha algo errado. Imediatamente, decidimos procurar o médico que a atendia. Primeiramente, solicitou que se fizesse uma punção e o resultado deu negativo. Insatisfeito, pediu que procurássemos uma especialista na área, para tirar qualquer dúvida. Primeiramente, ela fez uma nova mamografia, para confirmar a presença do nódulo. E lá estava ele. Nova punção realizada e, desta vez, a biópsia acusou resultado positivo. Foi um susto. Ninguém esperava, sobretudo porque na família ninguém havia tido um câncer de mama. Na minha avaliação o médico ginecologista que a acompanhava iniciou a reposição de hormônios

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muito cedo e acredito que possa ter sido isso a causa ou uma das causas do surgimento do câncer. Imediatamente, decidimos resolver o problema. Buscamos um bom especialista no assunto e um craque em resolver este tipo de problema. Cirurgia realizada, com a decisão de tirar não só o nódulo, mas também todos os linfonodos para buscar a solução definitiva do problema. Em seguida o tratamento, realizado somente à base da radioterapia, pois como ela tinha leucopenia (baixa de leucócitos), o médico tomou a decisão de não fazer químio. Foram idas e vindas ao hospital São Francisco, quase todos os dias depois de voltar do Banco. Posteriormente, mais cinco anos seguidos de controle até dar por definitivamente curada. Que alívio! Este foi o nosso segundo susto e batalha mais uma vez vencida. 20.4. Mais Um não, Dois Depois disso, acho até que em decorrência dos dois problemas anteriores, a Angela começou a apresentar dores na coluna que foram se agravando a cada mês. Foram consultas e mais consultas, exercícios fisioterápicos por longo período, remédios e mais remédios e nada resolvia. Foi então que ao levarmos os exames em outro médico ele recomendou a cirurgia como solução. Cirurgia realizada e tudo resolvido; nada de dores e vida normal. Mas para surpresa nossa o problema voltou a aparecer. Com a alegria ao solucionar o problema ela acabou exagerando nos exercícios físicos e a coluna voltou a pifar. Algumas soluções alternativas foram tentadas e nada. Nova cirurgia foi realizada, praticamente no mesmo local, só um pouco acima da anterior. Enfim, depois de muito aprender, os novos exercícios passaram a ser realizados com especialistas, mas de tempo em tempo surgem ainda dores no local, mas vem conseguindo levar a vida com normalidade e sempre fazendo os exercícios fisioterápicos com especialistas no assunto. É vida que segue. 20.5. Outro Susto: A Vida em Risco Durante a minha vida realizei várias cirurgias de menor risco, como amídalas, menisco, cataratas e vesícula. A primeira, ainda na fase da juventude, quando tirei as amígdalas. Naquela época você tinha dor de garganta ou qualquer outra amigdalite e os médicos recomendavam tirá-las, totalmente diferentes dos dias atuais. Depois fiz a retirada do menisco do joelho esquerdo. Em um jogo de

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disputa do campeonato interno de futsal do Banco, em uma partida contra o jurídico, caí e bati o joelho em uma cadeira fixa para os reservas. Passei o remédio milagroso e voltei a jogar. Depois tentei a recuperação, mas não adiantou. Fiz a cirurgia e, naquela época, a solução era abrir fazendo o corte e depois engessar por um mês para a recuperação. Depois com a atrofia tive que fazer exercícios para recuperá-la. Muito rudimentar em relação ao que existe hoje, mas era a única alternativa. Depois, no final de ano, no natal de dezembro de 1988, comecei a sentir fortes dores abdominais do lado direito e também nas costas. Meu cunhado Marcio ligou para um professor dele e ele recomendou que me internasse. Fui para o Hospital Felício Rocho e lá fui ficando, atendido por recém-formados e um dia ou outro por algum médico que passa e me dava uma olhada. E nada! Chegou a um ponto que já não resistia mais, quando o Marcio deu o grito com o professor dele, dizendo que eu estava abandonado no hospital. Foi aí que apareceu um médico que decidiu por realizar uma cirurgia exploratória, dizendo que poderia ser apêndice. Lembro-me que foi na mesma época em que o navio Bateau Mouche afundou no Rio de Janeiro. Realizada a cirurgia, ficou confirmada a existência de apêndice retroverso, só que já supurado. Fizeram todos os procedimentos, mas logo em seguida veio uma infecção difícil de ser vencida. Foram realizadas várias lavagens do meu intestino e nada. E tome antibiótico! Depois de 30 dias no hospital o médico disse que se não recuperasse com o antibiótico teria que me operar novamente. Então pedi para ir para casa com o compromisso de atender às solicitações médicas, ou seja, controlar a febre de hora em hora e fazer ultrassonografia diariamente. A intenção era ver os meus amigos, pois estava com muito medo de ter de me submeter a nova cirurgia e não dar certo, como aconteceu com o nosso presidente Tancredo Neves. Mas vale lembrar que, no dia em que recebi a visita de meus colegas do banco, em minha casa, um dia antes de voltar ao hospital, apareceu uma nossa vizinha, muito católica, que trazia para mim uma imagem de Nossa Senhora do Belo Ramo, dizendo que ela seria a minha eterna protetora. Quem fazia o meu ultrassom era o Marcio, em uma clínica no Santo Agostinho. Uma semana depois, quando retornei ao hospital a infecção já começava a ceder. Aí, tomei mais antibiótico, por mais de 90 dias, até me recuperar. Durante quase um ano, quando transpirava aparecia o cheiro do antibiótico. Mas, o mais importante é que me recuperei totalmente. Hoje tenho a minha barriga toda perfurada, pois além das realizadas

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CAPÍTULO 20 - OS PERCALÇOS DA VIDA

na cirurgia recente, tenho um corte enorme na horizontal (21 cm) e outro vertical de (3 cm), além de mais dois da cirurgia de vesícula, tão pequenos, que já até desapareceram. 20.6. Mais um. Este foi demais! Sempre achei que o Bruninho, meu neto, tem um parafuso a menos. Quando fica nervoso ninguém aguenta. Emburra e pronto. É difícil. Dá vontade de dar uns petelecos nele. Aconteceu quando a Pat e o Bruno fizeram uma viagem ao exterior. Acho que ele tinha apenas dois anos. A Angela tomou o celular e colocou em cima de um móvel que tínhamos no corredor, apropriado para guardar sapatos, bolsas e outros badulaques. Não é que ele, nervoso de ter perdido o celular, deu um empurrão no móvel jogando-o contra a parede. Com o empurrão ele deslocou-se da base e caiu em cima dele. Ainda bem que o espelho que tinha na frente não quebrou. Mas quando vimos o Bruninho estava desacordado. Um desespero total. Tiramos o móvel de cima dele e ele continuava imóvel. A Angela correu para a casa do Kangussu, médico vizinho. Nada resolvido, voltou com ele. Foi quando o tomei de sua mão, coloquei na minha cama e fiz respiração boca a boca e pressionei o seu peito. Umas duas ou três vezes e ele enfim voltou a respirar e a chorar. Ainda bem. Pelo menos isto. Em seguida, corremos para o carro; a Angela com ele nos braços chorando e eu desesperado abrindo a buzina e pedindo passagem. O pior, eram 18:30, hora do rush. Mas todos colaboraram. Entrava de um lado saía de outro, subia no passeio, descia de outro e acabamos chegando ao Hospital Materdei da Contorno. Enfim atendimento imediato, no pronto socorro. Os médicos o colocaram no soro e começaram a fazer os exames. Tomografia, radiografias e graças a Deus tudo normal. Ficou em observação por um longo período e somente foi liberado com o compromisso de não deixá-lo dormir e ficar a noite vigiando o seu estado. No outro dia, bem cedinho, voltamos com ele para o hospital, pois apresentava alguma sonolência. Mas, enfim tudo normal. Que sufoco! Nunca havia passado por nada igual. Dias sem dormir. E como contar para os pais? Mas não poderia esconder e logo tomei a decisão de contar somente depois que retornassem da viagem. Passados alguns dias quando vieram em nossa casa, contei-lhes o sufoco que passamos. Ufa! Este susto foi demais.

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Capítulo 21

A Pandemia Mundial


CAPÍTULO 21 - A PANDEMIA MUNDIAL

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o final de 2019, a China anunciou ao mundo a existência de um vírus, na cidade de Wuhan. As principais teorias levantadas incluíam o contato entre um ser humano e um animal infectado em um acidente em um laboratório na China. A OMS divulgou um relatório desenvolvido por cientistas da China e de outras partes do mundo, que reforçou a origem natural da epidemia. A tese mais aceita diz que o vírus passou do morcego para um mamífero intermediário, e dele para o ser humano. A transmissão de um morcego diretamente para um humano também foi apontada como uma hipótese provável. Já a possibilidade de o vírus ter escapado acidentalmente do Instituto de Wuhan foi classificada como “extremamente improvável”. Mas, ao contrário, houve um cientista, professor japonês de fisiologia e medicina, Tasuku Honjo, que dizia que o coronavírus não é natural. Se fosse não afetaria o mundo inteiro dessa forma. Porque a temperatura varia demais de país para país. Se fosse natural, só afetaria países com a mesma temperatura da China. Em vez disso, está se espalhando da mesma forma para países como Suíça e para áreas desertas. Se fosse natural, se espalharia em lugares frios, mas morreria em lugares quentes. Desta forma, acha que o vírus é totalmente artificial. Não é de morcegos. Segundo ele foi feito pela China e a verdade um dia será revelada a todos. Também tenho a mesma opinião. A China fez uma cena inicial (construindo hospitais) só para avisar ao mundo da maldade. Todos os países “se fu...” e ela continuou sem apresentar problemas. Vocês viram falar de coronavírus em Pequim? Quase nada. Não é? Pois é! Tudo que você compra vem de lá. Pode olhar nas etiquetas. O mundo é uma verdadeira guerra comercial. Mas, independentemente de quem tem razão ou não, o misterioso novo coronavírus, a COVID-19, já levou mais de 6,0 milhões de pessoas à morte em todo o mundo. A transmissão da COVID-19 acontece principalmente através da tosse e dos espirros de uma pessoa infectada, podendo acontecer ainda do contato físico com objetos e superfícies contaminadas. Assim como acontece com a prevenção da transmissão de outros vírus, para se proteger da COVID-19 a OMS recomendou adotar algumas medidas, como: • Lavar frequentemente e corretamente as mãos, • Evitar a partilha de objetos (talheres, pratos, copos ou garrafas); • Utilizar máscaras.

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Além disso, a coisa tomou proporções enormes que os países passaram a adotar o lockdown, ou seja, proibir as pessoas de sairem para as ruas. Muitas empresas quebraram. Os governos tiveram que fazer doações às pessoas mais pobres, para que pudessem sobreviver. A economia mundial está sofrendo as consequências e terá muitas dificuldades para se recuperar. Mas ainda bem que os grandes laboratórios mundiais conseguiram com enorme rapidez desenvolver vacinas para prevenir contra a COVID 19 e com isso reduzir o número de mortes. Mas ainda não houve uma solução definitiva para o problema e tudo indica que teremos que conviver daqui para frente sempre com novos vírus e gripes, fora as doenças antigas que estão voltando, como a febre amarela, malária e outras. E sabe quem ganhou muito, mas muito mesmo, “dindim” com isso? Os laboratórios e a indústria farmacêutica. No Brasil a vacinação começou em 2021, pois a concorrência para comprar as vacinas era gigantesca. Os países desenvolvidos absorveram todos os produtos disponíveis no mercado. Mas, enfim, o país conseguiu comprar subprodutos da China e Índia e fabricar as vacinas aqui mesmo. Depois passou adquirir o produto da Pfizer, maior produtor mundial. Já tomei todas as dozes recomendadas para a minha idade e para a proteção pelo tratamento que estou realizando. Foram quatro doses ao todo. Vale lembrar que na minha família e na da Angela quase todos tiveram a doença. Como são jovens resistiram bem. Felizmente continuamos nos protegendo. Mas ao longo das últimas semanas, países como França, Espanha, Reino Unido, e Dinamarca decidiram que a Covid-19 não será mais encarada como uma pandemia e começará a ser tratada como uma endemia em seus territórios. Será que quando reduzir o número de mortes o Brasil também vai tomar esta decisão? Com isso, a doença provocada pelo coronavírus deixará de ser vista como uma emergência de saúde e muitas das restrições — uso de máscaras, proibição de aglomerações e exigência do passaporte vacinal — cairão por terra. De acordo com a avaliação de especialistas, o coronavírus não será extinto e passará, aos poucos, a afetar os seres humanos de forma similar a outros agentes causadores do resfriado comum. Mas para concluir, afinal, tem gente demais no mundo e de vez em quando tem que ter algo novo para reduzir um pouco a humanidade. Será?

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Capítulo 22

Surpresa e o Sentimento de Gratidão e Saudade!

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PELOS CAMINHOS DA VIDA

E

stava indo tudo tão bem e já quase no final do livro, uma surpresa. Estava iniciando a revisão dos textos quando fui surpreendido com a doença de minha mãe. Estava tão boa e, de uma hora para outra, começou a ficar indisposta. Não queria saber de papo e nem de comer. Cheguei lá para visitá-la e ela tinha acabado de tomar a 3ª dose da vacina contra a Covid 19. Dizia que não estava se sentindo bem, mas levantou e foi tomar o café com a gente. Comeu alguns pastéis e logo depois retornou para a cama. No dia seguinte continuou reclamando. Contratamos um médico para avaliá-la e ele sugeriu o tratamento em casa. No entanto, continuou piorando e resolvemos interná-la. Infelizmente, na época de carnaval os médicos somem e deixam tudo para os que estão em treinamento (residentes). No dia 03 de março ela se foi. A última da família Horta Fonseca. Mulher forte, determinada, que dedicou a sua vida a cuidar, orientar e cobrar dos filhos para que não deixassem de estudar. Sempre nos acompanhando de perto, no Serro, em Diamantina e em BH. Cumpriu sua missão com determinação. Acho que ficou satisfeita com o resultado. No entanto, desde que o meu pai faleceu, ela sempre dizia que queria ir embora para encontrá-lo e ficar ao lado dele. Não tinha medo da morte. Só queria encontrá-lo de toda forma. Andava com o retrato dele pendurado no pescoço e com um ao lado do criado que sempre beijava. Católica fervorosa, não perdia as missas pela TV Aparecida de manhã e também à tarde, em outro canal. Rezava o terço de manhã e também à noite. Impressionante, até adoecer fazia tudo sozinha, embora tivesse duas cuidadoras para atendê-la. Difícil de acreditar que com 102 anos e seis meses ainda era totalmente independente. O livro que produzimos em sua homenagem foi feito com a participação de todos: filhos, filhas, noras, genros, netos e bisnetos; foi uma homenagem justa. Era amiga de toda a vizinhança por onde passou e todos a admiravam e gostavam muito dela. Também fez por merecer. Que descanse em paz e que realize o seu sonho de encontrar o Seu Sinval para, enfim, matar a saudade. E que saudade! Mas não foi só ela que nos deixou. Meu grande amigo e vizinho, Carlos Alberto Kangussu, o “Kanga”, casado com a minha prima Mari-

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CAPÍTULO 22 - SURPRESA E O SENTIMENTO DE GRATIDÃO E SAUDADE!

sa, também resolveu partir, 13 dias depois (16 de março). Conhecemos-nos quando ele começou a namorar, ou seja, já são mais de 50 anos. Médico otorrino, dedicado ao trabalho e a atender a todos. Quando tinha qualquer problema de saúde sempre recorria a ele que estava sempre pronto a me atender e a qualquer um da família. Joaimense do coração bom. Um dos melhores jogadores de sinuca, não profissional, que conheci. Geralmente, começava o jogo e terminava sem você dar uma tacada. Grande companheiro; sempre íamos assistir aos jogos no Mineirão; quase todos os domingos. Saíamos sempre mais tarde. Quem ia dirigindo era ele, verdadeiro maluco, saia cortando todo mundo e sempre chegava na hora de começar o jogo. Como era difícil estacionar deixava o carro aberto, em qualquer esquina, para o tomador de conta escutar o jogo. Assim o carro não ficava preso e mais fácil para sair logo após o jogo. Cruzeirense, mas não dos chatos e fanáticos. Quase sempre ia aos jogos do Galo só para ver o Reinaldo jogar, pois era seu fã. Até torcia pelo galo, quando este jogava contra times de outros estados ou de outros países. Agora mesmo nas decisões do galo ele estava assistindo e torcendo. Fizemos diversas viagens juntos. Muito extrovertido fazia amizade com todo mundo e alegrava qualquer ambiente. Aproveitou bastante enquanto este aqui. Infelizmente antecipou a sua partida, mas deve estar no lugar que merece. Um grande abraço amigo e espero um dia te encontrar novamente, se for possível. Então, até lá. Só espero que demore um bom tempo. Descanse em paz.

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Capítulo 23

Meu Galo não poderia esquecer

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CAPÍTULO 23 - MEU GALO NÃO PODERIA ESQUECER

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primeiro time que escolhi para torcer foi o Palmeiras. Tudo aconteceu em Conceição do Mato Dentro, quando entrei num boteco para comprar balas e vi uma foto do time do Palmeiras colada em um vidro. Achei sua camisa muito bonita e decidi, naquela hora, que seria palmeirense. Lembro hoje só do goleiro Oberdan. Mas depois me lembro dos timaços que montou como o que tinha Julinho, Vavá, depois Ademir da Guia, Servilho, Tupãzinho, Rinaldo, Leivinha e o Leão, grande goleiro. Depois que fui para o Serro passei a torcer para o Flamengo, que na verdade passou a ser o meu time de fato, pois passei a escutar os seus jogos. As rádios locais quase sempre só pegavam a Nacional e a Globo, que só dava Mengão. Olha só um dos times que ainda me lembro: Garcia, Tomires e Pavão; Jadir, Dequinha e Jordan; Joel, Moacir, Henrique, Dida e Zagalo. Timaço! Campeão diversas vezes. Anos depois, logo que vim para BH, isto tudo caiu no esquecimento e os dois times passaram a ser os principais rivais do meu time de coração. O Galão da Massa. Virei atleticano fanático. Depois de minha aposentadoria uma das coisas que tem ocupado o meu tempo e me distraído é ver futebol na TV. Sempre que posso e lembro vejo jogos de todo mundo, quando são dos principais times, e principalmente o brasileiro, série A e B. Aliás, tenho visto mais a B. Quando é jogo do galo eu mais escuto do que vejo. É muito sofrimento. Fico com medo de ter algum “troço”, porque minha mão fica gelada e os pés nem se fala. Então fico aguardando ouvir o foguetório da favela e aí ligo o rádio para ver o que aconteceu (geralmente gol do galo) e deixo a TV mais para depois do jogo. Quando o placar está mais avantajado aí sim, assisto mais a TV (geralmente, ligo e desligo). Tenho que acabar com esta fobia. Vou dar um jeito e enfrentar a onça. Vou ver se consigo, pois acho que sou pé frio e, sempre que vejo os jogos o Galo perde. Mas como ele só está ganhando, acho que agora fica mais fácil. Conforme já falei, quando vim para BH, logo que ganhei um dinheirinho comprei minha cadeira cativa no Mineirão. Não perdia um jogo do galo. Vi ele ser o primeiro campeão brasileiro, em 1971. Timaço, com Renato (goleiro), Vantuir, Grapete, Humberto Ramos, Oldair, Ronaldo, Dario e muitos outros. Anos mais tarde, o Atlético montou um time ainda mais brilhante que este: nomes como João Leite, Luisinho, Toninho Cerezo, Palhinha, Marcelo Oliveira, Paulo Isidoro, Ziza, Éder Aleixo e Reinaldo — considerado por muitos como o melhor jogador da história do Atlético — foram os responsáveis por levar o time às finais do Brasileirão de 1977 e 1980. Infeliz-

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mente, essa geração de grandes craques foi derrotada pelo São Paulo e pelo Flamengo em finais super-polêmicas.https://pt.wikipedia.org/wiki/Clube_ Atl%C3%A9tico_Mineiro - cite_note-94 Foi aí que vi o meu galo ser roubado pelos juízes, que só apitavam a favor dos grandes times de São Paulo e do Rio. Muitas arbitragens polêmicas. E como eram descarados. Roubavam na cara de toda a torcida. O galo chegou a ser vice-campeão por várias vezes: em 1977 (invicto), em 1980, 1999, 2012 e 2015, a maioria por roubo. Mas como contavam com o apoio da impressa, tudo ficava por isso mesmo. Tinha um tal de José Roberto Wright que era um absurdo; ganhou até o apelido de Roberto Rato. Mas aí vocês vão dizer, mas o Cruzeiro ganhou. Várias vezes. É verdade, ganhou porque tinha um timaço, com Tostão, Dirceu Lopes, Piazza, Natal e vários outros bons jogadores. Também, aos poucos começou a ficar mais difícil a roubalheira. Passou a ter algumas punições para os juízes. E o Cruzeiro investiu muito nos últimos anos e ganhou outros campeonatos. No final acabou quebrando, com a roubalheira dos dirigentes, e já está há três anos na série B. Mas, em contrapartida, o meu galo mudou, até que enfim, com administrações mais sérias e profissionais. Em 2013, ganhamos a Libertadores e também a Copa do Brasil em 2014, além da 2ª Recopa sul-americana. Tudo comandado pelo Cuca e com a genialidade do Ronaldinho Gaúcho e Cia. Mas o bi demorou. E como demorou. Afinal, foram 50 anos. Não merecíamos tudo isto. Ficamos engasgados todo este tempo. Agora vão ter que nos engolir. Muitos que comemoraram em 1971 já se foram. Mas enfim! Agora só se vê o povão gritando: ôôôôôô....o galo ganhô!!! Õôôôô e o galo? O galo ganhô!!!! Foi assim durante todo o ano de 2021. No final, antes mesmo de acabar o campeonato o meu galão da massa virou campeão brasileiro. Fez nada menos que 84 pontos. Bi-Campeão. Treze pontos à frente do Mengão. Até que enfim acabou o perrengue! Já era para ser campeão em 2020, quando ficou apenas três pontos atrás do Flamengo. E isso só aconteceu porque o plantel foi vítima da Covid e muitos jogadores foram afastados e não puderam jogar. Mas não interessa. Desta vez o galo ganhou e foi campeão. Com merecimento. Mas já era para ser tri ou tetra, no mínimo, se o futebol brasileiro fosse mais sério no passado. Mas vale a pena lembrar um pouco sobre o jogo que deu mais um título ao galo. O Fred com a família e o Bruno também vieram ver o jogo aqui em casa. No primeiro tempo o galo já merecia estar vencendo, mas só não fez gols porque o goleiro do Bahia estava pegando tudo. Veio o segundo tempo e o Bahia fez o primeiro gol, de um dos seus

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CAPÍTULO 23 - MEU GALO NÃO PODERIA ESQUECER

beques, e de cabeça e logo depois mais um do seu principal artilheiro. Pronto. Nós todos já achávamos que o jogo já estava decidido e a festa ficaria para o próximo jogo em BH. Mas nada disso: O Cuca fez duas mudanças no time e tudo que achávamos que estava perdido virou. E que virada, na raça, principal característica do galo. Em menos de cinco minutos três gols. Do sofrimento ao êxtase. E como disse o Cuca: do jeito galo de ser. Sofrido! Mas valeu! Festa na cidade durante toda à noite. Os jogadores chegaram e foram para a Praça Sete, de onde só saíram às cinco horas da manhã. E a festa continuou no domingo, quando foi entregue a taça de bicampeão no jogo contra o Bragantino. Vai Galo! E a festa não parou. Três dias depois mais um bi, agora da Copa do Brasil. Foi mais fácil do que imaginávamos: 4x0 no Mineirão e 2x1 em Curitiba, contra o Atlético Paranaense. De novo festa à noite toda. Quanto foguete. Nunca vi nada igual. Parabéns Galo e Parabéns para a torcida que deu um show. E já no começou deste ano o Galão ganhou mais um título, o da Supercopa, aumentando a sua numerosa coleção. E ganhou logo de quem? Do famoso Mengão, depois de um empate no tempo normal de 2 x 2. Foi nos pênaltis de 8 x 7. E como cantam os jogadores: “Ai credo! o Galão ganhou mais uma vez” E ganhou de novo. Uma conquista por mês. Em 122 dias o meu galo ergueu outra taça; a do campeonato mineiro. Após o título brasileiro, o Galo levou a Copa do Brasil, a Supercopa e o Mineiro. Tricampeão. E melhor, em cima do nosso maior rival (3 x 1). Tenho que parar de escrever senão vem mais taça. E viva o Galão da massa! Viva! E ele, não vai parar por aí. Com o apoio dos quatro R’s (Ricardo Guimaraes– BMG, Renato Salvador - Materdei, Rubens Menin – Construtora MRV e Rafael Menin – Banco Inter) devem transformar o meu galo num dos maiores times brasileiros e sul-americanos. É o que esperamos. A construção do novo estádio já está avançada e irá tornar o galo independente e com alternativa para gerar mais rendas. Além disso, o galo tem um enorme patrimônio, com destaque, para o Shopping, a cidade do galo, o melhor, maior e mais moderno centro de treinamento do mundo, a sede em Lourdes e os dois grandes clubes sociais. Vai Galo!

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Capítulo 24

Neste Mundo “Malouco”, todo Cuidado é Pouco – Pequena Abordagem sobre a Minha Visão do Mundo Atual. 98


CAPÍTULO 24 - NESTE MUNDO “MALOUCO”, TODO CUIDADO É POUCO – PEQUENA ABORDAGEM SOBRE A MINHA VISÃO DO MUNDO ATUAL.

24.1. O Extremismo

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esde os primórdios da humanidade as aspirações dos seres humanos foram de conquistas, ambição pelo poder, domínio e de querer impor a sua vontade. Naquela época já digladiavam entre si utilizando-se dos armamentos rudimentares até então disponíveis. Continuou assim e permaneceu ao longo dos séculos. Até que veio a 1ª e 2ª guerra com a matança de milhões de pessoas, inclusive crianças. Mas pelo que parece tudo de ruim que ocorreu não serviu de lição. Hoje a minha preocupação é em relação à certa fragmentação que está havendo nas forças políticas no mundo, sobretudo com o avanço de líderes populistas e autoritários, tanto de direita quanto de esquerda, que criam mais animosidades entre seus seguidores. O mundo de hoje está mais violento, existem mais maldade e mais ódio entre as pessoas. O Brasil é um exemplo disto, como na próxima eleição, com uma enorme polarização entre os dois candidatos e com seus apoiadores cada grupo odiando mais o outro. Até agora não apareceu uma terceira via como alternativa. Vamos ver o que vai dar e como tudo vai terminar. 24.2. Avanço e o Predomínio da Tecnologia Independentemente disso, a competição continua muito grande, sobretudo com o desenvolvimento tecnológico, hoje usado até em demasia por toda a população mundial, que provocou grandes transformações na sociedade como um todo. A velocidade como o mundo está mudando é incrível. Se alguém que faleceu anos atrás voltar à terra, provavelmente achará que está em outro planeta. Todos os setores de atividades foram beneficiados, agricultura, pecuária, indústria, comércio e serviços. (saúde, educação, etc, etc). Devido ao avanço tecnológico dos meios de comunicação de última geraçãointernet, tv, satélites, computadores, telefones celulares, tablets e outros- assistimos a transformações na forma de agir e pensar, no estilo de vida, nos desejos, na conduta e nas atitudes sociais, políticas e econômicas. As novas formas de comunicação alteraram o comportamento do consumidor e todas as empresas tiveram que se adaptar para atender as suas necessidades. As mudanças são gigantescas. Muitas vezes não paramos para pensar em como era antes da tecnologia da informação, do computador, quando nos comunicávamos por carta e não por e-mail ou mensagens instantâneas. O acesso à internet mudou a vida e o comportamento das pessoas. O mundo inteiro se comunica em tempo real. E as coisas estão como estão hoje, com tendência a evoluir ainda mais. É assustador, mas não vai parar por aí.

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24.3. Mais Guerra

Mudando um pouco de assunto, vale lembrar que as três grandes nações (EUA, Rússia e China), continuam lutando pela hegemonia mundial sempre com enormes tensões políticas, cada um querendo se impor aos demais, tanto do ponto de vista comercial, como no tecnológico e armamentista. Uma verdadeira guerra fria entre elas. Os EUA se consideram os “xerifes” do mundo e sempre vêm interferindo em quase todos os acontecimentos mundiais, tentando sempre impor as suas vontades. Tem sido assim ao longo dos anos. E ainda tem a Coréia com o lançamento constante de seus mísseis provocando as demais nações. A China com sua população monstruosa avança assustadoramente, não só internamente como por todo o mundo. Em todas as grandes cidades tem uma Chinatown. É uma rivalidade perigosa. Agora mesmo, quando estou escrevendo este texto a Rússia invadiu a Ucrânia e os EUA e seus aliados estão fornecendo dinheiro e armas e fazendo diversas retaliações comerciais, que estão afetando o mundo inteiro, ao invés de procurar uma solução negociada. Querem enfraquecer a Rússia. Parece que falta bom senso aos líderes mundiais. A guerra está provocando uma verdadeira destruição na Ucrânia, acabando com diversas cidades, que ficaram em ruínas. A Ucrânia é um país extremamente rico com diversas reservas minerais e também um grande produtor mundial. Um dos motivos estratégicos dos russos é que se ela entrar para a OTAN a Rússia ficará muito exposta a um eventual ataque do Ocidente. E na minha avaliação eles têm razão. Mas a ignorância e ambição dos grandes líderes mundiais esquecem os seres humanos e a crise humanitária só aumenta. Já são mais de 6 milhões de refugiados. Verdadeiro drama para muitos, pois faltam comida, remédios e luz. E olha que o inverno local é intenso. Estes são os que pagam a conta. Destruição, mortes, fugas desesperadas procurando outros lugares para viver. Momento triste. Infelizmente, tudo isto vai demorar a ter fim. Já são mais de 100 dias e nenhuma negociação avançou. Além desta invasão, o mundo tem outras guerras civis sangrentas, algumas delas pelo fanatismo e/ou extremismo religioso. Tem disputa na Etiópia (leste da África), no Iêmen, em Mianmar, na Síria, no Sudão do Sul (separação do Sudão), no Afeganistão (uma briga constante entre os islamitas e os talibãs, com estes últimos recentemente ocupando praticamente todo o pais, inclusive a capital Cabul) e na África, onde também os militantes islâmicos tentam dominar várias regiões e países como Mali, Niger, Burkina Fasso, Somália, Congo e Moçambique. É o mundo em constante agitação, com milhares de mortes, muita fome e refugiados tentando viver em algum lugar no mundo, mas a grande maioria sendo banidos ou colocados em acampamentos sem as mínimas condições de sobrevivência.

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Do outro lado, os países pobres também com seus desentendimentos e com suas guerras frequentes, conflitos religiosos, imposições políticas, a pobreza só vem aumentando e provocando constantes deslocamentos das pessoas para a Europa e para os Estados Unidos e também para alguns países asiáticos. Muita coisa está por acontecer, tanto para o bem como para o mal. Torcer que sejam só para o bem ou mais para o bem do que para o mal. Tem que haver muito diálogo e bom senso entre os governantes. Coisa difícil! A verdade é que o mundo está muito confuso e complicado e deve passar por uma grande transformação. Agora é a Finlândia e a Suécia que querem entrar para a OTAN. Vamos ver o que vai dar. Motivo para 3ª Guerra Mundial? Acho que não porque os grandes líderes sempre estão tentando contornar a situação. A vida já é uma verdadeira guerra e para que mais conflitos. Mas um dia pode acontecer? Pode. Mas espero que não porque a destruição será enorme e pode atingir quase todos os países, com o uso de armas químicas e biológicas ainda mais destrutivas. Sabedores disso os grandes líderes serão importantes para inviabilizar qualquer tentativa. 24.4. Situação Climática É importante também abordarmos as mudanças climáticas na terra. Um problema sério! Apesar dos alertas dos cientistas, por meio de indicadores diversos, de que a natureza continua sendo destruída e que as atividades humanas são os principais responsáveis pelo aquecimento do planeta e que é bem provável que a ação humana seja a causa da destruição da camada de ozônio, pouco se tem feito para uma solução definitiva. Segundo o documento Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, “as crianças de hoje, vão passar por quatro vezes mais extremos climáticos do que passam agora – mesmo se houver apenas mais alguns décimos de grau de aquecimento na temperatura do planeta. Já se as temperaturas aumentarem por volta de 2ºC, elas verão cinco vezes mais inundações, tempestades, secas e ondas de calor do que agora, alertam os cientistas”. Mas, enfim, a natureza vem se manifestando à altura, com eventos climáticos significativos, em todo o mundo, tais como: secas constantes, queimadas, chuvas e tempestades destruidoras, nevascas gigantescas, tufões, tornados, furacões, erupções vulcânicas e tsunamis devastadores. A destruição das cidades, as mortes de milhares de pessoas ocorrem por todo o planeta. Sabe por quê? Tudo por ganância. Mas por que tanta ganância e correria se ninguém veio aqui para ficar? No Brasil as chuvas vêm destruindo as cidades, causando também muitas mortes, mas os nossos governos não tomam à mínima providência. Entra ano, passa ano e tudo continua como antes.Todos fazem de conta que não estão enten-

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dendo nada, que é coisa da natureza e continuam em busca de manter o poder. Só estão preocupados em garantir os cargos, para aproveitarem as enormes mordomias do setor público. Mas um dia a coisa vai explodir e a humanidade enfim vai entender e tomar as providências para garantir o futuro das crianças. 24.5. Divisão na Sociedade Outro aspecto a destacar e que realmente preocupa é em relação ao comportamento do ser humano e as transformações que vem ocorrendo no relacionamento das pessoas. Impressionante como os novos grupos diferenciados cresceram e querem impor a sua aceitação. No caso do Brasil, ainda contam com total apoio da mídia, sobretudo da rede Globo, que mostra homens beijando homens e mulheres beijando mulheres, em suas novelas. Recentemente um desembargador de Goiás criticou a emissora “chamando-a de perniciosa e vulgar. De mostrar, propagar e enaltecer o homossexualismo”. Na denominada comunidade LGBTQIA+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgeneros/Travestis, Queer (Estranho), Interssexuais, Assexuais, + é usado para incluir outras variações de sexualidade e gênero) as letras aumentam cada vez mais. Olha só, a sigla é dividida em duas partes. LGBT diz respeito à orientação sexual do individuo e a segunda, QIA+ diz respeito ao gênero. Vejam que coisa complicada. E ainda estão querendo impor isto nas escolas e até contaram com o apoio do PT. Toda vida soube que entre os seres humanos e animais tem aqueles com tendências diversas, mas nascem masculinos ou femininos. A mudança a meu ver é de ordem genética e cada um tem o total direito de escolher a sua homossexualidade. Ninguém tem que interferir. Segundo pesquisa do IBGE já são cerca de 3 milhões de homossexuais e bissexuais, mas alguns estudiosos dizem que se incluírem os que dizem respeito ao gênero acham que o número é bem superior. Agora todo mundo quer aparecer, mostrando casamentos entre homens e também entre mulheres. E como tem crescido!. Não sei onde isto irá parar. Será que é uma nova reorganização dos seres humanos? Não sei. Não sou preconceituoso, mas que é preocupante isto é. 24.6. As Drogas Além do mais outro aspecto muito preocupante e que os pais devem estar atentos é em relação às drogas, cada dia mais sofisticadas e penetrando cada vez mais no meio da juventude. Está se tornando um dos problemas mais graves da sociedade mundial. No Brasil nem se fala, basta ver a situação da Cracolândia, em

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São Paulo. Um horror! E onde está o Estado? O crescimento desordenado e o inchaço das grandes cidades, sobretudo das comunidades, a falta de moradias, saneamento básico, desemprego, educação de baixa qualidade, entre outros, têm aumentado os problemas de violência no país. A grande maioria das comunidades é controlada pelas milícias pela ausência do Estado no local. A pobreza aumenta cada vez mais. 24.7. Roubos e Crimes A situação está ficando insuportável. Mata-se por qualquer motivo: para roubar, mata-se no trânsito, por briga em família, por briga de torcidas no futebol, por discussões banais, para roubar caminhões, motos, bicicletas, celulares, etc e etc. Outro crime que cresceu assustadoramente no país foi à de agressão domiciliar as mulheres e o feminicídio; basta à mulher fazer a denuncia pedindo proteção que são atacadas ou mortas brutalmente pelos ex-maridos. As medidas protetivas não estão funcionando e precisam urgentemente serem melhoradas. No Rio até já virou guerra entre as polícias e as quadrilhas de traficantes que dominam as comunidades. Somente na Vila Cruzeiro nesta semana mataram 22 num só dia. A morte está ficando banalizada. Como a polícia prende e a justiça solta, ninguém tem medo de ser preso. Os menores quando são presos por morte ficam no máximo 3 anos na casa de detenção. Urgentemente, torna-se necessário mudar a lei dos menores que já tramita no congresso por um longo tempo. Enquanto isso, somos obrigados a ver constantemente os jornais anunciarem diariamente os crimes por eles praticados. Além do mais, os nossos presídios estão lotados e não cabe mais ninguém. Então, dependendo do motivo da prisão é preferível deixá-los soltos. Toda hora se vê que a pessoa foi presa uma duas e até três vezes e foi solta. A nossa Justiça é muito lenta, as leis complexas e as penalidades não são rigorosas como em outros países. As coisas mais simples acabam no Supremo (STF) e demoram demasiadamente. As pessoas não se preocupam em ser presas, pois depois de cumprir pequena parte da pena com bom comportamento elas são soltas. Além do mais, quem tem dinheiro não fica preso; só os ladrões de galinhas é que permanecem no xadrez. Por tudo isso, como a tendência em todo o planeta é piorar ainda mais, é importantes que os pais estejam sempre perto e atentos, orientando os filhos enquanto crianças e jovens, serem firmes e estabelecerem regras e limites, e depois de adultos os apoiar e estarem sempre presentes, ajudando quando necessário e participando juntamente com eles de tudo que for possível. E para terminar gostaria de deixar para todos uma mensagem linda expressa-

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da na letra e música de Almir Sater e Renato Teixeira, que tem muito a ver com minha vida e meu modo de pensar, segundo a Angela. Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso, porque já chorei demais Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada sei Conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs, é preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir. Penso que cumprir a vida seja simplesmente compreender a marcha, e ir tocando em frente como um velho boiadeiro levando a boiada, eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou, de estrada eu sou Todo mundo ama um dia, todo mundo chora, Um dia a gente chega, no outro vai embora Cada um de nós compõe a sua história, e cada ser em si carrega o dom de ser capaz, e ser feliz Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais Cada um de nós compõe a sua história, e cada ser em si carrega o dom de ser capaz, e ser feliz.s

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