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FTFG 2020 - HOSTEL

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JÚLIA GUIMARÃES RESENDE DE CASTRO

HOSTEL – HOSPEDAGEM ALTERNATIVA UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ ARQUITETURA E URBANISMO

Trabalho

de

conclusão

de

curso

apresentado à faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estácio de Sá – Petrópolis, requisito parcial para a obtenção de grau em bacharel em Arquitetura e Urbanismo. Orientador: Emílio Farjalla

Petrópolis 2020


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Castro, Júlia Guimarães Resende Hostel – Hospedagem Alternativa/ Júlia Guimarães Resende de Castro. – Petrópolis, 2020 150 f.: il. (color) Orientador: Emilio Farjalla Monografia: (Graduação em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Estácio de Sá – Petrópolis. Inclui quadros. 1. Hostel 2. Albergue 3. Turismo 4. Backpacker I. Título

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JÚLIA GUIMARÃES RESENDE DE CASTRO HOSTEL – HOSPEDAGEM ALTERNATIVA

Trabalho

de

conclusão

de

curso

apresentado à faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estácio de Sá – Petrópolis, requisito parcial para a obtenção de grau em bacharel em Arquitetura e Urbanismo.

BANCA EXAMINADORA ________________________________________ Prof. Emílio Farjalla Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Petrópolis Orientador ________________________________________ Prof. MSc. Luiz Felipe Dutra Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Petrópolis Professor da disciplina ________________________________________ Professor(a) convidado(a) Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Petrópolis ________________________________________ Professor(a) convidado(a) Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Petrópolis

Petrópolis, ___ de ____________ 2020.


AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente à Deus, pois sem Ele nada seria possível, à minha filha, Helena, que me deu forças para continuar, aos meus pais, Wagner e Ana por me darem tanto apoio, ao meu companheiro Gabriel por toda a compreensão e à toda minha família por estar sempre ao meu lado. Agradeço também, ao meu orientador Emílio Farjalla por todo o acompanhamento e paciência, e a todos os professores do curso de Arquitetura e Urbanismo por todos os conhecimentos. Ser Arquiteta e Urbanista é um sonho que me acompanha desde os meus nove anos, e hoje ele está sendo realizado.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1- Turismo (p. 23) Figura 2- Turismo da Juventude (p. 26) Figura 3- Casa Elemento, Colômbia (p. 27) Figura 4- Castelo de Altena (p. 36) Figura 5- Richard Schirrmann (p. 37) Figura 6- Logo Hostelling International (p. 39) Figura 7- Turismo Sustentável através da Hostelling International (p. 40) Figura 8- Atrativos da Hostelling International (p. 41) Figura 9- Backpacker (p. 42) Figura 10- A visão do mundo do Backpacker (p. 43) Figura 11- Identificação das categorias de análise em um quarto compartilhado (p. 46) Figura 12- Diagrama sínteses dos elementos que marcam a manutenção da individualidade (p. 47) Figura 13- Pintura do Museu Imperial (p. 50) Figura 14- Localização do terreno no mapa do Brasil / Estado do Rio / Petrópolis / Centro (p. 58) Figura 15- Mapa de localização (p. 58) Figura 16- Análise do terreno (p. 59) Figura 17- Vista do terreno 1 (p. 60) Figura 18- Vista do terreno 2 (p. 60) Figura 19- Vista do terreno 3 (p. 61) Figura 20- Vista do terreno 4 (p. 61) Figura 21- Vista do terreno 5 (p. 62) Figura 22- Pontos de interesse dentro do raio de 1 Km (p. 63) Figura 23- Vista do entorno 1 (p. 64) Figura 24- Vista do entorno 2 (p. 65) Figura 25- Vista do entorno 3 (p. 65) Figura 26- Vista do entorno 4 (p. 65) Figura 27- Terreno Dentro do Zoneamento (p. 66) Figura 28- Alcance manual frontal - Pessoa em pé (p. 67)


Figura 29- Alcance manual frontal - Pessoa sentada (p. 67) Figura 30- Alcance manual frontal com superfície de trabalho - Pessoa em cadeira de rodas (p. 68) Figura 31- Alcance manual lateral - Relação entre altura e profundidade - Pessoa em cadeira de rodas (p. 68) Figura 32- Superfície de trabalho (p. 69) Figura 33- Ângulos para execução de forças de tração e compressão - Plano horizontal (p. 69) Figura 34- Ângulos para execução de forças de tração e compressão - Plano lateral (p. 70) Figura 35- Empunhadura (p. 70) Figura 36- Controles (p. 71) Figura 37- Comandos e controles (p. 71) Figura 38-Sanitário feminino acessível / Sanitário masculino acessível (p. 72) Figura 39- Sanitários masculino e feminino acessível/Sanitário familiar acessível (p. 72) Figura 40- Símbolos internacionais de informação (p. 72) Figura 41- Telefone / Telefone com teclado / Telefone com amplificador sonoro (p. 72) Figura 42- Portas com revestimento e puxador horizontal – Exemplo (p. 73) Figura 43- Áreas e edificações protegidas pelo IPHAN e INEPAC (p. 76) Figura 44- Mapa de Figura e Fundo (p. 77) Figura 45- Mapa de Gabarito (p. 78) Figura 46- Mapa de Usos (p. 79) Figura 47- Mapa de Sistema Viário (p. 80) Figura 48- Mapa de Ruídos (p. 81) Figura 49- Mapa de Topografia (p. 82) Figura 50- Mapa de Vegetação (p. 83) Figura 51- Mapa Síntese (p. 84) Figura 52- Análise com a Carta Solar (p. 85) Figura 53- Posição Solar (p. 86) Figura 54- Rosa dos Ventos (p. 86) Figura 55- Ventos chegando no terreno (p. 87) Figura 56- Yiyunshangshe Hostel (p. 89) Figura 57- Edifício original, Yiyunshangshe Hostel (p. 90) Figura 58- Esquema de sobreposição das camadas, Yiyunshangshe Hostel (p. 90) Figura 59- Perspectiva externa, Yiyunshangshe Hostel (p. 91) Figura 60- Interior de um dos quartos, Yiyunshangshe Hostel (p. 91) Figura 61- Edifício Z (p. 92)


Figura 62- Fachada sudeste, Edifício Z (p. 93) Figura 63- Fachada noroeste, Edifício Z (p. 93) Figura 64- Recepção, Ora Hostel (p. 94) Figura 65- Planta baixas, Ora Hotel (p. 95) Figura 66- Quarto compartilhado de 12 camas, Ora Hostel (p. 96) Figura 67- Área comum, Ora Hostel (p. 97) Figura 68- Hostel La Buena Vida (p. 98) Figura 69- Plantas baixas do primeiro, segundo, terceiro e quarto pavimento do Hostel La Buena Vida (p. 99) Figura 70- Cozinha Compartilhada, Hostel La Buena Vida (p. 101) Figura 71- Dormitório compartilhado feminino, Hostel La Buena Vida (p. 101) Figura 72- KLOEM Hostel (p. 102) Figura 73- Plantas baixas do primeiro e segundo andar, KLOEM Hostel (p. 103) Figura 74- Quarto compartilhado feminino, KLOEM Hostel (p. 104) Figura 75- Área de interação social, KLOEM Hostel (p. 104) Figura 76- Refúgio do Purunã (p. 105) Figura 77- Vista de dentro do refúgio do Purunã (p. 106) Figura 78- Interior do refúgio do Purunã (p. 106) Figura 79- Casa da Tanga (p. 107) Figura 80- Portas pivotantes, Casa da Tanga (p. 108) Figura 81- Persianas de madeira, Casa da Tanga (p. 108) Figura 82- Casa MCNY (p. 109) Figura 83- Perspectiva externa, Casa MCNY (p. 110) Figura 84- Área de convívio, Casa MCNY (p. 110) Figura 85- Lago com carpas, Merryn Road 40A (p. 111) Figura 86- Área externa, Merryn Road 40A (p. 111) Figura 87- Trepadeiras chegando no terraço, Merryn Road 40A (p. 112) Figura 88- Drift San José (p. 113) Figura 89- Terraço, Drift San José (p. 114) Figura 90- Fogueira, Drift San José (p. 114) Figura 91- Jardim Elementar (p. 115) Figura 92- Perspectiva, Jardim Elementar (p. 116) Figura 93- Perspectiva, Jardim Elementar (p. 116) Figura 94- Organofluxograma (p. 123) Figura 95- Plano de massas (p. 124)


Figura 96- Implantação (p. 125) Figura 97- Setorização (p. 126) Figura 98- Patologias encontradas (p. 127) Figura 99- Planta demolir e construir (p. 129) Figura 100- Planta baixa do bloco original (p. 130) Figura 101- Planta baixa do bloco novo (p. 131) Figura 102- Esquema ventilação e insolação (p. 132) Figura 103- Perspectivas (p. 133) Figura 104- Perspectiva geral (p.134)


LISTA DE TABELAS

Tabela 1- Grau de incidência das áreas físicas do hostel (p. 45) Tabela 2- Indicadores do Turismo de 2019 em Petrópolis (p. 54) Tabela 3- Capacidade de hospedagem de Petrópolis (p. 55) Tabela 4- Quadro de áreas, Ora Hostel (p. 96) Tabela 5- Quadro de áreas, Hostel La Buena Vida (p. 100) Tabela 6- Quadro de áreas, KLOEM Hostel (p. 103) Tabela 7- Mapeamento de danos (p.128)

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1- Matriz classificatória de áreas físicas (p. 46) Gráfico 2- Índices gerais de competitividade – destino x Brasil x não capitais: 2008-2015 (p. 55) Gráfico 3- Índices do destino por dimensão, em ordem decrescente de desempenho (p. 56)


SUMÁRIO

1.

2.

APRESENTAÇÃO .................................................................................................................. 15 1.1

Introdução ................................................................................................................... 15

1.2

Objetivo Geral ............................................................................................................. 16

1.3

Objetivo Específico ...................................................................................................... 16

1.4

Justificativa .................................................................................................................. 17

1.5

Metodologia ................................................................................................................ 19

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .................................................................................................... 21 2.1

2.1.1

Turismo da Juventude ......................................................................................... 24

2.1.2

Influência do Turismo na economia .................................................................... 28

2.1.3

Turismo Sustentável ............................................................................................ 30

2.2

3.

Turismo........................................................................................................................ 21

Hostel .......................................................................................................................... 33

2.2.1

O que é um Hostel ............................................................................................... 33

2.2.2

O Movimento Alberguista ................................................................................... 36

2.2.3

Hostelling International....................................................................................... 38

2.2.4

Segmento Backpacker ......................................................................................... 42

2.2.5

A Arquitetura e o Design de Interiores nos Hostels ............................................ 44

CONTEXTO URBANO ........................................................................................................... 49 3.1

Histórico de Petrópolis ................................................................................................ 49

3.1.1 3.2 4.

Histórico Turístico da cidade de Petrópolis ......................................................... 51

Situação atual .............................................................................................................. 53

DIAGNÓSTICO URBANO ..................................................................................................... 58 4.1

Localização .................................................................................................................. 58

4.2

Entorno ........................................................................................................................ 63

4.3

Legislação .................................................................................................................... 66

4.3.1

Zoneamento ........................................................................................................ 66

4.3.2

NBR 9050 ............................................................................................................. 67

4.3.3

IPHAN e INEPAC................................................................................................... 76

4.4

Mapas Analíticos ......................................................................................................... 77

4.4.1

Mapa de Figura e Fundo...................................................................................... 77


5.

4.4.2

Mapa de Gabarito ............................................................................................... 78

4.4.3

Mapa de Usos ...................................................................................................... 79

4.4.4

Mapa de Sistema Viário ...................................................................................... 80

4.4.5

Mapa de Ruídos................................................................................................... 81

4.4.6

Topografia ........................................................................................................... 82

4.4.7

Mapa de Vegetação............................................................................................. 83

4.4.8

Mapa Síntese ....................................................................................................... 84

4.4.9

Dados de Insolação e Ventilação......................................................................... 85

REFERÊNCIAS PROJETUAIS ................................................................................................. 89 5.1

5.1.1

Yiyunshangshe Hostel ......................................................................................... 89

5.1.2

Edifício Z .............................................................................................................. 92

5.2

Programáticas.............................................................................................................. 94

5.2.1

Ora Hostel............................................................................................................ 94

5.2.2

Hostel La Buena Vida ........................................................................................... 98

5.2.3

KLOEM Hostel .................................................................................................... 102

5.3

Arquitetônicas ........................................................................................................... 105

5.3.1

Refúgio do Purunã ............................................................................................. 105

5.3.2

Casa da Tanga .................................................................................................... 107

5.3.3

Casa MCNY ........................................................................................................ 109

5.4

6.

Conceituais .................................................................................................................. 89

Paisagísticas............................................................................................................... 111

5.4.1

Merryn Road 40A .............................................................................................. 111

5.4.2

Drift San José ..................................................................................................... 113

5.4.3

Jardim Elementar .............................................................................................. 115

PROPOSTA......................................................................................................................... 118 6.1

Conceito e Partido ..................................................................................................... 118

6.2

Premissas projetuais ................................................................................................. 120

6.3

Programa de necessidades........................................................................................ 121

6.4

Organofluxograma .................................................................................................... 123

6.5

Plano de massas ........................................................................................................ 124

6.6

Implantação............................................................................................................... 125

6.7

Setorização ................................................................................................................ 126

6.8

Mapeamento de danos ............................................................................................. 127

6.9

Plantas Técnicas ........................................................................................................ 129

6.9.1

Demolir e construir ........................................................................................... 129

6.9.2

Bloco original ..................................................................................................... 130


6.9.3

7.

Bloco Novo ........................................................................................................ 131

6.10

Ventilação e Insolação............................................................................................... 132

6.11

Perspectivas .............................................................................................................. 133

REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 136 7.1. Bibliográficas .................................................................................................................. 136 7.2. Sites e Publicações da Internet ...................................................................................... 139

8.

ANEXO ............................................................................................................................... 144


15 1. APRESENTAÇÃO 1.1 Introdução O turismo é um dos mais importantes setores econômicos do mundo, interfere em um a cada dez empregos (319 milhões) em todo o mundo e gera 10,4% (US $ 8,8 trilhões) do PIB mundial. No Brasil, um em cada cinco novos empregos foi impulsionado pelo turismo nos últimos cinco anos, de acordo com o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC). Atualmente, a globalização, o acesso a informação e as novas tecnologias facilitam o turismo nacional e internacional, originando novas categorias do setor hoteleiro capazes de atender suas diversas classes. As necessidades dos turistas e a busca pela diversidade no campo de serviços de hospedagem acarretaram a popularização do chamado Youth Hostel, traduzido como Albergue da Juventude. A palavra albergue tem como sinônimo o termo Hostel, de origem inglesa, que será utilizado nesta pesquisa. Os hostels são hospedagens de baixo custo que oferecem experiências únicas, com dormitórios e cozinhas compartilhadas. Neles, os hóspedes convivem entre si tornando o ambiente amigável e de forte socialização. Por serem uma categoria mais econômica, os hostels conseguem atender todas as classes sociais, tendo como público mais frequente os chamados backpackers, popularmente conhecidos como mochileiros, os quais fazem parte do Turismo da Juventude. Diante desse cenário, o presente trabalho desenvolve o projeto de um hostel, localizado no centro histórico da cidade de Petrópolis - RJ, conhecida nacional e internacionalmente como Cidade Imperial. Sua localização estratégica, nesse centro histórico, permitirá o acesso aos principais pontos turísticos, sendo que, todo esse percurso poderá ser feito sem utilização de nenhum tipo transporte urbano, proporcionando ao turista maior autonomia e liberdade.


16 1.2 Objetivo Geral O objetivo desse projeto é implantação de um hostel na cidade de Petrópolis, incrementando o setor hoteleiro com uma alternativa que atenda os usuários que buscam acomodações que promovam a sociabilização em um ambiente sustentável. A localização estratégica no centro histórico da cidade, possibilita o fácil acesso aos pontos turísticos e culturais, a vida noturna e aos diversos meios de transportes públicos disponíveis. A construção dessa unidade também busca a divulgação do movimento alberguista e de todos os seus benefícios, o reforço da imagem do meio hostel de hospedagem e a desmistificação de mitos e preconceitos atrelados à imagem deste setor.

1.3 Objetivo Específico 

Este projeto de construção de um hostel visa atender o público que busca hospedagem de baixo custo, que é composto, em sua maioria, por indivíduos mais jovens.

A estrutura do hostel deverá atender às hospedagens de curta duração, fornecendo espaços de circulação, de lazer e de descanso que comporte o fluxo de pessoas.

Sua localização deverá oferecer fácil acesso aos pontos turísticos e ao sistema de transportes coletivos.

As áreas de convivência deverão proporcionar aos hóspedes espaços confortáveis e atrativos para aqueles que buscam experiências ricas em viagens de turismo, estabelecendo conexões com outros viajantes e que garantam o aumento de conhecimento do contexto social e histórico da localidade.

Criar um projeto sustentável através da arquitetura modular.


17 1.4 Justificativa

Por ser considerada uma cidade imperial, Petrópolis possui um intenso fluxo de turistas, recebendo aproximadamente dois milhões de visitantes ao ano, sendo que destes, estima-se que seiscentos e cinquenta mil permanecem na cidade por pelo menos uma noite. Todos os anos, um significativo número de empregos é gerado pela atividade turística. De acordo com os dados do setor responsável pelo turismo da cidade, no ano de 2018, 4.458 empregos surgiram devido ao turismo, um aumento de 6,3% em relação ao ano anterior. A construção de um hostel dentro desse contexto disponibilizará mais vagas de trabalho para os habitantes dessa localidade e refletirá economicamente em diversos setores, desde as áreas agrícolas que fornecem os alimentos para esses turistas até a contribuição direta como meios de transportes, pontos turísticos, restaurantes, lojas e atividades de lazer. Tratando-se de uma cidade turística, com histórico imperial, Petrópolis está presente no itinerário das pessoas interessadas por sua arquitetura e sua diversidade cultural. Por estar também localizada em uma área privilegiada, na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, Petrópolis está se tornando um importante polo de ecoturismo, apresentando suas diversas manifestações de belezas naturais. A cidade de Petrópolis recebe turistas com diferentes objetivos e de diversas classes sociais, incluindo o público alvo dos hostels, os jovens, formando assim, o chamado Turismo da Juventude. Essa tipologia de turista se caracteriza por estadia de curta duração, orçamento baixo e a busca por experiências únicas que o local visitado possa oferecer. Sendo assim, a cidade precisa oferecer ao visitante opções de hospedagem que se enquadrem em seus objetivos e filosofia. Atualmente, Petrópolis conta com diversos tipos de acomodações, dentre eles, apenas 8 hostels, totalizando 264 leitos, quantidade essa que não supre a demanda atual. Esta categoria de hospedagem não entra no Sistema Brasileiro de Classificação de Hospedagem (SBClass) prejudicando a imagem dos hostels e dificultando a disseminação do movimento alberguista dentro do Brasil. A falta de conhecimento sobre este tipo de acomodação no Brasil, desenvolve em muitos casos o preconceito, tornando a utilização do hostel bastante limitada ao se comparar com os hotéis tradicionais. Contudo, os hostels vem ganhando espaço, segundo o Estudo da Demanda Turística


18 Internacional “o interesse de estrangeiros por albergues, campings e hospedagem de baixo custo aumentou de 1,6%, em 2004, para 4,3%, em 2010” (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2012). Para atender a essa demanda, o presente trabalho elabora a implantação de uma unidade de hostel, a fim de atrair e oferecer um ambiente multicultural e acolhedor dentro de uma hospedagem de qualidade e baixo custo aos turistas, incrementando a economia local e fortalecendo a imagem deste tipo de acomodação. Para tal realização, faz-se necessária utilização de uma arquitetura modular que se baseia na sustentabilidade nela interligada. A modulação permite que o tempo de construção seja encurtado, o impacto ambiental minimizado e o desperdício de materiais reduzido.


19 1.5 Metodologia O presente trabalho possui um propósito descritivo do movimento alberguista, analisando e explicitando suas características e estabelecendo uma relação entre seus pilares. O movimento alberguista conceitua o assunto abordado, as opções no setor hoteleiro, justificam a escolha pelo modelo hostel. Esta pesquisa teve uma abordagem quantitativa-qualitativa. Quantitativa para definir através de dados colhidos a importância e relevância da existência de um hostel na cidade de Petrópolis, como quantidade de turistas que a cidade recebe, quantidade de hostels existentes e o quanto o turismo influencia economicamente no mercado local. Qualitativa para definir as diretrizes a se seguir em um projeto para público específico, quais as suas motivações, expectativas e objetivos. Ao iniciar esta pesquisa, buscou-se primeiramente, através da técnica de análise de documentos, compreender os fundamentos e a importância do turismo mundial, nacional e regional, suas motivações e a demanda turística de Petrópolis. A seguir foi definido o que é um hostel, seu público alvo e seus interesses por meio de revisão bibliográfica tendo como principal autora a professora Maria José Giaretta. Também foi utilizada uma entrevista estruturada com 100 pessoas, visando coletar dados sobre o comportamento do viajante, quanto à utilização de hospedagem tipo hostel, de acordo com sua faixa etária. O contexto urbano foi estudado através da análise de documentos, revisão bibliográfica e observação participante, definindo então o histórico da região e a situação atual diante do tema hostel, buscando compreender as carências na área hoteleira e suprindo-as com as decisões tomadas neste projeto. A localização foi escolhida através da análise de pesquisas já realizadas por diversos autores que objetivaram o levantamento de informações de viajantes e suas preferências, reforçando o resultado com a entrevista estruturada anexada. Foi determinado que a melhor opção de localização do estabelecimento se dá próximo aos pontos turísticos, diversão noturna, polos gastronômicos e com fácil acesso aos meios de transportes.


20


21 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 Turismo O setor do turismo possui histórico associado ao da humanidade. Desde o início da civilização o turismo esteve presente em diversos períodos da história, desde a Grécia antiga ao período da Romanização. Ainda em outros locais e momentos temporais, inclusive os mais remotos como Crescente Fértil, antiga Babilônia e civilização dos maias, observa-se a infraestrutura e oferta de equipamentos para construção de área de lazer e recreio, sendo esses, equipamentos que fomentam o turismo (COSTA, 2005). Segundo Burmann (1930) o conceito de turismo se dá como um conjunto de viagens que tem como objetivo proporcionar lazer ou por motivações comerciais e profissionais, enquanto se distanciam da residência habitual, temporariamente. Contrariando a ideia de que o turismo possa estar ligado com a parte profissional, Lesczyck (1974) define que o movimento turístico é aquele em que os indivíduos permanecem em um local durante um determinado período, como estrangeiros ou forasteiros, sem intenção lucrativa, oficial ou militar. Turismo é, de um lado, conjuntos de turistas; do outro, os fenômenos e as relações que esta massa produz em consequência de suas viagens. Turismo é todo o equipamento receptivo de hotéis, agências de viagens, transportes, espetáculos, guias-intérpretes que o núcleo deve habilitar para atender às correntes [...] (FUSTER, 1971, p.29). O turismo é o conjunto de deslocamentos voluntários e temporais determinados por causas alheias ao lucro; conjunto de bens, serviços e organizações que determinam e tornam possíveis estes deslocamentos e as relações e fatores que entre aqueles e os viajantes têm lugar (ARRILLAGA, 1976, p.25).

Com o passar dos anos, diversas definições de turismo surgiram, incluindo o conceito de turista. Segundo Norwall (1936) o turista é um indivíduo que entra em um país, cruza uma fronteira, sem pretensão de estabelecer moradia ou trabalhar, e o dinheiro que gasta nesse local é oriundo de ganhos obtidos em outro lugar. Se não existissem os serviços turísticos, de acordo com Margarita Barretto (2007) os turistas seriam apenas viajantes. O turismo permite uma experiência do mundo contemporâneo marcada pela diversidade dos universos culturais e simbólicos, das relações sociais e dos comportamentos. Uma experiência que permite aos indivíduos incorporar no seu mapa de representações sobre a realidade social um conjunto de


22 disposições que potencializam a sua abertura à novidade e à diferença (ABREU, 1995, p.84)

Com os avanços tecnológicos, a globalização, o acesso a informação, e a melhor distribuição de renda, o turismo se tornou mais acessível, elevando o fluxo de turistas e capital em todo o mundo. De acordo com Ruschmann (1997), alguns fatores específicos contribuíram para esse aumento, tal como o desenvolvimento de empresas que organizam e comercializam viagens, os impactos psicológicos que a vida urbana causa nos indivíduos incentivando as viagens para locais de descanso, o aumento na renda da população que em muitos casos direcionam uma parcela para gastos com viagens de turismo, o aumento do tempo livre para as atividades de lazer e turismo entre outros. Até recentemente, a participação no turismo estava restrita a uma elite que dispunha de tempo e de dinheiro para realizar suas viagens. Atualmente, a maioria das pessoas dos países desenvolvidos, e um número significativo daqueles dos países em desenvolvimento, têm realizado viagens turísticas uma ou várias vezes ao ano. Assim, o turismo já não é uma prerrogativa de alguns cidadãos privilegiados; sua existência é aceita e constitui parte integrante do estilo de vida para um número crescente de pessoas em todo o mundo (RUSCHMANN, 1997, p.13).

O turismo possui grande importância para o desenvolvimento econômico e cultural em escala mundial (BAHLS e PEREIRA, 2017). Além do desenvolvimento econômico, o turismo também possibilita o desenvolvimento social e o crescimento pessoal do indivíduo. De acordo com o Conselho Mundial de Viagens e Turismo: À medida que as pessoas se tornam mais expostas a outras culturas e pessoas através de Viagens e Turismo, seu grau de tolerância e reconhecimento dos direitos de terceiros deve aumentar. [...] à medida que o turismo cresce e o setor turístico se desenvolve, toda uma série de habilidades se torna necessária para as populações locais, incluindo idiomas e habilidades de negócios (WTTC, 2016, p.13).

Leiper (1990, 1979) comenta que a grande questão do turismo se concentra no estudo do sistema receptor, onde são analisadas as questões sociais, culturais, patrimoniais, ambientais e políticas. Smith (1989) agrega ao turismo a vertente social, agregando atividades de negócios que fornecem bens e serviços como linhas aéreas, rede hoteleira, setor gastronômico, operadores turísticos, agências de viagens entre outros.


23 Pelo conjunto de definições de turismo produzidas por acadêmicos e cientistas, conclui-se que o turismo, invariavelmente, se dá pelo movimento de pessoas fora de seus locais de residência, por períodos superiores a vinte e quatro horas, por motivações recreativas, culturais ou econômicas (COSTA, 2005) fazendo-se presente na vida da maioria da população, possuindo extrema importância para o desenvolvimento econômico, social e cultural mundial. O turismo, portanto, movimenta o mundo, tanto com o fluxo de pessoas, como com o fluxo de dinheiro, ideias e experiências, promove o diálogo cultural e origina oportunidades aos países anfitriões (WTTC, 2016).

Figura 1- Turismo Fonte: World Travel & Tourism Council, 2019


24 2.1.1

Turismo da Juventude

Dentre todas as modalidades de turismo existentes, o turismo da juventude se destaca nesta pesquisa como segmento alvo do serviço de hospedagem denominado hostel. Oliveira (2000) define o turismo da juventude como um turismo exercido por jovens e estudantes, formado por um público alegre atraído por locais com atividades noturnas e tornando-se importantes divulgadores do local visitado. Segundo Giaretta (2003) o turismo da juventude é definido como: Turismo praticado por um grupo homogêneo de jovens, com as características marcadas por período etário, estilo de vida e estado de espírito, que desencadeia uma série de sub-segmentos divididos em vários tipos de turismo, entre eles, educativo (estudantil, intercâmbios, cursos no exterior); associativo fomentado por associações como Albergues da Juventude, Clube de Escoteiros, Associação Cristã de Moços e Moças; turismo social, promovido por organizações que facilitam o acesso de jovens que ficariam excluídos da prática do turismo convencional; e turismo da natureza (ecoturismo, aventura, esportes radicais, turismo alternativo) (GIARETTA, 2003, p.8).

Giaretta (2003) divide o turismo da juventude em quatro grupos, devido à dificuldade de classificar os tipos que o mesmo abrange. O primeiro deles é o turismo associativo, sendo este desenvolvido por associações objetivando a organização de viagens por meio de divulgação, reserva, conhecimento técnico e mercadológico. O turismo social, segundo Bits, trata-se de: Conjunto de relações e de fenômenos resultante da participação no turismo das camadas sociais com rendimentos modestos, participação que se torna possível ou é facilitada por medidas de caráter social bem definidas (BITS, 1974, p. 361).

O secretário nacional de Desenvolvimento e Competitividade do Turismo do Ministério do Turismo (MTur), Aluizer Malab (2019) afirma que: “O Turismo Social é a forma de turismo que promove a inserção de todos, proporcionando qualidade de vida e exercício da cidadania”. Conclui-se que, o turismo social está voltado às classes sociais menos favorecidas (GIARETTA, 2003). Dentro desse sistema de classificação, também encontramos o turismo estudantil, que é fomentado por todos os deslocamentos realizados por estudantes com intenção de ampliar seus conhecimentos, seja na vida acadêmica como profissional. Dentro desse setor, encontram-se viagens de formatura, intercâmbios, palestras, cursos e programas de trabalhos e estágios no


25 exterior, estudo do meio e visitas técnicas (GIARETTA, 2003, MONTEJANO, 2001, BARRETTO, 1998). Por fim, o turismo da natureza. Este é conceituado como o turismo que tem como finalidade a busca pelo meio natural e a evasão urbana. O turismo da natureza pode ser dividido em três segmentos: o turismo ambiental, o ecoturismo e o turismo de aventura. O turismo ambiental relaciona-se com os aspectos da natureza em seu estado de pureza (CUNHA, 2001). O ecoturismo possui ligação direta com conservação, sendo definido como um segmento da atividade turística com potencial ecológico que explora o meio natural e o preserva (GOODWIN, 2002, WEARING, 2001, EMBRATUR/IBAMA). Com pontos que os divergem, o turismo de aventura segue a diretriz de atividades na natureza assim como o ecoturismo, porém, em alguns casos, surgem efeitos negativos ao meio ambiente. Este segmento pode ser definido como: O turismo de aventura é uma modalidade de Turismo no qual o viajante participa de maneira ativa no conhecimento do território visitado. Soma-se a isso a prática de atividades esportivas, que de certo modo são arriscadas (BUENO, 2000, p.50). Segmento do mercado turístico que promove a prática de atividades de aventura e esporte recreacional, em ambientes naturais e espaços urbanos ao ar livre, que envolvem emoções e riscos controlados, exigindo o uso de técnicas e equipamentos específicos, a adoção de procedimentos para garantir a segurança pessoal e de terceiros e o respeito com o patrimônio ambiental e sociocultural (COSTA, 2002, p. 44).

O turismo da juventude, de acordo com Arrillaga (1976), apresenta como principal característica a escolha por alternativas mais econômicas, como o gasto diário reduzido, utilização de albergues e outras hospedagens econômicas e utilização de transportes públicos. Também se observa a preferência por locais naturais para prática de esportes, lugares artísticos e centros históricos. Segundo a Organização Mundial de Turismo, o turismo da juventude auxilia no desenvolvimento socioeconômico turístico, e contribui na conservação do patrimônio histórico e ambiental (UNWTO, 2010). Os motivos que levam os jovens são tanto do foro cultural (conhecer sociedades com hábitos, costumes e pessoas distintos dos que povoam seu espaço cotidiano), como do foro emocional (o prazer da aventura, do risco, de fuga), portanto o universo do turismo da juventude é bastante amplo (ABREU, 1995, apud GIARETTA, 2003, p.9).


26 A definição de Montejano (2001) diverge em alguns pontos das mencionadas anteriormente. Nela, o autor classifica o turismo da juventude como um segmento do turismo social, podendo ser classificado em turismo escolar, juvenil e universitário, sendo desenvolvido pelo poder público (Estado, comunidades autônomas e prefeituras) e pelo poder privado (escolas, universidades, centros religiosos, instituições culturais e esportivas). Nesta definição, o autor não inclui as viagens independentes, programadas pelos próprios jovens (NASCIMENTO e TAKIYAMA, 2011). Montejano (2001) classifica como serviços do turismo da juventude as hospedagens alternativas, agências de viagens que disponibilizam pacotes econômicos, organizações de viagens culturais, recreativas, lúdicas e esportivas. Também nesse meio, o autor enumera os serviços especiais de transporte destinados ao público do turismo juvenil, como carteira de caronista, carteira jovem, carteira de alberguista, carteira internacional de estudante e seguro para estudante.

Figura 2Turismo da Juventude Fonte: World Travel & Tourism Council, 2019


27 Essa categoria de turismo, que abrange o turismo estudantil, de intercâmbio, os viajantes jovens independentes e os backpackers (NASH, THYNE e DAVIES, 2006), têm se tornado uma parte cada vez mais significativa da indústria do turismo global de acordo com a Organização Mundial de Turismo (OMT), devido ao aumento da frequência de viagens realizada por jovens. Estes jovens, atualmente valorizados, contribuem com o setor econômico, desenvolvem habilidades pessoais, relações sociais e culturais em busca de experiências engajadoras (UNWTO, 2008).

Figura 3Casa Elemento, Colômbia, Turismo da Juventude Fonte: Hostelworld, 2018


28 2.1.2

Influência do Turismo na economia

O turismo é um dos aspectos mais marcantes da sociedade moderna sendo responsável por 10,4% (US $ 8,8 trilhões) do PIB mundial e pela criação de um em cada 5 empregos em todo o mundo, tornando-se assim, um dos maiores setores econômicos existentes (WTTC, 2017, LOBO; MORETTI, 2008). Seu movimento econômico é utilizado como o argumento central para promover “a transformação dos territórios onde se desenvolve” (LOBO; MORETTI, 2008, p.44), envolvendo uma injeção externa de despesa que se transforma em produção e renda doméstica (MARTÍN, 2004). Foi a partir desta centralidade econômica que o turismo se destacou nos principais encontros mundiais de tomada de decisão “fomentando debates e diversas abordagens (ambiental, sociológica, geográfica dentre outras), que foram e/ou são impactadas pelo crescimento econômico que é tão atrelado à atividade” (MARANHÃO, AZEVEDO, 2019, p.10). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): O turismo, como atividade econômica, é definido a partir da perspectiva da demanda, ou seja, como resultado do consumo dos visitantes. Diferenças de perfil e motivação dos turistas e de condições natural e econômica do lugar visitado implicam em conjuntos diferentes de produtos consumidos (IBGE, 2012, p.9).

A contribuição do turismo vai além das transações diretas feitas pelos turistas, reflete também, de modo indireto e induzido, em outros setores de atividades e serviços. O modo direto inclui os serviços e produtos turísticos como acomodações, transporte, lazer e outros setores relacionados; o modo indireto é o que ocorre através da cadeia de relações intersetoriais que se originam do impacto direto como limpeza e manutenção, fornecedores de energia, restauração, entre outros; finalmente, o modo induzido, é aquele que mede o impacto na economia de serviços apoiados pelo turismo, como agricultura, infraestrutura, tecnologia, imóveis, comunicações, educação, bancos, saúde e muito mais (WTTC, 2019 MARTÍN, 2004). A capacidade de uma determinada economia para reter o rendimento turístico nela gerado depende da capacidade produtiva da mesma. Portanto, quanto maior for esta capacidade, maior será a renda gerada pela despesa inicial. Em contraposição, quanto maiores os vazamentos, menor será essa renda (OLIVEIRA, 2007, p.200).

Os resultados positivos ou negativos dos impactos econômicos do turismo sobre uma localidade, dependerão do grau de desenvolvimento da região, tendo seu volume analisado de acordo com


29 a capacidade da economia local em fornecer os bens e serviços demandados pelo setor turístico (FERNANDES, 2002). Oliveira (2007) identifica os impactos econômicos como: redução dos desequilíbrios regionais, contribuição na arrecadação de impostos, efeitos multiplicadores de renda, produção e emprego, e contribuição na formação do Produto Interno Bruto (PIB). As classificações das atividades econômicas do setor turístico, são formuladas para organizar as informações dessas unidades. A estruturação dessas informações se baseia na identificação de grupos homogêneos quanto a processos de produção, características dos bens e serviços e da finalidade para a qual esses bens e serviços são produzidos. A classificação de uma atividade econômica como característica de turismo se faz a partir da identificação, em sua produção principal, de produtos classificados como característicos do turismo, isto é, produtos de potencial consumo dos visitantes (IBGE, 2012, P.10).

Estas atividades econômicas, podem ser classificadas em características, relacionadas ou específicas do turismo. Os bens e serviços característicos são aqueles que na ausência de visitantes, deixariam de existir ou para aqueles em que o nível de consumo seria significativamente reduzido; a categoria dos relacionados ao turismo é a que inclui os produtos que foram classificados como próprios da atividade turística em um determinado país, mas que não foram reconhecidos em nível mundial; as duas categorias anteriormente mencionadas, uma vez unificadas, originam os produtos turísticos específicos (OMT, VEJA e VIVAS, 2007).


30 2.1.3

Turismo Sustentável

Ao relacionar o termo “sustentável” ao conceito de “desenvolvimento” demonstra-se a preocupação com o impacto que as ações atuais causarão na qualidade de vida das próximas gerações. Por ter um importante papel no desenvolvimento econômico, não só local como mundial, os produtos turísticos vêm sendo demandados por consumidores que exigem práticas sustentáveis. Portanto, as atividades turísticas devem ter em sua composição tais práticas, prevendo a harmonia com o meio ambiente e as culturas locais, entendendo sempre, quais tipos de turismo podem ser exercidos de forma sustentável em cada local e quais causariam efeitos negativos àquela comunidade e ao meio natural (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2010). Para a Organização Mundial do Turismo (1999), o turismo sustentável pode ser definido como a atividade que satisfaz as necessidades dos turistas e as necessidades socioeconômicas das regiões receptoras, enquanto a integridade cultural, a integridade dos ambientes naturais e a diversidade biológica são mantidas para o futuro (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2010, p.152).

Por se tratar de uma espécie de atração turística, o meio ambiente está intimamente relacionado com o turismo. Torna-se indispensável a medida de sustentabilidade no setor turístico, uma vez que todas as atividades impactam na vegetação, na fauna, no solo e nas águas da região, de forma positiva ou negativa. As leis de proteção ambiental e outras específicas para proteção dos recursos turísticos existem em quase todos os países, porém muitas vezes o desencontro entre o discurso oficial e a prática cotidiana é flagrante. O poder de certos grupos de interesse, a pressão econômica e as relações privilegiadas com as administrações locais lançam descrédito sobre uma regulamentação boa e adequada – no papel -, porém constantemente violada na prática (RUSCHMANN, 2008, p.65).

Jost Krippendorf (1977, apud RUSCHMANN, 2008), baseado em sua experiência, formulou 23 quesitos que ao aplica-los integralmente, desenvolverão o turismo ideal. Entretanto, por se tratar do turismo, um fenômeno dinâmico, o autor ressalta que suas proposições não são definitivas e inflexíveis. Resumidamente, alguns dos tais quesitos são: [...] - Concentrar o desenvolvimento turístico em centros gravitacionais, ambientalmente mais resistentes, em vez de dispersar a implantação de


31 equipamentos e atividades por áreas muito extensas, que agridem os ecossistemas

mais

frágeis;

[...] - Avaliar os custos e os benefícios econômicos, sociais, culturais, e ecológicos do desenvolvimento turístico, fornecendo projetos que atendam aos objetivos

gerais

propostos

para

a

localidade

ou

região;

[...] - Favorecer os transportes públicos para e dentro das destinações turísticas, a fim de evitar os congestionamentos urbanos, nas rodovias de acesso, e a poluição sonora e atmosférica originária dos combustíveis dos veículos particulares; [...] - Incentivar a ocupação plena das unidades habitacionais existentes nas localidades turísticas, em vez de permitir a construção de novos equipamentos receptivos que não têm garantida a ocupação rentável de seus leitos e ocupam espaços que poderiam permanecer livres e intactos; [...] - Melhorar a arquitetura dos equipamentos de recreação e do turismo, integrando-os às paisagens tanto no estilo como nos materiais e nas cores utilizadas; - Intensificar a pesquisa turística e estimular a unificação metodológica em nível internacional, a fim de que se possam comprar dados quantitativos e qualitativos confiáveis, relacionados tanto com a oferta como com a demanda, e realizar análises e projeções viáveis, ressalvando as complexidades do fenômeno; (KRIPPENDORF, 1977, p. 86-146)

Ruschmann (2008) ainda comenta sobre algumas medidas objetivando a redução dos impactos ambientais do turismo, sendo elas: o consumo de energia; reciclagem do lixo; diminuição da emissão de gases e outros poluentes; controlar o consumo de água; zelar pela preservação ambiental; cuidar dos impactos ambientais resultantes da arquitetura; respeitar os interesses da população local, suas tradições e cultura; entre outros. Tudo isso atrelado à educação ambiental e suas diretrizes. Uma das maiores motivações das viagens dos turistas se manifesta pela “fuga” dos ambientes urbanos e poluídos e pela “busca” do contato com a natureza (ou biodiversidade) preservada. Por isso, a “educação para o turismo”, pregada pela maioria dos autores que tratam dos estudos de


32 impacto da atividade e de seus agentes sobre o meio ambiente, envolve necessariamente a educação ambiental (RUSCHMANN, 2008, p.115) Os princípios de sustentabilidade do Ministério do Turismo são distribuídos entre ambiental, sociocultural, econômica e político-institucional. Diante deste cenário, percebemos a necessidade do planejamento do desenvolvimento turístico, de forma que, para receber os visitantes de maneira sustentável, deve-se tomar as decisões corretas em relação a criação e promoção dos produtos turísticos (MINISTÉRIO DO TURISMO 2010).


33 2.2 Hostel 2.2.1

O que é um Hostel

O vocábulo hostel, de origem inglesa, adaptada ao vocabulário brasileiro, tem como sinônimo o termo albergue. A preferência pelo termo se justifica por motivos mercadológicos, uma vez que o mesmo é adotado por grande parte dos países, mesmo os que não são de língua inglesa (HOSTELWORLD, 2015). “Além disso, adotando hostel como termo oficial, se estaria, comercialmente, em sintonia com o mercado mundial” (BAHLS e PEREIRA, 2016, p. 9). Segundo o Ministério do Turismo, albergue constitui-se como: Estabelecimento comercial de hospedagem com instalações e serviços básicos, que visam atender segmentos sociais com recursos financeiros modestos,

como

estudantes

e

aposentados.

Apresenta

unidades

habitacionais simples, comportando quartos individuais ou dormitórios coletivos (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2016).

Os hostels são um meio de hospedagem alternativo de caráter social que possui extrema importância e significante participação econômica para o turismo (UNWTO, 2010). Eles fazem parte do campo da hospitalidade e, consequentemente, dos meios de hospedagem, mas não dentro da hotelaria, pois são meios de hospedagem que possuem filosofia e serviços diferenciados (BAHLS, 2015; COBURN, 1950; GIARETTA, 2003; TROTTA, 1978). Bahls (2015) comenta que hostels e a hospitalidade formam um binômio inseparável. Este setor de acomodação é associado ao turismo da juventude, o qual está crescendo em todo o mundo, e representa o segmento low cost da indústria, o qual é considerado por Valls (2016) uma consequência da constante criação de novas rotas aéreas a preços convidativos, o que implica um ajuste do segmento hoteleiro. Seu público alvo se caracteriza por baixos orçamentos, sede por experiências socioculturais e um roteiro de viagem livre e flexível (TAVARES e BREA, 2017). Segundo o diretor de administração da ABHostels, Diogo Marcel (2019), os hostels são mais do que um simples meio de hospedagem, são experiências na essência, onde não são vendidos apenas os leitos, mas sim o destino como como um todo. Os hostels divergem da linha hoteleira convencional por terem uma filosofia única, prezando pela sociabilização dos hóspedes e pelo contato dos visitantes com a cultura do local visitado. Na verdade, os hostels vão além de oferecer acomodações de baixo custo, existem unidades de alto padrão e refinamento por preços elevados, considerados hostels boutiques, possuem estrutura física e serviços diferenciados em relação às unidades padrões (BAHLS e PEREIRA, 2017).


34 Fazem parte da construção usual de um hostel, espaços compartilhados como quartos, cozinha e banheiro, áreas de convívio, sala de estar ou de televisão, área social externa, lavanderia e um espaço para leitura fomentando um ambiente limpo e acolhedor. (BAHLS e PEREIRA, 2017). Para Timothy & Teye (2009) as vantagens e desvantagens dos serviços desse meio de hospedagem são no essencial: O custo reduzido por cama, que vai de acordo com o número de utilizadores por quarto; oportunidade de conhecer pessoas com o mesmo tipo de interesses, estabelecendo redes de contatos; o acesso à internet gratuita ou a preços reduzidos; serviço de biblioteca e troca de livros; e centralidade, facilitando a acessibilidade a locais turísticos estratégicos. Como desvantagens o autor considera: a falta de segurança; o alojamento em quartos partilhados e a consequente falta de privacidade; e o barulho constante nos espaços comuns e por vezes nos próprios quartos (TIMOTHY

& TEYE, 2009 apud TAVARES; BREA, 2017, p.4-5). Grande parcela dos viajantes que fazem parte do turismo da juventude dão preferência aos hostels, por possuírem características físicas e serviços diferenciadas dos hotéis comuns. Entretanto, no Brasil, esta categoria de hospedagem está envolta por mitos e preconceitos, os quais afastam os turistas e os impedem de tomar conhecimento da verdadeira essência dos hostels. De acordo com o Ministério do Turismo sobre a classificação dos setores de hospedagem: “o novo sistema serão sete matrizes, para os tipos: Hotel, Resort, Cama & Café, Hotel Fazenda, Hotel Histórico, Pousada e Flat/Apart-Hotel. Nesse primeiro momento, os albergues não entraram na classificação” (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2014). Devido aos hostels não estarem inclusos no sistema de classificação do Ministério do Turismo, a ideia de exclusão deste tipo de acomodação se fortalece, apesar de sua importância socioeconômica. Para se ter uma ideia da representatividade, pesquisas apontam que esse tipo de hospedagem gera mais de 4,6 mil empregos no Brasil e movimenta cerca de R$ 452 milhões em faturamento (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2019). O motivo de não serem contemplados na matriz de classificação se dá por serem considerados meios de hospedagem coletiva e não individual (BAHLS e PEREIRA, 2017; GIARETTA, 2003). Internacionalmente, os hostels estão bem difundidos e até mesmo conceituados por leis em alguns países, principalmente no continente europeu e América do Norte. Nesses locais, suas características singulares estão bem definidas, são tidos como parte de um fenômeno social e estão ligados diretamente à hospitalidade do local visitado, como é o exemplo da


35 França, que possui um selo de qualidade aceito pelas autoridades nacionais como padrão (THE EUROPEAN CONSUMER CENTRES’ NETWORK, 2009). No entanto, em âmbito nacional, esse segmento de mercado, por ser relativamente recente, encontra-se em estado de abandono por parte do Ministério do Turismo (MTur) (BAHLS e PEREIRA, 2017, p.3).

Existem estudos indicando que a principal razão pela qual os hostels enfrentam uma resistência vinda do Brasil para sua implantação se dá pela diferenciação de essência da hospitalidade brasileira e a genuína. A primeira nasce das relações comerciais e a segunda é sob a qual os hostels foram fundados. (BAHLS, 2015; GOTMAN, 2005) De acordo com os dados coletados na pesquisa, anexada ao final deste trabalho, nota-se que a maioria dos participantes se localiza na faixa etária entre 18 e 29 anos, possui ensino superior e nunca se hospedou em um hostel, comprovando a falta de visibilidade deste segmento no Brasil, embora o mesmo, com o passar dos anos, vem crescendo em números. Ao analisar o restante dos dados, conclui-se que dentre os que já tiveram a oportunidade de se hospedar em um hostel, a experiência em sua maioria foi satisfatória, o determinante de escolha da unidade é o preço, em seguida a localização e por fim a possibilidade de socialização. Já no quesito localização, em ordem de prioridade, encontra-se: próximo aos pontos turísticos; fácil acesso aos meios de transporte; próximo aos polos gastronômicos; e próximo à vida noturna.


36 2.2.2

O Movimento Alberguista

Inicialmente o movimento alberguista surgiu com a ideia do professor prussiano Richard Schirrmann em 1909, durante uma aula externa que realizava com seus alunos. Para fugir de uma tempestade, o grupo se abrigou em uma escola da região. Durante o tempo em que permaneceram abrigados, pensou Schirrmann, que as escolas poderiam ser usadas durante o período das férias, quando ficavam vazias, como alojamentos (GIARETTA, 2003, HI, 2018). Em um de seus relatos, o professor afirma: Eu pensei comigo mesmo que as escolas por toda a Alemanha poderiam muito bem ser usadas para providenciar acomodação durante as férias escolares. Vilas na parte boa do país para caminhadas poderiam ter um “Youth Hostel”, situados um dos outros a um dia de distância de caminhada, recepcionando todos os jovens alemães que gostassem de caminhar (HEATH, 1962, p.14)

Quando retornou para a escola em que lecionava, colocou sua ideia em prática, utilizando o espaço, nos recessos escolares, como abrigo. Porém, somente em 1912 o primeiro albergue da juventude foi inaugurado, com o conceito da hospitalidade genuína, no Castelo Altena, na Alemanha, e 20 anos após a sua criação foi fundada a Federação Internacional de Albergues da Juventude, que passa a operar como Hostelling Internacional em 2006, atuando até os dias de hoje com certificação em qualidade e sustentabilidade (COBURN, 1950, GIARETTA, 2003, HI, 2018)

. Figura 4- Castelo de Altena Fonte: Hostelling International, 2020


37 Altena Youth Hostel continua em atividade atualmente como referência mundial, sendo considerado um marco na história dos albergues pelo mundo. O albergue possui 5 quartos constituindo 36 leitos no total, e recebe um público definido entre grupos de escola e familiares (JUGENDHERBERGE ALTENA BURG, 2014). No Brasil, a divulgação do movimento alberguista se realizou através de Yone e Joaquim Trotta. O casal conheceu o serviço de hostel enquanto estudava em Paris. Retornando ao Brasil fizeram a divulgação do movimento e estabeleceram contato com a Federação Internacional para obtenção de maior conhecimento sobre o tema. Apenas no dia 09 de dezembro de 1971 no Rio de Janeiro foi criada a Federação Brasileira de Albergues da Juventude. O primeiro albergue do Brasil, denominado Residência Ramos, foi inaugurado em 1965, também cidade do Rio de Janeiro, funcionando até 1973 (GIARETTA, 2003). Durante o período de ditadura militar, de 1964 a 1985, muitos albergues fecharam suas portas por causa de denúncias. O Governo Militar usava como justificativa a aglomeração de jovens o que poderia se tornar uma ameaça ao governo (GOMES, 2014). Dentro deste cenário, o casal propulsor do movimento no Brasil, em 1979, inaugurou um albergue próprio em Cabo Frio, na região litorânea do estado do Rio de Janeiro, que ainda está em funcionamento. O movimento alberguista foi incorporado como um dos projetos de turismo social, criado pelo Plano Nacional de Albergues da Juventude, um ano após a inauguração dessa unidade. Nesse momento, surgiram as primeiras tentativas de regulamentação legal dos albergues da juventude, entretanto, a consolidação do movimento só ocorreu na década de 90 (GIARETTA, 2003).

Figura 5- Richard Schirrmann Fonte: Historisches Lexikon Bayerns 2020


38 2.2.3

Hostelling International

A Hostelling International (HI) é uma organização não lucrativa de associação de Albergues da Juventude. Contando com 4 milhões de filiados distribuídos em aproximadamente 4.500 hostels localizados em 90 países, a HI se posiciona como a maior rede de hospedagem econômica do mundo. Ela acredita que as viagens levam a um melhor entendimento de outras culturas criando assim, um mundo mais calmo, inteligente e tolerante (HOSTELLING INTERNATIONAL, 2019; GOMES, 2014). Até o ano de 2006, a Hostelling International era conhecida como Federação Internacional de Albergues da Juventude (IYHF), a qual nasceu no ano de 1932, seguindo os conceitos idealizados por Richard Schirrmann, o fundador do Movimento Alberguista. Por este motivo, considera-se que a Federação surgiu no ano de 1909, ano que Schirrmann idealizou o que viria a se tornar o primeiro albergue do mundo (HOSTELLING INTERNATIONAL, 2018). Segundo o artigo 2 do estatuto da Federação, a missão é: Fomentar a educação de todos os jovens de todas as nações, especialmente os de recursos limitados, estimulando neles um maior conhecimento, afeto e cuidado com a natureza, assim como um conhecimento dos valores culturais das cidades, tanto grandes como pequenas, de todas partes do mundo, e, como meio para alcançá-lo, oferecer albergues ou outra classe de alojamento nos quais não existam distinções de raça, nacionalidade, cor, religião, sexo, classe social ou opiniões políticas, para que possam assim compreender melhor os seus semelhantes, tanto em seu próprio país como no estrangeiro (HOSTELLING INTERNATIONAL BRASIL, 2014 apud GOMES, 2014, p.43).

A Hostelling International é responsável por garantir o padrão de qualidade dos albergues associados, com instalações seguras e de boa qualidade. Com isto, a rede adotou um sistema de gerenciamento visando a padronização dos serviços e estrutura dos hostels associados. São avaliados aspectos como conforto, segurança, limpeza, manutenção, entre outros, com a intenção de proporcionar uma estadia satisfatória ao hóspede (HOSTELLING INTERNATIONAL BRASIL, 2016; SALES, 2017). Com a expansão do movimento alberguista no Brasil, a Hostelling International desenvolveu um Manual de Procedimentos para auxiliar a padronização das unidades filiadas, juntamente com o sistema de gerenciamento. Busca-se qualificar os serviços básicos e estimular os empresários a manter um padrão de qualidade de excelência. Neste Manual, encontram-se orientações gerais para os albergues, evidenciando as vantagens em se associar com a rede, as condições


39 que o estabelecimento deve cumprir e as responsabilidades da HI para com o hostel credenciado. A Hostelling International também se compromete a capacitar a equipe de trabalho propiciando uma alta qualidade de serviço ao hóspede (SALES, 2017). No dia 1 de abril de 2003, foi firmado um memorando entre a UNESCO e a Hostelling International, convertendo os hostels em Centros de Cultura de Paz. Memorando esse que reconhece o quanto a rede contribui na formação do ser humano como uma organização mundial com toda sua história, comprometida com valores, premissas e fundamentos (FILHO, 2010, p.55). Nos anos 80, a organização iniciou seu compromisso com o meio ambiente, adotando medidas que incluíam o uso de materiais não poluentes nas unidades filiadas e a educação de albergues. Desde então, a rede vem seguindo, até os dias de hoje, diretrizes sustentáveis. No ano de 2010, a HI assinou, juntamente com seus membros, a Carta de Sustentabilidade, demonstrando o compromisso do movimento de alcançar uma rede mundial de albergues sustentáveis. E foi no ano de 2018, que a rede alcançou a certificação em Qualidade e Sustentabilidade, e a aprovação para minimizar, se possível, proibir plásticos de uso único em todos os albergues filiados (HOSTELLING INTERNATIONAL, 2018; GIARETTA, 2003). De modo geral, ao associar-se na rede, o albergue garante maior credibilidade ao meio de hospedagem. A utilização da marca Hostelling International agrega valor e reconhecimento ao estabelecimento, uma vez que a organização já comemorou, em 2009, 100 anos de existência (SALES, 2017).

Figura 6- Logo Hostelling International Fonte: Hostelling International Brasil, 2017


40

Figura 7- Turismo Sustentável através da Hostelling International Fonte: Hostelling International Brasil, 2017


41

Figura 8- Atrativos da Hostelling International Fonte: Hostelling International Brasil, 2017


42 2.2.4

Segmento Backpacker

A palavra backpacker, de origem inglesa, significa “aquele que carrega uma mala nas costas”, e em português é traduzido como mochileiro. Entretanto, o termo mochileiro pode ser confundido com sacoleiro, trazendo uma conotação errônea desta categoria. No Brasil, backpacker vem sendo cada vez mais utilizado por agências de viagens e outros setores relacionados à Viagens e Turismo, como termo referente a esse segmento do mercado turístico (Oliveira, 2003). Backpacker, segundo Oliveira (2003), é o modo mais usual mundialmente de denominar os turistas que viajam de forma independente e econômica, possuindo a liberdade como principal motivação. De acordo com Giaretta (2003): [...] o mochileiro é um desbravador de novos destinos turísticos. [...] Percebese ainda que o mochileiro, que tem um espírito aventureiro, busca novos desafios, é um turista ideal, político e socialmente correto, porque busca conhecer de fato o lugar, a cultura, respeita o meio ambiente e consome coisas do lugar, aceita a hospedagem rústica sem mudar os hábitos do morador e incentiva as manifestações culturais locais (GIARETTA, 2003, p.26)

Locker-Murphy & Pearce definem os backpackers como sendo: [...] turistas jovens e econômicos que mostram preferência em acomodações baratas, enfatizam o encontro com outras pessoas (locais e estrangeiros), organizam o itinerário da viagem de forma independente e flexível, seus períodos de férias são longos e buscam atividades recreativas informais e participativas (PEARCE e LOKER-MURPHY, 1995, p.823).

O segmento backpacker se enquadra em diversos tipos de classificações mercadológicas. Segundo Cohen (1972), este segmento pertence aos denominados drifters, os quais são viajantes sem propósito e impulsivos. Os drifters geralmente se hospedam em albergues da juventude ou em campings, tendendo ao relacionamento com pessoas nativas de classes socioeconômicas menos favorecidas, que utilizam meios de transportes coletivos e que, em sua maioria, são jovens. Figura 9- Backpacker Fonte: World Travel & Tourism Council, 2019


43 A escolha mais frequente de acomodação dos backpackers são os hostels, por possuírem características compatíveis com sua filosofia (GIARETTA, 2003). Diante disto, Filho (2010) observa o papel que o movimento backpacker exerce no desenvolvimento dos jovens. As experiências com hostels promovem consciência social e manifestam a importância da cidadania para a convivência, também auxiliam no desenvolvimento do sentido da autodisciplina que é obtida vivendo diversas situações, sendo o obrigado a tomar decisões por si só e aprendendo com as consequências.

Figura 10- A visão do mundo do Backpacker Fonte: Hostelworld, 2018


44 2.2.5

A Arquitetura e o Design de Interiores nos Hostels

Tratando-se de meios de hospedagem, a arquitetura e o design de interiores possuem papel fundamental para transmitir ao futuro hóspede a sensação de confiança, conforto e segurança. O viajante tem o conceito de espaço baseado nas relações humanas e trocas de experiências de vida, deste modo, a arquitetura, visando a uma convivência harmônica nos espaços, procura um fator comum em que as pessoas e o espaço físico conversem harmoniosamente (TOLEDO, 2017). O hostel sob o olhar da arquitetura, pode ser entendido como um abrigo temporário, similar a uma residência, fornecendo normalmente quartos compartilhados, bem como banheiros e outros equipamentos que supram as necessidades de uma demanda específica, com recursos financeiros modestos. Atualmente, há uma preocupação por grande parte dos hostels, em buscar o que há de mais inovador na arquitetura e no design de interiores, buscando alternativas mais econômicas e de qualidade que tornem os espaços individuais e coletivos atraentes e confortáveis (TOLEDO, 2017; SEBRAE, 2016; BENI, 2006). O design de interiores dos hostels desempenha um papel de suma importância na elaboração dos ambientes internos compartilhados e individuais, assim como o processo de identidade. Segundo Booth e Plunkett (2015, p.6), o design do interior “[...] deve ser mais sensível que o exterior de qualquer edificação, pois os usuários mantêm um contato visual e físico direto com os móveis e vivenciam sua eficiência prática e sua linguagem estética”. De acordo com Toledo: É preciso compreender os diferentes contextos e cenários presentes em um único quarto compartilhado de hostel, e ainda levar em consideração as distintas realidades culturais que nele podem habitar, originando relações díspares com reações particulares entre as pessoas que ocupam o mesmo espaço. As manifestações da individualidade podem por muitas vezes acontecer em um mesmo espaço e com similaridades, mas cada indivíduo a exercerá à sua maneira, de acordo com seus hábitos pessoais e contextos socioculturais de origem (TOLEDO, 2017, p.112).

Os hostels podem ser caracterizados como empreendimentos de pequeno porte, expressando, assim, o caráter intimista e familiar, bem como sua relação com a hospitalidade. O tamanho de um hostel não deve ser definido, apenas pelo número de quartos, e sim pelo número de leitos, pois geralmente os dormitórios possuem inúmeros leitos e contam somente como um quarto. Em sua maioria, os empreendimentos surgem através de construções ou ampliações de estruturas já existentes, sejam elas casas domiciliares ou prédios residenciais e/ou comerciais. (BAHLS e PEREIRA, 2017).


45 Segundo um estudo realizado por Bahls e Pereira (2017), foi definido o grau de incidências das áreas físicas dos hostels, como mostra a tabela 1, tendo como base de análise 3 dos mais tradicionais empreendimentos, o Castelo de Altena na Alemanha, o primeiro hostel do mundo; o Hostel 99, localizado em Český Krumlov, na República Checa; e o Home Lisbon Hostel em Lisboa, sendo um dos mais premiados do mundo pelo Hostelworld.

Tabela 1- Grau de incidência das áreas físicas do hostel Fonte: Bahls e Pereira, 2017

Nota-se, através desta tabela, que as áreas físicas presentes nos 3 hostels analisados, incluindo o modelo original do Castelo de Altena, são: Banheiro para cada dormitório; cozinha pública; dormitório; guarda-volumes; lavanderia; recepção; sala de estar ou de TV; sala de leitura; e área social externa. Apenas o Hostel 99 possui quarto privado, e somente o Home Lisbon Hostel possui sala de jogos. Também foi desenvolvido nesse estudo uma matriz classificatória das áreas físicas, podendo ser visualizada através do gráfico 1:


46

Gráfico 1- Matriz classificatória de áreas físicas Fonte: Bahls e Pereira, 2017

Ao analisar a configuração e itens presentes nos quartos compartilhados, Toledo (2017), através de uma pesquisa de campo, define as categorias de análise como é mostrado na figura 11.

Figura 11- Identificação das categorias de análise em um quarto compartilhado Fonte: Toledo, 2017

Os beliches são um aspecto determinante das características dos hostel desde seu surgimento. Atualmente, o uso desse equipamento é considerado opcional em diversos estabelecimentos, optando por camas de solteiro, as quais oferecerem aos hóspedes maior conforto e espaço


47 dentro do quarto (BAHLS e PEREIRA, 2017). Sendo assim, Toledo (2017) elabora um diagrama indicando os elementos essenciais para manutenção e promoção da individualidade e privacidade no beliche.

Figura 12- Diagrama sínteses dos elementos que marcam a manutenção da individualidade Fonte: Toledo, 2017

Mesmo oferecendo o serviço de hostel, alguns empreendimentos demonstram a falta de conhecimento sobre a filosofia alberguista, deixando de oferecer itens ou serviços de extrema importância ao hóspede. Deve-se desenvolver, novos empreendimentos ou reformular os já existentes para, de forma harmoniosa, haver a conexão com a visão de mundo e turismo contemporâneos e sustentáveis, para que empreendedores possam oferecer ao público-alvo um meio de hospedagem honesto às suas raízes, digno de uma classificação oficial.


48


49 3. CONTEXTO URBANO 3.1 Histórico de Petrópolis No século XVIII, mais precisamente em 1704, quando os bandeirantes paulistas descobriram ouro em Minas Gerais, foi criado o Caminho Novo com a intenção de proporcionar um percurso que atingisse o destino com mais facilidade e em menor período de tempo. O caminho, aberto por Garcia Rodrigues Paes, tinha origem em um ponto do rio Pilar, o qual desagua na baía de Guanabara, subia a Serra do Mar, passava por Marcos da Costa, Paty do Alferes e Paraíba do Sul e seguia para as Minas Gerais, passando por Juiz de Fora e Barbacena, levando vinte ou trinta dias para ser percorrido, um terço do tempo feito pelo Caminho Velho (IMCE, 2019). Com a abertura deste novo caminho, a região, onde hoje encontra-se Petrópolis, ganhou maior acesso e consequentemente a passagem de diversas pessoas, incluindo importantes viajantes, facilitando assim, além das viagens, a ocupação de terra. Foi então, a partir deste momento, através de concessões de terras, sucessões hereditárias e vendas a terceiros que Petrópolis foi colonizada, dando origens a diversas fazendas (LINS, 2017). Em 1822, com a visita do Imperador Dom Pedro I, a região passa por um intenso processo de dinamização. O Imperador, deslumbrado com o clima ameno, com as belezas naturais e com o desejo de construir outro palácio fora da cidade do Rio de Janeiro, no ano de 1830, adquire a Fazenda do Córrego Seco. A construção do palácio só se concretizou anos depois, com seu filho D. Pedro II o qual ordenou uma série de investimentos e transformações no local (DAIBERT, 2010, LINS, 2017). Em 1843, mais precisamente no dia 16 de março, graças ao Major Júlio Frederico Koeler, a fazenda ganhou o plano urbanístico que visava a construção do Palácio Imperial, de uma igreja e de um cemitério, e a urbanização de uma Vila Imperial. Com a execução do “Plano Koeler”, como era assim chamado, o povoado de Petrópolis passou a ser considerado como uma cidade (DAIBERT, 2010). Em meados de 1850, as famílias alemães, portuguesas e italianas que escolheram Petrópolis para viver, fizeram parte da construção e configuração da cidade. Segundo Angelo (2012, p.2) “A colonização alemã foi mais expressiva em números, seus bairros, formavam uma identificação com as regiões de onde vinham. Das divisões geográficas nacionais algumas foram configurando aspectos edificados criando uma dimensão de pertencimento”. O aumento significativo do número de visitantes e veranistas na cidade teve como propulsor a construção das linhas férreas, a partir da metade do século XIX. Daibert (2010) comenta que os


50 primeiros meios de hospedagem da região começaram a surgir nessa época, com o intuito de alojar os novos visitantes. Segundo o autor, os hotéis Inglês e Beresford já apareciam em relatos de viajantes da década de 1860. Com o exílio da Família Imperial e com a Proclamação da República, durante os anos de 1894 a 1903, Petrópolis tornou-se a capital do Estado, trazendo a região maior visibilidade e atraindo turistas e moradores da cidade do Rio (LINS, 2017). De acordo com Daibert (2010), a cidade de Petrópolis se desenvolveu através do fluxo de viajantes e como destino de veraneio da aristocracia. Podemos entender que Petrópolis, desde sua origem vem reunindo elementos que contribuíram para que o turismo fosse uma importante fonte de renda para o município, passando por algumas mudanças de cenário até a configuração do modelo atual. A cidade constituiu seu patrimônio histórico através da criação de museus, preservação da arquitetura e das diversas manifestações culturais dos seus colonizadores.

Figura 13- Pintura do Museu Imperial Fonte: Agostinho da Motta 1855


51 3.1.1

Histórico Turístico da cidade de Petrópolis

Como explicitado no Capítulo 3.1, Petrópolis surge como destino de veraneio da aristocracia no século XIX. Segundo Haroldo Camargo (2003), a incumbência de inventar a Cidade Imperial, ficou a cargo do filho, Pedro II, por ser o local para onde se deslocava nos meses de verão. Toda a corte (ministros, funcionários e familiares), diplomatas estrangeiros, famílias da elite e figuras que acompanhavam os representantes do poder, o seguiam até Petrópolis, localidade esta que permaneceu como hospedeira da presidência e das figuras gradas da capital federal. A vilegiatura era o fenômeno recorrente do século XIX na cidade de Petrópolis, o qual foi sendo deixado de lado conforme a chegada do século XX. Com a crescente industrialização, o processo de urbanização, a ascensão da classe burguesa e do trabalho assalariado no Brasil acompanhado da evolução das vias e meios de transportes, a vilegiatura vai aos poucos dando lugar a outro fenômeno: o turismo (DAIBERT, 2010). Mesmo não sendo apoiada por um projeto de desenvolvimento e com a falta de leitos disponíveis capazes de atender uma demanda para a realização de eventos que aumentassem o tempo de permanência na cidade, Petrópolis continuou sendo um importante destino de veraneio. O potencial turístico de Petrópolis (seus recursos naturais e históricos, as características geográficas e sua localização no estado) já era de conhecimento público, faltava então o reconhecimento institucional (CUNHA, 2008). De acordo com Santos (2003), enquanto a capital federal da época, Rio de Janeiro, só veio a possuir agências de turismo a partir da década de 1920, existem registros da existência de uma empresa de turismo na cidade de Petrópolis no ano de 1908, a chamada Empresa ALEX. A criação do “Sindicato de Iniciativa de Turismo do Município de Petrópolis”, no ano de 1922, também é considerada um importante marco para a cidade. Em relatos de viajantes na década de 1860, já apareciam importantes hotéis de Petrópolis, como o Hotel Bragança, Hotel Inglês e Hotel Beresford, o que reflete um pioneirismo da atividade turística da Cidade Imperial. Apesar disso, somente a partir da década de 1950 que o poder público vai se interessar em organizar e regulamentar a atividade turística. Em 1952 foi criada A Inspetoria de Turismo do Município de Petrópolis, tendo como atribuições: “a propaganda do município; a difusão do turismo; a organização de excursões turísticas e o controle do elemento turista”. Tal órgão, mais tarde foi transformado no Departamento de Turismo e Certames, passando a ter como atribuições: “manter um escritório central de Turismo, de preferência no Centro da Cidade; manter intérpretes para atendimento dos turistas estrangeiros, podendo os mesmos serem


52 requisitados na Secretaria de Educação do Município, ou entre os estudantes de Petrópolis, mediante concurso; manter ou contratar ou por concorrência pública, ônibus de preferência com serviço sonoro interno, para conduzir os turistas aos pontos de visitas da cidade”. Apenas em 1973 que efetivas ações são tomadas pelo poder público quanto à organização da atividade turística. Foi na gestão do prefeito Paulo José Alves Rattes (MDB) que se nasce a primeira Política Municipal de Turismo originando a Empresa de Turismo de Petrópolis (PETROTUR) (DAIBERT 2010). O entendimento do turismo como uma importante fonte de desenvolvimento socioeconômico e gerador de rendas, ocorre em nível nacional a partir da década de 1990. São lançadas políticas públicas definidas como Política Nacional de Turismo, sendo esta, um conjunto de metas, diretrizes, objetivos e ações formuladas pelo Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, pela Embratur e com a participação da iniciativa privada. O plano diretor de turismo, denominado como Plano Imperial, começou a ser elaborado em janeiro de 1998, pela Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo e da Companhia de Turismo de Petrópolis (PETROTUR). O órgão encarregado de deliberar o Plano Imperial, o Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), tem como papel principal propor projetos com o auxílio da equipe técnica da PETROTUR, sendo de responsabilidade dessa equipe, a montagem e realização de estudos e pesquisas, análise e diagnóstico, formatação final dos projetos, definição dos programas de ação e elaboração do plano (CUNHA, 2008).


53 3.2 Situação atual A cidade de Petrópolis está localizada geograficamente na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, com território de 791,144 km², uma altitude média de 810 metros e possui hoje uma população estimada em 306.191 habitantes. O clima é ameno, variando entre 10° e 30°C. Possuindo um total de 70% de Mata Atlântica preservada, a cidade se destaca pelas belezas naturais e também pelas suas atratividades culturais (IBGE, 2019). Segundo informações da Secretaria de Turismo de Petrópolis (TURISPETRO, 2020), a cidade recebe cerca de 2 milhões de visitantes ao ano, sendo considerados como turistas, 650 mil, aqueles que permanecem pelo menos uma noite na cidade. O turismo foi responsável pela criação de 4.458 empregos diretos no município em 2018, um crescimento de 6,3% em relação ao ano anterior. Segundo o Ministério do Turismo (2018) o município de Petrópolis alcançou o topo do ranking do turismo nacional de acordo com a nova categorização do EMBRATUR, que aponta o desempenho da economia do setor nas cidades que constam no Mapa do Turismo Brasileiro. Durante o inverno, considerado como alta temporada, são realizados na cidade, eventos como a Festa do Colono Alemão, conhecida como Bauernfest, Festival Dell'Arte de Inverno, Festival de Inverno do SESC, Festival de Fondues, Racletes, Caldos e Cremes, Serra Wine Week, comemoração do Aniversário de Santos Dumont realizado no Museu Casa de Santos Dumont, e eventos permanentes como Um Sarau Imperial e o espetáculo Som e Luz, ambos realizados nas dependências do Museu Imperial. Ao longo de todo o ano, polos comerciais como Rua Teresa e Feirinha de Itaipava são muito procurados, e nos meses de maio, novembro e dezembro, a procura se intensifica devido ao Dia das Mães e o Natal (TURISPETRO, 2020). O clima, relevo, vegetação e hidrografia de Petrópolis são fatores determinantes que atraem visitantes ao Município. As características geográficas privilegiadas auxiliam o desenvolvimento do turismo ecológico e turismo de aventura. Tal prática vem se expandindo em Petrópolis divido à consolidação de circuitos ecorurais (PLANO DIRETOR DE TURISMO, 2010-2019) Os principais atrativos turísticos no segmento histórico-cultural como o Museu Imperial, o Museu Casa de Santos Dumont e o Palácio de Cristal, são os que mais despertam interesse aos visitantes quando buscam informações nos Centros de Informação Turística de Petrópolis (CITs). Também são bastante procurados outros pontos turísticos localizados no Centro Histórico, como Museu de Cera, Catedral São Pedro de Alcântara, Casa da Ipiranga e o Centro Cervejeiro Bohemia (TURISPETRO, 2020).


54 De acordo com uma pesquisa realizada pela Secretaria de Turismo (2019): As pessoas entrevistadas buscam por tranquilidade, mas também procuram por entretenimento noturno como bares, boates e restaurantes requintados e/ou aconchegantes com música ao vivo. Percebe-se também o apreço por atividades ao ar livre como caminhadas e trilhas, além de atividades para o público infantil. Existe um grande interesse pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos e por banhos de cachoeiras. Alguns turistas e visitantes procuram por casas de chá e/ou cafés como os existentes em outros países. Há também, entre os entrevistados, uma expectativa em encontrar restaurantes especializados em cozinha alemã, devido à origem da colonização de Petrópolis.

Petrópolis possui atributos que o destaca nacionalmente. Entre eles está a maior plataforma computacional da América Latina, inaugurada em novembro de 2019, instalado no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) (G1, 2019). O município também obteve a primeira colocação no Prêmio Nacional do Turismo, na categoria Produção Associada ao Turismo, realizado em dezembro de 2019, com o Passeio Histórico, Cultural e Gastronômico com o Chef, idealizado por Dann Mattos (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2020), e dentre todos os museus brasileiros, o Museu Imperial foi o que mais recebeu público no primeiro semestre de 2019, demonstrando a grande potencialidade turística da cidade (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2019).

Atrativos e Serviços Turísticos Museu Imperial*

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Média Mensal 42.769 392.753 32.729

Dez

Total

Museu Casa de Santos Dumont

36.345 13.639 25.874 24.353 26.763 36.535 50.208 28.678 27.004 34.083 46.502 15.087 5.441 9.947 10.683 12.031 16.698 26.895 14.290 13.237 18.437 22.265 20.910 185.921 15.493

Cervejaria Bohemia (Tour Interativo)

6.649

3.556

Palácio Rio Negro **

5.458

4.843

4.602

8.060

9.433

5.558

4.813

5.162

5.068

5.283

68.485

5.707

42

75

190

783

771

351

2.441

3.675

4.593

5.484

18.405

1.841

Som e Luz*

2.005

611

1.487

1.390

1.144

1.541

2.924

1.970

1.412

1.704

2.065

1.843

20.096

1.675

Um Sarau Imperial*

360 222

897 497

904 1.088

1.266 2.276

1.269 3.186

1.881 2.110

1.125 2.557

950 2.409

1.752 3.039

1.748 3.587

1.239 2.899

15.128

1.261

Museu Casa do Colono

1.737 428

24.298

2.025

Palácio Amarelo (CMP)

1.013

363

1.013

1.265

730

1.595

1.992

807

675

820

997

1.172

12.442

1.037

Centro Cultural Estação Nogueira

220

220

212

277

303

273

598

478

305

283

231

299

3.699

308

Casa Stefan Zweig Igreja de Confissão Luterana***

195 140

150 152

199 281

240 290

240 342

233 652

234 476

165 311

289 306

201 389

263 447

130 236

2.539

212

4.022

335

8.901 866

8.975 1.127

PARNASO - Geral PARNASO - Sede Petrópolis

43.253 15.826 14.167 14.980 13.486 15.495 15.785 7.051 2.236 1.557 1.572 1.210 1.290 1.909

15.342 12.991 17.029 196.230 16.353 2.066 1.082 2.538 24.504 2.042

* Museu Imperial/IBRAM/MinC - Fonte das informações relativas ao Museu Imperial de Petrópolis ** Palácio Rio Negro - Fechado para obra desde dezembro/2018 - Visitação somente externa; Visitantes espontâneos excepcionalmente durante eventos entre março e meados de setembro de 2019; *** Igreja Luterana - Funcionamento somente aos sábados, domingos e feriados; Disque Turismo ¹ - Devido à problemas técnicos este serviço ficou quatro (04) dias sem funcionar em fevereiro;

Tabela 2- Indicadores do Turismo de 2019 em Petrópolis Fonte: TURISPETRO, 2019


55 Embora a cidade possua alto fluxo de visitantes, não são oferecidas acomodações que supram a necessidade atual. De acordo com a Secretaria de Turismo, são oferecidos 6.339 leitos para 650 mil turistas que passam durante todo o ano. TIPO DE MHs HOTEL POUSADA RESORT SPA HOSTEL FLAT CAMA&CAFÉ TOTAL *

MH 31 70 4 3 8 1 2 119

UHs 1.009 1.041 139 58 71 40 10 2.368

LEITOS 2.687 2.692 394 118 264 160 24 6.339

Tabela 3- Capacidade de hospedagem de Petrópolis Fonte: TURISPETRO, 2019, dados atualizados até Dezembro/2019

Petrópolis alcança o nível 4 na escala de competitividade realizada pelo Índice de Competitividade de Turismo Nacional (2015). Conforme é possível observar no Gráfico 2, o resultado é superior à média Brasil e à média das não capitais. Dentre todas as dimensões analisadas, como mostra o Gráfico 3, as com maiores índices são Aspectos ambientais e Aspectos sociais, resultados que atingiram o nível 5, o mais alto de competitividade na escala utilizada. Entretanto, as dimensões em que o destino registra os menores resultados são Marketing e promoção do destino, Monitoramento e Cooperação regional.

Gráfico 2- Índices gerais de competitividade – destino x Brasil x não capitais: 2008-2015 Fonte: Índice de Competitividade de Turismo Nacional 2015


56

Gráfico 3-Índices do destino por dimensão, em ordem decrescente de desempenho Fonte: Índice de Competitividade de Turismo Nacional 2015

Com base nas observações realizadas ao longo da pesquisa, é possível destacar como diferenciais de Petrópolis: a sua tradição histórica; a existência de sistemas de informações turísticas; população consciente, receptiva e educada; desenvolvimento de projetos e ações de cooperação regional entre Petrópolis e outros destinos da Serra Verde Imperial; atrativos disponíveis para todas as estações e idades; acessibilidade (proximidade a aeroportos, portos e rodovias federais); o Programa de Sensibilização Turística, que alerta a população em geral, professores e alunos da rede pública sobre a importância da atividade turística para o destino; posicionamento privilegiado na Serra do Mar que compreende várias Unidades de Conservação; entre outros (PLANO DIRETOR DE TURISMO, 2010-1019; ÍNDICE DE COMPETITIVIDADE DO TURISMO NACIONAL, 2015).


57


58 4. DIAGNÓSTICO URBANO 4.1 Localização O terreno escolhido encontra-se no primeiro distrito da cidade de Petrópolis - RJ, no bairro Centro, na Rua Almirante Tamandaré, 52, e possui 500m². Por se localizar em uma via local, em frente a uma praça e ao lado de um condomínio com vigilância em tempo integral, o terreno transmite uma sensação de privacidade, conforto e segurança. Atualmente, apesar de ser uma propriedade privada, o terreno está sem uso e em estado de abandono. A falta de manutenção pode causar danos na construção já existente, construção essa que faz parte da memória de muitos petropolitanos, uma vez que já foi utilizada como escola no período de 1994 até 2006.

Figura 14- Localização do terreno no mapa do Brasil / Estado do Rio / Petrópolis / Centro Fonte: Da autora, 2020

Figura 15- Mapa de localização Fonte: Da autora, adaptado do Google Earth, 2020


59

Figura 16- Análise do terreno Fonte: Da autora, 2020


60

Figura 17- Vista do terreno 1 Fonte: Luiz Felipe Dutra, 2020

Figura 18- Vista do terreno 2 Fonte: Luiz Felipe Dutra, 2020


61

Figura 19- Vista do terreno 3 Fonte: Luiz Felipe Dutra, 2020

Figura 20- Vista do terreno 4 Fonte: Luiz Felipe Dutra, 2020


62

Figura 21- Vista do terreno 5 Fonte: Luiz Felipe Dutra, 2020


63 4.2 Entorno Sua localização estratégica possibilita que o hóspede percorra o centro histórico, alcançando boa parte dos principais pontos turísticos e vida noturna sem a necessidade de utilização de meios de transporte. Seus vizinhos imediatos são construções residenciais, no entanto, por se localizar no centro da cidade, o uso diversificado é predominante em seu entorno, facilitando o acesso do visitante em qualquer serviço desejado.

Figura 22- Pontos de interesse dento do raio de 1 Km Fonte: Da autora, adaptado do Google Earth, 2020


64 LEGENDA 1 – Parque Natural Municipal

8 – Museu da Força

2 – Casa dos 7 erros

Expedicionária

3 – Casa de Rui Barbosa

Brasileira/Palácio Rio Negro

4 – Primeira Igreja Luterana

9 – Praça Visconde de Mauá

5 – Catedral São Pedro de

10 – Museu Imperial

Alcântara

11 – Obeilsco

6 – Casa da Princesa Isabel

12 – Igreja Nossa Senhora do

7 – Prefeitura

Rosário

1 – Antiga Rodoviária (transbordo)

1 – Rua Treze de Maio (bares e vida noturna) 2 – Rua Dezessei de Março (polo comercial) 3 – Casa D’Angelo (bar)

Figura 23- Vista do entorno 1 Fonte: Google Maps, 2020


65

Figura 24- Vista do entorno 2 Fonte: Google Maps, 2020

Figura 25- Vista do entorno 3 Fonte: Google Maps, 2020

Figura 26- Vista do entorno 4 Fonte: Google Maps, 2020


66 4.3 Legislação 4.3.1

Zoneamento

Dentro do zoneamento do município, o terreno encontra-se em SIP2 (Setor de interesse a proteção dois), com as seguintes condições de ocupação: Gabarito: 3 pavimentos com altura máxima 13,00 metros Afastamento Frontal: 3,00 metros Índice de Aproveitamento (IA): 1,5 Taxa de Ocupação (TO): 50% (cinquenta por cento) Área Mínima da Unidade: - residencial - sem restrição / - comercial -30m² com jirau, 20m² sem jirau Taxa de Permeabilidade: 15% (quinze por cento) Altura de Implantação Máxima: 10,00 metros Dentro dos usos estipulados, o estabelecimento proposto pode se enquadrar em PS-5 Serviços em Geral.

Figura 27- Terreno Dentro do Zoneamento Fonte: Da autora, adaptado de Lupos Petrópolis, 2020


67 4.3.2

NBR 9050

Baseado na ABNT NBR 9050, os itens relevantes ao meio de hospedagem foram selecionados, sendo eles: 4.6 Alcance manual 4.6.1 Dimensões referenciais para alcance manual As figuras 28 a 30 exemplificam as dimensões máximas, mínimas e confortáveis para alcance manual frontal.

Figura 28- Alcance manual frontal - Pessoa em pé Fonte: ABNT NBR 9050, 2004

Figura 29- Alcance manual frontal - Pessoa sentada Fonte: ABNT NBR 9050, 2004


68

Figura 30- Alcance manual frontal com superfície de trabalho - Pessoa em cadeira de rodas Fonte: ABNT NBR 9050, 2004

4.6.2 Aplicação das dimensões referenciais para alcance lateral de pessoa em cadeira de rodas A figura 31 apresenta as aplicações das relações entre altura e profundidade para alcance manual lateral para pessoas em cadeiras de rodas.

Figura 31- Alcance manual lateral - Relação entre altura e profundidade - Pessoa em cadeira de rodas Fonte: ABNT NBR 9050, 2004


69 4.6.3 Superfície de trabalho As superfícies de trabalho necessitam de altura livre de no mínimo 0,73 m entre o piso e a sua parte inferior, e altura de 0,75 m a 0,85 m entre o piso e a sua superfície superior. A figura 32 apresenta no plano horizontal as áreas de alcance em superfícies de trabalho, conforme abaixo: a) A1 x A2 = 1,50 m x 0,50 m = alcance máximo para atividades eventuais; b) B1 x B2 = 1,00 m x 0,40 m = alcance para atividades sem necessidade de precisão; c) C1 x C2 = 0,35 m x 0,25 m = alcance para atividades por tempo prolongado.

Figura 32- Superfície de trabalho Fonte: ABNT NBR 9050, 2004

4.6.4 Ângulos para execução de forças de tração e compressão As figuras 33 e 34 mostram ângulos e dimensões para execução adequada de forças de tração/compressão.

Figura 33- Ângulos para execução de forças de tração e compressão - Plano horizontal Fonte: ABNT NBR 9050, 2004


70

Figura 34- Ângulos para execução de forças de tração e compressão - Plano lateral Fonte: ABNT NBR 9050, 2004

4.6.5 Empunhadura Objetos tais como corrimãos e barras de apoio, entre outros, devem ter seção circular com diâmetro entre 3,0 cm e 4,5 cm e devem estar afastados no mínimo 4,0 cm da parede ou outro obstáculo. Quando o objeto for embutido em nichos deve-se prever também uma distância livre mínima de 15 cm, conforme figura 35. São admitidos outros formatos de seção, desde que sua parte superior atenda às condições desta subseção. Dimensões em centímetros

Figura 35- Empunhadura Fonte: ABNT NBR 9050, 2004


71 4.6.6 Controles (dispositivos de comando ou acionamento) Os controles, botões, teclas e similares devem ser acionados através de pressão ou de alavanca. Recomenda-se que pelo menos uma de suas dimensões seja igual ou superior a 2,5 cm, conforme figura 36. Dimensões em centímetros

Figura 36- Controles Fonte: ABNT NBR 9050, 2004

4.6.7 Altura para comandos e controles A figura 37 mostra as alturas recomendadas para o posicionamento de diferentes tipos de comandos e controles.

Figura 37- Comandos e controles Fonte: ABNT NBR 9050, 2004


72 5.4 Símbolos Representações gráficas que, através de uma figura ou de uma forma convencionada, estabelecem a analogia entre o objeto ou a informação e sua representação. Todos os símbolos podem ser associados a uma sinalização direcional.

5.4.4.2 Símbolo internacional de sanitários acessíveis Para os sanitários acessíveis, deve ser acrescido, para cada situação, o símbolo internacional de acesso conforme figuras:

Figura 38- Sanitário feminino acessível / Sanitário masculino acessível Fonte: ABNT NBR 9050, 2004

Figura 39- Sanitários masculino e feminino acessível/Sanitário familiar acessível Fonte: ABNT NBR 9050, 2004

5.4.4.4 Símbolos de comunicação As figuras 40 e 41 devem ser utilizadas para sinalização dos equipamentos ou serviços de comunicação.

Figura 40- Símbolos internacionais de informação Fonte: ABNT NBR 9050, 2004

Figura 41- Telefone / Telefone com teclado / Telefone com amplificador sonoro Fonte: ABNT NBR 9050, 2004


73 5.7 Sinalização sonora 5.7.3 Os alarmes sonoros, bem como os alarmes vibratórios, devem estar associados e sincronizados aos alarmes visuais intermitentes, de maneira a alertar as pessoas com deficiência visual e as pessoas com deficiência auditiva (surdez). 6.9 Circulação interna 6.9.2 Portas 6.9.2.4 As portas de sanitários, vestiários e quartos acessíveis em locais de hospedagem e de saúde devem ter um puxador horizontal, conforme a figura 42, associado à maçaneta. Deve estar localizado a uma distância de 10 cm da face onde se encontra a dobradiça e com comprimento igual à metade da largura da porta.

Figura 42- Portas com revestimento e puxador horizontal – Exemplo Fonte: ABNT NBR 9050, 2004

7.2 Condições gerais 7.2.1 Localização e sinalização Os sanitários e vestiários acessíveis devem localizar-se em rotas acessíveis, próximos à circulação principal, preferencialmente próximo ou integrados às demais instalações sanitárias, e ser devidamente sinalizados conforme 5.4.4.2. Em sanitários acessíveis isolados é necessária a


74 instalação de dispositivo de sinalização de emergência ao lado da bacia e do boxe do chuveiro, a uma altura de 400 mm do piso acabado, para acionamento em caso de queda. 7.4 Vestiários 7.4.2 Armários A altura de utilização de armários deve estar entre 0,40 m e 1,20 m do piso acabado. A altura de fixação dos puxadores e fechaduras deve estar em uma faixa entre 0,80 m e 1,20 m. As prateleiras devem ter profundidade máxima que atenda aos parâmetros estabelecidos em 4.6. A projeção de abertura das portas dos armários não deve interferir na área de circulação mínima de 0,90 m e as prateleiras, gavetas e cabides devem possuir profundidade e altura que atendam às faixas de alcance manual e visual, conforme seção 4. 8.3 Locais de hospedagem 8.3.1 Condições específicas Em hotéis, motéis, pousadas e similares, os auditórios, salas de convenções, salas de ginástica, piscinas, entre outros, devem ser acessíveis. 8.3.1.1 Pelo menos 5%, com no mínimo um do total de dormitórios com sanitário, devem ser acessíveis. Estes dormitórios não devem estar isolados dos demais, mas distribuídos em toda a edificação, por todos os níveis de serviços e localizados em rota acessível. Recomenda-se, além disso, que outros 10% do total de dormitórios sejam adaptáveis para acessibilidade. 8.3.1.2 As dimensões do mobiliário dos dormitórios acessíveis devem atender às condições de alcance manual e visual previstos na seção 4 e ser dispostos de forma a não obstruírem uma faixa livre mínima de circulação interna de 0,90 m de largura, prevendo área de manobras para o acesso ao sanitário, camas e armários. Os armários devem atender a 7.4.2. Deve haver pelo menos uma área com diâmetro de no mínimo 1,50 m que possibilite um giro de

360°,

conforme

figura

153.

A

altura

das

camas

deve

ser

de

0,46

m.

8.3.1.3 Quando forem previstos telefones, interfones ou similares, estes devem ser providos de sinal luminoso e controle de volume de som, conforme 9.2.2. 8.3.1.4 Os dispositivos de sinalização e alarme de emergência devem alertar as pessoas com deficiência visual e as pessoas com deficiência auditiva, conforme 5.7.3. 8.3.1.5 O sanitário deve possuir dispositivo de chamada para casos de emergências, conforme 7.2.1.


75 9.2 Telefones 9.2.2 Amplificador de sinal 9.2.2.1 Em espaços externos, pelo menos 5% do total de telefones, com no mínimo um, deve dispor de amplificador de sinal. 9.2.2.2 Em edificações, deve haver pelo menos um telefone com amplificador de sinal por pavimento. Quando houver instalação de conjuntos de telefones, o telefone com amplificador de sinais deve estar localizado junto a eles. 9.2.2.3 Estes telefones devem estar sinalizados conforme 5.4.4.4.


76 4.3.3

IPHAN e INEPAC

Por ser conhecida como Cidade Imperial, Petrópolis possui diversas construções protegidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, da Secretaria de Estado de Cultura (Inepac). Entre as diversas formas de proteção, o tombamento é o instrumento mais conhecido e utilizado, podendo ser definido como o ato administrativo que visa a proteção de bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e também de valor afetivo para a população (IPHAN, 2014) A construção existente no terreno escolhido para este projeto não faz parte da lista de obras tombadas, embora grande parte do centro histórico, onde está situado, se enquadre nesse perfil. Porém, foi decidido manter a fachada original da edificação, afim de conservar a memória de vários petropolitanos que estudaram no local, durante o período em que o mesmo foi utilizado como escola, e por ser uma figura presente no dia-a-dia de muitos moradores.

Figura 43- Áreas e edificações protegidas pelo IPHAN e INEPAC Fonte: Da autora, adaptado do Google Earth, 2020


77 4.4 Mapas Analíticos 4.4.1

Mapa de Figura e Fundo

Ao observar o mapa de figura e fundo, percebe-se, em escala macro, grande adensamento no meio em que o terreno está inserido. Porém, ao analisar o entorno imediato, nota-se que existe vizinho direto apenas no lado leste, possibilitando maior privacidade vinda do lado contrário.

Figura 44- Mapa de Figura e Fundo Fonte: Da autora, adaptado do Google Earth, 2020


78 4.4.2

Mapa de Gabarito

Por estarem localizados dentro do setor de zoneamento SIP2 (Setor de interesse a proteção dois), o terreno e suas imediações respeitam o gabarito estipulado, sendo ele de 13 metros, tornando-se assim, uma área de edificações de pequeno porte.

Figura 45- Mapa de Gabarito Fonte: Da autora, adaptado do Google Earth, 2020


79 4.4.3

Mapa de Usos

O projeto está situado em uma área de usos mistos, tendo a predominância do uso residencial e empresarial. Por se tratar do centro do município, há a diversificação de serviços oferecidos, possibilitando que hóspede supra suas necessidades com maior facilidade.

Figura 46- Mapa de Usos Fonte: Da autora, adaptado do Google Earth, 2020


80 4.4.4

Mapa de Sistema Viário

O acesso ao terreno só é possível por uma via local, tendo como consequência o fluxo reduzido de veículos e pedestres. Entretanto, a existência de um condomínio residencial em seu entorno imediato eleva o nível de segurança, devido ao monitoramento em tempo integral da guarita de acesso para o mesmo.

Figura 47- Mapa de Sistema Viário Fonte: Da autora, adaptado do Google Earth, 2020


81 4.4.5

Mapa de Ruídos

Embora esteja localizado no centro da cidade, o terreno em questão não possui interferência elevada de ruídos. No seu entorno, é mantida a média entre 45 – 55 dB, evitando desconforto aos hóspedes.

Figura 48- Mapa de Ruídos Fonte: Da autora, adaptado do Google Earth, 2020


82 4.4.6

Topografia

O terreno não sofre impactos originados pela topografia e hidrografia. Sua localização geográfica evita que futuros desastres como inundações, enxurradas ou deslizamentos o afetem, tornandose um lugar seguro.

Figura 49- Mapa de Topografia Fonte: Da autora, 2020


83 4.4.7

Mapa de Vegetação

O terreno encontra-se protegido ao norte e oeste por mata nativa, presenteado o projeto com uma paisagem verde em pleno meio urbano.

Figura 50- Mapa de Vegetação Fonte: Da autora, adaptado do Google Earth, 2020


84 4.4.8

Mapa Síntese

Figura 51- Mapa Síntese Fonte: Da autora, adaptado do Google Earth, 2020


85 4.4.9

Dados de Insolação e Ventilação

Através da análide da carta solar, nota-se a grande incidência do sol no terreno escolhido. No verão, as montanhas ao seu redor influenciam apenas nas primeiras horas da manhã e em momentos antes do sol se pôr, bloqueando os raios solares, porém, no inverno, a incidência do sol é constante. A fachada sul, embora seja a principal, não recebe incidência do sol de maneira direta em nenhum período durante as estações.

Figura 52- Análise com a Carta Solar Fonte: Da autora, adaptado do SOL-AR e Google Earth, 2020


86

Junho - 9 horas

Junho - 16 horas

Dezembro - 9 horas

Dezembro - 16 horas Figura 53- Posição Solar Fonte: Da autora, 2020

Figura 54- Rosa dos Ventos Fonte: SOL-AR, 2020


87

Figura 55- Ventos chegando no terreno Fonte: Da autora, adaptado do Google Earth, 2020

Os ventos, em sua maioria, são provenientes do sudeste, entretanto, os vindo do sul possuem mais velocidade. Devido a existência de uma montanha ao sudeste do terreno, os ventos são bloqueados e redirecionados, chegando ao terreno pelo sul, atingindo sua fachada principal. Portanto, a construção já existente serve como uma barreira, impedindo que os ventos de forma inteira alcancem a parte norte do terreno.


88


89 5. REFERÊNCIAS PROJETUAIS 5.1 Conceituais As referências conceituais escolhidas demonstram perfeitamente o conceito de respeitar e contrastar, uma vez que ambas utilizam uma edificação já existente como ponto de partida. Elas constroem anexos sem alterar as características originais da mesma e evidenciam as diferenças de estilos. 5.1.1

Yiyunshangshe Hostel

O Yiyunshangshe Hostel, localizado em Daijiashan, no condado de Tonglu, cidade de Hangzho, na China, originou-se de uma casa que foi sendo danificada pelo solo ao longo do tempo. Concebido por JR Studio, no ano de 2019, contendo 600 m², o projeto consiste em uma nova peça que se relaciona com a peça original, sendo esta nova posicionada verticalmente no telhado do prédio antigo, formando assim, o terceiro andar do edifício. Na peça nova está presente o acesso principal e a área pública, proporcionando a melhor vista da paisagem. Os espaços do primeiro e do segundo andar foram convertidos em quartos de hóspedes sem fazer grandes alterações no local (ARCHDAILY, 2020). Para prestar homenagem à forma tradicional de construção do povo Dai, foram mantidas algumas cornijas de dois andares para proteger a parede de adobe original da erosão da água da chuva. Também foram respeitadas as práticas de construção do edifício principal, porém, devido a alguns problemas de deterioração, a estrutura original de madeira foi substituída por uma de aço (ARCHDAILY, 2020).

Figura 56- Yiyunshangshe Hostel Fonte: ArchDaily, 2020


90

Figura 57- Edifício original, Yiyunshangshe Hostel Fonte: ArchDaily, 2020

Figura 58- Esquema de sobreposição das camadas, Yiyunshangshe Hostel Fonte: ArchDaily, 2020


91

Figura 59- Perspectiva externa, Yiyunshangshe Hostel Fonte: ArchDaily, 2020

Figura 60- Interior de um dos quartos, Yiyunshangshe Hostel Fonte: ArchDaily, 2020


92 5.1.2

Edifício Z

Este projeto de remodelação e ampliação do edifício residencial da família Z., localizado em Regensburg, na Alemanha, possui 198 m² e foi idealizado pelo escritório Fabi Architekten no ano de 2012. Por se tratar de uma edificação tombada e por haver a necessidade de ampliação, foi proposto um anexo com arquitetura contemporânea, com ares de minimalismo europeu, cuja a ligação com o bloco existente se dá por uma passagem transparente, feita de vidro, criando uma separação óptica e uma conexão funcional simultânea das duas estruturas (CASA VOGUE, 2013; FABI ARCHITEKTEN, 2013). A nova ala é definida como uma caixa de madeira escura, tendo suas fachadas compostas por tábuas verticalizadas e janelas amplas. Nela encontram-se os espaços comuns, como sala de estar, jantar e cozinha. O edifício existente abriga os quartos da residência, tendo o mesmo passado por um processo de renovação de acordo com as fotos originais, mantendo sua fachada inalterada (CASA VOGUE, 2013; FABI ARCHITEKTEN, 2013).

Figura 61- Edifício Z Fonte: Casa Vogue, 2020


93

Figura 62- Fachada sudeste, Edifício Z Fonte: Casa Vogue, 2020

Figura 63- Fachada noroeste, Edifício Z Fonte: Casa Vogue, 2020


94 5.2 Programáticas 5.2.1

Ora Hostel

O projeto do Ora Hostel foi iniciado em 2015 pelo escritório SEA ARCHITECT CO. Está localizado em Bangkok, Tailândia, em um antigo edifício de 4 metros de largura por 12 metros de comprimento, dividido em 6 pavimentos. Por se tratar de um hostel compacto e verticalizado, os setores foram divididos por níveis. A administração e os serviços estão instalados no térreo, as áreas comuns, no primeiro e no quinto pavimento, já os dormitórios, do segundo ao quarto pavimento. O Ora Hostel possui quartos compartilhados com 6, 4, e 12 camas e 2 quartos privados, totalizando 38 leitos. Além do restaurante no terraço, o empreendimento possui uma cafeteria no térreo, e um ambiente de relaxamento no primeiro pavimento, onde o usuário pode jogar, assistir TV, ler um livro e interagir com os demais hóspedes. Como referência para a proposta em estudo, estão a separação dos setores por andar e os espaços arquitetônicos.

Figura 64- Recepção, Ora Hostel Fonte: ArchDaily, 2017


95

Figura 65- Plantas baixas, Ora Hostel Fonte: Da autora, adaptado de ArchDaily, 2020


96 NÚMERO

AMBIENTE

ÁREA

QUANTIDADE

1

RECEPÇÃO

5.95 m²

1

2

ÁREA COMUM

36.70 m²

1

3

DESPENSA

5.63 m²

1

4

WC SERVIÇO

2.00 m²

2

5

ÁREA COMUM

30.00 m²

1

6

QUARTO PRIVADO

5.63 m²

2

7

WC PRIVADO

2.00 m²

2

8

DORMITÓRIO

25.15 m²

1

9

WC

1.46 m²

9

10

DORMITÓRIO

9.10 m²

1

11

DORMITÓRIO

13.25 m²

1

12

DORMITÓRIO

25.65 m²

1

13

ÁREA COMUM

31.80 m²

1

14

CAIXA D’ÁGUA

6.70 m²

1

Tabela 4- Quadro de áreas, Ora Hostel Fonte: Da autora, 2020

Figura 66- Quarto compartilhado de 12 camas, Ora Hostel Fonte: ArchDaily, 2017


97

Figura 67- Área comum, Ora Hostel Fonte: ArchDaily, 2017


98 5.2.2

Hostel La Buena Vida

Obra do escritório Arco Arquitetura Contemporânea, concluída no ano de 2011, o Hostel La Buena Vida está localizado na Cidade do México, e possui 360 m². Com o objetivo de se destacar diante de um bairro homogêneo, o projeto propõe o uso de uma capa dupla na fachada, com diferentes tons de magenta e formas geométricas, servindo não só como elemento estético, mas também como proteção termoacústica. Possuindo 8 quartos compartilhados, o empreendimento oferece um total de 48 leitos, divididos em quartos de 4 a 10 camas com seus próprios banheiros. O Hostel La Buena Vida dispõe de cozinha compartilhada, lavanderia, sala de estar com acesso à internet e um terraço de uso comum. O acesso para os pavimentos que o compõe, se dá através do lobby integrado com a recepção localizado no térreo, o que aumenta a segurança dos viajantes.

Figura 68- Hostel La Buena Vida Fonte: ArchDaily, 2012


99

Figura 69- Plantas baixas do primeiro, segundo, terceiro e quarto pavimento do Hostel La Buena Vida Fonte: Da autora, adaptado de ArchDaily, 2012


100 NÚMERO

AMBIENTE

ÁREA

QUANTIDADE

RECEPÇÃO

36 m²

1

LOBBY

20 m²

1

1

DORMITÓRIO

18.65 m²

1

2

DORMITÓRIO

20.65 m²

1

3

DORMITÓRIO

12.35 m²

1

4

WC/CHUVEIRO

10.30 m²

1

5

WC/CHUVEIRO

4.70 m²

1

6

WC/CHUVEIRO

2.90 m²

1

7

WC/CHUVEIRO

3.10 m²

1

8

DORMITÓRIO

31.50 m²

1

9

WC/CHUVEIRO

3.00 m²

2

10

DORMITÓRIO

21.50 m²

1

11

LAVANDERIA

4.95 m²

1

12

DORMITÓRIO

20.00 m²

1

13

WC/CHUVEIRO

3.80 m²

1

14

WC/CHUVEIRO

3.70 m²

1

15

DORMITÓRIO

9.80 m²

1

16

WC/CHUVEIRO

4.00 m²

1

17

DORMITÓRIO

20.53 m²

1

18

COMPUTADORES

22.50 m²

1

19

TERRAÇO

25.30 m³

1

20

COZINHA

12.25 m²

1

21

DESPENSA

3.30 m²

1

22

WC

2.50 m²

1

Tabela 5- Quadro de áreas, Hostel La Buena Vida Fonte: Da autora, 2020

Serão utilizados como referências para o presente projeto os ambientes de uso comum, como o espaço para acesso à internet e o lobby, a cozinha compartilhada e a utilização do terraço como um ambiente de interação social e relaxamento. A divisão dos leitos entre os dormitórios, também servem como inspiração para o desenvolvimento do hostel.


101

Figura 70- Cozinha compartilhada, Hostel La Buena Vida Fonte: ArchDaily, 2012

Figura 71- Dormitório compartilhado feminino, Hostel La Buena Vida Fonte: ArchDaily, 2012


102 5.2.3

KLOEM Hostel

O KLOEM Hostel, localiza-se em Bangkok na Tailândia, foi projetado pelo escritório IF no ano de 2018 e possui 355 m². Este projeto baseou-se na abordagem de reparar e adicionar. A estrutura original da edificação existente foi mantida e todas as paredes foram retiradas, tratadas, repintadas e repostas. A configuração dos espaços foi reorganizada para se adequar ao serviço de hostel. No prédio maior estão presentes os dormitórios femininos de quatro e seis camas, com banheiros compartilhados, espaço de chuveiro e dormitórios de três, quatro e seis camas, totalizando 26 leitos. Já os quartos privativos, estão localizados no prédio menor contendo 5 quartos com 10 leitos no total, banheiros e um deck de recreação no nível superior.

Figura 72- KLOEM Hostel Fonte: ArchDaily, 2018


103

Figura 73- Plantas baixas do primeiro e segundo andar, KLOEM Hostel Fonte: Da autora, adaptado de ArchDaily, 2020

NÚMERO

AMBIENTE

ÁREA

QUANTIDADE

1

RECEPÇÃO

28.30 m²

1

2

ÁREA COMUM

75.15 m²

1

3

QUARTO PRIVADO

8.50 m²

1

4

QUARTO PRIVADO

9.80 m²

2

5

WC PRIVADO

3.80 m²

3

6

WC MASCULINO

16.30 m²

1

7

WC FEMININO

16.30 m²

1

8

DORMITÓRIO

12.60 m²

2

9

LAVANDERIA

21.20 m²

1

10

ALMOXARIFADO

6.10 m²

1

11

DORMITÓRIO

12.47 m²

2

12

DORMITÓRIO

12.10 m²

2

13

ÁREA COMUM

52.20 m²

1

14

QUARTO PRIVADO

7.39 m²

1

15

QUARTO PRIVADO

6.49 m²

1

Tabela 6- Quadro de áreas, KLOEM Hostel Fonte: Da autora, 2020


104 Foram utilizadas como referências a divisão dos ambientes em dois blocos, a separação dos quartos por gênero e suas metragens quadradas, e todo o espaço de interação social, o qual é integrado com a cozinha compartilhada e conta com redes, almofadas, livros e o deck recreativo.

Figura 74- Quarto compartilhado feminino, KLOEM Hostel Fonte: ArchDaily, 2018

Figura 75- Área de interação social, KLOEM Hostel Fonte: ArchDaily, 2018


105 5.3 Arquitetônicas 5.3.1

Refúgio do Purunã

O Refúgio do Purunã está localizado na cidade de Balsa Nova, possuindo uma vista privilegiada que contempla tanto o meio urbano quanto a natureza da mata atlântica e da Serra do Mar paranaenses. Como um dos projetos de Bruno Zaitter, realizado em 2016, o refúgio possui 50 m² e possui uma estrutura modular, formada por um contêiner de 12 metros e mais duas caixas metálicas revestidas por planos de vidros e gesso acartonado. Tendo como conceito os universos essenciais da vida humana, comer, dormir, higienizar, trabalhar e socializar, o arquiteto desenvolve um projeto com o maior contato possível com a natureza ao redor. Portanto, como referência ao projeto, destacam-se o sistema construtivo do tipo modular e a utilização de vidros como uma forma de ampliar os horizontes do usuário e o tornar mais próximo da paisagem ao seu redor. A utilização dos cheios e vazios como técnica de proteção do ambiente interior também foi um elemento inspirador para o projeto do hostel.

Figura 76- Refúgio do Purunã Fonte: ArchDaily, 2019


106

Figura 77- Vista de dentro do refúgio do Purunã Fonte: ArchDaily, 2019

Figura 78- Interior do refúgio do Purunã Fonte: ArchDaily, 2019


107 5.3.2

Casa da Tanga

O escritório NISHIZAWAARCHITECTS, em 2014, projetou a casa da Tanga, localizada no Distrito 7, no Vietnã, possuindo 325 m². A arquitetura da casa aproveita duas fachadas, a do leste a do sul. Uma delas utiliza a presença do sol, e a outra privilegia a paisagem, sendo propostas grandes aberturas que dão a possibilidade de vista das enormes plantações. O desejo de seu cliente era ter um lar preenchido com elementos naturais e por ambientes que melhorassem a conexão espiritual entre os membros da família. O conceito de geometria é indicado através da elevação principal, os demais volumes são cobertos por persianas de madeira que funcionam como uma barreira, absorvendo grande parte do calor do sol antes de entrar na casa. Esta residência possui um sistema de portas pivotantes de 5 metros de altura voltadas para o jardim. Uma vez que todas as portas estão abertas, a natureza flui para dentro da edificação e o ambiente é preenchido pelo vento. A forma como a natureza é convidada a fazer parte da construção com grandes aberturas, o pé direito duplo, e a utilização estratégica das fachadas com diferentes finalidades se tornaram fortes referências para o projeto do hostel.

Figura 79- Casa da Tanga Fonte: ArchDaily, 2016


108

Figura 80- Portas pivotantes, Casa da Tanga Fonte: ArchDaily, 2016

Figura 81- Persianas de madeira, Casa da Tanga Fonte: ArchDaily, 2016


109 5.3.3

Casa MCNY

O projeto da casa MCNY, desenvolvido pelo escritório mf+arquitetos no ano de 2016, está localizado em Franca, São Paulo. Possuindo 516 m², o projeto visava a interação social e a integração com a natureza. Para isso, o arquiteto desenvolveu uma residência com traços simples, demonstrando a pureza nas formas, possibilitando uma integração do espaço interno com o externo, uma vez que foram abertos grandes vãos separados por painéis de madeira que facilitam o fluxo entre os ambientes. Esses foram os fatores escolhidos como referência para o hostel, incluindo o modo em que a área de convívio é projetada para fora do bloco principal, tornando a ligação com o meio externo ainda maior.

Figura 82- Casa MCNY Fonte: ArchDaily, 2016


110

Figura 83- Perspectiva externa, Casa MCNY Fonte: ArchDaily, 2016

Figura 84- Área de convívio, Casa MCNY Fonte: ArchDaily, 2016


111 5.4 Paisagísticas 5.4.1

Merryn Road 40A

Em 2001, Aamer foi contratado para realizar o projeto de uma casa que conversasse arquitetonicamente com duas já existentes nos terrenos vizinhos. O projeto, concluído em 2012, localizado em Singapura, satisfaz o desejo do cliente, o qual era viver em uma casa com jardins e um lago com carpas. Aproveitando o terreno de 430 m², Aamer elevou a piscina para o terraço e utilizou o térreo para dar base ao jardim, e através de treliças verticais envoltas por trepadeiras, o arquiteto deu à vegetação a possibilidade de percorrer a edificação até chegar ao terraço. Todos os ambientes da residência são abertos para o jardim com flora e fauna exuberantes, atraindo pássaros e borboletas. Como referência paisagística para o projeto em questão, está a forma em que a natureza entra na edificação e aparenta estar disposta de maneira desorganizada e ocasional, porém com significativa função estética e funcional.

Figura 85- Lago com carpas, Merryn Road

Figura 86- Área externa, Merryn Road 40A

40A

Fonte: Aamer, 2013

Fonte: Aamer, 2013


112

Figura 87- Trepadeiras chegando no terraço, Merryn Road 40A Fonte: Aamer, 2013


113 5.4.2

Drift San José

O Drift San José é um hostel localizado em San José Del Cabo, no México, projetado pelo escritório Self Designed no ano de 2016, possuindo 445 m². O projeto consiste na adaptação e transformação de um prédio de 6 apartamentos em 8 quartos, um escritório, cozinha, lavanderia, café e espaço de lazer. Foram adicionadas paredes de divisória, portas de aço, pisos de concreto rústico e janelas amplas. Trata-se de um hostel de luxo, não possuindo dormitórios compartilhados, apenas quartos espaçosos com camas de casal, totalizando 18 leitos. A área externa do empreendimento foi inspiradora para a proposta do hostel, por conter espaços para eventos e interação social, bar, piscina e uma fogueira, e pela utilização do terraço como espaço de uso comum.

Figura 88- Drift San José Fonte: ArchDaily, 2017


114

Figura 89- Terraço, Drift San José Fonte: ArchDaily, 2017

Figura 90- Fogueira, Drift San José Fonte: ArchDaily, 2017


115 5.4.3

Jardim Elementar

Com 243 m², localizado no Jardim Everest, São Paulo, e projetado pelo escritório Kalil Ferre Paisagismo em 2019, o Jardim Elementar integra três ambientes onde as pessoas podem usufruir em diversos momentos. Projetado para que a sensação de unidade com o meio ambiente seja sentida, ele se torna um jardim sensorial, conectando o usuário com a natureza. Como referência paisagística para o projeto em questão, estão as formas simples e os elementos naturais como fogo, pedra e a madeira, possibilitando a interação absoluta entre os seres humanos e o meio natural.

Figura 91- Jardim Elementar Fonte: ArchDaily, 2019


116

Figura 92- Perspectiva, Jardim Elementar Fonte: ArchDaily, 2019

Figura 93- Perspectiva, Jardim Elementar Fonte: ArchDaily, 2019


117


118 6. PROPOSTA 6.1 Conceito e Partido Com o conceito de contrastar e respeitar, não só o ambiente em que se insere, como também a história da edificação já existente, o projeto do hostel vem para a cidade de Petrópolis como uma alternativa econômica, hospitaleira e sustentável para todos os turistas em que nela venham a se hospedar. Este conceito foi escolhido com base no princípio de distisguibilidade de Camillo Boito (1884) e no respeito pelo meio ambiente que se dá através de uma arquitetura modular, cuja sustentabilidade está atrelada, a captação das águas das chuvas, a utilização da energia solar e a orientação da estrutura cuidadosamente estabelecida, utilizando o sol e o vento como instrumentos de conforto térmico. Por ter sua origem nos primeiros anos do século XX, a edificação presente no terreno do projeto é parte integrante da paisagem local abrigando diversas memórias. Por esta razão, foi escolhido respeitar as características principais do imóvel, como fachada e seu sistema estrutural. Houve a reorganização dos ambientes internos e a criação de um novo bloco no terreno, afim de atender o programa de necessidades e oferecer ao hóspede um ambiente seguro, funcional, confortável e acolhedor. Por estar predominantemente rodeado por vegetação, o terreno possui vistas em potencial ao noroeste e oeste, direcionando assim, o novo bloco e dando um ponto de partida ao projeto. Conseguir estabelecer uma harmonia entre as edificações através do contraste de estilos, se tornou o maior desafio deste projeto. A escolha do vidro foi essencial para levar a natureza para dentro da edificação, possibilitando que o hóspede aprecie as belezas naturais enquanto desfruta das acomodações do hostel. Os brises móveis e as treliças verticais, ambas de madeira, compõem o cenário com elementos naturais e se estendem por toda a edificação, trabalhando juntamente com o vidro para contrastar visualmente com a estrutura já existente.


119 O bloco original abriga os serviços considerados básicos direcionados ao hóspede, como quartos compartilhados separados por gênero, quarto compartilhado acessível, cozinha e lavanderia comunitária, lobby que também possui função de exposição de obras de artistas locais e todo o setor administrativo. As áreas direcionadas para a interação social estão situadas no novo bloco o qual é composto por área de recreação com piscina interna, sala de leitura, sala de televisão, quartos privados e um quarto compartilhado misto.


120 6.2 Premissas projetuais SUSTENTABILIDADE: 

Utilizar a arquitetura modular como principal técnica construtiva, afim de diminuir os resíduos gerados, o consumo de água e energia e as emissões de gases.

Implantar o edifício de acordo com a orientação do sol e dos ventos.

Permitir a iluminação solar nos ambientes e a ventilação cruzada.

Determinar medidas ecológicas como a compostagem microbiana, pequena horta orgânica para a colheita de temperos e o incentivo à coleta seletiva do lixo.

Reutilizar as águas cinzas para limpeza de pisos e irrigação.

Aquecimento de água através do aquecimento solar.

Utilização de energia fotovoltaica.

Captação da água da chuva para utilizá-la nas bacias sanitárias e para a irrigação.

RESPEITO AO ENTORNO: 

Respeitar os parâmetros urbanísticos estabelecidos pela Lei de Uso, Parcelamento e Ocupação do Solo do Município de Petrópolis (LUPOS)

INTERAÇÃO SOCIAL: 

Propor acomodações compartilhadas e acolhedoras para que o usuário supra suas necessidades básicas e desenvolva o senso comunitário.

Propor atividades programadas como exposições de artes locais, trocas de livros, jantares semanais e tour por toda a cidade.

Projetar ambientes de lazer em que a interação social e as trocas culturais sejam possíveis.

Tornar a acomodação adequada para aqueles que buscam por uma estadia de longo prazo, possibilitando, inclusive, o ingresso do hóspede à equipe do hostel.


121 6.3 Programa de necessidades Através de estudos de caso e análises do referencial teórico desenvolvido, nota-se que um hostel não possui um programa de necessidades estabelecido, podendo possuir diversas configurações espaciais de acordo com os objetivos e a demanda do local. Entretanto, ao considerar as necessidades básicas de organização do empreendimento e do conforto do usuário, foram definidos alguns setores a serem explorados como o administrativo, de hospedagem, de uso comum e de serviços.

SETOR ADMINISTRATIVO AMBIENTES

QUANTIDADE

ÁREA

Recepção

1

10 m²

Sala de Reunião

1

8 m²

WC Acessível

1

3 m²

TOTAL

21 m²

SETOR DE HOSPEDAGEM AMBIENTES

QUANTIDADE

LEITOS

ÁREA

Quarto Compartilhado Feminino

1

10

20 m²

Quarto Compartilhado Masculino

1

10

27 m²

Quarto Misto

1

6

15 m²

Quarto Privativo

2

3-2

14 – 15 m²

Quarto Acessível

1

2

18 m²

WC Acessível

2

6 m²

WC Compartilhado Feminino

2

5 – 13 m²

WC Compartilhado Masculino

2

5 – 9 m²

TOTAL

152 m²


122 SETOR DE SERVIÇOS AMBIENTES

QUANTIDADE

ÁREA

Almoxarifado

1

5 m²

Copa Funcionários

1

11 m²

Lixo

1

3 m²

Gás

1

2 m²

WC Serviço

1

7 m²

Despensa

1

8 m²

Caixa D’água

1

10 m²

TOTAL

46 m²

SETOR DE USO COMUM AMBIENTES

QUANTIDADE

ÁREA

Lobby

1

30 m²

Cozinha compartilhada

1

25 m²

Área externa

1

140 m²

Bar

1

22 m²

Lavanderia Coletiva

1

11 m²

Terraço

1

49 m²

Área de recreação

1

41 m²

Horta

1

9 m²

Sala de leitura

1

33 m²

Sala de TV

1

23 m²

TOTAL

373 m²


123 6.4 Organofluxograma Com base na revisão bibliográfica, referências programáticas e observação, foi desenvolvido o organofluxograma onde são estabelecidas as conexões dos ambientes, visando a funcionalidade e o melhor aproveitamento do espaço.

Figura 94- Organofluxograma Fonte: Da autora, 2020


124 6.5 Plano de massas Ao dar início ao estudo do terreno, foi levado em consideração o estudo de insolação e ventilação, o entorno imediato, o gabarito e o afastamento estabelecidos no zoneamento local. O acesso principal ao terreno foi mantido, destinando a região frontal ao meios de acesso e acolhimento do usuário. Por possuir largura confortável e estar em contato direto com a região da considerada melhor vista, a lateral esquerda da edificação existente foi escolhida como circulação, dando acesso aos fundos do terreno, local propício para a construção do novo bloco. Já a lateral direita, por possuir dimensões reduzidas e estar próxima à uma construção do entorno, foi destinada à circulação de serviço. Para existir uma interrupção visual e funcional entre os dois blocos, foram propostos pátios destinado à interação social conectados ao bar, tendo o último função de ligação entre a área coberta e livre. O novo bloco, situado no fundo do terreno, será voltado para as fachadas noroeste e oeste devido à vegetção existente no entorno, o que possibilitará maior privacidade aos ambientes e uma paisagem predominantemente verde. Para amenizar o impacto sonoro na edificação vizinha, foi escolhido manter a vegetação já existente na fachada direita do terreno, adicionando vegetação extra e uma cerca viva.

Vegetação existente Espaço de entrada Rampas e meios de acesso Horta de temperos Serviço Área de convívio externo Área comum interna Circulação externa Pátio Bar Acesso aos pavimentos superiores Melhor vista Acesso principal ao terreno Direção dos ventos

Figura 95- Plano de massas Fonte: Da autora, 2020


125 6.6 Implantação

Figura 96- Implantação Fonte: Da autora, 2020

Para evidenciar a interrupção visual entre os dois blocos, a nova edificação foi posicionada na parte superior do terreno, sendo ligada ao bloco original através de uma cobertura de vidro.


126 6.7 Setorização O bloco original abriga toda a área administrativa e o quarto acessível, no bloco novo são predominantes os ambientes de interação social e ambos possuem uso de hospeagem.

Figura 97- Setorização Fonte: Da autora, 2020


127 6.8 Mapeamento de danos Ao realizar o mapeamento de danos referente a fachada principal do edifício e muro frontal já existente, foram encontradas patologias cujas principais causas são: Agentes biológicos, causas climáticas, causas botânicas, ação do homem e ação do tempo.

Figura 98- Patologias encontradas Fonte: Da autora, 2020


128 SÍMBOLO

PATOLOGIA Fungos

CAUSA Agentes biológicos

Pintura degradada Área de reboco descolando

Ação do tempo Causas climáticas

Pichação

Ação do homem Causas climáticas

Manchas de umidade de precipitação Vegetação na cobertura

Causas botânicas

TÉCNICA Descubra a fonte de umidade que está alimentando o dano, bloqueie-a e se necessário substitua as peças afetadas. Pintura nova. Utilização de reboco sacrificial, uma camada de reboco novo, bastante poroso, que terá a função de sofrer a cristalização dos sais enquanto a alvenaria seca gradualmente. Limpeza da área. Impermeabilização.

Retire a vegetação de menor porte cuidadosamente. Para vegetação de maior porte injete herbicida na raiz para secar e só posteriormente corte os ramos e raízes. Tente não deixar parte delas nem danificar a estrutura do telhado. Para maior segurança aplique um herbicida para evitar novo crescimento por sementes deixadas no local. Lave as telhas.

Tabela 7- Mapeamento de danos Fonte: Da autora, 2020

A fachada analisada é a mais atingida pelas chuvas, devido aos ventos de maior ocorrência que atingem o terreno pelo sul. Sendo assim, as patologias como manchas de umidade e áreas de reboco descolando, se dão devido as precipitações. As técnicas aplicadas, presentes da tabela 7, para correções das patologias não serão agressivas e portanto, rápidas de serem executadas.


129 6.9 Plantas Técnicas 6.9.1

Demolir e construir

Figura 99- Planta demolir e construir Fonte: Da autora, 2020


130 6.9.2

Bloco original

Figura 100- Planta baixa do bloco original Fonte: Da autora, 2020


131 6.9.3

Bloco Novo

Figura 101- Planta baixa do bloco novo Fonte: Da autora, 2020


132 6.10

Ventilação e Insolação

Ventos Raios solares

Figura 102- Esquema ventilação e insolação Fonte: Da autora, 2020

De acordo com o esquema desenvolvido acima, a ventilação continua a cruzar por toda a extensão do terreno, devido a flexibilização das novas estruturas. A priorização da iluminação natural é desenvolvida através da utilização do vidro, e para dar ao usuário maior controle sobre a iluminação, foram propostos equipamentos que auxiliarão no conforto luminoso como brises e painéis móveis de madeira. Para os ambientes em que a cobertura será translúcida, no caso das ampliações da edificação existente, foram propostas persianas horizontais.


133 6.11

Perspectivas

Figura 103- Perspectivas Fonte: Da autora, 2020


134

Figura 104- Perspectiva geral Fonte: Da autora, 2020


135


136 7. REFERÊNCIAS 7.1. Bibliográficas AMBRÓZIO, Júlio César. O Presente e o Passado no Processo Urbano da Cidade de Petrópolis: Uma História Territorial. 2008. 350 f. Doutorado em Geografia Humana – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008. ÂNGELO, Elis. Identidades, Festas e Espaços dos Imigrantes em Petrópolis, RJ, e suas Relações com a História do Turismo e da Cidade. Revista Rosa dos Ventos, Vol. 6, Nº 2, P. 263-279, junho, 2014.

Disponível

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em: Acesso

em:

março, 2020. ÂNGELO, Elis. O segmento do turismo cultural na cidade de Petrópolis: Patrimônio, cultura e cidadania. 10 f. In: Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH, São Paulo, julho, 2011. ÂNGELO, Elis. Percepções, Construções e Transformações na Cidade de Petrópolis, RJ. 11 f. In: Anais do XXI Encontro Estadual de História –ANPUH, Campinas-SP, setembro, 2012. BAHLS, A. A. D. S. M.; PEREIRA, Y. C. C. Hostel: o estado da arte e considerações para futuras pesquisas. Caderno Virtual de Turismo. Rio de Janeiro, v. 17, n. 3, p. 50-65, dez. 2017. BAHLS, Álvaro; PEREIRA, Raquel. HOSTEL, UMA CASA SEM PAREDES: em busca de uma matriz classificatória de áreas físicas. Applied Tourism, Vol. 2, Nº 2, p. 01-23, Julho, 2017. BAHLS, Álvaro; PEREIRA, Raquel. Quem é quem nos meios de hospedagem alternativa – Parte 1: O perfil dos “hoteleiros” de Florianópolis (SC-Brasil). ESPACIOS, Vol. 38, N° 09, p. 29, outubro, 2017. Disponível em: https://www.revistaespacios.com/a17v38n09/17380929.html. Acesso em: março, 2020. BARRETTO, Margarita. Cultura e Turismo: Discussões Contemporâneas. 1ª Edição. Campinas, SP: Papirus Editora, 2007. BENI, Mário. Análise Estrutural do Turismo. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2008. CASTRO, Celso; GUIMARÃES, Valeria; MAGALHÃES, Aline. História do Turismo no Brasil. 1ª Edição. Rio de Janiero: Editora FGV, 2013. CICCIO, Guilherme Pietro; TEIXEIRA, Guilherme de Castro; SALLES, Maria do Rosário R. Estudo sobre a relação entre o jovem universitário da cidade de São Paulo e os albergues da


137 juventude.

Turydes,

Vol

4,

19,

julho,

2011.

Disponível

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139 SEBRAE; Ministério do Turismo; Fundação Getulio Vargas. Índice de competitividade do turismo nacional. 44 f. Petrópolis, 2015. TAVARES, Fernando Oliveira; FRAIZ BREA, José Antonio. Determinantes de preferência nos Hostels: Uma revisão da literatura. ESPACIOS, Vol. 38, N° 61, p. 18, setembro, 2017. Disponível em: https://www.revistaespacios.com/a17v38n61/17386118.html. Acesso em: março, 2020. TOLEDO, Patrícia de Moura e Silva. O design de interiores em hostels: manifestações da individualidade em quartos compartilhados de hostel. 2017. 133 f. Trabalho de Pós Graduação em ambiente construído – Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2017. TURISPETRO. Secretaria de Turismo de Petrópolis. Indicadores do Turismo de Petrópolis. 2020 TURNER, Rochelle; FREIERMUTH, Evelyne. Tourism as a driver of Peace: quantitative analysis on the link between Peace and tourism. maio, 2016. World Trave & Tourism Council. VEJA, Ricardo; VIVAS, Ximena. El turismo como motorde crecimiento económico. 2007. 34 f. Real Centro Universitario - Escorial-María Cristina - San Lorenzo del Escorial, San Lorenzo, 2007. World Travel & Tourism Council: Travel & Tourism Economic Impact 2018, março, 2018. WTTC. Brazil 2019 annual reserch: key highlights. World Travel & Tourism Council. 2018. WTTC. How Money travels: The direct, indirect, and induced effect of tourism spending. World Trave & Tourism Council. 2018.

7.2. Sites e Publicações da Internet

AAMER.

Merryn

Road

40A.

Disponível

em:

https://www.aamertaher.com/project-

view/merryn-road-40a/. Acesso em: abril, 2020. ARCHDAILY.

Casa

da

Tanga

/

NISHIZAWAARCHITECTS

Disponível

em:

https://www.archdaily.com/785311/thong-house-nishizawa-architects?ad_medium=gallery. Acesso em: abril, 2020. ARCHDAILY.

Casa

MCNY

/

mf+arquitetos.

Disponível

em:

https://www.archdaily.com.br/br/796580/casa-mcny-mf-plus-arquitetos?ad_medium=gallery. Acesso em: abril, 2020.


140 ARCHDAILY.

Drift

San

José

/

Self

Designed

.

Disponível

em:

https://www.archdaily.com/877897/drift-san-jose-selfdesigned?ad_source=search&ad_medium=search_result_projects. Acesso em: abril, 2020. ARCHDAILY. Hostel La Buena Vida / ARCO Arquitectura Contemporânea. Disponível em: https://www.archdaily.com/271652/hostel-la-buena-vida-arco-arquitectura-contemporanea/. Acesso em: abril, 2020. ARCHDAILY.

Jardim

Elementar

/

Kalil

Ferre

Pasagismo.

Disponível

em:

https://www.archdaily.com/921316/elementary-garden-kalil-ferrepasagismo?ad_medium=gallery. Acesso em: abril, 2020. ARCHDAILY.

KLOEM

Hostel

/

IF

Integrated.

Disponíve

em:

https://www.archdaily.com/903190/kloem-hostel-if-integrated-field?ad_medium=gallery. Acesso em: abril, 2020. ARCHDAILY.

Ora

Hostel

/

Sea

Architecture.

Disponível

em:

https://www.archdaily.com/871480/ora-hostel-seaarchitecture?ad_source=search&ad_medium=search_result_all. Acesso em: abril, 2020. ARCHDAILY.

Refúgio

do

Purunã

/

Bruno

Zaitter

Arquiteto.

Disponível

em:

https://www.archdaily.com.br/br/922778/refugio-do-puruna-bruno-zaitterarquiteto?ad_medium=gallery. Acesso em: abril, 2020. ARCHDAILY.

Yiyunshangshe

Hostel

/

JR

Studio.

Disponível

em:

https://www.archdaily.com/935763/yiyunshangshe-hostel-jr-studio/. Acesso em: abril, 2020. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, p. 162. 2015. CASA

VOGUE.

Ampliar,

sem

alterar,

para

morar.

Disponível

em:

https://casavogue.globo.com/Arquitetura/noticia/2013/05/ampliar-sem-alterar-paramorar.html. Acesso em: abril, 2020. FABI

ARCHITEKTEN.

Edifício

Z..

Disponível

em:

https://www.fabi-

architekten.de/projekte/zwischen-raum/. Acesso em: abril, 2020. G1. Supercomputador do LNCC se torna a maior plataforma computacional da América Latina. Disponível em: https://g1.globo.com/rj/regiao-serrana/noticia/2019/11/25/supercomputador-


141 do-lncc-se-torna-maior-plataforma-computacional-da-america-latina.ghtml. Acesso em: março, 2020. HI

HOSTEL

BRASIL.

O

que

é

“hostel”.

Disponível

em:

https://hihostelbrasil.com.br/pt/pages/644. Acesso em: fevereiro, 2020. HI HOSTELS. Nossa História. Disponível em: https://www.hihostels.com/pt/pages/534. Acesso em: fevereiro, 2020. IMCE. Instituto Municipal de Cultura e Esportes. História de Petrópolis. Disponível em: http://www.petropolis.rj.gov.br/fct/index.php/petropolis/historia. Acesso em: março, 2020. INEPAC. Instituto Estadual do Patrimônio Cultural. Bens Tombados. Disponível em: http://www.inepac.rj.gov.br/index.php/bens_tombados/realizabusca?municipios=55&BemCul tural=&PalavraChave=. Acesso em: abril, 2020. IPHAN. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Lista de Bens Tombados. Disponível

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http://www.turismo.gov.br/ultimas-noticias/13266-

pr%C3%AAmio-reverencia-a%C3%A7%C3%B5es-que-refor%C3%A7am-aprodu%C3%A7%C3%A3o-associada-ao-turismo.html. Acesso em: março, 2020. MINISTÉRIO DO TURISMO. Sistema brasileiro de classificação de meios de hospedagem. Disponível

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http://www.classificacao.turismo.gov.br/MTUR-classificacao/mtur-

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143


144 8. ANEXO Foi desenvolvida uma entrevista estruturada virtual contendo 8 perguntas, para serem respondidas por 100 participantes, visando o melhor entendimento do tema e o auxílio na escolha do terreno a ser utilizado. Os resultados explicitaram a falta de divulgação do segmento hostel e a predominância do tradicionalismo em relação à escolha de hospedagem entre os entrevistados. Dentre os que já utilizaram os serviços de hostel, em sua maioria, tiveram boas experiências durante sua estada, tendo ficado evidentes alguns determinantes como a busca por preços acessíveis e a localização estratégica, próxima a pontos turísticos e outras atividades.

1- Qual sua idade?


145 2- Escolaridade:

3- Já se hospedou em um hostel?


146 4- Caso tenha se hospedado, com que frequência vc faz opção por hospedagem em hostel?

5- O que determina a sua escolha por hospedagem em hostel?


147

6- De acordo com a localização do hostel, qual a sua prioridade?


148 7- Se já se hospedou em um hostel, como descreveria sua experiência em poucas palavras?


149 8- Caso você venha se hospedar na cidade de Petrópolis, o que escolheria?


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FTFG 2020 - HOSTEL by Júlia Castro - Issuu