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Gazeta Rural nº 365

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Futuro do Turismo Rural debatido em São Roque do Pico

Projeto da Grande Rota das Montanhas Mágicas Cycling & Walking está concluído Três meses depois Termas de Alcafache reabriam ao público

Viseu com mais de 500 propostas para retoma eco-

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nómica e cultural durante o Verão

Presidente da Mirtilusa diz será “um a ano ‘sorridente’ para os produtores de mirtilo”

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“Tondela Brancos 2020 On Live” com show coocking e harmonização de vinhos do Dão Nova ‘Quinta da Taboadella’ foi apresentada e deu a conhecer os novos vinhos

Ficha técnica Ano XV | N.º 365 Periodicidade: Quinzenal Director: José Luís Araújo (CP n.º 7515) E-mail: jla.viseu@gmail.com | 968 044 320 Editor: Classe Média C. S. Unipessoal, Lda Sede: Lourosa de Cima - 3500-891 Viseu Redacção: Luís Pacheco Opinião: Luís Serpa | Jorge Farromba | Júlio Sá Rego Departamento Comercial: Beatriz Fonte Sede de Redacção: Lourosa de Cima 3500-891 Viseu | Telefone: 232 436 400 E-mail Geral: gazetarural@gmail.com Web: www.gazetarural.com ICS: Inscrição nº 124546 Propriedade: Classe Média - Comunicação e Serviços, Unip. Lda Administrador: José Luís Araújo Sede: Lourosa de Cima - 3500-891 Viseu Capital Social: 5000 Euros CRC Viseu Registo nº 5471 | NIF 507 021 339 Detentor de 100% do Capital Social: José Luís Araújo Dep. Legal N.º 215914/04 Execução Gráfica: Classe Média C. S. Unipessoal, Lda R. Cap. Salomão, 121 - Viseu | Tel. 232 411 299 Estatuto Editorial: http://gazetarural.com/ estatutoeditorial/ Tiragem Média Mensal: 2000 exemplares Nota: Os textos de opinião publicados são da responsabilidade dos seus autores. Foto de capa: Créditos ©Joel Oliveira Santos

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Vendas de vinho da UDACA subiram cerca de 10% em Junho Campanha “Portugueses Dão a Volta” promove o reencontro com a restauração

Welcome Center da Rota dos Vinhos do Dão certificado com o selo “Clean & Safe” Idanha recebe investimento de 60 milhões de euros em projetos de nozes e amêndoas Território entre Douro e Sabor aposta em oportunidade única de turismo

Plano estratégico para as áreas do turismo e agroalimentar junta regiões fronteiriças

Arcos de Valdevez dinamiza espaço para promover vinhos e produtos locais Gazeta Auto - Honda HR-V 1.5 i-VTEC Executive Connect Navi

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Apesar do período de incertezas, há esperança nos operadores

Futuro do Turismo Rural debatido em São Roque do Pico O ‘Futuro do Turismo Rural na Ilha do Pico - Capital do Turismo Rural’ foi o tema em debate no primeiro Webinar promovido pela Associação Portuguesa de Turismo Rural, que decorreu em São Roque do Pico, nos Açores.

Filipe Ferreira, proprietário da empresa de animação turística terrestre ‘Terra Alta’, reconheceu que o futuro da animação turística é uma “incógnita”, sendo difícil fazer previsões sobre o que irá acontecer em termos de atividade ao longo do verão, numa altura em que “timidamente” começam a surgir algumas marcações depois de muio seminário online os participantes mostraram contos cancelamentos. fiança no potencial turístico da ilha do Pico assoMiguel Chu, proprietário da empresa de animaciado à natureza para relançar a atividade e louvaram o ção turística marítima ‘Aqua Açores’, admitiu por programa ‘Viver os Açores’ criado pelo Governo Regional, seu turno que o setor ligado ao turismo está com admitindo que pode ser a tábua de salvação para as emdificuldades de liquidez e receia que seja possível presas de turismo. manter a totalidade da estrutura da empresa, caso Em tempo de pandemia e de retração da atividade o atual cenário de cancelamentos de reservas não turística, o representante da Câmara Municipal de São se altere nos próximos meses. Roque do Pico, no seminário, reforçou a importância do No Webinar participou igualmente o diretor do ecoturismo para a promoção da marca ‘Capital do TurisMuseu do Pico. Manuel Costa explicou a estratémo Rural do Pico’ e mostrou confiança no futuro. Apegia programada para as unidades museológicas sar dos constrangimentos provocados pela Covid-19, sob a tutela do Museu do Pico, apelando ao GoverDaniel Assunção assumiu que a época alta “não está tono Regional para que faça uma gestão da situação talmente perdida”, enaltecendo a atividade dinamizada de pandemia “muito cautelosa, prudente, sensata e por alguns empresários e o programa ‘Viver os Açores’ com algumas doses de coragem para se tentar reapara a promoção do turismo interno. bilitar a economia”. No encontro, Benedita Simas admitiu que “dificilmenSão Roque do Pico detém desde 2013 a marca ‘Cate este será um ano de turismo brilhante”, mas tem “fé” pital de Turismo Rural’, que tem servido de suporte que ainda seja possível colmatar prejuízos numa altua todas as atividades turísticas, permitindo dar a cora em que o arquipélago dos Açores está classificado nhecer o melhor que o concelho açoriano tem ao nível como uma zona ‘Clean & Safe’. A sócia do empreendo alojamento rural, gastronomia, paisagens e locais dimento ‘Lava Homes’, olha, também, com esperança para momentos de descontração e lazer. para o turismo interno, assumindo que pode ser “determinante” para atenuar os prejuízos. 4 www.gazetarural.com

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Percurso de com 230 quilómetros une os sete municípios

Projeto da Grande Rota das Montanhas Mágicas Cycling & Walking está concluído As Comunidades Intermunicipais (CIM) Viseu Dão Lafões e da Região de Coimbra lançaram um concurso internacional para aquisição de um sistema de videovigilância florestal, com um valor base superior a três milhões de euros (ME).

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á é conhecido o traçado final da Grande Rota das Montanhas Mágicas Cycling & Walking. Trata-se de um percurso circular, com 230 quilómetros de distância, que une os sete municípios das Montanhas Mágicas, sendo possível percorrê-lo a pé (GR – Grande Rota Pedestre), ou em bicicleta de BTT/gravel (GT – Grande Travessia). O projeto da GR/GT das Montanhas Mágicas, promovido pela ADRIMAG, é financiado pelo Turismo de Portugal, no O projeto de execução foi recentemente conâmbito do Programa Valorizar – Linha de Apoio à Valocluído pela A2Z, com o acompanhamento da rização Turística do Interior e conta com o envolvimenADRIMAG e dos municípios envolvidos, sendo to de parceiros nacionais, regionais e locais, nomeadaque o passo seguinte é a instalação da sinalética. mente as sete Câmaras Municipais do território (Arouca, Esta GR/GT explora vários pontos de interesse Castelo de Paiva, Castro Daire, Cinfães, São Pedro do naturais e culturais da região, nomeadamente os Sul, Sever do Vouga e Vale de Cambra), a Federação pontos da Rota da Água e da Pedra das MontaPortuguesa de Ciclismo (UVP), a Federação de Camnhas Mágicas, as áreas classificadas (Rede Natupismo e Montanhismo de Portugal (FCMP), a Turismo ra 2000 e Arouca Geopark Mundial da UNESCO), do Porto e Norte de Portugal e a Turismo Centro de bem como outros pontos de interesse natural e Portugal. cultural do território. Atravessa diversas aldeias e Os objetivos desta iniciativa é tornar as Montanhas vilas que servirão de pontos de apoio aos utilizaMágicas® um destino de excelência no contexto da dores promovendo, em simultâneo, a aproximação oferta de cycling & walking em Portugal, dotando o à comunidade local. território das condições necessárias à prática desAs serras da Freita, Arada, Arestal e Montemuro, tas modalidades no contexto desportivo, recreativo bem como os vales dos rios Paiva, Vouga, Douro e e de lazer, de forma ambientalmente responsável e Bestança são o palco desta GR e os elementos que economicamente viável; promover a união dos sete mais contribuem para que este seja um projeto dimunicípios do território, em torno de um projeto ferenciador, contribuindo para o desenvolvimento e comum, que contribuirá para reforçar e consolidar crescimento do Turismo de Natureza na região. a marca turística territorial ‘Montanhas Mágicas’.

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Período termal vai decorrer até 30 de Novembro

Termas de Alcafache reabriram ao público três meses depois As Termas de Alcafache reabriram ao público a 22 de Junho, quase três depois da data prevista. A afluência nos primeiros dias tem sido boa, com os utentes a mostrarem-se “confiantes” e a “cumprirem todas as normas de segurança que definimos”, salientou Helena Marcos, administradora daquela estância termal. Contudo, os prejuízos são elevados e esperam, pelo menos, “minimizar” os danos até 30 de Novembro, data prevista para o encerramento da época termal, que pode ser alargada, dependendo da situação nessa altura.

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a conversa com a Gazeta Rural, Helena Marcos salienta o facto das Termas de Alcafache serem as únicas no concelho de Viseu e, mesmo aqui, ainda serem pouco conhecidas. “Deveria haver uma aposta maior na nossa marca”, sustenta. Gazeta Rural (GR): As Termas de Alcafache reabriram com três meses de atraso? Helena Marcos (HM): A data marcada para o início desta época balnear era a 29 de Março e reabrimos apenas a 22 de Junho, três meses depois. Para além do prejuízo financeiro gravíssimo, com necessidade de recorrermos ao lay off, tivemos que arcar com os custos fixos, não só com pessoal, mas também todos os outros. A isto juntamos os clientes que perdemos, os que podem já não voltar, uma vez que não terão oportunidade de o fazer. É que alguns têm uma época especifica para fazer termas. Por exemplo, há clientes que vêm no mês de Maio, por só podem vir nesta altura. GR: O que tem sentido nos primeiros dias de abertura? HM: As pessoas que vêm mostram-se confiantes e 6

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cumprem todas as normas de segurança que definimos. Aliás, nós contactamos todos os nossos clientes antes de virem e explicamos as novas normas e o que tivemos que adaptar face ao atual momento. Deste modo, quando chegam sentem-se seguros, porque sabem que estamos a cumprir tudo ao máximo e é para sua segurança. Para além de todos os padrões de qualidade que já tínhamos, nomeadamente de limpeza, higienização e desinfeção, com as orientações que vieram da Direção Geral de Saúde tivemos que fazer algumas adaptações. As mudanças são muitas. Desde logo na parte de fora da entrada está um placard com as novas normas. À entrada há locais de desinfeção dos pés e das mãos e é medida a temperatura. Nas instalações têm que usar mascara cirúrgica, tem que haver distanciamento social e não há acompanhantes, a não ser para crianças ou para pessoas com mobilidade reduzida. Para além disso, nas zonas de tratamento, todos os utentes usam um tapa sapatos. Na chamada telefónica que antecede a vinda do utente é feito um questionário para tentarmos perceber a sua situação. Temos critérios muito apertados para o bem de todos, pelo que os nossos clientes podem vir descansados.

GR: As Termas de Alcafache, depois de um período de menor fulgor, voltaram à normalidade e é a única estância termal do concelho de Viseu. Que importância atribuiu a este facto? HM: O facto de sermos as únicas termas no concelho de Viseu deveria dar-nos uma visibilidade maior. Ain-


da há muita gente no concelho e na região que não sabe onde ficam e pensam que outras termas ficam mais perto. Falta-nos chegar ao público de Viseu. Há contactos com o Município, há algumas conquistas, mas falta-nos ainda muita coisa. Somos uma entidade prestadora de serviços de saúde única no concelho de Viseu e julgo que deveríamos ter mais prestígio e visibilidade. Deveria haver uma aposta maior na nossa marca. Somos uma empresa privada, o que nos limita, pois aqui todos os cêntimos contam. As nossas receitas provêm exclusivamente dos nossos utentes e precisávamos de apoio, não digo financeiro, mas sim na projeção da nossa imagem.

até ao limite de 95 euros. Não têm que esperar pelo reembolso da Segurança Social, pois é um processo muito mais fácil que os nossos serviços administrativos tratam. GR: Acha que é possível minimizar as perdas até final da época termal? HM: Recuperar é impossível, mas minimizar é possível. Porém, isso não depende só de nós, mas do comportamento de todos. Se a situação não estabilizar os clientes não vêm, porque têm receio. Na sua maioria são de regiões como Lisboa, Porto, Alentejo, etc. Embora estejamos num território de baixa densidade populacional, onde houve muito poucos casos, as pessoas têm receio de sair de casa. Podemos minimizar, mas não são só as termas que têm que trabalhar nesse sentido. Temos que ser todos, para bem da economia.

“O facto de sermos as únicas termas no concelho de Viseu deveria dar-nos uma visibilidade maior” GR: Os tratamentos que fazem são para as vias respiratórias e músculo-esqueléticos? HM: Sim. Este ano, tal como em 2019, - isto já não acontecia, salvo erro, desde 2011, - os tratamentos termais são comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde e isso é o reconhecimento importantíssimo das propriedades das nossas águas. Os nossos clientes podem pedir ao seu médico de família que lhe prescreva termas. Basta chegarem, trazerem a credencial devidamente autenticada e validada e têm uma comparticipação direta de 35%

GR: Pensam estender a época termal? HM: Para já a nossa expetativa é que vamos estar abertos até 30 de Novembro, tal como em 2019. Se virmos que justifica, podemos alargar o período termal para além daquela data. Contudo, sabemos que Dezembro é, por norma, um mês frio e com isso as pessoas já não querem fazer termas, devido ao choque térmico, que é grande e não é benéfico. Veremos.

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Entre 21 de Julho e 21 de Setembro em 18 locais da cidade

Viseu com mais de 500 propostas para retoma económica e cultural no Verão O projeto multidisciplinar “Cubo Mágico”, criado pela Câmara de Viseu, vai ocupar 18 locais da cidade até Setembro, com mais de 500 propostas para a retoma económica e cultural do concelho. O presidente da Câmara, Almeida Henriques, enunciou ainda os três princípios que definem o modelo de organização do programa, que são a “desconcentração geográfica das atividades, a distribuição temporal alargada e a microescala dos eventos, que assumirão uma vocação familiar”.

gente de preparação da cidade ao fluxo de visitantes”, recebendo sempre todos os anos, para além de turistas, muitos emigrantes que regressam à sua terra por esta altura, esclareceu. O programa conta, sobretudo, com atividades e propostas desenvolvidas pela comunidade artística local e regional, que “já estava envolvida na programação de primavere e de Verão da cidade e que foi afetada pela pandemia”, salientou. “Cubo Mágico” é uma resposta do município aos efeitos Apesar do cancelamento da Feira de São da pandemia, que levaram ao cancelamento da agenda Mateus, o projeto do município permite uma cultural de Viseu, em especial a Feira de São Mateus, procuabertura parcial do bairro da restauração asrando retomar a programação artística, mas também a ativisociado ao certame, farturas e alguns diverdade económica associada à hotelaria, restauração, turismo e timentos, bem como um palco com plateia licomércio local, afirmou o vereador da Câmara de Viseu com mitada e controlada. Apesar da “esmagadora o pelouro da Cultura, Jorge Sobrado. maioria” dos eventos ser gratuita, será necesEntre 21 de Julho e 21 de Setembro, 18 locais da cidade sária uma reserva prévia para controlo e gestão vão acolher programação, sendo metade de cariz cultural das lotações, referiu. - como exposições, oficinas, micro-espetáculos, teatro de Uma das prioridades de programação do Cubo rua ou cinema ao ar livre - e outra metade virada para uma Mágico é a revitalização da Rua Direita, através experiência turística, onde estão previstas iniciativas assoda reocupação de 15 lojas devolutas. Durante o ciadas à gastronomia ou aos vinhos, entre outros. O invesVerão, esta artéria receberá ainda uma instalação timento público será de cerca de meio milhão de euros no decorativa e de luz que tem por inspiração uma “Cubo Mágico”, sendo que a Câmara de Viseu tem a persarte e ofício tradicional de Viseu, que é a cestaria. petiva de vir a ter um apoio de 350 mil euros de fundos O evento gastronómico “Viseu Estrela à Mesa” comunitários para este evento. também não falta à chamada e terá a sua terceira Face à epidemia da Covid-19, a Câmara de Viseu consiedição no Rossio, ainda que adaptada. Ao longo dera que este projeto é “uma bóia de salvamento lançade dois fins-de-semana, a cozinha gourmet de cheda à economia local”, ao mesmo tempo que permite, de fs de topo da gastronomia nacional e regional proforma “responsável”, organizar os fluxos de visitantes. mete conquistar o público. O embaixador de Viseu “Não ter um programa preparado seria um risco elevae Estrela Michelin Diogo Rocha será o curador da do para uma cidade que está cheia de turistas e visiiniciativa e a Escola Profissional Mariana Seixas partantes no Verão”, notou Jorge Sobrado, vincando que ceiro da organização. este programa permite “distribuir fluxos e procuras de Para além das atividades já definidas no “Cubo Máinteresses por diversos lugares, numa janela temporal gico”, haverá também um conjunto de “ações-satélimais alargada”. te” em freguesias periféricas do concelho, que ainda Isto significa que, para além do apoio à retoma culestá a ser programado, avançou. tural e económica, o programa é “um recurso inteli-

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Presidente da Mirtilusa diz que se não houver nenhum percalço

“Teremos um ano ‘sorridente’ para os produtores de mirtilo” A campanha do mirtilo está a correr de feição para os produtores da região de Sever do Vouga. Apesar do granizo ter afetado algumas plantações, o ano está a ser “razoável”, nas palavras do presidente da Mirtilusa. José Sousa diz que se não houver nenhum percalço até final, será “um a ano ‘sorridente’ para os produtores”.

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cancelamento da Feira do Mirtilo é, na opinião do dirigente, “uma perda para a economia do concelho”, que afeta, sobretudo, “os pequenos produtores e os transformadores” de mirtilo em compostas, licores e doçaria.

a oferta de armadilhas e de isco, de modo a capturar o máximo de moscas. De resto, o clima tem ajudado e a campanha está a correr bem. No plano comercial, até ao momento podemos dizer que está razoável, pela positiva, e esperamos que assim se mantenha até final. Se assim for, teremos um a ano ‘sorridente’ para todos os agricultores. GR: O mirtilo continua a ser um fruto para exportação? JS: Sim. 95% do fruto que a Mirtilusa recebe é para exportar.

Gazeta Rural (GR): Estamos a meio da campanha. Como está a decorrer? José Sousa (JS): Está a decorrer, até esta altura, dentro GR: Em Portugal o consumo é residual. O do previsto e pela positiva. Porém, como costumo dizer, consumidor ainda não percebeu a importância a campanha do mirtilo é como um jogo de futebol, pois que o mirtilo pode ter para a saúde? temos que esperar pelo final para ver o resultado. É que JS: Há muitas pessoas que já têm essa noção. muitas vezes fazemos previsões que depois não se conO mirtilo é um fruto excelente para a saúde, que firmam. ajuda a prevenir algumas doenças, como revelam Os últimos três anos não foram famosos. Em 2017 houestudos feitos por investigadores de algumas unive produtores que, em Abril, viram as suas plantações versidades. Penso que, aos poucos, os consumidodestruídas pelo granizo. Em 2018, perto do início da camres vão estar cada vez mais atentos e o consumo panha, as plantações foram atacadas pela mosca Drovai aumentar. sophila, com perdas de produção na ordem dos 40 a 50%. O mesmo aconteceu em 2019, mas na parte final GR: Em Sever do Vouga a produção tem vindo a da campanha, que afetou, sobretudo, as variedades taraumentar, fruto dos novos pomares que entraram dias. em produção? Este ano a campanha está a decorreu de modo saJS: Os novos pomares que começaram a produzir tisfatório. Não houve ataques da mosca Drosophila, foram instalados em terrenos cedidos pela Bolsa de embora os produtores tenham reforçado o número de Terras. Daí resultou a criação de uma nova associação armadilhas com o isco aconselhado. Neste aspeto, é (Bagas de Portugal). Nós não sabemos qual a produde salientar o apoio do Município de Sever do Vouga ção que daí resulta. aos produtores do concelho de pequenos frutos, com 10

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A Mirtilusa tem por hábito, ao longo dos anos, divulgar no final da campanha as toneladas de fruto recepcionado e comercializado e dos valores a pagar ao produtor. Não vejo mais nenhuma entidade do concelho a fazê-lo, pelo que não sei se o devemos continuar a fazer. GR: Faz sentido haver duas cooperativas em Sever do Vouga de produtores de mirtilo ou de pequenos frutos? JS: Se analisarmos bem são três: a Mirtilusa; a Bagas de Portugal e a Quinta da Boucinha. Ao todo são muitas toneladas de mirtilo que se produzem e comercializam no concelho.

de seguros como isso seria feito e organizado, de forma a ressarcir os agricultores que tivessem prejuízos com o granizo ou com outra intempérie. Era importante pensarmos nisto e juntar, em parceria, várias entidades, nomeadamente o Município de Sever do Vouga, que, penso, mostra abertura nesse sentido. Poderia haver a comparticipação do produtor; do Estado, - que anda na ordem dos 50 ou 60%, - e uma ajuda por parte do Município no valor do prémio. Isso seria uma ajuda direta ao produtor e, desse modo, reforçava-se a produção no concelho e a marca “Capital do Mirtilo”. Penso que isso é possível e acredito que haverá abertura do Município para, pelo menos, discutir este assunto.

GR: Este ano não houve Feira do Mirtilo. O que se perde? JS: Foi uma situação excecional, e compreensível, que levou ao cancelamento da Feira. Falando pela empresa que represento, a nível comercial a Mirtilusa não perde. Há uns GR: Seria importante a junção de todas esanos para cá que, no final da feira, fazemos contas e as resas entidades? ceitas não cobrem as despesas. Porém, perde-se o mais imJS: Mais importante que a junção das três enportante, que é a divulgação do mirtilo de Sever do Vouga tidades, seria saber qual a quantidade de fruto e a sua qualidade. O mirtilo não é igual em todo o lado e o que é produzida e comercializada no concelho. fruto produzido no nosso concelho tem características úniIsso seria interessante também para o município. cas. Os espanhóis dizem-nos que o ‘grau brix’ do mirtilo de Neste campo, só posso falar pelos produtores da Sever do Vouga é muito superior ao que eles produzem. Mirtilusa. Temos um microclima único e isso faz toda a diferença. A Feira do Mirtilo serve para divulgar e promover o fruGR: Essa união faria sentido, por exemplo, - e to aqui produzido e, nesse sentido, perdemos bastante, é um assunto muito discutido, - no seguro de conomeadamente os pequenos produtores, que vendem lheitas? na feira algum do mirtilo que produzem, mas também JS: Penso que é uma possibilidade. Há várias moquem já o transforma em compotas, licores e doçaria. dalidades para fazer o seguro de colheitas, desde Estes terão que encontrar alternativas para suprir estas o produtor de forma individual ou através de uma perdas, pois a receita que faziam na feira era importanempresa, como é a Mirtilusa, ou associação. te no seu orçamento. Diria que, de uma forma geral, Se fosse feito em conjunto, de forma global, teria perde a economia do concelho. outro impacto. Teríamos que ver com as companhias www.gazetarural.com

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No dia 4 de Julho, com o Chef Hélio Loureiro

“Tondela Brancos 2020 On Live” com show coocking e harmonização de vinhos do Dão A Câmara de Tondela não quis deixar passar em falso o evento que promove anualmente no início de Julho dedicado aos vinhos brancos. A situação que o mundo vive obriga à criatividade e a autarquia tondelense, cumprindo com todas as normas que o momento obriga, optou por um evento diferente.

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ssim, no dia 4 de Julho terá lugar o “Tondela Brancos 2020 On Live”, que poderá ser visto no site da autarquia e nas diversas redes sociais. O evento terá dois momentos, às 12 e 18 horas, com sessões de show coocking, com o Chef Hélio Loureiro, harmonizadas com vinhos da Casa de Mouraz e Quinta dos Grilos. “Este evento tem crescido ao longo dos últimos quatro anos e estamos na fase final de implementação do mesmo. Este ano contávamos ter mais duas regiões demarcadas e prevíamos em 2021 tê-las todas presentes em Tondela”, começou por referir o vereador da Câmara de Tondela com o pelouro responsável pela organização do evento. Pedro Adão diz que “infelizmente, por força do momento que vivemos, não é possível realizá-los nos moldes habituais, mas não quisemos deixar de ‘marcar’ a data”. É que, acrescenta, “este evento tem a capacidade de promover um território e um produto que é muito importante na nossa economia, mas também para o desenvolvimento económico e turístico de Tondela”. 12

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Assim, justifica Pedro Adão, “encontrámos um modelo mais calmo, que cumpre com todos os requisitos que o momento exige, mas que permite a quem assim o pretender, em sua casa, saborear os fantásticos brancos que o Dão tem”. Aquele responsável explicou os moldes em que o mesmo vai decorrer. Assim, “vamos ter dois momentos que acreditamos irão marcar esta iniciativa e faça com que as pessoas se lembrem que em Tondela, por esta altura do ano, há um grande evento a nível nacional dedicados aos vinhos brancos. Ao meio dia, o chef Hélio Loureiro vai fazer uma sessão de show cooking, com produtos locais. No decorrer do mesmo haverá uma harmonização com vinhos da Casa de Mouraz, produzidos em modo biológico. O segundo momento decorrerá pelas 18 horas, com uma segunda sessão de show cooking com o chef Hélio Loureiro, desta vez com o acompanhamento de vinhos da Quinta dos Grilos”, explicou Pedro Adão. Esta edição “on live” poderá ser vista e acompanhada no site da Câmara e das diversas redes sociais. “O pormenor é que as primeiras 40 pessoas que se inscreveram recebem em sua casa um kit, com uma garrafa de vinho branco, um copo barro preto de Molelos, e um outro produto endógeno do nosso território. Os 40 inscritos poderão assistir ao show cooking e a toda a harmonização, provando um bom vinho branco”, referiu o vereador da Câmara de Todela.


Parque Industrial CoimbrĂľes, Lote 76 Apartado 5002, 3501-997 VISEU Tel.: 232 470 760 | Fax: 232 470 769 | E-mail: viseu@soveco.pt www.soveco.pt

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Adquirida em 2018 pela família Amorim

‘Nova’ Quinta da Taboadella foi apresentada e deu a conhecer os novos vinhos do Dão A Taboadella é a nova adega da família Amorim no Dão que acabou de lançar os seus vinhos nesta grande região clássica em Portugal. Dois anos depois da sua aquisição, o Grupo Amorim apresenta ao mercado a sua primeira gama de vinhos do Dão, oito vinhos clássicos e de grande complexidade e frescura, abrindo as portas da nova adega e ao enoturismo.

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investimento na Taboadella é pensado e muito desejado”, refere Luísa Amorim. “Há 20 anos que estamos no Douro com a Quinta Nova de Nossa Senhora, mas nunca escondemos que tínhamos pelo Dão uma grande admiração. É uma região clássica de vinhos em Portugal e a primeira a ser demarcada para vinhos não licorosos, e foi aqui nesta região vizinha do Douro que encontrámos este território de altitude, detentor de solos de granito e microterroirs de excelência. A Taboadella tem uma mancha de vinha única, que permite produzir grandes vinhos, com uma tipicidade notável conseguindo manter este caráter ancestral do Dão que é o que realmente queremos”. A adega de 2500 m2, perfeitamente enquadrada no planalto da floresta, foi projetada por Carlos Castanheira, uma referência na arquitetura nacional, oferecendo uma capacidade de vinificação para 290.000 litros por vindima. Quem visita a adega da Taboadella compreende a precisão da vinificação por gravidade ao atravessar o Barrel Top Walk, um passadiço em madeira construído em altura sobre a sala das 14

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barricas. As duas naves (vinificação e barricas) foram concebidas para manter um equilíbrio perfeito entre luz e sombra, permitindo apenas a entrada de luz natural necessária para criar o ambiente e a temperatura ideal. Com uma forte ligação à Natureza os revestimentos em madeira e cortiça assumem uma posição relevante neste projeto, onde a vinha tradicional não é regada, num sistema bastante sustentável de dry farming, nas 25 parcelas de vinha em modo de produção integrada e uma densidade média de 3500 plantas por hectare. O maciço montanhoso no Dão protege bem as encostas da Taboadella no Vale do Pereiro e do Sequeiro, localizada entre os 400 e os 530 metros de altitude. À semelhança de outros terroirs de grandes regiões vitivinícolas no mundo, a Taboadella beneficia de uma enorme interação entre solo granítico do tipo porfiróide de fácil meteorização e a sua topografia com elementos grosseiros associados à inclinação das encostas, que permitem uma drenagem e escoamento rápidos e em profundidade nos meses de Julho, Agosto e Setembro, mesmo antes da vindima. E é por esta combinação perfeita, entre as temperaturas


elevadas no Verão aliada à drenagem e frescura do solo granítico, que resultou da alteração de dois tipos de granitos de idade paleozóica, permitem uma evolução de maturação mais lenta e homogénea, originando vinhos que evoluem de forma suave e equilibrada. O coração da Taboadella encontra-se nas castas antigas e nas videiras-mãe: Jaen, Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Pinheira, que sempre deram origem a novas estacas contribuindo para o encepamento original, provenientes de videiras muito resistentes e perfeitamente adaptadas ao lugar. Nos anos 80 do sec. XX a vinha foi parcialmente replantada, introduzindo-se novas castas como a Tinta Roriz, o Encruzado, o Cerceal-Branco e o Bical. Hoje, a idade média das videiras é de 30 anos e é todo este património genético que deixa uma marca de grande elegância e um carácter próprio deste terroir único. Luisa Amorim diz que “para desenhar os rótulos dos vinhos da Taboadella inspiramo-nos muito na alma deste lugar com o designer Eduardo Aires. Aqui descobrimos uma villae, que ainda hoje preserva um dos lagares de vinho mais antigos do Dão, uma peça única de natureza rupestre que foi moldada pelos romanos. Começamos pelo nome, Villae. Estes são vinhos mais leves, de castas tradicionais brancas e tintas da vinha da Taboadella, com taninos suaves sem nunca perder o seu caráter. Em regiões clássicas como Dão onde a casta tem elevado destaque, parecia-nos fundamental enaltecer as castas endémicas e decidimos por isso criar uma gama de quatro reservas monovarietais: Encruzado, Touriga Nacional, Alfrocheiro e Jaen. Por fim, sabemos que uma grande região merece grandes vinhos e eis que surgem os Grande Villae, vinhos de estrutura clássica rara, que atravessam o tempo, as gerações, a vida nesta comunidade de outros tempos”, lembrou Luisa Amorim. Deste modo, o Enoturismo da Taboadella, projetado pela arquiteta Ana Vale, passa agora a ser palco de uma visita obrigatória no Dão. Também a Wine House é local que merece uma visita à adega, fazer uma prova de vinhos acompanhada por uma tábua de queijos Serra da Estrela ou conhecer as obras de arte dos melhores ceramistas da região e alguns produtos regionais.

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Diz o presidente Fernando Figueiredo

Vendas de vinho da UDACA subiram cerca de 10% em Junho Depois de três meses de queda, as vendas de vinhos na União das Adegas Cooperativas do Dão (UDACA) aumentaram cerca de 10% em Junho, o mesmo valor é estimado para o mês de Julho. Em conversa com a Gazeta Rural, o presidente da UDACA diz mesmo que houve a necessidade de “comprar mais vinho” para fazer face às encomendas, para além de que, frisa, “há novos mercados que se estão a abrir”.

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ernando Figueiredo referiu que para aquele aumento das vendas, entre outros, contribuíram o mercado da China, a recuperação da venda de vinho para Angola e o estabilizado mercado russo. Contudo, o dirigente mostra-se expectante em relação ao Brasil, um mercado que, nesta fase, considera “problemático”, devido ao excesso de vinho oriundo do Chile, aos efeitos da pandemia e a situação cambial do Real face ao Dólar. Gazeta Rural (GR): Depois de em Março, Abril e Maio ter havido uma quebra grande nas vendas, Junho tem sido um bom indicador do que podem ser os próximos meses? Fernando Figueiredo (FF): No mês de Junho ultrapassámos as vendas previstas em cerca de 10% e Julho vai, para já, no mesmo sentido. Não estamos muito pessimistas em relação as vendas. Aliás, fomos obrigados a comprar mais vinho para fazer face às encomendas, uma vez que esgotámos um ano de colheita e tivemos de passar para outro. Há novos mercados que se estão a abrir. Por exemplo, em 2019 não vendemos praticamente nada para Angola, por escassez de matérias secas. Ultrapassada esta fase e repostos os materiais, recuperámos um mercado que durante 2019 pouco vendemos. As margens com que trabalhamos atualmente fazem-nos pensar que os resultados no final do ano serão em parte recuperados. GR: E vão recuperar todos os mercados, nomeadamente China e Brasil? FF: É difícil de responder. Posso, contudo, dizer 16

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que a China fez recentemente uma encomenda bastante boa, que estamos a preparar para expedir. O Brasil é mais problemático, com três situações distintas: uma que tem a ver com a pandemia; a outra com a “invasão” do mercado de vinhos excedentários do Chile, que não conseguem exportar para a China, e por fim a desvalorização do Real face ao Dólar, que cria imensos problemas a quem importa. O mesmo se passa com as nossas Adegas associadas que exportam para este mercado. GR: Houve uma visita exploratória à Colômbia. Deu resultado? FF: Não exportamos para a Colômbia, por enquanto. Na altura verificámos que era um mercado muito pequeno e não tínhamos a garantia de que poderia ter alguma evolução positiva. Isso aconteceu também no México. Aqui conseguimos um cliente, mas não resultou, uma vez que a quantidade de vinho que importavam não justificava os custos que tínhamos com o desenvolvimento das marcas e todo o trabalho para exportar. GR: E na Europa? FF: Estamos bem na Rússia, melhor que em 2019, e por aí estamos a ter alguma compensação. Para além disso, temos vários clientes no mercado da saudade que também estão a ajudar a compensar as quebras referidas.

GR: Há um esclarecimento que quer fazer? FF: Fui surpreendido com algumas notícias que vieram em alguma comunicação social e que referiam que a UDACA tinha tido, com a pandemia, um milhão de euros de prejuízo. Isso não podia corresponder à verdade. O que eu disse, aquando da visita da senhora ministra da Agricultura, é que a UDACA, por ser uma empresa em que 70% do seu volume de negócios é feito no mercado internacional e dois dos seus principais


mercados, China e Brasil, estavam a ter uma quebra na ordem dos 40%, se esta situação se mantivesse chegaríamos ao final do ano com uma diminuição no volume de negócios na ordem de um milhão de euros. Esse facto fez com que recorrêssemos ao lay-off a 50% da estrutura, tendo já terminado. Se continuarmos com a recuperação que estamos agora a sentir, e fizermos algum ajustamento nos preços, é bem possível que o impacto seja minimizado e os resultados sejam positivos, apesar da quebra no volume de negócios. GR: Passando para Silgueiros. A Adega não parou? FF: Não temos muito que nos queixar, apesar de termos perdido algumas vendas. No mercado nacional, sofremos dos mesmos males das outras empresas do setor, nomeadamente o canal HORECA e o turismo, que estão parados. GR: A Adega de Silgueiros está a fazer alguns investimentos no sentido da melhoria das condições de produção, mas também das instalações? FF: Terminámos o investimento previsto no PDR 2020 relativamente a equipamentos, que não são visíveis, nomeadamente na capacidade de receção de uvas (neste momento podemos receber cerca de 500 toneladas por dia), na fermentação e controlo pelo frio, na aquisição de um Filtro Tangencial e nas instalações. Os investimentos na recuperação das instalações, criação de espaços dignos para bem recebermos os nossos clientes e quem nos quiser visitar, é aquilo que está a decorrer neste momento, para que façamos parte da Rota dos Vinhos do Dão, onde devemos estar e não esta-

mos por não termos condições adequadas a esse objetivo. A implementação da Certificação está neste momento a decorrer, obrigou a obras profundas nas instalações e será concluída, também, até ao final do ano. Só assim poderemos estar na linha da frente em certos mercados onde não estamos ainda. Os escritórios estão também a ser melhorados e, para além de uma sala de provas que já criámos, as instalações dos Serviços Administrativos e Administração serão dotadas de uma sala de vendas e de exposição. GR: Qual o valor de investimento global? FF: No conjunto serão cerca de dois milhões de euros, sem penalizar os associados, o que julgamos ser muito importante. Sou daqueles que defende que qualquer investimento deve ser financiado por meios próprios e/ou financiamentos a médio/ longo prazo, aproveitando desde que possível as ajudas comunitárias disponíveis. GR: Tudo isso contribui para o significativo aumento da qualidade dos vinhos da Adega, facto comprovado com os prémios obtidos nos últimos anos? FF: Não são as obras nos escritórios que fazem com que isso aconteça. Internamente, aquilo que não é visível permite que o nosso departamento de enologia faça grandes vinhos, para além do contributo dado pelos nossos associados entregando-nos as uvas na qualidade e maturação ideais. Continua a vender-se a ideia de que os vinhos do setor cooperativo têm fraca qualidade, o que não corresponde minimamente à verdade. Como exemplo gostaria de lhes referir que recentemente num jatar de amigos em que estava presente uma espécie de “expert em vinho”, começou a falar-se num Encruzado excecional de um produtor regional. Levantei-me e pedi ao dono do restaurante uma garrafa de Encruzado de Silgueiros, outra desse produtor e outra de outra Adega Cooperativa. Pedi para colocar os vinhos em recipientes em que não se pudessem identificar e ao jantar pedi uma apreciação aos mesmos. Sabem qual foi o resultado? Os Vinhos de Silgueiros e da outra Adega Cooperativa bateram de longe o outro vinho dito excecional. E falando em preços, nem vale a pena comentar. A prova cega comprovou que, de facto, o setor cooperativo tem também vinhos excecionais! www.gazetarural.com

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Trabalho de equipa com direção em funções desde 2012

Pedro Soares foi reeleito presidente da Comissão Vitivinícola da Bairrada Não há duas sem três e os corpos sociais da Comissão Vitivinícola da Bairrada (CVB) voltaram a ser reeleitos por mais um mandato, o que cimenta a confiança que tem sido depositada na direção. Desde 2012 a liderar o comando desta entidade, Pedro Soares foi reeleito por unanimidade como presidente da Direção. Com ele mantiveram-se os dois elementos (Vogais) da Comissão Executiva, Victor Damião e Alexandrino Amorim, em representação da produção e do comércio, respetivamente. Renovada foi também a posição de Fernando Castro, presidente do Conselho Geral.

estejam em cima da mesa, a forma de execução das mesmas está em muito dependente do efeito Covid-19. Atendendo à dimensão territorial da Bairrada, estamos certos que é fundamental continuar a trabalhar na aquisição de conhecimento, que permita diferenciar, valorizar e inovar nos produtos que aqui são criados. Assim, a CVB continuará empenhada na criação do centro de competências para o espumante português. A elaboração do cadastro da região e a promoção dos produtos aqui produzidos será também uma das linhas estratégicas. Torna-se ainda fundamental discutir os resultados do trabalho desenvolvido pela Universidade de Aveiro, que visava caracterizar a região da Bairrada e o subsetor espumante, podendo, com base nestes, perspetivar um plano estratégico para o futuro da Bairrada, tendo em mente a valorização das marcas Bairrada e Beira Atlântico e dos produtos aqui desenvolvidos”. A Comissão Vitivinícola da Bairrada é uma associação interprofissional que representa a produção e o comércio do sector vitivinícola da região. É a entidade responsável por controlar o Conselho Geral é agora constituído cumprimento das regras e a certificação dos vinhos produzipela Adega Cooperativa de Cantanhedos na região, protegendo a Denominação de Origem Bairrade e pela ViniBairrada, em representação a da e Indicação Geográfica Protegida Beira Atlântico. produção, e pela Sogrape, Aliança Vinhos de Tem a seu cargo a promoção dos vinhos Bairrada e o dePortugal, Caves S. João, Caves da Montanha, senvolvimento e apoio de ações de índole técnica e científica. Caves Primavera e Sociedade Agrícola dos ViA sua atividade é financiada através da venda dos selos de nhos Messias, no que toca ao comércio. garantia que integram os contra-rótulos dos vinhos Bairrada. O trabalho feito pela CVB tem-se refletido Com mais de 100 associados, entre adegas cooperativas, no aumento de cerificação de vinhos, sendo produtores e engarrafadores, empresas vinificadoras e enque em 2019 ultrapassou os nove milhões, fasgarrafadores da região e de fora da região, a CVB integra quia atingida pela primeira vez nos últimos 10 ainda uma Câmara de Provadores e uma segunda Câmara anos. Neste universo, o espumante representa responsável apenas pela prova dos emblemáticos espumancerca de 2,5 milhões de garrafas. tes da região. Nas palavras do presidente Pedro Soares, “para este mandato, embora várias estratégias 18 www.gazetarural.com

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Nos dias 8 e 9 de Julho no Solar do Vinho, na Guarda

Concurso da Beira Interior com 71 vinhos de 26 produtores daquela região demarcada O Solar do Vinho, na cidade da Guarda, vai receber o XIII Concurso de Vinhos da Beira Interior, nos dias 08 e 09 de Julho. O concurso, organizado pela Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior (CVRBI), pelo NERGA - Associação Empresarial da Região da Guarda e pela Associação Empresarial da Beira Baixa (AEBB), terá a participação de 26 produtores.

Concurso Beira Interior Gourmet decorre de 10 de Julho a 10 de Agosto

A CVRBI também vai realizar, entre 10 de Julho e 10 de Agosto, o I Concurso Beira Interior Gourmet, em mais de três dezenas de restaurantes da região, nas categorias de ‘Copresidente da CVRBI adiantou que o concurso contará zinha regional/tradicional’, ‘Cozinha criativa/ com 71 vinhos tintos, brancos, rosados, espumantes e evolutiva’ e ‘Cozinha Europeia e do Mundo’. frisantes certificados como DOC (Denominação de Origem O concurso tem como objectivo promover o Controlada) Beira Interior e IG (Indicação Geográfica) Terras ‘casamento’ dos vinhos com a gastronomia loda Beira, das colheitas entre os anos de 1999 e 2018. cal, estava previsto decorrer de 14 de Março a Devido à pandemia causada pela covid-19, na edição des16 de Abril, mas foi adiado devido à pandemia te ano do concurso participam menos produtores do que causada pela covid-19. nos anos anteriores, mas o número de vinhos constitui, no Em comunicado, a CVRBI refere que decidiu entender de Rodolfo Queirós, “um número interessante”, avançar com a realização da iniciativa “depois de pois serão disponibilizados “à volta de 35 vinhos por dia” reunidas as condições de abertura dos restauranaos provadores. O evento será realizado nos moldes tradites”. cionais de “prova cega” e o júri do concurso, constituído No Beira Interior Gourmet participam “mais de por sete especialistas na área, será presidido pelo crítico três dezenas de restaurantes” da região, que nade vinhos Aníbal Coutinho. quele período “terão os menus disponíveis ao A CVRBI anunciou que, pela primeira vez e devido à grande público”. “Superada esta difícil fase de situação atual, não será realizada a tradicional gala de confinamento, particularmente dolorosa para os entrega de prémios, sendo os mesmos divulgados no empresários de restauração da região, ganhou um decorrer de uma conferência de imprensa a realizar no duplo sentido o nosso concurso”, refere a entidade mês de Julho, em data a anunciar, na sede da CVRBI. organizadora. Com este concurso a CVRBI pretende divulgar os O projecto da CVRBI insere-se na estratégia de vinhos produzidos na região e “ajudar os associados” promoção do enoturismo da região, sendo que a Rota na sua promoção. “A nossa ideia é que, mais uma vez, dos Vinhos da Beira Interior, criada recentemente, faz seja um sucesso em termos qualitativos e que ajude do evento “uma aposta no desenvolvimento da Beira os produtores e a Beira Interior a terem mais visibiliInterior”, segundo a fonte. dade”, disse o responsável. www.gazetarural.com 19

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Uma iniciativa da Comissão Vitivinícola Regional do Dão

Região do Dão lança campanha para apoiar vinhos e restauração dos 30%”, mas a percentagem é diferente nos vários segmentos. “Os mais afectados foram precisamente os que se vendiam no canal Horeca, ou seja, vinhos engarrafados de gama média e superior”, explicou. ireccionada para o mercado nacional, a campanha “PortuO responsável lembrou que esse canal “vendia gueses Dão a Volta” resulta da readaptação do plano de muito vinho para os turistas que estavam a circupromoção dos vinhos do Dão idealizado para este ano, devido à lar” em Portugal. “Neste segmento de vinhos de pandemia de covid-19. “Fizemos um trocadilho com a nossa denocategoria média e superior tínhamos muita exporminação de origem, que é Dão”, explicou o presidente da CVR Dão, tação, mas a pandemia também afectou os nossos Arlindo Cunha, acrescentando que o vinho do Dão ajudará “a gaprincipais mercados, que eram essencialmente Esnhar ânimo para esse regresso à normalidade”. tados Unidos e Brasil. Tudo isso conjugado, deu esse Segundo o responsável, os últimos meses têm sido “muito diimpacto bastante negativo”, lamentou. fíceis para os produtores de vinho, sobretudo para os produtoA campanha estará em vigor durante os próximos res engarrafadores (vinhos de quinta), que vendiam no canal meses. Atendendo à sua variedade e complexidade, os Horeca”, que abrange hotéis, restaurantes e cafés. “Esse canal vinhos do Dão são considerados ideais para harmonizaficou completamente parado durante dois meses e agora está ções gastronómicas e para serem partilhados à mesa. a recuperar muito devagarinho”, contou. Arlindo Cunha referiu que, “nos meses de Maio e Abril, a redução das vendas em relação ao ano anterior foi da ordem “Portugueses Dão a Volta” é o mote da nova campanha lançada pela Comissão Vitivinícola Regional do Dão para incentivar os portugueses a apoiarem a restauração e os vinhos da região, em período de desconfinamento.

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Atribuído pelo Turismo de Portugal

Welcome Center da Rota dos Vinhos do Dão certificado com o selo “Clean & Safe” O Turismo de Portugal atribuiu ao Welcome Center da Rota dos Vinhos do Dão o selo de confiança para a receção de visitantes. O selo “Clean & Safe” é um compromisso do Welcome Center, instalado no Solar do Vinho do Dão, no que diz respeito ao cumprimento de todas as normas, para voltar a receber visitantes de forma segura. Além disso, o espaço retomará o funcionamento habitual a partir do dia 1 de Julho.

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sta certificação do Turismo de Portugal comprova que o Welcome Center da Rota dos Vinhos do Dão está a cumprir todas as medidas necessárias para evitar a propagação da pandemia e continuaremos atentos a todos os desenvolvimentos e conselhos das autoridades. Nesta altura de desconfinamento, é muito importante para a região voltar a receber visitantes e queremos que estes se sintam seguros quando nos visitam”, refere Arlindo Cunha, presidente da CVR Dão. De salientar que o selo “Clean & Safe” é reconhecimento por parte do Turismo de Portugal, com o objetivo de transmitir às empresas e profissionais informação sobre as medidas mínimas necessárias de distanciamento social, de higiene e limpeza dos estabelecimentos, mas sobretudo, promover Portugal como destino seguro, do ponto de vista dos cuidados a observar para uma coerente e eficaz manutenção das condições que evitem a propagação do novo coronavírus.

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Uma marca com história

Adega de Borba apresentou nova imagem de Montes Claros A Adega de Borba apresentou esta sexta-feira, 26 de Junho, a nova imagem da sua gama de vinhos Montes Claros, uma das mais antigas e reconhecidas marcas em Portugal graças à consistência da sua qualidade, desde 1945.

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sta marca surgiu no mercado em finais dos anos 40 do século passado, com o simbolismo do “Padrão Montes Claros” que homenageia a importante vitória portuguesa na Batalha de Montes Claros, alcançada sobre o exército Castelhano, no sítio com o mesmo nome, em 1655. Desta gama fazem parte seis vinhos DOC Alentejo que garantem a tipicidade e qualidade à qual o consumidor tem vindo a ser habituado com todas as

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marcas da chancela Adega de Borba. Foi agora realizado um investimento na modernização da imagem desta marca histórica, sem afetar os valores de prestígio e tradição. Com uma imagem rejuvenescida e mais apelativa, estes vinhos, assinados pelo enólogo Óscar Gato, mantêm intactas as características da marca Montes Claros. Para esta nova imagem o recurso a cores fortes foi fundamental, assim como a preservação do lettering anterior da marca, dando uma garantia de continuidade e consistência à marca. Esta nova imagem remete-nos à Batalha, ao local e também aos protagonistas, através de símbolos clássicos e consistentes com o perfil dos vinhos.


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Investimento na primeira Bio-Região

Idanha recebe investimento de 60 milhões de euros em projetos de nozes e amêndoas Os promotores de dois grandes investimentos agrícolas do concelho de Idanha-a-Nova, dedicados à produção de nozes e de amêndoas, assinaram um compromisso com a Câmara de Idanha-a-Nova para a adoção de boas práticas ambientais.

to nutricional do solo; a criação de condições favoráveis para inexistência de pragas e doenças; a promoção do equilíbrio ecológico e preservação da biodiversidade; e a exploração dos recursos hídricos para irrigação de forma equilibrada. A par da responsabilidade ambiental, o Gruacordo promove a cooperação no âmbito da estrapo Vera Cruz, com um investimento de 50 mitégia da Bio-Região de Idanha-a-Nova, integrada na lhões de euros na produção de amêndoa consiRede Internacional de Bio-Regiões, para associar as culturas derado Projeto de Potencial Interesse Nacional de frutos de casca rija às melhores práticas de sustentabili(PIN), e a sociedade Trust Castel, que até à data dade ambiental. já investiu cerca de 10 milhões de euros na pro“Estamos a falar de dois grandes projetos com capitais dução de nozes, assumem compromissos de internacionais, que totalizam mais de 60 milhões de euros natureza económica e social. Designadamente, de investimento. Ambos decidiram assumir a aposta na comprometem-se a construir em Idanha-a-Nova sustentabilidade económica, social e ambiental, para aqui as fábricas para descasque de noz e amêndoa, desbravarem os novos caminhos da sustentabilidade amcriar postos de trabalho residentes no concelho biental, que por vezes os grandes investimentos não têm de Idanha-a-Nova; utilizar prestadores de serviço em conta”, afirma o presidente da Câmara de Idanha-alocais adequados às suas necessidades; colaborar -Nova. com a Câmara de Idanha-a-Nova e outras entidaArmindo Jacinto sublinha que “estes projetos, que já des públicas locais na promoção da região; e apoiar estão a criar riqueza e dezenas de empregos na região, o desenvolvimento do ecossistema empresarial loadotam tecnologias e práticas de sustentabilidade adecal por via de parcerias e alocação de recursos huquadas à preservação da água e dos solos. Também esmanos, técnicos e financeiros. tão a estudar metodologias para uma futura conversão A Câmara de Idanha-a-Nova, reconhecendo a imem agricultura biológica, com a instalação de projetosportância dos projetos empresariais do Grupo Vera -piloto com o apoio técnico do CoLab Idanha Food Cruz e da sociedade Trust Castel, em particular a Lab”. construção das fábricas em Idanha-a-Nova, na criação No âmbito do novo acordo, os promotores comprode postos de trabalho e na atração de investimento, metem-se a adotar medidas como o enriquecimen-

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decidiu propor à Assembleia Municipal a atribuição de isenção em sede de Imposto Municipal sobre a Transmissão Onerosa de Imóveis (IMT). A medida incide sobre a aquisição dos terrenos para instalação das culturas de nozes e amêndoas, para que as verbas possam ser canalizadas para investimento, mas também apoiar a formação profissional de trabalhadores e a instalação de equipamentos industriais no concelho. Com efeito, o código do IMT prevê isenções para aquisições de bens situados em regiões economicamente mais desfavorecidas, quando para efeitos de atividades agrícolas ou industriais consideradas de superior interesse económico e social. As culturas de frutos de casca rija, que já criaram dezenas de postos de trabalho, enquadram-se nas políticas de atração de investimento sustentável, no âmbito do programa Green Valley da estratégia ‘Recomeçar’, tendo em vista o aumento do nível de produção, inovação, rendimento e poder de compra do concelho, logrando-se assim um rejuvenescimento da sua estrutura demográfica e do nível de qualidade de vida dos seus cidadãos, através da criação de condições propícias à manutenção das novas gerações no território, à atração de novos investidores e residentes, de forma diferenciadora e em respeito pelo meio ambiente.

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Crónicas Rurais

Terra Quente, Terra Fria: um quê de modernidade da Terra Quente Por Júlio Sá Rêgo Todo o mal do mundo vem de nos importarmos uns com os outros, Quer para fazer bem, quer para fazer mal. (Alberto Caeiro, 1925, poema XXXII)

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avia na Terra Quente uma exploração ovina que aplicava modos de O criador mostrou-se muito disposto e propôs produção diferenciados, revelara-me a secretária técnica de uma levar-me às ovelhas para explicar o funcionadas associações de criadores de ovinos transmontanos. Eu já havia visimento do seu negócio. Subimos na sua carrinha tado diversas explorações convencionais, mas não havia tido a oportunie nos adentramos por estreitos e sinuosos camidade de ver outras abordagens ainda. Como seria? Minha curiosidade nhos rurais ao longo de parcelas onduladas de não passou despercebida e, pouco depois dessa conversa, a secretária olivais, amendoais e outras culturas que eu não técnica, solícita, comunicou-me que havia acertado uma visita para sabia distinguir. Terras da família, disse-me o criamim. dor. O dia almejado chegou. Era uma manhã de inverno fria e nevoenta Após uma dezena de minutos pela estrada de em Bragança com condições de visibilidade mínimas... não se enxerchão batido, chegamos às ovelhas. Surpreso, pergava nada. A estrada foi uma aventura na qual eu me guiava pelo cebi logo por que não encontrara o rebanho mais instinto e emoções de curvas súbitas, e penso ter chegado inteiro cedo. A curva onde estive parado estava ali, um pouao destino apenas por não me haver cruzado com ninguém no caco mais embaixo, mas dificilmente eu teria discerniminho. Encontrar o criador e o rebanho fez parte dessa aventura. do o rebanho aqui em cima. Não era uma questão As ovelhas estariam em uma interseção específica às portas da alde névoa, tampouco de direção, eu simplesmente não deia naquele horário e o criador havia-me fornecido as indicações estava à procura da morfologia certa. Ao invés do trapara me orientar... foi sem contar com a névoa. Eu não distinguia dicional rebanho distribuído na paisagem, as ovelhas monte, curva ou sinalização dadas por ele como pontos de refeaqui, todas terrinchas, estavam plantadas num cercado rência; eu via linhas desfocadas num borrão cinza. Sem poder amovível de poucos metros quadrados. Era a primeira telefonar-lhe por falta de rede, tive que seguir caminho até a vez que me via diante de um típico maneio de pastoreio próxima aldeia onde meu telemóvel voltara a captar. Após nodirigido. vas explicações, resignamo-nos a encontrar no estábulo, uma O pastoreio dirigido é pouco difundido em Portugal. estrutura que eu havia de fato avistado da estrada, mas sem Ele concentra o rebanho num pequeno perímetro por um associá-la a uma corriça. tempo determinado para aumentar a carga animal e limO estábulo, de longe, assemelhava-se a um hangar induspar e/ou estrumar parcelas selecionadas de forma dirigida. trial de pé direito alto e portões grossos. A essa hora tudo O criador explicou-me que sua exploração operava de maparecia vazio, salvo pela silhueta do criador que me espeneira integrada e o pastoreio dirigido era a ferramenta para rava à entrada. O cenário era de muita paz e tranquilidade. otimizar a simbiose entre a criação animal e os olivais. 26

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tava muito agradecido por haver-me recebido, disse-lhe. O criador aceSua atividade principal era o azeite biológico. nou com a cabeça e abriu a porteira do cercado. De repente, as ovelhas Ao invés de dedicar fundos à compra de fertiliem conjunto imobilizaram-se e interromperam afazeres e balidos para zantes adequados à agricultura biológica, o criaespiar desconfiadamente. “O que esse animal ereto está a fazer no dor optou por resgatar uma prática imemorial, nosso espaço?” talvez pensaram elas... não obstante a desconfiança velha conhecida nessas aldeias: o estrume ovino. ovina, retirar a mãe e a cria do cercado foi relativamente fácil, ao conSe as ovelhas representavam de longe o gado mais trário de pô-las na carrinha. Quiçá por não estar acostumada a um abundante nas aldeias do Centro e do Norte de pastor, a ovelha-mãe não se deixava aproximar, ainda mais agarrar. Portugal até a primeira metade do século XX, não A cena teve ares de uma partida de apanhada de pátio de escoera por questões alimentícias ou lanígeras. A função la em versão ovina, na qual eu também cumpri meu papel: tentar principal do gado ovino era estrumar. O criador, inbloquear a ovelha. Partida ganha pela equipe criador-antropólogo, ventivo, apenas deu uma refrescada na prática adirumamos de volta ao estábulo com os dois animais. cionando cercas amovíveis. Despedi-me do criador que me convidara a voltar uma próxima As quase 200 ovelhas proporcionavam adubo natuvez. Na estrada para Bragança não conseguia desgarrar meu penral aos solos, prosseguiu o criador, e permitiam ecosamento de um comentário fortuito no meio de toda a engenhosinomizar na limpeza mecânica dos terrenos também. dade tecnológica que ali havia: os habitantes da aldeia estranhaA venda de cordeiros era um subproduto abonando a vam um indivíduo, com seu estatuto social, cuidar de animais; e exploração com um rendimento adicional. O funcionapessoas de Mirandela, onde o criador residia, surpreendiam-se mento era engenhoso. A reintegração da produção aniquando descobriam que criava ovelhas. Aqui também, no quê mal na produção agrícola permitia ao criador assegurar de modernidade da Terra Quente Transmontana, a histórica seus compromissos com o modo de produção biológico imagem social da pastorícia ainda marca os criadores de hoje. a menor custo e beneficiar de rendimento extra. Eu estava bastante intrigado e ainda a apreciar a es• Texto original trutura de cercas quando o criador se apercebeu de um intruso no rebanho: um parto havia ocorrido na madrugada. Ligeiramente chateado por ter de interromper nossa conversa, ele explicou-me que tinha que separar a mãe e a cria do resto do rebanho e levá-las para o estábulo. Eu entendia perfeitamente as contingências da atividade e já eswww.gazetarural.com

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Uma iniciativa de dinamização turística

Sabugal promove as cinco vilas medievais do O município do Sabugal, no distrito da Guarda, está a promover as cinco vilas medievais do concelho com o objetivo de atrair visitantes para o território após o período de confinamento causado pela pandemia da Covid-19. O projeto “5 Vilas Medievais” abrange as localidades de Alfaiates, Sabugal, Sortelha, Vila do Touro e Vilar Maior.

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egundo Amadeu Neves, vereador com o pelouro do turismo na Câmara do Sabugal, o “5 Vilas Medievais” permitiu “criar uma identidade comum” às cinco localidades abrangidas na iniciativa de dinamização turística. “O objetivo é que, após o período de confinamento originado pela pandemia, as pessoas possam conhecer o nosso património e possam fazer turismo em segurança no interior do país”, disse o autarca. O município do Sabugal investiu cerca de 80 mil euros no projeto, com uma comparticipação comunitária de 50%, indicou. A autarquia refere que, através do projeto, as cinco vilas medievais existentes no seu território “tornaram-se ainda mais atrativas, com sinalética mais apelativa, nomeadamente com a colocação de ‘totens’ (painéis), produção de novos folhetos, entre outros suportes comunicacionais”. O projeto ficará concluído “após beneficiação do acesso ao castelo de Vila do Touro e colocação de estrutura exterior fixa para material arqueológico no Museu Vivo de Vilar Maior, trabalhos a concluir em breve”, lê-se. O município lembra que, “desde a Idade Média até ao século XIX, o território do atual concelho do Sabugal estava repartido por cinco vilas, cada uma encabeçando o seu concelho: Alfaiates, Sabugal, Sor28

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concelho para atrair visitantes telha, Vila do Touro e Vilar Maior”. “Com maior ou menor grau de conservação, existem em cada uma vestígios da sua importância passada, quer em termos de arquitetura militar, religiosa ou civil, quer em símbolos do poder político judicial local”, remata. A autarquia disponibiliza, na sua página da internet, informação sobre as cinco localidades que integram o projeto “5 Vilas Medievais”. Sobre Alfaiates, refere-se que “partiu de um povoado proto-histórico, tem nome de origem árabe (‘al-haet’ = o muro) e uma fortificação que foi decisiva na defesa da região durante a Guerra da Restauração e atingida durante os últimos combates da 3.ª invasão francesa, em 1811”. No Sabugal, é “bem conhecido o seu castelo de cinco quinas, obra, em grande medida, do rei Dom Dinis”, lê-se. Sortelha é uma das Aldeias Históricas de Portugal e, segundo a fonte, “o profundo trabalho de renovação e recuperação, levado a cabo nos anos noventa, devolveu-lhe, em boa medida, o aspeto e ambiente de uma vila manuelina portuguesa”. Sobre Vila do Touro, a autarquia do Sabugal informa que a localidade “pertenceu aos Templários e, depois, à Ordem de Cristo, com fundação no século XIII”. Relativamente a Vilar Maior, é referido que “no topo da elevação” se encontra “o castelo leonês, com uma torre de menagem acrescentada por Dom Dinis”.


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Durante o período pós-confinamento

Território entre Douro e Sabor aposta em oportunidade “única” de turismo As regiões periféricas e com atrativos naturais como o Douro Superior, Baixo Sabor e Alto Douro, têm uma oportunidade “única” de atrair turistas durante o período pós-confinamento, mantendo regras de segurança e oferecendo natureza, património, cultura e gastronomia.

municípios de Torre de Moncorvo, Alfândega da Fé, Mogadouro e Macedo de Cavaleiros (Bragança). “Estes concelhos, para além de património natural e paisagístico únicos, têm uma gastronomia ímpar e espaços de agroturismo capazes de alojar os visitantes com conforte e segurança sanitária em tempos de pandemia provocada pela covdntrámos num novo paradigma ao nível do turismo, 19”, vincou Nuno Gonçalves. em que os turistas se deslocam das grandes ciAs associações de municípios estão a apostar dades do litoral à procura do interior, onde se pode fazer em grandes rotas pedestres, como é caso da GRturismo em segurança e com qualidade e aqui permane36, que liga o Douro Superior ao Parque Natural cer três dias e ajudar a criar riqueza”, disse o presidente do Douro Internacional, ou panorâmicas, como os das Associações de Municípios dos Douro Superior e do Lagos do Sabor, Arte do Côa, ou Geoparque – TerBaixo Sabor, Nuno Gonçalves. ras de Cavaleiros. O também autarca de Torre de Moncorvo destaca o Para o presidente da Câmara de Macedo de Cafacto de nestes territórios haver três patrimónios munvaleiros, Benjamim Rodrigues, o turismo de Interior diais classificados pela UNESCO – Organização das Natem nesta fase posterior ao confinamento provoções Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, “e os cado pela covid-19 uma oportunidade de recuperar municípios terem de pensar o território como um todo”. alguma da distância para as principais regiões tu“É preciso cativar os turistas ao território e dar-lhes a rísticas do país, nomeadamente o Algarve e o Litoconhecer as suas potencialidades, de forma a fixá-los ral. “No turismo de Interior temos a possibilidade de no mínimo três dias, para conhecerem os monumentos, oferecer muito do que é procurado pelas famílias, as praias fluviais, a arte rupestre, a avifauna, os percurem particular o turismo rural, de habitação, onde é sos pedestres ou o potencial geológico”, vincou Nuno possível usufruir do sol e do bom tempo com o disGonçalves. tanciamento solicitado pela Direção-Geral da Saúde Da Associação de Municípios do Douro Superior e tendo a possibilidade de recorrer a outro tipo de fazem parte os concelhos de Miranda do Douro, Mopraias, como é o caso do Azibo”, indicou. gadouro, Freixo de Espada à Cinta e Carrazeda de Já a secretária de Estado da Valorização do Interior, Ansiães, no distrito de Bragança, à qual se juntam os Isabel Ferreira, é da opinião de que, no atual contexto, concelhos de Vila Nova de Foz Côa e Figueira de Caso potencial turístico dos territórios do Interior “aumentelo Rodrigo, na Guarda. Já o Baixo Sabor integra os

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tou exponencialmente”. “A riqueza natural e patrimonial dos concelhos do Douro e do Nordeste de Portugal, tal como de diversas outras regiões, permitem antecipar períodos áureos para o turismo”, vincou a governante. Cada região tem as suas especificidades e é precisamente esta diversificação da oferta turística que também deve ser considerada como uma vantagem competitiva em relação a outras localizações de oferta mais tipificada. Para a secretária de Estado, a abordagem a ser seguida deverá sempre ser multissetorial, conjugando contribuições complementares de diferentes áreas (turismo de natureza, património edificado, cultura, gastronomia), que assim resultem em programas turísticos mais abrangentes, com maior dimensão temporal, aumentando assim o tempo de permanência dos visitantes e o correspondente efeito impulsionador de desenvolvimento económico. Numa região em que a falta de cobertura de rede e velocidade lenta da internet já motivaram queixas da população e autarcas junto das entidades competentes, a governante alertou que há um conjunto de iniciativas “dependentes de uma eficaz cobertura de Internet de banda larga, pelo que a sua operacionalização se torna essencial”. Para Isabel Ferreira este é um “serviço absolutamente necessário”, cuja disponibilização “acabará por se concretizar”, pelo que já foram delineadas “diferentes iniciativas promotoras de desenvolvimento cultural, económico e social, com base na disponibilização deste serviço”, concretizou.

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Nomeadamente laticínios e azeites, frutas, carnes e vinhos.

Escola Superior Agrária de Viseu disponibiliza Laboratório de Análise de Alimentos Empresas e produtores da região têm a partir de agora disponível um Laboratório de Análise de Alimentos. Aproveitando espaços e equipamentos já existentes na Escola Superior Agrária de Viseu (ESAV), o laboratório irá permitir a avaliação de diversos parâmetros de produtos como laticínios e azeites, frutas, carnes e vinhos.

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ara a vice-presidente da Escola Superior do Politécnico de Viseu “estava na altura, na medida em que temos disponível um conjunto de equipamentos

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que estão a ser utilizados ao nível da investigação científica, de fazermos esta prestação de serviços ao exterior”. Segundo Maria João Lima, as atividades desenvolvidas no Laboratório de Análise Alimentar “possibilitam estreitar e fortalecer laços que unem a ESAV à comunidade regional”. Paulatinamente, é intenção da ESAV acrescentar outros parâmetros para análise no apoio às empresas e aos produtores.


Programa “Emparcelar para Ordenar” entra em vigor a 1 de Julho

Agricultores com apoios para emparcelar propriedades

Os agricultores já podem candidatar-se a linhas de crédito e subsídios não reembolsáveis para comprar terrenos agrícolas e aumentar a dimensão das suas propriedades rurais, segundo o programa “Emparcelar para Ordenar”.

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o decreto-lei publicado na Diário da República, que entra em vigor a 1 de Julho, o Governo explica que o objetivo deste programa é incentivar os proprietários a investir e a gerir as suas propriedades, melhorando a estrutura fundiária, e ainda diminuir a perigosidade de incêndios em territórios classificados como vulneráveis. O programa prevê mecanismos financeiros para promover ações de emparcelamento rural simples, para corrigir a divisão parcelar de prédios rústicos ou de parcelas pertencentes a dois ou mais proprietários ou comprar prédios contíguos, através “da concentração, do redimensionamento, de retificação de estremas e da extinção de encraves e de servidões e outros direitos de superfície, podendo integrar também obras de melhoramento fundiário”.

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Última Hora São 11 zonas transfronteiriças de Portugal e Espanha

Plano estratégico para as áreas do turismo e agroalimentar junta regiões fronteiriças As regiões fronteiriças do Centro e Norte de Portugal e de Espanha apresentaram um plano estratégico comum, apoiado pela União Europeia, que visa promover em conjunto recursos endógenos nas áreas do turismo e agroalimentar.

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s regiões fronteiriças do Centro e Norte de Portugal e de Espanha apresentaram um plano estratégico comum, apoiado pela União Europeia, que visa promover em conjunto recursos endógenos nas áreas do turismo e agroalimentar. A reunião de parceiros do Projeto CRECEER, que decorreu através de plataformas digitais, foi marcada pela apresentação da proposta de um Plano Estratégico Interregional (PEI) para 2020-2023, o qual vai juntar os esforços das O queijo, o vinho, o azeite, as carnes frescas e 11 zonas do território abrangido pelo Projeto. as frutas são os recursos estratégicos em todos O CRECEER é um projeto transfronteiriço, financiado os territórios em que vão incidir os primeiros espor fundos europeus, que tem como principal objetivo forços de sinergia do CRECEER. Outros recursos estabelecer sinergias entre 11 zonas transfronteiriças, tencomuns igualmente identificados foram os de indo em vista melhorar a competitividade de pequenas e teresse turístico – os parques e espaços naturais, médias empresas nos setores turístico e agroalimentar as praias e portos fluviais, as zonas de pesca e os gourmet. trilhos de caminhada, além de museus e patrimóOs 11 territórios abrangidos pelo projeto são a Beira nio monumental e histórico. Foram também indiBaixa e Beiras e Serra da Estrela, no Centro de Portugal; cados eventos de interesse turístico, como eventos Douro e Trás-os-Montes, no Norte; e El Bierzo, Vitigudidesportivos, feiras, festivais de música e festividano, Ciudad Rodrigo, Ávila, Toro, Sanabria e Aliste-Tábades religiosas. ra-Alba, em Espanha. A estratégia a desenvolver pelo Projeto CREAntes da elaboração do Plano Estratégico InterreCEER, alicerçada na criação de redes de cooperagional, cada uma das zonas CRECEER definiu a caracção empresarial, passa por ações de promoção conterização particular do seu território e apresentou um junta, entre outros eixos estratégicos. Os próximos Plano Estratégico individual de Atuação. O PEI agora passos incidirão na concretização dos objetivos do apresentado surge na sequência deste trabalho prévio Plano, nomeadamente ao nível do desenvolvimene identificou já recursos endógenos gastronómicos to de produto e criação de novos pacotes turísticos, comuns nas 11 regiões, que, associados à oferta turísnomeadamente Rotas do Queijo, Rota do Bordado e tica existente, são as prioridades do projeto. Rota da Cerâmica. 34

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Às sextas-feiras, a partir das 18,30 horas, durante os meses de Verão

Arcos de Valdevez dinamiza espaço para promover vinhos e produtos locais Localizado na Avenida Recontro de ValdeO município de Arcos de Valdevez e a Associação dos Vivez, este espaço permite degustar os vinhos nhos de Arcos de Valdevez (AVVEZ) criaram um espaço para da região, bem como saborear alguns petispromover, desenvolver e defender a produção vitivinícola e cos, tirando partido dos produtos regionais. os produtos artesanais locais. O município minhoto executou Para além disso, a loja possui o serviço de enas obras de adaptação, qualificação e equipamento base e a comendas online, com entrega na loja ou em AVVEZ fica responsável pela gestão do espaço. casa, expandindo, deste modo, a comercializaA AVVEZ está a desenvolver um conjunto de iniciativas ção dos vinhos e produtos locais. para dinamizar este espaço, proporcionando aos visitantes Através deste espaço, o Município de Arcos novas experiências e aproximando-os dos produtos que de Valdevez pretende atrair público para as atipromove. Neste sentido, as sextas-feiras, a partir das 18,30 vidades turísticas da região, no âmbito do enohoras, durante os meses de Verão, são agitadas com initurismo, e, simultaneamente encurtar os circuitos ciativas de promoção/degustação dos produtos dos de comercialização, aproximando os clientes dos associados, sendo que, em cada iniciativa, um ou mais produtores. Assim, surge a oportunidade de conheprodutores dará a conhecer os seus produtos nas mais cer o território, o contexto de produção e o próprio variadas harmonizações. Para além disso, alguns sábavendedor, resultando, na consolidação da imagem de dos serão ocupados com iniciativas de promoção dos marca de cada produto. produtos cruzadas com atividades de âmbito cultural e gastronómico.

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Gazeta Auto

Honda HR-V 1.5 i-VTEC Executive Connect Navi Por Jorge Farromba

Guidelines A moda dos SUV em detrimento dos monovolumes veio para ficar… pelo menos até à próxima moda. A Honda mantém-se por isso dentro do registo e obriga-se a ter também produtos nos vários segmentos, onde a concorrência também está atenta e presente. Nesta nova geração apresentou-se com a identidade que intitulou Solid Wing Face, associado a um competente 1.5, a gasolina, como aliás é apanágio de todas as marcas, bem construído e com espaço interior mais que suficiente para cidade e para viagens.

Estética – Exterior e Interior Numa frente redesenhada, onde o pára-choques surge mais pronunciado e a grelha ganha destaque ligando-se à moldura de faróis agora escurecidos e em LED, o HR-V destaca-se pela positiva. Como modelo compacto que é, onde compete com muitos modelos de outras marcaS, (ex. o CAPTUR o modelo que é um irmão mais curto que o CR-V), mantém umas linhas laterais mais estilizadas e com 36

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o formato da carroçaria descendente, relembrando um coupé e com as pegas de abertura das portas traseiras embutidas no pilar traseiro. Atrás, o modelo recupera o desenho do seu irmão mais “velho” num estilo jovial. O interior mantém o mesmo espírito e desenho que a marca nos habituou noutros modelos. Um desenho sem grandes formas estilísticas que normalmente cansam ao fim de pouco tempo. Alguma inovação nas saídas de ar do passageiro, horizontais.

Materiais, user experience

Num SUV de entrada da marca, o HR-V pauta-se pela similitude com os concorrentes. Robusto q.b, com recurso a plásticos rijos, salvo os mais próximos ao toque, como os que se encontram junto às saídas de climatização. Espaço interior acolhedor, bons bancos com suporte lateral adequado, espaço para pequenos objetos na consola central, volante prático e com boa pega, alavanca (curta) da caixa de velocidades a fazer recordar o Mazda MX-5.


Numa viatura onde o espaço interior está muito bem conseguido, acolhe “bem à vontade” 4 adultos – mesmo com espaço mais que suficiente para as pernas e uma bagageira que envergonha muitos familiares (próximo dos 470 litros). Uma referência para os já “habituais” bancos mágicos traseiros, que elevam o assento do banco traseiro e oferecem mais uma segunda ampla bagageira.

Em estrada Com o motor 1.5 a gasolina e 130cv o HR-V não é um desportivo, mas é o suficientemente despachado em cidade e estrada com uma caixa bem escalonada e onde a 5ª e 6ª velocidade estão presentes para reduzir consumos (cerca de 6,2 litros de média) O comportamento do Honda não tem o feeling apurado do CIVIC, mas tenta-se aproximar. Condução precisa e direta, com um conforto interessante, muito provavelmente derivado do “SDC (Synaptic Damping Control – Controlo de Amortecedor Sináptico) sistema que melhora o conforto de condução e a manobrabilidade, modificando a força de amortecimento de acordo com a superfície da estrada e as condições de condução”, sendo que em bom piso se nota a sua eficiência e em piso mais degradado, o HR-V, para manter esse rigor no comportamento é menos flexível no ajustamento do amortecedor.

Consumos e preço Sistema CTBA de travagem ativa em cidade para evitar acidentes a baixa velocidade; Suite Avançada de Assistência à Condução (ADAS) com cinco sistemas ativos de segurança; Bancos dianteiros com função anti-chicote cervical; CTBA de travagem ativa em cidade; Sistema avançado de ajuda à condução; Avisador de Colisão à Frente (FCW); Reconhecimento de Sinalização de Trânsito (TSR); Limitador Inteligente da Velocidade (ISL); Avisador de Saída de Faixa (LDW) e Sistema de Suporte dos Máximos (HSS); Reconhecimento de Sinalização de Trânsito; Limitador Inteligente da Velocidade que conjuga com o Reconhecimento de Sinalização de Trânsito, Avisador de Saída da Faixa de Rodagem, Sistema de Suporte dos Máximos; Média de consumos 6.2 litros/100kms; Preço entre os 25.000 e os 37.000€ (versão ensaiada – 31.000). www.gazetarural.com

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Diário de Bordos III

Por Luís Serpa

A minha Palma III Tinha pensado escrever três artigos sobre Palma e Maiorca e depois passar a outro país – o Panamá, aqui entre nós, país fascinante e também ele escondido. Porém, releio o último artigo e vejo a quantidade de injustiças que nele não estão. Isto é, a quantidade de sítios que não mencionei e que a minha consciência, aos gritos, reclama que eu corrija.

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ão há nada a corrigir, na verdade: a maioria dos donos dos bares e cafés que mencionei não sabe sequer que escrevi sobre eles e não serão decerto os meus artigos que os vão ajudar a ultrapassar essa situação. É antes um acerto de contas interno, uma exigência da mente para ter paz consigo mesmo. Começo por falar da Tasquita d’Esquina, um café português no qual a Sandra e a Fernanda dão provas frequentes de imensa paciência e suportam as minhas erupções criativas até altas horas depois do fecho, às vezes ajudado pelo toque discreto de um sino, história de me lembrar que sou marinheiro e tenho obrigação de saber o que são horários. A Sandra - uma miúda esguia, seca, daquelas feitas de aço inox - faz francesinhas, porque é do Por38

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to. Não sei julgá-las. Mas posso asseverar que as pataniscas de bacalhau não são nada más. O espaço é giro, amplo, não tem nada daquelas tascas para emigrantes das obras que durante tanto tempo era a única coisa de Portugal que se encontrava no estrangeiro. A selecção de vinhos é bastante decente e até há algum tempo havia medronho, mas não sei porquê acabou. Continuo com o Aurélio, dos Maños, no Mercat de l’Olivar, ponto de queda praticamente quotidiano quando regresso do PANDA, às vezes feliz e a precisar de celebrar, outras triste e a procurar apaziguar. As alegrias e as desilusões ali aportam quase todos os dias, filtradas (estas) ou ampliadas (aquelas) pelo longo trajecto de bicicleta desde Calanova. O Maños é o único restaurante ao qual eu vou e quem recebe a gorjeta sou eu: o Aurélio nunca me cobra tudo o que consumo. Ao princípio reclamava, mas agora deixei de o fazer. Não vale a pena. As tapas são de longe as melhores do mercado e a energia do Aurélio é contagiosa, vertiginosa. Aquele homem trabalha depressa, mesmo quando não tem ninguém (é raríssimo, admitidamente). Sugiro


o pica-pica, uma espécie de pica-pau feito com choco. É de cair, de chorar por mais, de se levantar à noite, de chorar por mais. Ainda no Mercat há o Lucca e a Silvia, onde por vezes almoço pasta fresca, feita por eles ali à nossa frente e a quem devo saber hoje que a bolognese não é nada do que até agora pensava. O stand chama-se Bottega Bolognese. Foi aqui que ocorreu uma das cenas mais cómicas da minha estadia em Palma: vejo que o prato do dia é carbonara e pergunto ao senhor (ainda não o conhecia) se põe natas no molho. Olhou para mim como se lhe tivesse perguntado em que esquina trabalha a mãe dele à noite. (Note-se que a pergunta é compreensível: Palma está cheia de alemães para quem uma carbonara sem natas é como cerveja sem espuma. Que fazer? Não se pode ter tudo, BMW e saber comer pasta. Mesmo ao lado fica o Cristian, dos Sabores del Mundo: tem a mais vasta colecção de especiarias que até hoje vi e sabe de todas. Não conhece as das Caraíbas, lapso que me comprometi a colmatar mal chegue à Martinique. É argentino até à medula, faz-me pensar numa piada sobre argentinos que não posso contar aqui e vende especiarias à tonelada por dia. A Núria, do (agora) Corner 37 e antes Latterio, é igualzinha à minha tia Lena, mas sabe infinitamente mais de vermutes. É uma senhora pequena, loira e viva como a chama trémula de uma vela numa corrente de ar e eu adoro-a, ela e o vermute La Madre, que me deu a conhecer e só por isso merece o céu. Por falar de vermutes: quem me iniciou na arte delicada, subtil, esquiva dessa bebida que hoje aprecio para cima de tudo foi o Jaume, da Bodega Can Rigo. O Jaume é um maiorquino de há não sei quantas gerações e sinto-me honrado quando ele me acolhe com a sobriedade densa, sólida, calada que é próprio das gentes desta terra. Acessoriamente, faz o melhor polvo à galega de Palma que comi fora da Coruña e albóndigas que rivalizam com as do Toni, do Café Santa Eulália (segredo: quem as faz é a mãe do Toni). Há alguns anos trouxe um barco de Brighton para aqui e em Lisboa os armadores embarcaram. A senhora fazia uma tortilha como eu nunca comi na vida e teve a gentileza de me ensinar

o truque: não cozer as batatas, mas confitá-las. Tentei várias vezes e nunca consegui reproduzi-las. No Toni comi uma tortilha igualzinha à dela. Contei-lhe a história e ele disse-me “Sim, é assim que a minha Mãe as faz. Confita-as, com cebola”. A armadora esquecera-se de me mencionar a cebola, certamente por inadvertência. A praça de Santa Eulália é outra daquelas praças de Palma da qual saímos mudados a cada vez que lá vamos, sobretudo quando se sabe que o imponente campanário caiu numa tempestade, nos anos sessenta. Há dias em que ao fim da tarde o Sol o incendeia como à catedral e pergunto-me se não terá sido isso que o fez cair. No caminho de casa, depois de deixar a bicicleta na garagem, ficam primeiro o Otaku e o seu saque higiénico – limpa tudo - e depois o Gustar. Não me acontece nem uma nem duas vezes eu passar, o Tom e o Fidel estarem a fechar a casa e obrigarem-me - este verbo é injusto - a beber uma grappa com eles e ali ficarmos a conversar de tudo e mais alguma coisa, como são as conversas de homens no fim das noites. Falta o Minyones, a Bodega Belver, o Sete Machos... O Sete Machos, meu Deus. Já lá entrei tantas vezes sóbrio. O restaurante La Fabrique, dos meus amigos Patrick e Hélène, ela ex-jornalista em Paris e ele restaurador em todo o lado. É esta a minha Palma e tenho provas disso: no outro dia, já não sei a propósito de quê, um dos donos do bar España (o mais novo, não passa dos sessenta e muitos) disse-me “tu no te preocupes, eres de la casa” e isto deve valer mais do que um passaporte da Cort. Qualquer dia, falo das ruas de Palma. E da Catedral, claro. Não é amanhã que iremos ao Panamá...

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