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Gazeta Rural nº 359

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Editorial - Será hora de voltar à terra?

Edição Especial – Olhar o país rural

Governo Regional suspendeu pagamento do selo Marca Açores

Unidade Agroindustrial em Proença-a-Nova atrai cada vez mais pequenos produtores

Produtores de cordeiro mirandês amedrontados devido à quebra de vendas Agricultura do sudoeste alentejano continua a alimentar o país

Agricultura reforça segurança alimentar para produzir mas escoa menos Produtores de Vila Pouca de Aguiar estão a apostar pela primeira vez na amêndoa Último Inverno foi o segundo mais quente desde 1931

Ficha técnica Ano XV | N.º 359 Periodicidade: Quinzenal Director: José Luís Araújo (CP n.º 7515) E-mail: jla.viseu@gmail.com | 968 044 320 Editor: Classe Média C. S. Unipessoal, Lda Sede: Lourosa de Cima - 3500-891 Viseu Redacção: Luís Pacheco Opinião: Paulo Barracosa | Rita Barata | Catarina Simões Departamento Comercial: Beatriz Fonte Sede de Redacção: Lourosa de Cima 3500-891 Viseu | Telefone: 232 436 400 E-mail Geral: gazetarural@gmail.com Web: www.gazetarural.com ICS: Inscrição nº 124546 Propriedade: Classe Média - Comunicação e Serviços, Unip. Lda Administrador: José Luís Araújo Sede: Lourosa de Cima - 3500-891 Viseu Capital Social: 5000 Euros CRC Viseu Registo nº 5471 | NIF 507 021 339 Detentor de 100% do Capital Social: José Luís Araújo Dep. Legal N.º 215914/04 Execução Gráfica: Novelgráfica R. Cap. Salomão, 121 - Viseu | Tel. 232 411 299 Estatuto Editorial: http://gazetarural.com/ estatutoeditorial/ Tiragem Média Mensal: 2000 exemplares Nota: Os textos de opinião publicados são da 4 www.gazetarural.com responsabilidade dos seus autores.

Projeto europeu quer partilhar práticas de prevenção e riscos em alterações climáticas

Turismo Centro de Portugal lançou a campanha “Haverá Tempo!”

FAO apela para o fortalecimento do sistema imunológico com uma dieta saudável Cabriz Reserva Tinto 2015 atinge a fasquia dos 92 pontos da Wine Enthusiast

Vinhos Borges premiados com cinco medalhas de Ouro em concurso internacional Gazeta Auto: Toyota Prius AWD-I

Cronicas Rural III: Um dia no monte - tensões e distensões


Editorial

Será hora de voltar à terra? V

ivemos um tempo novo, único na história, o que nos faz pensar e pensar muito. Ao longo de muitas décadas, para não dizer séculos, Portugal foi-se tornando um país inclinado, à beira-mar plantado, com as pessoas a deixarem o interior e a deslocarem-se para o litoral. Era o tempo da procura de melhores condições de vida, com emprego estável e duradouro. Só que esse tempo há muito que ficou para trás, para além de que “emprego estável e duradouro” já era, já não existe. Nas últimas décadas muito se falou da desertificação do interior, do abandono da terra e da falta de condições no interior para uma vida digna. Os sucessivos governos foram dando uma ajuda, suprimindo serviços essenciais, fechando escolas, deixando as pessoas destas regiões cada vez mais ao abandono. No meio desta ‘cruzada’ contra o meio rural, salvaram-se os autarcas que, contra ventos e marés, foram dando esperança às suas gentes, procurando as soluções possíveis, outras ‘inventadas’ e que estavam à mão de semear, para que os seus concelhos não ficassem mais desertificados. Aqui chegados, o momento é, acredito, de clara mudança. O estilo de vida a que estamos habituados vai mudar, vai ter que mudar. O coronavírus trouxe à tona uma nova realidade e obriga-nos a estar mais atentos e preocupados com o fazemos e com a vida que levamos. O que sabemos é que há hoje condições de retorno à terra e ela vai fazer-se de forma, diria, quase obrigatória. A era tecnológica em que vivemos e o teletrabalho, hoje tão em voga, vão permitir que muitos daqueles que hoje habitam as grandes cidades possam laborar no recato de um qualquer lugar do interior do país, que hoje oferece condições de vida muito melhores que as cidades, sejam elas do litoral ou mais do interior. Aliás, o exemplo tem sido dado pelos muitos estrangeiros que ao longo dos últimos anos se têm instalado no interior do nosso país. Basta estar atento para perceber esta evidência. Saúde para todos. José Luís Araújo www.gazetarural.com

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Edição Especial

O presente e o futuro: Visão global A hora é de olhar o presente, mas também, e muito mais importante, pensar no futuro. Neste sentido, a Gazeta Rural decidiu percorrer o país e perceber o que se passa em cada região e os efeitos que a pandemia está a ter em diversos sectores. Assim, colocámos três questões, com respostas breves, a autarcas, dirigentes associativos e organizações ligadas ao meio rural. Esperamos, com isto, dar um contributo para perceber melhor o momento que o país rural atravessa. Nota: As respostas publicadas seguem a ordem de chegada.

Câmaras Municipais

I - Que efeitos está a ter a actual situação no concelho? II - Esta situação pode vir a provocar uma ‘fuga’ das pessoas dos grandes centros para o interior do país? III - Sendo uma situação inusitada, que mudanças antecipa no futuro próximo?

“Temos

que investir num

futuro onde as pessoas sejam uma prioridade”

I - O concelho de Penalva do Castelo não tem nenhum caso positivo de infeção do novo coronavírus (27/03/2020). As pessoas têm seguido todas indicações da Direção Geral de Saúde e a Câmara Municipal e todos os agentes de Proteção Civil (Bombeiros Voluntários e GNR) e instituições de saúde tudo estão a fazer no sentido de acompanhar a situação, como se impõe, em vários sentidos. Continuamos a manter a estreita colaboração com as Entidades referenciadas anteriormente, Juntas de Freguesia, Centros de Dia, Lares de Idosos, Farmácias, continuando a fazer visitas e contactos regulares com os idosos referenciados, além da adicional entrega de compras e medicação, caso essa seja uma necessidade dos mesmos. 6

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II - Penso que não será uma “fuga”, mas sim um mudar de vida. Nos últimos tempos já têm vindo a instalar-se várias pessoas no nosso território. Umas iniciaram o trabalho na agricultura, outros continuaram o trabalho dos pais e avós. Outros há que abriram os seus próprios negócios. O interior do país tem muito para oferecer… III - Isto só nos vem alertar que devemos todos adotar medidas preventivas. Temos de estar mais atentos a situações como esta e investir num futuro onde as pessoas e o seu bem-estar sejam uma prioridade. Estes casos, infelizmente, serão cada vez mais regulares, pelo que temos que estar preparados para dar uma resposta mais rápida e sem perda de vidas humanas. Francisco Carvalho Presidente da Câmara de Penalva do Castelo


“As marcas desta crise

irão ficar bem definidas” I- Enquanto responsável pelos destinos da Câmara Municipal de Ourém e em sintonia com a estrutura regional em que este Município se integra (Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo – CIMT) estamos muito preocupados com toda a situação que se está a viver, mas totalmente empenhados em contribuir para a inversão deste cenário inquietante, pelo que temos apelado ao Governo da República e à Administração Regional de Saúde (ARSLVT) para que possamos ter acesso a uma maior capacidade para a realização de testes no âmbito desta pandemia, em articulação com as demais entidades competentes na matéria. O Município de Ourém e a CIMT estão disponíveis para colaborar no sentido de encontrar soluções para amenizar as consequências da epidemia, agradecendo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por todos os profissionais da área da saúde e da Proteção Civil, apelando para que seja mantida a serenidade e para que todos possamos, efetivamente, seguir as orientações decorrentes da Direção Geral da Saúde, adotando medidas e recomendações capazes de minimizar a propagação da COVID-19. II - Pode-se verificar a tentação da transferência dos fluxos internos de população das grandes cidades para o interior, em situação de crise como a que atravessamos, embora não me pareça que tal se justifique com alguma razoabilidade. Admito que quando foi noticiado que seria decretado o “estado de emergência” terá havido a tentação de um deslocamento em massa das grandes cidades, para o interior, onde, aparentemente, a disseminação do coronavírus estaria mais controlada, mas não creio que tal

se tenha verificado, pelo menos de forma notória no Município de Ourém. O mesmo não direi dos nossos compatriotas emigrados, que por força das contingências sofridas nos países de acolhimento, têm regressado ao nosso Município e aos quais temos dirigido uma campanha de sensibilização para a necessidade do seu recolhimento domiciliário. O mesmo tem sido feito em língua inglesa e francesa, através da afixação de cartazes específicos, em locais estratégicos, dirigidos aos cidadãos estrangeiros. III - Ainda que sem sustentação científica e/ou estatística, creio que as marcas desta crise irão ficar bem definidas na nossa estrutura económica, no emprego, nos mercados e na evolução das preferências e comportamentos da sociedade, após este isolamento em casa, o que poderá dar lugar a incertezas e à procura de maior segurança, um pouco como aconteceu no pós-crise de 2008. Nesse sentido, sabemos que a compra de produtos online e o recurso a várias plataformas para teletrabalho estão a reeducar os hábitos sociais e a provocar uma mudança mais rápida na digitalização. Acredito que esta crise sanitária está a criar novas formas de aprendizagem da gestão das emoções, reforçando o papel dos relacionamentos, da construção de valores nas equipas e nas empresas e na importância do trabalho em conjunto, para superar as adversidades. O Município de Ourém estará sempre disponível na medida das suas competências, quer na adversidade, quer na fase recuperação que, acredito, irá acontecer. Luís Miguel Albuquerque Presidente da Câmara Municipal de Ourém www.gazetarural.com

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“Município de Anadia está atento e a procurar soluções”

I - Ainda é muito cedo para fazer um balanço relativo aos efeitos, a curto e a longo prazo, da pandemia de Covid-19 no concelho de Anadia. Sabemos, para já, que a economia local está a ser afetada, que o rendimento de alguns munícipes diminuiu, que o facto de as escolas terem sido encerradas torna a vida dos estudantes, e respetivas famílias, mais difícil, etc., mas tudo isto tem solução. O Município de Anadia está atento e a procurar soluções para fazer face a estes efeitos negativos. II- Creio que sim. Esta é uma realidade que se verifica a nível mundial. Em tempo de incertezas e medos, as pessoas regressam às origens, em busca de maior proteção e também de aconchego familiar. Além disso, sendo este um vírus transmissível de pessoas para pessoas, procura-se maior segurança em locais com menor taxa popu-

“Temos como dado adquirido de que o impacto será muito negativo”

I - O concelho de Carregal do Sal tem, em cada um dos munícipes, um agente da Proteção Civil para enfrentar um inimigo que, além de silencioso, se tem mostrado inteligente e severo nos seus efeitos. Não podemos baixar os braços, pelo que o conjunto das medidas profusamente divulgadas pelos agentes da Proteção Civil, com especial enfoque para as que foram e são emanadas da Direção Geral da Saúde e das Autoridades de Saúde, têm merecido acolhimento e atenção de todos sem exceção. Somos um concelho pequeno, mas somos também um concelho de gente respeitadora e solidária. À semelhança do que se passa no País e no Mundo, o concelho de Carregal do Sal está, com as exceções permitidas no Estado de Emergência, inativo nas suas atividades sócio económicas e tudo está a fazer para debelar e vencer o COVID-19. Sem ser possível quantificar, apenas temos como dado adquirido de que o impacto será muito negativo, no seio sócio económico de todos e também das famílias, mas acreditamos também na têmpera destas gentes beirãs que, logo que seja possível, olharão em frente e irão prosseguir com mais afinco e mais 8

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lacional. No entanto, como tem vindo a ser divulgado por autoridades competentes na matéria, esta é uma péssima altura para deslocações. As pessoas devem permanecer no local onde residem até ordens em contrário, para proteção própria e de terceiros. III - Haverá certamente uma mudança substancial no orçamento municipal deste ano. Perante esta pandemia, que também afeta o concelho, é imprescindível haver um reforço no apoio à segurança e à saúde, mas também à economia local. Foram já suspensos/cancelados muitos dos investimentos imateriais programados e adiaremos outros que estavam previstos para este ano. Desta forma, teremos tempo e folga orçamental para, de forma responsável, sustentada e orientada, tomar medidas e decisões, alicerçadas em propostas do Governo, para minimizar os efeitos da pandemia. Maria Teresa Belém Cardoso Presidente da Câmara de Anadia

II - Sim, a situação vivida em Portugal pode gerar uma “fuga” dos grandes centros para o interior do país, nomeadamente das pessoas que têm casa própria em aldeias deste concelho. O que lhes é pedido, neste momento, é que sejam responsáveis e que cumpram, escrupulosamente e com muito rigor, as ordens e diretivas emanadas de modo a que cada um de nós possa cuidar de si e dos que nos rodeiam. III - Estamos conscientes de que passada que esteja esta catástrofe, a nossa consciência coletiva há de ditar, para o futuro, comportamentos diferentes em que os valores da vivência comunitária serão mais valorizados e tornar-se-ão mais capazes e mais presentes em cada um de nós, independentemente do nosso maior ou menor contributo social. Como já foi veiculado, não podemos voltar ao dantes, pois as mudanças terão de acontecer, como forma única de garantir a sobrevivência de todos e de cada um de nós, nesta luta e em tantas outras que, necessariamente, são emergentes para a sustentabilidade do nosso Planeta. Ana Cristina Silva Sousa Borges Vereadora da Câmara de Carregal do Sal


“Nada será como dantes” I - Nesta data, (30 de Março de 2020), infelizmente temos dois casos confirmados de COVID-19 no concelho de Pinhel. Espero que este número não aumente de forma drástica e que, tanto a nível regional como nacional, os números possam vir a refletir as medidas de prevenção que estão a ser implementadas. A nível mundial também é esse o meu desejo, mas estou consciente que a situação ainda vai piorar para depois melhorar. No que diz respeito ao Município de Pinhel, estamos atentos e ativos desde a primeira hora, tendo implementado progressivamente uma série de medidas que esperamos estarem a contribuir para evitar a entrada do vírus na nossa comunidade. A hora é de vigilância e responsabilidade e todos podem fazer a sua parte. II - Essa é uma realidade com a qual nos vemos confrontados e para a qual temos vindo a apelar ao sentido de responsabilidade de cada um. Ou seja, tendo em conta que dificilmente podemos impedir as pessoas de voltar à sua terra, o que pedimos é que as pessoas que vêm de fora (sejam emigrantes ou pessoas residentes noutras zonas do País) cumpram rigorosamente o iso-

lamento profilático de 14 dias a contar do dia de chegada. É a saúde de todos que está em causa e espero sinceramente que as pessoas percebam a importância de cumprir esta medida. III - O futuro próximo ainda é muito incerto, para todos nós… para Pinhel, para o País, para o Mundo. O que vamos tomando consciência é de, daqui para a frente, nada será como dantes. Num espaço muito curto de tempo já tivemos de mudar hábitos, comportamentos, formas de trabalho… enfim… muitas mudanças, mas creio que ainda vai haver muitas mais. Como disse, penso que o futuro ainda é muito incerto, mas também acredito que cada um de nós pode fazer um pouco mais para travar esta pandemia, de modo a que possamos voltar a ter alguma normalidade o mais brevemente possível. A mensagem que quero deixar é de esperança, mas sobretudo um apelo à responsabilidade e ação preventiva de todos, pelo bem de todos. Rui Ventura Presidente da Câmara de Pinhel

“A mudança passa pela construção de uma sociedade mais saudável e sustentável”

I - Idanha-a-Nova está em situação de Alerta Municipal, determinada pela ativação do Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil. A Câmara Municipal tem procurado mitigar as consequências do Covid-19, através do apoio e colaboração com as autoridades de saúde, segurança e socorro, da ação social, tecido empresarial e população em geral. O mais importante é que as pessoas fiquem em casa, tanto quanto lhes for possível. II - Esperemos que isso não aconteça no contexto da fuga a esta pandemia. Todas as pessoas que cheguem ao concelho, vindas de outros municípios ou do estrangeiro, devem cumprir o isolamento social e informar as entida-

des locais da sua chegada. É obrigatório para impedir a propagação do novo Coronavírus. III - A mudança passa pela construção de uma sociedade mais saudável e sustentável, uma estratégia em que Idanha tem sido precursora. Fomos a primeira Bio-Região em Portugal, apostamos na economia verde e temos o nosso projeto Green Valley Food Lab. Estamos a demonstrar que é possível equilibrar uma produção alimentar de qualidade com a sustentabilidade ambiental para proteger o ecossistema e combater as alterações climáticas. Armindo Jacinto Presidente da Câmara de Idanha-a-Nova www.gazetarural.com

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I - Que efeitos está a ter a actual situação no concelho? II - Esta situação pode vir a provocar uma ‘fuga’ das pessoas dos grandes centros para o interior do país? III - Sendo uma situação inusitada, que mudanças antecipa no futuro próximo?

“As mudanças forçadas pela pandemia serão permanentes e provocarão mudanças radicais no nosso dia a dia”

I - Os efeitos normais para uma situação sem precedentes como esta. Existe uma natural apreensão por parte da população, porque esta é uma situação nova, mas as pessoas estão a encarar o problema com algum positivismo, acatando as recomendações da Autoridade de Saúde Regional, confiantes que nas próximas semanas a situação poderá ser minimamente normalizada e que vamos vencer a guerra contra o novo coronavírus. A recomendação para que permaneçam em casa é visível nas ruas das cinco freguesias do concelho, que estão despidas de pessoas. O movimento está reduzido ao essencial, nomeadamente a quem continua a trabalhar e à atividade agrícola, bem como à aquisição de bens e serviços indispensáveis à vida de cada um, tais como combustíveis, supermercado, medicamentos e produtos de panificação. A Câmara de São Roque do Pico tem incentivado as pessoas a permanecerem em casa, encerrando os seus serviços e disponibilizando, através do Gabinete de Ação Social, apoio a idosos e grupos de riscos na aquisição e entrega de bens alimentares, de higiene e medicação, além de ter alargado o prazo de pagamento de licenças e outras contas do Município. II - Não me parece. Apesar do novo coronavírus ter vindo para ficar no léxico da população mundial e de poder provocar a crise mais cara de toda a História, acreditamos que com calma e ponderação será possível ultrapassar este momento difícil e, aos poucos, as pessoas poderão regressar às suas rotinas diárias, beneficiando dos apoios governamentais que estão e que 10

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serão criados para manter dinâmica económica. No entanto, sente-se um ambiente de medo em relação ao futuro, sobretudo em relação ao emprego. Se nos grandes centros acontecer um assombroso crescimento da taxa de desemprego, as zonas do interior e regiões insulares, como Açores e Madeira, também não terão capacidade para absorver essa mão de obra. Estou convicto que, com maior ou menor dificuldade, as pessoas vão permanecer onde já têm raízes profissionais e pessoais. III - O maior medo das pessoas é exatamente esse: o dia seguinte ao coronavírus. Nesta fase temos de viver um dia de cada vez. É extremamente difícil, se não mesmo impossível, comparar os efeitos da pandemia provocada pelo Covid-19, com outras situações anteriores. Nesta fase é prematuro antecipar muitos cenários porque estamos com as atenções centradas em evitar a propagação do vírus e a pensar na ajuda que podemos garantir às famílias e às empresas. Temos plena consciência que podemos estar perante uma crise com efeitos dantescos na economia e na sociedade à escala global, à qual não escapará um Município como o de São Roque do Pico. No entanto, só no final de 2020, e já num hipotético cenário mais tranquilo, é que será possível perceber o mundo que vamos ter. Mas estou ciente que, depois de ultrapassada esta crise, as mudanças forçadas pela pandemia serão permanentes e provocarão mudanças radicais no nosso dia a dia, obrigando a adotar novos hábitos de segurança, de consumo e de trabalho. Mark Silveira Presidente da Câmara de São Roque do Pico


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Edição Especial

Agricultura I - Que efeitos está a ter a actual situação no sector? II - O sector tem respondido de forma afirmativa. Quer dizer que está bem preparado? III – Sendo uma situação inusitada, que vai obrigar a muitas mudanças, como antecipa o futuro próximo?

“Vemos com alguma preocupação o futuro próximo”

I - A agricultura é um sector estruturante nos Açores e nesta fase extraordinária assume ainda maior importância. Apesar das medidas implementadas que têm introduzido uma perturbação natural da atividade social (e.g. isolamento social e quarentena) e económica, nomeadamente o encerramento de empresas e de serviços públicos não essenciais, tem existido uma articulação para que os produtores possam cumprir a sua rotina, as indústrias e os matadouros estejam em funcionamento, mesmo com planos de contingência para que todos os açorianos tenham alimento à sua mesa. II- O sector é muito dinâmico que facilmente se adapta. Neste caso, o desafio é ver até que ponto as tarefas diárias serão afetadas com o prolongamento do estado de emergência. Tendo a Região uma vocação naturalmente produtiva na área dos lacticínios e do sector da carne bovino a autossuficiência está garantida, mas é importante que a expedição continue a funcionar para o território continental de modo a reforçar o abastecimento. III - É naturalmente prematuro fazer previsões uma vez que a situação parece longe de estar resolvida e por isso não temos uma data a partir da qual tudo volte à dita normalidade. Por isso o fator tempo (i.e. duração) acarreta outras incertezas e naturalmente preocupações sociais e económicas. Quanto mais tempo durar esta 12

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“guerra” mais efeitos nefastos terá para o país e para os Açores em particular. Mas a problemática é global e isso introduzirá perturbações profundas. Sendo a Região muito dependente de fatores de produção e do seu transporte, vemos com alguma preocupação o futuro próximo, caso se verifique constrangimentos na disponibilidade e circulação de bens e fatores de produção na União Europeia ou das importações de países terceiros, como por exemplo de cereais. Depois do COVID-19 virá a crise económica e por isso é imperioso criar mecanismos de apoio à agricultura e aos seus profissionais, quer a nível nacional quer da União Europeia. Os agricultores necessitam de liquidez, não de linhas de crédito com juros bonificados. Reivindicamos que sejam deferidos os pagamentos à Segurança Social e os pagamentos por conta, assim como o adiantamento dos pagamentos diretos do POSEI-Açores e alguns do Programa de Desenvolvimento Rural. Perante todas as incertezas a curto ou longo-prazo uma coisa é certa, os agricultores continuarão, como sempre tem sido, com o seu empenho, esforço e tenacidade a trabalhar para abastecer as comunidades a defender intransigente o Mundo Rural, premissas que são o garante do desenvolvimento de todos os outros sectores da atividade económica. Jorge Rita Presidente da Federação Agrícola dos Açores


“Iremos ultrapassar esta situação, mas os danos económicos serão

equilíbrio da balança comercial agro-alimentar, substituindo importações por produção nacional e aumentando as exportações.

I- O setor está a reagir com normalidade, independentemente de problemas pontuais que possam ir surgindo. No entanto, as dificuldades que são transversais à generalidade da atividade económica irão, como é óbvio, abater-se também sobre este setor.

III - Creio que iremos ultrapassar esta situação, como dizem a generalidade dos observadores, mas os danos económicos serão inevitáveis. Compete às autoridades estabelecer medidas equilibradas, de forma a que as empresas possam manter a sua atividade e recuperar da melhor forma possível, porque disso depende tudo o resto.

inevitáveis”

II- O setor está a responder de forma afirmativa e tem estado a crescer ao longo dos últimos anos, contribuindo de forma significativa para o PIB nacional e para o

“É tempo de ver a importância dos setores da agricultura e da alimentação”

I - Em primeiro lugar referir que este é o tempo de fazer ver a toda a sociedade a importância que o setor da agricultura e da alimentação tem e de como as opções dos consumidores são importantes na manutenção de um setor imprescindível e insubstituível. Os impactos são diferenciados consoante os setores e a forma de organização do escoamento da produção. Aqueles que estão ligados à distribuição organizada, com maior ou menor dificuldade, tem conseguindo escoar a produção. Há, depois, um grande número de pequenos e médios produtores que vendem os seus produtos em mercados de proximidade ou de produções muito dirigidas para a restauração que estão a sofrer um forte impacto. Na região Centro os sectores com maiores impactos imediatos são a produção de leite de cabra e ovelha destinados à produção de queijo, a produção de leitão, flores de corte, em que a procura é praticamente nula e, de uma forma geral, os produtos em que a estratégia

Luís Mira - Secretário-Geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP)

dos produtores assentava na espectativa de aumento da procura e correspondente valorização habitual no período da Páscoa. II - O setor tem feito um enorme esforço, nomeadamente através de estratégias de adaptação produtiva, de abates para congelação, secagem de leite, e outras, que face à dimensão e impacto de uma situação desta natureza nenhum setor de atividade se pode considerar devidamente preparado. O Governo tem recorrido a diversas formas de apoio para apoiar a continuidade da produção, nomeadamente injetando liquidez no setor e simplificando um conjunto de procedimentos no âmbito do programa de desenvolvimento rural. III - Enfrentado a adversidade com um olhar de esperança. Começam a surgir soluções inovadoras de venda e entrega direta aos consumidores, que devemos aproveitar para consolidar, numa verdadeira organização de circuitos curtos de comercialização envolvendo os atores de proximidade. O futuro passará por aí e bem como por outras opções que que deixem o setor menos vulnerável. Fernando Martins Diretor Regional de Agricultura e Pescas do Centro www.gazetarural.com

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Edição Especial

Azeite I – Que efeitos está a ter a actual situação no sector do azeite? II – O sector tem respondido de forma afirmativa. Quer dizer que estava bem preparado? III – Sendo uma situação inusitada, que vai obrigar a muitas mudanças, como antecipa o futuro próximo?

“As vendas no canal Horeca e no retalho caíram a pique” I - A par do que aconteceu em Espanha, a primeira semana de crise com o Coronavirus fez “disparar” as vendas de azeite nas grandes superfícies, sobretudo no momento em que os portugueses perceberam que iam ficar em casa durante muito tempo e foram efectuar compras de bens alimentares. Na semana passada, as compras de azeite, pelas grandes superfícies, aumentou, sobretudo para repor stocks. Mas este foi um efeito positivo momentâneo. Entretanto as vendas no canal Horeca e no retalho, sobretudo no pequeno retalho, caíram a pique, tendo mesmo estagnado, pois a quase totalidade destes estabelecimentos está encerrado. As exportações também abrandaram, pois os mercados aguardam a retoma económica após o fim desta lamentável crise. No que concerne ao campo, propriamente dito, as preocupações têm sido ao nível da disponibilidade actual e futura de factores de produção. Até ao momento ainda não foram sentidas na região dificuldades na mão-de-obra agrícola, sendo que as empresas estão a pôr em prática os conselhos da DGS acerca da Plano de Contenção do COVID19. II- Nenhum sector estava ou está preparado para esta situação. A actividade agrícola é um desafio constante e, portanto, os olivicultores rapidamente se adaptaram a esta nova situação, colocando em prática as recomen14

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dações da DGS no que concerne à realização dos trabalhos agrícolas. III - Esta crise faz-nos efectivamente reflectir, mas também demonstra a extrema importância que as produções agrícolas nacionais têm no abastecimento da cadeia alimentar nacional. É importante que os consumidores também façam uma reflexão e passem a comprar cada vez mais produtos agrícolas nacionais, contribuindo assim para a sustentabilidade agro-ecológica de todo um vasto território, mas também para a sustentabilidade de todo um sector que trabalha arduamente de sol a sol para obter da terra produções de excelência com segurança alimentar, que depois serão comercializadas nos mais distintos mercados. Temos que nos “descobrir” enquanto produtores e encontrar formas alternativas de conseguir chegar de um modo eficaz aos consumidores, levando os produtos directamente do campo para a mesa (Farm-to-Table ou Farm-to-Fork) É difícil, ou mesmo impossível, antecipar o futuro próximo. Contudo é certo que os agricultores continuarão a trabalhar, dia após dia, para garantir que no final do ciclo produtivo consigam obter excelentes produções em termos de quantidade, mas sobretudo em termos de qualidade. Francisco Ataíde Pavão Associação dos Produtores em Protecção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro (APPITAD)


Edição Especial

“Não antecipamos impactos muito negativos nos próximos tempos”

I - Após um período inicial em que houve um acentuado pico de consumo de azeite, principalmente através da grande distribuição, nos últimos dias a situação já está mais normalizada, não se verificando alteração significativa nas vendas de azeite em relação ao que normalmente ocorre. Em relação ao canal HORECA aí sim, nota-se uma quebra muito acentuada nas empresas que forneciam preferencialmente o sector da restauração, caterings e hotéis. II - Em termos de produção nacional, a última campanha foi a maior desde que há registos sistemáticos, ou seja, desde o início do século XX. Os números ainda não são finais, mas o INE aponta para um aumento de 45% em relação à campanha anterior, para valores da ordem das 145.000 toneladas, ou talvez até um pouco superiores. Portanto, em termos de matéria-prima somos excedentários em relação ao consumo no mercado interno.

Por outro lado, este sector é hoje um sector dinâmico e moderno, capaz de responder com muita rapidez e eficácia às alterações do mercado, mesmo quando se trata de situações completamente anormais, como as que se vivem no actual momento. III - No que a este sector diz respeito, felizmente não antecipamos impactos muito negativos nos próximos tempos. Obviamente que tudo dependerá do tempo que demore até esta situação se normalizar, poi no que diz respeito ao fornecimento de alguns materiais subsidiários, por exemplo (embalagens, cásulas, etc) existem importantes fornecedores de Itália e Espanha, pelo que poderá haver alguma situação pontual de quebra desses materiais se se mantiver a situação de pandemia por muito tempo. Mas em princípio não se antevem problemas de maior, o sector está preparado e a funcionar normalmente. Mariana Matos Secretário-geral da Casa do Azeite - Associação do Azeite de Portugal

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Edição Especial

“O sector tem respondido de forma afirmativa” I - O período de exposição à pandemia COVID-19 é ainda curto para se poder retirar conclusões definitivas sobre a situação do sector. Os planos de contingência das empresas do sector foram aplicados atempadamente e estão a ser respeitadas as normas da DGS, como as distâncias de segurança no campo ou o uso de máscara e luvas para o embalamento. As transações mantêm-se com o ritmo normal, registando-se alguma demora no levantamento do azeite a granel, devido às dificuldades de algumas empresas de transportes, sendo que no azeite engarrafado os contentores estão a sair com normalidade. II - A pandemia acontece numa altura do ano em que o sector está em velocidade de cruzeiro com a venda de stocks da última campanha, podas e tratamentos. A colheita vai iniciar-se em Outubro e esperemos que até aí a situação já se tenha normalizado e que tudo possa decorrer sem problemas. O sector tem respondido de forma afirmativa porque é muito organizado e de grande relevância, pois representa 10% da economia agroalimentar portuguesa, contribuindo anualmente com 620 milhões de euros para a economia portuguesa, contrariando o desequilíbrio estrutural da balança agro-alimentar portuguesa com 500

ADD - Venha à descoberta… 16

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milhões euros em exportações e assegurando 32 000 postos de trabalho. Neste período difícil em que vivemos, a Olivum decidiu ir mais longe, disponibilizando-se a colaborar com as autoridades, colocando à disposição recursos técnicos para lavagem, higienização e desinfeção de ruas nos centros urbanos. III- Uma resposta perentória nesta altura é impossível e, por isso, o sector quer sobretudo ser realista, afastando o alarmismo, mas começando desde já a testar cenários potenciais juntos das autoridades. Os problemas que se poderiam vir a colocar a médio prazo no contexto do estado de emergência são os seguintes : 1) Livre circulação de mercadorias através de limitações à circulação de transporte rodoviário e marítimo para abastecimento de fatores de produção e transporte de azeite a granel ou engarrafado; 2) Livre circulação de serviços através de limitações à entrada de meios técnicos nacionais ou estrangeiros; 3) Livre circulação de pessoas através da limitação à circulação de trabalhadores nacionais ou estrangeiros. Gonçalo Almeida Simões Diretor Executivo da OLIVUM – Associação de Olivicultores do Sul


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Edição Especial

Setor do Vinho I - Que efeitos está a ter a actual situação no sector do vinho? II - Que repercussões esta crise pode ter para o sector, nomeadamente nas exportações? III - Sendo uma situação inusitada, que mudanças antecipa no futuro próximo?

“Medidas de contingência para os vinhos desejam-se!”

I- Na minha opinião a crise instalou-se profundamente e vai ser bastante difícil a sua recuperação. Obviamente que dependemos um pouco do que for a colheita de 2020, mas a situação já neste momento é bem complicada! II - Nas exportações o que se nota, dependendo dos mercados, é um adiamento de encomendas e sem compromissos, uma reacção negativa face à incerteza que existe hoje e a dependência de algumas moedas em re-

“Vamos viver um período de dificuldades económicas muito significativas”

I - Os efeitos notam-se sobretudo na parte comercial, uma vez que a viticultura continua a operar. Porventura com redução, mas em funcionamento. As vendas estão muitíssimo prejudicadas. Diria que, no mercado interno, garrafeiras e restaurantes pararam de vender vinho. As grandes superfícies ainda o fazem, em pequenas quantidades, e estão a reduzir stocks pois precisam do espaço de armazém e de logística para bens alimentares. Se para os grandes produtores é uma situação difícil, para os mais pequenos o negócio parou. 18

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lação ao dólar e ao euro. A incerteza é a maior inimiga da economia! III - As mudanças que prevejo é uma quebra nos preços de comercialização em todos os mercados. É um facto que vai haver excedentes de stocks nos países produtores e vinho e, aproximando-se as colheitas haverá que escoar as existências. Medias de contingência para os vinhos desejam-se! Fernando Figueiredo Presidente da UDACA e Adega de Silgueiros

II - Há problemas logísticos e há o fecho de cada mercado perante a onda de Covid-19. Por exemplo, neste momento, os Estados Unidos e o Reino Unido afundam, mas, em contrapartida, os mercados asiáticos serão os primeiros a sair desta crise. III - Claramente vamos ter um 2020 desastroso e um 2021 fraco. Após a Covid-19 vamos viver um período de dificuldades económicas muito significativas. Temos de perseverar e aproveitar todos os negócios que se possam abrir. A ideia de que, após a Covid-19, tudo voltará rapidamente ao normal, parece-me completamente infundada. Manuel Pinheiro - Presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes


“Antecipamos uma quebra significativa de vendas” I - Relativamente à Região Vitivinícola do Algarve, e tendo em conta o encerramento dos principais locais de venda, restaurantes e hotéis, nota-se uma redução significativa de vendas. Sendo a comercialização dos Vinhos do Algarve realizada essencialmente ao nível regional, e estando o nosso negócio bastante dependente do setor Horeca, antecipamos uma quebra significativa de vendas, a somar à quebra dramática do turismo.

“É prematuro vislumbrar o que se vai passar, mas as perspetivas são sombrias”

I- Para já podemos dizer que o mercado do vinho está em parte parado e em parte expectante, sendo claro que o chamado Canal HORECA, onde predominam os vinhos de qualidade premium e gamas superiores, está praticamente bloqueado devido ao encerramento da restauração. II - Só depois de termos uma ideia mais precisa da evolução da doença no mundo inteiro, designadamente fins de ciclo, terapêutica, vacinação, etc., é que poderemos ter expetativas em retomar a normalidade no mercado das exportações. Temos que ter a esperança de que isto passe. Se assim for, teremos condições para retomar o processo de internacionalização, em que éramos muito fortes antes da crise. III - É prematuro vislumbrar o que se vai passar. Mas no momento as perspetivas são sombrias. Acho que o Governo tem que preparar um pacote de medidas con-

II - Para outras regiões com maior destaque na área das exportações, as repercussões serão certamente mais significativas. No Algarve, a exportações de vinho de qualidade representam 15% do volume total comercializado, com destaque para o mercado europeu. Dada a evolução da pandemia no continente europeu, a sofreremos quebras nas exportações. Sara Silva Presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve

sistente para acudir às empresas. As medidas específicas que foram tomadas referem-se apenas aos projetos do PDR, VITIS E COM. De resto, são as medidas horizontais do acesso ao crédito e do layoff. Ora, isto é pouco mais do que nada face à situação do mercado parado e da pequeníssima dimensão da esmagadora maioria das empresas do setor. Com as próximas vindimas daqui a menos de cinco meses, vamos ter uma situação gravíssima com o preço das uvas se não escoarmos os stocks da última colheita. Nesta matéria a medida que me parece, de longe, mais eficaz é o Governo articular-se com os seus homólogos da U.E. e negociarem com a Comissão Europeia uma operação especial de intervenção no mercado do vinho a granel para destilação. Na verdade, se os grandes granéis, designadamente de Espanha, Itália e França, não forem escoados, teremos uma situação catastrófica no setor. Denotar que esta operação também se justifica face à situação de escassez de álcool e ao combate às práticas de especulação do mercado do álcool, que estão a assumir proporções gravíssimas. Arlindo Cunha Presidente da Comissão Vitivinícola Regional do Dão www.gazetarural.com

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Sector florestal

I - Que efeitos está a ter a actual situação no sector florestal? II - Que repercussões esta crise pode ter para o sector? III - Sendo uma situação inusitada, que mudanças antecipa no futuro próximo?

“Receamos que esta pandemia limite alguns projectos associados à conservação”

I - Não será diferente de muitos outros sectores que estão a ser impactados com esta pandemia. Embora tenham sido publicadas recentemente algumas medidas de apoio à floresta, a sua execução será condicionada, comprometendo o investimento no sector. II - Certamente que ao nível do investimento se irá repercutir nas diversas áreas. Quando referimos investimento, não falamos apenas de recessão económica, mas também do impacto que este terá em termos sociais e ambientais. O sector florestal tem um tecido empresarial fragmentado, dominado por PME´s, trabalho subcontratado e em alguns casos sazonal, e estas pessoas vêem agora as suas actividades limitadas. Numa altura que se que fala-

va tanto em valorizar os Serviços de Ecossistemas, receamos que esta pandemia também limite alguns projectos associados à conservação. III - O futuro está ainda muito incerto, mas temos recebido mensagens positivas de algumas Organizações que consideram que o FSC poderá ampliar o seu âmbito depois desta crise global. É curioso como se tem falado tanto de floresta nestas últimas semanas, mesmo que indiretamente… papel higiénico, máscaras, filtros, embalagens. É preciso que essa produção esteja em equilibro com a natureza e que salvaguarde os direitos das pessoas. As alterações climáticas continuarão a fazer parte dos grandes debates a nível mundial, assim como justiça económica, biodiversidade e meio ambiente, e o FSC desempenha aqui um papel fundamental. Joana Faria Secretária Executiva da FSC Portugal – Associação para uma Gestão Florestal Responsável

Leite e Queijo

I - Que efeitos está a ter a actual situação no sector do leite e queijo? II - Sendo uma situação inusitada, que mudanças antecipa no futuro próximo?

“A Europa tem de e apoiar a redução de

municar medidas de segurança. Aumentou a procura de vitelos (por haver maior saída de vitelão) e há receios sobre desvalorização da carne de vaca.

I - De momento, temos apenas noticia de dificuldades pontuais em pequenas queijarias, vocacionadas para a restauração. As maiores indústrias lácteas de Portugal têm o leite UHT como principal produto e todos vimos como o leite foi uma natural opção de compra para os portugueses, uma opção natural por ser um alimento completo, económico, fácil de armazenar e com um longo prazo de validade. Cooperativas, empresas fornecedoras de fatores de produção e prestadores de serviços estão a adotar e co-

II - Parece haver uma tendência de baixa de preço no mercado global de lácteos. Esperamos que não aconte- ça em Portugal, porque já temos o terceiro preço mais baixo da Europa ao produtor e não temos a almofada que outros puderam fazer nos últimos anos. É importante não haver especulação de preço ao consumidor, nem esmagar o produtor. A Europa tem de monitorizar o mercado e apoiar a redução de produção, se for necessário, por dificuldades na exportação. Carlos Neves Secretário-Geral da APROLEP

monitorizar o mercado produção”

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Até 31 de Dezembro deste ano

Governo Regional suspendeu pagamento do selo “Marca Açores” O

Governo Regional suspendeu o pagamento do selo “Marca Açores”, quer para as empresas que já são aderentes e renovam anualmente este certificado, quer para as que façam a sua adesão pela primeira vez até 31 de Dezembro. Esta medida, que consta de uma portaria que já entrou em vigor, surge como mais uma forma excecional de apoiar as empresas açorianas, tendo em conta a situação provocada pela pandemia de COVID-19. A suspensão do pagamento pela atribuição do selo “Marca Açores”, prevista no artigo 6.º da Portaria n.º 106/2016, hoje publicada e em vigor até 31 de Dezembro, cria um regime transitório que, além de várias outras medidas que têm vindo a ser anunciadas pelo Executivo açoriano, minimizam as consequências desta pandemia para o tecido económico empresarial da Região. A “Marca Açores” foi lançada pelo Governo Regional a 30 de Janeiro de 2015, assumindo-se desde então como um dos pilares impulsionadores da promoção interna e externa da Região. A identificação da Região com uma marca sinónima de qualidade, que diferencia produtos e serviços a partir dos atributos mais distintivos dos Açores – a natureza, o elevado valor ambiental, a diversidade e exclusividade natural, a sustentabilidade e métodos de produção singulares e autênticos – estão na origem da estratégia da “Marca Açores”, que visa o acesso e fidelização de mercados, induzindo valor acrescentado aos produtos e serviços açorianos, o que, por sua vez, permite o fomento da base económica de exportação, a geração de mais riqueza e mais emprego. Atualmente, são mais de duas centenas as empresas aderentes ao selo “Marca Açores”, presente em mais de 3.600 produtos e serviços.

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Localizada em Montes da Senhora

Unidade Agroindustrial em Proençaa-Nova atrai cada vez mais pequenos produtores

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Cozinha Partilhada - Unidade Agroindustrial, localizada em Montes da Senhora no concelho de Proença-a-Nova, tem recebido cada vez mais pedidos de cedência de instalações com vista ao desenvolvimento de novos projetos. Só no último semestre de 2019 instalaram-se na Cozinha Partilhada cinco novos projetos para produção de doces e compotas, temperos, licores e cosméticos naturais e este ano já há novos pedidos. Devido ao forte interesse, está em curso o procedimento de elaboração do regulamento de utilização para definir as regras de acesso ao espaço físico e serviços disponibilizados nesta cozinha que se rege por um conjunto de normas que estão disponíveis para consulta na página do Município. Os interessados em utilizar este equipamento deverão contactar o Município através do Gabinete de Apoio ao Agricultor e Empresário (gapemp@cm-proencanova.pt). O presidente da Câmara Municipal, João Lobo, desafia os empreendedores a avançarem com as suas ideias, pois “esta cozinha é uma incubadora que, além de permitir testar ideias dentro da vertente agroalimentar, realiza a condição de os próprios negócios se desenvolverem. Fica, portanto, o desafio para tentar, uma vez que o Município faculta o espaço”. Neste momento são 15 os pequenos empresários que utilizam este espaço industrial licenciado para desenvolverem os seus produtos para depois os apresentarem ao mercado. Totalmente equipado, incluindo mobiliário, armário frigorífico e de congelação, fogão industrial a gás, máquina de embalamento a vácuo, abatedor de temperatura para congelação rápida, varinha mágica industrial, banho-maria, balança e espaço para escritório e sala de reuniões, este local serve várias atividades: produção de compotas, licores, cosméticos naturais, doces regionais, molhos e temperos, chocolates e conservação de hortícolas e frutas. Trata-se de um equipamento de gestão municipal e tem como objetivo a incubação de projetos empresariais compatíveis com a prestação de um serviço de qualidade diferenciada, assentes na produção local, que procurem testar e/ou implementar produtos no mercado, no sentido de alavancar pequenos projetos existentes, valorizar a produção agrícola local e acrescentar valor à produção artesanal.

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Divido à quebra expressiva nas vendas

Produtores de cordeiro mirandês “amedrontados” em relação ao futuro O

s produtores de carne de cordeiro de raça churra mirandesa mostram-se “amedrontados” em relação ao futuro das suas explorações, divido uma quebra expressiva nas vendas provocada pela pandemia da covid-19. “Os produtores estavam com grandes expectativas para o período da Páscoa, porque há bastante produção disponível. Com o encerramento dos restaurantes, e não sabendo como funciona a cadeia de distribuição das grandes superfícies, estamos amedrontados”, disse a secretária técnica da Associação Nacional de Criadores de ovinos de Raça Churra Mirandesa (ACORCM). Segundo Andrea Cortinhas, o futuro é muito incerto para ramo da agropecuária no Planalto Mirandês, tendo em conta de que se trata de um produto com Denominação de Origem Protegida (DOP). “Um dos nossos receios é que o preço das carcaças baixe, numa altura em que o produto é mais valorizado. Porém, os pastores do Planalto Mirandês mantêm a sua atividade normal porque os animais têm de comer e ser tratados “, frisou a secretária técnica desta raça autóctone. Andrea Cortinhas disse que, por “experiência própria”, os negociantes deste tipo de produtos “se aproveitam um pouco das fragilidades que o mercado atravessa neste momento”. Neste tipo de vendas, muitos produtores fazem-nas 24

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junto das suas explorações e poucos passam pela cooperativa de produtores. Segundo dados avançados por Andrea Cortinhas, em período homólogo a cooperativa ChurraCop exportou 300 quilos de carne de cordeiro e o mercado nacional absorveu 400 quilos desta carne certificada. “Estamos perto da Páscoa e as perspetivas não são animadoras. Até ao momento não há pedidos de carne de cordeiro mirandês. Isto é assustador”, lamentou a responsável. Agora a estratégia passa por convencer o mercado a ter em conta as qualidades organolépticas destes produtos para alavancar as vendas e não criar impactos negativos, num setor já fragilizado. “Sabemos que os produtos alimentarem continuam a ser procurados e está uma altura ideal para valorizar os produtos nacionais e certificados e não dar preferência aos alimentos importados “, enfatizou Andrea Cortinhas.


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04/02/2020 18:03


Empresas associadas da AHSA mantêm atividade em pleno

Agricultura do sudoeste alentejano continua a alimentar o país “A

agricultura não pode parar”. É desta forma que Nuno Pereira, presidente da Associação dos Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos Concelhos de Odemira e Aljezur (AHSA), resume o atual momento que o país e mundo atravessam, em resultado da pandemia causada pelo COVID-19. “A venda para o mercado nacional é uma realidade no universo das empresas AHSA e faz todo o sentido que continue a sê-lo”, acrescenta. A verdade é que as mais de 25 empresas associadas, e que representam hoje mais de 200 milhões de euros de faturação anual, continuam a operar e a alimentar a cadeia de distribuição nacional e internacional. Nas últimas semanas, e seguindo todas as orientações das autoridades, as empresas associadas da AHSA priorizaram ao máximo a prevenção e a implementação e adaptação dos seus planos de contingência, estando particularmente atentas a eventuais quebras de fornecimento que o mercado nacional possa estar a sentir e que possam comprometer a qualidade de vida das populações. Neste sentido, a resposta ao apelo das autoridades, especificamente as que o estado de emergência decreta, é clara: garantir que a cadeia de fornecimento de alimentos em Portugal não pare. Localmente, a AHSA e as suas associadas estão também atentas à realidade dos mais desfavorecidos e que podem ser os primeiros a sentir os efeitos da crise. Para isso, está a ser operacionalizado um sistema de apoio a instituições de cariz social do concelho de Odemira, que possam vir a ter dificuldade em obter alimentos da parte dos seus fornecedores habituais. Do portefólio das várias empresas fazem parte frutos, produtos hortícolas e ervas aromáticas, para além de flores e plantas ornamentais. A AHSA foi fundada em 2004 por um grupo de empresas a operar no Perímetro de Rega do Mira (PRM). Atuando numa área produtiva próxima dos 2 mil hectares, conta hoje com mais de 25 empresas associadas (as maiores da região), que, pelo seu compromisso com a qualidade e a eficiência, alcançaram uma vertente fortemente exportadora, operando no mercado interno, mas também nos mercados mais exigentes da Europa. Conta atualmente com cerca de 3.500 colaborares. 26

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Embora a procura tenha diminuído e a exportação parou

Agricultura reforça segurança alimentar para produzir e colocar no mercado produtos frescos C

om a produção de legumes e frutas a pessoas dispensáveis à laboração e os trabalhadores mantêm distâncias para manter e colher, os produtores maiores uns dos outros e estão dividimos por setores, não se cruzando, desdobram-se a aplicar normas de segurannem nas pausas para as refeições. ça alimentar contra o novo coronavírus para Na central, além do uso de luvas, máscaras, lavagem e desinfeção reguas explorações e centrais não pararem, mas lares das mãos e distanciamento entre trabalhadores, os leilões de producomeçam a escoar menos. tos passaram a ser feitos pela Internet e nem motoristas, nem compradoÀ corrida aos supermercados e mercados res entram nas instalações, sendo as encomendas feitas por telefone ou que se tem vindo a registar correspondeu um correio eletrónico. esforço acrescido das explorações e das cenMedição da temperatura, lavagem do calçado, lavagem e desinfeção trais hortofrutícolas para responder à procura. das mãos e limpeza reforçada de objetos e espaços de uso comum pasContudo, procura de produtos hortofrutícosaram a ser rotina. “Há mais paragens e mais tempo perdido na labolas em fresco decresceu e a produção “está em ração”, para serem efetuadas limpezas regulares nas zonas de embalaqueda”, concluem os empresários na esperança mento, descreve o gerente Paulo Rodrigues, acrescentando que “têm que “volte a subir”, tendo em conta que é um de o fazer para que haja segurança alimentar”. setor fundamental da cadeia alimentar. “Assim como os profissionais de saúde estão empenhados em lutar “A curgete chegou a valer para a produção 1,40 e correr o risco para defender os doentes nos hospitais, os produa 1,45 euros e neste momento está a 0,90 euros”, tores estão também empenhados em correr o risco, porque, se não exemplifica Paulo Maria, proprietário da empresa corrermos esse risco, não morríamos do vírus e morríamos à fome”, Hortomaria, com 40 trabalhadores para 20 hectaenfatiza Paulo Maria, que é também vice-presidente da Federação res de estufas de curgetes, feijão verde e tomate, Nacional Organizações das Produtores de Frutas e Hortícolas. no concelho de Torres Vedras. Se não houver descontinuidade dos fatores de produção, os proNa central hortofrutícola Hortorres, no mesmo dutores garantem continuar a fazer chegar aos mercados “produtos concelho do distrito de Lisboa, até há duas semaseguros e de qualidade”. nas, a procura levou a um aumento do trabalho e das encomendas na ordem dos “70 a 80%, havendo falta de mão-de-obra, já que 10%” dos trabalhadores com dependentes tiveram de ficar em casa com o encerramento de escolas e centros de dia, explica o gerente Paulo Rodrigues. Nas explorações, “grande parte dos nossos trabalhadores são estrangeiros e não há falta de mão-de-obra, porque não têm cá as famílias”, justifica Paulo Maria, da Hortomaria. A central “não está a conseguir exportar nada e a quebra no mercado nacional está a sentir-se ainda mais”, diz o empresário com preocupação, por ter duas centenas de trabalhadores a seu cargo. Para contornar eventuais despedimentos, a empresa começou a fazer venda de cabazes de frutas e legumes porta a porta na região de Lisboa. Quer na exploração agrícola, quer na central hortofrutícola, desde há três semanas que a entrada ficou restrita www.gazetarural.com

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Já há cerca de 20 hectares plantados

Produtores de Vila Pouca de Aguiar estão a apostar na amêndoa A

gricultores de Vila Pouca de Aguiar começaram há dois anos a da junta que está a ceder terrenos baldios aos moapostar na amêndoa, uma produção inexistente no concelho, e radores e está num processo de desbaste de mato têm já cerca de 20 hectares plantados de amendoeiras de onde vão para, depois, se proceder a novas plantações. colher os primeiros frutos neste Verão. No concelho, segundo dados fornecidos pelo Neste território da zona da Terra Fria e sem tradição deste fruto município, foram plantados, nestes dois anos, cerca seco, os agricultores vêem, agora, na amêndoa uma oportunidade 20 hectares de amendoeiras no âmbito desta nova de negócio e apontam boas condições de solo e de clima. “Isto coaposta de vários produtores. “Estamos a reorganizar meçou há dois anos. Começámos a plantar castanheiros, mas devio sector agrícola e estamos a ir de encontro a cada do à altitude em que nós estamos o castanheiro já não é uma boa agricultor deste concelho para o incentivar e ajudar aposta e, depois de análises e estudos, chegamos à conclusão que na produção, como está a acontecer na fileira dos seria melhor apostar na amendoeira”, afirmou Francisco Carvalho, frutos secos”, afirmou o presidente da Câmara de Vila de 34 anos e residente em Tresminas. Pouca de Aguiar, Alberto Machado. É funcionário público e a agricultura é um trabalho complemenAs previsões apontam para uma produção de amêntar para este produtor que fez uma “plantação de três hectares doa neste município, em cinco anos, de cerca de 40 onde tem à volta de mil pés de amendoeira”. “Este ano já teretoneladas. Este ano deve ser colhida cerca de meia tomos amostras, já haverá árvores a terem fruto, mas é ao final do nelada. terceiro ano, ou seja, em 2021, que começamos a ter produção A amêndoa é um dos frutos secos mais produzidos a de amêndoa”, frisou Francisco Carvalho. nível mundial e tem um elevado impacto económico em O produtor acredita que os frutos secos “têm sempre saída Trás-os-Montes e Alto Douro. Em 2019, a produção em no mercado”. “Uns anos mais rentáveis, outros anos menos, Portugal foi de cerca 30 mil toneladas. mas tem sempre saída seja para consumo ou até para fins meSegundo dados do Ministério da Agricultura, entre dicinais”, reforçou. 2009 e 2018 registou-se um crescimento de 48% da área Valorizados no mercado nacional e internacional, os frutos de amendoal no país. De 2010 a 2018 verificou-se um ausecos são considerados de fácil cultivo, mecanizáveis e rentámento de 208% na produção de amêndoa. A distribuição veis. O objectivo deste agricultor é continuar a aumentar a da área de amendoal, em 2018, era: Trás-os-Montes com sua plantação. 54%, Alentejo com 23%, Algarve com 19% e Beira Interior Só na área de Tresminas, contou, são oito os produtores com 4%. que se estão a dedicar a este fruto seco e que plantaram um total de 10 hectares. Nesta freguesia contam com o apoio 28

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Valor médio da temperatura foi de 11.º celsius

Último Inverno foi o segundo mais quente desde 1931 O

Inverno passado, que terminou na última sexta-feira, foi o segundo mais quente desde 1931 e classificado como “extremamente quente e seco” em Portugal continental, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). No Boletim Climatológico Sazonal, sobre o Inverno 2019/2020, o IPMA diz que mais quente do que este Inverno só o de 1990 e que as temperaturas máximas (em média) bateram recordes, nomeadamente em Fevereiro, o mais quente de sempre. O valor médio da temperatura foi de 11.º celsius, superior ao normal em mais 1,47 graus, diz o IPMA, que regista também valores acima do normal quer nas temperaturas máximas quer nas mínimas. Na temperatura máxima registou-se uma média para o Inverno de 15,67º celsius, o valor mais alto desde 1931 e superior em 1,92º celsius ao valor normal (1971-2000). E na temperatura mínima, com uma média de 6,33º celsius, o aumento em relação ao normal foi de 1,01º celsius, o terceiro valor mais alto desde 2000. Em relação à precipitação os valores também foram menos do que a média para os meses de Dezembro a Fevereiro, apenas 78% do valor médio. “Valores da quantidade de precipitação inferiores aos deste Inverno ocorreram em cerca de 40% dos anos, desde 1931”, segundo o Boletim. O IPMA destaca ainda que o Inverno que agora terminou foi de recordes e de valores acima do normal. O mês de Dezembro foi o terceiro mais quente desde 1931, tendo sido ultrapassados nalguns locais a sul do país os anteriores máximos de temperatura para Dezembro, e Fevereiro foi o mês mais quente desde 1931, com temperaturas máximas nunca antes registadas (desde 1931). E na precipitação o Inverno foi também atípico. Se por um lado a chuva intensa em Dezembro quando das tempestades Daniel, Elsa e Fabien trouxe valores recorde para a Guarda, a seca afetou as regiões do baixo Alentejo e Algarve, onde choveu menos de metade do que seria normal. “O menor valor da quantidade de precipitação ocorreu em Faro,78.7mm, e o maior em Cabril, 904.9mm; a percentagem da quantidade de precipitação total, em relação aos valores médios, variou entre 32% em Faro e 172% em Guarda”, diz o documento do IPMA.

ADICES/PACTO 2020 Águeda| Carregal do Sal| Mortágua| Stª Comba Dão| Tondela

PERÍODO DE APRESENTAÇÃO DE CANDIDATURAS De 20 de fevereiro a 30 de abril de 2020

5.º CONCURSO Operação 10.2.1.1 PEQUENOS INVESTIMENTOS NAS EXPLORAÇÕES AGRÍCOLAS

Investimentos em ações cujo custo total elegível apurado, em sede de análise, seja igual ou superior a 1.000€ e inferior ou igual a 40.000€ e incidam na área geográfica correspondente ao território de intervenção do GAL ADICES, de modo a promover a melhoria das condições de vida, de trabalho e de produção dos agricultores, bem como contribuir para o processo de modernização e de capacitação das empresas do setor agrícola.

ADICES: 232 880 080|adices@adices.pt Consulta de Anúncios e Legislação em www.pdr-2020.pt ou www.adices.pt

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Cofinanciado pelo Programa Interreg Espaço Atlântico 2014-2020

Projeto europeu quer partilhar práticas de prevenção e riscos em alterações climáticas

T

riple-C INTERREG Espaço Atlântico é nome do projeto que pretende da durante a execução do projeto e, também, selecionar e transferir as melhores práticas identificadas em procinco anos após a conclusão, permitindo que jetos europeus no campo da prevenção e gestão de riscos decorrentes profissionais e autoridades locais, regionais das alterações climáticas. O objetivo é reunir resultados para que sejam e nacionais possam aceder à informação nela tomados em consideração pelas políticas regionais e europeias e tornácontida, ao longo do tempo. -los úteis para as orientações da próxima geração de Programas de CooO Triple-C incluirá também um diagnóstico do peração Transnacionais. impacto dos projetos capitalizados, indo mais Cofinanciado pelo Programa Interreg Espaço Atlântico 2014-2020, além na análise, incluindo conclusões e recoeste projeto reúne oito parceiros internacionais, entre estes duas unimendações. As atividades realizadas pelos parversidades portuguesas, a saber o Instituto Vasco de Investigación y ceiros dará origem a uma rede, dentro da qual Desarrollo Agrario S.A, a L’Association Climatologique de la Moyennetambém serão contatados os projetos seleciona-Garonne et du Sud-Ouest, a Chambre d’Agriculture de la Dordogne, dos pelas melhores práticas, a fim de fortalecer as a Westcountry Rivers Trust, a Limerick Institute of Technology, o Concapacidades dos planos e estratégias de ação sobre sejo Superior de Investigaciones Científicas e as Universidades de alterações climáticas. Os resultados obtidos serão Coimbra e de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). transferidos e as orientações/recomendações para Os parceiros do projeto vão selecionar, compilar, organizar e atuaa implementação serão fornecidas aos próximos lizar as metodologias, resultados e ferramentas, obtidas pelos diprogramas e iniciativas da União Europeia, destinaferentes projetos relacionados com as alterações climáticas, assim das a apoiar os projetos aprovados. como identificar resultados e boas práticas que mereçam maior O projeto encerra com a realização de uma condisseminação e exploração. No caso da UTAD, participam neste ferência em Bruxelas, destinada a comunicar que a projeto oito investigadores de três Centros de Investigação (CITAB, integração da mitigação, com a adaptação às alteraCIDESD e CGEO) um destes é Ronaldo Gabriel que representa a ções climáticas, e a gestão/prevenção de riscos enUTAD no Consórcio. quadrados nas políticas regionais, nacionais e setoriais Um dos objetivos estabelecidos passa por capitalizar os projeda União Europeia e nos fundos da União Europeia, tos através do intercâmbio de boas práticas e experiências entre constitui um fator essencial para o sucesso das políticas os parceiros, a identificação de barreiras e possíveis soluções e a globais. formulação de recomendações, com base nas informações obO projeto TRIPLE-C possui um orçamento de 1,6 mitidas. Destina-se também a garantir a máxima visibilidade dos lhões de euros, dos quais 75% são financiados pelo Esprodutos, metodologias, atividades e resultados de projetos a paço Atlântico, através do Fundo Europeu de Desenvolnível europeu. vimento Regional. Neste sentido, será criada a plataforma Triple-C, um dos O INTERREG Espaço Atlântico é um programa de finanprincipais resultados deste projeto, que reunirá informação ciamento europeu que promove a cooperação transnasobre os projetos capitalizados e será fonte útil de informacional em 36 regiões atlânticas de cinco países europeus. ção sobre as iniciativas de adaptação às alterações climáticas Com um orçamento total de 185 milhões de euros, dos bem‑sucedidas. quais 140 milhões de euros provêm do Fundo Europeu Esta plataforma e o compêndio de projetos capitalizados, de Desenvolvimento Regional (FEDER), este Programa cocompartilharão as melhores práticas de gestão e prevenção financia projetos de cooperação nos campos da Inovação de riscos associados às alterações climáticas em toda a Eue Competitividade, Eficiência de Recursos, Gestão de Riscos ropa. Esta plataforma será desenvolvida, publicada e mantiTerritoriais e Biodiversidade e Herança Natural e Cultural. 30

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Apontando caminhos para um futuro próximo

Turismo Centro de Portugal lançou a campanha “Haverá Tempo!” A

Turismo do Centro lançou a campanha “Haverá Tempo”, protetora e segue por algumas das maiores atrações apelou aos portugueses para ficarem em casa para conter a turísticas da região. “Haverá tempo para recomeçar, propagação da Covid-19 e garantiu que a região estará preparada para viajar, para correr, para voar. Voltar a sentir e vipara receber os visitantes após a pandemia. brar, ao sabor do vento, do sol, da chuva. Haverá tem“Com esta campanha, associamo-nos ao enorme esforço do po para navegar e para voltarmos a estar juntos. Até lá, país na sensibilização de todos. E também na criação de espeficaremos em casa. E como um todo, um só, vencererança, tão necessária nos dias que vivemos”, resume Pedro Mamos”. chado, presidente da Entidade Regional que agrupa cem muniPedro Machado disse que a situação na região “está cípios do Centro do país. complicada, mas previsível”, e que a Turismo do Centro A campanha tem como plataformas principais um vídeo (disestá a preparar-se para a retoma, que deverá ser em Juponível em https://youtu.be/3ur9_SDvGDE) e imagens nas renho, dependendo da evolução da doença. des sociais, acompanhados da hashtag #haveratempo, entre No âmbito do seu Plano de Contingência para lidar outras. com o surto, a Turismo do Centro criou uma “amostra” de “São tempos como os que vivemos que nos obrigam a pa1.030 pontos turísticos, unidades hoteleiras, restaurantes rar, para depois recomeçar. Tempos que nos tiram a libere atrações que monitoriza de perto. O objetivo é seguir a dade, mas que também nos fazem acreditar. Acreditar que evolução da pandemia, avaliar quase ao minuto o seu impodemos, que venceremos. Haverá tempo para voltar a dar pacto no setor e ajudar a encontrar soluções, refere Pedro asas aos nossos sonhos, de abraçar quem amamos, de sorrir Machado. sem sombras”, refere o texto do vídeo promocional. O vídeo abre com a imagem de uma pessoa com máscara 32

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Evitando desperdícios alimentares e combatendo o Covid-19

FAO apela para o fortalecimento do sistema imunológico com uma dieta saudável

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Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apela a todos para que fortaleçam seu sistema imunológico com uma dieta saudável e consciente evitandos desperdícios, e fornece recomendações para mitigar os efeitos da pandemia na segurança alimentar e nutrição. Siga as sete dicas de alimentação saudável elaborada pelo Escritório Regional da FAO para a América Latina e que podemos aplicar por cá. 1. Fortaleça seu sistema imunológico por meio da alimentação Aumente o consumo de frutas e legumes, com pelo menos cinco porções por dia. Eles contêm muitas vitaminas A e C, além de antioxidantes, que ajudarão a combater infecções. Coma legumes pelo menos três vezes por semana: são conservados por um longo tempo, são baratos e ajudarão a mantê-lo saudável, porque são ricos em proteínas e ferro. 2. Não basta comprar alimentos não perecíveis Em vez de comprar muito macarrão e arroz, compre frutas e legumes. Você comprou frutas e vegetais extras? Não tem problema: limpe, corte e congele. Você os terá prontos para sua próxima preparação. Prefira legumes e frutas em vez de biscoitos, lanches e doces. 3. Planeje sua compra: compre o que for necessário e justo Este não é apenas um ato de empatia com outros consumidores que também precisam estocar, mas ajuda a evitar o desperdício de alimentos e melhora a economia da sua casa.

4. Não jogue fora suas sobras Se você cozinhar demais, congele suas refeições para durar mais tempo, para evitar desperdícios, além de ter uma preparação pronta para outra ocasião, sem muito esforço. Lembre-se: os alimentos devem estar em boas condições para consumi-los. 5. Beba bastante água Beba pelo menos dois litros de água por dia para se manter hidratado e apoiar o sistema imunológico. 6. Faça seu orçamento render Se seu orçamento for limitado, recomendamos que você de preferência a água do que refrigerantes. Dê uma boa olhada no que você tem na despensa e na geladeira. Compre os produtos de acordo com a duração.

7. Cozinha em família O confinamento em que muitos de nós nos encontramos também é uma oportunidade de cozinhar em casa e introduzir as crianças nessa atividade para que aprendam hábitos alimentares saudáveis desde pequenos. Fonte: fao.org

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No Berliner Wine Trohpy 2020

Vinhos Borges premiados com cinco medalhas de Ouro em concurso internacional O

s Vinhos Borges arrecadaram cinco medalhas de Ouro no Berliner Wine Trohpy 2020, um dos mais importantes concursos de vinhos do mundo. Os destaques foram para as regiões do Douro e do Dão. Os Vinhos Borges não são destaque apenas a nível nacional e a sua excelência vai além-fronteiras e recebe destaque internacional. Avaliados por um painel internacional de provadores, os vinhos do Douro distinguidos foram Lello Tinto 2017, Lello Reserva Douro 2017 e Borges Reserva Douro Tinto 2016. Mas as distinções não ficam por aqui, já que os vinhos do Dão foram ainda premiados com o Borges Quinta de São Simão da Aguieira Tinto 2017 e o Borges Touriga Nacional 2016. “O reconhecimento dos Vinhos Borges tem sido notável, tanto a nível nacional como internacional. Todos estes prémios de reconhecimento, medalhas e excelentes pontuações são muito importantes para a Borges em termos de notoriedade. Além disso, são um grande suporte para o crescimento e posicionamento da marca, que está presente neste momento em mais de sessenta mercados”, refere Ana Montenegro, gestora de Comunicação e Relações Públicas da Sociedade dos Vinhos Borges.

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Na Wine Enthusiast, revista norte-americana da especialidade

Cabriz Reserva Tinto 2015 atinge a fasquia dos 92 pontos R

oger Voss, uma autoridade no mundo da crítica de vinhos, atribuiu 92 pontos ao Cabriz Reserva Tinto 2015, nas avaliações que regularmente faz para a revista norte-americana da especialidade Wine Enthusiast. O crítico anglo-saxónico não tem poupado elogios nas provas dos vinhos Cabriz, enaltecendo a excelente qualidade-preço dos seus produtos. No caso particular do Cabriz Reserva Tinto 2015, Roger Voos lembra que “esta marca popular tem na sua gama de reservas um lado muito mais sério, sendo este um vinho bem estruturado e encorpado, equilibrado entre as notas de frutos negros e os seus taninos”. Um blend das castas Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz “com um final perfumado e fino”. O crítico da Wine Enthusiast aconselha que o vinho “seja consumido no imediato”. Os vinhos Cabriz têm reforçado o seu prestígio internacional, fruto de um trabalho de promoção da marca junto de ‘influencers’ internacionais, retalhistas e consumidores nos muitos mercados em que a marca já tem uma presença assinalável. Com um vasto portefólio de vinhos capaz de dar resposta às harmonizações mais exigentes, a marca líder da região do Dão vai reforçando a notoriedade dos vinhos produzidos na região.

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Gazeta Auto

Toyota Prius AWD-I* Por Jorge Farromba

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Toyota Prius Awd-i com a sua legião de seguidores, até mais entre atores de Hollywood, veio demonstrar aqui o quão evoluído tem o seu sistema híbrido. Esta versão, que conta com o sistema inteligente de tração às quatro rodas (AWD-i) e, por isso mesmo, com um preço mais elevado face ao “normal” Prius, serviu de mote ao ensaio para perceber onde este se insere no mercado nacional

Estética – Exterior e Interior

face ao modelo anterior e no essencial a usabilidade está toda ela presente, sendo que os botões que se encontram no tablier entre o volante e a porta, podiam migrar para a zona central da consola. Nesta viatura que possui três modos de condução – ECO, normal e Sport - e o modo EV (elétrico) a tónica é o nosso olhar deslocar-se para o 2º painel de instrumentos no tablier ao centro – mais baixo que o principal - e seguir à risca as indicações do modelo para tentar com isso circular em modo elétrico e poupar o máximo possível.

Falar da estética da quarta geração do Prius é algo não consensual, sendo que existe um público que o adora e outro não, mas a mesma estética está definida em prol da máxima eficiência aerodinâmica, onde também a nova plataforma TNGA ajuda a criar uma silhueta e linhas mais baixas face à geração anterior. As linhas esguias do Prius colocam-no como um familiar tradicional, com uma dianteira full-led, pára choques pronunciado e, algo que atualmente o setor automóvel incorpora, o efeito visual flutuante, aqui da grelha inferior. Na traseira desaparecem os estilizados e não consensuais faróis mais ou menos verticais para dar lugar a faróis em forma horizontal, onde sobressai a tampa da bagageira com dois vidros para uma maior visibilidade traseira. No interior, de formato mais tradicional, podemos destacar os Quase sempre possível de se arrancar em modo elénovos bancos mais confortáveis (em pele nesta versão premium) trico, o Prius possui um travão de mão (de pé, tal como e com bom apoio lateral, o head up display, o painel de instruna Mercedes) e um joystick que coloca o modelo em mentos (central – ao estilo Mini) muito bem posicionado e que modo D, B ou R. Tudo muito simples e, uma vez a circular concentra todas as informações do modelo (desaparece o paiem cidade, consigo com muita ajuda do sistema, circular nel de instrumentos por detrás do condutor). A consola recebe quase sempre em modo elétrico (ou até esgotar a capao telemóvel com sistema de carregamento por indução e porta cidade da bateria) e com médias de 4,9l. corpos. Nota-se aqui uma evolução do sistema da Toyota pois Em termos de espaço interior nada a assinalar, sendo mais permite uma maior autonomia e suavidade de condução que suficiente para 4 pessoas e com uma bagageira que não a par do aproveitamento sempre que possível da energia. sendo funda possui cerca de 500 litros de capacidade.

Em estrada

Materiais, User Experience

A qualidade de construção e dos materiais foi melhorada

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Em estrada não esperava tantas facilidades do sistema pois a estrada tem desníveis, obriga-nos a ultrapassagens, tanto tem vento a favor como contra, não circulamos em ambiente controlado e o peso presente no automóvel não é


o que habitualmente as marcas utilizam para as suas medições e a velocidade não é sempre a mesma. Com todos estes constrangimentos, consegui a média de 5.2 litros o que achei muito bom. Adicionalmente conta com o sistema inteligente de tração às quatro rodas (AWD-i), acionado automaticamente após o arranque e a velocidades mais altas quando deteta uma perda de tração, por exemplo, sobre neve, gelo e estradas molhadas. Em termos de conforto e experiência de condução o Prius mantém intacto um comportamento correto onde o peso das baterias não se imiscue na tendência subviradora ou sobreviradora, o conforto é de bom nível, a segurança ativa e passiva é idêntica à concorrência num motor 1.8 que tenta quase sempre passar despercebido na acústica do interior

Consumos e preço

Num modelo que hoje tem muita concorrência - até na marca - a Toyota chama a si os louros de mais de 20 anos a desenvolver e apostar na hibridização dos seus modelos que, nesta versão premium e tração as quatro rodas tem o preço de 40.000euros, com consumos quase sempre entre os 4.9 e os 5.2l que, acredito, cumprindo médias de velocidade de 90km/horas, peso ideal e condução quase cirúrgica, conseguiria baixar o consumo pelo menos em mais 0,6 litros mas o intuito deste ensaio é circular em condições reais de utilização. *Decorrente do COVID19 o ensaio foi realizado antes da declaração do estado de emergência, por forma a cumprir as medidas de restrição de circulação automóvel www.gazetarural.com

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Crónicas Rurais

Um dia no monte: tensões e distensões*

Por Júlio Sá Rego

Às vezes, em dias de luz perfeita e exata, Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter, Pergunto a mim próprio devagar Por que sequer atribuo eu Beleza às cousas. (Alberto Caeiro, 1925, poema XXVI)

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inha chegada à Murça foi agitada. Havia combinado de enconvinhas e castanheiros saborosos aos olhos de trar o Pastor em local e hora não claramente acertados, o que cabras sujeitadas a uma dieta à base de mato, a mim, simples cidadão formatado pela objetividade da cartografia urcomo era o caso aqui. Guiá-las tornava-se uma bana e marcação do relógio, pode deixar um pouco ansioso. Assim, tarefa árdua, sucedida apenas com invectivas, pedecidi pegar a estrada cedo para percorrer os 450 km que me separadras e paus. Os incidentes eram, porém, raros e vam de Murça e não perder a oportunidade de encontrar esse pastor. quase nunca terminavam em prejuízo, disse-me o No caminho fui rememorando alguns aprendizados trazidos do Alvão, Pastor ao mesmo tempo que relatava um conflito confiante de que já não era mais o mesmo indivíduo inexperiente em aberto com um viticultor vizinho que chegou a enmatéria de pastorícia. venenar as cabras espalhando herbicida no mato Cheguei em Murça por volta das 13h. Faminto e praticamente sem à proximidade do estábulo. O mundo rural que cobateria no celular que me servira de GPS durante a viagem, corri meçava a desenhar-se diante de mim era bem dipara achar uma tomada e contatar sem mais demora o Pastor. Ele ferente daquele harmonioso e aparentemente sem propôs-me encontrá-lo imediatamente algures no meio de uma esconflitos que imaginei. trada rural, depois da placa de sinalização da aldeia, não muito lonAs minhas seguintes viagens confirmaram-me que ge de um olival à esquerda, e com cuidado para não me enganar, conflitos poderia haver muitos, principalmente em pois na região havia outra aldeia de nome muito similar! áreas onde animais e plantios coexistem imbricaUm pouco confuso e sem almoçar, subi novamente no carro dos. O menor incidente podia ser fonte de tensão e torcendo para não ficar totalmente sem bateria. Claro que não às cabras não lhes poupavam críticas nem acusações, encontrei o local indicado na primeira tentativa, mas pelo menos inclusive quando crimes eram cometidos por outros não me havia enganado de aldeia. Depois de duas ligações e mais animais silvestres, como javalis ou corços. Lembro-me alguns ensaios, cheguei finalmente ao ponto de encontro. Lá esde notícias de jornais relatando queixas de diversos tava ele, imponente, liderando o seu rebanho de cabras serranas proprietários na Serra do Açor culpando “cabras sapacom um guarda-chuva. O dia estava de fato bastante húmido doras” de andarem desacompanhadas a destruir pomacom um chuvisco intermitente. Aflito, ele restringiu nossas prires e culturas, mesmo não havendo nenhum rebanho a meiras palavras à sua preocupação por as cabras haverem inmenos de 15 km das regiões em questão. É certo que vadido um cultivo de beterraba e pelo prejuízo financeiro que corços são também popularmente conhecidos como caisso poderia representar. bras selvagens, o que pode causar quiproquós. Contudo, Felizmente e para alívio do Pastor, a plantação de beterrao estigma social associado à cabra e ao pastor parece ser ba estava praticamente intacta, ao contrário das minhas cero principal motivador de muitas dessas acusações, pois tezas. Receei que de nada poderia me valer o aprendizado quase toda tentativa de esclarecimento, argumentação, ou acumulado na vastidão pedregosa do Alvão, aqui nesse baiconciliação resulta em vão. Pastores não logram dissociarxo planalto verdejante e cultivado do terroir transmontano. -se de sua histórica imagem social, ora a de um sátiro, figura De fato, notei pouco a pouco que o maneio dos animais por exterior à ordem social da aldeia, ora a de um oportunista entre plantios exige outro tipo de destreza, principalmente ou um incendiário. quando o curral e os baldios estão separados por hortas, Não obstante, pastores e agricultores não detinham o pri38

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vilégio dos conflitos. Outras combinações de beligerantes e alianças podiam surgir entre os diferentes atores ativos no mundo rural -humanos, animais, vegetação, água e fogo- dependendo do lugar e do momento. Na Serra da Peneda, por exemplo, um pastor contou-me sobre lobos. O lobo, apesar de ser ocasionalmente avistado, não era uma ameaça real aos rebanhos no Alvão e eu não tinha consciência do perigo que ele podia representar em outras regiões de Portugal. O relato do Pastor da Serra da Peneda deixou-me boquiaberto. Haveria lá uns 50 lobos e os ataques eram frequentes. O Pastor já havia perdido 70 cabras e um extenso ataque acabara de se produzir nos dias precedendo à minha chegada. As cabras ainda estavam bem assustadas e nos seguiam como cães, em busca de carinho e proteção. Porém, nem todo conflito carrega ruína e alguns podem ser de grande beleza. Estava na Serra do Açor e havíamos terminado o percurso de pastoreio. O sol estava para se pôr e o Pastor propôs-me dar uma volta de jipe pelo baldio para avistar veados, pois era a época de acasalamento. Poucos minutos pelos caminhos de terra foram suficientes para enxergar, ao longe, uma nuvem de pó. O Pastor parou o jipe e convidou-me a segui-lo discretamente. Ao me aproximar, percebi que estávamos presenciando um combate de machos. A cena era de inefável beleza, estimulando todos os sentidos ao mesmo tempo: o cheiro da poeira levantada desenhando duas majestosas sombras imprimidas num céu cor de rosa e que dançavam ao som de madeiras se chocando. Estavam lá dois veados combatendo, cornos contra cornos, ao pôr do sol. Perguntei se não era perigoso estarmos ali de gaiatos observando a cena. A resposta não foi nada encorajadora: “Sim! Se eu te disser corre, você corre para o jipe!”. Seguimos por mais alguns minutos, absorvidos pela magnitude e magnificência daquela cena, até o Pastor olhar para mim e dizer: “CORRE!” *Texto original

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