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Senso Incomum 038 - fev-mar/2018

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jornalismo UFU ano 8 • 38ª edição fevereiro/março de 2018 distribuição gratuita

senso

comum Sentimento de imunidade impulsiona DSTs

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políticas

cotidiano

economias

Reitor da UFU faz balanço sobre seu primeiro ano na gestão da universidade página 3

Integrantes de PETs falam sobre cobrança por excelência página 8

Estudantes realizam trabalho social em assentamento página 9


DA REDAÇÃO OPINIÃO//

EDITORIAL//

Encarar e conviver Nós temos a sensação de que nunca vai acontecer conosco. Até que acontece. Um dos maiores exemplos disso é o aumento de 85% do índice de contágio de doenças sexualmente transmissíveis entre jovens de 15 a 24 anos nos últimos 10 anos, segundo pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde. Quanto a esses números, o que mais nos deixa consternados é que, hoje, na universidade, não é a falta de informação sobre a necessidade do uso de preservativos e orientação sobre o assunto que fazem essa porcentagem crescer. E mesmo assim não nos protegemos. Por quê? Envolvidos pelo momento, não nos importamos com as consequências que, naquela hora, são

CHARGE//VINÍCIUS RIBEIRO

apenas possibilidades. Preferimos conviver com a dúvida. Mais grave: depois de tudo, preferimos conviver com a dúvida de uma doença a descobrirmos resultados indesejados e ter que lidar com o preconceito que ainda atinge quem tem DSTs. É desafiador admitirmos a situação, e isso faz com que fique ainda mais difícil qualquer diálogo sobre ela. É preciso que comecemos a nos posicionar, pois, quanto mais o assunto é falado e divulgado, mais oportunidades para discussão sobre ele e a consequente diminuição do preconceito. No fim, a prevenção das DSTs nada mais é do que responsabilidade de cada pessoa consigo mesma para recusar o sexo sem proteção.

Afira a minha pressão MARIANA OLIVEIRA Cinco tentativas de suicídio em 40 dias. Essa é a situação do curso de Medicina na Faminas-BH, números que refletem a realidade de apenas uma universidade brasileira. A UFU também registra casos. Ouvir de futuros médicos frases como “nunca podemos errar, ou não seremos bons profissionais no futuro”, pode parecer um alívio para a comunidade, mas pensar assim é não imaginar o que isso significa de verdade para eles. A sobrecarga de conteúdo, as reprovações, o foco constante nos estudos… Os traumas e cobranças da vida acadêmica não são passageiros, são cumulativos. Têm início antes mesmo da universidade, lá na época dos cursinhos, e se estende

pelo tempo necessário até o ingresso, e depois dele, nos oito, nove, 10 anos necessários para se tornar “doutor”. O alívio vem de outras áreas: bebidas, drogas, remédios. O vício começa cedo, em uma profissão que deveria nos alertar o quão mal isso faz. Mas qual seria a saída desses estudantes? Eles mesmos não conseguem dizer. Todas as soluções parecem péssimas. Talvez essa seja uma chance de olharmos para esses alunos e pensarmos a solução, de observar além do desempenho e perceber que temos uma falha. Admitir é o primeiro passo. Nós teremos médicos responsáveis por nossas vidas que pensam em tirar as próprias.

"QUAL DELES É VOCÊ?"

JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA (UFU) Reitor Valder Steffen Jr - Diretor da Faced Rafael Duarte Oliveira Venâncio - Coordenador do Curso de Jornalismo Marcelo Marques Araújo - Professores Responsáveis Felipe Saldanha, Ivanise de Andrade, Vanessa Matos e Vinicius de Souza Jornalista responsável: Vanessa Matos (MTb: 50.456) - Revisão Ivanise de Andrade - Editoras-Chefe Ana Júlia Gotardelo e Carolina Fernandes Cunha - Editoras de Capa Thaís Degani Angerami e Ana Luiza Costa - Editores de seção João Pedro Alves Cintra Rabelo, Cassiana Batista da Cruz Silva, Guilherme Guedes Dezopa, Jhonatas Elyel Silva, Juliano da Silva Damas Júnior, Isabela Cardoso Ferreira, Pedro Vítor Vieira Rodrigues e Daniel Gonzaga de Lima Atanasio da Silva - Foto de capa Thaís Degani Angerami e Ana Luiza Costa - Repórteres Zilá Carvalho, Bárbara Sta. O. Fernandes, Camila Carneiro, Juliana Tobias, Eloisa Rocha, Giovanna Tedeschi, Melissa Ribeiro, Gabriela Bonatto, Bianca Mundim Felix, Richard Militão, Rosângela Gomes Daniel, Vinícius Ribeiro, Ana Laura França Marques, Maria Carolina Frigo Maschio, Mariana Solis, Mariana Oliveira, Gustavo Vilela Ribeiro, Juliano da Silva Damas Júnior, Karen Kristine Ferreira Muniz, Caio Roberto, Anatália Amorim e Marco Túlio Silva. - Tiragem 2000 exemplares - Impressão Imprensa Universitária - Gráfica UFU - sensoincomumufu@gmail.com www.sensoincomum.net

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POLÍTICAS

Reitor faz avaliação do primeiro ano de mandato Valder Steffen faz uma retrospectiva de 2017 e aponta caminhos para o próximo ano MELISSA RIBEIRO cem em janeiro estão pagos. Ou seja, um quadro bem diferente do que poderia ter sido. Outra questão foi a ocupação do Glória. Assinamos um termo de compromisso com a Companhia de Habitação do estado de Minas Gerais, com a Prefeitura Municipal de Uberlândia, a Associação dos Moradores do bairro Élisson Pietro [como é conhecida a ocupação] e a universidade, comprometendo-nos cada um com as suas responsabilidades.

STEFFEN AFIRMA QUE CONSEGUIU FECHAR O ANO DE FORMA POSITIVA · FOTO: GUILHERME DEZOPA

Desde o início do ano, universidades federais vêm enfrentando dificuldades para cumprir com o orçamento previsto, devido aos cortes de recursos realizados pelo governo federal. Para o atual reitor da UFU, Valder Steffen, o fato inviabilizou obras e a concretização do que ele considera ser os sonhos da universidade. Steffen faz ainda uma retrospectiva do seu primeiro ano à frente da gestão e anuncia novos projetos. Senso Incomum: O senhor completou seu primeiro ano na gestão da UFU. Que balanço pode ser feito deste período? Valder Steffen: O balanço é positivo. Sabíamos que seria um ano particularmente difícil, mas ele acabou sendo ainda mais desafiador em virtude do corte de recursos. Esse corte é muito dramático, pois ele corta os sonhos e compromissos da universidade. Nós tínhamos projetos em andamento que tiveram que ser interrompidos como, por exemplo, em Patos de Minas, Ituiutaba, Monte Carmelo e até no Campus Glória, em Uberlândia. Houve um prejuízo no planejamento, porque o Ministério da Educação represou o repasse em um momento em que tínhamos diversas ações para serem implementadas. Uma grande preocupação que eu tinha era manter funcionando nosso Hospital e até ampliar a capacidade. Hoje, nós estamos com quase a totalidade dos leitos em funcionamento e todos os contratos com vencimento até 31 de dezembro e parte dos que ven-

Em sua campanha, o senhor elencou diversas propostas. Quais já avançaram? Com relação à segurança, nós acabamos de adquirir duzentas câmeras que estão sendo instaladas nos diversos campi da universidade, para o início do ano [de 2018], além da criação de uma central de monitoramento no Campus Santa Mônica com vigilância permanente. Nós implementamos para o WhatsApp uma ferramenta de segurança, adquirimos um veículo e aumentamos a segurança terceirizada. Também acabamos de conseguir recursos extraorçamentários para melhorar a rede wi-fi, um total de R$ 1,7 milhão. Colocamos mais recursos no Campus de Monte Carmelo para poder avançar a obra e foi uma grande vitória participar, com a prefeitura da cidade, do asfaltamento do acesso. Era um sonho, uma necessidade antiga. A nossa grande frustração foi o que apresentei como prioridade para esse ano ao ministro [da Educação, José Mendonça Bezerra Filho] e não foi atendido, recursos da ordem de R$ 38 milhões destinados a obras fora de Uberlândia. A única coisa que avançou disso foi uma sinalização de recursos para comprarmos o prédio do Sesi em Monte Carmelo, que já vem sendo usado através de uma parceria. Com isso, teremos um centro esportivo e estrutura para um curso de educação física. O Banco Mundial recomendou ao Governo Brasileiro, por meio de um relatório, que acabasse com o ensino superior gratuito no país. Qual sua opinião sobre o assunto? Em tom de brincadeira, nós reitores dizemos: “as Universidades Federais recomendam o fechamento do Banco Mundial”. Então isso expressa

mais ou menos o que eu acho sobre essa questão. O Banco Mundial deveria primeiramente considerar as condições do Brasil, um país ainda em desenvolvimento. O nosso país ainda precisa de inúmeras políticas públicas para resgatar um pouco dessa dívida social enorme que nós temos, inclusive o perfil dos estudantes das universidades públicas mudou muito depois da expansão das instituições e das políticas de cotas, etc. Hoje, você tem mais de 50% de alunos vulneráveis. Por isso, eu não posso levar a sério as recomendações que são feitas. O que ele poderia recomendar é que os grandes banqueiros pudessem participar mais da contribuição dos recursos para o governo implementar essas políticas. Em 2015, o Hospital de Clínicas da UFU possuía uma dívida de mais de R$ 50 milhões. Foi possível sanar parte da dívida? Quando se menciona que o Hospital tinha uma dívida de R$ 50 milhões, não é o Hospital. É a Fundação de Assistência, Estudo e Pesquisa de Uberlândia [Faepu]. Ela é que tem ajudado a universidade na administração do hospital. A universidade hoje tem duas unidades gestoras: uma delas é a UFU e a outra é o Hospital de Clínicas. Quando eu disse que nós estamos quitados, eu me referia à instituição pública Hospital de Clínicas, e não à Faepu. Ela tem realmente essa dívida. Uma dívida que foi assumida por uma fundação privada para fazer atendimento de saúde em um contexto em que há um subfinanciamento. A cada mês que o hospital funciona, a gente tem um déficit da ordem de R$ 2 milhões. Algum arrependimento após ter assumido a reitoria? Arrependimento, não. Preocupações, várias. Eu continuo com o mesmo entusiasmo do primeiro dia. Sou muito grato a uma equipe talentosa, envolvida, preocupada e que gosta da universidade.

Veja a entrevista completa: www.sensoincomum.net

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POLÍTICAS

Empresas Juniores enfrentam dificuldades para se consolidarem na UFU Proibição de pagamento aos integrantes e resistência interna são alguns dos problemas ELOISA ROCHA E GIOVANNA TEDESCHI De acordo com o Núcleo de Empresas Juniores (NEJ) da UFU, até dezembro de 2017, havia 19 grupos em funcionamento filiados ao órgão. Além desses, pelo menos outros sete estão em processo de constituição e regularização nos mais diversos cursos. Porém, nesse processo, uma série de desafios são encontrados, como irregularidades, falta de reconhecimento e recursos. Até 2016, não havia regulamentação que oficializasse o funcionamento dessas empresas. No entanto, em abril do mesmo ano, foi sancionada a Lei nº 13.267, que, em seu artigo 7°, veta a captação de “recursos financeiros para seus integrantes por intermédio da realização de seus projetos ou de qualquer outra atividade”. Ou seja, o trabalho deve ser voluntário.

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Precisamos oferecer uma remuneração, mesmo que seja mínima. (Letícia Caetano)

De acordo com o diretor administrativo e financeiro do NEJ, Jordy França, um dos fatores que podem auxiliar na fiscalização é a nova regulamentação interna, aprovada pelo Conselho de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis (Consex) em 29 de novembro desse ano. “Agora participamos da Pró-reitoria de Extensão e Cultura, então temos mais autonomia para cobrar e inspecionar as EJs dentro da faculdade. Assim, é possível acabar com práticas como o pagamento de membros”, explica. Ainda assim, há grupos na UFU que cometem esse tipo de irregularidade. A EJ Techmob, dos cursos de Ciência da Computação e Sistemas de Informação, realiza pagamentos aos estudantes como forma de mantê-los dentro da empresa. “Nós não participamos do Núcleo de Empresas Juniores porque aqui há uma alta taxa de pessoas que recebem ofertas de emprego fora da universidade. Precisamos oferecer uma remuneração, mesmo que seja mínima”, afirma uma das diretoras da empresa, Letícia Caetano.

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Segundo Caetano, a falta de alunos interessados é tão grande que o último presidente chegou a ser o único funcionário da empresa por um ano. “Se for exigido, a gente tenta se adequar. Porém, teríamos que ter uma garantia de conseguir gente para a empresa”, explica. OUTROS PROBLEMAS Ana*, funcionária desde 2014 da EJ Olho de Peixe, do curso de Artes Visuais, conta que a empresa acabou perdendo a sala onde realizava as reuniões por causa de um de seus orientadores. "Nosso tutor começou a questionar como o laboratório estava sendo utilizado e acabou tomando as chaves de todos. Depois disso, ele deixou a empresa”, explica. Em formação, a EJ Consulpsi pertence ao curso de Psicologia. Segundo as alunas Ana Beatriz Lopes e Melissa Santos, ambas do grupo fundador da empresa, há dificuldades na criação. “Nosso maior problema residiu no fato de que algumas pessoas possuem reflexões diferentes acerca do empreendedorismo universitário, e do lugar que uma empresa ocupa no instituto”, contam. DENÚNCIAS Se o aluno identificar irregularidades relacionadas a professores e técnicos-administrativos nas empresas juniores, é possível procurar o Ministério Público Federal (MPF) da cidade para realizar a queixa. Se necessário, pode-se pedir o sigilo da investigação. O Procurador da República em Uberlândia, Leonardo Andrade Macedo, explica como funciona o processo. “As denúncias podem ser feitas pessoalmente ou pela internet. Se a pessoa comparecer ao Ministério Público, será tomado o depoimento dela. Após isso, o depoimento entra em análise e, havendo uma coerência mínima, o caso se transforma em um procedimento de investigação”, esclarece. Para realizar uma denúncia online, basta utilizar o site do MPF (http://www.mpf.mp.br/), acessando as abas Ouvidoria e Fale Conosco. *Nome fictício para preservar a identidade da fonte.

CONTRATEMPOS VÃO DA ABERTURA À OBTENÇÃO DE ESPAÇO PARA EMPRESAS JUNIORES · FOTO: GIOVANNA TEDESCHI

SERVIÇO Discentes que quiserem relatar algum descumprimento das normas das EJs devem contatar a Ouvidoria da UFU por meio do telefone (34) 3239-4074 ou do email ouvidoria@reito.ufu.br.


POLÍTICAS

Partidarismo político dentro de movimento estudantil gera polêmica Porta de entrada na vida política, organização partidária dentro dos coletivos pode atrapalhar a pluralidade de opiniões GUSTAVO RIBEIRO E MARIA CAROLINA Kizomba, Reinventar, Juntos, Vamos à Luta, União da Juventude Socialista. Em meio a tantos movimentos estudantis, é comum encontrar neles filiados a partidos políticos, a maioria ligados a PT, PDT, PSOL e PCdoB, mas há ainda a presença de integrantes do PSL e PSDB. Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFU, esses e outros grupos se organizam para discutir demandas dos alunos. Porém, também são espaços de ascensão política. Alguns personagens que tinham forte engajamento político durante a graduação foram auxiliados por essa visibilidade na conquista de cargos públicos e na vida profissional. Um deles é Leonardo Barbosa, que começou a participar do DCE no início de sua graduação, em 1993. Foi ainda diretor da União Estadual dos Estudantes (UEE) e atuou no Diretório Acadêmico do curso de Economia. Ele se tornou professor da UFU em 2009 e ocupou o cargo de diretor de assuntos estudantis na gestão do ex-reitor Elmiro Resende. Outro nome que partiu dos movimentos estudantis para a política foi Bruno Pickles. Ele é graduando em Pedagogia na UFU e faz parte do coletivo Reinventar. Sua principal atuação foi na União Colegial de Minas Gerais (UCMG), quando ainda morava em Belo Horizonte. “O Movimento Estudantil é a porta de entrada para a consciência política, além de ser um celeiro de lideranças”, pontua o estudante, filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT) desde 2006, e candidato a vereador em Uberlândia, em 2016. “Depois de integrar os movimentos estudantis, a política passa a ser uma missão”, alega. Esse envolvimento entre movimentos estudantis e partidos políticos não é ilegal. No entanto, pode gerar situações questionáveis do ponto de vista ético. Conforme relato de um exmembro do DCE que não quis se identificar, essa relação tão próxima fez com que o grupo recebesse caixas com panfletos e adesivos para apoiar a então candidata à presidência da República, Dilma Rousseff, nas eleições de 2014. Em troca, a entidade teria recebido verba, vinda inclusive de vereadores da cidade, para que

APESAR DE NÃO SER ILEGAL, ENVOLVIMENTO ENTRE PARTIDOS E COLETIVOS É QUESTIONADO · FOTO: ANA LUIZA COSTA

essa divulgação acontecesse. Ainda de acordo com a fonte, esse tipo de ação é algo comum. Ainda que esse repasse de verbas não seja contra a lei, segundo a doutora em Sociologia e professora do Instituto de Ciências Sociais, Rafaela Cyrino, a entidade deve representar os estudantes, não um partido. “As pessoas que estão dirigindo vão dar sua tônica, mas partidarizar é complicado”, afirma. De acordo com Cyrino, é comum que haja diferenças de ideais nos movimentos sociais e as consequências de fragmentar as pautas podem ser graves. “Se a gente não superar esse raciocínio individualista que influencia os movimentos, não vamos conseguir pensar nos estudantes como uma categoria maior”, conclui. Uma ex-integrante do Juntos, que também não quis se identificar, conta que se desmotivou ao ver em reuniões da União Nacional dos Estudantes (UNE) a falta de compreensão e de pluralidade de vozes. “As pessoas só dão a oportunidade de falar para quem tem o discurso igual”, desabafa. Além disso, relata que quando começou a questionar al-

guns debates e perguntar sobre as conjunturas políticas dos grupos, não havia respostas que pudessem sustentar as argumentações. DIRETÓRIO DOS ESTUDANTES A gestão do DCE na UFU conta com aproximadamente 300 estudantes de todos os campi, exceto do Pontal. Essa heterogeneidade, em tese, faria com que o Diretório caminhasse na tentativa de unir os universitários, procurando dialogar entre posições divergentes. Entretanto, segundo Bruno Soares, graduando em Ciências Sociais e integrante da entidade, aqueles que tentam dialogar e unir opiniões divergentes em prol do bem maior da comunidade acadêmica são, por vezes, criticados. Soares afirma que, ainda que isso não ocorra sempre, existem ideais desarmônicos dentro da universidade e da própria gestão. Segundo ele, muitos universitários têm preferido se isolar em “bolhas”: “Tem muita gente falando e pouca gente ouvindo”.

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ESPECIAL

“Isso nunca vai acontecer comigo” Jovens correm constante risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis por acreditarem que não vão se contagiar facilmente ANA LAURA FRANÇA MARQUES

Falta de informação, de prevenção e a sensação de imunidade têm feito os casos de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), como HIV/Aids, sífilis e HPV aumentarem entre os jovens brasileiros. Dados do Boletim Epidemiológico de HIV/Aids de 2016, elaborado pelo Ministério da Saúde, revelam que, nos últimos 10 anos, contrariando as expectativas, houve aumento de 85% no número de casos de jovens brasileiros com idades entre 15 e 24 anos que vivem com o vírus HIV ou com a Aids, a manifestação do vírus. Grupo que, segundo a Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira (PCAP), não está se cuidando. O estudo mostra que seis em cada dez jovens nessa faixa etária afirmaram que já fizeram sexo sem preservativo e 74,8% deles nunca realizaram testes de DSTs. Segundo o Sistema Único de Saúde (SUS), dos 44 mil jovens diagnosticados hoje, apenas 29,2% estão em tratamento. Cuidado esse que depende, basicamente, do uso de preservativos durante relações sexuais. As camisinhas devem ser distribuídas gratuitamente em todos os postos de saúde públicos. Porém, durante a realização dessa reportagem, a equipe do Senso Incomum desco-

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POR CONTA DO COQUETEL, MAX ZILLER TAMBÉM PRECISA TOMAR MEDICAMENTOS PARA O FÍGADO E ANSIEDADE. · FOTO: ANA LAURA MARQUES

briu que, no início de dezembro de 2017, os preservativos estavam em falta em todos os postos do SUS de Uberlândia, exceto no ambulatório especializado em DSTs. Justamente por ser uma doença ainda estigmatizada, há soropositivos que preferem não realizar o tratamento para não terem que contar

seu diagnóstico para amigos, família ou parceiros. Foi o que aconteceu com um jovem da UFU, que faleceu após dois meses e 13 dias internado, lutando contra pneumonias, meningite e, por fim, uma infecção generalizada que não pôde ser curada por conta das deficiências imunológicas causadas pela Aids.

De acordo com Jonas*, seu namorado na época, o jovem só contou que era HIV positivo na véspera de sua internação, após três anos e meio de relacionamento, quando uma médica solicitou um exame de DST na sua frente. Porém, por saber que vivia com o vírus, ele sempre insistia em ter relações sexuais com preservativo e, por isso, Jonas ficou protegido. Contudo, isso não impediu a família da vítima de culpar Jonas por transmitir a doença ao filho. Enquanto o jovem estava internado, ele teve que fazer visitas escondidas, pois os parentes do menino impediam-no. “Falavam para amigos meus que a culpa era minha, que eu estava matando o filho deles”, lamenta. Sabendo disso, Jonas conta que tirou foto dos seus exames negativos e enviou para os pais do namorado. A resposta foi: “não fala pra ninguém e fica com Deus”. Diferente do caso anterior, o estudante de Sistemas da Informação, Max Pereira Ziller, escolheu falar abertamente seu diagnóstico como uma forma de combate à intolerância. Quando descobriu que tinha Aids, um amigo o adicionou em um grupo no Facebook de soropositivos, onde pediu dicas de como contar para


ESPECIAL

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A moça era muito legal, eu nem imaginava que ela tinha a doença. ( Michel*)

os seus pais sobre a situação. “Recebi 30 respostas, 29 me aconselhando a não contar. Logo, percebi que muitas pessoas soropositivas tentam se esconder ao máximo, e eu não queria viver assim”, afirma. Diagnosticado soropositivo em julho de 2016, o estudante conta que toma o chamado coquetel, remédios que controlam a reprodução do vírus no organismo. Porém, o tratamento não é simples. Os remédios são muito fortes e, às vezes, desencadeiam efeitos colaterais, como aconteceu com o aluno, que passou por um desequilíbrio bioquímico no cérebro. Além das dificuldades com a saúde, Max precisou enfrentar a burocracia e o preconceito da universidade. Ele precisou expor sua situação para todo o colegiado do seu curso quando solicitou o regime especial de estudos e, mesmo assim, ouviu a recomendação de trancar o curso até que houvesse uma melhora em seu quadro. Após uma solicitação e dois recursos, o aluno conseguiu o afastamento requerido por seu médico que, de acordo com a Faculdade de Computação (Facom), demorou por causa dos trâmites necessários.

OUTRAS DSTS De acordo com o site de pesquisas de enfermidades MD Saúde, apesar de muito se falar de HIV e Aids, as doenças de maior incidência entre essa faixa etária são gonorreia, tricomoníase, clamídia e HPV, que ainda são pouco discutidas. Um dos motivos é que as três primeiras podem ser curadas de maneiras simples, com medicamentos, e a última possui uma vacina de prevenção. Todavia, essa desinformação pode retardar a procura por um tratamento. Michel*, outro estudante da UFU, conta que adquiriu gonorreia e HPV através da prática de sexo oral, no início de 2017. Assim que foi diagnosticado com HPV, conversou com sua parceira, que não sabia que era portadora do vírus por não apresentar os sintomas. A ginecologista Thaís França de Araújo, especialista em sexualidade humana, explica que os pacientes em geral procuram por atendimento médico somente quando percebem uma lesão, como verrugas, ínguas ou bolhas. No entanto, deveriam passar por avaliações rotineiras para um diagnóstico precoce de doenças sexualmente transmissíveis. “O tratamento é fundamental para evitar as complicações ineren-

tes a cada uma das DSTs e reduzir a contaminação”, afirma. O HPV, por exemplo, é assintomático na maioria das vezes e pode ser causado por um vírus que possui mais de 150 subtipos, sendo que dois deles estão associados a mais de 70% dos casos de câncer de colo de útero. Outras DSTs, como a sífilis, têm consequências diretas no funcionamento cerebral a depender da fase da doença. Mas o principal dano é a redução na qualidade de vida com aumento da ansiedade e agravamento de sintomas de transtornos específicos como Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), depressão e síndrome do pânico, como aponta a psiquiatra Lívia Araújo Macedo Carvalho. Somente em São Paulo, entre 2007 e 2013, houve um aumento de 603% nos registros de casos de sífilis, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde daquele estado. Carvalho é especialista em atendimento de jovens e explica que eles nem sempre se previnem porque faz parte da sua constituição cerebral a dificuldade para tomar decisões “quentes”, ou seja, durante momentos que envolvam emoções mais fortes. “A área do cérebro responsável por esse tipo de raciocínio e autocontrole só vai estar completamente formada em torno dos 21 anos”, explica a médica. Segundo

Carvalho, isso mostra que os jovens são mais impulsivos e, por isso, têm a sensação de que são imunes a qualquer mal. “E ficam repetindo a frase: ‘isso nunca vai acontecer comigo’”. Vide o relato de Michel, quando questionado sobre sua falta de prevenção ao ter relações sexuais com a garota que lhe contaminou: “A moça era muito legal, eu nem imaginava que ela tinha a doença”. A médica acrescenta que o uso de drogas nessa idade contribui para o descuido, pois é comum o abuso de substâncias psicoativas durante os momentos de diversão e também de sexo, o que reduz a capacidade de julgamento: “Sob efeito de drogas, não é tão simples decidir o que fazer no momento de um prazer imediato”. * Nomes fictícios para preservar a identidade das fontes.

DIAGNÓSTICO EM UBERLÂNDIA A cidade possui o Ambulatório DST/Aids Herbert de Souza, localizado na Rua Avelino Jorge do Nascimento, nº 15, no bairro Roosevelt, que realiza testes de DSTs rápidos e gratuitos e dispõe de acompanhamento com assistentes sociais e médicos infectologistas.

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COTIDIANO

Estudantes relatam benefícios e desafios como integrantes do PET Conciliar compromissos do programa com vida pessoal e acadêmica é uma das principais questões apontadas pelos petianos MARIANA SOLIS Presente na UFU desde a década de 1990, o Programa de Educação Tutorial (PET) é uma iniciativa destinada a discentes que, sob tutoria de um professor, desenvolvem atividades em pesquisa, ensino e extensão. Manter um bom coeficiente de rendimento, publicar trabalhos científicos e participar das atividades propostas estão entre as principais atribuições de um petiano. Os grupos organizam eventos diversos, desenvolvem iniciação científica, participam de congressos acadêmicos e das reuniões semanais do programa. Apesar da sobrecarga, as exigências e a dedicação aos afazeres dos grupos PET são consideradas como positivas pelos integrantes. A estudante de Engenharia Civil, Bruna Caroline Campos, permaneceu no PET do seu curso durante dois anos e acredita que a participação no programa colaborou para a sua formação acadêmica. “O PET é uma atividade extracurricular complexa, abrigando vários afazeres e responsabilidades. Portanto, tem peso importante no currículo, visando tanto a busca de estágios e posteriores trabalhos quanto o ingresso em programas de intercâmbio”, conta. Além do trabalho desenvolvido entre os integrantes, os PETs também promovem atividades de extensão voltadas à comunidade externa e aos estudantes da UFU, como aulas, palestras, e monitorias em escolas públicas. Para os acadêmicos, debates, seminários, oficinas e minicursos também são oferecidos. DIFICULDADES A disponibilidade de, no mínimo, 20 horas semanais é um dos pré-requisitos para ser um petiano. A petiana do curso de Geografia, Laura Duarte, relata os desafios de fazer parte do grupo. “A gente tenta se programar ao máximo para conseguir conciliar tudo. É bem puxado, tem hora que a gente sente na pele o aperto”, diz. Já Bruna Campos aponta, como ponto negativo, a “cobrança de estar cada vez mais presente e ativo no grupo, cada vez assumindo mais afazeres e dedicando maior parte do tempo, o que, sem planejamento, pode prejudicar o curso em si.”

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A EXTENSÃO, UM DOS PILARES DO PET, É EXERCITADA POR MEIO DE PROJETOS COM A COMUNIDADE EXTERNA, COM AS AULAS E PALESTRAS NAS ESCOLAS · FOTO: ARQUIVO PESSOAL

O presidente do Comitê Local de Acompanhamento e Avaliação dos Grupos PET da UFU (CLAA), Jesiel Cunha, reconhece que a sobrecarga é uma questão recorrente entre os membros dos PET e propõe soluções. “É um ponto importante de questionar se, em função dessa quantidade e dessa abrangência de atividades que a gente faz, não estaríamos exigindo demais, para além do possível para os petianos”, reflete. Cunha entende que os petianos, além dos compromissos do grupo e acadêmicos do próprio curso, realizam outras atividades extracurriculares e precisam ter tempo para a vida pessoal. “É possível diminuir um pouco o número de atividades, não na abrangência, porque essa poderia manter, mas na quantidade. O importante é manter a qualidade”, defende. A estudante de Ciências Biológicas, Júlia Almeida Moraes, que integrou o PET Biologia durante dois anos, revela que, com a entrada no grupo, ela precisou gerenciar o seu tempo e abdicar de algumas atividades, como a participa-

ção na bateria da atlética. “O desafio é destinar o tempo necessário para cada função. Tudo é questão de prioridade e qualquer escolha exige renúncias”.

PET NA UFU Com 30 grupos ativos, a UFU é a segunda universidade do país com o maior número de PETs, perdendo apenas para a Universidade Estadual Paulista (Unesp), que conta com 47. O presidente do CLAA afirma que a meta é implementar dois novos grupos por ano na universidade. Entretanto, em 2017, isto não foi possível devido às limitações orçamentárias.


ECONOMIAS

Universitários fazem campanha para reativar fábrica de farinha em assentamento Para conseguir produzir, comunidade precisa de mais de R$ 5 mil para o reparo do motor estragado VINÍCIUS RIBEIRO Como o conserto de um motor pode empoderar socioeconomicamente uma comunidade? O Farinha Minha, projeto desenvolvido pela ONG Enactus e estudantes da UFU, acontece desde agosto de 2015 no Assentamento Rio das Pedras, em Uberlândia. Com a intenção de reativar e aprimorar as atividades realizadas na fábrica de farinha de mandioca que existe no local há nove anos, o grupo criou uma campanha para arrecadação de fundos destinados ao conserto do motor. A fábrica sempre funcionou com falhas e seu principal motor quebrava sempre. Devido a um erro de instalação no nivelamento do forno, a máquina se sobrecarregava, as roldanas não aguentavam a pressão e isso comprometia o funcionamento das outras etapas de produção. Camila Aguiar, gerente do projeto, explica que, apesar de só o forno ter apresentado mal funcionamento, ele é o coração da fábrica. “Torrar a farinha é muito caro e gasta muito gás. Sem um forno que funcione à combustão de madeira, não tem como produzir”. Os integrantes da Enactus UFU tiveram acesso a uma lista com assentamentos em Uberlândia, a partir de um contato com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Foi então que os membros da ONG chegaram ao Rio das Pedras e descobriram o desejo dos moradores de reabrir a fábrica, parada desde abril de 2017. Marinilsa Silva vive há 20 anos com seus familiares no sítio que seu falecido pai deixou. Ela está sempre presente nos eventos que a Enactus realiza na associação de moradores e diz que a

CONHEÇA A ENACTUS A Enactus é uma ONG sem fins lucrativos presente em 36 países, com o objetivo de desenvolver projetos voltados para o empreendedorismo social. Na UFU, o Time Enactus foi criado em 2015 e conta com 33 estudantes de 18 cursos de graduação.

LOURIVAL SOARES DA SILVA TAMBÉM SE DISPÔS A FORNECER MATÉRIA-PRIMA PARA A FÁBRICA · FOTO: VINÍCIUS RIBEIRO

reativação da agroindústria de mandioca trará um grande impacto em sua vida financeira. “Me dedico ao máximo à fábrica de farinha, porque é do meu interesse que ela funcione para conseguir emprego. Não só eu, como os demais companheiros aqui do acampamento. Quero que ela funcione, então o que precisar eu faço”. Segundo Camila Aguiar, a questão financeira é uma dificuldade. “Como somos uma ONG, não temos fonte de renda, pois não cobramos pelo nosso trabalho. Precisamos arrumar o forno e não temos como levantar esse dinheiro. Aí a gente faz bazar, faz festa, vende rifa, o que for preciso. Mas é complicado”, diz a gerente de projetos. De acordo com a diretora administrativa da Enactus, Flávia Castro, o caixa do projeto era de apenas R$ 250 no final do ano. Para consertar a peça estragada, a comunidade precisa de R$ 5.350. O presidente da Associação de Moradores, Lourival Soares da Silva, reconhece a importância de o projeto promover o empreendedorismo e gerar renda na comunidade que abriga 87 fa-

mílias cadastradas com lotes. Segundo ele, a interação entre universitários e assentados trará benefícios. “Numa sociedade que não dá oportunidade para os mais necessitados, aparecem então essas pessoas [estudantes] que aproveitam para trazer a teoria para quem está praticando, juntar as duas coisas e ver se caminham”. A produção da farinha só é possível após o cultivo da mandioca. Para suprir isso, 11 moradores do Rio das Pedras estão comprometidos com as plantações, e alguns agricultores de outros assentamentos manifestaram interesse em fornecer matéria-prima para a fábrica. A equipe acredita que, quando a produção estiver funcionando e gerando lucros, mais pessoas se sentirão confiantes para aderir à cooperativa. A iniciativa conta com o suporte de universitários que participam do PET Economia e de empresas juniores ligadas à UFU, como a ConsultEQ (Engenharia Química); a Conteagro (Agronomia); a Apoio (Nutrição); a Meta (Engenharia Mecânica); e a Magna (Direito).

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EXPERIMENTOS

Odontologia da UFU oferece atendimento gratuito à comunidade Estudantes relatam processo de humanização do curso por meio de projetos de extensão ZILÁ CARVALHO Imagine uma adolescente de 18 anos com dois filhos, que nunca foi ensinada a escovar os dentes e, por causa da rotina de trabalho e maternidade, não teve tempo para cuidar de sua saúde bucal. Ou então, um adulto que está visitando o dentista pela primeira vez em sua vida porque não consegue se alimentar em decorrência dos dentes muito danificados. De acordo com a estudante Dayane Batista Santana (20 anos), casos como esses são comuns nas clínicas odontológicas do curso de Odontologia da UFU. Santana explica que, durante a entrevista que realizam com os pacientes para compreender como os modos de vida e o cotidiano afetam a saúde, os estudantes têm contato com casos muito sensíveis que envolvem a falta de noções básicas de saúde bucal. “Quando nos deparamos com essas situações tão delicadas, iniciamos um processo de humanização por ver a realidade do país. Os pacientes se sentem acolhidos, a ponto de nos contarem suas vidas”, declara. ATENDIMENTOS ACONTECEM DIARIAMENTE NAS CLÍNICAS DA UFU · FOTO: ZILÁ CARVALHO

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Iniciamos um processo de humanização por ver a realidade do país. (Dayane Santana)

Após um ano de espera para ser atendida, Gisele Maria Meireles (36 anos), está sendo tratada há oito meses no Hospital Odontológico (HOUFU). Ela também acompanha o filho de seis anos, que é atendido na clínica pediátrica do Hospital. “A atenção que eles têm nos deixa muito a vontade, nos faz confiar no trabalho. Disponibilizam até contatos pessoais para ligarmos caso aconteça alguma coisa. Meu filho, que tem paralisia facial, é bem tratado aqui, tem uma boa relação com o pessoal. A presença dos professo-

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res durante os atendimentos também contribui com essa sensação de confiança. Estou achando ruim acabar meu tratamento, vou sentir falta.” SERVIÇOS Os alunos do curso de Odontologia fazem atendimentos coordenados por professores e monitores, não havendo risco de os pacientes serem prejudicados por inexperiência dos estudantes, explica Isabella Resende Vieira (19 anos). Por causa da grande demanda pelos serviços e do número limitado de vagas, oferecidas via Sistema Único de Saúde (SUS), o tempo de espera por atendimento pode chegar a vários meses. Mesmo assim, os pacientes que não têm condições de procurar alternativas, aguardam pelas assistências. Por mês, o HO-UFU realiza cerca de 200 atendimentos. Os serviços, oferecidos também para alunos da universidade, podem ser realizados nas diversas clínicas que compõem o Hospital Odontológico — pediátrica, geriátrica, para pacientes com

necessidades especiais e integrada (com todos os serviços de que o paciente precisa, de forma continuada) — ou mesmo durante a triagem e os atendimentos domiciliares. As Unidades de Atendimento Integrado (UAIs) de Uberlândia também oferecem tratamentos odontológicos gratuitos. Entretanto, a demanda no HO é maior por causa dos serviços que são referência nacional e da disponibilidade de materiais que, às vezes, faltam nas Unidades, de acordo com o mestrando em Odontologia Lucas Lemes. O Pronto Socorro Odontológico (PSO) atende pacientes em situações emergenciais. Aqueles que precisam realizar um tratamento de canal, por exemplo, são encaminhados para outros setores sem necessidade de espera. Para se cadastrar na sessão de Acolhimento ao Paciente, é necessário apresentar um documento de identificação, um comprovante de residência e abrir o prontuário no bloco 4L do Campus Umuarama.


ESPORTES

Estudantes criam projeto social de judô Atletas da UFU pretendem atender crianças e adolescentes da rede pública a partir de 2018 JULIANA TOBIAS Há três anos, a equipe de judô da UFU, fundada por Mário Lau, organiza treinos no campus Educação Física. A modalidade tem ganhado destaque na universidade aos poucos, integrando competições fora de Uberlândia, como o JUMs (Jogos Universitários de Minas Gerais), no qual a equipe conquistou o primeiro lugar nos últimos dois torneios. Os atletas decidiram expandir os horizontes e criaram o Projeto Judô Integral, voltado para as crianças e adolescentes carentes da comunidade uberlandense. Em 2018, o projeto vai ser expandido às escolas públicas. Mesmo sabendo das dificuldades em conseguir verbas, Isaque Barbosa, coordenador do projeto e graduando em Relações Internacionais, conta que recebeu total apoio ao procurar a Divisão de Esporte e Lazer Universitário (Diesu). “O caminho para o esporte na UFU era nos conformarmos com a falta de recursos oferecidos pela universidade ou achar nossos meios de fazê-lo acontecer”, relata o estudante, que promove eventos para arrecadar fundos para o Judô Integral.

O projeto conta com o apoio do Ministério do Esporte, por meio do programa Segundo Tempo. O recurso oferecido pelo governo foi de R$ 95 mil, sendo R$ 20 mil destinados à compra de material esportivo e R$ 75 mil ao pagamento de um professor e um estagiário por dois anos. O Judô Integral atenderá alunos da rede pública, com idades entre cinco e 15 anos, separados em grupos distintos de acordo com a faixa etária de cada um. A quantidade de treinamentos por semana e o tempo de duração das aulas variam conforme a categoria. As inscrições serão trimestrais, gratuitas e realizadas no centro de treinamento do Judô UFU no campus Educação Física por pais ou responsáveis. Para participar do projeto, as crianças precisam estar comprometidas com o esporte e apresentar um rendimento mínimo de 65% das notas escolares. O bom comportamento e a conduta ética dos alunos envolvidos, tanto em ambiente escolar quanto em casa, também são requisitos. A página Equipe Judô UFU no Facebook disponibiliza mais informações aos interessados.

JUDÔ UFU INCENTIVA INCLUSÃO DO ESPORTE NA VIDA DE ESTUDANTES · FOTO: ARQUIVO PESSOAL

ANOTA AÍ

Alunos optam por praticidade na alimentação Por falta de tempo, dieta balanceada, muitas vezes, é deixada em segundo plano por estudantes da UFU RAPHAELA AUGUSTA E MARCO TÚLIO SILVA Devido à rotina da universidade, muitos alunos acabam escolhendo opções rápidas e baratas na hora de se alimentar. O estudante encontra diversas alternativas dentro e fora do campus: lanchonetes, restaurantes e cafeterias contam com um cardápio variado e diferentes preços. Entretanto, muitas dessas refeições nem sempre contemplam todos os nutrientes necessários para a saúde. O estudante de Geografia, Giulio Castello, almoça frequentemente no RU gastando R$ 3 por refeição, que contém em média 800 calorias. Quando se alimenta nos arredores do campus, o aluno gasta normalmente R$ 15. Entretanto, um lanche industrializado e um refrigerante fora da universidade podem conter até 700 calorias e

não ser tão saudáveis quanto as opções do RU. Castello ainda conta que costuma gastar em média R$ 5 em promoções feitas por lanchonetes dentro da UFU. Esses combos têm em média um valor nutricional de 400 calorias. Além de lanches e refeições, muitos alunos também tomam o café da manhã na universidade. Marina Suzuki é estudante de Gestão da Informação e diz que, devido à correria, quase sempre se alimenta na UFU. “Costumo comprar um pão de queijo e um café na parte da manhã”. Esta opção varia de local para local, custando em média R$ 4 e com um valor de 120 calorias. Segundo Jaqueline Rodrigues, nutricionista do RU, os salgados são ricos em gorduras e podem ocasionar diversos problemas de saúde. O con-

sumo exacerbado desses alimentos e a falta de nutrientes pode resultar em obesidade e complicações como anemia, problemas cardíacos, fraqueza muscular, dificuldades respiratórias etc. A nutricionista afirma, ainda, que existem formas de se alimentar de maneira mais saudável dentro da universidade. “Os alunos podem optar por alimentos menos processados, como sanduíches naturais e frutas”, explica Rodrigues.

Veja onde se alimentar próximo à UFU: www.sensoincomum.net

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DIVERSIDADE

A UFU que não vemos: os trabalhadores, suas vidas, nossas histórias Conheça um pouco sobre os homens e as mulheres que atuam nos bastidores da universidade TEXTO E FOTOS: ANATÁLIA AMORIM Você já parou para pensar que, para a universidade funcionar, ela precisa de muitas pessoas? Entre elas, estão funcionários terceirizados que atuam nos setores de segurança, jardinagem, limpeza, transporte intercampi, restaurante universitário, e demais atividades. Pensando que, muitas vezes, em meio à correria da vida acadêmica, esquecemos de valorizá-los, a equipe do Senso Incomum buscou conhecer algumas dessas pessoas e suas histórias.

Adriana Ferreira Costa tem 43 anos, sete deles na segurança da UFU. Para ela, é importante a presença de mulheres em seu setor. "Muitas meninas, em caso de violência, se sentem mais seguras e compreendidas procurando um lado feminino para lidar com a situação". Adriana gosta do cargo que exerce: "Muitos alunos me tratam bem, e é recíproco. Reconheço que o aluno é nosso maior patrimônio".

Sérgio José Amorim tem 58 anos e, há quatro, trabalha no setor de jardinagem da UFU. Para ele, os servidores muitas vezes não são notados pelos estudantes. “Alguns fingem que não existimos, mas outros nos cumprimentam e nos tratam bem”. Ainda assim, diz sentir-se grato com a função que exerce. “Sou feliz no meu emprego, é o que traz o meu sustento”.

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Tenho muito carinho com os alunos, eles precisam de nós e nós também precisamos deles! (Lázara Silva)

Lázara Maria Alves Silva tem 55 anos e, há um ano e três meses, atua na limpeza da universidade. “Sou muito

grata e feliz com meu trabalho, foi Deus quem abriu essa porta”. Lázara também conta sobre sua relação com os estudantes da universidade: “Tenho muito carinho com os alunos, eles precisam de nós e nós também precisamos deles!”

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O motorista José Júlio Cândido, 63 anos, trabalha há dez meses no transporte intercampi. Diariamente, faz cerca de dez viagens entre os campi Santa Mônica e Umuarama. Não é incomum os recados na página do Facebook “Spotted UFU” elogiando a simpatia e alegria do motorista. "Muitos me abraçam, me cumprimentam, desejam bom almoço e bom descanso... Sou muito contente com meu trabalho!"

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Muitos me abraçam, me cumprimentam, desejam

bom

almoço

e

bom

descanso... Sou muito contente com meu trabalho! (José Cândido)

Jusicleia Alves Rodrigues tem 38 anos e há quase dois trabalha no Restaurante Universitário (RU). “Às vezes, algum alimento acaba e os alunos não são compreensivos, querem tudo com urgência. Eu os entendo e busco lidar bem com essas situações”. Apesar disso, é contente com seu emprego: “Sempre gostei muito dessa área e aqui no RU existe uma parceria muito grande entre os colegas de serviço”.

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Sempre gostei muito dessa área e aqui no RU existe uma parceria muito grande entre os colegas. (Jusicleia Rodrigues)


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Senso Incomum 038 - fev-mar/2018 by Jornalismo UFU - Issuu