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Jornal do Interior | Edição 227 | Fevereiro 2026

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9ª edição do Conexidades é lançada

Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira, vai receber o maior encontro de parceiros públicos e privados do país no próximo mês de junho. PÁG. 05

Made in SP chega aos municípios

O "Made in São Paulo" avança para os municípios do interior, valorizando a economia regional e os produtos locais e fortalecendo o turismo. PÁGS. 06 e 07

O desafio da primeira infância

Representantes do TCESP alertam: apenas 26,6% dos municípios têm planos para a primeira infância, exigindo ações concretas dos gestores. PÁG. 09

Transformação digital nas cidades

Da teoria à prática, estudo revela que cidades paulistas precisam superar a digitalização básica investindo em planejamento estratégico. PÁGS. 10 e 11

Um olhar para o futuro dos municípios.

Um olhar para o futuro dos municípios.

Um olhar para o amanhã: o desafio de repensar a educação

A verdadeira transformação de uma sociedade começa dentro da sala de aula, mas estruturar um ensino público de excelência exige muito mais do que apenas boas intenções. Em um cenário onde a pandemia deixou marcas profundas na aprendizagem, pensar o futuro da educação municipal significa refletir criticamente sobre a inclusão tecnológica, gestão em rede e engajamento escolar. É preciso encarar o conhecimento como o verdadeiro motor do desenvolvimento das cidades. Movido por essa urgência de buscar soluções, o debate ganhou força com a realização do Intercidades Educação em Campinas. Promovido pela UVESP, o encontro reuniu cerca de 300 gestores, prefeitos, vereadores e especialistas de 51 municípios paulistas, unidos

no interior

pelo propósito de repensar e fortalecer políticas educacionais. A programação evidenciou que investir na recuperação dos índices oficiais e na implementação de novas tecnologias é o caminho seguro para superar desigualdades nas escolas. PÁG. 03

Alfabetização tem avanço histórico

O Programa Alfabetiza Juntos atingiu 100% dos municípios paulistas, garantindo leitura para 76,5% das crianças aos 7 anos. PÁG. 08

Pacto contra o feminicídio

Executivo, Legislativo e Judiciário se unem no Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, buscando rigor contra a violência. PÁG. 13

Adaptação climática é desafio

Frente às projeções de calor extremo no interior, cidades buscam soluções baseadas na natureza para transformar planejamento em resiliência. PÁGS. 14 e 15

União regional no Vale do Rio Grande

O encontro demonstrou a força da união entre diferentes esferas da gestão pública e especialistas do setor

Ao fortalecer a união de 34 municípios do Vale do Rio Grande, o CODEVAR amplia sua representatividade política com nova agenda para 2026. PÁG. 17

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CONEXÃO MUNICIPALISTA

Colaboradores

Eliria Buso

Jefferson Bote

Cláudia Costa

Departamento Jurídico

Dr João Costa

Dra Lívia Souza Sabino

Dr Rodrigo Antonio Correa

Dr Willians Kester

Circulação 645 municípios de São Paulo Os artigos assinados representam a opinião dos autores. O ponto de vista do jornal é expresso no editorial.

Sebastião Misiara Presidente sebastiaomisiara@uvesp.com.br

Silvia Melo

Presidente Executiva silviamelo@uvesp.com.br

Departamento Comercial comercial@uvesp.com.br Site www.uvesp.com.br www.conexidades.com.br www.jornaldointeriornews.com.br

Alguém já disse, de forma muito apropriada, que “em nossos dias, o mais importante patrimônio que se tem é o acúmulo de conhecimentos úteis e o uso inteligente que deles se faz”.

A UVESP inaugurou o INTERCIDADES EDUCAÇÃO em Campinas, no dia 26 de fevereiro, reunindo técnicos, professores e agentes públicos ligados à área com o propósito de compartilhar práticas modernas e estratégias inovadoras para o fortalecimento do processo educacional nos municípios.

Em abril, a quinta edição do Efetividade Pública organiza uma grade totalmente voltada à capacitação de servidores e agentes públicos, como nos anos anteriores.

Nesse contexto, à luz de uma visão moderna, o conhecimento histórico passa a adquirir nova dimensão e novo significado. Mede-se seu valor pelos resultados concretos alcançados na sociedade e no avanço do próprio conhecimento daqueles que participam de um e de outro.

O conceito de conhecimento, em todas as áreas, transmuda-se da mera condição de bem privado para assumir positivamente a condição esperada de bem público.

Existe um outro e importante objetivo, que é o de mudar igualmente o conceito de pessoa e/ou servidor instruído, pois dela exige-se sentido maior de capacidade, responsabilidade e qualificação para interpretar as grandes transformações e enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais inovador.

Sem desconsiderar tudo o que já foi feito em prol da evolução de todos os ramos do saber, identifica-se um novo papel reservado aos educadores que é o de tornar suas atividades mais produtivas, seja na escola, ou

nos órgãos públicos.

Somente pelo esforço integrado, trabalho permanente, sistemático e multidisciplinar poder-se-á transformar o inegável potencial de cada um dos participantes nos dois eventos da Uvesp (e nos próximos na linha educacional) em desempenho socialmente produtivo.

O curso Efetividade Pública demonstra claramente que não basta sentir os anseios populares, identificar as demandas da sociedade, pensar sobre as melhores soluções, sem, contudo, materializá-las para bem servir a administração da coisa pública.

Por outro lado, o Intercidades deu a largada em Campinas, município onde a educação é prioridade da gestão do prefeito Dário Saadi, o que torna ainda mais símbolica e coerente a ação da UVESP ao iniciar justamente ali essa agenda voltada ao fortalecimento das políticas educacionais.

A participaçõ de técnicos da área educacional no evento lança luz sobre uma discussão urgente no país. Estudos do UNICEF apontam que a evasão escolar ainda é uma realidade preocupante no Brasil, atingindo especialmente crianças e adolescentes de 6 a 17 anos em situação de maior vulnerabilidade social. São justamente esses jovens que mais dependem da atuação qualificada do poder público, representado pelos profissionais que estiveram reunidos em Campinas.

Por fim, queremos agradecer as empresas especializadas em Educação, parceiros deste Intercidades, como: Gamefik, Mavie Negócios e Representações, Analytics - Insights que Transformam e Prefeitura Municipal de Campinas.

Intercidades Educação reforça papel do ensino para superar desafios nos municípios

Encontro em Campinas debateu temas essenciais como inclusão, gestão em rede e tecnologia

A cidade de Campinas, reconhecida pelo sucesso de suas políticas educacionais, foi o palco do Intercidades Educação no último dia 26 de fevereiro. O evento, promovido pela União dos Vereadores do Estado de São Paulo - UVESP, reuniu cerca de 300 participantes de 51 municípios paulistas, consolidando-se como um importante espaço para o debate sobre os desafios e o futuro do ensino nas cidades do interior e litoral.

Com o tema "Motor do Desenvolvimento Municipal", o encontro atraiu prefeitos, vereadores, secretários municipais de Educação, além de especialistas e gestores públicos de todo o Estado de São Paulo. A programação intensa abordou pautas consideradas cruciais para a evolução do ensino público na atualidade, como educação digital e midiática, gestão em rede, mo-

nitoramento contínuo da aprendizagem, além de estratégias para inclusão com estrutura, fortalecimento da rede, engajamento e aprendizagem.

A solenidade de abertura contou com a presença de autoridades que reforçaram a relevância da escolha de Campinas para sediar a edição. Participaram da mesa: o prefeito anfitrião, Dário Saadi; o presidente do Conselho Gestor da UVESP, Sebastião Misiara; a CEO do Conexidades e presidente Executiva da Uvesp, Silvia Melo; a diretora de Cooperação com Municípios na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo - Seduc-SP, Márcia Bernardes; o presidente da Câmara Municipal de Campinas, Luiz Rossini; e a secretária municipal de Educação de Campinas, Patrícia Adolf Lutz.

Aprofundamento e debate técnico de alto nível

Segundo Silvia Melo, o papel do Intercidades como um espaço estratégico para debates técnicos mais aprofundados. "Trabalhamos uma série de temas no Conexidades e criamos o Intercidades com edições temáticas para aprofundar as discussões. Hoje tivemos um dia muito feliz, com vereadores que viajaram 620 quilômetros para estar aqui, e palestrantes até de outros estados. O debate foi enriquecedor e o Intercidades continuará reverberando", enfatizou, destacando o engajamento dos participantes.

A expressiva adesão ao evento, com representantes de mais de meia centena de cidades, também foi celebrada pela organização como um

A expressiva adesão ao evento, com representantes de mais de meia centena de cidades, também foi celebrada pela organização como um sinal claro da urgência do tema

sinal claro da urgência do tema. O presidente do Conselho Gestor da UVESP, Sebastião Misiara, avaliou a importância da presença desses 51 municípios. "A representatividade que vemos aqui é significativa porque sabemos que os participantes vieram pelo tema e não porque estamos em um destino turístico. A UVESP uniu os profissionais da Educação aos gestores públicos, prefeitos, vereadores, secretários para debater o tema de forma técnica e política. Como nos ensina a filosofia: 'só a educação vence a barbárie'", pontuou.

Já o prefeito de Campinas lembrou que um dos objetivos do Intercidades foi discutir o uso de novas tecnologias e projetos de sucesso na área, que podem ser aliados nesse processo. “Nós estamos discutindo muito os indicadores de ensino. A pandemia prejudicou o aprendizado dos alunos de Campinas e de todo o mundo. Queremos acelerar esse processo de melhorar o aprendizado e nossas avaliações nos índices oficiais”, afirmou Dário Saadi.

O encontro demonstrou a força da união entre diferentes esferas da gestão pública e especialistas do setor, reafirmando o compromisso da UVESP em promover fóruns que impulsionem políticas públicas efetivas.

O Intercidades Educação é uma realização conjunta da UVESP e da Multiplicidades – Eventos, Negócios e Cultura. O evento contou com o apoio institucional da Prefeitura de Campinas e com o patrocínio das empresas Gamefik, Mavie – Negócios e Representações, e Analytics.

Da Redação jornaldointerior.uvesp@gmail.com

Autoridades, palestrantes e lideranças da UVESP reunidos durante o Intercidades Educação, em Campinas
Dário Saadi ressaltou o uso de novas tecnologias e projetos de sucesso como aliados para acelerar a recuperação do ensino municipal
Plateia engajada nas discussões sobre inovação, gestão em rede e monitoramento contínuo da aprendizagem

Municípios paulistas estão entre os que mais arrecadam no Brasil

Levantamento evidencia peso econômico paulista e desafios do pacto federativo

A concentração da arrecadação de impostos no Brasil tem endereço certo e o mapa dessa desigualdade fiscal passa, de forma marcante, pelo interior paulista. Um levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação - IBPT, com base em dados da Receita Federal referentes a 2024, mostra que apenas 100 cidades concentram 77,6% de toda a arrecadação tributária nacional. Juntas, esses municípios arrecadaram mais de R$ 1,9 trilhão no período.

O dado chama ainda mais atenção quando comparado à distribuição populacional. Esses 100 municípios abrigam apenas 36,4% da população brasileira, o que evidencia que a geração de tributos está muito mais ligada à atividade econômica, industrial e empresarial do que propriamente ao tamanho da população.

Nesse cenário de forte concentração, o estado de São Paulo se destaca de forma expressiva. Ao todo, 39 municípios paulistas figuram entre os 100 que mais arrecadam impostos no Brasil, o equivalente a 39% do ranking. Além da capital paulista, que lidera de forma isolada, Osasco e Barueri são os primeiros municípios do estado a aparecerem na lista, reforçando o peso econômico da Região Metropolitana de São Paulo.

A cidade de São Paulo ocupa o primeiro lugar nacional, com arrecadação de R$ 581,2 bilhões, o que representa cerca de 23,1% de tudo o que foi recolhido no país em 2024. Na sequência aparecem Rio de Janeiro, com R$ 306,9 bilhões, Brasília, com R$ 180,1 bilhões, e Belo Horizonte, com R$ 54,7 bilhões. Osasco surge na quinta colocação nacional, com R$ 50,2 bilhões arrecadados, sendo o primeiro município paulista no ranking depois da capital. Barueri aparece logo em seguida, na sétima posição, com R$ 36,5 bilhões, enquanto Campinas fecha o top 10, com R$ 26 bilhões.

Segundo o IBPT, a predominância de municípios do Sul e do Sudeste explica grande parte dessa concentração. As duas regiões somam, juntas, 79% de toda a arrecadação nacional, sendo 53% no Sudeste e 26% no Sul. Cidades médias com forte presença industrial ou logística, como as já mencio-

Ranking revela forte concentração da arrecadação em poucos municípios, com destaque para cidades do Sudeste e do Sul

O monitoramento rigoroso das despesas e o combate ao desperdício ampliam o impacto do orçamento e ajudam a reduzir desigualdades regionais

nadas Osasco, Barueri e Campinas, além de Jundiaí, Sorocaba, Caxias do Sul, Joinville e Itajaí, aparecem à frente de muitas capitais das regiões Norte e Nordeste.

Para o presidente-executivo do instituto, João Eloi Olenike, o ranking reflete a própria organização econômica do país. “O estado de São Paulo lidera não apenas pela população, mas por sua força industrial e comercial. Cidades como Barueri e Osasco aparecem no topo justamente por abrigarem sedes de grandes empresas e indústrias, gerando tributos na origem”, explica. Outro dado que chama atenção no estudo é a arrecadação per capita Barueri lidera esse indicador, com R$ 110,4 mil por habitante ao ano. Osasco aparece em sétimo lugar, com R$ 66.319,58, enquanto a capital paulista ocupa a 12ª posição, com R$ 48.854,61, ficando atrás de cidades como Itajaí e Brasília.

Osasco aparece entre os cinco municípios que mais arrecadaram impostos no Brasil em 2024, segundo levantamento do IBPT

Ainda existem desafios

Apesar dos números elevados, alta arrecadação não significa, necessariamente, melhores indicadores sociais. Um estudo publicado em 2025 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA aponta que municípios com grande capacidade fiscal nem sempre conseguem transformar recursos em bem-estar para a população. A pesquisa identifica cidades com alta receita e baixo desenvolvimento social e, por outro lado, municípios com poucos recursos, mas bons resultados graças à gestão eficiente e à governança.

Nesse contexto, especialistas reforçam que controle de gastos, planejamento e boa governança são fundamentais para que a arrecadação se traduza em políticas públicas efetivas. O monitoramento rigoroso das despesas e o combate ao desperdício ampliam o impacto do orçamento e ajudam a reduzir desigualdades regionais, um dos principais desafios do pacto federativo brasileiro, que deve ganhar novos contornos com a implementação da Reforma Tributária a partir da próxima década.

Eliria Buso jornaldointerior.uvesp@gmail.com

Lançamento do 9º Conexidades oficializa Campos do Jordão como sede do municipalismo em 2026

Maior evento público-privado do país deve reunir mais de 10 mil pessoas em junho

A cidade de Campos do Jordão, tradicional destino turístico no inverno paulista, prepara-se para assumir o protagonismo no debate político e empresarial do país. Isso porque foi lançado oficialmente, no último dia 29 de janeiro, no Hotel Boutique Quebra-Noz, o 9º Conexidades –Encontro Nacional de Parceiros Públicos e Privados. O evento, que chega pela primeira vez à região da Serra da Mantiqueira, promete movimentar a economia e a estrutura local, com uma expectativa de público superior a 10 mil participantes.

O evento ocorrerá de 15 a 19 de junho, o encontro terá como palco o Campos Hall e áreas adjacentes, onde novos espaços serão construídos para acomodar a magnitude da programação. Em uma homenagem simbólica à cidade anfitriã, a organização apresentou a folha de plátano, ícone do outono na região, como o símbolo visual desta nona edição.

Sob o tema central "Governança e Inovação Sustentável: Fortalecendo o Desenvolvimento Nacional", o evento busca criar uma ponte sólida entre a administração pública e o setor produtivo. A proposta é debater agendas que unam eficiência em políticas públicas, modernização administrativa e sustentabilidade, pilares essenciais para o fortalecimento dos municípios do interior.

CONEXÃO ALÉM

DAS IDEOLOGIAS

Durante o lançamento, que reuniu autoridades, prefeitos, deputados e lideranças empresariais, a tônica dos discursos foi a necessidade de diálogo suprapartidário. A CEO do evento, Silvia Melo, destacou a natureza técnica e agregadora do encontro, reforçando que o objetivo final é a melhoria da vida nas cidades através da boa gestão.

"O Conexidades não tem cor, partido e nem ideologia, ele é um encontro

nacional entre parceiros públicos e privados onde fazemos as conexões pela boa política pública. Ele conecta as pessoas. Reúne gestores públicos, iniciativa privada e sociedade civil em busca de soluções, inovação e governança", afirmou. Segundo a executiva, a escolha do local foi estratégica: "temos um know-how construído e Campos do Jordão reúne exatamente o que o encontro propõe: conexão entre turismo, economia, gestão pública e iniciativa privada".

A curadoria do conteúdo programático fica a cargo da UVESP - União dos Vereadores do Estado de São Paulo. O presidente do Conselho Gestor da entidade, Sebastião Misiara, reforçou o caráter propositivo da agenda. "O Conexidades nasceu para unir e não é um evento de partido, mas de propósito. É a conexão entre quem governa, empreende e acredita no futuro das cidades", disse Misiara, apontando para a importância da integração regional.

Autoridades e lideranças empresariais prestigiaram o lançamento do 9º Conexidades, realizado no Hotel Boutique Quebra-Noz

O prefeito Caê aposta no Conexidades para fortalecer a retomada do turismo de negócios e corporativo na cidade

IMPACTO NO TURISMO CORPORATIVO

O prefeito da cidade, Carlos Eduardo Pereira da Silva, o Caê, celebrou a chegada do encontro como um marco econômico. "A retomada do turismo corporativo e de negócios no Município. É um evento que vem somar, tanto para o aprendizado quanto para o turismo", avaliou o chefe do Executivo.

A capacidade da cidade em absorver um fluxo tão intenso de visitantes qualificados foi um ponto garantido pelo setor empresarial local. Sidney Isidro, empresário e diretor da Associação Comercial de Campos do Jordão, apresentou números robustos que tranquilizam a organização quanto à logística. "Temos 40 mil leitos de hotelaria, para todos os públicos, e 330 restaurantes. É a primeira vez que o Conexidades vai ser realizado aqui

À frente da organização, a CEO Silvia Melo e o presidente do Conselho Gestor da Uvesp, Sebastião

, oficializam a 9ª edição na Serra da Mantiqueira

e a hospitalidade é a nossa vocação", garantiu Isidro, que também dirige o consórcio Aproveite Campos do Jordão

O lançamento contou ainda com a presença de figuras como a deputada federal Rosana Valle, o deputado estadual Danilo Balas, a secretária executiva de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, Monica Eliza Samia, e a presidente da Virada Feminina Internacional, Marta Lívia Suplicy.

O 9º Conexidades é uma realização da Multiplicidades, em parceria com a Prefeitura de Campos do Jordão e curadoria da UVESP. A programação completa de palestras e painéis deve ser divulgada em breve, prometendo trazer ao interior paulista os principais nomes da política e do empreendedorismo nacional.

Da Redação jornaldointerior.uvesp@gmail.com

Pela prieira vez na Serra da Mantiqueira, encontro debaterá inovação e governança com gestores de todo o país
Misiara

Municipalização do Made in SP representa nova alavanca de crescimento para o interior

Selo de origem valoriza identidade paulista e atrai investimentos à economia regional

Parceria estratégica com a Setur-SP reforça o alinhamento entre o trade turístico e o poder público, garantindo que o selo funcione como uma política de estado

Lançada há pouco menos de um ano, a marca Made in São Paulo vem representando uma mudança de chave na forma como produtos, serviços e experiências do estado de São Paulo passam a ser apresentados ao mercado. Mais do que um selo de origem, a proposta nasceu como uma marca de experiências e produção autoral e tem como desafio levar essa certificação para dentro dos municípios, transformando-a em ferramenta concreta de posicionamento territorial e desenvolvimento local, especialmente no interior paulista. Esse, inclusive, foi o tema central da palestra de Toni Sando, presidente executivo do Visite São Paulo Convention Bureau e da Unedestinos, durante o Fórum Expo Top Destinos SP , realizado em janeiro. Diante de gestores públicos e empresários, Sando apresentou a municipaliza-

O Made in São Paulo deixa de ser apenas um selo e passa a representar um modelo de desenvolvimento mais equilibrado,

ção do programa como o próximo passo lógico para fortalecer a competitividade das cidades do interior em um mercado cada vez mais exigente. Segundo o executivo, a iniciativa preenche uma lacuna histórica de valorização do produto interno. "O Made in São Paulo identifica a origem, a autoria e a qualidade daquilo que é produzido no Estado, conectando produtos, serviços e experiências à identidade paulista. Ele nasce como um movimento de valorização do que é feito em São Paulo, reforçando atributos como

O PAPEL DA GESTÃO MUNICIPAL

inovação, diversidade, excelência e capacidade produtiva. Não é uma marca de governo, não tem caráter político-partidário e não pretende ser apenas um selo decorativo. Também não é uma ação promocional pontual. A proposta é ter o apoio do Governo através da Secretaria de Viagens e Turismo que tem sido fundamental para dar visibilidade, das Prefeituras e das respectivas secretarias de turismo e desenvolvimento econômico para construir um movimento positivo, de reputação, fortalecer a identidade dos destinos, da excelência e qualidade dos produtos e serviços do paulistas e gerar valor para quem produz e para quem visita o Estado”, afirma.

IDENTIDADE QUE GERA NEGÓCIOS

A aplicação prática do selo já mostra resultados ao transformar tradições locais em ativos econômicos. Toni Sando cita exemplos de sucesso onde a curadoria fez a diferença: "A Cidade de Tatuí aplicou a marca em todos os produtos do festival de doces caseiros, em São José dos Campos o festival de queijos artesanais também entrou nesse movimento e o festival do Cambuci no Mercado Municipal também".

A estratégia evita a padronização e busca os "saberes genuínos" de cada território, como os produtos country de Jaguariúna ou os brinquedos de Laranjal Paulista. Além disso, a adesão de entidades como Aprecesp e Amitesp reforça a capilaridade do movimento pelo interior.

responsável e conectado com o futuro

Para que a estratégia funcione na ponta, o engajamento das prefeituras é essencial. O objetivo é que cada cidade utilize o selo para chancelar o que tem de melhor, seja no agronegócio, no artesanato ou na gastronomia. "A municipalização significa levar o conceito para a realidade de cada cidade, respeitando suas vocações e características próprias", explica Toni Sando. Ele destaca que o poder pú-

blico deve atuar como um orquestrador. "O papel da prefeitura é organizar a governança, estimular os empresários e produtores locais e integrar as áreas envolvidas e dar sustentação institucional". Já ao Executivo, cabe atuar como "agente mobilizador: estimular empresários, produtores, empreendedores e prestadores de serviço do município a se aproximarem do Visite São Paulo".

CONTEXTO ECONÔMICO FAVORÁVEL

A busca por qualificação chega em um momento de otimismo. O turismo paulista fechou 2025 com recordes, recebendo mais de 2,75 milhões de turistas estrangeiros, uma alta de 21%. Para 2026, o Centro de Inteligência da Economia do Turismo - CIET projeta que o PIB

do setor cresça 3,3%, atingindo R$ 369 bilhões.

Com a estimativa de um fluxo total de 52,9 milhões de turistas no estado este ano, a certificação se torna um diferencial competitivo crucial para capturar essa demanda crescente e distribuir renda de forma sustentável.

"O Made in São Paulo deixa de ser apenas um selo e passa a representar um modelo de desenvolvimento mais equilibrado, responsável e conectado com o futuro", reforça Toni Sando.

Representantes de municípios e entidades do turismo formalizam a adesão ao movimento Made in SP em evento da Amitesp

O Made in São Paulo identifica a origem, a autoria e a qualidade daquilo que é produzido no Estado, conectando produtos, serviços e experiências à identidade paulista

PARA COMEÇAR

Segundo o presidente executivo do Visite São Paulo Convention Bureau, o ponto de partida para os municípios é estruturar o acesso ao programa a partir da plataforma oficial visitesaopaulo.com/ madeinsp , que concentra as diretrizes, conceitos e a forma correta de utilização da marca.

A partir daí, o papel da prefeitura é fundamental como agente mobilizador: estimular empresários, produtores, empreendedores e prestadores de serviço do município a se aproximarem do Visite

Segundo Toni sando, o Made in São Paulo identifica a origem, a autoria e a qualidade daquilo que é produzido no Estado.

São Paulo, filiarem-se à entidade e integrarem o movimento. Cabe ao poder público fomentar esse engajamento, apoiar a organização local, divulgar o programa e incentivar a adesão qualificada ao selo.

“Quando a prefeitura atua como articuladora, conectando o setor produtivo, o trade turístico e as entidades locais, cria-se um ambiente favorável para que o Made

in São Paulo seja aplicado de forma correta, gere visibilidade, fortaleça a identidade do destino e se transforme em ferramenta efetiva de desenvolvimento econômico, promoção turística e valorização do que é produzido no território”, encerra.

Eliria Buso jornaldointerior.uvesp@gmail.com

Alfabetização avança no Estado e três em quatro alunos já leem na idade certa

Índice aumentou 50% desde 2023 e secretaria quer chegar a 90% até o final deste ano

O número de crianças alfabetizadas no estado subiu consideravelmente no último ano

O estado de São Paulo alcançou, em 2025, o melhor resultado desde o início da Avaliação de Fluência Leitora: três em cada quatro crianças do 2º ano do Ensino Fundamental já sabem ler aos 7 anos. Os dados são do programa Alfabetiza Juntos SP, iniciativa do Governo do Estado em parceria com as prefeituras, que neste ano chegou a 100% dos municípios paulistas.

A avaliação final foi aplicada a 432.367 estudantes das redes estadual e municipais. Desse total, 330.557 foram considerados leitores, iniciantes ou fluentes, o que representa 76,5% dos avaliados, número que se manteve estável comparado ao ano anterior, mesmo com 58 mil alunos a mais na base de avaliação em comparação com 2024. O avanço é ainda mais expressivo quando comparado ao primeiro ciclo da avaliação, em 2023. Naquele ano, 220.863 crianças haviam atingido os níveis de leitura esperados, o equivalente a 64,2% dos avaliados. Em três anos, o crescimento no total de alunos leitores foi de 50%.

Avanço em diferentes etapas

Além do aumento no número de leitores, outro dado chama a atenção: a queda no percentual de estudantes nos níveis que antecedem a alfabetização. Em 2025, apenas 7%

dos alunos se enquadram nos três primeiros níveis. Considerados pré-leitores, são aqueles que não reconhecem letras ou ainda leem muito pouco. Em 2024, esse índice era de 11%; em 2023, chegava a 26%.

Para a diretora de cooperação com os municípios da Secretaria da Educação do Estado, Marcia Bernardes, o indicador representa um marco na política pública de alfabetização. “Consideramos que a maior conquista do ano passado foi a redução dos estudantes que estavam nos níveis mais baixos na categoria pré-leitores. Isso mostra que estamos garantindo que os alunos cheguem ao 3º ano do Ensino Fundamental lendo, mesmo os 7% que leem pouco. Isso demonstra que es-

tamos corrigindo um problema histórico e que estamos trabalhando para que nenhum aluno fique para trás, e que cada um chegue aos anos finais do Ensino Fundamental com a alfabetização completa. Estamos no caminho para zerar esses pré-leitores em situação mais crítica, e a cooperação entre Estado e municípios fará com que eles cheguem no 6º ano com o mesmo padrão de ensino, sem uma defasagem histórica”, afirma.

Processo de avaliação

A Avaliação de Fluência Leitora mede a capacidade de leitura oral dos estudantes do 2º ano do ensino fundamental de escolas públicas. São considerados leitores iniciantes aque-

les que conseguem ler ao menos 11 palavras por minuto. Já os fluentes precisam ler mais de 65 palavras em um minuto, com 90% de precisão. A aplicação é feita com apoio de um aplicativo desenvolvido pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação - CAEd, que grava a leitura das crianças e gera relatórios detalhados para professores e gestores. A ferramenta permite identificar rapidamente quais alunos precisam de apoio adicional.

Os resultados também compõem o Índice de Fluência Leitora - IFL, calculado em escala de 0 a 10. Em 2025, a rede pública paulista atingiu nota 6,8 — acima dos 6,3 registrados em 2024. A rede estadual alcançou 7,2, enquanto as redes municipais chegaram a 6,7.

Metas e reconhecimento

Com a adesão dos 645 municípios paulistas, 2025 foi o primeiro ano em que todo o estado participou da avaliação. A ampliação da base é vista pela Secretaria como passo fundamental para garantir equidade no ensino.

A meta estabelecida é chegar a 90% dos estudantes leitores até o fim de 2026. Para isso, a Secretaria prevê investimento de R$ 500 milhões no próximo ano, voltados ao programa Alfabetiza Juntos SP, que prevê a formação continuada de professores, materiais didáticos, tecnologia educacional e monitoramento constante do aprendizado através das avaliações públicas como a Avaliação da Fluência, que terá sua próxima edição no final de março, e o SARESP - Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo.

Os resultados da leitura no Estado também renderam reconhecimento fora do país. Em dezembro, o Alfabetiza Juntos SP foi citado pela UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura como exemplo de estratégia alinhada ao modelo CARE-KNOW-DO, que integra cuidado, conhecimento baseado em evidências e aplicação prática do aprendizado.

O reconhecimento relaciona o programa ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 da Organização das Nações Unidas - ODS 4, que prevê educação de qualidade e inclusiva. Na prática, significa que a alfabetização é tratada não apenas como habilidade técnica, mas como ferramenta para formação cidadã.

Claudia Costa jornaldointerior.uvesp@gmail.com
Marcia Bernardes durante evento do Alfabetiza Juntos SP

Um chamado à prioridade da Primeira Infância: uma agenda que define o presente e o futuro do país

Apenas 26,6% dos municípios brasileiros possuem Plano Municipal pela Primeira Infância

Investir na primeira infância significa lançar bases sólidas para a saúde, aprendizagem e bem-estar das crianças brasileiras

O começo da vida acompanha o indivíduo por toda a sua trajetória. Os primeiros seis anos de vida de uma pessoa são decisivos para o seu desenvolvimento físico, social, emocional e cognitivo. Investir na primeira infância significa lançar bases sólidas para a saúde, a aprendizagem e o bem-estar, com efeitos duradouros para o presente e o futuro da sociedade.

Essa compreensão alinha-se à metodologia Nurturing Care, que destaca o desenvolvimento infantil como resultado de múltiplos fatores combinados, que vão desde o cuidado pré-natal até fatores como condições familiares, econômicas e de acesso a serviços públicos fundamentais. A ideia é simples, mas fundamental: para alcançar seu pleno potencial, a criança precisa de afeto,

cuidado, estímulo e proteção, o que exige políticas públicas embasadas, coordenadas e integradas.

A Constituição Federal de 1988 consagrou a prioridade absoluta à criança, assegurando proteção integral e responsabilidade compartilhada entre Estado e sociedade. Esse caminho foi reforçado com a aprovação do Marco Legal da Primeira Infância - MLPM, em 2016.

Mais recentemente, a Política Nacional da Primeira Infância -PNPI consolidou esse avanço ao orientar a atuação estatal a partir dos princípios da intersetorialidade, equidade, interesse superior da criança e fortalecimento da família e da comunidade. Ao incentivar a articulação entre políticas de saúde, educação, assistência social, cultura, proteção e participação social, a PNPI tam-

bém definiu diretrizes para o planejamento, o monitoramento e a avaliação das ações voltadas à primeira infância, promovendo a cooperação entre União, Estados, Municípios e Sociedade Civil.

O desafio agora é transformar esse sólido arcabouço normativo em ações concretas.

Dados da Pesquisa de Informações Básicas Municipais - MUNIC, elaborada pelo IBGE, revelam que, em 2023, passados sete anos da aprovação do MLPM, apenas 26,6% dos municípios brasileiros (1.484) possuíam um Plano Municipal pela Primeira Infância - PMPI. No Estado de São Paulo, informações do Índice de Efetividade da Gestão Municipali-EGM, ciclo de 2025, indicam que, entre os 644 municípios fiscalizados

A Constituição Federal de 1988 consagrou a prioridade absoluta à criança, assegurando proteção integral e responsabilidade compartilhada entre Estado e sociedade

pelo TCESP, somente 215 haviam elaborado o PMPI.

Avançar requer enxergar as políticas voltadas à primeira infância não como uma iniciativa pontual de uma secretaria ou mesmo um município, mas como uma verdadeira política de Estado, prioridade permanente e compromisso coletivo de toda a sociedade.

Certos dessa necessidade, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, por meio da Coordenadoria da Infância e da Juventude do TJSP - CIJ, e o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo uniram esforços para instituir o Prêmio Plano Municipal pela Primeira Infância, iniciativa que busca incentivar e reconhecer municípios paulistas que investem na criação, implementação e fortalecimento de políticas públicas voltadas às crianças de zero a seis anos.

O edital foi lançado oficialmente no 1º Encontro Caminhos para a Primeira Infância – Políticas que transformam, que ocorreu no dia 29 de janeiro de 2026.

Para que esse compromisso se concretize, o convite está feito aos gestores municipais. É hora de assumir protagonismo e engajar seus municípios em uma agenda que define o presente e o futuro do país. O Prêmio Plano Municipal pela Primeira Infância nasce como um chamado à ação coletiva, para que gestores públicos, de forma articulada, transformem sensibilidade em política pública e assegurem que a prioridade às crianças seja mais do que um discurso: seja uma prática concreta em cada município paulista.

³

¹ Gilda Alves Barbosa Diodati
Desembargadora e coordenadora da Infância e Juventude do (TJSP).
² Francisco Eduardo Loureiro
Presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP).
Cristiana de Castro Moraes
Presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP).

TECNOLOGIA

Governo Digital ainda é grande barreira para municípios, aponta nova pesquisa

Falta de planejamento estratégico de TI deixa cidades vulneráveis e atrasa gestão pública

Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista - UNESP de Araraquara, publicado em janeiro na Revista Políticas Públicas e Cidades, traz um diagnóstico preocupante sobre o "Governo Digital" no estado de São Paulo. A pesquisa, intitulada "Entre Digitalização e Transformação: Desafios do Governo Digital nos Municípios Paulistas", analisou dados de 2024 do Índice de Efetividade da Gestão Municipal - IEG-M do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo - TCESP.

A conclusão principal é que a maioria das prefeituras vive uma "digitalização reativa". Na prática, isso significa que os governos municipais adquirem computadores e criam portais para cumprir exigências legais, como a Lei de Acesso à Informação - LAI e obrigações fiscais, mas falham em utilizar a tecnologia para efetivamente melhorar a vida do cidadão ou embasar decisões estratégicas. Além disso, o estudo destaca um abismo técnico entre grandes e pequenos municípios e aponta a falta de segurança de dados como um ponto crítico de vulnerabilidade jurídica e administrativa.

Para entender a profundidade desse cenário, é preciso distinguir a simples informatização da verdadeira mudança de gestão. Segundo Victor Corrêa, Doutor em Administração e um dos autores do artigo, a confusão entre esses conceitos é comum.

"A diferença fundamental está na lógica organizacional. Quando a prefeitura apenas digitaliza papéis, ela apenas torna alguns processos eletrônicos, mas mantém a mesma lógica burocrática e, ademais, a mesma cultura procedimental. Ou seja, os processos podem continuar lentos, compartimentalizado e sem o foco nos resultados. Quando ocorre a transformação digital o município redesenha processos antes de informatizá-los e a tecnologia passa a integrar bases de dados, apoiar decisões e induzir a tomada de decisão e a coordenação entre áreas. Ou seja, a tecnologia passa a ter uma função

Prefeituras do interior vivem o desafio de migrar do papel para a gestão baseada em dados e inteligência estratégica

Para Victor Corrêa, cidade inteligente não é a que tem mais tecnologia, mas a que usa a informação para resolver problemas reais

Segundo Joel Reis, da OM30, cultura organizacional resistente e falta de capacitação são barreiras que travam o governo digital nas pequenas cidades estratégica e com potencial para gerar efi ciência administrativa e, consequentemente, aumentar as capacidades estatais para planejar, implementar, monitorar e ajustar políticas públicas ao longo do tempo", explica.

O ABISMO DOS PEQUENOS MUNICÍPIOS E A FALTA DE PLANEJAMENTO

Os dados levantados são alarmantes para a gestão pública local. A pesquisa revela que 69,4% dos municípios paulistas não possuem

um Plano Diretor de TI - PDTI . Esse número salta para 83% nas cidades com até 5 mil habitantes, onde a infraestrutura é precária e, muitas vezes, inexistente: metade dessas pequenas prefeituras sequer possui uma área formal de TI.

Isso cria uma ilusão de modernidade. Enquanto 94% das prefeituras conseguem emitir Nota Fiscal Eletrônica (uma exigência arrecadatória), apenas 13% oferecem ao cidadão a possibilidade de agendar consultas de saúde online.

Corrêa esclarece como municípios com orçamento limitado

podem superar essa inércia sem necessariamente gastar milhões em novos softwares. "A ausência de plano de TI não é apenas um problema financeiro, mas de prioridade política e coordenação institucional. Assim, no caso de municípios com pouco orçamento, os avanços devem ser na linha de um planejamento simplificado, com foco em utilizar a tecnologia para resolver problemas específicos, como arrecadação, saúde básica ou compras públicas. Deste modo, é possível pensar em um caminho incremental, defi nindo prioridades e responsabilidades claras, e com foco em soluções compartilhadas (como por exemplo os consórcios públicos ou plataformas governamentais já existentes) e integrando a agenda digital ao planejamento e ao orçamento. O ponto principal não é necessariamente contratar a tecnologia de última geração, mas sim colocar a gestão digital como parte da estratégia governamental", afi rma.

RISCO LEGAL E A BARREIRA DA CULTURA

Outro ponto de alerta para vereadores e gestores é a segurança jurídica. O estudo aponta que apenas 27,8% dos municípios aplicam efetivamente proteções de dados pessoais, o que coloca as prefeitu-

Quando

ocorre a transformação digital o município redesenha processos antes de informatizá-los e a tecnologia passa a integrar bases de dados

ras em rota de colisão com a Lei Geral de Proteção de DadosLGPD. Além disso, quase 60% não possuem uma Política de Segurança da Informação formalizada.

O levantamento reforça, ainda, o papel fiscalizador do Legislativo. Vereadores devem cobrar do Executivo não apenas a compra de equipamentos, mas a criação do PDTI e a integração de sistemas. Sem isso, o dinheiro público é desperdiçado em softwares que não conversam entre si, impedindo uma gestão baseada em dados (Data-Driven).

Para Joel Reis, diretor-Presidente da OM30, empresa referência em tecnologia para gestão pública, o problema vai além do hardware. "A maior barreira para o

Para ser 'Smart ' , município precisa derrubar muros entre secretarias e integrar sistemas

governo digital no interior é o gap entre conformidade legal e transformação real: municípios implantam sistemas para cumprir a lei, mas não os utilizam plenamente devido à falta de capacitação, infraestrutura tecnológica, cultura organizacional resistente a mudanças, falta de visão estratégica das lideranças, entre outros fatores. O resultado é uma digitalização superficial; os sistemas existem e geram alguns relatórios, mas o atendimento ao cidadão e os pro-

cessos internos continuam essencialmente analógicos, anulando os potenciais ganhos de eficiência e transparência", analisa.

O CAMINHO PARA CIDADES INTELIGENTES

Para sair do papel, a transformação exige que a governança de dados seja uma prioridade do gabinete do prefeito, e não apenas do setor de informática. O estudo sugere que a cidade inteligente não

94 anos do voto feminino: um marco

é a que tem mais gadgets, mas a que usa a informação para resolver problemas reais.

"A recomendação principal passa por institucionalizar a governança de dados no núcleo estratégico do governo municipal, ou seja, tornar isso uma das prioridades da liderança. Porém, é preciso compreender que a cidade inteligente não é, necessariamente, aquela que possui mais tecnologia, mas sim aquela que utiliza as informações para aperfeiçoar suas práticas e assim atender às diversas demandas. Isso exige, por exemplo, integração entre secretarias, definição de papéis e responsabilidades sobre os dados, e o vínculo entre indicadores, planejamento e orçamento. É importante destacar, ainda, a necessidade de capacitação dos servidores, pois não basta uma infraestrutura com grandes aparatos tecnológicos sem o capital humano necessário", conclui Victor Corrêa.

Eliria Buso jornaldointerior.uvesp@gmail.com

DIREITO DAS MULHERES

histórico e novos desafios

Data relembra lutas e reforça necessidade de maior representatividade

A conquista do direito ao voto para as mulheres no Brasil está completando 94 anos neste mês de fevereiro, marcando quase um século de lutas e avanços na democracia. O feito histórico foi oficializado em 24 de fevereiro de 1932 pelo Decreto nº 21.076, que instituiu o primeiro Código Eleitoral brasileiro e criou a Justiça Eleitoral. A legislação permitiu que mulheres maiores de 21 anos pudessem se alistar e votar, abrindo as portas para a participação feminina na política. Inicialmente, o voto feminino era facultativo e exigia atividade remunerada, tornando-se obrigatório para todos os eleitores apenas na Constituição de 1946. Antes da conquista nacional, a professora Celina Guimarães Viana já havia feito história em 1928 como a primeira mulher a votar legalmente no Brasil, graças a uma lei pioneira do Rio

de LGBTQIA+.

O desafio é ampliar a participação feminina e fortalecer a presença das mulheres nos espaços de decisão, especialmente nos municípios onde a vida realmente acontece

Grande do Norte.

Atualmente, apesar de representarem a maioria dos eleitores brasileiros, as mulheres ainda não têm a mesma representatividade em cadeiras eletivas. Especialistas e movimentos sociais apontam a necessidade de combater a desigualdade nos partidos, superar barreiras socioeconômicas e erradicar a violência política para alcançar a participação plena, principalmente de mulheres negras, indígenas e da comunida-

Para a presidente Executiva da UVESP, Silvia Melo, a data reforça a importância da continuidade desse movimento. "O direito ao voto foi o primeiro passo para garantir a cidadania e dar voz às mulheres na construção da nossa democracia. Hoje, nós mulheres representamos mais de 52% do eleitorado brasileiro. Ainda assim, ocupamos menos de 20% dos cargos eletivos. Isso mostra que votar foi apenas o começo. O desafio agora é ampliar a participação feminina e fortalecer a pre-

Há 94 anos, o Brasil dava o primeiro passo rumo à igualdade política com a conquista do voto feminino

sença das mulheres nos espaços de decisão, especialmente nos municípios onde a vida realmente acontece", ressalta.

Da Redação jornaldointerior.uvesp@gmail.com

Sorocaba e região atraem R$ 14,8 bi em investimentos e batem recorde de captação pública

Em 2025, Região Administrativa confirmou protagonismo atraindo empresas e recursos

A Região Administrativa de Sorocaba vem se mostrando como uma das principais locomotivas econômicas do estado de São Paulo. A combinação entre infraestrutura privilegiada, conectando o interior aos grandes mercados consumidores, e uma gestão pública focada em planejamento estratégico, resultou em números expressivos em 2025. Segundo dados da Pesquisa de Investimentos Anunciados no Estado de São Paulo - PIESP, da Fundação Seade, a região recebeu R$ 14,8 bilhões em investimentos industriais entre 2022 e 2024, posicionando-se como o segundo maior polo de aportes do estado, atrás apenas da região de Campinas. O cenário macroeconômico estadual, que registrou R$ 71,8 bilhões em investimentos no primeiro semestre de 2025, encontrou na RA Sorocaba um terreno fértil. Além do capital privado, a Prefeitura de Sorocaba celebrou um marco histórico na gestão pública: a captação de recursos municipais atingiu o recorde de R$ 84,8 milhões em 2025, demonstrando uma evolução robusta na capacidade de articulação e execução de projetos.

O diferencial logístico e a atração de empresas

A localização estratégica é um dos principais alicerces desse crescimento. Servida pelas rodovias Castello Branco e Raposo Tavares, a região funciona como um eixo de conexão importante no interior paulista. Além disso, a diversificação do parque industrial, somada à oferta

de mão de obra qualificada formada por universidades e parques tecnológicos locais, tem sido decisiva para a atração da cadeia automotiva e de empresas de tecnologia.

Um exemplo concreto dessa dinâmica é a chegada da Rotagyn, empresa de tecnologia de gestão de frotas que escolheu Votorantim, município vizinho e integrante da RA, para um investimento de R$ 200 milhões. A decisão foi pautada na eficiência logística, afinal, a região oferece estrutura de metrópole sem os gargalos das capitais.

A secretéria Jéssica Pedrosa ressalta a integração técnica entre engenharia e captação de recursos como o diferencial para destravar obras estruturantes na cidade

Planejamento público como alavanca

Se a logística atrai o olhar privado, a competência técnica garante o recurso público. A Secretaria de Parcerias, SEPAR, de Sorocaba, apresentou uma evolução notável na captação de verbas. O montante saltou de R$ 35 milhões, em 2021, para o recorde de R$ 84,8 milhões no ano passado. Para a secretária de Projetos e Parcerias, Jéssica Pedrosa, o segredo está na integração técnica. A pasta atua desde a identificação de oportunidades pela Coordenadoria de Captação de Recursos, Convênios e Financiamentos - CCCF, passando pelo desenho técnico na Engenharia, até a entrega pela Unidade de Execução de Programas - UEP.

“O desenvolvimento de Sorocaba é resultado de planejamento. Quando o município organiza prioridades, estrutura projetos e coordena sua execução, os investimentos acontecem de forma mais eficiente e com impacto duradouro para a cidade. O planejamento estratégico impulsiona competitividade econômica e projetos estruturantes em Sorocaba”, afirma a secretária.

A articulação política também é profissionalizada. A CCCF mantém diálogo permanente com parlamentares e ministérios para garantir que emendas e repasses encontrem projetos tecnicamente prontos e juridica-

mente viáveis. “Quando há planejamento e coordenação entre as áreas técnicas e institucionais, conseguimos acelerar obras e intervenções estratégicas, como melhorias viárias, acessos logísticos e infraestrutura urbana, beneficiando Sorocaba e toda a região”, aponta Jéssica.

Perspectivas para 2026

A sinergia entre o setor público, que prepara o ambiente de negócios através de obras estruturantes, e o setor privado, que traz inovação e emprego, coloca Sorocaba como um modelo para o interior paulista. Segundo a secretária, “essa atuação integrada fortalece a infraestrutura urbana e logística, melhora o ambiente de negócios e consolida Sorocaba como um município preparado para crescer de forma organizada e sustentável, com reflexos diretos na geração de emprego e renda”.

Para 2026, a perspectiva é de continuidade do crescimento, com foco em tecnologia e sustentabilidade, mantendo a região como protagonista no desenvolvimento econômico do país.

Eliria Buso jornaldointerior.uvesp@gmail.com

Com infraestrutura de metrópole e qualidade de vida do interior, Sorocaba atrai gigantes da tecnologia e vive ciclo de expansão imobiliária e industrial
Crédito Alexandre Lombardi

União inédita dos Três Poderes cria pacto nacional para frear

feminicídios

no país

Acordo prevê metas públicas, integração de dados e proteção mais rápida às vítimas

Diante de um cenário em que quatro mulheres são vítimas de feminicídio a cada 24 horas no país, representantes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário assinaram, no começo do mês, o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio. A iniciativa marca uma atuação coordenada e permanente entre os Três Poderes para enfrentar a violência contra mulheres e meninas.

A cerimônia reuniu autoridades no Salão Nobre do Palácio do Planalto e simbolizou o compromisso institucional de tratar o feminicídio como prioridade. Durante a ocasião, o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, afirmou que o problema precisa ser encarado para além dos números. “O feminicídio não é uma estatística. É o lado mais cruel de uma violência que atravessa, todos os dias, a vida de milhares de mulheres brasileiras. O Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio é, antes de tudo, um compromisso entre as instituições”, declarou.

Para ele, o acordo representa uma declaração de responsabilidade do Estado brasileiro e reafirma o dever de combater o crime com o máximo rigor, com prioridade absoluta e com ação permanente.

Números em alta

Dados do sistema de Justiça evidenciam a dimensão do problema. Em 2025, a Justiça brasileira julgou,

Aplicativo do SP Por Todas com funcionalidades de proteção à mulher

Iniciativa visa implementar melhorias no atendimento a mulheres vítimas de violência

em média, 42 casos de feminicídio por dia, somando 15.453 julgamentos, alta de 17% em relação ao ano anterior. No mesmo período, foram concedidas 621.202 medidas protetivas, o equivalente a 70 por hora, segundo o Conselho Nacional de Justiça.

A Central de Atendimento à Mulher, Ligue 180, registrou média de 425 denúncias diárias em 2025. Os indicadores reforçam a necessidade de respostas mais rápidas e integradas, um dos pilares do pacto.

Pilares de proteção às mulheres

Entre os objetivos do acordo estão acelerar o cumprimento das medidas protetivas, fortalecer as redes de enfrentamento à violência em todo o território nacional, ampliar ações educativas e responsabilizar agressores, combatendo a impunidade.

A proposta prevê menos tempo entre a denúncia e a proteção efetiva da vítima. A ideia é evitar falhas na comunicação entre polícia, Judiciário, assistência social e demais órgãos, evitando que um fique empurrando a denúncia para o outro.

moção da igualdade de tratamento entre homens e mulheres e enfrentamento do machismo estrutural.

Experiências estaduais

No âmbito estadual, iniciativas como o movimento SP Por Todas , do governo de São Paulo, têm ampliado a rede de atendimento. O estado registra a menor taxa de feminicídios do Sudeste, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em 2025, a taxa registrada foi de 0,51 por 100 mil habitantes, considerando o período de janeiro a novembro. No cenário nacional, São Paulo ocupa a segunda colocação, ficando atrás apenas do Amazonas e empatado com o Ceará.

O

acordo representa uma declaração de responsabilidade do Estado brasileiro e reafirma o dever de combater o crime com o máximo rigor, com prioridade absoluta e com ação permanente

A secretária estadual de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, afirma que os números não permitem acomodação. “Temos a segunda menor taxa de feminicídios do Brasil, mas não há o que comemorar enquanto uma única mulher ainda estiver em risco. O enfrentamento à violência doméstica é prioridade do Governo de São Paulo, tratado diariamente com seriedade, responsabilidade e ações concretas. Nossa rede de proteção é a maior do país, com espaços humanizados e especializados para acolhimento e atendimento às vítimas”, diz.

Também está prevista a integração de informações entre os Poderes e órgãos de controle, permitindo o acompanhamento dos casos desde o pedido de ajuda até o desfecho. A responsabilização de agressores deverá ocorrer com maior velocidade, inclusive nos casos de descumprimento de medidas protetivas.

Outras ações contempladas pelo pacto incluem campanhas de conscientização, atenção especial às mulheres com maior vulnerabilidade, enfrentamento à violência digital e prestação de contas sobre os resultados e metas do acordo. O pacto também prevê ações voltadas à transformação da cultura institucional, pro-

Entre as medidas adotadas estão o monitoramento de agressores por tornozeleira eletrônica, o aplicativo com botão do pânico para mulheres com medida protetiva, a ampliação das Delegacias de Defesa da Mulher 24 horas e a criação da Cabine Lilás O Estado também criou auxílioaluguel de R$ 500 para mulheres vítimas de violência com medida protetiva, beneficiando cerca de 4 mil mulheres em mais de 580 cidades. Também destinou R$ 515 milhões, em três anos, para fortalecer a autonomia econômica feminina, apoiando mais de 20 mil negócios liderados por mulheres por meio de programas de crédito.

União entre ciência, infraestrutura verde e políticas públicas é a chave para resiliência

O interior paulista carrega historicamente a fama de suas temperaturas elevadas. Mas, o que antes era apenas uma característica regional, tornou-se o centro de um debate urgente sobre sobrevivência e qualidade de vida. Com o registro cada vez mais frequente de ondas de calor que ultrapassam as fronteiras do verão, gestores públicos enfrentam uma pergunta inevitável: qual será o impacto real das mudanças climáticas na região e como as cidades podem se preparar para esse novo cenário?

Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Geológico e da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo - Cetesb projeta um aumento de até 6°C na temperatura em parte do estado até 2050. Segundo o documento, divulgado pela Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo - APqC, o aquecimento tende a ser menos intenso na faixa litorânea, devido ao controle exercido pelo oceano, e maior no trecho noroeste do estado, mais distante do Atlântico.

As projeções indicam que as ondas de calor podem se tornar extremamente extensas. Em um cenário pessimista, a região norte paulista, no entorno de Ribeirão Preto, poderá enfrentar mais de 150 dias de calor extremo por ano. Esse cenário impõe riscos severos à saúde pública, com sobrecarga nos sistemas de atendimento devido a doenças cardiovasculares e respiratórias, além de impactar diretamente a infraestrutura urbana e a economia local.

Crédito: Seclimas

é uma das Soluções Baseadas na Natureza

Instrumentos de apoio aos gestores municipais

Diante desse cenário, ferramentas de orientação e planejamento têm surgido para auxiliar os municípios. No último ano, o WRI Brasil lançou o guia "Como prepa-

regiões paulistas

rar seu município para a emergência climática", voltado especificamente para prefeitos e prefeitas.

A publicação, disponível online, oferece um roteiro estratégico sobre gestão de riscos e desastres, orientando lideranças municipais a agirem antes, durante e depois de eventos climáticos extremos.

Em âmbito estadual, o tema ganhou força com a oficialização do Plano de Adaptação e Resiliência Climática de São Paulo - PEARC, em junho de 2025. O documento estabelece diretrizes para garantir a segurança hídrica, alimentar e a biodiversidade e está estruturado em cinco eixos temáticos: Biodiversidade, Segurança Hídrica, Segurança Alimentar e Nutricional, Saúde Única e Zona Costeira. Além disso, conta com dois Eixos Transversais e Estruturantes que orientam as demais frentes do plano: Justiça Climática, voltada ao combate ao racismo ambiental, à promoção da igualdade de gênero e à melhoria das condições de vida de populações vulneráveis; e Infraestrutura, que propõe soluções mais resilientes e sustentáveis nas áreas de logística, transporte, energia, saneamento, saúde e habitação. À época do lançamento, a Se-

Adaptação climática desafia gestores a transformar teoria em prática no interior paulista

Apenas 28% dos municípios brasileiros dispõem de mapeamento de risco, e somente 23 cidades contavam com planos de ação climática publicados

cretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, destacou o peso do plano como política de Estado: "o PEARC reafirma o protagonismo de São Paulo na agenda climática, com ações concretas e integradas que garantem segurança, qualidade de vida e sustentabilidade para as próximas gerações".

E a discussão sobre a implementação dessas políticas continuou avançando. Em dezembro de 2025, o Conselho Estadual de Mudanças Climáticas realizou uma reunião focada no aprofundamento de ações voltadas à resiliência das cidades paulistas. O encontro reforçou a necessidade de que os municípios não apenas reajam aos desastres, mas desenvolvam capacidade de adaptação contínua.

Cidades resilientes são aquelas que desenvolvem a capacidade de resistir, absorver, se adaptar e se recuperar dos efeitos de eventos extremos, como enchentes, secas, deslizamentos e ondas de calor, preservando vidas, infraestrutura e serviços essenciais.

Além do planejamento estratégico de longo prazo, ferramentas operacionais têm sido fundamentais para a resposta imediata aos eventos extremos. No âmbito estadual, o programa SP Sempre Alerta modernizou a gestão de desastres, integrando dados meteorológicos e de defesa civil para agilizar a emissão de alertas e proteger vidas durante tempestades e ondas de calor. Simultaneamente, a iniciativa federal AdaptaCidades avança na capacitação de gestores locais, oferecendo suporte técnico para que os municípios elaborem seus próprios planos de adaptação. Essa articulação entre as esferas de governo reforça que a resiliência climática não depende de ações isoladas, mas de uma rede de inteligência e cooperação interfederativa.

A criação de corredores ecológicos e parques lineares, como os implementados em Campinas,
Gráfico integrante do PEARC revela as disparidades na capacidade de adaptação entre as diferentes

Soluções baseadas na Natureza

Entre as estratégias que ganham destaque estão as Soluções Baseadas na Natureza - SbN, conceito desenvolvido pela União Europeia que compreende soluções de engenharia inspiradas nos processos naturais, com o objetivo de promover um ambiente urbano mais sustentável e resiliente. Ao contrário das abordagens tradicionais que dependem de infraestrutura cinza, as SbN priorizam o uso de sistemas naturais, como florestas, áreas úmidas e rios, para fornecer serviços ecossistêmicos essenciais.

Um dos princípios fundamentais dessas soluções é a multifuncionalidade, que permite que uma única intervenção gere múltiplos benefícios, como mitigação das mudanças climáticas, proteção contra desastres naturais, melhoria da qualidade da água e aumento da resiliência da comunidade.

Jundiaí e o projeto RESFRIA

Enquanto o planejamento estratégico desenha o futuro, alguns municípios já executam ações concretas. Jundiaí, por exemplo, se destaca com o projeto RESFRIA, iniciativa aprovada no Programa de Pesquisa em Políticas Públicas da Fapesp que busca entender e reduzir os efeitos do calor na cidade. A ação é fruto de parceria entre a Prefeitura de Jundiaí e a PUC-Campinas, e teve início com a instalação de 15 sensores em pontos estratégicos para monitorar temperatura, umidade e outros fatores que influenciam o clima urbano. "A grande vantagem do RESFRIA é sair do achismo e adotar medidas fundamentadas em dados. A arborização é fundamental, mas não é a única solução. Precisamos combinar estratégias, como o uso de revestimentos adequados,

cores que absorvam menos calor, calçadas mais permeáveis e jardins de chuva. É essa integração que vai permitir planejar a cidade para as próximas gerações", destacou o diretor de Meio Ambiente da Unidade de Gestão de Planejamento Urbano e Meio Ambiente, Guilherme Lima.

O programa está estruturado em duas frentes principais: o fortalecimento de ações ambientais já em andamento e a criação de novas diretrizes para enfrentar os desafios climáticos. Entre as iniciativas que já fazem parte da cidade e serão aprimoradas estão o Plano de Bairro, que organiza melhorias nos bairros de acordo com as necessidades dos moradores; o Programa Horta Urbana, que incentiva o plantio de alimentos em espaços públicos; o Programa Pé de Árvore, que amplia a arborização da cidade; e o Programa Jardim de Chuva, que melhora a drenagem das águas pluviais e contribui para evitar alagamentos.

A busca por embasamento técnico teve continuidade neste mês de fevereiro, com a realização da 2ª edição do Workshop RESFRIA no Paço Municipal. O evento, fruto da parceria entre a Prefeitura e a PUC-Campinas, reuniu especialistas e pesquisadores internacionais da Espanha e da Argentina para discutir os resultados preliminares de um ano e meio de estudos. O secretário municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente, Marco Antônio Bedin, ressaltou que o monitoramento de 18 meses já consolidou um diagnóstico inicial vital para a gestão pública: “hoje temos elementos técnicos que orientam a construção de uma política de resiliência climática para Jundiaí. O workshop mostrou que a redução da temperatura urbana envolve não apenas arborização, mas também materiais, pisos e fachadas mais adequados”.

captam dados climáticos precisos para orientar o planejamento urbano em Jundiaí

Projeções indicam aumento de até 6ºC na temperatura até 2050, com ondas de calor cada vez mais longas

Campinas como referência

Seguindo um caminho similar de inovação, Campinas também surge como exemplo positivo na implementação de estratégias de adaptação. Nos últimos anos, a cidade instituiu a revisão de seus Planos Municipais do Verde, de Recursos Hídricos e de Educação Ambiental,incluindo metas de implantação de soluções baseadas na natureza, como parques lineares e corredores ecológicos.

As ações foram direcionadas a áreas priorizadas considerando a vulnerabilidade socioeconômica, a capacidade adaptativa e a exposição a ondas de calor, deslizamentos de terra, alagamentos e inundações. Além disso, o município desenvolveu progressivamente uma cultura de planejamento integrado com olhar para as infraestruturas verdes, tornando-se referência para outras cidades brasileiras.

Desafio da implementação

Apesar dos avanços em estruturação e elaboração de diretrizes, o desafio continua sendo transformar teoria em prática. Apenas 28% dos municípios brasileiros dispõem de mapeamento de risco, e somente 23 cidades contavam com planos de ação climática publicados em 2024. Ou seja, a cultura de prevenção a riscos climáticos ainda deve ser fomentada no Brasil.

A adaptação climática deixa, portanto, de ser uma pauta exclusivamente ambiental para se tornar um imperativo de sobrevivência econômica e social. Com as projeções indicando um aquecimento severo, a capacidade de repensar o desenho urbano definirá quais municípios conseguirão manter sua atratividade e funcionalidade nas próximas décadas.

Eliria Buso jornaldointerior.uvesp@gmail.com
Sensores do projeto RESFRIA
Preservação de lagos e solo permeável ajuda a reter águas pluviais, minimizando o impacto de enchentes severas previstas nos novos cenários climáticos
Crédito Governo de São Paulo

Estado de São Paulo concentra um quinto dos empregos da economia criativa do país

Boletim aponta avanço acima da média nacional e consolidação do setor no PIB paulista

O Governo de São Paulo apresentou recentemente os resultados do Boletim de Empregos na Economia Criativa , levantamento elaborado pela Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas em parceria com a Fundação Seade. O estudo indica que o estado concentra cerca de 20,6% dos trabalhadores da cultura e da economia criativa no país, o equivalente a 1,6 milhão de pessoas.

A estimativa nacional, segundo dados do Observatório Cultural Itaú , aponta 7,75 milhões de ocupados no setor. Em 2012, o total no Brasil era de 6,4 milhões. No mesmo período, São Paulo saiu de 1,1 milhão para 1,6 milhão de trabalhadores, ampliando sua participação relativa.

Os dados mostram que a aceleração no estado ganhou força a partir de 2021. Naquele ano, a expansão paulista chegou a 21,1%, enquanto a média nacional foi de 11%. Em 2023, o crescimento em São Paulo atingiu 11,4%, quase três vezes o índice registrado no país. Ainda segundo o boletim, a economia criativa responde por 6,5% do total de ocupados no território paulista.

Para a secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Marilia Marton, o desempenho reflete a estrutura do setor no estado. “São Paulo se consolida cada

gos internacionais de atividades econômicas com classificações de produtos e serviços criativos, estabelecendo correspondência com sistemas nacionais como a Classificação Nacional de Atividades Econômicas. A padronização busca permitir comparações internacionais e, ao mesmo tempo, incorporar especificidades brasileiras e paulistas.

DINÂMICA REGIONAL

vez mais como potência no cenário criativo do Brasil. Apenas aqui no nosso estado temos 20,6% do total de trabalhadores da cultura e da economia criativa. Isso mostra que temos uma cadeia produtiva muito diversificada, plural e que transforma a vida das pessoas, gerando emprego e renda”, afirma.

SEGMENTOS MAIS RELEVANTES

O levantamento identifica quais atividades concentram maior participação. Em 2023, software, videogames, serviços de computação e web responderam por 28,4% do total de ocupados na economia criativa paulista, mantendo peso superior a um quarto do conjunto. O resultado acompanha a expansão de serviços digitais, desenvolvimento de sistemas e produção de conteúdo interativo. Publicidade, pesquisa e desenvolvimento, além de arquitetura e design de interiores, também registraram crescimento no período analisado.

O impacto do setor também aparece na geração de riqueza. Dados reunidos pelo boletim indicam que o Produto Interno Bruto da economia criativa paulista alcançou R$ 136,6 bilhões em 2022, valor que representa 5,2% do PIB estadual. O resultado consolida a participação do segmento na estrutura econômica de São Paulo ao longo

Em Tatuí, conhecida como Capital da Música, a atividade artística integra a formação histórica da cidade

da última década.

Segundo Marilia Marton, o estado tem papel relevante no desempenho nacional. “O estado de São Paulo não está apenas acompanhando a tendência nacional, mas sim exercendo um papel importante para a expansão do setor, sendo um dos principais responsáveis por impulsionar o crescimento da economia criativa no país”, declara.

O Boletim de Empregos na Economia Criativa foi desenvolvido a partir de metodologia elaborada pela Fundação Seade, alinhada a referenciais internacionais de mensuração do setor. A delimitação das atividades pertencentes a essa categoria considera a estrutura revisada da UNCTAD - Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, construída em parceria com a UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

O modelo compatibiliza códi-

O desempenho estadual se reflete em municípios com tradição cultural consolidada. Em Tatuí, conhecida como Capital da Música, a atividade artística integra a formação histórica da cidade. O secretário adjunto de Cultura, Rogério Vianna, atribui o reconhecimento a um processo de longa duração.

“Tatuí se destaca como Capital da Música em razão de um processo histórico profundamente enraizado no cotidiano da população. A música sempre fez parte da vida dos tatuianos desde o início da formação do município, ainda que os registros documentais mais sistematizados datem do período entre 1840 e 1850, com as primeiras formações musicais na cidade. Muito antes de sua institucionalização formal, a prática musical já estava presente em celebrações religiosas, encontros comunitários e manifestações populares”, explica.

O secretário aponta que a consolidação ocorreu ao longo do século XX, com a criação de bandas, grupos e espaços de ensino. Destaca ainda o papel do Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos, instalado na década de 1950. “O reconhecimento como Capital da Música vai além de um título simbólico: representa uma identidade construída coletivamente, que fortalece a produção cultural, valoriza os artistas locais e amplia as oportunidades de criação, formação e circulação musical”, conta o gestor.

Atualmente, investimentos por meio de editais como o Maria Ruth Luz e da Orquestra Sinfônica de Tatuí reforçam essa vocação histórica do município.

Softwares e videogames estão em alta no setor de economia criativa do Estado
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IMPACTOS ECONÔMICOS

Os segmentos criativos que mais geram empregos na cidade estão ligados à música e às artes, abrangendo ensino musical, dança, performance artística, produção cultural, exposições e eventos. Esses setores são mapeados por meio de diagnósticos culturais participativos, realizados em diálogo com o Conselho Municipal de

Políticas Culturais e com os agentes culturais do território.

“Além dos empregos diretos no setor cultural, há impactos significativos em áreas correlatas, como turismo, hotelaria, alimentação, comércio e serviços, especialmente durante a realização de eventos culturais, reforçando a cultura como eixo de desenvolvimento local e geração de renda”, acrescenta Vianna.

Com essa vocação da cidade, as políticas públicas são importantes para transformar a formação artística em oportunidades reais.

“A Estância Turística de Tatuí adota políticas culturais integradas, formuladas a partir do diálogo permanente com o Conselho Municipal de Políticas Culturais e fundamentadas em diagnósticos que valorizam a cultura local, suas tradições, vocações e diversidade”, diz

Dados reunidos pelo boletim indicam que o PIB da economia criativa paulista alcançou R$ 136,6 bilhões em 2022, valor que representa 5,2% do PIB estadual

o secretário-adjunto.

“Entre as principais ações estão a manutenção de espaços públicos de formação, a realização de editais públicos, a valorização dos artistas locais por meio de contratações formais e o incentivo à circulação cultural. Esses instrumentos permitem que a formação artística se converta em oportunidades concretas de trabalho, renda e sustentabilidade, fortalecendo a economia criativa e a identidade cultural do município”, encerra.

Claudia Costa jornaldointerior.uvesp@gmail.com

CONSÓRCIOS PÚBLICOS

CODEVAR reafirma protagonismo regional e planeja agenda ambiciosa para 2026

Consórcio reforça representatividade dos 34 municípios do Vale do Rio Grande

Gestores dos municípios consorciados reforçaram a união e o planejamento de ações conjuntas para 2026

O Consórcio de Desenvolvimento do Vale do Rio Grande - CODEVAR encerrou 2025 com balanço positivo e, já em janeiro de 2026, anunciou novas frentes de trabalho para os 34 municípios que integram a entidade. O consórcio, que completou uma década no ano passado, vem consolidando sua atuação como intermediador entre os pequenos e médios municípios da região e

os governos estadual e federal.

Para o presidente Lucas Seren, o papel da entidade vai além da prestação de serviços compartilhados. "O CODEVAR desempenha um papel crucial na representatividade política de pequenos e médios municípios da região do Vale do Rio Grande. Ele atua como um elo entre eles e o Estado de São Paulo e o Governo Federal, auxiliando na busca por recursos fi-

nanceiros e materiais e na prestação de serviços intermunicipais", afirma.

Embora o consórcio mantenha serviços operacionais, como a reciclagem de resíduos da construção civil, a zeladoria municipal e licitações compartilhadas, o presidente ressalta que o foco principal está na atuação político-administrativa. “O principal foco do CODEVAR atualmente é a representação político-administrativa da região do Vale do Rio Grande, incluindo a promoção do potencial turístico e econômico e a defesa das necessidades estruturais dos municípios”, explica.

O fortalecimento do trabalho consorciado também foi detalhado por Seren: “os consórcios permitem uma gestão conjunta de políticas públicas e promovem economia de escala aos municípios, especialmente por meio de licitações compartilhadas e serviços em áreas como saúde, educação, saneamento e segurança”. Para ele, esse modelo torna os municípios mais fortes e organizados frente aos desafios regionais.

Sobre as dificuldades de integração, o presidente reconhece que há resistências iniciais. “Muitos prefeitos, ao

À frente do CODEVAR, Lucas Seren lidera as discussões do novo biênio com ênfase em gargalos da saúde e gestão ambiental

chegarem ao Executivo, não entendem o papel do consórcio, o que é natural. Por isso, com diálogo, encontros e compartilhamento de desafios, vamos vencendo essas barreiras”, acrescenta. Em janeiro, a parceria com a Faculdade Municipal IMESB-VC reforçou esse caminho, ampliando ações de capacitação. A primeira iniciativa já está agendada: um Fórum Tributário em março, com auditores da Receita Federal.

Eliria Buso jornaldointerior.uvesp@gmail.com

Conservatório de Tatuí contribui para manter a cidade como Capital da Música
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MUNICÍPIO ANTIRRACISTA

Olímpia terá plano de igualdade racial

SUMARÉ

Olímpia aderiu ao Pacto Cidades Antirracistas, do Ministério Público de São Paulo. Com cerca de 34,9% da população negra, o município compromete-se a criar políticas públicas de equidade, incluindo a revisão do Conselho Afro e a elaboração do Plano Municipal de Igualdade Racial. A ação visa fortalecer direitos, combater a discriminação e promover oportunidades.

Projeto de convivência ética é premiado

A Diferença

Município integra ação de combate à pobreza

A Prefeitura de Sumaré integrou-se oficialmente ao Programa Superação SP após alinhamento com o Governo do Estado. O projeto combate a pobreza por meio da inclusão produtiva, combinando transferência de renda e qualificação profissional. Além disso, busca garantir autonomia financeira e acesso ao mercado de trabalho, indo além do auxílio pontual.

POLÍTICA PÚBLICA

Piracicaba aprova programa Brincar é Viver

A Câmara de Piracicaba aprovou a criação do Programa Municipal de Lazer e Convivência Infantil Brincar é Viver, com foco em desenvolvimento integral e inclusão social. De autoria do vereador Marco Bicheiro, a iniciativa institui políticas públicas para garantir o direito ao brincar, promovendo atividades recreativas, culturais e esportivas em espaços públicos.

O projeto de Promoção da Convivência Ética e Prevenção da Violência nas Escolas, desenvolvido pela Secretaria de Educação de Batatais em parceria com a Unesp, recebeu o Selo ODS Educação 2025 Selecionada entre 190 iniciativas, a ação fortalece a cultura de paz e o protagonismo estudantil. O reconhecimento valida o compromisso do município com a Agenda 2030.

REFERÊNCIA

Mairiporã amplia Projeto Navega nas escolas

O município de Mairiporã anunciou a ampliação do Projeto Navega em 2026. Pioneiro no país ao incluir canoagem no currículo escolar, o programa atendeu 222 alunos em 2025, aliando esporte, consciência ambiental e inclusão social na formação dos estudantes. A nova fase duplicará o atendimento em escolas de tempo integral e estenderá atividades ao ensino regular.

Sustentabilidade

TECNOLOGIA SUSTENTÁVEL

Hortolândia alia obras à preservação ambiental

A Prefeitura Municipal de Hortolândia está implementando uma tecnologia sustentável de "bolsacreto" na canalização de córrego do Parque Socioambiental, no Jardim Amanda. O método utiliza revestimento em mantas geotêxteis para conter a erosão das margens e evitar o assoreamento da lagoa local, garantindo drenagem eficiente e proteção do solo na região.

MUTIRÃO VERDE

Barretos planta árvores no Hospital de Amor

A Prefeitura de Barretos realizou o plantio de cerca de 1.100 mudas de árvores no entorno do Hospital de Amor. A ação, executada pela Secretaria de Meio Ambiente em parceria com a instituição de saúde, utilizou espécies como ipês e canafístula e visa, principalmente, amenizar o calor, melhorar o microclima e contribuir para o bem-estar de pacientes e colaboradores.

RIBEIRÃO PRETO

Câmara institui gestão sustentável de águas

A Câmara de Ribeirão Preto aprovou a Política Municipal de Prevenção às Enchentes. De autoria da vereadora Judeti Zilli, a medida prioriza soluções sustentáveis, como o aumento da permeabilidade do solo e mecanismos de drenagem. O objetivo é modernizar a gestão hídrica da cidade e reduzir os riscos de inundações, alinhando o desenvolvimento urbano a normas ambientais.

BOTUCATU

Poupatempo Ambiental amplia serviços

A Prefeitura de Botucatu, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, destaca os serviços do Poupatempo Ambiental. O local centraliza atendimentos como licenciamento, autorizações e educação ambiental, além de funcionar como ponto de coleta de resíduos eletroeletrônicos. A ideia é facilitar o acesso da população a práticas sustentáveis e fortalecer a preservação.

GUARAREMA

Projeto une sustentabilidade e apoio social

Guararema lançou o projeto "Seus recicláveis valem uma cesta básica", unindo sustentabilidade e auxílio social. A ação permite que moradores troquem 30 quilos de materiais limpos, como plástico e papelão, por alimentos. A troca é limitada a uma cesta por família, mediante comprovante de residência, incentivando a destinação correta de resíduos no município.

TURISMO NAS ESCOLAS

Ubatuba amplia projeto turístico nas escolas

O projeto Turismo nas Escolas de Ubatuba inicia nova fase, integrando alunos do curso técnico de Guia de Turismo às atividades com estudantes do quinto ano. A partir de março, serão realizadas palestras e saídas de campo pelos atrativos do município. Os estudantes técnicos conduzirão as visitas, abordando história, cultura e patrimônio local como prática profissional.

SÃO PEDRO

Política pública de turismo avança em prêmio

A cidade de São Pedro foi habilitada no XIII Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora com o projeto "São Pedro Turismo que Transforma!". Concorrendo na categoria Turismo & Identidade Territorial, a ação consolida o setor como política pública permanente, gerando 830 empregos e inovações tecnológicas. A etapa estadual está agendada para o próximo dia 17 de março.

Turismo

BRASIL NA PALMA DA MÃO

Pirapora do Bom Jesus investe em tecnologia

O município de Pirapora do Bom Jesus está iniciando sua adesão ao programa Brasil na Palma da Mão®, plataforma tecnológica que visa organizar informações e modernizar a promoção do destino. A iniciativa foi apresentada em janeiro ao Conselho Municipal de Turismo - Comtur, que aprovou o projeto para centralizar serviços e opções de lazer em ambiente digital.

DISTRITO TURÍSTICO

Mercado Municipal de Santos é revitalizado

Santos inaugurou o seu Mercado Municipal totalmente revitalizado no Centro Histórico. Com investimento de R$ 18,1 milhões via Dadetur, o equipamento teve modernização estrutural, climatização e acessibilidade. A obra integra o Distrito Turístico da cidade, buscando impulsionar a economia local e atender ao fluxo crescente de visitantes, que somou 1,4 milhão em 2025.

MELHOR IDADE

Registro adere ao programa Turismo 60+ SP

Registro formalizou a sua inscrição do município no programa estadual Turismo 60+ SP , voltado à promoção de viagens gratuitas para a terceira idade. Conduzida pela Diretoria de Turismo, o programa pretende incluir a cidade como destino oficial para este público. Após aprovação, o município poderá inscrever grupos locais para roteiros com hospedagem e lazer inclusos.

Araras

PROGRAMA ZERA FILA

lança mutirão de cirurgias e exames

Com aporte de R$ 6,5 milhões, a Prefeitura de Araras lançou o programa Zera Fila da Saúde no início deste ano. O objetivo é eliminar a demanda reprimida de 1.340 exames e 663 cirurgias de média e alta complexidade. Custeada por emendas parlamentares, a iniciativa realiza procedimentos na Santa Casa, atendendo especialidades como ortopedia, neurocirurgia e oncologia.

ARAÇATUBA

MARTINÓPOLIS

Cidade tem nova temporada do Saúde no Campo

Araçatuba iniciou uma nova temporada do projeto Saúde no Campo na UBS Irmã Dulce, levando atendimento médico a 4 assentamentos rurais. Realizada semestralmente, a ação facilita o acesso de moradores distantes a serviços como exames preventivos e renovação de receitas. Em agosto de 2025, o projeto realizou 230 atendimentos médicos e 48 coletas de exames preventivos.

UNIDADE REGIONAL

Novo hospital em Cruzeiro inicia atendimento

O Governo do Estado inaugurou, em Cruzeiro, o Hospital Regional Circuito da Fé. A unidade iniciou os atendimentos neste mês, tornando-se referência em média e alta complexidade para a região. Nesta primeira etapa, oferece exames diagnósticos e leitos de observação. Porém, a operação será ampliada gradualmente, atingindo plena capacidade até janeiro de 2027.

Novo veículo reforça transporte de pacientes

A Secretaria de Saúde de Martinópolis recebeu um micro-ônibus 0km, avaliado em R$ 545 mil. Viabilizado por emenda parlamentar federal do deputado Alexandre Leite, o veículo reforça o transporte de pacientes, oferecendo mais conforto e segurança nos deslocamentos para tratamentos médicos. A aquisição amplia a estrutura municipal e qualifica o atendimento à população.

RIO PRETO

Saúde amplia canal de escuta com pesquisa digital

Agora, usuários da rede municipal de saúde de São José do Rio Preto poderão avaliar o atendimento via QR Code. A nova pesquisa de satisfação on-line, disponível em todas as unidades, permite atribuir notas aos serviços e relatar experiências. A ferramenta aceita participações anônimas e busca fortalecer o diálogo com a população para aprimorar a gestão pública.

Tecnologia e Inovação

POSTES INTELIGENTES

Monitoramento reforça segurança em Pereiras

Pereiras reforça a segurança pública com a instalação de postes inteligentes que têm reconhecimento facial e leitura de placas. Pioneira na região, a tecnologia integra os sistemas Muralha Paulista e Córtex, permitindo o cruzamento de dados em tempo real. O monitoramento foca exclusivamente na prevenção de crimes, sem aplicação de multas de trânsito.

FORMAÇÃO

Projeto Mauá do Futuro abre inscrições

INTERNACIONALIZAÇÃO

São Carlos adere ao Programa Município Global

Visando ampliar a competitividade de suas empresas, São Carlos aderiu ao Programa Município Global, da InvestSP. A medida conecta a "Capital Nacional da Tecnologia" a mercados internacionais, incentivando a cultura exportadora. O projeto estrutura-se em quatro fases para capacitar startups e indústrias, atrair investimentos estrangeiros e gerar novos negócios e empregos.

Mauá aposta na tecnologia como ferramenta de transformação social com o lançamento do curso de robótica do projeto Mauá do Futuro . Voltado a crianças e jovens de 7 a 17 anos da rede pública, o programa oferece programação, cultura maker e modelagem 3D em quatro polos descentralizados. As aulas buscam capacitar estudantes em vulnerabilidade e seguem com inscrições abertas.

ARARAQUARA

Câmara aprova evento de empreendedorismo

A Câmara de Araraquara incluiu no calendário oficial da cidade a Semana de Inovação e Empreendedorismo Biotecnológico e Químico . Previsto anualmente para junho, o evento pretende valorizar o forte polo científico local, que reúne universidades e startups. Além disso, fomenta novos negócios de alto impacto e a popularização da ciência, reforçando a vocação do município.

MOGI DAS CRUZES

Smart Mogi é destaque em premiação regional

O programa Smart Mogi , da Prefeitura de Mogi das Cruzes, rendeu à prefeita Mara Bertaiolli o prêmio "Prefeita Inovadora 2026" no Fórum de Cidades Digitais. Com 730 câmeras, incluindo reconhecimento facial e leitura de placas, o sistema já capturou 87 foragidos da Justiça em 4 meses. A tecnologia integra dados estaduais para agilizar a ação da Guarda Civil Municipal.

Santa Clara d’Oeste aposta no turismo para impulsionar desenvolvimento regional

Município do noroeste paulista amplia infraestrutura e projeta impacto econômico

Localizado na região noroeste do Estado de São Paulo e na divisa com Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, o município de Santa Clara d’Oeste tem ampliado seu potencial turístico regional. Em 2019, recebeu do Governo do Estado o título de MIT - Município de Interesse Turístico e, em 2021, passou a integrar a RT Entre Rios – Rota do Peixe , iniciativa que reúne cidades do noroeste paulista para fortalecer o setor.

O município está situado no chamado “Marco Zero”, ponto de encontro dos rios Paranaíba e Grande, que formam o Rio Paraná.

A cidade integra a região turística dos Grandes Lagos, formada por municípios banhados por represas e cursos d’água utilizados para pesca, navegação e lazer.

“O turismo é uma das principais apostas para o desenvolvimento de Santa Clara d'Oeste. Temos tudo para receber visitantes de todo lugar e transformar isso em oportunidades para nossa gente”, afirma o prefeito José Basílio.

pessoas. O local foi planejado para sediar shows, encontros regionais e programações diversas, ampliando o calendário de eventos e a circulação de público no município.

No setor privado, dois empreendimentos se destacam no cenário local. O Grandes Lagos Resort e Parque Aquático possui estrutura de lazer aquático e hospedagem com chalés, bangalôs, área de camping, restaurantes, parque aquático e marina. Já o Condomínio Mirante dos Rios foi lançado como opção residencial e de lazer, associado à valorização das áreas próximas aos rios.

A Cachoeirinha do Córrego do Can Can é ponto de referência para camping e ecoturismo, com trechos de água que formam uma gruta utilizada pelos banhistas. A cidade também integra a Rota dos Tropeiros , realizando a Tradicional Cavalgada, procissão que termina na Igreja da Matriz com bênçãos, almoço comunitário e música regional.

Um dos principais projetos em andamento envolve a Prainha Municipal . O espaço, que conta com quiosques, churrasqueiras, playground e quadra de areia, deve receber investimento estimado em R$ 6 milhões, destinado à implantação de estrutura voltada ao Turismo Náutico. Próximo à prainha foi inaugurada recentemente uma arena com capacidade aproximada para 20 mil

Segundo o prefeito, os projetos fazem parte de uma estratégia mais ampla. “Estou comprometido em trabalhar para que o turismo gere emprego, renda e qualidade de vida para nossos moradores, preservando o que temos de melhor”, finaliza

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Jornal do Interior | Edição 227 | Fevereiro 2026 by “Jornal do Interior” - Issuu