Cachoeiro de Itapemirim 147 anos de emancipação política
Caderno Especial - Cachoeiro de Itapemirim
25 de Março de 2014
Foto: Pedro Junior
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CACHOEIRO: 147 anos de emancipação A história de um município é escrita pelos eventos políticos, econômicos, sociais e artísticos que, em toda sua trajetória, desde a instalação da Comarca, compõem um mosaico de realizações e crises. Cachoeiro de Itapemirim não poderia fugir a essa regra básica das relações humanas, e desde a instalação da Câmara Municipal, em 1867, até hoje, já se passaram 147 anos. A data comemorada nesta terça-feira, 25 de março de 2014, causa certa confusão e até desinformação aos próprios cachoeirenses. Muitos creditam 29 de junho, dia do padroeiro São Pedro, e da Festa de Cachoeiro, como se fosse a marca de mais um aniversário da cidade. A data de 25 de março não foi escolhida ao acaso. Era o aniversário da primeira e única Constituição do Brasil Império, que fora outorgada por D. Pedro I em 25 de março de 1824, um ano e pouco após a Independência do Brasil, em 07 de setembro de 1822. Cachoeiro, já emancipado, tinha área geográfica invejável, que abrangia os atuais municípios de Vargem Alta, Rio Novo do Sul, Atílio Vivácqua, Muqui, Alegre, Rio Pardo (Iúna), São José do Calçado, Ita-
Divulgação
bapoana, Castelo, Alegre (1884) e Guaçuí. Já entre 1867 a 1914 quem governava a cidade era o presidente da Câmara. Ele acumulava a função de presidente do Poder Legis-
lativo com a de intendente Municipal. A figura do prefeito só aparece em 1914. O primeiro intendente, que era o presidente da Câmara, foi Francisco Xavier Monteiro Nogueira da Gama.
Nesta edição especial do jornal ES de Fato, o foco é o casario centenário que se mantém de pé (exceto o Yole Clube, em ruínas, e o Liceu, que tem 78 anos), depois de seguidas reformas,
e guarda em suas histórias os momentos marcantes da maior e mais importante cidade do Sul do Espírito Santo. Destacamos alguns dos prédios:
Fontes:
Historiadores: Manoel Gonçalves Maciel e Evandro Moreira. Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim
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Centro Operário Trincheira de lutas sindicalistas, em 1907 nasceu o Centro Operário e de Proteção Mútua. Mas somente em 1913 passa a ter sua sede na Rua 25 de Março, perto da Casa dos Braga, graças à ajuda de Francisco Braga, que depois se tornaria prefeito. Ali funcionou a escola de dona Palmira, onde estudaram Newton e Rubem, os dois filhos de Francisco. O centenário imóvel foi tombado pelo Patrimônio Histórico de Cachoeiro e transformado em centro cultural. Durante anos, abrigou escola por onde passaram nomes importantes da história cachoeirense, além dos irmãos escritores Braga. Atualmente, sedia a associação teatral local (Asteca) e o Cineclube Jece Valadão.
(28) 3511-7481 Patrimônio histórico Foi tombado em 23/12/1996, pela Resolução nº 001/96, do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano de Cachoeiro do Itapemirim (Comdur). Processo proto-
colado sob o n.º 11/96. Inscrição do Livro de Tombo e averbação do tombamento à margem da transcrição do imóvel, no cartório de registros de imóveis desta Comarca.
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Santa Casa de Misericórdia
Com origens em Portugal, as santas casas surgiram com o principal objetivo da prática de obras de caridade, que se dividia em quatro grandes ramos: tratar os enfermos, patrocinar os presos, socorrer os necessitados e amparar os órfãos. No Brasil, a primeira Santa Casa foi fundada por Brás Cubas, no ano de 1543. A Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim teve seu início como “Associação de Beneficência Cachoeirense’’, mantenedora da Santa Casa fundada em 27 de janeiro de 1900. O primeiro médico da instituição foi Joaquim Teixeira de Mesquita. Em 31 de dezembro
de 1927, se reuniu o primeiro conselho administrativo, tendo como presidente Mário Lopes de Rezende. O vice era Francisco Gonçalves. Com os demais membros eleitos, formaram a primeira diretoria da Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim.
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Ruínas do Yole Clube Divulgação
O Yole Clube de Cachoeiro, na Rua Moreira, 334, bairro Independência, poderia guardar histórias importantes para o município, como as relacionadas à prática esportiva (remo) e ao resgate de pessoas ilhadas em enchentes. Sem registros oficiais, princi-
palmente fotográficos, sua história vai se perdendo, no entanto. Hoje, apenas a minoria da população tem conhecimento de sua importância para uma geração inteira, principalmente da década de 50. Além do remo, outros tipos de esportes
eram praticados em sua sede, que, com o tempo, tornou-se também ponto de encontro para bailes e festas. As principais personalidades de Cachoeiro transitaram por ali, inclusive, a irmã de Rubem Braga, que praticava natação no clube.
Vários prefeitos acenaram com a possibilidade de tombamento como patrimônio histórico, transformando o lugar em museu (Municipal do Remo), mas todas as promessas não foram cumpridas ou os projetos acabaram abandonados, infelizmente.
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Palácio Bernardino Monteiro
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O Palácio Bernardino Monteiro, localizado no centro de Cachoeiro de Itapemirim, foi inaugurado em 1912 para ser a sede da principal escola pública da cidade. O edifício foi construído no início do século XX. No prédio funcionou
uma escola infantil e atualmente abriga o gabinete do prefeito municipal. Lá, funciona ainda a sala Levino Fanzeres, destinada a atividades artísticas e culturais. As obras do grupo escolar “Bernardino Monteiro” foram iniciadas
no governo de Jerônimo de Souza Monteiro, entre 1908 e 1912. A inauguração do prédio aconteceu no dia 15 de fevereiro de 1913, no governo de Marcondes Alves de Souza (1912 – 1916). Outro detalhe impor-
tante da história do centenário casarão é que o Bernardino Monteiro foi o segundo grupo escolar inaugurado no Estado – o estilo da arquitetura era padrão, propositalmente, reproduzia um palacete, buscando a valorização da Educação.
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Matriz Velha: 130 anos de fé e arte Enquanto Cachoeiro de Itapemirim comemora 147 anos de emancipação político-administrativa, a Igreja Nosso Senhor dos Passos, conhecida como Matriz Velha, completa 130 anos de fundação. Tudo começou com a Pa-
róquia São Pedro. Criada em 1856, funcionava em uma igreja às margens do Rio Itapemirim, feita de taipa, que uma enchente destruiu. Por isso, foi transferida para o local onde, posteriormente, a história a
imortalizaria como Matriz Velha (Igreja Nosso Senhor dos Passos), no bairro Independência, a segunda construída em Cachoeiro. A iniciativa partiu do casal capitão Francisco de Souza Monteiro e Henriqueta Rios de Souza, moradores
na Fazenda Monte Líbano. A edificação foi tombada pelo Conselho Estadual de Cultura – CEC - em 06/08/85. Processo nº 01/85. Inscrição no Livro do Tombo das Belas Artes e no Livro do Tombo Histórico.
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Fábrica de Pios Maurílio Coelho
Fotos: Pedro Junior
Único na América Latina especializado na fabricação de pios de aves, o empreendimento foi fundado em 1903 por Maurílio Coelho, filho de lavradores, nascido na cidade de Muqui, que deixou o
campo para trabalhar no serviço de abastecimento de água e energia, na Ilha da Luz, em Cachoeiro. Através de contatos anteriores com índios, caçadores e mateiros, ficou conhecendo al-
guns tipos de pios, daí surgiu a ideia de montar um pequeno torno para iniciar seus experimentos. Realizou testes e pesquisas, visitando as matas de diversas regiões do Brasil, para alcançar a fidelidade
de som ideal para cada pio. Desde 1972, os pios artesanais são exportados para diversos países, como Estados Unidos, Japão, Alemanha, Dinamarca, Coréia, entre outros.
Na foto o Fundador Maurílio Coelho
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Colégio Liceu Muniz Freire Fotos: Arquivo FATO
O prédio de três andares do Liceu Muniz Freire foi erguido na década de 1920 para sediar uma fábrica de papel. A palavra Liceu deriva do deus grego Apolo Lício, daí Liceum, depois Liceu. O primeiro diretor foi Fernando de Abreu. O colégio Liceu Muniz Freire é considerado pelos moradores um dos mais importantes patrimônios de Cachoeiro de Itapemirim. Fundado em 1936, no bairro Independência, teve muitos alunos ilustres, entre eles o cantor Roberto Carlos.
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Exposição de crônicas marca data Hoje, às 18h00, a Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim lança a exposição “A Ferrovia que cria conexões – do passado ao presente – na crônica da vida”. A mostra reúne no Museu Ferroviário Domingos Lage textos de 17 cronistas locais, em comemoração ao aniversário de 147 anos da emancipação política do município. Os autores foram “escolhidos a dedo”, por uma comissão que contou com o apoio de professores da área de Linguagens do Centro Universitário São Camilo. Todos são contemporâneos e tratam de temas diversos. “É uma forma de juntarmos a literatura com o cotidiano da vida e, ao mesmo tempo, valorizarmos o espaço cultural”, acredita a secretária municipal de Cultura e uma das cronistas selecionadas, Joana D’Arck Caetano. A exposição vai ficar aberta ao público por um ano, com entrada franca, em um dos espaços culturais mais visitados e representativos do município. Ela sucede a mostra “Os filhos de Cachoeiro”, lançada há exatamente um ano, no dia 25 de Março, também em comemoração à data. Reuniu caricaturas
Divulgação/PMCI
Os expositores: Aline Dias Ana Beatriz Miranda Ariette Moulin Breno Callegari Célia Ferreira José Carlos Gualberto da Conceição (Dadá) Felipe Bezerra Fernanda Barata Francielly Cesário Gustavo Lins Joana D’Arck Caetano Luciana Fernandes Maria Gabriela Veridiano Mostra fica em cartaz, durante um ano, no Museu Ferroviário
de personalidades locais - como dona Laurinda e dona Canuta, de destaque no folclore -, com a biografia de cada uma delas. Em 2013, 8.885 pessoas visitaram o museu, que fica na estação ferroviá-
ria inaugurada em 1903. Localizado no Centro da cidade, o centenário prédio mantém as características da construção e o acervo das atividades ferroviárias no município. São registros fotográficos,
documentais, móveis e um torno que era utilizado para construir peças de reposição da linha férrea e das locomotivas. O horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 7h00 às
Paulinha Garruth 13h00. A visitação ao acervo é gratuita e aberta ao público em geral. Para visitar aos finais de semana e feriados, é necessário realizar agendamento prévio, pelo telefone (28) 3155-5221.
Roney Moraes Rosângela Venturi Sérgio Damião
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