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19 anos
MOSSORÓ (RN), DOMINGO, 5 DE JULHO DE 2020 | EDIÇÃO 5.806 – ANO XX | R$ 2,50 COVID-19
SEM RITUAIS DE
DESPEDIDAS
>>Dor das famílias aumenta com a impossibilidade de velar vítimas do novo coronavírus. REVISTA DOMINGO
MP quer fechar atividades econômicas Ministério Público discorda da reabertura da economia e aponta riscos à saúde no RN. PRINCIPAL 8
MOSSORÓ 3
Uern distribui solução sanitizante para hospitais Produto concentrado é recomendado pela OMS. Estudos comprovam eficiência. MOSSORÓ 4
BOLETIM DA COVID-19 NO RIO GRANDE DO NORTE - Nº 105 Última atualização: 4 de julho de 2020
33.910 1.200 45.614 53.465 2.904 33.9101.200 CONFIRMADOS
NESTA EDIÇÃO [40 PÁGINAS] OPINIÃO...............................................P2 POLÍTICA............................................P3 CÉSAR SANTOS...............................P5 GERAIS/OPINIÃO.............................P6 BRASIL/MUNDO...............................P8 CADERNOS MOSSORÓ..............................P1 A 8 MULHER ........................................ P1 A 4 DOMINGO........................P1 A 16 TELEVISÃO.................................P1 A 12
ÓBITOS
SUSPEITOS
DESCARTADOS ABr
Pandemia cansa beleza e afetas salões em todo País Nove de cada dez micro e pequenas empresas do setor afirmam ter perdido faturamento. Salões estão se reinventando para garantir clientes. PRINCIPAL 6
CIANO MAGENTA AMARELO PRETO
Salões de beleza tiveram que investir para garantir biossegurança
CURADOS
Dados revelam letalidade e vitimização policial Estudo aponta que 633 mortes por “intervenção policial” foram registradas no RN entre 2015 e 2019, com 80 agentes assassinatos. POLÍCIA 5 E 6
2 OPINIÃO
domingo, 5 DE julho de 2020
ESPAÇO JORNALISTA MARTINS DE VASCONCELOS
Organização: clauder arcanjo
REPÚBLICA DE HISTÓRIAS E DE SONHOS Edmílson Caminha
Escritor, membro da Academia de Letras do Brasil edmilson.caminha@gmail.com
Se não se publicasse nenhum outro grande romance no Brasil dos anos 1980, salvaria a década, sozinho, A República dos Sonhos (Rio de Janeiro : Francisco Alves, 1984). Culminância de qualquer carreira literária, Nélida Piñon escreveu-o aos 47 anos, já respeitada como a romancista do Guia-mapa de Gabriel Arcanjo (1961) e d’A casa da paixão (1977), além dos contos da Sala de armas (1973) e d’O calor das coisas (1980), entre outros títulos. São 761 páginas com a admirável história dos homens e mulheres que deixaram a Galiza (Galícia, como prefere a autora) e outras regiões de Espanha para fertilizar com suor e sofrimento a terra brasileira. Saga que recebeu, significativamente, distinções valiosas nos dois lados do Atlântico: os prêmios do Pen Clube do Brasil, da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e, concedido por uma instituição espanhola, o Príncipe das Astúrias. Não por acaso, a escritora faz nascer o galego Madruga em 1900, às portas do que viria a ser, mais que uma virada de século, o advento de um outro mundo, marcado pelas grandes guerras e por novas relações políticas, econômicas e diplomáticas entre países. Na aldeia de Sobreira, onde “não se tem por onde crescer, a não ser para dentro de si mesmo”, é filho único de Urcesina e Ceferino; neto de Xan, patriarca orgulhoso da bela (e, para nós, às vezes estranha) língua em que “jornal” é “xornal”, e “zero” pronuncia-se “cero”. Com apenas 13 anos, deixa a família e embarca em Pontevedra para viver a aventura de conquistar o Brasil, terra, dirá depois, “que nos acolhe primeiro como inimigos, e que só perdoa a afronta da nossa visita na hora do enterro”. A bordo, conhece Venâncio, 13 anos também (andaluz de origem cigana, talvez), de quem se faz amigo para sempre, na luta que começa quando chegam ao Rio de Janeiro. São tantos os galegos entre nós que a palavra deixa de referir-se apenas aos emigrados daquela região a noroeste da Es-
panha, para designar, genericamente, qualquer estrangeiro, sem distinção de nacionalidade. Em 1910, o governo espanhol já cortara a ajuda financeira a trabalhadores dispostos, como diziam, a “fazer a América”; mesmo assim, cerca de 180 mil viriam para o Brasil na década seguinte, número inferior apenas ao de portugueses. Nos cem anos contados até ali, o total chega a 500 mil, empregados sobretudo em negócios de cereais e de ferro-velho, quase como escravos, a cumprir jornadas de até 14 horas por dia, seis dias por semana. Sob rigorosa vigilância do governo: em 1907, aprovara-se no parlamento a “Lei Adolfo Gordo”, que expulsava do território nacional todo cidadão de outro país que atentasse contra a ordem pública. Era a inclemência com que se punia o “agitador estrangeiro”, assim chamados pela grande imprensa os imigrantes que davam força ao movimento operário brasileiro, sobretudo no âmbito do anarco-sindicalismo. Condições adversas, pois, aos forasteiros Madruga e Venâncio, personagens plenos de simbolismo. O primeiro, disposto a tudo para triunfar socialmente, ganhar dinheiro e prestígio, como se egresso de um romance de Machado de Assis; audacioso, determinado, aos 19 anos já é sócio do hoteleiro espanhol que lhe dera o primeiro emprego; da modesta residência na Tijuca, salta para a boa casa que manda construir no então nascente Leblon, um dos endereços da nova burguesia carioca: Ganhar a vida, em país estrangeiro, equivalia no início a dolorosas amputações. A perda da alma e da língua ao mesmo tempo. Tinha sobretudo o significado primário de tropeçar nas palavras mais banais, perder entre os dedos o que elas poderiam dizer, quando bem usadas. Com a agravante de sua condição de imigrante sujeitá-lo à desconfiança geral (...) Assim, precisou sempre lutar em dobro para ganhar alforria, conquistar a confiança dos senhores legítimos da terra, simular familiaridade com a língua portuguesa (...) Precisava enfim tonificar idealmente o cérebro e os músculos no mesmo passo. Venâncio, “possivelmente o único homem chegado ao Brasil que contrariou as regras prescritas de acumular bens e ressentimentos”. Desprovido de ambições materiais, logo se decepciona com o presente do país que o encantara; volta-se então para o passado, tempo da colônia e do império, fuga precursora da desorganização mental que o leva a tratamento; suburbano de Quintino, parece criatura de Lima Barreto, pela mágoa com que se reconhece perdedor:
Via-se integrante de uma classe acotovelada nos trens da Central e da Leopoldina, por cujas janelas saltavam os aflitos e desesperados. Em casa, ele e os vizinhos entretinham-se com a sombra das mangueiras e o som da televisão alta aos domingos. Em seus ouvidos ressoava o gol da vitória. Era assim que se manifestava a vida sem consolo. A expectativa do prato melhor aos domingos. (...) Às vezes, vinhalhe o cheiro do lixo dos terrenos baldios. A ninguém ocorria limpá-los, afugentar os animais roedores. O vento trazia, além do cheiro, o ruído das palavras mentirosas, o caos, mas que alimentavam a esperança de uma comunidade apertada, sem futuro. Para Madruga, o sonho a que se refere o título do romance é projeto de vida, jogo a vencer, pódio a subir; para Venâncio, tudo não passa de fantasia, de desalento, de frustração, “a vida inteira que podia ter sido e que não foi”, como no poema de Manuel Bandeira, de quem passa a ser vizinho quando se muda para a avenida Beiramar. Verso e anverso, portanto, da moeda que carregavam no bolso quando aqui puseram os pés. Passam-se dez anos e Madruga, de volta à Sobreira natal, casa-se com Eulália, filha de Dom Miguel, que a faz detentora da mesma herança que o avô Xan passara ao agora marido: não deixar morrer as histórias da Galiza, patrimônio secular que vencia o tempo, contos que os velhos narravam com orgulho e altivez – não por palavras frias postas no papel, mas pelas que da boca saem quentes como o pão do forno. Assim também os guardiães de culturas outras com que os galegos, aparentemente, não tiveram contato, como os griôs, verdadeiras bibliotecas falantes no ocidente da África, a quem se deve a tradição oral dos mitos, das crenças, do folclore, das canções de que se faz uma cultura. Mais tarde, Madruga diria à neta: — Esta graça que temos de narrar se deve ao fato de sermos celtas, Breta. É a nossa maior herança. Mas, também, o que sobra de um povo sem o seu imaginário? Deve ser por isso que o primeiro ato das ditaduras é proibir a imaginação. Nada asfixia mais que nos vermos privados de inventar. Ponto de convergência da família, a casa no Leblon é o cenário em que afloram as emoções, os rancores, as disputas de afeto e de poder entre Madruga–Eulália e os filhos Esperança (mãe de Breta), Miguel (com a mulher Sílvia), Bento, Antônia (casada com Luís Filho) e Tobias (marido de Amália). Verdadeira sombra de Eulália, Odete é servidora, companheira,
direção geral: César Santos diretor de redação: César Santos Gerente ADMINISTRATIVA: Ângela Karina
confidente, capaz de morrer pela senhora como os ascendentes africanos, a quem devia a cor da pele e a singeleza da alma. Venâncio, comensal aos domingos, é a presença de que carece Madruga para evocar a Espanha e compreender o Brasil. A sugestão de desejo por Eulália, sentimento que talvez o torture sob o peso de valores morais e religiosos, é rio subterrâneo magistralmente levado pela autora a percorrer a história, à semelhança de Machado em Dom Casmurro: Ambos sempre se esconderam nos recantos escuros, para que não lhes vissem os olhos a lampejar de repente. Um e outro observando-se com cautela. Tão pouco um sabia do outro. E quase ninguém conhecia Madruga. O certo é que os três abriam suas trilhas em meio à bruma, na expectativa de surpreenderem em qualquer um deles um sentimento poderoso.
andaluz que tanto bebe quanto cavalga pelo mundo no seu cavalo Pégaso, até o dia em que apeia no Brasil: “Neste país, ficou algum tempo, imerso no mais rigoroso espanto. E porque o que via superava a sua imaginação, julgou prudente desta vez não beber uma só gota de álcool. Ali, a realidade já embebedava, ele percebeu. Assim, permaneceu sóbrio o tempo todo, embora com a sensação de estar bebendo o dia inteiro.” Menina, Breta já se fazia depositária do que Madruga retivera para o herdeiro que não deixasse morrer a tradição dos ascendentes: Ele pretendia impor-me o culto da invenção, há muito presente em sua família. Antes mesmo de Xan. Tratando-se de um costume galego, mediante o qual este povo ludibriava o calendário, de forma a impedir que a realidade se esvanecesse. Por este recurso aprisionava-se na algibeira, ao lado do relógio de bolso, uma segunda-feira qualquer, repleta de aventuras. Ainda que houvesse sempre o risco de esquecer algumas dessas histórias. Mas esquecer fazia parte do patrimônio universal.
Nos momentos derradeiros da mulher do amigo, vai ao quarto em nome do que entre os dois ficaria por viver: Venâncio ia afastar-se da cama quando Eulália, com voz sumida, pediu que ficasse, um minuto ainda. Quem sabe não se viam pela última vez. Ele retornou à cadeira, quase desfalecia. Pressentiu, de forma concreta, que a estava perdendo para sempre. Sem lhe haver dito as palavras essenciais. Em todos aqueles anos optara pelo silêncio, como meio de comunicar-se com Eulália. E ela, fina e translúcida, acatara-lhe a decisão, julgando-a a mais sábia. Cinco gerações se passam. Breta, alter ego da autora, assume a herança atávica do trisavô Xan, e aprende histórias da Galiza por ele narradas havia décadas em Sobreira. Como a de Salvador (belo conto, que se manteria inteiro fora do romance), cigano
Mulher feita, confessa-lhe o avô o desalento por não ter podido, com Eulália e Venâncio, contar mais do que um episódio da grande aventura que viveram: “Agora, só nos resta você. A você caberá escrever o livro inteiro, a que preço seja. Ainda que deva mergulhar a mão no fundo do coração, para arrancar a vida dali.” Foi o que fez a romancista que se reconhece em Breta, ao compor, com talento e maestria, a saga dos imigrantes galegos na construção da república de sonhos que ainda esperamos ver realizados. Por mais criativos que fossem, não imaginavam, os contadores de histórias como o velho Xan, que deles nasceria uma escritora com a grandeza de Nélida Piñon, cuja obra enobrece a história da Galiza e honra a literatura brasileira.
Um produto da Santos Editora de Jornais Ltda.. Fundado em 28 de agosto de 2000, por César Santos e Carlos Santos.
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FILIADO À
entrevista 3
DOMINGO, 5 de julho de 2020
CAFEZINHO COM CÉSAR SANTOS
cesar@defato.com
Márcio Oliveira
‘Estamos trabalhando para que a eleição aconteça da melhor forma que for possível’ O professor mestre Márcio Oliveira, especialista em direito eleitoral e servidor da Justiça Eleitoral desde o ano 2000, é o entrevistado da semana da seção “Cafezinho com César Santos”. Ele detalha as principais mudanças no calendário das eleições municipais de 2020, calendário esse alterado em virtude da pandemia do novo coronavírus. As mudanças foram oficializadas na semana que passou, com a promulgação da emenda à constituição 107, pelo Congresso Nacional, após aprovação do Senado e da Câmara dos Deputados. Márcio Oliveira, que exerce a função de chefe de cartório da 34ª zona eleitoral de Mossoró, destaca na entrevista a seguir os desafios da Justiça Eleitoral em promover um pleito total-
mente atípico, começando pela data. No lugar do tradicional primeiro domingo de outubro, os brasileiros irão às urnas este ano no dia 15 de novembro (e 29 de novembro nos municípios em que houver segundo turno). “Será diferente de tudo que a gente já viu”, adianta. O especialista também aborda temas como propaganda eleitoral, Lei da Ficha Limpa, mudança no comportamento dos candidatos, e reforça: “Esse processo vai demandar muito a atenção da sociedade, dos eleitores, dos auxiliares, da própria Justiça Eleitoral, mas uma coisa que é preciso deixar claro: a Justiça eleitoral está fazendo tudo que está ao alcance para fazer essa eleição acontecer”. Acompanhe.
Por: Maricelio Almeida – contato@maricelioalmeida.com - FOTO: arquivo Enquanto servidor da Justiça Eleitoral, chefe de cartório, o senhor acredita que o adiamento das eleições para o mês de novembro foi a medida mais acertada no momento? O adiamento ele se fez necessário. Nós estamos vivendo uma situação de pandemia, uma crise sanitária severa que impôs esse adiamento, que foi articulado pelo presidente do TSE, junto com o presidente do Senado e da Câmara dos Deputados. Se é a decisão mais acertada, eu particularmente não tenho muitos elementos para fazer essa análise, acho que depende mais de questões ligadas à medicina, às autoridades da área de saúde, entretanto, o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, ele fez várias reuniões com autoridades no assunto, não somente de saúde, mas também de outras áreas envolvidas no controle dessa pandemia e terminaram chegando à conclusão de que isso era o mais acertado. Enquanto servidor da Justiça Eleitoral, nós temos que fazer a eleição. Para nós, óbvio, que empurra o calendário, e nós teremos mais tempo para essa preparação, e como nós estamos preparando (as eleições) com o trabalho remoto, as coisas andam um tanto mais lentas, e o adiamento vai permitir que tudo fique pronto até lá. Fazer essas eleições em face dessa crise sanitária vai ser um grande desafio, mas a Justiça Eleitoral está preparada para cumprir esse desafio. Definido o novo calendário, qual o primeiro passo a ser dado pela Justiça Eleitoral? É bom que se diga que nós nunca paramos a preparação das eleições, é interessante que a sociedade tome conhecimento que o proces-
so de preparação de uma eleição é complexo e envolve um trabalho praticamente permanente, termina uma eleição, nós já estamos começando a preparar as eleições seguintes, inicialmente com as avaliações do que foi feito, o que deu certo, o que deu errado, o que precisa ser melhorado e logo em seguida todo o trabalho de preparação do novo pleito. Nós já estávamos com tudo em andamento, obviamente pensando na eleição em 4 de outubro, com o adiamento não há uma alteração no nosso cronograma de trabalho, nós vamos continuar fazendo as mesmas coisas que nós estávamos fazendo, do ponto de vista da organização do pleito, da eleição em si, a nomeação de mesários, a verificação dos locais de votação, a definição de agregações de sessões, aos
testes dos sistemas que vão ser utilizados, a preparação para receber o registro de candidaturas e tudo que for necessário para as eleições. E o que modifica, de fato, no trabalho da Justiça? O que modifica em relação a esse adiamento é que nos dá uma certa folga e uma maneira de pensar melhor qual é o impacto dessa crise sanitária no trabalho eleitoral, de como vai ser realizado no dia e ver essa melhor forma de permitir que o eleitor possa exercer o processo democrático sem colocar em risco a própria saúde e a saúde dos demais. Quanto ao mais, nós permanecemos preparando o pleito como sempre estivemos, não há interrupção no trabalho da Justiça Eleitoral, não houve
interrupção no trabalho da Justiça Eleitoral na expectativa de haver uma alteração e consequentemente não haverá em face dessa alteração. Estamos trabalhando duro para que a eleição aconteça da melhor forma que for possível, dentro das condições que se apresentam. Das etapas do calendário que já foram cumpridas até aqui, o senhor acha que houve algum prejuízo para o eleitor? Houve relatos de pessoas que não conseguiram, por exemplo, mudar o domicílio eleitoral através do Título NET, principalmente no último dia do prazo, devido ao grande volume de acessos... Da forma como as coisas transcorreram, não havia como não ter prejuízo ao eleitor. Nós ficamos mais ou
menos 25 dias sem nenhum tipo de atendimento, por óbvio isso reduz muito a quantidade de pessoas com acesso ao serviço eleitoral, e quando retornou, o prazo foi muito exíguo para divulgação, para se ter ideia nós retornamos a fazer o título no dia 12, 13 de abril, já faltando cerca de 20 dias para o fim do alistamento. É interessante como é paradoxal o serviço on-line, pois se por um lado você teve problemas de acesso por conta do congestionamento nos últimos dias, por outro lado você permite que mais pessoas tenham acesso, porque se fosse atendimento presencial, nós teríamos a quantidade fixada pelo horário. Nós recebemos, por exemplo, título de eleitor de madrugada, recebemos no último dia até meia-noite, e isso de um modo geral permitiu também que algumas pessoas que não teriam condições de comparecer ao cartório, pudessem fazer esse título on-line. Agora, eu não nego que houve um prejuízo, porque nós tínhamos duas unidades de atendimento físico, uma na Central do Cidadão e uma no cartório eleitoral, que foram fechadas durante esse período em que ficou tudo on-line. Por outro lado, eu imagino assim, o prejuízo para aqueles mais necessitados, porque nós sabemos que há uma quantidade de pessoas que não tem acesso à tecnologia, então, essas pessoas certamente podem ter ficado à parte do processo de alistamento eleitoral, o que certamente é um prejuízo muito grande, enorme ao eleitor. Espera-se um processo eleitoral ainda mais virtualizado, uma campanha com menos corpo a corpo e mais presença nas redes sociais. O senhor acredita nessa mudança de compor-
tamento do candidato e até do eleitor? Eu acredito também que nós teremos muito mais campanha nas redes sociais, nos aplicativos de mensagens, das mais diversas formas, utilizando as tecnologias. Eu concordo com essa afirmação. Quanto à questão do corpo a corpo eu não sei se nós vamos ter uma redução não, porque a eleição municipal tem uma característica diferente da eleição estadual e presidencial, que é o fato de que nós termos pessoas em todos os locais, porque os candidatos a vereador se espalham por todo o município, em cada localidade pode se dizer que vai ter pelo menos um candidato a vereador, e a briga pelo voto é mais intensa. Talvez, nós não tenhamos grandes aglomerações, mas eu duvido, por exemplo, que nós deixemos de ter aquela visita individualmente a cada casa, aquela entrega de material no meio da rua, eu acho que isso nós continuaremos a ter, talvez, as grandes aglomerações é que realmente diminuam. A Justiça Eleitoral está preparada para esse novo momento? No sentido de fiscalização, por exemplo... Quanto à Justiça Eleitoral está preparada, eu acho interessante a gente constatar que a fiscalização no mundo virtual é muito difícil. Difícil por que? Porque é algo quase ilimitado, você não tem o limitador de tempo, de espaço, o limitador de físico, ou seja, uma pessoa querendo praticar um ato irregular, pode usar de diversos meios para propagar notícias falsas, informações que não são condizentes com a realidade, visando se beneficiar ou prejudicar um candidato. A Justiça Eleitoral vai trabalhar dentro daquilo que nos é disponível, o ideal é contarmos com a colaboração das pessoas que tiverem conhecimento, que forem prejudicas com determinadas atitudes, a fazer as denúncias. A Justiça Eleitoral vai manter o aplicativo Pardal para denúncias, o Ministério Público está atento, mas com certeza a nossa fiscalização nunca é suficiente para abarcar todos os ilícitos que ocorrem numa eleição. Até mesmo porque quem pretende praticar um ilícito cria até uma modalidade nova, que ninguém ainda sabia. De toda forma, a estrutura da Justiça Eleitoral está montada. No caso aqui de Mossoró, os colegas da 33ª zona, que são responsáveis pela fiscalização da propaganda, tenho certeza que farão um trabalho exemplar, da perseguição de irregularidades e ilícitos eleitorais no processamento das representações que eventualmente venham a aparecer no sentido de dar efetividade à legislação eleitoral.
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4 entrevista
Que prazos devem ser observados com mais atenção pelo eleitor a partir de agora? E para os pretensos candidatos? Os prazos são refeitos em função da emenda constitucional 107, que alterou a data das eleições. Primeiramente, em relação ao eleitor, não há muito prazo para que ele fique atento, porque o eleitor poderia ter feito título até o dia 6 de maio, esse prazo não foi reaberto, logo não houve mudança com relação a prazo pra eleitor, o que ele tem que ficar atento agora é o dia da eleição, que passa a ser 15 de novembro em primeiro turno, e naqueles municípios que puderem ter segundo turno dia 29 de novembro. Aos futuros candidatos, aí sim, houve mudança e eles precisam ficar atentos. A primeira delas é a proibição de participar de programas a partir do dia 30 de junho; àquelas pessoas que faziam a apresentação de programas esse prazo passou a ser 11 de agosto, está lá especificamente na emenda constitucional, então, eles ganharam um tempo a mais para poder participar de programas, e as emissoras por sua vez não vão ficar tendo o risco de sofrer sanção em decorrência disso. Outro prazo é o que a gente chama de desincompatibilização, que é a necessidade de determinadas pessoas se afastarem para poder concorrer. A desincompatibilização tem a finalidade de evitar que a pessoa use a máquina pública ou determinada posição para levar vantagem. Como ficou esse prazo em específico? Nós vamos ter prazos previstos na legislação de seis, quatro e três meses. Como foi que a emenda constitucional tratou: os prazos já vencidos, que seriam de seis e de quatro meses não seriam restituídos, então quem tinha que ser afastado, se afastou e vai ter que permanecer afastado. Agora o prazo de três meses que venceu ontem, no dia 4 de julho, em função da promulgação e da publicação da emenda constitucional ele passa por uma alteração: esse prazo de três meses passa a ser contado da nova data da eleição, 15 de novembro. Então, você conta três meses retroagindo, e você tem a data dessa nova desincompatibilização. Nós tivemos alteração nas convenções partidárias, que passaram para ser de 31 de agosto a 16 de setembro e a possibilidade delas acontecerem de forma presencial ou on-line; o registro de candidatos que era até 19h do dia 15 de agosto, passa até as 19h do dia 26 de setembro com a propaganda eleitoral a partir do dia 27. Nós tivemos essa alteração proporcional. O novo calendário eleitoral oficial, completo, com as novas datas, deve ser divulgado quando pelo TSE?
DOMINGO, 5 de julhO de 2020
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‘Vai ser uma eleição difícil, diferente de tudo que a gente viu’ O TSE já se manifestou dizendo que o calendário eleitoral será atrasado, será refeito em função desse adiamento. A eleição, reforçando, passa a ser no dia 15 de novembro, e a diplomação, que é o período em que os candidatos são diplomados definindo a sua condição de eleito ou de suplente, manteve-se a mesma data, dia 18 de dezembro. As prestações de contas também foram alteradas, passaram tanto o primeiro como o segundo turno para 15 de dezembro, e aí uma definição relacionada à questão da análise dessas contas, que foi alterada, pelo cronograma antigo as contas teriam que ser julgadas até três dias antes da diplomação, como isso será impossível de ser feito, passou-se para o dia 12 de fevereiro, e consequentemente a propositura da representação do artigo 30A, que decorre do julgamento das contas, passa a ser o dia 1º de março. Enfim, várias modificações. O que o pré-candidato a vereador, a prefeito, está autorizado a fazer nesse período? Que vedações já estão impostas pela legislação? Essa é uma pergunta que a gente costuma dizer que ela é fácil e ao mesmo tempo difícil. A legislação proíbe qualquer tipo de propaganda eleitoral, criou-se uma ideia de que pode ou não
pode fazer isso, mas a legislação ela é expressa: a propaganda eleitoral só é admitida a partir do dia 16 de agosto, com essa alteração agora ela passa para o dia 27 de setembro. A lei diz, no artigo 36A, da Lei 9504, uma série de atos que podem ser realizados sem que isso caracterize propaganda eleitoral. Observe: a legislação não diz que você pode fazer isso, ela diz que isso não caracteriza a vedação de que trata o artigo 36. O candidato tem que ficar atento não ao que ele pode, e sim não cometer o que possa ser caracterizado como propaganda eleitoral, e aí o artigo 36A traz alguns elementos, como a questão do pedido explícito de voto, a questão de menção expressa à candidatura, e o TSE tem entendido que atos de promoção pessoal, muitos deles, têm caracterizado essa propaganda irregular, por exemplo, o TRE do Rio Grande do Norte, de
forma pioneira, caracterizou como propaganda ilegal e irregular e aplicou uma multa de R$ 5 mil reais a uma pessoa no município de Parnamirim que testava doando kits de material para o combate à Covid, e isso tanto já foi julgado em primeira instância pelo juiz eleitoral, como foi confirmado pelo TRE do Rio Grande do Norte. É complexo então definir, nesse período de précampanha, o que os pretensos candidatos podem ou não podem praticar... É muito complicado a gente descrever o que pode e não pode, e por óbvio, qualquer coisa que eu digo que possa, ainda sim é a minha interpretação sobre o texto legal e isso vai ficar a critério do Ministério Público, ou de um adversário que eventualmente venha ingressar com ação, e do juiz eleitoral que é autoridade na primeira instância para tomar essa
decisão, então nada do que eu disser aqui que pode o que não pode é definitivo. Prefiro me omitir em dizer essas questões e remeter o leitor ao artigo 36 da lei 9504, que vai dizer que é proibida a propaganda eleitoral e o 36A, que vai trazer uma série de coisas que podem ser feitas sem que se caracterize propaganda eleitoral. Nós precisamos desmistificar essa história de pré-candidatura como possibilidade de propaganda eleitoral, a propaganda eleitoral continua proibida e esses atos realizados não são considerados propagandas, se respeitar os limites previsto na lei. O TRE tem fiscalizado a movimentação dos précandidatos aqui em Mossoró? O trabalho da Justiça Eleitoral tem sido feito por completo, agora é óbvio que o trabalho em relação à propaganda ele é chamado poder de polícia, ele tem o poder para fazer parar irregularidade. O Ministério Público está atuando, inclusive, há representações nesse sentido, de fazer parar irregularidades, até com decisões já tomadas e tudo está funcionando. Apesar do Tribunal não está aberto com atendimento presencial, todo trabalho da eleição está sendo feito, até mesmo porque o trabalho pré-eleitoral ele é muito de redes, nós te-
mos pouca coisa sendo feita atualmente, mas a estrutura está montada e todos estão trabalhando. No caso da fiscalização de propaganda, ela é realizada especificamente aqui em Mossoró, pela 33ª zona eleitoral. Para finalizar, a alteração do calendário também traz reflexos do ponto de vista de aplicação da Lei da Ficha Limpa. Candidatos que foram declarados inelegíveis após o pleito de 2012 poderão agora disputar as eleições. Como o senhor avalia essa mudança? Com certeza o adiamento das eleições adia também os prazos previstos com relação às inelegibilidades. A lei da Ficha Limpa alterou a lei de inelegibilidades, que prevê a incidência da inelegibilidade por um prazo de oito anos. Então, oito anos, pelas normas eleitorais, são contados data a data. Uma parte das inelegibilidades ou as inelegibilidades que têm a ver com cassação de registro, abuso de poder econômico, elas vão falar a partir da data da eleição. Então, a partir da data da eleição vai considerar tempo a tempo, vê se completou esses oito anos, e aí cada um faça seus cálculos para fazer essa verificação de quando se encerra as inelegibilidades. Para encerrar, eu gostaria de acrescentar é que essa vai ser uma eleição difícil, diferente de tudo que a gente viu. Eu trabalho na Justiça Eleitoral desde o ano 2000 e nunca passei por algo semelhante, e acredito que nenhum colega tenha nada parecido para dizer. Esse processo vai demandar muito a atenção da sociedade, dos eleitores, dos auxiliares, da própria Justiça Eleitoral, mas uma coisa que é preciso deixar claro: a Justiça eleitoral está fazendo tudo que está ao alcance para fazer essa eleição acontecer.
opinião 5
DOMINGO, 5 DE julho DE 2020
césar santos cesar@defato.com
ESTADO BRIGA COM A VERDADE
O
governo Fátima Bezerra (PT) reclama que o Rio Grande do Norte perdeu em receita própria R$ 490.777 milhões por conta do isolamento social que fechou as atividades econômicas por 100 dias. E queixa-se que a compensação enviada pelo Governo Federal foi menos de um terço do prejuízo financeiro acumulado no estado. Só que os números apresentados pelo governo Fátima brigam com a verdade. A queda de receita é real, indiscutível. Porém, a afirmação de que a ajuda financeira do governo federal representa apenas um terço da perda de receita, está totalmente divorciada da verdade. Vamos aos números: o socor-
''
ro financeiro do Governo Federal a estados e municípios reservou quase R$ 1 bilhão para o RN, sendo que para o Governo do Estado a fatia foi de R$ 597 milhões, ou seja, acima da queda de receita apresentada pelo RN que é de R$ 490.777 milhões. Dos R$ 597 milhões que ficaram para o Governo do Estado, R$ 442 milhões são para uso livre, isto é, a governadora Fátima poderia utilizar, por exemplo, para pagar as duas folhas de salários atrasados (dezembro e 13º de 2018). Já o restante, R$ 155 milhões, são carimbados para a saúde. A primeira parcela do socorro financeiro caiu nos cofres do estado e das prefeituras em junho. A segunda parcela será depositada no dia 13 de julho; a terceira parcela em 12 de agosto; e a quarta no dia 11 de setembro. Antes, o governo Bolsonaro mandará R$ 323 milhões para estado e municípios potiguares aplicarem na saúde. A portaria liberando esses recursos foi publicada na quintafeira, 2.
Assumimos um Estado em calamidade financeira, com passivo de quatro folhas"
O governo Fátima Bezerra, por meio da Secretaria do Planejamento e Finanças, também reclama que o estado precisou investir aproximadamente R$ 270 milhões com ações de prevenção e combate à pandemia da Covid19. Não disse se esses recursos são “carimbados” pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ou da receita própria do Estado. O governo se apressou apenas a somar esse volume com a queda de receita para dizer que o prejuízo do estado chega a R$ 770 milhões até aqui, e que somará R$ 1 bilhão no final do ano. Há controvérsia, mais uma vez. O Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, pulverizou os cofres dos estados, inclusive, do RN, de recursos extras para o enfrentamento à pandemia. Além dos recursos, que somam milhões, o governo enviou 177 respiradores para o RN e mais de cinco toneladas de equipamentos de saúde como máscaras, álcool em gel e equipamentos de proteção individual para os trabalhadores da linha de frente
É NOTÍCIA 1
ALDEMIR FREIRE
Secretário de Planejamento do RN, observando o Estado pelo retrovisor
CONTRAMÃO
ISOLAMENTO
Os Ministérios Públicos Estadual (MPRN), Federal (MPF) e do Trabalho (MPT) querem que o Estado volte a fechar as atividades econômicas. Os promotores entendem que a reabertura da economia, depois de 100 dias fechada, foi precipitado sob o ponto de vista sanitário. Afirmam em nota que o cenário é impróprio diante da alta taxa de ocupação de leitos e transmissibilidade da doença.
O Governo do Estado tem base para sustentar a economia aberta. Desde a reabertura das atividades, quarta-feira, 1º de julho, não houve alteração do índice de isolamento social no RN. Continua em torno de 40%. Ou seja, a reabertura do comércio de rua e de outros segmentos, de forma gradual, não alterou o cenário. Sendo assim, sem razão para voltar a fechar como querem os Ministérios Públicos.
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A lei do 13º salário está completando, hoje, 58 anos. Foi assinada em 5 de julho de 1962, pelo presidente Jango, depois de negociar com grevistas - ato inédito de um presidente da República. Nesta segunda-feira, 6, completa 13 anos da inauguração do Mossoró West Shopping, investimento do grupo italiano Cinco Vacis. Hoje, Partage Shopping, está de portas cerradas em razão da pandemia da Covid-19, sem direito a celebração. O Rio Grande do Norte chegou a 1.200 mortes pelo novos coronavírus, 33.910 casos confirmados, 45.614 suspeitos, 53.465 descartados, e 2. 904 curados. Boletim deste sábado, 4. A CNN Brasil apresenta hoje o programa especial “O Brasil póspandemia: A Retomada” com a entrevista exclusiva que o ministro da Economia, Paulo Guedes, concedeu aos jornalistas William Waack e Rafael Colombo. Vamos conferir, às 21h30. A Controladoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro encontrou riscos de mau uso do dinheiro público e suspeitas de irregularidades em 99,47% dos contratos e aditivos feitos pela Secretaria de Saúde. A turma pode ter rapinado R$ 1,5 bilhão. Ê, Witzel!
Bolsonaro diz que pode vetar trechos do PL das Fake News Pedro Rafael Vilela
Repórter da Agência Brasil
O
presidente Jair Bolsonaro afirmou que vai vetar pontos do Projeto de Lei (PL) 2.630/2020, conhecido como PL das Fake News, se a versão aprovada pelo Senado for mantida. O texto cria a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na In-
ternet, com normas para as redes sociais e serviços de mensagem como WhatsApp e Telegram. Aprovado esta semana no Senado por 44 votos favoráveis e 32 contrários, o projeto agora tramitará na Câmara dos Deputados. Caso seja alterado pelos deputados, o texto retorna ao Senado, a quem caberá a aprovação da versão final. Se não for alterado,
do combate à doença. Vale destacar ainda que, além dos repasses diretos citados acima, como os quase R$ 1 bilhão para o Governo do RN e os municípios potiguares, o Governo Federal beneficiará estados e municípios com a liberação de R$ 49 bilhões através da suspensão e renegociação de dívidas com a União e com bancos públicos, e de outros R$ 10,6 bilhões pela renegociação de empréstimos com organismos internacionais, que têm aval da União. A suspensão e renegociação de dívidas representa dinheiro vivo, já que estados e municípios deixam de pagar essas obrigações mensais. O Rio Grande do Norte, por exemplo, vinha com dificuldades para pagar parcelas do financiamento do RN Sustentável junto ao Banco Mundial, além de outras obrigações com bancos públicos e privados. Portanto, a calculadora do Planejamento e Finanças do Estado não está sendo fiel com os números, nem o governo sendo honesto com o cidadão.
segue para sanção presidencial, quando o presidente pode sancionar a lei ou vetá-la parcialmente ou na íntegra. "O pessoal sabe a minha posição, sou extremamente favorável à liberdade total da mídia, até dessas tradicionais que dão pancada em mim o tempo todo. Agora, não podemos admitir a censura aqui (mostrando o celular)",
disse Bolsonaro em sua live semanal transmitida nas redes sociais. Segundo o presidente, ele fará uma consulta popular na internet para saber que pontos podem ser vetados do PL. "Se for aprovado na Câmara, chegando para mim o projeto, vou fazer uma consulta popular, o que deve ser vetado ou não. A gente vai vetar e depois o Parlamento pode, se entender que tem, derrubar o veto. Faz parte da regra do jogo", disse. Para Bolsonaro, com o placar apertado na votação do Senado, a derrubada do
ELEITORES Mossoró tem 175.929 eleitores aptos a votar nas eleições deste ano. São 8,8 mil a mais do pleito municipal de 2016, aumento de 5,2%. É esse universo, com quase nove mil caras novas, que vai escolher o futuro prefeito ou prefeita, vice, e os 21 ocupantes da Câmara Municipal.
PRÉ-CANDIDATOS A prefeita Rosalba Ciarlini (PP) é candidata natural à reeleição. Outros três nomes estão colocados: Dr. Daniel Sampaio (PSL), geólogo Gutemberg Dias (PCdoB), e os deputados estaduais Isolda Dantas (PT) e Allyson Bezerra (Solidariedade). Não deve surgir outros nomes.
VICE As especulações sobre a escolha dos vices, talvez, seja mais intensa do que a definição dos cabeças de chapas. Há uma aposta em nomes como o da ex-deputada Larissa Rosado (PSDB) e do suplente de deputado Jorge do Rosário (PL) para vice de Rosalba. Ou um nome do DEM para vice de Isolda. Nada, porém, com garantia.
ELE E ELE Já Allyson Bezerra não tem nome para vice cogitado. O jovem, de pouco diálogo, caminha em carreira solo, para ser candidato dele mesmo. Aos mais próximos tem dito que qualquer um nome do seu partido pode ser o seu companheiro de chapa.
veto seria mais difícil. Ele disse que, pelo menos um senador, sem relevar o nome, teria se arrependido de ter votado favoravelmente ao projeto. O projeto aprovado no Senado estabelece normas para trazer transparência a provedores de redes sociais e de serviços de troca de mensagens privada. O objetivo do texto é o combate à divulgação de notícias falsas postadas em anonimato ou com o uso de perfis falsos e de disparos em massa. Ao mesmo tempo, o PL fala em garantir liberdade de expressão,
comunicação e manifestação do pensamento. As empresas responsáveis pelas redes sociais e serviços de troca de mensagens são as mais afetadas pelo projeto. Cabe a elas uma série de obrigações para evitar a disseminação de conteúdos falsos e difamatórios. O PL proíbe o funcionamento de contas automatizadas que não sejam expressamente identificadas como tal. O texto também proíbe as chamadas contas inautênticas, perfis criados para simular a identidade de outra pessoa e enganar o público.
gerais 7
DOMINGO, 5 de julho DE 2020
FGTS
Bancos ainda estudam crédito garantido por saque-aniversário >> Desde o dia 26, todos os bancos estão autorizados a operar essa linha de crédito
C
lientes que queiram usar o saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia de empréstimos ainda não encontrarão esse tipo de crédito disponível nos cinco maiores bancos do país. Desde o último dia 26, todos os bancos estão autorizados a operar essa linha de crédito. Segundo o Ministério da Economia, as principais instituições financeiras do país estão habilitadas e se preparam para lançar o produto no mercado. “Pelo aplicativo do FGTS desenvolvido pela Caixa, os trabalhadores já podem manifestar o interesse na contratação de operação de crédito e indicar a instituição financeira de interesse”, disse, em nota. “Acreditamos que haverá interesse em oferecer e contratar produtos com base na garantia do saqueaniversário especialmente pela segurança que o uso do recurso sob o FGTS oferece à operação”, acrescentou o ministério. De acordo com a Caixa, mais de 5,3 milhões de trabalhadores já optaram pela sistemática saque-aniversário do FGTS, o que corresponde a cerca de R$ 6,7 bilhões de recursos que serão liberados, por ano.
Cinco maiores bancos Em nota, o Itaú Unibanco disse que “está sempre atento a oportunidades que ajudem a impulsionar a econo-
Fernando Frazão - Agência Brasil
Cliente ainda não encontra crédito com uso do saque-aniversário
mia. O banco estuda as condições estabelecidas para avaliar a oferta dessa linha”. A Caixa afirmou que “as condições da referida linha serão divulgadas oportunamente”. O Santander disse que está trabalhando para oferecer a linha no tempo “mais breve possível”. O Bradesco informou que está avaliando a possibilidade e o Banco do Brasil não respondeu se ofertará o crédito. Autorização Segundo o Ministério da Economia, o trabalhador que estiver com a modalidade de saque-aniversário vigente poderá conceder au-
Detran autoriza renovação de CNH e 1ª habilitação durante pandemia Os serviços de renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e abertura de processo de primeira Habilitação voltam a ser oferecidos pelo Departamento Estadual de Trânsito do RN (Detran) a partir da próxima terça-feira, 7, nas cidades de Natal e Mossoró. A portaria 489/2020, que disciplina esses serviços, foi publicada na edição do Diário Oficial do Estado (DOE), deste sábado, 4, e tem validade durante o pe-
ríodo de pandemia do Covid-19. Para o usuário que deseja renovar a CNH, o procedimento é simples e deve ser iniciado por meio do acesso ao site do Detran (www.detran.rn.gov.br). No ícone “CNH” (no centro da página do site), o cidadão clica e logo é direcionado para uma nova aba onde são solicitados os números do CPF e do Registro da CNH. Preenche os dados e escolhe a opção “não sou
torização às instituições com as quais contrate ou pretenda contratar a alienação ou cessão fiduciária do seu saque anual para que acessem as informações cadastrais e financeiras de sua conta vinculada relativas a valores do saque-aniversário. A totalidade do saldo poderá ser dada em garantia, o que permite ao trabalhador conseguir o máximo de financiamento com base no saqueaniversário a que tem direito. Quanto às taxas de juros, será usado o teto do consignado no serviço público. Essa modalidade de garantia (cessão ou alienação fiduciária em operações de crédito) foi autorizada pela
Resolução 958, de 24 de abril de 2020, do Conselho Curador do FGTS. No dia 27 de maio deste ano, saiu no Diário Oficial da União a Circular nº 909 do Ministério da Economia, que torna pública a versão 1 do Manual de Orientação às Instituições Financeiras pertencentes ao Sistema Financeiro Nacional, produzido pela Caixa Econômica Federal, agente operador do FGTS. O manual FGTS - Manuais e Cartilhas Operacionais, disponível no site da Caixa, estabelece as regras e os procedimentos necessários para que as instituições possam contratar operações.
Saque-aniversário O saque-aniversário permite a retirada de parte do saldo de qualquer conta ativa ou inativa do FGTS a cada ano, no mês de aniversário, em troca de não receber parte do que tem direito em caso de demissão sem justa causa. O dinheiro poderá ser retirado até dois meses depois do mês de aniversário. O valor a ser liberado varia conforme o saldo de cada conta em nome do trabalhador. Além de um percentual, ele receberá um adicional fixo, conforme o total na conta. O valor a ser sacado varia de 50% do saldo sem parcela adicional, para contas de até
robô”, clicando em seguida no botão “consultar”. Logo estará na página de acesso as suas informações, onde é possível escolher a opção “Renovação de CNH”. Daí em diante, o usuário tem acesso as taxas de pagamento da renovação e é direcionado pelo sistema a uma clínica médica onde é agendada de maneira sistematizada a realização da captura de imagem e das impressões digitais do condutor, digitalização dos documentos pessoais, como também o exame clínico. Sendo aprovado e quitada as taxas, o condutor recebe a CNH no endereço residencial cadastrado no sis-
tema de dados do Detran. Já em relação ao processo de retirada da primeira Habilitação, basta o cidadão se dirigir ao Centro de Formação de Condutor (CFC – autoescola) de sua preferência e apresentar um documento de identificação com foto, CPF e comprovante de residência, solicitando a abertura do processo. Em seguida, o sistema encaminha o condutor para uma clínica médica onde será feita a digitalização dos documentos, captura de imagem e das impressões digitais do do mesmo. Após, será efetivado os exames clínicos (médico e psicológico) e, sendo aprovado, já
poderá iniciar as aulas teóricas de trânsito via sistema online do CFC. O coordenador de Registro de Condutores do Detran, Jonas Godeiro, alertou que o usuário não pode esquecer de levar sua documentação pessoal com foto e comprovante de residência no momento de abertura do processo no CFC e para a clínica médica, onde esses documentos serão digitalizados. “Nas duas situações o cidadão não pode esquecer de levar seus documentos pessoais já que sem a apresentação dessa documentação o processo não poderá seguir”, alertou.
R$ 500, a 5% do saldo e adicional de R$ 2,9 mil para contas com mais de R$ 20 mil. Ao retirar uma parcela do FGTS a cada ano, o trabalhador deixará de receber o valor depositado pela empresa caso seja demitido sem justa causa. O pagamento da multa de 40% nessas situações está mantido. As demais possibilidades de saque do FGTS – como compra de imóveis, aposentadoria e doenças graves – não são afetadas pelo saque-aniversário. O ministério lembra que uma das regras da nova operação aprovada pelo Conselho Curador do FGTS determina que o titular da conta vinculada que tiver optado pelo saque-aniversário pode solicitar o retorno à sistemática de saquerescisão somente após encerrados todos os contratos de cessão e alienação fiduciária que eventualmente tiver contratado. Além disso, caso o trabalhador esteja com a modalidade de saque-aniversário vigente, mas tenha solicitado a alteração para a de saque-rescisão, o retorno a essa modalidade deverá ser cancelado pelo trabalhador previamente à contratação da operação de crédito. Aplicativo No AppFGTS e no site, o trabalhador poderá realizar os seguintes serviços: autorização de consulta ao valor do saque-aniversário disponível para alienação/ cessão fiduciária; autorização para a instituição financeira consultar e solicitar bloqueio de parte do saldo da conta FGTS; acompanhar a evolução da operação de alienação ou cessão fiduciária contratada com a instituição financeira. A autorização apresentada pelo trabalhador para consulta de saldo e solicitação de bloqueio terá vigência de acordo com sua opção de contratação. Kelly Oliveira Repórter da Agência Brasil
Todo o processo de realização dos serviços foi montado levando em consideração as medidas de prevenção ao contágio do coronavírus, como preconiza as autoridades sanitárias estaduais e da Organização Mundial de Saúde (OMS), no sentido de permitir o mínimo contato entre as pessoas, utilizando de maneira inteligente as ferramentas de serviço online e agendamento prévio, como também outras medidas focadas na higienização, distanciamento social, utilização de máscaras de proteção, álcool gel a 70% e outros.
6 OPINIÃO/GERAIS
DOMINGO, 5 de julho DE 2020
Pandemia cansa a beleza
PROSA
Crise no setor força salões de & VERSO todo o País a reinventarem “Dallagnol montou uma quadrilha crispinianoneto@gmail.com
com a Lava Jato”, adverte Lula
>> Nove de cada dez micro e pequenas empresas do setor afirmam ter perdido faturamento Fernando Frazão - Agência Brasil
Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil
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egundo um dito popular, não existe crise para as atividades que alimentam vícios e cultivam vaidades. Ao menos no caso do negócio que atende à aparência e à autoestima, a sabedoria do senso comum terá que ser refeita por causa da pandemia da covid-19. Nove de cada dez micro e pequenas empresas que prestam serviço para beleza, como salões, barbearias, ateliês e estúdios de maquiagem, afirmam ter perdido faturamento por causa das medidas de isolamento social. A perda média do faturamento foi de 57%. Conforme enquete, 62% das micro e pequenas empresas do segmento de beleza descrevem que interromperam o funcionamento temporariamente e 5% encerraram em definitivo. Os dados são descritos na 3ª edição da pesquisa sobre o impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios, feita pelo Sebrae via internet entre 30 de abril e 5 de maio. As atividades do segmento de beleza são feitas essencialmente de forma presencial, que foram proibidas em muitas cidades enquanto o vírus da covid-19 circula. Apesar do impacto na ampla maioria dos estabelecimentos, apenas 4% assinala ter feito demissões, isso porque o recrutamento da mão-de-obra no segmento não implica em vínculo empregatício - é feito principalmente por meio de contrato de parceria, conforme previsto na Lei 13.352/2016. Não se sabe, no entanto, quantos parceiros que estavam ocupados no corte e pintura de cabelos, manicure e pedicure, e depilação tiveram que recorrer ao auxílio emergencial do governo federal. Os efeitos no faturamento também podem estar subestimados. Uma grande
Problema de caixa e aluguel A inatividade do setor trouxe dificuldades de caixa para microempreendedores que têm negócio formal, como Denílton Delfino, dono de um pequeno salão há três na Asa Norte, em Brasília (DF). “Estamos há mais de 100 dias nessa situação, e eu não tive resposta [de renegociação] dos fornecedores [de produtos usados no salão] e nem do dono do imóvel [onde fica o estabelecimento]”, reclama o empresário que atendia até sete pessoas por
Salão de beleza: novos custos e biossegurança Além de não poder retomar em 100% os atendimentos, os salões de beleza terão novos custos - como a disponibilização de equipamentos de proteção individual (EPI) para os parceiros, álcool em gel, e a aquisição de
O central é enfrentar a crise
Salões de beleza viram despencar faturamento parte do serviço é prestada por empreendimentos na informalidade. “Uma vez em Paraisópolis [zona sul de São Paulo] contou-se 8 mil portas de serviço beleza”, lembra Andrezza Torres, analista de Competitividade do Sebrae.
tapetes sanitizantes e até termômetros a laser. Para ajudar a retomada segura das atividades, o Sebrae produziu uma lista de orientações de biossegurança para o segmento de beleza. Há dicas desde o “agen-
P
ara Lula, o procurador-chefe da Lava Jato atuou em colaboração com os EUA para prejudicar e destruir as empresas brasileiras. “Não apenas a Petrobras, o pré-sal e o regime de partilha, mas também a indústria de engenharia nacional”, destacou Lula. Conforme o repórter Felipe Gonçalves, em entrevista à Rádio Bandeirantes nesta quinta-feira, 02, o ex-presidente Lula afirmou que “está vindo à tona” a farsa montada pela Lava Jato contra o Brasil e contra ele. “A gente vem denunciando há anos o envolvimento do Departamento de Justiça dos EUA na Lava Jato. Apontamos fatos concretos, que eles chamavam de teoria da conspiração”, disse Lula. “Agora isso está vindo à tona”, ressaltou. Lula fez referência à denúncia publicada ontem pelo site Agência Pública sobre a estreita e ilegal colaboração da Lava Jato com o FBI e o Departamento de Justiça dos EUA. Na reportagem, a agência traz diálogos vazados que mostram a proximidade entre a Polícia Federal, procuradores da Lava Jato e o FBI. Desrespeitando a legislação nacional, desde Curitiba, a operação Lava Jato atuou contra os interesses nacionais. “O Dallagnol montou uma quadrilha com a Força-Tarefa da Lava Jato e isso está ficando claro”, afirmou Lula durante a entrevista. Para Lula, o procurador-chefe da Lava Jato atuou em parceria com instituições estrangeiras, prejudicando e destruindo as empresas nacionais. “Não apenas a Petrobras, o pré-sal e o regime de partilha, mas também a ind ústria de engenharia nacional”, destacou Lula. Afirmando que pretende reaver seus direitos políticos, Lula ressaltou que as eleições de 2022 não estão em seu “horizonte de debate político neste momento”. Mas, insistiu que mantém o esforço para provar que “Moro é mentiroso”, que a operação Lava Jato foi uma farsa. “A minha inocência eu já provei, agora quero provar que Moro é mentiroso”, disse. “Eu não quero vingança. Quero Justiça. Por isso, nós entramos com um pedido de anulação do processo do Moro na Suprema Corte”, lembrou Lula. “Espero que em algum momento a Justiça leia os autos do meu processo para esclarecer a farsa que promoveram para me tirar do processo eleitoral de 2018”, conclui.
hora aos sábados - dia de maior movimento. Um pouco mais de sorte teve a empresária Marina Portela, dona de um ateliê de beleza no bairro de Petrópolis, em Natal (RN). Ela conseguiu renegociar por duas vezes o custo do aluguel, e teve uma baixa de 30% com esse gasto. Seu negócio reabriu as portas no último dia 1º. A volta à atividade traz algum alívio para Portela. Ela sabe que não poderá ter o mesmo volume de atendimento e parte dos serviços que presta está parado como o de maquiagens para eventos, como casamentos, pois continuam as restrições às aglomerações. Para diminuir os impactos negativos do novo coronavírus, a empresária conta que cortou gastos no dia a dia e teve que “reinventar”.
Vendeu voucher (vale) para atendimento futuro de clientes, orientou parceiras que trabalhavam exclusivamente com maquiagem a se prepararem para outras atividades do ateliê, e fez busca ativa de clientes. “Liguei para todo mundo e usei as redes sociais para avisar da reabertura”. De acordo com Andrezza Torres, do Sebrae, a reinvenção tem sido notada em vários relatos de microempresários. Segundo ela, alguns salões estão ensinando aos clientes a cuidarem e pintarem o cabelo em casa, “com a tonalidade certa”, por meio de teleconferências, outros estabelecimentos revendem produtos e orientam a aplicação. “Alguns salões conhecem seus clientes e sabem que descolorante, xampu, condicionador ou creme precisam”, salienta.
damento consciente”, para evitar aglomerações, até o cuidado com higienização para proteger a saúde de quem trabalha no estabelecimento e dos clientes que vão cuidar da aparência e da autoestima. Todo o segmento da beleza no Brasil, que inclui os salões, lojas, indústria de produtos cosméticos, tem cerca de 1,2 milhão de em-
presas formais e 4 milhões de pessoas ocupadas - não necessariamente empregadas com carteira de trabalho. Em 2018, apenas a indústria de cosméticos, perfumaria e higiene faturou R$ 109 bilhões no Brasil, o que coloca o país no quatro lugar no consumo global. Nesse caso, a vaidade é uma virtude.
Para Lula, no entanto, sua preocupação principal é debater a crise do país. “Temos três crises: a crise sanitária, a crise econômica e a crise política”, identifica ele. As três, de acordo com Lula, estão expressas na postura irresponsável do presidente Bolsonaro e em sua política econômica, comandada por Paulo Guedes, que “já vinha mal antes da pandemia”. Segundo Lula, Bolsonaro escolheu “o pior caminho que um presidente poderia percorrer, que é não respeitar a convivência com as instituições”.
O central é enfrentar a crise II “A minha preocupação central é como consertar o Brasil, agora e depois quando passar a pandemia”. Para isso, o partido está formulando um projeto de reconstrução nacional que será apresentado à sociedade em breve, informou Lula. Na entrevista, o ex-presidente também reafirmou sua posição e a do Partido dos Trabalhadores de dialogar com as forças políticas interessadas em promover mudanças verdadeiras no país.
Gripezinha uma ova... Morte por doença do coração subiu 70% no período em que Bolsonaro defendeu o uso da cloroquina para combate à COVID 19, sem respaldo científico. Os dados dos cartórios compreendem o período de 16 de março a 31 de maio deste ano. Como se não bastasse, mais um crime de Bolsonaro vem sendo constatado com a comprovação de que mais da metade dos mortos por COVID-19 são seguidores de Bolsonaro e a maioria deles era contra o Isolamento Social e acreditavam que a COVID-19 era uma gripezinha.
iMAGEM QUE MARCA Dois gambás se cheiram. Por isto vão aí juntos e misturados os dois maiores imbecis deste Brasil de Mãe Preta e pai João. O presidente que disse – E daí? Não sou coveiro, diante de milhares de mortos e agora abre templos e quer proibir o uso de máscaras; e o prefeito de Itabuna, na Bahia, de quem, se estirar o pescoço, ele relincha, dizendo que vai abrir o comércio “morra quem morrer”. A disputa só não é maior entre os dois, pelo troféu “Cangalha de Ouro” porque o problema aí não é de burrice, mas de crime puro e simples...
8 GERAIS
DOMINGO, 5 de julho DE 2020
Pandemia
Ministério Público se posiciona contra reabertura da economia Em nota à sociedade, MPT, MPRN e MPF afirmam que vão adotar medidas cabíveis
O
Ministério Público do Trabalho (MPT/RN), o Ministério Público do Estado e o Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte (MPFRN) se posicionaram contra a decisão do Governo do Estado e da Prefeitura de Natal autorizando a reabertura inicial e gradual da economia. De acordo com a nota, a decisão contraria dados científicos de transmissibilidade do vírus do Comitê Científico do Rio Grande do Norte, do Comitê Científico do Consórcio Nordeste e da Fiocruz. O documento diz “uma decisão sensata de reabertura exige a certeza quanto à estabilidade dos números relativos aos critérios científicos indicativos, e, ainda, a previsão de um plano concreto e efetivo de testagem da população e medidas de vigilância epidemiológica, os quais não foram contemplados nem no decreto estadual nem no municipal". Confira a íntegra da nota: NOTA DOS MINISTÉRIOS PÚBLICOS À SOCIEDADE POTIGUAR: 01. O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, o MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE e o MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO dirigem-se à sociedade potiguar para se manifestar sobre a reabertura da economia. 02. No dia 23 de junho de 2020, os ramos do MINISTÉRIO PÚBLICO neste Estado recomendaram ao governo estadual e a todos os prefeitos municipais que a retomada das atividades econômicas somente seria segura se fosse observada desaceleração da taxa de transmissibilidade da COVID-19 de maneira sustentada, e a ocupação dos leitos públicos de UTI não fosse superior a 70%, nos termos do art. 12,§1º, do Decreto Estadual nº 29.742/2020.1 03. A Governadora recebeu a Recomendação e comprometeu-se a cumpri-la, conforme ofício número 513/2020GAC, enviado em 23.06.2020, a exemplo do prefeito de Natal/RN. 04. No dia 29 de junho de 2020, a Governadora do Estado publicou a Portaria Conjunta nº 007/2020-GAC/SESAP/ SEDEC, autorizando a reabertura inicial e gradual da economia, sob o argumento de que o Comitê Científico estadual teria recomendado o fim do isolamento social, conforme coletivas de imprensa e mensagens em redes sociais da Governadora e de representantes do governo, de conhecimento público. No mesmo sentido seguiu o prefeito de Natal/RN. 05. A Recomendação do Comitê Científico, porém, somente foi publicada no dia seguinte, apresentando dados ainda significativamente preocupantes quanto à situação no Estado do Rio Grande do Norte, especialmente em relação à taxa de contágio e ao número de leitos críticos de UTI. Além disso, os cientistas foram claros ao dizer que não seria ainda o momento indicaCIANO MAGNTA AMARELO PRETO
do para a reabertura da economia e o fim do isolamento social. 06. O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, então, oficiou ao Comitê Científico para que explicasse se, de fato, havia recomendado a reabertura, já que: (a) a Recomendação foi publicada após a decisão do Governo de retomar as atividades econômicas (de modo que não poderia ser usada para fundamentar a decisão), e (b) na própria Recomendação do Comitê Científico consta não ser o momento adequado para o fim do isolamento social. 07. A resposta foi fornecida no dia 02.07.2020, assinada pelo Secretário Estadual de Saúde, falando em nome do Comitê Científico local, alegando, em suma, que não foi possível garantir o isolamento ideal, que houve diminuição na taxa de transmissibilidade e que o novo critério para ocupação segura de leitos teria passado de 70% para 80%, além de haver perspectiva de abertura iminente de novos leitos. 08. As razões que justificaram a Recomendação Conjunta do MP no dia 23.06.2020 ainda persistem, exatamente porque a taxa de transmissão se mantém alta2, a ocupação de leitos críticos é de 90% (noventa por cento) da capacidade e a fila de internação não foi reduzida de forma segura3. 09. Em razão da falta de leitos, 2494 pessoas perderam suas vidas na fila de regulação. Em estudo realizado pelo LAIS-UFRN5, publicado em 12 de junho de 2020, fica evidente que a redução do isolamento social durante a pandemia em Natal, Parnamirim e Mossoró foi fator decisivo para o aumento do contágio e do número de mortes. 10. Este quadro não foi alterado da semana passada para hoje. A taxa de transmissibilidade se mantém alta, o isolamento social está muito aquém do recomendado (principalmente em razão da deficiência de fiscalização), a taxa de ocupação de leitos está acima de 90% da capacidade e a expansão anunciada dos leitos ainda não é uma realidade. 11. Portanto, a decisão de reabertura das atividades econômicas tomada pelo Estado do Rio Grande do Norte e pelo Município de Natal/RN não foi respaldada por dados científicos consistentes. É necessário que a sociedade compreenda que: a) a taxa de contágio continua alta (no Rio Grande do Norte cada pessoa contaminada, ainda que assintomática, contagia outras duas pessoas);
b) os leitos de UTI ainda não são suficientes para a demanda, que se mantém alta; c) ainda que haja leitos, há deficit de medicamentos anestésicos e relaxantes musculares necessários para o procedimento de intubação; d) o número de mortes no Brasil continua alto (cerca de mil mortos por dia), o que coloca o Brasil no pior lugar no ranking mundial quanto a esse critério de análise. 12. Por outro lado, o Boletim número 09 do Comitê Científico de Combate ao coronavírus do Consórcio do Nordeste, de 02 de julho de 2020, reprova qualquer plano de reabertura da economia. Conforme relata o documento, há uma forte aceleração do processo de interiorização da pandemia em todo o Brasil, com possibilidade concreta de ocorrer o que foi designado como “efeito bumerangue”: o aumento de casos no interior do Estado, já percebidos nos boletins epidemiológicos diários do Rio Grande do Norte, gerará um inevitável deslocamento de pacientes em estado grave para capital. 13. Há uma tendência inequívoca de que a capital se depare com uma “avalanche” de casos graves, advindos do interior, situação que voltará a produzir uma sobrecarga dos seus sistemas hospitalares, ameaçando-os com um colapso em um intervalo de tempo muito curto. Repita-se, a ocupação dos leitos críticos na data dessa nota é de cerca de 90% dos leitos disponíveis. 14. O Estado do Rio Grande do Norte e o Município e Natal/ RN, seja por falta de fiscalização, seja por falta de maiores esclarecimentos à população, seja por falta de testagem consistente, exibem curvas de crescimento exponencial mantidas há vários dias, ao contrário de Estados que mantiveram períodos de isolamento mais rígidos em suas capitais, como Ceará, Pernambuco e Maranhão, que exibiram uma desaceleração significativa do crescimento de casos. 15. Experiências de relaxamento açodadas do isolamento social em várias cidades do país, sem o uso de critérios epidemiológicos objetivos indicados, demonstraram ser catastróficas na gestão da pandemia, resultando em decisões dos governantes de retorno ao isolamento, inclusive de forma mais rígida, como bem advertiu o Comitê Científico do Consórcio Nordeste: “De qualquer maneira, com um crescimento de casos da ordem de 71% em 14 dias, taxa
- Cibele Benevides Guedes da Fonseca Procuradora da República ; Procuradora-Chefe da PRRN ; Membro do GT Covid da PRRN - Xisto Tiago de Medeiros Neto Procurador Regional do Trabalho ; Procurador-Chefe do MPT-RN - Eudo Rodrigues Leite Procurador-Geral de Justiça – MPRN - Caroline Maciel da Costa Lima da Mata Procuradora da República ; Procuradora Regional dos Direitos do Cidadão ; Coordenadora do GT Covid da PRRN
Blog Cesar Santos
Comércio de rua em Mossoró retomou as atividades
ASSINAM A NOTA
de ocupação de leitos de UTI no máximo (100%) ou próximo disso, o comitê advertiu não entender quais critérios epidemiológicos e clínicos têm sido usados pelo comitê científico do RN, apoiado pelo governo estadual, bem como a prefeitura de Natal, para justificar uma reabertura, mesmo que gradual, de lojas e outras atividades econômicas na capital do Estado. Basta analisar o que ocorre neste momento no estado do Texas no EUA para verificar que qualquer relaxamento prematuro do isolamento social em cidades que ainda não controlaram a pandemia, como é o caso de Natal e também Mossoró, invariavelmente traz consigo efeitos desastrosos. No caso específico de Natal, a ocorrência de um fluxo de casos graves, provenientes do interior do estado, pode gerar um colapso completo do sistema hospitalar da cidade. Vale ressaltar também que pelo menos um município da região metropolitana de Natal, São Gonçalo do Amarante, ultrapassou o nível crítico de 1.000 casos por cem mil habitantes. A análise realizada no dia 29 de junho comprova que a pandemia de coronavírus atingiu todas as regiões do estado, uma vez que as 5 cidades identificadas como tendo o maior crescimento de casos estão distribuídas por todo o território estadual: Extremoz (grande Natal), Guamaré (região norte), Mossoró (região oeste), Jucurutu (centrooeste) e Tibau do Sul (região sul). Embora o Rt de Natal tenha sofrido uma queda, ele ainda é superior a 1. Enquanto isso valores bem mais altos e preocupantes de Rt podem ser encontrados na periferia de Natal (Parnamirim, 1.56, Macaíba, 1.86, São Gonçalo, 1.71), na região oeste (Mossoró, 1.38, Apodi, 1.47) e sul (Caicó, 2.37) do estado. Este comitê não dispõe de qualquer informação sobre a realização de inquéritos soroepidemiológicos no estado e nem do grau de penetração do aplicativo telefônico escolhido pelo estado para monitorar casos de covid19, em detrimento do aplicativo sancionado por este comitê, o MONITORA COVID19, que já superou 200 mil downloads em todo o país. 16. A pressão da pandemia, após cem dias de proibição de funcionamento de atividades não essenciais, certamente trouxe um forte impacto negativo na economia, na arrecadação do Estado e dos municípios, nas condições para se efetivar a fiscalização, na manutenção de empregos, o que reflete a dificuldade de uma decisão pelos gestores públicos. 17. Porém, não é possível que essa decisão não se apoie em critérios científicos adequados ou se baseie em uma leitura errônea de dados, transmitindo à população a ideia de que o momento seria propício para se iniciar a reabertura econômica, pois as consequências dessa mensagem será o aumento da contaminação e os efeitos danosos daí decorrentes. 18. Uma decisão sensata de
- Lílian Vilar Dantas Barbosa Procuradora do Trabalho ; Vice-Procuradora-Chefe do MPT-RN - Elaine Cardoso de Matos Novais Procuradora-Geral de Justiça Adjunta – MPRN - Fernando Rocha de Andrade Procurador da República ; Coord. do Núcleo de Combate à Corrupção da PR/RN ; Membro do GT Covid da PRRN - Luís Fabiano Pereira Procurador do Trabalho - Kalina Filgueira Promotora de Justiça Coordenadora do CAOP Saúde - Rodrigo Telles de Souza Procurador da República ; Membro do GT Covid da PRRN - Maria Danielle Simões Veras 49ª Promotora de Justiça de Natal/RN - Iara Maria Pinheiro Albuquerque Promotora de Justiça de Defesa da Saúde - Maria Clara Lucena Dutra de Almeida Procuradora da República ; Membro do GT Covid da PRRN - Rafael Silva Paes Pires Galvão Promotor de Justiça - Sergio Luiz de Sena Promotor de Justiça de Defesa do Consumidor - Ana Araújo Ximenes Teixeira Mendes 2ª Promotoria de Mossoró/RN - Rosane Cristina Pessoa Moreno 3ª Promotora de Justiça de São Gonçalo do Amarante/RN - Raquel Batista de Ataíde Fagundes Promotora de Justiça Substituta
reabertura exige a certeza quanto à estabilidade dos números relativos aos critérios científicos indicativos, e, ainda, a previsão de um plano concreto e efetivo de testagens e medidas de vigilância epidemiológica, os quais não foram contemplados nem no decreto estadual nem no municipal. 19. Além de não prever a testagem, o Decreto estadual de reabertura descumpriu os próprios termos do parecer de aprovação do plano de retomada, pois o documento inicial previa a abertura em 3 ou em 4 fases, ao passo que o novo decreto estabeleceu que “o cronograma de que trata este Decreto será dividido em 3 (três) fases subsequentes de 14 (quatorze) dias cada uma delas”, sendo que a Fase 1 está dividida em 2 (duas) frações”, e entre elas haverá um intervalo de, apenas, 7 (sete) dias, e não mais os 14 (quatorze) dias que foram aceitos pelo documento do Comitê de Especialistas. 20. Outro ponto importante, é que a propagação do vírus tende a aumentar se não forem adotadas medidas eficientes de racionalização do transporte coletivo, com o estabelecimento de horários diferentes para abertura e fechamento de estabelecimentos e fixação de abertura por bairros ou regiões, assunto de interesse local que o Estado deveria ter pactuado com os Municípios, antes de iniciar processo de retorno de atividades não essenciais. 21. O Comitê Científico do Consórcio Nordeste, que surpreendentemente não conta com um representante do Estado do Rio Grande do Norte, foi enfático, no dia de ontem, ao se manifestar contra a decisão de reabertura: “Nada menos que uma completa reversão do plano de relaxamento (ou flexibilização) oferecido pelo comitê local do governo do Rio Grande do Norte e da prefeitura de Natal é
necessária para evitar que a situação do estado se agrave consideravelmente. Com ocupação máxima de leitos de UTI em Natal e Mossoró, por várias semanas, não é concebível que qualquer tipo de afrouxamento do isolamento seja sequer considerado, muito menos implementado. Ao invés, este comitê continua defendendo de forma inequívoca que medidas mais rígidas de isolamento social e testagem e rastreamento de contatos de pacientes infectados, que deveriam ter sido iniciadas semanas atrás, como sugerido repetidamente, sejam postas em prática imediatamente. Além disso, o C4 recomenda que o governo deveria implementar, de forma imediata, Brigadas Emergenciais de Saúde por todo o estado, estabelecer um programa estadual de testagem, para realização de múltiplos inquéritos soroepidemiológicos, e implementar barreiras sanitárias e mecanismos de rodízio/ controle de tráfego de carros particulares e ônibus intermunicipais nos seguintes trechos rodoviários: BR-101, no trecho João Pessoa- Natal, e no trecho Natal-Touros, e na rodovia NatalMossoró. A possibilidade de se estabelecer um lockdown de todo o estado, bem como o fechamento intermitente das fronteiras do estado com o Ceará e a Paraíba também deveria ser considerada imediatamente.” 22. Assim, ao tempo em que informa à sociedade potiguar acerca da ausência de dados científicos que respaldem a abertura da economia, e considerando que não há previsão de testagens em grande escala, o MINISTÉRIO PÚBLICO, por meio dos três ramos no Estado, estuda a adoção das medidas cabíveis para garantir o enfrentamento adequado da pandemia no Estado e prevenir maiores, mais graves e irreversíveis danos à população. Natal, 3 de julho de 2020
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Mossoró (RN), domingo, 5 de julho de 2020
Cultura
Projeto de extensão ganha visibilidade nas redes sociais >> A união dos corais de música da Ufersa e da Faculdade Católica do RN originou ação voltada para as redes sociais Reprodução
Amina Costa
Da Redação
C
om o isolamento social e a suspensão das aulas em escolas e universidades, muitos projetos de extensão tiveram que ser paralisados, afetando projetos de diferentes áreas de atuação. O núcleo de arte e cultura da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) e o Coral Ângelus, da Faculdade Católica do RN foram alguns destes projetos que tiveram que ser suspensos temporariamente, por causa da pandemia. Mesmo com todo o desafio imposto pela pandemia e pelo isolamento social, o regente de corais, Hallyson Dantas, conseguiu reunir os dois grupos e realizar um trabalho feito de forma coletiva e colaborativa por praticamente todos os integrantes dos corais da Ufersa e da Faculdade Católica. A iniciativa contou ainda com a participação do grupo de dança Diocecena, do Colégio Diocesano Santa Luzia.
Ao todo, 72 pessoas participaram da execução deste projeto
“A gente faz um trabalho em parceria desde muito tempo, com as apresentações, com o repertório. Nós vamos trabalhando isso de forma coletiva e colaborativa. E o processo de pandemia foi de fato um desafio pensar como produzir os ensaios, como produzir arte de uma ação que é puramente coletiva, uma ação
A execução do projeto contou com alguns desafios Os desafios para as elaborações dos vídeos com os integrantes dos dois corais foram muitos e incluíram falta de intimidade com a câmera e falta de entrosamento entre os integrantes dos corais. Hallyson Duarte explicou que trabalhar com corais de universidades diferentes foi desafiador, já que além de estarem todos em casa, nem todos os integrantes conheciam uns aos outros. “O coral da Ufersa já veio numa dinâmica de ensaios, então foi muito tranquilo. O coral Ângelus, por sua vez, nós tínhamos feito seleção para entrada de novos cantores, tivemos uma semana de atividades e logo em se-
guida as atividades foram paralisadas devido à pandemia. E aí, praticamente, nós nunca tivemos contato com alguns muitos desses cantores do Ângelus”, comenta o regente sobre um dos desafios encontrados no processo de elaboração dos vídeos. A falta de intimidade com o vídeo e a vergonha de exposição a uma câmera também foram desafios encontrados pelo regente Hallyson Dantas para a elaboração do primeiro vídeo, em especial. “No primeiro vídeo, algumas pessoas tinham um pouco de vergonha de gravar, de mostrar o seu rosto na câmera, enfim, de fazer todo aquele processo. Então, nem todos
puramente humana”, comenta o regente de corais, Hallyson Dantas. O trabalho consistiu na elaboração de vídeos, onde os músicos, maestros e maestrinas podiam continuar praticando os ensinamentos que eram dados nos projetos de extensão. A ideia inicial foi baseada em um vídeo visto na internet,
quiseram participar. E eu sempre deixei isso muito à vontade”, relembra. Já no segundo vídeo, o desafio foi lidar com um número maior de pessoas. Além de organizar o espaço de cada um no vídeo, o processo de montagem e de organização dos áudios também foi bastante desgastante. Mesmo com todos estes problemas, a tecnologia foi uma importante aliada, desde o processo de execução até o de divulgação do resultado. Para lidar com o número maior de pessoas, foram criados grupos na rede social WhatsApp (foi ela a base de todo o processo), onde os coralistas mantinham o diálogo com o músico regente. “No grupo, a gente vai mantendo esse diálogo. Enviamos os áudios guias para que os coralistas executassem suas gravações e demos prazo para entrega desse material”, relata o regente de corais.
e foi desenvolvida totalmente de forma remota, sob a coordenação do regente. O primeiro vídeo contou com a participação de alguns estudantes, que elaboraram o material em casa e encaminharam para Hallyson Dantas. “Eu fiz contato com várias pessoas, maestros, maestrinas, para justamente
entender o que eles estavam fazendo. Estava todo mundo muito preocupado com a suspensão das atividades e sem saber o que fazer. Pensamos em produzir algo e a ideia foi a elaboração de um vídeo. Colocamos o projeto para frente e o primeiro vídeo foi com a música ‘O canto do povo de algum lugar’, de Caetano Veloso. A
Grupo Diocecena participou da execução do vídeo A ideia de dar continuidade às atividades dos projetos de extensões de duas faculdades se tornou algo tão sólido, que ela foi ampliada com a inserção de bailarinos pertencentes ao grupo de dança Diocecena, do Colégio Diocesano Santa Luzia, coordenado por Roberta Schumara.
Nove bailarinos coordenados pela coreógrafa deram uma versão especial ao vídeo da música “Sozinho”, que ganhou destaque na internet. Unir duas artes numa mesma dinâmica foi algo desafiador, mas bastante gratificante para o regente de corais, Hallyson Dantas. “Fiz o conReprodução
Nove bailarinos participaram do vídeo
nossa primeira experiência foi muito bacana, mesmo com todo o processo sendo feito de forma caseira”, informa o músico regente. Hallyson Dantas explicou que todos os vídeos foram produzidos em casa, com o uso dos próprios celulares, sem efeitos de estúdio. Os arquivos eram enviados para o regente, que analisava a necessidade de alterações. A edição do vídeo foi feita pelos próprios integrantes do grupo. “Nós temos um aluno que tem habilidades com isso, e ele se voluntariou pra fazer esse trabalho”, explica. Com o sucesso alcançado no primeiro vídeo, mais alunos dos dois corais ficaram motivados a participar da ação. Surgiu então a ideia de fazer o segundo vídeo, com a música “Sozinho”, do compositor Peninha, que ficou eternizada na voz de Caetano Veloso. O vídeo foi compartilhado por várias pessoas no Instagram, ao ponto do próprio Peninha compartilhar a publicação. “Participaram desse segundo trabalho 61 cantores, nove bailarinos e dois músicos, fazendo o acompanhamento da percussão e do violão. Ao todo, foram 72 pessoas que participaram do segundo vídeo. Nem todos os integrantes dos dois corais aderiram ao trabalho na sua totalidade, por conta da vergonha e por ainda estar se adaptando a essa dinâmica de gravar o vídeo e enviar, mas quase todos participaram”, lembra Hallyson Dantas.
vite a Roberta Schumara e ela aceitou o desafio sem pensar duas vezes. Reuniu alguns bailarinos do grupo e nós passamos o áudio guia para eles. Ela dirigiu a coreografia, mas a construção coreográfica foi feita por cada um dos bailarinos. Então, no vídeo é possível compreender que cada um dos bailarinos está com a dinâmica diferente. Foi feita uma construção coletiva macro, dirigida por Roberta, mas a condição coreográfica foi de cada um dos bailarinos, o que é muito bacana nesse sentido”, comenta. “A construção coreográfica, que é outra coisa bacana, o contato coletivo, o contato presencial permite que você construa esse processo, de uma forma mais direcionada. Olha só como foi com a dança, Roberta Schumara possibilitava as indicações, mas cada bailarino teve liberdade de trabalhar na sua própria dinâmica”, complementou Hallyson Dantas.
2 MOSSORÓ
DOMINGO, 5 DE JULHO DE 2020
O
COLETIVIDADE
Ação foi baseada em construções coletivas e individuais
Embora o coletivo exista no produto final do projeto, os alunos agiram de forma individual, estando cada um em suas casas Cedida
Vídeo contou com a participação de músicos, maestros e dançarinos
OUTRAS PALAVRAS JOSÉ NICODEMOS
N
aristida603@hotmail.com
PROGRESSO NA CONTRAMÃO
ada de mal em voltar ao assunto. É o caso que velho amigo me ligou ainda agora de Areia Branca, para renovar a prosa, como se diz. Entre uma coisa e outra, me dá conta da rápida destruição do manguezal, a propósito do que já falei em outras ocasiões, aqui neste espaço. O assunto me perturba, daí torno a ele. Me informa que, ali para os lados da salina João da Rocha, principalmente às margens do rio desse mesmo nome, quase nada mais resta daquele manguezal denso, abundante de caranguejos e sururu, que se vendiam por portas. O rio quase só lama, desapareceram tainhas e cambões, gordos que era uma beleza. Quer dizer, a cidade amanhece, hoje, sem aqueles pregões dessas espécies: destruído o manguezal, o rio João da Rocha vai morrendo aos muitos. Os dois, juntos, eram fonte de alimento, daí naturalmente meio de vida para pessoas mais humildes. Nenhuma intervenção das autoridades competentes. Nada. E ponho-me a lembrar que, rapazinho, eu costumava ir, com o primo Walquírio, que era filho do feitor, passar o dia na salina João da Rocha. Algumas vezes, se fazia luar, ficávamos para dormir: era bonito de ver o rio do luar desaguando no João da Rocha, que acendia seus mistérios no silêncio nostálgico das águas profundas.
Sentados no trapiche sobre o rio, ficávamos, noite adentro, a ouvir as histórias de assombração do velho salineiro Manuel (nunca soube de quê), traduzido em Mané Garroncha. Contava a história de uma velha que, nos ranchos de salina, mais em noite de escuro, aparecia aos salineiros novatos, vindos do sertão. Mas ia falando da destruição do manguezal. O amigo aquele me informou que já não se encontra, na flora específica, ainda sobrevivente, um único pé de mangue-sapateiro, que antigamente dava linhas e caibros para os tetos das residências mais humildes. Era no mangue-sapateiro que dava mais, se não exclusivamente, o caranguejo goiamum, um tipo mais avantajado e de um azul escuro; por assim dizer, o caranguejo nobre. Essa espécie, lá pelas nossas bandas, desapareceu por completo. Não se encontra mais um pelo amor de Deus. Ou muito raramente. Pois é. O manguezal cedeu lugar a baldes de salina, e a grande verdade é que isso não resultou proveitoso a não ser para os industriais do ramo. Faz falta aos mais pobres da população local. Eis tudo: não cuidaram desse aspecto, e da própria preservação de nossas águas, os homens de governo. Um progresso na contramão.
NOTÍCIA
DURAÇÃO
PROSTRAÇÃO
De Areia Branca notícias dando conta de que aumentam os casos de infecção pelo corona vírus, apesar do bom trabalho que vem realizando a prefeita Iraneide Rebouças no combate à doença.
Quanto ao país como um todo, os números de infectados são desanimadores, no sentido de que o corona vírus ainda terá meses de duração. Fala-se que, possivelmente, começa a desaparecer lá para novembro. Nada oficial.
Mas o fato é que o medo da doença está deixando muita gente em prostração nervosa e psicológica, algumas com impossibilidade para o trabalho. No caso, há que entrarem em cena psiquiatras e psicólogos.
LINGUAGEM O uso do possessivo determinando nomes que indicam partes do corpo ou do espírito não é aceito na língua elaborada. O próprio artigo que normalmente os acompanha já indica a ideia de posse. Vejamos, por exemplo, esta frase – Machuquei meu braço. Fica melhor assim: Machuquei o braço. A ideia de posse já está contida no artigo. Do mesmo modo com partes de espírito: perdi a consciência, recuperei os sentidos (e não: perdi minha consciência, recuperei meus sentidos). É assim que escrevem os mestres da palavra, ontem e hoje. A construção com o possessivo, portanto, deve ser evitada, em favor da elegância do estilo, apesar de muito ouvida na linguagem oral, despreocupada. Trata-se mais de uma questão de estilística que de gramática propriamente dita, e que deve ser observada na escrita literária. Confere elegância ao estilo.
processo de produção de qualquer dinâmica ligada à arte requer a prática de encontros presenciais, facilitando ainda na realização de outras dinâmicas. Ao colocar em prática um projeto de forma totalmente virtual, mostra que é possível estar sempre se reinventando, de acordo com as necessidades do momento. “Existem discussões a respeito do que está se fazendo hoje com a arte. A arte, ela é uma ação puramente humana, puramente presencial, puramente coletiva. E com essa chegada da tecnologia, esse novo contexto também precisa dessa dinâmica. Mas, se nós não participássemos, se nós não fizermos as nossas atividades, teríamos que ficar parados. Isso não é interessante pra um grupo”, reflete Hallyson Dantas. Diante dessa nova necessidade, criou-se uma forma diferente de elaborar o material de vídeo, que segundo o regente de corais, trata-se de um material de construção coletiva e, ao mesmo tempo individual. “É coletivo porque no vídeo aparece todo mundo, mas é individual porque cada um está em suas casas. Então, tem um pouco dessa construção meio ma-
luca. Mas, o que é muito bacana”, comenta. O mais interessante é que algo feito de forma tão diferente do que é tido como normal ganhou uma projeção imensa nas redes sociais, chegando até o compositor da música que foi escolhida para o trabalho. “A gente começou a compartilhar, marcando as pessoas, e o próprio Peninha compartilhou nosso vídeo. Isso tem sido muito bacana. Tanto o núcleo de arte e cultura da pró-reitoria de extensão da UFERSA, que é uma escola de artes dentro da universidade, quanto para o Coral Ângelus, da Faculdade Católica. Não podendo esquecer da importância do grupo Diocecena”, finaliza o regente de corais.
Diante dessa nova necessidade, criou-se uma forma diferente de elaborar o material de vídeo
Mossoró 3
DOMINGO, 5 de julho de 2020
Caged
Agropecuária perde mais de duas mil vagas de emprego formal em 2020 >> O setor responde sozinho por mais de 60% dos postos de trabalho perdido no ano em Mossoró Imagem meramente ilustrativa
Edinaldo Moreno
Da Redação
A
Agropecuária responde sozinha por mais de 60% dos postos de trabalho perdidos no ano em Mossoró. O número consta no site do Ministério da Economia Previdência e Trabalho. A pasta divulgou no início da semana os dados referentes ao mês de maio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). Entre janeiro e maio, são 2.034 vagas a menos no setor. O número de admissões no período foi de apenas 267 contra 2.301 desligamentos. Segundo painel de informações do novo Caged, no mês retrasado houve mais contratações do que demissões no setor. Foram 144 admitidos contra 32 desligados. Saldo de 112 novas vagas. O maior resultado negativo aconteceu no mês de fevereiro, um mês antes de ser declarada a pandemia do novo coronavírus. Neste mês, houve a redução no número de empregos formais na Agropecuária de 1.085 vagas. Teve apenas 20 contratações contra 1.105 demissões. Março, onde teve o anúncio do início da pandemia, teve saldo de menos 549 vagas. Foram 42 admissões ante 591 desligamentos. Em abril, o resultado foi negativo. Houve a contratação de 30 pessoas contra a demissão de outras 116, totalizando 96 vagas a menos no período. Janeiro teve retração de 426 vagas. Foram 31 admissões e 457 demitidos.
Entre janeiro e maio são 2.034 vagas a menos no setor
MAIO De acordo com os números revelados pelo Caged na última segundafeira, 29, o mês de maio em
Mossoró teve 868 formalizações com carteira assinada contra 1.464 demissões. Saldo negativo de 596. Mossoró perdeu nos cin-
co primeiros meses do ano 3.383 postos de trabalho. Em todo o período foram 5.648 pessoas que conseguiram emprego com car-
teira assinada contra 9.031 desligamentos. Segundo os dados do Caged, foram demitidos 2.553 homens e 850 mulheres no período.
A maior diferença de contratados e demitidos ocorreu em abril. No quarto mês do ano foram 560 admissões ante 1.606 desligamentos. Saldo negativo de 1.046 vagas de emprego formal no município. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) foi criado como registro permanente de admissões e dispensa de empregados, sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Ele é utilizado pelo Programa de Seguro-Desemprego, para conferir os dados referentes aos vínculos trabalhistas, além de outros programas sociais. Este Cadastro serve, ainda, como base para a elaboração de estudos, pesquisas, projetos e programas ligados ao mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que subsidia a tomada de decisões para ações governamentais. GRAU DE INSTRUÇÃO O levantamento também traz o número de pessoas demitidas e contratadas pelo grau de instrução. Entre janeiro e maio, 1.150 pessoas com fundamental incompleto tiveram seus contratos rescindidos. Esse foi o pior saldo. Em seguida vem os trabalhadores com ensino médio completo. Nesta faixa houve saldo negativo de 1.102 vagas.
SAIBA MAIS ADMISSÕES E DESLIGAMENTOS: Maio Admissões: 868 Desligamentos: 1.464 Saldo: - 596 Abril Admissões: 560 Desligamentos: 1.606 Saldo: - 1.046 Março Admissões: 1.272 Desligamentos: 1.802 Saldo: - 530 Fevereiro Admissões: 1.495 Desligamentos: 2.312 Saldo: - 817
Janeiro Admissões: 1.453 Desligamentos: 1.847 Saldo: - 394 Total Admissões: 5.648 Desligamentos: 9.031 Saldo: - 3.383 ADMISSÕES E DESLIGAMENTOS POR ATIVIDADE ECONÔMICA: Agropecuária Admissões: 267 Desligamentos: 2.301 Saldo: - 2.034 Comércio Admissões: 1.654
Desligamentos: 1.911 Saldo: - 257 Construção Admissões: 844 Desligamentos: 931 Saldo: - 87 Indústria Admissões: 725 Desligamentos: 1.099 Saldo: - 374 Serviços Admissões: 2.158 Desligamentos: 2.789 Saldo: - 631
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DOMINGO, 5 de julho de 2020
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Curso de Química distribui solução sanitizante para hospitais e unidades de saúde >> O produto concentrado é recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), com vários estudos que comprovam sua eficiência
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rofessores e estudantes do curso de Química e do Programa de Pós-graduação em Ciências Naturais – PPGCN, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN, concluíram, na última quarta-feira, 1º de julho, o projeto “Química no combate à Covid-19”. O encerramento da terceira e última etapa do projeto contou com a distribuição da solução sanitizante produzida durante as Oficinas Formativas desenvolvidas desde o início do projeto, aliando ações de Ensino e Extensão. A solução sanitizante começou a ser distribuída em alguns hospitais e unidades de saúde de Mossoró, Areia Branca, Apodi, Santana do Matos, Felipe Guerra e Martins. Essa solução é concentrada e recomendada pela Organização
Agecom/UERN
O material deve ser diluído em água e, posteriormente, ser borrifado em superfícies que precisam ser higienizadas. A professora Anne Gabriella, coordenadora do projeto, agradeceu o envolvimento de todos. “Se as pessoas não tivessem acreditado nessa ideia, tanto as que contribuíram financeiramente, como meus colegas e alunos, esse projeto não teria ido pra frente. Os professores do Departamento, os alunos de Química e da Pós-graduação em Ciências Naturais encamparam essa ideia. Fico muito grata, porque sozinha eu não teria feito nada”, destacou a docente. A primeira etapa do projeto contou com a confecção de máscaras de tecido e a segunda foi a produção de sabão líquido. Essas primeiras ações contaram com a parceria da Universidade Estadual do Piauí e da Universidade Federal do Piauí, que executaram as mesmas ações. Agecom/UERN
Mossoró e mais cinco cidades potiguares vão receber a solução
Mundial de Saúde (OMS), com vários estudos que comprovam sua eficiência.
Foram produzidas 180 ampolas de solução sanitizante, que vai render 1.440 li-
tros de solução. Outras 125 ampolas serão utilizadas no âmbito da Uern.
Alunos e professores produziram sabão líquido
Uern deposita pedido de patente sobre Escala para avaliação de lesão do nervo facial O Departamento de Inovação e Empreendedorismo – DIE, da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação – Propeg, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, depositou mais um pedido de patente no Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI. O registro de propriedade intelectual é intitulado “Escala para avaliação de lesão do nervo facial”. O pedido de patente é fruto da tese de doutorado do professor da Uern Lucídio Clebeson de Oliveira, do programa de Psicobiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, orientado pelo prof. Dr. Jeferson Cavalcante – UFRN e coorientado pelo prof. Dr. Fausto Guzen. Os professo-
res José Rodolfo Lopes de Paiva Cavalcanti, Rodrigo Dias Alves, Eligleidson José Vidal de Oliveira, Eudes Euler de Souza Lucena e João Paulo Costa Fernandes também compartilham da autoria do pedido. De acordo com Lucídio Clebeson, a escala foi elaborada em virtude da inexistência de uma grandeza que permitisse avaliar de forma completa a lesão do nervo facial. O projeto foi desenvolvido pelo doutorando da Uern no Laboratório de Neurologia Experimental- LabNeuro da Faculdade de Ciências da Saúde – Facs/Uern. Assim, a titularidade do pedido de patente é compartilhada entre a Uern e UFRN. “Essa parceria entre o programa de Psicobiolo-
gia da UFRN e LabNeuro da Uern tem sido muito frutífera, com diversas produções científicas e técnicas, além de processos de doutoramento”, destaca Lucídio Clebeson. Os registros de pedidos de patentes na Uern têm crescido bastante nos últimos anos. Os números positivos devem-se ao incentivo às produções intelectuais para que elas se transformem em patentes, registros de programa de computador, negócios, startups, projetos, entre outros, aliado à solidificação e à maturidade de vários programas de pós-graduação que canalizam seus trabalhos para projetos inovadores e com potencial patente e registro.
Agecom/UERN
Pedido de patente é fruto da tese do Prof. Dr. Lucídio Clebeson
SEGURANÇA 5
DOMINGO, 5 DE JULHO DE 2020
LETALIDADE E
VITIMIZAÇÃOPOLICIAL
>>Estudo aponta que 633 mortes por “intervenção policial” foram registradas no RN, entre 2015 e 2019, e que 80 agentes de segurança foram assassinados
Q
uantas faces têm a violência letal? Ou seja, aquela que resulta em morte? No caso da vivência policial, seriam duas: letalidade e vitimização policial. Pelo menos é o que aponta um estudo a ser lançado ainda neste mês sobre o cenário dessa situação no Rio Grande do Norte. A reportagem teve acesso exclusivo à íntegra do material e detalha nesta matéria especial.
Mais de 600 mortes pela denominada “intervenção policial” foram registradas no território potiguar, entre as anos de 2015 e 2019. O dado é revelado na publicação “Letalidade e Vitimização Policial”, da Série Diagnósticos Potiguares OBVIUM, que será lançada agora em julho. O estudo mostra também que, por outro lado, 80 profissionais da segurança pública foram assassina-
dos no estado nos últimos cinco anos. Coordenado pelos pesquisadores com atuação no RN, Ivenio Hermes, Jarvis Campos, Oswaldo Negrão e Thadeu Brandão, o levantamento traz uma espécie de raio-x desses dois lados da moeda. Para os estudiosos Ivenio Hermes e Ramiro Vasconcelos, que assinam um texto dentro da pesquisa, a letalidade policial é tra-
PM figura em mais de 90% da letalidade policial no RN entre 2015 e 2019 A letalidade por intervenção policial resultou em 633 mortes, entre os anos de 2015 e de 2019, no Rio Grande do Norte. É o que detalha a publicação Letalidade e Vitimização Policial, do OBVIUM. O estudo revela ainda que Policiais Militares figuram em pouco mais de 91% do total de casos notificados. Segundo a pesquisa, as mortes causadas pela chamada letalidade policial
nestes últimos cinco anos teve um maior registro no ano de 2018, com 174 ocorrências. Já os dois primeiros anos mapeados, apresentaram quantidades bem próximas: 75 e 76. O levantamento mostra também que do total de casos, apenas dez envolveram mulheres, dentre os mortos. A publicação constata ainda que o personagem do PM lidera as ocorrências definidas como “embate policial”
e que terminam em mortes. O mapeamento detalha que a figura exclusiva dele aparece em 577 casos. Ainda de acordo com o estudo, o perfil das pessoas que morrem nestas ocorrências são de homens jovens de etnia negra e classificados como de baixa renda e escolaridade. A pesquisa não detalha qual seria o tipo de envolvimento na ocorrência e nem o motivo dela estar ali.
tada no estudo como “Prática de uma violência, sem incorrer no conceito de atribuir culpa ou crime aos profissionais de segurança pública, muito menos, isentá-los, caso suas inocências não sejam comprovadas em devido processo legal”. Com tabelas e gráficos, a publicação está dividida em duas partes principais: letalidade por intervenções policiais e vitimiza-
ção de profissionais de segurança pública. Em mais de 100 páginas, a Revista da Rede e Instituto OBVIO, que faz parte da Série Especial para subsidiar a produção do Plano Estadual de Segurança Pública, também traça um perfil tanto das pessoas mortas em ocorrências policiais, quanto dos profissionais de segurança pública assassinados.
Entidades representativas de policiais citam fatores como policiamento ostensivo, ousadia dos ditos criminosos, e cobram mais investimentos na área
PMs são 80% do total de profissionais de segurança pública assassinados A segunda parte da publicação Letalidade e Vitimização Policial, do OBVIUM, apresenta o outro lado da história: o da vitimização de profissionais de segurança pública no Rio Grande do Norte. Nela, o Policial Militar predomina como vítima de ataques que resultam em mortes. O estudo contabili-
za 80 casos de vitimização letal de agentes de segurança pública no estado, entre os anos de 2015 e de 2019. O levantamento detalha que a figura do PM da ativa aparece em 52,5% e o aposentado em 27,5%. Ou seja, do total de profissionais de segurança pública assassinados no RN nos últimos cin-
co anos, 80% eram policiais militares. Os outros 20% incluem policial civil da ativa e aposentado, e agente penitenciário estadual, com menos de dez ocorrências cada; além de Bombeiro Militar, Guarda Civil Municipal, Guarda de Trânsito e agente penitenciário federal, com um registro cada.
6 segurança
DOMINGO, 5 de julhO de 2020
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Entidades falam em ostensividade policial e ousadia dos ditos criminosos >> Associação de Policiais e Bombeiros Militares do RN diz que a figura do PM tende a predominar na violência fatal pelo fato do contato direto com o bandido
A
reportagem procurou entidades representativas das forças de segurança pública do Rio Grande do Norte para comentarem o tema da letalidade e vitimização policial. Através de e-mail, tanto a Associação dos Subtenentes e Sargentos Policiais Militares e Bombeiros Militares do Estado (ASSPMBMRN), quanto o Sindicato dos Policiais Civis e Servidores da Segurança Pública do RN (SINPOLRN) se posicionaram sobre o assunto. “Dentre os números da violência relacionados como violência fatal, temos a maior parte atribuída aos policiais militares estaduais. Entendemos que isto acontece em razão especial da nossa missão e característica de policiamento ostensivo, consequentemente, mais suscetível ao contato direto com o criminoso. Além do mais, os crimino-
sos têm agido de maneira cada vez mais violenta e afrontosa contra as forças policiais, culminando no uso da força”, avaliou a subtenente Márcia Carvalho, presidente em exercício da ASSPMBMRN. Ela afirmou também que ainda que essas mortes tenham ocorrido em situações de legalidade, a categoria tem restrições ao uso da força letal. “Estudiosos tentam aferir o que foi necessidade ou abuso em nossas ações e sugerem que os números de mortos pelas polícias superam o número de feridos, isto nacionalmente falando. Eles concluem que os princípios da razoabilidade e da necessidade não estão sendo considerados. Estes julgam igualmente o comportamento individual do agente ou a responsabilidade da instituição a qual pertencem, sendo esses o braço armado do Estado”, analisou.
Cedida
Representante dos policiais civis, Edilza Faustino, fala em falta de estrutura, impunidade e em ‘caça a policiais’
“O fato é que matar bandidos não reduz a criminalidade, porque os fatores que alimentam o crime permanecem: a miséria, o desemprego, as deficiências na educação, precarização da saúde e da segurança pública”, asseverou a subtenente Carvalho, acrescentando que além da criação de políticas públicas que supra as
ausências do Estado, o que reduziria a criminalidade é o cumprimento das leis mais severamente. “Infelizmente, nossas Leis propiciam o crime, a impunidade e, por isso, estimulam o confronto com a polícia. O crime mata e mata muito, mas só o Estado, por meio das polícias, está sendo penalizado ou está sendo objeto de estudo dian-
te do cenário violento ao qual estamos inseridos”, finalizou. SINPOL-RN A presidente em exercício do SINPOL-RN, a agente de polícia civil, Edilza Faustino, disse entender que esse processo de violência é uma construção história das últimas déca-
das, principalmente, pela negligência das autoridades em reformular o sistema de segurança e jurídico. “Ao longo dos anos, os criminosos se ancoraram na impunidade para se estruturarem financeira e logisticamente, de forma que passaram a desenvolver atividades organizadas. Em contrapartida, as estruturas policiais foram sendo sucateadas e cada vez mais desvalorizadas”, ressaltou. “O resultado disso é uma inversão de valores sociais, morais e jurídicos, que permitiram aos criminosos abrirem mão de qualquer respeito e temor às forças de segurança e, nos últimos anos, passaram a caçar os policiais, de forma que a morte de um operador de segurança pública se tornou motivo de ascensão no mundo do crime. Por outro lado, os policiais cada vez mais trabalham no limite do estresse físico e psicológico, com péssimas condições de trabalho, muitas vezes sem todos os equipamentos necessários, e temendo pela sua vida e de familiares, estando de serviço ou de folga, pois a todo momento ele é alvo em potencial dos bandidos”, detalhou ela. “Ou seja, é muito difícil julgar ações mais extremadas levando-se em conta apenas fatos isolados, pois o próprio Estado, através de suas omissões, criou um ambiente de conflito que, infelizmente, tem resultado em mortes em todo o Brasil”, concluiu a presidente em exercício do SINPOL-RN.
Mossoró 7
DOMINGO, 5 de julho de 2020
Marcos garcia
Flamengo recebe Volta Redonda Rio – O Flamengo enfrenta o Volta Redonda, neste domingo, 5, pela semifinal da Taça Rio, o segundo turno do Campeonato Carioca. Além de favorito, o rubro-negro ainda tem a vantagem do empate por ter feito melhor campanha para ir a final. Fora de campo, a volta do estadual do Rio ocorreu cercada de polêmicas. A federação decidiu retomar o campeonato mesmo em meio à alta de casos de coronavírus no país. A segunda controvérsia diz respeito aos direitos de transmissão de TV. Um dia depois de o Flamengo exibir o jogo diante do Boavista pelo seu canal oficial, a FlaTV, a Globo anunciou, na quinta-feira, 2, que rescindiu o contrato de transmissão do campeonato estadual do Rio.
Presidente da Liga do Nordeste, Eduardo Rocha, prometeu ajudar nas despesas
A emissora disse que detinha a exclusividade na exibição dos jogos do torneio por ter contrato firmado com a federação e os outros 11 times da competição, à exceção do rubro-negro. Para exibir a partida na FlaTV, o clube se diz amparado pela Medida Provisória 984, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro e publicada no Diário Oficial do último dia 18. Neste domingo, o Rubro-negro enfrenta o clube que ficou em segundo lugar do grupo B, desbancando o Vasco. O Volta Redonda fez uma boa campanha na fase de grupos e acabou com 10 pontos – mesma quantidade que o líder Fluminense e dois a mais do que o clube cruzmaltino.
Futebol
ABC pode ir treinar
em Salvador >> Ida para outro estado poderá acontecer se treinos continuarem suspensos no RN
N
esta segunda-feira, 6, a Federação estadual de futebol e o Governo do Estado discutem sobre a possível liberação de treinos das equipes potiguares. Se a reunião tiver resultado favorável ao retorno do futebol, o ABC reinicia os trabalhos no seu Centro de Treinamento. Caso contrário, seguindo o impedimento, aí o alvinegro de Natal pretende se “mudar” para outro estado, como fez o rival América, com destino a Salvador. Em entrevista recente, o técnico abecedista Francisco Diá afirmou que o clube não tinha condições de ban-
car as despesas de estada em outro estado para treinar, tendo em vista a grave crise financeira que está atravessando. O rival América, por conta própria migrou para Pernambuco, aonde vem treinando desde quarta-feira, no CT do Retrô. Pela estada de 10 dias, o alvirrubro irá pagar R$ 40 mil. No entanto, as despesas da possível ida do ABC para Salvador deverão ser pagas pela Liga do Nordeste, entidade que cuida da parte comercial da Copa do Nordeste, como prometeu o presidente Eduardo Rocha. Segundo ele, a medida visa
Divulgação
Amanda Nunes vem fazendo história no UFC
beneficiar apenas os clubes que ainda não conseguiram voltar aos trabalhos devido ao isolamento social por causa da pandemia nos estados nordestinos. “Os clubes potiguares têm de ter uma intertemporada para poderem desempenhar um bom papel nos jogos pela Copa do Nordeste. Como prezamos pela igualdade de oportunidade, iremos bancar a estada deles na sede da fase final. Logo, a delegação poderá seguir com até 15 dias de antecedência antes do primeiro confronto. Os demais clubes, que já trabalham normalmente em suas se-
des, não terão esse beneficio”, disse Eduardo Rocha à Tribunal do Norte. Até terça-feira, 7, o assunto será decidido, até porque a Liga do Nordeste aguarda definição da CBF para saber se Salvador será realmente a sede escolhida para conclusão da Copa do Nordeste. Fortaleza e Recife também são especuladas. Quando a Copa do Nordeste voltar, e esse retorno está previsto para acontecer na segunda quinzena deste mês de julho, o ABC terá jogo decisivo contra o CSA, valendo vaga à fase de “mata-mata” da competição.
Flu e Bota jogam por vaga na final Rio - Contrários ao retorno do futebol em meio à pandemia do novo coronavírus, Fluminense e Botafogo fazem neste domingo, 5, uma das semifinais da Taça Rio, o segundo turno do Estadual. Quando a volta do campeonato foi anunciada, os dois clubes protestaram e tentaram impedir o retorno na Justiça. O tricolor, inclusive, é o clube grande que mais vem sofrendo nesta volta. Antes líder da classificação geral e com 100% na Taça Rio, o Fluminense encerrou sua participação na fase de grupos do segundo turno com uma derrota e um empate nos últimos dois jogos. Para piorar, sem marcar gols. No “pré-pandemia”, o clube tinha o segundo melhor ataque entre times da Série A em 2020. A pausa por conta do isolamento social pare-
ce ter cobrado a conta neste reinício de trabalho de Odair Hellmann, que, na prática, teve pouco mais de dois meses com o elenco em 2020, incluindo muitos jogos e poucas sessões de treinamento. Sem tempo para desenvolver o trabalho, como reclamou após o empate sem gols com o Macaé, o técnico vê sua equipe desacelerar no Estadual. Internamente, não há nenhuma pressão ao emprego de Hellmann, mas a equipe parece ter dado passos atrás. No Botafogo, o técnico Paulo Autuori admitiu não ter clima para motivar o time nessa semifinal devido ao retorno precoce do futebol em meio à pandemia. Na última partida, o time sofreu nas mãos da Portuguesa e ficou apenas no empate sem gols, o que garantiu a ultrapassagem de fase.
‘Fiz o UFC parar com o mito da lutadora bonita’, afirma Amanda Invicta no octógono desde 2014, a baiana Amanda Nunes, 32, é a única lutadora da história do UFC (Ultimate Fighting Championship) a ter defendido dois cinturões no evento de forma simultânea. A campeã dos pesos galo (até 61 kg) e pena (até 66 kg) já nocauteou expoentes do MMA, como a americana Ronda Rousey, a compatriota Cris Cyborg e a primeira campeã do peso pena, a ho-
landesa Germaine De Randamie. O currículo faz com que Amanda Nunes se considere a maior lutadora da história do evento e também a grande responsável por mudar a forma como a categoria feminina é tratada dentro dele. “O UFC promoveu a Ronda Rousey da forma como queria, promoveu tanto que dificultou para chegar uma outra menina. Então, se o UFC quiser mudar isso
agora, precisa acabar com essa história de ‘pô, essa menina é bonita e é essa que queremos que apareça no MMA’”, afirma a brasileira à reportagem. “Desde quando me tornei campeã, as pessoas estão abrindo a mente. O UFC hoje não tem esse poder de promover a atleta se ela não fizer por merecer na luta. Eu consegui fazer com que parassem com esse tipo de mito”, completa.
Após derrotar a canadense Felícia Spencer no início de junho, a baiana, apelidada de “Leoa”, não tem data para voltar a lutar. Deve demorar, e ela não descarta uma aposentadoria. Por enquanto, o que a atleta sabe é que aproveitará a família na Flórida, onde vive, e principalmente o nascimento de sua filha, previsto para setembro. Ela é casada com a lutadora americana Nina Ansaroff.
8 OPINIÃO/ESPORTE
DOMINGO, 5 DE JULHO DE 2020
FÁBIO OLIVEIRA fabiowillard@hotmail.com
fabio willard de oliveira
Proposta de equipes da capital parece a mais sensata para a volta do futebol
O
presidente do Santa Cruz de Natal, Lupércio Segundo, defende a volta do estadual em dezembro. Uma questão econômica e inteligente, até. Atende todos os interesses. Os clubes montariam seus elencos visando 2021, mas já os utilizariam para decidirem a temporada atual, ainda pendente. Seria uma pré-temporada dentro de outra temporada que ainda não acabou. Além da economia, também ajudaria na questão técnica, pois os jogos do estadual 2020 substituiriam os amistosos de pré-temporada, que são sempre uma dor de cabeça,
devido à dificuldade de encontrar adversários à altura de um bom teste. Adeus, jogos contra selecionados amadores, que são um desperdício. Na proposta, ele defende ainda que não haja queda para a segunda divisão este ano. Assim, a primeira divisão de 2021 teria nove, ao invés de oito clubes, vez que seria mantido o direito do campeão da divisão de acesso deste ano. Para compensar, no ano que vem, ao invés de um clube, cairiam dois, recompondo o campeonato com oito clubes. A ideia é boa. Entendo que seja a única de bom senso surgida até aqui.
IMAGEM QUE MARCA Cedida
Baraúnas, de 1978, em jogo no antigo Castelão, em Natal: Vildomar, Binha, Tito, Floriano, Nivaldo Dantas e Assis; Dinga, Nego Chico, Zé Augusto, Alberi e Severinho.
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Tudo normal. Foi apenas um corte no supercine”
JOÃOZINHO PROBLEMA, após atendimento a um jogador do Potiguar sub-19, em partida contra o América.
RECURSO No Potiguar, não se sabe ainda quando as atividades serão retomadas, mas já se especula sobre o destino dos R$ 120 mil que o clube recebeu da CBF para a disputa da Série D, como socorro na pandemia. RECURSO II A informação é que a intenção da diretoria é aplicar o repasse da CBF na aquisição de um ônibus para utilizar no deslocamento diário do elenco aos treinos e até jogos em Assú, como cidade mais próxima. RECURSO III O Potiguar estima em um custo mensal de R$ 5 mil com aluguel de ônibus para esses treinos. Não sei se contabilizou a manutenção de um veículo próprio.
AFINAL?!
A SEMANA NA HISTÓRIA Quarta-feira (8), o fundador e ex-presidente da Liga Mossoroense de Vôlei, Roberto Carlos Câmara, completa 56 anos de idade. Um desportista em sua essência, que contribuiu muito para o esporte local. Pessoa do bem, merece todos os vivas. Parabéns, meu amigo! Cedida
Protocolo de volta do futebol no RN, aprovado. Mas, apenas para treinos físicos. Em seguida, o Governo desmente a aprovação. A informação mais alvissareira da semana, não teria passado de um alarme falso? Alguém está perdido nessa história.
TORCEDOR
FUTEBOL CLUBE
Haroldo Oliveira
QUEM DIRIA O Flamengo venceu a Globo. Não sei por quanto tempo isso durará, pois se trata de uma Medida Provisória, e ainda depende do Congresso (que desastre!) para virar lei. Mas, isso já faz muitos sonharem, entre outras coisas, com o futebol mais cedo, no horário da novela, por exemplo. CHANCE PERDIDA A pandemia trouxe inúmeros males ao povo. Mas, como todo mal, lições são tomadas e algumas oportunidades podem surgir, nem todas aproveitadas. O Brasil, por exemplo, decidiu não igualar seu calendário ao do europeu. SHOW DE BOLA O programa Show de Bola, da 105 FM, volta ao ar no próximo dia 9 de agosto, agora em novo horário: 9h às 11h. Ênio Ticiano e Dantas Júnior comandam as manhãs de domingo com informações esportivas e muita irreverência.
Bairro Boa Vista Torcedor do Flamengo
CLAUDER ARCANJO
Escritor e editor da Sarau das Letras
DAS 09 ÀS 11H
/jornaldefatorn
mulher nara andrade Da Redação
N
o dia 20 de março, quando iniciou o período de quarentena em Mossoró após decreto municipal, a apresentadora de TV, Lara Góis, tinha um compromisso inadiável. Grávida do seu segundo filho, foi preciso realizar o parto, pouco antes do previsto. Como tudo era ainda muito novo, e sem todas as informações que temos hoje, ela conta que ao arrumar os itens que levaria para a maternidade precisou entrar em contato algumas vezes com o setor administrativo do hospital, para saber o que podia ou não ser colocado na mala. Tudo já estava programado, profissional para arrumar o quatro no hospital, fotógrafo para registrar a chegada do bebê, uma suíte especial para acomodar toda a família. Afinal de contas, ela sempre disse que queria que seus pais, irmãs e amigos próximos estivessem presentes nesse momento tão especial. No entanto, nada disso seria possível. Apesar do Hospital ainda estar definindo os protocolos de segurança, ela foi informada que só poderia ter um acompanhante no período em que estivesse internada, e ele não teria acesso à sala de parto. A ausência do esposo foi o que mais a deixou abalada. Emocionada, ela diz que acredita que somente Deus para dar forças para poder passar por tudo, com o apoio de toda a equipe do hospital. “Não tive tempo de me preparar psicologicamente. Essa foi uma situação que eu nunca esperei vivenciar. Quando tudo isso começou, na verdade, em Mossoró não tinha nenhum caso ainda, e até no Brasil tinha poucos casos. Não pude levar nenhum objeto que não fosse essencial, nem alimentos, nem pude ter a presença dos meus familiares, nem do meu outro filho. Uma experiência extremamente difícil, principalmente, porque como estava no início de tudo, eu não esperava. Agora, todas as gestantes, estão de certa forma preparadas, porque já estão sabendo de toda a situação e da necessidade real de todos esses cuidados. Eu não sabia que ia ser assim”, afirma. Acompanhada apenas pelo esposo, ela conta que a equipe do hospital foi bastante atenciosa e ajudou bastante nos dias em que ficou internada. E ao receber alta, não pode receber as visitas nem o apoio da família, da rede de apoio tão importante nesse momento. “Está sendo uma situação totalmente inusitada. Na nossa história recente a gente não tem informação de nada que seja parecido com o atual momento. Quem é mãe, sabe que quando a gente vai ter o nosso bebê, tudo que a gente mais quer é ter uma forte rede de apoio que a gente possa contar. E você se vê, numa situação que você só pode contar com você mesma, com seu esposo, com o seu filho mais velho, e com mais ninguém. Não é nada fácil”. Lara diz que se considera muito agraciada por Deus, por ter lhe dado essa força sobrenatural para enfrentar esse período. Já que além do cansaço físico, para a mulher que acaba de ter um bebê, existe toda a questão emocional do puerpério, além de, no seu caso, ter as limitações por ter feito uma cesárea que exige ainda mais cuidados na recuperação. CIANO MAGNTA AMARELO PRETO
@defato_rn
DOMINGO, 5 de julho de 2020
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Puerpério x
distanciamento social >> A apresentadora de TV, Lara Góis, fala sobre como foi ter seu filho no primeiro dia da quarentena em Mossoró. Para ela, estar longe da família nesse momento foi o maior desafio Cedida
Entre os vários desafios, ela afirma que o principal foi ficar longe das pessoas que mais queria ter por perto. “’Eu queria muito, muito mesmo, ter tido a oportunidade dos meus pais, das minhas irmãs, estarem comigo na maternidade vivendo esse momento comigo. Eu vivia dizendo aos meus amigos, inclusive lá na TV, que podiam me visitar, que não tinha nenhuma restrição, queria a maternidade cheia. A solidão foi o maior desafio, mesmo meu esposo tendo sido meus braços e minhas pernas, me dando suporte em tudo que precisei e ainda preciso; meu filho mais velho também contribuiu muito”. Diariamente, ela fala com a família por meio de videochamada, mas diz que o que mais sente falta é do apoio presencial. Outro ponto é a questão do medo da doença. “Só saí para a calçada de casa perto dos três meses. Nos primeiros, eu só pegava em Luís Eduardo com máscara e passando álcool em gel nas mãos. As pessoas diziam que não precisava, mas eu quis ter esse cuidado. Só parei de fazer isso depois de 15 dias que tomei a vacina contra a influenza (H1N1)”. As lembrancinhas que mandou fazer para as visitas, ela ainda nem foi buscar. “Às vezes, a gente pensa que só as coisas de maior proporção vão nos afetar, mas os detalhes que a gente acha que não importa, também fazem com que a gente sofra, e são importantes. Eu digo até para ajudar às mulheres, que estão vivendo ou que vão viver essa mesma situação: vai passar, tudo vai dar certo e que, por favor, não quebrem o isolamento”, frisa. Ela considera, que mesmo a rotina exaustiva de cuidado com os dois filhos, contanto apenas com o esposo, no fundo tem sido bastante gratificante. “Eu consi-
durante a quarentena, Lara Góis e o esposo Raphael soares, têm dividido os cuidados com os dois filhos Luís Filipe (12) e Luís eduardo (3 meses).
dero os bebês que nascem nesse período, como bebês especiais, que nascem com um propósito muito grande de esperança, toda vida que olho para meu bebê, e vejo que ele está bem, eu sinto a esperança que tudo vai passar. O Papa Francisco falou isso, que os bebês e as mães, são pessoas especiais nesse momento, porque a gente sabe tudo que a maternidade representa e exige, e nesse momento que a gente já está vivendo essa mudança na vida, passar por mais essa situação, é uma graça sobrenatural que Deus dá as mães que vivem esse isolamento”. Sobre o fato de ter optado por ficar o período de pós-parto em sua casa, e não na
casa dos seus pais, para contar com o apoio deles, ela diz que jamais os colocaria em risco. “Eles lamentam pelo fato de não estarem acompanhando o desenvolvimento do neto, de não poderem estar presentes. Como eu tenho meu esposo optei por ficar em casa. E é importante frisar isso, que os pais devem realmente cumprir com essa função, ajudar a levantar, levar comida, dividir os cuidados com o filho, não é besteira. Tenho que agradecer todos os dias por tudo ter dado certo. Por hoje meu bebê estar bem, com quase quatro meses. Eu tenho certeza que isso me uniu ainda mais a minha família, e que me fez valorizar ainda mais”, conclui.
2 OPINIÃO
DOMINGO, 5 de julho de 2020
conTexTo www.sergiochaves.com | sergiodefato@gmail.com
“As pessoas estão levando tudo tão a sério que isso se torna um fardo para elas. Aprenda a rir mais. A risada é tão sagrada quanto à prece.”
sérgio Chaves
osho
dIas MeLHORes VIRÃO...
FesTa
O nosso convidado desse domingo no quadro “Dias melhores virão...” é o deputado Ezequiel Ferreira, presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Confira: “O caminho de retomada da economia terá que ser gradual, planejado e para melhor. O sonho é chegar ao patamar de não termos casos ativos do novo coronavírus nas cidades. Mas, a curva de contaminação ainda não cedeu no RN. Por isso, para a reabertura gradual das atividades profissionais é fundamental seguir com cuidado e atenção o protocolo elaborado pelas autoridades de saúde. Nosso esforço terá que ser ainda maior. O novo normal será de superação. Retomada do ensino, amparo ao pequeno negócio, priorizar a saúde e políticas públicas de geração de emprego e renda para os setores que movimentam a economia com mais rapidez. E aprender, com o desafio que enfrentamos na atualidade e – para embates futuros – a consolidação pessoal de ser solidário, assertivo e colaborativo!”
Hoje é dia de vivas para Célia Macedo Torquato, a professora Elizabeth Silva Veiga, Cristiane Rosado Negreiros, Marilene Bezerra e Lissa Melo Fernandes. Amanhã (06), é dia de festejar Kelly Tandrianny de Souza Medeiros e Algecira Moreira Lima Leite. Para vocês paz, saúde, amor e alegrias. Parabéns!
ReCORdaNdO... No início de julho de 2019, a nossa coluna circulou com a cobertura do Boca da Noite, evento de encerramento do Mossoró Cidade Junina, que levou mais de 80 mil pessoas ao Corredor Cultural da Avenida Rio Branco, com shows de Elba Ramalho, Tuca Fernandes, Municipal Santos, André Luvi, entre outros. Confira!
roTarY O Rotary Club Mossoró realizou solenidade de posse virtual, através da plataforma Zoom, na quinta (02), para empossar a sua nova diretoria para a gestão 2020/2021. Anadier Pimentel Bezerra Vieira tomou posse como presidente do Rotary Club Mossoró e Luizy Giuliane Porfírio da Silva, tomou posse como presidente do Rotaract. Sucesso para vocês!
Os secretários eduardo Falcão e Pedro almeida com ana Cláudia Barbalho, Chico Oliveira e a vice-prefeita Nayara Gadelha.
a prefeita Rosalba Ciarlini e Zilda de saboya com a cantora elba Ramalho.
Rosane Porcino, Roberta Rosado e Micheline Fontes no camarote Il Giardino.
Cid escóssia/ sandra Raíssa, vereador alex Moacir/andréa e Toinho Pitéu/ Glenda Negreiros.
abolIÇão A Medalha da Abolição é uma comenda criada pela Prefeitura Municipal de Mossoró através da Lei Municipal 20/68 e concedida pela UERN, durante as comemorações de seu aniversário, que ocorrem sempre em setembro. Para este ano, a Comissão da Medalha, aprovou o tema: “UERN: Ciência pela vida no enfrentamento da pandemia”, por unanimidade, aprovando a concessão a três professores/cientistas da instituição e três homenagens póstumas a profissionais de saúde que perderam a vida enquanto atuavam no combate à doença. São eles: Prof. Dr. Fabiano Rodrigues Maximino (médico infectologista e professor da FACS), Prof. Dr. Lucídio Cleberson de Oliveira (professor da FAEN) e Profa. Dra. Anne Gabriella Dias Santos Caldeira (Depto. de Química). As homenagens póstumas são a: Élio César Marson (Médico), Luiz Alves de Brito (Técnico de Enfermagem) e Vital Avelino Maia Neto (estudante de Medicina).
reInÍcIo
doe sanGue Nesse tempo de pandemia e isolamento social os estoques do Hemocentro Mossoró estão quase zerados e a necessidade de doações continua. Todos os procedimentos para proteger doadores e funcionários é seguro e de acordo com os órgãos de saúde. Você, que é doador, procure o Hemocentro e faça a sua doação. Salve vidas!
a empresária Conceição souza festeja a amiga amélia Queiroz, aniversariante da sexta (10). Parabéns!
R. Antônio Vieira de Sá, 440 Tel.: 3317-4545 / 3316.0409
Igo Melo festeja a amada Lissa Melo, que amanhece em idade nova nesse domingo (05). Felicidades!
Casal Jaime/ednê soares. ela com idade nova no sábado (11). saúde e paz!
Nilo amâncio em vivas para a sobrinha Gorete Mendes, festejando a vida na segunda (06). Tim tim!
Com a reabertura gradual da economia alguns estabelecimentos já voltaram às atividades. A Tressê reabriu no dia 1� com expediente a partir das 9h. A Officiale, no Kiko’s Mall, também. A Vexx, idem. Todas mantendo os protocolos indicados pelos órgãos de saúde. Outras que ainda não puderam abrir estão se reinventando e passando a se utilizar do contato virtual para reaquecer as vendas. Tudo dará certo!
a querida ana Laura escóssia, folhinha da quarta (10)!
eronildo Pereira em coro de vivas para a musa Liane dantas, com idade nova na quarta (10)!
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DOMINGO, 5 de julho de 2020
conexão saúde conexaosaude.defato@outlook.com
Ney Robson Vieira Alencar
Covid-19: pesquisador esclarece quais cuidados devem ser tomados com os animais domésticos A pandemia do novo coronavírus não afetou apenas os humanos. Em vários países, aumentou o número de animais domésticos abandonados. Uma das causas para isso é, provavelmente, econômica. Mas, o receio de que os pets sejam vetores da Covid-19 também pode ter colaborado para o problema. O que é um equívoco: apesar da falta de estudos mais aprofundados sobre o tema, o risco de animais contraírem Covid-19, ou contaminar seus próprios donos, praticamente não existe. É o que explica o médico veterinário Paulo Abilio Varella Lisboa, pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict), da Fiocruz. Que acrescenta: em vez de perigo, animais domésticos podem ser muito benéficos para a saúde, em tempos de isolamento, ao colaborarem para diminuir o estresse e a ansiedade dos humanos. Nesta entrevista, ele explica os cuidados com a higiene dos bichos, que devem ser tomados mesmo fora do período pandêmico. Icict: Qual o risco da Covid-19 para cães e gatos domésticos? Eles podem se contaminar e até morrer? Paulo Abilio Lisboa: Até agora, há menos de 25 relatos em todo o mundo de cães e gatos de estimação infectados com SARS-CoV-2, e nenhum relato de animais positivos no Brasil. Isso apesar de, em 9 de junho, o número de pessoas infectadas ultrapassar 6,2 milhões no mundo e mais de 740 mil casos no Brasil. Além disso, nenhum relatório oficial publicado sugere que animais de estimação sejam fonte de infecção para seres humanos. Há evidências de que as infecções nos animais são geralmente resultado de um contato próximo de pessoas — tutores ou tratadores — infectadas com Covid-19. Mas, há pouca ou nenhuma evidência de que os animais domésticos sejam facilmente infectados com SARS-CoV-2. E, considerando que a população mundial de cães e gatos está em torno de 2 bilhões, o número de animais infectados representa menos de 0,001% do total e, por isso, não representa nenhum risco potencial de transmissão para outros animais ou pessoas. Icict: Mesmo que não se contaminem, cães e gatos domésticos podem transmitir a doença a seres humanos ou levar o vírus para dentro da casa de seus donos, oferecendo risco de contaminação? Paulo Abilio Lisboa: Não há evidência ou estudos nesse sentido. Os poucos animais infectados parecem ter adquirido a infecção dos seus donos, pelo contato direto, e não o inverso. Tampouco, há evidência de que animais sejam vetores mecânicos ou possam carregar o vírus, ou que o vírus possa se replicar nos animais. Icict: O vírus pode grudar no pelo do animal? A sujeira que as patas trazem da rua pode representar risco? E as fezes e urina dos animais, podem transmitir o vírus?
Cedida
Paulo Abilio Lisboa: Em teoria, um tutor pode infectar os animais através do espirro ou da tosse e a partir de partículas em suspensão. Porém, não há estudos que mostrem a permanência do vírus nos tecidos cutâneos (pele e pelos) de cães e gatos. Em teoria, animais que circulam ou possam ter acesso a áreas contaminadas na rua poderiam carregar o vírus para dentro de casa, mas não há estudos demonstrando essa evidência. De qualquer forma, é recomendável a higienização das patas e do focinho com uma combinação de água e sabão neutro em pano umedecido. Mas, essa higienização deveria ser feita habitualmente em todos os animais que vão à rua, independentemente da epidemia. Sobre urina, fezes e também saliva, não há nenhum estudo ou evidência cientifica da transmissão do vírus. Icict: É recomendável os donos adotarem alguma mudança de atitude com seus animais domésticos por causa da epidemia? Como, por exemplo, reforçar alguma medicação preventiva ou mudar a alimentação? Paulo Abilio Lisboa: Não há necessidade de nenhuma mudança. Os cuidados de saúde já utilizados pelo dono devem ser mantidos, inclusive os calendários de vacinação e emergências médicas. As clínicas veterinárias e os profissionais veterinários são classificados como atividades essenciais e estão trabalhando normalmente. Icict: Deve-se usar álcool em gel para limpar cães e gatos domésticos? Paulo Abilio Lisboa: Não. O álcool em gel ou o álcool líquido em todas as suas concentrações pode ser abrasivo para a pele dos cães e gatos, principalmente se utilizado de forma rotineira ou crônica, e ocasionar lesões alérgicas ou tópicas. Icict: Cloroquina pode ser usada também para cães e gatos? Paulo Abilio Lisboa: Não. Não existe nenhuma indicação da cloroquina ou hidroxicloroquina para uso em animais, assim como os estudos não apontam sua eficácia nas pessoas. Icict: É verdade que a epidemia aumentou o abandono de animais domésticos por seus donos? Paulo Abilio Lisboa: Percebemos um maior abandono por conta de notícias veiculadas pela imprensa e a partir de ONGs e grupos de apoio e cuidados de animais. Há três fatos a considerar. Em primeiro lugar, as notícias iniciais de que cães e gatos foram infectados pelo SARS-CoV-2, o que gerou uma primeira onda de medo e abandonos por conta da desinformação e fake news. Em seguida, houve o abandono intencional, que possui duas características de cunho muito social. Em várias regiões, famílias ou pessoas idosas – que viviam de forma isolada ou sozinhas e que, por conta da quarentena, foram morar com outros
parentes – tiveram que migrar ou abandonar sua moradia e, em muitos casos, não tiveram condições de levar o animal que morava com elas. Por outro lado, houve aspectos socioeconômicos: algumas pessoas, por desemprego ou diminuição da renda, abandonaram animais próximos a instituições ou parques públicos, ou mesmo nas ruas, para diminuir a responsabilidade sobre os cuidados do animal. E, por fim, alguns tutores pediram ajuda exatamente por conta de pessoas que abandonaram as casas e deixaram os animais. E isso aconteceu de forma mundial, principalmente nos EUA, que tem os dois maiores abrigos de animais do mundo, em Denver e Nova York. Icict: A notícia vinda da Europa de que os donos de gatos teriam alguma imunidade contra a Covid-19 faz sentido? Paulo Abilio Lisboa: Tivemos relatos neste sentido, a partir da publicação de uma médica na Espanha, que observou que tutores de gatos tinham sinais menores em relação à doença ou não apresentavam sintomas. A informação da médica da Espanha é observacional e sem base científica nenhuma. Por isso, não devemos considerar essa hipótese. Mas, temos outro aspecto menos falado que é o papel dos animais domésticos na casa das pessoas, diminuindo a sensação de isolamento e criando um momento diário de convívio e felicidade – reduzindo assim o estresse e a ansiedade, contribuindo com a saúde mental em tempos de isolamento. Pessoas felizes têm menos estresse e têm melhor escore imunológico, sendo naturalmente menos suscetíveis a doenças. Icict: Outros animais domésticos – como papagaios, canários, periquitos, calopsitas, hamsters – podem representar risco de contaminação para seus donos?
Não temos evidências (relatos, estudos ou pesquisas) de outros pets se infectarem pelo SARS-CoV-2. Icict: Morcegos, que eventualmente entram em casas, são um risco de Covid19 para os humanos? O SARS-CoV-2 veio mesmo de um morcego? Paulo Abilio Lisboa: Não, morcegos não representam risco. No Brasil, a maior preocupação em relação aos morcegos é a possível transmissão do vírus da raiva. Sobre a origem do SARS-CoV-2, temos dois cenários possíveis. O primeiro tem o vírus evoluindo através de seleção natural em um hospedeiro não humano e pulando para humanos. Não há casos documentados de transmissão de um coronavírus de morcego para humanos. Mas, todos os coronavírus anteriores passaram por um hospedeiro mamífero intermediário antes da infecção humana. A identidade do hospedeiro intermediário SARS-CoV-2 é atualmente desconhecida, mas vários animais foram sugeridos, principalmente pangolins. Em um cenário alternativo, uma versão não patogênica do vírus teria pulado de um hospedeiro animal para humano e depois evoluído dentro de humanos para seu estado patogênico atual. Mas, nenhuma dessas hipóteses foi confirmada até o momento. Icict: E os micos que entram pelas janelas em alguns prédios e casas próximo de matas? Apresentam risco? Paulo Abilio Lisboa: Também não há qualquer relato de infecção do SarsCoV-2 em primatas. Assim, não há risco de transmissão de micos ou primatas para o homem. Icict: E nas fazendas? Vacas, cavalos, cabras, patos, porcos, esses animais trazem algum risco? Paulo Abilio Lisboa: Não temos nenhum relato de infecção de Sars-CoV-2 em animais de produção. Assim, também não há risco de transmissão.
neY robSon VIeIrA AlencAr – é graduado em Odontologia pela UFPB, Pós-graduado em Prótese Dental pela USP e Especialista em Implantodontia
4 Mulher / MOda
DOMINGO, 5 de julho de 2020
sTYle Georgiano azevedo
georgianoazevedo@gmail.com
“Nessa fase de quarentena, estamos de forma mais intensa, trabalhando em home office, e aproveitando para voltar um pouco mais o nosso olhar, diariamente, para nossas casas. É um momento para avaliarmos suas funções e estética, e deixarmos, cada vez mais, a cara de nossos clientes”, Mariana aurélio, arquiteta, usa joias sCarlos.
#QuarentineMood – 6
“O setor de eventos foi bastante afetado com essa pandemia. Mas, sabemos que não é um serviço essencial que venha a voltar nesse momento. entendemos perfeitamente. e desde já, temos que ter um planejamento de retorno dos eventos futuros, póspandemia, tendo em vista que esse setor é muito importante para a economia”, eronildo Pereira, diretor e produtor de eventos da empresa Master Produções e eventos.
Sempre procurando diversificar, o projeto social #QuarentineMood apresenta seis convidados de diferentes segmentos: moda infantil, moda masculina, arquitetura e eventos. Vamos conhecer um pouco da experiência de todos eles durante esse período de #IsolamentoSocial, inclusive, após a retomada das atividades econômicas, gradativamente.
“Trabalho com moda infantil, atendendo desde gestantes a crianças. Nesse período, ficamos mais próximos dos clientes, aperfeiçoando o serviço on-line, sem perder a qualidade do atendimento”, Ivana Lisboa, proprietária da Lisboa Baby Kids, usa vestido espaço Ts e joias sCarlos.
#Fazendo o Bem neMood Todos os convidados do #Quarenti básicas, tas ces de contribuíram com doação essitadas. nec ílias fam ar ajud que servirão para
“O momento de #Isolamentosocial fez com que algumas pessoas se voltassem mais ao lar, procurando os serviços de arquitetos para reformar sua casa, prezando o conforto e lazer”, Gustavo Barreto, arquiteto, usa camisa Ricardo almeida e calça empório armani.
“aproveitei esse momento para fazer pesquisas no meu setor e trazer novidades para minhas clientes. agora, com a retomada do comércio, estou confiante que tudo vai voltar ao normal”, sâmara Carlos, proprietária da sCarlos, usa joias sCarlos e look Tressê.
FIcha – TÉcnIca – FoTos: Pedro Sobrinho e Waltermberg Pereira / beleZa: Thomas Melo, Vintage Hair e Nayara Pinto. conVIdados: Eronildo Pereira, Ivana Lisboa, Gustavo Barreto, Mariana Aurélio, Wilton Medeiros e Sâmara Carlos.
CIANO MAGNTA AMARELO PRETO
“embora algumas atividades econômicas comecem a voltar aos poucos, a doença não acabou. Temos que continuar com todas as medidas de proteção, para cuidar da nossa saúde e das pessoas que gostamos”, Wilton Medeiros, proprietário da saLT, usa camisa Calvin Klein e calça ellus.
editorial [ índice
Sem rituais de
despedidas
Entrevista Henrique Torquato fala sobre sua trajetória profissional, explica como surgiu a ideia de investir na área de educação corporativa, dos métodos que utiliza e dos resultados obtidos. Página 4
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om a pandemia do novo coronavírus (COVID-19) e a necessidade de adoção de medidas de segurança para combater a contaminação, entre os vários serviços restritos estão as cerimônias fúnebres e sepultamentos. Essas medidas, mesmo necessárias, têm aumentado a dor das famílias impossibilitadas de velar as vítimas da COVID19. Para entender como toda essa situação vivenciada tem afetado as famílias que perderam seus entes nesse momento e não estão podendo realizar os rituais de despedidas tão comuns a nossa cultura, DOMINGO conversou com a psicóloga, Julita Gomes Maia de Sena (CRP – 17/2145), doutoranda Psicologia pela UNIFOR, com atuação em Clínica Psicanalítica e do Luto. Segundo a especialista, a dificuldade para aceitar uma perda é possível em todo e qualquer contexto. No entanto, ela frisa que tem se discutido muito hoje, em função da pandemia, essa impossibilidade não só de se despedir, de velar, e de sepultar o corpo, mas também essa impossibilidade de estar junto. Para a psicóloga, também é interessante se considerar essa impossibilidade do velar, e do sepultar, por ser um componente da nossa cultura, e nós fomos educados, cultural e socialmente falando a vivenciar esses rituais de despedida que hoje não está sendo possível. O material traz também a experiência de uma família que está vivenciando o processo do luto. A esposa de Edivaldo Paiva, que faleceu por complicações da COVID-19 faz questão de deixar um conselho para todas as famílias, para aproveitarem os momentos vividos com as pessoas que você ama. Boa leitura, Nara Andrade.
Sem rituais de despedidas Impossibilidade de velar vítimas da COVID-19 aumenta a dor das famílias. Psicóloga explica dificuldade de aceitação da perda, nesse momento em que velórios estão suspensos. Página 7
Colunas
José Nicodemos A Balada do Impostor
Página 14 • Edição – C&S Assessoria de Comunicação • Editora – Nara Andrade • Diagramação – Rick Waekmann • Projeto gráfico – Augusto Paiva • Impressão – Gráfica De Fato • Revisão – Gilcileno Amorim • Foto – Marcos Garcia Redação, publicidade e correspondência Av. Rio Branco, 2203 – Mossoró (RN) Fones: (0xx84) 3323-8900/8909 Site: www.defato.com/domingo E-mail: redacao@defato.com
Domingo é uma publicação semanal do Jornal de Fato. Não pode ser vendida separadamente.
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OPINIÃO [ CRÔNICA
A RESPOSTA À ALTURA josé nicodemos aristida603@hotmail.com
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inquenta e tantos anos, solteira. Era o tempo em que, a moça passasse dos trinta, sem casamento, era chamada de “caritó”. E ela era vista como uma das moças mais bonitas da cidade. De uma elegância aristocrática. Modos finos. Explicadamente, recebera educação em colégio de freiras, em Fortaleza. As humanidades. Toda de tardezinha, posto o sol, passava pela praça, rumo à igreja, para suas orações, cumprimentando
a todos com quem ia cruzando. Muito cordial, e sem orgulho, esmeravase no trato com os mais humildes. Sempre alegre e aparentemente satisfeita na sua condição de moça solteira, na sua idade. Mostrava-se feliz. Simpática com todo mundo. Fruto da educação e do temperamento. Era isso. Era, contudo, vaidosa: moça de posses, vestia-se pelo figurino da moda, nos melhores costureiros de Fortaleza, cuja alta sociedade frequentara nos anos moços. Sem deixar, no entanto, de ser a simplicidade em pessoa, diziam. Por sinal, o irmão mais velho, residente em Fortaleza, era ao tem-
po o maior empresário da navegação costeira do nordeste, e bancavalhe a vida, como bem quisesse e entendesse. Era só querer. Deu-se que, certa feita, ao caminhar pela praça, indo para sua devoção católica, um certo ricaço da cidade, mas falto da mais mínima urbanidade, um grosso, como se diz, falou em tom audível: “De nada adianta enfeitar o caritó”. Numa gargalhada escandalosamente imbecil. Ela voltou-se, veio até ele: – É verdade; mas quero lhe dizer que deixei de casar, porque rejeitei muito tipo ordinário da sua qualidade... Melhor assim...
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ENTREVISTA
HENRIQUE TORQUATO “A cada oportunidade que eu tinha de crescer eu estava 100% preparado, para agarrá-la e fazer o meu melhor e, muitas vezes, eu também criava as oportunidades que queria.” Por Nara Andrade naraandrade@gmail.com
O cearense, natural de Aracati, Luis Henrique Torquato Costa, de 32 anos, vem utilizando suas redes sociais como ferramenta de divulgação de conteúdos relacionados a empreendedorismo, construção de carreiras, e crescimento profissional. Henrique Torquato é engenheiro de Produção, formado pela Universidade Potiguar (UNP), em 2018. Hoje, ele atua com educação corporativa e desenvolvimento de jovens profissionais. Em maio, Henrique Torquato lançou o Desafio Construindo a Carreira dos Sonhos, composto por 21 lives com a presença de convidados de diferentes áreas do mercado, para compartilhar experiência. Além das lives, ele lançou um ciclo de mentorias individuais, para orientação profissional, com foco em temas como talentos, habilidades, gestão organizacional, transição de carreira, consultoria para abertura de negócios, e outros. DOMINGO conversou com o profissional para entender como surgiu a ideia de investir na área de educação corporativa e como funcionam os projetos que ele lançou nos últimos meses. Henrique Torquato conta um pouco de sua trajetória profissional, explica os métodos e fala dos resultados obtidos a partir do Desafio Construindo a Carreira dos Sonhos. Nos últimos meses você realizou uma mudança no conteúdo de sua página no Instagram. E através dessa rede social vem propondo uma discussão sobre temas relacionados ao empreendedorismo. De onde surgiu essa ideia?
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Em março de 2020, eu completei 10 anos de carreira e, conversando um dia com a minha esposa, lembrando da minha trajetória até aqui, me veio o desejo de, de alguma forma, poder ajudar a tantos jovens que precisam iniciar ou desenvolver suas
vidas profissionais. Tanto nas duas graduações que fiz, quanto nas empresas por onde passei como funcionário ou consultor, eu percebia que as pessoas se sentiam perdidas com relação as suas profissões, suas habilidades, seu potencial, com relação
ENTREVISTA ao que queriam ser e produzir, seja como funcionários de alguma empresa ou como empreendedores. Eu também sou aluno da escola O Novo Mercado (ONM), do Ícaro de Carvalho (@icaro.decarvalho), a maior escola de marketing digital do Brasil. ONM é uma escola de empreendedorismo digital, o Ícaro ensina, em resumo, sobre produção de conteúdo digital e, há mais ou menos um ano, eu já vinha alimentando a ideia de lançar algo nesse sentido dentro da minha expertise. Em uma de suas primeiras postagens dessa nova fase do seu perfil, você contou um pouco de sua experiência profissional. Para você, qual a maior característica desses 10 anos de trajetória, que o levaram a crescer profissionalmente, passando de office-boy a gerente administrativo de uma das maiores construtoras da região? Eu poderia dizer que tudo foi fruto de um plano de carreira, que desde sempre eu queria ser o que sou hoje, que eu já tinha objetivos e metas traçados desde sempre. Mas, a verdade é que eu me descobri no dia a dia ao longo desses 10 anos. A cada oportunidade que eu tinha de crescer eu estava 100% preparado, não só tecnicamente - eu já assumi muita função sem saber absolutamente nada – mas, eu estava sempre preparado no sentido de que quando a oportunidade aparecesse eu iria agarrá-la e fazer o meu melhor e, muitas vezes, eu também criava as oportunidades que queria. Recentemente, preparando um material para um curso que vou lançar em breve, eu fiz uma autoanalise da minha vida profissional e desenvolvi 4 pilares, ou seja, características específicas que suportaram meu desenvolvimento até aqui: 1. Audácia: ser audacioso descreve tanto um soldado pronto para a batalha, quanto um cientista buscando inovação. Estar pronto para lutar, matar e morrer pelo que você quer, deve estar intimamente ligado a sua capacidade de também criar, produzir e
desenvolver o que você quer. 2. Cultura autobiográfica: para uma empresa, a cultura é um conjunto de valores, hábitos e crenças compartilhado por seus integrantes e que auxilia na tomada de decisão e no direcionamento das ações de cada um deles. Cultura autobiográfica é um termo que criei e quer dizer que eu compartilho dos meus valores, hábitos e crenças pessoais com todos nos meus locais de trabalho. Compartilhar não é forçar a aceitação, é fazer com que todos reconheçam você por quem você é integralmente, não apenas pela sua competência profissional. As pessoas passam a confiar em você, passam a lhe consultar, o relacionamento passa a ser interpessoal e não puramente material/profissional e, do outro lado, você tem a oportunidade de receber o mesmo dos outros, pois eles também passam a compartilhar seus valores, hábitos e crenças. A cultura autobiográfica é maior que o network. 3. Inteligência direcionada: Para a maioria das pessoas, religião, cultura, livros e filosofia não combinam com local de trabalho, mas “dominar” assuntos específicos e, de certa forma, “raros” para um ambiente de trabalho, sempre me colocaram em posição de destaque. Escolha/ desenvolva dois ou três assuntos não técnicos no qual você é bom e compartilhe com seus colegas de trabalho, não precisa ser algo robotizado, assuntos que você realmente goste e consiga desenvolver conversas úteis no dia a dia. Não seja o cara chato, carola, intransigente, mas o que traz discussões proveitosas e leves para além do trabalho diário. 4. Presença: o Joel Moraes tem uma frase _que virou um livro_ que diz “esteja, viva, permaneça 100% presente”. Eu sempre estou 100% presente em tudo que eu quero desenvolver, criar, melhorar. No ambiente de trabalho sempre busco conhecer um pouco de tudo, saber o que cada um faz e por quê. Isso me permite aju-
dar a todos e à empresa sempre que necessário. Mais uma vez, não seja o intrometido, chato, intransigente, seja a pessoa sempre disposta a ajudar, independente de ser ou não a sua responsabilidade direta. Em maio, você lançou um desafio composto por lives com convidados de diferentes áreas do mercado, compartilhando suas experiências. O que é o Desafio Construindo a Carreira dos Sonhos? Qual o objetivo? Um dia, conversando com a minha esposa sobre essa vontade de comemorar meus 10 anos de carreira e de ajudar a outros profissionais, me veio a ideia de reunir um grupo de profissionais, para entender como eles conseguiram se desenvolver profissionalmente e, assim, poder gerar um conteúdo para que outros profissionais pudessem se orientar. Consegui reunir 21 grandes profissionais da cidade, alguns eu já conhecia pessoalmente, outros não, e durante 21 dias consecutivos eu entrevistei essas pessoas através de lives no Instagram. Esse modelo de desafio foi um modelo de CPL(CONTEÚDOPRÉ-LANÇAMENTO) criado pelo Ícaro de Carvalho, para lançamento de produtos digitais. Basicamente consiste em entregar um produto gratuito muito bom, através de lives ou aulas ao vivo, para em seguida entregar um produto complementar pago. Eu adaptei o modelo de CPL e chamei o projeto de “Desafio 21 dias – Construindo a carreira dos sonhos: como pessoas comuns crescem com a força do trabalho?”. Qual a avaliação que você faz agora que o trabalho está concluído? As expectativas que você tinha no início foram correspondidas? Em números foram uma média de 80 espectadores por live (em algumas noites tivemos 130); 400 novos seguidores no Instagram; 10 parcerias comerciais fechadas; 5 novos empreendimentos lançados do zero; 28 mentorias individuais. Sem contar as amizades feitas, o conhecimento adquirido e compartilhado, todo o DOMINGO, 5 de julho de 2020
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ENTREVISTA ganho pessoal e profissional que não é possível mensurar. Eu estou profundamente satisfeito com o que entreguei e não vou parar por aqui, tem mais projetos saindo em breve. Você lançou também um projeto de mentoria dentro desse desafio. Como funciona a mentoria? O que o público pode esperar? O ciclo de mentorias individuais foi um pequeno projeto lançado durante o desafio, fruto das demandas que os espectadores me traziam. Eu cobrei um valor simbólico de R$147,00 por mentoria, exclusivamente para atender as pessoas que me pediram. Eu agendava uma reunião pelo App Zoom e ficava à disposição do mentorando quanto tempo fosse necessário - houve mentoria de 4h - e em seguida lhe enviava um relatório com os meus apontamentos para aquelas situações abordadas. As mentorias foram para orientação profissional. Eu atendi de empresários com 25 anos de mercado, a jovens que nunca haviam trabalhado. Eram abordados temas diversos como talentos, habilidades, gestão organizacional, transição de carreira, consultoria para abertura de negócios, etc. Qualquer pessoa pode participar? Ainda dá tempo? Como fazer para participar? Esse modelo de mentoria, com esse valor e essas condições foi um pequeno projeto, como eu falei, para atender uma demanda específica que surgiu durante o desafio de 21 dias. Para esse não tenho mais vagas. Inclusive, já conclui as 28 mentorias agendadas e agora estou dando suporte ao pessoal durante 30 dias para que possam aplicar o que conversamos. Mas, em breve, abrirei novas turmas. Já tenho um novo projeto que será lançado em breve também pelo Instagram e será tão grande quanto o desafio de 21 dias. Aguardem e me acompanhem lá no @henriquetorquatoo. Para concluir, gostaria de dizer mais alguma coisa, deixar alguma mensagem sobre esse tema?
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Um dos convidados do Desafio composto por 21 lives foi o servidor público Ítalo Dantas, advogado e músico.
Para os jovens profissionais, não se apeguem às abstrações características do meio profissional. Tenham projetos, mas não queiram projetar quem vocês serão daqui a 30 anos com base em emoções e desejos momentâneos. Desenvolvam suas carreiras dia após dia, com seriedade e garra. Aproveitem as oportunidades que surgirem e criem outras tantas quantas acreditem que possam. No mais, me acompanhem lá no Insta-
gram @henriquetorquatoo. Além dos novos projetos que serão lançados por lá, todos os dias eu abro a caixinha de perguntas para consultoria gratuita e produzo conteúdos com o intuito de ajudar no desenvolvimento de jovens profissionais. Minha pretensão é formar uma classe de novos profissionais de destaque, com habilidades e características diferenciadas dos demais, sejam eles empreendedores ou funcionários.
Momento de dor
Sem rituais de
despedidas >> Impossibilidade de velar vítimas da COVID-19 aumenta a dor das famílias. Doutoranda em Psicologia, com atuação em Clínica Psicanalítica e do Luto, explica dificuldade de aceitação da perda, nesse momento em que velórios estão suspensos.
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Momento de dor
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esde o início da pandemia do novo coronavírus (COVID-19), entre as medidas de segurança e de prevenção contra a disseminação da doença, as autoridades públicas restringiram os serviços fúnebres e a presença nos cemitérios. No entanto, mesmo sendo medidas necessárias, têm aumentado a dor das famílias impossibilitadas de velar as vítimas da COVID-19. DOMINGO conversou com a psicóloga, Julita Gomes Maia de Sena (CRP – 17/2145), doutoranda em Psicologia pela UNIFOR, com atuação em Clínica Psicanalítica e do Luto. A especialista explica todo esse processo de aceitação da perda de um parente, em especial, no
atual momento em que estamos vivenciando, em que as famílias estão impossibilitadas de realizar os rituais de despedidas tão comuns a nossa cultura. Segundo a especialista, a dificuldade para aceitar uma perda é possível em todo e qualquer contexto. “A perda de alguém que se ama, a perda de um ente querido, a perda de uma pessoa que seja significativa, ou até mesmo perdas em função de algumas mudanças enérgicas que se vive na vida, podem vir acompanhadas de alguma dificuldade de aceitá-las e de se reorganizar na vida depois desse processo de reajuste, de mudanças, e de perdas”, afirma. Julita Gomes frisa que tem se discutido muito hoje, em função da pan-
demia, essa impossibilidade não só de se despedir, de velar, e de sepultar o corpo, mas também essa impossibilidade de estar junto. “Por vezes em processo de adoecimento, especialmente, em casos mais graves, mais delicados, quando se ama, geralmente, se quer estar perto, se deseja participar, cuidar, e isso também não tem sido possível. Então, nesse tempo a gente tem vivido essa especificidade de não poder cuidar, participar, de não poder visitar, seja em casa ou em uma unidade hospitalar, e também de não poder velar, não poder sepultar. Sejam esses pacientes que partem em função do novo coronavírus (COVID-19), sejam essas pessoas que partem por outros motivos, mas que em função
Impossibilitados de velar parente, familiares acompanham chegada do corpo ao cemitério durante a madrugada.
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Momento de dor
dessa configuração atual não tem sido possível participar ou se envolver de alguma forma”, comenta. Para a psicóloga, também é interessante se considerar essa impossibilidade do velar, e do sepultar, primeiro porque é um componente da nossa cultura, e somos condicionados, nós fomos educados, cultural e socialmente falando, a vivenciar esses rituais de despedida que hoje não está sendo possível. “Então, você tanto lida com isso, enquanto pessoa a partir do vínculo e da relação que se tem como também você lida com isso socialmente falando, em função dessa quebra desses rituais tão característicos da nossa sociedade, da nossa cultura”, enfatiza. O fato de não ter o último contato com a pessoa que se perdeu, pode gerar ainda mais essa não aceitação, revolta, e outros sentimentos. E, Julita Sena, ressalta que além da tristeza, essas reações também fazem parte do processo do luto. “Alguns autores falam em fases do luto. Mas, ao se perder alguém que se ama, uma pessoa que seja importante para si, essa dificuldade de aceitação, que muitas vezes a gente pode entender que evolui para um processo de revolta e de negação é perfeitamente compreensível. A gente chama de luto, até fazendo referência a Freud, a perda de um objeto de amor, de um ente, ou de algo que represente essa pessoa que nos é tão cara. É tirar de nós aquilo que nos é importante. Aquela pessoa que tem uma representação muito significativa”, destaca. E segundo a doutoranda em Psicologia, todo esse processo é muito singular. É necessário compreender individualmente como ele acontece para cada um, considerando alguns fatores, como quem se perdeu, como se perdeu, que contexto de vida essa pessoa estava, e como essa pessoa enlutada
Julita Gomes Maia de Sena, doutoranda em Psicologia pela UNIFOR, com atuação em Clínica Psicanalítica e do Luto.
também estava quando perdeu alguém tão importante para ela. “Como esse processo de luto vai acontecer, depende desses fatores, está muito relacionado a todos esses aspectos como eu falei anteriormente: quem se perdeu, como aconteceu, foi possível se despedir ou não, essa série de elementos que a gente precisa avaliar, cuidar e compreender com muito cuidado um a um como este processo vai estar se dando”, diz. Além da questão de não poder realizar todos esses rituais de despedida, outro ponto que deve ser levado em consideração é que devido ao distanciamento social, necessário pela questão da segurança contra a contaminação com o novo coronavírus, tem contribuído ainda mais para o entristecimento de quem perdeu um ente querido, já que é impossível estar perto, receber o apoio dos ami-
gos e familiares. “Quando você me questiona sobre estar triste, nesse momento de distanciamento, eu penso que toda e qualquer manifestação emocional, de expressão de sentimentos, é compreensível, visto todas essas mudanças. Vem aí uma série de reajustes, uma série de reconfigurações de elementos da vida em função de todo esse processo que está sendo vivenciado. Então, essas reações, eu diria, sejam através da tristeza, ou de qualquer outra forma, elas são compreensíveis, porque cada um vai reagir também de um modo muito singular. A gente não classifica, no sentido de esperar a mesma reação para todos, mas entendemos que hoje, tendo em vista esse contexto que a gente está vivendo, essas expressões elas precisam sim ser analisadas, mas também levar em consideração o que é que se vive numa ordem maior”, afirma.
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Momento de dor
“Aproveitem o momento em família, relevem as coisas que não tem valor”, Isabelly Fernandes Uma das inúmeras famílias que estão vivenciando esse processo do luto é a família de Edivaldo Paiva. Casado com Isabelly Fernandes de Queiroz Paiva e pai do pequeno Emanuel, Edivaldo que era natural de Almino Afonso, havia se mudado com a família a cerca de cinco meses para a capital cearense, Fortaleza, devido a uma mudança de emprego. Ele era Analista de Sistema, por formação, e trabalhava como gerente de uma fábrica de confecção. No dia 3 de maio, ele começou a perceber os primeiros sintomas da COVID-19, e procurou o hospital algumas vezes, mas após ser medicado era encaminhado para casa. No dia 7 de maio, como os sintomas
aumentaram, Edivaldo voltou ao hospital, onde ficou aguardando para ser internado. Devido ao agravamento do seu quadro de saúde, ele precisou ficar na UTI, depois de alguns dias foi intubado, mas faleceu no dia 17 de maio. A esposa, que também foi diagnosticada com a doença, com sintomas leves e já recuperada, voltou para Mossoró com o filho. Edivaldo Paiva foi sepultado na sua cidade natal. Para Isabelly, além da perda do seu companheiro, do seu esposo e pai do seu filho, com quem dividiu a vida integralmente durante mais de 10 anos, a ausência do velório, a impossibilidade de se despedir do seu amor, de vê-lo mais uma vez, torna a situação ainda mais
complicada. “É difícil aceitar, entender que não vou mais vê-lo. Tudo parece uma mentira. Às vezes, tenho a impressão de que ele está viajando e que vai chegar. Todo dia é um desafio”, afirma. Mesmo com a dor, Isabelly guarda as lembranças dos momentos felizes com o esposo, do pai maravilhoso para o seu filho, um homem íntegro, batalhador, temente a Deus, que mesmo diante das dificuldades não desistiu de lutar pelo bem-estar da família. “Aproveitem o momento em família, se amem, curtam cada segundo. Relevem as coisas que não têm valor. Façam fotos e vídeos dos momentos bons. A vida é muito curta”, aconselha.
Serviços fúnebres e funcionamento de cemitérios Com a pandemia de coronavírus, a Prefeitura de Mossoró publicou no Jornal Oficial de Mossoró (JOM) Nº 554B, o Decreto 5.631 que determina situação de calamidade pública no município. Entre as determinações, estão as orientações sobre como devem ser os procedimentos relacionados aos serviços fúnebres, velórios e presenças em cemitérios. De acordo com o Art. 2º do documento, as cerimônias funerárias e de sepultamento estão restritas aos familiares, a quantidade não deve ser superior a 10 pessoas e recomenda-se duração de até no máximo 60 minutos. Ao longo dos meses, novos decretos foram publicados, prorrogando essas me-
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didas, com o intuito evitar a contaminação do novo coronavírus (COVID-19) em Mossoró. Atualmente, os Cemitérios Municipais estão funcionando com plantão de 24h para sepultamentos das vítimas da COVID19, já os demais óbitos têm sepultamento realizado em horário comercial, de acordo com informações do Secretário Executivo de Serviços Urbanos, Cid Batista. Para garantir a segurança das equipes de plantão nos cemitérios municipais, os servidores trabalham com o uso de todos os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) necessários. A dona de casa Aldenisa Costa, que perdeu o pai recentemente vítima da COVID-19, elogiou o tra-
balho dos profissionais responsáveis pelos sepultamentos. “Meu pai faleceu por volta das 23h, e como ele tinha COVID precisou ser sepultado o mais rápido possível, de acordo com as orientações do hospital em que ele estava internado. Então, não houve velório, o corpo foi do hospital direto para o Cemitério São Sebastião, sendo sepultado às 2h30 da madrugada. A gente ver diariamente os profissionais da saúde sendo homenageados pelo trabalho na linha de frente, mas esses profissionais dos cemitérios também precisam ser reconhecidos. Estão trabalhando incansavelmente, de dia e de noite, se arriscando; peço a Deus que também proteja cada um deles”, ressalta.
Solidariedade
Sobrinha faz campanha
para ajudar sua tia que sofre há 20 anos com esquizofrenia
>> Kauany Sousa, mais conhecida como a Menina da Enxada, criou uma vaquinha on-line para arrecadar fundos, na tentativa de proporcionar melhor qualidade de vida à família de sua tia que sofre com transtornos mentais. DOMINGO, 5 de julho de 2020
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Solidariedade
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jornalista Kauany Sousa ficou conhecida nacionalmente quando, para homenagear aos seus pais agricultores, entrou em seu baile de formatura carregando uma enxada. A partir daí, a Menina da Enxada, como passou a ser chamada pela maioria das pessoas, realizou alguns sonhos, inclusive conseguindo ajudar aos pais com os recursos que ganhou ao participar de um programa de televisão transmitido em rede nacional. Mas, o desejo de ajudar o restante da família continuou presente em sua vida. Agora, a Menina da Enxada na tentativa de proporcionar uma melhor qualidade de vida à família de sua tia, Maria Helena da Silva Oliveira, irmã de sua mãe, está realizando uma campanha para arrecadar fundos. Kauany Sousa conta que o dinheiro doado será usado na conclusão da obra de uma casa que começou a ser construída para a sua tia, já que o local que ela mora atualmente está em condições bastante precárias, no município de Umarizal. Kauany Sousa teve a ideia de criar uma vaquinha on-line, intitulada “Ajude uma mãe com esquizofrenia”, em uma plataforma digital, para divulgar a campanha e conseguir o maior número de doações possíveis. Ela diz que decidiu fazer a campanha como forma de ajudá-los, já que a casa onde moram está bem deteriorada, e familiares e amigos mais próximos já ajudam constantemente com a alimentação, e doação de outros itens básicos. “A casa em que eles vivem atualmente está a ponto de cair, não tem nem piso, o chão ainda é de barro. O irmão de Pedro iniciou a construção de uma nova casa para eles, mas por falta de condições financeiras, mão conseguiu terminar. Está faltando o piso, fazer o reboco, fazer a instalação elétrica. O dinheiro servirá para fazer o restante desses serviços e pagar aos trabalhadores”, explica. Os interessados em ajudar na campanha, podem acessar o site
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Casa em que a família vive em situação bastante precária.
www.vakinha.com.br, e procurar a Vaquinha pelo título “Ajude uma mãe com esquizofrenia”, ou através do ID
1165651. O nome do beneficiário é Pedro Miranda de Oliveira, que é o esposo de Maria Helena.
Uma nova casa começou a ser construída, mas por falta de condições financeiras a obra precisou ser interrompida.
Solidariedade
Transtornos mentais: há 10 anos, os remédios e internações não têm mais apresentado resultados A vida de Maria Helena sempre foi simples, vivendo do trabalho na roça. No entanto, as dificuldades aumentaram quando em 1990, num espaço de aproximadamente um ano, ela perdeu a mãe e o pai. Bastante abalada emocionalmente, Maria Helena, que é natural de Mossoró, e hoje está com 55 anos, na época mergulhou numa depressão profunda. Entre os anos de 1990 e 2015, ela foi internada oito vezes no Hospital Municipal São Camilo de Lellys, em Mossoró. “Quando estava em crise, ela perdia o sentido e não conseguia se controlar e entender do seu eu”, explica a sobrinha. Mesmo apresentando os sinais de transtornos psicológicos, no início da doença, ela começou um relacionamento com Pedro Miranda de Oliveira, natural de Martins, com quem se casou e
teve um casal de filhos. “Nessa época, ela estava melhor. Às vezes, tinha algumas crises, mas estava sempre medicada, e conseguia ter uma vida controlada e estável, mesmo com algumas dificuldades. O seu esposo sempre foi muito companheiro, por isso, não conseguiu trabalhar regularmente, já que sempre estava cuidando dela. Ele fazia alguns trabalhos e com a ajuda de seu pai conseguiu uma casa em Almino Afonso. Anos depois, a casa foi vendida e com o dinheiro a família comprou outra no município de Umarizal”, relata Kauany. Maria Helena conseguiu se aposentar por invalidez, e recebe um salário mínimo. A renda é utilizada para a compra de medicamentos, e para garantir a alimentação da família, não sobrando para a manutenção da casa, que com o passar dos anos foi se
deteriorando, estando hoje em situação bastante precária. A sobrinha de Maria Helena, afirma que a partir de 2010, a doença começou a se agravar. “Desde então, ela não conseguiu voltar a sua sanidade mental. Se tornou uma pessoa totalmente dependente dos filhos e do esposo. Ela parece ter voltado à infância. Pois, não fala mais nada de forma correta, sempre diz palavras que não tem sentido. O remédio e os períodos que passa internada não tem dado mais resultado no seu quadro de saúde. E a depressão profunda evoluiu para esquizofrenia e suspeita de transtorno bipolar. Ela se tornou irreconhecível, muito agressiva, e seus filhos e seu marido precisam cuidar dela o dia todo. A rotina diária com o passar dos anos vem ficando cada vez mais difícil”.
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A Balada do Impostor
Saudades JOSÉ DE PAIVA REBOUÇAS josedepaivareboucas@gmail.com
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audade é negócio doído, mas nunca é uma só. A saudade é um nó que nos maltrata sem pena, quebra a regra, muda a cena, quando o negócio é amor. A vontade de lembrar cada instante, cada hora como se fosse agora o vivido anteontem. Aquele querer danado de ficar perto, apertado, de adular quem nos adula. Essa é saudade mais dada, pois de tanto ser lembrada é a que mais nos anula. Mas existe uma saudade que é bem mais malfazeja, uma que chega e lampeja clareando as lembranças, marca o passo, traça a dança e nos remove no tempo. É reflexo de um momento que estava bem guardado, tão sumido, amufambado que assusta o pensamento. Basta uma música, um cheiro, um gostinho de tempero pra tudo voltar com força, joga a
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gente numa poça de recordação perene. Saudade mexida é de quem foi pra não voltar. Uma saudade que dá de saber que não tem jeito, chega dói aqui no peito só de tocar na conversa, essa coisa que atravessa, mas não sai do outro lado. O negócio é agradecer a lembrança que foi boa e não deixar a pessoa jamais ser esquecida. Não adianta lamentar, resmungar, tentar efeito, da vida esse é o defeito que não tem quem organize. Existe ainda a saudade que é feita de perigo, essa tem a ver consigo que se esquece de se ver. Repara tanto o presente que não atina, não sente, o que foi acontecendo. Vai guiado e pendendo pruma vontade alheia, atolado na areia de uma vida mal corrida, segue esquecendo da vida que é sua por direito. Essa saudade destrói, mata a vontade, corrói a imagem no espelho, aí só com bom conselho, muita dobra de joelho talvez se possa dar jeito.
Tem também a dependência que não é uma saudade, mas carrega a maldade de um querer que domina. Perigosa cafeína que nos guia pro errado, esse troço malfadado que nos torna tão carentes de querelas recorrentes que só nos leva pro mal. Essa vontade malvada precisa ser combatida com boldo ou criolina, pois se ela nos domina é sofrência infernal. Por fim, no último exemplo, a saudade equivocada. Essa é mais despudorada, pois pode ser resolvida. Saudade de ir à casa dos pais que moram na esquina, de falar com a menina pela rede social, de dizer ao pessoal que hoje se sai à rua, seca o balde, bebe a lua pra esquecer os problemas. Dar um telefonema pra falar com um amigo, rir de empinar o umbigo lembrando desimportâncias, ultrapassando as instâncias de estar sem estar sendo, passo a passo revivendo, resgatando e removendo as saudades desta vida.
adoro comer
Coxinhas de galinha empanadas com farofa de cracker Ingredientes 400g de cracker água e sal Pilar 2 xícaras de Frango desfiado 3 colheres de sopa de Azeite 1 Cebola picada 3 dentes de alho picados Sal Pimenta-do-reino a gosto 4 xícaras de Caldo de frango 5 xícaras de Farinha de trigo 6 ovos 1 litro de Óleo
Modo de preparo - Processa a Cream Cracker Pilar Água e Sal formando uma farofinha e reserve. - Coloque em uma panela: o caldo de frango e leve para ferver. - Acrescente 4 xícaras de farinha de trigo e mexa bem até desgrudar da panela ou cozinhar a farinha de trigo. - Retire da panela e espere esfriar. - Coloque em uma panela: o azeite, a cebola e o alho e deixe dourar levemente. Adicione o frango desfiado. Tempere com sal e pimenta-do-reino a gosto. - Faça bolinhas com a massa. Abra as bolinhas com a palma da mão, recheie com o frango e feche dando o formato de coxinha. - Empane passando na farinha de trigo, nos ovos batidos e por último na farinha de Cream Cracker Água e Sal Pilar. - Frite em óleo quente e seque em papel toalha. Sirva em seguida. Rendimento: 20 porções Tempo de preparo: 40 minutos
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19 anos de
compromisso com o jornalismo de verdade @defato_rn
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tv
>> Bastidores
Elegante e emocional, “Laços de Família” completa duas décadas de exibição e entra no catálogo do globoplay
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>> insisde
Baseada no longa homônimo, a série “Cine Holliúdy” exalta a arte do cinema brasileiro
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defato com
moSSoRÓ (Rn), Domingo, 5 de julho de 2020
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na edição especial de “Totalmente Demais”, Juliana Paes relembra estreia como vilã nas novelas pÁGina 3
Vilã
inaugural
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Seriais
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>> por Geraldo Bessa
Destaques das séries e conteúdo “on demand”
Vidas abusadas
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érie documental original da Globoplay, "Em nome de Deus" acompanha a história do médium João de Deus desde sua infância em Itapaci, em Goiás, até sua prisão por crimes sexuais. Em seis episódios, a série mostra o trabalho realizado ao longo de 18 meses e aborda os crimes e a dualidade do curandeiro – um homem que inspira fascínio e repulsa. Com condução de Pedro Bial e da roteirista Camila Appel, a série traz, como ponto de partida, as investigações que levaram às primeiras denúncias feitas, com exclusividade, no programa "Conversa com Bial", em 2018. Mulheres revelaram que, ao buscar tratamento espiritual, foram abusadas sexualmente pelo médium João Teixeira de Faria, o João de Deus. Os dias que se seguiram à exibição do programa foram tomados por grande repercussão e perplexidade, enquanto centenas de outros casos começaram a vir à tona. Em questão de dias, João de Deus foi indiciado e, posteriormente, condenado a 40 anos de prisão. Das primeiras suspeitas da roteirista Camila Appel até a concessão de prisão domiciliar a João de Deus, em março deste ano, o documentário revela a vida paralela do líder espiritual, a sua ampla rede de proteção e denúncias de crimes graves.
De olho nas pistas (Starzplay, seg, dia 6)
Os fãs de "The Missing" têm um encontro marcado com o detetive Julien Baptiste (Tcheky Karyo) e o novo caso em que ele está trabalhando. "Spin-off" da série de suspense de sucesso, "Baptiste" traz o investigador francês tentando desvendar um desaparecimento em Amsterdã. De férias com a família após retirar um tumor cerebral, Baptiste é convencido por uma ex-namorada e chefe de polícia da cidade a ajudar Edward Stratton (Tom Hollande) a achar sua sobrinha, uma profissional do sexo que sumiu no distrito da luz vermelha. Mergulhando no caso, ele simpatiza com as mulheres forçadas a se prostituir na área e acaba perturbando homens perigosos que tentarão machucá-lo da maneira mais devastadora. Com apenas seis episódios em sua primeira temporada, todos disponíveis na Starzplay, o drama criminal promete uma reviravolta que vai chocar o público.
Guerra Santa (Netflix, ter, dia 7)
Criada por Simon Barry e inspirada em um HQ, "Warrior Nun" é a nova série da Netflix. A produção acompanha a saga de uma jovem de 19 anos que acorda em um necrotério com um artefato divino alojado nas costas e se torna parte de uma antiga ordem com a missão de combater demônios na Terra. Para piorar, ela é perseguida por forças poderosas do bem e do mal que tentam controlá-la a todo custo. Com 10 episódios recheados de ação e fantasia, a série tem a fórmula perfeita para agradar o público que ama produções sobre adolescentes que enfrentam demônios, na mesma linha de "Supernatural" e "Buffy - A Caça-Vampiros".
Rede de influência (HBO Go, qua, dia 8)
Novidade na HBO Go, "Trackers" entrelaça histórias sobre o crime organizado, o contrabando de diamantes e de rinocerontes negros, a segurança de Estado, a CIA e um complô terrorista internacional que está prestes a explodir na Cidade do Cabo. A série é uma adaptação de Robert Thorogood do romance de Deon Meyer, com roteiro de Jozua Malherbe, Amy Jephta e Kelsey Egan e direção de Jyri Kähönen. Ambientada na Zona Rural de Loxton, África do Sul, a série acompanha a entrada de Lemmer (James Gracie) em uma operação sombria de contrabando. Enquanto isso, o Gabinete Presidencial de Inteligência da Cidade do Cabo lança uma investigação secreta de alto risco sobre um plano terrorista, depois de um informante da polícia ter rastreado uma reunião entre extremistas islâmicos locais e Suleiman Daoud (Emmanuel Castis), um agente sênior da Al Qaeda.
Sol quadrado (Amazon, sex, dia 10)
Os presidiários de "Xilindró" estão de volta ao Multishow Play em episódios inéditos. A nova temporada, além de muitas confusões e reviravoltas, trará uma nova personagem - a diretora do presídio, que será interpretada por Gustavo Mendes - e participações especiais de Marcio Kieling e Ary França. Caíke Luna, Lindsay Paulino, Simone Gutierrez, Luciana Fregolente, Juliana Guimarães, Oscar Filho, Robson Nunes, Paulinho Serra e Ataíde Arcoverde seguem no elenco fixo da atração, que terá 15 episódios, todos com direção geral de Marcio Trigo e produção da Formata. Na nova temporada, Lázara Camburão (Gustavo Mendes) assume o cargo de diretora do presídio, substituindo Sandra (Luciana Fregolente). Ela se diverte às custas do sofrimento dos presos, provocando intrigas entre eles. Enquanto isso, Amadeus - também interpretado por Gustavo - perde 50 quilos após passar um ano na cela solitária, aos cuidados da enfermeira Brioco (Caíke Luna), que gosta de infernizar a vida dos detentos.
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>> principal Na edição especial de “Totalmente Demais”, Juliana Paes relembra estreia como vilã nas novelas
Vilã inaugural
mos os laços. A gente se entendeu muito bem, se deu muito bem. Tenho lembranças maravilhosas das nossas conversas, nossos choros quando o cansaço apertava... Tenho boas lembranças dessa amizade que se iniciou ali.
J
uliana Paes é do tipo de profissional que marca presença em cena. Com uma personalidade despojada, olhos expressivos e uma risada marcante, a atriz enfileira personagens populares e extrovertidas no vídeo, como a recente Maria da Paz, protagonista de “A Dona do Pedaço”, que foi ao ar no final do ano passado. No entanto, para viver a elegante Carolina de “Totalmente Demais”, sua primeira vilã no vídeo, Juliana precisou criar um perfil que ia na contramão de sua “persona” tradicional. “No geral, faço papéis mais efusivos. A Carolina era fria nos sentimentos e no comportamento. Isso era algo totalmente diferente da minha personalidade. Mas foi muito legal vivenciar isso no vídeo”, afirma Juliana, que voltou ao ar na edição especial da trama escrita por Rosane Svartman e Paulo Halm. Na história das sete, Carolina é diretora da fictícia revista que dá título à novela. Nascida no Bairro de Fátima, ela focou em sua carreira profissional e é referência no mundo da moda. A vilã mantém um jogo de sedução e competição com Arthur, papel de Fábio Assunção. E faz de tudo para derrubar Eliza, de Marina Ruy Barbosa, ao perceber a iminente aproximação dos dois. Sempre bastante envolvida com seus projetos, Juliana ressalta as boas relações que construiu no “set” de trabalho ao longo dos anos.
“A matéria-prima no meu trabalho é o olho no olho. Só consigo fazer uma boa cena se tiver boas relações humanas. Ser ator é viver do exercício de empatia”, defende a atriz, que é casada com o empresário Carlos Eduardo Baptista e é mãe dos pequenos Pedro e Antônio, de 9 e 6 anos, respectivamente.
gens maniqueístas, eu tentei fazer uma personagem que ao longo da trama vai se humanizando. Foi uma novela em que eu tive muito contato com o público jovem, algo, até então, novo para mim. Passei a ter contato e me articular mais via redes sociais, com esse público, sobretudo. Eu descobri um mundo novo.
P – Como está sendo acompanhar essa reprise da novela no horário das sete? R – É um misto de emoções. Eu fiquei muito surpresa, nunca tinha visto a Globo parar com a programação desse jeito. Mas fiquei feliz pelo ato de respeito, de adesão, de solidariedade. Fiquei orgulhosa da atitude da emissora. Acho que essa é a chance de mostrarmos de novo uma história que teve tanto sucesso e que foi tão gostosa de viver.
P – O que mais chamou sua atenção ao longo desse projeto? R - Normalmente as minhas personagens são muito efusivas. A Carolina foi um desafio nesse sentido. Ela era um pouco mais fria com os sentimentos, um pouco mais calculista, aquele tipo de pessoa que esconde os sentimentos genuínos. Isso era algo totalmente diferente da minha personalidade. Mas foi muito legal.
P – Você tem uma linha de personagens muito populares. Como foi construir uma vilã sóbria como a Carolina? R - A Carolina Castilho foi a minha primeira vilã. Como eu não acredito em persona-
P – Quais são as principais lembranças que você carrega desse trabalho? R - As minhas melhores lembranças têm a ver com o início da minha amizade com a Marina. Nós já nos conhecíamos, mas foi ali que estreita-
P – A edição especial de “Totalmente Demais” tem feito bastante sucesso e, constantemente, tem atingindo a casa dos 30 pontos de audiência. Na sua opinião, por que a novela segue gerando tanta repercussão? R – Acho que “Totalmente Demais” tem uma história deliciosa, que passa voando. O público se emociona e se diverte com essa menina tão simples que vira uma top model. E com a Carolina, essa mulher que depois de todos os erros que cometeu, adota um filho e se transforma em uma mulher plena após descobrir o que é o amor de verdade. P – Você estava de folga do vídeo desde o fim de “A Dona do Pedaço”. Como tem sido esse período de isolamento social? R – Meus dias na quarentena têm sido bem atribulados. As pessoas acham que a gente fica com tempo mais livre, mas não é bem assim. Eu acordo e já tenho de ajudar meus filhos com “homeschooling”. Faço o dever com as crianças e isso toma bastante tempo. Depois do almoço consigo um tempo para fazer atividade física, mas depois já é hora do jantar, tem de dar banho e colocar as crianças para dormir. Na parte da noite consigo ver um pouco do jornal e saber o que está acontecendo no mundo. Tenho procurado não ficar vendo muito jornal ao longo do dia. A gente se reveza bastante aqui.
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>> close mariana Ximenes relembra dia a dia atribulado das gravações de “A Favorita”, exibida no globoplay
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Jornada intensa
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trama de “A Favorita”, recém-lançada no Globoplay, foi bastante intensa. Apesar das diversas reviravoltas e revelações do enredo, Mariana Ximenes lembra principalmente dos bastidores da novela de João Emanuel Carneiro. Entre as principais memórias da atriz sobre o projeto estão os momentos que foram vividos por trás das câmeras. “A gente tinha um ritmo de gravação muito acelerado e intenso. Lembro que dormi na casa da Claudia Raia (Donatella) diversas vezes. Assim a gente podia estudar as cenas com profundidade e tempo. Eram sequências muito longas e fortes. Foi um exercício lindo como atriz”, explica Mariana, que viveu a confusa Lara na história. “Fiz amizades incríveis nesse trabalho. Eu gosto muito de fazer amigos. Como dizia Jorge Amado: ‘a amizade é o sal da vida’. Feliz de poder rever esse projeto como espectadora”, completa. Lara, que era herdeira de um império de papel e celulose, estava no centro da disputa entre Donatella e Flora, interpretadas por Claudia Raia e Patrícia Pillar. A jovem é fruto de um relacionamento extraconjugal de Flora com Marcelo, papel de Flavio Tolezani. Após cumprir uma pena de 18 anos de reclusão pelo assassinato do amante, Flora deixa a prisão disposta a provar a sua inocência. Ela acusa a ex-parceira, Donatella, de ter cometido o crime. Ao
mesmo tempo, a vilã quer se reaproximar da filha que foi criada pela rival. “A novela tem personagens muito bem escritos e multifacetados. A Lara tinha um conflito muito forte
entre essas duas mães. Quem era a verdadeira mãe? Tinha uma ideia da validação do amor, do afeto materno. Foi uma personagem em que trabalhei bastante a raiva”, aponta.
Para acessar os sentimentos confusos de Lara, Mariana recorreu ao boxe durante a novela. Além disso, a atriz também tinha uma técnica curiosa antes de entrar em cena. Mariana levava uma espuma para os bastidores e socava antes de começar a gravar suas sequências. “O contrarregra segurava enquanto eu socava (risos). Isso me ajudava a entrar em outra temperatura na cena. Eu precisei abrir diversas gavetas de raiva e loucura para interpretar a Lara. Precisava instigar esses sentimentos dentro de mim”, relembra Mariana, que, assim como o público, não sabia quem era a vilã e a mocinha da história. “Descobri lendo os capítulos porque eu precisava gravar, né? Mas, ao longo da novela, comecei a desconfiar. Achei genial toda a construção das atrizes. Difícil guardar um segredo desse porte”, completa. Em quarentena forçada em virtude da pandemia do novo coronavírus, Mariana Ximenes estava pronta para voltar ao ar este ano. A atriz está no elenco de “Nos Tempos do Imperador”, próxima novela das seis. A produção, que já estava em fase de gravações e ia estrear em março, foi adiada por conta das medidas de isolamento social. Na história, ela viverá Luísa, a Condessa de Barral, e será a preceptora das princesas Isabel e Leopoldina, interpretadas por Giulia Gayoso e Bruna Griphao. Ao se mudar para a Corte, a jovem acaba se envolvendo com Dom Pedro II, de Selton Mello. “Estávamos gravando e, de repente, precisamos interromper tudo. Não sei ainda quando vamos voltar aos estúdios, mas a gente vai voltar com certeza”, torce.
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>> ponto de vista
doméstico Universo
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om o fechamento dos Estúdios Globo por conta da pandemia, a emissora e o aplicativo Globopay têm buscado novas formas de produzir em sintonia com os novos tempos. A primeira produção fruto desse período foi o “Sinta-se em Casa”, “pílula” cômica diária protagonizada por Marcelo Adnet. Em seguida, “Sterblitch Não Tem um Talk Show: o Talk Show”, brinca com o formato de programa de entrevista, onde convidados e plateia interagem virtualmente com as ideias mirabolantes e divertidas de Eduardo Sterblitch. Faltava à Globo exercitar na quarentena o que faz de melhor: dramaturgia. E a resposta para essa lacuna surge com “Diário de um Confinado”, série já disponibilizada na íntegra no aplicativo e com exibições garantidas na emis-
sora aberta e no canal pago Multishow, além de “teasers” especiais no GNT. O esquema multiplataforma evidencia o orgulho da Globo com o projeto. Criado por Bruno Mazzeo e Joana Jabace, roteirista e diretora casados desde 2012, a produção, de seis episódios, foca nas mudanças cotidianas provocada pelo coronavírus na vida de Murilo, personagem interpretado por Mazzeo, que resume a montanha-russa de sentimentos, com pitadas de melancolia, paranoias e incertezas que se fazem presentes nos lares mundo afora. Como uma espécie de “lente de aumento”, “Diário de um Confinado” mergulha em questões antes simples, como pedir pizza via aplicativo ou jogar o lixo fora em local apropriado, mas que agora carregam um peso maior com o
medo de uma possível contaminação. O tom da comédia se aproxima muito do utilizado por Mazzeo em um de seus grandes sucessos televisivos, a série “Cilada”, exibida pelo Multishow entre 2005 e 2009, com Murilo “quebrando a quarta parede” e conversando diretamente com o público, que assume o posto de confidente do protagonista. A performance solo de Mazzeo até agrada, mas o papel cresce mesmo quando interage com os outros personagens, especialmente a vizinha propagadora de “fake news”, vivida por Débora Bloch, além da terapeuta com problemas familiares, papel de Fernanda Torres. A presença de nomes do primeiro escalão da Globo confirma o prestígio de “Diário de um Confinado” internamente. Além das Débora e
Série cômica “Diário de um Confinado” inaugura novo método de produzir teledramaturgia Fernanda, nomes como Lázaro Ramos, Arlete Salles, Renata Sorrah e Lúcio Mauro Filho, entre outros, também aparecem em cena. Aparentemente simples, o belo trabalho de edição privilegia o texto e exibe a expertise tecnológica da emissora e da equipe técnica coordenada por Joana Jabace, que garante a unidade artística da produção em termos de cenários, figurinos e fotografia. A mesma sintonia acontece com a direção de elenco, que articula muito bem o desempenho dos atores que trabalharam a partir de videoconferências ou utilizando um kit de gravação disponibilizado pela Globo. O “timing” de humor do texto do Mazzeo nem sempre segura a ação, mas nada que interfira no bom resultado final do projeto de alto teor experimental.
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>>MalHaÇão
Terça – Roney fica furioso com Keyla e Tato. Benê conta a Josefina que Deco é o pai de Tonico. Lica e marta explicam a Felipe e Luís como foi a audiência no conselho tutelar. Samantha sugere a Clara que se insinue para guto. Anderson e Fio elogiam a edição de Ellen do vídeo de apresentação das garotas do Vagão na festa junina. Josefina tenta acalmar Roney, e ele pede para conversar com Tato.
Quarta – Tato impede uma briga entre Key e K2. Samantha convida Clara para ver o clipe banda de Tina. Keyla confronta Roney por t mandado Tato embora. Tina reclama das catrac com Bóris, mas ele afirma não poder resolve problema. mB fala de Keyla para Tina, que fi penalizada com a situação da amiga. Luís insis para marta assinar um contrato com a empre para a qual foi modelo.
globo – 18h15
>>novo MUndo
Segunda – Joaquim se entristece por Anna ter mentido para ele. Licurgo e germana usam seu novo fogão como atração para ganhar dinheiro. Sebastião avisa a Cecília que orozimbo ficou viúvo. Tibiriçá aceita casar Piatã e Jacira. Dalila faz previsões sobre narcisa, com a ajuda de Hugo. greta finge gostar de Diara. Domitila confessa seus planos a Francisco. o verdadeiro comandante maximiliano chega ao Rio de Janeiro. Joaquim e Anna decidem adiar a partida.
Terça – Dom Pedro fica furioso com a chegada de Domitila. Thomas acerta com Querêncio o assassinato de Joaquim. Tibiriçá sente a presença de Thomas na floresta e pede que Piatã o ajude a afastá-lo. Domitila provoca Leopoldina. os jagunços de Thomas se assustam com os barulhos que vêm da floresta. Licurgo e Hugo não conseguem acordar germana e se preocupam. Domitila confirma suas suspeitas sobre isaura e Pedro. Bonifácio alcança Leopoldina na estrada.
Quarta – Leopoldina se afasta de Bonifác Dom Pedro repreende Domitila e se preocupa p não encontrar a princesa no Palácio. Leopoldi enfrenta Dom Pedro. Joaquim e Anna pensa em ir para a Europa. germana desperta e ata Licurgo. greta reclama de Diara para Schultz. Pi tã fala para Joaquim sobre a possível aproximaç de Thomas. na mata, Thomas é picado por u inseto. Domitila manda Rosa divulgar seu roma ce com Dom Pedro. Jacira e Piatã se casam.
>>totalMente deMais 19h15
Segunda – Eliza conta a Arthur que gilda lhe garantiu que não foi Dino quem ligou para ela. Arthur garante a Eliza que irá protegê-la. germano convida Carolina para sair. montanha comemora a vitória de sua equipe de esporte com Wesley e Cascudo. Florisval fica indignado ao ver montanha beijar Rosângela. Jeniffer conta a Florisval que Cascudo sofre agressões de Durão. Arthur leva um susto ao ver germano na casa de Carolina.
Terça – Arthur acusa Carolina de ter seduzido germano para ajudá-la a vencer a prova contra ele. Carolina expulsa Arthur de casa. montanha avisa ao inspetor da escola que denunciará Durão. germano se entristece ao ver Lili com Rafael e afirma a Zé Pedro que reconquistará a ex-esposa. Eliza se surpreende ao ver Jonatas e Leila juntos na festa. germano estranha a aproximação entre Jonatas e Leila. Leila beija Jonatas na frente de Eliza.
Quarta – Rafael vê max sendo agredido e socorre. max revela a Lu que foi agredido. Lore publica uma foto de Arthur com Eliza, para pr vocar Carolina. Jonatas chega em casa, lemb de Eliza na festa e acha que a perdeu para semp gilda ouve quando Cordeiro avisa a Dino que e perderá o bar se não pagar o que lhe deve. Arth se preocupa com as fotos de Eliza na praia. gil se desespera ao descobrir que Dino penhor todos os seus bens. gilda pede dinheiro a Eliza
>>Fina estaMpa
Segunda – Rafael se desespera ao não conseguir falar com Amália, que é socorrida por uma ambulância após seu acidente de carro. griselda avisa a Celeste e Vilma sobre o acidente de Amália, e as duas partem para o hospital. Juan conforta Chiara. Tereza Cristina avisa a Crô que Pereirinha irá morar com ela. no hospital, Amália tem uma melhora e anuncia a Rafael e griselda que está grávida.
Terça – Rafael afirma que se casará com Amália. Pereirinha comenta com Enzo que tem planos para Tereza Cristina. Rafael e griselda se espantam quando Amália diz que havia uma cobra em seu carro. Zambeze tenta descobrir o que está acontecendo com Álvaro. Íris passa mal depois de falar com Luana, e Alice se comove. Renê estranha a ausência de Fred no restaurante. Tereza Cristina ameaça empurrar Fred da escada, mas ele se assusta e acaba caindo.
Quarta – Íris invade a casa da sobrinha e n percebe a presença da polícia. Antenor tenta aproximar de Patrícia. Crô fica inconsolável co a morte de Fred. griselda conta para Renê q Amália está grávida e se casará com Rafael. J an discute com Chiara por causa de Fábio e L tícia. Rafael chega para trabalhar na Fashio motos. Renê e griselda vão buscar Amália hospital. Tereza Cristina descobre que Barins é o falso investidor do Brasileiríssimo.
Até o fechamento da edição, a emissora não divulgou o resumo do capítulo.
Até o fechamento da edição, a emissora não divulgou o resumo do capítulo.
Até o fechamento da edição, a emissora n divulgou o resumo do capítulo.
globo. – 21h
globo – 17h35
Segunda – Keyla pede para conversar com Roney. o conselheiro indaga Lica e se surpreende com suas revelações. Dóris se preocupa com a reação de Benê ao receber uma advertência. Clara dispensa Felipe. Samantha e guto pensam em formar uma dupla musical. marta teme que Lica não se relacione mais com o pai. malu se recusa a ajudar Bóris com os alunos. Ellen acalma Benê.
>>as aventUras de poliana SBT - 21h
reSumo daS novelaS
ACESSE
televisão 7
Domingo, 5 de julho de 2020
yla da ter cas ro ica ste esa
Quinta – Keyla não consegue responder Tato, e ele decide ir embora. Valdemar afirma a Roney que precisa de um ajudante na lanchonete. marta e Lica conversam sobre a terapia. Tato chega à casa de Aldo e fica desolado. Leide e marta concordam com o término do namoro de Lica e mB. Fio implora para Ellen lhe dar aula de matemática. Lica volta para o colégio, e Tina a convence em não arrumar confusão.
Sexta – Keyla se preocupa com Tato. A professora de matemática sugere que Ellen seja a representante do colégio nas olimpíadas. Felipe sente ciúmes de mB e Lica. Aldo exige que Tato conte a ele por que saiu da casa de Roney. Keyla, Lica, Tina, Ellen e Benê decidem criar um canal para lançar o clipe da banda na internet. guto insiste para Benê não parar de tocar piano. mB e Clara ficam furiosos ao ver Lica e Felipe se bei-
jando.
cio. por ina am aca iação um an-
Quinta – Joaquim não se conforma de ter que deixar o Brasil. Piatã cuida de Tibiriçá. Hugo e Elvira se beijam. matias avisa a Libério que o casamento de Cecília foi marcado e ele decide fugir com a amada. Leopoldina gosta de ver Domitila sendo ignorada pelo povo. greta tenta se aproximar de Ferdinando. Joaquim e Anna se amam. Dom Pedro repreende Domitila por tentar disputar o amor do povo com Leopoldina. greta pensa em procurar Ferdinando.
Sexta – Domitila pede que Rosa avise a Dom Pedro sobre o ataque. Dom Pedro decide dar um título de nobreza a Domitila. greta pede para Ferdinando acompanhá-la a um passeio pela mata. germana se insinua para Hugo. Anna reclama com olinto de ter que abandonar sua vida por causa de Thomas. Piatã faz um ritual de cura com Tibiriçá. Elvira se disfarça e vai à taberna encontrar Hugo. Sebastião decide fazer o casamento de Cecília em sua casa e Libério se desespera.
Sábado – Joaquim é preso. Anna afirma a olinto que desembarcará no Rio de Janeiro. Cecília e Libério combinam de casar assim que Sebastião viajar. Diara se espanta ao saber que greta sairá com Ferdinando. Domitila recebe dinheiro de um fazendeiro para manipular Dom Pedro. greta diz que ajudará Ferdinando com suas pesquisas. Thomas exige que seus homens encontrem Anna. Joaquim presta depoimento a Egídio. germana vê Hugo beijar um homem.
eo ena robra pre. ele hur lda rou a.
Quinta – mirthes avisa a gilda que germano não poderá recebê-la. Fabinho convida Débora para ir ao cinema. germano fica surpreso ao saber que gilda o procurou na Bastille e comenta com Zé Pedro sobre seu envolvimento com a mãe de Eliza. gilda decide ver Eliza, e maurice a recebe na casa de Arthur. Euzébia confirma para germano que gilda esteve na mansão. Arthur e Eliza trocam confissões e se beijam.
Sexta – Arthur se oferece para emprestar dinheiro a gilda. Lu vê Rafael e Lili juntos e ofende o casal. Lili expulsa germano de sua casa, depois que o ex-marido confessa que a traiu com gilda. Eliza comenta com a mãe que gostou de beijar Arthur. Eliza chora ao ouvir maurice incentivar Arthur a apenas se divertir com ela. Eliza flagra uma conversa entre natasha, Carolina e Daniele, que comentam que Arthur deseja ter todas as mulheres à sua disposição.
Sábado – Eliza vence a etapa do concurso com a foto de praia, e Cassandra é eliminada. Eliza decide deixar a casa de Arthur para morar com max e Lu. maurice pede a Severino que o leve a Campo Claro para rever gilda. Cassandra ameaça contar para germano sobre as tentativas de Carolina de fazer com que Eliza saísse do concurso. Carolina inclui Cassandra como modelo em uma edição de sua revista. gilda se apavora ao ver maurice no bar de Dino.
não se om que JuLeon no ski
Quinta – Tereza Cristina trama contra Quinzé. Teodora consegue um comprador para as miniaturas. Esther comemora sua volta à Fio Carioca, e Paulo se incomoda ao ver Vitória. Wallace repreende Leandro pela falta de disciplina no treinamento. guaracy fica enciumado ao saber que Esther trabalhará novamente com Paulo. griselda comenta com Vilma que só conhece uma pessoa capaz de deter Tereza Cristina.
Sexta – Danielle tenta convencer glória a não contar para Beatriz que ela é a mãe biológica da filha de Esther. Tereza Cristina descobre quem é a verdadeira investidora do Brasileiríssimo. glória conta para Edvaldo sobre a filha biológica que Beatriz teve com guilherme. Antenor fala para griselda que Tereza Cristina possui um grande segredo. griselda afirma a Renê que precisa descobrir o segredo de Tereza Cristina.
Sábado – Renê diz que não sabe o segredo de Tereza Cristina e pergunta se griselda esconde alguma coisa dele. Celeste e Vilma convencem a amiga a contar a verdade para Renê. Renê Junior garante a griselda que seu pai deixará a casa da madrasta, e ela deduz que Tereza Cristina descobriu o seu segredo. griselda manda Severino impedir a entrada de Tereza Cristina no Brasileiríssimo. glória marca um encontro com Beatriz na pizzaria.
não
Até o fechamento da edição, a emissora não divulgou o resumo do capítulo.
Até o fechamento da edição, a emissora não divulgou o resumo do capítulo.
ACESSE
8 televisão
Domingo, 5 de julho de 2020
Pausa vital
P - Seu par romântico com a Sheron Menezzes foi um dos pontos altos da trama. Como foi essa parceria? R - Sheron é uma grande parceira. Ela se entrega ao papel, compartilha a cena de forma generosa, além de ser encantadora. Se descobriu grávida no início da trama, então convivi com a gestação do Benjamin e pude sentir os diversos chutes que ele dava dentro da barriga dela. A dupla formada por Wolfgang e Diara teve um lado emocional muito forte, acho que foi isso que encantou o público.
>> CINCO
PERGUNTAS: Destaque na reprise de “Novo Mundo”, Jonas Bloch exalta o amor na maturidade do nobre Wolfgang
J
onas Bloch usa a idade a seu favor. Aos 81 anos e com mais de cinco décadas de carreira, ele aprendeu, entre altos e baixos, a importância de garantir a autonomia artística. Depois de anos contratado por emissoras, o ator vive, desde 2015, a liberdade de fazer apenas o que quer. Trafegando com desenvoltura pelo cinema, teatro e tevê, ele foi surpreendido pela pausa forçada promovida pela pandemia de coronavírus. Dentro de casa e com tempo de sobra, Jonas tem se dedicado às Artes Plásticas e se divertindo com a reprise de “Novo Mundo”, novela exibida originalmente em 2017, onde vive o nobre Wolfgang. “Tenho ótimas lembranças dos bastidores da novela e agora estou tendo a oportunidade de realmente acompanhar a trama. É uma bela produção que acerta ao abordar nossa história de forma aventureira e cheia de grandes paixões”, analisa. Mineiro de Belo Horizonte, Jonas estreou na tevê em “Algemas de Ouro”, sucesso exibido pela extinta Tupi, em 1969. Com passagens pela Manchete, Band e SBT, foi na Globo e na Record que o ator desenvolveu grande parte de sua carreira. Na primeira, ganhou popularidade a partir de novelas como “Sem Lenço e
Sem Documento”, “Pai Herói” e “Top Model”. Aos poucos, viu os bons personagens minguarem e resolveu assinar com a Record, em 2006, onde atuou em tramas como “Bela, a Feia” e “José do Egito”. “Contrato é como um casamento. A gente faz trabalhos legais e outros nem tanto”, ressalta, entre risos. De volta à Globo em “Sete Vidas”, Jonas tem se surpreendido com os convites que vem recebendo na emissora. “Acho que nunca trabalhei tão feliz na Globo. E ainda tenho tempo para fazer outras coisas fora sem qualquer pressão. Então, está tudo certo”, celebra. P - Desde que voltou para a Globo, em 2015, você está sempre envolvido com alguma produção. Como tem encarado essa pausa nos trabalhos provocada pela pandemia? R - A emissora tomou a melhor decisão. Realmente, não
faria muito sentido trabalhar com medo. Tenho 81 anos e sou total grupo de risco (risos). Estou isolado em casa, mas mantendo a mente produtiva. Tenho desenhado muito, ajudado bastante nas tarefas domésticas, praticado exercícios, lendo, conversado com a família e amigos por chamadas de vídeo e assistindo diversas séries e filmes, além da reprise de “Novo Mundo”. P - Como você recebeu a notícia da volta do folhetim ao horário das seis? R - Acho que a novela veio em uma boa hora. “Novo Mundo” aborda temas atuais, como o respeito aos direitos indígenas, a questão ambiental, racismo e representatividade feminina. Além disso, traz informações sobre a história do nosso país com uma dramaturgia muito bem construída. Foi um trabalho realmente especial.
P - Em que sentido? R - Tem muita gente preconceituosa que não admite que um idoso possa amar uma pessoa mais jovem e ser verdadeiramente correspondido. Acham que é sempre uma questão financeira. É triste saber que muita gente pensa que o fato de uma pessoa envelhecer a torna inútil e inválida. Além disso, era uma relação interracial em um período escravista. O contexto histórico pesava contra eles, mas o sentimento era autêntico. P - Do alto de seus 81 anos, você acredita que a tevê tem valorizado mais os talentos veteranos? R - O mercado está mais aquecido. Tudo isso por conta dos investimentos em teledramaturgia na tevê fechada e no “streaming”. Com isso, Globo, Record e SBT tiveram de se mexer para não perder todo mundo. Acredito que o elenco mais maduro tem mais espaço nas tramas atuais. O idoso parou de ser apenas alguém invisível e secundário dentro da trama e agora tem histórias próprias para contar. Estou cheio de convites para depois da quarentena e isso é realmente estimulante.
Domingo, 5 de julho de 2020
>> raio x Em “Reality Z”, Pierre Baitelli encara uma trama de terror na pele do policial dúbio Robson
Lá e cá
C
ada vez mais, Pierre Baitelli tem se dedicado ao mercado de séries no Brasil. A última que estreou com o ator no elenco, no entanto, marcou uma experiência única em sua carreira. Além de se tratar de uma obra de terror, “Reality Z”, da Netflix, também deu ao intérprete do ambíguo Robson a chance de viver um policial na tevê. “Assisti a filmes sobre o gênero policial e de zumbi, pesquisei sobre cocainômanos, fiz workshops de lutas coreografadas e, claro, umas aulas de tiro que se tornaram muito úteis durante as filmagens”, conta o petropolitano de 36 anos. Um dos pontos que mais empolgaram o ator nesse trabalho foi o fato de Robson ser um homem que transita entre a maldade e o heroísmo. “Robson é instigante, um policial de moral corrompida, com vício em cocaína, mas também com alguma dose de carisma. Com a moral distorcida, acha que sua autoridade, principalmente com a posse de uma arma, lhe permite dar lições nos outros. Ao mesmo tempo e, em meio ao apocalipse, se mostra um guerreiro nato, com ações nobres e corajosas ao defender companheiros de batalha”, defende. Além do trabalho em “Reality Z”, Pierre ainda pode ser visto na reprise de “Jesus”, no ar na Record. Na história, ele interpreta Natanael Bartolomeu, um dos apóstolos do
personagem-título, vivido por Dudu Azevedo. “Poder ajudar a contar uma história tão importante foi gratificante. Ver que esse trabalho tem alcance em tantos países só confirma a universalidade da fé e como ela move o ser humano”, valoriza ele, que interrompeu dois trabalhos em função da quarentena. “Foi a produção e a montagem de ‘O Coração Normal’, texto do premiado autor ame-
ricano, Larry Kramer, um projeto de teatro que tenho com o ator Arlindo Lopes, e as filmagens da série ‘O Anjo de Hamburgo’, com direção de Jaime Monjardim e coprodução da Globo Filmes e Sony Internacional, onde interpreto um soldado nazista”, conta. Nome completo: Pierre Lacerda Baitelli. Nascimento: 11 de novembro de 1983, em Petrópolis.
televisão 9 Atuação inesquecível: O Escobar, da minissérie “Capitu”, exibida pela Globo em 2008. Interpretação memorável: Viola Davis como a Rose de “Um Limite Entre Nós”, filme dirigido por Denzel Washington e lançado em 2016. Um momento marcante na carreira: “Concorrer ao Prêmio Shell de Teatro, quando eu tinha 26 anos, junto a nomes como Marco Nanini e Paulo Betti”. O que falta na televisão: “Atores pretos”. O que sobra na televisão: “Repetição de elenco”. Com quem gostaria de contracenar: Fernanda Montenegro. Se não fosse ator, seria: “Guia ecológico, porque amo natureza”. Ator: Joaquim Phoenix. Atriz: Drica Moraes. Novela: “Avenida Brasil”, exibida pela Globo em 2012. Vilão marcante: Flora, personagem de Patrícia Pilar, na novela “A Favorita”, exibida pela Globo em 2008. Personagem mais difícil de compor: Robson, de “Reality Z”, da Netflix. Que novela gostaria que fosse reprisada: “Que Rei Sou Eu?”, exibida pela Globo em 1989. Que papel gostaria de representar: Algum personagem de Harold Pinter, ator, diretor, poeta, dramaturgo e ativista político britânico, que morreu em 2008. Filme: “Melancolia”, escrito e dirigido por Lars von Trier e lançado em 2011. Autor: Valter Hugo Mãe. Diretor: Pedro Almodóvar. Mania: De acumular plantas. Medo: “De perder meus pais”. Projeto: “Viabilizar a montagem de ‘O Coração Normal’”.
10 televisão
>> inside Baseada no longa homônimo, a série “Cine Holliúdy” exalta a arte do cinema brasileiro
Domingo, 5 de julho de 2020
Arte de resistência
O
entretenimento é, sem dúvidas, uma das áreas mais afetadas pela pandemia do novo coronavírus. Para se manter ativa, a indústria tem utilizado a internet para seguir próxima do público. E é justamente sobre a resistência artística que a trama de “Cine Holliúdy”, que reestreia na próxima terça, dia 7, é pautada. A série baseada no longa-metragem homônimo escrito e dirigido por Halder Golmes mostra a luta de um pequeno cinema do interior para se manter de pé com a chegada da televisão à cidade. “Acho muito importante esta obra estar de volta e poder entrar na casa do povo brasileiro com algo tão leve, mas também tão importante no sentido da resistência, já que a história fala da resistência do cinema frente à televisão. Em casa, também estamos tentando inovar, estamos resistindo e tentando achar uma nova forma de nos comunicarmos com o público, seja através da música, da poesia, das lives, dos reencontros e até do audiovisual mesmo”, valoriza Patrícia Pedrosa, diretora artística. Gravada em 2017 na cidade de Areias, no interior de São Paulo, “Cine Holliúdy” se passa em um Ceará da década de 1970. Para isso, o município de cerca de 4 mil habitantes recebeu, por três meses, um verdadeiro mutirão para transformar as fachadas de prédios e da praça central e deixá-las mais coloridas e conectadas às
referências da época. Apesar da trama leve e bem humorada, a série faz uma série de críticas aos diversos sistemas sociais e políticos do Brasil. “O brasileiro está precisando rir de si mesmo e, com a agressividade que temos hoje, isso não tem acontecido. Eu acho que o humor e, principalmente, essa paródia que 'Cine Holliúdy' propõe, vão ajudar o brasileiro a se olhar um pouco e entender o que está acontecendo com a gente em vários ní-
veis da nossa sociedade. Essa reprise vai ser muito boa e didática para todos nós. Além da alegria de rever”, afirma Márcio Wilson, que assina o texto ao lado de Claudio Paiva. Assim como no longa original, a série é protagonizada por Francis, papel de Edmilson Filho. Dono da única sala de cinema da fictícia Pitombas, ele vê o faturamento da bilheteria cair com o sucesso da recém-chegada televisão, que foi instalada na praça da cida-
de. Para chamar a atenção do povo novamente, Francis passa a produzir filmes falados em “cearensês” para agradar ao público. “Francis é um personagem que me acompanha desde 2004. É dedicado, sonhador, muito brasileiro. E eu tenho a sorte de fazê-lo na tevê e no cinema também. Saber do retorno da série à tevê foi uma surpresa e me deu uma felicidade muito grande. Eu fiquei muito satisfeito por ver que é uma produção que está retornando por sua qualidade”, afirmou Edmilson. Enquanto tenta salvar o cinema, Francis se encanta por Marylin, papel de Letícia Colin. A jovem chega de São Paulo a contragosto, mas se apega à pequena cidade ao virar a estrela dos filmes de Francis. “Aprendi demais nessa série que tanto tem a ensinar a gente. A Marylin é uma personagem que é salva pela arte, pelo cinema. E ela descobre que pode se desenvolver nesse ofício que é atuar. E a gente vê nessa história a força resistente do cinema, que é muito atual”, defende Letícia, que também pode ser vista na edição especial de “Novo Mundo”, em que vive a princesa Leopoldina. A série também conta com Heloisa Perissé e Matheus Nachtergaele, que vivem prefeito e primeira-dama da cidade, Olegário e Maria do Socorro. O projeto foi o último trabalho da atriz na tevê recentemente. Com 10 episódios, a produção também tem as participações de Ney Latorraca, Chico Diaz, Ingrid Guimarães, Miguel Falabella, Rafael Infante, Falcão e Bruno Garcia. “A Maria do Socorro foi um personagem muito importante na minha carreira. A série realmente tem um lugar muito especial no meu coração”, vibra Heloísa.
televisão 11
Domingo, 5 de julho de 2020
>> BASTIDORES Elegante e emocional, “Laços de Família” completa duas décadas de exibição e entra no catálogo do Globoplay
Amores imperfeitos
A
quarentena em virtude do novo coronavírus acelerou e aproximou muitas pessoas da internet. A “web”, inclusive, foi a saída para que muitas equipes se mantivessem ativas durante o período de isolamento social. Eduardo Sterblitch, no entanto, buscou inspiração nos primórdios da internet para criar o projeto nonsense “Sterblitch Não Tem Um Talk Show: O Talk Show”, exibido pelo Globoplay. Foi durante a época do IRC, programa precursor dos aplicativos de conversa que existem atualmente, plataforma onde Sterblitch e o redator André Gribel, amigo de infância do humorista, tinham uma web rádio, com vinhetas personalizadas e um grupo de ouvintes. A experiência em produzir, criar e conduzir um programa de rádio que interagia diretamente com o público conferiu a Edu a expertise para comandar o projeto do Globoplay diretamente de sua casa atualmente. “Eu comecei a me interessar por esse mundo naquela época, aprendendo a editar áudio para a web rádio. O Gribel, que já era um cara ligado nesse universo de rádios, me ajudou e daí em diante não parei mais. Fui aprimorando as técnicas de acordo com a evolução da internet”, explica Sterblitch. Gribel, além de fazer parte da equipe de roteiristas, também comanda com Sterblitch a parte técnica do programa. Para o roteirista, a grande dificuldade do projeto está em produzir um programa completo de forma totalmente remota. “Toda a equipe
de TI que um programa de tevê teria em outras circunstâncias, no nosso caso, se resume a três pessoas. Antes da pandemia, cheguei a ir na casa do Edu configurar softwares, ligar os cabos na mesa de som, mesa de efeitos, etc. Com o projeto do programa e o afastamento social, todo o suporte que dou para o Edu é remoto, desde testes até a programação do espelho da produção”, revela. Sozinho e diretamente de sua casa, Sterblitch fica responsável por operar os equipamentos de imagem, som e iluminação, como refletores softbox, refletores
RGB para efeitos de luz, além de spots para iluminar o fundo, que é todo em chroma key. Para o áudio, tem um módulo de efeito para voz, mesa de áudio com 12 canais, entre outros recursos, além de dois computadores e um tablet ligado às suas redes sociais. Além de apresentar, criar e escrever, Edu ainda edita o programa. “Acho que essa pode ser uma forma de a gente lidar com essa pandemia de um jeito criativo, e não ficar só consumindo a informação que chega a nós. Esse momento de isolamento social também é uma oportunidade para darmos chance à nossa cria-
tividade, de se conectar, de interagir”, valoriza Sterblitch. A produção também conta com a direção de Rafael Queiroga. Funcionando como um maestro da produção, Queiroga compara a participação de Sterblitch com a de um DJ ao longo de uma festa. “O programa tem sim essa alma de rádio e de aproximação com as pessoas. Digo isso também porque o público pode ver o equipamento e percebe que ele está no comando e coordena o que vai acontecer no momento seguinte. Se isso existe, podemos chamar o Edu de um DJ da internet”, conclui o diretor.
12 televisão
Zapping
Domingo, 5 de julho de 2020
>> por Caroline Borges
Trama de aprendizados As discussões políticas estão cada vez mais intensas. Por isso mesmo, André Dias acredita que a trama de “Novo Mundo” voltou ao ar em um momento bastante oportuno. O folhetim exibe uma edição especial por conta da paralisação dos Estúdios Globo, localizados no Rio de Janeiro. “É uma novela que trata sobre a formação sociopolítica do nosso povo. Frente ao que estamos vivendo hoje em dia é muito importante que as pessoas entendam como a formação do Brasil aconteceu para que a gente possa ter uma noção mais ampla do que nós mesmos somos”, explica André, que interpreta o invejoso Patrício. “Foi o meu primeiro trabalho em tevê, do início ao fim, e meu primeiro contrato. Costumo dizer que 'Novo Mundo' foi um aprendizado do veículo. Passei um ano dentro de um estúdio de televisão aprendendo a realizar esse veículo. Esse é o lugar que Patrício vai ter sempre na minha vida. Meu primeiro papel em televisão”, completa.
Amigos em cena
Após participarem de algumas novelas na Globo, Bruno Fagundes e Felipe Hintze fizeram sua estreia como youtubers com o projeto “Amigo É Bom, Mas Dura Muito”. A produção é um canal de humor sobre dois amigos que têm tanta intimidade, que se colocam em situações constrangedoras, evidenciando que se conhecem demais, expondo assim suas fragilidades, humor, provocações e percalços da profissão que têm em comum. “Percebemos que o nosso engajamento triplicava quando postávamos conteúdo juntos. As pessoas respondiam pedindo mais vídeos da dupla”, explica Bruno, que é filho do também ator Antonio Fagundes. A primeira temporada está programada para ter oito episódios, que foram gravados antes da pandemia. Camila Queiroz e Klebber Toledo são algumas das participações especiais.
Trama infantil
A estreia da reprise de “Floribella” foi adiada. Inicialmente prevista para julho, a novela infantil não tem data para ir ao ar. A produção foi adiada por conta do novo coronavírus. O folhetim é protagonizado por Juliana Silveira e Roger Gobeth.
De fora
Manu Gavassi não participará de “Salve-se Quem Puder”. Após participar do “Big Brother Brasil”, a atriz pretende focar em sua carreira musical. A nova fase da novela de Daniel Ortiz contará, no entanto, com Babu Santana e Rodrigo Simas. A trama ainda não tem data definida para voltar ao ar.
Novos hóspedes
As inscrições para o “Big Brother Brasil 21” foram reabertas no site do programa, no Gshow. Os candidatos serão divididos pela região onde moram – Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e CentroOeste – e não mais por cidades específicas. Após as inscrições, aqueles que forem escolhidos terão suas entrevistas realizadas virtualmente.
Sucesso juvenil
A partir desta segunda, dia 6, o Globoplay passa a disponibilizar a novela “Estrela Guia”, protagonizada por Sandy e Guilherme Fontes. A obra, de 2001, foi a segunda experiência de Sandy e Junior em um projeto de teledramaturgia. Em 1997, a dupla já havia feito o seriado “Sandy & Junior”, disponível na íntegra no catálogo do serviço de “streaming”.
Em sequência
A carreira na tevê de Camila Queiroz ainda é curta, mas intensa. Logo após estrear em “Verdades Secretas”, a atriz emendou o folhetim das 23 horas com a trama de “Êta Mundo Bom!”. A atriz começou a gravar a novela protagonizada por Sergio Guizé uma semana após o fim de “Verdades Secretas”. “Foi um novo desafio para mim, afinal eu vinha de uma personagem totalmente oposta à Mafalda e que carregava muita intensidade. Tive que me desconstruir e construir a Mafalda em pouquíssimo tempo. Tive o apoio da direção e do elenco”, explica Camila, que voltou ao ar como inocente Mafalda no “Vale a Pena Ver de Novo”.