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JornalCana 364 (Agosto/Setembro 2026)

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índice

ANÁLISES

A edição 364 do JornalCana traz análises, publicadas por ordem alfabética, escritas com exclusividade por empresários e especialistas. Entre elas estão:

Arnaldo Corrêa consultor e professor de gestão de risco em commodities agrícola, discorre sobre a eliminação do Brasil na Copa do Mundo: “a seleção virou o espelho do país: vive da glória do passado, acredita que tradição substitui competência e insiste em imaginar que o mundo ainda a enxerga como referência absoluta.” 6

Arnaldo Jardim Deputado Federal, Coordenador da Coalizão Biocombustívei, destaca a Lei Combustível do Futuro, de cujo projeto de lei foi relator: “um pacto suprapartidário que une o poder público, a iniciativa privada, a ciência e o campo em prol de uma economia de baixo carbono, dando protagonismo mundial ao Brasil.” 8 O advogado tributarista Fábio Calcini escreve sobre os impactos da Reforma Tributária - que vigora em 1º de janeiro próximo - sobre o setor bioenergético 10 e 11

Josias Messias, CEO da Pro-Usinas JornalCana, detalha sobre um tema prioritário: o crescimento do mercado bioenergético com etanol de milho, biometano e SAF. E questiona: “Sua usina vai capturar esse valor?” 12

Marcelo Gauto, Químico Industrial, PhD; especialista em negócios de energia, destaca: “a capacidade de demonstrar, com rigor e consistência, como se produz passa a definir quem terá acesso aos mercados mais exigentes e aos fluxos de capital que sustentam sua expansão.” 14

Mário Campos e Carina Ferreira da Siamig, escrevem sobre a subvenção à gasolina e “diferencial competitivo dos biocombustíveis: uma leitura do artigo 225 da Constituição Federal.” 16 e 17

MERCADO

Produção acelerada de etanol é novo extra

Será preciso ampliar a demanda, já que, segundo estudo, a safra na região CentroSul deve ir a 28,4 bilhões de litros 20

Biocombustível registra ampliação de mercado Etanol começa a ser empregado como combustível de navios porta-contêineres 24

CAPA

HidroVapor investe em estoque de válvulas especiais para atender demanda crescente por parte das usinas 26 e 27

GERAL

Previsão de Super El Niño reforça urgência de adaptação climática no agronegócio 28

EVENTOS

41º Simpósio da Agroindústria da Cana, realizado em Maceió (AL), colocou no centro dos debates o futuro da agroindústria canavieira. Em paralelo, foi realizada a 20ª Feira Regional Sucroenergética (Fersucro) 44 e 45

“Eu irei adiante de ti, endireitarei os caminhos tortuosos, quebrarei as portas de bronze, despedaçarei as trancas de ferro; dar-te-ei os tesouros escondidos e as riquezas encobertas, para que saibas que eu sou o Senhor, o Deus de Israel, que te chama pelo teu nome.”

Isaías 45:2,3

ISSN 1807-0264

+55 16 99635-3205

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Presidente Josias Messias josiasmessias@procana.com.br

Ribeirão Preto | SP | Brasil atendimento@procana.com.br Lucas Messias Mateus Messias João Pedro Messias presidente@procana.com.br

NOSSA MISSÃO

“Desenvolver o agronegócio bioenergético, disseminando conhecimentos, estreitando relacionamentos e gerando negócios sustentáveis”

MÍDIA IMPRESSA MÍDIA DIGITAL

carta ao leitor

Mais um ano de resiliência

A instabilidade dá o tom na economia neste 2026 marcado por eleições no Brasil e de tarifaço do Governo Trump, para se ficar em dois exemplos.

Por sua vez, a safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul seguiu acelerada nos primeiros sete meses do ano, seja pela estiagem, seja pelo receio das consequências do El Niño fortificado, que deve gerar chuvas atípicas já em outubro, o que impedirá o trabalho mecanizado nos canaviais.

No Norte e Nordeste, onde o ciclo 2026/27 começou em agosto, a previsão é de moagem perto de 60 milhões de toneladas de cana, mesmo que a qualidade da matéria-prima seja prejudicada pela seca extrema provocada pelo fenômeno climático.

No caso das usinas de etanol de milho, a tendência é de produção de 10 bilhões de litros nesse ano em que o mercado global de açúcar registrou preços baixos e há dúvidas sobre a plena produção da safra na Índia, segundo maior produtor do adoçante e cujo ciclo oficialmente tem início em outubro.

Em resumo, o setor bioenergético brasileiro mais uma vez mostra-se resiliente. E, no curto prazo, o horizonte promete mais motivos para que essa resiliência persista.

É o caso da Reforma Tributária, que oficialmente começa a entrar em vigor em 1º de janeiro de 2027.

Regulamentada pela Lei Complementar n. 214/2025 e por normas complementares que seguem sendo editadas, a Reforma substitui tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS pelos novos Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de Estados e Municípios, sob a lógica de um IVA dual, não cumulativo e com cobrança “por fora”.

“Para o setor sucroenergético — intensivo em insumos, contratos agrários e exportações —, compreender esse novo desenho é questão de competitividade”, escreve o advogado tributarista Fábio Calcini, um dos especialistas com análises publicadas nesta edição do JornalCana.

Calcini indica que o ecossistema bioenergético pode aproveitar o que o regime atual ainda permite (até 31/12/2026). “Enquanto vigora o PIS/Cofins, há uma última janela para revisar, sempre dentro da legalidade e respeitado o prazo de cinco anos, oportunidades ainda não aproveitadas”, escreve.

Por sua vez, Mário Campos e Carina Ferreira, da Siamig, entidade representativa do setor, destacam, em sua análise, o destrato que a Medida Provisória nº 1.358, de 13 de maio de 2026, promove para com o setor bioenergético.

Editada para conter o repasse da alta internacional do petróleo aos preços internos, a Medida autorizou a devolução a produtores e importadores de gasolina de valor equivalente aos tributos federais incidentes por litro, condicionada à redução do preço final.

Enquanto essa edição do JornalCana era concluída, no fim de julho, a Medida Provisória nº 1.358 seguia em vigor.

Enfim, seja com El Niño fortificado e pelo subsídio ao fóssil, ou pela chegada da Reforma Tributária, o setor novamente está pronto para revelar-se resiliente. Boa leitura.

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A Seleção Brasileira: O Retrato do Brasil?

ARNALDO CORRÊA*

É perigoso tirar grandes conclusões no calor de uma derrota. Mas, às vezes, a derrota apenas ilumina uma realidade que já estava diante dos nossos olhos há muito tempo.

A eliminação da seleção brasileira no Mundial de 2026 talvez seja menos um fracasso esportivo e mais um diagnóstico nacional. A seleção virou o espelho do país: vive da glória do passado, acredita que tradição substitui competência e insiste em imaginar que o mundo ainda a enxerga como referência absoluta.

Faz 24 anos que o Brasil não conquista uma Copa do Mundo. Daqui a pouco serão 28. Não é um acidente. Não é azar. É consequência.

Enquanto outras escolas de futebol investiram em categorias de base, formação de treinadores, gestão, ciência do esporte e planejamento de longo prazo, nós continuamos acreditando na velha tese de que “sempre aparecerá um craque para resolver”. Não apareceu. Aliás, o futebol brasileiro parece ter adotado exatamente a mesma filosofia que tomou conta de boa parte da sociedade: a cultura do atalho.

Vivemos a era do sucesso instantâneo. Muitos jovens já não sonham em ser engenheiros, médicos, pesquisadores ou empresários. Sonham em viralizar um vídeo, virar influenciadores ou enriquecer fazendo apostas online. A meritocracia foi substituída pela loteria digital. Estudar virou opcional. Trabalhar duro parece antiquado. A disciplina perdeu espaço para o algoritmo.

E o pior é que boa parte dos ídolos esportivos ajuda a alimentar essa fantasia. São garotos milionários promovendo plataformas de apostas para adolescentes na maioria das clas-

ses menos privilegiadas que acreditam que riqueza pode ser construída apertando um botão no celular.

A mensagem é devastadora.

Enquanto o atleta levou vinte anos treinando para chegar ali, o comercial vende a ilusão de que o sucesso depende apenas de uma aposta bem-feita.

No fundo, a seleção apenas reproduz o ambiente do qual saiu.

Meu primeiro jogo na Vila Belmiro foi em 12 de março de 1969. Eu tinha dez anos, matei aula e fui assistir ao Santos enfrentar o São Bento de Sorocaba. Vitória por 4 a 2, com dois gols do Pelé. Em campo estavam também Carlos Alberto, Joel Camargo e Edu, futuros tricampeões do mundo. Era outro futebol.

Não porque os jogadores ganhassem menos dinheiro, mas porque pareciam jogar por algo maior do que eles próprios. Havia orgulho, comprometimento e uma entrega que hoje parece artigo de museu.

Tive o privilégio de ver Pelé jogar ao

vivo. Depois dele, talvez o melhor jogador que vi tenha sido Neymar em sua primeira passagem pelo Santos. Vi Maradona apenas uma vez. Messi é um gênio.

Mas Pelé pertencia a outra dimensão. Lembro de uma história deliciosa envolvendo meu amigo Tito Biagi, da Usina Batatais, que escreveu um livro afirmando ter marcado mais gols que Pelé. Mandou um exemplar ao Rei. O que fez Pelé?

Respondeu pessoalmente. Gravou um vídeo, parabenizou o Tito e ainda brincou com a situação.

Era isso que fazia um gigante. Hoje, muitos jogadores descem do ônibus usando fones de ouvido do tamanho de uma roda de trator, cercados por seguranças, sem olhar para a torcida, sem distribuir um autógrafo e convencidos de que representam uma espécie superior da evolução humana. Celebridade nunca foi sinônimo de grandeza.

Aliás, lembrei de uma das melhores respostas da história do futebol. Perguntaram ao Rivelino quanto a sele-

ção de 1970 venceria a atual.

“Um a zero.” O repórter estranhou: “Só isso?”

Rivelino respondeu: “É que nós já passamos dos setenta anos.”

Difícil resumir melhor a situação.

No mercado de commodities existe uma regra implacável: tradição não garante prêmio eterno. Um exportador pode liderar o mercado durante décadas. Se deixar de investir, perder produtividade e acreditar que fama substitui eficiência, será ultrapassado.

Foi exatamente isso que aconteceu com o futebol brasileiro.

Continuamos vendendo lembranças de 1958, 1962, 1970 e 2002, enquanto os concorrentes passaram décadas aperfeiçoando seus processos.

Viramos uma marca famosa administrada por executivos medíocres.

O Brasil continua produzindo bons jogadores.

O problema é que deixou de produzir grandes equipes.

E talvez essa seja a melhor definição do país.

Temos talento.

Falta organização.

Temos criatividade.

Falta disciplina.

Temos recursos.

Falta gestão.

Temos potencial.

Falta projeto.

Talvez a seleção seja mesmo o retrato do Brasil. Um país convencido de que ainda é o melhor do mundo, embora os resultados insistam em dizer exatamente o contrário.

No mercado, quando uma empresa acredita mais no próprio discurso do que nos números, ela quebra. No futebol, ela é eliminada.

A diferença é apenas o placar.

* Consultor,palestrante,técnico para arbitragens e professor de gestão de riscoemcommoditiesagrícolas

A decolagem do Combustível do Futuro com o SAF

ARNALDO JARDIM*

Em uma agradável e produtiva conversa em Maceió com o diretor deste prestigiado veículo, Josias Messias, constatei algo que me enche de entusiasmo e esperança: a mobilização em Alagoas e em todo o Brasil em torno do SAF, o Combustível Sustentável de Aviação.

Ao mesmo tempo, recordei-me do anúncio feito de que em Paulínia (SP), teremos um grande polo de produção deste biocombustível, utilizando o etanol como insumo.

Esses sinais, de norte a sul do país, confirmam uma convicção que carrego desde que tive a honra de ser o relator do projeto de lei que originou o programa Combustível do Futuro. Mais do que uma lei aprovada no Congresso Nacional, testemunhamos a consolidação de uma verdadeira política de Estado, um pacto suprapartidário que une o poder público, a iniciativa privada, a ciência e o campo em prol de uma economia de baixo carbono, dando protagonismo mundial ao Brasil.

Falar em Combustível do Futuro é, antes de tudo, reconhecer o papel histórico e estratégico do etanol. Há décadas, o Brasil tomou uma decisão visionária ao apostar na cana-de-açúcar como vetor energético.

O Proálcool foi o embrião, mas o que vivemos hoje é uma revolução muito mais profunda. O etanol deixou de ser apenas uma alternativa à gasolina para se tornar a espinha dorsal de uma nova matriz de mobilidade sustentável. Com o advento dos veículos híbridos-flex e a tecnologia dos motores a célula de combustível, o etanol se projeta como o hidrogênio renovável mais competitivo do planeta, capaz de descarbonizar desde o transporte leve até a aviação.

O programa Combustível do Futuro reconhece essa centralidade e a potencializa.

Ao elevar a mistura de etanol na gasolina e criar as condições para sua utilização na produção de SAF, estamos não apenas valorizando um ativo

nacional, mas gerando renda para milhares de produtores onde a cana tem um impacto social e econômico imenso. Cada litro de etanol produzido significa empregos no campo, desenvolvimento tecnológico e divisas para o país. E o SAF é a cereja desse bolo. Sua entrada em prática consolida a vocação do Brasil como grande protagonista da aviação limpa global.

Temos a matéria-prima mais competitiva do mundo — e aqui o etanol ocupa, mais uma vez, posição de destaque —, a tecnologia de ponta e, agora, um marco regulatório estável que destrava bilhões em investimentos.

A rota que converte etanol em querosene de aviação sustentável, é uma janela de oportunidade única. Cada voo que decolar do nosso território utilizando combustível renovável será a prova viva de que desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental caminham juntos.

Essa mesma lógica virtuosa se aplica ao transporte marítimo, ao bio bunke - o combustível sustentável para a navegação. Festejo também neste caso a

rota de produção que utiliza o etanol como elemento básico.

Assim como no SAF, o etanol contribuirá para descarbonizar os oceanos. É o Brasil oferecendo ao mundo uma solução integrada e competitiva, que vai do campo ao céu e do céu ao mar, ancorada na mesma plataforma tecnológica limpa e renovável. Como coordenador da Coalizão pelos Biocombustíveis, tenho percorrido o Brasil e o mundo defendendo essa agenda.

A Coalizão reúne setor produtivo, entidades de classe, pesquisadores e representantes do governo em um esforço comum de demonstrar que o nosso potencial é imenso, mas exige coordenação, previsibilidade e ambição. E é com satisfação que vejo o reconhecimento internacional desse trabalho.

Cabe lembrar que recentemente, tive a honra de entregar ao embaixador André Corrêa do Lago, presidente designado da COP30, o “Mapa do Caminho”, documento elaborado pela Coalizão que traça as rotas concretas para posicionarmos os biocombustíveis como protagonistas da agenda climática global.

O Brasil ofereceu experiência prática e inovação tecnológica ao mundo para ditar o ritmo da transição energética.

A força da nossa biomassa, a criatividade dos nossos cientistas e a resiliência dos nossos produtores rurais formam um tripé imbatível. O programa Combustível do Futuro, ao se materializar em projetos concretos como os de Paulínia e nas futuras biorrefinarias do Nordeste, demonstra que estamos transformando nosso imenso potencial em realidade.

É hora de consolidarmos essa vocação com ainda mais ambição. Não se trata mais de discutir “se” seremos a potência verde do planeta, mas “como” ocuparemos esse espaço de forma justa, inclusiva e sustentável.

O combustível do futuro chegou, e o Brasil já está na janela de decolagem, pronto para liderar o voo rumo a uma nova economia. Do campo, a céus e mares, estamos escrevendo um novo capítulo da nossa história — e o mundo agradecerá.

*DeputadoFederal,Coordenadorda Coalizão Biocombustíveis

RETROFIT

INTELIGENTE

DO ATM AO VACUO TOTAL

Parceria consolidada entre Grupo Exal e Grupo São Martinho

Projeto de retrofit executado pela Exal na unidade Boa vista, com adequação para operação sob vácuo, promovendo mais eficiência, estabilidade e sustentabilidade ao processo.

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VINHO DE CANA

9°GL

Operação validada em baixa graduação alcoólica

2,50 1,52 kg/l

Consumo especifico de vapor

DEPOIS DO RETROFIT

Adequação para operação sob vácuo

ANTES DO RETROFIT

Operação em regime atmosférico

Alta demanda de vapor

Pressões mais elevadas

Maior carga térmica

Na torre de resfriamento por conta da temperatura elevada

Operação sob vácuo

Melhor eficiência operacional

Redução de consumo de vapor 2,50 → 1,52 kg/l

Opção de uso de V2 em caso de instabilidade na evaporação

Processo automatizado

Reaproveitamento de toda a estrutura e 90% dos instrumentos e infraestrutura

Reforma Tributária: momento de atenção para o antigo e o novo

FÁBIO CALCINI*

Vivemos a maior transformação tributária das últimas décadas. A Emenda Constitucional n. 132/2023 instituiu a Reforma Tributária do Consumo, regulamentada pela Lei Complementar n. 214/2025 e por normas complementares que seguem sendo editadas. Em substituição a tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS, nascem a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de Estados e Municípios, sob a lógica de um IVA dual, não cumulativo e com cobrança “por fora”.

Para o setor sucroenergético — intensivo em insumos, contratos agrários e exportações —, compreender esse novo desenho é questão de competitividade.

E esse novo desenho chega em um momento delicado. Depois de cinco a seis safras de rentabilidade histórica, o setor enfrenta queda dos preços do açúcar e do etanol, forte concorrência do etanol de milho, custos e juros

elevados e intempéries climáticas — combinação que comprime margens, eleva o endividamento e multiplica pedidos de recuperação judicial.

Ainda assim, sua escala impressiona: na safra 2025/26 foram cerca de 673 milhões de toneladas de cana, 44,2 milhões de toneladas de açúcar e 37,5 bilhões de litros de etanol, com participação em torno de 1,5% do PIB. Nesse cenário de margens apertadas, a eficiência tributária — recuperar o que é devido e chegar preparado ao novo regime — torna-se decisão de caixa e de competitividade.

O momento exige um olhar duplo. Em 2026, estamos na fase de transição, com atenção mais voltada aos procedimentos — emissão de documentos fiscais, adequação de sistemas e cadastros. Já em 2027 inicia-se a vigência da CBS, com a extinção do PIS/Cofins: uma mudança de grande porte, que altera cálculo, créditos e obrigações.

Por isso, é hora de cuidar, ao mesmo tempo, do antigo e do novo.

O antigo: aproveitar o que o regime atual ainda permite (até 31/12/2026).

Enquanto vigora o PIS/ Cofins, há uma última janela para revisar, sempre dentro da legalidade e respeitado o prazo de cinco anos, oportunidades ainda não aproveitadas.

Entre os temas que merecem análise no setor, exemplificativamente:

1. Insumos com alíquota zero ou suspensão, saída tributada — tomada do crédito integral de PIS/ Cofins nas aquisições de insumos com alíquota zero (adubos, fertilizantes etc.) ou suspensão (por exemplo, cana adquirida de pessoa jurídica), empregados na produção de etanol, ainda que a saída seja tributada (últimos 5 anos).

2. Crédito presumido da cana — Lei n. 10.925/2004 — aproveitamento do crédito presumido de PIS/ Cofins nas aquisições de cana para a produção de etanol e de açúcar (últimos 5 anos).

3. Insumos majorados — LC n. 224/2025 — tomada do crédito integral, ou de 0,925%, de PIS/Cofins sobre insumos majorados, afastando a vedação do art. 4º, § 7º (de abril a dezembro de 2026).

4. Redução linear de 10% do crédito presumido — LC n. 224/2025 — discussão sobre a inconstitucionalidade da redução de 10% aplicada ao crédito presumido da Lei n. 10.925/2004 (de abril a dezembro de 2026).

5. ICMS (inclusive ad rem) fora da base — exclusão do ICMS, inclusive na sistemática ad rem, da base de cálculo do PIS/Cofins (últimos 5 anos).

6. CBIOs — não tributação das receitas de CBIOs pelo PIS/ Cofins ou, ao menos, sua tributação a 4,65% como receita financeira (últimos 5 anos). (continua na página seguinte)

Rever pontos para recuperar valores legítimos

7. PIS/Cofins fora da própria base — exclusão do PIS/Cofins de sua própria base de cálculo (últimos 5 anos).

O conceito de insumo foi fixado pelo STJ, em repetitivo (REsp 1.221.170), pelos critérios de essencialidade e relevância, ampliando o rol creditável na atividade agroindustrial.

Boa parte desses pleitos conta com sólido amparo. A não cumulatividade assegura, nos termos do art. 17 da Lei n. 11.033/2004, a manutenção dos créditos ainda que a venda ocorra com suspensão, alíquota zero ou não incidência — fundamento que sustenta o creditamento sobre insumos assim adquiridos, quando tributada a saída.

Já a exclusão do ICMS da base do PIS/Cofins decorre da “tese do século” (RE 574.706, Tema 69, do STF), cuja lógica é invocada para alcançar também o ICMS ad rem e, em desdobramento, a retirada do próprio PIS/ Cofins de sua base. Rever esses pontos agora significa recuperar valores legítimos antes do encerramento do regime, observado o prazo quinquenal.

O novo: preparar-se para a Reforma.

Olhar para a frente é igualmente urgente, diante de um cronograma de transição que se estende de 2026 até 2033. Em regra, a cana-de-açúcar será

tributada pela CBS/IBS, ainda que com redução de 60% da alíquota; o produtor rural não contribuinte não é tributado, mas o adquirente poderá se creditar mediante crédito presumido. Haverá insumos tributados e outros em diferimento — caso de adubos, fertilizantes e mudas (art. 138 e Anexo IX da LC n. 214/2025) —, também com redução de 60% da alíquota. Com a não cumulatividade ampla, muda a lógica de aquisições e de créditos, o que recomenda revisão criteriosa das compras e de toda a cadeia de fornecedores.

No plano contratual, é prudente revisar os contratos agrários e de fornecimento, ajustando cláusulas — e, se necessário, preços — à nova tributação. Nas exportações indiretas, embora persista a discussão sobre a inconstitucionalidade de certas exigências, a venda a Empresa Comercial Exportadora (ECE) pressupõe que ela esteja habilitada e cumpra os requisitos do art. 82 da LC n. 214/2025.

É indispensável, ainda, a correta adequação e o enquadramento das

operações na classificação tributária (cclasstrib) da CBS/IBS, distinguindo as operações tributadas, com alíquota zero, imunes, suspensas e diferidas. Por fim, atenção especial à tributação dos biocombustíveis no regime monofásico (art. 175 da LC n. 214/2025), com alíquotas uniformes em âmbito nacional, dado o reconhecimento a um regime favorecido em relação aos combustíveis fósseis.

Em síntese, 2026 é ano de dupla diligência: consolidar com segurança jurídica o que o regime atual ainda oferece e, ao mesmo tempo, estruturar a transição para a CBS/IBS. Num momento em que cada ponto de margem conta, antecipar-se evita perdas, reduz litígios e preserva a competitividade do setor sucroenergético.

* Mestre e Doutor em Direito do Estado PUC/SP. Ex-CARF. Professor da FGV Direito SP e IBET.Colunista do Conjur.Autor do livro Reforma TributáriaeAgronegócio,Ed.Noeses. Sócio Brasil Salomão e Matthes Advocacia.

N o ssos Se r vi ços O fe re ci dos:

• Adequação de equipamentos instalados

• Aplicação de manutenção proativa e detectiva

• Análise da maturidade do PCM

• Planejamento de grandes paradas e entressafra

• Planos de hibernação, conservação e giro

• Mapeamento e análise de criticidade de equipamentos para monitoramento

• Análise de instalação e performance de acionamentos

• Diligenciamento técnico em terceiros

• Estruturação da Política de Gestão de Ativos

• Assistência técnica especializada e diagnósticos

• Acompanhamento técnico de novos projetos industriais

• Indicação e especificação técnica de equipamentos

• Treinamentos operacionais e em engenharia de manutenção

• Proposta de melhorias contínuas em processos e ativos

O mercado cresceu. Sua usina vai capturar esse valor?

Etanol de milho, biogás, biometano, SAF e novas rotas de valorização da biomassa ampliam as possibilidades das usinas — e aumentam a urgência de decisões assertivas e tempestivas

O mercado bioenergético brasileiro está ampliando suas fronteiras. O avanço do etanol de milho, do biogás, do biometano, do combustível sustentável de aviação — o SAF — e de novas formas de aproveitamento da biomassa cria oportunidades antes distantes.

Agora, já não são assuntos para o futuro. São decisões estratégicas do presente.

Isso não significa que todas as usinas devam investir em todas essas alternativas. Significa que cada empresa precisa estudá-las agora, compreender sua aderência ao próprio negócio e definir onde pretende competir.

O E32 é um exemplo recente. Isoladamente, talvez não provoque uma transformação tão expressiva no mercado do etanol. Mas demonstra como decisões governamentais, movimentos geopolíticos e novas posições de mercado podem alterar rapidamente o ambiente de negócios das usinas.

Esse mercado já está diante de nós: mais amplo, volátil, acelerado, com-

plexo e muito menos tolerante à demora nas decisões.

As oportunidades existem, mas não serão capturadas igualmente. Algumas empresas as transformarão em crescimento, rentabilidade e longevidade. Outras poderão perder o timing correto para entrar no mercado.

A velocidade dessas transformações coloca a governança no centro da estratégia. Antes de discutir novos projetos, é necessário repensar quem participa das decisões, quais experiências estão representadas e que perspectivas chegam à mesa.

Diversidade permite decisões mais assertivas e tempestivas

Diversidade, nesse contexto, não é apenas uma pauta institucional. É diversidade de formações, gerações, trajetórias, competências e visões capazes de ampliar a leitura dos riscos e das oportunidades.

conhecimento, ativos, dados e capacidades que muitas vezes já existem, mas permanecem dispersos ou subutilizados.

Entretanto, nenhuma estratégia será sustentável sem uma cultura de sucessão. E sucessão não se limita à transição entre sócios, fundadores e novas gerações da família. Ela deve estar presente em toda a organização. Da base ao topo, formar sucessores precisa ser entendido como responsabilidade fundamental de cada líder.

A governança começa pela cabeça. Muitas usinas ainda podem formar conselhos consultivos ou de administração. Outras, que já os possuem, precisam oxigená-los. Não basta reunir pessoas experientes se todas foram formadas pelas mesmas referências e enxergam o negócio pela mesma lente. Conselhos fortes devem preservar o conhecimento acumulado, mas também provocar perguntas que a estrutura executiva, absorvida pelo dia a dia, talvez já não consiga formular.

Essa oxigenação também precisa alcançar a liderança. O novo ciclo exige líderes capazes de reposicionar a empresa e ativar todo o seu potencial.

Reposicionar é compreender que a usina já não pode se enxergar apenas como produtora de açúcar e etanol, mas como uma plataforma de energia, descarbonização, tecnologia e aproveitamento de recursos. Ativar é transformar essa visão em movimento, mobilizando pessoas,

O líder que prepara alguém para ocupar sua posição não perde importância; amplia seu valor. Além de gerar confiança, empatia e desenvolvimento, essa prática funciona como um seguro organizacional contra o turnover e os buracos que surgem no organograma e se revelam diariamente na operação. Empresas que dependem excessivamente de pessoas insubstituíveis tornam-se vulneráveis quando precisam responder com mais rapidez.

O mercado bioenergético cresceu em possibilidades, complexidade e velocidade. Mas esse valor não será capturado apenas por quem possui matéria-prima, ativos industriais ou capacidade de investimento.

Para decidir no tempo certo, será preciso governança mais plural, liderança capaz de reposicionar e ativar, e sucessão transformada em cultura.

O mercado cresceu. A questão agora é quanto desse valor sua usina está preparada para capturar.

A nova imagem principal ilustra bem a ampliação das rotas de valor, enquanto a imagem da reunião de conselho sustenta visualmente a resposta proposta pelo artigo: governança, liderança e sucessão.

*Jornalista,ConselheirodeAdministração e CEO da Pró-Usinas/JornalCana

Agosto/Setembro 2026

Menor preço do açúcar, maior pressão por eficiência: Retrofit ganha força nas usinas

Em um cenário de margens mais apertadas, a modernização de cestos para centrífugas contínuas surge como alternativa para aumentar a produtividade, reduzir custos operacionais e prolongar a vida útil dos ativos industriais.

As oscilações do mercado sucroenergético fazem parte da dinâmica do setor. No entanto, quando as cotações do açúcar recuam e as margens de rentabilidade ficam mais estreitas, as usinas passam a direcionar seus investimentos para soluções que entreguem resultados imediatos, reduzam custos operacionais e aumentem a eficiência do parque industrial.

Nesse contexto, cresce o interesse por tecnologias capazes de extrair o máximo desempenho dos equipamentos já instalados. Entre elas, o retrofit de cestos para centrífugas contínuas vem se consolidando como uma estratégia eficiente para elevar a produtividade sem a necessidade de grandes investimentos em novas máquinas.

Mais do que recuperar um componente desgastado, o retrofit representa uma atualização de engenharia. O processo incorpora melhorias de projeto, materiais e processos construtivos, proporcionando maior desempenho operacional, aumento da confiabilidade mecânica e maior vida útil do equipamento.

Com foco nesse cenário, a Solisteel desenvolveu sua linha de Cestos Retrofit Multimarcas, compatível com os principais modelos de centrífugas contínuas utilizados pelas usinas. A solução foi concebida para preservar a infraestrutura existente, incorporando avanços tecnológicos que impactam diretamente a eficiência da centrifugação.

Os resultados observados em campo demonstram ganhos consistentes para operação industrial, entre eles:

Maior eficiência na recuperação de açúcar das massas B e C;

Redução significativa do consumo de água durante o processo;

Menor pureza do mel final;

Melhor cor e maior Brix do açúcar recuperado;

Aumento de produção de magma por tonelada centrifugada;

Maior disponibilidade operacional e redução das intervenções de manutenção.

Além dos ganhos técnicos, o retrofit oferece uma vantagem estratégica cada vez mais valorizada pelas usinas: reduzir o investimento de capital sem abrir mão de desempenho. Ao modernizar ativos existentes, é possível aumentar a competitividade da operação com menor impacto financeiro e menor tempo de implantação.

Em um momento em que cada ponto percentual de eficiência influencia diretamente os resultados da safra, decisões baseadas em produtividade e confiabilidade deixam de ser diferenciais para se tornarem fatores determinantes para a sustentabilidade do negócio.

Mais do que acompanhar o mercado, a indústria sucroenergética vive um novo momento, em que investir melhor tornou-se tão importante quanto

Quando a molécula não basta

Imagine dois carregamentos de combustível sustentável de aviação destinados ao mesmo aeroporto europeu. Ambos atendem às especificações técnicas exigidas para uso em aeronaves comerciais, apresentam desempenho equivalente e foram produzidos a partir de matérias-primas agrícolas. Ainda assim, é possível que apenas um deles tenha acesso aos mesmos mercados, incentivos e compradores.

A diferença não será identificada em laboratório, ela estará na capacidade de comprovar, de forma auditável, a origem da biomassa, a contabilização das emissões ao longo do ciclo de vida, o atendimento a critérios ambientais e a rastreabilidade de toda a cadeia produtiva. Durante muito tempo, bastava entregar uma molécula dentro de

tiva.

Em economia, mercados funcionam melhor quando compradores e vendedores compartilham informações confiáveis sobre aquilo que está sendo negociado.

Certificações de sustentabilidade cumprem exatamente esse papel. Elas reduzem assimetrias de informação, permitem a comparação entre diferentes origens e diminuem a percepção de risco associada às transações. Mais do que instrumentos regulatórios, tornam-se mecanismos que viabilizam o próprio funcionamento de mercados de baixo carbono.

Sob essa perspectiva, a certificação deixa de ser um elemento acessório e passa a integrar uma infraestrutura essencial de confiança na transição energética. Sistemas como Bonsucro, ISCC, RSB e o próprio RenovaBio

especificação. A transição energética acrescentou uma nova exigência. Será cada vez mais necessário demonstrar, com evidências reconhecidas, as condições em que essa molécula foi produzida.

Essa transformação tem recebido menos atenção do que o avanço dos biocombustíveis e das tecnologias de redução de emissões, embora possa redefinir, de forma silenciosa, quem terá acesso aos mercados mais exigentes. Ao longo de décadas, o comércio de commodities se organizou em torno de produtividade, qualidade, preço e eficiência logística. Esses fatores

permanecem centrais, mas passam a conviver com um componente adicional relacionado à confiabilidade das informações que acompanham cada tonelada produzida. Esse movimento já se materializa em regulações e mercados. Na aviação, o esquema CORSIA estabelece critérios de elegibilidade baseados no desempenho de emissões e na comprovação de sustentabilidade. No transporte marítimo, a Organização Marítima Internacional avança na definição de critérios para redução de emissões e sustentabilidade dos combustíveis. Na União Europeia, metas obrigatórias já definem a incorporação crescente de combustíveis sustentáveis na aviação e no transporte marítimo, condicionando seu uso ao cumprimento de critérios rigorosos de sustentabilidade. Rotas tecnológicas baseadas em álcoois ampliam o espaço para o etanol como matéria-prima para combustíveis de aviação, desde que sua cadeia seja integralmente certificada. No transporte marítimo, o etanol também se apresenta como alternativa promissora, seja pelo uso direto em motores adaptados, seja como insumo para a produção de derivados.

Em ambos os casos, não se trata apenas de produzir energia renovável. Trata-se de comprovar, de forma padronizada e verificável, que essa energia atende a requisitos específicos ao longo de toda a sua trajetória produ-

duto deixa de ser um complemento e passa a integrar seu valor econômico. O Brasil já reúne, na prática, algumas das condições mais completas do mundo para a produção de bioenergia em escala. Poucos países combinam produtividade agrícola, experiência industrial e diversidade de rotas tecnológicas na mesma medida. Etanol, biodiesel, biogás, biometano e combustíveis avançados posicionam o país como um dos principais candidatos a atender à expansão global da demanda por energia de baixo carbono. Essa posição, no entanto, não será garantida apenas pela capacidade de produzir volumes competitivos. Mercados cada vez mais exigentes demandam consistência e verificabilidade. A vantagem brasileira tende a se consolidar na medida em que o país conseguir combinar eficiência produtiva com cadeias transparentes, rastreáveis e reconhecidas internacionalmente.

Em um ambiente em que atributos ambientais passam a ser precificados, produzir bem continuará sendo indispensável. Mas não será suficiente.

A capacidade de demonstrar, com rigor e consistência, como se produz passa a definir quem terá acesso aos mercados mais exigentes e aos fluxos de capital que sustentam sua expansão.

ilustram esse processo ao estabelecer metodologias para cálculo de emissões, critérios de elegibilidade e cadeias de rastreabilidade reconhecidas por diferentes mercados. São esses elementos que permitem transformar atributos ambientais em características negociáveis. A transição energética promove, assim, uma mudança silenciosa na forma como o valor é construído. Características que antes eram tratadas como externalidades passam a influenciar decisões de investimento, financiamento e acesso a mercados. A qualidade da informação associada ao pro-

Na próxima década, a competitividade do Brasil será cada vez mais influenciada por essa dimensão menos visível do comércio internacional. Em mercados que demandam transparência, origem e desempenho ambiental comprovado, a confiança deixa de ser apenas consequência das relações econômicas e passa a integrar a própria construção de valor.

Em mercados que precificam carbono, origem e transparência, não basta produzir energia. Será preciso provar, com rigor, de onde ela vem.

* Químico Industrial, PhD; especialistaemnegóciosdeenergia

Tecnologia que regenera o solo e amplia a produtividade

Grupo Água Bonita adota a biotecnologia

Probiom, da Biomcrop, em 100% da área de cana e consolida estratégia de reduzir custos pelo aumento da produtividade

Em um cenário de custos elevados e margens mais apertadas para o setor sucroenergético, o Grupo Água Bonita escolheu um caminho que vai além do corte de despesas. A empresa, reconhecida entre as mais produtivas do Brasil, aposta no aumento da produtividade como principal estratégia para reduzir custos e garantir a sustentabilidade do negócio. Dentro desse modelo, a biotecnologia Probiom, desenvolvida pela Biomcrop, passou a ocupar papel central no manejo agrícola, sendo utilizada em 100% da área cultivada com cana-de-açúcar.

A adoção do Probiom está integrada ao conceito de agricultura regenerativa desenvolvido pela empresa. Segundo o CEO do Grupo Água Bonita, Luiz Paulo Santana, a empresa sempre buscou incorporar as melhores tecnologias disponíveis no mercado. Para ele, o desafio atual não é apenas controlar despesas, mas aumentar a eficiência do sistema produtivo.

“A maior alavanca para redução de custos é a produtividade”, resume Luiz Paulo.

Na avaliação do executivo, o setor vive um período de forte pressão sobre os custos de produção e remuneração mais restrita. Nesse contexto, a tecnologia passa a ser um investimento estratégico, capaz de diluir custos por meio do aumento da produção de cana por hectare e da melhoria da eficiência operacional.

Essa visão foi reforçada durante um workshop promovido pelo Grupo Água Bonita, com participação da Biomcrop, quando foram apresentados resultados comparativos envolvendo desenvolvimento radicular, produ-

tividade e desempenho dos canaviais manejados com a biotecnologia Probiom.

Os dados, segundo Luiz Paulo, reforçaram a expectativa de elevar de forma consistente a média de produtividade da usina para acima de 100 toneladas por hectare, mantendo esse patamar ao longo dos ciclos produtivos. A estratégia definida pela direção da empresa ganhou força em 2026, quando o aumento expressivo dos custos dos fertilizantes minerais levou a equipe agrícola a ampliar o uso de soluções biológicas.

De acordo com Gustavo Stucchi, diretor agrícola do Grupo Água Bonita, foi nesse momento que a parceria com a Biomcrop se consolidou e o Probiom passou a integrar definitivamente o manejo da empresa. Outro fator decisivo foi a segurança proporcionada pelos estudos científicos apresentados pela Biomcrop. “A Biomcrop nos traz dados e análises científicas já consolidadas no mercado, que nos dão respaldo e confiança nesse trabalho”, afirma.

Segundo Gustavo, o uso contínuo da biotecnologia tem sido fundamental para enriquecer a biota do solo, proporcionando maior sanidade das plantas e maior resistência aos períodos de seca.

Na operação agrícola, os benefícios observados vão além dos indicadores de produtividade.

Ricardo Tavares, gerente de produção da Água Bonita, explica que a adoção do Probiom surgiu após a equipe identificar uma redução da eficiência de alguns insumos químicos utilizados

tradicionalmente no manejo.

A proposta passou a ser recuperar a qualidade biológica do solo por meio da regeneração da microbiota, reproduzindo processos naturais capazes de devolver equilíbrio ao ambiente produtivo.

Esse conceito ganhou escala com a utilização da Célula Regenerativa Biomcrop (CRB), estrutura automatizada instalada na usina que permite a produção do Probiom de forma padronizada e com operação simplificada.

Segundo Ricardo, a CRB funciona de maneira automatizada, exige pouca intervenção operacional e facilita a rotina da equipe responsável pelo manejo biológico.

Nas áreas acompanhadas pela equipe técnica, o manejo com Probiom apresentou incremento de aproximadamente 70% no desenvolvimento radicular em comparação às parcelas testemunhas. Também foram observados colmos com maior diâmetro, plantas mais altas, melhor fechamento das entrelinhas e maior perfilhamento. A quantidade de microrganismos no solo aumentou em média 40% enquanto o incremento em produtividade superou 10 toneladas por ha (média das duas últimas safras).

De acordo com Ricardo, o aumento

do sistema radicular é um dos principais diferenciais da tecnologia. Com raízes mais profundas e volumosas, a planta amplia a absorção de água e nutrientes, melhora sua fixação ao solo — reduzindo o arranquio de soqueiras durante a colheita — e aumenta sua capacidade de enfrentar períodos de estresse hídrico.

“Além das avaliações biometricas realizadas em campo, o Biomonitoramento Biomcrop conta com avaliações periódicas realizadas em laboratório onde é possível acompanhar indicadores técnicos relacionados ao desempenho do solo, como atividade enzimática e carbono da biomassa microbiana, confirmando os ganhos obtidos com o manejo regenerativo baseado no Probiom.”

A Água Bonita consolida um modelo em que a redução de custos não depende exclusivamente de cortes de despesas, mas do aumento consistente da produtividade. Nesse contexto, o Probiom e a Célula Regenerativa Biomcrop (CRB) tornaram-se ferramentas estratégicas para manter a competitividade da empresa.

Subvenção à gasolina e diferencial competitivo dos biocombustíveis: uma leitura do artigo 225 da Constituição Federal

MÁRIO

A Medida Provisória nº 1.358, de 13 de maio de 2026, editada para conter o repasse da alta internacional do petróleo aos preços internos, autorizou a devolução a produtores e importadores de gasolina de valor equivalente aos tributos federais incidentes por litro, condicionada à redução do preço final.

Anunciada como subvenção direta, a medida busca reduzir o impacto inflacionário do combustível fóssil, mas recoloca no centro do debate a sua compatibilidade com o regime constitucional de proteção aos biocombustíveis.

O artigo 225 da Constituição Federal assegura a todos o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e impõe ao Poder Público o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

Com a Emenda Constitucional nº 123, de 14 de julho de 2022, passou a constar no § 1º, inciso VIII, que deve ser mantido regime fiscal favorecido para biocombustíveis destinados ao consumo final, “de modo a assegurar-lhes tributação inferior a incidente sobre os combustíveis fósseis”.

A Emenda Constitucional nº 132, de 20 de dezembro de 2023, ajustou esse comando para articular o regime com o novo imposto sobre bens e serviços e a contribuição sobre bens e serviços. Esse mandamento já foi concretizado em duas camadas normativas. A primeira é transitória e decorre do artigo 4º da própria Emenda Constitucional nº 123, de 14 de julho de 2022, que determina a manutenção, por vinte anos, da diferença percentual de carga tributária entre biocombustíveis e combustíveis fósseis observada em 15 de maio de 2022, vedada sua redução.

A segunda é permanente e está na Lei Complementar nº 214, de 16 de janeiro de 2025, cujo artigo 175 estabelece

termos percentuais e absolutos por unidade de medida, assegurando que a vantagem tributária não se limite a uma distinção meramente formal, mas se traduza em benefício econômico mensurável no preço por litro em relação à gasolina.

Há, portanto, um conjunto normativo

efeitos reais no preço final ao consumidor, garantindo a vantagem competitiva dos biocombustíveis e induzindo a descarbonização da matriz de transportes.

Se o Poder Público edita política paralela que neutraliza o impacto dessa assimetria tributária, o texto consti-

que fica assegurada aos biocombustíveis e ao hidrogênio de baixa emissão de carbono tributação inferior a incidente sobre os combustíveis fósseis, de forma a garantir o diferencial competitivo previsto na Constituição.

A Lei Complementar nº 214, de 16 de janeiro de 2025, também dispõe que as alíquotas do imposto sobre bens e serviços e da contribuição sobre bens e serviços aplicáveis aos biocombustíveis e ao hidrogênio de baixa emissão de carbono não poderá ser inferiores a quarenta por cento nem superiores a noventa por cento das alíquotas incidentes sobre os combustíveis fósseis comparados.

No caso do etanol hidratado, o artigo 175 explicita, em seu § 5º, que o diferencial de carga será aferido, em 2027 para a CBS e em 2029 para o IBS, em

completo que vincula o legislador e o administrador: a Constituição exige o diferencial de competitividade em favor dos biocombustíveis; a Emenda Constitucional nº 123, de 14 de julho de 2022, fixa um patamar de referência e veda sua redução no período de transição; e a Lei Complementar nº 214, de 16 de janeiro de 2025, traduz esse comando em parâmetros concretos.

Não se trata de simples promessa regulatória, mas de regime já estruturado para assegurar vantagem relativa aos biocombustíveis no mercado.

O cerne do problema surge porque esse regime constitucional não se satisfaz com a manutenção nominal de alíquotas distintas. O comando constitucional é material e finalístico: a diferença tributária deve produzir

tucional é preservado na forma, mas completamente esvaziado em seu conteúdo e eficácia prática. É exatamente o que ocorre com a Medida Provisória nº 1.358, de 13 de maio de 2026. Embora a União mantenha, formalmente, carga tributária superior sobre a gasolina em relação ao etanol, ela devolve aos agentes de mercado o valor desses tributos por meio de subvenção financeira na ponta.

Ao subsidiar o combustível fóssil para forçar a queda de seu preço, anula-se o efeito prático do diferencial fiscal instituído pela Constituição. Na prática, a competitividade relativa do etanol é erodida, pois o consumidor deixa de perceber a vantagem econômica de optar pelo combustível limpo. (Continuanapróximapágina)

Violação material do comando constitucional

Nesse contexto, a regulamentação da Medida Provisória nº 1.358, de 13 de maio de 2026, evidencia o descompasso com o regime constitucional ao fixar subvenção de R$ 0,44 por litro de gasolina A, que responde por cerca de 70% do volume da gasolina C e, por efeito de paridade, reduz a competitividade do etanol hidratado em aproximadamente R$ 0,31 por litro. Ao conceder essa subvenção sem que o etanol receba tratamento equivalente, seja por subvenção, seja por redução de tributos, a União incorre em descumprimento material da disposição constitucional, neutralizando, na prática, o diferencial de competitividade assegurado aos biocombustíveis pelo artigo 225 e pela legislação complementar.

Sob a ótica do Direito Constitucional Ambiental, a eficácia de uma norma indutora não é medida apenas pelo texto frio da lei, mas pela sua capacidade de alterar a estrutura de incentivos e desincentivos da economia nacional.

Quando um subsídio emergencial neutraliza o peso da tributação sobre a gasolina, o Estado passa a financiar e proteger o próprio insumo fóssil que a Constituição ordenou desestimular. Trata-se de uma nítida violação ao princípio da proibição do retrocesso socioambiental.

Nessa perspectiva, o comando do artigo 225, § 1º, inciso VIII, é claro ao exigir regime fiscal favorecido para biocombustíveis “de modo a assegurar-lhes tributação inferior a incidente sobre os combustíveis fósseis”.

Ao devolver, por subvenção, o valor da tributação incidente sobre a gasolina, a União conserva a conformidade meramente formal do dispositivo, mas frustra sua essência, porque impede que essa diferença se converta em vantagem real para os biocombustíveis.

Há observância formal do texto, mas violação material do comando constitucional.

Em suma, o subsídio à gasolina não pode ser camuflado como mera po-

lítica de controle de preços ou combate à inflação de curto prazo. Ele opera, materialmente, como mecanismo de proteção ao combustível fóssil que desativa o principal instrumento de transição energética desenhado pelo constituinte reformador.

Ao priorizar a estabilização artificial de preços em detrimento da higidez ambiental, o Poder Público contorna as restrições impostas pela Emenda Constitucional nº 123, de 14 de julho de 2022, e pela Lei Complementar nº 214, de 16 de janeiro de 2025. Portanto, a medida é materialmente incompatível com o artigo 225 da Constituição Federal, por comprometer a eficácia do regime constitucional de proteção aos biocombustíveis.

*Presidente SIAMIG Bioenergia e BioenergiaBrasil

**Gerente Jurídica SIAMIG Bioenergia

2027: o ano em que a macroeconomia dominará o canavial novamente

O setor sucroenergético costuma avaliar a safra seguinte com base no clima, no câmbio e no preço do açúcar. Para 2027, novamente, há preocupações adicionais: o ano será decidido tanto no canavial quanto em Brasília. O Brasil chegará a 2027 com uma combinação que já conhecemos de outros ciclos: inflação de alimentos pressionando o índice cheio, juros reais entre os mais altos do mundo por mais tempo do que se gostaria, e a necessidade de um ajuste fiscal relevante logo no primeiro ano de um novo governo. Para um setor intensivo em capital, alavancado e dependente do ciclo de consumo doméstico de combustíveis, essa conjuntura macroeconômica pesa tanto quanto qualquer milímetro de chuva.

Comecemos pela inflação, pois é onde o clima e a macro se encontram. Minhas estimativas, construídas com base em cinquenta anos de dados de produção e no comportamento do IPCA nos dois últimos grandes El Niños, apontam para a alimentação no domicílio fechando 2027 entre 7,5% e 9,5%, com pico de 9% a 11% no acumulado de doze meses entre agosto e novembro (o repasse de safra chega à gôndola com oito a onze meses de defasagem em relação ao pico do evento no Pacífico). Isso adiciona de 0,6 a 0,9 ponto ao IPCA cheio num momento em que o Banco Central tentará consolidar a convergência para a meta de inflação de 3%.

A consequência prática para o setor é direta: o choque de oferta de alimentos é o tipo de inflação que o Copom não ignora, dado que a meta é a inflação cheia, e a resposta será manter a taxa de juros elevada por mais tempo. Vale dizer que o choque do petróleo, ainda em andamento, já causou estragos suficientes na inflação neste ano, com risco de contaminação pela inércia inflacionária no próximo ano. Capital de giro, rolagem de dívida e novos projetos de expansão, inclusive os de etanol de milho, ficarão caros por mais um ciclo.

O segundo vetor é fiscal. Seja qual for o desenho político de 2027, a aritmética da dívida exigirá um ajuste de verdade: despesa crescendo acima da capacidade de arrecadação é uma

conta que o mercado já precifica, e o novo governo terá poucos meses para ganhar credibilidade em torno de um ajuste crível.

Para o setor, o ajuste corta dos dois lados: se vier, freia a demanda doméstica, e o ciclo Otto sente rápido a renda disponível mais magra; se não vier, o prêmio de risco sobe, o câmbio deprecia e o juro longo, que financia usina, cogeração e expansão agrícola, sobe junto.

O terceiro vetor decorre dos dois primeiros: o PIB deve desacelerar de forma clara, pelo freio fiscal somado ao efeito acumulado de anos de juros altos sobre o crédito e o investimento.

Demanda interna de combustível mais fraca em um ano de oferta possivelmente maior é uma equação que o setor conhece e costuma resolver por meio do preço.

E o El Niño? Aqui vale um resumo do que os dados ensinam. Os dois últimos episódios fortes produziram mapas opostos para a cana: em 2015/16, o Centro-Sul ganhou, a produção nacional cresceu 2,4%, com Araraquara colhendo 14% a mais, e o desastre foi litorâneo, do Norte Fluminense (−40%) a Sergipe (−27%); em 2023/24, um evento de força comparável, o mapa virou de cabeça para baixo: a seca e o calor caíram sobre o coração paulista, Marília perdeu um terço da safra, as queimadas de agosto de 2024 (181 mil hectares e R$ 1,2 bilhão de prejuízo na moagem 2024/25, num canavial que a herança seca e

quente do evento deixou inflamável, sem falar nos incêndios criminosos que ocorreram) agravaram o quadro, e a produção do ano civil recuou 2,9%, enquanto o litoral nordestino passava incólume.

A lição, que vale para todo o agro: o rótulo do evento não é destino; o que importa é onde o Pacífico aquece, e o boletim de julho mostra o aquecimento no padrão clássico de leste, com a região costeira do Pacífico 2,7 graus acima da média e 81% de probabilidade de o evento chegar a muito forte.

A cana nos dois últimos El Niños fortes, em milhões de toneladas: em 2015/16 (esq.), o Centro-Sul ganhou +18 Mt e o desastre litorâneo, dramático em percentual, pesou pouco no agregado; em 2023/24 (dir.), o país perdeu 22 Mt, com Araraquara (−5 Mt) como epicentro. Em tonelada, o peso econômico está na própria métrica. Fonte:

PAM/IBGE; elaboração própria. Se esse desenho se confirmar, o cenário central para o setor é assimétrico e, no líquido, construtivo: volume normal a bom no Centro-Sul, que historicamente se beneficia do verão chuvoso desses eventos, riscos concentrados nos canaviais da costa atlântica e no etanol de milho (cuja matéria-prima, a segunda safra mato-grossense, depende de a colheita da soja não atrasar em janeiro), e um vento de preço favorável vindo da Ásia: o mesmo fenômeno que rega o Centro-Sul costuma secar a Índia e a Tailândia, e o açúcar renovou máximas de vários anos tanto em 2016 quanto no fim de 2023. É o único hedge natural do agro brasileiro: quando o clima ajuda o volume daqui a oferta de lá tende a diminuir. No final, teremos um 2027 com diversos pontos de preocupação para o setor, do ponto de vista macroeconômico, sendo que o de maior atenção para o agro, como um todo, é o El Niño, que poderá até ser positivo para o segmento. Mas, assim como na economia, a meteorologia, em termos de previsões, requer acompanhamento constante.

* Economista-chefe da MB Associados

CANA+SOJA: a sinergia industrial criada pela FALSON/ALTEC que diversifica e eleva o faturamento industrial

Estudos coordenados pela FALSON Engenharia e ALTEC Food Consulting mostram como a produção de farelo SPC (Soy Protein Concentrate) e derivados da soja, aproveita a infraestrutura das usinas para ampliar e criar um portfólio de altíssimo valor agregado com rápido retorno sobre o investimento.

A busca por diversificação de receitas, redução à exposição das usinas às oscilações dos preços do açúcar e do etanol e máxima eficiência dos ativos instalados nas usinas sucroenergéticas ganhou um novo e poderoso aliado: a integração com o processamento de soja. Embora o processamento de milho e sorgo (voltado à produção de etanol e farelo DDGS - Dry Distillers Grains with Solubles) e do algodão (voltado à cadeia têxtil, produções de óleo e farelo) venham recebendo destaques crescentes no cenário agroindustrial brasileiro, a soja surge como uma alternativa de altíssimo potencial econômico e estratégico quando integrada à infraestrutura existente das indústrias sucroenergéticas.

A soja, associada a processos tecnológicos, configura-se como uma plataforma industrial com potencial para elevada diversificação produtiva, a exemplo do SPC, isolado proteico, óleo vegetal, etanol, biodiesel, glicerina, lecitina, biogás, fertilizantes orgânicos, pellets de fibra/casca, melaço e créditos de descarbonização. Essa versatilidade amplia as oportunidades de geração de receita, atendendo a mercados de nutrição animal premium, alimentação humana, fármacos, cosméticos, combustíveis, aquicultura e aplicações agrícolas.

de 40% menor) e energia elétrica (em torno de 60% menor) quando comparada às rotas convencionais de outros grãos. Essa rota tecnológica inovadora carrega a expertise de soluções já validadas industrialmente desde 2002 em importantes unidades industriais como IMCOPA, CJ SELECTA e CARAMURU.

A Tabela abaixo demonstra a diferença do processamento da soja quando comparado aos demais grãos, apresentando resultados superiores de geração de óleo e coprodutos proteicos de alto valor comercial, como o SPC, capaz de alcançar preços de comercialização superiores ao dobro dos demais da mesma categoria.

Tecnologia reduz consumo de vapor

Contribuindo para a transição energética e o desenvolvimento com elevada eficiência, a FALSON Engenharia e ALTEC Food Consulting desenvolveram e patentearam uma tecnologia voltada à produção de SPC com reduzido consumo de vapor (em torno

Por meio de soluções técnicas para integrar a planta processadora de soja à indústria sucroenergética, foram conduzidos estudos de viabilidade econômica em unidades industriais utilizando dados operacionais reais. Os resultados obtidos, considerando o aproveitamento da infraestrutura existente de geração de vapor e energia elétrica (energia renovável) e impulsionados pela diversificação do portfólio de coprodutos de altíssimo valor agregado, eficiência energética e redução de CAPEX/OPEX, demonstraram elevada atratividade econômica e retorno do investimento em curtíssimo prazo.

A complementaridade entre a energia renovável das usinas sucroenergéticas e a alta capacidade de agregação de valor dos derivados da soja cria uma plataforma industrial diferenciada, capaz de maximizar a ren-

tabilidade por unidade de matéria-prima processada.

Nova plataforma industrial

Os resultados técnicos e econômicos demonstram que a sinergia proporcionada pela integração industrial (Cana/ Soja), além de representar importante contribuição para os processos de transição energética e descarbonização da matriz produtiva brasileira, prova que a utilização da infraestrutura existente reduz significativamente os custos de investimentos e operacionais necessários.

Sob o ponto de vista industrial, a produção de SPC, óleo vegetal, biodiesel e demais coprodutos posiciona a soja em um patamar superior de agregação de valor, diversificando as fontes de receita da indústria sucroenergética. Além disso, a elevada concentração proteica obtida nos coprodutos da soja amplia o acesso a mercados de maior exigência técnica e valores comerciais como Europa, Noruega, Chile, América Central e Ásia, reduzindo a dependência da volatilidade dos mercados tradicionais de açúcar e etanol e proporcionando maior estabilidade econômica ao empreendimento. Para o diretor-fundador da FALSON Engenharia, Walter Falson, em um cenário de margens cada vez mais pressionadas nas operações tradicionais, a diversificação por meio de produtos de maior valor agregado surge como uma alternativa para fortalecer a competitividade das usinas. “Nesse contexto, a produção de concentrado proteico de soja e biodiesel, desponta como uma das possibilidades para ampliar o uso da infraestrutura instalada e inserir o setor sucroenergético em novos mercados ligados à bioeconomia e à produção de proteínas vegetais”, conclui Falson.

Expansão acelerada de etanol desafia o setor

Será preciso ampliar a demanda, já que a safra na região CentroSul deve ir a 28,4 bilhões de litros, diz o Itaú BBA

A estimativa de produção recorde de etanol na safra 2026/27 pela região Centro-Sul é consenso no mercado.

Além da alta oferta de cana-de-açúcar, dois vetores concorrem para esse resultado: a retomada do mix alcooleiro, ausente nos últimos anos, e a expansão acelerada do etanol de milho. Como gerir essa expansão, que já se tornou novo desafio para o setor de bioenergia?

JornalCana apresenta a seguir destaques de estudo do Itaú BBA que ajudam a avaliar a situação.

• Produção: Para a safra 2026/27, a instituição projeta produção de 38,4 bilhões de litros no Centro-Sul. Desse volume, 27% (10,3 bilhões de litros) virão do milho.

• Norte-Nordeste: No Norte-Nordeste do Brasil, essa participação chega a 40%, com 1,3 bilhão de litros de etanol de milho projetados – o que reduz as transferências do biocombustível do Centro-Sul à região.

• Total: Hoje, o Brasil possui 29 usinas dedicadas à fabricação de etanol a partir de cereais (milho, principalmente), além de 14 usinas flex (produtoras de etanol a partir do milho e da cana-de-açúcar). Até o final de 2030, esperamos que a capacidade produtiva deste segmento alcance 23,2 B L.

• Biomassa: O único entrave à consecução deste potencial é a ampla necessidade de biomassa.

• Venda: Em relação à demanda, a venda mensal de etanol hidratado carburante pelas distribuidoras em maio permaneceu em 1,8 bilhão de litros pelo 3º mês consecutivo (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis –ANP).

• Patamar: Apesar da melhora contínua da sua competividade frente à gasolina, o consumo do biocombustível não rompe esse patamar, indicando acomodação. A revisão negativa do crescimento do PIB brasileiro também pode reduzir o potencial de crescimento da demanda do ciclo Otto.

• Cenário: Com tanta oferta, mercado externo suprido pelo etanol americano, consumo interno aquém do potencial e juros elevados, o encaminhamento é para um cenário de preços do renovável pressionados ao longo do ciclo 2026/27.

• Consumo: Para evitar a alta do estoque de final de safra, o consumo mensal de etanol hidratado precisa superar 2,0 bilhões de litros até dezembro de 2026, o que não é trivial.

• Paridade: Para tanto, estima-se que a paridade média na safra corrente fique abaixo de 65% no Estado de São Paulo, com 63% fixado hoje como referência para nosso cenário base. A título de comparação, a paridade média nos postos paulistas foi de 68% em 2025/26.

• Estoque: A cada mês que a demanda não reage, maior a queda necessária da paridade nos meses seguintes para que o estoque final fique alinhado coma média histórica em termos de dias de dias de consumo (stock-to-use).

• Arbitragem: A depender da queda de preço do etanol no mercado interno, associado ao câmbio, a arbitragem de importação pela Europa pode se materializar. É preciso estar atento.

• Gasolina: A subvenção à gasolina faz lembrar que o “mercado” de gasolina no Brasil segue uma dinâmica própria, política, fato que se reveste de uma impor-

tância e incerteza ainda maiores em um ano de eleição presidencial.

• Busca de demanda: Assim, em que pese esta artificialidade no preço do seu concorrente, cabe ao etanol fazer o trabalho de buscar demanda, frente a uma produção recorde. Isso de fato tem ocorrido: diante de preços da gasolina na bomba estáveis, toda a queda de paridade a favor do uso do etanol derivou dos menores preços do renovável que ocorreram mais rápido do que o esperado.

• Cana: Altas pontuais do preço do etanol podem ser observadas, como as ocorridas recentemente, derivadas do ritmo incontínuo do processamento de cana com paralisações em virtude das chuvas e expectativas sobre E32, sem efeito concreto sobre a demanda.

• Conjuntura: Tratam-se, porém, de elementos conjunturais que, na ausência de um catalisador estrutural, justificam essa nossa previsão de cenário pressionado de preços.

• Novos usos: Este catalisador existe, mas ainda sem previsão de realmente se traduzir em nova demanda de etanol. Trata-se dos novos usos para o renovável, em especial SAF, bio-bunker, e maquinários movidos a etanol.

• Mandatos: Adicionalmente, aumentos dos mandatos de mistura pelos países também gera potencial de incremento do consumo global, ainda que em menor magnitude do que as vias citadas. A tramitação do E15 no Senado dos Estados Unidos é fator relevante, mas nos parece mais distante, em virtude de pressões setoriais contrárias.

Magister reúne especialistas do setor sucroenergético para workshop sobre montagem de desfibradores

Evento técnico realizado em Sertãozinho/ SP fortaleceu a capacitação de engenheiros, mecânicos e gestores de usinas, focando na máxima disponibilidade e performance dos equipamentos no campo.

Sertãozinho (SP) – Referência em soluções industriais para o setor sucroenergético, a Magister Equipamentos Industriais Ltda. promoveu, nos dias 30 de junho e 1º de julho, em sua sede em Sertãozinho, o treinamento avançado “Atualização na montagem de desfibradores”.

O evento nasceu da identificação de uma demanda recorrente das usinas durante o período de manutenção e montagem. Para antecipar soluções e mitigar riscos em campo, a Magister reuniu mais de cem participantes, entre técnicos, engenheiros, mecânicos, supervisores e gerentes do setor, para dois dias de intensa imersão técnica e troca de conhecimentos de alto nível. A programação contou com palestras técnicas detalhadas sobre a montagem em campo de desfibradores, abordando procedimentos críticos para a eficiência operacional, tais como alinhamento, balanceamento, torqueamento, montagens e tolerâncias dimensionais. O encontro também contou com o apoio e o peso de gigantes globais da engenharia: a SKF ministrou palestra focada na prevenção e análise de falhas em rolamentos, enquanto a NSK conduziu a apresentação sobre lubrificação e técnicas de montagem de

rolamentos.

O foco central da iniciativa foi garantir a assertividade nas montagens durante a safra, preservando a vida útil do ativo, otimizando o preparo da cana e elevando o desempenho e a confiabilidade operacional das usinas. Para o diretor da empresa, Marcos Mafra, a iniciativa reforça o modelo de trabalho que consolida a reputação da marca no mercado.

“Nosso foco sempre foi construir uma relação de confiança. Para nós, manter a excelência nos serviços e cumprir rigorosamente os prazos de entrega não são diferenciais, são compromissos básicos. Buscamos ir além do operacional: atuamos como parceiros do cliente,

entendendo suas dores e entregando soluções práticas que realmente fazem a diferença no dia a dia dele. Esse treinamento reflete exatamente isso: trazer o cliente para dentro da nossa casa para sanar dúvidas técnicas e garantir que nossos desfibradores operem com a máxima performance no campo”, destaca Mafra.

Com essa iniciativa, a Magister reafirma sua posição de liderança, reforçando sua presença e tradição técnica no setor sucroenergético.

EquipSea amplia sua atuação no setor sucroenergético

Empresa leva para as usinas centrífugas secadores e filtros que combinam eficiência, produtividade, confiabilidade, automação e menor custo operacional

SOBRE A EQUIPSEA

A EquipSea Equipamentos e Serviços Industriais nasceu em 2017, na cidade de Piracicaba – SP, e conta hoje com um parque fabril de mais de 11.000 m², distribuídos em suas 3 naves produtivas. A empresa tem construído uma trajetória consolidada no rigoroso mercado de Óleo e Gás e agora, amplia sua atuação, entrando no setor sucroenergético com uma série de novos equipamentos.

Sobre esse salto estratégico, comenta Cláudio José Evangelista, Diretor Comercial: “Nós estamos dando passos sólidos de expansão e crescimento, e agora o mercado sucroalcooleiro pode contar com uma empresa moderna e tecnológica, aliada a um time sênior de engenharia que soma décadas de experiência em desenvolvimento de novos produtos para toda cadeia produtiva do setor de Açúcar e Álcool.”

“Várias usinas começaram a nos procurar e a solicitar apoio para melhorar seus processos produtivos na fabricação de açúcar (centrifugação, secagem, filtração etc.), e sempre nos perguntavam quando iríamos começar a fabricar nossos equipamentos. Foi aí que decidimos expandir nossa atuação para o mercado sucroenergético, com todos esses novos equipamentos aqui apresentados.” complementa Gilberto Racca Zandoval, Diretor de Engenharia e Energia Verde.

CENTRÍFUGAS AUTOMÁTICAS

AC G Force

A linha de centrífugas automáticas

AC G Force representa o estado da arte em separação centrífuga para massa A. Projetada para processar até 1.800 kg de massa por ciclo e até 30 ciclos por hora, o equipamento foi desenvolvido para suportar regimes de trabalho intensos com alta disponibilidade.

“O cesto de alta purga em aço inoxidável duplex é o coração da centrífuga. É ele quem define a qualidade da purga, a resistência ao desgaste e, no final das contas, a produtividade do equipamento. O material duplex não foi escolhido por acaso: ele combina alta resistência mecânica e à corrosão, reduzindo inércia de massa e proporcionando menor consumo energético. O cubo em aço inoxidável martensítico possui uma geometria desenvolvida para uma descarga rápida e efi-

ciente do açúcar” — explica Gilberto Racca Zandoval.

A construção da AC G Force não economiza em materiais nobres: o monitor, o sistema de separação de méis e a moega de descarga são fabricados em aço inoxidável austenítico nas partes em contato com o produto, garantindo imunidade à corrosão. No quesito controle, a válvula de alimentação conta com posicionador 4-20 mA e feedback analógico de posição, permitindo um ajuste fino do carregamento. O sistema de detecção de carga utiliza apalpador mecânico e/ou radar, assegurando que o volume de massa seja sempre o ideal para a máxima eficiência.

Todo o sistema de automação foi cuidadosamente desenvolvido para proporcionar segurança e controle preciso de toda a máquina em um ambiente intuitivo de operação. O painel de acionamento utiliza Inversor de Frequência Regenerativo, que devolve energia à rede durante a frenagem, e CLP/IHM com comunicação via rede Profinet ou Ethernet IP, dependendo da opção de cada cliente. “Todas as telas de IHM foram desenvolvidas aplicando as melhores práticas da norma ISA-101, priorizando a clareza das informações ao operador através de ícones e cores apropriadas.”

- explica Maurílio Naime Salvador, Gerente de Elétrica e Automação.

A máquina padrão vem equipada com um sistema de sensoriamento completo composto por: sensores magnéticos em todos os cilindros pneumáticos, sensores indutivos de pendulação e sensor de vibração, termopares no cabeçote e sensores PT-100 nos enrolamentos e mancais do motor.

CENTRÍFUGAS CONTÍNUAS

CF G Force

Para complementar ainda mais o portfólio da EquipSea para a fábrica de açúcar, a empresa apresenta ao mercado as novas centrífugas contínuas para Massa B e C, a CF G Force Com capacidade para processar até 42.000 kg/h, este equipamento foi projetado para operação ininterrupta, focando na máxima purga do mel e na preservação da qualidade do cristal. “O cesto cônico construído em aço inoxidável duplex é provido de duas regiões de purga, a fim de maximizar a extração de líquido e reduzir drasticamente a pureza do mel final, aumentando o rendimento da fábrica.

O sistema de alimentação é dotado de controle preciso de fluxo, temperatura e um sistema de turbilhonamento e acalmamento da massa, garantindo que o produto chegue ao cesto de forma homogênea.” detalha Gilberto Racca Zandoval.

“Além disso, podemos citar o sistema pneumático com válvulas centralizadas em um painel IP65, o que facilita muito o dia a dia da manutenção, sem falar no painel de entrada, que tornou a máquina “Plug & Play”, ou seja, a Usina não precisa mais ficar passando cabos por dentro da máquina até chegar no painel IHM frontal, basta ligar rapidamente tudo atrás, agilizando demais o comissionamento.” — comenta Maurílio Naime Salvador.

A robustez mecânica é evidenciada pelo cárter com caixa de mancal em ferro fundido, equipada com rolamentos de alta capacidade e precisão, projetados para suportar as altas cargas oriundas do processo.

O monitor possui um sistema de separação de méis com geometria dimensionada para reduzir a quebra de cristais, um fator crítico para a qualidade do açúcar.

“Com relação ao acionamento elétrico, um dos grandes diferenciais na CF G Force, é o fornecimento padrão com Inversor de Frequência, CLP e IHM, além de sensores vigias de temperatura do cárter e vibração” – complementa Maurílio Naime Salvador.

SECADORES

ESFRIADORES

RCD quattro

Os secadores esfriadores de açúcar da linha RCD quattro possuem capacidade para processar até 50.000 sacos por dia. O projeto conta com câmaras independentes de secagem e resfriamento, permitindo um melhor controle térmico e reduzindo perdas no processo.

A eficiência térmica é excepcional, operando com velocidades de ar extremamente baixas, o que reduz drasticamente o arraste de finos e cristais, minimizando perdas e problemas ambientais. “Comparado aos secadores de fluxo unidirecional, o RCD quattro apresenta desempenho superior em termos de umidade final e temperatura de ensaque” – esclarece Cláudio José Evangelista.

O equipamento pode ser fabricado em aço carbono, aço inoxidável austenítico ou ferrítico, conforme a necessidade e preferência do cliente. “O sistema de aquecimento utiliza um trocador de calor ar/vapor de feixe único, que proporciona baixíssimas perdas de carga. Uma inovação notável é a possibilidade de eliminar ventiladores e exaustores convencionais, operando exclusivamente com a pressão negativa gerada por um recuperador do tipo Venturi, o que simplifica a planta e reduz o consumo de energia.” – comenta Gilberto Racca Zandoval. O acionamento direto com motorredutores elimina o antigo sistema de coroa dentada, pinhão e corrente. O termo “quattro” refere-se aos quatro pontos de tração; caso um ou até dois motores falhem, o equipamento continua operando com os restantes, sem interromper totalmente a produção. “Com a retirada do acionamento convencional, eliminamos a utilização de graxa para lubrificação das corren-

tes e engrenagens, o que sempre trouxe problemas de contaminação, ruído e vibrações; além de reduzir significativamente o custo de manutenção do equipamento.” — explica Gilberto Racca Zandoval.

Filtros Desaguador

VBF XTRACT e Rotativo a Vácuo

VDF XTRACT

O Filtro Desaguador VBF XTRACT, com capacidade de até 50 m³/h, possui uma caixa de alimentação por transbordo dimensionada para garantir uma distribuição homogênea do lodo sobre a tela. A mesa de recepção e lavagem opera sob pressão negativa, garantindo que a extração seja maximizada e a umidade da torta seja reduzida ao mínimo antes da prensagem final. O sistema de esticamento e alinhamento das telas é controla-

do pneumaticamente e monitorado por sensores de posição e chaves fim de curso, garantindo a longevidade dos elementos filtrantes.

“Projetadas com o auxílio de simulações CFD (Computational Fluid Dynamics), as caixas de vácuo apresentam perdas de carga mínimas, dispensando a utilização de bombas de vácuo e permitindo a operação com exaustores simples. Além de reduzir os custos totais de investimento e operação, seu design otimizado proporciona menor atrito com as telas filtrantes, aumentando significativamente sua vida útil.” —

explica Gilberto Racca Zandoval. Já o Filtro Rotativo a Vácuo VDF XTRACT, para até 60 m³/h, foi também desenvolvido utilizando simulações CFD. As tubulações internas foram projetadas para manter todas as câmaras com a mesma pressão e vazão, evitando caminhos preferenciais e garantindo uma filtração uniforme. O cabeçote otimizado permite a uniformização da camada de torta em toda a extensão do tambor.

A bacia do filtro conta com alimentação de múltiplos pontos e um sistema de agitação com perfis prismáticos, que assegura a homogeneidade do lodo sem decantação. Tanto os filtros desaguadores quanto os rotativos utilizam acionamento direto com motorredutores planetários, resultando em menor consumo energético e manutenção simplificada.

Tecnologia que gera resultados. Parceria que gera confiança.

A EquipSea não entrega apenas máquinas: a parceria com o cliente começa no entendimento profundo do processo e se estende por todo o ciclo de vida do equipamento, através de um suporte técnico especializado e nosso pronto atendimento. “O compromisso da empresa é com o resultado safra após safra, garantindo que a inovação tecnológica se traduza em toneladas de açúcar e metros cúbicos de etanol produzidos com a maior eficiência possível. “Por tudo isso, a EquipSea está pronta e preparada para oferecer ao mercado produtos e serviços de alto valor agregado, através de uma estrutura fabril em constante expansão e uma equipe apaixonada pelo que faz, cujo principal objetivo é a plena satisfação de nossos clientes.” conclui Vitor Ramos, CEO da EquipSea.

Claudio EvangelistaDiretor Comercial
Gilberto RaccaDiretor de Engenharia
Maurilio SalvadorGer.de Elétrica e Automação
Vitor Ramos - CEO

Etanol amplia mercado também como combustível de navios porta-contêineres

Biocombustível já representa um marco para a descarbonização do transporte marítimo

O etanol amplia presença global também como combustível de navios porta-contêineres.

Em 12 de julho, o biocombustível foi empregado na operação de abastecimento do CMA CGM IRON, primeiro navio porta-contêineres de 13.000 TEU equipado com motor tricombustível certificado.

Realizada no Porto de Santos, a operação pioneira representa um marco para a descarbonização do transporte marítimo, posiciona o Brasil entre os países capazes de realizar este tipo de abastecimento e reforça o etanol como solução já disponível para reduzir emissões do setor.

Quem participa:

A Copersucar, líder global no setor de açúcar e etanol; a CMA CGM, especializada em soluções de transporte marítimo, terrestre, aéreo e logística; a

AGEO Terminais, armazenadora de granéis líquidos do Porto de Santos; Santos Brasil, terminal de contêineres; e a Bunker One, subsidiária do grupo dinamarquês Bunker Holding, especializada na comercialização de bunker.

O etanol fornecido pela Copersucar conta com uma cadeia de produção consolidada e certificada.

A expansão da cultura da cana ocorre predominantemente sobre áreas de pastagens degradadas, enquanto o programa RenovaBio estabelece rigorosos critérios de sustentabilidade e

de desmatamento zero.

O abastecimento demandou coordenação logística e operacional entre diversos agentes da cadeia, envolvendo o transporte do etanol até o Porto de Santos, sua armazenagem em infraestrutura dedicada e a movimentação até o navio por meio de barcaça especializada, utilizando os mais elevados padrões internacionais de segurança e eficiência.

Atributos

O abastecimento demonstra, na práti-

ca, que o etanol reúne atributos capazes de acelerar a descarbonização do transporte marítimo.

Além de proporcionar significativa redução das emissões de gases de efeito estufa, oferece disponibilidade imediata em escala comercial, infraestrutura de produção já consolidada no Brasil e competitividade econômica, características relevantes diante da crescente demanda global por combustíveis sustentáveis.

Posicionando o Brasil e o Porto de Santos como um futuro hub de combustíveis marítimos de baixo carbono Para além desta primeira demonstração, o Porto de Santos e o terminal de contêineres da Santos Brasil posicionam o Brasil como um futuro hub de combustíveis marítimos de baixo carbono para a América do Sul. Como o maior porto do continente e uma das principais portas de entrada e saída do comércio global, Santos tem potencial para conectar os recursos brasileiros de energia renovável à demanda da navegação internacional.

Etanol expande presença em aviões

O Paraguai e a Argentina entram no radar para a operação de aeronave movida a etanol da Embraer. No caso do Paraguai, a fabricante anunciou a certificação do Ipanema 203, o que abre caminho para a operação da aeronave em larga escala no país. Já na Argentina, foi assinado um Memorando de Entendimento (MoU) com a Essential Energy Holding, líder em soluções de eficiência energética,

e a Bioenergías Agropecuaria, produtora de biocombustíveis do grupo. O acordo prevê a realização de estudos de viabilidade para a produção e distribuição de etanol voltados a futuros operadores do Ipanema. Em julho, a Embraer participou, pela primeira vez, da 138ª Exposición Rural, um dos mais tradicionais e relevantes eventos do agronegócio da América Latina, realizado em Buenos Aires, Argentina. “A feira representa uma excelente oportunidade para apresentar o Ipanema 203 aos operadores, empresas aeroagrícolas e produtores rurais argentinos e reforçar nossa estratégia de expansão em mercados estratégicos para o desenvolvimento da aviação agrícola regional”, afirma Sany Onofre, líder da Aviação Agrícola na Embraer.

Eficiência

Líder de vendas no segmento no Brasil, com mais de 1.700 aeronaves entregues, o Ipanema é movido a etanol, o Ipanema 203 combina sustentabilidade e eficiência operacional, com desempenho equivalente ao de quatro grandes pulverizadores terrestres operando simultaneamente, podendo pulverizar mais de 200 hectares por hora.

Segundo a fabricante, a aeronave elimina problemas como o amassamento da lavoura e a disseminação de pragas pelo contato com o solo, entre tantas outras vantagens. Como resultado, pode proporcionar ganhos de produtividade de até 15 sacas por hectare, conforme a cultura e as condições de operação.

Caeté aposta em postos exclusivos de etanol e amplia venda direta

Projeto da usina já conta com duas unidades em operação e mais duas em implantação

Enquanto boa parte das usinas concentra seus esforços na produção, a Usina Caeté decidiu avançar também na ponta do mercado.

A empresa está investindo em uma rede própria de postos de combustíveis dedicada exclusivamente à comercialização de etanol hidratado, utilizando o modelo de venda direta autorizado pela legislação brasileira. O projeto, idealizado pelo empresário Fernando Farias, já possui duas unidades em operação — uma em Delmiro Gouveia e outra ao lado da usina, em São Miguel dos Campos (AL). Mais dois postos em via de implantação: um em Palmeiras dos Índios e outro em Arapiraca.

que a receptividade dos consumidores tem sido positiva.

“O cliente reconhece a qualidade do combustível, que vem diretamente da usina, sem risco de adulteração. Além disso, encontra um preço competitivo e a garantia de estar abastecendo com um produto de origem conhecida”, destaca.

Volume já demonstra potencial

A iniciativa busca aproximar produtor e consumidor, reduzindo intermediários e oferecendo um combustível que chega diretamente da usina aos veículos flex.

Venda direta fortalece o consumo

A comercialização direta de etanol foi autorizada pela Lei nº 14.292/2022, que reduziu etapas da cadeia logística e promoveu ajustes na tributação envolvendo PIS, Cofins e ICMS, criando condições para que produtores negociem diretamente com postos revendedores ou, como no caso da Caeté, operem sua própria estrutura de abastecimento.

Segundo a empresa, os postos oferecem etanol com procedência garantida, fornecido diretamente pela usina, além de preços competitivos em relação ao mercado regional.

No posto de São Miguel dos Campos, o líder da unidade, Dielson, afirma

Projeto cria mercado para o hidratado

Além da estratégia comercial, a iniciativa busca estimular o consumo do etanol em uma região onde ainda predominam os abastecimentos com gasolina, mesmo quando o biocombustível apresenta vantagem econômica.

Dados apresentados durante a Fersucro indicam que cerca de 60% dos proprietários de veículos flex ainda não utilizam etanol regularmente, mesmo quando seu preço corresponde a menos de 70% do valor da gasolina — faixa considerada economicamente favorável ao combustível renovável.

Nesse cenário, a disponibilidade do produto, a comunicação com o consumidor e a valorização dos benefícios ambientais tornam-se fatores tão importantes quanto o preço.

De acordo com informações da empresa, os postos da Caeté comercializam atualmente entre 150 mil e 200 mil litros de etanol por mês. Hoje, a maior parte do etanol hidratado produzido pela usina já é destinada à venda direta, seja por meio dos postos próprios ou de estabelecimentos parceiros.

A estratégia também gera impactos econômicos locais. Segundo a empresa, a expansão da rede contribui para a geração de empregos, movimenta o comércio regional e fortalece toda a cadeia produtiva da cana-de-açúcar. Com novos postos previstos para os próximos meses, a Caeté aposta que aproximar o produtor do consumidor pode ser um caminho para ampliar o mercado do etanol hidratado e incentivar o uso de um combustível renovável produzido na própria região.

Dirigentes da Copersucar visitam a Usina Caeté e conhecem iniciativas nas áreas de educação, inovação e energia renovável Dirigentes da Copersucar realizaram, dia 31 de julho, uma visita institucional à Usina Caeté, em Alagoas, com o objetivo de conhecer de perto a história, os projetos sociais e as iniciativas de inovação desenvolvidas pelo grupo. A programação teve início no escri-

tório administrativo da empresa, localizado no bairro de Jaraguá, em Maceió, onde os visitantes participaram de uma apresentação institucional. A comitiva da Copersucar foi liderada pelo presidente do Conselho de Administração, Marcelo Castelli, e pelo CEO, Tomás Manzano, e contou ainda com a participação de Daniel Moreira do Valle, diretor de Estratégia, Inteligência de Mercado e Novos Negócios; Lara Nascimento Bacellar, diretora Comercial, Planejamento e Relacionamento com Acionistas; e Pedro Augusto Paranhos de Oliveira, CEO da Evolua Etanol.

Os visitantes foram recebidos pelos empresários Elizabeth Anne Lyra Lopes de Farias, Fernando Lopes de Farias e Carlos Lyra Lopes de Farias, pela conselheira Irene Leite, pelo diretor-presidente da Usina Caeté, Aryl Lyra, pelos diretores Paulo Couto Ramalho, Luiz Magno Brito e Araken Miranda, além do superintendente agroindustrial da Unidade Paulicéia, Glênio Fireman. O presidente do Conselho Consultivo da Usina Caeté, Jacyr Costa Filho, também participou do encontro.

Manzano também ressaltou o caráter pioneiro da iniciativa dos postos de etanol. “É um projeto inovador e único no país, que aproxima o setor sucroenergético do consumidor final. Além de incentivar o uso do etanol, um combustível renovável, limpo e competitivo, fortalece toda uma cadeia produtiva que gera emprego, renda e desenvolvimento, contribuindo para uma economia cada vez mais sustentável.”

A visita reforçou a parceria entre a Copersucar e a Usina Caeté e evidenciou valores compartilhados pelas duas organizações, como inovação, sustentabilidade, desenvolvimento de pessoas e compromisso com o fortalecimento do setor sucroenergético brasileiro.

HidroVapor investe em estoque de válvulas especiais para atender demanda crescente por parte das usinas

Empresa

possui armazenagem capaz de atender até três usinas completas de uma só vez

A HidroVapor, com sede em Sertãozinho (SP), investiu em uma estratégia para reduzir um dos principais gargalos enfrentados pelas usinas de cana e milho durante a safra: a indisponibilidade de válvulas especiais e componentes críticos.

A empresa investiu na fabricação antecipada de válvulas e na formação de

estoque de materiais, fundidos e equipamentos, prontos para atender rapidamente situações emergenciais.

Segundo o diretor da empresa, Paulo Henrique Izo, a iniciativa busca evitar que as usinas interrompam suas operações por falta de peças de reposição, especialmente em equipamentos essenciais, como válvulas da saída de vapor das caldeiras.

Izo cita como exemplo um atendimento realizado em uma usina de Campo Florido (MG), onde a HidroVapor disponibilizou imediatamente duas válvulas novas para evitar a paralisação da produção.

As peças utilizadas pela usina foram recolhidas para manutenção, permitindo que a operação continuasse sem interrupções na safra atual.

Linha completa de vávulas

O investimento da HidroVapor contempla principalmente a aquisição antecipada de fundidos, materiais e componentes acabados, formando um estoque capaz de atender de uma só vez a demanda de todas as válvulas utilizadas em três usinas.

A estratégia, segundo a empresa, antecipa um problema que vem se tornando recorrente no setor: a indisponibilidade de vávulas especiais a pronta entrega. Mesmo quando o cliente dispõe de recursos para a compra, o prazo para fabricação de válvulas pode chegar a cerca de 60 dias,.

ritmo, e pretende seguir assim nos próximos anos.

Atualmente, a HidroVapor atende cerca de 70 usinas dos segmentos sucroenergético e de etanol de milho. A meta é ampliar essa carteira para cerca de 100 clientes, mantendo aproximadamente 70 contratos de manutenção. deve crescer ao redor de 30% a 35% ao ano. Ele já vem crescendo nesse

Essa conquista é fruto da estratégia focada na retenção de mão de obra especializada. Em vez de concentrar toda a produção durante a entressafra, a empresa mantém equipes trabalhando continuamente na fabricação e recuperação de componentes. Dessa forma, busca reduzir os impactos da escassez de profissionais qualificados no mercado e assegurar maior agilidade no atendimento às usinas quando houver necessidade de reposição de peças durante a safra.

Paulo Henrique Izo (ao centro) com a equipe da empresa

Hidro Vapor amplia atuação junto a usinas

A HidroVapor traçou uma estratégia de crescimento acelerado para os próximos anos, sustentada por investimentos em estoque, pronta entrega de válvulas industriais e expansão da carteira de clientes.

A meta da empresa é ampliar sua presença no setor sucroenergético e em outros segmentos industriais.

Segundo o diretor da companhia, Paulo Henrique Izo, o planejamento prevê crescimento consistente nos próximos três anos, período em que a empresa pretende fortalecer sua atuação junto às usinas de cana-de-açúcar e etanol de milho.

Atualmente, o negócio já registra forte demanda por válvulas industriais de pronta entrega, principalmente para situações emergenciais, em que a paralisação de equipamentos pode gerar elevados prejuízos às indústrias.

De acordo com o executivo, a disponibilidade imediata de componentes tornou-se um diferencial competitivo.

Em alguns casos, clientes solicitam equipamentos sem sequer negociar preços, diante da dificuldade de en-

Empresa reinveste recursos obtidos

Prestes a completar seis anos em neste mês de setembro de 2026, a HidroVapor nasceu da experiência de seu fundador, Paulo Henrique Izo, que atua há cerca de 18 anos no segmento de válvulas industriais.

O empresário afirma que um dos fundamentos para o crescimento da HidroVapor e responsável por transformá-la em uma referência nacional no setor, está no reinvestimento constante dos recursos na expansão da empresa.

Entre os planos estão a construção de uma nova sede e o fortalecimento da marca por meio de investimentos em estrutura e posicionamento de mercado.

A empresa ampliou sua área construída de 4.700 m² para 9.500 m², dobrando sua capacidade operacional.

Para a empresa, a combinação entre estoque estratégico, atendimento técnico especializado e presença crescente junto às principais usinas brasileiras vem sustentando o ritmo de expansão e deve e deve consolidar a HidroVapor como uma das principais fornecedoras de soluções em válvulas industriais para o agronegócio e diversos segmentos da indústria. Outro avanço relevante está na consolidação de padrões técnicos e de gestão.

A empresa passou a operar com certificações internacionais reconhecidas, como ISO 9001, ISO 14001 e ISO 45001, além da conquista do CRC Petrobras, credenciamento que atesta sua conformidade para fornecimento em projetos de maior complexidade no país.

Gildasio Cerqueira, gerente de manutenção: 12 equipes no trabalho de campo junto aos clientes

contrar válvulas especiais no mercado e do impacto que uma parada operacional pode causar à produção. Mas, como pilar ético, a empresa pratica preços competitivos, independente da circunstância do cliente.

A empresa também avalia que a estratégia de manter amplo estoque deverá ampliar sua participação no mercado e reduzir espaço para concorrentes. Além do atendimento direto às usinas, a HidroVapor passou a fornecer equipamentos para distribuidores e expandiu sua atuação para novos mercados, incluindo estaleiros e unidades industriais da região Nordeste.

A empresa conta com equipes es-

pecializadas em campo para atender válvulas de alta pressão, realizando intervenções que evitam a remoção completa dos equipamentos e reduzem custos para os clientes.

“Temos 12 equipes de profissionais que trabalham diretamente nas usinas clientes”, diz o gerente de manutenção da HidroVapor, Gildasio Cerqueira.

Segundo ele, perto de 100 profissionais trabalham na empresa para realizar a manutenção das válvulas.

Siqueira também realiza a contratação de profissionais que trabalharão na HidroVapor durante o período da entressafra.

Previsão de Super El Niño reforça urgência de adaptação climática no agronegócio

Alerta é da Coalizão Brasil, que reforça a necessidade de práticas resilientes no setor agrícola

A possibilidade de ocorrência de um

Super El Niño neste segundo semestre de 2026 acende um sinal de alerta para o agronegócio brasileiro.

Diante da perspectiva de intensificação de eventos climáticos extremos, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura defende que o setor acelere a adoção de práticas sustentáveis, amplie a recuperação de áreas degradadas e fortaleça políticas de adaptação climática por meio de instrumentos como crédito, seguro rural e assistência técnica.

A Coalizão Brasil é movimento composto por mais de 400 organizações, entre entidades do agronegócio, empresas, organizações da sociedade civil, setor financeiro e academia

As propostas integram um documen-

to elaborado pela entidade para os candidatos às eleições de 2026, que destaca a necessidade de preparar o campo para um cenário de maior instabilidade climática.

O alerta ganha força após uma nova análise da Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), que em julho apontava 81% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro.

Caso o cenário se confirme, a expectativa é de aumento na frequência de ondas de calor, períodos de seca e chuvas intensas, com impactos diretos sobre a produção agropecuária.

Segundo Leila Harfuch, integrante do Grupo Estratégico da Coalizão Brasil e sócia-gerente da Agroicone, o fenômeno exige uma revisão das políticas públicas voltadas ao campo.

“A previsão de um El Niño deixa de ser apenas um alerta meteorológico para se tornar um chamado urgente à modernização das nossas políticas públicas para o campo”, afirma. Para

ela, é necessário atualizar o seguro e o crédito rural para oferecer maior previsibilidade e proteger a renda dos produtores diante de perdas de safra cada vez mais frequentes.

A especialista também defende a implementação mais rápida do Código Florestal e um planejamento territorial capaz de reduzir vulnerabilidades e garantir segurança hídrica, energética, produtiva e alimentar.

Entre as medidas prioritárias apresentadas pela Coalizão estão a ampliação do uso de tecnologias já consolidadas no campo, como o plantio direto, os bioinsumos e os sistemas integrados de produção, a exemplo da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

Segundo a entidade, essas práticas contribuem para recuperar a qualidade do solo, aumentar sua capacidade de retenção de água e tornar a produção mais resiliente às mudanças climáticas.

O documento também defende que a conservação e o manejo sustentável da terra sejam tratados como ativos

econômicos estratégicos para o país.

Para Rodrigo Castro, membro do Grupo Estratégico da Coalizão Brasil e diretor de País da Fundação Solidaridad, a competitividade do agronegócio depende da adoção de modelos produtivos de baixo carbono e da integração entre produção e conservação ambiental.

“O uso sustentável da terra deve ser reconhecido como um ativo econômico. É preciso produzir mais e melhor, por meio da agricultura regenerativa, da conservação do solo e de práticas que aumentem a resiliência diante da irregularidade climática”, destaca. Castro lembra ainda que a agropecuária brasileira tem papel relevante na segurança alimentar global, abastecendo mais de 1 bilhão de pessoas, e afirma que acelerar a regularização ambiental e integrar a conservação da vegetação nativa aos sistemas produtivos é essencial para proteger a produtividade, reduzir riscos climáticos e preservar a competitividade do Brasil no mercado internacional.

Propostas aos candidatos às eleições

A Coalizão Brasil apresenta aos candidatos às eleições de 2026 uma agenda de desenvolvimento baseada no uso sustentável da terra, na segurança jurídica, na valorização da produção responsável e na geração de valor com a natureza.

As propostas partem de uma premissa central: o Brasil tem condições de ampliar sua produção, fortalecer sua competitividade internacional, atrair investimentos e gerar renda sem avançar sobre novas áreas de vegetação nativa. Para isso, é preciso combater a ilegalidade, dar escala a políticas públicas já existentes ou em construção, modernizar instrumentos produtivos e financeiros e reconhecer o valor econômico dos serviços ecossistêmicos. A estratégia está organizada em três eixos complementares: garantir as bases para crescer com segurança; produzir mais e melhor; e gerar valor com a natureza.

ímica

Agrícola; Filtrado/Industrial; Purificado; Alimentício.

NANOSPUMA:

Antiespumante base água e silicone; Antiespumante para fermentação e vinhaça; Antiespumante para indústrias em geral.

NANODISPER:

Dispersante para fermentação; Dispersante para indústrias em geral.

Estrutura e localização

No coração do Setor Sucroenergético, a Nanoquímica está situada no Distrito Industrial de Pradópolis (SP). Essa localização estratégica coloca a empresa no centro de uma das regiões mais produtivas e desenvolvidas do país, sendo considerada o verdadeiro berço do setor sucroalcooleiro.

Ácido fosfórico purificado

NANONUTRI:

Bactericidas e Biocidas.

NANOCRUST:

Anti-incrustante de Coluna e Evaporação.

NANODEC:

Clarificante de Caldo, Xarope e Refinaria; Dispersante de sais para Massas e Extração.

NQ 700

Lubrificante de massa.

NANOTRAL:

Neutralizante a base de amina para Vapor e Etanol.

Nutriente liquido balanceado Macro e micro nutrientes; Personalizados; Biogás; Nutriente liquido Nitrogenado.

NANOZYME:

Enzima Alfamilase e Dextranase; Enzima Desfloculante.

EMULSIONE:

Emulsão concentrada de silicone.

DISPER PLUS:

Emulsionante para Óleos.

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Esse polo industrial e científico destacase pela força do campo e diversidade industrial. Sua infraestrutura garante uma logística ágil para atender às demandas com prontidão, conectando a marca diretamente ao dinâmico mercado de energia limpa e biocombustíveis. Conheça a linha completa de soluções químicas logo abaixo:

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OUTROS

Ácido Cítrico Anidro; Ácido Cítrico 50%; Ácido Sulfúrico 98%; Hidróxido de Sódio 50%; Hipoclorito de Sódio 12%; Policloreto de Alumínio 12%; Policloreto de Alumínio 18%; Acidulante para Fermentação Etanólica e Gás Metano.

Rua Alexandre Magnusson, 2.100 - Distrito Industrial Pradópolis/SP.

Usina no Mato Grosso do Sul reduz em até 75% o uso de ácido sulfúrico na fermentação com tecnologia Nanoquímica

Experiência da Fátima do Sul Agro Energética mostra ganhos econômicos com a redução do consumo de insumos, mantendo a estabilidade do processo fermentativo

O aumento dos custos dos insumos utilizados na produção de etanol tem levado usinas a buscar alternativas capazes de reduzir despesas sem comprometer a eficiência industrial. Na Fátima do Sul Agro Energética, localizada em Mato Grosso do Sul, essa estratégia passou pela adoção de uma tecnologia voltada à substituição parcial do ácido sulfúrico no processo fermentativo, com resultados que refletiram diretamente na redução dos custos operacionais.

A unidade passou a utilizar o Nanobac 3010, desenvolvido pela NanoQuímica, inicialmente motivada pela elevação do preço do ácido sulfúrico, um dos principais insumos empregados no tratamento da fermentação. Segundo Marcelo Silva (Supervisor produção) e Fernando Bernardi (Comprador), o custo crescente do produto tornou necessária a busca por alternativas que preservassem a estabilidade do processo e reduzissem o impacto financeiro sobre a produção. Antes da mudança, a fermentação apresentava elevado consumo não apenas de ácido sulfúrico, mas também de dispersantes, antiespumantes e antibióticos, fatores que aumentavam o custo por litro de etanol produzido.

A implantação da nova tecnologia foi realizada pela Engenheira de aplicação Mariana Almagro da equipe técnico-comercial Nanoquímica com acompanhamento e apoio técnico integral durante todo o ciclo de testes laboratoriais (João

Ricardo – Líder laboratório; Karina Pinheiro -Analista de microbiologia) e industriais (Marcelo Silva). De acordo com a usina, o processo ocorreu de forma gradual, permitindo avaliar o desempenho da solução antes da adoção definitiva.

Para validar os resultados, a equipe monitorou indicadores como redução do consumo de ácido sulfúrico, viabilidade das leveduras, brotamento e controle microbiológico da fermentação. A manutenção desses parâmetros era considerada essencial para garantir que a economia de insumos não comprometesse o rendimento industrial.

Os resultados observados confirmaram a estabilidade da fermentação e revelaram benefícios que foram além da redução do ácido sulfúrico.

Economia vai além do ácido sulfúrico

O principal ganho identificado pela Fátima do Sul Agro Energética foi econômico. Segundo a unidade, houve redução de aproximadamente 75% no consumo de ácido sulfúrico, acompanhada por uma diminuição de 65% no uso de antiespumantes e de 30% no consumo de dispersantes, bem como a eliminação total da dosagem de antibióticos e biocidas durante a aplicação da solução NANOBAC 3010.

Na avaliação da empresa, esses resultados tiveram impacto direto na redução do custo industrial por litro de etanol produzido.

Além da economia de insumos, a usina relata que a fermentação manteve estabilidade operacional, com viabilidade do fermento preservada, controle da contaminação microbiológica e manutenção do rendimento fermentativo.

Outro aspecto que chamou a atenção da equipe foi justamente o comportamento dos insumos auxiliares. Embora a expectativa inicial estivesse concentrada na redução do ácido sulfúrico, a diminuição expressiva do consumo de antiespumantes e dispersantes e a eliminação total do uso de biocidas e antibióticos, acabou sendo um dos principais diferenciais observados durante a operação.

Operação mais estável

A mudança também foi bem recebida pela equipe operacional da usina. Conforme relatado pela empresa, toda alteração de processo costuma gerar dúvidas durante a fase inicial de implantação, mas os resultados obtidos contribuíram para consolidar a confiança dos operadores. Segundo a unidade, a estabilidade alcançada durante a fermentação facilitou a condução da operação, reduzindo a necessidade de intervenções e

reforçando a percepção de segurança quanto ao novo procedimento. A transição ocorreu com suporte técnico durante todas as etapas de avaliação, fator apontado pela empresa como importante para minimizar os desafios naturais de qualquer mudança industrial.

Avaliação em campo

Com base na experiência obtida, a Fátima do Sul Agro Energética recomenda que outras usinas interessadas em reduzir custos avaliem tecnologias semelhantes por meio de testes em escala industrial.

Na avaliação da empresa e de seu Gestor Gérson Forti, cada unidade possui características próprias de processo, razão pela qual a validação em campo é considerada fundamental antes da implementação definitiva. Uma vez confirmados os resultados operacionais e econômicos, a adoção da tecnologia pode representar uma alternativa para diminuir o consumo de insumos tradicionalmente utilizados na fermentação.

Sediada em Pradópolis (SP), a NanoQuímica atua no desenvolvimento de soluções químicas para usinas, refinarias e indústrias, oferecendo produtos para otimizar processos, reduzir custos, ampliar a produtividade e substituir métodos convencionais por alternativas mais seguras, sustentáveis e de maior valor agregado às diferentes etapas dos processos produtivos, como clarificantes, controladores de espuma, nutrientes, bactericidas e ácido fosfórico purificado. Entre as tecnologias da empresa está o Nanobac 3010, desenvolvido para reduzir a dependência do ácido sulfúrico durante a fermentação alcoólica, buscando aliar controle microbiológico, estabilidade operacional e redução dos custos industriais.

Bombas de anel líquido ganham o protagonismo na eficiência das usinas de açúcar e etanol

Em um cenário marcado pela busca por maior eficiência operacional, redução do consumo de recursos naturais e aumento da confiabilidade industrial, as bombas de vácuo de anel líquido vêm ampliando sua relevância nas usinas de açúcar e etanol. Aplicadas em etapas estratégicas da produção, essas soluções contribuem para ganhos de produtividade, economia de energia e melhoria da qualidade dos produtos finais.

A tecnologia opera por meio de um rotor excêntrico instalado dentro da carcaça da bomba. Com a adição de um líquido de selagem, forma-se um anel rotativo responsável pela geração do vácuo necessário para diferentes operações industriais. Sua robustez permite o funcionamento eficiente em ambientes com líquidos, vapores e partículas sólidas, características comuns no processamento da cana-de-açúcar.

Atualmente, dois desafios estão entre as principais preocupações dos gestores das usinas. O primeiro é a redução do consumo de água e o atendimento às exigências ambientais cada vez mais rigorosas. Nesse contexto, sistemas de vácuo com recirculação total ou parcial do líquido de anel ajudam a reduzir a captação hídrica por tonelada produzida, favorecendo a sustentabilidade das operações.

O segundo desafio é garantir alta disponibilidade dos equipamentos. Em um setor em que paradas não programadas geram impactos significativos na produção, a confiabilidade dos sistemas de vácuo tornou-se um fator decisivo. Por isso, ganham espaço equipamentos de alta durabilidade aliados a fornecedores capazes de oferecer suporte técnico rápido e eficiente.

As aplicações das bombas de anel líquido abrangem diversas etapas do

processo produtivo. Na filtração do caldo, o vácuo auxilia na separação entre caldo e bagaço, favorecendo a recuperação de sacarose, por exemplo. Na evaporação, reduz a temperatura de ebulição da água, permitindo concentrar o caldo com menor consumo energético e preservando características importantes do açúcar.

A tecnologia também desempenha papel relevante na cristalização, criando condições favoráveis para a formação de cristais mais uniformes e de melhor qualidade. Além disso, está presente em filtros rotativos, sistemas de secagem e na remoção de vapores ao longo da produção.

Mais do que um equipamento de processo, as bombas de vácuo de

anel líquido vêm se consolidando como um recurso estratégico para as usinas sucroenergéticas. A contribuição para a redução do consumo de água, a eficiência energética e a continuidade operacional reforçam seu papel nas decisões de investimento de um setor cada vez mais orientado por produtividade, competitividade e sustentabilidade.

Tecnologia integrada reduz paradas e amplia eficiência no CTT da Santo Antônio

Usina alagoana aposta em telemetria, análise de dados e rotogramas para aumentar a produtividade, reduzir custos e acelerar decisões

A busca por maior eficiência nas operações de corte, transbordo e transporte (CTT) passa, cada vez mais, pela capacidade de transformar dados em decisões rápidas. Na Central Açucareira Santo Antônio, em Alagoas, esse processo vem sendo construído com a integração entre diferentes sistemas de gestão, telemetria embarcada e inteligência operacional, permitindo ganhos de produtividade em uma das logísticas mais desafiadoras do setor sucroenergético.

A operação da Santo Antônio ilustra essa complexidade. A empresa cultiva aproximadamente 38 mil hectares, dos quais 32 mil são colhidos anualmente, abastecendo duas unidades industriais.

A safra 2025/26 processou cerca de 2,3 milhões de toneladas de cana, em uma região que registra média histórica de 1.800 milímetros de chuva por ano e reúne áreas planas, encostas e baixadas, exigindo diferentes estratégias logísticas.

Nesse ambiente, a velocidade na obtenção das informações passou a ser um diferencial operacional.

Uma das principais mudanças ocorreu com a ampliação do uso da telemetria integrada aos sistemas corporativos da usina. A tecnologia, fornecida pela Axiagro e conectada ao sistema de gestão agrícola, permite que informações geradas pelas máquinas sejam transmitidas automaticamente para

empresa é atingir 100% da frota monitorada.

Com esse volume de informações, o número de registros operacionais cresceu de aproximadamente 348 mil para mais de 1,4 milhão por safra. Segundo Roderick, o desafio deixou de ser coletar dados e passou a ser transformá-los em decisões rápidas. “A informação precisa ser tratada quando acontece. Se ela chega uma semana depois, perdeu o valor para a operação.”

Rotogramas aumentam segurança no campo

Outra ferramenta incorporada à rotina da usina é o rotograma digital, utilizado para orientar motoristas nos trajetos entre os canaviais e as unidades industriais.

Durante webinar promovido pelo JC360 sobre tecnologias para o CTT, o analista de sistemas da usina, Roderick Alex Luna da Silva, apresentou como a digitalização da operação tem ajudado a enfrentar desafios típicos da região, marcada por relevo acidentado, elevada pluviosidade e uma operação distribuída por 13 municípios. Segundo ele, a tecnologia só produz resultados quando está integrada às pessoas e aos processos.

“Não adianta ter tecnologia sem pessoas capacitadas para interpretar as informações e tomar decisões”, afirmou.

bancos de dados e painéis de controle. Na prática, o modelo reduz a necessidade de apontamentos manuais e praticamente elimina o uso de planilhas como ferramenta de controle operacional.

Em vez de equipes dedicadas à digitação de informações, a usina passou a concentrar esforços na análise dos dados produzidos automaticamente pelos equipamentos.

Entre 2023 e 2025, o número de máquinas monitoradas passou de 57 para 241, abrangendo colhedoras, caminhões, tratores, carregadeiras e outros equipamentos agrícolas. A meta da

O avanço da digitalização também alcançou equipamentos que originalmente não possuíam recursos eletrônicos.

Um exemplo é a Bell, máquina utilizada na movimentação da cana em áreas de encosta. Sensores passaram a registrar automaticamente períodos de operação e de parada, reduzindo a necessidade de intervenções do operador e permitindo maior precisão no acompanhamento da produtividade. A estratégia segue o mesmo princípio adotado em outras etapas da operação: reduzir apontamentos manuais, aumentar a confiabilidade dos dados e liberar os colaboradores para atividades de maior valor agregado.

Resultados aparecem em produtividade e consumo

O sistema considera características específicas das estradas rurais, indicando pontos críticos como pontes estreitas, cruzamentos, áreas de conflito entre veículos e trechos de maior risco.

Na Santo Antônio, a solução foi integrada ao sistema de despacho. Assim que a viagem é programada, a rota já aparece automaticamente na tela do motorista.

O sistema também passou a incorporar novas funcionalidades desenvolvidas em conjunto com a fornecedora da tecnologia, como o mapeamento automático das rotas percorridas pelos caminhões e o envio de alertas sobre acidentes, interdições ou obstáculos encontrados durante o trajeto, informações que ficam imediatamente disponíveis para os próximos veículos.

Além de aumentar a segurança, o recurso reduz tempos de espera em pontos críticos e melhora o fluxo da operação.

Inteligência chega até máquinas sem eletrônica embarcada

Os ganhos obtidos já podem ser observados em diferentes indicadores operacionais.

Comparando as últimas safras, a usina registrou redução nas horas improdutivas de caminhões, carregadeiras e outros equipamentos, refletindo em maior disponibilidade da frota. O monitoramento também contribuiu para diminuir o consumo de diesel. Segundo dados apresentados pela empresa, a economia acumulada alcançou cerca de 284 mil litros de combustível, além da possibilidade de realocação de operadores para funções mais estratégicas.

Outro avanço ocorreu na mecanização da colheita. Em apenas três safras, a participação da colheita mecanizada passou de 1% para 18%, com a expectativa de atingir 40% na próxima temporada, apoiada por uma frota crescente de colhedoras e pelo monitoramento contínuo dos equipamentos.

Para Roderick, o diferencial não está apenas na adoção de novas ferramentas, mas na capacidade de integrar todas as informações geradas ao longo do processo agrícola e industrial. “A tecnologia precisa entregar dados confiáveis para que a decisão seja tomada na hora certa. É essa integração que permite produzir mais, com menos desperdícios e maior eficiência operacional”, concluiu.

A Usina da Recuperação

Temas

Ribeirão Preto - SP

apresenta

Seminário Brasileiro Agroindustrial

21 e

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DO PROÁLCOOL À INTEGRAÇÃO

CANA-MILHO: O FUTURO DO SETOR SUCROENERGÉTICO BRASILEIRO.

O setor sucroenergético brasileiro vive hoje um momento de inflexão histórica comparável à revolução promovida pelo Proálcool na década de 1970. Antes, motivado pela alta dependência externa de petróleo em meio a um momento de tensão geopolítica. Agora, impulsionado pela revolução verde e pelo crescente interesse global em energia renovável.

A inserção do milho como matéria-prima complementar inaugura um novo ciclo de transformação, impulsionado pelo excedente de milho safrinha no Centro-Oeste, pela ociosidade das usinas de cana durante a entressafra (dezembro a março) e pelo ambiente regulatório favorável, que estabelece metas compulsórias de descarbonização e premia rotas tecnológicas inovadoras. O resultado é um crescimento exponencial: a produção de etanol de milho saltou de cerca de 520 milhões de litros em 2017 para mais de 8,2 bilhões em 2024/25, um crescimento de 1577% e com projeção de ultrapassar 10 bilhões em 2025/26 (UNICA, 2025), já respondendo por mais de 20% do total nacional.

Atualmente, o Brasil conta com 24 biorrefinarias de etanol de milho, concentradas principalmente no Mato Grosso (72% da produção) e Goiás. Entretanto, somente no ano de 2025, já foram anunciados R$ 41 bilhões em investimentos para novos projetos, adicionando potenciais 44 novas plantas e 12 bilhões de litros/ano à capacidade produtiva nacional (COLONHEZI E PINHO, 2026).

O BAGAÇO COMO ATIVO DAS USINAS

A eficiência energética nas usinas de cana-de-açúcar brasileiras evoluiu de forma expressiva nas últimas décadas. As antigas caldeiras de baixa pressão (22–24 bar), que consumiam mais de 500 kg de vapor por tonelada de cana e exportavam praticamente nenhuma eletricidade (GOLDEMBERG, 2010), cederam lugar a caldeiras de alta pressão (60–65 bar), reduzindo o consumo de vapor para 380–420 kg/t cana e permitindo exportar energia elétrica na ordem de 100–150 kWh/t de cana (SALLA et al., 2009).

Com a expansão do etanol de milho seguindo em ritmo acelerado, a escassez de biomassa para a geração de vapor volta a representar um gargalo e pode se tornar um potencial freio neste crescimento. Diferentemente das usinas de cana, as usinas de milho dependem integralmente de fontes externas para suprir suas necessidades térmicas, sendo o cavaco de eucalipto responsável pela maior parte desta demanda.

Além disso, o consumo típico de vapor nessas plantas é maior devido às necessidades específicas do processo, como a cocção, gelatinização do amido e secagem do DDGS, variando entre 500 e 600 kg por tonelada de milho processada (EMBRAPA, 2023), derrubando o Retorno sobre a Energia Investida (EROI) para 6,01, contra 9,84 da cana-de-açúcar (AGRIBIZ, 2025), como ilustrado pela Tabela 1.

Tabela 1. Valores típicos de consumo, fonte de energia e retorno sobre investimento em energia (EROI) para o etanol de cana e de milho.

Consumo de vapor kg/Tmat.-prima 380 - 420

Fonte de energia - Bagaço próprio

- 9,84

- 6002

1Razão entre o total de energia útil produzido (investido) pelo total utilizado; 2Baseado em dados do setor disponíveis nos relatórios da EMBRAPA; 3Majoritariamente cavaco de eucalipto.

Com o cavaco custando entre R$ 240 e R$ 500 a tonelada, dependendo da distância e da disponibilidade regional (DATAGRO, 2024), e sofrendo uma crescente pressão ambiental sobre seu uso, o bagaço da cana-de-açúcar, historicamente tratado como um resíduo de baixo valor, transformou-se no principal ativo estratégico do setor. Seu excedente nas usinas é fundamental para a sobrevivência do milho. Contudo, além da escassez, existe competição com o etanol de segunda geração (E2G), onde é utilizado como matéria-prima.

A INTEGRAÇÃO CANA-MILHO E O FUTURO DO SETOR

SUCROENERGÉTICO BRASILEIRO

Neste cenário, as usinas flexíveis (Flex e Flex Full), que processam ambas as culturas, com a cana parando na entressafra e o milho iniciando (no modelo Flex) ou continuando (no modelo Flex Full) no restante do ano, representam uma vantagem competitiva, ambiental e estratégica quando comparadas ao modelo autônomo (Full Corn).

Nessas unidades, o excedente de bagaço gerado na moagem da cana é destinado exclusivamente para suprir a demanda energética do processamento do milho, permitindo operação contínua durante o período entressafra ou até 365 dias no ano, frente aos 250–300 dias/ano no modelo Full Corn (DONKE et al., 2016). Além disso, o impacto no OPEX da biomassa é reduzido para menos de 10% por não haver necessidade de biomassa externa, diminuindo a pressão sobre as margens para valores neutros/positivos e ainda mantendo exportação de eletricidade elevada (100–150 kWh/t cana) (DONKE et al., 2016), conforme ilustrado pela Tabela 2.

Tabela 2. Principais diferenças conceituais e indicadores de eficiência entre usinas Full Corn, Flex e Flex Full.

INDICADOR

Bagaço no OPEX % 25 - 30 < 10

Eficiência de uso do bagaço % - 80

Tempo de operação dias/ano 250 - 300 Até 3651

Exportação de eletricidade kWh/Tmat-prima - 100 - 150

Pressão sobre margens % -2 Neutra/Positiva

1No modelo Flex, a operação é apenas durante a entressafra.

Todavia, é vital para a viabilidade deste modelo, sobretudo o Flex Full, que a usina de cana-de-açúcar seja capaz de gerar um excedente de bagaço suficiente para garantir a operação contínua e ininterrupta da planta de milho ao longo de todo o ano. Usinas modernas de cana-de-açúcar que processam entre 10.000 e 12.000 toneladas de cana ao dia (TDC) geram entre 2.800 e 3.360 toneladas de bagaço/dia (BUFON et al., 2021), sendo 50–60% desse montante destinado para o consumo interno (380–420 kg vapor/t cana), restando 40-50% como excedente para suprir a demanda energética do milho, que é superior (500–600 kg vapor/t milho).

A SOLUÇÃO CITROTEC®-ETECH PARA USINAS ECONÔMICAS

Processos verdadeiramente econômicos exigem que todas as etapas interajam em sinergia e com balanço térmico previsível entre a fabricação de açúcar, a destilação de etanol e o processamento do milho, uma vez que competem pelo mesmo recurso e compartilham equipamentos e utilidades, sendo um deles a própria caldeira.

Nesse contexto, a etapa de concentração do caldo de cana por evaporação é considerada a mais sensível e intensiva em termos de consumo de vapor no processo de fabricação do açúcar. Isso ocorre porque é necessário remover grandes volumes de água do caldo, elevando sua concentração de sólidos de cerca de 12–15% para 60–65%. Tradicionalmente, esse processo utiliza evaporadores do tipo Robert, responsáveis por até 50% dos 380–420 kg vapor/t cana disponíveis na usina (HUGOT, 1986; REIN, 2007; CTC/UNICA, 2018; EMBRAPA, 2024).

A Citrotec® investe continuamente em pesquisa e desenvolvimento e, em parceria estratégica com a ETECH — empresa especializada em destilação, desidratação e recuperação de etanol —, consolidou, ao longo das últimas duas décadas, um ecossistema tecnológico integrado voltado à redução do consumo específico de vapor e à integração térmica entre as etapas de açúcar, etanol de cana e etanol de milho.

Dessa forma, mais do que fabricar equipamentos para usinas, a Citrotec® propõe uma nova arquitetura energética para o setor sucroenergético e assume posição de liderança no desenvolvimento da próxima geração de plantas energeticamente eficientes.

Após

e desenvolvimento,

de integração térmica simplificada entre múltiplas etapas do processo.

anos de pesquisa
a Citrotec®, em parceria com a ETECH, apresenta a nova geração de sistemas de baixo consumo e de alta performance visando atender à necessidade
Sistema ENET® MVR.
Por: Eng. Ms. Gianpaolo Barci

Dentre eles, o ENET® MVR: sistema de concentração de caldo que integra evaporadores de névoa turbulenta, conhecidos por operarem com menor tempo de residência e em menor ΔT, a um módulo de recompressão mecânica de vapor (MVR). Atualmente sendo comprovada em piloto, a tecnologia vem demonstrando redução de até 80% no consumo de vapor quando comparada aos evaporadores tipo Robert, graças ao reaproveitamento do vapor de baixa pressão recomprimido que recircula no processo.

Para a produção do etanol de cana-de-açúcar, o primeiro sistema Citrotec®-ETECH de DUPLO EFEITO de esgotamento de vinho acaba de entrar em operação para a produção do Etanol Coréia no Brasil, com consumo específico esperado de até 1,42 t vapor/m³ de etanol produzido. Diferente do sistema a vácuo convencional, somente esse equipamento é capaz de reduzir o consumo específico de vapor em vinhos de baixo grau alcoólico, como os observados na cana-de-açúcar, que variam entre 6 e 12ºGL, ilustrado pela Figura 1, sendo este consumo até 29% inferior.

Convencional Atmosférico

Convencional Vácuo

Citrotec®-ETECH Duplo Efeito

Citrotec®-ETECH DBEV-MVR

CONCLUSÃO

No cenário atual, a capacidade de gerar e armazenar excedentes de bagaço representa um verdadeiro escudo financeiro e operacional para as usinas, seja para operar cana-milho, seja para exportar energia. Os equipamentos de alta eficiência desenvolvidos pela parceria Citrotec®-ETECH, como o ENET® MVR e a destilaria em DUPLO EFEITO de esgotamento de vinho, possibilitam, juntas, a geração de até 65% de excedente de biomassa, o que garante a viabilidade do modelo cana-milho Flex Full e permite o compartilhamento da mesma caldeira entre as operações, eliminando a necessidade de ampliações. Além disso, a integração com sistemas como o DBEV® MVR para a produção de etanol de milho potencializa ainda mais esse ganho, consolidando um novo patamar de produtividade e sustentabilidade industrial.

5

1. Consumos específicos de vapor em função da graduação alcoólica do vinho observados nos diferentes aparelhos de destilação. Fonte: o autor.

Além disso, desenvolvido como o estado da arte em destilação de etanol, o DBEV® MVR combina a destilação em duplo efeito com coluna “disk & donut” e a recompressão mecânica de vapor (MVR), alcançando baixíssimo consumo energético de até 0,57 t de vapor por m³ de etanol alimentado. O sistema opera de forma totalmente integrado à peneira molecular para a produção do etanol anidro, ao consagrado concentrador de vinhaça ECOVIN®, sem consumo adicional de vapor, e ao condensador evaporativo, maximizando a economia de água e energia. O resultado é uma expressiva redução dos custos operacionais e do impacto ambiental, conforme ilustrado na Figura 2.

Ecossistema tecnológico Citrotec®–ETECH para produção de etanol de alta eficiência energética. Fonte: Citrotec®

No conceito Citrotec®-ETECH de usinas econômicas, a adoção do ENET® MVR para a concentração de caldo e da destilaria Citrotec®-ETECH em DUPLO EFEITO para a produção do etanol permite reduzir o consumo de vapor para até 250 kg/t de cana, frente os atuais 380420 kg/t cana observados nas usinas modernas. Esse ganho eleva o excedente de bagaço entre 57 e 65%, volume suficiente para viabilizar a operação de uma usina de milho no modelo Flex Full durante os 365 dias do ano, sem parada e sem a necessidade de ampliar a capacidade da caldeira existente. Com a redução do consumo de vapor no processo de cana, ela terá capacidade ociosa suficiente para rodar no modelo cana-milho Flex Full e para dobrar a capacidade produtiva da própria cana, ilustrado pela Tabela 3.

Tabela 3. Consumo de uma usina de cana moderna atual e o consumo Citrotec®-ETECH proposto pela adoção dos equipamentos econômicos.

kg vapor/t milho

Nas configurações convencionais, o alto consumo térmico amplia a dependência de biomassa externa e limita a eficiência global da operação.

kg vapor/t milho

Com a integração tecnológica CITROTEC® – ETECH, a usina passa a operar com menor consumo específico de vapor e

Dessa forma, investir em tecnologias inovadoras como o ENET® MVR, em destilarias econômicas em DUPLO EFEITO de esgotamento de vinho e no DBEV® MVR representa um diferencial estratégico para atender às exigências de uma economia global cada vez mais verde, consolidando sua competitividade na era da energia renovável.

A integração cana-milho não é apenas uma nova opção de matéria-prima: é uma mudança estrutural no modelo de negócio das usinas. Ela redefine a forma como a biomassa é convertida em energia, como o vapor é distribuído entre as etapas e como o excedente de bagaço deixa de ser resíduo para se tornar o principal ativo estratégico e financeiro do setor. Nos próximos anos, a eficiência energética será o principal critério competitivo, separando plantas resilientes daquelas vulneráveis à volatilidade do preço da biomassa externa, à pressão regulatória por descarbonização e às exigências crescentes do mercado internacional de etanol.

O portfólio tecnológico desenvolvido pela Citrotec®–ETECH — do ENET® MVR à destilaria de Duplo Efeito, do DBEV® MVR ao ECOVIN® e da Turbina Geradora ao Condensador Evaporativo — foi concebido para posicionar as empresas como protagonistas dessa transformação. Investir nessas tecnologias não é apenas uma decisão de eficiência operacional: é preparar a usina para um mercado mais competitivo, mais sustentável e plenamente descarbonizado.

FALE COM NOSSOS ESPECIALISTAS: +55 (16) 3303-9796 CITROTEC@CITROTEC.COM.BR

Bagaço

Coluna Disk & Donut.
Figura
Figura 2.
Aparelho

Usina Pitangueiras tem 2º maior lucro de sua história e planeja investir até R$ 1 bilhão

Companhia avalia projetos de biometano e etanol de milho para ampliar a capacidade

A Usina Pitangueiras, com unidade produtora em Pitangueiras (SP), registrou na safra 2025/26 o segundo maior lucro líquido de sua história, impulsionada por uma estratégia de comercialização antecipada do açúcar, bons resultados na cogeração de energia e redução dos custos agrícolas. A informação é do presidente da companhia, João Henrique de Andrade. Segundo o executivo, a unidade processou 2,818 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra encerrada em abril e conseguiu aproveitar o cenário favorável do mercado no início do ciclo para garantir preços elevados na comercialização do açúcar. “Aproveitamos uma boa oportunidade no início da safra para realizar hedge de açúcar com preços bastante atrativos, além de bons valores para energia e etanol.

Isso contribuiu para alcançarmos o segundo melhor resultado da nossa história”, afirmou.

De acordo com João Henrique, desde a ampliação do parque de cogeração, realizada em 2019, a empresa vem fortalecendo sua geração de receita com a venda de energia elétrica, tornando essa atividade um dos pilares dos resultados financeiros.

Redução de custos fortalece competitividade

Outro fator decisivo para o desempenho da companhia foi a expansão do sistema de fértil-irrigação, que utiliza resíduos industriais como fertilizantes, reduzindo significativamente os gastos com insumos agrícolas.

Atualmente, a Usina Pitangueiras realiza a aplicação da tecnologia em cerca de 24 mil hectares, diminuindo a dependência de fertilizantes minerais e aumentando a eficiência operacional.

Safra 2026/27 marca novo ciclo de crescimento

Para a safra em andamento, a 2026/27, a expectativa é de uma expansão significativa na moagem.

A empresa projeta processar entre 3,8 milhões e 3,9 milhões de toneladas de cana, um crescimento próximo de 1 milhão de toneladas em relação ao ciclo anterior.

Apesar do avanço na capacidade pro-

dutiva, o presidente alerta para um ambiente de mercado mais desafiador. Entre os principais fatores de preocupação estão a queda das cotações internacionais do açúcar, os preços do etanol próximos ao custo de produção e a redução do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), indicador

que influencia a comercialização da energia elétrica.

“[Em junho] o açúcar estava praticamente abaixo do custo, o etanol trabalha com margens bastante apertadas e o PLD está em torno de R$ 110 a R$ 115, bem abaixo do que havíamos planejado para a safra”, destacou.

Prioridades: biometano e etanol de milho

Planejando a diversificação dos negócios, a Usina Pitangueiras desenvolve estudos para dois grandes investimentos: uma planta de produção de biometano e uma unidade de etanol de milho.

Segundo João Henrique de Andrade, a limitação da expansão da oferta de cana na região de Pitangueiras torna necessária a busca por novas alternati-

vas de crescimento.

O projeto em análise prevê a implantação de uma unidade capaz de processar aproximadamente 400 mil toneladas de milho por ano, elevando a capacidade equivalente da empresa de cerca de 4 milhões para aproximadamente 6 milhões de toneladas de matéria-prima.

A estratégia também permitirá o de-

senvolvimento de novos negócios integrados, incluindo uma planta para captura e comercialização de CO₂ e um confinamento de bovinos, cujo esterco poderá ser utilizado na produção de biogás, aumentando a viabilidade econômica do projeto de biometano.

De acordo com o presidente, todas as iniciativas apresentam forte sinergia

operacional e fazem parte do planejamento estratégico da companhia para os próximos anos.

Caso os projetos avancem, os investimentos poderão alcançar R$ 1 bilhão, consolidando a Usina Pitangueiras como uma das empresas que apostam na diversificação da matriz de bioenergia e na ampliação da produção de combustíveis renováveis.

Além da Química: Como a DRUL consolidou sua atuação como Plataforma de Soluções para a Bioenergia

A indústria brasileira de etanol vive uma das maiores transformações de sua história. A expansão do etanol de milho, o avanço das usinas flex e o desenvolvimento de novas rotas utilizando matérias-primas como trigo, sorgo e soja ampliaram a complexidade das operações e elevaram a demanda por soluções cada vez mais integradas. Nesse cenário, a produtividade passou a depender da combinação entre tecnologia, conhecimento técnico e aplicação prática.

Foi acompanhando essa evolução que a DRUL iniciou um novo ciclo de crescimento. Reconhecida por suas soluções químicas e biotecnológicas para a cana-de-açúcar, a empresa ampliou sua atuação e hoje oferece um portfólio amplo, voltado à bioenergia, atendendo operações com cana, milho, trigo, sorgo e soja.

Essa evolução acompanhou a diversificação da própria bioenergia.

Cada matéria-prima apresenta desafios específicos de processamento, fermentação, controle microbiológico e aproveitamento industrial, exigindo soluções adaptadas à realidade de cada operação. Foi nesse contexto que a DRUL fortaleceu sua estrutura técnica e ampliou sua capacidade de desenvolver soluções para diferentes matrizes.

A chegada de Isaac Pinho como Head de Tecnologia e Aplicações reforça esse posicionamento. Isaac lidera uma equipe especializada em processos industriais e tecnologias de controle avançado.

Na prática, a DRUL atua no diagnóstico de processos e na aplicação de soluções sob medida para as usinas. No etanol de grãos, sua atuação contem-

pla desde a moagem até a fermentação e a otimização de coprodutos, além de soluções específicas para trigo, sorgo e soja, matérias-primas que vêm ampliando sua participação na produção de biocombustíveis.

Mais do que acompanhar a evolução do setor, a DRUL consolidou um modelo de atuação voltado à entrega de performance industrial, reunindo tecnologia, conhecimento técnico e proximidade com o cliente. “Não somos uma empresa de produtos químicos. Somos uma plataforma de soluções integradas para bioenergia”, resume a empresa. Mais do que uma mudança de posicionamento, essa evolução reflete uma estrutura preparada para atender um setor cada vez mais diversificado, tecnológico e exigente.

Caldeira Triniton TSG-250 da Pantaleon confirma desempenho e estabelece novo padrão de eficiência energética no México

Na reta final da safra 2025/2026, a caldeira TSG-250 fornecida pela Triniton Engenharia Industrial para a unidade El Mante do Grupo Pantaleon, localizada no estado de Tamaulipas, no México, vem confirmando em operação os elevados padrões de desempenho previstos em projeto. Ensaios realizados pelo próprio Grupo Pantaleon demonstram resultados expressivos de eficiência energética e controle ambiental, com indicadores que superam significativamente os parâmetros originalmente estabelecidos para a instalação.

Projetada para gerar 250.000 kg/h de vapor a 103 bar(g) e temperatura de 540°C, utilizando bagaço de cana-de-açúcar como combustível, a TSG250 integra tecnologias desenvolvidas para maximizar o aproveitamento energético da biomassa e garantir elevada confiabilidade operacional. Os resultados obtidos ao longo da safra validam as premissas de engenharia adotadas pela Triniton e demonstram o elevado desempenho da unidade em condições reais de operação. Entre os principais destaques observados nos ensaios está o índice de não queimados inferior a 1%. O resultado supera de forma expressiva o parâmetro originalmente previsto em projeto, que estabelecia índices de até 1,5% para o sistema de combustão. Em sistemas de geração de energia

a partir de biomassa, baixos índices de não queimados representam maior aproveitamento do combustível, redução das perdas energéticas e aumento da eficiência global da planta.

Esse desempenho foi alcançado por meio da solução de combustão desenvolvida pela Triniton, com a combinação de dois tipos de grelhados e distribuição de ar primário e secundário e com regulagem individualizada. A configuração proporciona distribuição homogênea do combustível ao longo da fornalha, elevada estabilidade da combustão e excelente aproveitamento energético do bagaço em toda a faixa operacional da caldeira. Os resultados ambientais obtidos também superaram amplamente as expectativas de projeto. A instalação foi concebida para operar com emissões de particulados inferiores a 50 mg/Nm³. Entretanto, os ensaios realizados pelo Grupo Pantaleon registraram emissões inferiores a 10 mg/ Nm³ na chaminé, desempenho cinco vezes melhor que o parâmetro originalmente especificado.

Os resultados ambientais obtidos reforçam a elevada eficiência do sistema de tratamento de gases fornecido pela Triniton. As emissões inferiores a 10 mg/Nm³ comprovam o excelente desempenho do Precipitador Eletros-

tático combina a excelente performance da combustão e a eficácia das soluções adotadas para o controle ambiental da unidade, garantindo ampla conformidade com os mais rigorosos padrões de emissões aplicáveis ao setor sucroenergético.

“Os ensaios realizados pela equipe do Grupo Pantaleon confirmaram resultados extremamente positivos para a TSG-250. Registramos índices de não queimados inferiores a 1% e emissões de particulados abaixo de 10 mg/Nm³, números que superam significativamente os parâmetros originalmente previstos em projeto. Esses resultados demonstram a elevada eficiência do sistema de combustão, a excelente performance do precipitador eletrostático e a robustez da solução desenvolvida pela Triniton para atender às demandas operacionais da nossa unidade.”

Marcos Croquer - Coordenador de Energia Grupo Pantaleon

Os resultados obtidos durante a safra demonstram a elevada eficiência da combustão, a excelente distribuição de ar e estabilidade da fornalha, os baixos índices de perdas energéticas e a alta eficiência do sistema de controle de emissões. Além disso, confirmam a robustez das soluções de engenharia

desenvolvidas para atender aos desafios operacionais de uma das mais modernas plantas sucroenergéticas da América Latina.

Toda a engenharia, fabricação dos equipamentos, gestão do fornecimento e desenvolvimento tecnológico da TSG-250 foram realizados integralmente no Brasil pela Triniton Engenharia Industrial. O projeto reforça a capacidade da engenharia brasileira de desenvolver e exportar tecnologia de alto desempenho para operações internacionais de grande porte, entregando resultados que superam as expectativas estabelecidas em projeto. Com o encerramento da safra previsto para os próximos meses, o Grupo Pantaleon demonstra plena satisfação com os resultados alcançados pela nova caldeira. A combinação entre índices de não queimados inferiores a 1%, emissões abaixo de 10 mg/Nm³ e elevada margem operacional do sistema ambiental consolida a TSG-250 como uma referência em geração de energia a partir de biomassa e evidencia o sucesso da parceria entre o Grupo Pantaleon e a Triniton Engenharia Industrial.

Mais do que atender às metas de projeto, a TSG-250 comprova, em operação, que tecnologia, engenharia e fabricação 100% brasileiras podem estabelecer novos padrões de eficiência energética, desempenho ambiental e confiabilidade operacional no cenário sucroenergético internacional.

Triniton entrega projeto estratégico em

duas etapas e eleva capacidade da unidade Coplasa do Grupo Moreno (primeira etapa)

A Triniton desenvolve soluções para geração de vapor e energia com foco

em desempenho, confiabilidade e evolução dos ativos industriais. Localizada em Sertãozinho/SP, na capital do agronegócio do país, a empresa atua de forma direta no desenvolvimento contínuo do setor. É nesse cenário que projetos como o da unidade Coplasa não surgem por acaso, mas sim a partir de uma visão estratégica do Grupo Moreno, conforme destaca Edvaldo Luiz da Silva, Gerente de Manutenção Mecânica da unidade. O projeto da caldeira da COPLASA, desenvolvido pela Triniton, foi estruturado em duas etapas, com foco em eficiência operacional, otimização dos ativos existentes e aumento da capacidade de geração de vapor.

A solução preserva a área física da unidade e maximiza o aproveitamento da

infraestrutura instalada, viabilizando a expansão com CAPEX otimizado e elevado nível de eficiência técnica e econômica.

Entre os principais avanços, destacam-se a substituição da antiga caldeira de alvenaria por uma moderna caldeira com paredes d’água aletadas, a implementação de um sistema híbrido de grelha, que amplia a flexibilidade operacional, e o aumento da superfície de troca térmica, proporcionando maior eficiência e estabilidade de combustão.Mesmo antes da conclusão da segunda etapa, que ampliará a capacidade para 150 t/h, a caldeira já superou sua capacidade nominal original de 100 t/h. Antes do projeto, operava entre 80 e 90 t/h; após as melhorias da primeira fase, passou a atingir 110 t/h, demonstrando ganhos expressivos de produtividade, recuperação da

eficiência operacional e o sucesso do retrofit.

Como resultado, o projeto eleva a capacidade de geração de vapor de 100 t/h para 150 t/h, mantendo bases civis, sistemas de transporte de bagaço e diversos acionamentos elétricos existentes. Essa abordagem reduz significativamente os custos de implantação e permite a execução das melhorias em duas entressafras, sem impacto na continuidade operacional da usina. Mais do que um projeto técnico, trata-se da consolidação de uma parceria construída com base em confiança, proximidade e alinhamento técnico contínuo. A visão estratégica do Grupo Moreno, aliada à capacidade de engenharia da Triniton, resulta em uma solução robusta, eficiente e preparada para sustentar ganhos operacionais consistentes nas próximas safras.

Retrofit estratégico da Triniton na CEMMA

eleva a confiabilidade e impulsiona a performance operacional.

A Triniton desenvolve soluções para geração de vapor e energia com foco em desempenho e confiabilidade dos ativos industriais. Na unidade CEMMA do Grupo Moreno, a empresa executou um projeto de retrofit que evidencia ganhos relevantes de eficiência e disponibilidade com intervenções técnicas direcionadas. O resultado é destacado por José Valentim, Coordenador de Manutenção Mecânica do Grupo Moreno.

O projeto de retrofit da caldeira da unidade CEMMA do Grupo Moreno, realizado pela Triniton, foi pensado de forma objetiva, com foco direto na melhoria do sistema de combustão, sem necessidade de troca completa do equipamento ou aumento no consumo de combustível.

Foram feitas alterações como a substituição total do grelhado, a reengenharia do sistema de ar quente e o aprimoramento na distribuição do

combustível na fornalha. São melhorias que proporcionam uma queima mais eficiente, melhor aproveitamento térmico, maior estabilidade operacional e, principalmente, aumento da disponibilidade da caldeira ao longo da safra.

Com essa abordagem, a operação passa a ser mais previsível e robusta, reduzindo significativamente a ocorrência de paradas não programadas e assegurando o funcionamento da usina em regime contínuo, condição essencial para maximizar a moagem e a produção.

Este é um trabalho construído com proximidade e alinhamento técnico excepcional entre as equipes envolvidas, somado à visão estratégica e senso de prioridade do corpo diretivo da usina, que identificou com clareza os pontos críticos da operação e o valor das soluções propostas pela Triniton. Essa convergência entre estratégia e

engenharia é o que viabiliza resultados concretos no campo: maior estabilidade operacional, aumento de disponibilidade e uma operação contínua, robusta e previsível ao longo da safra, consolidando uma parceria baseada em confiança e performance comprovada.

Os resultados do projeto da caldeira da Cemma demonstram ganhos significativos de desempenho. A unidade, que anteriormente operava em torno de 150 t/h, passou a atingir sua capacidade nominal de 200 t/h após as melhorias implementadas, representando um aumento expressivo na produção de vapor. Com os resul-

tados alcançados, já estão sendo avaliadas novas otimizações para elevar a capacidade para 220 t/h. O projeto reafirma a capacidade da Triniton em transformar desafios operacionais em soluções eficientes, fortalecendo uma parceria baseada em confiança, proximidade e resultados sustentáveis.

Safra coloca eficiência no centro das decisões

Para executivos do Grupo Viralcool e da Usina São João, as estratégias são adotadas quase que em tempo real

O Grupo Viralcool e Usina São João apostam em disciplina financeira, produtividade e flexibilidade para enfrentar um ciclo marcado por incertezas climáticas e volatilidade do mercado

A safra 2026/27 começou cercada de desafios para o setor. Chuvas acima do esperado em importantes regiões produtoras, oscilações no ATR, possibilidade de maior volume de cana bisada e um mercado ainda instável obrigaram as usinas a revisarem estratégias praticamente em tempo real.

Nesse cenário, eficiência operacional, gestão financeira e rapidez na tomada de decisões deixaram de ser diferenciais para se tornarem fatores essenciais à competitividade.

Esses foram alguns dos principais temas debatidos durante webinar promovido pelo JornalCana, mediado por Josias Messias, CEO da Pró-Usinas JornalCana, que reuniu Ricardo Toniello, diretor do Grupo Viralcool, e Thomas Ometto Budoya, CEO da USJ – Usina São João de Araras. Embora representem empresas com histórias e estratégias distintas, ambos defenderam a mesma premissa: o sucesso da safra dependerá da capacida-

de de extrair mais resultados dos ativos já existentes.

Para o Grupo Viralcool, a safra atual também representa um importante momento de consolidação. Após a aquisição da antiga Usina Andrade (que pertencia ao Grupo Tereos), hoje Viralcool Ibitiúva, a empresa direciona seus esforços para integrar operações e capturar ganhos de escala.

Segundo Ricardo Toniello, a proximidade entre as unidades cria oportunidades para compartilhar oficinas, equipes de manutenção, estoques, transporte de cana, logística agrícola e aplicação de vinhaça. A expectativa é que essas sinergias reduzam custos e aumentem a eficiência operacional ao longo das próximas safras. Apesar do crescimento recente, Tonielo afirmou que o foco da companhia não é ampliar rapidamente sua capacidade instalada, mas consolidar os investimentos realizados. A prioridade é fortalecer a geração de caixa, integrar plenamente a nova unidade e concluir esse ciclo antes de avaliar novos projetos de expansão. Ao comentar o cenário da safra 2026/27, o executivo classificou o momento como um dos mais desafiadores dos últimos anos. As chuvas registradas durante a entressafra e no início da moagem aumentaram as incertezas sobre o desenvolvimento dos canaviais e sobre a qualidade da matéria-prima.

Na avaliação do diretor da Viralcool, o

setor poderá conviver com ATR abaixo das expectativas e com um volume significativo de cana remanescente, exigindo das usinas maior velocidade na colheita e capacidade para adaptar o planejamento conforme a evolução das condições climáticas.

Toniello acredita que esse ambiente exigirá decisões cada vez mais rápidas e uma revisão permanente das estratégias de produção e comercialização ao longo da safra.

Colheita de resultados

Na USJ – Usina São João de Araras, o momento é de colher os resultados de um amplo processo de reestruturação iniciado nos últimos anos.

Conforme explicou Thomas Ometto Budoya, a empresa praticamente eliminou sua alavancagem financeira e passou a concentrar investimentos em ganhos de produtividade e eficiência operacional.

A estratégia foi baseada na melhoria contínua dos processos agrícolas e industriais. O trabalho permitiu elevar significativamente a produtividade dos canaviais, aperfeiçoar o desempenho energético da indústria e ampliar o mix de produção de açúcar, utilizando melhor a estrutura já existente. Segundo Budoya, grande parte dos resultados obtidos decorre da disciplina operacional e da busca permanente por eficiência, sem depender de gran-

des investimentos em novos equipa mentos.

Essa filosofia também orienta as ex pectativas da empresa para a safra 2026/27. Embora reconheça o am biente de maior volatilidade, o execu tivo avalia que a organização financei ra da companhia proporciona maior segurança para enfrentar oscilações de mercado.

Outro fator considerado estratégi co foi a política de comercialização antecipada. De acordo com Budoya, aproximadamente 80% da produção já havia sido negociada antes da re cente queda dos preços, reduzindo a exposição da empresa às variações do mercado e permitindo maior previsi bilidade de receita.

Além da gestão financeira, ambos os executivos destacaram que a transfor mação digital tem papel cada vez mais importante na condução das opera ções. Sistemas integrados, monitora mento em tempo real e indicadores de desempenho fornecem informa ções que tornam as decisões mais rá pidas e precisas.

Ainda assim, tanto Toniello quanto Budoya ressaltaram que a tecnologia, por si só, não garante resultados. Para eles, o diferencial continua sendo a qualidade das equipes e a presença dos gestores na operação, acompanhando de perto tanto o desempenho agrícola quanto industrial.

Outro ponto convergente foi a valo rização das pessoas. Enquanto o Gru

Safra no Nordeste terá mais cana e tecnologia

Ciclo deve ser marcado por recuperação na produção de açúcar, segundo estudo do Banco do Nordeste

A ampliação da oferta de cana-de-açúcar e o aumento da adoção de tecnologias no campo devem favorecer a recuperação da produção de açúcar no Nordeste na safra 2026/2027. É o que aponta o estudo elaborado pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste.

Segundo a análise, práticas como expansão da área irrigada, mecanização da colheita e uso de insumos biológicos vêm ganhando espaço na região, contribuindo para a redução de custos e o aumento da produtividade.

De acordo com o levantamento, a produção nordestina de cana-de-açúcar deverá crescer 3,7% na próxima safra, resultado da combinação entre aumento de 1,3% da área plantada e avanço de 2,3% na produtividade. Esse movimento tende a refletir na produção regional de açúcar, estimada

em 3,63 milhões de toneladas, volume 10,3% superior ao registrado na safra anterior.

O estudo destaca que o ganho de produtividade é um desafio estratégico para o Nordeste, região que ainda apresenta rendimento médio inferior ao das principais áreas produtoras do País.

Nesse contexto, investimentos em tecnologia têm se mostrado decisivos para elevar a competitividade do setor sucroenergético regional.

A irrigação, por exemplo, é apontada como um dos fatores que explicam

o melhor desempenho observado na Bahia, enquanto a mecanização da colheita avança gradualmente em diversos estados nordestinos.

Modernização dos canaviais

A pesquisa também ressalta que a modernização dos canaviais tem sido impulsionada pela busca por maior eficiência operacional e pela escassez de mão de obra para o corte manual. Além da mecanização e da irrigação, o setor vem ampliando o uso de bioinsumos, drones e outras soluções tecnológicas voltadas ao aumento da produtividade e à sustentabilidade da produção.

Para a autora do estudo, Maria de Fatima Vidal, a incorporação de tecnologia é fun-

damental para fortalecer a competitividade regional.

“A adoção de tecnologias, aliada a um bom gerenciamento empresarial, constitui condição fundamental para tornar o setor sucroenergético nordestino competitivo frente às demais regiões produtoras de açúcar e etanol do país”, afirma.

Apesar das perspectivas positivas, o levantamento observa que eventos climáticos extremos continuam sendo um fator de atenção para o setor. As fortes chuvas registradas em Pernambuco e na Paraíba em maio de 2026 podem afetar parte das lavouras, enquanto a possibilidade de formação do fenômeno El Niño pode trazer irregularidade nas chuvas ao longo do ano.

Ainda assim, a expectativa predominante é de recuperação da oferta regional de cana-de-açúcar e, consequentemente, da produção de açúcar. O estudo integra a série Cadernos Setoriais do Etene, publicação que acompanha tendências, desempenho e perspectivas de cadeias produtivas relevantes para a economia nordestina.

Bioenergia amplia aporte econômico, energético e de descarbonização no Brasil

Fenasucro & Agrocana, em Sertãozinho (SP), cria o ambiente para que a capacidade avance por meio de novas tecnologias, parcerias e investimentos

O Brasil produziu cerca de 36 bilhões de litros de etanol na safra 2025/2026, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

Dados da entidade mostram ainda que, entre abril de 2025 e março de 2026, as exportações de açúcar e etanol somaram US$ 14,34 bilhões em receitas, fazendo do setor sucroenergético o quarto maior segmento exportador do agronegócio brasileiro.

A 32ª edição da Fenasucro & Agrocana, entre 11 e 14 de agosto em Sertãozinho (SP), está no

centro desse avanço bioenergético.

“Esse é um setor que já entrega resultados concretos em energia, economia e descarbonização. A Fenasucro & Agrocana cria o ambiente para que essa capacidade avance por meio de novas tecnologias, parcerias e investimentos, conectando quem desenvolve soluções a quem precisa aplicá-las no campo e na indústria”, afirma Paulo Montabone, diretor da feira.

Da escala à inovação

A cadeia bioenergética reúne soluções cada vez mais diversificadas. Além do etanol e da bioeletricidade, o uso de matérias-primas agrícolas e resíduos industriais abre espaço para biogás, biometano, combustível sustentável de aviação e outros bioprodutos.

Essa diversificação contribui para reduzir emissões, fortalecer a segurança energética e gerar desenvolvimento econômico em diferentes regiões do país.

Para Hugo Cagno Filho, presidente da União Nacional da Bioenergia (UDOP) e presidente de honra da Fenasucro & Agrocana em 2026, essa evolução confirma uma mudança de posição do setor.

“O principal sinal é que a bioenergia deixou de ser tratada apenas como uma fonte complementar de energia e passou a ocupar uma posição estratégica nas políticas de descarbonização, de segurança energética e de desenvolvimento econômico do Brasil.”

Na avaliação de Cagno, o país reúne condições únicas para produzir energia limpa em escala, apoiado por uma agroindústria eficiente e por uma cadeia capaz de transformar matérias-primas e resíduos em diferentes soluções.

41º Simpósio da Agroindústria da Cana destaca inovação e competitividade

O futuro da agroindústria canavieira esteve no centro dos debates do 41º

O encontro reuniu mais de 1.200 técnicos, empresários, pesquisadores,

Simpósio da Agroindústria da Cana-de-Açúcar, realizado entre os dias 7 e 10 de julho, em Maceió (AL), paralelamente à 20ª Feira Regional Sucroenergética (Fersucro).

estudantes e lideranças do setor sucroenergético para discutir soluções capazes de aumentar a eficiência, a produtividade e a competitividade da cadeia produtiva diante dos desafios

econômicos, climáticos e tecnológicos.

Promovido pela STAB Regional Leste, em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o Sindaçúcar-AL e outras instituições, o simpósio contou com mais de 50 palestras técnicas voltadas às áreas agrícola e industrial.

Ao longo dos quatro dias, especialistas apresentaram experiências práticas e resultados de pesquisas voltadas ao desenvolvimento de tecnologias que permitam às usinas e aos fornecedores produzirem mais com maior sustentabilidade.

Segundo o presidente da STAB Leste, Cândido Carnaúba, o simpósio e a Fersucro reforçam seu papel como importantes fóruns de atualização técnica e intercâmbio de conhecimento, aproximando pesquisadores, profissionais da indústria, produtores e empresas fornecedoras de tecnologia. A programação de abertura trouxe análises sobre as perspectivas da safra 2026/27, o comportamento dos mercados de açúcar e etanol e o posicionamento

do agronegócio brasileiro no cenário internacional.

Paralelamente ao simpósio, a 20ª Fersucro reuniu mais de 90 expositores, que apresentaram máquinas, equipamentos, insumos e soluções tecnológicas voltadas às usinas e aos fornecedores de cana. A expectativa da organização é de que mais de cinco mil pessoas tenham passado pelo Centro de Convenções de Maceió. Outro momento de destaque foi a liberação regional de 18 novos cultivares RB, desenvolvidos pela Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa), por meio do Programa de Melhoramento Genético da Cana--de-Açúcar da Ufal.

Ao reunir conhecimento técnico, inovação, pesquisa e oportunidades de negócios, o 41º Simpósio da Cana reafirmou a importância da integração entre universidades, empresas e produtores para impulsionar o desenvolvimento sustentável da agroindústria sucroenergética e preparar o setor para os desafios dos próximos anos.

Prêmio José Paulo Stupiello homenageia personalidades

O 41º Simpósio da Agroindústria da Cana-de-Açúcar também sediou a entrega do Prêmio José Paulo Stupiello, promovido pela STAB e pelo

MasterCana, da Pró-Usinas JornalCana. O Prêmio homenageou personalidades regionais. O deputado federal Arnaldo Jardim, que no Simpósio,

participou dos debates sobre biocombustíveis, também foi um dos homenageados com o Prêmio. Arnaldo Jardim também recebeu reconhecimento do Sindaçúcar-AL pela atuação em defesa do setor. “Participei de importantes debates sobre o futuro do setor sucroenergético e tive a honra de receber homenagens da STAB e do Sindaçúcar-AL, reconhecimento que compartilho com todos que acredi-

tam no diálogo e no desenvolvimento do nosso agro”, afirmou. Também foram contemplados com a premiação Hérmani Carlos Quintela Cavalcante, Alene de Carvalho Lira Alves, Aryl Pontes Lyra Filho, IRBI, Plantar. As usinas Porto Rico, Caeté, Sumaúma e Marituba receberam o Prêmio de Produtividade.

Participantes do Simpósio da Cana e da Fersucro

Marcelo Bento, da Pró-Usinas

JornalCana, e João Henrique de Andrade, diretor presidente da Usina Pitangueiras

Kleek Solutions - Gabriel Sustaita, Fabiano Pereira e Fabio Ramos - e Dr. Hernán Salas, diretor técnico da EEAOC, Estação Experimental Agroindustrial de Tucumán, na Argentina

Marcelo Bento, da Pró-Usinas JornalCana, com Anderson Manzano, diretor de compras da Nanoquímica

Marcelo Bento, da Pró-Usinas JornalCana; e Elder Zuza, diretor comercial da Sucroanalitica

Na Coopercitrus Expo: Marcelo Bento, da Pró-Usinas Jornal Cana, com equipe da Sumitomo Chemical: Paulo DesensoGerente Comercial, Paulo Pimentel - Diretor BU Especialidade, e José Borba - RTV Kam

Construindo hoje os alicerces de um futuro sustentável %

Décadas de atuação na indústria metalúrgica, com projetos entregues e em operação, especialização no setor sucroenergético com domínio real do processo industrial. Equipamentos projetados para alta exigência operacional, assegurando durabilidade e eficiência

de toda a capacidade de produção nacional de etanol de milho conta com equipamentos fornecidos pela NG!

A NG Metalúrgica desenvolveu a tecnologia ECODU, um processo inovador para produção de etanol hidratado combustível e etanol padrão Korea através de destilação a vácuo, com elevada eficiência na purificação do etanol, economia de energia e sustentabilidade. Essa tecnologia proporciona uma economia de vapor que pode atingir aproximadamente 40% em relação aos processos convencionais, além de reduzir o consumo de água de resfriamento e os custos operacionais da unidade industrial.

Equipe da Corteva na Coopercitrus Expo

Reunião Anual Fermentec, realizada entre os dias 29 e 30 de julho em Ribeirão Preto (SP)

Associação de produtores da Guatemala inova com monitoramento em tempo real

Tecnologia é feita em colaboração com plataforma que realiza desenvolvimento de sistemas no país

O setor agropecuário da cana-de-açúcar da Guatemala incorporou novas tecnologias de monitoramento em tempo real na Estação Experimental do Centro Guatemalteco de Pesquisa e Treinamento em Cana-de-Açúcar (Cengicaña).

O trabalho é feito em colaboração com a Innovahub (plataforma que promove o desenvolvimento de sistemas de inovação na Guatemala). Segundo o portal Guatecaña, da Associação Guatemalteca de Produtores de Açúcar (Asazgua), essas ferramentas permitem a geração de informações precisas sobre as condições da lavoura e fortalecem a tomada de decisões agronômicas.

A tecnologia implementada permite a medição de variáveis-chave, como condições do solo, precipitação e outros fatores climáticos que influenciam o desenvolvimento da cana-de-açúcar.

Os dados obtidos fornecem informações oportunas para pesquisas aplicadas

meio do manejo da cultura.

Fortalecimento da inovação

Essa modernização tecnológica faz parte dos esforços da Guatecaña para fortalecer a inovação como elemento estratégico para a sustentabilidade e competitividade do setor.

O acesso a informações em tempo real contribui para a melhoria do uso eficiente dos recursos naturais, a otimização dos processos produtivos e o fortalecimento da capacidade de adaptação aos desafios associados às mudanças climáticas.

Com a incorporação dessas tecnologias, a Guatecaña reafirma seu compromisso com o desenvolvimento de uma agroindústria baseada na inovação e no uso eficiente de recursos, com ações que geram valor para a cadeia produtiva e contribuem para o

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Saiba Mais:

Método inovador usa CO2 para secar bagaço

Desenvolvida dentro da Unicamp, tecnologia avança agora também para implantação de uma unidade-piloto

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As usinas queimam o bagaço de cana-de-açúcar para gerar energia elétrica, contudo a umidade natural do bagaço

reduz a eficiência térmica e limita a geração de energia.

Para contornar esses problemas, pesquisadores da Faculdade de Engenharia Química (FEQ), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um novo método de secagem do bagaço de cana que usa dióxido de carbono (CO2) como agente principal do processo de remoção da umidade.

O conhecimento foi licenciado à

empresa-filha cadastrada e spin-off acadêmica da Unicamp, Quimergia Inovação, fundada pelos próprios pesquisadores, para levar a tecnologia ao mercado.

“Os métodos atuais falham em resolver esses problemas de forma segura e econômica devido às próprias características do bagaço. Os secadores utilizados operam por meio do contato direto entre as partículas de bagaço”, diz Jean-Christophe Bonhivers, pesquisador da FEQ e cofundador daQuimergia Inovação.

“Nesse processo, o calor é transferido diretamente para o material, promovendo a evaporação da umidade do bagaço. No entanto, os gases de combustão não são apenas uma fonte de calor, pois contêm elevada concentração de oxigênio, o que favorece reações de oxidação e aumenta o risco de ignição do material. Além disso, apresentam compostos ácidos, fuligem, cinzas e outras partículas em suspensão.”

Como solução para esse gargalo, o novo secador propõe o reaproveitamento do dióxido de carbono (CO2) gerado pelas próprias usinas.

De acordo com Bonhivers, a escolha do gás traz vantagens químicas e de segurança, já que a maior polaridade das moléculas reduz a tensão superficial da água no bagaço úmido, facilitando a secagem. “O CO2 não é um agente oxidante, ao contrário do ar atmosférico, que contém cerca de 21% de oxigênio. Essa característica contribui para reduzir o risco de combustão em biomassa com partículas finas, como o bagaço” detalha Bonhivers. O processo foi desenvolvido por uma equipe de cinco engenheiros químicos vinculados à FEQ. Eles já atuavam com pesquisas para a valorização do dióxido de carbono gerado nas usinas, de modo que sua aplicação como agente de secagem surgiu como um “caminho natural”, comenta Bonhivers.

Além dele, participaram das pesquisas os professores Rubens Maciel Filho e Adriano Pinto Mariano, e os pesquisadores Carlos Eduardo Vaz Rossell e Riann de Queiroz Nóbrega. Para levar esse conhecimento ao mercado, o grupo decidiu abrir uma empresa para comercialização do método, que se mostrava altamente inovador.

26 DE OUTUBRO - SÃO PAULO

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