Skip to main content

JornalCana 363 (Junho/Julho 2026)

Page 1


Tecnologia Zero Ácido impulsiona

produtividade de etanol em diversas usinas

Resultados de rendimento integram nova tecnologia página 22 e 23

TECNOLOGIA E SEGURANÇA NO TRANSPORTE

Há 30 anos, transportamos vidas com segurança, qualidade e respeito. Somos referência no agronegócio, com forte atuação no setor sucroenergético.

São três décadas de história, conquistas e experiências que nos permitiram desenvolver soluções de excelência para enfrentar os mais diversos desafios nas operações das usinas.

índice ANÁLISES

A edição 363 do JornalCana traz análises, publicadas por ordem alfabética, escritas com exclusividade por empresários e especialistas. Entre elas estão:

José Inácio de Morais Andrade, presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba, afirma que o avanço do consumo do etanol só depende de seu preço ser acessível para a população 6

Josias Messias, CEO da Pro-Usinas JornalCana, detalha sobre um tema prioritário: Estratégia Assertiva para Redução de Custos na Área Industrial 8 e 9

Miguel Ivan de Lacerda, Chefe Geral da Embrapa Arroz e Feijão, escreve sobre como o financiamento do agro deve se descolar da dependência do Estado 10

Narciso Bertholdi, conselheiro e consultor sucroenergético, explica que o uso do etanol de milho aprovado para uso marítimo mantém o Brasil em vantagem global em combustíveis renováveis 12

Pedro Campos Neto Presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do MAPA, escreve sobre o biobunker, uma grande oportunidade para o etanol brasileiro 14

Roberto Holland Filho CEO da Usina Estiva, destaca o Programa de Participação nos Resultados, cujo maior risco é seguir premiando o que já virou obrigação 16

Zilmar de Souza gerente de bioeletricidade da UNICA, trata sobre o valor da bioeletricidade como potência firme e sustentável 18

MERCADO

Projeto logístico é baseado no biometano Participam a São Martinho, Rumo, Necta e a Transvale 20

Joint venture com a Tereos produzirá SAF Tecnologia converterá etanol em Combustível Sustentável de Aviação 21

CAPA

Usinas Serra Grande e Trapiche elevam produtividade com fermentação sem ácido 22 e 23 INDÚSTRIA

Usina Santa Lúcia colhe ótimos resultados com tecnologias contra paradas inesperadas 27 EVENTOS

SINATUB26

Congresso reuniu lideranças, especialistas e gestores de usinas para debater inteligência aplicada, automação, biometano e novas estratégias 28 a 34

Seminário da STAB – Regional Setentrional Realizado no Recife, evento promoveu discussões técnicas simultâneas divididas pelas áreas agrícola e industrial 35 e 36

“Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.”

Hebreus 4:16

ISSN 1807-0264

+55 16 99635-3205

COMITÊ DE GESTÃO

Presidente Josias Messias josiasmessias@procana.com.br

Ribeirão Preto | SP | Brasil atendimento@procana.com.br Lucas Messias Mateus Messias João Pedro Messias presidente@procana.com.br

NOSSA MISSÃO

“Desenvolver o agronegócio bioenergético, disseminando conhecimentos, estreitando relacionamentos e gerando negócios sustentáveis”

MÍDIA

carta ao leitor

Delcy Mac Cruz - redacao@procana.com.br

A estratégia da biomassa

El Niño, instabilidade internacional, preços oscilantes para baixo nos primeiros meses da safra 2026/27 na região Centro-Sul. O ano começa exigindo resiliência do setor bioenergético. A presente edição destaca os temas do parágrafo acima, e faço questão de priorizar, nessa Carta ao Leitor, como o setor é estratégico como gerador de eletricidade em um 2026 desafiador também para a energia elétrica. Em termos de geração, o país está mais do que bem servido. Mas como tem sido informado pelos noticiários, nos primeiros meses a oferta de eletricidade superou a demanda e foi preciso ‘cortar’ o excedente, em grande parte gerado por fontes eólica, solar e hidrelétrica em regiões do território sem estrutura suficiente de linhas de transmissão. Em resumo: temos geração, mas nem toda ela consegue chegar aos grandes centros consumidores devido à falta dessas linhas que transportam os megawatts-hora (MWh). A questão das linhas deve até resolvida por meio via leilões de implantação, mas não é para esse 2026. Tratamos de um ano em que o El Niño já é confirmado, e se será ou não um ‘Super’ fenômeno, isso será cravado em julho. Diante disso, o Operador Nacional do Sistema (ONS), que coordena o Sistema Interligado Nacional (SIN), formado por distribuidoras e produtores, divulgou na terceira semana de junho que uma estratégia será retardar ao máximo o uso de reservatório de usinas como Itaipu, localizada no Sul do País. Com isso, o plano mantém o reservatório o mais cheio possível até que tenha início a transição do período seco para o chuvoso, que normalmente começa em dezembro. A proposta pode ser desafiada caso o ‘Super’ El Niño seja confirmado – e uma de suas previsões é registrar chuvas torrenciais no Sul bem antes do fim do ano. E é aí, em meio a cenários, que entra a eletricidade feita por biomassa, em que resíduos da cana-de-açúcar (bagaço, principalmente) respondem por 80% dessa produção. Registro aqui trechos da análise do gerente de bioeletricidade da UNICA, Zilmar de Souza, publicada nessa edição do JornalCana. “Em um cenário onde a intermitência de fontes renováveis cresce e a dependência de térmicas fósseis onerosas assombra o custo da energia, a biomassa oferece a prudência necessária para a segurança do sistema”, destaca. “Em maio de 2026, o Brasil alcançou 18,2 GW de capacidade instalada em biomassa, distribuídos por 656 unidades geradoras. O protagonismo é dividido entre dois pilares que somam 90,1% desse total: o bagaço de cana (12,7 GW) e o licor negro do setor de Papel e Celulose (3,7 GW).” Ainda segundo Souza, essa geração está estrategicamente posicionada no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o coração geoelétrico do país. Ou seja, a bioeletricidade (energia cogerada pela biomassa das usinas) é produzida em uma região que lidera em consumo energético e é dotada de linhas de transmissão. No mais, essa bioeletricidade está disponível para dar segurança ao sistema e é gerada oficialmente entre abril e dezembro, período da safra no Centro-Sul. Por que não aproveitar a estratégia da bioeletricidade? É com análise como a de Zilmar, e de outros especialistas presentes nessa edição, que o JornalCana expressa como o setor de bioenergia é protagonista de setores vitais para o país, como o de biocombustíveis e o de geração de energia.

Boa leitura.

EQUIPE

Editor Delcy Mac Cruz - (16) 9 9618.1901

Repórter Joacir Gonçalves redacao@procana.com.br

Produtos Digitais & TI Alessandro Reis - (48) 9 2000.4934 editoria@procana.com.br

Diagramação Rafael Vinicius - (16) 9 81236620 diagramacao@procana.com.br

Atendimento Mídias & Eventos

Ana Alice dos Santos - (16) 9 8102.5222 marketing@procana.com.br

Marcelo Bento - (16) 9 9779.3967 marketing2@procana.com.br

Assinaturas & Exemplares

+55 16 99635-3205 atendimento@procana.com.br www.procanaloja.com.br

Financeiro Renata Macena financeiro@procana.com.br

Artigos assinados (inclusive os da seções Negócios & Oportunidades e Vitrine) refletem o ponto de vista dos autores (ou das empresas citadas). Jornal Cana: direitos autorais e comerciais reservados. É proibida reprodução, total ou parcial, distribuição ou disponibilização pública, por qualquer meio ou processo, sem autorização expressa.

A violação dos direitos autorais é punível como crime (art. 184 e parágrafos, do Código Penal) com pena de prisão e multa; conjuntamente com busca e apreensão e indenização diversas (artigos 122, 123, 124, 126 da Lei 5.988 de 14/12/1973).

MEDIÇÃO de NÍVEL em TANQUES PRESSURIZADOS

- Aplicação de Simetria de SelosIMPORTANTE

Etanol: é preciso tornar o preço acessível ao consumidor

JOSÉ INÁCIO DE MORAIS ANDRADE*

A autorização para a venda direta do etanol surgiu como uma grande esperança para o setor sucroenergético nordestino. Era a oportunidade de reduzir intermediários, tornar o combustível mais competitivo e, principalmente, fazer com que o consumidor tivesse acesso a um produto mais barato, limpo e genuinamente nacional. Mas, passados os primeiros momentos de entusiasmo, é preciso reconhecer que os resultados ainda estão muito distantes do esperado.

Essa é uma pergunta que faço constantemente: se o preço do álcool nas usinas continua relativamente baixo, por que ele chega aos postos custando tão caro? Por que o consumidor final ainda não sente no bolso os benefícios dessa mudança? Existe um descompasso evidente entre o valor praticado na produção e o preço cobrado na bomba.

Na minha visão, parte disso acontece porque o setor ainda permanece preso a uma lógica confortável de comercialização. O modelo tradicional concentra as vendas em grandes distribuidoras, que acabam centralizando o mercado. Para a usina, é mais simples negociar grandes volumes com um único comprador, receber em ope-

rações concentradas e reduzir riscos comerciais. Isso facilita a operação industrial, sem dúvida. Mas será que esse modelo continua sendo o mais inteligente para o futuro do setor? Estamos falando de um combustível estratégico para o Brasil.

O ETANOL É RENOVÁVEL, MENOS

POLUENTE, PRODUZIDO

INTERNAMENTE E CAPAZ DE REDUZIR A DEPENDÊNCIA DO PETRÓLEO

JUSTAMENTE EM UM MOMENTO EM QUE O MUNDO ENFRENTA

INSTABILIDADE ENERGÉTICA, GUERRAS E AUMENTO EXPRESSIVO DO PREÇO DO BARRIL.

Mesmo que conflitos internacionais terminem rapidamente, os efeitos sobre a cadeia mundial de energia continuarão sendo sentidos por muito tempo.

mento em larga escala. É preciso unir sustentabilidade com competitividade econômica.

Outro ponto que preocupa é a desigualdade no tratamento dado aos combustíveis. Enquanto vemos subsídios e incentivos sendo direcionados à gasolina, o setor do etanol enfrenta aumento contínuo dos custos de produção. Fertilizantes mais caros, insumos pressionados pelo cenário internacional e despesas operacionais crescentes reduzem a margem do produtor. E a pergunta permanece: qual será a política nacional efetiva de incentivo ao etanol e à cadeia da cana-de-açúcar?

Por isso, acredito que chegou a hora de as usinas saírem da zona de conforto e se aproximarem mais do consumidor. O exemplo do Grupo Caeté, em Alagoas, merece atenção. A iniciativa de implantar postos próprios com a bandeira da empresa mostra um caminho interessante: aproximar produção e consumo, fortalecer a marca do etanol e permitir preços mais competitivos.

Esse modelo poderia perfeitamente ser replicado em Pernambuco, na Paraíba e em outros estados produtores. Imagino postos estrategicamente instalados na BR-101, no Litoral Sul, no Litoral Norte e nas regiões metropolitanas de João Pessoa e Recife. Se Pernambuco possui diversas usinas produtoras, por que não ter também uma rede de postos vinculados diretamente ao setor sucroenergético? Isso ajudaria não apenas a ampliar a competitividade, mas também a mostrar ao consumidor as vantagens reais do etanol.

E é importante dizer: embora a pauta ambiental seja extremamente relevante, o fator decisivo para a maioria das pessoas ainda é o preço. O consumidor quer economizar. Quando o combustível pesa menos no orçamento, ele naturalmente se torna mais atrativo. O discurso ambiental sozinho não sustenta uma mudança de comporta-

O BRASIL NÃO PODE PERDER A OPORTUNIDADE DE FORTALECER UM COMBUSTÍVEL QUE GERA EMPREGO, RENDA, DESENVOLVIMENTO REGIONAL E INDEPENDÊNCIA ENERGÉTICA.

O Nordeste, em especial, possui tradição, experiência e capacidade produtiva para liderar esse movimento. Mas, isso exige coragem para inovar, modernizar modelos de comercialização e pensar além da lógica tradicional. O futuro do etanol passa, necessariamente, por aproximar o produtor do consumidor. E essa mudança não deve ser vista apenas como uma estratégia comercial, mas como uma decisão inteligente para fortalecer todo o setor sucroenergético brasileiro e nisto o modelo que se desenvolve em Alagoas me parece promissor, muito promissor.

* Presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba, produtor canavieiro e empresário do setorprodutivo

Nova fábrica de açúcar da Usina Uberaba marca os 50 anos da Zanini Renk

A construção da nova fábrica de açúcar da Usina Uberaba não é apenas mais um projeto para a Zanini Renk. É o símbolo perfeito dos 50 anos de evolução de uma empresa que nasceu em 1976 como fornecedora de redutores especiais de velocidade e se transformou em uma das principais integradoras de soluções industriais para o setor sucroenergético brasileiro. Com capacidade para produzir 22 mil sacas de açúcar de 50 kg por dia, a nova fábrica de açúcar da Usina Uberaba foi comercializada para implantação no sistema turnkey, ou seja, desde a concepção do projeto de engenharia, fabricação de equipamentos de altas tonelagens, montagem mecânica até a interligação de todos os sistemas. Além do investimento na fábrica de açúcar, a Usina Uberaba está ampliando sua capacidade de moagem com a aquisição de um novo tandem de moendas que será totalmente acionado pelos redutores TORQMAX, fabricados pela Zanini Renk. Esta ampliação permitirá à Usina Uberaba , tradicional produtora de etanol, entrar com força no mercado de açúcar. O contrato entre usina e Zanini Renk foi assinado em agosto de 2025. As obras seguem rigorosamente o cronograma, com grande parte dos equipamentos já fabricados ou em fase final de produção. A conclusão está prevista para o último trimestre de 2026.

Um marco histórico para os 50 anos

Walter Biagi Becker, diretor-presidente da Zanini Renk, destaca a importância estratégica do projeto:

“A fábrica da Uberaba representa o ápice de uma jornada de cinco décadas. Começamos fabricando redutores especiais de alta precisão na década de 70. Hoje entregamos plantas completas turnkey, com engenharia, fabricação pesada, caldeiraria, montagem e integração de sistemas. Este é um dos maiores fornecimentos de fábrica de açúcar já realizados pela em-

presa e consolida nossa capacidade de executar projetos de grande escala com excelência.”

A entrega da Usina Uberaba vem na sequência da fábrica de açúcar da Usina Paulicéia (Caeté), também implantada pela Zanini Renk em 2024 — marcando dois grandes projetos turnkey de açúcar em menos de dois anos.

Tecnologia atualizada em um conceito comprovado

Embora siga um conceito industrial consolidado no setor sucroenergético, a nova unidade incorpora o que há de mais moderno em engenharia, automação e eficiência energética, especialmente no sistema de evaporação.

“Não estamos apenas replicando o que já existe. Estamos elevando o pa-

drão com equipamentos projetados e fabricados com os mais altos níveis de precisão e confiabilidade”, complementa Biagi Becker.

Da especialização à diversificação

Cristiane Câmara, diretora Comercial e de Marketing, contextualiza o momento da empresa:

“Em 50 anos, a Zanini Renk evoluiu de especialista em redutores de velocidade, na década de 1970, para uma empresa com três novas unidades de negócios e atuação diversificada em múltiplos segmentos industriais. Hoje estamos presentes em açúcar, etanol, energia, mineração, cimento, óleo e gás, siderurgia e outros mercados. Nosso portfólio inclui usinagem de alta precisão, caldeiraria e usinagem pesada para grandes projetos, e esta-

mos concluindo o desenvolvimento de turbinas a vapor que em breve operarão em usinas sucroenergéticas. Recentemente, demos mais um passo importante com a abertura da Zanini Renk Norte América, ampliando nossa presença nos Estados Unidos e Canadá para atender clientes do setor sucroenergético e de outros segmentos industriais.”

Parte relevante dessa expansão está ancorada na Zanini Serviços, em Sertãozinho (SP), que conta com mais de 200 colaboradores e tem participação ativa tanto no projeto da Usina Paulicéia (Caeté) quanto no da Uberaba. De acordo com Cristiane, ao completar meio século de existência, a Zanini Renk celebra a venda de projetos emblemáticos como as fábricas de açúcar da Usina Paulicéia (Caeté) e da Usina Uberaba, a planta de etanol de milho da Sada em Jaíba e o fornecimento de equipamentos de alta capacidade para produção de vapor. Esses marcos não representam apenas um aniversário — eles concretizam a visão da empresa de se consolidar como referência em soluções completas e integradas para a indústria sucroenergética brasileira.

Posicionamento para os próximos 50 anos

Para Walter Biagi Becker, projetos como o da Uberaba reforçam o DNA da companhia:

“Temos hoje competência plena para entregar fábricas de açúcar, plantas de etanol de milho, caldeiras, sistemas de cogeração e outras soluções turnkey. Essa evolução não foi por acaso — é resultado de investimento contínuo em engenharia, capacitação industrial e expansão do portfólio.” Ao completar meio século com uma planta tão significativa, a Zanini Renk celebra não apenas um aniversário, mas a concretização de uma visão: ser referência em soluções completas para a indústria bioenergética e de base do Brasil, unindo tradição, inovação e capacidade de execução em grande escala.

Estratégia Assertiva para Redução de Custos na Área Industrial

O cenário revela uma crise mais abrangente, que exige revisitar os fundamentos da performance industrial

Desde 2018, tenho alertado o setor para algumas megatendências mundiais que, inevitavelmente, causariam alto impacto na competitividade das usinas, como mudanças climáticas, universalização dos direitos e a repolarização geopolítica.

Antes de gerar oportunidades de receitas com a bioenergia, as mudanças climáticas afetam profundamente a produtividade e a qualidade da cana. A universalização dos direitos altera definitivamente as relações de trabalho, reduzindo a disponibilidade, o engajamento e as entregas da mão de obra. Leis que determinam a redução de jornada de trabalho vêm ocorrendo em diversos países, e no Brasil, infelizmente, não será diferente.

Já a repolarização geopolítica muda o eixo de poder em todo o mundo, amplificando os efeitos externos sobre os fluxos e preços de energia e das commodities, ampliando a volatilidade nos preços internacionais não só do açúcar, mas também dos principais insumos da agroindústria.

Portanto, preços baixos, custos altos, dificuldades com mão de obra, necessidade de maior produtividade e margens cada vez mais apertadas, não são problemas isolados, nem passageiros.

São manifestações de uma crise mais abrangente, que pressiona as usinas a repensarem suas estratégias, seus processos e formas de capturar resultado. Nesse cenário, no qual cada vez mais as usinas não conseguem “fazer preço”, reduzir custos continua sendo uma exigência estratégica. Mas há um risco importante: tratar redução de custos como sinônimo de cortes pontuais, lineares e imediatos. Na área industrial das usinas, essa abordagem pode gerar alívio momentâneo, mas também comprometer os fundamentos que sustentam o desempenho, antes mesmo do que se imagina. Foi essa a reflexão que apresentei na abertura do SINATUB26, na palestra “Estratégia Assertiva com Inteligência para Redução de Custos na Área Industrial”. Ao acompanhar centenas de usinas em busca da Alta Performance Industrial, percebo que estamos diante de um desafio de estratégia e inteligência operacional. E, por isso, a primeira resposta deve ser um convite para voltar à essência.

Voltar à essência não é olhar para trás. É olhar para os fundamentos que sustentam a performance da operação industrial

de qualquer usina. É entender que a rentabilidade é construída, cultivada e protegida em cada camada da operação.

Essa visão está representada na Pirâmide da Performance Industrial, na qual procuramos sistematizar esses fundamentos de uma forma visual e objetiva em sete camadas: Estratégia & Design, Engenharia, Boas Práticas, Disponibilidade, Estabilidade, Eficiência e Rentabilidade.

A pirâmide ilustra que a construção da rentabilidade segue uma lógica conquistada camada por camada. Como em toda pirâmide, as camadas inferiores têm maior peso sobre o resultado, e há uma interdependência estrutural entre todas elas.

Por isso, cortar custos sem inteligência pode custar caro.

O custo pode até aparecer na conta contábil, mas ele aumenta — e muito — na parada não programada, na inconstância dos turnos, nos desvios-padrão do processo, nas decisões atrasadas. Muitas vezes, a tentativa de economizar em uma camada da pirâmide enfraquece outra camada mais crítica, transferindo o custo para perdas operacionais menos visíveis, porém muito mais impactantes no resultado.

Um dado apresentado por Helton

Oliveira, Diretor Industrial e Engenharia da Usina Santa Adélia, também no SINATUB26, reforça essa lógica. Na apresentação de sua análise de “Estratégia operacional e impacto no resultado”, iniciativas de ganhos de eficiência industrial apresentam impacto significativamente superior às de corte de custos na margem operacional. Helton Oliveira mostrou que, usando o memorial do Pecege em uma usina de referência com moagem de 1 milhão de toneladas de cana, um corte de 1% nos custos industriais tem um impacto de incremento de apenas 0,1% no resultado operacional, enquanto o aumento de 0,9% da eficiência industrial gera um incremento de 1,0% no resultado operacional da empresa. Ou seja, o esforço para cortar 1% dos custos industriais gera um menor impacto, enquanto o esforço para aumentar a eficiência industrial gera um resultado superior. A razão disso é que na indústria, os custos da matéria-prima (80% do custo total da usina) e o custo fixo industrial (+-11% do custo total, segundo Pecege) já estão comprometidos, independentemente da performance industrial. Portanto, cada ganho de eficiência industrial representa captura de perdas e lucro operacional direto.

Redução de custos precisa ser guiada por inteligência operacional

Helton destaca que “apesar do menor impacto, a empresa deve sempre estar atenta em otimizar os custos, principalmente eliminando desperdícios.”

O que significa que a redução de custos precisa ser guiada por inteligência operacional em busca de índices mais altos de eficiência industrial. Essa estratégia assertiva requer coragem para aceitar perguntas difíceis — e inteligência para fazer perguntas melhores.

E isso faz muito sentido quando inovações e tecnologias disponíveis permitem implementar soluções avançadas em qualquer camada e acelerar a performance de toda a planta.

A pergunta central, então, não deve ser apenas “onde cortar?”, mas “quais fundamentos precisam ser reposicionados e ativados para capturar perfor-

mance?”.

Foi a partir dessa lógica que propus dois drivers para melhoria contínua da performance e redução de custos na área industrial: Reposicionamento e Ativação.

O Reposicionamento exige inspiração e coragem. Significa desenvolver a coragem para descongelar a percepção e tomar decisões — inéditas ou antigas — com obsessão por resultado sustentável. Neste exercício, apresento algumas provocações para cada camada.

Em Estratégia & Design, eu questionaria se esse momento de crise não seria oportuno para expandir ou encurtar a planta, inclusive para tocar projetos de diversificação, com funding que poderia, inclusive, diluir o custo OPEX.

Penso em revisitar as premissas e restrições da “rainha” Engenharia; adotar a segurança como base da cultura em Boas Práticas; revolucionar a Disponibilidade, através da manutenção prescritiva, que se torna viável com uso de IA; penso em empoderar líderes como guardiões da Estabilidade operacional; incentivar a proatividade a partir da “pedagogia do erro” que incita a busca da Eficiência crescente; e, por último, eu relembro a importância da disciplina como comportamento transmitido desde a alta gestão para a conquista da Rentabilidade.

A Ativação envolve inteligência e comando. É ativar inteligências humanas e artificiais, validadas e disponíveis para extrair o melhor resultado das pessoas, dos processos, dos equipamentos e dos recursos.

Envolve a adoção da Gestão da Mudança como disciplina do planejamento Estratégico; a modelagem da Engenharia em balanços de massa e energia online; substituir o modelo “capacitar para engajar” para “promover os engajados”, pois quem está engajado busca a capacitação e se torna multiplicador das Boas Práticas; sim-

plificar o processo de Disponibilidade através da predição de falhas críticas com IA, com uso de sensores sem fio; garantir a Estabilidade dos processos com a Otimização em Tempo Real, tecnologia consolidada há mais de 10 anos, com cases bem-sucedidos em 138 plantas em 10 países; perseguir a Eficiência com gestão online, a partir de balanços de massa e energia e medidores virtuais, e de laços fechados integrados; e, por último, direcionar a Rentabilidade através da flexibilidade operacional para atender as oportunidades comerciais, considerando capturar ganhos de preços.

Reduzir custos com inteligência, portanto, não é simplesmente gastar menos. É perder menos. É estabilizar mais. É decidir melhor. É fazer melhor uso dos ativos, dos recursos e, principalmente, das pessoas que a usina já possui.

A crise atual exige medidas firmes, mas também exige lucidez e assertividade.

A usina que mais prospera não será necessariamente a que cortar mais e mais rápido, mas aquela que conseguir voltar à essência, fortalecer sua pirâmide de performance e transformar inteligência operacional em rentabilidade sustentável.

* Jornalista, Conselheiro de Administração e CEO da Pró-Usinas JornalCana

As cifras da safra

A compreensão da arquitetura financeira que sustenta o agro brasileiro contemporâneo pode ser feita na própria gênese da atividade produtiva e na evolução do papel do Estado frente aos riscos da terra.

Para decifrar o atual estágio do Plano Safra, é imperativo resgatar a etimologia da palavra “fazendeiro” em sua vertente anglo-francesa: o termo farmer deriva do francês antigo fermier, que designava aquele que aceitava um contrato de arrendamento ou pagamento fixo — a ferme — assumindo para si a totalidade do risco da exploração.

Desde sua origem, a figura do produtor rural está intrinsecamente ligada à gestão da incerteza e à coragem de operar sob variáveis incontroláveis. Nesse contexto, o Plano Safra não deve ser interpretado meramente como um mecanismo de transferência de recursos, mas como uma política de Estado — uma garantia da harmonia e da continuidade da atividade rural.

A segurança pública e institucional no campo é o alicerce sem o qual o crédito não circula e o investimento se retrai, pois a proteção do patrimônio e da integridade territorial é o primeiro passo para a redução do prêmio de risco que encarece o capital.

Historicamente, o Plano Safra cumpriu a função vital de mitigar o custo médio ao produtor, justificando-se pela natureza excepcional da atividade rural, cujos ciclos biológicos e exposição climática não encontram paralelo na indústria ou nos serviços. Contudo, o que observamos hoje é uma transição de paradigma que define a maturidade econômica do Brasil. O Plano Safra, embora permaneça no centro do discurso político e sirva como uma poderosa ferramenta de marketing governamental a cada ciclo, conta com uma participação proporcional de recursos públicos diretos cada vez menor.

As evidências e estudos conduzidos por autoridades no assunto, como o professor Antônio Márcio Buainain, da Unicamp, demonstram que o financiamento do agro brasileiro atravessa um processo de desestatização silencioso, mas vigoroso.

divide — e muitas vezes perde — espaço para soluções de mercado de capitais que oferecem maior agilidade e menor burocracia.

O crescimento exponencial das Cédulas de Produto Rural (CPRs) e a consolidação dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) são provas de que o setor privado encontrou canais eficientes para irrigar o campo, tornando a dependência do Tesouro Nacional uma herança do passado que diminui a cada colheita.

A lógica por trás da rentabilidade no campo mostra que o lucro real do agricultor não é definido apenas pela taxa de juros do seu empréstimo, mas pela equação fundamental que subtrai do valor bruto da produção a totalidade dos custos operacionais e financeiros. Enquanto o debate político se desgasta na tentativa de reduzir artificialmente as taxas de juros — o que muitas vezes gera distorções de mercado e pressões inflacionárias —, a estratégia mais sofisticada e sustentável para baratear o crédito na ponta final reside na reforma do ambiente tributário que incide sobre os títulos privados do agronegócio.

O crédito rural oficial, que antes era o oxigênio exclusivo das lavouras, hoje

nas nos gabinetes bancários, mas nos laboratórios de pesquisa tecnológica.

A ciência aplicada é, em última análise, a ferramenta mais eficaz para a soberania econômica do agro. Quando o país investe em inovação que diminui a dependência de fertilizantes importados — cujos preços são dolarizados e vulneráveis a conflitos geopolíticos — ou quando desenvolve biotecnologia que otimiza a defesa das lavouras contra pragas de forma mais econômica, ele está atacando o custo variável, que representa o maior ralo de capital da fazenda.

Imagem: Gabriel Gimenez na Unsplash

Safra deve evoluir para um papel de garantidor de estabilidade e de fomento à base tecnológica, enquanto o mercado de capitais assume a liderança do volume financeiro.

Ao honrar a tradição do fermier que assume o risco, mas provendo-o de um sistema institucional sólido e de um ambiente tributário favorável à desoneração do crédito privado, o Brasil consolida sua posição como a maior potência agroalimentar do globo.

Reduzir a carga tributária e burocrática sobre instrumentos como as LCAs e os próprios Fiagros cria um fluxo de capital mais barato e orgânico, desonerando o orçamento público e permitindo que a competição entre investidores privados derrube o custo efetivo para o produtor. É uma mudança de foco do subsídio direto para o incentivo à liquidez, transformando o risco em oportunidade de mercado. Ademais, a verdadeira redução de custos e a proteção da margem de lucro do produtor não se encontram ape-

Um ponto percentual a menos no juro bancário tem um impacto marginal se comparado a uma redução de 20% no custo dos insumos proporcionada pela eficiência tecnológica. A pesquisa, portanto, atua como um escudo para a renda líquida, garantindo que a riqueza gerada no campo seja fruto da produtividade real e não de uma benevolência estatal temporária e fiscalmente instável.

O novo horizonte do financiamento agropecuário exige que abandonemos a visão limitada do Estado como único provedor de crédito. O Plano

O sucesso futuro não será medido pelo tamanho do aporte anunciado em palácio, mas pela capacidade de transformar o conhecimento científico e a segurança jurídica em prosperidade líquida para quem, de fato, assume o risco de alimentar o mundo sob o sol e a chuva.

A maturidade do setor é o reconhecimento de que a eficiência institucional supera o subsídio e de que a tecnologia é a única forma definitiva de domar as incertezas inerentes à nobre missão de cultivar a terra.

* Chefe Geral da Embrapa Arroz e Feijão

Com etanol de milho aprovado para o uso marítimo, Brasil segue com vantagem competitiva em combustíveis renováveis

NARCISO BERTHOLDI*

O transporte marítimo responde por mais de 80% do comércio global, consome cerca de 5% do petróleo mundial e representa entre 2% e 3% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE).

Diante da meta de emissões líquidas zero até 2050, o setor atravessa uma transformação estrutural, com crescente substituição de combustíveis fósseis por alternativas de menor intensidade de carbono.

A Organização Marítima Internacional (IMO) lidera esse processo ao estabelecer um marco regulatório global aprovado em 2025, com implementação prevista entre 2026 e 2028. O modelo inclui metas de intensidade de carbono (GFI), mecanismos de compensação e potenciais instrumentos de precificação de emissões. Esse novo ambiente regulatório deve redefinir a competitividade entre combustíveis e orientar decisões de investimento em toda a cadeia marítima.

O SETOR EVOLUI PARA UM MODELO MULTICOMBUSTÍVEL, NO QUAL DIFERENTES SOLUÇÕES COEXISTIRÃO CONFORME MATURIDADE TECNOLÓGICA, CUSTO E DISPONIBILIDADE.

O gás natural liquefeito (GNL) tende a atuar como combustível de transição, enquanto biocombustíveis “drop-in” ganham protagonismo no curto prazo, por permitirem adoção imediata com mínima necessidade de adaptação em motores e infraestrutura. Nesse contexto, o etanol se posiciona como uma alternativa estratégica, especialmente após avanços regulatórios recentes. O etanol de milho brasileiro de segunda safra tornou-se o primeiro biocombustível compatível com o

transporte marítimo a ter sua intensidade de carbono oficialmente definida pela IMO, com valor padrão de aproximadamente 20,8 gCO₂e/MJ, frente a cerca de 93,3 gCO₂e/MJ do combustível marítimo convencional. Essa diferença representa uma redução próxima de 78% na intensidade de carbono.

A DEFINIÇÃO DESSE PARÂMETRO ELIMINA

UMA BARREIRA RELEVANTE PARA A INSERÇÃO DO ETANOL

BRASILEIRO NO MERCADO MARÍTIMO INTERNACIONAL.

Além de sinalizar, de forma objetiva, sua elegibilidade nos futuros mecanismos de conformidade global.

Como resultado, o Brasil passa a ocupar posição diferenciada na corrida por fornecimento de combustíveis renováveis ao setor, com potencial de captura de va-

lor ao longo de toda a cadeia. O etanol de milho de segunda safra apresenta vantagens estruturais consistentes.

Sua produção ocorre majoritariamente em áreas agrícolas já consolidadas, após a colheita da soja, maximizando o uso da terra e evitando expansão de fronteiras agrícolas. Adicionalmente, o uso de biomassa como fonte energética no processo produtivo contribui para um balanço de carbono mais favorável.

Em menos de uma década, essa rota ampliou significativamente sua participação na matriz nacional de biocombustíveis, consolidando-se como vetor relevante de crescimento.

Do ponto de vista competitivo, persistem assimetrias regulatórias relevantes.

A iniciativa FuelEU Maritime da União Europeia restringe o uso de biocombustíveis de origem agrícola, favorecendo rotas baseadas em resíduos.

Em paralelo, políticas nos Estados Unidos buscam ampliar incentivos ao uso de biocombustíveis no

transporte marítimo, indicando um ambiente global fragmentado e em rápida evolução.

Adicionalmente, iniciativas em nível portuário e corporativo vêm acelerando a adoção de combustíveis de baixo carbono, muitas vezes com metas mais ambiciosas que as regulações internacionais.

Esse movimento reforça a necessidade de estratégias flexíveis, capazes de atender múltiplos requisitos regulatórios e capturar oportunidades regionais.

Em síntese, a transição energética no transporte marítimo está sendo impulsionada por regulação, inovação e disponibilidade de alternativas competitivas.

Nesse cenário, o etanol — com destaque para o produzido a partir do milho de segunda safra — emerge como uma solução escalável, tecnicamente viável e ambientalmente eficiente, com potencial de desempenhar papel relevante na substituição de derivados de petróleo e na consolidação de uma matriz energética global de baixo carbono.

*Conselheiro e consultor sucroenergético

Cinco décadas projetando eficiência industrial

FALSON Engenharia

consolida trajetória de 50 anos de experiência atuando em projetos industriais, com foco na redução de custos operacionais e soluções voltadas à flexibilidade produtiva

Em um setor industrial marcado por transformações tecnológicas, oscilações de mercado e crescente pressão por eficiência, a experiência e conhecimento técnico são fatores determinantes. É nesse cenário que a FALSON Engenharia consolida sua atuação no mercado industrial, apoiada na trajetória de seu fundador, Walter Falson, profissional com mais de 50 anos de atuação na área.

Ao longo dessa caminhada, Walter Falson vem participando de projetos ligados a importantes grupos industriais do país, acompanhando diferentes fases do desenvolvimento

industrial brasileiro e a evolução tecnológica de usinas, refinarias e plantas de processamento.

Com essa base técnica, a FALSON Engenharia desenvolveu sua atuação voltada principalmente ao agronegócio e ao setor bioenergético, trabalhando em projetos industriais focados em eficiência operacional, otimização de processos e redução de custos.

Hoje, sob a atuação conjunta de Walter Falson e Alexei Lemes Falson, a empresa mantém uma proposta baseada em atendimento técnico especializado, desenvolvimento de projetos assertivos e acompanhamento próximo das demandas de cada cliente.

A FALSON atua com foco no setor agroindustrial — “o agronegócio não para”, reforça a empresa —, oferecendo serviços que vão do plano diretor para implantações industriais a projetos detalhados de equipamentos e estruturas metálicas, avaliações industriais, balanços mássicos e energéticos, otimizações energéticas e hídricas, tubulações, vasos de pressão, tanques, elevadores, transportadores, due di-

ligence em plantas industriais e estudos de flexibilidade para linhas de vapor, entre outros. Os setores atendidos abrangem açúcar e álcool, processamento de soja e grãos, extração de óleo, fertilizantes agrícolas, cogeração de energia, tratamento de efluentes e outros.

A qualidade é atestada por grandes nomes do agronegócio nacional. Clientes que exigem excelência e encontraram na FALSON qualidade de atendimento, efetividade no desenvolvimento de projetos e suporte dedicado no pós-venda. Para Alexei Falson, as cinco décadas de mercado ensinaram que resiliência é uma necessidade estrutural. Diante das oscilações que marcam o setor há décadas, ele é categórico: “As indústrias têm que, sim, trabalhar duramente para a redução do custo operacional, aumentar a flexibilidade e a

diversidade de produtos a serem ofertados no mercado, reduzindo então, o impacto negativo quando em épocas de baixos valores para determinados produtos.” Na prática, esse princípio se traduz num atendimento técnico especializado, em que cada cliente recebe soluções construídas a partir de seu contexto real — sem receitas prontas.

Ao longo dessa trajetória, a FALSON reforça uma marca construída sobre experiência prática, engenharia aplicada e capacidade de acompanhar as mudanças da indústria. Em um mercado que exige produtividade, eficiência e adaptação constante, a empresa aposta na combinação entre conhecimento técnico e visão estratégica para seguir projetando soluções para as próximas décadas.

Biobunker: a grande oportunidade do etanol brasileiro

PEDRO CAMPOS NETO*

O setor sucroenergético brasileiro vive um momento decisivo. Nunca produzimos tanto etanol e, ao mesmo tempo, nunca tivemos diante de nós uma oportunidade tão promissora de expansão de mercado como a que surge agora com o biobunker (bunker verde).

Hoje, considero o biobunker a principal alternativa para absorver a alta produção de etanol do Brasil, tanto de cana-de-açúcar, quanto de milho. Estamos diante de um novo ciclo energético mundial, em que os combustíveis renováveis deixam de ser apenas uma opção ambientalmente correta e passam a ocupar um papel estratégico na economia global.

Neste ano, a produção brasileira de etanol de milho deve alcançar cerca de 13 bilhões de litros. Já o etanol de cana deve ficar entre 24 e 25 bilhões de litros. Isso significa que teremos um crescimento expressivo em relação à safra passada, com um excedente próximo de 4 bilhões de litros. É evidente que algumas medidas internas ajudarão no aumento do consumo. Entre elas, a expectativa do aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina, passando de 30% para 32%, medida que pode representar incremento de aproximadamente 1 bilhão de litros no mercado nacional. É uma ação importante, necessária

e positiva.

Mas, existe uma oportunidade ainda maior e mais transformadora: o biobunker. Tenho defendido esse tema porque acredito que ele representa o principal caminho para o crescimento sustentável do etanol brasileiro nos próximos anos. E não estamos falando apenas da produção atual.

O ETANOL DE MILHO CONTINUARÁ

der apenas cerca de 15% da demanda global do setor marítimo. Esse é um mercado gigantesco e com enorme potencial de expansão. Naturalmente, essa transição não ocorrerá da noite para o dia. A frota marítima mundial possui vida útil longa, em média de 20 anos. Porém, o mais importante é perceber que a mudança já começou. Grandes empresas globais estão realizando testes e avançando em soluções concretas.

A MAERSK, MAIOR COMPANHIA DE NAVEGAÇÃO DO MUNDO, JÁ REALIZOU

O biobunker consiste na utilização do etanol como combustível marítimo. E os números envolvidos impressionam. Se convertermos o consumo anual de combustível dos navios para equivalente em etanol, chegamos a algo em torno de 300 bilhões de litros por ano. Para se ter ideia da dimensão desse mercado, a produção total brasileira de etanol, em 2025, girou em torno de 40 bilhões de litros. Ou seja, mesmo que toda a nossa produção fosse destinada aos navios, ainda conseguiríamos aten-

TESTES COM DIFERENTES NÍVEIS DE MISTURA DE ETANOL NO BUNKER TRADICIONAL — 10%, 20%, 30%, 50% E ATÉ

100% DE ETANOL — E OS RESULTADOS FORAM EXTREMAMENTE POSITIVOS.

Além disso, durante evento recente promovido pela Datagro, em São Paulo, representantes das maiores fabricantes de motores marítimos do mundo confirmaram que as novas encomendas já estão sendo desenvolvidas com capacidade para operar também com etanol, de forma seme-

lhante aos veículos flex utilizados no Brasil.

Isso muda completamente a perspectiva do setor. Estamos falando de uma transformação energética global em construção, na qual o Brasil possui vantagem competitiva natural. Temos clima, terra, tecnologia, conhecimento acumulado, estrutura industrial instalada e capacidade produtiva para liderar esse processo.

O mundo busca reduzir emissões e substituir combustíveis fósseis. O etanol brasileiro surge como uma solução limpa, renovável e imediatamente disponível. E o biobunker pode representar não apenas um novo mercado, mas uma verdadeira revolução econômica para o setor sucroenergético nacional. Precisamos compreender que essa oportunidade exige planejamento, visão estratégica e políticas públicas alinhadas à expansão dos biocombustíveis. O Brasil não pode perder o protagonismo justamente em um momento em que o mundo procura alternativas energéticas sustentáveis. O setor sucroenergético brasileiro já demonstrou inúmeras vezes sua capacidade de superação e adaptação. Agora, mais uma vez, temos diante de nós a chance de liderar uma transformação global. E eu não tenho dúvidas: o biobunker será um dos principais motores desse novo futuro.

*Presidente da Câmara Setorial do AçúcaredoÁlcooldoMAPAeda UnidaeVice-presidentedaAsplan

O fim do paradigma calcário + gesso: decisão que transforma o canavial

No atual cenário do setor sucroenergético, a busca por eficiência não é mais uma meta de final de ano; tornou-se a condição básica para a sobrevivência e a longevidade do negócio. A gestão moderna exige que cada decisão tomada no campo passe por uma rigorosa avaliação técnica e financeira. Diante disso, manter práticas agrícolas antigas apenas por hábito ou tradição tornou-se um custo elevado — e cada vez menos sustentável — para as usinas.

Um dos principais exemplos está no manejo nutricional da soqueira. Por décadas, o binômio calcário e gesso agrícola foi tratado como regra. No entanto, ao analisar essa prática sob a ótica das demandas atuais, é possível identificar custos ocultos e gargalos operacionais relevantes. Estamos falando de misturas complexas no pátio, fretes caros para grandes volumes de baixa eficiência e múltiplas passadas de maquinário pesado. O resultado prático? Maior consumo de diesel, janelas de aplicação perdidas e uma severa compactação do solo que abre-

via a vida útil do canavial. Além disso, o chamado “efeito guarda-chuva” da palhada bloqueia o calcário tradicional, enquanto o vento gera desperdícios significativos por deriva.

A verdadeira inovação reside na simplificação inteligente combinada à alta performance química. É nesse

contexto que o OxiFlux, óxido refinado da Caltec, com cálcio, magnésio e enxofre, quebra esse ciclo e propõe um novo paradigma para a nutrição na soqueira com os três nutrientes (Ca + Mg + S) na mesma operação. Ao integrar esses três nutrientes essenciais em uma matriz microgranulada exclusiva e de alta fluidez, a tecnologia substitui o antigo manejo, com calcário e gesso, por uma operação 3 em 1, com o OxiFlux. Graças à sua granulometria refinada, o produto vence com facilidade a barreira física da palhada e atinge o solo com eficiência, reduzindo drasticamente as perdas por deriva. No campo, o reflexo é um estímulo

ao enraizamento profundo, maior taxa fotossintética e ganho real de TCH e ATR.

Mas o grande diferencial para os gestores do setor vai além da agronomia, entra direto no bolso. Ao reduzir operações no campo, otimizar a logística e diminuir a movimentação de grandes volumes, o Oxiflux com Ca, Mg e S, entrega o menor custo por hectare. Além disso, em tempos de transição energética, a substituição de fontes tradicionais por tecnologias de menor impacto operacional pode representar ganhos ambientais relevantes. Estudos comprovam que o ganho ambiental pode atingir de 2 a 3 CBios adicionais por hectare, apenas pela troca das fontes e redução da pegada de carbono. Escolher o Oxiflux deixou de ser mera opção de fertilização. É uma decisão estratégica de alta rentabilidade, que consolida a agricultura de precisão do canavial moderno.

OxiFlux: Perfeito para o manejo nutricional de Ca, Mg e S na soqueira. Eficiência que se vê no campo e no bolso.

O maior risco do Programa de Participação nos Resultados é continuar premiando o que já virou obrigação

Programas de participação nos resultados evoluem junto com as empresas. O problema começa quando metas que um dia impulsionaram disciplina passam a premiar apenas rotina, complexidade e conformidade.

Revisando recentemente o programa de participação nos resultados da empresa junto aos gestores e à comissão responsável, surgiu uma reflexão que talvez muitas empresas estejam vivendo sem perceber.

Passam a representar simplesmente obrigação.

Ano após ano, os programas vão recebendo novos indicadores, novos pesos, novas regras e novos critérios de avaliação. A intenção normalmente é positiva: aumentar a justiça, melhorar o controle e tornar o sistema mais aderente à realidade de cada área. Mas existe um ponto em que o programa começa a crescer mais do que deveria.

Fica mais complexo. Mais detalhado. Mais difícil de explicar. E, muitas vezes, menos eficiente.

Esse movimento é relativamente comum em empresas que amadurecem operacionalmente. No início, o foco normalmente está na construção da disciplina básica de gestão. E isso faz sentido.

Controlar horas extras. Entregar relatórios no prazo. Organizar processos. Cumprir rotinas mínimas de gestão. Estruturar indicadores. Criar previsibilidade operacional.

Muitas empresas começaram exatamente assim. Inclusive nós.

O problema surge quando a empresa evolui, os processos amadurecem, as equipes aprendem e algumas metas deixam de representar diferencial de performance.

E é justamente nesse ponto que muitos programas começam a perder força como ferramenta estratégica de gestão.

Existe uma segunda fase de maturidade dos programas de metas. É quando a empresa deixa de olhar apenas para organização e passa a olhar para performance real de negócio.

A discussão muda.

Entram temas como eficiência industrial, moagem média diária, produtividade agrícola, custos operacionais, perdas industriais, disponibilidade de equipamentos, consumo de insumos, aderência orçamentária e geração de resultado.

Nesse estágio, o programa evolui bastante, porque aproxima as metas daquilo que efetivamente impacta o caixa e a competitividade da empresa. Mas existe uma terceira etapa — e poucas organizações chegam nela de maneira estruturada.

É o momento em que a discussão deixa de ser apenas “meta por departamento” e passa a ser geração integrada de valor.

Porque, no fim, o resultado de uma empresa não nasce isoladamente no agrícola, na indústria, no RH, na manutenção, na área administrativa ou financeira.

áreas.

E talvez esse seja um dos pontos mais desafiadores dentro dos programas de participação nos resultados. Áreas altamente expostas a risco operacional, clima, volatilidade de mercado e pressão constante por performance começam a perceber que determinadas metas já não representam esforço extraordinário. Representam apenas rotina mínima de gestão. Entregar relatório no prazo não é diferencial competitivo. Cumprir obrigação legal não é vantagem estratégica.

São pré-requisitos.

Quando o programa continua premiando excessivamente atividades que já deveriam fazer parte da cultura consolidada da empresa, surge uma distorção silenciosa. O sistema começa a perder capacidade de estimular evolução.

Em alguns casos, cria-se até uma sensação de injustiça entre áreas que convivem com riscos completamente diferentes.

O setor agrícola depende de clima, produtividade, disponibilidade operacional, custo de CCT, renovação de canavial e ATR.

A indústria depende de confiabilidade, fermentação, extração, eficiência energética, perdas e estabilidade operacional.

Enquanto isso, determinadas áreas

passam a ter metas cada vez mais ligadas apenas ao cumprimento de rotina administrativa.

Naturalmente, isso gera desconforto.

O desafio moderno dos programas de participação talvez seja justamente equilibrar três fatores ao mesmo tempo: meritocracia, simplicidade e alinhamento estratégico.

Os melhores programas que conheci ao longo da minha trajetória não eram necessariamente os mais complexos. Eram os mais claros.

Poucas metas. Metas compreensíveis. Metas diretamente ligadas à geração de valor. Principalmente: metas que estimulavam visão de dono.

No longo prazo, programas excessivamente burocráticos tendem a perder engajamento. As pessoas deixam de enxergar conexão entre esforço, resultado e reconhecimento.

E talvez exista ainda um risco maior. Quando o programa fica complexo demais, ele deixa de ser ferramenta de alinhamento cultural e passa a ser apenas mecanismo de cálculo.

O centro da discussão deixa de ser “como gerar mais resultado” e passa a ser “como atingir o indicador”. São coisas completamente diferentes. A maturidade de uma empresa também aparece na capacidade de revisar metas que um dia fizeram sentido, mas que talvez já não impulsionem mais o futuro.

Esse talvez seja um dos exercícios mais difíceis da gestão.

Porque revisar metas significa revisitar cultura, comportamento, prioridades e até zonas de conforto consolidadas dentro da organização.

Mas empresas que evoluem não são aquelas que apenas criam indicadores. São aquelas que conseguem manter suas metas conectadas àquilo que realmente fortalece o negócio no longo prazo.

*CEO da Usina Estiva,Conselheiro Certificado(PFCC)

Inoculante acelera compostagem e potencializa fertilidade do solo no Grupo Farias

A busca por maior eficiência na gestão de resíduos agroindustriais tem levado usinas sucroenergéticas a adotarem tecnologias microbiológicas no processo de compostagem. No Grupo Farias, os resultados já são concretos e comprovados.

“O principal ganho com a utilização do inoculante ENAB é a maior velocidade de transformação dos resíduos em composto estabilizado, permitindo disponibilizar o fertilizante orgânico mais rapidamente para aplicação no canavial. Mas não podemos deixar de destacar: menores perdas de nutrientes, especialmente nitrogênio, redução de odores indesejáveis, produção de um composto mais rico em microrganismos benéficos para o solo e um melhor custo-benefício”, afirma Jonas Carlos Santino Silva, Superintendente Corporativo do Grupo Farias.

A continuidade do uso pelo segundo ciclo produtivo consecutivo evidencia a consolidação da tecnologia na

operação do grupo, refletindo diretamente na qualidade agronômica do composto e na sustentabilidade do processo. A adoção do ENAB representa a substituição de insumos químicos por uma solução até 100% natural, biologicamente ativa, e nacional, reduzindo a dependência de fertilizantes sintéticos e promovendo maior eficiência na ciclagem de nutrientes dentro da própria propriedade.

O ENAB solução para solos é um inoculante microbiológico desenvolvido para atuar na aceleração da compostagem pela decomposição da matéria orgânica de forma biológica. Sua ação combina mecanismos complementares: fixação biológica de nitrogênio, solubilização de fósforo e enriquecimento da microbiota do composto, resultando em um material final mais estável, rico em nutrientes disponíveis e biologicamente ativo.

A aplicação do inoculante favorece o equilíbrio microbiológico do pro-

cesso, potencializando a conversão dos resíduos orgânicos em composto de alto valor agronômico, com maior concentração de matéria orgânica disponível para o solo.

Além da compostagem, a ENAB oferece soluções complementares que atuam de forma integrada ao longo do ciclo produtivo. A Solução para Raízes estimula o desenvolvimento radicular por meio da produção de auxinas, e solubilização de fósforo, favorecendo a absorção de nutrientes, o vigor da planta e a resposta ao estresse, potencializando o desempenho agronômico de forma sustentável no sistema solo-planta. Para a recuperação e manutenção da capacidade produtiva, a Solução para Campo Fértil atua como um sistema de reconstrução biológica, mobilizando microrganismos

especializados no desenvolvimento radicular, disponibilização de minerais e fortalecimento da resistência ao estresse. Com um portfólio de soluções 100% biológicas e naturais, a ENAB posiciona-se como parceira estratégica do setor sucroenergético na transição para uma agricultura mais sustentável, eficiente e produtiva — do solo ao canavial.

Além dos GWh: o valor da bioeletricidade como potência firme e sustentável

ZILMAR DE SOUZA*

Para o filósofo Aristóteles, a virtude reside no equilíbrio: o meio-termo entre a escassez e o excesso. Sob essa ótica, a bioeletricidade consolida-se em 2026 como a “justa medida” para o Sistema Interligado Nacional (SIN). Em um cenário onde a intermitência de fontes renováveis cresce e a dependência de térmicas fósseis onerosas assombra o custo da energia, a biomassa oferece a prudência necessária para a segurança do sistema.

O cenário energético brasileiro de 2026 consolida uma tendência que especialistas vêm defendendo há décadas: a virtuosidade da biomassa não reside apenas na complementaridade às hídricas, mas em ser um pilar estratégico para a segurança do SIN.

Em maio de 2026, o Brasil alcançou 18,2 GW de capacidade instalada em biomassa, distribuídos por 656 unidades geradoras. Esta fonte já representa 8,3% da potência outorgada nacional, ocupando o posto de 5ª fonte mais relevante da matriz. O protagonismo é dividido entre dois pilares que somam 90,1% desse total: o bagaço de cana (12,7 GW) e o licor negro do setor de Papel e Celulose (3,7 GW).

Geograficamente, a geração está estrategicamente posicionada no subsistema Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO), o coração geoelétrico do país. O estado de São Paulo lidera o ranking com 6,4 GW, seguido por Minas Gerais (1,7 GW) e Goiás (1,6 GW).

Voltando à Aristóteles, uma grande virtude da bioeletricidade, especialmente a derivada da cana-de-açúcar, sem dúvida está em sua geração firme, não intermitente e predominante no período seco do SIN: enquanto as hidrelétricas sofrem com a redução do nível dos reservatórios durante o período seco, a safra canavieira atinge seu auge, injetando energia elétrica justamente quando o sistema mais precisa. No setor elétrico, a virtude se traduz na segurança energética: nem a dependência arriscada das chuvas ou de fontes intermitentes, nem o excesso poluidor e oneroso das térmicas fósseis. A biomassa oferece a prudência necessária para atravessar os períodos de estiagem sem comprometer a sustentabilidade ou o custo para o consumidor.

A bioeletricidade atingiu em 2025 sua maior exportação histórica para o SIN, com 28.797 GWh. Para se ter uma ideia da magnitude, esse volume é suficiente para atender mais de 14 milhões de unidades residenciais em um único ano, mas essa produção gerou muito mais valor para o consumidor do que GWh.

Em 2024, a exportação de bioeletricidade contribuiu para preservarmos 19% do volume de água disponível nos reservatórios das usinas hidrelétricas do subsistema SE/CO, a chamada Energia Armazenada (EAR). Em 2025, esse auxílio continuou robusto, ajudando a preservar o equivalente a 20% da energia contida na água armazenada nesses mesmos reservatórios. Com os níveis dos reservatórios SE/ CO em menos de 65% em maio de 2026, a bioeletricidade atua como um “seguro” contra o acionamento de térmicas fósseis, mais caras e poluentes, pois a EAR costuma chegar a 40% no fim de períodos secos “sem susto”, contudo, pode chegar próxima a 15% em momentos críticos como novembro de 2014.

Quando os reservatórios estão mais pressionados, a bioeletricidade atua como um reforço natural, ajudando a preservar água, reduzir risco de déficit e diminuir a necessidade de acionamento de térmicas fósseis.

Outra virtude relevante da bioeletricidade é prover energia firme ao SIN, sobretudo diante da expansão acelerada das fontes eólica e solar na matriz brasileira que, embora essencial para a descarbonização, introduz o desafio da variabilidade climática, exigindo mecanismos que garantam a estabilidade do sistema quando o vento não sopra ou o sol não brilha.

A bioeletricidade, por ser uma fonte não intermitente, funciona como um contrapeso estratégico que oferece potência firme e previsibilidade operacional, compensando as flutuações das renováveis intermitentes, novamente reduzindo a necessidade de acionamento de térmicas fósseis poluidoras e preservando a integridade do SIN por meio de sua geração distribuída e resiliente.

Apesar desses atributos, a biomassa não pode participar efetivamente do último Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026), realizado em mar-

ço de 2026, que contratou aproximadamente 19 GW de capacidade, com mais de 100 empreendimentos vencedores

– um marco histórico para o setor elétrico, movimentando

R$ 64,5 bilhões em investimentos

e contratando 18,9 GW (equivalente a 1,5 vez toda a capacidade instalada no país em térmicas com bagaço de cana).

Permitir que a biomassa participe efetivamente (reforço o advérbio) dos próximos LRCAPs contribuirá para trazer o agir racional aristotélico ao propósito técnico fundamental desses certames: garantir a confiabilidade operativa do sistema frente à crescente intermitência das fontes renováveis, tentando-se preservar a sustentabilidade da matriz elétrica. Nos últimos anos, a política energética do país passou a focar não apenas no custo imediato do MWh, mas a priorizar a segurança energética, reconhecendo que o Brasil não carece apenas de volume de energia, mas sim de potência firme e flexibilidade para atender aos picos de demanda. Essa visão crítica aponta que a politização e as disputas setoriais em torno do leilão acabam por ofuscar a necessidade urgente de uma modelagem que valorize atributos específicos de estabilidade, essenciais para evitar apagões, garantir o equilíbrio do SIN,

sem comprometer sobremaneira o perfil de sustentabilidade da matriz elétrica.

A bioeletricidade emerge como uma solução virtuosa e estratégica, funcionando como um “reservatório virtual”, especialmente durante os meses críticos de estiagem, e não se trata “apenas” de uma fonte renovável, mas de uma fonte útil além dos GWh, provendo energia firme ao SIN. Negligenciar a bioeletricidade nos leilões de capacidade é um erro de planejamento que nos afasta da racionalidade. Integrar esta fonte de forma plena é reforçar a soberania energética e garantir que a matriz brasileira permaneça de baixa emissão, segura e equilibrada entre uma temida escassez e um custoso excesso.

*Gerente de Bioeletricidade da UNICA

Biometano integra o projeto Rota Verde lançado pela bioenergética São Martinho

Projeto de logística sustentável reúne também a Rumo, Necta e a Transvale

A São Martinho, em parceria com Rumo, Necta e Transvale, anunciou o projeto Rota Verde, considerado um marco para a logística sustentável no setor sucroenergético brasileiro.

A operação integra transporte rodoviário, movido a gás natural e biometano, e ferroviário para o transporte de açúcar da Unidade Santa Cruz, localizada em Américo Brasiliense (SP), garantindo eficiência e redução significativa de impactos ambientais.

Em um primeiro momento, a iniciativa prevê a utilização de veículos 100% movidos a gás natural, até a transição para uso integral de biometano em toda a frota responsável pelo transporte de açúcar da unidade, destaca, em nota, a companhia.

Os caminhões, equipados com tecnologia Scania G460 Gás, promoverão uma operação mais limpa e eficiente. Além disso, a operação contará com a conexão ferroviária já existente entre

o terminal de transbordo da Rumo, localizado em Itirapina/SP, e o Porto de Santos, assegurando maior integração logística.

O diferencial do projeto é a possibilidade de utilização do excedente produzido pela planta de biometano da São Martinho, em Américo Brasiliense (SP), fortalecendo a economia circular.

A unidade produtora de biometano entrou em operação em agosto de 2025 e recebeu R$ 250 milhões para sua implantação.

“A Rota Verde marca um avanço significativo na integração entre eficiência logística e responsabilidade ambiental. Com essa iniciativa, conectamos inovação e sustentabilidade, reduzindo emissões e aproveitando recursos renováveis como o biometano”, afirma Helder Gosling, Diretor Comercial e de Logística da São Martinho.

Eficiência

A operação deve transportar cerca de 350 mil toneladas de açúcar por ano, garantindo maior eficiência e redução

de custos. Com essas medidas, o projeto proporcionará uma redução de até 87% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação aos veículos convencionais movidos a diesel, segundo estudo da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia.

De acordo com José Eduardo Moreira, CEO da Necta, a parceria mostra que é possível aliar sustentabilidade à economia operacional, comprovando que o biometano é competitivo em relação ao diesel.

O projeto, que começou em maio de 2026, é operado pela Transvale, que disponibiliza veículos e motoristas 24 horas por dia, 26 dias por mês, durante 10 meses por ano, até março de 2030. “O investimento inicial da transportadora é estimado em R$ 15 milhões, com 10 conjuntos rodotrem caçamba

de 47 toneladas”, informa Ivo Ilário Riedi Filho, CEO da Transvale. Com essa proposta, a expectativa é de um aumento de até 20% no índice de produtividade da operação da São Martinho, reduzindo o tempo médio e os custos de transporte.

Para Altamir Perottoni Junior, Vice-Presidente Comercial da Rumo, a iniciativa é fundamental por unir diferentes elos da cadeia em um projeto que contribui para a descarbonização, reforçando a importância da complementariedade entre o modal ferroviário, que por essência já tem menor pegada de carbono, e o modal rodoviário sustentável, que promove a substituição do diesel pelo biometano.

Empresas fecham parceria para entrega de biometano à fábrica no Rio de Janeiro

Gás renovável para a unidade fabril da Knauf será entregue pela Gás

Verde em contrato com validade de três anos

A Gás Verde, produtora de biometano, e a Knauf, multinacional alemã e uma das líderes mundiais de fabricação de material de construção, fecharam uma parceria para o abastecimento de biometano.

O gás renovável será fornecido à planta da multinacional alemã em Queimados, município da região metropolitana do Rio de Janeiro.

No local, onde a Knauf produz sistemas de drywall, a fábrica receberá um volume de 13 mil m³/dia ou 4,7 milhões de m3/ano. O prazo do contrato é de três anos e o abastecimento

estava previsto para começar em junho de 2026.

O fornecimento corresponderá a um terço do total de energia consumida pela planta, com possibilidade de expansão, uma vez que o restante é de gás natural fóssil, intercambiável com o biometano.

A redução de emissão será de apro-

ximadamente 9.500 toneladas de CO2eq/ano ou 28.500 toneladas de CO2eq/contrato, o equivalente ao plantio de 182 mil árvores plantadas durante todo o contrato. Esta será a primeira unidade da Knauf no mundo a adotar o biometano.

“Estamos muito felizes com esta parceria, em que vamos poder apoiar

uma companhia tão importante e estratégica como a Knauf a avançar no processo de descarbonização de sua produção. Esperamos que seja apenas o começo dessa nossa jornada conjunta”, afirma o CEO da Gás Verde, Marcel Jorand.

“Esta parceria com a Gás Verde é um marco de liderança para a Knauf: a unidade de Queimados (RJ) será a primeira do grupo no mundo a operar com biometano, assegurando um terço da energia da planta e habilitando rápida expansão pela total intercambialidade com o gás natural. É uma decisão estratégica que acelera nossa descarbonização, fortalece a resiliência e a competitividade da operação no Brasil e consolida nosso compromisso com a inovação sustentável”, diz Eduardo Eleuterio, CEO da Knauf do Brasil.

Joint venture com a Tereos produzirá SAF

Tecnologia do projeto com a Tereos, Technip, Airbus e Safran converte etanol avançado em Combustível Sustentável de Aviação

A Technip, a Airbus, a Safran e a Tereos firmaram um acordo para criar a Rebound, uma joint venture para desenvolver um projeto de produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) em larga escala no Porto de Dunquerque, no norte da França.

O projeto utilizará a tecnologia Alcohol-to-Jet (AtJ) para produzir aproximadamente 160.000 toneladas de SAF por ano, tornando-se uma das maiores instalações desse tipo na Europa e contribuindo para a soberania energética europeia.

Com este acordo, os parceiros comprometem-se a financiar a fase de desenvolvimento do projeto, incluindo estudos de engenharia e outras atividades necessárias para considerar uma Decisão Final de Investimento (FID).

O combustível de aviação (FA) é amplamente reconhecido como a principal alavanca para a descarbonização da aviação.

De acordo com o regulamento Refuel EU Aviation da União Europeia, os mandatos de mistura de FAS aumentarão progressivamente, atingindo 6% em 2030 e 70% em 2050, impulsionando um aumento de oito vezes na demanda entre 2030 e 2050. Entre as vias de produção disponíveis, o Alcohol-to-Jet (álcool para aviação)

está emergindo como uma opção escalável e competitiva em termos de custos, que converte etanol avançado, produzido a partir de resíduos agrícolas e florestais, em combustível de aviação pronto para uso, que pode ser misturado com querosene de aviação convencional e utilizado em motores e aeronaves existentes. Nesta fase de desenvolvimento do projeto, a Technip Energies atuará como desenvolvedora líder e fornecedora de serviços de engenharia, contribuindo com sua expertise em escalonamento tecnológico e execução de projetos complexos.

A importância do SAF na descarbonização

A Airbus e a Safran, líderes mundiais no setor aeroespacial, participam como parceiras industriais, facilitadoras de escoamento e potenciais compradoras de SAF. Como líder europeia na produção de etanol, a Tereos, cooperativa agrícola francesa, pretende fornecer e obter o etanol avançado necessário para o projeto. Juntos, os quatro parceiros

abrangem a cadeia de valor, desde o fornecimento da matéria-prima até o uso final na aviação, em uma única iniciativa liderada pela Europa. Uma etapa fundamental já foi alcançada: o Porto de Dunquerque concedeu à Technip Energies um local industrial no norte da França, que oferecerá, após a finalização da joint venture, fortes vantagens logísticas para a Rebound no transporte de matéria-prima e produto, bem como um processo de licenciamento simplificado.

Próximas

etapas e localização estratégica

Os parceiros avançarão por meio de um processo de desenvolvimento disciplinado e dividido em etapas. As próximas etapas incluem a seleção do licenciador de tecnologia, as atividades de licenciamento, o início das atividades de pré-FEED (Projeto de Engenharia Básica) e FEED, a finalização dos contratos de fornecimento de matéria-prima e de compra de SAF e a obtenção do financiamento para a construção do ativo.

Parceria foca o desenvolvimento de SAF

Parceria é firmada entre a IATA, que representa a indústria aérea, e empresa da Mubadala

A Acelen Renováveis, empresa de energia renovável da Mubadala Capital, e a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), entidade global que representa a indústria aérea, assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para colaborar em iniciativas estratégicas relacionadas à transição energética da aviação e ao desenvolvimento do mercado de Combustível Sustentável de Aviação (SAF, na sigla em inglês). O acordo foi firmado durante a Assembleia Geral Anual da IATA (AGM) e a Cúpula Mundial de Transporte Aéreo (WATS), realizada no Rio de Janeiro, do qual participaram executivos de companhias aéreas, reguladores, investidores, fabricantes, produtores de combustíveis e outros atores da cadeia de valor do setor.

O Memorando de Entendimento foi assinado por Patricia Grossi, Head de Mercado de Carbono e Assuntos Regulatórios da Acelen Renováveis, e por Marie Owens Thomsen, Vice-Presidente Sênior de Sustentabilidade e Economista-Chefe da IATA. O acordo estabelece a cooperação em iniciativas voltadas ao avanço do mercado de SAF, à participação em fóruns técnicos e grupos de trabalho, à troca de conhecimento e ao alinhamento em temas regulatórios relevantes para a descarbonização da aviação.

A parceria representa mais um passo

na estratégia da Acelen Renováveis de contribuir para a expansão da oferta global de combustíveis sustentáveis, ao mesmo tempo em que amplia o reconhecimento da macaúba como uma matéria-prima de alto potencial para a produção de SAF.

A IATA estima que o SAF poderá contribuir com aproximadamente 65% das reduções de emissões necessárias para que o transporte aéreo alcance emissões líquidas zero até 2050, o que exigirá que a produção global alcance cerca de 500 milhões de toneladas por ano até essa data. O SAF é amplamente reconhecido como a principal alavanca para reduzir as emissões de CO₂ no setor da aviação.

“Descarbonizar a aviação exigirá inovação, diversificação de matérias-primas e colaboração em toda a cadeia de valor. A parceria com a IATA fortalece nosso papel nesse ecossistema

e amplia o diálogo sobre os critérios de sustentabilidade e a contribuição que novas rotas tecnológicas e matérias-primas, como a macaúba, podem oferecer para a construção de uma indústria da aviação mais sustentável”, afirmou Patrícia Grossi, Head de Carbono e Assuntos Regulatórios da Acelen Renováveis.

A IATA representa aproximadamente 80% do tráfego aéreo global e atua como uma das principais vozes mundiais em temas relacionados à sustentabilidade, regulação e desenvolvimento do mercado de SAF.

A Acelen Renováveis está desenvolvendo atualmente, na Bahia, um dos maiores projetos de combustíveis renováveis do mundo, com mais de US$3 bilhões investidos em sua primeira unidade integrada.

O projeto inclui uma biorrefinaria projetada para produzir anualmente 1 bilhão de litros de SAF e Óleo Vegetal Hidrotratado (HVO), além do desenvolvimento de uma cadeia agrícola baseada no cultivo da macaúba, priorizando áreas degradadas.

Usinas Serra Grande e Trapiche elevam produtividade com fermentação sem ácido

A nova tecnologia já entrega ganhos de rendimento de até 15,61 % em etanol

Depois de mais de 15 anos de pesquisa, desenvolvimento e validação industrial, a tecnologia “Ácido Zero” começa a consolidar resultados em usinas brasileiras. Segundo Antônio Diogo Ferreira, os ganhos observados em unidades que adotaram a solução demonstram maturidade operacional, aumento de produtividade e maior estabilidade microbiológica em condições reais de safra.

Um dos principais exemplos é o da Usina Serra Grande, em São José da Laje (AL). Antes da implantação da tecnologia, a unidade enfrentava elevados índices de infecção na fermentação, baixa eficiência, menor produtividade e aumento no consumo de insumos utilizados para controle microbiológico.

De acordo com Diogo Gonzaga, gerente industrial da usina, o tratamento completo foi iniciado em dezembro de 2024, ainda durante a safra 2024/25. Desde então, a operação passou a apresentar estabilidade fermentativa, sem registros de problemas relacionados à fermentação.

Entre os resultados observados estão o aumento do teor alcoólico do vinho, redução do consumo de antiespumantes e dispersantes, maior segurança operacional. Na safra 2025/26, a unidade registrou ganho real de 28,42

litros de etanol anidro por tonelada de mel, encerrando o ciclo com produção de 348,96 litros por tonelada de mel processado. A produção de levedura seca também praticamente dobrou no período.

“Já aplicando a tecnologia desde a propagação da fermentação e mantendo o tratamento em toda a safra o rendimento médio comparado a média da safra anterior quando iniciamos o tratamento, teve um aumento em 15,61%, (litros de etanol / ton de mel)”, ressaltou Ferreira.

Outro case apresentado foi o da Usina Trapiche, que registrou avanços em diversos indicadores industriais.

Segundo Eduardo Valença, gerente

industrial da unidade, a tecnologia contribuiu para reduzir a contaminação bacteriana, diminuir a floculação, reduzir a viscosidade do creme de levedura e aumentar a estabilidade operacional da fermentação.

Os indicadores apontaram aumento de 3,51% na produtividade da fermentação, crescimento de 2,36% na eficiência da destilaria e ganho de 35,53% na produtividade da secagem de levedura. A unidade também observou melhorias no desempenho das centrífugas, redução de incrustações em colunas e trocadores de calor, menor corrosão nos sistemas de armazenamento de etanol e maior estabilidade dos parâmetros analíticos do processo.

fil dos produtos utilizados no programa. Segundo a empresa, os insumos empregados possuem certificações alimentícias (como a certificação kosher e Halal), homologações internacionais e podem inclusive ser aplicados em processos voltados à produção de álcool neutro e bebidas. “São produtos biodegradáveis, homologados pelas principais fabricantes de levedura e certificados para aplicações alimentícias”, afirma.

Segundo Antônio Diogo, um dos maiores desafios culturais da tecnologia é justamente romper o medo histórico de retirar o ácido da fermentação. “A primeira reação de quem trabalha na área é pensar que o fermento vai flocular imediatamente. Mas mostramos que o problema não é simplesmente a ausência de ácido. O problema está nos biopolímeros e nos mecanismos que favorecem a aderência celular.”

Diagnóstico microbiológico

Segundo Valença, mesmo com o investimento na aquisição dos produtos utilizados no tratamento, os ganhos operacionais e produtivos superaram os custos, resultando em retorno econômico positivo para a unidade.

Para Antônio Diogo Ferreira, os resultados obtidos em usinas com diferentes configurações de fermentação reforçam o potencial da tecnologia como ferramenta para aumentar a eficiência industrial, reduzir perdas e ampliar a produtividade de etanol e levedura sem a utilização de tratamento ácido convencional.

Outro ponto destacado é o per-

Para viabilizar essa mudança de conceito, a Quiminato desenvolveu um modelo de implantação baseado em diagnóstico microbiológico detalhado e acompanhamento técnico intensivo. “No passado tínhamos basicamente testes qualitativos. Hoje conseguimos medir quantitativamente a intensidade da floculação e relacionar isso diretamente com eficiência operacional.” O monitoramento permite identificar rapidamente situações críticas que comprometem o desempenho das centrífugas e aumentam drasticamente as perdas de fermento. “Encontramos casos de viscosidade acima de 10 mil. Nessa condição, a máquina vibra, perde eficiência e o desperdício de levedura se torna gigantesco.”

Antônio Diogo acredita que o setor sucroenergético começa a viver uma transformação importante na forma de enxergar a fermentação. Mais do que substituir um produto químico, a proposta é mudar a lógica operacional construída ao longo de décadas. “Estamos aprendendo a trabalhar a favor da levedura, e não contra ela.

Quando você respeita o metabolismo dela, o ganho industrial aparece naturalmente.”

Eduardo Valença, gerente industrial da Usina Trapiche
Diogo Gonzaga, gerente industrial da Usina Serra Grande

Tecnologia Zero Ácido: novo conceito de tratamento em fermentação nas usinas

Tecnologia desenvolvida ao longo de 15 anos propõe eliminar ácido sulfúrico e antibióticos da fermentação, elevando rendimento industrial e reduzindo perdas provocadas pela floculação

Durante décadas, o tratamento ácido foi praticamente uma unanimidade dentro das usinas brasileiras. Desde os tempos do Proálcool, o ácido sulfúrico tornou-se parte inseparável da rotina da fermentação alcoólica, acompanhado posteriormente por antibióticos, biocidas e diferentes estratégias de controle microbiológico. Mas uma tecnologia desenvolvida ao longo de mais de 15 anos pelo CEO da Quiminato, Antônio Diogo Ferreira, propõe justamente romper com esse paradigma histórico. Batizado de “Tecnologia Zero Ácido”, o programa substitui completamente

o uso de ácido sulfúrico e antibióticos no tratamento da fermentação, utilizando uma abordagem baseada na preservação do metabolismo natural da levedura e no controle direcionado dos fatores que provocam perdas industriais, principalmente a floculação.

Com mais de três décadas de experiência no setor sucroenergético, Antônio Diogo construiu sua trajetória dentro das usinas, passando por áreas como microbiologia, laboratório, coordenação industrial e supervisão de processos. Biólogo de formação e apaixonado pela fermentação, ele afirma que a ideia nasceu justamente da observação prática do comportamento da levedura ao longo dos anos.

“A levedura está entre nós há milhões de anos. Ela desenvolveu mecanismos extremamente sofisticados para sobreviver e converter açúcar em etanol. O problema é que o modelo convencional de tratamento acaba agredindo esse metabolismo”, explica. Segundo ele, a lógica tradicional da fermentação sempre esteve baseada em criar um ambiente extremamente ácido para controlar bactérias contaminantes. O problema é que esse

ambiente também afeta diretamente a levedura, reduzindo sua eficiência metabólica e elevando o gasto energético celular.

No tratamento convencional, o fermento é submetido a condições de pH extremamente baixo, em torno de 2,5. Porém, internamente, a levedura trabalha em equilíbrio próximo de 5,5. Para sobreviver em ambiente tão ácido, ela precisa gastar energia constantemente para regular o próprio pH intracelular.

“Ela absorve ácidos orgânicos do meio e cria mecanismos internos de tamponamento para sobreviver. Isso consome muita energia. Muitas células não suportam esse estresse, morrem ou passam a produzir subprodutos indesejáveis”, afirma.

Viabilidade celular acima de 90%

O reflexo aparece diretamente nos indicadores industriais. Enquanto fermentações convencionais frequentemente operam com viabilidades de 70% a 85%, os processos tratados com a tecnologia desenvolvida pela Quiminato trabalham acima de 90%, chegando em alguns clientes a uma média de 95% de viabilidade celular. Com menor mortalidade celular, a necessidade de reprodução da levedura também diminui. Isso reduz o chamado “brotamento excessivo”, que demanda consumo elevado de ART — Açúcares Redutores Totais — apenas para manutenção populacional, sem conversão efetiva em etanol.

Mas o principal diferencial do programa talvez esteja no combate à floculação, considerada atualmente um dos maiores gargalos da fermentação industrial brasileira.

Segundo Antônio Diogo, o setor passou muitos anos atribuindo a floculação exclusivamente à presença de determinadas bactérias ou leveduras contaminantes. Entretanto, os estudos conduzidos pela empresa identificaram um cenário muito mais complexo.

“Hoje sabemos que existe uma combinação de fatores. Identificamos mais de 40 tipos de biopolímeros provenientes tanto de bactérias

quanto de leveduras. Esses compostos formam estruturas viscosas que, associadas ao cálcio, criam pontes de ligação responsáveis pela floculação.” Esses biopolímeros, associados aos lipopolissacarídeos presente na parede de alguns grupos de bactérias, promovem a aderência celular e favorecem a seleção de leveduras floculantes, que passam a dominar gradativamente o processo fermentativo.

O impacto operacional é severo

A floculação excessiva pode elevar a viscosidade do creme fermentado de oito a dez vezes, comprometendo o desempenho das centrífugas. Equipamentos projetados para operar com viscosidade em torno de 1.500 podem atingir valores superiores a 8 mil e, em situações extremas, chegar a 13 mil. Segundo Antônio Diogo Ferreira, isso reduz a eficiência da separação, aumenta o refluxo de vinho, eleva a recirculação de contaminantes e amplia as perdas de fermento. O impacto econômico é significativo. De acordo com o especialista, uma perda contínua de apenas 1% de levedura em uma usina que produz 1 milhão de litros de etanol por dia representa dezenas de toneladas de biomassa descartadas diariamente, o que pode equivaler a perdas de 4% a 5% da produção de etanol. Ele atribui parte desse cenário às mudanças ocorridas no sistema agrícola brasileiro, como a mecanização da colheita, o fim gradual da queima da cana e o uso crescente de biológicos no campo, fatores que aumentaram a entrada de matéria orgânica, microrganismos e biopolímeros na fermentação.

Nesse contexto, Antônio Diogo afirma que a acidificação isolada já não é suficiente para controlar o problema. Embora o ácido sulfúrico contribua para a precipitação de cálcio, sua eficiência diminui diante do excesso de biopolímeros e ele passa a atuar mais como agente de estresse para a levedura. A Tecnologia Ácido Zero foi desenvolvida para atuar diretamente nos fatores que desencadeiam a floculação, controlando bactérias sem comprometer a fisiologia da levedura e preservando a eficiência da produção de etanol.

Como deve ficar a safra 2027/28?

Menos investimentos

nos canaviais e dúvidas sobre a demanda global acendem a luz amarela no setor

Em estados do Centro-Sul como São Paulo, a safra 2026/27 começou com chuvas no momento certo para os canaviais, entre janeiro e fevereiro.

Em seguida a estiagem possibilitou o arranque das operações de campo.

Não à toa, muitas das usinas do Centro-Sul registraram recordes de moagem diária, muito por conta do ritmo acelerado de colheita.

Mas tem o El Niño.

Enquanto esta edição impressa estava sendo concluída, as previsões mais recentes da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOOA) apontavam para condições favoráveis para o desenvolvimento do El

Niño ainda no fim do primeiro semestre deste ano.

Em relatório, a agência norte-americana elevou o status para “alerta de El Niño.” Até então, o cenário era de “estado de atenção.”

A probabilidade de formação do El Niño até julho de 2026 é de 82%.

Para o período de dezembro de 2026 a fevereiro de 2027, a chance de continuidade chega a 96%.

No Brasil, o fenômeno pode influenciar a distribuição das chuvas, favore-

cer ondas de calor e aumentar o risco de eventos extremos, dependendo da intensidade e da combinação com outros sistemas climáticos.

Se ‘super’ ou não, dependerá muito de novas avaliações da NOOA. Entretanto, já é possível traçar previsões para os canaviais na safra 2027/28.

Seja no Centro-Sul como nas regiões Norte e Nordeste, os investimentos em tratos culturais deverão ser inferiores à média histórica. Essa previsão, checada pelo JornalCa-

na junto a lideranças do setor, deverá ocorrer principalmente com os fornecedores de cana, responsáveis por médios 30% de toda a cana processada pelas usinas.

E qual o motivo do investimento menor em tratos?

O preço pago pela cana. Exemplo: o valor do quilo do ATR, referência na formação do preço, oscilou entre R$ 1 a R$ 1,20 até maio.

Com isso, a cotação média da tonelada de cana-padrão no Centro-Sul fica entre R$ 130 a R$ 145. Por sua vez, as projeções de custo operacional para o produtor rodam em R$ 180 por tonelada.

O resultado, que é ruim para o negócio em 2026, tende a ficar ruim também para a próxima safra.

Isso porque será preciso investir em tratos culturais para ter uma matéria-prima de bom rendimento na 2027/27, que pode ser afetada pelo El Niño.

Como deve ficar a demanda em 2027?

2026 foi marcado no primeiro semestre pelos estoques globais de açúcar, que não só atenderam o consumo como sobraram. O resultado foram preços baixos ao produtor.

Para 2027 o cenário dependerá - e muito – da safra açucareira na Índia, segundo maior produtor depois do Brasil. As previsões da agência NOOA indicavam para secas severas no fim do período de chuvas (monção) na Índia, entre junho e julho, justo quando a

cana precisa de água.

Além de dúvidas na oferta da matéria-prima, o governo indiano tem acelerado a mistura de etanol na gasolina, muito por conta de evitar a importação de gasolina.

Essa mistura, conforme apurou o JornalCana, pode subir de atuais 20% de etanol no litro da gasolina, para até o dobro. Se isso ocorrer, certamente haverá impacto no mercado global do biocombustível.

Esse impacto pode valorizar o preço do etanol.

Mas no caso da cana, fonte da maioria do biocombustível feito no Brasil, a tendência é de que haverá menos oferta em 2027, por conta dos preços baixos e os custos altos.

à safra

25/27, que chegou a 670 milhões de toneladas no país.

Projeções mais otimistas apontam para até 700 milhões de toneladas no ciclo em andamento no Centro-Sul e que, no Norte e Nordeste, começa oficialmente em setembro.

É preciso levar em conta a qualidade da cana, que antes das chuvas de junho enfrentou seca severa desde abril último no Centro-Sul, o que pode afetar o saldo final.

Tem também a possibilidade de um El Niño fortalecido. Conforme as projeções mais atuais enquanto essa edição era concluída, há previsão de chuvas acima do normal entre outubro e no-

vembro no Centro-Sul. É justamente o período de arranque final da safra, o que pode afetar as operações de campo em caso de chuvas torrenciais.

Em todo caso, e muito também em função do milho, a produção de biocombustível deve superar 41 bilhões de litros na 26-27, dos quais 10 bilhões de litros feitos pelo cereal. Já a oferta de açúcar deve alcançara 44 milhões de toneladas, segundo consultorias, o que atende ao mercado interno e ajudará a suprir a demanda global.

Em termos de oferta de cana, o cenário é de aumento em relação

Etanol de milho segue em expansão em meio a incertezas entre oferta e demanda

Biocombustível feito do cereal deve chegar a 19 bilhões de litros nos próximos 4 anos

O emprego do milho como fonte de produção de etanol só avança no Brasil.

Apenas no mês de maio, duas companhias divulgaram anúncios sobre fabricação de biocombustível pelo cereal. Uma é a Atvos, que anunciou projeto de implantação de planta de milho anexa à sua usina de cana localizada em Nova Alvorada do Sul (MS).

A outra companhia é a 3tentos, que confirmou o início das operações de sua primeira indústria de etanol de milho em Porto Alegre do Norte, no Vale do Araguaia (MT).

sobre o equilíbrio entre oferta e demanda.

O alerta foi feito por Renato Pretti, CEO da CerradinhoBio, durante palestra no BioMilho 2026, evento realizado em fevereiro pela Pró-Usinas JornalCana em Ribeirão Preto

“O investidor hoje está mais seletivo”, afirmou. “Margens menores, juros altos e crédito restrito mudaram a dinâmica dos projetos.”

E35

Juntas, a futura usina da Atvos e a que entra em operação pela 3tentos atestam as previsões de que o Brasil sairá de atuais 10 bilhões de litros de etanol do cereal para 19 bilhões de litros em 2030.

Incertezas

A expansão prossegue, mas o setor de etanol de milho pode entrar ritmo de desaceleração diante das incertezas

e que reuniu lideranças da bioenergia para discutir o avanço do etanol de milho no país. “O setor continua em expansão, mas vive um momento de maior cautela”, disse.

Segundo Pretti, apesar do cenário mais desafiador no curto prazo, a visão estrutural segue positiva.

O Brasil tem capacidade de absorver o crescimento, especialmente com medidas como o avanço do E35 (35% de etanol anidro na gasolina), que pode gerar até 3 bilhões de litros adicionais de demanda.

O E35 seguia em discussão até o fechamen-

to desta edição.

Competitividade

Outro ponto destacado pelos participantes do evento foi a importância da competitividade.

Projetos de etanol de milho são altamente sensíveis a fatores como tecnologia e localização.

Plantas menos eficientes ou mal posicionadas podem perder grande parte da rentabilidade, o que deve levar a uma seleção natural dos investimentos.

Além disso, desafios como custo da biomassa, limites do mercado de coprodutos e oscilações do petróleo seguem no radar do setor.

Para Renato Pretti o etanol de milho continua sendo uma fronteira promissora da bioenergia, mas exige decisões cada vez mais estratégicas

Produção global do cereal deverá cair

Em previsão anunciada em maio, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) projeta produção global de milho menor na safra

2026/26, na comparação com a anterior.

A perspectiva é de 1,29 bilhão de toneladas, montante 1,3% inferior à expectativa para a safra 2025/26, que foi recorde histórico.

Ocorre que a demanda mundial do cereal deve alcançar 1,31 bilhão de toneladas na 26/27.

Tem aí um problema: os estoques tendem a ficar baixos para atender ao avanço da deman-

da global.

É o que projeções apontam entre os principais países consumidores, caso da China, onde o estoque final de milho deve cair 6,7%, enquanto nos EUA a queda deve oscilar em 8,6%.

No Brasil não deverá ser diferente: o estoque final deve cair 1,7%.

Com menos oferta, a tendência é de que os preços subam.

A pergunta é: como fica o setor produtivo de etanol de milho?

A safra 2026/27 será registrada por excedente de demanda, que pode superar a oferta em 10 milhões de toneladas.

“Não parece ser uma questão problemática entre a oferta e demanda”,

diz Raphael Delloiagono, analista de mercado do Pecege. “Isso porque deverá haver estoque para garantir esse excedente projetado.”

No caso do milho para etanol no Brasil, ele não acredita que haverá falta.

“Mas isso [produção global menor] poderá fazer subir os preços dessa commodity”, disse ele, que participou como palestrante do SINATUB 26, realizado em maio pela Pró-Usinas JornalCana.

“Sei que se ficar mais caro, o milho, que entra no custo de produção como matéria-prima do etanol, poderá ampliar o custo e tornar esse etanol menos competitivo na comparação com o etanol de cana.”

Manutenção preventiva ganha relevância para a eficiência industrial

Apresentação da Hidrovapor no SINATUB26 destacou o papel estratégico das válvulas industriais na continuidade operacional das usinas

Embora discretas, as válvulas industriais estão entre os componentes

mais críticos para o funcionamento de uma usina. Presentes em praticamente todas as etapas dos processos, elas controlam fluxos, pressões e temperaturas, influenciando diretamente segurança, eficiência e disponibilidade dos equipamentos.

Durante o SINATUB26 – Congresso de Usinas de Alta Performance, em Ribeirão Preto (SP), representantes da Hidrovapor abordaram um tema recorrente nas unidades industriais: a necessidade de fortalecer a cultura da manutenção preventiva e da capacitação técnica das equipes.

Segundo David Almeida e Ronivaldo Gomes de Abreu, muitos problemas de desempenho em válvulas industriais decorrem da falta de inspeções periódicas, do desgaste

Fornecedor entrega

53% da cana do NE

Os fornecedores de cana de Pernambuco respondem por 53% da cana processada pelas usinas do Nordeste. Em números, o percentual representa pouco mais de 29 milhões de toneladas da matéria-prima do etanol e do açúcar da região, segundo Alexandre

natural dos componentes ou do uso inadequado dos equipamentos — falhas que costumam provocar interrupções de produção, aumento de custos e riscos à segurança dos processos.

Um exemplo citado envolveu uma unidade produtora de etanol no norte de Minas Gerais, cuja produção foi interrompida por falhas em válvulas do sistema de peneira molecular. A análise técnica apontou problemas nos componentes internos e na qualidade de intervenções anteriores. Após a recuperação dos equipamentos, por técnicos da Hidrovapor, a unidade retomou a operação normal. O caso ilustrou um desafio comum: a dificuldade de mensurar os impactos indiretos da indisponibilidade de equipamentos aparentemente simples, mas essenciais ao processo produtivo. Outro ponto abordado foi a qualificação dos operadores. Parte dos danos em válvulas industriais decorre de procedimentos inadequados durante a operação, o que pode reduzir a vida

útil dos componentes e aumentar a frequência de intervenções corretivas. Como exemplo, foi citada a operação de válvulas gaveta, projetadas para trabalhar totalmente abertas ou totalmente fechadas — quando usadas em posições intermediárias por longos períodos, sofrem desgaste prematuro pela ação do fluido sobre os componentes internos.

A discussão também evidenciou a ampliação dos programas de treinamento voltados às equipes de manutenção e operação. Com processos cada vez mais automatizados, a capacitação técnica passou a ser vista como fator importante para a confiabilidade operacional.

A apresentação trouxe ainda informações sobre a evolução da Hidrovapor, que atua na fabricação, recuperação e manutenção de válvulas industriais para o setor sucroenergético e outros segmentos da indústria de processo, com investimentos em qualificação profissional, ampliação da capacidade produtiva e certificações de qualidade.

Andrade Lima, presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP).

Conforme ele, os fornecedores deverão repetir a participação em moagem da safra 2026/27, prevista para começar em setembro próximo. A AFCP integra 90% dos 10 mil fornecedores de cana do estado.

Lima destaca que o Nordeste tem tudo para repetir a moagem da 2025/26, que somou 55 milhões de toneladas de cana.

“Os canaviais estão em excelentes condições, graças à temporada de chuvas, que foi muito boa e muito bem distribuída pelas áreas canavieiras do estado”, comenta.

Mas tem a questão do El Niño. Se ele realmente vir, e com intensidade, haverá quebra em produtividade de ATR. Se vier com baixa intensidade, o rendimento esperado, segundo Lima é de 145 quilos de ATR por tonelada.

Usina Santa Lúcia colhe ótimos resultados com tecnologias contra paradas inesperadas

Companhia

investiu em tecnologias da Tebe

Sensores e S-PAA que integram manutenção preditiva e otimização operacional

A Usina Santa Lúcia, de Araras (SP), colhe excelentes resultados após investir em sensores voltados à predição de falhas, monitorando vibração, temperatura e torque em equipamentos críticos.

Os dispositivos enviam dados em tempo real para plataformas integradas, permitindo antecipar problemas antes que eles possam paralisar a produção.

Entre eles estão sensores capazes de identificar desgaste em mancais de moenda por temperatura, falhas de engrenamento via vibração e até risco de quebra de eixos através do monitoramento de torque.

“Quando começa a vibrar, ele tira a carga do gerador, a caldeira diminui a demanda de vapor e daí ela desacelera o exaustor, tudo na sequência. Então você preserva o seu equipamento, você preserva sem dúvida a vida útil do seu exaustor”, destaca Rafael Ometto do Amaral, da Usina Santa Lúcia, gestor da companhia, que implementou o sistema em suas operações.

“[Com os sensores], você opera com muito mais segurança”, afirma o executivo.

Paradas inesperadas continuam entre os maiores pesadelos das usinas. Um desfibrador parado, um exaustor em falha ou uma moenda comprometida podem gerar grandes prejuízos, afetando a produção e elevando os custos de manutenção. É nesse cenário que a integração entre as tecnologias da Tebe Sensores e da Soteica, desenvolvedora do sistema S-PAA, começa a ganhar espaço nas plantas industriais.

A proposta une dois mundos: a saúde dos ativos industriais e

a otimização de processo em tempo real.

Segundo José Guilherme Amuchastegui, CEO da Tebe Sensores, o desafio das usinas está diretamente ligado a criticidade dos equipamentos industriais. “Confiabilidade é lucro”, resume. Ele destaca que ativos como moendas, ventiladores, redutores e caldeiras possuem alto custo, manutenção complexa e longos períodos de parada quando apresentam falhas. A estratégia da empresa foi desenvolver sensores voltados à predição de falhas, monitorando vibração, temperatura e torque em equipamentos críticos. Os dispositivos enviam dados em tempo real para plataformas integradas, permitindo antecipar problemas antes que eles possam paralisar a produção.

Entre os exemplos citados estão sensores capazes de identificar desgaste em mancais de moenda por temperatura, falhas de engrenamento via vibração e até risco de quebra de eixos através do monitoramento de torque. Mas o diferencial da parceria com o S-PAA aparece quando esses dados deixam de ser apenas alertas de ma-

nutenção e passam a interferir diretamente na operação industrial.

“Na prática, o resultado é o seguinte: se os sensores detectam aumento anormal de vibração no exaustor de uma caldeira, o S-PAA pode limitar automaticamente a produção de vapor. O sistema recua do ponto ótimo de operação para um modo mais conservador — protegendo o equipamento até que a manutenção seja realizada. Quando o problema é corrigido, a operação retorna ao desempenho máximo”, explica Amuchastegui.

ma integrada de inteligência operacional, consumindo dados de diversas fontes para tomar decisões automáticas de otimização.

É uma lógica nova para o setor: em vez de o sensor apenas alertar, ele passa a interferir diretamente na operação. A saúde do ativo e a performance do processo deixam de ser mundos separados.

A inteligência artificial reforça essa camada. Os algoritmos aprendem o comportamento dos equipamentos ao longo do tempo, incorporam feedbacks dos operadores e geram diagnósticos automáticos com indicação de falhas e ações corretivas — sem exigir um especialista para interpretar os dados. “A IA democratiza o uso de sensores”, afirma Amuchastegui.

Douglas Mariani, Head de Desenvolvimento e Implementação da Soteica, explica que o S-PAA funciona como uma platafor-

Com a integração realizada junto à Tebe, as informações dos sensores passaram a ser utilizadas diretamente pelo sistema de controle da usina. Na prática, o operador visualiza a condição dos equipamentos no próprio supervisório industrial, enquanto o SPAA ajusta automaticamente a operação para preservar a saúde dos ativos.

da Soteica

“Esse foi o trabalho de integração de dados que a gente fez entre S-PAA e Tebe, ou seja, de um lado a empresa que está fazendo o sensoriamento e gerando as informações e do outro lado a plataforma de inteligência que pega os dados, processa a informação e faz essa informação virar uma ação operacional ótima para cuidar da performance e cuidar do equipamento da usina”, complementa Mariani. Hoje, o S-PAA está presente em 138 empresas, em 10 países, e a integração com a Tebe já opera em quase dez clientes industriais, segundo Mariani. O avanço dessa conexão entre sensoriamento, inteligência artificial e automação industrial reforça uma tendência cada vez mais forte no setor bioenergético: usar dados não apenas para produzir mais, mas para garantir que os equipamentos continuem operando com máxima eficiência e menor risco de parada.

Douglas Mariani, Head de Desenvolvimento e Implementação
José Amuchastegui, CEO da Tebe

SINATUB26 mostra que adaptação virou requisito para a alta performance

Congresso reuniu lideranças, especialistas e gestores de usinas para debater inteligência aplicada, automação, biometano, redução de custos e novas estratégias para o setor bioenergético

A busca por eficiência operacional continua sendo um dos pilares da indústria bioenergética, mas já não é suficiente para garantir competitividade. A necessidade de adaptação rápida às transformações tecnológicas, energéticas e econômicas foi a principal mensagem do SINATUB26 –Congresso de Usinas de Alta Performance, realizado nos dias 13 e 14 de maio, em Ribeirão Preto (SP).

portância da inteligência aplicada para a redução de custos industriais. Segundo ele, as usinas precisam utilizar de forma mais integrada seus ativos, tecnologias e equipes para alcançar melhores resultados.

Na sequência, o neuroeconomista José Chavaglia Neto apresentou o tema “A Usina em 2031: Estratégia em Meio às Incertezas”, defendendo que o setor precisará desenvolver maior capacidade de adaptação diante de cenários cada vez mais dinâmicos. O primeiro dia também trouxe dis-

açúcar e etanol.

A diversificação de receitas ganhou destaque com a apresentação de Tiago Gonçalves, da Cocal, sobre os avanços na produção de biogás e biometano.

Já Guilherme Fraga mostrou aplicações de otimização em tempo real na Usina São Martinho, reforçando o papel da digitalização na redução de perdas e no aumento da estabilidade operacional.

Outras palestras abordaram desempenho fermentativo, influência do magnésio na fermentação e otimização

Promovido pela Pró Usinas - JornalCana, o evento reuniu executivos, gestores industriais, engenheiros, pesquisadores e fornecedores de tecnologia de diversas regiões do país. Reconhecido como um dos principais encontros técnicos do setor sucroenergético, o congresso voltou a ser palco para troca de experiências, atualização profissional e apresentação de soluções voltadas ao aumento da rentabilidade das usinas.

A abertura contou com a palestra de Josias Messias, CEO do Grupo Pró Usinas - JornalCana, que abordou a im-

ton, da FCAV/UNESP, que destacou os impactos da qualidade da matéria-prima nos resultados industriais. Em seguida, José Guilherme Amuchastegui apresentou soluções de predição inteligente de falhas críticas, mostrando como a análise de dados pode contribuir para reduzir paradas e aumentar a confiabilidade operacional. Cases industriais também marcaram a programação. Flávio Montanheiro apresentou resultados obtidos pela Usina Vertente na área de extração, enquanto Geovani Araújo da Silva mostrou iniciativas da Coruripe voltadas à cogeração de energia e às utilidades industriais. A geração de energia foi tema da palestra de Cláudio Filho, que destacou oportunidades para elevar a eficiência energética das unidades.

cussões sobre fermentação, mercado e sustentabilidade. Alexandre Hermenegildo Leme apresentou alternativas para assepsia em dornas de fermentação, enquanto Raphael Delloiagono analisou as perspectivas de produção e preços para a safra 2026/27 de cana,

do uso de insumos químicos. O dia foi encerrado com um painel de executivos que discutiu estratégias para ampliar a competitividade industrial diante dos desafios da nova safra.

No segundo dia, a programação teve início com a professora Márcia Mut-

A agenda incluiu ainda apresentações sobre estratégia operacional, produção de biometano, eficiência no processo de clarificação do açúcar, centrifugação e integração entre etanol de cana e etanol de milho, tema conduzido por Isaac Pinho, da CMAA. O encerramento ocorreu com salas temáticas dedicadas à fabricação e qualidade do açúcar e a estratégias de performance e redução de perdas. Ao longo dos dois dias, ficou evidente que o setor bioenergético vive uma nova fase, em que tecnologia, inteligência operacional, sustentabilidade e diversificação de negócios caminham juntas. Mais do que discutir eficiência, o SINATUB26 reforçou que a capacidade de adaptação será um dos principais diferenciais competitivos das usinas nos próximos anos.

A Usina em 2031: Estratégia em Meio à Incertezas / José Chavaglia Neto, neuroeconomista, professor da FGV

Case Cocal – Evoluções em Biogás/ Biometano / Tiago Goncalves, Gerente de Novos Negócios na Cocal Energia Responsável

“Estratégias de Performance e Otimização de Insumos Químicos” / Michele Shibata, Diretora Técnica Corporativa do Grupo DND

Usina 4.0 & Automação / Eduardo Ignacio Baptista, Especialista em Biogás e Biometano na EIB

Assepsia em dornas de fermentação / Alexandre Hermenegildo Leme, da Spraying Systems

Influência do Magnésio no Desempenho Fermentativo / Eder Paz, Gerente Técnico da Caltec

Painel Visão dos Executivos: Inteligência Aplicada e Redução de Custos / com Álisson Colonhezi, Diretor Industrial da CMAA, Fernando Cullen Sampaio, Gerente de Tecnologia e Processos Industriais na Usina São Martinho e Luiz Paulo Sant’Anna, CEO do Grupo Água Bonita

Etanol 1G – Fermentação, Destilação e Levedura / Antônio Diogo Ferreira, Diretor Executivo na Quiminato

Cana, Açúcar e Etanol – Perspectivas de Produção e Preço para a Safra 26/27 / Raphael Delloiagono, Analista de Mercado do Pecege

Aplicação de Otimização em Tempo Real em Plantas Sucroenergéticas / Guilherme Fraga, Especialista em Automação e Tecnologia da Usina São Martinho

Usina 4.0 & Automação / Oádann Faria Nunes, PCM na Enersurgar

Etanol 1G – Fermentação, Destilação e Levedura / Andresa Zago Martins de Menezes, Alpinus Consultoria e Treinamento

1G – Fermentação, Destilação e Levedura / Pedro Henrique Pezzutto Ramos, Lins Agroindustrial

Usina 4.0 & Automação / Douglas Mariani, Head de Desenvolvimento e Implementação da Soteica

Predição Inteligente de Falhas Críticas / José Guilherme Amuchastegui, CEO da Tebe Sensores

Alta Performance na Geração de Energia / Cláudio Filho, Gerente de contas da Veolia

– Fermentação,

e

David Almeida e Ronivaldo Gomes de Abreu, da Hidrovapor

Alta Performance em Extração – Case Usina Vertente: 98% em pol / Flávio Montanheiro, Gestor de Extração e Utilidades na Usina Vertente

Estratégia Operacional e Impacto no Resultado / Helton Oliveira, Diretor Industrial e de Engenharia da Usina Santa Adélia

Qualidade da Matéria-Prima e os Impactos no Processamento Industrial / Márcia Mutton, Professora da FCAV/ UNESP

Case Coruripe – Tecnologia e Inovação na Cogeração e Utilidades / Geovani Araújo da Silva, Gerente Industrial da Usina Coruripe – Matriz

A Seleção da Melhor Tecnologia para a Produção de Biometano / Abhishek Roy, Gerente Nacional da Raj Process Brazil

Etanol
Etanol 1G
Destilação
Levedura / Sabrina Ciane Condi, Biosab Leveduras
Etanol 1G – Fermentação, Destilação e Levedura / Silene Cristina de Lima Paulillo, da Fermentec

Evaluación de la Eficiência del Processo de Clarificación por Carbonatación / Alfredo J. Caceres, Asistente Fábrica de Azúcar del Ingenio Aguaí – Bolivia

Fabricação e Qualidade do Açúcar / Marcos Katsuda Ito, Diretor da Sugar & Azucar Engenharia e Consultoria

Centrífugas de Açúcar Solisteel / Fernando Favaro, Diretor Comercial da Solisteel

Fabricação e Qualidade do Açúcar / Javier Manuel Ibañez, Engenheiro Açucareiro na Sugar & Ethanol

Processos – Estratégias de Performance e Redução de Perdas / Antonio Marcos Furco, Engenheiro Químico e Sócio-fundador da MFurco Engenharia

Integração Cana & Milho – Uma Abordagem Operacional e de Engenharia / Isaac Pinho, Gerente de Projetos da CMAA

Fabricação e Qualidade do Açúcar / Maximilian Goehler, Sócio-Diretor da Harrer&Kassen do Brasil

Processos – Estratégias de Performance e Redução de Perdas / Cristiane Oliveira, Diretora Técnica da Controle Mais

Spraying Systems

Cláudio Filho, Gerente de contas da Veolia
Antônio Diogo Ferreira, Diretor Executivo na Quiminato
Abhishek Roy, Gerente Nacional da Raj Diretor comercial Fernando Favaro, Solisteel
Maurício Magalhães, da Carmeuse
Álisson Colonhezi e Isaac Pinho, autores do livro Etanol de Milho
Diretor Comercial, Lucas Barbosa, DND
José Guilherme Amuchastegui, CEO da Tebe Sensores
Maria Fernanda, Gabriel Araújo, Paulo Izo, David Almeida e Ronivaldo Gomes Abreu da Hidrovapor
Airton Benatti, Luana Meira, Ana Lúcia Marques, Gustavo Capobianco e Eder Paz da Caltec

Seminário da STAB – Regional Setentrional reúne lideranças bioenergéticas em Recife

Durante três dias, evento promoveu discussões técnicas simultâneas divididas pelas áreas agrícola e industrial

Recife sediou entre 19 e 21 de maio a 27ª edição do Seminário Regional sobre Cana-de-Açúcar, promovido pela STAB – Regional Setentrional, na sede da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco.

A solenidade de abertura, em 19 de maio, foi coordenada por Renato Cunha, presidente do SINDAÇÚCAR-PE e da NOVABIO, que destacou a resiliência e o papel estratégico do Nordeste na transição energética global.

A era da Inteligência

Neurodigital nas usinas

No primeiro dia as atenções se voltaram para a palestra “Inteligência Neurodigital – Nova Competência para Superação dos Desafios nas Usinas”, ministrada por Josias Messias, CEO da Pró-Usinas JornalCana.

“A tecnologia digital avança em rit-

mo exponencial, mas o sucesso da sua implementação depende diretamente da nossa capacidade cognitiva e emocional de adaptação. A inteligência neurodigital é a fusão entre a agilidade analítica do cérebro humano e as ferramentas tecnológicas disponíveis para superar gargalos históricos nas usinas”, destaca Messias.

Programação com foco em especialidades

O evento contou com programações técnicas simultâneas, divididas em: Área Agrícola: Focada em manejo varietal (com forte presença da UFRPE-RIDESA), ferramentas de dados confiáveis contra fitopatógenos, biotecnologia e discussões profundas sobre irrigação por gotejamento no Nordeste e mecanização para além da colheita.

Área Industrial: Dedicada a debater a automação de evapo-

radores, o uso de inteligência biotecnológica e enzimas nos processos fermentativos, controle microbiológico e soluções inovadoras para a produção de biometano a partir de resíduos como vinhaça e torta de filtro.

O presidente da STAB, Djalma Euzébio reforçou ainda a importância do seminário para a sustentabilidade econômica e tecnológica do setor bioenergético nordestino.

Já o presidente do Grupo EQM e fundador da Folha de Pernambuco, Eduardo de Queiroz Monteiro, que coordenou os painéis de abertura do

seminário, destacou a importância do evento.

“Esse encontro é muito importante, reúne toda a área técnica da cadeia de produção, setor primário, industrial”, disse. O empresário acrescentou que o Grupo EQM participa das discussões, com foco em temas como mecanização e lavouras.

“Aqui nos encontramos, fazemos networking e, evidentemente, aprendemos e enriquecemos os nossos conhecimentos para que a gente possa, na prática, irradiar nossa ação administrativa”, ressaltou.

Presidente do Grupo EQM e fundador da Folha de Pernambuco, Eduardo de Queiroz Monteiro, coordenou os painéis de abertura do evento (Foto: Rafael Melo/Folha de Pernambuco)

Inovação e troca de conhecimento

Tradicional no calendário do setor, o Seminário Regional sobre Cana-de-Açúcar reúne representantes de usinas, fornecedores de cana, pesquisadores, universidades, consultorias e empresas de tecnologia.

Segundo o presidente da STAB, Djalma Euzébio Simões Neto, foi um encontro marcado por inovação, troca de conhecimento e geração de negócios.

“Tivemos 46 empresas parceiras participantes e ultrapassamos 600 inscritos. É um seminário tradicional que agrega todos os estados do Nordeste, trazendo contribuições das usinas, da academia e convidados do Centro-Sul, promovendo um importante intercâmbio de conhecimento e informações”,

Avanço do El Niño preocupa o setor

De acordo com Djalma Euzébio, os desafios climáticos estarão entre os principais focos dos debates, especialmente diante das projeções de avanço do El Niño e seus impactos sobre a produtividade agrícola no Nordeste.

“Aqui na região Nordeste, quando temos anos de El Niño, a seca se torna um grande desafio. Precisamos avançar ainda mais em irrigação, tecnologias agrícolas e variedades mais adaptadas à nossa realidade”, afirmou. O seminário também abriu espaço para discussões sobre colheitabilidade, mecanização em áreas de encosta e desenvolvimento de variedades com

porte mais ereto, capazes de facilitar operações mecanizadas e reduzir custos operacionais nas regiões de topografia acidentada. Na área agrícola, a programação contou com painéis sobre manejo varietal, irrigação por gotejamento, geotecnologia, manejo regenerativo de canaviais, nutrição para altas produtividades e estratégias para aumento de carbono no solo. Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco, RIDESA e IFPE apresentarão estudos voltados à resistência genética, sanidade vegetal e manejo sustentável da cultura.

“É um setor muito dinâmico, que enfrenta desafios constantes. Esses eventos são fundamentais para trazer soluções, discutir alternativas e manter o setor forte, gerando emprego e renda para toda a região Nordeste”, concluiu.

destacou Djalma.

27º Seminário STAB Setentrional

O JornalCana participou do 7º Seminário Regional sobre Cana-de-Açúcar, promovido pela Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil (STAB Regional Setentrional), realizado entre os dias 19 e 21 de maio em Recife (PE).

Dib Nunes e Hugo Cavalcanti
Djalma Euzébio Simões Neto, Dib Nunes e Carlos Saenz
Gilberto Duarte,Valmir Ferreira e Rubens Almeida
Vamberto França e Antonio Lima
Dra. Andrea Chaves e Josias Pinheiro
Daniel Berard, Cândido Carnaúba e Leonardo Pinto Costa
Marcus Lages e Amaury Lages
Danúbio Hilário e Roberto Miranda
Paulo José Gonçalves Filho, Hideraldo Borba e Luiz Fernando Ferreira de Morais
Ronaldo Biondo, Bruno Rios, Marco Almeida, Tiago Rino, Zeca Martins e Miguel Petribu
Thales Velho Barreto, João Montanha e Dra. Marlene Oliveira
João Pedro Dourado, Almerio Carneiro e Haroldo Diogo
Edilson Maia, Márcia Sanches, João Airton

MasterCana CentroSul se consolida como ‘Oscar da Bioenergia’

Cerimônia de premiação está marcada para o próximo dia 11 de agosto

O Prêmio MasterCana Centro-Sul se consolida como o “Oscar do setor sucroenergético” por seu prestígio, abrangência e papel estratégico no reconhecimento de talentos, marcas e ações que movem a cadeia da cana-de-açúcar.

Mais de 50% das usinas da região Centro-Sul, responsável por cerca de 90% da produção nacional de cana, estão representadas na premiação.

O evento tem como objetivo reconhecer pessoas, empresas e or-

ganizações que contribuem para o desenvolvimento do setor bioenergético, valorizando iniciativas ligadas ao avanço tecnológico, gestão, sustentabilidade e fornecimento de produtos e serviços para a cadeia produtiva.

A premiação contempla diferentes categorias, entre elas os Laureados Institucionais e as TOP Marcas, reunindo empresas produtoras, entidades setoriais e fornecedores da indústria sucroenergética.

A cerimônia de premiação do MasterCana Centro-Sul 2026 está prevista para o dia 11 de agosto de 2026.

O prêmio busca destacar profissionais e organizações que contribuem para um setor bioenergético sustentável, dinâmico e competitivo.

Pesquisa, reconhecimento e prêmios

A seleção dos premiados é feita por meio de uma ampla pesquisa setorial, que envolveu profissionais de diferentes regiões produtoras.

MasterCana Social valoriza iniciativas do ecossistema do setor bioenergético

Premiação do setor bioenergético brasileiro voltada ao reconhecimento

de práticas de responsabilidade socioambiental, gestão de pessoas e desenvolvimento sustentável, o MasterCana Social 2026 terá a solenidade de premiação no dia 11 de agosto, durante o evento do Prêmio MasterCana Centro-Sul.

Promovido pela Pró-Usinas – JornalCana em parceria com a GERHAI, o prêmio, que chega à 19ª edição, busca valorizar iniciativas desenvolvidas por usinas, empresas fornecedoras, entidades e organizações ligadas ao setor bioenergético.

O prêmio contempla categorias ligadas à educação e cultura, meio ambiente, diversidade, saúde ocupacional,

desenvolvimento humano, qualidade de vida, comunidade, comunicação e relacionamento, saúde mental corporativa e excelência em liderança.

Também haverá reconhecimento para profissionais de recursos humanos, empresas fornecedoras, entidades do setor e para a categoria majoritária “Empresa do Ano em Responsabilidade Sócio Empresarial”.

A comissão selecionará os TOP 3 de cada categoria, com a divulgação das finalistas prevista para 13 de julho. Entre os critérios avaliados pela comissão julgadora estão inovação, impacto social, abrangência, resultados e satisfação do público beneficiado.

MasterCana Norte-Nordeste 2026 presta

homenagem a Luiz Jatobá Filho

as agricultáveis e produção acima de 400 mil toneladas, o grupo se consolida como um dos maiores fornecedores de cana-de-açúcar do Nordeste.

Por esse motivo que o construtor dessa trajetória de sucesso, Luiz Jatobá Filho, foi homenageado na edição do MasterCana Norte-Nordeste 2026, com o prêmio de “Mais Influente da História do Setor”.

A premiação foi realizada em março, e Luiz Jatobá Filho recebeu o troféu

MasterCana, entregue por Josias Messias, CEO da Pró-Usinas JornalCana, em visita à sede do Grupo em Alagoas. A edição de 2026 do prêmio teve como tema a “safra da superação”. Além de reconhecer as principais lideranças do setor, abriu espaço para uma nova geração de gestores que a cada safra vem conquistando o seu espaço.

A homenagem a Luiz Jatobá Filho reforça a importância da atuação do Grupo Jatobá no agronegócio regional. Além de sua contribuição para o desenvolvimento da produção canavieira no Nordeste.

Grupo Jatobá e produção de cana, são praticamente sinônimos na cidade de São Miguel dos Campos, em Alagoas. Com cerca de 5.000 hectares de áre-

Fenasucro & Agrocana chega à 32ª edição

Feira, a ser realizada em agosto, registra crescimento de 13% no número de expositores

A 32ª edição da Fenasucro & Agrocana, que acontecerá em agosto de 2026, terá crescimento de 13% no número de expositores e novidades como o Congresso Latino-Americano da ATALAC no Brasil e a 2ª edição da FenaBio.

Para se ter ideia da grandeza do evento, mais de 600 marcas expositoras estarão abrigadas nos 100 mil m² de área, oferecendo cerca de 3 mil produtos nacionais e internacionais, reforçando o posicionamento da feira como a principal plataforma global de negócios, tecnologia e inovação voltada à cadeia produtiva da bioenergia.

A Fenasucro & Agrocana será realizada entre os dias 11 e 14 de agosto de 2026, no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho/SP, com organização da RX e apoio oficial do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (CEISE Br).

Fortalecimento da cadeia bioenergética

A Fenasucro & Agrocana abrange os segmentos de bioenergia, agrícola, indústria, transporte e logística, além de temas ligados à descarbonização, biocombustíveis, inovação e transição

energética.

Neste ano, o evento também conta com uma programação com mais de 100 horas de conteúdo técnico e estratégico, distribuídas entre conferências, congressos, painéis e encontros setoriais.

“A Fenasucro & Agrocana chega otimista à 32ª edição por estar ainda mais conectada às transformações da bioeconomia e da transição energética. A eficiência na produção será a palavra-chave em 2026, especialmente diante dos desafios globais de competitividade”, afirma Paulo Montabone, diretor do evento.

Para Rosana Amadeu, presidente do CEISE Br, o encontro é um dos principais símbolos da capacidade que o Brasil tem de transformar vocação produtiva em desenvolvimento econômico, inovação e liderança global.

“Mais do que uma vitrine de tecnologias, a feira representa um ambiente estratégico de negócios, investimentos e construção de soluções para os de-

safios da transição energética. É nela que a indústria de base, as usinas, os centros de pesquisa, os investidores e os formuladores de políticas públicas se encontram para discutir os caminhos da bioenergia brasileira”, destaca.

ATALAC realiza congresso inédito no Brasil

A edição de 2026 será marcada pela realização, em paralelo, do 13º Congresso Latino-Americano da ATALAC – “José Paulo Stupiello”, promovido pela STAB (Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil), CEISE Br e Fenasucro & Agrocana.

Pela primeira vez sediado no Brasil, o encontro reunirá profissionais, pesquisadores, empresas e instituições da América Latina e Caribe entre os dias 10 e 14 de agosto, no Hotel JP, em Ribeirão Preto/SP.

FenaBio amplia debates sobre bioenergia

Entre os destaques da programação está a 2ª edição da FenaBio, conferência integrada à Fenasucro & Agrocana voltada às novas rotas da bioenergia e às alternativas energéticas emergentes, com um espaço de exposição e discussões qualificadas.

A programação de conteúdo será realizada nos dias 12 e 13 de agosto, reunindo especialistas, empresas e executivos para discutir inovação, descarbonização e oportunidades de mercado.

Hugo Cagno Filho é Presidente de Honra

Hugo Cagno Filho, presidente da União Nacional da Bioenergia (UDOP), também foi apresentado à imprensa como o Presidente de Honra desta edição da Fenasucro & Agrocana.

O reconhecimento destaca sua atuação no fortalecimento da cadeia bioenergética e na qualificação do setor.

“É uma honra assumir a Presidência de Honra deste evento que, ao longo de sua história, tem contribuído decisivamente para o fortalecimento da bioenergia brasileira e para a consolidação do Brasil como protagonista da transição energética mundial”, afirma Cagno.

Dicas para aproveitar a programação da feira

Paulo Montabone, diretor da Fenasucro & Agrocana, destaca dicas para o profissional de usina aproveitar os quatro dias da feira.

COMO O PROFISSIONAL DE USINA DEVE SE PREPARAR PARA APROVEITAR O EVENTO?

“O primeiro passo é fazer o credenciamento no site da Fenasucro & Agrocana, aguardar o envio da credencial e imprimir para ter acesso ao evento sem filas.

A Fenasucro & Agrocana possui uma programação robusta de exposição e conteúdos, por isso o visitante deve se programar. Recomendo que o profissional mapeie com antecedência quais

são as suas prioridades em eficiência energética, novas tecnologias industriais, processos, sustentabilidade ou gestão. Com isso, ele consegue montar um roteiro por dia, equilibrando visitas aos expositores estratégicos, além da participação nos painéis e palestras técnicas.

Outro ponto fundamental é ir com a equipe certa e completa, visto que a feira apresenta os principais lançamentos, inovações e tecnologias voltados desde a indústria de base, componentes, automação industrial até insumos. A Fenasucro & Agrocana é, acima de tudo, uma oportunidade de atualização coletiva.

O aplicativo do evento é o mais moderno, possibilitando desde favoritar e

marcar reuniões com ofertas de produtos, bem como interação entre visitantes e expositores. Tudo na palma das mãos para customizar e otimizar o tempo.”

USINAS QUE BUSCAM ALTERNATIVAS SEM RECORRER A FINANCIAMENTOS COM JUROS ALTOS TERÃO OPÇÕES NA FEIRA?

“Com certeza. Esse é justamente um dos pontos altos da 32ª edição da Fenasucro & Agrocana. O ambiente de juros ainda pressionado faz com que muitos fornecedores e instituições financeiras cheguem à feira com soluções alternativas como leasing, consórcio, parcerias operacionais, mode-

los de serviço por performance, entre outros. Há expositores que oferecem equipamentos com financiamento próprio, em condições competitivas, justamente para fechar negócio no evento.

Além disso, teremos bancos internacionais disponibilizando um painel juntamente com a Apex para incentivos de cooperação para produção de SAF. Minha recomendação é que o gestor financeiro ou o diretor industrial vá preparado para negociar ali mesmo. Muitas condições especiais só existem durante os quatro dias da Fenasucro & Agrocana. Vale levantar previamente quais expositores têm essas linhas e já agendar reuniões com antecedência pelo portal do evento.”

Calculadora transforma resíduos agroindustriais em créditos de carbono

Ferramenta mostra que transformar resíduos em energia renovável também foca a descarbonização

ANA PAULA PALAZI – INOVA UNICAMP

Cascas de laranja, bagaço de maçã, pó de café, palha de cana-de-açúcar e sementes de açaí. Transformar os resíduos diários da indústria alimentícia em energia renovável é uma forma de converter o passivo ambiental em uma fonte de receita e promover a descarbonização.

Para tornar esse potencial visível e acessível a qualquer pessoa, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram a Calculadora Biomassa_Compensa, um programa de computador que quantifica tanto a pegada de carbono evitada quanto os créditos de carbono potencialmente gerados a partir do tratamento de resíduos orgânicos agroindustriais.

Com uma interface intuitiva e cálculos baseados em dados científicos, o software pode ser usado por empresas, engenheiros, pesquisadores ou pessoas interessadas no assunto, sem necessidade de conhecimento técnico especializado, para avaliar impactos ambientais, calcular créditos de carbono e elaborar relatórios de sustentabilidade. Além de reduzir o tempo e os potenciais custos de análises complexas, a ferramenta contribui para fortalecer as políticas de sustentabilidade e de descarbonização.

O programa é fruto de um projeto conduzido no Laboratório de Bioengenharia, Tratamento de Águas e Resíduos (BIOTAR), coordenado pela professora Tânia Forster Carneiro, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), em colaboração com o professor Hudson Giovani Zanin Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC). Contou com a participação dos pesquisadores Manoel Victor Frutuoso Barrionuevo, Josiel Martins Costa, Larissa Ampese, Henrique Ziero, vinculados à FEA, Eric Gama Felix da Silva, da Faculdade de Engenharia Química (FEQ), e Reinaldo Cesar, do Centro de Estudos de

Engenharia e Petróleo (CEPETRO).

Da pesquisa à ferramenta online: a evolução da calculadora

A tecnologia nasceu de uma observação prática no laboratório. Ao longo de anos orientando dissertações e teses de mestrado e doutorado sobre a valorização de resíduos orgânicos, a professora Tânia Forster acumulou uma base de dados densa: experimentos com bagaço de maçã, casca de laranja, casca de jabuticaba, cambuci, bagaço de malte de cerveja, resíduos de aviários e até semente de açaí provenientes de pequenos produtores do Pará.

“A calculadora surgiu para centralizar dados dispersos em teses acadêmicas. Se o proprietário de um restaurante ou de uma pequena indústria alimentícia ou da agroindústria deseja avaliar a viabilidade de produzir biogás e bioenergia elétrica ou térmica, a partir de sua biomassa, a ferramenta oferece uma resposta rápida, precisa e baseada em dados científicos”, explica Forster.

A solução foi reunir toda essa produção científica em um programa de computador intuitivo, acessível gratuitamente pela internet, sem que seja necessário instalá-lo nem conhecer o jargão técnico.

O primeiro resultado foi a Calculadora Biomassa2Biogás, um software que calcula o potencial energético desses resíduos. Posteriormente, o programa foi ampliado, dando origem à calculadora Biomassa_Compensa, voltada exclusivamente à pegada de carbono e aos potenciais créditos de carbono gerados pelo tratamento de biomassa.

Para o desenvolvimento do programa de computador de pegada de carbono, a equipe utilizou referências metodológicas e modelos de equivalência para converter toneladas de resíduos em métricas compreensíveis, como o número de árvores plantadas, as horas de voo internacional ou os carros retirados de circulação. No desen-

volvimento técnico, o projeto contou com estudantes com formação em engenharia e em programação. O usuário seleciona o tipo de resíduo, informa a quantidade (em toneladas) que deseja tratar e recebe, instantaneamente, uma estimativa de emissões evitadas, que são expressas em gás carbônico (CO₂) equivalente. Também tem acesso a uma estimativa de créditos de carbono gerados. Atualmente, o sistema contempla resíduos como bagaço de maçã, casca de laranja, cana-de-açúcar, semente de açaí e subprodutos da indústria de café.

Outros comparativos da calculadora apresentam quantos carros seriam retirados das ruas, quantas horas de voo internacional seriam compensadas, ou quantas árvores precisariam ser plantadas para atingir o mesmo efeito. Tratar o resíduo e converter o gás me-

tano resultante em energia, explica a pesquisadora, representa um crédito de carbono significativamente mais alto do que o obtido pelo reflorestamento convencional.

“Quando você trata o resíduo, evita que o metano seja liberado na atmosfera. Isso pode gerar um crédito de carbono permanente que compensa mais do que plantar árvores do ponto de vista técnico, uma vez que o metano possui um potencial de aquecimento cerca de 29 vezes maior que o CO₂ e a quantificação do metano evitado é tecnologicamente mais precisa quando comparada à quantificação realizada por meio do plantio de árvores. Então o nome da calculadora ‘Biomassa Compensa’ tem duplo sentido: compensa tratar o resíduo, e compensa mais do que outras formas de crédito de carbono”, esclarece a professora.

Açúcar e etanol lideram exportações do agronegócio no estado de São Paulo

Produtos do setor

somam US$ 2,3 bi do total embarcado nos 5 primeiros meses

O açúcar e etanol lideram o ranking de exportações do agro no estado de São Paulo nos cinco primeiros meses de 2026.

O setor foi responsável por 21,3% do total exportado pelo agro paulista, totalizando US$ 2,3 bilhões, informa a Secretaria estadual de Agricultura e Abastecimento.

Deste total, o açúcar representou 95,1% e o etanol respondeu por 4,9%.

O setor de carnes veio logo em seguida com 17,0% das vendas externas do setor, totalizando US$ 1,8 bilhão, com a carne bovina respondendo por 83,5%.

O complexo soja teve participação de 14,3% do total exportado, registrando US$ 1,05 bilhão, 84,3% referentes à soja em grão e 10,7% de farelo de soja.

Produtos florestais representaram 13,0% do valor exportado, com US$ 1,4 bilhão, com 65,1% de celulose e 28,8% de papel.

Os sucos responderam por 7,5% de participação, somando US$ 813,2 milhões, dos quais 96,3% são referentes ao suco de laranja.

Esses cinco grupos representaram, em conjunto, 73,1% das exportações do agronegócio paulista.

Nos cinco primeiros meses de 2026, o agronegócio paulista registrou superávit de US$ 8,37 bilhões.

O resultado foi impulsionado por exportações que somaram US$ 10,85 bilhões, frente a importações de US$ 2,48 bilhões.

No período, o setor respondeu por 38,5% do total das exportações do Estado de São Paulo, enquanto as importações do agronegócio representaram 6,9% do total estadual.

Superávit

Nos cinco primeiros meses de 2026, o

agronegócio paulista registrou superávit de US$ 8,37 bilhões.

O resultado foi impulsionado por exportações que somaram US$ 10,85 bilhões, frente a importações de US$ 2,48 bilhões.

No período, o setor respondeu por 38,5% do total das exportações do Estado de São Paulo, enquanto as importações do agronegócio representaram 6,9% do total estadual.

O resultado demonstra a capacidade do setor de manter e ampliar sua participação nos mercados internacionais mesmo em um ambiente menos favorável para os preços agrícolas. “Quando o preço cai e o volume cresce, o mérito está mais dentro da porteira do que em um momento favorável de mercado, que de fato não está acontecendo praticamente para nenhuma cadeia. Esse é um diferencial do agro paulista”, explica o secretário de Agricultura e Abastecimento paulista, Geraldo Melo Filho.

“Mesmo diante da redução das cotações internacionais de importantes

commodities, o setor ampliou o volume exportado e manteve um superávit superior a US$ 8 bilhões. É um resultado que reflete produtividade, tecnologia e a capacidade dos produtores paulistas de seguir atendendo mercados cada vez mais exigentes.” Apesar da redução de 3,2% no valor exportado, em comparação com o mesmo período do ano passado, o volume embarcado cresceu 5,2%, aponta o diretor da APTA, Carlos Nabil Ghobril. “Isso mostra que o agronegócio paulista continua vendendo mais produtos ao exterior. O principal impacto veio da queda dos preços internacionais de commodities importantes, como açúcar e suco de laranja”, afirma.

Patente amplia potencial da cana-de-açúcar

O Instituto Agronômico (IAC) completa 139 anos em 2026 com mais uma conquista científica voltada à inovação no setor sucroenergético. O IAC obteve a patente de uma ferramenta biotecnológica capaz de aumentar a produção de biomassa vegetal e modificar sua composição, tornando-a mais adequada aos processos industriais de conversão em biocombustíveis avançados.

A tecnologia — intitulada “Cassete de superexpressão do gene SHINE para produção de plantas com aumento de biomassa e alteração da mesma, seus usos e métodos” — é resultado de cerca de duas décadas de pesquisas conduzidas pelo Laboratório de Biotecnologia da Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento de Cana do IAC, em Ribeirão Preto, interior paulista.

Os resultados da pesquisa mostraram que é possível aumentar a produção de biomassa e, ao mesmo tempo, torná-la mais acessível aos processos industriais de conversão.

“Essa combinação é particularmente interessante para a produção de etanol celulósico, combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), bioquímicos e outros produtos da bioeconomia”, destaca a pesquisadora do IAC e inventora da patente, Silvana Aparecida Creste Dias de Souza.

Essa patente fortalece a estratégia institucional do IAC de transformar resultados científicos em tecnologias aplicáveis aos setores produtivos, contribuindo para a competitividade da agricultura brasileira e para o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono baseada em recursos renováveis.

Segundo a cientista, essa invenção tem foco na compreensão dos mecanismos genéticos envolvidos na formação da parede celular da cana-de-açúcar e no desenvolvimento de estratégias capazes de aumentar o aproveitamento da

biomassa para a produção de energia renovável.

“A tecnologia utiliza a superexpressão do gene SHINE, um fator de transcrição que regula processos relacionados ao crescimento vegetal e à composição da parede celular”, comenta a pesquisadora do IAC, da APTA (Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Os estudos demonstraram que a expressão desse gene promove simultaneamente aumento da produção de biomassa, redução dos teores de lignina e maior eficiência da sacarificação, etapa responsável pela conversão da biomassa em açúcares fermentáveis.

“Essas características são particularmente relevantes para a produção de etanol de segunda geração (2G), obtido a partir da fração lignocelulósica da cana, como bagaço e palha. Diferentemente do etanol convencional, produzido a partir dos açúcares presentes no caldo da cana, o etanol 2G depende da quebra da parede celular vegetal para liberar os açúcares estru-

turais presentes na celulose e hemicelulose”, explica.

Tecnologia patenteada reduz a lignina, aumenta a disponibilidade da biomassa e contribui para elevar a eficiência da conversão da matéria-prima em biocombustíveis

Silvana Creste relata que um dos principais desafios desse processo é justamente a presença da lignina, componente que confere rigidez à planta e dificulta o acesso das enzimas à celulose e hemicelulose durante o processamento industrial. A hemicelulose é um componente da parede celular, junto com a celulose e a lignina.

“Nosso objetivo foi desenvolver uma tecnologia capaz de atuar simultaneamente em dois gargalos importantes da produção de etanol de segunda geração: aumentar a disponibilidade de biomassa e melhorar sua conversão em açúcares fermentáveis. Os resultados demonstraram que o gene SHINE possui grande potencial para aplicações em culturas energéticas”, afirma a pesquisadora do Instituto Agronômico.

Usinas

Marcelo Bento (Pró-Usinas JornalCana), Fernando Juliano, diretor de vendas do Grupo Malagutti, e Lucas Messias, Head Comercial Mídia & Eventos da Pró-Usinas JornalCana.

Century Bombas: Com Eduardo Franco Bueno, analista comercial; e Carlos Eduardo Century, CEO.

Mateus Messias, Head de Transformação Digital da Pró-Usinas JornalCana; Maxine Schuetz, gerente de desenvolvimento e negócios da Rewhum; Sigurd Schuetz, diretor da empresa; e Marcelo Bento, da área comercial da Pró-Usinas JornalCana

Marcelo Bento, da Pró-Usinas JornalCana, e Joaquim Leite, ex-ministro do Meio Ambiente

Roxvel: Mauro Moratelli, Gerente Comercial; Diego Santos, Gerente Regional; Bruna Machado, do Marketing; Caio Angelotti, Diretor Administrativo; Marcelo Bento, da PróUsinas JornalCana; e José Antônio Marques, Gerente Regional.

Marcelo Bento, da Pró-Usinas JornalCana, e Gilmar Galon, do Senar

Ana Alice Santos, da Pró-Usinas JornalCana, com Áureo Pardinho, gerente de marketing da DMB
Marcelo Bento e Ana Alice Santos, da Pró-
JornalCana, com Fávio Mundin, gerente comercial da Caldema
Marcelo Bento e Ana Alice Santos, da Pró Usinas JornalCana, com Maurílio Biagi Filho

EVENTOS PRÓ-USINAS

11/08 - Espaço Bella Cittá.

Rodovia Anhanguera, km 304 - s/n - Jardim Manoel Penna, Ribeirão Preto

PRÊMIO MASTERCANA CENTRO-SUL & SOCIAL 2026: ONDE LEGADO E INOVAÇÃO SE ENCONTRAM, CELEBRANDO MENTES E AÇÕES QUE IMPULSIONAM A EVOLUÇÃO DO SETOR BIOENERGÉTICO

O troféu mais desejado do setor bioenergético é também a principal plataforma de networking e posicionamento de marca do setor. Uma oportunidade exclusiva para empresas que buscam valorizar sua liderança e referência no mercado.

Conte com nossa força para marcar presença e alavancar seus negócios
Calendário Completo

Tecnologia de Otimização em Tempo Real - RTO

Usina 4.0

• Antecipação do processo devido à matéria-prima. Interligação de bases agrícola e industrial

• Tomada de decisão global e não local

• PDCA on-line para a operação

• Dados do laboratório influenciando processo diretamente

• Sei a eficiência de meus equipamentos

• Meus stakeholders visualizam meus KPIs por diferentes formas

Diferença entre Controle e Otimização

Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
JornalCana 363 (Junho/Julho 2026) by ProCana Brasil - Issuu