A presente edição publica análises, publicada por ordem alfabética, escritas com exclusividade por empresários e especialistas. Entre elas estão:
Arnaldo Corrêa, consultor, palestrante e diretor da Archer Consulting, escreve sobre a situação de desconforto registrada no setor, principalmente nestes primeiros meses da safra 2026/27 6
Gustavo Doubek, professor Associado do Departamento de Engenharia de Sistemas Químicos da Unicamp, trata sobre o biometano, gás renovável gerado por fontes como resíduos sólidos e vinhaça e torta de filtro das usinas de cana-de-açúcar. “O biometano se posiciona como uma solução estratégica para a transição energética”, afirma 8
Mário Campos, presidente da SIAMIG Bionergia e da Bioenergia Brasil, destaca sobre a proposta elaborada pela Coalizão dos Biocombustíveis, que reúne entidades representativas de todos os biocombustíveis e consolida uma visão integrada para o avanço da transição energética no Brasil 10
Tiago Santovito diretor-executivo da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), relata sobre instrumentos regulatórios que chegam em favor da transição energética brasileira, caso do Certificado de Garantia de Origem de Biometano (CGOB), introduzido pelo programa Combustível do Futuro.. 12
MERCADO
Quanto de cana terá a safra no Centro-Sul?
As projeções são bem diferentes, mas todas apontam para maior disponibilidade de matériaprima ante o ciclo 2025/26 na região 16
TECNOLOGIA
Como a Usina JB avançou em exportação de energia
Localizada em Vitória de Santo Antão (PE), usina registrou avanço significativo na exportação de energia após a implantação do sistema de otimização em tempo real S-PAA 30
EVENTOS
UAPNE 2026
Cobertura do Congresso UAPNE 2026 — Usinas de Alta Performance Norte-Nordeste — realizado em Recife (PE) e que reuniu executivos de usinas, especialistas técnicos e lideranças institucionais em torno de um desafio comum: ampliar a competitividade regional em um cenário desafiador 34 a 36
MASTERCANA NORTE-NORDESTE
Cerimônia de premiação em Recife (PE) apresentou uma nova geração de lideranças e executivos das usinas, algumas centenárias, que atuam no setor bioenergético na região 37 a 41
“Então, respondeu Jó ao SENHOR: Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.”
Jó 42:1,2
ISSN 1807-0264
+55 16 99635-3205
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NOSSA MISSÃO
“Desenvolver o agronegócio bioenergético, disseminando conhecimentos, estreitando relacionamentos e gerando negócios sustentáveis”
MÍDIA IMPRESSA MÍDIA DIGITAL
carta ao leitor
Delcy
Mac Cruz - redacao@procana.com.br
Um ano de muitas incertezas
As incertezas perseguem o setor sucroenergético que, na região Centro-Sul do país, começou oficialmente a safra de cana-de-açúcar em abril. Seja pelos efeitos do conflito no Oriente Médio, iniciado em março - e que continuava até o fechamento desta edição -, seja pelas condições de oferta global de açúcar, o setor caminha em meio a desafios neste 2026. É como escreve o consultor Arnaldo Corrêa, autor de uma das análises exclusivas dessa edição: “não é simples projetar resultados quando o preço internacional do açúcar está abaixo do custo de produção.” As projeções, entretanto, apontam para uma safra com mix mais alcooleiro no Centro-Sul. Seja por conta de demanda consistente de etanol, seja porque, até a primeira de abril, ele ter registrado preços comparativos melhores diante do açúcar. No mais, a tendência é de maior oferta de cana-de-açúcar na 26/17 no Centro-Sul. Consultorias apontam estimativas diferenciadas, como mostra reportagem nessa edição. Há quem projete 625 milhões de toneladas de cana, assim como as mais otimistas estimam 645 milhões de toneladas. Independentemente de quem acertar, o fato é que haverá mais cana ante a safra anterior que chegou a 610 milhões de toneladas no Centro-Sul. Mais matéria-prima permite ao setor atender a demanda interna de etanol e ter disponibilidade para, se necessário, fornecer biocombustível para países que anunciaram a mistura de etanol na gasolina e que possam necessitar de importações, caso da Argentina e do Vietnã. Com mais oferta de cana, o setor terá como atender não só a demanda de etanol como, também, poderá ‘virar a chave’ e migrar o mix para o açúcar quando houver possibilidade técnica nas usinas. Não é só. Com maior disponibilidade de matéria-prima, será possível ampliar a produção de biometano. Chamado de gás renovável, ele pode ser produzido a partir de vinhaça e torta de filtro, e substitui o gás natural veicular (GNV) e mesmo o gás natural, caso de Presidente Prudente, no interior paulista, que recebe biometano produzido por usina da bioenergética Cocal. Limpo e renovável, ao contrário do gás natural, o biometano tem demanda crescente seja pelas matérias-primas canavieiras, seja pelas de outras fontes, caso dos resíduos urbanos de aterros. “O biometano se posiciona como uma solução estratégica para a transição energética”, afirma, em análise nessa edição, Gustavo Doubek, professor Associado do Departamento de Engenharia de Sistemas Químicos da Unicamp. Como se nota em que pesem as incertezas, há boas oportunidades a partir de maior oferta de cana. Além disso, lideranças se posicionam em favor das externalidades do setor, caso da Coalizão dos Biocombustíveis, que reúne entidades representativas de todos os combustíveis e tem proposta já oficializada, o Mapa do Caminho. Uma das entidades da Coalizão é a Bioenergia Brasil, cujo presidente, Mário Campos, participa da presente edição com artigo em que destaca a visão integrada para o avanço energético no Brasil “Diferentemente de outras soluções ainda em estágio de desenvolvimento, o etanol reúne atributos já consolidados: escala produtiva, infraestrutura instalada, base tecnológica madura, capilaridade logística e uso imediato pela frota existente”, escreve ele.
Boa leitura.
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Procura-se um culpado
ARNALDO LUIZ CORRÊA*
Minha falecida mãe já dizia: em casa onde falta pão, todos brigam e ninguém tem razão.
É exatamente esse o momento que o setor vive agora. Inicia-se a busca por culpados — por que não foram feitas as fixações quando o mercado ainda era favorável e remunerava adequadamente?
Estamos em período de orçamento, e o desconforto é generalizado. Não é simples projetar resultados quando o preço internacional do açúcar está abaixo do custo de produção. E, como sempre, procura-se um responsável.
APÓS
CINCO ANOS DE PREÇOS ELEVADOS,
MUITAS USINAS
PARECEM TER SE ACOSTUMADO A UM AMBIENTE BENIGNO.
ESQUECERAM
ALGO ESSENCIAL: COMMODITIES SÃO CÍCLICAS.
Sobem, caem, oscilam — influenciadas por produção, consumo, estoques, clima e fatores fora do controle de qualquer agente.
A armadilha é conhecida — e, ainda assim, recorrente. Diante de preços atrativos, muitas vezes opta-se por não fixar. Adia-se a decisão mais baseada em expectativa do que em fundamento, na esperança de níveis ainda melhores.
Em retrospectiva, é justo reconhecer: muitos caíram nessa armadilha. Voltemos a julho do ano passado. A perda de ATR por tonelada de cana era relevante — próxima de 10 kg por tonelada. Diante disso, parecia razoável projetar uma safra entre 580 e 590 milhões de toneladas.
Com base nesse diagnóstico, diversas usinas postergaram fixações. A lógica era simples: se a quebra se confirmasse, os preços reagiriam. Mas o mercado não tem compromisso com a lógica de ninguém.
A partir de setembro/outubro, o canavial reagiu. A ATR se recuperou e a safra encerrou próxima de 611 milhões de toneladas — cerca de 35 milhões acima do previsto.
Ao mesmo tempo, o nível de fixação estava baixo: em torno de 30%, bem abaixo do ano anterior.
Resultado: acumulou-se um volume relevante a fixar. E toda vez que o mercado ensaiava recuperação acima de 15 centavos, surgia uma forte pressão de venda. Esse foi, na prática, o golpe fatal.
É importante dizer: a decisão à época
não era absurda. Era defensável com base nas informações disponíveis. Mas deu errado — e o mercado não perdoa erro de timing.
Nada disso, no entanto, altera o ponto central. Gestão de risco não é sobre prever o mercado. É sobre proteger o acionista.
E isso independe do nível de preços ou da convicção de cada um. O erro começa quando se acredita que “desta vez sabemos”. Não sabemos.
O QUE SABEMOS — OU DEVERÍAMOS SABER —
É
QUE
DISCIPLINA, MÉTODO E PROFISSIONALISMO SÃO AS ÚNICAS DEFESAS CONSISTENTES CONTRA ESSE TIPO DE ARMADILHA.
IGNORAR PREÇOS REMUNERADORES NO PASSADO É UM LUXO QUE O SETOR NÃO PODE SE PERMITIR.
Algumas situações ajudam a ilustrar esse problema.
A primeira envolve uma empresa de café que visitei como consultor muitos anos atrás. Ao perguntar sobre a política de hedge, ouvi: — “Não fazemos hedge. Não gostamos de especular.”
A frase, embora pareça prudente, revela um equívoco central. Não fazer hedge não elimina o risco. Não fazer hedge é, em si, uma posição especulativa.
AO NÃO PROTEGER PREÇOS, A EMPRESA PASSA A DEPENDER TOTALMENTE DA DIREÇÃO DO MERCADO, SEM ESTRATÉGIA OU CONTROLE. REJEITA A ESPECULAÇÃO… ENQUANTO ESPECULA. ESSE É UM ERRO COMUM: CONFUNDIR HEDGE COM APOSTA, QUANDO HEDGE É JUSTAMENTE O OPOSTO. E O MERCADO, INVARIAVELMENTE, COBRA.
A segunda história envolve um acionista que, em uma reunião, afirmou: — “Precisamos parar de tratar nosso produto como commodity. Isso não é commodity.”
O detalhe é que a empresa era, claramente, uma empresa de commodities, com preços definidos pelo mercado internacional.
Ainda assim, havia uma recusa em aceitar essa realidade. Esse desalinhamento é perigoso. Porque o mercado não se adapta à opinião de ninguém. Ele impõe preço. Negar isso não reduz risco nem protege margem. Apenas aumenta a chance de erro — normalmente caro.
No fundo, é como discutir com a gravidade: pode até aliviar o ego, mas não evita a queda. No fim, talvez não falte culpado. Falte disciplina.
*Consultor, palestrante, técnico para arbitragens e professordegestãoderiscoem commoditiesagrícolas
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Biometano e transição energética no Brasil: o papel estratégico do agro e dos resíduos na substituição do diesel
GUSTAVO DOUBEK*
Agregar valor à resíduos, valorar matérias primas que antes eram consideradas descarte, economia circular, tudo isso tem se integrado cada vez mais. Um grande exemplo disso é a recente inauguração da maior planta de biometano do Brasil, no município de Paulínia, representando um marco relevante na consolidação de uma nova fronteira energética baseada na valorização de resíduos e na integração entre os setores urbano, industrial e agropecuário. O empreendimento, com capacidade nominal de aproximadamente 225 mil m³/ dia, utiliza biogás proveniente da decomposição de resíduos sólidos urbanos para produção de biometano, combustível renovável com características equivalentes ao gás natural. Aliás, dado que já existe regulamentação dada pela ANP, o Biometano ou Gás natural podem ser intercambiáveis em termos práticos como combustível, e de fato são baseadas na mesma molécula, o Metano ou CH4.
O volume de produção é expressivo e pode suprir o equivalente ao consumo energético de mais de mil ônibus urbanos, evidenciando o potencial do biometano como vetor de substituição de combustíveis fósseis, especialmente o diesel em aplicações de transporte pesado.
contaminantes, resultando em um combustível com alto teor de metano e elevado poder calorífico, daí sua equiparidade ao gás natural. Essa característica permite sua utilização direta em motores, sistemas industriais e até mesmo na produção de fertilizantes, substituindo o gás natural fóssil. Tal versatilidade amplia significativamente seu papel na matriz energética brasileira.
No contexto agroindustrial, o potencial do biometano é ainda mais relevante.
Estimativas indicam que mais de 80%
antes considerados passivos ambientais passam a ser insumos energéticos, reduzindo emissões de metano e promovendo ganhos econômicos diretos para produtores e agroindústrias.
Pois transforma-se um passivo ambiental (emissões fugitivas de Metano) em um ativo comercial duplo, pois geram-se créditos de carbono e um novo combustível.
Esse modelo também contribui para a segurança energética, ao diversificar a matriz e reduzir a dependência de combustíveis importados. No âmbito econômico, políticas públicas recentes
Sob a ótica do setor agro, o biometano se posiciona como uma solução estratégica para a transição energética, especialmente em aplicações onde a eletrificação direta apresenta limitações, como no transporte de cargas pesadas, operações agrícolas mecanizadas e processos térmicos industriais. Sua adoção pode contribuir para a redução da intensidade de carbono das cadeias produtivas, agregando valor aos produtos e fortalecendo a competitividade internacional do agronegócio brasileiro.
Dessa forma, iniciativas como a plan-
A sinalização política associada ao projeto advindo do atual governador do estado de São Paulo, inclui a possibilidade de “aposentar o diesel” em determinadas aplicações, reforça a relevância estratégica dessa rota para a descarbonização da mobilidade e da logística no país.
Porém, além disso representa maior geração de empregos e investimentos locais.
Do ponto de vista técnico, o biometano é obtido pela purificação do biogás, removendo CO₂, H₂S e outros
do potencial de produção desse combustível no estado de São Paulo está associado ao setor sucroenergético, por meio do aproveitamento de resíduos como vinhaça, torta de filtro e palha da cana-de-açúcar.
Além disso, cadeias produtivas como a pecuária intensiva, a produção de alimentos e o tratamento de efluentes agrícolas representam fontes adicionais de biogás, capazes de sustentar uma expansão robusta da produção de biometano no Brasil.
A integração entre produção agropecuária e geração de energia cria oportunidades importantes para o conceito de economia circular. Resíduos
têm sido determinantes para viabilizar essa expansão.
Medidas regulatórias que facilitam a conexão de plantas de biometano à rede de gás canalizado, além de incentivos fiscais e ambientais, têm criado um ambiente favorável ao investimento e à formação de uma cadeia produtiva nacional. De fato, empresas como a Comgás já integram em sua operação o Biometano, com produções em alguns parceiros.
Projeções indicam que o estado de São Paulo poderá ultrapassar 1 milhão de m³/dia de produção até 2028, dentro de um potencial estimado de 6,4 milhões de m³/dia, com geração de até 20 mil empregos.
ta de Paulínia demonstram, em escala real, a viabilidade técnica e econômica de um modelo energético baseado em resíduos.
Mais do que um projeto isolado, trata-se de um indicativo claro de que o Brasil possui condições estruturais para liderar globalmente a produção de biocombustíveis avançados, articulando agricultura, indústria e sustentabilidade em uma agenda integrada de desenvolvimento.
*ProfessorAssociadodoDepartamento de Engenharia de Sistemas Químicos (DESQ),Coordenador de PesquisaEngenhariaQuímicanaUniversidade EstadualdeCampinas(Unicamp)
PRIMEIRO
Transição energética: o papel do Brasil e o protagonismo do etanol na COP30
MÁRIO CAMPOS*
As Conferências das Partes (COPs) são o principal fórum global de definição das metas climáticas. É nelas que se estabelecem os grandes objetivos da transição energética. O Acordo de Paris é o exemplo mais emblemático: definiu o compromisso global de limitar o aquecimento e reduzir emissões de gases de efeito estufa.
Mais recentemente, as decisões internacionais têm reforçado a necessidade de acelerar a transição, com expansão das energias renováveis, redução da dependência de combustíveis fósseis e fortalecimento de instrumentos de financiamento climático.
Esse processo tem uma característica central. As COPs definem o “o quê” deve ser alcançado, mas não o “como”. A forma de atingir essas metas é responsabilidade de cada país, respeitando suas condições econômicas, sociais e tecnológicas.
Nesse contexto, a realização da COP30 no Brasil representa um marco. A presidência brasileira estruturou a agenda climática em eixos e temas prioritários, organizando o debate internacional de forma mais pragmática e orientada à implementação. Trata-se de um avanço relevante.
A discussão deixa de ser apenas conceitual e passa a se concentrar em soluções concretas, setoriais e mensuráveis.
A partir dessa base, cabe a cada país construir o seu próprio mapa do caminho. Um roadmap que traduza metas globais em políticas públicas, investimentos e instrumentos regulatórios. Esse movimento já está em curso no Brasil.
Por determinação do Presidente da República, o Governo Federal iniciou a elaboração de um Mapa do Caminho nacional para a redução da dependência de combustíveis fósseis. Trata-se de um exercício estratégico. Define prioridades, organiza instrumentos e orienta decisões de longo
prazo. Nesse processo, o setor de biocombustíveis já apresentou contribuições estruturadas, alinhadas às diretrizes internacionais e à realidade brasileira.
Em evento recente organizado pelo Deputado Federal Arnaldo Jardim, em homenagem ao Embaixador André Corrêa do Lago, foi entregue uma proposta de Mapa do Caminho elaborada pela Coalizão dos Biocombustíveis.
A iniciativa reúne entidades representativas de todos os biocombustíveis e consolida uma visão integrada para o avanço da transição energética no Brasil.
É nesse contexto que o etanol se consolida como eixo estruturante do mapa do caminho brasileiro. Diferentemente de outras soluções ainda em estágio de desenvolvimento, o etanol reúne atributos já consolidados: escala produtiva, infraestrutura instalada, base tecnológica madura, capilaridade logística e uso imediato pela frota existente.
Esse protagonismo não surgiu por acaso. É resultado de uma trajetória consistente de políticas públicas. Começa com o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), avança com o RenovaBio e se projeta nos marcos mais
recentes, como a Lei do Combustível do Futuro e o programa Mover. Trata-se de uma construção institucional contínua, baseada em previsibilidade e aprendizado.
O etanol, nesse sentido, integra três dimensões que raramente caminham juntas.
Contribui para a descarbonização, promove desenvolvimento econômico e gera inclusão social. Sua cadeia produtiva mobiliza regiões inteiras, gera empregos e fortalece o agronegócio e a indústria nacional.
Além da cana-de-açúcar, matéria-prima histórica, o etanol recentemente tem sido cada vez mais originado a partir do milho e outros grãos, trazendo fluxo de fornecimento constante, ao longo dos 12 meses do ano, reduzindo o efeito da sazonalidade.
No cenário internacional atual, marcado por instabilidade geopolítica e volatilidade energética, um conceito ganha ainda mais relevância: segurança energética. Reduzir dependência externa, diversificar fontes e utilizar recursos domésticos tornou-se prioridade para diversos países.
O Brasil já dispõe dessa solução. Com o etanol, não apenas define uma rota de transição, mas apresenta resultados concretos. Ao longo das últimas décadas, o país construiu uma experiência
única de substituição de combustíveis fósseis em larga escala, sem compro meter desempenho econômico ou segurança de abastecimento. Para que esse caminho avance, no entanto, alguns elementos são indis pensáveis. A previsibilidade regulató ria é central. Metas claras, estabilidade institucional e coerência de políticas públicas são condições para atrair in vestimentos. Também são fundamen tais o fortalecimento da infraestrutura logística, a ampliação dos instrumen tos de financiamento e a integração entre política energética, ambiental e industrial.
A transição energética não se faz ape nas com boas intenções. Exige coor denação, escala e continuidade. O Brasil tem uma vantagem clara. Sua vocação para a produção de biocom bustíveis não é apenas potencial. É realidade. O país dispõe de soluções disponíveis, competitivas e sustentá veis. Soluções que conectam transição energética, desenvolvimento econô mico e segurança energética. Mais do que participar do debate glo bal, o Brasil tem condições de liderar pelo exemplo.
* Presidente da SIAMIG Bioenergia eBioenergiaBrasil
CGOB e CBIO: complementaridade regulatória e integridade ambiental na transição energética brasileira
TIAGO SANTOVITO*
A transição energética brasileira avança apoiada em instrumentos regulatórios inovadores, capazes de alinhar eficiência econômica, segurança energética e compromisso climático. Nesse contexto, ganham destaque o Certificado de Garantia de Origem de Biometano (CGOB), introduzido pelo programa Combustível do Futuro, e o CBIO (Crédito de Descarbonização), no âmbito do RenovaBio. Embora debates recentes tenham levantado dúvidas sobre uma possível “dupla contagem” entre esses instrumentos, uma análise mais aprofundada demonstra a inexistência dessa sobreposição. Pelo contrário: o que se observa é uma relação de complementaridade essencial para o desenvolvimento do mercado de biometano.
O RenovaBio, instituído pela Lei nº 13.576/2017, estabelece no Brasil uma política de descarbonização baseada em mecanismos de mercado, com metas compulsórias direcionadas aos distribuidores de combustíveis. Seu principal instru-
mento, o Crédito de Descarbonização (CBIO), é um ativo ambiental utili zado para comprovar o cumprimento dessas obrigações regulatórias. Cada CBIO corresponde a uma tonelada de CO₂ equivalente, sendo sua aqui sição obrigatória pelos distribuidores de combustíveis fósseis para atendi mento às metas anuais individuais.
A ambição da política energética na cional foi ampliada com o Combustí vel do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que instituiu o Certificado de Ga rantia de Origem do Biometano (CGOB) como instrumento de ras treabilidade da origem renovável do biometano, lastreado em sua produção volumétrica (100 m³ = 1 CGOB).
O certificado permite comprovar o uso de gás renovável pelo mercado obrigado e voluntário, inclusive em inventários de emissões corporativas.
O Decreto nº 12.614/2025 reforçou que o atributo ambiental do biome tano está vinculado ao CGOB, não se confun dindo com créditos de carbono nem com os CBIOs.
Essa distinção é central. De forma simplificada, o CBIO responde à obri gação de regulatórias dos
Estudo mapeia regiões com maior potencial para produção e uso de hidrogênio verde
Análise baseada em dados municipais aponta necessidade de infraestrutura para conectar polos energéticos e industriais
JOSÉ TADEU ARANTES| AGÊNCIA FAPESP
Um estudo que analisou dados de milhares de municípios brasileiros identificou regiões com maior potencial para produção e uso de hidrogênio verde – combustível considerado estratégico para a descarbonização de setores industriais intensivos em emissões.
A pesquisa mostra que o país reúne condições favoráveis para desenvolver essa nova cadeia energética, mas também revela um desafio importante: os principais locais de produção e consumo não coincidem geograficamente, o que exigirá investimentos significativos em infraestrutura de transporte e distribuição.
Os resultados foram publicados, no International Journal of Hydrogen Energy por Celso da Silveira Cachola e Drielli Peyerl.
O trabalho foi desenvolvido no Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), um dos Centros de Pesquisa Aplicada (CPAs) da FAPESP, sediado na Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Shell Brasil e apoio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Segundo Peyerl, do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP e do projeto “Energy transition through the lens of Sustainable Developments Goals” (ENLENS), na Universidade de Amsterdã (Países Baixos), o objetivo foi responder a uma pergunta central para o planejamento da transição energética no país: “Queríamos identificar quais regiões do Brasil apresentam maior potencial para produzir e consumir hidrogênio verde no contexto da descarbonização industrial”. O hidrogênio vem sendo apontado como uma das alternativas mais promissoras para diminuir emissões em setores industriais chamados, em
inglês, de “hard-to-abate” (difíceis de reduzir) – aqueles nos quais a descarbonização enfrenta ainda grandes obstáculos, seja por limitações tecnológicas, energéticas ou econômicas.
Entre esses setores, estão a siderurgia, o refino de petróleo e parte da indústria química. Nessas atividades, o hidrogênio pode substituir combustíveis fósseis em processos de alta temperatura ou atuar como matéria-prima em reações químicas.
Quando produzido por eletrólise da água, utilizando eletricidade proveniente de fontes renováveis, como energia hidrelétrica, solar ou eólica, ele recebe o nome de “hidrogênio verde”, pois praticamente não gera emissões de gases de efeito estufa durante o processo produtivo.
Segundo Peyerl, a escolha da eletrólise como referência no estudo se deve à consolidação tecnológica desse método: “A eletrólise é uma tecnologia relativamente madura”.
Apesar disso, a pesquisadora ressalta que o hidrogênio não deve ser visto como solução universal para todos os desafios energéticos.
“Transição energética é diversificação. Em alguns setores, o hidrogênio cabe como uma luva, especialmente em processos industriais difíceis de descarbonizar. Em outros casos, a eletrificação direta pode ser mais eficiente e mais barata”, diz.
Para mapear o potencial de desenvolvimento dessa tecnologia no Brasil, os pesquisadores reuniram dados de 5.569 municípios para avaliar o potencial de produção e de 2.569 municípios para estimar o potencial de consumo industrial.
A análise considerou seis variáveis principais: localização geográfica dos municípios, proximidade de infraes-
trutura energética (rede elétrica, gasodutos e portos), emissões industriais de CO₂, índice de segurança hídrica, incidência solar e velocidade média dos ventos.
Os resultados mostraram a existência de sete clusters com alto potencial de produção de hidrogênio verde e dez com maior potencial de consumo industrial.
O Nordeste aparece como a região com maior capacidade potencial de produção, graças à combinação de elevados recursos de energia solar e eólica.
Já os clusters de consumo concentram-se sobretudo nas regiões Sul e Sudeste, que abrigam grande parte do parque industrial brasileiro e registram níveis elevados de emissões industriais. Essa diferença espacial cria um desafio estrutural para o desenvolvimento da economia do hidrogênio no país.
“Hoje estamos muito focados na produção, mas precisamos olhar para toda a cadeia de valor. O grande desafio é garantir que o hidrogênio produzido realmente chegue aos setores que vão utilizá-lo”, sublinha Peyerl.
Outra questão relevante é o custo energético da produção. A geração de hidrogênio por eletrólise exige grande quantidade de eletricidade renovável, o que reforça a importância de localizar as plantas produtivas em regiões
com abundância de energia solar ou eólica.
O estudo reforça a posição estratégica do Brasil na transição energética. O país possui uma das mais diversificadas e renováveis matrizes energéticas do mundo. Segundo o Balanço Energético Nacional (BEN), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética e pelo Ministério de Minas e Energia, a participação das principais fontes na matriz energética brasileira é a seguinte: petróleo e derivados, 34,3%; biomassa da cana-de-açúcar (etanol e bagaço), 18,0%; hidrelétrica, 12,4%; gás natural, 12,2%; carvão vegetal, 8%-9%; carvão mineral, 5,3%; nuclear, 1,4%; eólica, 1-2%; solar, 1%; outras renováveis, 7% (ano-base 2023).
Observe-se que cerca de 45% a 50% da matriz energética brasileira é renovável, enquanto a média mundial é algo próximo de 15%. Além disso, mais de 80% da eletricidade brasileira é proveniente de fontes renováveis, um valor muito superior ao da maioria dos países industrializados. Mas, como sublinha Peyerl, a estratégia energética do país deve explorar sua diversidade de recursos: “O Brasil tem enorme potencial para hidrogênio, mas também para eletrificação, biometano, biomassa e outras rotas energéticas. O desafio é identificar em cada região qual solução faz mais sentido”.
Paulínia terá planta de SAF de etanol
Tecnologia empregada será da companhia
americana Honeywell em refinaria da Petrobras
A americana Honeywell anunciou em abril que a Petrobras selecionou a tecnologia de processo Etanol-para-Jet (ETJ) da Honeywell UOP para o desenvolvimento de um projeto em sua refinaria REPLAN, em Paulínia (SP) para produção sustentável de aviação (SAF). Uma vez aprovado, o projeto fornecerá até 10.000 barris por dia de combustível de aviação sustentável (SAF), representando a primeira iniciativa ETJ em larga escala na América Latina, relata, em nota, a Honeywell.
Destaques
da nota divulgada pela Honeywell:
• A tecnologia de processo ETJ da Honeywell UOP utiliza etanol como matéria-prima renovável e amplamente disponível, proporcionando um caminho economicamente viável para ampliar
rapidamente a produção de SAF (Combustível de Aviação Sustentável).
• O uso de etanol como matéria-prima pela Petrobras reforça ainda mais seu compromisso com o avanço de soluções energéticas sustentáveis e a redução das emissões de carbono na aviação.
• Com a demanda por SAF (Combustível de Aviação Sustentável) projetada para crescer significativamente, as refinarias já estão buscando soluções tecnológicas replicáveis e confiáveis, prontas para acelerar a produção e apoiar os crescentes compromissos do setor de aviação com operações de baixo carbono.
• Ao aproveitar o etanol do Brasil — reconhecido como um dos países com a indústria de biocombustíveis mais eficiente do mundo — espera-se que a unidade REPLAN ETJ, em projeto, ajude as companhias aéreas nacionais e internacionais a reduzir as emissões do ciclo de vida e a ampliar o acesso ao combustível de aviação renovável.
• A iniciativa reforça a posição do
Brasil como futuro líder na produção de SAF “Brasil tem escala”
“O Brasil tem a escala, a matéria-prima e os parceiros tecnológicos necessários para se tornar uma potência global em combustíveis sustentáveis para a aviação”, disse, em nota, José Fernandes, presidente da Honeywell América Latina. “Este projeto é um marco importante para a região e demonstra como a colaboração estratégica pode acelerar o papel do Brasil na transição energética.A Petrobras e a Honeywell compartilham uma longa relação que abrange tecnologia de refino, processamento de gás natural e sistemas avançados de automação, incluindo a implantação do Experion PKS
da Honeywell em instalações da Petrobras. Nos últimos anos, a colaboração se expandiu para combustíveis renováveis, incluindo a decisão da Petrobras, em 2024, de licenciar a tecnologia de processo UOP HEFA da Honeywell para produzir SAF (Combustível Sustentável de Aviação) e diesel renovável na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão, utilizando matérias-primas como óleo de soja e sebo bovino.
Safra 2025/26 na região
Centro-Sul apurou um processamento de 603 milhões de toneladas da planta
Afinal de contas, qual será o volume de moagem de cana-de-açúcar na safra 2026/17 na região Centro-Sul?
Projeções de consultorias e de analistas são bem variadas. A Archer Consulting, por exemplo, estima em 625 milhões o total de toneladas a serem processadas pelas usinas da região. Por sua vez, a StoneX projeta que,
mesmo com aumento da área colhida e moagem elevada, a moagem deverá chegar a 620,5 milhões de toneladas. De seu lado, a Embrapa, por meio de do programa “Cana Mais” estima em 635 milhões o montante de toneladas a serem moídas no ciclo em andamento no Centro-Sul.
Independentemente de quem acertar o volume de matéria-prima do açúcar a ser processada, o montante certamente irá superar a moagem registrada no Centro-Sul na safra 2025/26. Segundo a UNICA, no ciclo anterior as usinas da região moeram 603,67 milhões de toneladas no acumulado
até 16 de março. Oficialmente, a safra no Centro-Sul vai de abril de um ano a 31 de março do ano seguinte.
Em temos comparativos, o processamento da 25/26 foi inferior ao regis-
Projetar o volume de cana-de-açúcar está atrelado ao montante de planta nos canaviais. Estimar a qualidade da matéria-prima, ou seja, o nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), depende muito do andamento do ciclo.
Em março, por exemplo, a UNICA estimava que o montante de ATR registrado na 2025/26 no Centro-Sul foi de 99,29 kg por tonelada de cana, 0,26% do reportado em igual período do ciclo 2024/25. Já no acumulado da safra, a entidade apurou – em março - que o indicador marcou 138,25 kg de ATR por tonelada, índice 2,17% inferior ao do ciclo anterior.
TCH
No caso do índice de toneladas de cana por hectare (TCH), ele tem projeções variáveis. Para a StoneX, por exemplo, mesmo com aumento da área colhida e moagem elevada, que deve chegar a 620,5 milhões de toneladas em 2026/27, a produtividade em TCH deve ficar em torno de 75,9 toneladas por hectare (t/ha). No total da 2026/27, a consultoria Datagro previu em março que a oferta de ATR deve alcançar 84,32 milhões de toneladas, com rendimento médio estimado em 138,11 kg por tonelada de cana.
Para a consultoria StoneX, a projeção é de um maior direcionamento das usinas para o etanol, impulsionado pela menor remuneração do açúcar no curto prazo e pela competitividade do hidratado no início da nova temporada.
Mesmo com aumento da área colhida e moagem elevada, que deve chegar a 620,5 milhões de toneladas em 2026/27, a produtividade limitada (TCH em torno de 75,9 t/ha) e o mix mais alcooleiro devem resultar
em queda da produção açucareira –estimada em 0,48 milhão de toneladas.
Conforme a consultoria, esse movimento reduz a oferta disponível para a indústria justamente em um período em que a recuperação da produtividade ainda é lenta, aumentando o risco de repiques de preço e necessidade de planejamento antecipado de compras.
Já a Archer Consulting prevê mix próximo de 52% para o etanol e 48% para o açúcar.
trado no ciclo 24/25, que, segundo a UNICA, totalizou 617,32 milhões de toneladas. Em suma, as previsões divulgadas superam em até 20 milhões de toneladas o total de cana processado na 25/26 no Centro-Sul.
Setor amplia sua capacidade produtiva
Em dados apresentados pela consultoria Datagro, o setor sucroenergético brasileiro continua ampliando sua capacidade produtiva ao longo das décadas. A produção total de ATR, considerando cana e milho, saiu de cerca de 7 milhões de toneladas na década de 1970 para mais de 108 milhões de toneladas atualmente e pode alcançar aproximadamente 149 milhões de toneladas até meados da próxima década. No mercado doméstico, a demanda por biocombustíveis continua sendo um dos principais fatores de sustentação do setor. Em 2025, o etanol substituiu 45,6% da gasolina no Brasil, reforçando o papel estratégico do biocombustível na matriz energética nacional.
Em alta
Otto deve continuar crescendo. As projeções indicam aumento equivalente a cerca de 2,3 bilhões de litros de etanol hidratado em 2026, impulsionado pela expansão da frota flex fuel. No cenário internacional, a DATAGRO projeta déficit no balanço global de oferta e demanda de açúcar de aproximadamente 800 mil toneladas no ano comercial 2025/26. Mesmo assim, a consultoria ressalta que o Brasil não tem sido responsável por excesso de oferta no mercado global, já que a produção nacional de açúcar permaneceu relativamente estável nos últimos anos, enquanto o crescimento do setor ocorreu principalmente por meio da expansão do etanol. Combinado ao avanço do etanol de milho e à maior demanda interna por combustíveis renováveis, esse movimento reforça o papel do Brasil como principal referência global na produção e no uso de biocombustíveis. Moagem deve crescer na 2026/27
A consultoria também destaca que o consumo de combustíveis do ciclo
Navios movidos a etanol devem entrar em operação no Brasil já a partir de 2029
Eles serão empregados
pela Vale, a partir de acordo com a Shandong Shipping Corporation
A Vale e a Shandong Shipping Corporation concluíram um acordo de afretamento para novos navios Guaibamax movidos a etanol, que serão entregues a partir de 2029, destaca, em nota, a assessoria da Vale.
O acordo é um marco sem precedentes para o transporte global de minério de ferro: é a primeira vez na indústria marítima que o etanol será adotado como combustível principal em uma embarcação transoceânica. Com potencial para reduzir as emissões de carbono em cerca de 90% em comparação com o uso de óleo combustível pesado, comumente utilizado na navegação, a iniciativa reforça o compromisso da Vale de reduzir
suas emissões de carbono na cadeia de valor e promover a descarbonização no setor marítimo, em linha com as discussões em andamento na Organização Marítima Internacional (IMO).
O acordo entre Vale e Shandong inclui contratos de 25 anos para a construção de 2 navios, com opção para mais embarcações. A adoção destes Guaibamax de segunda geração, que são embarcações com 340 metros de comprimento e capacidade de 325 mil toneladas, faz parte de uma estratégia multicombustível da mineradora brasileira. Além de etanol, estas embarcações poderão utilizar metanol e óleo pesado, incluindo ainda um design que prevê a possibilidade de conversão para o uso de gás natural liquefeito (GNL) ou de amônia.
“Os esforços pioneiros da Vale para a descarbonização no transporte marítimo são orientados para uma estratégia que combina flexibilidade e eficiên-
cia. A utilização do etanol como combustível nos navios que transportam o nosso minério, aliada à adoção de velas rotativas para aproveitamento da energia eólica, permitem que a Vale esteja em uma posição única para a transição energética no transporte marítimo global nas próximas décadas, ao mesmo tempo em que impulsionam iniciativas semelhantes no setor”, diz Rodrigo Bermelho, Diretor de Navegação da Vale. Considerando o ciclo completo do combustível do poço ao hélice (well-to-wake), o etanol pode representar uma redução de aproximadamente 90% (no caso de etanol de segunda geração) nas emissões de carbono em comparação com o óleo pesado. Além do transporte marítimo, a adoção do etanol na logística da Vale inclui testes em caminhões nas operações e em locomotivas da Ferrovia Vitória a Minas (EFVM). Os novos navios movidos a etanol serão seme-
lhantes a outros 10 navios bicombustíveis (metanol e óleo pesado) que serão entregues pela Shandong para a Vale a partir de 2027. A segunda geração do Guaibamax será equipada com cinco velas rotativas – que utilizam energia eólica para reduzir o consumo de combustível –, motores mais eficientes, dispositivos hidrodinâmicos, gerador de eixo, inversores de frequência e pintura de silicone, entre outras melhorias na eficiência energética. O conjunto de tecnologias aplicadas reduzirá em cerca de 15% as emissões de GEE em comparação com a geração atual de Guaibamax. Essas tecnologias e combustíveis alternativos estão sendo testados no âmbito do programa Ecoshipping, uma iniciativa de pesquisa e desenvolvimento criada pela Vale para apoiar o desafio de descarbonização da indústria marítima e aumentar a eficiência da frota a serviço da mineradora.
Alerta ao setor: fenômeno climático El Niño deve provocar chuvas abaixo da média
Projeções são de meteorologista, que detalha como o setor deve atuar neste ano
As projeções climáticas para 2026 indicam um cenário de atenção para o Nordeste brasileiro, com tendência de chuvas abaixo da média influenciadas pelo avanço do fenômeno El Niño, principalmente nos meses de junho, julho e agosto. A análise foi apresentada pelo Doutor em Meteorologia Alexandre Magno durante explanação em abril em evento técnico realizado na sede da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), em João Pessoa (PB). O meteorologista destacou o aquecimento progressivo das águas do Oceano Pacífico como fator determinante para a irregularidade das precipitações ao longo do ano. De acordo com ele, embora o El Niño ainda não esteja oficialmente configurado em sua totalidade, os sinais já são evidentes. O aquecimento das águas na região próxima à costa oeste da América do Sul, tem impacto direto na redução das chuvas, especialmente no litoral nordestino. “Quando essa área aquece, historicamente há diminuição das precipitações na faixa litorânea”, explicou. Os dados mais recentes mostram que a temperatura da superfície do mar já ultrapassa os padrões de neutralidade, com tendência de intensificação nas próximas semanas. Modelos climáticos indicam de 60% a 70% de probabilidade de consolidação de um El Niño entre os meses de junho e agosto, período considerado crítico para a quadra chuvosa em parte da região.
Temperaturas elevadas
Outro ponto destacado é o papel do Oceano Atlântico, que atualmente apresenta temperaturas elevadas. Esse aquecimento pode amenizar parcialmente os efeitos do El Niño, contribuindo para a ocorrência de chuvas pontuais. No entanto, segundo o meteorologista, esse fator não deve ser suficiente para reverter o cenário de irregularidade climática. “O Atlântico aquecido ajuda a quebrar bloqueios atmosféricos, mas não garante volumes significativos de chuva”, afirmou. A análise de diferentes modelos internacionais — incluindo centros meteorológicos dos Estados Unidos, Europa e Alemanha — converge para um mesmo diagnóstico: à medida que o fenômeno se intensifica, aumenta a probabilidade de precipitações abaixo da média. O nível de confiabilidade dessas projeções varia entre 60% e 70%.
Preocupação reforçada
Comparações com eventos históricos, como os registrados entre 1997 e 1998, reforçam a preocupação. Naquele período, o forte El Niño resultou em uma sequência de meses com baixos índices pluviométricos. Para 2026, embora o cenário apresente algumas diferenças — como o Atlântico mais aquecido —, os padrões observados até agora indicam comportamento semelhante, com tendência de queda nas chuvas ao longo do ano. Diante desse contexto, a recomendação do especialista é de planejamento, especialmente para o setor produtivo. A orientação é otimizar o uso dos recursos hídricos e adotar estratégias de armazenamento de água, considerando a possibilidade de veranicos mais prolongados e maior irregularidade na distribuição das chuvas.
“O fenômeno é de escala global e inevitável, mas os impactos locais podem ser gerenciados com informação e planejamento nas propriedades”, concluiu o meteorologista.
bp bioenergy testa micro-ônibus híbrido a etanol
Operação inédita, com tecnologia nacional de baixa emissão, marca novo capítulo na mobilidade sustentável
A mobilidade sustentável no Brasil ganha um avanço concreto com o início da operação de demonstração do Volare Attack 10 Híbrido – Elétrico/ Etanol, um micro-ônibus inovador que combina eletrificação com o uso do biocombustível. O projeto é resultado de uma parceria estratégica entre a Marcopolo, a Sertran Transportes e a bp bioenergy, reunindo indústria, operação e produção de energia renovável em uma iniciativa inédita no país. Lançado em 2024, o modelo integra o portfólio da Volare, marca da Marcopolo voltada a veículos compactos, e foi concebido para aplicações que exigem eficiência operacional, autonomia elevada e redução significativa de emis-
sões. Mais do que um novo produto, o micro-ônibus representa um conceito de mobilidade alinhado à realidade brasileira, especialmente ao potencial do etanol como combustível estratégico.
A operação piloto será realizada em uma unidade da bp bioenergy, onde o veículo será testado em condições reais de uso, com rota definida em conjunto com a Sertran. Durante esse período, a equipe de engenharia da Marcopolo acompanhará de perto o desempenho do micro-ônibus, realizando ajustes técnicos e coletando dados para o aprimoramento da tecnologia.
Para a bp bioenergy, o projeto reforça
o papel do etanol como solução viável na transição energética. Produzido pela própria companhia, o biocombustível se insere em uma lógica de economia circular, conectando produção e consumo dentro da mesma cadeia.
“Mais do que experimentar uma nova tecnologia, buscamos entender como essa solução pode contribuir para uma operação mais eficiente e com menor intensidade de carbono”, destaca André Monteiro, diretor da empresa.
A iniciativa recebeu ainda o suporte da NOROMAK, concessionária da Marcopolo na região de Ribeirão Preto, cujo papel foi destacado pelo presidente executivo da Sertran, Júnior Felício, como essencial para o desenvolvimento da iniciativa. “Este projeto representa um avanço importante na descarbonização do transporte e reforça nosso compromisso com inovação e sustentabilidade no setor sucroenergético”, afirmou o executivo, agradecendo
às parceiras pela colaboração estratégica.
De acordo com Ricardo Portolan, diretor da Marcopolo, esta iniciativa materializa o progresso “na adoção de novas tecnologias e na ampliação do uso de energia renovável na mobilidade”. Segundo ele, a ação reforça o papel da empresa na liderança da transição energética do transporte, contribuindo para um futuro mais sustentável.
Veículo com autonomia para até 650 quilômetros
O diferencial do Volare Attack 10 Híbrido está na sua arquitetura tecnológica. O veículo utiliza o sistema Range Extender (REX), no qual a tração é 100% elétrica, enquanto um motor a etanol atua exclusivamente como gerador de energia.
A bateria de alta tensão, com capacidade de até 120 kWh, alimenta o motor elétrico responsável pela movimentação do veículo, garantindo operação silenciosa e com menor emissão de poluentes.
Já o motor a etanol, desenvolvido em parceria com a HORSE Powertrain Limited, funciona sempre em sua faixa ideal de eficiência, sem conexão mecânica com as rodas. Isso permite reduzir o consumo de combustível e as emissões, ao mesmo tempo em que amplia a autonomia do veículo para até 650 quilômetros — um diferencial relevante em operações contínuas e em regiões sem infraestrutura de recarga elétrica. Outro destaque é o elevado índice de nacionalização do projeto, aliado a um custo de investimento inferior ao de veículos totalmente elétricos.
Além disso, o modelo apresenta redução de ruído e vibração, menor desgaste de componentes como freios e, consequentemente, custos operacionais mais baixos ao longo do tempo. Com essa iniciativa, o Brasil avança no desenvolvimento de soluções que unem inovação tecnológica e vocação energética, posicionando o etanol não apenas como combustível automotivo tradicional, mas como protagonista em novas aplicações no transporte sustentável.
Micro-ônibus híbrido a etanol e ônibus a biometano são alternativas sustentáveis de uma gigante do setor
Empresa reforça protagonismo no transporte de pessoas, integrando projeto pioneiro de descarbonização à sua cultura de segurança e inovação tecnológica
A entrada em operação do micro-ônibus híbrido a etanol não apenas marca um avanço tecnológico no transporte, mas também evidencia o papel estratégico da Sertran Transportes como agente ativo na transformação do setor bioenergético brasileiro.
Fundada em 1996 em Sertãozinho, interior de São Paulo, a Sertran nasceu junto com a expansão do etanol no país. Hoje, atua em mais de 50 unidades operacionais distribuídas por cinco estados (São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins). Sua especialidade é o transporte fretado para o agronegócio, segmento no qual responde por 20% de todo o atendimento ao setor bioenergético brasileiro — uma fatia expressiva que exige confiabilidade, escala e inovação.
Foi justamente essa visão que levou a empresa a aderir, ainda na fase inicial, ao projeto do micro-ônibus híbrido. Segundo o CEO Mauro Picinato, a decisão foi imediata diante do alinhamento entre a proposta tecnológica e os valores da companhia.
“Reconhecemos desde o início a sinergia operacional e ambiental da solução, especialmente pelo uso de um combustível
produzido pelo próprio cliente. Participar desse projeto reforça nosso papel como protagonistas na evolução do transporte”, afirma.
Na prática, a Sertran será responsável pela operação do veículo no transporte de colaboradores dentro da unidade da bp bioenergy, colocando à prova não apenas a tecnologia embarcada, mas também sua expertise logística.
A empresa construiu ao longo de seus 30 anos uma estrutura técnica e operacional focada no cuidado com as pessoas, que a coloca entre as mais sofisticadas do setor de transporte fretado no Brasil.
No campo da manutenção, a Sertran opera com centro próprio, com processos rigorosamente padronizados que incluem check-lists diários antes de cada saída, manutenção preventiva baseada em quilometragem, telemetria com histórico completo por veículo e estoque mínimo de peças críticas. O resultado é uma frota sempre revisada e veículo reserva assegurado em contrato — garantia de que
a operação do cliente nunca é interrompida por falha técnica.
A tecnologia ocupa papel central nessa estrutura. A Sertran conta com telemetria embarcada e sensores e câmeras em 100% da frota, com monitoramento em tempo real da saúde dos veículos, detecção precoce de falhas e indicadores de desgaste. Essa capacidade preditiva não apenas reduz custos, como eleva os padrões de segurança.
Cultura de segurança
A cultura de segurança, aliás, é um dos pilares da empresa. Com uso de inteligência artificial para monitoramento comportamental, treinamentos contínuos e gestão estruturada de SSMA, a companhia atua de forma preventiva, reduzindo riscos e assegurando a integridade dos passageiros.
Outro diferencial é a capacidade de investimento em larga escala, permitindo a padronização nacional da operação e a rápida adoção de no-
vas tecnologias — como o próprio micro-ônibus híbrido. Esse modelo de atuação elimina riscos estruturais e garante confiabilidade mesmo em operações complexas e distribuídas geograficamente.
Para o presidente executivo Júnior Felício, o projeto representa mais do que um teste tecnológico. “É um avanço importante na descarbonização do transporte e reforça nosso compromisso com inovação e sustentabilidade”, afirma, destacando também o papel dos parceiros na viabilização da iniciativa.
E os avanços rumo à mobilidade sustentável não se limitam ao micro-ônibus híbrido a etanol. A Sertran se prepara para incorporar a sua frota um ônibus movido a biometano, um gás combustível 100% renovável e orgânico, produzido a partir do lixo de aterros sanitários e também de resíduos da cana-de-açúcar (vinhaça e torta de filtro).
Ao integrar indústria, operação e bioenergia, esses projetos colocam a Sertran em posição de destaque na agenda de transição energética do setor. Mais do que acompanhar tendências, a empresa se posiciona como protagonista na construção de soluções que dialogam com a realidade do campo e com as demandas por eficiência e sustentabilidade. Nesse contexto, o micro-ônibus híbrido a etanol surge não apenas como uma inovação tecnológica, mas como símbolo de uma nova fase do transporte no Brasil — mais limpo, mais eficiente e cada vez mais conectado à vocação energética do país.
Drul reforça protagonismo na bioenergia e se prepara para a nova era da fermentação
A evolução da bioenergia no Brasil está diretamente associada ao avanço da biotecnologia industrial, à integração energética das operações e ao fortalecimento da agenda de sustentabilidade. Nesse cenário, a Drul consolida seu protagonismo ao desenvolver soluções que elevam a produtividade, ampliam a segurança operacional e aumentam a eficiência, impulsionando a competitividade das unidades industriais.
A empresa vive um novo ciclo de crescimento, marcado pela modernização e expansão de sua unidade industrial em Sertãozinho (SP). O projeto inclui a ampliação da planta, a implantação de novas linhas de produção, a atualização tecnológica dos processos e o aumento da capacidade produtiva. Toda a estrutura foi concebida para
fornecimento de enzimas e leveduras.
Controle
microbiológico: o desafio da fermentação
O controle da contaminação bacteriana segue como um dos principais desafios da indústria de etanol.
Em níveis elevados, esses microrganismos competem com as leveduras pelos açúcares disponíveis, comprometendo o rendimento do processo e favorecendo a formação de subprodutos indesejados, com impacto direto na eficiência
atender aos mais elevados padrões de qualidade e às certificações mais exigentes do mercado.
Etanol de grãos
Com presença crescente no mercado de etanol de grãos e avanço consistente em novas rotas tecnológicas, a Drul amplia sua atuação com um portfólio orientado à alta performance industrial e uma abordagem técnica próxima e consultiva junto às usinas.
Na condição de parceira e distribuidora oficial da IFF na América Latina, a empresa reforça seu compromisso com a inovação e o desenvolvimento sustentável do setor, como foco no
industrial.
Nesse contexto, a Drul se destaca ao oferecer soluções de alta performance para o controle microbiológico.
Além dos já consolidados Drulpel e Ultranol, a empresa prepara para o segundo trimestre o lançamento de novas tecnologias, como o FermBooster, o Biotrack e o Ultranol 2th — segunda geração do produto, desenvolvida para elevar ainda mais os níveis de eficiência e controle no processo fermentativo.
Crise do ácido sulfúrico: uma nova abordagem para a préfermentação
Diante da pressão e da volatilidade no fornecimento de ácido sulfúrico, o setor busca alternativas mais eficientes e sustentáveis para garantir a estabilidade dos processos. Nesse cenário, o FermBooster surge como a principal
aposta da Drul. A tecnologia foi desenvolvida para reduzir de forma significativa o consumo de ácido sulfúrico, ao mesmo tempo em que promove maior estabilidade operacional e redefine os parâmetros da etapa de pré-fermentação. Com uma abordagem mais moderna e integrada, a solução contribui para ganhos de eficiência, menor dependência de insumos críticos e maior previsibilidade no desempenho industrial.
“Estamos falando de uma mudança estrutural na forma de conduzir a pré-fermentação, com impactos diretos em estabilidade e custo operacional”, afirma Larissa Papin, Especialista de Bioprocessos da Drul.
Do Brasil para o mundo: a nova fronteira tecnológica
Controlar o processo fermentativo de forma natural deixou de ser uma visão de futuro para se tornar uma realidade em evolução.
Assim como as soluções biológicas revolucionaram os tratos agrícolas e hoje são amplamente adotadas no campo, esse conceito avança com força para o ambiente industrial por meio dos bioprodutos.
Nessa perspectiva, a Drul lidera essa nova fronteira tecnológica com a aplicação de bacteriófagos por meio da linha PhageMill — uma solução biológica altamente específica, capaz de atuar diretamente sobre as bactérias-alvo, sem geração de resíduos e sem interferência no desempenho das leveduras ou no equilíbrio do processo fermentativo.
Com possibilidade de customização para a realidade de cada unidade industrial, a tecnologia proporciona:
· quebra de resistência bacteriana
· maior eficiência no controle da contaminação
· recuperação da performance de antibióticos
· aumento da estabilidade operacional ao longo da safra
Mais do que uma alternativa, o uso de bacteriófagos representa uma mudança de paradigma: uma abordagem mais precisa, sustentável e alinhada às demandas da bioenergia do futuro.
Expansão e inovação
O laboratório da Bioprocess, empresa do grupo Drul, localizado em Campinas (SP), passa por um importante processo de expansão e modernização, incorporando tecnologias de ponta e ampliando significativamente sua capacidade de análise e desenvolvimento de soluções.
Com investimentos superiores a US$ 2,8 milhões em estrutura e inovação, a Drul reforça sua posição como parceira estratégica da bioenergia moderna, conectando ciência, tecnologia e aplicação industrial para gerar resultados consistentes no campo e na indústria.
Inteligência artificial aplicada e o salto
de desempenho industrial
A incorporação de inteligência artificial marca um novo capítulo na trajetória da Drul. Em agosto de 2025, a empresa anunciou um movimento estratégico de M&A que chamou a atenção do mercado: a entrada da IASense no grupo, consolidando o início de uma nova frente tecnológica voltada à digitalização e à otimização de processos industriais.
O uso de visão computacional aplicada ao controle de qualidade e ao monitoramento de variáveis críticas já é uma realidade.
Com experiência em setores de alta exigência, como o aeronáutico, a IASense vem se consolidando como uma parceira confiável no desenvolvimento de soluções de IA para bioprocessos.
Entre os avanços, destaca-se o desenvolvimento de sistemas aplicados tanto ao campo quanto à indústria e, até o segundo trimestre de 2026, a expectativa é o lançamento de uma solução
inédita para o monitoramento online da qualidade do açúcar.
Outro avanço relevante é a consolidação da plataforma digital Virtual Sensor, baseada em sensores virtuais desenvolvidos pela Bioprocess, capaz de monitorar, prever e otimizar, em tempo real, as condições dos processos industriais.
Essa abordagem amplia a previsibilidade operacional, gera ganhos consistentes de eficiência e fortalece a tomada de decisão nas usinas.Mais do que desenvolver tecnologias, a Drul reafirma seu compromisso de estar ao lado das usinas no dia a dia da operação, atuando de forma próxima e consultiva para entregar continuamente as melhores soluções e alternativas, com foco em eficiência, e competitividade. Com esse posicionamento, a empresa se apresenta ao mercado como um player que vai além da química: uma plataforma completa de soluções integradas, que combina biotecnologia, química e inteligência artificial para antecipar tendências e entregar inovação, desempenho e valor de forma consistente, destaca Daniel Atala –Gerente de inovação da Drul.
Gestão de Crise: por que o OxiFlux é investimento estratégico, não despesa.
O cenário atual nos painéis de controle das usinas é de alerta máximo. De um lado, a pressão inflacionária com a alta significativa do petróleo e da ureia; do outro, a volatilidade do mercado com queda sensível no preço do açúcar.
Quando a conta não fecha e a pressão sobre os insumos aperta, o movimento instintivo de muitos gestores é o corte imediato de orçamento. No entanto, no setor sucroenergético, existe uma linha tênue entre economia inteligente e comprometimento do patrimônio biológico. Na cana-soca, as decisões de hoje ecoam por muitos
ciclos. É nesta fase que o canavial define sua capacidade de rebrota, vigor e longevidade. Cortar o que é essencial agora pode até gerar um alívio momentâneo no caixa, mas resultará em falhas, retração e queda acumulada de produtividade amanhã. É neste contexto de incertezas que o OxiFlux deixa de ser um diferencial tecnológico para se tornar uma ferramenta vital de sobrevivência e rentabilidade.
O catalisador do seu investimento
em NPK
Atualmente, o maior peso no custo de produção agrícola é o fertilizante. Aplicar NPK em um solo quimicamente desequilibrado é, na prática, desperdiçar o investimento mais caro da safra. O OxiFlux atua como um catalisador financeiro: equilibra o pH do solo de forma rápida e eficiente e garante que a planta aproveite ao
máximo cada quilo de nutriente aplicado, transformando insumos de alto custo em resultados reais de TCH e TAH. Sem óxidos refinados, que proporcionam neutralização local eficaz, parte do seu capital acaba “travado” no solo por baixa absorção.
Eficiência operacional e logística
Além do ganho agronômico, o OxiFlux entrega performance onde o custo operacional mais dói: no diesel e na frota. A alta concentração e reatividade permitem a aplicação de menor volume por hectare. Para a logística da usina, isso se traduz em benefícios diretos:
· Redução no número de viagens e do consumo de combustível;
· Maior rendimento operacional (ha/h) na aplicação;
· Menor desgaste de equipamentos e otimização de mão de obra.
Segurança climática e novas receitas
O desenvolvimento radicular, promovido pela alta concentração de magnésio do OxiFlux cria um sistema mais robusto, capaz de explorar melhor o solo e resistir a períodos de estiagem severa. Além disso, esse manejo abre portas para novas receitas, como ganhos superiores de CBIOs quando comparado ao sistema tradicional de calagem.
Ou seja, retirar o OxiFlux do orçamento, significa comprometer o vigor do canavial. Proteger a rentabilidade não é reduzir gastos, mas garantir que o sistema produtivo continue competitivo e sustentável.
O OxiFlux não é um custo. É a solução estratégica para fazer seu investimento render mais.
INFORME
Manejo Regenerativo da Cana-de-Açúcar com Tecnologia de Inspiração Japonesa
A Fertilizantes Tanaka iniciou suas atividades em 2004 no município de Tietê (SP). Os fundadores de origem japonesa ao começarem esta empreitada priorizaram produzir produtos confiáveis e com alto desempenho, explica Marcos Tanaka (Sócio Proprietário).
A empresa trabalha com as culturas da soja, algodão, café, amendoim, frutíferas e cana-de-açúcar. No cenário de alta competitividade no manejo de cana-de-açúcar, a otimização nutricional para maximizar
a produtividade e a longevidade dos canaviais torna-se um imperativo estratégico. A nutrição avançada, especialmente por meio de tecnologias como os fertilizantes organominerais especiais nas diferentes modalidades de aplicações, emerge como um fator indispensável para alcançar patamares superiores de produtividade de forma sustentável e rentável.
A Fertilizantes Tanaka trabalha há 22 anos neste sentido, com o Fertilizante Organomineral PX-Fértil Mo-I, a base de Pescado Marinho.
O PX-Fértil Mo-I é composto por 18% de Carbono Orgânico, 1% de Nitrogênio e 1% de Molibdênio. Apresenta como benefícios: alta absorção de nutrientes; mais vigor e produtividade com estímulo ao desenvolvimento radicular; recuperação rápida de estresses e manejo de agricultu-
ra regenerativa. Em cana-de-açúcar pode ser aplicado em cana-planta e cana-soca.
Ao longo destes anos tivemos e temos como parceiros de pesquisas em cana a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) e o Instituto Agronômico de Campinas (IAC).
Os resultados obtidos nos trabalhos com estas instituições apresentam um incremento médio de 10,86 t cana. ha-1 (TCH) e um incremento médio de 1,76 t Pol (% Cana) em relação aos tratamentos controle.
Fábio Dias (Pesquisador IAC) observa que “A consistência dos ganhos é o principal destaque para os ciclos de cana-planta e cana-soca e em relação as análises tecnológicas, a análise dos dados é conclusiva: a aplicação do fertilizante foliar organomineral não apenas eleva a produtividade agrícola
da cana, mas também aumenta significativamente a produção total de açúcar recuperável por área.” Esse efeito combinado amplifica os resultados econômicos, impactando diretamente o valor comercial da colheita e a eficiência da indústria.
A Agrosolo Consultoria, localizada em Cedral (SP), com atuação focada em inovação, resultados e respeito ao meio ambiente, é parceira da Fertilizantes Tanaka no desenvolvimento de mercado de cana-de-açúcar, conforme destacado por Fábio Barruchelo (Sócio Proprietário).
BVBOOSTER é a inovação para o manejo nutricional da canavicultura que substituirá completamente a dependência agrícola do nitrogênio mineral
Fertilizante fluido de alta eficiência agronômica, estimula fortemente a FBN (fixação biológica de nitrogênio), no solo e endogenamente na planta. Resultados científicos e práticos em centenas de milhares de hectares no centro-sul, nas últimas dez safras, prosseguem na comprovação da excelência do produto.
A presente dificuldade no suprimento dos fertilizantes nitrogenados e a alta de preços aumentaram as chances para novas e melhores mudanças de paradigmas no manejo nutricional do nitrogênio às plantas. O cenário atual viabiliza que produtores adotem essa inovação brasileira que, além de potencializar a FBN, elimina custos diretos e indiretos derivados da aquisição e aplicação de nitrogenados minerais. Os ensaios científicos e em lavouras comerciais de usinas e fornecedores, promovidos para comparação de doses expressivas de nitrogênio mineral (80 a 120 kg N/ha) com o BVBOOSTER® (11 l/ha), demonstraram ganhos relativos de 5 a 9 TCH.
A mudança consolida a evolução de excelência no manejo nutricional da cana-de-açúcar que, além de priorizar a reposição de nutrientes, melhora a eficiência do sistema produtivo como um todo. Tudo isso envolve tanto a dinâmica do N no solo como
melhora a capacidade da planta em absorvê-lo e utilizá-lo de forma mais eficaz.
BVBOOSTER é fertilizante fluido em calda-pronta e concentrada de micronutrientes chaves, para pronto uso numa única aplicação por safra. Foi idealizado e desenvolvido pela Euroforte Agrociências e sua aditivação com a tecnologia exclusiva, o BIOAMAC potencializou tanto a ação na FBN, como otimizou processos metabólicos do N-natural pela própria planta. O ganho relativo de produtividade, em valor, é maior do que o custo e aplicação do próprio BVBOOSTER, uma evidência objetiva de que o produtor economizará 100% dos recursos habitualmente provisionados para compra, transporte, armazenamento e aplicação dos nitrogenados minerais.
Na prática, os resultados já são percebidos em áreas comerciais. O produtor de cana-de-açúcar, Marcos Brunozzi da região de Pirajuba - MG, relata a consolidação do uso da tecnologia ao longo dos últimos anos:
“São quatro anos utilizando o produto. Começamos apenas em áreas de aplicação de vinhaça, mas há dois anos já expandimos para toda a área. Ele facilita muito o manejo, pois pode ser aplicado tanto no corte de soqueira quanto via pulverização ou
até mesmo nos tanques de vinhaça, se encaixando bem na nossa operação”, afirma.
Além da praticidade operacional, os ganhos de produtividade também são destacados. Segundo o produtor,
solidou o produto nos últimos anos, e os resultados disponibilizados pelo time da Euroforte mostram ganhos de tonelada de cana por hectare (TCH) significativos desde 2021:
a tecnologia tem apresentado desempenho consistente em diferentes ambientes produtivos.
“Trabalhamos com ambientes A, B e até C na região.
O produto, por ter altos teores de matéria orgânica e micronutrientes, incrementa a produtividade quando comparado à adubação nitrogenada convencional, principalmente em áreas que respondem melhor à tecnologia”, explica.
A consistência dos resultados con-
Outro ponto ressaltado por Marcos, é o suporte técnico ao longo de todo o processo.
“O acompanhamento sempre foi muito próximo, desde o campo até o apoio técnico, com consultores auxiliando nas tomadas de decisão. Isso traz bastante segurança na adoção”, completa.
Com base na experiência prática dos últimos anos, a recomendação é direta. “Indico o produto com bastante segurança, pois acreditamos no resultado, sempre considerando a realidade de cada área e da nossa região”, conclui Brunozzi.
O BVBOOSTER está ganhando cada vez mais relevância no setor, especialmente em um cenário que exige maior equilíbrio entre produtividade, custo e sustentabilidade.
Nesse contexto, o produto consegue integrar manejo inteligente e performance agronômica se consolidando como aliado nas estratégias da canavicultura brasileira.
Julia Brunozzi, Marcos Brunozzi e Bárbara Brunozzi.
Fonte - Benchmarking P&D e clientes Euroforte – 2021 a 2025
Substituição de fertilizante químico por composto orgânico avança na cana e gera ganhos produtivos e financeiros
Willymberg Barreto, gerente agrícola da Usina São José
Na Usina São José, tradicional empresa sucroenergética de Pernambuco pertencente ao Grupo Cavalcanti de Petribú, a compostagem já permite a substituição integral do fertilizante químico, com resultados positivos no custo por hectare, na produtividade e no equilíbrio biológico do solo. Num momento em que o setor sucroenergético busca alternativas mais
eficientes, sustentáveis e economicamente viáveis para a nutrição da cana-de-açúcar, a experiência da usina mostra como o composto orgânico, associado ao uso de soluções biológicas, pode assumir papel estratégico no sistema produtivo.
Segundo Willymberg Barreto, gerente agrícola da unidade, a substituição de 100% do adubo químico por adubo
biológico é resultado de cinco anos de trabalho estruturado com compostagem. “Hoje conseguimos substituir 100% do nosso adubo químico por um adubo biológico”, afirma.
A iniciativa parte de uma realidade comum em áreas canavieiras: solos pobres em matéria orgânica. Nesse contexto, a compostagem passou a ser tratada não apenas como alternativa de adubação, mas como ferramenta de regeneração da biota do solo e de construção de fertilidade a longo prazo. Na usina, a torta oriunda da indústria é levada a um pátio destinado ao processo de compostagem. Esse material passa por etapas de enriquecimento para melhorar a relação carbono-nitrogênio e criar condições adequadas para os microrganismos, responsáveis por solubilizar, fixar e disponibilizar nutrientes para a planta. O processo exige monitoramento constante de umidade e temperatura,
garantindo que o composto chegue ao campo com níveis nutricionais compatíveis com a necessidade da cultura.
Segundo Barreto, a substituição do fertilizante químico pelo composto orgânico gerou ganho superior a R$ 600 por hectare, podendo chegar a até R$ 1.000, diante da alta nos preços dos fertilizantes minerais.
No campo, a usina registrou incremento médio de 12% a 15% na produtividade.
Para o gerente agrícola, o diferencial está no efeito acumulativo da prática. Com o solo mais rico e biologicamente equilibrado, a tendência é de avanço contínuo da produtividade e maior resiliência da planta, especialmente em áreas arenosas.“O composto hoje é fundamental para que consigamos manter essa produtividade e crescer ano a ano nessas áreas”, ressalta.
Como a Santo Antônio economiza diesel e reduz a ociosidade de equipamentos
O analista de sistemas da empresa, Roderick Alex Luna da Silva, detalha os ganhos com a transformação digital
Reduzir a ociosidade dos equipamentos e economizar no consumo do diesel. São alguns dos resultados da Usina Santo Antônio em Alagoas, obtidos com a transformação digital.
Durante o UAPNE26, Roderick Alex Luna da Silva, analista de sistemas da usina, apresentou como o uso integrado de inteligência artificial, telemetria e análise de dados vem revolucionando a operação agrícola da companhia. Com atuação em 13 municípios e uma área de 38 mil hectares distribuída entre regiões de topografia desafiadora — com predominância de encostas — a usina enfrenta um cenário operacional complexo, agravado pela concentração de chuvas em períodos
críticos da safra.
Diante disso, a tecnologia se tornou peça-chave para garantir eficiência.
Quase 100% da frota monitorada
O ponto de virada começou com a implantação da telemetria, iniciada em 2023 de forma experimental e que deve atingir 100% da frota até 2026. Hoje, mais de 240 equipamentos já são monitorados em tempo real.
O impacto é direto: os apontamentos operacionais saltaram de 348 mil para mais de 1,4 milhão por safra. Com isso, a usina passou a enxergar com precisão o desempenho de cada máquina, operador e etapa do processo.
“Não se gerencia o que não se mede”, destacou Roderick, ao reforçar a cul-
tura orientada por dados implantada na companhia.
Eficiência operacional e redução de desperdícios
Com o uso de inteligência analítica, a Santo Antônio conseguiu:
• Aumentar as horas produtivas da frota
• Elevar o volume transportado por caminhões, tratores e colhedoras
• Reduzir em 50% o tempo ocioso de equipamentos
• Identificar gargalos operacionais, como espera por caminhões
Um dos resultados mais expressivos foi a eliminação de 22 equipamentos da operação, gerando economia de aproximadamente 285 mil litros de diesel em uma única safra — além da
otimização da mão de obra, com realocação de equipes.
Rotas inteligentes e decisão em tempo real
Outro avanço importante está na automação das rotas. Antes feitas manualmente, agora são geradas automaticamente a partir do trajeto do melhor operador, replicadas para toda a frota.
O sistema também permite alertas colaborativos em tempo real — como riscos na estrada ou falhas no percurso — aumentando a segurança e a eficiência logística.
Mecanização em avanço e futuro digital
A tecnologia também tem sido fundamental para acelerar a mecanização.
A usina saiu de 1% de colheita mecanizada para 18% em poucas safras, com meta de atingir 40% no próximo ciclo.
A Santo Antônio mostra que é possível fazer mais com menos — mesmo em ambientes desafiadores.
HidroVapor amplia estrutura, reforça estoque estratégico e avança em certificações globais
Com a aproximação da safra 2026/27, o setor bioenergético entra em um dos momentos mais críticos do seu ciclo operacional: a entressafra. É nesse período que as manutenções preventivas ganham protagonismo e passam a determinar diretamente a eficiência, a confiabilidade e os resultados da produção ao longo do ano.
Inserida nesse contexto, a HidroVapor, com sede em Sertãozinho (SP), anunciou um movimento estruturado de expansão com foco em atender à crescente demanda por serviços e componentes críticos no setor industrial.
A empresa ampliou
sua área construída de 4.700 m² para 9.500 m², dobrando sua capacidade operacional. A expansão foi acompanhada pelo fortalecimento do estoque de válvulas a pronta entrega, estratégia que busca reduzir riscos associados a prazos de fornecimento e garantir maior previsibilidade às operações industriais, especialmente durante a safra.
Segundo a empresa, o movimento responde a uma necessidade crescente do setor por maior confia-
bilidade operacional. “Hoje, a entressafra deixou de ser apenas um período de manutenção e passou a ser uma etapa estratégica. O cliente precisa de previsibilidade, e isso envolve acesso rápido a componentes críticos e serviços especializados”, afirma a direção da HidroVapor. Outro avanço relevante está na consolidação de padrões técnicos e de gestão. A empresa passou a operar com certificações internacionais reconhecidas, como ISO 9001, ISO 14001 e ISO 45001, além da conquista do CRC Petrobras, credenciamento que atesta sua conformidade para fornecimento em projetos de maior complexidade no país. A estrutura ampliada também reforça a capacidade de atendimento técnico, com atuação em manutenção, recuperação, calibração e testes de válvulas industriais — incluindo válvulas de controle, bloqueio, segurança e alívio, além de sistemas auxiliares como purgadores, atuadores pneumáticos e
instrumentação. O movimento acompanha uma tendência do setor: a busca por maior previsibilidade e redução de riscos operacionais. Nesse cenário, o planejamento antecipado e o acesso a fornecedores estruturados tornam-se fatores decisivos para o desempenho industrial.
Santa Maria foca 3 milhões de toneladas e consolida protagonismo no Nordeste
Com R$ 350 milhões investidos em cinco anos, usina baiana combina eficiência industrial, revolução agrícola e impacto social para se firmar entre os líderes do setor bioenergético
A Usina Santa Maria, pertencente ao Grupo São Luiz e localizada em Medeiros Neto (BA), vive um dos momentos mais expressivos de sua trajetória. Após um ciclo consistente de investimentos superiores a R$ 350 milhões nos últimos cinco anos, a unidade se posiciona hoje como um dos principais players do setor sucroenergético do Nordeste, com indicadores de desempenho que refletem
lhões de toneladas de cana processadas por safra em um horizonte de 4 anos. A evolução da moagem revela a consistência desse crescimento. Em um intervalo de cinco safras, a Santa Maria saiu de um patamar próximo de 1,7 milhão de toneladas para atingir 2,47 milhões na safra 2025/26. Para o ciclo 2026/27, a projeção é de 2,6 milhões
um avanço estruturado e sustentável. O reconhecimento veio também em nível regional: na edição 2026 do MasterCana Norte-Nordeste, a usina foi premiada na categoria Estratégia Empresarial – Performance, consolidando uma trajetória marcada por planejamento, execução e resultados. Esse novo patamar é resultado direto de um conjunto de ações integradas que envolvem desde a modernização industrial até a transformação do campo. O principal objetivo é claro: alcançar a marca histórica de 3 mi-
de toneladas, consolidando uma curva ascendente baseada em ganhos de eficiência e ampliação de capacidade. Mais do que crescer em volume, a estratégia da usina tem sido aprimorar a velocidade e a qualidade do processamento. Para isso, a área industrial passou por uma série de intervenções estruturais.
Gigante energética: potência de 70 MW
Entre os principais avanços está a modernização completa do sistema de recepção de cana, eliminando gargalos logísticos e garantindo maior fluidez na entrada de matéria-prima. No preparo e moagem, houve aumento significativo de potência, permitindo maior capacidade horária e operação contínua. Também registramos um upgrade na geração de vapor, assegurando estabilidade energética para os processos industriais. Destaca-se também a implantação da fábrica de açúcar, que aliada à implementação da nova Unidade Termelétrica (UTE) representa um divisor de águas. Com capacidade instalada de 70 MW, a Santa Maria não apenas atende integralmente sua demanda interna, como também se consolida como fornecedora relevante de energia limpa para o sistema elétrico nacional. Com capacidade instalada de 70 MW, a Santa Maria não apenas atende integralmente sua demanda interna, como também se consolida como fornecedora relevante de energia limpa para o sistema elétrico nacional. No campo, a transformação foi igualmente profunda. A adoção de tecnologias de precisão elevou o nível de controle e produtividade das operações agrícolas. Sistemas de aplicação localizada de vinhaça passaram a otimizar a nutrição do solo, reduzindo a dependência de fertilizantes químicos e promovendo
ganhos ambientais e econômicos. A modernização da frota, com máquinas equipadas com telemetria e GPS, trouxe mais eficiência às operações, enquanto a introdução de novas variedades de cana, adaptadas às condições do extremo sul baiano, ampliou o potencial de ATR (Açúcar Total Recuperável).
Legado social: PEA e PDR-USM
O crescimento da Santa Maria também é acompanhado por um forte compromisso socioambiental. O PEA - Programa de Educação Ambiental desenvolvido pela Usina Santa Maria, prevê a contínua formação de colaboradores, ações de reflorestamento e recuperação da Mata Atlântica, reciclagem de materiais, entre outros conjuntos de ações, que reforçam a sustentabilidade das operações. Já o Programa de Desenvolvimento Regional da Usina Santa Maria (PDR-USM) atua diretamente na qualificação de mão de obra e em iniciativas nas áreas de educação e saúde, fortalecendo a relação com as comunidades locais.
Aos que são assistidos pelo Programa, a Usina proporciona a participação em feiras de desenvolvimento. Pioneiro na introdução da cultura da cana-de-açúcar no extremo sul da Bahia, o Grupo São Luiz desempenha papel fundamental na transformação econômica da região. Atualmente, são cerca de 3 mil empregos diretos e outros 5 mil indiretos, além da significativa geração de tributos. Outro movimento estratégico em curso é o processo de sucessão e profissionalização da gestão.
O fundador do grupo, Luiz Carlos Queiroga, conduz a transição para a nova geração ao mesmo tempo em que implementa práticas corporativas com foco em governança, eficiência e tomada de decisão orientada por dados. Esse conjunto de fatores posiciona a Usina Santa Maria não apenas como uma operação em expansão, mas como um modelo de gestão e inovação no setor bioenergético nordestino — preparada para sustentar seu crescimento e ampliar sua relevância nos próximos anos.
Diretoria da Usina Santa Maria: André Queiroga, Luiz Carlos Queiroga, Cláudia Queiroga e Sérgio Queiroga.
O fim das oscilações: como a Usina Coruripe transformou vapor em performance
No UAPNE26 – Congresso Usinas de Alta Performance Nordeste, o painel “Otimização & Excelência Industrial” trouxe um case direto da prática que mostra como a tecnologia pode redefinir a eficiência energética nas usinas.
À frente da apresentação, Arthur Moraes, Coordenador de Mecânica Industrial da Usina Coruripe Matriz, revelou como a unidade avançou no controle de vapor e energia com o uso da ferramenta de otimização em tempo real.
Para Moraes, a Usina, que tem como parte de sua cultura a segurança das pessoas, segurança patrimonial e segurança de processos, encontrou no S-PAA, desenvolvido pela Soteica do Brasil, uma ferramenta que se alinha bem ao objetivo de melhoria contínua da empresa.
A implantação do sistema teve como foco o coração energé-
tico da usina: a geração de vapor e a cogeração de energia. Com atuação em pontos críticos — como rebaixamentos de pressão, controle de superaquecimento e operação de turbogeradores — o S-PAA passou a operar
em malha fechada. Antecipando decisões e reduzindo a dependência das atuações humanas na operação, que naturalmente são mais lentas do que da tecnologia de operação em tempo real.
Estabilidade do vapor
Segundo Moraes, o grande desafio não era apenas atingir picos de performance, mas elevar o “piso” operacional da planta. “Toda usina sabe onde pode chegar. O difícil é manter esse nível de forma constante”, destacou. Nesse contexto, o S-PAA se mostrou decisivo ao reduzir oscilações e aproximar a operação real média diária do potencial máximo da unidade.Os resultados apareceram principalmente na estabilidade do vapor, variável crítica para toda a planta industrial. Com a ferramenta, houve uma redução significativa nos desvios de pressão, níveis de caldeira e demais indicadores operacionais. Esse ganho impactou diretamente a cogeração. Eliminando oscilações frequentes entre carga de geradores e pressão de vapor — um problema comum em operações convencionais.
O“robozinho” que virou protagonista na
Usina JB amplia exportação de energia
Usina pernambucana investe em sistema de otimização em tempo real
A Usina JB, localizada em Vitória de Santo Antão - Pernambuco, registrou avanço significativo na exportação de energia após a implantação de um sistema de otimização em tempo real. Com ganhos concretos no balanço térmico e maior eficiência no uso do vapor, a unidade ampliou sua capacidade de gerar e exportar energia — resultado que coloca a usina em um novo patamar de competitividade no setor sucroenergético e demonstra como a tecnologia pode transformar a gestão industrial de forma objetiva e mensurável.
O responsável por essa virada foi o S-PAA, sistema desenvolvido pela Soteica do Brasil e implementado na JB em outubro de 2025, já no início da safra nordestina. Com uma missão clara — otimizar o balanço térmico da planta, melhorar a gestão do vapor nos processos industriais e aumentar a energia exportada —, o sistema entrou em operação integrando caldeiras, geradores e vapor de processo. A partir daí, passou a atuar como um cérebro operacional, tomando decisões em tempo real para equilibrar demanda e oferta de energia térmica com máxima eficiência, sem intervenção manual constante da equipe de operação.
Para o diretor industrial da Usina JB, Antônio Gonçalo, a experiência foi direta ao ponto: “Foi positiva”. Sem rodeios, ele destaca que os resultados apareceram rapidamente e abriram caminho para novos avanços. “Estamos satisfeitos e com a intenção de ampliar para outros laços. É uma
tecnologia que não tem para trás, só evolui”, afirma. A avaliação reflete não apenas os números, mas a mudança de cultura operacional que a ferramenta proporcionou dentro da usina.
Douglas Mariani, PhD e Head de Desenvolvimento e Implementação da Soteica do Brasil, explica que o S-PAA foi desenhado para enxergar a planta como um todo integrado, e
não como um conjunto de equipamentos isolados. “O controle considerava todo o balanço térmico, desde a produção nas caldeiras até o consumo de vapor na fábrica e na destilaria. O objetivo era melhorar o uso do vapor e aumentar a exportação de energia — e ambos foram alcançados com êxito”, destaca.
Dando conta do recado
Mais do que tecnologia, o sucesso da implementação passou pelo fator humano.
A equipe da usina foi treinada e participou ativamente de todas as etapas do processo, o que garantiu aderência, segurança operacional e domínio real da ferramenta no dia a dia. “A equipe foi bastante alinhada no desenvolvimento do projeto, e isso foi fundamental para automatizar o processo com segurança”, reforça Mariani.
Mas talvez o maior sinal de aceitação esteja no apelido carinhoso que surgiu espontaneamente no chão de fábrica: o S-PAA virou o “robozinho”. A brincadeira entre os colaboradores revela, ao mesmo tempo, familiaridade e confiança no sistema. “Quando algo acontece, o pessoal diz: ‘não fui eu, foi o robô’”, conta Gonçalo, em tom bem-humorado. Por trás da descontração, há resultados concretos e consistentes — o “robozinho”, como dizem os operadores, “está dando o recado”.
Otimização
em tempo real
A experiência da Usina JB sinaliza um movimento mais amplo no setor bioenergético: a adoção de sistemas inteligentes de otimização em tempo real como ferramenta estratégica para ganho de eficiência, redução de custos e aumento de competitividade. Com planos de expandir o S-PAA para novos laços operacionais, a JB não enxerga a implementação como projeto pontual, mas como o primeiro passo concreto de uma estratégia de automação progressiva e consistente.
“Estamos satisfeitos e com a intenção de ampliar para outros laços”, destaca o diretor Antônio Gonçalo
Angelo Barbosa, Josias Messias, Antônio Gonçalo e Douglas Mariani
Gestão inteligente destrava gargalos na Usina São José do Pinheiro (USJP)
A Usina São José do Pinheiro (USJP) apresentou durante o Congresso UAPNE sua jornada de evolução, destacando o papel estratégico da automação e da identificação precisa de gargalos no aumento da eficiência operacional.
Durante a apresentação, o gerente industrial Eduardo Saldanha destacou a ampliação dos laços de controle e a análise contínua do balanço de massa e energia. Segundo ele, o maior ganho não foi apenas a repetibilidade dos processos, mas a capacidade de identificar limitações estruturais da planta e direcionar melhorias assertivas.
Na sequência, o engenheiro químico Marcos Chagas detalhou como o sistema de automação (S-PAA) revelou restrições críticas na operação. Especialmente na moagem e no fluxo de processo. Entre os principais desafios estavam o excesso de nível nos tanques, limita-
ções no abastecimento da moenda e baixa eficiência na evaporação.A partir dessas análises, a usina adotou solu-
ções pontuais, como a repotenciação da turbina do picador, a instalação de turbofiltro para redução de impurezas
no caldo e melhorias no sistema de evaporação com uso de hidrojato. As ações resultaram em ganhos relevantes, como aumento de vazão, redução no consumo de insumos químicos e maior estabilidade operacional.
Números expressivos
Os impactos também foram expressivos nos indicadores industriais. A unidade registrou aumento de 5,7% na média horária de moagem, redução de 50% nas paradas por fábrica cheia e elevação do tempo industrial aproveitado para 95,62%.Outro destaque foi a ampliação dos laços automatizados em diferentes etapas do processo, incluindo moenda, tratamento de caldo, evaporação, utilidades e destilaria. Com dashboards online e monitoramento em tempo real, a usina passou a tomar decisões mais rápidas e assertivas.
“Experiência
Gestão de Manutenção de Alta Performance para migrar do modelo reativo para o proativo, focando na confiabilidade dos ativos. Utilizando metodologias como FMEA, PDCA e Matriz de Riscos, a estratégia prioriza o monitoramento preditivo, planos de lubrificação e suporte técnico direto às equipes, visando o sucesso do Planejamento de Entressafra e a melhoria contínua dos processos industriais. www.bppconsultoriaind.com
BPP Consultoria em Manutenção Industrial
Hugo Cagno Filho é nomeado Presidente de Honra da 32ª Fenasucro & Agrocana
Avaliar a viabilidade Reconhecimento
destaca a liderança do empresário à frente da UDOP
O engenheiro agrônomo e presidente da União Nacional da Bioenergia (UDOP), Hugo Cagno Filho é o Presidente de Honra da 32ª Fenasucro & Agrocana, que será realizada de 11 a 14 de agosto de 2026, em Sertãozinho (SP).
A iniciativa é da RX Brasil, organizadora do evento, em parceria com o Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e de Biocombustíveis (CEISE Br).
Segundo Paulo Montabone, diretor da Fenasucro & Agrocana, a escolha de Hugo Cagno Filho reforça sua trajetória de liderança e a relevância para o fortalecimento da cadeia bioenergética. Natural de Ribeirão Preto (SP), Hugo Cagno Filho é diretor-executivo da Usina Vertente/Tereos e dire-
tor-executivo do Grupo Humus, um dos mais tradicionais fornecedores de cana do estado de São Paulo.
“Recebo essa homenagem com muita honra e gratidão. Trata-se da maior feira de bioenergia do mundo, um es-
paço que simboliza a força, a inovação e a capacidade de transformação do nosso setor”, afirma Cagno Filho.
Hugo Cagno Filho e Paulo Montabone, diretor da Fenasucro & Agrocana (Imagem: Divulgação)
Principal feira de tecnologia para o agro, Agrishow reúne mais de 800 marcas
Realizado em
Ribeirão Preto, evento transforma o município em um hub de negócios e geração de oportunidades para o setor
Em uma área de 520 mil metros quadrados, a Agrishow, principal feira de tecnologia para o agronegócio da América Latina, reúne mais de 800 marcas de empresas nacionais e internacionais entre os dias 27 de abril e 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP). O município é transformado em um verdadeiro hub de negócios, relacionamento e geração de oportunidades para o setor.
Etanol
Para este ano, a expectativa é receber mais de 197 mil visitantes qualificados, vindos de todo o Brasil e de mais
agronegócio. Entre os destaques, estão máquinas e equipamentos que trazem soluções que conectam produtivida-
de 50 países, que poderão ver de perto o que há de mais tecnológico para o
de, sustentabilidade e rentabilidade no campo para todos os perfis de pro-
priedades, contemplando desde agricultores familiares até grandes players. “Mais do que acompanhar a evolução do setor, a Agrishow se tornou um ponto de encontro estratégico para quem produz, investe e desenvolve o agronegócio.
Ao longo dos dias da feira, percebemos na prática como as inovações, o conhecimento e o relacionamento impulsionam os resultados positivos no campo e projetam o agronegócio brasileiro para o mundo. Por isso, estamos contando com muitas novidades”, afirma
João Marchesan, presidente da Agrishow.
entra no centro de discussões da feira
O cenário internacional, marcado por tensões no Oriente Médio, recolocou o etanol no centro das discussões também na Agrishow.
Segundo o presidente da feira, João Carlos Marchesan, o Brasil ainda depende da importação de diesel, o que amplia a exposição do produtor às oscilações externas.
“Temos agricultores usando biodiesel quase puro em tratores e caminhões. Estamos em busca de alternativas para motores que independam do petróleo”, afirmou ele para o portal Cano-
este.
Para o presidente de honra da Agrishow, Maurílio Biagi, o momento remete a ciclos históricos do setor energético brasileiro e abre espaço para a consolidação do etanol.
“É um grande momento para o etanol. Ele tem um espaço enorme na matriz energética
brasileira, já representa quase metade dos combustíveis líquidos. Esse cenário está trazendo de volta um período muito especial para o setor”, disse. Biagi também destacou o avanço do etanol de milho e a ampliação das usinas flex, que combinam cana-de-açúcar e milho na produção, além da evolução das máquinas agrícolas movidas a biocombustíveis.
Custos, fertilizantes e crédito pressionam o produtor
Além dos combustíveis, o aumento dos custos com fertilizantes também foi apontado como fator de atenção para o produtor rural. A combinação de insumos mais caros e juros elevados tem exigido maior efi-
ciência nas decisões de investimento. Marchesan ressaltou que a taxa básica de juros segue como um dos principais entraves para o setor e afirmou que há discussões com o governo federal para a construção do novo Plano Safra, com foco em crédito para investimentos.
Congresso UAPNE aponta caminhos para a “safra da superação” em Recife
Evento reuniu executivos de usinas, especialistas técnicos e lideranças institucionais para discutir mecanização, inovação industrial e competitividade do setor
No dia 19 de março, Recife foi palco de um dos principais encontros do setor sucroenergético do Norte-Nordeste. O Congresso UAPNE 2026 — Usinas de Alta Performance Norte-Nordeste — reuniu, na sede da AFCP, executivos de usinas, especialistas técnicos e lideranças institucionais em torno de um desafio comum: ampliar a competitividade regional em um cenário desafiador, definido como a “safra da superação”.
Josias Messias, CEO da Pro Usinas, abriu o Congresso UAPNE destacando que o setor bioenergético do Nordeste enfrenta uma “tempestade perfeita”, marcada pela escassez de mão de obra e dificuldades na mecanização. Segundo ele, o momento atual exige uma superação disruptiva, pois as práticas tradicionais já não geram os resultados necessários. Para acelerar esse processo, Messias propõe a aplicação de três pilares da neurociência: a cognição integral (expor pessoas a novos ambientes que estimulem todos os sentidos), a ativação de habilidades e ideias, e o novo posicionamento estratégico para enfrentar o ciclo que se inicia.
O executivo enfatizou que o propósito do evento é utilizar o networking e o benchmarking como ferramentas práticas de transformação, citando o exemplo de uma usina que obteve ganhos de mais de R$ 2 milhões após uma única tarde de conexões no congresso.
No painel “Superação Agrícola”, a mecanização da colheita ganhou protagonismo como um dos principais
gargalos históricos do Nordeste. Hugo Cavalcante, do Grupo JB, abordou a busca por excelência operacional, enquanto Heleno de Barros, do Grupo EQM, provocou o público ao tratar do avanço da colheita mecanizada da cana inteira. A tecnologia também se destacou com o case da Central Açucareira Santo Antônio, apresentado por Roderick Alex Luna da Silva, evidenciando o uso crescente da inteligência artificial na gestão agrícola.
Já o painel “Superação Industrial” trouxe o avanço das biorrefinarias e da indústria 4.0. Fernando Giometti, da Fermentec, destacou o papel da biotecnologia, enquanto Lucas Amaro, da Agrovale, apresentou inovações no processo produtivo com ganhos de eficiência.
Soluções tecnológicas também foram abordadas por Nivaldo Carvalho, da Buchi, com o uso de NIR, e por Victor Hugo Silva, da Tebe Sensores, com sistemas de predição de falhas industriais.
No período da tarde, os debates avançaram para a otimização operacional. Douglas Mariani, da Soteica do Brasil, discutiu desafios regionais, enquanto representantes das usinas Coruripe e São José do Pinheiro apresentaram cases de eficiência e cogeração.
Antônio Carlos Gomes Ferreira
Júnior, da Veolia, destacou tecnologias voltadas à eficiência energética.O painel “Nova Geração — Projetando o Futuro do Setor” reuniu jovens lideranças, evidenciando a renovação no comando das usinas nordestinas e o protagonismo de uma nova geração mais conectada à inovação. Encerran-
do o congresso, o debate institucional abordou temas como financiamento, infraestrutura e logística.Com a participação de representantes do setor produtivo e do Banco do Nordeste, ficou evidente que a competitividade regional depende de maior integração entre usinas, crédito e infraestrutura.
Andrade
Alexandre Araujo de Morais
Lima, Presidente da AFCP
Roderick Alex Luna da Silva, Analista de Sistema na Central Açucareira Santo Antônio
Nivaldo Carvalho, Gerente de Vendas da Buchi
Douglas Mariani, Head de Desenvolvimento e Aplicação da Soteica do Brasil
Hugo Cavalcante, Superintendente Agrícola do Grupo JB
Victor Hugo Silva, Executivo de Contas da Tebe Sensores
Arthur André Cabral, Usina Coruripe
Kléber Albuquerque (São José Agroindustrial); Hugo Cavalcante (Grupo JB); Heleno de Barros (Grupo EQM) e Roderick Alex Luna da Silva (Central Açucareira Santo Antônio)
Heleno de Barros, Diretor Agrícola do Grupo EQM
Fernando Henrique Carvalho Giometti, Diretor de Transferência de Tecnologia da Fermentec
Lucas Amaro dos Santos, Gestor de Produção Industrial da Agrovale
Josias Messias, Fernando Henrique Carvalho Giometti (Fermentec); Lucas Amaro dos Santos (Agrovale); Nivaldo Carvalho (Buchi);Victor Hugo Silva (Tebe)
PAINEL SUPERAÇÃO AGRÍCOLA
PAINEL SUPERAÇÃO INDUSTRIAL
Eduardo Saldanha, Gerente Industrial, Usina São José do Pinheiro
Douglas Mariani (Soteica); Arthur Moraes (Usina Coruripe); Eduardo Saldanha (Usina São José do Pinheiro); Marcos Chagas (Usina São José do Pinheiro); Jansen de Sousa (JS Instruções Operacionais); Antônio Carlos Gomes Ferreira Júnior (Veolia)
Antônio Carlos Gomes Ferreira Júnior, Gerente Regional da Veolia
Carolina Maranhão Fernandes de Arruda, Diretora Estatutária e Acionista da Usina Santo Antônio
Renato Cunha, Presidente Executivo da NovaBio e Presidente do Sindaçúcar-PE
Joanna Costa, Diretora de Marketing, Eventos e Infraestrutura do Grupo EQM
Diogo Manoel de Sá, Banco do Nordeste
Josias Messias, André Meirelles (Usina União e Indústria), Carolina Maranhão Fernandes de Arruda (Usina Santo Antônio) e Joanna Costa (Grupo EQM)
Josias Messias, Renato Cunha, e Diogo Manoel de Sá do Banco do Nordeste
Marcos Chagas, Eng. Químico, Usina São José do Pinheiro
Jansen de Sousa, Diretor Técnico da JS Instruções Operacionais
André Meirelles, Purchasing Management na Usina União e Indústria
PAINEL OTIMIZAÇÃO & EXCELÊNCIA INDUSTRIAL
PAINEL NOVA GERAÇÃO – PROJETANDO O FUTURO
PAINEL DESAFIOS INSTITUCIONAIS E ESTRUTURAIS DO NE:
Luz, Cana e Superação: Nova geração pede passagem no MasterCana Norte-Nordeste
A festa do Oscar da bioenergia, realizada no mês de março em Recife, apresentou uma nova geração de lideranças do setor bioenergético da região
A cerimônia de premiação do MasterCana Norte-Nordeste apresentou uma nova geração de lideranças e executivos das usinas, algumas centenárias, que atuam no setor bioenergético na região. O evento movimentou Recife, no dia 19 de março, reunindo em um só local, lideranças já calejadas em enfrentar condições adversas, com uma
nova geração que mostra disposição para romper os desafios e fazer valer o tema do evento, que celebrou a “safra da superação”.
“O Nordeste valoriza sua essência, valoriza o passado e também o futuro. E esta celebração marca um momento
de reconhecimento daqueles que já tem uma história, aprenderam a superar desafios e que estão construindo um futuro deste setor tão importante para o país”, destacou Josias Messias, CEO da Pró Usinas JornalCana, na abertura da solenidade.
Para o presidente do Sindaçúcar PE e da NovaBio, Renato Cunha, a premiação da nova geração de dirigentes do setor, aos quais ele denominou de “acionistas operacionais”, foi uma das características inovadoras desta edição, unindo a sabedoria e experiência das lideranças tradicionais com a força e dinamismo dessa nova geração de executivos. Na premiação lideranças institucionais foram laureados os deputados Augusto Rodrigues Coutinho de Melo (Federal) e Antônio de Moraes Andrade Neto (Estadual). Na categoria Desenvolvimento Sustentável, o prêmio foi recebido pelo diretor de relações institucionais e governamentais José Humberto Cavalcante, que representou o Porto Suape. Na categoria Produtores de Cana, o prêmio foi recebido pelo diretor Luís Carlos Jatobá, do Grupo Jatobá. Confira nesta edição todos os premiados.
André Meirelles, Diogo Tavares de Melo, Joana Costa, Eduardo Cunha Pires, Bruna Farias, Gilberto Carvalho Tavares de Melo Filho, Carolina Maranhão e Ana Cecília B. Meirelles Mafra
LIDERANÇA INSTITUCIONAL Deputado Federal Augusto Rodrigues Coutinho de Melo
Renato Cunha, Presidente Executivo da NovaBio e Presidente do Sindaçúcar-PE colaborou na entrega dos troféus
LIDERANÇA INSTITUCIONAL Deputado Estadual Antônio de Moraes Andrade Neto DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Complexo Industrial Portuário de SuapeRepresentado pelo Diretor de Relações Institucionais e Governamentais, José Humberto Cavalcanti PRODUTORES
Guilherme Moroço, CEO da Drul, colaborou na entrega dos troféus
Delfino de Carvalho Filho, Assessor Técnico do SINDAÇÚCAR-PE
Djalma Euzébio Simões Neto, Presidente da Stab Setentrional
Alcoforado Cavalcanti, Superintendente Agrícola do Grupo JB
Emílio Celso Acioli de Moraes, vice-presidente da COAF, recebeu o troféu MCNE26 na sede da Usina
Luiz Eugênio Costa Cardoso, Gerente Agrícola da Usina Porto Rico
MAIS
André Meirelles, Purchasing Management na Usina União e Indústria
MAIS
Ana Cecília B. Meirelles Mafra, Diretora Jurídica e de RH na Usina União e Indústria MAIS
Bruna Farias, Diretora Executiva do Grupo Farias
Carolina Maranhão Fernandes de Arruda, Diretora Estatutária e Acionista da Usina Santo Antônio
MAIS
Diogo Tavares de Melo, CFO do Grupo Olho D’Água
Leonardo de Queiróz Monteiro,
Executivo do Grupo EQM
Eduardo de Queiroz Monteiro - Presidente do Grupo EQM, colaborou na entrega dos troféus
Guilherme Amuchastegui,
Sensores, colaborou na entrega dos troféus
ADMINISTRAÇÃO & FINANÇAS - GESTÃO
GRUPO FARIAS - Márcio Peixoto, CFO e Diretor Financeiro do Grupo Farias
PROGRAMAS DE QUALIDADE E PRODUTIVIDADE - GESTÃO
AGROVALE - Stefano Eduardo Soares de Moura, Supervisor de Qualidade e Melhoria Contínua
RECURSOS HUMANOS - GESTÃO
USINA UNIÃO E INDÚSTRIA - Ana Cecília B. Meirelles
Mafra; André Roberto Moraes, Diretora Jurídica e de RH; Gerente de RH na Usina União e Indústria
PROGRAMAS DE QUALIDADE E PRODUTIVIDADE - PERFORMANCE Cia. Usina São João - Emanuel Pinheiro, Superintendente Industrial
PRESERVAÇÃO AMBIENTAL – TECNOLOGIA & INOVAÇÃO AGROVALE - Wyara Cordeiro Valença Herculano, Coordenadora de Meio Ambiente
INDUSTRIAL - TECNOLOGIA & INOVAÇÃO GRUPO JB - Carlos Alberto Lacerda Beltrão, diretor
Ronivaldo Gomes de Abreu, Engenheiro Mecânico na HidroVapor, colaborou na entrega dos troféus
EFICIÊNCIA INDUSTRIAL - GESTÃO CENTRAL AÇUCAREIRA SANTO ANTÔNIO - Renata Maranhão, Diretora da Central Açucareira Santo Antônio
AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL - TECNOLOGIA & INOVAÇÃO
USINA SÃO JOSÉ - Adeilton José da Silva, Coordenador de Elétrica e Automação na São José Agroindustrial
EFICIÊNCIA INDUSTRIAL - TECNOLOGIA & INOVAÇÃO USINA SÃO JOSÉ DO PINHEIRO - Eduardo Jorge Maia Saldanha, Gerente Industrial da Usina São José do Pinheiro
PRODUÇÃO DE ETANOL - TECNOLOGIA & INOVAÇÃO
AGROVALE - Lucas Amaro dos Santos, Gestor de Produção Industrial
AUTOMOTIVA E LOGÍSTICA AGRÍCOLA - TECNOLOGIA & INOVAÇÃO CENTRAL AÇUCAREIRA SANTO ANTÔNIO - Marco
Antonio Cabral Maranhão
TOP MARCAS - OTIMIZAÇÃO DE OPERAÇÕES AGRÍCOLAS
AxiAgro - Angelo Barboza, Consultor de Negócios da Pró-Usinas Tecnologias
TOP MARCAS - COMERCIALIZAÇÃO DE ATIVOS AGROINDUSTRIAIS E-MACHINE - Milton Gomes, Executivo de Vendas
TOP MARCAS - SECADORES DE AÇÚCAR TRAVAGLINI - Renato Travaglini, diretor comercial
Douglas Mariani, head de desenvolvimento e aplicação da Soteica do Brasil, colaborou na entrega dos troféus
TOP MARCAS - TRATAMENTO DE ÁGUA, LABORATÓRIO E QUALIDADE INDUSTRIAL, ESPECIALIDADES QUÍMICAS
DRUL - Fernando Cassimiro, Cordenador de Vendas da Drul
TOP MARCAS - INSTRUMENTAÇÃO, MONITORAMENTO & MANUTENÇÃO INDUSTRIAL
TEBE SENSORES - Victor Hugo Silva, Executivo de Contas da Tebe Sensores
TOP MARCAS - CORRENTES INDUSTRIAIS
GENERAL CHAINS - Maria Aparecida Anselmo Dario, Supervisora Comercial - Luis Carlos Bróglio, Diretor Técnico Comercial - Nilton Cesar Campioni Moras, Técnico de Vendas
TOP MARCAS - PULVERIZAÇÃO
AGTECH - Djessica Matte, Diretora Executiva
TOP MARCAS - VÁLVULAS INDUSTRIAIS HIDROVAPOR - Ronivaldo Gomes de Abreu, Engenheiro Mecânico da Hidrovapor
TOP MARCAS - TRATAMENTO DE ÁGUA, ESPECIALIDADES QUÍMICAS VEOLIA Water Technologies & Solutions - Antônio Carlos Gomes Ferreira Júnior, Gerente Regional da Veolia
TOP MARCAS - APLICAÇÃO DE VINHAÇA NONINO - Mauro Sergio Nonino, Diretor Presidente
TOP MARCAS - CAL & CALCÁRIO MINERAÇÃO CAL TREVO - Welligton Bigi Santos, Gerente Comercial e Logística; Jailson de Resende Souza, Coordenador Comercial e Logística
Visita à AGTech agrotecnologia, empresa de São José do Rio Preto (SP), focada em agricultura de precisão que une inovação, produtividade e responsabilidade socioambiental para transformar o agro de forma sustentável.
A partir da esquerda: Edmilson Ruiz, gerente comercial e agronômico; Djessica Matte, diretora executiva; Sirlene Matte, diretora agronômica e de marketing; e Ingomar Matte, presidente; com Josias Messias e Marcelo Bento, da Pró-Usinas JornalCana
David Roger, diretor geral, e Felipe Rodrigues, gerente comercial da DRS Precisão na Agricultura, de Catanduva (SP)
Marcelo Bento, da Pró-Usinas JornalCana, e Rodrigo Bonato, vice-presidente de Vendas e Marketing para a América Latina da John Deere
2026
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13 E 14/MAI
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Calendário Completo
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Usina 4.0
• Antecipação do processo devido à matéria-prima. Interligação de bases agrícola e industrial
• Tomada de decisão global e não local
• PDCA on-line para a operação
• Dados do laboratório influenciando processo diretamente
• Sei a eficiência de meus equipamentos
• Meus stakeholders visualizam meus KPIs por diferentes formas