Skip to main content

JornalCana 361 (Fevereiro/Março 2026)

Page 1


Eficiência do Evaporador de Múltiplo Efeito

índice

ANÁLISES

Esta edição traz oito análises, publicada por ordem alfabética, escritas com exclusividade por empresários e especialistas. Confira:

Almir Torcato, diretor executivo da Canaoeste, escreve porque o cenário econômico e tributário exige estratégia do produtor rural 6

Ana Lúcia Chuina, CEO do Grupo Novo Milênio, escreve sobre o tema “Etanol: a oportunidade imediata que o Brasil precisa abraçar.” 8

O deputado federal Arnaldo Jardim destaca porque a base da Lei Combustível do Futuro já é realidade com o setor bioenergético. 10

Hudson Zanin, coordenador de Projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Unicamp, discorre sobre “Do biogás à eletricidade limpa de baixa pegada de carbono.”. 12

Rosana Amadeu presidente do CEISE-Br, enfatiza porque 2026 é ano de decisões estratégicas para o setor de bioenergia 16

Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, explica como as turbulências demandam atenção da agropecuária 17

Zilmar de Souza gerente de bioeletricidade da UNICA, chama a atenção para o corte ou redução de energia, adotados pelo gestor de energia, que, no caso da cogeração das usinas, impacta toda a atividade industrial 18

MERCADO

Tereos vende usina para o Grupo Viralcool. Com a aquisição, o tradicional Grupo Viralcool passa a controlar quatro usinas, todas no interior paulista 20

REPORTAGEM DA CAPA

A ascensão do etanol de milho 22 a 24

EVENTOS

BioMilho Brasil 2026

Cobertura do primeiro evento de imersão com foco no milho como fonte para produção de etanol 25 a 34

ATACBOL

O XIX Simpósio ATACBOL, realizado entre os dias 29 e 30 de janeiro na Bolívia, consolidou-se como um dos principais fóruns técnicos da cadeia bioenergética na América Latina 34

“O que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente diz ao Senhor: Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu, em quem confio”

Salmos 91:1,2

ISSN 1807-0264

+55 16 99635-3205

COMITÊ DE GESTÃO

Presidente Josias Messias josiasmessias@procana.com.br

Ribeirão Preto | SP | Brasil atendimento@procana.com.br Lucas Messias Mateus Messias João Pedro Messias presidente@procana.com.br

NOSSA MISSÃO

“Desenvolver o agronegócio bioenergético, disseminando conhecimentos, estreitando relacionamentos e gerando negócios sustentáveis”

MÍDIA IMPRESSA

DIGITAL

carta ao leitor

Delcy Mac Cruz - redacao@procana.com.br

O avanço do etanol de milho

O emprego do milho como matéria-prima do etanol já é tradição no setor bioenergético. Usinas pioneiras, como a Usimat, já usavam o cereal para fazer o biocombustível há mais de 12 anos, como destaca reportagem especial dessa edição sobre o grão. Assim como a Usimat, muitas das produtoras de etanol a partir do milho estão localizadas no Mato Grosso, estado que se tornou líder do setor, também por conta de deter a oferta da matéria-prima. O Centro-Oeste segue na liderança do ranking de etanol feito de milho, mas os empreendimentos se espalham por vários estados. E fazem com que o grão, ao lado da tradicional cana-de-açúcar e de fontes como o sorgo e o trigo, turbine a expansão produtiva do biocombustível no país. Em sintonia com essa tendência, a Pró-Usinas, a qual o JornalCana pertence, sai na frente e realiza o BioMilho Brasil 2026, primeiro evento técnico de imersão com temas correlatos como as usinas flex, que devem avançar no setor. A cobertura completa do BioMilho Brasil está nesta edição, assim como a editoria Análise que publica, em ordem alfabética de prenomes, artigos de oito especialistas em temas direta e indiretamente focados em bioenergia. Um deles é o CEO da Pró-Usinas, Josias Messias, cujo tema, “Cana & Milho – Risco ou Oportunidade?”, integra um resumo das conclusões do BioMilho. Outros especialistas participantes dessa edição: Almir Torcato, diretor executivo da Canaoeste, escreve porque o cenário econômico e tributário exige estratégia do produtor rural; enquanto Ana Lúcia Chuina, CEO do Grupo Novo Milênio, escreve sobre o tema “Etanol: a oportunidade imediata que o Brasil precisa abraçar.” Por sua vez, o deputado federal Arnaldo Jardim destaca, em seu artigo, porque a base da Lei Combustível do Futuro já é realidade com o setor bioenergético. Hudson Zanin, coordenador de Projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Unicamp, enfatiza, em seu texto, o tema “Do biogás à eletricidade limpa de baixa pegada de carbono.” Já Rosana Amadeu, presidente do CEISE-Br, enfatiza porque 2026 é ano de decisões estratégicas para o setor de bioenergia. Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, explica, em artigo, como as turbulências demandam atenção da agropecuária. Zilmar de Souza, gerente de bioeletricidade da UNICA, chama a atenção para uma questão que se tem tornado recorrente: o corte temporário de geração de energia. É uma decisão do gestor público de energia, mas que, no caso da cogeração das usinas, a redução ou paralisação impacta toda a atividade industrial. Não é só. A presente edição do JornalCana traz a cobertura do XIX Simpósio ATACBOL, realizado em janeiro na Bolívia, um dos principais fóruns técnicos da cadeia bioenergética na América Latina. Destacamos, também, a venda da Unidade Andrade da Tereos para o tradicional Grupo Viralcool, que passa a controlar quatro usinas no interior paulista. A negociação foi a primeira registrada no setor em 2026, que promete ser ano de decisões estratégicas, como relata Rosana Amadeu em seu artigo, mas também, de superação pelas usinas da região Centro-Sul, que se preparam para iniciara safra 2026-27, e pelas do Norte e Nordeste, que oficialmente começam o ciclo em setembro próximo.

Boa leitura.

EQUIPE

Editor Delcy Mac Cruz - (16) 9 9618.1901

Repórter Joacir Gonçalves redacao@procana.com.br

Produtos Digitais & TI Alessandro Reis - (48) 9 2000.4934 editoria@procana.com.br

Diagramação Rafael Vinicius - (16) 9 81236620 diagramacao@procana.com.br

Atendimento Mídias & Eventos

Ana Alice dos Santos - (16) 9 8102.5222 marketing@procana.com.br

Marcelo Bento - (16) 9 9779.3967 marketing2@procana.com.br

Assinaturas & Exemplares

+55 16 99635-3205 atendimento@procana.com.br www.procanaloja.com.br

Financeiro Renata Macena financeiro@procana.com.br

Artigos assinados (inclusive os da seções Negócios & Oportunidades e Vitrine) refletem o ponto de vista dos autores (ou das empresas citadas). Jornal Cana: direitos autorais e comerciais reservados. É proibida reprodução, total ou parcial, distribuição ou disponibilização pública, por qualquer meio ou processo, sem autorização expressa. A violação dos direitos autorais é punível como crime (art. 184 e parágrafos, do Código Penal) com pena de prisão e multa; conjuntamente com busca e apreensão e indenização diversas (artigos 122, 123, 124, 126 da Lei 5.988 de 14/12/1973).

Cenário econômico e tributário exige estratégia do produtor rural

Planejamento financeiro e organização fiscal ganham peso em um ciclo mais desafiador

O produtor rural brasileiro passa a operar em um ambiente que exige maior racionalidade e responsabilidade na tomada de decisões. A combinação de juros elevados, crédito mais restrito e instabilidade financeira reduz a margem de erro e torna mais visíveis as consequências de escolhas mal calibradas. Ao mesmo tempo, mudanças estruturais passam a impactar diretamente a rotina do campo, exigindo planejamento consistente, disciplina gerencial e visão de médio prazo.

Mesmo com sinais de desaceleração em setores ligados ao consumo e à indústria, o agronegócio continua exercendo papel central na sustentação da atividade econômica do país. Essa posição, no entanto, não representa conforto. Ao contrário, amplia a necessidade de eficiência e controle, já que o ambiente atual é menos tolerante a improvisações e decisões tomadas sem base técnica. A resiliência do setor precisa caminhar junto com uma gestão cada vez mais profissional e alinhada à realidade financeira do momento.

No setor sucroenergético, os desafios se tornam ainda mais evidentes. Oscilações climáticas recentes impactaram a produtividade em algumas regiões, reduziram a diluição de custos e pressionaram resultados.

Paralelamente, o aumento do custo do capital passou a influenciar de forma mais direta o desempenho financeiro das operações. Diferentemente de ciclos anteriores, o setor chega a este momento menos estruturado do ponto de vista financeiro, com endividamento mais alongado, porém inserido em um ambiente de crédito mais caro, seletivo e com menor acesso a instrumentos de financiamento de baixo custo, o que amplia a necessidade de disciplina e gestão rigorosa.

A elevação dos juros escancarou diferenças importantes entre os modelos de negócio adotados pelos produtores. Há aqueles que historicamente operam com baixa ou nenhuma alavancagem, priorizando crescimento orgânico e preservação patrimonial. Há também produtores que utilizam a alavancagem como estratégia deliberada de expansão, aquisição de áreas e ganho de escala. Ambos os modelos existem, mas o ambiente atual torna os riscos muito mais evidentes quando a alavancagem não vem acompanhada de controle rigoroso de custos, gestão de caixa e planejamento financeiro estruturado. É nesse ponto que reside um dos maiores riscos do ciclo atual.

Nesse contexto, conhecer a estrutura de custos, revisar compromissos financeiros e preservar liquidez deixam de ser recomendações genéricas e passam a ser condições básicas de sustentabilidade. A gestão financeira deixa de ser apenas apoio administrativo e assume papel estratégico, pois decisões equivocadas em um cenário de juros elevados comprometem rapidamente a operação e limitam a capacidade de atravessar períodos adversos.

Essa realidade dialoga diretamente com a dinâmica de preços e comercialização. No açúcar, estratégias de fixação antecipada ajudaram a atravessar momentos de ajuste de mercado com maior proteção de margens, reforçando a importância do planejamento comercial alinhado ao custo

de produção.

No etanol, a formação de preços segue condicionada ao consumo interno, à concorrência com outros combustíveis e aos custos operacionais, exigindo acompanhamento permanente e decisões baseadas em informação qualificada.

A integração entre produtividade, custos e estratégia comercial torna-se indispensável. A gestão de risco deixa de ser pontual e passa a ocupar o centro da estratégia do negócio. O produtor que domina seus números, protege parte da receita e adota decisões alinhadas à realidade financeira reduz a exposição à volatilidade e ganha previsibilidade para planejar investimentos e atravessar ciclos mais desafiadores.

Paralelamente, a transição para o novo sistema tributário adiciona complexidade à gestão rural. A partir de 2026, procedimentos fiscais, identificação cadastral e emissão de documentos exigirão maior atenção, mesmo antes da plena incidência dos novos tributos. Trata-se de uma mudança que vai além da contabilidade e alcança contratos, estruturas operacionais e o relacionamento com compradores. Nesse contexto, merece atenção especial o impacto do novo regime tributário sobre negócios de arrendamento de áreas e sobre os recebíveis associados a esses contratos. Dependendo do enquadramento adotado, a carga tributária e a forma de apropriação de créditos podem alterar de maneira significativa a rentabilidade dessas

operações. O planejamento tributário acompanhado, técnico e integrado à gestão financeira deixa de ser opcional e passa a ser essencial.

A organização cadastral e documental, portanto, passa a integrar o núcleo da gestão rural. Avaliar faturamento, compreender o perfil dos adquirentes, revisar contratos e analisar as implicações do enquadramento tributário são etapas fundamentais para preservar competitividade e segurança jurídica ao longo da transição.

O período de adaptação deve ser encarado como uma fase decisiva de preparação. Ajustar processos, alinhar-se com contadores, associações, cooperativas e compradores e antecipar decisões reduz riscos e evita correções feitas sob pressão.

O produtor rural brasileiro já demonstrou capacidade de adaptação em diferentes ciclos econômicos. O momento atual reforça que essa adaptação passa, cada vez mais, pela profissionalização da gestão. Monitorar indicadores, estruturar a área financeira e organizar a base fiscal não são mais diferenciais, mas requisitos para a sustentabilidade do negócio.

Mesmo em um ambiente mais exigente, o setor segue forte. Quem atua de forma integrada estará mais bem posicionado para sustentar resultados, investir com segurança e preservar competitividade no longo prazo.

*Diretor executivo daAssociação dos Plantadores de Cana do Oeste do EstadodeSãoPaulo(Canaoeste)

Etanol: a oportunidade imediata que o Brasil inteiro precisa abraçar

O Brasil consolidou-se como uma potência global em biocombustíveis, com a maior frota flex do planeta e uma cadeia sucroenergética estruturada, sustentável e altamente competitiva. Esse conjunto de atributos coloca o país em posição privilegiada no cenário da transição energética.

No entanto, quando se observa o consumo interno de etanol, ainda existe um descompasso evidente entre o potencial nacional e o comportamento do consumidor, uma lacuna que o setor pode e deve transformar em oportunidade imediata.

Atualmente, cerca de 80% da frota brasileira possui tecnologia flex, mas apenas uma parcela desses motoristas abastece com etanol.

Estimativas indicam que pouco mais de 30% optam pelo combustível renovável, número muito inferior ao que o país poderia alcançar.

A consequência é clara, deixa-se de aproveitar um dos instrumentos mais eficientes, rápidos e acessíveis para reduzir emissões, fortalecer a indústria nacional e ampliar o impacto socioeconômico do setor sucroenergético.

Embora seja um combustível renovável, limpo e produzido integralmente no Brasil, o etanol ainda enfrenta barreiras que não são tecnológicas. O desafio está na informação e na percepção. Boa parte dos consumidores desconhece a regra básica de competitividade, o etanol torna-se mais vantajoso quando está abaixo de 70% do preço da gasolina, e muitos não sabem que o biocombustível reduz emissões de gases de efeito estufa em até 61% em relação ao combustível fóssil, além de diminuir poluentes que afetam diretamente a saúde da população.

Uma comunicação mais estruturada, contínua e coordenada entre usinas, distribuidoras, postos e entidades representativas é essencial para ampliar o entendimento do consumidor e fortalecer a escolha pelo etanol.

A oportunidade econômica é igualmente expressiva.

gera cerca de 850 mil m³ de demanda nova.

Um avanço de apenas 10 pontos percentuais representaria cerca de 8,5 milhões de m³ adicionais, um impacto direto sobre o faturamento do setor, sobre o emprego no campo e na indústria e sobre a pauta ambiental brasileira. É crescimento real, rápido e amplamente viável.

Os exemplos regionais tornam essa viabilidade ainda mais evidente.

Estados como São Paulo e Mato Grosso, onde o etanol já tem participação elevada, demonstram que quando há preço competitivo, oferta regular e comunicação efetiva, o consumidor adere.

O comportamento de mercado nesses estados comprova que o Brasil tem total capacidade de ampliar o consumo interno de forma consistente, desde que haja alinhamento estratégico.

Enquanto isso, o setor sucroenergético segue desenvolvendo projetos

estruturantes de grande porte que certamente transformarão o futuro da bioenergia, como a produção de SAF (combustível sustentável de aviação) e o abastecimento marítimo com etanol. São frentes de enorme potencial, mas ainda dependentes de marcos regulatórios, certificações e ampliações tecnológicas antes de alcançarem escala plena.

Por isso, enquanto o futuro se consolida, existe uma agenda imediata totalmente ao alcance do setor, que precisa ser priorizada, que é estimular o consumo interno de etanol. Esse movimento envolve comunicar de forma massiva os benefícios econômicos, ambientais e sanitários do biocombustível, fortalecer as ações de orientação ao consumidor, apoiar a evolução da mistura da gasolina como a transição do E30 para o E35 e promover uma narrativa conjunta e alinhada, com a participação ativa de todos os elos da cadeia.

Promover o etanol hoje não é apenas uma estratégia comercial: é uma decisão de desenvolvimento sustentável alinhada às metas climáticas, à competitividade industrial e ao protagonismo energético do Brasil no cenário global.

O país já dispõe da tecnologia, da frota, da produção e da infraestrutura necessárias. Falta apenas transformar potência em movimento.

O futuro aponta para novas fronteiras, mas o presente já oferece uma oportunidade concreta e de impacto imediato.

Mobilizar o consumidor, informar e dar visibilidade às vantagens do etanol é permitir que o Brasil colha agora os benefícios de um biocombustível que une eficiência, sustentabilidade e soberania energética.

A hora é agora. Mais etanol no tanque é mais Brasil no futuro.

*CEOdoGrupoNovoMilênio

Cada ponto percentual adicional na participação do etanol no ciclo Otto

A base do Combustível do Futuro já é realidade com o Setor Sucroenergético

ARNALDO JARDIM *

O ano de 2025 consolidou uma virada histórica para o setor sucroenergético brasileiro.

Os números não são apenas alentadores; são a prova viva de que a estratégia de transformar nossa matriz de transportes, valorizando nossos biocombustíveis, estava correta.

Está dando certo. Como relator do Projeto de Lei 451/23, do Combustível do Futuro, tenho o orgulho de dizer que estamos colhendo os primeiros e robustos frutos de um marco regulatório visionário, que coloca o Brasil na vanguarda global da energia limpa e renovável.

ESTAMOS COLHENDO

OS PRIMEIROS E ROBUSTOS FRUTOS DE UM MARCO REGULATÓRIO VISIONÁRIO QUE

COLOCA O BRASIL NA VANGUARDA GLOBAL DA ENERGIA LIMPA E RENOVÁVEL

Os dados apontam para uma safra canavieira robusta [que oficialmente termina em 31 de março na região Centro-Sul], com uma produção extraordinária de etanol (cana e milho). Esse desempenho é reflexo direto da confiança que o PL Combustível do Futuro injetou no mercado. Ao estabelecer uma política de Estado clara e de longo prazo, com metas graduais e seguras de descarbonização, o projeto tirou o setor da insegurança e o lançou em um ciclo virtuoso de investimentos.

A principal inovação do marco legal

foi integrar de forma inteligente toda a cadeia de combustíveis.

CADA LITRO DE ETANOL, CADA TONELADA DE BIOMETANO

PRODUZIDO, GERA UM ATIVO AMBIENTAL

VALORIZADO

Ao prever a elevação gradativa da mistura de biodiesel no diesel e, crucificamente, ao criar o mecanismo do Crédito de Descarbonização por Lote (CBIO) ampliado, demos valor econômico real à baixa emissão de carbono.

Em 2025, vemos claramente esse mecanismo funcionando: cada litro de etanol, cada tonelada de biometano produzido, gera um ativo ambiental valorizado.

Isso significa mais receita para as usinas, mais competitividade para o biocombustível na bomba e um cumprimento eficiente das nossas metas no Acordo de Paris.

O SETOR NÃO ESTÁ APENAS

PRODUZINDO MAIS; ESTÁ PRODUZINDO

MELHOR E COM MAIS DIVERSIDADE.

O biometano, o “gás natural renovável”, ganha escala a partir da vinhaça e de resíduos, abastecendo frotas pesadas e mostrando que a economia circular é um negócio real e lucrativo. As usinas flex, que já dominam a tecnologia do etanol de milho, se tornam verdadeiras biorrefinarias, capazes de otimizar sua produção conforme a melhor relação de mercado, garantindo eficiência e resiliência.

PARA 2026, A PERSPECTIVA É DE CONSOLIDAÇÃO E EXPANSÃO.

ESPERA-SE UM AVANÇO CONTÍNUO DO ETANOL

DE CANA EM PRODUTIVIDADE E GANHOS

AMBIENTAIS, MANTENDO A CANA-DE-AÇÚCAR COMO A ESPINHA DORSAL DA DESCARBONIZAÇÃO NO TRANSPORTE LEVE.

Paralelamente, o etanol de milho deve expandir sua capacidade instalada, especialmente em regiões de fronteira agrícola integradas à pecuária, fechando o ciclo de sustentabilidade com a produção de DDG (subproduto proteico para ração). Por outro lado, o ano deve marcar o impulso definitivo para os biocombustíveis avançados, como o etanol de segunda geração (E2G) e o bioquerosene de aviação (SAF), pois a previsibilidade trazida pela lei atrai os investimentos em pesquisa e em plantas-piloto, essenciais para que o Brasil também lidere essas tecnologias de ponta.

Devemos ser realistas quanto aos desafios logísticos e à concorrência desigual com combustíveis fósseis, que ainda recebem subsídios indiretos globais.

No entanto, o otimismo é fundamentado.

O mundo não tem mais dúvidas: a transição energética é inevitável. E o Brasil possui a matriz renovável mais competitiva e escalável do planeta.

O Combustível do Futuro não é mais um projeto; é a lei que está pavimentando nossa estrada para sermos não apenas o celeiro, mas a potência energética verde do mundo.

Cabe a nós, setor produtivo e poder público, seguirmos unidos para aproveitar esta janela histórica de protagonismo. O futuro chegou, e ele é renovável e brasileiro.

*Deputado Federal (CIDADANIASP),Presidente da Comissão Especial da Transição Energética da Câmara dosDeputados

Carmeuse integra solução ao CalculaCana+ e amplia apoio à tomada de decisão no setor

Nova funcionalidade permite quantificar ganhos de produtividade, qualidade da cana e geração de CBIOs a partir do manejo agrícola com SOIL-A®

O CalculaCana+ passa a contar com uma nova funcionalidade voltada à análise integrada de produtividade, qualidade da matéria-prima e descarbonização. A iniciativa, desenvolvida pela Carmeuse em parceria com a Pecege Consultoria e Projetos, amplia o escopo da plataforma ao incorporar uma abordagem que conecta manejo agrícola, desempenho do canavial e retorno econômico em um único ambiente digital. A novidade está na aba “Produtividade com SOIL-A”, que permite ao usuário simular, com base em dados reais da operação, os impactos técnicos, econômicos e ambientais do manejo com Cálcio, Magnésio e

Enxofre. A ferramenta gera automaticamente um relatório completo e personalizado, apresentando de forma clara e quantitativa o ganho estimado de produtividade (TCH), a melhoria da qualidade da cana medida pelo ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) e o potencial de geração de CBIOs (Créditos de Descarbonização) no âmbito do RenovaBio. “O objetivo é transformar dados agronômicos em informação estratégica para a tomada de decisão. Com a nova funcionalidade, o usuário consegue visualizar de forma integrada como o manejo influencia na produtividade, qualidade da matéria-prima e na geração de valor associada à descarbonização”, afirma Felipe Macedo, Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Carmeuse Brasil. Segundo a Carmeuse, o relatório consolidado permite avaliar o impacto do manejo com SOIL-A® ao longo do ciclo produtivo, apresentando

curvas de decisão para adoção da tecnologia, estimativas de otimização operacional e projeções de retorno econômico. A abordagem busca oferecer uma leitura prática e baseada em dados, capaz de apoiar decisões estratégicas no campo e na indústria.

Plataforma consolida indicadores estratégicos da produção

Desenvolvido pela Pecege, o CalculaCana+ atua como um simulador e repositório de indicadores técnicos e econômicos voltados à produção de cana-de-açúcar. A plataforma reúne informações sobre custos de produção agrícola e industrial, produtividade, qualidade da matéria-prima e referências de preços do Consecana, permitindo uma visão estruturada dos

fatores que impactam a rentabilidade da cultura. Outro recurso disponível é a simulação do ponto ótimo de reforma do canavial, que auxilia na definição do momento mais adequado para renovação das áreas com base na relação entre custos e produtividade. Para Felipe Macedo, a integração da solução da Carmeuse ao ambiente do CalculaCana+ reforça a tendência de decisões cada vez mais orientadas por dados no setor sucroenergético. “O produtor e a usina passam a contar com uma ferramenta que conecta desempenho agronômico, eficiência operacional e sustentabilidade, traduzindo resultados técnicos em indicadores econômicos objetivos”, destaca Felipe. Com a nova funcionalidade, o CalculaCana+ amplia sua proposta de apoiar o setor sucroenergético na compreensão das variáveis que influenciam a rentabilidade da cana-de-açúcar, enquanto a Carmeuse fortalece sua atuação no desenvolvimento de soluções voltadas ao aumento da produtividade e à transição para uma produção mais eficiente e sustentável.

Do biogás à eletricidade limpa de baixa pegada de carbono

O agro brasileiro já aprendeu a transformar sol em alimento, e agora está aprendendo a transformar resíduo em energia. Isso não só um capricho ambiental. É competitividade, reduzir custos e previsibilidade.

O Brasil está numa posição rara no mundo, porque a nossa matriz elétrica já é majoritariamente renovável e, em 2024, a participação de renováveis na matriz elétrica ficou em 88%. Isso coloca a eletricidade brasileira entre as mais limpas do planeta, e não é discurso, é estrutura construída ao longo de décadas.

E quando a gente olha a matriz energética como um todo, o país também aparece na frente, com renováveis em patamar muito acima da média global. Só que tem um ponto que o todos sentimos na pele.

Matriz limpa não resolve tudo se a energia não for firme, estável e disponível quando a indústria precisa. E aqui entra uma verdade simples que o agro entende melhor do que ninguém.

Resíduo não é lixo quando vira insumo. Na cana, isso vale para bagaço, palha, vinhaça, torta de filtro e para o biogás que nasce desse ciclo.

por conta do sulfeto de hidrogênio, H2S, e outros contaminantes corrosivos.

Isso é o “arroz com feijão” da confiabilidade, porque sem gás limpo não existe sistema robusto no campo. Depois vem a reforma catalítica e térmica, que é, em linguagem simples, quebrar as moléculas do biogás para formar um gás de síntese rico em hidrogênio e monóxido de carbono. E esse gás de síntese vira combustível para uma célula a combustível de óxido sólido.

O biogás é uma ponte direta entre produtividade e desfossilização, pois transforma um passivo ambiental em energia e valor. E biocombustíveis são peça-chave porque existem setores que não vão eletrificar tudo tão cedo, e vão precisar de moléculas que se renovam escala: as renováveis.

O Brasil está reforçando isso na prática, inclusive elevando misturas de biocombustíveis a combustíveis fósseis, o que sinaliza política energética e mercado olhando para a descarbonização com pragmatismo. Mas a conversa precisa evoluir do “tem biogás” para “o que eu faço com esse biogás para gerar eletricidade de alto desempenho entre outras comodities de maior valor agregado” Hoje, em muitos casos, o caminho mais comum é o motogerador, que resolve, mas cobra seu preço em manutenção, ruído, emissões locais e eficiência limitada.

O salto tecnológico é sair da combustão e ir para a conversão eletroquímica direta. É aqui que entra uma rota que o Brasil tem condição real de dominar.

Você começa limpando o biogás do que corrói equipamento e prejudicando desempenho, principalmente

Aqui está a mudança de paradigma. Em vez de queimar, você converte a energia química diretamente em eletricidade, com altíssima eficiência e com operação silenciosa. Sem combustão significa menos ruído, menos vibração, menos fuligem e uma qualidade de energia que conversa melhor com automação, com eletrônica de potência e com processos críticos.

E significa também algo estratégico para a usina, estabilidade para operar com base e acompanhar variações de carga sem “morder” recursos no custo de manutenção.

Quando essa rota é bem integrada, os números ficam interessantes.

Eficiências elétricas na faixa de 55 a 60% passam a ser plausíveis, e podem subir quando você faz integração térmica inteligente com o que a própria planta já tem de calor útil.

Isso conversa com o agro porque o agro é mestre em integração, em cogeração, em extrair valor de cada fluxo.

A usina que faz isso bem não vende só açúcar, etanol e bioeletricidade.

Ela vende previsibilidade e resiliência através de energia limpa. E ela vende crédito de descarbonização com lastro real.

E aqui entra outra virada que está acontecendo agora no Brasil, e que o setor canavieiro precisa acompanhar de perto. O país está estruturando instrumentos de rastreabilidade e certificação para o biometano, porque sem rastreabilidade não existe mercado maduro para molécula verde.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis abriu consulta e audiência públicas para regula-

mentar os requisitos e procedimentos do Certificado de Garantia de Origem do Biometano.

Isso importa porque, a partir daí, o biometano deixa de ser só “gás renovável” e vira um ativo com origem, qualidade e valor negociável. E quando o mercado começa a pagar por origem, tecnologia de conversão eficiente vira multiplicador de competitividade.

O produtor não quer só destino para o biogás. Seu dono quer dele o seu melhor destino econômico.

E eletricidade de alta eficiência tem um lugar especial porque pode virar potência firme para a própria usina, para a rede, para microredes industriais e para operações que não podem parar.

Tem ainda um detalhe que pouca gente do grande público percebe, mas que é decisivo para estratégia de longo prazo. Sistemas de célula a combustível concentraram a conversa em eficiência, mas eles também abrem portas para novas arquiteturas de captura e uso do dióxido de carbono, porque você consegue pensar em rotas de processamento mais controladas do que em chaminé de combustão. Isso é o tipo de coisa que conecta o agro com a economia de carbono. Movimentos importantes estão sendo dados pelo Brasil afora, em várias direções, e um exemplo concreto é a parceria entre Âmbar Energia, CIBiogás e Universidade Estadual de Campinas no projeto da Agência Nacional de Energia Elétrica 0021-1001/2023, onde estamos avançando em um sistema completo e integrado que começa na purificação do biogás com remoção de sulfeto de hidrogênio e outras impurezas, passa pela reforma catalítica para gerar um gás de síntese rico em hidrogênio, e chega na geração de eletricidade de alta eficiência por células a combustível, mostrando na prática que dá para transformar resíduo do abate bovino em energia com engenharia brasileira e impacto direto na desfossilização da nossa energia.

*Coordenador de Projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (ANP, ANEEL, MOVER Fundep, FAPESP, FINEP e CNPq). Especialista em tecnologias-chave da TransiçãoEnergética.

HUDSON ZANIN*

HidroVapor prepara as Usinas para obter alta produtividade

Às vésperas do começo da safra 2026/27 na região Centro-Sul, a HidroVapor assume posição de destaque como parceira estratégica do setor bioenergético, oferecendo soluções de manutenção industrial que garantem operação ininterrupta e maior eficiência operacional.

Com sede em Sertãozinho-SP, a empresa tem se consolidado como referência nacional em manutenção, recuperação e testes de válvulas industriais, assim como em engenharia aplicada a vapor, água e bens de processo.

Com a entressafra da 2026/27, assim como as demais, tornou-se imperativo que as usinas investissem em uma revisão abrangente de seus equipamentos críticos.

A entressafra representa o momento ideal para inspecionar e substituir válvulas de controle, bloqueio, segurança, alívio e by-pass.

A HidroVapor enfatiza que intervenções preventivas evitam falhas durante

a safra, reduzem custos com paradas emergenciais e asseguram maior durabilidade dos componentes – fatores decisivos para assegurar competitividade no setor.

Para atender essa demanda, HidroVapor ampliou sua capacidade operacional: dobrou sua área construída — dos atuais 4.700 m² para cerca de 9.500 m² — investindo em novos galpões industriais e edifício administrativo moderno.

Esse salto de escala permite maior agilidade em projeto, logística e atendimento técnico especializado, fortalecendo a entrega de valor para usinas que exigem conformidade técnica, desempenho e confiabilidade.

Além disso, HidroVapor dispõe de expertise em sistemas de purgadores, instrumenta-

ção, atuadores pneumáticos, válvulas borboleta, globo e gaveta, visores de nível de caldeiras, entre outros acessórios fundamentais para controle de

fluídos.

Todo trabalho é pautado por normas internacionais de segurança e qualidade, o que reduz os riscos operacionais e eleva a segurança para equipes de manutenção e operações.

Para aquelas usinas que desejam começar a nova safra sem surpresas, HidroVapor recomenda agendar agora as inspeções e manutenções. O planejamento antecipado é diferencial competitivo — quem se prepara hoje economiza amanhã.

A HidroVapor fortalece seu posicionamento no setor ao investir em tecnologia, infraestrutura e capacitação profissional, garantindo soluções de controle de fluidos que se destacam pela eficiência, segurança e confiabilidade.

HidroVapor. Inovação que impulsiona a indústria brasileira.

(16) 3513-5000

Site: www.hidrovapor.ind.br

Bioenergia em transição: 2025, consolidação; 2026, ano de decisões estratégicas

O ano de 2025 se encerrou como um marco de consolidação para a bioenergia brasileira. Em um contexto global, o país reafirmou seu protagonismo ao avançar em regulamentações, ampliar o uso de biocombustíveis e fortalecer suas cadeias produtivas, demonstrando que desenvolvimento econômico, segurança energética e sustentabilidade podem caminhar juntos.

duzir emissões, esse movimento impulsiona investimentos, modernização de plantas e novos projetos industriais, gerando efeitos positivos em toda a cadeia fornecedora.

Ao mesmo tempo, 2025 foi marcado por ajustes de mercado. A demanda por combustíveis do Ciclo Otto manteve-se resiliente, com crescimento estimado de 2%, alcançando 60,8 bilhões de litros, segundo a StoneX.

Apesar de restrições pontuais no con-

do o peso do mix alcooleiro. Para a empresa, a produção de etanol de milho deve superar 11 bilhões de litros, atingindo um novo patamar histórico. Esse cenário, combinado à perspectiva de petróleo mais barato, intensifica a competição entre combustíveis e pressiona margens, exigindo das usinas ganhos adicionais de eficiência, produtividade e gestão.

Nesse contexto, o etanol de milho mostra-se como um dos vetores mais

Nesse cenário, o CEISE

Br concluiu 2025 com a convicção de ter cumprido um papel institucional relevante. Foram meses de intensa articulação, diálogo com governos e entidades, participação ativa em agendas setoriais e entrega de iniciativas voltadas à inovação, competitividade e sustentabilidade. Esse trabalho reforçou a importância da indústria de base da bioenergia, formada por fabricantes de equipamentos, soluções industriais, engenharia, automação e tecnologia, como pilar indispensável para a evolução do setor. O ambiente regulatório avançou de forma consistente ao longo do ano. A implementação das misturas E30 e B15 em todo o território nacional recolocou o Brasil na liderança mundial no uso de biocombustíveis em escala comercial, conforme o Ministério de Minas e Energia (MME). Além de expandir a soberania energética e re-

sumo de etanol hidratado, sua participação permaneceu relevante, sobretudo no Centro-Sul, evidenciando a robustez estrutural do biocombustível na matriz nacional.

Olhando para 2026, as projeções da consultoria indicam crescimento mais moderado da demanda por combustíveis leves, da ordem de 1,5%, com consumo recorde estimado em 61,7 bilhões de litros e retomada do etanol hidratado, que pode atingir 21,6 bilhões de litros e elevar sua participação para cerca de 29%.

Em paralelo, a safra 2026/27 tende a ampliar de forma expressiva a oferta de etanol no mercado brasileiro, tanto a partir da cana quanto do milho, segundo análise da SCA Brasil. Diante de um ambiente de preços menos favorável ao açúcar, a tendência é de redirecionamento de parte da matéria-prima para o etanol, amplian-

viabilização de projetos e à atração de investimentos.

Esse movimento amplia oportunidades para fornecedores de tecnologia, equipamentos, engenharia e serviços especializados ao longo da cadeia. No campo dos combustíveis avançados, o Combustível Sustentável de Aviação (SAF) desponta como um dos eixos estratégicos da política energética nacional para os próximos anos, segundo o MME. Em 2025, o Brasil evoluiu na estruturação regulatória necessária para sua inserção gradual na matriz aérea, estabelecendo metas progressivas a partir de 2027 e criando um horizonte claro para investimentos, desenvolvimento tecnológico e organização da cadeia produtiva. O ano de 2026 também será simbólico para o posicionamento internacional do país.

Entre 10 e 14 de agosto, o Brasil sediará o Congresso ATALAC, com parte da programação integrada à Fenasucro & Agrocana, reunindo lideranças da América Latina e do Caribe para discutir inovação, sustentabilidade e os rumos da bioenergia, consolidando a região como um hub global de conhecimento, tecnologia e negócios no setor.

dinâmicos da bioenergia brasileira, atualmente.

A rápida expansão da capacidade instalada, aliada à integração com a cadeia pecuária por meio do uso do DDG, eleva a eficiência econômica e ambiental do sistema produtivo. Esse avanço reforça a demanda por uma indústria de base cada vez mais preparada para entregar soluções tecnológicas, de engenharia e automação mais sofisticadas, conectadas e orientadas à performance.

Outro destaque para 2026 é o avanço do biometano, sustentado pela atualização do ambiente regulatório.

A revisão de normas conduzida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) busca adequar a regulação às suas novas atribuições e às atividades emergentes da transição energética, como a estocagem de gás, a captura e armazenamento de carbono e o fortalecimento dos combustíveis renováveis, criando condições mais favoráveis à

É nesse cenário que o fortalecimento da Cadeia Produtiva Local (CPL) Bioenergia CEISE Br ganha ainda mais relevância. Atuando como plataforma de integração, desenvolvimento tecnológico, capacitação e geração de negócios, a CPL será decisiva para elevar a competitividade da indústria em um ambiente mais exigente. O balanço de 2025 e as perspectivas para 2026 deixam uma mensagem clara: a transição energética está em curso e exige decisões estratégicas, investimentos consistentes e uma indústria de base forte, inovadora e articulada.

O CEISE Br seguirá comprometido com essa agenda, atuando como voz representativa da indústria e contribuindo para que o Brasil mantenha sua liderança global em bioenergia.

*Presidente do CEISE Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor SucroenergéticoeBiocombustíveis)–entidade gestora da Cadeia Produtiva Local–CPLBioenergiaCEISEBr

Seleção de talentos no Brasil: desafios reais e caminhos para a empresa

Em um mercado cada vez mais competitivo, contratar e reter profissionais qualificados tornou-se uma decisão estratégica. No setor sucroenergético, estruturar processos seletivos eficientes deixou de ser diferencial e passou a ser questão de sustentabilidade do negócio.

A seleção de talentos no Brasil atravessa um momento desafiador. Levantamentos recentes indicam que cerca de 58% das organizações enfrentam dificuldades para preencher vagas — e o obstáculo não se limita à contratação, mas se estende à retenção de profissionais qualificados. Em setores intensivos em mão de obra e

com forte demanda técnica, como o sucroenergético, o impacto é ainda mais evidente.

Vagas abertas por 90 ou até 120 dias, turnover elevado, candidatos participando simultaneamente de diferentes processos seletivos e aumento real de salários acima da inflação são sintomas de um mercado em que a escassez de profissionais qualificados altera a lógica tradicional de contratação. Hoje, em muitos casos, é o profissional quem escolhe a empresa — e não o contrário.

Esse cenário impõe desafios concretos às organizações. Processos seletivos longos ou pouco estruturados podem resultar na perda de candidatos estratégicos ao longo das etapas. Por outro lado, contratações realizadas de forma apressada, sem o devido alinhamento de perfil técnico e cultural, tendem a gerar rotatividade e retrabalho, elevando custos e impactando diretamente os resultados.

Entre os principais efeitos de processos pouco estratégicos estão:

• Perda de produtividade

• Pressão salarial crescente

• Custos elevados de reposição

• Impacto direto na performance operacional

No setor sucroenergético, a complexidade se intensifica. Muitas unidades estão localizadas em regiões com oferta restrita de mão de obra especializada, o que amplia a concorrência entre empregadores. Além disso, funções técnicas e posições de liderança exigem não apenas conhecimento específico, mas aderência à cultura organizacional e capacidade de gestão em ambientes operacionais desafiadores. A resposta para esse contexto não está apenas em ampliar investimentos em recrutamento, mas em estruturar inteligência no processo. Práticas como Salário Fronteira, Hiring Bonus e Incentivos de Longo Prazo tornaram-se ferramentas recorrentes para atrair talentos, exigindo análise criteriosa para que os pacotes de remuneração sejam competitivos e, ao mesmo tempo, sus-

tentáveis no médio e longo prazo. Empresas que conseguem melhores resultados na contratação compartilham algumas características:

• Processos ágeis e bem estruturados

• Clareza no perfil buscado

• Conhecimento profundo do setor de atuação

• Estratégia de remuneração alinhada ao mercado

• Foco em aderência cultural e retenção

Nesse contexto, a atuação de consultorias especializadas tem ganhado relevância. Com quase 40 anos de experiência na busca estratégica de talentos e na estruturação de pacotes de remuneração, a Wiabiliza Soluções Empresariais consolidou-se como referência no apoio a empresas do agronegócio e do setor sucroenergético.

A abordagem adotada pela consultoria vai além do preenchimento de vagas. O trabalho envolve o mapeamento de competências críticas para o negócio, análise de mercado, avaliação comportamental e alinhamento estratégico com os objetivos da organização.

O foco está em reduzir riscos, acelerar contratações e transformar o processo seletivo em ferramenta de resultado. “Não tratamos o processo seletivo como urgência operacional. Transformamos em estratégia de resultado”, afirma Jorge Ruivo, CEO da Wiabiliza. A experiência acumulada ao longo de décadas permite à empresa compreender as especificidades regionais, os desafios técnicos e as dinâmicas de remuneração que impactam diretamente o setor sucroenergético. Essa visão integrada contribui para decisões mais assertivas, menor rotatividade e maior previsibilidade operacional.

Em um ambiente em que o custo da contratação equivocada é cada vez mais alto, selecionar talentos deixou de ser uma atividade administrativa e passou a ocupar espaço na agenda estratégica das lideranças.Para as empresas que desejam crescer de forma sustentável, estruturar processos seletivos com inteligência, agilidade e visão de longo prazo é não apenas recomendável — é essencial.

As turbulências globais demandam atenção estratégica da agropecuária

Crédito deve seguir caro porque a necessidade de trazer a inflação para a meta e o risco fiscal deverão manter os juros reais acima de 10%

SERGIO VALE*

O ano mal começou e parece que já se foi um ano. Trump causou, em poucas semanas, o estrago que pode se ver em anos.

Desde a captura de Maduro até os ataques ao Federal Reserve, vimos o presidente americano no auge da erraticidade.

A economia dos EUA não está no seu melhor momento, com a classe média apresentando sinais de elevado endividamento e perda de bem-estar. Não à toa, a palavra do momento é affordability, uma percepção do poder de compra da população que, dada a inflação e o aumento dos preços de produtos essenciais, tem colocado os americanos crescentemente insatisfeitos com seu presidente.

A guerra tarifária, por si só, entra para a história como um dos maiores erros que um presidente moderno poderia cometer.

Algo que padecemos historicamente no Brasil, ou seja, um protecionismo atroz, reaparece nos EUA como se fosse uma solução para a reindustrialização do país. Não vai acontecer e mesmo a tão falada arrecadação fiscal tem sido apenas um paliativo de 10% em um déficit público de quase US$ 2 trilhões.

Mas a situação de desconforto vai muito além de Trump. Há décadas, o Partido Republicano vem abdicando da ciência e entrou em uma cruzada religiosa e polarizada. Gastos com inovação e tecnologia sistematicamente cortados, investimento em infraestrutura em declínio, números de patentes estagnados e a China se distanciando cada vez mais deles.

Ao mesmo tempo, a população envelhece e o Congresso, em um Estado já muito enxuto, não tem o que cortar e precisaria aumentar impostos para acomodar os gastos com saúde e seguridade social que não param de au-

mentar. Mas o caminho histórico tem sido cortar impostos, não aumentar. A consequência é uma dívida pública crescente, o que contribui para enfraquecer o dólar.

Em estudo recente, Barry Eichengreen identificou dois elementos relevantes para iniciar o processo de redução da dívida pública. Um, por óbvio, é o crescimento econômico, que ajuda a reduzir a relação entre a dívida pública e o PIB.

Outro é a ausência de polarização no Congresso, que permitiria que pautas de ajuste avançassem. A última vez que os americanos viram uma relação de compromisso entre democratas e republicanos foi em 1993.

De lá para cá, as relações entre os dois partidos foram se deteriorando e hoje é impossível pensar num ajuste bipartidário. Sem ajuste fiscal e com a política monetária com risco ampliado, a tendência é que o dólar continue perdendo valor, ajudando várias moedas emergentes mundo afora a se apreciarem, como tem sido o caso brasileiro. Claro que tudo pode mudar e Trump pode acordar para a realidade.

Difícil imaginar que uma pessoa que pensa como ele vá mudar de ideia.

A tendência é de a incerteza e a instabilidade continuarem

e a nossa moeda continua a se valorizar enquanto Trump segue desgovernado. Isso ajuda a inflação este ano, mas coloca um peso na agropecuária.

Com juros elevados, safra moderada e câmbio baixo, a receita não será tão forte. Com o adicional de piora na situação de crédito e o aumento da inadimplência no setor, será um ano de atenção para o agro. Anos de fortes ganhos e consequente alavancagem estão co-

brando um preço em um ano de custos elevados como agora. Para nossa sorte, mas azar dos americanos, a agricultura americana, nossa grande competidora, nunca esteve tão ruim. Trump encareceu os insumos com sua guerra tarifária e afetou a mão de obra com os ataques à imigração.

Como a China segue sendo uma compradora relevante, a demanda por nosso produto continuará forte, mas isso não basta para acomodar os riscos decorrentes da crise de crédito. Outro ponto de atenção para o setor é a mudança climática. O aumento já estabelecido da temperatura, que caminha para alta de 2 graus centígrados, tem colocado pressão sobre a agropecuária.

Segundo o State of Global Water Resources de 2024, da Organização Mundial de Meteorologia, a condição de seca mundial que tivemos em 2014 é daquelas que se observa uma vez a cada milênio. Faz 6 anos que apenas 35% das bacias hidrográficas globais

o Brasil tem sido o país mais atingido nos últimos anos.

Tanta turbulência demandará atenção redobrada do setor, mesmo sendo amplamente ganhador histórico no Brasil. Os próximos dois anos tendem a ser de crédito caro porque a necessidade de trazer a inflação para a meta e o risco fiscal deverão manter os juros reais acima de 10% nesse período, algo que não vemos desde 2005. A consequência disso será também uma desaceleração da economia, que já começou no ano passado. Não há recessão no cenário, mas o crescimento é mais frágil, com os bens de crédito mais longos desacelerando. Já se nota algum aumento da inadimplência na pessoa física, especialmente no cartão de crédito e no cheque especial, o que indica que a população começa a dar sinais de esgotamento. A eleição este ano será mais um elemento de tensão, com as incertezas econômicas se concentrando no que o novo governo fará do ponto de vista fiscal.

Depois de várias reformas impor-

tiveram vazão normal e as bacias brasileiras também tiveram seca histórica.

O milho safrinha caiu 12% na safra 23/24, em parte devido ao efeito climático, e o rio Paraguai perdeu 29% da vazão. O mapa mundial de vazão de rios indica que

tantes nos últimos anos, voltamos ao feijão com arroz e precisamos de um ajuste fiscal mais significativo. Olhando para o copo meio cheio, que país não precisa de um ajuste fiscal hoje em dia? *Economista-chefedaMBAssociados

Corte de geração de energia elétrica preocupa setor de biomassa

Quando a produção de eletricidade nesse

setor é reduzida ou paralisada, a própria atividade industrial é impactada

ZILMAR DE SOUZA*

A capacidade instalada no país em geração centralizada intermitente é de 34,9 GW para a fonte eólica e 20,1 GW para a fotovoltaica, totalizando 55 GW (quase quatro usinas Itaipu) equivalente a 25% da capacidade instalada em geração centralizada no país.

A esse volume somam-se outros 44 GW de geração intermitente fotovoltaica classificados como Micro e Minigeração Distribuída (MMGD), predominantes em telhados de imóveis urbanos e em áreas rurais.

Embora esse movimento seja positivo e traga benefícios relevantes para a matriz elétrica, o crescimento das fontes intermitentes eólica e solar também introduziu desafios operacionais ao sistema elétrico.

Um deles é o chamado curtailment, mecanismo que permite o corte temporário da geração de energia em situações de excesso de oferta ou de limitações da rede.

Nessas circunstâncias, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) limita a geração centralizada, em especial eólica e solar, em determinados períodos do dia de elevada insolação combinada com baixa demanda.

Em eventos recentes — como nas manhãs dos dias 4 de maio e 10 de agosto do ano passado — o ONS precisou restringir quase toda a geração centralizada dessas fontes.

Caso a situação se agravasse, restaria o corte da geração conectada à rede de distribuição, que não é despachável pelo Operador, mas que, felizmente, não precisou ser acionado naquelas ocasiões.

Em 2025, a estimativa é que o curtailment afetou aproximadamente 21% de toda a geração de energia eólica e solar disponível, resultando em perdas superiores a R$ 6 bilhões (Volt Robotics, 2026) e na judicialização do tema.

Associações representativas das fontes eólica e solar obtiveram decisões limi-

nares garantindo o pagamento integral da energia cortada, argumentando que o gerador não pode arcar com riscos decorrentes de falhas ou insuficiências na política energética brasileira.

E esse cenário complexo tende a se intensificar. Apenas em 2026, a previsão é que as fontes centralizadas eólica e solar adicionem cerca de 5,9 GW à matriz elétrica brasileira, respondendo por quase 65% da expansão anual, mesmo sem considerar a MMGD.

Nesse contexto, o ONS recomendou à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) ter maior coordenação sobre as distribuidoras para viabilizar cortes de geração no que podemos chamar de “varejo”, onde se concentram a maioria das usinas a biomassa e as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), classificadas como usinas Tipo III, não despachadas centralizadamente pelo ONS. Segundo o Operador, em situações emergenciais, esgotados os recursos convencionais, a única alternativa para garantir o equilíbrio do sistema seria o corte físico das centrais não despachadas, como as usinas Tipo III. Para tanto, propõe-se um Plano Emergencial de Corte de Geração da Distribuição em que, a princípio, os cortes na MMGD estariam excluídos, recaindo a gestão do curtailment sobre as usinas Tipo III.

a processos industriais, como a produção de açúcar, etanol, papel, celulose e alimentos. A geração de energia elétrica está associada ao fornecimento de vapor necessário a essas atividades.

Quando a produção de eletricidade é reduzida ou paralisada, a própria atividade industrial é impactada — diferentemente de empreendimentos dedicados exclusivamente à geração elétrica.

Os efeitos do curtailment vão muito além da perda de receita pela energia não gerada. A interrupção da geração pode comprometer processos industriais contínuos e interdependentes, provocar perdas de produtos em fabricação e dificultar a retomada da operação mesmo após o encerramento do corte.

missão, armazenamento de energia, medidas como leilões de curtailment (pagar para quem reduzir a geração de forma planejada), além de regulamentar o impacto econômico-financeiro para as usinas que sofrem o corte de geração.

Chama atenção o fato de que a bioeletricidade, aquela que presta serviços elétricos e energéticos essenciais ao sistema, como contribuição à estabilidade de frequência e resposta inercial, possa ser penalizada com o curtailment. Qualquer Plano Emergencial precisa adotar uma abordagem bottom-up, com análise individualizada de custo-benefício social por unidade geradora, em substituição a cortes genéricos e indiferenciados.

Com o início próximo da safra na região Centro-Sul, essa possibilidade tem gerado preocupação entre os geradores de biomassa, que apresentam características operacionais distintas das demais fontes e merecem atenção específica por parte dos agentes reguladores.

Usinas a biomassa, como as dos setores sucroenergético e de papel e celulose, operam de forma integrada

Sob a ótica do sistema elétrico, a biomassa é reconhecida como uma fonte estável e previsível, que normalmente opera nos horários de maior demanda, justamente quando a geração solar declina. Cortes de geração em plena safra tendem, portanto, a reduzir a eficiência global do sistema.

O debate sobre o curtailment precisa considerar as especificidades de cada fonte e avançar para soluções estruturais, como investimentos em trans-

Durante a safra sucroenergética, a bioeletricidade constitui uma geração firme, atuando de forma decisiva nos horários de “rampa”, quando a geração solar cai e a demanda cresce rapidamente. Cortar a biomassa para acomodar excedentes momentâneos de fontes intermitentes é uma medida paliativa e de baixa efetividade, cujos riscos para a sociedade e para a indústria superam, em muito, eventuais benefícios operacionais.

* Gerente de bioeletricidade da UNICA

Por que o mercado global de etanol deve crescer

7,1%

neste ano ante 2025

Avanço global do biocombustível é impulsionado pelo seu potencial de descarbonização e por iniciativas governamentais

O mercado global de etanol combustível tem apresentado um crescimento significativo nos últimos anos, impulsionado por diversos fatores tecnológicos, ambientais e políticos.

O mercado de etanol combustível tem demonstrado uma expansão robusta nos últimos anos.

Projeta-se que ele cresça de US$ 106,73 bilhões em 2025 para US$ 114,33 bilhões em 2026, representando uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 7,1%.

A projeção é da Business Research Company.

Motivos da projeção

Acompanhe a seguir destaques do levantamento da empresa de pesquisas sobre o mercado global de etanol:

• Iniciativas: O crescimento é impulsionado principalmente por iniciativas governamentais que promovem biocombustíveis, pelo cultivo extensivo de milho e cana-de-açúcar, pelo aumento do consumo de gasolina, pelos avan-

ços na tecnologia de fermentação e pela ampla disponibilidade de matérias-primas agrícolas.

• Ritmo: Olhando para o futuro, espera-se que o mercado mantenha seu forte ritmo de crescimento.

• Até 2030, o valor de mercado do etanol combustível deverá atingir US$ 147,71 bilhões, crescendo a uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 6,6%.

• Metas de descarbonização: Os fatores que impulsionam esse crescimento futuro incluem metas de descarbonização mais ambiciosas, investimentos crescentes em biocombustíveis de segunda geração, expansão das atividades de exportação de etanol, aumento da demanda por fontes de energia renováveis e uma ênfase crescente na conversão de resíduos em combustível.

• Mandatos de mistura: As tendências que moldarão o mercado nos próximos anos também envolvem a implementação mais ampla de mandatos de mistura de etanol, o aumento da produção de biocombustíveis, o uso expandido de etanol celulósico, o crescimento da infraestrutura que suporta

veículos flex e um foco maior na segurança energética.

• Resultados ambientais: Um fator crucial para o crescimento do mercado de etanol combustível é a expansão contínua do setor de petróleo e gás.

• Essa indústria, que envolve a exploração, extração, refino, transporte e comercialização de derivados de petróleo, incorpora cada vez mais biocombustíveis como o etanol para melhorar os resultados ambientais.

• Os benefícios do etanol incluem menores emissões de gases de efeito estufa, maior octanagem,

combustão mais eficiente e redução das emissões de monóxido de carbono e partículas, contribuindo para um melhor desempenho do motor.

• Aditivo: Por exemplo, dados da Administração de Informação Energética dos EUA, de novembro de 2023, destacaram um aumento na produção de petróleo bruto dos EUA para 12,4 milhões de barris por dia em 2023, acima do recorde anterior de 11,7 milhões de barris por dia em 2022.

• Esse crescimento na produção de petróleo sustenta a demanda por aditivos de combustível mais limpos, como o etanol, impulsionando ainda mais o mercado de etanol combustível.

• Ásia-Pacífico: Em 2025, a América do Norte detinha a maior participação no mercado de etanol combustível, refletindo sua capacidade consolidada de produção e consumo.

• No entanto, a região Ásia-Pacífico deverá ser o mercado de crescimento mais rápido durante o período de previsão.

• A análise de mercado abrangente inclui regiões como Ásia-Pacífico, Sudeste Asiático, Europa Ocidental, Europa Oriental, América do Norte, América do Sul, Oriente Médio e África, proporcionando uma perspectiva global sobre a evolução da demanda por etanol combustível.

Biocombustíveis têm contribuição histórica no agronegócio

Os biocombustíveis e a cana-de-açúcar registram contribuição histórica no agro e na descarbonização no Brasil, destaca levantamento dos professores Marcos Fava Neves e Vinícius Cambaúva.

Segundo o trabalho, intitulado Indicadores de Sustentabilidade do Agro 2026, a evolução da área colhida com cana no Brasil cresceu abaixo de 1 milhão de toneladas anual entre as safras 2015/16 e 2025/26. As informações têm base em dados da CONAB e da União da Indústria da Cana-de-açúcar (UNICA). No caso da 2025/26, trata-se de estimativa para a safra em andamento (ainda não concluída).

Avanço do Biocombustível

O trabalho destaca, também, que a produção de etanol mais do que triplicou entre as safras 2000/01 e 2025/26:

Para otimizar as atividades, Tereos vende usina para o Grupo Viralcool

Unidade Andrade, localizada em Pitangueiras, passa a ser a quarta usina controlada pelo tradicional Grupo Viralcool

O Grupo Viralcool, tradicional no setor sucroenergético, oficializou em 30 de janeiro a aquisição da Unidade Andrade, então controlada pela Tereos Açúcar e Álcool, da francesa Tereos.

A venda da usina, localizada em Pitangueiras, também está associada a 2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

O valor da venda não foi divulgado e assim como o Grupo Viralcool, a Tereos também não concedeu entrevista ao JornalCana já que, até o fechamento desta edição, a negociação tramitava junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Reforço da competividade

Em nota oficial sobre a venda da Unidade Andrade, localizada em Pitangueiras (SP), para o Grupo Viralcool, a Tereos destaca:

• Operação: a fim de reforçar a competitividade, a Tereos anuncia a venda da Unidade Andrade, localizada na região de Ribeirão Preto. Essa transação permite à Tereos Brasil reorganizar sua operação de cana-de-açúcar em torno de cinco unidades, promovendo maior otimização industrial, agrícola e logística, além do fortalecimento de sua estrutura de capital.

• Otimização: a venda da Unidade Andrade, associada a 2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, para a empresa Viralcool contribui para a otimização das atividades da Tereos no Brasil.

• Reorganização: nesse contexto, a companhia promove uma reorganização geográfica com o objetivo de ampliar a performance de suas operações, fortalecendo-se localmente para a execução de sua

estratégia de crescimento a longo prazo.

• Gestão: a operação ilustra, ainda, a gestão ativa e rigorosa do portfólio do grupo cooperativo como um todo.

Mais

vendas?

JornalCana questionou a assessoria de imprensa da Tereos se a companhia pretende realizar mais venda de usina?

“No momento, não há planos para vender outras unidades do Grupo. A venda desta unidade [Andrade, em Pitangueiras (SP)], é uma decisão estratégica e pontual, parte do processo de gestão de portfólio do Grupo Tereos como um todo.”

Andrade é a quarta usina do Grupo Viralcool

Com a aquisição da Unidade Andrade da Tereos, o Grupo Viralcool passa a controlar quatro usinas de cana-de-açúcar no interior paulista. São elas: Viralcool – Unidade I em Pitangueiras (SP), mesmo município da recém-adquirida Andrade; Viralcool – Uni-

dade II, em Castilho; e a Viralcool –Unidade III em Sertãozinho.

O número de unidades pode ser ampliado porque o Grupo Viralcool oficializou a intenção de adquirir a Usina Furlan, que está em Recuperação Judicial.

A Companhia se apresenta como potencial adquirente da Usina Furlan, integrada na Unidade Produtiva Isolada (UPI) AVARÉ, que, além da usina, localizada em Avaré (SP), é composta de duas fazendas próximas da planta industrial.

A Companhia é reconhecida no mercado como um modelo de gestão familiar competente. Um trabalho sério que conquistou outros setores, multiplicou oportunidades e fortaleceu a economia das regiões nas quais a empresa atua.

Antes disso, já em plena expansão de sua produção o grupo decidiu aplicar no uso de inteligência artificial para maximizar sua produção e obter mais eficiência em seus processos industriais, e os resultados até aqui são positivos e consistentes.

mização em Tempo Real (RTO) proporcionada pelo S-PAA a usina pôde capturar melhor essa eficiência obtendo mais flexibilidade no mix de produção e aumento na exportação de bioeletricidade.

Já na unidade de Castilho, que possui uma UTE com potência de 30MW o S-PAA permitiu uma redução da curva de aprendizagem, trazendo estabilidade de vapor ao processo permitindo exportar o máximo possível e economizar bagaço para os momentos mais oportunos.

A diretoria do grupo entende que o uso de uma tecnologia como o S-PAA é uma questão de sobrevivência para quem atua em um mercado tão competitivo quanto é o setor bioenergético. “Somos pautados pela eficiência em todas as áreas, pois quem não é eficiente na produção não sobrevive”, afirma Ricardo Toniello, diretor administrativo financeiro do grupo, ao justificar a implantação do S-PAA nas duas unidades do Viralcool.

Tonielo: mais influente da história do setor

Antônio Eduardo Tonielo, presidente do Conselho Administrativo do Grupo Viralcool, integrou a seleta lista da categoria Mais Influentes da História do Setor no MasterCana Centro-Sul 2025.

Plantas industriais ganham mais eficiência com uso de RTO

A unidade de Pitangueiras, por exemplo, já possuía uma planta muito eficiente, mas graças a Oti-

O Grupo Viralcool também celebrou mais uma importante conquista em 2025: o Prêmio MasterCana Social, um dos reconhecimentos mais relevantes do setor sucroenergético, destinado a empresas que se destacam por suas ações de responsabilidade social e compromisso com o desenvolvimento humano.

A premiação destacou os projetos “Você é o Cara” e “Construindo Talentos”, realizados em 2024 e 2025, que reforçam o investimento contínuo da empresa na valorização das pessoas, no crescimento profissional e na construção de um ambiente de trabalho cada vez mais humano e acolhedor.

Aço inox ganha protagonismo nas plantas de etanol de milho

Material é decisivo para garantir durabilidade, reduzir paradas e aumentar a eficiência operacional em processos industriais de alta exigência

Os aços inoxidáveis assumem papel estratégico nas plantas produtoras de etanol de milho, especialmente em projetos mecânicos e hidráulicos submetidos a condições extremas. Em ambientes industriais com elevado potencial corrosivo, a simples resistência do material já não é suficiente: é preciso assegurar durabilidade estrutural, estabilidade operacional, condições sanitárias adequadas e a integridade do produto final ao longo de todo o ciclo produtivo.

No caso do etanol de milho, o desafio é ainda maior. O próprio processo industrial gera meios agressivos, caracterizados por baixo pH, presença de compostos ácidos e elevada concentração de partículas sólidas abrasivas. O resultado é um ambiente tecnicamente complexo, onde diferentes mecanismos de degradação atuam de forma simultânea e acelerada. Entre esses mecanismos, destaca-se a tribocorrosão — fenômeno que combina desgaste mecânico por atrito e ação corrosiva contínua do meio.

Na prática, o contato mecânico remove repetidamente a camada passiva protetora do aço inoxidável, expondo a superfície ao ataque químico. O ciclo se repete, intensificando o desgaste, reduzindo a espessura do material e comprometendo o desempenho dos componentes. As consequências são falhas prematuras, aumento de manutenções corretivas e paradas não programadas. O impacto direto aparece no custo total de propriedade (TCO) das unidades industriais. Em plantas que operam de forma contínua e com alta exigência produtiva, como as de etanol de milho, a escolha do material deixa de ser apenas uma decisão técnica e passa a ser estratégica para a produtividade.

Correntes de transporte exigem alta performance

Entre os componentes mais críticos do processo estão as correntes de transporte intermediárias. Operando continuamente, sob carga e em ambiente agressivo, essas estruturas demandam materiais capazes de suportar simultaneamente desgaste mecânico intenso e ataque corrosivo.

Nesse cenário, o aço inoxidável 174PH (AISI 630) consolidou-se como referência internacional para aplica-

ções em plantas de etanol de milho. O material combina alta resistência mecânica, excelente desempenho ao desgaste e elevada resistência à corrosão, além de rápida regeneração da camada passiva protetora.

Na prática, isso se traduz em maior tempo de operação, redução na frequência de substituição de componentes, menos paradas e maior previsibilidade no processo industrial — fatores

determinantes para a competitividade do setor.

Estoque nacional e suporte técnico especializado

A Metalinox Cogne possui escritório e estoque de produtos no seu Centro de Serviços em São Paulo, com barras, tubos mecânicos e tubos sem costura disponíveis para pronta entrega em uma linha completa de aços inoxidáveis, desde os tradicionais AISI 420, até o benchmark AISI 630 (174PH) , demais aços especiais e as ligas à base de Nickel INCONEL 625 e 718 .

A empresa também oferece suporte técnico metalúrgico para auxiliar na especificação do material mais adequado a cada aplicação industrial, além de serviços de confecção de peças especiais, flanges, eixos e componentes sob medida, por meio de fornecedores homologados.

Mais informações podem ser obtidas junto ao Departamento Comercial da Metalinox Cogne pelo telefone (11) 2101-9000 ou pelo site: www.metalinox.com.br.

A ascensão do etanol de milho

Com salto na produção e avanço das usinas “flex”, o cereal consolida-se como pilar da matriz energética

JOACIR GONÇALVES

O setor de biocombustíveis no Brasil atravessa uma de suas transformações mais profundas desde o surgimento do carro flex, no início dos anos 2000. Tradicionalmente dependente da cana-de-açúcar, a matriz energética brasileira de transporte vê o milho deixar de ser um coadjuvante para se tornar o motor de crescimento da indústria. Na safra 2025/26, o país consolida a marca histórica de 10 bilhões de litros de etanol de milho produzidos, um volume que não apenas garante o abastecimento interno, mas redesenha a economia de estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG) e do Sindicato das Indústrias de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg), André Rocha, Goiás se consolidou como referência nacional

no modelo flex.

Diante do avanço do etanol como matéria-prima do etanol, a Pró-Usinas JornalCana promoveu em fevereiro a primeira edição do BioMilho Brasil. Confira a cobertura do evento nas páginas seguintes.

“O estado reúne um dos maiores parques industriais de cana do país, com 38 unidades, além de uma produção relevante de milho. Essa combinação coloca Goiás em posição estratégica frente a outros grandes players, como Mato Grosso e Minas Gerais.”

O fenômeno das usinas flex

A grande inovação que contribuiu para essa expansão foi o modelo das usinas flex.

Diferente das usinas “full”, que processam exclusivamente grãos, as unidades flex foram a solução estratégica para grupos sucroenergéticos tradicionais, que adaptaram suas estruturas para processar o cereal durante os meses de entressafra da cana (dezembro a março). Essa estratégia resolveu um problema histórico do setor: a ociosidade das plantas industriais. Enquanto a cana-de-açúcar precisa ser proces-

sada imediatamente após o corte e depende de ciclos biológicos fixos, o milho pode ser armazenado em silos e processado durante todo o ano. Na prática, isso significa que indústrias que antes paravam suas máquinas por quatro meses agora operam em regime de 24/7, otimizando o fluxo de caixa, mantendo empregos permanentes e diluindo custos fixos.

a americana, mesmo com limitações regulatórias ainda existentes no país. Segundo ele, os rendimentos industriais no Brasil já chegam a 380 litros de etanol hidratado por tonelada de milho, com potencial de alcançar até 455 litros por tonelada. Na safra 24/25, na região Centro-Sul, o setor de etanol de milho processou 6,5 milhões de toneladas e produziu apro-

Segundo o especialista Alisson Colonhezi, autor de um livro sobre etanol de milho, a tecnologia brasileira já alcançou e, em alguns casos, superou

ximadamente 8,2 bilhões de litros e poderá atingir 14 bilhões de litros até 2033, segundo projeção do Ministério de Minas e Energia (MME).

A diversificação bioenergética: sorgo, trigo e a busca pelo mix perfeito

Embora o milho seja o protagonista, a indústria já olha para outras fontes de amido para garantir a segurança do suprimento e reduzir custos operacionais.

O sorgo granífero surge como a alternativa mais viável e imediata. Com

um ciclo de produção mais curto e maior resistência ao estresse hídrico, o sorgo tem sido misturado ao milho em proporções que chegam a 30% em algumas plantas.

Para Cássio Iplinski, diretor executivo da Usina Rio Verde, primeira destila-

ria de etanol de milho instalada em Goiás, o sorgo pode se consolidar como uma fonte adicional e estratégica de matéria-prima para a indústria de etanol de cereais no Brasil.

“O sorgo é um assunto em que tivemos uma fase importante de aprendizado, especialmente em parceria com empresas fornecedoras de enzimas, até chegar a uma forma eficiente de utilização industrial”, afirma.

No Sul do país, o cenário é de regionalização. Usinas no Rio Grande do Sul e Paraná começam a testar e utilizar o trigo e o triticale de inverno para a fabricação de biocombustível.

O objetivo é ocupar a

terra que ficaria ociosa entre as safras de soja e milho verão, criando uma “safra de energia” no inverno gaúcho. Embora em menor escala, o uso de arroz excedente e até tubérculos como a mandioca permanece no radar para projetos de nicho ou desenvolvimento regional.

O diferencial competitivo do milho: os grãos proteicos DDG e DDGS

Para cada tonelada de milho processada, extraem-se cerca de 400 litros de etanol e 300 kg de dos grãos, que têm alto valor proteico

Um erro comum é analisar o etanol de milho apenas pelo combustível. O grande segredo da rentabilidade do setor reside no que sobra do processo: os DDGs (Distillers Dried Grains) ou grãos secos de destilaria (DDG). Ao contrário da cana, cujo bagaço é queimado para gerar energia, o milho é aproveitado integralmente para a produção de alimentos e energia. Para cada tonelada de milho processada, extraem-se cerca de 400 litros de etanol e 300 kg de um farelo de alto valor proteico.

Esse subproduto revolucionou a pecuária de corte e leiteira no Centro-Oeste. Onde antes o gado dependia apenas de pastagem, agora formam-se cinturões de confinamento ao redor

das usinas, criando um ciclo de economia circular: o milho vira combustível e comida para o gado, e o gado gera proteína para exportação.

exportação exige investimentos pesados em ferrovias e dutovias.

Além disso, a sustentabilidade é o tema central nas mesas de negociação internacionais.

Logística e desafios

Apesar do otimismo, o setor enfrenta gargalos.

O escoamento dessa produção para os grandes centros consumidores e para a

A indústria de etanol de milho brasileira defende que sua pegada de carbono é uma das menores do mundo, pois utiliza biomassa (bagaço de cana ou cavaco de madeira de reflorestamento) para gerar o calor do proces-

so industrial, ao contrário das usinas americanas, que utilizam gás natural ou carvão.

Para José Williams Silva Luz, diretor industrial da Cargill Bioenergia, que opera há cerca de uma década com uma planta flex, a convivência entre cana e milho demanda atenção especial à infraestrutura, sobretudo nas áreas de vapor e geração de energia. De acordo com o diretor industrial, a estratégia da empresa é reduzir ao máximo a interferência de uma operação sobre a outra, por meio de investimentos contínuos em capex.

“A integração é constante, mas buscamos desintegrar tecnicamente alguns sistemas para que a operação do milho tenha menor dependência da cana. Isso exige planejamento e investimentos permanentes”, explicou. (Joacir Gonçalves)

Pesquisa do JornalCana revela: usinas de cana estão de olho no milho

Levantamento realizado pelo JornalCana com executivos das usinas de cana aponta que 63% já avaliam projetos com etanol de milho

Recente pesquisa exclusiva do JornalCana com C-levels do setor revela que mais de 63% das usinas já estudam, avaliam ou estruturam projetos com etanol de milho.

O levantamento apontou que: 22% já têm interesse direto; 13% avaliam impactos; 20% mantêm estudos; e 7% possuem projetos estruturados. Ou seja, 63% das usinas já analisam seriamente o etanol de milho. Um número que, segundo Josias

MEMÓRIA

Messias, CEO da Pró Usinas, mostra maturidade e urgência estratégica. “É o assunto do momento, inclusive para usinas 100% de cana”, reforça. Com mais de 10 novos projetos de usinas em licenciamento ou construção para o biênio 2026/27, as perspectivas para o etanol de milho são de expansão contínua.

A transição industrial do setor bioenergético passa, cada vez mais, por uma palavra-chave: flexibilidade.

Para Ana Lúcia Chuina, CEO do Grupo Novo Milênio, a usina flex deixa de ser tendência e se consolida como estratégia de competitividade. Segundo ela, o Grupo já avalia a implantação desse modelo em uma de suas unidades.

A estratégia permitiria equilibrar a produção entre cana e milho, ampliando a capacidade de adaptação às oscilações de mercado. E fortalecendo a geração de subprodutos, como DDG e DDGS, que encontram mercado regional na pecuária mato-grossense.

A Energética Santa Helena (MS) também aposta nessa integração. “Como temos sobra de ba-

gaço, vapor, energia e água, além de ociosidade na destilação, o projeto de etanol de milho se mostrou viável”, explica Bruno Coutinho, sócio-diretor da usina, que completa 34 anos em 2026.

O projeto, orçado em cerca de R$ 150 milhões, é focado principalmente em armazenagem, recepção e processamento do milho, já que toda a estrutura de utilidades já existe. (Joacir Gonçalves)

Do pioneirismo da Usimat em 2012 à maturidade das Usinas Flex

O conceito de produzir etanol a partir de duas matérias-primas distintas sob o mesmo teto parece óbvio hoje, mas foi uma quebra de paradigma na década passada.

O histórico das usinas flex no Brasil pode ser dividido em três fases marcantes:

1. O Marco Zero: Usimat (2012)

A história das usinas flex no Brasil começa oficialmente em Campos de Júlio (MT).

Em 2012, a Usimat tornou-se a primeira planta do país a processar milho em uma estrutura originalmente desenhada para cana.

O projeto nasceu de um cenário econômico desafiador: na época, a saca de milho no Mato Grosso era cotada a cerca de R$ 7,00, um valor que mal pagava o frete.

Transformar o grão em combustível foi a solução para agregar valor à produção local e manter a usina operando durante a entressafra da cana.

2, A Consolidação em Goiás: SJC Bioenergia (2013-2015)

Logo após o experimento mato-grossense, o modelo flex subiu de escala com a SJC Bioenergia (uma joint venture entre o Grupo USJ e a Cargill), em Quirinópolis (GO).

A unidade foi pioneira ao integrar o milho em um sistema de escala industrial robusto, provando que o modelo flex não era apenas uma “saída de emergência” para preços baixos, mas uma estratégia logística e financeira eficiente para grandes grupos.

3. A Era das “Full” e a Expansão

Atual (2017 - Hoje)

Embora o modelo flex tenha aberto as portas, ele provou que o milho era tão viável que abriu caminho para as usinas “Full” (100% milho).

Em 2017, a inauguração da FS Bioenergia, em Lucas do Rio Verde (MT), marcou a primeira vez que o Brasil

teve uma usina que não dependia da cana em nenhum momento do ano. Desde então, o mercado viu a entrada de gigantes como a Inpasa, que hoje opera algumas das maiores plantas de etanol de cereais do mundo em solo brasileiro.

Status Atual: Hoje, os projetos pioneiros como Usimat e SJC Bioenergia não só continuam em operação como passaram por sucessivas ampliações.

Eles serviram de “escola” para que grupos tradicionais de cana, decidissem investir centenas de milhões de reais em suas próprias unidades flex na última década. (Joacir Gonçalves)

BioMilho Brasil reforça integração entre cana e milho como novo eixo da bioenergia

Evento realizado em Ribeirão

Preto reúne líderes do setor para debater mercado, viabilidade, tecnologia, inteligência artificial e alta performance industrial na produção de etanol de milho

No dia 26 de fevereiro, o BioMilho Brasil transformou o Wyndham Garden Ribeirão Preto, em Ribeirão Preto (SP), em um amplo fórum estratégico da bioenergia brasileira. Reunindo executivos de usinas, agroindústrias, fornecedores de tecnologia, engenheiros, especialistas financeiros e representantes institucionais, o encontro consolidou a integração entre cana-de-açúcar e milho como pauta central do presente e do futuro do setor.

Ao longo de um dia inteiro de programação técnica, painéis e momentos de networking, o evento traçou um verdadeiro mapa estratégico que conecta lavouras, usinas e cadeias agroindustriais à expansão da bioenergia de grãos.

A mensagem que permeou todas as discussões foi clara: o etanol de milho deixou de ser tendência emergente para se firmar como vetor estruturante da matriz energética reno-

burguês” ousado e dinâmico, o etanol de milho que não surgiu de repente, mas vem crescendo rapidamente.

No entanto, em vez de um cenário de disputa, o que se desenha é uma lógica de complementaridade. O milho surge como alternativa estratégica para garantir operação durante a entressafra da cana, ampliar a utilização de ativos industriais e reduzir riscos sazonais.

vável no Brasil.

Cana & Milho: concorrência ou complementaridade?

A abertura do encontro foi marcada por uma reflexão provocativa. Josias Messias, CEO do Grupo Pró-Usinas

JornalCana, lançou a pergunta que conduziu o debate inicial: “Cana & Milho – Risco ou Oportunidade?”.

A discussão partiu da constatação de que o crescimento acelerado das plantas flex e dedicadas ao milho tem redesenhado a geografia produtiva da bioenergia no país. Messias enfatizou que a cana continua sendo rainha, mas destaca o surgimento de um “jovem

Na sequência, André Rocha, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás e do Sindicato das Indústrias de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás, apresentou o “Panorama Bioenergético – Cana & Milho”. Ele destacou a consolidação de Goiás e do Centro-Oeste como polos do etanol de milho, além da expansão de investimentos em outras regiões, inclusive no Sudeste. O cenário apresentado evidenciou crescimento consistente da capacidade instalada, avanço tecnológico nas plantas industriais e amadurecimento da governança setorial. Para o dirigente, o momento exige visão estratégica, planejamento de longo prazo e articulação institucional. O público também teve acesso a uma experiência internacional apresentada por Eduardo Munhoz, que trouxe um caso de sucesso externo. A exposição reforçou como automação, controle de processos e gestão integrada são determinantes para garantir competitividade em um mercado global cada vez mais exigente.

BioMilho: Mercado, trading e tecnologia

A viabilização econômica, inteligência artificial e integração dos processos marcaram o evento

O olhar para o mercado foi aprofundado por Mário Stênico, Head of Research & Trading da Inpasa, ao abordar “Bioenergia do Milho – Trading & Mercados”. A palestra detalhou a dinâmica de preços, a relação com o mercado internacional de grãos, o impacto cambial e os desafios logísticos. A análise demonstrou que o etanol de milho está inserido em uma equação global que envolve commodities agrícolas, energia e biocombustíveis, exigindo das usinas sofisticados mecanismos de gestão de risco e inteligência comercial.

Na área técnica, Matheus Ferrareze tratou da engenharia e construção para o setor agroindustrial, enfatizando que eficiência começa no projeto. Escolhas adequadas de layout, integração de processos e soluções energéticas impactam diretamente na competitividade de longo prazo.

Já Hugo Sousa de Morais apresentou um estudo sobre a viabilidade do etanol de cereais no Estado de São Paulo. O tema ganhou atenção especial por envolver a principal região produtora de cana do país. A análise indicou que fatores como logística, disponibilidade de grãos, mercado consumidor e si-

nergia com plantas existentes podem abrir espaço para novos investimentos.

Tecnologia, dados e inteligência artificial

No período da tarde, o foco voltou-se à inovação. Aparício Bezerra apresentou soluções tecnológicas voltadas à eficiência produtiva, destacando melhorias em rendimento, redução de

temas digitais e análise avançada permite maior controle sobre variáveis de processo e ganhos de eficiência. No campo energético, Ricardo Blandy discutiu biomassa e utilidades, reforçando a importância da gestão energética integrada para sustentabilidade e redução de custos.

O evento também marcou o lançamento do livro Etanol de Milho –Uma Abordagem Operacional, reforçando o compromisso com a difusão de conhecimento técnico especializado.

Integração como palavra-chave

consumo energético e modernização de equipamentos.

A inteligência artificial emergiu como um dos temas centrais. Guilherme Bonfitto demonstrou como sistemas de predição de falhas críticas podem reduzir paradas inesperadas e ampliar a confiabilidade operacional.

Complementando o debate, Rodrigo Ramirez abordou o uso estratégico de dados na tomada de decisão industrial. A integração entre sensores, sis-

Entre palestras, debates e networking, o BioMilho Brasil consolidou-se como espaço estratégico de convergência para a bioenergia nacional. A integração entre cana e milho, aliada a tecnologia, gestão financeira estruturada e uso intensivo de dados, desenha um novo ciclo de crescimento. Ribeirão Preto, tradicional polo do setor sucroenergético, mostrou que o futuro da bioenergia brasileira será cada vez mais híbrido, tecnológico e orientado por eficiência. O etanol de milho, inserido de forma complementar à cana, desponta não apenas como alternativa, mas como componente essencial de uma matriz renovável mais robusta, resiliente e competitiva.

BioMilho Brasil 2026 debate estratégias na nova fase do etanol de cereais no país

Painel sobre modelagem estratégica e financeira expõe desafios de mercado, pressão sobre margens e a importância da tecnologia, da escala e da economia circular para sustentar a expansão do setor

O avanço do etanol de milho no Brasil deixou de ser tendência para se consolidar como vetor estruturante da bioenergia nacional.

No entanto, em meio a um ciclo de crescimento acelerado, a tomada de decisão exige cada vez mais precisão estratégica e rigor financeiro.

Esse foi o tom do Painel sobre Modelagem Estratégica e Financeira realizado durante o BioMilho Brasil 2026, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Sob mediação de Ágata Turini, CEO da Fertron Automação, o debate reuniu executivos que vivem a operação no dia a dia e que estão diretamente envolvidos em projetos de expansão, integração e investimentos bilionários.

Expansão acelerada exige provocações estratégicas

Na abertura do painel, Ágata Turini destacou que o crescimento do etanol de milho traz oportunidades, mas também impõe desafios que precisam ser enfrentados com realismo. Segundo ela, discutir modelagem estratégica e financeira significa provocar o setor a olhar além do entusiasmo e aprofundar temas como rentabilidade, logística, estrutura de capital e integração operacional.

A executiva ressaltou que o avanço das plantas flex — capazes de operar com cana e cereais — vem consolidando um novo desenho para a bioenergia

baseada em cana, o hemisfério norte estruturou sua matriz sobre o milho. Hoje, porém, o Brasil já conta com mais de 40 unidades de etanol de cereais entre projetos implantados e em implementação.

Para Rodrigues, uma das grandes vantagens do etanol de cereais é a flexibilidade geográfica. Diferentemente da cana, que depende de condições climáticas e de bioma específicos, os cereais permitem projetos do Pará ao Rio Grande do Sul, utilizando matérias-primas regionais como milho, sorgo ou arroz, conforme a disponibilidade local.

Ele detalhou o processo produtivo, destacando que o diferencial competitivo está na integração energética. O vapor, segundo ele, é o segundo

Oferta, demanda e o dilema da expansão

Participaram Jefferson Arley Rodrigues, gestor de tecnologia em bioenergia na Lindner TS; Renato Pretti, CEO da CerradinhoBio; Cássio Iplinski, diretor da Usina Rio Verde; e Bruno Coutinho, diretor da Energética Santa Helena.

Ao longo das apresentações, ficou evidente que o setor vive um momento de redefinição: crescimento médio próximo de 20% ao ano, ampliação do mapa produtivo nacional, consolidação das usinas flex e, ao mesmo tempo, um ambiente de maior cautela diante de juros elevados, margens mais estreitas e incertezas quanto ao equilíbrio entre oferta e demanda.

brasileira. Para ela, o mapa do setor está sendo redesenhado, e o Sudeste passa a discutir com mais intensidade um modelo que, até pouco tempo, estava concentrado no Centro-Oeste. Ao reunir profissionais que atuam diretamente na operação industrial, o painel buscou justamente trazer uma visão prática sobre como transformar crescimento em resultado consistente.

Tecnologia e integração energética no

centro

da competitividade

Representando a Lindner TS, Jefferson Rodrigues contextualizou o avanço do etanol de cereais dentro de uma perspectiva global. Ele lembrou que, enquanto a América do Sul historicamente concentrou produção

maior custo da produção, atrás apenas da matéria-prima. Por isso, a eficiência no aproveitamento térmico — reaproveitando energia da evaporação, integrando destilaria e cozimento e reduzindo perdas — é decisiva para a viabilidade do projeto. Rodrigues enfatizou que o sucesso de uma planta depende de cinco pilares: biomassa, vapor, insumos, tecnologia e fator humano. A tecnologia é crucial, mas não opera sozinha. A integração de sistemas, o reaproveitamento de nutrientes via backset e a valorização dos coprodutos — como WDG e DDG — compõem o modelo econômico. Ele chamou atenção para um ponto relevante: no etanol de cereais, a vinhaça deixa de ser resíduo e se torna matéria-prima estratégica para geração de coprodutos. Essa lógica reforça o conceito de economia circular dentro da indústria.

Renato Pretti trouxe ao debate a variável de mercado que hoje domina as decisões de investimento: o possível descompasso entre oferta e demanda. Segundo ele, o setor trabalha com dois cenários principais. O primeiro projeta que a produção de etanol de milho, hoje em torno de 10 bilhões de litros, possa praticamente dobrar até 2030/31, alcançando cerca de 19 bilhões de litros. O segundo considera um ritmo mais desacelerado, diante da conjuntura atual de preços e crédito. Pretti explicou que o crescimento acelerado pode pressionar preços se a demanda não avançar na mesma velocidade. Essa dinâmica cria uma “referência circular”: expansão rápida aumenta a oferta, que pode reduzir preços; preços menores diminuem o apetite do investidor, freando novos projetos. Ele revelou que a companhia possui aproximadamente R$ 1,5 bilhão em capex em análise, o que demonstra a relevância da decisão estratégica no momento atual. Contudo, com taxas internas de retorno raramente superando 15% ou 16% — patamar que perde atratividade em ambiente de juros elevados — a cautela passou a ser regra. Além disso, o crédito tornou-se mais seletivo. Projetos dessa magnitude dificilmente se sustentam apenas com capital próprio, exigindo estruturação robusta de funding. Produtores rurais, que vinham se organizando para investir coletivamente em plantas no Mato Grosso, enfrentam momento mais difícil no agronegócio, especialmente na soja, o que também contribui para desaceleração. Ainda assim, Pretti acredita que a oferta continuará crescendo, pois muitos projetos já estão estruturados e com financiamento avançado.

Diversificação e economia circular como estratégia para usinas flex no país

Cássio Iplinski apresentou o case da Usina Rio Verde, em Goiás, como exemplo de integração vertical e diversificação. A empresa atua com etanol de cana, etanol de cereais, confinamento, suinocultura, compostagem e agora investe em biodigestores e fábrica de ração.

Para ele, a escala é importante, mas a diversificação é igualmente estratégica. A planta flex amplia o leque de produtos, tecnologias e agregação de valor.

A economia circular, quando implementada de forma efetiva, reduz custos e melhora a eficiência global do sistema.

Iplinski reforçou que a biomassa é o segundo maior custo do etanol de cereais e pode variar significativamente.

Em alguns cenários, mesmo com mi-

lho viável, o custo da biomassa pode comprometer a rentabilidade. Por isso, buscar alternativas energéticas — como biodigestores — torna-se diferencial competitivo.

Ele destacou ainda a diferença entre o etanol brasileiro e o norte-americano. Enquanto nos Estados Unidos a matriz depende fortemente de gás natural, no Brasil a biomassa garante vantagem ambiental, embora tenha custo relevante.

Essa característica posiciona o etanol brasileiro como combustível avançado, com melhor balanço energético.

Escalar com sinergia e disciplina de capital

Bruno Coutinho apresentou o estu-

do de viabilidade da Energética Santa Helena, tradicional produtora de cana no Mato Grosso do Sul, que avalia anexar uma planta de etanol de milho à operação existente.

Com capacidade atual de 2,5 milhões de toneladas de cana, produção de etanol e açúcar VHP para exportação, a empresa busca escalar o negócio utilizando excedentes de bagaço e utilidades industriais. O projeto em análise prevê capacidade de 156 mil litros por dia de etanol de milho, com processamento de 360 toneladas diárias de grãos — modelo de menor porte, dimensionado para sinergia e controle de capex.

Segundo Coutinho, a decisão parte de uma análise “da porteira para dentro”: como crescer utilizando ativos já instalados? A estratégia considera armazenagem reduzida de milho, parcerias com cerealistas locais e foco em DDG como novo mercado.

O executivo ressaltou que, após investimentos recentes na fábrica de açúcar, o momento exige prudência e equilíbrio entre expansão e solidez financeira.

Um setor mais maduro e criterioso

O painel deixou claro que o etanol de cereais no Brasil entrou

em fase de maturidade. O entusiasmo inicial deu lugar a análises detalhadas de viabilidade, sensibilidade a preços, estrutura de capital e eficiência operacional.

A expansão continua, mas agora acompanhada de questionamentos estratégicos: qual o ritmo ideal? Como equilibrar oferta e demanda? Como reduzir custos energéticos? Como integrar coprodutos e capturar valor adicional?

Ao final, a principal mensagem foi de responsabilidade. O crescimento do setor é real e consistente, mas sua sustentabilidade dependerá da qualidade das decisões tomadas agora. Entre tecnologia, disciplina financeira, integração energética e economia circular, o etanol de milho consolida-se como protagonista da bioenergia brasileira — desde que estratégia e prudência caminhem lado a lado.

O Painel Performance Industrial encerrou o conteúdo técnico com discussão aprofundada sobre rotina operacional, padronização de processos e cultura de melhoria contínua.

A mediação foi conduzida por Álisson Colonhezi, diretor Industrial da CMAA.

Participaram Douglas Mariani, Erikson Viana, Fernando Cullen Sampaio, Isaac Pinho e Sebastião Abílio Castro Jr, que compartilharam experiências práticas na busca por alta performance industrial.

André Rocha - Sifaeg
Mário Stênico - Inpasa
Hugo Souza de Morais - Katzen
Bruno Coutinho - Energética Santa Helena
Cássio Iplinski - Usina Rio Verde
Ágata Turini - Fertron
Matheus Ferrareze - MSE Engenharia
Eduardo Munhoz - Nova Smar
Jefferson Rodrigues - Lindner TS
Aparício Bezerra - Convert
Ricardo Blandy - ComBio Energia
Alisson Colonhezi - CMAA
Douglas Mariani - Soteica do Brasil
Rodrigo Ramirez - IFF
Guilherme Bonfitto - Mônoda Consulting
Renato Pretti - Cerradinho Bio

Lançamento do livro: “Etanol de Milho –Uma Abordagem Operacional”

Com conteúdo que subsidia a formação de profissionais do setor, o livro contribui para difusão de conhecimento técnico

O avanço do etanol de milho no Brasil ganhou um reforço técnico de peso durante o BioMilho Brasil 2026. O engenheiro Alisson Colonhezi lançou oficialmente o livro “Etanol de Milho – Uma Abordagem Operacional”, escrito em parceria com Isaac Pinho, em uma apresentação que marcou o

público pela densidade técnica e pelo simbolismo do momento.

Fruto de sete anos de trabalho, o livro nasce com uma proposta clara: apoiar quem está diretamente envolvido na operação das plantas industriais. “É um projeto do qual temos muito orgulho. É um livro voltado à operação, para quem está com a mão na massa. Acredito que ele vai apoiar diretamente a formação da mão de obra e a difusão do conhecimento técnico”, afirmou Colonhezi durante o evento. Com prefácio de Dennis Byrne, referência internacional no setor, a publicação busca preencher uma lacuna importante no mercado editorial técnico ao reunir, de forma prática e aplicada, os principais conceitos operacionais do etanol de milho — justamente em um momento de

expansão acelerada e amadurecimento tecnológico da atividade no Brasil.

A obra funciona, segundo o autor, como um “consultor em formato de livro”. O conteúdo aborda desde a operação de plantas industriais até modelos de negócio, estratégias de expansão, solução de problemas de processo e eficiência operacional como eixo central da competitividade.

Em um cenário de crescimento das usinas flex e de consolidação do milho como pilar da bioenergia nacional, o lançamento se alinha à necessidade de qualificação técnica e profissionalização do setor.

Erikson Viana - Usina Pindorama
Isaac Pinho - CMAA
Sebastião Abílio Castro Jr - Neomille- Cerradinho Bio
Fernando Cullen Sampaio - Usina São Martinho

Patrocinadores e Expositores

PATROCINADOR

Equipe Katzen

PATROCINADOR

Inovações na Produção de Etanol de Milho: Tecnologia e Engenharia Convert Com Aparício Bezerra, diretor de Operações da Convert

PATROCINADOR

Equipe IFF

PATROCINADOR

PATROCINADOR

Equipe Smar

PATROCINADOR

Marc Byrne - Equipe Fluid Quip

Equipe Lindner

PATROCINADOR Equipe Serquímica

Equipe Dedini

PATROCINADOR Equipe MSE

PATROCINADOR Equipe Solisteel

EXPOSITOR
EXPOSITOR
Equipe Sulzer
EXPOSITOR
Grupo Exal
PATROCINADOR
Equipe Tebe: da esquerda para a direita Davi Tini,Vitor Araújo e Victor Silva

A Rainha, o Jovem Burguês e os Reis da Bioenergia

Cana & Milho: Risco ou Oportunidade?

JOSIAS

MESSIAS*

Há um reino energético tropical que poucos compreendem sua abrangência e importância. Nele reina uma soberana antiga. Na verdade, foi domesticada há milhares de anos. No Brasil, chegou junto com os primeiros ciclos econômicos. Já sustentou impérios, financiou evoluções, renasceu com o Proálcool, sobreviveu a sabotagens políticas e floresceu com os carros flex.

Essa rainha chama-se Cana.

Ela reina sobre vastos territórios. Gera mais energia por hectare do que qualquer outra cultura comercial. É resiliente. É eficiente. É territorialista. Mas toda soberania prolongada traz consigo um risco invisível: a crença de que o trono é eterno.

Enquanto isso, no mesmo reino, crescia um jovem burguês. Não herdou coroa. Construiu patrimônio. Nasceu da engenhosidade brasileira — a safrinha, essa invenção que revolucionou o mundo ao transformar uma janela agrícola em um segundo ciclo produtivo.

Chamaram-no Milho. Não surgiu de repente. Mas cresceu rápido. Hoje já são 27 biorrefinarias em operação no Brasil. Outras 30 projetadas. Oito novas devem entrar em operação nos próximos dois anos. Segundo dados apresentados no BioMilho Brasil 2026, a produção de etanol de milho e grãos deve superar 10

milhões de m³ na safra 26/27, alcançando 29% do mix total de etanol do país.

Vinte e nove por cento! O jovem burguês já ocupa quase um terço do salão.

E mais:

o HydroShare — a participação do etanol hidratado no consumo do ciclo Otto — ainda está abaixo dos níveis históricos. Apenas três estados superam 30%. No Brasil como um todo, o índice gira em torno de 26%. Há espaço. Muito espaço. O consumo do ciclo Otto em 2026 deve alcançar 68,5 milhões de m³. Desses, 46,2 milhões serão gasolina comum. O país ainda terá um déficit estimado de 2,725 milhões de m³ de gasolina A.

Mas aqui reside outra lição da parábola: Reinos que dependem apenas do preço internacional vivem reféns da volatilidade. Reinos que constroem estrutura energética própria constroem soberania.

Isso também se aplica à percepção da relação cana e milho.

Para suprir esse volume, seriam necessários 3,542 milhões de m³ de etanol equivalente.

O reino importa gasolina enquanto possui biomassa abundante. Não é falta de demanda. É falta de decisão estratégica.

Alguns reis começaram a observar com atenção. Descobriram que, quando a rainha decide integrar o jovem burguês ao palácio, os resultados mudam.

Estudos apresentados no evento mostraram que uma planta Full de etanol de milho pode ter payback de 4,79 anos e margem EBITDA de 29,5%.

Mas quando integrada a uma usina de cana — tornando-se Flex — o payback pode cair para 2,94 anos, com margem de 32,8%.

E isso considerando CAPEX adicional com utilidades. Se houver vapor excedente e energia disponível, a vantagem se amplia.

A rainha, quando inteligente, não perde poder. Ela multiplica ativos.

E então surge a guerra no Oriente Médio. O petróleo sobe. A gasolina encarece. Uma chance para o etanol voltar a brilhar.

Talvez temporariamente. Talvez estruturalmente. O mercado já começa a precificar o risco geopolítico.

A cana tem mentalidade cíclica, modelagem operacional. O jovem milho vive de margem dinâmica, modelagem comercial e de trading.

Um governa fluxo de caixa. A outra governa território energético. Mas apenas reis verdadeiros governam sistemas integrados.

A pergunta não é se o milho ameaça a cana. A pergunta é se os reis da bioenergia brasileira estão preparados para orquestrar estabilidade e volatilidade na mesma equação.

O etanol de milho e grãos é competitivo. Os balanços das líderes do setor demonstram isso. A desculpa não pode ser o mercado. A demanda existe. Mas precisa ser conquistada.

No Brasil apesar do superávit interno em petróleo bruto, a capacidade de refino é insuficiente. Há espaço para incremento do uso de biocombustíveis.A produção de cana sozinha dificilmente suprirá o déficit estrutural em gasolina. Mas, integrada ao milho, pode ampliar presença, operar 12 meses, diluir CAPEX e fortalecer EBITDA.

A rainha sábia não despreza o jovem burguês. Ela o integra ao reino. Sabe que ele pode ser um mal necessário, ou um bem necessário. No fim, não se trata de risco ou oportunidade. Trata-se de mentalidade. Reis inseguros veem ameaça. Reis estratégicos veem complementaridade. E a história mostra que reinos que resistem à transformação tornam-se museus. Reinos que integram inovação tornam-se impérios.

*JosiasMessiaséjornalista,conselheiro de administração e CEO da PróUsinasJornalCana

Inteligência neurodigital inaugura nova agenda estratégica nas usinas latinas

XIX Simpósio ATACBOL, na Bolívia, reforça a integração entre tecnologia, cultura organizacional e competitividade industrial

O XIX Simpósio ATACBOL, realizado entre os dias 29 e 30 de janeiro na Bolívia, consolidou-se como um dos principais fóruns técnicos da cadeia bioenergética na América Latina. Realizado na cidade de Montero, na sede

da União de Canavieiros Guabirá, o encontro reuniu empresas, especialistas, fornecedores e lideranças industriais para discutir inovação, eficiência operacional e estratégias de fortalecimento das usinas de açúcar e etanol. Promovido pela Associação de Técnicos da Indústria Canavieira Boliviana (ATACBOL), o simpósio combinou programação técnica e rodadas de negócios, estimulando o intercâmbio de conhecimento entre profissionais da Bolívia, Brasil e outros países produtores.

A presença brasileira foi reforçada por

empresas integrantes do projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solutions, iniciativa coordenada pelo Apla (Arranjo Produtivo Local do Álcool), em parceria com a ApexBrasil, voltada à promoção internacional de soluções tecnológicas para o setor sucroenergético.

A abertura do evento foi marcada pela palestra de Josias Messias, CEO da Pró-Usinas – JornalCana. Sob o tema “Inteligência Neurodigital: Una nueva competencia y factor competitivo para los Ingenios Azucareros y de Etanol”, a apresentação trouxe ao centro do debate um conceito que começa a ganhar espaço nas discussões estratégicas da indústria.

Mais do que falar de digitalização, Messias propôs uma mudança de mentalidade. A inteligência neurodigital, segundo ele, não se limita à adoção de ferramentas tecnológicas ou softwares de gestão. Trata-se da integração entre ciência cognitiva, cultura organizacional e tecnologias digitais, formando um sistema capaz de ampliar a capacidade de decisão das usinas.

Ao abordar o tema diante de um público formado por técnicos, gestores

e executivos, Messias destacou que as usinas que conseguirem desenvolver essa competência estarão mais preparadas para responder a cenários adversos e identificar oportunidades antes da concorrência. A proposta dialoga diretamente com os desafios atuais da indústria sucroenergética latino-americana, que busca elevar produtividade, reduzir custos e aumentar a confiabilidade operacional sem perder competitividade no mercado global.

A programação do simpósio seguiu na sexta-feira com foco em eficiência industrial. Os debates incluíram tecnologias para ampliar a produção de etanol, melhorias em cristalizadores de açúcar, confiabilidade de sistemas mecânicos e avanços na eficiência da fermentação alcoólica.

O evento reforçou o papel da Bolívia como pólo de intercâmbio técnico regional. Ao sediar o encontro, o país fortalece a integração entre engenhos bolivianos e empresas fornecedoras de soluções tecnológicas, além de estreitar laços com o setor brasileiro, reconhecido internacionalmente por sua expertise em bioenergia.

A combinação entre conteúdo técnico, troca de experiências e visão estratégica apontou para um caminho comum: o futuro das usinas dependerá menos de ganhos isolados e mais da construção de sistemas inteligentes de gestão. Nesse cenário, conceitos como a inteligência neurodigital deixam de ser tendência teórica e passam a integrar a agenda prática das empresas.

Entidades se unem para atuar contra a principal praga da cana do Nordeste

A Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan) e a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) formalizaram uma parceria de cooperação técnica voltada à ampliação dos serviços da Estação de Camaratuba, onde funcionam as biofábricas mantidas pela Asplan.

A iniciativa representa um avanço estratégico no fortalecimento do controle biológico de pragas na cultura da cana do Nordeste, com a definição de novos protocolos para desenvolver métodos de criação da broca em laboratório, usando as fêmeas como armadilha.

A parceria amplia a atuação conjunta das entidades no Nordeste.

A formalização ocorreu durante uma reunião técnica entre equipes das duas associações, no dia 10 de fevereiro, reunindo profissionais da Asplan e da AFCP para alinhar ações de desenvolvimento tecnológico e aprimoramento de protocolos de manejo integrado de pragas.

A parceria envolve diretamente os

profissionais da Asplan e da Estação de Camaratuba, a exemplo do Diretor Técnico, Neto Siqueira, do Supervisor Técnico, Júlio Barbosa, e o Biólogo e Doutor em Agronomia Roberto Balbino, além dos representantes da AFCP, o engenheiro Agrônomo Álvaro Rodrigues, Frederico Camazoni e o Consultor José de Souza.

Segundo Roberto, atualmente, os levantamentos realizados no Centro-Sul do país utilizam, majoritariamen-

te, armadilhas com fêmeas virgens da Diatraea saccharalis, espécie diferente da que ocorre no Nordeste, o que reduz a eficiência do monitoramento regional.

Com a parceria, explica ele, as associações irão desenvolver, de forma conjunta, a criação da Diatraea impersonatella e uma armadilha específica para o levantamento da praga em campo, permitindo maior precisão no diagnóstico e melhor direcionamento das estratégias de controle.

Cooperação

Técnica e Controle

Biológico

Segundo Neto Siqueira, a cooperação entre as entidades repre-

senta um passo importante para a evolução do controle biológico na região, além da ampliação futura da produção das biofábricas.

“Estamos unindo nossas equipes técnicas e o conhecimento acumulado das duas associações para desenvolver protocolos adequados à realidade do Nordeste. Hoje, a metodologia utilizada no Centro-Sul não atende plenamente às nossas condições de campo. Essa parceria vai permitir produzir a Diatraea impersonatella, desenvolver uma armadilha específica e, com isso, melhorar significativamente o levantamento e o controle da broca nos canaviais”, destacou.

Inicialmente, a parceria será baseada na troca de conhecimento técnico entre as equipes.

Paralelamente, as entidades avançarão para uma etapa de produção integrada, na qual a Asplan ficará responsável pela produção do inseto, enquanto a AFCP atuará no desenvolvimento da armadilha.

Com acordo, milhões de galões de etanol seguirão dos EUA para a Guatemala

Acordo comercial recíproco entre Estados Unidos e Guatemala, formalizado no fim de janeiro, permitirá que as usinas americanas enviem pelo menos 50 milhões de galões de etanol por ano para a Guatemala. Cada galão equivale a 3,8 litros.

A aquisição integra compromisso de compra, destaca a Associação de Combustíveis Renováveis (RFA).

E o etanol americano atenderá a exigência de mistura de 10% de etanol na gasolina (E10) para uso rodoviário na Guatemala.

O que acontece agora?

O consumo de gasolina na Guatemala para 2026 está estimado em aproximadamente um bilhão de galões. Desta forma, um padrão E10 significa que serão necessários 100 milhões de galões de etanol.

Quanto renderá em dólares?

Como a Guatemala atualmente exporta grande parte do biocombustível produzido internamente, a mudança para o E10 oferece aos produtores dos EUA uma nova oportunidade de exportação avaliada em aproximadamente US$ 150 milhões, atesta a RFA.

Tarifas zero

O RFA agradeceu ao presidente Donald Trump e ao representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, por garantirem o acordo comercial recíproco com a Guatemala.

O acordo também inclui tarifas zero para produtos agrícolas dos EUA.

Entraves comprometem competitividade

Entraves tributários e estruturais ainda comprometem a competitividade do biocombustível, segundo o Esalq-Log

Estudo do Esalq-Log revela que a cadeia logística do etanol combustível no Brasil tem evoluído com a diversificação de modais e aumento da eficiência operacional.

No entanto, entraves tributários e estruturais ainda comprometem a competitividade do biocombustível frente

à gasolina.

A pesquisa faz parte da Série Logística do Agronegócio – Oportunidades e Desafios (Volume 9) e analisou detalhadamente as etapas de transporte e armazenagem do etanol no país.

O levantamento mostra que, embora o transporte rodoviário continue predominando, sua participação caiu de 82% em 2019 para 71% em 2024.

Em contrapartida, houve aumento no uso de dutovias (de 8% para 14%) e ferrovias (de 6% para 10%), refletindo avanços na intermodalidade e na busca por eficiência logística e energética.

Bagaço de cana-de-açúcar será a matériaprima de fábrica de etanol de última geração na Índia

Futura usina deverá entrar em operação nos próximos dois anos, segundo as empresas responsáveis

A LanzaTech Global, Inc. assinou um contrato com a Spray Engineering Devices Ltd (SED), fornecedora de soluções de energia sustentável, para construir uma instalação de etanol de última geração usando bagaço de cana-de-açúcar.

O resíduo será empregado para a produção de combustíveis e produtos químicos sustentáveis, de acordo com o comunicado à imprensa.

A instalação, projetada para processar até 300 toneladas por dia de bagaço, ficará no estado de Uttar Pradesh, na Índia, e é um componente essencial do conceito “SED Smart Village”.

SED Smart Village e o Futuro da Energia

Renovável

A estrutura SED Smart Village foi projetada para capturar todo o valor

econômico da energia renovável e dos re cursos de carbono. O modelo prevê que a energia abundante e de baixo custo mudará a demanda por carbono para produtos de alto valor, como produtos químicos verdes, polímeros, combustíveis de aviação e combustíveis eletrônicos.

Além disso, espera-se que o projeto LanzaTech gere biocarvão rico em nutrientes (5 a 10%), que pode ser usado nas comunidades agrícolas locais para melhorar a fertilidade do solo.

“A agricultura moderna está prestes a passar por uma transformação significativa por meio da energia solar verde e do hidrogênio, o que criará oportunidades ilimitadas para as economias rurais”, afirmou Vivek Verma, fundador da SED.

“O potencial solar durante todo o ano, as terras férteis e a crescente demanda

por energia posicionam a Índia de maneira única para um futuro de energia renovável de baixo custo. À medida que as tecnologias solares, eólicas, de baterias e de armazenamento amadurecem, espera-se que os custos da eletricidade diminuam significativamente, apoiados pelo armazenamento distribuído de energia. O elemento crítico é garantir que o processamento da biomassa e a reciclagem de nutrientes ocorram localmente para preservar a saúde do solo e fortalecer as economias rurais. Ao utilizar biomassa agrícola não alimentar e resíduos animais como matéria-prima de carbono, podemos descarbonizar a agricultura e criar um ecossistema de hidrocarbonetos sustentável.”

LanzaTech e a Produção de Etanol

Sustentável

A LanzaTech equipa instalações industriais com hardware de biorreatores que funcionam como uma cervejaria, mas em vez de usar levedura para converter açúcar em cerveja, micróbios proprietários convertem gases ricos em carbono, incluindo CO2 combinado com H2 verde, em etanol, um componente fundamental para a produção de bens de consumo e combustíveis rentáveis, incluindo combustível de aviação sustentável (incluindo e-combustíveis) e diesel renovável, acrescentou o comunicado. Ao aproveitar a cadeia de abastecimento existente, a instalação evitará que o bagaço/resíduos de biomassa seja queimado e permitirá a produção local de combustíveis, produtos químicos e matérias-primas. Essa abordagem inovadora apoia economias circulares e ajuda a construir um futuro mais resiliente para as comunidades produtoras de cana-de-açúcar.

A fábrica deverá iniciar suas operações dentro de dois anos.

Governo incentiva nova usina de etanol no estado indiano de Uttar Pradesh

Ela ficará junto a fabricante de açúcar no estado de Uttar Pradesh

Os empreendimentos de usinas de etanol avançam na Índia. E elas crescem também junto a fabricantes de açúcar. É o caso da Usina de Açúcar Pipraich, que se prepara para diversificar sua produção, indo além do açú-

car, com o lançamento da produção de etanol.

Quando estiver em operação, a destilaria produzirá 120 mil litros (quilolitros) de etanol por dia (kLPD), fortalecendo a capacidade de produção de biocombustíveis do estado e melhorando a estabilidade financeira da usina.

Apoio Governamental à Produção de Etanol

O governo estadual tem apoiado repetidamente o projeto de etanol com alocações financeiras nos últimos anos. Exemplo: o governo de Uttar Pradesh destinou 250 milhões de rúpias no orçamento estadual de 2026-2027 para a construção de uma nova destilaria nas instalações, destaca o site da Chemical Industry Digest.

Com o novo financiamento aprovado, as autoridades pretendem acelerar a construção e o comissionamento.

É importante destacar que a nova unidade deverá garantir pagamentos mais rápidos aos produtores de cana-de-açúcar, reduzir a inadimplência e gerar empregos locais, destaca o site.

Ao criar fontes de renda por meio do etanol, a usina poderá estabilizar as receitas e fortalecer a economia rural

em torno de Pipraich. Detalhes da Nova Usina de Etanol em Pipraich

A nova instalação converterá diretamente o caldo de cana-de-açúcar em etanol, permitindo maior valor agregado e apoiando o programa de mistura de etanol da Índia.

Com a mistura de etanol ganhando prioridade nacional, a futura destilaria posiciona Pipraich no centro da estratégia de biocombustíveis de Uttar Pradesh. À medida que a construção avança, o projeto promete fortalecer a renda dos agricultores, apoiar as metas de energia limpa e garantir a viabilidade a longo prazo da histórica usina de açúcar.

Equipamentos de Alta Performance para Etanol de Milho: Engenharia e Fabricação Nacional para Moagem e Resfriamento de

LUIZ GOMIDE FERRAZ*

A produção de etanol de milho demanda controle técnico na preparação da matéria-prima. Considerando que o milho é composto majoritariamente por amido, a redução granulométrica adequada contribui para maior uniformidade do processo e melhor aproveitamento nas etapas posteriores de liquefação e fermentação.

Nesse cenário, o moinho de martelos consolida-se como solução técnica de alta performance. Projetado para operação contínua em regime industrial, permite trabalhar com granulometria média na faixa de 0,5 a 1,0 mm, ampliando a área superficial do material processado. Em aplicações para etanol de milho, os equipamentos po-

dem operar em capacidades que variam aproximadamente de 5 t/h até 40 ou 50 t/h, conforme o modelo e a configuração adotada, incluindo moinhos de grande porte como o M-1200 da Ferraz Máquinas. Como fornecedora brasileira, a Ferraz Máquinas entrega ao mercado soluções nacionais em moagem de milho e resfriamento de DDG. No moinho de martelos, o rotor balanceado dinamicamente e a estrutura reforçada elevam a confiabilidade mecânica, enquanto a troca rápida de peneiras facilita ajustes de granulometria e manutenção. Em comparação aos moinhos de rolos, o sistema de martelos

oferece maior tolerância às variações de umidade e dureza do grão e maior flexibilidade operacional. Na prática, esses fatores contribuem para a redução de paradas não programadas e para melhor desempenho do OEE, Overall Equipment Effectiveness, ou Índice Global de Eficiência do Equipamento.

Na linha de coprodutos, fundamental para a viabilidade econômica das plantas de etanol de milho, o controle térmico do DDG, Dried Distillers Grains, é etapa crítica. Após a secagem, o material pode sair com temperaturas superiores a 80 °C. O resfriador de DDG é dimensionado para reduzir a temperatura para níveis próximos

ao ambiente, normalmente até 10 °C acima do ar externo, garantindo estabilidade no armazenamento, preservação das características nutricionais e mitigação de riscos como condensação e empedramento.

Nesse contexto de nacionalização de equipamentos estratégicos, destaca-se a atuação de fabricantes brasileiros como a Ferraz Máquinas, sediada em Ribeirão Preto (SP), que desenvolve e fabrica moinhos de martelos e resfriadores de DDG para plantas de etanol de milho. A presença de fornecedores nacionais contribui para maior proximidade técnica, agilidade no atendimento e adaptação às condições operacionais das usinas brasileiras.

*GestordaFerrazMáquinas

São Paulo firma acordo com governo sueco sobre pesquisas em biometano

Acordo prevê pesquisas que ampliem a oferta e a infraestrutura de biometano no Estado de São Paulo

O Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (SEMIL), firmou em janeiro último parceria internacional com o Swedfund International AB, instituição financeira de desenvolvimento do governo da Suécia, com foco em pesquisas em biometano.

O objetivo é realizar estudos técnicos para dimensionar investimentos necessários à implantação de novos gasodutos de biometano.

Outro objetivo é avaliar o potencial de recuperação do digestato — subproduto rico em nutrientes gerado na digestão anaeróbica — e propor modelos de negócio para a produção e comercialização de biofertilizantes orgânicos em plantas de biometano no estado.

O potencial de geração de valor na cadeia de biometano em São Paulo resultou na parceria internacional, que prevê o suporte financeiro de aproximadamente R$ 5 milhões — custeados integralmente pelo governo sueco — para serviços de consultoria de especialistas nas áreas de energia, infraestrutura e biometano.

“A colaboração entre o Estado de São

Paulo e o Swedfund tem relevância principalmente em razão do elevado potencial de produção de biometano em território paulista, importante instrumento para a redução de gases de efeito estufa, podendo impulsionar a geração de emprego e renda. O projeto também está alinhado ao Plano de Ação Climática 2050 (PAC 2050) e ao Plano Estadual de Energia 2050 (PEE 2050), ambos com metas de descarbonização”, disse a secretária da Semil, Natália Resende.

O Swedfund financia estudos e realiza investimentos sustentáveis em países em desenvolvimento nas áreas de energia, clima e saúde.

Em parcerias passadas com o governo paulista, o objeto foi o desenvolvimento de dois estudos de caso para produção de biometano a partir de resíduos de estação de tratamento de esgoto e de aterro sanitário para uso em transporte coletivo de passageiros, em substituição ao óleo diesel.

“Em parceria com o estado de São Paulo, buscamos promover o uso eficiente e sustentável do biogás, contribuindo para o desenvolvimento econômico sustentável e para a transição rumo a tecnologias limpas e renováveis no transporte paulista”, afirmou Maria Håkansson, CEO do Swedfund.

Ainda de acordo com Maria Håkansson, essa iniciativa dá continuidade à colaboração inicial, que resultou em estudos de caso demonstrando a via-

bilidade da produção eficiente e sustentável de biogás a partir de resíduos de estações de tratamento de esgoto e aterros sanitários.

“Juntos, esses esforços apoiarão o desenvolvimento de políticas públicas e fornecerão uma ferramenta de planejamento estratégico para os agentes de mercado, possibilitando a expansão das redes de gás para acomodar volumes crescentes de gás renovável no futuro”, afirmou a CEO do Swedfund.

Expansão da Infraestrutura de Biometano em São Paulo

Políticas estaduais impulsionam a expansão da infraestrutura de biometano em São Paulo

A ARSESP publicou, em dezembro de 2025, norma que viabilizará a interconexão de plantas de biometano à rede de gás canalizado sem causar

impacto aos demais usuários. Por meio da TUSD-Verde (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição-Verde), os investimentos e custos operacionais da interconexão serão remunerados exclusivamente pelos fornecedores de biometano.

A regulação implementa as políticas públicas aplicáveis aos serviços regulados, com destaque para a Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC), que tem entre seus objetivos aumentar a participação das fontes renováveis de energia na matriz energética do Estado de São Paulo e reduzir a emissão de gases de efeito estufa, e para o Plano Estadual de Energia (PEE), que apresenta o biometano como uma das principais estratégias para esses objetivos.

A TUSD-Verde irá incentivar o desenvolvimento dos serviços locais de gás canalizado, estabelecendo normas para promover a ampliação do biometano com competitividade e eficiência, ao mesmo tempo em que garante a modicidade tarifária.

Potencialidades da Produção de Biometano em SP

Estudo mostra potencialidades de produção de biometano em SP

Um estudo contratado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), com apoio técnico e institucional da SEMIL, mostrou as potencialidades de biogás e biometano em São Paulo.

A pesquisa concluiu que o potencial de produção de biometano no estado é de 6,4 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), podendo gerar até 20 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, impulsionando uma nova cadeia industrial de equipamentos e

serviços. Entre os ganhos adicionais, destaca-se a substituição parcial de combustíveis no transporte, com potencial de redução de até 16% nas emissões de carbono em comparação ao óleo diesel. Segundo o estudo da FIESP, mais de 80% do potencial produtivo paulista está concentrado no setor sucroenergético, que aproveita resíduos da produção de açúcar e etanol — como vinhaça, torta de filtro, bagaço e palha — para a geração de biogás e biometano.

Energética Serranópolis, em Serranópolis (GO): Francisco Costa, Gerente Industrial e Reuber Moura, Supervisor de TI.

Rio Verde, de Rio Verde (GO): Cássio Iplinsky, CEO; Wemerson Carvalho, coordenador de Manutenção

e Aline Honório, gerente de Produção.

Na sede da ACP Bioenergia, em Ribeirão Preto (SP): Lucas Messias, Coordenador de Midia & Eventos da Pró-Usinas JornalCana; Caio Marchini: Diretor de Finanças e Lidiane Lima, Diretora de Controles e Processos da ACP; e Delcy Mac Cruz, editor do JornalCana

Da esquerda para a direita: Lucas Messias, Coordenador de Midia & Eventos da Pró-Usinas JornalCana; Fernando Favaro, Diretor Comercial, e Marcos Favar, Diretor da Solisteel

Com Gerson Forti, Fátima do Sul Agro Energética; e Henrique Schiavon, Diretor Comercial da Star Redutores
Marcelo Bento, da Pró-Cana JornalCana e Carlos Eduardo Ferreira de Souza, CEO da Century Bombas
Usina
Mecânica;

Participe desta jornada conosco e faça parte dos maiores eventos do

setor

UAPNE26

CONGRESSO USINAS DE ALTA PERFORMANCE NORTE–NORDESTE

Evento que reúne especialistas e líderes para discutir práticas inovadoras e estratégias eficazes nas áreas agrícola, industrial e de gestão. Uma oportunidade única para compartilhar inovação e fortalecer parcerias no cenário dinâmico da região norte-nordeste.

10 E 11/JUN

CANABIO

MASTERCANA

NORTE E NORDESTE - 2026

O troféu mais desejado do setor bioenergético é também a principal plataforma de networking e posicionamento de marca do setor. Uma oportunidade exclusiva para empresas que buscam valorizar sua liderança e referência no mercado.

CONGRESSO DE MANEJO BIOLÓGICO & REGENERATIVO DE CANA-DE-AÇÚCAR 10/AGO

O maior evento da área, reúne grupos, usinas e especialistas na busca pela Cana Regenerativa. Webinares, podcasts e cobertura no YouTube completam a imersão do público.

MASTERCANA

CENTRO-SUL & SOCIAL 2026

O troféu mais desejado do setor bioenergético é também a principal plataforma de networking e posicionamento de marca do setor. Uma oportunidade exclusiva para empresas que buscam valorizar sua liderança e referência no mercado.

CONGRESSO USINAS DE ALTA PERFORMANCE INDUSTRIAL

Desde 2001, o SINATUB é referência em benchmarking e atualização técnica para profissionais da indústria bioenergética. Uma oportunidade única para sua empresa compartilhar inovação, alavancar negócios e fortalecer seu networking com quem decide na área industrial.

BRASIL & AWARD 2026

O troféu mais desejado do setor bioenergético é também a principal plataforma de networking e posicionamento de marca do setor. Uma oportunidade exclusiva para empresas que buscam valorizar sua liderança e referência no mercado.

Tecnologia de Otimização em Tempo Real - RTO

Usina 4.0

• Antecipação do processo devido à matéria-prima. Interligação de bases agrícola e industrial

• Tomada de decisão global e não local

• PDCA on-line para a operação

• Dados do laboratório influenciando processo diretamente

• Sei a eficiência de meus equipamentos

• Meus stakeholders visualizam meus KPIs por diferentes formas

Diferença entre Controle e Otimização

Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook