ÓRGÃO OFICIAL DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA FUNDADO EM 1901
Mães que ensinam, cuidam e edificam gerações

81 anos
Associação Batista de Salvador celebra mais um aniversário
EBD para o Alto
Amapá recebe projeto e planeja outras edições para 2026
Centro Batista
Culto dos colaboradores destaca o Mês da Família
JUBAPE
Juventude Batista de Pernambuco promove acampamento bienal
EDITORIAL
Dia das Mães: um chamado que carrega eternidade

Celebrar o Dia das Mães é mais do que reconhecer afeto, cuidado e dedicação. É lembrar que, desde o princípio, Deus confiou à mulher uma das mais profundas expressões do Seu propósito: gerar, formar e conduzir vida. Não se trata apenas de uma função biológica ou social, mas de um chamado que carrega significado eterno.
Gerar vida nunca foi algo comum. Há, nesse ato, um privilégio que aponta diretamente para a intenção do Criador. Cada mãe, à sua maneira, participa de um processo que vai além do visível. Em suas mãos não está apenas a responsabilidade de cuidar, mas a missão de formar histórias, valores e destinos.
É verdade que a maternidade também revela seus desafios. Há dias marcados pelo cansaço, momentos de silêncio, lutas que não são percebidas por outros. No entanto, a fé nos lembra de uma verdade essencial: Deus vê. Ele conhece cada detalhe, sustenta em meio às fragilidades e fortalece mesmo quando as forças parecem insuficientes.
Em um tempo em que o valor da maternidade, muitas vezes, é relativizado ou diminuído, a Palavra de Deus rea-

firma sua grandeza. Os filhos são herança do Senhor. Essa verdade transforma a maneira de enxergar o cotidiano: aquilo que parece comum carrega, na verdade, uma origem divina.
Ao longo das Escrituras, encontramos exemplos que reforçam essa perspectiva. Mulheres que não apenas geraram filhos, mas participaram ativamente do plano de Deus na história. Vidas que foram instrumentos para cumprir propósitos maiores, impactando gerações.
Isso nos leva a compreender que gerar vai além do nascimento. É formar caráter, ensinar caminhos, transmitir fé e valores. É participar da construção de algo que ultrapassa o presente e alcança o futuro.
Neste Dia das Mães, a mensagem que permanece é clara: Deus vê cada mãe. Vê seu esforço, sua entrega e sua fidelidade. Ele é quem sustenta, renova e dá sentido a cada etapa dessa jornada.
Que cada mãe seja encorajada a lembrar que sua missão não é pequena. Ela carrega propósito, forma vidas e coopera com aquilo que Deus está fazendo no mundo.
Feliz Dia das Mães. n

O JORNAL BATISTA
Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso.
Fundado em 10.01.1901
INPI: 006335527 | ISSN: 1679-0189
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A direção é responsável, perante a lei, por todos os textos publicados. Perante a denominação Batista, as colaborações assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião do Jornal.
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W.E. Entzminger, fundador (1901 a 1919);
A.B. Detter (1904 e 1907); S.L. Watson (1920 a 1925); Theodoro Rodrigues Teixeira (1925 a 1940); Moisés Silveira (1940 a 1946); Almir Gonçalves (1946 a 1964); José dos Reis Pereira (1964 a 1988); Nilson Dimarzio (1988 a 1995) e Salovi Bernardo (1995 a 2002)
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Zacarias Taylor (1904); A.L. Dunstan (1907); Salomão Ginsburg (1913 a 1914); L.T. Hites (1921 a 1922); e A.B. Christie (1923).
ARTE: Oliverartelucas

Escudo da fé
31 dias de oração pela família Junta de Missões Nacionais

Hoje, esses “dardos inflamados” podem se manifestar como pensamentos de inveja e insegurança, muitas vezes alimentados pela cultura digital.
“Em todas as circunstâncias, peguem o escudo da fé, com o qual vocês poderão apagar todos os dardos inflamados do Maligno” (Ef 6.16).
A fé firme em Cristo é um escudo que nos protege contra as investidas de Satanás. Quem não crê não está seguro; torna-se uma presa fácil. Quem crê, porém, tem fundamento sólido, vive numa dimensão de confiança em Deus e está protegido pelo escudo que Ele providencia. O escudo faz proteção contra os dardos inflamados de Satanás. Essa é uma linguagem figurada usada por Paulo para mostrar que Satanás procura penetrar em nossas vidas por meio de suas artimanhas e ciladas.
Famílias que se firmam na fé constroem um muro contra a ansiedade, a competição e a superficialidade que o mundo oferece
Quando olhamos para a vida dos outros e sentimos que não somos suficientes, o inimigo está lançando seus dardos. Mas a fé nos lembra que somos amados por Deus, temos valor e propósito em Cristo. A fé não é apenas acreditar; é confiar plenamente que Deus está no controle, mesmo quando tudo ao nosso redor parece nos pressionar. Famílias que se firmam na fé constroem um muro contra a ansiedade, a competição e a superficialidade que o mundo oferece.
Quando levantamos o escudo da fé, não apenas nos defendemos, mas avançamos com confiança, sabendo que Deus é o nosso sustento.
A fé é como um escudo que nos protege dos ataques invisíveis que tentam atingir nossa mente e nosso coração.
Capacete da Salvação
31 dias de oração pela família
Junta de Missões Nacionais
Hoje, decida com sua família: não vamos viver reagindo às pressões do mundo digital, mas caminhando firmes na fé que vence qualquer ataque. A vitória não está em sermos perfeitos, mas em permanecermos protegidos pelo Deus que nunca falha. n

“Tomem também o capacete da salvação...” (Efésios 6.17a)
O capacete protege a cabeça do soldado, assim como a salvação protege nossa mente. Vivemos em uma cultura que valoriza o prazer imediato: curtidas, notificações, vídeos curtos e respostas rápidas. Essa pressão constante pode nos levar a decisões precipitadas e pensamentos superficiais.
Deus nos chama para algo maior: uma mente renovada pela salvação em Cristo. Quando colocamos o capacete da salvação, escolhemos pensar de forma diferente, rejeitando padrões que nos afastam de Deus e abraçando princípios eternos. A salvação não é apenas um evento passado, mas uma realidade presente que transforma nossa maneira de viver e pensar. A salvação deve ser compreendida como tudo aquilo
que recebemos em Cristo. Deus nos concedeu plenamente suas riquezas por meio dEle, e a salvação revela essa graça manifesta em Cristo. Satanás não pode nos arrancar das mãos de Deus, porque nada pode nos separar do amor de Jesus. Por isso, o povo de Deus precisa reconhecer que está seguro, protegido pelo capacete da salvação.
Quando colocamos o capacete da salvação, escolhemos pensar de forma diferente, rejeitando padrões que nos afastam de Deus e abraçando princípios eternos
O mundo quer moldar nossa mente com pressões digitais e prazeres passageiros. Famílias protegidas pela armadura de Deus escolhem outro caminho: o da salvação que transforma. Ao colocarmos o capacete da salvação, não apenas protegemos nossos pensamentos, mas direcionamos nossa vida para aquilo que é eterno. Hoje, decida com sua família: não vamos viver conforme os padrões do mundo, mas renovar nossa mente pela Palavra e pela salvação em Cristo. Essa é a verdadeira vitória contra a cultura do prazer imediato. Leiam Romanos 12.2 em família e conversem sobre como essa cultura tem influenciado suas escolhas. Perguntem: “O que podemos mudar para viver de acordo com a vontade de Deus?”. n
Espada do Espírito
31 dias de oração pela família
Junta de Missões Nacionais

da Palavra para o amadurecimento do crente, como afirma Hebreus 4.12.
“Tomem também... a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Efésios 6.17b)
A Palavra de Deus é chamada de espada do Espírito porque é a nossa arma contra o engano e as mentiras que tentam nos afastar da verdade. Em um mundo digital cheio de informações distorcidas, opiniões superficiais e conteúdos que seduzem, precisamos de algo sólido para nos defender e avançar: a Bíblia. O Espírito tem uma relação íntima com a Palavra, pois é por meio dela que Ele ensina e faz lembrar tudo o que Deus nos revelou. A Palavra é a arma do Espírito para vencer a batalha. Tudo de que o ser humano precisa para viver uma vida cristã com força e poder está na Palavra de Deus.
Em um mundo digital cheio de informações distorcidas, opiniões superficiais e conteúdos que seduzem, precisamos de algo sólido para nos defender e avançar: a Bíblia
Não é à toa que a Bíblia enfatiza tanto a necessidade de estarmos sempre meditando na Palavra de Deus. Muitas vezes, não percebemos o quanto prejudicamos a nós mesmos quando a negligenciamos. Quem quer uma vida firme e fortalecida não pode se esquecer da Palavra; ela é como alimento diário para o nosso organismo.
Sem a Palavra, ficamos vulneráveis às ciladas do inimigo, que usa distrações e falsos valores para enfraquecer nossa fé. Mas, quando conhecemos e aplicamos a Escritura, desenvolvemos discernimento para escolher o que edifica e rejeitar o que destrói. A espada não serve apenas para defesa, mas também para ataque: com ela proclamamos a verdade e vencemos as mentiras que circulam nas redes e na mente.
Apocalipse 19.15 diz: “Da sua boca sai uma espada afiada, para com ela ferir as nações. Ele mesmo as regerá com cetro de ferro”. Além do aspecto de vitória, que está relacionado à manifestação de Cristo, há também o poder
Orando em todo tempo
31 dias de oração pela família Junta de Missões Nacionais
Desafio você e sua família a memorizar, nesta semana, o seguinte versículo: “Guardo a tua palavra no meu coração para não pecar contra ti” (Sl 119.11). Conversem juntos sobre como esse texto pode ajudar a resistir às tentações digitais e a manter o coração firme em Deus. n

“Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito, e para isso vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6.18).
A oração é o canal direto com Deus. Não precisamos de conexão Wi-Fi, não precisamos de aplicativos: temos livre acesso ao Pai. Em um mundo onde tudo parece depender de curtidas, seguidores e notificações, é fácil esquecer que a verdadeira conexão não está nas redes sociais, mas na presença do Senhor.
A oração nos mantém firmes, nos dá discernimento e fortalece nossa família contra as distrações digitais e as pressões de um mundo cada vez mais rápido e superficial. Quando oramos juntos, criamos um ambiente espiritual que protege nossa mente e nosso coração. A oração não é apenas um ato religioso, mas uma conversa viva com Deus, que transforma nossa rotina e nos aproxima uns dos outros.
nossa fraqueza. Porque não sabemos orar como convém, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26). A oração no Espírito é uma oração que obtém resposta. Além disso, a oração é intercessora: é feita também em favor dos outros.
O apóstolo Paulo pede orações por ele para que tenha intrepidez ao anunciar o evangelho. Ele não pede poder para amarrar demônios, mas coragem para pregar a Palavra. Ele deseja coragem para falar como devia falar, a fim de tornar o nome de Jesus conhecido em todos os lugares.
Famílias protegidas pela armadura de Deus são famílias que oram
Não podemos deixar a oração de lado. Ela é de suma importância na luta espiritual que travamos. A oração é diálogo com o Pai, e nesse diálogo aprendemos muitas coisas, pois Ele nos concede discernimento espiritual. Se soubéssemos o quanto nos tornamos fracos quando deixamos de orar, teríamos mais cuidado e mais desejo de estar sempre na presença do Senhor.
A oração perseverante é feita “em todo tempo”. Ela chega até Deus porque é feita no Espírito, o qual “nos ajuda em
Famílias protegidas pela armadura de Deus são famílias que oram. Hoje, decida com sua família: vamos priorizar a oração, não como um ritual, mas como um estilo de vida. Quando a casa se torna um lugar de oração, ela se transforma em um espaço de paz, força e vitória. n
JUVENTUDE BATISTA BRASILEIRA
Somos Um na PROTEÇÃO: POR QUE PROTEGER?
Adoryan Boechart pastor, historiador, Advogado e Coordenador de Adolescentes da JBB
Existe no nosso mundo uma realidade muito cruel: crianças e adolescentes estão cada vez mais expostos aos perigos de um mundo caído. Segundo o Atlas da Violência 2025, divulgado em pelo Ipea e em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), há um crescimento nos casos de violência na primeira infância, incluindo aumento de agressões e mortes na faixa de 0 a 4 anos. E os últimos dados divulgados pelo governo brasileiro em 2021, cerca de 81% dos casos acontecem dentro de casa.
O mês de maio se tinge de laranja para nos confrontar com uma realidade que, muitas vezes, preferimos ignorar: a vulnerabilidade de nossas crianças e adolescentes. Para nós, Batistas, o chamado Maio Laranja não deveria ser apenas mais uma campanha, mas uma convocação a uma mudança urgente. O cuidado com os pequeninos não é uma opção institucional, mas uma urgência que une nossa identidade bíblica ao nosso dever cívico.
Se somos um em Cristo, como não chorar com os que choram?
Ao olharmos para as Escrituras, percebemos que o abuso e a negligência contra os mais novos são marcas da queda humana. José, ainda adolescente, foi vítima de tráfico humano e violência por parte de seus próprios irmãos (Gênesis 37). Joás sobreviveu a um genocídio familiar arquitetado por sua avó, Atalia, precisando ser escondido no templo para preservar sua vida (II Reis 11). Moisés nasce num contexto de tentativa de extermínio de meninos hebreus (Exodo 1). Um relato chocante sobre a fome em Samaria, que faz uma mãe cozinhar o próprio filho (II Reis 6.28-29). Até mesmo o nascimento de nosso Senhor foi marcado pela perseguição infanticida de Herodes.
contrário ao que Jesus nos ensinou. Eles deveriam ser nossas prioridades e receber de nós a melhor parte da porção. Para além da nossa responsabilidade espiritual, a Constituição Federal de 1988, no seu Artigo 227, estabelece que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à dignidade e ao respeito. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em consonância com os valores de proteção integral, detalha como essa rede deve funcionar. A recente atualização do ECA Digital (Lei 14.811/2024) trouxe avanços cruciais, criminalizando condutas como o bullying e o cyberbullying, além de endurecer penas para crimes sexuais cometidos contra crianças no ambiente virtual. A lei humana, neste caso, reflete o desejo divino de justiça. Se lembre que Justiça é um dos atributos de Deus e que são bem-aventurados os que têm fome e sede de Justiça (Mateus 5.6). Não proteger é, além de pecado, uma omissão legal passível de sanções. Somos corresponsáveis pela integridade física e psíquica daqueles que ainda não têm voz para se defenderem sozinhos.
É extremamente urgente que nossas Igrejas conheçam as leis que protegem nossos pequenos, ou ao invés de sermos refúgio, corremos o risco de sermos parte do mal que está agindo. Existem excelentes profissionais Batistas que podem contribuir com capacitação, orientação e até plano de ação em muitos casos. Somos muitos, mas somos um, e por isso, todo o corpo pode servir a sua Igreja de alguma forma.
Se somos um em Cristo, como não chorar com os que choram?
Vale lembrar que muitos desses pequeninos não estudam, ou vivem em outras condições sub-humanas, ou são explorados ou tudo isso ao mesmo tempo. Outros vivem no meio das escolas de nossos filhos, moram na mesma rua que nossos irmãos e, ainda sim, estão sofrendo abusos diários. Porque a condição que os leva a sofrer não é por conta de sua classe social, mas do mesmo inimigo comum a nós: o pecado.
Esses relatos não estão na Bíblia por acaso e denunciam que os menores são historicamente um elo frágil da sociedade. Contudo, Deus responde à fragilidade dos mais novos: o Salmista declara que Ele é o “Pai dos órfãos e protetor das viúvas” (Sl 68.5) e o próprio Jesus elevou essa responsabilidade ao patamar espiritual dizendo “Deixai vir a mim os pequeninos”. Neste último, Jesus não estava apenas sendo gentil, mas estava estabelecendo uma prioridade no Reino. Para Cristo, “Quem receber uma destas crianças em meu nome, a mim me recebe” (Mt 18.5). Proteger uma criança, portanto, é um ato de adoração, enquanto negligenciá-la é uma ofensa direta ao Criador.
Infelizmente, é muito comum Igrejas disponibilizarem os espaços que sobram e equipamentos de menor qualidade para esses grupos. Em muitos lugares é possível ver a pior sala de EBD para crianças ou os velhos equipamentos de som para a sala de adolescentes. Isso pode soar inofensivo, mas revela muitas vezes que temos para esses grupos o lugar errado nas nossas prioridades. Ao vermos a maneira como Jesus tratou os pequeninos, percebemos que isso vai
A Igreja é, em grande parte dos casos, a única resposta de crianças e adolescentes que sofrem, diante de uma sociedade cujas leis não impendem que o mal triunfe. Muitos dos pequeninos só experimentam o que é o amor com as tias da salinha, por meio da atenção dos líderes de adolescentes ou é possível que a melhor comida que ele terá no ano é durante o acampamento da Igreja. Nós somos a resposta das orações desses pequenos. É no nosso discipulado com eles, no cuidado de sermos atenciosos, no cuidado em selecionarmos com muita cautela nossos voluntários, na capacitação dos nossos irmãos e, no olhar atento da urgência que se instaurou, que o amor de Cristo vencerá.
Nós, que carregamos a luz de Cristo, temos o dever de iluminar os porões da violência contra os que Jesus amou. Se há uma voz que deva soar contra a impunidade e injustiça, essa é a nossa voz. Que as Igrejas Batistas Brasileiras sejam o refúgio, o abraço seguro e a voz que denuncia o erro e promove a vida. Se ainda formos o único lugar seguro para eles, que sejamos o último e que encontrando a nós, encontrem a Cristo, e nenhum outro refúgio mais será necessário. n
Vigilância espiritual
31 dias de oração pela família
Junta de Missões Nacionais

“...orando em todo tempo no Espírito, e para isso vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6.18b)
A vida cristã exige vigilância. Paulo nos lembra que, além de orar, precisamos estar atentos. Hoje, as distrações não são apenas externas, mas também digitais: notificações, vídeos, redes sociais e conteúdos que roubam nosso tempo e enfraquecem nossas relações com o próximo e com Deus.
“Quando a vigilância espiritual se torna um hábito, a casa se transforma em um lugar de paz, propósito e presença”
Essas distrações parecem inofensivas, mas podem nos afastar da comunhão com Deus e da convivência familiar. Estar vigilante é perceber quando algo começa a ocupar o lugar que pertence ao Senhor. A vigilância espiritual funciona como um alarme que nos alerta: “Cuidado, isso está roubando sua paz e sua fé”.
“Quando a vigilância espiritual se torna um hábito, a casa
Perseverança na oração
31 dias de oração pela família
Junta de Missões Nacionais
se transforma em um lugar de paz, propósito e presença”. Vivemos em um mundo cheio de estímulos que competem pela nossa atenção. No entanto, famílias protegidas pela armadura de Deus escolhem vigiar e manter o foco no que é eterno, no que realmente faz sentido: uma vida de devoção. Sua família não deve permitir que influências e distrações roubem o foco da vida com Deus e da fé. A comunhão com a família, com a Igreja e com Deus é necessária diante de um mundo cada vez mais isolado. Vamos vigiar, orar e permanecer firmes no Senhor. Quando a vigilância espiritual se torna um hábito, a casa se transforma em um lugar de paz, propósito e presença.
Avalie o conteúdo que você consome diariamente. Pergunte-se:
• Isso fortalece minha fé ou me afasta de Deus?
• Está me aproximando da minha família ou criando barreiras?
Façam essa análise juntos e conversem sobre mudanças práticas para usar a tecnologia com equilíbrio. n

“Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração” (Rm 12.12).
Não desista de lutar pela santidade digital. Vivemos em um mundo onde tudo é imediato: respostas rápidas, notificações constantes e uma busca incessante por prazer instantâneo. Essa cultura pode nos afastar daquilo que é essencial: a presença de Deus.
Não desista de lutar pela santidade digital.
roubar nosso tempo e nossa atenção. Quando a tentação de sites, fotos, perfis e vídeos imorais surge para nos afastar de Deus, somos chamados a buscar o Santo. Famílias que perseveram na oração constroem um muro espiritual contra essas pressões e aprendem a viver com esperança e propósito.
Não desista de lutar pela santidade digital
A crise da pornografia entre os cristãos tem sido um problema sério. Considerada por alguns conselheiros como a principal causa da maior crise moral da igreja na atualidade, a pornografia revela a intensa luta por uma fé santa, por uma vida de consagração e pelo afastamento da tentação da imoralidade sexual, agravada pela facilidade de acesso. Paulo nos lembra que a vida cristã exige perseverança, especialmente na oração. Orar é insistir em manter a conexão com Deus, mesmo quando as distrações digitais tentam
A “olhadinha” precisa ser substituída por joelhos dobrados na presença do Senhor. Essa luta é travada com armas espirituais e só pode ser vencida por meio de entrega e consagração. Perseverar na oração, nesse campo de batalha, significa dobrar-se diante do Senhor para não se entregar à devassidão.
Hoje, ore por sua família e por outras. Interceder é um ato de amor e unidade. Escolham juntos alguns lares para colocar diante de Deus, pedindo que sejam fortalecidos contra as ciladas do inimigo e que experimentem paz e comunhão verdadeira.
Decida com sua família: vamos perseverar na oração, mesmo quando o mundo nos empurra para a pressa, para a distração e para a tentação. Quando a casa se torna um lugar de oração constante, ela se transforma em um refúgio de paz, força e vitória. n
Promotores de Missões participam de viagem missionária entre os ribeirinhos da Amazônia
Silvana S. P. Martines coordenadora Nacional de Mobilização Voluntária de Missões Nacionais
De 07 a 13 de abril de 2026, realizamos a I Caravana de Promotores de Missões para a Amazônia, no nosso querido barco O Missionário. Um sonho que, pela graça de Deus, se tornou realidade.
Foram dias intensos e inesquecíveis. Participaram 30 promotores de diferentes regiões do Brasil, incluindo profissionais da saúde que também são promotores de missões em suas igrejas. Após cerca de 40 horas navegando, chegamos à região de Coari, onde iniciamos atendimentos e ações evangelísticas nas comunidades, sempre onde os nossos radicais já estão trabalhando.

Ao longo da viagem, tivemos cultos e momentos devocionais sobre o chamado de Deus para mobilizar. Refletimos sobre a honra de sermos chamados para “ficar”, sustentando, enviando e despertando outros e sobre os desafios da mobilização nas igrejas.
Foram dias significativos, pois os promotores já conhecem bem o trabalho missionário, os missionários, o barco missionário, o Centro de Formação Missionária da Amazônia, entre outros projetos. Por isso, foi marcante ver a reação deles ao presenciarem aquilo que tantas vezes ouviram e compartilharam.
Realizamos atendimentos médicos e odontológicos, corte de cabelo, manicure e um trabalho evangelístico com as crianças. Em uma comunidade indígena, vimos apresentações musicais e coreografias preparadas pelas crianças e pelos adolescentes, com roupas típicas preparadas especialmente para nós.
Tudo é marcante. Ver a dedicação dos missionários, muitos jovens, que renunciam ao conforto para servir em locais distantes, muitas vezes sem internet e com limitações de
energia, nos impacta profundamente.
Uma viagem assim nos leva a refletir sobre nossa missão. Ouvimos que aqueles jovens são responsáveis por evangelizar toda a calha do rio onde estão; por isso, trabalham incansavelmente para ganhar pessoas para Cristo.
Fico pensando: onde estaríamos como Igreja de Cristo se cada crente tivesse o senso de que toda a rua, prédio ou condomínio onde mora é sua responsabilidade de ganhar para Jesus e vivesse buscando se relacionar de forma intencional para isso?

Uma viagem missionária mexe com o nosso coração!
Estão abertas as inscrições para a II Caravana de Promotores em 2027. Participe! n

Associação Batista de Salvador celebra 81 anos de história
Mais de 1000 pessoas participaram do evento.

Evento teve cerca de quatro horas de momentos de louvor e adoração a Deus, testemunhos do que Deus tem feito na cidade e muita comunhão




Valorização das organizações foi a tônica da celebração de 81 anos da Associação Batista de Salvador
Lidiane Ferreira
gerente de Comunicação e Marketing da Convenção Batista Baiana
Uma grande celebração, realizada no templo da Igreja Batista Metropolitana em Salvador - BA, em pleno feriado de 1º de maio, marcou os 81 anos da Associação Batista de Salvador (ABS). O pastor Nerinaldo Luís, presidente da ABS, abriu os trabalhos entoando o grito de guerra dos Embaixadores do Rei (Uma vez Embaixador, sempre Embaixador do Rei), acompanhado de sua esposa, Ilca Soares, que entoou o grito de guerra das Mensageiras do Rei (Uma vez Mensageira, sempre Mensageira do Rei). A abertura já deu o tom do evento: valorização das organizações.
A comemoração foi grande em termos de público: mais de mil pessoas participaram do evento. Estiveram presentes representantes da Convenção Batista Baiana e de seus órgãos, além de pastores, líderes e membros de diversas Igrejas. Grande também em termos de programação: cerca de quatro horas de momentos de louvor e adoração a Deus, testemunhos do que Deus tem feito na cidade e muita comunhão.
A ABS – como é mais conhecida – é a associação regional da Convenção Batista Baiana com o maior número de Igrejas Batistas filiadas: são mais de 130 espalhadas
em bairros da capital baiana e em Lauro de Freitas, cidade vizinha a Salvador.
O grande culto no dia primeiro de maio tem se tornado tradicional desde a edição dos 80 anos, em 2025. Neste ano, a programação contou com as participações musicais do pastor Paulo Cezar e Artemis (Grupo Logos) e da banda Pedra Angular. As organizações tiveram momento especial com o Coro de Embaixadores e Mensageiras do Rei e com o Coral Proclamação, formado por mulheres Batistas de Salvador.
O público celebrou a obra missionária através da Cristolândia Bahia e seu coro cantando hinos de louvor ao Senhor. Celebrou também o trabalho realizado pelo Projeto Mãos que amparam, promovido pela Primeira Igreja Batista em Jardim das Mangabeiras, que oferta aulas de balé e karatê às crianças da comunidade no bairro de Cajazeiras 9. Celebrou ainda a presença de uma pessoa alcançada durante a caminhada evangelística na 105ª Semana Batista da Convenção Batista Brasileira, realizada em Salvador em janeiro de 2026, que irá se batizar em breve para a glória de Deus. A mensagem da noite foi pregada pelo pastor Daniel Ventura, diretor-executivo da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB). Ele trouxe uma palavra baseada no texto bíblico de Mateus 18.1-7, destacando o cuidado que devemos ter com as crianças e o tema escolhido pela ABS: Salvador precisa do Salvador. n
Acampamento de Promotores de Missões Estaduais Bahia impulsiona a obra missionária no estado
Encontro reuniu participantes de 19 associações, representando 126 igrejas, de 72 cidades baianas.

Mais de 200 pessoas participaram do Acampamento de Missões Estaduais 2026 Bahia, em Feira de Santana
Comunicação da Convenção Batista Baiana
Entre os dias 24 e 25 de abril, o Seminário Teológico Batista do Nordeste, em Feira de Santana - BA, sediou um dos encontros mais estratégicos para a obra missionária no estado: o Acampamento de Promotores de Missões Estaduais Bahia. Promovido pela Convenção Batista Baiana, sob a gestão da Gerência de Expansão Missionária (GEM), o evento reuniu cerca de 215 inscritos, provenientes de 19 associações, representando 126 igrejas, de 72 cidades baianas.
O perfil dos participantes evidenciou a diversidade e a força do trabalho cooperativo: promotores de missões, missionários, equipe da GEM, voluntários, pastores e líderes associacionais. Um dado especialmente significativo foi a presença de quase 30% de uma nova geração, sinalizando renovação e continuidade na mobilização missionária.
Com o tema “Cada Batista, um Discípulo em Missão” (Atos 11.26b), o acampamento foi marcado por forte engajamento e por uma programação cuidadosamente estruturada. Os participantes tiveram acesso a um conteúdo consistente, que incluiu testemunhos missionários, capacitação prática, além da apresentação oficial do material da campanha e as pregações proferidas pelo pastor Neilton Ramos, titular da Primeira Igreja Batista de Itapetinga - BA.
Os testemunhos de campo trouxeram relatos impactantes sobre a realidade missionária em diversas regiões da Bahia, despertando ainda mais o compromisso com a expansão do Reino de Deus no estado. Já a apresentação da campanha ofereceu direcionamento claro quanto às estratégias e recursos que serão utilizados pelas igrejas ao longo do ano.
A programação também contou com ampla cobertura de
comunicação. O evento foi acompanhado pela Rede 3.16, por meio do programa Conexão Bahia Batista, e, no sábado, teve transmissão ao vivo pelo canal oficial da CBBA no YouTube, ampliando o alcance das atividades e permitindo que mais pessoas fossem impactadas.
Momentos de encorajamento espiritual também marcaram o encontro, fortalecendo a unidade e o senso de propósito entre os presentes. O ponto culminante aconteceu na noite do dia 25, com o culto de lançamento da Campanha de Missões Estaduais Bahia 2026, um tempo de celebração, inspiração e desafio.
Durante o evento, foram apresentados alvos desafiadores para a campanha: a mobilização de R$ 2 milhões em ofertas e o alcance de 1.000 novos adotantes do PAM (Programa de Adoção Missionária). A proposta ganha ainda mais relevância diante do desafio missionário no estado, considerando que a Bahia ainda possui mais de 40 cidades sem a presença de igrejas batistas, reforçando a necessidade de expansão intencional e contínua.
Outro aspecto relevante foi a organização e disponibilização do material da campanha, que será enviado às igrejas, fortalecendo o trabalho dos promotores e garantindo unidade na comunicação em todo o estado. O material também já está disponível em forma digital no site missoesestaduais.org.
Mais do que um evento, o Acampamento de Promotores reafirma seu papel como uma plataforma estratégica de alinhamento, capacitação e envio. A expectativa é que cada participante retorne ao seu contexto local como um agente comprometido com a expansão missionária, contribuindo para que a Bahia continue sendo impactada pelo Evangelho. Juntos Vamos Expandir Sempre Mais. n
Amapá recebe 1ª edição do “EBD Para o Alto”
Evento reuniu quase 90 inscritos em Macapá e fortaleceu a Educação Cristã nas Igrejas Batistas do estado


Fotos: Pr. Adiel Fagundes

Programação a foi bem recebida pelos Batistas amapaenses e contou com a participação de quase 90 inscritos de Igrejas da capital
Eliane da Graça membro da Igreja Batista Central de Macapá - AP
No dia 25 de abril de 2026, na sede da Convenção Batista do Amapá, aconteceu a 1ª edição do “EBD Para o Alto”. A proposta da Convenção Batista Brasileira (CBB), da Ordem dos Educadores Cristãos Batistas do Brasil (OECBB) e da Convicção Editora foi bem recebida pelos Batistas amapaenses e contou com a participação de quase 90 inscritos de Igrejas da capital, Macapá.
Os ministrantes foram educadores do campo que têm fortalecido o ensino da Bíblia nas EBDs. Entre os temas abordados, esteve a palestra “Família para o Alto”, que destacou que Deus é um Deus de gerações. Durante a ministração, foi apresentado o material da Nova Revista Integrando, da Convicção Editora, como instrumento prático para os pais ensinarem aos filhos sobre Deus e Seu plano salvador.
O pastor Edmilson de Jesus Pereira, coordenador do Departamento de Educação Cristã da Convenção Batista do Estado do Amapá (COBAAP), avaliou positivamente a realização do evento. “Fizemos a primeira edição do EBD para o Alto e os resultados superaram as nossas expectativas tanto em quantidade de inscritos quanto em termos de aceitação. Tanto é que faremos mais uma edição em Macapá e mais três nos interiores, totalizando cinco edições nesta temporada de 2026”, afirmou.
especial, com a participação de 11 pessoas, de diferentes Igrejas, que se envolveram de forma ativa e significativa em cada atividade”, relatou.
Segundo a educadora Kátia Oliveira, ministrante da oficina de pré-adolescentes, a proposta do “EBD Para o Alto” amplia o papel do professor na formação espiritual dos alunos. “A EBD tem se mostrado como uma evolução da Escola Bíblica Dominical, onde o objetivo vai além do ensino ministrado. O professor vira discipulador e facilitador, entendendo que seu papel vai além da aula dada, estendendo-se durante toda a semana, na qual há um relacionamento sendo construído”, explicou.
Sou grato a Deus pela visão da nossa denominação em preparar e realizar esse projeto
O seminarista Carlos Junior, ministrante da oficina de jovens, também compartilhou sua percepção sobre o impacto do novo material e da metodologia aplicada. “A reformulação da revista da Escola Dominical e do seminário EBD para o Alto trouxe um novo olhar para o ensino da Palavra do Senhor. Os alunos do seminário da classe jovem foram impactados positivamente, pois receberam um material rico e elaborado pela gerência de Educação Cristã”, destacou.
A psicóloga Ligiane Gama Costa e a psicopedagoga Angela Luz ministraram o tema “Acessibilidade”. Segundo elas, a oficina trouxe reflexão sobre um assunto urgente para as Igrejas. “Falar sobre algo que é de extrema importância e urgência para as nossas Igrejas, e que infelizmente ainda é pouco divulgado, foi enriquecedor e esclarecedor para todos. Acessibilidade na prática é obedecer, é seguir o exemplo de Cristo Jesus”, destacaram.
Para Fábia Rabelo, ministrar a oficina “Adolescentes para o Alto” foi um momento marcante. “Foi um momento muito
A educadora Sandra Oliveira também ressaltou sua experiência como ministrante durante o seminário. “Posso dizer que foi uma experiência muito enriquecedora; me oportunizou conhecer melhor o lindo trabalho que a CBB tem realizado, visando o fortalecimento da Educação Cristã. Saímos com visão renovada para desenvolver melhor o ensino da Palavra de Deus nas nossas Igrejas”, afirmou.
Sou grato a Deus pela visão da nossa denominação em preparar e realizar esse projeto.
O presidente da COBAAP, pastor Washington Brandão Moreira, expressou gratidão à denominação pela realização do projeto e enfatizou a relevância da Educação Cristã para as Igrejas. “Sou grato a Deus pela visão da nossa denominação em preparar e realizar esse projeto, pois aprendemos que, através do ensino da Palavra de Deus, é possível transformar vidas, glorificar a Deus e cumprir o ide de Jesus”, concluiu. n
32 anos de Missões: o legado da família Florêncio na Albânia e Itália
Manoel Florêncio r revisão e edição por Redação JMM
Em abril celebramos um culto pelo jubilamento do casal Manoel e Raquel Florêncio, na Igreja Batista Getsêmani, em Curitiba. Eles atuaram por 32 anos como missionários da JMM na Albânia e na Itália. A história do ministério da Família Florêncio como missionários dos batistas brasileiros é um testemunho de resiliência e obediência que atravessa décadas e fronteiras.

Confira abaixo um pouco dessa trajetória:
Tudo começou em 1994, quando Manoel e Raquel, acompanhados pelos filhos Ana Raquel, Samara Maria e Jônathas Manoel, partiram para a Albânia. Com base na cidade de Korçe, o casal enfrentou os desafios de um campo pioneiro ao lado de uma equipe internacional e da Igreja Evangélica local. Juntos eles levaram a Palavra de Deus a diferentes regiões da província, distribuíram Novos Testamentos e abriram duas frentes missionárias nas vilas de Pojan e Sheqeras, que mais tarde se tornaram igrejas. Foram pouco mais de três anos de dedicação e 18 batismos realizados, até que o cenário de caos político e social no país, marcado pela total desordem e falta de segurança, impôs à família um doloroso e triste regresso ao Brasil. Entretanto, o que parecia um fim era apenas o prelúdio de um novo e longo capítulo em solo europeu.
Após onze meses de restauração e cuidados em solo brasileiro, a Junta de Missões Mundiais apresentou ao casal um novo desafio: atender à demanda da União Batista Italiana para a formação de igrejas a partir da crescente imigração de brasileiros. Assim, em agosto de 1998, a família desembarcou na Itália. O primeiro ano em Ferrara foi de profunda adaptação cultural e linguística, onde Manoel pregou seu primeiro sermão em italiano e a família liderou seus primeiros cultos e grupos de estudo bíblico. A visão missionária, contudo, apontava para a plantação de novas obras.
Em Treviso, o contato com um pequeno grupo de brasileiros e italianos resultou na organização da Igreja Batista Ágape em 2001. Sob o cuidado pastoral de Manoel, o grupo cresceu e frutificou, sendo posteriormente entregue ao pastor João Caio Bottega; hoje, essa obra celebra 25 anos com quatro igrejas filhas e centenas de membros, um marco da fidelidade de Deus naquela região.
Enquanto cuidavam da Igreja em Treviso, a família Florêncio também passou a acompanhar um pequeno grupo em Mântua, formado por brasileiros e italianos, onde o coração de Manoel foi tocado pelo testemunho da irmã Teresa Bambini, quebrando a ideia preconcebida de que países desenvolvidos não eram campos missionários. Com visitas quinzenais, os encontros cresceram e passaram a acontecer semanalmente, com cultos em italiano e em português.
Ao longo desse período, o trabalho contou com o apoio dos missionários da JMM, João Caio Bottega e Fábio Pisa, e cinco pessoas foram batizadas. Até que, em 2002, o gru-
po foi organizado como a Igreja Cristã Evangélica Batista de Mântua, com 19 membros. Mesmo após passar a liderança para o missionário Fábio Pisa, o pastor Florêncio retornou anos depois para um pastoreio interino, conduzindo processos de transição e realizando novos batismos.
A missão também alcançou Milão, quando em 2003 a família iniciou um trabalho de células. Nos meses seguintes, novas vidas foram alcançadas, e pessoas foram batizadas, até que o pequeno grupo culminou na organização da Igreja Batista Bíblica de Milão em 2006. Cada passo foi marcado por uma mistura de profunda alegria e as naturais turbulências do campo, mas sempre com a marca da persistência. Em 2007, Manoel entregou a liderança ao Pr. Fernando Pasi, com 34 membros — sendo 16 batizados ao longo do ministério.
Um dos períodos mais emblemáticos desse ministério ocorreu em Casorate Primo, um novo desafio: uma Igreja em crise, com risco de divisão. O que começou como um apoio pastoral se tornou um ministério de mais de 11 anos. Foi um tempo de amadurecimento institucional e espiritual, no qual a igreja local foi restaurada alcançando sua autonomia financeira, jurídica e ministerial. Logo passaram a enviar missionários, dando origem à Igreja Batista de Vigevano, chegando a sustentar seus próprios missionários e organizar novas igrejas. Naquele período, presenciaram um verdadeiro avivamento, especialmente entre a juventude, realizando dezenas de batismos e formando líderes locais que hoje conduzem a congregação.
A jornada não parou por aí, em 2017 a família seguiu para a Igreja Batista de Pistoia, onde permaneceram por cinco anos. Eles enfrentaram os desafios da pandemia, e o ministério de evangelização e aconselhamento de mulheres realizado pela missionária Raquel, foi um destaque. De forma online ela acompanhou as italianas. Além disso, o casal fez a formação e liderança de diversos pequenos grupos, presenciais e online.
O último campo foi no sul da Itália, nas igrejas de Policoro, Cersosimo e Santeramo in Colle, servindo, discipulando vidas e fortalecendo as igrejas locais até os últimos dias antes do jubilamento.
Ao olharmos para esses quase 32 anos de ministério, os números impressionam — 147 batismos e 6 igrejas iniciadas —, mas o que prevalece é o legado de vidas discipuladas e líderes formados em um país conhecido por suas dificuldades missionárias.
“A Família Florêncio conclui esta etapa com profunda gratidão ao povo batista brasileiro, cujas orações e sustento nunca falharam, e à liderança da JMM pelo cuidado constante. A jornada foi trabalhosa e por vezes difícil, mas a fidelidade, paciência e o sustento do Senhor garantiram que cada semente plantada em solo albanês e italiano florescesse para a eternidade. A Deus toda honra e toda glória por esta história de fé.” – pastor Manoel Florêncio n
Culto de oração destaca a importância da família entre as equipes do Centro Batista
Encontro reuniu colaboradores em um tempo de adoração, intercessão e reflexão sobre o cuidado com a família.



Estevão Júlio
jornalista na Convenção Batista Brasileira
As equipes do Centro Batista participaram, no dia 06 de maio, de mais um Culto de Oração realizado na Capela do Seminário do Sul, em um momento marcado por louvor, comunhão e intercessão. Neste mês dedicado à família no calendário da Convenção Batista Brasileira (CBB), o encontro teve como enfoque principal a valorização e o fortalecimento das famílias.
O culto foi dirigido pelo pastor Jeremias Nunes, gerente de Comunicação da CBB, que conduziu a abertura, saudação e oração de gratidão. A reflexão bíblica inicial foi baseada em Tiago 4.8: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós”.
O momento de louvor e adoração contou com a participação do ministério Louvor e Adoração Centro Batista, com cânticos congregacionais como “Te Louvarei”, “Porque Ele Vive” e “Teu Amor Não Falha”.

“Quando faremos algo de fato por nossa família?”
Kátia Cerqueira, da equipe da Junta de Missões Nacionais (JMN) conduziu um momento especial de oração pelas famílias, para que elas testemunhem e resistam aos desafios deste tempo, seguido pela canção “Vida aos Sepulcros”.



A mensagem da manhã foi ministrada pelo pastor José Paulo Moura, da Primeira Igreja Batista em Madureira - RJ, com base em Gênesis 30.30. Durante a ministração, o pastor trouxe reflexões sobre o contexto da história de Esaú e Jacó, enfatizando a necessidade de olhar atentamente para a realidade familiar.
“Quando faremos algo de fato por nossa família?”

Em sua mensagem, lançou a pergunta: “Quando faremos algo de fato por nossa família?”. Como primeiro ponto de aplicação, destacou a importância de identificar o “Labão”, representando aquilo ou aqueles que têm interferido negativamente no ambiente familiar, reforçando a necessidade de romper com essas influências.
O culto reforçou o compromisso das equipes do Centro Batista em buscar a presença de Deus e interceder pelas famílias, reconhecendo seu papel essencial na sociedade e na vida cristã. n
Acamp Jubape 2026 promove despertamento espiritual e fortalece a Juventude Batista de Pernambuco
Dias de imersão espiritual marcam a vida de jovens e reforçam propósito de viver com Cristo no agora.

Júlia Farias

Acamp Jubape acontece a cada dois anos e tem o propósito fortalecer a fé e promover a comunhão entre adolescentes e jovens de todo o estado
membro da Igreja Batista em Bela Vista, em Vitória de Santo Antão - PE; Comunicação Jubape
Fotos: Dryele Dávila e Gabriel Alessandro membros da IV Igreja Batista do Centenário, em Curado I - PE; Comunicação Jubape
Nos dias 02 e 03 de maio, a Juventude Batista de Pernambuco (Jubape) realizou mais uma edição do Acamp Jubape, encontro bienal que tem como propósito fortalecer a fé e promover a comunhão entre adolescentes e jovens de todo o estado. Nesta edição, 125 participantes estiveram reunidos no Acampamento Pentecostes 3, em Abreu e Lima, na Região Metropolitana de Pernambuco, vivendo dias marcados por aprendizado bíblico, lazer e conexões espirituais profundas.
a juventude. Para muitos participantes, o acampamento representou um divisor de águas.
O adolescente Renan Andrade Cavalcanti, de 16 anos, da Primeira Igreja Batista em Riacho de Prata 1, em Paulista, relatou sua experiência: “Esse é o meu segundo acampamento, e desde que vi o tema já senti algo forte no meu coração. Entendi que o ‘agora’ é sobre viver com Cristo hoje, não deixar para depois.
Durante as mensagens, percebi que estava adiando minha vida com Deus. Eu estava me distraindo com coisas que estavam tomando o lugar de Cristo. Saio daqui decidido a viver essa comunhão agora, de forma verdadeira.”
“Foi intenso, mas extremamente gratificante ver tudo fluindo e vidas sendo impactadas.”
Com o tema “O caminho é agora”, o acampamento conduziu os participantes a uma imersão nos capítulos 14 ao 17 do Evangelho de João, despertando reflexões sobre a urgência de uma vida com Cristo vivida no presente.
“Foi intenso, mas extremamente gratificante ver tudo fluindo e vidas sendo impactadas.”
A presidente da Jubape, Brenda Riedel, destacou os desafios e a alegria de organizar o evento: “Cada acampamento é desafiador, principalmente pelo peso espiritual que carregamos ao apresentar verdades eternas para esses jovens. Nosso desejo é que eles levem essa bagagem para suas igrejas locais. Foi intenso, mas extremamente gratificante ver tudo fluindo e vidas sendo impactadas.”

Entre os preletores convidados estiveram os pastores partilharam mensagens desafiadoras e edificantes para
Jovens foram despertados sobre a importância da vida com Cristo no dia a dia
O pastor Valdevan Lucas, também preletor, conselheiro e ex-presidente da Jubape, ressaltou os frutos espirituais do encontro: “Houve um despertamento na caminhada de intimidade com Deus. Jovens foram alcançados pela graça do Senhor e desafiados a viver uma fé verdadeira. A mensagem central foi o desprendimento das coisas terrenas e uma vida voltada para o céu. Agora, o desafio é guardar o coração e escolher, de forma intencional, caminhar com Jesus todos os dias.”
Mais do que um evento, o Acamp Jubape 2026 reafirma seu propósito de fortalecer espiritualmente a juventude batista, estreitar laços e construir conexões que ultrapassam o tempo do encontro. Os dias vividos no acampamento deixam marcas profundas, apontando para uma caminhada contínua com Cristo vivida no agora. n
FÉ PARA HOJE
Examinemos as Escrituras
Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob

a Sua ressurreição, a Sua ascensão e Sua segunda vinda (Atos 1.11).
A Bíblia é a Palavra de Deus. É o nosso manual de fé e prática. É a carta Magna do amor de Deus em Cristo Jesus pela inspiração do Espírito Santo. Há uma conexão segura entre o Antigo e o Novo Testamentos. Como ensina William Scroggie: “A Revelação do propósito da Redenção encontra-se em Gênesis 1.1 – 11.9; O desenvolvimento desse propósito encontra-se em Gênesis 11.10 a Judas 25; e a consumação está em Apocalipse 1 a 22. John Mackay afirma: Uma coisa é certa: A Bíblia não pode ser apreciada ou entendida por pessoa que se aproximam dela no espírito de pura objetividade. A pessoa que se chega à Bíblia simplesmente para a olhar, para examinar as suas verdades com pesquisa fria, querendo aplicar ao seu estudo todos os recursos de investigação e toda a sabedoria enciclopédica dos documentos humanos, mas sem entrega pessoal ao Deus a Quem a Bíblia revela, absolutamente não poderá compreender nem apreciar o livro”. Devemos, pois, examinar sempre as Escrituras. Ela é instrumento da nossa devocional. Olhemos para alguns pontos interessantes.
Examinemos as Escrituras porque nelas há a vida eterna
Foi o Senhor Jesus quem afirmou e ordenou em João 5.39. A palavra usada para “examinais” é epeunate, que significa: “buscar, investigar”. Corresponde ao termo técnico na língua hebraica usada pelos rabinos e na literatura de Qunrã para o estudo da Escritura”. (Rogers/Rienecker). Temos nas Escrituras a Revelação de Deus: Ele mesmo, nós e toda a natureza (Salmo 19). As Escrituras revelam a nossa natureza pecaminosa, separada de Deus, e, ao mesmo tempo, testificam a vida que vem de Deus por meio de Cristo, selada pelo Espírito Santo (Efésios 1.13,14). A Bíblia revela Cristo como o nosso Salvador (Atos 4.12). A vida e a obra de Cristo estão reveladas nas Escrituras e devem produzir fé no coração.
Examinemos as Escrituras porque elas testificam de Jesus
O verbo testificar aqui vem do original “marturousai” que significa “testemunhar, ‘afirmar o que vi, ouvi e experimentei ou que sei por divina revelação ou inspiração”. As Escrituras provam da Sua promessa (Gênesis 3.15; Deuteronômio 18.15,16; Miquéias 5.2). Revelam o local do Seu nascimento e a Sua revelação (Miquéias 5.2; Isaías 7.14). Testificam da Sua divindade (Isaías 9.6); e Sua humanidade (João 1.14). Revelam o Seu amor (João 15.13,14). Testemunham do Seu ministério (Lucas 4.14-21), cuja profecia está em Isaías 61.1,2. Provam o Seu sofrimento e morte (Isaías 53). Revelam
Examinemos as Escrituras porque elas são a Palavra viva de Deus.
Ela é viva e eficaz, mais penetrante do que espada de dois gumes (Hebreus 4.12). Produz a fé, pois o justo por sua fé viverá (Habacuque 2.4; Romanos 10.17). É lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos (Salmo 119. 105). É a Palavra, usada pelo Espírito Santo, para convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo de Deus (João 16.8-11). As Escrituras revelam o amor de Deus em Cristo Jesus. Testificam de Jesus Cristo como o caminho, a verdade e a vida, (João 14.6). Revelam sabedoria e discernimento. Gordon Fee e Douglas Stuart, afirmam: “Porque a Bíblia é a Palavra de Deus, tem relevância eterna; fala para toda a humanidade em todas as eras e em todas as culturas. Porque é a Palavra de Deus devemos escutar – e obedecer”.
No Antigo Testamento encontramos a aliança da Lei que veio por Moisés. No Novo Testamento encontramos a aliança da Graça que veio por meio de Jesus Cristo. Uma conduz à outra (Gálatas 3.17-25). Henrietta Mears destaca que o Antigo Testamento começa o que o Novo Testamento completa. O Antigo Testamento se reúne ao redor do Sinai. O Novo Testamento ao redor do Calvário. O Antigo Testamento está associado com Moisés. O Novo Testamento com Cristo (João 1,17).
Lucien Coleman afirma: “A mensagem bíblica precisa ser transmitida. A Bíblia não foi feita para ser peça de museu, para ficar no acervo de uma biblioteca ou na mesinha da sala de estar. Ela não foi dada ao povo de Deus para ser preservada, guardada num relicário ou carregada como se fosse um talismã. Foi dada para ser compartilhada. Quem não entende isso ainda não compreendeu plenamente a natureza dessa mensagem”.
Nas Escrituras Sagradas podemos ver claramente que “o pecado do homem apontou para a necessidade da Redenção, e a graça de Deus indicou o caminho para ela” (William Scroggie). Uma vez obedecida, as Escrituras, usadas pelo Espírito que as inspirou, formam no homem o caráter de Cristo; a visão de Cristo; o Seu amor; a Sua compaixão; a Sua missão. As Escrituras revelam e ensinam que fomos crucificados, mortos e ressurretos com Cristo Jesus para vivermos a Sua vida neste mundo. Ele é o Senhor em todas as dimensões da nossa vida. Cristo em nós, a esperança da glória (Colossenses 1.27). Deus é glorificado quando somos obedientes à Sua Palavra. n

Anatomia da decisão (parte 1)
OBSERVATÓRIO BATISTA

Lourenço Stelio Rega
Uma das características mais importantes que possuímos é a liberdade, isto é, a capacidade de podermos decidir o que compreendemos ser o melhor caminho para nossas escolhas. Ao lado da liberdade temos um outro componente que é a responsabilidade, isto é, assumirmos os resultados ou consequências de nossas decisões.
A defesa e proteção da liberdade é um dos pilares legais e culturais dos países livres. Códigos legais e diversas regulações são promulgados e aperfeiçoados para que o indivíduo possa ter o direito de exercer sua liberdade, dentro também do que é estabelecido por esses mesmos códigos, e assumir o custo e responsabilidade ao exercer sua liberdade em desrespeito ao próximo, à natureza, à vida em geral e aos códigos legais. Em geral, isso é estabelecido por algum código penal ou algo semelhante.
Quando mencionamos a liberdade, estamos querendo lembrar que o ser humano é um ser-que-decide e, nesse sentido, um ser-ético, pois a ética está intimamente ligada à decisão. Assim podemos deduzir que o ser humano sempre decide, mesmo que não decida alguma coisa, está decidindo, pois uma não-decisão é também uma decisão – a de não decidir. O próprio filósofo existencialista Sartre afirmou que “a escolha é possível num sentido, mas o que não é possível é não escolher. Posso sempre escolher, mas devo saber que, se eu não escolher, escolho ainda […] o homem […] não pode evitar o escolher” (“O Existencialismo é um humanismo”, São Paulo: Abril, 1973, p. 23). George Forell, em seu livro “A ética da decisão”, também afirma que “existe uma escolha que o ser humano não pode fazer: ele não pode deixar de escolher, não pode fugir de sua liberdade; ele é forçado a ser livre. Quer ele goste ou não, quer ele acredite ou não, ele tem que viver tomando decisões constantes e inevitáveis” (Sinodal, São Leopoldo: 1973, p. 23).
Muito bem, sempre decidimos, então quais seriam, o que vou chamar de impulsores para nossas decisões. O que leva você a tomar uma decisão e que outra pessoa, diante de uma decisão semelhante, toma decisão diferente da sua?
Estou trazendo da Medicina o conceito de “anatomia” (que estuda a forma e a estrutura do corpo humano), que penso melhor descrever esse processo. No final dos artigos traremos um gráfico que apresenta um sumário da descrição desses “impulsores” a partir de uma escala temporal entre passado, presente (quando devemos tomar uma decisão) e futuro. Desta forma, vamos partir de uma decisão que necessitamos tomar hoje, então, na escala temporal, estamos partindo do PRESENTE. Se, ao tomarmos essa decisão levarmos em conta os resultados ou consequências que produziremos ou que receberemos após a decisão, portanto no FUTURO, então podemos chamar isso de ética consequencialista, pois aqui entra em questão exatamente isso – a consequência. Podemos também chamar de ética prudencial, pois estaremos, de certa forma, levando em conta prudencialmente os resultados da decisão a ser tomada. Do ponto de vista técnico podemos também chamar de ética teleológica, palavra que vem do grego “telos” que tem a ver com finalidade ou um fim proposto.
Contrariamente, ao levar em conta se já existem referenciais ou normas que devo seguir, portanto antes de minha decisão no presente, olharei para o PASSADO. Nesse caso há diversas possibilidades, em primeiro lugar temos o absolutismo, isto é, já existem normas ou leis que estabelecem o caminho que devo tomar. São normas ou leis que não devem ser questionadas ou desobedecidas, portanto, absolutas, pois já foram estabelecidas por terceiros, pela sociedade organizada ou mesmo por algum poder superior estabelecido (governo, por exemplo). Em geral os códigos morais religiosos estariam localizados também no absolutismo. Em tudo isso entra o que chamamos de “deontologia” que é a área da Filosofia que estuda o “dever”. Neste caso não se pode pensar nos resultados, apenas na obediência pois existem para serem obedecidas.
Mas há uma variante do absolutismo que é o legalismo que possui dois impulsores – obedecer para não ser castigado ou obedecer para ser beneficiado. Neste caso o legalismo se projeta lá no futuro em busca dos resultados ou consequências. No gráfico, temos uma seta saindo do legalismo no passado e o levando ao futuro.
Mas, e se, ao tomarmos a decisão, levarmos em conta o PRESENTE mesmo? Aí temos pelo menos duas possibilidades. Uma delas é chamada de ética situacional ou situacionismo, que foi apresentada em 1966 pelo teólogo Joseph Fletcher com sua obra “Situation Ethics: The New Morality”. Para Fletcher não existem regras morais absolutas, exceto uma: o amor cristão (agape), que é a única norma que não pode ser violada. Todas as outras leis (como «não mentir» ou «não matar») são apenas diretrizes que podem ser descartadas se, em uma situação específica, o amor for mais bem servido pela sua violação. Então a situação mediada pelo exercício do amor é que determinará qual o caminho a seguir, não importa mais nada. Na produção literária de Fletcher há inúmeros casos que ele menciona que são questionáveis, pois o exercício do amor aqui dependerá de como cada um sente e imagina ser o amor, portanto, um referencial subjetivo, poroso, instável e inseguro que se torna individualista.
Ainda dentro da linha temporal do presente temos a ética do consenso ou consensual, em que o consenso entre duas ou mais pessoas legitimam uma decisão. No Brasil recentemente houve uma decisão judicial aprovando uma união matrimonial entre um homem e duas mulheres, portanto um “trisal” e não um “casal”. Na sentença o juiz informou que a sua decisão se baseou no consenso entre as partes. Essa abordagem tem sido mais comum do que se possa imaginar e tem sido muito divulgada pelos meios massivos de comunicação.
Aqui no presente podemos localizar também a felicidade pessoal como um impulsor para as decisões. Aristóteles defendia o que ele chamou de “Eudaimonia” ou a busca pela felicidade, claro com outras ênfases. Então nesse caso a busca é por algum sentimento de gratificação ou bem-estar imediatos que vão dirigir a decisão. A pergunta seria: isso que vou decidir vai me trazer a felicidade? Vou ser feliz? Nem sempre esse impulsor considera o meio em que vivemos, se a nossa felicidade será também a felicidade daqueles com quem vivemos ou nos relacionamos. Aqui o ser humano deixa de lado o seu aspecto “orgânico”, isto é o ambiente em
que vive, bastando apenas o seu estado pessoal, subjetivo e intrínseco. É também um impulsor muito levado em conta hoje inclusive em decisões na área sexual/gênero que até deixa de considerar a constituição natural do ser humano, buscando o caminho de que essa área da vida é construída ao longo da linha do tempo e da cultura. Esse aspecto vamos aprofundar no próximo artigo.
Voltando ao passado, podemos ainda considerar a ética hierárquica, que, por sua vez, considera que, no absolutismo, as normas não estão justapostas, isto é, colocadas no mesmo nível de valoração. O que existe é que as normas estão hierarquicamente localizadas. Um autor que trabalha com essa perspectiva é Norman Geisler em seu livro “Ética Cristã: opções e questões contemporâneas”, em que descreve oito princípios hierárquicos que devem ser seguidos. Mas, no fundo, seu eixo é o pragmatismo e isso nem sempre pode nos ajudar. Se nos voltarmos para a narração bíblica temos a existência também de uma espécie de ética hierárquica em que o valor da vida é colocado em primazia. Ao tratar do sábado, Jesus demonstra isso, quando ele menciona que o sábado foi feito por causa do ser humano e não o inverso (Mc 2.27). Há outros casos registrados na Bíblia que tratamos no campo da ética a partir da ética hierárquica, tais como, a conversa de Abraão com Faraó a respeito do parentesco de sua esposa (Gn 12.11-13), o caso da ocultação dos espias e Raabe (Js 2.4,5), o caso das parteiras hebreias que protegeram o nascimento de meninos (Êx 1.15-21). Aqui entra o que em ética é chamado de “desobediência civil”, um tema por mais difícil, mas que em situações de fronteira ética e quando normas estão em conflito tem sido o caminho seguido em algumas sociedades e cenários. Em meu livro sobre os aspectos éticos do “jeitinho brasileiro” (“Dando um jeito no jeitinho – como ser ético, sem deixar de ser brasileiro”) aprofundo esse assunto aplicando inclusive no tratamento do jeitinho no Brasil (se você desejar uma cópia digital gratuita é só pedir – Instagram @lourencosteliorega).
No próximo artigo vamos tratar ainda de outros impulsores e trazer o gráfico ilustrativo desta anatomia da decisão. Até lá. n

