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OJB EDIÇÃO 13 - ANO 2026

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ÓRGÃO OFICIAL DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA FUNDADO EM 1901

Celebração destacou a fidelidade de Deus ao longo da história do Seminário do Sul e reafirmou o compromisso com a formação de homens e mulheres chamados para servir. Leia a matéria completa na página 12.

Seminário do Sul completa 118 anos e reafirma compromisso com a formação de vocacionados

S.O.S

Batistas brasileiros levam cuidado e esperança aos moradores de Minas Gerais

Unidade

Congresso da Juventude Batista do Amazonas reúne mais de 400 participantes na capital do estado

135 anos

Primeira Igreja Batista do campo fluminense, PIB em Campos celebra 135 anos de história

Sul da Ásia

Junta de Missões Mundiais compartilha avanços missionários no Sul da Ásia

Missões Nacionais
Notícias do Brasil Batista
Notícias do Brasil Batista
Missões Mundiais

EDITORIAL

Uma casa de profetas que forma para a eternidade

Celebrar os 118 anos do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil é mais do que revisitar a história de uma instituição. É reconhecer a fidelidade de Deus ao longo de gerações e afirmar, com convicção, que o Senhor continua chamando, formando e enviando vocacionados para cumprir a Sua missão no mundo.

Vivemos em uma época marcada pela valorização do visível, do imediato e do mensurável. Números, projeção e reconhecimento público tornaram-se, muitas vezes, parâmetros de sucesso. No entanto, ao olharmos para a trajetória do Seminário do Sul, somos lembrados de que o Reino de Deus se constrói, em grande parte, em lugares que não ocupam manchetes, mas sustentam a história.

Ao longo desses 118 anos, essa casa tem sido solo fértil onde vocações são discernidas, vidas são moldadas e líderes são preparados não apenas para exercer funções, mas para cuidar de pessoas. Mais do que formar profissionais, o seminário tem cumprido seu papel de organizar chamados, fortalecer convicções e alinhar corações à vontade do Senhor.

Líderes que transformam não são aqueles que nunca enfrentam crises, mas aqueles que aprendem a depender da graça de Deus em meio às suas fragilidades. Em um tempo em que há pressão por resultados rápidos e performances impecáveis, é necessário reafirmar que a força do ministério não está na capacidade humana, mas na ação do Espírito Santo.

A formação teológica, portanto, não pode ser reduzida a um processo acadêmico. Ela é, antes de tudo, espiritual. É no encontro entre conhecimento bíblico, experiência com Deus e prática ministerial que surgem líderes capazes de impactar comunidades, igrejas e nações.

O Seminário do Sul permanece como testemunho vivo de que o compromisso com a Palavra, com a Igreja local e com os vocacionados é o caminho para uma obra sólida e duradoura. Sua história também nos desafia: que tipo de líderes estamos formando? Que legado estamos construindo? Estamos preparando pessoas para o reconhecimento humano ou para a fidelidade ao chamado divino?

Ao celebrar este marco, somos

convidados a renovar nosso compromisso com a formação de obreiros que amem a Deus acima de tudo e que estejam dispostos a servir onde forem enviados, inclusive nos lugares mais difíceis, onde muitas vezes ninguém deseja estar, mas onde o Evangelho precisa chegar.

Que Deus continue sustentando esta casa. Que novas gerações subam essa “colina” com o coração disposto a aprender, servir e se entregar. E que, ao descerem, levem consigo não apenas conhecimento, mas a marca de uma vida transformada pela graça.

Seguimos confiantes: enquanto houver vocacionados dispostos a dizer “Eis-me aqui”, haverá necessidade e propósito para instituições como o Seminário do Sul. n

O JORNAL BATISTA

Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso.

Fundado em 10.01.1901

INPI: 006335527 | ISSN: 1679-0189

PUBLICAÇÃO DO CONSELHO GERAL DA CBB

FUNDADOR

W.E. Entzminger

PRESIDENTE

Raphael Abdalla

DIRETOR GERAL Fernando Macedo Brandão

SECRETÁRIO DE REDAÇÃO

Estevão Júlio Cesario Roza

(Reg. Profissional - MTB 0040247/RJ)

CONSELHO EDITORIAL

Francisco Bonato Pereira; Guilherme Gimenez; Othon Ávila; Sandra Natividade

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A direção é responsável, perante a lei, por todos os textos publicados. Perante a denominação Batista, as colaborações assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião do Jornal.

DIRETORES HISTÓRICOS

W.E. Entzminger, fundador (1901 a 1919); A.B. Detter (1904 e 1907); S.L. Watson (1920 a 1925); Theodoro Rodrigues Teixeira (1925 a 1940); Moisés Silveira (1940 a 1946);

Almir Gonçalves (1946 a 1964); José dos Reis Pereira (1964 a 1988); Nilson Dimarzio (1988 a 1995) e Salovi Bernardo (1995 a 2002)

INTERINOS HISTÓRICOS

Zacarias Taylor (1904); A.L. Dunstan (1907); Salomão Ginsburg (1913 a 1914); L.T. Hites (1921 a 1922); e A.B. Christie (1923).

ARTE: Oliverartelucas

IMPRESSÃO: Editora Esquema Ltda A TRIBUNA

Do que você tem medo?

Emoção natural que gera sinais de alerta, em meio a situações reais ou imaginárias, o medo nos acompanha desde o nascimento. Medo de não ser ouvido, o bebê chora, medo de ficar com fome, o bebê permanece chorando, o medo de ser abandonado pelos pais, medo do escuro, medo de assalto, medo de não se casar, medo de ir para o inferno, medo de decepcionar, medo de não agradar, medo de ser rejeitado, medo de algum diagnóstico, medo de não ter filhos, medo de mudar, medo do novo, dentre tantos outros.

Existe um medo quase universal que é o medo de desagradar, pela necessidade do ser humano em querer pertencer. Queremos fazer parte de um lugar. Reconhecer nossa tribo. O sentimento de estar em casa, mesmo fora do seu próprio lar. Estar com pessoas que você pode ser você mesmo. Que maravilha! Todavia, na prática, este medo de desagradar, sendo quem de fato você é, faz com que nasça a possibilidade de vestir uma máscara, de criar uma identidade que não é sua. E aqui mora um grande perigo.

Há um personagem na Bíblia, onde suas falas expressam o temor dos homens. O medo de não agradar nasce no temor dos homens. No livro, ele não é o protagonista, e, talvez, suas falas sejam quase imperceptíveis. Refiro-

-me a Bildade. Um dos amigos de Jó. Suas falas podem ser encontradas nos capítulos 8, 18 e 25. Mas observe esta: “Será que Deus perverteria o direito? Será que o Todo-Poderoso perverteria a justiça?” (Jó 8.3).

E ele continua citando, neste capítulo, da possibilidade dos filhos de Jó terem sido castigados pelos seus pecados. Não sei você, irmão e irmã, porém em muitas situações me vejo muito mais parecida com Bildade do que com Jó.

As histórias na Bíblia mostram-nos como devemos agir diante das circunstâncias, isso é verdade. No entanto, por vezes, podemos nos superestimarmos ao nos compararmos com os personagens principais. E não estou te desestimulando, todavia te lembrando que lemos a Bíblia sabendo o final da história. Porém, será mesmo que nosso comportamento esperando uma promessa há anos, não estaria muito mais próximo do que o que Sara fez? Tendemos a esquecer que a mesma natureza pecaminosa que habitou em Eva e em Adão, habitou nos personagens bíblicos e habita em nós. Enquanto estivermos neste corpo corruptível o pecado nos acompanhará.

Uma das frentes do meu trabalho é a criação de conteúdo nas redes sociais. Instagram, Spotify, WhatsApp, Substack. Por elas falo de finanças e negócios à luz da Bíblia e vejo o quanto até para conversar sobre este assunto, as pessoas têm medo.

Em 2024, uma moça começou a me

seguir no Instagram e me enviou uma mensagem via direct. Estava empreendendo já fazia um tempo e é católica. Sentia-se culpada por querer crescer o seu negócio, pois na sua paróquia falar de dinheiro era considerado um pecado quase que mortal. Por este motivo, o sentimento de culpa a acompanhava. O padre constantemente lembrava aos fiéis os votos de pobreza de muitos santos. E claro, nesta situação ela acaba não se sentindo em paz em desejar prosperidade, inclusive financeira.

Olha o medo de desagradar, de não pertencer gritando. Ela acabava, sem perceber, realizando atitudes que a sabotavam. Quantas vezes não fazemos isso? E pior, quantas vezes não levamos a Deus nossos medos e temores e tomamos atitudes impensadas?

Nosso Senhor já sabia do medo e lá em I João ele trata sobre onde existe Amor, não habita o medo. Olha, mesmo sendo uma emoção natural, a Palavra do Senhor nos entrega autoridade para colocar as nossas emoções no lugar delas. Emoções não são negativas, fazem parte do conjunto ser humano. Contudo, não estão acima da Palavra que é viva e eficaz (Hebreus 4).

Ainda observando o livro de Jó, eu, Regiane, olhando para minha natureza pecaminosa, diante de todas as perdas (filhos, bens, saúde do meu esposo), agiria como a sua esposa. Olhamos para aquela mulher e podemos achá-la terrível, todavia, por muito menos, quando algo de ruim chega até nós, o sentimento de “Deus não estava agindo, por que isso aconteceu?” toma conta do nosso ser. Falar quando já sabemos o final, e quando a história não é nossa é muito fácil. Agora passar pelo processo da confiança e da certeza da autoridade que temos em Jesus de destruir qualquer medo, é desafiador.

Não sei quais medos atormentam a sua mente hoje. Entretanto, sei que o Senhor lança fora todo medo, independente do seu tamanho. O medo, além de nos sabotar, paralisa inclusive a nossa fé, fazendo com que acreditemos que Deus nos deixou no barco sozinho. Lembre-se de Pedro. O único homem que andou sobre o mar além de Jesus. Que privilégio. E o que o estava fazendo afundar? Seu medo. Independente das circunstâncias podem chamar por Ele e ter a certeza de que Ele irá nos socorrer. Pode não ser da maneira que acharíamos que fosse. Mas se confiamos na sua soberania, por qual motivo Ele nos deve explicações sobre o como Ele trabalha? Apenas permaneça confiando! n

Pensar sobre estes pontos, podem parecer besteira por um instante. Porém, nos detalhes mínimos do dia a dia vemos o quanto tomamos muito mais atitudes alinhadas com o medo do que com a Palavra do Senhor. O medo está muito mais conectado com o controle. E amamos ter o controle da situação. A soberania de Deus assusta, ainda que isso não saia da nossa boca.

Regiane Barbosa
membro da Igreja Batista da Pituba, em Salvador - BA

A grande nuvem de testemunhas do capítulo 11 de Hebreus, que alcançou bom testemunho, ofereceu um melhor sacrifício, andava e agradava a Deus, obedecia, desprezava riquezas e posições elevadas, que andava vendo o invisível, que esperava com paciência e que preferia morrer a negar a fé, já cumpriu a missão que lhes cabia no Reino de Deus e o fizeram com galhardia. Agora, é a nossa vez!

Alguns sofreram mais, outros menos. Alguns foram martirizados, outros não. Alguns reinaram, outros se escondiam nas cavernas, foram maltratados e mortos. Mas, não importava, a fé em Deus os conduziu à fidelidade, à vitória. Deles se diz: “também Deus não se envergonha deles, nem de ser chamado o seu Deus” (Hebreus 11.16). Eles agradaram a Deus e Deus se agradou deles. Agora é a nossa vez! Agora, quem está no estádio, na arena, no octógono, no ringue, somos nós! E precisamos cumprir a missão, com fé e falar como Paulo: “Combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé” (II Tm 4.7). Tiago disse que “a vida é breve”, então sejamos rápidos no cumprimento da missão. Perder tempo? Nem pensar.

Agora é a nossa vez de suar e sangrar, se necessário for. Como os Hebreus, “ainda não resistimos até o sangue”. Não estamos sendo levados, pelos oponentes, ao extremo do sacrifício em favor da fé, mas, se for necessário deixar a zona de conforto para o cumprimento da missão, aqui

estamos nós, com fé naquele que é o Todo-poderoso. Sim, Jesus é nosso exemplo maior, marchou decididamente para Jerusalém, rumo ao calvário, rumo ao Cálice Amargo da ira de Deus. Se Jesus fez isso por ti e por mim, como disse C.T.Studd: “Se Jesus é Deus e morreu por mim, então nenhum sacrifício que eu fizer será grande demais para Ele”. Agora, é a nossa vez de correr, de falar, de achar os distantes e alheios a Deus, de encontrar os que “cambaleiam indo para serem mortos”, de “salvar alguns que estão na divida”. Nós sabemos onde eles estão e chegaremos lá, não por alguma recompensa pessoal ou por medo, mas porque amamos a Jesus (Provérbios 24.11,12).

Acredito que Deus espera de nós o que Paulo esperava de Timóteo: “Tu, porém, sê equilibrado em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista e cumpre teu ministério” (II Tm 4.5). É verdade que, nessa corrida para o Mestre, precisamos ter equilíbrio, enfrentar os desafios, suportar as aflições e tribulações. Nessa gloriosa jornada devemos avançar sem reservas, por inteiro, com tempo integral. Como Arquipo, sintamo- nos exortados: “E dizei a Arquipo: Cuida do ministério que recebeste no Senhor, para que o cumpras”. (Colossenses 4.17). Agora é a nossa vez.

Pastores, líderes e demais irmãos, só cumpriremos cabalmente a nossa missão se corrermos a corrida que nos foi proposta, sem os pesos e sem o pecado. Mas, devemos corrê-la com PERSEVERANÇA, isto é, com estabilidade, com constância. Assim como a pobreza vem ao que cruza os braços,

Agora é a tua vez de correr: “portanto, também nós...”

muitos vão perecer se não formos rápidos e diligentes. Se Jesus é o nosso tesouro, nosso coração estará na missão que Ele nos deu. Se já ressuscitamos com Cristo, então os nossos pensamentos e nossa busca serão nas coisas celestiais (Mateus 6.21; Colossenses 3.1,2).

No Novo Testamento, perseverança é a característica da pessoa que não se desvia de seu propósito e de sua lealdade à fé e piedade, mesmo diante das maiores provações e sofrimentos. É correr com paciência e firmeza1. Leais a Jesus, abandonando o “peso”, o “pecado” e todos os ídolos, incluindo o deusinho “eu”, chegaremos como servos “bons e fiéis” e participaremos da alegria do Senhor, como disse o poeta: “Até que O possa ver na glória, se alegrando da vitória” (Hino 212 da Harpa Cristã).

Devemos correr com perseverança e “olhando firmemente para o autor e consumador da fé, Jesus”, o invencível! Tire os olhos daquilo que pode estar atrapalhando você e olhe para Jesus. É muito possível que aquilo que amamos e que nos dá prazer nos atrapalhe na corrida. Olhando para Jesus percebemos o que Ele deixou, o que sofreu e suportou em prol da Missão Redentora (Filipenses 2.511). Considerando atentamente o que Ele sofreu por amor a nós, jamais seremos a prioridade nos deleites e sim Ele. Olhe para Ele suportando a afronta terrivelmente grande e sem recuar, pois, vislumbrava ver você e eu salvos. Com Ele em mente, jamais 1 STRONG, James. Dicionário Bíblico Strong, Hebraico, Aramaico e Grego de Strong. Barueri, São Paulo: SBB, 2002

recuaremos, jamais abandonaremos. Como disse Paulo: “Nenhum soldado em serviço se envolve com assuntos da vida civil, pois deseja agradar àquele que o alistou para a guerra” (II Tm 2.4). Somos Seus soldados e jamais decepcionaremos Aquele que nos alistou para a guerra.

Devemos correr como vencedores, assumindo postura de vencedor. Com as mãos levantadas para nos proteger de um soco no queixo e ir a nocaute, pelo maligno, pela carne ou pelo mundo. Devemos correr com as pernas firmes, sem vacilar ou tremer de medo, pois nossos pés são formosos pela mensagem que levamos. Agora é a nossa vez de socorrer mancos e doentes. É o que ensinou o autor de Hebreus em 12.12,13: “Portanto, firmai as mãos cansadas e os joelhos vacilantes; endireitai os caminhos para os vossos pés, para que o manco não se desvie, mas, pelo contrário, seja curado.”

Líderes e servos valorosos que nos antecederam, de Hebreus 11 e da História da Igreja fizeram a obra de Deus. William Bagby, Eurico Nelson, Zacarias C. Taylor, Salomão Ginsburg, Davi Gomes, Fanini, e muitos anônimos fizeram a parte que lhes cabia. Deus não se envergonha deles. Deus dá testemunho deles, de que O agradaram. Fizeram por causa de uma fé verdadeira e porque consideraram que Deus é melhor! Os pioneiros correram e deixaram um legado, agora é a nossa vez! Nada de embaraços, nada de pesos, e nada de pecados! Acrescente as virtudes à sua vida, corra com perseverança e assuma a postura de vencedor! n

Claudio de Castro Fernandes pastor da Igreja Batista Deus Conosco, em Manaus - AM

Legado: Luz para o Mundo, Esperança para as Nações

Parrish Jácome Hernández

iretor-Executivo da União Batista LatinoAmericana

Celebrar 50 anos de história é mais do que um aniversário; é reconhecer a fidelidade de Deus e a força de um LEGADO que tem iluminado gerações. A União Batista Latino-Americana (UBLA) tem sido, ao longo de meio século, um farol de luz e esperança, levando o evangelho de Cristo a comunidades, igrejas e nações inteiras. Hoje, ao olharmos para trás com gratidão, também olhamos para frente com visão e compromisso renovado. Afirmar o legado espiritual como Luz em meio às trevas é nossa primeira prioridade. Como nos lembra

Mateus 5.14–16, a Igreja é chamada a ser luz em um mundo que muitas vezes caminha na escuridão. Nosso testemunho deve refletir a verdade, a compaixão e a justiça de Cristo, lembrando-nos de que cada ação de amor e serviço deixa uma marca eterna.

Inspirar as Novas Gerações a herdar e multiplicar esse LEGADO é nosso segundo objetivo. O Salmo 145:4 nos encoraja a ensinar aos jovens a grandeza do Senhor e a transmitir-lhes os valores do Reino: fé, amor, missão e unidade. Nosso chamado é garantir que a luz de Cristo não se apague, mas continue brilhando em novos corações e em mãos dispostas a servir.

Ser Portadores de Esperança para as Nações é a terceira dimensão de

nossa missão. Isaías 49:6 nos lembra que Deus nos destinou a ser luz e salvação para todos os povos. A UBLA reafirma seu compromisso com um evangelho integral que transforma vidas e sociedades, levando a esperança de Cristo para além de nossas fronteiras.

Fortalecer a Unidade e a Cooperação entre Igrejas, Convenções e Gerações é essencial para multiplicar nosso impacto. Efésios 4:3 nos chama a preservar a unidade do Espírito, trabalhando juntos para que a igreja seja um testemunho vivo da graça de Deus em toda a América Latina. A colaboração intergeracional e interinstitucional garante que nossa missão seja mais forte, mais ampla e mais duradoura.

Finalmente, celebramos a fidelida-

de de Deus em 50 anos de história compartilhada. Assim como Samuel ergueu um monumento para recordar a obra de Deus em 1 Samuel 7:12, nós também proclamamos: “Até aqui o Senhor nos ajudou.” Todo fruto, toda expansão e toda transformação têm sido obra de Sua graça. Com gratidão, reconhecemos Sua fidelidade e nos comprometemos a seguir adiante, guiados por Sua luz, rumo a um futuro cheio de esperança. Hoje, mais do que nunca, afirmamos nosso lema: LEGADO “Luz para o Mundo, Esperança para as Nações” … Que ele ilumine gerações. Que estas cinco décadas sejam apenas o começo de um ministério vibrante, capaz de inspirar, transformar e abençoar muitas outras vidas. n

Um adorador descalço

“...tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa” (Êxodo 3.5).

A caminhada de um adorador é recheada de extraordinários encontros com a graça de Deus. Moisés apas-

centava o rebanho de Jetro, seu sogro, quando o Senhor tomou a iniciativa de chamá-lo: “apareceu-lhe o Anjo do Senhor numa chama de fogo, no meio de uma sarça” (Êx 3.2). É absolutamente comum um arbusto pegar fogo no deserto, improvável é que essa sarça não se consuma.

Moisés se aproximou naquele momento, ainda sem saber que estava para começar a mais desafiadora e gratifi-

cante jornada: andar com Deus. Aquele que é digno de receber toda adoração se apresenta como o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. O “Eu Sou” (Êxodo 3.14), aquele que viu a aflição do povo, ouviu o clamor e desceu para livrar. Esse Senhor chama Moisés pelo nome e o chama para acessar um lugar santo, no qual ele só poderá pisar descalço.

Muito se comenta acerca dessa ordem do Senhor e quero destacar dois

aspectos no que diz respeito a adoração: reverência e humildade. Tirar as sandálias é entender que a santidade de Deus é tão elevada, que nada mais nos resta do que a absoluta consagração; que o solo da adoração é sagrado. É também tornar-se cônscio de que tudo é sobre ele, e não sobre nós. A humildade de que a terra santa é dele, ele fez, ele é o Senhor e nele nós vivemos, nos movemos e existimos (Atos 17.28). n

Raphael Abdalla pastor, presidente da Convenção Batista Brasileira

Uma viagem de casamento e gastronomia

Em nossa família, janeiro é tradicionalmente um mês de casa cheia, com a alegria de receber familiares e netos em nossa residência na Região dos Lagos, Rio de Janeiro. Já em fevereiro, reservamos um período para uma merecida viagem de descanso. Morando em uma região praiana, nossa escolha recai, naturalmente, sobre o encanto das serras.

Este ano, a deslumbrante Serra da Cantareira, em Mairiporã, foi nosso destino para desfrutar de alguns dias de lazer em profundo contato com a natureza. Durante esses momentos, também nos dedicamos à prazerosa busca por experiências gastronômicas memoráveis. Embora não nos consideremos sofisticados, valorizamos imensamente a arte de um chef que nos presenteia com pratos que aliam sabor e beleza.

É, sem dúvida, um tempo para celebrar a união matrimonial e desfrutar plenamente das boas dádivas da vida.

Foi em um desses dias que me veio à mente uma passagem bíblica em que o apóstolo Paulo aborda com clareza esses dois temas tão caros: o casamento e a gastronomia.

A referência é I Timóteo 4.1-5. Neste texto, o apóstolo adverte contra “espíritos enganadores e ensinos de demônios” que levariam alguns a se desviar da fé, exemplificando essas falsas doutrinas com proibições específicas: a do casamento e a de certos alimentos. A essência desta passagem, no entanto, é uma poderosa reafirmação da bondade da criação de Deus e da liberdade que possuímos em Cristo para desfrutar de todas as coisas boas e prazerosas que o casamento e os alimentos nos proporcionam.

Paulo refuta categoricamente a heresia, frequentemente associada ao gnosticismo, que advogava a proibição do casamento. Ele nos lembra que o matrimônio é um espaço sagrado de amor, parceria, intimidade e

prazer, onde duas vidas se unem para se complementar, apoiar e glorificar a Deus. A espiritualidade cristã, segundo Paulo, não se divorcia dos prazeres e alegrias que o casamento oferece; pelo contrário, a união e tudo o que ela envolve, incluindo a intimidade sexual, são dons divinos a serem recebidos com ações de graças.

Da mesma forma, Paulo aborda a questão dos alimentos de maneira libertadora. Enquanto algumas seitas ensinavam a abstinência de certas comidas, o apóstolo instrui que, assim como os prazeres do casamento, os alimentos devem ser recebidos com gratidão.

Assim, podemos concluir que sentar à mesa para desfrutar de uma experiência culinária – um prato cuidadosamente preparado e saboreado – transcende o mero ato de subsistência, transformando-se em um momento de prazer. Este prazer é permitido por Deus, pois Ele nos criou para desfrutar do que é bom e, acima

de tudo, deve ser vivenciado com um coração transbordante de gratidão. Um prato elaborado, além de criar uma memória gastronômica, é um convite não apenas ao paladar, mas também um poderoso lembrete da bondade e da provisão divinas, inspirando louvor e ações de graças.

Em suma, I Timóteo 4.1-5 nos convida a uma fé equilibrada e alegre. A passagem nos recorda que a verdadeira santidade não reside em negar os prazeres legítimos da vida – como o amor conjugal e o deleite gastronômico – mas em recebê-los com um coração grato, consagrando-os a Deus e desfrutando-os como as maravilhosas dádivas que Ele, em Sua infinita bondade, nos concedeu. É, portanto, uma celebração da vida em sua plenitude, vivida sob a luz da Palavra e em constante oração e ações de graças. n

Por: Gilson Bifano Diretor do Ministério OIKOS oikos@ministeriooikos.org.br

Jesus é a fonte de uma família feliz

que eles viriam a reconhecer como o “Salvador do mundo” (v. 42).

A alma humana tem sede de Deus. O vazio na vida interior só pode ser preenchido pelo eterno. Contudo, na condição de pecadores, buscamos a satisfação desse desejo infinito em prazeres superficiais e momentâneos. C.S. Lewis, o maior pensador cristão do século XX, disse: “Se descubro em mim um desejo que nenhuma experiência deste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é que fui criado para um outro mundo”.

No encontro de Jesus com a Samaritana, conforme João 4.1-30, aprendemos que a fonte de verdadeira satisfação é o relacionamento com Deus. Após seu encontro transformador com Jesus, aquela mulher ficou cheia de alegria, deixou tudo para trás e correu para a sua cidade para compartilhar esta experiência com outros, convidando-os a conhecerem o Messias,

A Samaritana representa a humanidade sedenta por satisfação e vida plena. Tentando saciar sua sede emocional e espiritual em relacionamentos superficiais e fracassados. O que vale para a vida pessoal também se aplica à família. Cada membro da família é ameaçado pela sede interior que muitos insistem em esconder e resistem em confessar.

O pecado causou uma desordem na vida interior. O desejo humano passou a ser incontrolável e autodestrutivo. Deixamos de desejar o Criador e passamos a nos satisfazer com as criaturas. São muitos os objetos: prazer imediato, riqueza, sucesso. Todos eles, parciais e provisórios. O salmista já havia declarado que nossa alma possui anseio profundo que só Deus pode preencher: […] “ Assim como a corça anseia pelas águas correntes, também minha alma anseia por ti, ó Deus!” (Sl 42.1).

Jesus confrontou a mulher com essa sede interior ao dizer: “chama o teu marido” (v.16). Ela enfrentou sua realidade respondendo: “ não tenho marido” (v. 17). A experiência de casamentos sucessivos revelava a busca por satisfação através de “cinco maridos” e do atual, que não era “marido” (v. 18). Cada relacionamento conjugal era um “poço” vazio. Diante desses poços, ela usava o “balde e a corda”, que representava o esforço por ser feliz.

O problema não está nas pessoas ou relacionamentos, recursos ou oportunidades concedidas por Deus, mas em fazer deles um fim em si. Acontece que Jesus não é um objeto ou recurso, mas uma pessoa cuja presença transforma completamente a vida interior. A “água viva” oferecida por Ele era um “dom de Deus” (v. 10). Mais adiante, no Evangelho, João explicará que esta vida é recebida e desfrutada pela presença do Espírito Santo no crente (7.37-39).

Quando a família é saciada na fonte que é Jesus, transborda de sa-

tisfação e alcança outras famílias sedentas de vida plena. A mulher, antes envergonhada e resistente em “chamar o marido”, agora deixa o cântaro (símbolo de sua busca vazia) e corre para testemunhar (v. 28-30) em sua comunidade. Quem experimenta a graça, transborda da graça. Nossa missão na liderança da igreja, especialmente com relação às famílias, é conduzir famílias à Fonte. A missão de cada família é conduzir outras famílias à Fonte. Cristo expõe nossa sede, sacia-nos com sua graça e envia nossa família aos sedentos. Enquanto nossas famílias dependerem de poços vazios e de balde e corda (tentativas de fazer de pessoas, bens ou projetos a fonte de satisfação), continuarão ignorantes e confusas quanto ao seu real problema, um problema de fonte. Ninguém pode ser a fonte para o outro, mas todos podemos ser canais ligados diretamente à Fonte para que o seu amor, sua paz e a verdadeira felicidade sejam compartilhadas. n

Petronio Borges Júnior pastor da Igreja Batista do Barro Preto, em Belo Horizonte - MG

S.O.S. Batistas em Ação: levando cuidado e esperança aos moradores de Minas Gerais

Durante o mês de março, diversas regiões do estado de Minas Geraisde devido às fortes chuvas na região. Por isso, os Batistas brasileiros seção Batista Mineira e da Junta de Diante da necessidade, as duas Carretas Missionárias e a Lavanderia Missionária se deslocaram para Juiz de Fora e Ubá, duas das cidades mais atingidas e que tiveram os aten-

dimentos básicos interrompidos. Os veículos tornaram possíveis diversas consultas, sendo também um local onde as esperanças eram renovadas e os corações consolados.

O trabalho foi intenso. Missionários e voluntários prepararam kits para os desabrigados, realizaram limpeza nas ruas e nas casas, levaram uma palavra de paz aos moradores e, assim, abriram o caminho para o agir de Deus em muitas histórias.

Confira o relato do missionário Thales Emanoel, Coordenador da

Cristolândia São Paulo, que atuou no SOS Minas Gerais.

“Um grupo de missionários es teve visitando algumas famílias e levando água e cestas básicas. Aos poucos, as famílias retornaram às suas atividades normais, mas ainda enfrentavam a situação de voltarem para suas casas e não terem nada dentro delas.

Algumas famílias começaram a receber doações de fogão, colchão e outros eletrodomésticos, porém ainda não possuíam alimentos para preparar suas refeições. Por isso,

Senhor que faz a obra por completo! Continue orando pelo povo mineiro e pela obra missionária na região. n

Congresso Juventude Batista do Amazonas reúne 400 jovens em Manaus

Nova Diretoria da organização foi eleita durante o Congresso.

Cezar Vinícius de Oliveira Lima presidente da Juventude Batista do Amazonas e Conselheiro da Região Norte da Juventude Batista Brasileira; membro da Segunda Igreja Batista de Manaus - AM

Nos dias 20 e 21 de março, a ci dade de Manaus foi palco de um dos maiores encontros de juventude cris tã do estado: a Conferência Jovem promovida pela JUBAAM. O evento aconteceu na Primeira Igreja Batista de Manaus e reuniu mais de 400 jovens, incluindo caravanas vindas do interior do Amazonas e de diversas zonas da cidade, evidenciando a força, a relevância e o crescimento do movimento jovem batista na região Norte do país.

Jovens viveram momentos de comunhão, adoração e elegeram nova Diretoria

Com o propósito de fortalecer a fé, promover comunhão e alinhar a juventude aos propósitos de Deus, na conferência foi trabalhado o tema anual da Convenção Batista Brasileira, “Somos Um”. Jovens de diferentes cidades participaram ativamente de

cada momento, criando um ambiente de unidade, encorajamento e renovação espiritual. Entre os convidados especiais, esteve o Conselheiro da Juventude Batista Brasileira, pastor Vinícius Vargas, que trouxe uma palavra desafiadora e inspiradora. A conferência também contou com ministrações de líderes importantes, como o diretor-Executivo da Convenção Batista do Amazonas, Nelmo Monteiro, pastor Rodolfo,

pastor Tiago Lincoln, além de outros palestrantes que contribuíram para o fortalecimento da juventude presente. Um dos momentos marcantes do evento foi a eleição da nova diretoria da JUBAAM para o próximo biênio. Na ocasião, o então presidente Cezar Vinícius foi reeleito, dando continuidade ao trabalho já desenvolvido. A nova composição conta com Max Sandro Júnior, da Primeira Igreja Batista de Manaus como vice-presidente, Isabela

Salgado da Primeira Igreja Batista do Lírio do Vale como 1ª secretária e Ana Elisa de Araújo da Igreja Batista Boas Novas como 2ª secretária, formando uma equipe comprometida com o avanço e a organização das ações da juventude Batista no estado.

Outro destaque foi a gravação de três músicas ao vivo pela banda da JUBAAM, representando a expressão artística e espiritual da juventude e um passo importante para alcançar mais jovens por meio da música e da adoração.

A Conferência Jovem da JUBAAM consolida-se como um evento relevante no Amazonas, promovendo experiências transformadoras, fortalecimento de vínculos e reafirmação do compromisso de uma geração que deseja viver uma fé verdadeira e alinhada aos propósitos de Deus.

Com forte participação e liderança engajada, a Juventude Batista do Amazonas segue avançando em sua missão de conectar, capacitar e inspirar jovens em todo o estado. n

Igrejas do ABC - SP recebem treinamento para as cruzadas internacionais

Evento está agendado para ocorrer entre os dias 25 de julho a 01 de agosto.

Wagner Fernandes

pastor, membro da Primeira Igreja Batista de São Caetano do Sul - SP

Já começou a contagem regres siva para a realização das Cruzadas Internacionais 2026 no Brasil. No últi mo dia 07 de março, a Primeira Igreja Batista de São Caetano do Sul - SP sediou o treinamento oficial para o evento, promovido pela International Comission.

Ministrado pelo coordenador da International Comission Brasil, o pastor Márcio Biazi, da PIB Norte de São José do Rio Preto - SP, o curso teve a finalidade de preparar as Igrejas do ABC que irão receber os missionários estrangeiros para o evento, agendado para ocorrer entre os dias 25 de julho a 01 de agosto deste ano.

A programação iniciou com a palavra de abertura do pastor Pedro Rosolen, diretor-executivo da Associação Batista do ABC, sucedida pelas boas-vindas do pastor Sebastião Neto, pastor titular da Igreja anfitriã e presidente da Associação, que saudou os presentes, contou um breve histórico

Igrejas foram preparadas para receber os missionários

das Cruzadas Internacionais na região e fez a oração inicial.

Na atividade, o pastor Márcio Biazi fez a exposição de toda a estratégia das Cruzadas, que conta com três etapas fundamentais: Preparação em Oração, Visitação evangelística e Discipulado contínuo, (sendo duas destas, uma missão para a igreja local) bases do projeto nascido no Texas, Estados Unidos, em 1972 por iniciativa de Ben Mieth e Billy Graham, que no último ano chegou ao total de 445 projetos nacionais e 22 projetos internacionais, somando até hoje mais

de 12 milhões de conversões a Cristo e 7 milhões de batismos confirmados ao redor do mundo.

Os aproximadamente 175 participantes presentes na PIB de São Caetano do Sul receberam o treinamento pautado na estratégia da Operação André, que consiste em 7 passos: escolher 10 nomes de pessoas que deseja alcançar para Jesus; anotar e orar; avisar que está orando por ela; perguntar à pessoa se há algum motivo especial de oração; convidar para ir à sua casa para jantar, festa ou café; convidar para o culto dos 10

amigos em sua Igreja; a semana da visitação e, finalmente, o trabalho de discipulado.

O projeto buscará alcançar pessoas ao Senhor em visitas aos lares, empresas e até mesmo escolas, unindo forças com membros, igrejas e associações.

Historicamente, a International Mission já contou com a cooperação de mais de 1,3 milhão de missionários. Estima-se que 100 obreiros dos Estados Unidos e América do Sul estejam presentes para servir no ABC nesta Cruzada Internacional, trabalhando nas 19 igrejas já confirmadas, que contarão com 22 intérpretes voluntários que já se prontificaram a servir com seus talentos.

Após o evento, as fichas com os relatórios da Cruzada serão enviadas para a International Comission adicionar a uma rede de intercessão mundial. Deus seja louvado por esta bela iniciativa estratégica para ganhar almas para Jesus e que muitos molhos sejam recolhidos da preciosa semente que será trazida ao ABC Paulista (Salmos 126.6). n

Primeira Igreja Batista em Campos dos Goytacazes - RJ celebra 135 anos de história

Camila Muniz

Comunicação da Primeira Igreja Batista em Campos dos Goytacazes - RJ

A Primeira Igreja Batista de Campos dos Goytacazes - RJ realizou, no dia 23 de março, um culto especial de celebração em comemoração aos seus 135 anos de história. Sendo o primeiro templo de alvenaria do Brasil, na celebração reuniu membros, líderes e visitantes em um momento de fé e gratidão.

A celebração aconteceu na sede da Igreja, em Campos dos Goytacazes - RJ, e contou com a participação ativa da comunidade, além de convidados especiais. Entre os destaques, estiveram o coral da Igreja Batista de Nova Brasília, o projeto musical da Polícia Militar, a participação do pastor Eliab Corrêa e a ministração da palavra pelo pastor Ramon Pinto. O culto foi marcado por momentos de adoração, apresentações especiais e uma mensagem voltada à reflexão e fortalecimento espiritual.

A realização do culto teve como objetivo agradecer a Deus pelas conquistas alcançadas ao longo desses 135 anos, fortalecer a comunhão entre os participantes e renovar o compromisso com a missão da Igreja para os próximos anos.

Breve histórico do início Batista no campo fluminense

Jean Pierre seminarista da Primeira Igreja Batista em Ururaí, em Campos dos Goytacazes - RJ

Tudo começou em 1890, quando o missionário William Buck Bagby, acompanhado do evangelista Domingos de Oliveira, chegou a Campos dos Goytacazes após longa viagem pela estrada de ferro Leopoldina. Hospedados no Grande Hotel Gaspar, passaram a noite em oração, buscando direção de Deus para o início da obra. Naquele lugar, mais do que orações, nasceu uma visão. Bagby enxergou em Campos um campo estratégico para o avanço do Evangelho e escreveu à Junta de Richmond, nos Estados Unidos, destacando a cidade como a mais importante do estado após a capital, cercada por outras cidades e com potencial para alcançar até regiões de Minas Gerais e do Espírito Santo. Ele declarou: “Meu coração está cheio de esperança por esse campo”.

As orações produziram frutos. As portas se abriram na casa do norte-americano Joseph Bailey, na Rua Lacerda Sobrinho, onde aconteceram as

Ela é a primeira Igreja Batista do campo fluminense, fundada em 1891.

Culto foi marcado por momentos de adoração, apresentações especiais e uma mensagem voltada à reflexão e fortalecimento espiritual

Programação teve a participação do projeto musical da Polícia Militar e convidados especiais

primeiras pregações Batistas em Cam pos e em todo o campo fluminense. O trabalho cresceu rapidamente: prega ções também eram realizadas ao ar livre, na praça São Salvador atraindo grande público. Com o grande número de pessoas acompanhando as prega ções, a casa do norte americano Joseph Beale, passou a ficar pequena, aí então que o nosso primeiro historiador J. Fernandes Lessa registra: “Um brasileiro deu uma boa oferta para alugar uma casa de cultos”. Essa casa foi alugada na Rua dos Andradas número 88.

Em pouco tempo, sete pessoas desceram às águas batismais, fruto direto da pregação do Evangelho. Esses novos crentes, cheios de zelo, desejaram se organizar como Igreja. Mas antes disso, no dia 22 de março de 1891, um acontecimento marcante: três novos convertidos aceitaram a Cristo durante uma pregação do missionário W.B.Bagby na casa que eles alugaram para fazer os cultos, na Rua dos Andradas 88.

Na mesma noite, às 23 horas,passaram por uma avaliação e com o favor dos outros membros foram levados ao Rio Paraíba do Sul e batizados. Bagby sabia da carência de pessoas e obreiros no início do trabalho, essa é uma demonstração da urgência e da visão missionária daquele tempo.

O missionário William Buck Bagby, homem intrépido e movido por uma convicção profunda, enxergava em Campos um grande centro missionário. Mesmo diante de ameaças e perseguições, não recuou. Seus opositores chegaram a anunciar que, em seu retorno à cidade, lhe fariam mal, prometiam lançá-lo no tacho fervente de uma usina de açúcar. Ainda assim,

Bagby voltou. E nada lhe aconteceu. Deus o guardava e a obra Batista avan çava. O trabalho crescia de forma ad mirável. As reuniões eram marcadas por atenção, interesse e transformação de vidas. Em seus relatos à junta missionária, Bagby expressava sua alegria ao ver o fruto do Evangelho: pessoas se rendendo a Cristo, professando sua fé e sendo batizadas. Em uma de suas visitas, relatou uma congregação numerosa, atenta à Palavra, onde decisões por Cristo aconteciam com sinceridade e prontidão. Percebendo o avanço da obra, compreendeu que era necessário alguém dedicado integralmente àquele campo, pois dividia seu tempo entre sua residência em Niterói - RJe o trabalho na Igreja Batista do Rio de Janeiro. Assim, com sabedoria e visão, lançou bases mais firmes para o crescimento da obra em Campos, deixando o evangelista Domingos de Oliveira na liderança do trabalho, que rendeu muitos frutos e no dia 23 de março de 1891 foi organizada a Primeira Igreja Batista de Campos dos Goytacazes – RJ. A PIB Campos foi a 8° Igreja Batista organizada no Brasil.

Em 1893, uma nova fase começou com a chegada do missionário Salomão Luiz Ginsburg em Campos dos Goytacazes, que assumiu o pastorado da Igreja em 30 de outubro daquele ano. Sua atuação marcou profundamente a história Batista na região. De espírito alegre e comunicativo, fez amizade com a imprensa e utilizou os jornais como instrumento de divulgação da obra. Seus batismos no Rio Paraíba do Sul atraíam multidões, inclusive opositores.

Foi através da pregação do missio-

de líder Batista do Brasil. Esse jovem era Joaquim Fernandes Lessa, que se converteu após a pregação e uma longa conversa com o missionário. É sob a liderança de Ginsburg, que um marco histórico foi estabelecido: em 21 de abril de 1898, a Igreja construiu o primeiro templo Batista do Brasil em alvenaria, em Campos dos Goytacazes. A inauguração foi divulgada em quase todos os jornais da região, e teve o sermão proferido pelo Missionário Willian Buck Bagby, com um auditório de aproximadamente mil pessoas. De lá para cá, a obra não parou. Os Batistas se multiplicaram, Igrejas foram plantadas, cidades vizinhas foram alcançadas e regiões onde o Evangelho ainda não havia chegado passaram a ouvir a mensagem de Cristo. Homens simples e cultos, ricos e pobres, servos de Deus de todo tipo se levantaram para fazer a mensagem de Cristo chegar a todo solo fluminense. Hoje, a Convenção Batista Fluminense é a maior do Brasil, com 2174 Igrejas, 41 associações, presente em 91 municípios e com 328 mil Batistas. O impacto da denominação Batista foi além dos púlpitos. A atuação Batista no campo fluminense contribuiu para a sociedade com a criação de escolas, hospitais, centros de recuperação, abrigos para órfãos e idosos, seminários, faculdades e inúmeras ações sociais que promoveram dignidade e transformação de vidas. Hoje, 135 anos depois, permanecemos com a mesma mensagem, servindo ao mesmo Deus, e com o mesmo chamado: “Ide por todo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). n

IB em Praça da Bandeira, em Araruama - RJ, lança nova marca ao celebrar 30 anos de história

Lançamento marca o início das comemorações do aniversário da Igreja na cidade.

Ewerton Carvalho jornalista, membro da Igreja Batista em Praça da Bandeira, em Araruama - RJ

A Igreja Batista em Praça da Bandeira, na cidade de Araruama - RJ, inicia um novo capítulo de sua história ao apresentar sua nova identidade visual. A mudança marca as comemorações pelos 30 anos da Igreja e reafirma um princípio que acompanha a comunidade desde a sua fundação: a mensagem permanece a mesma, mesmo quando a forma de comunicá-la se renova.

Com o conceito “Uma nova marca. A mesma visão!”, o rebranding foi pensado para refletir o momento atual vivido pela igreja. Ao longo de três décadas, a comunidade cresceu, amadureceu e ampliou sua atuação, consolidando-se como um espaço de

fé, acolhimento e serviço cristão. A nova identidade visual busca traduzir essa caminhada, comunicando de forma clara os valores e a missão da igreja para membros, visitantes e para a sociedade.

“O novo símbolo traz elementos que expressam a essência da Igreja. As iniciais IBPB aparecem integradas em uma composição moderna e harmônica, representando uma comunidade unida em torno de sua missão. No centro da marca está a cruz, posicionada de forma estratégica para afirmar que Cristo permanece como fundamento e centro da vida da igreja”, afirmou o pastor Presidente, Arildo Carlos das Neves.

Outro elemento marcante é a forma da letra “B”, que cria a ideia de um abraço. A imagem simboliza o acolhimento que caracteriza a comu-

nidade da igreja, representando uma casa espiritual aberta a todos que buscam fé, esperança e comunhão.

Além da nova marca, o projeto de identidade visual também contempla aplicações na comunicação externa, sinalização interna e materiais institucionais, contribuindo para tornar mais clara e acessível a presença da igreja em seu espaço físico e em seus canais de comunicação.

Para a liderança da Igreja, a nova identidade não representa apenas uma mudança estética, mas uma declaração de continuidade e propósito: “A marca se renova para dialogar com o presente e olhar para o futuro, enquanto a missão permanece a mesma: proclamar o evangelho de Jesus Cristo e servir à comunidade”, completou o Pastor Arildo.

Assim, ao celebrar três décadas de história, a Igreja Batista em Praça da Bandeira reafirma seu compromisso com a fé, com o acolhimento e com a esperança, convidando todos a fazer parte deste novo capítulo de sua caminhada.

As comemorações para celebrar os 30 anos da igreja já tiveram início, e seguirão até o dia 20 de julho, data oficial de fundação da igreja, que funciona na Praça da Bandeira, 148, Araruama-RJ. A igreja também está presente nas principais redes sociais. Basta pesquisar por @somosaibpb na sua rede favorita. n

Fé e Futebol: Projeto “Atletas de Cristo”

inicia atividades em Pindamonhangaba – SP

Projeto busca integrar valores cristãos ao cotidiano esportivo.

Elias Rivelle

Uma nova iniciativa que une esporte e espiritualidade acaba de ganhar vida no Vale do Paraíba, em São Paulo. Desde o início deste mês de março, a cidade de Pindamonhangaba - SP tornou-se sede oficial do projeto Atletas de Cristo, fruto de uma parceria estratégica entre o Pinda Futebol Clube Ltda (Pinda FC) e a Igreja Evangélica Batista no Crispim (IEBC).

O projeto, que busca integrar valores cristãos ao cotidiano esportivo, está sob a coordenação do pastor Abdiel Carlos Gomes Júnior. A proposta vai além das quatro linhas, focando no

Projeto tem foco no desenvolvimento humano e no apoio emocional e espiritual dos atletas e profissionais envolvidos com o clube local

desenvolvimento humano e no apoio emocional e espiritual dos atletas e profissionais envolvidos com o clube local.

Encontros e Localização

As atividades já possuem cronograma fixo na agenda da cidade. As

reuniões regulares ocorrem semanalmente, geralmente às segundas-feiras, com início às 19h30. O ponto de encontro é a própria sede do Pinda Futebol Clube, situada à Rua Monteiro César, número 175, na região central da cidade.

A parceria reflete uma tendência crescente de instituições esportivas que buscam suporte em organizações da sociedade civil e religiosas para fortalecer o bem-estar de seus membros. Para a IEBC e para o Pinda FC, o projeto representa um compromisso com a formação integral do cidadão, utilizando o futebol como ferramenta de coesão social e renovação de princípios. n

Fachada da Igreja Batista em Praça da Bandeira
Nova logomarca da Igreja
Culto na IBPB

Charles e Camila

Vidas transformadas e avanços missionários no Sul da Ásia

O inverno terminou em nosso país, e os dias quentes começam a anunciar a chegada de uma nova estação. A transição também é marcada por uma das celebrações mais conhecidas do país: o Festival das Cores (Holi), em que as ruas se enchem de música, festa e cores, enquanto as pessoas celebram jogando água e pós coloridos umas nas outras. É um dia em que preferimos permanecer dentro de casa, observando de longe essa grande movimentação.

Ao ver a celebração, lembramos que muitas pessoas buscam alegria, renovação e esperança, o que nos motiva ainda mais a continuar compartilhando a verdadeira esperança que encontramos em Cristo com as crianças e famílias que Deus coloca em nosso caminho.

Nossos corações estão cheios de gratidão por tudo o que Deus tem feito

através do Lar da Paz. Cada criança, adolescente e jovem alcançado também é fruto das suas orações, do seu amor e do seu apoio fiel. Uma das maiores alegrias no Lar da Paz é ver as crianças crescerem e se tornarem jovens adultos produtivos. Ao longo dos anos, testemunhamos histórias de transformação que mostram como Deus continua trabalhando em cada vida.

Atualmente temos a alegria de ver nove jovens que cresceram no Lar da Paz servindo como professores. Eles

estão realizando um trabalho missionário maravilhoso, ensinando crianças em um vilarejo hindu, demonstrando amor, dedicação e valores cristãos com a educação.

Também nos alegra ver outros jovens avançando na vida profissional. Um jovem que cresceu no Lar da Paz trabalha como motorista de Uber e, recentemente, conseguiu comprar seu próprio carro. Outro jovem também conseguiu comprar uma ótima moto.

Recentemente, tivemos um momento muito especial: Sushmita foi batizada, dando um passo público de fé. Para nós, que a vimos ainda criança, foi um momento emocionante. Nos próximos dias será a formatura dela no Seminário Teológico, marcando uma etapa muito importante em sua jornada.

Pedimos orações pelas adolescentes que estão na escola e pelos jovens universitários do Lar da Paz, que neste período realizam provas importantes em suas escolas e universidades.

Outro momento muito importante

dos últimos meses foi o lançamento oficial do meu primeiro livro, “Quando as Estrelas se Calam”. Foi um tempo maravilhoso e muito significativo para todos nós. Tornou-se ainda mais especial porque o lançamento aconteceu durante a Assembleia da Convenção Batista Brasileira, em Salvador/BA. Este livro fala sobre a dor silenciosa que muitas crianças enfrentam e sobre o chamado de Deus para proteger e cuidar delas.

Louvamos a Deus pela família Batista Brasileira, que tem feito tanta diferença neste país através de nossas vidas e do ministério que realizamos aqui. Sentimos verdadeiramente que não estamos sozinhos, caminhamos junto com muitos irmãos e irmãs que oram, apoiam e acreditam nesse chamado.

Somos gratos por cada oração, palavra de encorajamento e gesto de apoio. Vocês fazem parte desta missão. Muito obrigada por caminhar conosco! n

Uma nação que sofre em silêncio

Pr. Daniel Duarte e Clélia Kerne de Oliveira

Missionários no Uruguai

Vivemos tempos intensos e desafiadores. Guerras e rumores de guerras, como nos advertiu a Palavra de Deus. Relações abaladas, conflitos familiares, instabilidade moral e espiritual. No nosso querido Brasil, em ano de eleições, vemos crescer as divisões até mesmo entre familiares. O cenário aponta para dias ainda mais difíceis — e sabemos que este ainda não é o fim, pois muitos povos ainda não conhecem o nosso Salvador: “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações; então, virá o fim” (Mt 24:14).

Aqui no Uruguai, por outro lado, a sociedade parece navegar por águas tranquilas. Um país politicamente e economicamente estável, sem grandes catástrofes naturais, que se declara majoritariamente ateu ou agnóstico. Contudo, por trás dessa aparente serenidade, há um povo que sofre silenciosamente. Leis como a legalização do aborto, do uso da maconha e, mais recentemente, da eutanásia, já revelam consequências profundas.

No início deste ano letivo, o governo anunciou uma redução de 15 mil alunos nas escolas. Em uma população de apenas 3,2 milhões de

habitantes, mais de 117 mil crianças foram abortadas nos últimos anos. A população diminui. Crescem os casos de depressão, dependência química e suicídio. Hospitais psiquiátricos estão saturados. Há uma nação que sofre em silêncio, ignorando os motivos.

É nesse cenário que, desde 2017, temos o projeto GASS – Grupo de Apoio aos Sobreviventes de Suicídio. Pela graça e misericórdia de Deus, temos presenciado verdadeiros milagres e histórias transformadas pelo poder do Senhor. Recentemente, uma jovem que acompanhamos nos grupos de apoio escreveu um lindo poema intitulado: “Meu renascimento em Cristo”. Compartilhamos alguns trechos:

Desde setembro, algo começou a se agitar dentro de mim.

Não foi uma mudança repentina, não foi uma emoção passageira. Foi um trabalho silencioso, profundo, constante.

Comecei a ir à igreja sem realmente saber o que procurava.

Talvez descanso.

Talvez significado.

Talvez simplesmente um lugar onde eu não precisasse ser forte o tempo todo.

Cheguei com perguntas, com um cansaço acumulado,

com feridas que ainda doíam e com uma fé frágil, mas sincera...

Cristo não me pediu para ser perfeita.

Ele não exigiu certeza.

Ele não apontou o que faltava.

Ele me acolheu como eu era.

E naquele gesto simples, tão cheio de amor,

meu renascimento começou...

Cristo não apagou a minha história,

Ele a acolheu.

Ele não negou minha dor,

Ele a iluminou.

Não acelerou meus processos

— Ele os acompanhou.

Cristo está agindo em mim.

Às vezes silenciosamente.

Às vezes em pequenas coisas.

Às vezes onde menos esperava.

E por isso, só posso dizer: obrigada.

(R.S.)

Ao ler esse poema, especialmente nós da equipe que estivemos ao lado dessa jovem em seus dias mais escuros, sentimos que nossos corações se encheram de gratidão. Deus continua agindo. A luz continua brilhando nas trevas. Isso é missão. Isso é o Evangelho vivo. Isso é fruto das tuas orações! Muito obrigado pelo seu apoio à obra missionária no Uruguai.

Porque Jesus em breve voltará, não podemos diminuir o passo. Há vidas esperando por esperança. Há uma missão a ser completada. Por isso, ore conosco pelo Uruguai.

Ore pelos desafios para o ministério GASS em 2025: alguns membros da equipe estão encerrando seu tempo de serviço, enquanto novas portas têm se aberto. O Hospital Evangélico nos convidou para realizar ali os encontros dos grupos de apoio, o que pode ampliar o alcance desse trabalho. Orem por novos voluntários uruguaios, por direção de Deus neste novo momento e por provisão e expansão deste ministério. Somos profundamente gratos a cada um de vocês que caminham conosco — intercedendo, apoiando e sustentando este ministério e o povo uruguaio em oração.7

Porque o Filho Vive e Voltará, Vamos Completar a Missão no Uruguai!

“Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Sim, venho em breve! Amém. Vem, Senhor Jesus!”, (Ap 22.20). n

Seminário do Sul chega aos 118 anos com chamado à transformação

Estevão Júlio jornalista na Convenção Batista Brasileira

Instituição comemora sua história olhando para o futuro da formação teológica no Brasil e no mundo.

que nos mantém de pé [...] é a graça eterna derramada sobre as nossas vidas”.

Encaminhando para o encerramento da mensagem, o pastor fez um convite à entrega total. “Você quer ser um líder transformador? Leve as suas dificuldades aos pés do Senhor”. E concluiu: “O que nos faz transformadores é o poder de Deus que não cabe em nós”.

Momentos especiais e gratidão

reforçando a identidade e missão do seminário.

O Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil celebrou, na noite do dia 25 de março, seus 118 anos de história com um culto especial realizado na capela da instituição. A celebração reuniu alunos, professores, liderança e convidados em um momento de adoração, gratidão e reflexão sobre o papel do seminário na formação de líderes para o Reino de Deus.

A noite foi cuidadosamente estruturada, conduzindo os presentes por momentos de adoração, memória institucional e proclamação da Palavra.

A programação contou com a exibição de um vídeo institucional, seguida da saudação do pastor Pedro Veiga. Na sequência, houve a leitura bíblica do Salmo 103, conduzindo os participantes a um tempo de gratidão e exaltação ao Senhor.

Ainda no início da celebração, o pastor Fernando Brandão trouxe uma palavra introdutória, seguida de oração.

A noite também foi marcada por momentos de louvor congregacional, com canções como “Tu És Deus”, “A Boa Parte”, “Deus, Tu És Santo” (ministrada pelo coro), “Oh Quão Lindo Esse Nome É”, “Bondade de Deus” e “Estamos de Pé”.

Outro momento marcante foi a apresentação do coro, seguida de um vídeo de apresentação institucional,

A ministração da Palavra foi conduzida pelo pastor Frederico Reis, da Igreja Batista Memorial de Macaé - RJ e egresso da instituição. Logo no início, o pastor compartilhou sua emoção ao retornar ao seminário: “Confesso que voltar a essa casa é uma grande emoção.”

Ele destacou o significado da celebração. “Nós estamos celebrando 118 anos dessa casa de profetas.”

E chamou a atenção para o valor de instituições que sustentam o Reino, mesmo longe dos holofotes. “Existem lugares que não aparecem nas manchetes de jornais [...] mas que sustentam a história.”

Baseando sua mensagem em Lucas 7.18-23, o pregador reforçou que o seminário forma vocacionados, não apenas profissionais. “Nós não estamos simplesmente recebendo instrução ou construindo uma carreira de

sucesso. Nós estamos aqui sendo trabalhados pelo Senhor.” E enfatizou a essência do ministério cristão. “A nossa proposta é formar gente que sai daqui para cuidar de gente.”

Ao refletir sobre João Batista, o pastor destacou a humanidade dos líderes espirituais. Líderes que transformam não são pessoas imunes às crises”. E afirmou: “Homens levantados por Deus [...] sentem medo. [...] líderes sentem o peso do fracasso”. Apontando o caminho bíblico diante das crises, declarou: “Líderes que transformam são aqueles que rasgam o coração diante de Deus”.

Durante a exposição do texto bíblico, o pastor ressaltou que Jesus responde às dúvidas com misericórdia: “Jesus não está alheio às nossas fragilidades”. E completou: “Quando as nossas dúvidas gritarem alto aos nossos ouvidos, Jesus nos responde com a sua misericórdia”. Ele também destacou a centralidade da graça: “O

A programação também contou com momentos especiais, como a exibição de um vídeo sobre o Fundo de Bolsas Jerry Key, destacando a importância do investimento na formação de vocacionados.

Após a mensagem, o seminarista Zacarias Miamo, vindo de Moçambique, conduziu um momento de oração, agradecendo a Deus pela trajetória da instituição.

Na sequência, o pastor Fernando Brandão, diretor-executivo da Convenção Batista Brasileira (CBB), trouxe uma palavra especial, destacando a fidelidade de Deus ao longo da história do seminário. “O propósito de Deus para esta casa não tinha terminado”. E reafirmou a missão da instituição: “Essa casa foi fundada para atender os interesses do reino de Deus”.

Ele também ressaltou o foco nos vocacionados: “Essa casa é dos vocacionados, é para vocacionados.”

A celebração seguiu com avisos, incluindo informações sobre as inscrições para a Conferência Teológica, realizada de 25 a 28 de março, na Igreja do Recreio - RJ, além de um momento especial de parabéns pelos 118 anos.

O culto foi encerrado em clima de celebração, com a Igreja reunida em louvor, reafirmando sua fé e gratidão a Deus pela história construída e pelo futuro que continua sendo preparado.

Assista a celebração completa: https://www.youtube.com/watch?v=HKo0tosxvlA n

A celebração reuniu alunos, professores, liderança e convidados
Noite foi marcada por momentos de louvor e adoração
Pr. Frederico Reis e Pr. Fernando Brandão
Zacarias é de Moçambique e aluno do Seminário do Sul
Pr. Pedro Veiga é vice-diretor dos Seminários da CBB Momento

Direções apontadas pela Ceia do Senhor

Nédia Galvão

Membro da Igreja Batista da Restauração - Missão Batista em Macambira - SE; capelã escolar; especialista em Ciência da Religião; especialista em Docência; bacharel em Teologia.

A Ceia do Senhor, juntamente com o batismo, são as duas ordenanças estabelecidas pelo próprio Senhor Jesus, sendo ambos de natureza simbólica. Especificamente, a Ceia do Senhor, é uma cerimônia da Igreja reunida, comemorativa e proclamadora da morte do Senhor Jesus, simbolizada por meio dos elementos: o pão e o vinho (isso consta na declaração doutrinária da Convenção Batista Brasileira, no artigo IX).

Como Batista convicta, sou suspeita para falar, mas a celebração da Ceia na perspectiva Batista para se destacar em beleza e profundidade não precisa do místico da transubstanciação, nem da consubstanciação, como adotam outras vertentes cristãs, as quais respeitamos.

Mas, as direções apontadas pela Ceia do Senhor, na forma simples e direta como os Batistas celebram, nos imergem em um passado (em memória), futuro (até que Ele venha) e introspecção (examine-se), de forma prática, todavia, profunda.

De acordo com o texto de I Coríntios 11, dos versos 23 ao 31, pode -

mos extrair essas direções. E a primeira direção que a Ceia do Senhor aponta é para o passado (versos 24, 25): “e, tendo dado graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim”. Da mesma forma, depois da ceia ele tomou o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue; façam isto, sempre que o beberem, em memória de mim””.

Chamo a atenção do caro leitor para a expressão “em memória”, que significa fazer lembrar, recordar. E em uma sociedade que não preserva a história, fazendo parte de uma geração que não retém os fatos, vivendo em uma era que o esquecimento é um hábito, nos tornamos um povo desmemoriado.

Costumo me referir aos nossos dias como uma era “palimpséstica”. O método palimpsesto era utilizado na antiguidade como meio de raspagem de um pergaminho para que esse fosse reutilizado. O pergaminho, um material de escrita da antiguidade, tinha um alto custo, pois era produzido com peles ressecadas dos animais. E, por ser um material caríssimo, o método palimpsesto era utilizado, dando lugar para reescrever outras coisas no pergaminho. Assim, muitos documentos históricos, poéticos e filosóficos foram perdidos, caindo até no esquecimento.

E esse método de raspagem parece estar bem presente nos nossos dias. Esquecemos com muita facilidade e nem sempre isso se dá por motivos justificáveis. Porém, muitas vezes esquecemos porque não damos a devida atenção e importância às coisas.

Contudo, a Ceia do Senhor nos remete a exercitar a memória, a lembrar que o Senhor Jesus teve Seu corpo em flagelo e o Seu sangue derramado em nosso favor. E a Ceia do Senhor aponta para esse passado que deve estar presente em nossa memória.

A segunda direção que a Ceia do Senhor aponta é para o futuro (verso 26): “Porque, sempre que comerem deste pão e beberem deste cálice, vocês anunciam a morte do Senhor até que Ele venha”.

A expressão-chave agora é “até que Ele venha”. Há uma promessa da volta do Senhor Jesus, e a Ceia do Senhor aponta para essa promessa futura. A promessa grandiosa do retorno de Cristo deve ser algo que todo cristão anseia e anela. Porém, muitos vivem alheios a esta promessa, vivem o aqui e o agora, indiferentes ao futuro retorno de Cristo, um evento eminente, com a expectativa de ser iminente. E a Ceia do Senhor aponta para este futuro, até que Ele venha.

E a terceira direção que a Ceia do Senhor aponta é para dentro (verso 28): “Examine-se o homem a si mesmo, e então coma do pão e beba do

cálice”. O termo grego para examinar é dokimazo (δοκιμάζω) e significa, a partir de um teste, de uma avaliação, verificar se algo é genuíno ou digno. Trata-se de uma autoavaliação, autoverificação, autorreflexão.

Ah! Como costumamos com mais facilidade avaliar e verificar a vida dos outros. Mas, a Palavra de Deus, na Sua sabedoria e perfeição, diz para nos examinarmos.

E olhar para dentro de nós é verificar nossas intenções, motivações, pensamentos e sentimentos. É olhar para nós mesmos e verificar nossa conduta, nosso falar, nossas atitudes nas relações interpessoais.

Travamos uma espécie de solilóquio, uma conversa consigo mesmo, um auto confronto. A Ceia do Senhor é um momento nosso com Deus, nosso com nossos irmãos e um momento só nosso também. Um momento de olhar diante do espelho da alma, autoavaliar-se, pedir perdão pelos pecados cometidos e se arrepender.

Pois, a Ceia do Senhor não é para nossa condenação, mas uma oportunidade para a reflexão e mudança de direção.

E essas são as direções apontadas pela Ceia do Senhor: para o passado, para o futuro e para dentro de nós. Como é bom celebrar este cerimonial nesta perspectiva, sem questões místicas envolvidas, mas cheio de beleza, profundidade e praticidade. n

O discipulado na era do auto-cancelamento: do amor líquido ao discipulado sólido

Wanderley Lima Moreira pastor da Igreja Batista Nova Esperança, em Marataízes - ES

Vivemos em uma época de conexões frenéticas e insistente, mas de relacionamentos fluidos e que se gastam facilmente. Assim, o tema dos batistas brasileiros: Somos Um, com base no texto da Bíblia: “para que eles sejam um, assim como nós somos um” (Jo 17.11) é muito bem-vindo.

Agora, as interações humanas assemelham-se a redes de Wi-Fi: conectamos e desconectamos ao sabor da conveniência, sem a necessidade de compromisso moral e espiritual. Essa fluidez das relações superficiais criou uma geração de cristãos nômades, que enxergam a igreja como um aplicativo que pode ser desinstalado ao primeiro sinal de erro ou desconforto. São cristãos que cancelam um relacionamento num clique.

Entretanto, o comissionamento discipular de Jesus registrado em Mateus 28.19-20 caminha na contramão dessa fluidez. Ele não convoca seguidores que cancelam ou são cancelados, mas faz um chamado para fazer discípulos e promover a cura. O Ide de Jesus requer permanência e responsabilidade: não se faz um discípulo à distância ou apenas enquanto tudo vai bem. O discipulado é o compromisso de “ensinar a guardar todas as coisas”, o que inclui correção, suporte mútuo e convivência.

Zygmunt Bauman alerta sobre a falta compromisso, que gera o cancelamento, a falta de permanência. Se a modernidade líquida nos ensina

a abandonar o barco quando a onda cresce, o Evangelho nos ordena a remar juntos, entendendo que o vínculo com o corpo de Cristo não é um contrato de consumo, mas uma aliança comprada e selada com sangue (I Pedro 1.18-19).

O discípulo de Jesus – regenerado e justificado – não procura uma igreja que o satisfaça, mas uma comunidade onde ele possa servir, ser moldado e, acima de tudo, onde a sua palavra de compromisso tenha mais peso do que a sua vontade de fugir e de cancelar a missão.

Vivemos em uma era de laços frágeis, onde os compromissos são válidos apenas enquanto geram satisfação imediata. Dizem por aí que em algumas igrejas a porta dos fundos é mais larga que a porta de entrada. Entra gente e sai gente. É o tempo da fluidez nos relacionamentos, e quando transpomos isso para a fé, a igreja deixa de ser um corpo místico e passa a ser tratada como um balcão de serviços.

Na modernidade líquida, o “eu” é o centro soberano. Isso se reflete quando as pessoas priorizam seu bem-estar emocional momentâneo em detrimento do compromisso e permanência junto a uma igreja local. Isso tem gerado duas consequências: Relacionamentos fluídos: quando um namoro/noivado termina, a igreja - que deveria ser o porto seguro para a restauração do coração - é descartada apenas para evitar o desconforto de encontrar o ex-parceiro. O mesmo ocorre com os desgastes de lideranças.

Rejeição a autoridades: vivemos em uma era de baixa tolerância ao erro exposto. Quando um membro é exortado ou disciplinado por um pecado, em vez do arrependimento e da submissão ao processo de cura, ele prefere o auto cancelamento e a busca por um novo grupo que não conhece seu histórico.

Bauman aponta que as relações humanas hoje seguem a lógica do mercado. Na igreja, isso transforma o fiel em um cliente e a igreja em um produto de consumo. Alguns membros abandonam a igreja local não por questões doutrinárias, mas porque seu vínculo era com o afago emocional esperado, ao gosto do cliente. Sem isso, ele rompe o vínculo baseado em apenas dar e nunca ofertar.

Nesta relação de consumo, o grupo passa a ser um clube, uma espécie de fastfood, e o relacionamento passa a ser do tipo test-drive, que não aprofunda, não arrisca e não cria raizes, como observa Bauman em seu livro Amor líquido: Viver junto [...] assume a forma de um test-drive. Na era da ‘modernidade líquida’, a ideia de compromisso é vista como uma armadilha, algo que pode limitar as opções futuras. (BAUMAN, 2026, 2021, p. 30)

O discipulado de Jesus Cristo tem caráter recíproco, uma via de duas mãos. As pessoas estão carentes de amor e acolhimento verdadeiro, profundo. Quando a expectativa não é suprida, a relação é rompida, pois os vínculos líquidos são conexões fáceis de desconectar e não relacionamentos de compromisso e permanência.

Diante disso, nesta era do auto cancelamento, precisamos levar as pessoas do nosso grupo a um aprofundamento relacional com Deus e com o próximo; a sair da fluidez do amor líquido rumo ao discipulado sólido e profundo. Em contraste com a fluidez dos relacionamentos modernos, o discipulado sólido proposto por Dietrich Bonhoeffer nos convida a uma ruptura total com a graça barata, com a cultura do auto cancelamento. O discipulado de Cristo é pressuposto na obediência radical, onde a morte do velho eu não permite retroceder, pois Pedro, o discípulo que mais tentou ser cancelado ensinou: “Sirvam uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como encarregados de administrar bem a multiforme graça de Deus” (I Pe 4.10)

Enquanto os relacionamentos líquidos fogem do compromisso e da permanência para preservar a liberdade, o discipulado sólido encontra a verdadeira liberdade justamente na entrega absoluta e no vínculo inquebrável que resiste à trend do momento: o auto cancelamento.

Referências:

BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos. São Paulo, SP: Zahar, 2021. BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. São Paulo, SP: Mundo Cristão, 2016.

BÍBLIA NAA (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017. n

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