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OJB EDIÇÃO 07 - ANO 2026

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ÓRGÃO OFICIAL DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA FUNDADO EM 1901

Juntos pela missão em Salvador!

Ação Jesus Transforma mobiliza voluntários de todo o Brasil, enquanto o Congresso Nacional dos Homens Batistas reúne 25 convenções em um dia de louvor, ensino e discipulado. Leia nas páginas 07 e 09.

Reflexão

Chamado

85 anos

Artigo explica como identificar o chamado ao ministério pastoral

PIB em Rio Bonito celebra 85 anos com produção de Bíblia manuscrita

Notícias do Brasil Batista Notícias do Brasil Batista

Vida na Estrada

Projeto da Convenção Batista Mineira amplia seu alcance de atuação com unidade móvel

110 anos

Conheça a história da Primeira Igreja Batista de Nazaré da Mata, em Pernambuco

EDITORIAL

Educação Cristã em unidade

A Educação Cristã ocupa um lugar central na caminhada das Igrejas Batistas, pois é por meio dela que somos formados na Palavra, fortalecidos na fé e impulsionados à missão. Caminhar em unidade é um desafio permanente, mas também uma marca do Corpo de Cristo, que cresce quando cada membro compreende seu chamado e assume sua responsabilidade no Reino de Deus.

Nesta edição da OJB, convidamos você a aprofundar sua Jornada Bíblica 2026 com a CBB, reafirmando o compromisso com a leitura, a meditação e a vivência das Escrituras como fundamento da vida cristã. A Palavra que nos forma é a mesma que nos envia. Por isso, refletimos também sobre como identificar o chamado ao ministério pastoral, lembrando que o

discernimento vocacional acontece no relacionamento com Deus, no testemunho da igreja local e no serviço fiel ao próximo.

A missão se expressa de maneira concreta quando a Igreja sai de seus muros. A experiência missionária vivida na Ação Jesus Transforma Salvador, por meio de Missões Nacionais, nos inspira a enxergar nossa cidade como campo missionário e a assumir, com intencionalidade, o compromisso de anunciar o evangelho com palavras e ações. Celebramos, ainda, a história e o testemunho de Igrejas que têm servido ao Senhor com fidelidade ao longo das décadas. A Primeira Igreja Batista em Rio Bonito - RJ, ao completar 85 anos de organização, nos presenteia com um gesto de profundo valor espiritual, histórico e cultural: a produção

de uma Bíblia Sagrada manuscrita, escrita à mão por membros da própria igreja, um testemunho de amor às Escrituras e de reverência à Palavra de Deus. Da mesma forma, nos alegramos com os 110 anos da Igreja Batista de Nazaré da Mata - PE, cuja trajetória é marcada por serviço, perseverança e compromisso com o Reino.

Destacamos também a Assembleia da UMHBB em Salvador, espaço de comunhão, edificação e fortalecimento da missão entre os Homens Batistas do Brasil, reafirmando que a cooperação é parte essencial da identidade batista.

Nessa mesma perspectiva de cuidado e organização da vida comunitária, o artigo sobre a importância da “carta” de transferência entre igrejas batistas nos relembra que comunhão,

zelo pastoral e responsabilidade caminham juntos na vivência denominacional.

OJB também se dedica ao cuidado integral do ser humano. Na coluna Saúde de Corpo e Alma, somos lembrados de que espiritualidade e saúde caminham lado a lado. O artigo “Mate-me de uma vez” nos convida a refletir sobre o mundo interior, reconhecendo que nem sempre a mansidão aparente revela o que se passa no coração, e que o cuidado emocional é parte do processo de amadurecimento cristão.

Que esta edição da OJB fortaleça sua fé, desperte sua vocação, renove seu compromisso com a Palavra e reacenda em seu coração o desejo de caminhar em unidade, servindo a Cristo com amor, responsabilidade e missão. n

O JORNAL BATISTA

Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso.

Fundado em 10.01.1901

INPI: 006335527 | ISSN: 1679-0189

PUBLICAÇÃO DO CONSELHO GERAL DA CBB

FUNDADOR

W.E. Entzminger

PRESIDENTE Paschoal Piragine Jr.

DIRETOR GERAL Fernando Macedo Brandão

SECRETÁRIO DE REDAÇÃO

Estevão Júlio Cesario Roza (Reg. Profissional - MTB 0040247/RJ)

CONSELHO EDITORIAL

Francisco Bonato Pereira; Guilherme Gimenez; Othon Ávila; Sandra Natividade

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Anúncios e assinaturas: jornalbatista@batistas.com Colaborações: decom@batistas.com

REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA

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Site: www.convencaobatista.com.br

A direção é responsável, perante a lei, por todos os textos publicados. Perante a denominação Batista, as colaborações assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião do Jornal.

DIRETORES HISTÓRICOS

W.E. Entzminger, fundador (1901 a 1919); A.B. Detter (1904 e 1907); S.L. Watson (1920 a 1925); Theodoro Rodrigues Teixeira (1925 a 1940); Moisés Silveira (1940 a 1946);

Almir Gonçalves (1946 a 1964); José dos Reis Pereira (1964 a 1988); Nilson Dimarzio (1988 a 1995) e Salovi Bernardo (1995 a 2002)

INTERINOS HISTÓRICOS

Zacarias Taylor (1904); A.L. Dunstan (1907); Salomão Ginsburg (1913 a 1914); L.T. Hites (1921 a 1922); e A.B. Christie (1923).

ARTE: Oliverartelucas

IMPRESSÃO: Editora Esquema Ltda A TRIBUNA

Jornada Bíblica 2026 da CBB

Elana Costa Ramiro gerente executiva de Educação Cristã da Convenção Batista Brasileira

Você já tentou ler a Bíblia completa várias vezes, mas acabou abandonando o projeto ainda no início? De alguma forma você se sentiu frustrado ou duvidoso da sua fé em Deus?

Tenho uma boa notícia para você! Desde o dia 01 de fevereiro de 2026, os Batistas brasileiros se unem no propósito sublime de mergulhar na riqueza inesgotável da Palavra de Deus! Estamos iniciando mais uma JORNADA BÍBLICA e concluiremos gloriosamente no Dia da Bíblia. Imagine a profundidade de conhecimento, a inspiração diária e a conexão espiritual que essa

jornada trará para a sua vida.

Sabemos que projetos como este podem parecer bastante desafiadores se você estiver sozinho, mas você não estará! Em nosso canal exclusivo no WhatsApp, a Palavra ganha vida e a comunidade te impulsiona a permanecer na missão.

No canal JORNADA BÍBLICA você encontrará:

1. Um plano organizado e disponibilizado diariamente para guiar sua leitura;

2. Flexibilidade total – receba links diretos para ler ou ouvir a Palavra de Deus, onde e quando quiser, adaptando-se perfeitamente à sua rotina;

3. Uma comunidade vibrante com milhares de pessoas que interagem

por meio de enquetes, reações e partilhas guiadas;

4. Orações de aplicação para você refletir e praticar;

5. Acesso a links de vídeos explicativos para cada livro da Bíblia, facilitando a sua compreensão do texto lido;

6. Motivação constante e encorajamento para manter o ritmo e não perder o foco nesta missão abençoada.

Esta é a sua chance de se conectar de forma profunda com as Escrituras, crescer espiritualmente e testemunhar o poder transformador da Bíblia em sua vida e na vida de milhares de pessoas. Não deixe essa oportunidade passar!

Aponte a câmera do seu celular para o Qr Code ou pesquise “Canal Jornada Bíblica”, na área de “Atualizações, em seu WhatsApp, e inicie sua transformação:

Convide as pessoas da sua família, da sua igreja, do seu pequeno grupo, do seu trabalho ou quem você quiser para ler a Bíblia com a gente! Seja parte dessa história de fé e conhecimento! n

Educação Cristã em unidade

um mundo fragmentado e polarizado, essa unidade se torna um testemunho poderoso do Evangelho.

Somos chamados educadores cristãos e discipuladores para “Sermos Um”, vivendo a unidade que testemunha o evangelho. A unidade ocupa um lugar central na carta aos Filipenses. Paulo exorta a igreja com palavras que ecoam fortemente em nossos dias: “[…] completai a minha alegria, para que tenhais o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, o mesmo ânimo, pensando a mesma coisa” (Fp 2.2). Em

O novo currículo da educação cristã é um instrumento concreto para viver essa unidade. Ele não elimina as particularidades das congregações, mas oferece fundamentos comuns que fortalecem a identidade cristã e Batista. Quando discipuladores e educadores cristãos caminham juntos, compartilham princípios e assumem uma visão comum, o ensino se torna mais coerente e a formação mais profunda.

Paulo aponta Cristo como o modelo supremo dessa unidade: “[…] esvaziou a si mesmo, […]” (Fp 2.7). Esse esvaziamento nos convida a abrir mão de individualismos, resistências e práticas isoladas. Viver esse novo tempo no discipulado é escolher a cooperação, a humildade e o compromisso com o corpo de Cristo, entendendo que ensinar é uma tarefa coletiva, marcada pelo amor e pelo serviço.

Portanto, educadores cristãos e discipuladores, tenham em vocês o mesmo sentimento que houve em Cris-

to Jesus (Filipenses 2.5). Neste novo ano, sejam intencionais em conhecer o novo e em colocá-lo em prática, caminhando em unidade com toda a comunidade batista (Filipenses 2.2). Perseverem em oração pela própria vida, apresentando continuamente suas petições ao Senhor (Filipenses 4.6), para que o Espírito Santo desperte em vocês sede de conhecimento, disposição para servir, ensinar e edificar vidas (Filipenses 1.9; 2.13). Assim, vivam o chamado de Deus e sejam uma bênção em 2026 (Filipenses 1.6; 4.9). n

Andreia Cristina Ramos educadora cristã

Somos um vivendo em comunhão

Levir Perea Merlo pastor, colaborador de OJB

“Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!” (Sl 133.1)

O mês de fevereiro é dedicado a Aliança Batista Mundial, fundada em 1905, em Londres, cujo primeiro presidente foi o pastor inglês John Clifford. É uma associação voluntária, através da qual os Batistas de todo o mundo operam juntos para o cumprimento da Grande Comissão. Ela se reúne de cinco em cinco anos, e a ela estão filiadas mais de 150 Convenções Batistas, que somadas passam de 100 milhões de membros. É um organismo que não tem qualquer ingerência nas convenções e Igrejas. Sua finalidade maior é trazer os Batistas de todo o mundo ligados pelo mesmo laço da fraternidade, serviço e cooperação.

Nesse mês de fevereiro, nossa ênfase é a comunhão que vem do grego “koinonia” e “significa parceria, participação conjunta e relacionamento profundo, indo além da simples convivência”. Também envolve a união íntima com Deus por meio de Jesus Cristo e o compartilhamento fraterno,

amável e prático entre os cristãos verdadeiros. (Atos 2.42). Koinonia é viver em harmonia e parceria, tanto com o Criador quanto com a comunidade dos fiéis. Quando duas ou mais pessoas fazem coisas juntas em harmonia estão em comunhão. E a vontade do Senhor é que os seus filhos vivam em comunhão entre si e com Ele.

O salmista Davi entendia perfeitamente essa questão da comunhão. Nesse salmo 133, pode também está lembrando das situações enfrentadas desde os tempos de adolescência da convivência hostil enfrentado com os próprios irmãos de sangue por conta da inveja (I Samuel 17.28,29). Ao longo de sua vida presenciou a desunião entre os amigos e entre os próprios filhos. Por isso, o desejo do seu coração é que os irmãos vivam em união, que na verdade é o ideal de Deus para todos os seus filhos.

O “Somos Um”, tema da nossa Convenção para o ano de 2026, é um anseio para que o povo de Deus viva unido, viva em união, para que o Reino de Deus possa atingir muitas vidas e ser implantado nos corações tornando-as novas criaturas e cidadãs deste Reino maravilhoso. É chegado

pastor & professor de Psicologia

O amor sem obras é morto

“Se me amais, guardai os meus mandamentos” (Jo 14.15)

Explicando aos seus discípulos qual é a natureza do relacionamento real entre eles e seu Mestre, Jesus disse: “Se me amares, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14.15).

Quando duas pessoas, após explorar o profundo de sua personalidade, decidem dedicar o seu amor um ao outro, umas das coisas que acontecem é o estabelecimento de um contrato pelas duas.

Explicita ou implicitamente, a expressão do amor a dois implica a aceitação de um pacto, no qual ambos definem as coisas que

o momento de nos estimularmos e lutarmos e colocarmos em prática a oração sacerdotal do Senhor Jesus Cristo, a unidade do seu corpo, sua Igreja comprada com preço de san-

(Salmos 89.38-45)

são aceitáveis e aquelas que não serão aceitas, no relacionamento que viverão. Essas cláusulas funcionam como mandamentos. Quando tais mandamentos são desrespeitados sistematicamente, não há relacionamento de amor que aguente.

Quando o amor é consciente e coerente, ninguém acha pesado cumprir os “mandamentos” do contrato de amor. Pelo contrário, no pacto do amor, guardar os mandamentos é algo alegre e feliz, sempre aperfeiçoando a personalidade dos que amam. O sentimento do amor deve expressar-se por obras coerentes de amor.

gue. A luta irmãos, sabendo que essa luta não é contra a carne e sangue, mas contra os poderes do maligno. Mas em Cristo, somos mais que vencedores! n

José Manuel Monteiro Jr. pastor, colaborador de OJB

O salmo 89 foi escrito por um homem chamado Etã. Ele era um levita e um dos sábios do rei Salomão. O salmo trata da escolha soberana de Deus, ungindo Davi para ser rei de Israel e fazendo uma aliança com ele. Segundo o teólogo Derek Kidner – “O fundamento deste salmo é a grande profecia de II Samuel 7; 4-17, onde há a promessa de um trono para a dinastia davidica para sempre, e de honrarias sem iguais para o ocupante do trono”.

Apesar das promessas feitas por Deus a Davi, o salmista também salienta uma realidade dolorosa: o trono foi abalado, o povo humilhado e os inimigos triunfantes. O salmista (Etã) se depara com a seguinte questão: Se Deus fez tanto por Davi – por que seu trono e coroa caíram em derrota e desgraça? Como resposta – trago as palavras do teólogo Warren Wiersbie: “Porque os termos da aliança declaram que o mesmo Senhor que abençoa os obedientes também disciplina os desobedientes”. A partir do (vv. 38), temos uma virada de chave no salmo. O tom muda radicalmente. Depois de exaltar as promessas de Deus (vv. 1-37), Etã salienta a disciplina divina para com o povo. Algo

que precisamos agasalhar em nosso coração é que castigo não é sinônimo de rejeição total. Deus disciplina seu povo e seus servos – porque a desobediência traz prejuízos. A desobediência é perigosa. Por quais razões a desobediência é perigosa? Vamos elencar alguns pontos para a nossa reflexão. Em primeiro lugar – a desobediência é perigosa... Porque nos deixa desprotegidos (Salmos 89.40). O salmista mostra que todas as coisas que serviam de proteção para o povo, especificamente a aliança foi derrubado, e agora eles estão desprotegidos. Por conta da desobediência – muitos servos de Deus estão espiritualmente desprotegidos. A obediência gera proteção e nos mantém seguros e alinhados com a vontade divina.

Aqueles que estão desprotegidos espiritualmente por conta da desobediência – não contam com a direção de Deus. Passam a relativizar os absolutos de Deus e de sua Palavra. Normalizam o pecado em sua vida e o veem como algo natural. Tornam-se insensíveis a direção do Espírito Santo de Deus. O preço pago por aqueles que conhecem a Deus e vivem na desobediência é alto. Em segundo lugar, a desobediência é perigosa... Porque apaga o brilho da glória de Deus (Salmos 89.44). O que

o salmista põe aqui em relevo – é que A glória da linhagem davídica foi derrubada por terra. O 722 A.C., a nação do norte, Israel deixou de existir. Agora fora a vez da nação do sul, Judá! Cessou o brilho da glória de Deus sobre o povo – porque os líderes haviam dado as costas para o Senhor e se voltado para os ídolos.

A desobediência faz com que o brilho da glória de Deus seja apagado da vida do crente. É bom ressaltar que a glória de Deus nunca se vai – ela só não é sentida por nós porque estamos na desobediência. O pastor Israel Belo de Azevedo com propriedade diz: “A glória de Deus nunca se afasta dos seus filhos, mas seus filhos podem parar de vê-la”.

Em terceiro lugar, a desobediência é perigosa... Porque nos leva a queda (Salmos 89.44). O salmista descreve nestes versos (vv. 38-45) a humilhação e derrota da linhagem de Davi. Toda adversidade foi causada pelo próprio povo idólatra e seus reis perversos –tais quais Manassés e Acaz. Fica claro que a desobediência leva a queda. É bom ressaltar que a queda não acontece de uma vez. Ela começa sutilmente, em pequenas concessões, no descuido da oração, no afastamento gradativo da Palavra. O apóstolo Paulo advertiu os

irmãos da igreja de corinto: ““Se vocês pensam que estão de pé, cuidem para que não caiam”. (I Coríntios 10.12 –NVT – Nova versão transformadora). Em último lugar – a desobediência é perigosa... Porque ela subtrai um tempo precioso (Salmos 89.45). Aqui o salmista faz menção ao jovem monarca chamado Joaquim que teve seus dias abreviados por sua apostasia e tornou-se prematuramente envelhecido. Ele tinha apenas 18 anos quando começou a reinar, e em três meses tudo estava terminado. Foi capturado por Nabucodonosor, e passou os 37 anos seguintes no cativeiro na Babilônia (II Reis 24.8-12).

A história hoje se repete na vida de inúmeros jovens, que com a prerrogativa de viver e curtir a vida, vivem como se Deus não existisse – e desta forma se entregam a toda forma de prazer. Dizem que são senhores de si – e que vão viver de acordo com o que acreditam ser o certo – sem pensar nas consequências. O problema é que a conta chega – e quando chega, tira de nós a paz – e a semelhança de do monarca Joaquim, nos deixa prisioneiro. Com isso envelhecemos! O teólogo Champlin diz – “envelhecer prematuramente é pior do que morrer prematuramente”. n

Olavo Fe ijó

Como identificar o chamado ao ministério pastoral

Lucas Mourão pastor Batista na Primeira Igreja Batista em São Gonçalo - RJ; bacharel em Teologia; pós-graduado Lato Sensu em Ciência da Religião e Teologia Sistemática; mestre em Estudos Teológicos pela Lucent University (EUA); doutorando na Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Identificar um chamado ao ministério pastoral é um processo que exige sobriedade. Não se trata apenas de gostar de pregar, ter facilidade de falar em público ou sentir empolgação com a vida da Igreja. O pastorado envolve responsabilidade espiritual, cuidado de pessoas, ensino fiel das Escrituras, liderança servidora e disposição para carregar o peso do serviço com perseverança. Por isso, o discernimento saudável não depende de um único “momento marcante”, mas da convergência entre convicção pessoal, reconhecimento comunitário e evidências objetivas de caráter e maturidade.

Um primeiro elemento costuma ser a convicção interna: uma certeza progressiva e persistente de que Deus direciona alguém para servir como pastor. Essa convicção geralmente vem acompanhada de um senso de temor e responsabilidade, e não de vaidade. Em vez de nascer do desejo de status, ela se manifesta como inclinação real para tarefas pastorais concretas: ensinar, aconselhar, discipular, visitar, orientar, orar com pessoas, lidar com crises e servir com constância. Um bom teste é simples: o desejo permanece mesmo quando não há palco, elogios ou visibilidade? Quando a motivação é genuína, a pessoa se dispõe a servir antes de receber qualquer título.

Ao mesmo tempo, convicção pessoal não basta. Um segundo elemento essencial é a confirmação da Igreja. O chamado pastoral não é apenas uma experiência privada; ele é discernido no corpo comunitário. Isso aparece quando líderes e irmãos maduros começam a reconhecer frutos consistentes no serviço, maturidade emocional e espiritual, capacidade de edificar e um padrão de vida confiável. Em muitos casos, essa confirmação ocorre por etapas: oportunidades de ensino,

liderança supervisionada, atuação em discipulado, acompanhamento pastoral e avaliações formais em entrevistas, conselhos e processos de ordenação. A lógica é proteger a igreja e também proteger o vocacionado de decisões apressadas.

O terceiro elemento, frequentemente o mais decisivo, é a presença de qualificações bíblicas verificáveis. O chamado pastoral não “compensa” falhas de caráter; ele exige coerência. Mais do que talento, espera-se integridade: domínio próprio, humildade, boa reputação, maturidade relacional, amor à verdade, capacidade de ensinar com fidelidade, disposição para servir sem autoritarismo e firmeza sem dureza. Quando há incoerências persistentes — especialmente em áreas éticas, relacionais ou de autocontrole — o caminho sábio não é acelerar, e sim buscar arrependimento, restauração e amadurecimento, porque o ministério amplifica aquilo que a pessoa já é.

Além desses pilares, é comum observar sinais práticos que ajudam no discernimento. Um deles é a constância do serviço: quem é chamado tende a servir de forma estável, mesmo em tarefas simples, e a assumir responsabilidades com confiabilidade. Outro é a disposição para aprender: o pastorado exige estudo, formação, leitura, desenvolvimento teológico, além de capacidade de ouvir correções sem defensividade. Também pesa a presença de frutos: pessoas são edificadas, discipuladas, consoladas e orientadas; há crescimento real ao redor do ministério exercido, ainda que em escala pequena. Por fim, há uma espécie de paz responsável: não ausência de medo (temor), mas uma convicção que permanece mesmo diante do custo, porque a pessoa entende que o chamado não é um privilégio, e sim um compromisso.

Se você está tentando discernir esse caminho, uma rota segura é unir prática e acompanhamento. Comece fortalecendo sua vida devocional e sua obediência diária; procure mentoria pastoral e avaliação honesta; e sirva de modo consistente em áreas que envolvam ensino, discipulado e cuidado. Ao longo do tempo, o chamado se torna mais nítido quando há

convergência entre desejo santo, caráter aprovado, frutos visíveis e confirmação da igreja. Esse conjunto não elimina a necessidade de humildade, mas oferece critérios sólidos para avançar com prudência e fidelidade.

Conselhos para jovens que SE SENTEM VOCACIONADOS

Se você é jovem e tem percebido um desejo crescente pelo ministério pastoral, não trate isso com pressa nem com ansiedade. Em geral, a vocação amadurece no ritmo da formação do caráter. Priorize uma vida cristã consistente: oração, Escrituras, comunhão, disciplina e obediência nas pequenas coisas. Evite confundir “gostar de pregar” com “ser chamado para pastorear”; comece servindo em tarefas simples e regulares, especialmente em discipulado, apoio a novos convertidos, evangelismo e cuidado prático de pessoas. Procure um pastor ou liderança madura para mentoria e peça avaliações objetivas sobre sua vida e suas atitudes. A pergunta-chave não é “quão rápido posso chegar lá?”, mas “estou me tornando alguém seguro para cuidar de gente?”. O tempo, aliado ao serviço fiel, costuma esclarecer o que é entusiasmo passageiro e o que é chamado perseverante.

Conselhos para quem vai passar por concílio

Se você vai enfrentar um concílio, trate esse momento como uma oportunidade de prestação de contas e confirmação, não como uma prova de performance. Prepare-se com antecedência: organize seu testemunho de conversão e de chamado de forma clara e objetiva; revise fundamentos bíblicos e doutrinários que você será cobrado a explicar; e reflita sobre como você lida com temas pastorais concretos, como aconselhamento, disciplina e unidade da igreja. Seja honesto sobre limites e áreas em que ainda está em formação — maturidade costuma aparecer mais na humildade do que na retórica. Também é recomendável conversar com pastores experientes sobre o formato do concílio, pedir simulações de perguntas e revisar pontos sensíveis com se-

renidade. No dia, responda com clareza, sem agressividade, sem evasivas e sem “frases prontas”. Um concílio saudável não busca um “candidato perfeito”, mas alguém fiel, ensinável e comprovadamente comprometido com o serviço pastoral.

Conselhos para candidatos ao seminário

Se você está se preparando para entrar no seminário, enxergue a formação como parte do chamado, não como um mero requisito formal. Organize uma rotina realista de estudo e devoção, porque o seminário exige constância e disciplina intelectual. Leia com método: Bíblia, teologia, história da igreja e livros que tratem de cuidado pastoral e liderança servidora. Ao mesmo tempo, não negligencie a igreja local: a sala de aula não substitui o “chão” do ministério, e a maturidade pastoral se constrói com gente, com conflitos, com visitas, com discipulado e com serviço regular. Mantenha mentoria próxima durante o curso, preste contas sobre sua vida, e cuide da saúde emocional e dos relacionamentos, pois o estudo pode intensificar pressões e expectativas. A meta não é apenas “aprender a falar sobre Deus”, mas ser formado para servir pessoas com fidelidade, maturidade e firmeza amorosa.

Como diferenciar chamado pastoral de vontade de pregar?

A vontade de pregar pode ser pontual; o chamado pastoral tende a ser persistente e inclui disposição para cuidar de pessoas, servir no cotidiano e viver sob critérios bíblicos de caráter.

A Igreja precisa confirmar o chamado?

Sim. O discernimento comunitário é parte do processo, porque o pastor serve à igreja e deve ser reconhecido por ela, com acompanhamento e avaliação.

Dom e chamado são a mesma coisa?

Não necessariamente. Dons ajudam, mas o chamado envolve também caráter, maturidade, frutos, preparo e confirmação comunitária. n

A deliciosa contradição: entre a Convenção e o amor dos netos

Sempre apreciei e valorizei a participação nas atividades denominacionais. Meu envolvimento com a denominação batista, na verdade, começou desde o meu nascimento. Quase nasci em meio a uma assembleia convencional, na cidade de Niterói - RJ. Desde então, meu caminho rumo a um envolvimento total com a denominação batista foi como um rio que seguiu seu curso natural.

De alguns anos para cá, não tenho participado muito das assembleias da Convenção Batista Brasileira, que geralmente acontecem em janeiro. Por diversos motivos, mas neste ano, a situação foi especial.

No planejamento familiar, ficou acordado, em família, que a terceira semana de janeiro seria a melhor para os netos passarem uns dias de férias em nossa casa, na Região dos Lagos. Ao consultar os calendários, percebi que essa semana coincidiria com a assembleia da convenção, a ser realizada em Salvador.

Rapidamente, optei por não ir a Salvador e ficar com os netos. Como dois deles ainda são pequenos, demandam mais cuidado e dedicação. Minha esposa, Elizabete Bifano, sozinha, com certeza, não daria conta. Mas a deci-

são não foi apenas pelo trabalho, e sim pelos momentos preciosos que iríamos compartilhar.

E, de fato, foram dias felizes. Naquela semana, choveu todos os dias. Os passeios à praia foram frustrados. O que fazer? Dentre as muitas atividades que realizamos em dias de chuva, nada é mais convidativo do que armar uma barraca dentro de casa. E foi exatamente isso que fizemos. Lembrei-me da minha infância, nos dias chuvosos da distante Pirapetinga - MG. Dias de chuva eram dias em que passávamos a maior parte do tempo na barraca.

Outro fato marcante dos dias passados com os netos foi ensiná-los um corinho antigo que, recentemente, veio à minha memória. Um corinho que diz: “Oh, oh, oh, não me esquecerei. Oh, oh, oh, não me esquecerei. Oh, oh, oh não esquecerei, eu não esquecerei o que Cristo fez por mim”. Se você se lembra desse corinho, com certeza você tem mais de 60 anos.

Enquanto escrevo sobre esse tempo com os netos, recordo-me de dois casos tristes que chegaram ao meu conhecimento recentemente. O primeiro é de uma filha que impede os netos de conviverem com a avó. O segundo, de uma nora que também proibiu os filhos de estarem com os avós. É doloroso perceber o quanto esses

netos perdem ao não ter memórias agradáveis do tempo passado com seus avós. Netos precisam de tempo com os avós. Como afirmam os autores do livro “Deus está nas pequenas coisas da família”: “Nenhuma criança deveria perder o privilégio de ser neto”. Foi uma semana realmente intensa. Tenho a certeza de que muitas lembranças foram guardadas no baú de suas memórias. Eles não aprenderam somente um corinho antigo, mas, dentre tantas coisas, absorveram a mensagem do amor de Cristo. Enquanto os trabalhos convencionais transcorriam em Salvador, eu estava com os netos. Não pude acompanhar muito do que aconteceu, até porque os avós, quando estão com os netos, voltam sua atenção para eles, em vez de assistir à televisão ou ao YouTube.

No entanto, é fundamental reconhecer e valorizar a dedicação de todos aqueles que estiveram presentes na assembleia. Momentos como esse são vitais para a vida denominacional, oferecendo o palco para discussões importantes, decisões que moldam os destinos dos batistas no Brasil e, claro, a oportunidade de reencontros calorosos com amigos de longa data.

A participação de cada membro é um elo crucial na corrente que mantém viva a nossa comunidade batista e

direciona sua missão. De certa forma, participei dos trabalhos convencionais orando pelas decisões.

Passar uma semana com os netos, em dias de chuva, é um desafio, mas valeu muito a pena. Prazeroso? Sim. Cansativo? Sim.

Quando os pais vieram para levá-los de volta, lembrei-me de uma frase de Dennis Rainey, em um de seus livros: “Os avós ficam muito felizes quando os netos chegam. Mas ficam também aliviados quando contemplam as luzes da lanterna traseira do carro de seus pais se afastando lentamente e desaparecendo na curva à frente.”

Que este relato sirva como um lembrete valioso: pais, invistam e incentivem ativamente a relação de seus filhos com os avós. Permitir e fomentar esses laços é um presente inestimável, construindo pontes entre gerações e enriquecendo a vida de todos. E vocês, avós, valorizem cada minuto, cada risada, cada história contada e corinho cantado. São esses momentos, repletos de afeto e sabedoria, que se tornarão as memórias mais preciosas no baú da vida de seus netos, e também nas suas. n

Por: Gilson Bifano

Diretor do Ministério OIKOS oikos@ministeriooikos.org.br

Uma experiência missionária na Ação Jesus Transforma Salvador

fé em ação.

Entre os dias 17 e 26 de janeiro de 2026, a cidade de Salvador - ba foi impactada pelo Evangelho. A Ação Jesus Transforma se fez presente. Sendo promovida pela Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira, ocupou os bairros de Águas Claras, Mata Escura e Pero Vaz com uma força que não cabia nas ruas e transbordava nas casas, nos sorrisos e nas conversas de porta em porta. Aprender e compartilhar se tornam palavras-chave em um projeto como esse. Foram mais de 60 missionários voluntários vindos de várias partes do Brasil. Gente diferente, sotaques diversos, um só propósito. Na prática, a unidade deixou de ser discurso e virou de fato real. Um verdadeiro mutirão de

As crianças foram alvo do evangelismo em muitos momentos. O mundo das artes nordestinas ganhou palco nas calçadas: palhaçaria, teatro, cores, música e criatividade como pontes para anunciarmos o Evangelho. Era cultura encontrando esperança, tradição dialogando com propósito. Além disso, a ação contou com atendimentos médicos em diversas áreas. Mas o foco nunca foi só a consulta. Antes, durante e depois, o Evangelho era anunciado com amor, cuidado e presença. Corpo e alma sendo alcançados juntos, como sempre foi feito desde os primeiros dias da fé cristã.

Um marco especial foi a presença das três Carretas Missionárias, cada uma instalada em uma das bases. Estruturas que viraram pontos de apoio, acolhimento e alegria para as comunidades. Ver aquelas carretas

chegando era como ver a esperança estacionando no bairro. Como jovem participante dessa jornada intensa, algo me chamou atenção: a maioria dos envolvidos eram irmãos mais experientes na fé, que há anos se dedicam ao trabalho missionário. Homens e mulheres que já entenderam que missão não é evento, é vida. É pensar em missão todos os dias. E isso

acende um alerta necessário para a minha geração.

A seara continua grande. As portas continuam abertas. O campo continua pronto. “Jovens, eu escrevi a vocês, porque são fortes, e em vocês a Palavra de Deus permanece, e vocês venceram o Maligno” (I Jo 2.14b) E aí, vamos transformar? n

Eduarda Martins membro da Primeira Igreja Batista em Caruaru - PE

PIB em Rio Bonito - RJ celebra 85 anos com a produção de uma Bíblia manuscrita histórica

Projeto mobilizou 150 copistas, cujas idades variaram de seis a 86 anos.

Luciano Cozendey dos Santos pastor da Primeira Igreja Batista em Rio Bonito - RJ

A Primeira Igreja Batista em Rio Bonito - RJ celebrou seus 85 anos de organização com a realização de várias atividades, dentre elas, um projeto singular de profundo valor espiritual, histórico e cultural: a produção de uma Bíblia Sagrada manuscrita, integralmente escrita à mão por membros da própria comunidade cristã.

Sob a liderança pastoral do pastor Luciano Cozendey dos Santos e com a coordenação da irmã Lídia Pinheiro, o projeto mobilizou 150 copistas, cujas idades variaram de seis a 86 anos, expressando de forma concreta a comunhão intergeracional da Igreja e o compromisso coletivo com a

Palavra de Deus. Durante cinco meses de trabalho contínuo, crianças, jovens, adultos e idosos se dedicaram à transcrição fiel das Escrituras, em um esforço marcado por reverência, disciplina e devoção.

O resultado impressiona não apenas pelo seu significado simbólico, mas também por sua dimensão material. A Bíblia manuscrita é composta por 1.784 folhas no formato A4, escritas frente e verso, totalizando 3.568 páginas. A obra final possui 46 cm de altura, 33 cm de largura e 22 cm de espessura, com peso aproximado de 25 quilos. Trata-se, possivelmente, de uma das principais Bíblias manuscritas já produzidas no Brasil, tanto em extensão quanto em participação comunitária.

Mais do que um feito artístico ou editorial, o projeto expressa uma de-

claração pública de fé: a Bíblia ocupa lugar de honra na vida da igreja. Em um tempo marcado pela rapidez digital e pela fragmentação da atenção, a iniciativa resgata o valor do cuidado, da paciência e da centralidade das Escrituras, transformando o ato de

escrever em um exercício espiritual e pedagógico.

Integrando oficialmente as comemorações dos 85 anos da Primeira Igreja Batista em Rio Bonito, a Bíblia manuscrita torna-se um marco histórico para a igreja e para o município. Ela testemunha que uma comunidade cristã viva não apenas lê e prega a Palavra, mas também a honra, a preserva e a transmite às próximas gerações com zelo, reverência e amor.

Assim, a Primeira Igreja Batista em Rio Bonito inscreve sua história não apenas em atas e memórias institucionais, mas nas próprias páginas das Escrituras, reafirmando que “a Palavra de Deus permanece para sempre” e continua sendo o fundamento da fé, da missão e da identidade do seu povo. n

Advogado Batista promove lançamento de livro jurídico durante Assembleia da CBB em Salvador - BA

Obra do jurista Gilberto Garcia foi apresentada durante a Semana Batista, em Salvador - BA.

Gilberto Garcia

mestre em Direito, presidente da Comissão de Direito Religioso do IAB/ Nacional e professor da pós-graduação EAD (MBA em Gestão de Organizações Religiosas) dos Seminários Batistas da CBB

No Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro, os Seminários Batistas da Convenção Batista Brasileira (CBB) promoveram o lançamento do livro “Direito Religioso: o exercício da fé sob o crivo da lei e da jurisprudência”, publicado pela LEX-Editora. A obra é de autoria do advogado e professor Dr. Gilberto Garcia, presidente da Comissão de Direito Religioso do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB/Nacional).

A data foi instituída pela Lei nº 11.635/2007, a partir de um caso emblemático de discriminação religiosa — tema que também é abordado no livro, inclusive com a inclusão da decisão judicial condenatória relacionada ao episódio.

Lançamento durante a Semana Batista

O evento ocorreu no estande dos Seminários Batistas, durante a Semana Batista, que sediou também a 105ª

Assembleia da Convenção Batista Brasileira. As atividades aconteceram no Centro de Convenções de Salvador - BA.

O lançamento marcou a apresentação da 22ª obra de Gilberto Garcia, especialista em Direito Religioso. O autor é professor do curso de pós-graduação (EAD), MBA em Gestão de Organizações Religiosas, do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (STBSB/FABERJ), no módulo que trata da legalidade no exercício da fé no Brasil, com foco em noções gerais de Direito Constitucional, Trabalhista, Civil e Tributário.

Conteúdo e abordagem da obra

No livro “Direito Religioso: o exer-

cício da fé sob o crivo da lei e da jurisprudência”, o autor analisa temas como a laicidade do Estado, a separação entre Igreja e Estado e o exercício da fé dos seguidores em “templos de qualquer culto”, abrangendo todas as denominações confessionais no país. Em 2026, Gilberto Garcia comemora seu Jubileu de Esmeralda Profissional.

A publicação reúne artigos escritos ao longo dos anos e originalmente publicados na Revista Administração Eclesiástica da CBB. O material foi atualizado e ampliado, contando com ampla citação de legislações nacionais e extensa pesquisa de decisões judiciais de tribunais de todas as regiões do Brasil, com destaque para os tribunais superiores: Tribunal Superior do Trabalho (TST), Superior Tribunal Militar (STM), Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF).

Temas tratados no livro

Com 560 páginas, a obra aborda, entre outros assuntos:

• A Legislação Brasileira e o Legado Judaico-Cristão;

• Liberdade Religiosa – Um Direito de Todos;

• Cerceamento Internacional da Liberdade de Crença;

• Cidadãos de Duas Pátrias: Terrestre e Celeste;

• Ideologia de Gênero e a Família Cristã;

• Autonomia Eclesiástica no Estabelecimento de Normas Associativas;

• As Organizações Religiosas, a Legislação e a Jurisprudência.

A obra também trata de temas como Blindagem Jurídica Estatutária das Igrejas, Legalidade Institucional, Imunidades Tributárias e Isenções Fiscais, Relacionamento Profissional das Igrejas com Zeladores e Colaboradores, Relação Transcendental entre Ministros e Igrejas, Casamento e Blindagem Jurídica, União Estável e Igrejas Evangélicas e Lei de Proteção às Mulheres Vítimas de Violência Doméstica.

Compromisso histórico com a liberdade religiosa

A iniciativa integra a atuação institucional dos batistas brasileiros no fortalecimento do respeito à pluralidade espiritual e à diversidade de credos no país. Segundo a CBB, esse compromisso decorre da ampla liberdade religiosa vigente no Brasil e constitui um dos pilares históricos da doutrina defendida pelos batistas. n

Irmãos de diversas faixas etárias participaram do projeto
Gilberto Garcia lançou livro na Expo Batista

Salvador - BA sedia Congresso Nacional dos Homens Batistas

Evento reuniu representantes de 25 convenções em um dia de louvor, ensino bíblico e fortalecimento do discipulado cristão.

Jairo de Souza Peixoto coordenador da Secretaria Nacional de Homens Batistas

O nosso Congresso Nacional dos Homens Batistas foi benção! Um encontro de louvor, adoração, aprendizados e muita inspiração pela palavra do Senhor. Tudo aconteceu na Igreja Batista Sião, em Salvador - BA, em 21 de janeiro.

O orador, pastor João Emílio Cutis, da Primeira Igreja Batista em Irajá - RJ, chamou-nos a refletir sobre: a dinâmica de mudança do mundo; a carência do Evangelho para todos; discipulado é também diminuir as distâncias; concluindo por conclamar todos a serem discípulos integrais e compromissados com o mestre Jesus Cristo. O texto da divisa, de acordo com Mateus 28.19-20, foi a base da reflexão.

A música teve um sabor especial, sob a inspiração do irmão Charles da Paixão Costa, membro da Igreja Batis-

,além do coro formado pela congregação presente.

Dentre os inscritos, tivemos a representação de 25 convenções, incluindo a Convenção da Igrejas Batistas Brasileiras na América do Norte (CIBAN), com um público aproximado de 220 irmãos. Mais um motivo de louvor a Deus.

Entre os dois períodos, fomos agraciados por um delicioso almoço, muito bem-preparado pela equipe dos irmãos da Igreja local, por sinal muito

acolhedora e cordial. Que Deus continue abençoando a hospitalidade dos irmãos de Sião!

Na oportunidade foi eleito o novo Conselho Consultivo da Secretaria, assim composto por representantes das regiões:

Norte - Azamor Lopes de Lucena (RO); Nordeste - Pr. Ozanias de Santana

No período da tarde, foram apresentados os painéis sobre: A nova visão ministerial - Homens Discípulos e a Síntese dos livros: O homem discípulo e a família e o homem discípulo e a sociedade, pelos respectivos autores. A Deus somente seja toda honra,

Sudeste - Ademar de Barros Bezerra; Sul - Jamil Dias Alves.
Igreja Batista Sião, em Salvador - BA, recebeu homens Batistas de todo o Brasil durante o Congresso
Pr. João Emilio Cutis foi o preletor do evento Evento teve a representação de 25 convenções
Homens Batistas deliberaram, escolheram novos

Kátia Brito

Projeto Vida na Estrada amplia alcance com chegada de nova unidade móvel

Objetivo é cruzar estradas, alcançar cidades e levar cuidado, dignidade, saúde e esperança às comunidades.

jornalista da Convenção Batista Mineira

A Convenção Batista Mineira (CBM) vive a expectativa da chegada da nova unidade móvel do projeto Vida na Estrada, que promete ampliar de forma significativa o atendimento à população em situação de vulnerabilidade social, dentro e fora de Minas Gerais. O novo ônibus missionário, de dois andares, está em fase final de preparação e deve fortalecer ainda mais a atuação social e missionária da Convenção.

Segundo a missionária Doroti Campos, gerente de Ação Social da CBM, a nova unidade permitirá a ampliação dos atendimentos e das especialidades médicas oferecidas. “Estamos na expectativa da chegada da nova unidade móvel do projeto Vida na Estrada. Vamos ter a oportunidade de ampliar os atendimentos, alcançando ainda mais a população em situação de vulnerabilidade, com mais especialidades médicas”, afirmou.

Na área odontológica, o projeto também será fortalecido. De acordo com Doroti, a proposta é ampliar os procedimentos realizados, incluindo tratamentos mais complexos. Além disso, a visibilidade do projeto tem ultrapassado as fronteiras de Minas

Objetivo é ampliar de forma significativa o atendimento à população em situação de vulnerabilidade social, dentro e fora de Minas Gerais

Gerais. “As ligações e mensagens não param. Temos recebido contatos de vários estados do Brasil, como Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Maranhão e municípios do Ceará, todos solicitando o projeto Vida na Estrada. Ele já ganhou uma visibilidade que vai além das fronteiras de Minas”, destacou.

A gerente de Ação Social também ressaltou a importância do projeto para comunidades de difícil acesso. “O Vida na Estrada leva atendimento especializado a locais onde as pessoas dificilmente teriam acesso a um cardiologista, oftalmologista ou angiologista. Essa visibilidade, de defesa e garantia de direitos, tem chamado muito a atenção”, completou.

O diretor-executivo da CBM, pastor

Márcio Santos, também destacou a importância da nova unidade e agradeceu o apoio dos batistas mineiros. “Está chegando o novo ônibus Vida na Estrada, um ônibus de dois andares, com consultórios médicos e odontológicos totalmente equipados. Esse projeto nasceu no coração de Deus e é uma construção coletiva. Os batistas mineiros apoiaram, ofertaram e caminharam juntos para que isso se tornasse realidade”, afirmou.

O pastor Márcio reforçou ainda o convite para que as igrejas continuem apoiando o projeto. “Esse ano ainda o Vida na Estrada estará na sua região e na sua igreja. É um projeto lindo, que nasceu no coração de Deus para abençoar todo o Estado mineiro”,

completou.

O projeto também carrega uma história pessoal de fé e perseverança do Pr. Marcio. Ele relembra que o sonho nasceu ainda na juventude, após uma visita ao navio Logos, no Porto do Rio de Janeiro. “Naquele dia, senti Deus me perguntar: ‘E se isso fosse feito sobre rodas?’”, recorda. Embora as tentativas iniciais não tenham se concretizado, o sonho amadureceu ao longo dos anos.

Hoje, após 12 anos de ministério em Minas Gerais, o sonho se torna realidade com um ônibus missionário zero quilômetro, equipado com seis consultórios médicos e odontológicos, seis leitos, cozinha e banheiro. “Minas Gerais tem a maior malha rodoviária do Brasil e 853 municípios. Um projeto sobre rodas não é apenas uma boa ideia, é a resposta certa para o território certo”, destaca.

O novo ônibus do projeto Vida na Estrada nasce com o propósito de cruzar estradas, alcançar cidades e levar cuidado, dignidade, saúde e esperança às comunidades. Mais do que um veículo, ele representa um sonho que ganhou forma, movimento e missão, reforçando o compromisso da Convenção Batista Mineira com a transformação social e o amor ao próximo. n

Diáconos Batistas do Agreste pernambucano realizam 50ª caminhada evangelística

Crianças, adolescentes e adultos participaram da programação.

Jénerson Alves jornalista, membro da Igreja Batista Emanuel, em Caruaru - PE

A Associação dos Diáconos Batistas do Agreste de Pernambuco (ADBA-PE) realizou a 50ª Caminhada Evangelística, no Sítio Taquara de Baixo, área rural do município de Caruaru-PE, contando com o ponto de apoio da Congregação Batista Moriá, ligada à Igreja Batista El Shaday (Ibes). Um grupo heterogêneo, formado por cerca de 70 pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos, participou da atividade, considerada um marco histórico organizado pelos diáconos batistas da região na tarde do sábado (24 de janeiro).

Um carro de som veiculando louvores e mensagens evangelísticas acompanhou o grupo durante todo o trajeto, enquanto os irmãos exibiam faixas com versículos e entregavam livretos propagadores do Evangelho à

Atividade foi considerada um marco histórico organizado pelos diáconos Batistas da região

população. Neste aspecto, as crianças presentes destacaram-se, chamando a atenção dos cristãos e do público em geral, devido ao entusiasmo e à cordialidade no trato com as pessoas e na doação dos folhetos evangelísticos.

A jornada encerrou-se numa praça pública, onde foi realizado um culto de proclamação, com a participação do Ministério de Louvor da Ibes e com o

grupo de Mulheres Batistas da Congregação. A prédica foi ministrada pelo pastor Ednaldo Pereira, que levou os ouvintes a refletirem acerca da necessidade de seguir ao Senhor Jesus para alcançar uma vida com significado. “Jesus fala que há dois caminhos: um que leva à vida; outro, à morte. Ninguém quer seguir pelo caminho da destruição, mas muitos trilham por

ele sem o saber. O Evangelho retrata essa realidade e conduz as pessoas à salvação em Cristo Jesus”, proclamou. A Caminhada Evangelística é uma estratégia empregada pela ADBA-PE desde 2012, quando os diáconos da região projetaram realizar 50 edições. Entretanto, diante do sucesso vivenciado ao longo desse tempo, as caminhadas continuarão. Quem atestou foi o presidente da ADBA-PE, diácono Pedro Araújo, o qual também salientou o sucesso dessas atividades. “A nossa palavra é de gratidão a Deus, por tudo o que Ele tem feito e por tudo o que Ele é. As caminhadas evangelísticas consolidam-se como uma ferramenta que promove a comunhão da igreja, em sintonia com o lema deste ano da Convenção Batista Brasileira – “Somos um” –, e também com o cumprimento do ide do Senhor”, avaliou, complementando que o apoio de toda a diretoria da associação é fundamental no êxito desse propósito. n

O avanço da obra missionária em Portugal

Alcir e Ana Clara Souza

Revisão e edição por Jamile Darlen, redatora em Missões Mundiais

Nossos missionários em Portugal, Alcir e Ana Claudia Souza, enviaram informações sobre como está o andamento da obra no país.

O mês de janeiro chegou trazendo boas expectativas de trabalho para o ano de 2026. No Seminário estivemos envolvidos em entrevistas com novos alunos para o curso de mestrado. O que parecia improvável levando em conta as limitações de nossa estrutura, já estamos próximos de iniciar a terceira turma deste curso. Nosso foco é oferecer uma formação teológica com fonte missionária a jovens profissionais portugueses com o objetivo de engajar estes irmãos no testemunho público do evangelho e na plantação e revitalização de Igrejas.

Este mês tivemos a alegria de ver mais um pastor, formado e discipulado pelo trabalho na Igreja de Queluz, assumindo o ministério pastoral em uma igreja. Hoje não há pastores para todas as Igrejas Batistas em Portugal e, entre os pastores em atuação, apenas 19% têm menos de 40 anos. Por isso, da crise vocacional que afeta a Igreja em Portugal, e em toda a Europa ocidental, estes pequenos avanços

Deus. E se nos últimos tempos pudemos colaborar para o surgimento de três jovens pastores portugueses em nossa igreja, o Senhor já sinalizou mais irmãos que nos próximos anos seguirão o mesmo caminho.

Além disso, o missionário Alcir deu importantes contribuições aos nossos irmãos da Angola, no Mestrado em Missiologia do Seminário Teológico Batista de Huambo – parte do seu papel na Área de Gestão de Programas de Formação da JMM.

Em janeiro, ele foi convidado pela direção do Seminário de Huambo para

fazer parte da coordenação do curso. É uma grande oportunidade de cooperar com os irmãos angolanos na realização deste ministério tão precioso. O objetivo é capacitar mais a liderança local, mas também preparar obreiros angolanos que possam ser enviados para outros campos e nações.

Por fim, você deve ter conhecimento das tempestades que têm afligido algumas regiões de Portugal. Além de orar, temos a oportunidade de visitar alguns lugares e oferecer apoio a algumas pessoas. Mas continuamos suplicando ao Senhor pelas milhares de pessoas que já passam semanas

sem as mínimas condições de habitação e segurança, debaixo de chuva e frio. Ao mesmo tempo, agradecemos a grande mobilização que está sendo feita no país, e principalmente entre os evangélicos, para oferecer suporte material e espiritual às vítimas desta tragédia.

Agradeça conosco ao Senhor:

• Pelos novos líderes em formação;

• Pelas oportunidades de serviço em Angola;

• Pelo cuidado e proteção nas viagens neste período de instabilidade climática.

Ore conosco ao Senhor:

• Pelos jovens que estão sendo despertados para o ministério;

• Pelas vítimas das tragédias climáticas em Portugal e outros países;

• Pela saúde física, emocional e espiritual da família missionária.

Porque o Filho Vive e Voltará, Vamos Completar a Missão em Portugal! “Bendito seja o Senhor, a minha Rocha, que treina as minhas mãos para a guerra e os meus dedos para a batalha. Ele é o meu aliado fiel, a minha fortaleza, a minha torre de proteção e o meu libertador, é o meu escudo, aquele em quem me refugio” (Salmos 144.1-2). n

Pr. Jessé e Quésia Carvalho coordenadores da JMM no Oriente Médio, Norte da África e Sahel Africano.

Acredito que você deve saber a respeito dos protestos no Irã e como a violência se espalhou naquele país. Desde 2013, a JMM tem uma parceria com a igreja iraniana, por meio do Programa “Bíblias para os Povos”. Ao longo desses anos, milhares de exemplares do Novo Testamento e Bíblias em Farsi (língua oficial do país) foram produzidos e distribuídos dentro do país ou em vizinhos do Irã, e milhares de pessoas conheceram e se entregaram a Jesus através do programa.

A Igreja no Irã é a que mais cresce no momento, apesar de toda a perseguição das autoridades nacionais. Há prisões, torturas e sofrimento, mas também há perseverança, intrepidez e fé. Testemunhos como o do pastor Farshid, Sara, pastor Adel, já foram ouvidos e inspiraram muitos irmãos no Brasil.

O que acontece no momento, e que afeta a vida da Igreja no Irã, é que os protestos se espalharam pelo país, impulsionados por profundo sofrimento e intensa raiva desencadeados por uma forte queda no valor da moeda iraniana. Os protestos começaram com comerciantes, em Teerã, e se

Ore pelo Irã e a Igreja

pelo pai e eles fugiram da cidade. Para onde foram, Hamid conheceu um ex profissional de futebol iraniano de sua cidade que o convidou para participar de uma academia de futebol. O ex-atleta é convertido a Cristo e conhecendo toda a dor e mágoa que Hamid trazia em seu coração decidiu compartilhar sobre o amor do Pai. Hamid encontrou-se com Cristo e experimentou o amor de Pai que nunca teve. Hoje, serve a Jesus, testemunha de Cristo a outros jovens iranianos.

alastraram por cerca de 80 cidades. As reivindicações se ampliaram, com muitos manifestantes exigindo o fim do regime governante. As forças de segurança responderam com brutalidade e houve muitas mortes e centenas de feridos. Os dados oficiais do governo iraniano citam 2.980 mortos, mas a organização Voz dos Mártires aponta 3.117 vítimas fatais, sem mencionar as milhares de pessoas presas nesse momento.

Participo constantemente de reuniões de oração, com irmãos de diversos lugares do mundo, junto com líderes da igreja no Irã: um dos principais pedidos de oração é pelos cristãos presos. As autoridades iranianas aproveitaram a situação e apreenderam

irmãos anteriormente perseguidos, interrogados, torturados e até presos pela polícia com a justificativa de que fizeram parte dos protestos contra o regime.

Apesar disso tudo, a Igreja não para de avançar e crescer. Muitas pessoas, neste momento, se tornaram abertas à mensagem de esperança em Cristo. Deus está usando todo o caos para trazer vidas até Ele! E uma delas é o Hamid. Ele teve uma infância difícil na relação com seu pai e desde pequeno era forçado a trabalhar nas ruas de Mashhad, a sua cidade. Ao retornar à casa, sem recursos suficientes, seu pai o agredia muitas vezes. A violência se tornou cada vez mais severa até que Hamid viu sua mãe ser esfaqueada

Enquanto a instabilidade e o sofrimento continuarem, por favor ore: Pelas pessoas que enfrentam profundas dificuldades financeiras devido à inflação galopante; Por aqueles que foram presos, feridos ou traumatizados, e pelas famílias enlutadas;

Pela Igreja, que busca compartilhar a esperança de Cristo nesta época de medo, caos e incerteza. Momentos como este ressaltam a urgência do trabalho que somos chamados a realizar juntos. O Irã precisa desesperadamente da esperança, do conforto e da cura encontrados em Cristo.

Mais uma vez, obrigado por continuarem conosco. “Porque o Filho vive, e voltará, Vamos Completar a Missão”! n

PIB de Nazaré da Mata - PE comemora o 110º aniversário servindo ao Senhor

Uma história marcada por perseguições, fidelidade e compromisso com a missão.

Francisco Bonato Pereira da Silva mestrando do STBNB, pesquisador de História dos Batistas, coordenador da Comissão de História e Estatística da CBPE

A Igreja Batista de Nazaré da Mata - PE comemorou, no dia 12 de janeiro de 2006, o seu 110º Aniversario de organização, com Culto em Ação de Graças, com a participação cantor e pastor Feliciano Amaral, tendo como pregador o pastor Luiz Genilson Pereira Cavalcanti de Araújo, integrante do Ministério Pastoral daquela Igreja, dirigido pelo pastor Mário Maximo da Silva.

As comemorações do aniversário foram marcadas por conferências evangelísticas, realizadas no período de 10 a 15 de janeiro, com participação de outros músicos e pregadores, inclusive o pastor Armando Filho, do coral e grupos musicais da Igreja aniversariante e participação de Igrejas vizinhas. No Culto de Ação de Graças, no dia 12 de janeiro, a IB Nazaré da Mata recebeu, as quais, no início do Século XX, tiveram em comum os pastores Salomão Ginsburg, Manoel Corinto Ferreira da Paz, Roberto Edward Pettigrew, uma lembrança da sua co-irmã Igreja Batista do Cordeiro: uma Bíblia comemorativa e o Livro 100 Anos de História da IBCOR, entregues pelo diácono Francisco Bonato Pereira da Silva, além de uma placa registrando o evento.

Histórico

O trabalho de evangelização na cidade de Nazaré da Mata, promovido pelos Batistas, teve início em 15 de março de 1895 e em 15 de julho do mesmo ano foram realizados os primeiros batismos e organizada a congregação em Nazareth, vinculada à Igreja Batista do Recife. A comunidade Batista progrediu rápido, de modo que, em 12 de janeiro 1896, foi a Igreja organizada como a “Igreja de Christo, denominada Baptista, organizada na Cidade de Nazareth”,1 com dezesseis membros: Manoel Cypriano de Lima, João Borges da Rocha, Manoel Paulino, Manoel Geraldo da Silva, Manoel Francisco da Silva, Benedicto Pereira Moreno, Amaro José do Nascimento, Arthur Neves, Antonio João, Jose Martins (da Silva), Francisco Campello, Maria da Rocha, Eliza Maria Evangelista, Francisca Baptista, Maria (Rosa)

1 IGREJA BATISTA DE NAZARÉ DA MATA, Ata de Constituição da Igreja Batista de Nazaré da Mata, em 12 de Janeiro de 1896, Livro nº 1, página 1.

Osória Queiros, e Maria Alves Baptista. O Concilio de Organização da Igreja foi dirigida pelo missionário William Edwin Entzminger, servindo de secretário o pastor Wandrejaselo Mello Lins. Na mesma sessão foi escolhido para pastoreá-la William Edwin Entzminger, quando João Borges da Rocha foi escolhido para o ministério diaconal e consagrado na mesma ocasião,

como registra a Ata de constituição da Igreja.

Os pioneiros evangélicos em Nazaré

O trabalho evangélico em Nazaré da Mata fora iniciado pelo missionário presbiteriano norte-americano John Rockwell Smith (1846-1918), que chegou a Pernambuco em 1873, depois de

– PE

fundar a Igreja Presbiteriana de São Paulo, e daqui se retirou em 1892, arrefecendo-lhe o ânimo, em decorrência da ferrenha perseguição movida pelos católicos, que lhes destruiram o patrimônio, inclusive a casa onde se reuniam na Cidade de Nazareth da Mata e dispersou os crentes. Jeronymo Machado e Alexandre Gama, dois remanescentes desse grupo, apoiados

Templo da Igreja Batista de Nazaré da Mata

NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

por outros solicitaram dos Batistas no Recife o envio de alguém para lhes dar assistência espiritual, sendo enviado o Pastor Mello Lins, juntamente com o Diácono João Batista, em 15 de março de 1895 para a primeira visita à cidade. Retornaram duas semanas depois, em companhia do missionário Entzminger, o qual fez conferências durante quatro dias e a partir dia os Batistas passaram a visitar regularmente o grupo de crentes a cada 15 dias. Um fato curioso é que os dois que escreveram pedindo a presença dos Batistas para lhes dar assistência, não se incluem no grupo que vai formar a igreja.

Os primeiros batismos

No dia 21 de julho de 1895, às 15 horas, na margem do Rio Tracunhaem, que banha a cidade de Nazaré, foram batizados os primeiros cristãos batistas naquela cidade, a saber: Ma noel Cypriano da Silva, João Borges da Rocha, Maria Pereira da Rocha, Francisca Maria Baptista, Eliza Maria Evangelista e Manuel Paulino. 2 Um dos primeiros frutos desse trabalho foi João Borges da Rocha, logo en caminhado para o Seminário e que pastoreou várias Igrejas no campo: a própria IB de Nazaré da Mata, a PIB do Recife e terminou seu ministério na Igreja Batista Vitória (Santo Antão).

A cerimônia dos batismos foi as sistida por uma multidão de pessoas da cidade, que nunca haviam presen ciado tal acontecimento, estimulados pela curiosidade gerada pela persegui ção movida pela liderança católica. A realização dos batismos despertou a ira do padre Anísio de Torres Bandei ra, pároco de Nazaré da Mata, e este insuflou seus paroquianos a persegui rem os crentes alegando o aconteci mento era um escândalo inominável e inaceitável. Segundo testemunho oral deixado pela irmã Tarsila de Al buquerque Maranhão, na ocasião o padre Anísio Torres amaldiçoou o rio e iniciou uma série de perseguições contra os crentes.

O trabalho evangélico nessa locali dade que havia sido iniciado e flores cido em meio a perseguições sofreu durante muitos anos a perseguição tenaz dos padres católicos. A primeira delas foi a destruição parcial da casa de cultos e dos seus móveis em 20 de agosto de 1895, quando elementos ca tólicos, mandados ou instigados pelo padre Anísio Torres Bandeira, arrombaram uma janela do templo, juntaram os bancos, o órgão, mesas, bíblias e derramaram querosene (inflamável) e atearam fogo no ambiente, fugindo em seguida. A sorte dos Batistas é que morava junto um membro da congregação e vendo a fumaça e sentindo o cheiro de queimado conseguiu debelar as chamas evitando maior prejuízo com a queima total do aposento e da própria casa. O pastor William Edwin Entzminger, acompanhado do Cônsul

nharam o missionário William Edwin Entzminger até o local onde ficariam hospedados, tornando-se a multidão uma “guarda de honra”. Na noite daquele dia os pastores realizaram uma conferência evangelística, com grande número de assistentes. No dia seguinte João Borges, Mello Lins e outros, acompanhados do Tenente e de cinco praças foram a cidade de Paudalho em socorro de Bernardo Martins da Silva, o qual se achava na iminência de ser assassinado por fanáticos, em razão de ter se tornado batista. Enquanto isso William Edwin Entzminger ficou em Nazaré, dirigindo uma série de pregações durante toda a semana.

O templo

Crescendo a Igreja, a necessidade de um local próprio para reunião era necessária, de vez que até então estava alojada em casa alugada. A Igreja se organizou e edificou o seu templo pelas mãos dos próprios membros. Nazaré da Mata foi a primeira Igreja no estado a sustentar seu pastor4. A Igreja Batista de Nazaré da Mata, desde o seu início, tem sido uma atuante Agencia do Reino Deus, proclamadora da mensagem do Evangelho de Cristo na região, além de local de reunião das Igrejas Batistas da Associação da Mata Norte e, em muitas oportunidades, sede das Assembléias das Igrejas Batistas em Pernambuco, organizada como União Batista Leão do Norte (1901, 1903, 1905, 1907 e 1909); Convenção Batista Regional (1918); Convenção Batista Evangelizadora até as mais recentes, como Convenção Batista de Pernambuco, em 1983 e 1997.

dos em Nazaré, com serias ameaças aos batistas e as agressões podiam se repetir. Era voz comum entre a população, nem toda ela envolvida na contenda, de que os católicos tinham mais receio dos batistas do que de outra denominação.

O governador Alexandre Barbosa Lima colocou à disposição do missionário Entzminger, um destacamento de soldados da Brigada Militar de Pernambuco, sob o comando de um tenente3. O missionário Entzminger, Mello Lins e alguns irmãos, escoltados

2 MESQUITA, Antonio Neves, HISTORIA DOS BAPTISTAS EM PERNAMBUCO p. 31-34

3 Era essa a denominação da força policial do Estado em 1895, de acordo com o Decreto-Lei de 13 de dezembro de 1891.

aguardavam os “hereges protestan tes”, armados de “cacetes” e facas e outras armas. O tenente desembarcou do trem acompanhado dos soldados em primeiro lugar e com as armas embaladas, o que fez com que a multidão recuasse e se dirigiu ao Prefeito do Município, Dr. Herculano Bandeira de Melo, dizendo que seria dele toda a responsabilidade sobre o que acontecesse, alertando também ao vigário, Padre Anísio de Torres Bandeira, que estava na retaguarda da “horda católica” e a comandava contra os crentes. A multidão que compunha a “comissão de recepção católica”, juntamente com o Prefeito Herculano Bandeira, e os soldados acompa-

Os pastores

A Igreja Batista de Nazaré da Mata, a partir de sua organização, até a presente data foi pastoreada pelos seguintes obreiros: (1) William Edwin Entzminger (12.01.1896 a 25.04.1899)

2) Pastor Antonio Marques da Silva (25.04.1899 a 11.11.1900); (3) Pastor João Borges da Rocha (11.11.1900 a 1907); ( 4 ) Pastor Manoel Corinto Ferreira da Paz (27.01.1907 a 07.11.1908); (4) Pastor Robert Edward Pettigrew (01.10.1908 a 1910); Francisco Sandes (1910 a 12.04.1949); 6) Pastor João Ramos (11.10.1950 a 25.02.1952); (7) Pastor Harald Schaly (12.10.1952-21.12.952) ( 8 ) Pastor Isaias Vieira da Silva (21.12.195213.03.1955); (9) Pastor Ladislau Bento Alexandre (13.03.1955-24.01.1956); ( 10 ) Pastor Antonio Gomes da Paz (25.03.1965 a 02.01.1993); (11) Pastor Mario Maximo da Silva (02.01.1993 a 2007), os quais a tem dirigido na sua caminhada na terra, cumprindo a sua missão de proclamar a mensagem do Evangelho de Jesus Cristo, nosso Salvador e de ser o Corpo de Cristo visível na terra, congregando os santos na cidade de Nazaré da Mata. n

4 MESQUITA, Antonio Neves, opus cit, p.35-36.

William Edwin Entzminger
Mario Maximo

A importância da troca de “carta” de transferência entre Igrejas Batistas

Hélio Alves de Oliveira pastor Titular da Primeira Igreja Batista em Governador Valadares - MG; professor de Administração Eclesiástica

Tem sido cada vez mais comum em nossas Igrejas a prática de recepção por aclamação de membros vindos de outras Igrejas Batistas da mesma fé e ordem. Percebe-se que alguns pastores, talvez pela pressa em acolher novos membros, têm deixado de lado a prática historicamente adotada pela maioria das Igrejas Batistas filiadas à Convenção Batista Brasileira (CBB).

Segundo essa prática, a Igreja que recebe um membro de outra igreja delibera em assembleia sobre a recepção, e, em seguida, envia um pedido formal de transferência à Igreja de origem. Esta, por sua vez, também em assembleia, decide se concede ou não a transferência.

No entanto, para encurtar esse processo, algumas Igrejas têm optado por simplesmente receber o novo membro por “aclamação”, sem maiores formalidades.

Recentemente, uma querida ovelha mudou-se para uma cidade do interior de São Paulo e passou a frequentar uma Igreja Batista local. Depois de algum tempo, ela me ligou informando

que a secretária daquela Igreja havia solicitado o envio da sua transferência. Veja: nem foi o pastor, mas a secretária da Igreja!

Esse episódio reforça como a prática da Administração Eclesiástica, ensinada tradicionalmente aos pastores, tem sido negligenciada por muitos líderes mais jovens. O rito do pedido e da concessão da “carta de transferência” é fundamental para consolidar a cooperação, a ética e o respeito mútuo entre Igrejas da mesma fé e ordem. É claro que, com o avanço da tecnologia, a “carta” pode ser enviada por WhatsApp, e-mail ou até pelos correios; mas, independentemente do meio, a essência do processo deve ser preservada.

Vale lembrar que a “aclamação”, como o próprio nome indica, é a expressão coletiva, pública e unânime de apoio ou aprovação. Originalmente, era utilizada quando a Igreja de origem do candidato não possuía informações suficientes sobre ele — seja porque havia perdido documentos, seja porque a Igreja havia deixado de existir.

Com o tempo, pela força do hábito, muitas Igrejas passaram a receber também membros vindos de outras denominações por aclamação. Mais

recentemente, essa prática passou a ser usada também para receber membros de outras igrejas batistas da mesma fé e ordem, o que tem gerado alguns problemas, como o risco de uma mesma pessoa constar simultaneamente no rol de membros de duas Igrejas, criando inconsistências nos censos anuais da denominação.

Outro grande benefício de se observar a prática histórica da solicitação de carta de transferência é a possibilidade de garantir que o irmão ou irmã que será recebido tenha vivido uma vida cristã coerente com as Escrituras. Esse cuidado evita possíveis dissabores para pastores, líderes e membros da Igreja que acolherá o novo integrante.

Não são raros os casos de pessoas que deixam suas Igrejas de origem feridas e, muitas vezes, deixando feridas abertas em outros. Sob esse ângulo, a prática saudável da carta de transferência ajuda a liderança da Igreja receptora a iniciar um processo de discipulado, mentoria ou aconselhamento bíblico, a fim de auxiliar o novo membro na correção de posturas, na cura de feridas e em mudanças práticas para um crescimento espiritual saudável.

Há pastores que, com zelo e amor, já ajudaram membros recém-chegados a encontrarem forças para voltar à sua Igreja de origem, pedirem perdão e corrigirem atitudes que não foram edificantes. Sabemos que feridas não tratadas no passado prejudicam não só o crescimento espiritual do indivíduo, mas também mantêm abertas as cicatrizes da Igreja que ele deixou, além de aumentarem o risco de repetição dos mesmos erros no novo ambiente.

Diante de tudo isso, fica aqui meu incentivo para que continuemos a observar e valorizar a prática saudável da solicitação e envio da carta de transferência. E, para que esse processo seja conduzido com zelo e ética, é recomendável que, além da solicitação formal da carta, o pastor da Igreja receptora entre em contato diretamente com o pastor da Igreja de origem. Uma simples conversa pode trazer informações valiosas que ajudarão o novo pastor a cuidar com mais amor, sabedoria e dedicação da nova ovelha confiada ao seu rebanho.

Esse contato não apenas demonstra prudência, mas também revela zelo, respeito e ética pastoral, fortalecendo a unidade e a cooperação entre as Igrejas do Senhor. n

Mate-me de uma vez

Quem proferiu essas palavras? Nada mais, nada menos do que Moisés, que, segundo o texto bíblico, era “muito manso” (Números 12.3). Enganam-se redondamente os que pensam que pessoas calminhas, quietinhas, de fala suave, são sempre muito equilibradas — do tipo que se sentariam sobre um formigueiro sem sentir nada. Pessoas mansas quando explodem...

No último ano da faculdade de Psicologia, fiz estágio no hospital psiquiátrico Nise da Silveira, no setor de acolhimento à crise. Assim que cheguei ao local de trabalho e vi pacientes agitados, andando pelos corredores e dizendo que eram César, que eram Deus, confesso que fiquei assustado. No primeiro encontro com o psiquiatra responsável pelo setor, ouvi dele as seguintes palavras: “Não fique tão preocupado com os pacientes que estão agitados, andando de um lado para o outro no corredor, por vezes falando alto. Mas, preste muita atenção naqueles que estiverem quietinhos. O silêncio deles pode ser sinal de que estão desistindo ou tramando contra a própria vida.”

Aprendi, então, que pessoas muito quietinhas e mansas podem ser perigosas para si mesmas. Tem muita gente adoecendo e morrendo vítima de si própria, por conta de um

silêncio sepulcral. Gente que engole as emoções – raiva, ira, indignação, demonstrando uma mansidão, uma serenidade e um autocontrole que, na verdade, não existem. Por que agem elas agem assim?

Será que a mansidão de Moisés estava ligada à sua dificuldade de expressão? A Bíblia afirma que ele era “pesado de língua” (Êx 4:10) — texto que muitos interpretam como referência à gagueira. Não seria essa suposta mansidão, na verdade, uma forma de autoproteção, um receio de se expor publicamente por causa de sua limitação na fala? Sabemos que Moisés cresceu no Egito, distante do convívio familiar. Não estaria sua postura contida relacionada a uma espécie de inibição sintomática, desenvolvida em meio a figuras de autoridade e a um ambiente pouco afetivo? Ou seria ele, de fato, alguém naturalmente tranquilo, sempre lidando com as adversidades com muita serenidade? Confesso que essa última hipótese me parece improvável, especialmente quando lembramos que num acesso de fúria, Moisés foi capaz de matar um egípcio.

A Bíblia diz que “o Senhor falava com Moisés face a face, como quem fala com o seu amigo” (Êx 33:11). E foi justamente com Deus, seu grande amigo, que Moisés explodiu, dizendo: “Por que fizeste mal a teu servo, e por que não achei favor aos teus

olhos, visto que puseste sobre mim a carga de todo este povo? Acaso fui eu quem concebeu todo este povo? Fui eu quem o deu à luz, para que me digas que o leve no colo, como a babá leva a criança que mama, até a terra que prometeste dar a seus pais? Onde eu poderia conseguir carne para dar a todo este povo? Pois chora diante de mim, dizendo: ‘Dê-nos carne para comer.’ Eu sozinho não posso levar todo este povo; é pesado demais para mim. Se me tratas assim, mata-me de uma vez” (Nm 11.11–15).

Imagine um gestor esgotado, pressionado por liderar uma grande equipe, mas sem receber o apoio necessário de seus superiores. Até que um dia, tomado por alto nível de estresse, ele entra na sala do chefe sem sequer bater à porta e desabafa: “Não aguento mais. Não consigo desenvolver meu trabalho desse modo. Estou me sentindo sozinho, sem apoio. Se for para continuar assim, estou fora. Pode me demitir.” Foi mais ou menos isso o que Moisés fez — com uma diferença fundamental: ele estava falando com Deus.

Um detalhe que julgo muito importante destacar: não encontramos na Bíblia, um único relato de alguém que, ao abrir o coração diante de Deus — ainda que de forma dura ou pouco polida, como fez Moisés —, mas com

sinceridade e contrição, tenha sido repreendido ou castigado por isso. Ao contrário, a Bíblia diz que Deus jamais despreza aquele que se aproxima d’Ele com o coração quebrantado e contrito (Salmos 51.17).

Aprendemos com Moisés que não precisamos ter medo de abrir o nosso coração diante de Deus. Deus entende nossas emoções. Portanto, não tenha medo de expressar sua raiva, sua ira, sua insatisfação ou, por que não dizer, sua indignação diante desta ou daquela situação. Aprenda a derramar o seu coração diante de Deus. Mas, considere também a possibilidade de fazer isso buscando a ajuda de alguém que Deus pode usar para ouvi-lo com empatia e compaixão.

Uma coisa é certa: ficar calado, dando a impressão de que está tudo sob controle, quando, na verdade, sentimentos de raiva, ira e desamparo estão dominando o seu mundo interior, não é saudável e muito menos bíblico. É preciso falar, expressar, jogar para fora o que você está sentindo, assim como Moisés fez. Considere que a fala cura. A fala liberta. A fala promove saúde espiritual, emocional e física. n

Ailton Gonçalves Desidério Pastor titular da PIB Lins - RJ Pastor interino da IB Méier - RJ Psicólogo clínico e palestrante SAÚDE DE

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