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OJB EDIÇAO 37 - ANO 2026

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ANO CXXV EDIÇÃO 37 DOMINGO, 13.09.2026

ISSN 1679-0189 ÓRGÃO OFICIAL DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA FUNDADO EM 1901

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Reflexão

Reflexão

Notícias do Brasil Batista

Notícias do Brasil Batista

Jornada do Líder

Teologia Bíblica

Ministério

Seminário Equatorial

Pr. Héber Aleixo destaca que liderança saudável começa na transformação do coração

Estudo das Escrituras destaca a pedagogia divina por trás dos textos e sua transformação para a Igreja hoje

Comunidade Batista Atos 29, em Campo Grande - RJ, consagra oito pastores em seu primeiro concílio

Instituição celebra 71 anos com novas instalações e reafirma missão de formar líderes para a Amazônia

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2 O JORNAL BATISTA Domingo, 13/09/26 EDITORIAL

REFLEXÃO

Para que todo o Brasil ouça

“E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregaOlharemos ainda para as comunidades quilombolas, rão, se não forem enviados?” (Romanos 10.14,15) que já somam mais de 8.440 localidades mapeadas em todo o país, além do povo cigano, cuja população no Brasil Que alegria chegarmos a mais uma Campanha de Mis- é estimada entre 800 mil e 1 milhão de pessoas, tornando sões Nacionais. nosso país a terceira maior população cigana do mundo. Este é um ano especialmente significativo para nós. Cele- Também destacaremos os desafios e oportunidades de bramos os 119 anos de Missões Nacionais, um legado construí- alcançar a comunidade surda, os grupos étnicos vindos do por homens e mulheres que compreenderam que a missão de diferentes nações que hoje vivem entre nós e milhares de Deus precisa ser transmitida de geração em geração. de crianças em situação de vulnerabilidade social que Vivemos em uma nação continental, rica em culturas, crescem sem conhecer a esperança transformadora enpovos e realidades distintas. Entretanto, milhões de brasi- contrada em Cristo. leiros ainda não tiveram uma oportunidade real de ouvir o Nosso desejo é que cada Igreja, cada pastor, cada líder evangelho de Jesus Cristo. Muitos vivem em contextos em e cada discípulo compreenda que ainda existe uma grande que o acesso à mensagem da salvação é extremamente obra diante de nós. Afinal, a pergunta de Paulo continua limitado. Outros pertencem a segmentos da população que ecoando com urgência em nossos dias: “Como ouvirão, permanecem praticamente invisíveis para a maioria das se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem Igrejas. Por isso, durante esta campanha, queremos apre- enviados?” sentar aos Batistas brasileiros alguns dos maiores desafios Chegou o tempo de respondermos ao chamado de Deus missionários da nossa geração. com generosidade, oração, vocação e envio. Podemos contar Falaremos sobre os cerca de 100 povos indígenas ain- com você nesta mobilização? Porque ainda há muita terra da não alcançados em território brasileiro. Refletiremos para ser conquistada. O Brasil ainda não foi plenamente sobre a realidade dos milhares de ribeirinhos espalhados alcançado. E enquanto houver uma única pessoa sem ouvir pela Amazônia. Também voltaremos nossa atenção para a mensagem do evangelho, nossa missão continuará. Para os sertões brasileiros, especialmente no Nordeste, onde que todo o Brasil ouça. n mais de 11 mil povoados catalogados pelo IBGE convivem com barreiras culturais e religiosas que ainda dificultam o Pr. Fabrício Freitas acesso ao evangelho. diretor-executivo da Junta de Missões Nacionais

O JORNAL BATISTA Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso. Fundado em 10.01.1901 INPI: 006335527 | ISSN: 1679-0189 PUBLICAÇÃO DO CONSELHO GERAL DA CBB FUNDADOR W.E. Entzminger PRESIDENTE Raphael H. P. Abdalla DIRETOR GERAL Fernando Macedo Brandão SECRETÁRIO DE REDAÇÃO Estevão Júlio Cesario Roza (Reg. Profissional - MTB 0040247/RJ) CONSELHO EDITORIAL Francisco Bonato Pereira; Guilherme Gimenez; Othon Ávila; Sandra Natividade EMAILs Anúncios e assinaturas: jornalbatista@batistas.com Colaborações: decom@batistas.com REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA Caixa Postal 13334 CEP 20270-972

Rio de Janeiro - RJ Tel: (21) 2157-5557 Site: www.convencaobatista.com.br A direção é responsável, perante a lei, por todos os textos publicados. Perante a denominação Batista, as colaborações assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião do Jornal. DIRETORES HISTÓRICOS W.E. Entzminger, fundador (1901 a 1919); A.B. Detter (1904 e 1907); S.L. Watson (1920 a 1925); Theodoro Rodrigues Teixeira (1925 a 1940); Moisés Silveira (1940 a 1946); Almir Gonçalves (1946 a 1964); José dos Reis Pereira (1964 a 1988); Nilson Dimarzio (1988 a 1995) e Salovi Bernardo (1995 a 2002) INTERINOS HISTÓRICOS Zacarias Taylor (1904); A.L. Dunstan (1907); Salomão Ginsburg (1913 a 1914); L.T. Hites (1921 a 1922); e A.B. Christie (1923). ARTE: Oliverartelucas


REFLEXÃO

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A jornada do líder: a liderança começa dentro de nós Heber Aleixo

pastor da Igreja Batista Vida - DF e diretor-executivo da Lifeshape Brasil

Quando pensamos em liderança, normalmente pensamos em pessoas, posições, decisões e resultados. Imaginamos alguém conduzindo uma igreja, uma organização, uma equipe ou um ministério. Entretanto, antes de alcançar as pessoas que estão ao nosso redor, a liderança passa necessariamente por aquilo que está acontecendo dentro de nós. Por isso, a pergunta mais importante para um líder não é apenas: “Para onde estou conduzindo as pessoas?”, mas também: “Quem estou me tornando enquanto lidero?”. A Bíblia nos adverte: “Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida” (Provérbios 4.23). O coração, nas Escrituras, representa o centro de nossos desejos, pensamentos, afetos e decisões. É nele que se escondem as motivações que orientam nossas atitudes. Podemos aprender técnicas, desenvolver competências e aperfeiçoar nossa comunicação. Tudo isso é importante. Contudo, nenhuma habilidade consegue substituir um coração que está sendo continuamente tratado por Deus. A liderança amplia aquilo que já existe dentro do líder. A pressão revela suas inseguranças. A autoridade evidencia suas motivações. As crises mostram onde está depositada sua confiança. Aquilo que não é tratado no interior, cedo ou tarde, manifesta-se nos relacionamentos, nas decisões e nos ambientes que construímos. Foi assim na jornada de Pedro. Quando Jesus o chamou, Pedro ainda não era um líder pronto. Era sincero, corajoso e disposto, mas também impulsivo, instável e, por vezes, autoconfiante. Ele saiu do barco para caminhar sobre as águas, mas afundou quando desviou os olhos de Jesus. Reconheceu que Jesus era o Cristo, mas tentou impedir o caminho da cruz. Prometeu fidelidade até a morte, mas, poucas horas depois, negou que o conhecia. Ainda assim, Jesus não desistiu de Pedro. Cristo não enxergava apenas quem Pedro era naquele momento. Ele sabia quem Pedro poderia se tornar depois de ser confrontado, quebrantado, restaurado e transformado pela graça. Essa história nos ensina que Deus não chama somente pessoas prontas. Ele chama pessoas dispostas a serem transformadas. Antes de trabalhar através de nós, Deus trabalha em nós. Antes de ampliar nossa influência, Ele trata nossas motivações. Antes de confiar responsabilidades maiores, Ele forma nosso caráter. Esse princípio ocupa um lugar central no modelo de desenvolvimento da Lifeshape Brasil, ao qual chamamos de Jornada do Líder. Essa jornada começa com o desafio de liderar a si mesmo, avança para a liderança de outras pessoas, alcança a formação de equipes e chega à transformação das

organizações. Não se trata apenas de uma sequência metodológica. Trata-se do reconhecimento de que uma liderança saudável precisa começar no coração. Liderar a si mesmo, porém, é mais do que administrar o tempo, estabelecer metas ou desenvolver disciplina. Para o cristão, significa submeter pensamentos, desejos, hábitos e decisões ao senhorio de Cristo. O primeiro governo que um líder cristão precisa reconhecer não é o seu próprio, mas o governo de Deus sobre sua vida. Jesus afirmou: “Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Vocês também não podem dar fruto, se não permanecerem em mim” (Jo 15.4). No Reino de Deus, permanência vem antes de produtividade. Estar com Cristo vem antes de fazer para Cristo. O fruto que permanece não nasce da ansiedade por resultados, mas de uma vida profundamente ligada à Videira. Talvez uma das maiores tentações da liderança cristã seja tentar realizar para Deus aquilo que já não estamos fazendo com Deus. Continuamos pregando, planejando, administrando e conduzindo pessoas, mas interiormente podemos estar distantes, cansados ou sustentando tudo pela força humana. A liderança pode continuar funcionando por algum tempo, mesmo quando o coração não está bem. Os compromissos são cumpridos, as reuniões acontecem e os resultados aparecem. Entretanto, movimento não é necessariamente vida, e produtividade não é sinônimo de saúde espiritual. Por isso, a jornada de todo líder precisa incluir momentos de silêncio, exame e rendição. O que minha liderança está revelando sobre meu coração? Estou conduzindo pessoas pela confiança em Deus ou pela necessidade de controlar tudo? Minha presença gera paz, segurança e clareza ou produz medo, tensão e desgaste? Existe coerência entre aquilo que ensino publicamente e aquilo que cultivo quando ninguém está olhando? Essas perguntas não existem para nos paralisar, mas para nos conduzir novamente à graça. Jesus não abandonou Pedro quando suas fragilidades foram expostas. Ele o restaurou, amadureceu sua fé e transformou sua autoconfiança em dependência de Deus. A verdadeira liderança cristã não começa quando aprendemos a controlar melhor as pessoas e as circunstâncias. Ela começa quando permitimos que Cristo governe e transforme nosso próprio coração. Deus trabalha em nós, depois trabalha através de nós e, finalmente, trabalha além de nós. Essa é a jornada de um líder: ser transformado por Cristo, servir pessoas e formar outros que também aprendam a segui-lo. Antes de perguntar até onde sua liderança pode chegar, pergunte a si mesmo: quem estou me tornando no caminho? A jornada da liderança começa dentro de nós. n


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REFLEXÃO

O evento e o texto: a pedagogia divina nas Escrituras Valtair A. Miranda

pastor da Igreja Batista do Meier - RJ e docente do Seminário do Sul e da FABAPAR.

A maior parte do conteúdo dos livros da Bíblia correu durante um bom período apenas de forma oral. Antes de haver rolos, pergaminhos ou tinta, a revelação estava na boca das pessoas, transmitida de pai para filho no cotidiano das famílias e nas reuniões comunitárias. O meio mais popular de transmissão era a narrativa. Histórias do passado do povo de Deus que tinham muito a ensinar para os novos membros deste mesmo povo. Eram relatos que moldavam a identidade daquela gente. São as narrativas de como o pecado entrou na humanidade, de como a raça humana se perdeu, de como eles escaparam da opressão dos egípcios e de como finalmente chegaram à Terra Prometida. Contar o passado era preservar uma memória antiga, mas também ensinar às novas gerações quem Deus era e como ele agia na história. O processo de transmissão da Palavra de Deus muito se assemelhou à forma como atualmente nossas Igrejas crescem através da pregação. A própria pregação é, na sua essência, um tipo de tradição oral. Nela, o pregador reconta aquilo que Deus fez no passado e, a partir desse relato, chama os ouvintes a um compromisso prático com este mesmo Deus no presente. A diferença entre a tradição oral cristã e a dos judeus antigos está em que atualmente já temos um cânon fechado das Escrituras, e eles ainda não tinham. Hoje, o pregador abre a Bíblia que já contém o texto revelado; eles, no início, só tinham a pregação viva e a memória compartilhada. A transmissão oral foi o meio pelo qual a revelação de Deus foi transmitida durante muito tempo sem qualquer documento escrito. O mesmo fenômeno se deu, posteriormente, com o Novo Testamento. Várias décadas se passaram entre o ministério terreno de Jesus e o aparecimento dos evangelhos que narraram este mesmo ministério. Durante esse intervalo de anos, a Igreja já existia, crescia, evangelizava e plantava novas comunidades fundamentada no testemunho falado dos apóstolos. Alguns estudiosos da Bíblia se concentram no evento narrado. Outros procuram estudar o momento em que ele foi registrado por escrito. São especialidades bíblicas diferentes, e ambas têm o seu valor. É importante saber situar historicamente os eventos que o livro narra, mas, muito mais

do que situá-los no tempo, precisamos compreendê-los como o seu escritor queria que eles fossem compreendidos. Isso significa que a teologia bíblica tem como missão trabalhar tanto com os textos bíblicos quanto com o momento histórico em que eles surgiram. Quando os autores bíblicos narram fatos dos tempos antigos, nosso objetivo principal deve ser entender por que e para que eles o fizeram. O autor ou redator de um livro do Antigo Testamento, quer ele seja nominalmente conhecido ou anônimo, não escreveu apenas para registrar dados do passado. Afinal, ele é o objeto da inspiração do Espírito Santo. Ele desejou com sua obra ensinar, confortar, exortar e transformar a vida de um determinado grupo de leitores ou ouvintes que enfrentava dilemas concretos em sua própria época. Essa digressão é para enfatizar que algumas histórias bíblicas foram registradas de forma escrita muito tempo depois do seu acontecimento original. O livro pode ser, e muitas vezes é, bem posterior aos eventos que ele narra. Isso parece claro em vários momentos do texto sagrado. Afinal, o autor do livro de Crônicas não estava presente para acompanhar a construção do Templo de Salomão; ele escreveu séculos depois, para um povo que voltava do exílio na Babilônia e precisava reorganizar o culto. Mas nem sempre a leitura atual percebe essa diferença entre o tempo do texto e o tempo do evento narrado. Se o objetivo é estudar a teologia bíblica, o sensato, neste caso, é dar prioridade ao momento em que o livro nasceu e não apenas ao momento em que o evento se deu. Para a teologia bíblica, muito mais importante do que conhecer os fatos das histórias é saber por que razões espirituais elas foram preservadas e registradas daquela maneira específica. Fazer essa distinção nos ajudará a não sermos superficiais e a perceber com clareza a relação entre o evento registrado e o propósito espiritual que o autor desejou alcançar com o seu registro. Para a Igreja hoje, esse princípio nos lembra que ler a Bíblia não é transformar versículos isolados em regras frias, mas discernir a pedagogia divina por trás das palavras inspiradas. Assim como as primeiras comunidades judaicas ou cristãs precisaram aprender a ouvir e viver a verdade em suas próprias situações, somos chamados a ir além da letra, abrindo as Escrituras em nossos lares, pequenos grupos e púlpitos, e perguntando não apenas o que diz o texto, mas como o propósito inspirado pode transformar o caráter dos crentes e seu testemunho no mundo atual. n


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REFLEXÃO JUVENTUDE BATISTA BRASILEIRA

A(fé)tos também se servem no prato Iana Mendes de A. Moreira

nutricionista, membro da Igreja Batista Memorial em Serrolândia

Alimentar-se é uma necessidade básica da vida humana, mas também é um ato carregado de significados. A forma como nos relacionamos com a comida envolve cultura, história, emoções, hábitos e vínculos sociais. Comer não é apenas suprir o corpo com energia, vitaminas e nutrientes. É também um momento de pausa, de encontro e, muitas vezes, de conexão com outras pessoas. A alimentação faz parte da rotina diária e, justamente por isso, pode passar despercebida em sua profundidade. No entanto, quando observamos com mais atenção, percebemos que o simples ato de sentar-se à mesa pode revelar muito sobre cuidado, presença e relações humanas. Preparar uma refeição, escolher ingredientes ou compartilhar um prato com alguém são gestos que carregam significados que vão além do alimento em si. Em diferentes contextos, a mesa sempre ocupou um lugar importante na convivência humana. É ao redor dela que histórias são contadas, vínculos são fortalecidos e momentos celebrados. Comer junto não é apenas dividir comida, mas também dividir tempo de qualidade. Vivemos em uma sociedade marcada pela velocidade. Muitas vezes, comemos diante de telas, entre uma tarefa e outra, dentro do carro ou enquanto respondemos mensagens. A pressa moderna transformou a refeição, que historicamente foi um momento de encontro, em uma tarefa que precisa ser rapidamente concluída. Sentar-se à mesa, portanto, pode ser um ato de resistência. É escolher desacelerar. É olhar nos olhos. É ouvir. É conversar. É permitir que uma refeição seja mais do que o momento de ingerir alimentos, ou um prato cheio e belo. O encontro cria espaço para vínculos e pode se tornar um dos lugares mais simples e profundos de convivência. Provérbios 15.17 expressa essa verdade de maneira extraordinária: “Melhor é um prato de hortaliças onde há amor do que o boi cevado e com ele o ódio.” A Bíblia não está simplesmente comparando dois tipos de refeição, mas mostrando que o valor de uma refeição não está determinado pela quantidade ou pelo luxo do que é servido. O ambiente de amor é essencial. Essa perspectiva também nos desafia como cristãos a pensarmos não apenas “o que estou colocando no prato?”, mas também “o que estou colocando à mesa?” Estamos

colocando pressa ou presença? Indiferença ou atenção? Julgamento ou acolhimento? Individualismo ou comunhão? A mesa pode ser um lugar de discipulado, de aconselhamento, de celebração e até de reconciliação. Jesus frequentemente esteve à mesa com pessoas, e não havia pressa. Ele se sentava, olhava nos olhos e partilhava o pão. Ao redor dela, nós encontramos espaço para aprendermos os verdadeiros valores, como Jesus sempre nos mostrou: que essa é a boa parte. E foi também vivendo momentos de comunhão, em que aprendi algo que carrego comigo: o Reino de Deus é um Reino de amigos e é com esse acolhimento que vivenciamos as histórias, ouvimos uns aos outros e percebemos que não fomos feitos para caminhar sozinhos. A comida se torna apenas uma parte do que está sendo partilhado. Junto a ela, se fortalece não apenas a saúde física, mas também a saúde emocional e os vínculos que sustentam toda uma comunidade. Na simplicidade de preparar e oferecer, existe uma oportunidade de demonstrar o evangelho de forma prática. Afinal, há momentos em que o outro não precisa de um grande discurso, mas de alguém que se sente ao seu lado e diga por meio de atitudes: “há lugar para você nesta mesa”. Nosso corpo carrega marcas de nossas vivências. Todas as experiências, responsabilidades, cansaço e emoções fazem parte da nossa jornada e podem repercutir tanto na saúde física, quanto na saúde emocional. Honrar a Deus sendo templo do Espírito Santo não se resume a preocupar-se com aquilo que ingerimos, mas em compreender que a nossa vida deve estar disponível para glorificar a Deus e servir ao próximo. Isso inclui reconhecer que saúde física e emocional caminham juntas, quando unimos o cuidado, a comunhão e o apoio. Que nossos pratos sejam acompanhados de propósito, para que assim possamos enxergar a alimentação não apenas como uma necessidade, mas também como uma possibilidade de cuidado individual e coletivo. Que cada A(fé) to realizado ao redor da mesa nos faça recordar que o extraordinário de Deus também se manifesta em atitudes simples. Porque quando colocamos amor à mesa, o alimento deixa de ser apenas alimento. Ele se torna cuidado, comunhão, amor e serviço. À medida que o cuidado é compartilhado, promovemos saúde física, emocional e fortalecemos nossos laços. Que desejemos a cada dia “servir o prato com A(fé)to”. n


MISSÕES NACIONAIS

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Para que todo o Brasil ouça! “E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?” (Rm 10.14,15) Texto retirado e adaptado do livro “Conquistar a pátria para Cristo: Ontem, Hoje e Amanhã.” O Brasil é vasto, diverso e plural. Em sua imensa riqueza cultural e geográfica, ainda existem povos, comunidades e segmentos inteiros que jamais ouviram falar de Jesus. Essa realidade é um desafio inegociável para a Igreja de Cristo em nossa nação. Enquanto houver pessoas sem a oportunidade de ouvir o Evangelho de forma clara e contextualizada, nossa tarefa permanece incompleta e nossa responsabilidade, intransferível. Entre os grupos menos evangelizados do Brasil, encontramos diferentes contextos que clamam por atenção missionária. As comunidades ribeirinhas da Amazônia também revelam uma necessidade urgente. Milhares de famílias vivem às margens de rios que se estendem por milhares de quilômetros, em lugares acessíveis apenas de barco. A ausência de igrejas locais faz desses territórios verdadeiros desertos espirituais. Plantar igrejas e enviar missionários ribeirinhos é estratégico, pois cada comunidade alcançada pode irradiar a mensagem para dezenas de outras ao seu redor. Os povos indígenas, espalhados em centenas de etnias, continuam sendo um dos grandes campos missionários da nossa pátria. Muitos vivem em regiões remotas da Amazônia e do Centro-Oeste, alguns em isolamento voluntário, outros em aldeias com pouca interação com a sociedade. A barreira linguística e a distância dificultam o trabalho, mas não o tornam impossível. Cada etnia representa um povo amado por Deus e chamado a experimentar a salvação em Cristo. As comunidades sertanejas do Nordeste enfrentam pobreza, isolamento e a dura realidade da seca. Muitos vilarejos e povoados não têm nenhuma igreja evangélica atuante. O sertão é um dos maiores desafios missionários do Brasil, mas também um dos mais promissores, pois cada igreja que nasce ali se torna fonte de esperança em meio à escassez. A comunidade surda também precisa estar em nossa prioridade missionária. Estima-se que milhões de brasileiros ainda não tenham acesso ao evangelho em Libras, sua língua natural. Sem comunicação acessível, permanecem sem com-

preender a mensagem de Cristo. É urgente investir em obreiros capacitados, produzir materiais adequados e incluir de forma intencional os surdos na vida comunitária e no discipulado. Também há grupos étnicos específicos e imigrantes que hoje encontram no Brasil um refúgio. Haitianos, venezuelanos, bolivianos, sírios, árabes e africanos vivem em nossas cidades em condições de vulnerabilidade. Comunidades asiáticas, como japoneses e coreanos, também precisam de presença missionária intencional. O mundo está vindo até nós, e essa é uma oportunidade histórica de levar o evangelho às nações sem sair do Brasil. Além disso, não podemos ignorar as crianças em vulnerabilidade espalhadas por todo o país. Atualmente, metade das crianças e adolescentes do país são privados de direitos básicos para sobreviver e prosperar, e precisam ser alcançadas pelo evangelho que transfor-

ma e muda realidades. Os ciganos, presentes em vários estados, mantêm tradições fortes e, muitas vezes, um estilo de vida nômade. Isso os torna invisíveis para muitas igrejas. Evangelizá-los exige respeito, criatividade e perseverança, mas também a convicção de que o evangelho é para todos os povos. Por fim, entre os quilombolas, descendentes de escravos que resistiram e preservaram sua herança cultural, o desafio também persiste. Muitos vivem em áreas rurais de difícil acesso, sem presença constante de igrejas evangélicas. Evangelizar os quilombos é um ato de compaixão e testemunho do amor inclusivo de Cristo. Todos precisam ser alcançados e acolhidos. Esses grupos representam fronteiras missionárias dentro da nossa nação. Alcançá-los não é opcional, mas uma urgência do Reino. É obedecer radicalmente à ordem de Jesus de levar o evangelho a toda criatura. É garantir que ninguém viva e morra sem saber que há um Salvador. Precisamos de oração, obreiros dispostos, igrejas generosas e líderes comprometidos com essa causa. Nosso compromisso deve ser claro diante de Deus e da história: não descansar até que cada povo, cada comunidade e cada grupo do Brasil tenha sido alcançado pelo evangelho de Jesus Cristo. Ou veremos o Brasil alcançado, ou daremos nossas vidas tentando. n


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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA


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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

Comunidade Batista Atos 29 ordena oito novos pastores em noite histórica Primeiro concílio examinatório da Igreja reuniu mais de 30 pastores, ministros de música, educadores religiosos e visitantes em Campo Grande - RJ. Deivison Bahia

pastor da Comunidade Batista Atos 29, em Campo Grande - RJ

No dia 29 de agosto, às 16h, a Comunidade Batista Atos 29, localizada no bairro de Campo Grande, no Rio de Janeiro - RJ, realizou seu primeiro concílio examinatório para o ministério pastoral. O momento foi presidido pelo Tempo da Comunidade Batista Atos 29 ficou lotado para a ordenação dos novos pastores pastor Deivison Bahia, pastor da Comunidade Batista Atos 29, e a 900 membros. Deus usa os improváveis. marcou um novo capítulo na história da Igreja. Por isso, o livro entregue durante o concílio, além de A programação contou com a presença de mais de 30 contar a história da Atos 29, apresenta, de maneira leve e pastores, além de ministros de música, educadores cristãos engraçada, característica também atribuída à própria Igreja, e muitos visitantes. A Igreja ficou completamente lotada, a história dos oito novos pastores. Todos são apresentados sem espaço para acomodar todos os presentes. como improváveis que foram chamados por Deus e que estão O primeiro concílio da Comunidade Batista Atos 29 teve cumprindo o ide. um significado especial: oito vocacionados participaram do A procura pelo livro foi grande, e muitos manifestaram o processo, sendo quatro homens e quatro mulheres. Foram desejo de receber um exemplar. No entanto, como a Igreja eles: Luange Bahia, Isabela Miranda, Rejane Libano, Flávia estava muito cheia durante a celebração, os livros disponiCristina, Lucas Luiz, Marcos Júnior, Jonas Grund e Izlan bilizados acabaram. Souza. Os oito foram aprovados por unanimidade, para a A celebração foi marcada ainda pela alegria. Segundo a glória de Deus. comunidade, a Atos 29 é uma Igreja feliz, e toda a ordenação Após a aprovação, foi realizada a ordenação dos oito ao foi conduzida de maneira leve e com muita alegria. ministério da Palavra. A Comunidade Batista Atos 29 viveu Entre os participantes da noite esteve o pastor Wander uma noite de festa e celebração. O louvor ficou por conta do Ministério de Louvor da Atos 29, e a programação contou com Gomes, pastor da Primeira Igreja Batista do Recreio dos a tradicional entrega das Bíblias e a oração consagratória, Bandeirantes - RJ, igreja-mãe da Comunidade Batista Atos 29. Ele foi o orador da noite e trouxe uma palavra de encorealizada de joelhos. Também houve um momento especial de homenagem rajamento aos novos pastores. Ao final de sua mensagem, pastor Wander Gomes destaàs famílias dos novos pastores, quando todos os familiares foram presenteados. Os oito novos pastores tiveram ainda cou: “Pastorado é Dom. E os dons de Deus são irretratáveis. Quando Deus chama, Ele capacita homens e mulheres para a oportunidade de falar e agradecer pela ocasião. Uma das surpresas da celebração foi a entrega de um o seu propósito. Deus chama homens e mulheres”. A reflexão foi relacionada ao texto de Joel 2.28: “E aconlivro a todos os presentes, intitulado “Os Improváveis”. A obra começa contando a história da própria Comunidade Batista tecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a Atos 29, mostrando como um pastor improvável, junto com carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão”. A noite de festa e celebração terminou com todos os sua esposa, começou do zero uma Igreja improvável. A história da Atos 29 teve início na sala de um aparta- presentes cantando um medley: “Olhando para Cristo” (579 mento. O próprio nome da Igreja expressa sua identidade CC), “Estamos de Pé” e “O Estandarte dessa Igreja” (456 CC). A Comunidade Batista Atos 29 celebrou a ordenação dos e propósito: a Atos 29 entende que é uma continuidade da Igreja de Cristo iniciada no livro de Atos dos Apóstolos. oito novos pastores, destacando que eles já vêm servindo “Continuamos a escrever a história que começou na igreja com excelência e dedicação na obra do Senhor. Para a Igreja, primitiva”. A Igreja trabalha com o modelo de células, reu- a ordenação representa o início de um novo tempo de avanço e multiplicação. nindo seus membros tanto nas casas quanto no templo. E assim a Atos 29 segue vivendo vida na vida, vivendo Quando começou do zero, a Igreja enfrentou perseguições e críticas, inclusive, segundo o relato da comunidade, por pela fé, deixando o Espírito Santo nos guiar, e o nosso Pai parte de muitos “crentes”. Mesmo diante das dificuldades, vai dando o crescimento para ganharmos o bairro de Campo a Atos 29 permaneceu firme, evangelizando, discipulando e Grande, o Rio de Janeiro e as nações para Jesus. cumprindo o IDE, conforme a orientação de Mateus 28.19,20. A Comunidade Batista Atos 29 está presente nas redes A Igreja se define como uma família de amor e fé que co- sociais pelo perfil @cbatos29. O pastor Deivison Bahia tammeçou do zero e, hoje, com apenas nove anos, está chegando bém pode ser acompanhado pelo perfil @deivison.bahia. n


MISSÕES MUNDIAIS

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Quando a esperança renasce: um relato do Projeto GASS no Uruguai Jamile Darlen

Redação de Missões Mundiais

“Então chegou perto dele, limpou os seus ferimentos com azeite e vinho e em seguida os enfaixou. Depois disso, o samaritano colocou-o no seu próprio animal e o levou para uma pensão, onde cuidou dele” (Lc 10.34 - NTLH). Na parábola do bom samaritano, Jesus nos ensina sobre a importância de cuidar do próximo. Esse cuidado envolve aproximação, atenção e ação diante da dor. Cuidar de pessoas também faz parte da missão e é um dos compromissos de Missões Mundiais. No Uruguai, uma das iniciativas que expressam esse comprimisso é o Projeto GASS – Grupo de Apoio de Sobreviventes ao Suicídio, conduzido pelos missionários pastor Daniel e Clélia Duarte desde 2017. “Em mais de 50 países, o dia 10 de setembro é dedicado à prevenção do suicídio, um tema ainda cercado de estigmas, mitos e tabus. Prevenir o suicídio é, antes de tudo, cuidar da vida. É perceber o sofrimento, abrir espaços para a conversa, oferecer acolhimento e nos aproximar de quem precisa de ajuda”, explica Clélia. Por meio de encontros, os missionários acolhem aqueles que enfrentam sofrimentos relacionados à saúde mental. Entre eles está Renata. Há quatro anos, ela enfrentava uma dor profunda e já havia passado por tentativas de tirar a própria vida. Foi nesse contexto que um amigo do filho dos missionários, que conhecia os grupos de apoio, a convidou para participar do GASS. O jovem que convidou Renata esteve com ela na primeira reunião online. Durante o processo, ela recebeu o carinho dos missionários, que tiveram a oportunidade de apresentar-lhe Jesus. Em Cristo, ela encontrou acolhimento, esperança e uma nova forma de olhar para a própria história. No relato abaixo, Renata conta, com suas próprias palavras, como tem vivido esse processo de restauração. “Meu Renascimento em Cristo Há um tempo, algo começou a se agitar dentro de mim. Não foi uma mudança repentina. Não foi uma emoção passageira. Foi um trabalho silencioso, profundo, constante. Comecei a ir à igreja, sem realmente saber o que procurava. Talvez descanso. Talvez significado. Talvez simplesmente um lugar onde eu não precisasse ser forte o tempo todo. Cheguei com perguntas, com um cansaço acumulado, com feridas que ainda doíam, e com uma fé frágil, mas sincera. Cristo não me pediu para ser perfeita. Ele não exigiu certeza. Ele não apontou o que faltava. Ele me acolheu como

eu era. E naquele gesto simples, tão cheio de amor, meu renascimento começou. Aprendi, pouco a pouco, a ficar. A sentar em silêncio. A não fugir quando algo se agitava dentro de mim. Para que Deus me visse mesmo naquilo que eu escondia, mesmo naquilo que eu lutava para aceitar em mim mesma. Há um tempo, Cristo tem agido sem se impor. Ele tem desarmado a culpa que eu carregava como se fosse minha. Ele tem suavizado a dureza que nasceu para sobreviver. Ele tem me devolvido uma confiança que eu pensava ter perdido. Comecei a entender que a fé não se trata de ter todas as respostas, mas de aprender a confiar uns nos outros. Que orar nem sempre é falar, mas de permitir que Ele sustente o que eu não conseguia mais sustentar sozinha. As mudanças não foram espetaculares, mas foram reais. Uma paz que começou a me visitar em meio ao ruído. Um olhar mais compassivo para mim mesma. Uma nova maneira de habitar minhas feridas sem negá-las e sem deixar que elas me definam. Cristo não apagou a minha história. Ele a acolheu. Ele não negou minha dor. Ele a iluminou. Não acelerou meus processos. Acompanhou-os. Hoje posso dizer que, desde que voltei para a igreja, não sou uma pessoa diferente, mas sou mais eu mesma. Mais enraizada. Mais amparada. Mais sustentada. Mais autêntica. Este renascimento nem sempre é perceptível externamente. Não tem grandes gestos. Tem constância. Tem presença. Tem graça. Continuo caminhando. Continuo aprendendo. Continuo tendo perguntas. Mas hoje caminho sabendo que não estou sozinha. Cristo está agindo em mim. Às vezes, silenciosamente. Às vezes, em pequenas coisas. Às vezes, onde menos esperava. E de 2025 até hoje, essa obra gentil e fiel tem transformado meu ser interior. Este é o meu renascimento em Cristo. E por isso, só posso dizer: obrigado. (R. Scaldaferro)” Hoje, Renata não pensa mais em tirar a própria vida. Agora, ela tem esperança, e seu coração pertence a Jesus. Na semana do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, lembramos de pessoas que, assim como Renata, precisam ser acolhidas em meio à dor e ter ao seu lado pessoas dispostas a caminhar com elas. Histórias como a dela nos lembram que há esperança, que é possível recomeçar e que ninguém precisa enfrentar sozinho um sofrimento tão profundo. Ore para que o Senhor levante profissionais de saúde mental para cuidar dos que sofrem e continue capacitando os missionários para acolher, caminhar ao lado dessas pessoas, apresentando-lhes o amor de Cristo. n


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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

Seminário Equatorial celebra 71 anos e reafirma missão de formar líderes para a Amazônia Ao todo, mais de 500 pessoas participaram das celebrações.

Ao todo, mais de 500 pessoas participaram das celebrações de 71 anos do Seminário Equatorial

William Costa da Silva

jornalista, professor do Seminário Batista Equatorial e membro da PIB em Murinin - PA

Setenta e um anos depois de iniciar sua trajetória na Amazônia, o Seminário Teológico Batista Equatorial abriu um novo capítulo de sua história. A celebração do aniversário foi marcada pela inauguração das instalações reformadas e ampliadas e por dois dias de programação que reuniram lideranças da Convenção Batista Brasileira (CBB), Convenção Batista do Pará (COBAPA), Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB), professores, alunos, colaboradores e representantes de Igrejas e organizações denominacionais. Ao todo, mais de 500 pessoas participaram das celebrações. A nova estrutura reúne salas de aula, espaços de convivência, sala dos professores, sala de tempo integral, novos laboratórios, sala de aprendizagem, biblioteca, salas destinadas ao Núcleo de Atendimento Psicossocial e capelania, entre outros ambientes. A reforma amplia as condições de funcionamento do Seminário e acompanha um novo momento da instituição, que busca responder às demandas da formação teológica na região. À frente da diretoria acadêmica, a Dra. Vanessa Galúcio resumiu o significado do aniversário a partir daquilo que considera o principal patrimônio construído pelo Seminário ao longo de sua história: vidas. “Quando eu penso em 71 anos, quantas vidas, quantas pessoas?” A pergunta desloca o olhar da estrutura física para o propósito da instituição. Ao longo de sete décadas, o Seminário formou gerações de líderes que seguiram para Igrejas e diferentes frentes de serviço cristão na Amazônia e no mundo. A inauguração das novas instalações ocorreu no primeiro dia da programação, que contou com a presença do presidente da Convenção Batista Brasileira, pastor Raphael Abdalla, do diretor executivo da CBB e diretor geral dos Seminários Batistas, pastor Fernando Brandão, do vice-diretor dos Seminários, pastor Pedro Veiga, além de professores, colaboradores e pastores batistas convidados.

Pr. Rapahel Abdalla e Pr. Fernando Brandão estiveram na colebração

Em sua participação, Brandão reconheceu o trabalho desenvolvido pela equipe do Equatorial e destacou a integração entre os seminários da Convenção Batista Brasileira. Para ele, a formação teológica precisa permanecer conectada às Igrejas que enviam seus vocacionados. “Esse seminário é nosso”, afirmou. A declaração foi acompanhada por uma definição sobre o papel da instituição na denominação. Para Brandão, o Seminário deve ser entendido como uma extensão da Igreja no processo de preparação dos futuros líderes. “O seminário é uma extensão da sua Igreja. Você vai guiar os seus vocacionados e eles aqui serão formados, que voltarão para as suas Igrejas amando mais a Palavra, amando mais missões, amando mais o ministério e amando mais a denominação”, disse. A perspectiva reforça uma característica da educação teológica Batista: o Seminário não substitui a Igreja, mas atua em parceria com ela. O vocacionado é enviado para ser preparado e, depois da formação, retorna ao campo ministerial com ferramentas para servir à igreja e à sociedade. Brandão também reconheceu avanços institucionais do Equatorial e parabenizou a equipe pela condução da insti-


NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA tuição. Ao recordar uma visita anterior ao Seminário, destacou a emoção de retornar e encontrar as instalações transformadas.

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te quais são os planos de Deus, mas meu propósito é retornar e ajudar minha igreja.” A permanência de Jonas no Seminário foi viabilizada por uma bolsa integral conceUma história que continua dida por um pastor e sua Igreja, que preferiram não se identificar. O apoio garante sua A celebração também teve a participação formação em Teologia até o final do curso. do pastor Raphael Abdalla. Presidente da O anúncio foi feito pelo pastor Fernando CBB, ele expressou gratidão pelo trabalho Brandão durante o primeiro dia de celebradesenvolvido no Seminário e relacionou a ção dos 71 anos. história do Equatorial à trajetória mais amA história do jovem marajoara já havia pla da denominação batista no Brasil. “É sido publicada pelo O Jornal Batista, em 2 um privilégio fazermos parte de algo que é de agosto, na reportagem “Do Marajó para muito maior do que nós”, afirmou. o Seminário Equatorial: jovem vocacionado A fala reforçou a dimensão coletiva da deixa tudo para preparar-se e servir em igreDra. Vanessa Galúcio, diretora história do Seminário. Os 71 anos não reja fundada pelo avô”. do Seminário Equatorial presentam apenas a trajetória de uma insJonas cresceu acompanhando a trajetituição, mas o resultado da participação de tória da congregação fundada pelo avô em diferentes gerações de professores, líderes, 1992. Aos 86 anos, Raimundo Gonçalo contiIgrejas, alunos e colaboradores que contrinua sendo uma das principais referências da buíram para sua construção. comunidade. Foi observando os desafios da A programação incluiu a participação Igreja e o avanço da idade do avô que Jonas da Orquestra Equatorial, do Ministério Sons percebeu a necessidade de se preparar. da Colina Belém e a apresentação de um “Eu vi a necessidade da minha Igreja. mini-documentário sobre a história do SeMeu avô já está com uma idade avançada e minário. No primeiro dia, a mensagem foi muitas coisas precisam ser fortalecidas. Eu ministrada por Raphael Abdalla. Na segunda queria entender mais o Evangelho, aprender noite, Pedro Veiga conduziu a mensagem mais e poder ajudar a igreja a crescer.” de encerramento da programação comeA decisão de deixar o Marajó não foi morativa. simples. A mudança para Belém significou distância da família, adaptação ao ambiente Um novo tempo acadêmico e uma nova rotina. Nos primeiros Pr. Pedro Veiga, vice-diretor dias, Jonas chegou a pensar em desistir. dos Seminários da CBB, Aos 71 anos, o Seminário Equatorial vive “Nos primeiros dias foi muito difícil. Eu foi um dos preletores um momento de renovação que vai além da nunca tinha vivido uma graduação e estava reforma dos espaços físicos. Segundo Vahá um tempo sem estudar. Pensei até em denessa Galúcio, novos projetos acadêmicos sistir. Mas Deus foi colocando pessoas para também fazem parte dessa nova etapa. me ajudar e me sustentar nesse processo.” “Além de toda estrutura, avançamos com Hoje, a formação representa para ele o fortalecimento do curso de Bacharel em uma preparação para voltar à comunidade Teologia e com questões relacionadas ao de origem e contribuir com o fortalecimento Ministério da Educação. Também aprovada igreja. O jovem pretende atuar especialmos três novos cursos, o de Bacharel em mente no ensino bíblico e no desenvolviDireito, Tecnólogo em Processos Escolares mento de ministérios voltados para crianças e Bacharelado em Música, que em breve e jovens. estarão em plena atividade. Louvamos a A história de Jonas traduz, em uma traDeus por tudo o que Ele tem nos oportunijetória pessoal, uma das dimensões da miszado”, afirma. são do Seminário Equatorial: receber vocaAs novas instalações, portanto, são parte cionados de diferentes partes da Amazônia de um movimento mais amplo. Salas refore prepará-los para servir em suas próprias Aluno recebeu bolsa para madas, novos ambientes de aprendizagem comunidades. continuar estudos na instituição e novos cursos ampliam as possibilidades Aos 71 anos, o Seminário olha para a de formação e criam condições para que o própria história, mas não permanece preso Seminário continue recebendo novas gerações de vocacio- a ela. A reforma dos espaços, a ampliação das possibilidanados. des acadêmicas e a chegada de estudantes como Jonas Entre esses novos alunos está Jonas da Silva Santos, de apontam para os próximos capítulos. 28 anos, estudante do segundo semestre de Teologia. NatuA casa foi renovada. Novos espaços foram preparados. ral da comunidade remanescente de quilombo de Campina/ Novos cursos estão chegando. E, a pergunta de Vanessa Vila União, em Salvaterra, no Marajó, ele deixou o trabalho, a continua ecoando: quantas vidas ainda serão alcançadas? família e a rotina no interior para estudar em Belém. Seu obA resposta será construída nas próximas gerações de jetivo, porém, está longe da capital: voltar para casa e servir alunos, professores e líderes que passarão por essas novas à Igreja fundada pelo avô, Raimundo Gonçalo dos Santos. salas. Pois continua a missão de formar vocacionados para “Meu pensamento é voltar para lá. Não sei exatamen- servir às igrejas. n


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Primeira Igreja Batista de Petrópolis - RJ celebra 100 anos com gratidão, memória e esperança Com o tema “100 anos amando muito ser Igreja”, programação especial de resgatou elementos importantes de sua história.

Colocação da pedra fundamental

Celebração de 100 anos da Primeira Igreja Batista de Petrópolis - RJ

Comunicação da Convenção Batista Brasileira A Primeira Igreja Batista de Petrópolis - RJ celebrou seu centenário com uma programação especial realizada nos dias 22, 23 e 30 de agosto. Com o tema “100 anos amando muito ser Igreja” e a divisa de Salmos 122.1 — “Alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor” —, a Igreja reuniu sua comunidade em momentos de louvor, gratidão, reflexão bíblica e memória de sua trajetória. A celebração oficial do centenário aconteceu no dia 22 de agosto. A programação contou com momento de gratidão e apresentação da história da Igreja, além da mensagem bíblica ministrada pelo pastor Fernando Brandão, diretor-executivo da Convenção Batista Brasileira (CBB). A noite teve ainda a participação da igreja em cânticos como os hinos “Vamos à Igreja” e outros momentos de louvor. O cântico oficial do centenário foi “Amando Muito Ser Tua Igreja”, de Raphael Muniz, composto especialmente para a celebração e utilizado ao longo da programação. Memória e celebração No dia 23 de agosto, pela manhã, a Igreja deu continuidade às comemorações. A programação incluiu recitativos bíblicos, cânticos e momentos de gratidão pelo centenário. A mensagem bíblica foi ministrada pelo pastor Celso Ribeiro Filho, pastor titular da Igreja. A celebração também contou com participações musicais e composições relacionadas à história e à identidade da igreja, entre elas “Povo Santo, Povo Eleito”, de Moisés Pereira; “Igreja Que Ora nas Lutas”, de Leandro Nascimento; “Por Graça, Deus nos Guiou”, do pastor Lucas Rinaldi; e “Amo Ser Igreja”, de Raquel Gonçalves. Durante o culto da manhã, também foi inaugurada uma galeria com fotografias dos pastores que passaram pela Igreja. À noite, a programação contou com uma cantata especial composta por dez apresentações. Sob a direção musical de Raphael Muniz, participaram diferentes grupos e solistas da igreja. A cantata teve início com “Para Deus”, apresentado pelo

Coro Calebe, seguido por “Lançar a Rede”, com o Quarteto Masculino; “Tudo Pela Tua Obra”, pelo Coro da Igreja; “O Templo Sou Eu”, com solo de Raquel Gonçalves; “Vivendo em Obediência”, pelo Grupo Vocal; “Não Perdemos o Primeiro Amor”, com o Coro Lester Bell; “O Espírito Vem”, com solo de Maria Cláudia; “Unidade”, pelo Coro Jovem; “Igreja da Família”, pelo Coro Conectar; e “De Fé em Fé”, apresentado pelo Quarteto Misto. A noite foi encerrada com uma reflexão do pastor Celso Ribeiro Filho e um momento de agradecimentos. Uma mensagem para as próximas gerações As comemorações do centenário tiveram um momento especial no dia 30 de agosto, durante um culto de gratidão realizado no estacionamento da Igreja. A celebração foi marcada pela colocação da pedra fundamental da igreja. A pedra foi encontrada durante uma obra recente realizada no local. A descoberta trouxe à memória um elemento físico da história da Igreja que, até então, permanecia enterrado. Durante o culto, além da colocação da pedra fundamental, foram reunidas lembranças atuais da igreja. Esses registros foram novamente enterrados junto à pedra, em uma iniciativa que estabelece uma espécie de cápsula do tempo para as próximas gerações. A expectativa é que o material seja novamente aberto quando a Primeira Igreja Batista de Petrópolis completar 125 anos. O culto do dia 30 contou com momentos de intercessão, louvor e gratidão. Entre os cânticos esteve o hino “Dia Festivo”, que expressa a alegria pela celebração e o desejo de que a igreja permaneça consagrada a Deus. A mensagem bíblica foi ministrada pelo pastor Celso Ribeiro Filho, seguida do momento de gratidão e da colocação da pedra fundamental. Ao completar 100 anos, a Primeira Igreja Batista de Petrópolis celebra uma história construída por diferentes gerações. O centenário foi também uma oportunidade para reconhecer aqueles que fizeram parte dessa caminhada, preservar a memória da igreja e reafirmar o compromisso de seguir servindo ao Senhor. n


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Culto das Equipes do Centro Batista destaca 155 anos do trabalho Batista no Brasil e campanha de Missões Nacionais Celebração reuniu colaboradores em um momento de louvor, gratidão, reflexão e compromisso com a obra missionária.

Colaboradores das organizações da CBB tiveram momento de oração em grupo

Estevão Júlio

jornalista na Convenção Batista Brasileira

Apresentação de novos colaboradores

que Deus usa pessoas comuns para realizar grandes obras. O momento ganhou significado ainda maior por ocorrer na mesma data em que os Batistas brasileiros celebram os 155 anos do início do trabalho Batista no Brasil. Em 10 de setembro de 1871, em Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo, foi organizada a primeira igreja Batista em solo brasileiro, marco que representa o início de uma história marcada pela proclamação do Evangelho, formação de discípulos e expansão da obra Batista pelo país.

A capela do Seminário do Sul recebeu, no dia 10 de setembro, mais uma edição do Culto das Equipes do Centro Batista, reunindo seus colaboradores para um momento especial de comunhão, adoração e oração. A celebração teve como focos os 155 anos do início do trabalho Batista no Brasil e a campanha de Missões Nacionais 2026, “Para que todo o Brasil ouça”. A programação teve direção de Maria Helena Leão, louvor Novos colaboradores conduzido por Marcelo Neles e ministração da Palavra pelo Ao final da programação, Bianca Pires, da área de RecurPr. Valtair Miranda. Um dos momentos iniciais foi a exibição de um vídeo sos Humanos da JMN, conduziu a apresentação dos novos sobre o início do trabalho Batista no Brasil, com o pastor colaboradores do Centro Batista. O Culto das Equipes do Centro Batista acontece uma vez Fernando Brandão, diretor-executivo da CBB, levando os presentes a recordar a história construída ao longo de 155 anos por mês, na capela do Seminário do Sul. n de testemunho, evangelização e expansão da mensagem de Cristo em território brasileiro. Palavra e compromisso missionário A ministração da Palavra foi realizada por Valtair Miranda, pastor da Igreja Batista do Méier - RJ e diretor da Escola de Teologia e Missões do Seminário do Sul, que a partir da história de Gideão fez um paralelo com o início do trabalho Batista no Brasil, destacando

Pr. Valtair Miranda foi o preletor do culto

Tempo de louvor e adoração


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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE INSTITUIÇÕES BATISTAS DE ENSINO TEOLÓGICO (fundada em 1970) Rua José Higino, 416 – Edifício 14 – Sala 226 – Tijuca – Rio de Janeiro/RJ CNPJ: 02.191.726/0001-84

EDITAL CONVOCAÇÃO ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE INSTITUIÇÕES BATISTAS DE ENSINO TEOLÓGICO ASSEMBLEIA ORDINÁRIA Convocamos todos os representantes das Instituições Teológicas Batistas Associadas à ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE INSTITUIÇÕES BATISTAS DE ENSINO TEOLÓGICO para se fazerem presentes na Assembleia Geral Ordinária, que se realizará no dia 16 de setembro de 2026, às 11:00 hs em primeira convocação com 50% das filiadas, e às 11:30 hs em segunda convocação com a presença de qualquer número, conforme orientação do Estatuto da ABIBET em seu Artigo 13º. Conforme o Artigo 7º do Estatuto da ABIBET cada Associada terá direito até 3 (três) delegados e mais 01 (um) para cada 200 (duzentos) alunos matriculados em seus cursos regulares. Os mesmos devem ser credenciados conforme modelo enviado as instituições. A Assembleia Ordinária da ABIBET ocorrerá das 11:00 hs às 12:00 hs no Seminário Teológico Batista do Nordeste, Rua Bartolomeu Gusmão, 714, Feira de Santana – BA.

No amor de Cristo, Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2026.

________________________________________________________ Pr. Valtair Afonso Miranda Presidente da ABIBET


PONTO DE VISTA

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FÉ PARA HOJE

Integridade no falar Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob Integridade significa que a luz está brilhando no interior porque a pessoa (ou o grupo) possui um coração honesto, uma mente honesta e uma vontade honesta.1 O que Jesus ensina em Mateus 7.21-23? Nem todo aquele que diz: “Senhor, Senhor”, entrará no Reino dos céus. Professar o nome Senhor significa um compromisso total com Ele, fazer a Sua vontade. É algo extremamente sério. Deus quer que sejamos santos2 em todo o nosso procedimento, 1 Pedro 1.16. O nosso falar deve ser santo. Somos filhos de um Deus Santo. A santidade faz parte de nossa natureza divina. Neste estudo sobre a integridade no falar, desejamos apresentar três pontos muito relevantes: a integridade no falar tem a ver com um coração puro; tem a ver com a mente santificada e surge de uma profunda experiencia com Cristo Jesus. INTEGRIDADE NO FALAR TEM A VER COM UM CORAÇÃO PURO (Salmos 51.10; Mateus 12.34) Do coração procedem as saídas (sentimentos, intenções, pensamentos) da vida. Por esta razão, ele deve ser guardado ou preservado, Provérbios 4.23. Precisamos redobrar a atenção sobre o que devemos falar, expressar. O Senhor Jesus foi taxativo em relação ao coração, Mateus 12.34; 15.19,20. O coração é a sede da personalidade. Sabemos que o coração e a razão devem ser parceiros nas decisões. Deve haver equilíbrio. INTEGRIDADE NO FALAR TEM A VER COM UMA MENTE SANTIFICADA (Filipenses 4.8) Nós temos a mente de Cristo (I Coríntios 2.16). O nosso coração e a nossa mente foram purificados pelo sangue de Jesus (I João 1.7). A nossa mente é a sede do pensamento, da razão. Ela precisa ter o tempero do coração, do sentimento genuíno. O nosso coração deve ser inteiro. O cristão genuíno não possui nem a mente e nem o coração dividido. O nosso falar deve ter como critério tudo o que é verda1 WIERSBE, Warren W. A Crise de Integridade. São Paulo: Editora Vida, 2ª. Impressão, 1989, p. 17. 2 JACOB, Oswaldo Luiz Gomes. Como santos, nós somos separados para fazermos toda a vontade de Deus em Cristo Jesus. Os santos são semelhantes a Cristo Jesus. São identificados com Cristo em Sua morte e em Sua ressurreição. Os santos foram salvos e purificados pelo sangue de Cristo e selados com o Espírito Santo da promessa, Efésios 1.13,14. Os santos são pessoas diferentes para fazerem toda a diferença neste mundo. Os santos têm prazer em Deus e vivem debaixo de Sua soberania. A sua vida é de integridade à semelhança de Cristo Jesus, Senhor e Salvador. Os santos foram crucificados, mortos e ressuscitados com Cristo.

deiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável; tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai, Filipenses 4.8. Esses elementos formam uma peneira muito eficaz, especialmente em nossas decisões. O nosso falar deve ser fruto de um pensamento coerente, claro, lúcido, saudável, criativo, proativo e santo. INTEGRIDADE NO FALAR SURGE DE UMA PROFUNDA EXPERIENCIA COM CRISTO JESUS (Tiago 1.26) Qual foi a atitude de Pedro e João diante do Sinédrio? (At 4.19,20). Eles foram corajosos a partir de um compromisso com Cristo às raias da morte. Cristo era mais importante do que suas próprias vidas. Eles conheciam o princípio de Mateus 16.24-27: negar-se a si mesmo e tomar a cruz. O que Jesus ensinou em Mateus 5.37? A nossa palavra deve ser sim, sim; não, não; o que disso passar, é de procedência maligna. Na contramão da religião como sistema que favorece a hipocrisia, Jesus ensinou a sinceridade, a autenticidade, a coerência. Tiago deixa muito claro a relação entre o meu ser espiritual com o meu falar, com o uso da minha língua, Tiago 1.26. Somos responsáveis pelo que proferimos, Mateus 12.36,37. Na arena das línguas transformadas, “a nossa luta não é contra o sangue e a carne”, mas contra uma hierarquia organizada de poderes satânicos, Efésios 6.12 3 Uma pessoa íntegra não é dividida (o que é duplicidade) nem fingida (o que é hipocrisia). É inteira; a vida é harmoniosa e todas as coisas operam em harmonia. Pessoas de integridade nada têm a esconder e nada temem. Suas vidas são livros abertos. São inteiras. Eis como Jesus descreveu integridade, Mateus 6.19-24.4 As palavras podem confundir, embaraçar e machucar. Por outro lado, elas têm o poder de curar, encorajar, ajudar e ensinar. Infelizmente, se não estivermos sob o controle do Espírito Santo, nossas palavras mais ferem do que curam. 5 O nosso falar deve sempre passar pelo critério dos ensinos do Senhor Jesus. O que e como falamos devem estar sob o crivo do Espírito Santo. Uma vida cheia do Espírito Santo revela o fruto do Espírito, Gálatas 5.22,23. A integridade em si tem a ver com o funcionamento integrado de todos os aspectos do caráter. Eles são interdependentes e dificilmente um funciona bem sem os outros. 6 Devemos sempre ser íntegros em todo o nosso proceder. Não permitamos falar coisas que prejudiquem o próximo. Que o nosso falar glorifique o nosso Pai que está no céu. n 3 STOWELL, Joseph W. O Controle da Língua. O Espírito Santo pode refrear a sua língua. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1988, p. 12. 4 Ibidem, p.14. 5 Ibidem, p. 9. 6 CLOUD, Henry. Integridade. A coragem de enfrentar as demandas da realidade. São Paulo: Edições Vida Nova, 2011, p. 156.


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PONTO DE VISTA OBSERVATÓRIO BATISTA

O despertar da consciência: o cristão diante da crise e o futuro da nação Lourenço Stelio Rega Vivemos um dos momentos mais dramáticos e incertos da história recente do Brasil. Ao olharmos para o cenário nacional, a sensação de perplexidade é inevitável. A sociedade brasileira encontra-se imersa em uma crise sistêmica que ultrapassa os limites da economia e alcança as estruturas morais, políticas e institucionais do país. O ambiente público, que deveria ser um espaço de promoção da justiça, do bem comum e da governabilidade, transformou-se em um terreno de incerteza, corrupção generalizada e erosão das liberdades fundamentais. Diante desse quadro caótico, o cristão é desafiado a abandonar a apatia, a conformação e a “espiral do silêncio”, compreendendo que sua fé possui implicações diretas sobre sua responsabilidade civil e o futuro da nação, como pertencente à nova humanidade cujo papel é descrito por Paulo “[…] sejam irrepreensíveis e puros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual vocês brilham como luzeiros no mundo, preservando a palavra da vida” (Fp 2.15,16). A degradação da vida pública manifesta-se no desgaste das próprias instituições que deveriam zelar pela ordem constitucional, que é observável pela ineficiência crônica nos diversos setores públicos, cujas lideranças frequentemente surgem envolvidas em escândalos de corrupção e promiscuidade com elevados interesses financeiros. A cada dia que passa, os meios massivos de comunicação estampam denúncias sobre o envolvimento de autoridades em diversos âmbitos de atuação, em teias de influência especialmente com figuras do sistema financeiro, destroem a confiança popular e a imparcialidade da justiça. Quando setores que deveriam ser o exemplo de improbidade o deixam de ser, perde-se a necessária credibilidade e o Estado de Direito é colocado em xeque, abrindo margem para o autoritarismo, a censura e o cerceamento da liberdade de expressão. Paralelamente ao colapso ético, a sociedade foi tragada por uma divisão ideológica de espírito belicoso. A polarização transformou o debate público em um campo de guerra onde o diálogo foi substituído pelo cancelamento e pela hostilidade. Nesse ambiente, intensifica-se uma pressão sistemática contra a fé cristã, a família, os princípios morais e éticos fundamentais. Pautas que defendem a vida, a família e a liberdade religiosa são rotuladas de forma pejorativa e reduzidas intencionalmente a mera “pauta de costumes”, enquanto narrativas que desconstroem os valores bíblicos ganham respaldo institucional.

Diante disso, o período eleitoral exige profundo discernimento. Para o cristão, o voto não pode ser encarado como gesto burocrático ou paixão partidária cega. O seguidor de Cristo é chamado a atuar como sal e luz em todas as esferas da existência, o que inclui a participação pública consciente. O discernimento exige a rejeição da idolatria política — que busca “salvadores terrenos” nos discursos demagógicos — e a adoção de critérios fundamentados na verdade e na justiça. O cristão deve avaliar a conduta, o histórico e os compromissos dos candidatos, identificando aqueles que respeitam a liberdade, combatem a corrupção, defendem a dignidade humana, priorizando valores sadios para a construção do futuro da nação. Nas urnas, o eleitor cristão deve priorizar balizas claras: a defesa intransigente da liberdade de consciência e de expressão; o compromisso com a honestidade e a transparência; o combate efetivo à corrupção e ao patrimonialismo; a valorização da educação que promova a construção saudável da vida desde as primeiras idades a partir de valores sólidos que priorizem a construção de sujeitos históricos dentro e partir do ambiente familiar; e a promoção de políticas que fortaleçam a família e a paz social. É urgente rejeitar candidatos que promovem a censura, usam o poder público para perseguir opositores ou relativizam o crime. Além disso, o cristão não deve se deixar contaminar pelo espírito de vingança, mas ser promotor da paz e do diálogo coerente, firmando-se na verdade com integridade e amor. É oportuno lembrar do líder Batista Martin Luther King Jr., que em sua “Carta da Prisão de Birmingham”, de 1963 afirmou: “A tragédia final não é a opressão e a crueldade dos maus, mas o silêncio sobre isso por parte das boas pessoas. No final, não nos lembraremos das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos.” O futuro do Brasil não será construído pelo silêncio dos homens de bem, tampouco pela ingênua entrega das instituições a projetos de poder corruptos. A esperança última da igreja não reside em governos humanos, mas enquanto estivemos neste mundo, somos chamados a ser fiéis à nossa vocação de embaixadores do Reino de Deus na vida pública (II Coríntios 5.20). O momento exige vigilância, oração e ação consciente nas urnas. Que a Igreja e cada um de nós, cristãos, estejamos atentos à realidade concreta que se estende para além de nosso espaço geográfico e dominical, considerando a vida também valorosa nos OUTROS SEIS DIAS e ergamos nossa voz com sabedoria e exercendo nosso papel cidadão para que a justiça, a verdade e a paz prevaleçam sobre a nossa nação. n


NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

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