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OJB EDIÇÃO 32 - ANO 2021

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ANO CXX EDIÇÃO 32 DOMINGO, 08.08.2021

R$ 3.20 ISSN 1679-0189 ÓRGÃO OFICIAL DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA

FUNDADO EM 1901

Pai em todo o tempo 2° domingo de agosto - Dia dos pais

“O homem justo leva uma vida íntegra; como são felizes os seus filhos!” (Provérbios 20:7) Notícias do Brasil Batista

Missões Mundiais

Notícias do Brasil Batista

Observatório Batista

“Às nações contaremos a história”

Batistas no Mundo

Missões Estaduais

Deus - versão 2.0

JMM traz notícias dos seus projetos

CB de Pernambuco explica ênfase de sua campanha

Confira o artigo da semana na Coluna

pág. 11

pág. 12

pág. 15

UFMBB participa de eventos continentais págs. 08 e 09


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REFLEXÃO

O JORNAL BATISTA Domingo, 08/08/21

EDITORIAL

Pai

Segundo domingo de agosto. Dia dos Pais. Dia de homenagens, de gratidão a Deus pela vida daqueles que o Senhor deu a missão de serem pais. Falando em missão, a Palavra de Deus deixou algumas para os pais. Sem dúvidas, elas farão toda a diferença na vida dos filhos. 1. Vida íntegra - “O homem justo leva uma vida íntegra; como são felizes os seus filhos!”(Pv 20.7). 2. Ensinar - “Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e

mesmo com o passar dos anos não se desviará deles” (Pv 22.6). 3. Firmeza - “Estejam vigilantes, mantenham-se firmes na fé, sejam homens de coragem, sejam fortes” (I Co 16.13). 4. Servir ao Senhor verdadeiramente - “Se, porém, não agrada a vocês servir ao Senhor, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas eu e a minha família serviremos ao Senhor” (Js 24.15).

5. Pacificador - “Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor” (Ef 6.4). Com certeza, existem outras características e conselhos aos que receberam a missão de ser pai, afinal de contas, a Palavra de Deus se renova todos os dias. Mas acredito que estes cinco já fazem toda a diferença no cumprimento da paternidade. E, claro, o mais importante, ter como exemplo o nosso Deus, o nosso Pai, que demonstrou e demonstra todos

os dias o quanto nos ama e quer bem. Feliz dia a todos os pais. Que vocês recebam todo o amor e carinho que merecem e sejam cada vez melhores para cumprir bem este privilégio. Nesta edição escolhemos alguns artigos para homenageá-los e edificá-los. Boa leitura! n Estevão Júlio

jornalista no Departamento de Comunicação da Convenção Batista Brasileira

( ) Impresso - 120,00 ( ) Digital - 50,00

O JORNAL BATISTA Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso. Fundado em 10.01.1901

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Moisés Silveira (1940 a 1946); Almir Gonçalves (1946 a 1964); José dos Reis Pereira (1964 a 1988); Nilson Dimarzio (1988 a 1995) e Salovi Bernardo (1995 a 2002) INTERINOS HISTÓRICOS Zacarias Taylor (1904); A.L. Dunstan (1907); Salomão Ginsburg (1913 a 1914); L.T. Hites (1921 a 1922); e A.B. Christie (1923). ARTE: Oliverartelucas IMPRESSÃO: Folha Dirigida


REFLEXÃO

O JORNAL BATISTA Domingo, 08/08/21

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BILHETE DE SOROCABA

O pai me ama Pr. Julio Oliveira Sanches Quantos filhos, na atualidade, podem repetir a declaração de Jesus a respeito de seus pais terrenos? Muitos, talvez poucos ou alguns, que veem em seus pais a figura de um pai que expressa as qualidades divinas que um pai verdadeiro deve ter. Quantos órfãos de pais vivos que desejam receber de seus pais um pouco de amor e carinho, atenção, sustento e, sobretudo, cuidado paterno. Jesus deixa claro que o Pai celestial expressa tudo o que um filho deseja receber de um pai. O testemunho triste de uma medalhista desta olimpíada, ao receber a merecida medalha, expressa o que muitos filhos sentem de seus pais. Filhos que nunca expressaram gratidão a respeito de seus pais, pois jamais receberam uma palavra de encorajamento de seus pais. Venceram sozinhos sem a presença física, emocional e espiritual de

seus pais. Filhos que por força de uma mísera pensão judicial recebem migalhas para sobreviver. Tais filhos não conseguem dizer meu pai me ama. Até os filhos de pais irracionais recebem carinho e amor. Jesus vê nas qualidades de seu pai um PAI que sustenta o universo com redobrado carinho. Pai que alimenta os passarinhos com amor. Pai que embeleza a natureza com flores multicoloridas, para gáudio dos seus filhos. Pai que aguarda o pródigo em seu retorno ao lar. Embora maltrapilho, o Pai tem um anel para colocar-lhe no dedo. Alparcatas novas para os pés empoeirados pelos caminhos do pecado. Tem um bezerro cevado para festejar com os amigos o retorno do filho desobediente e sem juízo, que após desperdiçar os bens do pai em terras dos prazeres e vaidades, arrependido volta ao lar. O pai sempre tem roupas novas para vestir o filho maltrapilho. Pai que se alegra por-

que o filho voltou das cinzas do pecado para a casa paterna. Pai que supera as críticas daqueles que nunca deixaram o lar e que nunca se perderam. Que com gratidão enfatiza: meu filho estava morto e sobreviveu, portanto, só nos resta agradecer e festejar. O pai me ama, por isso em sua casa há lugares para todos que O recebem como pai. Na casa do meu Pai há muitos lugares destinados aos que aceitam o Seu convite e creem em mim como aquele que veio salvar das garras do pecado todos os filhos que abandonaram o lar. Por esta razão Jesus ora ao Pai e diz-nos: “Pai aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória, que me deste, porque tu me há amado antes da fundação do mundo” (Jo 17.24). Compensa ter um PAI que nos ama com tal amor. Há razão nas palavras de Paulo ao escrever II Coríntios 1.3-4a: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus

Cristo, o PAI das misericórdias e o Deus de toda consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação…” Temos um Pai misericordioso, que nos consola a cada novo dia com seu amor e cuidado. Podemos repetir Jesus, o Pai me ama, e a certeza desse amor sem limites fortalece o nosso caminhar diário, pois o Pai não nos deixa sem Sua presença diária nos capacita a continuar crendo que somos vitoriosos em todos os momentos. O Pai me ama e a certeza desse amor, sem limites, fortalece o nosso caminhar diário, pois o Pai não nos tem deixado só, Sua presença diária nos capacita a continuar crendo que somos vitoriosos em todos os momentos. O Pai me ama, logo, tudo é possível aos que creem nesse maravilhoso amor. Esta certeza dominava a vida do salmista ao dizer: “Se meu pai e minha mãe, terrenos, me abandonarem, estão o Senhor, meu Pai celeste, me acolherá” (Sl 27.10). Sim, o PAI me ama. n


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REFLEXÃO

O JORNAL BATISTA Domingo, 08/08/21

Dia dos pais Olavo Feijó

pastor & professor de Psicologia

O amor dado por Deus Cleverson Pereira do Valle pastor, colaborador de OJB

No segundo domingo de agosto é comemorado o Dia dos pais. Ser pai é um privilégio e bênção de Deus. Por isso, os pais devem educar a criança no caminho do Senhor; ensinar os preceitos bíblicos e levá-la à Igreja. Em maio de 2001 tive o privilégio de ser pai de uma menina; durante 20 anos tenho aprendido a ser pai. A minha filha tem sido uma bênção de Deus na minha vida. Ela é serva do Senhor; canta no louvor e está integrada à Igreja. A Bíblia apresenta um pai preocupado com o filho que nasceria. Trata-se de Manoá, pai de Sansão. Ao saber que o anjo veio falar com sua esposa, ele procurou ter um encontro com o mesmo anjo para fazer perguntas so-

bre o modo que deveria criar o menino. Podemos aprender muito com Manoá, um pai preocupado com a criação de seu filho, um pai atento a tudo ao seu redor. Os pais não devem deixar de buscar os conselhos das Escrituras; a Bíblia mostra como devemos educar nossos filhos. Precisamos ensinar as Escrituras em todo o tempo: ao levantar, ao deitar; escrever versículos e colocar na geladeira para a criança decorar… enfim, fazer de tudo para que o filho (a) nunca se afaste do caminho do Senhor. Neste Dia dos pais precisamos agradecer a Deus pelos pais piedosos que Ele nos deu. Eu agradeço a Deus pelo meu saudoso pai, Salatiel. Ele fez o possível e o impossível para dar a educação formal, informal e religiosa. Se hoje sou um servo de Deus e estou trilhando

“Então dali buscarás ao SENHOR teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma” (Dt 4.29). Há pessoas que vivem pressionadas pelo medo - elas têm medo da vida, da morte, das coisas e temem as pessoas. Geralmente, na própria infância, foram pressionadas e desrespeitadas por seus pais e outros familiares. Sua coexistência no ambiente doméstico teve por alimentação a postura do desrespeito à dignidade pessoal. A vida espiritual da pessoa amedrontada reproduz, na religião, os mesmos motivos de terror: seus cultos repetem o ambiente doméstico do

neste caminho, sou grato ao meu pai, que nunca teve preguiça de ensinar os princípios bíblicos.

mal-estar. Na sua vivência da infância, o imperioso consistia em meramente sobreviver às humilhações e às injustiças da falta de amor bíblico. Ao lermos as revelações bíblicas através de Moisés, encontramos o maior antídoto do medo irracional: “Vocês procurarão o Senhor, seu Deus, e o encontrarão, se O buscarem com todo o coração e com toda a alma” (Dt 4.29). A revelação bíblica nos ensina que o antídoto do medo é o amor. Esta revelação nós lemos na Primeira Carta de João: “Deus é amor. Aquele que vive no amor vive unido com Deus, e Deus vive unido com ele.... No amor não há medo: o amor que é totalmente verdadeiro afasta o medo” (I Jo 4.7-9).

Cada pai deve mostrar preocupação com a criação de seus filhos. Não deixe com terceiros, faça o seu papel. n

Pai: o exemplo que convence

Rogério Araújo (Rofa) colaborador de OJB

Ao contrário do que muitos acham por ser um “machão”, ser pai não é apenas colocar filho no mundo. Isso é algo muito fácil. O difícil é criar, dar instrução e cumprir essa nobre missão na vida: ser pai. E quem acha que não importa as

suas atitudes, e segue a famosa frase “Faça o que eu digo, e não o que eu faço”, não sabe o poder enorme de sua imagem para o filho. Uma frase das mais poderosas e que vale a pena pensar diz que “A palavra convence, mas o exemplo arrasta”. De nada adianta a teoria, se na prática o que se prega não é seguido nem por quem falou.

Por muitas vezes podemos ver um filho repetir gestos e ações do pai que, ao ser observado por alguém de fora, logo identifica os dois por essa semelhança. Se antigamente, o filho tinha de seguir o pai até na profissão, hoje em dia, o que mais importa é o caráter e o jeito de conduzir a vida. O maior orgulho de um pai deve ser o de ver no seu filho uma “versão

melhorada sua” e não uma pior, pois, se isso ocorrer, algo em sua missão falhou. Assim, nós podemos seguir o melhor dos exemplos, o do Pai dos pais, o nosso Deus. Que os pais deste mundo possam deixar um legado de trilhas a serem seguidas por seus filhos, como conselhos gravados em sua memória para todo o sempre. n


REFLEXÃO

O JORNAL BATISTA Domingo, 08/08/21

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Compartilhemos Graça e Misericórdia com a juventude

Levir Perea Merlo

pastor, colaborador de OJB

“José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto a uma fonte; seus caminhos se estendem sobre o muro” (Gn 49.22). O mês de agosto é muito especial no calendário da denominação Batista, pois focaliza algumas celebrações de grande relevância, tem tudo a ver com família! No dia 01, domingo, celebramos o dia do Adolescente batista, bênçãos para o Reino de Deus; o segundo domingo é tradicional, quando prestamos homenagens àquele que nos deu vida, o pai, que junto com a esposa devem ser pilares e exemplo no lar. Os pais são muito importantes na vida equilibrada e coerentes dos filhos; o terceiro domingo

é reservado para o jovem Batista, faixa etária fabulosa se estiver a serviço do Reino de Deus. A juventude, se bem vivida, é uma das mais belas experiências de vida! A maneira de viver a juventude vai influenciar a vida na idade adulta e a terceira idade. E no dia 25 (terça-feira) é celebrado o Dia do Embaixador do Rei, uma organização ligada a União Missionária de Homens Batistas do Brasil (UMHBB), celebrando 72 anos no Brasil. O que essas datas têm em comum? Na sua maior parte é a força e o vigor da juventude, que nas palavras do autor de Eclesiastes, traz uma palavra de ânimo, mas também de exortação: “Jovem, aproveite a sua mocidade e seja feliz enquanto é moço. Faça tudo o que quiser e siga os desejos do seu coração. Mas lembre de uma coisa: Deus o julgará por

tudo o que você fizer” (Ec 11.9). Hoje escolhemos um personagem muito conhecido para lembrar a luta da juventude, os embates da vida, mas, também, a alegria das vitórias e realizações: José, o filho mais novo do patriarca Jacó (Israel). A saga de José está registrada nos capítulos 37 a 50 do livro de Gênesis. É um exemplo para a nossa juventude: uma vida de fé e confiança no Senhor desde a sua meninice. De sonhador, humilhado pelos irmãos, vendido como escravo, ele se vê no Egito, potência da época, e, novamente, passa por mais humilhações e tribulações. José tinha todos os motivos para viver desiludido, desconfiado e sem a alegria e até passar por uma depressão. Mas tem algo diferente nesse jovem: sua fé fervorosa no Senhor das nossas

vidas; aquele que diz: “Seja forte e corajoso, seja muito forte” (Josué 1.6,7); também diz: “No mundo vocês vão sofrer; mas tenham coragem. Eu venci o mundo” (Jo 16.33). E, assim, foi com o jovem José. Da prisão para o palácio tornou-se o segundo no reino de Faraó, o governador de todo o Egito. Em época de grande fome no mundo, os povos vinham ao Egito pedir socorro, inclusive os familiares de José. O final dessa história é belíssimo; uma história de reencontro, perdão e a grande capacidade de amar demonstra a grandeza do agora homem maduro, filho e pai exemplar, além do exemplo de vida. Que a vida de José seja sempre uma inspiração para a geração atual e a futura. Um mês muito abençoado para todos nós! n

Quando recomeçar não é uma opção

Tainá Antunes

membro da Igreja Batista na Pauliceia, em Duque de Caxias - RJ

Quero te falar sobre o que me aconteceu recentemente: a maternidade. De repente, me vi em um mundo de informações e sensações até então desconhecidas, que podem assustar, caso não procure orientação médica. Também é assustador por ser um caminho biologicamente determinado: a criança vai nascer de você e terá que criar conexões com ela! Não tem como voltar atrás! No entanto, esta característica não se resume à maternidade. Existem fatos e situações que não podemos voltar atrás. Palavras ditas não voltam, alguns

relacionamentos não voltam, certos sentimentos quebrados não voltam a ser como antes... E isso pode gerar culpa, arrependimento, raiva, dor, cansaço. Principalmente quando, por conta dos efeitos de certas escolhas, precisamos recomeçar. Daí pode vir a ansiedade, sensação de impotência, paralisação e desgaste emocional, mental, físico etc. Percebemos, então, que no recomeço é necessária uma força maior, que suplante o cansaço anterior e, mesmo assim, nos impulsione, pois não tem como voltar atrás. O que fazer quando recomeçar não é uma opção? Deus disse por meio de Jeremias que saciará quem estiver cansado e fartará quem estiver exausto (Jeremias

31.25). Então: Alegre-se! Porque há promessa para você! Se esperar no Senhor Ele renovará suas forças (Isaías 40.31). Compreenda também que recomeçar não é o mesmo que começar do zero. Você não é mais a mesma pessoa de antes e possui um nível de experiência, seja ela maior ou menor. Aprenda com ela a abandonar o que te paralisa e agarre-se no que te inspira a melhorar. Zacarias 4.10, na versão “A Mensagem”, diz: “Será que alguém ousa desprezar este dia de pequenos começos?”. Esse texto fala da reconstrução do templo por Zorobabel. Será que você tem dificuldade em recomeçar porque está desprezando um pequeno começo? Tenha atenção aos momentos mais sim-

ples de sua rotina, pois dela pode vir a motivação para um pequeno começo que pode se tornar algo grandioso, além do que você planejou, pois Deus pode fazer isso (Efésios 3.20). Se mesmo assim ainda estiver difícil, sinta a dificuldade e, se precisar, pare um pouco e chore. Mas, depois, olhe para a situação com os olhos de Cristo. Foque na eternidade, pois, como cristãos, sabemos que nossos atos ecoam nela! Os gigantes ficam pequenos se olharmos para eles do alto. Enquanto isso, alegre-se! Pois “aquele que estava assentado no trono disse: Estou fazendo novas todas as coisas!” (Ap 21.5) Pode acreditar! Ele faz. n


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REFLEXÃO

O JORNAL BATISTA Domingo, 08/08/21

Recomeçar Sophia Maia

coordenadora regional da Juventude Batista Brasileira no Sul

“Sem a fé é impossível agradar a Deus, pois é necessário que quem se aproxima de Deus creia que ele existe e recompensa os que o buscam” (Hb 11.6). Recomeçar. Recomeço. Ambas as palavras têm um significado de conforto, de esperança, dá o pretexto de um intervalo, ou podemos dizer um degrau mais difícil (uma doença, a perda de um amigo ou parente, um pecado...). Quantas figurinhas poderíamos destacar para acrescentar antes dessa palavra! É uma expressão incrível, que denota determinação, persistência. Ela é forte! Mas não aumenta nossa cora-

gem, não nos deixa mais fortes, não nos alimenta! Talvez, porque existe um propósito em recomeços, existe superação. E superar exige muita coragem, e se essa palavra não mexe com você, se ela não te desafia no seu menor ponto de fraqueza, se ela não te faz apontar para um outro ponto de referência e transformação, então, outros princípios devem tomar o contexto do seu tempo e as razões para seu pulmão respirar. Às vezes, o recomeço é como uma corrente de vento - forte e avassaladora! Para outros é apenas uma brisa refrescante. De qualquer forma, ele vai mudar o seu estado normal! Quando olhamos para a Bíblia é fácil perceber várias oportunidades de recomeçar que Deus permite à sua criação: Adão e Eva,

Noé. Quantos anos Deus permite que, ao acordar, um barco seja o enfeite das suas janelas? Noé teve a oportunidade de ser o pai do recomeço. Poxa, quantos nomes mais podemos citar aqui, ainda: Jó, Abraão, Moisés, o filho pródigo. Inúmeros recomeços que vão mostrar, com clareza, fases difíceis, dias de desespero ou, simplesmente, de mediocridade. No entanto, foram justamente nesses momentos que homens e mulheres determinados entregaram seus medos e ego de lado, engoliram o orgulho e as lágrimas de lamento. Não posso pensar em recomeçar sem imaginar as dificuldades, as lágrimas de dor, a vontade de estacionar ou de permanecer no confortável, quieto e inútil. Podemos dizer, sim, que recomeçar vai trazer dor e desconforto! Então, é o

momento de se acalmar, respirar e olhar para o objetivo… a dor vai passar e você vai ficar mais forte. Muito mais forte. Recomeçar te dá fibra e te deixa mais maduro. Recomeçar é questão de fé. Recomeçar pode ser uma chave para muitos caminhos, para muitos objetivos, mas o maior deles deve ser Cristo Jesus. E todos os outros pautados Nele. Ele é o princípio e o fim. Mas, para nós pecadores, homens fracos, egoístas, orgulhosos, Ele é o recomeço. Ele é o Sol da manhã, Ele é o sangue no Calvário! Ele é água da vida… Se isso não te alimenta, se isso não te instiga e desafia, se isso não te constrange, então você deve buscar outro fundamento em Cristo para recomeçar e fazer isso a razão para o seu coração continuar pulsando. n

Pai, uma referência necessária Rubdin Slobodticov

pastor, colaborador de OJB

Todos os segundos domingos de agosto são dedicados para comemorar o Dia dos Pais, e, em 2021, é o dia 10. No ideário popular “pai” é o autor, o inventor, o criador, protetor, fundador, benfeitor, o genitor. É inegável que o Criador é visto como o pai de tudo o que existe, por ser aquele Quem criou todas as coisas. E, portanto é o provedor das soluções para o bom andamento do universo e de suas criaturas, bem como a solução dos eventuais desajustes promovidos pelas naturezas físicas e humanas que se incorporam ao que existe. É assim que o escritor Moisés alude a Deus: “no princípio Deus criou os céus e a terra”. Foi assim também que Ele providenciou o plano para consertar sua criação humana, uma vez que esta deliberou se afastar do princípio da obediência ao Pai. Então, o escritor que acompanhou pessoalmente a vinda, vida e obra de Jesus Cristo, disse: “Deus amou de tal maneira o mundo que deu seu Filho Unigênito para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3.16). Cabe questionar essa evolução histórica do Criador se dispensar na humanidade para a salvar. O mesmo Criador que no início fizera tudo e todos os seres viventes, se mostrou inteligente para com

sua criação a ponto de o mesmo evangelista testificar e escrever: “No princípio era o verbo; o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus. E, todas as coisas foram feitas por ele e sem ele nada do que foi feito se fez e nós vimos a sua glória como a do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade, e nossas mãos tocaram a palavra da vida” (Jo. 1.1-3;14). Então, pai é o que promove a criação e provê todos os recursos para que suas obras progridam satisfatoriamente; é o que não mede esforços para resgatar o que fez, e, principalmente, sua imagem e semelhança, isto é, o ser humano, que deliberadamente se afastou do seu Criador por ter recebido dele capacidade de se autodeterminar e firmar-se ou não nas regras do Pai. Pai é uma referência necessária. Tão necessária é essa essência “pai” para a vida humana, que o patriarcado ganhou força entre o povo denominado “de Deus”. A referência bíblica em Gênesis, capítulo 17, versos 3 a 5, diz que “Deus constituiu a Abraão por pai de numerosas nações”, e, o apóstolo Paulo faz referência a essa literatura ao reverberar: “Como está escrito: Por pai de muitas nações te constitui, perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos e chama as coisas que não são como se já fosse, o qual, em esperança creu contra a esperança tanto que ele tornou-se pai de muitas nações” (|Rm. 4.17-21).

Pai é uma referência necessária porque trabalha com a própria identidade humana a ponto de projetar uma visão correta sobre o papel e função de cada um dos indivíduos sexuados de modo distintos feitos pelo Criador. Assim, pois, Ele ainda trabalha para que Sua criação tenha uma visão correta de si mesma. Essa autoimagem transformada em pai ficou indelevelmente marcada em Abrão, que a partir da compreensão dessa visão divina sobre si mesmo, teve a ideia de que seu nome também seria transmutado e agora para Abraão por ter a absoluta convicção de que o Criador o constituiria “pai de numerosas nações” (ibid. 17. 3-5). Evidente que os avanços culturais e de costumes morais e éticos podem transmutar a gênese humana. Então, surge a presença de outro pai, denominado diabo, o que “profere mentira, fala do que lhe é próprio porque é mentiroso e pai da mentira”, como afirmou a Jesus (João 8.44). Mas, de onde este surgiu? O livro do Apocalipse (12. 7-9) diz: “Então houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão. E o dragão e os seus anjos batalhavam, mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou no céu. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; foi precipitado na terra, e os seus anjos foram precipitados com ele.” A Bíblia diz, em Ezequiel 28.15-17: “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em

que foste criado, até que em ti se achou iniquidade; porque elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei; diante dos reis te pus, para que te contemplem”; em Isaías 14.12-14 está escrito: “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra tu que prostravas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte; subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.” Pai é uma referência necessária. Mas, ninguém se iluda: aquela “estrela que caminhava entre pedras afogueadas” se enalteceu e caiu. E, assim começou a fazer seu trabalho: desvirtuar os desígnios divinos. Ele tentou ao próprio Cristo de Deus quando, no deserto, o tentou (Mateus 4. 1-11). E, “pai” continua a ser uma referência necessária em todos os aspectos. E assim é que as Escrituras asseguram que sempre haverá uma luta contra o falso paternalismo ao garantir a vitória do espírito do Pai a governar a vida de Seus filhos sob o cumprimento da solene palavra: “Sujeitai-vos, pois, a Deus; mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós” (Tg. 4.7). Sejamos, pois filhos de Deus, o Pai, a referência necessária para todos os que são promovidos para a Sua glória. n


MISSÕES NACIONAIS

O JORNAL BATISTA Domingo, 08/08/21

Viagem missionária abençoa famílias de Pernambuco A caravana missionária liderada pelo casal missionário pastor Enoque e Edna Paz levou o cuidado de Deus para muitos moradores e também para missionários que já atuam na região. Ao todo, a equipe reuniu 54 voluntários de todo o estado de São Paulo. São eles dentistas, fisioterapeutas, arquitetos, engenheiros, pedreiros, cabeleireiros e professores, que dedicaram um tempo de suas vidas no campo missionário. O grupo pregou o Evangelho e foi agente de transformação para muitos moradores do sertão de Petrolina-PE, no Projeto N7, numa região com cerca de 6000 habitantes. Entre muitas outras atividades, os missionários abençoaram a comunidade com atendimentos odontológicos. “Como é gostoso ver a alegria das pessoas sorrindo após o tratamento! Estamos cuidando dos dentes, mas a principal missão é cuidar de gente”, comenta a missionária Edna. Os discipulados aconteceram durante a viagem e o Plano de Salvação foi apresentado aos moradores. “Muitas famílias estão se entregando a Jesus. Louvado seja Deus!”, conta a missionária. Os moradores receberam Bíblias, para que cada família possa ter a Palavra de Deus em sua casa e juntos aprenderem mais sobre Jesus. Uma das atividades desenvolvidas

é a de corte e costura. As mulheres da comunidade tiveram a oportunidade de aprender a fazer bolsas, estojos e almofadas de fuxico, por exemplo, e podem utilizar esse saber como lazer e também para complementar a renda familiar. Também foram entregues cestas básicas, produtos de higiene, máscaras e álcool em gel. Glórias a Deus pelo trabalho realizado em Pernambuco! n

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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

O JORNAL BATISTA Domingo, 08/08/21

UFBAL, JOVENS E MENSAGEIRAS DO REI CONECTADAS EM ORAÇÃO

Neusa Resende, representante da UFBAL no Brasil

Marli Gonzalez, diretora executiva da UFMBB e responsável pelas jovens da MCM

“Impactando novas gerações” é a ênfase da União Feminina Batista da América Latina (UFBAL) para o ano de 2021. O objetivo, segundo Neusa Resende, representante da UFBAL no Brasil, “é acolher, mentorear e oportunizar a revelação e a atuação de novas lideranças”.

vores. O ‘Conectadas en oración’ foi um tempo precioso. Deus mesmo ministrou em cada coração, reforçando a importância do trabalho centenário da UFMBB na formação de uma consciência cristã de responsabilidade com a expansão do Reino de Deus, atendendo às demandas deste tempo. Felizes e gratas a Deus, afirmamos que uma nova geração de líderes está surgindo em nosso meio e abrimos espaço para sua atuação! A Deus toda glória”, declarou Neusa.

Com essa proposta, a UFBAL tem promovido encontros semanais, nomeando cada país para conduzir a programação “Conectadas en oración”. Nos dias 6 e 13 de julho, foi a vez do Brasil.

Em 2020, o Brasil receberia a Conferência Global de Mulheres Batistas. Em virtude da pandemia, o evento acabou sendo adiado para 2021 e transferido para a modalidade on-line. A transmissão aconteceu no dia 7 de julho, quando as mulheres das sete uniões continentais puderam assistir a uma riquíssima programação espiritual e cultural. O evento foi conduzido pela secretária executiva e pela presidente do Departamento Feminino da ABM, Moreen Sharp e Karen Wilson, respectivamente. O tema da Conferência, Life (Vida), desafiou-nos a desfrutar plenamente da vida oferecida por Cristo Jesus. Além de mensagens edificantes, testemunhos do que Deus tem feito no mundo por meio do trabalho feminino e oficinas especiais, o programa incluiu diversas apresentações musicais. Sem

As jovens dirigiram o “Conectadas en oración” no dia 6 de julho. Uma semana depois, dia 13, foi a vez das mensageiras do Rei. “Nossas jovens e MR de diversas regiões do País conduziram, de forma brilhante, as lives com as Uniões Femininas de toda a América Latina. Responsabilidade, compromisso, dedicação, dependência de Deus e alegria foram visivelmente notados em todas as participantes da programação. Fomos edificadas com os testemunhos, reflexões bíblicas e lou-

“Conectadas en oración” com as jovens O encontro dirigido pelas jovens da MCM reuniu 100 participantes pelo Zoom (capacidade máxima da sala que foi utilizada) e mais 250 espectadoras pelas transmissões ao vivo.

dúvida, um dos pontos marcantes da Conferência, pois nos permitiu vislumbrar a diversidade de culturas e descobrir como nossas irmãs adoram ao Criador da vida. Claro que o Brasil não ficou de fora dessa verdadeira mostra cultural. Apresentamos ao mundo nosso ritmo e nossas cores!

cia: “Tinha muitas expectativas para a participação no Congresso presencial. Aprouve ao Senhor usar as circunstâncias para nos mobilizar para uma ação bem mais ampla. Fui acolhida e orientada em todos os aspectos para que a oficina acontecesse de forma virtual. A atenção e carinho da irmã Marli Gonzalez como moderadora da oficina foi um diferencial. Que equipe! Falar para mulheres de todo o mundo, ainda que de forma virtual, foi uma experiência incrível. Em especial, sobre uma temática que tem relevância no ser e fazer da mulher cristã.”

O Brasil também foi representado na Conferência pela participação da diretora executiva da UFMBB, Marli Gonzalez, que além de saudar as mulheres, conduziu um momento de interação ao vivo. Esse momento foi parte de uma das oficinas do evento, “A Importância do Voluntariado nas Atividades com Crianças em Vulnerabilidade Social”, ministrada pela diretora administrativa do Projeto Educacional e Social Casa da Amizade (PESCA). Márcia, única brasileira a palestrar na Conferência, falou sobre essa experiên-

Raquel Zarnotti, líder nacional das MR

A live foi dirigida por Ana Caroline Martins, diretora executiva da UFMB Carioca. As inspirações musicais ficaram por conta de Fabiana Matias, funcionária da UFMBB e coordenadora de Missão

Louvamos a Deus pela oportunidade que ele deu às mulheres brasileiras de participarem desse momento especial. Esperamos que na próxima Conferência Global de Mulheres, que acontecerá na Austrália, em 2025, as brasileiras estejam presentes também! n

Márcia Kopanyshyn e Marli Gonzalez durante interação da oficina sobre voluntariado

Participação musical do Brasil


NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

O JORNAL BATISTA Domingo, 08/08/21

A UFMBB FORMA VOCACIONADOS ATRAVÉS DO SEC E O DO CIEM

CIEM E SEC

Nova proposta educacional EAD e presencial

As duas casas estão abertas para receber eventos SEC FORMAÇÃO MINISTERIAL EM EDUCAÇÃO CRISTÃ Habilitações: • Didática e Administração • Missões • Ministério Social Cristão • Gestão do Ministério Infantil ESTUDOS AVANÇADOS EM NÍVEL DE MESTRADO Áreas de Pesquisa: • Educação Cristã • Missões • Ministério Social Cristão

Telefone: (21)

2570-6793

E-mail: secretaria@sec.org.br Telefone: (81) 3423-3396

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O JORNAL BATISTA Domingo, 08/08/21

NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA


MISSÕES MUNDIAIS

O JORNAL BATISTA Domingo, 08/08/21

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Unidos em nome de Cristo Ael e Bel Oliveira

missionários no Leste da Ásia

Éramos, aproximadamente, 20 pessoas sentadas nos verdes pastos de um dos parques da cidade. Manhã de domingo, 20 pessoas, você provavelmente já sabe que esse grupo é uma Igreja, não? Sim, é a nossa comunidade que, atualmente, não tem um local fixo para reuniões, e por isso nos restou a alternativa do parque da cidade. A intenção era aparentar que estávamos ali para um piquenique, enquanto, na verdade, conversávamos sobre a Palavra e intercedíamos por cada um. Aqui não nos é permitido reunir para cultuar e por isso temos que ter soluções um pouco mais criativas, e por vezes arriscadas como essa. Começamos a nos reunir assim em maio de 2020, e sempre temos muito cuidado para não chamar a atenção, e até então tínhamos êxito. Contudo, naquele domingo algo diferente aconteceu. Após quase 30 minutos de encontro, e quando falávamos sobre a Palavra, dois oficiais vieram e imediatamente passamos a conversar informalmente, brincar com as crianças, beber água e esperar para ver o que os oficiais perguntariam. Um deles tirou uma ou duas fotos do grupo, passou ao nosso lado e simplesmente deu a volta, indo embora sem nos dirigir a palavra. Ape-

sar do susto, concluímos que aquilo era só uma patrulha de rotina e que provavelmente faziam isso em todo o parque. Agradecemos ao Pai pela proteção, e mesmo com a tensão do momento continuamos nossa reunião, finalizando nosso estudo com uma intercessão e louvor (como estamos em um local público, nós apenas escutamos as músicas e, no máximo,

acompanhamos à meia voz para não atrair olhares curiosos). Assim que terminamos o encontro, percebemos dois homens, vestidos com roupas normais, olhando em nossa direção. Após alguns minutos, tiraram os celulares e passaram a tirar fotos do nosso grupo e se retiraram sem falar conosco. Claramente eram oficiais disfarçados, e naquele momento percebe-

mos que nosso grupo era observado há algum tempo. Graças ao Pai, nada de mais grave aconteceu naquele dia. Até agora não sabemos ao certo o que aconteceu, nem o que tudo aquilo significa, o que sabemos é que quando decidimos segui-Lo sabíamos o preço a pagar. Mais que isso: nosso grupo sabe que não abrir mão da comunhão pode, sim, acarretar em algumas consequências, mas também sabemos o que o Mestre nos deixou: “Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa, os insultarem, os perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês” (Mt 5.11). Parar com as reuniões não é uma opção. No entanto, podemos nos adaptar. Não voltamos a nos reunir naquele parque, e agora nosso grupo se dividiu em dois menores e reúnem em locais diferentes: em casas, restaurantes, em parques... Crescemos como corpo e, a cada dia, percebemos o agir dEle em nós e por nós. Ainda estamos nos adaptando a essa nova fase, mas sabemos que nosso Pai nunca é pego de surpresa e Ele seguirá cuidando de nós. Ore por nós, seus missionários aqui no Leste da Ásia. Interceda também pela comunidade, para que Deus nos proteja da perseguição e continue a multiplicar os Seus discípulos aqui no país em que estamos. Ore para que as pessoas sintam o poder de transformar que só Jesus pode dar. n

Um dia de cada vez e Cristo em todos os dias Alcir Souza

missionário em Portugal

Já passamos da metade do ano de 2021! Por um lado, sentimos aquela angústia de ver como o tempo passa tão rápido, e ainda vivendo esse pesadelo que parece não ter fim. Por outro, quando lembramos do que fizemos, mês a mês, somos tomados pela certeza de que o poder de Deus age em nossa fraqueza. Nosso lema tem sido: um dia de cada vez, e Cristo em todos os dias. No mês de junho terminamos mais um ano letivo no Seminário. Este foi o ano em que vivemos a pandemia do início ao fim. Não foi fácil vencer esta etapa, mas o Senhor esteve ao nosso lado diariamente, e a maneira como Ele deu criatividade, renovou o ânimo e semeou esperança foi algo incrível.

Outra grande bênção foi iniciar o processo de inscrição para a nova turma de Mestrado. Muitos desconfiavam de que não conseguiríamos uma segunda turma. E se olharmos os desafios da fraca Igreja evangélica no país e a situação complicada da grande maioria dos Seminários pela Europa, os pessimistas até achariam boas razões para esta atitude. Mas, o Senhor é fiel aos Seus propósitos e encerramos o período de matrículas com 19 alunos aprovados. As aulas começam neste mês de julho e estamos animados em compartilhar boas notícias contigo. Uma novidade é que estamos mudando de casa. Após oito anos no mesmo apartamento, sentimos que era hora de mudar para um mais perto da Igreja e do Seminário, facilitando os deslocamentos. Ore agradecendo ao Senhor pelo

fim de mais um ano letivo no Seminário; pelo início de mais uma turma do

Mestrado; pelo cuidado e proteção do Senhor nestes tempos difíceis. n


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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

O JORNAL BATISTA Domingo, 08/08/21

Igreja Batista Filadélfia, em Itarantim - BA, constrói casas para famílias carentes Iniciativa faz parte do “Projeto Casa Solidária”. Anacleto Torres

pastor da Igreja Batista Filadélfia, em Itarantim - BA

No dia 27 de julho, a Igreja Batista Filadélfia, em Itarantim - BA, entregou mais uma casa nova para uma família carente na cidade. A obra é fruto Projeto Casa Solidária, uma iniciativa da Igreja, em parceria com o Projeto PAS e com o Supermercado Shekinah. Foi um momento maravilhoso, de Projeto tem ajudado diversas famílias na região de Itarantim - BA grande alegria e celebração. É a Igreja saindo das quatro paredes para abençoar a comunidade. É a Igreja do Senhor vidas pelo poder do Evangelho de Je- andam juntos. Quero louvar a Deus por go, que orou, trabalhou e contribuiu com Jesus estabelecendo o reino de Deus, sus Cristo. A missão da Igreja também este grande milagre. essa obra linda e maravilhosa de transcom justiça social e transformando é social; evangelização e ação social Que Deus abençoe cada irmão, ami- formação. n

CB de Pernambuco põe solidariedade em foco durante campanha de Missões Estaduais “Compaixão Eu Tenho” é o tema da campanha deste ano. Paula Sales

coordenadora da Área de Comunicação da Convenção Batista de Pernambuco; membro da Igreja Batista da Redenção, em Olinda - PE

Os Batistas pernambucanos compartilharam a dor da partida do pastor Samuel Câmara, aos 41 anos, coordenador da Área de Missões Estaduais da CBPE, pastor na Igreja Batista Tacaruna, em Recife-PE, pai de duas filhas e esposo de Lilian Bazante Câmara. Nas vésperas da abertura da Campanha de Missões Estaduais decidiu o Senhor recolher para Si nosso apaixonado colaborador, deixando um vácuo dolorido em nossa organização. O falecimento, aos olhos humanos, precoce, revelou a ferida inflamada causada pela pandemia da COVID-19, que assola as nações do mundo todo. Foi icônico, digo assim, sepultar nosso coordenador de Missões às vésperas da Campanha. Tem sido dolorido sepultar pastores em um tempo que as pessoas tanto necessitam de gente preparada, cheia do Espírito Santo de Deus, absorvida pelo conteúdo das Escrituras, a fim de trazer palavras e ações de cura ao nosso povo sofrido; sofrido pela doença, pelo desemprego, pela falta de recursos, pelo luto, pela desesperança e desalento. A Campanha de Missões deste ano está entranhada na dor dos que pade-

cem ao nosso redor. Dos trabalhadores sem salário digno e dos desempregados sem auxílio. A Igreja de Cristo foi convocada para esta realidade doente e feia, convocada a pregar o Evangelho capaz de converter corações e mover pessoas em favor de outras pessoas, usando o que possuem e quem são a fim de melhorar a vida de alguém, a fim de fazer o outro sorrir. Compaixão Eu Tenho: a Igreja movida

pelo Espírito Santo de Deus e conduzida pela disposição servil de Jesus, pode olhar para o bairro onde está inserida e com convicção mover-se em favor de gente comum, a fim de que elas se voltem do pecado para Deus. Uma Igreja que atua junto aos pobres para servi-los e chamá-los ao arrependimento. Uma Igreja que atua junto aos ricos para revelar sua pobreza, nudez e cegueira na falta de Deus, convocando essa gente

que muito possui a utilizar sua abundância para aliviar o fardo pesado de outros. É para esse campo que a Igreja foi chamada a agir. Uma Igreja que luta pela vida e gasta a vida que tem vivendo a vida de Cristo nesta terra, com a segurança da vida eterna guardada em Deus. Uma Igreja que não tem pena de gastar-se em favor daqueles por quem o sangue de Cristo foi vertido na cruz. As Igrejas Batistas de Pernambuco estão juntas em mais uma Campanha, visando levantar oferta para a manutenção e abertura de campos missionários no estado, mas visa também, especialmente este ano, levantar gente movida por Compaixão, a servir pessoas. De maneira segura, respeitando o distanciamento social, o uso correto de máscaras, sem descuidar da vacinação e tomando cuidado em divulgar notícias verdadeiras, sem cair no charlatanismo que inunda as redes sociais e produz mais desespero que alento, mais confusão que ordem, mais mentiras que verdade. A Igreja de Cristo move-se porque foi alcançada pela Compaixão de Jesus, e no terreno do amor sacrificial do Filho de Deus, põe-se como serva de todos, a fim de alcançar alguns. Fortaleça a rede solidária perto de você: essa é a mensagem de Pernambuco aos pernambucanos e aos brasileiros. Saiba mais sobre a Campanha: missoespernambuco.org.br n


NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

O JORNAL BATISTA Domingo, 08/08/21

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PONTO DE VISTA

O JORNAL BATISTA Domingo, 08/08/21 FÉ PARA HOJE

Conselhos aos jovens cristãos Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob Que prazer me dirigir a vocês, jovens, nesses dias tão difíceis, tumultuados e violentos! Vocês, especialmente, têm sido bombardeados por todos os lados com informações das mais variadas e tentados pelo inimigo de suas almas. Penso que é muito desafiador ser um jovem cristão genuíno nesses dias marcados pela desesperança e pelo caos em diversas áreas. Tomo a liberdade de lhes dar alguns conselhos que julgo apropriados para enfrentarem e vencerem todas as formas de erro, tendo uma vida bem-sucedida. O primeiro conselho é que tenham um compromisso com o Senhor Jesus Cristo. Este vem com a experiência do novo nascimento e com a submissão a Ele (João 3.1-8; Mateus 16.24-27). É a suficiência de Cristo Jesus, o Senhor, que lhes dará o poder, a força e a vitória sobre todas as formas de aliciamento do mundo, da carne e do diabo (I João 2.15-17; Romanos 8.37). A nossa luta não é contra carne e sangue (força humana), mas sim contra principados e potestades, contra as hostes espirituais

do mal (Efésios 6.10-20). Jesus mesmo nos alertou que o diabo veio para matar, roubar e destruir (João 10.10). Em Cristo Jesus, a nossa vitória está absolutamente garantida (Romanos 8.38,39). Mas o compromisso com Cristo Jesus é essencial para a vitória em várias áreas da vida. O segundo conselho é honrar pai e mãe. Este é um mandamento com promessa (Êxodo 20.12; Efésios 6.2,3). Os pais são autoridades ordenada por Deus sobre os filhos. Os pais devem receber dos filhos amor, obediência e honra. Honrar pai e mãe significa dar um enorme valor a eles. Conferir a eles respeito, honra, cuidado e dignidade. A honra não depende de mérito dos pais, mas da ordem de Deus. Os filhos que honram a seus pais são muito abençoados por Deus. O Senhor não tolera filhos desobedientes, que desonram seus pais. Eles pagarão um altíssimo preço por sua rebelião, sua desobediência e falta de respeito. O terceiro conselho é ser trabalhador. O trabalho não é castigo de Deus como consequência do pecado. Ele já existia, pois Adão e Eva cuidavam do

jardim, da área designada por Deus para a subsistência deles (Gênesis 1.26-31). O trabalho dignifica o homem. Ele é altamente terapêutico. Somos filhos de um Deus que trabalha para aqueles que Nele esperam (Isaías 64.4). O homem não deve viver para trabalhar, mas trabalhar para viver com integridade. O trabalho honesto traz manutenção pessoal, para a família, faz muito bem a quem trabalha e traz progresso para a comunidade e para o Brasil. Sabemos que o suor, o cansaço, a preocupação do trabalho e as enfermidades decorrentes dele são fruto da desobediência do homem no início da Criação (Gênesis 3.17-19). O quarto conselho é ser estudioso. O jovem aplicado aos estudos têm grande chance de prosperar na vida. Estudar é crescer mentalmente. Quando se adquire o conhecimento, este se torna um patrimônio muito valioso. Estamos na era do conhecimento, das tecnologias e do desenvolvimento sustentável. Quando estudamos crescemos profissionalmente. Tornamo-nos vetores do conhecimento para o progresso de uma sociedade e de um país. Monteiro Lobato já dizia: “Um país se faz com

homens e livros”. Quando somos aplicados ao estudo, podemos sair na frente. Adquirimos a capacidade de ler, entender, escrever e falar melhor. Passamos a ser pessoas de vanguarda. Saímos de uma vida intelectual medíocre para uma vida de excelência. Mas o melhor estudo é o das Escrituras. Elas trazem crescimento espiritual, mental, ético e emocional (Salmos 119.97-105). O estudo e a aplicação das Escrituras à vida dos jovens trazem benefícios incomparáveis. A suficiência das Escrituras torna os jovens fortes. O compromisso com o Senhor Jesus Cristo, o honrar pai e mãe, o ser trabalhador e o ser estudioso nos tornam muito melhores. Sem dúvida, o compromisso com Cristo é a mais excelente delas e é base fundamental para uma vida bem-sucedida, proativa, criativa e comprometida com o bem do próximo. Jovens, aprofundem o compromisso com Cristo, desenvolvam mais amizade e intimidade com os seus pais, sejam trabalhadores responsáveis e competentes e busquem sempre a excelência em seus estudos e em tudo o que fazem, sempre para a Glória de Deus Pai (I Coríntios 10.31)! n

A soberania de Deus Simmon Nascimento

coordenadoria do 29+ da Juventude Batista Brasileira

A dinâmica da vida nem sempre é fácil, são muitas idas vindas, ganhos e perdas e, em alguns casos, mais perdas do que ganhos, a depender da perspectiva. Embora isso tudo seja muito claro, esse ciclo do qual fazemos parte se repete: nascer, crescer, envelhecer, morrer (não necessariamente nessa mesma ordem), há os que nascem e logo morrem, outros têm seus sonhos interrompidos antes mesmo de vir à tona; isso tudo rompe, choca, incomoda, tira a frágil sensação de segurança que se tem. Mas, por quê a surpresa? O ciclo é esse, a dinâmica é essa. Para os que creem em Cristo, é latente a fragilidade,

a temporalidade. O ser humano é como o vapor, que sobe e por um pouco desaparece. Talvez, seja a terrível mania de controle que afeta os seres humanos; talvez, uma visão embaçada e direcionada mais às coisas transitórias e passageiras; talvez, a dificuldade de lidar com as mudanças. Seja qual for o motivo, a vida é um eterno recomeço, um eterno perde e ganha, um malabarismo contínuo dos desejos e das necessidades no picadeiro da vida, e isso exige um esforço descomunal de quem deseja continuar vivendo. É abrir mão do que se perdeu, sem abandonar sua essência. Quando se chega nesse ponto é necessário reconhecer a soberania de Deus, reinventar-se para o desconhecido, imprevisível futuro, o que me faz lembrar da música “Aquarela”, de Toquinho,

quando diz: “...e ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está...” “...e o futuro é uma astronave que tentamos pilotar...” “...sem pedir licença muda nossa vida e depois convida a rir ou chorar...” O grande divisor de águas na narrativa, entre o que Toquinho tenta mostrar e a vida do Cristão, é o amor de Deus, pois ele é Eterno e o próprio Deus é amor e suas misericórdias se renovam todos os dias. Recomeçar exige reconhecer nossa pequenez e finitude. Mas, que problema há nisso, o que tem de errado, ser pequeno para que Deus seja grande em nós? Paulo que o diga. Recomeçar aponta para um plano maior, sem o peso do passado, pouco importando se está no

início, no meio ou no fim de algo, enquanto houver vida, enquanto houver fôlego, haverá louvor, missão, recomeço, enquanto não se cumprir o Maranata, tempo de recomeçar, sempre haverá amor para recomeçar, pois a nossa fonte jorra para a vida eterna. “Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação. O SENHOR Deus é a minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas. (Para o cantor-mor sobre os meus instrumentos de corda)” (Hb 3.17-19). n


PONTO DE VISTA

O JORNAL BATISTA Domingo, 08/08/21

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OBSERVATÓRIO BATISTA

Deus - versão 2.0 Lourenço Stelio Rega Creio que o Deus morto por Nietzsche foi agora ressuscitado, numa versão mais sofisticada ao sabor da terceira modernidade, conhecida como Hipermodernidade ou Pós-modernidade. Esta tentativa vem desde a primeira modernidade, no Éden, após a queda de Adão, quando ele quis ser como Deus declarando a sua independência em busca de sua autonomia. Nova tentativa de um upgrade de Deus foi feita na segunda modernidade, iniciada por volta da época cartesiana, lançando-se o ser humano como fonte absoluta da verdade. Período chamado simplesmente de Modernidade. Em todas estas versões há uma transposição em que o ser humano busca ser o seu próprio Deus. Nesta última versão, o Humano-deus já não usa mais a capacidade da independência de escolha (Éden - primeira modernidade) ou a razão como sua garantia de afirmar a verdade por si (a chamada Modernidade), mas a sua natureza mais primitiva (cérebro instintivo ou reptiliano, numa linguagem antiga da Neurociência) como fonte de verdade ética e moral. A sua vontade de potência (Nietzsche, sua índole ou seus instintos, em termos ontológicos e não psicanalíti-

cos) é que regulam, legislam, legitimam determinam as suas decisões. É uma ética irresistível representada em frases como “porque quando você se dá conta já rolou” ou como na música popular intitulada “Deixa a vida me levar” que diz “fiz o que estava a fim de fazer… meu coração mandou … eu fiz”, ou ainda “o meu coração está em paz…” ou mesmo, “… isto me faz feliz!”. O relativismo de hoje não é mais conceitual, isto é, não precisa ser necessariamente explicado ou legitimado, mas simplesmente vivido. “Meu coração mandou, eu fiz e acabou!” E, então, como as pessoas nesta condição buscam Deus? Buscam um Deus que atenda suas demandas e desejos pessoais em vez de buscar a razão de suas vidas em Deus e no seu Plano da Criação. Nesta versão, Deus deixa de ser Deus e passa a ser uma espécie de garçom, súdito ou “gênio da garrafa” que deve atender aos desejos infinitos das pessoas, que se tornaram o próprio deus. Vemos isso também na Teologia da Prosperidade e Teologia de Mercado. Parece-me que nem a adoração contemporânea escapa disso, com a ênfase na transcendentalidade como que numa espécie de “yoga/aeróbica gospel”, em que as sensações místicas subjetivas são as únicas válidas.

É preciso considerar que o ser humano não foi criado para ser Deus, mas para ser simplesmente humano. Se continuarmos avaliando o que é ser humano à luz do paradigma da Modernidade (segundo Éden) ou Pós-modernidade (terceiro Éden), não compreenderemos o real sentido da vida. Anderson (Neo), no filme “Matrix”, negou a sua suposta liberdade tomando a pílula vermelha e encontrou a realidade. Nós precisamos negar a nossa suposta liberdade em que normalmente vivemos, voltando ao estado edênico, aí encontraremos a verdadeira liberdade para qual fomos criados. É o paradoxo do Cristianismo - o negar-se a si mesmo e caminhar em direção à ressurreição para a uma nova vida (Lucas 9.23; Romanos 6) e para o estado de nova criatura (II Coríntios 5.17) à luz do Plano da Criação, aqui encontramos a liberdade e a autonomia para a qual fomos criados. Pois, a liberdade que exercemos no mundo nos tem levado ao caos, conflitos, egoísmo e destruição. A liberdade e autonomia proposta no Plano da Criação é compatível com a nossa natureza modelada por Deus, uma autonomia que necessita ser aprendida. Aliás, a salvação, mais do que uma apólice de seguro contra o incêndio do inferno ou um bilhete para o céu, é a porta de entrada para essa nova vida, afi-

nal, “foi para a liberdade que Cristo nos libertou! Portanto, permanecei firmes e não vos sujeiteis outra vez a um jugo de escravidão” (Gl 5.1). Infelizmente, nossa pregação ética se lastreou mais no legalismo do Antigo Testamento e temos deixado de compreender essa liberdade e autonomia que o Evangelho nos concede. E, assim, o Deus versão 2.0 também poderá ser um Deus do chicote e do legalismo, não da recuperação, não do discipulado transformador de vidas. Mas é possível prosseguir compreendendo também o Deus versão 2.0 como um Deus utilitarista, pragmático, institucional, ativista-compulsivo, quando transformamos essencialmente o Cristianismo em atividades, estruturas, instituições e eventos, que devem ser meios e resultados de vida transformada, não fim em si mesmos. Quando pensamos na Igreja apenas como instituição ou organização, quando judicializamos a vida da Igreja e até da denominação, quando medimos nossas vidas primeiro pelo que fazemos em vez de primeiro pelo que somos, temos também o Deus versão 2.0. Enfim, a nossa vida só tem sentido em Deus, versão única e completa, nós só necessitaremos, então, sermos humanos, simplesmente isso. Humano, simplesmente humano! Para fazer contraponto a Nietzsche. n

Segundo o coração de Deus (só que sim!) Alexsandro Oliveira

coordenadoria de Comunicação da Juventude Batista Brasileira

Hoje, quero falar com você sobre um assunto incômodo: o pecado e a forma como lidamos com ele. A famosa história de Davi é nosso ponto de partida. Ele havia sido ungido rei de Israel, após uma visita do profeta Samuel à sua casa (I Samuel 16.1-13). Samuel examinou um a um os filhos de Jessé, pai de Davi, e encantou-se por todos eles, a ponto de precipitar-se em suas escolhas. Só que o Senhor tinha um outro plano: queria o caçula da família, que estava esquecido cuidando das ovelhas no campo. Naquele dia, a vida de Davi mudou, e então ele foi ungido rei. Dali em diante, Deus foi mostrando de várias maneiras, que

estava com Davi. Até Golias, o gigante inimigo, ele derrubou mesmo com a sua aparente fragilidade. Mas um dia, Davi caiu. Em resumo, ele tomou para si Bate-Seba, que por sua vez era esposa de Urias, um soldado do seu próprio exército, e eles adulteraram. Como se não bastasse, tramando fazer dela sua esposa, Davi encomendou a morte de Urias, uma outra traição cruel. Nessas horas, a cabeça dá um “bug”, né? Como Davi foi escolhido para ser rei? Deus errou na sua escolha? Aí entra a outra parte da história. Deus resolveu enviar a Davi um profeta, chamado Natã, para repreendê-lo por esses graves erros cometidos. Davi não hesita em confessar o seu pecado imediatamente, e isso me faz pensar algumas coisas: Davi estava disposto a mudar (Salmo

51.2); Sabia que Deus era quem poderia transformar o seu coração (Salmo 51.10); Não estava preocupado com reputação ou poder, mas em não ter mais comunhão com o Senhor (Salmo 51.11); Aceitou as consequências do erro (2 Samuel 12.14-23). Esse conjunto de características me fazem apostar com fé que Davi, apesar do seu erro, continuava sendo o homem que Deus escolheu para liderar o Seu povo. Seu coração, embora vacilante, retornou para o centro da vontade de Deus, mesmo que tenha precisado de uma “dura” de Natã. O que me faz pensar também em como precisamos de pessoas assim nos dias de hoje, capazes de confrontar o pecador com o seu erro, a

fim de que haja cura. Imagina o estrago que Natã faria, se ele entregasse a palavra que Deus deu a Davi para outras pessoas? O nome disso é fofoca, e não procede de Deus, além das consequências serem todas as possíveis, menos a restauração de quem necessita. Encerro esta reflexão, desejando profundamente que alcancemos a maturidade em Deus para sermos como aprendemos nesta história. Se e quando cairmos, que tenhamos a maturidade de Davi para buscar em Deus a cura, mas se virmos o nosso irmão do lado fraquejar, que sejamos Natã, confrontando em amor, e entendendo que, no fim das contas, a nossa condição pecaminosa nos iguala, e que é só pela graça de Deus, independente de quem somos, que podemos recomeçar. n


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