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OJB 24 - ANO 2021

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ANO CXX EDIÇÃO 24 DOMINGO, 13.06.2021

R$ 3.20 ISSN 1679-0189 ÓRGÃO OFICIAL DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA

FUNDADO EM 1901

Chamados para cumprir a grande obra em tempo e fora de tempo Segundo domingo de junho - Dia do Pastor “Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja” (I Timóteo 3.1). Notícias do Brasil Batista

Notícias do Brasil Batista

Notícias do Brasil Batista

Observatório Batista

Honraria

Compartilhando a Palavra

Crescimento de Igrejas

(in)conclusão

CB de São Paulo concede título de presidente emérito

Igreja em MG distribui cartas com trechos da Bíblia

Convenção Batista de Rondônia promove treinamento para Igreja

Lourenço Rega apresenta último artigo de série

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REFLEXÃO

O JORNAL BATISTA Domingo, 13/06/21

EDITORIAL

Grande obra “Esta é uma palavra fiel: se alguém toral. É do conhecimento de todos deseja o episcopado, excelente obra também que cuidar de vidas e rotina deseja” (I Tm 3.1). eclesiástica não é mole. Muitos pensam que o pastor deve fazer todas as As palavras do apóstolo Paulo ao funções eclesiásticas e administratijovem pastor Timóteo apresentam vas. Para ilustrar bem esta situação uma bela missão, o chamado de Deus cito aqui uma frase que li no livro para a vida daqueles que foram es- “Pastor pra quê?”, de Roberlan Jucolhidos por Ele para cuidar de Seu lião, pastor da Segunda Igreja Batista povo aqui na terra. Uma missão para em Vila Pauline, na cidade de Belford privilegiados. Roxo, no Rio de Janeiro: “se o pastor Sabemos de todos os desafios faz a função dos outros, quem faz a que envolvem o ministério pastoral, função do pastor?”. A frase reforça a necessidade, em muitos casos de o que disse no primeiro parágrafo, a abrir mão de sonhos e projetos para grande obra, a missão de pastorear, viver integralmente a vocação pas- é para poucos.

A grande obra ganhou ainda mais importância neste período de pandemia, que já dura mais de um ano. As pessoas, cada vez mais, tiveram a necessidade de conselhos pastorais, uma palavra de conforto, exortação, orações. O gabinete passou a ser virtual, digamos assim, já que as regras de convívio visando a não contaminação fazem com que estejamos longe fisicamente. Os realizadores da grande obra precisaram se reinventar também. Acredito que muitos pastores não tinham contato direto com ferramentas digitais, redes sociais e outros artifícios que têm facilitado a comunicação com as suas

ovelhas. Foram lá e fizeram a sua parte. Afinal de contas, a grande obra não pode parar. Neste segundo domingo de junho, Dia do Pastor, parabenizamos a todos os realizadores desta grande obra. Que Deus, cada vez mais, os fortaleça, e dê alegria para continuar a grande obra. Além disso que sigam também as recomendações do apóstolo Paulo em I Timóteo 3.1-7. Feliz Dia, pastores!  n Estevão Júlio

jornalista no Departamento de Comunicação da CBB

( ) Impresso - 120,00 ( ) Digital - 50,00

O JORNAL BATISTA Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso. Fundado em 10.01.1901

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Moisés Silveira (1940 a 1946); Almir Gonçalves (1946 a 1964); José dos Reis Pereira (1964 a 1988); Nilson Dimarzio (1988 a 1995) e Salovi Bernardo (1995 a 2002) INTERINOS HISTÓRICOS Zacarias Taylor (1904); A.L. Dunstan (1907); Salomão Ginsburg (1913 a 1914); L.T. Hites (1921 a 1922); e A.B. Christie (1923). ARTE: Oliverartelucas IMPRESSÃO: Folha Dirigida


REFLEXÃO

O JORNAL BATISTA Domingo, 13/06/21

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BILHETE DE SOROCABA

O pastor e a pandemia Pr. Julio Oliveira Sanches Exercer o ministério pastoral, em sua essência, em tempos de crises não é nada fácil. Especialmente quando o próprio pastor pode ser vítima dos mesmos males que acometem as ovelhas do rebanho. É o pastor ferido entre as ovelhas feridas, que caminham sob sobressalto, em busca de respostas para o que está ocorrendo. Por amor ao rebanho amedrontado, o pastor se expõe ao perigo, tornando-se vítima da mesma peste que lhe arrebata as ovelhas. São muitos os pastores, não sabemos os motivos, que neste período perderam suas vidas, deixaram seus rebanhos

com maiores temores e indagações não respondidas. Quando o lobo ataca o pastor e consegue eliminá-lo de suas lides, não há como classificar o estrago feito ao rebanho. Por ser pastor, ele atua como capelão no campo de batalha, esquecido que o inimigo não faz distinção de suas vítimas. A dor da família que fica, a angústia que invade o rebanho, à procura uma resposta para o inesperado, não encontra consolo, a não ser na certeza de que o Supremo Pastor continua presente na vida da grei. São momentos críticos e difíceis de serem vivenciados, sem uma base bíblica sólida, uma doutrina fundamentada na palavra de Deus e um ministério com-

prometido apenas com Cristo. Precisamos aprender a conviver com sua ação mortal. O ataque do vírus moral que destrói os valores que ainda alimentam a sociedade, só pode ser resistido com o antídoto do evangelho de Jesus Cristo. Cabe ao pastor sobrevivente enfrentar o inimigo em suas mais diferentes frentes de confronto. A perda de um pastor significa um grande vazio na causa do Senhor. É preciso revestir-se da armadura de Cristo (Efésios 6.10-20), sem esquecer dos cuidados profiláticos pessoais, que assegurem sua própria sobrevivência. O pastor não está isento de sofrer os ataques que roubam-lhe suas frágeis ovelhas. Não há um armísticio

de paz com o inimigo. Às Igrejas que perderam seus pastores e líderes resta o consolo oriundo das misericórdias divinas, que não falham. Não é fácil perder o líder, mais difícil ainda é buscar alguém para substituí-lo. A ferida aberta pela pandemia ficará como marca inapagável para sempre. Não haverá um novo normal, apenas um sabor amargo de uma luta vencida pelo inimigo. Reafirmar a fé na certeza que Deus continua no controle de nossas vidas e o universo está sob Seu controle absoluto. A recomendação paulina aos tessalonicenses no capítulo 4 versículo 18 é atual para os nossos infortúnios. “Consolai-vos uns aos outros”. n

Dia do pastor

Cleverson Pereira do Valle pastor, colaborador de OJB

O apóstolo Pedro escreveu em I Pedro 5.2,3: “pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho”. O Brasil Batista comemora, no segundo domingo de junho, o Dia do Pastor, um dia para orar pela vida do pastor local e dos pastores de todo o Brasil. Na época, a data foi oficializada para levantar recursos para pastores sem condições financeiras.

É importante ser lembrado pelo rebanho, é muito gratificante saber que as ovelhas de Cristo estão em oração pela vida do seu pastor. Todo pastor deseja ovelhas obedientes à palavra de Deus, operantes, que geram outras ovelhas, façam o reino de Deus crescer e espalham a boa semente do Evangelho. Pastorear o rebanho de Deus é entender que o rebanho não é do pastor. O texto do apóstolo Pedro diz que é de Deus. Todos os pastores precisam estar conscientes desta verdade. Aos pastores cabe pastorear com fidelidade, como mordomos (administradores) daquilo que Deus confiou em suas mãos. O pastoreio não deve ser por constrangimento, ninguém deve fazer algo forçado, obrigado, mas deve fazer como

Deus deseja. Deus é o proprietário do rebanho e, sendo assim, os chamados ao ministério pastoral devem fazer o seu papel com muita responsabilidade. Pastores não devem assumir uma Igreja por dinheiro. Que não sejam as finanças que ditem as regras na escolha de uma Igreja. O pastor deve estar bem resolvido financeiramente, ou seja, ele deve entender que Deus supre cada uma das suas necessidades, jamais faltará recursos para um pastor fiel a Deus e à sua Palavra. O pastor que recebeu o chamado de Deus tem prazer em atender as ovelhas, tem “cheiro de ovelhas”, mas com alegria a sua tarefa. O desejo dele é dar assistência espiritual a cada ovelha do rebanho de Deus. O verdadeiro pastor

é conselheiro, é um homem de oração, é um estudioso das Escrituras e deseja alimentar o seu rebanho com comida sólida. O pastor não deve exercer o autoritarismo, não deve pastorear como dominador do rebanho, pelo contrário, o verdadeiro pastor é exemplo. Que as ovelhas de Cristo, sob o cuidado de cada pastor, possam confiar nele e amá-lo, respeitá-lo e obedecê-lo, se estiver dentro da Palavra de Deus. Neste Dia do Pastor, que cada membro das Igrejas Batistas espalhadas por todo o Brasil faça o seu papel em relação ao seu pastor. Ame o seu pastor, ore por ele, obedeça às orientações pastorais. E parabéns, pastor batista, pelo seu dia. n


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REFLEXÃO

O JORNAL BATISTA Domingo, 13/06/21

Consolados e usados para consolar Olavo Feijó

pastor & professor de Psicologia

Nosso Pastor é o Senhor Edson Landi

pastor, colaborador de OJB

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação; que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus” (II Co 1.3-4). Servindo ao Senhor há 12 anos como pastor e conversando com muitos obreiros, infelizmente posso afirmar que os pastores desta época enfrentam o pior momento das últimas décadas. Creio que a última geração de servos que tenha vivido um momento tão difícil igual a esse tenha sido a dos pastores que estiveram no período da Segunda Guerra Mundial. A não realização das atividades

presenciais em nossas Igrejas têm permanecido um ponto pequeno diante do número de perdas que nossas Comunidades têm sofrido. Nunca tivemos em nosso meio tantas pessoas enlutadas, famílias diminuídas e carentes de nossas orações, conselhos e apoio. E nós, pastores, também sofremos estas perdas, pois também temos perdido pessoas muito próximas a nós. E a dor da perda é a pior que existe; é cruel e pesada para qualquer ser humano. O pastor sofre a dor de seu rebanho e a sua própria dor. Também não posso deixar de destacar e, graças a Deus por isso, que nesse momento de dor e angústia o pastor sabe exatamente onde encontrar consolo. Esse é o momento do pregador correr para os braços e abraço do Deus que ele conhece e proclama. E Deus há de confortar o coração de seu servo, como sempre fez. E é exatamente isso que o apóstolo Paulo nos mostra em suas palavras: temos um Deus que nos

“O SENHOR é o meu pastor, nada Senhor, todas as vezes que Ele nos me faltará” (Sl 23.1). revela Seu cuidado e Seu poder, em nossas situações de dificuldade e de Nas comunidades, onde a econo- perigo. Por isso, o salmista escreveu mia se baseava na criação e comércio que todos nós teríamos sido engolide animais, a função de pastorear era dos por nossos inimigos, caso não encarada como de alta importância. contássemos com a salvação podeUm pastor era considerado bom quan- rosa do Senhor (Salmo 124). do sabia como alimentar bem o seu Em nossa vida diária, mesmo rebanho. E, também, como protegê-lo, quando não precisamos de escapar diante dos ataques das feras que ha- dos perigos, aprendemos que nossa bitavam os campos. saúde espiritual é o resultado do aliAo escrever o Salmo 23, Davi ex- mento com que o Senhor nos alimenta pressa muito bem o carinho e o po- regularmente. Louvemos ao Senhor, der do Senhor, no Seu ministério de em nossa vida diária: porque Ele é o cuidar de nós. Quanto a nós, temos nosso Pastor, nosso alimento e nossa descoberto quão grande é a ajuda do segurança estão garantidos.

consola em toda a nossa tribulação. E o Deus que nos consola, nos fortalece e nos coloca de pé, para que continuemos a consolar o Seu povo. Pois esta tem sido a nossa grande missão hoje. O pastor, enquanto é usado por Deus para cuidar do Seu povo, recebe

também o cuidado do Senhor. A minha oração, meu caro colega, é que o nosso Pai celestial abençoe ricamente a sua vida, o seu lar e o seu ministério. E que você continue encontrando em Jesus força e poder para prosseguir sua caminhada e servir ao Senhor. n

Jesus, o bom pastor Rogério Araújo (Rofa) colaborador de OJB

Neste Dia do Pastor, lembremos da bela referência que o Mestre Jesus fez sobre o pastor e as ovelhas em João 10, quando diz: “Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (v.11). Quantos problemas as “ovelhas” passam na vida e como necessitam da presença do pastor. Ele cuida e se importa com elas. Sozinhas, elas podem

ser atacadas pelos lobos (v.12). E, ainda, existem as ovelhas que são do aprisco (rebanho) e que precisam ser guiadas pelo melhor caminho. O pastor não fica satisfeito quando percebe que a ovelha está passando por dificuldade e faz de tudo para que a situação seja sanada e que ela volte a ficar bem. Podemos dizer que temos “dois pastores” que cuidam de nós: Jesus Cristo é o Sumo Pastor, o guia que nos acompanha para o que der e vier e “nada nos deixa faltar” (Salmos 23.1) e o pas-

tor terreno, que cuida do rebanho de cada Igreja e que precisa apascentar com “ciência e inteligência” (Jeremias 3.15), com as orientações vindas dos altos céus e não de sua própria mente e vontade. Hoje em dia temos muitos que desejam o título de “pastor”. Mas, será por quê? Por status, pelo ganho financeiro? E a vocação dada por Deus, não conta? Em muitos casos, este é o último requisito a ser levado em conta e as interpretações bíblicas são as piores possíveis! Assim, ser pastor passou a ser um “bom

negócio” humano e não espiritualmente falando. “Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o Senhor” (Jr 23.1).Uma advertência para lá de séria para muitos que seguem suas próprias regras para benefício próprio, mas que um dia sentirá a mão de Deus sobre sua vida. Oremos pelos pastores e sua mais preciosa missão dada pelo Senhor: cuidar das ovelhas de seu pasto, para que elas não se dispersem e arrebanhar outras para seu aprisco! n


REFLEXÃO

Levir Perea Merlo

O JORNAL BATISTA Domingo, 13/06/21

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Compartilhemos graça e misericórdia através da obediência

pastor, colaborador de OJB

“Obedecei a vossos guias, sendo-lhes submissos; porque velam por vossas almas como quem há de prestar contas delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” (Hb 13.17). O mês de junho reserva alguns dias especiais na esfera da denominação: 02 - Dia Internacional de oração pelas crianças em crise; 06 - Dia do Homem Batista, no primeiro domingo; 13 - Dia do pastor; hoje, segundo domingo do mês; 23 - Dia da Educação Cristã Missionária e aniversário da União Feminina Missionária Batista do Brasil (UFMBB); 26 - Dia

do Missionário Batista. Além disso, temos o aniversário da Convenção Batista Brasileira, no dia 22; Junta de Missões Nacionais (JMN) no dia 25; e Junta de Missões Mundiais, no dia 27. Quantas celebrações marcantes que devemos comemorar com alegria e gratidão ao Senhor por permitir e cuidar de vidas tão preciosas e tudo por causa da Sua graça! Obediência é a palavra-chave da temática de junho. Os líderes na Igreja devem ser respeitados e seguidos para evitar desordem e confusão. Liderança adequada requer submissão adequada. Aqui partimos da premissa de que os lideres são fidedignos e não exercem autoridade de maneira autoritária. A Congregação deve corresponder à liderança

e cooperar sem criar um ambiente hostil em que seus líderes precisem trabalhar angustiados. Isso não significa, porém, que a Igreja deve obediência cega a seus dirigentes; o cristão só deve prestar contas a Cristo. Os líderes não devem dominar os outros exercendo controle ditatorial. O ofício de um líder é uma função exercida dentro da Igreja, não acima dela. A Igreja só se reúne debaixo da autoridade de Cristo, um dos nossos mais preciosos princípios, e só deve ser controlada pelo Espírito Santo. Portanto, os que a lideram devem também imitar a Cristo na disposição de servir de maneira incansável e de sacrifício no cuidado com os outros. O pastor ou líderes devem exercer sua vocação em obediência a Cristo e só podem ou devem agir no poder do amor.

E também devem cuidar das vidas como quem há de prestar contas a Deus. Então, queridos líderes e colegas de ministério, devemos observar muito bem por que fomos chamados pelo Senhor. Fomos chamados para sermos servos dos servos, porque foi isso que o nosso Mestre ensinou. E certamente, quando assim agimos, colhemos o que plantamos: respeito, admiração e a obediência dos servos do Senhor representados pela sua Igreja. Que o Senhor nos ajude a desenvolvermos nossa vocação com temor e tremor diante Dele que nos concedeu esse belíssimo dom de pastorear conforme escrito está em Efésios 4.1-13. Um feliz e abençoado mês de junho na graça do Senhor Jesus Cristo! n

Os efeitos da oração no contexto da família - (Jó 1.1-5) José Manuel Monteiro Jr. pastor, colaborador de OJB

Na vida do cristão, não existe força mais poderosa do que a oração. Os grandes personagens bíblicos eram pessoas que tinham como marca a vida de oração. Situações que a nossos olhos parecem sem solução e perdidas são drasticamente modificadas por conta da oração. Quando olhamos para o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, O vemos como alguém que priorizava a oração. Ele foi batizado, orou e como resultado o céu se abriu (Lucas 3.21). Ele orou e foi revestido de poder. John Wesley certa feita afirmou: “Deus nada faz a não ser em resposta de oração”. Sem sombra de dúvida precisamos colocar a família como alvo de nossas orações. Foi a oração que fortaleceu este personagem bíblico chamado Jó. Sua história é sobejamente conhecida. Ele perde seus filhos, seus bens, e é acometido por uma doença (chagas

malignas). O que fez este homem não sucumbir diante de tantas adversidades foi sua vida de oração. Quais são os frutos da oração no contexto familiar? Quero elencar alguns pontos para a nossa reflexão. Em primeiro lugar, a oração nos faz ser mais pacientes (Tiago 5.11). Geralmente nas conversas do dia a dia, pessoas usam a expressão: fulano tem paciência de Jó. A paciência deste homem foi forjada por meio da oração. Em muitas ocasiões agimos mal com as pessoas que amamos por conta de nossa impaciência. Em outras ocasiões tomamos decisões equivocadas justamente por sermos impacientes. Um dos textos mais conhecidos por nós, cristãos, é o do Salmos 40.1. Esperar pacientemente é uma das tarefas mais difíceis para nós, mas é de vital importância no contexto dos relacionamentos familiares. Sir Isaac Newton afirmou: “Se fiz descobertas valiosas, foi mais por ter paciência do que qualquer outro talento”.

Em segundo lugar, pela oração compreendemos que Deus é mais importante do que as bênçãos materiais (Jó 1.3). Naquele tempo, a riqueza era medida principalmente em termos de terras, animais e servos; e Jó possuía os três em abundância. Porém, sua riqueza não o afastou de Deus. Quando somos um homem ou uma mulher de oração entendemos que Deus é mais valioso, mais importante que os bens materiais. Homens e mulheres de oração se apegam mais ao provedor do que na provisão. O reverendo Hernandes Dias Lopes diz: “O brilho da riqueza tem fascinado multidões, transformando homens em feras, jovens em monstros, pessoas de bem em ladrões incorrigíveis”. Em terceiro lugar, a oração fez de Jó um homem sábio na educação de seus filhos (Jó 1.4). O pai da psicanálise, Sigmund Freud, postula que existem três coisas que estão na demanda do impossível. Governar, educar e a própria psicanálise. Educar é uma tarefa árdua,

e neste processo é certo que em algum momento pisaremos na bola. É por isso que necessitamos buscar a face do Altíssimo, para obter sabedoria na educação de nossos filhos. Jó, como pai, inspirava a amizade entre seus filhos. Ele educou os filhos de forma tal, que eles eram amigos e não competidores. Jó investiu na unidade da família, se esforçou para que seus filhos vivessem em harmonia. Em último lugar, pela oração Jó fez seus filhos conhecidos no céu (Jó 1.4). Lutamos para que nossos filhos tenham um lugar de destaque na sociedade, mas não fazemos nossos filhos conhecidos no céu. Jó velava constantemente pela vida espiritual de seus filhos. Jó não abria mão de orar pelos seus filhos de madrugada. Era um homem de negócios, um empresário bem-sucedido, com sua agenda cheia e permeada de compromissos, entretanto, isso não o impedia de buscar a Deus e colocar a vida de seus filhos no altar do Senhor. n


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REFLEXÃO

O JORNAL BATISTA Domingo, 13/06/21

Rubens Eduardo Cordeiro

pastor, psicólogo, especialista em Psicanálise, mestre em psicologia, doutor em Teologia, capelão Geral da Rede Batista de Educação

O Ensino Religioso nas Escolas Batistas sempre foi considerado de extrema importância. Ele procura traduzir para o dia a dia da sala de aula o quanto a experiência religiosa tem sido significativa na história da humanidade. São estudos que revelam, dentre outras coisas, que o ser humano não basta a si mesmo e está sempre à procura do outro infinito. É que carregamos na alma a sensação de que algo nos falta, e essa falta não se resolve pura e simplesmente na imanência – entendida como um processo de existência que se encerra em si mesmo, precisando desse algo mais que se apresenta de maneira sempre esperançosa na ideia de transcendência – compreendida como a busca de uma causa maior, fora de nós mesmos, que nos convida a seguir na caminhada, melhorar sempre e aprender a lidar com os dilemas da existência humana. Nesse movimento que faz para além de si próprio, da imanência à transcendência, o ser humano cria, de um lado, a possibilidade de que, em uma perspectiva horizontal, venha a se encontrar com seu próximo, entender algumas de suas razões, alguns dos seus desejos e sentimentos; e, por outro lado, em perspectiva vertical, abre-se para uma relação mais significativa com o Criador. Busca-se aqui uma compreensão a respeito do modo como, progressivamente, elaboramos a nossa consciência a respeito de quem somos, de quem o outro é e de quem Deus é. Gera-se aqui um conhecimento que visa a tentativa de compreender como essa consciência que deve se ampliar passo a passo, se constitui tendo como ponto de referência o Absoluto enquanto atingível pela inteligência. É esse conhecimento que é traduzido para o dia a dia da sala de aula, considerando as demandas próprias de cada faixa etária no processo de ensino-aprendizagem. Para as Escolas Batistas, essa preocupação sempre existiu. De certo modo, a afirmação de Hamlet, inesquecível personagem de William Shakespeare, “há muito mais coisa entre o céu e a terra do que imagina a nossa vã filosofia”, tem estado entre nós desde sempre. Essa percepção que vem acompanhada de um respeito enorme pela ciência – daí, certamente, o nosso foco em educação; vem

A importância do ensino religioso nas Escolas Batistas (02)

acompanhada, também, da sensação de que quanto mais conhecemos, mais se abrem portas para novos conhecimentos. É que todo o conhecimento produzido ao longo dos séculos não é suficiente para explicar toda a realidade que nos cerca. É nesse sentido que as Escolas Batistas buscam criar um ambiente de estudos científicos o mais aprofundado possível e, de outro lado, reafirmam ou reforçam as nossas confissões de fé que apontam, por exemplo, para o universo da formação socioemocional, buscando contribuir para que cada estudante desenvolva a compreensão de que, por mais que aprendamos, tem sempre algo que nos escapa, por ser inatingível pela potência humana. É assim que, desde o final do século XIX e princípio do século XX, quando da inauguração da maioria de nossas escolas, dois princípios sempre foram fundamentais: de um lado, a base confessional, ou seja, o conjunto de crenças de caráter fortemente identitário, que aponta para aquilo que somos, que revela nossos sonhos, que embasa nossas metas e objetivos. De outro lado, a busca da excelência acadêmica que tem levado nossas escolas Batistas a impactarem positivamente a sociedade brasileira através, especialmente, dos seus egressos. Falar de Ensino Religioso, portanto, significa uma permanentemente abertura ao diálogo, fé e cultura. Embora não atuando de modo proselitista, ou seja, sem preocupação de caráter doutrinário, o Ensino Religioso tem sido um pilar importante para que as verdades bíblicas possam alcançar a todos que entram em contato com elas. Não é por acaso que alguns observadores mais atentos consideram que, de um modo geral, os espaços de convivência de nossas escolas, se assemelham a campos missionários, onde o conhecimento de Cristo e do Evangelho se dá por aquilo que se ensina, mas, sobretudo, por aquilo que se vive. Essa preocupação tão própria dos que trabalham com Ensino Religioso na formação de cidadãos com valores éticos e morais mais sólidos é terra fértil que torna ainda mais possível o surgimento de uma nova geração de pessoas que se envolvam mais com a busca da paz, da justiça, da solidariedade etc. É, indiscutivelmente, uma forma de nos contrapormos cada vez mais a essa sociedade contemporânea profundamente marcada por relações, como diria o sociólogo Zigmunt Bauman, líquidas, frágeis e sem muito fundamento. Hoje

em dia, muitos dos nossos jovens se tornaram ultra especialistas em tecnologia, mas em grande medida, perderam o sentido do que significa ser “gente”, do que significa o encontro humano, da importância de se viver uma vida de compartilhamento. O Ensino Religioso se apresenta, portanto, como um ensino para a vida. Quando o estudante aprende sobre ser bondoso, respeitoso, solidário, criativo ou até mesmo ousado, a experiência da alteridade ganha enorme protagonismo em sua vida, tornando-o mais capaz de entender os outros, estabelecendo alianças e parceiras que visam ao bem comum. Quando a BNCC - Base Nacional Comum Curricular propôs elevar o Ensino Religioso à condição de área de conhecimento, de certo modo, tornou oficial uma prática comum às Escolas Batistas desde sempre. No entanto, é possível verificar que, ao elaborar as competências para o Ensino Religioso, ampliou-se, de modo significativo, o leque de possibilidades para que importantíssimas habilidades sejam desenvolvidas ainda mais. As competências propostas pela BNCC para o Ensino Religioso visam o desenvolvimento de habilidades que, trabalhadas em diálogo com a fé cristã, sem dúvida nenhuma, podem contribuir para a formação de um novo cidadão. Ela propõe que o estudante deve conhecer os aspectos estruturantes das diferentes tradições, movimentos religiosos e filosofias de vida, a partir de pressupostos científicos, filosóficos, estéticos e éticos. Que ele deve compreender, valorizar e respeitar as manifestações religiosas, suas experiências e saberes, em diferentes tempos, espaços e territórios. Que ele precisa reconhecer e cuidar de si, do outro, da coletividade e da natureza, enquanto expressão do valor da vida. Que saiba conviver com a diversidade de crenças, pensamentos, convicções, modos de ser e viver. Que seja capaz de se exercitar na análise das relações entre as tradições religiosas e os campos da cultura, da política, da economia, da saúde, da ciência, da tecnologia e do meio ambiente. Que seja capaz de se assentar em uma mesa de debates, problematizar e posicionar-se frente aos discursos e práticas de intolerância, discriminação e violência de cunho religioso, de modo a assegurar os direitos humanos no constante exercício da cidadania e da cultura de paz. Diante de tudo isso, poderíamos perguntar se teríamos condições de transitar por esse

espaço tão amplo de possibilidades que nos está sendo proposto? Bem, eis aí um debate em aberto. A princípio, se as bases confessionais de nossas instituições educacionais são sólidas o suficiente, não teríamos que temer nada. Como o trabalho com o Ensino Religioso proposto pela BNCC – como, de resto, em todas as outras áreas do conhecimento, pretende respeitar as peculiaridades de cada escola, cada estado, cada região do país, então se trata mesmo de entrarmos com toda a firmeza possível nesse novo campo de batalha, mas, certamente, amparados pela armadura do cristão, como sugerido pelo apóstolo Paulo na carta aos Efésios 6.13-20. O fato é que, o Ensino Religioso sempre foi considerado pelas Escolas Batistas como algo de enorme importância. Só que os dias de hoje, como aconteceu com o apóstolo Paulo em sua visita a Atenas, nos convidam a chegarmos até ao “Areópago” da discussão de ideias que nos permitam compartilhar de modo ainda mais significativo o nosso olhar sobre a realidade e aprender com os olhares dos outros. Essa possibilidade de encontro nos remete à experiência de Paulo em Atenas. Ao perceber a enorme quantidade de monumentos dedicados a todo tipo de divindade, Paulo se dirigiu aos seus interlocutores dizendo: “Atenienses! Vejo que em todos os aspectos vocês são muito religiosos, pois, andando pela cidade, observei cuidadosamente seus objetos de culto e encontrei até um altar com esta inscrição: AO DEUS DESCONHECIDO. Ora, o que vocês adoram, apesar de não conhecerem, eu lhes anuncio” (At 17.22, 23). Interessantemente, o apóstolo Paulo não menosprezou a cultura religiosa dos gregos, mas, a partir dela, abriu um extraordinário ponto de contato – o Deus desconhecido, que permitiu que ele partilhasse com aqueles cidadãos o Deus em quem ele verdadeiramente cria. Eis aí uma experiência que pode contribuir para que o Deus desconhecido ainda por tantos possa, efetivamente, ser partilhado com todos. O Deus que fez o mundo. Que não é resultado das construções ideológicas humanas que querem usá-lo para justificar o injustificável. O Criador dos povos, das mais diversas etnias, das culturas mais distintas que, em Cristo, busca sempre se aproximar de nós. O Deus que nos faz existir, que nos convida a seguir adiante, que sendo o Deus da vida, nos convida a vivê-la em sua plenitude. n


MISSÕES NACIONAIS

O JORNAL BATISTA Domingo, 13/06/21

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Profissionais da saúde a serviço do Reino de Deus O Senhor chama Seus servos a viverem o Reino de Deus também com suas profissões. Foi dizendo sim para esse chamado que Yehudi e Itamar têm servido com suas habilidades e seus conhecimentos como profissionais da área da saúde. Ambos médicos, de diferentes especialidades, vivem com alegria o “ide” de Cristo Jesus. Servo do Senhor Jesus Cristo, Yehudi Sardinha Martins também é médico psiquiatra e atua como voluntário no Projeto Amazônia e no Cuidado Integral Missionário. Ao entender que a ordem de pregar o Evangelho é para todos, ele tem colocado sua profissão a serviço do Reino de Deus. “Minha função no campo enquanto médico não é levar atendimento. Isso, na verdade, é o caminho ou instrumento para levar o evangelho de Jesus. Você pode ter o melhor tratamento do mundo e ir para o inferno tratado, mas se tiver Jesus, tudo muda”, comenta. Yehudi conta sobre sua alegria em servir com sua profissão na Amazônia. Segundo ele, quando falamos do interior do Amazonas, nas comunidades ribeirinhas, muitas vezes não há luz elétrica ou saneamento básico. A única possibilidade de mudança é exclusivamente por meio do evangelho de Jesus Cristo. “Essa é a minha grande paixão pelo Projeto Amazônia: ver a intensidade do poder transformador do Evangelho”, compartilha, afirmando que Deus age em todos os lugares, mas que, para ele, lá é muito evidente.

Outro servo do Senhor é Itamar Sousa Brito Junior. Médico pediatra e gastropediatra, ele já participou de duas missões no Barco Missionário para o Amazonas. Ele, que tem trabalhado durante todo o tempo de pandemia em um hospital público de Brasília, também atende em clínica privada e é professor em um curso de Medicina. Desde que era Embaixador do Rei, Itamar tem paixão pela obra missionária. Hoje, médico, ele pode usar sua profissão no campo e conta que sua maior realização é quando é instrumento de Deus para a salvação de uma

alma. Por isso, serve em missões para ajudar as pessoas a entenderem que ter saúde é bom e desejável, mas vai além. Para ele, ter a certeza da vida eterna é tudo o que realmente importa, e essa é a grande mensagem que anuncia. Enquanto profissional da área da saúde, Itamar acredita que os momentos de fragilidade física e psíquica das pessoas são grandes oportunidades para o agir de Deus. “Nesse momento de fraqueza do ego humano, Deus pode atuar muito por meio de nós, da área da saúde. Além disso, um dos pilares do ministério de Cristo foi curar as pes-

soas”, conta, ao lembrar de tantas curas relatadas nas Escrituras. Deus continua fazendo milagres. Yehudi comenta que em certa comunidade, onde há uma Igreja plantada, o índice de violência sexual despencou a quase zero e o número de dentes cariados em crianças também foi drasticamente reduzido. “Deus tem trazido seu avivamento aos ribeirinhos e é notório toda potencialidade do que Paulo diz aos Romanos ‘o evangelho é o poder de Deus para a salvação’”, afirma. Nos alegramos com o serviço desses servos de Deus na obra missionária! Deus seja louvado! n


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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

O JORNAL BATISTA Domingo, 13/06/21

CB do Estado de São Paulo outorga pastor José Vieira Rocha como presidente emérito CBB também foi representada na solenidade.

Chico Junior

jornalista da Convenção Batista do Estado de São Paulo

Em reconhecimento à dedicação pessoal e ministerial ao povo Batista do estado paulista - e além dele - em atividades pela denominação, pastor José Vieira Rocha (85) recebeu a maior honraria concedida pela Convenção Batista do Estado de São Paulo (CBESP). A sessão solene realizada na Primeira Igreja Batista do Brás, sediada na capital, outorgou-lhe o título de presidente emérito da CBESP, conforme proposta aprovada na 112ª Assembleia CBESP, na Igreja Batista Boas Novas, também no município paulistano. A participação na solenidade da noite de 25 de novembro de 2020 ficou restrita em razão do distanciamento social exigido à Igreja para atividades presenciais. O culto de ação de graças, contudo, teve transmissão simultânea nas redes sociais da CBESP, tanto no canal da CBESP no YouTube quanto pela página no Facebook. O vídeo permanece disponível em ambas as redes. A PIB do Brás também publicou ao vivo em seu perfil. A palavra de abertura na ocasião foi dada pelo diretor executivo do Conselho de Administração e Missões (CAM), da CBESP, pastor Adilson Santos. “A Convenção faz essa outorga com muita

Presidente da CBESP, pastor Genilson Vaz, ao lado de sua mulher, Jôsi, entregou título a Vieira e à esposa, Diail (Foto: Selio Morais/CBESP) honra e muita gratidão, reconhecendo os serviços prestados, o sacrifício, as horas trabalhando pelo Evangelho e para a expansão do Reino de Deus”, disse pastor Adilson. Ele aproveitou para congratular o homenageado também lhe dirigindo uma palavra como presidente nacional da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB), instituição liderada quatro anos por Vieira Rocha. Por sete vezes presidiu a CBESP e atuou também como secretário executivo, além de ter liderado a seção paulista da OPBB de 1983 a 1996. O pastorado de Vieira Rocha foi o mais longevo na história da PIB do Brás, registrando três décadas. Essa dedicação ganhou destaque na fala do pastor Genilson Vaz, presidente da CBESP e orador da solenidade.

Tânia Kammer representou presidente da CBB, pastor Fausto Aguiar de Vasconcelos

“A CBESP se sente verdadeiramente honrada em poder outorgar ao pastor José Vieira Rocha esse título. Título esse que os Batistas decidiram entregar em assembleia, portanto, representa o desejo dos Batistas de São Paulo que o pastor Vieira, então, seja reconhecido com mérito em virtude de seu relevante serviço e ministério junto às Igrejas e à própria Convenção”, disse pastor Genilson. Ao lado de sua esposa, Diail, pastor Vieira Rocha recebeu o título honorífico das mãos do presidente da CBESP. Além da própria liderança convencional no estado paulista, as organizações ligadas à CBESP também homenagearam Diail e pastor Vieira. Pastores (seção São Paulo da OPBB), diáconos (Ordem dos Diáconos e Diaco-

nisas Batistas do Estado de São Paulo), esposas de pastores (União das Esposas de Pastores Batistas do Estado de São Paulo), mulheres (União Feminina Missionária Batista do Estado de São Paulo) e músicos (Associação dos Músicos Batistas do Estado de São Paulo) entregaram placas e outros agraciamentos. O presidente da ODBESP, o diácono Antonio Domeni, citou que foi ovelha do pastor Vieira e consagrado ao diaconato durante o pastorado dele na PIB do Brás. Hoje Domeni é membro na Igreja Batista da Liberdade. Presidente da AMBESP e 4ª secretária da Convenção Batista Brasileira (CBB), Tânia Kammer representou também o presidente da CBB, pastor Fausto Vasconcelos. n

União Feminina Missionária Batista de Alagoas realiza 99ª Assembleia Organização, entre outros assuntos, elegeu a nova diretoria.

João Vitor Leite

auxiliar de Comunicação da Convenção Batista Alagoana

Na tarde de 22 de maio foi realizada, de forma virtual, através do aplicativo Zoom, a 99ª Assembleia da União Feminina Missionária Batista de Alagoas (UFMBAL). O evento contou com uma boa participação por parte das mulheres Batistas de Alagoas, com destaque para participantes de várias partes do estado. Os principais temas da pauta foram: parecer do Conselho Fiscal sobre o demonstrativo financeiro anual, relatório do demonstrativo financeiro anual do Lar Batista Marcolina Magalhães e a eleição da nova diretoria, a qual ficou composta

da seguinte forma: Presidente: Gislaine da Silva Gonçalves; Primeira Vice-presidente: Rosangela Lisboa Bonfim; Segunda vice-presidente: Maria José Domingos; Primeira secretária: Maria das Graças Freitas Pereira; Segunda secretária: Williane Pimentel dos Santos Souza. “Somos eternamente gratas a Deus pelo cuidado, agradecemos também as queridas irmãs Batistas de Alagoas pela cooperação e apoio para que este evento fosse realizado. A Deus toda honra e glória”, agradece Maria José Candida Irmãs de diversas regiões de Alagoas participaram da Assembleia de Oliveira, executiva da UFMBAL. n


NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

O JORNAL BATISTA Domingo, 13/06/21

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1200 pessoas, em Oliveira - MG, recebem cartas com a mensagem do Evangelho Trabalho da PIB na cidade tem impactado a região. Ilimani Rodrigues e Kátia Brito

jornalistas da Convenção Batista Mineira

Em abril, a cidade de Oliveira, em Minas Gerais, entrou na Onda Roxa, restringindo atividades comerciais e de reuniões religiosas. A Primeira Igreja Batista em Oliveira teve suas atividades afetadas por essa restrição municipal, mas não deixou de ser relevante na sociedade. “Mesmo sem a celebração de cultos, nossa vontade era continuar servindo a Deus e a comunidade. Por isso, iniciamos o Projeto Cartas Vivas, baseados na Segunda Carta de Paulo a Coríntios, capítulo 3, versículos 2 e 3. Então, envolvemos os membros da Igreja na escrita de cartas, com a mensagem do Evangelho, para os comerciantes e funcionários do hospital municipal São Judas Tadeu”, explica o pastor Vinícius Varela. Em duas semanas, o projeto distribuiu cerca de 1000 cartas aos comerciantes locais; depois, cerca de 120 cartas aos funcionários do hospital transmitindo o amor e a esperança que há na Palavra de Deus. As equipes saíram aos domingos deixando uma carta de encorajamento nos comércios da cidade. E mais recentemente entregaram nas mãos da técnica de enfer-

Funcionários de hospital também receberam cartas magem Patrícia Oliveira as 120 cartas que estão sendo distribuídas aos funcionários da zeladoria, administrativo, profissionais de saúde e também aos pacientes internados em tratamento de COVID-19. Uma das comerciantes da cidade relata o que sentiu ao abrir seu estabelecimento e encontrar uma carta: “Foram palavras providenciais e é muito bom saber que tem gente que se sensibiliza e oferece apoio de uma forma ou de outra. Amei, agradeço de coração a iniciativa!”. Segundo o pastor Vinícius Varela, o

Projeto continua, pois o alvo é “testemunhar que, mesmo com a Igreja fechada, temporariamente, a Igreja é relevante. Deus nos deu meios relacionais para evangelizar a nossa comunidade e isso tem feito grande diferença. Pessoas têm procurado as nossas células querendo saber mais sobre Jesus. E temos certeza que gestos como os que fizemos no projeto Cartas Vivas fizeram com que a igreja testemunhasse amor e graça de Jesus por aqueles que estão em sofrimento”, finaliza o pastor Vinícius Toda a Igreja participou da confecção Varela. n das cartas

Casa Batista de Amizade, em Sergipe, promove seminário online Objetivo é mostrar a importância da instituição. Sheyla Morales

assessora de Comunicação da Convenção Batista Sergipana

Para valorizar e mostrar a importância da Casa Batista de Amizade foi realizado um seminário online, no dia 18 de Maio (Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes), tendo como tema: “Proteja as crianças porque delas é o Reino dos Céus”. “Nosso objetivo foi de conscientizar a Sede da Casa Batista de Amizade comunidade cristã da responsabilidade Participantes do seminário online social em proteger as crianças e adolescentes contra o abuso e a exploração evangélicos e seus impactos na vida alcançada na vida das crianças e adoles- serviço voluntário” finalizou o diácono sexual. Ainda, divulgar as atividades das crianças e adolescentes. E compar- centes assistidos. Por fim, objetivamos Judson, diretor exexutivo da Convenção realizadas pela Casa Batista e projetos tilhar testemunhos de transformação mobilizar os cristãos e a comunidade ao Batista Sergipana (CBS). n


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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

O JORNAL BATISTA Domingo, 13/06/21

Convenção Batista de Rondônia promove treinamento para administração de Igrejas Primeira Igreja Batista em União Bandeirantes foi a contemplada.

Extraído das redes sociais da Convenção Batista de Rondônia A Convenção Batista de Rondônia (COBARO) esteve na Primeira Igreja Batista em União Bandeirantes, nos dias 14 a 16 de maio, para oferecer treinamentos, com objetivo de dar suporte e ferramentas necessárias para condução e administração da Igreja. No primeiro dia, o conteúdo foi sobre assuntos técnicos administrativos, ritos e tipos de assembleia, para munir a Congregação dos procedimentos legislativos condizentes com a denominação. O assunto foi abordado por Oziel Nascimento, gestor administrativo da COBARO, com suporte de Cindi Carvalho, auxiliar administrativa da instituição.

Durante um fim de semana, Convenção Batista de Rondônia capacitou Igreja No sábado, o pastor Ananias Ramos, gestor de Campo e Missões da COBARO, abordou aspectos da Eclesiologia e reforçou as definições básicas dos conceitos congregacionais, abrangendo,

de maneira bíblica, o funcionamento e funções na Igreja. Também falamos sobre liturgia e conceitos de música, louvor e adoração. Jandson Costa, auxiliar da gestão de campo da COBARO, trouxe

uma reflexão baseada na declaração da Convenção Batista Brasileira (CBB), relembrando os princípios e evidenciando a importâncias de tê-los em mente também no momento da preparação da ordem do culto e da escolha do repertório. No domingo, continuamos o treinamento do nosso gestor de Campo e Missões e tivemos ensaios e orientações sobre sonorização e finalizamos as programações com um culto de exaltação e gratidão ao Senhor, quando partilhamos da celebração da Ceia do Senhor, ministrada pelo pastor Ananias Ramos, em comunhão com os irmãos que participaram de toda a programação. Somos gratos a Igreja pela recepção de nossa equipe e pela participação neste treinamento. n

PIB de Parintins-AM: 70 anos tornando Cristo conhecido História da Igreja mostra serviço aos que precisam. Phelipe Reis

jornalista, membro da Primeira Igreja Batista de Parintins

“Tornar Cristo conhecido em Parintins e Parintins conhecida pela pregação do evangelho”. Esta é a visão que guia a Primeira Igreja Batista em Parintins, no interior do Amazonas. Em 2021, a Igreja completa 70 anos de história proclamando o evangelho de Cristo. O surgimento da igreja remonta a 1951, quando o seminarista Eduardo França Lessa, em visita ao Amazonas, participa da fundação da Primeira Igreja Batista em Parintins-AM e sente um chamado da parte de Deus para servir na região. Dois anos mais tarde, em 1953, ele assume o pastorado da Igreja, após encerrar os estudos nos Estados Unidos. Além da formação em psicologia, sociologia e teologia, ele possuía certificação em cursos de saúde básica, o que lhe abriu portas na comunidade parintinense. O crescimento do trabalho Batista na região despertou oposição de católicos. A perseguição foi uma das mais severas contra evangélicos no norte do país. Apesar da oposição, o pastor permaneceu servindo em Parintins por anos até julho de 1993, quando faleceu por problemas de saúde. O legado de 42

PIB em Parintins - MA realiza diversos trabalhos sociais em sua região anos é um trabalho integral e frutífero. O pastor Lessa deixou a esposa, Eglantina, uma filha, Ethel, e dois filhos, Eduardo Júnior e Elmer. Em 1998, Elmer Lessa assume o pastorado e dá continuidade ao trabalho iniciado pelo pai. O novo ciclo ministerial é marcado por projetos de impacto em Parintins, como a campanha evangelística Jesus Água da Vida, Jogos de Verão, musicais de Natal e Páscoa, incluindo o tradicional musical para crianças no mês de outubro. Nos últimos vinte anos, o trabalho da PIB de Parintins se intensificou nas comunidades rurais próximas, em parceria com organizações como Amazon Vida, Asas de Socorro, Tearfund Brasil, Terra dos Homens, Sociedade Bíblica do

Brasil, entre outras, promovendo atendimento médico-odontológico, assistência social, desenvolvimento comunitário, evangelização, plantação de Igrejas e muitas outras ações. Em 2020, diante da pandemia do novo coronavírus, a resposta da PIB de Parintins foi de amor e serviço. A Igreja suspendeu as atividades presenciais e se empenhou em diversas iniciativas para ajudar a comunidade parintinense. Como afirma pastor Elmer Lessa, “a Igreja não parou, apenas as portas do prédio foram fechadas. A Igreja continua viva e ativa para servir a comunidade.” A Igreja fez doações de itens como água sanitária e água mineral para setores do município, sabonetes, que foram entregues a moradores de baixa renda, e

distribuição de cestas básicas e medicações para famílias necessitadas, incluindo indígenas Sateré-Mawé e Hixkaryana. Com parceiros locais, a Igreja financiou a confecção de diversos materiais de proteção individual, que foram doados aos hospitais da cidade, unidades de saúde e outros departamentos do município. No início de 2021, durante a segunda onda da pandemia, a PIB articulou parcerias com Igrejas e organizações para fazer chegar ao município cilindros e recargas de oxigênio, materiais de proteção e limpeza e outros insumos. Itens que beneficiaram Parintins e municípios vizinhos, como Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Nhamundá, além de Faro e Juruti, no Pará. As ações se deram em parceria com Visão Mundial, MEAP, Missão Bem Pescado, Missão do Céu e Asas de Socorro. Mencionar essas ações, quando celebramos 70 anos da Primeira Igreja Batista de Parintins, é olhar para uma história e uma causa maior, que se verbaliza em mensagem e se concretiza em serviço, transformando vidas, famílias e comunidades – os maiores frutos do ministério. Com as portas fechadas, mas viva, a PIB segue buscando cumprir sua missão: demonstrar o amor de Jesus e torná-lo conhecido, na cidade e além da cidade. Há 70 anos. n


MISSÕES MUNDIAIS

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Colômbia: esperança em meio às lutas Carmen Lígia

missionária na Colômbia

Você é alvo das minhas orações e saiba que louvo e agradeço a Deus pela sua vida, todos os dias. Sem as suas orações, sem você segurando as cordas, seria muito mais difícil estender as mãos aos pobres e necessitados na Colômbia e nos países em que trabalhamos levando a esperança de Jesus! Continuamos juntos! Estamos há mais de um ano vivendo a pandemia da COVID-19, e conforme previsto por especialistas, os efeitos sociais e econômicos que o vírus trouxe fizeram com que a Colômbia retrocedesse quase uma década na luta contra a pobreza. Hoje, temos 3,6 milhões de pessoas na condição de pobreza, e 2,78 milhões na condição de extrema pobreza, segundo dados do Departamento Administrativo Nacional de Estatística (DANE). Procurando uma solução, o governo propôs uma reforma tributária, que atingia fortemente a população,

Jessé e Quésia Carvalho

que já está na linha de pobreza extrema, o que provocou uma revolta que afeta o país desde o início de maio. Uma greve geral foi convocada e agora todo o país sofre consequências da instabilidade, com dificuldades de locomoção, a falta de alimentos e

elevada alta nos preços dos produtos básicos. A situação afeta os cuidados com o público-alvo da Fundação PARE, que são as famílias que moram nas ruas e as mulheres que vivem na prostituição. Sem recursos para alimentação, entra

o desespero ao ver os filhos chorando pedindo um prato de comida, ficando doentes e desnutridos. Mas, mesmo em meio a toda essa situação, não paramos! Porque não podemos cruzar os braços sem estender as mãos aos necessitados. Estamos entregando cestas básicas às famílias com crianças, procurando dar toda a assistência aos que nada têm. Vemos as mães chegarem com olhares tristes, rostos sofridos, sem esperanças... Mas, quando entregamos em suas mãos uma cesta básica recebemos sorrisos de gratidão e louvor a Deus, e isso é tudo o que mais desejamos. Por mais que a situação esteja difícil ao nosso redor, sempre podemos fazer um pouco mais por aqueles que nada têm. Ore pelos líderes da Fundação PARE, especialmente a Elizabeth, que está grávida; pelas mulheres que querem deixar a prostituição e os seus filhos; pela paz de Deus para a Colômbia; pela Campanha da JMM, para que seja bênção e alcance muitas Igrejas; e pela minha saúde e muita sabedoria para trabalhar. n

Seguindo em frente com Cristo

Confia em mim e eu reduzirei a nada as suas desilusões.

coordenadores da JMM no Oriente Médio, Norte da África e Sahel Africano

Não poucas vezes na vida nos deparamos com situações que nos abatem, que nos fazem sentir desvalorizados e desprezados. O inimigo de nossas vidas, constantemente, busca nos atingir e nos abater de tal forma que pensamos até em desistir. No entanto, a Palavra de Deus é clara em nos dizer o valor que temos para Ele, não importa o que fomos ou o que fizemos. Deus nos amou e nos ama de tal forma, que deu o seu Filho para morrer por nós (João 3.16). Somos preciosos para ele; o Espírito dEle habita e tem zelo por nós (I Coríntios 3.16). Saber quem somos em Cristo nos dá força, refrigério e faz levantar a cabeça e seguir adiante a despeito de tudo. Até mesmo quando somos rejeitados pela família. Hannin é uma jovem que se converteu a Cristo no ano passado. Ela foi educada em escola islâmica e durante toda sua infância buscou agradar a Alá (deus dos muçulmanos) e a seus pais, sendo uma praticante fervorosa do Islamismo. Sua família é muito pobre; o pai é agricultor de subsistência. Quando souberam da conversão de Hannin ficaram extremamente revoltados e irados. O pai de Hannin chegou para ela e disse que, naquele momento em diante, um saco de batatas valia mais para ele do que a sua própria filha. Renegada pela família, Hannin enfrentou momentos de

Tudo o que precisas sou Eu; Sou o Espírito de vida dentro de ti, Eu te ungi para seres apartada do mal, Para que sejas toda do bem. És a minha filha amada’.”

tristeza, desgosto e desprezo. Mas Deus, o pai amoroso de Hannin, foi ao seu encontro para confortá-la. Ela participou de um encontro de treinamento de jovens, que os preparava para serem discípulos verdadeiros de Cristo. E foi nesse encontro que a Palavra do Senhor tocou o coração de Hannin de diversas formas, confortando-a, valorizando-a e encorajando-a a seguir em frente. Ela escreveu um poema ao final do encontro e compartilho aqui um pequeno trecho: “Para aquele que é o meu amado, que é a minha consolação, eu digo: ‘Estou em tristeza e em luto; Eu sou incapaz por mim mesma,

É criador de todas as coisas! Refrigera a minha alma, dá-me alegria, liberta-me da tristeza, liberta-me da calamidade. Tu és, ao mesmo tempo, o caminho E o guia da estrada de minha vida. Tu tens visto a minha aflição E tu tens um amor fiel. És amigo até o fim; És a esperança do coração e da alma abatida’. E Ele me respondeu: ‘Ó, filha minha, a quem eu derramo todas as minhas bênçãos!

Assim como Hannin, há muitos irmãos que passam por essa experiência com suas famílias por terem decidido abandonar o Islã e abraçar a fé em Jesus. Graças a Deus que, através de Cristo, eles encontram um Pai amoroso e gracioso, e na Igreja uma família repleta de irmãos que os apoiam e sustentam. Ore pelos nossos jovens convertidos e por suas famílias, para que elas também se encontrem com Jesus Cristo. Ore também pelos nossos irmãos e irmãs que vivem momentos de tensão e conflitos. Ore para que as campanhas de vacinação avancem no Brasil e no mundo. Agradeça porque vários de nossos missionários tomaram as doses das vacinas no campo, o que traz um pouco mais de tranquilidade e permite retomar algumas atividades interrompidas durante a pandemia, embora continuem com os cuidados recomendados. Obrigado por continuar conosco e por sua parceria que abençoa nossas vidas. Que Deus te abençoe e que através das suas orações e ofertas você prossiga, assim como nós, na obra missionária de transformar vidas. n


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O JORNAL BATISTA Domingo, 13/06/21


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PONTO DE VISTA

O JORNAL BATISTA Domingo, 13/06/21 FÉ PARA HOJE

Que espécie de pastores somos? Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob

Viver a simplicidade de Jesus no dia a dia. Ser pastor não combina com vaidade, concorrência, inveja, desafetos, maldade do coração, estrelismo, hipocrisia, busca de cargos, rejeição ao companheiro de ministério, avareza, críticas ferinas, confusão, discórdia, intriga, fofoca e outras práticas negativas que envergonham o ministério tão singular que nos foi outorgado pelo Senhor apenas por graça. O momento que vivemos no país e nas Igrejas é muito delicado. Há obreiros envolvidos com política partidária, legislativo e cargos executivos, perdendo a autoridade profética e barateando o ministério. Temos obreiros valorizando mais o método do que o estilo de vida. Olhando mais para as cabeças ou número de membros do que pessoas com as suas múltiplas necessidades. Enfatizando o dízimo em detrimento do valor das pessoas, do seu sofrimento, das suas lutas internas e taras. Muitos reivindicam salários altos, labutam em causa própria e se oferecem para líderes de Igrejas que estão em sucessão.

Esta tem sido a minha inquietação nestes últimos anos, com base na minha experiência de mais de 30 anos da ordenação e as minhas constatações de ministérios por este país. Posso dizer, com segurança, que a maioria dos ministérios é sofrível. Parafraseando, “não se faz mais pastores como antigamente”. Li recentemente uma breve biografia de Aiden Wilson Tozer, e meu coração ficou aquecido com a decisão desse precioso pastor e teólogo (que não tinha formação em seminário) de viver uma vida simples e ensinou isso a sua família e as Igrejas que pastoreou. Era um homem descolado de tietagem, fama, dinheiro, propriedades, pódio e outras “vantagens” de uma liderança eclesiástica carnal. Quem se detém nos textos de Tozer pode constatar essa verdade. Mas o que vemos hoje é a dura realidade do pragmatismo, hedonismo e estrelismo na liderança eclesial. A palavra pastor é uma palavra espiritual, revestida de amor, humildade, mansidão, integridade e simplicidade. Ser pastor, como diz a Mundanismo e carência nossa saudosa poetisa Myrtes Mathias, de fronteiras éticas “é oferecer o barquinho da própria vida Confesso que tenho me entristecido para Jesus usar para que o mundo so- com a qualidade espiritual dos ministros, fredor e aflito possa no Pastor divino que não têm consciência do que seja um encontrar a bênção de sorrir e cantar”. obreiro biblicamente fundamentado, um escravo de terceira categoria (I Coríntios Dependência de Deus e integridade 4.1,2). Falta temor e amor ao Senhor. O ministério pastoral é uma atividade Muitos não têm buscado a santidade de dependência de Deus. É um ofício de de vida (Hebreus 12.14). O mundanismo fé. Não é uma profissão. Não é mercena- já entrou nas casas dos líderes e nas rismo. Ser pastor é sofrer por amor ao Su- Igrejas. Há muitos obreiros presos pela premo Pastor. Submeter-se integralmente barriga, pelo sustento em detrimento a Ele. Andar como Ele andou (I João 2.6). de valores bíblicos, de posturas éticas Amar as pessoas, ter compaixão delas. seguras. Há ministros nas mãos de di-

retorias carnais, infames, que desonram o Senhor e envergonham o evangelho de Jesus. Homens e mulheres comprometidos com toda a sorte de erro, encalacrados em negociatas. O certo virou errado. O errado ficou certo. As fronteiras éticas estão sendo eliminadas pelo jeitinho, por pessoas descomprometidas com as Escrituras. Temos visto poucas pessoas serviçais, inclusive líderes. Pastores mais como chefes, executivos, do que como líderes comprometidos com a salvação das pessoas, com o discipulado, com a descentralização do ministério e a obra missionária. Poucos obreiros estão atrelados ao evangelho integral, voltados para os pobres, dependentes químicos e com necessidades especiais. Há elementos no ministério de plataforma e não de chão. Estão no pódio, mas não descem no nível do povo. Não andam entre as ovelhas de Jesus. A busca intensa pela espiritualidade bíblica Que espécie de pastores somos? Uma espécie de oração, que ama a Palavra de Deus, que lê os clássicos, que aprende com homens e mulheres de Deus do passado, que deixaram suas marcas indeléveis, de valor, que inspiram nossas vidas. Poucos de nós temos lido a Bíblia devocionalmente. São raros os que leem biografias de homens e mulheres de Deus que impactaram sua geração. Estamos mais para os computadores e outros instrumentos tecnológicos do que para a solitude, o estar a sós com Deus, deleitando-se na Sua comunhão, meditando na Sua Palavra e refletindo acerca da vida. Estamos acorrentados a um ativismo doentio, que adoece os que

estão sob a nossa liderança. Preocupamo-nos mais com a obra de Deus do que com o Deus da obra. Temos nos perdido nos compromissos que não são importantes e nos esquecemos dos urgentes e necessários, de estabelecermos, à luz das Escrituras, as prioridades. Estamos mais voltados para as coisas do que para as pessoas. O profeta Jonas estava mais preocupado com a aboboreira que lhe fazia sombra, do que com os 120 mil ninivitas que não sabiam distinguir entre a mão direita e a esquerda, que estavam perdidos, sem Jeová (Jonas 4.11). Que o Pai nos livre de um ministério antropocêntrico e nos conceda um ministério cristocêntrico. Que os nossos ministérios O honrem. Que cumpramos cabalmente a diaconia que recebemos dEle por graça. Que cada um de nós possa dizer como Paulo: “Pela graça de Deus sou o que sou e a Sua graça para comigo não foi ineficaz” (I Co 15.10). Que cada um de nós seja encontrado fiel. Deus quer que os nossos ministérios O glorifiquem. Sejamos homens irrepreensíveis, sinceros e íntegros no meio de uma geração corrupta e perversa, na qual devemos resplandecer com luzeiros (Filipenses 2.15). Sejamos uma espécie de pastores submissos ao Senhor Jesus Cristo, fazendo toda a Sua vontade. Imitemos o apóstolo Paulo: “Mas em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que eu complete minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus (At 20.24). Que espécie de pastores somos? Aquela espécie que tem prazer em fazer a vontade de Deus em Cristo Jesus, nosso Supremo Pastor. n


PONTO DE VISTA

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OBSERVATÓRIO BATISTA

Lourenço Stelio Rega Ao longo de quatro artigos procuramos mapear algumas tendências que começam a se formar para esta nova fase da história humana. Por que chamamos este artigo de (in)conclusão? Porque enquanto escrevemos, os fatos estão acontecendo, estamos como que trocando o pneu de um carro em movimento. Talvez, alguém poderia perguntar o motivo de escrevermos estes artigos ou a existência de textos semelhantes. Por que não esperar? Simplesmente porque necessitamos de respostas para “ontem” para sabermos como viver, como decidir o dia a dia hoje, para nos prepararmos para amanhã. Por isso mesmo estamos apontando tendências, aliás, algumas já estão se concretizando e modelando nossos comportamentos, escolhas, relacionamentos. Algumas dessas tendências terão efeitos retardados, mas irão também afetar tudo isso. Ou fazemos isso para desenvolvermos vida consciente e participarmos da construção e nossa história e prepararmos um mundo habitável e melhor como agentes históricos ou seremos meros consumidores da realidade, massa manipulável. Muito está por vir, seja como resultado dos efeitos e sequelas dessa doença, seja como resultados dos novos referenciais que estão surgindo ou mesmo a transformação de muitos desses referenciais ou mesmo a ausência de alguns deles. E é isso que, desde o primeiro artigo, estamos chamando de reset. Vamos lembrar que esta palavra vem do mundo da informática e significa que ao darmos o reset em um computador, celular, tablet ou qualquer outro equipamento, apagamos a memória do equipamento que estava armazenando dados e referenciais que controlavam o seu funcionamento para recolocá-los e tudo volte a funcionar novamente. Ao repor as “variáveis de controle” do sistema, tudo volta ao estado inicial e seguirá normalmente como foi projetado. Só que, no caso da COVID-19, essas variáveis de controle, esses referenciais ou parâmetros não serão completamente os mesmos que utilizávamos. Alguns desses referenciais ou não existem mais, foram modificados ou mesmo serão novos. Isso significa que decisões e escolhas que seguiam os “antigos” modelos vão necessitar ser redescobertas, “repensadas”, retrabalhadas, pois estamos em um mundo novo, por isso é que se chama

COVID-19: o mundo parou e estamos em um grande reset! (in)conclusão

o “novo normal”. Para explicar melhor é como se a tabela de cores que conhecemos bem (com exceção de nós daltônicos - risos) fosse completamente trocada e os nomes das cores fossem outros completamente diferentes. Ou mesmo como se a numeração não significasse mais a mesma coisa e teríamos de reaprender operações simples da aritmética. Nos artigos anteriores apresentamos diversos exemplos para demonstrar isso. Em um resumo, foi como que aberta a “caixa de Pandora”; o mundo está mudando drástica e rapidamente e, agora, muitos cenários que ainda não conhecemos e alguns que estamos conhecendo estão sendo terríveis. Mas alguns já despontam com melhores perspectivas de vida. Muitas tensões dialéticas continuarão, especialmente se não forem considerados os novos referenciais desse reset que está provocando o reinício do que seja viver a vida. Por exemplo e citando novamente, continuará a tensão dialética entre a Economia e as tentativas para evitar o contágio com o isolamento social, pois economistas vivem em tensão com os profissionais da área de saúde, governantes são pressionados por empresários, o desemprego ou subemprego vem aumentando. Como vencer esse microrganismo e evitar tudo isso? Como já afirmamos e a bem da verdade os economistas precisam se esforçar mais e rever as variáveis ou referenciais da economia clássica, tais como a “Teoria da Escolha Racional” e outras tantas teorias, dos meios de trocas e redescobrir novas variáveis para o funcionamento do mundo que vá além do papel-moeda como gerador de confiança entre as pessoas e bem intangível de troca. Já é possível ouvir sobre a “economia compartilhada” e outras alternativas de relacionamento econômico. E isso tudo sem considerar o aceleramento da Quarta Revolução, em que macrossetores poderão entrar em colapso mais rapidamente do que o esperado, como, por exemplo, a indústria petroleira, no caso dos veículos elétricos, ou mesmo a indústria da eletricidade clássica, com o crescente barateamento da produção de energia solar e o da produção de baterias. Nesse grande reset da vida e do mundo será necessário aproveitarmos agora a oportunidade para revalorizar a vida pessoal, reconhecer nossa finitude ou impotência (afinal, em março de 2020

dormimos de um jeito e acordamos com um mundo diferente), rever nosso projeto de vida, redescobrir novos caminhos para revalorizarmos o outro, nosso próximo, investir tempo na convivência, gerirmos com melhor proveito nosso tempo e oportunidades, em busca de sentido significativo em viver. Mas também reconhecer o ser humano de forma integral, em todas as suas dimensões. Sem querer generalizar e para as próximas frases cabe um “em geral”, será possível deduzir que para os materialistas ou mesmo biologistas, a vida é o que é, fruto das interações neurobiológicas, que ao cessarem acaba tudo. Para os racionalistas, tudo tem sentido ao ser demonstrado logicamente, razão e cérebro são tudo. Para os que valorizam a existência, em geral, primam pelo aqui e agora. Para os que valorizam a Economia, a vida tem de ser prática e render o maior benefício possível. Para os que valorizam os relacionamentos, a vida vale quando estamos convivendo com outros. Para os que valorizam as afeições, a vida vale pelas emoções. Para os utilitaristas, a vida vale pelo proveito que podemos tirar dela (e dos outros). Para os religiosos, a vida vale apenas pelo lado transcendente, pela valorização da alma. Será necessário reconhecer que existe sentido em vivermos, que os relacionamentos e a inteligência são mais do que racional. A vida é emocional, é prática, é ação, é espiritual, é física etc. Agora é o momento de reconhecermos que a vida é tudo isso em equilíbrio. Novos momentos atuais estão surgindo, alguns em benefício da humanidade, como a Medicina que está ficando mais global, que agora considera o mundo da saúde sem fronteiras. A busca pela descoberta da vacina para o Sars-Cov-2 da doença da COVID-19 é um exemplo de união de esforços científicos e trocas de informações e experiências clínicas e de laboratórios. Vamos precisar investir em relacionamentos mais consistentes, pois os relacionamentos hoje são tão efêmeros, não constroem vínculos. Será necessário aproveitar esse momento para fazer a permuta da busca de satisfação e bem-estar imediatos por relacionamentos mais seguros e envolventes, implicando em engajamento emocional, processo de aprendizagem e crescimento colegiado, com a ampliação do consenso e confiança e promovendo a construção de apego. A solidariedade, a compaixão,

a empatia e outros alter-sentimentos (do latim “alter”: outro), necessitarão estar na agenda diária da humanidade. A Ciência, por sua vez, precisará se construir além da técnica, da busca das regularidades e resultados, e ser edificada também em pilares éticos, pois, de uma certa maneira, a ciência é neutra, mas quem a aplica nunca será neutro. A Inteligência Artificial (AI) precisa de referenciais mais seguros e ser também incluída na agenda das responsabilidades éticas. E aqui teríamos inúmeros exemplos: no caso de um carro autônomo que atropela alguém, a culpa seria do engenheiro que o projetou, da empresa que fabricou, dos componentes eletrônicos ou do algoritmo que deixou de considerar alguns dados ou informação? O pessoal do Direito terá muito trabalho pela frente. Além disso, a Inteligência Artificial é lógica e não humana, falta nela humanidade. Já se fala em inteligência sintética não humana e o espaço aqui é pequeno para avançarmos. Sem ainda contar com a invasão de privacidade e a vigilância que tem se instalado no monitoramento da doença que, poderá e está acontecendo, vai transpor a finalidade de proteção da humanidade para, quem sabe, o domínio da humanidade como massa. Nesse grande reset viveremos em uma sociedade pós-moralista? Pode ser que sim, mas não em uma sociedade pós-ética, pois continuaremos decidindo, mesmo porque uma não decisão é uma decisão e a liberdade humana necessitará ser redescoberta, pois ninguém é livre se você não for livre. E ninguém é livre se não pode escolher e tomar decisões. Mais ainda, ninguém é livre se não for responsável pelas suas escolhas. Muito mais ainda, só seremos livres e responsáveis se buscarmos referenciais seguros para nossas decisões. E como isso se dará em um mundo pós pandêmico com quase tudo mudado que é herdeiro de uma Hipermodernidade (Lipovetsky) fundado na negação das metanarrativas (Lyotard) e ausência de referenciais, pelo menos, os essenciais, que sejam amplos e aplicáveis às principais escolhas humanas? E aqui, como o espaço terminou, lanço o desafio de construirmos uma Ética Mínima, que possua os principais referenciais para a humanidade, que possam ser aplicáveis de forma atemporal e acultural. É um empreendimento impossível, talvez não. Desejando receber os outros artigos ou entrar em contato: rega@batistas.org. n


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