n o238
ANO XX | AGO 2026
HÁ 19 ANOS LEVANDO INFORMAÇÃO DE QUALIDADE À REPOSIÇÃO AUTOMOTIVA
O NORDESTE ACELERA O AFTERMARKET Pág. | 10
Com economia em expansão, frota crescente e novos investimentos, a região assume um papel estratégico no futuro da reposição automotiva brasileira.
Revista Balcão Automotivo
Impressa e digital, nas mãos de quem decide!
4 | EDITORIAL
HÁ 19 ANOS LEVANDO INFORMAÇÃO DE QUALIDADE À REPOSIÇÃO AUTOMOTIVA
ÍNDICE • Gestão para crescer............26
Na Rede JS, gestão eficiente, tecnologia e valorização das pessoas sustentam a estratégia para os próximos anos.
• O futuro já chegou...............30
Os veículos elétricos redesenham a cadeia automotiva e abrem novas oportunidades para distribuidores, varejos, oficinas e reparadores.
• Feiras que transformam......34
Mais do que vitrines de lançamentos, as feiras ampliam conhecimento, estimulam conexões e impulsionam o desenvolvimento profissional.
NOSSA PLATAFORMA DIGITAL
BALCÃO AUTOMOTIVO Nº 238 | ANO XX | AGOSTO DE 2026
UM MERCADO QUE NÃO PARA DE EVOLUIR O aftermarket vive um momento de
Também acompanhamos os bastidores
transformação. O crescimento da frota, os
do automobilismo nacional. Na coluna de
investimentos da indústria, a chegada de
Nonô Figueiredo, a fase internacional da
novas tecnologias e um consumidor cada
Cobra Racing Team revela que planejamento,
vez mais exigente estão mudando a forma de
adaptação e evolução caminham juntos
fazer negócios. Em um mercado que evolui
quando o objetivo é alcançar novos patamares.
nessa velocidade, conhecimento deixou de ser
Uma reflexão que dialoga diretamente com a
diferencial. Passou a ser requisito para quem
realidade das empresas e dos profissionais do
deseja crescer e permanecer competitivo.
aftermarket.
Nesta edição, mostramos por que o
As feiras de negócios também ganham
Nordeste vem assumindo um papel cada
destaque.
vez mais relevante no cenário automotivo
lançamentos, consolidaram-se como espaços
nacional. A região cresce acima da média
de relacionamento, atualização profissional e
do País, atrai novos investimentos, amplia
geração de oportunidades. É nesse ambiente
sua capacidade industrial e fortalece a
que o Balcão Automotivo realiza o Workshop
Mais
do
que
vitrines
de
cadeia de reposição. Esse movimento ajuda
Vendedor de Alta Performance, no dia 21 de
NAVEGUE EM NOSSO SITE
a explicar a importância da Autop 2026, que
agosto, às 19 horas, no Foyer do Centro de
www.BalcaoAutomotivo.com
reúne empresas, marcas e profissionais para
Eventos do Ceará, durante a Autop 2026. Com
discutir os rumos do aftermarket.
o apoio institucional do SSA-CE, o encontro
90 MIL VISITAS POR MÊS
Outro
tema
em
destaque
é
a
eletromobilidade. Os veículos eletrificados já fazem parte da realidade brasileira e
25,3 MIL SEGUIDORES
21,5 MIL SEGUIDORES
4 MIL
SEGUIDORES
3 MIL
INSCRITOS
começam a transformar toda a cadeia automotiva.
Distribuidores,
reunirá especialistas e profissionais para discutir vendas, atendimento, relacionamento e desenvolvimento profissional. Todos os caminhos desta edição levam
varejistas,
à mesma reflexão: o aftermarket brasileiro
oficinas e reparadores passam a conviver
está mudando em ritmo acelerado. As
com novos desafios e oportunidades que
oportunidades crescem na mesma velocidade
exigem atualização constante. Na mesma
para
direção, a entrevista com a Rede JS mostra
inovação e relacionamento.
como gestão, tecnologia e desenvolvimento de pessoas se tornaram pilares para sustentar
quem
investe
em
conhecimento,
Boa leitura e nos encontramos na Autop 2026!
o crescimento dos negócios.
O EDITOR
1 MIL
SEGUIDORES
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Balcão Automotivo é uma publicação dirigida aos profissionais automotivos e tem o objetivo de trazer referências ao mercado, para melhor conhecimento de seus profissionais e representantes. Os anúncios aqui publicados são de responsabilidade exclusiva dos anunciantes, inclusive com relação a preço e qualidade. As matérias assinadas são de responsabilidade dos autores.
FIQUEPORDENTRO COBREQ LEVA CAPACITAÇÃO TÉCNICA AO NORTE E NORDESTE COM UNIDADE MÓVEL
A Unidade de Treinamento Móvel (UTM) passa a contar com a participação da Cobreq, ampliando a presença da marca nas regiões Norte e Nordeste. Em parceria com a Franap Representações e outras indústrias, o projeto levará treinamentos, demonstrações práticas e suporte técnico a 11 estados. A iniciativa aproxima fabricantes, distribuidores, oficinas e reparadores, reforçando a qualificação profissional e a segurança na reparação automotiva.
P O R: R E D AÇ ÃO | F OTO ( S ): D I V U LG AÇ ÃO
PHINIA ANUNCIA NOVO VICEPRESIDENTE GLOBAL DE AFTERMARKET Daniel Griffin (foto) é o novo vicepresidente global de Aftermarket da PHINIA. O executivo, que assumiu o cargo em julho, sucede Neil Fryer e terá a missão de liderar a estratégia global da área, fortalecendo o relacionamento com clientes e parceiros. Com experiência nos setores automotivo e de reposição, Griffin também será responsável por impulsionar o crescimento e a competitividade dos negócios.
CHAMPION ESCLARECE IMPACTOS DO ETANOL NA GASOLINA NOS MOTORES
O aumento do teor de etanol na gasolina motivou a Champion a esclarecer os principais impactos da mudança sobre o funcionamento dos motores. Segundo a marca, fatores como tecnologia embarcada, calibração eletrônica e estado de conservação do veículo influenciam diretamente o desempenho. A recomendação é manter o sistema de ignição em dia e realizar um diagnóstico técnico sempre que houver alterações no funcionamento.
TAKAO LANÇA IA NO WHATSAPP E INOVA O SUPORTE TÉCNICO Pioneira no aftermarket brasileiro, a TAKAO colocou no ar o Zé Maria, agente de Inteligência Artificial disponível no WhatsApp. A ferramenta responde dúvidas sobre aplicações, referências cruzadas e especificações de peças por texto ou voz, agilizando o dia a dia de mecânicos e balconistas. A novidade amplia o suporte técnico da marca e reforça sua estratégia de inovação.
6 | BALCÃO AUTOMOTIVO
ELRING RENOVA MASCOTE E FORTALECE CONEXÃO COM O AFTERMARKET Depois de uma completa reestilização, o mascote Gnirle passa a representar a nova fase da comunicação da Elring. A atualização integra a campanha “Junte-se a nós” e aproxima a marca dos profissionais da reparação automotiva. O personagem estará presente em feiras, treinamentos, convenções e ações com clientes, reforçando a tradição da empresa aliada à proximidade com o mercado.
FIQUEPORDENTRO RHINO AUTO PARTS CONFIRMA PRESENÇA E PROMOVE EXPERIÊNCIAS EM INTERLAGOS
Quem visitar o estande da Rhino Auto Parts no Suhai Festival de Interlagos encontrará lançamentos, ativações e oportunidades de interação com a equipe da marca. Voltada a mecânicos, aplicadores, proprietários de oficinas e entusiastas do setor, a participação busca fortalecer o relacionamento com os profissionais da reparação automotiva.
AUTOP 2026 DESTACA PORTFÓLIO DAS MARCAS DO GRUPO TIGER
Edição Auto 2026 27 a 30 de agosto de 2026 Autódromo de Interlagos São Paulo (SP)
Com as marcas Tiger Auto, EW Auto e Vipertron, o Grupo Tiger chega à Autop 2026 exibindo um portfólio com mais de 3 mil produtos para o mercado de reposição. O estande reunirá soluções em palhetas, lâmpadas, chaves de seta, rádios automotivos e outros componentes. A empresa aposta na feira para ampliar o relacionamento com distribuidores, varejistas e consumidores.
TECFIL APRESENTA LANÇAMENTOS E AMPLIA PRESENÇA NA AUTOP Mais de 100 lançamentos em filtros automotivos e a nova linha Max Pro Utilitários serão os destaques da Tecfil na Autop 2026. Além de apresentar novidades para diferentes aplicações, a fabricante promoverá uma palestra sobre manutenção preventiva e o papel dos filtros no desempenho e na proteção dos veículos. A participação reforça a presença da marca junto aos profissionais da reparação e à cadeia de reposição.
EATON REFORÇA ATUAÇÃO E APRESENTA LANÇAMENTOS NA AUTOP
Na Autop 2026, a Eaton destacará sua nova embreagem de 362 mm para caminhões leves da linha Delivery, desenvolvida no Brasil. O estande também reunirá soluções para o mercado de reposição, incluindo componentes hidráulicos, válvulas, produtos de lubrificação e a linha ECOBox. A presença na feira faz parte da estratégia de ampliar a proximidade com clientes e parceiros do Nordeste.
AUTOP 2026 APRESENTA NOVOS PRODUTOS DA NTN E SNR
Novos cubos e rolamentos de roda para a frota brasileira estarão entre os destaques das marcas NTN e SNR na Autop 2026. O estande também oferecerá atendimento técnico, dinâmicas interativas e ações de relacionamento, como roleta de prêmios e máquina de brindes. A participação evidencia o foco das marcas em fortalecer sua atuação no mercado de reposição automotiva. BALCÃO AUTOMOTIVO | 7
P O R: R E D AÇ ÃO | F OTO ( S ): D I V U LG AÇ ÃO
BORGWARNER CONQUISTA NOVO PROGRAMA DE TRANSMISSÃO DCT PARA MOTOCICLETAS
A BorgWarner fornecerá um sistema integrado de transmissão de dupla embreagem (DCT) para uma fabricante chinesa de motocicletas, com produção prevista para 2027. A solução reúne embreagens, módulo de controle hidráulico e software, ampliando a atuação da empresa como provedora de sistemas completos. A tecnologia promete trocas de marcha mais suaves, maior eficiência energética e melhor experiência de pilotagem para modelos acima de 500 cc.
PROMAX BARDAHL REFORÇA MANUTENÇÃO PREVENTIVA PARA MAIS SEGURANÇA SOBRE DUAS RODAS
No Dia do Motociclista, celebrado em 27 de julho, a Promax Bardahl destacou que a manutenção preventiva é essencial para garantir segurança, desempenho e maior vida útil da motocicleta. A empresa reforça a importância da troca correta do óleo lubrificante, da revisão periódica de itens como freios, pneus, corrente e suspensão, além da utilização de produtos específicos para motocicletas, contribuindo para uma pilotagem mais confiável e eficiente.
YADEA INAUGURA LOJA CONCEITO NO RIO E ACELERA EXPANSÃO NO BRASIL
A Yadea inaugurou sua primeira loja conceito no Rio de Janeiro, ampliando sua estratégia de expansão no mercado brasileiro de mobilidade elétrica. A unidade reúne showroom, test-ride, assistência técnica e pós-venda, além de apresentar modelos como a Keeness. A empresa também projeta ampliar sua produção nacional e fortalecer sua rede de concessionárias e serviços, acompanhando o crescimento da demanda por veículos elétricos de duas rodas no País.
RINALDI AMPLIA LINHA SS48 E FORTALECE ATUAÇÃO NO SEGMENTO DE PNEUS SEM CÂMARA
COBRA PARTICIPA DA FEIRA MOTO SUDESTE E FORTALECE NEGÓCIOS NO SETOR Reforçando sua atuação no mercado de reposição para motocicletas, a Cobra Rolamentos e Autopeças esteve na 6ª Feira Moto Sudeste, nos dias 24 e 25 de julho, em Campinas (SP). Durante o evento, a empresa apresentou seu portfólio de motopeças e ofereceu condições comerciais exclusivas, fortalecendo o relacionamento com clientes e parceiros e ampliando oportunidades de negócios em um dos principais encontros do segmento no Brasil. 8 | BALCÃO AUTOMOTIVO
A Rinaldi expande a família SS48 com as novas medidas 110/70-14 TL e 110/70-17 TL, ampliando as aplicações para scooters e motocicletas de média cilindrada. Os lançamentos fortalecem a presença da marca no segmento de pneus sem câmara (TL), um dos que mais crescem no mercado brasileiro, e reforçam o portfólio voltado à reposição, com foco em desempenho, segurança, durabilidade e maior cobertura de aplicações.
CAPA
NORDESTE: A NOVA FORÇA DO MERCADO DE REPOSIÇÃO Por: Karin Fuchs | Foto(s): Divulgação
Com economia em expansão, crescimento da frota e forte avanço industrial, a região consolida seu protagonismo como um dos principais polos brasileiros da reposição automotiva, impulsionando inovação, competitividade e desenvolvimento sustentável 10 | BALCÃO AUTOMOTIVO
NORDESTE EM FOCO
CAPA
O Nordeste vive uma
transformação que vai muito
além do crescimento da frota.
Hoje, a região reúne escala,
capacidade de distribuição,
novos polos industriais e um
O
mercado do Nordeste segue em ritmo de expansão. Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) da região totalizou R$ 1,76 trilhão, registrando crescimento nominal de 8% em relação a 2024. Considerando os últimos quatro anos, a economia nordestina acumulou expansão de 26,9%, acima da média nacional, de 26,3%, segundo o Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene/BNB), com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Banco Central. Para este ano, o Etene/BNB estima que o PIB da região alcance R$ 1,88 trilhão e ultrapasse R$ 2 trilhões em 2027.
Frota em expansão O Nordeste conta com uma frota circulante
ambiente de negócios que
a coloca entre os principais
mercados estratégicos da
reposição automotiva no Brasil”. Ranieri Leitão,
presidente do Sistema Sincopeças/Assopeças/Assomotos Ceará (SSA/CE) e do Sincopeças Brasil
superior a 23,7 milhões de veículos. Somente no primeiro semestre de 2026, as vendas de veículos novos cresceram 13,2% em relação ao mesmo período de 2025, passando de 530.050 para 600.458 unidades. Um dos principais fatores para esse desempenho é a oferta de crédito. No mesmo período, o volume de financiamentos de veículos novos na região avançou 16,6%, superando outras regiões do País, como o Centro-Oeste (15,3%) e o Sul (11,8%), de acordo com balanço da Trillia, unidade de negócios da B3. No Ceará, Estado que sedia a Autop, os emplacamentos de veículos no primeiro semestre de 2026 cresceram 17,09% em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando 89.906 unidades, segundo a Fenabrave.
Reindustrialização Ranieri Leitão – Presidente do Sistema
Sincopeças/Assopeças/Assomotos Ceará (SSA/ CE) e do Sincopeças Brasil
O Nordeste também vive um processo de reindustrialização do setor automotivo,
impulsionado por três polos estratégicos: o Polo Automotivo de Goiana (PE), onde são produzidos quatro modelos da Stellantis e, mais recentemente, veículos da Leapmotor, fabricados em parceria com a Stellantis; o Complexo Automotivo de Camaçari (BA), que abriga a operação da BYD; e o Polo Automotivo do Ceará (PACE), em Horizonte (CE), com a presença das marcas Chevrolet e MG Motor, considerado a primeira planta multimarcas do Brasil.
Aftermarket ganha força O conjunto de fatores — economia aquecida, crescimento da frota circulante e fortalecimento da produção automotiva local — tem consolidado o Nordeste como uma das regiões mais estratégicas para o mercado de reposição automotiva. Segundo Ranieri Leitão, anfitrião da Autop, presidente do Sistema Sincopeças/ Assopeças/Assomotos Ceará (SSA/CE) e do BALCÃO AUTOMOTIVO | 11
CAPA
NORDESTE EM FOCO um olhar estratégico que combine eficiência operacional digital com o aproveitamento de novas fronteiras logísticas no interior da região”, afirmou.
Lewton Almeida Fernandes – CEO da
Newston’s Autopeças e diretor Regional do SSA/CE do Sertão Central
Sincopeças Brasil, “o mercado de reposição automotiva do Nordeste apresenta uma trajetória consistente de crescimento e já representa aproximadamente 18% do faturamento nacional do setor. Mais importante do que observar apenas uma taxa anual é compreender a transformação estrutural que está acontecendo na região. Temos uma frota crescente, um número expressivo de motocicletas e veículos comerciais, além de consumidores que mantêm seus veículos em circulação por mais tempo. Esse cenário amplia naturalmente a necessidade de peças, serviços, manutenção preventiva e reparação”, afirmou. O executivo acrescentou que “o Nordeste deixou de ser visto apenas como um mercado consumidor secundário e passou a ocupar uma posição estratégica nos planos de expansão da indústria, dos fabricantes, distribuidores e prestadores de serviços. É uma região com escala, capilaridade e grande potencial de crescimento”, descreveu. Transformação profunda – Lewton Almeida Fernandes, CEO da Newston’s Autopeças e diretor Regional do SSA/CE do Sertão Central, disse que o novo norte do setor automotivo é a disrupção, logística e o protagonismo do cliente no Nordeste. “O mercado automotivo do Nordeste vive um momento de profunda transformação. Assim como ocorreu em outros setores da economia global, o segmento de autopeças e serviços automotivos regional passa por um processo acelerado de disrupção e consolidação, dinâmicas que ganharam tração total após o período pandêmico. O cenário atual exige 12 | BALCÃO AUTOMOTIVO
Segundo ele, o mercado automotivo nordestino conquistou maturidade e independência regulatória de consumo. “Atualmente, o Nordeste consolidou-se como um hub estratégico global de energia limpa e infraestrutura de dados. As perspectivas de curto e longo prazo são impulsionadas pelo fortalecimento da infraestrutura de transportes. Grandes obras estruturantes funcionam como motores de atratividade industrial, desenvolvimento social e crescimento econômico”, mencionou. Lewton Almeida Fernandes citou cidades do interior, como Quixeramobim, onde está localizada a sua loja, que exemplificam essa descentralização. “Essas cidades passaram a receber ramais da Ferrovia Transnordestina e projetos de Portos Secos. Essa integração transforma o território em um setor fundamental para a logística nacional de abastecimento de insumos e escoamento de produção, expandindo diretamente o volume de frotas comerciais na região”, explicou. Evolução consistente – Na avaliação de Rodrigo Tavares, proprietário da RW Autopeças, em Caucaia (CE), o mercado automotivo do Nordeste apresentou uma evolução consistente nos últimos anos devido, principalmente, ao crescimento da frota circulante. “A região também vem ganhando relevância no mercado nacional, acompanhando o aumento dos veículos usados. Ao mesmo tempo, a frota continua envelhecendo, o que fortalece o segmento de reposição e serviços. Acredito que o Nordeste concentra uma das maiores frotas do País, com idade média superior à média nacional, reforçando o potencial para manutenção e pós-venda”, afirmou. Para os próximos anos, ele prevê que a tendência é de continuidade desse crescimento. “Sustentado pela expansão da mobilidade, pelo envelhecimento da frota e pela chegada gradual de veículos eletrificados, a expansão do mercado deve continuar, impulsionando a demanda por
peças mais específicas e por mão de obra cada vez mais especializada”, descreveu. Perenidade dos negócios – Na avaliação de Francisco Gomes, consultor e instrutor do Curso de Balconista de Alta Performance, “o crescimento da frota garante perenidade no nosso negócio. A nossa frota hoje está envelhecida, como na década de 1990, trazendo muitos negócios para manutenção. Ao mesmo tempo, nesse ano de 2026, a gente está tendo uma grande resposta dos veículos novos pela primeira vez em muitos anos. A gente vai voltar a vender 3 milhões de veículos por ano (previsão da Anfavea já para este ano)”, comentou. Para ele, “isso garante que a gente vai ter manutenção dos antigos pela frota envelhecida e manutenção futura dos novos que estão vendendo agora, mesmo com todas as dificuldades que o nosso país enfrenta. O que a gente precisa fazer é melhorar a gestão das oficinas para que não seja só serviço que a gente tenha, e sim lucratividade nos nossos negócios”, orientou.
Novas exigências Na visão de Lewton Almeida Fernandes, a expansão da frota nordestina reflete diretamente o aquecimento econômico regional e a interiorização do desenvolvimento. “O aumento do volume de veículos leves, motocicletas e, principalmente, da frota pesada de carga ligada ao agronegócio e à logística cria uma demanda contínua e resiliente por manutenção. Essa demanda qualifica o mercado de reposição”, explicou. E acrescentou: “veículos com maior
Rodrigo Tavares – Proprietário da RW
Autopeças
CAPA
NORDESTE EM FOCO sistemas eletrônicos e componentes cada vez mais complexos. Isso exige diagnóstico preciso, equipamentos adequados, acesso à informação técnica e qualificação permanente da mão de obra. Portanto, não cresce apenas a quantidade de serviços. Cresce também a exigência por uma reparação mais técnica, profissionalizada e confiável. Esse é um grande desafio, mas também uma excelente oportunidade para as empresas e os profissionais da região”, disse.
Francisco Gomes – Consultor e instrutor do Curso de Balconista de Alta Performance
tecnologia embarcada exigem que as autopeças e oficinas locais invistam constantemente em atualização técnica e estoques inteligentes. O crescimento da frota na região não é apenas quantitativo, mas qualitativo, consolidando o setor automotivo como um dos pilares mais estáveis e promissores da economia do Nordeste para os próximos anos”, analisou. Idade média elevada – Rodrigo Tavares concorda que o crescimento da frota é um dos principais fatores que sustentam a expansão do mercado de autopeças. “Além do aumento no número de veículos em circulação, o Brasil possui uma frota com idade média elevada, o que gera uma demanda crescente por manutenção preventiva e corretiva”, expôs. Esse cenário, segundo ele, “fortalece toda a cadeia de reposição. A expectativa é que essa demanda continue em alta nos próximos anos, tanto pelo envelhecimento da frota quanto pela maior complexidade dos veículos modernos, que exigem peças de maior qualidade e profissionais cada vez mais especializados para realizar diagnósticos e reparos”, afirmou. Ranieri Leitão contou que a demanda por reparação segue aquecida. “O envelhecimento da frota, o custo elevado para aquisição de veículos novos e a necessidade de manter os veículos em boas condições de segurança e funcionamento fazem com que o consumidor procure cada vez mais as oficinas e os profissionais especializados”, afirmou. Ele disse também que tem sido observada uma mudança no perfil dessa demanda. “Os veículos estão mais tecnológicos, com 14 | BALCÃO AUTOMOTIVO
A força da distribuição Para Ranieri Leitão, a distribuição regional é uma das grandes forças do aftermarket nordestino. “O distribuidor conhece as particularidades de cada Estado, mantém proximidade com o varejo e com o reparador, e consegue fazer o produto chegar até cidades onde a logística é mais complexa. O Nordeste possui um território amplo e mercados com características muito próprias. Por isso, não basta apenas ter o produto; é necessário ter estoque, agilidade, relacionamento, inteligência logística e conhecimento da realidade local”, afirmou. Segundo ele, os distribuidores estão cada vez mais estruturados, investindo em tecnologia, centros de distribuição, capacitação de equipes e aproximação com oficinas e varejistas. “Essa evolução fortalece toda a cadeia e demonstra que as empresas regionais não são apenas canais de venda, mas parceiras estratégicas da indústria e importantes agentes de desenvolvimento do setor”, sintetizou. Francisco Gomes falou que “as principais distribuidoras do Brasil já fincaram bandeiras nas principais capitais do Nordeste. E vem ancorando o seu crescimento, principalmente no resultado dessa expansão. Fortaleza se consolida como a principal capital do Nordeste hoje em negócios”, destacou. Além disso, acrescentou, “o próprio porto do Pecém, no Estado do Ceará, fez elevar o PIB do nosso setor e a gente tem inúmeros negócios surgindo justamente dessa expansão e desse crescimento do Nordeste. A BYD na Bahia, aqui no Ceará nós tínhamos a Troller e hoje nós temos a Chevrolet produzindo na mesma planta
que era da Troller. É um mercado pujante e eu diria que o segmento de autopeças ainda é mais aquecido do que o mercado de veículos na nossa região, diante da disputa e da concorrência existente entre os players”, analisou. Grupo Padre Cícero – Gerente Comercial na Padre Cícero, Leandro Machado, contou que o mercado automotivo nordestino evoluiu bastante nos últimos anos. “Hoje o Nordeste, através do próprio governo, traz investimentos para essa região e isso acaba atuando positivamente para o nosso segmento de autopeças. A gente vê os nossos concorrentes, sempre em expansão abrindo mais lojas, sinal de que o comércio está favorável. A gente sabe que tem altos e baixos, muitas vezes tem um mês que é melhor que o outro. Aqui na Padre Cícero não temos do que reclamar, 2026 tem sido positivo, com abertura de lojas e crescimento no faturamento”, comentou. Hoje a Padre Cícero tem 43 unidades, entre atacado e varejo. “De Pernambuco ao Maranhão, e vamos abrir ainda neste ano duas ou três lojas de varejo em Fortaleza. A gente sempre busca crescer, não só na capital, mas em outras regiões, o que já temos feito”, revelou. Leandro Machado chamou a atenção para os eletrificados. “A frota tem crescido e um ponto de atenção são os veículos elétricos e híbridos. A Padre Cícero está começando a fazer um portfólio das montadoras chinesas. Temos que estar atentos. Tem anos em que a frota aumenta mais e anos com um crescimento menor, mas fica a questão da
Leandro Machado – Gerente Comercial do
Grupo Padre Cícero
CAPA manutenção preventiva, que é muita pouca no segmento da reposição”, finalizou. Grupo Autofort – Na análise de César Garcia, diretor da Autofort, o mercado nordestino está cada vez mais regionalizado. “Isso traz novas oportunidades, novos mercados, novas linhas de produtos. A Autofort está em fase de expansão bem planejada, em agosto de 2025, abrimos a unidade no Crato (CE), região do Cariri, em março de 2026, abrimos a unidade de Campina Grande (PB), e para 2027 está no nosso planejamento a abertura de duas unidades, mas ainda não temos definida em quais regiões”, antecipou. Somando a unidade de Fortaleza, hoje a Autofort tem três unidades. “A Autofort é uma empresa que foca nos nichos, por conta disso, temos algumas opções que a maioria das empresas não tem foco”, afirmou, acrescentando que “o crescimento da frota, com a variedade de marcas e modelos é um desafio para toda a cadeia, já que é praticamente impossível ter tudo de tudo. Por conta disso, percebo muitas empresas
NORDESTE EM FOCO se especializando, ou em marcas ou em famílias de produtos para poder atender melhor”, concluiu. Bezerra Oliveira – Com 18 unidades e abertura prevista de mais duas neste ano, uma em Sobral e outra em Maracanaú, ambas no Ceará, a Bezerra Oliveira também segue em ritmo de expansão. “A abertura das filiais é por posicionamento logístico”, sintetizou o diretor Comercial, Marcos Antonio Nunes Bezerra. Como característica da sua região, ele contou que, de modo geral, muitas indústrias e empresas foram para o Nordeste. “Isso aumentou um pouco o crescimento da economia do Estado do Ceará e a frota foi crescendo também, e as pessoas que não tinham condição de ter um carro novo, passaram a ter um usado. Fortaleza é uma uma das capitais brasileiras com maior presença de veículos importados no Brasil, porque o povo aqui é vaidoso. Eu diria que a frota não cresceu como a gente esperava nos últimos três anos, porque a própria economia tem uma retração. A manutenção continua existindo, mas o consumidor está postergando para o último momento”, finalizou.
O cliente mudou
César Garcia – Diretor do Grupo Autofort
16 | BALCÃO AUTOMOTIVO
O acesso à informação foi a principal mudança do comportamento do consumidor nos últimos anos e as autopeças precisaram se adequar. “O cliente de autopeças está mais informado e mais exigente. Antes de comprar, ele pesquisa preços, compara marcas, busca recomendações e valoriza a procedência e a garantia dos produtos. Além do preço, fatores como disponibilidade
Marcos Antonio Nunes Bezerra – Diretor Comercial da Bezerra Oliveira
imediata, rapidez na entrega e atendimento técnico passaram a influenciar fortemente a decisão de compra. As empresas precisaram investir em gestão e qualificação. Tornou-se essencial melhorar a logística, e acompanhar a evolução tecnológica dos veículos”, afirmou Rodrigo Tavares. Outro ponto importante colocado por ele foi a capacitação constante das equipes comerciais e técnicas. “Os veículos atuais utilizam sistemas cada vez mais sofisticados. Além disso, o mercado passou a exigir maior agilidade no atendimento, integração com clientes e fornecedores e um pós-venda mais estruturado para fidelizar consumidores”, pontuou. Fim do modelo linear tradicional – Para Lewton Almeida Fernandes, o perfil do comprador de autopeças e serviços automotivos modernizou-se de forma definitiva. “O cliente atual é muito mais variado, hiperconectado e exigente em relação ao retorno de seu investimento. A jornada de compra abandonou o modelo linear tradicional e agora exige pilares comerciais bem definidos”, disse, citando:
CAPA
Cláudio Araújo – Sócio-proprietário da Êxito
Consultoria
Multicanalidade Integrada: “O consumidor navega fluidamente entre balcões físicos, marketplaces, WhatsApp e e-commerces especializados”. Sensibilidade ao Preço: “Existe uma pesquisa ativa, digital e comparativa de preços em tempo real antes da tomada de decisão”. Demanda por Consultoria: “O cliente não busca apenas a peça; ele exige atendimento técnico consultivo que valide a aplicação correta do componente”. Pós-Venda Ativo: “A segurança na garantia, na política de trocas e no suporte técnico posterior virou fator decisivo de fidelização”. Para corresponder a essa mudança de comportamento, Lewton Almeida Fernandes respondeu que as empresas do setor precisaram reestruturar seus sistemas basilares. “A adaptação bem-sucedida exige foco total na experiência do cliente e a valorização rigorosa de cada real investido pelo consumidor. Na prática, a sobrevivência e o crescimento no mercado atual dependem de equipes de linha de frente capacitadas e autônomas para resolver problemas e superar as expectativas do comprador; atendimento online eficiente; logística ultraveloz com estruturas de entrega rápida para reduzir o tempo do veículo parado na oficina e superação de expectativas, fornecendo valor agregado que vai muito além do produto físico comercializado”, especificou. Conhecimento – Diante deste cenário, Francisco Gomes descreveu que o cliente 18 | BALCÃO AUTOMOTIVO
NORDESTE EM FOCO
hoje está muito mais informado sobre as características técnicas dos produtos, seja automóvel, seja peça. “Ele está muito mais informado sobre a procedência e as qualificações do fornecedor daquele produto. Então as marcas precisam trabalhar cada vez mais a sua imagem, a sua força de mercado através da sua qualidade. As redes sociais facilitaram tudo isso, esse acesso à informação criou a ‘era dos sabidos’. O consumidor está muito mais informado e muito mais sabido”, explicou. Ele defendeu que cabe ao vendedor dominar o conhecimento técnico para orientar o cliente, esclarecer dúvidas com qualidade e agregar valor ao atendimento. Segundo Francisco, o consumidor já tem acesso a inúmeros fornecedores por meio da internet e pode comprar tanto em lojas físicas quanto online. Por isso, o diferencial está em oferecer um atendimento personalizado, que transmita segurança e ajude o cliente a fazer a melhor escolha. “Mais do que vender um produto, é preciso apresentar argumentos que realmente atendam às necessidades do consumidor. Hoje, nunca foi tão importante que o vendedor assuma o papel de consultor, tornando-se um facilitador da decisão de compra. Afinal, o cliente pode comprar sozinho, sem a ajuda de ninguém. O que faz a diferença é a experiência e a confiança que o vendedor é capaz de proporcionar”, afirmou. Mas a adaptação não está sendo rápida. “O que precisa para essa adaptação, que está ocorrendo e de forma muito lenta, é um processo de qualificação. Dentro do nosso mercado ainda está muito enraizado o jeito antigo de fazer, que é esperar pela demanda e hoje no nosso mercado se destaca quem é ativo em procurar um negócio na venda do automóvel, ou seja, na venda da peça. Essa proatividade faz toda a diferença no resultado final”, concluiu.
Agora ele precisa entender qual é o novo comportamento desse consumidor; que ele está com menos capacidade de compra, ele está endividado. Mas ele necessariamente precisa consertar o veículo dele, porque muitas vezes o veículo é o seu meio de trabalho”, afirmou. Segundo ele “A oficina hoje tem que estar preparada para receber o cliente com mais problemas no veículo, porque a frota está envelhecida, mas ao mesmo tempo com menos dinheiro para gastar. Então uma dica é estar um pouco mais capitalizada para financiar o cliente. Um pouco mais preparada, com paciência, porque o cliente chega com aquela bucha e ele precisa resolver”, orientou. E quanto maior a curva de envelhecimento da frota, maior a demanda na oficina, por outro lado, a oficina precisa estar estruturada. “Os donos de oficinas não têm problema de demanda, a questão é que quando ele insere a gestão no negócio, ele começa a entender que cada oficina tem um perfil de cliente específico. Quem quer atender todo mundo, não atende ninguém. Um problema que acontece muito é que a oficina cresce muito rápido, mas não cria estrutura para crescer. Então isso é uma reflexão muito importante para o dono da oficina”, finalizou. Cláudio Araújo estará na Autop apresentando palestras e circulando nos estandes dos parceiros, trocando ideias, levando algumas dicas e informações. “A ideia é ficar disponível para todo mundo que vem para o Autop”, afirmou. Evolução tecnológica – Para o empresário Cláudio Holanda, da oficina Sertões Off Road,
Desafios e oportunidades para o reparador independente Como oportunidade, Cláudio Araújo, sócio proprietário da Êxito Consultoria, falou sobre o envelhecimento da frota. “Isso gera uma grande oportunidade para o reparador independente porque a demanda aumenta.
Cláudio Holanda – Empresário da oficina
Sertões Off Road
CAPA CAPA
NORDESTE EM FOCO
O crescimento da frota e o envelhecimento dos veículos fazem do Nordeste um dos mercados mais promissores para a reposição automotiva. A demanda existe e continuará crescendo para quem estiver preparado para atendê-la”. Rodrigo Tavares, proprietário da RW Autopeças em Fortaleza (CE), os principais desafios são acompanhar a rápida evolução tecnológica dos veículos. “Além de enfrentar a escassez de mão de obra qualificada, que hoje afeta não apenas o setor de reparação automotiva, mas praticamente todos os segmentos da economia. Encontrar profissionais capacitados e comprometidos tem sido uma das maiores dificuldades das oficinas. Além disso, os veículos atuais possuem sistemas eletrônicos cada vez mais complexos, incluindo modelos híbridos e elétricos, o que exige investimentos constantes em equipamentos, informação técnica e capacitação da equipe”, explicou. Por outro lado, ele disse que “esse cenário cria uma grande oportunidade para as oficinas que investem em qualificação, tecnologia e excelência no atendimento. O cliente valoriza cada vez mais empresas que conseguem realizar diagnósticos precisos, oferecer transparência e entregar serviços com qualidade e segurança”, concluiu. Veículos modernos – Wellington dos Santos Mendonça, proprietário da WM Service Car, em Fortaleza (CE), disse também que o maior desafio hoje é acompanhar a evolução da tecnologia. “Os carros estão cada vez
Wellington dos Santos Mendonça Proprietário da WM Service Car
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mais eletrônicos, então quem não investe em conhecimento e equipamentos acaba ficando para trás. Por outro lado, essa também é a maior oportunidade. O reparador que estuda, faz um diagnóstico correto e entrega um serviço de qualidade se destaca no mercado, conquista a confiança do cliente e consegue cobrar pelo valor do seu conhecimento, não só pela mão de obra”, descreveu. Com a tecnologia, Wellington dos Santos Mendonça falou que mudou também o perfil do cliente. “Ele está ficando mais seletivo, quando ele vem, ele quer ter um atendimento diferenciado. O cliente passou a ser mais exigente tanto na qualidade do serviço quanto na parte técnica, na transparência e na estrutura física da oficina. Hoje o cliente usa os recursos disponíveis para tirar dúvidas de terceiros. Os proprietários de oficina estão enfrentando um cliente mais exigente e que questiona muito mais. Até na negociação de pagamento, a gente tem que estar muito seguro sobre a questão da cobrança, da negociação”, comentou. Para se adaptar, o empresário investe em qualificação. “O que a gente está fazendo para se adaptar, e já faz alguns anos, é buscar treinamento e participar de palestras que incluem gestão – não só financeira, mas que envolve pessoas, o escritório, o pátio e a logística. Gestão nada mais é do que estratégia. Então hoje o que buscamos é nos capacitar cada vez mais, tentar acompanhar o mercado. Aqui tem a Assopeças, que eu chamo de minha casa e tem todo esse amparo, e a ajuda do Cláudio Araújo. Participamos também de treinamentos em outros estados e estamos constantemente nos atualizando com base em estudos. Então, o que mais fazemos hoje é se atualizar no mercado, é a busca incansável de conhecimento”, finalizou.
Integração entre os diferentes elos da cadeia Nas palavras de Ranieri Leitão, o mercado nordestino evoluiu em profissionalização, organização empresarial e capacidade de investimento. “Varejos, distribuidores, oficinas e empresas de serviços vêm adotando novas tecnologias, aprimorando a gestão, capacitando suas equipes e compreendendo melhor a importância da experiência do cliente”, informou. Outro ponto colocado por ele foi a integração dos players. “Também avançamos na integração entre os diferentes elos da cadeia. Hoje existe mais diálogo entre indústria, distribuição, varejo e reparação, além de uma participação mais ativa das entidades representativas na defesa e no desenvolvimento do setor”. Para o futuro, ele vislumbra perspectivas muito positivas. “A frota continuará demandando manutenção, enquanto a transformação tecnológica dos veículos abrirá novos campos de atuação. Haverá espaço para empresas preparadas para trabalhar com eletrônica embarcada, diagnóstico, gestão de dados, novos modelos de mobilidade e soluções sustentáveis. Entretanto, o crescimento precisará ser acompanhado por investimento em qualificação profissional, inovação, sucessão empresarial e melhoria da gestão. O futuro será promissor, mas exigirá preparação”, ponderou.
Razões para investir no aftermarket nordestino A primeira razão é o tamanho do mercado, respondeu Ranieri Leitão. “O Nordeste reúne nove estados, uma população expressiva, uma frota relevante e milhares de empresas e profissionais que movimentam diariamente
CAPA
NORDESTE EM FOCO
a cadeia da reposição e da reparação automotiva. A segunda é o potencial de expansão. Ainda existem muitos municípios e microrregiões com demanda crescente e espaço para novas marcas, produtos, serviços e modelos de distribuição”, afirmou. Ele citou também a força do empresariado nordestino. “Temos empresas consolidadas, profissionais comprometidos e uma cultura de relacionamento muito presente nos negócios. Quem investe na região e constrói parcerias de longo prazo encontra um mercado receptivo e com grande capacidade de fidelização. Além disso, a diversidade da frota, a presença marcante das motocicletas, o crescimento dos veículos comerciais e as longas distâncias entre os municípios geram uma necessidade contínua de manutenção e reposição. Investir no aftermarket nordestino é estar presente em um mercado que já é relevante e que ainda possui um enorme potencial a ser desenvolvido”, ressaltou o executivo.
___________________________________ Contribuição do Sebrae/CE para o desenvolvimento do setor automotivo Por Alci Porto, diretor Técnico do Sebrae/CE O aftermarket automotivo brasileiro é formado, em sua maioria, por micro e pequenas empresas que movimentam a economia, geram empregos e sustentam uma cadeia essencial para a mobilidade do País. Segundo o Anuário do Comércio de Autopeças, o segmento atende a uma frota de aproximadamente 70 milhões de veículos e reúne mais de 71 mil estabelecimentos varejistas, evidenciando sua importância econômica e social. O Sebrae/CE atua de forma contínua para fortalecer a competitividade das micro e pequenas empresas que compõem a cadeia de reposição automotiva. Nossa estratégia vai além do apoio a eventos: desenvolvemos ações integradas de qualificação empresarial, inovação, acesso a mercados, formação de lideranças e estímulo ao associativismo.
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Nesse contexto, a Autop exerce um papel fundamental. Realizada pelo Sistema Sincopeças Assopeças Assomotos – SSACE, a feira nasceu no Ceará, mas tem alcance nacional. É uma plataforma de negócios, relacionamento, conhecimento e desenvolvimento do aftermarket.
Alci Porto – Diretor Técnico do Sebrae/CE
Em parceria com a ASSOPEÇAS, apoiamos iniciativas que ampliam a capacidade competitiva das empresas cearenses, como a Autop, missões empresariais, programas de formação gerencial, produção de conteúdo especializado, seminários técnicos e ações voltadas à inovação e à transformação digital. Também incentivamos a aproximação entre pequenos negócios e startups, criando um ambiente propício ao desenvolvimento de soluções para os desafios do setor. Nossa atuação tem um propósito claro: preparar as empresas para os desafios de um mercado em constante evolução, ampliando sua produtividade, capacidade de inovação e inserção em novos mercados. Acreditamos que o fortalecimento do setor automotivo passa pela cooperação entre instituições, entidades empresariais e empreendedores. É dessa união que surgem empresas mais competitivas, negócios mais sustentáveis e um aftermarket cada vez mais forte para o Ceará e para o Brasil.
___________________________________ O Ceará como polo de negócios e o papel da Autop Por Ranieri Leitão, presidente do SSA/CE O Ceará ocupa uma posição estratégica no Nordeste. Sua localização, infraestrutura, capacidade logística, ambiente empresarial e vocação para o comércio e os serviços fazem do estado um importante polo de negócios para toda a região. Fortaleza, por sua vez, consolidou-se como um centro de conexão entre empresários, profissionais, entidades e investidores.
A Autop aproxima a indústria da distribuição, do varejo e da reparação; apresenta novas tecnologias; estimula a qualificação profissional; fortalece as empresas regionais e evidencia para o Brasil a capacidade e a força do mercado nordestino. Em 2026, a feira reunirá cerca de 300 estandes, mais de 500 marcas e uma expectativa superior a 40 mil visitantes profissionais. Esses números demonstram a confiança do mercado e a relevância que o evento conquistou. Mais do que realizar uma feira, queremos deixar um legado para o setor. A Autop promove oportunidades, gera negócios, dissemina conhecimento e contribui para preparar as empresas e os profissionais para as transformações do mercado. É o Ceará mostrando ao Brasil que o Nordeste não é apenas uma região de grande potencial: é uma região preparada, estratégica e protagonista do aftermarket brasileiro.
___________________________________ Algumas razões para investir no aftermarket nordestino Frota em crescimento: A frota do Nordeste supera a marca de 23,7 milhões de veículos e segue crescendo. Segundo Francisco Gomes, “a nossa frota está envelhecida, como na década de 1990, ao mesmo tempo, pela primeira vez em muitos anos, a gente vai voltar a vender 3 milhões de veículos por ano (previsão da Anfavea já para este ano)”, afirmou. Para Lewton Almeida Fernandes, “o aumento do volume de veículos leves, motocicletas e, principalmente, da frota pesada de carga ligada ao agronegócio e à logística cria uma demanda contínua e resiliente por manutenção. Essa demanda qualifica o mercado de reposição”, explicou.
CAPA
NORDESTE EM FOCO
Mercado consumidor em expansão: O segmento de reposição automotiva do Nordeste apresenta uma trajetória consistente de desenvolvimento e já representa aproximadamente 18% do faturamento nacional do setor. “O Nordeste deixou de ser visto apenas como um mercado consumidor secundário e passou a ocupar uma posição estratégica nos planos de expansão da indústria, dos fabricantes, distribuidores e prestadores de serviços. É uma região com escala, capilaridade e grande potencial de crescimento”, descreveu Ranieri Leitão.
Distribuição regional fortalecida e expansão para o interior: Hoje, os principais polos de distribuição e comércio de autopeças na região estão localizados em Recife (PE), Salvador e Feira de Santana (BA), e Fortaleza (CE). As grandes distribuidoras e grupos de autopeças nordestinos já estão consolidados e a região também atraiu distribuidoras de outras regiões, conforme relatou Francisco Gomes, “as principais distribuidoras do Brasil já fincaram bandeiras nas principais capitais do Nordeste, e vêm ancorando o seu crescimento, principalmente no resultado dessa expansão”, destacou.
Rodrigo Tavares concorda com expansão. “O mercado automotivo do Nordeste apresentou uma evolução consistente nos últimos anos devido principalmente ao crescimento da frota circulante. A região também vem ganhando relevância no mercado nacional, acompanhando o aumento dos veículos usados. Acredito que o Nordeste concentra uma das maiores frotas do País, com idade média superior à média nacional, reforçando o potencial para manutenção e pós-venda”, afirmou.
César Garcia destacou a regionalização. “O mercado nordestino está cada vez mais regionalizado. Isso traz novas oportunidades, novos mercados, novas linhas de produtos”, especificou. Ambiente favorável para novos investimentos: Pelo Índice FIEC de Inovação dos Estados 2025, o Nordeste passou a ocupar o 3º lugar no ranking regional, superando o Centro-Oeste. O Sudeste mantém a liderança, seguido do Sul. O Nordeste ocupou
o 2º lugar em Sustentabilidade Ambiental, principalmente pela sua capacidade de gerar energia renovável. Entre os estados do Nordeste, Pernambuco e Ceará se destacam na evolução de maturidade do ambiente de inovação e na estratégia de desenvolvimento em Ciência, Tecnologia e Inovação. Segundo artigo do SiDi, um dos principais Institutos de Ciência e Tecnologia do Brasil, cinco pilares reforçam o potencial crescente do Nordeste como um centro estratégico da Indústria 5.0 e sustentabilidade no Brasil, são eles: - Ecossistemas e redes locais de inovação vibrantes; - Acesso a recursos financeiros dedicados, como o Inova PE; - Disponibilidade de talentos técnicos e industriais qualificados; - Agenda ESG forte, com impacto social e reputação global; - Alinhamento com prioridades governamentais de CT&I regional.
BALCÃO AUTOMOTIVO | 23
DISTRIBUIDOR
Por: Silvio Rocha | Foto(s): Divulgação
Da esquerda para a direita: o diretor comercial da Rede JS, Anderson Moraes dos Santos; o CEO da Rede JS, Wellington Pablo de Almeida Brito (Pablo Show); e o âncora do Podcast do Balcão Automotivo, Silvio Rocha
REDE JS INVESTE EM GESTÃO, TECNOLOGIA E PESSOAS PARA ACOMPANHAR A EVOLUÇÃO DO MERCADO DE PESADOS Com mais de três décadas de atuação na distribuição de peças para veículos pesados, a empresa amplia os investimentos em capacitação, tecnologia e relacionamento para acompanhar as transformações do aftermarket
C
om 36 anos de fundação, a Rede JS construiu sua história na distribuição de peças para veículos pesados. O crescimento da empresa veio acompanhado da expansão para diferentes regiões do País, mas o foco agora vai além da abertura de novas operações. A prioridade é fortalecer a gestão, investir em tecnologia e desenvolver pessoas para acompanhar um mercado que muda em ritmo acelerado. Essa visão foi compartilhada pelo CEO Wellington Pablo de Almeida Brito (Pablo Show) e pelo diretor comercial Anderson Moraes dos Santos durante entrevista ao Podcast do Balcão Automotivo. Na conversa, os executivos falaram sobre os desafios do setor e 26 | BALCÃO AUTOMOTIVO
defenderam que o futuro do aftermarket passa por gestão, eficiência operacional e relacionamento.
O CLIENTE MUDOU Depois da pandemia, o comportamento do cliente também mudou. Segundo Anderson, manter o caminhão rodando ficou ainda mais importante, aumentando a cobrança por disponibilidade de peças, rapidez na entrega e atendimento técnico. “O caminhão é uma ferramenta de trabalho. Se ele para, alguém deixa de faturar. Por isso, o cliente procura muito mais do que preço. Ele quer segurança na aplicação da peça e uma solução rápida”.
DISTRIBUIDOR
REDE JS
Ele observa que o mercado também passou a aceitar novas marcas com mais facilidade, desde que entreguem qualidade e respaldo técnico. Para distribuidores e fabricantes, isso abre novas oportunidades, mas também aumenta a responsabilidade de quem orienta a compra.
RELACIONAMENTO CONTINUA FAZENDO DIFERENÇA A Rede JS cresceu valorizando a proximidade com clientes, oficinas, transportadoras e fabricantes. Para Pablo, esse continua sendo um dos diferenciais da empresa. “Relacionamento não é apenas vender. É entender a necessidade do cliente e estar preparado para resolver o problema dele”.
A tecnologia também faz parte dos planos da Rede JS. A empresa investe em inteligência artificial, automação e ferramentas que agilizam a identificação de peças e dão mais precisão ao atendimento. Mas Pablo faz questão de destacar que nenhuma tecnologia substitui uma equipe preparada. Por isso, a formação de consultores, o treinamento constante e o desenvolvimento de lideranças seguem entre as principais prioridades da empresa.
SUCESSÃO PREOCUPA O SETOR A sucessão nas empresas familiares também entrou na pauta. Para os executivos, muitos empresários ainda têm dificuldade em despertar o interesse dos filhos pelo negócio, justamente em um momento de tantas oportunidades para o aftermarket. “Precisamos
Segundo Anderson, mesmo com o avanço do comércio eletrônico
parar de falar mal do nosso próprio segmento. É um mercado que
e das plataformas digitais, a confiança construída ao longo dos anos
continua oferecendo oportunidades para quem investe em gestão e
continua sendo decisiva na escolha de um fornecedor.
acredita no futuro”.
DE OLHO NO FUTURO GESTÃO SERÁ O DIFERENCIAL
Para a Rede JS, o mercado de reposição para veículos pesados
Poucos assuntos apareceram tanto durante a entrevista quanto a gestão. Na avaliação dos executivos, inteligência artificial, novas tecnologias e a reforma tributária vão exigir empresas mais organizadas, com processos bem definidos e decisões baseadas em indicadores. “A diferença estará cada vez menos no preço e cada vez mais na eficiência da gestão”, resume Pablo.
continuará crescendo, impulsionado pela força do transporte rodoviário no Brasil. O desafio será acompanhar essa evolução com empresas mais eficientes, equipes preparadas e uma gestão cada vez mais profissional. Essa é a direção escolhida pela empresa: investir em pessoas, tecnologia e compartilhamento de conhecimento para seguir crescendo junto com o mercado.
Para ele, quem investir em planejamento, desenvolvimento de pessoas e melhoria dos processos estará mais preparado para competir.
TECNOLOGIA A SERVIÇO DAS PESSOAS
Assista ao podcast
Confira a entrevista completa com os executivos da Rede JS no canal do Balcão Automotivo no YouTube.
ESTE PODCAST É UM PATROCÍNIO DE:
28 | BALCÃO AUTOMOTIVO
ELÉTRICOS
Por: Silvio Rocha | Foto(s): Divulgação
VEÍCULOS ELÉTRICOS ACELERAM MUDANÇAS NO SETOR E ABREM NOVAS OPORTUNIDADES PARA TODA A CADEIA AUTOMOTIVA Em entrevista ao Balcão Automotivo, Marcos Nogueira, COO da GreenV, analisa a evolução da eletromobilidade no Brasil, os desafios da infraestrutura e o impacto da eletrificação sobre distribuidores, varejistas, oficinas e reparadores
A
eletromobilidade já faz parte da realidade do mercado automotivo brasileiro. O crescimento das vendas de veículos eletrificados, impulsionado pela chegada de novas montadoras e pela ampliação da oferta de modelos, vem acelerando uma transformação que vai muito além da indústria automobilística. Distribuidores, varejistas, oficinas, reparadores e prestadores de serviços também passam a conviver com novos desafios — e, principalmente, com novas oportunidades. Para entender como essa mudança impacta toda a cadeia automotiva, o Balcão Automotivo conversou com Marcos Nogueira, COO da GreenV, empresa especializada em soluções para eletromobilidade, infraestrutura de recarga e capacitação profissional. Durante a entrevista, o executivo falou sobre o estágio atual do mercado brasileiro, explicou os gargalos da infraestrutura, comentou os mitos que ainda cercam os veículos elétricos e mostrou onde estão as 30 | BALCÃO AUTOMOTIVO
Marcos Nogueira, COO da GreenV
ELÉTRICOS principais oportunidades para o aftermarket. BA: O mercado de veículos elétricos já pode ser considerado uma realidade no Brasil? MN: Sem dúvida. Ainda estamos em uma fase de amadurecimento, mas a evolução é muito rápida. Nos últimos anos, o consumidor passou a enxergar o veículo eletrificado como uma alternativa real para o uso diário. A chegada de novas montadoras acelerou esse movimento, ampliou a oferta de modelos e tornou a tecnologia mais acessível. Hoje, não discutimos mais se o carro elétrico veio para ficar. Essa etapa já foi superada. BA: O Brasil está preparado para acompanhar esse crescimento? MN: Evoluímos bastante, principalmente nos grandes centros, mas existe um caminho importante pela frente. Hoje já encontramos uma infraestrutura muito melhor do que havia poucos anos atrás, com carregadores instalados em postos de combustíveis, shopping centers, hotéis, supermercados e diversos pontos estratégicos. O grande desafio agora é ampliar essa cobertura nas rodovias e em regiões onde a frota ainda é menor. Mais do que aumentar o número de carregadores, precisamos desenvolver uma rede inteligente, instalada nos lugares certos e preparada para acompanhar o crescimento da demanda. BA: Ainda existe muito receio em relação à autonomia e à infraestrutura de recarga. Esses medos fazem sentido? MN: Parte desse receio vem de informações que ficaram no passado. Hoje, o motorista consegue planejar praticamente toda a sua viagem utilizando aplicativos que mostram onde estão os carregadores, a potência
32 | BALCÃO AUTOMOTIVO
GREENV
disponível e até se aquele equipamento está em funcionamento. É claro que ainda precisamos expandir essa infraestrutura, mas quem utiliza um veículo elétrico no dia a dia já encontra uma realidade bastante diferente daquela que existia há alguns anos. BA: A desvalorização dos veículos elétricos continua sendo uma preocupação? MN: Esse cenário mudou bastante. No começo existia muita insegurança porque era um mercado novo e isso refletia diretamente no valor de revenda. Com o amadurecimento da tecnologia, a chegada de mais fabricantes e o crescimento da frota, essa percepção começou a mudar. O consumidor conhece melhor o produto e o segmento passa a encontrar um equilíbrio cada vez maior. BA: Como a eletrificação impacta o mercado de reposição? MN: Essa talvez seja uma das maiores mudanças para o aftermarket. Um veículo 100% elétrico possui muito menos componentes sujeitos ao desgaste do que um veículo com motor a combustão. Isso reduz algumas manutenções tradicionais, mas abre espaço para novos serviços. O mercado passa a demandar profissionais especializados em eletrônica embarcada, sistemas de alta tensão, diagnóstico e manutenção de baterias. Não significa o fim das oportunidades, mas uma mudança importante no perfil dos negócios. BA: Onde estão essas novas oportunidades? MN: A bateria certamente é uma das principais. O diagnóstico da saúde da bateria será cada vez mais importante, principalmente no mercado de veículos usados. Além disso, existe um enorme potencial na manutenção desses sistemas e no reaproveitamento
das baterias em aplicações estacionárias, como armazenamento de energia para residências e empresas. Também vemos oportunidades na instalação de carregadores, na comercialização de acessórios específicos e até na oferta de infraestrutura de recarga por oficinas, centros automotivos e lojas de autopeças. BA: A qualificação profissional passa a ser um diferencial? MN: Mais do que um diferencial, passa a ser uma necessidade. Os veículos eletrificados trabalham com tecnologias completamente diferentes daquelas presentes nos modelos a combustão. Sistemas de alta tensão, gerenciamento eletrônico, softwares e normas específicas fazem parte da rotina desses veículos. Quem investir em conhecimento agora estará preparado para atender uma demanda que tende a crescer de forma consistente nos próximos anos. BA: Qual é a principal mensagem para distribuidores, varejistas, oficinas e reparadores? MN: O mercado precisa entender que a eletromobilidade não é mais uma tendência distante. Esse consumidor já está nas ruas e sua participação cresce ano após ano. As empresas que começarem agora a investir em conhecimento, estrutura e novos serviços estarão mais preparadas para aproveitar as oportunidades que essa transformação vai gerar. Quem esperar o mercado mudar completamente poderá chegar atrasado. O futuro da mobilidade já começou e toda a cadeia automotiva precisa fazer parte dele.
Assista à entrevista completa
Confira a conversa na íntegra com Marcos Nogueira, COO da GreenV, no canal do Balcão Automotivo no YouTube.
Texto: Karin Fuchs | Foto(s): Divulgação
SUPLEMENTO ESPECIAL
# 52
AGO / 2026
O VALOR DAS FEIRAS
PARA O MERCADO DE AUTOPEÇAS Mais do que vitrines de lançamentos, esses encontros impulsionam conhecimento, conexões e desenvolvimento profissional
N
o Brasil, renomadas feiras do mercado de reposição automotivo estão consolidadas, como a Automec (a maior delas), a Autopar, a Autop e a Autonor. São nelas que o balconista tem a oportunidade não só de conhecer as novidades, como também criar relacionamentos, contribuindo, assim, para o seu desenvolvimento técnico e profissional e voltar para a loja mais preparado para atender e vender. E nesta edição da Autop não será diferente. 34 | BALCÃO AUTOMOTIVO
Fernando Piton – Diretor da Unidade de Negócios de Aftermarket do Grupo Mobility na América do Sul da Eaton
Segundo Fernando Piton, diretor da Unidade de Negócios de Aftermarket do Grupo Mobility na América do Sul da Eaton, “a Autop é uma oportunidade única para o balconista ampliar seus conhecimentos técnicos, conhecer lançamentos, entender tendências do mercado e trocar experiências com especialistas do setor. Essa vivência fortalece sua capacidade de atendimento, aumenta sua confiança na recomendação de produtos e contribui diretamente para seu crescimento profissional e geração de valor para clientes e empresas”, descreveu.
SUPLEMENTO ESPECI AL
Katarina Polido – Gerente Comercial da Radnaq
Gerente Comercial da Radnaq, Katarina Polido, disse que é muito importante a presença do balconista neste tipo de evento. “Porque é nesse evento onde ele conhece os produtos e tem o suporte para conhecê-los tecnicamente, que talvez ele não tenha ou não use no seu dia a dia. Hoje o balconista deixou de ser só um vendedor, ele é um consultor. Então, a maioria das pessoas vai até ele para perguntar, para tirar dúvidas. Quanto mais conhecimento ele adquirir nas feiras do setor espalhadas pelo Brasil, mais domínio ele terá sobre o assunto e mais preparado estará para orientar o cliente, gerando mais credibilidade e contribuindo com o crescimento da própria loja onde ele trabalha ou é dono”, afirmou.
Atualização Nas palavras de Leandro Lucio, gerente Sênior de Desenvolvimento de produtos na Valclei, “eu acho que Atualização é o principal objetivo do balconista nas feiras do setor, como a Autop. Se atualizar na feira em relação aos fabricantes e os produtos para ter a oportunidade de ofertar as atualizações que o fabricante disponibiliza. Principalmente esse profissional, que tem o elo direto entre o reparador e o consumidor final, tem que estar super atualizado para não acabar perdendo vendas por não conseguir atualizações precisas para o seu cliente”, relatou. BALCÃO AUTOMOTIVO | 35
SUPLEMENTO ESPECI AL
e inovação para todo o setor de autopeças. Na
Senso de pertencimento e a motivação
Latão Autopeças, acreditamos que o crescimento sustentável de uma empresa está diretamente relacionado ao investimento em pessoas. Por
Supervisor Regional na indústria Marília de Auto
isso, incentivamos a participação de toda a nossa
Peças, Tiago Rodrigues, contou que investir na
equipe na feira, especialmente dos profissionais de
participação da equipe de vendas em eventos do
vendas, que mantêm contato direto com os clientes
setor gera um retorno que vai muito além do contato
e conhecem, na prática, suas necessidades,
imediato. “Em primeiro lugar, eventos colocam o
expectativas e demandas”, afirmou.
vendedor diante de tendências, novos produtos e tecnologias que ele não teria acesso no dia a dia operacional, ampliando seu repertório técnico e sua
Leandro Lucio – Gerente Sênior de Desenvolvimento de Produtos da Valclei
De acordo com ela, “ao participarem de um evento dessa relevância, nossos colaboradores ampliam
credibilidade perante o cliente. Um vendedor que
seus conhecimentos, acompanham as tendências
conhece a inovação antes do mercado tem poder
do mercado, fortalecem o relacionamento com
de argumento e se posiciona como consultor, não
fornecedores e parceiros e retornam à empresa
apenas como tirador de pedidos”, descreveu.
ainda mais preparados para oferecerem soluções qualificadas aos nossos clientes”, especificou.
Em segundo lugar, disse ele, “o networking em feiras e congressos do setor é uma fonte de
Para finalizar, disse Larissa Pacheco Cavalcante,
inteligência comercial difícil de replicar em outros
“já percebemos que a Autop 2026 representa uma
canais. Relações construídas nesses ambientes
excelente oportunidade para fortalecer parcerias,
muitas vezes se convertem em parcerias, indicações
identificar novas possibilidades de negócios e
e até em novos clientes — muitas vezes os mesmos
impulsionar a inovação no setor. Para a Latão
que, como vimos em casos práticos, passam anos
Autopeças, investir na participação da equipe
comprando de um fornecedor e só migram quando
é investir no desenvolvimento da empresa e na
encontram uma alternativa em um evento”.
qualidade do atendimento que entregamos ao mercado”, concluiu.
Por fim, Rodrigues destacou que a presença da equipe em eventos fortalece o senso de
Tiago Rodrigues – Supervisor Regional da Marília Auto Peças
Quem já foi e quem vai na Autop
pertencimento e a motivação. “Vendedores que se sentem atualizados e conectados com o
Por sete vezes, Antonia Darlly de Carvalho Sá,
mercado tendem a ter maior produtividade e menor
supervisora da Catatau Pneus, autopeças e oficina,
rotatividade, o que por si só já justifica o investimento.
linha leve e pesada, participou da Autop. Em seu
O retorno, portanto, é simultaneamente comercial
depoimento, ela disse que os aprendizados na
(novos negócios e retenção de clientes), técnico
feira fizeram diferença no seu trabalho. “Entre
(conhecimento de produto) e humano (engajamento
eles, habilidades comportamentais, autodisciplina,
da equipe)”, concluiu.
pensamento mais crítico, otimização de processos, atendimento melhor ao cliente e mais eficiência
Investimento em pessoas
nos processos”, pontuou.
Sócia e diretora da Latão Autopeças, em
Ela falou também sobre o que mais gosta
Fortaleza (CE), para Larissa Pacheco Cavalcante, a
da feira. “O acesso às inovações, as palestras,
Autop vai muito além da geração de negócios entre
capacitações, visão de futuro, fortalecimento do
marcas e empresas. “O evento é um importante espaço de conexão, conhecimento, tecnologia 36 | BALCÃO AUTOMOTIVO
Larissa Pacheco Cavalcante – Sócia e diretora da Latão Autopeças, de Fortaleza (CE)
setor e networking presencial com fornecedores importantes”, afirmou.
PUBLIEDITORIAL
DIAGNÓSTICO DE FALHAS NO MÓDULO EPS E ANÁLISE DA CORRENTE DE ASSISTÊNCIA DA DIREÇÃO ELÉTRICA 1. Funcionamento básico do sistema EPS
A direção com assistência elétrica (EPS – Electric Power Steering) utiliza um conjunto eletrônico composto por sensor de torque, unidade de controle eletrônica e um motor elétrico de alto torque. O sensor de torque instalado na coluna de direção detecta o esforço aplicado pelo motorista ao volante e envia essa informação para a ECU EPS. A unidade de controle calcula o nível de assistência necessário e envia um comando de corrente ao motor elétrico. O torque produzido é transmitido ao eixo da coluna de direção através de um mecanismo de redução, auxiliando o motorista a girar o volante com menor esforço.
Em condições normais: • volante parado --> corrente próxima de zero • esterçamento leve --> corrente moderada • manobras com o veículo parado/ batente de direção --> picos elevados de corrente Esse comportamento pode ser observado através de scanner automotivo ou mesmo um alicate amperímetro. A variação da corrente geralmente acompanha o torque aplicado ao volante.
5. Interpretação de padrões de corrente
Alguns padrões ajudam a identificar possíveis falhas no sistema:
2. Integração com os sistemas do veículo
O módulo da direção elétrica utiliza informações provenientes da rede CAN do veículo para ajustar a assistência da direção de acordo com as condições de condução. Entre os principais sinais utilizados estão: • velocidade do veículo • estado de funcionamento do motor • informações do sistema ABS ou controle de estabilidade Em baixas velocidades a assistência é maior para facilitar manobras. Em velocidades elevadas a assistência diminui para proporcionar maior estabilidade direcional.
Erros mais comuns no diagnóstico de EPS
Antes de substituir qualquer componente do sistema EPS, sempre verifique primeiro as condições mecânicas da direção. Problemas como pivôs travados, terminais de direção desgastados ou desalinhamento da suspensão podem aumentar o esforço necessário para esterçar o volante. Esse aumento de carga faz com que o motor EPS consuma mais corrente, podendo levar o técnico a interpretar erroneamente o problema como falha eletrônica. Alguns erros frequentes podem levar a diagnósticos incorretos:
3. Diagrama simplificado do sistema EPS O diagrama abaixo apresenta uma representação simplificada da arquitetura típica de um sistema de direção elétrica.
• ignorar problemas mecânicos na caixa de direção ou suspensão • substituir o módulo EPS sem verificar alimentação elétrica ou aterramentos • não analisar os parâmetros em tempo real do sistema • interpretar qualquer direção pesada como falha do motor EPS • ignorar a influência da tensão da bateria no funcionamento do sistema • Ignorar falhas em outros sistemas eletrônicos que interagem diretamente com a EPS
Conclusão
A direção elétrica exige uma abordagem de diagnóstico integrada entre eletrônica e mecânica.
4. Diagnóstico através da corrente do motor
A análise da corrente consumida pelo motor de assistência é uma das ferramentas mais eficientes para o diagnóstico do EPS.
A análise da corrente do motor de assistência, combinada com a leitura de parâmetros do sistema e com a inspeção mecânica da direção, permite compreender o comportamento real do EPS e identificar falhas com maior precisão, evitando substituições desnecessárias de componentes.
BALCÃO AUTOMOTIVO | 37
Terceira edição
Para esta edição, a sua vaga já está garantida. “Com certeza participarei. As minhas expectativas
Caio Duarte Cavalcante, o Caio de Jiló,
são de mais crescimento profissional, participando de
palestras
técnicas,
quero
conhecer
balconista do grupo Guaxinim Autopeças, em
os
Mombaça (CE), vai participar da Autop neste
lançamentos de produtos, fazer conexões com
ano pela terceira vez. “É muito aprendizado na
fornecedores, que com certeza trarão grandes
feira, networking, contato direto com fábrica e
resultados, e do ecossistema de inovação e
distribuidor, poder tirar dúvidas técnicas e conferir
tecnologia para trazer as informações mais
as atualizações de mercado. Muitas tendências
recentes e relevantes”, finalizou. Antonia Darlly de Carvalho Sá
Quarta edição
Supervisora da Catatau Pneus, Autopeças e Oficina (linhas leve e pesada)
de três edições da Autop e está indo para a
Ele aproveitou para dar uma dica. “São muitas
quarta. “O que eu mais gosto é de encontrar
marcas novas chegando com o seu catálogo,
colegas de profissão, clientes e o contato direto
então, para quem é vendedor o ideal é filtrar as
com fornecedores tudo no mesmo lugar. Isso
melhores palestras que a Autop vai proporcionar
é muito enriquecedor e define o poder do bom
para ele poder estudar as novas tendências do
networking”, comentou.
mercado e se atualizar sempre em catálogo. Quanto mais informação o vendedor tiver, maior
Ainda segundo ele, “quando conversamos
será sua capacidade de vender”, afirmou.
com outras pessoas do nosso segmento na feira, sempre despertamos alguma ideia que tentamos
Nesta edição, Caio de Jiló disse que participará
colocar em prática no nosso dia a dia, como alguma
todos os dias da Autop. “A Autopeças Guaxinim
atualização tecnológica; aperfeiçoamos as nossas
estará com a equipe de marketing dela junto Francisco Glauberto Almeida Alves – Vendedor da Ceará Molas, de Fortaleza (CE)
assistir alguns treinamentos”, concluiu.
todinha buscando informações, networking e de tudo, pensa também no mecânico. Ela vai juntar
Jair Mendes da Silva Cavalcante, gerente da
uma caravana, sairão cinco ônibus do interior do Ceará para ir no sábado visitar a Autop também
(CE), também caminha para a sua quarta participação
com a nossa turma”.
na feira. “A Autop é um mar de aprendizado para as autopeças e os auto centers. Para mim, o que fez
Para finalizar, ele disse que a sua expectativa
e faz diferença na feira é conhecer as novidades
é que a feira seja muito boa. “É a primeira vez que
do mercado, os conhecimentos em geral e de
eu vou acompanhar o evento todo. São muitas
negociações”, especificou.
novidades chegando ao mercado. A partir de 2024, o Euro 6 nas caminhonetes novas com o
Para esta edição, ele disse que as expectativas
uso obrigatório do Arla 32. Então, vai ter muita
são as melhores. “Principalmente, em rever amigos
atualização, carro elétrico, carro híbrido, creio que vai
e fornecedores do mercado automotivo, firmar
38 | BALCÃO AUTOMOTIVO
comigo. Vamos gravar conteúdo e passar a semana filtrando as melhores palestras. A Guaxinim, além
Central Auto Peças, localizada em Senador Pompeu
parcerias e trazê-las para os clientes” concluiu.
contato direto com a fábrica é uma oportunidade retíficas com as atualizações do mercado”, relatou.
Francisco Glauberto Almeida Alves participou
“eu espero ver alguma novidade do segmento e
O que eu mais gosto da feira é o networking, o para ela direcionar as autopeças, mecânicos e
Vendedor na Ceará Molas, em Fortaleza (CE),
práticas de atendimento”, afirmou. Para este ano,
podem ser conhecidas em primeira mão na Autop.
compensar muito. E o Ranieri Leitão, como sempre, Jair Mendes da Silva Cavalcante Gerente da Central Auto Peças, de Senador Pompeu (CE)
é um cara muito organizado e que sabe receber no evento. Vai ser um evento diferenciado”, concluiu.
SUPLEMENTO ESPECI AL
5 MISSÕES DO BALCONISTA NA AUTOP Conhecer novos produtos: Aproveitar a oportunidade para estar a par das novidades do mercado e dos lançamentos, bem como os conceitos técnicos dos produtos para replicar
Buscar soluções para o dia a dia da loja: No contato e troca de informações com fabricantes, distribuidores e especialistas, os profissionais das autopeças têm uma chance de elucidar soluções que podem ser colocadas em prática nas lojas;
para os mecânicos e o cliente final;
Compartilhar o aprendizado com a equipe: Como nem sempre todos da
Conversar com especialistas: Aprofundar-
empresa podem participar da Autop,
se em temas e tirar dúvidas com especialistas
quem participa se transforma em um
que fazem a diferença no seu dia a dia e
agente disseminador para os demais,
aprimorar o seu conhecimento profissional;
potencializando
o
conhecimento
em
diversos campos, entre eles técnico e de
Participar de uma palestra técnica: A Autop
gestão, de toda a equipe.
dispõe de uma agenda de palestras técnicas com conteúdos para refinar o dia a dia dos mecânicos e vendedores de autopeças;
Caio Duarte Cavalcante (Caio de Jiló) – Balconista do Grupo Guaxinim Autopeças, de Mombaça (CE)
BALCÃO AUTOMOTIVO | 39
FIQUEPORDENTROPESADOS
TEXTO: REDAÇÃO | FOTO(S): DIVULGAÇÃO
ALLISON APRESENTA TRANSMISSÃO 9-SPEED A nova transmissão automática 9-Speed foi o principal destaque da Allison Transmission na LAT.BUS 2026. Com nove marchas à frente e três overdrives, a solução foi desenvolvida para reduzir o consumo de combustível e os custos operacionais das frotas. Indicada para ônibus e outros veículos comerciais, a novidade combina maior eficiência, confiabilidade e facilidade de manutenção.
KOUBE REFORÇA LINHA DIESEL
Para atender às exigências dos motores a diesel modernos, a Koube reúne uma linha completa de produtos voltados à limpeza, proteção e manutenção preventiva. O portfólio inclui soluções para sistema de injeção, filtro de partículas (DPF), redução de fumaça preta e arrefecimento, ajudando a aumentar a vida útil dos motores e reduzir os custos de manutenção.
ZF AUMENTA LINHA SACHS
Novos kits, discos e platôs de embreagem SACHS passam a integrar o portfólio da ZF Aftermarket para veículos pesados Euro VI. As novidades atendem a aplicações de caminhões DAF e Iveco, ampliando a cobertura da marca no mercado de reposição com componentes desenvolvidos para oferecer desempenho, confiabilidade e longa vida útil.
COFAP AMPLIA LINHA DE MOLAS A linha de molas helicoidais da Cofap ganhou um novo código para aplicações em caminhões Volkswagen Delivery Euro IV e Euro V. O lançamento amplia a cobertura da marca no mercado de reposição e mantém os padrões de qualidade e durabilidade exigidos para componentes de suspensão, contribuindo para a segurança e a estabilidade dos veículos.
40 | BALCÃO AUTOMOTIVO
JAC INICIA OPERAÇÃO NO BRASIL
Os primeiros caminhões da JAC já começaram a chegar à rede de concessionárias no Brasil, marcando o início da operação comercial da fabricante no País. Os modelos N 9.170, N 13.210 e A 18.290 fazem parte da linha inicial, que contempla veículos de 9 a 25 toneladas de PBT. A empresa também amplia sua rede de atendimento e prepara a estrutura de vendas e pós-venda.
FIQUEPORDENTROPESADOS MAHLE LANÇA NOVO CURSO EAD Mecânicos e reparadores já podem acessar gratuitamente o novo curso EAD da MAHLE sobre o motor Diesel Multijet II 2.0 16V. O treinamento aborda diagnóstico, manutenção e tecnologias presentes em modelos como Fiat Toro e Jeep Compass, contribuindo para serviços mais precisos e para a atualização técnica dos profissionais da reparação.
RANDONCORP AMPLIA REÚSO DE ÁGUA
A meta de reutilizar 100% dos efluentes tratados nas operações fabris foi alcançada pela Randoncorp após investimentos de R$ 4,5 milhões em infraestrutura ambiental. O projeto amplia o reaproveitamento de água nas unidades industriais e reforça as iniciativas da companhia voltadas à economia circular e à sustentabilidade.
FOTON ACELERA CRESCIMENTO Com alta de 138% nos emplacamentos no primeiro semestre de 2026, a Foton vive o melhor momento desde o início de sua operação no Brasil. O desempenho foi impulsionado pela expansão da rede de concessionárias e pelo fortalecimento do portfólio, com destaque para os caminhões Aumark S 315 e Aumark S 1217, que registraram crescimento expressivo nas vendas.
FENATRAN DESTACA LOGÍSTICA URBANA
Eletrificação, conectividade e novos serviços estarão entre os principais temas da Fenatran 2026. A feira reunirá fabricantes e fornecedores que apresentarão soluções para aumentar a eficiência das operações de last mile, com veículos, tecnologias de gestão de frotas e ferramentas voltadas à redução de custos e das emissões.
KS EXPANDE LINHA DE COMPONENTES
FENATRAN 2026 42 | BALCÃO AUTOMOTIVO
9 a 13 de novembro de 2026 São Paulo Expo | São Paulo (SP)
A Motorservice lançou novos componentes das marcas KS Kolbenschmidt, Pierburg e BF para motores das linhas leve e pesada. O portfólio passa a contar com anéis de segmento, conjuntos de motor, buchas, bronzinas e anéis de vedação para aplicações em veículos de diversas montadoras, ampliando a cobertura da empresa no mercado de reposição.
AUTOMOBILISMO
Por: Otavio Rocha | Foto(s): Divulgação / Marcelo Machado de Melo / Magnus Torquato / Duda Bairros
HISTÓRICO: VELOCITTA CONSAGRA PRIMEIRO CAMPEÃO ESTRANGEIRO DA TCR BRASIL O Velocitta foi cenário de um fim de semana histórico para o automobilismo nacional: Leonel Pernía conquistou o primeiro título estrangeiro da TCR Brasil, enquanto o Mitsubishi Eclipse Cross dominou as duas corridas da Stock Car
E
ntre os dias 24 e 26 de julho, o Autódromo Velocitta, em Mogi Guaçu (SP), recebeu as principais categorias do automobilismo nacional. O circuito foi palco do encerramento da temporada da TCR Brasil, marcada pela celebração da família Pernía: Tiago venceu sua segunda corrida na categoria e Leonel conquistou o título inédito da competição. Na Stock Car, o Mitsubishi Eclipse Cross também brilhou, com vitórias de Gaetano Di Mauro na corrida Sprint e de Felipe Baptista na prova principal.
TCR BRASIL A 5ª e última etapa da TCR Brasil foi marcada por duas corridas bastante disputadas no Velocitta. Antes da primeira prova, a diferença entre o líder Raphael Reis, da W2 Pro GP, e Leonel Pernía, da Honda Racing, era de apenas três pontos. Com seu CUPRA Leon VZ, o brasileiro largou à frente do rival, mas uma saída ruim o fez perder posições. A partir daí, passou boa parte da corrida disputando diretamente com Pernía, que 44 | BALCÃO AUTOMOTIVO
levou o Honda Civic Type R ao pódio ao lado do filho e companheiro de equipe, Tiago Pernía. Com a inversão do grid, as principais disputas da segunda prova aconteceram no meio do pelotão. Largando em sétimo, Leonel Pernía terminou na terceira colocação. Já Raphael Reis, que partiu em nono, precisou arriscar para tentar recuperar terreno. Em uma tentativa de ultrapassagem, danificou o carro e abandonou a corrida. O resultado confirmou Leonel Pernía como campeão da TCR Brasil, tornando ele o primeiro piloto estrangeiro a conquistar o título da categoria. Sobre a conquista, Pernía destacou o trabalho da equipe. “Quero parabenizar a toda a Honda Racing e também ao Raphael Reis, que fez um grande campeonato. Chegamos ao Velocitta três pontos atrás dele e sabíamos que seria uma disputa muito difícil. A equipe fez um trabalho excelente durante todo o fim de semana e nosso objetivo era terminar as duas corridas à frente do Raphael. Conseguimos cumprir essa missão e conquistar meu primeiro título da TCR Brasil. Estou muito feliz com esse resultado.”
AUTOMOBILISMO A temporada 2026 da TCR Brasil revelou novos talentos e reforçou o equilíbrio da categoria, com pilotos que passaram a figurar entre os destaques do campeonato
A 6ª etapa da Stock Car também teve disputas equilibradas. Na Sprint, Gaetano Di Mauro levou o Mitsubishi Eclipse Cross à vitória com autoridade, seguido por Alfredinho Ibiapina (Toyota Corolla Cross) e Felipe Fraga (Mitsubishi Eclipse Cross). Na corrida principal, Felipe Baptista repetiu o desempenho e garantiu mais uma vitória para o modelo da Mitsubishi. Felipe Fraga voltou ao pódio, desta vez na segunda colocação, seguido por Arthur Leist (Toyota Corolla Cross).
NOVOS TALENTOS A temporada 2026 da TCR Brasil também revelou novos nomes. Gabriel Moura, de apenas 17 anos, estreou na categoria pela Cobra Racing Team e mostrou evolução ao longo do campeonato. Ao volante do Audi RS3, encerrou a temporada com 101 pontos e a 11ª colocação na classificação geral. Em Velocitta, chamou atenção pelas disputas com pilotos experientes, como Raphael Reis e Nelson Piquet.
Outro destaque do fim de semana foi a visita de uma comitiva da FIA, que apontou a Stock Car como referência em gestão e tecnologia para o automobilismo latino-americano. Durante a programação, os representantes da entidade acompanharam de perto a organização, os protocolos de segurança e a estrutura operacional do evento, como parte de um programa voltado ao desenvolvimento do esporte na região.
COPA TRUCK
“Tem sido um ano de muita adaptação, meu primeiro ano com o carro e na categoria. Estamos aprendendo tudo do zero. Nós, como equipe, estamos evoluindo juntos: eu como piloto e o carro também. Está sendo uma fase muito divertida. É o primeiro carro realmente competitivo que estou pilotando. Estou muito feliz. Está sendo um ano muito bom e conquistamos resultados importantes”, afirmou Gabriel Moura.
STOCK CAR
A prova noturna da Copa Truck, disputada em Cuiabá (MT) e válida pela quinta etapa da temporada, foi um dos grandes destaques do fim de semana, reunindo disputas intensas e grande presença de público
Na Copa Truck, os holofotes ficaram voltados para a prova noturna disputada em Cuiabá (MT), válida pela 5ª etapa da temporada. Na categoria Elite, Nic Giaffone e Ricardo Alvarez, ambos da R9 Competições, venceram a primeira e a segunda corridas, respectivamente. Pela Pro, as vitórias ficaram com Leandro Totti, da Vannucci Racing, e Danilo Dirani, da Iveco Usual Racing.
Uma comitiva da FIA visitou a Stock Car durante o fim de semana e apontou a categoria como referência em gestão, inovação e tecnologia para o automobilismo latino-americano
A etapa também marcou o retorno de Débora Rodrigues. Após anunciar a aposentadoria no fim de 2025, a piloto voltou ao grid a bordo de um caminhão Mercedes-Benz da D+ Motorsport.
BALCÃO AUTOMOTIVO | 45
Por: Nonô Figueiredo*
COLUNA DO
Foto(s): Divulgação
NONÔ * Piloto, profissional do automobilismo, fundador e diretor técnico-esportivo da Cobra Racing Team, atuante na TCR South America
HORA DE CRUZAR FRONTEIRAS
Q
uando a TCR South America deixa o Brasil e inicia a fase internacional, muita gente vê apenas a mudança de país. Para quem está dentro da equipe, porém, a realidade é bem diferente. É como se começasse um novo campeonato. Até aqui, trabalhamos perto da nossa base. Depois de cada corrida, os carros voltam para a oficina, fazemos toda a revisão e preparamos tudo para o desafio seguinte. A partir de agora, essa rotina muda completamente. Os equipamentos permanecem fora do Brasil por meses e parte da equipe também. Isso significa muito mais do que colocar um caminhão na estrada. Existe toda uma operação envolvendo documentação, alfândega, transporte e prazos que precisam ser cumpridos. E ainda há os imprevistos, que fazem parte desse tipo de operação. Por isso, planejamento nunca é excesso de cuidado; é uma necessidade.
ESTA COLUNA É UM PATROCÍNIO DE:
Esse período também exige adaptação das pessoas. Passar semanas fora de casa, trabalhando em outro país e em uma rotina diferente, faz parte da vida de quem compete internacionalmente. Já vivemos isso outras vezes, mas cada temporada apresenta desafios próprios.
46 | BALCÃO AUTOMOTIVO
Na pista, seguimos em uma fase importante de evolução. Estamos no primeiro ano com o Audi RS3 TCR de segunda geração e também acompanhando o desenvolvimento do Gabriel Moura em sua primeira temporada em uma categoria profissional. Os resultados são importantes, mas o crescimento do conjunto é o que realmente vai fazer diferença no futuro. Hoje competimos com apenas um carro, o que reduz a quantidade de informações disponíveis ao longo do fim de semana. Isso torna cada treino, cada ajuste e cada volta ainda mais valiosos para entendermos o equipamento e acelerar sua evolução. O segundo semestre também reserva circuitos inéditos para nós. Antes de cada prova, estudamos o traçado, o asfalto, o clima e todas as variáveis que podem influenciar no desempenho. O simulador ajuda o piloto a chegar mais preparado, mas é quando o carro vai para a pista que o verdadeiro trabalho começa. Tenho certeza de que toda essa experiência vai fortalecer a Cobra Racing Team. Nosso objetivo continua o mesmo: evoluir corrida após corrida, entregar cada vez mais aos nossos parceiros e chegar em 2027 com uma equipe mais madura, mais competitiva e pronta para dar um novo passo.
APOIO
ARTIGO
Comportamento
por: Valtermário Rodrigues*
“Tá quente, tá frio”
“
Tá quente, tá frio” é uma brincadeira de adivinhação em que alguém procura um objeto escondido e recebe dicas de que está “quente” (perto) ou “frio” (longe).
Longe de ser uma brincadeira, este artigo tem como objetivo abordar as consequências provocadas pelo El Niño nas estratégias das empresas e no comportamento humano. – É um ninho? – perguntou o cliente a um vendedor, ao olhar pela janela do setor de vendas e apontar para uma árvore. – Sim! É um ninho, porém sem habitantes, pois os pássaros que o construíram foram embora por conta do intenso calor provocado pelos 48 | BALCÃO AUTOMOTIVO
efeitos do fenômeno climático El Niño. O El Niño é o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, que interfere nos ventos e na distribuição de umidade no planeta, provocando secas severas no Norte e Nordeste do Brasil (“tá quente”) e chuvas intensas, com risco de enchentes, na Região Sul (“tá frio”), além de forte calor e instabilidade nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Na Região Sul, há risco de muita chuva, enchentes e temporais severos; no Norte e Nordeste, seca, queimadas e incêndios nas florestas, enquanto a irregularidade das chuvas e as ondas de calor predominam nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
POR TRÁS DO TÁ BALCÃO! “TÁ QUENTE, FRIO”
Comportamento
El Niño x impactos na vida dos trabalhadores
El Niño x cuidados pessoais para minimizar seus efeitos
De certa forma, o El Niño causa estresse, impacta a produtividade, provoca esgotamento mental, intensifica a ansiedade e a irritabilidade, além de aumentar o risco de depressão e colapso emocional, principalmente nas atividades laborais ao ar livre.
Para se protegerem dos efeitos climáticos extremos causados pelo El Niño, os próprios empregados podem e devem adotar medidas práticas em prol de sua saúde, tais como hidratação e organização da rotina de trabalho.
O esforço do organismo para minimizar os efeitos do El Niño pode causar impaciência e mau humor, dificuldade de concentração e perda de foco nas tarefas diárias.
O consumo regular de água em intervalos curtos, mesmo sem sentir sede; hidratação nasal e labial em períodos de clima muito seco; uso de protetor solar, óculos escuros e roupas leves; resfriamento do corpo; busca por locais com boa circulação de ar ou ar-condicionado são algumas das medidas recomendadas.
Para quem vive da agricultura, a escassez de água impacta a renda e, por consequência, o sustento da família, além de gerar impactos psicológicos. O comportamento humano também é diretamente afetado pelos efeitos do El Niño. Pode provocar uma mudança no perfil de compras no que se refere a alimentos, medicamentos respiratórios ou de hidratação, aparelhos de ar-condicionado, ventiladores, etc. Por outro lado, o receio de perdas severas gera insegurança financeira e faz com que os trabalhadores cortem gastos com lazer, fato que acaba impactando o comportamento econômico das regiões. Por medo de racionamento, quem tem uma reserva financeira adota um comportamento preventivo, na corrida para estocar água e comida.
El Niño x NR-1 Em ano de El Niño, as normas regulamentadoras estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego vêm em boa hora, pois exigem o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), a fiscalização de seu uso, a adoção de proteções coletivas, a gestão de riscos ocupacionais e a atenção à saúde mental no ambiente laboral.
Também é importante ficar atento às pessoas ao seu redor e observar sinais como tontura, confusão mental, cãibras ou suor excessivo, providenciando ajuda quando necessário.
El Niño x estratégias e ações das empresas As empresas devem garantir o conforto térmico aos seus empregados, pois o calor excessivo reduz a produtividade e aumenta os riscos de acidentes. Também devem disponibilizar água potável em pontos de fácil acesso a todos os funcionários. Nos ambientes fechados, galpões e escritórios, devem ser instalados sistemas de ventilação mecânica ou ar-condicionado, a fim de manter o conforto térmico. Equipamentos de Proteção Coletiva e Individual (EPIs) e a adaptação dos fardamentos – uniformes confeccionados em tecidos leves, respiráveis e, se aplicável, com proteção contra raios ultravioleta (UV) – são ações importantes para manter o bem-estar dos colaboradores.
O Programa de Gerenciamento de Riscos previsto na NR-1 tem por finalidade identificar perigos e avaliar riscos físicos, químicos, biológicos e psicossociais.
Que bons “ventos” nos tragam “chuvas” de bênçãos, muito “calor” humano, uma “tempestade” de boas surpresas e um “clima” organizacional leve e moderado.
A Saúde Ocupacional (PCMSO) prevê a realização de exames médicos admissionais, periódicos e demissionais para monitorar a saúde dos empregados. Além disso, a CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio – atua na organização e na prevenção de acidentes e assédios, com a participação dos empregados.
“Tá quente ou tá frio?” Quem disse que “Independência” será o tema do próximo artigo, eu responderei: “Tá quente!”.
As empresas têm por obrigação estabelecer ações para combater o assédio moral e sexual no trabalho e proteger a saúde mental da equipe.
Até a próxima edição!
Valtermário Rodrigues *Coordenador Regional Administrativo das Filiais das Regiões Norte/Nordeste e Centro-Oeste da Companhia Brasileira de Distribuição Automotiva S/A – Filial Salvador | Escritor | Administrador de Empresas com Ênfase em Marketing | MBA em Gestão de Empresas e MBA em Liderança e Coaching BALCÃO AUTOMOTIVO | 49
NÚMEROS DO SETOR
O AVANÇO DAS VENDAS E PRODUÇÃO DE VEÍCULOS NO BRASIL Por: Karin Fuchs | Foto(s): Divulgação
Os modelos eletrificados atingiram um market share de 23,5% em julho e, no acumulado do ano, o País ficou em segundo lugar no ranking global de produção de veículos
C
om o resultado do acumulado do ano até julho, a Fenauto estima chegar próximo de 20.000.000 de veículos seminovos e usados transacionados até o término deste ano. De janeiro a julho, foram 10.832.969 unidades, 7,7% acima da mesma base comparativa em volume nominal e um aumento de 9,2% na média por dia útil. Somente no mês de julho, 1.754.785 unidades foram comercializadas, 10,7% acima do mês anterior e 2,6% a mais do que em julho do ano passado. No mês, a média de vendas por dia útil foi 7,2% superior à de julho de 2025.
Confirmada a marca de quase 20.000.000 de veículos seminovos e usados comercializados neste ano, o recorde será sem precedentes. De acordo com o presidente da entidade, Everton Fernandes, “apesar de ainda termos pela frente o período das eleições, a expectativa é de que um novo recorde de vendas aconteça até
José Éverton Fernandes, presidente da Fenauto
50 | BALCÃO AUTOMOTIVO
Arcelio Junior,
presidente da Fenabrave
o final do ano. É nessa época que as vendas no comércio sempre registram resultados mais significativos. Por isso, estimamos que chegaremos ao final de 2026 perto dos 20 milhões de veículos comercializados”, afirmou.
Vendas avançam nas concessionárias O balanço da Fenabrave também revela números bem favoráveis neste ano. Começando pelo acumulado do ano até julho, o crescimento das vendas de veículos leves e pesados foi 17,9% acima do mesmo período de 2025, com um total de 1.699.637 unidades. No entanto, o segmento de pesados acumula queda na mesma base comparativa. Já no mês de julho, com 279.600 automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus emplacados, foi registrado o melhor resultado mensal do ano, 15% acima de julho do ano passado e 2,6% a mais do que no mês anterior. Enquanto caminhões tiveram crescimento, para ônibus foi um mês de retração.
Emplacamentos por categoria Automóveis: 1.299.079 unidades de janeiro a julho, 22,52% acima do mesmo período de 2025. Em julho, foram 212.692 unidades, 17,03% superior a julho de 2025. Comerciais leves: 325.661 unidades no acumulado do ano, 8,09% a mais do que entre janeiro e julho do ano passado. Em julho, foram 53.004 unidades, 9,91% acima do mesmo mês de 2025. Caminhões: 59.215 unidades no acumulado do ano, representando uma queda de 6,68% comparado a igual período de 2025. Em julho,
foram 11.192 unidades, 7,16% a mais do que no mesmo mês do ano passado. Ônibus: 15.682 unidades de janeiro a julho, 7,04% abaixo do mesmo período de 2025. Em julho, foram 2.691 unidades, 2,32% inferior a julho de 2025.
Motivos para o desempenho positivo No dia 11 de julho, o programa Carro Sustentável completou um ano, impulsionando um crescimento de 29,4% nos emplacamentos dos modelos que têm o IPI zerado, na comparação com o período anterior à criação do programa. Além disso, o Move Brasil Táxi e Aplicativos, em vigor desde junho de 2026, resultou na venda de 17.000 unidades no País. Segundo Arcelio Júnior, presidente da Fenabrave, “o mercado de crédito favoreceu os financiamentos nos últimos meses, principalmente no varejo. O Move Brasil Táxi e Aplicativos deverá surtir efeito nos próximos meses. Ainda não temos como prever resultados, pois depende da aprovação cadastral dos motoristas, que deve melhorar com o FGI, Fundo Garantidor de Investimentos”, comentou. Para o término do ano, disse o executivo, “existe tendência de acomodação do mercado no segundo semestre, em função das eleições, em outubro, e da forte disponibilidade de crédito no primeiro semestre, que pode ter levado a uma antecipação de compras”, finalizou.
OS MODELOS MAIS PROCURADOS EM
Fonte:
JULHO /2026
AUTOMÓVEIS VW - GOL .....................70.874 GM - ONIX ...................43.180 HYUNDAI - HB20 ..........42.312
COMERCIAIS LEVES FIAT - STRADA .............43.193 VW - SAVEIRO ..............25.280 TOYOTA - HILUX ..........21.550
COMERCIAIS PESADOS VOLVO - FH ..................3.341 M. BENZ - ATEGO ........1.557
BALCÃO AUTOMOTIVO | 51
NÚMEROS DO SETOR
Igor Calvet,
presidente da Anfavea
unidades em julho, 17% superior ao mesmo mês de 2025. Na categoria de comerciais leves, com 52.900 unidades emplacadas em julho, o avanço foi de 9,2% sobre julho de 2025. No acumulado do ano, as 327.200 unidades superaram em 8,3% o resultado de janeiro a julho de 2025.
Os números da Anfavea Pelos números da Anfavea, de janeiro a julho, o Brasil foi o segundo país com o maior crescimento da produção de veículos, totalizando 1.539.100 unidades, 8,3% acima do mesmo período de 2025. Em primeiro lugar ficou a Índia, com alta de 14,5%. Atrás do Brasil está o Japão, com alta de 2,9%. Na contramão, Estados Unidos e China recuaram 11,7% e 4%, respectivamente. Segundo o presidente da entidade, Igor Calvet, “é um resultado expressivo da nossa indústria, apesar das dificuldades nas exportações e da entrada de importados bem acima da média dos anos anteriores”, comentou. Somente no mês de julho, 253.900 veículos saíram das fábricas, 5,9% acima de julho de 2025 e alta de 3,1% em relação ao mês anterior.
Eletrificados disparam Nos sete primeiros meses do ano, 1.299.900 automóveis foram emplacados, 22,5% acima do mesmo período de 2025, e 212.800
No mês de julho, os eletrificados tiveram participação de 23,5% no volume de emplacamentos de veículos leves. No mês anterior, o market share era de 20,9% e, em julho de 2025, de 10,9%. No acumulado do ano, a Anfavea computou 308.000 eletrificados emplacados, 120,8% acima de janeiro a julho de 2025. Entre os modelos nacionais – fabricados no País ou montados em CKD/SKD –, o crescimento chegou a 246,8%.
Pesados No segmento de pesados, em julho foram emplacados 11.700 caminhões, representando um avanço de 10% sobre o mesmo mês de 2025 – impulsionados pelos financiamentos incentivados pelo programa federal Move Brasil. No acumulado do ano, comparado ao mesmo período de 2025, a queda foi de 7,2%, com um total de 60.600 unidades. Já os ônibus somaram 12.500 unidades emplacadas de janeiro a julho, 10,7% a mais do que no mesmo intervalo de 2025. Em julho, as 2.200 unidades emplacadas apresentaram uma queda em comparação com o mesmo mês do ano passado.
Exportações No acumulado do ano, as exportações somaram 255.900 unidades, 20,8% a menos que no mesmo período de 2025, enquanto as importações, principalmente provenientes da China, avançaram 25,7%, com 344.100 unidades vindas para o Brasil. A China mais que dobrou os envios ao Brasil, totalizando 180.500 unidades e uma alta de 105,4%. De acordo com Igor Calvet, “o volume de quase 350.000 é maior do que a produção no período da maioria das fábricas das nossas associadas, o que indica que poderíamos estar gerando mais demanda para nossas fábricas e fornecedores e, por tabela, mais empregos”, concluiu o presidente da Anfavea.
52 | BALCÃO AUTOMOTIVO
AMMA
Por: Carla Nórcia | Foto(s): Divulgação
QUEM DISSE QUE A MAIOR DIFICULDADE DA MULHER NO AFTERMARKET É ENTENDER DE MECÂNICA?
O
utro dia fiquei pensando em quantas mulheres extraordinárias conheço no nosso setor.
Tem a dona da oficina que sabe exatamente o barulho
Competência, definitivamente, não falta. Então, por que tantas ainda têm a sensação de que precisam provar o tempo todo que merecem estar onde estão?
que um motor faz quando algo não está certo. A executiva
No aftermarket existe uma situação curiosa. Se você
que conduz uma negociação milionária sem levantar a voz. A
perguntar para uma mulher qual foi o maior desafio da
balconista que conhece cada aplicação de peça melhor do que
carreira, dificilmente ela responderá: “Foi aprender a fazer o
muito catálogo. A engenheira que resolve um problema técnico
meu trabalho”.
em poucos minutos. A empresária que faz a empresa crescer enquanto administra a casa, a família e uma equipe inteira. 54 | BALCÃO AUTOMOTIVO
O mais comum é ouvir algo como: “Foi fazer as pessoas
AMMA
acreditarem que eu sabia”. E existe uma diferença enorme entre essas duas coisas. Dominar uma atividade depende de estudo, experiência e dedicação. Ser reconhecida depende do olhar dos outros. Talvez por isso muitas mulheres cheguem em casa
e faz a diferença todos os dias, muitas vezes sem perceber o tamanho do impacto que gera. Elas estão nas oficinas, nas indústrias, nas distribuidoras, no varejo, nas transportadoras, nas áreas técnicas, comerciais e administrativas. Sempre estiveram.
cansadas não apenas pelo trabalho, mas pelo esforço invisível
O que estamos construindo agora é um mercado onde
de validar, explicar, justificar e demonstrar competência
essas mulheres, além de competentes, sejam cada vez mais
o tempo inteiro. É como se, antes de apresentar a solução,
percebidas e reconhecidas, conectadas e fortalecidas umas
precisassem convencer a plateia de que têm direito ao
pelas outras. Porque quando uma mulher cresce sozinha,
microfone.
sua história inspira. Mas quando cresce junto com outras
A boa notícia é que isso está mudando. E não porque alguém resolveu abrir espaço. Está mudando porque as mulheres deixaram de esperar convite. Elas passaram a embarcar nas oportunidades. Hoje vemos mulheres liderando oficinas, distribuidores, fabricantes, equipes comerciais, áreas técnicas e empresas. Não porque receberam um presente. Porque construíram esse caminho. Ainda assim, acredito que a maior transformação que precisamos provocar não é apenas colocar mais mulheres no setor. É fazer com que elas sejam lembradas quando as decisões de aftermarket são tomadas. Porque presença é importante. Reconhecimento muda carreiras. E autoridade abre portas que competência sozinha,
mulheres, ela transforma o ambiente ao seu redor e ajuda a construir um aftermarket melhor para todos. Quantas mulheres incríveis trabalham hoje no aftermarket sem imaginar o quanto poderiam inspirar outras mulheres? Às vezes, basta levantar a mão em uma reunião. Compartilhar um aprendizado. Talvez essa seja a nossa próxima evolução. Menos tempo tentando provar que somos capazes. Mais tempo mostrando o impacto que somos capazes de gerar. E eu deixo uma provocação para você que chegou até aqui: quando a próxima oportunidade importante surgir, você vai esperar que alguém reconheça o seu valor... ou vai aproveitar a oportunidade?
muitas vezes, demora anos para abrir. E talvez seja justamente aí que esteja a maior transformação do nosso setor. Pare por um instante e responda a uma pergunta: quem não conhece uma mulher extraordinária trabalhando ao seu redor? Aquela que domina processos, conhece o negócio como poucos, resolve problemas com naturalidade, inspira a equipe
Carla Nórcia, Ceo da Insight Trade e presidente da AMMA BALCÃO AUTOMOTIVO | 55