Frota envelhecida, crédito restrito, avanço dos veículos usados e incertezas sobre juros, somados à atuação chinesa, ao papel do BNDES e às exportações, redesenham o setor automotivo — e confirmam a reposição como o novo centro de gravidade do mercado.
COLUNA
HÁ 19 ANOS LEVANDO INFORMAÇÃO DE QUALIDADE À REPOSIÇÃO AUTOMOTIVA
Balcão Automotivo é uma publicação dirigida aos profissionais automotivos e tem o objetivo de trazer referências ao mercado, para melhor conhecimento de seus profissionais e representantes. Os anúncios aqui publicados são de responsabilidade exclusiva dos anunciantes, inclusive com relação a preço e qualidade. As matérias assinadas são de responsabilidade dos autores.
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O BALCÃO QUE ANTECIPA O FUTURO
Nesta segunda edição de 2026 do Balcão Automotivo, algumas dúvidas econômicas ainda pairam no ar, mas uma certeza já se consolida no dia a dia do setor: a reposição cresce porque o carro continua rodando. O usado troca de dono, a oficina mantém o ritmo e milhões de operações sustentam a engrenagem do pós-venda. Mais do que tendência, trata-se de um movimento estrutural que ganha força justamente quando exportações recuam e o desempenho das montadoras oscila.
ser observado nas pistas. Categorias como a Fórmula 1, a Stock Car Pro Series e a Copa Truck antecipam soluções, tecnologias e comportamentos que em pouco tempo chegam às oficinas e ao balcão. Além disso, mostram algo ainda mais valioso: o poder do relacionamento. Fora da correria da loja, marcas se transformam em experiência, geram conexão e constroem memória com clientes e parceiros.
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Nesse cenário, muda também o papel de quem está na linha de frente. O cliente chega à loja decidido — muitas vezes, decidido com base em informações imprecisas. O desafio do balconista deixou de ser a falta de informação e passou a ser o excesso dela. Sai de cena o tirador de pedidos e entra o consultor técnico. Vende mais quem orienta, quem corrige a rota do cliente com conhecimento, segurança e credibilidade.
A presença feminina no balcão também faz parte dessa transformação. Ainda enfrentando barreiras simbólicas de um setor historicamente masculino, mulheres avançam com base em competência, preparo técnico e resultados consistentes. Iniciativas como a AMMA –Associação Brasileira das Mulheres do Mercado Automotivo – reforçam capacitação, troca de experiências e confiança, mostrando que talento não tem gênero e que a naturalização dessa presença fortalece todo o mercado.
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Ao mesmo tempo, os carros mudaram — e rápido. Sensores, módulos eletrônicos, conectividade, ADAS e diagnósticos por scanner já fazem parte da rotina das oficinas. A tecnologia embarcada não reduz a importância da reposição; ela redefine quem permanece relevante nela. Não basta conhecer a peça, é preciso compreender o problema que ela resolve. Informação técnica, interpretação de dados e atualização constante se tornaram requisitos básicos.
No fim das contas, o mercado de reposição em 2026 será menos definido por juros, políticas industriais ou desempenho das montadoras e mais pela capacidade de adaptação das pessoas. Do balconista que orienta, do reparador que interpreta dados, da marca que se aproxima do cliente e do profissional que entende que informação, tecnologia e relacionamento são as novas peças que movem esse setor.
O balcão deixou de apenas reagir ao mercado. Agora, ele antecipa o futuro.
DEPTO DE ARTE: Gerente de Produção e Arte/Proj. Gráfico - Fabio Ladeira/ fabio@balcaoautomotivo.com
COLABORADORES: Felipe Orban | Lucas Piolla | Valtermário Rodrigues
MKT DIGITAL: Guilherme Nelson / guilherme@balcaoautomotivo.com | Lary Dias / larissa@balcaoautomotivo.com
USO DE BOMBA D’ÁGUA SKF E MANUTENÇÃO PREVENTIVA AUMENTAM VIDA ÚTIL DO MOTOR, AFIRMA ESPECIALISTA
Manter a bomba d’água em boas condições é essencial para o arrefecimento do motor. A SKF orienta trocar o componente junto com tensionador e correia dentada, usar fluido conforme a montadora e garantir limpeza e correto assentamento para evitar vazamentos. Peças falsificadas também preocupam. Para segurança, a marca recomenda verificar a autenticidade pelo app SKF Authenticate, prevenindo falhas e prejuízos.
COBRA DISTRIBUIDORA
DIVULGA PARCERIA COM A CHAMPION E AMPLIA PORTFÓLIO DE VELAS DE IGNIÇÃO
MARCO ANTÔNIO VIEIRA MACHADO É RECONDUZIDO À PRESIDÊNCIA DO SINCOPEÇAS-RS
O Sincopeças-RS, representante de autopeças, motopeças, usados, convertedoras GNV e lojas de bicicletas no RS, será presidido por Marco Antônio Vieira Machado (foto) no quadriênio 2026/2030, após reeleição em 26 de janeiro. A nova gestão assume em 1º de abril, mantendo o compromisso com transparência, diálogo e fortalecimento do varejo. A entidade é filiada à Fecomércio-RS.
A Cobra passa a oferecer ao mercado as velas de ignição Champion, marca global reconhecida por qualidade e tecnologia. Com 36 filiais no País, a distribuidora amplia o portfólio e reforça o compromisso com soluções completas para o aftermarket. Os clientes contam ainda com o sistema “Retira”, que permite buscar pedidos feitos online no balcão em até 15 minutos, garantindo agilidade no atendimento.
GSP LATIN AMERICA NOMEIA
NOVO DIRETOR DE VENDAS PARA O BRASIL E A AMÉRICA LATINA
Julio Cesar Gatti (foto) como diretor de Vendas para Brasil e América do Sul a partir de 19/01/2026. Com mais de 20 anos nos setores OEM e Aftermarket e passagem por Porsche e Continental na Alemanha, Julio une visão global e execução local. Sua experiência em transformação digital, supply chain e contas estratégicas reforça a estratégia “One Stop”, com foco em crescimento orientado por dados, serviço e parcerias na região.
VETOR AMPLIA PORTFÓLIO COM ALTA TECNOLOGIA E FORTALECE A REPOSIÇÃO AUTOMOTIVA
Excelente notícia para a reposição! A VETOR amplia seu catálogo com componentes de alta tecnologia, alinhados às exigências dos motores modernos, que pedem precisão absoluta. As novas linhas incluem bombas de alta pressão para injeção direta (GDI), bombas de água elétricas para controle térmico em híbridos e válvulas solenoides para variação de fase. Manter a qualidade é crucial: falhas nesses itens podem causar danos severos. Com mais de 7 mil itens, a marca se firma como referência para mecânicos e lojistas.
TAKAO ANUNCIA CASSIANO BRACCIALLI COMO NOVO DIRETOR DE MARKETING
A TAKAO anuncia Cassiano Braccialli (foto) como novo diretor de Marketing. De volta à empresa onde iniciou no setor, ele terá a missão de fortalecer o posicionamento da marca e impulsionar novos negócios. Com experiência desde 2012, Cassiano foi decisivo na criação e consolidação da TAKAO entre as mais lembradas pelos mecânicos. Agora, focará na integração de canais, inovação e relacionamento com reparadores, distribuidores e parceiros.
FIQUEPORDENTRO
MARKETING & SOUL ESTREIA COMO UM HUB ESTRATÉGICO INÉDITO NO MERCADO DE REPOSIÇÃO
A Marketing & Soul estreia como hub que integra marketing, marca, cultura e liderança em um único sistema estratégico. Liderada por Talita Peres (foto), executiva com 20+ anos no aftermarket, a proposta nasce para reduzir a desconexão entre áreas e impulsionar crescimento sustentável. O hub oferece diagnóstico, branding, cultura e o modelo CMO as a Service, unindo estratégia e humanização para gerar resultados consistentes e alinhados às pessoas.
MARELLI COFAP AFTERMARKET CONSOLIDA LIDERANÇA NO MERCADO COM MAIS DE 600 LANÇAMENTOS EM 2025
Em 2025, a Marelli Cofap Aftermarket lançou 660 códigos, ampliando a cobertura da frota. Foram 243 itens Cofap, com 90 novos amortecedores — Ouro no Prêmio Sindirepa pelo 11º ano — além de componentes de suspensão, freio e transmissão. A Magneti Marelli somou 417 lançamentos em injeção, motor, ignição e elétrica. O portfólio atende a leves, pesados, agrícolas e motos. Catálogo no site e app.
CÁSSIA MENINI ASSUME COMO
GERENTE DE MARKETING E TRADE DA BAP AUTO PARTS
Com cerca de 20 anos em Marketing e Comunicação, Cássia Menini (foto) atuou em agências, educação e mídia antes de ingressar no automotivo pelo Grupo PMZ. Formada em Publicidade, com especializações pela ESPM, FGV e PUC-RS, tem foco em Marketing e Trade, priorizando relacionamento e execução no PDV. Agora, como gerente de Marketing e Trade na BAP Auto Parts, assume o desafio de estruturar processos e fortalecer a presença da marca no mercado.
FREMAX LANÇA DISCOS DE FREIO PARA VEÍCULOS DA TOYOTA, GWM, MITSUBISHI E BMW
A Fremax amplia a linha de discos de freio para Toyota, GWM, Mitsubishi e BMW. As novidades atendem Hilux SW4 (BD2945), Haval H6 (BD5817), Triton (BD7022) e os esportivos X3M/X4M (BD0160/ BD0161). Os produtos contam com alto teor de carbono, pintura resistente a altas temperaturas, acabamento preciso e óleo protetivo que dispensa limpeza. A marca, preferida dos mecânicos segundo a revista O Mecânico, oferece ainda tecnologia de verificação de desgaste e catálogo técnico online.
PEGOU PRAIA E ESTRADA?
NGK FORNECE DICAS PARA MANUTENÇÃO DE MOTOCICLETAS
Viagens a praias expõem a moto à maresia, areia e calor, exigindo manutenção extra. A Niterra orienta atenção a três itens: velas de ignição (verificar corrosão e falhas), correias e roletes do CVT em scooters (checar trincas, desgaste e sujeira). Resíduos e oxidação reduzem a vida útil e o desempenho. Ruídos, vibrações e perda de força indicam revisão. Usar peças de qualidade e evitar contaminação por óleo e graxa são essenciais.
LUBRIFICAÇÃO ADEQUADA
DA
CORRENTE DA MOTO EVITA DESGASTE PREMATURO DE PEÇAS E GARANTE SEGURANÇA DO MOTOCICLISTA
COBREQ AMPLIA PORTFÓLIO DE PRODUTOS PARA LINHA MOTO
NA
REPOSIÇÃO
A COBREQ, do grupo TMD Friction, lança novos itens da Linha Street para motos urbanas até 500cc. Destaques: pastilhas dianteira para Honda Biz e traseira para CG Titan 160, além de discos para modelos Yamaha e Honda. A linha inclui ainda kits de transmissão, embreagem, cabos e fluidos. Os produtos priorizam desempenho, durabilidade e segurança nas frenagens e já estão disponíveis nas revendas em todo o Brasil.
A lubrificação incorreta da corrente é uma das principais causas de desgaste do kit de relação (pinhão, corrente e coroa), gerando ruídos e risco à segurança. O sistema é essencial para a tração da moto. A Nakata orienta: inspecionar peças, limpar com produto específico e escova, ajustar a tensão e aplicar lubrificante em spray na parte interna dos elos. O procedimento deve seguir o manual e ser repetido após chuva ou lavagem.
SALÃO DAS MOTOPEÇAS 2026 EM SÃO PAULO TERÁ 2 MIL LANÇAMENTOS E EXPECTATIVA DE R$ 300 MILHÕES EM NEGÓCIOS
O XV Salão Nacional e Internacional das Motopeças, promovido pela ANFAMOTO, acontece de 10 a 13 de março de 2026, no Expo Center Norte (SP). O evento reúne 140 expositores, mais de 300 marcas e cerca de 2 mil lançamentos, com expectativa de R$ 300 milhões em negócios. Voltado apenas a profissionais do setor, teve 12 mil visitantes em 2025. Credenciamento gratuito no site oficial, com apoio em hospedagem e transporte.
LOGÍSTICA URBANA CONSOLIDA AS MOTOCICLETAS COMO INFRAESTRUTURA EM UM MERCADO DE 1,6 MILHÃO POR ANO
A logística urbana vive uma transformação com o avanço do e-commerce e das entregas por apps. As motos viraram infraestrutura essencial: cerca de 60% das entregas nos grandes centros são feitas por elas. A Moto Br acompanha esse movimento, ampliando presença física e digital. A 7ª loja, no Guarujá, reflete essa nova realidade. Para a marca, a moto hoje sustenta a economia urbana, conectando mobilidade, trabalho e eficiência nas cidades.
BYD DOLPHIN É O MODELO MAIS MENCIONADO ENTRE OS MAIS SONHADOS
PELOS BRASILEIROS PARA ESTE ANO
Pesquisa da Webmotors revela que o BYD Dolphin é o carro mais desejado pelos brasileiros para 2026, sinalizando a força dos elétricos. Honda Civic e Toyota Corolla vêm na sequência. Por marca, lideram BYD, Toyota, BMW, Honda e Hyundai. Conforto (69%), inovação (60%) e design (56%) impulsionam o desejo. Para o futuro, consumidores pedem mais tecnologia (66%), menor impacto ambiental (60%) e economia (52%). Levantamento ouviu 500 pessoas.
FIAT PULSE GANHA EDIÇÃO
ESPECIAL LOLLAPALOOZA BRASIL 2026
A Fiat lança o Pulse Lollapalooza Brasil 2026, série limitada a 550 unidades, baseada na Drive 1.3 CVT. Patrocinadora master do festival pelo segundo ano, a marca traz visual exclusivo com teto bicolor, rodas pretas, acabamentos escurecidos e badge numerado. O modelo oferece multimídia de 10”, keyless, partida remota e LEDs. Disponível em três cores, chega às lojas em 9 de fevereiro. A Fiat também assina o palco Perry’s by Fiat.
GEELY AUTO REGISTROU INÍCIO DE ANO ROBUSTO, COM VENDAS GLOBAIS SUPERIORES A 270 MIL VEÍCULOS EM JANEIRO, MAIS DO QUE DOBRANDO SEU VOLUME DE VENDAS INTERNACIONAIS
A Geely Auto começou 2026 em alta, com 270.167 veículos vendidos em janeiro (+1% a/a; +14% m/m). Os NEVs somaram 124.252 unidades. Fora da China, foram 60.506 vendas (+121% a/a), sendo 32.117 elétricos. Sob a estratégia “One Geely”, a marca fortalece seu portfólio global. O EX2 estreou na Indonésia com produção local. A meta para 2026 é atingir 3,45 milhões de veículos no mundo, com 640 mil no exterior.
GWM AMPLIA OFERTA DE CORES DO NOVO HAVAL H6, HAVAL H9 E POER P30
A GWM Brasil amplia, em fevereiro, as cores do Haval H6, H9 e Poer P30. O H6 ganha Azul Cianita e Cinza Titanium, e o Cinza Amazonita chega à versão PHEV35. H9 e P30 passam a oferecer Cinza Diamante e Cinza Titanium. Definidas por estudos de mercado, as novas tonalidades reforçam sofisticação e alinhamento ao gosto local. Produzidos no Brasil, os modelos unem design, tecnologia e robustez, com destaque para o H6, híbrido mais vendido de 2025.
APÓS COMEMORAR O RECORDE DE VENDAS EM 2025, VOLVO CAR BRASIL COMEÇA ANO COM BOA PERFORMANCE DE VENDAS EM JANEIRO
A Volvo Car Brasil iniciou 2026 mantendo o ritmo recorde de 2025. Em janeiro, foram 719 emplacamentos, alta de 9,6% sobre o mesmo mês do ano anterior, garantindo 24,9% de market share e a vice-liderança no segmento premium. EX30 (285) e XC60 (258) puxaram o resultado. Os elétricos já representam 54,2% das vendas, reforçando a aceitação da tecnologia no mercado brasileiro.
O PESO DO MERCADO DE REPOSIÇÃO
Milhões de operações ativam diretamente a cadeia de autopeças, no pós-venda das montadoras, lojas de revenda de veículos e nas oficinas. No entanto, algumas questões podem influenciar os resultados neste ano
Por: Karin Fuchs | Foto(s): Divulgação
Em 2025, o segmento da reposição representou 21,6% das vendas totais da indústria de autopeças. Segundo George Rugitsky, diretor de Economia e Mercados da Abipeças e do Sindipeças, “essa participação percentual deve crescer para 22,9% este ano, segundo projeções feitas no final do ano passado, que serão revisadas algumas vezes ao longo deste ano”, afirmou.
Questionado se a nova política de redução de estoques das montadoras poderá aumentar a participação do mercado de reposição nos resultados da indústria de autopeças, Rugitsky respondeu que é difícil antecipar todos os movimentos que irão influenciar cada uma das demandas.
“Qual a velocidade da redução dos juros? As montadoras chinesas vão manter a agressividade de 2025, mesmo sem a renovação da isenção de Imposto de Importação para CKD e SKD? Qual o impacto do financiamento, via BNDES, da
Qual será a velocidade da queda dos juros? As montadoras chinesas manterão a agressividade vista em 2025, mesmo sem a isenção do Imposto de Importação para CKD e SKD? Qual o impacto do financiamento do BNDES na renovação da frota? O mercado de usados seguirá batendo recordes? Quem vence essa disputa? Ainda não sabemos. Com as informações atuais, projetamos crescimento nos dois mercados — mais forte na reposição e mais moderado entre as montadoras, devido à forte queda nas exportações”
George Rugitsky, diretor de Economia e Mercados da Abipeças e do Sindipeças
renovação da frota? O mercado dos usados vai continuar batendo recordes? Quem vai ganhar essa batalha? Não sabemos. Mas, baseados nas informações que temos no momento, estamos estimando crescimentos em ambos os mercados, mais vigoroso na reposição e menos no mercado das montadoras, em razão da forte queda nas exportações”, explicou.
Procurada para falar sobre o pósvenda nas montadoras e importadoras, a assessoria de comunicação da Anfavea respondeu que “torna-se um pilar estratégico e essencial, à medida que ocorre um aumento expressivo de novos players. Podemos afirmar que, hoje, não
basta carregar a bandeira da marca. É preciso comprovar reputação de marca em todos os aspectos da jornada de experiência do cliente. Há algum tempo, não se trata mais de “vender” o produto.
George Rugitsky, diretor de Economia e Mercados da Abipeças e do Sindipeças
Fidelizar o cliente à marca significa oferecer e satisfazer todas as demandas do cliente. Nesse aspecto, a comunicação permanente com o cliente é essencial”.
Em resposta, a assessoria de comunicação da Anfavea disse que a entidade não tem um porta-voz para responder sobre pós-venda e que este tema é estratégico de cada marca.
Nas revendas
Presidente da Fenauto, Everton Fernandes, começou por dizer que o mercado de veículos seminovos e usados é um dos principais motores do mercado de autopeças no Brasil. “Diferentemente do veículo zero quilômetro, que permanece um período maior sem necessidade de intervenções, o usado naturalmente demanda manutenção preventiva e corretiva. Cada transação gera uma cadeia de consumo: revisão mecânica, troca de itens de desgaste, ajustes estéticos e, muitas vezes, atualizações para garantir segurança e confiabilidade ao próximo proprietário. Com mais de 18,5 milhões de veículos comercializados em 2025, estamos falando de milhões de operações que ativam diretamente oficinas, distribuidores e fabricantes de autopeças”, ressaltou.
Pelo volume elevado de transações, o varejo de autopeças é diretamente beneficiado. “Grande parte da preparação do veículo para revenda e, também, da manutenção feita logo após a compra ocorre no varejo tradicional, seja por meio de oficinas independentes ou compras diretas do consumidor. Itens como freios, suspensão, filtros, correias, embreagem, pneus, baterias e componentes elétricos têm alta rotatividade nesse processo. Quanto mais aquecido o mercado de usados, mais constante e previsível é a demanda no varejo de autopeças, o que traz estabilidade ao setor”, explicou Fernandes.
Ele acrescentou que com base na experiência das associadas, a maioria das revendas realiza a checagem e manutenção por meio de oficinas parceiras, oficinas independentes de confiança ou estruturas próprias, no caso das redes maiores. “O foco principal é garantir segurança, conformidade mecânica e transparência na venda, o que reforça a importância do mercado de autopeças e de serviços nesse ecossistema”, afirmou.
Efeitos da idade da frota
É sabido que o envelhecimento da frota circulante brasileira impacta diretamente o aftermarket, pelo aumento da demanda de manutenção. “No varejo de autopeças, isso se traduz em maior procura por itens de manutenção preventiva e corretiva, como freios, suspensão, componentes de motor e sistemas elétricos. Esse cenário exige das empresas um mix de produtos bem ajustado, gestão eficiente de estoque e uma relação cada vez mais próxima com o reparador, que é peça-chave na cadeia do aftermarket”, afirmou Ranieri
Leitão, presidente do Sincopeças Brasil e do Sistema Sincopeças/Assopeças/ Assomotos Ceará (SSA/CE).
Ranieri ponderou que o envelhecimento da frota gera mais demanda, mas não garante, por si só, aumento de rentabilidade. “O consumidor está mais sensível a preço e o mercado se torna mais competitivo, pressionando margens. O crescimento acontece para quem está preparado: empresas que investem em gestão, qualificação das equipes, relacionamento com fornecedores e entendimento do perfil do reparador conseguem transformar esse cenário em oportunidade real de negócio dentro do aftermarket”, destacou.
Posição semelhante relatou Rugitsky. “A frota brasileira segue envelhecendo, principalmente, nos segmentos de automóveis e caminhões. Praticamente estável em 2024, a idade média dos autoveículos alcançou 10 anos e 11 meses, o que representa um mês a mais, comparativamente ao ano anterior. A faixa da idade média que mais impacta o segmento da reposição, que chamamos de frota reparável, é de 4 a 20 anos. Quando mais velha a frota, mais cresce o volume de serviços feitos nas oficinas, porém, o volume financeiro não necessariamente cresce na mesma proporção”, detalhou.
Segundo Alexandre Mol Pessoa de Faria, presidente do Sindirepa Brasil, “veículos mais antigos exigem revisões mais frequentes, maior volume de substituição de componentes e intervenções corretivas mais complexas. O que temos observado é um crescimento consistente e contínuo da procura por serviços de manutenção, com destaque para sistemas de suspensão, freios, motor
Everton Fernandes, presidente da Fenauto
O consumidor está mais sensível a preço e o mercado fica mais competitivo, pressionando margens. O crescimento vem para quem está preparado: empresas que investem em gestão, qualificação das equipes, relacionamento com fornecedores e entendimento do perfil do reparador conseguem transformar esse cenário em oportunidade real de negócio no aftermarket”
Ranieri Leitão, presidente do Sincopeças Brasil e do Sistema Sincopeças/Assopeças/Assomotos Ceará (SSA/CE)
e transmissão. Embora essa proporção varie de acordo com a região e o perfil da frota local, o movimento é inequívoco: quanto mais envelhecida a frota, maior a recorrência de serviços e maior a relevância do mercado independente de reparação automotiva”, descreveu.
Antonio Fiola, presidente do SindirepaSP, contou que são os veículos com mais de cinco anos até 10 anos que mais demandam manutenção, representando 62% do total da frota circulante, segundo estudo da frota do Sindipeças, estimada em 45,4 milhões de unidades de automóveis e comerciais leves. “E temos um elemento novo que pode movimentar o setor nos próximos anos, a inspeção veicular, e o primeiro passo já foi dado. Acaba de ser aprovado o projeto de lei pela Câmara dos Deputados, por meio da Comissão de Viação e Transportes, que cria a inspeção veicular periódica obrigatória para veículos com mais de cinco anos de fabricação”, destacou.
De acordo com Heber Carvalho, presidente do Sincopeças-SP, com o envelhecimento da frota no Brasil, a procura de peças e acessórios está em ritmo acelerado e o varejo precisa ajustar o estoque. “A venda de peças no varejo acompanha esse crescimento e o envelhecimento da frota tem impactado em alguns produtos do varejo. Uma informação importante é que no envelhecimento vários veículos também saem de circulação e o varejo precisa se preparar com estoques, mas com muito cuidado, pois a diversificação das peças também é muito profunda e instável”, advertiu.
Nas colocações do presidente do Sicap, Alcides Acerbi Neto, com a frota envelhecida, manter estoque de peças para a diversidade de marcas, modelos e versões de veículos é um desafio cada vez maior para os distribuidores e varejos de autopeças. “Cada vez mais, a dificuldade
Ranieri Leitão, presidente do Sincopeças Brasil e do Sistema Sincopeças/Assopeças/ Assomotos Ceará (SSA/CE)
de achar fornecedores para todos os itens, aumentar o portfólio e espaço físico e ter capital de giro impactam negativamente nos resultados das empresas”, afirmou.
Segundo ele, para o atacadista, importador, exportador e distribuidor, este envelhecimento acaba por aumentar a demanda de maneira orgânica. “Estimasse um impacto positivo na demanda por reparação na ordem de 7% para 2026 levando-se em conta também o crescimento da frota”, especificou.
Fatores macroeconômicos
Em 2025, a Fenauto computou a marca recorde de 18.508.929 de veículos comercializados. Para este ano, a expectativa é de um crescimento mais moderado. “Depois de um recorde histórico como o de 2025, é natural que o mercado entre em um ciclo de acomodação, mas ainda em patamar elevado. A frota brasileira continua envelhecida, o preço do veículo novo segue pressionado e o usado permanece como a principal alternativa para grande parte da população. Por isso, esperamos um mercado resiliente, com volumes robustos, ainda sustentando toda a cadeia automotiva, incluindo autopeças e serviços”, disse Fernandes.
Em sua opinião, o que mais pode impactar os resultados deste ano continua sendo o custo do crédito. “A trajetória dos juros influencia diretamente a decisão de compra, principalmente, nas faixas de renda que dependem mais de financiamento. Outro ponto importante é a política de crédito das instituições financeiras: prazos, entrada e critérios de aprovação. A inadimplência, embora esteja sob controle, exige atenção, porque qualquer deterioração mais forte tende a restringir o crédito. Se tivermos um cenário de juros em queda gradual e manutenção da inadimplência em níveis administráveis, o mercado de usados deve seguir com desempenho sólido ao longo do ano”, explanou.
Neto pontuou quatro fatores de atenção que poderão afetar o mercado em 2026: feriados prolongados, Copa do Mundo, Eleições e Reforma Tributária. “As mudanças na parte tributária são uma das questões que podem trazer impacto nos negócios, assim como a desconfiança do consumidor diante das altas de juros, mas é importante lembrar que quando o consumidor não troca o veículo por um novo, acaba tendo de fazer a manutenção em algum momento, mesmo que seja só quando o veículo quebra. Então, o
mercado de reposição costuma se manter estável, sem picos de crescimento e, também, não apresenta quedas bruscas, segue linear”, explicou.
Fiola seguiu na mesma linha. “Sempre em ano de eleições existe uma certa incerteza do consumidor, que pode gerar receio com relação ao consumo e, também, o calendário nacional deste ano possui Copa do Mundo, onde o comércio acaba fechando mais cedo, e os feriados nacionais que são muitos e podem impactar em dias a menos no trabalho, isso pode reduzir o faturamento. A própria substituição tributária, ainda uma novidade, pode trazer alguns entraves nas operações devido à adequação às novas regras”, explanou.
Veículos mais antigos exigem revisões mais frequentes, maior substituição de componentes e intervenções corretivas mais complexas. Observamos um crescimento consistente na procura por manutenção, com destaque para suspensão, freios, motor e transmissão. Embora a proporção varie conforme a região e o perfil da frota, o movimento é claro: quanto mais envelhecida a frota, maior a recorrência de serviços e a relevância do mercado independente de reparação automotiva”
Alexandre Mol Pessoa de Faria, presidente do Sindirepa Brasil
Alexandre Mol Pessoa de Faria, presidente do Sindirepa Brasil
Antonio Fiola, presidente do Sindirepa-SP
A venda de peças no varejo acompanha esse crescimento, e o envelhecimento da frota impacta diretamente alguns produtos.
Ao
mesmo tempo, muitos veículos saem de circulação, exigindo preparo do varejo na gestão de estoques — com cautela, já que a diversificação de peças é ampla e instável”
Heber Carvalho, presidente do Sincopeças-SP
Mol respondeu que entre os principais fatores estão o patamar da taxa de juros, o comportamento da inflação, o custo e a disponibilidade do crédito, a renda das famílias e a estabilidade do emprego. “Soma-se a isso questões estruturais, como custos logísticos, carga tributária, políticas industriais e eventuais oscilações cambiais. Trata-se de um ambiente que exige do setor planejamento estratégico, cautela nas decisões e capacidade de adaptação rápida em face das mudanças
do cenário econômico”, orientou Mol.
Ranieri pontuou a taxa de juros elevada, inflação e custo do capital de giro como os fatores que seguem impactando diretamente o aftermarket. “O varejo de autopeças depende fortemente de estoque, e qualquer instabilidade econômica exige maior controle financeiro e planejamento. Além disso, as discussões em torno da reforma tributária trazem incertezas para toda a cadeia, reforçando a necessidade de atenção, organização e diálogo institucional para que o setor não seja penalizado”, destacou.
Na visão de Rugitsky, “questões de natureza macroeconômica, como manutenção dos juros em patamar elevado, a instabilidade econômica percebida pelo consumidor e o receio de perder o emprego, provocam o adiamento da manutenção do veículo ou a mínima
necessária para manter o veículo funcionando no momento”, explicou.
Já Carvalho destacou que o principal fator econômico diz respeito à reposição e estoque dessas peças. “Por essa razão, o varejo tem de se atentar para não investir em peças desnecessárias à reposição. Para tanto, deve conhecer muito bem a frota que circula no seu entorno para se abastecer com assertividade”, alertou.
Ajustes
Os executivos comentaram de que forma o setor está enxergando e se ajustando para os desafios econômicos que vivenciaremos. “O aftermarket já percebe que o mercado exige mudanças estruturais. Há um movimento claro de profissionalização, melhoria de processos, uso de dados e fortalecimento da gestão. Ainda existe uma parcela do
Heber Carvalho, presidente do Sincopeças-SP
Automotive Imports: eficiência, escala e confiança no fornecimento de autopeças
A Automotive Imports se consolidou como uma grande importadora e distribuidora de peças automotivas no mercado nacional, atuando de forma estratégica no segmento B2B e atendendo empresas que buscam qualidade, agilidade e confiança na reposição de componentes.
Com um olhar atento às transformações do setor automotivo, a empresa investe constantemente em inovação, ampliando seu portfólio e trazendo ao mercado peças que acompanham as novas demandas e tecnologias dos veículos atuais.
Especializada em reposição de peças de colisão, a Automotive Imports oferece uma linha completa que inclui faróis, para-choques, lanternas e diversos outros itens essenciais para reparo e manutenção. A ampla variedade de produtos permite atender diferentes marcas e modelos, garantindo soluções eficientes para oficinas, distribuidores e centros automotivos que precisam de rapidez sem renunciar à qualidade.
Mais do que vender peças, a Automotive Imports se destaca pelo atendimento personalizado.
Cada cliente é tratado de forma única, com soluções e condições de venda pensadas de acordo com sua real necessidade. Essa proximidade fortalece parcerias duradouras e posiciona a empresa como uma aliada estratégica no dia a dia dos negócios.
Com logística eficiente, estoque atualizado e foco total no mercado profissional, a Automotive Imports reafirma seu compromisso em entregar peças confiáveis, contribuir para a eficiência dos reparos e impulsionar o crescimento de seus parceiros em um setor cada vez mais competitivo.
A busca contínua por novos fornecedores e tendências globais reforça o compromisso da empresa com a excelência. Dessa forma, a Automotive Imports mantém um padrão elevado de qualidade, ajudando seus clientes a oferecerem serviços mais completos, seguros e alinhados às expectativas do mercado automotivo atual, sempre evoluindo junto com o setor.
varejo que reage apenas ao curto prazo, sem enxergar a necessidade de ajustes mais profundos. Quem entende que eficiência, gestão e relacionamento ao longo da cadeia são decisivos, se antecipa e constrói empresas mais sustentáveis e competitivas no médio e longo prazos”, descreveu Ranieri.
De acordo com Carvalho, “o setor de varejo tem, sim, ficado atento às mudanças e se ajustando aos desafios econômicos,
principalmente, com a concorrência de empresas inidôneas que ainda afetam o setor. Venda de peças novas sem origem de procedência e alguns setores com peças usadas também sem uma classificação fiscal e legal. O varejo, de modo geral, nem sempre percebe o risco que corre quando age dessa maneira. Entretanto, as empresas que têm um controle de compras e vendas não se arriscam nesse mercado, que de uma maneira geral representa uma pequena fatia do nosso”, afirmou.
Na reparação automotiva, Mol disse que o setor já vem se ajustando de forma clara, com foco em eficiência operacional, gestão mais rigorosa dos custos e forte investimento em capacitação técnica. “Muitos reparadores estão antecipando tendências ao investir em qualificação profissional, tecnologia de diagnóstico, processos mais profissionais e melhor relacionamento com fornecedores
e clientes. Existe a compreensão de que o consumidor está mais exigente e que o mercado será cada vez mais competitivo. Quem entender que o futuro passa por parceria, informação, profissionalização e excelência no serviço estará mais preparado para atravessar os desafios econômicos que se apresentam”, ressaltou.
Para Fiola, o setor é resiliente e sempre superou crises econômicas diversas. “Desta vez, também será assim, o mercado deve se acomodar a esses desafios, como sempre fez, mas não existe um plano, cada empresa vai cuidar da sua gestão da forma que achar mais adequada, lembrando que passamos por uma pandemia, período crítico, onde o setor conseguiu manter as portas e garantiu bons resultados, algo que ocorreu isolado, ao passo que outros setores tiveram muitos estabelecimentos fechados”, analisou.
Alcides Acerbi Neto, presidente do Sicap
Cada vez mais, a dificuldade de encontrar fornecedores para todos os itens, ampliar o portfólio, dispor de espaço físico e manter capital de giro impacta negativamente os resultados das empresas”
Alcides Acerbi Neto, presidente do Sicap
Na visão de Neto, além dos fatores já mencionados, a Reforma Tributária tem um impacto maior para os distribuidores. “Estamos iniciando os estudos do impacto da RT em nossos estoques na virada 2026/2027, pois entendemos que o IPI e PIS/COFINS poderão se tornar um problema, além da transição gradual dos outros impostos”, relatou.
Para finalizar, Rugitsky respondeu que a Abipeças e o Sindipeças, que representam a indústria de autopeças em todo o País, trabalham em perfeita sinergia com os outros elos da cadeia da reposição. “As entidades se reúnem e conversam constantemente para eliminar gargalos e difundir informações relevantes, como, por exemplo, o impacto de novas tecnologias e dos novos canais de atendimento. O
Conexão Abipeças, evento que ocorrerá em 20 de maio, terá um painel dedicado à reposição, com apresentação de diagnóstico detalhado, que está sendo feito pela McKinsey”, concluiu.
Um olhar sobre a cadeia de autopeças
Na avaliação de Rodrigo Carneiro, presidente da Andap, o envelhecimento da frota não teve alterações significativas no mercado de reposição recentemente. “A idade média não apresentou grandes alterações nos últimos 3 ou 4 anos e, em 2025, houve uma boa recuperação na venda de 0 Km, o que derruba a idade média. Como não temos o índice de ‘mortalidade’, não conseguimos precisar o número. Sendo assim, o comportamento do mercado independente de reposição também não apresentou alterações significativas; os mesmos problemas de sempre exceto por algum ganho de participação no share de vendas do fabricante para o canal AA (Aftermarket Automotivo). O que precisamos urgentemente é da aprovação do Direito de Reparar”, defendeu.
Sobre os fatores que podem impactar
o setor neste ano, Carneiro respondeu que estamos vivendo, globalmente, um momento complexo com as mudanças geopolíticas, conflitos militares, políticos e econômicos, que afetam a economia como um todo e, particularmente, o setor automotivo. “Houve um claro desvio nos polos de produção, apostas equivocadas na eletrificação e o desenvolvimento de tecnologias embarcadas, não facilmente disponíveis. O Brasil, particularmente, como um dos grandes centros de produção de autopeças e o 4º maior mercado mundial de reposição, está vivendo um momento complexo, delicado economicamente e em um ano de eleições que podem afetar negativamente o comportamento e consumo dos proprietários de veículos. Será um ano desafiador”, previu.
O executivo pontuou que o setor precisa estar preparado para a transformação digital. A transformação não é de hardware e nem de software, mas sim, de mindset. Precisamos dar espaço para inovações, novas gerações e novos modelos de negócio e o melhor aproveitamento da inteligência artificial. Não se atentar para isto afastará qualquer player do jogo”, finalizou.
Rodrigo Carneiro, presidente da Andap
Texto: Karin Fuchs Foto(s): Divulgação
O MAIOR CONCORRENTE HOJE É A INFORMAÇÃO
O cliente já chega na loja munido de informações, nem sempre certas. O balconista tem uma tarefa a mais, contornar essa ‘verdade’, com consultoria e credibilidade. Acabou o tempo do tirador de pedidos
Com o avanço da internet e das redes sociais, os consumidores já chegam nas lojas munidos de informações que nem sempre condizem com a verdade. O desafio do balconista deixou de ser a falta de informação e passou a ser filtrar o excesso de informação ruim. O risco é grande para
simplesmente tirar o pedido, confiando apenas no que diz o cliente. O diferencial está na consultoria técnica do balconista para que o cliente fique satisfeito com uma venda segura, sem erros e sem o risco de compras equivocadas. # 48 FEV / 2026
O que Laura Cristina Rocha Azevedo, vendedora na Nova Via Autopeças, em Vila Velha (ES), sabe muito bem. “O cliente chega ‘estudado’: Google, redes sociais, vídeos, reviews… O problema é que muita coisa é genérica, desatualizada ou simplesmente errada, mas ele vem com muita convicção. Melhor é sempre ser verdadeiro e esclarecer com clareza e sempre mostrando seus conhecimentos. Com perguntas certas, provas visuais, fontes oficiais e empatia, o próprio cliente chega à conclusão de que quero sempre o melhor para ele”, afirmou.
Tony Santos, consultor Técnico da Perim Autopeças, em Santos (SP), concorda que hoje o maior desafio é o cliente chegar com uma informação pronta. “Com código, print ou pesquisa da internet, e já acreditar que aquilo é a verdade absoluta. O problema é que muitas dessas informações não consideram aplicação correta, ano do veículo, motorização ou variações de chassi. O balconista precisa corrigir sem confronto, quebrar uma certeza errada e, ao mesmo tempo, manter a confiança do cliente”, descreveu.
Para ele, o caminho é ouvir primeiro e mostrar que está do mesmo lado. “Depois, usamos ferramentas técnicas: catálogo eletrônico, sistemas de aplicação, número de chassi, ficha técnica e até a comparação da peça física quando necessário. Quando o cliente entende visualmente e de forma simples o porquê da diferença, ele percebe valor no atendimento e confia no nosso conhecimento”, explicou.
Atendimento especializado
De acordo com Tony, “hoje, em mais da metade dos atendimentos, o balconista atua como consultor e conscientizador. O cliente chega informado, mas nem sempre bem-informado. Nosso papel
passou a ser filtrar esse excesso de informação da internet e orientar o cliente para a decisão correta. Quem não faz isso deixa de ser especialista e vira apenas um tirador de pedido”, alertou.
Laura também destacou a importância do atendimento especializado. “O avanço da internet e das redes sociais ampliou o acesso à informação, mas não substituiu o conhecimento técnico aplicado. Pelo contrário, aumentou a necessidade de um profissional capaz de traduzir teoria em prática, evitando decisões baseadas apenas em opiniões. Vendedor hoje tem que ter conhecimento sim, primordial, mas também tendo experiência e não menos amizade e intimidade com seu cliente, sabendo o que cada um necessita”, comentou.
Tirador de pedidos
Para quem apenas tira pedidos, Tony e Laura alertaram sobre os riscos. “Apenas aceitar a informação do cliente e registrar o pedido pode parecer mais rápido, mas envolve riscos significativos. Pois nem sempre a montadora monta o que corresponde ao carro. E aí temos que buscar, quanto mais informações é melhor para podermos dar um bom atendimento. Em um mercado onde o cliente tem acesso à informação, o diferencial do vendedor está na capacidade de interpretar, adaptar e orientar. O atendimento eficaz não impõe, não confronta e não obedece cegamente — ele conduz o cliente à melhor decisão para seu uso real, protegendo o veículo e o consumidor, sempre com muito respeito e parceria”, concluiu.
Tony também enfatizou que o risco é grande para quem apenas tira pedidos. “Vender apenas com base na informação do cliente pode gerar peça errada, devolução, prejuízo, desgaste no relacionamento e até risco mecânico e de segurança. No caminhão,
Laura Cristina Rocha Azevedo, vendedora na Nova Via Autopeças, em Vila Velha (ES)
uma aplicação errada pode parar o veículo, gerar perda de frete e muita dor de cabeça. Conferir não é excesso de cuidado, é responsabilidade profissional”, finalizou.
A orientação do especialista
CEO do IBNVendas, Mário Rodrigues, lista uma série de dicas para não cair na armadilha de tirar pedidos sem uma consultoria adequada.
1 - Novo concorrente: “Com a revolução da comunicação e dos modos de compra e venda, nós temos um novo concorrente. Antes, o concorrente era outra loja ou outro fabricante que nós não representamos. Hoje, o concorrente é a informação. Antes eu ia ao balcão para pedir informações, agora eu pergunto primeiro para o Google, para a inteligência artificial, e vou ao balcão para conferir ou já convencido de que aquela informação é a certa, mas nem
sempre é”.
2 - Abordagem: “Toda abordagem requer três coisas, gerar atenção, interesse e credibilidade. Quando o cliente vem com uma informação na mão, ele já destinou essa credibilidade a quem lhe passou, normalmente, a internet, um vizinho ou um amigo. Nós precisamos desenvolver uma relação de credibilidade para poder contrapor à informação. E a gente faz isso com uma boa recepção. Olhar o cliente nos olhos, cumprimentálo espelhando o comportamento dele e, com cuidado, perguntar sobre de onde veio aquela informação e nunca dizer: ‘olha, isso não presta, isso é ruim’. É importante mostrarmos que existem informações que não vêm ao encontro do que se demonstra como realidade. Não vou contra o cliente, eu digo que entendo a posição dele, mas eu apresento a informação correta”.
O cliente já chega à loja munido de informações, nem sempre corretas. Cabe ao balconista contornar essa “verdade” com consultoria e credibilidade. Acabou o tempo do tirador de pedidos
Mário Rodrigues, CEO do IBNVendas
3 - Ida ao balcão: “Lembre-se de que se ele foi até o balcão, ele ainda não está plenamente seguro em tomar a decisão do que ele tem como melhor. A primeira coisa é se conectar com o cliente, perguntar sobre a sua necessidade, sobre o carro dele, sem contrapor ao que ele traz como verdade. Se ele disser que por outro meio é mais barato, vamos falar das nossas qualidades e nunca falando dos problemas ou da desconfiança da informação que o cliente trouxe ou dizer que a internet é sempre enganação porque isso o afasta. É compreender, mas isso não significa concordar. Esta é a melhor forma de o balconista contornar a situação porque o cliente já vem convencido de que a informação dele é a melhor. Se ele veio até o balcão, no mínimo, ele tem interesse em ter a informação do balconista que precisa agora desenvolver credibilidade para contrapor a informação que o cliente tem”.
4 - Especialização: “O consultor é um conscientizador para o cliente de que as informações obtidas na internet nem sempre são as certas. É também mostrar que nem sempre estão erradas e, estando certas, é oferecer o melhor e mais seguro benefício para o cliente. Então, tirar proveito disso não é se aproveitar do cliente, é usar aquilo que lhe cabe e que lhe é merecido, que é a credibilidade de ser alguém que tem confiança, que tem uma estrutura e que tem uma história, muitas vezes, com o próprio cliente. É demonstrar o seu conhecimento, a sua segurança como consultor e, com isso, claro, conduzir e inspirar o cliente para a melhor decisão. É o cliente decidir a comprar com você ali e resolver logo e com segurança o seu problema”, finalizou.
O avanço da internet e das redes sociais ampliou o acesso à informação, mas não substituiu o conhecimento técnico aplicado.
Pelo contrário, aumentou a necessidade de um profissional capaz de traduzir teoria em prática, evitando decisões baseadas apenas em opiniões. O vendedor precisa de conhecimento técnico, experiência e proximidade com o cliente, entendendo o que cada um realmente necessita”
Laura
Tony Santos, consultor técnico da Perim Autopeças, em Santos (SP)
Cristina Rocha Azevedo, vendedora na Nova Via Autopeças, em Vila Velha (ES)
C OLUNA DO JÔ
Texto: José Augusto Dias (Jô)* | Foto(s): Divulgação
COPA TRUCK 2026: NOVA FASE, NOVOS CAMINHÕES E UM MODELO QUE APROXIMA MARCAS E PESSOAS
A temporada 2026 da Copa Truck começa com clima de renovação na Odapel Racing. Nova equipe, nova marca, layout inédito e, principalmente, caminhões Mercedes recémchegados para um ciclo que promete evolução rápida. Os primeiros testes, em Londrina (PR), já deram o tom do que vem pela frente.
Para Jô Dias, o momento é de construção. “Esse primeiro teste foi fundamental para começarmos a dar a nossa cara ao caminhão. Cada piloto tem suas preferências de banco, volante, freio, trambulador… é nesse ajuste fino que a gente encontra o conforto e o desempenho ideal.” A menos de um mês da primeira etapa, em Campo Grande (MS), a equipe trabalha contra o tempo para deixar os cinco caminhões prontos.
Paulo Salustiano destaca que, além da adaptação ao novo equipamento, 2026 traz mudanças técnicas importantes: turbina, pastilhas de freio e até combustível novos. “O caminhão mostrou que é muito bom, mas agora entra a fase dos ajustes finos. A gente se adapta ao caminhão e o caminhão se adapta ao nosso estilo.” Ele ressalta diferenças marcantes em relação ao ano passado, como o volante com redutor e o comportamento do freio, que exigem nova forma de condução.
O caminhão do Jô estreia em Campo Grande (MS) no dia 8 de março com seu novo layout. Visual moderno e presença marcante garantida na pista
Mas o projeto vai muito além da pista. Jô reforça que cada etapa é uma oportunidade estratégica de relacionamento. “No balcão da loja, o cliente está na correria e não absorve nada. Já na pista, na descontração, tudo fica mais marcante. É a hora certa para a fábrica fixar a marca.” Ele destaca o rodízio de posições ao longo das nove etapas e o uso inteligente dos ingressos para proporcionar experiências reais aos convidados.
Como o próprio Jô costuma dizer, a corrida é “a cereja do bolo”. A prioridade é dar retorno real aos parceiros. Com nove etapas em nove cidades diferentes — muitas delas com presença da Odapel — a expectativa é transformar cada prova em um grande evento de mercado.
Em um ano que terá pausa no calendário por conta da Copa do Mundo, a equipe já planeja novas ações para manter o ritmo. “Será um ano que vai exigir resiliência, trabalho e conciliação de ideias”, resume Jô.
Com credibilidade construída na prática e empresas interessadas em participar do projeto, a Odapel Racing inicia 2026 pronta para acelerar dentro e fora das pistas.
* Diretor
Comercial da Odapel
Distribuidora de Autopeças e piloto da
Copa
Truck
FIQUEPORDENTROPESADOS
ALLISON TRANSMISSION E IRMEN MÁQUINAS FIRMAM PARCERIA ESTRATÉGICA PARA FORTALECER O PÓS-VENDA DA MARCA EM MINAS GERAIS
A Irmen Máquinas, maior concessionária SANY do mundo, firmou parceria com a Allison Transmission para ampliar o atendimento a equipamentos com essas transmissões no Brasil. Com forte estrutura de pós-venda, estoque de peças e centros técnicos, a cooperação começa por Minas Gerais, via Betim. Clientes terão suporte em campo, testes, certificação e manutenção completa no CRC Irmen, elevando a disponibilidade das máquinas e a qualidade do serviço.
RANDON PROMOVE ENCONTRO COM REDE DE DISTRIBUIDORES
A Randon reuniu, em 4 de fevereiro, proprietários da rede de distribuidores em Araraquara (SP) para alinhar estratégia, negócios e vendas para 2026. O encontro reuniu concessionários, gestores e executivos da Randon e da Randoncorp, com foco no portfólio e nas novidades do ano. Também foram premiados os destaques do Programa de Excelência e Gestão 2025. A rede soma 90 pontos no Brasil e 191 no exterior.
DANA AMPLIA PORTFÓLIO VICTOR REINZ
PARA MOTOR DV5RUC DE 120CV
A Dana lança novas aplicações Victor Reinz para o motor DV5RUC (120 cv) das vans Citroën Jumpy, Peugeot Expert e Fiat Scudo (2022–2025). A linha inclui juntas, retentores, parafusos de cabeçote e reparo de turbina, garantindo vedação precisa, durabilidade e padrão original. Os itens já estão na rede com mais de 100 distribuidores no Brasil. Informações e aplicações no catálogo online e suporte técnico pelo 0800 727 7012.
ZF AFTERMARKET LANÇA COMPRESSORES DE AR WABCO
SEM ENGRENAGEM PARA VEÍCULOS
MERCEDES-BENZ
A ZF Aftermarket, via WABCO, passa a fornecer compressores de ar para Mercedes-Benz na reposição sem engrenagem, padrão já adotado na fábrica. A peça do compressor antigo deve ser reutilizada após avaliação. Se preciso, a engrenagem é comprada na rede MB. A orientação vale para modelos mono e bicilíndricos fabricados a partir das semanas 51/25 e 01/26. É essencial seguir o torque correto na fixação. Suporte: 0800 011 1100.
FOTON TRIPLICA EMPLACAMENTOS NO BRASIL EM 2025
A Foton do Brasil fechou 2025 com forte avanço: mais de 2 mil veículos emplacados, crescimento superior a 200% sobre 2024, segundo a Fenabrave. O Aumark S 315 liderou as vendas, com 600 unidades. A Tunland, picape híbrida a diesel, somou 350 em poucos meses. Nos caminhões, a marca ficou em 7º no ranking, com alta de 78,2%. A rede cresceu de 38 para 80 concessionárias e a Foton alcançou 9,24% no segmento de elétricos, onde ocupa a 3ª posição no Brasil.
Por: Otavio Rocha
BALCÃO EM ALTA VELOCIDADE
F1, STOCK CAR E COPA TRUCK: O QUE MUDA PARA 2026?
A temporada 2026 das corridas nacionais e internacionais vai começar! F1, Stock Car e Copa Truck dão bandeira verde no dia 8 de março. Com atualizações técnicas, mudanças de equipes e calendário, o Balcão Automotivo separou as principais novidades para você ficar por dentro de tudo
F1
Na principal competição do automobilismo mundial, ocorreu uma das mais relevantes atualizações de regulamento da história da categoria. Na parte técnica, o destaque é o balanceamento do motor. Mantido o V6 1.6 híbrido, a distribuição da potência passa a ser projetada em 50/50: metade vinda da combustão e metade do sistema elétrico.
Cleber Bernuci, jornalista especializado em automobilismo, enfatiza que a estratégia das equipes será determinante para o sucesso. “O que alimenta as expectativas é como cada motor vai entregar sua potência. A Mercedes parece ter encontrado uma brecha genial para ganhar potência – e vamos acompanhar os próximos capítulos dessa disputa, já que Ferrari, Honda,
Audi e Red Bull (Ford) já fizeram reclamações junto à FIA. Mais que isso, será fundamental entender como cada piloto vai trabalhar estrategicamente durante cada volta, gerenciando a recuperação e o uso da energia elétrica para ter mais potência em momentos-chave”.
Outra mudança importante é a redução do peso mínimo dos veículos, permitindo carros até 30 kg mais leves. Além disso, houve diminuição da distância entre os eixos, o que deve torná-los mais ágeis e responsivos nas curvas.
“Os carros tiveram muitas mudanças, especialmente visuais, com o abandono do conceito aerodinâmico de efeito-solo, dimensões menores, carros mais leves e asas móveis na dianteira e traseira”, completa Bernuci.
Com a chegada de Cadillac e Audi, o número de equipes passa a ser 11, com 22 pilotos no total — o maior grid desde 2016. A Audi, inclusive, será a casa do brasileiro Gabriel Bortoleto, destaque entre os novatos na temporada anterior e que agora busca consolidação na categoria.
“O desempenho da Audi, com Gabriel Bortoleto, também estará sob olhares atentos. A equipe, que tem tradição vencedora em todas as categorias das quais participou, não deverá ser um time de ponta no ano de estreia, mas tem um plano de médio prazo. A Cadillac, que começou do zero, também será interessante de acompanhar. Na frente, Mercedes, McLaren e Red Bull — que estreia a parceria com a Ford e já começou com um bom motor — devem monopolizar as disputas, enquanto a
Ferrari ainda é uma incógnita que só será respondida quando as luzes se apagarem em Melbourne”.
STOCK CAR
A principal categoria do automobilismo brasileiro também anunciou novidades. Após os problemas com o motor na última temporada, o recémchegado L4 2.1 turbo dá lugar ao retorno do V8 aspirado.
“A mudança total de conceito de 2025 cobrou seu preço. Aos poucos, alguns trajetos vão sendo recalculados e corrigidos. O primeiro sinal disso é o retorno do motor V8 à Stock Car, substituindo os problemáticos 2.1 turbo de quatro cilindros. Os V8 retornam mais modernos e leves em comparação
aos usados até 2024. Deverá ser uma temporada mais estável, com menos quebras e evolução do carro que estreou em 2025”, ressalta Bernuci.
No campo de pilotos, Rubens Barrichello lidera as mudanças. Em sua 13ª temporada e com dois títulos no currículo, o piloto deixa a Full Time Sports para competir pela Scuderia Bandeiras, equipe comandada por Átila Abreu e Christian Fittipaldi.
O calendário volta a contar com a tradicional Corrida do Milhão, em que o vencedor recebe R$ 1 milhão. Além disso, a categoria ganha sua primeira prova de endurance, em Goiânia (GO), com duração de três horas.
McLaren anuncia MCL40 para edição 2026 da F1
A competição dos caminhões também promete disputas acirradas em 2026. Uma das principais mudanças foi a ida da Odapel Racing para a Full Time Sports, que passa a integrar a categoria de pesados. Com isso, Jô Augusto e Paulo Salustiano trocam o caminhão Volkswagen pelo Mercedes. Além deles, Wellington Cirino (D+) retorna à Mercedes, enquanto Bia Figueiredo (Dakar) e Raphael Abbate (Usual) optam pelo Iveco.
Na décima edição do torneio, os circuitos de Londrina (PR), Tarumã (RS) e Potenza (MG) cedem espaço para Brasília (DF), Goiânia (GO), Cuiabá (MT),
Chapecó (SC) e Santa Cruz do Sul (RS).
“A Copa Truck segue em franco crescimento e fará estreia em novos circuitos. Pode haver mudança na ordem de forças, tentando impedir o penta de Giaffone”, completa Bernuci.
Cleber Bernuci é jornalista com 25 anos de experiência, especializado em automobilismo, com passagens por veículos nacionais e internacionais. Atua como assessor de imprensa para marcas na Stock Car, Copa Truck e Porsche Cup, integra o staff do GP São Paulo de F1 e é roteirista do canal AutoMotor, por Reginaldo Leme.
Carla Nórcia*
MULHERES NO BALCÃO: QUANDO A PRESENÇA SE TORNA NATURAL
la está atrás do balcão. O cliente entra, olha para as prateleiras, percorre o ambiente com os olhos e, por um segundo quase invisível, procura outra referência. Não é sempre desconfiança explícita. Muitas vezes é apenas hábito. O setor automotivo foi construído, historicamente, sob uma imagem masculina. E mudar imagens leva tempo.
Hoje, as mulheres representam cerca de 21% da força de trabalho no mercado automotivo. O número ainda revela desigualdade, mas também revela movimento. Há mais mulheres na distribuição, na reparação, na gestão, no atendimento técnico. Elas estudam catálogos, conhecem aplicações, entendem sistemas, negociam com fornecedores e fidelizam clientes. Estão onde sempre puderam estar: onde há competência.
O desafio, muitas vezes, não é técnico. É simbólico. É trabalhar sob a sensação constante de estar sendo testada. É saber que um erro comum pode ser interpretado como incapacidade. Enquanto um colega erra e segue, a profissional pode sentir que
precisa provar novamente que pertence àquele espaço.
É assim que surgem dúvidas silenciosas. A chamada síndrome da impostora não nasce da falta de preparo, mas do excesso de cobrança. Muitas entregam resultados consistentes e, ainda assim, acreditam que “apenas fizeram sua obrigação”. Gerentes que ampliam faturamento relativizam conquistas. Consultoras experientes hesitam diante de novas responsabilidades.
Mas o mercado é objetivo: resultado fala. E resultado não tem gênero.
As mulheres não chegaram ao balcão por concessão. Chegaram por estudo, dedicação e desempenho. Permanecem porque agregam valor. Trazem visão estratégica, capacidade de relacionamento, organização, técnica e liderança. Não substituem ninguém. Somam.
A AMMA nasceu para fortalecer esse processo de forma construtiva. Oferece capacitação, troca de experiências e mentoria para que cada profissional reconheça seu
próprio valor e avance com segurança. Não se trata de confronto. Trata-se de maturidade de mercado. Um setor forte é um setor que reconhece talento onde ele está.
Quando uma mulher ocupa o balcão com naturalidade, algo maior acontece. Outras passam a se imaginar ali também. O horizonte se amplia.
A presença feminina no aftermarket não é tendência passageira. É realidade em consolidação. E quanto mais natural ela se tornar, mais saudável será o mercado como um todo.
Competência não pede licença. Ela se estabelece. E permanece.
Carla Nórcia, Presidente da Amma Associação Brasileira das Mulheres do Mercado Automotivo www.ammaoficial.com.br @amma.oficial_
COLUNA DO
TECNOLOGIA EMBARCADA: ALIADA OU VILÃ
DA REPOSIÇÃO?
Os carros mudaram — e mudaram rápido. Sensores, módulos eletrônicos, conectividade, ADAS, softwares e diagnósticos por scanner já fazem parte da rotina das oficinas. A pergunta é: a reposição acompanha esse ritmo?
A tecnologia embarcada é um caminho sem volta. Ela aumenta a precisão do diagnóstico, reduz retrabalho e, muitas vezes, diminui o custo do reparo. O que antes era tentativa e erro, hoje é leitura de dados. A experiência do mecânico segue essencial, mas agora precisa caminhar junto com a interpretação de informação técnica.
A frota brasileira ainda tem muitos veículos com menor nível de eletrônica, o que cria a sensação de que há tempo para se adaptar. Mas essa janela está se fechando. Em breve, o volume de carros mais tecnológicos exigirá um novo padrão de atendimento — e abrirá oportunidades para quem se antecipou.
Não é só o reparador que precisa evoluir. O balconista também. O mecânico preparado vai exigir orientação técnica, aplicação correta e apoio na solução do problema. Não é mais apenas vender a peça: é participar do diagnóstico.
Hoje, informação é ferramenta de trabalho. O scanner se tornou item obrigatório. Cursos, treinamentos e conteúdos técnicos estão disponíveis. O desafio não é acesso, mas iniciativa para buscar conhecimento antes que o problema chegue à oficina.
Nos casos de combustível e injeção eletrônica, isso é claro. O que antes era “chute”, hoje pode ser identificado rapidamente com base em dados.
A indústria oferece informação e suporte, mas a preparação depende da atitude do reparador e do empresário. A virada é mental: a tecnologia não é inimiga da reposição, é aliada de quem se prepara.
Há ainda um ponto central: segurança. Muitas inovações existem para reduzir acidentes e proteger vidas. Ignorar isso é ignorar o futuro da profissão.
A reposição continuará existindo. Mas será relevante para quem entender que não basta conhecer peças. É preciso dominar informação, interpretação técnica e adaptação constante. Quem se adaptar mais rápido, vai ganhar mercado.
* Piloto, profissional do automobilismo, fundador e diretor técnico-esportivo da Cobra Racing Team, atuante na TCR South America
Comportamento
por: Valtermário Rodrigues*
ma empresa minimamente organizada, a depender do seu porte, conta com uma estrutura de recursos humanos, engenharia, administração, marketing, área fiscal, contabilidade, auditoria, segurança, vendas e logística, dentre outros setores.
Conta, também, com normas e procedimentos e lida com o comportamento, o desenvolvimento e a comunicação dos colaboradores e prestadores de serviços.
Fornecedores, representantes legais, estrutura de saúde e demais entidades: todos trabalhando em prol do cliente, razão de ser de qualquer empresa.
No Carnaval não é diferente, pois o cliente — ou melhor, o folião, que também é um consumidor — depende de toda essa estrutura.
Tomando como exemplo o Carnaval da Bahia, recursos humanos e engenharia participam de forma decisiva na montagem dos camarotes, no som dos trios elétricos e na preparação de todo o circuito por onde passam os trios, levando uma multidão de foliões.
A administração, que envolve a Prefeitura e o Governo do Estado, organiza o Carnaval com certa antecedência e, para isso, conta com uma equipe de trabalho que pensa em todos os detalhes para proporcionar aos artistas, foliões locais, turistas e trabalhadores uma estrutura compatível com o tamanho do evento.
O marketing exerce papel fundamental no Carnaval. Trabalha fortemente a imagem dos produtos, dos artistas, da produção musical e de tudo mais que envolve uma festa tão grandiosa.
A área fiscal é responsável por fiscalizar e fazer cumprir todo o planejamento, em prol da segurança do folião, seja no acompanhamento da montagem dos camarotes, na vistoria dos trios elétricos, na vistoria dos ambulantes credenciados ou não ao longo do circuito. Enfim, tudo precisa funcionar de forma perfeita.
Em uma festa que movimenta bilhões de reais, nem é preciso dizer que a contabilidade está ativamente presente em tudo, seja na rede de hotéis, no transporte, no comércio de alimentos e bebidas, no cachê dos artistas ou no comércio informal, dentre outros.
A auditoria também se faz presente, exercendo importante papel na medida em que garante o cumprimento de tudo o que foi planejado, observando possíveis desvios de conduta.
A segurança é papel da polícia. A segurança pública, com um forte aparato policial representado por seu capital humano, com auxílio da tecnologia e da inteligência, trabalha para que tudo aconteça da forma mais tranquila possível.
Em absolutamente tudo o que acontece no Carnaval — não só durante, mas bem antes do seu início e após o seu término — há, sem dúvida, a presença do processo de compras e vendas.
Por trás de toda essa cadeia de sucesso está o departamento de logística. “Tudo é logística; logística é tudo”: é ela a responsável para que tudo aconteça no momento certo, na quantidade certa, no local certo, ao menor custo possível e, ao final, em curtíssimo espaço de tempo, possibilite que tudo retorne ao seu estado normal — papel extremamente importante.
O Carnaval de 2027 já começou a ser planejado. Dizem que, por aqui, o ano só começa após o Carnaval. Será mesmo? A organização e o planejamento do próximo Carnaval, sim, já começaram logo após o término do anterior. Mas a cidade de Salvador, considerando o ano de janeiro a dezembro, tem vida, tem alegria, tem trabalho, tem religiosidade e acolhe seus visitantes durante todo o ano.
Até breve!
Por: Karin Fuchs | Foto(s): Divulgação
O COMPORTAMENTO DAS VENDAS E PRODUÇÃO DE VEÍCULOS NO PRIMEIRO MÊS DO ANO
Pela primeira vez, o volume de emplacamento de eletrificados teve uma participação de 16,8% do mercado; e os modelos fabricados no País representam 35% do total
o mês de janeiro, 1.340.333 veículos seminovos e usados foram transacionados, segundo a Fenauto, representando um recuo de 24,5% em relação a dezembro, o que se explica pelo período de férias, matrículas escolares e impostos arcados no início de ano. Porém, comparado a janeiro de 2025, a alta foi de 9,3%, ano em que o volume de transações foi recorde.
De acordo com o presidente da entidade, Everton Fernandes, “tivemos um resultado excepcional em 2025. É natural que o mercado passe por essa estabilização no período que antecede
o Carnaval. Mesmo com um calendário desafiador em 2026, que inclui Copa do Mundo e eleições, eventos que tradicionalmente alteram o ritmo do comércio, estamos confiantes na continuidade dos bons negócios”, afirmou. José Éverton Fernandes, presidente da Fenauto
DESEMPENHO DOS NOVOS
Automóveis e comerciais leves
Na rede de concessionárias associadas à Fenabrave, 125.136 automóveis foram emplacados em janeiro, 40,61% inferior ao mês anterior e 1,45% acima de janeiro de 2025. Entre os comerciais leves foram 37.348 unidades, 2,27% acima do mesmo mês de 2025 e 33,76% a menos do que dezembro de 2025.
“Os veículos leves iniciam 2026 mantendo o nível de atividade. O mercado segue sensível às condições de financiamento, mas demonstra capacidade de sustentação do volume”, disse o presidente da entidade, Arcelio Junior.
Pelas contas da Anfavea, 125.000 automóveis foram emplacados em janeiro, 1,4% acima do mesmo mês do ano passado e, comparando o mês e período, os comerciais leves apresentaram uma expansão de 3%, com 38.000 unidades emplacadas.
Eletrificados - Os grandes destaques em janeiro foram o avanço da participação dos eletrificados produzidos no Brasil e a participação no volume total de emplacamentos. De um total de 19.200 unidades emplacadas, 35% foram de modelos nacionais. Já a participação dos eletrificados no volume de emplacamentos, 16,8% do total em janeiro, foi um recorde da série histórica.
“Em janeiro atingimos um duplo recorde, o que muito me alegra, devido aos investimentos em novas tecnologias. O portfólio novo de
produtos já gerou resultados, 35% de tudo que foi emplacado foi produzido aqui no Brasil, no que diz respeito aos veículos eletrificados”, comemorou Igor Calvet, presidente da Anfavea.
No balanço da Fenabrave, aumentou em 49,85% o volume de híbridos emplacados em janeiro, em relação a janeiro de 2025. “No total, foram 19.170 emplacamentos, o que comprova o aumento da diversidade de modelos no País e a demanda por esse tipo de veículo entre os consumidores”, disse Arcelio Junior.
Percentualmente, o aumento foi maior ainda entre os 100% eletrificados, de 122,43%, na mesma base de comparação, totalizando 8.221 unidades. “O segmento tem conquistado resultados consistentes, mostrando que pode continuar a ter uma boa participação no processo de descarbonização da frota brasileira”, avaliou Arcelio Junior.
Programa Carro Sustentável - No período de 11 de junho de 2025 a 31 de janeiro de 2026, 282.000 unidades foram emplacadas pelo programa Carro Sustentável, 22,8% superior ao registrado no período anterior à isenção de IPI. As vendas no varejo tiveram uma participação de 73.000 unidades. Quando comparado ao mesmo período anterior ao programa, houve um aumento de 63,1% nas vendas no varejo, enquanto as vendas diretas cresceram 13,1%, apesar de representarem o maior volume, com 209.000 unidades.
Arcelio Junior, presidente da Fenabrave
“Esse aumento é muito importante para o varejo, porque é no varejo que percebemos o maior aumento das vendas. Nós temos claramente a visão de que o programa Carro Sustentável foi um importante indutor da demanda por veículos leves no País”, comentou Igor Calvet.
Emplacamentos de importados – No mês de janeiro, segundo a Anfavea, 38.000 autoveículos importados foram emplacados. Comparado ao mesmo mês de 2025, a participação da China avançou 61,5%, somando 16.800 unidades, enquanto os modelos importados da Argentina retraíram 30,7%, totalizando 13.400 unidades.
“Nós tivemos uma troca de parceiros no que diz respeito à importação de autoveículos no País. É um movimento que acontece de maneira muito rápida, pelos dados que estamos vendo diariamente, mensalmente. Precisamos ficar muito atentos aos números relativos à importação de veículos no País para manter um equilíbrio dentro do mercado”, ressaltou Igor Calvet.
Caminhões e ônibus - Segundo a Fenabrave, em janeiro, 6.379 caminhões foram emplacados, 34,67% a menos do que no mês anterior e 30,14% inferior a janeiro de 2025. Ônibus retraíram 34,29% e 23,55%, na mesma base comparativa, totalizando 1.675 unidades. Pelas contas da Anfavea, o mês de janeiro terminou com 6.400 caminhões emplacados, uma queda de 31,5% quando comparada a janeiro de 2025. Para ônibus, a retração foi de 33,9%, comparando os dois períodos, totalizando 1.200 unidades emplacadas.
Igor Calvet, presidente da Anfavea
“Em um mês de lançamento do programa Move Brasil, o BNDES aprovou R$ 1,3 bilhão em financiamentos para a renovação de frota, resultado que deve se refletir gradualmente nos emplacamentos de caminhões ao longo dos próximos meses”, analisou Igor Calvet.
O programa prevê um aporte de R$10 bilhões do Governo Federal neste primeiro semestre. De acordo com Arcelio Junior, “o desempenho do segmento está diretamente ligado ao nível de atividade econômica, ao comportamento do agronegócio e ao custo do crédito para aquisição de veículos pesados e, com o Move Brasil, esperamos uma retomada nos emplacamentos, principalmente, entre os caminhões pesados, que representam 45% do mercado”, afirmou.
Produção - Ao todo, 159.660 veículos leves e pesados foram produzidos em janeiro, 12% a menos do que em janeiro de 2025. Sendo 150.900 leves, ante 171.600 unidades no mesmo mês do ano passado, e 8.600 pesados, inferior às 9.800 unidades produzidas em janeiro de 2025.
“É importante registrar que essa queda se deve muito ao fato de que as nossas empresas associadas deram férias coletivas, algumas voltaram na terceira semana de janeiro, então, nós tivemos um mês comprimido do ponto de vista da produção e isso explica essa redução em janeiro de 2026”, explicou Igor Calvet.
Exportação - Para finalizar, as exportações de automóveis registraram queda de 18,3% em relação a janeiro de 2025, influenciadas, principalmente, pela retração de 5% nos embarques para a Argentina. “Isso para nós, no início do ano, é um dado importante, de contínua atenção, que pode sinalizar uma desaceleração da demanda do nosso país vizinho e dos principais parceiros comerciais no setor automotivo do Brasil”, afirmou Igor Calvet.