Para enfrentar crise, Governo lança incentivos para empresas terem fluxo de caixa e garantirem empregos
MULHERES NO SETOR
As mulheres conquistam cada vez mais espaço, e destaque, no concorrido mercado de autopeças, nas mais diversas áreas
OPORTUNIDADE 36
ATENDIMENTO ONLINE
No cenário atual, como muitas lojas no País não podiam abrir ao público, algumas intensificaram as vendas online
CORONAVÍRUS
DEIXA MAIS INCERTA RETOMADA DA ECONOMIA BRASILEIRA
O Brasil e o mundo vivem um momento sem precedente, que certamente trará impactos para as economias globais e, principalmente, para toda a sociedade. Algumas cidades foram isoladas, decretados períodos de quarentena, comércios de produtos não essenciais tiveram suas portas fechadas, bem como algumas fronteiras. No Brasil e no mundo, governos adotam pacotes de medidas para tentar amenizar a crise.
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Descubra as oportunidades que o varejo de autopeças pode oferecer para a sua marca nas págs 8, 10 , 12 e 13.
JORNAL
BALCÃO AUTOMOTIVO Nº 162 | ANO XIV | MARÇO/ABRIL DE 2020
VAMOS SUPERAR “MAIS ESSA” CRISE!
Sem dúvida nenhuma, este mês de março vai ficar na história não só do Brasil, como de todo o mundo. Afinal, quem poderia imaginar que um vírus que surgiu lá na China no final do ano passado poderia trazer tantos problemas às nações e, pior, sofrimento com pessoas adoecendo e outras infelizmente perdendo a vida? Certamente, não dá para conceber algo parecido em pleno século XXI.
de acordo com o recente relatório da agência de classificação de riscos Moody's a estimativa é uma queda de 2,5% nas vendas globais de automóveis em 2020, após um recuo de 4,6% no ano passado. E isso influencia diretamente na reposição automotiva.
Bem, ainda é muito prematuro afirmar quais serão os reflexos que o período de quarentena imposto em diversos países do mundo pode causar na economia. Aqui no Brasil já tivemos um aperitivo indigesto, diga-se de passagem, quando o governo divulgou que o PIB de 2020 sofreria 0,5% de queda. O estrago pode ser ainda maior haja vista se continuarmos nesse regime por muitos dias.
No que cabe ao governo, ele vai fazendo o que pode, tanto em ações para minimizar os efeitos do vírus aqui no País, como na criação de medidas que arrefeçam um pouco a situação deveras delicada que passa o nosso empresariado, como por exemplo adiamento do pagamento de tributos federais no âmbito do Simples e um pacote de medidas que visa preservar o emprego de funcionários.
Como se sabe, a pandemia do Coronavírus tem gerado grandes prejuízos econômicos em todo o mundo. No setor automotivo o cenário é crítico e
Especialistas reforçam a importância de uma flexibilidade ou adaptação da concessão de incentivos fiscais do governo, como exemplo o Rota 2030, para fomentar a inovação e alavancar a competitividade das empresas do setor. Como reportagem de capa desta edição, como fica o Brasil e, particularmente, o mercado de reposição, a partir da divulgação do PIB de 2019 e o anúncio de 0,5% de queda deste ano.
A toque de caixa, é verdade, nossa equipe de reportagem foi a campo para trazer um panorama de todo o setor de varejo de autopeças, para mostrar como essas lojas estão enfrentando esse momento muito difícil, algumas por conta da quarentena imposta impedidas de realizar atendimento ao público, como fica a saúde financeira desse elo da cadeia, as medidas que estão sendo colocadas em prática, etc.
Caro leitor, até a próxima!
O EDITOR
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TECFIL LANÇA NOVO SITE
PARA OFERECER
MAIS INFORMAÇÕES E FACILIDADE AOS
CLIENTES E CONSUMIDORES
A
Tecfil anuncia seu novo site corporativo: www.tecfil.com.br. Totalmente reformulado e com um projeto mais moderno, o site recebeu melhorias no layout e na organização das informações, além de ampliar o conteúdo, com o objetivo de aprimorar a experiência dos clientes e consumidores. "Cada clique, tamanho de texto e posição do conteúdo foi pensado a partir de um estudo em que analisamos a forma como as pessoas buscam informação", conta Plinio Fazol, gerente de Marketing da Tecfil.
DIFERENCIAIS DAS VELAS ESPECIAIS
NGK: G-POWER E IRIDIUM
A NGK possui em seu portfólio velas especiais, nos modelos G-Power e Iridium IX, que apresentam boa relação custo-benefício, elevada performance e qualidade amplamente reconhecida no mercado. Como diferenciais, as velas especiais são produzidas com materiais nobres em sua composição, como platina (G_Power) e irídio (Iridium IX), possibilitando a diminuição do diâmetro da ponta do eletrodo. E com a ponta do eletrodo mais fina, as velas especiais têm mais energia para iniciar a combustão.
NOVA SEDE
Ao celebrar 11 anos de atuação no mercado, a Goop, uma das maiores distribuidoras de autopeças do País e responsável pela marca Takao, transferiu-se para uma nova sede com o objetivo de acomodar sua equipe e também aprimorar o treinamento dos aplicadores e clientes da Takao. Situada na Vila Maria (zona norte da capital), a empresa instalou-se em um prédio de mais de 2.500 m2 perfeitamente preparado para receber os 8 mil aplicadores que quer treinar em 2020. Além de um espaço amplo de convivência e um auditório para 150 espectadores, a distribuidora preparou diversas salas de treinamento espalhadas pelos quatro andares do novo edifício.
SAIBA A DIFERENÇA DAS FUNÇÕES DE FARÓIS E LANTERNAS E A IMPORTÂNCIA DESTES ITENS PARA SEGURANÇA VEICULAR
F aróis e lanternas são itens de segurança obrigatórios e uma lâmpada queimada pode gerar multa de infração de trânsito. Responsáveis por iluminar e sinalizar, os faróis e lanternas garantem a visibilidade de motoristas, ajudando a identificar pedestres, outros veículos e a própria
via, principalmente à noite. O estado de conservação de faróis e lanternas é, portanto, fator determinante para o desempenho seguro dos motoristas, alerta a Arteb, fabricante de sistemas de iluminação para o setor automotivo.
MARELLI COFAP AFTERMARKET
COFAP LANÇA NOVOS CÓDIGOS DE AMORTECEDORES PARA VEÍCULOS IMPORTADOS
A Marelli Cofap Aftermarket lança novos códigos de amortecedores para veículos importados, inclusive para modelos premium. As novidades contemplam veículos das marcas BMW, Honda, Hyundai, Mercedes-Benz e Peugeot e chegam para complementar o maior portfólio de amortecedores do mercado, com cobertura de 98% da frota circulante no País. Mais informações sobre os lançamentos e os outros produtos das marcas Cofap e Magneti Marelli podem ser encontradas em www.mmcofap.com.br
GAUSS
MANN+HUMMEL APRESENTA TECNOLOGIA PARA FILTRAR PARTÍCULAS FINAS E GASES NOCIVOS DO AR
A MANN+HUMMEL, maior fabricante do mundo em soluções de filtragem e fornecedor de equipamentos originais para as indústrias internacionais de engenharia automotiva e mecânica, está lançando no Brasil o projeto Public Air Solutions, tecnologia desenvolvida pela divisão Life Science & Environment da empresa, para realizar a filtragem de partículas finas em locais com grande concentração de poluentes. Inédita no Brasil, a tecnologia realiza a filtragem de partículas finas com dimensões entre 2,5 e 10 microns, podendo filtrar também CO2 (Dióxido de Carbono) e NOX (Óxidos de Nitrogênio), nocivos ao sistema respiratório. A inovação já é utilizada em cidades da Alemanha, França, Índia, China e Coreia do Sul.
ZF
PLANTA INDUSTRIAL DA ZF EM SOROCABA É CONSIDERADA A DE MELHOR DESEMPENHO DENTRE TODAS AS UNIDADES DA EMPRESA NO MUNDO
Afábrica da ZF em Sorocaba (SP), onde fica a matriz da empresa na América do Sul, foi considerada a planta industrial com o melhor desempenho em 2019 entre todas as unidades da companhia no mundo. A unidade foi eleita a melhor e mais eficiente, dentre as 230 fábricas da empresa que atua em 40 países. Este reconhecimento faz parte do ZF Excellence Award, um concurso global de melhoria contínua da empresa, distribuído em categorias, sendo uma delas a de planta industrial com melhor desempenho.
ARTEB
TAKAO
EMPRESA APRESENTA A NOVA IMAGEM PUBLICITÁRIA INTITULADA
“INOVAÇÃO ESTÁ NO NOSSO DNA”
Pesquisa, inovação e desenvolvimento de novos materiais de filtragem sempre foram um fatorchave no DNA dos filtros UFI. Com isso, a nova mensagem visa criar uma conexão visual entre a dupla hélice do DNA e as fibras das quais os
produtos UFI são feitos. A inovação é um dos principais valores da UFI Filters, que orienta o desenvolvimento de cada novo projeto. A empresa se esforça para estar sempre um passo à frente, para oferecer os melhores produtos e a tecnologia de amanhã para o setor automotivo.
LOGÍSTICA
SISTEMA DE LOGÍSTICA DA NAKATA AVANÇA EM TECNOLOGIA E GERA GANHO DE PRODUTIVIDADE NO CD DE EXTREMA
ARECEITA DA FRAS-LE
Nakata vem adotando uma série de mudanças para modernização na área de logística para se tornar ainda mais eficiente no atendimento aos clientes. No início deste ano, a empresa concluiu todo o processo de internalização das suas operações de warehouse e fretes, em busca de soluções autônomas, ágeis e econômicas, sempre pautado no serviço aos clientes e suas respectivas necessidades. Além de dobrar a área do centro de distribuição, foram adotadas novas soluções em sistemas, pessoas e processos para operar diretamente o warehouse e fretes.
CRESCE 20% EM 2019
O ano de 2019 encerrou com números positivos para a Fras-le. Mesmo em meio ao cenário desafiador, principalmente em razão da recessão prolongada da Argentina e da disputa comercial entre Estados Unidos e China, a companhia registrou receita bruta total de R$ 2.009,1 bilhões, aumento de 19,5% em comparação ao ano de 2018. Segundo o CEO da Fras-le, Sergio Carvalho (foto), 2019 foi um dos anos mais
OSRAM
desafiadores na trajetória da empresa, que precisou encarar as dificuldades econômicas da Argentina, segundo maior mercado da América do Sul para a companhia; o impacto na receita devido à guerra comercial entre Estados Unidos e China; além do ambiente global altamente competitivo.
LANÇAMENTO EXCLUSIVO NA AMÉRICA LATINA: LED COOL BLUE ® INTENSE DA OSRAM
Quando as novidades em iluminação de farol parecem esgotadas, a OSRAM atualiza o conceito de modernidade, qualidade de luz e durabilidade ao lançar, com exclusividade no mercado latino-americano, a LED COOL BLUE® INTENSE. O modelo reúne características avançadas como temperatura de cor de 6.000K na tensão de 12V, uma excelente projeção de luz, que resulta em muito mais segurança para o motorista. Além disso, é o único nesta categoria com CANBUS CONTROL UNIT, que evita mensagens de erro de luz queimada no computador de bordo.
EMPRESA APRESENTA PASTILHAS DE FREIO PARA VEÍCULOS BMW
A Cobreq, marca da TMD Friction, uma empresa do grupo Nisshinbo, lança pastilhas de freio para eixo dianteiro de veículos da marca BMW. Os lançamentos são N-2076 e N-2081 para atender os modelos Série 1, Série 2, Série 3 e Série 4. Para mais informações sobre o lançamento e os outros produtos da Cobreq, acesse www. cobreq.com.br e consulte o catálogo da companhia.
EMPRESA
A SKF do Brasil, em parceria com o canal de YouTube, Auto Super, lançou o projeto social “Repotencializa meu carro, SKF”, que tem como objetivo a restauração total de veículo selecionado pela empresa. A SKF promove na prática os conceitos de economia social, circular e colaborativa. “Para nós, é gratificante oferecer mobilidade urbana por meio de nossos produtos, serviços e parceiros”, afirma Paulo Manoel, gerente de Vendas de Reposição Automotiva. “Sempre buscamos novas maneiras de ser sustentáveis e de ajudar à comunidade.”, complementa.
MONROE REÚNE PARCEIROS E COMPARTILHA CONTEÚDO TÉCNICO SOBRE SUSPENSÃO
Com o objetivo de aprimorar o conhecimento de seus parceiros e clientes do mercado de reposição, a Monroe promoveu a 4ª edição do Monroe na Área, em fevereiro, com visitas técnicas e um treinamento, que abordou uma visão completa do setor, como dicas, história e composição de amortecedores. O curso, apresentado pelo supervisor de treinamento da Monroe, Juliano Caretta, forneceu informações técnicas sobre a suspensão e seus tipos, a
história dos amortecedores, as peças que compõem a estrutura, funções e benefícios, incluindo também a tecnologia dos amortecedores eletrônicos.
Paulo Fabiano, diretor da Rede PitStop
OUM CENÁRIO TURBULENTO, MAS COM LUZ NO FIM DO TÚNEL
COM UMA SITUAÇÃO MACROECONÔMICA MAIS FAVORÁVEL E MEDIDAS ANUNCIADAS
Brasil e o mundo estão vivendo um momento sem precedente, que trará impactos para as economias globais e, principalmente, para toda a sociedade. Algumas cidades foram isoladas, decretados períodos de quarentena, comércios de produtos não essenciais tiveram suas portas fechadas, bem como algumas fronteiras. No Brasil e no mundo, governos adotam pacotes de medidas para tentar amenizar a crise.
POR: KARIN FUCHS | FOTO(S): DIVULGAÇÃO
Por aqui, um pacote foi anunciado pelo ministro da economia, Paulo Guedes, no início de março. Entre algumas medidas estão a injeção de R$ 147,3 bilhões na economia nos próximos três meses, o adiantamento do pagamento do Simples Nacional, interrupção do depósito do FGTS no período e redução de 50% nas contribuições do Sistema S.
“O pacote anunciado pelo ministro Paulo Guedes vai na direção correta, porém é insuficiente para ajudar a economia na crise do novo coronavírus. Alguns setores que serão diretamente afetados não estão assistidos pelo pacote como a aviação civil, a indústria de entretenimento e a hotelaria. Além disso, é necessário que o governo crie canais mais amplos de articulação junto ao setor empresarial”, avalia o economista Gesner de Oliveira, professor da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo e sócio da GO Associados.
O economista Fauzi Timaco Jorge comenta que o pacote tem amplo enfoque. “Primeiro, atua no sentido de facilitar o consumo das famílias, via antecipação de parcela do décimoterceiro para aposentados e pensionistas do INSS para abril e maio, facilitação de saques do FGTS via transferência de
saldos do PIS/Pasep, além de antecipação do abono salarial e ampliação do programa Bolsa Família para mais 1 milhão de famílias”.
Ainda de acordo com ele, o pacote também visa facilitar a vida das empresas, ao conceder um prazo de três meses para pagamento do FGTS e parte da União no Simples Nacional. “Outro impacto positivo para as empresas é a redução de 50% das contribuições no Sistema S e liberação de crédito para micro e pequenas empresas. Uma transferência do fundo do DPVAT para o SUS pode ser um fator positivo para incremento dos gastos na área de saúde”.
Sobre a produção e melhoria da infraestrutura nessa área, ele expõe que houve a eliminação de impostos a respeito de importação de produtos médicos e hospitalares até o final do ano e desoneração temporária do IPI sobre bens nacionais e importados necessários ao combate da pandemia. “De maneira geral, espera-se uma considerável desaceleração da atividade econômica. Isso irá requerer outras medidas de amparo à produção e consumo, a serem oportunamente evidenciadas pelos líderes de associações de classe”.
Gesner de Oliveira, professor da Fundação
Getúlio Vargas em São Paulo e sócio da GO Associados
Fauzi Timaco Jorge, economista e professor
Mais confiança
Para o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo, além do pacote de medidas, falta restabelecer mais a confiança dos empresários e dos consumidores. “Para isso, o Congresso Nacional precisa aprovar algumas medidas que sinalizem que o governo está no caminho certo, como a reforma administrativa, entre outras que estão sendo encaminhadas. Outro ponto é o próprio governo voltar a investir, se ele não tem dinheiro, tem que ser com parcerias, o que requer regulamentar bem as parcerias público-privadas, o País precisa de obras de infraestrutura”.
E para que realmente o consumidor volte a consumir, Solimeo comenta alguns pontos a favor: “A inflação está favorável, está baixa, e tem crédito”. O que falta é mais confiança do consumidor e uma melhora no emprego. “E isso é o setor de serviços que vai puxando, o crescimento do emprego. Precisa acelerar mais isso, e a construção civil, por ser uma grande geradora de emprego”.
Do ponto de vista de Vladimir Maciel, coordenador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica, o pacote do governo é para amortecer e não para estimular a economia. “É para facilitar mecanismos para que as empresas tenham mais capital de giro. Com esse dinheiro no caixa, elas poderão pagar a folha, bancar o funcionário em casa e pagar fornecedores. Do outro lado, tem os mais pobres e os que trabalham na
informalidade. A preocupação deles é como irão pagar as suas contas. Quem não tinha FGTS, por ser autônomo ou informal, não conseguirá sacar nenhum restinho de conta”.
Segundo ele, não há muita margem para fazer muito estímulo na economia. “Temos um governo com uma dívida pública elevada, que tenta fazer uma política de contenção fiscal, pois está desiquilibrado em todas as esferas: Federal, Estadual e Municipal. A nossa dívida pública já está na casa de 80% do PIB, não tem muito por onde aumentar. A preocupação é que o número de casos e mortes oriundas do coronavírus na economia será maior do que na saúde pública”.
Professor do Centro Universitário da Serra Gaúcha e head de renda variável da Messem Investimentos, Gustavo Bertotti, comenta que o governo já vinha adotando medidas. “O Banco Central vem agindo muito corretamente na sua política monetária, com a redução da taxa Selic (hoje, em 3,75% ao ano) e com a redução do compulsório para depósitos a prazo, o que aumenta a base monetária nos bancos. Outros países como China e Japão já fizeram isso, o que incentiva a economia para o consumo. O mundo converge para redução de juros, como aconteceu na Inglaterra e nos Estados Unidos”.
Em sua opinião, a política monetária junto ao pacote de medidas do governo trará reflexos. “Não tenho dúvida de que os incentivos que estão sendo dados e a política monetária como está sendo conduzida irão gerar reflexos, mas vai depender muito do impacto do coronavírus no Brasil. Outra questão é o dólar, muitos componentes do setor automotivo são provenientes da China. É extremamente importante que a China retome as suas atividades, o setor industrial depende muito de importações”.
O que os varejistas podem fazer
Mais do que nunca, é preciso considerar as amplas possibilidades oferecidas pelo e-commerce, orienta Fauzi. “Quem relutava em modernizar sua forma de atendimento ao grande público, agora não pode mais relutar. É chegada a hora de uma atenção especial a novas formas de relacionamento com a base de clientes, via incremento dos investimentos nessa área, com amplo suporte de uma assessoria permanente num market place adequado, com parcerias nas áreas de comunicação integrada e logística”.
Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)
Bertotti ressalta a importância de as empresas terem liquidez. “Disponibilidade de capital que cubra as suas obrigações em curto prazo. Porém, o capital de giro pode ser de forma não tão saudável, que é contraindo dívidas. Por outro lado, sabemos que não é fácil a disponibilidade de capital por parte das empresas, depende da situação de cada uma delas. E cuidado com os investimentos, é preciso ver se a economia irá responder”.
Outra orientação que ele dá aos varejistas, além de tentarem priorizar a liquidez, é reverem seus planejamentos estratégicos para este ano. “Os seus orçamentos, compras, faturamento e a receita, pois temos esse fato novo, o coronavírus. Sabemos que ele terá impacto no Brasil, mas sem pensar somente no lado ruim, o País está em uma situação macroeconômica diferente do passado, os juros mais baixos incentivarão um custo baixo do dinheiro para os empresários”.
Cenário similar vê Solimeo. “O Brasil tem uma situação interna favorável de inflação baixa, mas pela incerteza geral
Visão similar compartilha Gesner de Oliveira. “Com a quarentena imposta pelo avanço do novo coronavírus, algumas soluções podem ser adotadas, uma delas é a implementação ou expansão do setor de vendas online. Pequenos comércios podem passar a utilizar aplicativos para entrega como forma de mitigar os efeitos de limitações de locomoção e aglomeração. Além disso, deve haver busca por crédito que possibilite manter o fluxo de caixa, considerando a expectativa de que a situação mais delicada dure até o final do primeiro semestre de 2020”.
PLATAFORMA
Desde 2006, o melhor jornal e referência nacional em informação sobre peças e serviços automotivos. A publicação traz mensalmente conteúdo editorial consistente, indicadores, tendências, informações relevantes e novas oportunidades de negócios.
PÚBLICO-ALVO:
Varejo de autopeças, distribuidores, atacadistas, fabricantes, centros automotivos e profissionais do segmento.
Vladimir Maciel, coordenador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica
do mundo com o coronavírus, todo mundo cresce menos e o Brasil acaba sendo atingido também. Precisaríamos tentar contrabalancear isso acelerando mais os investimentos internos, é preciso colocar dinheiro e confiança no mercado”.
Mensagem
A mensagem que fica é: o mundo não vai acabar. “O País tem uma questão macroeconômica hoje diferente, com um cenário de juros mais favorável e inflação controlada. As nossas empresas estão mais bem preparadas, principalmente as indústrias que aprenderam muito com as últimas crises. Com uma gestão de passivo e uma redução de endividamento. Elas estão mais conservadoras e mais preparadas”, diz Bertotti.
“A desvalorização do real pode ser encarada como uma consequência que traz efeitos positivos para a economia. A valorização do câmbio torna os produtos brasileiros mais competitivos no mercado mundial e deixa o Brasil em uma posição de vantagem quando a pandemia do novo coronavírus for controlada”, afirma Gesner de Oliveira.
Para Maciel, tudo é aprendizado. “São grandes lições para aprendermos como funciona uma economia de livre mercado global. Somos interdependentes, a vida em sociedade é interdependente. O que está havendo globalmente é uma desestruturação da atividade econômica como um todo, nós somos a atividade econômica e não dá para fazer tudo em home office. A grande lição é que o sistema capitalista é fundamental e precisa funcionar saudavelmente. O sistema
não mudará, mas no final dessa crise poderá haver uma reestruturação de algumas atividades, que passarão a ser em home office ou migrarão para o EAD, ensino a distância”, exemplifica.
Repercussão no setor automotivo
Nas palavras de Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, até a primeira quinzena de março, era projetado um aumento da receita nominal para a indústria de autopeças de 3% para esse ano, um faturamento da ordem de R$ 148,5 bilhões. “Projetávamos crescimento dos negócios com montadoras e no mercado de reposição e uma queda nas exportações, ainda por conta da situação do mercado argentino. No entanto, as novas circunstâncias, decorrentes da chegada ao Brasil do coronavírus, deverão nos fazer rever esta projeção ao longo dos próximos meses”.
Diretor do Sindipeças para as áreas de Reposição e Fomento à Exportação, Elias Mufarej, diz que qualquer variação no PIB afeta o desenvolvimento do mercado de reposição. “Em 2019, apesar do aumento modesto do PIB, as vendas da indústria de autopeças para o segmento da reposição cresceram 6,6%. Essa variação positiva é muito importante e se reflete em todos os elos dessa cadeia: fabricantes, distribuidores, varejistas e aplicadores”.
Ele comenta que o aumento da frota circulante brasileira, que deve atingir o volume de 47 milhões de veículos este ano, e seu envelhecimento devem manter os negócios na reposição devido à necessidade de manutenção. Sobre o cenário para este ano, ele avalia que “considerando-se os impactos que a pandemia de coronavírus vai provocar na economia mundial, precisamos aguardar pelo menos até o final de abril para rever nossas previsões”.
Presidente do Sincopeças Brasil e do Sistema Sincopeças/Assopeças (Ce), Ranieri Leitão, afirma que todos os setores sentem a perda do ritmo de crescimento da economia. “Isso já vinha com uma desaceleração muito grande da nossa economia, por falta de credibilidade das famílias, do consumidor como um todo, com a política governamental passada”.
O lado bom, diz ele, é que quando passar esse momento de crise, as coisas irão melhorar. “Percebemos que as empresas do nosso setor estão se adequando, se sensibilizando para terem uma gestão mais profícua, organizando as suas finanças,
Gustavo Bertotti, professor do Centro Universitário da Serra Gaúcha e head de renda variável da Messem Investimentos
melhorando as suas bases contábeis para se ajustarem para o crescimento que irá chegar”.
Ações
Para Francisco Wagner De La Tôrre, presidente do Sincopeças-SP e vice-presidente da FecomercioSP, nesse cenário de baixo crescimento da economia, dada a concorrência e as novas tecnologias que têm impactado numa disrupção não somente no varejo de autopeças, mas de muitos segmentos ligados ao comércio, processos de gestão e treinamento de pessoal têm sido fundamentais.
“As empresas têm que buscar continuamente investimentos em tecnologia para acompanhar essa corrida tecnológica que temos assistido ao longo deste século, desde o início dos anos 2000, e manter pessoal treinado para utilizar as ferramentas que a tecnologia nos traz de forma eficiente e com bastante de destreza”.
Ele pontua que investimento em tecnologia, gestão e treinamento de pessoal são cruciais. “Ao olharmos para as lojas que conquistaram sucesso e conseguiram crescer acima da média de desenvolvimento não somente do PIB do País, mas também do setor, percebemos que elas focaram exclusivamente nesses três pontos com muita resiliência ao longo dos anos”.
PLATAFORMA
Nesse sentido, o Sincopeças-SP vem estabelecendo FACEBOOK
DIGITAL
• Site com 2 mil visitas/mês com tempo médio de permanência de 17 min
15mil seguidores
• Disparo da sua ação para 50 mil e-mails cadastrados
Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças
importantes parcerias para disseminar conhecimento de gestão e formação profissional. “Destaco as parcerias do Programa ROTA 45 firmadas com o Sebrae-SP, para capacitação, e com o IQA, para qualificação e certificação das lojas de autopeças e oficinas mecânicas, como também as parcerias para o Projeto LOJA LEGAL, que estabelece a conexão de marcas automotivas diretamente com as empresas varejistas de autopeças”.
Além das parcerias educacionais com o Senac-PR, para formação de profissionais para o setor de autopeças, e com a Impacta, que oferece cursos específicos de tecnologia. “Essas iniciativas já estão implementadas e este ano vamos trabalhar exclusivamente em cima dessas pautas”.
Sobre o momento atual, ele comenta que “a única e grande expectativa que temos é que o País só vai retomar o crescimento efetivo com reformas, no sentido de melhorar o ambiente de negócio, diminuir o custo da relação da capitaltrabalho que no Brasil ainda é muito alto e completamente fora da realidade de países no mesmo estágio de desenvolvimento que o nosso”.
Portanto, conclui ele: “Todas as reformas que estão em pauta precisam ser implementadas o mais breve possível, senão, não conseguiremos um desenvolvimento sustentado. Não dá mais para ficar assistindo “voos de galinha” e políticos se vangloriando e se autoproclamando como responsáveis por esses crescimentos curtos. Precisamos, sim, trabalhar muito
forte e muito focados nas reformas”.
Presidente do Sindirepa-SP e Sindirepa Nacional, Antonio Fiola, também comenta sobre iniciativas para incentivar o empresário a melhorar o negócio, mesmo em tempos difíceis. “Apresentamos o programa Rota 45, referência aos CNAE (Cadastro Nacional de Atividade Econômica) 45, que visa promover capacitação, certificação e qualificação de varejos e oficinas independentes, iniciativa que envolve o Sindirepa-SP, Sincopeças-SP, IQA e Sebrae-SP”.
A proposta tem como objetivo promover conhecimento aos profissionais das empresas. “Envolvemos o IQA e o Sebrae-SP, pois possuem credibilidade. Assim, sensibilizamos a indústria a se aproximar das empresas menores via certificação, bem como conseguimos passar confiabilidade para os consumidores”.
Elias Mufarej, diretor do Sindipeças para as áreas de Reposição e Fomento à Exportação
Ele ressalta que nesse cenário de baixo crescimento da economia é preciso ter foco na gestão do negócio, investir em capacitação e atualização da equipe e, principalmente, na melhoria da produtividade para tornar a empresa mais lucrativa. “Nem sempre a melhora de resultados está no aumento do tíquete médio, às vezes, é necessário melhorar processos internos para agilizar e melhorar os serviços, assim como é necessário rever os custos e também valores da mão de obra. Há necessidade de um olhar mais atento para todas as áreas do negócio”.
Antonio Fiola, presidente do Sindirepa-SP e Sindirepa Nacional
Mesmo em tempos de incertezas. “A expectativa era de melhora, contudo, fomos pegos de surpresa com a crise mundial do coronavírus, o que torna o cenário imprevisível, pelo menos, para este semestre. Fica difícil avaliar como será 2020 com esse contratempo. Mas a empresa não pode parar no tempo. É necessário aprimorar sempre”.
E nesse sentido, o Sindirepa-SP tem auxiliado o setor de reparação de veículos com o PIQ – Programa de Incentivo à Qualidade – em parceria com o IQA e no ano passado, ganhou impulso para promover a qualificação e/ou certificação nas oficinas independentes com o apoio oficial da cadeia de valor do aftermarket, que reúne fabricantes de autopeças, de tintas e equipamentos, montadoras de veículos, seguradoras e consultorias.
“A disseminação do PIQ, iniciativa voltada a incentivar a qualidade e competitividade nas oficinas, que também conta com a participação o Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas,) sendo ampliada a cooperação e reconhecimento do trade de que esta é a melhor política setorial para que as empresas de reparação de veículos possam estar mais aparelhadas para acompanhar as transformações da indústria 4.0”, conclui.
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UM MOMENTO DE ADEQUAÇÃO
Em várias cidades do País, o comércio varejista de autopeças teve que fechar as suas portas, alguns passaram a atender por meio de delivery. Para enfrentar esse momento de crise, medidas anunciadas pelo Governo buscam incentivar as empresas a ter fluxo de caixa e, na medida do possível, a manter os empregos. A exemplo do pagamento dos tributos federais relativos ao Simples dos meses de março, abril e maio postergado para outubro, novembro e dezembro, respectivamente.
Professor do Insper e da Faap, mestre em Direito pela Columbia University School of Law e sócio do Godke Advogados, Marcelo Godke, comenta que a iniciativa do Governo tem como expectativa que as empresas voltem a ter fluxo de caixa em seis meses. “Porém, fazendo uma elucubração, se a crise continuar mais severa, a impressão que eu tenho é de que o Governo irá revisar tudo isso, dando mais prazo para o pagamento dos impostos ou até fazendo o parcelamento”.
O varejo de autopeças, em várias cidades do País, teve que fechar as suas portas; alguns passaram a atender por delivery. Medidas do Governo buscam incentivar as empresas a ter fluxo de caixa e manter os empregos Marcelo Godke,
Enquanto não sabemos ao certo o que irá acontecer, a dica que ele dá para o varejista é avaliar as suas contas. “Converse com o seu contador ou com a pessoa que cuida do fluxo de caixa da sua empresa. Verifique as contas a pagar das próximas semanas, veja o que tem para receber, faça uma projeção do que consegue pagar e verifique se conseguirá manter os
empregos. O pagamento dos impostos foi prorrogado, principalmente para as empresas inseridas no Simples Nacional, o que já é uma ajuda”.
Ele lembra que grande parte das empresas tem problemas de fluxo de caixa, pois mesmo tendo uma geração de caixa positiva, elas têm contas a pagar. “E essa situação pode se agravar pelo fluxo de caixa estancar, pela falta de vendas. É um caso típico de uma crise que não é financeira propriamente dita, mas uma crise de paralização das atividades. O Governo terá que se atentar agora a melhorar o fluxo de caixa das empresas para que elas consigam sobrevida”.
Na questão trabalhista, pelo artigo 503 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), a jornada e o salário poderão ser reduzidos em até 25% em razão de força maior e a Medida Provisória nº 927, de 22 de março, dispõe sobre as medidas trabalhistas para enfrentamento do estado de calamidade pública. “O que a MP propõe é justamente evitar demissões, mas se por acaso o empresário entender que não conseguirá pagar, talvez seja o caso de ele demitir. Ele tem que se programar para que não feche suas portas, senão você mata a galinha dos ovos de ouro, a empresa que gera trabalho”.
Em nome do varejo
Presidente do Sincopeças-SP e vice-presidente da FecomercioSP, Francisco Wagner De La Tôrre, diz que o que está sendo indicado aos varejistas é que, na medida das suas dificuldades financeiras, se utilizem da MP nº 927. “Por ela, a empresa tem uma série de ferramentas com relação aos seus contratos de trabalho, abre prerrogativas bastante audaciosas por parte do governo e ajuda muito a socorrer as empresas. Se utilizem dessas ferramentas na medida das suas necessidades porque, por outro lado, temos que entender que os nossos colaboradores também têm famílias e precisam continuar dando sustento às suas famílias”.
POR: KARIN FUCHS | FOTO(S): DIVULGAÇÃO
Francisco Wagner De La Tôrre, presidente do Sincopeças-SP e vice-presidente da FecomercioSP
Segundo ele, existem duas questões que o empresário terá que trabalhar. “A sustentabilidade do seu negócio e muitas vezes somos obrigados a tomar medidas duras no sentido de diminuir as receitas dos colaboradores. A Medida Provisória prevê férias e outras alternativas. Por outro lado, existe a questão humanitária porque serão atingidas pessoas que são chefes de famílias, pessoas que dependem muito da integralidade dos seus rendimentos para dar um mínimo de sustentação com qualidade para suas famílias. O importante é tomar decisões para a viabilidade do negócio, mas, na medida do possível, considerar que do outro lado existe uma questão humanitária e social”.
Na data da entrevista com o executivo, no dia 23
de março, ele contou que estava sendo trabalhado junto ao governo de São Paulo para que reconheça, conforme o artigo 2º, inciso 10, da Lei Municipal 59.285, o comércio varejista de autopeças como atividade essencial para a manutenção das frotas circulantes, tais como viaturas do Corpo de Bombeiros, das polícias Civil e Militar, ambulâncias, veículos de transporte de cargas, serviços de entrega, etc.
“Também pleiteamos junto ao Governo Federal que libere o fundo de garantia na sua integralidade para o trabalhador como complementação de renda. Tenho muito claro que uma falência e uma grande dificuldade financeira conseguimos superar, mas um falecimento não temos como superar. Neste momento, a prioridade que devemos ter com os nossos negócios é a questão da saúde pública, a questão econômica teremos que consertar depois”.
E, ainda, “temos que utilizar as linhas de crédito do BNDES, muito embora, no dia de hoje, eu tenha informações bastante precisas que, ao contrário do que o governo determinou, os bancos estão aumentando significativamente as suas taxas de spread para os empréstimos. Estou apurando isso com mais detalhes e, se confirmado, vamos entrar com uma reclamação junto ao Procon”.
Como dica aos varejistas, De La Tôrre sugere que antecipem eventuais necessidades de capital de giro e já comecem a negociar com os bancos,
Ranieri Leitão, presidente do Sincopeças Brasil e do Sistema Sincopeças/Assopeças (Ce)
com antecedência. “Além disso, aproveitem esse período de baixas vendas e, na medida do possível, façam contagem de estoque e manutenções que normalmente não são feitas devido à correria do dia a dia. Renegociem todos os contratos, a empresa pode conseguir bons resultados e, especificamente com relação aos colaboradores, utilizem a Medida Provisória que acabou de ser publicada que pode ser muito útil”.
E também todas as ferramentas tecnológicas disponíveis, comércio eletrônico, site, WhatsApp, etc. “Aqueles que ainda não têm venda digital, este é um bom momento para começar porque, sem dúvida nenhuma, isso vai impactar de forma perene os hábitos dos consumidores, e a venda por comércio eletrônico
UM MOMENTO DE ADEQUAÇÃO
vai impactar bastante o nosso setor, mesmo porque, considerando o fim da crise de saúde que estamos atravessando, ainda vai demorar muito tempo para que as pessoas ganhem confiança e voltem às ruas para fazer compras físicas”.
Mesmo passando o auge da crise do coronavírus, ele prevê que as vendas presenciais não terão uma resposta rápida. “Ainda vai demorar, então, agora é o momento para fazer venda por comércio eletrônico.
Comecem a organizar lista de clientes da empresa e dos contatos de seus colaboradores, mandem mensagens pelo WhatsApp informando que estão trabalhando e criem algum tipo de promoção”, sugere.
Presidente do Sincopeças Brasil e do Sistema Sincopeças/Assopeças (Ce), Ranieri Leitão, orienta que o momento é para ter calma e serenidade. “A orientação que temos dado aos empresários é exatamente essa,
e para que negociem prazos com seus fornecedores e oficinas mecânicas, pois todos estão no mesmo barco. Com relação aos seus colaboradores, que não haja dispensas, mas que deixem em casas pessoas acima de 60 anos e mulheres grávidas. Sabemos que nem todas as empresas têm liquidez, portanto, negocie com seus colaboradores, mas sem deixar de pagá-los, pois eles têm família e não pode haver um caos social”.
Como os varejistas estão lidando
Na Mercadocar as portas foram fechadas e somente na unidade da Barra Funda foi criada uma forma de atendimento para as oficinas mecânicas. “A Mercadocar cumpre as determinações governamentais e legais. Preocupados com a atividade econômica e o nosso papel social, empresarial, com a manutenção dos empregos e a aflição da nossa equipe de colaboradores, imediatamente cumprimos as orientações e até nos antecipamos. Em Guarulhos, fechamos as lojas com um ou dois dias de antecedência, principalmente para preservar a integridade, o bem-estar e até o psicológico dos colaboradores, pois eles são o nosso principal ativo”, afirma o CEO, Rodrigo Carneiro.
Com as lojas fechadas, Carneiro conta que eles desenvolveram uma solução para atenderem as oficinas mecânicas via atendimento telefônico. “Uma alternativa de drive thru, conforme também a orientação do Governador do Estado de São Paulo. Centralizamos o atendimento na loja da Barra Funda, por ser mais central e atender boa parte da área metropolitana em um curto espaço de tempo. Estamos fazendo um bom atendimento, aperfeiçoando-o a cada dia”.
Como presidente da Andap, ele relata que foi enviado um comunicado aos associados para que eles fiquem atentos para a operação de retorno. “No sentido de preservar a atividade econômica e sairmos dessa crise fortalecidos. A crise da saúde vai passar e, se Deus quiser, com o menor impacto possível. A crise econômica está se revelando maior, porém, o importante é a vida humana, que não tem preço e não se pode comparar a nada. Para cuidarmos do ativo capital humano, precisamos manter os empregos. E preparar esse retorno com bastante sensatez, clareza e equilíbrio. Precisamos fazer o melhor de cada um de nós com muita coerência”.
João Pelegrini, do Grupo Pelegrini, de Uberlândia (MG)
Em Uberlândia (MG), o empresário João Pelegrini, do Grupo Pelegrini, diz que na parte de vendas de peças eles estão trabalhando de portas fechadas. “Estamos usando o WhatsApp, o atendimento online, Facebook, redes sociais e as ligações telefônicas que são direcionadas aos vendedores, com o sistema Siga-me, se demorarem para ser atendidas, elas são direcionadas para o meu celular”.
Para esta adequação, ele fez uma reunião com todos os seus colaboradores para explicar quais seriam os procedimentos. “Antecipamos as férias de alguns funcionários e talvez faremos isso novamente com outros. São decisões que serão tomadas de forma gradativa e sem stress”. Na parte de oficina e de concessionária, no atendimento aos frotistas, mesmo que liberados para trabalharem de portas abertas, a decisão foi manter as portas fechadas, orientando os clientes a agendarem os serviços.
Moisés Sirvente, da Jocar, de São Paulo (SP)
Carlos Gomes, da Carbwel Auto Peças, de São Paulo (SP)
Rodrigo Carneiro, CEO da Mercadocar, de São Paulo (SP)
Como presidente do Sindmetal, Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétrico de Uberlândia, Pelegrini conta que uma das ações foi ajudar a não disseminar a histeria. “Nós temos um grupo de presidentes de entidades que junto ao presidente da Fiemg discutimos e influenciamos o Governo do Estado para que não haja um caos, uma histeria com as medidas anunciadas para o fechamento do comércio. O meu engajamento é para que as 53 associações envolvidas tenham esse alinhamento e que sejam feitos os procedimentos necessários”.
Pouco antes da data estipulada para o fechamento do comércio, conforme decreto do Governo do Estado de São Paulo, a Jocar se antecipou. “A nossa decisão foi suspender as nossas atividades”, afirma o diretor Executivo, Moisés Sirvente. E mesmo com um comércio eletrônico bastante atuante. “Para operá-lo, precisamos de pessoas e se uma estiver contaminada, o vírus é altamente contagioso”. Os colaboradores foram dispensados até o dia 7 de abril, data prevista para abertura do comércio no Estado de São Paulo, e
com os seus pagamentos todos garantidos.
Na Carbwel Auto Peças, o diretor Comercial, Carlos Gomes, conta que as portas foram fechadas e os clientes foram comunicados de que o atendimento seria feito de forma não presencial. Com relação à equipe, 50% tiveram férias antecipadas. “As entregas estão sendo feitas normalmente pelos motoqueiros
e eles foram orientados sobre todas as precauções, como manter distância de outras pessoas, não cumprimentarem e nem pegarem na mão na hora da entrega. E eles estão andando com álcool gel”.
Em sua opinião, no período de fechamento do comércio as vendas pelo comércio eletrônico podem ser potencializadas. “Porém, vamos depender também de terceiros para as entregas. Como, por exemplo, uma venda pelo Mercado Livre depende da logística das entregas”.
Na Auto Peças Gian, o empresário Marcelo Gianantonio informa que eles estão trabalhando também somente com delivery. “Houve uma diminuição da equipe, demos férias para alguns e diminuímos a carga de outros. Nenhum deles teve prejuízo, por enquanto, pois há aqueles que ganham comissão de vendas, e as vendas estão despencando. Estamos esperando o que vai acontecer, cada um no seu fôlego, e vai depender do tempo inativo. Fato é que vai atingir a todos, em questão de tempo”, finaliza.
Marcelo Gianantonio, da Auto Peças Gian, de São Paulo (SP)
UM MOMENTO DE ADEQUAÇÃO
Como aproveitar esse momento
Diretor e CEO do Instituto Brasileiro de Negociação de Vendas (antigo IBVendas), Mário Rodrigues orienta a aproveitar esse momento da melhor forma possível e, principalmente, de forma produtiva. Para os vendedores que estão em casa, ele preparou um curso de alta performance em vendas, disponível gratuitamente no site: www.eadibnvendas.com.br
“O objetivo é ajudar a melhorar as habilidades dos profissionais no processo de negociação e vendas. Por isso, eu liberei gratuitamente esse curso para que as pessoas aproveitem o seu tempo para se aprimorar. Eu tenho um interesse genuíno de me aproximar dessas pessoas e mostrar o quanto estamos preocupados com os clientes e prover para eles melhorias no atendimento”.
Rodrigues avalia que estamos vivendo uma crise sem procedentes e que não tem nenhum lugar do planeta que não está sendo afetado pela pandemia
Rodrigues,
diretor
e CEO do Instituto Brasileiro de Negociação de Vendas
do coronavírus. Por outro lado, é preciso olhar para as oportunidades que isso traz, o que não deixa de ser um aprendizado. “A primeira coisa fundamental é cuidarmos do que temos, a começar pelas pessoas. Esse é o momento em que todo empreendedor tem que ficar atento ao seu recurso humano, que é
o primeiro que está sendo afetado, depois vem a questão financeira”.
A dica dele é aproximar-se dos seus colaboradores e conseguir um engajamento diferente deles e também de se relacionar com os seus clientes. “Esse é o momento oportuno para ter uma aproximação diferente com eles. É tempo de consolidar relações, é na crise que as pessoas se abrem e demonstram realmente as suas necessidades. E quando voltar tudo ao normal, o cliente terá que comprar de alguém, então, por que não garantir a sua venda de amanhã agora?”
Manter-se produtivo, nas palavras de Rodrigues, é fundamental. “Já que o ritmo diminuirá por um tempo, aproveite para fazer outro movimento, como o de estruturação da loja, revisão do estoque, da gestão e de processos, do que pode ser melhorado na empresa. Aproveite o momento para afiar o machado, não é para cortar árvore, mas para cortar o caminho. Prepare a alta produtividade para quando a crise passar”.
Mário
REGIÃO METROPOLITANA DA GRANDE VITÓRIA
EM ASCENSÃO CONTÍNUA
| POR: SÉRGIO DUQUE*
* Economista, pós-graduado em Marketing e professor universitário. É proprietário da Audatec e atua há mais de 30 anos no mercado de reposição de autopeças
EM 2019, O PIB DA RMGV FOI DE APROXIMADAMENTE
R$ 73 BILHÕES, EQUIVALENTE A 50% DE TODO
ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
Por que a ascensão é contínua? Porque a frota de veículos na região cresceu quase 13,6 vezes no período de 10 anos, passando a ser quase 1 veículo para cada 2 habitantes no estado, média acima da nacional. E, além de não parar de crescer, a tendência é que aumente ainda mais nesta relação.
O problema passará a ser das estruturas viárias que comprometerão a mobilidade de transporte de forma geral. Cidades mais tranquilas de circulação viária, como Vitória e Vila Velha, comparadas a grandes capitais, logo se transformarão em locais cuja mobilidade urbana
ficará cada vez mais complicada.
A Região Metropolitana de Vitória, também conhecida como Grande Vitória, é uma região formada por sete cidades: Vitória (capital do estado), Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Vila Velha e Viana. É a mais populosa, urbanizada e rica do estado do Espírito Santo e suas principais atividades econômicas estão concentradas na indústria, serviços, construção civil, finanças e comércio.
Atualmente, segundo estimativas do IBGE, sua população é de 2 milhões de pessoas, que habitam uma área de 2.331,03 km2, o que representa uma densidade de 858 habitantes/km2
Em 2019, o PIB da RMGV foi de aproximadamente R$ 73 bilhões, equivalente a 50% de todo estado do Espírito Santo.
Vitória, capital do Espírito Santo, desponta entre as que mais crescem em termos econômicos no Brasil, com uma população de 328 mil habitantes, é um ótimo lugar para se viver, extremamente aconchegante, sendo que a cidade está entre as dez melhores do Brasil para se trabalhar, segundo recente pesquisa.
Sua economia está baseada nas atividades portuárias, no comércio e na prestação de serviços. Com uma posição geográfica estratégica, a capital é um dos principais pontos de escoamento da produção nacional. Para isso, conta com uma excelente infraestrutura logística. Suas vias de acesso compreendem, além de rodovias, dois grandes portos – o de Vitória e o de Tubarão, considerados importantes complexos portuários do País –, ferrovia e um aeroporto que, atualmente, está em fase de ampliação.
Vila Velha, a cidade mais antiga do Estado, se destaca pelas belezas dos seus 32 km de praia e fica a 5 km de Vitória. No setor primário a predominância da sua cultura é o milho, a cana-de-açúcar e a mandioca. No secundário, além da referência na fábrica de Chocolates Garoto, tem relevância a participação nos segmentos de alimentos, confecções têxteis e bebidas.
Já Guarapari é o balneário mais famoso do estado do Espírito Santo e fica a 51 km de Vitória. A base da sua economia está concentrada na atividade turística e na diversidade de atrações de suas 46 praias.
Serra é o maior município da Grande Vitória e o turismo se destaca entre as suas atividades econômicas, enquanto Cariacica é um exemplo da miscigenação brasileira e reúne o urbano e o rural de forma sustentável. O centro urbano abriga grande área comercial da população, mas a região rural se estende por uma ampla área do território e é marcada pela diversidade natural. A economia da cidade é voltada para o setor terciário, comércio exterior e indústrias.
Mesmo fazendo parte da Região Metropolitana, Viana mantém ares do interior. O município recebeu imigrantes portugueses, italianos, alemães, além dos indígenas que já habitavam a região. O agroturismo e o turismo rural têm destaque por lá. Uma característica da cidade, porém, é que é forte a participação da atividade da reparação automotiva nos negócios, bem como 60% da área rural é coberta com cultura de banana e café.
A agropecuária com cultura de café e banana é o mercado com menor participação na economia de Fundão, sendo os setores secundário a maior fonte de renda do PIB municipal (arrecadação por conta de royalties de petróleo) e terciário com serviços a
segunda fonte.
Sobre o Segmento da Reposição Automotiva na RMGV
A frota circulante do estado do Espírito Santo representa 1,64% do total do País, mas quase 0,98% da demanda nacional de peças e serviços automotivos do
DA DEMANDA NA RMGV
Brasil está na região metropolitana da Grande Vitória. Isto se deve por conta da maior concentração de riqueza do PIB per capita estar na região, onde circulam perto de 501,5 mil veículos, atendidos em 300 pontos de vendas de peças e serviços, mais 1200 oficinas mecânicas e funilarias.
Na Grande Vitória, que representa quase 50% dos
negócios do estado, em 2019 o faturamento com negócios de peças e serviços da reparação automotiva foi da ordem de R$ 470 milhões e, para 2020, estima-se que este faturamento atinja valores de R$ 510 milhões, com pequena variação para mais ou para menos, decorrente das possíveis influências, reflexos da crise que será causada pela pandemia na saúde pública que está atingindo todo o mundo.
TABELA
MERCEDES-BENZ DO BRASIL EXPORTA 58 CAMINHÕES ATEGO E ACCELO PARA O EGITO
A Mercedes-Benz do Brasil acaba de realizar uma importante venda para o continente africano. A Empresa negociou a exportação de 58 unidades de caminhões Accelo e Atego para o Egito, sendo 28 modelos Atego 1725/48 4x2, dois Atego 1725/36, oito Atego 1418 e 20 Accelo 915. Esses veículos, produzidos na fábrica de São Bernardo do Campo, em São Paulo, serão entregues no primeiro trimestre deste ano. Esses caminhões serão utilizados no grande projeto egípcio da Nova Capital do Cairo, que está sendo criado a cerca de 40 km da cidade, sendo destinados à limpeza de esgotos e estradas.
VOLKSWAGEN CAMINHÕES E ÔNIBUS INCREMENTA RECICLAGEM NA FÁBRICA
A Volkswagen Caminhões e Ônibus segue investindo para minimizar o impacto de suas operações na fábrica de Resende, no interior do Rio de Janeiro. No último ano, grande parte dos esforços da montadora se voltou ao aumento da reciclagem de resíduos gerados com suas atividades: o volume passou de 56% para 81% em apenas três anos. Além de aprimorar a coleta seletiva e tornar a triagem mais eficiente, a montadora incorporou melhorias em seu processo e desenvolveu uma larga campanha de conscientização entre seus colaboradores de forma a atingir esse crescimento contínuo na porcentagem de reciclagem de seus resíduos.
A Marcopolo, em parceria com a Mercedes-Benz, vai fornecer a partir do mês de maio 240 novos ônibus aos operadores Metbus e STP, integrantes do sistema de transporte público urbano da cidade de Santiago, o Red Metropolitana de Movilidad, do qual também fazem parte as empresas Redbus, Express, Vule e Subus. Todas as unidades são do modelo Torino Low Entry Articulado, com chassi MBB 0500 UA Euro 6 e reforçam a liderança que a marca possui no sistema de transporte chileno. Com 18.600mm de comprimento, capacidade para 152 passageiros e piso baixo, os veículos possuem sistema de ar-condicionado Valeo CC640, portas USB, cabine separada para o motorista em nova versão.
A Volare foi agraciada com o Prêmio Lótus 2020, promovido pela Editora Frota, na categoria Marca do Ano em Micro-Ônibus. A empresa foi reconhecida pelo seu desempenho de vendas e a liderança no setor em 2019. Segundo João Paulo Ledur (foto), diretor da Volare, o Prêmio Lótus é importante porque destaca as marcas com maior penetração de vendas em todo o País, em suas diversas categorias. "O desempenho alcançado pela Volare no mercado em 2019 foi excelente. Crescemos em todos os segmentos e mantivemos nossa liderança com mais de 50% de market-share", explica o executivo.
PRIMEIROS BIARTICULADOS SCANIA COM TRANSMISSÃO AUTOMÁTICA ALLISON AGRADAM EM CURITIBA
Desde meados de 2019, seis Scania biarticulados estão rodando pela capital do Estado de Curitiba (PR) equipados com transmissões totalmente automáticas Allison. A Viação Cidade Sorriso, uma das operadoras do sistema urbano de Curitiba, foi quem adquiriu essas primeiras unidades, quebrando o monopólio que dominava o mercado na cidade. Em operação desde o início do segundo semestre, os novos biarticulados Scania com transmissão totalmente automática Allison vêm surpreendendo positivamente frotista e usuários; são os primeiros vendidos pela marca no Brasil e fazem parte da renovação da frota da capital paranaense.
MASTERDUTY X-TREMEVISION: A NOVA LÂMPADA DA PHILIPS
Em contribuição às grandes necessidades do setor, a Philips coloca no mercado de reposição uma nova lâmpada para os faróis principais: a Philips MasterDuty X-tremeVision. A nova lâmpada da Philips 24V pode ser instalada facilmente nos veículos pesados e não requer adaptações elétricas. Apesar de se tratar de uma lâmpada halógena repleta de inovações, não há necessidade de realizar alteração na documentação do veículo.
TROCA INTELIGENTE MOBIL DELVAC: TROCA DE ÓLEO ECONÔMICA E SUSTENTÁVEL
Sempre atenta à relação de parceria com os caminhoneiros, a Mobil é pioneira em oferecer aos seus clientes o sistema Troca Inteligente, baseado na comercialização de lubrificante a granel para entregar melhor custo e praticidade. Com a Troca Inteligente Mobil Delvac, o consumidor paga apenas pela quantidade que precisa, sem necessidade de guardar sobras de produto, o que agiliza a rotina. Tudo isso com a mesma qualidade e tecnologia dos lubrificantes Mobil Delvac encontrados nas embalagens menores.
YPF BRASIL CELEBRA PARTICIPAÇÃO DE 3,5% NO MERCADO NACIONAL DE AUTO E DIESEL
A YPF Brasil, empresa de energia argentina, desponta no mercado de lubrificantes com Market share de 3,5%. As vendas de produtos das linhas auto e diesel foram as principais responsáveis pelos bons resultados de 2019, fazendo com que a companhia iniciasse 2020 sob boas perspectivas. Pertencente ao SINDICOM (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes), a companhia argentina no Brasil foi a que mais cresceu pelo segundo ano consecutivo entre as demais da entidade.
WABCO LANÇA SOLUÇÕES PARA A SEGURANÇA DA CARGA
A WABCO lança no Brasil soluções para a segurança da carga, com a linha para o fechamento de portas de caminhões e semirreboques OptiLock™, que tem opções para o travamento convencional (mecânico) ou um moderno sistema eletrônico integrado inclusive à telemática. A novidade está na linha eletrônica, com o ELB-Lock, sistema que permite o uso de controle remoto de mão ou via conexão telemática, para abertura ou travamento das portas. A senha também pode ser personalizada para o motorista abrir.
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MERITOR INAUGURA SEGUNDO POSTO DE SERVIÇO NO BRASIL
A Meritor acaba de inaugurar seu segundo posto de assistência técnica preventiva e corretiva do Brasil. Localizado na cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, a iniciativa é fruto de uma antiga parceria com a empresa MMarra Distribuidora Automotiva, distribuidor de peças para caminhões, ônibus e carretas. Com esta associação, o posto autorizado passará a prestar serviços de manutenção em eixos diferenciais e seus respectivos componentes.
Desenvolvemos o PROJETO FROTAS, que atende às necessidades de abastecimento de produtos originais para o mercado de reposição, promovendo aos seus consumidores especialização técnica, serviços e informações personalizados de acordo com o perfil e necessidade da Frota.
• Fortalecimento da marca e da rede de distribuição
• Geração de demanda de abastecimento
• Homologação de peças junto às empresas de Frotas
• Aumento do market share do Fabricante
• Mapeamento e cobertura de novos mercados
• Relatórios detalhados da capacidade de utilização de produtos junto às Frotas
Contribuindo para o aprimoramento do profissional do varejo de autopeças
Mulheres no setor de autopeças
Ainda são poucas as que ocupam cargos de liderança
TEXTO: KARIN FUCHS | FOTO(S): DIVULGAÇÃO
Nas últimas décadas, as mulheres têm conquistado cada vez mais o seu espaço no mercado de trabalho, mas ainda há um longo caminho a percorrer.
Em cargos de liderança sênior no País, 34% são ocupados por mulheres, segundo uma pesquisa do International Business Report da Grant Thornton, apesar da desigualdade em relação aos homens, o Brasil está acima da média global, que é de 29%, e ocupa o 8º lugar pelo estudo que avaliou 32 países.
Apesar de serem mais escolarizadas, as diferenças salariais continuam. Em média, pelas contas do Dieese, elas ganham 22% menos que os homens, percentual que chega a ser 38% inferior entre os trabalhadores com ensino superior. Especificamente na indústria automotiva, o maior público feminino está concentrado nas áreas de produção e manufatura, representando 47%, mesmo sendo elas mais bem formadas: 33% têm ensino superior e 8% possuem especialização, conforme o estudo Diversidade no Setor Automotivo, da Automotive Business, em parceria com a MHD Consultoria.
No varejo, de maneira geral, o presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Eduardo Terra, comenta que não existe uma pesquisa que retrate a participação das mulheres. “Desconheço que exista um levantamento desses específico para o varejo e uma das nossas diretrizes é termos dados e números. Mas ainda há mais homens atuando na área do que mulheres, mas acredito que essa diferença acabará em um prazo de dez anos”.
E essa diferença que há atualmente muda conforme o setor. “Não somente no varejo a proporção irá mudar, mas em todo o mercado de trabalho. Há setores que têm mais tendência feminina e os que têm mais masculina, por questão de vocação, escolha e até por preconceito, o que é uma bobagem e que vai acabar mudando. Hoje esse debate é muito importante, porque existem as diferenças, mas quando isso terminar, ele perderá a relevância”.
Segundo Terra, ainda há uma proporção maior de mulheres em cargos operacionais e de média liderança. “Mas em cargos de alta liderança essa proporção cai muito, esse
CADERNO BALCONISTA AUTOMOTIVO
é um dos grandes debates para termos mais mulheres CEOs e executivas, isso vale não só para o varejo, mas para outros segmentos. A tendência é de que com o aumento da participação da mulher o preconceito diminua e tenhamos de forma madura a participação igual em todos os setores e cargos no varejo”.
Grupo
Mulheres do Varejo (MdV)
Por uma iniciativa de Fátima Merlin (foto) e de Vanessa Sandrini, executivas do setor de varejo, elas criaram o Grupo Mulheres do Varejo (MdV), em outubro de 2018. “Inicialmente, a ideia era promover pelo WhatsApp discussões entre mulheres que atuavam na área. Em poucos dias, 200 já tinham se unido ao Grupo. Hoje são cerca de 300 executivas no grupo formado no Telegram, trocando informações, conhecimentos e experiências, em prol do empoderamento das mulheres no varejo e 3.000 seguidoras nas redes sociais”.
O preconceito e o machismo no varejo foram os incentivadores para a criação do Grupo, que tem como propósito aumentar a participação das mulheres em cargos de liderança. “Foram duas grandes motivações: nos unirmos para vencer o preconceito e o machismo, trabalhando temas que fossem relevantes para as mulheres se desenvolverem. Outra motivação é que 80% das shoppers (consumidoras) são mulheres, mesmo em varejos como o de material de construção, além disso, todos os indicadores mostravam que iniciativas de
diversidade em gênero e raça melhoravam os resultados”.
Empresas com mais mulheres, principalmente em cargos de liderança, têm um crescimento de 10% a 15% na sua receita, segundo o relatório Women in Business and Management: The Business Case for Change divulgado pela ONU, Organização das Nações Unidas.
De largada, elas realizaram um pesquisa com as 200 participantes do Grupo. As principais constatações foram: menos de um terço das mulheres tinha clareza sobre a força e a possibilidade delas em cargos de liderança, apenas 5% tinham clareza a respeito de qual era o papel da mulher na sociedade, menos de 6% estavam satisfeitas com o tratamento dado a assuntos relacionados ao papel no varejo, 80% classificaram o papel da mulher como básico e muito primário no varejo, com grandes oportunidades de desenvolvimento, e mais de 80% do nível de esforço para alcançar cargos de direção era muito elevado, muito superior do que para os homens.
“Com a pesquisa, fomos entender também quais seriam as nossas frentes de atuação. Criamos os pilares de informação para gerar conteúdo, estudos e ensaios, pesquisas que mostrassem não só a força da mulher, mas tudo que poderia ser desenvolvido em prol varejo, um trabalho mais voltado à formação e orientação, com promoção de mentoria, com coach, apoio profissional e na recolocação, em apenas um ano, foram quase 20 mulheres recolocadas”.
O Grupo também realiza eventos, cursos e workshops, com temas que envolvem desde a autoestima, autodesenvolvimento, autoconhecimento, até questões de mercado, como negociação e tecnologia. Para todas as ações, o Grupo, que está presente nas principais redes sociais, como Instagram, Facebook e LinkedIn, foi dividido em comitês: Pesquisa, Tecnologia e Inovação, Comunicação e Marketing, Eventos e Capitação. O objetivo também é trazer o homem para este universo.
“São poucas as mulheres em cargos de liderança no varejo, tem o lado do mercado que é predominantemente formado por líderes homens, rola discriminação, preconceito e machismo, e tem a questão da própria mulher reconhecer o seu valor, buscar capacitação, qualificar-se e repensar a forma de se posicionar. São vários fatores, tem também as questões culturais. O objeto é trazer os homens para essa realidade, pois detectamos com pesquisas que eles nem percebem que isso acontece. Por isso, temos trabalhado muito nos nossos eventos a participação também dos homens”.
Processos diferenciados
Formada em Engenharia de Produção, Fabiana Gonçalves Pelegrini, do Grupo Pelegrini, de Uberlândia (MG), trabalhou em outras empresas colocando em prática o que aprendeu na faculdade, antes de receber o convite de seu pai, João Pelegrini. “Decidi aceitar pela vontade de empreender e por perceber que é um
segmento que sempre terá muito crescimento no nosso País por conta das nossas malhas rodoviária e ferroviária, que acabam convergindo para caminhões”.
Entrou como gerente de produção na parte de melhoria de processo. Hoje, a empresa está em processo final de certificação da ISO 9001. “Acho que isso será bem diferente para o setor de autopeças, ainda mais aqui no interior de Minas Gerais, e na oficina mecânica com a ISO 9001. Nos nossos processos, enxergamos tudo como uma linha de produção para tentarmos o máximo possível otimizar os indicadores de gestão”.
Mas antes disso, recorda-se ela, “surgiu a oportunidade de pegarmos uma bandeira de concessão, começamos com a concessão da International, depois da Agrale e, posteriormente, da Volare, uma bandeira muito forte, 80% do market share do mercado de micro-ônibus é da Volare, e estamos também com a distribuição de geradores de energia da MWM”.
À frente de tudo isso, Fabiana também é vicepresidente da Assovolare, Associação Brasileira de Concessionárias de Micro-ônibus Volare. Se há preconceito por ser mulher, ela diz que muda de acordo com as gerações. “A minha geração na faixa de 30 anos tem menos preconceito. Mas por parte dos mais velhos, nesse setor há preconceito pela idade e por ser mulher, ainda mais quando ela bonita, intitulam como se ela não fosse inteligente. Temos que ser muito competentes e profissionais para estarmos à frente dos negócios”.
Fabiana Gonçalves Pelegrini, do Grupo Pelegrini, de Uberlândia (MG)
Fátima Merlin, executiva do setor de varejo
Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC)
Michelle Saori Miyake, diretora Administrativa da Injepremium, de Curitiba (PR)
CADERNO BALCONISTA AUTOMOTIVO
Representatividade
Michelle Saori Miyake, diretora Administrativa da Injepremium, de Curitiba (PR), começou no setor na Indústria Filtrosul, em 2003. Em 2005, ela foi trabalhar na empresa do seu sogro, a IP- Distribuidora de Autopeças (Injepremium). “Ele precisava de uma pessoa para fazer a gestão financeira, sempre trabalhei na área financeira, de RH e fiscal da empresa”.
Em 2016, ela começou a participar das reuniões do Sincopeças. Atualmente, ela é a Primeira Tesoureira do Sincopeças. De toda a sua bagagem, ela diz que hoje tem um conhecimento global da empresa. “Estou sempre participando de congressos no setor automotivo, para acompanhar as tendências e mudanças que vão ocorrer em nosso setor”.
E mesmo sendo um público predominantemente masculino, ela diz que não sofreu preconceitos. “A princípio não tive muitas dificuldades, como sou bastante comunicativa sempre me dei bem com todos, mesmo no nosso segmento ser a maior parte do sexo masculino”.
Para ela, o interesse das mulheres pelo setor automotivo vem crescendo bastante. “Mas ainda tem pessoas que acham que as mulheres não são capazes de entender sobre peças automotivas. Antes isso era bem pior, as mulheres estão tendo espaço”. Em sua opinião, o que falta é reconhecimento e igualdade nos salários. “É
difícil ver mulheres em cargos de liderança no varejo. E estatisticamente, elas ainda ganham menos no mesmo cargo ocupado pelos homens. O que não faz sentido, pois elas têm capacidade e até mais do que eles. A mulher consegue fazer várias coisas ao mesmo tempo”.
Ascensão
A gerente Administrativa da Top Peças, de Caicó (RN), Débora Araújo de Medeiros entrou na empresa em 2002 para fazer serviços gerais, com a função de recepcionista atendendo os telefonemas. “Na época existia um projeto do Governo do Estado do primeiro emprego, eu fazia faculdade de Filosofia e precisava trabalhar. Assim entrei na empresa. E de acordo com a minha dedicação, eu fui crescendo nela e me aprimorando. Atendia os clientes, despachava peças, atuava na parte administrativa e na burocrática. Em 2005, eu fui convidada para ser gerente Administrativa da empresa”.
Preconceito ela diz que ainda existe. “Sempre tem, às vezes por parte de cliente e dos próprios colegas. Mas como eu sou uma pessoa dominante, eu gosto de me impor, fui conquistando o meu espaço. Hoje, eu gerencio cerca de vinte e dois homens todos os dias. E da minha vivência da faculdade, com certeza que coloco muitas coisas em prática”.
Conciliação
Casada com um representante comercial do setor de autopeças, Maria Pereira de Sousa, conhecida no meio automotivo como Mara Sousa, abraçou a ideia quando ele decidiu montar uma loja, a Rodoceará, de Fortaleza (CE). “Sentimos essa necessidade, pois muitas vezes os clientes precisavam de peças com urgência. Montamos uma lojinha em 1992, começamos bem pequenos, e não era raro o meu marido abrir a loja à noite para atender clientes”.
Na época com dois filhos pequenos, ela conseguiu conciliar trabalho e maternidade. Em 2002 ela teve mais uma filha e não pensou duas vezes em levar um carrinho e um berço para a loja. “E assim fomos indo, não foi fácil, mas valeu muito a pena estar junto aos meus filhos e meu marido lhe dando suporte. Foi um grande desafio, mas superamos muito bem. Abríamos a loja de domingo a domingo e eu comecei a me especializar, fiz vários cursos, crescemos e contratamos pessoas qualificadas para nos ajudar nesta jornada. Com mais colaboradores somando com a gente, nós conseguimos ser cada vez mais fortes”.
Sobre a participação das mulheres no varejo de autopeças, ela ainda vê com muita timidez. “Tem mulheres e esposas, mas nos bastidores. O mercado ainda é machista, somos da linha pesada, muitas vezes quando eu vou responder algum questionamento me pedem para falar com o dono. Quando digo que sou eu, percebo um certo constrangimento por parte do gênero masculino, isso me deixa um pouco entristecida, mas não vai me abalar”.
Para ela, o que precisa melhorar são as mulheres do setor automotivo saírem dos bastidores. “Fazer valer a nossa opinião, precisamos mostrar a cara, e precisamos de mais iniciativas como essa do Balcão Automotivo, não somente no mês de março. E que as mulheres passem a ocupar o lugar que elas merecem, de destaque, pois somos profissionais qualificadas e temos um olhar ainda mais voltado para a parte humanitária, que tanto estamos precisando”.
Conquistas
Há 12 anos, Maria Evaneide Vieira, a Neide, começou como operadora de caixa na Divauto Auto peças, de São Paulo (SP). “Depois eu fui para o administrativo, para o telepreços até chegar ao balcão. No início quando comecei no balcão tinha mais preconceito do que por telefone, me perguntavam se só tinha eu para atender, eu dizia que tinha outros e os meninos me ajudavam, perguntavam ‘qual era mesmo a peça que ele precisa?’ Mas era eu que fazia o atendimento. Agora que os clientes me conhecem isso não tem mais”.
Ela conta que na lojas muitas mulheres trabalham no atendimento e até na instalação de alguns componentes, como lâmpadas e palhetas. “E com um atendimento de qualidade”, ressalta. “Na Koga Koga, de Sapopemba (bairro de São Paulo), também tem meninas no telepreços e eu acho que elas também passam por um pouco de discriminação”.
A melhor parte, diz ela, é que um sempre ajuda o
Mara Sousa, da Rodoceará, de Fortaleza (CE)
Débora Araújo de Medeiros, gerente Administrativa da Top Peças, de Caicó (RN)
Maria Evaneide Vieira, a Neide, da Divauto Auto Peças, de São Paulo (SP)
Lúcia Regina Paulino da Silva, administradora Geral da Auri Auto Peças, de Natal (RN)
CADERNO BALCONISTA AUTOMOTIVO
Patrícia Pereira de Araújo, sócia-administrativa da Caicó Autopeças e Distribuidora, de Caicó (RN)
outro. “Quando os balconistas daqui da loja percebem que está tendo algum tipo de preconceito, eles fazem questão de chegar até perto de mim e perguntar, como eu disse anteriormente, ‘Neide, qual é mesmo a peça?’ Eles fazem isso para eu me sentir mais segura. Um ajuda o outro, sempre tivemos esse lado”.
Capacitação
Administradora Geral da Auri Auto Peças, de Natal (RN), Lúcia Regina Paulino da Silva entrou na loja há
mais de vinte anos, quando era apenas uma loja, estava começando uma segunda e atualmente são 11. “Eu atendia o público, fazia vendas, era operadora de caixa, ajudava em tudo. Até hoje é apenas um diretor e 11 lojas, e eu trabalho com ele dirigindo toda essa rede”.
Daquela época inicial, era apenas ela e mais uma mulher balconista. Hoje são cerca de 70 mulheres na rede. “Trabalhei também na parte burocrática, administrativa e contábil. Acabei me relacionando com tudo da empresa e fui me aperfeiçoando. Antes de entrar na Auri, eu fazia um curso da área contábil, fiz mais um e senti a necessidade de me aprofundar na área de pessoas. Eu fiz uma pós-graduação de gestão de pessoas, além de curso de auditoria e perícia contábil, e há dois anos acabei a faculdade de Direito”.
Ela já tinha um filho e teve gêmeos quando trabalhava na Auri. “Eu levava eles comigo para a loja”, recorda-se. Sobre preconceito, ela diz que o superou dos tempos em que trabalhou em posto de gasolina. “Eu trouxe para a Auri essa experiência e aprendi mais como profissional mulher. Melhorou muito a questão do preconceito, nossas operadoras de caixa são todas mulheres, temos um número considerável de consultoras de vendas (balconistas) e uma menina que é destaque em vendas e
que também capacita outras pessoas”.
Continuidade
Sócia-administrativa da Caicó Autopeças Distribuidora, de Caicó (RN), Patrícia Pereira de Araújo conta que tudo começou quando o seu pai faleceu muito jovem e a sua mãe teve que assumir a empresa. “Isso faz 43 anos. A minha mãe não tinha nenhuma experiência, era uma dona de casa, e na época havia muito preconceito. Quando eu tinha 18 anos, eu precisava trabalhar, e comecei limpando as prateleiras, que é como se começava antigamente para aprender onde ficavam as peças. Somos em três irmãos e eu sou a única que veio trabalhar na empresa”.
Com o tempo ela foi aprendendo, por um bom tempo trabalhou no balcão e hoje a sua área é administrativa na parte de compras. Ela lembra que os desafios foram muitos. “Era um mercado muito fechado e masculino, atualmente mudou muito. Não tínhamos credibilidade, achavam que não sabíamos vender e os clientes procuravam ser atendidos por um homem. Com o tempo, isso foi mudando, até porque na empresa só trabalhavam mulheres e isso começou com o meu pai. Conseguimos superar tudo isso, minha mãe foi uma
CADERNO BALCONISTA AUTOMOTIVO
guerreira. Não foi fácil, mas graças a Deus ela conseguiu superar tudo isso”.
Hoje, a Caicó caminha para a terceira geração. “Meu filho já está na empresa, estamos na terceira geração, e eu gosto muito do que eu faço. Balcão não é fácil, temos que superar e passar por muitas coisas para dar certo”.
Superação
Na direção da Maxtroc - Revisões Automotivas, de Recife (PE), Aletéia Abreu entrou no setor há 28 anos, como aprendiz na empresa de seus pais. “Inicialmente na área financeira, em seguida nos departamentos de caixa, passando pelo estoque e depois acompanhando um mecânico, para após algum tempo ir para a frente de loja e ter contato direto com clientes. Até aí, era proibida de falar com clientes, deveria me comportar como sombra”.
Daquela época, ela se lembra de ouvir: “Sombra fala, filha? Nos dias atuais, ouvimos dos coaches famosos: Você tem dois ouvidos e apenas uma boca, ouça mais e fale menos. Com ensinamentos à frente do tempo, iniciei uma mentoria personalizada, a melhor de minha vida, sou extremamente grata aos meus pais por isso”.
Os desafios foram muitos. “Ser uma menina num ambiente essencialmente masculino tornava tudo mais difícil, precisei ganhar visibilidade pelo meu trabalho e não pelo meu corpo ou pelo pai que tinha, na região Nordeste, e dentro de um ambiente tão machista. Ouvia coisas do tipo: ‘Chame um homem para me atender’. Seriedade era o meu nome. Eu tinha que saber mais, estudar mais e aos poucos fui ganhando meu espaço. Há 20 anos, meus pais saíram da gestão e a empresa continua crescendo”.
E ela nunca parou de estudar, “fiz curso superior em Administração de Empresas, MBA em Gestão de Serviços e inúmeros cursos de especialização em gestão e técnicos, alguns deles específicos ao ramo de oficinas mecânicas”. A Maxtroc faz parte da Rede Bosch Car Service desde 2001 e ela é integrante do Comitê Nacional há alguns anos.
“Isso me permite acesso a novas tecnologias, treinamentos, equipamentos e valiosa ampliação da rede de contatos com gestores de oficinas mecânicas de todo o País. Faço parte de um grupo do BNI, uma rede de networking internacional que possibilita contato com diferentes ramos de atuação, ao redor do mundo, o que também faz toda a diferença”.
Em sua opinião, o preconceito muitas vezes está dentro das mulheres. “Temos capacidade de sermos protagonistas do setor, desde que tenhamos conhecimento (estudar sempre) para nos impulsionar e seguir adiante”. E defende que a melhoria passa pelas condições de trabalho, pelas oportunidades que surgem no setor. “Acredito veemente num futuro de oportunidades iguais, independentemente do gênero”.
Aletéia Abreu, da Maxtroc - Revisões Automotivas, de Recife (PE)
Uma oportunidade de ouro para interagir com seu público
Potencialize o atendimento online para vender e entender melhor as necessidades de seu cliente
TEXTO: KARIN FUCHS | FOTO(S): DIVULGAÇÃO
Nocenário atual, muitas lojas tiveram que fechar as suas portas e algumas delas se adequaram às vendas online e muitas já estavam adaptadas ao comércio eletrônico. Seja qual for a sua realidade, aproveite este momento para aprimorar o seu atendimento online ou aderir a ele.
Nas palavras de Ana Paula Kagueyama, diretora sênior de Global Operations do PayPal Latam, o mundo digital é uma realidade e uma oportunidade de ouro para interagir diretamente com seu público, ouvir seus comentários, necessidades e dores, entender suas questões, resolvê-las e assim por diante. “E talvez o ponto nevrálgico, aquele que pode fazer toda a diferença no curto prazo, talvez seja prestar atenção especial ao atendimento ao cliente”.
Ela comenta que existem várias ações que podem ser aplicadas para aumentar a confiança e a lealdade dos consumidores. “Se sua empresa é pequena ou média, às vezes não é necessário investir em um call center; uma boa opção pode ser usar as redes sociais como aliadas para atender os consumidores”.
A primeira dica é estar presente em múltiplos canais de comunicação. “É importante que os clientes tenham canais diferentes para entrar em contato com a sua loja. Levando isso em conta, uma opção é criar perfis de sua marca nas principais redes sociais e monitorá-los constantemente”.
Para Luiz Lanzini, estrategista em administração de empresas da Trajetória Consultoria, não há uma resposta única. “A escolha do canal dependerá do tipo de produto ou serviço que a empresa está oferecendo, e também qual o perfil de cliente que está se buscando a comunicação”.
Ele exemplifica que há produtos que a imagem e detalhes na descrição pode ser suficiente para uma fase do atendimento, outras situações sugerem que se tenha uma intervenção pessoal e interatividade. “Dependendo
das condições, se estabelece o melhor meio ou canal de comunicação. Nestes exemplos poderiam ser as mídias sociais como Instagram e Facebook e na segunda situação uma interação por mensagem de texto via aplicativo ou ainda um chat. As duas formas podem “turbinar” o atendimento”.
Na visão de Carolina Livolis, gerente do Desk 360, Ferramenta de Gestão de Atendimento da Locaweb, a escolha dos canais depende muito do cenário que a empresa já estabelece de forma online com os seus clientes. “É importante a comunicação por todos os lugares, ainda mais nesse momento. Os canais mais eficientes e mais comuns são: chat, e-mail, formulários, WhatsApp e redes sociais. Juntos eles formam uma rede de contato infalível na hora de resolver os problemas e até mesmo estreitar o principal motivo que é estar próximo dos clientes”.
Na linha de frente
Tão importante quanto estar nos canais online para aumentar as vendas é selecionar quem serão os profissionais que prestarão esse atendimento. A primeira dica de Luiz Lanzini é o varejista separar as fases em que há interação com os clientes. “Ao fazer esta estratificação, se identificam os diferenciais pertinentes a cada processo. Nem sempre são as mesmas características. Os critérios normalmente estão relacionados a conhecimento técnico atrelado também a atitudes e comportamento”.
Ele acrescenta que “a capacidade de gerar empatia às vezes supera uma informação técnica. Hoje se percebe, por exemplo, que fintechs, cujo público-alvo são jovens, colocam na linha de frente do atendimento o mesmo perfil de atendimento, respeitando a linguagem e a forma de se comunicar”.
Em relação ao tamanho da equipe para este atendimento, Carolina Livolis comenta que é preciso avaliar: “Se estamos
falando de uma equipe pequena ou até de 1 pessoa é importante que todos os atendimentos sejam divididos por tipos de solicitações para ajudar ainda mais o fluxo no dia a dia. Já se estamos falando de uma equipe maior, o fluxo por solicitação pode ser dividido de acordo com os pontos fortes de cada um da equipe. Assim os especialistas podem tratar os casos ainda de forma mais resolutiva”.
O importante, diz ela, é ter a equipe alinhada, treinada para o novo fluxo e, principalmente, com entendimento dos processos e produtos da empresa.
“Para garantir isso, é importante regras e estratégias bem definidas, com isso bem feito as pessoas continuarão tendo uma boa experiência com você e, claro, os seus clientes também”.
E nesse ponto, ela dá algumas dicas para que tudo fique alinhado e mais fácil da linha de frente ser mais eficiente e empática nesse período. São elas:
- Avalie o conhecimento dos seus colaboradores, entenda o quanto e quais produtos eles conseguem entender com propriedade
Ana Paula Kagueyama, diretora sênior de Global Operations do PayPal Latam
CADERNO BALCONISTA AUTOMOTIVO
- Estabeleça processos padrões e deixe-os de forma visível (isso facilita quando houver alguma dúvida)
- Confie! Com regras, treinamentos feitos você precisa agora confiar no seu time
- Faça o momento ser o mais simples possível e diga a importância do atendimento online nesse período
Equipe preparada
Conhecer profundamente os produtos ou serviços que são oferecidos é fundamental. “Quando um cliente entra em contato com uma empresa, ele quer ser atendido por alguém que entenda perfeitamente suas necessidades, conheça os produtos ou serviços à venda e possa oferecer soluções”, afirma Ana Paula Kagueyama.
Para isso, ressalta a executiva, a equipe precisa ser treinada para responder a quaisquer perguntas e estar 100% familiarizada com o cardápio de produtos/serviços. “Lembrese: seus funcionários/colaboradores não podem demonstrar insegurança no atendimento ou falta de conhecimento sobre itens básicos, como o funcionamento do sistema de trocas da loja, por exemplo”.
Carolina Livolis orienta como passo inicial estruturar e mapear todos os processos que envolvam o relacionamento com o cliente. Em seguida identificar os pontos falhos para minimizar os erros na hora da prática.
“Como na maioria dos casos o atendimento por telefone também ficou em segundo plano ou até mesmo fora de alcance, é extremamente importante organizar os tipos de solicitações e já o que o seu atendente precisa saber na hora de cada atendimento”.
Outra questão, expõe ela, é que o cliente na hora da abertura de um atendimento já pode informar exatamente o que precisa. “Com esses passos fica mais clara a comunicação, o que traz uma resolução mais assertiva, rápida sem perder a qualidade. Para isso acontecer, o planejamento e o encaixe do cenário atual podem e vão ajudar a sua equipe a atender os seus clientes, mesmo em situações difíceis”
Ela acrescenta também outro ponto: “Isolando as reclamações, alinhe as expectativas! Seja de prazo, de resolução de problema ou até mesmo de uma situação pontual. É importante ser transparente em todos os momentos, mas especificamente nas reclamações, ouça ainda com mais atenção, ajude e aprenda ainda mais com todos os problemas”.
Nesse sentido, Ana Paula Kagueyama coloca que é importante identificar os principais motivos das reclamações ou dos comentários negativos e ter sempre prontas respostas lógicas, cuja finalidade é acalmar o cliente irritado, o que é o início de um bom atendimento. “Ter argumentos ou soluções previamente preparadas (baseadas na sua experiência a respeito dos pontos-chave das reclamações) agiliza o tempo de resposta e gera confiança no cliente, e cliente confiante tende a se tornar fiel e, melhor ainda, recomendar a marca”.
Ela alerta que uma conversa em que a troca principal consiste em apenas pedir desculpas ao cliente deixará o consumidor com a sensação de que existem grandes fragilidades na
empresa. “Seja gentil, assuma possíveis fragilidades nos seus processos, mas ofereça soluções. O objetivo do bom atendimento ao cliente é ajudá-lo em sua jornada de compra ou pós-venda, mas, acima de tudo, criar a possibilidade de melhorar seu relacionamento com a sua marca”.
Na visão de Luiz Lanzini, a equipe deve ter, bem claramente, a noção de qual etapa ou processo está o relacionamento com o cliente. “Se for uma etapa relacionada ao pós-venda, por exemplo, onde normalmente aparecem reclamações, o atendente deve dominar o assunto para poder oferecer uma solução ou resposta para a reclamação. Em outro momento, a habilidade da equipe está em direcionar para um avanço no processo de negociação e fechamento de venda. Para todos os processos há capacitações específicas e desenvolvimento de habilidades para se aprimorar as competências”.
O cliente e a sua marca
Para melhorar o relacionamento do seu cliente com a sua marca, Luiz Lanzini conta que isso começa com a pré-venda. “A imagem e a comunicação adequada ao público-alvo devem ser estudadas e implementadas de maneira correta. Depois será necessário preparar as pessoas e os processos para se avançar nas etapas de relacionamento com o cliente sempre no mesmo nível”.
Ele ressalta que marca é um atributo de percepção, ou seja, o reconhecimento da marca se dá pelo conjunto de fatores. “Produto, atendimento, resolução de problemas e, em alguns segmentos, a surpresa! Trazer algo inesperado e que impacte positivamente o cliente”.
Carolina Livolis destaca que nesse relacionamento é fundamental a comunicação. “Esteja sempre alinhado com o seu cliente e informe todas as mudanças, canais e o quanto você como empresa está próximo de cada um deles em todos os momentos. Esteja onde seu cliente está e se mostre ainda mais solícito e resolutivo. Você se lembra de empresas que se importam com você, não é mesmo? Aqui não é diferente. Para a experiência do cliente estar cada vez mais vinculada com a sua empresa, se importe!”.
Ela explica que se importar e ajudar os clientes se transforma em gratidão. “Quanto mais as pessoas sentem isso, mais elas continuam presentes.
Independentemente do que sua empresa faz, aproximese e esteja ainda mais perto dos seus clientes. Crie ações, estruture o momento do contato, peça sugestões, se adapte e arrume novos caminhos”.
Atenção na venda
No atendimento online ao cliente, claro que o objetivo principal é vender mais, mas o cuidado principal é fazer isso com sutileza, conforme orienta Ana Paula Kagueyama. “Depois que as dúvidas e possíveis questões forem resolvidas, você poderá tentar vender, com cuidado, outros produtos ou serviços da sua empresa. Tente começar essa parte da conversa com algo como ‘a propósito, você notou a última promoção em nosso site’?”.
Mas é importante ter cuidado ao fazer isso, alerta ela, porque, se a barreira da sutileza for ultrapassada, a
Carolina Livolis, gerente do Desk 360, Ferramenta de Gestão de Atendimento da Locaweb
confiança obtida a partir da solução de uma dúvida do cliente poderá ser substituída pela percepção de que o único interesse da empresa é vender produtos e serviços que não foram pedidos.
Carolina Livolis destaca que a definição de ter atendentes como especialistas para cada assunto é fundamental para que não aconteça exatamente isso. “O seu atendimento para cada tipo de situação, de maneira geral, precisa ser iniciado e encerrado com apenas uma pessoa. Isso mostra não só a empresa, mas o compromisso de resolução individual do time”.
Ela acrescenta que “independentemente do tamanho da sua empresa, acompanhe o cliente e intermedie (se precisar de ajuda de outro setor), mas deixe o cliente sabendo que está nas mãos da pessoa x. Comunicação assertiva, entendimento dos problemas, muita preocupação e ajuda com o outro, independentemente da situação”.
Luiz Lanzini alerta que um erro que deve ser evitado é fazer o cliente repetir informações. “O atendimento é transferido internamente e sempre é solicitado que se repita informações já passadas anteriormente. Outra situação é o tempo de resposta. Há formas de se melhorar o fluxo de informações e manter os clientes atualizados”.
Como exemplo, ele cita a compra online que permite o rastreamento de entrega. “O cliente se sente mais seguro, consegue através de aplicativos de celular consultar o status da entrega e inclusive saber o horário da entrega. Em algumas situações são enviadas mensagens para atualizar o andamento da entrega. Tal situação minimiza a ansiedade de quem está comprando e ainda evita um contato desnecessário”.
Com certeza, frisa ele, o exemplo acima é de uma comunicação e atendimento online eficiente, embora o cliente nem perceba que há um processo mapeado. “Neste caso a antecipação é a chave para a eficiência. Para a empresa entender prováveis causas, capacitar o seu time e propor antecipadamente soluções para que possa evitar o empurra, empurra”.
Faça bom uso dos dados
Atender bem, vender mais e conhecer os seus clientes é essencial. E tão importante quanto é coletar os dados dos clientes para melhorar os seus processos. Para isso, a orientação de Luiz Lanzini é ter processos de atendimento definidos em todas as fases (pré-venda, negociação e pósvenda). “A utilização de ferramentas tecnológicas pode facilitar o contato com o cliente, permite o registro de mais informação e, por consequência, o seu armazenamento,
CADERNO BALCONISTA AUTOMOTIVO
dessa forma pode otimizar o atendimento em todas as suas fases”, acrescenta.
A primeira pergunta, coloca Carolina Livolis: “Quais são os canais de atendimento que você vai estabelecer nesse momento? Após isso, crie regras no atendimento, como: prioridade em cada tipo de atendimento, prioridade por cliente, por empresa, por situação, etc., tempo de primeira resposta e encerramento (famoso SLA) e analise o desempenho da equipe constantemente”.
Como o cenário mudou rapidamente, ela lembra que é importante também estar presente para mudar as metas e as prioridades sempre que necessário. “Um medidor totalmente eficiente é a satisfação que, em cada atendimento finalizado, o cliente avalia e torna um pouco mais fácil mudar a regra do jogo com os feedbacks. Com os atendimentos por tipos de solicitações e as métricas citadas acima, você com certeza entenderá o seu atendimento por completo diariamente”.
Fora isso, outra dica dela é ficar de olho na quantidade, horário de pico e também nos principais tipos de solicitações para estar sempre presente na experiência dos clientes. “É importante ter uma ferramenta de gestão de atendimento para te ajudar a centralizar, gerenciar e registrar toda essa demanda”, orienta.
PANDEMIA EMPRESARIAL
“O silencio é um amigo que nunca trai”. Confúcio
Nos últimos meses o mundo ganhou uma grande preocupação. O coronavírus COVID-19, detectado na China, tem se espalhado em escala global, inclusive, com classificação de pandemia pela OMS (Organização Mundial de Saúde).
O ambiente empresarial também não está imune a determinados vírus. O “fofocavírus” é o principal deles.
A fofoca consiste no ato de fazer afirmações baseadas em fatos não concretos, especulando em relação à vida alheia e, também em divulgar fatos verídicos da vida de outras pessoas sem o consentimento das mesmas, independentemente da intenção de difamação ou de um simples comentário sem maldade.
Em relação ao coronavírus, dentre outras recomendações, o Ministério da Saúde sugere cumprimentos apenas com um sorriso
A dica de Ana Paula Kagueyama é aproveitar os dados coletados durante o contato. “As informações recebidas durante uma reivindicação de cliente são ouro puro para qualquer empresa e ajudarão muito o crescimento e a melhoria do seu e-commerce. Seja essa insatisfação válida ou não, em um serviço ao cliente online, devemos analisar suas causas e impedir que voltem a acontecer. Afinal, se o cliente identifica certo cenário como ruim (mesmo que não seja), é a opinião dele que vai valer na hora de recomendar (ou não) a sua loja”.
Para finalizar, ela diz que se você conseguir resolver as questões que os consumidores podem ter ao comprar online, o resultado será clientes que confiarão na sua marca, a recomendarão e até se tornarão embaixadores dela. “Nunca se esqueça de que a maioria dos clientes insatisfeitos não se preocupa em reivindicar, apenas para de comprar em seu site. Cada interação com seu cliente é uma oportunidade única para elevar ainda mais o relacionamento e criar mais afinidade com a sua marca”.
a distância, sem beijo, abraço ou aperto de mão, lavar sempre as mãos, procurar não tocar o rosto e fazer uso de máscaras, obrigatoriamente, para os profissionais da saúde.
Quanto à fofoca, como combater esse vírus tão maléfico, o qual pode causar danos irreparáveis às pessoas e ao ambiente de trabalho?
“Existe no silêncio tão profunda sabedoria, que às vezes ele se transforma na mais perfeita resposta." Fernando Pessoa
RECOMENDAÇÕES CONTRA O “CORONAVÍRUS
RECOMENDAÇÕES CONTRA O “FOFOCAVÍRUS”
Manter distância de pelo menos 01 (um) metro das pessoas; Manter “quilômetros” de distância das pessoas que disseminam fofocas; Higienizar as mãos com água e sabão; Não permitir que a sujeira da fofoca penetre em seus ouvidos e afetem seu coração e sua mente; Uso obrigatório de máscaras para os profissionais
O disseminador de “fofocas” faz uso de uma “máscara” da bondade. de saúde e para pessoas com baixa imunidade; Não se deixe enganar...; Evitar cumprimentos com aperto de mão, beijos e abraços. Cuidado com os “mal intencionados” apertos de mão, beijos e abraços de “crocodilo”. O disseminador do “fofocavírus”, muitas vezes, consegue envolver as pessoas e fica de plateia vendo o circo pegar fogo. Geralmente usa os seguintes termos:
• Olha: eu não ia te falar, mas como você é meu amigo...
• Cuidado com fulano. Ele anda falando que você...
• Um “passarinho” me contou que...
• Nem vou te contar algo que estou sabendo...
O melhor remédio, portanto, para não correr o risco de ser contaminado, é manter distância de pessoas que disseminam o veneno da fofoca, sabe-se lá com qual intenção, afinal, aquele que fala de alguém, em sua ausência, pode fazer de você a próxima vítima.
Com um poder de devastação bem maior, e mais rápido, na era da informação, fake news disseminam fofocas em rede. Em tempo real, através das redes sociais, uma pessoa ou grupo de pessoas pode tornarse vítima de fofocas com consequências, muitas vezes, irreparáveis.
Não passe adiante ou tome como verdade aquilo que você não tem certeza. Combata o “fofocavírus”. Não cultive a cultura do falar por falar sem conhecimento de causa.
Consequências do “fofocavírus”:
• Prejudica o relacionamento entre os colegas de trabalho;
• Prejudica o clima organizacional;
• Prejudica a imagem e reputação do colega de trabalho.
O primeiro nível de transmissão acontece quando um colaborador “A” confidencia ao colaborador “B”, do seu mesmo setor de trabalho, algo sobre um colega do mesmo setor ou da empresa.
No segundo nível, o segredo já é de pelo menos três pessoas e não está mais dentro do mesmo setor, ou seja, o portador do fofocavírus “viajou” para outro setor da empresa para disseminar fofocas.
Aos gestores, cabe criar barreiras que evitem o vírus chegar ao terceiro nível, ou seja, a denominada transmissão
comunitária da fofoca. Nesse nível, já não é mais possível saber qual a origem da fofoca, transformando-se, portanto, em uma “Pandemia Empresarial”.
Para o bem dos relacionamentos profissionais, precisamos nos contagiar por sorrisos sinceros e bom humor. A vida é bela! Precisamos vivê-la intensamente e esquecer a vida alheia. Se não puder ajudar um colega com atitudes sinceras e positivas, melhor calar-se para não criar situações de conflitos, inimizades, baixa autoestima, mau humor e até situações mais graves. Se ouviu algo sobre alguém, faça uma reflexão sobre a necessidade de passar adiante. Precisamos ter uma boa percepção sobre o que ouvimos, bem como a responsabilidade sobre o que falamos e a forma como passamos uma informação adiante.
Amigo balconista: durante atendimento no balcão, atente-se às recomendações no combate à disseminação do coronavírus. Durante o dia a dia de trabalho, não alimente e não se envolva em fofocas. Eu já estou vacinado contra o “fofocavírus”. E você?
*Analista Administrativo Sênior da Distribuidora Automotiva S/A – Filial Salvador; Bacharel em Administração de Empresas; MBA em Gestão de Empresas; MBA em Liderança Coaching; Co-autor dos livros “Ser Mais Inovador em RH” – “Motivação em Vendas” e "Planejamento Estratégico para a Vida”
Texto: Valtermário de Souza Rodrigues*
Foto(s): Divulgação
Luiz Lanzini,
estrategista em Administração de Empresas da Trajetória Consultoria