Alexandre Slivnik, especialista em RH e diretor ABTD, diz que para crescer dentro de uma empresa requer uma série de detalhes
João Marcos Andrade, professor de Comércio Exterior e Global Trading da Uninter, comenta, em entrevista, seus efeitos no Brasil
Marcos Granado, em sua estreia, fala das 7 tendências do Ambiente Digital para o setor automotivo em 2020
ANO XIV•FEV | 2020
INOVAÇÕES E OPORTUNIDADES
NA REPOSIÇÃO AUTOMOTIVA
PÁG. 6 no161
Com tantas tecnologias disponíveis e outras que virão, nosso mercado passará por mudanças expressivas, seja com a mobilidade compartilhada, a direção autônoma, novos players e a consolidação do setor, a digitalização dos canais de vendas, o envelhecimento da frota, entre tantas outras. Nesta reportagem de capa, porta-vozes da McKinsey explicam o que estamos vivendo e o que está por vir, além dos executivos das indústrias que discorrem sobre o que tem sido adotado na prática.
Descubra as oportunidades que o varejo de autopeças pode oferecer para a sua marca nas págs 12, 14 , 16 e 17.
JORNAL BALCÃO AUTOMOTIVO Nº 161 | ANO XIV | FEVEREIRO DE 2020
EM 2020, NÃO BASTA FAZER PARTE,
Definitivamente o ano ainda não começou para uma parte de profissionais e empresas. Se a velha máxima de que o ano só começa depois do Carnaval mais uma vez estiver certa, torçamos então para um mês de março com muito mais resultados. E nossa reportagem de capa mostra exatamente o quanto é importante sair do marasmo e se preparar para aproveitar as oportunidades do mercado.
líderes no dia a dia no balcão. Afinal, ser bem-sucedido e reconhecido é o desejo de qualquer profissional e no balcão de autopeças não seria diferente. Segundo Alexandre Slivnik, especialista em RH e diretor da ABTD, crescer dentro de uma empresa requer série de detalhes.
Afinal, um mundo de transformações está chegando ao mercado de reposição As indústrias já estão se preparando para atendê-las e apontam as tendências Com tantas tecnologias disponíveis e outras que virão, a reposição passará por mudanças expressivas, seja com a mobilidade compartilhada, a direção autônoma, novos players e a consolidação do setor, a digitalização dos canais de vendas, o envelhecimento da frota, etc.
"7 Tendências de Marketing Digital e Redes Sociais para o segmento automotivo". Marcos Granado, em seu artigo de estreia, traz o comportamento do mercado digital, ferramentas que estarão em alta, canais que poderão ser explorados pelo setor automotivo e técnicas que precisam da atenção das marcas, sejam fabricantes, distribuidores ou varejistas. Tudo isso de uma forma fácil de entender.
No Caderno Balconista Automotivo deste mês, trazemos exemplos de profissionais que adotaram atitudes que mudaram a percepção de seus clientes e
Um problema que mobiliza todo o mundo é a questão do Coronavírus e as suas consequências, além da vida humana, para o Comércio Exterior. Conversamos com João Marcos Andrade, professor de Comércio Exterior e Global Trading no Centro Universitário Internacional Uninter, para saber se os efeitos, sentidos em boa parte do planeta, podem prejudicar as importações de peças por empresas brasileiras.
Em Geomarketing Automotivo, por Sérgio Duque, a Região Metropolitana de Curitiba: a retomada para o crescimento sustentável. Conforme ele, estimase que o PIB na RMC em 2019 deve ter ficado próximo de R$ 200 bilhões, sinalizando um ciclo de crescimento importante e responsável por 40% de toda a produção do estado do Paraná, liderada pelos municípios de Curitiba e São José dos Pinhais, entre 29 da região.
Até o nosso próximo encontro!
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NOSSA
DIGITAL
MARELLI COFAP
LANÇA FLUIDOS DE RADIADORES E AMPLIA PORTFÓLIO TÉRMICO
U ma das líderes na reposição de autopeças no Brasil, a Marelli Cofap Aftermarket expande o portfólio da sua linha térmica com o lançamento de fluidos para radiadores para veículos leves e pesados, responsáveis por proteger os componentes de sistemas de arrefecimento automotivos contra a corrosão. A novidade conta com 2 anticorrosivos, 4 aditivos e uma solução arrefecedora, 7 produtos que chegam ao mercado com a marca Magneti Marelli, disponíveis nas versões concentrada e pronta para uso, nas bases orgânica e inorgânica.
COBREQ APRESENTA PASTILHAS DE FREIO PARA HR-V E CIVIC
Marca do Grupo TMD Friction, um dos maiores fabricantes de pastilhas de freio do mundo, uma empresa do Grupo Nisshinbo, a Cobreq, localizada em Salto, cidade do interior do estado de São Paulo, apresenta ao mercado pastilhas de freio para atender os modelos HR-V e Civic da marca Honda. Para eixo dianteiro, os itens são N-2028 e N-1758, e N-2039 para eixo traseiro. Para mais informações sobre esses lançamentos e de outros produtos da Cobreq, acesse www.cobreq.com.br e consulte o catálogo da companhia.
m todo início de ano, a Takao, marca 100% brasileira e com atuação no segmento de reposição para peças de motores há nove anos, faz um estudo de mercado com o objetivo de manter seu portfólio atualizado, disponibilizando novos itens. A empresa possui uma carteira de produtos que abrange 92% de toda a frota nacional: composta por pistões, anéis, bronzinas, juntas, comandos, válvulas e diversos outros componentes internos de motores. São mais de 16 mil itens distribuídos para 1.300 motores diferentes. EM FEVEREIRO, EMPRESA MOSTRA 49 PEÇAS DE REPOSIÇÃO PARA MOTORES DE CARROS RECÉM-LANÇADOS
CURSOS ON-LINE
IQA LANÇA PORTAL DE CURSOS A DISTÂNCIA
OIQA – Instituto da Qualidade Automotiva –lança a plataforma de cursos a distância www. cursosead.iqa.org.br, que foi desenvolvida pela entidade com o objetivo de oferecer treinamentos com preços mais acessíveis e alcançar diferentes regiões do Brasil para disseminar conhecimentos por
EVENTO
REED EXHIBITIONS GARANTE QUE O SALÃO INTERNACIONAL DO AUTOMÓVEL 2020 SERÁ O MAIS TECNOLÓGICO DE TODOS OS TEMPOS
toda a cadeia da mobilidade. O primeiro curso livre disponibilizado no portal, “Ferramentas da Qualidade – Foco em Resultados”, orienta como utilizar as ferramentas da qualidade para análise e solução de problemas.
A Reed Exhibitions, uma das maiores organizadoras de eventos do mundo e responsável no Brasil pelas grandes mostras da cadeia automotiva, como Fenatran, Movimat, Salão Duas Rodas, Automec e Expo Fenabrave, informa que o Salão do Automóvel 2020 está atraindo vultosos investimentos. Nesta edição, o Salão terá quatro grandes pilares: evolução, tecnologia, mobilidade e entretenimento. A organização, atenta às novas necessidades do mercado automotivo, irá introduzir novos conceitos e atrações no Salão.
GAUSS
NTN ALERTA PARA FALSIFICAÇÃO DE ROLAMENTOS
Valores abaixo dos praticados pelo mercado, recusa de emissão de nota fiscal discriminada e produto sem embalagem original são algumas das características que podem chamar a atenção para itens falsificados ou "piratas". Segundo a NTN-SNR, a aplicação de um rolamento falsificado, por exemplo, pode, além de causar sérios danos materiais, trazer desgaste prematuro de peças e sistemas, custos desnecessários com manutenção e retrabalho, pôr em risco a vida dos ocupantes do veículo e de quem mais estiver por perto.
MANN+HUMMEL
EMPRESA REALIZA ENCONTRO COM FORNECEDORES DA AMÉRICA DO SUL
AMANN+HUMMEL, uma das maiores fabricantes mundiais de soluções de filtragem e fornecedora de equipamentos originais para as indústrias internacionais de engenharia automotiva e mecânica, realizou um encontro com seus principais fornecedores na América do Sul, objetivando alinhar as ações para 2020, com foco na inovação. Com projeções otimistas de crescimento, na faixa de 20%, nos segmentos linha leve e pesada, a companhia quer apostar na inovação tecnológica para colocar a MANN+HUMMEL num novo patamar.
TAKAO
CONVENÇÃO ANUAL
WEGA APRESENTA NOVAS ESTRÁTEGIAS
NA CONVENÇÃO DE VENDAS 2020
AWega realizou nos dias 3 e 4 de fevereiro sua Convenção Anual de Vendas, onde todas as equipes da empresa participaram de reunião e dinâmicas para a apresentação de resultados de 2019 e expectativas e projeções para 2020. Acompanhando a demanda e a evolução do mercado, a Wega trabalha fortemente o digital, com catálogo eletrônico on-line e off-line e também o novo site www.wegamotors.com. br, pensando em facilitar a vida de todos os
TECNOLOGIA
AVANÇADA API SN PLUS DOS LUBRIFICANTES MOBIL™ GARANTE PROTEÇÃO E DESEMPENHO A MOTORES DE CARROS DE PASSEIO
A Mobil™ está sempre atenta às mudanças tecnológicas no mercado automotivo. Cada vez mais os veículos de passeio saem de fábrica com motores equipados com injeção direta de gasolina e turbocompressor. Para tanto, a marca tem em seu portfólio três produtos da
parceiros, auxiliando a procura de mais de 38 mil aplicações do portfólio de produtos.
DICA TÉCNICA
NGK ALERTA SOBRE OS SINAIS QUE EVIDENCIAM DESGASTE NAS VELAS DE IGNIÇÃO
Responsável por gerar a centelha que irá inflamar a mistura ar/combustível, a vela de ignição é essencial para o funcionamento do motor. O componente, entretanto, trabalha em condições severas, estando suscetível a um desgaste natural, que nem sempre é perceptível ao motorista. A NGK, especialista em sistema de ignição, recomenda, entre outras importantes dicas, que o motorista sempre realize revisão periódica das velas de ignição a cada 10.000 km ou um ano (ou de acordo com orientação da montadora).
linha Mobil Super – destinada a carros de passeio – produzidos com a tecnologia API SN Plus, que está de acordo com as rigorosas normas técnicas da indústria automotiva: um semissintético com viscosidade 10W-40 e dois sintéticos com viscosidades 5W-30 e 0W-20.
EM MEIO A DESAFIOS, PROGRAMA
DESCARTE CONSCIENTE
ABRAFILTROS AVANÇA E RECEBE CONTATO DE NOVOS ESTADOS
OPrograma Descarte Consciente Abrafiltros, desenvolvido pela Abrafiltros – Associação Brasileira das Empresas de Filtros e seus Sistemas – Automotivos e Industriais - atualmente implantado em São Paulo, Paraná e Espírito Santo, e em fase de implantação em Mato Grosso do Sul, deve ser ampliado para outros estados num futuro próximo, uma vez que o programa da Abrafiltros de logística reversa de filtros usados de óleo lubrificante automotivo recebeu consultas de novos estados. O resultado já supera 16 milhões de filtros reciclados.
ZF ADOTA REALIDADE VIRTUAL COMO NOVA FERRAMENTA DE
FABRICANTE OFERECE
VARIEDADE DE PRODUTOS
PARA AMPLA COBERTURA DE VEÍCULOS GM
A Nakata, fabricante de autopeças com linha de componentes para suspensão, transmissão, freios e motor, um das líderes em componentes undercar, conta com mais de 700 itens para os veículos mais vendidos da marca GM, como Cruze, Agile, Corsa, Celta, S10, Zafira, Classic, Vectra e muitos outros, inclusive os modelos a diesel. A grande quantidade de itens para veículos GM, oferecida pela Nakata, permite disponibilidade de linhas de produtos ao mercado de reposição. Para consultar a linha de produtos Nakata, www.nakata.com.br
A ZF implantou o treinamento de Realidade Virtual na área da Montagem de sua unidade industrial de Sorocaba (SP). O projeto foi desenvolvido em parceria com a FACENS – Faculdade de Engenharia de Sorocaba. A instituição tem parceria com o Instituto Fraunhofer, na Alemanha, organização de
referência mundial em inovação e tecnologia, o que também colaborou para o resultado do novo projeto. O treinamento por meio de Realidade Virtual se insere nos planos de digitalização da ZF, uma das etapas da jornada para a indústria 4.0.
O TURBOCOMPRESSOR TWIN SCROLL DA
BORGWARNER FORNECE POTÊNCIA E RESPOSTA RÁPIDA A FABRICANTES PREMIUM
Os turbocompressores twin scroll da BorgWarner são fornecidos ao BMW Group para seu novo motor 3.0 a gasolina de seis cilindros em linha. Utilizado em uma ampla gama de veículos de passeio da BMW, o motor possui duas opções de desempenho − média e alta − e fornece de 250 a 280 kW de potência e de 500 a 550 Nm de torque. "A tecnologia twin scroll produz resultados iguais aos das aplicações twin turbo, mas num pacote menor de peso e custo", disse Joe Fadool, presidente e gerente-geral da BorgWarner Emissions, Thermal e Turbo Systems.
UM MUNDO DE TRANSFORMAÇÕES QUE ESTÁ CHEGANDO AO MERCADO DE REPOSIÇÃO
AS INDÚSTRIAS JÁ ESTÃO SE PREPARANDO PARA ATENDÊ-LAS E APONTAM AS TENDÊNCIAS
Com tantas tecnologias disponíveis e outras que virão, o mercado de reposição passará por mudanças expressivas, seja com a mobilidade compartilhada, a direção autônoma, novos players e a consolidação do setor, a digitalização dos canais de vendas, o envelhecimento da frota, entre tantas outras. Como a McKinsey acompanha esse mercado de perto, nesta matéria dois porta-vozes da companhia comentam o que estamos vivendo e o que está por vir, além dos executivos das indústrias que falam sobre o que tem sido adotado na prática.
POR: KARIN FUCHS | FOTOS: DIVULGAÇÃO E JÚLIO SOARES
“Globalmente, são três grandes mudanças: a expectativa dos consumidores, mudou o jeito de consumir peças e serviços, a entrada de novos players no mercado, muitos deles digitais, e várias consolidações. O setor está amadurecendo e se consolidando. A terceira é a próxima geração de veículos (conectados, elétricos e autônomos). Tudo isso afetará a reposição. As duas primeiras já estão impactando o mercado brasileiro, a terceira vai demorar um pouco mais”, avalia Guillaume de Dampierre, gerente sênior da McKinsey de projetos da prática de Advanced Industries, especialista da indústria automobilística e do segmento de reposição automotiva.
E com a mobilidade compartilhada haverá alterações no gerenciamento e na manutenção de frotas. “Os atores do mercado de reposição vão ter que adaptar as ofertas, principalmente de serviços e atendimento. A manutenção
terá que ser feita de maneira rápida, pois eles dependem do veículo, como é o caso dos motoristas de aplicativos. Se pensarmos que são frotas pequenas, a mesma coisa se adapta para frotas grandes, as quais os serviços de manutenção estão sendo profissionalizados”.
No que tange à manutenção, no caso dos veículos elétricos por terem menos peças, isso impactará drasticamente o mercado de reposição, conforme análise de Dampierre. “A oferta de peças terá que ser diferente, além disso, elas são muito mais sofisticadas e na oficina independente, a equipe terá que ser treinada para mexer nesses veículos. Outra mudança é que com os veículos autônomos, pois haverá menos acidentes, menos trabalho de reparo para o mercado de reposição”.
Especificamente no varejo, ele informa que há uma
Guillaume de Dampierre, McKinsey Consultoria
necessidade de entender melhor o consumidor. “Pela pesquisa que fizemos do mercado de reposição há dois anos e que temos atualizado todos os anos, um público varejista que mudou o seu site e as suas redes sociais conseguiu aumentar as vendas em 30%. Isso é um ótimo primeiro passo, mas quase que já ultrapassado. Espera-se que os varejistas tenham uma comunicação online muito bem feita, com catálogo e informações sobre produtos, preços, serviços e prazos de entrega”.
Olhando adiante, Dampierre orienta que será preciso repensar o negócio. “O varejista terá que pensar em como transformá-lo um pouco em um modelo de distribuição. No Brasil está havendo uma consolidação entre distribuidores, varejistas e alguns deles estão se transformando em atacarejo. Na cadeia, fabricante, distribuidor, varejista e oficina, cada vez mais irá funcionar a parte de distribuição de varejo”. E com a utilização correta de dados, ou melhor, com um estudo analítico.
“O primeiro passo é o varejista saber como alavancar os dados que ele tem do seu cliente, o que o ajudará a fazer previsão de venda. Pelo volume de dados é preciso que ele tenha capacidade de exame analítico para ajudá-lo a melhorar a gestão de estoque, a precificação e a sua cadeia de suprimento. O segundo passo é alavancar os próprios dados que serão gerados pelos carros, que, em minha opinião, quem terá mais facilidade para fazer isso é a oficina e orientando o cliente a fazer a manutenção preventiva em vez da corretiva”.
Envelhecimento da frota
Outro ponto colocado por Dampierre é o envelhecimento da frota. “Um grande segmento para a reposição é o de veículos de 0 a 8 anos, porém, nós estamos agora ‘pagando o preço’ pelo fato de que poucos carros foram produzidos e emplacados no País entre 2015 a 2018. O que está crescendo, entre 7% a 9% em volume é com os veículos de 8 a 20 anos de uso. Isso é muito interessante para os atores do mercado de reposição que irão atuar neste segmento. Os que estão lidando mais com peças de alto giro, para carros a partir de um ano, será um
pouco mais complicado”.
Além da concorrência com as montadoras. “Elas querem captar este mercado de veículos de 3 a 8 anos de uso, estão lançando peças de segunda linha e oferecendo serviços diferenciados. Elas têm uma ampla rede no País e know how. Com peças de segunda linha, elas conseguem atender também carros de outras marcas. Isso impacta mais as oficinas independentes e as especializadas nem tanto. As independentes são impactadas pelas montadoras e pelos centros automotivos, que também estão se consolidando”.
No futuro, Roberto Fantoni, sócio sênior da McKinsey, líder da prática de Advanced Industries na região da América Latina, prevê que haverá muito mais carros elétricos e autônomos circulando. “Por carro haverá menos manutenção, por outro lado, eles terão maior uso, esta combinação mudará radicalmente o tipo de manutenção e a forma como ela é feita. Com mais dados e informações para atuar no veículo, a oficina poderia ter mais margem por unidade, no entanto, os carros visitarão menos as oficinas”.
Mudanças
Do ponto de vista dos fabricantes, muitas mudanças estão por vir. “Inclusive, a Fras-le criou uma diretoria específica para cuidar de inovação e futuro, tendências de mercado e soluções. Percebemos que com a nova tecnologia dos veículos haverá uma redução de consumo de pastilha e de lona de freio, mas o consumo não acabará”, afirma Paulo Gomes, diretor Comercial do Mercado de Reposição da Fras-le.
Em contrapartida, avalia ele, “percebemos que os veículos novos estão vindo mais rapidamente para a reposição, por causa da mobilidade compartilhada, eles estão perdendo a garantia mais rapidamente também. O que para nós é muito bom”.
Internamente, a Fras-le tem uma política a qual para cada veículo novo, em até 30 dias do seu lançamento, os produtos estarão disponíveis: pastilha de freio, cilindro de roda e disco de freio. “Isso nos força a ser ágeis no lançamento de produtos, estruturar a nossa área de marketing para estar conectada com o mercado, agir rápido e para falar sobre demanda com a fábrica internamente. Estamos na era da agilidade”.
Recentemente, a companhia adquiriu a Nakata, o que ampliará o seu portfólio. “Ainda estamos em processo de avaliação pelo Cade, o que eu posso dizer é que nós celebramos muito esta aquisição, ela vem para complementar o portfólio, isso nos ajuda muito a ganhar corpo e maturidade no mercado de reposição”.
Outra aquisição no mercado foi a da Delphi, por parte da BorgWarner. Mas também por ser recente, ela não pode ser comentada. Sobre tendências, Adson Silva, diretor da Unidade de Negócios da BorgWarner, enfatiza que sempre haverá demanda para a reposição, pois sempre terá pessoas e mercadorias para serem transportadas, portanto, é preciso
ter peças para a manutenção de veículos.
“O mercado de reposição sempre existirá, novas tecnologias irão entrar, o carro com sistema de propulsão existe há mais de 100 anos e hoje nós temos um sistema híbrido e de veículos elétricos que precisam de peças, matéria prima, plásticos e assim por diante”, valida.
Para Amaury Oliveira, diretor executivo de Aftermarket da Delphi Technologies, o mercado precisará ser mais criativo. “Nós teremos que mudar o modelo com os carros autônomos, veículos híbridos e depois com os elétricos. Acredito que a tendência é aumentar o nível de manutenção preventiva, pois o próprio veículo vai acionar os motoristas que, por uma questão de segurança, talvez antes de o problema aparecer, irão procurar uma concessionária ou uma oficina de reparação independente”.
O que ele vê com muito bons olhos. “Eu vejo tudo isso com bons olhos. Nós teremos que nos adaptar, pois talvez empresas especializadas entrem no mercado. Além disso, o índice de vendas de veículos zero para frotistas no Brasil é muito grande e tem bastante coisa para acontecer. É uma tendência e eu não vejo o mercado diminuindo, mas só aumentando”.
Alexandre Zen, CEO da ZM S.A., também defende que as empresas fornecedoras de peças precisarão reinventarse. “Seja no desenvolvimento de produtos para os novos veículos híbridos ou elétricos, além de uma possível mudança na modalidade de consumo dos produtos no mercado de reposição”.
Em sua opinião, o maior impacto será a convergência de um grande grupo de fabricantes atualmente destinados a componentes utilizados nos veículos puramente a combustão para produtos que tenham aplicação nesta nova geração de automóveis. “A competição entre algumas empresas será enorme, uma vez que o número de autopeças aplicadas em um veículo elétrico é bem menor do que em um veículo a combustão. As alternativas de produtos serão claramente menores”.
Roberto Fantoni, sócio sênior da McKinsey, líder da prática de Advanced Industries LATAM
Paulo Gomes, diretor Comercial do Mercado de Reposição da Fras-le
Na distribuição de autopeças, ele conta que alguns distribuidores puramente da linha elétrica já anteciparam a busca pela a linha mecânica, uma vez que boa parte dos produtos elétricos de um veículo será substituída ou eliminada.
Diretor Geral da Valeo Service na América do Sul, Marco de Luca, comenta que “a Valeo investe fortemente em inovação e está no centro das três revoluções que estão redefinindo a indústria automotiva: a eletrificação, veículos autônomos e mobilidade digital. Além de inovações para o carro do futuro, a Valeo inova para carros que já estão em circulação, proporcionando desenvolvimento tecnológico para os mercados de reposição e reparos”.
A conectividade, a eletrificação e a automação estarão cada vez mais presentes nos carros, conforme explica Christiane Verne, gerente da área de Trade Marketing de Reposição Automotiva da Bosch na América Latina. “Eles passarão a ter sistemas que visam melhorar a segurança e a experiência do usuário em seu dia a dia, principalmente nos grandes centros urbanos. Com isso, tanto os profissionais quanto as oficinas mecânicas deverão estar aptos para acompanharem essas mudanças e tendências tecnológicas”.
A Bosch disponibiliza para o mercado um programa completo em equipamentos de segurança especiais (EPIs),
Adson Silva, diretor da Unidade de Negócios da BorgWarner
ferramentas isoladas, equipamentos de teste e diagnóstico e treinamentos com foco na manutenção de veículos elétricos e híbridos e de sistemas de assistência ao condutor, como o ADAS, para atender concessionárias, a rede Bosch Service e oficinas independentes.
“Além dos treinamentos técnicos e equipamentos adequados, é necessário que o profissional que fará intervenções em veículos elétricos e híbridos tenha
certificações de segurança para trabalhos com alta tensão, conforme prescrição da normativa NR10”, ressalta.
Na opinião de Luís Marques, gerente sênior de Marketing e Aftermarket da Meritor, a principal mudança para o mercado de reposição é: “um trabalho mais próximo e alinhado com as fábricas, que utilizaram o mercado independente como extensão de suas próprias marcas”.
O modal de carros ainda é muito forte, mesmo com o compartilhamento, na visão de Fabio Castro, gerente de Qualidade e Produto da Wega Motors. “Hoje, muitas pessoas que usam esse novo sistema, antes utilizavam o transporte público, pensando nisso, é possível entender que as demandas de peças de reposição automotiva aumentaram. O que pode afetar muito o nosso mercado de reposição automotiva são os grandes investimentos em transportes públicos e outros modais para viagens, como trens ou redução de custo nas passagens aéreas. Se isso acontecer, o mercado pode sentir uma queda”.
Reinvenção
Gerente Sênior de Marketing e Comunicação da ZF América do Sul, Fernanda Giacon, conta que a companhia está se preparando, inclusive com o uso da tecnologia RFID em seu Centro de Distribuição. “Não se trata de uma
MERCADO DE REPOSIÇÃO EM TRANSFORMAÇÃO
dificuldade, mas sim de melhoria contínua que já estamos trabalhando. A informação rápida com seus públicos é outro importante passo e que precisamos manter nosso ritmo”.
Além de atender as necessidades para uma grande diversidade de modelos, mantendo a qualidade, tempo de entrega, entre outros. “Entender e adaptar nossos negócios aos novos hábitos como o compartilhamento de veículos ao invés da aquisição. A nova mobilidade chega com tudo, com novas tendências de consumo e, consequentemente, de venda”.
Ainda de acordo com ela, outro tema é o avanço das tecnologias de propulsão e automação veicular. “Certamente, esses veículos chegarão às oficinas para reparos e manutenção. O desafio é preparar-se para eles e por isso já estamos atuando e nos antecipando com tantos programas de qualificação por parte da ZF Aftermarket”.
Na Dayco, Marcelo Sanches, Aftermarket Director –LATAM, prevê que mudanças comportamentais e até estruturais de mobilidade deverão privilegiar empresas que seguirem na mesma tendência. “Há que se oferecer soluções na direção das “novas” demandas de um condutor cada vez mais exigente, conectado e mais bem informado. Por outro lado, entendo que esse “novo” condutor e um ambiente altamente conectado irão privilegiar ainda mais a necessidade das manutenções preventiva e preditiva; isso será benéfico ao mercado de reposição independente”.
Segundo ele, mobilidade compartilhada, veículos conectados, direção autônoma, etc. deverão alterar o espectro das curvas ABC de produto, mas não diminuirão a demanda total por peças de reposição. “Ao contrário, essa deverá aumentar. Atender esse usuário na rapidez e eficiência que ele exigirá é talvez o maior desafio que teremos pela frente em um futuro não muito distante”.
Para Ricardo Teixeira Avila, diretor Industrial da Sabó, as transformações são diversas. “Os componentes estão destinados a terem inteligência embarcada e a serem
impactados por processos que envolvem predição para otimizar períodos de troca ou frequência de eventos de manutenção. Diversos componentes, ao mesmo tempo, estão sendo descontinuados ou sofrendo reprojeto para adequarem-se ao uso de outras soluções em termos de combustíveis e demandas de lubrificação, sempre com alvo em sustentabilidade e economia circular, garantindo disposição após o uso”.
Ele complementa que as conexões diversas geram demandas de serviços e reconceituam o “prontoatendimento“ e que a eletrificação está desafiando a reparação com novas especialidades na qualificação da mão de obra, alterando o perfil da frota, enquanto geram convívio de diferentes meios de propulsão.
“Além disso, os gestores de frota estão ampliando negócios, agentes financeiros e montadoras de veículos percebendo a necessidade de alcançar o consumidor através destes gestores, ou até a necessidade de assumirem a posição de gestores de frota, agregando soluções que já fazem parte de seu portfólio aos serviços de natureza alinhada com o compartilhamento”.
E que os veículos híbridos ainda demandarão componentes similares aos atuais, pela presença do conjunto propulsor a combustão interna, enquanto os puramente elétricos transformarão as necessidades de componentes –para a frota nacional, o processo de transição ou redução expressiva dos veículos que contemplem motores de combustão interna ainda tomará elevado tempo.
“O setor de reparação seguirá sendo desafiado a adequar-se, acolher meios, competências e fontes para atendimento às novas demandas, mas perceberá movimentos tecnológicos gradativos e cadenciados, sem sustos, facilitados pelo apoio dos grandes atores da indústria da reparação”, finaliza Avila.
Internamente
Na Valeo, de Luca comenta que, como uma empresa de tecnologia, ela utiliza a inovação como instrumento
para impulsionar seus negócios. “A abordagem de inovação da Valeo começa com uma análise global minuciosa sobre as principais tendências da sociedade (demografia, envelhecimento da população, urbanização, mudanças nas necessidades de mobilidade, etc.) durante um período de 30 a 50 anos, fornecendo informações para a elaboração de um roteiro tecnológico detalhado de dez anos”.
Hoje, um a cada três automóveis em todo o mundo está equipado com um sistema elétrico da Valeo. “Em direção autônoma, por exemplo, a Valeo possui a maior variedade de sensores do mercado. Além disso, mais de 12 milhões de veículos em todo o mundo já estão equipados com sistemas automatizados de estacionamento da Valeo. Ela também desenvolve soluções digitais que melhoram a conveniência dos usuários de veículos, como a Valeo InBlue®, uma chave inteligente virtual compartilhável, com segurança para bloquear, desbloquear e iniciar um veículo a partir de um smartphone”.
Ele frisa que a inovação é um dos pilares da estratégia da Valeo. “A marca atingiu 2,07 bilhões de euros em Pesquisa & Desenvolvimento nos últimos anos. Equipes nos 21 centros de pesquisa da Valeo e nos três centros de desenvolvimento em todo o mundo aproveitam e enriquecem continuamente as habilidades mais avançadas em áreas como inteligência artificial, deep learning e big data, trabalhando com um espírito de inicialização ágil e flexível para projetar e desenvolver novas soluções tecnológicas inovadoras”.
A Fras-le está se adequando aos padrões globais de produção. “Investimos fortemente em robotização, em células automatizadas e na modernização da fábrica com muitos robôs. Operações extremamente manuais são hoje robotizadas 100% dos nossos novos produtos são testados por robôs, o que nos dá uma garantia muito grande. A Frasle investiu pesado nos últimos anos e vem investindo na modernização da fábrica e na automação dos processos industriais para justamente garantir a qualidade do produto, haja vista que são itens de segurança”, afirma Gomes.
Na Bosch são várias iniciativas em diferentes áreas e os investimentos em transformação digital são contínuos. “Fundamentais para a competitividade dos negócios, estando diretamente ligados ao objetivo estratégico da empresa, que é estar entre os líderes globais em Internet das Coisas (IoT). Também é fundamental para o sucesso da transformação digital pesquisas e desenvolvimentos em Inteligência Artificial (IA), pois só assim é possível aproveitar todo o potencial que essas tecnologias e inovações podem oferecer, já que é por meio da IA que as coisas conectadas se tornam inteligentes”, diz Christiane Verne.
Na divisão de Reposição Automotiva, este processo começou efetivamente em 2017 com o objetivo de identificar as demandas do mercado e propor soluções baseadas nas novas tecnologias e soluções digitais. “Para isso, foram utilizadas metodologias centradas no ser humano, como design thinking e user experience, alinhadas com a estratégia da Bosch de curto e longo
Amaury Oliveira, diretor executivo de Aftermarket da Delphi Technologies
Alexandre Zen, CEO da ZM S.A.
prazos e considerando variáveis do mercado de viabilidade. O resultado foi a estruturação de seis iniciativas, parte delas ainda em desenvolvimento, direcionadas para atender as reais necessidades do setor”.
E, ainda, “a Bosch, uma líder mundial em sistemas e tecnologias, tem cada vez mais direcionado seus esforços para tornar os seus processos produtivos mais enxutos, flexíveis, transparentes e inteligentes, aspectos esses que contemplam os conceitos de lean manufacturing e, mais recentemente, de Indústria 4.0, que agrega entre seus benefícios a identificação de gaps para tornar os processos mais ágeis e robustos, além de reconhecer perdas, reduzir custos, aumentar a produtividade em busca de mais competitividade e também a possibilidade de oferecer produtos customizados, adaptados às necessidades específicas de cada cliente”.
Mais inovação
Na Wega Motors, Castro informa que “como tudo tem que estar integrado, nossa preocupação inicia com a necessidade do mercado, ou seja, atendimento 100% para os nossos clientes. Para isso acontecer, precisamos estar sincronizados com novos desenvolvimentos, produção, qualidade e eficiência na entrega. Na linha de filtro para câmbio automático, investimento no laboratório para
controle de matéria prima, investimento em novos processos de fabricação e em tecnologia são os destaques, assim a agilidade para novos desenvolvimentos é inúmera”.
“A ZF investe anualmente cerca de 6% de seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento. A inovação está em todas as etapas do trabalho da ZF, desde o desenvolvimento de produtos ao mercado até o aftermarket.
Com a digitalização, diversificação e eletrificação, mudanças ocorrerão rapidamente e já estamos trabalhando fortemente para dar respostas rápidas ao mercado de reposição e nos anteciparmos”, antecipa Fernanda Giacon.
Ela menciona que um bom exemplo de como estão explorando a digitalização para prestarem melhores serviços e suporte aos seus clientes são os programas de treinamento e comunicação Amigo Bom de Peça e Amigo Bom de Venda, para reparadores e vendedores de autopeças, respectivamente, ambos totalmente online. “E em janeiro lançamos o ZF na Linha em parceria com o aplicativo Truck Pad. O programa disponibiliza um atendimento por chat direto para caminhoneiros e funciona onde quer que eles estejam”.
Internamente já são vários processos digitais. “Veículos híbridos, elétricos e autônomos entrarão no mercado, inclusive para atender futuras legislações, e a ZF está presente em todas elas. Fechamos um dos maiores contratos de transmissões híbridas com a FCA e BMW, em que trabalharemos para convergir todos esses componentes para a reposição. Algumas mudanças relacionadas a esse nicho de mercado já são uma realidade no Brasil e por esse motivo lançamos recentemente uma nova linha de pastilhas exclusivas para carros elétricos. Trata-se das pastilhas TRW Eletric Blue”.
Marco de Luca, diretor Geral da Valeo Service na América do Sul
Christiane Verne, gerente da área de Trade Marketing de Reposição Automotiva da Bosch na
Na fábrica, recentemente foi lançado o treinamento de Realidade Virtual na área da montagem. “O projeto foi desenvolvido em parceria com a FACENS – Faculdade de Engenharia de Sorocaba. O treinamento em ambiente digital representa risco zero durante o processo para o colaborador e assim conseguimos reagir às necessidades de cada profissional, pois mesmo que o processo de montagem seja padronizado, a aprendizagem passou a ser individual. Com isso estamos garantindo que os novos operadores iniciem suas atividades na linha de montagem conhecendo previamente o processo, equipamentos e ferramentas que irão trabalhar”.
Na BorgWarner, Silva diz que ela acompanha principalmente as demandas de seus clientes. “Obviamente, há investimentos em caráter de inovação de produtos e nos processos internos, utilizando principalmente a digitalização, a certificação dos processos, automatização, automação, tanto de processos industriais como administrativos”. Na Delphi Technologies, Oliveira conta que é preciso se manter competitivo tendo as melhores práticas de mercado. “A Delphi está inserida nisso, renovando todo o seu parque fabril, uma grande parcela está automatizada com todos os controles monitorados remotamente”.
Na Meritor, Marques pontua que eles já estão se preparando para a transformação digital. “Exemplos nessa área são: o catálogo totalmente eletrônico (não existe mais papel), introdução do WhatsApp para solução de dúvidas técnicas, EAD – ensino a distância – treinamento técnico comercial baseado na internet, divulgação da marca, produtos e serviços nas páginas sociais (Youtube e Facebook) com criação de material e vídeos in house”.
Com a montagem do novo parque fabril e a política de verticalização, a ZM S.A. tem investido, desde o início de 2018, em máquinas novas para a linha de produção. “Teremos tecnologia de ponta e colaboradores treinados no exterior para operarem essas máquinas. Nossa preparação é constante e evolutiva, sempre visando produzir os melhores produtos para oferecer ao mercado em termos não apenas de qualidade, mas de inovação também”, conta Alexandre Zen.
Algumas das novas máquinas vieram da Itália. “Em todo esse processo de automação estão sendo gastos em torno de R$ 17 milhões e as nossas máquinas antigas também farão parte da nossa nova linha de produção e nosso departamento de TI já está fazendo ajustes e programações para que tanto as mais antigas como as novas participem em conjunto do processo produtivo nos moldes da indústria 4.0”.
A Dayco está se preparando para a transformação digital implementando sistemas de inteligência de mercado com depuração analítica de dados e informações por regiões e suas diferentes frotas, parcerias com empresas focadas em segmentos específicos que pretendem abordar, fomento à divulgação técnica em mídias sociais e estudos para implementação de e-commerce em nichos de mercado.
“Estas são algumas das iniciativas que a Dayco vem tomando e que se somam às plataformas já existentes de captação eletrônica de pedidos e demais solicitações de nossos clientes e usuários finais. Muito há ainda por se fazer nesse aspecto, mas o fundamental é que a Dayco tem plena consciência da irreversibilidade da
Fabio Castro, gerente de Qualidade e Produto da Wega
necessidade cada vez mais digital de transformarmos nossos modelos de negócios. Continuaremos investindo e nos aperfeiçoando massivamente nesse caminho sem retorno”, antecipa Sanches.
No âmbito produtivo, eles estão constantemente racionalizando processos e, principalmente, se concentrando cada vez mais nas operações que são o seu core business. “Ou seja, na fabricação de componentes de transmissão deixando para empresas especializadas operações de tratamentos superficiais, usinagem e algumas estamparias. Com isso e com a crescente automação de nossos processos-chaves, esperamos aumentar cada vez mais nossa produtividade e melhorar ainda mais nossa competitividade no mercado de reposição, com a mesma ou melhor qualidade de nossos produtos”.
Desde o final da década de 1990, a Sabó trabalha firme em sua visão de futuro digital. “Em 2012, aceleramos projetos de integração de sistemas e colocamos alvo na agilidade em toda a cadeia de suprimentos, manufatura e distribuição, vindo a alcançar um plano consistente de imersão na Indústria 4.0, em 2014, com uma equipe multidisciplinar, metas claras, gestão regular com entregas frequentes de provas de conceito e novas instalações. Já temos feito monitoramento das operações em tempo real,
PLATAFORMA IMPRESSA
Desde 2006, o melhor jornal e referência nacional em informação sobre peças e serviços automotivos. A publicação traz mensalmente conteúdo editorial consistente, indicadores, tendências, informações relevantes e novas oportunidades de negócios.
PÚBLICO-ALVO: Varejo de autopeças, distribuidores, atacadistas, fabricantes, centros automotivos e profissionais do segmento.
América Latina
Motors
MERCADO DE REPOSIÇÃO EM TRANSFORMAÇÃO
aceleração dos tempos de desenvolvimento, e é incrível a evolução na experiência de uso dos aplicadores sobre nossos produtos e a de nossos funcionários a respeito dos processos”, diz Avila.
No processo fabril, a Sabó tem robôs colaborativos que trabalham integrados e flexíveis ao lado de seus funcionários. A manufatura aditiva, por impressão 3D, também está facilitando diversos processos de prototipagem, dispositivos fabris e rápida manutenção de componentes de máquinas.
“Além disso, o sistema integrado de medição da eficiência em tempo real, do atendimento às demandas de cada frete e compromisso, em tempo real, e o suporte à operação com mobilidade do pessoal de manutenção, que aplica smartphones para rápida resposta aos eventos, são destaques mais visíveis. Ainda temos práticas de projeto de linhas produtivas com realidade virtual e apoio aos operadores no trabalho padronizado, com a realidade aumentada”.
Relacionamento com os clientes
No relacionamento com os clientes, as indústrias também têm inovado. Na Bosch, a primeira iniciativa
lançada para a cadeia de reposição automotiva é o eXtra. “Um programa de fidelidade exclusivo e pioneiro no País entre os fabricantes de autopeças com foco em donos de oficinas mecânicas. Trata-se de um sistema de pontuação simples e transparente desenvolvido pela Bosch para as oficinas que atuam no mercado de veículos leves e pesados. Acumulando pontos, os usuários registrados podem trocar por vários prêmios dentro da plataforma do eXtra”, conta Christiane Verne.
“Estamos sempre abertos para ouvir os nossos clientes. Acreditamos que todo relacionamento seja uma via de mão dupla. Hoje, entre áreas mecânica e elétrica, temos mais de 3.000 distribuidores dos nossos produtos espalhados pelo Brasil. Precisamos manter um canal de comunicação ativo, seja pelas redes sociais ou atendimento direto para que se mantenham sempre atualizados sobre os nossos lançamentos, produtos, aplicações ou até mesmo a respeito das novidades da empresa. Quanto mais direto o relacionamento, melhor a condução da informação”, diz Alexandre Zen, da ZM S.A.
Na ZF, além de programas de qualificação como o Amigo Bom de Peça, que completará três anos neste ano, e o Amigo Bom de Venda, foi criado um canal de comunicação com caminhoneiros, após a parceria com o TruckPad, aplicativo que conecta caminhoneiros a ofertas de frete.
“A plataforma oferece informações sobre produtos e serviços da marca, como manutenções corretivas e preventivas, além de ajudar a empresa a promover ações de relacionamento, promoções dedicadas aos usuários e lançamentos de peças e serviços a partir das informações obtidas pelo próprio aplicativo. Atualmente a plataforma TruckPad conta com 1 milhão de downloads e cerca de 390 mil caminhoneiros cadastrados”, especifica Fernanda Giacon.
Sanches informa que a DAYCO/NYTRON vem investindo fortemente no atendimento pessoal e personalizado de seus clientes diretos e indiretos nos últimos anos, com a sua equipe própria de vendas no campo em todo o território nacional e com treinamentos técnicos aos reparadores
Fernanda Giacon, gerente Sênior de Marketing e Comunicação da ZF América do Sul
através do time de assistência técnica.
“Esse projeto vai ganhar mais força ainda este ano com o crescimento da equipe de campo e o aumento das palestras técnicas, tendo o objetivo de ultrapassarmos 8.000 reparadores treinados com certificação. Vale ressaltar que também dispomos de ferramentas digitais para otimizar e agilizar o trabalho diário, como o nosso portal do cliente e-business, o serviço de atendimento técnico via WhatsApp, a administração dos atendimentos pelo Sales Force e sistemas de business intelligence. Estamos sempre em busca de ferramentas para aprimorar ainda mais todo o relacionamento com o cliente”.
Na Delphi Technologies mais novidades estão por vir. “Nós já temos uma publicação eletrônica para os nossos clientes. E uma coisa simples que também usamos há um bom tempo, mas que nem todas empresas utilizam, é o EDI, Eletronic Data Interchange ou Intercâmbio Eletrônico de Dados. Há três anos trabalhamos com o market place, o portal da Delphi está sendo remodelado e a comunicação está sendo uma questão-chave nos últimos anos. Nós temos um projeto que está no forno para nos comunicarmos ainda mais com os nossos clientes em toda
PLATAFORMA
DIGITAL
• Site com 2 mil visitas/mês com tempo médio de permanência de 17 min
15mil seguidores
• Disparo da sua ação para 50 mil e-mails cadastrados
Luís Marques, gerente sênior de Marketing e Aftermarket da Meritor
Marcelo Sanches, Aftermarket Director – LATAM Dayco
a cadeia”, antecipa Oliveira.
“Nós estamos em um processo de digitalização da nossa comunicação com o cliente, hoje com três cliques ele coloca um pedido na Fras-le. É muito prático e ágil, todos têm acesso ao nosso portal, via usuário e senha. Também estamos em processo com o catálogo eletrônico para manter atualizado o nosso portfólio, além do e-commerce de compras que é todo digital. Nós estamos facilitando a vida do cliente”, afirma Gomes, da Fras-le.
Na Meritor, Marques diz que a inovação no relacionamento com o cliente tem sido com a criação de uma base de relacionamento através da introdução de programa virtual de fidelidade. “Utilizando a Dotz como parceiro, o programa Frota Parceira está engajando e trazendo treinamento aos usuários finais”.
“Os clientes do mercado de reposição têm acesso aos nossos catálogos online que a internet disponibiliza. Os nossos representantes e distribuidores podem acessar o nosso portal, tanto para tirar dúvidas que possam ter, como para gerar ordens de compras, pedidos e assim por
diante. Este é um exemplo do que implementamos para o relacionamento com o cliente”, pontua Silva, da BorgWarner.
Na Wega Motors, no relacionamento com os seus distribuidores e aplicadores, é utilizado o BI & BA, respostas mais rápidas e informações mais completas para eles, distribuidores. “Além disso, a Wega Motors está presente no offline em mídias impressas do setor automotivo e no online com site, blog, redes sociais, catálogo eletrônico e o aplicativo para iOS e Android. Acompanhando a demanda e a evolução do mercado”, acrescenta Castro.
Segundo ele, os consumidores pesquisam e compram em todos os ambientes. “O avanço da tecnologia fez com que eles estivessem ativos no mundo mobile, hoje, já existe muitas empresas usando o marketing Omnichannel, estratégia que está sendo utilizada pela Wega. Os clientes que usam mais de um canal são mais fiéis e têm mais engajamento com a marca, e hoje as marcas procuram esse tipo de consumidor”.
Ele complementa, comentando que muitos varejistas hoje já fazem o marketing multichannel. “Ou seja, operando em diversos canais, como: loja física, online, mobile e redes sociais de uma maneira diferente, uma vez que cada um desses canais de vendas tem sua meta e estratégia individual. Com isso, a falta de integração de uma abordagem multichannel cria para o consumidor uma experiência confusa não fidelizando a marca”.
Na Valeo, de Luca, diz que são várias as iniciativas. “A Valeo Service já possui uma série de inovações alinhadas à transformação digital para o mercado de reposição. Seu site, desenvolvido para otimizar o atendimento a parceiros e clientes, oferece conteúdos de qualidade em uma plataforma intuitiva, segmentada para cada tipo de internauta: reparador, distribuidor, motorista e outros. Outra ferramenta do site da Valeo Service é o canal online do serviço de assistência técnica da marca, chamado Tech’Care”.
A exemplo do que já acontece na Europa, a Valeo Brasil também tem o seu Clube do Especialista (Specialist Club),
Varejo
um programa de fidelidade voltado a compensar clientes fiéis aos produtos da marca. E, ainda, a ferramenta de Análise Remota Valeo. “Ela oferece um serviço inteligente ao mercado com base na realidade aumentada. Este serviço, baseado na verdadeira realidade aumentada, responde a uma lacuna antes existente no setor e garante performances de respostas ainda mais satisfatórias aos clientes”.
Para finalizar, Avila conta que no ano passado o site da Sabó foi renovado e também foi lançado o catálogo eletrônico de produtos, inclusive em plataforma Android, o que tem gerado impacto importante no relacionamento. “Estamos colhendo frutos de aprimorar as entregas e acelerar disponibilidade dos produtos, através de nossos esforços e de parceiros nos trabalhos de embalagem, armazenagem, separação, conferência, além da nossa própria produção. Cada vez mais, estamos nos preparando para reduzir o tempo de entrega e atender lotes mais personalizados, customizados, alcançando nichos e demandas especiais, além dos itens mais demandados na frota nacional”.
CALENDÁRIO DAS BLITZES 2020
Ricardo Teixeira Avila, diretor Industrial da Sabó
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Blitz e eventos com Varejos e as principais Feiras Automotivas
REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA A RETOMADA PARA O CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL
| POR: SÉRGIO DUQUE*
* Economista, pós-graduado em Marketing e professor universitário. É proprietário da Audatec e atua há mais de 30 anos no mercado de reposição de autopeças
... estima-se que o PIB na RMC em 2019 deve ter ficado próximo de R$ 200 bilhões, sinalizando um ciclo de crescimento importante e responsável por 40% de toda a produção do estado do Paraná, liderada pelos municípios de Curitiba e São José dos Pinhais, entre os 29 que compõem a região
ARegião Metropolitana de Curitiba, criada em 1973, conta com uma população de aproximadamente 3,7 milhões de habitantes (projeção para 2020) e área de 16.581 km².
Segundo o IBGE, a taxa anual de crescimento dessa região é de 3,02 %, superior, portanto, à média nacional, que é de 1,53% ao ano, verificada nos demais centros urbanos do País.
É a 4ª maior aglomeração urbana do País em PMB (Produto Metropolitano Bruto), mas apenas a 9ª maior em população, ficando atrás da RM de São Paulo (21.734.682 habitantes), da RM do Rio de Janeiro (12.763.459), da RM de Belo Horizonte (5.961.895), da RM do Distrito Federal e Entorno (4.627.771), da RM de Porto Alegre (4.340.733), da RM de Fortaleza (4.106.245), da RM
de Recife (4.079.575) e da RM de Salvador (3.929.209).
Dados preliminares do Ipardes – Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social, apontam que o estado do Paraná, como um todo, teve crescimento do PIB em 2019 na ordem de 0,7% em relação à queda de 0,4% observada em 2018, sendo que a RMC acompanhou essa variação positiva, beneficiada pelos resultados, sobretudo do segmento terciário, com forte participação setorial na região.
Logo, estima-se que o PIB na RMC em 2019 deve ter ficado próximo de R$ 200 bilhões, sinalizando um ciclo de crescimento importante e responsável por 40% de toda a produção do estado do Paraná, liderada pelos municípios de Curitiba e São José dos Pinhais, entre os 29 que compõem a região.
A economia da RMC é bastante diversificada, com importante polo industrial composto por fábricas de alta tecnologia, exportadora de produtos de ponta, refinarias e montadoras automobilísticas. Em paralelo, outros municípios da RMC ainda comportam base das suas atividades no setor primário e turismo rural.
A malha rodoviária paranaense é composta por estradas federais e estaduais, com trechos concedidos à inciativa privada e municípios. A rede pavimentada no estado, de 21.357 km, é predominantemente composta por vias simples e 82,3% delas não são pavimentadas, embora essa proporção não esteja representada exatamente na RMC, onde as estradas estaduais pavimentadas e com excelente e/ou boa qualidade administradas pelo DER predominam com extensão bem superior em relação às demais regiões do estado.
Segundo ainda divulgado pela Secretaria do Estado
da Fazenda do governo do Paraná em seu Boletim Econômico de Dezembro 2019, os negócios com autopeças no estado tiveram um incremento no varejo de 9% no ano em relação a 2018.
Outro índice que ajuda a explicar esse crescimento foi a percepção de confiança dos consumidores brasileiros sobre a economia que encerrou 2019 em 47,0 pontos, alta de 1,2 ponto em comparação ao mesmo período de 2018, segundo o Indicador de Confiança do Consumidor, realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Em relação ao futuro da economia, a percepção dos consumidores apresentou equilíbrio, com o mesmo porcentual apresentado entre otimistas e pessimistas: 26%. Outros 44% disseram ser neutros. Entre os otimistas, 38% têm expectativa de que haverá mais estabilidade política no Brasil, enquanto 28% concordam com as medidas econômicas do governo.
Para 2020, estudos da Audatec Marketing estimam que o estado do Paraná deverá ser responsável pela demanda de 8% do total de peças e serviços no País, dentro do montante de R$ 67,5 bilhões (R$ 47,4 bilhões em parte mecânica e R$ 16,3 bilhões em gastos com reparação de colisão). Na Região Metropolitana de Curitiba, compreendendo então os 29 municípios, a demanda será de 40% do equivalente destinado ao estado, ou seja, perto de R$ 2,1 bilhões no ano que se inicia.
Esta verba será gasta em mais de 900 lojas de varejo automotivo, 650 centros automotivos, 120 retíficas de motores, 205 auto elétricos e mais de 3.600 oficinas de reparação em serviços mecânicos e funilaria, além de outros pontos de consumo e demanda do segmento automotivo.
TABELA DA DEMANDA DO ESTADO DO PARANÁ
MERCADO
NÚMEROS DO SETOR
ANFAVEA, FENABRAVE E ABEIFA APRESENTAM SEUS RESULTADOS DE JANEIRO
POR: OTÁVIO ROCHA | FOTO(S): DIVULGAÇÃO
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) publicou os resultados de janeiro de 2020. Segundo a entidade, o número de autoveículos produzidos chegou a 191,4 mil; 3,9% a menos que janeiro do ano anterior. Comparado a dezembro, houve um acréscimo de 12,2%; o que já era esperado, devido às férias coletivas das principais montadoras. O número de licenciados bateu na casa dos 193,5 mil; contração de 3,2% em relação a igual mês de 2019 e de 26,3% na comparação com dezembro. O ponto positivo ficou, mais uma vez, com o segmento de Caminhões: produção de 7,2 mil unidades; crescimento de 5,3% em relação a janeiro do ano passado e de 20,0% sobre o último mês.
A Fenabrave divulgou o desempenho de janeiro. Depois de alcançar o melhor resultado em 5 anos, com o crescimento de 8,7% no acumulado de 2019, o setor de veículos inicia o ano com ligeira queda. Ao todo, foram emplacados 193.464 automóveis; 3,16% abaixo das 199.775 unidades registradas ante igual mês do ano passado. Sobre dezembro, o decréscimo foi de 26,32%, onde foram identificados 262.557 itens. Já o número de emplacamentos de caminhões chegou a 7.186 unidades, 3,66% a mais que as 6.392 mil itens documentados em janeiro do ano passado. Com relação ao último mês, houve uma baixa de 13,71%, quando o número de emplacamentos foi de 8.328 unidades.
As quinze marcas filiadas à Abeifa - Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores, com licenciamentos de 2.408 unidades, anotaram, em janeiro, queda de 2,7% ante igual período de 2019, quando foram vendidos 2.475 itens importados, o que pode se considerar quase estável, perante dezembro de 2019, quando foram comercializadas 3.379 unidades, porém, a caída foi de 28,7%, o que significou queda de 29,6% ante dezembro de 2019. Apesar do mês não favorável, José Luiz Gandini, presidente da Abeifa, se vê otimista com a economia brasileira, que dá sinais de recuperação gradual, o que, segundo ele, pode ser um ‘’alento’’ ao setor automobilístico.
MERITOR ANUNCIA CONSTRUÇÃO DE NOVA FÁBRICA NO BRASIL
Planta Industrial de R$ 200 milhões, em Roseira (SP), será a 3ª da empresa na América do Sul
TEXTO: REDAÇÃO | FOTOS: DIVULGAÇÃO
Meritor anunciou recentemente em coletiva de imprensa o investimento de R$ 200 milhões na construção de uma nova fábrica de 160.000 m² no Brasil. Desta feita, na cidade de Roseira, interior do estado de São Paulo. A unidade deve iniciar produção em 2021 com modernas instalações que irão impulsionar o desenvolvimento do mercado doméstico de veículos comerciais que está em crescimento.
"Estamos expandindo nossas linhas de produção, pois esperamos que o mercado brasileiro continue em recuperação progressiva. O objetivo é atender à nossa meta estratégica global de crescer como líder de segmento, oferecendo o melhor serviço", afirma Adalberto Momi, diretor geral da Meritor no País. "Essa nova fábrica ajudará a empresa a superar as expectativas dos clientes, acompanhando o crescimento previsto do setor".
Adalberto Momi, diretor geral da Meritor
Segundo a companhia, a escolha da cidade desta terceira fábrica, que vai aumentar a capacidade produtiva da empresa, ocorreu devido à sua localização no Vale do Paraíba. A região é considerada estratégica, pois liga os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O Vale do Paraíba também possui uma boa rede viária, proximidade aos portos, além da infraestrutura necessária, mão de obra qualificada e energia elétrica de qualidade.
Esse anúncio acontece justamente no ano em que a Meritor de Osasco completa 64 anos, considerada pioneira na fabricação de componentes e eixos para o mercado de veículos comerciais. Porém, sua localização atual no centro da cidade e as restrições de
tráfego e logística não suportam mais expansões, impulsionando assim a decisão de investir em uma nova fábrica.
A unidade fabril de Roseira representará um dos maiores investimentos da companhia em uma instalação global nas últimas duas décadas. Fruto do compromisso da empresa em atender ao crescimento da indústria de veículos comerciais do País. "Estamos muito confiantes e empolgados com esta nova fase que começamos em 2020", comenta o diretor geral da Meritor no Brasil.
Nova fábrica
As obras da nova fábrica estão previstas para começar em março deste ano e terminar em aproximadamente 13 meses, com inauguração em abril de 2021. O prédio industrial de 30.000 m² incluirá linhas de produção modernas baseadas nos sistemas da Indústria 4.0 – com foco nos princípios de segurança e sustentabilidade – que estão sendo implementados mundialmente.
Economia da região
Além de colaborar para o crescimento do mercado de veículos comerciais no Brasil, a nova fábrica impactará a economia da região de Roseira, fomentando a geração de empregos diretos e indiretos. "Esta é uma oportunidade para a Meritor promover o crescimento e o desenvolvimento econômico da cidade por meio de empregos para a comunidade local", finaliza Adalberto Momi.
50 ANOS DE SERVIÇOS PRESTADOS
Elemar Jorge Drisner é gerente de compras e está há mais de meio século
no Grupo Shark
51 anos de serviços prestados a uma mesma empresa nos dias de hoje é sem dúvida motivo para comemorar. Aos 64 anos de idade, Elemar Jorge Drisner, gerente de compras da Shark Tratores, conta que “comecei a trabalhar na Shark em 1970, em Palotina (PR) como Office-boy, depois no balcão, controle de garantia, separação e chefia de peças, mais tarde, na área de compras de peças, onde fiquei até 1988. Com a divisão da empresa, viemos para a São Paulo (SP). Iniciei como gerente de vendas com a incumbência de montar toda a equipe”.
Lembrando um pouco mais de sua história nesse segmento, Jorge fala a respeito dos principais desafios e oportunidades que encontrou. “Foi uma sequência interminável de desafios, lidar com um cenário competitivo,
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Desenvolvemos o PROJETO FROTAS, que atende às necessidades de abastecimento de produtos originais para o mercado de reposição, promovendo aos seus consumidores especialização técnica, serviços e informações personalizados de acordo com o perfil e necessidade da Frota.
• Fortalecimento da marca e da rede de distribuição
• Geração de demanda de abastecimento
• Homologação de peças junto às empresas de Frotas
• Aumento do market share do Fabricante
• Mapeamento e cobertura de novos mercados
• Relatórios detalhados da capacidade de utilização de produtos junto às Frotas
onde precisamos estruturar, desenvolver e controlar de forma eficaz e eficiente a gestão de vendas para alavancarmos os resultados e isso tem que ser contínuo”.
E com 50 anos numa mesma corporação, o gerente de Compras diz quais foram os fatos ou histórias mais marcantes que se recorda de ter passado. “Teve de tudo, no começo com o Kardex, Telex, Fax e agora computador, internet, desde o começo comprando empresas, montando filiais na área de peças; em 1992, passei para a área de Compras do grupo agrícola onde estou até hoje”.
Reconhecimento no trabalho
Aliás, por falar nessa data tão importante, que certamente merece todas as comemorações, Jorge fala do sentimento de ser homenageado pela Shark Tratores. “Tenho muito orgulho em trabalhar nesta empresa maravilhosa, sempre sendo tratado com muito respeito, onde aprendi tudo que sei. Aqui não é só o meu trabalho, é minha escola, minha família e minha segunda casa”.
Além do mercado de distribuição de autopeças, onde já está há mais de meio século, o experiente gerente de compras da Shark Tratores, assim como qualquer outra pessoa, tem outras paixões na vida. “No meu tempo livre, como gaúcho que sou, gosto muito de um saboroso churrasco, gosto também de jogar futebol e andar de moto”, conta.
Com o pensamento no futuro, aos 64 anos ele diz que pretende continuar nessa profissão. “Não me vejo fazendo outra coisa, amo o que faço, isso é minha vida, trabalhando com honestidade e dedicação e sempre aprendendo”. Por fim, “quero agradecer a toda a diretoria do Grupo Shark, aos fornecedores e a toda a minha equipe, e espero continuar por muito tempo nesta empresa”, complementa.
Equipe de Compras da Shark Tratores, Shark Distribuidora e Disma
CAMINHÕES VENCEDORES DE RALLY ATESTAM VANTAGENS DAS ALLISON AUTOMÁTICAS NAS CONDIÇÕES MAIS DIFÍCEIS
As vantagens das transmissões Allison totalmente automáticas sobre as manuais e manuais automatizadas foram comprovadas em janeiro em duas das mais difíceis competições automobilísticas do mundo. Os veículos equipados com transmissões Allison conquistaram a maioria das dez primeiras posições na categoria de caminhões nos 12 dias de competição do Rally Dakar de 2020. Dois dias após, um Scania equipado com uma Allison venceu na categoria de caminhões na prova ecológica Africa Eco Race, de 15 dias.
FILTRO DE PARTÍCULAS NO COMBATE À POLUIÇÃO
Segundo a Umicore, a Organização das Nações Unidas (ONU) elencou a poluição do ar como assunto prioritário na agenda mundial, relacionado aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), com metas estabelecidas pelos países até 2030. E o filtro de partículas, componente presente no escapamento apenas de veículos movidos a diesel no Brasil, é o responsável por eliminar completamente a fumaça preta proveniente da fuligem formada pelo material particulado (MP).
A CUMMINS É O MELHOR LOCAL PARA TRABALHAR PARA FUNCIONÁRIOS LGBTQ
A Cummins celebra o recebimento de uma pontuação perfeita, de 100%, no Índice de Igualdade Corporativa há quinze anos consecutivos (desde 2005). A Human Rights Campaign é a maior organização de direitos civis dos EUA para funcionários LGBTQ. Com isso, a Cummins se une às mais de 680 grandes empresas americanas que também receberam as melhores notas nesta edição. A pontuação máxima obtida pela Cummins qualificou a companhia para a nova designação da campanha como ‘Melhor lugar para trabalhar pela igualdade LGBTQ’.
WABCO CELEBRA 5 MILHÕES DE AMTS VENDIDAS NO MUNDO
A WABCO, fornecedora global e uma das líderes em sistemas de controle de frenagem e em tecnologias avançadas que melhoram a segurança, a eficiência e a conectividade de veículos comerciais, comemora a comercialização de 5 milhões de unidades de controle de transmissão automatizada (Automated Manual Transmission – AMT) e aproveita para contar como esta tecnologia facilita o trabalho do motorista, oferecendo mais assistência e muito mais conforto. Com isso, a WABCO se consolida cada vez mais no mercado global em AMT.
RANDON APRESENTA ESTAMPARIA 4.0 E AUMENTA CAPACIDADE PRODUTIVA PARA 130 IMPLEMENTOS/DIA
A Randon Implementos aumentou recentemente a capacidade e produtividade da planta instalada no bairro Interlagos, em Caxias do Sul (RS). E fez isso sem aumento da área construída no complexo industrial. Com otimização de recursos de alta tecnologia e conceito de indústria 4.0, ocupando o mesmo espaço físico, a empresa agora está habilitada a fabricar até 130 implementos por dia, considerando a sinergia e as melhorias também realizadas nas demais unidades industriais do País.
7 TENDÊNCIAS DE MARKETING DIGITAL E REDES SOCIAIS PARA O MERCADO AUTOMOTIVO
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| POR:MARCOS GRANADO | FOTOS: DIVULGAÇÃO
Olá, pessoal! Neste meu primeiro artigo trago o comportamento do mercado digital, ferramentas que estarão em alta, canais que poderão ser explorados pelo segmento automotivo e técnicas que precisam da atenção das marcas, sejam fabricantes, distribuidores ou varejistas! Um dos destaques, a meu ver, que já deixo são os formatos em áudio, conhecidos como Podcast.
Com certeza, se você nunca ouviu falar, precisa! E se não tem, fará o download desse app este ano! Ele funciona como um aplicativo de mensagem instantânea, muito similar ao WhatsApp, uma de suas principais vantagens é a possibilidade de criar listas de transmissão (o que conhecemos como grupos no WhatsApp) com listas ilimitadas, ou seja, em um mesmo canal (grupo) posso ter 50 mil números, enviar enquetes, fixar mensagens no topo, enviar todos os formatos e muito mais... Já imaginou ter um canal (grupo) com 20 mil mecânicos para enviar seus lançamentos, campanhas, etc? Ah, e se você está se perguntando: “nunca vai passar o WhatsApp?”. Eles pularam de 11% do share para 20% em apenas 1 ano no Brasil.
As mudanças do Instagram:
Em 2019, o “Insta” fez uma série de mudanças estratégicas na plataforma, desde o “fim dos likes”, até mesmo em seu algoritmo, porém o fato é que esta plataforma é a rede social que mais engaja e retém audiência em nosso País. Então, se eu fosse você, daria maior atenção para ela, e não ficaria aí pensado: “é só mais uma rede”. Encare em construir sua própria audiência em uma das mídias mais poderosas de venda e marketing atual. Sugiro que ao fazer seu Budget, coloque verba nela, e se fez o plano de 2020, pense em uma forma de realocar! Hoje é permitido você criar seu catálogo de produtos dentro do Instagram, já imaginou colocar alguns ou até mesmo todos e direcionar o usuário para um de seus parceiros: representantes, distribuidores e varejos?
Quem lembra dos Blogs? Destaque dos Blogs com áudios! Lembro-me de uma das primeiras páginas que criei: meu blog de viagem! Como era adolescente e não tinha dinheiro, o blog era focado em dicas de lugares para se visitar. Simples, mas me ocupava, e ao mesmo tempo conhecia o mundo pela tela do meu computador, tempos divertidos, rsrs! Mas vamos ao que interessa... eles voltaram, e voltaram com uma opção bem interessante, em formatos de áudio. Como assim? Você escreve seus textos normalmente e agora o usuário tem a opção de ouvir como áudio. Essa estratégia tem trazido mais retenção de leitura. Aliás, aproveite essa estratégia e insira essa opção também em seu site, por que não?
Não se esqueça nunca! Todos são seus concorrentes:
Não entendeu? Vou te explicar: com o surgimento de novas mídias, a forma como nos comunicamos também muda. Hoje, sua verba, seu budget, tem que ir para onde está a atenção das pessoas! A guerra não é só entre produtos, preços, serviços, etc. Claro, sabemos como para o mercado automotivo é importante o impresso, não é à toa que estou escrevendo este artigo para vocês, para impactá-los, seja onde for. O que estou querendo dizer é que não basta estar presente em um, mas sim em mais canais, e um deles é a mídia digital. Você, empresa, comece a se ver como mídia também, crie seu público!
Você sabia? Olha que bacana as novidades no WhatsApp: Como disse no parágrafo do Instagram, agora também pelo WhatsApp você pode criar o seu próprio Catálogo de produtos diretamente no aplicativo! Já imaginou ter uma lista com 10 mil clientes e com a possibilidade de verem seus produtos?
O grande desafio: como engajar pessoas engajadas? Rsrs, pensou? Isso mesmo, como reforcei neste artigo, utilize multicanais e crie sua própria audiência, seja ela impressa ou digital. Recomende que seu público faça cadastros em todos os seus multicanais, aumente sua base de e-mail, WhatsApp/Telegram. Nunca fique refém de uma única plataforma. Ouço há muitos anos que o e-mail marketing estaria com os seus dias contados, no entanto, ele está mais vivo do que nunca! Explore este canal! Abra um SAC pelo WhatsApp, explore, inove!
App Tik Tok:
Ainda é cedo para falar no impacto deste app chinês que está incomodando o Facebook e Instagram no Brasil. Só para se ter uma ideia, já é o terceiro aplicativo com mais downloads no País nos últimos três meses. Este aplicativo tem como objetivo criar vídeos curtos e engraçados. Hoje pode se dizer que é a bola da vez entre os adolescentes. E você continua... e se pergunta: “mas e a minha marca, ela não precisa estar lá?” Lembre-se: os adolescentes de hoje irão consumir seu produto amanhã, então minha sugestão: crie uma conta, mesmo que não com tanta frequência, esteja presente na internet. Empresas do mercado de motos, por exemplo: nós sabemos que muitos adolescentes compram seu primeiro meio de locomoção, optando por motos, está aí um público a se trabalhar nesta rede.
A ideia é mostrar para vocês que existem novas opções que complementam ou potencializam suas estratégias! Se você quer ter mais presença no marketing digital, entre em contato com a gente: mg@likecomm.com.br ou ligue +55 11 5585.8082.
Grande abraço e nos vemos no próximo artigo, onde vamos abordar canais voltados em gerar mais vendas para o mercado automotivo e ferramenta de gestão de garantias.
O COMÉRCIO EXTERIOR E AS CONSEQUÊNCIAS DO EFEITO “CORONAVÍRUS”
Entrevista com João Marcos Andrade, professor de Comércio Exterior e Global Trading no Centro Universitário Internacional Uninter
| POR: SILVIO ROCHA | FOTOS: DIVULGAÇÃO
s efeitos do coronavírus já são sentidos em boa parte do mundo. Além das vidas perdidas, o problema se estende também aos aspectos econômicos. Os acordos internacionais de comércio estão sendo severamente atingidos num curto espaço de tempo, por conta dos efeitos da globalização no Comércio Internacional.
João Marcos Andrade, professor de Comércio Exterior e Global Trading no Centro Universitário Internacional Uninter, diz em entrevista que qualquer negociação com regiões da China — especialmente na região de Wuhan, onde o surto da epidemia se destacou — já passa por processos de revisão, várias delas, inclusive, canceladas, promovendo prejuízos e perdas significativas.
Jornal Balcão Automotivo - Com essa questão importante do coronavírus, como fica a importação de produtos daquele país, já que no nosso setor muitas autopeças vêm da China?
João Marcos Andrade - As primeiras alternativas estão no desenvolvimento de novos fornecedores e mercados, como o México e a Índia, entretanto tais tarefas demandam novos planejamentos, novas cargas de trabalho e custos elevados, pois algumas exigem viagens internacionais com despesas, investimento de tempo tanto das viagens, como em alguns projetos, também o desenvolvimento do produto, até que seja possível o atingimento da performance ideal para o determinado produto. Mas também sob uma outra ótica operacional, é interessante compreender que os embarques da China no momento apresentam sinais de voltarem a ocorrer, ou seja; considerando o pós-carnaval brasileiro, é muito provável que tenhamos os primeiros embarques de 2020 saindo daquele país, esse fato já permitiria revisão de processos de vendas, considerando que em um transit time (tempo de viagem internacional), de aproximadamente 35 dias dos principais portos chineses, aos principais brasileiros (Santos, Paranaguá, Itajaí, Rio Grande, Recife, Rio de Janeiro, Vitória e Suape), o que permite uma elaboração de um cronograma que considere a entrada das peças importadas, aproximadamente a partir da primeira semana de abril.
JBA - E, em se prolongando esse período, isso pode trazer prejuízos ao setor, como desabastecimento de peças, por exemplo?
JMA - De certa forma, sim, pois a falta de embarques da China, consequentemente, diminui a oferta de produtos de vários setores industriais, sendo o automotivo um dos mais afetados e prejudicados. Mas como observamos na questão anterior, o desenvolvimento de novos parceiros e fornecedores internacionais pode, de certa forma, diminuir a pressão nas prateleiras, e um certo controle no aumento dos preços aos consumidores. Fato é que ainda em 2020 poderemos ter perspectivas de mudanças na área tributária, de cunho positivo aos vendedores (contribuintes), pois a proposta de reforma tributária segundo alguns comentários observados nos principais veículos de comunicação de economia, tem grandes possibilidades de ser apresentada ao Congresso Nacional ainda no primeiro semestre e, certamente, se isso ocorrer, haveria uma pressão popular para que seja votada e aprovada no decorrer do ano, episódio que compensaria perdas significativas desde o primeiro semestre, muito prejudicado sob o ponto de vista de movimentação de mercadorias oriundas do maior fornecedor, que é a China.
JBA - Quais os conselhos para as empresas aqui do Brasil agirem de forma a não terem problemas com relação a isso?
JMA - É prematuro e inseguro afirmar categoricamente que há uma receita, uma forma, um padrão a ser implantado como plano alternativo para a "crise coronavírus", pois as variáveis no Comércio Internacional, por mais que sejam impactantes, não tendem a perdurar por longos períodos, ao menos são as observações que percebemos desde a abertura real do Brasil às atividades de Comércio Exterior a partir de 2002, assim é uma circunstância momentânea motivada e causada por fatores controláveis, que apesar de provocar o maior dos males, que é a ceifa de vidas humanas, o episódio fecundado na China, em pouco tempo estará sanado, e assim as atividades operacionais de embarques e negociações com aquele país tendem a "voltar ao normal".
JBA - Com a sua experiência no setor, você já viu algo parecido... e, se sim, quais foram as melhores saídas encontradas?
JMA - Vivenciamos fortemente a crise de 1997 no mercado asiático, depois a bolha imobiliária americana em 2008 que desencadeou severas consequências no Fator Câmbio, o que afeta direta e prejudicialmente as atividades de importação,
principalmente, e de certa forma atinge a economia como um todo, pois os reflexos de uma variação cambial atingem setores e locais sequer ligados diretamente por algum vínculo comercial com o foco do episódio causador de uma crise. Também vivenciamos a terrível e drástica crise da gripe H1N1 em 2009, mais pesadamente, a qual também deteriorou em partes as negociações internacionais, justamente por causar impactos ao seu redor, tudo isso em consequência do fator globalização, onde qualquer sintoma de crise, seja de qual segmento for, provoca muitos alarmes e um dos maiores problemas nos negócios atualmente é a síndrome das "fake news", essa péssima habilidade que a internet auxiliou a promover, e que por menor que seja o sinal de crise ou problema, os comentários elevam o tom da situação e impactam negativamente os setores da economia em sua grande maioria, alternando variações cambiais, alterando pesquisas de intenções de votos em eleições, sejam de qual esfera forem, e só o tempo para provar a verdade e determinar o fim de uma situação hipotética ou real.
JBA - Faça suas considerações finais...
JMA - É sempre necessário o otimismo, o foco no esforço de trabalho e a aplicação no trabalho de forma planejada, ou seja; sempre fundamentada em um projeto em longo prazo, no qual constem planos alternativos, os quais passam (ou devem passar), sempre pela Análise do Ambiente Interno e Externo, Formulação de Estratégias de Ação, ou seja; modus operandi que permita adequações de procedimentos operacionais com integração entre os setores estratégicos da empresa, como Alta Direção, compras/vendas, financeiro, tributário, produção, e outros mais conforme o perfil e modelo de negócio. Fato é que as crises vêm e vão, sempre foi assim, o mercado se adapta. Lembro bem que em 2008 houve temores extremos quanto ao prosseguimento das importações no Brasil, haja vista o grande impacto da crise econômica advinda dos EUA a partir da "Bolha Imobiliária", problemas em Wall Street com as situações provocadas pelas quebras do Lemam Brother´s Bank, por exemplo, enfim, o setor se ajustou, claro que com repasse de preços, por exemplo, nas altas cambiais e, consequentemente, diminuição nos pedidos de compras internacionais "purchases order´s, mas sempre com adaptação do segmento como um todo.
Segundo o Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), “não há indicação de problema de suprimento de autopeças por causa do cororavírus até este momento. A ocorrência ou não de problema dependerá do tempo de retomada das atividades produtivas naquele país. É possível que algumas empresas estejam se preparando para isso. Depende do grau de negócios com aquele país de cada uma delas. Não temos conhecimento”.
# 05
FEV
CADERNO BALCONISTA AUTOMOTIVO
Contribuindo para o aprimoramento do profissional do varejo de autopeças
EM LINHA PARA CRESCER
Adotando atitudes que mudam a percepção de seus clientes e líderes no dia a dia no balcão
TEXTO: KARIN FUCHS | FOTOS: DIVULGAÇÃO
Ser bem-sucedido e reconhecido é o desejo de qualquer profissional e no balcão de autopeças não seria diferente. Segundo Alexandre Slivnik, especialista em recursos humanos, diretor da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), crescer dentro de uma empresa requer uma série de detalhes. “Entre eles, estão questões comportamentais, relacionamento com colegas e clientes, ótimo desempenho e excelentes resultados. O desafio, na verdade, é identificar quando se está superando as expectativas da sua liderança”, afirma.
O primeiro passo é conhecer os objetivos da empresa.“Todo líder precisa compartilhar com seus liderados quais são os objetivos da empresa, aonde ela quer chegar, por que faz e o que ela faz. Quando os líderes compartilham com seus liderados o caminho da organização, fica muito mais fácil os colaboradores atingirem seus objetivos”. Para isso,
elas têm o seu planejamento estratégico que é passado para os colaboradores. “Porém, se a empresa não fizer este tipo de ação, busque com o líder quais são os objetivos e como ele pode ajudar a atingi-los”.
Segundo Slivnik, além do relacionamento com a equipe e os líderes, é preciso ajudar a empresa a prosperar de todas as maneiras, seja ajudando os colegas em processos mais difíceis, sugerindo mudanças que podem ser positivas e realmente ter ações que se conectem com o propósito da empresa. “Mais do que boa vontade e alta produtividade, é essencial buscar a opinião dos chefes para que eles possam apontar qualidades e defeitos que possam ser desenvolvidos e, dessa forma, criar ainda mais oportunidades de subir de cargo ou até mesmo ganhar um aumento”.
CADERNO BALCONISTA AUTOMOTIVO
Ele explica que é preciso trabalhar dois princípios básicos: escutar e a verdade. “Pratique a escuta ativa, ou seja, ouça genuinamente o que os seus clientes internos e externos e o que o seu líder tem a dizer para você, não para julgar, mas com o propósito de aprender e crescer. Coloque o que você sente, fale o que pensa e no que pode contribuir para a empresa. Quem trabalha na linha de frente é quem está em contato com o cliente e pode criar soluções para resolver problemas da empresa”.
Colaborativo
Lembre-se que você faz parte de uma equipe e como tal não há como vencer sem que o time todo vença. “As pessoas necessitam canalizar suas energias e esforços para o sucesso coletivo. Para isso, é necessário solicitar o feedback dos líderes e até para outros colegas, que podem dizer como o trabalho desempenhado vem contribuindo para o dia a dia do cumprimento das tarefas e metas. Nós evoluímos quando ouvimos as pessoas que estão ao nosso redor, por essa razão é importantíssimo solicitar opiniões e buscar conversar com as pessoas e não apenas esperar que elas cheguem até você”.
É preciso ajudar as pessoas que estão ao seu redor para que elas também alcancem as metas. “Não tenha medo, participe dando ideias. Todos os colaboradores que querem crescer dentro de uma organização precisam dar ideias, pois você somente será promovido no momento que ajudar a empresa a resolver os problemas do cliente. Esteja atento para encontrar novas soluções, a maioria das soluções vem da equipe de frente. Se você quer ajudar a empresa a prosperar, além de ser proativo tem que estar atento às oportunidades de melhorias e sugeri-las à sua liderança”.
E não existe o momento certo para fazer isso, na opinião de Slivnik. “Eu não acredito que precisa ter o momento certo, principalmente quando o assunto está quente, transmita a informação para o seu líder. Como, por exemplo, se alguém no balcão pegou um problema de um cliente e você teve uma ideia para solucioná-lo, na mesma hora, fale como o seu líder. Quanto mais você transmitir a informação no momento que ela acontece, mais chance de ser resolvido o mais rápido possível. Quanto mais postergar, menor a chance de dar certo”.
O ideal, sugere ele, é ter uma conversa esclarecedora sobre os pontos que podem ser melhorados. “Isso pode ser feito de maneira informal, durante um café ou após uma reunião”. Até porque uma das principais funções do líder é identificar as forças dos funcionários para que eles possam desenvolvê-las ainda mais para realizar trabalhos excepcionais. “Saiba ouvir e aplicar as dicas para conseguir boas chances de crescimento dentro em um ambiente corporativo. Ter autonomia é um grande diferencial: executar as tarefas de antemão, sem que seja solicitado, é algo notável”.
Reconhecimento
Muitos profissionais, mesmo que sejam excelentes e tenham atitudes certas, se queixam de não ser reconhecidos. Para Slivnik, isso é uma questão de alinhamento. “É preciso alinhar as expectativas. Às vezes, as pessoas acham que estão sendo muito reconhecidas e, às vezes, sentem que não são. O primeiro ponto é se a empresa tem política de reconhecimento e se ela está sendo usada e passada para os seus colaboradores. Se ela não tiver, é preciso criá-la e isso é diferente de recompensa”.
Inclusive, ele não recomenda a recompensa. “Porque ela é finita e o reconhecimento é eterno. Tenha uma política de reconhecimento que esteja alinhada com o seu colaborador para que ele saiba como é reconhecido. Essa política tem que estar alinhada com o líder e o liderado. Quanto mais você tiver um canal aberto com o seu líder, maior a chance de dar valor aos feedbacks e aos elogios positivos que você recebe”, conclui.
Empatia
Ele reforça a importância da escuta ativa. “Ela funciona quando você escuta um propósito, com a intenção de ouvir genuinamente o que a pessoa tem a dizer. Ainda mais nos dias de hoje que é muito fácil nos distrairmos com o que está ao nosso redor, com coisas que tiram a atenção, como o celular. Quanto mais focar a sua atenção e praticar a sua escuta ativa, maior a chance de ouvir e absorver o que está sendo dito. Dessa forma, maior a chance de seu líder continuar falando, pois se ele fala mais de uma vez e você não escuta genuinamente, vai parar de falar, de dar feedback e você não vai mais crescer na empresa”.
Há oito anos e meio no balcão de autopeças, Rachel Rosário Guiari, da MercadoCar, conta que o principal é gostar do que faz. “Em primeiro lugar, eu faço o que eu gosto e procuro sempre estar atualizada com os produtos, sempre que carros novos são lançados eu busco acompanhar todos os avanços, participando de cursos e treinamentos, pois a empresa procura sempre nos manter preparados e atualizados”.
Junto aos seu pares, ela diz que o importante é ter empatia e ser sempre cortês. “Eu passo o meu conhecimento para eles e também aprendo muito com eles. Como estou há mais tempo na empresa, eu procuro
Alexandre Slivnik, especialista em recursos humanos e diretor da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD)
Everton Peralta, da Jocar
Rachel Rosário Guiari, da MercadoCar
CADERNO BALCONISTA AUTOMOTIVO
passar a minha experiência e a gente aprende muito com os mais novos, eles têm sempre algo a nos ensinar”.
Fundamental também é ter uma relação saudável na empresa. “Isso se consegue tratando todos com respeito e educação. Eu busco levar as coisas de maneira leve, com responsabilidade e de forma participativa. Aqui, todos participam de campanhas, de ações para atingir os resultados, e isso se consegue com um bom atendimento ao cliente, porque este é o objetivo. É preciso encantar o cliente, desta forma você é valorizado, pois no final, a loja existe por causa dele”.
Harmonia
Na Jocar, Everton Peralta não dispensa estudar cada vez mais. “No momento, eu estou procurando cursos técnicos de mecânica para abranger o conhecimento, isso será o começo, pois futuramente quero fazer um ensino superior de contabilidade e administração e alavancar a minha carreira”. Na loja, ele diz que o primeiro passo para ter uma boa convivência é o respeito.
“Eu passo para eles o meu conhecimento e vice-versa. Nós temos atividades após o expediente, um futebol, um happy hour, tendo isso, a harmonia no ambiente de trabalho fica melhor. Eu ajudo todos brincando um pouco, para dar risada na hora certa também. No que for possível eu os ajudo e eles me ajudam, como para bater as metas ou cobrir alguém que precisa entrar mais tarde ou sair mais cedo. Ter harmonia no trabalho é fundamental, pois passamos mais tempo com eles do que com nossas mulheres”.
Atualização faz parte da rotina de Everton. “Nesse segmento é preciso estar sempre atualizado em relação às peças, isso se dá muito pelos catálogos que são disponibilizados para a gente, por e-mail e pelos fornecedores. Esse é o caminho e com a internet tudo ficou mais fácil”. No quesito valorização, ele diz que com o tempo se tem o reconhecimento e o amadurecimento. “Todo mundo quer um cargo a mais. Mostrando incentivo e um pouco mais de força de vontade, isso já faz diferença no salário e a gente
trabalha com outro ânimo”.
Dedicação
Há 26 anos no balcão, Walter Antonio Picerni, da Gian Auto Peças, comenta o quanto é importante se dedicar. “Eu me dedico 100% para o meu trabalho, estou sempre me corrigindo para melhorar”. Com os seus colegas, ele diz que a amizade é fundamental. “Estou sempre ajudando. Mas, às vezes, eu preciso de ajuda também em relação às peças. Amizade no ambiente de trabalho
Walter Antonio Picerni, da Gian Auto Peças
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é fundamental”.
Também na linha de frente, a palavra de ordem é atualização. Para isso, além dos mecanismos tradicionais, como catálogos e treinamentos, Picerni está sempre
atento às redes sociais e aos programas de televisão. Para ser reconhecido, diz ele: “é preciso ser sempre prestativo, não faltar no trabalho e não pisar na bola”.
Reciclar
Por se tratar de uma área que está em constante evolução, Luiz Ratto, da Braskape, afirma que para alavancar a carreira é preciso se reciclar e estar disposto a melhorar sempre. “Participando de palestras, cursos e estar antenado ao mercado e à sua evolução. Assim que um novo modelo de veículo é lançado, eu logo vou em busca de informações. Dessa forma, eu fico atento à demanda e do que podemos ter na loja para ajudar sempre a área de compras sobre o que realmente precisamos para atender a clientela”.
IDENTIFICANDO MOTIVOS PARA SUCESSO E CONQUISTAS
Seja em qual patamar estiver em sua vida, e isso vale para o balconista, para o profissional de vendas ou para o profissional de qualquer área de atuação, objetivos, metas e sonhos devem servir de motivação para realizações. Um motivo, um significado, uma causa, um sonho é o que deve nos impulsionar na busca pela excelência e, consequentemente, nos aproximarmos da conquista dos sonhos, quer sejam eles modestos ou não.
Nesse contexto, as empresas estão buscando, para atuarem em seus quadros de colaboradores, profissionais que não se contentem apenas em cumprir sua carga horária em troca de um salário; profissionais com visão de futuro, com brilho nos olhos, antenados e direcionados a uma causa, um sonho a realizar, saem na frente em qualquer seleção para vaga de emprego.
Treinamento e qualificação profissional são importantes, aliados, então, a colaboradores que possuem objetivos, metas e sonhos formam um tripé interessante para as empresas.
Você já descobriu qual motivo lhe faz levantar todos os dias para trabalhar? Pode ser, por exemplo, a conquista de uma casa própria, a constituição de uma família, uma viagem dos sonhos, enfim..., algo que seja a motivação que lhe impulsione ao alcance de
No dia a dia, ele comenta que sempre quando pode compartilha informações e experiências com todos. “Pois somos uma equipe com um único objetivo, o de crescer”. E para ter uma relação saudável no ambiente de trabalho, Ratto enfatiza que todos gostam de ser tratados respeitosamente. “Nesta hora é importante esquecer que há uma hierarquia, independentemente da profissão da pessoa, tratar de forma respeitosa. Isso faz com que sejamos bem vistos por todos. Além disso, é importante respeitar as opiniões dos outros, por mais diferentes que sejam da sua, elas também devem ser escutadas e consideradas”, finaliza.
ótimos resultados e, consequentemente, a realização de sonhos e metas.
Tenho observado a atuação de vendedores e balconistas das mais diversas áreas: dias atrás, conversando com um vendedor de picolé na praia, após perceber sua maneira peculiar e encantadora de atender as pessoas mesmo embaixo de um sol escaldante e sem receber qualquer tipo de treinamento ou qualificação, pude entender que as necessidades fisiológicas (comida, abrigo e sono), representadas na base da pirâmide de Maslow, são os fatores que lhe
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Segurança Fisiologia
impulsionam a ser um vendedor diferenciado.
Maslow define cinco categorias de necessidades humanas: fisiológicas, segurança, afeto, estima e as de auto realização. Esta teoria é representada por uma pirâmide onde na base se encontram as necessidades mais básicas, pois estas estão diretamente relacionadas com a sobrevivência.
Assim acontece com muitos profissionais de sucesso. Olhando a pirâmide de Maslow, seja em qual patamar você estiver, necessidade de segurança (segurança da família, do corpo e da propriedade), necessidade social (amor, amizade, família e comunidade), necessidade de estima (reconhecimento, status e autoestima) e necessidades que estão no topo da pirâmide (criatividade, talento e desenvolvimento pessoal), sua atuação profissional deve ser pautada na satisfação, uma a uma, de suas necessidades da base até o topo da pirâmide.
Para finalizar, aqui vai uma recomendação: o Coaching pode ajudá-lo nesse processo de identificação em relação a qual área você precisa focar e, com isso, estabelecer estratégias e ações com a finalidade de conquistar seus objetivos e sonhos. Pense nisso e siga em frente!
*Analista Administrativo Sênior da Distribuidora Automotiva S/A – Filial Salvador; Bacharel em Administração de Empresas; MBA em Gestão de Empresas; MBA em Liderança Coaching; Co-autor dos livros “Ser Mais Inovador em RH” – “Motivação em Vendas” e "Planejamento Estratégico para a Vida”
Luiz Ratto, da Braskape
Texto: Valtermário de Souza Rodrigues* Foto(s): Divulgação