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AH - Você | 18 e 19 de fevereiro de 2017

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Missão humanitária

QUEM FEZ ESTA EDIÇÃO voce@jornalahora.inf.br

Código original

Um visual correto e autêntico para o escritório equilibra peças clássicas com outras bemmodernas. Ideal é estar atenta ao estilo que prevalece no local de trabalho. O look conservador pode ser desfavorável por causar a impressão de estar desatualizada. Preocupada demais com a moda também, pois passa a sensação de futilidade. Algumas ousadias já foram incorporadas ao dia a dia, como a t-shirt combinada com peças clássicas. Na dúvida, invista em modelagens discretas, que valorizam a silhueta e acessórios essenciais, que dão versatilidade à combinação.

Direção Editorial e Coordenação: Fernando Weiss - Produção: Taciana Colombo e Carolina Chaves - Arte: Gianini Oliveira - Revisão: Catiele Fernanda Barkert - Foto de capa: Anderson Lopes - Tiragem: 7.000 exemplares. Disponível para verificação junto ao impressor (ZH Editora) Jornalística)
Modelo: Djeine Kuhn/Madchen Models (51. 9-8944-5314) / Cabelo e maquiagem: Daia Petry ( 51. 9-9635 5365)
Peças: Lojas Dullius / Fotos: Anderson Lopes / Produção: Taciana Colombo / Locação: Oficina 670 Coworking (51) 3726-4578.

Fala, Doutor

Uso contínuo de fones eleva risco de surdez

Casos de jovens com perda auditiva tem aumentado devido à exposição exagerada a ruídos

Auniversalização das novas tecnologias facilitou um velho hábito dos jovens: escutar música em alto volume. Seja no computador ou no smartphone, basta plugar os fones e acionar a playlist. Em segundos vêm o relaxamento, a concentração ou animação, mas também o perigo.

Estima-se que mais de 10 % da população já tenha algum grau de perda auditiva e a incidência é crescente entre pessoas mais novas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,1 milhão de adolescentes e jovens adultos correm risco de ter alguma perda de audição, devido aos maus hábitos sonoros.

Dentre eles estão, ouvir música alta por muito tempo, ou se expor a níveis sonoros prejudiciais em locais como bares, discotecas e eventos esportivos. Intensidades a partir de 85 decibéis, por cerca de oito horas diárias, já trariam problemas gradativos ao sistema.

Porém, alguns adolescentes chegam a escutar música em tom acima dos 90 decibéis, durante horas. No início provoca desconforto. Depois, zumbidos. E por fim, o estímulo persistir, vem a perda total da audição.

Alerta

Cuidados

Para afastar-se do perigo, além de deixar de lado o fone de ouvido, é preciso manter bons hábitos alimentares, praticar exercícios físicos, ter qualidade de sono, diminuir o estresse, não fazer uso de auto-medicação e ao frequentar locais barulhentos, usar protetores auriculares.

Outra ação importante, é a avaliação auditiva frequente, que pode auxiliar na detecção precoce de qualquer doença. “Ao sentir sintomas como dor, zumbido, dificuldade para ouvir e tontura é necessário procurar um médico o quanto antes”, aponta a fonoaudióloga Sandra Weber.

Dor, zumbidos, dificuldade para ouvir e tontura são os principais alertas para problemas auditivos

Apoiadores

Otites internas (labirintite), médias e externas também são um alerta. Caracterizada pela inflamação do ouvido, a doença é tratada com medicação e às vezes cirurgia.

Porém, de acordo com a fonoaudióloga Sandra Weber, a maior parte dos problemas de audição são irreversíveis e somente o uso de aparelhos auditivos auxilia na reabilitação. Além de exposição ao ruído, o excesso de açúcar no sangue, envelhecimento e doenças hereditárias também são fatores de risco.

Uso do fone de ouvido por períodos prolongados tem sido o vilão dos jovens e adolescentes
TACIANA COLOMBO

Comportamento

Aldeia global, ajuda local

Organização Médico Sem Fronteiras conta com expertise de profissionais como o lajeadense Samuel Johann

Mais de 36 mil profissionais espalhados por 70 países estão envolvidos na Médicos Sem Fronteiras (MSF). Com escritórios espalhados por 28 países, inclusive no Brasil, a organização de ajuda médico-humanitária leva cuidados de saúde a pessoas com necessidades, em meio a conflitos armados, epidemias, desastres naturais e exclusão do acesso à saúde.

Os 446 projetos possuem a contribuição de pessoas capacitadas, como o lajeadense Samuel Johann. Ele está envolvido na logística da corporação, que possui mais de 5,7 milhões de doadores mundiais, dos

quais quase 360 mil são brasileiros. Johann esteve na Guiné, durante a epidemia de Ebola, em 2015. Também trabalhou em Moçambique, onde a organização realiza projetos relacionados à epidemia de HIV e tuberculose. No ano passado, permaneceu no Sudão do Sul e na Nigéria, dois países onde a MSF se dedica a proporcionar cuidados de saúde gratuitos a populações atingidas por conflitos armados.

O objetivo das operações é sempre voltado para a saúde, mas existe um grande esforço logístico administrativo para viabilizá-las. “Enquanto profissional de logística, minha missão é tornar possível ou aprimorar as condições do trabalho realizado pela equipe médica, sobretudo a infraestrutura.”

Não se trata de uma mera experiência, trata-se de uma escolha de carreira e de vida. “É impactante no começo, mas depois você se acostuma a estar em constante movimento e adaptação. É necessário reinventar-se a cada projeto, pois

as especificidades do trabalho mudam, assim como a cultura local.”

Alguns projetos ocorrem em ambientes de tradição muçulmana, uma cultura que Johann ainda está descobrindo. “Há locais em que o contexto de segurança nos permite ter uma vida social parecida com a

do Brasil, já em outros ficamos restritos à nossa base e alguns locais autorizados, considerados seguros.” Durante a epidemia de Ebola, as regras de biossegurança eram tão rigorosas que qualquer contato físico era terminantemente proibido, mesmo um aperto de mão. As ações se passam em grandes centros urbanos ou em pequenos vilarejos. O idioma tambémpodevariar.“Trabalheiem projetos cuja língua oficial era o inglês, o francês ou mesmo o português.”

[...] trabalhamos nestes contextos por vontade própria, enquanto que nossos pacientes são prisioneiros de uma realidade que não escolheram,

Samuel Joahnn

Suporte à generosidade

Antes de trabalhar para a MSF, Johann achava que se tratava de uma organização apenas para profissionais da saúde. “Percebi que os contextos onde trabalhamos muitas vezes carecem de elementos que aqui consideramos 'garantidos' e que são fundamentais paraforneceratendimentomédicodequalidade:construções, água, transporte, controle dos estoques, gestão dos equipamentos médicos, somente para citar alguns.”

No Sudão do Sul, por exem-

plo, atuava em um local pantanoso inacessível por veículos terrestres, sem materiais para construção ou eletricidade. Num dia típico, encontrava os médicos e enfermeiros se ocupando dos pacientes, enquanto a equipe de logística estava transportando, de avião e de barco, os medicamentos e outros suprimentos. Resolviam problemas nos geradores para manter o fornecimento de eletricidade ao hospital, e realizavam manutenção das tendas e casas de barro. “Já no nordeste da Nigéria, muito do nosso tempo era dedicado ao fornecimento e tratamento de água potável e condições de saneamento básico aos hospitais geridos pela MSF, bem como a implementação e supervisão das regras de segurança para proteger os pacientes e os profissionais.”

Impacto na comunidade

A organização age em situaçõesondeapopulaçãonãotem

VOCÊ - Quais são as experiências que marcaram sua trajetória na organização?

Samuel Johann - Há diversos episódios marcantes em cada projeto. Mas foi no Sudão do Sul onde passei pelos momentos mais singulares. Certa vez recebemos a notícia de uma gestante com complicações no parto, residente de um pequeno vilarejo a algumas horas de distância do nosso hospital. Imediatamente preparamos nosso barco-ambulância e levamos um enfermeiro até sua vila. Na visita, o enfermeiro decidiu que deveríamos levá-la conosco ao hospital, onde teríamos melhores meios para lidar com o caso. Mas, no caminho de volta, dentro do barquinho, a bolsa se rompeu. E foi assim que, em uma tarde de sol, dentro do nosso barquinho flutuando em um afluente do Rio Nilo, cercada por uma equipe prestativa e preocupada, nasceu uma criança linda e saudável. Não em um hospital com toda a estrutura que ela e sua mãe mereciam, mas pelo menos assistida por um profissional da saúde.

VOCÊ - De que maneira seu trabalho impacta na questão da vulnerabilidade humana?

acesso aos cuidados de saúde de que necessita. “O impacto pode ser imediato ou a longo prazo, depende do perfil da crise e do tipo de projeto.” No nordeste da Nigéria, o conflito armado gerou uma crise nutricional desastrosa que, segundo Johann, interrompe a vida de muitas crianças. “Lá, fornecemos hospitalização e tratamento ambulatorial para crianças desnutridas. Salvar suas vidas de maneira imediata.”

Em Moçambique foi diferente. “Atuamos no tratamento de pessoas com HIV e tuberculose, tendo um impacto a longo prazo. Mas o objetivo final é sempre o mesmo: diminuir a taxa de mortalidade e aliviar o sofrimento da população local.”

Samuel Johann - A MSF impacta nessa questão de duas formas. A primeira é levando cuidados de saúde a pessoas afetadas por conflitos armados, desastres naturais, epidemias, desnutrição ou sem nenhum acesso à assistência médica com base apenas na necessidade independentemente da raça, religião ou convicção política do ser humano em necessidade. A segunda é chamando a atenção para as dificuldades enfrentadas pelas pessoas atendidas em nossos projetos.

VOCÊ - Que tipo de sentimento é necessário superar nesta jornada?

Samuel Johann - São muitos os sentimentos quando se está dentro de um projeto, em especial ao percebermos a vulnerabilidade e sofrimento das pessoas que atendemos. Frustração e sensação de impotência são comuns. Para garantir que lidemos com esses sentimentos de maneira sadia, a MSF oferece suporte psicossocial a suas equipes. Mas é bom lembrar que nós trabalhamos nestes contextos por vontade própria, enquanto que nossos pacientes são prisioneiros de uma realidade que não escolheram, e que ameaça concretamente sua saúde física e mental.

Encontros Divinos

Recebi de uma amiga no whatsapp um link que sugeria ouvir uma adolescente cantando em um desses reality shows americanos. Sentada no balcão de uma padaria esperando minha taça de café resolvi colocar meus fones e acessar o link sugerido por ela. Eu não tinha ideia do que aconteceria.

No inicio do vídeo aparecia uma menina com seus pais, dando um breve depoimento. Praxe. Na sequencia ela surpreende jurados e plateia com aquele vozeirão que vem do âmago. Praxe também. Ainda assim, depois de ouvi-la cantar, paguei o maior mico, derramada em lágrimas e soluçõs. Por quê? Porque todo aquele vozeirão trouxe uma musica que tinha em seu refrão a palavra “Aleluia”. Não resisto nunca. Cantou “aleluia” pronto, choro, me emociono mesmo.

Não sou religiosa e estou caminhando para me tornar mais espiritualizada, mas tenho certeza que sou sensível aos preceitos de amor, compaixão, altruísmo, responsabilidade e livre arbítrio. Talvez você esteja se perguntando como que alguém que não se diz religiosa ou espiritualizada pode emocionar-se a com “aleluia”. Quer saber? Pensei nisso também e em minha reflexão compreendi que “louvar Deus” (significado de aleluia) tem tudo a ver com a minha percepção e meus valores. Em outras palavras, penso que louvo Deus toda a vez que tenho encontros divinos e fico emocionada, tocada e mais próxima do céu (céu no sentido de bem estar).

O lajeadense participa do centro de tratamento de Ebola na Guiné

Dificuldades

em campo

O projeto de Johann conta com uma equipe composta por profissionais nacionais e internacionais, que resulta em visões diferentes sobre métodos e estratégias de trabalho. “O legal é que essas discussões são

sempre a respeito de qual a melhor forma de levar cuidados de saúde aos nossos pacientes. Ou seja, apesar de todas as nossas diferenças, partilhamos do mesmo objetivo.”

As maiores dificuldades enfrentadas no campo de trabalho são as mesmas que geraram as crises humanitárias, em primeiro lugar. “Um exemplo é o conflito armado. Ele não só priva as pessoas de sua vida

cotidiana e do acesso à saúde básica, mas também é um obstáculo para a nossa atuação.” Cita como exemplo o nordeste da Nigéria. “Estima-se que haja milhares de pessoas com necessidade de ajuda humanitária urgente em áreas atualmente inacessíveis por causa do conflito. Chegar até elas, neste momento, colocaria nossas próprias equipes em um nível de risco inaceitável.”

Tive um encontro inesquecível com ele (Deus) quando aos 19 anos voei pela primeira vez e vi sobre as nuvens a lua cheia refletindo em um imenso mar de algodão branco. Fui arrebatada pelo esplendor daquele visual. Esse mesmo efeito de êxtase eu tive em outro encontro há alguns anos quando entrei no museu Louvre e fui surpreendida por uma escultura talhada em mármore que juro, à noite quando ninguém esta olhando, deve assim como naquele filme, ter vida. Só pode ser pelas mãos de um deus que um homem conseguiria transferir transparência às vestes de uma madona gelada e pálida. Fala serio! Você já viu o que é “A escultura velada” do artista italiano do século XIX Giovanni Strazza? Se não viu, veja. De que outra forma senão por uma força divina artistas fariam esses véus em mármore? Que nome dar então para o amor incondicional que nos toma quando olhamos para o nosso filho pela primeira vez? Deus. Esse é o nome. E os poemas de Fernando Pessoa e Mário Quintana? Aleluia! E as obras de Picasso, Modigliani e Da Vinci? E as vozes do Andrea Bocelli e da Sarah Bright-

Seriam infinitos os exemplos que poderíamos explorar. Todo momento amoroso, todo abraço carinhoso, beijar quando se está apaixonado. Todos os artistas que nos tocam a alma e todos os momentos e gestos que nos entregam um pouco mais de humanidade só podem ser Deus nos encontrando e oportunizando que o louvemos. Pensando neste contexto compreendo melhor as palavras do Vinicius de Moraes quando nos disse que “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. Faz sentido.

Raquel Winter zando o nesendo Vindo é a bora ro o.

cronicasraquel@gmail.com

CHARLOTTE NOUETTE-DELORME/MSF

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