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AH - Você | 07 e 08 de janeiro de 2017

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FIM DE SEMANA, 7 E 8 DE JANEIRO DE 2017
EDIÇÃO Nº 63
Páginas 8 e 9

Fala, Doutor

Muita calma

A prática de exercícios físicos no verão requer uma série de cuidados, apontam os especialistas

Na cidade ou na praia, muitos aproveitam as férias para iniciar uma atividade física. Em qualquer momento, a prática exige avaliação médica e preparação física. Porém, neste período do ano, outro fator requer um cuidado extra: o calor.

Nesta semana, a sensação térmica ultrapassou os 40oC, um perigo para qualquer pessoa, afirma o educador físico João Oliveira. Principalmente para quem faz exercícios na rua, como caminhada, corrida ou pedalada. O problema é a exposição prolongada ao sol.

Para evitar qualquer sobressalto, o primeiro passo é beber água, do momento em que acorda até antes de dormir. A indicação é tomar, ao menos, dois litros por dia, de acordo com o peso da pessoa. “A hidrata-

ção deve ser feita sempre, não somente antes da atividade”, ressalta. Manter uma boa alimentação é outro pré-requisito. Um prato composto por carboidrato, proteína e frutas da época, como abacaxi, melancia e manga ajuda a manter o corpo em dia, com energia suficiente. O café da manhã também é essencial.

Os melhores horários para praticar exercícios são no início do dia, no máximo até 9h, e no fim da tarde, depois das 18h30min. “Nesses períodos o sol já está mais baixo e as condições ficam melhores.” Oli-

e

QUEM FEZ ESTA EDIÇÃO voce@jornalahora.inf.br

“A hidratação deve ser feita sempre, não somente antes da atividade”, João Oliveira, educador físico

veira indica que a prática não ultrapasse 30 minutos para quem está iniciando.

“Também não é bom somente correr, mas alternar com a caminhada.”

O boné e o óculos de sol são aliados. Assim como uma garrafa de água gelada e o protetor solar, que precisa ser aplicado de 15 a 30 minutos antes da exposição solar.

Complicações

Quem não se previne fica desidratado. Conforme o cardiologista João Lourenço Feldens, essa é uma das complicações geradas pelo

estresse térmico excessivo. Dentre os sinais do problema, estão desde sede, cansaço, até sensação de embriaguez e distúrbios visuais. Um dos sintomas iniciais normalmente são as caibras.

Para repor os sais minerais, a pessoa pode beber suco de laranja ou abacaxi, água de coco, além de bebidas isotônicas – indicadas somente para esses casos, pois em excesso causam ganho de peso ou risco para quem tem hipertensão.

Ainda mais cuidado

Para todas as pessoas o ideal ao praticar atividade física é que a frequência cardíaca não ultrapasse 70%.

Para quem tem problemas cardiovasculares os cuidados devem ser ainda maiores. Hipertensos muitas vezes precisam ajustar os medicamentos e procurar realizar exercícios em ambientes mais frios, alerta o cardiologista.

As grávidas também exigem mais atenção nesta época. Elas têm tendência de baixa na pressão, causada pela vasodilatação. “O mais correto é ir ao médico e identificar se você tem algum risco. Ele saberá lhe dizer exatamente até onde pode chegar.”

Taciana Colombo - Tiragem: 7.000 exemplares. Disponível para verificação junto ao impressor (ZH Editora Jornalística)

Apoiadores

Direção Editorial
Coordenação: Fernando Weiss - Produção: Taciana Colombo, Anderson Lopes e Carolina Chaves - Arte: Fábio CostaRevisão: Viandara Rempel - Foto de capa:
Iniciantes devem realizar exercícios físicos por, no máximo, 30 minutos, pela manhã ou fim da tarde
Conteúdo patrocinado
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Caminhos

Devoção pela natureza

A lajeadense Tuane Eggers e amigos percorrem até fevereiro os caminhos da América Latina

Nas alturas, o passo lento ajuda a manter o trote. Mascar folhas de coca também. O fôlego, porém, se esvai com as paisagens da América Latina. “Irrecuperável e inesquecível”, relata a lajeadense Tuane Eggers, que viaja com um grupo de amigos desde outubro.

De carro, eles seguem a viagem até fevereiro. No caminho, paradas pelas cidades de Resistencia, Salta, Purmamarca e Tilcara (Argentina), Tupiza, Sucre, Potosi, La Paz, Copacabana e Isla del Sol (Bolívia) e Puno, Cusco e Urubamba (Peru).

Tuane passou dois meses vivendoemCusco,noPeru.Agora fica até fevereiro em La Paz. “Conhecer as paisagens por

vias terrestres é algo fantástico, pois podemos observar muitos detalhes que talvez passariam despercebidos de outras formas.” O trabalho feminino é um dos comportamentos que chama a atenção dos amigos. “É muito mais intenso: as mulheres carregam muito peso, em todos os sentidos. Percebe-

mos também que os bolivianos parecem valorizar mais as relações humanas, sem tanta indiferença à presença do outro.”

Pude compreender um pouco mais sobre a devoção dos andinos pela natureza [...]as montanhas são mesmo deuses.

O grupo teve a sorte de vivenciar os festejos do Dia dos Mortos. “Uma das experiências mais bonitas dos últimos tempos: lembrar da morte para celebrar a vida”, recordaTuane. Enquanto estiveram no Peru, também deram a volta em uma das diversas montanhas que compõem a Cordilheira dos Andes, a Ausangate, numa intensa caminhada de quatro dias. “Foram as paisagens mais lindas que já vi. Pude compreender um pouco mais sobre a devoção dos andinos pela natureza, pela Pachamama: as montanhas são mesmo deuses.”

Os jovens pretendem conheceroutraspaisagensbolivianas, mas os planos sempre podem mudar. “O mínimo necessário para viajar é ser humilde, principalmente se você vive no sul do Brasil ou qualquer outro lugar que traga aparência e descendência de colonizadores.” Tuane, que é fotógrafa, sente na pele o intenso desejo de registrar tudo o que é diferente, mas observou que fazer fotos de pessoas também pode ser algo sutilmente violento. “As câmeras nunca serão capazes de captar toda a beleza do que aconteceu.”

As

Tuane Eggers viveu em Cusco e agora embarca para La Paz
cenas de viagem registram o trajeto do grupo pela Argentina, Bolívia e Peru

Tudo fica melhor com

Bebida aproxima conversas e nos convida a experimentar sensações com a boca, nariz e cérebro

á quem acredite que o dia só inicia bem depois de uma boa dose de café. A experiência de saborear a bebida nas primeiras horas da manhã tornou-se um ritual para o laje-

adense Guilherme Becker, 19. O jovem barista é responsável por servir as mais disputadas mesas de uma cafeteria da cidade.

“Tomocaféparacomeçaromeu dia porque sei que vai me deixar atento.Ogostoémuitomarcan-

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mistura com o ar. Ao provar o café, o olfato ainda identifica aromas mais marcantes, como o chocolate.

Paladar

Num pequeno gole, já é rista Becker.

Tato

A sensação é percebidaquando há a união do aroma agradável, cremosidade e toque aveludado.

caso da bebida, a composição é por notas aromáticas.

Visão

Parareconhecerumcaféperfeito, é preciso prestar atenção no creme, que deve ser claro e

O empresário Pedro Müller aposta no café gourmet como um dos atrativos da sua banca,

Os eleitos

Segundo Becker, os consumidores da região são tradicionais, gostam do café passado ou da dobradinha do café com leite. “A mistura é genial.” As pessoas também se arriscam pouco. “Raras gostam do café forte e encorpado.” Para ele, o essencial é aguçar o paladar.

prazeres do dia.”

De olho nesse nicho de mercado que busca a experiência do consumidor, o empresário Pedro Müller resolveu criar a Banca Gourmet.. “Sempre gostei de cozinhar, testar e conhecer novos produtos e pratos. Buscar produtos originais, que não se encontra em grandes mercados, como o café gourmet.”

Segundo ele, a procura por produtos voltados para a culinária mais elaborada é recente. “As pessoas querem algo a mais, que vai além do básico.” O café é uma das descobertas. “ Ao provar, você passa a querer testar novos tipos.”

Tradição no Brasil

torna-se uma hábitto. “ É como chimarrão, você se habitua”, lembra Becker. “ Há quem seja fiel ao horário, pois considera

Conforme o empresário, há uma busca por café de alta qualidade. “O Brasil tem uma relação muito forte com o café desde o início da sua história.” O seu cultivo está relacionado ao desenvolvimento das primeiras agroindústrias e à geração de emprego. “Deu origem a cidades e rodovias. Fortaleceu tanto

o consumo interno quanto a exportação.” O clima, espaço e a mão de obra barata mantiveram o crescimento do setor, até hoje referência internacional. “Somos o maior produtor de café do mundo.”

Café gourmet

Até pouco tempo. o café bom era exportado e o café de qualidade inferior acabava sendo consumido no país, mas se acordo com Müller, os brasileiros estão buscando um controle maior do produto. “Os cafés gourmets surgiram na última década e são selecionados. Têm um plantio mais aprimorado, colheita controlada, assim como a secagem, torra e seleção”, explica. “O preço também se tornou atrativo.”

Prepare em casa

“A mistura de grãos proporciona as várias sensações de cheiro e gosto.” Uma opção para os dias de verão é o café gelado. Para quem gosta de novidades, a dica é provar o café com licor, chocolate, avelãecanela,quelevaumaespuma gelada de leite.

O empresário aconselha utilizar uma cafeteira Mocca para preparar um bom café em casa. “Do tipo italiana, é antiga e tradicional. Uma das que mais se aproxima do café expresso de máquina e tem aquele charme do artesanal.” O preparo já é uma experiência. “A pessoa fica muito próxima ao café, sente seus aromas.”

Dica do barista

Temperatura

Ideal é ferver a água até a temperatura alcançar entre 88ºC e 90 ºC. Na hora de servir deve estar em 65ºC aproximadamente.

Grão

O blend de grãos determinar o sabor. “Saber escolher o que mais combina com o gosto depende da experimentação.”

Adoçar ou não

“O açúcar mascara todo o potencial do café.” Melhor é servi-lo sem açúcar. ‘Mesmo que seja difícil saborear pela primeira vez, vale a pena tentar. Você começa a notar cada detalhe dos aromas e sabores.”

banca, especializada em produtos para quem gosta das experiências à mesa

Há mais de 20 anos, frequentamos a praia de Garopaba, em Santa Catarina, e toda a vez que arrumamos as malaspararetornarparacasaficamoscom uma sensação de quero mais. Quando saímos de Garopaba, passamos por um simpático pórtico que tem um letreiro desejando boa viagem e onde está escrito: Volte Sempre! Quando passo pelo tal pórtico, penso cá com os meus botões, volto sim, pode deixar. Mas não será um desperdício de oportunidade voltar para o mesmo lugar? Se imaginarmos a infinita possibilidadedenovosdestinosquepoderíamos conhecer, parece-me que sim. Então pergunto-me o que fazer? Voltar para o certo ou arriscar o desconhecido? Pensei a

Volte sempre. Será?

respeito e cheguei a várias conclusões. Uma delas é de que um lugar nunca será o mesmo e que, mesmo retornando inúmeras vezes, estará sempre diferente. A razão disso é que nós nunca somos os mesmos.

Cada dia de vida é um dia a menos na nossa linha do tempo e um dia a mais em nossa experiência. O fato é que um dia após o outro de alguma forma nos transforma. Então a questão agora é: como pode “uma pessoa diferente” voltar ao mesmo lugar que esteve quando era outra? Tenho um bom exemplo. Há alguns anos, fiz intercâmbio em Portugal e foi incrível. Alguns anos mais tarde, decidi voltar para lá com duas amigas e no roteiro acrescentei lugares que havia conhecido no intercâmbio. A viagem foi igualmente incrível, mas muitíssimo diferente.

Os lugares realmente estavam mudados. Não somente na aparência, mas especialmente na forma em que eu os sentia e enxergava. Alguns lugares me pareceram ainda mais encantadores e outros mesmo estando lá, do jeitinho

Cada dia de vida é um dia a menos na nossa linha do tempo e um dia a mais em nossa experiência

que os vi pela primeira vez, pareceram-me adormecidos. Foi então que compreendi que sempre corremos o risco do encantamento ou do desencanto e que oquedecidiráporumououtronãoserá o fato de voltarmos ou não para o mesmo lugar, mas sim o sentido e as emoções que a vivência nos proporciona.

Depois disso, as memórias da primeira viagem mudaram de lugar, perdendo um pouco da magia que as cercavam. Mas preciso admitir que os espaços foram ocupados por novas memórias que

agora enchem as gavetas das preferidas. Eu sei, parece um pouco confuso, mas tentando resumir acho que às vezes valeriaapenacolocarmosnospórticosdas nossas emoções, memórias, atitudes e rotinas, letreiros, que alternassem entre essas três possibilidades: volte sempre, voltedevezemquandooununcavolte. Nunca voltar seria útil por exemplo para os casos em que nossos pensamentos persistem em algo que deveria estar superado, como sentimentos de rancor e mágoa.

Por outro lado, voltar para o seu lar, se aconchegar no abraço que sempre lhe acolhe, comer feijão com arroz, ouvir suas músicas favoritas certamente mereceriam um “volte sempre”. E o pórtico do “volte de vez em quando”? Não sei bem, mas penso que esse deixaríamos para situar as ocasiões como revisitar memórias doloridas, porém, inevitáveis, comer pratos exóticos, ler aleatoriamente páginas de um livro que marcou e encher a cara por estar triste ou alegre demais. De qualquer forma, geralmente a escolha de retornar ou não será nossa.

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Coluna
cronicasraquel@gmail.com
Raquel Winter
tapara o Pense

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