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AH - Pensar Teutônia | 24 de maio de 2016

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TEUTÔNIA

Especial comemorativo aos 35 anos de Teutônia. Maio de 2016

O cooperativismo é a marca de Teutônia. Emancipado faz pouco mais de três décadas, o município desponta como uma das principais economias do Vale do Taquari. O agronegócio cresce a cada ano e assume protagonismo.

Cooperativismo exala desenvolvimento

Teutônia é a cidade gaúcha com o maior percentual de cooperativados em relação ao número de habitantes. Aos 35 anos, encontrou vocação no trabalho integrado, onde 82% da população está ligada a uma das cooperativas instaladas na cidade – Certel, Languiru, Sicredi, Cooperagri e Comatra. o município ocupa índices de desenvolvimento e evolução singulares. Em pouco mais de três décadas de autonomia política e administrativa, tornou-se uma das principais economias regionais, a frente de núcleos urbanos emancipados muito antes. Mais do que um município dividido em

3X4 ATUAL

População

152,68 pessoas por km²

Renda per capita – Rural R$ 706,67

Renda per capita – Urbana R$ 767,67

Renda

três grandes centros, a cidade que canta e encanta – título que leva devido à cultura do canto coral e da orquestra – serve de referência para toda a microrregião, formada por sete municípios vizinhos.

O agronegócio se consolida a cada ano como a principal motriz econômica e de desenvolvimento, alicerçado no Colégio Teutônia, o maior e principal da região, fundado há mais de 60 anos. Está condicionada sobre o setor primário a previsão de crescimento orçamentário, com

onde o calçado é garantia de emprego para centenas de famílias.

Mas nem tudo é motivo de comemoração. Teutônia sofre a pressão natural de qualquer centro urbano em desenvolvimento e, assim como na maioria das cidades, carece de planos e obras de infraestrutura para acompanhar o crescimento ordenado. A Via Láctea, que liga a Rota do Sol à BR-386, é o exemplo mais contumaz dessa fragilidade. A rodovia de pista simples e dezenas de acessos secundários

reduzir os registros. Não menos necessária se faz uma revisão no Plano Diretor para urbano sobre as áreas rurais – principal vocação econômica do município. De um modo geral, Teutônia cresceu muito. Colhe frutos de parcerias público-privadas que despertam empreendedorismo e elevam a qualaidade de vida. Ao passo que consolida sua representatividade econômica e social para o Vale,

Publicação do jornal A Hora. Todos os direitos reservados Lajeado - Vale do Taquari - RS

Fundado em 1º de julho de 2002

Diretor-geral: Adair Weiss

Diretor editorial: Fernando Weiss

Diretor administrativo: Fabrício de Almeida

Fone: 51 3710-4200 CEP 95900-000 - Lajeado - RS ahora@jornalahora.inf.br www.jornalahora.inf.br

DiagramaÁ„o e layout: Fábio Costa e Gianini Oliveira
Disponível para verificação junto ao impressor (ZH Editora Jornalística)
Proibida a venda avulsa

Campo e cidade garantem a

Celeiro do agronegócio regional, Teutônia comemora crescimento do setor primário. Indústria

Aextinção do limite de expansão urbana possibilitou aos produtores a continuidade do trabalho no campo. Também resultou na abertura e retraiu em 146 hectares a zona rural. Mesmo assim, o agronegócio cresce e já responde por 23,3% do valor adicionado. Em 2012, era 17%.

programas de incentivo à produção

primária, visando contribuir com as 1,5 mil famílias que mantêm minifúndios. Entre as principais atividades, destaca-se a criação de gado leiteiro, suínos e aves. O plantio de grãos como milho, feijão e soja ocorre em concomitância, ocupando um espaço menor nas propriedades.

O Colégio Teutônia é fundamental

meio do curso Técnico de Agropecuária e especialização em Agroecologia, leva

inteligência e inovação ao campo.

Em março, com a parceria da Languiru, o educandário lançou o curso inédito no país: o Aprendiz do Campo. O programa realizado por meio do Jovem Aprendiz serve como base para iniciação de conceitos técnicos e práticos da agricultura.

A família de Adelar Riva, 54, é reconhecida no setor primário pela alta produção. Faz 28 anos que mantém criação de vacas e aves. No ano passado, foi

homenageado por ser líder em produção de leite: 1,2 mil litros por dia. Conforme Riva, jamais pensava que fosse um dos maiores produtores. “Achei que tivessem outros que produzissem mais. Isso é só consequência de muito trabalho.”

a propriedade com 80 vacas e 40 mil frangos. A quantidade de leite coletado subiu para 1,7 mil. “A ideia é sempre crescer, não podemos parar. Temos que pensar sempre pra frente, ampliar e

Importância de cada setor

Indústria oscila, mas projeção é positiva

Enquanto a agricultura cresce, o setor industrial apresenta baixa desde 2012.

caiu para 47,1%. Mesmo assim, continua com maior percentual de arrecadação.

As fábricas de calçados e indústrias de laticínio são as protagonistas. A produção de sapatos enraizada principalmente em Canabarro garante mais de 3,5 mil empregos, divididos pelas 20 unidades de produção e ateliers. Em época de pico, Teutônia chega a produzir 60 mil pares de sapatos por dia.

A instalação da Frigovale, em Linha Clara, é uma promessa que deve elevar ainda mais o valor adicionado. O frigo-

400 bovinos por dia. Com um complexo amplo, possibilitará o atendimento dos mercados interno e externo.

renda

mantém referência

produzir mais. Aumentar a produção

Em Linha Ribeiro, Celso Drebes, 50, acompanha o avanço urbano sobre o meio rural. Faz quatro anos que o primeiro loteamento próximo da propriedade da família foi aberto e já tem mais de cem moradias. Fazendo divisa com a plantação de milho, uma loteadora ofertou terrenos. “É o progresso, não temos mais o que fazer, já estamos no perímetro urbano.”

Micro e pequenas empresas crescem

Em 2015, o número de microempreendedores individuais (Meis) aumentou 10% em relação a 2014. A categoria abrange construtores civis, diaristas, pintores,

Daiane Blatt Gross, 28, vendia roupas de porta em porta, sem registro. Buscou clientes e atraiu revendedoras. Resolveu abrir a própria loja em 2014. “No início tive medo por estar investindo e não saber se teria retorno. Mas fui persistindo.”

Em dezembro do ano passado, Daia-

de Souza e juntas buscam o crescimento da loja. Por meio de pesquisas na internet, procuram modelos e looks diferentes para se tornar referência.

Jeferson Luís da Silva, 28, é outra história de sucesso no empreendedorismo

futebol regional e trabalhar como instrutor na escolinha Juventus, “Black”, como é conhecido, decidiu mudar. Ingressou na faculdade de Educação Física e projetou trabalho na área.

O primeiro investimento, de R$ 12 mil, saiu das economias dos pais Pedro Orlando e Eva Bela. Com o recurso, comprou os primeiros equipamentos para academia e alugou sala de 40 metros quadrados no bairro Canabarro. Na época, registrava 80 alunos e o espaço estava pequeno. Com o lucro, mudou para outra sala com 105 metros quadrados e comprou mais aparelhos. Em janeiro deste ano, passou para outra sala, com 600 metros quadrados, onde oferta musculação, aeróbico, muay thai, com instrutor graduado pela Federação Gaúcha de Muay Thai Esportivo, e avaliação nutricional gratuita. “Investi em área para descontração e os alunos tomarem um café, porque a academia é composta por amigos. Nossa meta hoje é ver as pessoas felizes e conseguindo resultados.”

Aos 22 anos, Elisandro Wahlbrinck decidiu investir no negócio próprio. Vendeu um carro, pediu empréstimo aos pais, reuniu cerca de R$ 15 mil para iniciar a produção de pizzas. Transformou a garagem de 15 metros quadrados onde produzia sozinho 30 unidades por semana.

Em setembro do ano passado, aos 26 anos, Wahlbrinck inaugurou a Pizzaria do Nono, ao lado da casa dos pais. O espaço para atendimento a clientes e produção foi ampliado para 150 metros quadrados. A demanda também aumentou. Vende 320 pizzas por semana e fornece para seis supermercados. “Fiz tudo com os pés no chão”, diz.

Cooperativismo: base sólida

Veia cooperativista é referência. Mais de 80% das pessoas estão ligadas a uma das cinco

Opórtico da cidade, pela Rota do Sol, anuncia a terra do cooperativismo. Entre as cinco em funcionamento na cidade, três (Languiru, Certel e Sicredi) são protagonistas no cenário estadual. Cooperagri e Comatra completam o conjunto. Elas formam a base na produção de alimentos, energia, provedor de internet, artefatos de cimento, crédito estado.

A Languiru começou atividades em 1955 a partir de um plantel com 174 agricultores, visando a venda de alimentos estocados. Hoje são seis mil famílias associadas, gerando 2.850 empregos diretos e indiretos. Cinco supermercados, dois em Teutônia, um em Poço das Antas, Bom Retiro do Sul e o mais recente, adquirido em Arroio do Meio. Também oferta ferramentas e insumos por meio de agrocenters, que totalizam três unidades.

O resultado na cadeira produtiva do leite, aves e suínos no Vale ultrapassou as fronteiras por meio de exportação para 40 países do Continente Africano, Leste Europeu, Extremo Oriente e Caribe. No ano passado, a Languiru apresentou patrimônio líquido superior a R$ 11 milhões, 16% a mais em relação a 2014.

A Hora – Qual a principal conquista da Languiru na cidade?

Dirceu Bayer – Foram várias conquistas nestes 60 anos de existência, mas talvez duas tenham sido marcantes para o desenvolvimento da Languiru e de Teutônia: a construção da primeira indústria de laticínios no bairro Languiru na década de 1960 e a construção do complexo formado pelos prédios do atual Agrocenter, antiga sede administrativa e pavilhão social também no bairro Languiru no ano de 1975 e inaugurados pelo então presidente da República, Ernesto Geisel.

Qual a meta da cooperativa para os próximos anos?

Bayer – Consolidar os investimentos realizados ao longo dos últimos anos e buscar alternativas para o crescimento do quadro social, gerando renda e emprego em toda a região. Especial atenção está sendo dada para atender a demanda do mercado consumidor e a viabilidade da pequena propriedade rural.

A Languiru tem apostado na sucessão familiar para a permanência do jovem no campo. Desde a iniciativa, qual o resultado dessa aposta?

Bayer – Os programas desenvolvidos para manter os jovens nas propriedades rurais têm possibilitado que a produção e a produtividade aumentassem muito. Registramos uma dimisuínos e leite e especialmente o planejamento ordenado da gerações e consequente abandono dos negócios da família. abastecer as novas plantas industriais que foram erguidas recentemente e dessa forma estão garantindo a continuidade das propriedades e da cooperativa.

“A relação do Sicredi com Teutônia é muito forte”

ASicredi Ouro Branco é outro pilar econômico. Com 19 unidades de atendimento no estado, reúne mais de 55 mil associados e garante que os recursos administrados permaneçam em cada comunidade.

Hoje a cooperativa de crédito administra R$ 1,2 bilhão e tem patrimônio líquido superior a R$ 126 milhões. Conforme o diretor-executivo Neori Ernani Abel, a economia da cidade cresce e a instituição

A Hora – O que a Sicredi espera da projeção econômica de Teutônia?

Neori Ernani Abel – Acreditamos que Teutônia continuará sua trajetória de destaque na região como uma das principais economias do Vale. Em virtude de sua dié competitiva, com condições de enfrentar eventuais adversidades. Uma economia alicerçada em um setor industrial bem desenvolvido, com produção agropecuária que é capaz de alcançar índices de produtividade excelentes, aliada a um setor de prestação de serviços competitivo, indica que Teutônia continuará em desenvolvimento.

A Sicredi Ouro Branco é uma cooperativa que cresceu em paralelo com o município. Qual o segredo para o

impulsiona o desenvolvimento

instituições estabelecidas no município. Presidentes realçam o valor das parcerias

sucesso conjunto?

Abel – A relação do Sicredi com Teutônia é muito forte, pois a fundação da cooperativa foi no mesmo ano da emancipação do município. Estes 35 anos marcam a união de forças em prol da comunidade. Uma história de muito trabalho, desenvolvimento e prosperidade escrita por muitas mãos.

De que forma a Sicredi Ouro Branco contribui para a comunidade?

Abel – A Sicredi, como sociedade de pessoas, tem no cumprimento de sua missão contribuir para uma sociedade melhor e mais justa, por meio do relacionamento e -

gar renda e assim efetivamente contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos associados e da sociedade.

Certel: cooperativa que iluminou a emancipação

Ainauguração da quarta hidrelétrica da cooperativa Certel marcou o aniversário de 60 anos. No distrito de Cazuza Ferreira, em São Francisco de Paula, expandiu a área de atuação. Hoje são 48 muni cípios com infraestrutura energética e 70 mil pesso

Além de ser referência no abastecimento de energia, cooperativa ampliou os serviços para distribuir sin internet em 95% da cidade. Cerca de 4.250 clientes conectados à rede por meio da CertelNet.

A Certel Artefatos de Cimento, além de produzir e vender postes de concreto com até 40 metros de altu para o mercado gaúcho de energia, disponibiliza blo de concreto, pisos intertravados para a pavimentação, construção civil e postes para loteamentos. No varejo, as três lojas em Canabarro, Languiru e Teutônia ofertam móveis, eletrônicos e permitem aos associados realizarem cadastros.

Quais são os projetos da Certel?

A Hora – Qual a ligação entre Teutônia e a cooperativa que expandiu-se para 48 municípios?

Erineo Hennemann – É com muito carinho que avaliamos esta relação duradoura entre a Certel e o município. A energia elétrica que passou a ser fornecida pela Certel, inicialmente aos moradores de Teutônia e, depois, a outros foi essencial por possibilitar o crescimento e a alavancagem da região.

Aliás, Teutônia tem uma acentuada vocação para o cooperativismo, tendo em vista que cooperativas de outros ramos também se desenvolveram e hoje representam importantes mecanismos de pujança, como a Languiru, no ramo agropecuário, a Sicredi Ouro Branco, no crédito rural, entre outras mais recentemente constituídas.

Hennemann – A cooperativa pretende manter-seto de energia elétrica e seus demais serviços aos seus associados. Existem outros projetos de usinas a serem construídas, cinco somente no Rio Forqueta, onde já temos duas.

A situação econômica propõe mudanças. A dire-jamento para equilibrar?

Hennemann – É necessário, mesmo diante dos maiores obstáculos, acreditar, lutar e jamais desistir.timos os efeitos da economia instável que assola o país. Com uma crise econômica, política e moral de demasiada proporção, é importante jamais perder o foco, acreditando e agindo, de fato, para o regresso da estabilidade.

Administrar

três

Teutônia é o único município do Vale do Taquari a concentrar

Desde a emancipação, os gestores públicos conordenar três grandes centros com características e demandas distintas. O plebiscito de 24 de maio de 1981 uniu três distritos de Estrela para formar Teutônia.

A Couros Bom Retiro foi uma das primeiras empresas a se instalar em Canabarro. A oferta de emprego atraiu mão de obra de cidades vizinhas e caracterizou o bairro como o mais heterogêneo. O setor calçadista impulsionou a indústria local e o crescimento pôs Canabarro entre os maiores do Vale em número de moradores.

Languiru teve um dos primeiros centros comerciais instalados na rua 3 de Outubro. O armazém também deixou a marca que persiste faz 35 anos. O bairro concentra lojas, hotéis

e as sedes administrativas das cooperativas Languiru e Sicredi. Também foi escolhido pelo setor imobiliário. O Edifício Imperador faz jus ao nome. Tem dez andares, o mais alto da cidade. O Centro Comercial Sollus é construção recente na rua 3 de Outubro e demonstra crescimento e inovação arquitetônica.

Povoado por imigrantes alemães, o bairro Teutônia é residencial e foi constituído a partir da produção primária. A Fundação Agrícola Teutônia foi a para o trabalhador e hoje é mantenedora do Colégio Teutônia. A localidade também é sede da Cooperativa Certel. O prédio do Hospital Teutônia Norte é um dos monumentos históricos do bairro. Com início de atividades em 1936, funcionou até 1975, quando foi fechado. Hoje, a casa de saúde está abandonada. O Executivo desapropriou

Formando o eixo municipal, o bairro Teutônia é considerado residencial e mantém marcas históricas

centros urbanos desa a a gestão

três bairros com características de centro. Eles mantêm peculiaridades que identificam as culturas e hábitos de cada um

o que fazer com o local. A estrutura corre o risco de desabar e não pode ser reaproveitada. Uma das sugestões é transformar o local em área de lazer.

Demanda maior para Canabarro

Apesar da intenção de investir os recursos públicos de forma homogênea, o bairro Canabarro recebeu atenção especial nos últimos anos. O crescimento populacional demandou ampliação de escolas como Teobaldo Closs, que atende 650 alunos. No loteamento 8, a expansão foi intensa com a construção de 128 casas populares no residencial Morada do Sol, pelo Programa Minha Casa Minha Vida.

O número de estudantes na escola 24 de Maio disparou para 450 matrículas, o segundo maior quadro de alunos

Espero que possamos construir mais um trecho da avenida 1 Leste em direção a Canabarro como alternativa. Quem sabe construir um viaduto sobre a ferrovia e chegar até a Vila Esperança.

Renato Altmann

Prefeito

na cidade. O bairro também recebeu uma das três equipes de Estratégia de Saúde da Família distribuídas em Canabarro. Em todo município, há três Unidades Básicas de Saúde e um Centro Avançado.

“Proporcionalmente, tem muito mais ruas, pessoas e demanda. Por isso precisou de mais recursos. Mas buscamos ser justos com a distribuição dos investimentos”, destaca o prefeito Renato Altmann.

No bairro Teutônia, a construção do posto de saúde é um marco, assim como a retomada da distribuição de água. “Assumimos da Corsan e passamos a ofertar água com tarifa mais baixa que a anterior.”

Mobilidade urbana é a pedra no caminho

Conforme o prefeito Altmann, no

cargo por dois mandatos, além dos pilares básicos como educação, saúde e segurança, a mobilidade urbana é o aos três principais bairros. A Via Láctea e o trajeto pela Carlos Arnt em Canabarro, Estrada Velha e Estrada da Várzea que ligam a Languiru e Teutônia. “Em 2009 inauguramos a ligação de Canabarro e Languiru pela Estrada Velha e foi uma obra histórica. Acabou melhorando, mas tem muito a se fazer. Espero que possamos construir mais um trecho da avenida 1 Leste em direção a Canabarro como alternativa. Quem sabe construir um viaduto sobre a ferrovia e chegar até a Vila Esperança.”

Sobre pavimentação, o Executivo criou lei obrigando as loteadoras a calçarem as ruas com paralelepípedo ou blocos. A medida polêmica gerou críticas, mas ocupação dos moradores.

O bairro Canabarro é o mais populoso do Vale do Taquari. Oferta de mão de obra atrai os moradores

Frota aumenta e número de acidentes dispara

Na área urbana, acontece ao menos um acidente por dia. A maioria, em cruzamentos

No ano passado, o Centro de Registro de Veículos Automotores (CRVA) emplacou em média 38 carros por mês, totalizando 466 no ano. Nos primeiros três meses de 2016, foram 121 cadastros. Conforme o Detran, o total de veículos no município alcança 20.999.

A infraestrutura despreparada para a crescente quantidade de veículos obriga as administrações públicas a traçar novos objetivos. O erro histórico de adotar o sistema rodoviário como principal meio de transporte provoca a saturação das ruas nas cidades. Enquanto motoristas do eixo Rio-São Paulo perdem até 46 minutos por dia em congestionamentos, no RS as rodovias e vias municipais têm um tempo menor, mas já dão mostras de saturação. Um pouco distante desse cenário, no Vale do Taquari, os mais de 213 mil veículos nos 36 municípios representam 4% da frota estadual.

Os dados recentes endossam a análise sobre o crescimento da frota. Fenômeno visto em todo o país, em especial após os incentivos com redução deciamento e com o aumento no poder

Números

Novos veículos

2015 – 466

2016 (janeiro a abril) – 163

Frota total (conforme o Detran)

20.999

as melhorias em infraestrutura viária não acompanharam essa tendência.

Acidentes

2015 – 359

2016 (janeiro a abril) – 151

Mortes

2015 – 7

2016 – Nenhuma

Acidentes e mortes no perímetro urbano, atendidos pela Brigada Militar até o dia 11.

o Departamento de Trânsito. Com equipe defasada, busca meios de orientar e conscientizar os motoristas, com objetivo de proporcionar mais segurança. Hoje, é composto pela responsável Margrit Grave e três servidores que também trabalham para a Secretaria de Obras. Com população estimada em 30 mil habitantes e três grandes bairros, o setor é responsável por manter a sinalização das vias do perímetro urbano. Renová-la com frequência é uma tarefa difícil. Na rua Carlos Arnt, em Canabarro, e na Três de Outubro, em Languiru, semáforos são aliados na organização do trânsito. A administração tentou licitar outro equipamento para a rua Major Bandeira, mas não obteve êxito.

esses problemas, reduzir o número de do perímetro urbano, atendido pela Brigada Militar, em 132 dias, foram 363 colisões. A maioria em curvas ou cru-

a maior parte dos acidentes é motivada pela falta de atenção dos condutores. No ano passado, aconteceram sete mor-

Pedro II, em Canabarro. Um ciclista cruzou sem sinalizar e o motociclista perdeu o controle do veículo. Eles caíram, e Alice morreu no local.

Ensinando na base

Em parceria com a Secretaria de Educação, o Departamento de Trânsito tenta ensinar os alunos desde a Educação Infantil. Os princípios de direção defensiva e ensinamentos básicos, como parar antes da faixa de pedestres, respeitar

conscientização é intensa. Palestras, simulação de acidentes e distribuição de

urbano. Em 2015, foram instaladas sete cruzes pretas em frente ao Centro Administrativo, no intuito de alertar os condutores para as mortes no trânsito.

Incômodos sobre a pista

Desde 2013, quando o Departamento de Trânsito começou a contar o

número de redutores de velocidade, foram 14 instalados. Na extensão de 3,5 quilômetros da rua Carlos Arnt, desde a rua Guilherme Trenepohl até a Estrada Velha, são oito. A medida se repete nas principais avenidas. Em ruas

lação ocorre com base na requisição do Legislativo a pedido da comunidade e análise do departamento.

Além das ondulações sobre a pista, quatro interseções no acesso aos bairros Canabarro, Languiru e Teutônia pela Via Láctea apresentam maior incômodo aos motoristas em horário de pico. O trajeto é importante e o congestionamento se torna inevitável.

MACIEL DELFINO

Colonizadores ensinaram a cantar e encantar

Cidade quer título de Capital Nacional do Canto Coral

Teutônia é palco de diversas manifestações artísticas. Do -

ram-se as expressões. Entretanto, as tradições alemãs caracterizam a cidade e rendem prêmios nacionais e reconhecimento internacional.

O título de Capital Nacional do Canto Coral é o mais expressivo pleiteado desde 2012. A solicitação aguarda aprovação

a colonizarem a localidade se reuniam e cantavam para se distrair em meio aos problemas da época. A tradição se mantém nos 50 corais ativos que integram mais de cinco mil cantores.

O Coral Municipal formado há 32 anos gravou o primeiro CD em dezembro do ano passado. O álbum com 12 canções demorou seis meses para ser concluído. Os 20 cantores gravaram as vozes separadas em estúdio. O investimento para as mil cópias foi de R$ 15 mil.

Defasagem muda compasso da Orquestra

Considerada principal produto artístico por representar o município fora do país, a Orquestra Municipal é composta

por 19 instrumentistas e dois vocalistas sob a regência do maestro Astor Dalferth. Por ano, realizam em média 60 apresentações. Até o início de 2016, o grupo era subsidiado pelo Executivo. Entre 2009 e 2015, recebeu mais de R$ 1 milhão para manutenção e pagamento aos músicos

No entanto, a Orquestra anunciou desligamento da administração em abril deste ano, por considerar o valor do anos de trajetória, o grupo realizou mais de mil espetáculos, gravou seis CDs e dois DVDs. Além disso, representou a cidade duas vezes na Alemanha e uma no Uruguai.

A Hora – Qual a importância da Orquestra para o município?

Astor Dalferth – A Orquestra de Teutônia é um dos maiores patrimônios da cidade. É um verdadeiro embaixador de Teutônia. Ao longo dos anos, tornou-se

anos de trabalhos, realizou espetáculos para um público superior a um milhão de ouvintes, seus CDs e DVDs rodam o mundo, e estima-se que mais de cinco milhões de pessoas já ouviram ou viram

a Orquestra por meio desses produtos.

enfrentada com o grupo?

Dalferth – Quando uma crise se instala num país, um dos primeiros setores a ser atingido é o de shows e entretenimento. Nesse sentido, está um ano muito complicado, mas estamos correndo atrás da máquina, buscando colocar o grupo a trabalhar.

Como ocorreu o polêmico desligamento com a administração municipal?

Dalferth – Foi unânime, com todos os músicos votando pelo desligamento. E eu sei quanto esses valores fazem falta a vários deles, mas a ética e a verdade falaram mais alto. Faltou sensibilidade e respeito por parte do prefeito, vice e secretário da Cultura. A Orquestra sempre esteve à dis-

posição. Desde a sua criação, os músicos recebiam um salário mínimo. O músico não é um super-herói, também pode adoecer, precisa pagar escola para seus humano normal que busca na música,mento em todos os sentidos. Espero que o próximo prefeito e secretário da Cultura sentem conosco, para que possamos elaborar um projeto diferenciado.

Orquestra Jovem assume os palcos

O Centro Cultural 25 de Julho prepara jovens para tocar instrumentos diversos. As aulas realizadas em Languiru garantiram que 16 alunos estivessem prontos para formar a Orquestra Jovem. Desde a ruptura da Orquestra Municipal com o Executivo, o grupo representa o

35 anos de Teutônia

município sob a coordenação de William Bayer, 25. Segundo ele, os ensaios foram ampliados. “Passei a mensagem para eles que tocaríamos em mais eventos, mas nada de extraordinário. Continuamos com nosso

Vocação turística

Composta por 13 pontos, a Rota Turística Delícias da Colônia colocou Teutônia no mapa regional como uma das cidades mais visitadas. A Lagoa da Harmonia, a 593m de altitude, atrai boa parte dos visitantes. Com oito hectares, trilha ecológica e rampa para salto de asa delta, proporciona passeio bucólico para quem deseja esquecer das atribulações

diárias. O local oferece cabanas e suítes para hospedagem.

Lagoa, Campeonato Gaúcho de Canoagem e o inédito Fun Run Rock Beer tornam o local ainda mais visitado. O automobilismo também escolheu a Harmonia como ponto para Encontro de Carros Antigos e Importados.

O Centro Administrativo atrai visitantes pelo estilo enxainel. No complexo, também está localizado o Museu Henrique Übel com artefatos históricos da colonização alemã e os instrumentos do Homem-Orquestra.

A Antick Haus Bergann, Restaurante Matinho, Engenho Quatro Ventos,

Pesque e Pague Stahlhofer e Artesanato

Sapato de Pau são pontos que destacam a cultura germânica e as atividades locais.

Festa de Maio

O evento organizado desde a primeira administração para comemorar a emancipação de Teutônia é outra marca. Nos primeiros anos, os dias de festa reuniam competições, motocross, apresentações musicais, de escolas e sindicatos.

Na última edição da Festa de Maio, as atrações reuniram mais de 70 mil pessoas nos três dias de evento. Para este ano, a organização espera superar as visitas de 2014. A Festa de Maio ocorre de 25 a 29 de maio, no Centro Administrativo.

A Associação Recreativa Cultural Artística (Arca), em parceria com a administração municipal, iniciou passo importante para o desenvolvimento da cultura na cidade. O governo cedeu terreno de 2,1 mil metros quadrados próximo ao novo prédio da câmara de vereadores onde será construído o Centro Cultural.

A Arca apresentou as demandas como camarins individuais, salas para secretaria e mezaninos a alunos da Univates. Eles farão o anteprojeto que será avaliado pela comissão julgadora. A segunda etapa é a captação de recursos para construção do prédio. O orçamento ainda não foi estipulado, mas a verba deve vir de emendas parlamentares e incentivo federal pela Lei Rouanet. O atual prédio do Centro Cultural 25 de Julho está defasado e não recebe melhorias.

A Lagoa da Harmonia é o principal ponto turístico da cidade e um dos mais visitados em toda região. Ela integra a rota turística Delícias da Colônia
MACIEL DELFINO

Via Láctea não

Faz cinco anos que o movimento Duplica Via Láctea luta pela

recebeu melhorias compatíveis com o-

corta o perímetro urbano.

Precariedade da rodovia motiva mobilização de rias. Mesmo assim, Cypel reconhece que

garante que a Via Láctea receberá melho-

acompanha desenvolvimento

líderes locais faz cinco anos. Campanha Duplica Via Láctea nasceu em 2011, mas custa a sensibilizar

outro veículo. O impacto foi tão forte que o casal teve fraturas e o veículo, perda total. Embora acredite que a imprudência seja a principal causa de acidentes, Luana sente falta de melhoria na sinalização. “Deveria ter mais placas e principalmente acostamento em toda via.” Depois do acidente, o casal tem receio de dirigir. Luana teme até andar na carona.

O atendente Jocelir José da Silva, 32, trabalha próximo à rótula em Linha Ribeiro. Segundo ele, acontecem muitos acidentes no local, a maioria causada pelo excesso de velocidade. “É um ponto que permite que os motoristas andem mais rápido nos

veículos, principalmente nos horários de entrada e saída das fábricas.”

A sugestão de Silva é a instalação de lombadas eletrônicas como em Estrela e

Venâncio Aires, obrigando os condutores a reduzirem a velocidade. Outros proble-

de quem faz o contorno.

O pintor Ivan Silva de Souza, 45, utiliza a Via Láctea todos os dias. É o principal acesso para chegar ao bairro Canabarro, onde trabalha. Quando tem serviço em outros bairros, o percurso permite cruzar a cidade. Embora tenha se acostumado com os problemas da via, Souza acredita que as rótulas de acesso deveriam ser fechadas. “Como trabalho sempre na rua, penso positivo para que nunca aconteça nada.”glas, 24, bateu o Fiat Punto em um Uno. Ao fazer o contorno, o veículo não parou e aconteceu a colisão. Apenas danos matérias foram registrados.

lerar o processo e atender a principal demanda, os projetos estão sendo elaborados, mas sem previsão de execução, nem orçamento. “Ainda não se fez estudos de viabilidade técnica. O que solicitamos, com mais urgência, é a construção de rótula fechada no acesso à Major Bandeira e próximo à empresa de laticínios, mas tudo demanda tempo”.

Representantes da EGR e administração municipal se reúnem na Câmara de In-

dústria, Comércio e Serviços para discutir o assunto e buscar agilidade. Segundo Ivandro, algumas mudanças na legislação podem ajudar no pleito. “Como as regras mudaram um pouco estamos em fase de reestruturação.”

Necessidade latente

Luana Carneiro, 28, e o namorado de Poço das Antas se acidentaram na rodovia. Em janeiro, colidiram de frente com

Via Láctea apresenta um dos maiores índices de acidentes em rodovias estaduais da região
o risco de quem trafega pela rodovia. Duplicação é urgente, mas inexiste pre
EDERSON KÄFFER

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