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AH - Pensar | 26 de janeiro de 2016

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Abertura

Parabéns, mas sem euforia

População: 78,8 mil

habitantes

Área: 90km2

Indústrias: 879

Construção Civil: 574 empresas

Comércios: 3.024

Serviços: 3.195 registros

Publicação do jornal A Hora.

Todos os direitos reservados Lajeado - Vale do Taquari - RS

A(*) Os dados do IBGE referem-se ao levantamento mais recente, feito em 2014

s conquistas de uma cidade que encontrou vocação no comércio e no serviço. Assumiu o protagonismo para se tornar referência regional e desponta com qualidade de vida reconhecida por pesquisas de âmbito nacional.

Lajeado chega aos 125 anos e comerada e a capacidade empreendora que sustenta emprego e desenvolvimento. Por outro lado, carece de melhor planejamento sob o ponto de vista sustentável. Mazelas comuns em grandes metrópoles se alastram diante da falta de planos duradouros.

Favorecida por um centro universitário e por instituições de formação técnica, Lajeado atrai em média mil

Fundado em 1º de julho de 2002

Diretor Geral: Adair Weiss

Diretor Editorial: Fernando Weiss

Diretor Administrativo: Fabrício de Almeida

Diretor Comercial: Sandro Lucas

pessoas por ano. A colonização predominantemente alemã, se mistura a novos jeitos e costumes. Diferentes culturas evocam variação de comportamento social e ampliam a ocupação dos espaços públicos. Pensar Lajeado deste ano traça um panorama entre passado e presente para atentar para o futuras gerações?

Para pluralizar as ideias e opiniões, convidou oito cidadãos a escrever sobre características e ações que representam em partes, as vocações locais.

nador José Ivo Sartori, dá a dimensão de como Lajeado é vista sob o aspecto político, desenvolvimentista e econômico pelo chefe de estado do RS.

RedaÁ„o Av. Benjamin Constant, 1034/201 Fone: 51 3710-4200 CEP 95900-000 - Lajeado - RS ahora@jornalahora.inf.br www.jornalahora.inf.br

Textos: Filipe Faleiro.

Arte: Gustavo Tomazi Capa: WO Design

CoordenaÁ„o editorial: Fernando Weiss

Taxa de analfabetismo de pessoas com 15 anos ou mais: 2,69%

Expectativa de vida ao nascer 75,41 anos

Orçamento municipal: R$ 279 mi

Limites: Estrela, Arroio do Meio, Marques de Souza, Cruzeiro do Sul, Santa Clara do Sul, Forquetinha.

Tiragem desta edição: 7.000 exemplares. Disponível para verificação junto ao impressor (ZH Editora Jornalística) Proibida a venda avulsa

Revis„o: Daniela Maronesi

Vontade de crescer faz parte da identidade

Polo regional, a maior cidade do Vale do Taquari completa 125 anos no dia 26 de janeiro. Para os moradores, a comemoração se sustenta nos altos índices de crescimento. A cada ano, mais pessoas se mudam para Lajeado. As oportunidades de trabalho, de estudo e a qualidade de vida acima da média preponderam para a escolha dos novos habitantes. Em paralelo, há uma extensa lista de carências eloquentes que desafia a comunidade local e alerta para o desenvolvimento desordenado.

De cidade rural, Lajeado se tornou referência regional e alcançou status de “capital” do Vale. A atividade primária foi substituída pela indústria, pelo comércio, pela construção civil e pela prestação de serviço. Em 30 anos, ganhou moradores, se urbanizou e evolui. Desenvolvimento calcado no empreendedorismo, trabalho e na vontade de crescer.

Pelo IBGE, está entre as mais desenvolvidas do RS e país. Antigo distrito de Estrela, o município comemora neste dia 26 de janeiro 125 anos de emancipação. De lá para cá, todo o fortalecimento da economia, expan-

resultaram melhorias na qualidade de vida da população. Mas também traduz mazelas emergentes.

PIB per capita dos municípios do país. Lajeado está em posição de destaque, no ranking estadual, das 463 cidades, está entre as 80 melhores. Segundo o levantamento, a média da produção de riqueza por pessoa supera R$ 37 mil. Dentro dessas características locais, o misto de trabalho, educação e qualidade de vida é um diferencial para manter moradores e atrair pessoas de outras cidades. Natural de Lajeado, o industriário Nelson Ferreira da Silva, 37, morou na capital, onde trabalhou por seis anos e

eletrônica. “Sempre tive relação com -

lia e com minha namorada.”

Decidiu voltar faz cinco anos. Nesse (um com 3 anos e outro com 9 meses).

Para ele, Lajeado oferece condições

ter tempo para o lazer e entretenimento. “Depois do trabalho, temos onde semana, sábado é para jogar futebol com os amigos.”

Com mais de 78 mil habitantes (estimativa do IBGE de 2014), a população aumenta. As oportunidades de

trabalho e estudo são dois motivos centrais para atrair cerca de mil novos moradores por ano.

Conforme a economista e presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Cíntia Agostini, Lajeado e a região têm um

renda à população.

Os setores de transformação, comércio, construção civil e prestação de serviço propiciam às pessoas condições para evoluírem. De acordo com ela, a mudança de Lajeado se metade dos anos 90. “Tínhamos uma característica rural. Enquanto na década de 70 a nação foi deixando como

A educação em Lajeado –um ponto a ser comemorado

Aatual situação brasileira é motivo de apreensão. Os investimentos, públicos e privados, em retração, cortes nas despesas de custeio, brigas políticas, nos levam a questionar

porém ainda desfruta de uma condição privilegiada na comparação

contínuo e dedicado da comunidade e do poder público que, ao

mos estabelecidos pela legislação.

resultados que, considerando as metas estabelecidas, deveriam sendo alcançado, quase que na plenitude, com destaque para a

Avanço em três décadas

piso nacional do magistério, bem como das ofertas para além do

ção, que complementam os recursos próprios do município são

Quando avançamos nos níveis de ensino os resultados também podem ser considerados satisfatórios, com destaque para os con-

dade da educação básica da região.

manter atento e avançar ainda mais, acreditando que só por meio da educação será possível desenvolver uma sociedade melhor.

Pró-reitor da Univates

Na década de 40, a população do município não--

ciamento de alimentos, em especial das carnes suínas e de frango, acelerou

as diferenças para a década passadas

lho, no tipo de moradias, nos serviços, no avanço do comércio e nas ofertas de entretenimento.

atividade dos amigos estava na lida no de tudo, nossas famílias também criavam animais.”

alimentícias, cada um seguiu um caminho. Orlando foi trabalhar na também saiu da colônia e virou perelembra Orlando. casas em comparação com o que tem

hoje. Era só plantação”, estima. Ver Lajeado hoje causa um pouco de espanto para os aposentados. A vinda de pessoas de outras regiões, as diferenças culturais e o crescimento das últimas décadas surpreendem. “Hoje a cidade é uma das mais evoluídas do estado. Nos últimos 30 anos, é difícil achar um município que se desenvolveu tanto”, acredita Olívio.

Um dos pontos mais positivos vistos pelo aposentado é o acesso a bens de consumo. “As famílias de antigamente não tinham carro. Era um em cada dez. Hoje muitos têm mais de dois veículos na garagem”, compara.

Moradores de várias regiões apostaram na cidade. Contribuíram no processo de urbanização. Com as oportunidades de trabalho, criaram

caso de Glaci Tavares de Oliveira, 82. Natural de Porto Alegre, Glaci, conhecido na cidade como “Brizola”, se mudou jovem para Realengo, no Rio de Janeiro. Atuava com impressão em faz 35 anos. “Tive a primeira empresa

Morador do bairro Moinhos, Brizola realça o desenvolvimento da área central de como era o centro da cidade. “Lajeado triplicou. Desde os primeiros anos aqui, eu percebia muita vontade dos moradores em crescer, se desenvolver. Como resultado, é o que vemos hoje.”

Pelo IBGE, Lajeado hoje é um centro sub-regional. Conceito que atribui à

nicípios vizinhos, por se distinguir na oferta de bens, serviços, movimentos populares, culturais e políticos.

Diversi cação

reduz impacto da crise

As estatísticas de emprego corroboram esse cenário de empreendedorismo da população local. Lajeado lidera na geração de postos de trabalho, no número de empresas e no PIB. Neste último item, as riquezas produzidas quadruplicaram da metade da década de 90 até 2013. Passou de R$ 554 milhões em 1996, para mais de R$ 2,8 bilhões, conforme dados da Fundação de Economia e Estatística do RS.

Lajeado tem hoje 7.597 empresas. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, o total representa mais de 30% do dos estabelecimentos no Vale do Taquari.

O comércio e a prestação de serviços se destacam. Os estabelecimentos empregam mais de 7,8 mil trabalhadores, que representa 42,9% do total de pessoas empregadas no setor em todo o Vale do Taquari. Segundo o Caged, a microrregião Lajeado\Estrela tem 7.738 estabelecimentos comerciais. Em Lajeado, estão 2.425 destas empresas (31,3%).

Já no setor de prestação dos serviços, em 2015, mais de 47% dos trabalhadores nessas atividades estavam em Lajeado. O total de empregos formais no ano passado superou 12 mil (em todas as cidades do Vale, pelo Caged, até novembro, eram 25.328 trabalhadores).

Geração de emprego

2007

admissões em Lajeado 12.853 (representa 34% do

do Vale do Taquari, que teve 36.881) 10.849 demissões em Lajeado (30% do Vale. Total foi de 35.713)

Variação: Lajeado 2.004 Região 1.168

2010

17.266 (representa 34% do total do Vale do Taquari, que teve 50.787)

admissões em Lajeado

2008

15.091 demissões em Lajeado (34,8% do Vale. Total foi de 43.361)

Variação: Lajeado 2.175 Região 7.426

2013

Variação: Lajeado 1.310 Região 3.060 admissões em Lajeado 18.285 (representa 35,2% do total do Vale do Taquari, que teve 51.855) 16.975 demissões em Lajeado (34,7% do Vale. Total foi de 48.785)

15.511 (representa 34,4% do total do Vale do Taquari, que teve 45.044) 13.598 demissões em Lajeado (33,1% do Vale. Total foi de 41.069)

admissões em Lajeado

Variação: Lajeado 1.913 Região 3.975

2011

17.908 (representa 34,4% do

admissões em Lajeado

do Vale do Taquari, que teve 52.059) 15.837 demissões em Lajeado (32,7% do Vale. Total foi de 48.448)

Variação: Lajeado 2.071 Região 3.611

2014

18.886 (representa 36,2% do total do Vale do Taquari, que teve 52.092) 17.490 demissões em Lajeado (35,2% do Vale. Total foi de 49.611)

admissões em Lajeado

Variação: Lajeado 1.396 Região 2.481

Lajeado 801 Região 2.122

Fonte: Caged\Ministério do Trabalho e Emprego

Voluntariado

Eta terrinha boa. Não foi por nada que escolhi Lajeado

cheia de pessoas maravilhosas, agrega mil outros todo o ano. Quando aqui cheguei em 1980, minha esposa foi estudar na “Fates” e eu me engajei com ela na luta pelo DCI, era minha inserção no voluntariado lajeadense. Mas acho que foi na APA do Ceat que o voluntariado ganhou força em mim, e está lá o Centro Comunitário, eu e um monte de gente trabalhamos por aquilo.

Contemporaneamente os teatros e shows da Deixa Sambar,petáculos em menos de dois anos. Foi aí que me puxaram para a Expovale (só ai foram 28 anos de voluntariado) quase todas as Doce Cidade, outras da Construmóbil, Agroindi Familiar, todas capitaneadas pela Acil.

Depois o seu Miguel Feldens do Conselho da Comunidade Carcerária me colocou a consertar albergue queimado, três ou

Lajeado, terceiro andar da Polícia Civil, orientações ao Quartel 22 (sede) da Brigada Militar, novo albergue junto ao Presídio

Estadual de Lajeado e agora o Presídio Feminino. Quem sabe amanhã: a Casa Bruno Born. Ufa, uma vida quase. Mas em to-

Diferentes culturas tornam Lajeado plural

Ainda que os imigrantes alemães sejam predominantes na história de Lajeado, a miscigenação com outras etnias foi mais acelerada do que em outras cidades. Como antes de 1850, período em que houve a chegada das primeiras famílias germânicas na região, já havia luso-brasileiros residentes no povoado.

outras cidades e regiões em busca de mescla de visões do mundo se misturou com a cultura germânica predominante. Diferentemente de outras cidaa conviver com as diferenças. para Lajeado por ano. Aspecto enalte-

cido pela população, a receptividade dos residentes facilita o entrosamento e torna a mudança menos impactante. de miscigenar a cultura local. Essa diversidade promove diferentes frentes hoje”, acredita Cíntia Agostini. Em levantamento feito pelo Codevatnais, os valores comunitários são voltaConforme a presidente do conselho, asdidos como o respeito às leis, autoridades e à ordem pública. “Esses conceitos permeiam a identidade de cada cidadão -

tes que querem ajudar na construção da cidade, região e estado.”

A predominância das culturas alemã e italiana se mistura com a chegada de outras etnias

Memória de trabalho e amizade

ão 40 anos de vida no Vale do Taquari, os primeiros seis em

Ferreira Nunes, 75, natural de CaLembra o dia exato em que pisou na -

Naqueles anos, a eclusa de Bom

Dava para atravessar de Lajeado para-

Como trabalho não faltava, outro motivo para o taxista escolher o Vale do Taquari foi o CTG, quando in-

As atividades se restringiam ao

As poucas lojas na rua Julio de Castilhos privilegiavam atendentes quesoas eram descendentes de imigranpessoas com um tom de pele mais

OPINIÃO

“Um grande time se faz com uma grande torcida”

Acredito que Lajeado não esteja preparado para ter um grande

Vocês podem me questionar por que, eu presidente do Lajeadense na Justamente por viver o dia a dia do nosso Lajeadense e também da

dupla Gre-Nal na região, combinando com os anos em que o Lajeadense que acabaram não conhecendo e se Depois, o apoio deveria ser masentidades, poder público, imprensa e demais seguimentos deveria ser total não está preparado para um grande voo, precisa ir crescendo aos poucos,sejam antes de gremistas ou colorados, 100% Lajeadense será difícil

Mas hoje acho que dentro das nossas possibilidades somos grandes, conquistamos títulos e crescemos em âmbitos estadual e nacional para quem sabe um dia conquistarmos

Nos muitos anos que vivi o futebol como atleta, presenciei o crescimento de clubes, que aos poucos e com planejamento, passaram do anonimato aos grandes palcos do futebol foi tão fulgurante que acabou por caindo nos já conhecidos problemas econômicos porque não se prepa-

Isso é fundamental, como também é importante entender que o crescimento depende exclusivamente do desempenho da equipe dentro de funcionamento aliado às conquistas darão fôlego e sustento aos demais

Por isso é necessário cuidar todos os detalhes que envolvem a equipe de futebol, proporcionando as melhores para que o desempenho alcance oportante também que todos tenham

Desde o início da década de 60, o co-

a consciência de que no futebol por possível e exigido, um gol perdido ou um gol sofrido podem enterrar todo um sonho e adiar para o ano seguinte

de desanimar e desistir de apoiar estaremos dando um passo para trás é importante ter muita, mais muita Lajeado tem potencial, mas não está preparado para ter um grande clube!

Mas e daqui para frente?

Dcidade-polo, Lajeado continua longe de ser exemplo regional numa série de inexpressivo, plano diretor defasado, patrimônio histórico depreciado, transporte alternativo, etc. Como evoluir nesses temas e construir um futuro melhor para dos gestores públicos e o necessário comprometimento de toda a sociedade. Verdadeiros paradoxos se erguem entre comparações de passado e presente.

Pensar Lajeado escolheu pontos e temas estratégicos da cidade para traçar “uma linha do tempo”, a partir das mudanças ocorridas nas últimas décadas.

OPINIÃO

A hora das respostas

Os jornais impressos não se caracterizam pela criatividade. Ousam muito pouco e, muitas vezes, escondem-se no mais obscuro conservadorismo para protegerem-se das ameaças mais renitentes e potencialmente fatais nos períodos de crises. São ferramentas fundamentais para a democracia, embora produzam inutilidades exasperantes, de tais produtos para os leitores. Entre essas esquecíveis iniciativas, destaco os tradicionais cadernospresentes na absoluta maioria dos jornais do interior. Tais “especiais”, repletos de mensagens natalinas, de reportagens requentada sobre o consumo da época e informações – ? – sobre o nascimento de Cristo não esclarecem absolutamente nada, mas enchem os caixas das empresas.

São um unguento preventivo à escassez de recursos gerada pelo marasmo econômico dos meses de janeiro e fevereiro, fenômeno tão -

te da cidade e a vontade de fugir para a praia.

Como eu me recuso a lê-los, evidentemente, não faria algo semelhante, mesmo que solicitado. Mas, por uma ironia, em novembro de 2012, em pleno exercício da asses-

soria especial a este jornal, fui solicitado a cometer a heresia de criar

Sabedor da proximidade com período de “vacas magras”, não reciclei velhas ideias. Propus algo novo e ousado à direção. Em vez de uma coisa insossa e irrelevante, uma publicação com uma densidade e seriedade capaz de provocar

conteúdo ambicioso a ponto de conquistar perenidade e levar a sociedade a pensar – Pensar Lajeado.

Pensar Lajeado

A ocasião não poderia ser mais oportuna: terminara uma eleição histórica; os eleitores haviam acabado de ungir o PT, a esquerda da simplória da dicotomia esquerda– direita –; e o mais importante para o jornalismo e à cidadania: dos poucos debates ocorridos, não sobreviera, ou sobrevivera, uma proposta capaz de fundamentar algo parecido com um planejamento público-administrativo. Tais constatações serviram de argumento para o projeto editorial denominado Pensar Lajeado que apresentei ao A Hora. E a publicação tomou forma com editorial, breves análises sobre o momento de cada um dos setores mais incisivos coordenados pela administração pública municipal – educação,

saúde, infraestrutura, economia – e 50 perguntas dirigidas a Luis Fernando Schmidt, prefeito recém-eleito, proferidas por 50 diferentes cidadãos.

Aquele “pensar diferente” criou uma oportunidade para o A Hora aprofundar sua linha orientada pelo jornalismo independente e a serviço da sociedade. E superou-se ao proporcionar uma ocasião rara para a nova administração pública aproximar suas ideias dos temas

mais prementes, expressos por aquelas pessoas do município. Passaram-se pouco mais de três anos e continuo sem saber aonde vai Lajeado. Muito menos qual a excelência que a faz diferente dos quase 500 municípios gaúchos. Não custa lembrar a perda lamentável da rica memória de projetos como Lajeado Século XXI e o Plano de Desenvolvimento do Vale do Taquari – PED –, gênesis do Codevat. Esforços coletivos descartados por sucessivas administrações municipais ao longo de mais de duas décadas. Hoje, quem somos é um mantra

privilegiada e diversidade cultural. Bom para a autoestima, embora não leve além do espaço ocupado pelo ego.

certa: abrirei o Pensar Lajeado “da hora” para dirimir minhas muitasnal, o tempo é de respostas.

Retrato da falta de planejamento

Arroio símbolo de Lajeado, o Engenho é retrato de uma cidade carente de planejamento ordenado, que priorizou o crescimento e ignorou o desenvolvimento ambiental. No início da aceleração da expansão urbana, em 1963, gestores públicos decidiram canalizar boa parte do manancial. Já poluído, o

engenho agonizava por um projeto de “revitalização”. Os anos passaram, as casas aumentaram e o esgoto despejado no arroio cresceu na mesma proporção. Lajeado tem apenas parcos 5% de esgoto tratado. O resto vai direto para os arroios que desaguam no Rio Taquari, entre eles, o Engenho.

O que poderia ser lugar de beleza singular, a exemplo de outras cidades mundo afora que aproveitam e conservam os arroios que cruzam as cidades (e aqui tem mais do que um), Lajeado deu as costas, canalizou para abafar o cheiro e esconder a sujeira. Comparação entre passado e presente

aponta para um futuro desanimador. Nos planos de governo de sucessivos gestores, não houve e não há sinal de que algo possa mudar em relação ao Engenho.

Ponte no Parque do EngenhoCanalização do arroio no centro

OPINIÃO

Sob um olhar de quem vem de fora, enfrenta o preconceito e as adversidades costumeiras;

Para mim, é uma conquista como imigrante ter a oportunidade de participar deste caderno como um dos atores, quando acelerada. Isso mostra que a cidade é diferenciada das demais, onde também habitam imigrantes, principalmente negros. Moramos num município onde a colonização é predominantemente alemã, por esse motivo que digo é uma oportunidade, visto que isso não é comum nas cidades germânicas. Para escrever sob um olhar de quem vem fora, enfrenta o preconceito e as adversidades costumeiras, teria muito a dizer pela minha experiência e como representante dos imigrantes. Porém, só vou fazer um pequeno comentário dizendo que Lajeado é uma cidade acolhedora e gostamos da cidade, mas ainda sofremos preconceito por sermos imigrantes, negros e por termos vindo de países pobres.

Muitos brasileiros pensam que as pessoas que vêm desses lugares são analfabetas e só podem fazer o trabalho forçado para sobreviver, por isso nós, como imigrantes, trabalhamos para mudar essa visão. Mas para que isso aconteça, precisamos que duas portas para podermos mostrar que temos cultura e podemos ajudar no crescimento da cidade.

versidades costumeiras, porque saímos de nossa terra com expectativas de encontrarmos uma vida melhor, mas chegando no Brasil, encontramos obstáculos que não combinam com nossas vivências e prejudicam nossa estada aqui.

Um exemplo é a Língua Portuguesa, pois não tem como viver bem se a gente mora num lugar e não fala o idioma da localidade. Quero terminar dizendo que gostamos da cidade de Lajeado e esperamos que os lajeadenses gostem de nós também, pois somos seres humanos iguais, dignos, com qualidades e defeitos como todos e precisamos lutar juntos contra o preconceito.

Simon Renel

Haitiano, recepcionista dos imigrantes no CRAS

Agora vai?

ORio Taquari trouxe os primeiros colonizadores, nos idos de 1800. Foi nas escadarias da beira do rio que pisaram os que dariam início a tudo que Lajeado é e tem. Com uso de mão de obra de escrava, ergueram prédios e construíram ruas. Fizeram o que, 125 anos depois, denominemos de “Centro Antigo”. Pouco do que foi feito naquela época segue “em pé”. E o pior: o que ainda resiste custa a ser preservado.

Lajeado desfruta de uma riqueza invejável, ofertada naturalmente pelo Taquari, que o banha em grande extensão. Mesmo assim, Lajeado recusa a valorizar. Olha de costas para o que poderia ser o cartão postal da cidade, sinônimo de turismo, educação, história e desenvolvimento.

Nas últimas décadas, não faltaram ideias. Mas faltaram vontade e decisão política para avançar os vários projetos criados para preservar o centro antigo e reestruturar toda a orla do Rio Taquari. Faz duas semanas, o atual governo iniciou a primeira parte do projeto de ocupação decente das margens do rio.

Investimento do governo municipal nesta primeira etapa é de R$ 770 milhões e contempla o belvedere da rua Osvaldo Aranha e pavimentações. Os prédios e as ruas históricas (ainda existe um trecho de paralelepípedo construído pelos escravos) estão apartados do projeto inicial e aguardam por escolhas políticas de quem tem a caneta na mão, para se tornarem símbolo histórico, cultural e econômico da cidade.

Urbanização avança pelos bairros

OPINIÃO

Um povo sem história, é um povo sem vida

O mundo todo é movido pela história dos antepassados, pelas descobertas e conquistas, que levaram a civilização ao desenvolvimento que temos. O turismo é a maior indústria do mundo e não causa nenhuma poluição que tantos prejuízos trazem para a humanidade.

As pessoas viajam o mundo inteiro visitando, principalmente, os países que têm mais história para oferecer aos turistas como: monumentos e prédios antigos que contam e relatam a evolução da humanidade. Nós brasileiros temos que dar mais valor para nossa história, preservando e revitalizando o nosso patrimônio histórico.

Os parcos 90 quilômetros quadrados de área abarcam 27 bairros. Lajeado cresce por todos os cantos. Nuns mais, outros menos. São pelo menos mil novos habitantes por ano, que buscam casa, emprego, creche, lazer, saúde, educação. As áreas de terras, com lavouras de milho e soja, potreiros e galpões de gado, viram loteamentos e mudam o cenário.

Ireno Gross, 68, nasceu e viveu em todos saíram de casa. “Tudo traba-

ele vendeu para loteadoras. Vive sozinho e acompanha Carneiros se transformando em cidade. Em parte do seu terreno ainda cria galinhas, porcos e algumas vacas. Mas sabe que está com os dias contados. “A cidade vai me pressionando. Gosto daqui. De sentar na área, tomar chimarrão e

ver o movimento.”

Ireno representa centenas de moradores antigos de Lajeado. Donos de grandes áreas de terras, veem casas substituindo pés de milho. No último ano, o governo municipal gerou quatro mil novos títulos de IPTU e Lajeado chega perto de 60 mil domicílios, entre residenciais e comerciais.

O olhar empreendedor de loteadoras atende a demanda por novas moradias. O Plano Diretor, principal ferramenta reguladora da expansão segue defasa-

Avanços exigem mais e melhor infraestrutura dos novos loteamentos. Ainda ignoramos o tratamento

Corsan, em implantar os sistemas de tratamento nos locais onde a cidade

criarmos mais e melhores regras para as novas construções. Crescemos, mas evoluímos em escala bem menor.

Na região do Vale do Taquari, essa consciência de valorização de prédios e monumentos históricos está crescendo e já podemos notar o interesse dos turistas de visitarem essas cidades e regiões que oferecem a possibilidade para as pessoas encontrarem e viverem um pouco da história dos antepassados.

Em julho de 2012, o governo municipal de nossa cidade instituiu o Plano de Revitalização do Centro Histórico de Lajeado, justamente para preservar e recuperar os monumentos e prédios antigos que traduzem a história de Lajeado desde a criação.

Queremos e podemos revitalizar o Centro Histórico de Lajeado, tornando a cidade mais alegre, segura, limpa, bonita, feliz, proporcionando mais qualidade de vida para a população e visitantes.

Para que esse sonho se torne realidade é preciso uma participação mais efetiva do Executivo e Legislativo, mediante a criação de projetos que visem a Revitalização do Centro Histórico de Lajeado.

Vamos recuperar o patrimônio histórico de lajeado, que é o maior legado que nós podemos deixar para as futuras gerações. “O futuro pertence as pessoas que acreditam nos seus sonhos.”

Ítalo Reali

Presidente do Comitê Gestor do Plano de Revitalização do Centro Histórico de Lajeado

ANDERSON LOPES

Movimentos culturais e a importância para formação social e étnica

“Pensar Lajeado”, no sentido proposto pelo Editor, enseja avaliações, críticas e sugestões, e o tema converge para as ações formadoras da “Cultura da Cidade”, que engloba o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões do coletivo dos habitantes.

De início cabe salientar em nossa cidade as peculiaridades de uma aspectos positivos, há carências nas quais enquadramos em três itens formadores da sua “cultura”: Identidade, Espírito Comunitário e Visão de Futuro.

Lajeado pouco se distingue por uma Identidade visual, a principal imagem que traz a lembrança. O que a lembra um pouco são os remanescentes de sua vegetação ainda não destruída graças às abençoadas cheias do Taquari. Tendo começado nas margens do rio, foi se e a urbanização fragmentada e sem um padrão nos seus caminhos

poderíamos ter uma grande rótula, com área pública e algo erigido o que poderia nos dar um símbolo.

O Espírito Comunitário se traduz pelo desprendimento e cobrança mútua nas ações e postura para o bem comum e nesse aspecto tanto a população quanto o poder público pouco tem investido na educação comportamental primária dos cidadãos, optando mais para a restrição

cracia causando congestionamento e poluição em todos os sentidos. ordem cegam pessoas e a racionalidade cede ao personalismo e vaidade. Em ocasião oportuna se desprezou uma grande área na cidadelelos e mais áreas de lazer dando, ao lado das facilidades inerentes, uma identidade à cidade. E, repetindo os fatos, nosso hospital, por

Similarmente, nosso tradicional Clube Social blindou-se para a visão de futuro não levando seu salão de eventos para outra área disponível e com isso não só perdendo as benesses da natureza lá e cá, mas perturbando área residencial. Por outro lado, costumo sempre salientar o conjunto de fatores que fazem nossa cidade diferenciada como poucas. Temos um rio na-

ornamentos sejam acrescentados. Em termos culturais há que ser Música. Tendo-se criado já o ambiente físico, a arte que está na de se viver.

esportes como na autossustentabilidade, assim sonhado quando da criação da Fundação Pró-Rio Taquari, que deve ser integrada às compartilhamento humanístico das suas margens, o que somaria nos aspectos da Identidade Cultural, outrora muito viva quando Lajeado era um porto à capital.

Mobilidade urbana

Nmantinha características de colônia. Ter um carro era sinônimo de singularidade

da Chafariz, eram pouco movimentadas e o transporte coletivo mantinha meia dúzia de itinerários por dia,

outra. Com um dos maiores índices de carro por habitante no estado, Lajeado sofre com problemas de -

população, permanece quase incólume aos novos e modernos modelos de transporte disponíveis. Ciclovias adequadas, transporte coletivo funcional, calçadas públicas decentes formam um conjunto de necessidades que sequer estão no papel e seguem a desafiar as de metrô, trem de superfície, entre outros modelos de transporte alternativo praticados no mundo inteiro estão distantes da realidade lajeadense, que se limita a pensar sobre os meios tradicionais.

Polo de comércio e serviço

Comércio e serviço assumem a bandeira econômico, ainda que a indústria tenha papel preponderanete na formação econômica da cidade. O espírito emprendedor tem ligação intrínseca com a população lajeadense. Quem sabe, o espírito guerreiro e a superação dos antepassados possa

servir de exemplo e inspiração para que a geração atual consiga fazer de Lajeado um exemplo de excelência de comércio e serviços para todo estado. Um centro de eventos, por exemplo, ainda se restringe ao sonho de alguns líderes e custa sair do papel, mesmo que a relevância e necessidade sejam indiscutíveis.

OPINIÃO

Foi-se o tempo que o Poder Público solucionava tudo

Espaços públicos são locais de encontro acessíveis a todos. Ruas de lazer, parques e praças, calçadas onde transitam idosos e crianças, automóveis e bicicletas e gente de diversas culturas como estamos assistindo em Lajeado. Esses espaços organizados de maneira criativa promovem a cidade, aproximam as pessoas e incentivam a cultura.

No entanto, a paisagem criativa em nossa cidade é desanimadora. A Julio de Castilhos é uma vergonha em sua aridez verde, no “plantio” de postes que, pelo menos, poderiam ser ocupados artisticamente. Tudo bem, o governo não tem como dar conta de tudo? Então está mais do que na hora das empresas e organizações de lideranças começarem a olhar para essa cidade como uma grande célula social e participarem ativamente.

Não esperar que o governo faça tudo. Podem começar adotando os ambientes públicos. Não em troca de favores, de mudanças notos, altos edifícios, com certeza não humanizam uma cidade, mas padronizam de forma medíocre.

A cidade que atrai mil habitantes por ano tem cada vez menos segurança, menos vagas em creches e escolas públicas, menos vagas hospitalares, menos espaço de convivência. Haja imposto para rodar a economia criativa e mudar essa cidade que tantos acham bela e promissora.

Essa é a minha percepção crítica de Lajeado. Foi-se o tempo que os órgão públicos solucionavam todas nossas demandas por qualidade de vida. Entidades e instituições devem fazer a sua parte porque bem-estar passa, necessariamente, por orgulho da identidade cultural coletiva e plural. Minha percepção também diz que todos

Marcos históricos

Colonização açoriana

A habitação do território de Lajeado começou no século XIX. Os irmãos João e José Teixeira, vindos de Santa Catarina, começaram o vilarejo ao dividir as sesmarias em fazendas, a de Conventos e Lajeado. Exploravam madeira e erva-mate. Os produtos eram transportados por balsas e levados até Proto Alegre.

Chegada dos escravos

Vindos para trabalhar nas terras dos irmãos Teixeira, os negros chegaram a partir de 1808. Os donos das terras tinham 300 escravos registrados.

Vale fértil

Documento da Câmara de Taquari enviado ao presidente da Província em 1852. No texto, informavam a qualidade das terras do Vale do Taquari para a atividade agrícola.

Vinda dos imigrantes

As primeiras famílias germânicas começaram a chegar em Lajeado a partir de 1853. Naqueles anos, Antônio Fialho de Vargas havia comprado terras em Lajeado e começou a vender lotes para os imigrantes. Os primeiros povoados se formaram às margens do Rio Taquari. Em 1858, começou o povoamento no bairro Conventos.

Formação da área comercial

A construção do engenho onde hoje é o Parque Municipal Schlabitz. O local foi o berço da cidade, onde Antônio Fialho de Vargas construiu, em 1862, o primeiro complexo industrial e comercial de Lajeado. O engenho de serra e moinho de cereais. Em 1873, Filipe Hexsel comprou a propriedade. Ele aperfeiçoou os mecanismos e ampliou o complexo industrial, anexando um terceiro canal, roda d’água e engenho para descascar arroz e extrair óleo de amendoim, combustível para a iluminação doméstica.

Núcleo urbano

Fialho de Vargas doou, em 1872, a área a esquina da rua Júlio de Castilhos com a Borges de Medeiros para a construção da Praça, casa dos padres, igreja e colégio. A parte urbana da cidade começou a se formar devido ao trabalho do engenho e a hidrovia do Rio Taquari. Nos registros da época constam que cerca de 80% do território da cidade era de mata. Também havia 68 propriedades rurais.

Emancipação

Lajeado se emancipou de Estrela no dia 26 de janeiro de 1891. O ato foi assinado pelo general da Divisão de Cândido José da Costa. A solenidade de criação do município foi em fevereiro daquele ano. O 1º presidente da Junta Municipal foi Frederico Henrique Jaeger.

Batalhas da Revolução Federalista

Em setembro de 1893, os maragatos invadiram Lajeado pela primeira vez. A ação resultou em muitas mortes e alertou os republicanos. Com apoio de mais combatentes de Estrela, a força massacrou os invasores. A última batalha foi em maio de 1985 em Travesseiro.

Prefeitura de Lajeado

A sede da administração municipal em 1900 passou para onde é hoje a Casa de Cultura. Único prédio de Lajeado tombado no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Instalação de cursos superiores

Em 1964, foi criada a Associação Pró-Ensino Universitário do Alto Taquari, sendo em 1972 criada a Fundação Alto Taquari de Ensino Superior (Fates), a Univates.

O que Lajeado tem para comemorar nestes 125 anos?

Cite três aspectos positivos e outros três que precisam melhorar na cidade.

Eder Luís Sehnem, 46 anos, microempresário, natural de Lajeado

“Temos de comemorar o crescimento. A cidade proporciona qualidade de vida à população. Como aspectos positivos realço a receptividade do povo. Pessoas vêm de fora e sempre falam isso, como são bem recebidas aqui. Temos a Univates, que está se tornando um polo tecnológico, isso trará desenvolvimento às indústrias. Também destaco a arborização de Lajeado. Há vários locais para lazer, como os parques e praças. Já o que precisa melhorar, passa por uma mudança cultural. Vejo muito lixo jogado em áreas verdes, na encosta do Rio Taquari. A população poderia contribuir com isso e não sujar a natureza. Penso que nosso trânsito precise de algumas melhorias, em especial nos pontos onde há engarrafamentos, como na

passagem da ERS-130, na rótula da

instalação de indústrias na cidade.”

Luciano Balarz, 39 anos, zelador, natural de Lajeado

“Nossa cidade evoluiu muito. Temos mais população do que há alguns anos, mais indústrias. Cresceu e se modernizou. Como exemplo positivo, vejo que nos tornamos o polo da região. Lajeado tem um papel de destaque na região, serve de referência em diversos serviços, como no atendimento do Hospital Bruno Born. Pessoas de todo o Estado vêm para serem atendidas aqui. Outro ponto importante é o comportamento da população. As pessoas aqui têm vontade de crescer. Trabalham, estudam, se dedicam para conseguir evoluir. Talvez por isso tenhamos

conseguido avançar tanto. Como pontos negativos, percebo um crescimento da criminalidade. Os governos também precisam organizar a urbanização. Como aumentou a população, percebo que o atendimento em saúde nos postos precise melhorar. Com mais demanda, percebo algumas dificuldades para marcar consultas com especialistas.”

Vandeci Agostini, 44 anos, açougueiro, mora em Lajeado faz 18 anos

“É uma cidade boa de viver. Penso que o convívio com a população seja um dos aspectos positivos de Lajeado. O centro é tranquilo, temos opções de restaurantes, lancherias, sorveterias. Outra coisa boa são as áreas de lazer. Temos o Parque dos Dick, o Jardim Botânico.

sito. Em alguns horários é difícil trafegar. O estacionamento rotativo no centro é outro problema. Esse sistema é falho, causa confusão. Também é preciso rever o transporte urbano. Faltam horários de ônibus entre os bairros, principalmente nos

Viviane Wildner, 23 anos, manicure e depiladora, mora em Lajeado faz dez anos

Para melhorar, começo pelo trân-

Lajeado. É bom viver aqui, temos qualidade de vida. Outro ponto são as opções de lazer e entretenimento. Também vejo uma boa organização da cidade. Como aspectos para melhorar, no salão escuto muitas reclamações sobre o estacionamento rotativo. Isso poderia ser facilitado. O atendimento em saúde nos postos também precisa melhorar. Outro ponto negativo é a poluição do Rio Taquari.”

Mauro Santos, 52 anos, representante comercial, natural de Lajeado

“Nossa cidade é privilegiada, próspera e bonita. Aqueles que vêm de fora não querem mais sair daqui. Nossa população é hospitaleira, temos qualidade de vida e condições para crescer. Sou um entusiasta de Lajeado. Gosto muito de morar aqui e me orgulho

Para melhorar, me preocupo com o crescimento da drogadição. Isso traz consequências e aumenta a insegurança. Ainda que tenhamos boas praças e parques, acho que o governo poderia investir em mais segurança no Parque dos Dick. Também penso políticas públicas para incentivar as indústrias, em especial as de médio e pequeno porte.”

Moisés Restelli, 33 anos, mecânico, natural de Relvado, em Lajeado faz dez anos

“Temos de comemorar o progresso da cidade. Lajeado é hoje um polo, uma referência para todos os municípios próximos. Vejo que a cidade tem de tudo, como uma cidade grande, mas

sem os problemas de uma metrópole.

taque. Estamos no centro do RS, perto da capital, perto das regiões produtoras. Lajeado é uma cidade harmônica, tem praças, é arborizada, dá condições para as pessoas aproveitarem a vida. Para melhorar, como em uma cidade em expansão, a criminalidade segue essa tendência. É necessário investir mais na infraestrutura urbana, melhorar as vias, pavimentar aquelas de -

ção dos lajeadenses é a falta de vagas na Educação Infantil.”

Willian do Carmo José, 27 anos, microempresário, natural de Jaguapitã (Paraná), em Lajeado faz um ano e meio

“Lajeado é uma cidade muito boa para viver. O centro comercial tem de tudo. De onde eu vim, não tem essa variedade. Não tem esse movimento todos os dias. Lá a opção dos lojistas era fazer eventos e estender horários para atrair os clientes.

Também percebo que a população é bons amigos. Isso ajuda os novos moradores a se entrosar. Outro aspecto é o atendimento em saúde. Sempre que precisei da UPA ou dos postos de saúde, fui bem atendido. Pode ter

paração com outros lugares, Lajeado está na frente. A Univates também é um aspecto positivo, pois possibilita oportunidades de formação e atrai moradores.

Como coisas para melhorar, o estacionamento rotativo no centro é ruim. Deveriam facilitar para os motoristas. O IPTU também é muito caro. Também temos algumas ruas e avenidas com o asfalto cheio de buracos. Poderiam investir em materiais de mais qualidade para evitar a degradação das vias.”

Herton Presser, 54 anos, taxista na Praça da Matriz, nasceu em Marques de Souza quando ainda fazia parte de Lajeado

aqui na Matriz. A falta de tratamento do esgoto e a poluição do Rio Taquari são aspectos negativos.”

Valmir Antônio Baptista, 45 anos, comerciante, natural de Putinga, em Lajeado faz 17 anos

“A principal comemoração neste aniversário é o progresso de Lajeado. Em serviços essenciais, como na saúde, temos um bom atendimento. Tanto no HBB quanto nos postos de saúde. Lajeado tem tudo o que é preciso. Há opções de restaurantes, bares, par-

também é um destaque. Estamos perto das principais regiões do estado. Como pontos ruins, vemos um aumento dos índices de criminalidapreocupação, pois vemos cada vez mais dependentes nas praças, como

“Lajeado é uma cidade próspera, boa de viver e que tem tudo o que uma metrópole tem. Esses são aspectos positivos. Além disso, a localização geolocal. Estamos no centro do estado, perto da capital, da Região Metropolitana e da serra. Também proporciona aos moradores oportunidades de trabalhar, estudar e assim evoluir, conquistar objetivos e ter qualidade de vida.

Como pontos negativos, vejo a questão das enchentes. Sabe-se que todo o ano o rio sobe e invade casas, obrigando a retirada de muitas famílias das áreas de risco. Poderiam implementar alguns projetos que já foram falados, como construir um dique. Apesar de eu não ter carro, escuto muitas reclamações sobre o estacionamento rotativo. Também penso que o rio deveria ser aproveitado. Primeiro reduzindo a poluição para depois explorar a área para lazer. Fazer eventos de canoagem é um exemplo de algo que ocorria e que não vejo mais.”

Entrevista com o governador

“Exemplo do Rio Grande que dá certo”

A interferência da comunidade local na resolução de problemas é apontada pelo governador José Ivo Sartori como um diferencial de Lajeado e do Vale do Taquari. Em meio à tentativa do chefe do Piratini em sanar o déficit financeiro do RS, investimentos prioritários, como a duplicação da ERS-130 terão de esperar mais alguns anos. Em entrevista ao caderno Pensar Lajeado, o governador realça a necessidade de união dos gaúchos para superar o momento de crise.

A Hora – Tendo em vista que Lajeado está entre as cidades com maior PIB per capita do RS, quais as estratégias do governo do Estado para reforçar o desenvolvimento do município?

José Ivo Sartori – O governo vem trabalhando para tornar o estado mais ágil, menos voltado para si mesmo. E, neste sentido, queremos impulsionar a economia do município, da região e do estado, de modo que o crescimento se dê de forma equilibrada, sempre respeitando as vocações da região. Mas sabemos da importância de reforçar a competitividade e o desenvolvimento. Algumas ações da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, previstas no Plano Plurianual 2016-2019, incidem sobre essa característica, como a de deseninovação e a de Fortalecimento dos Arranjos Produtivos Locais e Extensão

Produtiva e Inovação, abrangidas pelo Programa de Fomento ao Desenvolvimento Produtivo, Empreendedorismo

bém são importantes para garantir o crescimento dos diversos setores como indústria, agropecuária e serviços.

Dentro do contexto de desenvolvimento humano, pesquisas recentes apontaram Lajeado como uma das melhores cidades para se viver no país. Para o senhor, no que a população local pode contribuir com o estado neste momento de incerteza?

Sartori – Temos dito: o estado não pode fazer tudo sozinho. É fundamental construirmos parcerias, trabalharmos de forma integrada, articulada, com vistas a buscar as melhores soluções para o município e para a região. Sem dúvida, as parcerias e a solidarie-

dade serão fundamentais para que o Rio Grande volte a ser grande.

O avanço de Lajeado é recente. Nos últimos 30 anos deixou o

indústria, comércio e prestação de serviços. Hoje tem empresas importantes, em especial na área alimentícia e de doces. Para o governador, quais as principais potencialidades de Lajeado?

Sartori – Os indicadores sociais, especialmente de saúde e de educação, destacam-se no contexto estadual. As ações do governo do Estado devem ser coordenadas para alavancar essas potencialidades. O estado deve ser um indutor, um articulador de ações para o desenvolvimento. Se o município vai ganha com isso.

Como o governo estadual avalia o

Vale do Taquari, que tem com polo Lajeado? Tanto na questão populacional, quanto na geração de renda, emprego e tributos para o RS?

Sartori – Ao longo dos anos, a região vem crescendo e contribuindo para a economia do estado e do Vale do Taquari, gerando emprego, renda e deno dinamismo da economia, com base industrial, agropecuária e serviços, além de indicadores sociais positivos. Mas sabemos que há muito a avançar e fazer, temos consciência disso. O trabalho é longo e estamos colocando a casa em ordem para que o desenvolvimento e as oportunidades cheguem a todos. Algumas estratégias para o desenvolvimento local residem no apoio à produção agropecuária, no fortalecimento da identidade regional, no fomento à multimodalidade de transportes e na promoção da expansão industrial. No campo de obras e investi-

comunitário, em que instituiçõesdes que seriam dos governantes. Como no caso das obras no presícom a Associação Lajeadense

angariaram verbas para construir feminina. Apesar da vontade doscisam de interferência do Piratini, -

podem esperar de obras do governo do Estado neste ano de 2016?

Sartori – Sabemos que há uma série de demandas importantes para a região

manutenção das rodovias já temos um -

esforçado para manter os serviços

Plurianual 2016-2019 aponta para obras rodovias sob administração da EGR melhoria da qualidade da energia elé-

destinada aos presos do regime semi-

o governador, quais medidas devem e o consumo de entorpecentes?

Sartori – -

Uma das prioridades apontadas

cantado, Arroio do Meio e Lajeado.

Sartori –nossas estradas é um trabalho de extre-

trafegabilidade nas estradas. Embora

LUIZ CHAVES\PALÁCIO PIRATINI

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AH - Pensar | 26 de janeiro de 2016 by Jornal A Hora - Issuu