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AH - Negócios em Pauta | 27 e 28 de maio de 2017

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Personalidade à frente de uma das empresas de maior destaque em consultoria para inovação, Thais Reali desvenda conceitos e tendências do mundo corporativo Vale do Taquari Maio de 2017

Páginas 4 a 7

TRIBUTAÇÃO

Planejamento reduz impostos

Coordenador do Grupo de Estudos do Sescon-RS, Flávio Dondoni Jr. apresentou painel sobre os modelos de tributação empresarial

A compreensão sobre o enquadramento tributário de empresas e produtos não é uma necessidade apenas dos contadores. Diante de uma legislação fiscal complexa, planejar e monitorar as ques tões relativas ao recolhimento dos impostos se torna es sencial para a gestão corpo rativa. Bacharel em Ciências Contábeis e pós-graduado em Gestão Empresarial e Marketing de Serviços, Flávio Dondoni Jr. abordou o tema no 4° Workshop Negócios em Pauta. Segundo ele, o planejamento tributário evita o escoamento de recursos indevidos para o Fisco.

Páginas 8 a 11

ECONOMIA CRIATIVA

Custo das contratações e demissões desafia gestores

Instabilidade econômica exige mudança na forma como empregados e empregadores encaram o mercado de trabalho. Empresas passam a valorizar mais o perfil comportamental dos candidatos em

detrimento das informações prestadas em currículos para evitar gastos com a rotatividade. Ao mesmo tempo, profissionais priorizam a satisfação pessoal no momento de buscar uma colocação.

Páginas 14 e 15

Realização Parceiros

Próximos Workshops

22/2/17 – Lajeado Planejamento Estratégico

29/3/17 – Estrela Fluxo de Caixa

26/4/17 – Teutônia Indicadores de Gestão

24/5/17 – Lajeado Modelo Tributário

28/6/17 – Encantado | Gente como potencializar o desempenho coletivo e os talentos?

26/7/17 – Arroio do Meio Educação Financeira

23/8/17 – Guaporé Linhas de Crédito

18/9/17 – Taquari Educação Continuada

25/10/17 – Estrela Plano de Marketing

29/11/17 – Teutônia Fidelização

20/12/17 – Lajeado Modelos Mentais

12/1/18 – Lajeado Quebra de Paradigma

QUEM FEZ ESTA EDIÇÃO

Direção Editorial e Coordenação: Fernando Weiss

Produção: Thiago Maurique

Diagramação: Fábio Costa Revisão Viandara Rempel

EDITORIAL

Empreender exige planejamento

Sonho de muitos brasileiros, a abertura do próprio negócio ganha um novo significado devido ao avanço do desemprego. Com a crise econômica, a opção pelo empreendedorismo é vista como um caminho natural diante da falta de oportunidades no mercado de trabalho. Porém, o que parece ser a solução para a geração de renda pode se tornar um problema ainda maior, pois seis em cada dez novas empresas fecham as portas com menos de meio ano de atividade. Denominador comum para o fracasso dos empreendimentos, a ausência de planejamento continua sendo a tônica da maioria das organizações. Dados do Sebrae mostram que a análise inicial é um dos principais fatores para o sucesso de uma empresa. Conforme a entidade, as organizações com maior prevalência no mercado passam em média por oito meses de planejamento antes da abertura do negócio.

Esta edição do Negócios em Pauta aborda um fator fundamental, mas muito negligenciado pelas administrações empresariais. Tema do quarto workshop do projeto, o planejamento tributário evita o escoamento de recursos indevidos para a Receita Federal e facilita a manutenção da saúde financeira de uma companhia.

A mudanças na economia também trazem uma nova realidade às relações de trabalho. Obrigadas a rever os elevados custos dos processos de admissão e contratação, empresas revêm a metodologia das contratações buscando aumentar a assertividade do

Setor de Recursos Humanos.

Esse cenário exige uma nova postura por parte dos trabalhadores. Profissionais com comportamento adequado aos valores das organizações levam vantagem na comparação com aqueles que têm bons currículos, mas atitudes menos produtivas. Os desafios de contratar e ser contratado podem ser conferidos em reportagem que tem como entrevistado o especialista em Gestão de Pessoas, José Ronaldo Peyroton, palestrante do Reload Sindilojas 2016.

A entrevista deste mês aborda os caminhos para o sucesso de uma jovem empresária nascida em Lajeado que se tornou referência nacional em inovação. Aos 39 anos, Thais Reali acumula mais de duas décadas de experiência, tendo se dedicado desde o início da carreira a desvendar conceitos e tendências que hoje fazem parte do vocabulário do mundo corporativo. Thais liderou o projeto que resultou na construção do primeiro prédio baseado em conceitos de economia compartilhada e co-habitação do país, da incorporadora Wikihaus. O trabalho foi vencedor do prêmio Top of Marketing ADVBRS 2016 na categoria Construção de Relacionamentos. Na sessão de economia doméstica, o Negócios em Pauta aborda dicas para economizar nas compras cotidianas em supermercados. Professor de Finanças Pessoais e Empresariais da Univates, Ilocir José Führ mostra como mudar os conceitos de consumo ajuda a reduzir os gastos.

Boa leitura

DUAS FRASES

É possível planejar para a elisão ou sonegação, e é preciso ter o cuidado de sempre manter a legalidade.”

Leonita Santos Buffet Diretora da Docile

Tenho 32 anos de atividade [...] e não sei como consegui conduzir de forma desorganizada por tanto tempo.”

Claudir Degasperi Empresário

Entrevista THAIS REALI

“As empresas pequenas são as que mais têm condições de inovar

Empresária à frente de projetos de destaque nacional, Thais Reali se tornou referência nas tendências do mercado corporativo

Personalidade à frente de uma das empresas de maior destaque em consultoria de comportamento e inovação, Thais Reali se dedicou desde o início da carreira a desvendar conceitos e tendências que hoje fazem parte do vocabulário do mundo corporativo.

Aos 16 anos, ingressou na

primeira turma do curso de administração da UFRGS e logo passou a integrar estágios e trabalhos voluntários para aliar o aperfeiçoamento teórico e prático. Aos 25, criou a Reali Hub For Innovation, aspirando projetos capazes de modificar o mercado. Hoje, aos 39 anos, acumula mais de duas décadas de experiência no setor. Em seu

portfólio, estão trabalhos para empresas como Grendene, Hering, Grupo Brinox, AGCO do Brasil, Avon, Cyrela, Melnick Even, Nex Group e Bebidas Fruki.

Liderou o projeto que resultou na construção do primeiro prédio baseado em conceitos de economia compartilhada e co-habitação do país, para a incorporadora Wikihaus. O tra-

balho resultou no prêmio Top of Marketing ADVBRS 2016, na categoria Construção de Relacionamentos.

Professora na ESPM, na PUCRS e na Descola, escola de inovação online. Também é reconhecida por inovar na forma como conduz as atividades em sala de aula. Thais afirma manter forte relação com Lajeado, cidade onde nasceu.

Negócios em Pauta –Quais as influências que fizeram você escolher trabalhar com a gestão de empresas?

THAIS REALI - Sempre admirei muito meu pai que, foi por anos executivo da SUR Elevadores, hoje Thyssen Krupp. Ele era um inquieto, um cara para quem o não de hoje representava o início de um sim amanhã. Sempre foi muito otimista e batalhou para ver a empresa crescer, por isso me espelhei nele. Fui para a faculdade muito cedo. Na época, fiquei em dúvida entre psicologia e publicidade. Acabei optando pela administração porque poderia escolher mais adiante no curso entre a especialidade de marketing ou RH. Passei na federal em administração em 1995, com 16 anos.

- Você nasceu em Lajeado mas sempre morou em Porto Alegre. Qual a sua relação com o Vale do Taquari?

THAIS - Meu pai e minha mãe se conheceram em Lajeado. Uma família é originária de São Gabriel e a outra de Bento Gonçalves. Mas as duas acabaram em Lajeado, que foi onde eu nasci. Na época, meus pais moravam em Porto Alegre e minha mãe fez questão que eu nascesse em Lajeado, no Hospital Bruno Born. Sempre passei minhas férias de inverno e verão no Vale do Taquari. A família Reali seguiu em Lajeado.

- Você começou a trabalhar muito jovem e iniciou a própria empresa com apenas 25 anos. Como o período de faculdade in-

fluenciou nessa trajetória?

THAIS - Sempre fui muito certinha, estudiosa e ao mesmo tempo inquieta na faculdade. Então, logo entrei na empresa júnior, que é uma empresa formada por estudantes para prestar serviços de consultoria e pesquisa de mercado. No segundo semestre comecei a trabalhar como consultora, depois assumi a diretora e conselho da empresa júnior. Era um trabalho voluntário, onde tive oportunidade de aprender na prática, e nos primeiros semestres, coisas que meus colegas aprenderam no fim da faculdade. O nosso trabalho na PS Júnior foi destaque, pois duplicamos o faturamento e criamos novos métodos de trabalho. Na época, acabamos saindo na contracapa do caderno Empregos, da Zero Hora.

- Que outras experiências profissionais você buscou ainda na universidade?

THAIS – Ainda na faculdade, eu permaneci como conselheira na empresa júnior, mas passei a buscar outros estágios. Primeiro trabalhei na Guerdau, na área de pregos e produtos agropecuários. Tinha o sonho de trabalhar no prédio da Ipiranga, que era o prédio mais tecnológico de Porto Alegre na época. Então, consegui uma oportunidade na área de relacionamento com os postos de gasolina, em uma central de atendimentos.

Também morei na Inglaterra, onde estudei inglês e em Madrid onde fiz estágio na ThyssenKrupp. Depois conquistei nova vaga na Gerdau, dessa vez como trainee na área de Estratégia. Fui efetivada na empresa no ano 2000, quando me formei. Fiquei mais um tempo até receber uma proposta para o Grupo RBS, para atuar na área de pesquisa de mercado.

- Porque trocar de emprego após conseguir uma posição em uma das empresas mais respeitadas do Esta-

do? De que forma esse nova oportunidade contribuiu para a sua formação como empreendedora?

THAÍS - Na época todo mundo me desaconselhou a sair, ainda mais que estava ingressando um negócio novo da RBS. Achei que valia a pena porque a RBS criou um braço para trabalhar com marketing de relacionamento. A empresa tinha produtos segmentados e produtos de massa, e passara a atuar no marketing direto. Seria interessante conhecer. Foram dois anos muito importantes onde trabalhei e me dediquei muito, me aprofundando nessa área de pesquisa de comportamento. Fui crescendo, trabalhando em projetos nacionais e acabei em São Paulo, pela RBS. Depois, ainda em São Paulo, trabalhei um ano como consultora em estratégia na Symnetics.

- Porque a decisão de sair do principal centro econômico do país e como a decisão de voltar para Porto Alegre culminou na abertura da Reali?

THAIS - Na época eu não estava muito feliz em São Paulo e decidi voltar. Recém havia conhecido meu namorado, hoje marido, e ele estava em Porto Alegre. Quando voltei, comecei a fazer trabalhos de freelancer de pesquisa de mercado para a RBS. Logo começaram a surgir clientes e acabei criando a Reali Marketing, que depois virou Reali Hub For Innovation. Eu tinha 25 anos, em uma época em que fomos treinados para sair da faculdade como executivos, e era uma guria ambiciosa, que não queria ser pequena. Sempre tive vontade de poder criar projetos de impacto não apenas para empresas, mas também para o mercado, que mudassem a forma de consumir a partir desse produto ou serviço.

Projetos para empresas como Grendene, Hering, Orquídea e Fruki fazem parte do portfólio de Thais

- Hoje, a Reali se tornou destaque nacional devido aos projetos em inovação. Como a empresa alcançou esse reconhecimento?

THAIS - Uma boa parte da trajetória da empresa foi pautada na realização de análise e pesquisa de mercado. Mas, no início entregávamos as pesquisas e percebíamos que as empresas engavetavam, não aproveitavam a informação de qualidade que haviam contratado. Inquieta, comecei a qualificar os relatórios e a trabalhar em uma entrega diferenciada. Em um dos casos, usamos uma história em quadrinhos para que as pessoas pudessem entender mais fácil o que tentávamos explicar. Criamos infográfico e outros formatos mais visuais e fáceis de ser entendidos. Também estabelecemos métodos mais profundos, de etnografia, para ficar um tempo maior de imersão com o consumidor.

- Como são realizadas essas imersões?

THAIS – Vou dar o exemplo de um trabalho que fizemos para a empresa de alimentos Orquídea. Passamos um dia nas casas de consumidores acompanhando suas rotinas: supermercado, preparo e realização das refeições. A intenção foi desvendar o dia a dia daquela consumidora e a relação com a família para conseguir chegar ao insight base para o direcionamento de caminhos para a marca. Precisávamos mergulhar além da informação inicial e superficial, então fomos estabelecendo métodos para identificar as diferenças entre fala e ação. Mas só isso ainda era pouco perto do impacto que queremos gerar. Então, começamos a incentivar o envolvimento das pessoas das empresas que nos contratavam no campo e no processo de construção dos insights.

- Como a cultura da colaboração se insere nesse cenário?

THAIS - Fiz um curso chamado “A Arte de Anfitriar Conversas Significativas” que mudou muito minha forma de pensar. Foi ai que comecei a trabalhar com a colaboração. A partir disso, comecei a colocar a participação da equipe do cliente no meio das minhas metodologias. Porque eles tem um conhecimento e um olhar tão importante quanto o conhecimento de mercado que eu levo para a empresa. Então a Reali faz esse trabalho de entender o que o cliente já conhece previamente e a somar a visão do cliente dentro do campo de pesquisa de mercado. São visões diferentes que somadas aumentam a capacidade de entregar resultado ao objetivo traçado. Dessa forma, entramos de vez na área da inovação, misturando a pesquisa de mercado com projetos inovadores.

- Como uma empresa pode avaliar a eficiência de um serviço de consultoria externa?

Thais – Importante estabelecer uma relação de eterno namoro, não de um casamento, de uma rotina. É preciso também estabelecer uma proposta muito bem alinhada, detalhada e com objetivos claros em todas as etapas. Quanto mais clareza e entendimento entre as partes, mais fácil de realizar o trabalho. Muitas vezes as empresas acreditam que o consultor vai chegar e fazer milagres sozinho, mas ele também precisa do apoio de uma pessoa dentro que seja responsável pelo projeto e possa fazer a interlocução. Às vezes é necessário uma equipe disponível para realizar junto esse processo. Acredito que um trabalho eficiente precisa ser construído em conjunto, e isso demanda horas da equipe e dos diretores da empresa.

- O mercado de gestão e inovação é bastante visado pela chamada “geração millenial”. De que forma esse jovem precisa se qualificar para esse mercado?

do compartilhamento, do efêmero e do digital. Temos que criar espaços para ouvir essas pessoas. As empresas precisam pensar em como acolher esse novo perfil e, por outro lado, o jovem precisa se preparar para vivenciar relações mais duradouras de trabalho.

Acredito que um trabalho eficiente precisa ser construído em conjunto, e isso demanda horas da equipe e dos diretores da empresa.

THAIS - O jovem de hoje é diferente da Thais jovem e do meu pai jovem. A tecnologia para o milenial é algo totalmente dominada. Esse mundo em que você está aqui, amanhã pega um avião e vai pra Europa, para os EUA, é muito mais natural para esse jovem. Mas vejo que ele precisa de prática. Sinto que o jovem idealiza algo, mas algumas vezes não se dá conta que tem um trabalho importante para ser feito, tem que estar disponível e se entregar. De qualquer forma, Mas tem muita gente boa, com vontade de trabalhar e apreender.

As empresas precisam pensar em como acolher esse novo perfil e, por outro lado, o jovem precisa se preparar para vivenciar relações mais duradouras de trabalho.

- As empresas também enfrentam um problema de rotatividade com esses jovens. Porque isso ocorre?

THAIS - Ele roda muito porque quer diferentes experiências e porque não está sabe pelas dificuldades e maturar em uma empresa. Agora, com o mercado mais difícil, está mudando. Por outro lado, as empresas precisam entender o perfil desse jovem. É preciso buscar novas fórmulas para segurar talentos. Uma delas é estar aberto a transformar a voz das pessoas em inovação. Por mais que não não tenham tanta vivencia prática, são abertos cola-

- Como a forma de pensar dessa nova geração interfere na forma de fazer negócios. Como a cooperação se insere nesse cenário?

THAIS – Tenho estudado um fenômeno muito interessante nesse sentido, sobre o futuro do trabalho e o conceito de microworkers. É a concepção de que cada pessoa é uma marca, independente de trabalhar para empresa ou ter o seu próprio negócio. Nesse sentido, não se enxerga mais os outros como concorrentes, e sim pessoas da mesma área que podem somar competências para executar trabalhos para um mesmo cliente. Uma premissa básica é que essas relações estejam pautadas pela confiança, mas acredito cada vez mais na colaboração e em juntar as habilidades corretas para cada projeto. Eu integro projetos com outras empresas de consultoria e convido pessoas de outras firmas para projetos da minha empresa. Acredito cada vez mais em uma grande rede de colaboração, onde as pessoas boas, com valores e propostas claras, vão se conectando em um grupo de trabalho cuja soma de habilidades resulta na geração de resultados ao cliente e ao mercado.

inovação em negócios, a transparência aparece como um valor importante. Como ela se insere em um contexto de forte concorrência?

THAIS - Esse é um novo jeito de pensar e algumas empresas, especialmente industrias, tem dificuldades nesse sentido. Cada vez mais acredito que a competência está mais ligada aos valores do que aos métodos. Se a empresa divulga seu case e o concorrente tentar fazer igual, será com pessoas diferentes e terá resultados diferentes. E quanto mais aberta a empresa for, mais ela fomenta o aprimoramento con-

tínuo. Ao mesmo tempo, se com esta postura estão estimulando o mercado, mais ele vai se modifican do e criando espaço continuo para inovação, de forma que a transpa rência não se torna problema. Claro que, quando falamos em coopera ção e co-criação, o lado jurídico e burocrático que deve ser muito bem amarrado. Torna-se importante as empresas se resguardarem. Ao mesmo tempo, cada vez mais as empresas de código aberto estão obtendo sucesso.

- A Reali se tornou referência nacional em projetos inovadores, obtendo grande destaque ao participar da criação do primeiro projeto de co-habitação do país. Em quais outras iniciativas a empresa conseguiu romper com os padrões estabelecidos de negócios?

fácil não perceber a necessidade de mudança. No momento que o mercado fica complicado, a pessoa precisa acertar onde investir seu capital. Neste sentido, as empresas pequenas são as que mais tem condições de inovar, apesar delas acharem que não. Porque é onde se tem mais flexibilidade e pode-se criar uma cultura de inovação de um jeito mais rápido e fácil do que numa empresa grande com suas hierarquias rígidas.

THAIS – O case da Wikihaus foi o de maior repercussão, justamente por reinventar um mercado tradicional como o da construção civil. Um projeto importante, que posso detalhar, foi na área da educação, com o colégio Farroupilha de Porto Alegre. Eles queriam usar o espaço que fica ocioso à noite e aos fins de semana e também qualificar seus professores no novo modelo de educação. Passamos a pesquisar a possibilidade de abrir uma escola para educadores, em um processo que teve participação de profissionais da rede pública e privada, das mais diversas faixas de

Cada vez mais acredito que a competência está mais ligada aos valores do que aos métodos. Se a empresa divulga seu case e o concorrente tentar fazer igual, será com pessoas diferentes e terá resultados diferentes.

ensino. Trocamos a pesquisa tradicional qualitativa por um  evento com workshop envolvendo 140 professores. Neste, novos conceitos de educação foram abordados. Com base na troca e na informação gerada, foi criada a Escola de Professores Inquietos, que deu certo e tem ajudado a transformar o conceito de educação no nosso estado há mais de 2 anos.

- Quando mercados tradicionais como da educação e construção civil partem para conceitos de inovação e cocriação, é uma tendência definitiva? Como aplicar esses conceitos também nas pequenas empresas?

THAIS – Esta nova cultura veio para ficar. O mercado mais tradicional e conservador precisa enxergar resultados nos outros mercados antes de fazer sua aposta. Hoje, as empresas sentem que precisam fazer algo diferente. Há poucos anos, o mercado crescia muito, era mais

- Como alcançar o sucesso profissional em um mundo corporativo cada vez mais exigente e manter o equilíbrio pessoal e familiar?

THAIS - Por muito tempo eu não fui exemplo de equilíbrio, porque me entrego ao que faço e dou tudo de mim para o trabalho. Mas é fundamental tentar equilibrar, fazer um exercício físico e ficar um pouco com a família. Meus pais e meu marido sempre me puxaram para não trabalhar tanto, em especial nos fins de semana. Então, fui me estruturando para ser mais produtiva dentro dos limites que tenho. Tem uma coisa que vem com a maturidade, que é a consciência pessoal. No inicio de uma carreira você faz muitas coisas sem se questionar. Hoje, a ginástica e o pilates fazem parte da minha vida, assim como viajar e ficar com a família de noite e nos fins de semana. Não existe uma formula, mas eu fui lendo meu corpo. Estou aprendendo muita coisa nesse momento que virei mãe

Quem planeja paga menos impostos

Quarto workshop

Sede do Sincovat, em Lajeado,

delos de tributação empresarial e a importância do planejamen -

No caso do Lucro Presumi do, explica, a empresa faz uma presunção de lucro em cima do faturamento bruto. “Posso dizer, por exemplo, que o lucro estima do é de 8% e essa será a base de cálculo usada na tributação do Imposto de Renda e na Con tribuição Social.”

Já o Lucro Real é a tributação sobre o resultado do cálculo en tre receita e despesa, aponta. Dindoni apresentou um resumo de toda a malha tributária para mostrar que, apesar de parecer de fácil compreensão, as três categorias têm um emaranhado de normas.

Somente no Simples, ressalta, são seis tabelas diferentes com 16 faixas de faturamento distintas em cada tabela, e cerca de 36 formas de receitas por faixa. Segundo ele, o empresário não costuma compreender como a tributação ocorre e delega para o contador a responsabilidade sas passem a observar a correta tributação. “Se trabalho com produtos, tenho que ter meu cadastro bem alinhado conforme o tipo de imposto”.

Segundo ele, o ICMS tem códigos diferentes para cada tipo de mercadoria. É possível que uma empresa que venda copos de vidro e de cristal tenha tributação distintas devido ao material utilizado nos produtos, conforme o código determinado pela receita.

a quarta

com um único tipo de produto, Dindoni afirmou que, mesmo assim, as tributações podem ser

Leonita Santos Buffet

distintas. No caso de um fabricante de estofados, alega que podem haver diferenciações relativas ao tamanho, número de assentos e às matérias-primas usadas na fabricação. “Esses são os perigos da tributação”, aponta.

Presidente do Sincovat, Rui Mallmann completou a explicação. Segundo ele, a empresa pode comprar insumos e matérias-primas de empresas tributadas de formas distintas e que podem errar na hora de emitir a classificação do ICM na nota fiscal, complicando ainda mais o planejamento.

Consultora organizacional da Capital Verde, Raquel Winter afirma que o exemplo reforça a necessidade de as empresas incluírem em seus planejamentos a atuação de profissionais de diferentes áreas para assegurar a assertividade das decisões. Diante do questionamento do

analisar as informações, a equipe de contabilidade teve que revisar 12,5 mil linhas em uma tabela de Excel.

Descobriu-se, então, que a maioria dos produtos comercializados estava sendo tributada em excesso por se tratar de itens da linha automotiva, cujo Pis e o Cofins são cobrados uma única vez, do fabricante.

“Fechei por um valor, ele achou caro. No primeiro mês, ele pagou

mais do que eu tinha pedido só em Pis e Cofins indevidos, no segundo, mais ainda, até ele entender que vale a pena”, relata. Lembra que a contratação de uma equipe multidisciplinar pode ser dispendiosa em um primeiro momento, mas que, após o planejamento adequado, a empresa deixa de perder dinheiro.

Governança corporativa

Diretora administrativa e financeira da Docile, Leonita Santos Buffet alertou que a falta de entendimento sobre planejamento tributário pode confundir o conceito de tentativas de burlar as regras. “É possível planejar para a elisão ou sonegação, e é preciso ter o cuidado de sempre manter a legalidade.”

recebeu
edição do workshop Negócios em Pauta, que teve como convidado especial o coordenador do Grupo de Estudos do Sescon-RS, Flávio Dondoni Jr.

Segundo ela, o planejamento para elisão se tornou palavra de ordem do mundo corporativo nos últimos anos. Conforme Leonita, o conceito se estabelece junto com o de governança corporativa. “Independente do tamanho e do porte da empresa, ela precisa pensar em transparência, sobrevivência e sucessão. Isso é governança.”

De acordo com ela, existem no país cerca de cem impostos e taxas e em todos eles há espaço para melhorar o enquadramento. Lembra que a maioria dos administradores são pessoas especializadas em produzir ou vender, e delegam questões relativas à governança para a contabilidade ou o setor jurídico.

“Nossa legislação tem em média uma alteração por dia, e os grandes ganhos estão nessas mudanças. São incentivos e isenções que podem ocorrer a qualquer momento”, ressalta. Lembra que a responsabilidade sobre essas questões é atribuída por lei ao administrador.

Segundo Leonita, o artigo 153 da Lei de Sociedades por Ações (6.404) determina ao gestor a obrigação de exercer a vigilância sobre o patrimônio da empresa da mesma forma como se esti vesse cuidando do seu próprio patrimônio.

Diante disso, alerta para a chance de sócios e acionistas entrarem com ações judiciais contra administradores que não realizam planejamento tributá rio. “A responsabilidade é ter o zelo para gastar menos dentro do que a lei permite.”

Alerta que o cuidado precisa ser redobrado, no momento que a Receita Federal amplia os mé todos de cruzamento das informações fiscais. Ressalta ainda a importância de revisar todas as

atrás de ajuda.”
Gilmar Volken
Para Flávio Dindoni Jr., o contador precisa cada vez mais assumir o papel de consultor para construir estratégias junto ao cliente

sados em abrir empresas chega ao Sebrae com muita vontade de abrir o próprio negócio, mas sem sem saber exatamente o que precisa para realizar as atividades propostas.

“Sempre mostramos a necessidade de montar um plano de negócios”, Destaca. Segundo ele, isso mostra a viabilidade real daquela proposta e de quanto tempo ela demora para dar retorno. Ressalta que boa parte das falências é resultado da falta de uma avaliação inicial criteriosa.

Conforme Glesse, pesquisas mostram que os negócios com maior tempo de duração são aqueles que elaboram o planejamento por, no mínimo, oito meses. Segundo ele, ao trazer o empreendedor para um ambiente de aprendizado antes de iniciar as atividades, aumentam as chances de sucesso.

Dúvidas frequentes nas empresas

Flávio Dondoni Jr. – O risco é altíssimo e as sanções são muitas. A começar pela exclusão do Simples e a cobrança retroativa da diferença de imposto cobrado nos últimos cinco anos. Não é uma solução viável. Tinha

Gilmar Volken – Essa proliferação do Simples em um mesmo núcleo empresarial persiste pela ineficiência da fiscalização. O Fisco não tem estrutura física para fiscalizar todas as empresas. Mas a detecção pode ocorrer de várias maneiras. Quando

Qual a diferença entre ser contador e prestar assessoria contábil? Ito Lanius –Presidente da CIC-VT

Dondoni – O contador moderno é assessor, empresário contábil. Anti-

Exemplo prático

Empresário do varejo, Claudir

Degasperi falou sobre os resultados obtidos a partir da mudança na gestão do seu negócio. “Tenho 32 anos de atividade no setor de alimentos, trabalho com mais de quatro mil itens e não sei como consegui conduzir de forma desorganizada por tanto tempo.”

Segundo ele, a partir do momento em que foi convencido pelo contador a estabelecer um sistema, a empresa mudou completamente. “Consegui obter as informações necessárias para adotar ações corretas para cada segmento do meu negócio.”

Degasperi monitorou os produtos mais vendidos e os principais clientes. Com isso, foi capaz de aumentar as margens atacando os pontos fortes e fracos identificados por meio do sistema

ra, antes de ser governador. Na época, ele já dizia que a reforma tributária não

um cliente que queria fazer essa manobra, e mostrei para ele que, se formos para a modalidade de lucro presumido, ele pagaria menos. Quando se tem o controle das informações, fica mais fácil de perceber isso.

descobre, ele autua e, se ultrapassar os limites, calcula toda a tributação devida com multa de 150%. De cada cem situações irregulares, cinco caem na malha fina, mas, quando for constatado, será um valor elevado.

um alvará se torna mais complicada no momento em que tem legislação própria e exige autorização específica. Quando comecei a trabalhar, uma pessoa escolhia uma sala e abria uma empresa. Hoje é preciso mostrar para o cliente a necessidade de analisar a viabilidade dessa sala. Se o imóvel que ele for não estiver regularizado, ele não consegue alvará, e sem alvará não consegue trabalhar. A diferença

que vejo nisso são as equipes multidisciplinares. Precisamos de parceiros que fazem laudo pericial para o empreendimentos, não importa o tamanho. Resumindo, o contador fica atrás da mesa esperando as coisas aconte cerem, e o consultor é aquele que vai até o cliente, apresenta soluções e questionamentos.

mentos. O problema é que toda vez que começava a explicar precisava parar porque ela também era responsável por atender o telefone. E o telefone não parava de tocar. Isso torna o nosso trabalho muito mais difícil. Acho que se consegue êxito quando se faz o papel do consultor, quando mostramos ao empresário que estamos junto com ele para construir. É preciso estar organizado para crescer. Dessa forma, podemos mudar uma estatística que aponta a média de duração de uma empresa no RS. Segundo os dados, são apenas seis meses.

significa reduzir e desonerar impostos, e sim simplificar o processo. Se a alíquota hoje vai de 35% a 38% do PIB, é daí que partimos. Entendendo isso, a chave é simplificar o processo. Um exemplo é a arrecadação do Simples, que é dividido entre Estado, município e União. É um imposto que primeiro vai

para o governo federal e depois volta. Demora três meses para de volver os recursos para o Estado e o município. Simplificando toda essa malha, fica mais fácil mexer na estru tura de gastos públicos.

Rui Mallmann (presidente do Sincovat)
Ito Lanius (presidente da CIC-VT)
Douglas Sandri (secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agricultura de Lajeado)
Anéris Gross (proprietária da Anéris Gross Assessoria Empresarial)

IDEIAS E NEGÓCIOS

Lajeado sedia a Semana da Qualidade

O Comitê Regional da Qualidade do Vale do Taquari (CRQ-VT) e o Programa de Qualificação Empresarial (PQE) promovem entres os dias 5 e 9 de junho a Semana da Qualidade. Com o tema “Trilhando Caminhos para a Excelência”, o evento deste ano oportuniza aos participantes acesso a experiências, ferramentas, exemplos de sucesso e de boas práticas de gestão.

Visa ser um instrumentos de transformação e melhoria dos resultados das empresas. Entre os conteúdos apresentados, estão exemplos de soluções em gestão e de superação dos desafios do cotidiano dos administradores.

As inscrições devem ser realizadas até 1º de junho. Informações podem ser obtidas pelo 3011-6980, 998227134 ou pqe@acilajeado.org.br.

Unopar Lajeado exibe palestra de Max Gehringer

O polo de Lajeado da Universidade Unopar transmite no dia 7 de junho palestra com um dos principais administradores de empresa, escritores e consultores de carreira do país. O painel com Max Gehringer será exibido por teleconferência em dois horários, às 15h e às 19h.

A entrada é gratuita e os interessados devem se inscrever em unopar.canalconecta.com.br. Gehringer escreve para as revistas Época e Época Negócios, apresenta programa na Rádio CBN, e ministra palestras sobre motivação e liderança para grandes empresas e sindicatos.

Univates disponibiliza espaço de coworking

O conceito de economia compartilhada também encontra espaço na Univates. A universidade oferece duas salas para encontros e atividades profissionais, seguindo o conceito de coworking. Localizados no Prédio 20, os espaços têm capacidade para receber até 12 pessoas. Além da estrutura física, os locais dispõem de rede wi-fi. O coworking está disponível para pessoas vinculadas ao Tecnovates ou cadastradas no Programa Univates & Você. As reservas podem ser feitas pelo tecnovates@univates.br. Mais informações podem ser obtidas pelo 3714-7000, ramal 5956.

5º Egescon aponta caminhos para o empresário contábil

A sede da Sogipa, em Porto Alegre, sedia nos dias 13 e 14 de junho o 5º Encontro Gaúcho das Empresas de Serviços Contábeis (Egescon). O evento reúne empresários da contabilidade do RS para atualizar conceitos, trocar ideias e discutir o futuro da profissão

A programação inclui palestras técnicas, comportamentais e de gestão. Entre os palestrantes, estão nomes como o ator e artista circense Marcos Frota, o apresentador e naturalista Richard Rasmussen, o cozinheiro francês e apresentador Olivier Anquier e o jornalista Renato Martins.

Fruki ingressa no mercado de energéticos

A empresa sediada em Lajeado apresentou neste mês a bebida energética Elev. O produto está a venda no RS e Santa Catarina em latas e 269ml, e marca o ingresso da Fruki no setor.

A companhia anunciou a apresentação de novos lançamentos para breve. Conforme a Fruki, o Elev faz parte do planejamento da empresa, que inclui ainda a construção de uma fábrica em Paverama. Além de energéticos, a planta produzirá bebidas funcionais, sucos e chás.

ECONOMIA DOMÉSTICA

Como economizar nas compras do supermercado?

Professor de finanças dá dicas para comprar mais e melhor

Os gastos com alimentação, higiene e limpeza foram os principais vilões da inflação nos últimos anos. A compra dos itens básicos para o cotidiano das famílias representa grande parte do orçamento doméstico e exige a adoção de hábitos de consumo adequados.

De acordo com o professor de Finanças Pessoais e Empresariais da Univates, Ilocir José Führ, mudar os conceitos de consumo ajuda a reduzir o custo efetivo das compras, por meio de promoções e pesquisa de preços, e pode ainda diminuir os gastos em saúde.

“O segundo ganho ocorre

quando ingerimos menores quantidades de alimentos e primamos pela qualidade, dando preferência a itens saudáveis e sem agrotóxicos”, alega. Segundo ele, o primeiro passo para estabelecer uma metodologia é conhecer o gasto mensalmente em cada produto. Para isso, sugere o registro diário ou semanal dos itens consumidos pela família.

Conforme Führ, a família pode observar quais produtos são supérfluos por meio de uma rápida análise nas lixeiras, para ver quais produtos não foram consumidos ou usados em pequenas quantidades. “Feito isso, primeiro se reduz a quantidade comprada.

Não havendo consumo, pode-se retirar da lista.”

Com a relação de compras em mãos, Führ recomenda a elaboração de uma pesquisa de preços dos itens essenciais, mesmo quando a diferença entre os estabelecimentos for de centavos. “É importante observar os prazos de validade, pois às vezes o produto está com preço mais baixo porque está expirando.”

Na hora do pagamento, o professor recomenda que as compras sejam feitas à vista. “Quando se paga no prazo, deve-se ter em mente que o preço dos produtos estará mais caro, pois deve-se considerar os juros e taxas do cartão”, afirma Segundo ele, dependendo do estabelecimento, o pagamento em dinheiro resulta

Dicas para comprar corretamente

em mais descontos.

Quantidade x desconto

De acordo com o professor, outra forma para economizar é comprar em grandes quantidades produtos duráveis ou de grande consumo. Nesse sentido, aponta a preferência por estabelecimentos nos quais são oferecidos descontos para quantidades maiores, como os atacados. “Se a família do consumidor é pequena, dá para juntar-se a outras famílias para fazer compras coletivas”, sugere. A compra em quantidade também é recomendada para pessoas que moram longe do ponto de venda. Dessa forma, economiza-se com despesas com deslocamento ou transportes.

• Registrar diária ou semanalmente os itens de consumo cotidiano das família

• Elaborar uma lista com a relação de produtos que efetivamente precisam ser comprados

• Fazer uma pesquisa de mercado

• Dar preferência a estabelecimentos que dão desconto por maior quantidade vendida

• Juntar mais de uma família para realizar compras coletivas

• Comprar preferencialmente à vista

O que evitar

• Comprar alimentos quando estiver com fome (O consumidor fica propenso a comprar mais quantidade e itens desnecessários)

• Comprar produtos próximo do fim do prazo de validade

• Gastar sem ter dinheiro (utilizando cartão ou comprando a prazo)

• Comprar itens prejudiciais à saúde (Reduz as chances de ficar doente e gastar com cuidados médicos).

ECONOMIA CRIATIVA

Crise exige mais cuidado na hora de contratar e demitir

Empregador e empregado precisam atentar para os novos desafios impostos pelo mercado de trabalho

Os rumos da economia trouxeram novos desafios para empresas e trabalhadores. Com menos dinheiro circulando no mercado, gestores operam ajustes para manter a saúde financeira das companhias. Ao mesmo tempo, profissionais buscam os caminhos para manter a empregabilidade diante de um contingente de 13 milhões de desempregados no país. Esse cenário desafia o setor de recrutamento, um dos pilares fundamentais das organizações. Diante do alto custo dos processos de demissão e admissão, a assertividade nas decisões do RH se torna decisiva para a sobrevivência dos negócios.

Gestora da Núcleo Consultoria e Núcleo Coaching, a psicóloga Daniela Munhoz reforça a necessidade de profissionais e empregadores se adaptarem a essa nova realida-

É fundamental aliar necessidades curriculares ou técnicas, com perfil comportamental e psicológico.”

Daniela Munhoz

de. Segundo ela, um dos principais problemas são as contratações realizadas por qualidades técnicas apresentadas no currículo, que terminam em demissões por motivos comportamentais.

Conforme Daniela, a análise curricular continua fundamental e as

empresas estão mais exigentes em relação à qualificação. Com a crise, explica, as organizações foram obrigadas a reduzir seus quadros, mas as funções e demandas se ampliaram.

Diante desse cenário, ressalta, profissionais que não conseguem lidar com situações de pressão não alcançam os resultados esperados. “Por isso, é fundamental aliar necessidades curriculares ou técnicas, com perfil comportamental e psicológico.

Para a gestora, o acerto na hora da contratação beneficia a empresa e o profissional. Segundo ela, tão importante quanto saber se a pessoa pode contribuir para o trabalho desenvolvido por uma companhia é saber se a função e os valores da empresa também estão de acordo com o perfil daquele trabalhador.

“A pessoa pode ter o mesmo cargo, mas perfis de trabalho

“Nos

Especialista em Gestão de Pessoas, José Ronaldo Peyroton foi painelista no Reload Sindilojas 2016, no qual abordou a temática. Com formação em Teologia, Comunicação Social e Ferramentas de Análise de Perfil, atua como consultor comportamental

Negócios em Pauta – O que é mais importante na hora de contratar um trabalhador ou ser contratado por uma empresa?

José Ronaldo Peyroton – Costumamos brincar dizendo que uma entrevista de emprego são duas pessoas mentindo e acreditando na mentira um do outro. Tem coisa mais mentirosa que um currículo? As empresas hoje não dão mais tanta bola para isso. Elas precisam buscar o que não é dito. Hoje os técnicos do RH tentam a linguagem não dita, porque busca a verdade. Da mesma forma, muitos candidatos começam a pesquisar as empresas, em busca de informações verdadeiras. Temos que ir em busca da sinceridade e da verdade de ambos os lados. Um assunto tão

antigo, mas que continua valendo a pena.

Como a contratação errada prejudica o andamento dos trabalhos de uma empresa?

Peyroton – Uma pesquisa de 2015 mostra que 72% dos colaboradores estão insatisfeitos. Se era assim dois anos atrás, com a crise, muito provavelmente esse número cresceu. A contratação sempre foi um desafio e sempre será algo merecedor de estudo, porque o trabalhador insatisfeito não rende. A falta de produtividade do Brasil se explica, em parte, por isso. Viemos de uma história escravagista, de pouca dotação da qualificação técnica das pessoas. Isso faz com que o próprio trabalhador não procure o aperfeiçoamento.

completamente diferentes a de pender da cultura da empresa”, alega. Uma empresa de perfil mais participativo, exemplifica, exigi-

ideias, enquanto uma companhia mais fechada prefere profissionais centrados em suas tarefas.

Avaliações de perfil psicológico e comportamental dos candidatos

enganar o psicólogo do RH”

Nos anos de pleno emprego, a oferta de cursos de formação gratuitos foi grande, mas o número de interessados sempre foi aquém. Continua faltando qualificação no mercado? Por quê?

Peyroton – Ainda existe muito emprego à disposição, mas não tem pessoal qualificado para ocupar esses cargos. É um risco para a empresa contratar uma pessoa e pagar um salário bom se a pessoa não tem condição de desempenhar a função. Isso ocorre porque nos especializamos em enganar o psicólogo do RH. Faz mal para o próprio profissional.

administrativa

Numa entrevista de emprego, você tem que falar a verdade. Vestir-se de acordo com o que acredita. Não adianta vender uma imagem diferente do seu padrão. O professor Clóvis de Barros Filho fala que o melhor colaborador que existe é o desempregado. Porque ele acorda cedo, toma banho, se arruma, se perfuma, sai de manhã e volta só à noite. Ele é um exemplo. Mas, quando arruma um emprego, deixa tudo isso de lado.

As pessoas estão preparadas para enfrentar esse cenário em que a transparência se torna imprescindível?

Peyroton – Não. Mas há um movimento para que isso comece a acontecer. Tão importante quanto saber se aquela empresa é boa para você, é saber que ela não é boa para você. Se entrar em um cargo por algum motivo errado, quem vai sofrer depois é você. Queira entrar em uma empresa que também te queira. Por parte das empresas, o movimento por maior transparência precisa partir do do gestor, da

ria, Mauro Scherer, a maioria das pessoas ainda não está adaptada à multifuncionalidade exigida a partir da mudança no cenário econômico. Segundo ele, isso cria um cenário de pressão e faz com que tenham comportamentos e atitudes diferentes do esperado, podendo influenciar no índice de desligamentos.

Para Scherer, se investe muito em produtividade operacional, mas pouco em produtividade administrativa. “Muitas empresas não sabem o que as pessoas tem que fazer dentro delas. Não existe nem mesmo o mapeamento das atividades cotidianas de um profissional, apenas sua função.”

pessoa mais importante para a companhia, para que a mudança se torne mais rápida.

De que forma a crise na economia afeta a forma de contratar e demitir?

Peyroton – É preciso haver crise, pois é nela que se revela como sou verdadeiramente. Porque aí vou tirar de mim as maiores forças. Quem mente para passar numa seleção de emprego não aguenta uma crise e acaba saindo. Precisamos de pessoas de fibra, com coragem para fazer as mudanças necessárias. Se você está em uma empresa, cresça. Seja curioso, vá atrás, pergunte, aprenda. Pense em quanto você ganha com isso. Quando a empresa está em crise, vai buscar quem tem mais habilidade. As empresas precisam estar abertas a novas ideias e conceitos. O cara que é esperto vai usar o cérebro e a experiência do seu colaborador, não apenas a mão de obra. Uma crise apura e seleciona.

metidos. “Todo líder deveria ser um bom gestor de pessoas, mas via de regra são bons gestores técnicos e podem encontrar dificuldades para lidar com as pessoas e equipes.” Nesse sentido, para Daniela a questão comportamental é importante de ser trabalhada tanto por parte do trabalhador quanto por parte das empresas. “As organizações precisam olhar para si mesmas e pensar em como se colocam diante desse mercado, onde as formas de trabalhar são novas, assim como os objetivos dos trabalhadores.”

Aponta para uma tendência crescente, de trabalhadores que optam por uma empresa não apenas pelo salário, mas pelas possibilidades de crescimento e afinidade de valores. Segundo ela, o profissional contemporâneo quer trabalhar em algo onde enxerga um propósito maior, não apenas desempenhar uma função. tem cada vez mais relevância

Para o consultor em Recursos Humanos da Núcleo Consulto-

A ineficiência da liderança, aponta, resulta em uma organização que não sabe claramente o que precisa, com isso não consegue passar essa informação aos seus profissionais e os resultados podem ser compro-

THIAGO MAURIQUE

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AH - Negócios em Pauta | 27 e 28 de maio de 2017 by Jornal A Hora - Issuu