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AH - Mapa da Cidade | 25 e 26 de Outubro de 2017

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Esporte, bombeiros clubes e comércio

O Montanha é chamado, “na intimidade dos moradores”, de um bairro autossustentável. Comércio em desenvolvimento, clube de futebol, entidades civis e até o quartel do Corpo de Bombeiros são pontos positivos

Ex-presidente da associação de moradores, a professora aposentada é exemplo de vida dedicada à causa comunitária. Participou, entre outros, da construção da creche, do ginásio e do posto de saúde

Mobilidade, saneamento e qualidade de vida são demandas

Debate entre representates do poder público, Univates e associação de moradores levantou uma série de problemáticas acerca do Montanha, um bairro considerado “novo” pela comunidade. Criado oficialmente em 1985, apresenta demandas típicas de grandes centros: gargalos no trânsito, saneamento básico, falta de pavimentações, áreas de lazer com aspecto de abandono, entre outras. Por outro lado, ainda ostenta uma boa qualidade de vida em determinadas regiões, e é considerado por muitos como “autossustentável” em função da diversidade do comércio e serviços disponíveis. Apesar disso, crescimento populacional ainda é discreto, se comparado a outras localidades: nos últimos dez anos, foram apenas três novos loteamentos. MONTANHA

2 Novembro de 2017

EDITORIAL

Um bairro novo e velhos problemas

OMontanha é um bairro relativamente novo. Antes Olarias, ganhou esse nome por um motivo muito óbvio. Basta caminhar pelas ruas cheias de declives e aclives para perceber que aquela região é bastante acidentada, fazendo jus à denominação dada em 1985.

Mas, assim como os outros dois bairros já analisados pelo projeto Mapa da Cidade – Conventos e São Cristóvão – o Montanha apresenta as mesmas peculiaridades positivas e negativas se comparado às duas localidades. Muito pelo grande número de moradores: são mais de quatro mil em um espaço curto, cortado por duas rodovias.

Vamos iniciar pelos pontos positivos. Entre esses, o fator comunitário que fez da localidade um ponto quase autossustentável para se viver em família. Lá tem quase tudo. Mercados, farmácias, comércio variado, supermercados, laboratórios, creche, escola e posto de saúde.

Quase tudo foi conquistado mediante intensas reuniões entre moradores.

Ora em botecos, com mesas e cadeiras improvisadas para os grandes encontros comunitários, ora na casa dos líderes locais. Isso tudo, claro, antes da constru-

ção do ginásio de esportes e da sede da associação, talvez os grandes orgulhos daquela comunidade, assim como o clube de futebol do bairro.

A impressão, ao ouvirmos líderes do bairro, é de que a comunidade conseguiu andar sozinha. Ou, ao menos, fazer com que suas demandas andem de acordo com as necessidades mais factuais, com o devido – porém, não preponderante – apoio do poder público. Foi assim ao longo do tempo. E a preocupação dos antigos presidentes de bairro é manter essa chama acessa entre os novos moradores.

Por outro lado, o bairro – ainda juvenil – já apresenta problemas crônicos. E velhos, como em outros centros.

Gargalos no trânsito, atrasos em consultas médicas e a falta de um saneamento básico, de áreas de lazer decentes para a qualidade de vida dos moradores e de vagas na creche municipal são reclamações constantes. O poder público sabe disso. Todos sabem. O que poucos sabem é como resolver tantas mazelas.

A terceira edição do caderno Mapa da

No

Cidade apresenta algumas sugestões levantadas durante o debate realizado entre moradores e representantes do poder público e Univates. Mas ainda é pouco. Os debates precisam ser constantes. E não esporádicos. Os problemas são antigos, mas as soluções precisam ser novas. E para isso é preciso ainda mais envolvimento. O caderno traz como personagem uma pessoa que resume essa necessidade. Sueli Agostini, nascida em 1943, viveu toda a ascensão do bairro Montanha. Participou das principais decisões, quando não as propôs pessoalmente. Seu relato demonstra a importância da participação popular, em detrimento à falta de envolvimento de tantos outros. Esta publicação, assim como as duas anteriores, serve de provocação. Não é a solução dos problemas. Mas um início. Um alento. É, acima de tudo, um compromisso que nós, a equipe de reportagem, esperamos de todos os moradores para com suas comunidades.

Boa leitura!

caderno tem: Flagrante

porte coletivo para os mais de quatro mil moradores do bairro, a comunidade do bairro Montanha também enfrenta problemas com o estado das paradas de

das ruas João Sebastiany e Plátanos, a precariedade da estrutura, aliada à proximidade com o esgoto, é um desserviço aos usuários.

Meu Bairro Tem: Nas páginas 4 e 5, um pouco sobre alguns pontos positivos apontados pelos moradores, como a presença do Corpo de Bombeiros no bairro;

Debate: O debate entre líderes comunitários e poder público ocorreu na sede da Associação de Moradores. Apontamentos, promessas e decisões estão entre as páginas 6 e 16;

Nossa escola: Com apenas uma escola de ensino fundamental, a Pedro Scherer, comunidade busca ampliar o atendimento no local com ensino médio. Detalhes na página 17

Um pouco de história: O crescimento do antigo “Morro das Formigas”, que deixou de ser uma grande plantação de abacaxi para se tornar um bairro auto-sustentável;

Personagem: Sueli Agostini, professora e diretora aposentada, conta um pouco da própria história de vida e a interligação com o bairro;

e-mail para contato: rodrigomartini@jornalahora.inf.br

Diagramação Fábio Costa
Produção Rodrigo Martini
Revisão Viandara Rempel
RODRIGO MARTINI

População 4.000 moradores (Censo 2010)

50,2% de homens

49,8% de mulheres

Montanha 20% do total tem de 0 a 14 anos 18% do total tem de 35 a 44 anos

Estão registradas 527 economias no bairro 474 entre empresas e profissionais autônomos. Desses, 145 são MEIs

OLHARLOCAL

FPor Gilson dos Anjos

Um bom lugar para se viver

oi em 1990 meu primeiro contato com o Montanha. Ainda não residia em Lajeado, mas já sonhava com isso. Morando na grande Porto Alegre, onde a vida estava muito corrida, visualizava em Lajeado maior segurança e tranquilidade para criar os meus dois filhos. Foi assim que esse bairro me foi apresentado: como “um bom lugar para se viver”.

Lembro que, naquele tempo, a av. Benjamim Constant ainda não estava totalmente aberta e era necessário fazer um desvio para acessar a parte alta do bairro. Atualmente ela é motivo de preocupação pois liga o centro com vários novos bairros e municípios como Forquetinha, Canudos do Vale e outros via Conventos. E por não possuir sinaleiras, causa transtornos em alguns horários.

pulação e as demandas locais. Vinte e quatro anos se passaram e muitas coisas melhoram e alguns novos problemas surgiram desde que vim morar aqui.

a proximidade da estação rodoviária.

Outro importante aspecto do Montanha é que, embora tenha características de um bairro essencialmente urbano, seus moradores culturalmente se mantêm como interioranos. Os vizinhos se conhecem e se ajudam mutuamente. O chimarrão na cerca ou em visitas, que muitas vezes servem para entregar as capelinhas que a cada fim de tarde se deslocam para um novo lar.

Uma das preocupações atuais se refere aos acessos, pois o aumento populacional do bairro e a abertura da avenida ampliaram muito o número de veículos em circulação e em horas de pico causa tranqueira e insegurança tanto na ponte sobre a ERS-130 como na rotatória da rodoviária e especialmente nos guinchos Sansão, na BR-386.

Quando no segundo semestre de 1993 participei das discussões sobre o Plano Diretor,

O crescimento no número de moradias demanda serviços de segurança de trânsito, ofertas de vagas de estudo para a educação básica. Nossas ruas e avenidas foram pavimentadas pelo sistema comunitário em que os moradores pagaram para obter essas melhorias. Nosso comercio tem se ampliado, com farmácias, restaurantes, supermercados, posto de combustível, academia, floricultura, lojas de material de construção, oficinas mecânicas e de chapeação, tornearias, bazares e tantos outros, não esquecendo o Corpo de bombeiros e

Como já foi dito, muita coisa melhorou, mais muitas outras ainda precisam melhorar. Como cidadãos, queremos melhores serviços de recolhimento de lixo verde e limpeza das ruas que outrora já foram muito melhores. Precisamos de controle com relação à entrega de panfletos de lojas que são atirados nos pátios e algumas vezes, levados pelo vento, trancam bocas de lobo, atrapalhando o escoamento.

Acreditamos em dias melhores até por ter estes espaços de mídia que abrem a possibilidade de fala aos moradores. Nosso município diminuiu com as emancipações e não teve redução de receitas. Então acreditamos que os problemas que ora anunciamos serão temas nas discussões do Legislativo e que o Executivo buscará nos canais responsáveis as soluções dos problemas que fogem da sua alçada de investimento.

MEUBAIRROTEM

Comércio diversificado e empregos

Posto de gasolina, laboratório, salões de beleza, farmácias, lojas, supermercados, restaurantes, lojas, indústrias e comércio variado. Os moradores do Montanha não precisam deixar o bairro para o abastecimento básico. Diversas demandas podem ser supridas pelos empreendimentos locais. São 474 entre empresas e profissionais autônomos. Desses, 145 são microempreendedores individuais (MEIs). Outro alento é o investimento do novo mercado da IMEC, que será construído próximo ao quartel do Corpo de Bombeiros, em uma aplicação de R$ 5 milhões. Serão cem empregos diretos.

Creche

e escola estadual

Apesar das recorrentes reclamações acerca da falta de vagas na creche, a escola de Educação Infantil do bairro, a Pequeno Cidadão, é considerada modelo entre as demais do município. É uma “creche comunitária”. Estão matriculados 181 alunos, sendo 121 de até 3 anos e 60 de 4 e 5 anos. Há 29 crianças na lista de espera. Da mesma forma, a escola estadual Pedro Scherer, uma das mais antigas da cidade, é destaque constante nas avaliações da Cipave.

Sede do Corpo de Bombeiros

O Montanha é hoje privilegiado com a principal guarnição do Corpo de Bombeiros do Vale do Taquari. A estrutura está localizada na av. Benjamin Constant, quase na entrada do bairro. Para 2018, já está prevista – e orçada – a construção da nova sede da corporação, nos fundos do terreno atual. A presença deles, assim como o Policiamento Comunitário da Brigada Militar, são alguns alentos aos moradores em função do aumento da criminalidade em regiões vizinhas.

Posto de saúde é referência

Durante muitos anos, o posto de saúde do Montanha era chamado de “postão”. Isso em função da série de serviços especializados disponibilizados no local. O movimento caiu bastante após a inauguração da UPA, no bairro vizinho, Moinhos D´Água. Mesmo assim, a demanda do “postão” segue alta. Segundo dados repassados pela direção, a média mensal de atendimentos em 2017 foi de 5.672, considerando as duas equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF), o Centro de Saúde Montanha, os procedimentos odontológicos e ambulatoriais.

Associação

Atlética Montanha

O clube de futebol do bairro é uma idealização de, entre outros, Paulo Heineck, talvez o maior jogador da história do Clube Esportivo Lajeadense. A Associação Atlética Montanha foi erguida com a força da comunidade. Literalmente, todos colocaram a “mão na massa” ou na leiva. Registros históricos mostram que, a partir de 1991, crianças, jovens, mulheres ou homens, idosos, todos auxiliaram de alguma forma para a construção do campo. A forma como foi feito o plantio da grama, aliás, foi uma das maiores conquistas comunitárias simbólicas do bairro.

Entidades civis e clubes sociais atuantes

O bairro sedia algumas entidades civis de destaque no município. Entre essas, o tradicional Clube dos Quinze, uma associação cultural, social e desportiva localizada na

rua das Laranjeiras. Lá também fica a sede social da Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Vale do Taquari, a Seavat. O endereço é a rua Albino Kondörfer, 77.

• Está em execução a pavimentação de 4.500 m² da rua Ana Maria Schuller de Azambuja (entre as vias João Weiler Klein e dos Eucaliptos), umas das primeiras obras do Programa de Pavimentação Comunitária (PPC). Pelo mesmo sistema, serão pavimentados trechos das vias Rosalina Sehn (1000 m²), Adolfo Sehn (1000 m²), Catharina Aldina Dullius (1000 m²) e das Figueiras (1.284 metros quadrados).

• O governo municipal estuda a possibilidade de atender às reivindicações comunitárias que solicitam a instalação de uma rotatória no cruzamento da av. Benjamin Constant com a rua Oswaldo Mathias Ely.

Novembro de 2017

Mobilidade e qualidade de vida em debate

Acesso ao bairro pela av. Benjamin Constant é um dos principais gargalos no trânsito da cidade. Afunilamento na ponte sobre a ERS-130 causa congestionamentos em horários de pico. Problema deve se agravar com ampliação da

Dezenas de moradores do Montanha participaram do terceiro debate realizado dentro do projeto Mapa da Cidade. O evento ocorreu no dia 23 de outubro, no ginásio de esportes do bairro. Entre os assuntos debatidos por líderes locais, representantes do poder público e professora da Univates, mobilidade urbana e qualidade de vida.

Estavam presentes o coordenador de Projetos Especiais da prefeitura, Isidoro Fornari; o chefe do Departamento de Trânsito, Carlos Kayser; o presidente da Associação de Moradores do Bairro Montanha, Décio Pedro Wollmuth; e a vice-presidente, Neli Ariotti.

em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e com especialização em Gestão Estratégica do Território Urbano. Também é mestre em Ambiente e Desenvolvimento pela Univates.

Luciane ministra as disciplinas de Desenho Técnico de Edificações, Paisagismo e Arquitetura e Meio Ambiente nos cursos de graduação em Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil. Desde 2015, ela coordena o projeto de extensão Sustentec, junto à Universidade do Vale do Taquari. Ela é moradora do Montanha.

Também estiveram presentes outros representantes da associação de moradores, empresários e

Comunidade quer melhorias nas principais áreas de lazer. Na foto, a praça em frente ao posto de saúde

Presidente do bairro apresenta demandas

Odebate iniciou com a apresentação, por parte dos representantes da associação de moradores, das principais demandas, pontos positivos e carências atuais no bairro. O Montanha tem cerca de quatro mil habitantes, sendo 2.007 homens e 1.993 mulheres, conforme o último censo realizado em 2010.

Wollmuth demonstrou preocupação com o aumento constante do tráfego de pessoas pelo bairro. Segundo ele, algumas vias já estão saturadas. “A nossa av. Benjamin Constant, por exemplo, fica praticamente intransitável em determinados horários. Não só a avenida, mas também temos problemas de falta de pavimentação em diversas ruas, o que sobrecar-

“Todos os bairros estão reclamando dos postos de saúde”

Décio Wollmuth, presidente da Associação de Moradores do Montanha

rega as vias já pavimentadas”, pontuou.

O presidente alertou para a conclusão do novo trecho da avenida, o que aumentará ainda mais o fluxo de veículos pelo bairro, principalmente de motoristas que se locomovem do centro para bairros como Bom Pastor e Conventos. Já entre as ruas que mais carecem de pavimentação, cita a av. dos Ipês,

rua João Weiler Klein, Nicolau Jung e das Bergamoteiras. Outra preocupação do presidente é a falta de vagas na única creche municipal do bairro. Hoje, estão matriculadas 181 crianças, sendo 121 de até três anos e 60 de 4 a 5 anos. Há, na lista de espera, 29 crianças. “Infelizmente o número de vagas é pequeno para o tamanho do nosso bairro. Precisamos de mais atenção nessa

área”, reforçou. Wollmuth também reclamou da demora entre os agendamentos e os atendimentos efetivos no postão de saúde do bairro. Segundo ele, é um problema re-

corrente em outras localidades da cidade, assim como o pouco efetivo de médicos.

“Todos os bairros estão reclamando dos postos. Pouco médico, agendamento para mais de

30 dias. A gente quer acreditar que isso volte a funcionar bem com a Univates”, disse, citando a possibilidade de a universidade assumir o serviço de saúde nas unidades básicas.

O presidente ainda alertou para possíveis problemas de proliferação de animais peçonhentos e mosquitos em diversos terrenos baldios sem roçada e bocas de lobo com defeito. “A

Dezenas de moradores e autoridades participaram do debate, realizado na sede da Associação de Moradores do Montanha

gente também cobra do poder público uma preocupação maior com baratas, mosquitos e, principalmente, ratos. Há muitos problemas nas bocas de lobo”, ressaltou.

A HORA | Novembro de 2017

Tenho a certeza de que o nosso bairro é um dos melhores para se viver. A creche e o posto são muito bons.”

Construção do posto de saúde foi uma luta de toda a comunidade. Antes do prédio atual, atendimentos funcionavam no subsolo do ginásio de esportes

Pontos positivos

A vice-presidente da associação comentou sobre alguns pontos positivos verificados no Montanha. Segundo Neli, apesar de queixas em relação ao número de vagas disponíveis e quanto à demora em determinados atendimentos no posto de saúde, as estruturas disponibilizadas pelo poder público são de “muito boa qualidade”. “O nosso bairro tem muitas coisas boas. Eu tenho a certeza de que o nosso bairro é um dos melhores para se viver aqui no município. A creche e o posto

com a associação. Claro que não atuam apenas em nosso bairro. Mas circulam bastante, e com contato direto com moradores”, resumiu a vice-presidente.

são muito bons. Claro que faltam vagas, mas não podemos nos queixar muito”, reforçou a representante dos moradores. Neli fez questão de avaliar positivamente o programa de policiamento comunitário que iniciou no bairro. Lá, uma equipe da Brigada Militar, formada por moradores do bairro, realiza patrulhas de forma mais recorrente. Durante o dia. E também à noite.

“Depois que a polícia comunitária entrou no nosso bairro, a nossa segurança melhorou bas-

De acordo com o soldado Pinheiro, morador do bairro e um dos integrantes da polícia comunitária, as perturbações ao sossego estão entre as principais demandas atendidas pela corporação. No entanto, reclama que, dificilmente, quem realiza a denúncia aparece também no local para registrar a queixa.

“Realizamos patrulhas sempre com dois policiais. Atendemos muitos casos de ‘gurizadas’ que ficam fazendo barulho durante a noite. Com som alto. Mas quase nunca a vítima aparece no local para fazer a queixa. Também há uso de drogas em alguns pontos. Mas é difícil combater. A gente tira eles de um canto, e eles aparecem no outro.”

Ampliação da ponte sobre a ERS-130 e pavimentações

Questionado sobre os recorrentes engarrafamentos nas proximidades da ponte sobre a ERS-130, na av. Benjamin Constant, Fornari anunciou que o governo municipal finaliza projeto para angariar cerca de R$ 20 milhões junto à União, com intuito de investir na duplicação da passagem e outras obras de infraestrutura.

“A duplicação da ponte custará em torno de R$ 2 mi-

lhões, só com a estrutura. São quase 50 metros de extensão, por oito ou nove de largura. Faremos duas pistas mais. Serão duas para descer, e duas para subir. Atendendo ao que será feito em parte da Benjamin, que é uma largura de 30 metros, conforme nosso sistema viário”, explicou.

Ainda sobre esse financiamento de R$ 20 milhões, o governo municipal pretende contemplar a av. dos Ipês, hoje uma das

principais vias do bairro, mas que ainda carece de serviços de pavimentação em alguns trechos. “Na perspectiva de êxito desse financiamento, também vamos melhorar a av. Dos Ipês, que liga a BR-386 à ERS-413, que vai a Santa Clara do Sul”, reiterou Fornari.

O coordenador de Projetos Especiais prevê também outras obras de pavimentação no bairro, principalmente de vias que ligam as principais avenidas com as rodovias estadual e federal no entorno do Montanha. “Serão várias interligações que já estarão de acordo com o projeto de duplicação daquele trecho da BR-386, que terá vias laterais, ou alças, para acesso seguro ao bairro.”

Fornari informou ainda que o governo pretende ampliar e melhorar a infraestrutura de vias como a Osvaldo Mathias Ely, que também fará ligação com a ERS-130 e o “fundo” do

bairro, segundo ele, e também alguns trechos da Nicolau Jungs. “Ela é estreita, mal conservada em pontos próximos da rodovia. Queremos ampliá-la.”

A duplicação da ponte custará em torno de R$ 2 milhões, só com a estrutura. São quase 50 metros de extensão”

Isidoro Fornari, Projetos Especiais da prefeitura

Por fim, o agente público falou sobre um projeto encaminhado à Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) para construção de uma passagem de nível no trevo da BRF. “É um dos piores gargalos em função do movimento que vai a Santa Clara do Sul. Levamos o projeto até lá, para que tenhamos solução para essa saída do bairro.”

Questionado sobre a perspectiva de prazo para iniciar esse financiamento, Fornari demonstrou pressa. “Estamos levantando os projetos, mas queremos protocolar até mea-

dos de dezembro junto à CEF. Já fizemos nosso estudo para comprovar capacidade de endivida-

mento, para quando chegarmos lá com os pleitos, já estarmos com essa etapa concluída.”

O difícil alargamento da Av. Benjamin Constant

Oafunilamento em alguns trechos da av. Benjamin Constante, principalmente após o trecho duplicado em frente ao Corpo de Bombeiros, é um dos principais gargalos do bairro. Sobre isso, Fornari lembrou que, desde 2006, está em vigor uma lei que exige uma reserva de faixa de 30 metros, 15 para cada lado.

“Toda e qualquer construção precisa respeitar essa condição de alargamento. Pois, amanhã ou depois, com todas as estruturas já recuadas, o governo não terá que gastar com indenização e não vai precisar demolir prédios ou casas. Já é assim após a rua Osvaldo Mathias Ely. Mas em outros trechos mais antigos, será mais complicado.”

Segundo Fornari, nesses trechos onde as construções são anteriores a 2006, a administração municipal terá que negociar caso a caso. E não há previsão para finalizar tais tratativas, e tampouco para iniciá-las. “Há algumas áreas já recuadas, mas amanhã ou depois teremos que iniciar a negociação onde não há recuo. Serão quadra por quadra. Porque não tem como indenizar todos de uma vez. Não há recursos.”

Entre as formas de negociação entre poder público e proprietários dos imóveis, Fornari sugeriu permutas e trocas, por exemplo, da área a ser apropriada por um índice maior de aproveitamento do terreno. “Assim, o dono do imóvel pode aproveitar em altura o que perde em terreno. Sem gerar prejuízo. Mas, como eu disse antes, essas questões do alargamento e indenizações vão ocorrer du-

rante os anos. Não vai ser de um dia para o outro.”

Sobre os problemas verificados nos trechos mais estreitos da principal avenida do bairro, Carlos Kayser informou que já existem diversos pedidos protocolados na prefeitura solicitando a extinção de pontos de estacionamento. “Não são poucas reivindicações nesse sentido. Mas, ao mesmo tempo, precisamos pensar no comércio do bairro”, antecipou o diretor de Trânsito. Segundo ele, um engenheiro de tráfego foi contratado pelo governo para realizar um estudo detalhado sobre essas demandas, e também sobre a

instalação de quebra-molas em determinados pontos da avenida. “Falar de trânsito é sempre uma polêmica. Quando atendemos um lado, afetamos o outro. Já há pedido, também, para que algumas vias paralelas se transformem em mão única”, acrescentou.

Kayser também adiantou que a administração pública avalia a possibilidade de novos semáforos na avenida. Entre os trechos analisados, está a esquina com a rua João Sebastiany. “Uma sinaleira nesse ponto, por exemplo, até pode ser útil em determinado horário do dia. Mas será necessário durante o dia a dia, com

novos quebra-molas no trecho da avenida, Kayser explica que tais mecanismos são criticados por motoristas de ambulâncias, por exemplo, e também pela equi-

cidade, e essas corporações trabalham para vencer o tempo e evitar mortes. Então, precisamos pensar, também, em não atrapalhar determinados setores.”

De ônibus, três horas até a Univates

é antigo. Sei que nossa cidade é acidentada para certas alternativas, como bicicletas. Mas transporte público de qualidade é essencial.”

Sobre os problemas no serviço de transporte coletivo no município, Fornari avisou que o edital de licitação será lançado nos primeiros meses de 2018. “Estamos programando nossa licitação para o início do ano que vem. A ideia é atender e efetuar diversas melhorias necessárias. Por outro lado, a gente reclama, mas não usa. E o serviço vive do usuário. Para que se exija, tem que ser viável para os dois lados”, pontuou. Fornari também admitiu não usar o transporte coletivo. “A maioria de nós não usa. E a pergunta é: não se usa por que é de má qualidade, ou é de má qualidade por que ninguém usa?” O agente público lamentou decisões judiciais que trancaram o processo licitatório em anos anteriores, e garante que os questionamentos jurídicos foram resolvidos.

Anecessidade de alargar a principal avenida do bairro, mas faz uma ressalva. “São poucas alternativas, sim, e por isso precisamos ampliá-la. Mas nós estamos falando muito em carros. E se hoje a gente duplica a avenida, amanhã teremos que triplicar. Evitamos o estacionamento por mais fluidez, mas e as pessoas que caminham pelo bairro? Acho que precisamos valorizar mais o pedestre do que o carro”, comentou.

Entre os modelos arquitetônicos urbanos citados por ela, estão quadras mais curtas, que forçam o motorista a andar mais devagar. “Eu, por exemplo, moro a duas quadras daqui e vim de carro. Pois não temos calçadas em muitos pontos, não temos segurança. Da mesma forma, temos um comércio desenvolvido, eu praticamente compro tudo aqui no bairro, e isso é importante. Mas a maio-

ria das compras eu faço de carro. Faltam ambientes externos bons para caminhar, precisamos mudar nossa cultura.”

Ainda sobre mobilidade urbana, Luciane cita a precariedade do sistema de transporte público na cidade e, principalmente, no bairro Montanha. “Hoje, a gente não gostaria de usar transporte coletivo em função da má qualidade. Aqui, tínhamos mais linhas no passado. Mesmo assim, se-

Nós estamos falando muito em carros. E se hoje a gente duplica a avenida, amanhã teremos que triplicar”

horas em função da falta de interconexões com outras linhas urbanas.”

Hoje, segundo ela, “teria que sair pela manhã para chegar durante a noite”, brinca. “Não tem linhas para lá. Minha mulher teve que parar de trabalhar na Univates por falta de ônibus”, afirmou um morador. “Não temos sequer transporte decente para o centro. Tínhamos as duas empresas atuando aqui, minha mãe era usuária do serviço, que passava de hora em hora. Ela ia quase sozinha para o centro, sem pagar porque é idosa. E hoje não tem mais”, reforçou Luciane.

A professora citou como exemplo algumas cidades europeias, onde boa parte da população abdica dos carros particulares. “Apesar de todos esses esforços públicos, já deveríamos ter mudado essa cultura individual de todos com seus carros. Na Europa, isso já

Sobre o novo serviço que será licitado, ele antecipou a decisão do governo de exigir das empresas concorrentes uma proposta de passagem única. “Vamos trabalhar com passagem única. No intervalo de determinado tempo, das 9h às 11h30min, por exemplo, o passageiro terá direito de pegar outro ônibus sem pagar nova passagem. É isso que vai incentivar o usuário, e não tornar o serviço ainda mais caro.”

Kayser corroborou. “Um dos motivos para não usar é o preço alto da passagem. R$ 3,70 para quem vai e volta ao centro é muito caro. É mais viável ir de carro. Acompanhamos um trajeto que faz Carneiros ao centro, por exemplo, e a média era de dois passageiros. Então é preciso reavaliar muita coisa. A empresa considera inviável manter dessa forma. É preciso melhorar em todos os bairros.” Presente ao evento, o vice-presidente da câmara, Ildo Salvi, lembrou que o projeto também trancou na câmara de vereadores. Entre os problemas verificados na lei anterior, estava a necessidade de indenizar as atuais empresas. “Isso já foi derrubado na justiça, pois era absolutamente ilegal.” O vereador também sugeriu mais investimento em ciclovias no Montanha.

Luciane Massaro de Marque tem especialização em Gestão Estratégica do Território Urbano, e é mestre em Ambiente e Desenvolvimento

“Bicicletário” no bairro

Entre as reivindicações apontadas na audiência pública para produção do novo Plano Diretor, os moradores do bairro sugeriram a instalação de um bicicletário para uso pela comunidade. Seria algo semelhante ao que ocorre na Univates, onde o aluno pode “alugar” uma bicicleta em um determinado ponto, e devolvê-la em outro, pedalando entre os percursos, evitando assim o uso de veículos para tal.

Salvi defendeu a ideia. “Eu sei que nossa cidade é acidentada. Mas nada que uma bicicleta com marchas não resolva. Eu mesmo vim aqui hoje dessa forma, e nem suado fiquei”,

brinoua. Apesar da brincadeira, o vereador alertou para a necessidade de mais segurança para os ciclistas, e citou como exemplo alguns problemas nas ciclofaixas da av. Benjamin Constant, cuja estrutura está mal sinalizada.

Segundo Kayser, são dois pontos. “Fazer ciclovia em determinados pontos acaba prejudicando o estacionamento próximo aos comércios. E há uma lei do vereador Sérgio Rambo (PT), aprovada em plenário e sancionada pelo ex-prefeito, que permite estacionamento de carros sobre as ciclofaixas em horário comercial. Ou seja, não podemos multar quem estaciona sobre a pista dos ciclistas.”

Ainda de acordo com o diretor de trânsito, não existe um clamor municipal por ciclofaixas. “Não existe essa cultura aqui.

Fazer ciclovia em determinados pontos acaba prejudicando o estacionamento próximo aos comércios. ”

Carlos Kayser, Diretor de Trânsito

Então precisamos priorizar a maioria, que usa carros. Esse estudo e pensamento são necessários. Não somos contra. Mas será que o comércio permitiria perder clientes em função disso. Precisamos avaliar tudo isso.”

O vereador rebateu. Segundo ele, em cidades europeias, por exemplo, as ciclovias ficam junto às calçadas, e não impedem o estacionamento em nenhum lado da via. “Basta adaptar e fazer de forma correta. Esses exemplos também existem em cidades brasileiras, gaúchas. Daria para ir daqui até a Univates. E a regulação desses dispositivos quem faz é o governo municipal, ou o nosso Legislativo. Basta propor. E assim que abrirem a avenida até Conventos, essa vai virar uma perimetral e o comércio também corre risco. Mas já de bicicleta, as pessoas olham mais para as vitrinas.”

Para Luciane, é uma questão natural do bairro não ter ciclofaixas. “A maioria não tem condicionamento físico. É uma cidade com muita declividade. Eu não gosto de andar de bicicleta aqui, por exemplo. Mas, se tiver

que escolher uma configuração, eu faria uma ciclovia semelhante àquela da av. Alberto Müller. Mas aqui eu vejo como impossível uma ciclofaixa na av. Benjamin Constant.”

Ainda sobre o excesso de veículos, a professora da Univates citou o que chama de “erro de configuração da cidade. Segundo ela, com 98% de área urbana, o município está “saturado”. “Isso foi um erro muito grande. Deixamos que se fizesse em qualquer lugar da cidade novos loteamentos. Então há todos esses bairros atrás do Montanha, sem acesso decente, e isso vai implicar e muito no nosso dia a dia aqui no nosso bairro.”

Ainda sobre ciclofaixas, Fornari citou que essa ferramenta estreitaria ainda mais a avenida. “Não posso fazer sobre a calçada, e na via precisaria de pelo menos dois metros. Não podemos pensar na solução individual, mas, sim, de toda a nossa comunidade. Não podemos vir aqui e falar coisas para agradar os outros, precisamos pensar de forma eficiente. Viável”, pontuou.

Praças, áreas verdes e qualidade de vida

O bairro Montanha tem apenas duas áreas verdes públicas. Ambas apresentam problemas de infraestrutura, limpeza e falta de equipamentos. Na praça em frente ao Posto de Saúde, por exemplo, iniciada ainda no governo anterior do PP, durante a gestão da ex-prefeita, Carmen Regina Cardoso, previa até pista de caminhada.

Mas pouco foi feito desde então.

“Esta praça junto ao campo vai passar por melhorias. Está bastante degradada. A área de caminhada existe, mas é muito precária. Isso já foi bastante discutido com a associação dos moradores, e é prioridade. O de-

cidade, também, e logo chegará o momento de reformular as praças do Montanha.”

Sobre as áreas verdes, a professora da Univates comenta que uma turma de Arquitetura e Paisagismo realiza um estudo para melhorar o aspecto da praça lo-

é um espaço verde tão rico, mas tão mal estruturado. Não tem bancos, os brinquedos estão precários. É preciso melhorar com urgência esses espaços, para evitar que as famílias tenham que sair do bairro para buscar um momento de lazer.”

ainda, por um parque linear junto ao Arroio Encantado. A proposta é do vereador Salvi. “O projeto envolve Montanha e Moinhos. É uma alternativa para nova via de acesso ao bairro. Interligando diversas vias de diferentes bairros.” Fornari reclamou que mais

Saneamento básico, Corsan e papeleiros

A Corsan atende uma minoria das economias do bairro. Os moradores comemoram. Mas, hoje, apesar do bom atendimento no abastecimento de água, não há qualquer tratamento de efluentes a localidade, assim como na grande maioria das comunidades lajeadenses. “A Corsan, por contrato, deveria assumir. Mas vamos retomar esse processo de retorno das áreas cedidas à Corsan para o município, ou iniciativa privada.”

O governo municipal desconfia do serviço prestado pela estatal, e cujo contrato foi renovado em 2008. “Não estamos vendo envolvimento da Corsan no que não interessa a eles, que é o tratamento de esgoto. Eles levaram limpos aproximadamente R$ 10 milhões por explorar a água. E investiram quase zero em tratamento de esgoto. E hoje, aqui no bairro, todo o abastecimento é particular.”

No bairro, os moradores são quase unânimes ao defender a manutenção do atual sistema de abastecimento, sem interfe-

rência da Corsan. Luciane, por exemplo, afirma que só bebe água retirada da torneira de casa. “A água mineral comprada no mercado é ruim perto da

nossa”, brincou. Mas, sobre o tratamento de esgoto, Fornari afirmou que os novos loteamentos já são obrigados a apresentar soluções para

os efluentes domésticos. Entretanto, voltou a criticar a estatal.

essa a grande falha da Corsan. É obrigação dela, por contrato. E não dos loteadores e munícipes.

“De que adiante um ou dois loteamentos tratarem o esgoto se não tiver para onde levá-lo. E é Continua >>

Praça na rua Paulo Schlabitz é um dos principais pontos de lazer e carece de melhorias
Vereador Ildo Salvi (REDE) e moradores durante o debate, que contou com presença de integrantes da BM
Rua nos fundos do posto de saúde virou centro de triagem irregular para lixo reciclável

Eles empurram o compromisso para o morador.”

Sobre o contrato com a Corsan, Salvi considerou que já existam motivos suficientes para rompê-lo, em função de cláusulas não atendidas pela estatal. “O governo justamente quer fazer algo nesse sentido, retomando, por partes, as áreas cedidas para a Corsan. Tem que ser aos poucos, para não sofrermos com falta de serviço ou por risco de algum processo. No ano passado, o governo tentou uma licitação para algumas áreas de Lajeado, mas a estatal entrou na Justiça e emperrou.”

Wollmuth também reclamou da proliferação de animais peçonhentos, ratos, e insetos em terrenos baldios. “É um problema muito sério. Este ano deu pouco frio, e as baratas e ratos estão invadindo nosso bairro. Precisamos nos preocupar muito com

essa situação, pois em janeiro e fevereiro será um caos.”

Segundo ele, e também conforme outros moradores presentes ao debate, os problemas se concentram nas lixeiras, bocas de lobo e terrenos baldios. Sobre isso, Fornari disse que um contrato será ampliado com empresa responsável pela capina e roçada, para melhor atender à população. “São questões que

dependem de denúncias encaminhadas ao poder público. As pessoas precisam buscar a Secretaria de Meio Ambiente.”

Para Luciane, é preciso mudar a mentalidade para evitar depósito irregular de lixo. “Em frente à minha casa, tem um terreno baldio. Lá muitos depositam lixo verde. Mas tem quem largue sofás, tábuas, que quase não se decompõem. As roçadas são impor-

tantes, mas os terrenos baldios têm donos, e esses precisam dar conta da limpeza dos seus lotes. Cabe ao poder público exigir essa limpeza. Temos direitos, mas também.”

Um dos piores locais está próximo ao Posto de Saúde, quase às margens da ERS-130, onde existem pontos irregulares para triagem de lixo reciclável. Tempos atrás, havia também criadouros de animais naquele ponto do bairro. É uma área do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer).

“É propriedade do governo estadual. E a prefeitura não tem gerência. O que precisa ser feito, de nossa competência, é licenciar atividades dos papeleiros. Isso vem sendo tratado. É ruim tirar, porque é a sobrevivência dele. E ao mesmo tempo gera impacto. Está errado, é fato. Mas certamente serão tomadas providências.”

Falta de vagas em creches e escola no bairro

compra de vagas em creches, uma das principais promessas de campanha do atual prefeito, Marcelo Caumo, ainda está em estudo. Segundo ele, a conclusão da creche de Conventos deve amenizar o problema em bairros próximos, assim como a construção de uma nova escola

de R$ 1,8 milhão. “Estamos 24 horas trabalhando para agilizar essas obras”, resume. Entretanto, o governo municipal não prevê qualquer obra, ao menos nos próximos meses, para ampliação da creche localizada no bairro Montanha. “Estamos estudando uma forma de

nanceiras apoiarem com um determinado valor, para que assim possamos criar melhores mecanismos para dar tranquilidade aos pais que precisam trabalhar fora”, pontuou, acrescentando que no passado era assim e que esse mecanismo será debatido com o Ministério Público para

Outra reivindicação é pela construção de uma escola de Ensino Médio municipal no bairro. Hoje há apenas a Escola Estadual Pedro Scherer. Entretanto, sobre essa demanda, Fornari avisou que não há qualquer projeto em andamento para a implantação de um novo educandário no Montanha.

Mais pedidos dos moradores

• Evitar algumas conversões à esquerda nos dois sentidos em pontos da av. Benjamin Constant

• Ampliação da av. João Alberto Schmidt como forma de evitar a av. Benjamin Constant

• Concluir a pavimentação da av. Benjamin Constant. Enquanto não concluir, patrolar e colocar material para melhor trafegar

• Calçamento de todas as ruas do bairro

• Manter a av. dos Ipês com duas pistas até a BR-386

• Implantar novas perimetrais para ligar o Montanha com outros bairros

• Implantação do turno integral na creche municipal

• Continuação da rua João Weiler Klein

• Patrolar, e colocar material para drenagem na rua das Bergamoteiras, além de construir bocas de lobo

• Asfaltar a via lateral da BR-386 entre as Balas Florestal e a ERS-421, na entrada de Conventos

• Impedir a invasão da área do canal de drenagem da rua das Laranjeiras, que vai até o arroio

Kayser (dir) alerta para o excesso de quebra-molas e sinaleiras

Estudo propositivo para um futuro mais otimista

Única escola de Ensino Fundamental do bairro é destaque na Cipave e trabalha forte para consolidar uma forma de estudo propositiva, para o bem social. Desafio é o Ensino Médio

Com 80 anos completados em 2017, a Escola Estadual de Ensino Fundamental Pedro Scherer busca a instalação do Ensino Médio. Comunidade e direção da escola formaram uma comissão para organizar a melhor forma de atingir tal objetivo. Entre os argumentos, o constante aumento no número de moradores do bairro Montanha.

A demanda é antiga e já foi realizado pedido junto à 3ª Coordenadoria Regional de Educação. Para conseguir a nova classificação, é preciso uma análise do Setor Pedagógico da CRE, e posterior autorização do Conselho Estadual de Educação. O grupo de pais e direção já ingressou com um pedido em janeiro de 2016. Enquanto aguarda, a escola realiza ações durante o ano envolvendo toda a comunidade. Como exemplos, a diretora Raquel Borges da Silva cita O Dia da Família e da Solidariedade, com ações em parceria com o posto de saúde e Instituto Mix, com trabalhos

voluntários, apresentações dos alunos e participação efetiva dos familiares.

Neste ano a escola participou do Proerd com os alunos do 5º ano. Também trabalharam o meio ambiente, com o projeto Aedes aegypti, destaque com os alunos do 6º ano A. Ainda é trabalhado o Projeto Não Custa Nada, que destaca a importância de aceitar o outro e ter respeito às diferenças, cuidado com a vida e valorização da família, sempre incentivando a paz. Dentro da ação, foi apresentado o teatro da Tribo de Rua, sobre inclusão e bullying; Teatro da Univates com HistóriadeNós Dois; o coral da terceira idade do Projeto Conviver; e danças alemãs de outra escola.

Neste fim de ano, em função da greve dos professores, o alunos têm aula em cinco períodos para recuperar as matérias. Nada que desanime estudantes como John Erik Johnes Cardoso, 12, que gosta de estudar História e Matemática. “Estudo aqui faz mais de sete anos. Gosto muito da nossa escola. É um ambiente com bons amigos”, resume.

John Erik Johnes Cardoso, à frente, estuda faz mais de sete anos na Escola Estadual Pedro Scherer, a única instituição de ensino fundamental no Montanha. Outros estudantes do bairro também são atendidos nas EMEFs Santo André, São João, Universitário e São Bento

RODRIGO MARTINI to Conviver apresentou canções aos alunos, em mais uma atividade em 2017

O antigo “Morro da Formiga” cresceu e virou Montanha

Ahistória do Montanha é recente. O bairro foi oficialmente criado em 3 de julho de 1985, por meio da Lei Municipal 3658. Antes desse dia, aquela região pertencia ao Olarias, comunidade vizinha, porém, “separada” pelo asfalto da rodovia BR-386. Antes ainda, a localidade era conhecida por “Morro da Formiga”.

Naquela época, contam os primeiros moradores, a região montanhosa era conhecida pelo barro vermelho formado em dias de chuvas. Motoristas desavisados ficavam pelo caminho, atolados, diante do excesso de lama e escassez de calçamento. Também havia um lixão, onde hoje se encontra o ginásio de esportes.

O morro, que em um passado ainda mais distante era uma plantação de abacaxi, passou a se desenvolver graças a uma série de fatores. A expansão de grandes fábricas, como a Balas Florestal, e o advento de posto de saúde, creche, praças e calçamentos foram cruciais para o crescimento habitacional.

E a maioria dessas conquistas veio após o dia 5 de março de 1986, data de fundação da Associação dos Moradores do Bairro Montanha, a Ambam.

O primeiro presidente foi Vilson José Zago. Teve como vice Roberto Bohn. As primeiras reuniões ocorriam no salão da capela da Nossa Senhora Aparecida ou nas casas comerciais – as chamadas “vendas” – de Nelson Eckert ou Inácio Blau. As preocupações do grupo envolviam toda a pequena comunidade. Primeiro, foi elaborado um fichário para cadastro de todos os moradores. Os contatos com a prefeitura passaram a ser constantes. E as conquistas foram chegando de forma acelerada.

Primeiro, um “orelhão” instalado na parte alta do bairro. Para quem não sabe, são aqueles telefones públicos hoje pouco utilizados. Logo após, os moradores conquistaram a primeira linha de ônibus. Naquela época, os moradores auxiliavam a associação com uma taxa simbólica de Cr$ 20. O recurso custeava papéis, taxas e algumas atividades.

Os próximos presidentes foram Roberto Bohn e Decilo Bagatini, que seguiram com o trabalho empenhado de Vilson Zago. Em 1991, Sueli Agostini assumiu a presidência, com Paulo Heineck como vice. Nesse período, iniciou a luta pelo ginásio de esportes.

A prefeitura doou a área do antigo lixão

e auxiliou com a compra de parquete. Toda a mão de obra e aquisição de outras matérias-primas foi custeada pelos moradores. Inclusive as crianças ajudaram a colar os parquetes. Além da ajuda da comunidade, foram realizadas Ação Entre Amigos, Livro Ouro, promoções e teve até empréstimo em dólar – devolvido em dólar.

O trabalho rápido permitiu uma inauguração meses depois. Durante a primeira missa, ainda sem o piso completo e com os presentes pisando em cascalhos, foi apresentada a estátua de São Roque, doada por Deurides Giovanella.

O AA Montanha

Também no início da década de 1990, Paulo Heineck – conhecido por ser, talvez, o melhor jogador a utilizar a camiseta do Clube Esportivo Lajeadense – iniciou as tratativas para a construção do campo de futebol da Associação Atlética Montanha. Em uma ata, de 18 de janeiro de 1992, consta a assinatura de todos que auxiliavam no plantio das leivas. O estádio, pronto, levou o nome do idealizador.

Uma escola com 80 anos de história

A escola estadual Pedro Scherer está entre as mais antigas da cidade. Entretanto, é considerada “nova” por muitos em função da série de mudanças de endereço e reconstrução de prédios. Mesmo assim, para contar a história do educandário, o único naquele bairro, é preciso voltar ao ano de 1937. Aliás. Vamos voltar um pouco mais. O senhor Pedro Scherer era um próspero comerciante, dono de um armazém de secos e molhados no bairro Olarias. Chegou por lá no ano de 1913, época em que muitas famílias vieram morar na localidade. Com o aumento populacional, sentiu-se a necessidade de fundar uma escola.

A comunidade se mobilizou e, no dia 20

Pavilhões antigos da Balas Florestal, instalada
Primeiro prédio da escola estadual Pedro Scherer, ainda em madeira. Estrutura foi demolida para construção de alvenaria
Ata de 1992 mostra os moradores que auxiliaram no plantio de leivas no campo da AA Montanha

de agosto de 1937, foi inaugurada a Escola Isolada de Olarias, construída em um terreno doado por Pedro Scherer, próximo ao campo de futebol. Era um prédio acanhado, e contava com só uma sala. Anos depois, uma nova mobilização comunitária teve início para construir uma escola maior. Com apoio da comunidade evangélica, o novo prédio foi erguido ao lado do cemitério de Olarias. Várias ampliações foram feitas. E as denominações também variaram: Escola Rural, Escolas Reunidas de Olarias, entre outros nomes. Em certo período, a escola foi novamente ampliada e transferida para o local onde hoje se encontra, no bairro Montanha, e funcionando durante muitos anos em um prédio de madeira apelidado de “brizoleta”, que era uma construção para as escolas da época. Em 1996 foi inaugurado o prédio atual e a escola passou a oferecer o Ensino Fundamental completo.

Quem foi

Paulo Heineck

Segundo descreve o professor e historiador, José Schierholt, Heineck foi um esportista, empresário e vereador em Laje-

ado, nascido em 26 de julho de 1934, em Lajeado, filho de Natalício Heineck e Irena Catarina Ewald. Casou-se com Jurema, tendo os filhos Débora, Isabela e Paulo Roberto. No Colégio São José, cursou o primário, o ginásio e se formou técnico em Contabilidade. Como profissional, galgou os diversos postos da Indústria de Balas Florestal, chegando a ser seu diretor comercial. Já na vida esportiva, iniciou ainda estudante nos juvenis do Clube Esportivo Lajeadense, disputando partidas importantes, mesmo contra o Internacional de Porto Alegre.

Depois de uma curta temporada no Concórdia, de Roca Sales, voltou defendeu as cores do C. E. Lajeadense, a partir de 1954, sagrando-se vice-campeão do estado, em 1955. Chegou a treinar no Grêmio Porto Alegrense, em 1957. Em 1961, jogou no Cruzeiro, também na capital gaúcha. Mas, para não deixar a empresa, voltou ao Lajeadense.

Em outubro de 1967, “Paulinho”, como era conhecido, recebeu o prêmio Belfort Duarte da CBD e FRGF. por não ter recebido, durante dez anos, punição por indisciplina.

Heineck também foi presidente da Câmara Júnior. Já na 16ª Legislatura municipal, entre 31 de dezembro de 1963 e 31 de janeiro de 1969, assumiu como suplente pelo

PL em exercício de vereador de Lajeado. Ele morreu no dia 10 de janeiro de 1998.

Florestal Alimentos

A história da Florestal iniciou em 1936, com a fabricação artesanal de balas. O negócio prosperou e, em 1941, a pequena empresa instalou-se no bairro Florestal, cujo nome deu origem à marca da empresa. Sete anos depois, o crescimento da deman-

da aumentou a produção para 300 quilos por dia. E as entregas, antes feitas de bicicleta, mudaram.

Em1969,aempresacomprouosprimeiros equipamentos mecânicos. Houve expansão física e comercial para o mercado nacional. Logo, em 1978, fechou a primeira exportação, para o Paraguai. Nesse mesmo ano a indústria transferiu as instalações para o Km 343 da BR- 386, onde está até hoje.

em 1978 no então bairro Olarias, às margens da BR-386. Hoje, ainda é a maior empresa do Montanha, com destaque internacional
Fotos da construção do ginásio e do campo do AA Montanha

20 A HORA | Novembro de 2017

PERSONAGEM

Uma vida dedicada à comunidade

Nascida em 28 de junho de 1943, em Tamanduá, então distrito de Lajeado e hoje pertencente ao município de Marques de Souza, Sueli Agostini é o exemplo vivo da força das comunidades lajeadenses. Só no bairro Montanha, ela teve participação efetiva na própria fundação do bairro, na construção da creche, do posto de saúde e do ginásio de esportes. “No ano passado eu tinha ‘sessenta e treze anos’ de idade. Esse ano, faço e assumo meus 74”, brinca.

A vida de Sueli começou em uma pequena casa de madeira, onde a parteira foi chamada para dar à luz o quarto bebê da família. A casa ficava à beira do rio, em frente a uma pequena igreja. Sueli se mudou logo aos 2 anos de idade. De carroça, pai, mãe e os três irmãos foram morar em Vila Fão, outra pequena localidade hoje pertencente a Marques de Souza.

Após morar em Progresso, aos 14 anos, foi estudar em um internato, em Nova Bréscia. Foi lá que aprendeu a lecionar. “Aprendi a dançar com a freira. Ela me dizia que a professora também precisava saber dançar”, diverte-se. Ficou lá até os 18 anos, quando assumiu como professora e diretora da única escola de Linha Atalho. “Eu abria e fechava a escola.” E lá, assim como em tudo que toca na vida, fez história e é lembrada até hoje. “Quando cheguei, quase todo mundo falava apenas na língua alemã. Pais e alunos. Eu que ensinei o português para uma bela geração”, orgulha-se.

Foi também em Linha Atalho que conheceu o então futuro companheiro da vida, Valcir. Na época em que trocaram os primeiros olhares, ela com 11 e ele com 18, ele estava noivo. “Era um homem lindo. Eu lembro de estar indo para a escola e ver ele em um casamento, caminhando na rua, de terno e gravata. Sempre elegante. Eu logo pensei: é o homem que eu quero para casar. Mas nunca corri atrás”, relembra.

Mas eles só “ficaram” pela primeira vez anos depois, quando ela havia deixado o internato para iniciar os trabalhos na escola, e ele já havia deixado a antiga noiva. Foi amor à segunda vista. E o casamento, logo em seguida, foi inevitável. “Ele me pediu. E claro que eu aceitei”, diz ela. O ano era 1963. Estão

Fomos lá incomodar o prefeito, e fizemos nosso posto no subsolo do ginásio. Hoje, tem aquela maravilha a nossa disposição.”

juntos até hoje. Logo vieram os filhos. Primeiro foi Claiton. DepoisFábio.E,porfim,ocaçula,ouo“nenê”, Cassiano. “Não estou lembrando bem a idade de todos”, brinca ela. Deles, vieram os netos e os bisnetos. Uma família completa. O maior orgulho na vida desta batalhadora.

A chegada dos filhos trouxe as primeiras preocupações com o futuro no interior. Era preciso um centro maior para a formação superior deles. E o destino mais plausível e óbvio, na época, era Lajeado. “Compramos o terreno onde até hoje moramos. Não tinha nada por aqui. Apenas uma ‘venda’, e a es-

cola estadual Pedro Scherer, para onde consegui transferência”, lembra. Noinício,foidifícilficaremLajeado.Nãopelas dificuldades normais daquela época. Mas, sim, pela saudade que Sueli deixou nos alunos e pais dos estudantes da pequena escola de Linha Atalho, onde ela foi, por muitos anos, a diretora e única professora. “Eu cuidava de todas as turmas de 1ª a 5ª série”, conta. Após intensos debates com a então coordenadora regional de Educação, Sueli, enfim, conseguiu a sonhada transferência. “Eu tinha que ir todo dia para lá, de Kombi. Daí falei com o pessoal lá de Linha Atalho. Disse que se vocês gostam tanto assim de mim precisam pensar no meu bem em Lajeado e construir minha nova vida. Eles prontamente aceitaram. Foi emocionante.”

A vida no Montanha

Em Lajeado, Sueli também foi designada para assumir como diretora da escola, em 1970. “Foi o principal pedido da coordenadora da época. Ela queria que eu fosse diretora de qualquer jeito. Ela me disse: quero e preciso da minha diretora”, brinca. E foi então que começou a lutar, também, pelo desenvolvimento do bairro que escolheu para viver. Na época, Montanha era bairro Olarias. Mas, com auxílio dela e do marido, em julho de 1985, enfim, foi oficializado o nome da nova localidade. Um ano depois, o casal e outros poucos vizinhos fundaram a associação de moradores. “As primeiras reuniões eram nos botecos. Depois as pessoas faziam nas suas casas. E sempre eram eventos muito agradáveis.”

As lutas sociais pelo bairro orgulham a professora aposentada. Ela se emociona ao mostrar atas sobre importantes reuniões e decisões entre os moradores. “Primeiro, pedimos ao prefeito uma área para o ginásio. Era um lixão. Com quatro ou cinco casas ali próximo. E o prefeito já avisou antes que não havia dinheiro.”

A comunidade organizou, a partir de 1991, um mutirão. “Convocamos toda a comunidade. Lembro das crianças colando os parquetes. Os pais colocando os tijolos. Foram rifas, churrascos, jantas. Tudo para angariar recursos. Foi lindo demais.” Após os pedidos seguiram. Primeiro a creche. “Fizemos uma reunião, e conseguimos uma casa para alugar. Depois veio o prédio.”

Ela lembra também do primeiro postinho de saúde. “Fomos lá incomodar o prefeito, e fizemos nosso posto no subsolo do ginásio. Hoje tem aquela maravilha à nossa disposição.” Após vieram pavimentações e demais obras de infraestrutura. “Lembro de uma reunião em que conseguimos 20 ruas de uma só tacada. Ainda falta, mas seguimos na luta.” Sueli ainda participa das reuniões das associações, bingos, festas comunitárias, levando sua experiência como ex-presidente da Uambla e como diretora em diversas entidades civis. “Eu não consigo ficar em casa. Meu marido diz: ‘quer se esconder dela, fica aqui em casa.’ Mas sou assim. E jamais vou deixar o meu Montanha.”

MINHAVIDA

Por que você escolheu este bairro para morar?

VALDIR MIORANDO, 59 anos

“Faz muito tempo que vim morar aqui. Se não me engano, foi em 1983, e não me lembro bem o motivo exato. Lembro que os preços eram bons, e hoje já não são mais tão atraentes (risos). Mas bom que valorizou. E eu vim do interior, então, me identifi com este local. Acho que foi por isso.”

LAIRTON RODRIGUES SOARES,

“Não faz muito tempo que escolhi este bairro. Estou morando aqui faz pouco mais de oito meses. Eu escolhi porque acho que é um local calmo, tranquilo e principalmente, fica perto de tudo. Do centro, de outros bairros. Então muitos não precisam utilizar transporte público, por exemplo, para se deslocar para a maioria dos locais.”

JOÃO ECKHARDT, 44 anos

O que precisa melhorar com urgência?

CAMILA FERNANDES DA SILVA, 28 anos

“Nosso bairro é muito inseguro em alguns pontos. Na minha opinião, é preciso melhorar e muito a nossa segurança. Estamos com medo porque estão ocorrendo muitos assaltos e, principalmente, furtos em residências. Eu me sinto muito insegura para caminhar à noite.”

AUGUSTO PAZ DA SILVA, 68 anos

“Moro aqui faz muito tempo. Pode colocar uns 25 anos, pelo menos. Como eu vim de Forquetinha, que na época ainda pertencia a Lajeado, escolhi um lugar mais ou menos semelhante. E naquele período, aqui era tão ou mais tranquilo. E próximo do centro Enfim, escolhi pelo clima de interior do bairro.”

“Olha, vou ser bem sincero, eu não sei se temos prefeito nesta cidade. E se tem, ele não costuma passar muito por aqui. Só quando tem eleição. Precisamos de obras de pavimentação, limpeza pública e, principalmente, melhorar a nossa segurança pública. Estamos esquecidos aqui.”

LUANA DEFENDE DOS PASSOS, 21 anos

“Para começar, acho que precisariam cuidar bem melhor das nossas praças e áreas de lazer. Pintura e manutenção dos brinquedos para as crianças, e uma iluminação decente para aproveitar o local também durante a noite seriam essenciais. Também tem muitos animais soltos em locais impróprios, e muitas lixeiras com problema.”

O que tem de melhor no bairro?

ANA KAPPES, 13 anos

“Olha, acho que bastante coisa boa por aqui, principalmente espaços para a prática de futebol. Eu consigo jogar no ginásio e nas praças. Mesmo assim, eu acho que as pessoas poderiam cuidar melhor das nossas áreas de lazer. E também investir um pouco em nos campinhos.”

KEVIN ANDRADES SCHMIDT,14 anos

“Eu e meus amigos aproveitamos muito as áreas de lazer do nosso bairro. Não são muitas, mas a gente costuma usar bastante. Aqui a gente tem um comércio bem legal. E bons restaurantes. Mas o que eu mais gosto são as minhas amizades. Os amigos que moram próximos.”

são as pessoas que vivem aqui. A nossa comunidade é muito boa, unida. Eu moro aqui faz 15 anos, depois de passar outros 15 anos vivendo no Rio de Janeiro. Então tu imagina porque eu considero esse um dos locais mais tranquilos para viver. E não pretendo sair daqui.”

INTEGRAÇÃO

Festa leva música, cultura e arte para moradores

Opátio do ginásio de esportes foi palco de mais um evento de integração do projeto Mapa da Cidade. A terceira festa levou dezenas de moradores ao local, onde ocorreram diversas apresentações artísticas, esportivas e culturais. O encontro foi idealizado pelo A Hora e pela União das Associações de Moradores de Bairros de Lajeado, a Uambla, com o patrocínio da Ortoplan.

Durante a tarde, houve sorteio de brindes e assinaturas junto à tenda do jornal

A ervateira Natumate garantiu o chimarrão aos presentes.

A Hora, e também exames gratuitos de câncer de boca, realizados pela equipe da Ortoplan.

O momento de maior emo-

ção foi a apresentação do grupo de teatro e música da Associação dos Pais e Amigos dos Deficientes Visuais, a Apadev. Quem também alegrou o público foram os músicos do Grupo Porto dos Anjos e do CTG Querência, de Arroio do Meio. Por

fim, houve apresentação do DJ Gui Santos e do grupo Dojô Askat, de karatê.

A programação fez parte do Mapa da Cidade, que prevê a realização de atividades festivas abrangendo os 27 bairros de Lajeado.

Ademar Zimmer, Maria Cristina, Eduvirges Zimmer e Jaleri Ritter
Valcir Capoani, Kauan da Silva, José Roberto da Silva, Vera Lúcia da Silva e Eliane Capoani
Grupo da Apadev emocionou o público com apresentações de teatro e música
CTG Querência, de Arroio do Meio, animou a tarde com músicas e danças
Luiz Antônio Manica, Silvana Famgmeier, Lucas Manica e Alesta Lied
Clarice e Caroline Fontana também prestigiaram o encontro
Grupo de karatê apresentou técnicas da arte marcial com o mestre Ildo Salvi
Turma da Ade l expôs produtos de artesanato produzidos pelos integrantes
Voluntárias também ofereceram serviço de manicure
FOTOS RODRIGO MARTINI

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AH - Mapa da Cidade | 25 e 26 de Outubro de 2017 by Jornal A Hora - Issuu