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COMPILADO - EDIÇÃO 1º, 2, 3-05_compressed

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Sexta-feira e fim de semana, 1º, 2 e 3 de maio de 2026 | Ano 23 - Nº 4087 |

ENTRE AVANÇOS E DESAFIOS

DOIS ANOS DEPOIS

Vale ainda convive com perdas sem resposta e reconstrução em curso após a enchente de 2024. Foram 40 mortes e 5 mil moradias destruídas. Há 4,8 mil unidades aprovadas e 1,3 mil em obras. No campo das estratégias, governos reforçam sistemas de alerta e prevenção.

RECORDE DE INSCRITOS Circuito dos Vales em clima de Fenachim

Segunda etapa do maior circuito de rua do interior do RS chega a Venâncio Aires neste domingo, com mais de 2,3 mil participantes confirmados. Prova integra programação do principal evento do município.

PÁGINAS | 34 e 35

ALDO LOPES
FELIPE NEITZKE
FELIPE NEITZKE
DANIÉLY SCHWAMBACH
EZEQUIEL NEITZKE

OVale do Taquari aprendeu da forma mais difícil com a tragédia de maio de 2024. O episódio foi mais que uma enchente extrema, serviu como um divisor de entendimento sobre resiliência, socorro e preparo. Mudou a percepção de risco, expôs limites das estruturas públicas e mostrou, com clareza onde estavam as falhas.

Os números falam por si. Mortes, desaparecidos, milhares de pessoas fora de casa, cidades redesenhadas pela força da água. Dois anos depois, parte dessas respostas ainda não chegou. Famílias seguem sem moradia definitiva. Outras convivem com a ausência de um desfecho para quem não voltou.

O Vale do Taquari aprendeu da forma mais difícil com a tragédia de maio de 2024. O episódio foi mais que uma enchente extrema, serviu como um divisor de entendimento sobre resiliência, socorro e preparo”

Também houve avanços. Ainda não testados. O sistema de Defesa Civil foi reorganizado. Equipamentos foram comprados e novos protocolos entraram em voga.

Os municípios passaram a investir em monitoramento, alerta e preparação. A informação, que antes chegava tarde, hoje tenta antecipar o risco.

Na habitação, há volume de investimento. Projetos estruturados, canteiros em andamento e programas que não existiam no passado. O desafio, agora, é transformar escala em efetividade. Chegar a quem ainda espera.

A tragédia deixou uma exigência permanente. Planejamento.

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Os artigos e colunas publicados não traduzem necessariamente a opinião do jornal e são de inteira responsabilidade de seus autores. Impressão Zero Hora Gráfica

“Quero ser uma ponte entre as gerações de Coqueiro Baixo”

Maria EduardaVidaletti (ao centro), 18, é a nova rainhadeCoqueiroBaixo. Ela divide a corte com as princesasManuelaSchena Zonatto e Manuela Moraes Berté, em concurso no dia 18 de abril. Natural de Encantado, Maria Eduarda é graduandaemMatemática e concilia a rotina como recepcionistacomoauxílio àfamílianaagricultura. Elacontaoqueesperado reinadoecomopretende usar a visibilidade do título em favor da comunidade

Matheus Giovanella Laste mateuslaste@grupoahora.net.br

O que representa para você ser a rainha de Coqueiro Baixo?

Ser rainha representa muito mais do que carregar uma faixa e uma coroa; é assumir responsabilidade, compromisso e amor pela nossa terra. É conhecer e valorizar a história e a cultura que formam a identidade do município, representando cada munícipe com orgulho e humildade. Pretendo usar esse título para dar visibilidade a Coqueiro Baixo, destacando suas tradições, eventos e as pessoas que constroem nossa comunidade. Quero participar ativamente das ações do município, incentivar os jovens e fortalecer o orgulho de fazer parte dessa história.

O que você enxerga de mais especial na comunidade?

Coqueiro Baixo pode ser pequeno no mapa, mas é gigante no acolhimento. Aqui encontramos algo que se perde em lugares maiores: o senso de comuni-

dade, a união e o cuidado entre as pessoas. Admiro o quanto nosso povo é trabalhador, mantendo vivas práticas que passam de geração em geração. O que gostaria de mostrar para a região é essa riqueza que não se mede em números, mas em sentimentos. Que nosso município é grande em história, tradições e, principalmente, em coração.

Quais projetos ou ações sociais você gostaria de abraçar?

Minha causa principal é a valorização e o cuidado com os idosos, verdadeiros pilares da comunidade e guardiões de memórias e tradições. Pretendo incentivar ações que promovam qualidade de vida e inclusão, como encontros, atividades recreativas e culturais. Também quero criar espaços onde eles compartilhem suas histórias com as gerações mais jovens, além de apoiar campanhas de conscientização sobre o respeito e a dignidade dos idosos. Quero ser uma ponte entre as gerações, ajudando a construir um município mais humano e unido.

Como você se preparou para o concurso e o que aprendeu sobre si mesma?

Me preparei buscando evoluir não apenas

na aparência, mas como pessoa. Estudei a história e a cultura de Coqueiro Baixo e me dediquei a desenvolver comunicação, postura e oratória. Cuidei também do meu bem-estar físico e emocional, contando com o apoio fundamental da família e amigos. Ao longo do processo, descobri uma força interior maior do que imaginava e aprendi a confiar mais em mim mesma. Esse processo me ensinou sobre responsabilidade, disciplina e empatia, trazendo um crescimento que vai além do resultado final.

Que mensagem você deixaria para as meninas que sonham em estar no seu lugar?

Nunca deixem de acreditar em si mesmas. Independente de onde venham ou das dificuldades que encontrem, tudo começa com coragem e vontade de tentar. Valorizem quem vocês são, suas histórias e raízes. Não tenham medo de se desafiar e de crescer, porque cada etapa é importante. Mais do que um título, ser soberana é representar com amor e responsabilidade. Se esse for o sonho de vocês, se preparem e aproveitem cada momento, o mais importante não é apenas chegar lá, mas tudo o que vocês se tornam durante essa caminhada.

Filiado à
Fundado em 1º de julho de 2002 Vale do Taquari - Lajeado - RS Diretor
Jornalismo: Felipe Neitzke
ESTUDIO PRIME/DIVULGAÇÃO

rodrigomartini@grupoahora.net.br

ADITIVO COM A CORSAN/AEGEA

A decisão final cabe à prefeita. E chegou a hora de decidir

Odebate sobre o aditamento (ou não) do contrato com a Corsan/Aegea já perdura faz alguns anos. Iniciou com o ex-prefeito Marcelo Caumo (União Brasil), que por detalhes não assinou o novo acordo de concessão logo após as eleições de 2024 – conforme matéria exclusiva do colega Filipe Faleiro (imagem), publicada em 12 de outubro –, e prossegue com a atual prefeita Gláucia Schumacher (PP), que tem se amparado no Ministério Público e outros agentes públicos e privados para buscar a melhor solução ao saneamento básico de Lajeado. Três alternativas estão sobre a mesa da gestora municipal. A mais debatida é a assinatura de um termo aditivo com a concessionária, com o propósito de adequar os atuais contratos de programa ao novo Marco Legal do Saneamento, estendendo prazos até

2062 e definindo metas de investimentos e atendimento no abastecimento de água e no tratamento de esgoto. Além de receber um valor de outorga acima de R$ 40 milhões e cerca de R$ 300 milhões em investimentos no município, tal proposta prevê indenização às associações e sociedades de água –algo não previsto em outros contratos municipais, por exemplo. Gláucia também pode romper o atual contrato e realizar novo processo licitatório, ou aguardar o término do acordo firmado em 2008 e só então licitar o serviço. A decisão precisa ser amplamente debatida. Mas, essa cabe agora à prefeita. E se de fato queremos atacar o problema do esgotamento sanitário dentro dos prazos estipulados pelo Marco Legal do Saneamento, chegou a hora de decidir.

Lamaçal pode levar mais de 60 dias

Delegado da Polícia Federal responsável pela Operação Lamaçal, Marconi Silva confirmou o pedido de extensão (por mais 60 dias) do prazo de conclusão do inquérito policial. E disse mais. Segundo ele, é pouco provável que os trabalhos sejam concluídos dentro deste novo prazo de dois meses. Ou seja, ainda há muito material e conteúdo a serem analisados pela equipe técnica da PF.

Afastamento da prefeita

O mesmo delegado responsável pela Operação Lamaçal também coordena a Operação

Ambitus Sidum, que investiga supostos crimes eleitorais cometidos pela prefeita de Estrela Carine Schwingel (União Brasil) durante a campanha de 2024. E, de acordo com Marconi Silva, a Polícia Federal tende a insistir no afastamento temporário da primeira prefeita mulher na história do município.

Lajeado no Gramado Summit

A Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Inovação e Agricultura de Lajeado (Sedei) participa do Gramado Summit 2026. O evento ocorre na cidade da serra gaúcha de seis a oito de maio e o secretário Jairo Valandro será painelista do Benchmarking e Boas Práticas Municipais, promovido pela InvestRS junto à Arena de Conteúdos do Governo do RS no evento. O painel será no dia seis, às 15h30min, junto com a secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia de Gravataí, Selma Fraga, e do secretário de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico de São Leopoldo, Valmir Pizzutti.

TIRO

- Vereador de Lajeado, Mano Pereira (PL) protocolou projeto de lei para sugerir a implementação de um modelo de cota social em Lajeado. A proposta é reservar 20% das vagas em concurso público para candidatos que comprovem “vulnerabilidade socioeconômica”.

- Encantado, a cidade do Cristo Protetor, já consta entre as cinco cidades mais lembradas quando tratamos de turismo no Rio Grande do Sul. No tradicional prêmio Top of Mind 2026, da Revista Amanhã, ela ficou no “top 5” na categoria Destino Turístico Gaúcho. Só ficou atrás de Gramado, Canela, Cambará do Sul e Bento Gonçalves. É um feito e tanto. E isso é só o começo!

ELEIÇÕES 2026

Faz poucos dias, publiquei resultado da pesquisa de intenções de votos da Brasmarket, que colocava Luciano Zucco (PL) à frente na luta pelo Palácio Piratini e Marcel Van Hattem (Novo) no topo da briga pelas vagas no Senado. Nessa quinta-feira, o instituto Genial/Quaest apresentou nova pesquisa com cenário diferente daquele verificado pela Brasmarket na semana passada. Nesta nova pesquisa, e na análise simulada, Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) empatam dentro da margem de erro de 3 pontos percentuais. Ela tem 24% e ele 21%.

Na sequência aparecem Gabriel Souza (MDB), com 6%, Marcelo Maranata (PSDB), com 2%. Brancos ou nulos representam 12% e 34% ainda estariam indecisos.

Nas simulações de segundo turno, Juliana Brizola venceria Zucco e Gabriel. Por sua vez, Zucco também venceria Gabriel. Para o Senado, a Genial/Quaest fez pesquisa com dois cenários

estimulados. Os resultados são o consolidado do primeiro e do segundo votos apontados pelos entrevistados, em cada cenário, e reduzidos para 100%. E, em ambos os cenários, Manuela D´Ávila (Psol) aparece à frente com 14% e 13%, seguida de Germano Rigotto (MDB) com 12% e 12%. Na sequência aparecem Paulo Pimenta (PT) com 9% e 10%; Marcel Van Hattem (Novo) com 9% e 9%; Ubiratan Sanderson (PL) com 7% e 6%; Frederico Nunes (PSD) com 2% e 3%; e Cláudio Diaz (PSDB) com 1%. Brancos e nulos representam 18% e 19%, e indecisos 28% e 28%. O levantamento ouviu 1.104 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 24 e 28 de abril, a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos e o chamado “nível de confiança” é de 95%. Por fim, para 30% dos eleitores pesquisados, a escolha do voto para governador é definitiva, e 68% dizem que ainda pode mudar.

vinibilhar@grupoahora.net.br

Indicadores

Dólar: R$ 4,95

Run More reúne rede nacional em convenção histórica Sicredi

ARun More promoveu, nos dias 27 e 28 de abril, uma edição histórica de sua convenção de vendas, reunindo mais de 160 participantes entre representantes, franqueados e lojistas do Brasil e do exterior, na Fábrica dos Sonhos, em Estrela. O evento marcou o lançamento da coleção verão 26/27, intitulada Plena, e integrou as comemorações dos 30 anos da marca.

Em 2025, a empresa registrou crescimento de 22,86%, consolidando sua presença no mercado. Para 2026, a projeção é de avanço de 26,5%, impulsionado por iniciativas estratégicas e pelo fortalecimento da rede de parceiros.

A programação destacou o relacionamento e a capacitação dos lojistas, com palestras de especialistas como Dino Gueno, que abordou tendências do varejo, e Mônica Levandoski, da WGSN,

com insights sobre comportamento e consumo.

O diretor fundador, Alexandre Dullius, ressaltou a importância do encontro para alinhamento estratégico e celebração das conquistas. Participantes também enfatizaram o valor da troca de experiências e a qualidade das inovações apresentadas, reforçando o posicionamento da marca como referência nacional em moda fitness.

Ibovespa: 187.317,64

se destaca entre as marcas mais lembradas no RS

O Sicredi figura entre as dez marcas mais lembradas na categoria grandes empresas do Rio Grande do Sul, conforme a pesquisa Top of Mind RS 2026 – As Marcas do Rio Grande. O levantamento, apresentado em Porto Alegre pelo Grupo Amanhã, considera a primeira marca citada espontaneamente pelos entrevistados.

Na categoria Cooperativa de Crédito, o Sicredi conquistou o primeiro lugar, concentrando qua-

se metade das respostas. Desde a criação da categoria, em 2012, a instituição mantém a liderança entre as mais lembradas pelos gaúchos.

Para o presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste, Márcio Port, o resultado reforça a proximidade da cooperativa com as comunidades. Segundo ele, o reconhecimento evidencia a confiança dos associados e o impacto das ações no desenvolvimento econômico e social das regiões onde atua.

Fruki conquista quatro prêmios no Top of Mind 2026

A Fruki Bebidas foi destaque no Top of Mind 2026 ao conquistar quatro premiações e ampliar sua presença entre as marcas mais lembradas do Rio Grande do Sul. Pela 12ª vez consecutiva, a Água da Pedra liderou na categoria água mineral, enquanto Fruki e Elev Energy Drink ficaram em segundo e terceiro lugares em refrigerantes e energéticos, respectivamente. A

novidade foi a entrada da empresa no Top 10 das Grandes Marcas Corporativas.

A cerimônia ocorreu no Teatro do CIEE, em Porto Alegre, reunindo lideranças empresariais e profissionais de marketing. O reconhecimento coincide com os 102 anos da companhia, celebrados em 29 de abril.

Produzido pelo Grupo Amanhã

em parceria com a Engaje Pesquisas, o levantamento é realizado desde 1991 e mede as marcas mais lembradas pelos gaúchos em cerca de cem categorias. Com metodologia consolidada, a pesquisa tem 95% de confiança e margem de erro de até quatro pontos percentuais, sendo referência para o ambiente corporativo do Estado.

LETÍCIA SANTOS / MOGLIA COMUNICAÇÃO/DIVULGAÇÃO
DIVULGAÇÃO
DIVULGAÇÃO

Sem respostas e os aprendizados: O que ficou dois anos depois

Na região, foram 40 mortes e ainda há 15 desaparecidos. A maior inundação da história do país destruiu cerca de 5 mil moradias. Em termos estaduais, episódio extremo atingiu 90% das cidades gaúchas e obrigou os governos a repensar planos de monitoramento, prevenção e socorro das comunidades vulneráveis

bairros e cidades inteiras deixaram de existir como eram conhecidas. Casas desapareceram, ruas foram redesenhadas pela força da água e famílias foram separadas em questão de horas.

As lembranças daquele início de maio ainda permanecem para milhares de famílias. Mortes, desaparecidos, moradias destruídas e o trauma de quem sobreviveu a maior tragédia climática do país. Dois anos depois da inundação, a comunidade do Vale do Taquari ainda convive com o temor de uma inundação daquele porte se repetir. Os números dimensionam o que aconteceu: foram 40 mortes e ainda há 15 desaparecidos. A chuva começou em 28 de abril. Em três dias, ultrapassou 700 milímetros. Como resultado,

Para quem espera informações dos desaparecidos, a dor permanece. Em Cruzeiro do Sul, uma das áreas mais atingidas pelas enchentes, a história de Adriana Maria da Silva e Jorge Lauri Rodrigues mobilizou equipes de resgate e marcou familiares pela forma como os últimos momentos foram acompanhados à distância. O casal estava em casa quando a água subiu durante a noite. Nos dias anteriores, familiares haviam tentado retirá-los do local, mas o acesso estava comprometido. No momento mais crítico, Adriana manteve contato por telefone com a sobrinha, Paloma

Ouvi barulho de água, e ela chorando e soluçando. A partir daquele momento, nunca mais soube nada dela”

Gerevini. Do outro lado da linha, a tentativa de resgate se transformou em relato em tempo real. A casa começou a ceder, enquanto estruturas vizinhas eram levadas pela correnteza. O casal subiu para o telhado e, em seguida, tentou se manter sobre o que restava da residência. Em determinado momento, a construção foi arrastada pela força da água. Jorge foi levado pela correnteza. Adriana conseguiu se segurar em um galho por alguns instantes. Paloma acompanhou por telefone o avanço da tragédia. Ouviu o

Chuva de mais de 700 milímetros causou destruição por todo o Vale, com deslizamentos de terra e inundações em rios, arroios e córregos

Fim das procuras

cansaço, o frio e o desespero da tia. Também relatou a passagem de um helicóptero que resgatou outras pessoas na região. Adriana, no entanto, não foi localizada naquele momento. O vento provocado pela aeronave fez com que ela perdesse o apoio.

“Ouvi barulho de água, e ela chorando e soluçando. A partir daquele momento, nunca mais soube nada dela”, recorda. Meses depois, o caso teve desfecho.

A identificação de Adriana foi confirmada por meio de exames conduzidos pelo Instituto-Geral de Perícias, com apoio da Polícia Civil. O reconhecimento trouxe uma resposta aguardada pela família, ainda que marcada pela dor. Já o corpo do tio, Jorge, não foi encontrado.

Naquela tragédia, o Rio Taquari passou dos 34 metros, conforme medição entre Estrela e Lajeado. No RS, foram registradas 185 mortes e 23 pessoas seguem desaparecidas. Mais de 2,1 milhões de pessoas foram afetadas pela inundação, com um total de 446 municípios atingidos.

As buscas por pessoas desaparecidas na região foram suspensas. As operações foram paralisadas pelo Corpo de Bombeiros após o fim dos meios disponíveis e a ausência de vestígios sobre possíveis localizações. Esse tipo de operação poderia ser retomada em caso de informações que justifiquem uma nova mobilização. No entanto, os casos não foram encerrados. A Polícia Civil mantém as investigações abertas e acompanha continuamente qualquer informação que possa levar à localização das vítimas. Atualmente, a situação é conduzida pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Segundo a responsável pela 19° Delegacia de Polícia Regional do Interior, delegada Shana Luft Hartz, a polícia monitora dados e informações que possam surgir, inclusive com revisão periódica dos registros. “Sempre que há qualquer notícia ou indício, os dados são reavaliados”, afirma. Mesmo com o passar do tempo, a possibilidade de resolução não é descartada. Existem mecanismos de integração entre instituições, com sistemas que permitem o cruzamento de informações entre municípios e estados. Essa rede amplia as possibilidades de localização, já que há casos em que pessoas inicialmente consideradas desaparecidas são encontradas em outras regiões do país.

PALOMA GEREVINI
Filipe Faleiro filipe@grupoahora.net.br
Karine Pinheiro Colaboração

Números

Setembro de 2023

Quatro desaparecidos

54 mortes no RS Maio de 2024

15 desaparecidos no Vale

40 mortes no Vale

23 desaparecidos no RS

185 mortes no RS

Total na região

19 desaparecidos

94 mortes ligadas às cheias

Desaparecidos de 2024

Cruzeiro do Sul:

Diana Alves Meirelles

Fabricio Adriano Wendt

Jorge Lauri Rodrigues

Valdelirio Farias do Amaral

Encantado:

Bernadete Marques da Silva

César Gilmar das Chagas

Estrela:

André Dutra

Lajeado:

João Luiz Maurante

Gladis Eliabeth da Silva

Alexânder Júnior da Silva

Marques de Souza:

Clair Teresinha Bergmann

Poço das Antas:

Vanderlei da Rosa

Relvado:

Leandro da Rocha

Roca Sales:

Elirio Brino

Erica Brino

Morte presumida

A ausência da confirmação de morte, por vezes, impede o encerramento emocional do luto. Sem uma despedida formal, velório ou respostas definitivas, muitas famílias convivem entre a esperança e a necessidade de seguir em frente. No entanto, uma medida jurídica pode auxiliar familiares a encontrar uma solução.

O promotor de Justiça, Sérgio Diefenbach, frisa que uma das maneiras de oficializar o encerramento do caso de desaparecimento é pela presunção de morte. Segundo ele, é uma medida Direito Civil que reconhece juridicamente o provável óbito de alguém, mesmo sem os fatores de comprovação.

“É permitido decretar a morte presumida quando há forte probabilidade de óbito em situação de perigo, como nas tragédias do Vale do Taquari. Nesses casos, não é necessário esperar um prazo mínimo. Assim que houver provas de que a pessoa estava no local do desastre e todas as buscas e investigações forem concluídas, já é possível fazer o pedido.”

A sentença deverá indicar a data provável do falecimento. Com a confirmação judicial de morte presumida, a família recebe a certidão de óbito, o que permite que herdeiros sejam habilitados no inventário e encaminhem os trâmites necessário. No entanto, de acordo com Diefenbach, não há registros de solicitação do Vale do Taquari.

Mais de 5 mil casas

para o Vale

Em 27 cidades atingidas pelas inundações, foram destinados aportes do governo federal de R$ 979 milhões, com 4,8 mil unidades aprovadas. Pelo Estado, A Casa é Sua aprovou 798 moradias.

Com base em dados da Secretaria Nacional da Reconstrução, o governo federal aprovou 4.896 moradias no Vale do Taquari, entre construções e aquisições pelo Compra Assistida. Ainda assim, cidades com áreas comprometidas tiveram dificuldade em aprovar projetos, pois foi preciso fazer projetos de urbanização e

estruturar loteamentos. Essas etapas, aos poucos, vão sendo superadas. Há mais de 1,3 mil residências em construção, nas cidades de Encantado, Estrela, Arroio do Meio, Lajeado e outras. Organizações civis, de setores produtivos, voluntários e os governos nas três esferas estruturaram diferentes frentes de trabalho para mitigar o sofrimento das famílias. Somando todas as iniciativas (Minha Casa Minha Vida, Compra Assistida, A Casa é Sua, moradias temporárias e da iniciativa privada), são 5,9 mil unidades na região. SEGUE

“O importante agora é trabalhar com margem de segurança. A velocidade dos eventos exige decisão antecipada”

Compra Assistida

Criado para dar agilidade no atendimento às famílias atingidas pela catástrofe climática, o Compra Assistida virou exemplo para o país. No Vale do Taquari, o programa viabilizou 1.561 moradias entre contratos assinados e unidades entregues, conforme dados da Secretaria Nacional da Reconstrução.

Esse volume representa 31,9% do déficit habitacional atendido pelo programa federal na região, considerando o total de unidades aprovadas no pós-inundações. Em termos práticos, uma em cada três soluções habitacionais federais no Vale ocorreu por meio do Compra Assistida.

Cinco municípios concentram a maior parte das ações habitacionais federais. Juntas, essas cidades somam 3.567 moradias aprovadas, o equivalente a 72,9% de todas as 4.896.

O volume reflete tanto a intensidade dos danos quanto a capacidade de estruturar projetos, apresentar áreas viáveis e cumprir exigências técnicas para contratação das obras. Estrela lidera o ranking, com 1.264 unidades aprovadas, seguida por Cruzeiro do Sul, com 994. Na sequência aparecem Roca Sales (521), Encantado (403) e Lajeado (385).

Esforço pela liberação

A reconstrução das moradias avança em diferentes frentes, mas ainda há famílias que permanecem presas ao ponto mais sensível da tragédia: perderam a casa, comprovaram residência, estão em aluguel social e ainda aguardam uma solução definitiva.

A Secretaria de Desenvolvimento Social de Lajeado afirma que acompanha desses moradores. Conforme a assessora de gestão municipal, Lígia Camini, os dois cadastros permanecem com pendência no

da enchente

na ERS-130, entre Lajeado e Arroio do Meio. Soluções alternativas foram adotadas até a inauguração da nova estrutura, em abril de 2025

sistema do Compra Assistida, vinculado ao governo federal.

“O governo federal ainda não nos deu resposta. O cadastro no Compra Assistida está como pendência. Acreditamos que vão ser contemplados em algum programa.”

De acordo com ela, a situação não é isolada. Lajeado tem 19 pessoas em condição semelhante, com processos que ficaram sem definição dentro do programa.

“Mantemos ofícios com o governo federal, com o Ministério das Cidades, responsável pelo programa. Temos esses casos que ficaram no limbo.”

O município afirma ter reunido documentos, atualizado informações e enviado ofícios para demonstrar que havia mais de uma residência em terrenos multifamiliares. Também foram feitas reuniões e contatos com o governo federal para tentar destravar os cadastros.

“No fim do ano, vimos que continuavam pendentes, e que o Compra Assistida fechava

O relevo acidentado, a presença de rios volumosos e a ocupação de áreas próximas às margens contribuem para o risco de inundações. Por isso, houve um reforço estrutural.

“A 8ª Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil recebeu ampliação de efetivo e equipamentos, com nove integrantes, drones, viaturas e outros recursos operacionais”, informa por nota.

A estratégia, diz a Defesa Civil, passa pela gestão integrada de riscos, com atuação transversal entre diferentes esferas.

“O modelo busca atuar em todas as fases do desastre, no fortalecimento das estruturas municipais, responsáveis diretas pela resposta nos territórios.”

em dezembro. Nos foi dito que seriam mantidas as análises e que poderiam haver novas liberações.”

Resposta do governo federal

Conforme o Ministério das Cidades, os casos de Jorge e Valdir tiveram laudos analisados e foram indicados por ofício ao município. No entanto, o cadastro não foi processado e consta como “em avaliação”. Neste caso, ao serem se forem aprovados, vão ser direcionados para os empreendimentos que estão sendo construídos em Lajeado. Sobre o Compra Assistida, a modalidade foi criada para dar celeridade para moradias de famílias atingidas pelas inundações no RS. Eram estipulados até R$ 200 mil para compra do imóvel. O programa encerrou em 6 de dezembro de 2025.

Aprendizados e avanços

Depois da tragédia, os governos foram desafiados a adotar um novo padrão de resposta. Os investimentos em sistemas de alerta, ampliação de equipes

e reestruturação de planos de contingência para enfrentar eventos extremos.

A principal transformação está na antecipação das informações. Sensores passaram a medir o nível do Rio Taquari e de afluentes, enquanto sistemas de monitoramento em tempo real foram implantados também no

Rio Forqueta.

O modelo inclui transmissão de imagens e dados contínuos, permitindo leitura mais precisa da evolução dos eventos. “O importante agora é trabalhar com margem de segurança. A velocidade dos eventos exige decisão antecipada”, afirma o

coordenador da Defesa Civil de Lajeado, Marcelo Maia. O sistema de alerta também mudou. Sirenes foram instaladas em áreas de risco, com emissão de sinal sonoro seguida de mensagens de voz orientando evacuação. Em paralelo, o governo federal implementa um sistema de alertas via celular, utilizando redes 4G e 5G para envio de mensagens gratuitas.

Organização social

Outra mudança estrutural está na participação da população. A estratégia inclui a formação dos Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil, com foco nos bairros mais atingidos. A ideia é transferir conhecimento técnico para a comunidade e reduzir o tempo de reação em situações de risco. O modelo busca evitar que a retirada ocorra apenas no momento crítico, quando a logística de resgate já está comprometida. Conforme a Defesa Civil do RS, o Vale do Taquari é uma das áreas mais vulneráveis.

Entre as ações em curso estão programas de treinamentos. Em 2025, o Curso Básico de Proteção e Defesa Civil alcançou 344 municípios, o equivalente a 69% das coordenadorias municipais.

Para 2026, o objetivo está nos Planos de Contingência. Em cima disso, as estratégias foram revistas nos 497 municípios.

Em paralelo, o Estado tem em andamento a contratação de radares meteorológicos, modelagem hidrodinâmica e instalação de 130 estações hidrometeorológicas, sendo 16 destinadas à região da 8ª Coordenadoria.

Planejamento no país

Construção de novas moradias avança pela região. Enquanto isso, muitas famílias ainda residem em casas provisórias

No plano federal, a estratégia combina obras estruturantes, sistemas de alerta e ampliação da base de dados para previsão hidrológica. Um dos avanços está na atuação do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), que reforçou o monitoramento do Rio Taquari após a destruição de parte da estrutura durante as enchentes de maio de 2024.

Na região, foram instaladas réguas de medição e sensores automáticos em pontos estratégicos. O sistema também prevê a instalação de plataformas de coleta de dados (PCDs) e câmeras para leitura remota das condições do rio. Além do monitoramento, o governo federal mantém o pacote de R$ 6,5 bilhões para estudos hidrológicos, geológicos e ações

de desassoreamento de rios. Os levantamentos orientam intervenções estruturais e ajudam a redefinir áreas de risco. Outro eixo é o sistema nacional de alertas via celular, operado com a Anatel, que permite envio de mensagens sonoras e automáticas à população em áreas críticas, sem necessidade de cadastro prévio.

Força
do Rio Forqueta derrubou ponte
JONATA KICH

“O importante agora é trabalhar com margem de segurança. A velocidade dos eventos exige decisão antecipada”

Compra Assistida

Criado para dar agilidade no atendimento às famílias atingidas pela catástrofe climática, o Compra Assistida virou exemplo para o país. No Vale do Taquari, o programa viabilizou 1.561 moradias entre contratos assinados e unidades entregues, conforme dados da Secretaria Nacional da Reconstrução.

Esse volume representa 31,9% do déficit habitacional atendido pelo programa federal na região, considerando o total de unidades aprovadas no pós-inundações. Em termos práticos, uma em cada três soluções habitacionais federais no Vale ocorreu por meio do Compra Assistida.

Cinco municípios concentram a maior parte das ações habitacionais federais.

Juntas, essas cidades somam 3.567 moradias aprovadas, o equivalente a 72,9% de todas as 4.896.

O volume reflete tanto a intensidade dos danos quanto a capacidade de estruturar projetos, apresentar áreas viáveis e cumprir exigências técnicas para contratação das obras. Estrela lidera o ranking, com 1.264 unidades aprovadas, seguida por Cruzeiro do Sul, com 994. Na sequência aparecem Roca Sales (521), Encantado (403) e Lajeado (385).

Esforço pela liberação

A reconstrução das moradias avança em diferentes frentes, mas ainda há famílias que permanecem presas ao ponto mais sensível da tragédia: perderam a casa, comprovaram residência, estão em aluguel social e ainda aguardam uma solução definitiva.

A Secretaria de Desenvolvimento Social de Lajeado afirma que acompanha desses moradores. Conforme a assessora de gestão municipal, Lígia Camini, os dois cadastros permanecem com pendência no

Força da enchente do Rio Forqueta derrubou ponte na ERS-130, entre Lajeado e Arroio do Meio. Soluções alternativas foram adotadas até a inauguração da nova estrutura, em abril de 2025

sistema do Compra Assistida, vinculado ao governo federal.

“O governo federal ainda não nos deu resposta. O cadastro no Compra Assistida está como pendência. Acreditamos que vão ser contemplados em algum programa.”

De acordo com ela, a situação não é isolada. Lajeado tem 19 pessoas em condição semelhante, com processos que ficaram sem definição dentro do programa.

“Mantemos ofícios com o governo federal, com o Ministério das Cidades, responsável pelo programa. Temos esses casos que ficaram no limbo.”

O município afirma ter reunido documentos, atualizado informações e enviado ofícios para demonstrar que havia mais de uma residência em terrenos multifamiliares. Também foram feitas reuniões e contatos com o governo federal para tentar destravar os cadastros.

“No fim do ano, vimos que continuavam pendentes, e que o Compra Assistida fechava

em dezembro. Nos foi dito que seriam mantidas as análises e que poderiam haver novas liberações.”

Resposta do governo federal

Conforme o Ministério das Cidades, há laudos analisados e que foram indicados por ofício ao município. No entanto, o cadastro não foi processado e consta como “em avaliação”. Neste caso, ao serem se forem aprovados, vão ser direcionados para os empreendimentos que estão sendo construídos em Lajeado.

Sobre o Compra Assistida, a modalidade foi criada para dar celeridade para moradias de famílias atingidas pelas inundações no RS. Eram estipulados até R$ 200 mil para compra do imóvel. O programa encerrou em 6 de dezembro de 2025.

Aprendizados e avanços

Depois da tragédia, os governos foram desafiados a adotar um novo padrão de resposta. Os investimentos em sistemas de alerta, ampliação de equipes e reestruturação de planos de

e reestruturação de planos de contingência para enfrentar eventos extremos.

A principal transformação está na antecipação das informações. Sensores passaram a medir o nível do Rio Taquari e de afluentes, enquanto sistemas de monitoramento em tempo real foram implantados também no

Rio Forqueta. O modelo inclui transmissão de imagens e dados contínuos, permitindo leitura mais precisa da evolução dos eventos.

“O importante agora é trabalhar com margem de segurança. A velocidade dos eventos exige decisão antecipada”, afirma o

O relevo acidentado, a presença de rios volumosos e a ocupação de áreas próximas às margens contribuem para o risco de inundações. Por isso, houve um reforço estrutural.

“A 8ª Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil recebeu ampliação de efetivo e equipamentos, com nove integrantes, drones, viaturas e outros recursos operacionais”, informa por nota.

A estratégia, diz a Defesa Civil, passa pela gestão integrada de riscos, com atuação transversal entre diferentes esferas.

“O modelo busca atuar em todas as fases do desastre, no fortalecimento das estruturas municipais, responsáveis diretas pela resposta nos territórios.”

Entre as ações em curso estão programas de treinamentos. Em 2025, o Curso Básico de Proteção e Defesa Civil alcançou 344 municípios, o equivalente a 69% das coordenadorias municipais. Para 2026, o objetivo está nos Planos de Contingência. Em cima disso, as estratégias foram revistas nos 497 municípios.

Em paralelo, o Estado tem em andamento a contratação de radares meteorológicos, modelagem hidrodinâmica e instalação de 130 estações hidrometeorológicas, sendo 16 destinadas à região da 8ª Coordenadoria.

Detalhes

Estratégias em andamento

Municípios

Revisão dos planos de contingência

Criação de salas de crise

Ampliação de equipes técnicas

Compra de barcos e equipamentos

Formação de núcleos comunitários

Integração entre municípios

Diagnóstico regional em andamento

Instalação de sirenes de alerta

Governo do Estado

Centro Regional de Defesa Civil em Lajeado

Treinamentos técnicos especializados

Ampliação da Sala de Situação

Investimentos via Funrigs

Governo Federal

R$ 6,5 bilhões em estudos e obras

Sistema de alertas via celular

Criação de conselho de monitoramento

Parcerias com organismos internacionais

Planejamento no país

No plano federal, a estratégia combina obras estruturantes, sistemas de alerta e ampliação da base de dados para previsão hidrológica. Um dos avanços está na atuação do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), que reforçou o monitoramento do Rio Taquari após a destruição de parte da estrutura durante as enchentes de maio de 2024.

de desassoreamento de rios. Os levantamentos orientam intervenções estruturais e ajudam a redefinir áreas de risco. Outro eixo é o sistema nacional de alertas via celular, operado com a Anatel, que permite envio de mensagens sonoras e automáticas à população em áreas críticas, sem necessidade de cadastro prévio. coordenador da Defesa Civil de Lajeado, Marcelo Maia.

O sistema de alerta também mudou. Sirenes foram instaladas em áreas de risco, com emissão de sinal sonoro seguida de mensagens de voz orientando evacuação. Em paralelo, o governo federal implementa um sistema de alertas via celular, utilizando redes 4G e 5G para envio de mensagens gratuitas.

Organização social

Outra mudança estrutural está na participação da população. A estratégia inclui a formação dos Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil, com foco nos bairros mais atingidos. A ideia é transferir conhecimento técnico para a comunidade e reduzir o tempo de reação em situações de risco. O modelo busca evitar que a retirada ocorra apenas no momento crítico, quando a logística de resgate já está comprometida. Conforme a Defesa Civil do RS, o Vale do Taquari é uma das áreas mais vulneráveis.

Construção de novas moradias avança pela região. Enquanto isso, muitas famílias ainda residem em casas provisórias

Na região, foram instaladas réguas de medição e sensores automáticos em pontos estratégicos. O sistema também prevê a instalação de plataformas de coleta de dados (PCDs) e câmeras para leitura remota das condições do rio. Além do monitoramento, o governo federal mantém o pacote de R$ 6,5 bilhões para estudos hidrológicos, geológicos e ações

JONATA KICH

DADOS

Em três meses, Vale abre 1,5 mil postos de trabalho

Março repete meses anteriores e encerra com saldo positivo na geração de emprego. Resultado, no entanto, fica abaixo do primeiro trimestre de 2025

DO TAQUARI

Oprimeiro trimestre foi de cenário estável na geração de empregos formais na região. Assim como ocorreu em fevereiro e janeiro, o mês de março registrou saldo positivo na comparação entre novas contratações e desligamentos nas empresas, conforme aponta os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Em três meses, foram criadas 1.573 novas vagas no mercado

de trabalho regional, fruto de quase 19 mil admissões e 18,3 mil demissões. Fruto de um bom desempenho na maioria das cidades do Vale, sobretudo nas mais populosas, que puxam para cima os números. Em março, são 438,

resultado abaixo de janeiro (544) e fevereiro (576). No comparativo com o primeiro trimestre de 2025, o começo de 2026 indica uma desaceleração na abertura de novas vagas de emprego na região. O somatório dos três

primeiros meses do ano passado foi de 2,3 mil postos, 33% a mais do que o desempenho atual.

Lajeado impulsiona o saldo positivo do trimestre, com 726 novos postos criados. Ou seja, quase metade do resultado geral.

Na sequência aparecem Arroio do Meio, com 156, e Estrela, com 133. São 22 cidades da região que mais contrataram do que demitiram no período.

Na outra ponta, Bom Retiro do Sul tem o pior desempenho, com 32 postos fechados no período. Imigrante e Taquari, ambos com 18 vagas extintas, também aparecem com resultados negativos. A elas, se juntam mais 13 cidades, enquanto três tiveram o mesmo número de demissões e contratações.

Em março

Já no mês de março, o resultado positivo foi sustentado sobretudo por Lajeado, que abriu 336 novas vagas. O setor de serviços, com 178 postos abertos, responde por mais da metade do saldo final.

TRIMESTRE NO VALE

(Melhores e piores)

Lajeado: 726

Arroio do Meio: 156

Estrela: 133

Teutônia: 119

Encantado: 97

Bom Retiro do Sul: –32

Imigrante: –18

Taquari: – 18

Nova Bréscia: – 13

Relvado: –10

EMPREGABILIDADE MÊS A MÊS:

Janeiro: 544

Fevereiro: 576

Março: 438

TOTAL DO TRIMESTRE: 1.573 ÚLTIMOS 12 MESES: 1.464

Os demais setores também mais contrataram do que demitiram na cidade.

Teutônia, Estrela, Mato Leitão e Cruzeiro do Sul também se destacaram no período, enquanto Taquari teve o pior desempenho do mês, com 102 postos extintos.

No comparativo com o primeiro trimestre de 2025, começo de 2026 indica um ritmo mais lento na abertura de novas vagas
ARQUIVO A HORA

APRESENTADO POR:

Ela abre portas para autistas e combate o fechamento de escolas

Professora nascida no interior de Bom Retiro do Sul

ajudou a fundar duas organizações para pessoas do espectro e mobiliza comunidade para defender escolas do campo

Ao fim da tarde, Carline Diedrich Gauer, 44, estende a rede no terraço coberto e saboreia chimarrão com o filho mais velho, Arthur, 17 anos. A conexão familiar ajuda o jovem a vencer barreiras do espectro autista. Carline é professora há 24 anos e sabe a importância do amparo da família.

Os Gauer moram em Bom Retiro do Sul, e a história de Carline no voluntariado tem muitas frentes e relação direta com o filho.

Ela ajudou a criar duas organizações ligadas ao autismo: a primeira em Lajeado e a segunda, Bom Retiro do Sul. É coordenadora regional de famílias na Apae, mobilizadora em defesa das escolas do campo e apoiadora da causa animal.

O engajamento voluntário começou forte há 15 anos, quando o filho Arthur recebeu o diagnóstico. Ele tinha 5 anos. Quando soube,

Carline passou a buscar entendimento sobre o espectro e ferramentas para que o filho pudesse crescer com apoio, educação e atendimento.

Quando descobriu que o filho estava no espectro, sabia que haveria uma mudança de rota, mas que o filho ainda teria caminhos, desde que ela tomasse a frente dos tratamentos. Recebeu o conselho: “não tenha medo, siga em frente. Ampare, a família é muito importante”.

Percebeu a realidade ao redor. Faltava rede e não havia referência para se guiar. “Então, eu comecei a buscar famílias com filhos na mesma situação, para entender como faziam. Comecei a procurar por autistas adultos e compreender as perspectivas”, revela.

O início do voluntariado na Apae

Diante da falta de preparo, levou Arthur para a Apae e passou a participar ativamente da entidade. Com o tempo, virou coordenadora de famílias. Hoje, está na liderança regional

Ajudar o próximo e respeitar a terra: qualidades ensinadas dentro da família “musical”

dos núcleos familiares. “Essa é uma caminhada que sigo até hoje. Acredito nas famílias para contribuir com ações e ideias. Devemos fortalecer o movimento apaeano.”

Na Apae, visita as unidades da região, aproxima pais e responsáveis e incentiva a participação dentro da associação.

Há uma frente voluntária bem marcada, atualmente. Ajudou a fundar a ONG Azul como o Céu, em Lajeado. Depois, ao lado de famílias de Bom Retiro, participou da criação da Afamab, Associação de Famílias e Amigos dos Autistas Bom-Retirenses, em atividade desde 2021.

A Afamab iniciou com oito famílias. Hoje, a associação possui 70 integran-

tes, 50 do espectro autista. “Considero fundamental no trabalho voluntário, buscar pessoas que deem continuidade à causa. Essa corrente tem que ficar cada vez maior”, afirma Carline. O filho cresceu e tem 17 anos, é amparado com terapias e assistência em Bom Retiro. Para ela, é gratificante saber que essa qualidade no atendimento foi construída em parceria com a comunidade e a prefeitura.

O tipo de suporte para Arthur, que é um jovem adulto, é diferente do público infantil. Para Carline, o desafio agora é outro. Não basta defender acolhimento na infância. É preciso preparar jovens autistas para ocupar espaço, entrar no mercado de trabalho, participar de eventos e frequentar ambientes de

Andreia Rabaioli andreia@grupoahora.net.br
Em família: Os Gauer cantam músicas sobre autismo e chamam atenção no YouTube
Carline e o filho Arthur, no chimarrão da tarde: conexão e companheirismo

lazer. A sociedade precisa se preparar para acolhê-los, e eles também precisam se preparar para viver com autonomia dentro dela.

“Queremos inclusão na escola, sim, mas nós queremos inclusão na sociedade como um todo. A gente precisa esse espaço.”

Educação no campo, uma causa que precisa de vitrine

Se o autismo virou uma frente de mobilização por causa do filho, a defesa da escola do campo nasceu da própria origem de Carline.

Professora de Ciências e Agroecologia, considera fundamental manter

vivas as escolas rurais. Hoje, Bom Retiro do Sul tem duas escolas do campo, e ela atua em uma delas.

Carline foi alfabetizada na Escola da Glória, no interior do município, um educandário que já fechou. A lembrança ajuda a explicar por que ela reage sempre que surgem políticas que ameaçam a sobrevivência das escolas rurais.

“Tenho um amor muito grande pela escola de Pinhal, onde atuou hoje”. Todas as vezes que houve políticas que sinalizavam o fechamento ou a diminuição das condições de sobrevivência das escolas do campo, movimentou pessoas para resistir. “Nós não podemos deixar essa peteca cair.”

Uma comunidade sem escola per -

Considero fundamental no trabalho voluntário, buscar pessoas que deem continuidade à causa. Essa corrente tem que ficar cada vez maior.”

de a própria história. Com o prédio fechado, alunos precisam estudar longe e a comunidade recebe uma mensagem dura: a de que a vida no interior já não basta. “A escola de campo fortalece os laços dos estudantes com a comunidade. O ensino no interior mostra que as pessoas que moram no local são importantes e têm acesso à boa educação.”

Na prática, esse princípio aparece no cotidiano escolar. Em sala, Carline une ciência e vida concreta. Trabalha questões ambientais, ensina compostagem, fala sobre a preservação das abelhas. As crianças aprendem a semear, acompanham o crescimento das mudas e cultivam hortas domésticas.

Apreço pelo serviço voluntário vem da família

A disposição para servir não surgiu agora. Vem de casa. A professora cresceu vendo a mãe ajudar pessoas e o pai colaborar com vizinhos no trabalho da lavoura. Havia ali uma cultura de ajuda mútua, típica do interior, em que o cuidado com o outro fazia parte da rotina.

O que é a Afamab

A Afamab apoia autistas e suas famílias. Boa parte dos integrantes ainda é formada por crianças, mas a associação já reúne também jovens e adultos.

Ao longo do ano, promove caminhadas, encontros e palestras para conscientizar a comunidade sobre o espectro autista.

Carline vê seu papel muito ligado à articulação. Aproximar pessoas, conduzir famílias, ampliar a rede de apoio e fazer a causa crescer com mais gente envolvida. “Acredito no dom de reunir pessoas, aproximá-las da causa e promover o diálogo”.

Currículo do voluntariado

Coordenadora regional das famílias da Apae

Ajudou a fundar a ONG Azul como o Céu, de Lajeado, em 2019

Ajudou a fundar a ONG Afamab, de Bom Retiro do Sul, em 2021

Defensora da educação no campo Apoiadora da causa animal

canções um jeito de falar sobre o autismo. Gravaram um vídeo com os quatro integrantes da família cantando sobre a causa. O material foi parar no YouTube e alcançou visualizações.

Importância de valorizar voluntários

Iniciativas como o Tributo aos Guardiões cumprem também esse papel de reconhecimento. Valorizam quem já atua e ajudam a encorajar outras pessoas a entrar no voluntariado. “Eu acredito que uma história inspira outras histórias”.

Foi nesse ambiente que ela aprendeu duas lições que ainda carrega: ajudar o próximo e respeitar a terra. “O voluntariado me ensinou que, somando forças, a gente consegue as coisas com muito mais facilidade.”

Para ela, o voluntariado tem força porque encurta distâncias e faz as coisas andarem.

Suas ações sociais contam com o apoio direto da família. O marido, Erno Gauer, atua com adolescentes e integra a Orquestra Jovem.

A família é musical. O marido, regente, os filhos têm ligação com a arte, e a casa abriga um estúdio de gravação. Durante a pandemia, quando o isolamento apertou ainda mais a rotina, eles encontraram nas

ESCANEIE
CARLINE GAUER
Professora há 24 anos, Carline luta pela causa
autista e pelas escolas de campo

SERVIÇOS TERCEIRIZADOS

APL avança à próxima etapa para contratação

Empresa de Porto

Alegre apresenta menor proposta para assumir serviços hoje prestados pela Arki. Processo ainda passa por análise documental e prazo de recursos

Eu não posso ficar uma semana, nem dois dias sem merendeira.

empresas participaram da sessão pública de lances. “É um ótimo sinal para a administração e para Lajeado. O processo eletrônico permite que empresas de todo o Brasil participem.”

LAJEADO

Alicitação para contratação de mão de obra terceirizada em Lajeado avançou para a fase de análise documental. A empresa APL Apoio Logístico, de Porto Alegre, apresentou a menor proposta na disputa e aparece como primeira colocada no processo que deve substituir o atual contrato mantido com a Arki.

A gente precisa garantir que o serviço público não seja afetado”

O edital prevê a contratação de profissionais para nove funções, entre elas limpeza, zeladoria, preparo de alimentos, motoristas e serventes de pedreiro. Os postos atendem diferentes estruturas do município, como escolas, unidades de saúde e prédios públicos. De acordo com o procurador do município, Natanael Zanatta, 15

A proposta da APL ficou em R$ 33,6 milhões para 12 meses. A Arki, atual prestadora do serviço e investigada na Operação Lamaçal, também participou da licitação, mas terminou em 14º lugar, com oferta próxima de R$ 39 milhões.

Zanatta explica que a disputa de valores é apenas uma das etapas. Agora, a primeira colocada precisa comprovar capacidade técnica, regularidade fiscal, saúde financeira e experiência em serviços semelhantes. “É uma fase robusta e importante.”

Transição gradual

Caso a APL seja habilitada e vença os prazos de recurso, o mu-

nicípio inicia a transição entre as empresas. A troca não ocorre de forma imediata, pois os serviços são contínuos e não podem ser interrompidos. Segundo Zanatta, a tendência é que a substituição seja organizada entre a Secretaria de Administração e as empresas envolvidas. “Eu não posso ficar uma semana, nem dois dias sem merendeira. A gente precisa garantir que o serviço público não seja afetado”, afirma. Hoje, cerca de 400 trabalhadores estão vinculados ao contrato da Arki. Não há garantia contratual de recontratação pela nova

empresa, mas o procurador avalia que a continuidade de parte dos funcionários é uma tendência natural, pela experiência acumulada e pela dificuldade de reposição imediata de mão de obra.

A nova licitação ocorre em meio ao fim do contrato vigente com a Arki. A empresa é citada em investigação federal, mas Zanatta ressalta que as apurações não tratam da qualidade dos serviços prestados ao município.

Proposta da APL ficou em R$ 33,6 milhões para 12 meses
Fabiano Lautenschläger centraldejornalismo@grupoahora.net.br

CRISE DA ÁGUA

Vespasiano Corrêa entra em estado de emergência

Baixo índice pluviométrico

desde o fim de 2025 compromete o abastecimento urbano e a produção agrícola. Município decreta racionamento e busca apoio da Defesa Civil Estadual

Matheus Giovanella Laste mateuslaste@grupoahora.net.br

VESPASIANO CORRÊA

Omunicípio atravessa uma grave crise por conta da estiagem. A baixa pluviosidade registrada desde o fim de 2025 impactou diretamente o abastecimento de água para a população urbana e gerou alarme entre agri-

cultores e autoridades municipais.

Segundo levantamento da Emater, o acumulado médio de chuvas entre janeiro e o momento atual é de apenas 225 milímetros, índice considerado muito baixo, sobretudo no período crítico para as culturas da época. A coordenadora adjunta da Defesa Civil e secretária adjunta do Desenvolvimento Social de Vespasiano, Eduarda Groff Trentin, explica o alcance do problema. “O cenário, que já era visto pelos agricultores como grave, agora se estende a toda a população, uma vez que nas casas o povo já está vendo e sentindo as consequências”, revela.

O fenômeno tem explicação técnica. Foi feito esta semana a análise do poço “principal” da cidade (responsável pela pressurização dos demais poços do sistema urbano). O resultado confirmou o que a população relatava: o nível d’água está muito baixo, fazendo com que o bombeamento arraste sedimentos do fundo. “Os moradores nos relatam que está saindo

areia e terra junto com a água, que antes sempre foi de excelente qualidade e muito limpa”, aponta a coordenadora.

O governo municipal busca o reconhecimento de situação de emergência junto à Defesa Civil do Estado. “Técnicos estaduais estiveram no município esta semana e estamos avaliando a possibilidade de conseguir, do Estado, um caminhão -pipa”, acrescentou Eduarda.

Estado das lavouras e plantações preocupavam os agricultores desde o início do ano

O prefeito Tiago Michelon foi ao local vistoriar pessoalmente os poços artesianos e usou as redes sociais para pedir colaboração da população. “Pedimos que todo cidadão vespasianense evite o gasto desnecessário de água e use somente para o consumo básico, comida, banho e higiene”, frisa.

O gestor alertou ainda para o risco de agravamento. “Os poços não dão conta de restabelecer a água, e com isso teremos que restringir ainda mais o fornecimento para a nossa cidade”, cita

Michelon, incentivando os moradores a acompanharem os avisos de racionamento nas redes sociais do município. Diante da crise, o governo publicou decreto que estabelece medidas temporárias e proíbe o uso de água para fins não essenciais enquanto perdurar o racionamento. “Contamos muito com que a chuva prevista para esta sexta-feira realmente venha e nos ajude”, ressalta Eduarda.

Técnicos da Defesa Civil Estadual estiveram no município para avaliar a situação
FOTOS: DIVULGAÇÃO

DIA DO TRABALHADOR

Trabalho com carteira permanece relevante, diz pesquisa da CNI

Segundo a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Mais de 41% dos trabalhadores de 25 a 34 anos preferem o modelo formal de emprego

As relações de trabalho vêm em permanente mudança. Mesmo assim, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) destaca que as vagas pela Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) permanecem relevantes.Conforme pesquisa, 41,4% dos trabalhadores de 25 a 34 anos preferem o modelo formal de emprego, com carteira assinada. Entre os jovens de 16 a 24 anos, este percentual é de 38,1%.

O modelo formal foi apontado como o mais atrativo por mais de um terço dos trabalhadores que procuraram emprego neste ano. “Embora novas modalidades de trabalho estejam crescendo, como aquelas vinculadas a plataformas digitais, o trabalhador ainda valoriza o acesso a direitos trabalhistas, estabilidade e proteção social, que continuam, portanto, sendo um diferencial relevante mesmo em contexto de maior flexibilização das relações de trabalho”, diz Claudia Perdigão, especialista em Políticas e Indústria da CNI.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Avícolas e Alimentação Geral de Lajeado e Região (Stial), Sérgio Luís Fagundes, concorda com a representante da CNI e acrescenta: “O trabalhador também visa a sua aposentadoria, afinal, a previdência privada é algo inviável para quem recebe o salário da categoria”.

Fagundes destaca que os

trabalhadores com carteira assinada, como os dos frigoríficos, têm as garantias previstas na CLT, além de outros benefícios alcançados nos acordos coletivos.

Contraponto

A CLT é um marco na história nacional. Foi instituída em 1943. De lá pra cá, direitos e deveres foram se ajustando. Em cima disso, há uma preocupação do setor empresarial frente a menor atração com o trabalho formal e aumento na informalidade. Tanto que a Federação das Entidades Empresariais do RS (Federasul) defende uma revisão nos encargos trabalhistas para garantir salários maiores àqueles que estão no mercado formal.

Aposentadoria

Maria Leandra da Silva, 25, e Luiza Pereira Zawaski, 17, trabalham na recepção do mesmo prédio comercial, no Centro de Lajeado. Maria é mãe dois filhos e atua na área da segurança. Já Luiza integra o programa Jovem Aprendiz e estuda no Colégio

Estadual Presidente Castelo Branco. Em comum, elas pensam que um dia vão envelhecer e precisarão da aposentadoria para se manterem.

Luíza se interessa por marketing digital e fotografia. São nestas áreas que pretende se especializar e trabalhar. Ter a carteira assinada é uma das premissas quando começar a vida profissional. “É

importante para ter os benefícios.”

Ela refere-se a férias, 13º salário, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), entre outros. Maria já pode usufruir de direitos por ser celetista. A licença-maternidade foi um deles. Ela contribui desde os 16 anos e diz que vale a pena. “É uma segurança. Meu pai sempre diz: com o avançar da idade, se percebe a diferença que faz ter carteira assinada.”

Entretanto, Maria não descarta a possibilidade de, futuramente, ter o próprio negócio. “Já pensei em empreender, mas vou continuar trabalhando de carteira assinada, para ter segurança.”

ENTREVISTA

EDUARDO GRAVINA

Presidente da Acil

Qual a tendência das relações de trabalho atualmente?

A tendência das relações de trabalho hoje em dia é muito mais voltada a “PJtização” das relações ou então a informalidade das mesmas, uma vez que as políticas públicas têm afastado os trabalhadores do regime da CLT. Algo que deve se acentuar com a Reforma Trabalhista. A faixa etária é determinante na busca por flexibilidade de jornada e busca por ganhos “mais fáceis”, principalmente entre os mais novos. Mas entre os mais velhos (acima de 35-40 anos) tem sido uma forma de tentar escapar dos encargos trabalhistas e levar mais dinheiro para casa.

Quais os segmentos que se adaptam melhor ao PJ?

De forma regular e com segurança jurídica, sem dúvidas os serviços são mais adaptáveis a contratações via PJ, pois geralmente é possível adotar uma flexibilidade de jornada maior em relação às outras áreas.

Como você vê a relação de empregados, empregadores e governo?

A relação entre empregados e empregadores tem sido prejudicada por um terceiro elemento, o governo, que não abre mão da parte dele, consome reservas de garantia dos trabalhadores, endivida o trabalhador com juros abusivos em empréstimos consignados, aumenta a carga tributária das empresas e não coíbe atividades que prometem lucros impossíveis.

VALE DO TAQUARI
Trabalhadores com carteira assinada têm as garantias previstas na CLT, além de outros benefícios alcançados nos acordos coletivos
Luciane Eschberger Ferreira luciane@grupoahora.net.br
LUCIANE ESCHBERGER FERREIRA

Inscrições para o Fundo Social da Sicredi

Integração RS/MG abrem

nesta sexta-feira

ASicredi Integração RS/ MG abre nesta sexta-feira, 1º, as inscrições para o Fundo Social 2026,

iniciativa que destina recursos a projetos sociais de interesse coletivo e reforça o compromisso da cooperativa com o desenvolvimento das comunidades onde atua. O período para envio das propostas

segue até o dia 31 de maio. O Fundo Social apoia projetos nas áreas de educação, saúde, segurança e inclusão social, contribuindo diretamente para a transformação de realidades e a

promoção do bem-estar coletivo. Para esta edição, o valor total disponibilizado é de R$ 2,4 milhões, com a expectativa de ampliar ainda mais o alcance das ações contempladas.

Podem participar entidades sem fins lucrativos, associadas à cooperativa e que estejam em situação regular (adimplentes). Cada instituição poderá inscrever um único projeto, com valor máximo de até R$ 80 mil. As inscrições devem ser feitas exclusivamente pelo site https://fundacao. sicredi.com.br/nacomunidade, onde também está disponível o regulamento completo.

Entre as novidades deste ano, destaca-se a ampliação das áreas contempladas, com a adição formal da categoria de Inclusão Social, além do aumento no valor máximo por projeto, que passou de R$ 50 mil para R$ 80 mil. O Fundo Social reforça o papel da Sicredi de estar próxima das comunidades e de gerar retorno positivo por meio do cooperativismo, incentivando projetos que promovem desenvolvimento local e transformação social. Os resultados demonstram a relevância da iniciativa. Em 2025, foram destinados R$ 1,9 milhão a 172 entidades do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais, beneficiando diretamente milhares de pessoas e fortalecendo ações que fazem a diferença no dia a dia das comunidades.

VALE DO TAQUARI
Em 2025, foram destinados R$ 1,9 milhão a 172 entidades
Iniciativa destina recursos a projetos sociais de interesse coletivo
DIVULGAÇÃO

A Hora terá representante em tradicional evento nas Missões

Apresentador do programa Fogo de Chão, Claiton Miranda participa da 14ª Cavalgada Trilha dos Santos Mártires das Missões, que inicia neste sábado

OGrupo A Hora terá um representante acompanhando de perto a 14ª Cavalgada Trilha dos Santos Mártires das Missões, que ocorre a partir deste sábado, 2, até o dia 10 de maio, dentro das comemorações dos 400 anos das Missões Jesuíticas Guaranis. O tradicionalista e comunicador Claiton Miranda, apresentador do programa Fogo de Chão, será o responsável por mostrar os bastidores, desafios e histórias do percurso, em uma cobertura ao longo de nove dias. A cavalgada deve reunir mais de

500 participantes, entre cavalarianos e equipes de apoio, em um trajeto de aproximadamente 170 quilômetros pela região missioneira. A programação inicia neste sábado, 2, com a recepção dos participantes em Santo Isidro. No domingo, 3, ocorrem as primeiras atividades oficiais, incluindo homenagens às margens do Rio Uruguai.

Ao longo do percurso, os participantes passam por municípios como São Nicolau, Pirapó, Roque Gonzales, São Pedro do Butiá, Cerro Largo, Mato Queimado e Caibaté. Em cada parada, estão previstas atividades culturais, momentos de integração e celebrações que resgatam a história, a fé e a tradição gaúcha. Miranda destaca que a proposta

é ir além do registro factual e mostrar o lado humano da cavalgada. “A cobertura será em tempo real, às vezes ao vivo, mas sempre contando a história dos integrantes, de onde são, por que vieram,

se as famílias apoiam. É isso que dá sentido à cavalgada. Vamos mostrar curiosidades, como evolui a cavalgada e também as histórias locais de fé e tradição por onde a gente passar”.

Identificação

Único comunicador a acompanhar todo o percurso, Miranda ressalta a identificação com o movimento tradicionalista como um diferencial no trabalho. “Me sinto lisonjeado por ter sido convidado por amigos que fiz nas Missões”, afirma.

A jornada, no entanto, também impõe desafios. Durante os nove dias, o comunicador deve adaptar a rotina para conseguir acompanhar o ritmo da cavalgada, conciliando deslocamentos, produção de conteúdo e descanso. “Ficar longe da família é o mais doído. Vou dormir no carro, fazer minha própria comida em alguns momentos e estar sempre atento a tudo que acontece. São mais de 500 pessoas, muita coisa ao mesmo tempo”, relata. Segundo ele, a organização e a capacidade de selecionar as informações mais relevantes serão fundamentais. “Filtrar o que acontece é muito importante, porque tudo é interessante, mas é preciso transformar isso em conteúdo para quem está acompanhando”.

Para o público, a cobertura poderá ser acompanhada pelas plataformas do Grupo A Hora e também pelas redes sociais do projeto Ronda Criolla, com conteúdos atualizados diariamente ao longo da cavalgada.

Proposta é ir além do registro factual e mostrar lado humano da cavalgada
PORTAL DAS MISSÕES/DIVULGAÇÃO

Moradores cobram solução para rua usada como ligação entre rodovias

Hugo Welter, no bairro Floresta, tem buracos, poeira e barro em dias de chuva. Município afirma buscar recursos para pavimentar vias principais

Um novo olhar sobre os bairros

LAJEADO

Moradores do bairro Floresta cobram uma solução para as condições da rua Hugo Welter, em Lajeado. A via, ainda sem pavimentação, é usada como ligação entre a ERS-453 e a ERS-130 e também serve de acesso entre bairros como Floresta e Jardim do Cedro. O trecho apresenta buracos, desníveis e dificuldades de tráfego, situação que piora em dias de chuva.

Vice-presidente da Associação de Moradores do Floresta e presidente da Associação de Água do bairro, Jaime Borger afirma que a demanda não é recente. Segundo ele, a rua aparece entre as prioridades apresentadas à

administração municipal em reunião realizada no ano passado. “Nós elegemos 13 prioridades do bairro, e a rua Hugo Welter está entre elas. Mas o que a gente vê é pouco o poder público se mexer para solucionar o problema.”

Borger diz que os moradores pedem, ao menos, uma previsão concreta. “Eles sempre estão em estudo, sempre estão analisando, mas a gente não vê nada sair

do papel. A comunidade quer uma data, uma reunião, alguma resposta”, cobra. Segundo ele, a situação gera desgaste entre os moradores, que convivem com barro, poeira e dificuldade de acesso. “O pessoal está cansado. Paga IPTU, paga seus impostos e tem o direito de reivindicar.”

O vereador Éder Spohr (MDB) também acompanha a cobrança da comunidade. Para ele, a falta

de pavimentação ficou mais evidente com a expansão urbana na região. “Aquilo ali é uma ligação importante entre duas RS, a 453 e a 130. E ali estão sendo feitos loteamentos novos. Essa questão traz população e aumenta o movimento”, observa. Segundo o vereador, moradores já fizeram manifestação no ano passado e avaliam novas mobilizações caso não recebam retorno.

Poeira levanta quando veículos passam, causando transtornos aos moradores

Município cita estudo e busca por recursos

O secretário de Obras de Lajeado, Genésio Kamphorst, reconhece a importância da rua e afirma que há intenção de incluir a Hugo Welter em um planejamento de pavimentação. Segundo ele, ainda não há data definida. “É uma via importante, que liga principalmente o Jardim do Cedro ao bairro Floresta. Existe a intenção de, nos próximos meses ou no próximo ano, contemplar uma pavimentação lá, mas eu não consigo precisar essa data.” Enquanto a pavimentação não ocorre, a manutenção depende de patrolamento. O secretário afirma que o problema se repete após cada chuva. “Se não é pó, é barro. A gente pode botar uma patrola permanente ali, que logo depois de uma chuva vai ter atividade de novo.”

Pressão sobre vias antigas

O secretário avalia que parte do problema está ligada ao crescimento urbano de Lajeado. Ruas abertas há décadas, muitas delas sem pavimentação, passaram a ter novo papel dentro da malha viária. “Talvez no passado elas não fossem tão importantes, mas com o crescimento de hoje são muito importantes.”

A prefeitura afirma buscar alternativas financeiras para viabilizar as obras. “Se não temos os recursos próprios, vamos ter que achar uma alternativa. Não adianta ficar tampando o sol com a peneira diariamente”, completa o secretário. JAIME BORGER

Genésio destaca que novos loteamentos já precisam ser entregues com pavimentação. O desafio, segundo ele, é resolver o passivo existente em áreas urbanizadas antes dessa exigência. “O que nos conforta é que agora todos os novos loteamentos devem sair pavimentados. Mas temos um passado bem grande para resolver.”

Fabiano Lautenschläger
fabiano@grupoahora.net.br
Falta de fiscalização e sinalização faz com que veículos passem em altas velocidades, causando acidentes, como uma batida em uma piscina que ocorreu no último domingo, 26
FOTOS: FABIANO LAUTENSCHLÄGER

EDUCAÇÃO INFANTIL

Projeto valoriza experiências que ficam na memória infantil

Atividade do Colégio

Madre Bárbara

trabalha vivências, leitura, movimento e afeto em iniciativa anual

Fabiano Lautenschläger centraldejornalismo@grupoahora.net.br

LAJEADO

OColégio Madre

Bárbara desenvolve, ao longo deste ano, o projeto Marcas na Infância, Memórias que Ficam, iniciativa que orienta as atividades da educação infantil e busca valorizar experiências capazes de contribuir para o desenvolvimento das crianças. A proposta envolve todas as turmas, dos bebês aos seis anos, com ações ligadas à leitura, ao brincar, ao movimento, às emoções e às relações construídas no ambiente escolar. Conforme a coordenadora pedagógica da educação infantil, Vanessa Delwing Ely, a escolha do tema parte da compreensão de que a infância tem papel decisivo na formação das pessoas. “Se tem uma fase que a gente não consegue voltar mesmo é a infância”, afirma. Segundo ela, os estudos mais recentes reforçam a importância dessa etapa da educação básica, período em que se consolidam aprendizagens e ocorrem conexões neurais fundamentais. O projeto nasce, conforme Vanessa, como um compromisso da escola em oferecer experiências positivas. “Estamos preocupados com as marcas que ficam nessa infância, porque são memórias que ficam”, destaca. Entre os eixos trabalhados estão o afeto, a construção moral, a convivên-

O que é experienciado é vivido. Então, muitas questões sensoriais, questões de desenho, tudo isso são marcas que ficam na criança.”

cia, a autonomia e a relação com diferentes materiais.

Na prática, as crianças participam de atividades com desenho, massa de modelar, tintas, melecas, histórias, brincadeiras e propostas sensoriais. A coordenadora explica que, na educação infantil, o aprendizado ocorre pela experiência. “O que é experienciado é vivido. Então, muitas questões sensoriais, questões de desenho, tudo isso são marcas que ficam na criança.”

Leitura desde os bebês

Um dos braços do projeto é a Ciranda de Enredos, voltada ao contato diário com histórias. As professoras leem para as crianças desde os primeiros anos, com o objetivo de formar repertório e aproximar os alunos da literatura. Vanessa reforça que a leitura também precisa permanecer em casa, mesmo quando a criança já começa a ler sozinha. “É muito importante continuarmos com esse momento de leitura em casa, pelo afeto envolvido.” Conforme

ela, quando a criança pede a mesma história várias vezes, isso faz parte do processo de elaboração e compreensão. A leitura em papel segue como preferência no trabalho com os pequenos. A coordenadora afirma que a escola não se opõe a outros formatos, mas entende que o contato físico com o livro tem papel importante na formação de leitores. “O papel é essencial quando a gente está formando leitores.”

Movimento e emoções

O projeto também valoriza o movimento. A escola entende que correr, subir escadas, dançar, equilibrar-se, segurar objetos e explorar o corpo são partes do aprendizado. Para Vanessa, a educação infantil não pode ser limitada ao papel e à caneta. “Como é que eu vou educar um corpo escrevendo só? Pelo contrário, eu estou aprisionando um corpo no momento em que ele está só sentado escrevendo.”

As questões emocionais também fazem parte da proposta. A escola trabalha com a validação dos sentimentos das crianças, em vez de negar reações como o choro ou a frustração. “A prof sabe que dói, a gente se machuca, mas vamos ver o que tu está sentindo em relação a isso”, exemplifica Vanessa.

A coordenadora destaca que esse olhar ajuda na formação emocional e no desenvolvimento integral. Cada criança é acompanhada de forma individualizada, de acordo com seus avanços e necessidades. VANESSA DELWING ELY

Proposta envolve todas as turmas, dos bebês aos seis anos
RENATA LEAL/DIVULGAÇÃO

Rede de água da Corsan será instalada sem cortes em ruas e calçadas

Novo sistema irá reforçar o abastecimento de água para aproximadamente 4 mil pessoas

Obra com método não destrutivo marca ativação de poço tubular profundo que beneficiará cerca de 4 mil moradores

Na tarde desta quartafeira, 29, foi lançada oficialmente a obra de ativação de um poço tubular profundo em Arroio do Meio, com destaque para a utilização de uma tecnologia que dispensa a perfuração de asfalto e calçadas durante a instalação da rede de água. O ato ocorreu na rua Walmor Franke, esquina com a rua Alvorada, local onde terão início os trabalhos.

A intervenção, conduzida pela Corsan, prevê a implantação de 1,2 mil metros de rede com tubulação de 200 milímetros de diâmetro, que será interligada ao reservatório do bairro Novo Horizonte. O investimento varia entre R$ 850 mil e R$ 1 milhão. O novo sistema irá reforçar o abastecimento de água para aproximadamente 4 mil pessoas dos bairros Dona Rita, Novo Horizon-

te, Dom Pedro II e São Caetano, com impacto direto na regularidade e qualidade do fornecimento, especialmente nas áreas mais altas da cidade.

De acordo com o superintendente da Corsan, André Finamor, a estrutura será capaz de suprir integralmente a demanda da região do bairro Dona Rita, além de atender os demais bairros contemplados. “A nova estrutura garantirá maior segurança no fornecimento de água, principalmente nos dias de maior consumo”, destacou.

Diferencial

Um dos principais diferenciais da obra é o uso do método não destrutivo (MND), que permite a instalação da tubulação por meio de perfuração subterrânea, sem necessidade de abrir valas ou realizar cortes em vias públicas. Conforme Finamor, a técnica traz mais segurança para os moradores e maior agilidade na execução dos trabalhos, reduzindo impactos no trânsito e no cotidiano da população.

A montagem do poço inclui ainda a instalação de conjunto motobomba, quadro de comando com sistemas elétricos e hidráulicos, além de tubulações, registros e conexões que serão implantados na saída da estrutura.

GABRIEL SANTOS

Confira como funciona comércio e serviços na região durante o feriado

Mudanças seguem o padrão adotado em outros recessos ao longo do ano, afetando tanto o setor público quanto o privado. Nas rodovias, ViaSul estima mais de 770 mil veículos

Maio começa com o feriado do Dia do Trabalhador, celebrado na sexta-feira, 1º, e altera o funcionamento do comércio e dos serviços em toda

a região. As mudanças seguem o padrão adotado em outros feriados ao longo do ano, afetando tanto o setor público quanto o privado.

Nas rodovias federais do RS, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) deu início, na quinta-feira, 30,

à Operação Dia do Trabalho, que se estende até domingo, 3. A expectativa é de aumento no fluxo de veículos. Conforme a concessionária ViaSul, mais de

770 mil veículos devem circular pelas rodovias (BR-101, BR-386, BR-448 e BR-290). Desse total, pouco mais de 400 mil devem passar pela Freeway e cerca de 250 mil pela BR-386. A PRF orienta que os motoristas planejem as viagens com antecedência e evitem os horários de pico.

Comércio no Vale

De acordo com o Sindilojas Vale do Taquari, não houve acordo coletivo para funcionamento do comércio na sexta-feira, 1º. Com isso, as lojas só poderão abrir com atendimento feito pelos proprietários. O funcionamento normal será retomado no sábado, 2.

Supermercados

No setor de alimentação, a maioria dos estabelecimentos da região não abre no feriado. Permanecem fechados os supermercados STR de Lajeado e filiais, Desco Atacado, Imec, Passarela Lajeado, Via Atacadista e unidades do Super Esquinão em Lajeado e Estrela. Já as unidades do Super Esquinão em Teutônia e Paverama, além de Stok Center, Atacadão e Supermercados Dália, funcionam em horário reduzido. O atendimento normal será retomado no sábado, 2.

Shopping Lajeado: praça de alimentação das 11h às 22h; farmácia das 9h às 20h; lojas das 13h às 19h (abertura opcional).

Parque Histórico de Lajeado: aberto das 14h às 17h; no fim de semana, das 9h às 17h.

Jardim Botânico de Lajeado: funcionamento normal, das 8h às 18h.

Serviços públicos

Estarão fechados o Centro Administrativo, secretarias municipais, escolas e Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Em casos de urgência e emergência, a orientação é procurar as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), o Pronto Atendimento Ambulatorial Pro Vale (P.A.+) ou os serviços de emergência hospitalar. A coleta de lixo ocorre normalmente em Lajeado. O transporte coletivo estará suspenso.

Rede bancária

As agências bancárias não terão atendimento presencial no feriado. Boletos e contas com vencimento na data poderão ser pagos no próximo dia útil, sem acréscimo. Já tributos e impostos devem ser quitados até quintafeira, 30.

Eloisa Silva eloisasilva@grupoahora.net.br
Funcionamento normal será retomado no sábado, 2
ARQUIVO

Fenachim abre com shows e mira recorde do chimarrão

Programação inicia antes da abertura oficial e aposta em grande mobilização para reunir mateadores no sábado

Ezequiel Neitzke

ezequiel@grupoahora.net.br

VENÂNCIO AIRES

A18ª Festa Nacional do Chimarrão (Fenachim) começa oficialmente nesta sexta-feira, 1º de maio, feriado do Dia do Trabalhador, mas o clima de festa já tomou conta do Parque do Chimarrão desde a noite dessa quinta-feira, 30. A abertura antecipada contou com atividades iniciais e o show nacional da dupla César Menotti & Fabiano, marcando o início de uma programação que se estende até domingo, 3, faz uma pausa e retorna entre os dias 6 e 10 de maio.

A Capital Nacional do Chimarrão tem que ter mais pessoas mateando do que o recorde atual, e estamos mobilizando a comunidade para isso.”
DAIANA

A edição que celebra os 40 anos do evento reúne uma estrutura ampliada e diversificada. Ao todo, são 330 espaços de exposição, incluindo feira multissetorial, artesanato e agricultura familiar.

Em comparação ao ano passado, houve ampliação da área, com 11 novos espaços.

A programação contempla atrações tradicionalistas, esportivas e musicais, além de mais de 80 horas de shows distribuídos em diferentes palcos, como o Lonão Alliance One, Chimarródromo e Super Lenz Espaço Show. Entre os destaques nacionais, além da abertura com César Menotti & Fabiano, estão Hungria, no sábado, 2, o DJ Petroski na mesma noite, e o grupo Menos é Mais, no dia 9. Os shows no Ginásio Poliesportivo contam com ingressos específicos.

A abertura oficial ocorre nesta sexta-feira, 1º, às 14h, no Chimarródromo, com apresentação da Clube Orquestra e presença de autoridades. Neste dia, a entrada é gratuita das 10h às 14h. Ao longo da festa, há outros momentos de gratuidade, como no sábado, 2, das 9h às 10h,

para quem chegar com chimarrão em mãos para a mateada, e na segunda semana, entre os dias 6 e 8, das 14h às 18h. Fora desses horários, os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Crianças até 6 anos não pagam.

Quebra de recorde

Um dos momentos mais aguardados desta edição é a tentativa de quebra de recorde mundial do maior número de pessoas tomando chimarrão ao mesmo tempo. A ação está marcada para a manhã de sábado, no campo da Assive, dentro do parque. Atualmente, o recorde pertence a Assunção, no Paraguai, com 1.332 participantes.

Segundo a chefe de comunicação e marketing da Administração Municipal, Daiana Nervo, a expectativa é mobilizar um público ainda maior. A estratégia inclui organização do público em formato de cuia para

registro visual e distribuição de números individuais para facilitar a contagem. “A Capital Nacional do Chimarrão tem que ter mais pessoas mateando do que o recorde atual, e estamos

mobilizando a comunidade para isso.”

A organização também garante estrutura para participação.

Durante os dez dias de festa, haverá distribuição gratuita

de erva-mate e água quente no parque. Ainda assim, a recomendação é que o público já chegue com o chimarrão pronto, para facilitar a logística do momento coletivo.

Soberanas da Fenachim terão agenda intensa durante o evento

Gastronomia e lembranças

Além das atrações culturais e da tentativa de recorde, a Fenachim também investe na gastronomia. O público encontra desde food trucks até refeições completas.

O Café Colonial e Restaurante Saionara atende das 11h às 22h, com opções de buffet livre ou a quilo. Já o D’Casa Restaurante funciona no almoço e jantar, também com sistema por peso e opções rápidas como pastéis e pão de queijo.

Quem visitar a 18ª Festa Nacional do Chimarrão (Fenachim) poderá levar para casa lembranças personalizadas do evento e de Venâncio Aires. A empresa Maxi Cópias participa de mais uma edição com um espaço exclusivo no Chimarródromo, junto à entrada do Parque do Chimarrão, oferecendo itens com imagens dos pontos turísticos do município, da Fenachim 40 anos e da nova Marca Território, como canecas, camisetas, cuias, ecobags e outros acessórios.

Destaques do primeiro fim de semana

1º de maio

10 às 12h20min – Encontro da Família Ervateira

13h30min – Banda Flor da Serra 14h – Abertura oficial

17h30min – Stand Up Gaudêncio 20h30min – Tchê Guri

2 de maio

10h – Encontro dos Escoteiros 10h – Rodeio Artístico do CTG Erva Mate

10h – Venâncio Guinnes Book 13h – Copa Mocva de Veloterra e Motocross 14h – Abertura oficial do pavilhão agropecuário 14h – Encontro Estadual de Soberanas e Mascotes

19h30min – Luiz Marenco

21h – Hungria + Petroski

22h – Porto do Som 23h – Áudio Som 00h – Magia Musical

3 de maio

A partir das 6h – Circuito dos Vales 14h – Copa Mocva de Veloterra e Motocross 18h30min – Rock de Galpão 21h – Banda Corpo e Alma

Lente Social

Novidade por Lajeado

Os empresários Daniela Souza da Silva Estreich e Leandro Kruger Estreich receberam clientes, amigos e fornecedores para a reinauguração do novo espaço da Greda Revestimentos e Acabamentos no sábado, 25. Com oito anos de atuação no mercado de acabamentos, louças e revestimentos, a filial de Lajeado conta agora com um espaço amplo, moderno e confortável para os clientes. O novo endereço é na avenida Benjamin Constant, nº 2650, sala 101, no bairro Florestal.

Daniela e Leandro, proprietários da Greda Acabamentos

Run More rumo aos 30 anos

Nos dias 27 e 28 de abril, a Run More reuniu mais de 40 lojistas do Brasil e exterior em uma edição histórica da sua convenção de vendas. O momento integra a programação dos 30 anos da marca e apresentou a coleção de verão 26’27 com desfile e palestras no espaço de eventos da empresa, em Estrela.

Verenice, Vanderli, Simei, Uliana, Lineia, Raquel, Márcia, Adriana e Carolina

Encontro e conexão em Teutônia

O 10º Encontro da Mulher S/A, nessa terça-feira, 28, trouxe a temática Transformações Femininas. Foram abordados os pilares necessários para a mentalidade empreendedora no mundo que se transforma com a coach Gabriela Jacinto e as convidadas Patrícia Perin, consultora de imagem,

Inspiração na Alemanha

Daniele Mallmann (foto), gerente comercial da CBM, empresa do ramo de materiais elétricos, participou do O World Retail Congress, que ocorreu em Berlim, na Alemanha, entre os dias 27 a 29 de abril. O foco do congresso foi apresentar para onde vai o varejo mundial até 2030 e o que grandes marcas mundiais estão fazendo. Foram três dias de muito conhecimento, insights, e inspirações para a região. Segundo Daniele, o varejo hoje não é só sobre velocidade ou criatividade. É necessário entender profundamente o cliente, ter clareza de estratégia e, então, agir com agilidade.

e Carolina Dupont Griebeler, esteticista. O trio trouxe sua experiência e vivência na união do desenvolvimento mental e visual nas diferentes fases da vida da mulher. O Encontro da Mulher S/A ocorreu em Teutônia, na Pasta Luna Pizzaria, e contou com um público de 83 inscritos.

Lisi Costa Leila Franz
Lia, Alexandre e Ana Dullius

UMAS & OUTRAS

ÉOLIVAS DO SUL

muito legal conhecer os vários investimentos feitos aqui pelas bandas do sul no cultivo de oliveiras e produção de novos e muito bem qualificados óleos vegetais.

Faz lembrar a introdução do cultivo de maçãs, de noz pecã e até de eucaliptos em tempos idos. Hoje em dia bem consolidados, mas que também tiveram algumas fortes nascentes aqui pelas bandas do Taquari.

FALANDO NISSO

É também muito interessante conhecer mais de perto a origem

de respeitáveis empreendimentos que processam resíduos industriais e geram rações para alimentar com segurança e qualidade extensos rebanhos e até os pets. Houve tempos em que esses descartes eram um baita pepino, hoje viraram uma grande solução.

PERO QUE SI, PERO QUE NO...

Como dizem os castelhanos: talvez sim, talvez não, aí “vareia feito biruta de aeroporto, que se move conforme a evolução dos acontecimentos e a força dos

Pesquisas de opinião e estatísticas são coisas sérias, desde que conduzidas por critérios técnicos, focadas na busca de informações objetivas e confiáveis.

Nos meios empresariais, institucionais e até políticos costumam ser uma ferramenta importante para subsidiar tomadas de decisões.

Neste último ambiente muitas vezes é utilizada apenas para propaganda externa, embora sem grande utilidade para consumo interno, tipo um chute na lua para impressionar o eleitorado.

ventos predominantes.

Mas tanto lá quanto cá ficar sempre encima do muro não costuma ser um posicionamento considerado como respeitável, mais cedo ou mais tarde as contradições afloram e aí a porca acaba torcendo o rabo, como diz o meu Cumpádi Belarmino.

Tipo assim assobiar e chupar cana ao mesmo tempo, pretender ficar de pé e sentado numa mesma circunstância, ou não ser a favor nem contra antes pelo contrário.

A maioria silenciosa percebe incongruências e ainda mais rapidamente hoje em dia com as chamadas redes sociais.

Messiânicas Dosimetrias (duplo com) Homéricas Bangornadas.

Neto para o nôno:

- Vai dar algum presente para a nona no dia das mães?

- Sim, vou dar um anel de diamante!

- Nossa! Com qual qualidade?

- 12 quilates...e um que morde.

As mentiras que eles contam

“A única maneira de liquidar o dragão é cortar-lhe a cabeça, aparar-lhe as unhas não serve de nada.” José Saramago

Otermo “gaslighting” é usado para designar uma forma de abuso psicológico em que informações são manipuladas até que a vítima ou vítimas não consigam mais acreditar na própria percepção da realidade.

Sua origem vem do filme “Gas Light” (“À Meia Luz”, 1944), em que um homem tenta manipular a esposa e todos à sua volta para que acreditassem que ela seria louca. O processo de gaslighting também pode ser utilizado na política. E com certeza isso acontecerá até outubro.

Gaslight ocorre ao utilizar as informações de forma enganosa e manipuladora com o objetivo de desestabilizar e desorientar a opinião pública, criando narrativas falsas e alternativas não baseadas na realidade. Dessa maneira, se torna uma arma para angariar apoio a favor ou contra uma ideologia, ponto de vista ou política.

Em um nível populacional, o gaslighting prejudica a capacidade do público de pensar e refletir sobre políticas públicas bem como distorce a verdade e a realidade e cria um senso de desconfiança entre a população.

Gaslighting político pode ser feito de forma tosca ou camuflada: Minimizar os erros da administração, desacreditar oponentes políticos, encorajar desinformação deliberada e desviar a atenção de notícias relevantes são todos indicadores da sua presença.

De acordo com estudiosos, há duas vítimas distintas do gaslighting político: aqueles que são manipulados com sucesso (São os apoiadores ou cidadãos que internalizam as narrativas falsas, duvidam da sua própria percepção da realidade e passam a aceitar a distorção dos fatos imposta pelo manipulador) e aqueles que têm visões opostas (São as pessoas que percebem a manipulação, mas têm suas memórias, fatos e evidências negados ou desacreditados pelo agente político. Eles são vítimas porque seus esforços para relatar a verdade são sistematicamente atacados e silenciados).

O processo de gaslighting também pode ser utilizado em política. E com certeza isso acontecerá até outubro”

As primeiras experiências controladas e cuidadosamente planejadas de gaslighting político foram vistas na Alemanha nazista, na qual a população e os dissidentes eram manipulados de maneiras diferentes.

Pesquisadores também distinguiram entre gaslighting político aberto e velado. O primeiro acontece quando um orador explicitamente vende informações demonstravelmente falsas enquanto presumivelmente está ciente da falsidade. O último acontece quando o orador faz declarações ambíguas que não podem ser refutadas conclusivamente, essa forma foca em criar dúvidas graduais sobre a competência de opositores ou da imprensa, induzindo o público a duvidar de sua própria capacidade de julgamento. Como temos eleições a vista, lembrem que o gaslighting veio para ficar, seja a direita ou a esquerda.

São Valentim do Sul passa a integrar o ecossistema turístico do Vale 365 VEZES NO VALE

Na rota de Dois Lajeados e Bento Gonçalves, a charmosa São Valentim do Sul ostenta as características da serra como a uva e vinho, mas também está próximo do Vale do Taquari. É um município de apenas dois mil habitantes que oferece o sossego e experiências rurais genuínas do interior gaúcho.

Oficialmente, passou a integrar o ecossistema turístico regional em 2026 com a associação à Amturvales e participação no Promotur – amplo projeto de divulgação e comercialização de destinos turísticos.

O 365 vezes no vale realiza o trabalho de campo, com captação de imagens e criação de um banco de dados sobre os atrativos locais. O que podemos afirmar na primeira visita à cidade é que há empreendimentos já consolidados e preparados para bem receber os visitantes.

Museu Albina Beal Cavagnoli

Em uma construção no formato de pipa de vinho, o Museu Albina Beal Cavagnoli expõe cerca de 600 itens. O acervo garimpado pelo pedreiro Leandro Cavagnoli tem peças raras como armas usadas na Revolução Farroupilha, prensadores de hóstia e uma coleção de canecas de porcelana do tradicional festival de chope de São Valentim do Sul.

O museu está estruturado em três andares. O primeiro com ferramentas e objetos antigos usados nos trabalhos braçais. No segundo encontram-se itens de mercearia e das cozinhas do passado. Já o último andar abriga o arsenal de

armas e os móveis de um quarto. A visita pode ser feita qualquer dia sob agendamento com o custo de R$ 10,00. Mais informações no WhatsApp é o 54 99922-0847 ou na página @museu_albina_beal no Instagram.

Pousada

Vila Felicita

Com uma vista deslumbrante do rio Taquari cortando três montanhas, a Pousada Vila Felicita está localizada na Linha Nossa Senhora das Graças. Oferece conforto, experiências culinárias genuínas e a tranquilidade interiorana.

A hospedagem conta com dois chalés. Ambos têm cozinha e sala integrados, um banheiro e o quarto onde também está instalada uma banheira de hidromassagem. De diferencial, há ainda o calefator e adega de vinhos e espumantes. Na área externa, destaque para o deck mirante com churrasqueira, mesas e cenário de filme.

O contato de WhatsApp da Pousada Vila Felicita é o 47 98818-4201. Mais informações também podem ser obtidas na página @pousada_vila_felicita no Instagram.

Parque Municipal

João Benvegnú

Principal espaço público de São Valentim do Sul, o Parque Municipal João Benvegnú conta com estrutura completa para o lazer. Tem pista de caminhada, parque infantil, quadras esportivas e um belo lago para apreciação. A entrada é gratuita. Outro destino gratuito é o Mor-

Lista de destinos de São Valentim do Sul

Invernada Blessmann

Restaurante e Confeitaria F2

Mansana Frutas e Cores

Museu Albina Beal Cavagnoli

Penso Bier

Oselame Vinhos e Vinhas

Pousada Vila Felicita

Vila Marieta

Recanto das Pipas

Sítio dos Coqueiros

Vinícola Dom Hermínio

Vinícola Pinhal Alto

Morro do Cristo

ro do Cristo, reconhecido pelo pôr do sol contemplativo, beleza natural e fácil acesso.

Museu Albina Beal Cavagnoli tem mais de 600 itens em prédio construído no formato de pipa de vinho

Pousada Vila Felicita ostenta um dos cenários panorâmicos mais belos de São Valentim do Sul
Praça municipal é principal ponto de lazer no centro de São Valentim do Sul

CORRIDA DE RUA

VENÂNCIO AIRES VIVE

CLIMA ESPECIAL COM ETAPA DA FENACHIM

Circuito dos Vales reúne 2,3 mil atletas, bate recorde e mobiliza corredores locais em sentimento de pertencimento

Venâncio Aires volta a respirar corrida neste domingo, 3, com a segunda etapa do Circuito dos Vales/Lucasa Construtora. Inserido na programação da Fenachim, o evento deve reunir cerca de 2,3 mil participantes e já entra para a história como a maior corrida de rua já realizada no município.

Mas, para além dos números, o clima é de pertencimento, especialmente para quem corre em casa.

Coordenador da RCR Run, uma das maiores assessorias esportivas da cidade, Roberto Wessling resume o sentimento coletivo. “A expectativa é a melhor possível. A gente fica muito feliz de poder receber o Circuito dos Vales novamente. Correr em casa é sempre diferente, tem um gostinho

especial”, destaca.

Com largada e chegada na Praça da Matriz, a partir das 8h, a prova contará com percursos de 3km, 5km e 10km, além de caminhadas e provas infantis. O trajeto plano, passando pelo bairro Grão Pará, deve favorecer o desempenho dos atletas. Ainda assim, para Wessling, o diferencial não está apenas na altimetria. “A motivação aumenta muito. A gente conhece cada detalhe do percurso, cada ‘pedrinha’ do asfalto. E tem também a energia de correr na nossa terra, isso faz diferença”, afirma.

À frente de um grupo, o treinador destaca a diversidade de perfis dentro da equipe, desde iniciantes até corredores de maratonas e ultramaratonas.

“Tem gente que está correndo seus primeiros metros e outros que já buscam grandes desafios. Mas o principal não é o resultado. Nosso foco é a felicidade do aluno. Se ele está feliz, seja participando ou competindo, está tudo certo”, reforça.

O crescimento da RCR Run, segundo ele, está diretamente ligado a esse conceito. “A nossa maior propaganda são os próprios alunos. Quando eles estão felizes, isso atrai mais pessoas. É um ambiente muito familiar, onde um ajuda o outro”, explica.

Para Wessling, a integração com a Fenachim potencializa ainda mais o impacto do evento. “É muito positivo para os dois lados. A festa atrai público e o circuito apresenta a corrida para

qualidade de vida e uma cidade mais ativa.”

Apaixonado pela modalidade, ele resume o que mais o motiva ao ver o evento ganhar proporção. “O que mais me orgulha é ver outras pessoas sentindo o que eu senti quando comecei. Esse brilho pela corrida. Isso não tem preço.”

Estreia com emoção e incentivo local

novas pessoas. A corrida é mais do que esporte, é integração, é saúde”, observa.

O treinador também vê na prova um reflexo de um movimento maior. “A corrida não é modinha, ela cresce há anos. E quanto mais gente correndo, mais incentivo existe, mais estrutura é necessária. No fim, todo mundo ganha: é mais saúde, mais

Entre os participantes, a etapa também marca histórias pessoais de superação e início no esporte. É o caso de Camila Sehn, 39, que fará a primeira corrida oficial justamente em Venâncio Aires.

“Eu sempre tive vontade de participar, mas acabava adiando. Quando vi que teria uma etapa aqui, dentro da Fenachim, senti que era o momento ideal. Por ser na minha cidade, me deu mais segurança e incentivo”, conta. Com pouco tempo de preparação, cerca de dois meses, ela destaca os desafios do início.

Etapa de Venâncio Aires é marcada por largar em um dos cartões postais da cidade, a Igreja Matriz
Camila Sehn e o namorado
Vanderli Rosário vão estrear em provas de corrida neste domingo
Ezequiel Neitzke ezequiel@grupoahora.net.br

“O maior desafio tem sido o fôlego e a constância. É um processo de adaptação, de respeitar o tempo do corpo e conciliar com a rotina”, relata.

Inscrita na prova de 3km, Camila deixa claro que, neste momento, o objetivo vai além do desempenho. “Minha meta é completar a prova e viver a experiência. Quero entender o ambiente, sentir o percurso e aproveitar. Já estou até me programando para as próximas etapas”, revela.

A expectativa para a largada é alta e carregada de emoção. “É um misto de nervosismo com felicidade. Dá aquele frio na barriga, mas também muita empolgação. Vai ser um momento marcante.”

O incentivo veio de diferentes

lados, mas principalmente de dentro de casa. “Meu namorado vai correr comigo, um motivando o outro, e também será a primeira prova dele. Minhas colegas de trabalho e minha filha também me apoiaram muito. Isso torna tudo ainda mais especial”, completa.

Recorde de inscritos

Com largada e chegada na Praça da Matriz, um dos cartões-postais do município, os trajetos contemplam distâncias de 3km, 5km e 10km, além das caminhadas de 3km e 5km e da corrida kids, que será disputada em trajetos de 500 metros e 1km.

O trajeto plano, passando pelo bairro Grão Pará e retornando ao centro, é apontado como um

dos grandes atrativos da etapa. A altimetria favorável deve contribuir para que muitos atletas tentem superar seus recordes pessoais.

Promovido desde 2015, o Circuito dos Vales se consolidou como o maior evento de corrida de rua da região e um dos maiores do interior gaúcho.

A retirada dos kits iniciou nessa quinta-feira e segue no sábado, das 9h às 15h, na Run More, em Lajeado. Já para quem reside em Venâncio Aires, a entrega ocorre no sábado, das 17h às 19h, em frente à Igreja São Sebastião Mártir.

A atração cultural desta etapa fica por conta do Clube Orquestra, que se apresenta a partir das 8h15min, na Travessa São Sebastião Mártir.

Roberto Wessling coordena a RCR Run e vai participar com mais de 200 atletas na etapa deste domingo, entre elas Marta Bohn

FATOR CASA

INTER TENTA REAGIR NO BEIRA-RIO CONTRA O FLUMINENSE

Pressionado na tabela e com pior campanha como mandante, Colorado precisa vencer para se afastar do Z4

Caetano Pretto caetano@jornalahora.net.br

Pressionado na tabela com a mesma pontuação do primeiro time dentro da zona de rebaixamento, o Internacional tem nova tentativa de melhorar a campanha em casa e subir colocações no Campeonato Brasileiro. Neste domingo, 3, o Colorado recebe o Fluminense, às 18h30min, no Estádio Beira -Rio. A Rádio A Hora transmite o confronto.

A matemática não é favorável ao Inter, que com 14 pontos, só está a frente do Santos no critério de desempate. Para não depender de resultados paralelos, precisa vencer o jogo. O entrave é a campanha em casa, a pior do Brasileirão. São apenas cinco pontos somados em sete partidas no Beira-Rio.

Com a semana livre para treinar, Paulo Pezzolano deve novamente alterar a equipe. Duas alternativas pouco usuais foram treinadas. O time sem Alan Patrick, habitual titular no Beira -Rio, e uma escalação com Borré e Alerrandro no ataque. Com treinos pela frente até a partida, o time titular é uma incógnita.

O provável onze inicial tem: Anthoni; Bruno Gomes, Félix Torres, Victor Gabriel e Bernabei; Villagra, Bruno Henrique e Alan Patrick; Vitinho, Carbonero e Alerrandro.

Mesmo sendo a referência técnica do time, Alan Patrick pode iniciar no banco diante do Fluminense

AGENDA

SÁBADO

16h Botafogo x Remo

18h30min Palmeiras x Santos

18h30min Vitória x Coritiba

20h30min Athletico x Grêmio

21h Cruzeiro x Atlético-MG

DOMINGO

16h São Paulo x Bahia

18h30min Internacional x Fluminense

18h30min Chapecoense x Bragantino

20h30min Mirassol x Corinthians

DÚVIDAS NO FLUMINENSE

A partida contra Inter ocorre em meio a dois confrontos decisivos pela fase de grupos da Copa Libertadores. Com isso, o Flumi-

CLASSIFICAÇÃO

LONGE DA ARENA

GRÊMIO ENCARA

O

MELHOR MANDANTE DO BRASILEIRÃO

O Grêmio segue a sequência de partidas fora de casa com um desafio ingrato neste sábado, 2. Sem vencer longe da Arena desde janeiro, enfrenta o melhor mandante do Campeonato Brasileiro, o Athletico-PR. A partida ocorre na Arena da Baixada, às 20h30min, com transmissão da Rádio A Hora.

Depois de cinco jogos sem vitória, o Tricolor fez 1 a 0 no Coritiba no fim de semana. O resultado afastou um pouco o time do Z4. O time entra na rodada ocupando a 11ª colocação, mas ainda com apenas dois pontos a mais que o primeiro time dentro da zona de rebaixamento.

FORTE EM CASA E COM O ARTILHEIRO

nense deve ter time alternativo no Beira-Rio.

A provável escalação tem: Fábio; Guga, Jemmes, Freites e Guilherme Arana; Bernal, Hércules e Alisson; Savarino, Canobbio e Castillo.

Após o empate em 0 a 0 com o Palestino, o time permaneceu mais dois dias no Chile antes de viajar para Curitiba. A tendência é que a escalação seja mista devido à sequência de partidas fora e o gramado sintético no Paraná.

O provável Grêmio tem: Weverton; Pavón, Gustavo Martins, Wagner Leonardo e Pedro Gabriel; Leo Perez, Arthur e Gabriel Mec; Enamorado, Tetê e Braithwaite.

Ao lado do Palmeiras, o Athletico-PR é o melhor mandante do Brasileirão. Das sete vitórias do time no campeonato, seis foram conquistadas na Arena da Baixada. O time tem o artilheiro do campeonato. Em ótima fase, o colombiano Viveros marcou duas vezes na partida contra o Vitória, chegou a oito gols e ultrapassou Carlos Vinícius na lista de goleadores da competição.

O time titular deve ter: Santos; Teran, Arthur Dias e Esquivel; Portilla, Jadson, Benavidez e Mendoza; Bruno Ramos, João Cruz e Viveros.

Com suspensão de Carlos Vinícius, Braithwaite será o centroavante titular diante do Athletico
LUCAS UEBEL/DIVULGAÇÃO

FUTEBOL AMADOR

TARDE PARA CONHECER MAIS UM CAMPEÃO

Estádio das Cabriúvas recebe neste sábado a decisão de Encantado entre Nacional e Cruzeiro

Ezequiel Neitzke ezequiel@grupoahora.net.br

OVale do Taquari conhece neste sábado, 2, o quarto campeão da temporada. Após Nova Bréscia, Progresso e Putinga, chegou a vez de Encantado definir os melhores da temporada. A final ocorre no estádio das Cabriúvas, a partir das 15h30min.

Após vencer o jogo de ida por 2 a 1, o Nacional joga pelo empate para conquistar o tricampeonato. O time foi campeão em 2006 e em 2024. Para o jogo, o técnico Sangalli deve ter todo time a disposição. O destaque fica para a dupla Ferrugem e Poletto.

Já o Cruzeiro quer o tetracampeonato. A equipe foi campeã em 1971, 1985 e 2019 e para dar a volta olímpica neste sábado, precisa vencer no tempo normal e nos pênaltis. A equipe comandada por Fiorentin se agarra no entrosamento do time para reverter o placar e ficar com a taça.

O jogo tem transmissão do Gru-

po A Hora, a partir das 14h30min, em live no YouTube do A Hora Esportes e no 102.9 do rádio.

FINALISTAS

Arroio do Meio conhece os primeiros finalistas. Os jogos ocorrem no Bairro Rui Barbosa, pela manhã, e em Arroio Grande, pela tarde.

Dono da casa, o União está a um empate de chegar pela terceira vez seguida na final do titular. Já o Cruzeiro necessita vencer no tempo normal e nos pênaltis para voltar a disputar uma final após 16 anos. A última final disputada foi em 2010, quando perdeu a decisão para o Bola Cheia. No veterano, o time de Linha 32 também está em desvantagem. No jogo de ida perdeu para o Rui Barbosa. A única categoria em que o Cruzeiro está com a vantagem é no aspirante, onde o Forquetense precisa vencer duas vezes.

O jogo tem transmissão do Grupo A Hora, a partir das 14h30min, em live no YouTube do A Hora Esportes e no 102.9.

Outra cidade que conhece os finalistas é Paverama. Os jogos ocorrem em Santa Manuela. Inter e Amigos de Morro Bonito estão com a vantagem de jogar pelo empate para se classificar. Já Villareal e União necessitam vencer no tempo normal e nos pênaltis para chegar à decisão.

AGENDA

TITULARES

Sábado

Encantado – final/jogo da volta

Nacional x Cruzeiro

Domingo

Arroio do Meio – semifinal/volta

União x Cruzeiro (titular)

Paverama – semifinal/volta

Amigos do Morro Bonito x União

Internacional x Villareal

Boqueirão do Leão – Semifinal/ida

Internacional x Esportivo

Intermunicipal – Quartas de final/ida

11 Amigos x Canabarrense

Atlético Gaúcho x Gaúcho

Juventude x Ouro Verde

EC Poço das Antas x Flamengo

Cruzeiro do Sul – 4ª rodada

Canarinho x Bom Fim

Tamoio x Juventos

Cruzeiro x XV de Novembro

Copa Serrana

Assespe x River Plate

Estrela – 8ª rodada

Alto da Bronze A x Atlântico

Delfinense x Geraldense

União x São Luís

Alto da Bronze B x Amigos Dossul

Taquari – última rodada

São José x Colorado

Furacão x Juventude

Bom Retiro do Sul – última rodada

Aecosajo x Floriano

Rudibar x Grêmio

Pinhal x Laranjeiras

Roca Sales – última rodada

Serrinha x Toma 10

Botafogo x Juventude

Em Encantado, Nacional e Cruzeiro definem quem

Anta Gorda realizava 1ª FestLeite

Governador

Rigotto visitou a feira

O município promovia a primeira edição da FestLeite e o governador da época, Germano Rigotto, marcou presença no evento. Ele participou da reunião da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat) e percorreu a feira, que colocava a cadeia produtiva

O Rei e a Rainha da Terceira Idade

leiteira em evidência. Na época, a produção de leite no Vale do Taquari correspondia a 8% do total do Estado. Anta Gorda tinha mais de 600 produtores ligados à cultura e cerca de dez mil bovinos. Em 2006, a FestLeite ocupou nove hectares e reuniu 123 expositores e mais de 20 mil visitantes nos quatro dias de evento.

Durante a programação da feira, também foram eleitos o Rei e Rainha da Terceira Idade de Anta Gorda. Naquele ano, o título ficou com Antônio e Terezinha Mulinari Bonanetti, de 65 e 60 anos. Eles eram moradores de Vila Borghetto, interior de Anta Gorda. A última edição da FestLeite ocorreu em 2024 no município.

Anemia preocupava RS

Ampliação do complexo do STR de Lajeado, onde hoje funciona a Arla

Ampliação das sedes dos sindicatos da região

Os Sindicatos dos Trabalhadores Rurais e Produtores Autônomos, em paralelo, faziam obras de ampliação nas sedes em Lajeado e Arroio do Meio, respectivamente. O Sindicato dos Produtores Autônomos de Arroio do Meio fazia a construção do segundo piso da sede, onde seria instalado um gabinete odontológico e um ambulatório médico.

Na época, o presidente do sindicato era Benjamin Black, que antecipava a formulação de um convênio com a Altomed (cooperativa que depois foi transformada na atual

Unimed VTRP). Não foi informado o endereço da sede do sindicato. Em Lajeado, o STR fazia suas obras na rua Bento Gonçalves. A obra já tinha sido anunciada há mais de um ano. O prédio existe ainda hoje e abriga a Associação Rural de Lajeado (Arla). O STR em si, hoje, ocupa a outra esquina, num complexo inaugurado em 2002. Isso porque nos anos 1980, houve corte no repasse de recursos ao sindicato, que investiu no ramo supermercadista para se manter e inaugurou o primeiro mercado em 1991 em Lajeado.

Há 20 anos, Lajeado estava entre as cidades com o melhor índice do Estado em menor prevalência de anemia. O município era contemplado na mesma região de cidades como Santa Cruz do Sul e Caxias do Sul, que também registravam índices bons, com uma taxa de anemia de 29,1% nas crianças e 19,3% nas mulheres.

No total do Estado, a anemia foi constatada em 44,2% das crianças e em 36,3% das mulheres. O índice era considerado alarmante, porque, na época, a média indicada pela Organização Mundial da Saúde era entre 30% a 50%. O governo iniciava uma campanha para a suplementação de ferro por meio de xaropes para as crianças nos postos de saúde do estado.

Sexta-feira é Sábado é Domingo é

- Dia do Trabalho

- Dia da Literatura Brasileira

- Início do Maio Amarelo

- Início do Maio Cinza

- Início do Maio Laranja

- Início do Maio Roxo

Santo do dia 1º:

São José Operário

- Dia Nacional da Ética

- Dia Mundial do Atum

- Dia Internacional do Harry Potter

Santo do dia 2 º:

Santo Atanásio

- Dia Internacional da Liberdade de Imprensa

- Dia do Parlamento

- Dia Nacional do Taquígrafo

- Dia do Sertanejo

- Dia do Pau-Brasil

- Dia Nacional do ex-Combatente

- Dia Mundial do Riso

- Dia Nacional do Cientista Político

Santo do dia 2 º:

São Filipe e São Tiago Menor

HENRIQUE PEDERSINI

Jornalista

Vem aí um debate intenso na Câmara de Lajeado

Estacionamento rotativo, CPI das obras públicas ou nomeação de cargos no governo… nenhum destes temas tem a mesma importância para o desenvolvimento de Lajeado quanto o assunto que está prestes a dar entrada no Legislativo, a partir da possibilidade de um financiamento próximo de R$ 100 milhões para importantes obras

estruturantes em diferentes pontos da cidade. Entre os investimentos, estão a Avenida Senador Alberto Pasqualini, no caminho até a Ponte de Ferro, a Benjamin Constant, a Rua Hermes Jaeger (Bom Pastor) e uma nova ligação sobre o Arroio Saraquá.

A alternativa para bancar estas pavimentações e demais melhorias é um financiamento, devido aos

custos elevados que o município teve nos últimos anos, conforme a prefeita Gláucia Schumacher. O assunto é estratégico e exigirá maturidade dos vereadores ao entender a necessidade de contrair a dívida em benefício da população e, ao mesmo tempo, avaliar se os locais apontados pela gestão são as mais urgentes prioridades de intervenção.

Polarização por aqui

As pesquisas eleitorais com as intenções de voto para o governo estadual desenham uma forte interferência da polarização comum no âmbito nacional também no RS. Nos levantamentos recentes, Luciano Zucco (PL) e Juliana Brizola (PDT) lideram os percentuais. O candidato do MDB, Gabriel Souza, aparece mais atrás. Os emedebistas garantem que a condição é bem semelhante à de pleitos anteriores,

quando a caminhada de campanha levou o partido ao sucesso no resultado final. Está claro que, enquanto Juliana e Zucco vão se revezar entre ataques simultâneos ao atual governo e críticas aos projetos um do outro, a eleição está dividida em duas etapas: a primeira é chegar ao segundo turno; depois, barganhar o apoio de quem ficar pelo caminho. Ou seja, muita água para rolar até outubro.

Nada, vereadores?

A operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) em Estrela há poucos dias não rendeu nenhuma manifestação durante a sessão desta semana na Câmara de Estrela. Não surpreende, por ser uma casa muito alinhada ao governo, com 11 dos 13 vereadores dentro da base. A oposição fica restrita a Volnei Zancanaro e Eder Follmann. Como estes estavam ausentes, os suplentes passaram a vez.

Agora, o assunto merece um olhar do Legislativo, situação e oposição. É demonstração de compromisso com a comunidade pautar os principais temas que permeiam a cidade, quando se expressar é fácil e benéfico e, em especial, quando tornar público um assunto representa um grande desafio.

Rapidinho…

• O bairro Conventos elege na próxima semana sua nova associação de moradores. Com cerca de 10 mil habitantes, trata-se do mais populoso entre os 28 bairros de Lajeado.

• Em Encantado, a pauta pública é o contrato com a Corsan/Aegea. E não poderia ser diferente, pois a comunidade e até o próprio prefeito reconhecem os graves problemas no abastecimento de água.

• Lorival Silveira (PP) está no sétimo mandato como vereador de Lajeado. Nesse período, foi presidente por quatro vezes e não descarta um quinto mandato no comando da Casa.

• Os líderes do Vale precisam se aproximar bem mais da Motiva (CCR) para entender e buscar uma reversão no cronograma que prevê obras na BR-386, entre Marques de Souza e Fontoura Xavier, apenas para daqui a três anos.

ARTIGO

Empreendedor e comunicador, apresentador do programa “O Meu Negócio”, da Rádio A Hora 102.9

Encontro de gerações

Nos últimos anos, tenho conversado com muitos empresários — de diferentes segmentos, tamanhos e gerações. É um privilégio ouvir suas histórias, entender suas trajetórias e perceber como cada um construiu o próprio caminho, muitas vezes com base em valores sólidos como trabalho, disciplina, dedicação e controle. Mas também percebo, cada vez mais, um desafio comum: lidar com as mudanças trazidas pelas novas gerações e aprender a confiar nessas gerações. O mundo dos negócios mudou. A velocidade das transformações, impulsionada pela digitalização e pela tecnologia, exige mais flexibilidade e agilidade nas decisões. E isso passa, inevitavelmente, pela autonomia das pessoas. O problema é que, para muitos líderes formados em tempos de estruturas hierarquizadas, abrir espaço para o novo ainda causa desconforto. Ceder decisões, permitir testes, aceitar erros — tudo isso parece arriscar o que foi construído com tanto esforço.

Do outro lado, convivendo com muitos jovens em diferentes ambientes — nos programas, nas empresas e nas conversas informais — percebo uma inquietação legítima. Eles querem participar, aprender, contribuir e sentir que fazem parte de algo maior. Quando encontram barreiras ou desconfiança, acabam procurando outros caminhos. E assim, muitas empresas tradicionais perdem exatamente o que mais precisam: energia criativa, inovação e continuidade.

Autonomia não é desordem, é clareza e espaço para agir. Aprendizado não é discurso, é troca, escuta e adaptação”

No livro Marketing H2H – A jornada para o marketing human to human, Philip Kotler e seus coautores lembram que a mentalidade ágil é essencial nesse novo cenário. A digitalização exige flexibilidade, e flexibilidade significa que todos precisam assumir responsabilidades. Pequenas equipes, com autonomia, tendem a ser mais criativas do que grandes estruturas presas a hierarquias e processos lentos. Até por isso muitas empresas colocam suas equipes de desenvolvimento de novos processos e produtos em centros tecnológicos nas Universidades.

Construir uma ponte entre gerações é, portanto, mais do que uma questão de gestão — é uma questão de sobrevivência. Essa ponte se sustenta sobre três pilares: autonomia, aprendizado e confiança.

Autonomia não é desordem, é clareza e espaço para agir. Aprendizado não é discurso, é troca, escuta e adaptação. E confiança não nasce por decreto, é conquistada quando líderes mostram humildade e equipes demonstram comprometimento.

Vejo todos os dias que as empresas que conseguem equilibrar experiência e inovação, tradição e ousadia, são as que mais crescem e se renovam. Neste encontro de gerações, quando há diálogo e abertura, o trabalho deixa de ser uma obrigação e passa a ser uma construção conjunta. Isso atrai e mantém novos talentos.

Talvez o grande desafio do nosso tempo não seja entender a nova geração, mas permitir-se aprender com ela, construindo pontes. Tudo começa quando olhamos para o lado e enxergamos nas pessoas, independentemente da idade, o mesmo desejo que nos trouxe até aqui: fazer algo que gera valor e tenha significado.

ROGÉRIO WINK

Sexta-feira e fim de semana, 1º, 2 e 3 de maio de 2026

Fechamento da edição: 18h

MÍN: 13º | MÁX: 25º A sexta-feira começa com nevoeiro localizado e o sol até aparece em parte da Região.

Diagnósticos crescem no Vale

Com mais informação, casos de crianças e adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) desafiam serviços de saúde e educação

Entre o diagnóstico e a realidade

Oavanço dos diagnósticos de transtorno do espectro autista (TEA) no Vale do Taquari é realidade. Em poucos anos, o número de famílias impactadas cresceu de forma expressiva, pressionando serviços de saúde, desafiando escolas e exigindo novas formas de organização social. Os dados locais acompanham um movimento mais amplo, observado no Brasil e no exterior. Mais informação, maior conscientização e ampliação dos critérios diagnósticos ajudam a explicar o cenário. Mas o aumento dos números, por si só, não é o principal problema. Ele apenas torna visível uma lacuna antiga: a dificuldade de estruturar uma rede de atendimento capaz de responder com qualidade e continuidade.

Hoje, o diagnóstico chega mais cedo. Em muitos casos, ainda na primeira infância.

EXPEDIENTE

O que não avança na mesma velocidade é o acesso a terapias, profissionais especializados e acompanhamento integrado. A consequência é uma sobrecarga que recai, sobretudo, sobre as famílias, que precisam conciliar rotina, custos e participação ativa no desenvolvimento das crianças. O modelo de cuidado também expõe um ponto sensível. O tratamento não se limita ao ambiente clínico. Ele depende da junção entre saúde, escola e família, um tripé que nem sempre funciona de forma alinhada. Sem essa integração, os avanços tendem a ser mais lentos e, em alguns casos, comprometidos. Na educação, o desafio é duplo. De um lado, cresce a presença de alunos com TEA nas salas de aula. De outro, ainda faltam preparo técnico, formação continuada e estrutura adequada para lidar com as demandas específicas.

Outro fator de atenção é o tratamento. A evolução das

Textos e fotos: Paulo Cardoso

crianças está diretamente ligada à regularidade das terapias e à continuidade dos estímulos fora dos atendimentos. Interrupções, faltas e dificuldade de adesão impactam resultados e ajudam a explicar por que muitos casos não avançam como esperado.

O cenário atual também impõe cuidado. Como o excesso de informação. Em meio à popularização do tema, cresce a circulação de conteúdos superficiais ou imprecisos, especialmente nas redes sociais. Isso pode gerar ansiedade, autodiagnósticos equivocados e atrasos na busca por avaliação profissional qualificada. Diante desse contexto, o aumento dos diagnósticos deve ser interpretado como um alerta. Ele indica a necessidade de ampliar a rede de atendimento, investir na formação de profissionais, fortalecer políticas públicas e, sobretudo, integrar o cuidado. Boa leitura!

Textos: Bibiana Faleiro

Diagramação: Lautenir Junior Coordenação: Felipe Neitzke

LAUTENIR JUNIOR

Ficar sentado por horas causa sobrecarga e desgaste da coluna

Especialista destaca que a imobilidade prolongada no trabalho, aliada a hábitos posturais inadequados e à falta de pausas ao longo do dia, está entre os principais fatores relacionados a hernia de disco

Parte-se da ideia de que profissionais com rotinas administrativas estariam mais protegidos de problemas na coluna. A ciência, porém, indica o contrário. Pesquisa publicada no The Spine Journal mostra que trabalhar mais de seis horas por dia mantendo uma postura estática está fortemente associado ao desenvolvimento de alterações na coluna.

Segundo o neurocirurgião

Felipe Franco Pinto (CRM/RS 35573 RQE 34893), na prática clínica as queixas se concentram sobretudo nas regiões cervical e lombar, mais vulneráveis à imobilidade prolongada e à sobrecarga postural.

Entre os quadros mais comuns está a hérnia de disco, que pode provocar dor intensa e persistente, com irradiação para braços ou pernas. Nos casos em que há compressão de nervos, o quadro se agrava e pode limitar movimentos, impactando diretamente a qualidade de vida. “É uma dor intensa, que não dá trégua e pode persistir por vários dias. Pelo desgaste contínuo, algumas pacientes relatam que o desconforto chega a ser mais difícil de suportar do que o trabalho de parto”, comenta.

Estima-se que cerca de 90% das pessoas possam experimentar algum episódio de dor nas costas ao longo da vida, muitas vezes com intensidade significativa já no primeiro quadro”

Felipe Franco Pinto neurocirurgião

Embora a má postura e o esforço físico sejam fatores amplamente associados, eles não explicam todos os quadros. Conforme o especialista, parte dos casos pode estar relacionada a fatores genéticos, já que os discos intervertebrais são formados por colágeno e podem sofrer alterações mesmo sem histórico de sobrecarga.

Cuidados essenciais

Em alguns cenários, uma musculatura mais fortalecida atua como fator de proteção. Por isso, segundo Franco, é fundamental compensar as longas horas sentado no dia a dia.

“Na vida moderna, muitas pessoas trabalham nessa posição por necessidade. O que faz diferença é a compensação, com a prática regular de atividade física, como musculação e exercícios de alongamento, aliada à adoção

de uma postura mais adequada”, afirma.

Ainda assim, o ponto central é reduzir o tempo contínuo de imobilidade. Mesmo pessoas fisicamente ativas podem apresentar dor quando passam muitas horas seguidas sentadas.

“Muitos pacientes chegam ao consultório relatando rigidez ou dores que nunca haviam sentido antes. Estima-se que cerca de 90% das pessoas possam experimentar algum episódio de dor nas costas ao longo da vida, muitas vezes com intensidade significativa já no primeiro quadro”, destaca. Por isso, a recomendação é intercalar a rotina com pausas ao longo da jornada, levantandose e se movimentando sempre que possível, inclusive dentro do ambiente de trabalho.

A ergonomia completa essa equação. Ajustes no posto de trabalho, como cadeira compatível com as medidas do corpo, apoio adequado da coluna e posicionamento correto de tela, teclado e mouse, ajudam a reduzir a sobrecarga e prevenir o surgimento de dores.

Tratamentos

Além de fatores comportamentais, alterações estruturais da coluna podem ocorrer de forma natural ao longo do tempo. Quando há

dor, travamento ou limitação funcional, a cirurgia não é a primeira opção, explica o neurocirurgião.

Segundo o especialista, o tratamento da coluna segue uma abordagem progressiva, que prioriza medidas conservadoras. Fisioterapia, uso de medicamentos e ajustes de hábitos compõem a primeira linha de cuidado, com foco no controle da dor e na recuperação da função.

Em casos selecionados, entram procedimentos minimamente invasivos, como bloqueios e infiltrações na coluna. Realizados em ambiente controlado e guiados por imagem, eles permitem a aplicação de medicação diretamente na região afetada, com objetivo de reduzir a inflamação e melhorar a resposta à dor.

Entre os avanços recentes, o neurocirurgião destaca as cirurgias endoscópicas, que utilizam pequenas incisões, de até 2,5 centímetros, e câmera para remoção de hérnias de disco. A técnica está associada a menor agressão tecidual e, em muitos casos, recuperação mais rápida. Nos casos em que há compressão de nervos, o quadro se agrava e pode limitar movimentos

Tratamento da coluna segue uma abordagem progressiva, que prioriza medidas conservadoras

Com aumento no diagnóstico, Vale busca capacitação

Número de crianças e adultos com transtorno do espectro autista (TEA) demanda informação e atendimento multidisciplinar

Oaumento expressivo no número de diagnósticos de transtorno do espectro autista (TEA) tem transformado a organização dos serviços de saúde e evidenciado desafios no atendimento regional. Em cinco anos, a demanda por suporte especializado cresceu de forma acelerada, refletindo tanto a ampliação do conhecimento sobre o tema quanto a maior atenção de famílias e profissionais aos sinais precoces.

Segundo o superintendente de provimento de saúde da Unimed VTRP, Luiz Carlos da Silva Júnior, esse avanço no número de diagnósticos é alarmante. “A gente fala de 45 famílias no espaço de cinco anos virarem 500. Quando a gente olha para toda a rede, hoje são mais de 1,6 mil famílias”, afirma.

Para ele, o crescimento está diretamente relacionado à maior disseminação de informações e à ampliação da capacidade de diagnóstico, ainda que a estrutura de atendimento não tenha acompanhado o mesmo ritmo.

É um espectro, justamente porque a gente não consegue moldar cada pessoa dentro de uma caixinha. Cada um percebe o mundo de forma única”

Aline Jung Duarte, gerente do espaço Imaginamente

Esse cenário tem exigido reorganização da rede de saúde e adaptação dos serviços. A dificuldade em estruturar equipes completas, especialmente pela escassez de profissionais especializados, é um dos desafios. “Falta profissional para atender, mas, em alguns momentos, há mais disponibilidade para diagnosticar”, observa. Além do sistema de saúde, a sociedade também passa por um processo de adaptação. Escolas, serviços públicos e organizações buscam se preparar para acolher crianças com TEA. “Está evoluindo, mas precisa evoluir mais”, destaca.

Envolvimento familiar

Outro ponto central é o papel das famílias no desenvolvimento das crianças. O especialista reforça que o progresso não depende apenas das terapias, mas da continuidade das práticas no ambiente familiar. “Duas, três horas com terapia não resolvem o que duas, três horas em casa deixaram de fazer”, explica. Ele cita situações cotidianas, como incentivar a autonomia da criança, como fundamentais para a evolução. O modelo de atendimento também tem sido repensado para equilibrar a rotina das famílias. Em média, cada criança realiza de três a quatro atendimentos semanais, dentro de um plano individualizado que considera necessidades específicas e a capacidade de adesão. “Não é só prescrever terapias. É como isso se encaixa na rotina da família”, pontua.

A constância no tratamento, no entanto, ainda é um desafio. A ausência em sessões compromete os resultados e impacta diretamente a evolução dos pacientes. “É melhor participar de menos dias com regularidade do que agendar mais e não conseguir cumprir”, afirma.

A atuação multidisciplinar é um aspecto considerado essencial. Psicólogos, fonoaudiólogos, nutricionistas e outros profissionais atuam de forma integrada, com foco no desenvolvimento global da criança. “Cada caso tem suas especificidades e, por isso, a multidisciplinaridade é funda-

Rede de apoio, informação e escuta qualificada são fundamentais para uma experiência mais segura e saudável

mental”, ressalta.

Apesar dos avanços, ainda há incertezas sobre as causas do aumento dos diagnósticos. Estudos apontam crescimento na prevalência do autismo, com projeções de que, até 2030, uma em cada 25 crianças possa estar dentro do espectro. “São números que chamam atenção, mas ainda falta embasamento para afirmar com precisão as causas”, destaca Júnior. Diante desse cenário, a orientação é buscar informações confiáveis e acompanhamento profissional.

Espaço de acolhimento

Criado para atender crianças com transtorno do espectro autista (TEA) e hipóteses diagnósticas, o espaço Imaginamente, da Unimed VTRP, reflete a necessidade de respostas mais estruturadas a essa demanda. Inaugurado em 2021, o serviço já soma cerca de 38 mil atendimentos e acompanha, hoje,

cerca de 500 famílias nas unidades de Lajeado e Santa Cruz do Sul. De acordo com a gerente do espaço, Aline Jung Duarte, o modelo foi pensado para oferecer um cuidado individualizado, considerando que o autismo se manifesta de formas distintas em cada pessoa. “É um espectro, justamente porque a gente não consegue moldar cada pessoa dentro de uma caixinha. Cada um percebe o mundo de forma única”, explica. Essa singularidade orienta todo o plano terapêutico. Após avaliação inicial, cada criança recebe um plano de desenvolvimento específico, com metas definidas e acompanhamento contínuo. “A gente cria um objetivo anual e divide em etapas. A cada três meses, reavalia se houve evolução e ajusta as intervenções”, detalha a profissional.

O atendimento é multidisciplinar, envolvendo psicologia, fonoaudiologia e nutrição, com base em práticas baseadas em

evidências, como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA).

Em média, as crianças passam por três atendimentos semanais, com foco em habilidades que vão desde comunicação, até autonomia nas atividades diárias.

Sobre o espectro

O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta, principalmente, a comunicação, a interação social e a forma como o indivíduo percebe o mundo.

Os níveis de suporte variam de acordo com a necessidade de apoio — do nível 1, com maior independência, ao nível 3, que exige acompanhamento intenso nas atividades cotidianas.

“A gente recebe crianças desde um ano, um ano e meio. Quanto antes iniciar a estimulação, melhor”, afirma Aline. Ela alerta para sinais que muitas vezes são minimizados pelas famílias, como atraso na fala ou isolamento so-

Duas, três horas com terapia não resolvem o que duas, três horas em casa deixaram de fazer”

Luiz Carlos Júnior, superintendente de provimento de saúde da Unimed VTRP

cial. “Não é para esperar. Procurar ajuda cedo pode fazer toda a diferença no desenvolvimento.”

O diagnóstico, no entanto, é responsabilidade médica. O espaço atua na estimulação e no acompanhamento das habilidades. “Nem todo atraso é autismo, mas precisa ser trabalhado para que a criança alcance o esperado para a idade”, ressalta.

Entre os desafios do tratamento, está a constância. A evolução depende da continuidade das intervenções e da participação ativa da família. “O trabalho não termina na terapia. Precisa ter continuidade em casa”, enfatiza. Segundo ela, ainda há resistência de alguns responsáveis, seja por negação do diagnóstico ou pela sobrecarga da rotina, o que pode comprometer os resultados. Outro ponto sensível é a identificação de casos, especialmente entre meninas. “As características podem ser mais sutis, confundidas com timidez ou comportamento reservado”, explica. E isso pode levar a diagnósticos tardios.

O trabalho também se estende para além da clínica, com ações voltadas à escola. Projetos de capacitação têm buscado preparar professores e monitores para lidar com o autismo no ambiente escolar, com foco em estratégias como previsibilidade e manejo de crises. “Pequenas mudanças na rotina podem gerar desorganização. Antecipar o que vai acontecer ajuda a evitar crises”, orienta. As chamadas crises ocorrem quando a criança enfrenta um

excesso de estímulos ou mudanças inesperadas. Nesses momentos, a recomendação é garantir segurança e permitir que ela se autorregule. “Prevenir é sempre melhor do que remediar”, afirma.

Respeito ao processo

O desenvolvimento, especialmente em casos mais severos, pode ser lento e exigir paciência. “Para uma criança com nível 3, pegar uma caneta pode ser uma grande conquista”, exemplifica. Por isso, o acompanhamento constante e o resgate das evoluções ao longo do tempo são fundamentais para manter o engajamento de profissionais e famílias.

Além da infância, o impacto do autismo também se estende à vida adulta, especialmente em casos não diagnosticados. Segundo Aline, muitos adultos relatam alívio ao receber o diagnóstico. “A vida começa a fazer sentido. A pessoa entende suas dificuldades e passa a lidar melhor com elas”, afirma.

A tendência, segundo ela, é de maior conscientização e inclusão.

A profissional acredita em um trabalho conjunto entre clínica, família e escola.

Principais sinais

• Atraso na fala ou ausência de linguagem verbal. Dificuldade para iniciar ou manter a comunicação, uso limitado de palavras ou fala não funcional;

• Dificuldades na interação social. Pouco contato visual, dificuldade em brincar com outras crianças ou compreender regras sociais;

• Comportamentos repetitivos. Movimentos repetitivos (como balançar o corpo ou as mãos) e apego a rotinas;

• Resistência a mudanças. Desorganização ou crises diante de alterações na rotina ou em ambientes conhecidos;

• Interesses restritos. Foco intenso em temas, objetos ou atividades específicas;

• Alterações sensoriais. Sensibilidade aumentada ou reduzida a sons, luzes, texturas ou cheiros.

Frio intensifica doenças respiratórias

Queda nas temperaturas, ambientes fechados e circulação de vírus elevam casos típicos do inverno; OMS reforça impacto global e importância de medidas simples

Com a chegada dos dias mais frios, especialistas alertam para o aumento típico de doenças respiratórias nesta época do ano. Quadros como gripes, resfriados, bronquiolite e crises de asma tendem a se intensificar neste período, impulsionados por mudanças no comportamento da população e pelas condições climáticas típicas da estação.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, as infecções respiratórias estão entre as principais causas de adoecimento no mundo, com impacto significativo, sobretudo, em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

A entidade estima que a gripe sazonal cause entre 3 a 5 milhões de casos graves por ano, além de até 650 mil mortes globalmente relacionadas a complicações respiratórias.

No contexto regional, o cenário segue a mesma tendência. A

Frio favorece a circulação de vírus respiratórios e exige atenção redobrada com prevenção, especialmente entre crianças e idosos

queda de temperatura favorece a permanência em ambientes fechados e pouco ventilados, o que facilita a transmissão de vírus. Além disso, o ar mais seco e frio pode comprometer as defesas naturais do sistema respiratório, tornando o organismo mais vulnerável.

Outro fator relevante é a amplitude térmica, comum no Rio Grande do Sul, que exige adaptação constante do corpo e pode contribuir para o

surgimento de sintomas como tosse, coriza, dor de garganta e falta de ar.

Especialistas também chamam atenção para a circulação simultânea de diferentes vírus respiratórios, como influenza e vírus sincicial respiratório (VSR), especialmente entre crianças pequenas. Esse cenário pode aumentar a demanda por atendimentos e pressionar os serviços de saúde, como já observado em anos anteriores.

Como se proteger no inverno

Manter ambientes ventilados, mesmo em dias frios

Higienizar as mãos com frequência

Evitar aglomerações em locais fechados

Manter a vacinação contra a gripe em dia

Beber bastante água para evitar o ressecamento das vias aéreas

Usar roupas adequadas para evitar choques térmicos

Procurar atendimento médico ao surgirem sintomas persistentes

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Como ajustar a alimentação para fortalecer o corpo

No Ayurveda - sistema de medicina indiano, o outono é marcado por frio, secura e maior instabilidade — qualidades que impactam diretamente o corpo. Na prática, isso aparece como pele mais ressecada, intestino mais lento, digestão sensível e até maior ansiedade.

Segundo a nutricionista Ana Paula Dexheimer, a nutrição clínica e funcional observa o mesmo movimento: o organismo tende a perder eficiência digestiva e precisa de mais suporte para manter energia e imunidade. Por isso, a alimentação no outono deve seguir um princípio simples e potente: equilibrar o que vem de fora com o que colocamos para dentro.

Se o clima esfria e seca, o corpo responde melhor a alimentos quentes, úmidos e nutritivos. Preparações como sopas, caldos, legumes cozidos e refogados são mais do que confortáveis — são estratégicas para facilitar a digestão e melhorar a absorção de nutrientes.

Alimentos muito frios, crus

em excesso ou industrializados tendem a sobrecarregar o sistema digestivo nesse período. Outro ponto essencial é incluir gorduras de qualidade, como azeite de oliva e ghee. Elas ajudam a hidratar o organismo de dentro para fora, protegendo mucosas, pele e intestino.

As especiarias ganham destaque especial. Gengibre, canela, cardamomo e cravo aquecem o corpo, estimulam a digestão e possuem ação anti-

inflamatória — um verdadeiro elo entre tradição e ciência.

E tão importante quanto o que se come é como se come: refeições em horários regulares, com atenção e sem pressa, fazem diferença real no funcionamento do organismo.

O outono não pede restrição — pede consciência e ajuste fino. Quando a alimentação acompanha a estação, o corpo responde com mais equilíbrio, energia e proteção.

Chai digestivo para o outono

INGREDIENTES:

• 200 ml de água

• 1 pedaço de gengibre fresco

• 1 pau de canela

• 2 cardamomos levemente abertos

• 2 cravos-da-índia

• 1 colher (chá) de chá preto (opcional)

• 100 ml de leite (vegetal ou A2, opcional)

Modo de preparo:

Ferva a água com as especiarias por 5 a 10 minutos. Adicione o chá, se desejar, e deixe infusionar. Finalize com o leite e sirva morno. Benefícios: Aquece o corpo, melhora a digestão e ajuda a reduzir desconfortos como gases e inchaço.

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Infarto revela doença cardíaca silenciosa em 30% dos casos

Doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte

Em cerca de 30% dos casos, o infarto é a primeira manifestação de uma doença cardiovascular. Sem sinais prévios evidentes, o episódio revela um problema que evolui de forma silenciosa, muitas vezes sem qualquer percepção por parte do indivíduo.

Diretor técnico do Hospital Ouro Branco, o cardiologista Guilherme Vogt (CRM 37810 RQE 36430) afirma que a ausência de sintomas não deve ser interpretada como indicativo de saúde. O alerta ganha peso diante do cenário: as doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte, respondendo por cerca de 4 em cada 10 óbitos. No entanto, conforme o profissional, em grande parte dos casos, é possível evitar o um desfecho trágico. “Cerca de 90% das situações podem ser prevenidas com acompanhamento e controle dos fatores de risco”, ressalta.

Estresse crônico

Entre os fatores menos visíveis, o estresse crônico tem ganhado protagonismo. “Em termos de impacto cardiovascular, viver sob estresse constante pode se aproximar do efeito de fumar

cerca de oito cigarros por dia”, afirma Vogt.

Do ponto de vista fisiológico, o mecanismo envolve respostas hormonais persistentes. A liberação frequente de cortisol e noradrenalina eleva a pressão arterial, piora marcadores inflamatórios e aumenta o risco de condições como acidente vascular cerebral, infarto e insuficiência cardíaca.

O estado de alerta contínuo, comum em rotinas marcadas por pressão e instabilidade, mantém o organismo em desequilíbrio e favorece o desgaste progressivo do sistema cardiovascular.

Para o especialista, a compreensão da saúde precisa ir além dos indicadores clínicos tradicionais. “Saúde não é apenas física, mas também mental. Aspectos familiares, emocionais e financeiros influenciam diretamente na forma como o paciente adoece e responde ao tratamento”, afirma.

A abordagem terapêutica, segundo Vogt, segue uma hierarquia. A prioridade é o tratamento não farmacológico, com foco na mudança de estilo de vida — alimentação, atividade física, controle do estresse e qualidade do sono.

No entanto, há fatores que não podem ser modificados, como predisposição genética, o que exige o uso de medicação e, em casos mais avançados,

Cerca de 90% das situações podem ser prevenidas com acompanhamento e controle dos fatores de risco”

Guilherme Vogt cardiologista

intervenções cirúrgicas. “Hoje temos tratamentos eficazes e acessíveis. O problema é deixar a doença evoluir até um ponto irreversível, em que as únicas opções passam a ser medicamentos contínuos ou cirurgia”, alerta.

O rastreamento precoce é outro ponto central. Embora o termo “check-up” seja frequentemente associado a exames laboratoriais, o especialista ressalta que ele envolve uma avaliação mais ampla, que inclui exames cardiológicos e, procedimentos específicos conforme idade, sexo e histórico clínico.

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