

![]()


Ainda subdiagnosticado, lipedema está ligado aos hormônios, pode causa dor e inchaço, e exige tratamento contínuo com abordagem multidisciplinar
Formado pela Universidade Federal de Pelotas em 2019, o médico gastroenterologista Lucas Zambiasi construiu sua trajetória com sólida formação clínica e especialização na área digestiva. Após concluir residência em Clínica Médica pela UFFS, em Passo Fundo, em 2022, seguiu com a especialização em Gastroenterologia na mesma instituição, finalizada em 2024. Hoje, Zambiasi atua como responsável técnico da clínica Gastrozam, com atendimento nos municípios de Lajeado e Encantado, onde acompanha pacientes em diferentes condições do trato gastrointestinal.
O que te fez escolher a profissão e como foi esse início?
Minha escolha pela medicina veio da curiosidade e do interesse pela área da saúde. Cresci em uma família que sempre valorizou muito a educação — meu pai é empresário e minha mãe professora — e fui incentivado a estudar desde cedo. Sou natural de uma cidade pequena do Vale do Taquari (Nova Bréscia), e minhas conquistas sempre foram resultado de muito esforço e dedicação. Ao longo da trajetória, enfrentei diversos desafios: sair cedo de casa, ingressar em uma universidade federal, concluir duas residências médicas e, posteriormente, estruturar minha própria clínica do zero e iniciar na área de exames endoscópicos (endoscopia e colonoscopia).
Quais os maiores desafios da profissão hoje?
Um dos principais desafios é manter-se constantemente atualizado, já que a medicina evolui de forma muito rápida e exige estudo contínuo. Outro ponto importante é o combate à desinformação. Ainda existem muitas crenças populares e informações sem embasamento científico, por vezes disseminadas por áreas que não são reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina. Na gastroenterologia, também destaco o desafio estrutural: os equipamentos e tecnologias são de alto custo, e manter um serviço de qualidade exige investimento constante e, muitas vezes, algumas renúncias pessoais.
Como você percebe a área hoje e o que nota como evolução daqui pra frente?
A medicina está em constante transformação, com o surgimento de novos tratamentos, exames diagnósticos e atualizações sobre
EXPEDIENTE

diversas doenças. Essa evolução é essencial, mas não podemos perder fundamentos básicos da prática médica. O exame físico, por exemplo, continua sendo indispensável e, em alguns contextos, parece estar sendo negligenciado. Na gastroenterologia, estamos trazendo novidades para o Vale do Taquari, como os testes respiratórios de hidrogênio, além de outras inovações previstas para o curto e médio prazo.
Lembra de algum momento marcante de algum paciente que passou por você?
Textos e fotos: Paulo Cardoso
São muitos momentos marcantes, o que torna difícil destacar apenas um. A medicina nos permite, diariamente, impactar a vida das pessoas de forma significativa. Cada paciente é único, e uma escuta atenta aliada a um bom exame físico pode levar a diagnósticos precoces e mudar completamente o desfecho de uma doença. Minha experiência na UTI, especialmente durante a pandemia de Covid-19, foi muito marcante. Ainda hoje esse ambiente me proporciona aprendizados constantes e reforça a percepção de como a vida é frágil e imprevisível.



EDITORIAL
Durante muito tempo, e talvez ainda hoje, corpos femininos foram enquadrados em padrões estéticos que não levam a saúde em consideração. O lipedema é um exemplo dessa distorção: uma doença crônica, dolorosa e progressiva que, por muito tempo, foi tratada como questão de “biotipo” ou falta de disciplina.
Os números ajudam a dimensionar o problema. Estima-se que entre 10% e 15% das mulheres no mundo convivam com o lipedema. No Brasil, a prevalência pode chegar a 13% da população feminina. Ainda assim, o diagnóstico segue tardio, quando chega. No intervalo entre os primeiros sintomas e a identificação correta, acumulam-se frustração, tentativas de emagrecimento e, não raro, sofrimento psíquico.
A dificuldade em reconhecer a doença tem explicação. O lipedema só foi oficialmente incorporado a classificações médicas internacionais em 2019. Até então, o desconhecimento era regra, inclusive entre profissionais de saúde. O resultado é um cenário em que pacientes circulam por consultórios sem respostas
claras, enquanto convivem com dor, inchaço, limitação funcional e impacto direto na autoestima. É preciso também enfrentar outro ponto: a confusão entre saúde e estética. Em um ambiente marcado por discursos menos aprofundados e, muitas vezes, por promessas rápidas de transformação, o lipedema acaba, muitas vezes, sendo reduzido a uma questão apenas estética. Mas trata-se de uma doença que envolve inflamação, alterações na microcirculação e um padrão específico de acúmulo de gordura, resistente às abordagens convencionais. Isso não significa, no entanto, que o tratamento esteja fora de alcance. Ao contrário. A literatura médica é consistente ao apontar que estratégias combinadas, com controle do peso, alimentação equilibrada, atividade física orientada e terapias específicas, que podem reduzir sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida. O desafio está menos na ausência de caminhos e mais na construção de acesso, informação qualificada e adesão a longo prazo.
Boa leitura!
Textos: Bibiana Faleiro
Diagramação: Lautenir Junior Coordenação: Felipe Neitzke

Com mais de 128 mil atendimentos, serviço integra cuidado, ensino e inovação para fortalecer a assistência no Vale do Taquari e Rio Pardo
OCentro Clínico Univa tes chega aos 10 anos consolidado como um dos principais pontos de acesso à atenção especializada em saúde em Lajeado e região. Desde a criação, em 2016, o espaço ultrapassou a marca de 128 mil atendimentos, refletindo uma atuação contínua voltada ao cuidado integral e à formação profissional.

As especialidades oferecidas atualmente foram implantadas gradualmente, de acordo com o avanço da grade curricular do curso de Medicina

Sem esse atendimento, muitos pacientes precisariam buscar assistência em cidades distantes”
Marcele Wagner Brandelli, Coordenadora do serviço

Destinado exclusivamente a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Taquari (Consisa), o centro recebe encaminhamentos de 60 municípios dos vales do Taquari e Rio Pardo, ampliando o acesso a especialidades médicas sem a necessidade de deslocamentos para grandes centros. O espaço de aproximadamente 2 mil metros quadrados foi construído a partir de um investimento de cerca de R$ 10 milhões. No primeiro ano de atividades, foram realizados 3.266 atendimentos para 1.394 pacientes.
As especialidades oferecidas atualmente foram implantadas gradualmente, de acordo com o avanço da grade curricular do curso de Medicina da Univates. Hoje, são oferecidas 18 especia-
lidades. São elas alergia e imunologia; anestesiologia; cardiologia; dermatologia; endocrinologia; gastroenterologia; geriatria; hematologia; infectologia; nefrologia; neurologia; neuropediatria; oftalmologia; otorrinolaringologia; pneumologia; psiquiatria; reumatologia e urologia.
Além das consultas, o espaço também disponibiliza uma ampla gama de exames e procedimentos, como ecocardiografia, endoscopia digestiva, espirometria, eletrocardiograma, colonoscopia, ultrassonografia e raio X.
Para a coordenadora do serviço, Marcele Wagner Brandelli, o impacto vai além dos números.
“Sem esse atendimento, muitos pacientes precisariam buscar assistência em cidades distantes. A presença do centro é essencial
para garantir acesso qualificado e próximo da comunidade”, afirma. Outro diferencial está na integração entre assistência e ensino. Os atendimentos são acompanhados por estudantes e professores da área médica, o que assegura qualidade no cuidado e fortalece a formação prática. Somente em 2025, mais de 1.200 estudantes passaram pelo local em atividades supervisionadas. Durante a celebração da data, a reitora Evania Schneider e o pró-reitor de Ensino e Extensão, Tiago Weizenmann, destacaram o papel estratégico do Centro Clínico na conexão entre universidade e comunidade. Segundo eles, a atuação qualificada das equipes contribui diretamente para ampliar o acesso a serviços especializados e fortalecer a saúde regional.




ntre a busca por saúde ou por padrões estéticos, surge um desafio até pouco tempo desconhecido: o lipedema. Marcado pelo acúmulo desproporcional de gordura, principalmente nas pernas, o quadro pode surgir já na puberdade e acompanhar a
Estima-se que entre 10% e 15% das mulheres no mundo convivam com a doença, enquanto, no Brasil, a prevalência gira em torno de 13% da população feminina, números que ainda enfrentam o desafio do subdiagnóstico e da
Na avaliação da endocrinologista Lara Ruschel, o lipedema ainda é uma condição recente do ponto de vista do reconhecimento médico, o que explica tanto a dificuldade no diagnóstico, quanto a confusão com outros quadros, como a própria obesidade. “É uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, principalmente em coxas e pernas, e que pode também
Um dos pontos centrais, segundo ela, é a forte influência hormonal. O lipedema tende a surgir ou se agravar em momentos de oscilação de estrogênio, como puberdade, gestação e menopausa, o que ajuda a entender porque acomete quase exclusivamente mulheres. “É comum vermos pacientes com cintura mais fina e um volume muito maior nos membros inferiores, o que não corresponde ao restante do cor-
Além da questão estética, a endocrinologista reforça que se trata de uma doença com sintomas associados. A gordura do lipedema é inflamada e pode provocar dor, sensação de peso nas pernas, sensibilidade ao toque e maior facilidade para hematomas. “Não é apenas

um acúmulo de gordura. Existe comprometimento da microcirculação e do sistema linfático, o que gera desconforto e impacto na qualidade de vida”, afirma.
O diagnóstico, explica Lara, ainda é predominantemente clínico, embora exames de imagem, como ultrassonografia e densito-
metria corporal, auxiliem especialmente nos casos iniciais ou no acompanhamento da resposta ao tratamento. “Nos estágios mais leves, principalmente em adolescentes, pode ser difícil identificar apenas no exame físico. Por isso, os exames complementares ajudam bastante”, pontua.



A doença costuma ter início precoce, muitas vezes já na puberdade, e apresenta caráter progressivo. Sem tratamento adequado, tende a se agravar ao longo dos anos, especialmente quando há ganho de peso associado. Ainda assim, ela faz uma distinção importante: apesar de resistente, a gordura do lipedema não está diretamente ligada aos mesmos riscos metabólicos da obesidade abdominal. “Ela é mais difícil de tratar, mas não necessariamente mais perigosa do ponto de vista metabólico”, explica.
Sobre o uso de medicamentos, ela faz um alerta: não existem fármacos específicos para tratar o lipedema. Medicamentos
O lipedema pode causar dor, inchaço e impacto emocional, indo além da questão estética
utilizados para emagrecimento podem ajudar indiretamente, ao reduzir peso e inflamação, mas não atuam diretamente na doença. “A medicação pode ser uma aliada, especialmente em casos de sobrepeso ou obesidade, mas não substitui mudanças de estilo de vida”, ressalta.
Outro aspecto destacado é o impacto emocional. O lipedema pode gerar sofrimento psíquico importante, tanto pela dor crônica quanto pela alteração da imagem corporal. “É comum que a paciente entre em um ciclo: desconforto emocional, alimentação desregulada e piora do quadro. Por isso, o cuidado também precisa incluir esse olhar”, diz.

Lara ainda enfatiza a importância do diagnóstico precoce. “Quando identificamos a doença nos estágios iniciais, conseguimos intervir antes que haja maior inflamação e fibrose. Isso muda completamente o curso da doença”, afirma. Com o avanço das pesquisas, a expectativa é de que novos tratamentos e estratégias mais personalizadas surjam nos próximos anos, ampliando as possibilidades de controle da condição.
Para a cirurgiã vascular, Núbia Franzon, o lipedema ainda carrega marcas de um longo período de desconhecimento dentro da medicina. Embora os primeiros relatos datem da década de 1940, foi apenas em 2019 que a condição passou a integrar oficialmente a classificação internacional de doenças, o que permitiu diferenciá-la de quadros como a obesidade.
A especialista chama atenção para a alta prevalência entre mulheres, estimada em cerca de 13% no Brasil, segundo estudos recentes, e para a forte influência hormonal e genética. Outro aspecto importante é a relação com o excesso de peso. Embora o lipedema não seja sinônimo de obesidade, o quadro tende a se agravar em pacientes com sobrepeso. “Mesmo sendo uma gordura resistente, o controle do peso traz benefícios significativos. A paciente pode não emagrecer de forma uniforme, mas há melhora dos sintomas e da qualidade de vida”, destaca.
No tratamento, Núbia reforça que não há soluções rápidas


ou isoladas. A abordagem deve ser multidisciplinar e contínua, envolvendo alimentação, atividade física, fisioterapia e, em alguns casos, suporte medicamentoso e terapias compressivas.
Entre os recursos utilizados, estão a drenagem linfática e a pressoterapia, que auxiliam na redução do edema e do desconforto.
Ela também faz um alerta sobre tecnologias estéticas que prometem “quebrar” a gordura do lipedema. “Ainda há pouca evidência científica robusta. Alguns métodos podem trazer melhora discreta, mas também há risco de efeito rebote. É preciso cautela”, afirma. Atualmente, o procedimento com maior potencial de resultado é a lipoaspiração específica para lipedema, indicada em casos mais avançados e realizada com técnica adaptada para preservar estruturas linfáticas. Ainda assim, não se trata de uma cura definitiva. “Como existe um componente genético, há possibilidade de recorrência. Por isso, o acompanhamento clínico continua sendo essencial”, explica.
Já na avaliação da nutricionista Fernanda Reali, o lipedema também precisa ser compreendido fora do “efeito moda” que tem impulsionado buscas por diagnóstico, muitas vezes sem confirmação clínica.
Segundo ela, é cada vez mais comum que pacientes cheguem ao consultório já convencidos de que têm a doença, influenciados por informações nas redes sociais e pela popularização do termo. “Antes de qualquer suspeita, é fundamental passar por avaliação médica completa, com exame
- Acúmulo desproporcional de gordura em pernas e/ou braços
- Sensação de peso e cansaço nos membros
- Dor ao toque ou espontânea
- Facilidade para hematomas
- Lipedema afeta cerca de 10% a 15% das mulheres no mundo
- No Brasil, prevalência estimada em 13% da população feminina
- Pode surgir já na puberdade

o lipedema é uma condição crônica, sem cura, que exige acompanhamento contínuo e mudanças de estilo de vida. Nesse contexto, a alimentação
- Acomete quase exclusivamente mulheres
- Diagnóstico ainda é majoritariamente clínico
- Reconhecido oficialmente em classificações médicas apenas em 2019

desempenha papel central, especialmente no controle da inflamação e no manejo do peso. “Na prática clínica, a maioria das pacientes apresenta sobrepeso ou obesidade, o que potencializa os sintomas. A redução de peso costuma trazer melhora significativa, tanto visual quanto nos desconfortos”, afirma.


Condição pode envolver fatores sensoriais, motores e orgânicos e demanda intervenção individualizada
Salsichão, batata frita, pastel, arroz, bolo, hambúrguer, pão com Nutella e algumas frutas. Por um período, esse foi o cardápio possível na casa de Leila Ebeling. Mãe de Carlos Augusto Mayer, de 7 anos, com diagnóstico de TEA nível 1 de suporte, ela viu a hora das refeições perder a leveza e se transformar em um momento marcado por tentativas repetidas e recusas constantes.
“A seletividade alimentar afetava bastante os momentos à mesa, me deixava angustiada e ansiosa. Existia uma dificuldade persistente em apresentar novas opções, porque ele simplesmente não aceitava”, relata. O que parecia uma fase revelou uma dinâmica mais complexa, exigindo um olhar qualificado sobre comportamento alimentar e desenvolvimento.
A alimentação está diretamente ligada ao desenvolvimento cognitivo, motor e comportamental, influenciando atenção, aprendizagem, regulação emocional e interação social. Por isso, alguns erros recorrentes na introdução alimentar merecem atenção. Entre eles a baixa diversidade alimentar, quando preferências iniciais passam a limitar a oferta de novos alimentos.
“Muitas vezes, ao perceber que o bebê tem alguma preferência, os pais deixam de oferecer outras opções dentro de cada grupo alimentar, o que compromete o repertório a longo prazo”, observa.




nutricionista Raquel Neumeister (CRN2 19236), não é um comportamento isolado nem passageiro e pode envolver aspectos motores, sensoriais e orgânicos, muitas vezes combinados.
As características apresentadas por Carlos se enquadravam no Distúrbio Alimentar Pediátrico. A condição, como explica a
Acompanhamento profissional
O acompanhamento começa pela escuta. A primeira consulta
Quando indicada a terapia alimentar semanal, o processo avança para sessões com a criança, estruturadas de forma estratégica e alinhadas à chamada escada do comer, que envolve etapas progressivas de tolerar, interagir, cheirar, tocar, provar e, então, comer.
Nesse contexto, o alimento deixa de ser apenas nutrição e passa a ser experiência. A introdução ocorre de forma lúdica e sem imposição, permitindo que a criança construa confiança no próprio tempo. “Cada paciente apresenta um ritmo individual de progressão. Observamos indicadores como a aceitação do alimento nas sessões, depois em casa e, posteriormente, em ambientes sociais”, explica a especialista.
Distúrbio Alimentar Pediátrico pode envolver aspectos motores, sensoriais e orgânicos, muitas vezes combinados
Em casa, as mudanças aconteceram de forma gradual. Carlos passou a aceitar novos alimentos no prato e, aos poucos, a se aproximar deles. A massa foi o primeiro avanço, seguida pela carne moída fora do pastel, cenoura e tomate.
A família manteve a estratégia de repetir, sem pressão, o que era trabalhado nas sessões, sempre combinando novidades com alimentos já aceitos. “Cada alimento novo que ele provava, eu registrava. Era uma alegria muito grande”, recorda Leila.
Para Raquel, mais do que garantir a ingestão, trata-se de construir uma relação positiva com a comida”, conclui.
Ana Paula Dexheimer
CRN 4544 - Nutricionista e Terapeuta Ayurveda


Celebrar faz parte da vida. Mas a forma como celebramos diz muito sobre o momento que estamos vivendo.
Existe uma mudança silenciosa acontecendo — e ela já chegou à mesa. Cada vez mais, surge um novo olhar sobre datas especiais: menos excesso, mais presença. Menos automatismo, mais escolha.
A Páscoa, tradicionalmente associada à abundância, revela um novo convite: celebrar de um jeito que nutre, respeita o corpo e amplia o significado.
A palavra Pessach, de origem hebraica, significa passagem. Um atravessar. Uma mudança de estado. E talvez seja exatamente isso que estamos vivendo.
Em tempos de tanto estímulo, celebrar pode ser perceber o que
levamos adiante… e o que já pode ficar. Hoje, vemos um movimento mais profundo: menos noites de excesso, mais despertares conscientes. Mais conexão com o corpo, mais critério nas escolhas, mais presença — inclusive espiritual. Não é moda. É alinhamento.
Na tradição de Pessach, há um gesto simbólico: evitar o fermento. Mais do que uma orientação alimentar, é retirar aquilo que infla, acelera e expande de forma artificial.
E o “fermento” atual não está só nos alimentos. Ele aparece na pressa, no excesso, no comer sem presença, na desconexão do corpo. Quem já experimentou leveza não negocia mais com o desconforto. O corpo responde — e hoje, as pessoas escutam.
Por isso, celebrar saudável não é excluir. É refinar. É incluir quem escolheu viver com mais consciência.
No Método Ágape, entendemos que nutrir não é encher. É sustentar. O alimento continua no corpo, na energia e na mente.
O doce pode, sim, fazer parte — mas de uma nova forma. Mais intenso, mais equilibrado, com ingredientes que geram saciedade e presença. Até o sal, em pequena quantidade, revela sabores e transforma a experiência. Pequenas mudanças mudam tudo.
Talvez essa seja a verdadeira tendência: celebrações mais conscientes, mais conectadas, mais verdadeiras. Menos sobre quantidade. Mais sobre significado.

Torta Antonella – Cacau e Café com Especiarias
Ingredientes
70g de nozes
1 colher (sopa) rasa de cacau em pó
1 colher (sopa) rasa de açúcar de coco
Pitadas de sal
50g de farinha de aveia
1 colher (sopa) de óleo de coco derretido
Recheio
120g de chocolate amargo picado
170g de creme de leite sem soro
½ colher (chá) de sal
2 colheres (sopa) de açúcar de coco
1 colher (chá) de canela em pó
½ colher (chá) de gengibre em pó
¼ colher (chá) de noz-moscada ralada
1 colher (chá) de café instantâneo dissolvido em 1 colher (sopa) de água morna
Modo de Preparo
Triture as nozes até formar uma farinha grossa e misture com os demais ingredientes da base.
Forre o fundo de uma forma com fundo removível e leve à geladeira por 15 minutos.
Derreta o chocolate, acrescente o creme de leite, especiarias e café.
Despeje o recheio sobre a base e leve à geladeira por 4h. Decore antes de servir.





Abordagem manual aposta na integração dos sistemas para tratar a causa dos sintomas e promover bem-estar duradouro
Entre a valorização do autocuidado e a busca por um equilíbrio integral, a osteopatia ganha protagonismo como uma abordagem que transcende o alívio imediato da dor. Com técnicas manuais precisas e um olhar refinado sobre as conexões entre estrutura e função, o método propõe restaurar a harmonia do organismo de forma sutil e, ao mesmo tempo, profundamente eficaz. Conforme explica o fisioterapeuta osteopata Frederico Grave, mais do que tratar um sintoma isolado, a prática investiga suas origens. A queixa apresentada pelo paciente, nesse contexto, não é necessariamente o foco central, mas um sinal de que há desequilíbrios mais profundos a serem compreendidos. Como exemplo, ele destaca a relação entre diferentes regiões do corpo que, à primeira vista, parecem desconectadas.
“Há estruturas ligamentares que conectam o esôfago à região cervical, evidenciando a interdependência entre os sistemas. Por isso, não é incomum observar pacientes que apresentam, simultaneamente, dor na cervical e gastrite”,
comenta. Nesses casos, a origem do desconforto pode não estar exatamente onde ele se manifesta, mas em disfunções do sistema digestivo.
Ao direcionar o tratamento para a causa primária, e não apenas para o sintoma, a osteopatia amplia significativamente as chances de uma resposta terapêutica mais eficaz e duradoura.
As técnicas utilizadas têm como objetivo restaurar a função das estruturas corporais
luxações, além de problemas associados ao sedentarismo, à má postura, a lesões por esforço repetitivo, práticas esportivas ou ao estresse excessivo.
O processo terapêutico começa com uma escuta atenta e uma avaliação manual minuciosa. É por meio do toque que o profissional identifica as disfunções prioritárias, aquelas que, ao serem tratadas, podem desencadear uma melhora global do organismo. “Muitas vezes, você trata uma disfunção e o corpo revela outra, que passa a ser a nova prioridade”, afirma. Segundo ele, não se trata de um protocolo rígido, mas de um acompanhamento individualizado, que respeita as respostas de cada

A osteopatia é indicada para diferentes perfis de pacientes e queixas. Entre elas, estão dores na coluna, no nervo ciático, nos ombros, espasmos musculares,
As técnicas utilizadas têm como objetivo restaurar a função das estruturas corporais. Como consequência, há melhora da circulação, redução de tensões nos tecidos, otimização da condução nervosa e, sobretudo, do funcionamento geral do corpo. “Não é uma técnica com foco no relaxamento. A ideia é dar ao corpo a informação de como ele precisa se reorganizar”, explica.