Um novo olhar sobre os bairros
OUTUBRO DE 2026
MATEUS SOUZA
A força da participação
Exercício da democracia
Associações de moradores se destacam pela pluralidade e envolvimento comunitário. Renovação ainda é um desafio.
Desde o ano passado, foram várias eleições de associações de moradores que tiveram disputa com mais de uma chapa inscrita.
EM CONJUNTO
DEOLÍ GRÄFF/DIVULGAÇÃO
Parceria com o município garante resultados JHON WILLIAN TEDESCHI
Aproximação visa o atendimento de demandas
ASSOCIAÇÕES DE MORADORES
Entidades essenciais ao convívio nos bairros Reuniões, festas, grupos de convivência e reivindicações por melhorias na infraestrutura fazem parte da atuação das associações de moradores. Em Lajeado, as entidades fun-
cionam como canal de diálogo com o poder público e promovem encontros que aproximam vizinhos, estimulam a colaboração e ampliam a participação na vida dos bairros.
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A partir de uma articulação maior das associações de moradores, os bairros passam a ter mais voz e protagonis-
mo na busca por melhorias. Participação política, inclusive no poder Legislativo, propicia mais força de mobilização
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VÁCUO NA REPRESENTAÇÃO
Da Uambla à atuação de agentes públicos Após extinção da entidade que representava as associações, município assume papel de interlocução junto às comunidades nos bairros. PÁGINAS 12 E 13
EDITORIAL
A força dos
bairros
O
desenvolvimento de uma cidade não se mede apenas pelo crescimento econômico, pela expansão urbana ou pelo surgimento de novos empreendimentos. Ele também se revela na qualidade de vida de quem vive nos bairros, na infraestrutura disponível e na capacidade da comunidade de participar das decisões que moldam o lugar onde as pessoas constroem suas histórias. Em Lajeado, uma cidade em constante transformação, as demandas acompanham o ritmo do crescimento. Pavimentação, iluminação pública, espaços de lazer, mobilidade e serviços básicos estão entre as necessidades que impactam diretamente o cotidiano dos moradores. Atender a essas reivindicações exige planejamento, recursos e, sobretudo, diálogo entre o poder público e a população. Nesse cenário, as associações de moradores exercem uma função indispensável. São espaços de organização coletiva, onde diferentes experiências e necessidades podem ganhar voz. Seus representantes conhecem a realidade local, identificam problemas e levam reivindicações às autoridades. Nem toda demanda encontra solução imediata, mas a mobilização comunitária contribui para que as prioridades sejam conhecidas e debatidas. Participar, portanto, não significa apenas reclamar quando algo deixa de funcionar. Significa acompanhar decisões, propor melhorias, cobrar respostas e compreender que a construção de uma cidade melhor depende também do envolvimento de seus cidadãos. A democracia se fortalece quando a população deixa de ser apenas destinatária das políticas públicas e passa a atuar como parte ativa de sua construção. Dar visibilidade ao trabalho das entidades comunitárias é reconhecer que o desenvolvimento começa perto de casa. Afinal, uma cidade mais justa e acolhedora não se constrói de cima para baixo, mas com a participação de quem vive seus desafios diariamente. É nos bairros, onde as necessidades se tornam concretas, que Lajeado encontra parte essencial da força para seguir crescendo.
ESPAÇOS DE CONVÍVIO GINÁSIO DO JARDIM DO CEDRO
Lajeado conta com 28 bairros e 29 associações de moradores estruturadas. Nem todas dispõem de uma estrutura própria para reunião das comunidades. Alguns espaços, no entanto, se consolidaram também como locais próprios para sediar eventos ou mesmo servir de base durante períodos de calamidade.
Um dos maiores ginásios da cidade, está situado às margens da avenida principal do segundo bairro mais populoso de Lajeado. Além de sediar reuniões comunitárias, também é utilizado para a prática esportiva, sobretudo por moradores da região. Recentemente, passou por melhorias estruturais.
GINÁSIO DO FLORESTA Mais recente das estruturas comunitárias, o ginásio do bairro Floresta foi viabilizado com recursos de emendas parlamentares e garantiram um equipamento inédito para moradores de uma das regiões que mais cresce em Lajeado. Além de eventos comunitários, também é utilizado para a prática esportiva e é alugado para festas particulares.
GINÁSIO DO MONTANHA Uma das estruturas públicas mais bem equipadas de Lajeado. Está situado às margens da avenida Benjamin Constant e conta com academia ao ar livre na área externa. O ginásio sedia eventos públicos e também particulares com frequência. Nas enchentes de 2023 e 2024, também serviu para abrigar famílias atingidas.
GINÁSIO DO FLORESTAL Construído na década passada, o imponente ginásio do Florestal ocupa importante espaço e, por muitos anos, foi vizinho do antigo estádio do Lajeadense. Com a construção de novos empreendimentos no local, entre eles um atacarejo, o equipamento público será demolido. Um novo ginásio está sendo erguido a alguns metros, na rua General Flores da Cunha.
EXPEDIENTE
PRODUÇÃO TEXTOS: Jhon Willian
Tedeschi, Karine Pinheiro, Maira Schneider e Mateus Souza
2 • Outubro de 2026
ARTE E DIAGRAMAÇÃO
Lautenir Azevedo Junior
COORDENAÇÃO EDITORIAL Felipe Neitzke Mateus Souza
IMPRESSÃO Grafica Uma/ junto à Zero Hora
Sucessão desafia líderes e coloca entidades em xeque Associações de moradores tentam sobreviver enquanto processo de renovação esbarra na falta de interesse e mudança de comportamento da população
A
baixa rotatividade entre os líderes e representantes das associações de bairros sinaliza para um momento onde as instituições podem apresentar problemas na continuidade. Em boa parte dos bairros, os presidentes das comunidades, se não permanecem em uma sequência maior de anos, passaram por uma alternância constante entre poucos nomes. Via de regra, as localidades têm diretorias eleitas a cada dois anos, o que não impede que muitos nomes retornem ao cenário em alguns mandatos. É o caso da presidente do bairro Morro 25, Lurdes da Silva. Ela se candidatou à presidência para manter a entidade ativa, uma vez que a gestão anterior estava no fim e nenhuma chapa havia se inscrito para a eleição. Outros dois bairros com líderes atuantes a mais tempo, são Conservas e Universitário, onde Claudiomir Lindomar Couto da Silva, o Coutinho, e
Quem não tem um espírito de solidariedade, de convivência comunitária, de trabalhar pelo bem do outro, não assume.” MARA GOERGEN PRESIDENTE DO BAIRRO UNIVERSITÁRIO
Mara Goergen estão à frente das associações. Coutinho foi reeleito no ano passado, após permanecer nos três anos anteriores como presidente. Ele já participava anteriormente, antes da interrupção das atividades. O desgaste com a rotina, os custos que acabam saindo do próprio bolso, são fatores que desestimulam a atração por novos líderes, conforme o presidente do Conservas. “Em outros bairros que estão mais
estruturados, as pessoas têm maior interesse em assumir a associação. Como não temos essa estrutura com sede, para ter eventos, não conseguimos dar sequência”, conta. Mais um fator listado por Coutinho é o incômodo com as demandas não atendidas, o que de acordo com ele gera um desgaste. Ele conta que no fim do ano ocorrem eleições, mas ainda estuda possibilidades para a sucessão. “Vou publicar o edital em novembro para ver quem se interessa. Minha vice manifestou a intenção de assumir, mas comigo participando junto”, relata. Por outro lado, Mara avalia que há dificuldade em encontrar quem queira assumir o compromisso junto à comunidade, uma vez que a demanda por controle, organização e disciplina acaba tomando o tempo da busca por um trabalho e sustento para as famílias. Para ela, mesmo com as diferenças entre as comunidades, o objetivo das associações deve ser ouvir a população e pleitear as necessidades junto ao poder público. “As pessoas hoje estão preocupadas com outras coisas. Quem não tem um espírito de solidariedade, de convivência comunitária, de trabalhar pelo bem do outro, não assume. Se assumir, é para arrumar encrenca”, comenta. Ela acrescenta que a dificuldade vai
Em outros bairros que estão mais estruturados, as pessoas têm maior interesse em assumir a associação.”
Quando chega na hora de participar de uma reunião, até de assumir função dentro de uma diretoria, os voluntários diminuem bastante.”
CLAUDIOMIR LINDOMAR COUTO DA SILVA PRESIDENTE DO BAIRRO CONSERVAS
ADAIR RUPPENTHAL PRESIDENTE DO BAIRRO AMERICANO
ser cada vez maior na sucessão, uma vez que a burocracia na busca por evolução nos bairros afasta novas lideranças.
a reunião com maior número de presentes teve cerca de 60 pessoas, em um bairro com cerca de 3 mil moradores. “Tivemos várias reuniões com 10 ou menos de 10 pessoas”, lembra. Ruppenthal lamenta a falta de envolvimento nas rotinas da entidade. “Quando chega na hora de participar de uma reunião, até de assumir função dentro de uma diretoria, os voluntários diminuem bastante. Então, toda vez temos que fazer um corpo a corpo para chamar, convocar e pedir: ‘Olha, preciso de ti, participa aqui’.” Ele avalia que o engajamento está atrelado à continuidade dentro da associação. “Ainda é a mesma equipe de trabalho que continua envolvida, participativa. Mas o grupo que de fato se envolve, participa e tenta melhorar a vida da comunidade e a convivência no bairro, normalmente é pequeno. É uma pena que as pessoas sejam assim.”
Pouca mobilização Recentemente reeleito para liderar a associação no bairro Americano, Adair Ruppenthal pondera a dificuldade de mobilização da comunidade para participar de forma mais efetiva. Ele conta que a maior parte da articulação ocorre de forma virtual, através de grupos do WhatsApp. “Temos dois grupos, com cerca de 60 a 70 pessoas em cada. Um é oficial da associação, outro de moradores próximos da BR-386, na região mais comercial”, relata. No entanto, as reuniões presenciais costumam ter menos participação efetiva, apenas com a entrega de demandas. Conforme o líder comunitário,
Liderança do bairro Americano segue com o grupo liderado por Adair Ruppenthal
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Associações fortalecem a convivência nos bairros Município conta com 29 entidades de moradores, que articulam reivindicações por infraestrutura, promovem atividades sociais e aproximam a comunidade
mento, limpeza e conservação da praça. Enquanto as reivindicações buscam respostas, os encontros ampliam as oportunidades de convivência.
R
Atividades entre gerações
euniões, festas, grupos de convivência e reivindicações por melhorias na infraestrutura fazem parte da atuação das associações de moradores. Em Lajeado, as entidades funcionam como canal de diálogo com o poder público e promovem encontros que aproximam vizinhos, estimulam a colaboração e ampliam a participação na vida dos bairros. O município conta com 28 bairros e 29 associações de moradores. A diferença ocorre porque o Loteamento dos Médicos, localizado no São Cristóvão, também tem uma entidade de representação. Atualmente, todas estão ativas e contam com diretorias eleitas dentro dos prazos previstos nos estatutos. A existência formal, porém, não garante a participação dos residentes. A continuidade das atividades depende de pessoas dispostas a assumir responsabilidades, organizar encontros e acompanhar reivindicações. As experiências mostram como a organização contribui para recuperar espaços, manter vínculos e reunir demandas por serviços.
Da representação à convivência As associações funcionam como
intermediárias entre moradores e prefeitura. Por meio delas, problemas relacionados à conservação das ruas, à iluminação pública, ao abastecimento de água e à oferta de serviços podem ser organizados em pautas. O registro das solicitações também permite acompanhar os encaminhamentos junto aos setores responsáveis. Mas a atuação vai além das reivindicações. Festas, encontros de grupos e atividades culturais criam oportunidades para que moradores se conheçam, compartilhem experiências e estabeleçam relações de proximidade. Os espaços comunitários também recebem iniciativas de lazer, integração entre gerações e apoio em situações de necessidade. No bairro Hidráulica, por exemplo, a associação trabalha em ações do fortalecimento da comunidade. Conforme a presidente, Isabel Martins, a participação dos moradores é voluntária. Mas o envolvimento, segunda ela, resulta em um grupo mais unido.
Hidráulica recupera espaço comunitário A reativação da associação marcou a retomada das atividades comunitárias. Fundada em março de 1994, a entidade ficou com a
É um meio de tirar as vovozinhas de casa. Elas vão para o Clube de Mães, vão para a Terceira Idade, a gente brinca, dança, conta história...” LURDES DA SILVA Presidente da associação do bairro Morro 25
situação irregular até 2020, quando deveria ter realizado a eleição da diretoria. A reorganização ocorreu em 10 de junho de 2025, em assembleia com cerca de 80 moradores. A nova gestão reorganizou a sede, que estava abandonada, e passou a promover eventos na praça do bairro. As iniciativas devolveram movimento ao espaço e abriram oportunidades para encontros entre vizinhos, diz Isabel. Uma das conquistas citadas pela presidente foi a concessão de uso de um imóvel público à entidade sem fins lucrativos. A associação também atua no encaminhamento de solicitações à prefeitura. Entre as pautas estão reparos em vias públicas, sanea-
No Morro 25, a associação mantém grupos de convivência, mas enfrenta dificuldades para recuperar a sede. A presidente Lurdes da Silva voltou ao cargo há três anos, após ter exercido a função por quatro anos em gestão anterior. A trajetória comunitária inclui décadas como coordenadora da Terceira Idade e do Clube de Mães. A sede conta com salão, sala para o Clube de Mães e ginásio. No entanto, após uma enchente, o espaço sofreu danos. “Tem partes do telhado que tem goteira. Banheiro masculino não funciona. Chove, a cozinha fica que nem um rio”, relata Lurdes. Entre as prioridades, está o conserto do espaço do ginásio, utilizado por uma escolinha de futebol para crianças e adolescentes. Apesar dos problemas, as atividades seguem na rotina comunitária. O Clube de Mães reúne dezenas de participantes às quartas-feiras. O grupo da terceira idade conta com quase 30 integrantes. A programação inclui ginástica, lazer, conversas e dança, com participação dos próprios idosos na organização dos encontros. “É um meio de tirar as vovozinhas de casa. Elas vão para o Clube
Raio-X de Lajeado 28 bairros 29 associações
Todas ativas e com diretorias eleitas dentro dos prazos
10 mulheres e 19 homens na presidência
27 mandatos de dois anos e dois de quatro anos
O papel das associações • Encaminhar reivindicações • Promover festas e atividades culturais • Manter grupos de convivência • Aproximar moradores de diferentes gerações • Organizar prioridades e acompanhar pedidos
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de Mães, vão para a Terceira Idade, a gente brinca, dança, conta história”, pontua a presidente. Para ela, os grupos oferecem oportunidades de convivência e mantêm os participantes em contato com outras pessoas.
Centro retoma a representação A associação do Centro passou por um período de inatividade após a última eleição em 2012. A entidade teve o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) baixado, o que interrompeu a representação formal dos moradores. A retomada ocorreu em 11 de agosto de 2025, quando uma assembleia marcou a fundação de uma nova Associação de Moradores do Bairro Centro. Na ocasião, Euclides Rodrigues foi eleito presidente. A iniciativa restabeleceu um canal para reunir demandas e discutir prioridades na região central, que concentra comércio, serviços e circulação de pessoas de diferentes áreas da cidade. A reorganização permitiu estabelecer uma estrutura para o diálogo entre moradores, identificar problemas comuns e articular solicitações. A continuidade, porém, depende da participação dos residentes, da realização de encontros e da abertura para novas propostas. O desafio é transformar a representação formal em ações que envolvam diferentes segmentos da população.
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Sobre os bairros Mais bairros do que associações? Lajeado tem 28 bairros e 29 associações de moradores. A diferença está na Associação dos Moradores do Loteamento dos Médicos, que fica dentro do bairro São Cristóvão. O bairro mais populoso Conventos reúne cerca de 7,5 mil moradores e é o bairro mais populoso de Lajeado entre os dados apresentados. Na outra ponta está Nações, com 595 habitantes. O bairro mais novo Jardim Botânico foi criado em 28 de março de 2023. Antes dele, São Bento e Floresta haviam sido constituídos em 14 de outubro de 1998. Mulheres à frente das associações Das 29 entidades de moradores, 10 são presididas por mulheres e 19 por homens. Centro voltou a ter associação Após um período de inatividade, uma nova associação foi fundada em assembleia em 11 de agosto de 2025. Na ocasião, Euclides Rodrigues foi eleito presidente. Cerca de 80 moradores participaram da retomada No Hidráulica, uma assembleia realizada em 10 de junho de 2025 reuniu cerca de 80 moradores para reativar a associação. Depois de um período de abandono, o espaço passou por limpeza e recuperação, e a comunidade voltou a promover atividades.
Nesse cenário, as associações ajudam a reunir informações e organizar prioridades.” DEOLÍ GRÄFF Coordenador de Relações Institucionais da prefeitura
e organizar prioridades”, diz. As experiências do Centro, da Hidráulica e do Morro 25 mostram diferentes dimensões desse trabalho. Uma entidade retomou a representação formal, outra recuperou a sede e voltou a promover eventos, enquanto a terceira mantém grupos de convivência apesar dos problemas estruturais. Em comum, oferecem canais para organizar demandas e criar encontros. Reuniões, atividades e conversas entre vizinhos contribuem para estabelecer relações de confiança. Esses vínculos facilitam a identificação de necessidades e a colaboração em situações de dificuldade. O desafio, na avaliação dele, é ampliar a participação, distribuir responsabilidades e manter espaços que fortaleçam a vida coletiva nos bairros.
Mandatos com durações diferentes A maioria das associações tem mandato de dois anos: são 27 entidades nessa condição. Santo André e Imigrante são exceções, com mandatos de quatro anos.
Demandas exigem planejamento Conservação de ruas, iluminação pública, abastecimento de água, coleta de lixo, segurança e vagas na educação infantil estão entre as demandas apresentadas pelas associações. Na mobilidade, o crescimento urbano e as alterações nos acessos após a duplicação da BR-386 ampliaram as preocupações em alguns bairros. Segundo o coordenador de Relações Institucionais da prefeitura, Deolí Gräff, a infraestrutura pública não acompanhou o crescimento habitacional na mesma proporção. A falta de orçamento para implantar equipamentos contribuiu para o acúmulo de demandas. “Nesse cenário, as associações ajudam a reunir informações
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Comunidade busca aproximação com poder público e garante conquistas FOTOS: DIVULGAÇÃO
Vinculação política e articulação com o poder Para o parlamentar, a aproximação do governo com as associações é importante para o trabalho e para que os problemas sejam conhecidos. No entanto, ele questiona algumas formas de articulação, onde algumas comunidades têm maior facilidade de acesso do que outras, o que gera desânimo em alguns líderes. “Ainda existem alguns impasses políticos”, pontua. Vavá exemplifica com o caso do bairro Olarias, que teve eleição para presidente, mas o líder eleito aponta intenção de desistir do cargo. “As ligações com alguns políticos acaba atrapalhando algumas comunidades. Aí tu acaba vendo que é uma frustração muito grande, porque não há atendimento às suas demandas e os presidentes acabam se decepcionando”, explica.
A partir de uma articulação maior das associações de moradores, os bairros passam a ter mais voz e protagonismo na busca por melhorias. Participação política, inclusive no poder Legislativo, propicia mais força de mobilização
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ual o impacto de uma associação de moradores ativa? Onde ela se torna relevante para a comunidade? Como as conquistas influenciam na rotina das pessoas? Se em outros tempos a articulação desses grupos ocorria de forma orgânica, a partir de uma maior estruturação, com atuação formal, tornou-se mais possível se fazer ouvir diante das demandas recorrentes. Nos bairros de Lajeado isso não é diferente. O movimento das associações repercute ainda
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As ligações com alguns políticos acaba atrapalhando algumas comunidades. Aí tu acaba vendo que é uma frustração muito grande, porque não há atendimento às suas demandas e os presidentes acabam se decepcionando” JONES BARBOSA DA SILVA VEREADOR
mais nas últimas duas décadas enquanto cresce o vínculo delas com o poder público. Desta forma, a possibilidade dos anseios serem atendidos
também aumenta. Em paralelo a isso, a representatividade ultrapassa os limites das entidades, com a ascensão de lideranças até a cargos eletivos. É o caso do hoje vereador Jones Barbosa da Silva, conhecido como Vavá. Nascido em Lajeado e criado no bairro Santo André, sempre atuou na busca por maior valorização dos moradores e está no segundo mandato no Legislativo. Na eleição de 2024, foi o candidato mais votado no município, com mais de 2,5 mil votos, e tem como plataforma de trabalho a atuação comunitária. Além do Santo André, a presença do parlamentar se destaca no vizinho bairro Campestre, onde ele foi presidente da associação de moradores. Ele lembra que ao longo da gestão como líder comunitário, foi possível articular a conclusão da obra do posto de saúde e a instalação de um espaço para prática de esportes, além de obter investimentos em educação. “Com muito orgulho trouxemos uma creche no modelo FNDE, a partir de
muita força de mobilização e muitas cobranças”, relata, ao mencionar a construção de uma escola de educação infantil. Vavá ainda menciona que ações no dia a dia, como manutenções no campo da mobilidade, como calçamentos, sinalizações, entre outros, também são resultado das iniciativas da associação. Em paralelo ao mandato como vereador, ele se prepara para estreitar a atuação junto à associação no Santo André. Lá, ele destaca a implantação do Centro de Referência em Assistência Social (Cras), que atende aos sete bairros da chamada “região alta” de Lajeado: Santo André, Campestre, Olarias, Planalto, Igrejinha, Centenário e Imigrante. Outras melhorias nos campos de saúde e educação também são citadas por Vavá. “São conquistas que nós fomos trazendo para a comunidade. Claro que queremos mais, vamos continuar batalhando para que tenhamos cada vez mais investimentos públicos na nossa região”, conclui.
ENTREVISTA LUCIANA TURATTI • pesquisadora e professora de Direito
“Cabe agora à população a compreensão da importância deste movimento”
Encontros com as comunidades tiveram continuidade a partir do ano passado
PREFEITURA NOS BAIRROS A aproximação do poder público às comunidades se evidencia a partir da implementação do programa “Prefeitura nos Bairros”, que promove encontros nas associações de moradores. O projeto prevê reuniões nos 29 bairros e associações de moradores do município, com o objetivo de apresentar o planejamento da administração para as localidades, além de recepcionar as demandas, pedidos
de melhorias e sugestões. Criado em 2017, a iniciativa teve continuidade em 2025, e desde então promoveu reuniões nos bairros Conventos, Montanha, Loteamento dos Médicos, Florestal, Floresta, Campestre, Olarias, Jardim Botânico, Nações, Bom Pastor, Santo André, Moinhos, Moinhos D’Água, Imigrante, Centenário, Hidráulica, Morro 25 e São Cristóvão.
Quanto mais acompanharmos os processos, menor a possibilidade de ocorrerem desvios. Um exemplo claro disso é o que ocorre hoje com o Legislativo. LUCIANA TURATTI PESQUISADORA E PROFESSORA
Uma das conquistas articuladas pela associação do bairro Campestre foi a conclusão da reforma no posto de saúde
A Hora: Como você avalia a participação das associações de moradores, pensando no espectro específico de Lajeado? Luciana Turatti: Vejo que Lajeado tem tentado estreitar a relação. Isso fica caracterizado por alguns movimentos como a revitalização das associações, a recepção aos presidentes no gabinete da prefeita, a participação da administração pública nas reuniões das associações, as ações que vêm sendo realizadas nos bairros, entre outras. Cabe agora à população a compreensão da importância deste movimento e destes espaços no sentido de ocupar cadeiras e locais de representação para tornar os processos de decisão ainda mais participativos e representativos da vontade de uma maioria. AH: Diante dos resultados efetivos da atuação destas entidades, vale a pena manter essas estruturas ativas? Luciana: Talvez seja necessário balizarmos o que podemos compreender como resultado efetivo, pois por vezes, a busca por direitos por parte das organizações civis é alcançada somente em parte e nestes casos não há como dizer que os resultados sejam efetivos. Por exemplo, uma solicitação de verbas para reconstrução de um espaço coletivo. Se a conquista for de somente parte das verbas, não se pode dizer que o pleito foi integralmente atendido e, portanto, apresentou resultado efetivo. De qualquer forma, é importante referir que mesmo não alcançando os resultados pretendidos, a participação ativa dos cidadãos nos diferentes momentos em que se assegura o debate e a manifestação pública é, com certeza, um momento de grande importância, pois tal medida reforça o caráter democrático previsto constitucionalmente como um dever das instituições públicas. Além disso, é importante ter presente que as estruturas públicas adotam procedimentos cada vez mais complexos, devido à necessidade de se atender à legislação e as responsabilidades nela previstas e nisto reside mais uma razão para que a população fique atenta ao que é feito com a coisa pública, afinal o administrador público, como o próprio nome diz, administra a coisa pública, ou seja, aquilo que é de
todos. A corrupção, que no Brasil atinge diferentes patamares e estruturas, ocorre justamente pela falta de fiscalização. E, enquanto sociedade, não podemos deixar que a fiscalização seja feita somente por aqueles que possuem tal atribuição. Quanto mais acompanharmos os processos, menor a possibilidade de ocorrerem desvios. Um exemplo claro disso é o que ocorre hoje com o Legislativo. Pergunte a um cidadão comum se este sabe que projetos foram apresentados pelo candidato que este escolheu, em quantas sessões este participou, como o seu candidato votou durante as sessões, onde aplicou as verbas de gabinete e as emendas alcançadas. Tenho certeza de que somente uma minoria saberá responder. AH: Historicamente, o impacto das organizações sempre foi relevante, mas você acredita que com o tempo elas foram perdendo relevância? Luciana: A relevância das organizações civis é a mesma desde que foi formalizada a Constituição Federal de 1988. Ela não mudou. O que se alterou foi a participação dos cidadãos junto a estas estruturas. Entendo que fomos nos acomodando enquanto sociedade e deixando de participar dos momentos em que isso nos é oportunizado. Além disso, muitos deixaram de participar por entenderem que estes momentos não permitiam de fato a manifestação pública. Outros fatores se somam a estes: a lógica individualista muito presente na sociedade contemporânea, principalmente nas últimas décadas; o sentimento de que a participação não alcança resultados; a descrença nas instituições; o excesso de informações que gera uma sensação de insegurança em relação ao que fazer; entre outros. O grande problema é que tais fatores fazem com que espaços que antes eram reservados ao público, sejam dominados somente por aqueles que têm interesse direto nas pautas que são discutidas. O resultado disso é que muitos projetos, leis e outros atos são votados, sem no entanto, representarem de fato a vontade da maioria. E também é esta a razão para que muitas vezes tenhamos o sentimento de que uma determinada lei não nos representa.
Associações de moradores retomam espaço e fortalecem a representação DIVULGAÇÃO
Após um período em que 11 entidades estavam inativas ou com pendências, o município regularizou as 29 associações existentes, mas a mobilização para manter esses espaços depende da participação dos moradores
A
s associações de moradores são espaços de representação coletiva, responsáveis por aproximar as demandas dos bairros do poder público e mobilizar a comunidade em torno de objetivos comuns. Quando essas entidades deixam de funcionar, os moradores perdem um canal organizado de diálogo, e reivindicações por melhorias passam a depender, muitas vezes, de iniciativas individuais. Em Lajeado, a retomada de associações que estavam inativas evidencia tanto a importância desses espaços quanto os desafios para mantê-los ativos. Há cerca de um ano, 11 associações de moradores do município apresentavam pendências ou estavam inativas. Desde então, houve avanços na organização comunitária. O bairro Centro reativou sua entidade em agosto de 2025, após anos sem representação, enquanto o Carneiros voltou a contar com um presidente depois de mais de dois anos sem diretoria. O movimento mais recente ocorreu no Planalto, cuja associação foi regularizada em 28 de abril de 2026. Com a eleição de uma nova diretoria no Planalto, Lajeado passou a contar com 29 associações ativas, que representam os 28 bairros legalmente instituídos e o Loteamento dos Médicos. No Planalto, a irregularidade persistia desde 2018, situação que impedia a entidade de tomar decisões formalmente e buscar apoio junto ao município. A regularização integra o trabalho da Coordenadoria de Relações Comunitárias e Institucionais, que, por orientação da prefeita Gláucia Schumacher, atuou ao longo do último ano para auxiliar na organização das entidades e na eleição de suas diretorias.
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Representação que vai além das reivindicações Para Günther Meyer, coordenador de Relações Comunitárias e Institucionais, as associações ajudam a administração municipal a identificar as prioridades de cada região a partir da experiência de quem vive nos bairros. “As associações de moradores têm um papel muito importante na representação da comunidade do seu bairro e na aproximação com a gestão pública. É uma forma de representatividade que apresenta as necessidades do bairro com uma visão de perto e pode ajudar a administração municipal a construir soluções para aquilo que é considerado prioridade em cada região”, afirma. Segundo Meyer, a atuação dessas entidades não deve se limitar à apresentação de pedidos ao poder público. A mobilização dos moradores, a realização de encontros e a promoção de atividades coletivas também contribuem para fortalecer os vínculos entre vizinhos e o sentimento de pertencimento. “Quando as pessoas se organizam e participam, o local se desenvolve”, diz. A importância dessa organização também aparece em situações que exigem apoio mútuo. Deolí Gräff, que atua na coordenação de atividades entre associações de bairro, destaca a capacidade dessas lideranças de mobilizar a comunidade em momentos de dificuldade, como doenças, catástrofes e conflitos entre moradores. “Se um cidadão pede uma melhoria, é uma pessoa que está pedindo. Se é a diretoria ou o presidente da associação, ele representa a comunidade do bairro. E aí o olhar do administrador municipal tem essa diferença”, avalia. Para Gräff, a organização
Centro ficou anos sem entidade
As associações de moradores têm um papel importante na representação da comunidade do seu bairro e na aproximação com a gestão pública. “ GÜNTHER MEYER COORDENADOR DE RELAÇÕES COMUNITÁRIAS E INSTITUCIONAIS
comunitária também favorece a convivência social e a realização de eventos. A presença de uma liderança reconhecida permite articular demandas e reunir moradores em torno de iniciativas que dificilmente teriam a mesma força de forma isolada.
A trajetória do Centro ilustra os efeitos da ausência de uma representação organizada. Segundo Euclides Rodrigues, representante da associação do bairro, a entidade teve atuação em 2010 e 2011, mas acabou extinta. Depois desse período, os moradores permaneceram sem uma associação até a retomada da iniciativa, em agosto de 2025. “Com exceção desses dois anos, os moradores não tinham representatividade e cada um tentava resolver seus problemas como achavam melhor”, relata. A nova entidade surgiu da articulação de um grupo de moradores que pretende estabelecer uma atuação permanente. De acordo com Rodrigues, a associação conta com um grupo estruturado de associados e pessoas dispostas a colaborar com os assuntos de interesse do bairro. “No ano passado, um grupo de moradores se uniu e, em agosto de 2025, foi criada a nossa associação, que nasceu com um propósito de ser forte e atuante. Estamos levando a sério esse propósito”, afirma.
Manutenção é desafio permanente A regularização das 29 entidades representa um avanço na estrutura de representação comunitária de Lajeado, mas não garante, por si só, a continuidade das atividades. A existência formal de uma associação precisa ser acompanhada de participação, renovação de lideranças e envolvimento dos moradores. A ausência desses elementos pode enfraquecer a entidade até que ela deixe de atuar. Quando isso ocorre, além da perda de um canal de interlocução com o poder público, a comunidade pode ficar sem um espaço de mobilização para eventos, iniciativas solidárias e encaminhamento de problemas comuns. Na avaliação de Gräff, as diferenças entre os bairros ajudam a perceber os efeitos da presença ou da ausência dessas organizações. “Em Lajeado, em modo especial, se percebe nitidamente onde a associação de moradores é atuante e onde ela não é tão presente. Isso se percebe em vários bairros. Essa é a prova, a evidência da necessidade e da importância da presença da associação de moradores no bairro”, afirma.
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O desafio de Os novos dirigentes assumir e renovar A FELIPE NEITZKE
ceitei a presidência da Associação de Moradores do Centro em agosto de 2025 porque acredito na força da comunidade organizada e na importância de dar voz aos moradores da região central. Embora já tenha participado de diversas entidades e iniciativas voltadas ao desenvolvimento comunitário, o desafio atual é especial por marcar a retomada da associação após anos de inatividade. Nossa proposta é construir uma gestão participativa, ouvindo os moradores e envolvendo a comunidade nas decisões. Entre as principais pautas estão a revitalização da Praça da Matriz e da Rua Júlio de Castilhos, a segurança pública, a arborização, a qualificação dos espaços públicos e melhorias na organização urbana. Conciliar o trabalho voluntário com a vida pessoal exige organização e divisão de responsabilidades com a diretoria. Em relação ao poder público, buscamos manter um diálogo respeitoso e colaborativo, mas entendemos que a associação precisa ser mais ouvida e participar das discussões antes que as decisões sobre o bairro sejam tomadas. Euclides Rodrigues / bairro Centro
A
ssumi a presidência da Associação de Moradores do Bairro Florestal em março de 2026, motivado pelo incentivo do vicepresidente, Sadi Marques. Embora nunca tivesse participado de uma diretoria comunitária, aceitei o desafio por acreditar que é importante contribuir com o bairro. Minha principal meta é trabalhar pelo desenvolvimento da comunidade, com foco na construção do novo ginásio de esportes e recreação. Procuro fazer o melhor possível para os moradores e conto com o apoio da diretoria para enfrentar os desafios da função. Também mantenho um diálogo positivo com a Prefeitura e as demais autoridades, pois considero essa relação fundamental para buscar melhorias para o bairro.
Pelo menos dez das 29 entidades renovaram suas diretorias no último ano, em um movimento que busca fortalecer a representação comunitária e a interlocução com o poder público
Jamur Hofsteter / bairro Florestal
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elo menos dez das 29 associações de moradores de Lajeado passaram por renovação de lideranças no último ano. Os bairros Carneiros, Centro, Conventos, Das Nações, Floresta, Florestal, Hidráulica, Planalto e Santo Antônio estão entre as comunidades que elegeram novas diretorias para o próximo biênio, em um movimento que sinaliza a entrada de uma nova geração na representação comunitária. As associações desempenham papel de interlocução entre moradores e poder público, encaminhando demandas relacionadas à infraestrutura urbana, segurança, mobilidade, lazer e serviços públicos. A troca de lideranças ocorre em um momento em que os bairros enfrentam desafios ligados ao crescimento urbano e à necessidade de ampliar a participação da população nas decisões que impactam o cotidiano das comunidades. O principal canal de diálogo entre as associações e a administração municipal é a Coordenadoria de Relações
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Comunitárias e Institucionais. Conforme o coordenador Günther Meyer, o setor atua como ponte entre o poder público, as entidades e a população. “A equipe atua justamente fazendo essa ponte entre o poder público, as associações, as entidades e a comunidade”, afirma. Segundo Meyer, as diferentes áreas da coordenadoria trabalham de forma integrada para receber demandas dos bairros e encaminhá-las às secretarias competentes. “Todas trabalham de forma integrada e mantêm um canal aberto para receber demandas, ouvir as necessidades dos bairros e encaminhar as solicitações junto às secretarias responsáveis.”
Na área de Relações Comunitárias, o contato ocorre diretamente com os presidentes das associações e com os moradores. Já a área de Relações Institucionais presta apoio às entidades e auxilia em processos como elaboração de estatutos e articulação entre associações. “Há um contato direto com os presidentes das Associações de Moradores e com os cidadãos, nas demandas relacionadas aos bairros e às estruturas de lazer”, ressalta. A coordenadoria funciona no terceiro andar do Centro Administrativo. O atendimento pode ser feito presencialmente, pelo telefone (51) 3982-125 ou pelo WhatsApp (51) 999424082.
ssumi a presidência da Associação de Moradores do Bairro Planalto em abril de 2026 porque percebi que a comunidade precisava de mais apoio e estava esquecida pelo poder público. Nunca havia participado de uma diretoria comunitária, mas aceitei o desafio para buscar melhorias para os moradores. Hoje, nossas principais lutas são a conquista de um posto de saúde e de uma creche, já que o bairro está defasado em serviços e infraestrutura. Em relação à Prefeitura, avalio que o diálogo existe, mas o atendimento às demandas é muito lento. Muitos pedidos simples levam meses para receber retorno, o que acaba dificultando o avanço das melhorias que a comunidade espera. Selemar Nunes / bairro Planalto
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ssumi a presidência da Associação de Moradores do Bairro Carneiros em outubro de 2025 após ser convidado por um grupo de moradores. Como ninguém queria assumir a função e a entidade estava há cerca de cinco anos sem presidente, aceitei o desafio para ajudar a comunidade, junto com os demais integrantes da diretoria. Já tive experiências em trabalhos comunitários, auxiliando a Comunidade Nossa Senhora dos Navegantes, em Carneiros, e também atuo há 13 anos na Central Regional de Tratamento e Recuperação do Alcoolismo, onde sou administrador. Hoje, a diretoria está mobilizada para atender as necessidades do bairro, mesmo sem ter um projeto específico de mudanças definido neste momento. Durante o período sem diretoria, muitas demandas deixaram de ser encaminhadas ao poder público, o que acabou prejudicando a representatividade do bairro. Desde a pandemia, apenas Carlos Ruschel mantinha os cuidados com o ginásio comunitário, praticamente sozinho. Ademir Becker / bairro Carneiros
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ssumi a presidência da Associação de Moradores do Bairro Hidráulica em agosto de 2025 e, apesar dos desafios, tenho trabalhado junto com uma equipe muito participativa para fortalecer a entidade e aproximar a comunidade. Embora nunca tenha ocupado o cargo de presidente, sempre estive envolvida em ações comunitárias e procuro incentivar a participação dos moradores. Neste primeiro ano de gestão, promovemos eventos, atividades de saúde e melhorias na sede da associação, buscando tornar o espaço mais ativo e acolhedor. O diálogo com a Prefeitura tem sido positivo, ajudando no encaminhamento de demandas do bairro. Atualmente, a associação possui sede própria e trabalha na regularização do CNPJ, após um período sem diretoria. Nosso objetivo é ampliar as atividades e continuar promovendo ações voltadas ao bem-estar e à integração da comunidade.
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aço parte da diretoria da associação desde 2024 e assumi a presidência em dezembro de 2025. Aceitei o desafio porque participo da comunidade e quero contribuir ainda mais com o desenvolvimento do bairro. Nossa principal meta é buscar melhorias para o Floresta, especialmente em infraestrutura. Conseguimos manter e fazer pequenos reparos no ginásio com recursos próprios, mas dependemos da prefeitura para obras maiores. Infelizmente, muitas demandas seguem sem solução. O bairro está em forte crescimento, com muitas empresas e novos empreendimentos, mas ainda carece de investimentos públicos compatíveis com sua importância para a economia do município. Maicon Santos / bairro Floresta
Isabel Martins / bairro Hidráulica
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ssumi a presidência da Associação de Moradores do Bairro Das Nações em fevereiro de 2026 com o objetivo de dar continuidade ao trabalho realizado pela gestão anterior e buscar novas atividades para a comunidade, como escolinhas de futebol e outras ações voltadas aos moradores. Já tive experiência em associações comunitárias há cerca de 25 anos, o que me ajudou a entender melhor os desafios da representação dos moradores. Entre as prioridades da atual gestão estão a união da comunidade, a busca por melhorias na infraestrutura do bairro, especialmente em ruas que precisam de pavimentação, além de investimentos na sede da associação. Conciliar o trabalho, a família e a atividade voluntária exige organização, mas procuro reservar tempo para atender às demandas da comunidade. Em relação ao poder público, o diálogo tem sido difícil, com pouca atenção às necessidades do bairro. Mesmo assim, sigo buscando soluções e cobrando melhorias para os moradores.
ui reeleito no último dia 5 para seguir à frente da Associação de Moradores do Bairro Americano por mais um biênio. O trabalho da nossa diretoria consiste em buscar melhorias na infraestrutura pública, como a conservação das ruas, calçadas, iluminação, abastecimento de água e outras demandas da comunidade. O Bairro Americano conta com apenas um equipamento público, a Praça do Papai Noel, que é um importante ponto de encontro das famílias nos fins de tarde e finais de semana. Apesar disso, estamos localizados em uma área de fácil acesso aos serviços de saúde, educação e lazer disponíveis nos bairros vizinhos.
Paulo Dias / bairro Das Nações
Adair Ruppenthal / bairro Americano
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Município assume lacuna deixada por colapso da Uambla Quase uma década após a desativação da entidade dos bairros, dívidas históricas continuam na Justiça e o Executivo local preenche atuação na organização social
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história comunitária em Lajeado guarda a memória de apogeu e dissolução daquela que foi a principal força social do município. Criada em 1986 para unir moradores, a União das Associações de Moradores de Bairros de Lajeado (Uambla) exerceu forte protagonismo por décadas. Quase dez anos após o fim das ações, a instituição não existe mais no cotidiano local. O vácuo deixado pela antiga federação coube ao município, que hoje lidera o diálogo e a mobilização direta das lideranças comunitárias. Quem detalha esse desfecho é Deolí Gräff, atual coordenador de Relações Institucionais da Prefeitura de Lajeado. Ele aponta que a desativação ocorreu entre 2015 e 2016. O encerramento deixou sequelas.”Ficou um rastro na época, com dívidas e causas trabalhistas. Inclusive há uma pendência até hoje na Justiça a respeito de um pagamento, pois a entidade ficou sem patrimônio,
sem bens, sem nada”. A trajetória da Uambla teve forte vínculo com o rotativo pago, criado por lei municipal em 1985. A entidade assumiu o serviço em fevereiro de 1996, sob convênio com o prefeito Leopoldo Pedro Feldens. O acordo previa a gestão das vagas, a folha salarial e o repasse dos lucros para projetos sociais. Por anos, o sistema sustentou a estrutura comunitária. No auge, reuniu 50 trabalhadores com carteira assinada em 64 quadras centrais. Em outubro de 2013, o fluxo registrava 30 mil veículos por mês e rendia R$ 75 mil mensais aos cofres da união. Porém, a dependência dessa receita gerou forte desequilíbrio. A partir de 2009, as despesas superaram as receitas. O piso salarial dos cobradores subiu de R$ 477 para R$ 700, enquanto a tarifa permaneceu em R$ 0,75 por meia hora e R$ 1,25 por hora. Com inadimplência em 35%, a Uambla tomou empréstimos para quitar o 13º salário.
Éramos um grupo bem unido. Praticamente todas as associações faziam parte, poucos os que não compareciam” MARTIRES VALANDRO EX-PRESIDENTE DA UAMBLA
Líderes dos bairros têm se reunido com frequência em encontros organizados pelo município
Intervenção judicial O modelo atraiu questionamentos legais. Em 2012, o promotor Carlos Augusto Fioriolli moveu ação civil pública contra a concessão sem licitação, sob a tese de que o serviço exigia concorrência formal. O Ministério Público também criticou a compra ARQUIVO
de vagas para turnos inteiros, prática que anulava a rotatividade dos veículos. Em 2013, Marcos Salvatori assumiu a presidência com a condição de encerrar o rotativo. A saída do sistema retirou a principal fonte de receita da instituição. Em 2017, as dívidas superavam R$ 100 mil com o INSS e alcançavam R$ 300 mil em ação trabalhista de exfuncionário da Rádio Legal. O momento mais agudo ocorreu em dezembro de 2014, quando a Justiça penhorou móveis, computadores e eletrodomésticos da sede.
Resistência comunitária Eleita em 2017 em chapa única, Martires Valandro vivenciou de perto a desestruturação material da entidade, mas apostou no diálogo com a base. Mesmo sem os recursos do passado, ela promoveu encontros mensais expressivos. “Nós tínhamos uma relação muito boa porque eu fazia um trabalho de aproximação
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com essas associações e a administração. Cheguei a ter mais de 100 pessoas em várias reuniões mensais. A administração pública participava e nós fazíamos um trabalho diferenciado: a cada mês eu convidava um secretário para a explanação do seu trabalho, e os presidentes de associações enviavam perguntas para os secretários”, pontua. Martires também exalta o papel dos líderes comunitários que dedicaram anos aos seus bairros e lamenta a falta de apoio social ao esforço voluntário. “Éramos um grupo bem unido. Praticamente todas as associações faziam parte, poucos os que não compareciam. Uma das pessoas que muito ajudou a associação do seu bairro foi o Beto Schneider, que veio a falecer. Trabalhou muito para a associação, para aquele bairro, ele fez muito por aquele bairro, e assim vários outros. Mas o voluntariado, infelizmente, não é reconhecido pela população, e isso é muito triste”.
Novo arranjo comunitário A tentativa de reorganização por meio do Centro de Apoio às Associações não conteve a dissolução da antiga estrutura. Em
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Ascensão e queda da Uambla 1985
2013
Lei municipal institui o estacionamento rotativo pago nas vias públicas de Lajeado, operado pelo Executivo com quatro cobradoras
Marcos Salvatori assume a presidência com a condição expressa de retirar a Uambla do rotativo. Em outubro daquele ano, antes do encerramento final, o sistema ainda atendia 30 mil veículos e arrecadava cerca de R$ 75 mil mensais em 64 quadras
1986 Ocorre a fundação da União das Associações de Moradores de Bairros de Lajeado (Uambla) para congregar as comunidades e representar as lideranças locais
1990 e 1993 Exploração do rotativo passa temporariamente ao Conselho Comunitário Pró-Segurança (Consepro) em 1990 e, em 1993, ao Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (Comudical)
1996 Nova lei autoriza repassar o serviço a entidades sociais e a Uambla assume a administração do rotativo por convênio firmado com o prefeito Leopoldo Pedro Feldens
2005
2018, a permuta do prédio histórico no Centro por área no Rio Taquari selou o destino físico da união. Além da perda da sede, a quebra de um elo financeiro histórico desestabilizou as comunidades. Gräff recorda que, no auge da Uambla, a prefeitura repassava recursos à entidade para distribuição aos bairros, verba que custeava as necessidades mais urgentes. Contudo, uma alteração na legislação proibiu o Executivo de efetuar repasses diretos às associações, fator que aprofundou a crise dos grupos locais. Após fases de transição com Martires e com Ítalo Reali, o setor ampliou seu alcance para acolher outras organizações civis. Hoje, a Coordenadoria de Relações Institucionais — formada por Deolí Gräff, Daiane Bauer e Günther Meyer — presta suporte técnico a cerca de 50 entidades, entre 29 associações de moradores e mais de 20 organizações sociais. O foco atual recai sobre o amparo documental. Regularização de atas, CNPJs e criação de novas entidades. Gräff ressalta a complexidade das reformas estatutárias. “É um trabalho que não aparece muito porque exige muito estudo e muita leitura. A reforma de estatuto é a pior tarefa: você mexe em um artigo e já afeta outro. Mas gosto de fazer isso e sigo com essa missão”.
Legislação municipal ratifica a autorização para o Executivo transferir o serviço por convênio
2008 a 2011 Piso dos cobradores sobe sucessivamente de R$ 477 para R$ 700 sem reajuste das tarifas (congeladas em R$ 0,75 e R$ 1,25), o que gera saldos negativos a partir de 2009 e leva a entidade a contrair empréstimo bancário para pagar o 13º salário
2012 Ministério Público ingressa com ação civil pública para anular o convênio de 16 anos por ausência de licitação e critica o desvirtuamento das vagas
2014 Justiça executa a penhora de bens da sede (computadores, móveis e eletrodomésticos) para amortizar processo trabalhista de quase R$ 300 mil movido por ex-funcionário da Rádio Legal
2015 a 2016 Sem a receita do rotativo e sufocada por dívidas fiscais e trabalhistas, a Uambla encerra as atividades e é desativada
2017 Martires Valandro é eleita presidente em chapa única; na prática, a entidade já não operava e dependia do CNPJ do Centro de Apoio às Associações e da Rádio Legal para existir formalmente
2018 Executivo envia à Câmara o projeto de permuta do prédio histórico da Uambla no Centro por uma área de três hectares às margens do Rio Taquari para a construção do Parque Ney Santos Arruda
ATUALMENTE Com a dissolução definitiva da entidade e a pendência de processos judiciais por falta de patrimônio, a Coordenadoria de Relações Institucionais da Prefeitura assume o papel de intermediar as demandas e mobilizar as diretorias de bairro
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O QUE É NOTÍCIA NOS BAIRROS Problemas na praça limitam lazer e esporte no Centenário
Associação do Bom Pastor recorre à Justiça para barrar fechamento de rua
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Associação dos Moradores do Bairro Bom Pastor recorreu ao Tribunal de Justiça para tentar impedir o fechamento da rua Carlos Henrique Schmitt, trecho utilizado pela comunidade para acessar a BR-386 e a passarela de pedestres. A entidade também solicitou à 2ª Vara Cível de Lajeado que reexamine o caso com base em documentos apresentados ao processo pelo Ministério Público. A iniciativa ocorre após a Justiça revogar, em 28 de setembro, a liminar
que impedia a proprietária da área de bloquear a passagem. A decisão anterior havia sido concedida em favor da associação, mas foi revista após a análise de informações técnicas encaminhadas pela Prefeitura, que apontaram a localização do trecho em propriedade privada e a existência de acessos alternativos à rodovia. A associação sustenta, no entanto, que documentos municipais indicam que o fechamento da passagem está condicionado à abertura de uma nova via. A nova rua foi declarada de utilidade pública pelo município em
2024, mas ainda não foi implantada. Conforme os documentos juntados pelo Ministério Público, existe desde 2018 um acordo administrativo para a abertura da nova via. A proprietária da área também teria solicitado, em 2023, uma certidão que previa a condição para o fechamento da passagem atual. Para a Associação dos Moradores, a existência dessa condição é fundamental para a análise do caso, pois a passagem atual deveria permanecer aberta até que a nova ligação viária estivesse disponível à comunidade.
Acúmulo de água, lama e falta de gramado adequado para a prática esportiva estão entre os problemas enfrentados pelos moradores que frequentam a praça Ouro Verde, no bairro Centenário. A estrutura também apresenta brinquedos quebrados e condições que, segundo a presidente da associação de moradores, Raquel Oliveira da Rosa, comprometem o uso do espaço para atividades de lazer, convivência e esporte. De acordo com a representante da comunidade, os pedidos por melhorias se arrastam há quase três anos, sem que os moradores tenham acesso às informações completas sobre o projeto de revitalização. Embora afirme ter visto uma proposta apresentada pelo município, Raquel diz que o documento não foi disponibilizado para que pudesse ser discutido com a comunidade. A situação da praça também afeta a realização de atividades comunitárias. Um evento alusivo ao Dia das Crianças, previsto para o local, precisará ser transferido para outro espaço. Conforme Raquel, o campo está alagado e coberto de barro, enquanto a drenagem executada não apresentou o resultado esperado.
A falta de condições adequadas e a preocupação com a segurança das instalações elétricas dos brinquedos levaram à decisão de adotar um plano alternativo. Em nota, a prefeitura informa que, em 2025, foi executada uma obra de drenagem do terreno, com a instalação de novas bocas de lobo, para reduzir os problemas de acúmulo de água no local. No início de 2026, também foi reformada a pista de caminhada, com melhorias na pavimentação e nos meios-fios. Em junho de 2026, foi construída uma nova calçada no acesso pela rua Carlos Chagas e realizado o cercamento para evitar a entrada indevida de veículos. A Secretaria de Serviços Urbanos planeja ainda implantar um campo de futebol com grama sintética no local, com cercamento e iluminação. Em relação às condições atuais do espaço relacionados aos brinquedos danificados, uma equipe já está no local para verificar a situação e identificar as providências necessárias. Em relação à presença de lama no local, o período prolongado de chuvas e a ausência de dias consecutivos de sol têm contribuído para manter o solo encharcado.
Assembleia reelege Adair Ruppenthal presidente do bairro Americano As demandas de infraestrutura do bairro Americano estiveram entre os principais assuntos discutidos durante a assembleia geral ordinária da Associação de Moradores. O encontro também marcou a eleição da nova diretoria para o mandato de 2027 e 2028. Como houve apenas uma chapa inscrita, a eleição ocorreu por aclamação. O empresário Adair Ruppenthal foi reeleito presidente da entidade, tendo Rosemeri Alessio como vice-presidente. Durante a discussão de assuntos
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gerais, moradores indicaram melhorias consideradas necessárias no bairro. Entre as principais reivindicações está a conservação das ruas, especialmente da avenida dos 15. Também foram relatados problemas relacionados ao escoamento da água da chuva e bocas de lobo danificadas. Segundo Ruppenthal, a associação tem como objetivo buscar melhorias na infraestrutura pública, incluindo conservação das ruas, calçadas, iluminação e abastecimento de água. O presidente reeleito também
ressaltou a localização do bairro e a estrutura disponível aos moradores. Conforme ele, o Americano conta atualmente com apenas um equipamento público, a Praça do Papai Noel, enquanto serviços de saúde, educação e lazer estão disponíveis em bairros próximos. Antes da eleição, a assembleia também analisou a prestação de contas da diretoria. O relatório apontou uma conta de R$ 1,6 mil a pagar ao escritório de contabilidade, referente à manutenção do CNPJ da associação.
Instrumento político
MATEUS SOUZA mateus@grupoahora.net.br
IMAGEM GERADA POR IA
O fortalecimento das associações de moradores ajuda a formar novas lideranças na cidade. E, inevitavelmente, isso respinga na política partidária. Essas pessoas são observadas de perto por agremiações políticas e acabam convidados para assinar a ficha de filiação partidária. E isso faz parte do jogo. Nos últimos anos, temos visto
nomes que ganharam visibilidade nas entidades comunitárias ingressarem na política. Alguns construíram (e constroem) trajetórias bem sucedidas, enquanto outros ainda buscam o seu espaço. Querendo ou não, também é um instrumento político. O problema é quando o papel é distorcido e as ações deixam de ser em prol do bem estar das pessoas.
Associações “sem bairros” Lajeado tem o privilégio de contar com associações de moradores de localidades que não são consideradas “bairro”, mas possuem importância no cotidiano da comunidade. O exemplo mais conhecido é o Loteamento dos Médicos, situado dentro do São Cristóvão, mas com vida própria e muitas ações próprias importantes. E também o Verdes Vales, junto ao Universitário. E soube que há outros buscando essa “autonomia”. A ver…
O peso da participação
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esses três anos e meio de projeto “Lajeado – Um novo olhar sobre os Bairros”, pude perceber o quão importante é a participação comunitária na luta e cobrança por investimentos nas comunidades. A cidade, ainda que não seja grande em extensão, cresce de forma acelerada e, a cada dia, surge uma demanda nova para ser atendida. As associações de moradores, diante deste contexto, possuem
um importante papel na democracia local. São entidades legítimas, formadas por pessoas que conhecem como poucos os bairros onde residem. Muitos nasceram, cresceram e hoje empreendem nessas localidades. Outros são residentes novos, cheios de sonhos, mas que buscam um espaço cada vez melhor para chamar de seu. A participação da população em entidades comunitárias são essenciais para o fortalecimento e
desenvolvimento dos bairros. Podem não resolver um problema, mas fazem a ponte entre aquele morador que deseja ver sua rua pavimentada e o município, que deve correr atrás para atender ao pedido. O caderno deste mês representa mais uma oportunidade para que as associações mostrem o seu trabalho e ocupem os canais de comunicação para que suas palavras e vozes ecoem pelo município e cheguem até o Poder Público. Um riquíssimo material.
Exercício da democracia ARQUIVO A HORA
Fico feliz quando sou informado que uma eleição de associação terá mais de uma chapa inscrita. Mostra o interesse da comunidade em ocupar esses espaços. Tivemos alguns exemplos recentes na cidade, como nos bairros Jardim do Cedro, Nações e Santo Antônio, com renovações e continuidades. A possibilidade de alternância faz bem para o processo democrático. E, se a gestão for boa de fato, ela será reconhecida por meio do voto da maioria dos moradores, seja com a reeleição ou com um sucessor. Espero ver boas e respeitosas disputas nos próximos meses, pois há diretorias prestes a serem renovadas.
DAS RUAS A cada ano que passa, aumenta a estrutura da Semana Farroupilha de Lajeado no Parque dos Dick. Neste ano, a programação mais uma vez foi um sucesso. E, felizmente, o tempo colaborou. Com os indicativos de um Super El Niño e as projeções de chuvas mais frequentes neste segundo semestre, havia o temor de uma grande enchente em meio às festividades. Desta vez, tudo ficou bem; – Aliás, e sobre isso, algumas pessoas, muitas delas ligadas ao tradicionalismo, defendiam a mudança de local da programação para evitar qualquer possibilidade de adiamento, como ocorreu em 2023, por exemplo. Mas fico pensando: para onde levar o evento? O Parque dos Dick tem a seu favor a localização central, de fácil acesso. Pesa o fato de ser área alagável – e com cota baixa; – Manter a Semana Farroupilha nos Dick também é um ato de valorização do Centro de Lajeado. Dá vida a uma região
importante para a nossa história, em um momento onde lideranças empresariais e autoridades ampliam o olhar sobre essa parte da cidade. O A Hora, por exemplo, tem o projeto “Lajeado Pulsa Aqui” como um exemplo deste movimento; – Quanto a programação do Natal no Coração, prevista para iniciar no fim de novembro, a expectativa é de o evento ocorra pela segunda vez no Parque Ney Santos Arruda. A edição do ano passado foi considerada um sucesso pela administração, embora tenha enfrentado algumas críticas pontuais; – E o Parque do Imigrante segue à espera de mais uma edição da Expovale Construmóbil. Com todo seu espaço a disposição do evento, após Acil e município acertarem o adiamento da obra do Pavilhão 1. Ao meu ver, não faria sentido manter a programação normal em meio a um canteiro de obras na entrada do parque.
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